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- 1 -
- 2 -
Cristiana Costa Lima
Kathiuscia Ap. Freitas Pereira Coelho
Luciana Gonçalves Pereira de Paula
Mariléia Goin
Vera Núbia Santos
Organizadoras
SERVIÇO SOCIAL 
AO REDOR DO MUNDO
Debate crítico sobre fundamentos e 
formação profissional
A presente obra foi financiada pela
Apoio:
- 3 -
Comitê Científico - Alexa Cultural
Presidente
Yvone Dias Avelino (PUC/SP)
Vice-presidente
Pedro Paulo Abreu Funari (UNICAMP)
Membros
Adailton da Silva (UFAM – Benjamin Constant/AM) 
Aldair Oliveira de Andrade (UFAM – Manaus/AM)
Alfredo González-Ruibal (Universidade Complutense de Madrid/Espanha)
Ana Cristina Alves Balbino (UNIP – São Paulo/SP)
Ana Paula Nunes Chaves (UDESC – Florianópolis/SC)
Arlete Assumpção Monteiro (PUC/SP - São Paulo/SP)
Barbara M. Arisi (UNILA – Foz do Iguaçu/PR)
Benedicto Anselmo Domingos Vitoriano (Anhanguera – Osasco/SP)
Carmen Sylvia de Alvarenga Junqueira (PUC/SP – São Paulo/SP)
Claudio Carlan (UNIFAL – Alfenas/MG)
Débora Cristina Goulart (UNIFESP – Guarulhos/SP)
Denia Roman Solano (Universidade da Costa Rica)
Diana Sandra Tamburini (UNR – Rosário/Santa Fé – Argentina) 
Edgard de Assis Carvalho (PUC/SP – São Paulo/SP)
Estevão Rafael Fernandes (UNIR – Porto Velho/RO)
Fábia Barbosa Ribeiro (UNILAB – São Francisco do Conde/BA)
Gilse Elisa Rodrigues (UFAM – Benjamin Constant/AM)
Fabiano de Souza Gontijo (UFPA – Belém/PA)
Gilson Rambelli (UFS – São Cristóvão/SE)
Graziele Acçolini (UFGD – Dourados/MS)
Iraíldes Caldas Torres (UFAM – Manaus/AM) 
Juan Álvaro Echeverri Restrepo (UNAL – Letícia/Amazonas – Colômbia) 
Júlio Cesar Machado de Paula (UFF – Niterói/RJ)
Karel Henricus Langermans (Anhanguera – Campo Limpo - São Paulo/SP)
Kelly Ludkiewicz Alves (UFBA – Salvador/BA)
Leandro Colling (UFBA – Salvador/BA)
Lilian Marta Grisólio (UFG – Catalão/GO)
Lucia Helena Vitalli Rangel (PUC/SP – São Paulo/SP)
Luciane Soares da Silva (UENF – Campos de Goitacazes/RJ)
Mabel M. Fernández (UNLPam – Santa Rosa/La Pampa – Argentina)
Marilene Corrêa da Silva Freitas (UFAM – Manaus/AM)
María Teresa Boschín (UNLu – Luján/Buenos Aires – Argentina) 
Marlon Borges Pestana (FURG – Universidade Federal do Rio Grande/RS)
Michel Justamand (UFAM – Benjamin Constant/AM)
Patricia Sposito Mechi (UNILA – Foz do Iguaçu/PR)
Paulo Alves Junior (FMU – São Paulo/SP)
Raquel dos Santos Funari (UNICAMP – Campinas/SP)
Renata Senna Garrafoni (UFPR – Curitiba/PR)
Rita de Cassia Andrade Martins (UFG – Jataí/GO)
Roberta Ferreira Coelho de Andrade (UFAM – Manaus/AM)
Tharcisio Santiago Cruz (UFAM – Benjamin Constant/AM)
Thereza Cristina Cardoso Menezes (UFRRJ – Rio de Janeiro/RJ)
Vanderlei Elias Neri (UNICSUL – São Paulo/SP)
Vera Lúcia Vieira (PUC – São Paulo/SP)
Wanderson Fabio Melo (UFF – Rio das Ostras/RJ)
- 4 -
Embu das Artes - SP
2024
Cristiana Costa Lima
Kathiuscia Ap. Freitas Pereira Coelho
Luciana Gonçalves Pereira de Paula
Mariléia Goin
Vera Núbia Santos
Organizadoras
SERVIÇO SOCIAL 
AO REDOR DO MUNDO
Debate crítico sobre fundamentos e 
formação profissional
- 5 -
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS
CONSELHO EDITORIAL
Presidente
Henrique dos Santos Pereira
Membros
Antônio Carlos Witkoski 
Domingos Sávio Nunes de Lima
Edleno Silva de Moura
Elizabeth Ferreira Cartaxo
Spartaco Astolfi Filho
Valeria Augusta Cerqueira Medeiros Weigel
Comitê editorial da EDUA
Louis Marmoz - Université de Versailles
Antônio Cattani - UFRGS
Alfredo Bosi - USP
Arminda Mourão Botelho - Ufam
Spartacus Astolfi - Ufam
Boaventura Sousa Santos - Universidade de Coimbra
Bernard Emery - Université Stendhal-Grenoble 3
Cesar Barreira - UFC
Conceição Almeira - UFRN
Edgard de Assis Carvalho - PUC/SP
Gabriel Conh - USP
Gerusa Ferreira - PUC/SP
José Vicente Tavares - UFRGS
José Paulo Netto - UFRJ
Paulo Emílio - FGV/RJ
Élide Rugai Bastos - Unicamp
Renan Freitas Pinto - Ufam
Renato Ortiz - Unicamp
Rosa Ester Rossini - USP 
Renato Tribuzy - Ufam
Diretor da Edua
Sérgio Augusto Freire de Souza
Vice-Reitora
Therezinha de Jesus Pinto Fraxe
Reitor
Sylvio Puga
- 6 -
“A arma da crítica não pode, é claro, substituir a crítica da arma, o poder 
material tem de ser derrubado pelo poder material, mas a teoria também se torna 
força material quando se apodera das massas. (...) Ser radical é agarrar a coisa 
pela raiz. Mas a raiz, para o homem, é o próprio homem”. 
Karl Marx. 
Crítica do direito de Hegel. 
Tradução Rubens Enderle, Leonardo de Deus. 
São Paulo: Boitempo, 2013, p. 151.
- 7 -
© by Alexa Cultural
Direção
Gladys Corcione Amaro Langermans
Nathasha Amaro Langermans
Editor
Karel Langermans
Capa
Klanger
Revisão da Língua Portuguesa
Marisa De Lucia
Revisão Técnica
Cristiana Costa Lima, Kathiuscia Ap. Freitas Pereira Coelho,
Luciana Gonçalves Pereira de Paula, Mariléia Goin e Vera Núbia Santos
Editoração Eletrônica
Alexa Cultural
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Serviço social ao redor do mundo: debate crítico sobre fundamentos e forma-
ção profissional / Cristiana Costa Lima et. all. – São Paulo: Alexa Cultural; 
Manau: EDUA, 2024.
206 p. : il. ; 14 x 21 cm
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-5467-485-4
 
1. Serviço social. 2. Formação Profisional. 3. Políticas sociais. I. Lima, Cris-
tiana Costa. II. Coelho, Kathiuscia Ap. Freitas Pereira. III. Paula, Luciana 
Gonçalves Pereira de. IV. Goin, Mariléia. V. Santos, Vera Núbia.
3. Direito
 ‘ CDD 361
Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422
Índice para Catálogo Sistemático
Serviço social
Formação Profisional
Políticas sociais
Todos os direitos reservados e amparados pela Lei 5.988/73 e Lei 9.610
É proibida a reprodução parcial ou integral sem a autorização das organizadoras e/ou editora
Alexa Cultural Ltda 
Rua Henrique Franchini, 256
Embú das Artes/SP - CEP: 06844-140
alexa@alexacultural.com.br
alexacultural@terra.com.br
www.alexacultural.com.br
www.alexaloja.com
Editora da Universidade Federal do Amazonas
Avenida Gal. Rodrigo Otávio Jordão Ramos, 
n. 6200 - Coroado I, Manaus/AM
Campus Universitário Senador Arthur Virgilio 
Filho, Centro de Convivência – Setor Norte
Fone: (92) 3305-4291 e 3305-4290
E-mail: ufam.editora@gmail.com
S491
- 8 -
PREFÁCIO
Perspectivas nacionais e internacionais de Serviço Social:
 diálogos sobre fundamentos, formação e trabalho profissional 
O diálogo envolvendo os fundamentos, a formação e o tra-
balho do Serviço Social são basilares para o fortalecimento da con-
cepção crítica acerca da sociedade capitalista e para subsidiar o 
enfrentamento no campo das disputas por projetos de profissão (e 
societários), que estão cada vez mais evidentes na contemporanei-
dade, seja no âmbito da graduação, da pós-graduação e também nos 
espaços sócio-ocupacionais. 
Como ponto de partida, queremos concordar com Guerra, em 
um dos textos que compõem este livro, ao sintetizar que “falar de 
fundamentos significa falar da vida nas suas dimensões: natural, so-
cial, econômica, cultural, política, ética e estética, que se consubs-
tanciam em determinados modos de produção históricos e transitó-
rios, dos quais emana determinada sociabilidade”. Neste sentido, a 
discussão dos fundamentos, interligada à formação e ao trabalho, 
é tarefa complexa que carece de exercício sistemático que busque 
perceber a realidade em movimento a partir da visão de totalidade. 
No campo destas discussões, existem importantes nuances a 
serem consideradas, uma das que merece menção é que as disputas 
no cenário atual, na grande maioria das vezes, não têm sido veladas, 
ao contrário, na realidade, elas estão mais intensas, recorrentes e 
evidentes e têm criado fissuras cada vez maiores no âmbito da pro-
fissão e do Serviço Social enquanto área de conhecimento. Os tem-
pos atuais são notadamente marcados pelo avanço do conservado-
rismo, o qual encoraja posturas antidemocráticas, ultraneoliberais, 
autoritárias, anticiência e violadoras de uma diversidade de direitos, 
nos termos de Behring e Boschetti (2008) e de Iamamoto (2019) são 
tempos de barbárie. Desse modo, é na esteira de configuração de umin this process. The continent 
of what we now know as Australia was home to approximately 600 
tribes / nations and over 250 languages before the arrival of Europe-
an conquerors in 1770. The original Australians had lived in harmo-
ny with each other and with the land for over 60 000 years making 
Australia home to the oldest living culture in the world. The arrival 
of foreigners from 1770 onwards, the establishment of Australia as 
a penal colony for England from 1788 to 1823 and the fostering 
of agricultural development during the 1800s facilitated the large-
scale massacres of our Aboriginal peoples that occurred throughout 
the 1800s and 1900s. This shameful genocide in Australia’s colonial 
story is often overlooked when Australia’s historical traditions, in-
cluding those of social work, are discussed. Further, social workers 
have been complicit in practices that have fostered despair amongst 
Aboriginal people such as the removal of children from their par-
ents. This practice was dominant in the 1900s and led to what has 
become known as the ‘Stolen Generation’ – that is children removed 
from their families and placed in institutions from the mid-1800s 
until the 1970s (Healing Foundation 2024). In 1997 the Australia’s 
Human Rights and Equal Opportunity Commission released a re-
port entitled Bringing Them Home. This report detailed the stories 
of Indigenous children and their families impacted by this shameful 
practice (Australian Human Rights Commission 1997).
Thus, when we speak of the history of Australian social work 
we must incorporate not only a focus on recent history and our de-
veloping professional identity, we must also acknowledge that our 
- 42 -
profession has historically been steeped in ‘whiteness’ () and has 
contributed to destructive practices that have broken up families and 
destroyed Indigenous heritage and culture. It is only in more recent 
times that the Australian social work profession has begun to come 
to grips with the past and the roles adopted by social workers in the 
framing of our historical tradition. This has been recognised by our 
professional association, the Australian Association of Social Work-
ers, whose president released a statement in 2004 apologising for the 
past wrongs committed against Aboriginal and Torres Strait Islander 
people and the role of social workers in this process.
The development of professional social work in the twenti-
eth and twenty-first centuries is vastly different from the historical 
foundations laid down during early settlement times. When we write 
of the origins and development of the social work profession in Aus-
tralia, we tend to focus on the modern social work profession whose 
principles have been absorbed from European and American tradi-
tions. What this precludes, and what is now being acknowledged 
across the profession, is that we must also address our historically 
uninterrogated focus on whiteness and colonial conquest and the 
blind disregard for the role social workers played in the creation of 
the Stolen Generation and the harm that was inflicted on so many 
Indigenous children and their families. The National Apology from 
out then Prime Minister, Kevin Rudd in 2008, noted in part:
We apologise for the laws and policies of successive Parlia-
ments and governments that have inflicted profound grief, suf-
fering and loss on these our fellow Australians. We apologise 
especially for the removal of Aboriginal and Torres Strait Is-
lander children from their families, their communities and their 
country (National Museum of Australia 2024).
Further, there are other historical blind spots in our profes-
sion’s development that must also be addressed. These include the 
taking away of the babies of young girls in the interests of saving 
the family any shame attached to unwed motherhood, a practice that 
was condoned for much of the nineteenth and twentieth centures.
- 43 -
1. The Australian profession
Social work in Australia is thus being reshaped around this 
often-painful revisioning of our history and is beginning to absorb 
Indigenous practices such as the incorporation of yarning circles 
(Meldrum et al 2022). Yet as Rowe et al (2015, 296) note, non-In-
digenous social workers often remain unaware of the colonising and 
racist assumptions underpinning their praxis and that our absorp-
tion in Western traditions makes it difficult to facilitate a paradig-
matic shift. This is an ongoing work in progress for the profession in 
Australia, but one that must be undertaken to remove the blind spots 
in our professional history.
Nonetheless, the European/ American traditions have shaped 
contemporary professional social work practice in Australia. These 
include the competing trends fostered by the Settlement movement 
largely centred around Jane Addams practice in Chicago which was 
focused on community development. Addams was a social reform-
er who advocated for green spaces and better working conditions. 
She opposed the idea of charity without attention to the structural 
changes needed to improve the lives and freedoms of those living 
in poverty. She worked successfully to reframe social disadvantage 
from a focus on the demonisation of the poor to an analysis of the 
structural causes of poverty, a precursor to the social work focus on 
community development. Her work shaped social work’s commit-
ment to activism and advocacy – traits that are very much evident in 
Australian university curricula and in the working roles of practic-
ing social workers.
By contrast the Charity Organisation Societies (COS) as evi-
denced by the work of Mary Richmond in the United Kingdom fo-
cused more on individual attention or social casework (Thompson, 
Spano and Koenig 2019). Richmond acknowledged the importance 
of the environment but was more focused on its social aspects. Its 
roots are solidly based in improving the lives of children and fami-
lies, with a more limited analysis of structural issues. For example, 
the Parramatta Female factory was established in Parramatta (now 
a suburb of Sydney) for those women who came as convicts with-
out family. One of the best -known philanthropists of the time was 
- 44 -
Carolyn Chisholm who also established a female immigrants’ home 
for women who came to Australia without support or income. Wom-
en providing support for settlers, convicts and new migrants who 
flocked to Australia during this colonial period were the forerun-
ners of Australia’s social work program providing early examples 
of social work in the context of a major transformation of Australia. 
Throughout the turmoil of the nineteenth and early twentieth centu-
ries, as Australia moved from being a penal colony to a country rich 
in resources, various philanthropic developments by women with 
influence in the developing nation, facilitated a safer environment 
for women and children. 
The early dominance of these COS type initiatives built the 
foundations of what we now recognise as social work with its focus 
on community development practices and individual casework ap-
proaches, drawing on the rich historical traditions of Addams and 
the COS movement. 
2. Contemporary social work 
Currently, there are approximately 4,300 social workers em-
ployed in Australia, a large majority (87%) of whom are women 
with an annual employment growth of 1500 per year and a con-
tinuing and developing demand for social workers across a range 
of areas (Australian government 2024). According to the Australian 
Association of Social Workers, the profession in Australia is one that 
‘advocates for fairness, social justice and human rights’. 
• Although social workers work in diverse roles and settings, 
they are united under a shared vision of ‘wellbeing and so-
cial justice for all’. Striving for this vision means working 
towards a world where: 
• all people have access to adequate, secure and suitable in-
come, healthcare, housing, education, legal support and social 
connections,irrespective of location, background or socio-
economic status
• all people have agency in their lives, and the opportunities 
to exercise choice and fulfill their potential
- 45 -
• poverty has been eradicated because adequate financial sup-
port is available for people with disability, or who are experi-
encing violence, mental illness or hardship
• an emphasis on inclusion drives positive social outcomes 
for all’ (AASW 2024).
In the Australian context social workers adhere to the interna-
tional definition of social work:
Social work is a practice-based profession and an academic 
discipline that promotes social change and development, social 
cohesion, and the empowerment and liberation of people. Prin-
ciples of social justice, human rights, collective responsibility 
and respect for diversities are central to social work. Under-
pinned by theories of social work, social sciences, humanities 
and indigenous knowledges, social work engages people and 
structures to address life challenges and enhance wellbeing. The 
above definition may be amplified at national and/or regional 
levels (IFSW 2024).
3. The development of Social Work as a profession in Australia
One of the most recognisable figures in the development of 
Australian social work was Norma Parker. Norma was born in 1906 
and began her university career in Arts in western Australia, before 
moving to the United States to study social work. She returned to 
Australia during the worst years of the Depression, shocked by the 
evidence of extreme poverty. Her first social work focused contri-
bution was to establish an Almoners department at a major hospital 
in Melbourne and subsequently at a similar hospital in Sydney. She 
also developed social work departments at various other health fa-
cilities in Sydney. In the 1940s she was instrumental in establishing 
the first social work department at the University of Sydney which 
provided the model for social work education across Australia. Nor-
ma Parker was also instrumental in setting up the first professional 
association, the precursor to the Australian Association of Social 
Workers (Lawrence 2004). On her retirement, the Australian Asso-
ciation of Social Workers established an annual Norma Parker ad-
- 46 -
dress (Swain 2015). Since 1969 these addresses given by prominent 
social workers over the years have come to provide a unique re-
cord of the issues of significance to social work over the years. They 
have covered significant issues of our times including the civil rights 
movements, refugees, recession, youth homelessness, a devastating 
cyclone, the Bringing them Home Report, the global financial crisis, 
the 9/11 attacks on the US and much more. These addresses giv-
en by prominent people. Various women including Norma Parker 
trained elsewhere and brought their social work knowledge back to 
Australia, establishing social work programs firstly in Sydney and 
subsequently elsewhere. 
As elsewhere, Australian social work has drawn from both 
traditions, to build a strong, viable and growing profession in Aus-
tralia. From an initial focus on poverty and attention to the needs of 
families living in poverty, the early development of social work in 
nineteenth century Australia was very much shaped around the COS 
model with early settlers wives and the wives of governors and mili-
tia being drawn to models of support for women and children living 
in the harsh conditions of early settlement life. Particularly vulnera-
ble were convict women and children living in poverty. 
Yet, as elsewhere, Australian social work programs were in-
fluenced by the changes emerging across the world. For example, 
Australians joined the freedom marches of the 1960s and 1970s in 
large numbers as a radical activist mentality swept the world and, 
in particular, the universities, marches in protest against the Viet-
nam War, and in support of civil rights and women’s movements 
consumed campuses. This period saw the establishment of women’s 
refuges raising direct conflict with the Christian clergy and conser-
vative politicians who saw women’s role as having to absorb vio-
lence and the refuges as destroying families (Summers, 1999). The 
call for change and for attention to knowledge frameworks being 
taught in the universities was rife. This was echoed in social work 
programs across the country raising tensions between conservative 
staff and those who wanted change. The view of social work as a 
non-political female-dominated profession that kept social conflict 
contained was finally to be tested. 
- 47 -
4. Political pressure on the social work profession
As Australian university campuses became the foci for new 
resistance movements advocating for women’s and civil rights in 
the 1960s, Australia was engaged in an unpopular war in Vietnam, 
following the call of the USA for Australian involvement. Yet stu-
dents and activists fought against the conscription that saw young 
men taken away to serve in an unpopular war. It was during this time 
of great unrest, when conservatives were condemning the resistance 
evident on campuses that the shape of the social work profession 
was also being debated openly by conservative commentators and 
politicians. At the heart of this debate in the early 1970s was the 
underlying conservative view that social workers were there to sup-
port governments to keep social control. Social work activists on the 
other hand viewed the profession as a site for radical opposition to 
conservative views.
The competing views about social work and its role in soci-
ety was on display very publicly in the University of Sydney social 
work department where paradigm shifts were being played our very 
publicly. On the one hand was the very conservative head of de-
partment, represented by department head, Professor Frank Bren-
nan. On the other was the more radical Professor Stuart Rees who 
supported radical challenges to traditional knowledge frameworks. 
Their often-vitriolic oppositional views were on public display and 
caught the attention of one Conservative student advocate, Tony Ab-
bott a part-time writer for the influential conservative Bulletin mag-
azine. Why this is of interest is because this young activist went on 
the become Prime Minister of Australia in the early 2000s, carrying 
with him his conservative views of social work. In 1981 (Abbott 
1981, p. 34) wrote in the Bulletin that ‘social work students are fun 
revolutionaries operating in an intellectual slum … although social 
workers can do a useful, practical job, many social workers in the 
field, whom I would describe as little better than urban guerrillas, 
now refuse to do it.’
The bitter debates about social work fostered by this period of 
our history saw extreme views developing and ideological enemies 
on opposing sides. Writing about this debate some years ago (Alston 
- 48 -
2015), I noted that ‘the deep and bitter debates relating to social 
work forged ideological enemies at either end of the political spec-
trum and centred on the very nature of what social workers should be 
trained to do.’ Should they be trained to assist people to live within 
the constraints of often hostile societal norms, or should they be 
skilled to critique challenge societal norms and structural inequal-
ities that created inequalities rather than focusing entirely on vic-
tims? This boiled down to whether should be trained to be ‘medical 
handmaidens’ (Pfouts and McDaniel (1977, p. 275) or ‘handmaids 
of the status quo’ (Abramovitz (1999) – a view shared by the conser-
vative Professor Frank Brennan – (note the biased assumptions that 
these are female roles). The alternative view fostered by Professor 
Rees viewed social work as focusing on ‘social change using pow-
er as a key concept … to develop practice forms that create social 
change’ (Abbott 1981, p. 37). For the future Prime Minister and ju-
nior newspaper columnist, Tony Abbott, the battle, he noted, ‘was a 
realtragedy of the present malaise in social work is not the hundreds 
of misspent millions funding government helping schemes, nor the 
many millions poured into fractious faculties of social work around 
the country. It lies in the ideas with which social work students and 
ultimately their clients are inculcated … which must eventually in-
fluence the way they think and act (Abbott 1981, p 39). 
In a later edition and following many letters from incensed 
readers from around the country, Abbott (1981b, 36) did not retract 
his views. Instead, he responded that ‘social work teaching is quite 
missing the point and much social work is useless at best and subver-
sive at worst.’
This view, so vitriolically expressed, nevertheless exposes 
the central conflict in societal views about social work and the con-
straints on social workers to foster social change and to question 
power and wealth inequalities in Australia. For many, social work-
ers’ role is to support people to adapt to unfair societal structures and 
conditions and not to push back on inequalities. It is little wonder 
that the conservative government led by the outspoken social work 
critic, Tony Abbott, did not support expanded social work roles. A 
good example was the opening up of counselling roles in schools 
funded by the conservative government under Tony Abbott (2013-
15) which operated to keep social workers out and to bring in un-
trained religious chaplains with limited pastoral experience. 
- 49 -
In the context of this discussion on the influence of our po-
litical leaders, it is interesting to contrast the Abbott years with the 
previous tenure of the Labor Prime Minister, Gough Whitlam, 1972-
75. Married to a social worker, Whitlam appreciated and respected 
the role of social workers, leading him to establish the Australian 
Assistance Plan to develop community development initiatives 
across the country. The plan was designed to employ social work-
ers and represented an unquestioned acceptance of social workers’ 
roles in improving well-being and addressing social injustices. The 
overturning of the Whitlam government also saw the overturning 
of social work’s premier position in society as an agent of change. 
It heralded a move to a series of conservative governments com-
mitted to neoliberal policies. Under these governments a series of 
measures were introduced that challenged commitments to social 
justice. Arguably there has been an erosion of rights and a demonis-
ing of those in need. The constant tension between conservative and 
Labor governments has resulted in short term gains and long-term 
losses. Currently Australia has a Labor government that is working 
to address social inequities in the context of a tight fiscal situation.
5. Whereto for Australian Social Work?
Social work in Australia continues to grow as a profession. 
Both undergraduate and Masters qualifying programs are evident 
in a majority of our universities and the demand for social workers 
continues to grow. While this is pleasing from a social justice per-
spective, the danger with this growth and expansion into new areas 
is that we will see a return to the view of social workers as ‘fixers’ 
of social problems for governments and that we will lose touch with 
our radical roots. Webb (2022, 17), for example. notes, social work-
ers could arguably be viewed as the ‘state’s soft police force’. Yet 
the counterpoint to this is that we have strict guidelines overseen 
by our professional body which focuses on ensuring strict guide-
lines for our programs. In addition we have Social Work researchers 
across the country committed to a critical theoretical approach to 
practice, and a strong emerging energised student and graduate co-
hort committed to social justice. The challenge for Australian social 
- 50 -
work, remains as it always has been addressing the structural factors 
that have shaped, and continue to shape significant injustices.
References
ALSTON, M. (invited paper, 2015) Social Work and AJSI. Austra-
lian Journal of Social Issues. 50(1), pp. 37-51
AUSTRALIAN ASSOCIATION OF SOCIAL WORKERS, 
(2024) About Social Work. Data accessed on 12 September 2024 
from https://www.aasw.asn.au/social-work/about-social-work/>
AUSTRALIAN GOVERNMENT (2023). Jobs and Skills Re-
port. Social Workers. Data accessed on September 12, 2024, from 
https://www.jobsandskills.gov.au/data/labour-market-insights/occu-
pations/2725-social-workers
AUSTRALIAN HUMAN RIGHTS COMMISSION (1997). 
Bringing them Home Report. Data accessed on September 12, 
2024 from https://humanrights.gov.au/our-work/projects/bringing-
-them-home-preliminary
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- 52 -
CAPÍTULO 3
SITUACIÓN ACTUAL DE LA POLÍTICA 
SOCIAL EN ESPAÑA: 
un modelo de bienestar social familiarista
Blanca Girela-Rejón
Introducción
La Política Social Española y su consecuente Modelo de 
Bienestar es el resultado de una serie de acontecimientos históricos, 
culturales, políticos e incluso religiosos, que se identifican con los 
países europeos del área mediterránea.
La tradición judeo-cristiana tiene un peso importantísimo en 
el cómo y cuándo se ha gestado en nuestro país una apuesta por 
un Bienestar Social débil y por qué no admitir, también incomple-
to. Desde acciones caritativas reguladas en el siglo XVI con leyes 
para pobres, en las que se planteaban las causas de la pobreza y 
las formas de hacerle frente; desde las más puritanas, como las de 
Domingo de Soto, a las más comprometidas como las de Luis Vives 
(Alemán, 1991) que tuvieron sus consecuencias y efectos no solo en 
la legislación española, sino también en Europa y que queda perfec-
tamente reflejada en la obra de Luis Vives De Subvetione Pauperum 
o Socorro de Pobres, en el que se hacía una propuesta a la ciudad de 
Brujas, en Bélgica, para acabar con la mendicidad ambulante. 
Posteriormente muchas han sido las tentativas legales en Es-
paña para regular la pobreza, para controlarla e incluso para ejercersobre ella, acciones punitivas. Y es que las causas de la pobreza se 
asociarán más a los vicios personales e incluso a la voluntad di-
vina. De este modo, la legislación social, transitada por la Iglesia 
Católica, regulará una Beneficencia acorde a mantener a los pobres 
en el mismo lugar, porque en la relación entre pobres y ricos está 
la salvación. Los primeros ejerciendo la donación y la limosna y 
los segundo aceptando que su situación es irremediable y por tanto, 
también querida por Dios.
- 53 -
Esta herencia en la Acción Social en España, que parece re-
mota, ha marcado una dinámica de tensiones entre la Responsabi-
lidad Pública (el Estado) y la Iglesia (el Poder Religioso). Pasando 
por las reformas de monarcas ilustrados como Carlos III, quien con 
las desamortizaciones de la Iglesia favoreció la Intervención del Es-
tado en esta materia (Vázquez, 1990). Por su parte, el siglo XIX 
supondrá un periodo de reformas sociales sin precedentes en el que 
la legislación social no va a ser indiferente al movimiento obrero y a 
lo que se llamó la Cuestión Social. Con la creación de la Comisión 
de Reformas Sociales se aborda un estudio minucioso de la situación 
de la clase trabajadora que plantea la relación capital-trabajo y que 
se produce en el tercer tercio de este siglo. Será la antesala de la 
legislación social que se desarrollará en el siglo XX (López, 1990).
Entrados en el siglo XX la legislación social se centrará en el 
recién creado Instituto de Reformas Sociales, desde donde se plan-
tea, además de regulaciones en el trabajo y sus condiciones, la pre-
visión social (Alemán 1991). Todas estas acciones quedarán diluidas 
con la dictadura de Primo de Rivera (1923-1930).
En 1931 con la proclamación de la II República y su Consti-
tución, la regulación social era prometedora y abordará asuntos en 
términos de asistencia social, erradicando de sus funciones a las or-
ganizaciones religiosas que ejercían la beneficencia”. Sin embargo, la 
corta duración de la II República, impidió el desarrollo legislativo de 
tan extraordinaria Carta Magna. Un levantamiento militar en 1936 y 
el triunfo de los sublevados en una guerra civil, acabaron con todas las 
posibilidades de modernización y democratización de España.
De esta forma, la dictadura del General Franco se prolongó 
casi 40 años. Esto sumió a nuestro país en el aislamiento, con res-
pecto a Europa, desarrollando una política social basada en la me-
ritocracia y el paternalismo. Se abre una brecha entre los que están 
bajo el cobijo de los seguros sociales y posteriormente la Seguridad 
Social y quienes no pueden acceder a ello por falta de contrato, que 
no de trabajo. La Beneficencia no extinta vuelve a ser clave en los 
casos de pobreza más severos. Los derechos sociales son selectivos 
y no se garantiza la universalidad en ninguno de los ámbitos del 
Bienestar Social, que se perfila como netamente familiarista en su 
origen y de corte corporativista (Informe FOESSA, 1983).
- 54 -
1. La Constitución Española de 1978
Como puede apreciarse y tal y como se ha relatado, el devenir 
de la historia de España y su Política Social, ha estado condicionada 
por todos los aspectos antes descritos de forma muy resumida. Ya 
que no es hasta 1978 cuando en España se puede comenzar a hablar 
de un Estado Social y de Derecho. Es decir se van a reconocer de-
rechos sociales y económicos a toda la ciudadanía. Con un retraso 
muy considerable en relación al resto de Europa. El Bienestar Social 
no se improvisa y hay que aprovechar las bases de la protección 
social existente hasta ese momento, lo que explica que hablemos de 
un Modelo de Política Social Familiarista. 
La Constitución Española abordará asuntos hasta ahora no 
asumidos como derechos, lo que implicará toda una serie de norma-
tivas, directivas, planes, programas y actuaciones ciertamente con-
vulsas y a las que hay que hacer frente con un desafío presupuestario 
inquietante. Porque si los deseos de democratización eran altos, las 
posibilidades de hacerlos efectivos eran difíciles por falta de medios 
económicos, institucionales y técnicos. Así pues, la Constitución de 
1978 será en principio, una declaración de intenciones, que poco a 
poco generará derechos universales, pero que a día de hoy no se ha 
consolidado, pese a ser un texto legal de casi cincuenta años.
Para relatar la situación de la Política Social en España en la 
actualidad, es de rigor hablar de: Seguridad Social, Salud, Educa-
ción, Empleo y Servicios Sociales1, advirtiendo que al tratarse de un 
Estado de Autonomías, podremos encontrar referencias legales a ni-
vel de: Administración del Estado, Administraciones Autonómicas y 
Administraciones Locales, con todas sus controversias. Estaríamos 
hablando de la asunción de un Estado basado en el principio de auto-
nomía y descentralización (Beltrán, 1992). Como se verá mantener 
el principio de igualdad reconocido por la Constitución Española en 
su art. 14 es cuanto menos difícil de conseguir.
1 El Derecho a la vivienda y el acceso a la misma es un asunto muy convulso y complejo 
en estos momentos en España, que debiera ser abordado analizando cuestiones actuales en 
relación a las ofensivas neoliberales y a la escasa presencia de suelo público y políticas para 
su protección.
- 55 -
2. La Seguridad Social y el Sistema de Garantía de Renta
La Seguridad Social es uno de los pilares básicos del Bienes-
tar Social en España y preserva aún muchas características de épo-
cas pasadas. Sus antecedentes se remontan a los seguros sociales y 
a la ley de Bases de la Seguridad Social de 1963. Esto significa que 
las diferentes reformas que se han ido realizando en este asunto, 
después de la democracia, no han conseguido hablar de un Sistema 
único de Seguridad Social, ya que dentro de este, aún se mantienen 
estatutos diferenciados entre Funcionarios de la Enseñanza, Traba-
jadores del Mar, Militares, entre otros, asunto que no solo afecta a 
la Sanidad, sino que implica una serie de prebendas que categoriza 
y da ventajas a determinados/as trabajadores/as Es decir, se trata 
de un Sistema de Protección Social Universal que no atiende del 
mismo modo a todos/as los/as ciudadanos/as. Según el artículo 41 
de la Constitución Española: La Seguridad Social debe garantizar a 
los ciudadanos su protección y la de su familia ante situaciones de 
vejez, enfermedad, desempleo y otras carencias sociales que en el 
transcurso de la vida requieran de ayudas.
La Seguridad Social aborda:
1. Asistencia sanitaria: Incapacidad temporal, Riesgo durante 
el embarazo, Riesgo durante la lactancia natural, Nacimiento 
y cuidado de menor, Cuidado de menores afectados por cán-
cer u otra enfermedad grave, Corresponsabilidad en el cuida-
do del lactante, Incapacidad permanente, Lesiones permanen-
tes no invalidantes y Jubilación.
2. Muerte y supervivencia: Auxilio por defunción, Pensión de 
viudedad, Prestación temporal de viudedad, Pensión de or-
fandad, Prestación de orfandad por violencia contra la mujer, 
Pensión en favor de familiares. Subsidio en favor de familia-
res, Indemnización especial a tanto alzado, en los supuestos 
de accidente de trabajo y enfermedad profesional.
3. Prestaciones familiares: Prestación económica por hijo o 
menor acogido a cargo, Prestación económica por nacimien-
to/adopción de hijo, en supuestos de familias numerosas, mo-
noparentales y en los casos de madres con discapacidad, Pres-
tación económica por parto o adopción múltiples y Prestación 
no económica.
- 56 -
4. Prestaciones por desempleo (Agencia Española de Em-
pleo): Prestación por cese de actividad de los trabajadores 
autónomos, Servicios sociales (IMSERSO u órganos com-
petentes de las Comunidades Autónomas con competencias 
transferidas), 
5. Prestaciones del Seguro Obligatorio de Vejez e Invalidez 
(SOVI): Vejez Invalidez y Viudedad.
6. Prestaciones del Seguro Escolar.
A todas estas cuestiones sobre la Seguridad Social en España 
hay que añadirle la incapacidad contributiva y recaudatoriadel Es-
tado. Asunto que está directamente relacionado con el empleo (falta 
de oferta y de calidad), una pirámide poblacional, casi invertida, que 
genera más pensionistas cada año. 
Los discursos neoliberales hablan de la privatización de las 
pensiones, de buscar un modelo de previsión social alejado del Es-
tado, lo que implicaría dejar a su suerte a la población con mayor 
riesgo de exclusión.
3. La Sanidad Pública y sus crisis frente a la Sanidad Privada 
como algo irremediable
En la conciencia colectiva de la ciudadanía española se asien-
ta la idea de que la sanidad pública es mejor que la privada, sobre 
todo, si algo va mal de verdad. Sin embargo, en los últimos años se 
ha extendido la práctica, entre los que pueden, de contratar un se-
guro privado. Intencionado o no, la población ha visto en la sanidad 
privada una opción, no siempre eficaz, de reducir las listas de espera 
en este importante asunto.
La salud en España se concreta en la Ley General de Sanidad 
(Ley 14/1986), que establece su financiación pública, universalidad 
y gratuidad. La mayoría de los españoles confían en ella. El 57,5% 
de los españoles considera que la sanidad pública funciona bien, 
aunque necesita cambios (CIS, 2023).
Tras la pandemia del COVID-19 las acciones del ejecutivo 
español se han orientado a fortalecer al Sistema Nacional de Salud. 
Así en 2021 se reafirmó el compromiso del Gobierno para eliminar 
- 57 -
progresivamente los copagos contemplando la Ley de presupues-
tos generales de 2021 la exención a los colectivos más vulnerables, 
como las personas perceptoras del Ingreso Mínimo Vital (IMV), los 
pensionistas con rentas bajas, los menores con discapacidad reco-
nocida y las personas de renta por hijo a cargo. Igualmente y desde 
2021 se garantiza el derecho a la protección de la salud, con cargo a 
los fondos públicos, para las personas españolas de origen residentes 
en el exterior durante sus desplazamientos temporales al territorio 
español y sus familiares, así como para las personas no registradas 
ni autorizadas como residentes en España.
Pero en este caso, una vez más, el principio de igualdad que 
proclama la Constitución Española, no está garantizado y una vez 
más esto se debe al Estado de Autonomías en el que se organiza 
España, generando márgenes de decisión a estas para gestionar su 
propia sanidad. Resulta del todo sorprendente que las listas de espe-
ra (tiempo para ser atendido) siguen aumentando y que solo quienes 
pueden auto-procurarse la asistencia sanitaria privada o goza de un 
“buen” seguro médico es urgentemente atendido. 
Los últimos datos del Ministerio muestran que a 31 de di-
ciembre de 2023:
Casi una cuarta parte de los pacientes en espera por una inter-
vención llevaban más de seis meses esperando, lo que supone 
un 6,9% más que en junio de 2023. El tiempo medio de espera 
para una intervención quirúrgica era de 128 días, 16 días más 
que en junio. La espera media para la primera consulta con el 
especialista era de 101 días, catorce días más que en junio de 
2023. Más de un 56% de los pacientes esperan para ver por 
primera vez al especialista más de sesenta días (un 4,7% más 
que los últimos datos).
Las cifras hablan por sí solas y es fácil comprender porque tan-
tas familias caen en el desaliento ante una situación de crisis genera-
da por una enfermedad. Las deficiencias más acusadas se dan en “la 
Atención Primaria que continúa con esperas intolerables, con recursos 
insuficientes, y con graves problemas que hacen muy difícil que pue-
da ser el eje vertebrador del sistema sanitario” (FADSP, 2024, p.4).
Pese a toda esta cobertura la sanidad pública no solo viene 
cuestionada por la naturaleza del tipo de seguro de las familias (ré-
- 58 -
gimen general o régimen especial), sino que también, al ser esta una 
competencia transferida a las Comunidades Autonómicas, reforma 
que se inició con la Ley General de la Seguridad Social en 1986, se 
pone en riesgo el modelo de financiación de cada una de las comu-
nidades, basta referenciar el hecho de que: 
Los catálogos de prestaciones no sean idénticos en todo el terri-
torio nacional; la diversa gestión de las listas de espera tiende a 
provocar prelaciones de ciudadanos de una Comunidad respecto 
de los de otra, lo que se hace más patente si se trata de centros de 
referencia; y, en definitiva, introduce palpables diferencias en la 
calidad de la asistencia prestada en unas Comunidades respecto 
de otras (Pérez, 2011).
4. La Educación en el Estado Español: La cuestión geográfica y 
la estratificación del alumnado
Como ocurre en otros Sistemas de Protección Social en Espa-
ña, la Educación tampoco garantiza el principio de Igualdad. Y no 
lo garantiza, entre otras cosas, porque la tradición católica, de la que 
hablábamos al principio de este trabajo, ha favorecido la hegemonía 
de los centros religiosos, que concertados con las administraciones 
públicas, ofrecen una enseñanza que no siempre está a la altura de 
todas las economías, de modo que la primera causa de estratificación 
escolar, es consecuencia de la renta de las familias, seguida del lugar 
de residencia, ya que los centros escolares se asignan con criterios 
geográficos, es decir teniendo en cuenta el domicilio de la familia 
del solicitante. De este modo: 
El nivel socioeconómico familiar se presenta como un factor de 
gran importancia en la educación de los/as alumnos/as, influ-
yendo de manera notoria en la probabilidad de que se produzca 
fracaso escolar. Concretamente, cuanto mayor sea el nivel so-
cioeconómico y la estabilidad laboral de la unidad familiar, me-
nor probabilidad de fracasar escolarmente, siendo una variable 
influyente en el rendimiento académico que otorga una mayor 
disponibilidad de recursos, materiales, ofrece estabilidad en su 
hogar y facilita la continuidad en el sistema educativo (Moles, 
Añaños y Burgos, 2022)
- 59 -
La brecha entre estudiantes con niveles socioeconómicos di-
ferenciados sigue aumentando en España al punto que según el in-
forme PISA 2022:
 Los estudiantes desfavorecidos tienen más probabilidades 
de repetir curso y matricularse en programas de formación pro-
fesional que en programas generales. También es menos pro-
bable que esperen completar un título postsecundario, por una 
peor autoestima. A medida que los estudiantes completan su 
educación obligatoria, los estudiantes desfavorecidos muestran 
tasas más bajas de ingreso a la educación superior, tasas reduci-
das de finalización de estudios y peores resultados en el merca-
do laboral (Informe PISA, 2022, p.117).
Si atendemos a los lugares de procedencia de los estudiantes 
más desfavorecidos, veremos que las tasas de rendimiento disminu-
yen. Es muy improbable asistir al colegio cuando la economía fami-
liar está azotada por la pobreza y la precariedad. Cuando además, los 
colegios de las periferias de las ciudades están amenazados por las 
mismas violencias que viven sus barrios, en los que se dan choques 
culturales, marginación y como no, una gran desmotivación. Hasta 
el punto que: “la segregación escolar se ha convertido en uno de 
los principales problemas a los que se enfrenta el sistema educativo 
español presentando un índice de inclusión social, según la OCDE 
(2015), notablemente menor que los países de su entorno”. (Turien-
zo y Manso, 2022, p.252).
5. Empleo: Protección versus Liberalización
España es uno de los países con más desempleo de la Unión 
Europea. Datos reciente del Instituto Nacional de Estadística cons-
tatan que: 
La tasa de paro en España en 2023 de los hombres menores de 
25 años (28,6) es la más alta de todos los países de la UE-27 
y casi superior al doble de la media de UE-27 (14,9). La de 
las mujeres es de 28,4 y ocupa el segundo lugar más alto, por 
debajo de Grecia (29,4) y más del doble de la media de UE-27 
(14,0) (INE, 2024).
- 60 -
Pero si las cifras de desempleo son preocupantes, lo son tam-
bién las de personas desempleadas de larga duración. Observando 
los siguientes datosconstataremos donde están los mayores riesgos 
de exclusión social y quienes los padecen: 
En España en el periodo 2018-2023, ha disminuido la tasa de 
paro de larga duración (en relación a la población activa total) 
en 1,9 puntos. Según grupos de edad el 36,3% de las mujeres 
y el 33,1% de los hombres, de 15 a 64 años, son parados de 
larga duración en España en 2023, frente al 35,1% y al 35,4%, 
respectivamente, de la UE-27.En el grupo de 25 a 49 años, lo 
son el 33,8% de las mujeres en España (35,6% de la UE-27) y 
el 29,9% de los hombres (36,0% en la UE-27).Los porcentajes 
en el grupo de 50 a 59 años ascienden a 48,4% y a 47,3% en 
las mujeres de España y la UE, y a 47,1% y a 48,3% en los 
hombres.
Estos datos que parecen contradictorios, arrojan una realidad 
polarizada, expresa una nueva y no tan nueva cara de la pobreza y 
está relacionada con la protección social en este asunto. El proble-
ma del desempleo en España es que tiene respuestas subsidiarias, 
prestaciones de contención. Frente a ello, las políticas que buscan 
generar el empleo, no siempre son capaces de responder a las de-
mandas del mercado. Y es que el Mercado de Trabajo, cada vez más 
liberalizado, pese a sus intenciones garantistas, no resuelve lo que de 
verdad debería resolver un empleo, que es la capacidad de auto-pro-
curarse el sustento. Dicho de otro modo, tener empleo en España no 
asegura salir de la exclusión social, no permite dejar de ser pobre.
La legislación española avanza en el ámbito del empleo y en 
2023 fue aprobada la Ley 3/2023, de 28 de febrero, de Empleo. El 
objeto de la ley es el desarrollo de la planificación, coordinación y 
ejecución de la política de empleo, a fin de garantizar los servicios 
y contribuir a mejorar la empleabilidad, la reducción de brecha sa-
larial y el ofrecimiento de una cartera de servicios adecuada al pa-
norama actual. Con ella se pretende adecuar el mercado de trabajo 
a las nuevas realidades sociales, económicas y tecnológicas. Entre 
muchas de las medidas introducidas en esta nueva ley está la inem-
bargabilidad del salario mínimo interprofesional, la creación de la 
Agencia Española de Empleo, cuyo foco de atención no será sólo en 
- 61 -
los demandantes de trabajo, sino también en los trabajadores en ac-
tivo que quieran mejorar su posición laboral. Además se presta espe-
cial atención a los desempleados de larga duración y a los mayores 
de 45 años, así como a las personas con algún tipo de discapacidad. 
