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AULA 02- PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CACHAÇA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO DISCIPLINA: TECNOLOGIA DO ÁLCOOL E DA AGUARDENTE. PROFª: ELIANE MEDEIROS FLUXOGRAMA DA PRODUÇÃO DE CACHAÇA MATÉRIA-PRIMA MATÉRIA-PRIMA O produtor deve escolher as variedades que melhor se adaptem ao solo, período de safra e clima de sua região, levando em conta as características de produtividade, riqueza em açúcar e facilidade de fermentação. Saccharum officinarum L. Vantagens: pouca fibra, muito rica em açúcar. São conhecidas como nobres ou tropicais, tais como: caiana, creoula, manteiga, riscada, etc. Desvantagens: exigente em solo, susceptíveis à muitas doenças, principalmente o mosaico. Saccharum spontaneum L. Vantagens: pouco exigente em solo e clima; resistência a doenças, principalmente o mosaico. Desvantagens: muita fibra, pobre em açúcar. ESPÉCIES DE CANA-DE-AÇÚCAR Saccharum sinense Roxb Vantagens: grande desenvolvimento radicular, boa adaptabilidade a solos pobres e secos. Desvantagens: colmos fibrosos, riqueza apenas regular em açúcar. Saccharum barberi Jesw Vantagens: maior tolerância a baixas temperaturas. Desvantagens: muito grossas, fibrosas, pobres em açúcar, susceptíveis ao mosaico. Saccharum robustum Jesw Vantagens: maior tolerância à umidade do solo. Desvantagens: muito grossas, fibrosas, pobres em açúcar, susceptíveis ao mosaico. QUALIDADE E PRODUTIVIDADE DA MATÉRIA- PRIMA Para evitar problemas, o produtor deve escolher variedades que ofereça: • alto teor de sacarose, • fácil despalha, • resistência ao tombamento, • baixo teor de fibras, • resistência às principais pragas e doenças, e boa produção por hectare. Tipos utilizados para cachaça: SP 76-5418, SP 79-1011, SP 80-1842, RB 72-454 e RB 76-5418. RB – República do Brasil (PLANALSUCAR) SP – São Paulo (COPERSUCAR) QUALIDADE E PRODUTIVIDADE DA MATÉRIA-PRIMA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE DA MATÉRIA-PRIMA Instituto Agronômico (IAC), de Campinas CANAVIAL DESTINADO À PRODUÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA CANAVIAL DESTINADO À PRODUÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA CANA-DE-AÇÚCAR EM INFLORESCÊNCIA COMPOSIÇÃO QUÍMICA MÉDIA DOS COLMOS DA CANA-DE-AÇÚCAR SISTEMAS DE DETERMINAÇÃO DA MATURAÇÃO DA CANA a) Refratômetro de campo: é um aparelho de simples manejo, preço relativamente baixo e que fornece leitura direta de °Brix (% de sólidos solúveis) do caldo. REFRATÔMETRO REFRATÔMETRO SISTEMAS DE DETERMINAÇÃO DA MATURAÇÃO DA CANA b) Calcular o Índice de Maturação (IM), dividindo os valores encontrados na ponta pelos encontrados na base, tirando-se a média das amostras (IM = °Brix ponta/°Brix base). SISTEMAS DE DETERMINAÇÃO DA MATURAÇÃO DA CANA c) Análise Tecnológica: análise completa da matéria-prima é o melhor referencial de maturação, mas nem sempre está ao alcance do pequeno produtor. Para esta análise utiliza-se amostras de 12-15 colmos seguidos na linha, prensadas e avaliando os teores de Brix, Pol e Açúcares Redutores. Polarização (Pol): Também chamada sacarose aparente. É feita pela leitura, em aparelhos chamados polarímetros e sacarímetros. CURVAS DE MATURAÇÃO DE VARIEDADES PRECOCE, MÉDIA E TARDIA PUI: período útil de industrialização VARIEDADES PRECOCE, MÉDIA E TARDIA O uso de pelo menos três variedades de ciclos de maturação diferentes é essencial para a produção de cachaça com rendimentos satisfatórios e maior lucratividade. Indica-se uma distribuição das variedades em 20% para as precoces, 60% para as médias e 20% para as tardias. DIMENSIONAMENTO DE UM CANAVIAL Produção anual? 