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FISIOTERAPIA CARDIORRESPIRATÓRIA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Explicar como são realizados os testes funcionais autonômicos cardiovas- culares e de aptidão funcional cardiorrespiratória. > Identificar a aplicabilidade clínica do estudo da variabilidade da frequência cardíaca (FC). > Analisar as opções de intervenções fisioterapêuticas a partir dos testes de avaliação cardiorrespiratória submáximos. Introdução Neste capítulo, você vai estudar os testes funcionais autonômicos realizados no âmbito da fisioterapia cardiovascular. Você também vai conhecer as medidas de aptidão física que podem ser realizadas em pacientes com disfunções cardiovas- culares. Além disso, vai verificar a importância da aplicabilidade prática clínica do exame de variabilidade da FC. A partir desse exame, é possível identificar alterações da FC em determinadas situações. Com base no conhecimento das possíveis avaliações e indicações, o fisiote- rapeuta pode optar por um tipo de tratamento condizente com os resultados da avaliação e com os seus achados. Logo, o tratamento proposto ao final da avaliação na fisioterapia cardiovascular deve estar em consonância com o tipo de avaliação escolhida e também com o resultado obtido por meio dela. Vale ressaltar que o Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios Lucimara Ferreira Magalhães acompanhamento do processo de reabilitação física pode levar o fisioterapeuta a mudar as direções do tratamento, de acordo com as condições de cada paciente. Assim, a integração entre a avaliação, a verificação das funções fisiológicas do paciente e a identificação das alterações é necessária para o processo de reabilitação do paciente com problemas cardiovasculares. É importante que o fisioterapeuta esteja atento às diretrizes de tratamento e que desenvolva uma prática baseada em evidências, a fim de oferecer um tratamento efetivo ao seu paciente. O resultado da integração entre avaliação pontual e tratamento ade- quado leva ao melhor prognóstico, bem como à satisfação do paciente e de seus acompanhantes envolvidos na reabilitação. Testes funcionais cardiovasculares autonômicos Os testes funcionais utilizados na fisioterapia cardiovascular são essenciais durante a avaliação funcional do paciente. Por isso, é importante que o profissional conheça os mecanismos fisiológicos que levam a determinados resultados de teste e, dessa forma, compreenda as condições físicas e fisio- lógicas do paciente avaliado. O fisioterapeuta dispõe de diversos tipos de testes, que são utilizados em situações diferentes e sob suspeitas distintas. Para avaliar as funções cardíacas, os parâmetros a serem observados são o pulso ou FC e a pressão arterial (PA). No entanto, como o aparelho respiratório funciona em integração com o sistema cardiovascular, algumas vezes, ou na maioria delas, as medidas podem estar associadas à respiração, às incursões respiratórias por minuto (irpm). Assim, muitas vezes as medidas indicam se o paciente deve realizar os testes em ciclo respiratório médio, ou seja, normal (por volta de 15irpm). O pulso e a PA fornecem um diagnóstico e um prognóstico do desempenho cardiovascular do paciente (DETURK; CAHALIN, 2007). O pulso que se mostra mais forte ou mais fraco pode indicar as condições da função cardíaca do paciente. Se o paciente alterna seu pulso entre forte e fraco, isso pode indicar que ele possui uma grave depressão em seu sistema cardíaco, também conhecida como “pulso alternante”. No caso desse tipo de paciente, o exame do pulso deve ser realizado pressionando a artéria radial com a ventilação normal. Se, ao expirar, o paciente apresenta oscilação do pulso elevado para fraco, ele é classificado como pulsus alternans, e essa condição está relacionada com a insuficiência da bomba cardíaca (DETURK; CAHALIN, 2007). O pulso paradoxal é um tipo de padrão diferente do anterior, em que há redução da pressão sistólica em 20mmHg e também da força do pulso arterial Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios2 durante o momento inspiratório da respiração. Ele está relacionado com as falhas da bomba cardíaca, no entanto está mais vinculado à obstrução cardíaca e à