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Pós-graduação em “Prática em Advocacia Trabalhista e Previdenciária” Disciplina: “Salário-Maternidade” Prof. Dr. João Batista Lazzari SALÁRIO-MATERNIDADE Código da Espécie (INSS): B-80 Evento Gerador O parto, inclusive de natimorto; o aborto espontâneo, a adoção ou a guarda judicial para fins de adoção. SALÁRIO-MATERNIDADE Beneficiários ➢ Seguradas de todas as espécies e, a partir da Lei n. 12.873/2013, também os segurados do sexo masculino, estes em caso de adoção ou guarda para fins de adoção, e ainda nos casos de falecimento da segurada ou segurado (cônjuge ou companheiro/a) que fizera jus ao recebimento do salário-maternidade originariamente. ➢ Ressalvado o pagamento do salário- maternidade à mãe biológica, não poderá ser concedido o benefício a mais de um segurado, decorrente do mesmo processo de adoção ou guarda, ainda que os cônjuges ou companheiros estejam submetidos a Regime Próprio de Previdência Social. SALÁRIO-MATERNIDADE Beneficiários ➢ STF: RG Tema 542 – Tese fixada: “A trabalhadora gestante tem direito ao gozo de licença-maternidade e à estabilidade provisória, independentemente do regime jurídico aplicável, se contratual ou administrativo, ainda que ocupe cargo em comissão ou seja contratada por tempo determinado.” (RE 842844, DJe 06.12.2023); ➢ STJ: Súmula 657: “Atendidos os requisitos de segurada especial no RGPS e do período de carência, a indígena menor de 16 anos faz jus ao salário-maternidade.” SALÁRIO-MATERNIDADE Beneficiários ➢ STF: RG Tema 1072: "A mãe servidora ou trabalhadora não gestante em união homoafetiva tem direito ao gozo de licença-maternidade. Caso a companheira tenha utilizado o benefício, fará jus à licença pelo período equivalente ao da licença-paternidade". ➢ (RE 1211446, TRIBUNAL PLENO, DJE em 21/05/2024) SALÁRIO-MATERNIDADE Carência ➢ Para as seguradas empregadas, domésticas e avulsas, não é exigida carência. Para as seguradas facultativas, especial e contribuintes individuais, era exigida a carência de 10 contribuições mensais, reduzindo-se proporcionalmente em caso de parto antecipado. Para a segurada especial exigia-se a comprovação da atividade rural nos dez meses anteriores ao parto. ➢ STF – ADI 2110: “Julgou parcialmente procedente o pedido constante da ADI 2.110, para declarar a inconstitucionalidade da exigência de carência para a fruição de salário-maternidade, prevista no art. 25, inc. III, da Lei nº 8.213/1991, na redação dada pelo art. 2º da Lei nº 9.876/1999.” (Plenário, 21.3.2024) SALÁRIO-MATERNIDADE Cumulatividade ➢ No caso de empregos concomitantes, o(a) segurado(a) fará jus ao salário-maternidade relativo a cada emprego. ➢ A segurada aposentada que retornar à atividade fará jus ao pagamento do salário-maternidade (art. 103 do Decreto n. 3.048/1999). ➢ O salário-maternidade não pode ser acumulado com benefício por incapacidade e sequer com o auxílio- reclusão (Lei n. 13.846/2019). ➢ Quando ocorrer incapacidade em concomitância com o período de pagamento do salário-maternidade, o benefício por incapacidade, conforme o caso, deverá ser suspenso enquanto perdurar o referido pagamento, ou terá sua data de início adiada para o primeiro dia seguinte ao término do período de cento e vinte dias. ➢ É devido à segurada ou segurado que adotar, independentemente de a mãe biológica ter recebido o mesmo benefício quando do nascimento da criança. SALÁRIO-MATERNIDADE Cessação do Benefício Após decorrido o prazo de duração do benefício ou em caso de óbito da segurada, podendo o pagamento ser feito, pelo tempo restante, à pessoa do cônjuge ou companheiro(a) sobrevivente, desde que possua a qualidade de segurado do RGPS e, caso receba benefício com o qual não se pode acumular o salário- maternidade, cabe a opção pelo benefício mais vantajoso. SALÁRIO-MATERNIDADE Salário de Benefício e RMI ➢ Para a segurada empregada e trabalhadora avulsa: o valor da última remuneração auferida, ou em caso de remuneração variável, a média aritmética dos últimos 6 meses (não sujeito ao teto limite do RGPS); ➢ Para a segurada empregada doméstica: o valor do último salário de contribuição, limitado ao teto do RGPS; ➢ Para as seguradas contribuintes individuais, facultativas e para aquelas que estejam em período de graça: média aritmética dos doze últimos salários de contribuição, apurados em período não superior a quinze meses (sujeito ao teto do RGPS); ➢ Para a segurada especial, que não esteja contribuindo facultativamente, será de um salário mínimo. SALÁRIO-MATERNIDADE Período Básico de Cálculo ➢ 1/12 (um doze avos) da soma dos 12 (doze) últimos salários de contribuição, apurados em um período não superior a 15 (quinze) meses, para segurados(as) contribuintes individuais e facultativos(as), inclusive