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Gêneros literários: poesia e prosa
Apresentação
Um gênero literário é uma obra acabada, plurissignificativa e organizada discursivamente. Isso quer 
dizer que todo texto literário, ao ser produzido, envolve muitas decisões, desde a linguagem 
empregada, o estilo, o tipo de leitor a que se destina, o meio de divulgação (oral, escrito, cantado, 
encenado) e os efeitos pretendidos.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá quais elementos estão envolvidos na elaboração 
de um gênero literário. Os gêneros têm origem em uma divisão entre épica, lírica e dramática, 
proposta por Aristóteles, na Grécia Antiga. A partir de então, muitos gêneros surgiram, dada a 
capacidade inventiva da literatura. Independentemente do grau de inovação e das aproximações 
entre textos em prosa e em verso, há elementos estruturantes que permeiam todos os gêneros 
literários e outros que são mais específicos, como você vai perceber.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Apresentar um breve panorama sobre gêneros literários.•
Diferenciar os gêneros em poesia e prosa.•
Identificar os elementos estruturantes do texto literário nos gêneros em poesia e prosa.•
Desafio
Uma das tendências contemporâneas é a transmutação dos gêneros, na qual um gênero se vale de 
elementos estruturantes de outro para formar novos gêneros, bem como outros sentidos. Na 
literatura tem sido comum perceber a relação entre gêneros literários e gêneros do discurso, de 
modo geral.
Leia a notícia relatando um fato ocorrido em 2016, a qual foi divulgada em vários meios de 
comunicação. Em seguida, leia o poema de Manuel Bandeira, publicado em 1930, no livro 
Libertinagem.
O que se pode dizer sobre as aproximações e as particularidades entre esses dois textos em termos 
de gêneros do discurso e gêneros literários?
Infográfico
Os tipos textuais estão implicados na composição dos gêneros e é por meio da combinação 
deles que se formam os inúmeros gêneros do discurso, além dos gêneros literários. Os tipos 
textuais atêm-se às sequências linguísticas que compõem um texto, enquanto os gêneros textuais 
são construções operacionais, ou seja, textos acabados com uma finalidade própria.
Neste Infográfico, você vai ver como isso aparece no conto O homem nu, de Fernando Sabino.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/4b73f787-0443-427c-8f88-29077052e6d6/db06ad1d-f5e3-4ba8-9a63-2ce8e441f765.png
Conteúdo do livro
Talvez você consiga facilmente diferenciar um gênero em prosa ou poesia. Mas já se perguntou 
quais são os elementos, de fato, que caracterizam um conto ou um soneto, por exemplo? Na 
produção literária contemporânea, os limites entre os gêneros estão muito fluídos, o que torna o 
estudo um desafio.
No capítulo Gêneros literários: poesia e prosa, da obra Tópicos avançados da teoria literária, base 
teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar os gêneros literários, sua origem, sua 
evolução e seus recursos de expressividade. Como você sabe, a literatura tenta expressar em 
palavras aquilo que poetas e escritores em geral percebem em sua individualidade e que 
compartilham de forma coletiva, já que todo texto envolve um outro, o leitor. Quando se fala em 
gênero literário, você precisa considerar que se trata de um objeto acabado, construído a partir de 
uma forma e com uma função, em um contexto de produção que envolve o autor, a obra e o leitor 
provável. Pelo conjunto das obras literárias produzidas ao longo dos séculos e pelas relações entre 
elas é que se podem definir, de modo geral, os gêneros literários e os seus aspectos estruturantes.
Boa leitura.
TÓPICOS 
AVANÇADOS DA 
TEORIA 
LITERÁRIA
Alessandra Bittencourt 
Flach
Gêneros literários: 
poesia e prosa
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Apresentar um breve panorama sobre gêneros literários.
 Diferenciar os gêneros em poesia e prosa.
 Identificar os elementos estruturantes do texto literário nos gêneros
em poesia e prosa.
Introdução
Neste capítulo, você vai estudar os gêneros literários, sua origem, sua 
evolução e seus recursos de expressividade. Como você sabe, a literatura 
tenta expressar em palavras aquilo que poetas e escritores em geral 
percebem em sua individualidade e que compartilham de forma coletiva, 
já que todo texto envolve um outro, o leitor.
Quando se fala em gênero literário, você precisa considerar que se 
trata de um objeto acabado, construído a partir de uma forma e com 
uma função, em um contexto de produção que envolve o autor, a obra 
e o leitor provável. Pelo conjunto das obras literárias produzidas ao longo 
dos séculos e pelas relações entre elas é que se podem definir, de modo 
geral, os gêneros literários e os seus aspectos estruturantes.
O percurso dos gêneros literários
Antes de você estudar a evolução dos gêneros literários e os seus elementos es-
truturantes, é importante que tenha em mente alguns conceitos: de texto, discurso 
e gênero. O texto é uma unidade linguística (oral ou escrita) que apresenta um 
sentido completo. Assim, pode ser desde uma placa de trânsito até um romance. 
Para que um texto se constitua como tal e atinja seus propósitos, outros aspectos 
precisam ser levados em consideração. Esses aspectos fazem parte do discurso: 
as ideologias, o contexto, a intencionalidade do texto, os efeitos pretendidos, o 
leitor a quem se destina. O discurso é a realização do texto, ou seja, é o texto 
em uma situação comunicativa, histórica, social, institucional. Para que esse 
discurso seja compreendido e tenha sentido, ele adquire certa forma.
Para cada finalidade ou efeito de sentido, há uma forma correspondente. 
Essa forma é o gênero textual. Mas não pense que o gênero corresponde 
a um conjunto de regras fixas, imutáveis. Não. Por serem historicamente 
construídos, por estarem associados à variação cultural, os gêneros podem 
adquirir várias formas, que vão se modificando. Os gêneros são modelos de 
comunicação. São híbridos, podem conter características de outros gêneros. 
Essa reelaboração é particularmente fértil nos gêneros literários, ainda que 
possa se manifestar em qualquer tipo de texto.
Para compreender a noção de gênero e os seus meios de composição e 
significação, analise o texto a seguir, de Manuel Bandeira (1993, p. 313).
Excelentíssimo Prefeito,
Senhor Hildebrando de Góis,
Permiti que, rendido o preito
A que fazeis jus por quem sois
Um poeta já sexagenário,
Que não tem outra aspiração
Senão viver de seu salário
Na sua limpa solidão,
Peço vistoria e visita
A este pátio para onde dá 
O apartamento que ele habita
No castelo há dois anos já.
