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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP
CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO DO AGRONEGÓCIO
PROJETO INTEGRADO MULTIDISCIPLINAR II
Impacto Insumos
Ariel Ângelo Campachiari – RA: 2083143
Fernando Henrique dos Santos – RA: 2093183
Rodrigo Ximenes – RA: 2058332
Ribeirão Preto - SP
2023
SUMÁRIO
1	INTRODUÇÃO	03
2	DESENVOLVIMENTO	04
3	DISCUSSÃO	14
4	CONSIDERAÇÕES FINAIS	16
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	17
1 INTRODUÇÃO
A compreensão da organização e de suas características predominantes é fundamental ao gestor para poder fazer uso eficiente dos recursos de que dispõe e atuar em sinergia com os objetivos organizacionais, principalmente no agronegócio, onde tudo é “muito dinâmico”. O agronegócio é composto por milhares de organizações, que vão desde o pequeno produtor até algumas das maiores corporações de tecnologia do mundo. (SANTOS, 2017)
Tomando como base a contextualização acima o projeto multidisciplinar tem como empresa objeto da pesquisa a Impacto Insumos que pertencente ao Grupo Lavoro, a organização foi fundada em 2008 e fatura mais de R$ 7 bilhões somente em 2022.
Para discutir e contextualizar o projeto multidisciplinar de gestão do agronegócio são empregadas as disciplinas de economia e mercado, matemática aplicada e ética e legislação trabalhista e empresarial.
Na disciplina de economia e mercado serão atribuídos conceitos básicos relacionados a economia como oferta e demanda, sistemas econômicos, tipos de mercado e análises micro e macroeconômicas, bem como a dinâmica dessa disciplina quando discutida com a atuação da Impacto Insumos.
Na disciplina de matemática aplicada, a matemática financeira será desenvolvida com conceitos relacionados a porcentagem, juros simples e compostos, descontos, taxas de juros e sistemas de empréstimo, a matemática financeira é uma área da matemática aplicada que estuda o dinheiro e o seu valor através do tempo e de aplicações financeiras.
Por fim será apresentada e desenvolvida a disciplina de ética e legislações trabalhista e empresarial, o desenvolvimento buscar relacionar e apresentar aspectos básicos da atuação profissional ética, bem como a constituição de uma empresa sustentável seguindo os direitos inerentes ao colaboradores e as legislações que regulam as empresas e seus direitos e deveres.
Para o desenvolvimento e discussão do projeto a metodologia utilizada é a pesquisa bibliográfica qualitativa que emprega num primeiro momento o uso de livros, artigos e sites especializados para estruturar o desenvolvimento e após uma pesquisa em relatórios administrativos da empresa Impacto Insumos para relacionar e discutir sobre o comportamento e importância das disciplinas, bem como a visão positiva e de melhorias nos processos organizacionais.
2 DESENVOLVIMENTO
Segundo Rodrigues (2012, p. 30) em economias de mercado, a regulação entre consumidores e empresas é fornecida pela concorrência entre empresas e pelo sistema de preços. Quanto maior for a oferta de produtos, menores serão seus preços e quanto mais escassos esses produtos forem maiores serão seus preços. Pelo lado da demanda, quanto mais os produtos são procurados (demanda), mais eles serão valorizados e quanto menos forem procurados menores serão seus preços. Esse tipo de economia é caracterizada pela livre concorrência entre produtores e consumidores, o que estabelece os preços pelos quais os produtos serão vendidos.
Um sistema econômico é a maneira como a sociedade se organiza visando solucionar a forma como utilizará seus recursos produtivos (trabalho, capital, recursos naturais, etc.) para produzir bens e serviços para atender as necessidades da sociedade. Engloba o tipo de propriedade, a gestão da economia, os processos de circulação das mercadorias, o consumo e os níveis de desenvolvimento tecnológico e da divisão do trabalho. (RODRIGUES, 2012)
A interação entre a oferta e a demanda de produtos determina os preços de mercado de cada bem ou serviço. Essas duas funções (oferta e demanda) são as mais importantes de um sistema econômico e formam o mercado, ou seja, o mercado é formado pelos fluxos real e monetário, respectivamente, a oferta e a demanda da economia. (RODRIGUES, 2012)
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2004), o sistema econômico é caracterizado pela circulação dos fluxos real e monetário. Essa circulação entre as entidades do sistema econômico permite-lhe cumprir adequadamente o seu papel.