pericardite constritiva, causadas pelo aumento do retorno venoso e do volume cardíaco no compartimento direito (DETURK; CAHALIN, 2007). A literatura aponta que a PA se altera após 30 segundos de mudança de posição do paciente. Já a mudança no pulso pode ser observada instantanea- mente. Assim, a relação entre essas medidas é que, ao final de 30 pulsações, a PA tende a se elevar, após mudança de postura sentada para ortostática. Assim, as respostas lentas durante a mudança de posição supina para ortos- tática sugerem a disfunção cardiovascular; já as respostas rápidas, por volta de 30 segundos, mostram uma adaptação adequada do sistema autonômico e cardiovascular (DETURK; CAHALIN, 2007). A relação entre as alterações nas mudanças de posicionamento acontece de acordo com a presença da doença cardiovascular ou da predisposição a ela. Suspeita-se que a redução da pressão sistólica deva acontecer em 0,5mmHg após a mudança da posição supina para a ortostática. E espera-se que a dias- tólica também aumente, de forma a evitar a maior redução da sistólica. No entanto, não há dados científicos que comprovem isso (DETURK; CAHALIN, 2007). Nesse contexto, a integridade das funções autonômicas relacionadas ao sistema cardiovascular pode ser avaliada a partir da mensuração e do exame do pulso, ou por meio de eletrocardiograma realizado antes e após a respiração profunda, considerando uma velocidade média de respiração de 6irpm. O paciente é posicionado sentado e realiza-se a mensuração do pulso; após a medida, instrui-se que ele faça respirações profundas e lentas, mantendo o ritmo de 6irpm. Após um minuto dessa respiração, mede-se o pulso novamente. Esse pulso tende a se reduzir em 15 a 20 pulsações por minuto. Caso isso não aconteça, considera-se que o paciente apresenta alguma anomalia no sistema autônomo (DETURK; CAHALIN, 2007). Entre os testes de avaliação da funcionalidade autonômica cardiovascular, está a manobra de Valsalva. Esse teste avalia a função do sistema nervoso autônomo; ele consiste em gerar respostas sistêmicas sem a necessidade de intervenção mais elaborada, como as do córtex motor ou de outras áreas encefálicas. Assim, o sistema nervoso autônomo coordena respostas cardio- vasculares à prática dessa manobra, e as alterações são avaliadas pelo fisiote- rapeuta durante o exame clínico. As alterações nos padrões cardiovasculares, como na FC, no débito cardíaco e na PA, também podem ser modificadas momentaneamente por diferentes estímulos, como a prática de exercício físico, a alteração do padrão respiratório, a estimulação dos barorreceptores nas artérias e as alterações na postura do indivíduo (DETURK; CAHALIN, 2007). Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 3 A manobra de Valsalva promove o aumento da pressão intratorácica, em que há a resistência para o retorno venoso, dificultando-o. A partir dela, podem ser identificadas a insuficiência e a disfunção da bomba cardíaca. Quando as alterações são contrárias às esperadas, deve-se consultar um médico, pois há grande chance de o paciente apresentar alguma patologia cardíaca. Você pode ver as mudanças esperadas com a manobra de Valsalva na Figura 1, a seguir. Observe que a resposta normal é constituída de quatro estágios: o primeiro é o aumento da pressão; o segundo consiste na queda, até atingir um nível menos estável; o terceiro indica a redução da pressão (inspiração do paciente); e, por último, acontece o aumento da pressão decorrente do maior volume sistólico, devido ao enchimento diastólico (DETURK; CAHALIN, 2007). Já nos casos anormais, não há a presença dos momentos 2 e 3, o que mostra o aumento da pressão no primeiro momento e a não redução nos momentos 2 e 3, sendo que a pressão permanece igual após a interrupção da manobra. Essa alteração pode indicar a falhada bomba cardíaca, causada pela falência (DETURK; CAHALIN, 2007). Figura 1. Resposta da pressão sanguínea à manobra de Valsava em condições (a) normais e (b) anormais. O círculo em vermelho mostra a região onde deveria haver a redução da pressão em decorrência da manobra de Valsalva. Fonte: Adaptada de Deturk e Cahalin (2007). Clinicamente, o fisioterapeuta costuma avaliar essas alterações por meio da variação da FC, a qual oscila