[…]
Excelentíssimo Prefeito
Hildebrando Araújo de Góis,
A quem humilde rendo preito,
Por serdes vós, senhor, quem sois:
Gêneros literários: poesia e prosa2
Mandai calçar a via pública
Que, sendo um vasto lagamar*, banhado, charco
Faz a vergonha da República
Junto à Avenida Beira-Mar!
Visualmente, pela presença do verso, você pode concluir que se trata de um 
poema. Há rimas, repetição de sons no interior dos versos e mesmo número de 
sílabas poéticas em todos os versos. No entanto, em termos de linguagem, há 
certo estranhamento (e isso é parte da intenção poética) em relação ao assunto. 
Trata-se de uma petição, destinada ao prefeito, para que tome providências em 
relação ao problema do alagamento constante da rua e da sujeira. Inclusive, 
emprega-se toda a polidez que é praxe em documentos oficiais (“Excelentíssmo 
Prefeito”; “Peço vistoria e vista”). O assunto aparentemente banal e o meio 
de divulgação da demanda do eu lírico (via literatura) são características 
da poesia moderna, que eleva tudo a tema poético (ao contrário da tradição 
clássica, que cultiva o “belo” e os “temas elevados”). Mas por que se deve 
enquadrar esse texto como poema? É possível que alguém o confunda com 
uma cartaoficial ao prefeito?
O texto de Bandeira (1993) pertence ao gênero literário poema porque 
nele predomina a função poética, a inventividade. Nota-se que a preocupação 
com a forma e com a sonoridade do poema é tão ou mais importante do que 
a reclamação. É possível que o problema da rua tenha incomodado o poeta a 
ponto de levá-lo a compor o poema. O poema foi protocolado na prefeitura 
como uma reclamação oficial? Não. Ele foi publicado numa coletânea literária. 
É improvável que alguém confunda o poema com uma carta de reclamação, 
que é outro gênero (não literário) e que apresenta uma composição voltada 
para a linguagem referencial, comunicativa, apenas. 
Mesmo que o poema pareça um texto informativo, a linguagem é empregada 
em sentido conotativo (como em “limpa solidão”). Nota-se certa subjetividade, 
no sentido de que o eu lírico se coloca como ser solitário, dependente de boas 
condições para produzir a sua obra. Bandeira (1993) pretendeu brincar com 
os limites dos gêneros, algo que se tornou bastante recorrente a partir do 
século XX. E essa “brincadeira” já está anunciada no próprio título do poema, 
Carta-poema. Assim, o que determina a essência do gênero é um conjunto de 
aspectos, que envolve a linguagem, a intenção e o meio de divulgação do texto.
Com a evolução das culturas e, em especial, a partir da escrita alfabética 
(século VII a.C.), muitos gêneros se formaram pela combinação de outros. A 
3Gêneros literários: poesia e prosa
própria expansão da imprensa e das plataformas digitais tem gerado inúmeros 
gêneros textuais, muito provavelmente pelas diversas formas de comunicação 
existentes. O leque de opções de gênero pode ser visto de modo bem evidente 
no desenvolvimento dos gêneros literários.
Que tal entender como surgiu a teorização sobre gêneros? O filósofo grego 
Aristóteles (384–322 a.C.) foi quem primeiro sistematizou, em sua Arte poética, 
três classes de gêneros, cada qual subdividida em “espécies”. As espécies 
são formas literárias que compartilham o mesmo gênero, mas que possuem 
diferenças entre si, em especial em relação ao tema (a ode é um poema lírico 
de amor, enquanto a elegia é um poema lírico de homenagem aos mortos). Para 
Aristóteles, essa organização tinha como parâmetro o emprego da palavra. No 
Quadro 1, você pode ver um esquema dessa divisão em gêneros e espécies.
Fonte: Adaptado de Aristóteles (2005).
Palavra Gênero Etimologia Características
Exemplos 
de espécies
Narrada Épico épos (fato 
glorioso)
  Narrativa
  Presença de 
um contador 
de histórias
  Foco narrativo 
em terceira 
pessoa
  Romance
  Novela
  Conto
Cantada Lírico lyra (instru-
mento musical 
de corda, usado 
para acompa-
nhar a recitação 
de poemas)
  Associação 
com o canto e 
a música
  Foco narrativo 
em primeira 
pessoa (poeta)
  Elegia
  Ode
  Hino
  Soneto
Repre-
sentada
Dramá-
tico
dramós (ação)  Encenação da 
palavra por 
atores
  Uso de se-
gunda pessoa
  Diálogo
  Tragédia
  Comédia
Quadro 1. Divisão de gêneros literários em épico, lírico e dramático segundo Aristóteles 
e derivações modernas
Gêneros literários: poesia e prosa4
É importante você notar que a divisão apresentada por Aristóteles baseia-se 
em uma abordagem descritiva e analítica. O filósofo toma como parâmetros 
a preponderância dos gêneros conhecidos e apreciados à sua época. Com 
o tempo, novos arranjos surgiram, e o conceito de gênero literário passou 
a levar em consideração não apenas o tratamento dado à palavra (cantada, 
narrada ou representada), já que essa divisão básica tornou-se insuficiente 
para especificar as diferentes apresentações literárias. Tome como exemplo 
a diferença entre conto e romance. Em ambos, a palavra é narrada por um 
contador de histórias. No entanto, isso não basta para individualizar esses 
gêneros. Nesse caso, é preciso acionar outros critérios para diferenciá-los, 
como trama, extensão e conflito.
Acredita-se que a Arte poética, de Aristóteles, tenha sido escrita nos anos finais da vida 
do filósofo. Inclusive, há indícios, no próprio texto, de que outro volume trataria da 
poesia. Contudo, provavelmente Aristóteles não conseguiu produzi-lo a tempo. A Arte 
poética apresenta as bases teóricas da literatura (considerando-a como mímese, como 
representação criativa da realidade) e dos gêneros literários. No entanto, só ganhou 
reconhecimento e divulgação no Renascimento (século XVI), com a primeira tradução 
para o latim. A partir de então, tem sido uma referência para os estudos literários.
A importância desses conceitos aristotélicos está, basicamente, no re-
conhecimento de categorias e manifestações textuais que especificam os 
textos. Ao afirmar que as obras diferem entre si por meios diferentes (como 
som, ritmo, voz), objetos diferentes (tipos de personagens, desfecho alegre ou 
triste) e maneiras diferentes (épico, lírico e dramático), Aristóteles reconhece 
a importância da sistematização dos gêneros literários. Além disso, aponta as 
bases para o desenvolvimento da teoria de gêneros.