A economia estuda como devem ser utilizados os recursos produtivos escassos na produção das diversas categorias de bens e serviços, colocados no mercado com o intuito de satisfazer suas infinitas necessidades (OLIVEIRA et al., 2006). Além disso, segundo Silva e Luiz (2001), a economia se ocupa das questões relativas à satisfação das necessidades dos indivíduos (necessidades individuais) e da sociedade (necessidades coletivas).
Vasconcellos e Garcia (2004) afirmam que a relação entre os recursos escassos e as necessidades ilimitadas acaba originando os problemas econômicos fundamentais, isto é, por não termos os recursos suficientes para atender todas as necessidades é necessário fazer escolhas sobre o que, quanto, como e para quem produzir.
A microeconomia estuda os agentes econômicos (como empresa e consumidor) individualmente, isto é, estuda a maneira como o consumidor gasta sua renda ou uma empresa emprega seus recursos produtivos. A macroeconomia estuda os agentes econômicos em seu conjunto, o conjunto de consumidores e o conjunto de empresas, dando ênfase à análise do produto nacional, nível de renda, inflação, desemprego, taxa de juros e taxa de câmbio. (RODRIGUES, 2012)
O mercado de um bem é formado pela oferta de todos os produtores e por todos os consumidores que estão dispostos a adquiri-lo. As características do mercado para cada produto variam de país para país e até de região para região e essas informações são fundamentais para a atuação das empresas. (RODRIGUES, 2012)
Segundo Silva e Luiz (2001), os mercados podem ser classificados em Concorrência pura ou perfeita, Monopólio puro, Oligopólio e Concorrência monopolística. Vamos entender melhor cada uma dessas classificações
Na concorrência pura ou perfeita existe um grande número de empresas oferecendo um mesmo produto. Como existe um grande número de empresas, cada uma delas representa uma pequena parcela do mercado, ou seja, contribui com pouco para a oferta total. Segundo Souza (2007), o produto produzido nesse tipo de mercado é homogêneo, isto é, o bem produzido por uma empresa é igual ao bem produzido por outra. O consumidor não percebe a diferença entre os produtos oferecidos pelas diferentes empresas e não consegue determinar em qual empresa ele foi produzido. Exemplos que mais se aproximam desse tipo de mercado são os produtos agrícolas. O tomate, a laranja, a batata, etc.
No monopólio puro apenas uma empresa oferece um bem, para o qual não existem produtos substitutos satisfatórios (SOUZA, 2007). Essa empresa controla todo o mercado, pois é a única que produz o bem. Nesse caso, se essa empresa deixar de produzir o produto, o mercado deixará de existir. De acordo com Silva e Luiz (2001), os produtos não são homogêneos, são diferenciados. E, além de diferenciado, o produto não pode ser substituído por outro. Exemplos desse tipo de mercado são encontrados principalmente no setor público, como o abastecimento de água e energia elétrica.
Segundo Souza (2007), no Oligopólio existe um grande número de compradores e um pequeno número de vendedores (empresas). Geralmente, poucas empresas dominam a maior parte do mercado, de forma que as ações de uma empresa afetam as outras. Essas empresas produzem bens diferenciados, mas que podem ser substituídos entre si. O consumidor sabe exatamente qual empresa produziu determinado produto. Exemplos desse tipo de mercado incluem bens de consumo como automóveis, eletrodomésticos, sabão em pó, pasta de dente, etc.
Na concorrência monopolística existe um número razoavelmente grande de empresas produzindo um mesmo bem, de modo que cada produtor individualmente não é importante (SILVA;LUIZ, 2001). Os produtos produzidos pelas empresas nesse tipo de mercado são os mesmos, mas os consumidores os consideram diferenciados. Esse tipo de mercado apresenta características da concorrência perfeita (número de empresas produzindo o mesmo bem) e do oligopólio (cada produtor é diferente dos demais). Exemplos desse mercado são fábricas de roupas de moda, produtos têxteis, prestação de serviços como encanador em grandes cidades, etc.