Sin embargo, hay resistencias en estas reformas que se en-
frentan a una economía globalizada y compleja que da como resulta-
do que la clase media sea cada vez más frágil, aumentando las dife-
rencias entre ricos y pobres, siendo los más jóvenes los que han visto 
empeorar su participación en el escenario del empleo. La generación 
mejor preparada de la historia de España encuentra empleo más allá 
de sus fronteras, así lo advierte el Informe FOESSA de 2022: “la 
población ocupada menor de 30 años se ha reducido a la mitad”.
6. Servicios Sociales: Un Sistema de protección social residual
El más joven sistema de protección social del Estado Español 
es sin duda el de los Servicios Sociales. Configurado como tal en los 
primeros años de la democracia, hereda no solo la tradición católica 
en la gestión de muchos de sus centros de atención, sino también 
una atención pública casi invisible basada en la beneficencia y en la 
asistencia social2, en el mejor de los casos.
La organización política y administrativa de los Servicios 
Sociales se instaló en el ámbito de las Comunidades Autónomas, 
al amparo de los Estatutos de Autonomía de cada comunidad, no 
existiendo a nivel nacional una ley general que establezca sólidos 
principios3. Por ello se marcaron directrices a nivel nacional para 
garantizar el principio de igualdad en términos de minimalidad. Es 
decir, en 1988, diez años después de aprobarse la Constitución Es-
pañola, se aprobó El Plan Concertado para el desarrollo de pres-
taciones básicas de Servicios Sociales. Desde esta perspectiva nos 
encontramos con un sistema de protección social “menor” que va 
calando en la población lentamente y en donde se satisfacen menos 
derechos sociales de los que se debiera. El desafío presupuestario es 
2 Cuando hablamos de asistencia social, nos estamos refiriendo a la forma de acción social 
que va dirigida a la población, mediante prueba de necesidad y que no genera un derecho 
subjetivo en la ciudadanía.
3 Después de casi 50 años de democracia los Servicios Sociales se encuentran en un estado de 
escasa notoriedad, habiéndose tramitado un Anteproyecto de Ley de condiciones básicas para 
la igualdad en el acceso y disfrute de los servicios sociales.
- 62 -
uno de sus grandes obstáculos. También la voluntad política es un 
factor determinante, siendo notable en algunas comunidades autó-
nomas, más que en otras, su vocación universalista.
Al tratarse de un asunto, cuya responsabilidad recae sobre las 
Comunidades autónomas, nos lleva a hablar de Sistemas Públicos 
de Servicios Sociales (en plural), lo que implicaría la existencia de 
17 sistemas, uno por cada comunidad autonómica y dos subsistemas 
más, por cada una de las ciudades autónomas (Ceuta y Melilla). 
“En la actualidad no es posible hablar de sistemas públicos de ser-
vicios sociales sin referirnos directamente a los existentes en cada 
una de las CCAA. La Constitución Española posibilitó que aquellas 
asumieran competencias sobre ellos en sus respectivos Estatutos de 
Autonomía” (Alemán, Alonso y Rodríguez, 2020). Se habla de Sis-
temas porque como ya se ha referenciado no existe una ley General 
a nivel Estatal.
Los Servicios Sociales funcionan en torno a dos niveles de 
atención: Servicios Sociales Comunitarios o básicos y Servicios So-
ciales Especializados. Los primeros son la estructura básica y es-
tán orientados a la obtención de mayor bienestar social y calidad de 
vida de la población, así como a prevenir y eliminar la marginación. 
Son de competencia municipal y en ellos se desarrollan una serie de 
prestaciones y programas entre las que se incluyen: a) Información, 
Valoración, orientación y asesoramiento. b) Ayuda a domicilio. c) 
Convivencia y Reinserción Social. d) Cooperación Social y d) Pres-
taciones complementarias.
En cuanto a los Servicios Sociales Especializados serían todos 
aquellos de iniciativa pública, social o privada que tienen cometidos 
de acción social que exceden de la competencia de los servicios bá-
sicos. En ellos hay fuerte presencia de entidades públicas, entidades 
colaboradoras, Ongs y voluntariado.
Con respecto a la financiación cabe destacar que los Servi-
cios Sociales se financian con fondos de la Administración Central, 
Autonómicas y Locales. Así mismo y en materia de determinados 
programas, la Unión Europea interviene, a través del Fondo Social 
Europeo en la cofinanciación de proyectos y servicios relacionados 
con: Igualdad de oportunidades, Género, Población Gitana, Inmi-
grantes, empleo, jóvenes emprendedores, etc. Algunas cuestiones 
- 63 -
son también abordadas trasversalmente y tienen que ver con la Coo-
peración al Desarrollo, el ingreso mínimo de solidaridad, el volunta-
riado y las zonas de transformación social.
El mayor inconveniente de este sistema, común a toda la pro-
tección social es que: 
Las políticas que en tiempos de crisis, debieran atender a la 
población con más medidas de Bienestar Social, compensan-
do los estragos del capitalismo y sus ciclos, actúan recortando 
presupuestos y dejando a su suerte a los más desfavorecidos, al 
tiempo que se dan indultos fiscales para las grandes fortunas. 
Todo esto genera un contingente de usuarios/as (siempre el mis-
mo) que fluctúa de unos servicios a otros, provocando depen-
dencia institucional (Girela, 2017, p.100).
El tercer sector juega un papel primordial en la configuración 
de los Servicios Sociales, si bien sus actuaciones y competencias 
están acreditadas por el Estado, quien lo somete a inspección y con-
trol. Sinembargo, es necesario matizar que las organizaciones de 
iniciativa social e incluso, las del régimen comercial (con ánimo de 
lucro), llegan en ocasiones de manera más sensible donde la admi-
nistración pública no alcanza.
Dentro del marco de los Servicios Sociales y como derecho 
subjetivo de la ciudadanía está la atención a las personas en situa-
ción de dependencia y la promoción de la autonomía personal (LA-
PAD). En este sentido, los cambios demográficos y sociales hicieron 
necesario una inversión social y económica en este asunto que ha 
supuesto un avance notable en la atención social. Todo ello ha deri-
vado en el desarrollo de una serie de prestaciones técnicas y econó-
micas sin precedentes: prevención de las situaciones de dependencia 
y promoción de la autonomía personal, Teleasistencia, Atención a 
domicilio, Atención en centro de día o de noche, Atención residen-
cial de carácter temporal o permanente. Para dar respuesta en esta 
materia es necesaria la coordinación con otros sistemas de protec-
ción social, entre ellos, el sistema sanitario.
Consideraciones finales
La protección social en España responde al modelo familia-
rista de Bienestar Social propio del área mediterránea. A pesar de 
- 64 -
desarrollarse en un país democrático, la tradición católica, como in-
tervencionista en la acción social, y la dictadura del general Franco 
durante casi cuarenta años, hacen de ella un país con un fuerte retra-
so en la provisión y satisfacción de derechos sociales, que paradóji-
camente están reconocidos en su Carta Magna.
Por su parte una fiscalidad débil, sobretodo en lo referente a 
las grandes fortunas y a la Iglesia, no permiten una redistribución de 
la riqueza justa, debilitando cada vez más el proyecto de un Bienes-
tar Social Universal.
De entre los diferentes sistemas de protección social gozan de 
mayor reconocimiento la Sanidad y la Educación, si bien como el 
resto, están amenazados por políticas neoliberales que empiezan a 
ser hegemónicas en algunos países de la Unión Europea.
La vivienda, las pensiones y los servicios sociales son asigna-
turas pendientes para este país que avanza en función de los dictados 
de la Unión Europea y los partidos que detentan el poder. Igualmen-
te la complejidad de la economía global y su dificultad para contro-
larla no ayuda a una función recaudatoria adecuada.
De entre todos los desafíos futuros hay que destacar que Es-
paña deberá enfrentarse a la pirámide poblacional invertida (la po-
blación es cada vez más mayor) prestando más y mejor atención a 
las migraciones y a las crisis que estas provocan por falta de com-
promisos. 
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- 67 -
CAPÍTULO 4
NEOLIBERAL SOCIAL SERVICES AND 
SOCIAL WORK IN HONG KONG
Lam Chi Leung
Introduction
The economic downturn of 1997 was a timely excuse for the 
Hong Kong government to push through extensive social welfare 
reforms. With the lessening of state responsibility for welfare as 
its broader aim, the government began outsourcing social services 
and signed the WTO’s General Agreement on Trade in Services in 
attempt to privatize services and create business opportunities for 
corporations. Neoliberal welfare reforms, initiated by the British 
Conservative government in the 1980s, had at last spread to Hong 
Kong twenty years later. Although details may vary, the essential 
principles still hold.
The difference between Hong Kong and the UK only lies in 
the fact that there has never been a comprehensive ‘welfare state’ 
in place, and the percentage of public spending (including welfare 
expenses) in relation to its GDP has always been lower than other 
developed countries. Yet even such a low minimum threshold could 
not be tolerated by the state and corporate businesses.
1. Enhanced Productivity Programme (EPP): Cutting social 
welfare spending
In 1999,the Social Welfare Department announced the im-
plementation of the Enhanced Productivity Programme (EPP for 
short). Since 2000, the Department has been lowering the maximum 
funding threshold for its subsidized organizations, which comes to 
a total of 6 million dollars cut in 5 years. These organizations must 
somehow maintain 100% of its services while running on 90% of 
its previous resources. Although the government had announced in 
2005 that the EPP would not extend to the social work sector, there 
- 68 -
is no guarantee that it would not be implemented in the future. The 
most visible and direct result of the EPP is that a range of services 
that were previously low-cost and even free (eg. escort services at 
senior homes, course at youth centers) are now rising in cost because 
of the principle of users pay. This has only increased the burden of 
service users.
2. Lump Sum Grant (LSG): Flexibility for who?
Another major reform was the Lump Sum Grant implemented 
by the Social Welfare Department in 2000.
There are three major problems with Lump Sum Grant: 
it freezes the level of funding obtainable, disconnects salary lev-
els with the government’s pay scale, and effectively abolishes the 
regulation of organizations. Replacing the previous funding model 
where organizations receive subsidies according to real needs, the 
Lump Sum Grant freezes the wages of welfare workers, whose in-
come takes up a part of the funding package, at the median point in 
the civil service pay scale. Additionally, organizations are allowed to 
decide for themselves the assignment of employees as well as wage 
levels, so that the traditional practice of pegging welfare workers5 
salaries to the civil service pay scale is abolished. In this way, orga-
nizations can hire temporary workers in short notice, and may even 
save up the government funding intended for hiring.
In face of opposition from the majority of the workers, the 
government has still pushed through the policy of the Lump Sum 
Grant, arguing that it not only increases the operational flexibility of 
the organizations, but also encourage organizations to use resources 
efficiently. In reality, this so-called flexibility amounts to nothing 
more than the ability of organizations to flexibly adjust salary pack-
ages, at the expense of welfare workers.
3. Outsourcing social services: Services for people or a profit-
-making business?
The Social Welfare Department first divided the elderly do-
mestic care and meals services provided by the domestic work help-
- 69 -
ers team into two types of services, and outsourced them to contrac-
tors that could provide the lowest cost. Next, it changed subsidized 
senior homes to targets of competitive auctions where even private 
corporations could bid.
Using the outsourcing of elderly domestic care and meals ser-
vices as an example, according to a report by the Community Care 
and Nursing Home Workers General Union, the majority of the ser-
vices recipients felt that outsourcing has created a constant change 
of care workers, rendering it impossible for the workers to provide 
them with emergency services such as hospital escorts. Moreover, 
outsourcing has also increased the fee of vehicle escorts to hospitals. 
On the other hand, in order to bid for the contract for senior homes, 
organizations cut costs to the lowest by exploiting the wages of their 
workers.
4. Community Investment and Inclusion Fund (CIIF): The pre-
lude to ‘public private partnership’?
Since 2002, the government has spent 3 billion dollars to es-
tablish the Community Investment and Inclusion Fund, encouraging 
organizations to apply. The Fund is meant to promote aid for mar-
ginalized groups as well as community assistance projects.
The idea of the CIIF is very much similar to other establish-
ments in recent years such as the World Bank, the Asian Development 
Bank (ADB), and so on, which aim to promote neoliberalism and 
related economic policies. Underlying these international economic 
organizations is the idea of ‘social capital5, which is closely related 
to the principles behind the CIIF. Since this paper does not examine 
the relationship between the idea of ‘social capital5, neoliberalism and 
the ‘Third Way’ intellectual wave, only two points will be briefly put 
forth here: first, although the services funded by the CIIF are valuable 
ones, the ‘fund’ is not an attempt on the government’s part to take 
up additional responsibility for its role in assisting social welfare, but 
rather, only meager compensation for extensive spending cuts and the 
elimination of traditional welfare planning. 
Secondly, the ‘fund, explicitly announces a partnership be-
tween the non-profit and business sectors. Although this is not yet 
- 70 -
a complete privatization of social welfare or the establishment of 
a public private partnership (PPP), the introduction of the busi-
ness sector into social welfare has obvious implications of leading 
non-profit organizations to reconstruct social welfare according to 
the interests of the businesses and corporations.
5. The General Agreement on Trade in Services: Privatization in 
the name of free trade
In negotiations regarding the trade in services during the 
WTO’s Doha Round, there were already demands from a Southeast 
Asian country for Hong Kong to liberalize social services. Put sim-
ply, corporations and the free market economy were to run Hong 
Kong’s social services. It was recommended that Hong Kong should 
relocate the elderly and the disabled to that country’s private care 
homes, as well as introduce cheap foreign labour from them to work 
in Hong Kong’s daycare facilities for disabled children.
If these policy recommendations were only left to the HK-
SAR government to determine, it is theoretically possible for public 
pressure to halt government policies. However, faced with pressure 
from the WTO to liberalize social services in the name of free trade, 
the HKSAR government can no longer decide on its own.
6. Neoliberal Social Work
In Hong Kong, neoliberalism as an ideology (usually de-
scribed as ‘small government, big market’ by the Chief Executive’) 
was conceived with the rise of New Public Managerialism in west-
ern developed countries in the 1990s. New Public Managerialism 
provided the driving principle that reformed social welfare by 
claiming that that ‘better management’ of public bodies could solve 
economic and social issues, and that the key to ‘better management’ 
lies in marketization.
This type of social work is controlled by a government that 
is led by ideas of the New Right and, faced with the intensifying 
problems of poverty and social discrimination, will even be more 
- 71 -
powerless than before. Rather than tackling these issues, social work 
has deteriorated into another tool of suppression and pacification for 
those who wield real political and economic power. The majority of 
the social welfare projects today only serve to reinforce the deeply 
exploitative practices of corporations, by encouraging the grassroots 
to tolerate current social conditions without exploring in-depth the 
structural reasons for the deplorable state of the society. The rise 
of Positive Psychology as a therapeutic method used in elderly and 
youth services is a prominent example of the way in which social 
work in Hong Kong has come to individualize problems.
7. New resistance with a new direction
Social work is a profession with a history of over a centu-
ry, composed of values, knowledge, and skills. The value of social 
work is its cornerstone and the soul that distinguishes it from oth-
er professions. It embodies a people-centered and radical potential 
practice, which contrasts sharply with the market logic (low cost, 
competition, commercialization) and surveillance-style social work. 
I preliminarily believe that the following three areas of work con-
tribute to building hopeful social work:
Firstly, in the field of social work education,we should re-
sist the dilution of community work and social policy content, and 
instead, increase the content on macro practice, structural analysis, 
anti-oppressive and anti-discrimination practices in the curriculum. 
Especially in the context of the shrinking traditional community 
work, it is worth considering how to integrate elements of commu-
nity work into casework and group work.
Secondly, we should learn from the radical social work tra-
dition in Latin America known as the “Reconceptualization Move-
ment” of the 1960s-70s, and the “Critical and Radical Social Work” 
thoughts that emerged in the West since the 1970s, and systematical-
ly introduce the major literature of these schools.
In the 1960s and 1970s, influenced by the vibrant develop-
ment of social movements such as the women’s movement, civil 
rights movement, workers’ movement, and student movement in the 
West and Latin America, as well as the impact of liberation theolo-
- 72 -
gy, critical pedagogy, and Marxist theory, the first wave of radical 
social work theory and practice emerged. Radical social work crit-
icized the limitations of individual psychological work, called for 
establishing equal cooperative relationships between social workers 
and beneficiaries, and emphasized solving beneficiaries’ problems 
through collective means (e.g., community organization and com-
munity action). As stated in a famous radical social work anthology 
of the time: “ Radical work, we feel, is essentially understanding the 
position of the oppressed in the context of the social and economie 
structure they live in” (Bailey & Brake, 1975) 
However, with the rise of neoliberalism in the 1980s and 
1990s, this critical thought once subsided. Today, on the one hand, 
the global capitalist economic crisis has erupted, and on the other 
hand, the marketization and managerialism of social welfare have 
caused anxiety, dissatisfaction, and partial resistance among so-
cial workers and service users. The objective environment should 
be conducive to fostering a new generation of progressive social 
work. It should summarize the gains and losses of the first wave of 
radical social work theory and draw nutrients from the innovative 
practices of emerging service user self-help organizations (e.g., the 
social model advocated by the disability movement as opposed to 
the medical model, the clubhouse model of the mental health recov-
ery movement) to better respond to the requirements of the new era.
Finally, forming various platforms to promote progressive so-
cial work. In 2011, a group of social workers, social work students, 
and friends from self-help organizationsin Hong Kong, feeling alien-
ated in the social welfare sector, jointly initiated the “Progressive 
Social Work Network.” Its activities include reading groups, liter-
ature translation, lectures, and participation in social actions. From 
2010 to 2019, we organized four “Progressive Social Work Forums” 
in Guangzhou, Taipei, Macau, and Kyoto, inviting social workers, 
social work teachers, and social movement organizers from Main-
land China, Taiwan, Macau, Japan, and even the UK’s “Social Work 
Action Network” to attend.
The two pro-democracy movements in Hong Kong in 2014 
and 2019 both featured a number of frontline social workers. In the 
Umbrella Movement for democratic elections in 2014, social work-
- 73 -
ers organized a one-day strike and a 2,000-strong rally. In the an-
ti-extradition protests against extradition bill in 2019, social workers 
also organized two strikes (in August and December 2019), of which 
5 August was more successful. Activists take industrial action in bid 
to force Hong Kong government to meet demands of pro-democracy 
movement. However, some social workers were also arrested for 
their participation in the campaign. About 20 social workers were 
arrested in 2019 ‘s protests. 
Final considerations
We must resist any oppression against social welfare and 
its service users in order to establish a society that respects human 
rights and secures social justice. As such, we propose ‘5Rs’ as our 
action plan:
1. Reaffirm: The core values of social service and social work 
should be defending the rights of the grassroots, securing so-
cial justice and promoting social change and the betterment 
of human welfare.
2. Reorganize: It is crucial to consolidate the collective power 
of social welfare stakeholders so as to exert enough influence 
on authorities in the social welfare sector. We must promote 
democratization in the management of social welfare agen-
cies, develop a trade union and demand for the right to collec-
tive bargaining. We must also reorganize the power of service 
users’ participlation.
3. Recapture: We must recapture our say in social welfare 
planning in order to promote a just allocation of public spend-
ing, and to adopt regulations that prevent welfare sponsors 
from intervening in the autonomy of social services. 
4. Reappear: Social workers should take up the roles of ad-
vocates, making critique and pushing for reform so as to pro-
mote social justice, human rights, democracy and equality.
5. Reestablish: To create a civil society that respects diversity 
so as to foster real social inclusion.
- 74 -
References
BAILEY R.; BRAKE, M. (Eds.). (1975). Radical Social Work. 
London, UK: Edward Arnold.
- 75 -
Parte II
FORMAÇÃO PROFISSIONAL NA 
AMÉRICA LATINA
- 76 -
CAPÍTULO 5
O PROJETO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL 
EM SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL: 
algumas considerações sobre a atualidade das 
Diretrizes Curriculares da ABEPSS
Rodrigo José Teixeira
Introdução
 Gostaria de agradecer imensamente o convite e a confian-
ça teórica e política atribuída a mim, pela comissão organizadora e 
pelo Grupo Temático de Pesquisa (GTP) Serviço Social: fundamen-
tos, formação e trabalho profissional, para a realização deste deba-
te. Quero parabenizar ao GTP que segue em sua tarefa de articular 
pesquisas e pesquisadores(as) acerca do debate da área temática dos 
fundamentos, do trabalho e da formação. Quero destacar a impor-
tância deste II Seminário Nacional e Internacional que expressa nos-
sa capacidade, própria da ABEPSS, de articulação latino-americana 
e mundial acerca do Serviço Social, apreendendo o Serviço Social 
como profissão e como área que produz conhecimento sobre a reali-
dade e toma a profissão como seu próprio objeto de estudo.
 Quero iniciar minhas considerações dedicando minha inter-
venção e emanando as melhores energias de saúde e pronta recupe-
ração à Professora Marieta Koike, que com sua capacidade política, 
afetiva e crítica é uma das principais responsáveis por levar a cabo 
a revisão do projeto de formação e, com o conjunto da categoria, 
aprovar em 1996 o Currículo Mínimo para formação em Serviço 
Social, depois designado como Diretrizes Curriculares da ABEPSS. 
Em tempos sombrios para a nossa frágil democracia, Marieta nos 
inspira na melhor tradição democrática do Serviço Social Brasileiro. 
Para as novas gerações de assistentes sociais, que não a conhecem, 
Maria Marieta dos Santos Koike é uma mulher cearense, assistente 
social que vive na cidade do Recife, apreciadora de forró e do Car-
- 77 -
naval, professora aposentada da Universidade Federal de Pernam-
buco, atuou durante muitos anos como assistente social da Superin-
tendência de Desenvolvimento para o Nordeste e foi presidente da 
ABESS nas gestões de 1994-1995 e 1996-1997. Um grande abraço 
professora Marieta, na esperança de sua pronta recuperação.
 Certamente, a responsabilidade por esta intervenção é minha, 
mas seu produto é expressão de um longo e coletivo debate da ca-
tegoria profissional, que vem muito antes de mim. Contudo, quero 
demarcar que esta apresentação é fruto de debates realizados, princi-
palmente, nas diversas edições do Projeto ABEPSS Itinerante e, aqui 
também, reconhecer a contribuição, em 2016, da professora Rosange-
la Batistoni que assessorou a edição do ABEPSS Itinerante daquele 
ano, em queacompanhei a comissão organizadora. Esta foi a primeira 
edição do projeto que abordou especificamente o tema dos fundamen-
tos do Serviço Social; esta intervenção é também produto de sínteses 
realizadas no I Seminário Nacional de Fundamentos do Serviço So-
cial, ocorrido em 2017 na UFRJ, e nos estudos para a tese de doutora-
do, defendida em 2019 (Teixeira, 2019) no PPGSS da UFRJ.
 Apresentarei, brevemente, o solo em que podemos apreen-
der os determinantes do debate da formação profissional no Brasil, 
ainda nestas notas introdutórias, depois alguns pressupostos, sem 
os quais se torna impossível a apreensão do projeto de formação 
profissional, e finalizo refletindo acerca das diretrizes curriculares 
da ABEPSS, de 1996, indicando sua atualidade.
Quero iniciar destacando que todos os processos da forma-
ção sócio-histórica da sociedade brasileira são reatualizados sob a 
materialidade do capital financeiro, expressão de sua condição de 
país dependente e subordinado. O Brasil é a expressão de uma com-
binação cada vez mais totalizante de contrarreformas nas políticas 
sociais e no recrudescimento policial e repressivo na cidade e no 
campo. Recrudescimento que é cada vez mais direcionado à popula-
ção negra, pobre e periférica deste país. Segundo dados da Coorde-
nação Nacional de Articulação de Quilombolas (Conaq)1 de 2019 a 
2024, 46 quilombolas foram assassinados em 13 estados do Brasil, 
sendo que 35% tinham relação com a disputa pela terra. Como é 
o caso, ainda sem conhecer os mandantes, do assassinato de Mãe 
1 Disponível em: . Acesso em: 17 set. 2024.
- 78 -
Bernadete Pacífico, assassinada em 2023, no quilombo Pitanga dos 
Palmares, na Bahia, sendo que seu filho Binho do Quilombo já tinha 
sido assassinado em 2017.
As contrarreformas seguem em curso, e as já consolidadas 
representam o sufocamento de todas as possibilidades de efetiva-
ção de políticas sociais no país, diminuindo os gastos públicos na 
saúde, na educação, assim como todas as reformas da previdência 
e trabalhistas em curso. Vale destacar os contingenciamentos dos 
gastos públicos, anunciados em julho de 2024 pelo governo federal, 
em torno de R$ 15 bilhões. Como bem sabemos isso se constitui em 
uma resolução do capital à sua própria crise. A tradição marxista nos 
ilumina que as resoluções das crises só jogam as contradições para 
frente e estas respostas colocam a economia capitalista nesta longa 
onda de crise, como nos diz Mandel (1990), avançando no seu im-
perativo de internacionalizar a produção e o mercado, aprofundando 
o desenvolvimento desigual e combinado entre as nações e no seu 
interior; aprofundando a desigualdade de classes sociais, num pro-
cesso das relações dialéticas entre imperialismo e dependência. 
É com esta análise que captamos, também, as formas do con-
servadorismo e de uma sociabilidade da destruição e da banalização 
das pessoas, das vidas, principalmente, indígenas, mulheres, negros 
e LGBTQUIA+, questionando valores éticos, destruindo e precari-
zando a força de trabalho, destruindo a natureza, criando, portanto, 
um contexto de uma crise sistêmica, nos termos de Mészáros (2009).
Na particularidade brasileira, esta agenda ganha materializa-
ção e vai se processar a partir dos anos 90, adquirindo um caráter 
radicalmente contrarreformista (Behring e Boschetti, 2006), embora 
formulada desde a década de 1970. Nos termos de Florestan Fernan-
des (2005), considera-se que a crise da ditadura militar que se abriu 
com uma liberalização outorgada pelo grande capital à sociedade 
brasileira, a despeito das profundas e marcantes lutas dos(as) tra-
balhadores(as). As conquistas que tiveram e aquilo que se efetivou 
estiveram absolutamente muito distantes das suas reivindicações. 
Soma-se a isto a crise de 2008, que segue com marcas deleté-
rias na economia, na forma de contratação dos(as) trabalhadores(as), 
visto que o Golpe de 2016 abriu caminho para o trabalho intermiten-
te, elementos para uma contrarreforma trabalhista que permitiu a es-
- 79 -
cala de seis por um, por exemplo. Conforme explicitou Antunes, em 
live organizada pelo CFESS2, retornamos a momentos similares ao 
da protoforma do capitalismo, com formas reatualizadas de explora-
ção do trabalho, o trabalho plataformizado, as grandes corporações 
internacionais que somam mais que o PIB de inúmeros países, como 
o Twiter, Uber, iFood, Airbnb, entre outras.
Poderia parecer que este seria um contexto favorável à luta 
dos trabalhadores. No entanto, as conjunturas de crise são as que 
mais dificultam a organização coletiva, incide diretamente na pre-
cariedade das suas condições de vida e de trabalho, ao aumento da 
concorrência, ao individualismo, ao rebaixamento salarial e é acom-
panhada de uma ampla investida ideológica, por parte do capital e 
do Estado, voltada à cooptação dos trabalhadores(as).
Contudo, há contradições neste processo, o “Breque dos 
Apps”, a greve na educação federal, a greve dos servidores do segu-
ro social, que nos dias 4 e 5 de setembro ocuparam a Presidência do 
INSS, são exemplos dessa resistência. Segundo dados do DIEESE3 
no Brasil, em 2023 contabilizaram-se 628 greves na esfera pública; 
488 greves na esfera privada e 16 greves empreendidas conjunta-
mente por trabalhadores(as) da esfera pública e privada, somando 
1.132 atividades de greve, em 2023. Sendo que dessas, 1.095 foram 
pela manutenção de condições já existentes ou descumprimento de 
direitos assegurados (DIEESE, 2023).
Dentre inúmeros elementos da realidade concreta, sem a qual 
qualquer análise que se pretenda marxista não pode abrir mão, acre-
dito que é na política social de educação e no papel da universidade 
em uma conjuntura de crise sistêmica do capital (Mézsáros, 2009) 
que o projeto de formação pode correr mais risco. A universidade 
enfrenta momentos muito difíceis, como já ocorreu em vários mo-
mentos da história, contudo, o apelo a uma formação mediada por 
tecnologias segue sendo um grande desafio. 
O Serviço Social brasileiro se posicionou inúmeras vezes 
contra o ensino a distância, já na primeira década dos anos 2000, e 
pesquisas da ABEPSS de 2021 e 2022 demonstraram a fragilidade 
do ensino remoto, que na pandemia foi emergencial. A ABEPSS e o 
2 Disponível em: . Acesso em: 
17 set. 2024.
3 Disponível em: . Acesso em: 17 set. 2024.
- 80 -
GTP devem seguir neste debate, orientando as escolas, demonstran-
do a incompatibilidade da formação graduada e pós-graduada em 
Serviço Social à distância. Os cortes de recursos para as universida-
des têm sido uma estratégia para avançar uma proposta de universi-
dade em que o ensino a distância tenha centralidade. As dificuldades 
cotidianas têm levado a docentes substituírem aulas por encontros 
remotos, mesmo em universidades que barram o ensino a distância. 
Precisamos ficar atentos(as) para que nossas ações cotidianas ex-
pressem a defesa de uma universidade presencial, colorida, popular, 
socialmente referenciada, pública e gratuita, laica, anticapacitista, 
antirracista e antiLGBT+fóbica, enfim, anticapitalista.
 Outro elemento para finalizar esta introdução, se faz neces-
sário, cada vez mais, conhecer o perfil de nossos estudantes, quem 
tem chegado para realizar o curso de Serviço Social? Vindos(as) de 
que extratos sociais e de que parcela da classe trabalhadora? Estu-
dantes que chegam ao curso de Serviço Social vieram com que for-
mação no ensino médio? Como tais estudantes lidam com a leitura 
sistemática? Com as interações nas redes sociais? Como se sentem 
avaliados por estas redes e como expressam suas dificuldades no 
processo avaliativo do curso? Em que ramo trabalham nossos(as) 
estudantes? Não é difícil visualizar estudantes que deixam a caixa 
do iFood ao lado da cadeira para assistir àsespaço privilegiado de discussões que o II Encontro Internacional 
de Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional e o II Seminário 
Nacional de Fundamentos do Serviço Social têm construído sua his-
tória e têm favorecido as discussões envolvendo os fundamentos, a 
formação e o trabalho profissional. Estes eventos, que nasceram no 
- 9 -
seio do Grupo Temático de Pesquisa (GTP) Serviço Social: funda-
mentos, formação e trabalho profissional da Associação Brasileira 
de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), têm deixado 
sua marca no que concerne ao debate respeitoso, salutar e frutífero 
para avançar rumo ao espraiamento da perspectiva crítica do Servi-
ço Social brasileiro, tanto nacional como internacionalmente. Diante 
disso, a realização de eventos dessa natureza, e que envolve pes-
quisadores de diferentes países e de distintos níveis acadêmicos, é 
uma estratégia muito bem-sucedida para reafirmar a direção social 
e a atualidade do projeto ético-político do Serviço Social brasileiro. 
Vale enfatizar que, desde a primeira edição, a realização desses 
eventos em conjuntura marcada pelo avanço do conservadorismo e 
também pela crise econômica, política, social e sanitária – o I Semi-
nário de Fundamentos do Serviço Social foi realizado em 2017 na 
Universidade Federal do Rio de Janeiro no formato presencial e o I 
Encontro Internacional de Fundamentos, Formação e Trabalho Profis-
sional foi realizado em 2022 de forma remota em função da pandemia 
de Covid-19 –, por si só, já revela a necessidade e a relevância de re-
flexão sobre os desafios do tempo presente e sua estreita relação com 
os fundamentos, com a formação e com o trabalho do Serviço Social. 
Como expõe Iamamoto (2019), nesses tempos de mundialização do 
capital e de crises, que são tempos bem difíceis marcados por para-
doxos e pelo agudizamento da questão social, é preciso refletir sobre 
a conjuntura e pensar sobre as possíveis saídas, sendo assim, como 
contraponto desse cenário, os debates da categoria contribuem para a 
capacidade de indignação diante das injustiças sociais e mantêm viva 
a esperança em tempos mais humanos. Sonhar e esperançar são mais 
que necessário, são vitais, como bem poetiza Tiago de Mello: 
Sei que é preciso sonhar.
Campo sem orvalho, seca
A frente de quem não sonha.
Quem não sonha o azul do voo
perde seu poder de pássaro [...] 
(Sonho domado,1981).
- 10 -
Na área de Serviço Social, o debate dos fundamentos é o que 
dá sustentação e direção à formação e ao trabalho, por isso se co-
loca como um dos motes centrais para o Serviço Social no cenário 
contemporâneo. Entretanto, é também um campo permeado de po-
lêmicas, tendências, contradições e dissensos, mesmo entre grupos 
de pesquisadores que compartilham de uma visão crítica de mundo 
e de sociedade. Neste sentido, o que gostaríamos de ressaltar é que a 
perspectiva crítica amplamente defendida pelo Serviço Social brasi-
leiro é hegemônica, mas não homogênea e, sendo assim, a reflexão 
e o diálogo são fundamentais para o adensamento do tema e para a 
solidificação de subsídios para a contraposição às perspectivas con-
servadoras, as quais têm também encontrado solo fértil no país e no 
mundo. As ondas conservadoras, aportadas sobre os princípios neo-
liberais, têm sido bastante destrutivas no que se refere aos processos 
democráticos, à proteção social, aos direitos trabalhistas, aos danos 
ambientais dentre outras consequências perversas tão presentes na 
atualidade. Neste escopo, o neoliberalismo, como registram Dardot 
e Laval (2016), tem sido a nova razão do mundo e ele tem lógica e 
coerência, carecendo, então, de lúcida análise para o seu enfrenta-
mento. O conhecimento crítico é indispensável nessa arena de lutas 
sociais e políticas. E diante deste cenário caótico destacamos a ne-
cessidade de reafirmar a atualidade do projeto ético-político e do 
seu vigor para nutrir a luta anticapacitista, antirracista, antilgbtqia-
fóbica, em pleno acordo com as afirmações de Teixeira em texto que 
integra esta obra.
Mesmo diante dos graves ataques à democracia e aos direitos 
sociais no Brasil e no mundo, os quais estão amplamente assinala-
dos nos textos que compõem este livro, é interessante apontar que, 
no debate dos fundamentos, há um importante consenso no que se 
refere à necessidade de resistir ao avanço do trabalho e da formação 
sob o prisma do conservadorismo. Esta resistência se mostra nos 
textos apresentados nas páginas desta obra. Além disso, é oportuno 
sinalizar que este consenso supera qualquer tendência ou diferença 
entre análises referenciadas no materialismo histórico e dialético. 
Isto é, em seu conjunto de textos, é possível conhecer as principais 
tendências presentes no debate dos fundamentos, mas também ob-
servar como estas convergem para a luta contra o conservadorismo 
na formação e no trabalho profissional. 
- 11 -
No âmbito das discussões que envolvem os fundamentos, a 
formação e o trabalho, devemos reconhecer e frisar o protagonismo 
do Serviço Social brasileiro, dando o devido destaque à produção de 
conhecimento ancorada na Teoria Social Crítica. Soma-se a isto o 
fato da pós-graduação da área de Serviço Social ter ganhado muita 
evidência, nacional e internacionalmente, no decorrer do seu meio 
século de existência. Não podemos esquecer que a pós-graduação 
brasileira foi pioneira na América Latina, com a criação dos dois 
primeiros cursos de mestrado em 1972, um na Pontifícia Universi-
dade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e o outro na Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 
O amadurecimento da área enquanto produtora de conheci-
mento deve-se em grande parte pela disseminação dos cursos de 
pós-graduação pelo país, ocorrida nos últimos cinquenta anos. So-
ma-se a isto a guinada na direção social ocorrida no mesmo período 
e a maturação e organização das entidades representativas da profis-
são. Como destacam Pinheiro, Corrêa e Santos (2022), a ABEPSS, 
o conjunto do Conselho Federal de Serviço Social/Conselhos Re-
gionais de Serviço Social (CFESS-CRESS) e a Executiva Nacio-
nal de Estudantes de Serviço Social (ENESSO) têm assumido um 
compromisso de não silenciar diante dos retrocessos no âmbito da 
proteção social e das relações de trabalho, que têm sido constantes 
desde a década de 1990. Nessa linha, as entidades reafirmam o dire-
cionamento construído e amadurecido pela categoria profissional na 
defesa dos interesses da classe trabalhadora.
É assim que o Serviço Social brasileiro tem dado um tom 
diferenciado, seja em eventos nacionais e internacionais, na 
veiculação de publicações que foram escritas no Brasil e em língua 
portuguesa e que têm sido traduzidas e ganhado o mundo, e ainda 
pela relevância das produções bibliográficas vinculadas à pós-
graduação. A demarcação da diferença em termos de perspectiva 
nas dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-ope-
rativa tem caminhado com ousadia e persistência, mas não se dá 
sem percalços, obviamente, afinal de contas, demarcar a diferença 
é sempre um exercício que requer mergulho em águas profundas. 
Nesse movimento de imersão nas águas do conhecimento é que esta 
obra contribui de forma muito especial com os profissionais, pesqui-
sadores, docentes e discentes do Serviço Social e de áreas afins, que 
- 12 -
atuam no Brasil e fora dele, na tentativa de qualificar, ainda mais, o 
debate sobre fundamentos, formação e trabalho profissional. 
Prefaciar esta potente obra, que reúne textos de autores de 
vários continentes, é tarefa desafiadora, mas também representa uma 
oportunidade de (re)afirmar – a partir dos avanços observados nas 
discussões que se revelaram nas palestras ocorridas no evento que 
motivou a produção deste livro, bem como nos textos que agora vão 
ao público – que a trajetória do Serviço Social brasileiro tem sido, 
apesar dos obstáculos e dos limites encontrados, bastante robusta 
quanto à produção de conhecimento que busca entender e questionar 
as desigualdades sociais, a superexploraçãoaulas e voltar ao trabalho 
precarizado das entregas. Cabe aos cursos conhecer o perfil dos(as) 
estudantes e construir estratégias didático-pedagógicas. Temos ca-
pacidade teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa 
para realizar tais perfis, inclusive, ensinamos isto na graduação, mas 
ainda pouco sistematizamos este perfil em dados concretos. 
 É neste solo histórico que podemos pensar o projeto de 
formação profissional em Serviço Social. Assim, sem considerar a 
teoria social que sustenta este projeto, a leitura da realidade social 
e da profissão, não é possível apreender o projeto de formação em 
Serviço Social. A seguir, apresento alguns pressupostos de análise.
1. Pressupostos de Análise
Não há dúvida que só podemos pensar um projeto de forma-
ção profissional crítico nos marcos do movimento de reconceitua-
- 81 -
ção latino-americano do Serviço Social, movimento que questiona 
as bases teóricas do Serviço Social Tradicional e avança do ponto 
de vista teórico-político, mesmo que com lacunas e contradições, 
já bem consideradas por Netto (2010) e em pesquisas recentes de 
Iamamoto e Santos (2021).
Neste sentido, é a vertente de intenção de ruptura, (Netto, 
2010) que direciona a construção de um projeto de formação, que na 
década de 1970 questiona e pressiona a construção de um novo cur-
rículo aprovado pela ABESS, em convenção em Natal-RN em 1979.
Este currículo é um marco na tentativa de rompimento com o 
Serviço Social conservador, pois questiona e supera teórica e criti-
camente, a metodologia de Caso, Grupo e Comunidade, hegemônica 
na profissão à época. Este questionamento se inicia do ponto de vista 
formal nos fóruns da ABESS, em 1973, na Convenção da ABESS 
em São Luiz, no Maranhão, em que a professora Leila Lima Santos 
apresenta a construção do projeto de formação oriundo da Escola 
de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais. Em 
1975, na convenção da ABESS, em Piracicaba-SP, que tem como 
tema a Reconceituação do Serviço Social, inicia-se um processo de 
revisão curricular, com foco nas tradicionais formas metodológicas 
de trabalho do assistente social, que resultou em uma proposta de 
currículo mínimo aprovada em Convenção Nacional, realizada em 
1979, na cidade de Natal. Este projeto foi encaminhado ao Conse-
lho Federal de Educação, sendo aprovado por este fórum em 1982 
(ABEPSS, 2007).
Na tese de doutorado (Teixeira, 2019), utilizei como metáfora 
a música “O Bêbado e o Equilibrista” de João Bosco e Aldir Blanc, 
que se tornou um hino da anistia em 1979, pois indiquei que a gêne-
se e a implantação do currículo mínimo de 1979/1982 já nasceram 
“na corda bamba de sombrinha”. Equilibrava-se entre o caldo cul-
tural, teórico e político da renovação, com seus acertos e erros, e das 
forças conservadoras, ainda fortemente presentes na formação e no 
trabalho profissional do Serviço Social.
 A década de 1980 foi marcada, na formação profissional, 
por um fecundo e necessário debate sobre a implantação e a avalia-
ção do currículo de 1979/1982. O levantamento bibliográfico indi-
cou três pesquisas desenvolvidas, todas três protagonizadas ou em 
- 82 -
parceria com a ABESS e, a partir de 1986, com o CEDEPSS4, que 
permitem conhecer os caminhos traçados pela profissão para im-
plantar o novo currículo e, ao mesmo tempo, conhecer suas fragili-
dades históricas e teórico-metodológicas num processo contínuo de 
avaliação.
 Buscar o movimento realizado pela avaliação do currículo 
mínimo de 1979/1982 permite conhecer os caminhos que a massa 
crítica da profissão realizou para construir, na década de 1990, as 
diretrizes curriculares da ABEPSS. Assim, buscaremos decifrar o 
caminho teórico-metodológico que permitiu a construção das Dire-
trizes Curriculares da ABEPSS, de 1996, e seus núcleos de funda-
mentação.
 As pesquisas encontradas foram:
- A Formação Profissional do Assistente Social no Brasil: deter-
minantes históricos e perspectivas (1983 – 1984);
- Avaliação da Formação Profissional do Assistente Social Bra-
sileiro – pós-novo currículo: avanços e desafios (1987 – 1991);
- Ensino de Metodologia nos Cursos de Serviço Social (1987 
– 1988).
 O que se pode identificar, de início, é que os anos 80 signi-
ficaram uma década de profunda reflexão e autoavaliação da cate-
goria profissional. Pesquisas são realizadas em todo o percurso da 
década, de 1983 a 1991, e abrangeram todo o país. 
O debate dos anos 80 situa-se no resgate da historicidade da 
profissão, na reconstituição da sua história, na formação sócio-histó-
rica brasileira e na explicitação das particularidades da sua inserção 
na divisão social e técnica do trabalho. 
Assim, é também pelo acúmulo teórico-metodológico e éti-
co-político na crítica ao conservadorismo e, ao que se denominou 
por Quiroga (1991), marxismo sem Marx, que os debates aprofun-
daram as relações entre história, teoria e método no Serviço Social 
e a vinculação ao movimento de reconceituação latino-americano, 
na vertente da intenção de ruptura no país (Netto, 2010). O que a 
4 O CEDEPSS foi responsável por algumas pesquisas de fôlego sobre a formação profissio-
nal, entre elas as que visavam avaliar e acompanhar a implantação do currículo de 1982. As 
pesquisas permitiam articular alguns consultores da ABESS/CEDEPSS de várias regiões do 
país para subsidiar a tomada de decisões políticas da entidade.
- 83 -
autoavaliação do currículo permitiu foi um avanço na racionalidade 
crítico-dialética e que se fazia impossível uma apreensão marxista 
sem o seu método, destacando nesse período, também, a ampliação 
da pós-graduação na área. 
Destaca-se aqui importante debate capitaneado pela ABESS/
CEDEPSS publicado nos Caderno ABESS, n. 4, dos debates trazi-
dos por José Paulo Netto e Vicente de Paula Faleiros, que com dife-
rentes críticas apresentavam e realocavam o marxismo no debate do 
Serviço Social no trabalho e na formação profissional.
Soma-se a isto a obra seminal de Marilda Vilella Iamamoto 
e Raul de Carvalho, de 1982, Relações Sociais e Serviço Social no 
Brasil em que se apresenta e inicia a difusão do significado social 
do Serviço Social, o(a) assistente social como trabalhador(a) assala-
riado(a) e a questão social como seu objeto de estudo e intervenção.
É com este acúmulo que é possível apreender o Serviço So-
cial na História, nas tramas das relações sociais capitalistas. So-
mente assentada no Método Histórico, Crítico e Dialético que é 
possível tal apreensão, com destaque para as categorias de totali-
dade, mediação e contradição. Neste capítulo, não poderão ser mais 
bem desenvolvidas, mas devem ter como norte as análises de Marx 
(2007a e 2007b), Lukács (1981 e 2009) Kosik (1969), entre ou-
tros(as) autores(as).
