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Edema Edema é o acúmulo de líquido de forma desequilibrada. O corpo tem em média dois terços do peso composto por água, e a maior parte é intracelular e 1/3 fora das células, no meio extracelular → interstício e nos vasos sanguíneos. Forças de Starling – forças que regem a distribuição entre os dois compartimentos extracelulares (interstício e intravascular) → se tiver desequilíbrio → líquido sai do vaso para o interstício edema. Temos a pressão oncótica plasmática é a pressão exercida pelas proteínas e a pressão hidrostática vascular é a pressão da água nos vasos sanguíneos Temos uma alta pressão hidrostática intravascular na artéria que é maior que a pressão oncótica intravascular → sai líquido para o interstício. Já na veia, a pressão hidrostática é menor e a pressão oncótica intravascular se torna maior → água retorna para o vaso Quando temos perda de proteínas → a pressão oncótica na veia estará baixa e não consegue puxar água → distúrbio nas forças de Starling O indivíduo com cirrose tem um ↑pressão intravascular na veia porta por ↑pressão hidrostática → sangue sai da veia porta para a cavidade abdominal e não consegue ser reabsorvido pelos vasos → ascite Obstrução dos vasos sanguíneo (trombo) → ↑pressão hidrostática → líquido sai Retenção de sódio → retém mais água → ↑pressão hidrostática REDUÇÃO DA PRESSAO ONCÓTICA (PROTEICA) A albumina é a principal proteína intravascular, produzida no fígado a partir de substratos da alimentação. Na síndrome nefrótica → ↑perda de albumina nos glomérulos renais, normalmente ela está acoplada a bilirrubina indireta e assim não é filtrada nos rins, mas em processos inflamatórios renais temos a perda de proteínas por ↑permeabilidade dos vasos. Se tem ↓albumina no sangue → ↓pressão oncótica → não consegue puxar água para dentro do vaso → edema Diminuição da síntese de albumina → paciente com insuficiência hepática tem pouca produção, e com baixa ingesta de proteínas para substrato, e pacientes com síndrome de má-absorção intestinal (colites, doença celíaca, DII) AUMENTO DA PRESSAO HIDROSTÁTICA o Insuficiência cardíaca – devido ao aumento da pressão hidrostática → sangue que chega ao coração pela veia cava inferior → se tiver insuficiência cardíaca direita não consegue bombear e terá refluxo → edema de cavidade e de mmii o Pericardite – a inflamação do pericárdio que fibrosou → coração não se enche de forma eficaz → ↓débito cardíaco → sangue retorna para as veias cavas o Obstrução de veia cava o Trombose venosa profunda – trombo obstrui a veia poplítea, por exemplo, e o sangue não consegue passar além da veia → ↑pressão hidrostática → não consegue puxar o líquido → edema o Obstrução de veia porta Distúrbios combinados: Paciente com cirrose e etilista crônico → fibrose hepática → evolui com insuficiência hepática → ↓produção de albumina → ↓pressão oncótica → edema generalizado, pois tem hipoalbuminemia (sistêmica). Aumento da pressão hidrostática portal → assim o sangue não consegue sair da veia porta → extravasamento de liquido para a cavidade abdominal → ascite Aumento da permeabilidade abdominal: a parede do vaso sanguíneo não deve permitir a passagem de albumina, mas se tiver algum distúrbio inflamatório →↑permeabilidade vascular → saída de proteínas para o interstício → água passa por osmose junto às proteínas → edema local (erisipela, por exemplo). Em casos generalizados – infecção sistêmica, como a sepse → inflamação vascular sistêmica → saída de proteínas por todo o corpo → edema generalizado Quando tem o desequilíbrio de Starling e o paciente está perdendo líquido para o interstício → paciente com ↓volume sanguíneo arterial → no rim a artéria aferente leva menos sangue → baixa perfusão renal vai estimular a liberação de ADH para aumentar a reabsorção de água, e ao mesmo tempo ativa o sistema renina angiotensina → faz vasoconstrição de arteríolas eferentes → ↑reabsorção de sódio → ↑reabsorção de água nos túbulos proximais e distais Causas de edema localizado: o Obstrução venosa – TVP de veia poplítea o Obstrução linfática – os vasos linfáticos ajudam a drenagem do interstício e depois joga o líquido na veia novamente, por exemplo, a retirada de linfonodos axilares por câncer de mama → sem drenagem pode haver acúmulo de líquido o Inflamação aguda – processo infeccioso localizado, como a erisipela → ↑permeabilidade vascular o Mixedema (hipotireoidismo) – acúmulo de proteínas no interstício em mmii ou infraorbitário → saída de água Causas de edema generalizado: o Edema de insuficiência cardíaca – contração cardíaca fraca → retorno de sangue para as veias → ↑pressão hidrostática vascular → extravasa líquido o Edema renal – perda de albumina → → hipoalbuminemia generalizada → acúmulo de líquido intersticial generalizado o Edema da cirrose hepática (misto) – hipoalbuminemia e ↑pressão na veia porta o Edema de origem nutricional – má alimentação ou doença de má absorção intestinal de proteínas → ↓aminoácidos o Edema alérgico - ↑permeabilidade capilar sistêmica Semiologia do edema Localização – localizado ou generalizado Intensidade – compressão digital “sinal de Godet”→ graduado em cruzes de + a ++++ Consistência – duro (resistência maior ao se fazer a fóvea, pois tem tecido fibroso) ou mole (facilmente depressível) Elasticidade – elástico (desaparece rapidamente a fóvea – inflamatório) e inelástico (demora para desaparecer a fóvea – nefropatias, ICC) Temperatura – normal, quente (edema inflamatório) ou frio (déficit circulatório – TVP) Sensibilidade – doloroso (inflamatório) e indolor (a maioria) Cor da pele – normal (síndrome nefrótica, ICC), pálida/cianótica (déficit de circulação), vermelha (inflamação – oclusão venosa → congestão) e dermatite Ocre (edema causado por varizes na região distal de mmii → acúmulo de sangue → deposição de ferro) Principais causas: o Síndrome nefrótica, nefrítica, pielonefrite o ICC - ↑pressão hidrostática o Cirrose hepática – tanto por hipoalbuminemia (edema sistêmico) e ascite devido à hipertensão portal o Mixedema – acúmulo de proteínas (não esclarecido) → localizado Isabel Santos o Alergias o Varizes – edema localizado o TVP – edema localizado o Flebite – inflamação vascular de vasos mais superficiais → edema localizado o Linfedema – obstrução de vasos linfáticos, por tumor, inflamação infecciosa Edema localizado Obstrução venosa (↑pressão hidrostática) → Varizes de mmii – edema mole e discreto, e se for crônico será duro e inelástico com aparecimento de dermatite Ocre (deposição de hemossiderina na pele) TVP – mole, intenso, com pele pálida ou cianótica Flebite – processo inflamatório de vasos superficiais → ↑permeabilidade capilar → extravasa líquido → edema leve a moderado, elástico, doloroso, calor, rubor Edema postural - ↑pressão hidrostática nos mmii – leve a moderado, indolor, desaparece ao decúbito dorsal Edema generalizado Edema da insuficiência cardíaca - Generalizado com predomínio em MMII, vespertino, pré-sacral em acamado, mole, inelástico e indolor, com fóveas grande, ↑pressão hidrostática e hiperaldosteronismo secundário (retenção de água e sal) Edema de origem renal – generalizado com predomínio facial, matutino, mole, inelástico e indolor. Na síndrome nefrótica é muito intenso e com derrames cavitários associados. Na síndrome nefrítica é discreto a moderado. Edema da cirrose – edema misto, mas com predomínio em mmii, mas é mais discreto comparado a ICC, e geralmente a ascite é frequente. É mole, inelástico e indolor → fazer exame físico abdominal para localizar ascite → edema misto causado por hipoalbuminemia e aumento da pressão hidrostática na veia porta. Edema da desnutrição proteica – baixa ingesta; mole, inelástico e indolor, principalmente em mmii (Kwashiorkor – desnutrição proteica em crianças → pode evoluir com o edema generalizado) Edema alérgico– pode ser generalizado, começa na face com instalação súbita, edema mole e pouco elástico, ↑permeabilidade capilar (histamina) Abordagem diagnóstica Anamnese + exame físico Na causa cardíaca → dosagem de