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ANÁLISE DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA DA IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA DE GERAÇÃO FOTOVOLTAICA PARA MÚLTIPLAS UNIDADES CONSUMIDORAS ALUNA: INIRA LUISI PAIM FERREIRA ORIENTADORA: Msc ANTÔNIA FERREIRA DOS SANTOS CRUZ Universidade , Coordenação de Engenharia Elétrica E-mail para contato: inirapaim@yahoo.com.br RESUMO As fontes renováveis vêm se estabelecendo ao redor do mundo como alternativa sustentável para a crescente demanda energética. No Brasil, políticas de incentivo têm favorecido a autoprodução de energia favorecendo o aumento da utilização da fonte solar fotovoltaica. A nova Normativa nº687/2015 da ANEEL ampliou as possibilidades para a micro e minigeração distribuída. Conseguinte, este trabalho tem como objetivo realizar a análise de viabilidade técnica e econômica da implantação de um sistema de geração fotovoltaica compartilhada para suprir a demanda de um condomínio de veraneio situado em Imbassaí-BA. Para a elaboração do projeto foram apreciados incidência solar do local, dimensionamento do sistema, fornecedores e preços. A viabilidade econômica foi analisada através dos métodos VPL, TIR e payback descontado. O sistema apresentou-se viável sendo que a divisão do investimento e cotização da energia no sistema de geração compartilhada torna o projeto mais complexo, porém mais eficiente ao direcioná-lo à realidade demandada das unidades consumidoras participantes. Palavras-chave: Fotovoltaica, Geração Compartilhada, Geração distribuída, Normativa nº687/2015. ABSTRACT Renewable sources has been established around the world as a sustainable alternative to growing energy demand. In Brazil, incentive policies have favored the self-production of energy favoring an increase in the use of the solar photovoltaic source. The new ANEEL Normative 687/2015 extended the possibilities for distributed micro and minigeneration. Consequently, this work aims to carry out the technical and economic viability analysis of the implementation shared photovoltaic generation system to supply the demand for a residential summer resort located in Imbassaí-BA. For the elaboration of the project were evaluated local solar incidence, system sizing, suppliers and prices. Economic viability was analyzed through the VPL, TIR and discounted payback methods. The system was feasible and the division of energy investment and contribution into the shared generation system makes the project more complex, but more efficient in directing it to the demanded reality of the participating consumer units. Keywords: Photovoltaic, Shared Generation, Distributed Generation, Regulation nº687/2015. 1. INTRODUÇÃO O aumento do consumo de energia elétrica no mundo em virtude do crescimento populacional e econômico, assim como da progressiva dependência tecnológica, tem gerado preocupações com o suprimento energético no futuro, com as questões de sustentabilidade e a necessidade de diversificação da matriz energética através de fontes alternativas como a energia solar. No ano de 2015, segundo a REN21 - Renewable Energy Policy Network for the 21st mailto:inirapaim@yahoo.com.br TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA Century, 2016 as fontes renováveis representaram somente 23,7% da produção de energia elétrica mundial com destaque para a solar fotovoltaica com uma parcela de 1,2% apenas. Apesar deste baixo índice de participação na matriz energética mundial, a capacidade instalada de energias renováveis teve seu maior aumento anual registrado em 2015 com 9% a mais do que em 2014. Fatores como redução dos preços das tecnologias renováveis tornando- as mais competitivas, políticas governamentais de incentivo e melhores condições de financiamento assim como segurança energética e sustentabilidade contribuíram para o incremento de aproximadamente 147GW de capacidade instalada em energia renovável no mundo em 2015 (REN21, 2016). Segundo a REN21, 2016 do total da capacidade