Com este arsenal de categorias, é possível ter como pressu-
posto o Serviço Social como totalidade histórica, como uma pro-
fissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, que tem nas 
expressões da questão social seu objeto de estudo e intervenção. 
O(A) assistente social é um(a) trabalhador(a) assalariado(a) que 
vende sua força de trabalho em diferentes espaços sócio-ocupacio-
nais, e seu trabalho é permeado por contradições próprias do modo 
de produção capitalista. No seu processo histórico, a profissão cons-
truiu uma opção permeada por valores, projetos e ações na defesa da 
classe trabalhadora. Neste sentido, não foram as categorias teóricas 
ou analíticas que fazem emergir o Serviço Social, senão o próprio 
movimento do real, em um determinado momento do capitalismo 
monopolista, nas particularidades brasileiras.
É neste contexto que podemos pensar a questão social na era 
dos monopólios, com o acirramento da contradição existente entre 
- 84 -
capital e trabalho, do papel do Estado nas expressões da questão so-
cial de forma contínua e sistemática, por meio das políticas sociais. 
Cabe ressaltar que esta intervenção do Estado é sempre de forma 
fragmentada e particularizada em “problemas sociais”.
Neste processo histórico, insere a necessidadesocial do Ser-
viço Social como uma demanda da classe burguesa, e por seus re-
presentantes do Estado para intervir junto aos trabalhadores, que na 
sociedade capitalista no Brasil, na década de 1930, vai consolidando 
seu aparecer no cenário político enquanto classe social. Para Iama-
moto (2011), a profissão é concebida como uma atividade que exerce 
um dado controle social no desenvolvimento da ideologia dominan-
te à época. Seu rol de atuação assenta-se pela mediação das políticas 
sociais, na criação das condições objetivas da reprodução da força 
de trabalho junto aos indivíduos, grupos e/ou famílias da classe tra-
balhadora. O significado social da profissão, a partir de uma matriz 
materialista histórica e dialética, é desenvolvido sob as condições 
concretas das correlações de forças da sociedade capitalista em suas 
particularidades brasileiras.
A classe trabalhadora não é um sujeito passivo do processo 
histórico, ao contrário, o trabalho do(a) assistente social é tensiona-
do pelas contradições próprias da sociedade capitalista, e a reproduz
pela mesma atividade, interesses contrapostos que convivem 
em tensão. Responde tanto às demandas do capital como do tra-
balho e só pode fortalecer a um ou outro polo pela mediação 
de seu oposto. Participa tanto dos mecanismos de dominação e 
exploração como, ao mesmo tempo e pela mesma atividade, da 
resposta às necessidades de sobrevivência da classe trabalha-
dora e da reprodução do antagonismo nestes interesses sociais, 
reforçando as contradições que constituem o móvel básico da 
história (Iamamoto, 2011, p. 81).
O Serviço Social, a partir da análise do significado social da 
profissão nesta perspectiva teórica, pode construir estratégias de inter-
venção que fortaleçam a classe trabalhadora. O trabalho profissional 
pode assumir tal defesa, mas sem desconsiderar as bases concretas 
nas quais a contradição, presente na sociedade capitalista, assenta-se.
Outro pressuposto de análise é a questão social que só pode 
ser analisada e apreendida como produto da contradição capital e tra-
- 85 -
balho, no sentido em que a produção é socializada e sua apropriação 
é privada, sendo, portanto, constituinte do modo de produção capita-
lista. Desta contradição há uma geração de riqueza nunca antes vista 
na história, mas a apropriação desta riqueza se encontra concentrada 
nas mãos dos donos dos meios de produção e aos trabalhadores resta 
vender sua força de trabalho, pois se encontram concentrados no 
processo de pauperização, submetidos à extração da mais-valia (ab-
soluta e relativa). Assim, a questão social ancora-se na “lei geral da 
acumulação capitalista”, apresentada em detalhes por Marx (2010b), 
no capítulo XXIII de O Capital. Portanto, não há possibilidade de 
superação da questão social na sociedade capitalista.
Devemos considerar que a questão social não está solta no 
espaço e no tempo, ela tem solo histórico nas particularidades do 
Brasil. E, ao se situar nestas particularidades, pode ser considera-
da objeto de estudo e intervenção da profissão. Pesquisas recentes, 
publicadas na Revista Temporalis, n. 42, apontam a necessidade de 
solidificar e seguir nas pesquisas sobre questão social.
Para a melhor apreensão questão social no Brasil, se faz ne-
cessário conhecer os elementos de sua formação sócio-histórica, do 
debate étnico-racial e dos povos originários, o debate da posse da 
terra no Brasil, elementos que estruturam a questão social no país. 
Sem a qual a análise sobre o Brasil, assim como as respostas profis-
sionais construídas no cotidiano de trabalho, ficam comprometidas 
com a apreensão do real e seu movimento histórico.
 Marini (2011, p. 138) identifica que “a inserção da América 
Latina na economia responde às exigências da passagem para a pro-
dução de mais-valia relativa nos países industriais”. O autor analisa 
que a superexploração do trabalho é um dos pilares das economias 
dependentes, como condição fundamental que ancora o desenvolvi-
mento econômico desigual entre os países centrais e os periféricos, 
impedindo a autonomia de países como o Brasil. Cabe destacar a 
passagem de Marx (2010a, p. 274): 
quando povos, cuja produção se encontra nos estágios inferio-
res da escravatura [...], entram num mercado mundial dominado 
pelo modo de produção capitalista, tornando-se a venda de seus 
produtos ao exterior o interesse dominante, sobrepõe-se aos 
horrores bárbaros da escravatura, [...] a crueldade civilizada do 
trabalho em excesso.
- 86 -
Deve-se considerar que o genocídio da população originá-
ria e o doutrinamento religioso, assim como a falta de demarcação 
de terras indígenas, vão marcando a questão social no Brasil. O 
período escravista no país tem início cerca de 1530, com legalização 
do Estado, apoio da igreja e naturalização das relações sociais 
escravocratas, com o intuito da exploração do trabalho de negros(as) 
em diferentes frentes, principalmente, nos engenhos de açúcar e fa-
zendas de café, mas também depois, nos grandes centros urbanos. 
O acesso aos bens socialmente produzidos é alienado da clas-
se que os produz. Quando incidimos na análise sobre a cor da pele e 
o gênero de quem produz a riqueza no Brasil, estes estão ainda mais 
apartados. Produto de um processo histórico de mais de 300 anos 
de escravidão, o racismo deixa marcas históricas na reprodução das 
relações sociais no país. Deste modo, entendemos que o racismo é
um multiplicador ideológico que se nutre das ambições políti-
cas e expansionistas das nações dominadoras e serve-lhe como 
arma de combate e de justificativa para os crimes cometidos 
em nome do direito biológico, psicológico e cultural de “raças 
eleitas” (Moura, 1994, p. 4-5).
 O trabalho de mulheres e homens negros(as) escraviza-
dos(as) no Brasil é fonte da acumulação capitalista no país, uma vez 
que são considerados(as) força de trabalho, mas também é com o co-
mércio e o tráfico destas pessoas que se vai culminando nas formas 
particulares da riqueza constitutiva no Brasil. Concordamos com Cos-
ta (2010, p. 29) que a escravidão foi “uma instituição integrante do 
sistema colonial característico da fase de acumulação primitiva e mer-
cantil do capital”, assim como da formação dos Estados Nacionais.
 Contudo, não podemos dizer que não houve resistência, ao 
contrário, organização, assassinato de senhores, fugas, motins, for-
mação coletiva de quilombos, continuidade de práticas culturais e 
religiosas (Moura, 1988) também são marcas das expressões e lu-
tas do povo negro. Assim, sob pressão internacional, necessidade de 
ampliação do liberalismo no Brasil, luta de alguns(umas) negros(as) 
libertos(as) e de brancos livres que a Abolição da Escravatura foi 
possível em 18885.
5 Tal data não é reconhecida pelo movimento negro, cabe destacar que a abolição deixou 
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 A necessária relação entre formação e trabalho profissional 
de assistentes sociais deve considerar a questão étnico-racial na es-
trutura da questão social no Brasil, pois incide diretamente no fato 
de que a questão social é o objeto de trabalho desta categoria pro-
fissional, desta forma não é possível apreender as particularidades 
das expressões da questão social nos espaços sócio-ocupacionais se 
o debate étnico-racial não fizer presente na formação e no trabalho 
profissional.
 É neste sentido que Eurico (2013, p. 295) explicita que a 
questão social no Brasil precisa ser analisada considerando a 
forma como a população negra acessa a riqueza socialmen-
te produzida, ao estabelecer relações afetivas, no acesso e na 
permanência no mercado de trabalho, na invisibilidade escolar, 
enfim, é na vida cotidiana que a diversidade racial ganha contor-
nos de desigualdade social.
A questão do racismo no Brasil hoje está longe de ser su-
perada, a meritocracia, princípio amplamente difundido pelas eli-
tes brancas deste país, cada vez mais se contrapõe à ampliação do 
movimento negro, suas bandeiras de luta, em suas reivindicações e 
debates, nas denúncias realizadas e nos dados apresentadospelos 
institutos de pesquisa.
Assim, demonstrou-se acertada a campanha da gestão 2023-
2024 da ABEPSS, por um projeto de formação antirracista. Aponto, 
também, a necessidade da continuidade do debate da questão so-
cial, elemento central do GTP que organiza este evento. O debate 
de Fundamentos pode ficar esvaziado de sentido e materialidade ao 
não trazer ao centro o debate plural e com direção social do acúmulo 
sobre a questão social no Brasil.
negros e negras sem nenhuma condição objetiva de vida, relegados aos lugares periféricos 
das cidades, não foram incorporados como mão de obra assalariada, reforçando o racismo e o 
preconceito. Ver mais em: “13 de maio, uma data que nos jogou ao léu”, no site do Instituto 
Geledés. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2020.
- 88 -
2. O Projeto de Formação Profissional no Brasil e sua atualidade
 A partir, sobretudo, do acúmulo teórico acerca do significado 
social da profissão, que o processo de autoavaliação indicava a neces-
sidade de revisão do currículo mínimo de 1979/1982, somam-se a isto 
as alterações no Código de Ética e na Lei que Regulamenta a Profis-
são, ambos os documentos de 1993. Era necessário formar assistentes 
sociais nesta dada concepção teórico-metodológica. 
O novo currículo deveria, então, expressar o significado social 
da profissão, ensinar assistentes sociais a apreender tal significado, de-
senvolver análises da realidade concreta e construir respostas teórico-
-práticas no trabalho profissional, na direção do projeto que o Serviço 
Social vinha delineando no horizonte histórico. As diretrizes Curricu-
lares da ABEPSS, de 1996, expressa a síntese deste significado social, 
da análise da realidade social, da trajetória histórica da profissão e do 
trabalho profissional no cotidiano dos espaços sócio-institucionais.
 A inovação proposta pelo projeto de formação e expressa 
pelas Diretrizes Curriculares da ABEPSS está em trazer ao centro 
uma nova lógica para a formação profissional. As Diretrizes Curri-
culares, além de apresentarem: os pressupostos da formação; seus 
princípios e diretrizes; as diferentes estratégias pedagógicas para 
desenvolver os conteúdos; os estágios; e o trabalho de conclusão de 
curso; apresentam também uma nova lógica para a formação profis-
sional. Tal lógica e racionalidade estão em apresentar três núcleos de 
fundamentação que indicam uma direção social para a formação que 
deve coincidir com a mesma direção que se quer para o Serviço So-
cial. Assim, a partir da apreensão destes núcleos de fundamentação 
e de sua unidade articulada pode-se pensar a formação e o trabalho 
de assistentes sociais.
 O argumento central é que, por meio do projeto de formação 
profissional é possível apreender uma concepção de Serviço Social. 
Esta apreensão só é possível se considerarmos que a teoria social 
marxista apresenta um arsenal de categorias para ler a realidade so-
cial e a profissão. Deste modo, o projeto de formação, ao mesmo 
tempo, deve expressar esta perspectiva teórica, como também, sem 
tal perspectiva a apreensão do projeto de formação e, portanto, do 
Serviço Social fica comprometida.
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 O projeto de formação profissional que visa formar assis-
tentes sociais críticos, comprometidos com valores de liberdade, 
justiça, que coadunam com o projeto de profissão, é objetivado no 
conjunto de documentos, construídos historicamente pela ABEPSS, 
desde sua organização em ABESS/CEDEPSS, na luta histórica em 
defesa da formação profissional de qualidade e comprometida com 
valores emancipatórios. 
 Assim, o projeto de formação profissional expressa um mo-
vimento histórico de tentativa de ruptura com o conservadorismo, 
no lastro do movimento de reconceituação latino-americana, seus 
rebatimentos na renovação do Serviço Social e o processo de autoa-
valiação do currículo mínimo de 1979/1982. 
O projeto de formação tem nas Diretrizes Curriculares da 
ABEPSS, de 1996, seu marco mais complexo e amadurecido, sín-
tese de todo processo histórico, contudo, não se finda nela mesma. 
Como ponto de maturação teórico-metodológica e pedagógica, as 
Diretrizes Curriculares são um ponto de chegada, mas também pon-
to de partida para novas incidências teórico-práticas junto à forma-
ção profissional – como a Política Nacional de Estágios (PNE), os 
Subsídios para o Debate Étnico-Racial na Formação, a contribuição 
da ABEPSS para os Programas de Pós-Graduação, os Grupos Temá-
ticos de Pesquisa (GTPs), a estratégia do Projeto ABEPSS Itineran-
te6, a Política Nacional de Comunicação da ABEPSS, – pois tendem 
a garantir a continuidade e a direção social que as Diretrizes contem-
plam. É tudo isto que vai consolidando e dando forma e contorno a 
um projeto de formação profissional crítico.
 Os debates que constam nestes documentos são possíveis, 
pois o germe, os fundamentos, as concepções e os valores estão pre-
sentes nas Diretrizes. Neste sentido, cada documento expressa as de-
terminações conjunturais de cada momento e dinâmica das disputas 
na sociedade, ora de forma ofensiva ora na defensiva, mas sempre 
na tentativa concreta de garantia da qualidade da formação e do tra-
balho profissional. 
 A partir de 1994 foi desencadeado um processo de revisão 
curricular para o curso de Serviço Social, “entre 1994 e 1996 foram 
6 Assim como compõem o projeto de formação profissional, as posições da ABEPSS frente à 
mercantilização da educação, ao ensino a distância, aos mestrados profissionais, entre outras 
posições.
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realizadas aproximadamente 200 (duzentas) oficinas locais, nas 67 
(sessenta e sete) unidades acadêmicas filiadas à ABESS, 25 (vinte 
e cinco) oficinas regionais e duas nacionais” (ABESS/CEDEPSS, 
1997, p. 58).
A partir de um longo período de avaliação do currículo de 
1982 – que apontava a necessidade de reforma curricular –, no ano 
de 1995 é aprovado um primeiro documento intitulado Proposta Bá-
sica para o Projeto de Formação Profissional (ABESS/CEDEPSS, 
1996).
Este documento apresenta como princípios norteadores da re-
visão curricular:
A preservação dos avanços do currículo/82, bem como do códi-
go de ética aprovado em 1993, tomando como ponto de partida 
o patamar teórico-metodológico e ético-político construído pela 
categoria profissional, em sua trajetória; a convivência demo-
crática entre as diferentes concepções ético-políticas e teórico-
-metodológicas que perpassam a formação e a prática profissio-
nal; a capacitação e desenvolvimento das unidades de ensino 
como parte do próprio processo de construção da nova proposta 
curricular (ABEPSS/CEDEPSS, 1996, p. 144).
 O documento avança na necessária relação entre a análise 
da realidade social e das particularidades sócio-históricas do Brasil 
para apreender o significado social da profissão e como este signifi-
cado social pode ser pedagogicamente ensinado na formação profis-
sional. Deste modo, a Proposta Básica (ABEPSS/CEDEPSS, 1996) 
apresenta a necessária relação entre o conhecimento e a pesquisa; e 
a relação entre profissão e realidade; assim como o debate sobre o 
significado social da profissão. Este documento apresenta, também, 
uma análise de conjuntura da década de 1990 e como o Serviço So-
cial é analisado a partir da totalidade, da reorganização do Estado 
e das classes sociais. O documento contém, ainda, as diretrizes e 
metas para a reforma curricular.
 É neste documento apresentado em 1995, publicado na re-
vista Serviço Social e Sociedade, n. 50, que pela primeira vez é de-
batido um “conjunto de conhecimentos indissociáveis, que se traduzem 
em núcleos de fundamentação” (ABESS/CEDEPSS, 1996, p. 168). 
- 91 -
 O marco importante deste documento é que, pela primeira 
vez, a redefinição do significado social da profissão, debatido a partir 
da década de 1980, é expressa em um material que subsidiará a for-
mação profissional em todo o país. Ou seja, o trato dado ao significa-
do social da profissão “enquanto especializaçãodo trabalho coletivo, 
inserido na divisão social e técnica do trabalho” (ABESS/CEDEPSS, 
1996, p. 153) é debatido neste documento. Mas, principalmente, a alo-
cação da questão social e suas multifacetadas expressões, como cen-
tral para o trabalho e para a formação é que configuram uma guinada 
teórico-crítica que pode ser apreendida da seguinte forma:
Tomar a questão social como central é assumir um caminho 
teórico-metodológico que permite apreender as particularidades 
das demandas e respostas profissionais na dinâmica da realidade 
e não sobre ela. Esta é uma condição de superação do tratamen-
to formalista, politicista ou pragmática que parcela da categoria 
profissional parece ter assumido nos anos 80. Assim, a questão 
social, objeto de um tratamento teórico, histórico e metodoló-
gico rigoroso, é o eixo fundamental do curso de Serviço Social 
(ABESS/CEDEPSS, 1996, p. 159-160).
O desenvolvimento do debate para a revisão curricular tem 
outro marco importante, o documento Proposta Básica para o pro-
jeto de Formação Profissional: novos subsídios para o debate (Car-
doso, et al., 1997)7. Tal documento foi construído mediante a neces-
sidade apontada pela plenária da assembleia da ABEPSS/CEDEPSS 
de maior explicitação e aprofundamento de questões como 
a compreensão da ‘questão social’; o desenvolvimento do nú-
cleo de fundamentação do trabalho profissional e sua inter-rela-
ção com os demais eixos propostos; e a necessidade de trazer o 
debate sobre a universidade brasileira para o centro do processo 
de revisão do currículo mínimo (Cardoso, et al., 1997, p. 15-16).
Havia um debate amplo acerca da apreensão da questão social 
como central para a formação profissional. Este debate foi trava-
do em distintas reuniões e debates promovidos pela ABEPSS/CE-
DEPSS no processo de revisão curricular. Tal debate foi polarizado 
por uma tendência que compreendia a centralidade da formação as-
sentada na política social, sua estrutura e dinâmica, sua execução, 
7 Este documento é elaborado por uma comissão de consultores das diferentes regiões do país 
e pode ser encontrado no Caderno ABESS, n. 7, 1997.
- 92 -
planejamento e avaliação. A professora Marilda Iamamoto, em rela-
to para o vídeo Documentário ABEPSS 70 anos, apresenta a polêmi-
ca da seguinte maneira:
tinha algumas polêmicas que eu acho que merecem saliência. A 
primeira delas é a relação entre política social e questão social 
e os protagonistas dessas representações. Os protagonistas da 
política social defendiam que a política social é uma determina-
ção fundante na constituição do exercício profissional, da pro-
fissão e, portanto, deveria ser o eixo norteador, o núcleo básico 
da formação profissional. E tinha outra posição que defendia 
a prevalência não [...] da Política, mas da Questão Social, das 
desigualdades, da constituição [...] das classes sociais, a relação 
da desigualdade a elas inerentes, com uma base sócio-histórica 
da demanda da profissão... Era uma questão: o que era ontolo-
gicamente determinante? Era o Estado ou era a questão social? 
[...] A gente chegou à conclusão, diante de um enfrentamento 
teórico denso, consistente, que a questão social explica a po-
lítica social, mas a política social em si não explica a questão 
social. Então, a questão social é determinante, é claro que a po-
lítica social interfere, mas o que gera a demanda da política é 
a questão social. Então, a questão social deveria se constituir 
na base de sustentação da formação, indissociável do trabalho, 
da constituição do trabalho. E aí entrava também um debate, 
tanto da visão ontológica, o trabalho como ontologicamente de-
terminante do ser social, mas o trabalho também como sujeito 
sócio-histórico desse processo. Essa foi uma grande discussão, 
esse foi um grande embate e um grande debate.
A partir dos documentos amplamente debatidos em 1995 e 
1996, a Assembleia Geral Extraordinária da ABESS, em novembro 
de 1996, aprova um currículo mínimo para o curso de Serviço So-
cial. Este documento da formação é denso teoricamente, apresenta 
em detalhes uma proposta de formação assentada no acúmulo teóri-
co desenvolvido desde a década de 1970 e a renovação no Serviço 
Social Brasileiro, da avaliação do currículo mínimo de 1982, do Có-
digo de Ética de 1986 e sua revisão, em 1993, e da Lei n.º 8.662/93.
Contudo, esta proposta é atravessada pela conjuntura da déca-
da de 1990, de avanço neoliberal em todos os âmbitos da vida social, 
das políticas sociais e da direção do governo Fernando Henrique 
Cardoso. Assim, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada 
em dezembro de 1996, exige não mais currículos mínimos, mas sim 
- 93 -
Diretrizes Curriculares mais flexíveis, delimitando um perfil profis-
sional, competências e habilidades para o mercado de trabalho.
A ABESS/CEDEPSS prontamente se predispôs a construir 
estratégias para a garantia da direção social do documento aprova-
do pela assembleia da entidade em 1996, e “abriu simultaneamente 
espaços no MEC-Sesu para a criação da Comissão de Especialistas 
de Ensino em Serviço Social, responsável, [...], por apreciar e en-
caminhar ao Conselho Nacional de Educação (CNE) as diretrizes 
curriculares da área” (Iamamoto, 2014, p. 616).
A Comissão de Especialistas teve a tarefa de realizar, aos mol-
des da exigência do MEC-Sesu, um documento que expressasse as 
Diretrizes Curriculares a serem protocoladas no Ministério e apro-
vadas pelo CNE. Tal comissão realizou a tarefa sem perder e/ou al-
terar a direção teórica e política aprovada na assembleia da ABESS/
CEDEPSS, em 1996. Mas orientou o material aos moldes formais 
das exigências do MEC-Sesu. O documento da comissão de especia-
listas foi submetido à aprovação da assembleia da ABESS:
Assim, não existiram distintas propostas de diretrizes, a da 
ABEPSS e a da Comissão de Especialistas, mas uma única 
proposta submetida a um processo de aperfeiçoamento do texto 
original de currículo mínimo para viabilizar seu encaminhamento 
ao Conselho Nacional de Educação – CNE, submetida à 
apreciação e aprovação pela assembleia da entidade, sua maior 
instância deliberativa (Iamamoto, 2014, nota 07, p. 616).
Iamamoto (2014) destaca, ainda, que os currículos mínimos 
foram alterados para Diretrizes Curriculares, exigindo a construção 
de um perfil profissional8; o estabelecimento de competências e ha-
bilidades; e a alteração das matérias básicas por tópicos de estu-
dos. A saída encontrada pela comissão de especialistas foi a recusa 
por uma definição mercantil de habilidades e competências. Deste 
modo, recorre-se às competências e atribuições da Lei n.º 8.662/93, 
8 O perfil, presente nas Diretrizes Curriculares, expressa: “profissional que atua nas expres-
sões da questão social, formulando e implementando propostas para seu enfrentamento, por 
meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organizações da sociedade civil e mo-
vimentos sociais. Profissional dotado de formação intelectual e cultural generalista crítica, 
competente em sua área de desempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva, 
no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho. Profissional comprometido com os 
valores e princípios norteadores do Código de Ética do Assistente Social” (BRASIL, Comis-
são de Especialistas, 1999).
- 94 -
que regulamenta a profissão e princípios do Código de Ética de 1993 
para a construção de tais requisições do Ministério da Educação (Ia-
mamoto, 2014).
As Diretrizes Curriculares são apresentadas ao MEC-Se-
su, em 1999, e são aprovadas pela CNE em 2001. No documento 
aprovado pelo MEC, há um abismo entre o que foi aprovado pela 
ABEPSS e o que foi publicado em 20019. Tanto no que se refere ao 
perfil profissional, às competências e habilidades e aos tópicos de 
estudos que foram suprimidos totalmente. Contudo, resguardava a 
lógica dos núcleos de fundamentação, deixando a cargo de cada uni-
dade de formação acadêmica a elaboração de componentes curricu-
lares e das formas pelas quais o conjunto desteconteúdo é orientado 
no projeto político-pedagógico de cada curso. 
Sem dúvida, a inovação das Diretrizes Curriculares da 
ABEPSS está no trato do significado social da profissão como tota-
lidade, como profissão inserida na divisão social e técnica do traba-
lho e que tem nas particularidades sócio-históricas da questão social 
seu objeto de estudo e intervenção. Neste sentido, a necessidade de 
um rigor na perspectiva marxista, na apreensão das particularida-
des da sociedade brasileira e suas transformações na reestruturação 
produtiva é fundamental para a apreensão do significado social da 
profissão. Por estes motivos, a correta apreensão do método na teo-
ria social marxista é exigência para a correta apreensão do projeto de 
formação e da construção da intervenção profissional.
O trabalho como categoria teórica central na ontologia do ser 
social é fundamental para a apreensão da questão social e das formas 
históricas pelas quais as desigualdades derivam desta contradição. 
Ao mesmo passo que permite analisar o trabalho do(a) assistente 
social como trabalho concreto, inserido em processos de trabalho 
na sociedade capitalista. Assim, as Diretrizes Curriculares são um 
avanço frente a todo processo de formação profissional que a pro-
fissão já havia construído. Estas inovações podem ser encontradas, 
entre outras, nos pressupostos da formação profissional:
1- O Serviço Social se particulariza nas relações sociais de pro-
dução e reprodução da vida social como uma profissão interven-
tiva no âmbito da questão social, expressa pelas contradições do 
desenvolvimento do capitalismo monopolista; 
9 Ver mais em: Ortiz (2013); Revista Temporalis, n. 14, 2007; Iamamoto (2007, 2014).
- 95 -
2- A relação do Serviço Social com a questão social – funda-
mento básico de sua existência – é mediatizada por um conjunto 
de processos sócio-históricos e teórico-metodológicos constitu-
tivos de seu processo de trabalho; 
3- O agravamento da questão social em face das particularida-
des do processo de reestruturação produtiva no Brasil, nos mar-
cos da ideologia neoliberal, determina uma inflexão no campo 
profissional do Serviço Social. Esta inflexão é resultante de no-
vas requisições postas pelo reordenamento do capital e do tra-
balho, pela reforma do Estado e pelo movimento de organização 
das classes trabalhadoras, com amplas repercussões no mercado 
profissional de trabalho;
4- O processo de trabalho do Serviço Social10 é determinado 
pelas configurações estruturais e conjunturais da questão social 
e pelas formas históricas de seu enfrentamento, permeadas pela 
ação dos trabalhadores, do capital e do Estado, através das polí-
ticas e lutas sociais (ABESS/CEDEPSS, 1997, p. 60-61).
 Tais pressupostos expressam a centralidade da questão so-
cial em todo o processo de formação profissional. Os diferentes itens 
demonstram o necessário trato da questão social como fundamento 
histórico-ontológico da profissão; a consideração do caráter históri-
co das expressões da questão social no conjunto de desigualdades 
que se acirram na reestruturação do capital e de seus tensionamen-
tos; e a necessidade de apreender seus mecanismos e espaços de 
enfrentamento, que perpassam a relação entre as classes sociais e 
destas com o Estado.
 Este conjunto de pressupostos relaciona-se com os princí-
pios que fundamentam a formação profissional (ABESS/CEDEPSS, 
1997, p. 61-62). Estes princípios definem a forma pela qual as UFAs 
devem assegurar a qualidade da formação na elaboração de seus 
PPPCs, uma vez que estes princípios expressam dinamicidade e 
densidade aos processos formativos; visam superar a fragmentação 
dos conteúdos, das matérias e das ementas; reclamam que a ética 
10 Um longo debate foi realizado acerca do tema processo de trabalho e Serviço Social du-
rante e após a aprovação do documento, haja vista que o documento de 1999 já altera alguns 
elementos em que continham, em 1996, como “Processos de Trabalho do Serviço Social” 
ou “os elementos constitutivos do processo de trabalho do assistente social” para “Processos 
de Trabalho e Serviço Social” ou “a inserção do assistente social em processos de trabalho”. 
Mota (2007, p. 66) relata que a mudança ocorrida é de “fundo, supera-se a ideia de um proces-
so de trabalho próprio do Serviço Social para propor Serviço Social e Processos de Trabalho, 
uma concepção muito distinta do ponto de vista teórico-metodológico e com desdobramentos 
importantes e positivos no conteúdo das disciplinas”. Ver também em: Granemann (1999), 
Mota (2007).
- 96 -
e a pesquisa são transversais a todo processo formativo; a garantia 
da dimensão interventiva e investigativa como condição central da 
formação; a garantia de condições de qualidade idênticas aos dis-
centes do noturno e do diurno, representando uma preocupação com 
os(as) alunos(as) trabalhadores(as); indissociabilidade entre ensino, 
pesquisa e extensão; exercício do pluralismo; e a relação estágio e 
supervisão.
A partir dos pressupostos da formação e de seus princípios, a 
formação profissional deve assegurar que os(as) assistentes sociais 
tenham capacitação teórico-metodológica, ético-política e técnico-
-operativa para:
1. Apreensão crítica do processo histórico como totalidade;
2. Investigação sobre a formação histórica e os processos so-
ciais contemporâneos que conformam a sociedade brasileira, 
no sentido de apreender as particularidades da constituição e 
desenvolvimento do capitalismo e do Serviço Social no país;
3. Apreensão do significado social da profissão desvelando as 
possibilidades de ação contidas na realidade;
4. Apreensão das demandas – consolidadas e emergentes – pos-
tas ao Serviço Social via mercado de trabalho, visando formular 
respostas profissionais que potenciem o enfrentamento da ques-
tão social, considerando as novas articulações entre o público e 
o privado;
5. Exercício profissional cumprindo as competências e atribui-
ções previstas na legislação profissional em vigor (ABEPSS/
CEDEPSS, 1997, p. 62).
A inovação proposta pelas Diretrizes está em propiciar que 
estes pressupostos, princípios e capacitações possam ser explicita-
dos por um conjunto de conhecimentos articulados. A maneira teóri-
ca e pedagógica encontrada pela ABESS/CEDEPSS foi a construção 
de Núcleos de Fundamentação.
Os três Núcleos de Fundamentação das Diretrizes Curriculares 
da ABEPSS revelam “um conjunto de conhecimentos indispensáveis 
para a formação profissional” (ABESS/CEDEPSS, 1997, p. 63) que 
permite a análise do significado social da profissão; das refrações da 
questão social nas particularidades sócio-históricas da sociedade bra-
sileira; das transformações históricas da profissão; e permite ao assis-
- 97 -
tente social desenvolver seu trabalho profissional com competência 
teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa.
Os núcleos de fundamentação são: Núcleo de Fundamentos 
Teórico-Metodológicos da Vida Social; Núcleo de Fundamentos da 
Formação Sócio-Histórica da Sociedade Brasileira; Núcleo de Fun-
damentos do Trabalho Profissional.
Estes núcleos são expressões de uma totalidade de conhe-
cimentos que se complexificam a partir do Núcleo Teórico-Me-
todológico da Vida Social, o qual analisa o ser social fundado no 
trabalho e suas expressões sócio-históricas. Esta totalidade se par-
ticulariza nos núcleos de fundamentação da sociedade brasileira e 
do trabalho profissional. O conteúdo destes núcleos expressa níveis 
diferentes de abstração do real, da realidade social e da profissão, 
permitindo respostas profissionais condizentes com a direção social 
hegemônica da profissão. São totalidades complexas em níveis 
distintos e articulados entre si. “A formação profissional constitui-
se de uma totalidade de conhecimentos que estão expressos nestes 
três núcleos, contextualizados historicamente e manifestos em suas 
particularidades” (ABESS/CEDEPSS, 1997, p. 63).
Os núcleos de fundamentação expressam também uma ino-
vação metodológica e um conjunto de conteúdos necessáriospara a 
formação profissional e articulam-se como eixos estruturadores de 
todo processo formativo. E os conteúdos se expressam em diferentes 
componentes curriculares de modo a não fragmentar o “processo de 
ensino aprendizagem e [...] uma intensa convivência acadêmica entre 
professores, alunos e sociedade” (ABESS/CEDEPSS, 1997, p. 63).
 A atenção necessária, e indicada pela ABEPSS, é a não de-
partamentalização destes conteúdos, indicando componentes curri-
culares vinculados a este ou aquele núcleo. O desafio desta nova 
lógica curricular é expressar a articulação dos núcleos de fundamen-
tação das Diretrizes no conjunto dos componentes curriculares, per-
mitindo ao discente reconhecer que o trato rigoroso da teoria social 
possibilita analisar a realidade e construir intervenção profissional.
 Os conteúdos abordados nestes núcleos de fundamentação 
devem constituir-se nas matérias de estudos e análises na formação 
profissional, pois expressam áreas de conhecimento. Outra inovação 
das Diretrizes Curriculares está no fato de avançar para que estas 
- 98 -
matérias sejam trabalhadas em um conjunto de componentes curri-
culares que devem ser abordados como: Disciplinas, Seminários Te-
máticos, Oficinas/Laboratórios; Atividades Complementares. Cada 
um destes componentes curriculares apresenta formas diferentes 
de se constituírem, apontando maneiras pedagógicas alternadas de 
abordar o conjunto dos conteúdos e dinamizar o processo de ensino-
-aprendizagem.
 Assim, estas matérias, ou seja, estes conjuntos de conhe-
cimento expressos na unidade dos três núcleos de fundamentação 
revelam a totalidade de conhecimentos necessários para formar 
assistentes sociais e que devem ser mobilizados por profissionais 
na construção de sua intervenção profissional, revelando que tais 
núcleos expressam a relação trabalho e formação. É preciso co-
nhecer estes conteúdos na formação, por meio de um conjunto de 
disciplinas, laboratórios, oficinas e seminários temáticos, para que 
assistentes sociais sejam capazes de acionar esta unidade no mo-
mento da construção da intervenção profissional.
Por isto, estes núcleos não são núcleos de conteúdos teóricos 
e conteúdos práticos, mas sim teórico-práticos, uma vez que a pro-
fissão tem um caráter interventivo e investigativo, deste modo a pes-
quisa deve ser transversal a todo processo formativo.
A lógica das Diretrizes considera a totalidade social e a 
apreensão das mediações postas nesta totalidade para construir a in-
tervenção profissional. O rigor teórico na análise é necessário para 
formar assistentes sociais, pois precisamos desenvolver as habili-
dades e competências para esta intervenção, apoiadas na unidade 
articulada dos três núcleos da formação previstos nas Diretrizes, as-
sim como na Lei que Regulamenta a Profissão e no Código de Ética 
Profissional.
Os três núcleos das Diretrizes Curriculares permitem analisar a 
realidade e a profissão, seu significado social na sociedade capitalista; 
assim como permitem analisar a gênese e desenvolvimento da questão 
social, como produto do capitalismo na particularidade brasileira. 
Outro elemento importante impulsionado pelo debate das Di-
retrizes Curriculares é o estágio supervisionado, momento privile-
giado da formação profissional em que estudantes se deparam com 
o cotidiano de trabalho e podem visualizar a unidade articulada dos 
- 99 -
três núcleos de fundamentação, apreendendo o trabalho profissional 
na divisão social de trabalho e apreendendo as diferentes estratégias 
para garantia da direção social crítica.
No estágio, todos os componentes curriculares necessitam 
fazer sentido ao discente, abrangendo os conteúdos trabalhados 
nos diferentes componentes curriculares como síntese do processo 
formativo. O conteúdo dos componentes curriculares da supervisão 
deve servir para elucidar a complexidade das relações de produção 
e reprodução das relações sociais nas quais estão submetidos os su-
jeitos e que se expressam as refrações da questão social, captando, 
também, as condições objetivas em que se insere o trabalho profis-
sional. Exigindo a articulação dos conteúdos dos núcleos de funda-
mentação das Diretrizes Curriculares.
É neste sentido que se coloca a atualidade das Diretrizes Cur-
riculares, nossos estudantes ao se depararem com um documento 
que tem mais idade que os(as) próprios(as) podem se perguntar so-
bre sua atualidade e pertinência. Contudo, é na articulação destes 
conteúdos que é possível expressar a concepção de Serviço Social, 
de apreensão do Método em Marx para apreensão dos fundamentos 
do Serviço Social e da construção de respostas profissionais calca-
das na realidade concreta.
Os temas candentes da profissão podem ser analisados segun-
do os conteúdos dos três núcleos de fundamentação, de modo a con-
siderar a totalidade da vida social, das particularidades da formação 
social brasileira e das respostas profissionais.
Ao tomarmos o tema da formação antirracista, tema central 
da gestão da ABEPSS, a articulação dos três núcleos de fundamen-
tação expressa aportes necessários para subsidiar a analise e a ação 
de profissionais, nos incentivando a ampliar o debate.
O debate da formação antirracista reatualiza os debates da for-
mação profissional e reafirma a atualidade das diretrizes curriculares 
orientando a graduação e a pós-graduação. Como nos explicita Moura 
(1994), a luta antirracista não pode ser apartada da luta anticapitalista. 
Assim, o conjunto de conteúdo do núcleo de fundamentação 
da vida social permite uma apreensão de totalidade relacionando ca-
pitalismo e racismo. Apreendendo que o racismo é parte da repro-
dução do capital, do rebaixamento do valor dos salários, colocando 
- 100 -
a disposição da burguesia “uma superpopulação relativa disponível 
e farta, tanto nas cidades quanto no campo” (ABEPSS, 2024, p. 6).
O Núcleo de Fundamentos da Formação Sócio-Histórica da 
Sociedade Brasileira deve permitir o conhecimento histórico das re-
lações de colonização, expropriação e exploração da classe trabalha-
dora no Brasil que tem cor, classe e território. Dados do IBGE, pu-
blicados em texto recente da ABEPSS (2024), nos atualiza que “se 
a informalidade é um traço estrutural do mundo do trabalho no país 
(40,9% da população ocupada estava na informalidade), a proporção 
de mulheres pretas ou pardas (46,8%) e homens pretos ou pardos 
(46,6%) supera em mais de 10 pontos percentuais a proporção de 
mulheres e homens brancos”. São os conteúdos deste núcleo que 
permitem uma análise aprofundada destes dados no reconhecimento 
da demanda e da população que chega ao nosso atendimento. 
O Núcleo de Fundamentos do Trabalho Profissional deve in-
dicar a necessidade de conhecer os(as) usuários(as) dos serviços que 
atendemos, que devem ser captados pela leitura particularizada dos 
dois outros núcleos nas dimensões do trabalho profissional, tal po-
pulação atendida é majoritariamente feminina e negra. Este núcleo 
deve permitir reconhecer que a maioria das trabalhadoras assistentes 
sociais no Brasil são negras, conforme pesquisa recente do CFESS.
Ainda no texto recente, que subsidiou a edição de 2024 do 
projeto Abepss Itinerante, uma pergunta importante para a formação 
profissional:
O que o método nos desafia? Basicamente, a apreender do real 
as contradições do modo de produção em sua essência, para no 
movimento da luta de classes, superá-la na direção da emanci-
pação humana. Assim, o antirracismo que queremos é em seu 
fundamento anticapitalista (com a múltipla constituição da clas-
se, gênero/sexualidade, territórios), não por uma “escolha alea-
tória”, posto que nos referimos ao racismo como pedra angular 
do regime colonial, enquanto método de acumulação primitiva 
do capital (ABEPSS, 2024, p. 7).
 Outro elemento da atualidade das Diretrizes é a direção 
ético-política expressa em suas elaborações. A atualidade ética se 
depara com a luta antirracista, anticapacitista, antiLGBTQIA+fóbi-
- 101 -
ca Um debate ético que permita superarpráticas antidemocráticas e 
neoconservadoras no cotidiano profissional.
 Assim, defender o projeto de formação profissional é uma 
tarefa de toda a categoria. Atualizar os debates emergentes do co-
tidiano à luz da direção social da profissão, atualizar os projetos 
político-pedagógicos dos cursos é defender a direção social crítica 
construída pela categoria profissional.
Considerações finais
 Deste modo, o projeto de formação profissional expressa 
elementos do projeto de profissão, tem um marco importante nas 
Diretrizes Curriculares da ABEPSS, de 1996, mas, não se finda des-
te documento, é consolidado por orientações da entidade e seus po-
sicionamentos ético-políticos.
 Desafios são inúmeros à implantação e manutenção desta 
direção social no projeto de formação profissional, enfrentamentos 
no interior da categoria, da universidade e da realidade social são 
comuns nos cursos e no cotidiano do trabalho. Tal projeto se de-
para com a institucionalidade e somente se efetivará pela escolha 
individual e coletiva de docentes, discentes, de graduação e de pós, 
supervisores de campo e da direção das entidades da categoria.
 As estratégias se defrontaram com a realidade concreta e as 
particularidades de cada unidade de formação profissional, mas a or-
ganização coletiva desta categoria há mais de 40 anos se dedica co-
tidianamente a manter vivos o legado e a construção coletiva deste 
projeto. Vida longa ao projeto de formação profissional e à direção 
social crítica que esta categoria construiu.
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- 102 -
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- 105 -
CAPÍTULO 6
LA FORMACIÓN DEL TRABAJO SOCIAL 
EN ARGENTINA: 
condiciones generales y perspectivas 
teórico-metodológicas
Manuel W. Mallardi
Introducción
Con el fin de aproximarnos a las tendencias contemporáneas 
de los procesos de formación profesional, resulta necesario iniciar 
sintetizando algunos planteos generales que permitan comprender 
las posturas teórico-metodológicas que orientan las reflexiones so-
bre el Trabajo Social. En tal sentido, en términos generales, se recu-
pera la aproximación llevada a cabo por la denominada perspectiva 
histórico-crítica, heredera de la teoría social marxista, que analiza 
los fundamentos del Trabajo social en el marco de división del tra-
bajo en la sociedad burguesa. 
En este marco, Iamamoto (1997) logra captar el significado 
social de la profesión en la sociedad capitalista, situándola como 
uno de los elementos que participa en la reproducción de las relacio-
nes de clases y la contradictoria relación entre ellas. Así, comprende 
a la profesión históricamente situada, configurada como un tipo de 
especialización del trabajo colectivo dentro de la división del trabajo 
peculiar de la sociedad industrial.
En consecuencia, la autora avanza hacia la aprehensión de las 
implicancias sociales que forman parte de las condiciones del ejer-
cicio profesional en la sociedad actual. Para ello, considera a la pro-
fesión bajo dos ángulos no disociables entre sí: como realidad vivida 
y representada en y por la conciencia de sus agentes profesionales y 
como actividad socialmente determinada por circunstancias sociales 
objetivas que confieren una dirección social a la práctica profesio-
nal, lo que condiciona y sobrepasa la voluntady/o conciencia de sus 
agentes institucionales. 
- 106 -
Inscribiendo las reflexiones sobre la formación profesional en 
la comprensión de la totalidad que implica el Trabajo Social y su 
estrecha relación con la reproducción social, se asume que el análi-
sis sobre las tendencias de la formación debe poder aprehender esta 
procesualidad, en tanto dimensiones constitutivas de la profesión. 
Por ello, a continuación, se sintetizan los trazos generales que deter-
minan la formación del Trabajo Social en Argentina, dando cuenta, 
por un lado, de las condiciones generales en las que se lleva a cabo 
el proceso formativo y, por el otro, las perspectivas y tendencias 
presentes en los fundamentos del debate contemporáneo. 
1. Sobre las condiciones generales de la formación profesional
1.1. Tensiones normativas y heterogeneidad institucional
La consideración de la normativa que incide directa o indi-
rectamente en los procesos de formación del Trabajo Social remite 
a considerar la yuxtaposición de leyes y resoluciones ministeriales 
que regulan la formación superior, la formación superior universi-
taria y el propio ejercicio profesional; donde, por los distintos mo-
mentos históricos de sus respectivas sanciones y/o su jurisdicción 
territorial, la contradicción emerge como un elemento inherente. 
Tal como sintetizamos en otro trabajo (Mallardi, Mamblona 
y Moledda, 2023), un elemento ineludible para pensar la formación 
profesional en Argentina está vinculado a la sanción, en el año 1995 
bajo el gobierno neoliberal de Carlos S. Menem, de la Ley de Edu-
cación Superior Nº 24.521, la cual establece los lineamientos para 
el funcionamiento de las universidades e institutos universitarios, 
estatales o privados autorizados y los institutos de educación supe-
rior de jurisdicción nacional, provincial o de la Ciudad Autónoma 
de Buenos Aires, de gestión estatal o privada, todos los cuales pasan 
a formar parte del Sistema Educativo Nacional. Expresión domés-
tica de los lineamientos para la formación superior emanados por 
organismos internacionales de crédito, la normativa define que la 
Educación Superior, llevada a cabo en institutos de educación supe-
rior - de formación docente, humanística, social, técnico-profesional 
o artística- y por instituciones de educación universitaria, tiene la 
finalidad de proporcionar formación científica, profesional, huma-
- 107 -
nística y técnica. Particularmente, en torno a la educación superior 
no universitaria, sostiene que dentro de sus funciones básicas se en-
cuentra la formación superior de carácter instrumental en las áreas 
humanísticas, sociales, técnico-profesionales y artísticas.