proteínas estão normais; na causa renal terá proteinúria → hipoproteinemia → dosa as proteínas séricas e totais Pancreatite aguda Localizados na cavidade retroperitoneal – pâncreas, baço, rins Possui cauda, corpo, cabeça e processo uncinado. O ducto colédoco entra no pâncreas na parte distal e se une ao Ducto de Wirsung (ducto pancreático principal) que despeja toda a secreção pancreática e desembocam na papila de Vater, se um cálculo de via biliar obstruir a papila → pancreatite e refluxo biliar, podendo causar colangite e icterícia Funções endócrinas – produção de insulina, glucagon, somatostatina, polipeptídeo pancreático Funções exócrinas – amilase, lipase, quimiotripsinogênio, tripsinogênio → enzimas digestivas Pancreatite aguda – inflamação da glândula que se tratada por retornar ao normal, e a grande maioria é leve, causando a congestão, edema e dor, mas se perpetuar pode causar lesões e sangramentos com necrose acentuada (forma grave) Etiologia – doença do trato biliar e alcoolismo o Cálculos biliares – refluxo biliar para o ducto pancreático → enzimas produzidas pelo pâncreas começam a digeri-lo o Álcool – espasmo anormal do esfíncter de Oddi → acumula bile e secreção pancreática Ação tóxica direta dos subprodutos do álcool o Obstrução pancreática – tumor de cabeça de pâncreas o Medicamentos – imunossupressores o Toxinas – veneno de escorpião, inseticidas, organofosforados o Hipertrigliciridemia – importante causa de pancreatite o Distúrbios genéticos o Traumas abdominais o Idiopática – mesmo sem ter certeza da causa retira a vesícula pois pode ter microcálculos que não são vistos no exame o Pós CPRE – exame endoscópico da via biliar e pancreática que pode causar a pancreatite por inflamar a papila Fisiopatologia Obstrução ductal: a colelitíase causa a obstrução da papila; o alcoolismo causa o espasmo da papila e dificulta o escoamento da secreção pancreática → retorno para as vias pancreáticas → edema → compressão do vasos → isquemia → lesão das células acinosas por autodigestão É uma doença considera sistêmica porque a inflamação cai na corrente sanguínea para o corpo todo, e numa forma mais grave desenvolve a síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS) → taquicardia, febre, hipotensão, confusão mental, ↑ureia e creatinina → desenvolve tardiamente a síndrome da disfunção de múltiplos órgãos (SDMO) Quadro clínico: o Dor abdominal em abdome superior e pode irradiar para o dorso →”dor em faixa” associada a náuseas e vômitos, pois o estômago fica acima do pâncreas e na pancreatite vai irritar o estômago o Icterícia – se tiver obstrução da papila → não tem passagem da bilirrubina o Dor à palpação superficial e à descompressão brusca (+) → irritação peritoneal devido a liberação intensa de enzimas pancreáticas que irritam a cavidade peritoneal o ↓ruídos hidroaéreos ou ausentes – em casos de inflamação da cavidade abdominal o Hipotensão – em casos mais graves → progride para disfunção orgânica → coração começa a não conseguir manter a pressão → vasos sanguíneos começam a dilatar → hipotensão → coração dispara para tentar suprir → taquicardia. A inflamação sistêmica causa a permeabilidade vascular devido à liberação de interleucinas o Taquicardia, taquipneia (edema → congestão pulmonar), hipertermia (sinal de necrose → libera TNF → febre), sinal de Gray-Turner (flancos) e Cullen (periumbilical) → hematomas causados por necrose de vasos sanguíneo pancreáticos que caem na cavidade peritoneal – sinal de hemorragia e necrose o Dor pancreática – intensa em andar superior do abdome, contínua, piora com a alimentação (estimula a produção de enzimas), horas a dias, pouca melhora ou nenhuma com o vomito, alivia com a inclinação do tronco para a frente ou comprimindo o tórax (prece maometana) Hemograma vai mostrar leucocitose intensa, isso não quer dizer que é infecção, no tratamento não inicia com antibiótico na fase inicial. Dosagem de cálcio sérico – o cálcio é consumido pelas enzimas pancreática → saponificação tecidual, então o cálcio↓ Se tem