A partir dessas ideias é que os gêneros evoluem. Se você partir da premissa 
de que a literatura é novidade, é imaginação e criatividade, também fazem parte 
desse processo a desconstrução desses gêneros e a criação de novas formas, 
mais ou menos próximas daquelas que serviram de modelo. Se a literatura é 
um fenômeno social, é natural que cada época produza seus estilos literários, 
que impactam seriamente a produção dos textos literários. Se, em um primeiro 
momento, os escritos de Aristóteles apontaram os elementos básicos do gênero 
literário, levando, em seguida, a uma distinção entre prosa e poesia, com seus 
5Gêneros literários: poesia e prosa
gêneros correspondentes, há atualmente uma fusão desses dois tipos. Porém, 
antes de você conhecer melhor tais aproximações, é importante que saiba 
reconhecer o que são e como se constituem os gêneros.
Gêneros literários em poesia e em prosa
Como você viu, um gênero literário é uma unidade que se caracteriza por 
um conjunto de aspectos defi nidores. Isso tanto em relação ao texto em si 
(linguagem, extensão, verso/prosa, tema) quanto em relação aos interlocutores 
(autor e leitor) e ao contexto. Desse modo, o gênero literário atende não só a 
fi ns composicionais, mas também a propósitos comunicativos e fi nalidades 
específi cas. Isso implica levar em consideração também os meios de divulgação 
desses gêneros. Mesmo que grande parte se destine a compor coletâneas e 
antologias, há algumas especifi cidades. 
Considere uma cantiga medieval. Esse gênero literário em verso des-
tinava-se à música e à dança em grupos. Então, ao compor uma cantiga, 
o poeta levava em consideração que seria preferencialmente cantada, não 
lida. Outro exemplo: o texto dramático, o teatro. Em essência, é escrito 
com vistas a ser interpretado, não lido individualmente (mesmo que isso 
também possa ocorrer). Desse modo, o autor tem em mente a finalidade 
do texto dramático e os meios pelos quais ele se expressa (considerando os 
atores, o cenário, o diretor).
As especificidades dos gêneros (que têm se transformado cada vez mais) 
partem de uma primeira e importante divisão — gêneros literários em poesia 
e gêneros literários em prosa. Cada gênero pertencente a um desses subgrupos 
apresenta aspectos que o englobam na categoria prosa ou poesia e, ao mesmo 
tempo, aspectos que o tornam único e exclusivo, como você vai ver a seguir.
Poesia
Que tal retornar a Aristóteles? Quando o fi lósofo apresenta sua teoria poética, 
uma das distinções propostas para os gêneros (épico, lírico e dramático) está 
associada ao tipo de verso empregado. Ou seja, este era um dos elementos 
distintivos entre os gêneros. E o próprio Aristóteles já alertava para o fato de 
que, em sua época, textos científi cos eram escritos em verso, sem, contudo, 
receber o status de arte poética. Na Antiguidade Clássica, portanto, o verso (e 
o ritmo imposto por ele) era parte importante da escrita, muito provavelmente 
Gêneros literários:poesia e prosa6
porque a escrita em verso facilita a leitura em voz alta e a memorização. Isso 
faz ainda mais sentido se você levar em consideração o grande número de 
analfabetos e a divulgação oral do conhecimento mediante leituras coletivas.
A poesia nasce ligada ao canto. Daí que conserva, ainda hoje, traços da 
musicalidade — ritmo, métrica, rimas, repetições, paralelismo. Outra relação da 
poesia com a música, retomando a ideia de lirismo, é o grau de emocionalidade 
e subjetividade presente na poesia e na música. Trata-se, portanto, de uma 
representação de algo bastante vago, as emoções. Daí a grande demanda por 
figuras de linguagem, que ajudam a expressar as emoções do eu lírico. Isso leva 
a outro elemento próprio da poesia: a extensão curta, como aponta D´Onofrio 
(2001, p. 57): “[...] os arroubos líricos só existem em fugazes momentos, não 
podendo sustentar uma longa composição literária. Daí decorre que a lírica 
se manifesta através de poemas curtos [...]”. 
Naturalmente, é possível perceber a presença de certo lirismo inclusive 
em textos narrativos, mas, tendo em vista os elementos caracterizadores dos 
gêneros literários, o lirismo é predominante na poesia em verso. Com a evolução 
dos gêneros em verso, é possível perceber várias transformações em relação 
ao olhar do eu lírico. A ênfase passa do sujeito em si, suas questões internas, 
para o mundo à sua volta, com maior consciência do outro.
Os gêneros literários sob a designação de poesia têm, portanto, em comum 
o fato de serem escritos em verso (o que implica uma disposição específica das 
ideias no texto), o fato de apresentarem a subjetividade do eu lírico e um enfoque 
na estilística da língua, em sua sonoridade. Isoladamente, esses aspectos não 
são exclusivos da poesia, mas é a combinação deles que se manifesta mais 
na poesia. A seguir, veja alguns exemplos de gêneros literários derivados da 
lírica, cada qual definido por aspectos como número de versos, tamanho de 
verso, assunto, entre outros aspectos.
  Canção: poema escrito em redondilha maior (7 sílabas poéticas) ou 
menor (5 sílabas poéticas); geralmente trata de amor ou faz uma sátira.
  Elegia: canto triste, de lamento pela morte de alguém.
  Soneto: forma poética composta por quatro estrofes (duas de quatro 
versos e duas de três versos).
  Hino: poema de exaltação (Deus, pátria, heróis de guerra).
  Haicai: de origem japonesa, tem forma curta, busca relacionar som 
e imagem.
  Formas livres: poemas modernos, que não apresentam necessariamente 
rimas ou rigidez métrica.
7Gêneros literários: poesia e prosa
A composição dos poemas é bastante variada. Como você viu, os temas são 
diversos e nem sempre o gênero literário se define pelo assunto. Por exemplo, 
uma elegia precisa, necessariamente, estar associada a um tema fúnebre. Já 
um soneto, para se constituir como tal, tem de conter 14 versos, organizados 
em quatro estrofes (dois tercetos e dois quartetos). Portanto, cada caso deve ser 
considerado em suas especificidades e de acordo com a época. Atualmente, por 
exemplo, as formas livres de poemas são muito mais populares e abundantes 
do que as elegias. O propósito aqui não é explicar cada uma dessas formas, 
mas apontar traços comuns. Para tanto, há que se mencionar, ainda, alguns 
elementos na análise do poema. Veja a seguir.