renovável adicional em 2015, 77% foram provenientes da energia solar fotovoltaica juntamente com a eólica que tiveram um recorde de incremento pelo segundo ano consecutivo. Além disso, a energia solar foi a fonte com maior capital aplicado em 2015 ficando com mais de 56% dos novos investimentos que foram realizados no setor de geração. No Brasil, segundo o Balanço Energético Nacional 2016, a matriz energética nacional em 2015 constituiu-se 75,5% de fontes renováveis, dentre as quais a hidráulica com 64% de participação, mesmo com um decréscimo de 3,7% em relação a 2014, e a energia solar que apesar de representar apenas 0,01% do grid interno vem expandindo sua participação principalmente em virtude do crescimento acelerado da geração distribuída no país. O número de conexões de micro e minigeração distribuída no país passou de 4 em 2012 para 9.256 ligações em abril de 2017 segundo dados da ANEEL, 2017. Esse incremento de geradores próximos às cargas fornece benefícios ao sistema elétrico como o adiamento da necessidade de expansão das redes de transmissão e distribuição, redução da quantidade de cargas no sistema elétrico melhorando assim o nível de tensão, menor impacto ambiental e diversificação da matriz energética brasileira (ANEEL, 2016). Incentivos fiscais e avanços regulatórios que facilitam a utilização da geração distribuída no país têm proporcionado maior atratividade aos consumidores visto que tal modalidade compete com as altas tarifas cobradas pelas concessionárias. Em março de 2016 entrou em vigor a Resolução Normativa – REN nº687/2015, a qual revisou a REN nº482/2012 e a seção 3.7 do Módulo 3 do PRODIST - Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional. Na atualização normativa, dentre outras inovações, foram criadas novas possibilidades para micro e minigeração como a possibilidade de geração compartilhada TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA em condomínios, em que as múltiplas unidades consumidoras participantes tem direito a uma cota da energia gerada. A ampliação das modalidades de geração é um fator que pode contribuir para o aumento de consumidores utilizando fontes alternativas como a solar fotovoltaica. A partir desse cenário, o presente artigo tem por objetivo analisar a viabilidade técnica e econômica da implantação de um sistema de geração solar fotovoltaica para múltiplas unidades consumidoras em um condomínio de veraneio, de acordo com as novas diretrizes da REN nº687/2015 da ANEEL. 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Geração fotovoltaica no Brasil e no mundo A energia solar fotovoltaica apesar de ainda representar 1,2% ou 227GW da oferta de energia mundial teve recorde de crescimento em 2015 com um incremento de 25% ou 50GW a mais na capacidade instalada em relação ao ano anterior (REN21, 2016). Segundo a IEA - Agência Internacional de Energia, 2016 a fonte solar fotovoltaica, em virtude do seu acelerado crescimento, responderá em 2050 por 11% da matriz energética mundial. A China e o Japão foram os países que mais investiram em energia fotovoltaica em 2015, respondendo com 60% da capacidade instalada adicional e de acordo com a Figura 1 os países que lideram em potência instalada fotovoltaica são China, Alemanha, Japão, EUA e Itália respondendo com 68% do total mundial dessa fonte (REN21, 2016). Figura 1 – Capacidade solar fotovoltaica global. Fonte – REN21, 2016. TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA A expansão da fonte solar a nível mundial pode estar relacionada ao contexto de conscientização ambiental referente à necessidade de produção de energia limpa e redução de emissões de dióxido de carbono (CO2), associado a visibilidade do seu potencial contribuindo para a expansão do sistema elétrico, assim como redução dos preços da sua tecnologia conforme visto na Figura2 onde mostra uma redução significativa em 8 anos de aproximadamente 80%. Figura 2 – Tendência dos custos para as diversas tecnologias. Fonte – IEA, 2016. No Brasil, a fonte