A porcentagem é uma razão em que o denominador é o número 100; assim: 20% = 20/100. Outras taxas ou razões são expressas, normalmente, em porcentagem, como a taxa de crescimento de uma população, a taxa de inflação, a taxa de crescimento do PIB, entre outras. (MOTTA, 2010)
Motta (2010, p.25) define ainda que a Matemática Financeira tem por objetivo fornecer instrumentos para o estudo das formas de aplicação de dinheiro, bem como, de pagamento de empréstimos. Na Matemática Financeira, a motivação de seu desenvolvimento está relacionado ao problema econômico de escassez, ou seja, às necessidades das pessoas de consumirem bens e serviços cuja oferta é limitada.
A disciplina Matemática Financeira é um ramo que estuda as alterações do valor do dinheiro com o passar do tempo, assim como apresenta diversos mecanismos que permitem avaliar como essas alterações ocorrem com o passar do tempo. Possui linguagem própria, que possibilita a leitura e interpretação pelo olhar das finanças. Deste modo, alguns conceitos são fundamentais para esta leitura na ótica das finanças. (MACÊDO, 2014)
Entender Matemática Financeira é entender como funciona o mundo do dinheiro, as transações de compra e venda, empréstimo, prestações, juros, dívidas e todas as operações que envolvem dinheiro. O intuito principal é analisar o valor do dinheiro no tempo, pois R$ 1.000,00 hoje não terá o mesmo poder de compra que R$ 1.000,00 daqui a 1 ano e vice- -versa, assim descobrir como e porque o valor do dinheiro muda ao longo do tempo é o objetivo principal da Matemática Financeira. (MACÊDO, 2014)
Tabela 1 – Fórmulas matemáticas financeiras
	Conceito
	Fórmula
	Montante
	M = C + J
	Juros Simples
	J = C. i. t
	Juros Compostos
	M = C.(1+i) t
	Taxa Equivalente
	1 + ia = (1 + ip) n
	Taxa Real de Juros
	(1 + in) = (1 + r). (1 + j)
	Taxa Efetiva
	R = (1 + i/n) n – 1 (juros simples)
	Valor Presente
	VP = VF/ (1 + i) n
	Desconto Racional
	Dr = N.i.n / 1+ i.n
	Desconto Comercial
	Dc = N.i.n
Fonte Própria
Mathias e Gomes (2013) definem juro como o custo do crédito ou a remuneração de uma aplicação; é o pagamento pela utilização do poder aquisitivo durante um período de tempo. Logo, quem toma dinheiro emprestado pagará juros e quem empresta receberá juros. Mathias e Gomes (2013) acrescentam ainda que as pessoas têm preferência temporal em consumir ao invés de poupar. Assim temos a seguinte fórmula para calcular os juros: Juros é igual capital vezes taxa vezes o tempo (J= C*I*T).
Os juros compostos é uma modalidade de regime é a mais utilizada no dia-a-dia pelo sistema financeiro. Nesta modalidade, os juros gerados a cada período são incorporados ao principal para calcular os juros do período seguinte. Então, os rendimentos auferidos pela aplicação serão incorporados à aplicação, participando da geração do rendimento no período seguinte. (MACÊDO, 2014)
O termo juro (s) vem de uma premissa básica da economia que diz que os recursos são escassos. Voltando um pouco ao passado, na época do escambo tínhamos a troca de bens entre indivíduos que não possuíam uma moeda. Foi a partir da invenção da moeda que as trocas entre bens ficaram mais bem evidenciadas ou compreensíveis. A moeda trouxe outro avanço importante: a possibilidade de ao invés de trocar bens por outros, trocá-los por dinheiro. (MACÊDO, 2014)
Segundo Mathias e Gomes (2013), a Taxa de Juros é determinada por meio de um coeficiente referido a um intervalo de tempo. Este coeficiente corresponde à remuneração do capital empregado por um prazo igual àquele da taxa. A taxa de juros é a relação entre o capital emprestado e o juro devido.
Conforme Assaf Neto (2012) a compreensão destas taxas exige o reconhecimento de que toda operação envolve dois prazos a saber: (a) o prazo a que se refere a taxa de juros; e (b) o prazo de capitalização de ocorrência dos juros.