dependendo das mudanças ou dos esforços propostos. Outro meio de avaliação similar à manobra de Valsalva é a pressão expiratória máxima, em que o paciente realiza um esforço respiratório máximo por mais de 3 segundos. De acordo com Minatel et al. (2012), as duas formas de avaliação, tanto a pressão máxima expiratória quanto a manobra de Valsalva, têm efeitos similares no sistema cardiovascular (redução do débito cardíaco, Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios4 retorno venoso, circulação pulmonar e fluxo nas coronárias), indicando que am- bas as avaliações são seguras para o paciente com distúrbios cardiovasculares. A manobra de Valsalva pode ser realizada com o auxílio de um manômetro acoplado à peça bucal que entra em contato com a boca do paciente. Para realizar o teste, é importante que se obstrua a passagem de ar pelas narinas com o auxílio de um clipe nasal. Dessa forma, toda a pressão exercida pelo ar será direcionada para o bucal do manômetro. Durante a execução do teste, o paciente deve manter sua frequência respiratória normal (por volta de 15 incursões por minuto) e, ao sinal do avaliador, realizar uma inspiração profunda seguida de uma expiração esforçada. O manômetro mede a pressão exercida em mmHg; o valor considerado ideal para o teste é por volta de 40mmHg mantidos por 15 a 20 segundos. Para a melhor validação do teste, o fisioterapeuta pode solicitar que o paciente repita o mesmo processo duas vezes, com o devido descanso entre as tentativas (média de 5 minutos de repouso). O teste pode ser realizado na postura sentada e em decúbito dorsal, e as alterações esperadas são a elevação da FC e, a seguir, a bradicardia. A resposta normal para o teste é a elevação da FC durante o esforço expiratório. Se isso não acontece, pode haver insuficiência cardíaca conges- tiva, estenose mitral, estenose aórtica, pericardite constritiva, entre outros acometimentos cardíacos (PASCHOAL, 2010). É importante ressaltar que os pacientes com diabetes grave, como os que apresentam comprometimento de nervos cardíacos, aqueles recém-operados de transplantes cardíacos e os indivíduos em uso de betabloqueadores, tendem a apresentar alterações de diferentes níveis e magnitudes. As manobras posturais ativa e passiva implicam a realização da mensura- ção de FC e PA a partir de mudanças de posições. Como você viu anteriormente, as mudanças de posturas ocasionam alterações nas funções fisiológicas de indivíduos normais, o que leva o fisioterapeuta a identificar anormalidades em seus pacientes. Essas funções, assim como a manobra de Valsalva, estão relacionadas e são reguladas pelo sistema autônomo de forma automática a partir do estímulo de mudança de postura. A manobra postural passiva (head-up tilt test) ocorre quando o paciente sofre mudança de decúbito dorsal ou posição supina para ortostatismo. Como o teste é passivo, a movimentação se dá com o auxílio de uma maca, em que o movimento pode ser realizado por meio de uma engrenagem. A ideia é que o paciente permaneça com a postura alterada, em média, por 45 minutos (BRIGNOLE et al., 2001). O estudo de Liporaci et al. (2018) utilizou um protocolo inclinando indivíduos saudáveis a 70 graus na maca no 15º segundo de repouso na posição supina. Após a mudança de postura, o indivíduo era mantido por Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 5 mais 15 minutos na posição e se observava se ele apresentava pré-síncope ou intolerância à posição. O estudo buscava avaliar o efeito dos testes passivo e ativo associados à manobra de Valsalva. Ao fim do estudo, os pesquisadores concluíram que os testes ativo e passivo mostraram respostas musculares e cardiovasculares amplificadas quando associados à manobra de Valsava. A literatura aponta que a mudança de postura promove a redução do retorno venoso e do débito cardíaco, o que acarreta também a redução da PA e do volume ejetado durante a sístole. Essas respostas provocam o estímulo do sistema nervoso simpático para que a FC volte a aumentar e para que a resistência vascular seja maior, favorecendo o evento. Há indícios de que esse período inicial de redução dos parâmetros dure por volta de 10 segundos e de que a estimulação simpática aconteça nos primeiros 1 a 