solar tem crescido significativamente. Ao final de 2016 o país possuía uma potência instalada de geração solar de 51,1 MW, sendo 28,1 MW provenientes da geração distribuída, o que representa 3 vezes o valor referente a 2015. Segundo dados publicados do Ministério de Minas e Energia, 2016 a expansão acelerada da geração fotovoltaica no país pode colocar o Brasil no ranking dos 20 maiores produtores mundiais em 2018. De acordo com as estimativas do Plano Decenal de Expansão de Energia com horizonte de 2024, a geração solar que hoje representa 0,01% da matriz energética brasileira deverá atingir 4% de participação na capacidade instalada do país em 2024 com 8.300 MW sendo que destes, 1.300 MW ou 16% serão de geração distribuída. Ainda de acordo com as projeções para 2024 a geração solar no setor comercial e residencial representará 0,2% da oferta interna de energia e 1,6% do total de geração distribuída no país. Segundo dados da ANEEL o total de mais de 9.000 conexões de geração distribuída registradas até abril de 2017 totalizou aproximadamente 102.000 kW de potência instalada, sendo que 93,7% das ligações realizadas foram para a classe residencial. A energia solar destaca-se majoritariamente como a fonte mais utilizada para a micro e minigeração distribuída representando 98,9% das ligações. TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA 2.2 Energia solar fotovoltaica Energia solar fotovoltaica pode ser definida como a energia gerada pela conversão direta da radiação solar em eletricidade. Esta conversão é também chamada de efeito fotovoltaico e ocorre quando um material semicondutor dopado, que geralmente é o silício, é exposto à luz solar (CRESESB, 2006). Os materiais semicondutores caracterizam-se por possuírem uma banda de energia preenchida por elétrons (banda de valência) e uma banda de energia sem elétrons (banda de condução). Nos semicondutores a separação entre essas duas camadas de energia, conhecida como banda proibida (ou gap), possui em média uma largura de faixa de aproximadamente 1eV (elétron-volt), enquanto nos materiais isolantes a largura chega a ultrapassar 3eV (PINHO, GALDINO, 2014). A célula fotovoltaica é constituída por uma camada de silício tipo n (dopado negativamente) e outra do tipo p (dopado positivamente), pela junção pn entre elas, também chamada de região de carga especial, e pelos contatos metálicos conforme ilustrado na Figura 3. O efeito fotovoltaico irá ocorrer quando fotóns de luz solar incidirem sobre a junção pn com energia superior ao gap acelerando as cargas do campo elétrico dessa região e gerando assim uma corrente elétrica (CRESESB, 2006). Figura 3 – Estrutura física da junção pn de uma célula fotovoltaica. Fonte – SME-RS, 2014. 2.3 Caracterização do sistema fotovoltaico Os sistemas fotovoltaicos são divididos em duas categorias principais: isolados (off grid) ou conectados à rede (grid tie). Os sistemas off grid como não estão conectados à rede elétrica TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA abastecem a carga diretamente necessitando de um banco de baterias para períodos sem geração fotovoltaica. Os sistemas grid tie entregam a energia excedente produzida pelo gerador à rede de distribuição gerando créditos para posterior compensação. Essa configuração dispensa o uso de baterias, pois nos períodos em que não há geração ou o consumo é superior à produção, a rede elétrica supre a energia demandada (SME–RS, 2014; PINHO, GALDINO, 2014). O sistema fotovoltaico do projeto em questão é do tipo grid tie e constitui-se por módulo fotovoltaico, inversor de frequência grid tie e medidor bidirecional conforme Figura 4. Figura 4 – Sistema fotovoltaico conectado à rede. Fonte – GUIMARÃES, 2016 (adaptado). Os módulos fotovoltaicos, principais componentes desse sistema, são os responsáveis pela conversão da energia solar em eletricidade a partir das células fotovoltaicas, constituídas em 95% dos casos por silício cristalino (c-Si) (SME-RS, 2014). As células c-Si são encontradas na forma