Sobre la base de la posibilidad de estos trayectos educativos 
duales, es decir tanto en instituciones superiores no universitarias 
como universitarias1, la formación profesional del Trabajo Social 
se desarrolla en el ámbito de sistema universitario nacional y en de-
pendencias superiores centralmente del ámbito provincial. Así, de 
acuerdo a lo trabajado en López y Mallardi (2024), la formación en 
Trabajo Social está disponible en 23 de las 24 jurisdicciones -23 pro-
vincias y el distrito federal de Ciudad Autónoma de Buenos Aires-, 
donde en 14 jurisdicciones la formación es de carácter universitario 
exclusivo, mientras que en 2 es posible acceder a la formación pro-
fesional en institutos superiores, y, por su parte, en 7 coexisten am-
bas modalidades de formación. Concretamente, la carrera se dicta 
en treinta y cinco (35) universidades, cinco (5) de ellas privadas, y 
en cincuenta y ocho (58) instituciones superiores, es decir, no uni-
versitarias2.
La heterogeneidad institucional en donde se desarrolla la for-
mación profesional del Trabajo Social tiene como correlato diver-
sidad en las titulaciones posibles, dado que en el ámbito universi-
tario es posible acceder al grado de Licenciado/a en Trabajo Social 
o en Servicio Social, mientras que en las instituciones superiores 
no universitarias las titulaciones posibles son, por ejemplo, Traba-
jador/a Social, luego de cursar la Tecnicatura en Trabajo Social, y 
de Asistente Social. Igualmente, vale mencionar que en el ámbito 
universitario se está consolidando una tendencia de incluir títulos 
intermedios en el proceso de formación, los cuales se obtienen luego 
de 3 años de cursada y cuyas denominaciones incluyen: Técnico/a 
en Minoridad y Familia, Técnico/a Universitario/a en Trabajo So-
cial, Técnico/a Universitario/a en Intervención Social, Técnico/a en 
Universitario/ en Formulación de Proyectos Sociales. Con esta ten-
dencia, se observa el crecimiento del carácter técnico e instrumental 
1 Si bien la normativa no diferencia entre instituciones superiores universitarias y no univer-
sitarias, sino que instala otra denominación, para facilitar la lectura se recurre a esta forma de 
presentación. 
2 Datos suministrados por la Federación Argentina de Unidades Académicas de Trabajo So-
cial: www.fauats.org.ar 
- 108 -
que subyace a la formación profesional, el cual consolida un proceso 
de precarización formativa acorde a los procesos de precarización 
del Estado y la política pública y de las condiciones del ejercicio 
profesional (Mallardi, Mamblona y Moledda, 2023).
Esta dinámica institucional que adquiere la formación del 
Trabajo Social en Argentina, la cual, como expresamos, se sustenta 
en la legislación que regula la educación superior, entra en tensión 
con la normativa que regula el ejercicio profesional en el país; nor-
mativa también compleja y contradictoria si tenemos en cuenta las 
jurisdicciones nacional y subnacionales. En tal sentido, la Ley Fede-
ral de Trabajo Social N° 27072, en su artículo N° 7 establece que el 
Trabajo Social sólo podrá ser ejercido por quienes tengan con título 
de grado habilitante expedido por universidades e institutos univer-
sitarios legalmente reconocidos en el país y que integren el sistema 
universitario argentino. 
Por su parte, en las distintas jurisdicciones subnacionales, las 
cuales tienen la potestad de regular el ejercicio profesional, las titu-
laciones exigidas son diversas. Sin intenciones de dar cuenta de la 
totalidad de las legislaciones vinculadas, se hace mención a alguna 
de éstas a fin de dar cuenta de la heterogeneidad mencionada. Así, 
por ejemplo, en provincia de Buenos Aires, la Ley N° 10751 exige 
para el acceso al ejercicio profesional títulos diversos, tales como 
Asistente Social, Asistente Social y de Salud Pública, Licenciado 
en Trabajo Social, Trabajador Social, Licenciado en Servicio Social 
Licenciado en Servicio Social de Salud y Licenciado en Desarro-
llo Social, entre otros. En la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, 
las titulaciones exigidas incluyen la de Asistente Social, Licenciado 
en Servicio Social o Licenciado en Trabajo Social expedidos por 
universidades nacionales, provinciales o privadas reconocidas por 
autoridad competente. 
En la provincia de Córdoba, por su parte, se establece que 
podrán ejercer la profesión quienes sean titulares de diplomas que 
habiliten para el ejercicio del Servicio Social expedidos tanto por 
universidades nacionales o privadas reconocidas, como por insti-
tutos superiores debidamente reconocidos. Por otro lado, mientras 
que puede verse como en la provincia de Mendoza se establece que 
podrán ejercer la profesión quienes posean título universitario de 
- 109 -
no menos de cuatro años con la denominación de Asistente Social, 
Trabajador Social, Licenciado en Trabajo Social, Doctor en Servicio 
Social o Trabajo Social, en Salta se requiere poseer título habilitante 
en Trabajo Social o Servicio Social expedido por universidad argen-
tina o extranjera.
1.2. Postpandemia e “innovación educativa”: La consoli-
dación de los procesos de precarización en la formación profe-
sional
Las condiciones en las que se lleva a cabo la formación profe-
sional no deben analizarse únicamente a partir de la consideración de 
la heterogeneidad institucional y las tensiones normativas existentesen el país, sino que se hace necesario, en el actual contexto, dar cuenta 
de los procesos generales que se vienen llevando a cabo en el ámbi-
to universitario argentino; procesos que sin lugar a dudas tendrán un 
impacto significativo en el proceso de formación del Trabajo Social. 
En Argentina, como expresión doméstica de una tendencia 
que se instaló en el marco de la Pandemia Covid-19, el Aislamiento 
Social, Preventivo y Obligatorio (ASPO) se tradujo en una cadena 
de ensayos y errores en el proceso de enseñanza/aprendizaje en sus 
distintos niveles. En la particularidad del ámbito universitario, se en-
sayaron acciones tendientes a reconvertir la lógica y la forma de la 
enseñanza presencial a la Educación a Distancia, la cual, si bien ya 
tenía una amplia trayectoria, había convivido sin mayores encuentros. 
En el transcurso de un breve período de tiempo, docentes, es-
tudiantes y personal no docente, tuvieron que improvisar con los es-
casos recursos disponibles sus prácticas de enseñanza, aprendizajes 
y administrativas. Sostener los espacios de formación se tornó en un 
imperativo subjetivo que fue posible por el esfuerzo, la sobrecarga 
y la conexión permanente, todo esto en un contexto donde la vida y 
la muerte eran parte de un escenario cotidiano que sólo generaba in-
certidumbre, angustia y malestares y, en algunos casos, agudización 
de las condiciones de pobreza de las familias. 
Sostener los procesos de formación fue posible, como se dijo, 
por la continuidad de ensayos y errores que tuvieron en la impro-
visación su elemento común. Así, el encuentro en el aula muto a 
encuentros sincrónicos telemáticos, donde el intercambio, el dialogo 
- 110 -
y el encuentro devino, en muchas ocasiones, en monólogos frente a 
interlocutores “conectados”, pero sin rostro y sin voz del otro lado 
do pantalla. Vale decir que la improvisación también fue una cons-
tante en las formas de evaluación que se ensayaron – sea mediante 
trabajos prácticos, evaluaciones parciales o finales en las asignaturas 
– como así también las formas que asumieron las prácticas de for-
mación profesional, significativamente alteradas por la imposibili-
dad del encuentro con la población que cotidianamente era partícipe 
de las mismas. 
Sin una evaluación crítica y sistemática de las implicancias de 
los procesos de formación profesional en el marco del ASPO, rápi-
damente comenzaron a surgir planteos apologéticos de la virtualiza-
ción de la educación, donde se asociaron las experiencias llevadas 
a cabo con la potencialidad y posibilidad de una educación “más 
inclusiva”, en tanto se facilitaría la accesibilidad de la población 
al ámbito universitario. Así, con fuertes mecanismos discursivos de 
argumentación, aquello que se constituyó en un ensayo fundado en 
la improvisación, cuyos errores y su correlato en el proceso de pre-
carización de la formación profesional aún no fueron analizados, se 
comenzó a instalar como una posibilidad permanente. 
En esta trayectoria, el regreso a la presencialidad no fue sin 
debates e intercambios, donde institucionalmente se intentó, y se 
continúa intentando, la continuidad de prácticas de formación basa-
das en la virtualización del proceso de enseñanza/aprendizaje. Nue-
vas formas de nombrar la realidad se comenzaron a instalar, donde, 
por ejemplo, la presencialidad ya no supone el encuentro simultáneo 
de dos o más personas en un mismo lugar, sino que ahora la misma 
puede ser presencialidad física o mediada por tecnologías, es decir 
en un encuentro sincrónico mediante alguna plataforma virtual, ge-
neralmente privada. 
Ahora bien, más allá de los procesos concretos que suceden 
en cada espacio o institución, vale marcar algunas tendencias que 
se materializan en normativas, escasamente problematizadas. Parti-
cularmente, hacemos referencia a las Resoluciones N° 2598/2023 y 
N° 2599/2023, emanadas en octubre de 2023 por Ministerio de Edu-
cación de la Nación. De la lectura de la mencionada normativa se 
desprenden distintos argumentos que merecen señalarse. En primer 
- 111 -
lugar, se parte de un diagnóstico que instala la preocupación sobre 
duración real de las carreras significativamente mayor a la duración 
teórica prevista en los planes de estudios, lo cual exigiría incorpo-
rar otro tipo de prácticas de enseñanza aprendizaje. Al respecto, en 
segundo lugar, se plantea que, en el escenario de postpandemia, es 
preciso implementar políticas académicas orientadas a garantizar el 
egreso y que, además, tengan en consideración, las necesidades del 
contexto, de los/as estudiantes y del proceso de aprendizaje. 
En tercer lugar, de las consideraciones que nos interesa men-
cionar, se destaca la asociación de un sistema de crédito como unidad 
de medida de los planes de estudios como una forma de incorporar el 
tiempo total de trabajo del estudiante y favorecer una mayor flexibili-
dad en la trayectoria académica. Sobre esta base, las resoluciones mi-
nisteriales establecen los siguientes lineamientos: a) la creación de un 
Sistema Argentino de Créditos Académicos Universitarios (SACAU), 
el cual fija al Crédito de Referencia del/la estudiante (CRE) como el 
valor organizador del diseño y rediseño de los planes de estudio; b) 
cada crédito incluye horas de docencia o interacción pedagógica do-
cente-estudiantes y horas las de trabajo autónomo del estudiante; c) 
los planes de estudio deberán tener un valor de 60 créditos anuales y 
una duración total de las carreras universitarias de pregrado y grado de 
2 y 4 años respectivamente; d) con el cumplimiento de distintos requi-
sitos las actividades académicas sincrónicas mediadas con tecnologías 
de videoconferencia se consideran como actividad presencial3; e) las 
carreras presenciales podrán desarrollarse distribuyendo su carga ho-
raria donde se garantice un mínimo de 25% de presencialidad física y 
el otro 75 % distribuido entre presencialidad mediada por tecnología 
y educación a distancia. 
Como puede observarse, la normativa reciente viene a legiti-
mar el proceso de precarización de la formación profesional, dado 
que, por ejemplo, su puesta en práctica significa la reducción en la 
duración de la carrera de grado, debiendo pasar de 5 a 4 años. Ade-
3 Para considerar a la actividad mediada por tecnologías como presencial, se establecen los 
siguientes requisitos: i) Los/as estudiantes puedan participar de la sincronía con visibilidad y 
sonido de calidad; ii) La institución universitaria cuente con un espacio áulico al cual puedan 
concurrir los/as estudiantes que manifiesten dificultades con la disponibilidad de dispositivos 
o de conectividad; iii) El espacio áulico destinado al efecto de la clase sincrónica, esté dotado 
de dispositivos, conectividad y demás condiciones que permitan la normal interacción entre 
los participantes; y iv) No existan limitantes de otra naturaleza que impidan que el 100% de 
los/as estudiantes puedan participar de la clase sincrónica.
- 112 -
más de esta reducción, articulada con la normativa que redefine la 
presencialidad, de la duración total, sólo el 25% podría llevarse a 
cabo en el ámbito de las instalaciones universitarias, quedando el 
resto en el ámbito de la virtualidad, sincrónica o asincrónica. El sis-
tema de créditos, por su parte, con una fuerte retórica de “innova-
ción educativa” instala la flexibilización de la educación universita-
ria propia de los Acuerdos de Bolonia, con un debilitamiento de la 
formación de grado y un mayor impulso a la formación de posgrado, 
la cual en Argentina es mayoritariamente arancelada. 
2. Tendencias teórico-metodológicas en los procesos formativos
Para aproximarnos a las tendencias teóricas que coexisten en 
el debate contemporáneo del Trabajo Social, recuperamos los apor-
tes de Guerra (2007), quien afirma que en la profesión coexisten 
diversas racionalidades, entre las cuales destaca el predominio de la 
racionalidad formal abstracta, entendida como aquella que recupera 
modelos explicativos de la sociedad presentesen la tradición posi-
tivista, donde los procesos sociales son considerados como ‘cosas’, 
exteriores, superiores y anteriores a los individuos. 
Analíticamente la racionalidad formal abstracta es considerada 
como expresión de la decadencia ideológica del pensamiento burgués; 
decadencia que se caracteriza por el abandono de categorías que son 
definitivas para la humanidad -humanismo, historicismo y razón dia-
léctica- (Coutinho, 2016). En contraposición, sostiene el pensador bra-
silero, emerge una forma de pensar la realidad que niega el carácter 
social de los procesos históricos, que transforma la historia real en algo 
‘superficial’, donde, además, se niega la esencia contradictoria de lo real 
a partir de dos lógicas distintas: el irracionalismo, lógica que privilegia 
la intuición sobre el pensamiento racional, o el agnosticismo, lógica de 
pensamiento que expresa la esencia del proceso de reificación y apre-
hende la realidad en su expresión inmediata, superficial y aparente.
Con sus particularidades, tanto irracionalismo y agnosticismo 
son ubicados en el marco de la emergencia de la racionalidad con-
servadora que articula discursos que fundamentan, explican y justi-
fican el orden social vigente. En la peculiaridad del Trabajo Social, 
estas lógicas de pensamiento de expresan, con matices, en las pers-
- 113 -
pectivas crítica histórico-disciplinar y la crítica decolonial (Tapiro, 
2021). Según el autor, la perspectiva histórico-disciplinar recupera 
la emergencia del Trabajo Social como profesión en el proceso re-
formista-progresista europeo y estadounidense, destacando la pro-
ducción del denominado Caso Social Individual y sus vinculaciones 
con el Pragmatismo como corriente de pensamiento instrumental y 
antifundacionalista (Pogrebinschi, 2005). La negación de los fun-
damentos sociales e históricos de los procesos sociales, en tanto se 
acepta la positividad de lo inmediato, repercute en la negación de la 
teoría, o, más particularmente, de las aproximaciones teóricas que 
pretenden iluminar sobre la racionalidad dialéctica de los procesos 
sociales. El conocimiento válido, a partir de esta lógica, es aquel 
que es útil para responder a las demandas inmediatas de la realidad; 
aquel cuya veracidad se asocia a su capacidad de brindar respuestas 
inmediatas y manipulatorias frente a las exigencias de la realidad. 
De este modo, citando nuevamente a Guerra (2007), la racio-
nalidad formal abstracta tiende a ‘mistificar’ las formas de realizar la 
intervención (el ‘como hacer’), considerándola como el dominio ade-
cuado de instrumentos y técnicas frente a las demandas impuestas por 
la realidad. En consecuencia, la formación profesional es subsumida a 
una lógica pragmática donde, siguiendo a Sánchez Vázquez (1980), la 
praxis se pliega a las exigencias de una práctica sustentada en prejui-
cios, verdades anquilosadas y supersticiones, es decir, el sentido común. 
En consecuencia, las necesidades prácticas e inmediatas se 
tornan regentes en la intervención profesional y, en estrecha rela-
ción el conocimiento válido es aquél que se considera útil para hacer 
frente a tales necesidades. En sintonía con estos procesos, la forma-
ción profesional lejos de fundarse en un distanciamiento crítico de la 
realidad, articula fundamentos, categorías y prácticas que fácilmente 
acompañan la racionalidad hegemónica. La recuperación del Caso 
Social Individual, centralmente en el reclamo de vigencia de la obra 
de Mary Richmond, y su reactualización en el Trabajo Social Clí-
nico, dan cuenta de la presencia pragmática en la formación profe-
sional, la cual se desdobla en ubicar el horizonte de la intervención 
en la personalidad y experiencia de la población usuaria y, en estre-
cha relación, la vigencia de un apriorismo metodológico (Montaño 
2000) que limita la intervención profesional a una secuencia estan-
darizada de procedimientos, técnicas y herramientas. 
- 114 -
Tal como se expresa en Mallardi, Mamblona y Moledda 
(2023) el predominio de instituciones donde prima la formación téc-
nica, sea en el ámbito universitario o no, se inscribe en una trayecto-
ria de precarización de la formación profesional que se encuentra en 
sintonía con la presencia de demandas instrumentales, asistencialis-
tas y burocráticas por parte del mercado de trabajo. De esto modo, el 
sobredimensionamiento del carácter interventivo del Trabajo Social, 
el cual se asume como una cuestión técnica, escindido de concepcio-
nes teóricas, éticas y políticas, remite a la exigencia de saberes que 
posibiliten un saber hacer manipulatorio de las políticas sociales.
Por su parte, la perspectiva crítico-decolonial instala la ne-
cesidad de llevar a cabo una crítica a los planteos teóricos eurocén-
tricos y reforzar los conocimientos y saberes del Sur Global. Ar-
ticulando las críticas a la colonialidad del poder (Quijano, 2011), 
la colonialidad del ser (Mignolo, 2011) y la colonialidad del saber 
(Lander, 2011), esta perspectiva emerge con la intencionalidad de 
subvertir las llamadas formas tradicionales de conocer la realidad y, 
en el caso particular del Trabajo Social, la configuración de un po-
sicionamiento alternativo que inscribe su horizonte en los proyectos 
nacional-populares presentes en la región (López y Mallardi, 2024).
Esta perspectiva se inscribe en el marco de la llamada “cri-
sis de las ciencias sociales”, donde se plantea que los paradigmas 
teóricos elaborados en el siglo XIX no están en condiciones de dar 
cuenta de la dinámica y compleja situación del mundo actual, donde 
su incapacidad se asocia a su carácter abarcador, totalizante, macro-
teórico (Tonet, 2015). La duda y la incertidumbre orientan la indaga-
ción hacia una postura asociada al pluralismo metodológico donde 
la solución encontrada consiste en apelar a la rigurosidad del sujeto 
que, reconociendo la relatividad de los métodos, articula y entrecru-
za diferentes paradigmas o perspectivas teóricas. 
Retomando los planteos de Tonet (2010), el denominado “plu-
ralismo metodológico” es considerado como una expresión sofisti-
cada del relativismo en el proceso de construcción de conocimiento. 
Esta lógica parte de sostener que la configuración de la realidad social 
ha experimentado profundas transformaciones y que los instrumentos 
que estaban disponibles para explicar la realidad se habrían vuelto 
obsoletos, por lo cual se tornaría necesario avanzar en la articulación 
- 115 -
de distintas perspectivas teórico-metodológicas, donde el criterio para 
definir los límites y alcances de dicha articulación se encontraría en el 
diálogo, la articulación, el entrecruzamiento de diferentes paradigmas.
En el Trabajo Social, esta lógica se expresa en el subjetivismo 
que instala la posibilidad de “construir” el objeto de intervención, en 
tanto ejercicio intelectual donde la intuición adquiere centralidad en 
la definición arbitraria y subjetiva de quien ejerce la profesión, como 
así también en la entronización de relatos sobre aspectos singulares 
de la vida cotidiana que se explican en sí mismos o por sus dimen-
siones subjetivas (Mallardi, 2024). La negación de la posibilidad 
dialéctica de conocer las determinaciones que articulan fenómeno y 
esencia, se traduce, por su parte, en la canonización de lo singular, 
en tanto proceso situado, desvinculado de las tendencias generales 
presentes en la reproducción social. 
Arbitrariamente se eligen, entonces, aquellas dimensiones de 
la realidad que se consideran útiles para explicar determinados pro-
cesos sociales, donde es la subjetividad de quien conoce la realidad 
el polo regente del proceso de conocimiento. Así, por ejemplo, se 
pretende explicar el Trabajo Social desvinculado de la reproducción 
social, particularmente de la relación contradictoria entre las clases 
sociales fundamentales, la “cuestión social” es asumida a partir de 
una impronta regional o nacional, donde la explotación capitalista 
tiende a ser secundarizada o invisibilizada. La producción de co-
nocimiento,do trabalho, os níveis 
assustadores de desemprego, as diversas formas de violência e vio-
lação de direitos, a desproteção social, as consequências destrutivas 
do capitalismo para o ambiente, dentre outras refrações da questão 
social que habitam o amplo e diverso leque de temas abordados pela 
área. A produção do Serviço Social tem buscado se contrapor ao 
que Harvey (2018) nomina de loucura da razão econômica: “nossa 
compreensão do mundo se torna refém da insanidade de uma ra-
zão econômica burguesa que não apenas justifica como promove a 
acumulação sem limites, enquanto simula uma infinidade virtuosa 
de crescimento harmonioso e melhorias contínuas e alcançáveis no 
bem-estar social” (p. 173). 
Esta obra, organizada em três núcleos de análise, a saber: 1) 
Abordagens internacionais no âmbito dos fundamentos do Serviço 
Social; 2) Formação profissional na América Latina e; 3) Debate 
brasileiro sobre fundamentos do Serviço Social dialoga diretamente 
com a crítica da sociedade capitalista de produção. Os textos in-
tegram importante subsídio para aqueles que se indignam com as 
injustiças sociais e com as práticas conservadoras e autoritárias. Fica 
o convite para a leitura proveitosa e esperançosa em dias melhores. 
Dra. Hamida Assunção Pinheiro 
Docente da Graduação e da Pós-Graduação em 
Serviço Social da UFAM
Coordenadora da Área de Serviço Social - CAPES
- 13 -
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Cultural Editora, 2022.
- 14 -
SUMÁRIO
Prefácio
Hamida Assunção Pinheiro 
- 8 -
Apresentação
Cristiana Costa Lima, Kathiuscia Ap. Freitas Pereira Coelho, Luciana 
Gonçalves Pereira de Paula, Mariléia Goin e Vera Núbia Santos
- 17 -
PARTE I
ABORDAGENS INTERNACIONAIS NO ÂMBITO DOS 
FUNDAMENTOS DO SERVIÇO SOCIAL
CAPÍTULO 1
Serviço Social em Angola:
 institucionalização, formação e trabalho profissional
Simão João Samba
- 24 -
CAPÍTULO 2
Social Work in the world: Australia
Margaret Alston
- 41 -
CAPÍTULO 3
Situación actual de la política social en España: 
un modelo de bienestar social familiarista
Blanca Girela-Rejón
- 52 -
CAPÍTULO 4
Neoliberal social services and Social Work in Hong Kong
Lam Chi Leung
- 67 -
- 15 -
PARTE II
FORMAÇÃO PROFISSIONAL NA AMÉRICA LATINA
CAPÍTULO 5
O projeto de formação profissional em Serviço Social no 
Brasil: algumas considerações sobre a atualidade das Diretrizes 
Curriculares da ABEPSS
Rodrigo José Teixeira
- 76 -
CAPÍTULO 6
La formación del Trabajo Social en Argentina: condiciones 
generales y perspectivas teórico-metodológicas
Manuel W. Mallardi
- 105 -
CAPÍTULO 7
La formación profesional en Colombia
Roberth Wilson Salamanca Ávila
- 121 -
PARTE III
DEBATE BRASILEIRO SOBRE FUNDAMENTOS DO 
SERVIÇO SOCIAL
CAPÍTULO 8
As diferentes perspectivas conceituais da Tradição Marxista 
presentes no debate dos Fundamentos do Serviço Social brasileiro
Maria Carmelita Yazbek
- 139 -
CAPÍTULO 9
Fundamentos, afinal do que se trata? Elementos para a formulação 
de uma concepção sobre fundamentos na perspectiva crítica 
Yolanda Guerra
- 155 -
- 16 -
CAPÍTULO 10
Debate sobre os fundamentos do Serviço Social nos encontros 
nacionais de pesquisadores/as em Serviço Social e nas teses e 
dissertações da área
Cristiana Costa Lima, Jude de Oliveira Bento da Silva,
Kathiuscia Ap. Freitas Pereira Coelho. 
Luciana Gonçalves Pereira de Paula, Mariléia Goin e 
Vera Núbia Santos
- 175 -
SOBRE OS(AS) AUTORES(AS)
- 199 -
 
- 17 -
APRESENTAÇÃO
O Serviço Social ao redor do mundo reverbera os desafios 
interpostos nas formações sociais, configurações contemporâneas e 
transformações políticas, econômicas e sociais assentadas em cada 
território. Guerras, intolerância religiosa, violências contra as mino-
rias, recrudescimento de lutas sociais, fome, concentração de renda, 
delineamento das políticas sociais e poder político-econômico são 
alguns dos elementos que desenham a geopolítica mundial, que se 
particulariza de modo peculiar em cada um dos países.
É ponderando nesta ótica que este livro, que ora se torna pú-
blico, aufere relevância acadêmica e política. Trata-se de um esforço 
despendido a muitas mãos para promover reflexões, trocas de expe-
riências e construção coletiva de saberes tão diversos e particulares, 
debatidos no decurso do II Encontro Internacional de Fundamentos, 
Formação e Trabalho Profissional e II Seminário Nacional de Fun-
damentos do Serviço Social, realizado de forma híbrida, entre os 
dias 19 e 20 de setembro de 2024, na Universidade Federal de Juiz 
de Fora, Brasil.
Não restam dúvidas que avançamos muito nessas segundas 
edições. O I Encontro Internacional, realizado em 2022, de forma 
remota, foi um marco histórico para o Grupo Temática de Pesquisa 
“Serviço Social: Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional”, 
da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social 
(ABEPSS), uma vez que delineou as bases para o avanço da discus-
são em torno da mobilização internacional no debate da profissão, 
à luz dos seus Fundamentos, com participação de nove países ao 
redor do mundo - cujas discussões estão sistematizadas em Reidel 
et al., 2022.
O II Encontro Internacional e II Seminário Nacional, por sua 
vez, obteve mais de 1.300 inscrições que representaram 17 países, 
de todos os continentes, a saber: Angola, Argentina, Austrália, Bra-
sil, Cabo Verde, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, Equador, 
Haiti, Hong Kong, Moçambique, Paraguai, Peru, Portugal e Vene-
zuela. Tal dimensionamento demonstra o quanto a articulação inter-
nacional, protagonizada pelo Brasil por meio do supracitado evento, 
aufere destaque em relação à discussão da profissão, sem o fito de 
- 18 -
uniformizar concepções, mas de ampliar os acúmulos e discussões 
para majorar os conhecimentos e construções em torno do diálo-
go com as tendências críticas no Serviço Social, tendo como eixo 
articulador a identificação dos projetos hegemônicos existentes em 
distintas realidades, bem como as alternativas postas às concepções 
hegemônicas. Reside aí a elementaridade da continuidade do legado 
que se inicia em 2022 e que reúne esforços para, a cada biênio, gal-
gar novos degraus na diversidade de vozes que, internacionalmente, 
o Serviço Social apresenta.
Ademais, na peculiaridade brasileira, o II Seminário Na-
cional de Fundamentos do Serviço Social retoma uma importante 
construção, iniciada em 20171, com a realização da primeira edição 
do referido Seminário, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, 
quando mobilizou docentes, discentes, pesquisadores e profissionais 
para promover a articulação político-acadêmica com vistas ao for-
talecimento e à ampliação das pesquisas em torno dos Fundamentos 
do Serviço Social, tendo em vista que se constituem nas bases que 
alicerçam a profissão no Brasil ao longo do seu processo sócio-his-
tórico.
Nessa segunda edição,por su parte, se asimila al pensamiento cotidiano o al 
proceso artístico y la preocupación por conocer la realidad deviene 
en comprender las vivencias subjetivas de los sujetos involucrados. 
En tensión con las perspectivas analíticas arriba analizadas, el 
debate contemporáneo del Trabajo Social en Argentina se encuentra 
interpelado por el fortalecimiento de la perspectiva histórico-crítica, 
heredera de los planteos marxistas y marxianos para pensar la socie-
dad y las Ciencias Sociales. Esta perspectiva recupera las produc-
ciones de autores y autoras fundamentales para pensar la profesión 
en la reproducción social e instala, en consecuencia, la necesidad de 
comprender al Trabajo Social en relación con la totalidad concreta 
en la cual se inserta y explica, es decir la sociabilidad capitalista.
En la comprensión del Trabajo Social en la división social 
del trabajo, la perspectiva histórico-crítica posibilitó fortalecer los 
- 116 -
procesos de producción de conocimiento, donde las categorías de 
totalidad concreta, contradicción, esencia, fenómeno, historicidad, 
mediaciones, pasan a constituir aspectos sustantivos y necesarios, 
no por arbitrio subjetivo de quien investiga, sino por ser elementos 
ontológicos de la realidad (Mallardi, 2016). Resultado de esta inter-
locución, se avanzó en repensar la trayectoria histórica de la pro-
fesión en Argentina, vinculando su génesis y desarrollo a la emer-
gencia y consolidación de la cuestión social. Además, y en estrecha 
relación, la problematización de la propia cuestión social, de la con-
figuración del Estado y de las políticas sociales, habilita comprender 
los procesos de intervención profesional como síntesis de múltiples 
determinaciones, dando cuenta de las tensiones y contradicciones 
existentes en cada espacio ocupacional. 
Con la preocupación central de articular formación y ejercicio 
profesional, la perspectiva histórico-crítica en Argentina ha asumi-
do la problematización de los procesos de intervención profesional, 
interpelando las posiciones tecnicistas y estandarizadas propias del 
proceso de burocratización del conocimiento. A diferencia de estas 
lógicas hegemonías, asumir la intervención en tanto proceso supone 
articular el desarrollo estrategias de intervención y elementos tácti-
co-operativos (Oliva y Mallardi, 2011). La dimensión operativa del 
ejercicio profesional es aprehendida, en estas reflexiones, a partir 
de su vinculación con la dimensión teórica y ético-política, conflu-
yendo en un entramado que otorga fundamento y direccionalidad al 
proceso de intervención. 
Si bien, como se mencionó anteriormente, esta perspectiva 
se encuentra en pleno desarrollo y fortalecimiento su impacto en 
la formación profesional no supera el carácter minoritario, pero si, 
vale decir, fuertemente contrahegemónico, habilitando la crítica y 
la problematización a las perspectivas predominantes en Argentina. 
Palabras finales: Tendencias teóricas y configuración de proyec-
tos profesionales en Argentina
Luego de considerar, en términos generales, las expresiones 
del irracionalismo y del agnosticismo en el Trabajo Social, se torna 
necesario marcar que, pese a sus diferencias sustantivas a la hora de 
- 117 -
pensar los fundamentos de la profesión y su inscripción en la divi-
sión social del trabajo, quienes adscriben a estas perspectivas trazan 
alianzas programáticas que hegemonizan la dinámica político-ins-
titucional del Trabajo Social argentino, sin que ello permita visua-
lizar, a nuestro criterio, la construcción de un proyecto profesional. 
Veamos brevemente los argumentos de esta posición. 
Siguiendo las contribuciones de Netto (2003), los proyectos 
profesionales son aprehendidos como construcciones colectivas donde 
se explicita la autoimagen de una profesión determinada, sus valores, 
normas de comportamiento, requisitos para el ejercicio profesional, 
entre otros elementos. Además, al interior de todo proyecto profesio-
nal se ubican los componentes imperativos, que hacen referencia a los 
elementos obligatorios para quienes la profesión, y los componentes 
indicativos, que remiten a orientaciones o posicionamientos que se 
vinculan a la práctica de los sujetos involucrados pero que no suponen 
un criterio que determinan la posibilidad de ejercer o no la profesión.
Lejos de desvincular la configuración del proyecto profesional 
de las exigencias, demandas e interpelaciones históricas, el pensador 
brasileño destaca la imbricación de éstos con los proyectos societa-
rios. Concretamente, en el marco de la sociedad capitalista los proyec-
tos societarios remiten a la presencia de clases sociales antagónicas y 
a la coexistencia de sus expresiones organizadas en disputa para que 
objetivos, valores y prácticas de unos y otros se tornen hegemónicos. 
Así, con sus mediaciones peculiares, los proyectos profesionales de-
ben ser analizados inscriptos en los proyectos societarios, a los cuales 
refuerza o interpela según la direccionalidad asumida. 
Ahora bien, sin negar la relevancia explicativa y su correla-
to político de las discusiones sobre los proyectos profesionales, en 
indagaciones previas (Mallardi, 2020), planteamos la necesidad de 
evitar transpolaciones mecánicas a la realidad argentina, donde la 
configuración del Trabajo Social presenta peculiaridades que deben 
tenerse en cuenta. De este modo, siendo fieles a los aportes del autor 
mencionado, el análisis de los proyectos profesionales en el Trabajo 
Social debe llevarse a cabo a partir de inscribirlos en los procesos de 
reproducción social de la cual son parte constitutiva y constituyente. 
Particularmente, para la trayectoria argentina planteamos que 
la heterogeneidad presente en las organizaciones formativas y del 
- 118 -
ejercicio profesional no permiten vislumbrar una tendencia que se 
torne hegemónica. Vale decir que, pese a sus diferencias sobre los 
fundamentos del Trabajo Social, quienes adscriben a la perspectiva 
histórico-disciplinar y crítico-decolonial conforman alianzas para 
alcanzar la conducción de distintas instancias del colectivo profe-
sional, sin por ello alcanzar a configurar un proyecto profesional, 
pues no avanzan en la definición conjunta de elementos transversa-
les y comunes en las dimensiones ético-política, operativo-instru-
mentales y teórico-metodológica. Al contrario, en la conformación 
de estas alianzas la tendencia es confluir en acuerdos a partir de la 
participación o referencia a espacios político-partidarios concretos, 
sin poner en tensión perspectivas éticas, epistemológicas y teóri-
co-metodológicas distintas, incluso antagónicas.
De igual medida, la perspectiva histórico-crítica, la cual se 
interesa por articular sus fundamentos éticos, políticos y teóricos y 
el fortalecimiento de estrategias profesionales que se inscriban en un 
proyecto profesional crítico (Pantanali, 2015), si bien se ha consoli-
dado en algunas unidades académicas y espacios organizativos del 
colectivo profesional, su carácter minoritario y contrahegemónico 
marca límites y potencialidades en la configuración de una tenden-
cia en el país. Límites, por las desventajas en la cual suele establecer 
la disputa y el debate profesional, potencialidades, porque por ser 
propiamente contrahegemónico cotidianamente instala discusiones 
e interpelaciones que habilitan a problematizar lo dado, aquello que 
se considera incuestionable o inmodificable. 
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- 121 -
CAPÍTULO 7
LA FORMACIÓN PROFESIONAL EN 
COLOMBIA
Roberth Wilson Salamanca Ávila
Introducción
El presente documento presenta un análisis detallado sobre la 
formación profesional en Trabajo Social en Colombia, abarcando su 
desarrollo histórico, los desafíos actuales y las perspectivas futuras. 
Este texto ofrece una visión comprehensiva de cómo la profesión ha 
evolucionado en el contexto colombiano, influenciada por factores 
sociales, políticos y económicos tanto nacionales como internacio-
nales.
El análisis comienza con el surgimiento del Trabajo Social en 
Colombia a principios del siglo XX, enmarcado en un proceso de 
modernización económica y social del país. Se explora cómo la pro-
fesión se desarrolló en medio de complejas interacciones entre el Es-
tado, la Iglesia Católica y las dinámicas del capitalismo periférico.
El documento examina varios períodos clave en la historia del 
Trabajo Social colombiano: Los inicios y la institucionalización de 
la profesión, el período de la Reconceptualización en las décadas de 
1960 y 1970, que cuestionó las bases tradicionales de la profesión, 
los cambios en la formación y práctica profesional durante las dé-
cadas de 1980 y 1990, influenciados por el neoliberalismo y nuevos 
paradigmas teóricos, y el panorama contemporáneo de la formación 
en Trabajo Social, incluyendo los desafíos actuales y las tendencias 
emergentes.
A lo largo del texto, se discuten temas cruciales como la in-
fluencia de diferentes corrientes teóricas, la relación entre teoría y 
práctica, los cambios en los planes de estudio, y el impacto de las 
políticas educativas y sociales en la formación profesional. El docu-
mento también aborda la situación actual de los programas de Traba-
- 122 -
jo Social en Colombia, proporcionando datos sobre la distribución 
de programas entre instituciones públicas y privadas, modalidades 
de enseñanza, y estándares de calidad.
Finalmente, se presentan reflexiones sobre los retos que en-
frenta la profesión en el contexto colombiano actual, incluyendo la 
necesidad de un enfoque más crítico y comprometido con la trans-
formación social. Este análisis pretende proporcionar una base sóli-
da para comprender la trayectoria y el estado actual de la formación 
en Trabajo Social en Colombia.
1. Surgimiento del Trabajo Social en Colombia
El Trabajo Social en Colombia surgió a principios del siglo 
XX como respuesta a las necesidades de un país en proceso de mo-
dernización económica y social. La profesión se desarrolló en un 
contexto de interacciones complejas entre el Estado, la Iglesia Cató-
lica y las dinámicas del capitalismo periférico, reflejando las tensio-
nes y relaciones entre distintos actores sociales y políticos. Esta di-
versidad de influencias subraya el papel esencial del Trabajo Social 
en la mediación de las relaciones sociales y en la implementación de 
políticas públicas orientadas al bienestar social durante las primeras 
décadas del siglo XX, estableciendo así sus límites y posibilidades.
En las décadas de 1920 y 1930, Colombia vivió una transición 
de una economía mayormente agraria hacia una más diversificada e 
industrializada. Este cambio fue impulsado por la necesidad de inte-
grar la economía nacional al mercado internacional y de responder a 
las presiones del capital transnacional y los monopolios.
Durante los años 30, bajo la administración del Partido Libe-
ral, el Estado implementó reformas constitucionales y políticas de 
modernización que transformaron las estructuras económicas y so-
ciales del país. Este proceso fue crucial para el desarrollo del Trabajo 
Social como profesión. En 1936 se estableció la primera escuela de 
Trabajo Social en Bogotá, vinculada al Colegio Mayor de Nuestra 
Señora del Rosario. Esta institución reflejaba la influencia conjunta 
de la Iglesia Católica y del capital monopolista en la orientación y 
ejecución de la intervención social (Quintero y Salamanca, 2023).
- 123 -
La modernización también dio lugar a la creación de institu-
ciones clave como el Ministerio de Trabajo, Higiene y Previsión So-
cial en 1938, el Instituto de Crédito Territorial en 1939 y el Instituto 
Colombiano de Seguros Sociales en 1946. Estas entidades fueron 
fundamentales para la planificación y administración del Estado. La 
intervención estatal se vio complementada por la influencia de la 
Iglesia Católica, que desempeñó un papel importante en la orien-
tación de la intervención social mediante acciones caritativasy la 
formación de trabajadores sociales.
A pesar de los esfuerzos de modernización e industrializa-
ción, Colombia no logró desvincularse completamente de las estruc-
turas de poder tradicionales, como el latifundio y la influencia de la 
Iglesia Católica. Esto refleja las complejas dinámicas de poder y las 
limitaciones del modelo de desarrollo adoptado.
En las décadas siguientes, especialmente en los años 40 y 50, 
el Trabajo Social empezó a profesionalizarse y a expandirse a otras 
ciudades de Colombia. En 1945 se inauguró la segunda escuela de 
Trabajo Social en Medellín, y en 1948, la Ley 25 estableció criterios 
para la formación en las facultades y escuelas públicas de Trabajo 
Social, consolidando así la institucionalización de la profesión. Sin 
embargo, en los años cincuenta, en un contexto de polarización so-
cial, las élites llevaron al poder a un gobierno que ascendió mediante 
un golpe de Estado, similar a otros países de la región. En Colom-
bia, esto se concretó con una junta militar encabezada por el general 
Gustavo Rojas Pinilla, quien gobernó entre 1953 y 1957 (Bautista, 
González y Pérez, 2017).
El proceso de modernización se robusteció con la implemen-
tación de políticas sociales diseñadas para abordar las nuevas ma-
nifestaciones de la cuestión social. Estas políticas se establecieron 
como un componente clave en la intervención estatal, al reconocer 
y atender los intereses tanto de la clase trabajadora como de la clase 
capitalista dominante.
Desde esta perspectiva, se impulsa la idea de tratar los proble-
mas sociales como disfunciones en el funcionamiento de la sociedad. 
En el Trabajo Social tradicional, esto se traduce en un enfoque que 
busca identificar y resolver los problemas sociales mediante interven-
ciones que refuercen las instituciones y estructuras sociales existentes.
- 124 -
En la corriente funcional el Trabajo Social no solo se concibió 
orientado a la ayuda, sino que también se planteó en función de 
atender las “patologías sociales”, a resolver las “disfunciones 
sociales”. Desde esta perspectiva tradicional, que se instauró en 
el conjunto de las ciencias sociales, se ha concebido la profesión 
como una técnica o como una ciencia aplicada. (Salamanca, en 
Salamanca y Valencia, 2017: 129).
Durante este periodo, el Trabajo Social es visto como una téc-
nica, que implica una formación con la aplicación sistemática de 
conocimientos, habilidades y estrategias para lograr objetivos es-
pecíficos de intervención social. Posteriormente, se da la adopción 
de los métodos tradicionales, con los que los trabajadores sociales 
emplean técnicas de evaluación y diagnóstico para entender las si-
tuaciones sociales de los individuos, grupos y comunidades con los 
que colaboran. Este proceso incluye la recopilación de información, 
la evaluación de fortalezas y necesidades, la identificación de pro-
blemas y la elaboración de planes de intervención.
Una vez que se ha realizado la evaluación y el diagnóstico, se 
utilizan técnicas específicas para planificar e implementar inter-
venciones destinadas a abordar los problemas identificados y 
alcanzar los objetivos acordados con los muchas veces llama-
dos “clientes”. Esto puede implicar el desarrollo de planes de 
servicio individualizados, la prestación de servicios de apoyo 
directo, la facilitación de grupos de apoyo o la coordinación 
de servicios con otros profesionales y agencias. En síntesis, el 
Trabajo Social tradicional entiende la intervención profesional 
como un proceso sistemático y reflexivo diseñado para abordar 
las necesidades sociales de individuos, familias, grupos y comu-
nidades. (Salamanca y Valencia, 2024, p. 67).
2. El Trabajo Social durante el período de la Reconceptualización
Durante las décadas de 1960 y 1970, América Latina vivió 
una etapa desarrollista comparable al “Estado de Bienestar” en Eu-
ropa y al “New Deal” en Estados Unidos, que sentaron las bases 
para el crecimiento del capitalismo. No obstante, las limitaciones 
intrínsecas a las economías periféricas del capital monopolista pron-
to se hicieron evidentes, desencadenando una crisis estructural que 
impactó tanto al capital central como al periférico.
- 125 -
En este escenario, el Trabajo Social en Colombia enfrentó su 
propia crisis, evidenciada en el Movimiento de Reconceptualización 
(Estrada, 2020), que cuestionó las bases profesionales y la lógica 
imperialista, particularmente la de Estados Unidos. Este movimien-
to formó parte de una respuesta más amplia a las contradicciones 
del capitalismo, que también incluyó luchas sindicales, políticas, 
campesinas, estudiantiles y guerrilleras. En este contexto, surgieron 
nuevas escuelas de Trabajo Social en el país, como el Programa de 
Trabajo Social de la Universidad de La Salle, establecido en medio 
de los debates emergentes sobre la profesión en Colombia (Bautista, 
González y Pérez, 2017).
La reconceptualización del Trabajo Social se vio impulsada 
por tres factores principales: la crisis de las ciencias sociales, la re-
novación de la Iglesia Católica y el movimiento estudiantil. Estos 
elementos convergieron para cuestionar y proponer nuevas formas 
de investigación e intervención social, influenciadas por la teología 
de la liberación y las demandas de democratización y autonomía 
universitaria.
Un ejemplo destacado de esta reconceptualización es el “Mé-
todo Caldas” en Colombia, que integró elementos de la tradición 
marxista y se desarrolló colectivamente en universidades como la 
de Caldas y la Nacional. Este método buscó superar los enfoques 
tradicionales y contribuir a la transformación social y la revolución 
continental (Estrada, 2020).
La reconceptualización del Trabajo Social no solo transformó 
la profesión en Colombia, sino que también estableció vínculos con 
movimientos similares en América Latina, fortaleciendo la profe-
sión a través de estructuras organizativas reconocidas tanto a nivel 
estatal como social (Quintero, 2021).
