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1 TAXA INTERNA DE RETORNO Para a maioria dos projetos em que a empresa investe um capital inicial e imediato para a sua implantação, em troca de uma série de fluxos de caixa futuros, o valor do VPL diminui à medida que aumentamos a taxa de desconto desses fluxos, podendo chegar a ficar negativo se a taxa for suficientemente alta. No gráfico a seguir, podemos ver a variação do VPL em função da taxa de desconto para um projeto que requer um investimento de $ 100.000 e que gera um fluxo de caixa anual de $ 35.000 durante cinco anos. A taxa interna de retorno (TIR) de um projeto é definida como a taxa de desconto que faz com que o VPL seja zero. Se a TIR for maior que o custo de oportunidade do capital em consideração, o projeto terá um VPL positivo; caso contrário, o VPL será negativo. A TIR representa, portanto, o maior custo de oportunidade que um projeto pode suportar. O critério de decisão, nesse caso, é o seguinte: aceitamos um projeto se a sua TIR for maior que o seu custo de oportunidade de capital. Enquanto o critério do VPL nos fornece um valor monetário que representa a criação de valor que ocorrerá com a implantação do projeto, a TIR nos fornece uma taxa que pode ser interpretada como a taxa de retorno esperada do projeto. O cálculo da TIR é feito por tentativas e exige o uso de calculadoras financeiras ou de planilhas eletrônicas, uma vez que não existe fórmula que forneça o seu valor exato. Esse critério é amplamente utilizado na prática. De acordo com uma pesquisa realizada em 2012, mais de 75% dos altos executivos das empresas afirmam que o usam para avaliar e tomar decisões sobre projetos de investimento. No entanto, são necessários alguns cuidados para a sua correta utilização, pois existem algumas situações específicas em que o critério da TIR pode entrar em conflito com o critério do VPL. Veremos os principais casos a seguir. 2 Comparação de projetos Em um conjunto de projetos, aquele que tem a mais alta TIR não necessariamente tem o maior VPL. Dessa forma, devemos ter cuidado com o uso da TIR ao classificarmos projetos de acordo com a sua rentabilidade ou escolhermos entre projetos mutuamente exclusivos, especialmente quando há grandes diferenças de escala de investimento ou de padrões de fluxo de caixa. Suponhamos que dois projetos mutuamente exclusivos estejam em análise. O projeto A exige um investimento de $ 100 e gera um fluxo de caixa único de $ 140 ao final do primeiro ano. O projeto B, por sua vez, exige um investimento inicial de $ 300 e gera um fluxo de $ 390. Em qual dos dois projetos a empresa deverá investir? A taxa de desconto utilizada para o cálculo dos VPls é 14,9992%. 0 1 TIR VPL A 40% 21,74 (100) 140 0 1 TIR VPL B 30% 39,13 (300) 390 O projeto A apresenta uma TIR mais alta, mas o projeto B é melhor, pois é o que apresenta o maior VPL. Projetos com mais de uma alternância de sinal do fluxo de caixa Devido a essa característica, esse tipo de projeto, que é típico no mercado imobiliário, pode apresentar diversas taxas internas de retorno ou não apresentar nenhuma. Essas taxas múltiplas, embora matematicamente corretas, não têm significado financeiro relevante para o processo de decisão de investimento. O gráfico a seguir mostra um projeto que apresenta três taxas internas de retorno distintas: 2,1%, 14,4% e 29,0%. Nesses casos, esse critério não deve ser utilizado por não ser confiável. 3 Projetos de longo prazo Em projetos longos, pode haver diversos custos de oportunidade de capital. Como a TIR é uma só para todo o projeto, não fica claro com qual custo de oportunidade devemos compará-la. É questionável que uma taxa fixa para todos os períodos seja representativa de um fluxo de caixa avaliado por diferentes custos de oportunidade. O motivo dessa discrepância decorre da premissa da taxa de reinvestimento embutida no critério da TIR. Ao contrário do VPL, a TIR assume que os fluxos de caixa gerados durante a vida útil do projeto serão reinvestidos à taxa da TIR, o que é incorreto. Esse problema se agrava com os projetos de longo prazo, e sempre que a diferença entre o custo de capital do projeto e a TIR for grande, haverá uma superestimação do real retorno do projeto. Devido a essas premissas, na verdade, o critério da TIR só apresenta o real retorno do projeto quando não existem fluxos de caixa intermediários, mas apenas um fluxo de caixa, a ser recebido ao final do projeto. Dessa forma, o uso indiscriminado da TIR para qualquer situação pode levar a empresa a tomar decisões de investimento não ótimas. 4 Taxa interna de retorno modificada O método da TIR pressupõe que a empresa dispõe de outros projetos igualmente rentáveis em que poderá investir os fluxos de caixa intermediários gerados pelo projeto corrente. Ao fazer isso, a TIR credita ao projeto corrente os benefícios desses outros. Na prática, no entanto, nenhum projeto futuro será analisado com taxa maior que o custo de capital da empresa. Dessa forma, a taxa correta de reinvestimento é o próprio custo de capital da empresa, o que faz com que a premissa básica da TIR esteja incorreta. Em contraste, o critério do VPL considera que o projeto conseguirá obter apenas um retorno igual ao seu custo de oportunidade de capital, o que pode ser obtido, por exemplo, simplesmente distribuindo dividendos ou amortizando dívidas. Para solucionar esse problema, existe o critério da taxa interna de retorno modificada (TIRM). Por meio desse critério, os fluxos negativos são trazidos a valor presente, enquanto os fluxos positivos são levados a valor futuro no último período do fluxo. Com os valores concentrados no instante zero e no período final, o cálculo da taxa interna fica fácil e é direto. Observe que, muitas vezes, para levar os fluxos positivos ao seu valor futuro no período final, é mais fácil concentrá-los todos no instante zero, para depois projetá-los no instante final.