paciente com pancreatite depois 3 dias a amilase vai estar normal, mas não quer dizer que não é pancreatite, e a lipase fica mais tempo elevada → fidedigna. Exames de imagem: Rx simples do abdome – não enxerga o pâncreas, mas é importante para ver diagnóstico diferencial de abdome agudo, por exemplo, uma úlcera perfurada também provoca a dor intensa e irritação peritoneal com pneumoperitônio, que não se tem na pancreatite; alças sentinelas – as alças intestinais migram para o local da inflamação, e no Rx vê o empilhamento de alças, com ar no interior Ultrassom abdominal – um pouco mais sensível, e terá um pâncreas com gordura ao redor e aumentado de tamanho, e é melhor para ver cálculos de vesícula TC de abdome – mais nítido, um pouco melhor para ver o pâncreas e o seu comprometimento Conlangioressonância – pede quando precisa ver especificamente vias biliares, e evoluiu com icterícia e o USG não enxerga cálculos que entupiram o colédoco e causaram pancreatite, e o cálculos menores são o que mais causam, então pede a colangio quando não conseguiu ver o cálculo no Rx nem na TC, mas o paciente tem icterícia; em b temos o colédoco dilatado e com cálculos Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) – exame que entra a sonda pela via oral e vai ate a papila e joga contraste para ver toda a via biliar e pancreática, e se tiver falha de enchimento em algum lugar que sugere os cálculos → entra mais com a sonda e abre uma “cestinha” para puxar o cálculo e desobstruir, e com o eletrocautério aumenta a abertura da papila Pancreatite crônica Pancreatite aguda que evoluiu para crônica → a princípio começa com uma insuficiência da parte exócrina (↓enzimas digestivas) → dor ao comer → avançando o quadro → deixa de produzir hormônios (insulina e glucagon) → desenvolve DM Etiologia – causa mais comum → alcoolismo Outras causas: pancreatite tropical (formação de múltiplos cálculos intraductais – raro), hereditária, trauma (hemorragia → fibrose → sem produção de enzimas digestivas), distúrbios metabólicos (hipercalcemia, hipertrigliciridemia), idiopática Fisiopatologia: não totalmente esclarecida Exposição crônica ao álcool → ↑efeitos espasmogênico do esfíncter de Oddi e ↑viscosidade da secreção pancreática → formação de “rolhas” proteicas por acúmulo → obstrução canalicular → ulceração e inflamação → destruição dos ácinos pelas enzimas → fibrose → insuficiência exócrina → insuficiência endócrina (tardia) Quadro clínico: o Dor moderada a grave, intermitente ou contínua o Emagrecimento – evita comer devido a dor Má-absorção pela falta de enzimas digestivas → esteatorréia (falta de lipases para absorver as gorduras) → fezes esbranquiçadas o Diabetes melittus – fase final da doença Investigação diagnóstica: Iniciar com a pesquisa de um diagnostico sindrômico o Dor abdominal a esclarecer – principalmente em abdome superior, pioara com alimentação o Diarreia e síndrome de má absorção - emagrecimento Exames laboratoriais: o Pesquisa de gordura nas fezes – quantidade aumentada o Teste de função exócrina/endócrina do pâncreas – dosagem de amilase e lipase → não se elevam o Padrão ouro – biópsia (muito arriscada) o Teste da função exócrina – dosagem de enzima digestivas diretamente no duodeno, medição de enzimas eliminadas nas fezes (menos fidedigna), amilase e lipase séricas não tem valor diagnóstica pois não produz mais a enzimas, já houve substituição das células acinares por fibrose o Teste de função endócrina – dosagem de glicemia após TOTG, dosagem de Hb glicada → na fase finalo paciente não produz mais insulina Exames de imagem: o Rx simples de abdome – calcificações o USG abdominal – calcificações e pseudocistos o TC de abdome – cistos, pseudocistos, calcificações, dilatações ductais o Colangeopancreatografia por ressonância – cistos, pseudocistos, dilatações, estenoses, irregularidade o Colangeopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER) – mais sensível e específico o Ecoendoscopia, Elastografia por Ecoendoscopia (mostra a elasticidade do tecido)