Para entonces, las ideas marxistas habían ganado un consi-
derable terreno en los movimientos sociales, obreros y estudiantiles 
en América Latina, lo que llevó a algunas de las represiones más 
severas de la región en tiempos recientes. El uso excesivo de la vio-
lencia estatal respondió de manera conservadora y reaccionaria a la 
lucha popular de la clase obrera que buscaba construir una sociedad 
alternativa al capitalismo. Aunque en Colombia no se instauró una 
dictadura militar como en otros países latinoamericanos, el Frente 
- 126 -
Nacional a partir del pacto de Benidorm1 estableció una democracia 
restringida dominada por los partidos liberales y conservadores, que 
monopolizaban el poder, favorecían a la clase más rica y se alejaban 
de las necesidades del pueblo.
Durante los años 70, Colombia mantuvo una democracia res-
tringida dominada por dos partidos oligárquicos. Sin embargo, el 
país no estuvo exento de represión y ataques al pensamiento crítico, 
como se evidencia en el cierre del programa de Trabajo Social de la 
Universidad Javeriana en 1971. A pesar de esto, se fundaron varias 
facultades de Trabajo Social en Colombia, marcando un período de 
expansión educativa en esta área.
Por un lado, la formación profesional en el contexto de la recon-
ceptualización iba ganando densidad crítica y cuestionamientos 
al desarrollismo y al papel que los y las profesionales cumplían. 
Por otro lado, sufría la influencia de una fuerte corriente ideo-
lógico-política modernizadora y desarrollista, que determinaría 
las prácticas interventivas de los y las trabajadoras sociales en la 
formación profesional, naturalizando este tipo de intervención 
profesional y reproduciendo una práctica acrítica y apolítica. 
(Salamanca & Valencia, 2024, p. 74).
En este contexto, el Trabajo Social en Colombia atravesó 
varios procesos de institucionalización, destacando la creación del 
CONETS (Consejo Nacional de Escuelas de Trabajo Social) en 
1965. Este período estuvo estrechamente vinculado con la reconcep-
tualizaciónen América Latina y coincidió con la firma de acuerdos 
internacionales que promovieron iniciativas sociales en la región, 
incluyendo programas de inversión basados en la Declaración de los 
Derechos Económicos, Sociales y Culturales y los derechos de los 
niños, entre otros.
Durante la década de 1970, en medio de la crisis del capital y 
la posterior introducción del neoliberalismo en el país, se produjeron 
cambios significativos en la profesión. En 1977, se aprobó la Ley 53, 
1 El pacto de Benidorm se efectúo en 1957 siendo una solución estratégica a la violencia 
bipartidista en Colombia, en cabeza de Alberto Lleras Camargo (1906-1990) y Expresidente 
Laureano Gómez (1889-1965), se reúnen en España (primero en Benidorm, el 24 de julio de 
1956, y luego en Sitges, el 20 de julio de 1957), para firmar un pacto de alternación del gobier-
no de Colombia durante dieciséis años (1958-1974) entre los partidos liberal y conservador: 
el Frente Nacional. El 1º de diciembre, por medio de un plebiscito popular, el pueblo refrenda 
este acuerdo (Lozano, 2014).
- 127 -
que reguló el ejercicio del Trabajo Social en Colombia, y en 1981 se 
emitió el decreto 2833, que reglamentó dicha ley. Este período tam-
bién permitió la creación de importantes estructuras organizativas 
como el Consejo Nacional de Trabajo Social, el Consejo Nacional 
para la Educación en Trabajo Social y la Federación Colombiana de 
Trabajadores Sociales.
A finales de los años 70, se creó un entorno político y eco-
nómico propicio para priorizar el financiamiento del capital, lo que 
consolidó el poder en manos de unos pocos, intensificando las re-
laciones desiguales entre países desarrollados y no desarrollados y 
promoviendo una transferencia significativa de recursos de los más 
pobres a los más ricos. La crisis económica de esa década agravó el 
empobrecimiento de la población, el déficit público, la deuda exter-
na y el desempleo, mientras se gestaban cambios tecnológicos y pro-
ductivos que llevarían a la apertura económica, la transnacionalidad 
y la concentración empresarial.
3. La formación en Trabajo Social en Colombia en el periodo 
contemporáneo
Para los años 80, la nueva estrategia de política exterior de 
Estados Unidos para la erradicación de las ideas comunistas en el 
continente será la promoción de la democracia y la apertura consti-
tucional a través del apoyo de las élites capitalistas, logrando la legi-
timidad de los movimientos sociales y el favoreciendo los intereses 
económicos de los más poderosos. De este modo, la reestructuración 
del orden social, político y económico se da por medio de la implan-
tación de la estrategia neoliberal orientada a partir del Consenso de 
Washington en 1989 e impuesto por las agencias internacionales, 
que cambió las garantías del trabajo y favoreció la pérdida de los 
derechos conquistados durante el siglo que antecede. 
Todo lo anterior crea un clima intelectual de desconfianza en 
el socialismo como proyecto político para una nueva sociedad, lo 
que al tiempo hace que surjan distintas perspectivas teóricas en las 
diferentes disciplinas sociales. El paso a la postmodernidad, el fin 
de la Guerra Fría, la caída del muro de Berlín y el fin del Socialismo 
Real genera una crisis en los paradigmas de las Ciencias Sociales, 
donde ni el positivismo, ni el estructuralismo, ni el marxismo tienen 
- 128 -
vigencia pues se declara el fin de la historia. El capitalismo es una 
sociedad triunfante y a partir de allí hay que reacomodar las formas 
de entender la realidad social y redireccionar los procesos de inter-
vención profesional. Estas nuevas perspectivas teóricas combinan 
las lecturas estructurales con el estudio de aplicación de herramien-
tas técnicas para la intervención sobre micro realidades. Entonces 
surgen los llamados nuevos paradigmas que recogen las teorías de 
la complejidad, el enfoque sistémico, holístico, hermenéutico, entre 
otros. Ahora bien, el periodo posterior a la década de los 90:
coloca al Trabajo Social de cara a un contexto socio-político 
caracterizado por la aparición de políticas económicas neolibe-
rales que debilitan las políticas sociales y el papel que el Estado 
debe jugar en lo social. Se impone una nueva racionalidad para 
la formulación y participación en programas y proyectos socia-
les, basada en la eficiencia y competitividad del mercado. Estas 
circunstancias obligan a la redefinición de la acción sobre lo 
social en los ámbitos oficiales y no oficiales (Alayón, 2005. p. 
111-112).
Seguir comprendiendo la profesión como una práctica revo-
lucionaria conduciría a la misma a su propia desaparición. Enton-
ces se inicia un proceso que tiene tres tendencias principales. La 
primera, es la vuelta a la formación profesional de antes de los 60 
que accionaba dentro de los modelos funcionalizantes, pero ahora 
actualizados con los avances y exigencias del capitalismo contem-
poráneo. Lo anterior va a generar cambios muy fuertes dentro de 
los planes de estudio en los años 90 en Colombia en general. Las 
pocas universidades que habían adoptado el método integrado de 
comprensión de la realidad volvían al método tradicional de vaso, 
grupo y comunidad.
La acción profesional en las instituciones de política social se 
vincula al entendimiento de la lógica económica y política neolibe-
ral, lo que exige a las escuelas de Trabajo Social formar profesio-
nales capaces de ser ejecutores de programas sociales, que puedan 
situarse en la estructura estatal para gestionar políticas exclusiva-
mente dirigidas a determinados sectores de la sociedad. Esto hace 
que los trabajadores sociales vuelvan a su dimensión meramente 
operativa y se aíslen de los referentes teóricos y metodológicos que 
los permiten comprender la realidad social. 
- 129 -
La segunda, que busca explicar las diferencias entre el ámbito 
profesional y el disciplinar, e iniciar la formación de trabajadores 
sociales investigadores. Con el fin de la Reconceptualización, el 
Trabajo Social necesita redefinir su objeto de estudio que permita un 
distanciamiento del carácter práctico de la profesión y lo acerque a 
la producción académica y teórica. Dada la tradición de la profesión 
tiende a creerse que la investigación en Trabajo Social se reduce 
simplemente a la investigación diagnóstica y evaluativa, descono-
ciendo la importancia de la teorización de la cuestión social y los 
problemas sociales resultantes de las contradicciones del capital. 
Actualmente, de cara a la construcción de conocimiento se 
reconoce como hegemónica la corriente positivista de las Ciencias 
Sociales en la que: 
los profesionales a partir de la “especificidad” pretenden ga-
nar un espacio en la fragmentación de lo social, proponiendo 
constituir la profesión como una disciplina, con un saber propio 
basado en su ejercicio práctico. Una disciplina en la que la “es-
pecificidad” de su objeto de conocimiento está determinada por 
su propio objeto de intervención, es decir, donde se investiga 
a partir de una finalidad práctica, asumiendo un carácter emi-
nentemente instrumental (Quintero & Salamanca, 2019, p. 255).
Y la tercera tendencia, hace referencia a compromiso éti-
co-político que debe tener la profesión. “Esta visión postula que se 
puede ser revolucionario, no por ser trabajador social, sino por la 
fuerza que tiene un compromiso personal con la utopía de la huma-
nidad como especie solidaria” (malagón, 2011. pp. 302-303). Esta 
perspectiva considera la contradicción como herramienta pedagógi-
ca y política necesaria para que el sujeto crítico encuentre formas de 
existir y subsistir dentro del capitalismo. 
En resumen, el Trabajo Social en Colombia actualmente sigue 
estando ligado a la pretensión de tener un cuerpo teórico propio y 
una especificidad metodológica basada en los métodos tradiciona-
les, que, aunque cuestionados, siguen siendo vigentes en el ejercicio 
profesional. “Si bien las perspectivas positivista, funcionalista y es-
tructuralista han sido las más influyentesy debatidas en la formación 
profesional, deben ubicarse en el contexto histórico y analizarse des-
- 130 -
de su influencia actual en la formación y la acción profesional, ya 
que siguen siendo relevantes en la Colombia de hoy” (Quintero & 
Salamanca, 2019, p. 256).
Ahora bien, en cuanto al tema educativo, que históricamente 
se ha vinculado más a las perspectivas tradicionales que a propuesta 
progresistas transformadoras, es importante decir que el surgimiento 
del proyecto posmodernos con paradigmas como la complejidad y la 
propuesta hermenéutica, entre lo que se propone un rol profesional 
mediador y facilitador de procesos de conciliación.
Si bien esta tendencia enfrenta a las Ciencias Sociales a recono-
cer la heterogeneidad y los patrones cambiantes de la realidad social, 
teniendo en cuenta las especificidades y eliminando los postulados 
universalistas y cuantitativos que históricamente se han ligado a ellas; 
fragmenta, segmenta, predice y gestiona el conocimiento sobre lo so-
cial. Así como el positivismo, estos nuevos paradigmas generaron 
profundos impactos conservadores en la construcción teórica y for-
mación profesional, pues limitan y entorpecen el análisis crítico a las 
estructuras opresoras del capital, quedándose sólo en tendencia, mé-
todos y tensiones no resueltas, que terminan individualizando los pro-
blemas y volviendo al sujeto como responsable de su propia realidad. 
Sin embargo, en este trasegar teórico-metodológico también 
se debe reconocer que en los últimos años ha ganado fuerza la pers-
pectiva histórico-crítica, que se ha convertido en la principal defen-
sora de la tendencia marxista en el Trabajo Social latinoamericano. 
Esta perspectiva ha sido impulsada por el grupo de Trabajo Social 
Crítico de Colombia, que tiene sus antecedentes en la participación 
de estudiantes, docentes y profesionales en diferentes actividades 
académicas como los Encuentros Nacionales de Estudiantes de Tra-
bajo Social – ENETS. 
Un paso fundamental hacia la promoción de la perspectiva crí-
tica marxista se dio en 2004, año en el que se creó el grupo de 
Trabajo Social Crítico, organizador del I Encuentro (2005) y de 
3 Congresos Latinoamericanos de Trabajo Social Crítico (2008, 
2010 y 2013), concebida desde una perspectiva orientada a con-
tribuir a la transformación social y la activación de un proceso 
que, en la medida de lo posible, se procuró constituir en movi-
miento (Quintero & Salamanca, 2019, p. 258).
- 131 -
En los últimos años se ha venido consolidando tal proceso 
con la realización de seminarios, actividades y eventos que buscan 
generar reflexiones sobre la formación, la búsqueda profesional y 
la definición de principios políticos y éticos del Trabajo Social. Sin 
embargo, es importante aclarar que el impacto de la perspectiva his-
tórico-crítica en Colombia aún se encuentra en génesis, consideran-
do que es una tendencia poco publicitada en la formación y con poca 
aceptación por los sectores hegemónicos conservadores del país. 
Los principios neoliberales que favorecen la apropiación pri-
vada de los bienes y los recursos públicos, las ganancias particulares 
de los dineros del Estado, el clientelismo político, imprimen una 
enorme ineficacia al aparato estatal. “Ello permea los ámbitos de 
desempeño profesional e imprime no sólo limitaciones, sino tam-
bién retos éticos, relacionados con la responsabilidad social en la 
construcción de procesos de gestión social transparentes, democráti-
cos, participativos e incluyentes” (Conets, 2008, p. 24). La discusión 
de los problemas sociales colombianos, supone que desde Trabajo 
Social se debata sobre los intereses sociopolíticos, culturales y eco-
nómicos que se encuentran la base de las propuestas de transforma-
ción e intervención que se formulan.
La construcción de un proyecto profesional ético-político en 
el Trabajo Social en Colombia, se destaca por la diversidad de enfo-
ques y la falta de un proyecto hegemónico claramente definido en el 
país. Los elementos éticos y políticos tradicionales son evidentes en 
la práctica profesional, la formación académica y las iniciativas de 
las organizaciones del sector.
Los cambios políticos recientes, especialmente con la adminis-
tración de Gustavo Petro y Francia Márquez, podrían influir positiva-
mente en la pluralidad y democratización del debate profesional en Tra-
bajo Social, desafiando las perspectivas conservadoras y neoliberales 
previas. Estos cambios políticos, junto con las luchas sociales recientes, 
ofrecen una oportunidad para revisar y fortalecer las bases teórico-po-
líticas del Trabajo Social en Colombia (Quintero y Salamanca, 2023).
4. La formación profesional actual.
La formación profesional en Trabajo Social en Colombia se 
caracteriza por la autonomía relativa de las universidades en cuanto 
- 132 -
a cursos y contenidos, lo que puede afectar la calidad educativa. 
La proliferación de programas, la oferta de formación virtual y a 
distancia, y la mercantilización de la educación son preocupaciones 
actuales. Es crucial evaluar la calidad de estos programas, especial-
mente los virtuales y a distancia, sin sacrificar la formación teórica 
en favor de enfoques más tradicionales y conservadores.
La producción académica enfrenta presiones para cumplir con 
estándares internacionales que a menudo priorizan la cantidad sobre 
la calidad, contribuyendo a la mercantilización del conocimiento. 
Se necesita un enfoque más crítico y menos enfocado en cumplir 
indicadores externos.
En el ámbito legal y ético, aunque existen normativas como 
la Ley 53 de 1977 y su decreto reglamentario, así como un código 
de ética profesional, estas regulaciones son poco conocidas dentro 
de la comunidad profesional. Las políticas neoliberales han llevado 
a una mayor privatización y mercantilización de los servicios socia-
les, destacando la importancia de las organizaciones profesionales y 
los movimientos estudiantiles en la lucha por condiciones laborales 
justas y un debate crítico dentro de la profesión (Salamanca y Va-
lencia, 2017).
Actualmente, el Trabajo Social en Colombia enfrenta desafíos 
como la falta de cohesión e incidencia política de los organismos 
profesionales y una tradición conservadora persistente. A pesar de 
declararse progresistas, estos organismos no han logrado establecer 
un proyecto crítico debido al bajo número de profesionales afiliados 
y las limitadas capacidades de las organizaciones. El contexto nacio-
nal, marcado por gobiernos represivos y un entorno antidemocráti-
co, ha reforzado el carácter conservador de la profesión.
El debate entre teoría y práctica sigue inclinándose hacia la 
práctica, lo que limita la formación a enfoques operativos y asistencia-
les. La presión por un Trabajo Social más pragmático, impulsada por 
el mercado y las políticas educativas, siendo típica la formación en los 
métodos tradicionales de Trabajo Social (caso, grupo y comunidad).
Según el Sistema Nacional de Información de la Educación 
Superior (SNIES)2, Colombia cuenta con 70 programas de pregrado 
y 1 de posgrado, la Maestría en Trabajo Social de la Universidad 
2 Los datos que se presentan a continuación son retomados del Sistema Nacional de Informa-
ción de la Educación Superior - SNIES, sobre los programas de Trabajo Social en Colombia.
- 133 -
Nacional. La mayoría de los programas se encuentran en el sector 
privado (46) en comparación con el sector público (24). Más del 
35% de estos programas son ofrecidos por instituciones confesio-
nales, influenciando su metodología y contenido. La Corporación 
Universitaria Minuto de Dios, por ejemplo, ofrece 11 programas, 
incluyendo uno a distancia, mientras que la Universidad del Valle es 
la que más programas tiene entre las universidades públicas.
La educación en Trabajo Social ha incluido tecnologías y 
modalidades de enseñanza diversas. Actualmente, hay 3 programas 
de formación a distancia y 2 programas virtuales, ofrecidos princi-
palmente por instituciones privadas yconfesionales. Aunque estas 
modalidades facilitan el acceso, surgen dudas sobre la calidad de la 
formación y la capacidad de las regulaciones para garantizar están-
dares adecuados.
La modalidad presencial sigue siendo la más común, con 65 
programas activos, permitiendo una interacción directa y una expe-
riencia educativa integral. De los 70 programas de pregrado, 53 tie-
nen registro calificado, mientras que 17 cuentan con acreditación de 
alta calidad, que certifica altos estándares en procesos académicos, 
de investigación y extensión. Entre estos, el programa de la Uni-
versidad de Antioquia se destaca con una acreditación de 10 años, 
evidenciando su prestigio y calidad.
Finalmente, la duración de los programas de Trabajo Social 
varía, con la mayoría ofreciendo una duración de 10 semestres (5 
años a tiempo completo). Sin embargo, también hay programas de 8 
y 9 semestres, reflejando una tendencia hacia la reducción del tiem-
po de estudio.
Consideraciones finales
La formación profesional en Trabajo Social en Colombia se 
caracteriza por la autonomía relativa de las universidades en cuanto 
a cursos y contenidos. La distribución de programas muestra una 
clara predominancia del sector privado sobre el sector público. Se 
identifican riesgos que afectan la calidad de la formación, como la 
apertura indiscriminada de programas, la formación virtual y a dis-
tancia, y la mercantilización de la educación.
- 134 -
Existe una tendencia a priorizar la dimensión técnico-opera-
tiva sobre la formación teórica, lo que puede favorecer enfoques 
más tradicionales y conservadores de la profesión. La producción 
académica enfrenta presiones para cumplir con estándares interna-
cionales, priorizando a menudo la cantidad sobre la calidad de la 
investigación.
En los últimos años, para hacer frente a los retos actuales de 
la profesión, el CONETS trabajó y publicó los lineamientos para la 
formación en Trabajo Social, que fueron construidos a partir de un 
proceso amplio de participación de la comunidad académica. Entre 
sus principios se encuentra:
El compromiso ético y político con la transformación, en 
horizonte de emancipación social, lo que implica que la formación 
tenga un sentido social y político, en articulación con los contextos 
sociales, económicos, políticos, ambientales y culturales y con las y 
los sujetos de la praxis (CONETS, 2022).
Esto, considerando que las políticas neoliberales han afectado 
la capacidad del Estado y de los profesionales para garantizar los de-
rechos sociales, llevando a una mayor privatización de los servicios 
sociales. Y que el contexto nacional, históricamente caracterizado 
por gobiernos represivos y un ambiente antidemocrático, ha fortale-
cido el rasgo conservador de la profesión.
En conclusión, el Trabajo Social en Colombia enfrenta desa-
fíos significativos en términos de calidad, orientación profesional y 
adaptación al contexto sociopolítico. Mientras que existe una amplia 
oferta educativa, persisten preocupaciones sobre la mercantilización 
de la educación y la necesidad de un enfoque más crítico y menos 
pragmático en la formación profesional.
Este contexto reclama de profesionales comprometidos con 
lo social y su articulación a procesos y movimientos sociales que 
busquen transformar la sociedad en un horizonte de emancipación 
humada. Desde lo profesional, se pueden generar estas articulacio-
nes a partir de los actores comprometidos con la búsqueda de un 
proyecto de sociedad diferente, quienes no se quedan indiferentes 
ante las condiciones de pobreza e injusticia y que consideran que el 
capitalismo no es una sociedad viable. Es el momento de fortalecer 
el proyecto profesional, aportando desde allí a la construcción de 
sociedad en contra de la barbarie. 
- 135 -
Así, una de las exigencias que se vislumbra en la reconstruc-
ción del proyecto de formación profesional es estimular la aproxi-
mación de los asistentes sociales a las condiciones de vida de las cla-
ses subalternas y de sus formas de lucha y de organización. Captar 
las formas de explicitación social, cultural y política de sus intereses 
y necesidades, creadas en el enfrentamiento colectivo e individual 
de situaciones de vida, de experiencias vivenciadas. Intereses que 
no se manifiestan apenas en sus organizaciones político-partidarias, 
articuladas a la construcción del poder de clases, sino también en las 
luchas organizativas por mejoras parciales de vida (en el cotidiano 
de las fábricas, de los campos, en los demás locales de trabajo, en los 
barrios etc.), así como en el conjunto de sus expresiones asociativas 
y culturales cotidianas que denotan sus modos de vivir y de pensar. 
Detectar ahí sus aspiraciones, los núcleos de contestación y resis-
tencia que vienen siendo creados — muchas veces situados en el 
“simple” nivel de defensa de la vida — y madurados bajo múltiples 
formas, estimulando las luchas, la imaginación y la inventividad de 
la vida en sociedad: el proceso de constitución de sujetos sociales 
colectivos, en la y a partir de la historicidad de la vida cotidiana. 
(Iamamoto, 2008, p. 197).
 De todas formas, la invitación no se trata de abandonar las 
luchas sociales, la conquista de derechos, los avances técnico-cientí-
ficos ni las políticas sociales; todo esto configura expresiones del de-
sarrollo de la sociedad y avances necesarios para cualquier transfor-
mación. La propuesta radica en reflexionar sobre la incorporación 
dialéctica de las contradicciones y pensar las mediaciones posibles 
para que estratégica y tácticamente se trascienda en la perspectiva de 
la emancipación humana. 
Esto determina, por una parte, el formar y formarnos acrítica-
mente para el mercado laboral, respondiendo funcionalmente a las 
exigencias de la actual sociedad capitalista, que cada vez precariza 
más las políticas sociales y las condiciones laborales de los profesio-
nales. O, por otra parte, formar y formarnos para construirnos como 
sujetos políticos, indignados ante las injusticias, comprometidos con 
la construcción social, con fundamentos para la crítica, coherentes 
en el debate de las ideas y activos en la participación política en el 
horizonte de la superación del capitalismo.
- 136 -
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n.1, p. 22-31. 
- 138 -
Parte III
DEBATE BRASILEIRO SOBRE 
FUNDAMENTOS DO 
SERVIÇO SOCIAL
- 139 -
CAPÍTULO 8
AS DIFERENTES PERSPECTIVAS 
CONCEITUAIS DA TRADIÇÃO MARXISTA 
PRESENTES NO DEBATE DOS 
FUNDAMENTOS DO SERVIÇO SOCIAL 
BRASILEIRO
Maria Carmelita Yazbek
Introdução
As reflexões que se seguem abordam o Serviço Social brasi-
leiro do ponto de vista de seus referentes conceituais no âmbito da 
Tradição Marxista, nestes difíceis tempos de ofensiva conservadora 
e de profundas e inquietantes transformações da ordem capitalista 
mundial, financeirizada e plataformizada, o que, entre outros aspec-
tos, vem tornando cada vez mais difícil construir no horizonte uma 
perspectiva de esperança para a Humanidade, embora não sem resis-
tências e luta na defesa da vida e por outra ordem societária.
O ponto de partida é reconhecer que há mudanças no âmbito 
da economia capitalista, com destaque para um Capital que busca se 
valorizar pela devastação do mundo do trabalho e da própria huma-
nidade e para o qual a superexploração do trabalho passa a ser condi-
ção para novas formas geradoras de valor. Mudanças que deslocam 
as bases da acumulação e configuram uma “reestruturação vasta e 
dramática do capitalismo global, impulsionada pelo capital finan-
ceiro e pela reestruturação produtiva e, particularmente, por sua in-
corporação das Tecnologias de Informação e Comunicação – TICs 
nas relações de trabalho. Efetivamente, amplia-se no mundo do tra-
balho o avanço destas novas tecnologias, das grandes empresas que 
as operacionalizam, da Internet das Coisas, da Inteligência Artificial 
(IA) e a ampliação do uso de recursos informacionais, em múltiplas 
esferas da vida social e profissional” (Yazbek, 2024, no prelo).
Trata-se de um novo eixo estruturante do sistema “incom-
paravelmente, mais destrutivo, gerador de desigualdade em esca-
- 140 -
la qualitativamente superior e irresponsável quanto aos impactos 
econômicos, sociais e ambientais” (Dowbor, 2022, p. 49). Como 
suporte a estas novas formas de acumulação do capital temos a re-
funcionalização do conservadorismo de traços fascistas e o avanço 
da face “hiperautoritária” do neoliberalismo nos termos de Dardot e 
Laval (2016). Situação que se agrava com o crescimento da chama-
da ‘nova direita’ na conjuntura global.
Alguns resultados dessa história recente são facilmente ob-
serváveis (Yazbek, 2019) como a imensa concentração de riqueza e 
poder ao lado da miséria dos trabalhadores e da tragédia da pobre-
za, da fome, da exclusão integrativa (não apenas de bens materiais) 
expressa no crescimento das massas descartáveis sobrantes e sem 
proteção num mundo desumanizado e marcado pelo individualis-
mo e pela competição. Processos que interferem nas múltiplas di-
mensões da vida, que interferem para além da esfera da economia, 
alcançando as esferas da cultura, da política, da sociabilidade e da 
comunicação. Assim, numa perspectiva de totalidade, a nova so-
ciabilidade e a nova política, inscritas na agenda neoliberal, vêm 
provocando metamorfoses no campo da subjetividade, expressas no 
individualismo competitivo exacerbado, pressionado pelo consumo 
e que vive com um grau de incerteza e ansiedade sem precedentes. 
Fragmentam-se as diferentes esferas da vida social e referências 
culturais e simbólicas, que tornavam o mundo reconhecível, são 
colocadas em questão. 
E é neste momento que a História nos convoca a avançar no 
deciframento dos fundamentos históricos e teórico-metodológicos 
do Serviço Social e a contribuir para a leitura crítica das expressões 
da questão social na atualidade. Assim, “decifrar o pensamento que 
pensa o Serviço Social e submetê-lo ao crivo da crítica é uma tarefa 
indispensável para a elucidação da profissão na história em sua in-
serção no universo da ciência e da cultura de seu tempo” (Iamamoto, 
2003, p. 1).
Obviamente, este contexto regressivo vem impactando o Ser-
viço Social em suas bases objetivas e subjetivas e em sua “direção 
social estratégica, [...] exigindo a reorganização das estratégias e das 
táticas” (Silva, 2022, p. 60) no que se refere, entre outros aspectos, 
ao seu projeto Político e aos seus Fundamentos conceituais. Neste 
- 141 -
âmbito, aprofunda-se o debate acumulado no âmbito da profissão, 
sobre a Questão Social enquanto expressão das desigualdades es-
truturantes da sociabilidade capitalista, considerando as mediações 
de classe, gênero e étnico-raciais e sobre a condição de trabalhador 
assalariado do assistente social, em sua nova morfologia precariza-
da e intensificada. Contexto no qual amplia-se o debate das pautas 
antirracistas, antidiscriminatórias, contra a homofobia, contra a des-
truição ambiental, contra o genocídio da população negra, em defesa 
dos povos originários, da cultura, entre outros aspectos.
Agravam esta situação, as particulares condições do desen-
volvimento desigual e combinado do capitalismo no país e o “cará-
ter predatório das relações coloniais, do patriarcado e do escravismo 
que deixaram, sem dúvida, suas marcas na história do país e implan-
taram bases importantes na construção da lógica que vem presidindo 
a expansão do capitalismo dependente na periferia em tempos mais 
recentes” (Yazbek, 2019, p. 90).
Como pode ser facilmente observado, os desafios frente ao 
quadro aqui brevemente apresentado são imensuráveis. E é neste 
âmbito que devemos localizar o importante contributo do pensamen-
to marxiano e da tradição marxista para apreensão do significado 
CONTRADITÓRIO de nosso trabalho profissional, especialmente, 
na gestão e operacionalização de políticas sociais e nas disputas co-
tidianas por outra sociabilidade.
Em síntese, de modo geral a profissão é interpelada e desafia-
da a RESISTIR pela necessidade de construir mediações ideopolí-
ticas, teórico-metodológicas e ações estratégicas de resistência em 
aliança no jogo da política em suas múltiplas dimensões, por dentro 
dos espaços institucionais e, especialmente, no contexto das lutas 
sociais. 
1. Referentes para o debate atual dos fundamentos conceituais 
do Serviço Social
Inicialmente, é preciso destacar aqui alguns pressupostos 
analíticos profundamente articulados, que devem orientar a análise 
destes tempos e do Serviço Social brasileiro, especialmente, de seus 
Fundamentos conceituais:
- 142 -
1 - A primeira questão que coloco como referência é a reafir-
mação da centralidade dos fundamentos em minha abordagem sobre 
a profissão, entendendo aqui por fundamentos a matriz histórico-
-ontológica, explicativa da realidade, e da profissão, sob múltiplos 
aspectos, e que permeia a interlocução entre o Serviço Social e a 
realidade. Fundamentos que, na atualidade, se expressam na abor-
dagem histórico-crítica, fundada na Teoria Social de Marx e na Tra-
dição Marxista, que se coloca como base para o projeto profissional 
hegemônico, expressando uma direção social que se estrutura nas 
dimensões histórico-ontológicas, teórico-metodológicas, ético-polí-
ticas e técnico-operativas.Portanto, estou referenciada em:
- Uma abordagem da história a partir das classes sociais e de 
suas lutas, entendendo as diversas manifestações da “questão 
social e as suas estratégias de enfrentamento, como âmbito 
privilegiado da intervenção profissional”. 
- Uma apreensão da realidade totalizante, ontológica e em 
movimento contraditório que apreende o ser social a partir de 
determinações e mediações. Ou seja, as relações sociais são 
sempre mediatizadas por situações, instituições, contextos 
nos quais se engendram como totalidade as relações sociais 
que configuram a sociedade capitalista e que revelam/ocultam 
as relações sociais imediatas. Nesta perspectiva, a reprodu-
ção das relações sociais é entendida (Iamamoto, 2011) como 
a reprodução da totalidade da vida social, o que engloba não 
apenas a reprodução da vida material, mas também a reprodu-
ção espiritual da sociedade e das formas de consciência social 
através das quais o homem se posiciona na vida social. Desta 
forma, a reprodução das relações sociais é a reprodução de 
toda a trama de relações da sociedade. 
- Uma concepção da profissão no contexto da divisão social 
do trabalho, que é sócio-técnica, mas é também sexual e ét-
nico-racial. E, assim sendo, uma concepção de profissão que 
tem na centralidade do trabalho e dos trabalhadores e de suas 
lutas um eixo definidor de sua natureza. 
- Finalmente, uma concepção de profissão que a situa como 
área de produção de conhecimentos, sobre o processamento 
desta especialização do trabalho coletivo, sobre as condições 
- 143 -
de vida da população com a qual trabalha e, especialmente, 
sobre a realidade social, econômica, política e cultural onde 
se insere (Mota, 2016). Marx dizia que explicar a realidade 
não é apenas descobrir os nexos que a constituem, mas ajudar 
esta realidade a se constituir (Yazbek, 2020, p. 295).
2 - O segundo aspecto que gostaria de problematizar diz res-
peito ao núcleo central do debate brasileiro contemporâneo sobre 
Fundamentos, que se estrutura sob a perspectiva da Teoria Social 
Marxiana e sua direção a partir de um determinado modo de en-
tender a profissão, no âmbito das relações sociais constitutivas da 
ordem capitalista, consideradas as particularidades de sua condição 
periférica. Para Marini (2012, p. 47), “a história do subdesenvolvi-
mento latino-americano é a história do desenvolvimento do sistema 
capitalista mundial” e, portanto, a “chave analítica para compreen-
são da América Latina consiste, justamente, em considerá-la dia-
leticamente a partir do sistema capitalista em seu conjunto, tanto 
em suas particularidades nacionais quanto na relação destas com o 
processo global de acumulação capitalista. Esta perspectiva lança 
luz aos traços de subordinação dos países latino-americanos [...] Es-
tes traços são constitutivos de uma relação de dependência que, de 
acordo com Marini, se repõem constantemente, incorporando novos 
padrões de dominação externa, intrinsecamente ligados ao avanço 
do capitalismo e ao acirramento das contradições impostas pela ló-
gica imperialista” (Arregui et al., 2024, p. 9).
Em Marx e na Tradição Marxista encontramos unidade no 
Método, enquanto apreensão da realidade, totalizante, ontológica e 
em movimento contraditório que apreende o ser social a partir de 
determinações e mediações e partindo da aparência, visa alcançar 
a essência do objeto. Para Marx, a busca pela essência exige um 
método que apreenda o concreto como “unidade na diversidade” em 
sua relação contraditória. E é pelo caminho do conhecimento das 
determinações de múltiplas ordens, em relação, buscando as media-
ções que constituem a realidade, que é possível chegar ao concreto 
como síntese de múltiplas determinações. Conhecer é ultrapassar o 
imediato e nesta perspectiva cabe ao profissional decifrar a realidade 
na qual que desenvolve sua intervenção (Yazbek, 2024, no prelo).
- 144 -
Como nos lembra Ianni (2011), o pensamento entra na consti-
tuição do real. A realidade está sempre impregnada, recoberta de inter-
pretações que precisam ser desvendadas para que possamos explicar a 
realidade, a constituição da História. A reflexão dialética é uma possi-
bilidade de conhecimento do real que possui estas peculiaridades, que 
pode ser desenvolvida e que, não há dúvida, pode ser recriada. 
Em relação ao pensamento marxiano e à tradição marxista, 
é importante considerar que o pensamento de Marx é uma matriz 
que carrega uma vasta reflexão sobre o capitalismo, compreendendo 
não só as relações econômicas e políticas, mas também as sociais, 
culturais e o modo capitalista de pensar, em suas diversas expressões 
e possibilidades. 
2. Tendências e atualização do debate de fundamentos
Pesquisa coordenada por José Fernando Siqueira da Silva 
“Serviço Social e América Latina: tendências teóricas atuais”, rea-
lizada entre 2018 e 2021 com apoio da FAPESP e do CNPq, tendo 
como objeto a desafiante temática acerca tendências teóricas e polí-
ticas presentes no Serviço Social latino-americano, aponta entre as 
tendências sumariadas em amostra de seis países, uma ampla tendên-
cia, inserida na tradição marxista [...] que agrega diferentes orienta-
ções e grupos libertários no interior do Serviço Social na América 
Latina, identificados com níveis crescentes de emancipação social. 
Em diferentes medidas, a ‘Lei geral da acumulação’ (Marx, 1984, p. 
187) é retomada como base para explicar o capital [...] como fonte 
para detalhar as razões objetivas do pauperismo (Silva, 2022, p. 90).
Em relação às diferentes perspectivas conceituais da Tradi-
ção Marxista presentes na construção intelectual do Serviço Social 
latino-americano, a mesma pesquisa constatou a significativa pre-
sença de dois autores marxistas: Gramsci e Lukács, “ainda que as 
contribuições do estruturalista Louis Althusser também alimentem 
setores da profissão”. Para Löwy (2017, p. 72), “Lukács e Gramsci 
são frequentemente apresentados como os fundadores do “marxis-
mo ocidental”. [...] os dois são responsáveis por uma interpretação 
humanista-historicista do marxismo. Na realidade, partidários e ad-
versários dos dois pensadores marxistas estão de acordo na constata-
- 145 -
ção da profunda afinidade de suas orientações teórica e política. Pa-
rece-me que a tentativa de superar a versão positivista do marxismo 
– quer dizer, de fato, a interpretação dominante tanto na II, quanto 
na III Internacional (principalmente, depois de 1924) – é um dos 
principais traços comuns de sua filosofia dialética e revolucionária, 
humanista e historicista. 
A pesquisa coordenada por (Silva, 2022, p. 90) constatou, 
também, que “autores(as) marxistas (também latino-americanos(as) 
ou de inspiração marxista, têm sido retomados(as) no debate no âm-
bito de Serviço Social. São alguns exemplos pontuais: Lenin, Rosa 
Luxemburgo, Mandel, Mészáros, Mariátegui, a diversa tradição cas-
trista e guevarista, os representantes da teoria da dependência (Ruy 
Mauro Marini, Theotonio do Santos, Vania Bambirra e André Gun-
der Frank), Florestan Fernandes, Caio Prado Jr., Claudio Katz, Enri-
que Dussel, Clóvis Moura, Octávio Ianni, Carlos Nelson Coutinho, 
José Paulo Netto, Marilda Iamamoto1” (Silva, 2022, p. 90).
No Serviço Social brasileiro, no âmbito da tradição marxista 
dos Fundamentos, vamos destacar a contribuição de Gramsci e a de 
Lukács².
Antônio Gramsci (1831-1937) é essencialmente um pensador 
político, marxista e, sem dúvida, a instigante obra de Gramsci vem 
permeando análise do Serviço Social brasileiro em suas abordagens 
sobre o mundo da Cultura, da Política, da Hegemonia, da Subalter-
nidade e das Relações entre o Estado e a Sociedade Civil, Intelec-
tuais Orgânicos, coerção e consenso, entre outras dimensões deste 
pensamento
Para Simionatto e Negri, (2017) no âmbito do Serviço Social 
“categorias gramscianas como Estado, sociedade civil, hegemonia, 
transformismo, classes subalternas, ideologia, filosofia da práxis e 
cultura, dentre outras, são abordadas tanto do ponto de vistateórico 
quanto como suporte para análises relativas aos processos macros-
sociais, ao cenário conjuntural brasileiro dos anos 90 aos 2000, às 
políticas sociais e ao fazer profissional”. 
“No processo de estudo e apropriação da obra gramsciana, 
o Serviço Social brasileiro vem recorrendo aos originais, espe-
1 Igualmente importante destacar que tradições teóricas não marxistas latino-americanas 
também reivindicam parte de estes autores em suas abordagens. 
2 Observação: Parte do texto sobre Gramsci e Lukács foi extraída de Yazbek (2018, p. 69-73).
- 146 -
cialmente, aos Cadernos do Cárcere e Escritos Políticos. Entre as 
concepções gramscianas apropriadas pelo Serviço Social, destaca-
mos o conceito de Estado integral ou ampliado (Gramsci, 2002, p. 
19) abordado como “o resultado das relações orgânicas entre [...] 
sociedade política e ‘sociedade civil’”, articuladas, que operam a 
coerção e o consenso, entre as classes sociais. O Estado – “educa o 
consenso” através dos “aparelhos privados de hegemonia” (escolas, 
museus, igrejas, partidos etc.) – mecanismos fortalecedores da frag-
mentação social das classes subalternas. No âmbito da sociedade 
civil, a classe dominante, através do uso do poder por meios não 
violentos contribui para reforçar o conformismo, apostando na de-
sestruturação das lutas das classes subalternas, reduzindo-as a lutas 
por interesses meramente econômico-corporativos.
A categoria subalterno, por “sua expressividade e por dar conta 
de um conjunto diversificado e contraditório de situações de domina-
ção” (Yazbek, 2016, p. 30), é uma categoria política empregada nos 
escritos gramscianos para dar conta de classes e grupos que apresen-
tam a “desagregação” como uma de suas principais características.
Subalternidade diz respeito à “ausência de poder de mando, 
de poder de decisão, de poder de criação e direção” (Almeida, 1990, 
p. 35). A subalternidade faz parte do mundo dos dominados, dos 
submetidos à exploração e à exclusão social, econômica e política” 
(Yazbek, 2016, p. 30).
A teoria do Estado ampliado, a distinção entre sociedade civil 
e sociedade política se constitui no ponto de partida para a com-
preensão da categoria da hegemonia entendida enquanto direção 
intelectual e moral, obtida no campo das ideias e da cultura, rela-
cionando-se dialeticamente com as demais categorias, conceitos e 
estratégias revolucionárias. 
A ideologia articulada com a filosofia, a religião, o senso co-
mum, o folclore e a linguagem, que expressam concepções de mun-
do e remetem a relevância dos intelectuais (orgânicos ou tradicio-
nais) enquanto categorias que compõem o pensamento de Gramsci. 
A cultura adquire centralidade no pensamento de Gramsci para a 
construção da vontade coletiva, pois através da filosofia da práxis 
pode ser entendida de forma crítica, se constitui no coroamento da 
reforma intelectual e moral. 
- 147 -
Outro autor que vem se destacando como referência no 
Serviço Social, no âmbito da tradição marxista, é György Lukács 
(1885–1971), nascido em Budapeste, filósofo, professor e teórico 
de literatura e de estética, tendo atuado intensamente, em atividades 
políticas e culturais, publicando muitos ensaios literários e filosó-
ficos Em sua obra, vastíssima, que pode ser classificada em vários 
períodos, do pré-marximo às diversas elaborações marxistas, aborda 
um amplo conjunto de temas, indo da estética e da crítica literária 
à filosofia, à sociologia e à política. Considerado uma das figuras 
principais do marxismo ocidental, defendeu constantemente o pen-
samento dialético contra várias formas de irracionalismo, de mate-
rialismo mecanicista e de dogmatismo. 
Com sua obra “História e Consciência de Classe” (1923), Lu-
kács inicia a proposta que passou a ser conhecida como marxismo 
ocidental. Livro que aborda a relação do marxismo com a sociolo-
gia, a política e a filosofia, destacando a teoria marxista da alienação. 
Para o Serviço Social, cabe destacar duas grandes sínteses de 
sua produção: A natureza específica da estética (1963) e Para uma 
ontologia do ser social (1971), sendo que é na Ontologia, uma sín-
tese sistemática do seu pensamento, que Lukács demonstrará que 
a práxis humana é um complexo de complexos, no qual o trabalho 
articula a relação homem natureza, sendo que o fundamento “é o 
reconhecimento da objetividade do mundo exterior, isto é, da exis-
tência independente da consciência. Este fato básico da relação entre 
consciência e ser, vale obviamente, também, para a apreensão artís-
tica da realidade (Lukács, 1970) Para ele, o que distingue o ser social 
das esferas naturais é que a objetividade do ser social é fundada por 
atos teleológicos humanos, uma categoria existente somente no ser 
social. Conforme Lukács, entre a natureza e o ser social se interpõe 
um salto ontológico, e o mundo dos homens passa a constituir-se 
numa nova esfera do ser. Para ele, “todo salto implica numa mudan-
ça qualitativa e estrutural do ser, na qual as fases iniciais contêm, 
certamente, em si determinadas premissas e possibilidades das fases 
sucessivas e superiores, pois a essência do salto é constituída por 
esta ruptura com a continuidade normal do desenvolvimento do ser 
e não pelo nascimento repentino ou gradual no tempo da nova forma 
de ser” (Lukács, 1981, p. 17-18. Tradução de Ivo Tonet).
- 148 -
Cabe destacar que, para Lukács, o trabalho é a mediação fun-
damental no salto ontológico para a constituição do mundo dos ho-
mens, embora outras posições teleológicas, igualmente importantes, 
sejam observadas no interior do ser social, dando lugar a processos 
reprodutivos fundamentais à elevação do homem a ser humano ge-
nérico (Costa, 1999, p. 14). Assim, o trabalho é momento decisivo 
para a reprodução do ser social, mas o trabalho existe, de fato, no 
interior de uma sociabilidade, numa relação recíproca com outras 
categorias do ser social como: a fala, a cooperação, a divisão do 
trabalho, a ideologia, integrando a totalidade de este ser como com-
plexo de complexos, mas não numa sucessão temporal, e sim quanto 
à sua essência, simultaneamente. 
Para Lukács, o trabalho realiza a síntese entre teleologia e cau-
salidade, é modelo de práxis social, é atividade humana singular que 
medeia a troca orgânica do homem com a natureza, transformando 
objetos materiais em objetos sociais. Por meio deste ato singular o 
homem realiza a síntese entre prévia ideação (teleologia) e realida-
de natural (causalidade) dando origem a uma causalidade posta (ser 
social). A Causalidade é categoria da natureza. Ao se apropriar das 
qualidades intrínsecas da natureza e reordená-las num novo modo 
de ser provoca profundas transformações na própria natureza e fun-
da uma nova esfera ontológica, o ser social. 
Os objetos criados pelo homem caracterizam-se, enquanto 
causalidade que são por si, como “princípio de automovimento que 
repousa sobre si mesmo”. Por isto, caracterizam-se como uma “se-
gunda natureza” (Costa, 1999). Somente o trabalho tem, como sua 
essência ontológica, um claro caráter intermediário: ele é, essencial-
mente, uma inter-relação entre homem (sociedade) e natureza, tanto 
inorgânica (utensílios, matéria) como orgânica. 