  Quanto ao ritmo do poema: como o poema é escrito em versos, a 
extensão do verso é essencial para a caracterização desse gênero lite-
rário. Assim, os poemas podem ser classificados conforme o número 
de sílabas poéticas, que nem sempre correspondem à divisão silábica 
convencional. Os mais comuns são as redondilhas (5 e 7 sílabas poéticas), 
o decassílabo (10 sílabas poéticas), o dodecassílabo (12 sílabas poéticas) 
e o verso livre (que não segue um padrão de quantidade de sílabas, 
havendo, no mesmo poema, diversos tamanhos de verso).
  Quanto à composição dos versos: um conjunto de versos forma uma 
estrofe (que pode variar de dois a inúmeros versos); também pode haver um 
refrão, que é uma estrofe que se repete mais de uma vez no mesmo poema.
  Quanto aos recursos sonoros: a sonoridade do poema pode se dar 
pela presença de rimas pobres (mais simples) ou ricas (mais elabora-
das, combinando sons de palavras pertencentes a classes gramaticais 
distintas), ou mesmo pela ausência delas (verso branco). As rimas po-
dem ser internas ao verso ou aparecerem apenas no final dos versos, 
apresentando esquemas diversos. Para analisar um poema, considere 
que cada som corresponde a uma letra. Assim é possível determinar o 
esquema de rimas. Ainda fazem parte dos recursos sonoros as repetições 
(palavras, sons, versos) e o uso de onomatopeias.
Prosa
Se o elemento defi nidor da poesia é a escrita em verso, no caso da prosa, o 
elemento defi nidor é a escrita continuada, organizada em parágrafos — a prosa. 
A prosa de fi cção está associada à narração. Deriva do gênero épico e, por meio 
de um narrador, que organiza o discurso, narra um evento fi ccional. Além disso, 
implica a relação entre personagens que se relacionam no tempo e no espaço.
Gêneros literários: poesia e prosa8
O gênero dramático, definido por Aristóteles, inicialmente dava conta da tragédia e da 
comédia. Na sequência, outros gêneros literários constituídos a partir da representação 
se formaram: a farsa, o auto, o drama, o monólogo, o musical. Todos têm em comum a 
ausência de um narrador e a finalidade primária da encenação. Além da palavra escrita, 
portanto, outros elementos, relacionados ao meio de execução, são mobilizados. É 
certo que um texto dramático também serve para ser lido, individualmente, mas essa 
não é a sua finalidade primária. 
Pela leitura, você pode perceber que predomina o aspecto narrativo (aproximando 
o drama dos textos em prosa), mas também é muito comum que a escrita seja em 
verso (aproximando-o, nesse caso, da lírica). Por essas especificidades, aqui você não 
vai se ater a esse gênero. No entanto, caso você tenha interesse em aprofundar seus 
conhecimentos sobre teatro, pode ler O teatro épico, de Anatol Rosenfeld.
O primeiro ponto a respeito da prosa é a presença de um narrador. Assim 
como o eu lírico não é o poeta e não necessariamente expressa as emoções 
deste, também o narrador não é o autor, não está, necessariamente, vinculado 
às experiências deste. Esse ser ficcional é essencial para a condução do texto, 
já que determina como e em que ritmo a história é contada (de forma mais 
abrupta, com suspense, começando pelo final). O narrador pode apresentar 
maior ou menor envolvimento com o narrado (narrador-personagem, narrador 
observador, intruso). Quanto aos tipos de narradores, podem se organizar em 
primeira pessoa ou terceira pessoa. Além disso, podem interferir em maior 
ou menor grau na narração.
Quanto à construção das personagens — outro elemento constituinte 
dos gêneros em prosa —, a opção por determinadas representações também 
está relacionada ao tipo de gênero. As personagens, de modo geral, podem 
ser planas, ou seja, representar tipos ou funções sociais, ou mais complexas, 
evidenciando a própria complexidade humana, com suas inconsistências e 
valores. A existência de uma ou outra, por si só, já implica a delimitação de 
um gênero.
Tome como exemplo o conto. Há o conto popular, de tradição oral, cujo 
propósito é transmitir uma moral, um ensinamento. Há, ainda, o conto erudito, 
focado na trajetória de uma ou mais personagens, podendo envolver enredos 
distintos (aventura, drama psicológico, suspense). No primeiro caso, até para 
reforçar a moral, empregam-se personagens estereotipadas (o rei, a princesa, o 
comerciante, o bom, o mau), que representam comportamentos bem evidentes 
e que permanecem com essas características ao longo de toda a história. Já no 
9Gêneros literários: poesia e prosa
conto erudito, as personagens são mais elaboradas. Mesmo podendo haver uma 
identificação com tipos sociais, a finalidade de sua existência é outra, seu papel 
na história vai adquirindonovos significados e muitas vezes rompe expectativas.
Da mesma forma que em relação aos poemas, os gêneros textuais em prosa 
possuem algumas características que os aproximam, mas muitas especificida-
des que os singularizam. A determinação de um gênero em prosa, tal como na 
poesia, envolve critérios distintos. Por exemplo, a distinção entre romance e 
conto está em sua extensão. A definição do gênero biografia ficcional está no 
assunto. A definição do gênero anedota está no emprego do humor. A seguir, 
veja alguns exemplos de gêneros literários em prosa derivados da épica.
  Romance: narrativa longa, envolvendo um ou mais personagens, que se 
relacionam no tempo e no espaço. O protagonista, ao contrário do que 
ocorre no texto épico que lhe dá origem, não precisa ser um herói ou 
semideus, mas o homem comum, envolvido em seus conflitos pessoais.
  Conto: narrativa curta, em geral sem tantos personagens ou aconteci-
mentos; condensa mais o conflito da história.
  Novela: sua extensão fica entre o romance e o conto. Em geral, apresenta 
episódios intercalados e independentes.
  Crônica: texto curto, que busca apreender, por meio da ficção, um 
momento do dia, uma impressão do cotidiano.
  Anedota: tem origem na tradição oral e envolve o relato de algo en-
graçado ou curioso.
Você deve notar que o gênero épico, apesar de narrativo, era escrito em verso. Mais 
uma vez, a especificidade dos gêneros deve ser considerada a partir de um conjunto 
de critérios e da predominância de formas.
