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25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 1 ___________________________________________________________________________________________________ 1 DEFINIÇÃO DE CANAL 2 1.1 CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS CANAIS ........................................................................................... 2 1.2 ELEMENTOS GEOMÉTRICOS .............................................................................................................................. 6 1.3 DISTRIBUIÇÃO DAS VELOCIDADES NOS CANAIS ................................................................................................ 8 2 REGIME PERMANENTE E UNIFORME (RPU). 9 2.1 CONDIÇÕES DE MOVIMENTO UNIFORME ........................................................................................................... 9 2.2 EQUAÇÕES DE PERDA DE CARGA PARA CANAIS EM REGIME PERMANENTE E UNIFORME ................................ 10 2.2.1 Equação de Chézy (1775). 11 2.2.2 Equação de Bazin (1865) 12 2.2.3 Equação de Manning (1889) 13 2.3 CÁLCULO DE CANAIS EM REGIME PERMANENTE E UNIFORME. ...................................................................... 13 2.4 ENERGIA ESPECÍFICA ..................................................................................................................................... 15 2.4.1 Conceito 15 2.4.2 Variações da energia específica para uma determinada vazão 16 2.4.3 Cálculo da profundidade crítica 17 2.5 CONTROLE DO ESCOAMENTO ......................................................................................................................... 18 3 REGIME PERMANENTE BRUSCAMENTE VARIADO 18 3.1 GENERALIDADES ............................................................................................................................................ 18 3.2 FORÇA ESPECÍFICA ......................................................................................................................................... 18 3.3 RESSALTO HIDRÁULICO ................................................................................................................................. 20 3.3.1 . Cálculo das alturas conjugadas 21 3.3.2 . Perda de carga no ressalto 21 3.3.3 Localização do ressalto 21 3.3.4 . Comprimento do ressalto 21 4 REGIME PERMANENTE GRADUALMENTE VARIADO 22 4.1 EQUAÇÃO DIFERENCIAL DO REGIME PERMANENTE GRADUALMENTE VARIADO ............................................ 22 4.2 CLASSIFICAÇÃO DAS CURVAS DE REMANSO ................................................................................................... 22 4.2.1 Perfis tipo M (I hc) 24 4.2.2 Perfis tipo S (I>Ic ; hnde viscosidade cinemático. Para o regime ordenado, chamado de regime laminar, pode-se estabelecer um valor mínimo abaixo do qual as forças viscosas são preponderantes. Este valor não é um valor exato, mas sim uma aproximação, mais ou menos 500~R . 1 Na maior parte dos casos este parâmetro de controle é a altura da lâmina de água, porém, em geometrias circulares cilíndricas ou parabólicas, pode-se descrever em relação a um ângulo contado a partir do centro ou foco da figura. 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 4 ___________________________________________________________________________________________________ Por outro lado, o regime desordenado, chamado de regime turbulento, pode aparecer quando o número de Reynolds do escoamento excede um determinado valor, o qual também é relativo e em torno de 2000~R . Entre estes dois valores tem-se uma região de indefinição, denominada de regime de transição ( 2000500 R ), no qual não há perfeita definição entre um e outro regime. Os escoamentos em canais são geralmente turbulentos, porém no caso do início do escoamento provocado pela chuva têm-se escoamentos laminares, fazendo com que, para estudos de erosão em solos agrícolas, esta diferenciação deve ser considerada. A importância da separação dos dois tipos de escoamento, neste caso, não é meramente didática, uma vez que, geralmente, as equações que definem a perda de energia em canais foram deduzidas para escoamentos turbulentos rugosos, tornando-as completamente inadequadas para casos de escoamentos laminares. d) Classificação quanto à relação entre forças de inércia e gravitacional. Como o movimento do líquido em um canal é regido