Estas posições de Lukács evidenciam que o ser social é com-
posto por posições teleológicas de gênero diverso: posições teleo-
lógicas primárias concernentes ao trabalho em sentido restrito (atos 
para transformar a natureza) e posições teleológicas secundárias: 
voltadas à indução de pessoas para a realização de posições teleo-
lógicas concretas (quando o trabalho se torna social e depende da 
cooperação de mais pessoas). Deste modo, o objeto desta finalidade 
secundária já não é um elemento da natureza, mas a consciência de 
- 149 -
um grupo humano; a posição do fim já não visa transformar direta-
mente um objeto natural, mas fazer surgir uma posição teleológica, 
que tenha como objetivo intervenções não imediatas sobre objetos 
naturais. Portanto, esferas ideológicas, tipo o direito, não nascem 
para responderàs necessidades de reprodução da vida material [...], 
mas mediar as relações entre os homens visando atender às necessi-
dades da totalidade social (Costa, 1999, p. 43-50).
É a partir dessa abordagem que Costa (1999) e Lessa (2007) 
estabelecem uma interlocução com Iamamoto, que afirma ser o 
Serviço Social uma especialização do trabalho, “uma profissão 
particular inscrita na divisão social e técnica do trabalho coletivo da 
sociedade” [...] e “a atuação do assistente social uma manifestação 
de seu trabalho, inscrito no âmbito da produção e reprodução da vida 
social” (2011, p. 77).
Para Lessa e Costa, o fato de uma profissão constituir-se em 
especialização originada na divisão do trabalho, não implica a sua 
caracterização como trabalho. Para os autores, o serviço social deri-
va da divisão sócio-técnica do trabalho, mas não realiza processo de 
trabalho porque não objetiva transformação da natureza, sendo as-
sim uma atividade teleologicamente secundária, um complexo que 
se movimenta no âmbito da Ideologia. 
3. Tendencias emergentes: tradição marxista, novas polêmicas 
e apropriações
Para problematizar tendências emergentes e polêmicas apro-
priações do pensamento marxiano e da tradição marxista, o ponto de 
partida é lembrar que no método marxiano “não se trata apenas de 
conhecer, de repetir os pensamentos que são estudados, as contribui-
ções da dialética que foram discutidas. Se trata de aperfeiçoar este 
conhecimento e fazer o possível para repensar os problemas, ten-
do em conta a possibilidade de desenvolver alguma reflexão nova” 
(Ianni, 2011, p. 397).
Partindo da posição de que a Teoria Social de Marx permite 
a apreensão do real na realidade contraditória em que ele se inse-
re e, conforme Ianni (2011, p. 397), “não há dúvida que as cate-
gorias precisam ser recriadas [...] há categorias que encontram 
- 150 -
uma ressonância muito grande numa outra realidade. E outras 
que encontram uma ressonância muito precária” (Ianni, 2011, p. 
412). Não é uma realidade deslocada do pensamento, é o pensamen-
to e a realidade articulados num todo que é a categoria. Categoria 
esta que é precisamente histórica no sentido de que ela guarda um 
compromisso com a realidade sobre a qual refletiu. Ela não é uma 
explicação universal que transcende as sociedades e as épocas e os 
períodos. Não, ela é uma explicação que guarda muito a historici-
dade daquele momento, daquela configuração (Ianni, 2011, p. 409).
Assim sendo, o marxismo e a tradição marxista com suas di-
ferentes perspectivas conceituais, que historicamente vem se cons-
truindo no diálogo com o seu tempo, além de reiterar a força do 
pensamento marxiano e da tradição marxista, vêm nos colocando 
novas questões.
Entre estas perspectivas heterogêneas, trabalhadas por um 
amplo espectro de abordagens, onde estão presentes orientações 
marxistas classistas, encontramos “pautas antirracistas, feministas, 
contra qualquer tipo de discriminação, contra a destruição ambien-
tal, em defesa dos povos originários, da cultura e da produção teóri-
co-prática latino-americanas [...] (Silva, 2022, p. 87).
É nesta perspectiva de problematização, que nos deparamos 
com elementos fundamentais da Teoria da Reprodução Social (TRS) 
ou Teoria Unitária, no âmbito de um feminismo marxista contempo-
râneo. “Ele começa pela definição do que é a Reprodução Social no 
capitalismo e segue para os debates sobre as relações entre produ-
ção e reprodução, o papel que a família desempenha, como pensar 
a sexualidade e os direitos reprodutivos e como os processos de es-
poliação neoliberal podem ser lidos com base na reprodução social” 
(Arruzza e Battacharya, 2023, p. 619).
A partir da problematização dos processos de reprodução so-
cial da classe trabalhadora e da consideração da força de trabalho 
como uma mercadoria especial, Lise Vogel (2022), uma das autoras 
deste pensamento, vai indagar sobre a natureza dos processos so-
ciais pelos quais se reproduz a força de trabalho. Para ela, estes são 
processos biológicos e geracionais para a renovação, regeneração 
e manutenção da reprodução social da força de trabalho, fora do 
circuito da produção de mercadorias, ou seja, na unidade doméstica. 
- 151 -
Ao indagar acerca dos processos de reprodução social da 
vida, a TRS reivindica uma “perspectiva de totalidade, que consi-
dera a unidade entre produção e reprodução e que compreende as 
dimensões de classe, raça, gênero e sexualidade como uma unidade 
dialeticamente indissociável. Esta forma de apreensão da relação 
produção/reprodução proposta pela TRS contribui para avançarmos 
na compreensão de quem é a classe trabalhadora hoje e, consequen-
temente, para evidenciar que a luta de classes não diz respeito ape-
nas ao campo da produção [...], mas, ao mesmo tempo e de forma 
integrada, também ao campo da reprodução social, espaço onde a 
mercadoria força de trabalho é produzida, a fim de garantir a repro-
dução ampliada do capital” (Ferreira e Blanco, 2022, p. 12). 
Afinal, “o coração do capitalismo continua sendo a extração 
da mais-valia, mas esta extração não pode ser realizada sem que 
haja, primeiro, um trabalho de reprodução social que permita que 
os(as) trabalhadores(as) trabalhem” (Arruzza e Battacharya, 2023, 
p. 627).
Estas e outras questões que se colocam a partir da TRS são 
polêmicas e inquietantes e se complexificam no âmbito de análises 
de sistemas de exploração-opressão que se interconectam, intersec-
cionam e se consubstanciam expressando análises de sistemas inte-
grados/separados: o capitalismo, o racismo e o patriarcado.
Considerações finais 
Diversas perspectivas no âmbito da tradição marxista têm se 
colocado no âmbito dos fundamentos conceituais para o Serviço So-
cial, permitindo conhecer as possibilidades da profissão na divisão 
social e técnica do trabalho, a crítica ao conservadorismo, “desven-
dando as expressões da questão social em tempos de ‘capital feti-
che’, deslindando as engrenagens do sistema capitalista e do Estado, 
suas contradições na geração da riqueza e da pobreza, a movimenta-
ção e a correlação de forças entre as classes sociais na afirmação de 
direitos e participação política, sem prescindir do apropriado instru-
mental técnico-operativo” (Simionatto, 2018, p. 99).
Cabe ainda observar que a análise do processo de apropria-
ção, por parte da profissão destas matrizes explicativas acerca da 
- 152 -
realidade em seu movimento histórico e de construção de seus ca-
minhos explicativos e interventivos, acompanha as transformações 
sociais que vêm particularizando o desenvolvimento do capitalismo 
em nossa sociedade e do pensamento social que o justifica. Processo 
que não é simples nem linear, nem mesmo no âmbito de uma matriz, 
mas permeado por diversas clivagens, tensões, elementos políticos, 
culturais e confrontos internos.
Como sabemos, estas perspectivas têm impulsionado o modo 
de entender o Serviço Social como profissão na sociedade capitalis-
ta, seu assalariamento e ocupação de um espaço na divisão social 
e técnica do trabalho, bem como a estruturação de seu mercado de 
trabalho particular é resultante de relações sociais, históricas, eco-
nômicas, políticas e culturais que moldam sua necessidade social e 
definem os seus usuários.
 Neste caminho, o assistente social desenvolve seu trabalho 
profissional em situações sociais que afetam as condições de vida 
da população com a qual trabalha, objetivando atender suas necessi-
dades e assegurar seus direitos sob múltiplos aspectos. As políticas 
sociais são a mediação fundamental para este exercício e o trabalho 
do assistente social pode produzir resultados concretos nas condi-
ções materiais, sociais, políticas e culturais da vida desta população, 
em seu acesso e usufruto de políticas sociais, programas, serviços, 
recursos e bens, em seus comportamentos, valores, seu modo de vi-
ver e de pensar, suas formas de luta e organização, suas práticas 
políticas de resistência. 
Referências
ARREGUI, C. C.; FERREIRA, C. C. O.; LIMA, V. F.o Seminário buscou adensar as discus-
sões em torno das diferentes perspectivas conceituais da tradição 
marxista presentes no debate dos Fundamentos do Serviço Social 
brasileiro, de modo a dimensionar os desafios que ainda enfrenta-
mos nesta apreensão consolidada ainda nos idos dos anos 90.
O livro que ora se apresenta é uma compilação das contri-
buições resultantes deste imprescindível evento. Sua principal mo-
tivação é a avidez de documentar e disseminar os saberes gerados 
durante as atividades que o compuseram, oferecendo um recurso va-
lioso para discentes, docentes e profissionais da área e demais áreas 
interessadas na produção do Serviço Social.
1 O acesso ao conteúdo do Seminário Nacional pode ser feito, na íntegra, na página da 
ABEPSS e conta com quatro vídeos, a saber: Abertura do 1º Seminário Nacional - Fundamen-
tos do Serviço Social; Mesa 1: O debate dos fundamentos do Serviço Social (Conferencista 
Maria Rosângela Batistoni); Mesa 2: Teoria Social de Marx e Tendências Contemporâneas 
no Serviço Social (Conferencista Maria Carmelita Yazbek); e Mesa 3: Tendências das Linhas 
de Pesquisa e das Investigações das Áreas de Concentração sobre Fundamentos, Formação e 
Trabalho Profissional do Serviço Social. Os vídeos estão disponíveis após o registro da notícia 
do evento, por meio do link: .
- 19 -
Além disso, a publicação busca promover a reflexão crítica 
sobre os Fundamentos do Serviço Social, para apreender as nuances 
que particularizam as realidades profissionais. O livro não é apenas 
um registro histórico, mas também uma proposta de diálogo contí-
nuo, que estimula a reflexão sobre o quanto ainda precisamos deba-
ter sobre a temática que se configura força motriz da análise sobre 
a profissão.
Na construção do II Encontro Internacional e II Seminário Na-
cional a composição das conferências e mesas de debates contaram 
com uma articulação sobre os seus conteúdos. O objetivo do evento 
foi adensar o debate da perspectiva crítica no Serviço Social, em âm-
bito nacional e internacional, de modo a apreender os eixos político-
-conceituais que assentam a concepção de profissão e o projeto de 
formação profissional no Brasil e nos demais países participantes.
Na sua estrutura, as conferências realizadas no II Encontro 
Internacional foram distribuídas em dois blocos, a saber: “O Serviço 
Social no mundo: a discussão sobre a profissão na Inglaterra, An-
gola, Austrália, Espanha e Hong Kong” e “A formação profissional 
em Serviço Social no Brasil, Colômbia e Argentina” e tiveram as 
seguintes ementas, respectivamente:
A concepção de profissão hegemônica na Inglaterra, Angola, 
Austrália, Espanha e Hong Kong e o diálogo com as tendências crí-
ticas no Serviço Social desses países, tendo como eixo articulador a 
identificação dos projetos hegemônicos existentes em distintas reali-
dades, bem como as alternativas postas às concepções hegemônicas.
A formação profissional em Serviço Social na América Latina 
e seus principais eixos estruturantes, tendo como base a análise das 
políticas de educação.
No que tange ao II Seminário Nacional, as mesas de debates 
foram estruturadas em dois momentos: “Tendências e atualização do 
debate dos fundamentos” e “Mapeamento sobre o debate dos funda-
mentos, formação e trabalho profissional no Serviço Social” com as 
seguintes ementas, respectivamente:
As diferentes perspectivas conceituais da tradição marxista 
presentes no debate dos Fundamentos do Serviço Social brasileiro.
Os indicadores do mapeamento da produção de conhecimento 
da área acerca dos fundamentos, da formação e do trabalho profis-
- 20 -
sional nas produções do 17º ENPESS e nas teses e dissertações do 
período de 2019 a 2023.
Neste sentido, o livro reúne as contribuições dos palestran-
tes e faz um convite à reflexão e ao diálogo incessante. Ele é um 
recurso importante para todos aqueles que trabalham ou desejam 
intensificar estudos e pesquisas sobre os Fundamentos do Serviço 
Social ao redor do mundo, proporcionando reflexões sólidas para o 
adensamento e construção de uma profissão comprometida com a 
realidade social.
Prefaciado por Hamida Assunção, coordenadora de área da 
área de Serviço Social na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pes-
soal de Nível Superior, do Brasil, e integrante da Coordenação do 
GTP em 2021/2022, o livro apresenta em três seções e de forma 
fidedigna a estrutura do evento. Na primeira parte, denominada 
“Abordagens internacionais no âmbito dos Fundamentos do Ser-
viço Social”, o(a) leitor(a) encontrará debates profícuos de quatro 
continentes: África, Ásia, Europa e Oceania, representados por An-
gola, Hong Kong, Espanha e Austrália, respectivamente; na segun-
da parte, intitulada “Formação Profissional na América Latina”, o 
aprofundamento está assentado nas peculiaridades da formação na 
Argentina, na Colômbia e no Brasil, resguardadas suas simetrias e 
assimetrias; e, por fim, na terceira parte, nomeada “Debate brasileiro 
sobre Fundamentos do Serviço Social”, a ênfase proferida demons-
tra que, ao invés de disputas, os esforços brasileiros estão reunidos 
no adensamento do debate crítico dos Fundamentos do Serviço So-
cial, que não estão ilesos a embates e facetas/peculiaridades/minú-
cias teórico-políticas.
Nos termos aludidos, cabe enfatizar que uma produção como 
esta não se realiza sem as diversas contribuições, nos diferentes mo-
mentos de organização. Faz-se importante registrar aqui os agrade-
cimentos:
1. À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas 
Gerais (FAPEMIG), que por meio do Edital 005/2023, apro-
vou na totalidade os recursos solicitados para a realização do 
II Encontro Internacional de Fundamentos, Formação e Tra-
balho Profissional e II Seminário Nacional de Fundamentos 
do Serviço Social. O compromisso das agências de fomento 
- 21 -
públicas com a realização de eventos, no caso particular do 
Serviço Social brasileiro, é algo a ser louvado e destaca o que 
Netto (1996) e Yazbek (2009) já sinalizaram como maturida-
de intelectual da profissão e que Mota (2013) reforça sobre 
o reconhecimento social do Serviço Social como profissão e 
área de conhecimento;
2. À Comissão Ampliada do “GTP Serviço Social: fundamen-
tos, formação e trabalho profissional”, que aderiu desde o pri-
meiro momento à proposta apresentada pela Coordenação do 
GTP, contribuindo significativamente com a concretização do 
planejamento da gestão “Em Luta seguimos atentas e fortes. 
Luciana Cantalice, presente!”, para o biênio 2023/2024;
3. À Universidade Federal de Juiz de Fora, pelo compromisso 
da gestão superior em apoiar institucionalmente a realização 
de um evento de grande porte – ainda que sob as difíceis con-
dições pelas quais passam as universidades públicas brasi-
leiras, especialmente, após a greve nacional da categoria de 
trabalhadoras e trabalhadores da educação superior –, prin-
cipalmente ao Serviço Social (Graduação e Pós-Graduação) 
que se somou nestes esforços;
4. Por último, mas não menos importante, a todas as pessoas 
que participaram do evento, na composição em mesas ou na 
assistência presencial ou pelo Canal da ABEPSS no YouTube. 
O compromisso do “GTP Serviço Social: fundamentos, for-
mação e trabalho profissional” em adensar a formação de qua-
lidade preconizada pela entidade será sempre para dar sentido 
a um projeto profissional que ousa levar adiante as lutas em 
defesa desta formação.
A jornada que o “GTP Serviço Social: fundamentos, forma-
ção e trabalho profissional” traça desde a sua instituição na ABEPSS 
é longa e frutífera, e a cada gestão busca aperfeiçoar um processo 
que se entende exitoso, de trabalho coletivo, numa caminhada que 
segue a reforçar os diálogos necessários para dar andamento à de-
fesa da pesquisa na profissão, desde a formação acadêmica, e sua 
articulação no Brasil e com outros países.
Ao ler estas páginas, esperamos que você sinta-se inspira-
do(a)S. A.; TRIPIA-
NI, J.; VECINDAY, L. Contextualização socioeconômica e Política 
da América Latina e caribe no atual estágio de desenvolvimento do 
Capitalismo. Relatório de Pesquisa: Programas de Transferência 
Monetária Focalizados e de Renda Básica Universal no Contexto 
da Pandemia e da Pós-Pandemia da Covid-19: acompanhamento e 
análise da realidade na América Latina e Caribe. 2024.
ARRUZZA, C.; BATTACHARYA, T. Teoria da Reprodução Social: 
- 153 -
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YAZBEK, M. C. 2024. Prefácio do livro Serviço Social Crítico: 
Teoria e Prática. Uma análise dos Fundamentos do Serviço Social 
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são. GUERRA, Y.; MONTAÑO, C. (Orgs.). No prelo.
YAZBEK, M. C. 2024. Prefácio do livro Capitalismo e Trabalho 
em tempos de Indústria 4.0: Consequências sociais, econômicas e 
políticas. No prelo.
YAZBEK, M. C. Os fundamentos do serviço social e o enfrentamen-
to ao conservadorismo. Revista Libertas, v. 20, n. 2, p. 293-306. 
Juiz de Fora, jul./dez. 2020. ISSN 1980-8518. 
- 155 -
CAPÍTULO 9
FUNDAMENTOS, AFINAL DO QUE 
SE TRATA? 
elementos para a formulação de uma 
concepção sobre 
fundamentos na perspectiva crítica
 Yolanda Guerra
Introdução
Falar de fundamentos é falar da vida nas suas dimensões: na-
tural, social, econômica, cultural, política, ética e estética, que se 
consubstanciam em determinados modos de produção históricos e 
transitórios, dos quais emanam determinado padrão de sociabilida-
de. No caso da ordem burguesa na etapa atual, significa buscar des-
velar os processos que produzem e reproduzem a crise ambiental, a 
crise climática, as crises econômicas e suas particulares formas de 
produzir e reproduzir mais-valor, significa entender as crises inter-
nacionais como as guerras étnico-raciais e religiosas, os processos 
de colonização, o extermínio de povos originários, negros e negras, 
populações de rua e pauperizados, significa buscar elementos que 
explicam a crise civilizatória que mostra a inviabilidade do sistema 
do capital que esgotou toadas as suas possibilidades. Mas, para falar 
dos fundamentos do Serviço Social teríamos que partir destas deter-
minações amplas e universais até chegarmos às determinações mais 
simples, mas não menos importantes, que explicam a existência e 
a funcionalidade da profissão no capitalismo, suas particulares ex-
pressões na atualidade e seu modo de ser em meio a tantas crises e, 
assim, tomarmos o Serviço Social e o debate dos seus fundamentos 
como objeto. A partir daí, teríamos que fazer o caminho de volta, 
agora sim, tendo a profissão como totalidade histórica, atendendo 
às necessidades do capital e do trabalho, tendo os seus fundamentos 
como síntese de múltiplas determinações: como unidade de diversi-
- 156 -
dade. Então, há que se considerar que todas estas determinações e 
este movimento do método para a apreensão do real estão presentes 
nesta análise.
Tem sido consenso na categoria profissional que o debate dos 
fundamentos da profissão está no cerne das disputas por um projeto 
de profissão e dos projetos de formação profissional, uma vez que ele 
põe à luz as diferentes concepções de Serviço Social: sobre sua nature-
za, sobre sua gênese, sobre seu significado sócio-histórico, sobre suas 
competências, sobre o padrão de resposta que qualifica seu desempenho 
profissional, sobre os perfis de profissionais e o que os diferenciam1. 
É esta, dentre outras, as razões pelas quais devemos nos 
dedicar a nos aproximarmos, cada vez mais, dos supostos teórico-fi-
losóficos (e sociológicos) que subjazem às concepções sobre funda-
mentos presentes no debate brasileiro. 
Em outros textos, buscamos realizar aproximações a tais pres-
supostos. Destacamos, por exemplo, o texto de 19972, quando de-
fendemos que “os fundamentos da ontologia do ser social que se 
constitui pelo trabalho coloca-se como uma referência necessária, 
pertinente e relevante para o Serviço Social” (Guerra, 1997) ou, em 
outros termos, afirmamos e argumentamos sobre a “ontologia do 
ser social como fundamento para a formação profissional de as-
sistentes sociais” (Idem). 
Com esta mesma intencionalidade, sete anos depois, o texto 
de 2004: “A força histórico-ontológica e crítico-analítica dos funda-
mentos” enfatiza o legado marxiano na compreensão dos fundamen-
tos do Serviço Social brasileiro, uma vez que ele possibilita a busca 
das bases ontológicas da sua fundação como profissão na divisão so-
cial e técnica do trabalho e engendra avanços na direção de entender 
seus fundamentos. Neste artigo, consideramos o legado marxiano 
e da tradição marxista como a chave que permite entender o 
Serviço Social a partir dos fundamentos da sociedade burgue-
sa madura. Esta concepção se apoia numa determinada concepção 
1 Mencionamos aqui, a título de exemplo, alguns deles: o perfil endogenista vinculado às 
práticas de ajuda, caritativas, tutelares; o perfil psicossocial expresso nas práticas clínicas e 
terapêuticas que se autodenominam (equivocadamente) de Serviço Social Clínico; o perfil 
sociotécnico (modernizante) forjado pelas políticas sociais; o perfil intelectual que conhece a 
realidade social e está consciente das suas competências e compromissos, reconstituindo as 
requisições institucionais, fundamentado no projeto ético-político profissional crítico.
2 Referimo-nos ao artigo “A ontologia do ser social: bases para a formação profissional”, 
publicado na Revista Serviço Social & Sociedade, n. 54, em 1997.
- 157 -
de história social e de profissão,e de seus elementos constitutivos 
como que entretecidos pelas mediações históricas de onde é possível 
apreender sua substância, ou seja, o que continua a viger (a exemplo 
das perspectivas caritativa e filantrópica e da concepção de prática 
de ajuda), apesar das significativas transformações operadas na e 
pela profissão. Foi e é este legado que nos permite captar as forças 
disruptivas que se encontram no movimento real e avaliar, de manei-
ra mais correta possível, os avanços alcançados por esta profissão, 
na direção de construir sua perspectiva crítica. 
No ano de 2018, nova tentativa de aproximação de uma concep-
ção sobre os fundamentos, que culmina no texto que aborda os avanços 
e lacunas da formação profissional com base no legado marxiano e os 
desafios a serem enfrentados, tais como o teoricismo, uma concepção 
cronológica de história e o metodologismo (Guerra, 2018)3, tendências 
presentes na profissão que vão determinando perfis profissionais: teori-
cista, tecnicista, pragmatista, militantista, dentre outros. 
Em 2020, apresentamos outro texto versando sobre as fun-
damentações teórico-filosóficas (e sociológicas) que orientam a re-
lação entre profissão e realidade4, quando elaboramos uma crítica 
“ontológica” às filosofias e aos seus fundamentos. Creio que nele 
pudemos avaliar mais cuidadosamente os limites daqueles funda-
mentos agnósticos, que não se propõem a apreender ontologicamen-
te a realidade social, que desconfiam da distinção entre a aparência 
e a essência, presentes na perspectiva racionalista formal-abstrata 
e no irracionalismo5, as quais, como parte do pensamento conser-
vador/restaurador, reverberam nas diversas dimensões da profissão 
(do trabalho, da formação, da produção de conhecimento, nas suas 
entidades representativas). 
Nesta direção, acrescentamos que, além da necessidade ina-
diável de distinguir as diversas perspectivas conceituais que estão 
3 Trata-se do capítulo intitulado “Consolidar avanços, superar limites e enfrentar desafios: os 
fundamentos de uma formação profissional crítica”, publicado na Coletânea Serviço Social e 
seus fundamentos: conhecimento e crítica. 
4 Fazemos alusão ao ensaio “Elementos para uma crítica ontológica das “filosofias” e de seus 
fundamentos”, publicado na Coletânea Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social no ano 
de 2020. 
5 Contudo, cabe observar que venho colocando a racionalidade formal-abstrata e os irra-
cionalismos e suas derivações como objeto de crítica desde 1994, com minha dissertação de 
mestrado intitulada “Descobrir o cerne racional dentro do invólucro místico - condições e pos-
sibilidades da instrumentalidade do Serviço Social”, defendida na PUC-SP em junho de 1994. 
- 158 -
presentes no debate dos fundamentos, a crítica aos fundamentos 
conservadores e reacionários que subjazem às interpretações da 
profissão é procedimento necessário e impostergável, ainda que não 
seja o objetivo deste ensaio.
Este percurso de quase 30 anos que, certamente, não foi indi-
vidual, posto que é resultado do amadurecimento da pesquisa e da 
produção científica da área e da nossa interlocução com elas, culmi-
na em uma tentativa de exprimir qual a concepção de fundamentos 
que, a nosso ver, explica e embasa a profissão de maneira mais con-
sistente. 
O objetivo deste ensaio é expor uma determinada tendência 
de considerar os fundamentos para a profissão e argumentar em 
torno da obra de Marx como aquela que fornece os fundamentos 
para desvelar as formas de ser, pensar e intervir na realidade social. 
Mas, mais ainda, os fundamentos teórico-filosóficos de Marx (e sua 
ontologia do ser social) são aqui considerados a tendência que nos 
permite apreender os fundamentos histórico-ontológicos da profis-
são e as particularidades do trabalho profissional (Guerra, 1997). 
Defendemos que Marx funda um novo padrão de cientificidade, 
assim como nos ensina Lukács, absolutamente genuíno, posto que 
contempla a unidade teoria/prática, de onde emana sua inexorável 
dimensão revolucionária. Em Marx (2006), o conhecimento é uma 
arma: a arma da crítica, que se realiza quando a teoria se converte 
em força material e se apossa das massas, tendo a classe trabalhado-
ra como a única capaz de se reconhecer como sujeito histórico com 
possibilidades de reverter a sua condição de objeto nesta sociedade. 
Nesta perspectiva, a percepção da nossa condição de classe traba-
lhadora é necessária para a correta apreensão das possibilidades e 
limites deste trabalho assalariado/alienado, que se realiza, no mais 
das vezes, no âmbito dos serviços e das políticas sociais, o que pode 
vir a obnubilar a nossa condição de classe em si e de esgarçar nossa 
identidade de classe para si. 
O ensaio se divide em três partes, as duas primeiras, já men-
cionadas, nos levam a argumentar a hipótese da necessidade do ri-
goroso domínio do método materialista histórico-dialético para dar-
mos o necessário tratamento à tridimensionalidade dos conteúdos 
dos núcleos de fundamentação das Diretrizes Curriculares, já que 
- 159 -
eles partem das generalizações mais amplas e abstratas, com vistas a 
alcançar os fundamentos do trabalho profissional. 
1. Explicitando uma concepção de fundamentos 
 Estamos considerando fundamentos, a partir do seu sentido 
etimológico, como a base, o alicerce, os princípios que regem rea-
lidade e profissão, tanto o que funda quanto sua lógica constituti-
va; mas, também: as explicações, os argumentos de interpretação, a 
justificativa de existência de ambas. Nesta concepção, fundamentos 
do Serviço Social são os supostos histórico-ontológicos, teórico-fi-
losóficos, ideopolíticos e operativos, tanto constitutivos quanto ex-
plicativos, da profissão, que só podem ser captados no movimento 
da realidade e à luz de determinações que o particularizam na forma-
ção social, econômica, política e cultural brasileira. Os fundamentos 
do Serviço Social referem-se à sua gênese, seu modo de ser, de se 
constituir, suas representações e seus modus operandi, sua cultura, e 
orientam a profissão na realização de suas atribuições e competências.
Nesta perspectiva de entender fundamentos, destacam-se os 
histórico-ontológicos que, como modos de ser e de se constituir da 
realidade social e da profissão, têm prioridade em relação àqueles 
que buscam explicá-las.
Partindo dos pressupostos marxianos e das contribuições lu-
kácsianas, podemos considerar que os fundamentos histórico-onto-
lógicos tanto são constitutivos quanto explicitam a lógica pró-
pria dos modos de ser da realidade e da profissão, de forma a 
nos permitirem interpretar o Serviço Social na malha das relações 
sociais da sociedade burguesa, nas diversas etapas do seu desenvol-
vimento. Em outras palavras, os fundamentos histórico-ontológicos 
da profissão são engendrados pelos modos de produzir e se repro-
duzir do ser social burguês, e, portanto, na práxis social e histórica, 
sendo o trabalho, o seu fundamento ontológico. O trabalho, tanto 
no seu aspecto universal: como modo de ser do ser social se pro-
duzir e se reproduzir material e espiritualmente – quanto nas suas 
particularidades na sociedade capitalista: como trabalho assalaria-
do, alienado, explorado, – é o modelo da práxis e este é o conjunto 
das formas de objetivação humana, pelas quais criamos a realidade 
- 160 -
social constituída de relações sociais. Assim, trabalho e práxis são 
as bases, as pilastras sobre as quais o Serviço Social se constitui e 
explicam a sua existência como ramo de especialização da divisão 
social, técnica, sexual e racial do trabalho na sociedade burguesa 
na sua etapa monopolista. A partir destes supostos, a profissão é 
apreendida como produto histórico, resultante do confronto entre 
relações sociais que portam interesses antagônicos6.
É preciso ratificar que há fundamentos de diferentes naturezas.
Os fundamentos histórico-ontológicos constituem e são cons-
titutivos dos nexos ontológicos que compõem a realidade social 
como uma totalidade complexa. Neste sentido,eles expressam as 
mediações entre a estrutura do modo de produção capitalista, as par-
ticularidades brasileiras e as necessidades históricas que colocam as 
bases de existência da profissão e de seu processo de institucionali-
zação. Tais fundamentos consubstanciam os modos de ser, de existir 
e de se transformar da realidade e da profissão.7
Considerando que a realidade é produto da práxis de homens 
e mulheres, podemos afirmar a prioridade ontológica da realidade 
sobre o conhecimento, da prática sobre a teoria, dos fundamentos 
histórico-ontológicos sobre os teórico-filosóficos. 
Nem por isto os fundamentos teórico-filosóficos são menos 
importantes. Estes são a base de fundamentação sobre a realidade 
e sobre a profissão. Eles têm como objeto os fenômenos e práticas 
sociais e se constituem em modos de explicar a realidade social, 
buscam a apreensão da sua base material, da sua lógica constitutiva 
e, nesta base, a profissão. Na clássica formulação de Marx, explici-
tada por Netto, (1986), eles são a expressão mental do objeto real, 
mas não o fazem de maneira aleatória, senão pela via de buscar os 
6 Um fundamento teórico-filosófico da profissão é como o debate da profissão interpreta a 
chamada “questão social”. Entender a questão social como uma dinâmica na qual se enfren-
tam capital-trabalho, que produz sequelas na vida da classe trabalhadora antagonismo,s que 
exigem que a classe trabalhadora se manifeste enquanto tal foi um salto significativo. Mas, 
para garantir este avanço é preciso considerar a questão social a partir das categorias onto-
lógicas: modo de produção (estrutura) e relações de produção (dinâmica) e formação social 
(historicidade) nas suas particularidades política, econômica e cultural. Neste caso, a questão 
social é apreendida a partir dos fundamentos e não como objeto de intervenção.
7 Nesta acepção de fundamentos, podemos considerar que as relações patriarcais e étnico-
-raciais como fundamentos para a profissão, donde a necessidade de apanharmos seus signi-
ficados sócio-históricos, sua funcionalidade ao padrão de dominação burguesa hegemônico, 
uma vez que tais relações explicam o patriarcalismo e o racismo historicamente presentes nas 
relações sociais em geral e nas particularidades da sociedade brasileira.
- 161 -
fatores predominantes na/da própria realidade social e profissão ou 
a, chamada por Engels (2015), “determinação em última instância”. 
Os fundamentos teórico-filosóficos devem refletir idealmente a base 
material, o movimento real do objeto, dos processos ou das práticas 
sociais, a qual o método de conhecimento deseja perquirir. 
Diferentes sistemas filosóficos e/ou sociológicos e seus res-
pectivos métodos refletem a realidade com níveis de aproximação 
diferentes. Alguns refletem determinado recorte da realidade e o 
analisam abstraindo o objeto do todo, o isolando definitivamente; 
outras refletem as formas fenomênicas dos objetos, se restringin-
do a elas, o que impõe limites ao conhecimento. Há aquelas que 
concebem que a realidade é produto da apreensão do sujeito que 
lhe imputa determinações. Tais filosofias e/ou sociologias oferecem 
explicações para a profissão, não de maneira direta e/ou imediata, de 
modo que podemos dizer que elas oferecem fundamentos teórico-
-metodológicos diversos para uma dada leitura da profissão. Elas se 
constituem nos fundamentos de explicação/compreensão/interpreta-
ção da realidade, que fornecem as bases de fundamentação para a 
profissão.
Contudo, nem toda fundamentação teórico-filosófica alcan-
ça o conhecimento dos fundamentos constitutivos e explicativos da 
realidade, ou seja, reconhecem os fundamentos histórico-ontológi-
cos. Isto porque nem todas as filosofias e/ou sociologias reconhe-
cem/distinguem as duas dimensões: a do ser e a do pensamento. 
Nem todas consideram que os processos sociais possuem algo além 
do que aquilo que expressam empiricamente, nem todas consideram 
a possibilidade de alcançar seus fundamentos. Somente a perspec-
tiva de totalidade é capaz de reconhecer esta distinção, bem como 
de apreender as contradições, mediações e as dimensões universal, 
singular e particular dos objetos. 
Nesta direção, é a obra de Marx o alicerce, a base, os fun-
damentos teórico-filosóficos de explicação, que apanham a lógica 
constitutiva dos processos e práticas sociais e, pela sua perspectiva 
ontológica e de totalidade8, é a única capaz de apreender os funda-
mentos que estão na base das intervenções profissionais que se con-
8 Em Marx, “é o ponto de vista da totalidade e não a predominância das causas econômicas 
na explicação da história que distingue de forma decisiva o marxismo da ciência burguesa” 
(Lukács, 1989, p. 41).
- 162 -
figuram como trabalho na sociedade burguesa, de modo a permitir 
captar os fundamentos histórico-ontológicos do Serviço Social. Na 
perspectiva de Marx, não há nem pode haver distinção entre o que 
é e o que se apreende dos fenômenos e, embora não havendo coin-
cidência entre a aparência e a essência, o método de conhecimento 
deve buscar apreender a essência de maneira mais fiel e aproximada 
possível, captando o caráter específico, histórico e transitório do modo 
de produção capitalista como a formação social na qual determinadas 
relações sociais de classe colocam a necessidade da profissão.
Consideramos que as bases para os avanços na interpretação 
mais correta da profissão estão em se adotar a concepção materia-
lista dialética de história social em confronto com a história natu-
ral. Esta atribui a homens e mulheres, ainda que não deixem jamais 
a sua natureza animal, a capacidade de se tornarem seres sociais 
pela sua própria ação, através da mediação do trabalho, mediação 
pela qual constroem sua história individual e a social. Nesta con-
cepção, a história é o fundamento, a base na qual se constrói a vida 
material e espiritual, cuja substância permite a constituição da vida 
cotidiana como espaço de reprodução social e individual. A histó-
ria, na concepção dialético-materialista, é fundamento do ser social 
e oferece os fundamentos para a profissão, pelo protagonismo de 
seus agentes que constroem a história sob determinadas condições 
sócio-históricas. Aqui a dialética teleologia e causalidade funda as 
diversas perspectivas ideopolíticas presentes na profissão. Mas, a 
história para Marx é, também, como diz Netto (1989, p. 92), “o pró-
prio constitutivo da reflexão teórica”. Em outras palavras, a história 
é o objeto de análise e de reflexão, de onde surgem os fundamentos 
teórico-filosóficos. 
Os fundamentos teórico-filosóficos, para Marx, reproduzem 
no plano ideal os fundamentos ontológicos do próprio objeto do co-
nhecimento (realidade e profissão), sua estrutura, dinâmica e lógica 
constitutiva. E desta reprodução, resultado de procedimentos de abs-
tração, decorrem os fundamentos teórico-filosóficos que só podem 
nascer da realidade social e a ela retroceder pela via de ações práti-
co-materiais concretas, com direção social pautada em fundamentos 
ideopolíticos.
Os fundamentos ideopolíticos são aqueles aos quais 
subjazem determinadas concepções de homem e mundo, priorizam 
- 163 -
determinados valores e afirmam determinado projeto de sociedade e 
de profissão. Os pores teleológicos dos sujeitos são mobilizados por 
valores e adquirem uma direção determinada. Aqui, a perspectiva de 
Marx nos permite considerar homens e mulheres como seres prático-
sociais críticos, dotados de teleologia, que não apenas compreendem 
como também transformam a realidade numa determinada direção. 
Gostaríamos de enfatizar que estamos considerando que estes 
supostos histórico-ontológicos, teórico-filosóficos, ideopolíticos e 
operativos, que são as pilastras de construção e explicação da rea-
lidade e da profissão, aos quais chamamos de fundamentos, estão 
presentes na própria realidade e são apreendidos por um tipo de ra-
cionalidade, seja a instrumental, a formal-abstrata ou a dialética. 
Também é importante evidenciarmos que estes fundamentosde naturezas diferentes são interdependentes e se complementam. 
Como já mencionamos, para desvelar os fundamentos ontológicos 
necessitamos de fundamentos teórico-filosóficos, mas nem todos os 
fundamentos teórico-filosóficos alcançam os fundamentos ontoló-
gicos. Somente aqueles que são capazes transpor a positividade do 
real ou, como escreve Lukács (1989, p. 29): “é preciso rasgar este 
véu para alcançar o conhecimento histórico (crítico radical - YG)”. 
Aqui, referimo-nos aos supostos da Teoria Social de Marx cujos 
enunciados constituem uma ontologia do ser social do mundo bur-
guês, tendo a economia política como a base da qual se extraem os 
fundamentos de sua interpretação.
2. A ontologia do ser social: fundamentos do trabalho e da for-
mação profissional 
Como dito, os fundamentos teórico-filosóficos de Marx par-
tem de pressupostos reais captados na processualidade histórica, 
sendo este o único conhecimento que para Marx tem estatuto de 
ciência: é a vida determinando a consciência.
Com base nestas considerações, parece-nos que fazer a dis-
tinção (puramente didática) entre os termos fundamentos e funda-
mentação pode dar maior visibilidade à nossa argumentação sobre 
a diferença entre as filosofias e/ou sociologias e a Teoria social de 
Marx. Todas as filosofias/sociologias podem prestar uma fundamen-
- 164 -
tação à realidade e, indiretamente, fornecer explicações à profissão. 
Qualquer uma pode ser objeto de escolha de assistentes sociais, se-
gundo sua visão de homem e mundo e o mirante sob o qual captam 
a realidade. 
Contudo, como já mencionamos, nem todas as perspectivas 
teóricas alcançam os fundamentos da vida social. E não o fazem, 
justamente, por eliminarem as bases concretas das suas análises. A 
“nova” ciência (a sociologia - YG), produto histórico da decadência 
ideológica da burguesia, nasce como uma ciência abstraída de his-
tória e de economia, o que a leva a operar uma cisão, uma fragmen-
tação ou, na letra de Lukács, uma “separação mental daquilo que na 
realidade é ligado” (Lukács, 1968, p. 94) ocultando as contradições 
e abstraindo as mediações. Ora, sem a base material histórica e eco-
nômica nenhum conhecimento pode alcançar seus fundamentos. 
Ao contrário, para Marx, “a história, a sociedade e a eco-
nomia são representadas como um processo unitário indissociável 
(mantendo firmemente a prioridade da base econômica) (Lukács, p. 
94), de modo que nunca é demais ratificar: somente a perspectiva 
da ontologia do ser social inaugurada por Marx é capaz de fun-
dar ontologicamente a análise da realidade e da profissão.
Dizemos isto porque estamos considerando que há em Marx 
um padrão de cientificidade que encontra base na ontologia do ser 
social9, cujo eixo central é a totalidade social, que tanto nos permite 
identificar os fundamentos do ser quanto os fundamentos do conhe-
cimento, mostrando, inclusive, a unidade contraditória que há entre 
eles. 
Esta nova cientificidade contemplada por Marx, como totali-
zação em processo, que “não perde jamais o seu vínculo com a atitu-
de tipicamente ontológica da vida cotidiana” (Lukács, 1992, p. 99); 
porque concebe a unidade teoria-prática, é fundamental na formação 
de assistentes sociais com perfil prático-crítico (Guerra, 2020).
Os supostos de Marx, enquanto enunciados ontológicos, apon-
tam as formas de ser do ser social como fundamento da práxis hu-
mana. Assim, em Marx, “os caminhos do pensamento para o conhe-
cimento são reflexos do processo de desenvolvimento objetivo (no 
caso concreto: da economia)” (Lukács, p. 98). São eles que nos per-
9 Como considera Lukács (2012; 2014), em Marx encontramos a base de uma “nova cientifi-
cidade fundada no ser social”.
- 165 -
mitem considerar os fundamentos do Serviço Social como as particu-
laridades postas pela divisão do trabalho, que colocam a necessidade 
histórica da profissão. As necessidades oriundas do capitalismo em 
determinada fase do seu processo de desenvolvimento, vão proces-
sualmente dando significados históricos à profissão, se constituindo 
em fundamentos para a sua existência, para o seu desenvolvimen-
to, para a sua legitimidade e para a sua revisão crítica. A gênese 
da profissão se vincula com as formas históricas pelas quais o Estado 
e suas instituições orquestram um determinado modo de enfrentar as 
tensões da relação capital-trabalho, as quais não podem mais ser ape-
nas tratadas como “caso de polícia’, mas a estas precisa ser acrescida 
outra forma de tratamento quando interpretada como “questão políti-
ca” (Cerqueira Filho, 1982). Nesta perspectiva, os fundamentos histó-
rico-ontológicos do Serviço Social são as mediações que nos conec-
tam com os modos de ser e de se constituir da sociedade burguesa e 
da formação econômico-social, política e cultural na particularidade 
brasileira e latino-americana. Tais fundamentos explicitam o caráter 
histórico da profissão e a função que ocupa na totalidade das relações 
sociais capitalistas. Neste entendimento, os fundamentos da profissão 
se constituem na processualidade histórica do capitalismo e da socie-
dade brasileira, de modo que a análise destes nos permite revelar os 
fundamentos do Serviço Social. 
Cabe aqui elucidarmos o significado da categoria particulari-
dade, a partir da obra de Lukács (1968, p. 116): 
a expressão “particularidade” pode querer dizer muitas coisas. 
Ela designa tanto o que impressiona, o que salta à vista, o que 
se destaca (em sentido positivo ou negativo), como o que é es-
pecífico; ela é usada, notadamente em filosofia, como sinônimo 
de “determinado” etc.
Captar a particularidade, como categoria ontológica, exige 
entendê-la na sua relação dialética com o singular e com o universal. 
Lukács (1968, p. 112) observa que: 
O movimento do singular ao universal e vice-versa é sempre 
mediatizado pelo particular; é um membro intermediário real, 
tanto na realidade objetiva quanto no pensamento que a reflete de 
um modo aproximativamente adequado. Trata-se, porém, de um 
membro intermediário com características bastante específicas. 
- 166 -
É esta a abordagem da particularidade que permite a Lukács 
considerá-la como um amplo e complexo campo de mediações (Lu-
kács, 1968, p. 113), que se movimentam, se alteram, se superam.
 Se nós considerarmos adequadamente o movimento dialéti-
co do universal ao particular e vice-versa, devemos observar 
que o meio mediador (a particularidade) pode ainda menos 
ser um ponto firme, um membro determinado e, tampouco, dois 
pontos ou dois membros intermediários [...], mas um inteiro cam-
po de mediações, o seu campo concreto e real que, segundo o ob-
jeto ou a finalidade do conhecimento, revela-se maior ou menor. 
A mediação, enquanto campo privilegiado das determinações 
concretas que se estabelecem no real e das articulações entre univer-
salidade e particularidade, é a categoria relacional de caráter proces-
sual. A partir desta concepção, entendemos que é preciso desvelar as 
mediações que conectam a profissão com determinações universais 
e singulares, uma vez que: “na particularidade, na determinação e 
na especificação está contido um elemento de crítica. [...] É uma 
concretização crítica objetiva, graças à descoberta das reais media-
ções para cima e para baixo na relação dialética de universal e parti-
cular” (Lukács, p. 117). 
É por isto que as pesquisas devem apreender as particulari-
dades da profissão. Tais particularidades se constituem o campo no 
qual as mediações se desenvolvem atribuindo determinações à pro-
fissão. Contudo, é preciso repisar que as mediações não podem ser 
apreendidas de maneira formal, fixa ou eterna, mas no movimento 
dado no confronto entre os opostos, na dialética das determinações 
reflexivas singular-universal.