Tendências contemporâneas: repensando os limites 
entre prosa e poesia
A evolução e o amadurecimento da literatura, por um lado, e a potencialização 
dos meios de comunicação, por outro, têm contribuído para uma fértil produção 
de novos gêneros literários. Ainda que a tríplice organização em épico, lírico 
Gêneros literários: poesia e prosa10
e dramático de Aristóteles encontre espaço hoje tanto na teoria da literatura 
quanto entre os fi ccionistas, os limites entre os gêneros estão cada vez mais 
fl uidos. Isso leva os estudiosos a adotar uma postura um pouco diferente 
em relação a esses novos textos, que é a de reconhecer a capacidade sempre 
renovada da criação poética. Por isso, chega-se à conclusão de que, se não é 
impossível, talvez tenha se tornado secundária a identifi cação precisa de um 
gênero literário, mais ainda se você considerar a distinção (cada vez mais 
sutil) entre prosa e poesia, entre narrativa e lírica.
Há pouco, foram referidas as formas livres e os versos brancos, quando se 
abordou a poesia. Trata-se de importantes inovações literárias, que obrigam 
a pensar o ritmo da poesia a partir de outros elementos que não aqueles 
tradicionalmente reconhecidos — o padrão de rimas e a regularidade do 
verso. Da mesma forma, são cada vez mais comuns os poemas em prosa e as 
narrativas em verso. Observe o caso a seguir, o poema O que se diz, de Carlos 
Drummond de Andrade (1985):
Que frio! Que vento! Que calor! Que caro! Que absurdo! Que bacana! 
Que tristeza! Que tarde! Que amor! Que besteira! Que esperança! Que 
modos! Que noite! Que graça! Que novidade! Que susto! Que pão! Que 
vexame! Que mentira! Que confusão! Que vida! Que coisa! Que talento! 
Que alívio! Que nada... […] 
Estruturalmente, você pode perceber uma organização contínua na linha 
(que segue na linha seguinte), o que caracteriza a prosa. No entanto, trata-se 
de um poema. E como se chega a essa conceituação? Saber que é uma obra de 
um famoso poeta — Carlos Drummond de Andrade — já é uma pista inicial, 
que indica a grande possibilidade de ser um poema. Mas supondo que essa 
informação fosse desconhecida, há aspectos estruturais a serem percebidos. 
Então, como chegar à conclusão de que se trata de um poema? Pela percep-
ção da predominância da sonoridade, recurso da poesia. As frases empregadas 
têm a mesma estrutura. Há um paralelismo na repetição da interjeição “que” 
e no emprego repetido de apenas duas palavras em cada frase. Essa continui-
dade garante o ritmo e a circularidade do poema. Note ainda que a ordem das 
expressões não altera o sentido. Não há a intenção de contar uma história, de 
avançar em uma narrativa.
Exemplos desse tipo são cada vez mais comuns na literatura. Desde o 
Romantismo, a reprodução de modelos clássicos cedeu espaço à liberdade de 
criação formal do artista, e isso fez proliferarem novas formas. Em especial 
após o Simbolismo, que rompeu com a ideia de que há temas próprios para a 
11Gêneros literários: poesia e prosa
poesia e temas próprios para a prosa, surgiram diversas inovações em termos 
de gêneros, inclusive envolvendo a imagem e o texto publicitário. A poesia 
lírica passa a dividir espaço com uma poesia que não traz só a representação 
das emoções do sujeito, nem só a forma clássica do verso. Compete ao leitor 
não enquadrar essas composições neste ou naquele gênero literário predefinido, 
mas perceber as sobreposições e recriações de gêneros como parte natural e 
enriquecedora da obra estética.
Análise dos elementos estruturais
Até agora, você viu que um gênero literário é um constructo que envolve 
muitas formas de organização. Nesta seção, você vai colocar em prática o 
que já aprendeu para analisar textos em verso e em prosa. A ideia é que você 
observe como cada gênero se constitui a partir de elementos estruturantes 
comuns e específi cos.
Para compreender como se dá esse arranjo, você vai ver seis níveis de 
análise do texto literário (D´ONOFRIO, 2002), independentemente de seu 
gênero. É possível perceber que esses níveis são acionados em maior ou menor 
grau, dependendo do gênero literário. Sabe-se, por exemplo, que tanto na 
prosa quanto na poesia pode haver repetição de sons e palavras, ainda que tal 
manifestação seja mais comum na poesia.
Nível fabular
Neste nível, consideram-se os elementos que defi nem o modo como a história 
é contada, as situações, as sequências narrativas. Obviamente, é uma categoria 
essencial para o texto em prosa, mas que, em alguns poemas, também está 
presente. O poema Tabacaria, assinado por um dos heterônimos de Fernando 
Pessoa, Álvaro de Campos, começa com os seguintes versos:
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada (PESSOA, 2008, p. 362).
Um estilo bem poético, que envolve rima, verso, repetições e aliterações 
(nesse caso, a repetição do som nasal nas palavras iniciadas em n, no começo 
de cada verso). Na sequência, porém, surge uma organização fabular, que 
Gêneros literários: poesia e prosa12
contrasta com a simbologia desses versos iniciais, opondo o sonho e o pen-
samento à realidade concreta:
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos (PESSOA, 
2008, p. 366).
Nota-se a predominância da subjetividade, o foco na relação do eu lírico 
consigo mesmo, sem deixar de trazer certo enredo, um movimento, que aparece 
como moldura ao pensamento (homens na tabacaria, que entram e saem). 
Inclusive, o eu lírico desloca-se, em certo momento, do “eu” para pensar no 
outro, quando questiona o motivo de um homem ter entrado na tabacaria.
Para fins de comparação, veja o início do conto Fala-se russo, de Vladi-
mir Nabokov (2013): “A tabacaria de Martin Martinich fica localizada num 
prédio de esquina. Não é de admirar que tabacarias tenham uma predileção 
por esquinas, porque o negócio de Martin está indo muito bem [...]”. A trama 
se inicia com uma descrição da tabacaria. Ao contrário do que acontece no 
poema de Pessoa, aqui ela é colocada em primeiro plano, a partir do qual se 
desenvolve a história. Não se sabe ainda, pela leitura das primeiras linhas 
do conto, o que acontecerá, mas o leitor conhece detalhes do espaço que 
contribuem para a expectativa inicial da narrativa.
Nível atorial
O nível atorial diz respeito à percepçãoque se tem das personagens no texto, 
suas funções e características físicas e/ou psicológicas. Mais uma vez, é prerro-
gativa do texto em prosa a descrição da personagem, como na apresentação do 
herói indígena Peri, do romance O guarani, de José de Alencar: “Peri, com seu 
arco, companheiro inseparável e arma terrível, na sua mão destra, sentava-se 
longe, à beira do rio, numa das pontas mais altas do rochedo ou do galho de 
uma árvore [...]” (ALENCAR, 2001, p. 54). O índio é mostrado em sintonia 
com a natureza, mas, ao mesmo tempo, forte e guerreiro. Você pode ver uma 
descrição semelhante no poema narrativo I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias:
13Gêneros literários: poesia e prosa
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte.
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi (DIAS, 2002, p. 48).
Nos dois casos, para que a narrativa se desenvolva, é essencial apresentar 
as personagens e as suas características. No caso do poema, obviamente, 
essa descrição é mais sugestiva do que concreta (“Sou filho do Norte”), mas 
igualmente permite perceber a coragem e a força guerreira do índio. Nos dois 
textos, a força física e os valores morais apresentados determinam os destinos 
das personagens. Daí a importância de serem apresentados.
Nível reflexivo
O nível refl exivo envolve os comentários e as refl exões sobre os fatos ou sobre a 
vida em geral. Nos textos narrativos, essa função implica o narrador e as perso-
nagens. No caso do poema, envolve o eu lírico e os seus modos de ver o mundo.
Tome como exemplo as reflexões sobre a escravidão. O narrador do conto 
Pai contra mãe, de Machado de Assis, inicia a história com uma reflexão: 
“A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras 
instituições sociais. [...] Há meio século, os escravos fugiam com frequência. 
Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão [...]” (ASSIS, 2001, p. 19). 
No caso do poema Grito negro, do poeta moçambicano José Craveirinha 
(2003), essa reflexão também traz uma denúncia, porém isso se dá de forma 
mais simbólica, a partir da metáfora do carvão. O poema mostra um eu lírico 
consciente de seu papel social:
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz 
mas eternamente não, patrão (CRAVEIRINHA, 2003).
O nível reflexivo, no poema, expressa-se por imagens e metáforas, de 
forma mais condensada. Já na prosa, o pensamento de narrador e personagens 
dispõe de mais espaço para ser expresso.
Gêneros literários: poesia e prosa14
Nível discursivo
O nível discursivo aborda as várias vozes presentes no texto literário, como 
elas se manifestam. Também nessa categoria enquadram-se as análises de 
elaboração linguística, em níveis lexical, sintático e semântico. Assim, trata-
-se de uma categoria igualmente presente em todos os gêneros literários, mas 
com enfoques distintos. 
No texto em prosa, são perceptíveis os diferentes estilos de personagens, 
suas falas em discurso direto (mediante o uso de travessão), o foco narrativo 
predominante (primeira ou terceira pessoa) e os empregos da linguagem para 
atingir os propósitos pretendidos. Tome como referência o romance A hora 
da estrela, de Clarice Lispector. Nele, você pode perceber como, pelo estilo 
discursivo, há uma aproximação entre a organização sintática da prosa e a 
linguagem poética:
Com essa história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um 
dia roubado da morte. Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. 
E o que escrevo é uma névoa úmida. As palavras são sons transfundidos 
de sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música 
transfigurada de órgão. Mal ouso clamar palavras a essa rede vibrante 
e rica, mórbida e escura, tendo como contratom o baixo grosso da dor. 
Alegro com brio. Tentarei tirar ouro do carvão. Sei que estou adiando a 
história e que brinco de bola sem a bola. O fato é um ato? Juro que este 
livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. 
Este livro é uma pergunta (LISPECTOR, 1981, p. 21).
As escolhas discursivas levam o leitor a sentir-se diante de uma poesia, 
com seus vários efeitos de sentido, com as metáforas e as figuras de linguagem 
ocupando o espaço da narrativa. Talvez a referência ao “brincar sem bola” 
seja uma forma de expressar a aproximação da prosa com algo que não é de 
sua essência, a poesia. O trecho leva a pensar, mais do que descreve ou narra 
algo concreto. Essa é uma escolha discursiva.
Outro exemplo de construção discursiva a partir da ruptura dos parâmetros da 
prosa e da poesia é o poema de Manuel Bandeira (1993, p. 142) Irene no céu Veja:
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
15Gêneros literários: poesia e prosa
Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
Nesse caso, o poema é composto por duas estrofes. Na primeira, há a des-
crição de Irene, sem rimas e em versos livres. O ritmo se dá pela repetição do 
nome “Irene” e pela oposição entre os dois primeiros versos curtos e o último, 
mais longo e definitivo em relação à descrição da mulher. A segunda estrofe 
busca reproduzir a estrutura do texto narrativo pelo diálogo (vide travessões), 
pelas diferenças dos falares (“Licença, meu branco!”) e pela presença de um 
narrador onisciente que indica os turnos da fala (“E São Pedro bonachão:”).
Nível descritivo
O nível descritivo relaciona-se às categorias de tempo e espaço. Busca organizar e 
apresentar a imagem que corresponde a um cenário, a um espaço, às vestimentas. 
Na narrativa, é parte fundamental para o desenvolvimento da ação. Já na poesia 
aparece como um recurso que leva o eu lírico a evocar sentimentos e sensações. 
Considere outro poema de Manuel Bandeira (1993, p. 220), Natal sem sinos:
No pátio a noite é sem silêncio.
E que é a noite sem o silêncio?
A noite é sem silêncio e no entanto onde os sinos
Do meu Natal sem sinos?
Ah meninos sinos
De quando eu menino
A noite silenciosa e os sinos do Natal remetem à infância perdida e provocam 
um lamento, como você pode perceber nos dois últimos versos. Na prosa, por 
exemplo, também há o caráter evocativo de memórias pela descrição, mas esta 
aparece muito mais com a finalidade de justificar e contextualizar as ações das 
personagens. É o caso do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo, que apresenta 
páginas e páginas de descrição do espaço em detalhes, porque é justamente esse 
espaço o responsável pelas ações das personagens que nele residem: 
Foi abaixo aquele grosso e velho muro da frente com o seu largo portão 
de cocheira, e a entrada da estalagem era agora dez braças mais para 
Gêneros literários: poesia e prosa16
dentro, tendo entre ela e a rua um pequeno jardim com bancos e um 
modesto repuxo ao meio, de cimento, imitando pedra. Fora-se a pitoresca 
lanterna de vidros vermelhos; foram-se as iscas de fígado e as sardinhas 
preparadas ali mesmo à porta da venda sobre as brasas; e na tabuleta 
nova, muito maior que a primeira, em vez de “Estalagem de São Romão” 
lia-se em letras caprichosas: “Avenida São Romão” (AZEVEDO, 1999, p. 274).
A descrição, em todo caso, deve atender a uma finalidade. Se for gratuita, 
torna o texto artificial. Comparando as duas descrições, você pode notar que, 
no caso da poesia, há maior grau de interpretabilidade. O leitor tem noção do 
que são a noite, o silêncio e os sinos, mas a descrição dessas ideias se dá de 
maneira bastante emocional, sob a óptica do eu lírico. Já na descrição no texto 
em prosa, é mais fácil para o leitor relacionar a imagem do que é descrito com 
elementos de seu cotidiano.
Nível fônico
O nível fônico envolve os elementos sonoros do texto, que se manifestam de 
várias maneiras (pela repetição de sons, pela repetição de palavras, pela repetição 
de sintagmas, pela oposição entre tamanhos de versos). O mais importante é a 
estreita relação entre o som e o sentido. Tradicionalmente, o nível fônico é maisprodutivo de ser observado em poemas, tais como A catedral, de Alphonsus de 
Guimaraens (2009, p. 103–104):
Entre brumas, ao longe, surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea* do meu sonho branca 
como o marfim
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.
E o sino canta em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
17Gêneros literários: poesia e prosa
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a bênção de Jesus.
E o sino clama em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
O refrão “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus” tende a reproduzir o som 
(“lúgubre”) melódico e repetitivo do sino. Da mesma forma, nas estrofes 
maiores, repete-se a ideia “A catedral ebúrnea do meu sonho”, relacionando o 
sonho à cor branca (do orvalho, da luz do sol). Note, por exemplo, a repetição 
do som /s/ nas sílabas tônicas, conferindo certa fluidez ao poema: sino, segue, 
astro, seta, cintila, recebe.
Na literatura moderna, porém, é cada vez mais comum que a sonoridade e a 
musicalidade ajudem a compor também os traços do texto em prosa, como você 
pode ver trecho do conto Cara de Bronze, de Guimarães Rosa (2001, p. 140):
O vaqueiro José Uéua: Assim: — mel se sente é na ponta da língua… 
O desafã. Por exemplos: — A rosação das roseiras. O ensol do sol nas 
pedras e folhas. O coqueiro coqueirando. As sombras do vermelho no 
branqueado do azul. A baba de boi da aranha. O que a gente havia de 
ver, se fosse galopando em garupa de ema. Luaral. As estrelas. Urubús e 
as nuvens em alto vento: quando eles remam em voo. O virar, vazio por 
si, dos lugares. A brotação das coisas. A narração de festa de rico e de 
horas pobrezinhas alegres em casa de gente pobre…
O personagem vaqueiro José Uéua (já há sonoridade no nome) considera como 
seria ver os pequenos acontecimentos da vida de um ângulo inusitado. Assim, as 
palavras são empregadas em sentidos mais figurativos do que costumam aparecer 
em um texto em prosa. O que seria, por exemplo, “Um coqueiro coqueirando” 
ou as “horas pobrezinhas alegres”? Perceba não só o aprofundamento semântico 
das palavras, mas também a sonoridade (“rosação das roseiras”, “ensol do sol”), 
as oposições (“festa de rico”, “horas pobrezinhas em casa de gente pobre”), a 
contextualização do léxico (“remam em voo”, considerando que o remar ocorre 
na água, não no céu) e as aliterações (“virar, vazio”). 
Do ponto de vista sintático, as ideias são sugestivas, não são completas. 
Predominam as frases nominais, sem verbos, e o uso de reticências. Ou seja, 
mais do que descrever ou narrar um episódio (premissa dos gêneros narrati-
Gêneros literários: poesia e prosa18
vos em prosa), o trecho atém-se à subjetividade do eu e à expressão de uma 
sensação em relação ao mundo (premissa dos gêneros narrativos em versos). 
Daí o encanto promovido pela leitura.
ALENCAR, J. O guarani. São Paulo: Martin Claret, 2001.
ANDRADE, C. D. O poder ultrajovem. Rio de Janeiro: Record, 1985.
ARISTÓTELES. Arte poética. In: ARISTÓTELES; HORÁCIO; LONGINO. A poética clássica. 
São Paulo: Cultrix, 2005.
ASSIS, M. Pai contra mãe. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores contos brasileiros do 
século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
AZEVEDO, A. O cortiço. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1999.
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
CRAVEIRINHA, J. Grito negro. In: APA, L.; BARBEITOS, A.; DÁSKALOS, M. A. (Org.). Poesia 
africana de língua portuguesa (antologia). Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2003.
D´ONOFRIO, S. Teoria do texto 1: prolegômenos e teoria da narrativa. 2. ed. São Paulo: 
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DIAS, G. Poesia indianista. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
GUIMARAENS, A. A catedral. In: RICIERI, F. (Org.). Antologia da poesia simbolista e decadente 
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LISPECTOR, C. A hora da estrela. 6. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1981.
NABOKOV, V. Contos reunidos. Rio de Janeiro: Alfaguara/Objetiva, 2013. 
PESSOA, F. Obra poética. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 2008.
RAMOS, R. Circuito fechado. In: BOSI, A. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: 
Cultrix, 1975.
ROSA, G. Cara-de-bronze. In: ROSA, G. No Urubuquaquá, no Pinhém. 9. ed. Rio de Janeiro: 
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ROSENFELD, A. O teatro épico. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2008. (Coleção Debates).
SANT´ANNA, A. O importado vermelho de Noé. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores 
contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
19Gêneros literários: poesia e prosa
Leituras recomendadas
CANDIDO, A. O estudo analítico do poema. 5. ed. São Paulo: Associação Editorial Hu-
manitas, 2006.
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, A. P.; 
MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Org.). Gêneros textuais e ensino. São Paulo: Parábola 
Editorial, 2010, p. 19-38.
MOISÉS, M. Dicionário de termos literários. 7. ed. São Paulo: Cultrix, 1995.
MORICONI, I. Como e por que ler a poesia do século XX. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
STEIGER, E. Conceitos fundamentais da poética. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1972.
Gêneros literários: poesia e prosa20
Conteúdo:
Dica do professor
Como leitores, o nosso contato com um conto, um romance ou mesmo um poema faz com que nos 
centremos em sentir os efeitos desse texto — as emoções, as ideias, o emprego das palavras, e 
assim por diante. Como teóricos da literatura, diante desses mesmos textos, a nossa postura é, por 
um lado, entender como aquele texto se apresenta, quais os recursos empregados, qual a sua 
finalidade, qual seu estilo, quem é seu autor; por outro lado, a análise teórica também envolve 
perceber a literatura como um processo, ou seja, os conceitos de romance, conto, novela, tragédia e 
poema são resultados de uma longa história de experimentos literários e confluências de estilos e 
técnicas. Sua origem remonta aos gregos e à clássica divisão entre épico, lírico e dramático. De lá 
para cá, a inventividade e os elementos culturais têm transformado os gêneros em prosa e em 
poesia, inclusive estabelecendo estreitas relações entre eles.
Nesta Dica do Professor, você vai ver um esquema dos gêneros literários em sua origem, além dos 
seus desdobramentos para formar novos gêneros nos dias de hoje.
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Exercícios
1) Indique a alternativa que contém uma descrição abrangente e atual de gêneros literários. 
A) São composições que seguem estruturas fixas, as quais os escritores recorrem sem grande 
liberdade de criação, sob pena de descaracterizarem os gêneros.
B) Formam-se a partir de uma divisão clara e distinta entre prosa e poesia. Há um número 
limitado de cada tipo e evita-se ao máximo a combinação entre prosa e poesia no mesmo 
texto.
C) Tendem a desaparecer com o tempo, devido aos desvios praticados em relação às formas 
clássicas, inviabilizando os estudos de gênero literário.
D) São unidades significativas formadas pela combinação de vários elementos literários 
(envolvendo sentidos, finalidades e meios de divulgação).
E) Demonstram o domínio da técnica de seus criadores, na medida em que reproduzem, há 
séculos, os mesmos modelos impostos pelo filósofo da linguagem, Aristóteles.
2) Considerando a noção de épico apresentada por Aristóteles, indique qual das alternativas a 
seguir traz uma informação correta sobre a evolução desse gênero. 
A) O gênero épico, que deu origem às epopeias, é ainda amplamente produzido aos moldes 
daquilo que Aristóteles descreveu em relação aos primeiros textos épicos de que se tem 
notícia.
B) De acordo com os critérios dofilósofo grego, do gênero épico derivam formas poéticas como 
o hino e a elegia.
C) Tanto o épico quanto o dramático representam homens superiores (heróis, reis). Por isso, a 
distinção entre um e outro não era clara na época de Aristóteles, já que a epopeia e a tragédia 
tinham como personagens os “homens melhores do que são”. Apenas na Idade Média essa 
distinção ficou evidente.
D) O épico relaciona-se à narrativa pelo emprego da linguagem conotativa e pela presença de 
temas elevados, como as batalhas e as histórias de amor.
E) O romance e o conto descendem do épico, tendo em vista a presença de um narrador que 
organiza o narrado. No entanto, diferenciam-se dele essencialmente no modo de apresentar o 
protagonista.
3) Assinale a alternativa que contém um exemplo da evolução dos gêneros poéticos a partir da 
fusão entre prosa e poesia. 
A) 
De tudo ao meu amor serei atento•
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto•
Que mesmo em face do maior encanto•
Dele se encante mais meu pensamento. (Vinícius de Moraes)•
B) Quando Ismália enlouqueceu, 
Pôs-se na torre a sonhar... 
Viu uma lua no céu, 
Viu outra lua no mar. (Alphonsus de Guimaraens)
C) Quando o jacto fumigatório partiu, nada mudou em mim;
os sinos da redenção continuaram em silêncio;
nenhuma porta se abriu nem fechou.
Mas o monstruoso FICOU MAIOR. (Manuel Bandeira)
D) Chega-se a mim! 
Entra no meu amor, 
E à minha carne entrega a tua carne em flor! (Olavo Bilac)
E) Sei que canto. 
E a canção é tudo. 
Tem sangue eterno a asa rimada. 
E um dia sei que estarei mudo: 
— mais nada. (Carlos Drummond de Andrade)
Leia o trecho a seguir, o qual contém o início e o final do conto Circuito fechado, de Ricardo 
Ramos (1975, p. 259–260). 
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de 
barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. 
Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, telefone, 
agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas, espátula, pastas, caixa de entrada, de saída, 
4) 
vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e 
fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, 
telefone, papéis. Relógio. [...] Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, 
cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. 
Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, 
meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro. 
Como esse trecho pode ser caracterizado? 
A) Poema narrativo.
B) Texto em prosa.
C) Gênero dramático.
D) Sequência de frases sem uma classificação possível.
E) Uma descrição de cena que ainda pode vir a originar um gênero literário em prosa ou verso.
5) Leia o trecho a seguir, retirado do conto O importado vermelho de Noé, de André Sant'Anna 
(2001, p. 602):
Deu no rádio. Eu vou ser o prefeito em Nova York com os novaiorquinos, o dinheiro que 
chove e as mais lindas mulheres do planeta nas reuniões de máxima urgência com fluxo 
global para São Paulo. Deu no rádio. Está chovendo dinheiro em Nova York e eu sou o 
prefeito. É hora de voar pela American Airlines. [...] Há falhas no sistema administrativo 
nacional. Devo partir imediatamente.
Agora, considere o seguinte comentário: 
O conto recorre a uma sintaxe simples, de frases curtas, sem subordinações. As ideias são 
encadeadas de forma cumulativa e circular. Ao mesmo tempo, são empregados termos de 
uma linguagem formal, referindo, aparentemente, compromissos profissionais. O efeito de 
sentido leva a perceber uma narrativa em primeira pessoa que reflete um fluxo intenso de 
ideias, mais ou menos relacionadas entre si.
A qual nível de análise literária a explicação remete?
A) Nível discursivo.
B) Nível atorial.
C) Nível reflexivo.
D) Nível fabular.
E) Nível fônico.
Na prática
Um caso interessante que mostra os limites da invenção poética a partir da desconstrução dos 
gêneros é o movimento dadaísta, surgido na Europa após a I Guerra Mundial. O nome vem de uma 
palavra francesa — dada — a qual significa brinquedo. Trata-se de um movimento artístico de 
experimentação e que, pelas intensas rupturas literárias que propôs, não se estabeleceu como um 
momento literário de grande produção, ainda que tenha deixado suas marcas, proporcionado 
algumas reflexões sobre o fazer poético.
Neste Na Prática, você vai conferir alguns exemplos de aplicações artísticas do movimento 
dadaísta.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
A tradução do verso livre em inglês por tradutores brasileiros: 
um panorama de ideias
Marina Della Valle, em sua tese de doutorado (USP), mostra o processo de tradução do verso livre e 
o trabalho do tradutor como coautor.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Poema em prosa: poética da pequena reflexão
No seguinte artigo, o poeta Fernando Paixão discute os limites entre prosa e poesia.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
LITERATURA - PROSA E POESIA
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8147/tde-15082016-115243/pt-br.php
https://www.scielo.br/pdf/ea/v26n76/26.pdf
https://www.youtube.com/embed/xIzqg5YKhnY

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