principalmente por forças gravitacionais, a relação destas com as forças de inércia, qualificarão o escoamento. O número adimensional gerado pela relação de forças de inércia com forças gravitacionais é denominado número de Froude, tendo sua expressão dada pela equação: gh V =F onde g = aceleração da gravidade local. Os limites entre regimes de escoamento regidos principalmente por uma ou por outra força é dado por: * escoamento lento, fluvial ou sub-crítico quando F 1; as forças de inércia são preponderantes. * escoamento crítico, quando F 1. A existência de escoamento laminar ou turbulento independe do escoamento ser lento ou rápido. Assim sendo, qualquer combinação de regime pode ocorrer, produzindo quatro situações distintas de escoamentos: lento – laminar; lento – turbulento; rápido - laminar; rápido – turbulento, conforme representado na figura 2. Figura 2. Regimes de escoamento 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 5 ___________________________________________________________________________________________________ e) Classificação quanto à permanência no tempo e no espaço Os escoamentos podem ser analisados quanto à variação de suas propriedades em relação ao tempo e ao espaço. Quanto à variação das propriedades em relação ao tempo, os escoamentos classificam-se em permanentes e não-permanentes. Um escoamento permanente é aquele em que não há variação de qualquer uma de suas propriedades com o tempo. Sendo uma propriedade qualquer do escoamento, como por exemplo, a profundidade, temos que num escoamento permanente, 0 t = Um escoamento não-permanente é aquele em que há variação de suas propriedades com o tempo. Assim, 0 t Quanto à variação das propriedades em função do espaço, os escoamentos classificam-se em uniformes e variados. Um escoamento é dito uniforme quando não há variação de suas propriedades ao longo de um trecho do canal. Um escoamento é variado quando suas propriedades variam ao longo do espaço. uniformeescoamento0 t h = iadoescoamento0 t h var Um regime variado pode ainda ser classificado em função do grau de intensidade da variação espacial da propriedade, se a variação for lenta, de tal forma que a curvatura das linhas de corrente médias seja pequena, tem-se um escoamento gradualmente variado, ou seja, denominando h a altura média do escoamento, pode-se expressar um regime gradualmente variado por: 1 s h Por outro lado define-se escoamento bruscamente variado quando as propriedades variam de tal forma que as trajetórias médias não são paralelas entre si. Este tipo de escoamento, talvez não devesse ser tratado junto com o estudo em canais, pois, nenhuma das leis definidas em canais uniformes ou gradualmente variados, serão válidas para os mesmos. No ressalto hidráulico, exemplo típico de escoamento bruscamente variado, as leis de perda de carga em canais, ou a própria hipótese de distribuição hidrostática de pressões, não são respeitadas. Também no caso de escoamento sobre soleiras (vertedores) estas hipóteses não são respeitadas. Estes escoamentos são tratados junto com canais pois, rigorosamente falando em termos de definição, este tipo de escoamento respeita o pré- requisito básico de ter uma superfície livre, entretanto isto não faz com que sigam as mesmas características dos outros escoamentos. f) Classificação quanto aos tipos de fundo O fundo de um canal pode ser fixo ou móvel. O canal tem fundo fixo quando o fundo do canal e suas paredes não se modificam sob a ação do escoamento. O canal é de fundo móvel quando o material que constitui o leito e/ou os taludes são movimentados pelo escoamento, isto é, ocorre deformação do meio, provocando mudanças na rugosidade do canal e induzindo um transporte de sedimentos. As modificações do leito do canal podem assumir diferentes configurações (figura 3) e, em trechos do canal, pode haver processos de erosão e/ou deposição no leito ou nas margens. 