quando em situação de desemprego. SALÁRIO-MATERNIDADE Data de Início do Benefício ➢ A partir do atestado médico que licencia a gestante, ou a partir do dia do parto antecipado, ou do dia da adoção (ou guarda judicial para fins de adoção). ➢ Poderá ter início até 28 dias antes do parto. ➢ A percepção do salário-maternidade está condicionada ao afastamento do segurado ou segurada requerente de seu trabalho ou da atividade desempenhada, sob pena de suspensão do benefício. SALÁRIO-MATERNIDADE Duração ➢ 120 dias, salvo em caso de aborto não criminoso, quando a duração será de duas semanas. Em caso de natimorto, a licença também será de 120 dias. ➢ A Lei n. 11.770/2008 permite a prorrogação do benefício por mais 60 dias, desde que a empresa adira voluntariamente ao programa “Empresa Cidadã”; o período adicional é custeado pela empresa, e não pelo INSS. ➢ Ao segurado ou segurada da Previdência Social que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança é devido salário-maternidade pelo período de 120 dias (art. 71-A da Lei n. 8.213/1991). SALÁRIO-MATERNIDADE Duração ➢ Em casos excepcionais, os períodos de repouso anterior e posterior ao parto podem ser aumentados de mais duas semanas, por meio de atestado médico específico submetido à avaliação medico-pericial (art. 93, § 3º do RPS, com redação dada pelo Decreto n. 10.410/2020). ➢ Durante o período entre a data do óbito e o último dia do término do salário-maternidade originário, em caso de falecimento da segurada ou segurado (cônjuge ou companheiro/a), seja a maternidade biológica, seja no caso de adoção. ➢ Quando não for possível que a gestante ou a lactante afastada de atividades consideradas insalubres exerça suas atividades em local salubre na empresa, a hipótese será considerada como gravidez de risco e ensejará a percepção de salário- maternidade, nos termos da Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991, durante todo o período de afastamento (art. 394-A, § 3º, da CLT, Incluído pela Lei n. 13.467/2017). SALÁRIO-MATERNIDADE Forma de Pagamento ➢ Será pago diretamente pelo INSS ou pela empresa contratante, observando as seguintes situações: I – para requerimentos efetivados a partir de 1º.9.2003, o salário-maternidade devido à segurada empregada, independentemente da data do afastamento ou do parto, será pago diretamente pela empresa, exceto no caso de adoção ou de guarda judicial para fins de adoção, quando será pago diretamente pelo INSS; II – a segurada empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção poderá requerer e receber o salário-maternidade por intermédio da empresa se esta possuir convênio com tal finalidade; e III – as seguradas trabalhadora avulsa, empregada doméstica, contribuinte individual, facultativa, especial e as em prazo de manutenção da qualidade de segurada terão o benefício de salário-maternidade pago pelo INSS. SALÁRIO-MATERNIDADE Forma de Pagamento ➢ O salário-maternidade devido à trabalhadora avulsa e à empregada do microempreendedor individual de que trata o art. 18-A da LC n. 123/2006, será pago diretamente pelo INSS,assim como nos casos de adoção. ➢ O salário-maternidade devido ao cônjuge ou companheiro sobrevivente será pago diretamente pelo INSS. ➢ O salário-maternidade devido à empregada intermitente e à empregada com jornada parcial cujo salário de contribuição seja inferior ao seu limite mínimo mensal será pago diretamente pelo INSS (arts. 100-B e 100-C do RPS, incluídos pelo Decreto n. 10.410/2020). SALÁRIO-MATERNIDADE Pandemia STJ: “Valor pago à empregada gestante afastada com base em lei durante pandemia não pode ser considerado salário- maternidade.” (REsp 2.109.930, 04/06/2024) A Segunda Turma do STJ rejeitou a possibilidade de que sejam enquadrados como salário-maternidade os valores pagos às empregadas gestantes em razão da Lei 14.151/2021. A lei disciplinou o afastamento da trabalhadora grávida do trabalho presencial durante a pandemia da Covid-19, determinando que as gestantes ficassem em teletrabalho, expediente remoto ou outra forma de trabalho a distância, sem prejuízo da remuneração. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14151.htm SALÁRIO-MATERNIDADE Observações Finais As regras gerais do salário-maternidade encontram-se: ➢ no art. 201 da CF; ➢ nos arts. 71 a 73 da Lei n. 8.213/1991; e ➢ nos arts. 93 a 103 do Decreto n. 3.048/1999 (com as alterações introduzidas pelo Decreto n. 10.410/2020). BIBLIOGRAFIA Muito obrigado! https://www.instagram.com/joaobatistalazzari/ https://comunidade.notoriosaber.com.br/ https://www.instagram.com/joaobatistalazzari/ Slide 1: Pós-graduação em “Prática em Advocacia Trabalhista e Previdenciária” Disciplina: “Salário-Maternidade” Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18