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Investigação Forense e Perícia Criminal Genética e Biologia Molecular Forense 1- Relembre os conceitos e complete o quadro: Gene: um segmento de DNA composto por uma região transcrita e uma sequência reguladora necessária à produção de um produto funcional. Alelo: diferentes formas de um gene Homozigoto: Indivíduo com par de alelos idênticos. Heterozigoto: Indivíduo com par de alelos diferentes. Cromossomos: estrutura onde ocorre o maior nível de compactação do DNA. Presente na fase de metáfase da divisão celular. Genoma: pode ser definido como “a coleção de todos os genes de um organismo” OU o total de genes presente no genoma haploide (ou seja, em uma das cópias do total de DNA). Polimorfismo: refere-se à ocorrência de variação genética em uma população para um ou mais locus cujo alelo mais raro apresenta frequência de pelo menos 1% na população. Microssatélites: correspondem a sequências curtas (2 a 6 bases) repetidas in tandem, sendo que a maioria das unidades de repetições é de dinucleotídeos. Minissatélites: são unidades repetidas de DNA com 10-100 pb (em média 30pb), que resultam de inserção in tandem. 2- Agora que chegamos ao final do capítulo, imagine que você foi o perito designado para trabalhar em um local onde ocorreu um estupro. Quais os procedimentos você deve seguir e quais amostras você deve coletar para tentar chegar ao agressor? Ao chegar ao local do crime, o perito deve prestar atenção no local como um todo e, juntamente com os outros membros da equipe, tentar traçar o que aconteceu, além de ouvir o depoimento da vítima. A vítima, então, deverá ser encaminhada para o exame de corpo de delito. Todas as amostras que forem recolhidas devem ser fotografadas e documentadas antes de serem encaminhadas ao laboratório. Além disso, é imprescindível o uso, de pelo menos, luvas descartáveis e máscara quando for fazer a coleta, manuseio e processamento das evidências. Se disponível, é importante recolher no local do crime: roupa de cama, roupa que a vítima estava usando (principalmente a roupa íntima), preservativo, cabelos ou pelos, amostra de sangue, sêmen e saliva. Sangue, esperma e saliva podem ser encontrados ainda frescos ou em manchas nas roupas, lençóis, almofadas, móveis, no chão, tapetes entre outros. Para coleta destes vestígios em sua forma líquida, utiliza-se pipeta ou swab. Caso estejam secos, pode-se utilizar o swab umedecido ou coletar todo o suporte onde está a mancha (tecido onde foi encontrado, por exemplo). A constatação de esperma na cavidade vaginal é de muito valor na comprovação da conjunção carnal e de seu autor. Também é importante coletar amostras na cavidade retal, bucal, pele e região das mamas. Para determinação da presença de esperma na cavidade vaginal, retira-se do interior desta e/ou do canal do colo uterino, material que será depositado entre uma lâmina e uma lamínula, para posterior análise microscópica. Caso já haja algum suspeito, deve-se fazer a coleta na região peniana do sujeito. Depois que o material chegar ao laboratório, se necessário durante a investigação, poderá ser realizado a extração do DNA dos vestígios coletados para que o perfil genético seja confrontado com os perfis já existentes nos bancos de dados de DNA. 3- Em abril de 2019 foi veiculada a seguinte notícia pelo canal G1 de notícias: A Justiça de Cachoeira Alta, a 358 quilômetros de Goiânia, condenou dois irmãos gêmeos a registrar e pagar pensão a uma mesma filha. Segundo consta no processo, os réus não quiseram assumir a paternidade e foram submetidos a exames laboratoriais de DNA. No entanto, como são univitelinos, com o código genético igual, os exames revelaram a compatibilidade da criança com os dois. FONTE: . Um mês antes, foi feita uma matéria pelo portal UOL que dizia o seguinte: Numa noite de novembro de 1999, uma mulher de 26 anos foi estuprada num estacionamento em Grand Rapids, Michigan. A polícia chegou ao DNA do estuprador a partir de uma amostra de sêmen, mas não achou sua identidade no banco de dados. Os detetives não encontraram impressões digitais na cena do crime nem localizaram testemunhas. A mulher, que fora atacada