É exatamente este o movimento, contemplado nos Núcleos 
de Fundamentação das Diretrizes Curriculares, que nos permite 
captar os fundamentos do Serviço Social como casos concretos e 
expressões de uma dialética de universal e particular.
É neste sentidoque as contribuições de Lukács sobre a impor-
tância da categoria da particularidade, como mediação no processo 
de conhecimento, para a compreensão da realidade social e para a 
intervenção prática, são fundamentais no contexto da produção mar-
xista para lançar luzes sobre a profissão.
- 167 -
Considerando se tratar de uma profissão que atua no âmbito 
das manifestações da chamada “questão social”, mobilizar refe-
rências teóricas e metodológicas que lhe permitam passar das abs-
trações mais tênues para o desvelamento da lógica constitutiva dos 
processos sociais, a ponto de descobrir os nexos entre as expressões 
universais e o cotidiano de trabalho profissional, é função dos fun-
damentos teórico-filosóficos marxistas.
No entanto, temos observado a dificuldade de uma aborda-
gem do Serviço Social que opere com a tridimensionalidade dos 
conteúdos dos núcleos de fundamentação (Guerra, 2018).
3. O método na abordagem dos conteúdos dos Núcleos de Fun-
damentação das DCs
A proposta pedagógica contemplada nas Diretrizes Curricu-
lares da formação de assistentes sociais brasileiros(as), como uma 
construção das mais fecundas de que se tem ciência no Serviço So-
cial latino-americano e internacional10, se configura como “um con-
junto de conhecimentos indissociáveis que se traduz em Núcleos de 
Fundamentação constitutivos da formação profissional” (ABEPSS, 
1996). Contudo, apesar da sua potencialidade, temos tido dificulda-
de de operar com a tridimensionalidade destes núcleos. 
Estudos vêm demonstrando que “o desafio de fomentar o de-
bate dos fundamentos por meio da articulação dos conteúdos dos 
núcleos de fundamentação das diretrizes é permanente” (Freitas, et 
al., 2024, p. 1).
Uma hipótese que nos parece pertinente é a de que para fazê-
-lo necessitamos ter maior domínio do método materialista históri-
co-dialético e de suas categorias ontológicas e reflexivas na aborda-
gem dos conteúdos dos núcleos de fundamentação. Explicitando-a 
melhor: considerando que a estrutura das diretrizes curriculares con-
templa três núcleos de fundamentação, cujos conteúdos permitem 
diferentes níveis de apreensão da realidade, se faz necessário operar 
com o procedimento que vai do abstrato ao concreto.
10 Esta inovadora e genuína proposta parte de alguns pressupostos, todos eles vinculados 
ao materialismo histórico-dialético e fundados na ontologia do ser social: “estabelecimento 
das dimensões investigativa e interventiva como princípios formativos e condição central da 
formação profissional e da relação teoria e realidade” [...] a “indissociabilidade nas dimensões 
de ensino, pesquisa e extensão” (ABEPSS, 1997, p. 61), dentre outros.
- 168 -
Assim, o nível de maior grau de complexidade e abstra-
ção dos processos sociais se encontra no Núcleo de Fundamentos 
da Vida Social (e aqui é correta a denominação de fundamentos). 
Neste, categorias ontológicas como modos de ser, determinações 
da existência ou formas moventes e movidas da realidade material 
podem ser apreendias de diversas maneiras a partir de fundamenta-
ções distintas. Todas as filosofias e/ou sociologias clássicas possuem 
determinado nível de abstração, que é próprio da sua essência teó-
rica, como formulações de caráter universal. Contudo, nem todas 
adotam o procedimento de concretização das determinações abstra-
tas, à maneira da Teoria Social de Marx, qual seja, pelo caminho 
de volta. Assim, quando Marx trabalha o sentido da produção em 
geral, quer mesmo mostrar que as determinações universais indicam 
a tendência histórica geral, mas elas adquirem determinações parti-
culares em face das processualidades históricas das relações sociais 
e das formações societárias (ou formas sociais). Melhor dizendo, 
determinam-se historicamente em cada particularização histórica, 
de onde surge a “diferença essencial”. É nela que se visualizam as 
particularidades11 que explicam, efetivamente, as determinações do 
objeto e o vinculam “para cima e para baixo” com o singular e com 
o universal. 
Nesta direção de análise, a dialética abstração/concretude 
vai se processando, partindo de conteúdos mais gerais, que explicam 
o modo de produção e as relações sociais capitalistas, adentrando a 
formação social, econômica, política e cultural, brasileira e latino-
-americana, na direção de alcançar as determinações mais concretas 
sobre o modo de ser e de interpretar a profissão, como conteúdo do 
Núcleo de Fundamentação do Trabalho Profissional. É esta dialética 
que vai permitindo a dissolução da positividade do real que se en-
contra na abordagem ampla e geral do núcleo de fundamentação da 
vida social e aqui, reitero, só a perspectiva teórico-metodológica de 
Marx permite fazê-lo. 
O movimento do abstrato ao concreto, inerente à estruturação 
das próprias diretrizes curriculares, ao ser observado na formação 
profissional, permite-nos destruir, intelectual e sistematicamente, a 
positividade como padrão de interpretação hegemônico da socie-
11 Como categoria relacional entre o singular e o universal (e campo de mediações), o parti-
cular é “tanto um princípio de movimento do conhecimento quanto uma etapa, um momento, 
do caminho dialético” (1968, p. 113).
- 169 -
dade burguesa. Assim, apesar de os estudantes serem levados a se 
apropriarem dos conteúdos com maior nível de abstração, são orien-
tados por uma intencionalidade explícita de desvelar, desnaturalizar, 
desantropomorfizar a realidade em que vivem.
Por isto, a história social e a processualidade histórica que expres-
sam a trajetória da profissão não podem ser abordadas de maneira crono-
lógica, mas pelas determinações (sociais, econômicas, políticas, ideocul-
turais) que particularizam e marcam determinado período da vida social, 
ou seja, pelas suas determinações específicas (Lukács, 1968).
A partir destas considerações sobre as Diretrizes Curriculares, 
podemos ver como as categorias mais abstratas, enquanto produ-
ção de condições históricas, vão adquirindo significados específicos 
e vão dando concretude para interpretação da profissão, à medida 
que estabelecem mediações, conexões e elos com ela, via necessi-
dades históricas postas pelas relações de produção/reprodução em 
formações sociais determinadas, convertendo-se em fundamentos 
necessários à profissão. Ou seja, na medida em que são utilizados 
fundamentos teórico-metodológicos sobre a vida social e sobre a 
sociedade brasileira para captar as particularidades da profissão, po-
demos formular chaves de leitura para interpretar o seu modo de ser, 
nos aproximar da sua cultura profissional e explicitar os fundamen-
tos histórico-ontológicos da sua gênese, existência, funcionalidade 
e de suas relações historicamente determinadas pela estrutura da 
sociedade capitalista marcada por relações sociais racistas e patriar-
cais, como base para a acumulação e manutenção do capitalismo; 
pelas raízes coloniais, pela escravidão, pela superexploração da for-
ça de trabalho, pela opressão, pela contrarrevolução burguesa, pelo 
Estado patrimonialista, dentre outras determinações da sociedade 
capitalista e da sociedade brasileira.
 As relações patriarcais, classistas, racistas, sexistas, as teorias 
integracionistas, as tendências higienistas, a ideologia do favor e o 
populismo se expressam tanto nas formas históricas de o Estado e 
suas organizações burguesas intervirem na chamada “questão so-
cial” e no padrão hegemônico de política social quanto no cotidiano 
profissional. 
É por isto que defendemos a utilização do próprio método na 
abordagem/aproximação dos temas dos núcleos de fundamentação 
- 170 -
que trabalham conteúdos que servem de fundamentos para profissão 
e o núcleo de fundamentos do trabalho profissional, a partir da racio-
nalidade crítico dialética, já que ela tem a capacidade de, 
partindo do procedimento de abstração, através de múltiplas e 
complexas determinações, alcançar os conteúdos mais concre-
tos, os vínculos e mediações mais estreitas e as determinações 
mais predominantes dos fenômenos,em tempos e espaços histo-
ricamente situados, dado que completa o ciclo realizando o “ca-
minho de volta” e ao fazê-lo alcança o concreto num processo 
de síntese (Guerra, 1997, p. 8).
Este processo de síntese, como resultado do caminho percor-
rido na formação profissional, culmina com os conteúdos do Núcleo 
de Fundamentos do Trabalho Profissional, mas, para tanto, é preciso:
Primeiramente, decompor, pela via analítico-abstrativa, o novo 
complexo do ser, para poder, então, a partir deste fundamento, 
retornar (ou avançar rumo) ao complexo do ser social, não so-
mente enquanto dado e, portanto, simplesmente representado, 
mas agora também compreendido na sua totalidade real (Luká-
cs, 2013, p. 42).
Buscamos fazer alguns exercícios mentais de como o proces-
so de abstração e de concretização se movimentam no tratamento 
dos conteúdos das Diretrizes Curriculares12, a partir da lógica dialé-
tica que articula os fundamentos histórico-ontológicos, teórico-fi-
losóficos e ideopolíticos, na direção de subsidiar a formulação de 
fundamentos técnico-operativos para a profissão. Mas, seguramente, 
ao nos depararmos com os aportes do Núcleo de Fundamentos do 
Trabalho Profissional já teremos dadas as condições para conside-
rá-lo como síntese de múltiplas determinações, o que já estava dado 
desde o início das primeiras aproximações ao Serviço Social (em ní-
vel de disciplinas introdutórias ao conhecimento da profissão), mas 
que somente agora o sentido se completa. Esta síntese é o que Marx 
denomina como “concreto”, mais exatamente, concreto pensado.
Aqui as categorias econômicas, expressões teóricas, abstra-
ções das relações sociais de produção (Marx, 1982), acrescidas do 
12 Nesta direção, por exemplo, a razão instrumental não explica o Serviço Social, mas esta 
referência serve como mediação analítica, no sentido de conduzir a pesquisa do Serviço Social 
na direção de conhecer como, na cultura da profissão, a razão instrumental tem invadido e 
dominado ou vem se submetido à instrumentalidade do Serviço Social.
- 171 -
debate do trabalho como categoria ontológica, fundam e se concreti-
zam na explicitação da profissão como em um tipo de especialização 
do trabalho coletivo, inserida na divisão social e técnica do trabalho, 
respondendo por demandas oriundas dos antagonismos de interesses 
entre as duas classes fundamentais da sociedade burguesa, à medida 
que o Estado burguês, como uma instância extraeconômica, passa a 
intervir diretamente na econômica administrando os ciclos de crise 
do capital, com o objetivo de controle e reprodução da classe traba-
lhadora ocupada e excedente, e o faz, ora pela via da repressão ora 
pela via do consenso, através das políticas sociais (Netto, 1992). 
Tais categorias ontológicas, como modos de ser do capitalismo, ao 
serem apreendidas no processo da formação profissional, se tornam 
categorias reflexivas e passam a explicar a realidade social na qual 
os estudantes se inserem e permitem “passar a limpo a profissão”, 
pondo à luz o seu estatuto de assalariamento, a herança do seu con-
servadorismo teórico-metodológico e prático-político, a histórica 
presença do pragmatismo e do ecletismo, bem como os avanços da 
profissão na construção de um projeto profissional que intencione a 
ruptura com teorias e práticas conservadoras. Por isto, estão dadas 
as possibilidades para o conhecimento concreto da profissão e de 
suas múltiplas determinações, à medida que o processo de reflexão 
realiza o caminho de volta, alcançando o concreto como a síntese 
entre universalidade, singularidade e particularidade.
Se nossa hipótese tem pertinência, somente após termos satu-
rado a análise da profissão das determinações de natureza universal 
e particular, contidas nos dois núcleos de fundamentação (da “vida 
social” e da “formação sócio-histórica da sociedade brasileira”), é 
que podemos alcançar a compreensão dos fundamentos do Serviço 
Social, o que ocorre quando caminhamos no sentido inverso. Este 
movimento nos leva a afirmar que os fundamentos do Serviço Social 
só são captados no caminho de volta. 
Considerações finais
É notório que a interpretação dos fundamentos para e do Ser-
viço Social, na formação de assistentes sociais, tem se constituído 
objeto de estudos, debates, pesquisas. Também se torna evidente o 
amadurecimento deste debate nos últimos 15 anos, resultado, segu-
ramente, do árduo trabalho desenvolvido pelo GTP Serviço Social: 
fundamentos, formação e trabalho profissional da ABEPSS. 
- 172 -
Neste debate, tem havido certo consenso em considerar que o 
padrão de cientificidade inaugurado pela ontologia do ser social de 
Marx é o veio mais fecundo para permitir a efetiva interpretação da 
profissão, uma vez que atinge os seus fundamentos, do que depen-
de, ainda, de um sujeito que reconheça no procedimento de ir aos 
fundamentos, a chave analítica para a transformação do real. Assim, 
pensar dialeticamente a formação profissional é um desafio. Por isto, 
os fundamentos que nos servem têm que ser de natureza ontológica e 
têm que ir à raiz na explicação do ser, apreendendo os significados e a 
funcionalidade que a profissão vai adquirindo na sociedade burguesa 
através de elementos estruturais e históricos. Contudo, cabe a impor-
tante consideração de Lukács: “a ortodoxia em matéria de marxis-
mo refere-se, pelo contrário, e exclusivamente, ao método” (1989, p. 
15). O que nos parece lacunar é, ainda, a abordagem do método tanto 
na interpretação das DCs quanto na sua realização. Sem o domínio 
do método, sem uma explícita adesão a ele, não há como nos livrar-
mos de análises que se prendem às formas fetichistas que recobrem 
a realidade social. É na unidade teoria crítica/prática revolucionária 
que vamos encontrar os fundamentos de uma formação fundada no 
trabalho profissional e capaz de elaborar a sua crítica.
Porém, nem de longe este é o maior desafio que temos a en-
frentar. O crescimento desmensurado da EAD sob o domínio de 
empresas educacionais, que fazem do ensino uma mercadoria ba-
rata a ser explorada na Bolsa de Valores; o aumento exponencial de 
assistentes sociais diplomados(as) por estes cursos; a prevalência 
da educação doutrinária, superficial, aligeirada, do culto ao anti-
cientificismo e anti-intelectualismo; o descaso com qualquer tipo 
de conhecimento que não produza ganhos/dividendos imediatos; a 
prevalência de um modelo de pesquisa que não transcende a empiria 
e reproduz a mesmice, que escolhe objetos pelo critério da moda 
ou das agências de fomento, que se descuida da menção de autoria 
ao utilizar ideias alheias, naturalizando e disseminando a prática do 
plágio, dificultando ainda mais a faculdade de pensar, sobretudo, o 
pensar de modo abstrato e fundamentalmente, o perfil empreende-
dor, são, efetivamente, nossos principais desafios, que só se iniciam 
por qualificarmos o debate dos fundamentos e adotarmos uma pers-
pectiva que afirme a radicalidade da crítica. 
- 173 -
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GUERRA, Y. et al. (Orgs.). Campinas: Editora Papel Social, 2018. 
- 175 -
CAPÍTULO 10
 
DEBATE SOBRE OS FUNDAMENTOS DO 
SERVIÇO SOCIAL NOS ENCONTROS 
NACIONAIS DE PESQUISADORES(AS) 
EM SERVIÇO SOCIAL E NAS TESES E 
DISSERTAÇÕES DA ÁREA
Cristiana Costa Lima
Jude de Oliveira Bento da Silva
Kathiuscia Ap. Freitas Pereira Coelho
Luciana Gonçalves Pereira de Paula
 Mariléia Goin
 Vera Núbia Santos
Introdução
A preocupação com o aprofundamento no Serviço Social bra-
sileiro, acerca do debate sobre os Fundamentos da profissão, é uma 
marca que se exprime a partir do processo de intenção de ruptura 
com o modelo tradicional e conservador que teve proeminência no 
Serviço Social desde sua tênue concepção, nos marcos do capita-
lismo monopolista no país. A publicação da pesquisa sobre a histó-
ria do Serviço Social na América Latina, capitaneada pelo Centro 
Latinoamericano de Trabajo Social (CELATS) na década de 1970, 
embora com foco em três países (Chile, Peru e Brasil), trouxe um 
marco para a análise sobre a profissão no país, com a publicação do 
livro Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma 
interpretação histórico-metodológica (Iamamoto; Carvalho, 1982) 
que contou com a participação de profissionais e estudantes, como 
sinalizam os autores.
Com a consolidação de um novo projeto profissional nos anos 
90, a direção crítica é hegemonizada pelo Serviço Social nos marcos 
do espectro político-econômico aposto à ideologia neoliberal, com a 
incorporação crítica que caracterizou este novo momento da profis-
- 176 -
são, em disputa com projetos conservadores ainda existentes no seu 
interior, do ponto de vista da formação e do trabalho profissional.
No âmbito da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa 
em Serviço Social (ABEPSS), um passo fundamental deu-se ain-
da na década de 1990, com a junção das duas entidades focadas 
na formação: a Associação Brasileira de Ensino do Serviço Social 
(ABESS) e o Centro de Documentação e Pesquisa em Serviço So-
cial (CEDEPSS), que constituíram a ABEPSS em 1996. Unir ensino 
e pesquisa em uma única entidade foi fundamental para dar sentido 
ao projeto de formação expresso pelas Diretrizes Curriculares apro-
vadas pela ABESS e apontadas como um marco referencial no que 
diz respeito à profissão.
Os passos seguintes deram conta de manter em evidência a 
articulação com as demais entidades representativas da área – os 
Conselhos Federal e Regionais de Serviço Social (Conjunto CFESS/
CRESS) e a Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social 
(ENESSO) –, de forma a implementar um conjunto de propostas que 
respondessem às demandas deste projeto profissional. Assim, outros 
elementos e estratégias adensaram a caminhada de fortalecimento da 
ABEPSS no seu projeto de formação profissional, dentre as quais se 
destacam a Política Nacional de Estágio (ABEPSS, 2010), a criação 
de Comissões Temporárias de Trabalho (CTT) que englobam várias 
temáticas, o Projeto ABEPSS Itinerante, a Plataforma Antirracista e 
a criação dos Grupos Temáticos de Pesquisa (GTP).
Especificamente no tocante aos GTPs, estes são considera-
dos espaços efetivos de elaboração, produção e circulação de co-
nhecimento que congregam pesquisadoras e pesquisadores da área 
e áreas afins para a discussão e disseminação de temas de interesse 
do projeto profissional, vinculado ao projeto da classe trabalhadora. 
Dentre os GTPs, foi criado o GTP “Serviço Social: Fundamentos, 
Formação e Trabalho Profissional”, que tem por ementa:
O projeto ético-político do Serviço Social como expressão da 
direção social da profissão e sua interface com os fundamentos, 
a formação e o trabalho profissional. Fundamentos Teóricos do 
Serviço Social: historicidade, configuração e paradigmas teó-
ricos na realidade nacional e internacional – nos âmbitos lati-
no-americano e mundial. Formação profissional – diretrizes 
- 177 -
e exigências postas para o ensino, a pesquisa e a extensão no 
contexto da política de ensino superior brasileira. O trabalho 
do assistente social nos diferentes espaços sócio-ocupacionais, 
atribuições e competências e sua respectiva conexão com o mer-
cado de trabalho. Identidade e perfil profissional do Assistente 
Social na sua relação com as classes sociais e, em particular, 
com a classe que vive do trabalho (ABEPSS, s. d.).
Cabe a este GTP adensar as reflexões e aproximações com 
a produção sobre os eixos de fundamentos, formação e trabalho 
profissional e tornar públicas as aproximações ao objetivo a que se 
destina1. Além destes documentos, encontram-se disponíveis indi-
cações bibliográficas para acesso à discussão sobre a tríade citada2.
Na esteira aludida, um dos aspectos que caracteriza o GTP é a 
análise da produção sobre os eixos que o centralizam. Assim, o pre-
sente capítulo possui o objetivo de apresentar resultados parciais da 
pesquisa intitulada “Mapeamento sobre o debate dos Fundamentos, 
Formação e Trabalho Profissional no Serviço Social”, realizada pelo 
Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão sobre os Fundamentos do 
Serviço Social (GEPEFSS) em parceria com o “GTP Serviço Social: 
Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional” da ABEPSS. 
Para tanto, esta pesquisa se ancora no método materialista 
histórico-dialético e utiliza como principais procedimentos meto-
dológicos a revisão bibliográfica, que permite conhecer com den-
sidade as construções e fundamentações teóricas acerca do objeto 
estudado, e a pesquisa documental, que a partir de fontes primárias 
subsidia a análise minuciosa e detalhada das informações extraídas. 
Nesta ótica, o trabalho está dividido em três itens, a saber: um 
breve resgate de mapeamentos realizados pelo GTP em gestões an-
teriores; o mapeamento junto aos anais do XVII Encontro Nacional 
de Pesquisadores em Serviço Social (ENPESS) dos trabalhos apre-
sentados no eixo temático “Serviço Social: Fundamentos, Formação 
e Trabalho Profissional”, o qual foi realizado no ano de 2022, na ci-
dade do Rio de Janeiro e, porfim, o levantamento realizado nas pro-
duções da área de conhecimento, por meio da análise dos produtos 
1 A produção do GTP Serviço Social: fundamentos, formação e trabalho profissional pode 
ser acessada por meio dos documentos disponibilizados em: , que trazem relatórios e demais documentos de cada coordenação.
2 As indicações bibliográficas podem ser acessadas em: .
- 178 -
dos Programas de Pós-Graduação em Serviço Social que abordam o 
debate sobre os Fundamentos, no intervalo temporal de 2019 a 2022. 
Destaca-se que são analisados apenas os trabalhos com ênfase nos 
Fundamentos, bem como as teses e dissertações que apresentam a 
ênfase supracitada.
1. Fundamentos do Serviço Social: breve apresentação do deba-
te no GTP Serviço Social - Fundamentos, Formação e Trabalho 
Profissional
Falar em formação e trabalho profissional é celebrar as bases 
e alicerces que orientam o Serviço Social não apenas na cena ho-
dierna, mas em seu processo de constituição e desenvolvimento, no-
toriamente conhecidos no Serviço Social como seus Fundamentos. 
Em outras palavras, como assevera Goin (2019, p. 31), os 
Fundamentos do Serviço Social constituem os
elementos que: (a) alicerçam e assentam as bases da formação e 
do trabalho profissional ao longo de sua trajetória sócio-históri-
ca e (b) conferem configuração particular à profissão em face da 
processual e orgânica relação com a realidade, interpondo-lhe a 
necessária apropriação das matrizes do conhecimento do social 
e do movimento da sociedade para prover de direção social e 
política o trabalho profissional, seja por viés conservador, seja 
emancipatório.
Diz-se, com isto, que o debate dos Fundamentos do Serviço 
Social se altera conforme a perspectiva teórica hegemônica, logo, 
não é estanque e tampouco está ileso às transformações operadas no 
cotidiano das instituições que trabalhamos, entidades organizativas 
e da própria sociedade.
É nesta via que se torna indispensável asseverar por onde per-
passa o que Goin (2024) denomina de perspectiva disruptiva dos 
Fundamentos do Serviço Social, elementarmente no que tange seu 
significado social, seu eixo fundante enquanto profissão e as pecu-
liaridades que lhe particularizam no âmbito da divisão social, racial, 
sexual e técnica do trabalho. 
- 179 -
A profissão, norteada pela concepção hegemonizada de seus 
Fundamentos, conduz o entendimento de qual formação para qual 
trabalho profissional. É dizer, em outros termos, que a partir de sua 
perspectiva conceitual de Fundamentos, da apreensão que se tem so-
bre, que o debate das determinações que a constituem e inferem mo-
vimento à sociedade, logo, à própria profissão, é norteado e guiado.
Se assimilado sob este ponto de vista, percebe-se que a própria 
concepção aufere movimentação, não só pelas tensões advindas das 
perspectivas não hegemônicas – que, obviamente, incessantemente 
disputam tal hegemonia e se colocam em confronto –, mas pelo acú-
mulo absorvido no âmbito da própria preponderância teórica.
Assim é que se institui o caráter dialético e ontológico dos 
Fundamentos do Serviço Social, em face de que não permanece es-
tagnado, uma vez que a sociedade, que é solo histórico e concreto de 
sua existência real, que registra e manifesta as determinações e con-
tradições da vida cotidiana, está em constante movimento e consti-
tuição. Para corroborar tal ponto de vista, resta apurar a análise da 
sociedade brasileira nas últimas décadas, para não dizer nos últimos 
anos. Do passado próximo embebido de negacionismo, de limita-
ção das relações internacionais, de queda na economia, de aumento 
dos indicadores de fome e de miséria, de parco reconhecimento da 
importância das políticas sociais, de captura do orçamento público, 
dentre tantos outros que se poderia sugestionar, o Brasil, sem ro-
mantismos e idealismos, transita para o que o lema do atual governo 
tem descrito como “reconstrução”. Queda da inflação, redução da 
pobreza, aumento do emprego formal e incentivo à educação podem 
ser alguns dos exemplos que denotam que a sociedade passa por 
constantes mutações, incessantemente, as quais notadamente embe-
bem o Serviço Social, uma vez que a profissão não está descolada 
desta realidade. Aliás, é produto e produtora desta citada realidade 
social.
Há que se enfatizar, considerando o que traz Guerra (2004, p. 
26), que “a ontologia de Marx permite consubstanciar a compreen-
são da profissão como produto histórico e, como tal, autoimplicado 
no processo histórico”. Neste sentido, compreender os Fundamentos 
do Serviço Social significa captar o significado social da profissão 
inscrita na divisão social, racial, sexual e técnica do trabalho (Es-
- 180 -
curra; Iamamoto, 2020) e, para isto, faz-se necessário apreender as 
bases de fundação do Serviço Social, que são constituídas por deter-
minações econômicas, políticas, sociais, culturais e ideológicas na 
dinâmica concreta da vida social.
Nesta perspectiva, destaca-se que os Fundamentos do Serviço 
Social envolvem os processos sócio-históricos, inscritos na realida-
de concreta, que se desenvolvem e provocam a necessidade de um 
trabalho como o realizado por assistentes sociais. Assim sendo, a 
única matriz teórica capaz de captar e desvelar estes fundamentos é 
a marxista.
Deste modo, Yazbek (2018, p. 47) entende que os Fundamen-
tos do Serviço Social “consistem na matriz explicativa da realidade 
e da profissão, permeando a interlocução entre o Serviço Social e 
a sociedade”, e são constituídos por dimensões de ordem históri-
ca, teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, e se 
expressam atualmente na “abordagem histórico-crítica fundada da 
teoria social marxiana”.
Segundo a autora, realizar análise sobre os Fundamentos do 
Serviço Social seria perceber a incorporação, pela profissão, de di-
ferentes matrizes fundamentais de conhecimento do social na socie-
dade burguesa. Dentre tais matrizes, a autora elenca: o pensamento 
doutrinário; o pensamento conservador; a matriz positivista; o prag-
matismo; o estruturalismo; a matriz marxista; a fenomenologia; o 
pensamento pós-moderno. Neste sentido, na atualidade, os Funda-
mentos do Serviço Social se expressariam na abordagem histórico-
-crítica fundada na teoria social marxiana (Yazbek, 2018).
Nesta ótica, o debate sobre os Fundamentos do Serviço So-
cial encontra-se localizado nas obras mais relevantes da área e vem 
se destacando nas publicações recentes da profissão. Portanto, se 
sinalizamos que existe um debate sobre os Fundamentos do Serviço 
Social, apontamos para a existência de perspectivas e posições em 
meio ao que se produz sobre este tema.
No âmbito do GTP “Serviço Social: Fundamentos, Formação 
e Trabalho Profissional”, o registro de pesquisas e produções aponta 
para um movimento que entretece uma sistemática aproximação ao 
que se produz e possibilita compreender, principalmente, quanto às 
tendências que circundam o debate sobre a profissão no que se refere 
- 181 -
às ênfases sobre os Fundamentos, a formação e o trabalho profis-
sional. Os relatórios de coordenação disponíveis para consulta na 
página da ABEPSS evidenciam um processo de aproximações su-
cessivas às tendências, que podem ser sumariamente apresentadas.
Quadro 1 - Levantamento de tendências no biênio 2011/2012.
Principais achados Indicações
Levantamento em:
- Banco de Teses e Dissertações da 
CAPES;
- Programas de Pós-Graduação;
- Diretório de Grupos de Pesquisa do 
CNPq;
- Anais do CBAS (ênfase Forma-
ção);
- Anais do ENPESS (ênfases forma-
ção e trabalho profissional);
- Rede de Pesquisa (ênfase trabalho 
profissional);
- Revista Serviço Social & Socieda-
de (ênfase formação profissional);
- Revista Temporalis (ênfase forma-
ção profissional).
- Pesquisas articuladas neste GTP se re-
ferem à essência do Serviço Social como 
profissão [...] enquanto uma totalidade em 
menor nível de complexidade;
- Quatrodimensões do Serviço Social: 
“intervenção direta sobre sequelas da 
questão social”, “formação profissional 
que se desenvolve nas contradições entre 
as estratégias da atual reforma do Ensino 
Superior”, “produção do conhecimen-
to impulsionada com a consolidação da 
pós-graduação” na área e “organização 
política dos assistentes sociais a partir das 
entidades”;
- Todos os GTPs articulam pesquisas que 
tratam de fundamentos do Serviço Social, 
distinguindo-se somente pela ênfase das 
pesquisas.
Fonte: Relatório do Colóquio do GTP (2012).
 
O objetivo deste primeiro levantamento do GTP, a partir de 
uma indicação da gestão nacional da ABEPSS para todos os grupos 
temáticos de pesquisa, foi realizar mapeamento das produções da 
área na última década (2000-2010), no intuito de uma aproximação 
com o estado da arte de cada eixo. Dos resultados deste levantamen-
to, o relatório do GTP “Serviço Social: Fundamentos, Formação e 
Trabalho Profissional” trouxe as seguintes sugestões:
- 182 -
Avançar na discussão sobre o conteúdo do GTP “SERVIÇO 
SOCIAL: fundamentos, formação e trabalho profissional” na 
relação com os demais GTPs e considerando a perspectiva de 
totalidade da profissão e dos seus fundamentos, que orienta a 
construção da estratégia dos GTPs, no âmbito da ABEPSS, com 
o propósito de aprimorar a sua formulação para melhor expres-
sar o Serviço Social como objeto de conhecimento.
Buscar maior compatibilização e articulação dos dados sobre 
as três ênfases, para avançar na construção de uma visão to-
talizadora que contribua para avaliar o que representam estes 
resultados em relação ao complexo que é o GTP “SERVIÇO 
SOCIAL: fundamentos, formação e trabalho profissional” e no 
que diz respeito à relação deste com os demais GTPs no âmbito 
da ABEPSS.
Considerar, na continuidade dos levantamentos direcionados 
para aproximações do estado da arte da pesquisa sobre o Ser-
viço Social, os eixos da organização política dos assistentes 
sociais e da produção de conhecimentos, essenciais na consti-
tuição e desenvolvimento do projeto ético-político profissional 
(Relatório do Colóquio do GTP, 2012, p. 50).
 As aproximações sucessivas à análise das tendências que 
circundam a profissão passaram a ter centralidade no planejamento 
das coordenações, de modo a apreender as movimentações impres-
sas no que tange o debate dos Fundamentos da própria profissão e 
o que assenta suas tendências na cena contemporânea. No tocante 
a este aspecto, os relatórios do GTP seguiram a proposta de análise 
de tais tendências a partir dos trabalhos dos ENPESS, especifican-
do os seguintes aspectos: tema e objeto dos trabalhos; perspectiva 
teórico-metodológica; modalidade de pesquisa; e contribuições para 
o Serviço Social, conforme se verificam as tendências da produção 
dos trabalhos publicados nos anais do XIV ENPESS, sistematizados 
no Quadro 2.
- 183 -
Quadro 2 - Tendências da produção do XIV ENPESS.
Ênfase Fundamentos Ênfase Formação Ênfase Trabalho
- Método crítico dialético 
e pesquisa;
- Produção do Conheci-
mento no Serviço Social;
- Pluralismo e ecletismo;
- Conservadorismo no 
Serviço Social;
- Neoconservadorismo, 
religião e Serviço Social;
- Pós-modernidade e Ser-
viço Social;
- Teoria e método em 
Marx;
- Marxismo sem Marx;
- Categorias gramscianas; 
e 
- Mundialização do capi-
tal e transformações so-
cietárias.
- Formação Profissional e 
Projeto Ético-político;
- Formação Profissional e 
Diretrizes Curriculares;
- Reforma da Educação Su-
perior e Serviço Social;
- Formação em Serviço So-
cial nas unidades privadas 
de ensino
- Docência em Serviço So-
cial;
- Estágio Supervisionado;
- Formação em serviço;
- Educação permanente;
- Pluralismo e ecletismo na 
formação profissional; e
- Perfil de discentes.
- Trabalho Profissional;
- Condições de trabalho;
- Atribuições e compe-
tências profissionais;
- Mediação do Estado 
no trabalho profissional;
- Burocracia e exercício 
profissional;
- Ações socioeducati-
vas;
- Instrumentalidade e 
instrumental técnico;
- Educação popular e 
Serviço Social;
- Conservadorismo no 
exercício profissional; e 
- Expressões da questão 
social.
Fonte: Relatório do Colóquio do GTP (2014).
 No XIV ENPESS, pode-se observar na produção dos traba-
lhos submetidos ao Eixo “Serviço Social: fundamentos, formação 
e trabalho profissional” elementos que abordam uma relação direta 
com o debate das Diretrizes Curriculares e as tendências teórico-
-metodológicas em disputa no processo de apreensão da realidade 
social, o que aufere similaridade com o que se apresenta no Quadro 
3, o qual registra as tendências nos trabalhos do XV ENPESS. Ob-
serva-se, contudo, que já se tem destacado a reflexão sobre a forma-
ção na modalidade de Ensino a Distância (EaD), algo evidenciado 
com a ampliação da oferta de cursos na área.
- 184 -
Quadro 3 - Tendências da produção do XV ENPESS.
Ênfase Fundamentos Ênfase Formação Ênfase Trabalho
- Trajetória histórica da 
profissão;
- Determinações e me-
diações societárias e par-
ticularidades brasileiras/
regionais;
- Vertentes teóricas e 
ideopolíticas e categorias 
marxistas;
- Projeto ético-político; e
- Método e produção do 
conhecimento.
- Ensino Superior e Edu-
cação Superior;
 - Formação Profissional; 
- Estágio supervisionado; 
- Ensino a Distância/
EAD; 
- Contrarreforma do Es-
tado e os Impactos no 
Serviço Social; e 
 - Residência Multipro-
fissional em Saúde.
- Serviço Social na di-
visão social e técnica do 
trabalho;
- Dimensão contraditória 
do trabalho profissional;
- Serviço Social como 
trabalho (concreto e abs-
trato);
- Assistente social como 
trabalhador assalariado;
- Autonomia relativa e 
projeto ético-político;
- Dimensão pedagógica 
do Serviço Social;
- Dimensão ideopolítica 
do trabalho profissional;
- Atribuições e compe-
tências profissionais, de-
mandas e requisições do 
trabalho profissional; e
- Processos, relações e 
condições de trabalho.
Fonte: Relatório do Colóquio do GTP (2016).
 
Embora se apresente o Quadro síntese, observa-se que no XV 
ENPESS outros temas também passam a compor os objetos de estu-
dos das pesquisas no Serviço Social, como, por exemplo, a relação 
de gênero e a questão étnico-racial como intrínsecas ao eixo do GTP.
O ano de 2018, de realização do XVI ENPESS nas dependên-
cias da Universidade Federal do Espírito Santo, trouxe uma parti-
cularidade no momento histórico brasileiro: a ascensão da extrema 
direita ao poder executivo central, com a eleição de um deputado 
federal do chamado “baixo clero” à presidência da República. A 
uma conjuntura político-econômica desfavorável que se evidenciou 
após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016, numa 
situação que os estudiosos das Ciências Sociais denominaram Gol-
pe Jurídico-Parlamentar, concorreu a indicação de um momento de 
retrocesso no campo dos direitos humanos no país e uma destacada 
agenda de costumes como central na direção do governo eleito para 
o quadriênio 2019/2022.
- 185 -
A discussão sobre as tendências nesse XVI ENPESS foram 
incluídas no item 2, intitulado “Análise crítica sobre algumas ten-
dências e desafios para o Serviço Social, diante do contexto da crise 
do capital, do conservadorismo e suas repercussões nos fundamen-
tos do Serviço Social na formação e no trabalho profissional”, e traz 
o alerta de que o cenário aponta para o “[...] ataque frontal à au-
tonomia do pensamento, às conquistas civilizatórias, às liberdades 
democráticas tão caras ao capitalismo financeirizado” (Relatório do 
Biênio 2017-2018, 2018, p. 12).
Neste sentido, são apresentados os desafios à profissão em 
tempos sombrios:
[...] defender uma formação que possua coerência ético-política, 
consistência teórico-metodológica, competência técnico-opera-
tiva e compromissos sociocentricos, valores e práticas tão estra-
nhas ao conservadorismo ultrarreacionário.
[...] debater como a apropriação de um referencial teórico-me-
todológico sólido, a pesquisa engajada e a produção de conhe-
cimento crítico e de interesse da classetrabalhadora poderão 
nos ajudará a enfrentar as ofensivas do capital expressas nas 
diversas formas de precarização do trabalho e da formação, no 
congelamento dos gastos públicos, no desfinanciamento das 
políticas sociais, na desestatização e privatização do público, 
da supressão da gratuidade das universidades públicas nos ní-
veis da graduação e da pós-graduação, na destruição de direitos, 
como promessas de campanha do governo eleito, dentre outras 
formas barbarização da vida (Relatório do Biênio 2017-2018, 
2018, p. 12)
E dentre as tendências deve-se atentar para a articulação entre 
trabalho e formação profissional, como uma das grandes contribui-
ções que a pesquisa em Serviço Social possui na atualidade, a partir 
de fundamentos buscados nas
[...] mediações histórico-ontológicas do trabalho na contempo-
raneidade e as particularidades do trabalho profissional [que] 
nos capacita a detectar o perfil de profissional que interessa a 
este projeto de sociedade gestado pelos interesses do capital na 
manutenção deste ordenamento social, com o objetivo de nos 
orientar ao aprimoramento do nosso projeto de formação pro-
fissional (graduada e continuada), na perspectiva de que ele se 
- 186 -
contraponha ao modelo hegemônico (Relatório do Biênio 2017-
2018, 2018, p. 15).
Como já mencionado, os relatórios dos mapeamentos do GTP 
corroboram a concepção de Fundamentos atrelada ao movimento 
histórico, uma vez que a sociedade é o solo histórico e concreto de 
sua existência real. As tendências retratam como o debate dos funda-
mentos se fez na trajetória do debate do GTP, a partir de publicações 
que denotam concepções e disputas que o permeiam.
 
2. O debate dos Fundamentos do Serviço Social a partir do 
XVII Encontro Nacional de Pesquisadores(as) em Serviço So-
cial (ENPESS)
Em sua tese de doutorado, Teixeira (2019) apresenta dados 
extraídos do relatório final de gestão do GTP “Serviço Social: Fun-
damentos, Formação e Trabalho Profissional”, do ano de 2018. Estes 
dados revelam que o total de trabalhos apresentados e publicados 
nos anais dos ENPESS ocorridos nos anos de 2014, 2016 e 2018 é 
de 3.171 – sendo 1.098 em 2014; 917 em 2016; e 1.156 em 2018. No 
entanto, no eixo temático “Serviço Social: Fundamentos, Formação 
e Trabalho Profissional” foram 727 trabalhos subdivididos nas ênfa-
ses, Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional: 222 em 2014; 
274 em 2016; e 231 em 2018.
Ainda com amparo em Teixeira (2019), observam-se no XIV 
ENPESS, em 2014, o total de 63 trabalhos na ênfase de Fundamen-
tos, 69 na ênfase da Formação e 90 na ênfase do Trabalho Profissio-
nal. No XV ENPESS de 2016, o total de trabalhos por subeixo está 
assim constituído: 78 em Fundamentos; 110 em Formação; e 86 em 
Trabalho Profissional. Por fim, no XVI ENPESS de 2018, foram 62 
trabalhos na ênfase de Fundamentos; 83 na ênfase da Formação; e 
86 em Trabalho Profissional.
No XVII ENPESS, realizado em 2022 na cidade do Rio de Ja-
neiro, foram 796 trabalhos publicados nos anais, sendo 103 artigos 
distribuídos em 25 mesas temáticas coordenadas; 619 em comunica-
ções orais; e 73 em pôsteres. 
- 187 -
Ao observar as temáticas que foram abordadas nas mesas 
coordenadas, verifica-se que duas delas trataram com centralidade 
o debate dos Fundamentos do Serviço Social e em sete aparece o 
debate do Trabalho Profissional como central - cabe registrar que 
não houve mesa coordenada com foco no debate da Formação Pro-
fissional, embora a ênfase estivesse presente em alguns artigos. Ao 
analisar os trabalhos apresentados nas nove mesas coordenadas vin-
culadas ao eixo “Serviço Social: Fundamentos, Formação e Traba-
lho Profissional”, encontram-se 23 artigos distribuídos nas seguintes 
ênfases: cinco com a ênfase em Fundamentos; dois com a ênfase na 
Formação; e 16 com a ênfase no Trabalho Profissional, que sinaliza 
o atrelamento do debate dos Fundamentos do Serviço Social com a 
formação e o trabalho profissional.
Em se tratando dos trabalhos de comunicações orais, 180 
encontram-se no eixo temático distribuídos nas três ênfases: 18 na 
ênfase Fundamentos; 48 na ênfase Formação; e 108 na ênfase Traba-
lho Profissional. Destaca-se, ainda, que embora separados pelas três 
ênfases em destaque, observou-se a coexistência de cinco trabalhos 
com ênfase em Formação e em Trabalho Profissional; e um com 
centralidade nas ênfases Fundamentos e Trabalho Profissional.
Dos trabalhos apresentados na modalidade pôster, totalizaram 
20 no eixo temático “Serviço Social: Fundamentos, Formação e Tra-
balho Profissional”, subdividindo-os nas três ênfases: dois trabalhos 
na ênfase Fundamentos; sete na ênfase Formação; e dez na ênfase 
Trabalho Profissional. Além destes, um trabalho apresenta ênfase 
tanto em Formação quanto em Trabalho Profissional.
Ao considerar as três modalidades de apresentação de traba-
lhos do XVII ENPESS no eixo temático “Serviço Social: Funda-
mentos, Formação e Trabalho Profissional”, os trabalhos totalizaram 
223, dentre os 796 trabalhos publicados nos anais do evento, o que 
representa aproximadamente 28% em um único eixo temático.
Sinteticamente, o Quadro 4 traz a síntese dos trabalhos publi-
cados nos anais dos ENPESS, no eixo “Serviço Social: Fundamen-
tos, Formação e Trabalho Profissional”, bem como as suas ênfases, 
no período de 2014 a 2022.
- 188 -
Quadro 4 - Quantitativo dos trabalhos publicados no eixo “Serviço Social: Fun-
damentos, Formação e Trabalho Profissional” nos ENPESS de 2014 a 2022.
Ano Ênfase Total do 
eixo
Total de trabalhos 
publicados nos 
ENPESS
% do eixo 
em relação 
ao total do 
ENPESS
 
2014
Fundamentos 63
222 1.098 20%Formação 69
Trabalho 90
2016
Fundamentos 78
274 917 30%Formação 110
Trabalho 86
2018
Fundamentos 62
231 1.156 20%Formação 83
Trabalho 86
2022
Fundamentos 26
223 796 28%Formação 62
Trabalho 134
Fonte: Sistematização das autoras (2024).
Em se tratando da ênfase Fundamentos, é perceptível a redu-
ção na produção em comparação às três edições anteriores analisa-
das por Teixeira (2019), que também passou por variação expressi-
va: em 2014 foram 63 trabalhos; em 2016 chegou a 78 artigos; em 
2018 foram apresentados 62; e em 2022 registraram-se 26 trabalhos. 
Este é um dado que merece atenção no âmbito do GTP, logo, da ca-
tegoria profissional, uma vez que este debate consiste em elemento 
central e imprescindível para a apreensão do próprio Serviço Social. 
Portanto, os estudos e as produções sobre os Fundamentos, se não 
devidamente ampliadas e aprofundadas, podem (1) tornar frágil o 
entendimento da própria profissão ou, de forma mais suscetível, aos 
processos que permeiam esta discussão, (2) questionar se o debate 
sobre os fundamentos alcançou certa maturidade no interior da pro-
fissão.
Faz-se necessário destacar, ainda, que se observou que dos 
26 artigos publicados no XVII ENPESS, em sete deles se apresenta 
uma concepção de Fundamentos do Serviço Social, o que suscita 
reflexões acerca da apropriação do debate dos Fundamentos pela ca-
tegoria profissional, principalmente, pelo fato de que em 19 artigos 
- 189 -
estas discussões não foram apresentadas de forma direta. Se por um 
lado este registro se faz necessário por se tratar de um elemento ful-
cral na concepção de profissão, por outro lado, revela a necessidade 
de apreender de forma cuidadosa como tem se dado a apropriação 
desta concepção pela área. 