de silício monocristalino (m-Si) com rendimento máximo de 25,6%, silício policristalino (p-Si) com eficiência máxima de 20,8% e silício amorfo (a-Si) com rendimento de conversão em torno de 10,5% (GREEN, 2015). As células fotovoltaicas de silício geram individualmente uma tensão que varia em torno de 0,5 a 0,8V sendo necessária a associação em série e/ou paralelo dos dispositivos fotovoltaicos (células, módulos ou arranjos) para se obter níveis de corrente e tensão suficientes para a utilização desejada. As células de silício são agrupadas e encapsuladas sobre uma estrutura rígida ou flexível, para proteção mecânica e contra as intempéries, formando-se os módulos. Estes são associados eletricamente de forma a fornecer uma única saída de tensão e corrente desejada através dos arranjos (Figura 5 e Figura 6) (PINHO, GALDINO, 2014). TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA Figura 5 – Componentes de um módulo de silício. Fonte – PINHO, GALDINO, 2014. Figura 6 – Associação dos dispositivos fotovoltaicos. Fonte – GONCHOROVSKI, 2016. Na conexão em série dos dispositivos fotovoltaicos o terminal positivo de um é conectado ao terminal negativo de outro e assim por diante. Nesta configuração quando os dispositivos são submetidos à mesma irradiância, as tensões são somadas e a corrente elétrica é inalterada. Na associação em paralelo os terminais positivos e negativos dos dispositivos são interligados entre si, somando-se as correntes elétricas e permanecendo a mesma tensão (CRESESB, 2004). Os módulos fotovoltaicos constituídos de silício cristalino possuem uma vida útil de 25 anos em média com uma degradação de potência anual de 0,5 a 1%. Para esses tipos de módulos é típico que os fabricantes garantam uma potência de pico (Wp) de 90% da potência nominal durante os 10 primeiros anos de utilização e de 80% para um período de 20 a 25 anos (PINHO, GALDINO, 2014). Fatores como intensidade luminosa e temperatura das células influenciam nas características elétricas de um módulo fotovoltaico, sendo que a corrente elétrica gerada por um painel aumenta linearmente com a incidência da radiação solar, e a tensão elétrica de um módulo cai com o aquecimento das células (PINHO, GALDINO, 2014). 2.4 Inversor de Frequência Os sistemas fotovoltaicos geram tensão e corrente contínuas, fazendo-se necessária a utilização do inversor grid tie para injeção de energia na rede elétrica, assim como sua utilização efetiva pelos consumidores. Os inversores são dispositivos eletrônicos capazes de converter um sinal elétrico CC (corrente contínua) produzido pelos módulos, em sinal elétrico CA (corrente alternada) com tensão e frequência sincronizada com a rede elétrica (EPE, 2012). Os inversores de frequência grid tie devem atender as exigências da distribuidora no quesito segurança e qualidade de energia devendo possuir funções importantes como o MPPT - TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA Rastreamento de Ponto Máximo de Potência, que é um mecanismo de controle eletrônico que visa manter o sistema fotovoltaico operando na tensão correspondente à máxima potência. Os inversores devem também dispor do sistema de desconexão e isolamento para o caso de haver divergência na tensão, corrente ou frequência em níveis não aceitáveis entre o gerador e a rede elétrica. Além disso, a desconexão deve ser feita automaticamente sempre que a rede for desenergizada, por falha ou manutenção programada da distribuidora, evitando acidentes durante a manutenção da rede (proteçãoanti-ilhamento) (GONÇALVES, PEREIRA, 2008). Os inversores com saída monofásica são geralmente empregados em casos de potência de até 5kW, enquanto os trifásicos são mais comumente utilizados para conexões com potências superiores. A escolha do inversor influenciará no desempenho, confiabilidade e custo de um sistema fotovoltaico. Para se especificar um inversor devem ser observados fatores como: tensão de entrada CC e tensão de saída CA, variação de tensão aceitável, potência nominal e frequência, além das certificações e tempo de garantia desejados (PINHO, GALDINO, 2014). 