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 6 ___________________________________________________________________________________________________ a) Fundo Liso c) Dunas f) Antidunas estacionárias e) Fundo plano com transporte de sedimentos b) Ondulações g) Antidunas com arrebentação h) “Chutes” e “ pools” d) Transição Regime Lento F 1 Figura 3. Configurações do leito de um canal de fundo móvel g) Classificação quanto à estratificação. Quando num canal houver a presença notável de variação de massa específica devido a temperatura, salinidade ou concentração de sedimentos, deverá ser considerada a estratificação deste escoamento. A estratificação de um escoamento deve ser levada em conta pois esta é um fator de inibição de mistura (mistura de massa e/ou de quantidade de movimento), causando uma diferenciação de comportamentos de camadas, desde que esta estratificação seja notável. Para quantificar o grau de estratificação de um escoamento define-se o número de Richardson ( Ri ), ou seja: = 2 y u y gRi e o escoamento pode ser classificado segundo a variação de sua densidade em: estratificado : Ri alto, a densidade variável homogêneo : Ri baixo, a densidade é constante 1.2 Elementos geométricos Na figura 4 estão definidos os principais elementos geométricos que devem ser considerados para a definição da forma dos canais, bem como a representação geométrica da energia em duas seções transversais distantes de um comprimento L. A partir da figura 4, definem-se os seguintes elementos geométricos: a) Profundidade: distância medida perpendicularmente ao fundo, entre o ponto mais profundo da seção e a superfície líquida. Em canais com pequenas declividades (ILargura (B): largura da seção transversal medida junto à superfície livre da água. Também chamada de largura da “boca” do canal. c) Área molhada ou, simplesmente, Área (AM ou A): área da seção transversal normal à direção do escoamento. Ela não deve ser confundida com a área da seção do canal, uma vez que quantifica a área na qual há escoamento, ou seja, a parcela de área da seção que se encontra em contato com a água. d) Perímetro molhado (PM): é comprimento da linha que delimita a interface entre o fluido e as paredes do canal, ou seja, é a medida do contorno das paredes do canal que se encontra em contato com a água . e) Raio Hidráulico (RH): é a relação entre a área molhada e o perímetro molhado. M H P A R = f) Altura Média (hM) : razão entre a área e a largura da boca do canal, resultando na altura que teria a lâmina de água se o canal fosse um canal retangular com a mesmas área e largura do canal em questão. B A hm = Na tabela 1 estão relacionadas as características geométricas das principais formas geométricas adotadas para projeto de canais. Cada uma das formas da tabela 1 são características de aplicações ou condições de canal, por exemplo, a forma retangular é adotada em canais revestidos e em canais escavados em material resistente, a forma trapezoidal é adequada tanto para canais revestidos quanto para canais escavados em solos areno-argilosos e a forma triangular é característica de pequenos canais como por exemplo sarjetas e a forma circular é muito empregada em sistemas de esgoto e sistemas de drenagem urbana. 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 8 ___________________________________________________________________________________________________ Forma do canal Área (A) Perímetro Molhado (PM) Raio hidráulico(RH) Altura média (hm) h b bh h2b+ h2b bh + h h 1 m b B ( )hmhb+ 2m1h2b ++ ( ) 2m1h2b hmhb ++ + ( ) B hmhb+ h 1 m B 2mh 2m1h2 + 2m12 mh + 2 h D h B ( ) 2Dsen 8 1 − D 2 1 D sen 1 4 1 − ( ) D 2sen8 sen − Tabela 1. Características geométricas de algumas seções de canais. Relações complementares para canal circular: 2 senDB = −= 2 cos1 2 D h −= D h2 1cosarc2 1.3 Distribuição das velocidades nos canais Nos canais, o cisalhamento entre a superfície livre e o ar, bem como a resistência oferecida pelas paredes e pelo fundo causam diferenças de velocidades ao longo da seção, as quais originam os perfis de velocidade. A determinação das várias velocidades em diferentes pontos de uma seção transversal é feita através de medições. A velocidade máxima será encontrada na vertical VV' no centro da seção transversal e num ponto abaixo da superfície livre. As curvas que unem pontos de igual velocidade são chamadas de isótacas. Figura 5. Distribuição da velocidade na seção transversal A velocidade máxima, numa vertical da seção transversal, aparece entre os valores 0,05y e 0,25y, sendo y a profundidade. Pode-se admitir que a velocidade média, a qual é utilizada para o cálculo da vazão, é a média das velocidades à profundidade 0,20y e 0,80y ,ou seja, é a velocidade medida à profundidade 0,6y. 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 9 ___________________________________________________________________________________________________ Figura 6. Perfil de velocidades em uma vertical da seção transversal 2 Regime Permanente e Uniforme (RPU). Um canal escoa em regime permanente e uniforme quando suas propriedades forem invariantes no tempo e no espaço. Para que isso ocorra, na prática, é necessário que todas as influências das condições de ingresso e de saída, que alteram o escoamento, sejam eliminadas. Para tanto se define um canal longo, ou seja, um canal em que as condições de contorno de montante e de jusante não influenciam a região em estudo. Num canal longo, a altura e a velocidade média serão invariantes ao longo do seu desenvolvimento. Assim, a linha de energia (linha formada pela soma da taquicarga com a altura da lâmina de água em relação ao fundo) terá a mesma declividade do que a do fundo. regime não uniforme Regime não uniforme Regime uniforme h=constante L Figura 7. Condição existência de um canal longo 2.1 Condições de movimento uniforme Para que um canal seja considerado como longo, além de um comprimento mínimo para que as condições de entrada e saída não alterem o escoamento, devem ser satisfeitas algumas condições: a) o canal deve ser uniforme, ou seja, o canal precisa ter as dimensões constantes, ter a mesma rugosidade e mesma inclinação; b) o canal deverá receber uma vazão constante e suas condições de contorno não deverão variar com o tempo c) a distribuição de pressões do escoamento deve ser hidrostática, o que impõe a inexistência de curvaturas acentuadas. Como conseqüência das condições (a) e (b) pode-se agregar as seguintes condições: 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 10 ___________________________________________________________________________________________________ d) a área, a altura do escoamento e a velocidade também serão constantes; e) a linha de energia do escoamento, linha de superfície livre e a linha geratriz do fundo só podem ser paralelas . Desta forma, tem-se que a declividade da linha de energia IE é igual à declividade do fundo I0. Sendo a perda de carga constante (canais em regime permanente e uniforme), a linha de energia será paralela ao fundo do canal. Desta forma, a declividade da linha de energia (J ou IE) é igual à declividade do fundo (I0). L hp Iou J e IIou JI EE00 === O cuidado que deve ser tomado no uso da equação anterior é que, para declividades muito fortes, o valor do comprimento do canal L não é igual ao seu desenvolvimento em um plano horizontal. Assim, ao se utilizar, impropriamente, o desenvolvimento de um canal num plano horizontal (x) no local de seu comprimento (L) erra-se no cálculo da declividade da linha de energia ( xL ). A figura 64 mostra a diferença entre estes dois tipos de canais. É importante notar que, para cálculo da perda de carga deverá ser utilizada a altura h, medida normalmente a superfície, a qual, no caso de canais de fraca declividade, se confunde com a diferença de cotas entre o fundo e a superfície (Z). h1 Z1 Z2 h2 V1 2 2g V2 2 2g V1 2 2g V2 2 2g Linha de energia A B A9. Esquema de forças que atuam sobre o volume de controle Para que o regime seja uniforme, necessariamente a área da seção transversal e a altura são constantes, desta forma os empuxos E1 e E2 são os mesmos, equilibrando-se e não contribuindo para o movimento. Também devido a invariabilidade da área o empuxo lateral ELateral é normal ao movimento, não contribuindo para o mesmo. Sobrando somente a componente da força peso na direção do escoamento, e a tenção de cisalhamento junto às paredes, tem-se da segunda lei de Newton 0FFF 0F 0XWx x =−= = Sabendo que a tensão de cisalhamento é dada pelo produto de 0 pela área lateral (PM.L), tem- se substituindo esta e a força peso na direção do escoamento: 0L.P.sen.L.A.g.F 0F M0x x =−= = Como seno de pode ser substituído por Z/L, e para pequenos ângulos (canais artificiais. Para a solução dos problemas tipo (iv) e (v) são necessárias rotinas iterativas (problema tipo iv) e considerações econômicas (problema tipo v). 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 15 ___________________________________________________________________________________________________ Como a sistemática de cálculo praticamente independe da equação de perda escolhida3, só serão desenvolvidas soluções para as equações de Chézy e Manning. • Cálculo da vazão Das equações de Chèzy e de Manning associadas à equação da continuidade, tem-se: 21 0 32 H 0H I.R. n A Q IRA.CQ = = porém, tanto a área como o raio hidráulico podem ser expressos em função da altura da lâmina de água, que é um dado, logo para canais trapezoidais isósceles, retangulares e trapezoidais, a equação fica rescrita da seguinte forma: ( ) ( ) ( ) ( ) 21 0 32 2 21 0 21 2 I m1h2b hmhb n hmhb Qou I m1h2b hmhb hmhbCQ ++ ++ = ++ + += Caso o canal for retangular, 0m = e caso for triangular, 0b = . Para canais circulares cilíndricos, colocando a área e o raio hidráulico em função do diâmetro e ângulo central, tem-se: ( ) ( ) 21 0 322 0 2 ID sen 1 4 1 n.8 Dsen Qou sen 1 4 I.D sen 8 D.C Q − − = −−= • Cálculo da altura da lâmina de água. Para este tipo de problema, tem-se uma complicação adicional, tanto a área como o raio hidráulico são funções da altura, logo adotar-se-á um processo iterativo para o cálculo. Diversos métodos podem ser utilizados, com o uso da equação de Manning, propõe-se as seguintes expressões para a determinação da altura da lâmina de água. ( ) 4,0 n 6,1 6,0 0 4,0n1n n 4,0 2 n 6,0 0 1n D I nQ 2 8 senou mhb m1h2b I nQ h += + ++ = − ++ Estas expressões são rapidamente convergentes, desde que a altura da lâmina de água num conduto circular cilíndrico não supere aproximadamente 94% do diâmetro, quando a solução não é mais única. Esta limitação não é somente da expressão de em função da altura, ela também deve ser tomada como limite prático de dimensionamento, pois acima deste valor qualquer perturbação no escoamento induzirá a presença de oscilações altamente indesejáveis em canais de seção circular. 2.4 Energia Específica 2.4.1 Conceito Define-se energia específica como sendo a energia do escoamento numa dada seção transversal quando se toma como plano de referência o fundo do canal. Este conceito foi apresentado por Bakhmeteff em 1912. Para obter-se a expressão da energia específica, usa-se a equação de Bernoulli, que dá a energia num ponto (1) do escoamento : 3 Excetuando o uso de fórmulas semi empíricas, que necessitarão de passos intermediário no cálculo para determinação do fator de perda de carga. 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 16 ___________________________________________________________________________________________________ g2 vp zE 2 11 11 + += Figura 11. Vista longitudinal de um canal Para obter-se a expressão da energia específica usa-se a equação de Bernoulli, que dá a energia num ponto (1) do escoamento : g2 vp zE 2 11 11 + += Para canais de baixa declividade é aceita a distribuição hidrostática de pressões, donde: = 11 yp que substituída na equação de Bernoulli resulta: g2 v yzE 2 1 111 ++= Mas como podemos ver na figura 11, a energia potencial é igual à profundidade no canal (h) para canais de pequena declividade. Assim, g2 v hE 2 1 11 += e, aplicando-se o mesmo raciocínio a outro ponto (2) tem-se: g2 v hE 2 2 22 += Como para o ponto 2 a equação (2) fica idêntica, pode-se generalizar para qualquer ponto da seção transversal: g2 v hE 2 += 2.4.2 Variações da energia específica para uma determinada vazão Quando o regime de escoamento é permanente, a vazão é constante e a variação da energia específica fica função somente da altura da lâmina de água, pois a velocidade se torna também uma função da altura. Ao plotar o gráfico da energia específica pela profundidade, para uma certa vazão (Figura 68), pode-se notar que há um ponto para o qual o valor de energia específica é mínimo. A profundidade para a qual a energia específica é mínima é chamada de profundidade crítica. Pela análise figura 12, podemos separar o escoamento em dois tipos: 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 17 ___________________________________________________________________________________________________ - escoamento rápido : é o ramo AC do gráfico, no qual a curva aproxima-se assintóticamente do eixo E (h=0). - escoamento lento : é o ramo AB do gráfico, no qual a curva aproxima-se assintóticamente da reta h=E. Também é possível notar que para pontos no eixo da energia específica superiores a A, existem duas profundidades para as quais o valor de energia específica é igual, uma no regime rápido de escoamento e outra no regime lento de escoamento. Estas profundidades são conhecidas como profundidades recíprocas. Energia Específica E (m) h(m) A C B Emin hcrit Figura 12. Gráfico da profundidade em função da energia específica num canal 2.4.3 Cálculo da profundidade crítica Para calcularmos a profundidade crítica precisamos saber o ponto de energia específica mínima, o qual pode ser calculado através da primeira derivada da expressão da energia específica, uma vez que este ponto é um ponto de mínimo. g2 AQ hE 22 − += e dh dA g2 AQ 21 dh dE 32 − −= Para que o ponto seja um ponto de mínimo, a derivada é igual a zero: 2 3 Q gA dh dA = Para o caso de um canal retangular a derivada da área em relação a altura é simples, resultando que a profundidade crítica é dada pela equação: 1 gA BQ 3 2 = 3 2 3 2 2 c g q gB Q h == onde q é a vazão por unidade de largura do canal. Para o caso de um canal trapezoidal e circular as equações resultantes são de difícil resolução. As profundidades críticas nestes casos são dadas por equações iterativas: 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 18 ___________________________________________________________________________________________________ ( ) i i 1i c 3 1 c 3 1 2 c hmb hm2b g Q h + + = + 3 53 1 i 3 1 2 i1i D 2 sen g Q 8sen − + += 2.5 Controle do escoamento Em um canal com um fluido em repouso, pequenas perturbações, como por exemplo a queda de um pequeno objeto, se propagam sob a forma de ondas em circunferências concêntricas, com uma velocidade constante chamada celeridade. Quando há movimento, essas ‘circunferências’ são arrastadas pelo escoamento, isto é, o centro das circunferências não será mais o local onde houve a perturbação e sim um ponto a jusante do mesmo e seus efeitos dependerão da relação entre a celeridade e a velocidade do escoamento. Considerando que a celeridade (velocidade da onda de perturbação) seja igual à velocidade do escoamento em regime crítico, podemos separar as condições de escoamento em regime lento e em regime rápido: - regime rápido ( > 1): a velocidade do escoamento é maior que a celeridade, fazendo com que as perturbações não alcancem nenhum ponto a montante do local onde houve a perturbação inicial, isto é, as perturbações só ocorreram a jusante do ponto inicial. - regime lento (como as perturbações se propagam em um canal. Portanto em um escoamento rápido o controle é feito a montante pois todas as modificações que o controle impuser só serão notadas a jusante, enquanto no regime lento o controle pode ser feito a montante como a jusante. 3 Regime Permanente Bruscamente Variado 3.1 Generalidades Esse regime acontece normalmente junto a singularidades nos canais, as quais fazem com que o escoamento mude bruscamente (isto é, em uma curta distância) suas características. O regime bruscamente variado pode ser classificado em: - Ressalto hidráulico : mudança do regime rápido para o lento com grande perda de energia. - Escoamentos rapidamente variados em trechos curtos, ocasionados por mudanças bruscas de declividade ou forma da seção (alargamento ou estreitamento), mas sem grandes perdas de energia. 3.2 Força Específica Os escoamentos bruscamente variados são equacionados a partir da análise da conservação da quantidade de movimento do escoamento, a qual irá gerar o conceito de força específica, parâmetro que definirá como o ressalto hidráulico irá se desenvolver. 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 19 ___________________________________________________________________________________________________ A determinação da força específica de um escoamento baseia-se na aplicação do princípio de conservação da quantidade de movimento a um volume de controle, conforme já visto no item 7. ( )12 VVQF −= (O somatório de todas as forças dinâmicas que agem no escoamento é igual à variação da quantidade de movimento do escoamento). Entretanto o membro esquerdo da equação anterior, é igual ao somatório das forças que agem sobre o sistema, sendo que essas forças podem ser subdividas em: - forças de empuxo: são as forças ocasionadas pelos empuxos nas seções 1 e 2, que somados dá o empuxo total na direção x ( ) ( )22G21G1 AhEeAhE 1 == ( )2G1Gx AhAhE 21 −= - força peso: como o canal é horizontal, a força peso não é considerada pois não apresenta componente na direção do escoamento. - força de cisalhamento (superfície): resultante da ação da parede sólida contra o fluido do volume de controle. Como normalmente o volume de controle escolhido é pequeno o valor dessa força pode ser desprezado pois é muito pequeno. O somatório de todas essas forças é igual a variação da quantidade de movimento na direção x. ( )12x vvQF −= ( ) ( )122G1G vvQAhAh 21 −=− 1G12G2 AhvQAhvQ 12 +=+ Dividindo a equação anterior pelo peso específico (=g) da água, obtém-se: 1G 1 2G 2 Ah g vQ Ah g vQ 12 +=+ Assim, a Força Especifica (FE) do escoamento é definida como sendo: Ah g vQ FE G+= Representando graficamente a variação da força específica, para dada uma vazão e em uma seção do escoamento, em função da altura (figura 13), pode-se concluir que: - existe um ponto de mínimo que coincide com a altura crítica. - há dois ramos : um que tende ao eixo x e outro que após a altura crítica desenvolve-se para a direita infinitamente. - para uma determinada força específica existem duas alturas possíveis, que são chamadas de alturas conjugadas, uma em regime rápido de escoamento (dR) e outra em regime lento de escoamento(dL). 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 20 ___________________________________________________________________________________________________ Força Específica Força específica (m) h ( m ) F dL dR Figura 13. Gráfico da força específica em função da altura 3.3 Ressalto Hidráulico Ressalto hidráulico é um fenômeno de regime bruscamente variado que consiste na passagem do regime rápido para o regime lento. Ele ocorre geralmente num curto espaço e com grande perda de energia do escoamento. O ressalto hidráulico é muitas vezes projetado para ocorrer em locais onde se faz necessária uma grande perda de energia, como, por exemplo, nas bacias de dissipação localizadas após os vertedores em barragens. hc V 2 /2g hp d2 d1 V 2 /2g Figura 14. Ressalto hidráulico Os ressaltos são classificados em função do número de Froude, avaliado na entrada do ressalto hidráulico, como: - Ondulado : 1 9 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 21 ___________________________________________________________________________________________________ 3.3.1 . Cálculo das alturas conjugadas O cálculo das alturas conjugadas em um ressalto depende das condições de contorno no canal, ou seja, das condições de montante e jusante. O ressalto hidráulico estabiliza quando a força específica na entrada do ressalto hidráulico é igual à força específica avaliada na seção de saída do ressalto. Assim, igualando estas forças específicas e isolando as profundidades na entrada e na saída do ressalto, obtemos as chamadas de profundidades conjugadas. 11G 1 11G 1 21 Ah g VQ Ah g VQ FEFE +=+ = Em um canal retangular, fazendo A=Bh, hG=h/2 e V=Q/A, temos: 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 hB 2 h g V hB V hB 2 h g V hB V +=+ 2 hB ghB V 2 hB ghB V 2 2 2 2 2 2 1 1 2 1 +=+ isolando as profundidades h1 e h2 e chamando-as dR e dL, profundidades rápida (na entrada) e lenta (na saída) do ressalto hidráulico, temos, enfim: ( ) ++−= 2 R R L 811 2 d d ( ) ++−= 2 L L R 811 2 d d onde é o número de Froude correspondente à profundidade conjugada rápida (R) ou lenta (L). 3.3.2 . Perda de carga no ressalto A perda de carga no ressalto pode ser calculada a partir da equação de Bernoulli aplicada às seções localizadas antes e depois do ressalto hidráulico, nas quais as profundidades são as profundidades conjugadas dR e dL. hp g2 V dz g2 V dz 2 L LL 2 R RR +++=++ Para um canal com fundo horizontal a equação fica simplificada: g2 VV ddh 2 L 2 R LRp − +−= Podemos também calcular a potência dissipada no ressalto: phQP = 3.3.3 Localização do ressalto Só poderá ser determinada após o estudo do regime gradualmente variado. 3.3.4 . Comprimento do ressalto O comprimento do ressalto é calculado por fórmulas empíricas obtidas por diferentes pesquisadores: 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 22 ___________________________________________________________________________________________________ -SMETANA: L = 6 (dL – dR) - WOYCIKI: ( )RL R L dd d d 05,08L − −= - SAFFRANEZ: L = 4,5 dL 4 Regime Permanente Gradualmente Variado No regime permanente gradualmente variado as profundidades variam lentamente ao longo do escoamento fazendo com que todas as outras propriedades também variem gradualmente. A determinação dessa variação e a sua localização é o principal objetivo no estudo desse regime, que geralmente é chamado de remanso. h h + dhds g2 V2 h dx Plano de Referência + g2 V d g2 V 22 hp = J.ds z + dz I0.ds Figura 15. Representação do Remanso 4.1 Equação diferencial do Regime Permanente Gradualmente Variado Aplicando-se a equação de Bernoulli entre duas seções do escoamento distantes de uma distância ds, conforme mostradas na figura 71 e isolando a variação da profundidade, obtém-se a equação que define a posição da linha de água em um escoamento gradualmente variado. ds gA BV 1 II dh 2 Eo − − = Esta equação é chamada de equação diferencial do regime gradualmente variado e permite estabelecer o valor da profundidade do escoamento em diferentes seções do canal. 