Sempre que realiza-se uma operação financeira entre dois ou mais agentes econômicos recebe-se um documento que comprove a execução da mesma, no geral são entregues títulos de crédito comercial, devendo estes documentos apresentar todas as características da operação, tais como: data da operação, valor, tipo de operação se à vista ou a prazo. Os títulos mais utilizados nas transações financeiras são: Nota Promissória, Duplicatas, Recibos, etc. (MACÊDO, 2014)
Segundo Mathias e Gomes (2013) existem dois tipos de desconto: (a) desconto racional ou "por dentro"; e (b) desconto comercial ou "por fora" O desconto racional é definido como o desconto obtido pela diferença entre o valor nominal e o valor atual de um compromisso, representa em outras palavras a quantia a ser abatida do valor nominal. O desconto comercial é definido como o valor que se obtém pelo cálculo do juros simples sobre o valor nominal do compromisso a ser quitado antes do seu vencimento.
Sobre as taxas equivalentes consideram-se duas taxas como equivalentes, se na hipótese de aplicá-las a um mesmo prazo e a um mesmo capital for indiferente aplicar em uma ou em outra. Sejam as taxas: i = referente a um intervalo de tempo p; iq = corresponde a um intervalo de tempo igual a fração própria p/q onde q > p; (MACÊDO, 2014)
No que diz respeito as taxas efetivas segundo Lima (1998), é a taxa realmente cobrada no período em que foi fornecida, independentemente do período de capitalização. Então, quando queremos ajustar uma taxa ao período de capitalização, utilizamos a equivalência de capitais. É o processo de formação de juros pelo regime de juros compostos ao longo dos períodos de capitalização.
Taxa nominal ocorre quando o prazo de formação e incorporação de juros ao capital inicial não coincide com aquele período que se refere à taxa. Para fixar, vamos resolver este exemplo: Se um banco concede empréstimos no valor de R$ 1.000,00, com taxa de 8% a.a., mas adotando a capitalização semestral de juros. Pergunta-se, quanto você pagaria de juros após 1 ano. (MACÊDO, 2014)
O empréstimo é uma modalidade de dívida e surge quando uma determinada quantia é emprestada por um período de tempo determinado. Quem contraiu a dívida é obrigado a devolver (restituir) o valor tomado (principal) acrescidos dos juros devidos. Os empréstimos podem ser de curto, médio ou longo prazo. As formas de cálculo são na maioria das vezes semelhantes, mas nas operações de longo prazo temos algumas características específicas que os diferenciam das características de curto e médio prazo. O principal tópico de diferença entre os prazos dos empréstimos reside na forma de reembolso adotado e a forma de determinação dos juros efetivamente cobrados nos empréstimos de longo prazo. Vale ressaltar que tratamos aqui de juros compostos e os juros sempre serão calculados sobre o saldo devedor. (MACÊDO, 2014)
Sobre o Sistema de Amortização Constante (SAC), as parcelas de amortização são iguais, como sugere sua denominação. Os juros são decrescentes, visto que incidem sobre o saldo devedor – restante a amortizar – e, consequentemente, as parcelas são decrescentes. O cálculo do valor das amortizações é simples: basta dividir o valor principal – Empréstimo, Valor Financiado ou Aplicação – pelo número de prestações. No cálculo dos juros, leva-se em conta sempre o saldo devedor do período imediatamente anterior. (MACÊDO, 2014)
No Sistema de amortização francês (Price) tem como característica principal o valor constante das parcelas em termos nominais. Durante o período de pagamentos, o devedor vai desembolsando o mesmo valor da prestação, sabendo que na composição do valor da parcela temos a amortização e os juros. Durante a vigência da série de pagamentos, o devedor vai pagando o mesmo valorda parcela, mas cabe ressaltar que esta parcela é composta por amortização e juros. (MACÊDO, 2014)
A ideia de ética que se dispõe atualmente surge a partir da concepção do filósofo Immanuel Kant, cujo ensinamento fundamentava-se na ideia sobre o que desejamos alcançar com nossas ações. “Age apenas segundo aquela máxima que possas querer que se torne uma lei universal” (HUNGRIA; DOTTI, 2017).