240 litros diários x 180 dias de produção = 43.200 litros de cachaça. Toneladas de cana anual? (Produção anual/ rendimento industrial médio): 43.200/100 = 432 toneladas de cana. hectares plantados com cana? 432 toneladas de cana anual/75 toneladas de cana por hectare = 5,76 hectares plantados com cana. área de renovação?20% de 5,76 hectare = 1,15 hectare de cana área total? aproximadamente7,0 hectares de cana para suprir a demanda de toda a fábrica durante um ano de produção. EXEMPLO: • Produção diária: 240 litros de cachaça; • Jornada de trabalho: 8 horas; • Período de safra: 180 dias; • Rendimento agrícola médio: 75 toneladas de cana por hectare; • Área de renovação: 20% da área total de corte; • Rendimento industrial médio: 100 litros de cachaça por tonelada de cana. DIMENSIONAMENTO DE UM CANAVIAL EXERCÍCIO: RESP.: 400 m2 PREPARO DO CALDO Corte e transporte PREPARO DO CALDO A prática de queimar os canaviais é um fator prejudicial à qualidade da cachaça, embora facilite a colheita da cana-de- açúcar. Tal conduta acelera a deterioração da cana, ainda no campo, pela inversão da sacarose. Além disso, acarreta o acúmulo de cinzas nas dornas de fermentação, interferindo negativamente no processo fermentativo. Corte e transporte PREPARO DO CALDO No que se refere ao paladar da cachaça, identifica-se com certa facilidade o gosto de queimado (associado ao aumento do teor de furfural, hidroximetilfurfural e compostos correlatos), o que deprecia a qualidade do produto. PREPARO DO CALDO Transporte Como forma de prevenir contaminação e evitar a degradação devido ao contato com o solo, é recomendável que se descarregue a cana colhida sobre uma mesa suspensa, devidamente adaptada com cordas ou correntes, a fim de facilitar a descarga. PREPARO DO CALDO PREPARO DO CALDO Moagem artesanal Moendas com 1 único terno sem embebição do bagaço Rendimento de extração de 60% PREPARO DO CALDO Moagem industrial Moendas com ternos múltiplos (até 5) Embebição do bagaço rendimento de extração chega a 97 % PREPARO DO CALDO Rendimento da Extração A eficiência da extração de uma moenda pode ser medida dividindo a quantidade de caldo extraído pela quantidade total de caldo presente nos colmos. Essa eficiência depende: • regularidade e uniformidade na alimentação dos colmos na moenda; • regulagem da moenda; • velocidade dos cilindros; • tipos de ranhuras; • uso de soldas nos cilindros; • porcentagem de fibra da cana, preparo da cana • uso da técnica da embebição. PREPARO DO CALDO A escolha da moenda adequada deve contemplar, além da capacidade de extração, o isolamento de óleos e graxas da área de operação, a facilidade de higiene e limpeza após operação diária e facilidade na aquisição de peças para reposição, assistência e manutenção técnica. Moenda PREPARO DO CALDO Após a primeira passagem da cana, resta o bagaço contendo em torno de 35% a 40% de caldo. Um segundo esmagamento torna- se mais eficiente, se for utilizada a técnica da embebição, que através da adição de água no bagaço. A embebição, associada ao emprego de picadores e desfibradores, permite aumentar a eficiência de extração. Técnica de embebição O caldo deve ser filtrado e decantado para separação de impurezas, antes de entrar nas dornas de fermentação. Recomenda-se o uso de tela de aço inoxidável com malha de 1,0 mm de abertura. Limpeza do caldo PREPARO DO CALDO Decantador Volume total em litros, V = 1/3 Q(vazão da moenda em litros por hora), para que o tempo de residência do caldo seja de 20 min. MEDIÇÃO DO BRIX Brixímetro comum Medição do teor de açúcar inicial (20o Brix). PREPARO DO MOSTO PREPARO DO MOSTO O cálculo da quantidade de água a ser adicionada no caldo de cana para ajuste do °Brix pode ser feito utilizando o diagrama Cruz de Cobenze (ou regra das Misturas). Exemplo: