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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA – UFRA
PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO BÁSICO – PARFOR
LICENCIATURA EM CIÊNCIAS NATURAIS
APOSTILA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Prof. Msc. Eduardo Leal
UFRA/PARFOR
ÍNDICE
CAPÍTULO 1 – REVISÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A EVOLUÇÃO DAS CIÊNCIAS ............. 2
REVISÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL ............................................................................................. 2
Quando e como aparecem os primeiros problemas ambientais? ................................................................................... 2
Os anos 1970 ................................................................................................................................................................. 2
Os anos 1980 ................................................................................................................................................................. 4
Os anos 1990 ................................................................................................................................................................. 5
Acontecimentos internacionais que influenciaram a Educação Ambiental mundial. .................................................... 6
Acontecimentos no Brasil que influenciaram a EA ...................................................................................................... 8
A EVOLUÇÃO DAS CIÊNCIAS. .................................................................................................................................. 11
Culturas Antigas .......................................................................................................................................................... 12
Ciência na Idade Média ............................................................................................................................................... 16
A Ciência no Renascimento ........................................................................................................................................ 17
Ciência Moderna ......................................................................................................................................................... 18
A Nova Ciência ou Pós-Moderna ................................................................................................................................ 19
CAPÍTULO 2 – CONCEITUAÇÃO E PERCEPÇÕES EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL ................................................ 23
UM CONCEITO EM CONSTRUÇÃO........................................................................................................................... 23
PERCEPÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL............................................................................................................ 24
CAPÍTULO 3 – PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL. .................................................................... 28
CAPÍTULO 4 – POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL. .................................................................... 28
a) Projéto educativo coletivo ........................................................................................................................................... 33
b) Perspectiva global e local ............................................................................................................................................ 34
c) Maior sinergia escola e comunidade ........................................................................................................................... 34
d) Interdisciplinaridade .................................................................................................................................................... 35
e) Transversalidade .......................................................................................................................................................... 35
f) Exercício do pensamento complexo ............................................................................................................................ 36
CAPÍTULO 4 – AÇÕES ANTRÓPICAS NO MEIO AMBIENTE AMAZÔNICO ........................................................... 38
IMPACTOS SOBRE O ECOSSISTEMA FLORESTA AMAZÔNICA ......................................................................... 42
CAPÍTULO 5 – IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA .......................................................... 44
ENSINO NAS SÉRIES INICIAIS .................................................................................................................................. 45
CONSCIENTIZAÇÃO DO ALUNO DAS SÉRIES INICIAIS ...................................................................................... 46
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................................................................... 48
2
CAPÍTULO 1 – REVISÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A EVOLUÇÃO
DAS CIÊNCIAS
REVISÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Quando e como aparecem os primeiros problemas ambientais?
Os anos 1970
Todos nós temos conhecimento de que as questões ambientais começaram a se apresentar pelos idos
dos anos 1970, quando eclode no mundo um conjunto de manifestações, incluindo a liberação feminina, a
revolução estudantil de maio de 1968 na França e o endurecimento das condições políticas na América Latina,
com a instituição de governos autoritários, em resposta às exigências de organização democrática dos povos
em busca de seus direitos à liberdade, ao trabalho, à educação, à saúde, ao lazer e à definição participativa de
seus destinos.
Naquela época em que dançávamos o rock and roll e nos emocionava a canção de Geraldo Vandré,
“Para não dizer que não falei de flores”, o que acontecia no mundo?
Fortalecia-se o processo de implementação de modelos de desenvolvimento fortemente neoliberais, regidos
pela norma do maior lucro possível no menor espaço de tempo. Com o pretexto da industrialização acelerada,
apropriava-se cada vez mais violentamente dos recursos naturais e humanos.
O processo de consolidação do capitalismo internacional, paralelo ao paradigma positivista da ciência,
já não conseguia dar reposta aos novos problemas, caracterizados pela complexidade e interdisciplinaridade,
no contexto de uma racionalidade meramente instrumental e de uma ética antropocêntrica.
No âmbito educativo, processavam-se críticas à educação tradicional e às teorias tecnicistas que
visavam à formação de indivíduos eficientes e eficazes para o mundo do trabalho, surgindo movimentos de
renovação em educação.
Os antecedentes da crise ambiental da década de 1970 manifestarem-se ainda nas décadas de 1950 e
1960, diante de episódios como a contaminação do ar em Londres e NovaYork, entre 1952 e 1960, os casos
fatais de intoxicação com mercúrio em Minamata e Niigata, entre 1953 e 1965, a diminuição da vida aquática
em alguns dos Grandes Lagos norte americanos, a morte de aves provocada pelos efeitos secundários
imprevistos do DDT e outros pesticidas e a contaminação do mar em grande escala, causada pelo naufrágio do
petroleiro Torrei Canyon, em 1966.
Esses acontecimentos, entre outros, receberam ampla publicidade, fazendo com que países
desenvolvidos temessem que a contaminação já estivesse pondo em perigo o futuro do homem.
Ainda não se falava de Educação Ambiental, mas os problemas ambientais já demonstravam a irracionalidade
do modelo de desenvolvimento capitalista. Ao mesmo tempo, na área do conhecimento científico, deram-se
algumas descobertas que ajudaram a perceber a emergente globalidade dos problemas ambientais. A
construção de uma ciência internacional também começava a consolidar-se nas décadas de 1960 e 1970, sendo
que grande parte dos conhecimentos atuais dos sistemascontrolo da religião sobre a ciência, permitindo que esta
se torne numa entidade autônoma e independente. É assim que a Ciência Moderna nasce no séc. XVI,
quando as sociedades ocidentais e a Igreja se viram confrontadas com a importância das descobertas que se
faziam. O renascimento cria uma profunda revolução científica que transtorna os conceitos e as idéias
fundamentais da Natureza, do Homem, e do Universo. Estas descobertas devem-se, entre outros, a
Copérnico, Galileu, Newton e Descartes. Todos estes cientistas foram, no fundo, os fundadores da Ciência
Moderna.
Esta ciência assenta em dois grandes pressupostos, que a caracterizam. O primeiro é a rejeição
absoluta dos dados dos sentidos (experiência imediata) e do senso comum (preconceitos). Ao duvidar desses
dados, a Ciência Moderna afirmava que estes eram úteis apenas para o conhecimento vulgar, mas que viriam
iludir e induzir em erro o conhecimento científico. A experiência seria importante apenas como ponto de
partida para uma investigação, ou como confirmação das teorias criadas. O segundo pressuposto baseia-se na
Matemática. A Ciência Moderna só considerava verdadeiro o que era quantificavel: «o rigor científico, só
poderia assentar nos aspectos quantificáveis dos objetos e, por conseqüência, no rigor das medições»1.
Assim, tudo o que não podia ser traduzido em números, utilizando a Matemática, era cientificamente
irrelevante. Hoje, considera-se que este rigor matemático desqualificou os objetos, pois tirou-lhes as relações
(parte muito importante do seu conceito) com o seu meio envolvente.
A Ciência Moderna também tinha um método próprio, que consistia em dividir a realidade em
porções, de modo a poder simplificá-las, entendê-las, analisá-las e classificá-las uma a uma. De seguida,
voltava a juntar todas estas porções, e acreditava ter diante de si um estudo fiável que abrangia toda a
realidade. Para criar uma verdade absoluta, a Ciência Moderna isolava-se da realidade, num laboratório, no
qual entendia obter resultados racionais e absolutos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Descoberta
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O modelo desta ciência designa-se por modelo mecanicista, que encara o Universo como uma
máquina (um mecanismo de relógio, por exemplo), cujos resultados são previsíveis através de leis físicas e
matemáticas. O modelo mecanicista baseia-se em três preconceitos, ou três premissas: a homogeneidade da
matéria, a regularidade cíclica dos acontecimentos, e a causalidade ou racionalidade do Universo. No geral,
estas premissas deixam claro que existe ordem e estabilidade no mundo (as leis que se verificam aqui,
também se verificam em qualquer outro ponto do Universo), que os acontecimentos do passado repetem-se
no futuro, sendo assim possível a sua previsão, e que o mundo é racional, comandado por uma força
inteligente. A Ciência Moderna defende a imutabilidade da espécie humana.
Pode dizer-se que outra característica da Ciência Moderna, resultante das grandes descobertas que se
fizeram sob a sua influência, é o fato de ter proporcionado uma nova visão do mundo. Esta visão queria-se
racional, sem ilusões, e distinta da visão medieval do mundo que veio substituir: o nosso planeta já não era o
centro do Universo (graças a Copérnico), a vida não surge de geração espontânea, não somos a obra de um
ser divino, mas descendemos do macaco (graças a Darwin), os impulsos inconscientes da nossa mente
(graças a Freud) e muitas outras descobertas que, de certo modo, vieram “desencantar” (ou confundir) a
sociedade.
Foi então que todo este conceito de Ciência Moderna, ao ser posto à prova, falhou. O primeiro a
contribuir para esta crise foi Albert Einstein que, ao criar a noção de que não existe simultaneidade universal
(não pode ser verificada a simultaneidade de acontecimentos distantes), desacreditou a existência de espaço e
tempo absolutos, defendidos por Newton. Este conceito mostrou também que as leis da Física e da
Geometria são baseadas em medições locais, não podendo ser universalizadas. A premissa do modelo
mecanicista que afirmava a homogeneidade da matéria estava assim posta em causa.
Ao provarem-se relativas, as leis de Newton inspiraram o Princípio da Incerteza, de Werner
Heisenberg. Este princípio traz uma nova visão do conhecimento, assegurando que este é limitado e
aproximado, e que os resultados que dele obtemos são meramente probabilísticos, relativos e parcelares. Esta
nova caracterização do conhecimento deve-se ao fato de Heisenberg ter demonstrado que, ao observar e
analisar um objeto, o sujeito confunde-se com ele, invade-o, influenciando assim o seu conceito (não
conhecemos do real senão a nossa intervenção nele). Ao provar que, mesmo quando estudamos um objeto
em laboratório, este é manipulado ou alterado pela intervenção do sujeito, o método “extremista” da Ciência
Moderna (que consistia em isolar-se da realidade num laboratório para obter um estudo fiável dessa mesma
realidade) foi, de certo modo, posto de lado. As leis da Física foram, também elas, consideradas
probabilísticas, e conclui-se que a totalidade do real não se reduz à soma das partes em que foi dividido para
análise, inviabilizando a hipótese mecanicista.
Outro contributo para a crise da Ciência Moderna foi Kurt Gödel, que, através das suas investigações
(baseadas na demonstração de que era possível formular proposições individuais que não se podem
demonstrar nem refutar usando a Matemática) provou que a Matemática carece de fundamento. Ao
questionar o rigor da Matemática, o principal alicerce da Ciência Moderna (que consistia em considerar
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verdadeiro apenas o quantificável e cujo conhecimento se baseava em cálculos e no rigor de medições),
desmoronou-se.
Por fim, Ilya Prigogine descobriu que, em sistemas abertos, a evolução não é previsível, pois
explica-se por variações de energia que desencadeiam reações que, ao tornarem o sistema instável, o
conduzem a um novo estado macroscópico (esta transformação é irreversível). Surgiu então um tempo de
reflexão sobre a Ciência Moderna. Assim, esta descoberta, para além de inviabilizar o preconceito da Ciência
Moderna que assegura a regularidade cíclica e previsível das alterações do Universo, levou a uma nova
concepção da matéria e da Natureza.
O fim da Ciência Moderna foi então acelerado e marcado pela 2ª Guerra Mundial. As consequências
desta guerra, que não tinham sido previstas, levaram a comunidade científica da altura a questionar-se sobre
o quão ético e correto fora o lançamento das bombas nucleares no Japão. Essas consequências vieram provar
que, para além de não serem verdadeiros os pressupostos da Ciência Moderna, a ausência de valores
humanos nesses pressupostos tinha levado às conseqüências nefastas que se verificaram.
Em resposta a esta crise, surge um novo movimento científico, que se destaca pela sua oposição total
às bases que sustentam a Ciência Moderna. Passou a entender-se que as leis, para além de serem uma
simplificação da realidade, têm um caráter meramente probabilístico e provisório. Considerou-se que o
modelo matemático da Ciência Moderna, isto é, a idéia de que a Matemática pode abranger tudo, e de que
tudo é quantificável, constitui apenas uma limitação para o nosso conhecimento e para a nossa apreensão da
realidade. Isto deve-se ao fato dos objetos não se reduzirem apenas aos seus aspectos quantificáveis, e de a
sua quantificação não ter em conta as relações complexas estabelecidas entre o objeto e o resto do mundo.
Assim, passam-se a utilizar vários métodos para estudar a realidade, dependendo daquilo que queremos
demonstrar. Também, já não se considera a separação entre sujeito e objeto: entende-se agora que o objeto é
uma continuação do sujeito.
A incerteza já não é considerada como uma limitação técnica, mas é um elemento fundamental para
se entender o mundo que estudamos – a ciência é agoraum esforço de eliminação de erros. Considera-se
então que não existem ciências exatas, nem verdades absolutas. O senso comum também foi aceite por esta
nova comunidade científica, tendo em conta que é visto como “sabedoria da vida”, logo, constitui
conhecimento que se pode revelar útil no entendimento de certos aspectos do mundo. Assim, a ciência
também ela, tem como objetivo transformar-se em sabedoria da vida. Menos arrogante, esta nova forma de
encarar o conhecimento e a ciência designa-se por Ciência Pós-Moderna, ou Nova Ciência.
Mas, e sendo considerado como recente o surgimento desta Nova Ciência, esta ainda não está
completamente definida. Para que o seu conceito seja estabelecido e aplicado internacionalmente, é
necessário que haja um consenso em toda a comunidade científica. Só desta forma poderá ser criado um
novo paradigma – conjunto de métodos e critérios que regem a atividade científica. Até que seja definido o
paradigma para a Nova Ciência, pode dizer-se que, atualmente, o mundo científico está em crise.
Naturalmente, esta crise não impede o progresso científico e tecnológico, bem pelo contrário. Vivemos numa
época extremamente criativa e produtiva a estes níveis, em parte devido à ausência de paradigma, que
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proporciona uma maior liberdade. No entanto, esta liberdade não implica que qualquer teoria seja
considerada válida! Assim, os cientistas têm que ver a sua tese aceite por toda a comunidade científica para
que esta possa ser vista como uma teoria válida. Para fazer aceitar a sua teoria, o cientista já não se limita a
fazer uma demonstração: o elemento argumentativo é fundamental. Verifica-se uma maior exigência e rigor
na obtenção do conhecimento científico e das teorias consideradas válidas, levando a que se façam menos
descobertas realmente significantes, mas que estas sejam mais fiáveis.
O avanço da tecnologia leva a que a verdade, na Nova Ciência, seja vista como efêmera. É aceite
apenas enquanto que os seus argumentos são válidos, e antes que seja substituída por outra teoria (com
melhores argumentos, e menos erros). Esta verdade resulta de uma relação dialógica entre a realidade e as
competências do homem (lógica, memória, reflexão crítica, etc.).
Desta forma, ao serem agora toleradas as interferências dos valores humanos, e ao aceitar-se a
efemeridade da verdade, iremos obter um conceito mais abrangente, viável, e realístico do conhecimento.
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CAPÍTULO 2 – CONCEITUAÇÃO E PERCEPÇÕES EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL
UM CONCEITO EM CONSTRUÇÃO
Inexiste ainda uma conceituação perfeitamente delimitada e consensual do que seja educação ambiental. O seu
conceito ainda se encontra em fase de construção. É por essa razão que encontramos uma pluralidade de
definições para o termo educação ambiental e conseqüentemente uma gama multifacetária de práticas
educacionais.
De acordo com Canãl, (1986, p. 104) a educação ambiental pode ser conceituada como o processo
pelo qual
O indivíduo consegue assimilar os conceitos e interiorizar as atitudes mediante as quais adquire as
capacidades e comportamentos que lhe permitem compreender e julgar as relações de interdependência
estabelecidas entre a sociedade, com seu modo de produção, sua ideologia e sua estrutura de poder
dominante, e seu meio biofísico, assim como para atuar em conseqüência com a análise efetuada.
Educação Ambiental, segundo o documento final da Conferência de Tbilisi é:
O resultado de uma reorientação e articulação das diversas disciplinas e experiências educativas
que facilitam a percepção integrada do meio ambiente fazendo possível uma ação mais racional
e capaz e responder às necessidades sociais (IBAMA, 1977, p. 106).
Por outro lado, para Dias (1992, p.31),
A educação ambiental é dimensão da educação formal que se orienta para a resolução dos problemas
concretos do meio ambiente através de enfoques interdisciplinares, e de uma participação ativa e
responsável de cada indivíduo e da coletividade.
Conforme as citações anteriores, podemos depreender que não obstante algumas variações
conceituológicas, todas, em particular, encerram em suas entrelinhas a idéia de que a educação ambiental
constitui um processo contínuo de aprendizagem das questões que dizem respeito ao espaço onde se forjam as
interações dos componentes bióticos, abióticos e humanos, os quais regem a vida em suas mais diferentes
formas.
Dessa maneira, a educação ambiental propicia uma mudança de mentalidade, por meio da aquisição de
novos conhecimentos, valores e habilidades que são essenciais na preservação e conservação do meio
ambiente, tanto para as gerações presentes quanto futuras.
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Uma proposta de educação ambiental, para ser efetivamente emancipatória e promotora de novas
sensibilidades e visões de mundo, deve facultar, concomitantemente, o desenvolvimento de conhecimentos, de
atitudes e habilidades que favoreçam um relacionamento mais respeitoso do Ser Humano com a Natureza.
Também é preciso que se leve em consideração que educação ambiental não é uma atividade neutra. Em
verdade, ela é uma das questões políticas que envolvem valores, interesses e visões de mundo bastante
divergentes, e que podem assumir correntes mais conservadoras ou emancipatórias. Isso significa que não há
“uma” educação ambiental, mas múltiplas pedagogias de educação ambiental, como tantas são as concepções
de mundo e de sociedade vigentes (LIMA, 1999).
PERCEPÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Identificar a forma como os seres humanos percebem o ambiente em que vivem é de fundamental
importância para entender a relação que desenvolvem com este lugar. Tal entendimento permite o
planejamento de ações duradouras para a problemática ambiental, uma vez que, conforme aponta Tuan (1980),
os problemas ambientais são fundamentalmente problemas humanos, e estes, quer sejam econômicos, políticos
ou sociais, dependem do centro psicológico da motivação, dos valores e atitudes dos seres humanos.
A percepção, segundo Davidoff (2001, p. 141) “é o processo de organização e interpretação dos dados
sensoriais (sensações) para desenvolver a consciência do meio ambiente e de nós mesmos”. Para a autora é
importante não confundir percepção com sensação, pois a percepção envolve interpretação, que é a ação que
permite organizar e dar significado aos dados sensoriais; a sensação, não. Tuan (1980, p. 4) define percepção
como “tanto a resposta aos estímulos externos, como a atividade proposital, na qual certos fenômenos são
claramente registrados, enquanto outros retrocedem para a sombra ou são bloqueados”.
O que se percebe, comenta o autor, tem valor para o perceptor, para a sobrevivência biológica e para
propiciar algumas satisfações que estão enraizadas na cultura, bem como, o que e como se percebe são
pressupostos básicos que norteiam as atitudes.
A relação que estabelece entre percepção e atitude é a de que “atitude é primeiramente uma postura
cultural, uma posição que se toma frente ao mundo. Ela tem mais estabilidade que a percepção e é formada de
uma longa sucessão de percepções, isto é, de experiências” (TUAN, 1980, p. 4), sendo, portando, as atitudes
conseqüências observáveis de nossas percepções internalizadas. Estudar a forma como os seres humanos
percebem o meio ambiente é bastante difícil e complexo, uma vez que, conforme citam Marin, Oliveira e
Comar (2003, p. 617) “o fenômeno perceptivo é tão complexo quanto a natureza humana, não sendo possível
seu entendimento pelos caminhos puramente conceituais”. Os autores explicam sua citação abordando a
influência da imaginação, dos aspectos topofílicos, dentre outros, na configuração da percepção ambiental.
O termo topofilia foi citado pela primeira vez por Bachelard em 1957 e difundido por Tuan em sua
obra homônoma lançada em 1980 (MARIN, OLIVEIRA e COMAR, 2003). De acordocom os autores, Tuan
emprega o termo como sinônimo da atração do ser humano pelos aspectos físicos, especialmente paisagísticos,
de um determinado ambiente. Segundo a definição do próprio Tuan (1980, p. 5) topofilia significa “o elo
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afetivo entre a pessoa e o lugar ou ambiente físico”. Para ele, o meio ambiente pode não ser a causa direta da
topofilia, mas fornece estímulos sensoriais que, ao agir como imagem percebida, dá forma aos ideais humanos.
Marin,
Oliveira e Comar (2003) apontam para o fato da topofilia ser marcada por aspectos culturais como a
afetividade, a memória e a experiência interativa (ou vivência). Para os autores, estes fatores são intrínsecos ao
fenômeno perceptivo e devem ser levados em conta em estudos referentes ao meio ambiente e a percepção
ambiental, visto que utilizando-se apenas da via racional para a compreensão da percepção, estar-se-ia
ignorando aspectos essenciais de sua formação.
As constatações de que a percepção ambiental forma-se ao longo do processo de desenvolvimento do
indivíduo e o fato desta ser influenciada por fatores diversos ressaltam seu caráter dinâmico e complexo. De
acordo com Marin (2003, p. 284) “as percepções ambientais não são estáticas e o olhar reflexivo para o meio
permite uma visão holística capaz de induzir mudanças comportamentais”.
Neste contexto surge a educação ambiental, a mais importante via de disseminação de conhecimentos
e valores que contribuem para a melhoria das relações das pessoas com o meio ambiente. A educação,
comenta Marin (2003), é único instrumento capaz de despertar novas reflexões e comportamentos, uma vez
que, apenas no instante em que o indivíduo reflete sobre o seu lugar na paisagem percebida, é que se torna
possível a avaliação e a mudança de suas ações.
Tuan (1972, p5), em seu livro que estuda e discute a percepção ambiental utiliza o termo Topofilia
para descrever “o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou ambiente físico”. Recentemente o termo Biofilia
descrito por Wilson (1984, citado por STRUMINSKI, 2003) expressa a “idéia da necessidade intrínseca
humana do contato com a natureza”. Struminski, (2003) agrupou em nove tipologias biofílicas o que
demonstra os valores individuais ou coletivos, pois determinadas opiniões e ações podem ser de interesse de
apenas um indivíduo ou de um grupo. Estes valores básicos orientam a relação dos seres humanos com o
mundo natural e que poderiam servir como elementos na compreensão de diferentes concepções e propostas de
intervenção sobre o ambiente natural (Quadro 02).
Segundo Rapoport (1978), citado por Turene (2006), para analisar as interações existentes
entre os seres humanos e o meio é necessário que três áreas sejam conhecidas e são elas: a cognição
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(processos de perceber, conhecer e pensar); afetividade (que esta relacionada aos sentimentos,
sensações e emoções) e a conexão entre a ação humana sobre o meio, como resposta a cognição e
afetividade. Para Turene (2006), existem várias formas de se apreender o ambiente, e isso cada
indivíduo o faz de forma particular e depois ocorre um consenso coletivo sobre a qualidade desse
ambiente relacionado com o meio natural e o espaço construído.
No quadro á seguir (Quadro 03) ilustra-se as formas citadas por Ribeiro (2003) de como ocorre à
percepção:
QUADRO 03 - FORMAS DE CONSTRUÇÃO DA PERCEPÇÃO SEGUNDO RIBEIRO (2003)
Fonte: Ribeiro (2003), com adaptações
O entendimento das formas de construção da percepção é de grande importância para que medidas
como a de projetos para Educação Ambiental tenham eficácia uma vez que a percepção ocorre de formas
variadas.
As pessoas que constroem a percepção através do acesso lento, por exemplo, valorizam a
contemplação e a meditação o que pode ser antagônico à modalidade “D”, ou seja, possuem formas distintas
de entender o ambiente que os cercam. A China, por exemplo, desenvolveu sua cultura com base na veneração
da natureza buscando entender a vida através da observação atenta e cuidadosa de sua ação (RIBEIRO, 2003).
STRUMINSKI (2003, p. 121), em seu trabalho “A ética no montanhismo”, exemplifica sobre a forma
de construção da percepção pelo meio Ultra-rápido. O autor cita que “a prática apaixonante do alpinismo e a
ameaça constante do perigo que nos revolve as entranhas são a origem de fortes emoções morais e religiosas e
talvez de elevada espiritualidade”, isso mostra que estes valores e sensações vividos em situações de exposição
ao perigo e de aventuras deixa marcas profundas e permanentes.
Tuan (1974), afirma que a tendência humana é a de responder emocionalmente a objetos da natureza
como o mar, montanhas, vales, desertos, etc., tratando-os como sublimes, feios, desagradáveis, divinos. Para
ele a visão moralista nos tempos modernos perdeu seu valor, porém, o elemento estético continua sendo um
forte elemento que influência as concepções. 68 As montanhas, por exemplo, eram vistas no início da história
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humana como remotas perigosas e inassimiláveis, ou seja, o oposto ao que era percebido em relação aos vales.
Até hoje muitas montanhas possuem em seus picos cruzes que simbolizam uma religiosidade extrema, pois se
acreditava que as montanhas eram ponto de encontro entre o céu e a terra. Hoje as montanhas ficaram
acessíveis, e cada vez mais pessoas baseadas em uma visão utilitarista, de que ar leve e água pura de montanha
fazem bem á saúde, construindo hotéis, sanatórios e outros perto de ambientes como esse (STRUMINSKI,
2003).
Puig (1998), citado por RIBEIRO (2003), propõe que os valores e condutas seriam formados no
confronto com as condições socioculturais do meio que, freqüentemente, oferecem dilemas de valor. Para ele
os seres humanos “mudam sua forma de pensar e comportar-se na medida em que modificam os laços que os
ligam a seu meio” (RIBEIRO, 2003). A construção dos valores estaria sujeita às relações entre os meios que o
indivíduo é capaz de receber. Os meios aqui podem ser exemplificados pela família, o trabalho, os meios de
comunicação, a escola ou Universidade (RIBEIRO, 2003). Dessa forma estas informações acabam justificando
a necessidade de uma exploração e análise dos valores, que a sociedade passa a construir dentro das
instituições de ensino e outras entidades que atuam e discutem as questões ambientais.
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CAPÍTULO 3 – PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL.
A Educação Ambiental deve:
Considerar o meio ambiente em sua totalidade, ou seja, em seus aspectos naturais e criados pelo
homem, tecnológicos, sociais, econômico, político, técnico, histórico-cultural, moral e estético;
Construir um processo contínuo e permanente, começando pelo pré-escolar, e continuando através de
todas as fases do ensino formal e não-formal;
Aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina, de modo
que se adquira uma perspectiva global e equilibrada;
Examinar as principais questões ambientais, do ponto de vista do local, regional, nacional e
internacional, de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras
regiões geográficas;
Concentrar-se nas situações ambientais atuais, tendo em conta também a perspectiva histórica;
Insistir no valor e na necessidade da cooperação local, nacional e internacional para prevenir e
resolver problemas ambientais;
Considerar de maneira explícita, os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de
crescimento;
Ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais;
Destacar a complexidade dos problemas ambientais (sócio ambientais) e, em conseqüência, a
necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver problemas;
Utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gamade métodos para comunicar e adquirir
conhecimento sobre o meio ambiente, acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências
pessoais.
CAPÍTULO 4 – POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.
A atual Constituição da República Federativa do Brasil foi promulgada em cinco de outubro de 1988.
Bastos e Martins (1988), afirmam que esse foi o primeiro documento na história a abordar o tema meio
ambiente, dedicando a este um capítulo por inteiro (VI), o qual preceitua, em seu Art. 225, que
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder
público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e
futuras gerações (BRASIL, 1988).
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Criada no dia 31 de agosto de 1981, a Lei 6.938, que dispõe sobre a Política Nacional de Meio
Ambiente (PNMA), foi um marco na história do País. Por meio dela, parte dos nossos recursos ambientais foi
preservada. Essa Lei foi responsável pela inclusão do componente ambiental na gestão das políticas públicas e
decisiva inspiradora do Capítulo do Meio Ambiente na Constituição de 1988.
No que diz respeito à educação ambiental, a Lei 9.638/81, Art. 2º, inciso X, afirma que a educação
ambiental deve ser ministrada a todos os níveis de ensino, objetivando capacitá-la para a participação ativa na
defesa do meio ambiente. Os níveis de ensino a que se refere à Lei citada diz respeito aos níveis do ensino
formal e não-formal.
Segundo Bianconi e Caruso (2005), o ensino formal pode ser definido como sendo aquele que se
encontra presente no ensino escolar institucionalizado, cronologicamente gradual e hierarquicamente
estruturado dentro de uma matriz curricular. Já o ensino não-formal é aquele pelo qual qualquer pessoa adquire
e acumula conhecimentos, por meio de experiência diária em casa, no trabalho e no lazer. A Lei 9.795, de 27
de abril de 1999, que dispõe sobre a Educação Ambiental e institui a Política Nacional de educação ambiental
enfatiza em seu Art. 2º que a “educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação
nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo
educativo, em caráter formal e não formal”.
De acordo com a citação acima, a educação ambiental, deve estar presente em todos os níveis e
modalidades do processo educativo, seja ele formal ou não-formal. A Lei é bem clara: a educação não deve ser
uma atividade pedagógica pontual ou esporádica dentro dos sistemas de ensino. A educação ambiental,
segundo a Lei em questão, deve ser uma atividade educativa permanente e articulada com todos os níveis de
ensino.
Atualmente, a maioria das ações didáticas voltadas para a educação ambiental tem sido efetuada de
forma difusa, esporádica e desarticulada entre os diferentes níveis de ensino formais. Além disso, sua
abordagem em sala de aula, na maioria das vezes, é marcadamente naturalista, ou seja, concebe o meio
ambiente tão somente em sua expressão biológica. Nessa visão, é reforçada a dicotomia entre Natureza e
Sociedade, Natureza não-humana e Natureza humana, ecossistemas naturais e ecossistemas socioculturais.
Em outras palavras, essa perspectiva não leva em consideração a interface que existe entre a natureza e
sociocultura. Um outro aspecto significativo da Lei 9.795/99 é que a educação ambiental não deve ser
implantada na instituição de ensino de níveis fundamental e médio como disciplina específica, isto, é
territorializada, dentro da Geografia, das Ciências ou da Biologia.
A educação ambiental necessita ser abordada na prática pedagógica de forma transversal,
multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar. Somente nos cursos superiores a educação ambiental pode
ser desenhada matricialmente dentro de uma disciplina curricular específica. Para que a prática pedagógica da
educação ambiental consiga atingir o seu desiderato, a Lei 9.795/99, em seu Capítulo I Art. 5º preceitua os
seguintes objetivos:
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I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e
complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais,
econômicos, científicos, culturais e éticos; II - a garantia de democratização das informações
ambientais; III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática
ambiental e social; IV - o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e
responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da
qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania; V – o estímulo à
cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e macrorregionais, com vistas à
construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade,
igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; VI - o
fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia; VII - o fortalecimento da
cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da
humanidade. (BRASIL, 1999).
Dentre os incisos elencados, os que mais nos interessam na análise deste presente trabalho são os quatro
primeiros, ou seja, I, II, III e IV.
I - O desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas
relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos,
culturais e éticos.
O meio ambiente é um macrossistema complexo, cujos elementos estão interligados e
interrelacionados entre si (MORIN, 2005). Por essa razão, o princípio do pensamento complexo muito tem a
contribuir para a educação ambiental, porquanto ele rompe com o paradigma pedagógico tradicional, que, em
vez de estudar o meio ambiente de maneira integradora, prefere reduzi-lo a explicações simplificadoras e
desconexas. Uma educação ambiental que não leva em conta o meio ambiente em sua multidimensionalidade
biológica, social e cultural, está fadada a ser um processo educativo perpetuador dos sistemas político-
econômicos. Estes engendram as desigualdades e a exclusão social, bem como a insustentabilidade dos
ecossistemas naturais ou construídos.
II - A garantia de democratização das informações ambientais. A sabedoria milenar da Sagrada Escritura nos
ensina sabiamente que não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, para
que a mesma possa iluminar a todos os que se encontram na casa.
Pode-se dizer que há grande quantidade de informações disponíveis sobre a temática ambiental,
contudo, à semelhança da candeia escondida debaixo do alqueire, não tem tido muita utilidade, pois elas
encontram-se muito dispersas e pouco sistematizadas. É necessário que a luz dos saberes e das experiências
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ambientais seja socializada, por meio das redes de informação ambiental, sejam elas locais, regionais,
estaduais, ou multi-institucionais.
Dessa forma, é possível viabilizar a construção de espaços de diálogo e trocas de experiências, por
meio virtual ou vivencial. Sem a democratização sobre a temática ambiental, dificilmente chegaremos à
cidadania local, regional e planetária. Conseqüentemente, às sociedades sustentáveis.
III - O estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social. A
maioria das práticas educacionais em educação ambiental ainda detém uma visão muito ingênua acerca da
problemática ambiental, pois está mais preocupada em ensinar a preservação dos recursos naturais bióticos e
abióticos.
Não que esse tipo de ensino não seja importante, mas convém entender que educação ambiental não
se resume unicamente à perspectiva preservacionista naturalista ou a uma concepção maniqueísta de
desenvolvimento econômico.É preciso romper com essa lógica binária e dualista. Tanto a visão preservacionista naturalista quanto
o crescimento econômico são importantes para o dinamismo socioambiental. O que precisamos fazer é
encontrar uma equação que compatibilize crescimento econômico, proteção dos recursos naturais e qualidade
de vida.
Conhecimentos e condições tecnológicas já o temos para tal, entretanto, o que falta, na verdade, é mais
vontade política dos setores públicos e privados, os quais, na maioria das vezes, são negligentes em relação à
problemática ambiental da atualidade. Já que não podemos contar muito com a vontade anêmica daqueles que
são os fazedores de políticas públicas, uma vez que a grande maioria deles está mancomunada com o atual
sistema econômico, o jeito é fazer com que a educação ambiental estimule, nas pessoas, o desenvolvimento de
uma consciência ambiental crítica, para que elas sejam capazes de levantar o “véu de Isis” que encobre os
interesses escusos imanentes na crise ambiental.
Munidos de uma consciência crítica e dos valores democráticos, essas pessoas estarão mais
empoderadas, no sentido de vir a serem grandes agentes catalisadores de mudanças no seio da coletividade
IV - O incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio
do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da
cidadania. A preservação e a conservação do meio ambiente constituem não apenas dever do Estado, mas de
todos os cidadãos.
Sem o apoio da sociedade, dificilmente o Poder Público conseguirá coibir ações antropogênicas que
impactam negativamente o meio ambiente. Por essa razão, é de suma importância uma educação ambiental
que incentive os alunos participarem individual e coletivamente na defesa da qualidade do meio ambiente
natural e sociocultural. Defesa essa que começa individualmente, nas mínimas atitudes, como, por exemplo,
reduzir, reutilizar e reciclar materiais consumidos ou de comprar somente produtos hortifrutigranjeiros
oriundos da agricultura orgânica.
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São comportamentos simples, mas que, no cômputo geral, favorecem a diminuição dos resíduos
sólidos urbanos, a economia de recursos naturais, de energia, a redução do desflorestamento e da poluição dos
lençóis freáticos, dos rios de atmosfera etc. No que concerne à participação coletiva, a educação ambiental, por
meio de projetos interdisciplinares, pode mobilizar os alunos no sentido de realizarem atividades que
sensibilizem e conscientizem a comunidade para a urgência de se adotarem comportamentos e valores que
estejam em consonância com a ética ambiental. Talvez os profetas do pessimismo e do desânimo indagarão:
“Que força a escola e a comunidade ante aqueles que ostentam o cetro do poder político-econômico?”
Essa indagação nos faz pensar na resposta que Madre Tereza de Calcutá certa feita endereçou a um
repórter: “Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem essa gota o oceano seria menor”. Não
tenhamos dúvidas, a sinergia de esforços individuais e coletivos embora seja uma gota de boa vontade e
nobres intenções, certamente fará uma grande diferença.
Isso possibilitará a pressão do setor empresarial e estatal na tomada de decisões que preservem a
integridade do meio ambiente e a qualidade de vida de toda a população. Por ser um campo teórico-conceitual
altamente complexo e sujeito a uma infinidade de interpretações, Política Nacional de Educação Ambiental em
seu Art. 4º, sugere que a prática didático-pedagógica da educação ambiental deve ser parametrizada pelos
seguintes objetivos:
I - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; II - a concepção
do
meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio
natural, o sócio-econômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; III –
pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e
transdisciplinaridade; IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as
práticas sociais; V - a garantia de continuidade e permanência do processo
educativo; VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo; VII – a
abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e
globais; VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade
individual e cultural. (BRASIL, 1999).
Esses princípios básicos devem constituir a bússola pela qual toda prática pedagógica de educação
ambiental deve-se conduzir. Por meio deles, será possível empreender um processo educativo que leve os
alunos a compreenderem o meio ambiente como um conjunto de relações sociais e de processos naturais e de
interações entre as dimensões culturais, sociais e naturais, na configuração de uma dada realidade
socioambiental.
Assim sendo, podemos depreender que a educação ambiental, sob a perspectiva do Direito, está muito
bem amparada, não só pela Constituição Federal e pela Lei 6.938/81, mas principalmente pela Lei 9.795/99.
Essa Lei, oferece a todo sistema de ensino as orientações básicas (conceitos, objetivos e orientações
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metodológicas) para se implementar dentro da matriz curricular uma educação ambiental de qualidade. Em
verdade, o que falta mesmo é uma maior atuação do Estado no sentido de fiscalizar e cobrar a aplicação dessas
leis dentro dos sistemas educativos; e também uma maior obediência das instituições de ensino para com a Lei
9.795/99.
Estratégias metodológicas segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais Fazer com que os alunos
desenvolvam esse tipo de aprendizagem ambiental não é uma tarefa fácil para os educadores, pois exige da
parte dos professores uma capacitação científica e pedagógica. Esse tipo de formação auxilia os docentes a
empreenderem em sua prática pedagógica uma mediação reflexiva e crítica entre os assuntos relacionados à
crise ambiental e os conteúdos disciplinares lecionados em sala de aula. Nesse particular os Parâmetros
Curriculares Nacionais (1998) recomendam as seguintes estratégias metodológicas:
a) Projéto educativo coletivo
O projeto educativo não é um documento formal elaborado no princípio do ano letivo para ser
posteriormente arquivado nas gavetas do esquecimento. Ele é um documento que se constrói coletivamente
com todos os atores sociais da escola, mediante um processo contínuo de reflexão sobre a prática pedagógica.
Nesse processo de reflexão, a equipe escolar discute, propõe, realiza, acompanha, avalia e registra as ações que
vão desenvolver para atingir os objetivos coletivamente delineados. (BRASIL, 1998).
Dentro do projeto educativo da escola, devem estar presentes não apenas os aspectos ideológicos, os
conteúdos disciplinares com seus objetivos, procedimentos didáticos e carga horária, mas também a dimensão
socioambiental. A escola precisa, urgentemente, libertar-se do complexo de avestruz, parar de ficar fingindo
que nada está acontecendo ao seu redor.
A crise ambiental não é uma utopia ou criação dos ambientalistas apocalípticos, mas uma realidade
inconteste e que tem como causa a visão antropocêntrica, reducionista e utilitarista que o homem possui da
natureza.
Os sinais dessa crise já se tornaram tangíveis, tanto local quanto globalmente: desequilíbrio da
produção de alimentos e do crescimento da população humana, desertificação, contaminação e poluição do
solo e da água por agrotóxicos, destruição da camada de ozônio, aumento do efeito estufa, desmatamentos,
trânsitos insustentáveis, perda da qualidade de vida nas áreas urbanas, proliferação dos guetos de miséria,
pobreza, marginalidade etc.
A escola não pode mais continuar se omitindo socialmente, pois ela tem um importante papel a
desempenhar. Ela necessita incluir, sem demora, em seu projeto educativo, a dimensionalidade ambiental, para
que as pessoas percebam que a preservação e a conservação do meioambiente natural, significa, em última
instância, a sobrevivência de todos os seres viventes, incluindo, é claro, o Homo sapiens.
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b) Perspectiva global e local
Uma educação ambiental socioambientalmente interventora e transformadora é aquela que estimula os
alunos à reflexão sobre os problemas que afetam a sua vida, a sua comunidade, o seu país e o seu planeta.
Todavia, para que essa reflexão seja detonadora de um processo de mudança comportamental, atitudinal e
valorativa, é preciso que o processo ensino-aprendizagem propicie aos alunos estabelecer ligações entre o que
aprendem e a sua realidade cotidiana, e o que já conhecem.
Nesse sentido, o ensino da educação ambiental deve ser sistematizado de forma que possibilite os
alunos compreenderem sua realidade e atuar nela de forma mais efetiva. Além disso, é fundamental oferecer-
lhes a maior diversidade possível de experiências, bem como um contato mais amplo com as diferentes
realidades.
Assim, é relevante os professores promoverem uma ação docente que trabalhe pedagogicamente as
questões ambientais partindo tanto da realidade imediata dos alunos, quanto de um contexto mais amplo.
Grande parte dos assuntos que ferem os interesses dos alunos está vinculado à realidade mais próxima, ou seja,
sua comunidade ou sua região. Tal abordagem permite que o processo ensino-aprendizagem tenha para o
aluno uma significância ímpar, uma vez que esse tem sua gênese a partir do seu universo familiar. Pode-se
também gerar um processo de reflexão socioambiental a partir de um contexto global.
Portanto, independentemente da abrangência com que se abordarão as questões, local ou global, é
imprescindível que a educação ambiental reforce em seu processo de ensino a aquisição de valores, atitudes e
conhecimentos. Isso irá permitir aos alunos a adoção de comportamentos sociais que lhes permitam viver em
relação construtiva consigo mesmos e com seu meio humano ou natural.
c) Maior sinergia escola e comunidade
Para que a educação ambiental consiga promover uma aprendizagem que transcenda a mera aquisição
de informações e conteúdos, é de grande valia que toda a escola estabeleça um entrosamento maior com o
ambiente socioambiental na qual está inserida.
Esse entrosamento pode ser viabilizado mediante a saída dos alunos para passeios e visitas a locais de
interesse dos trabalhos em educação ambiental. Assim, é importante que se faça um levantamento de
localidades tais como parques nacionais, empresas, unidades de conservação, serviços públicos, lugares
históricos e centros culturais e se estabeleça um contato para fins didático-pedagógicos.
Evidentemente, nem sempre será possível sair da escola com o fito de empreender determinadas
atividades pedagógicas. Nesse caso, é possível estimular, por meio de convites oficiais ou informais, a
participação de pessoas vinculadas a instituições ou à comunidade. Essa dinâmica de trocas permite
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instrumentalizar os alunos com conhecimentos e saberes que lhes capacitam atuar e transformar
socioambientalmente a realidade na qual eles se encontram inseridos. Além do mais, impede que as questões
ambientais sejam tratadas de forma asséptica, fragmentada ou descontextualizada. (BRASIL, 1998).
d) Interdisciplinaridade
Um dos grandes óbices dos sistemas de ensino da atualidade e, particularmente, algumas pedagogias
de educação ambiental é a grande dificuldade de obter uma visão mais global da realidade. Geralmente, o
conhecimento é apresentado aos alunos de forma fragmentada pelas disciplinas que constituem a grade
curricular.
Essa forma reducionista de abordar o conhecimento ambiental em sala de aula tende areduzir a
complexidade do real, impossibilitando que os alunos tenham uma compreensão mais global, contextual e
multidimensional do meio ambiente natural e sociocultural.
É importante que se ressalte sempre que o meio ambiente não é apenas a Natureza a fauna ou flora,
conforme nos mostram determinados programas de televisão. Essa visão biocêntrica precisa ser substituída
pela concepção socioambiental, a qual considera segundo Carvalho (2004, p.37) o meio ambiente como “um
espaço relacional, em que a presença humana, longe de ser percebida como extemporânea, intrusa ou
desagregadora (“câncer do planeta”), aparece como um agente que pertence a teia de relações da vida social,
natural e cultural e interage com ela”.
Para que os alunos construam a visão da globalidade e consigam entender o meio ambiente em seus
aspectos biológicos, físicos, sociais, econômicos e culturais, é necessário que a prática didático-pedagógica da
educação ambiental seja orientada por uma racionalidade complexa e interdisciplinar. Logo, deveria ser
conduzida uma forma de pensar o meio ambiente como um campo de interações entre a cultura e a sociedade.
Adotar semelhante postura não é uma tarefa fácil. E, exige, para isso, uma estruturação institucional da
escola, organização curricular, superação da visão fragmentada do conhecimento pelos professores
especialistas e uma reforma paradigmática e não programática.
e) Transversalidade
Os Parâmetros Curriculares Nacionais sugerem que as questões ambientais sejam integradas às áreas
de saber, numa relação de transversalidade, de modo que impregne toda a prática educativa e, ao mesmo
tempo, faculte aos alunos desenvolverem uma visão global e abrangente do meio ambiente, em suas dimensões
físicas e histórico-sociais.
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De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998, p. 193), trabalhar transversalmente as
questões ambientais significa “buscar a transformação dos conceitos, a explicitação de valores e a inclusão de
procedimentos, sempre vinculados à realidade cotidiana da sociedade, de modo que obtenha cidadãos mais
participantes”.
Trabalhar transversalmente o tema meio ambiente em sala de aula não significa que o professor vá
deixar de abordar os conteúdos que fazem parte da sua disciplina. O que ocorre, na prática, é que cada
professor, dentro da especificidade de sua área, irá fazer o interfaceamento do conteúdo da sua disciplina com
as questões que envolvem a temática ambiental.
A transversalização dos conteúdos das questões ambientais, dentro de cada área de estudo, não deve
ser feita de maneira improvisada ou apressada, mas de forma planejada e sistematizada. E isso somente é
possível mediante reuniões pedagógicas entre os coordenadores de séries, coordenadores de disciplinas e com
os próprios professores.
Entretanto, é preciso que se leve em consideração que o exercício da transversalidade não é uma tarefa
simples, pois se não tiver diretrizes e objetivos bem delineados, ela pode conduzir os encontros pedagógicos a
situações de estresse e dispersão.
Assim sendo, se por um lado a transversalidade propicia uma maior contextualização da problemática
ambiental junto dos conteúdos disciplinares, por outro, pode gerar nos professores um aumento excessivo de
dispersão e fragmentação das atividades. Não que a dispersão seja um fator negativo para a prática de ensino
da educação ambiental, mas pelo contrário, tal estado de espírito pode ser também conseqüência de uma
atividade pedagógica prazerosa.
Diante disso, é possível crer que a transversalização da temática ambiental dentro das áreas de estudo,
abre um leque imenso de possibilidades para a execução de uma educação ambiental rica de significados para
o exercício docente e para aprendizagem dos alunos. Mediante a transversalidade, o professor ampliará os
horizontes da sua área de conhecimento, por meio de uma prática pedagógica que transcenda aquilo que o
pensador Paulo Freire denomina de “educação bancária” ou acadêmica. Os alunos, por vez, estarão mais
capacitados para interpretar os complexos fenômenos que configuram o meio ambiente em sua
multidimensionalidade.
f) Exercício do pensamento complexo
Todos os sistemasvivos são sistemas autoprodutores, isto é, produzem as suas próprias células e
tecidos. Eles se auto-organizam com o objetivo de atingir a homeostasia e, dessa forma, alcançar a máxima
sustentabilidade biológica. Essa sustentabilidade cito-histológica permite aos sistemas celulares e teciduais
viverem em equilíbrio dinâmico consigo mesmos e com o meio ambiente que os circunda. Assim, de acordo
com Mariotti (2007, p. 85), a sustentabilidade
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não é a conservação e a sobrevivência de uma parte isolada de um determinado sistema. É a
conservação e a sobrevivência do sistema inteiro: a preservação do todo, de suas partes e das
relações entre as partes entre si e destas com ele. A sustentabilidade das partes só pode existir se
houver a sustentabilidade do todo no qual elas estão contidas. A vida dos indivíduos só será
sustentável se também o for a vida da sociedade e a do ambiente.
É fundamental que a prática pedagógica da educação ambiental ensine os alunos a transcender a visão
cartesiana do meio ambiente, por meio do pensamento complexo propugnado por Edgar Morin. De acordo
com esse autor (2005), o pensamento complexo se contrapõe às operações lógicas. Essas caracterizam o
pensamento disjuntor (fragmentação, compartimentação, disciplinarização e redução) que tem gerado a
inteligência cega, a qual destrói os conjuntos e as totalidades, isola e separa os objetos de seu ambiente.
Ao analisar a tese de Edgar Morin sobre o pensamento complexo, Carneiro (2006, p. 59) afirma que
esse tipo de racionalidade traz grandes implicações metodológicas para a educação ambiental, já que ele
transcende a obtusidade do paradigma disjuntor, facilitando assim, uma
compreensão de ambiente como conjunto de inter-relações (interações, interdependências, inter-
retroações); reconhecimento do mundo a partir dos princípios fundamentais da vida (princípios
ecológicos), das leis-limite da natureza (processos entrópicos, morte) e da cultura (finitude de
padrões epocais) e, nessa perspectiva, apreender o ambiente como potencial ecológico da
natureza em simbiose com as dinâmicas culturais que mobilizam a construção social da história;
apreensão unitária da vida na terra, interligada por redes biológicas (de redes metabólicas
intracelulares a teias alimentares de ecossistemas) e redes sociais (comunicação, simbólico-
culturais e de funções diversas, inclusive de poder), as quais, se receberem perturbações
significativas, podem desencadear múltiplos processos de realimentação, produzindo surgimento
de uma nova ordem (mudanças inovadoras) ou um colapso de estruturas existentes;
entendimento da problemática ambiental em suas multidimensões (geográficas, históricas,
sociais, ecológicas, econômicas, tecnológicas, políticas etc.) e complexidade (inter-relações de
componentes/elementos do meio), pois é sob tal foco que os problemas socioambientais tornam-
se mais inteligíveis.
É necessário levar em consideração que a assunção desses princípios teórico-conceituais e
metodológicos no dia-a-dia do fazer pedagógico da educação ambiental constitui um enorme desafio para
aqueles que estão acostumados ao paradigma tradicional de ensino. O desenvolvimento de uma educação
ambiental crítico-reflexiva, transformadora e emancipatória demanda uma capacitação permanente do quadro
de professores, melhoria das condições salariais e de trabalho, assim como a aquisição de referenciais teóricos
e experienciais, bem como material de apoio. Sem essas medidas, é quase impossível implementar uma
educação ambiental de qualidade, ficando essa tão-somente no campo da intencionalidade. Da mesma forma, a
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estrutura da escola e a ação dos integrantes do espaço escolar devem contribuir na construção das condições
imprescindíveis à desejada formação do sujeito ecológico, que possui não apenas uma compreensão política e
técnica da crise socioambiental, mas também um comportamento mais atuante e participativo como cidadão
(CARVALHO, 2004).
CAPÍTULO 4 – AÇÕES ANTRÓPICAS NO MEIO AMBIENTE AMAZÔNICO
Já aconteceu uma vez. Da Mata Atlântica, que cobria a costa brasileira do Rio Grande do Sul até o
Ceará, só restam hoje entre 5% e 8%, na estimativa mais otimista. Agora, é a Amazônia que está sob ataque.
Distante dos centros mais desenvolvidos, a Floresta Amazônica permaneceu quase intocada até trinta anos
atrás. Nas três últimas décadas, suas árvores sofreram mais baixas do que nos quatro séculos anteriores. Não é
um caso perdido. A Amazônia ainda está sob ocupação humana das mais ralas e há regiões com a dimensão de
países europeus que continuam intactas. Ainda se pode viajar dez horas no Rio Negro, um dos maiores da
Amazônia, sem cruzar com mais de quatro ou cinco barcos e sem ver movimentação nas margens, a não ser
por uma dúzia de casebres solitários. Mas em regiões economicamente mais atraentes, lugares que já são
ocupados por vilarejos e cidades, o ataque à floresta é brutal.
Desde o fim dos anos 60, quando começou essa cruzada de extermínio, uma capa vegetal com área
maior que a da França já desapareceu na Amazônia, pela ação do fogo ou da motosserra. Não há registro de
extinção de espécies animais na região. Mas as alterações do meio ambiente, a caça predatória e a pesca
centralizada nos peixes preferidos pela culinária local ameaçam um zoológico inteiro de desaparecer para
sempre. Dezenas de mamíferos e répteis estão na lista das espécies em risco. O peixe-boi, um mamífero
pacífico que atinge até 500 quilos com uma dieta de capim aquático, está ficando cada vez mais raro. Onça e
macacos figuram na lista, bem como algumas espécies de jacaré e tartaruga. Em breve, o pirarucu, maior peixe
amazonense, pode fazer parte das espécies ameaçadas. Aos poucos, mas ininterruptamente, a Amazônia está
sendo comida pelas queimadas, pelo furor das serrarias, pela poluição descontrolada dos garimpos e pela
instalação de fazendas de gado em várzeas que funcionam como berçários de peixes. O Brasil nunca retomou
o vigor destrutivo dos anos 80, quando o país se tornou um pária internacional da ecologia, mas atualmente a
floresta está desaparecendo ao ritmo aproximado de um território como o de Sergipe a cada ano e meio. A
pergunta a se fazer é: por que e para quê?
A Amazônia, a mais rica e a maior floresta tropical do mundo, um território único pela variedade
indescritível de sua flora e fauna, estende-se por nove países da América do Sul, dos quais o Brasil fica com a
maior parte da mata, 60% do total. Na Amazônia brasileira, cortada de ponta a ponta pelo Rio Amazonas e
empapada por mais de 1.000 de seus afluentes, caberiam catorze Alemanhas ou vinte Inglaterras. Não há outro
lugar no mundo com tamanha variedade de espécies de pássaros, peixes e insetos. Numa área insignificante da
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mata tropical brasileira, uma extensão que se cruza a pé em algumas horas, existe mais diversidade de plantas
do que em toda a Europa. Quando um estrangeiro pensa no Brasil, é provável que a primeira associação que
faça, antes do futebol ou do samba, seja a floresta tropical. Quando um brasileiro pensa em si próprio em
oposição a outros povos, também coloca a Amazônia como um dos mais irresistíveis símbolos de sua
nacionalidade. Pois bem: como está sendo tratada essa província ecológica tão admirada dentro e fora do
Brasil? "À medida que o novo século se aproxima, a Amazônia está sendo transformada por desmatamento,
crescimento urbano, mineração, represas e uma exploração generalizada de seus recursos naturais", lê-se num
dos melhores trabalhos já escritos sobre a região, Enchentes da Fortuna, de dois pesquisadores americanos
que lá viveram, Michael Goulding e Nigel Smith, e de um especialista do Banco Mundial, Dennis Mahar.
Toda a destruição está acontecendo em uma região que Goulding considera "a maior celebração da diversidade
do planeta".
O viço da floresta e a quantidade absurda de líquidoque por ela escorre, um quinto da água doce do
planeta, estimularam a crença falsa de que a Amazônia é um celeiro inesgotável. Criou-se, sobre a Amazônia,
o mito da superabundância, que persiste desde a chegada dos primeiros europeus, há quase 500 anos. A
verdade é outra. O solo da Amazônia, argiloso ou arenoso em sua maior parte, é fraquíssimo. As árvores se
nutrem do próprio material orgânico que cai ao chão. Galhos, folhas, flores, frutos, vermes, insetos, fungos
tudo isso se desprende das copas e se amontoa no solo. O material apodrece, desfaz-se na terra e é sugado pela
teia superficial das raízes. O chão da Amazônia não é o reservatório em que as plantas vão buscar os
nutrientes, como acontece em outras regiões. Na maior floresta do mundo, o solo é só o lugar onde as árvores
se apóiam fisicamente, nada mais. Retirada a capa verde, a terra não tem força para reerguer sozinha uma nova
mata. A chuva tem um mecanismo parecido. A Amazônia só existe porque chove muito na região. Metade
dessa chuva vem do Oceano Atlântico. A outra metade resulta da evaporação do suor da floresta, um
fenômeno que os especialistas chamam de evapotranspiração. Cortando-se a cobertura vegetal, a chuva será
reduzida pela metade e, nesse ponto, ninguém sabe o que acontecerá. "A região depende da manutenção de sua
cobertura florestal e, sem ela, se estabelecerá um desequilíbrio, cujas conseqüências, no momento, são
imprevisíveis", escreve Luiz Emydio de Mello Filho, professor de botânica da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, em um livro de fotos e artigos científicos sobre a floresta, Amazônia Flora e Fauna. É só a partir de
uma determinada quantidade de desmatamento que a floresta perderá a capacidade de auto-regeneração. Uma
das coisas que os cientistas não sabem é em que lugar está situado esse ponto sem volta. Enquanto isso, a
motosserra vai limpando o terreno. O barulho que a serra faz na floresta é muito alto. Mas, entre as autoridades
responsáveis pelo meio ambiente, parece que todo mundo está usando protetores de ouvido.
Dois fenômenos aparentemente contraditórios convivem na biologia da Amazônia. Lá existe um
número insuperável de espécies, mas relativamente poucos exemplares dentro de cada uma. Isso vale para
árvores ou peixes, indiferentemente. Num espaço equivalente a um quarteirão é difícil encontrar três árvores
da mesma família. Em razão da grande dispersão das árvores, os seringueiros precisam andar quilômetros e
40
quilômetros na mata. Cada seringueira fica a 100, 200 metros uma da outra. Nos rios, o fenômeno se repete. O
observador pouco familiarizado com a Amazônia tende a desconfiar dos biólogos que alertam para o risco que
estariam correndo alguns peixes mais valorizados pelos consumidores da região. Estabelece-se, para esse
observador, uma espécie de "paradoxo do atum". Se o atum é cada vez mais consumido no mundo inteiro e
ninguém diz que essa espécie corre risco de extinção, raciocina ele, por que então as populações de pirarucu
ou tambaqui, consumidas apenas pelos moradores da Amazônia, estariam sob qualquer tipo de ameaça?
Existe, na Amazônia, uma variedade incomparável de peixes, provavelmente umas 3.000 espécies no
total, quinze vezes mais do que em todos os rios da Europa, mas o número de pirarucus ou de tambaquis
representa uma fração da quantidade a que chegam certos tipos de peixes marítimos. Na base da cadeia
alimentar dos oceanos há mais nutrientes do que nos rios, para começar. E esses nutrientes são pouco afetados
pela intervenção do homem. Nos rios amazônicos, ao contrário, o homem já tem um efeito negativo visível
sobre a fonte básica de alimentos, toneladas de frutos e sementes que as enchentes vão buscar nas florestas
alagáveis durante os ciclos da chuva. Entre Manaus e o Rio Xingu, uma extensão de 2.000 quilômetros, as
várzeas do Rio Amazonas estão se transformando rapidamente em pastagens para o gado. Desmata-se também
nas áreas de inundação para tirar madeira. Boiando na corrente, as toras são facilmente transportadas até a
serraria mais próxima.
A experiência mundial tem demonstrado que a devastação de áreas verdes ocorre com furor redobrado
em regiões pobres e que é muito difícil proteger o verde deixando desprotegidos os habitantes. O sujeito que
pega seu caminhão velho no sul do Pará e entra na mata para surrupiar uma tora e vender na serraria mais
próxima está numa atividade de subsistência. É mais fácil transformá-lo num membro do Rotary Club do que
num soldado da natureza. Em várias oportunidades, o governo tentou encontrar soluções para a pobreza
endêmica da região amazônica e sempre optou por soluções ora simplistas, ora megalomaníacas, que, no final
das contas, acabaram produzindo tipos como o derrubador de árvores. Brasília perturbou populações indígenas
tirando-as de seus territórios a pretexto de fazer a Amazônia progredir, rasgou estradas inúteis no fundo da
mata, atraiu sem-terra do Nordeste para desmatar e plantar na floresta, incentivou a criação de gado numa
região que não se presta a isso. Cometeu todos os erros imagináveis nas circunstâncias e nunca quis enxergar o
óbvio.
O turismo ecológico rende 260 bilhões de dólares por ano para os países que o exploram. A Amazônia,
o mais poderoso complexo da ecologia mundial, leva apenas 0,01% dessa verba. Alguma coisa está errada e
não é com o caboclo que está pondo fogo numa capoeira para plantar mandioca na margem do Rio Solimões.
Os governos dos Estados do Pará e do Amazonas estendem tapetes vermelhos para atrair os madeireiros
malaios, que têm Ph.D. no manejo da motosserra, sob o olhar contemplativo do governo federal. Com tanto
entusiasmo oficial envolvido, fica-se com a impressão de que, pelo menos em termos econômicos, a Amazônia
está fazendo um grande negócio com a derrubada de suas árvores, quando na verdade todo o comércio de
madeira nobre no mundo equivale a menos da metade do que os americanos apuram sozinhos apenas com a
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pesca esportiva. A Amazônia tem uma vocação óbvia para atividades como o turismo ecológico e a pesca
controlada. A mineração, com sua vantagem de derrubar pouca mata e render alto dividendo, é também uma
vocação indiscutível. Tradicionalmente, o Brasil desconfia de grandes projetos nesse campo quando tocados
pela iniciativa privada, sobretudo se há estrangeiros por trás. Enquanto isso, alguma força misteriosa faz com
que os políticos da região se inclinem pelos madeireiros de olhos puxados.
Há incentivos oficiais para todo tipo de atividade predatória, e o que acaba dando certo é aquilo que
não estava nos planos dos burocratas das capitais. Isso aconteceu com a extração da borracha. Nos primeiros
anos deste século, pico do comércio da borracha na região, Manaus tinha renda per capita superior à do sul do
Brasil. Os barões da seringueira, imitando parisienses, tomavam champanhe e vestiam roupas importadas da
França. A vida em Manaus, segundo se dizia com orgulho por lá, era quatro vezes mais cara do que a de Nova
York. Um hotel da cidade tinha a reputação de ser o maior do mundo e o teatro, deslumbrante para os padrões
brasileiros na época, apresentava óperas com companhias européias. A festa durou até o momento em que o
primeiro seringal da Malásia começasse a produzir látex por um sexto do preço vigente em Manaus.
No caso da borracha, não foi aplicado nenhum plano artificial de conquista da floresta. Com poucas
exceções, sempre que isso aconteceu os resultados foram medíocres, às vezes patéticos. O pioneiro dos
automóveis, o americano Henry Ford, derrubou a mata para plantar seringais às margens do Tapajós, nos anos
30, e deixou uma fortuna enterrada no solo amazônico. Na floresta, as seringueiras ficam distantes umas das
outras, no meio da mata. Isso evita a dispersão de pragas. Ford plantou seringueiras como quem distribui
mudas de café numa fazenda do Paraná. Deu praga e a plantação faliu. Outro magnataamericano, Daniel
Ludwig, comprou a maior propriedade rural do mundo no Amapá, nos anos 60, e lá perdeu 1 bilhão de dólares
no sonho de fabricar polpa de papel, criar gado e plantar arroz.
Depois que o presidente Juscelino Kubitschek declarou que seu governo iria "arrombar a selva", ao
iniciar as obras da Rodovia Belém--Brasília, em 1958, a receita da fanfarronice amazônica entrou na moda.
Uma das fixações da ditadura militar nos anos 60 e 70 era integrar a Amazônia ao resto do Brasil a toque de
corneta. Os militares temiam duas coisas. Uma delas, que o vazio da floresta fosse ocupado por invasores dos
países vizinhos. A outra, que acabasse sendo reivindicado pelas nações ricas para acomodar os pobres que
sobravam em outros lugares. Afinal, e se a ONU começasse a forçar a mão para que o Brasil aceitasse 300
milhões de chineses na Amazônia, onde é que iria parar a soberania brasileira sobre a floresta? Esse era o
sentimento que predominava nos quartéis durante aqueles anos. A ordem em Brasília era colonizar a
Amazônia de qualquer maneira, o mais depressa possível, custasse o que custasse. "Integrar para não
entregar", conforme dizia um dos slogans da época. Nunca o desmatamento foi realizado com tanto esmero e
idealismo.
Num delírio de grandeza, o governo resolveu cortar a selva inteira com uma rodovia, a
Transamazônica, e instalar milhões de colonos às suas margens. A Transamazônica é hoje um caminho
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lamacento e semi-abandonado. Os colonos descobriram logo que o terreno de suas roças não dava mais do que
duas ou três colheitas depois da queimada. Tentando uma correção de rota, Brasília trocou os agricultores
humildes por empresas gigantescas que deveriam, segundo o plano dos estrategistas de gabinete, transformar a
Amazônia num dos grandes exportadores mundiais de carne. Atraídas por incentivos fiscais e financiamentos,
empresas sem nenhuma tradição na agropecuária, como a Volkswagen, a Varig e a companhia de seguros
Atlântica Boavista, numa lista de 300, aceitaram o convite oficial e foram derrubar árvores no solo frágil da
Amazônia a fim de plantar capim para os futuros rebanhos. Mas nem mesmo o capim se desenvolveu no chão
fraco da região. Do plano, a única parte que deu certo foi a derrubada da mata.
Depois dessa série de malogros, a Amazônia ainda continua sendo vista como uma fruta que deve ser
espremida a qualquer preço. O Brasil, hoje com o segundo maior rebanho bovino do mundo, 170 milhões de
cabeças, precisaria de uma área não muito maior do que a de Minas Gerais para multiplicar esse plantel por
cinco, tornando-se uma potência imbatível no ramo. Bastaria aplicar técnicas que hoje são corriqueiras na
região do Triângulo Mineiro. Mas há pecuaristas desmatando a floresta tropical amazônica para engordar gado
por lá. Na agricultura, acontece a mesma coisa. O Brasil já tem uma safra enorme, de 77 milhões de toneladas
de grãos, mas poderia colher cinco vezes mais num pedaço de terra como o do Estado da Bahia, desde que
aplicasse padrões europeus de plantio e colheita. Em vez disso, a agricultura avança nas bordas da floresta,
deixando atrás um campo semeado de toras abatidas. Numa região que tem 20.000 quilômetros de rios
navegáveis, constroem-se rodovias de pouca utilidade como a Perimetral Norte, que a floresta já comeu de
volta. Não é exatamente a parte já destruída ou seriamente danificada da floresta que mais preocupa. Essa
parte, no fim das contas, já está mesmo perdida. O que assusta é o ritmo imperturbável que o desmatamento
adquiriu. Foi assim com a Mata Atlântica.
Retirado de: http://veja.abril.com.br/especiais/amazonia/p_008.html
IMPACTOS SOBRE O ECOSSISTEMA FLORESTA AMAZÔNICA
Garimpo de ouro – Assoreamento, erosão e poluição de cursos d’água; problemas sociais; degradação da
paisagem e da vida aquática, contaminação por mercúrio com conseqüências sobre a pesca e a população.
Mineração industrial: ferro, manganês, cassiteria, cobre, bauxuta, etc – Degradação da paisagem;
poluição, e assoreamento dos curso da água; esterilização de grandes áreas e impactos sócio-econômicos.
Grandes projetos agropecuários – Incêndios; destruição da fauna e da flora; erosão, assoreamento e
contaminação dos cursos d’água por agrotóxicos; destruição de reservas extrativistas.
Grandes usinas hidroelétricas – Impacto Cultural e sócio-econômico (povos indígenas) e sobre a fauna e a
flora; inundação de áreas florestais, agrícolas, vilas, etc.
Indústrias de ferro gusa – Demanda de carvão vegetal da floresta nativa – desmatamento; exportação de
energia a baixo valor e alto custo ambiental; poluição das águas, ar e solo.
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Pólos industriais e/ou grandes Indústrias – Poluição do ar, água e solo; geração de resíduos tóxicos;
conflitos com o meio urbano.
Construção da rodovia Transamazônica – Destruição das culturas indígenas; propagação do garimpo e de
doenças endêmicas; grandes projetos agropecuários; explosão demográfica.
Caça e pesca predatórias – Extinção de mamíferos aquáticos; diminuição de populações de quelônios, peixes
e animais de valor econômico-ecológico.
Indústrias de alumínio – Poluição atmosférica e marinha; impactos indiretos pela enorme demanda de
energia elétrica.
Crescimento populacional – Problemas sociais graves; ocupação desordenada e vertiginosa do solo
(migração interna) com sérias conseqüências sobre os recursos naturais.
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CAPÍTULO 5 – IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA
Pode-se entender que a educação ambiental é um processo pelo qual o educando começa a obter
conhecimentos acerca das questões ambientais, onde ele passa a ter uma nova visão sobre o meio ambiente,
sendo um agente transformador em relação à conservação ambiental.
As questões ambientais estão cada vez mais presentes no cotidiano da sociedade, contudo, a educação
ambiental é essencial em todos os níveis dos processos educativos e em especial nos anos iniciais da
escolarização, já que é mais fácil conscientizar as crianças sobre as questões ambientais do que os adultos.
Com o mundo cada vez mais globalizado, com a sociedade tão violenta e com o acelerado crescimento das
cidades que substituem os espaços verdes pelo concreto, vem diminuindo o contato direto da criança com
todos os elementos da natureza. Nesse paradigma a cada dia que passa as crianças passam a ter espaços cada
vez mais restritos para o contato com os elementos do ambiente e então as crianças estão sendo obrigadas a
ficarem trancadas em casa tendo como fonte de lazer o uso das tecnologias, que na maioria das vezes, elas não
sabem o que é o meio ambiente nem tampouco os problemas que ele enfrenta e se a criança for questionada,
por exemplo, de onde vem o leite, é bem provável que ela responda que vem da caixinha. Diante disso, Alves
(1999) diz que: “há crianças que nunca viram uma galinha de verdade, nunca sentiram o cheiro de um
pinheiro, nunca ouviram o canto do pintassilgo e não tem prazer em brincar com a terra. Pensam que a terra é
sujeira. Não sabem que terra é vida”.
A cada dia que passa a questão ambiental tem sido considerada como um fato que precisa ser
trabalhada com toda sociedade e principalmente nas escolas, pois as crianças bem informadas sobre os
problemas ambientais vão ser adultas mais preocupadas com o meio ambiente, além do que elas vão ser
transmissoras dos conhecimentos que obtiveram na escola sobre as questões ambientais em sua casa, família e
vizinhos.
As instituições de ensino já estão conscientes que precisam trabalhar a problemática ambiental e muitas
iniciativas tem sido desenvolvida em torno desta questão, onde já foi incorporada a temática do meio ambiente
nos sistemas de ensino como tema transversal dos currículos escolares, permeando toda prática educacional. A
educação ambiental nas escolas contribui para a formação de cidadãosconscientes, aptos para decidirem e
atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da
sociedade. Para isso, é importante que, mais do que informações e conceitos, a escola se disponha a trabalhar
com atitudes, com formação de valores e com mais ações práticas do que teóricas para que o aluno possa
aprender a amar, respeitar e praticar ações voltadas à conservação ambiental.
A escola é o lugar onde o aluno irá dar seqüência ao seu processo de socialização, no entanto,
comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no decorrer da vida escolar com o
intuito de contribuir para a formação de cidadãos responsáveis, contudo a escola deve oferecer a seus alunos
os conteúdos ambientais de forma contextualizada com sua realidade.
O trabalho com o meio ambiente nas escolas traz a ela a necessidade de estar preparada para trabalhar
esse tema e junto aos professores adquirir conhecimentos e informações para que possa desenvolver um bom
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trabalho com os alunos. Os professores têm o papel de ser o mediador das questões ambientais, mas isso não
significa que ele deve saber tudo sobre o meio ambiente para desenvolver um trabalho de qualidade com seus
alunos, mas que ele esteja preparado e disposto a ir à busca de conhecimentos e informações e transmitir aos
alunos a noção de que o processo de construção de conhecimentos é constante. Para isso o professor precisa
buscar junto com os discentes mais informações, com o objetivo de desenvolver neles uma postura crítica
diante da realidade ambiental e de construírem uma consciência global das questões relativas ao meio
ambiente para que possam assumir posições relacionadas com os valores referentes à sua proteção e melhoria.
No entanto, a figura do professor diante de seus alunos deve ser um instrumento de ação para a
conscientização deles educando-os de forma correta desde a conservação da limpeza da sala de aula até a
preservação do meio em que comunidade escolar está inserida na sociedade.
ENSINO NAS SÉRIES INICIAIS
O ambiente escolar é um dos primeiros passos para a conscientização dos futuros cidadãos para com o
meio ambiente, por isso a EA é introduzida em todos os conteúdos (interdisciplinar) relacionando o ser
humano com a natureza. A inserção da EA na formação de jovens pode ser uma forma de sensibilizar os
educandos para um convívio mais saudável com a natureza. Este tema deve ser trabalhado com grande
freqüência na escola, porque é um lugar por onde passam os futuros cidadãos, ou que pelo menos deveriam
passar e quando se é criança, tem mais facilidade para aprender. Antes, de pensar que os problemas ambientais
estão tão distantes do homem que é muito bom que se passe a observar com mais atenção o ambiente que o
cerca.
Segundo Segura (2001, p. 21):
A escola foi um dos primeiros espaços a absorver esse processo de “ambientalização” da sociedade,
recebendo a sua cota de responsabilidade para melhorar a qualidade de vida da população, por meio de
informação e conscientização.
Para conscientizar um grupo, primeiro é preciso delimitar o que se quer e o que deseja alcançar. Para
que o interesse desperte no aluno, é necessário que o professor utilize a “bagagem de conhecimentos trazidos
de casa” pelos alunos, como dizia Freire (1987), assim levando-o a perceber que o problema ambiental esta
mais perto de todos, do que se imagina. Em seguida, explicar que os impactos ambientais existentes no
mundo, atinge todos os seres vivos, por causa, das atitudes de alguns que pensam que somente eles não
adiantam tentar preservar o planeta. A partir do momento em que o indivíduo perceber a existência de um
todo, deixar de lado a existência única e começar a notar a presença do outro, o planeta vai caminhar para o
equilíbrio natural.
Já tem muitos educadores trabalhando esse tema de forma bem simples com seus alunos, reflorestando
os seus quintais, o jardim da escola. Principalmente ensinando que preservar o meio ambiente é preparar um
mundo melhor para a humanidade do futuro e protegê-la dos equívocos cometidos no passado, colocando o
homem como a figura central dos acontecimentos da vida. É pensar com inteligência e colaborar com a
natureza para que o ser humano possa viver harmonicamente e aprender com o próximo no magnífico cenário
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natural que lhe foi presenteado. Entende - se que esse objetivo pode ser conquistado com o auxilio da
educação que pode ser uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento sustentável. Mas ela não deve ser
restrita aos bancos escolares, senão alcançar o ambiente familiar e o do trabalho. Deve ser muito mais do que
informação, senão percepção, entendimento e compreensão da vida humana em suas relações pessoais e com a
natureza. O contexto social que cada indivíduo compõe deve ser por ele entendido, bem como suas obrigações
e responsabilidades.
O meio ambiente em que o ser humano está inserido está pedindo novos olhares sobre ele. No entanto,
se faz necessário estudar mais sobre esses novos olhares, principalmente nas escolas onde tudo começa,
porque para os adultos, que já tem seus pensamentos arraigados, a possibilidade de mudança é pequena,
infelizmente (mas isso não significa deixar de lado os projetos ambientais onde os todos estão inseridos).
Só que os acontecimentos ambientais negativos vão crescendo a cada dia e os indivíduos, muitas
vezes, como meros expectadores, assistem e usam o controle remoto para trocar de canal e faz de conta, então,
que nada está acontecendo e não depende dele também a mudança para a melhoria desse problema que não é
individual, mas sim, global. Sem dúvidas, os cidadãos devem estar cientes do mundo em que vivem. Um
mundo em que se não ser organizado pelo homem tudo pode acabar inclusive os seres humanos, mesmo com
toda a falta de respeito com a natureza e conscientização sobre a mesma.
Fazer a parte atribuída ao homem da melhor maneira possível é responsabilidade, principalmente em
tentar mostrar aos outros que não nenhum ser vivo está isolado e, ou melhor encontra – se acompanhados com
ela e por ela, a mãe natureza.
CONSCIENTIZAÇÃO DO ALUNO DAS SÉRIES INICIAIS
A EA se tornou hoje uma ferramenta indispensável no combate à destruição ambiental no qual todos
os seres vivos estão inseridos. Professores e alunos tornam-se os principais agentes de transformação e
conservação do meio ambiente, pois é na escola onde mais se conversa sobre esse assunto, e tenta melhorar as
condições do planeta. Para que se crie uma filosofia conservacionista é necessária que se forme a consciência
de que o ambiente não é propriedade individual, mas reconhecê-lo como um lugar de todos, por isso, torna –
se necessário cuidar dos recursos que podem prejudicar a si mesmo e ao próximo, por exemplo, os bens
públicos, feitos de materiais retirados da natureza, e o meio ambiente.
Segundo Segura (2001, p. 48):
Para a EA vista como aposta de vida, prática cidadã e construção cotidiana de uma nova sociedade, este
conceito parece mais “iluminado” de sentido pois estabelece uma série de outras conexões importantes: a
relação eu-nós pressupõe envolvimento solidariedade e a própria participação. Poderia ter escolhida
“conscientização” ou “sensibilização”, talvez as expressões mais citadas quando se fala em EA, mais foi
buscada no conceito de pertencimento uma síntese dessas duas idéias.
Para muitos professores trabalhar temas transversais como o meio ambiente no cotidiano escolar é
muito difícil, pois as salas de aula são sempre lotadas, com muitos conteúdos para serem lecionados durante o
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ano letivo, o qual deve ser cumprido segundo a grade curricular. Mas, é necessário ministrar aulas que
preparem o indivíduo para a vida no meio social, trabalhando o conteúdo de forma mais concreta, deixando
uma aprendizagem maior, do que trabalhar apenas os conteúdosambientais do mundo foi gerada nesse período.
3
Com o notável avanço da ecologia e de outras ciências correlatas, grande parte do conhecimento
existente sobre o meio ambiente, que era suficiente para satisfazer às necessidades do passado, passou a ser
insuficiente para embasar a tomada de decisões na organização ambiental da época.
Com a ampliação do “movimento ambientalista”, na Segunda metade do século XX, passaram a ser elaborados
quase todos os aspectos do meio natural associados ao interesse pela situação do ser humano, tanto no plano
da comunidade como no das necessidades individuais de vida e subsistência, destacando-se a relação entre os
ambientes artificiais e os naturais.
O movimento conservacionista anterior, de proteção à natureza, interessava-se em proteger
determinados recursos naturais contra a exploração abusiva e destruidora, alegando razões gerais de prudência
ética ou estética. O novo movimento ambiental, sem descartar essas motivações, superou-as, estendendo seu
interesse a uma variedade maior de fenômenos ambientais. Alegava que a violação dos princípios ecológicos
teria alcançado um ponto tal que, no melhor dos casos, ameaçava a qualidade da vida e, no pior, colocava em
jogo a possibilidade de sobrevivência, em longo prazo, da própria humanidade.
A fim de buscar respostas a muitas dessas questões, realiza-se, em 1972, a Conferência de Estocolmo.
Desde então, a Educação Ambiental passa a ser considerada como campo da ação pedagógica, adquirindo
relevância e vigência internacionais. As discussões em relação à natureza da Educação Ambiental passaram a
ser desencadeadas e os acordos foram reunidos nos Princípios de Educação Ambiental, estabelecidos no
seminário realizado em Tammi (Comissão Nacional Finlandesa para a UNESCO, 1974). Esse seminário
considerou que a Educação Ambiental permite alcançar os objetivos de proteção ambiental e que não se trata
de um ramo da ciência ou uma matéria de estudos separada, mas de uma educação integral permanente.
Em 1975, a UNESCO, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente
(PNUMA), em resposta à recomendação 96 da Conferência de Estocolmo, cria o Programa Internacional de
Educação Ambiental (PIEA), destinado a promover, nos países membros, a reflexão, a ação e a cooperação
internacional nesse campo. Sem dúvida, a Conferência de Estocolmo configurou-se mais como um ponto
centralizador para identificar os problemas ambientais do que como um começo da ação para resolvê-los.
No início da década de 1970, importantes organismos especializados das Nações Unidas
tinham iniciado programas sobre vários países desenvolvidos tinham estabelecido instituições nacionais para
manejar os assuntos ambientais (ministérios do meio ambiente, organismo especializados, etc.). O elemento
ambiental integrou-se aos programas de muitos organismos intergovernamentais e governamentais que se
ocupavam das estratégias de desenvolvimento.
Em seu primeiro período em 1973, o PNUMA destacou como alta prioridade os temas referentes ao
meio ambiente e ao desenvolvimento, o que constituiu um conceito fundamental de seu pensamento.
Nesse período, realizou-se um conjunto de experiências e práticas de Educação Ambiental em muitos países
que possibilitou avanços importantes na sua conceituação, inspirada em uma ética centrada na natureza, que
pode ser identificada como a “Vertente Ecológico-Preservacionista da Educação Ambiental”.
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A Conferência de Estocolmo inspirou um interesse renovado na Educação Ambiental na década de
1970, tendo sido estabelecida uma série de princípios norteadores para um programa internacional e planejado
um seminário internacional sobre o tema, que se realizou em Belgrado, em 1975.
Dois anos mais tarde celebrou-se em Tbilisi, URSS, a Conferência Intergovernamental sobre
Educação Ambiental, que constitui, até hoje, o ponto culminante do Programa Internacional de Educação
Ambiental. Nessa conferência foram definidos os objetivos e as estratégias pertinentes em nível nacional e
internacional. Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação global
orientada para a resolução dos problemas por meio da participação ativa dos educandos na educação formal e
não-formal, em favor do bem estar da comunidade humana.
Acrescentou-se aos princípios básico da Educação Ambiental nessa conferência é a importância que é
a importância que é dada às relações natureza-sociedade, que, posteriormente, na década de 1980, dará origem
à vertente socioambiental da Educação Ambiental.
A sensibilidade diante do meio ambiente aumentou entre as populações mais ricas e com maior nível
de educação, sendo estimulada por meio de livro e filmes, assim com pelos jornais, revistas e meios de
comunicação eletrônicos. As organizações não-governamentais desempenharam um importante papel no
desenvolvimento de uma melhor compreensão dos problemas ambientais.
No Brasil, em 1973, cria-se a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), no âmbito e preocupa-
se em definir seu papel no contexto nacional.
Os anos 1980
A década de 1980 caracteriza-se por uma profunda crise econômica que afeta o conjunto dos países do
mundo, bem como por um agravamento dos problemas ambientais. Concebe-se a realidade socioeconômica
em termos sistêmicos e estruturais, mostrando a entropia do processo econômico, com a aplicação das leis da
termodinâmica na economia.
Fundamenta-se, também, a perspectiva global dos anos 1980: globalidade dos fenômenos ecológicos,
as inter-relações entre economia, ecologia e desenvolvimento, políticas ambientais e cooperação internacional.
A relação entre a economia e a ecologia leva à necessidade de adoção de um novo sistema de contabilidade
ambiental e novos indicadores de bem-estar social e econômico. Realiza-se a crítica ao Produto Nacional
Bruto (PNB), postulando-se um novo indicador: o beneficio social líqüido, que inclui o bem-estar econômico,
social, individual e global e a noção de qualidade de vida.
No Brasil, a Política Nacional do Meio Ambiente, definida por meio da Lei nº 6.983/81, situa a
Educação Ambiental como um dos princípios que garantem “a preservação, melhoria e recuperação da
qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar no país condições ao desenvolvimento
socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana”. Estabelece,
ainda, que a Educação Ambiental deve ser oferecida em todos os níveis de ensino e em programas específicos
direcionados para a comunidade.
Visa, assim, à preparação de todo cidadão para uma participação na defesa do meio ambiente.
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No Decreto n. º 88.351/83, que regulamenta a Lei n. º 226/87, do conselheiro Arnaldo Niskier, que determina a
necessidade da inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares de 1º e 2º graus. Esse parecer
recomenda a incorporação de temas ambientais da realidade local compatíveis com o desenvolvimento social e
cognitivo da clientela e a integração escola-comunidade como estratégia de aprendizagem.
Em 1987, realiza-se o Congresso Internacional sobre a Educação e Formação Relativas ao Mio
Ambiente, em Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO. No documento final, Estratégia internacional de
ação em matéria de educação e formação ambiental para o decênio de 90, ressalta-se a necessidade de atender
prioritariamente à formação de recursos humanos nas áreas formais e não-formais da Educação Ambiental e na
inclusão da dimensão ambiental nos currículos de todos os níveis de ensino.
Os anos 1990
A análise da economia mundial das três últimas décadas revela que a brecha entre países
desenvolvidos e subdesenvolvidos tem aumentado. Nesse período a economia dos países desenvolvidos
caracterizou-se por processos inflacionários, associados a um crescente desemprego, induzindo a uma
combinação de políticas macroeconômicas que aumenta os problemasde forma rápida para cumprir a grade
curricular e não capacitar os educandos para conviver no caos ecológico que se enfrenta cotidianamente.
Segundo Segura (2001, p.71): “A ênfase em atividades práticas talvez seja um reflexo da própria rotina
atribulada das escolas: muitas aulas, muitos alunos, carência material e sobrecarga burocrática”.
A educação ambiental é um conjunto de práticas e conceitos voltados para a busca da qualidade de
vida, com o objetivo de criar diretrizes para auto-sustentabilidade da região.
Os professores, devido a sua posição de líderes podem contribuir com o aprendizado sobre o meio ambiente
desde as séries iniciais despertando no alunado o gosto e a paixão pela natureza, assim se consegue
desenvolver as habilidades de observar, analisar, comparar, criticar, criar, recriar e elaborar. Portanto, no início
da vivência escolar deve-se despertar na criança, através das aulas teóricas e práticas do ensino de ciências o
gosto pela educação ambiental.
As atividades que as crianças podem tocar, transformar objetos e materiais trazem mais prazer ao
desenvolver tais tarefas exigidas pela educadora. Isto terá um significado maior para o aluno, quando ele tiver
a oportunidade de conviver com o ambiente natural, assim podendo trabalhar de forma interdisciplinar, sem
fragmentar o processo de construção do conhecimento. Para tanto, cabe ao professor diferenciar as aulas,
desenvolvendo projetos sob forma de oficinas. Assim, dará maior dinamismo às aulas, aproximando o
conteúdo ao contexto e às vivências dos alunos.
Na aula, o docente ao relacionar teoria e prática, e considerar a discussão coletiva acerca dos
resultados experimentais e de interpretações teóricas, tem oportunidade de contribuir com a problematização
de temas relacionados ao meio ambiente. Esse tipo de aula incentiva a participação e a interação de todos os
sujeitos envolvidos no processo pedagógico.
No processo pedagógico há a mediação entre o conhecimento e os alunos – sujeitos da aprendizagem –
e o caráter relacional entre idéias e valores evidenciados durante o processo pedagógico. E desse modo,
também contribui com a aprendizagem do educador.
O educador ao ligar o conteúdo das ciências às questões do cotidiano torna a aprendizagem mais
significativa. As oficinas pedagógicas realizadas durante as aulas se desenvolvem apoiadas nas vivências dos
alunos e dos fenômenos que ocorrem a sua volta, buscando examiná-los com o auxílio dos conceitos
científicos pertinentes. É através de um ensino investigativo, provocativo que o aluno começa a pensar e a
refletir sobre o processo de construção do conhecimento (FREIRE, 1987).
Finalmente, a educação ambiental nas séries iniciais do ensino fundamental ajuda a consciência de
preservação e de cidadania. A criança aprende, desde cedo, que precisa cuidar, preservar, pois a vida do
planeta depende de pequenas ações individuais que fazem a diferença ao serem somadas, as pequenas atitudes,
que “vira uma bola de neve” e proporciona a transformação do meio em que mora.
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Difusão Européia do Livro,. 288 p.socioambientais, com o agravamento do
processo de deterioração dos recursos naturais renováveis e não-renováveis nos países do Terceiro Mundo.
Os processos de globalização do sistema econômico aceleram-se. Os fatores globais adquirem maior
importância na definição das políticas nacionais, as quais perdem força ante as forças econômicas mundiais.
Há uma redefinição do papel do Estado na economia nacional, uma crescente regionalização ou polarização da
economia e uma paulatina marginalização de algumas regiões ou países, em relação à dinâmica do sistema
econômico mundial. Os países que dependem de produtos básicos são debilitados.
Nesse contexto internacional começa a ser preparada a Conferência Rio-92, na qual a grande
preocupação se centra nos problemas ambientais globais e nas questões do desenvolvimento sustentável.
Nessa conferência, em relação à Educação Ambiental, destacam-se dois documentos produzidos. No Tratado
de Educação ambiental para sociedades sustentáveis, elaborado pelo fórum das ONGs, explicita-se o
compromisso da sociedade civil para a construção de um modelo mais humano e harmônico de
desenvolvimento, onde se reconhecem os diretos humanos da terceira geração, a perspectiva de gênero, o
direito e a importância das diferenças e o direito à vida, baseados em uma ética biocêntrica e do amor. O outro
documento foi a Carta brasileira de Educação Ambiental, elaborada pela Coordenação de Educação Ambiental
no Brasil e se estabelecem às recomendações para a capacitação de recursos humanos.
A Conferência Rio-92 estabelece uma proposta de ação para os próximos anos, denominada Agenda
21. Esse documento procura assegurar o acesso o acesso universal ao ensino básico, conforme recomendações
da Conferência de Educação Ambiental (Tbilisi, 1977) e da Conferência Mundial sobre Ensino para Todos:
Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem (Jomtien, Tailândia, 1990).
De acordo com os preceitos da Agenda 21, deve-se promover, com a colaboração apropriada das
organizações não-governamentais, inclusive as organizações de mulheres e de populações indígenas, todo tipo
de programas de educação de adultos para incentivar a educação permanente sobre meio ambiente e
6
desenvolvimento, centrando-se nos problemas locais. As indústrias devem estimular as escolas técnicas a
incluírem o desenvolvimento sustentável em seus programas de ensino e treinamento. Nas universidades, os
programas de pós-graduação devem contemplar cursos especialmente concebidos para capacitar os
responsáveis pelas decisões que visem ao desenvolvimento sustentável.
Em cumprimento às recomendações da Agenda 21 e aos preceitos constitucionais, é aprovado no
Brasil o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), que prevê ações nos âmbitos de Educação
Ambiental formal e não-formal.
Na década de 1990, o Ministério da Educação (MEC), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) desenvolvem diversas
ações para consolidar a Educação Ambiental no Brasil. No MEC, são aprovados os novos “Parâmetros
Curriculares” que incluem a Educação Ambiental como tema transversal em todas as disciplinas. Desenvolve-
se, também, um programa de capitação de multiplicadores em Educação Ambiental em todo o país. O MMA
cria a Coordenação de Educação Ambiental, que se prepara para desenvolver políticas nessa área no país e
sistematizar as ações existentes. O IBAMA cria, consolida e capacita os Núcleos de Educação Ambiental
(NEAs) nos estados, o que permite desenvolver Programas Integrados de Educação Ambiental para a Gestão.
Várias organizações estaduais do meio ambiente (OEMAs) implantam programas de Educação
Ambiental e os municípios criam as secretarias municipais de meio ambiente, as quais, entre outras funções,
desenvolvem atividades de Educação Ambiental. Paralelamente, as ONGs têm desempenhado importante
papel no processo de aprofundamento e expansão das ações de Educação Ambiental que se completam e,
muitas vezes, impulsionam iniciativas governamentais.
Podemos afirmar, hoje, que as relações sociedade civil organizada entre instituições governamentais
responsáveis pela educação ambiental caminham juntas para a construção de uma cidadania ambiental
sustentável, baseada na participação, justiça social e democracia consciente.
É evidente que o aprofundamento de processos educativos ambientais apresenta-se como uma
condição sine qua non para construir uma nova racionalidade ambiental que possibilite modalidades de
relações entre a sociedade e a natureza, entre o conhecimento científico e as intervenções técnicas no mundo,
nas relações entre os grupos sociais diversos e entre os diferentes países em um novo modelo ético, centrado
no respeito e no direito à vida em todos os aspectos.
Acontecimentos internacionais que influenciaram a Educação Ambiental mundial.
Anos 1960
1962 - Publicação de Primavera Silenciosa, por Rachel Carlson;
1965 - Utilizada a expressão Educação Ambiental (Environmental Education) na Conferência de
Educação da Universidade de Keele, Grã-Bretanha;
1966 - Pacto Internacional sobre os Direitos Humanos - Assembléia Geral da ONU;
1968 – fundação do clube de Roma.
7
Anos 1970
1972 – Publicação do Relatório Os Limites do Crescimento - Clube de Roma Conferência de
Estocolmo - discussão do desenvolvimento e ambiente, conceito de ecodesenvolvimento;
Recomendação 96 - Educação e Meio Ambiente;
1973 – Registro Mundial de Programas em Educação Ambiental, EUA Seminário de Educação
Ambiental em Jammi, Finlândia – Educação Ambiental é reconhecida como educação integral e
permanente Congresso de Belgrado - Carta de Belgrado - estabelece as metas e princípios da
Educação Ambiental;
1974 – Programa Internacional de Educação Ambiental - PIEA – UNESCO Reunião Sub-regional de
Educação Ambiental para o Ensino Secundário,Chosica, Peru - discussão sobre as questões ambientais
na América Latina estarem ligadas as necessidades de sobrevivência e aos direitos humanos;
1975 – Congresso de Educação Ambiental - Brazzaville, África - reconhece a pobreza como maior
problema ambiental;
1977 – Conferência de Tbilisi, Geórgia - estabelece os princípios orientadores da EA e enfatiza se
caráter interdisciplinar, critico, ético e transformador Encontro Regional de Educação Ambiental para
América Latina em San José, Costa Rica.
Anos 1980
1980 – Seminário Regional Europeu sobre Educação Ambiental para Europa e América do Norte -
assinala a importância do intercâmbio de informações e experiências;
1987 – Seminário Regional sobre Educação Ambiental nos Estados Árabes, Manama, Barein -
UNESCO/PNUMA;
1987 – Primeira Conferência Asiática sobre Educação Ambiental Nova Delhi,Índia;
1988 - Divulgação do relatório da Comissão Brundtland - Nosso Futuro Comum; Congresso
Internacional da UNESCO/PNUMA sobre Educação e Formação Ambiental - Moscou - realiza a
avaliação dos avanços desde Tbilisi, reafirma os princípios de Educação Ambiental e assinala a
importância e necessidade de pesquisa e da formação em Educação Ambiental.
1988 – Declaração de Caracas - ORPAL/PNUMA - sobre Gestão Ambiental na América - denuncia a
necessidade de mudar o modelo de desenvolvimento.
1989 – Primeiro Seminário sobre Materiais para a Educação Ambiental ORLEAC/UNESCO/PIEA,
Santiago, Chile Declaração de Haia, preparatório da Rio-92 - aponta a importância da cooperação
internacional nas questões ambientais.
8
Anos 1990
1990 – Conferência Mundial sobre Ensino para Todos - Satisfação das Necessidades Básicas de
Aprendizagem, Jomtien, Tailândia - destaca o conceito de analfabetismo ambiental;
ONU declara o ano 1990 como o Ano Internacional do Meio Ambiente
1991 – Reuniões preparatórias para a Rio-92;
1992 – Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, UNCED,Rio-92;
Criação da Agenda 21
1993 – Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis, Fórum das ONGs;
Carta Brasileira de Educação Ambiental, MEC
1994 – Congresso Sul-Americano, Argentina - continuidade Rio-92;
Conferência dos Direitos Humanos, Viena
1995 – Conferência Mundial de População, Cairo
I Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, Guadalajara, México
1996 – Conferência para o Desenvolvimento Social, Copenhague - criação de um ambiente
econômico-político-social-cultural e jurídico que permita o desenvolvimento social;
1997 – Conferência Mundial da Mulher, Pequim
Conferência Mundial do Clima, Berlim
Conferência Hábitat II, Istambul
II Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental, Guadalajara, México
Conferência sobre Educação Ambiental, Nova Delhi, Índia
Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Conscientização Pública
para a Sustentabilidade, Thessaloniki, Grécia
Acontecimentos no Brasil que influenciaram a EA
Anos 1970
1971 – Cria-se no Rio Grande do Sul a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural
(AGAPAN)
1972 – A Delegação Brasileira na Conferência de Estocolmo declara que o país está "aberto à
poluição, porque o que precisa é dólares, desenvolvimento e empregos" - apesar disso,
contraditoriamente, o Brasil lidera os países do Terceiro Mundo para não aceitar a Teoria do
Crescimento Zero proposta pelo Clube de Roma
9
1973 – Cria-se a Secretaria Especial do Meio Ambiente, SEMA, no âmbito do Ministério do Interior,
que, entre outras atividades, contempla a Educação Ambiental
1977 - SEMA constitui um grupo de trabalho para a elaboração de um documento sobre a Educação
Ambiental, definindo o seu papel no contexto brasileiro
Seminários, Encontros e debates preparatórios à Conferência de Tbilisi são realizados pela FEEMA,
RJ
1978 – A Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul desenvolve o Projeto Natureza (1978 -1985)
Criação de cursos voltados às questões ambientais em várias universidades brasileiras
Anos 1980
1984 – O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) apresenta uma resolução, estabelecendo
diretrizes para a Educação Ambiental
1986 – A SEMA e a Universidade de Brasília organizam o primeiro Curso de Especialização em
Educação Ambiental (1986-1988)
I Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente
Seminário Internacional de Desenvolvimento Sustentado e
Conservação de Regiões Estuarinas - Lagunares (Manguezais), São Paulo
1987 – O MEC aprova o Parecer nº 226/87, do conselheiro Arnaldo Niskier - inclusão da Educação
Ambiental nos currículos escolares de 1º e 2º graus
II Seminário Universidade e Meio Ambiente, Belém, Pará
1988 – A Constituição Brasileira de 1988, art. 225 no capítulo VI - Do Meio Ambiente, inciso VI -
destaca a necessidade de promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente. Para cumprimento dos preceitos
constitucionais, leis federais, decretos, constituições estaduais e leis municipais determinam a
obrigatoriedade da Educação Ambiental
Fundação Getúlio Vargas traduz e publica o relatório Brundtland, Nosso Futuro Comum
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo e a CETESB
publicam a edição-piloto do livro Educação Ambiental - Guia para
Professores de 1º e 2º graus
I Fórum de Educação Ambiental - São Paulo
1989 – Criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA), pela fusão da SEMA, SUDEPE, SUDHEVEA e IBDF, onde funciona a Divisão de
Educação Ambiental;
10
Programa de Educação Ambiental da Universidade Aberta da Fundação Demócrito Rocha, por meio
de encartes nos jornais de Recife e Fortaleza Primeiro Encontro Nacional sobre Educação Ambiental
no Ensino Formal, IBAMA - UFRPE, Recife.
Cria-se o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) no Ministério do Meio Ambiente (MMA),
apoiando projetos que incluem a Educação Ambiental.
III Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente, Cuiabá, Mato Grosso.
Anos 1990
1990 – I Curso Latino-Americano de Especialização em Educação Ambiental, PNUMA - IBAMA -
CNPq -CAPES - UFMT, Cuiabá, Mato Grosso (1990 -1994)
IV Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente, Florianópolis, Santa Catarina;
1991 – MEC, Portaria nº 678 (14/05/91) institui que todos os currículos nos diversos níveis de ensino
deverão contemplar conteúdos de Educação Ambiental
Projeto de Informações sobre Educação Ambiental, IBAMA – MEC
Grupo de Trabalho para Educação Ambiental coordenado pelo MEC, preparatório à Conferência Rio-
92;
Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para Educação Ambiental, MEC-IBAMA-Secretaria
do Meio Ambiente da Presidência da República - UNESCO-Embaixada do Canadá
II Fórum de Educação Ambiental - São Paulo
1992 – Criação dos Núcleos Estaduais de Educação Ambiental do IBAMA (NEAs)
Participação das ONGs do Brasil no Fórum de ONGs e na redação do Tratado de Educação Ambiental
para Sociedades Sustentáveis;
O MEC promove no CIAC do Rio das Pedras em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, o Whoskshop sobre
Educação Ambiental, cujo resultado se encontra na Carta Brasileira de Educação Ambiental
1993 – Publicação dos livros Amazônia: uma proposta interdisciplinar de Educação Ambiental
(Temas básicos) e Amazônia: uma proposta interdisciplinar de Educação Ambiental (Documentos
Metodológicos), Brasília, 1992-1994 (IBAMA - Universidades e SEDUCs da região)
Criação dos Centros de Educação Ambiental do MEC, com a finalidade de criar e difundir
metodologias em Educação Ambiental
1994 – Aprovação do Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), com a participação do
MMA-IBAMA-MEC-MCT-MINC Publicação em português da Agenda 21, feita por crianças e
jovens, UNICEF
III Fórum de Educação Ambiental, São Paulo
1996 – Criação da Câmara Técnica de Educação Ambiental, CONAMA
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Novos Parâmetros Curriculares do MEC que incluem a Educação Ambiental como tema transversal do
currículo;
Cursos de Capacitação em Educação Ambiental para os técnicos das SEDUCs e DEMECs nos
estados, para orientar a implantação dos Parâmetros Curriculares - convênio UNESCO-MEC.
Criação da Comissão Interministerial de Educação Ambiental, MMA
1997 – Criação da Comissão de Educação Ambiental do MMA
Cursos de Educação Ambiental organizados pelo MEC – Coordenação de Educação Ambiental para as
escolas técnicas e segunda etapa de capacitação das SEDUCs e DEMECs - convênio UNESCO-MEC.
I Teleconferência Nacional de Educação Ambiental, MEC
IV Fórum de Educação Ambiental e I Encontro da Rede de Educadores Ambientais, Vitória.
I Conferência Nacional de Educação Ambiental, Brasília
Tabelas compiladas do artigos:
Educação Ambiental caminhos trilhados no Brasil, org. Suzana M. Padua e Marlene F. Tabanez, Brasília,
1997; p. 265-269.
Breve Histórico da Educação Ambiental por Naná Mininni Medina.
Fonte: Redação do Portal do Meio Ambi - Contato (noticias@rebia.org.br)
Fonte: http://www.abides.org.br/Artigos/View.aspx?artigoID=126&area=, 27/06/08
A EVOLUÇÃO DAS CIÊNCIAS.
Ciência é um conjunto de conhecimentos empírico, teórico e prático sobre a natureza, produzido por
uma comunidade global de pesquisadores fazendo uso do método científico, que dá ênfase a
observação, explicação e predição de fenômenos reais do mundo através de experimentos. Dada a natureza
dual da ciência como um conhecimento objetivo e como uma construção humana, a historiografia da ciência
usa métodos históricos tanto da história intelectual como da história social.
Traçar as exatas origens da ciência moderna se tornou possível através de muitos importantes textos
que sobreviveram desde o mundo clássico. Entretanto, a palavra cientista é relativamente recente - inventada
por William Whewell no século XIX. Anteriormente,as pessoas investigando a natureza chamando a si
mesmas de filósofos naturais.
Enquanto as investigações empíricas do mundo natural foram descritas desde a antiguidade
clássica (por exemplo, por Tales de Mileto, Aristóteles, e outros), e o método científico ter sido usado desde
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Empirismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Conhecimento_procedural&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Natureza
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_cient%C3%ADfico
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Explica%C3%A7%C3%A3o_cient%C3%ADfica&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Experi%C3%AAncia_cient%C3%ADfica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Objetividade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Historiografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_hist%C3%B3rico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_intelectual
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Hist%C3%B3ria_social&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Whewell
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIX
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fil%C3%B3sofos_naturais&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_cient%C3%ADfico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Empirismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antiguidade_cl%C3%A1ssica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antiguidade_cl%C3%A1ssica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tales_de_Mileto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles
12
a Idade Média (por exemplo, por Ibn al-Haytham, Abū Rayhān al-Bīrūnī, Roger Bacon), Robert
Grosseteste e Jean Buridan o surgimento da ciência moderna é geralmente traçado até a Idade Moderna,
durante o que é conhecido como Revolução Científica que aconteceu nos séculos XVI e XVII na Europa.
Métodos científicos são considerados como sendo fundamentais para a ciência moderna que alguns -
especialmente os filósofos da ciência e cientistas - consideram investigações antigas da natureza como
sendo pré-científica. Tradicionalmente, historiadores da ciência têm definido ciência sendo suficientemente
abrangente para incluir essas investigações
Culturas Antigas
Em tempos pré-históricos, conselhos e conhecimento eram passados de geração em geração em
uma tradição oral. O desenvolvimento da escrita permitiu que o conhecimento fosse armazenado e
comunicado através das gerações com muito mais fidelidade. Combinado com o desenvolvimento da
agricultura, que permitiu um aumento na reserva de comida, isso tornou possível que as civilizações antigas se
desenvolvessem, porque foi possível dedicar mais tempo a outras tarefas que não fossem a sobrevivência.
Muitas civilizações antigas coletavam informações astronômicas de maneira sistemática através da
simples observação. Apesar deles não terem um conhecimento de verdadeira estrutura física
dos planetas e estrelas, muitas explicações teóricas foram propostas. Fatos básicos sobre fisiologia humana já
eram de conhecimento em alguns lugares, e a alquimia era praticada por várias civilizações. Observações
consideráveis sobre flora e fauna macrobióticas também foram realizadas.
Desde o seu início na Suméria (no atual Iraque) por volta de 3500 a.C., as pessoas
da Mesopotâmia começaram a tentar gravar algumas observações do mundo com dados numéricos bem
pensados. Mas suas observações e medições eram feitas por propósito em vez de de ser pelas leis da ciência.
Uma instância concreta do Teorema de Pitágoras foi gravada no século XVIII a.C.: a tábua de argila dos
mesopotâmios Plimpton 322 estava gravada com vários números de trios pitagóricos (3,4,5) (5,12,13) …,
datado de 1900 a.C., possivelmente milênios antes de Pitágoras
,
mas não existia uma formulação abstrata do
teorema de Pitágoras.
Na astronomia da Babilônia, as várias anotações sobre os movimentos das estrelas, planetas, e
a Lua foram escritas em milhares de tábuas de argila criadas por escribas. Mesmo atualmente, períodos
astronômicos identificados por cientistas mesopotâmios ainda são largamente usados nos calendários
ocidentais: o ano solar, o mês lunar, a semana de sete dias. Usando essas informações, eles desenvolveram
métodos aritméticos para computar a mudança no comprimento da luz solar durante o curso do ano e para
predizer a aparição ou o desaparecimento da Lua e planetas e eclipses do Sol e da Lua. Apenas alguns nomes
de astrônomos são conhecidos, como o de Kidinny, um astrônomo e matemático caldeu. A astronomia da
Babilônia foi "a primeira e mais bem sucedida tentativa de dar um refinamento matemático para as descrições
dos fenômenos astronômicos." De acordo com o historiador A. Aaboe, "todas as subsequentes variações de
astronomia científica, no mundo helenístico, na Índia, no Islã, e no Ocidente - se não for todas as subsequentes
descobertas nas ciências exatas - dependem da astronomia da Babilônia de maneiras decisivas e fundamentais.
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13
Ciência do Antigo Egito
Avanços significativos do Egito Antigo incluem astronomia, matemática e medicina.
5
A geometria foi
necessária para a engenharia geográfica para preservar o layout e manter o dono das terras de fazendas, que
eram inundadasanualmente pelo rio Nilo. O triângulo reto 3,4,5 e outras regras serviam para representar
estruturas retilineares, e para a arquitetura do Egito. Egito foi também o centro da pesquisa de alquimia por
grande parte do Mediterrâneo.
O papiro Edwin Smith é um dos primeiros documentos médicos que ainda existe, e talvez o
documento mais antigo que tenta descrever e analisar o cérebro: ele pode ser visto como o começo da
moderna neurociência. No entanto, enquanto a medicina do Egito tinha algumas práticas efetivas, ela também
possui práticas ineficazes e por vezes perigosas. Historiadores médicos acreditam que a farmacologia do
Antigo Egito, por exemplo, era na maior parte ineficaz.
6
Ainda assim, ela aplicava os seguintes componentes
para o tratamento das doenças: exame, diagnóstico, tratamento, e prognóstico,
que demonstra um grande
paralelo para a base do método empírico da ciência e de acordo com G. E. R. Lloyd
teve um papel significante
no desenvolvimento dessa metodologia. O papiro Ebers (cerca de 1550 a.C.) também contém evidências do
tradicional empirismo.
Ciência no mundo greco-romano
O pensamento científico surgiu na Grécia Antiga aproximadamente no século VI a.C. com os
pensadores pré-socráticos que foram chamados de Filósofos da Natureza e também Pré-cientistas. Foi um
período onde a sociedade ocidental, saiu de uma forma de pensamento baseada em mitos e dogmas, para entrar
no pensamento científico baseado no Ceticismo. Muitos livros, apresentam este ou aquele pensador pré-
socrático como pai do pensamento científico, mas isso não é verdade, pois todos esses pensadores
contribuíram de uma forma ou de outra para a formação do pensamento científico.
O pensamento dogmático coloca as idéias como sendo superiores ao que se observa. O pensamento
cético coloca o que é observado como sendo superior às idéias. Um dogma é uma idéia e por mais que se
observe fatos que destruam o dogma, uma pessoa com pensamento dogmático irá preservar o seu dogma. Para
a ciência, uma teoria é uma idéia, mas se observarmos fatos que comprovem a falsidade da idéia, o cientista
tem a obrigação de destruir ou modificar a teoria.
Foi na época de Sócrates e seus contemporâneos que o pensamento científico se consolidou,
principalmente com o surgimento do conceito de prova científica, ou repetição do fato observado na natureza.
Quando esse processo de modificação no pensamento grego terminou, aproximadamente noventa por cento
dos gregos haviam se tornado ateus.
Sócrates foi condenado à morte e teve de tomar cicuta, pois foi julgado
culpado de estar desvirtuando a juventude. Os gregos acabaram por destruir sua própria religião.
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14
Tanto as religiões como a ciência tentam descrever a natureza e dar uma explicação para a origem do universo.
A diferença está na forma de pensar de um cientista. O cientista não aceita descrever o natural com o
sobrenatural. Para o cientista é necessário provas observadas e o que se observa sempre destrói as idéias. Para
um cientista, a ciência é uma só, pois a natureza é apenas uma. Sendo assim, as idéias da física devem
complementar as idéias da química, da paleontologia, geografia e assim por diante. Embora a ciência seja
dividida em áreas, para facilitar o estudo, ela ainda continua sendo apenas uma.
Ciência na Índia
Escavações em Harappa, Mohenjo-daro e outros sítios da Civilização do Vale do Indo têm revelado
evidência do uso da "matemática prática". As pessoas da Civilização do Vale do Indo manufaturavam tijolos
cujas dimensões eram proporcionais a 4:2:1, considerava favorável a estabilidade da estrutura de tijolos. Eles
usaram um sistema padronizado de pesos baseado nas proporções: 1/20, 1/10, 1/5, 1/2, 1, 2, 5, 10, 20, 50, 100,
200, e 500, com a unidade de peso equivalendo a 28 gramas (e aproximadamente igual a onça da Inglaterra ou
a uncia da Grécia). Eles produziram em massa pesos em formas geométricas regulares, que
incluíam hexaedro, barris, cones, e cilindros, e assim demonstrando conhecimento de geometria básica.
Os habitantes da civilização hindu também tentaram padronizar a medição do comprimento com alta
precisão. Eles criaram uma régua - régua Mohenjo-daro - cujas unidades de medida (3,4 centímetros) era
dividida em dez partes iguais. Tijolos manufaturados na antiga Mohenjo-daro geralmente tinham dimensões
que eram múltiplos inteiros dessa unidade de medida.
O início da astronomia na Índia - como em outras culturas - estava ligada com a religião. A primeira
menção textual de conceitos astronômicos veio de Veda, literatura religiosa da Índia. De acordo com Sarma
(2008): "Pode-se encontrar em Rigveda especulações inteligentes sobre a gênesis do universo, a configuração
do universo, a Terra esférica, e o ano de 360 dias divididos em doze partes iguais de trinta dias cada.
A origem da medicina Ayuverda pode ser traçada até Vedas, Atharvaveda em particular, e está conectada com
o hinduísmo
.
O Sushruta Samhita deSushruta apareceu durante o primeiro milênio a.c.
O aço wootz, crucible e inoxidável foram inventados na Índia, e largamente exportados, resultando no "aço de
Damasco" no ano 1000.
O astrônomo e matemático indiano Aryabhata (476-550), no seu Araybhatiya (499) e Aryabhata
Siddhanta, trabalhou em um preciso modelo heliocêntrico da gravitação, incluindo órbitas elípticas, a
circunferência da Terra e a longitude dos planetas ao redor do Sol. Ele também introduziu várias funções
trigonométricas (incluindo seno, seno verso e cosseno), tabelas trigonométricas, e técnicas e algoritmos
de álgebra. No século XVII, Brahmagupta reconheceu a gravidade como uma força de atração. Ele também
explicou o uso do zero como uma variável metasintática e como número decimal, assim como o sistema
numérico hindu atualmente largamente usado pelo mundo. Traduções árabes dos textos astronômicos
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15
estiveram logo disponíveis para o mundo islâmico, introduzindo o que se tornaria os algarismos arábicos para
o mundo islâmico do século IX.
Os primeiros doze capítulos de Siddhanta Shiromani, escrito por Bhāskara no século XII, cobrem
tópicos como:longitude média dos planetas; longitudes verdadeiras dos planetas; os três problemas da rotação
diurna; sizígia; eclipse lunar; eclipse solar; latitude dos planetas, a nascente e poente do sol; a Lua crescente;
conjunções dos planetas entre si; conjunções do planetas com uma estrela fixa; Os treze capítulos da segunda
parte cobrem a natureza da esfera, assim como significantes cálculos astronômicos e trigonométricos baseados
nela.
Entre os séculos XIV e XVI, a escola Kerala de astronomia e matemática fez significantes avanços na
astronomia e especialmente na matemática, incluindo campos como trigonometria e cálculo. Em
particular, Madhava of Sangamagrama é considerado o "fundador da análise matemática".
Ciência na China
A China possui uma longa e rica história de contribuição tecnológica.
19
As Quatro Grandes Invenções
da China antiga são a bússola, pólvora, criação de papel e impressão. Essas quatro descobertas tiveram um
enorme impacto no desenvolvimento da civilização da China e um impacto global com um alcance ainda
maior.
De acordo com o filósofo inglês Francis Bacon, escrevendo em Novum Organum,
"Impressão, pólvora e bússola: esses três mudaram todo o estado das coisas através do mundo: o primeiro
na literatura, o segundo na guerra, e o terceiro na navegação; e ainda assim receberam inúmeras modificações,
tanto que nenhum império, nenhum setor, nenhuma estrela parece ter exercido maior poder e influência nos
assuntos humanos que essas descobertas mecânicas.
Há muitos contribuidores notáveis no campo da ciência chinesa ao longo dos anos. Um dos melhores
exemplos seria Shen Kuo (1031–1095), um cientista e homem de estado polímata que foi o primeiro a
descrever a bússola de agulha magnetizada usada para a navegação, descobriu o conceito de norte verdadeiro,
melhorou o design dognômon e esfera armilar , e descreveu o uso de diques secos para consertar os barcos.
Após observar o processo natural de inundação de silte e encontrar fósseis marinhos nas montanhas Taihang,
Shen Kuo desenvolveu a teoria da formação da Terra, ou geomorfologia. Ele também adotou a teoria
da mudança climática gradual em regiões ao longo do tempo, após observar bambu petrificado encontrado no
subsolo de Yan'an, província de Shaanx. Se não fosse pelo o que Shen Kuo escreveu, os trabalhos
arquitetônicos de Yu Hao seriam pouco conhecidos, assim como o inventor da prensa móvel para impressão,
Bi Sheng (990 - 1051).
O contemporâneo de Shen, Su Song (1020-1101) também foi um polímata brilhante, um astrônomo
que criou o atlas celestial dos mapas estrelares, escreveu tratados farmacêuticos sobre assuntos relacionados
com botânica,zoologia, mineralogia e metalurgia, e ergueu uma enorme torre de relógio astronômico na cidade
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16
de Kaifeng em 1088. Para operar a esfera armilar, sua torre do relógio possuía um mecanismo de escapamento
e o mais antigo uso conhecido de uma corrente de transmissão sem-fim.
As missões jesuítas na China dos séculos XVI e XVII "aprenderam a apreciar os avanços científicos
dessa cultura antiga e os fizeram ser conhecidos na Europa. Através de sua correspondência, os cientistas
europeus aprenderam pela primeira vez sobre a ciência e a cultura dos chineses. O pensamento dos acadêmicos
ocidentais sobre a história da ciência e tecnologia chinesa foi galvanizada pelo trabalho de Hoseph Needham e
o Needham Research Institute. Entre os avanços tecnológicos da China estão, de acordo com Needham, os
primeiros detectores sismológicos (Zhang Heng no século II), esferas armilares com acionamento hidráulico
(Zhang Heng), as invenções independentes do sistema decimal, dique seco, paquímetros deslizantes, o pistão
do motor de dupla ação, ferro fundido, o alto-forno, a arada de ferro, semeadeiras multi-tubos, o carrinho de
mão, aponte suspensa, o ventilador giratório, o paraquedas, gás natural como combustível, a hélice, a besta, o
foguete de múltiplos estágios, o arreio, assim como contribuições na lógica, astronomia, medicina, e outros
campos.
Entretanto, fatores culturais impediram esses avanços chineses de se desenvolverem no que nós chamamos de
"ciência moderna".
Ciência na Idade Média
Ciência no mundo islâmico
Os físicos muçulmanos colocaram mais ênfase em experimentos do que os gregos. Isso levou ao
desenvolvimento de um método científico inicial no mundo muçulmano, no qual o progresso foi feito na
metodologia, começando com os experimentos de Ibn al-Haytham (Alhazen) na ótica nos anos 1000, em
seu Book of Optics.
O desenvolvimento mais importante do método científico foi no uso de experimentos para distinguir
entre um conjunto de teorias científicas concorrentes geralmente com uma orientação empírica. Ibn al-
Haytham é também considerado como o pai da ótica.
O grande desenvolvimento árabe sofre uma profunda interrupção a partir do século XIII e o período de
obscuridade intelectual se estende até o século XIX. E quanto ao século XX, há uma única exceção que é
a Turquia, "que, por isso mesmo, teve de aproximar-se do Ocidente".
Ciência na Europa Medieval
A educação e o aparecimento da ciência na Europa dependeu de dois fatos importantes: - No século
VIII o surgimento das escolas que eram monacais (anexas a uma Abadia), episcopais(anexas as catedrais)
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e palatinas (anexas a corte). Essa última no final do século VIII foi bastante significativa, pois nela o ensino
era público e se ensinava as sete artes liberais: o trívio (gramática,retórica e dialética) e o quadrívio
(aritmética, geometria, astronomia e música).
- No século XII a Igreja Católica criou a Universidade e no século XIII elas se espalham pela Europa. A união
da filosofia greco-romana com as Universidades européias a partir de um novo espírito mais voltado
para experiência iniciará a ascensão intelectual da Europa.
Inicialmente em Oxford, mas depois também em Paris e no resto da Europa, as concepções cientificas
de Aristóteles foram submetidas a severa critica.
27
Essas duas Universidades passaram a criticar a ciência
antiga representada por Aristóteles, com relação a sua distinção entre mundo supra-lunar e mundo sub-lunar,
sua metodologia apenas formal e não empirica, sua concepção geocentrica do cosmo e com a teoria do
impetus explicaram de maneira diferente o movimento dos corpos. Expoentes dessa nova forma de pensar
são Robert Grosseteste, Roger Bacon, os membros do Calculadores de Merton College, Jean Buridan e Nicole
Oresme.
Por isso, o historiador da ciência Thomas Kuhn afirma que a mudança de paradigma que possibilitou
a revolução científica não se deu no Renascimento, mas na própria Idade Média: "o que parece estar envolvido
aqui é a exploração por parte de um gênio das possibilidades abertas por uma alteração do paradigma
medieval. Galileu não recebeu uma formação totalmente aristotélica. Ao contrário, foi treinado para analisar o
movimento em termos da teoria do impetus (...). Jean Buridan e Nicole Oresme, escolásticos do século XIV,
que deram à teoria do impetus as suas formulações mais perfeitas, foram, ao que se sabe, os primeiros a ver
nos movimentos oscilatórios algo do que Galileu veria mais tarde nesses fenômenos.”
Oficialmente a ciência tal qual a conhecemos começa com Galileu, pois seu método é o de geometrizar
a natureza. Ciência não é apenas técnica, não é apenas experiência, mas é segundo o método de Galileu: é
matematizar a experiência. Os livros de história da filosofia e história da ciência são unânimes em atribuir a
sua pessoa a honra de ser o pai da ciência moderna. Entretanto, é muito significativo que Thomas
Kuhn considere que a escolástica seja precursora do moderno método cientifico.
A Ciência no Renascimento
O Renascimento mudou a nossa visão do cosmo e permitiu uma explosão artística, mas a ideia de que
esse movimento forneceu as bases para a revolução científica foi duramente criticada pelos historiadores da
ciência do século XX. Com efeito, Alexandre Koyré afirma: “todos sabemos, sobretudo nos dias atuais, que a
inspiração do Renascimento não foi uma inspiração científica.”
Isso se deu pela forte influência do hermetismo no Renascimento: “[a magia] Circulou mais ou menos
ocultamente durantea Idade Média e voltou a agir às claras durante o Renascimento”. O historiador da
filosofia Giovanni Reale afirma que o pensamento mágico-hermético embasará em graus de influencia variado
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Grosseteste
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os pensadores renascentistas: “Portanto, sem o Corpus Hermeticum não é possível entender o pensamento
renascentista.”
Por causa disso Koyré não poupa de criticas o Renascimento: "sabemos também – e isto é muito
importante – que a época do Renascimento foi uma das épocas menos dotadas de espírito crítico que o mundo
conheceu. Trata-se da época da mais grosseira e mais profunda superstição, da época em que a crença
na magia e na feitiçaria se expandiu de modo prodigioso, infinitamente mais do que na Idade Média."
Essa relação estrutural entre filosofia e magia no Renascimento segundo Koyré só será superado por Galileu
Galilei: "Com Galileu, saímos segura e definitivamente dessa época (o Renascimento). Galileu não tem nada
do que a caracteriza. Ele é antimágico no mais elevado grau." Se bem que sabemos que Galileu também fazia
alguns horóscopos, mas de fato a magia está fora de seu método científico.
Ciência Moderna
Galileu Galilei (1564 – 1642) é o fundador da ciência moderna e o teórico do método científico e da
autonomia da pesquisa científica.
O método científico de Galileu está contido especialmente em duas obras: “O ensaiador”, que dedicou
a seu admirador e amigo o papa Urbano VIII, publicado em 1623. E, nos “Discursos e demonstrações
matemáticas sobre duas novas ciências”, de 1638.
A física de Aristóteles tem um sentido diferente do que entendemos ser física. Nós temos o sentido
dado por Galileu, isto é, entendida quantitativamente que pode ser mensurável e traduzida em leis
matemáticas. Enquanto, para Aristóteles a física é qualitativa e teórica.
A idéia central do método cientifico moderno de Galileu pode ser resumida nessa passagem de sua
obra:
"A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o
universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está
escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras
geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles nós vagamos
perdidos dentro de um obscuro labirinto."
A partir de Galileu, a ciência não busca mais a essência ou a substância das coisas, mas sim a função.
A pergunta não é mais “o que é?”; mas “como é?”. Nas universidades medievais o estudo da natureza tinha
uma abordagem diferente da de Aristóteles: a ciência ainda era mais especulativa do que experimental, mas já
havia a união entre teoria e prática mesmo que não fosse algo comum. Entretanto, com Galileu tem-se o
método claro, objetivo e explicito: para a ciência dar resultados é necessário geometrizar a natureza.
A Revolução Científica estabeleceu a ciência como a origem de todo o crescimento do
conhecimento. Durante o século XIX, a prática da ciência se tornou profissional e institucionalizada em modos
que continuaram a ser usados no século XX. A história da ciência é marcada por uma cadeia de avanços
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_Hermeticum
http://pt.wikipedia.org/wiki/Magia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Feiti%C3%A7aria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Magia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei
http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Urbano_VIII
http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%ADsica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles
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http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XX
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na tecnologia e no conhecimento que sempre complementaram um ao outro. Inovações tecnológicas trouxeram
novas descobertas e levam a ainda outras descobertas por inspirar novas possibilidades e aproximações em
questões científicas antigas.
A Nova Ciência ou Pós-Moderna
O que é a ciência? A ciência caracteriza-se como explicação racional de fenômenos, com vista à
resolução dos problemas que nos afligem. No entanto, o seu papel, e a sua tomada de posição perante os
diversos assuntos que agitam a sociedade, têm variado de época para época. Atualmente, estes parâmetros da
ciência ainda não estão completamente definidos. Este fato deve-se à crise que abalou a comunidade
científica há cerca de meio século, criando a difícil transição daquela que era a Ciência Moderna para a atual
e ainda pouco definida Nova Ciência.
Da Antiguidade até ao séc. XVII (aproximadamente), a ciência e a filosofia formavam um todo (a
ciência tinha, até, o nome de filosofia natural), muito controlado pela religião. O cristianismo limitava as
investigações e, conseqüentemente, todo o progresso da ciência. Contudo, o aparecimento da astronomia e
física modernas fazem diminuir progressivamente o