Cortina (2003, p. 18) afirma que: “embora a ética esteja na moda, e todo mundo fale dela, ninguém chega realmente a acreditar que ela seja importante, e mesmo essencial para viver”.
Segundo Cortella (2009, p. 102), “a ética é o que marca a fronteira da nossa convivência. [...] é aquela perspectiva para olharmos os nossos princípios e os nossos valores para existirmos juntos [...] é o conjunto de seus princípios e valores que orientam a minha conduta”.
Percebe-se que a palavra ética passou a integrar o léxico popular e volta e meia é exprimido nas mídias sociais, manifestando uma preocupação universal. Contudo, “embora a ética esteja na moda, e todo mundo fale dela, ninguém chega realmente a acreditar que ela seja importante, e mesmo essencial para viver” (CORTINA,2003, p.18). “Evidencia-se a necessidade de serem observados pelas organizações os atuais anseios da sociedade por uma atuação ética” (COSTA,2002, p.3).
Os valores éticos não nascem com a gente, não pertencem ao que se possa chamar de “natureza humana”. O ser humano, segundo Saviani (2003), não nasce humano, mas se torna ao ser acolhido no meio social, no convívio afetivo com outras pessoas. Ele precisa de cuidados constantes para sobreviver e para adquirir a linguagem (pensamento, simbolização, imaginação, comunicação verbal ou qualquer outra forma de comunicação), condição essencial para que construa sua identidade.
A ética e moral é um tema que vem sendo bastante abordado em diferentes âmbitos de discussão, o que sinaliza a situação em que a sociedade moderna está imergida. Entendendo a volatilidade das relações humanas, numa sociedade marcada por mudanças, crises e incertezas, entende-se também a importância de uma questão que emerge a ética acadêmica (HUNGRIA; DOTTI, 2017).
Considerando a complexidade das relações sociais e de poder na sociedade contemporânea e, como já suscitado, considerando a volatilidade dessas relações frente ao estado em que se encontra a sociedade contemporânea, e considerando a impreterível necessidade da ética como norteador para as relações humanas se faz esse estudo (PEGORARO, 2002).
Dessa forma, entende-se a ética como ciência que se inclina à Prática moral, e se percebendo o homem enquanto sujeito social, ou seja, sujeito historicamente construído. Logo, entende-se o homem como fruto do meio e assim sujeito ao seu contexto. A partir disto, e tendo o que aqui já foi explicito e conceituado sobre ética, entende-se que essa ética não se atenta à todos os núcleos da sociedade (CORTELLA, 2009).
Para Agosto (2008), a ética e moral é “o estudo do juízo de análise que se refere à conduta humana, ao comportamento moral dos homens em sociedade”. Entretanto, Carvalho (2003, p. 3) define ética por sua etimologia e diz que a palavra deriva do grego “(ethos) [e] significa comportamento que resulta de um repetir os mesmo atos – uma constante que manifesta o costume[...]. Tanto costume, quanto hábitos são construídos”
A ética não é uma característica inata do ser humano. Precisamos, ao contrário, aprender a sermos sujeitos éticos capazes de discernir entre o certo e o errado, tendo como base não somente nossas opiniões e percepções sobre o mundo, mas também as leis que regem a sociedade a qual pertencemos. Pensar eticamente é observar as leis morais do meio social em que vivemos e ter a capacidade de avaliá-las. Como afirma Guareschi (2008, p. 7), “[a] ética [...] é individual e social ao mesmo tempo. Ninguém é ético para si; somos éticos em relação aos outros [...]” (REZENDE; MORESCHI, 2014).
Baseando-se em Kant, Cardoso (2006, p. 1) afirma que “[c]abe à educação, ao desenvolver a faculdade da razão, formar o caráter moral”. Desta forma, a educação acadêmica tem um papel fundamental no desenvolvimento ético, ou seja, na capacidade do sujeito de pensar criticamente, refletindo sobre o que ocorre ao seu redor e, assim, participar ativamente das transformações que ocorrem em seus grupos sociais. Em suma, a Ética, na filosofia, “impulsiona o exercício crítico reflexivo das bases moralistas [...]. Dessa forma, é notável que [...] não oferece um código de normas, antes incentiva o homem [...]a praticar o senso crítico [...]” (BERNARDES, 2012, p. 33).