por trás, não conseguiu descrever o criminoso. Tudo indicava que o estuprador jamais seria pego. Cinco anos depois, uma reviravolta. Um presidiário que cumpria pena por outro crime sexual forneceu uma amostra de seu DNA junto ao pedido de livramento condicional. A amostra bateu com o DNA coletado no estupro. Só havia um problema: o presidiário tinha um irmão gêmeo, e o exame convencional de DNA não distingue entre gêmeos idênticos. Os promotores não tinham outras provas que permitissem descartar um ou outro, e, como não podiam indiciar nenhum dos dois, o caso permanece aberto até hoje, quase 20 anos depois FONTE: . Caro aluno, sabemos que os gêmeos univitelinos (ou monozigóticos) são aqueles formados quando um único zigoto desenvolve-se irregularmente e dá origem a dois indivíduos, que são considerados idênticos do ponto de vista genético (BEIGUELMAN, 2008). Tendo em vista do exposto acima, pesquise sobre meios de diferenciação genética de gêmeos univitelinos. Será que não existe mesmo como diferenciá-los? Dica: Use como referência para sua pesquisa o artigo de Antonio, Pereira e Ferraz (2017), intitulado Diferenciação Genética de Gêmeos Monozigóticos: Uma Importante Evidência para Área Forense. Brazilian Journal of Forensic Sciences, Medical Law and Bioethics, v. 6(4), p. 485-499 (2017). Sugiro que você leia e faça um resumo, além de buscar novos trabalhos sobre o tema. Bons estudos! A primeira maneira que podemos pensar em como diferenciar geneticamente os gêmeos univitelinos seria sequenciar todo o DNA dos dois indivíduos e fazer comparações para identificar mutações que um possua e outro não possua. Além disso, no caso de estudo de paternidade, esse mesmo trabalho deverá ser realizado com o material genético do suposto filho e da mãe. Porém, para que seja obtida essa diferenciação genética entre os gêmeos, as mutações devem ter sido produzidas após as divisões iniciais do zigoto e serem exclusivas de células que irão formar somente um dos gêmeos. Ainda, para que essas mutações sejam herdadas pelo filho, as mutações devem estar presentes nas células germinativas de um desses gêmeos, o que possibilitaria estabelecer a relação de paternidade. Para que tais análises tenham resultados confiáveis e tornem-se, um dia, rotina na área forense seria necessário realizar um estudo com um grande número de gêmeos e laboratórios independentes que corroborem os dados obtidos, além de equipamentos de última geração e profissionais altamente qualificados. Até o momento, ainda são poucos os relatos deste tipo de análise. De acordo com o estudo de Weber-Lehmann et al. (2014 apud ANTONIO; PEREIRA; FERRAZ, 2017), existe a probabilidade de 83% de que um filho de pai gêmeo monozigótico carregue uma mutação germinativa, que pode ser detectada no esperma do respectivo pai biológico, mas não no sêmen do irmão gêmeo, permitindo a resolução de casos de investigação da paternidade. O artigo de Antonio, Pereira e Ferraz (2017) cita ainda que a análise de STRs para distinção genética de gêmeos monozigóticos ainda não mostrou resultados significativos, entretanto, análise de SNPs nucleares e do perfil de metilação do DNA (padrão epigenético) têm se mostrado eficientes. Além disso, a genotipagem do mtDNA também revelou diferentes perfis de SNPs entre esses indivíduos e seriam, portanto, os métodos mais apropriados para diferenciação genética dos gêmeos. Buscando além deste artigo, encontramos um estudo recém-publicado mostrando o potencial dos miRNA (micro RNAs) para distinção de gêmeos monozigóticos. Os autores detectaram que 14% dos miRNAs eram expressos de maneira diferente em cada um dos gêmeos (FANG et al., 2019). Entretanto, novamente, o número de gêmeos estudados foi baixo. Deste modo, caro aluno, se você se tornar um peritocriminal que trabalha diretamente com a identificação de indivíduos por análise genética, deve sempre ficar atento às novas tecnologias e marcadores que possam contribuir para o desenvolvimento de sistemas genéticos com elevado poder de discriminação, especialmente àqueles relacionados à diferenciação dos gêmeos monozigóticos, pois ainda é uma área que pode trazer grandes avanços para a Genética Forense.