4.2 Classificação das curvas de remanso A classificação das curvas de remanso é feita em função da declividade do canal e em função da região de desenvolvimento do perfil da linha de água. Elas podem ainda ser classificadas em curvas 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 23 ___________________________________________________________________________________________________ascendentes (quando a profundidade cresce para jusante) ou descendentes (quando a profundidade decresce para jusante). a) Quanto à declividade do canal: - Canal de pequena declividade : I0 Ic. Estes canais são denominados de canais íngrimes e quando existe movimento uniforme no canal, este estará em regime rápido, com hn hc > hn S1 + Crescente tendendo a horizontal (ressalto => remanso) hc > h > hn S2 - Decrescente tendendo a normal Canal de declividade forte (Steep Slope) CURVAS S hc > hn hc > hn > h S3 + Crescente tendendo a normal S2 S3 S1 hc hn dy/dx= + dy/dx= - dy/dx= + h > hc = hn C1 + Crescente tendendo a horizontal Canal de declividade crítica ( Critical Slope) CURVAS C hN = hC hc = hn > h C3 + Crescente tendendo a altura crítica C1 C3 dy/dx= + dy/dx= + h c h > hn > hc M1 + Crescente tendendo a horizontal hn > h > hc M2 - Decrescente tendendo a crítica Canal de declividade fraca (Mild Slope) CURVAS M hn > hc hn > hc > h M3 + Crescente tendendo a crítica (remanso => ressalto) M2 M3 M1 dy/dx= + dy/dx= + dy/dx= - hc h n h > hc H2 - Decrescente tendendo a critica Canal de declividade nula (Horizontal Slope) CURVAS H hn não existe hc > h H3 + Crescente tendendo a crítica (remanso => ressalto) H2 H3 h c dy/dx= - dy/dx= + h > hc A2 - Decrescente tendendo a critica Canal de declividade adversa (Adverse Slope) CURVAS A hn não existe hc > h A3 + Crescente tendendo a crítica (remanso => ressalto) A2 A3 dy/dx= + dy/dx= - hc 4.2.1 Perfis tipo M (I hc) M1 : é a curva de remanso mais conhecida. Do ponto de vista prático é o perfil mais importante. Ocorre em canais longos com declividade suave nos quais a extremidade de jusante é submersa em um reservatório com profundidade maior que a profundidade normal do canal, isto é, o canal sofre um represamento. Ocorre também a montante de uma adufa que obstrua parcialmente o escoamento na vertical, causando represamento. Este perfil ocorre na zona 1, e a sua extremidade de montante é assíntota à linha da profundidade normal ( dh/ds=0 quando h=hn ). Exemplos desse tipo de perfil são perfis a montante de uma barragem num canal natural e o perfil num canal ligando dois reservatórios. 25/10/20 IPH01 102 – Hidráulica 25 ___________________________________________________________________________________________________ M1 Figura 16. Exemplos de curvas de remanso do tipo M1 M2 : ocorre quando a extremidade de jusante tem um reservatório com profundidade menor que a profundidade normal. Se a profundidade do reservatório for menor que a crítica então se forma uma curva com um final abrupto na profundidade crítica que é denominada de queda hidráulica. Se a profundidade for maior que a crítica o perfil se formará até encontrar o nível do reservatório. Esta curva também ocorre quando existe um alargamento da seção, provocando com isso um rebaixamanto do nível. Seção de alargamento M2 M2 Figura 17. Exemplos de curvas de remanso do tipo M2 M3 : este perfil começa teoricamente a partir do fundo do canal de montante, com uma declividade muito grande, e termina com um ressalto hidráulico na extremidade de jusante. Este tipo de perfil normalmente ocorre quando um escoamento supercrítico entra num canal com declividade suave. Exemplos de perfil M3 são o escoamento sob uma comporta e o perfil após a mudança de declividade do fundo, de íngreme para suave. 4.2.2 Perfis tipo S (I>Ic ; hndo tipo H 4.2.5 Perfis tipo A ( I