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Fisiopatologia da Febre
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Semiologia Médica Universidade Estácio de SáUniversidade Estácio de Sá

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## Resumo sobre Febre e Termorregulação – FisiopatologiaA temperatura corporal humana é mantida dentro de uma faixa estreita, geralmente entre 36°C e 37,5°C, graças a um complexo sistema de termorregulação que envolve produção e perda de calor, controlados por um centro termorregulador no sistema nervoso central (SNC). A temperatura central, medida em locais como vasos sanguíneos profundos ou via retal, é mais alta que a temperatura periférica (oral ou axilar), que costuma ser cerca de 0,5°C menor. O centro termorregulador funciona como um termostato, recebendo informações de neurônios sensíveis à temperatura localizados tanto em vasos sanguíneos internos quanto na pele, e respondendo por meio de mecanismos que promovem a conservação ou dissipação do calor. Além dos mecanismos neurológicos, o comportamento voluntário, como o uso de roupas adequadas, também contribui para a manutenção da temperatura corporal.Os mecanismos de produção de calor incluem o aumento da atividade muscular (tremores), a liberação hormonal (tiroxina, hormônio do crescimento, testosterona) e a ativação do sistema nervoso simpático, que promove vasoconstrição para reduzir a perda de calor. A digestão e absorção de alimentos também têm efeito termogênico. Por outro lado, a perda de calor ocorre por radiação, condução, convecção e evaporação, sendo esta última um mecanismo importante, especialmente pela sudorese controlada pelo sistema nervoso parassimpático (acetilcolina). A temperatura corporal apresenta variações fisiológicas ao longo do dia (ritmo circadiano), com temperaturas mais baixas nas primeiras horas da madrugada e mais altas no final da tarde, além de aumentos durante a gravidez, no período pós-prandial e no ovulatório.### Febre: Definição, Causas e FisiopatologiaA febre é definida como a elevação da temperatura corporal acima dos limites fisiológicos normais (>36,8°C pela manhã e ≥37,3°C à tarde), causada pela ação de pirógenos que elevam o ponto de ajuste do centro termorregulador. Os pirógenos podem ser exógenos, como microrganismos inteiros ou seus produtos (exemplo: lipopolissacarídeos bacterianos, toxinas), ou endógenos, que são citocinas produzidas por macrófagos em resposta a infecções, inflamações, traumas ou necrose tecidual (IL-1, IL-6, TNF-α). Essas citocinas estimulam a produção de prostaglandina E2 no hipotálamo, que altera o ponto de regulagem térmica para um valor mais alto, levando o corpo a conservar e produzir mais calor, manifestando-se clinicamente como febre.A febre é acompanhada por uma síndrome febril que inclui sintomas como astenia, anorexia, taquicardia, taquipneia, sudorese, calafrios, mialgias, náuseas, cefaleia, delírio e convulsões. Embora a febre seja um mecanismo de defesa que potencializa a resposta imune e inibe agentes infecciosos, ela pode ser prejudicial em casos de doenças pulmonares ou cardíacas descompensadas, especialmente em idosos, e em temperaturas corporais muito elevadas (>42,2°C), que podem causar lesão celular grave. A febre pode ser causada por diversas condições, incluindo infecções, neoplasias, doenças autoimunes, embolias pulmonares e doenças do sistema nervoso central.A semiologia da febre envolve a análise do início (súbito ou gradual), intensidade (leve, moderada, alta, hipertermia), duração (curta ou prolongada) e padrão térmico (contínua, irregular, remitente, intermitente, recorrente). A dissociação pulso-temperatura, em que o pulso não aumenta proporcionalmente à febre, pode indicar condições específicas como febre tifoide ou embolia pulmonar. O tratamento da febre visa aliviar o desconforto, prevenir convulsões febris e evitar complicações em gestantes, utilizando medicamentos antipiréticos que atuam na redução da produção de prostaglandinas.### Hipertermia e Hipotermia: Diferenças e Implicações ClínicasA hipertermia é a elevação da temperatura corporal causada pela falha do mecanismo termorregulador, sem alteração do ponto de ajuste do hipotálamo, geralmente devido a ambientes muito quentes, produção excessiva de calor endógeno (exercício intenso) ou falha na dissipação do calor. Diferentemente da febre, a hipertermia não apresenta a síndrome febril e a pele do paciente está quente e seca, sem sudorese. Casos graves podem evoluir para exaustão pelo calor ou "heat stroke", com sintomas como câimbras, desidratação, síncope, alterações do estado mental, convulsões e choque, podendo ser fatal. O tratamento envolve resfriamento físico imediato e remoção da causa.A febre medicamentosa pode ser uma febre verdadeira ou hipertermia induzida por drogas, que pode ocorrer por hipersensibilidade, aumento do metabolismo ou interferência na perda de calor. Medicamentos como anfetaminas, anti-histamínicos e antineoplásicos podem causar esses efeitos, levando a febre alta e sintomas associados.A hipotermia é caracterizada pela temperatura central abaixo de 35°C, podendo ser leve (32-35°C), moderada (30-32°C) ou grave (<30°C). É causada por exposição prolongada ao frio, associada a alterações na termorregulação e condições clínicas como desnutrição, alcoolismo, doenças cardiovasculares e neurológicas. A hipotermia grave pode levar a falência múltipla de órgãos, alterações eletrocardiográficas (ondas de Osborn), depressão do sistema nervoso central, paralisia gastrointestinal, disfunção hepática e coagulação sanguínea anormal. O tratamento varia conforme a gravidade, desde medidas simples como aquecimento com cobertores até intervenções complexas como diálise e circulação extracorpórea para aquecer o sangue.### Considerações FinaisA termorregulação é um processo complexo que envolve mecanismos neurológicos, hormonais e comportamentais para manter a temperatura corporal estável. A febre é uma resposta adaptativa importante, mas que deve ser monitorada e tratada adequadamente para evitar complicações. A hipertermia e a hipotermia são condições graves que resultam da falha desses mecanismos e requerem intervenções específicas e urgentes. O conhecimento detalhado da fisiopatologia da febre e das variações térmicas é fundamental para o diagnóstico, manejo clínico e prevenção de complicações em pacientes com alterações da temperatura corporal.---### Destaques- A temperatura corporal é regulada por um centro termorregulador no SNC que integra sinais aferentes e controla mecanismos eferentes para conservar ou dissipar calor.- A febre é causada por pirógenos que elevam o ponto de ajuste térmico no hipotálamo, levando à produção e conservação aumentada de calor.- A hipertermia resulta da falha do mecanismo termorregulador, sem alteração do ponto de ajuste, e pode ser fatal se não tratada rapidamente.- A hipotermia ocorre por exposição ao frio e falha na termorregulação, podendo causar falência múltipla de órgãos e alterações graves no sistema cardiovascular e nervoso.- O tratamento da febre, hipertermia e hipotermia deve ser direcionado à causa e à restauração da homeostase térmica, com atenção especial a grupos vulneráveis como idosos e gestantes.

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