Dentre os sete artigos que abordam uma determinada con-
cepção, seja de forma direta, ampla ou sintética, cabe apresentar as 
seguintes palavras-chave que apontam para as tendências3 que se 
localizam na ênfase dos Fundamentos da profissão: 1) movimento 
para construção de uma cultura profissional; 2) síntese da interlocu-
ção com as classes sociais; 3) reafirmação da centralidade da história 
da profissão; 4) relações sociais e significado social da profissão; 5) 
matriz teórico-metodológica hegemônica que explica a profissão; e 
6) características estruturais e movimentos dinâmicos da sociedade 
burguesa.
Observa-se a existênciaa continuar esta conversa, contribuindo para um Serviço So-
- 22 -
cial crítico e comprometido com a justiça social. Que este livro seja 
um instrumento de apoio, não apenas para a formação acadêmica, 
mas também para o trabalho cotidiano de assistentes sociais em sua 
luta por um mundo mais justo e igualitário.
No mais, resta-nos desejar uma incrível leitura!
Juiz de Fora/Brasil, Primavera de 2024.
Cristiana Costa Lima
Kathiuscia Ap. Freitas Pereira Coelho
Luciana Gonçalves Pereira de Paula
Mariléia Goin
Vera Núbia Santos
Referências
MOTA, A. E. Serviço Social brasileiro: profissão e área do conheci-
mento. Revista Katálysis, v. 16, n. especial, p. 17-27, Florianópolis, 
2013. 
NETTO, J. P. Transformações societárias e Serviço Social. Notas 
para uma análise prospectiva da profissão no Brasil. Revista Ser-
viço Social & Sociedade, ano 17, n. 50, p. 87-132. São Paulo, abr. 
1996.
REIDEL, T.; PINHEIRO, H. A.; GOIN, M.; ORTIZ, F. S. G.; CAN-
TALICE, L. (in memoriam) (Orgs.). Serviço social: perspectivas 
internacionais sobre fundamentos, formação e trabalho profissional. 
São Paulo: Alexa Cultural Editora; Manaus: EDUA, 2022. Dispo-
nível em: . 
Acesso em: 10 out. 2024.
YAZBEK, M. C. Fundamentos históricos e teórico-metodológi-
cos do Serviço Social brasileiro. p. 143-163. In: Serviço Social: 
direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/
ABEPSS, 2009. 
- 23 -
PARTE I
ABORDAGENS INTERNACIONAIS NO 
ÂMBITO DOS FUNDAMENTOS DO 
SERVIÇO SOCIAL
- 24 -
CAPÍTULO 1
SERVIÇO SOCIAL EM ANGOLA:
 institucionalização, formação e trabalho 
profissional
Simão João Samba
Introdução
O texto ora apresentado resulta da nossa reflexão e da dis-
cussão que temos vindo a fazer sobre o Serviço Social em Angola, 
sobretudo, no que concerne ao seu processo de surgimento e insti-
tucionalização, bem como da formação e do trabalho profissional. 
Trata-se de uma história da profissão intrinsecamente marcada pela 
realidade de Angola colônia, mas também independente, uma vez 
que as expressões da questão social que dão fundamentação à sua 
origem ainda observam-se no contexto atual.
O texto visa analisar os pressupostos do processo de surgimento 
da profissão de Serviço Social em Angola, através da sua instituciona-
lização, formação e trabalho profissional dos Assistentes Sociais, que 
constituem peça fundamental no atual contexto do país, tendo em conta 
os conhecimentos, competências e habilidades que possuem para lida-
rem com as diversas expressões da questão social, objeto por excelência 
da sua intervenção junto aos usuários que buscam os seus serviços nos 
diferentes campos sócio-ocupacionais em que estão inseridos.
O texto se encontra estruturado em três tópicos distintos, mas 
complementares. O primeiro aborda a contextualização de Angola 
para situar o leitor no espaço em que focalizamos a nossa aborda-
gem. O segundo faz uma reflexão do processo da institucionalização 
do Serviço Social em Angola e o terceiro, e último, discute o pro-
cesso de formação e trabalho profissional dos Assistentes Sociais em 
Angola, seguido das considerações finais e referências. 
1. Contextualização de Angola
Antes de entrarmos na discussão da temática que nos propu-
semos neste evento, entendemos ser necessário fazermos uma con-
textualização do país que, no nosso ponto de vista, ajudará a com-
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preendermos os meandros do surgimento da profissão e dos desafios 
colocados aos Assistentes Sociais no atual contexto.
Neste sentido, começamos por dizer que Angola faz parte dos 
54 países que constituem o continente africano, localizado na re-
gião ocidental da África Austral, com uma extensão territorial de 
1.246.700 km², e se encontra limitado ao Norte pela República De-
mocrática do Congo, ao Leste pela República da Namíbia, ao Sul 
à República da Zâmbia e ao Oeste do Oceano Atlântico. Angola é 
detentor de vários recursos naturais com realce para o diamante e o 
petróleo que são considerados os grandes recursos econômicos do 
país, pois são os que mais trazem receitas e financiamentos para o 
Orçamento Geral do Estado (OGE). 
Durante séculos, o país foi uma colônia portuguêsa, de 1482, 
altura da chegada de Diogo Cão, até 1975, momento em que se deu 
a proclamação da Independência em 11 de novembro – uma inde-
pendência influenciada por ideais socialistas, e que, por esses ideais, 
fortes contradições marcaram o cancelamento do Serviço Social em 
1977 – que resulta de um processo de luta armada iniciada em 4 de 
fevereiro de 1961 entre o governo colonial português e os três mo-
vimentos de libertação nacional da época, nomeadamente, o Movi-
mento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a União Nacional 
de Independência Total de Angola (UNITA) e a Frente Nacional de 
Libertação de Angola (FNLA).
Segundo Samba (2018, p. 29), Angola esteve também sob o do-
mínio de holandeses no período de 1641 a 1648, bem como de brasi-
leiros, que conquistaram esse domínio por meio de uma ação armada 
nos meados do século XVIII, cujo término da dominação brasileira 
ter ocorrido pelo fato de Portugal, tendo em conta os seus interesses 
econômicos e políticos, optado pela retirada de todos os funcionários 
ligados ao Brasil e colocado em seu lugar os partidários da metrópole.
O país esteve mergulhado numa guerra civil que sucedeu a 
guerra pela independência, que se pendurou por quase três décadas 
e que originaram a assinatura de quatro acordos de paz, nomeada-
mente, o acordo de Alvor (1975), Bicesse (1991), Lusaka (1994) 
e Luena (2002). Tirando o primeiro acordo que envolveu o gover-
no colonial português e os três movimentos políticos partidários da 
época, os demais envolveram diretamente o Movimento Popular de 
Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional pela Independên-
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cia Total de Angola (UNITA), entretanto, quase todos fracassaram 
na medida em que não produziram na prática os objetivos preconiza-
dos. Somente o último acordo assinado em 2002 conseguiu trazer o 
alcance da tão desejada paz definitiva, que perdura até os dias atuais, 
como afirma Samba (2011), “trazendo assim, os ares de paz que 
paira sobre o contexto angolano”. 
Esse período trouxe muitas consequências para o país, 
sobretudo, no que concerne à destruição das principais infraestrutu-
ras econômicas que a tornam até hoje dependente da importação dos 
bens básicos para as populações, o que é uma das características do 
capitalismo periférico, bem como das infraestruturas educacionais, 
da estagnação da economia e da destruição do tecido social, resul-
tante de incontáveis deficientes físicos e mortes. Há que considerar 
também o êxodo das populações das zonas rurais para as capitais 
das províncias por considerarem possuir melhores condições de se-
gurança e de sobrevivência. 
No que concerne à organização administrativa, até o mês de 
maio de 2024 o país estava dividido em 18 províncias (Estados), 173 
municípios e 618 comunas, tendo como capital a cidade de Luanda 
que foi uma das primeiras cidades, fundada em 25 de janeiro de 
1576 pelo Paulo Dias de Novais que havia chegado ao país com 100 
famílias de colonos e 400 soldados. Entretanto, com as alterações 
decorrentes nos meses de junho a junho do referido ano, a partir do 
próximo ano de 2025 o país passará a contar com 21 províncias, 326 
municípios e 378 comunas.
Figura 1 - Mapa de Angola.
Fonte: .
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Quanto à população, o último censo populacional realizado 
pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2014, aponta para 25 
milhões 789 mil e 24 habitantes, destes seis milhões 945 mil e 386 
vivem na capital do país. Os dados ilustram, também, que a maioria 
da população angolana numa ordem de 65% vive na zona rural e cerca 
de 70% da população é jovem, constituída por crianças, adolescentes 
e jovens. Do universo populacional angolana, 12 milhõesde diferentes compreensões sobre os 
Fundamentos do Serviço Social, algo que já se faz presente nas aná-
lises que o GTP desenvolve sobre as tendências desde sua institui-
ção. No XVII ENPESS, as tendências que mais chamam a atenção 
são: a concepção que identifica os fundamentos sócio-históricos da 
profissão; e a definição que os trata como Fundamentos teórico-me-
todológicos do Serviço Social. 
Embora se deva entendê-las em articulada unidade, os traba-
lhos que trazem os Fundamentos enquanto elementos sócio-históricos 
os percebem como processos que fundam, que gestam e provocam o 
desenvolvimento da profissão, no Brasil. Portanto, os Fundamentos 
do Serviço Social são mais que a simples história da profissão. Eles 
requerem o movimento reflexivo de perceber e analisar a profissão na 
história – enquanto produto dela, respondendo a ela e nela incidindo. 
Neste sentido, tal tendência reafirma a apreensão do Serviço Social 
no movimento da história, resultante de uma construção histórica e 
contextualizada, situando-se na interlocução com processos de repro-
dução social do capitalismo, sendo objeto de múltiplas determinações 
historicamente processadas (Coelho, et al., 2024).
3 Este artigo busca apresentar tendência no que tange à ênfase de fundamentos do XVII 
ENPESS. As tendências acerca da formação e do trabalho profissional serão apresentadas 
no Colóquio do GTP “Serviço Social: Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional” do 
XVIII ENPESS, a ser realizado de 10 a 14 de dezembro de 2024.
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Ademais, importa registrar que em apenas um trabalho foi 
evidenciado que existem diferentes concepções de Fundamentos na 
área. Portanto, é o único artigo, dentre os que foram analisados nesta 
pesquisa, que demonstra a existência de diferentes entendimentos 
quando se trata dos Fundamentos da profissão, embora explicita-
mente não admita a existência de um debate sobre os Fundamentos 
do Serviço Social nem apresenta outra reflexão mais detalhada sobre 
esta temática. 
Este é um aspecto que deve ser considerado em um debate 
que se pretenda profícuo sobre os Fundamentos do Serviço Social, 
também evidenciado na análise das produções oriundas das teses e 
dissertações na atualidade, conforme demonstrado no próximo item.
3. O debate dos Fundamentos do Serviço Social nas dissertações 
e teses da área de Serviço Social (2019/2022)
A área de Serviço Social consolida-se no âmbito da Pós-Gra-
duação como área estratégica no processo de análise da profissão e 
as demandas que se impõem no cotidiano do trabalho profissional. O 
adensamento da formação via Pós-Graduação (lato ou stricto sensu) 
tem sido tanto uma estratégia de fortalecimento do projeto profissio-
nal e afirmação da profissão enquanto área de conhecimento junto 
às agências de fomento (Mota, 2013), assim como nas demandas 
que cada vez mais exigem da classe trabalhadora, principalmente, 
nas categorias de profissões regulamentadas no âmbito da educação 
superior como o Serviço Social, especializações para o exercício nos 
vários espaços ocupacionais em que atuam. Esta é uma particula-
ridade que se observa, inclusive, nas pesquisas nacionais sobre o 
perfil de assistentes sociais no Brasil (CFESS, 2006; 2022, 2024).
Já se demonstrou que, em relação aos trabalhos submetidos 
ao ENPESS, a ênfase “Fundamentos” desponta como aquela com 
menor quantitativo de publicações. No caso da Pós-Graduação stric-
to sensu, cabe deter-se a esta particularidade, considerando ser este 
um espaço de disputa no processo de formação em defesa do que se 
constitui como projeto profissional hegemônico no país que, dife-
rentemente da especialização (lato sensu), pressupõe a submissão 
de um projeto de formação que se articula a um aprofundamento 
- 191 -
teórico e com produto que expresse adensamento de pesquisa, seja 
no mestrado, seja no doutorado.
A Pós-Graduação na área de Serviço Social conta no ano de 
2024 com 38 programas4, localizados em todas as regiões do país, 
sendo: três na Região Norte, três na Região Centro-Oeste, oito na 
Região Sul, 12 na Região Sudeste e 12 na Região Nordeste. Todos 
os programas estão vinculados individualmente às Instituições de 
Ensino Superior, na modalidade acadêmico ensino presencial, sendo 
22 programas com oferta de cursos de mestrado e doutorado e 16 
programas com apenas o mestrado.
A última avaliação quadrienal, do período 2017-2020, que 
abrangeu 36 programas, indica que a área de Serviço Social conso-
lida-se na produção de conhecimento via pós-graduação com oito 
cursos de excelência (notas 7 e 6) distribuídos em quatro regiões ad-
ministrativas (exceto Região Norte); dez cursos com a nota 5 distri-
buídos nas regiões, exceto a Região Centro-Oeste; nove programas 
com nota 4 e nove programas com nota 3, com distribuição em todas 
as regiões administrativas, cada.
Importa trazer estas breves sinalizações, por se considerar o 
crescimento da pós-graduação na área um indicador significativo do 
processo de consolidação da produção do conhecimento em Serviço 
Social. Entretanto, quanto à área de concentração destes programas, 
em levantamento nas páginas dos programas, apenas um explicita os 
Fundamentos, especificamente “Fundamentos e Trabalho Profissio-
nal”. Com relação às linhas de pesquisa, aproximadamente 21% dos 
programas possuem como linha de pesquisa o eixo “Fundamentos, 
Formação e Trabalho Profissional”. Observe-se que 28 programas 
possuem “Serviço Social” em sua denominação.
Chama a atenção que nem todos os Programas possuem dis-
ciplinas que abordam os Fundamentos da profissão, o que pode ser 
explicado pelo fato de que, embora avaliados pela área de Serviço 
Social, na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível 
Superior (CAPES), há programas que se caracterizam tendo por 
centralidade, por exemplo, as políticas públicas, embora por se con-
figurar na área de Serviço Social tenha que atender a um percentual 
mínimo de docentes da área. Há destaque para o fato de que a maio-
ria da oferta de disciplina encontra-se em disciplinas obrigatórias, 
4 Os dados sobre a pós-graduação na área foram extraídos do site da Plataforma Sucupira.
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uma vez que se trata da área de avaliação, mas há disciplinas optati-
vas vinculadas aos Fundamentos do Serviço Social.
Estas anotações podem, inclusive, apontar para o que foi per-
ceptível no levantamento junto às teses e dissertações defendidas 
entre 2019 e 2022: a baixa produção sobre a temática dos Funda-
mentos do Serviço Social se confirma como uma tendência que se-
gue as análises dos trabalhos nos ENPESS. 
No percurso do levantamento proposto, fez-se busca no banco 
de teses e dissertações da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamen-
to de Pessoal de Nível Superior – com os descritores “fundamen-
tos”, “formação-profissional” e “trabalho-profissional”, restringindo 
a busca pela área de conhecimento Serviço Social, que resultaram 
nos dados expressos na Tabela 1.
Tabela 1 - Tese e dissertações nas ênfases Fundamentos, Formação e 
Trabalho Profissional (2019-2022).
Ano Ênfase 
Fundamentos
Ênfase 
Formação
Ênfase 
Trabalho Total
2019 17 33 59 109
2020 10 20 55 85
2021 05 34 54 93 
2022 04 14 53 71
Total 36 101 221 358
Fonte: Sistematização das autoras (2024). 
Em relação às teses e dissertações produzidas entre os anos 
de 2019 e 2022 na área de conhecimento do Serviço Social, utilizan-
do apenas o descritor “serviço social”, encontramos: 754 em 2019; 
597 em 2020; 664 em 2021; e 621 em 2022 - totalizando 2.636 
produções neste intervalo de quatro anos. Deste modo, 358 teses e 
dissertações tratam dos Fundamentos, da Formação e do Trabalho 
Profissional em um universo de 2.636 produções, o que representa 
aproximadamente 13%. Considerando apenas as produções sobre os 
Fundamentos da profissão, este percentual cai para ínfimos 1,36%.
Na ênfase que nos interessa neste artigo, os Fundamentos do 
Serviço Social, encontramos entre os anos de 2019 e 2022 um total 
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de 36 produções, sendo, em 2019 - 12 dissertações499 mil e 
041 são homens e 13 milhões 289 mil e 983 são mulheres, o que mos-
tra claramente que a maioria da população angolana é mulher. Estes 
dados remetem à necessidade da discussão e reflexão das questões de 
gênero no país, bem como da implementação de políticas sociais e 
públicas que atendam este segmento da população.
O país é multicultural, na medida em que se encontra consti-
tuído por diversos grupos étnico-linguísticos, sendo nove subgrupos 
principais, nomeadamente: Bakongo, Ambundu, Lunda-Tchokwé. 
Ovimbundu, Nganguela, Nhaneca-Humbe, Ambó, Herero e Xin-
donga. Para além destes povos acima referidos, que são oriundos do 
grupo bantu, há também outros grupos denominados não-bantu ou 
pré-bantu que são os Khoi, os San1 e os Vátuas. Esta diversidade cul-
tural faz com que o país seja igualmente conhecido como Bilingue, já 
que além da língua portuguesa se fala também as chamadas línguas 
nacionais ou nativas. A estrutura familiar ainda é alargada, embora se 
observe algumas transformações ou mudanças, cuja maior riqueza são 
os filhos em detrimento de outros bens, inclusive, financeiros. 
Sendo parte do capitalismo periférico, Angola apresenta um 
contexto marcado pela extrema pobreza, desigualdades sociais re-
sultantes da má distribuição do rendimento produzido no país, ele-
vada taxa de crianças, adolescentes e jovens fora do sistema normal 
de ensino, que no ano letivo 2024/2025 cuja abertura ocorreu no dia 
30 de agosto, são contabilizados quase um milhão, o número deste 
segmento da população fora da escola (Soares, 2024), o que contribui 
para o aumento da taxa de analfabetismo. Portanto, é um contexto 
que reclama pela instauração de espaços democráticos de participação 
da população, de políticas sociais e da construção de resistências que 
contribuam na superação da crise econômica e financeira que o país 
atravessa desde finais de 2014 e de questões voltadas à má gestão do 
dinheiro público e do combate à corrupção.
1 Este entendimento enquadra-se na perspetiva de Maria (2015) diferente daquela apresentada 
por outros autores que juntam os dois grupos, Khoi e San, que são designados por Khoisan, 
por apresentarem caraterísticas muito semelhantes. 
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2. A Institucionalização do Serviço Social em Angola
Abordar a história do Serviço Social em Angola e do seu pro-
cesso de institucionalização é um desafio permanente. Assim como 
em qualquer realidade, em Angola o Serviço Social também é enten-
dido como profissão comprometida com a superação das diferentes 
expressões da questão social presentes no cotidiano da realidade social 
oriunda do capitalismo através da intervenção do Assistente Social, 
profissional responsável pela materialização dos princípios e valores 
que orientam a profissão. Trataremos da questão social que constitui 
o objeto de trabalho do Serviço Social na perspectiva apresentada por 
Iamamoto e Carvalho (2015) que a entendem como sendo:
As expressões do processo de formação e desenvolvimento da 
classe operária e de seu ingresso no cenário político da socie-
dade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do 
empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da 
vida social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, 
a qual passa a exigir outros tipos de intervenção mais além da 
caridade e repressão.
Neste sentido, a questão social constitui o “conjunto das 
expressões que definem as desigualdades da sociedade como, por 
exemplo, pobreza, raça, etnia, desemprego violência, discriminação 
de gênero” (Iamamoto; Carvalho, 2015), ou seja, determinadas si-
tuações presentes no cotidiano das populações que de alguma forma 
condicionam o seu bem-estar. É por meio destas situações decorren-
tes do contexto da colonização de Angola, por Portugal, de 1482 a 
1975, que se dão as bases do surgimento do Serviço Social no país.
Para dizer que o Serviço Social em Angola surge no alvorecer 
das expressões da questão social marcantes da época em que o país 
se encontrava sob domínio português, isto é, em 1962, com a criação 
da primeira escola de formação de Assistentes Sociais denominada 
Instituto de Educação e Serviço Social Pio XII através da Portaria 
n.º 12.472, de 3 de dezembro de 1962, nos termos do Decreto-Lei 
n.º 44.159, de 18 de janeiro de 1962. Neste sentido, o Serviço Social 
foi o primeiro curso de nível superior a ser criado em Angola, tendo 
como formadores os primeiros assistentes sociais vindos ao país em 
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nome do Estado português de 1962 a 1975 que, além de participa-
rem da criação do curso inauguram também o recém-criado Instituto 
de Educação e Serviço Social Pio XII que foi a primeira e única 
instituição privada de ensino superior em Angola na época.
Monteiro (2016, p. 18) aponta que este processo de institucio-
nalização da profissão de Serviço Social no contexto angolano ocor-
re da relação estabelecida entre a Igreja Católica e o Estado colonial 
português, no intuito de dar respostas concretas às várias situações 
sociais vivenciadas na época, bem como minimizar as razões da luta 
pela independência reivindicada pelos movimentos de libertação. 
Assim sendo, tal como ocorreu em muitas outras realidades do mun-
do, como o Brasil, no contexto angolano também o Serviço Social 
surge com grande influência da Igreja Católica através da sua Dou-
trina Social, já que naquela altura fazia parte da grande burguesia 
capitalista.
O mesmo autor, ao abordar o surgimento do Serviço Social 
em Angola, aponta a necessidade de considerar-se alguns momentos 
históricos marcantes para o desabrochar da profissão, que considera 
como sendo fatores internos e externos. Dentre os fatores internos, o 
autor destaca o tratado do fim ‘‘oficial’’ do trabalho escravo em 1836; 
o fim do trabalho obrigatório em Angola em 1875; o início do trabalho 
livre em 1878; o posicionamento da Igreja Católica diante da questão 
social em 1891, com a publicação da Encíclica Rerum Novarum do 
Papa Leão XIII sobre as condições da classe trabalhadora.
Já no que concerne aos fatores externos aponta o fim da 2ª 
Guerra Mundial em 1945; a divisão do mundo em dois blocos he-
gemônicos: capitalista dominado pelos Estados Unidos da Améri-
ca e socialista sob comando da União Soviética; a proclamação da 
Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU aos 10 de 
dezembro de 1948, entre outros marcos, está também a Indepen-
dência dos países africanos sob inspiração socialista e marxista, o 
trabalho assalariado não obrigatório em 1961. Dizer que até 1962 
registraram-se mudanças na legislação trabalhista da província de 
Angola, referentes à adoção de princípios do direito internacional 
do trabalho.
Sublinhar que a criação, bem como a existência da profissão 
de Serviço Social e sua institucionalização no contexto angolano, 
- 30 -
está intimamente ligada à busca de respostas das necessidades, pro-
blemas e dificuldades, vivenciados pela população que remontam 
desde que o país era colônia portuguesa, com maior ênfase na dé-
cada de 1960 em que se dá o inicio da luta de “libertação” em 4 de 
fevereiro de 1961 que culmina em 11 de novembro de 1975 com 
a proclamação da independência, mas que infelizmente acaba por 
inaugurar outro período de guerra civil, que terminou apenas em 
2002 com assinatura do acordo de Luena como já nos referimo-nos 
anteriormente. É neste contexto, como muito bem frisa Monteiro 
(2016), político-ideológico e econômico-social que se dá a criação e 
a institucionalização do Serviço Social em Angola. 
Analisando os escritos de autores como Monteiro (2016) e 
Félix (2019), conclui-se que de fato o Serviço Social no contex-
to angolano surge da necessidade que o Estado português tinha de 
encontrar respostas às demandas advindas do modo de sociabilida-
de e dos conflitos criados com os nativos, bem como da Igreja que 
olhava as expressões da questão social como um problema moral, 
cuja solução passava pela moralização dos indivíduos envolvidos 
através da Doutrina Social da Igreja, que, aliás, vai servir comobase 
de sustentação da profissão desde a sua origem até os dias atuais, 
sem descartar as várias vertentes da teoria positivista trazidas pelos 
profissionais provenientes de Portugal e de outras geografias, cujos 
resíduos ainda se observam no contexto atual da profissão.
De modo geral, pode-se afirmar, como muito bem pontualiza 
Monteiro (2016), que o processo da “Institucionalização do Servi-
ço Social em Angola se dá em Luanda com a criação do Instituto 
de Educação e Serviço Social PIO XII em 1962, com o intuito de 
formar assistentes sociais, educadoras de família e de infância”, 
profissionais estes que tinham como missão buscar estratégias que 
respondessem de forma concreta os problemas, as necessidades e as 
dificuldades da sociedade da época. A maioria destes profissionais 
formados na referida instituição trabalhava em hospitais, escolas, 
serviços de caminho de ferro, extensão rural, desenvolvimento co-
munitário, entre outros.
O processo de institucionalização do Serviço Social em An-
gola ocorre em três fases distintas, no que concerne à formação de 
Assistentes Sociais no país. A 1ª fase vai de 1962 a 1977, que com-
- 31 -
preende o período em que funcionou o Instituto Pio XII. A 2ª fase 
foi de 1977 a 2005, período em que se observou a ausência da for-
mação de Assistentes Sociais no país, pelo fato da primeira escola 
de formação de Assistentes Sociais no país, ou seja, o Instituto de 
Educação e Serviço Social Pio XII, ter sido encerrada logo depois 
da Independência com o processo do confisco do patrimônio das 
instituições religiosas pelo novo Governo angolano.
Já a 3ª e última fase compreende os anos de 2005 até aos dias 
atuais. É um período que podemos designar de refundação do Ser-
viço Social em Angola, ou seja, período em que se dá o reinício da 
formação de Assistentes Sociais no país depois de 28 anos, impul-
sionado novamente pela Igreja Católica, como outrora, da primeira 
escola de Serviço Social no país ainda colônia portuguesa, mas desta 
vez, com a criação do Instituto Superior João Paulo (ISUP JP II), 
unidade orgânica da Universidade Católica de Angola (UCAN), per-
tença da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST). 
Este mesmo instituto, através do Decreto Executivo n.º 129/19, de 
3 de junho, publicado no Diário da República I Série, n.º 75, cria o 
primeiro e até agora o único mestrado em Serviço Social e Política 
Social no país.
Ainda na senda desta fase, ocorre em 2010 o funcionamento 
do Instituto Superior de Serviço Social criado em 2008 com a inau-
guração das suas instalações em 11 de dezembro do referido ano, 
que até ao presente momento é a única instituição pública no país 
que oferece a formação em Serviço Social. O surgimento desta ins-
tituição nasce da preocupação do Estado angolano com a formação 
de técnicos da área social de nível superior partindo da observação 
do que a Igreja Católica vinha fazendo através do Instituto Superior 
João Paulo II. Entretanto, fruto do processo de reorganização das 
Instituições de Ensino Superior no país, o referido instituto passou 
para Faculdade de Serviço Social constituindo-se, assim, em uma 
das unidades orgânicas da mais nova Universidade da Província de 
Luanda que é a Universidade de Luanda criada à luz do Decreto 
Presidencial n.º 281/21, de 1 de dezembro. 
Atualmente, o país conta com três instituições de formação 
de Assistentes Sociais, sendo duas privadas que são o Instituto Su-
perior João Paulo II da Universidade Católica de Angola, criado em 
- 32 -
2005, e o Instituto Superior Politécnico Católico do Huambo que 
começou a oferta da formação em 2021, bem como uma pública que 
é a Faculdade de Serviço Social da Universidade de Luanda, criada 
em 2008 com funcionamento em 2010. O trabalho dos assistentes 
sociais em Angola encontra respaldo legal no Decreto Presidencial 
n.º 188/12, de 21 de agosto, da Carreira do Trabalhador Social que 
foi revogado pelo Decreto Presidencial n.º 109/22, de 12 de maio, e 
rege-se com os demais instrumentos legais que regulam o trabalho a 
nível nacional e internacional como é o Código de Ética da Federa-
ção Internacional de Trabalhadores Sociais (FITS), pois se tratando 
de uma categoria profissional recente, portanto, não dispõe ainda de 
um Código de Ética Profissional que determine os marcos da regu-
lação e autorregulação da profissão no país.
Em 2008, são dados os primeiros passos da criação do movi-
mento associativo dos assistentes sociais em Angola, ou seja, da 
Associação dos Assistentes Sociais de Angola (AAS-ANGOLA), 
resultante do interesse manifestado pelo primeiro grupo de finalistas 
do curso de Serviço Social do Instituto Superior João Paulo II da 
Universidade Católica de Angola, que ganhou corpo em 2009 com 
a constituição de grupos de trabalho, na vertente de investigação, 
todos eles compostos por profissionais e estudantes finalistas e que 
também passaram a organizar o evento comemorativo do Dia Mun-
dial de Serviço Social que acontece nas terceiras terças-feiras do 
mês de março de cada ano.
Entretanto, a iniciativa da criação da Associação se consolida 
em 2012, fruto da insistência de um grupo de profissionais, na sua 
maioria do segundo grupo de formados do Instituto Superior de Ser-
viço Social em que se juntaram outros profissionais para a formação 
do grupo que se denominou de grupo de reflexão para se entender 
de fato o que se queria realmente. Através das reflexões feitas, o 
grupo concluiu pela criação da Associação dos Assistentes Sociais 
de Angola, tendo sido criada uma subcomissão de três membros que 
tiveram a responsabilidade de trabalhar na proposta dos Estatutos 
que foi apresentada e discutida em vários encontros com os profis-
sionais, cuja assembleia constituinte ocorreu no dia 13 de abril de 
2013, com aprovação dos Estatutos que se encontram publicados no 
Diário da Republica III Séria, n. 182, de 22 de setembro de 2014, 
e a eleição dos presidentes dos órgãos sociais que posteriormente 
criaram os seus grupos de trabalho. 
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Atualmente, a Associação conta com mais de 300 associados, 
um número considerado pequeno tendo em conta o número de pro-
fissionais existentes no país. Dentre as atividades desenvolvidas no 
processo de afirmação da Associação, se destacam: os encontros de 
formação permanente dos Assistentes Sociais que se denominaram 
ciclos de formação com dois encontros em cada semestre; os encon-
tros semestrais com os estudantes de Serviço Social das duas insti-
tuições formadoras do país, com o intuito de se criar um espaço de 
discussão e reflexão da formação profissional; os encontros anuais 
de comemoração do Dia Mundial do Assistente Social; a realização 
de convívios com os profissionais e os encontros mensais de avalia-
ção e planificação de atividades, com o objetivo de dar visibilidade 
à profissão no país.
3. Formação e Trabalho Profissional no Contexto Angolano
Abordamos neste tópico, a questão da formação de um lado 
e do outro o trabalho profissional do Assistente Social em Angola, 
lembrando que como profissão o Serviço Social está inserido na di-
visão sociotécnica do trabalho, espaço em que o Assistente Social 
vende/emprega a sua mercadoria, ou seja, sua força de trabalho a 
um preço estabelecido e oficializado pela instituição que trabalha, 
denominado salário mensal.
Relativamente à formação de Assistentes Sociais no contexto 
angolano, quer na época colonial como na atual, a mesma é de nível 
superior e tem a duração de quatro anos repartidos em oito semes-
tres. Além das disciplinas que formam a grelha curricular do cur-
so, são oferecidos aos estudantes durante o seu processo formativo 
momentos de estágio supervisionado, desde o segundo semestre do 
primeiro ano, denominado de observatório social. No segundo ano, 
é oferecido o estágio de instituição, enquanto no terceiro e quarto 
anos o estágio de intervenção, culminando a formação com a defesa 
do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
O processo de supervisão do estágio apresenta muitosdesa-
fios, sobretudo, na Faculdade de Serviço Social da Universidade de 
Luanda, uma vez que nem todos os estudantes são acompanhados 
ou supervisionados por Assistentes Sociais, exceto os do terceiro e 
- 34 -
do quarto ano, dado o número reduzido de docentes com formação 
na área, um cenário bem diferente do que ocorre no Instituto Supe-
rior João Paulo II da Universidade Católica de Angola. Para atenuar 
esta situação, as duas instituições contratam anualmente Assistentes 
Sociais que são ex-estudantes para realizarem o processo de super-
visão por quatro a cinco meses, com pagamento de um subsídio de 
incentivo, mas que não reflete o trabalho desenvolvido.
Dentre os vários problemas vivenciados no processo da for-
mação profissional dos Assistentes Sociais, acreditamos que o não 
acompanhamento dos estudantes no processo de estágio por profis-
sionais formados na área constitui o maior desafio, pois esta situação 
cria alguns conflitos entre os estudantes e os supervisores, por in-
compatibilidade na formação, sobretudo, naqueles pontos relaciona-
dos com a intervenção ou a especificidade da formação como a rea-
lização do diagnóstico social, a elaboração da proposta interventiva 
a partir deste diagnóstico social realizado, a execução da proposta e 
o seu processo de avaliação, etapas que muitos dos professores não 
assistentes sociais apresentam desconhecimento e dificuldade.
Monteiro (2016, p. 197), fazendo uma análise da formação 
do Assistente Social no contexto angolano, diz que a mesma ainda 
está como no tempo colonial que é voltada para a intervenção, ou 
seja, uma formação muito mais preocupada com a tecnificação do 
profissional, em que se dá maior importância para o aparato de dis-
ciplinas voltadas ao domínio da informática, gestão de projetos so-
ciais, intervenção social, entre outras, mas sem a existência de uma 
teoria social “hegemônica”, o que demonstra fronteiras muito tênues 
entre um ecletismo desavisado e um pluralismo inconsciente. Esta 
conclusão do autor resulta da análise de 93 Trabalhos de Conclusão 
de Curso no âmbito do seu doutorado, nas duas das três instituições 
de formação existentes no país.
Diante deste cenário, o autor afirma que no atual contexto de 
Angola, apesar da formação de Assistentes Sociais mostrar-se pro-
gressista e crítica, ela se encontra infelizmente dentro da mesma or-
dem que a demanda, legítima e coexiste. Além disso, se observam 
perspectivas funcionalista-sistêmicas ao sabor neotomista, como as 
denomina o autor, mas também de outras perspectivas psicologi-
zantes e estrutural-funcionalistas em que os princípios norteadores 
fragmentam a história, tratam os processos como fatos sociais isola-
- 35 -
dos e responsabilizam os sujeitos individualmente pela sua condição 
socioeconômica. 
Esta realidade descrita acima acaba não contribuindo naquilo 
que se espera dos profissionais, sobretudo, na questão da emancipa-
ção humana e social dos indivíduos com os quais trabalham, embora 
isto não signifique que não existam no interior da profissão e da 
formação outras perspectivas teóricas que vão pressionando estas 
que são hegemônicas.
Atualmente, são mais de mil assistentes sociais em Angola, 
sendo que a sua maioria se formou nas duas das três instituições 
em pleno funcionamento no país, nomeadamente, o Instituto Supe-
rior João Paulo II (ISUP JP II) da Universidade Católica de Angola 
(UCAN) e a Faculdade de Serviço Social (FSS) da Universidade 
de Luanda (UniLuanda). Há também assistentes sociais formados 
em outras partes do mundo como Brasil, Portugal, Alemanha apenas 
para citar alguns. Além das duas instituições formadoras acima refe-
ridas, há ainda no país duas instituições católicas com curso de Ser-
viço Social já aprovado. O Instituto Superior Politécnico Católico 
do Huambo (ISPOC) que arrancou com a formação destes profissio-
nais em 2021, estando neste ano letivo de 2024/2025 com a primei-
ra turma de finalistas e o Instituto Superior Politécnico Católico de 
Benguela que ainda não está com o curso em funcionamento devido 
à falta de candidatos. 
Já quanto ao trabalho profissional do Assistente Social, que 
como aponta Samba (2018) constitui “ao mesmo tempo necessidade 
vital, obrigação social e dever moral, cuja contrapartida é o status 
social que confere e a satisfação pessoal que proporciona”, em An-
gola tal desiderato ocorre em várias instituições públicas e privadas, 
espaços sócio-ocupacionais em que também são realizados os está-
gios supervisionados referenciados acima. 
Dentre os campos sócio-ocupacionais existentes, a maioria 
dos Assistentes Sociais formados no país está na área da Educação, 
embora não trabalhem como Assistentes Sociais, e sim como pro-
fessores, já que não existe ainda uma legislação no país que obrigue 
a inserção de Assistentes Sociais na política da educação, a exem-
plo do Brasil. Considerar também que muitos Assistentes Sociais 
em Angola estão inseridos ou empregados em instituições públicas, 
- 36 -
com destaque para o setor da Saúde, como ocorre em outras realida-
des do mundo, como o Brasil em que o Estado acaba sendo o maior 
empregador dos Assistentes Sociais.
O fato da maioria dos Assistentes Sociais estarem emprega-
dos no setor público mostra claramente que as formas de contratação 
são os concursos públicos. Já os que se encontram no setor privado 
são contratados através de assinaturas de contratos que, obedecendo 
à nova legislação trabalhista em vigor no país, deveriam ser de tem-
po indeterminado. Porém, quer no setor público como no privado, os 
Assistentes Sociais se debatem com as condições de trabalho que, na 
sua maioria, não são ainda muito favoráveis aos desafios colocados 
nas áreas em que estão inseridos, o que de alguma forma comprome-
te o êxito das ações de suas intervenções.
Além da inserção na educação, na qualidade de professores e 
na saúde, principalmente em hospitais e serviços de saúde das For-
ças Armadas Angolanas, no contexto angolano, os Assistentes So-
ciais estão igualmente inseridos em instituições de proteção social 
como centros de acolhimento de crianças e adolescentes em situa-
ção de rua e desproteção social, lares de terceira idade, Polícia Na-
cional, Organizações Não-Governamentais (ONGs), Universidades 
para os Assistentes Sociais que se encontram na carreira docente, 
autônomos, entre outros. Apesar disto, há também um número ainda 
considerável de Assistentes Sociais que não estão enquadrados 
no mercado de trabalho, já que são observados poucos concursos 
públicos que absorvam estes profissionais.
Desde o surgimento do Serviço Social em Angola, o primeiro 
e único concurso público realizado no país e que absorveu um nú-
mero considerável de Assistentes Sociais foi aquele realizado pelo 
Ministério da Saúde em 2022, que permitiu o enquadramento em 
2023 de um total de 100 (cem) profissionais Assistentes Sociais, dos 
quais 64 (sessenta e quatro) no órgão central que corresponde ao 
Ministério da Saúde e aos hospitais regionais e 36 (trinta e seis) As-
sistentes Sociais nos Gabinetes Províncias da Saúde, concretamente 
em hospitais provinciais. Em agosto deste ano, foram contratados 
mais 46 (quarenta e seis) assistentes sociais que não haviam sido 
chamados na 1ª fase do referido concurso.
Assim sendo, constituem demandas de intervenção dos As-
sistentes Sociais em Angola, os trabalhos de proteção e reinserção 
- 37 -
sociofamiliar de crianças e adolescentes em situação de acolhimento 
institucional, trabalhos com famílias em situação de extrema pobre-
za através da operacionalização de políticas sociais, a exemplo do 
Kwenda, mediação de conflitos familiares, fuga à paternidade, que 
contribui para que muitas crianças e adolescentes façam o uso de 
drogas e outras substâncias psicoativas ou se envolvam em atos in-
fracionais, bem como o abandono e a violência nas suas diferentes 
dimensões. Esta realidade acima descrita acaba por constituir um 
conjunto de desafios para os Assistentes Sociais e a profissão comoum todo, dos quais se destacam:
- Necessidade urgente de atualização da grelha curricular do 
curso nas instituições de formação existentes no país, dado o 
contexto de transformação constante que se observa no mun-
do do trabalho em geral e na sociedade angolana em parti-
cular, que acabam por exigir um profissional cada vez mais 
qualificado e polivalente;
- Reorganização e redinamização urgente da Associação dos 
Assistentes Sociais, para a constituição de uma categoria pro-
fissional com consciência de classe trabalhadora e a favor dos 
trabalhadores e capaz de se posicionar diante das várias situa-
ções decorrentes na sociedade, emitindo pareceres em defesa 
da vida, da democracia, da justiça e da efetivação de direitos 
constitucionalmente consagrados;
- Elaboração de instrumentos legais da profissão para o país, 
tais como o código de ética fundamentado na emancipação da 
pessoa humana, projeto ético-político, currículo mínimo da 
formação de Assistente Social e demais documentos que se 
considerem necessários para a sua efetivação;
- Transformação da Associação dos Assistentes Sociais de 
Angola para uma Ordem dos Assistentes Sociais de Angola, 
o que dará mais consistência à construção da categoria pro-
fissional no país, sobretudo, no que concerne a fiscalização 
das ações dos Assistentes Sociais no processo de intervenção 
profissional;
- Maior articulação dos Assistentes Sociais com a classe tra-
balhadora em geral, como os sindicatos e os diferentes Movi-
mentos Sociais existentes no país;
- 38 -
- Garantia da formação contínua dos Assistentes Sociais com 
temas que contribuam na qualificação das suas intervenções 
junto dos usuários de seus serviços, nos diferentes espaços 
sócio-ocupacionais em que estão inseridos.
Considerações finais
Atendendo à discussão apresentada ao longo da nossa aborda-
gem, conclui-se que o Serviço Social surge e se institucionaliza na 
Angola colônia, mais concretamente em 1962, resultante da relação 
estabelecida entre o governo colonial português e a Igreja Católica 
através da criação do que foi a primeira instituição de ensino supe-
rior em Angola que é o Instituto de Educação e Serviço Social Pio 
XII, de setor privado, no intuito de amenizar as expressões da ques-
tão social da época, incluindo aquelas que fundamentavam as lutas 
de libertação nacional reivindicada pelos três movimentos políticos 
que existiam no país. 
Considerar também que este processo de institucionalização 
do Serviço Social no contexto angolano, teve 03 (três) fases distintas 
sendo a primeira que vai de 1962 a 1975 com a criação e funciona-
mento do Instituto de Educação e Serviço Social PIO XII, a segunda 
que compreende os anos de 1977 a 2005, período considerado de 
congelamento da formação de Assistentes Sociais em Angola devi-
do ao processo de encerramento do referido Instituto com o confis-
co das instituições religiosas no novo governo e a terceira e última 
fase, que vai de 2005 aos dias atuais, com a retomada da formação 
dos Assistentes Sociais através da criação do Instituto Superior João 
Paulo II, da Universidade Católica de Angola, pertença da Confe-
rência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e, posteriormente, 
do Instituto Superior de Serviço Social, hoje Faculdade de Serviço 
Social da Universidade de Luanda.
No âmbito da formação em Serviço Social, o país conta com 
três instituições acima referenciadas, nomeadamente, o Instituto Su-
perior João Paulo II (ISUP JP II) da Universidade Católica de Ango-
la (UCAN), a Faculdade de Serviço Social (FSS) da Universidade 
de Luanda (UniLuanda) e o Instituto Superior Polítécnico Católico 
do Huambo (ISPOC). Entretanto, existe outra instituição com cur-
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so de Serviço Social aprovado pelo Ministério de Ensino Superior, 
Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), que é o Instituto Supe-
rior Politécnico Católico de Benguela (ISPOCAB), cujo funciona-
mento do mesmo depende da existência de candidatos. Por outra, a 
formação tem a duração de quatro anos em ambas as instituições e 
no percurso da formação, além das disciplinas curriculares, os estu-
dantes têm o estágio supervisionado desde o segundo semestre do 
primeiro ano até ao último ano, sendo a finalização do curso feita 
com base na defesa de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Relativamente ao trabalho profissional, os Assistentes Sociais 
desenvolvem as suas atividades no setor público e privado, embora 
a maioria esteja enquadrada no setor público, sobretudo na área da 
Saúde, entre outras, em instituições como hospitais, Forças Armadas 
Angolanas, Centros de Acolhimento de Crianças e Adolescentes em 
situação de rua e desproteção social e no setor privado, além das 
instituições já referenciadas, estão também nas Organizações Não-
-Governamentais (ONGs). Na grande maioria das vezes o processo 
de inserção é feito via concurso público e contratos de trabalho. A 
existência de poucos concursos públicos faz com que ainda haja um 
número considerável de Assistentes Sociais desempregados.
Portanto, o Serviço Social no contexto angolano é uma profis-
são ainda em crescimento e tem enfrentado vários desafios, embora 
constitua uma peça fundamental no processo de reconstrução do 
país, sobretudo, na busca de estratégias e alternativas necessárias 
para a superação das diferentes expressões da questão social aí pre-
sentes, dado o acúmulo de conhecimentos, competências e habilida-
des de seus profissionais. 
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-criancas-fora-da-escola/ Acesso em: 10 de set. 2024.
- 41 -
CAPÍTULO 2
SOCIAL WORK IN THE WORLD: 
Australia
Margaret Alston
Introduction
If we are to understand social work in Australia, we must first 
acknowledge the development of modern Australia and the roles 
that social workers have played in reinforcing our colonial past. 
Australia’s recent history is steeped in colonialism and conquest and 
social work has not been blameless

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