5 minutos posteriores. A redução da pressão esperada é por volta de 6mmHg, e a redução do débito cardíaco esperada é por volta de 20%. Os indivíduos que possuem grande capacidade aeróbia (alto VO2 máximo) podem apresentar tolerância ortostática quando comparados a indivíduos sedentários. Além disso, os indivíduos bem condicionados fisicamente apre- sentam menores respostas ao aumento de FC e PA quando comparados a indivíduos com condicionamento moderado. Se os indivíduos que apresentam intolerância ortostática são bem condicionados, isso pode ser decorrente da incapacidade de manterem a PA média durante a posição vertical; eles podem ter dificuldades para regular a resistência vascular sistêmica e a permeabilidade capilar dos membros inferiores (PASCHOAL, 2010). A manobra postural ativa (active standing test) acontece quando o indivíduo é colocado em posição supina, no chão ou em uma cama, por 5 minutos e então se mede os seus batimentos e a sua PA. É importante que o indivíduo se mantenha em repouso durante os 5 minutos. Após a mensuração, o fisio- terapeuta pede que o indivíduo levante-se bruscamente e se mantenha na postura ortostática. Então, o fisioterapeuta realiza outra medida e solicita que o paciente se mantenha por mais 5 minutos na mesma posição. Após, o fisioterapeuta mensura novamente e pede que o paciente volte à posição inicial. Essa variabilidade deve acontecer de forma que haja alteração da FC, mas que, com os 5 minutos de repouso após a mudança de postura, haja o reestabelecimento das condições fisiológicas (PASCHOAL et al., 2006). Os resultados da FC e da PA nessa manobra são considerados mais altos do que aqueles da manobra feita de forma passiva. Isso ocorre devido à atividade muscular e à contração vascular periférica resultantes de uma manobra feita de forma mais ativa. Essa também é uma técnica mais efetiva para encontrar esses resultados de ajuste, visto que se verifica a atividade muscular e fisiológica de forma mais direta do que na manobra realizada de Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios6 forma passiva. Como esperado, as respostas de alterações dos valores de PA e FC em repouso logo após a manobra são reduzidas com a idade, de forma que, quanto maior é a idade, menores são as respostas. O tempo de observação para essa manobra é similar ao da manobra anterior: 10 segundos para o aumento da FC após a manobra. Os indivíduos entre 20 e 30 anos tendem a oscilar cerca de 42bpm; já os indivíduos com idade entre 41 e 50 anos tendem a oscilar cerca de 30bpm (PASCHOAL, 2010). O teste pressórico ao frio (cold pressure) é um teste de estresse térmico descrito pela primeira vez em 1936. Ele promove respostas autonômicas à exposição ao frio e pode estar ligado ao diagnóstico de doenças cardiovas- culares, como a hipertensão arterial. No teste, o avaliado submerge a mão em uma bacia com água gelada (por volta de 4°C) e só a retira quando o avaliador pede. O avaliado permanece nessa posição por volta de 3 minutos sob o estímulo térmico e sem aviso de quando poderá retirar a mão. O estímulo térmico nocivo é ocasionado pela temperatura da água, sendo que ele pode variar de indivíduo para indivíduo, de acordo com seus hábitos de vida e com o clima local. A FC e a PA são monitoradas a fim de se observaras oscilações durante todo o teste (PASCHOAL et al., 2006). Assim, o teste pressórico ao frio estimula os receptores de resposta au- tonômica simpática do sistema cardiovascular. Durante a imersão em água fria, a PA e a FC se elevam em resposta a esses estímulos. A liberação de adrenalina promove a constrição dos vasos periféricos, levando ao aumento da FC e da PA. A oscilação da PA e da pressão diastólica tende a aumentar até 1 minuto após o teste quando comparada aos parâmetros de repouso. Assim, a pressão sistólica tende a aumentar quase proporcionalmente à diastólica, em torno de 20 e 15mmHg, respectivamente. A literatura ainda menciona outros testes de estresse provocado pela isometria muscular, utilizando um dinamômetro, e estresse mental, por meio de contas matemáticas e figuras com cores e escritas para memorização. O artigo “Respostas da pressão arterial ao estresse após treina- mento combinado em mulheres após a menopausa”, de