Essa ética profissional, embora seja “parte da ética geral, entendida como ciência da conduta”, se difere da ética filosófica na medida em que é definida como um “conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e representam imperativos de sua conduta”. Assim sendo, cada grupo de profissionais possui suas próprias regras para estabelecer quais comportamentos são esperados de cada indivíduo no ambiente de trabalho. Essas normas tanto podem ser sugestões de comportamento quanto leis que deverão ser obedecidas no exercício da profissão (RESENDE, 2015).
O empregado é uma pessoa que presta serviço na iniciativa privada e em acordo o empregador recebe uma remuneração ou salário ao final do período estipulado em contrato. Assim sendo o art. 2° da CLT trata assim:
“A natureza pública ou privada das situações depende, como vimos, tanto das normas incidentes (regidas ou pelo princípio da soberania ou da autonomia privada), [...]. Ora, o mesmo ocorre com as especificações do direito público e privado, com a identificação de seus ramos. O objetivo é o mesmo: criar condições para decidibilidade com certeza e segurança”.
Dessa forma questões relacionadas ao trabalho e contratos são julgadas pela justiça especializada do trabalho a saber:
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: 
I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
II - as ações que envolvam exercício do direito de greve; 
III - as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; 
IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição;
As questões jurídicas relacionadas ao Direito do Trabalho englobam, registro funcional, contrato, demissão, rescisão, salário, reajuste, horário ou jornada de trabalho, essas normas cabem ao coletivo e sindicatos. O Direito do trabalho existe com a finalidade trazer equilíbrio e transparência nas relações patrão x empregado.
Segundo Diniz (2005, p. 274), o Direito Empresarial pode ser definido como 
[...] o conjunto de normas que regem a atividade empresarial; porém, não é propriamente um direito dos empresários, mas sim um direito para a disciplina da atividade econômica organizada para a produção e circulação de bens ou de serviços [então,] [...] para o ato ser regulado pelo direito comercial, não é preciso seja praticado apenas por empresários, basta que se enquadre na configuração de atividade empresarial. O direito comercial, empresarial ou mercantil disciplina não somente a atividade do comerciante, mas também indústrias, bancos, transportes e seguros.
Com o advento do Código Civil de 2002, foi implementada a Teoria da Empresa, está de origem italiana, a qual foi desenvolvida para corrigir falhas e limitações da teoria anterior e identifica o empresário, não necessariamente pela espécie de atividade praticada, mas pela estrutura organizacional adotada, relevância social da atividade desenvolvida e atividade econômica organizada para o fim de colocar em circulação mercadorias e serviços.
[...] a teoria da empresa, como critério delimitador do âmbito de incidência do direito empresarial, superou uma grande deficiência da antiga teoria dos atos de comércio, a qual acarretava umtratamento anti-isonômico dos agentes econômicos, na medida em que certas atividades, como a prestação de serviços e a negociação imobiliária, eram excluídas do regime jurídico comercial, fazendo com que seus exercentes não gozassem das mesmas prerrogativas conferidas àqueles abrangidos pelo direito comercial de então. (RAMOS, 2008, p. 65)
A empresa é uma atividade econômica organizada com a finalidade de fazer circular ou produzir bens ou serviços. Empresa é, portanto, atividade, algo abstrato. Empresário, por sua vez, é quem exerce empresa. Assim, a empresa não é sujeito de direito. Quem é sujeito de direito é o titular da empresa. Melhor dizendo, sujeito de direito é quem exerce empresa, ou seja, o empresário, que pode ser pessoa física (empresário individual) ou pessoa jurídica (sociedade empresarial). (RAMOS, 2008, p. 62)
A atividade empresarial pode ser exercida pelo empresário individual, pessoa física que desenvolve atividade econômica organizada para produção e/ou circulação de bens e prestação de serviços; ou pela sociedade empresarial, pessoa jurídica de direito privado, constituída por meio de contrato celebrado entre duas ou mais pessoas, que se obrigam a combinar esforços e recursos para atingir fins comuns, e que tem por objetivo social a exploração de atividade econômica. Cabe ressaltar que a noção de empresário individual e a de sócio não se confundem, pois este diz respeito ao empreendedor ou ao investidor (acionista ou cotista), que não exerce empresa, atividade que cabe à sociedade empresarial; e aquele é o profissional que exerce a empresa. (RODRIGUES, 2016)