2.5 Medidor Bidirecional Uma instalação elétrica com micro ou minigeração distribuída necessita de um medidor bidirecional para o funcionamento do sistema de compensação de energia, pois este equipamento permite a medição de energia em ambos os sentidos de fluxo de potência. Desta forma é realizada a mensuração líquida da energia gerada ou consumida no ponto de conexão, gerando uma fatura de débito ou crédito de energia. O medidor bidirecional pode ser substituído por dois medidores unidirecionais, um para a energia injetada e outro para a energia consumida da rede, caso seja mais viável economicamente para o consumidor. 2.6 Geração Distribuída Geração distribuída é um modelo de geração de sistema conectado à rede elétrica na qual os geradores de pequeno porte, a partir de fontes renováveis ou combustíveis fósseis, estão instalados próximos aos consumidores (ANEEL, 2016). Na micro e minigeração fotovoltaica distribuída o consumidor produz a energia total ou parcial para sua utilização, onde a conversão de energia terá três etapas: captação através do módulo fotovoltaico, conversão da corrente em alternada, e a medição do consumo de energia e da eletricidade gerada pelo sistema que foi injetada na rede elétrica (BEZERRA, 2016). TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA Dentre os benefícios da geração distribuída estão a redução de perdas por efeito joule na transmissão e distribuição de energia, principalmente nos condutores e transformadores de potência, baixo impacto ambiental, postergação de investimentos na expansão da rede elétrica e estabilidade do sistema elétrico (BEZERRA, 2016; VILELA, 2016). No âmbito regulatório, desde de 17 de abril de 2012 a geração distribuída no Brasil passou a ser regulamentada pela REN nº482/2012 da ANEEL representando um avanço para a organização dos sistemas de micro e minigeração distribuída no país. 2.7 Resolução Normativa nº482/2012 da ANEEL A REN nº482/2012 da ANEEL estabelece as condições gerais para o acesso de pequenas centrais geradoras ao sistema de distribuição de energia elétrica e cria o sistema de compensação de energia, conhecido como net metering, que possibilita ao consumidor produzir sua própria energia elétrica e injetar o excedente na rede de distribuição, por meio de empréstimo gratuito, que posteriormente será compensado através do consumo de energia elétrica ativa. A normativa também define a micro e minigeração distribuída segundo os limites de potência instalada, concede os critérios de medições de energia consumida ou fornecida à rede, define os prazos para utilização dos créditos gerados, e esclarece sobre as responsabilidades específicas do consumidor e da concessionária de energia elétrica. Como medida de redução de tempo e custo de conexão das geradoras distribuídas, além de expandir as possibilidades de geração e consequentemente o público alvo a ANEEL publicou a REN nº 687/2015 revisando REN nº482/2012 e a seção 3.7 do Módulo 3 do PRODIST. 2.8 Resolução Normativa nº687/2015 da ANEEL Segundo as novas regras, que entraram em vigor em 1º de março de 2016 com a REN nº687/2015, a microgeração distribuída passou a ser definida como sistemas que utilizem fontes renováveis ou cogeração qualificada com potência instalada até 75 KW, que na resolução anterior era até 100 KW. E a minigeração distribuída, que na normativa anterior era estabelecida com potência entre 100 KW a 1 MW, com a nova resolução passou para 75 kW a 5 MW, com exceção das fontes hídricas que são até 3 MW. De acordo com as novas diretrizes o prazo de validade do crédito gerado junto à concessionária de energia passou de 36 para 60 meses. Novas modalidades para micro e TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA minigeração distribuída foram incluídas: a geração compartilhada, que possibilita a formação de cooperativas para utilização da energia; o autoconsumo remoto, em que a energia poderá ser compensada por unidade consumidora de pessoa física ou jurídica em local diferente da geração; e as múltiplas unidades consumidoras, como o caso do projeto, que permite a instalação de um sistema único de geração em condomínios e a energia gerada é repartida em cotas pré-definidas pelos próprios condôminos (Figuras 9, 10 e 11). Figura 9 – Geração compartilhada. Figura 10 – Autoconsumo remoto. Figura 11 – Empreendimento com múltiplas unidades consumidoras. Fonte – GUIMARÃES, 2016 (adaptado). TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA Para o faturamento de unidade consumidora que participe do sistema de compensação de energia proposto pela resolução em questão, deverá ser cobrado uma tarifa mínima mensal referente ao custo de disponibilidade, que para consumidores de baixa tensão (grupo B) é referente a 30 kWh (monofásico), 50 kWh (bifásico) e 100 kWh (trifásico) (ANEEL, 2016). No caso de empreendimentos com múltiplas unidades consumidoras, o faturamento é definido pela energia consumida menos o percentual de energia alocado àquela unidade consumidora e eventual crédito de energia acumulado de meses anteriores (ANEEL, 2015). 2.9 Incidência de impostos Os impostos que incidem sobre a energia elétrica no Brasil são o ICMS, estadual e o PIS e COFINS que são tributos federais. Até 2014 o tributo ICMS tinha como base de cálculo toda a energia consumida no mês proveniente da distribuidora sem abater a energia gerada pelo consumidor. Em abril de 2015, o Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ aprovou a incidência do ICMS somente sobre a diferença entre a energia gerada e consumida no mês para os Estados aderentes, tendo a Bahia aderido ao convênio (ANEEL, 2016). O governo federal desonerou os tributos PIS e COFINS para a geração distribuída em outubro de 2015 através da lei 13169/2015. A partir desta data, a incidência desses impostos passaram a acontecer somente sobre a diferença entre geração e consumo da unidade consumidora com micro ou minigeração distribuída (ANEEL, 2016). 3. O PROJETO 3.1 Caracterização do condomínio O condomínio localiza-se no distrito de Imbassaí - BA, cujas coordenadas são Latitude -12,4941º e Longitude -37,9628º, conforme google maps. Possui 6 módulos residenciais com 2 pavimentos, sendo 5 módulos com 4 apartamentos por andar e 1 módulo com 6 apartamentos por andar, totalizando 64 unidades residenciais. Os módulos possuem cobertura de telha cerâmica com 2 caimentos com inclinação de 15º e área total de 620 m² voltados para o Norte, o que favorece a máxima absorção de energia solar incidente na localidade. A área comum do condomínio é considerada unidade consumidora B3 comercial com 1 medidor trifásico e 13 medidores monofásicos distribuídos nos 6 módulos. Cada apartamento é considerado unidade consumidora B1 bifásico e a tarifa aplicada é de R$ 0,61998. TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA 3.2 Consumo médio do condomínio Para a unidade consumidora referente à área comum, tem-se a entrada trifásica com consumo médio de 3.000 kWh/mês, e os 13 medidores monofásicos com com registro de 50kWh/mês cada (total de 650 kWh/mês). Os apartamentos possuem consumo médio de 150 kWh/mês cada (total de 9.600kWh/mês para as 64 unidades). Desta forma, o consumo médio somado de todas as unidades consumidoras do condomínio é de 13.250 kWh/mês. 3.3 Avaliação do potencial solar Os dados de irradiação foram extraídos do programa SunData do Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio Brito - CRESESB, que se destina ao cálculo da irradiação solar média mensal no território nacional a partir da inserção de coordenadas. A estação de São Gonçalo dos Campos na Bahia foi a mais próxima do local do estudo, cuja irradiação solar no plano inclinado com ângulo igual a latitude (12º) pode ser vista no Gráfico 1. Gráfico 1 – Irradiação solar média diária local com ângulo igual a latitude:12º N (KWh/m².dia). Fonte – Elaboração Própria com base de dados do SunData, 2016. 