Arieli Jaqueline Farias da Silva, traz parte desses protocolos e mostra a funcionalidade desses testes com relação à monitoração da FC e da PA. Esse artigo está disponível on-line; para encontrá-lo, utilize o seu site de buscas favorito. Testes de aptidão física Os testes de aptidão física mensuram as condições cardiovasculares em associação com os sistemas respiratório e muscular. Assim, considerando-se a Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 7 especificidade e as intervenções de outros sistemas na mensuração da saúde cardíaca, esses testes são menos específicos. Vale ressaltar que, devido à integração dos sistemas para a formação do sistema locomotor e funcional, é viável realizar tais tipos de testes, em que se apontam as características dos indivíduos em relação à sua aptidão, que também está relacionada com a prática de atividade física. Entre os testes, você pode considerar os de capacidade máxima e os de capacidade submáxima. Para a realização dos primeiros, o laboratório deve ter equipamento de emergência e profissionais especializados, como médico cardiologista. Afinal, o avaliado deverá atingir sua capacidade máxima, cor- rendo o risco de sofrer algum desconforto ou alteração aguda. Já os testes submáximos são considerados mais seguros, por atingirem cerca de 70 a 80% da capacidade máxima. É importante ressaltar que, embora o fisioterapeuta não realize os testes de esforço máximo, esse profissional deve conhecer e saber interpretar seus resultados. Já os testes submáximos são mais conhecidos pelo fisioterapeuta, que é responsável por aplicá-los e interpretar os resultados. Os testes são baseados no esforço cardiorrespiratório e muscular realizado por um tempo determinado ou até o alcance de certa FC ou velocidade, de- pendendo do tipo de teste. Para observar algum distúrbio em qualquer um dos sistemas avaliados, o fisioterapeuta propõe a prática de uma atividade controlada e observa os sinais e sintomas do paciente. As alterações podem ser observadas em um dos sistemas, mas elas podem decorrer de outros sintomas ou comprometer o funcionamento ao longo do tempo. Além disso, o teste de aptidão física pode ser associado a outros que ajudem no diag- nóstico fisioterapêutico e na formação das condutas para o tratamento. A seguir, você vai conhecer alguns dos principais testes de aptidão física e as condições dos pacientes ao realizá-los (DETURK; CAHALIN, 2007). O teste de esforço tradicional foi iniciado com a esteira ergométrica. Posteriormente, o teste foi adaptado para diversas condições, o que facilitou a execução por pacientes que apresentavam dificuldades de deambular na esteira ergométrica. O teste de degrau consiste no esforço realizado para subir um degrau; posteriormente, ele passou a ser aplicado a partir da subida de dois degraus, sendo chamado de “teste de dois degraus de Master”. Esse é um teste rápido em que se realiza uma triagem inicial com os dados do paciente e depois se solicita que ele suba e desça dois degraus. Os pacientes são monitorados por um metrônomo, e os degraus possuem altura e largura específica, para garantir a segurança ao realizar o teste. Além de mensurar a FC e o pulso por meio das técnicas, esse teste presume o consumo máximo de oxigênio (DETURK; CAHALIN, 2007). Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios8 Os valores de FC verificados com base no resultado do teste de degrau podem ser relacionados com o volume de oxigênio máximo consumido, como mostra a Figura 2. Essa figura mostra uma linha na diagonal, marcada pela seta vermelha, que identifica um indivíduo, de sexo masculino, de massa de aproximadamente 75kg e altura de 1,54 metros. Esse mesmo indivíduo tem o volume de oxigênio por minuto de aproximadamente 2,3L/min, o que corres- ponde a um VO2 máximo de aproximadamente 3,3L/min. Como você pode ver na caixa em cinza, esse valor deve ser multiplicado pelo fator correspondente à idade do paciente. Assim, se o indivíduo tiver entre 16 e 25 anos de idade, esse valor não se alterará, mas, se ele tiver 35 anos, o valor passará a ser 2,87. Figura 2. Nomograma que utiliza a medida de FC e os resultados do teste de degrau para prever o consumo de oxigênio. Fonte: Adaptada de Deturk e Cahalin (2007). Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 9 Os testes em cicloergômetros também são aceitos para a avaliação de doenças cardíacas; esses testes podem ser realizados com bicicletas esta- cionárias ou com cicloergômetros de braço (para os pacientes paraplégicos ou com alguma limitação em membros inferiores). Os testes em esteira ergo- métrica possuem a mesma função e foram bem desenvolvidos por Bruce, cujo nome foi emprestado ao protocolo usado para realizar o teste, atualmente um dos mais utilizados para detectar afecções cardíacas. Os motivos para a utilização do protocolo são relativos à sua dinamicidade, ao uso de vários grupos musculares grandes e à utilização da tarefa funcional (caminhada). Ele começa por um esforço submáximo e pode aumentar de acordo com o esforço do paciente, atingindo a exaustão. Além disso, é um teste seguro, requer pouco tempo para a realização e serve para mensurar o consumo de oxigênio e verificar a limitação funcional, de acordo com o tempo de duração do teste (DETURK; CAHALIN, 2007). O teste de velocidade de marcha pode ser aplicado em 6 e 12 metros, de acordo com a população a ser avaliada. Ele é um teste flexível e adaptável ao público com problemas cardíacos e/ou algum outro comprometimento (ABELLAN et al., 2009). Para realizar o teste, organiza-se um espaço que con- tenha pelo menos 6 metros; esse espaço pode ser um corredor, mas com superfície lisa e sem rampas ou irregularidades. O indivíduo é orientado a caminhar sobre o espaço marcado o mais rápido possível, e é mensurado o tempo em segundos que ele leva para percorrer a distância preestabelecida. Ao final, o valor da velocidade é definido pela divisão da distância percorrida pelo tempo em segundos. Os valores de normalidade citados por Abellan et al. (2009) devem atingir mais de 0,8m/s. O teste de sentar e levantar, como o próprio nome indica, consiste em sentar e levantar. Esse teste pode ser realizado com o paciente sentando-se no chão (nível mais elevado) ou em uma cadeira (nível mais fácil). O teste avalia as condições de mobilidade, equilíbrio e agilidade do paciente, além das adaptações autonômicas às mudanças de postura. O avaliador mensura o escore de acordo com os apoios que o paciente necessita para se levantar, e o teste é realizado entre 2 e 3 vezes, considerando um descanso entre as tentativas. Para cada mão que o paciente utiliza como apoio, ele perde um ponto; se há desequilíbrio perceptível, subtrai-se meio ponto; se o paciente apoia o joelho, ele perde mais um ponto (ARAÚJO, 1999). As medidas são subtraídas ao sentar e levantar, e o escore máximo é 5 pontos, dos quais se subtrai os apoios para gerar o resultado. Por exemplo, se um indivíduo utiliza uma mão de apoio para se levantar e utiliza o apoiode um joelho e de uma mão para se sentar novamente, subtraem-se 3 pontos do Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios10 seu escore, ou seja, sua pontuação final é 2. Em muitos casos, os indivíduos podem gerar escores negativos. Além disso, dependendo do grau de compro- metimento do paciente, o fisioterapeuta deve optar por uma medida mais facilitada (ARAÚJO, 1999). Já o teste Timed Up and Go (TUG) exige um pouco mais da funcionalidade e avalia potência, velocidade, agilidade e equilíbrio dinâmico do paciente. Para realizar o teste, o fisioterapeuta utiliza uma cadeira e faz uma marcação de 2 metros de distância dela. O avaliado deve iniciar o teste sentado na cadeira; ao sinal, ele se levanta, vai ao ponto marcado e retorna à posição inicial o mais rápido possível, sem correr. Esse teste se assemelha às tarefas do dia a dia e é um grande preditor da capacidade física, principalmente de idosos (JONES; RIKLI, 2002). A avaliação do TUG é realizada a partir da contagem do tempo em cro- nômetro para cinco repetições do percurso acompanhadas do processo de sentar e levantar da cadeira. Dessa forma, se o tempo exceder 13,6 minutos, o fisioterapeuta pode deduzir que há indício de redução da capacidade fun- cional, com provável aumento do risco de morbidade e limitação funcional do indivíduo (CAMARA et al., 2008). Estudo da variabilidade da FC A variabilidade da FC pode indicar diversas condições importantes para a conduta