Em sua obra Rodrigues (2016, p.50) destaca que muitas são as obrigações impostas aos empresários, sejam de ordem moral, sejam de ordem legal. As obrigações morais, embora tão importantes quanto às legais, não são objeto de estudo do presente trabalho. Quanto às obrigações legais, são estas impostas pelas leis empresariais, trabalhistas, ambientais, tributárias, administrativas, em todas as esferas de descentralização administrativa (federal, estadual e municipal). Dentre as obrigações estritamente impostas pela legislação empresarial, destacam-se as relativas ao devido registro da empresa junto aos órgãos competentes; à regular escrituração e guarda dos livros empresariais; à elaboração de balanço patrimonial periodicamente, no mínimo anual; as concernentes ao nome comercial, ao estabelecimento empresarial e ao ponto comercial; à observação e respeito às regras de livre concorrência e inviolabilidade da propriedade industrial, entre outras.
3. DISCUSSÃO
A empresa tema deste projeto é a Impacto Insumos que pertence ao grupo Lavoro, uma organização voltada para comercialização de defensivos agrícolas, sementes, fertilizantes, especialidades e biológicos para as principais culturas do centro oeste brasileiro, a empresa foi fundada em 2008 em Sorriso, cidade importante do estado do Mato Grosso.
O principal objetivo organizacional é desenvolver relações de longo prazo em todos os níveis, fortalecendo os laços com clientes, fornecedores e sociedade, e proporcionando um crescimento sustentável para toda a cadeia agro.
A impacto insumos está consolidada como a grande distribuidora de insumos agrícolas e conta com uma receita anual de R$ 7,7 bilhões em 2022 e sua cobertura operacional se dá em mais de 60 milhões de hectares em toda a América Latina.
No que tange a análise macroeconômica a Impacto Insumos está situada no setor primário da economia, ou seja, o setor mais produtivo e responsável pela maior composição do produto interno bruto (PIB). Esse setor contou com superávit de R$ 57,1 bilhões em 2022, o setor primário ainda possui uma grande perspectiva de demanda e oferta onde ocorre que há uma demanda maior de produtos agrícolas (frutas, verduras, sementes e insumos) nos países do exterior que ainda se recuperam da pandemia, contando com um câmbio maior que o real (dólar), empresas como a Impacto Insumos exportam e com isso o preço dos produtos se eleva e impacta direto na inflação (aumento dos preços), ou seja, o governo intervém para controlar o câmbio (Banco Central) e cria políticas para aquecer a economia e conter a inflação.
Numa análise microeconômica é percebido que consumidores menores tem aderido cada vez mais em sementes e insumos agrícolas, esse movimento empreendedor é uma resposta a alta dos alimentos e matérias primas e os benefícios do governo para microempreendedores, dessa forma as pequenas propriedades têm crescido cada vez mais elevando a atividade do setor primário.
Por fim a análise de mercado do setor primário reside no fato que existe concorrência perfeita, com vários distribuidores de produtos agrícolas, bem como é um mercado sempre aquecido com boas ofertas de emprego e tecnologias disponíveis para elevar as produções.
No que tange a matemática é importante destacar que foi analisado dentro da Impacto Insumos operações de empréstimo para expansão das atividades para regiões norte e nordeste, esses empréstimos são autorizados pelo conselho administrativo da empresa que prefere negociar junto de bancos ao invés de lançar mais ações no mercado para captar recursos, isso porque a empresa Impacto Insumos é uma distribuidora de capital aberto (S/A).
Os empréstimos são realizados junto ao Banco do Brasil que é considerado o banco do agronegócio brasileiro e pelo seu porte e tamanho, a Impacto Insumos conta com taxas mais atrativas, além de maiores prazos de carência: Pré-fixada: 6,0% a.a. outra instituição importante para os empréstimos é o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), nesse banco os empréstimos são para maquinários e tecnologias e conta com taxas atrativas para empréstimos e financiamentos. Os juros adotados para as operações são os juros compostos e o sistema empregado nos empréstimos é o de amortização constante (SAC).