3.4 Cálculo do consumo total do condomínio Como previsto pela REN nº687/2015 da ANEEL, um custo mínimo de disponibilidade deverá ser cobrado da unidade consumidora (UC) participante do sistema de compensação de energia, de acordo com seu tipo de instalação. Desta forma, para o correto dimensionamento do sistema fotovoltaico é necessário subtrair o valor mínimo de disponibilidade do consumo médio mensal das UC monofásica, bifásica e trifásica do condomínio. Na Tabela 1 encontram- se os resultados obtidos dos cálculos efetuados para determinar o consumo total mensal, onde 6,00 5,82 5,73 5,42 5,50 5,27 5,35 5,19 5,13 5,00 4,65 4,68 4,74 4,50 4,39 Média 5,16 4,10 4,00 3,50 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ir ra d ia çã o (k W h /m ². d ia ) TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA o Consumo 1 é a subtração do custo de disponibilidade do consumo médio mensal para a referida UC, e o Consumo 2 é a multiplicação do Consumo 1 pelo número de UC com aquele tipo de instalação no condomínio. Foi encontrado um consumo total mensal de 9.560 kWh/mês. Tabela 1 – Consumo total do condomínio. TIPO DE INSTALAÇÃO CONSUMO MÉDIO CUSTO DE DISPONIBILIDADE CONSUMO 1 NÚMERO DE UC CONSUMO 2 Monofásica 50 kWh 30 kWh 20 kWh 13 260 kWh Bifásica 150 kWh 50 kWh 100 kWh 64 6.400 kWh Trifásica 3.000 kWh 100 kWh 2.900 kWh 1 2.900 kWh CONSUMO TOTAL 9.560 kWh Fonte – Elaboração Própria. A partir do consumo total, considerou-se um decréscimo mensal de geração de 20% referente às perdas joulicas e nos inversores baseado em dados médios publicados. Além disso, foi considerada uma redução de geração de 0,7% ao ano relativo à degradação dos painéis, conforme especificado pelo fabricante, com objetivo de dimensionar o sistema de forma a não gerar custo com a perda de geração ao longo dos anos. Com o acréscimo de energia relacionado às perdas anteriormente citadas, encontrou-se o valor final de consumo de 12.029,7 kWh/mês. 3.5 Dimensionamento do sistema fotovoltaico Para o dimensionamento do sistema fotovoltaico, levou-se em consideração para os módulos pesquisados suas características elétricas, assim como sua eficiência e valor econômico. O modelo da placa fotovoltaica selecionada, cujas especificações estão descritas na Tabela 2, foi da série Silvantis F-Series 275W monocristalino, do fabricante SunEdison, que possui tradição no mercado de fabricação de painéis. Tabela 2 – Especificação Painel fotovoltaico SunEdson 275W. DADOS ELÉTRICOS Potência Máxima (Pmax) 275 Wp Tensão em Circuito Aberto (Voc) 38,6 V Corrente de Curto Circuito (Isc) 9,2 A Tensão de Ponto de Máxima Potência (Vmpp) 31,6 V Corrente de Ponto de Máxima Potência (Impp) 8,72 A Eficiência do Módulo (η) 16,8 % Área (1,66mx0,99m) 1,64 m² Garantia 25 anos Fonte – SunEdison (Adaptado). Com o conhecimento da irradiação solar média da localidade, assim como a área e eficiência do módulo a ser utilizado no projeto, pode-se realizar o cálculo da energia produzida pelo sistema pelo método da insolação, através da equação [1]. TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA Efv = Esol * A * η [1] Onde: Efv é a energia produzida pelo painel (Wh/ dia), Esol é a irradiação solar média (Wh/m².dia), A é área do painel (m²) e η é a eficiência do painel. Desta forma, encontrou-se 1.422 Wh de energia diária produzida por um módulo. Multiplicando-se esse valor encontrado por trinta tem-se a energia produzida por este painel ao longo de um mês, que é de 42,65 kWh. Dividindo-se o valor de consumo final pelo valor da energia mensal produzida pelo painel, determina-se que serão necessários 282 módulos para o sistema. A área que deve estar disponível para a instalação dos painéis é dada pela multiplicação da área da placa pela quantidade total de módulos a ser utilizado no projeto. Para uma distribuição mais uniforme e melhor aproveitamento de energia solar, os módulos serão dispostos nos 6 caimentos voltados para o Norte. Desta forma, serão arranjados 48 módulos ocupando uma área de 78,72m² em cada caimento, totalizando 288 painéis em uma área total de 472,72 m². A potência fotovoltaica total do sistema pode ser determinada multiplicando-se a quantidade de módulos pela a potência de cada painel, de acordo com a equação [2]. Pfv = Nmod * Pmax [2] Onde: Pfv é a potência fotovoltaica total (kWp) e Pmax é a potência de cada painel (Wp), encontrando-se o valor de 79,2 kWp de potência fotovoltaica para o sistema. 