Por fim no que diz respeito a ética e legislações trabalhista e empresarial a visão que se tem é negativa, isso se deve aos clientes e parceiros da Impacto Insumos, a empresa busca manter boas relações estratégicas de longo prazo, porém deve ser um agente que combata um mal que está retornando a sociedade em pleno século XXI, o trabalho escravo. As lavouras são locais para plantio e colheita de produtos e os grandes empresários estão visando lucros e mais lucros e pouco ofertam para seus colaboradores direitos e condições adequadas sobre trabalho digno. O Ministério do Trabalho tem feito uma fiscalização rígida nas grandes propriedades rurais para localizar e punir aqueles que praticam atos desumanos.
A sugestão e visão que deverá ser adotada pela Impacto Insumos é de que sua atuação vai além do lucro, mas da preocupação no desenvolvimento social e digno da pessoa e deve ser uma empresa moral e porta voz da justiça e assim levantar informações dos seus clientes e criar cartilhas que orientem sobre como registrar seu colaborador e os benefícios do trabalho digno e a visão positiva que a sociedade cria sobre a empresa, por ser uma empresa pertencente a um grupo referência (Lavoro) a Impacto deve construir essa visão macro social e assim poderá crescer ainda mais e ser referência e cumprir seu objetivo citado anteriormente: desenvolvimento de relações de longo prazo em todos os níveis, fortalecendo os laços com clientes, fornecedores e sociedade, e proporcionando um crescimento sustentável para toda a cadeia agro.
4. CONCLUSÃO
Compreender o que está ou não relacionado à gestão do agronegócio é entender a sua definição. Segundo Davis et al. (1957), “agronegócio é a soma de todas as operações envolvidas na produção e distribuição de produtos agrícolas, operações de produção, na exploração agrícola e no armazenamento, processamento e distribuição de mercadorias agrícolas”. 
A definição acima serve de base para recordar que a gestão do agronegócio não compreende apenas gerir uma empresa agrícola ou atuar no setor primário, mas atuar de forma interdisciplinar. A atuação deve ser dinâmica e compor várias frentes para construção de um negócio estratégico e sustentável, como vistoneste projeto economia, matemática e ética são disciplinas distintas, porém compõe uma integração fundamental que permite a Impacto Insumos liderar seu mercado e construir uma história sólida no agronegócio nacional.
Diante disso o desenvolvimento das disciplinas permitiu uma mudança de visão do discente que será marcante durante sua trajetória acadêmica, a economia não trata apenas de oferta e demanda, mas de análises de mercado e a construção de uma visão macro e micro do negócio para formulação de estratégias e das frentes de atuação, a Impacto Insumos atua no setor primário e compreende a importância desse setor para a economia e por isso busca sua constante expansão com produtos de qualidade para auxiliar os produtores agrícolas.
A matemática aplicada não trata apenas de cálculos, mas de compreender conceitos como juros e empréstimos para tomadas de decisão sobre redução de gastos ou investimentos, assim a Impacto Insumos percebendo um momento de recuperação do setor primário investe em expansão e toma empréstimos e investimento junto do Banco do Brasil e BNDES por operarem sem burocracias e com taxas atrativas para o negócio.
Por fim a ética é a atuação correta e íntegra que advém do interno da pessoa e ela está ligada ao respeito as legislações trabalhista e empresarial, dessa forma uma sugestão e visão crítica construída está relacionada ao trabalho escravo em propriedades rurais e a visão social da empresa em atuar como agente orientador dessas empresas sobre a importância dos respeito as legislações e de como isso é benéfico a economia e o desenvolvimento do país.
Logo o projeto cumpre sua proposta e serve de referência para debates acerca da atuação multidisciplinar do gestor do agronegócio e sua essência nas grandes organizações como um agente ativo que formula estratégias e desenha cenários para um atuação eficiente e eficaz, tanto no aspecto econômico quanto no aspecto social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSAF NETO, Alexandre. Matemática Financeira e suas aplicações. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
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