3.6 Arranjo dos painéis solares O projeto terá 6 arranjos com 4 ligações em série (strings) de 12 painéis cada, totalizando 288 módulos. Para se obter a tensão de ponto de máxima potência do arranjo em corrente contínua, realiza-se a soma das tensões dos módulos ligados em série conforme equação [3]. Vmpp(aj) = Vmpp1+Vmpp2+...+Vmppn [3] Onde: Vmpp(aj) é a tensão do ponto de máxima potência do arranjo (V) e Vmpp1+Vmpp2+...+Vmppn são as tensões do ponto de máxima potência de cada módulo em série (V), encontrando-se o valor de 379,2V de tensão para cada arranjo. A corrente de ponto de máxima potência do arranjo em corrente contínua é determinado pela soma das correntes das strings em paralelo conforme equação [4]. TCC – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA ELÉTRICA Impp(aj) = ImppStr1+ImppStr2+...+ImppStrn [4] Onde: Impp(aj) é a corrente do ponto de máxima potência do arranjo (A) e ImppStr1+ImppStr2...+ImppStrn são as correntes do ponto de máxima potência de cada string (A), encontrando-se o valor de 34,88A de corrente para cada arranjo. E ao multiplicar o valor da corrente pela tensão encontra-se a potência de ponto de máxima potência com valor igual a 13,22kWp. 3.7 Dimensionamento dos inversores O dimensionamento dos inversores foi realizado em função do fator de dimensionamento dos inversores (FDI) e da tensão e corrente máximas de entrada no inversor. O inversor escolhido foi da série Symo, modelo 10.0-3-M da marca Fronius, que possui grande experiência no setor de energia elétrica, e cujas especificações estão descritas na Tabela 3. Tabela 3 – Especificação do inversor Fonius Symo. DADOS ELÉTRICOS Modelo 10.0-3-M Entrada Potência Máxima de Entrada (Pmaxin) 15 kW Tensão Máxima de Entrada (Vmaxin) 1000 Vcc Tensão de Ponto de Máxima Potência (Vmpp) 270 a 800 Vcc Tensão Mínima de Entrada 200 Vcc Corrente Máxima de Entrada (Imaxin) 40,5A/ 24,8A Saída Potência Nominal de Saída (Pout) 10 kW Tensão de Saída (Vout) 400/230 ou 380/220 Vca Corrente Máxima de Saída (Imaxout) 14,4 A Fonte – Manual Fronius (Adaptado). O fator de dimensionamento dos inversores (FDI) é a relação entre a potência de saída c.a do inversor e a potência de pico de cada arranjo fotovoltaico, sendo recomendado pelos fabricantes que se situe entre 0,75 e 0,85, com limite superior de 1,05 (PINHO, GALDINHO, 2014). O valor encontrado do FDI para o sistema foi de 0,76, dentro da faixa estabelecida.A tensão máxima permitida na entrada do inversor é determinada pela soma das tensões de circuito aberto dos módulos ligados em série nos arranjos, conforme equação [6]. Nº módulos em série * Voctematicomicroeminigeracao.pdf. Acessado em 6 mar 2017. ANEEL. Regulação Normativa nº 482 de Abril de 2012. Disponível em: http://www.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf. Acessado em: 16 mar 2017. ANEEL. Regulação Normativa nº 687 de Novembro de 2015. Disponível em: www.aneel.gov.br/cedoc/ren2015687.pdf. Acessado em 16 mar 2017. ANEEL. Brasil Ultrapassa 7 mil Conexões de micro e minigeração. Disponível em: http://www.aneel.gov.br/sala-de-imprensa-exibicao-2//brasil-ultrapassa-7-mil-conexoes-de- micro-e-minigeracao/656877. Acessado em 15 mar 2017. BEZERRA, S. M. S. et al. Motivações e Impactos da Geração Distribuída Fotovoltaica Conectada à Rede na Matriz Energética Brasileira. In: VI Congresso Brasileiro de Energia Solar, Belo Horizonte, 2016. CRESEB. Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos. Disponível em: http://www.cresesb.cepel.br/publicacoes/download/Manual_de_Engenharia_FV_2004.pdf. Acessado em 18 mar 2017. CRESEB. 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