fisioterapêutica. Além disso, a variabilidade da frequência pode ser utilizada como parâmetro para o desenvolvimento de protocolos de reabilitação cardíaca e monitoração durante as sessões. Sabe-se que a FC pode ser influenciada por alguns fatores, como gênero, idade, genética, an- tropometria, alterações posturais, nível de aptidão física e temperatura do ambiente. De acordo com Paschoal et al. (2006), a variabilidade da FC tende a se reduzir de acordo com a idade durante a mudança de postura supina para a bípede, o que mostra que a fisioterapia pode atuar com esses pacientes prevenindo o risco de doenças cardíacas. A FC é controlada, na maior parte, pelo sistema autonômico, que garante o funcionamento das funções vitais. Assim, a FC é controlada por meio da complexa relação e interação entre os estímulos e inibições simpáticas e parassimpáticas. Os batimentos cardíacos oscilam de acordo com os estí- mulos e as respectivas adaptações do sistema. Assim, pode-se dizer que há irregularidade da FC, também chamada de “variabilidade da FC”. Entre os estímulos que podem afetar a variabilidade da frequência, estão: estresse Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 11 emocional, físico e mental, estímulos fisiológicos e ambientais, alterações metabólicas e hemodinâmicas, do sono, de postura, etc. Então, a variabilidade indica as oscilações que acontecem entre intervalos de tempo nos batimentos cardíacos, chamados de “intervalos R–R”. Essa é uma medida não invasiva e indica fenômenos de normalidade ou anormalidade em indivíduos portadores de doenças cardiovasculares. O tacograma é o gráfico que apresenta as oscilações da variabilidade de FC. A Figura 3, a seguir, mostra um tacograma com a variabilidade da FC de um adulto comparada à de um recém-nascido, ambos considerados normais. Observe que a variabilidade do adulto é maior do que a do recém-nascido. Figura 3. Tacrograma de um adulto (a) e de um recém-nascido (b). Fonte: Adaptada de Vanderlei et al. (2009). Os estudos sobre a variabilidade da FC se iniciaram em 1965, quando foi descoberta a aplicação clínica com relação ao sofrimento fetal. Os estudos foram evoluindo e adentraram o campo da cardiologia, em que se associou a redução da variabilidade da FC ao maior risco de mortalidade após o infarto agudo do miocárdio (IAM). Mais tarde, a variabilidade da FC passou a ser um grande predito de mortalidade para pacientes que haviam sofrido IAM (BARROS; BRITO, 2005). Nesse contexto, uma boa variabilidade cardíaca indica boa adaptação do corpo aos estímulos, ou seja, bom funcionamento dos mecanismos autonô- micos. Assim, essa medida é capaz de indicar sensivelmente e antecipar os comprometimentos que o indivíduo pode apresentar com relação ao sistema cardiovascular. A baixa variabilidade, portanto, indica o mau funcionamento e a adaptação anormal dos mecanismos, assim como a insuficiência do sistema autônomo em controlar as oscilações da FC. Esses sinais são indicação para uma investigação mais a fundo da fisiologia cardíaca, para descobrir o que Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios12 está sendo alterado no sistema (PUMPRLA et al., 2002). Por esses motivos, a FC vem sendo bem empregada nas pesquisas científicas e na prática clínica. Isto é, ela oferece dados e informações sobre as condições de saúde do paciente. Os dispositivos para a mensuração da variabilidade da FC incluem: ele- trocardiograma e cardiofrequencímetro. O eletrocardiograma representa por ondas os sinais de despolarização e repolarização. Os índices para o cálculo da variabilidade são obtidos a partir dos intervalos entre as ondas R, que também podem ser captados por cardiofrequencímetros (ACHARYA et al., 2006). Esses últimos instrumentos surgiram revolucionando o estudo da variabilidade, dada sua facilidade de acesso e mensuração. Assim, na prática clínica, o cardiofrequencímetro passou a ser mais utilizado com boa acurácia até durante exercícios físicos, abrindo ainda mais o leque de monitoramento. Na Figura 4, veja parte do sistema de eletrocardiograma. Perceba os pontos onde os eletrodos são acoplados ao corpo e a impressora que descreve o gráfico resultado do sinal elétrico emitido pelo funcionamento da bomba cardíaca. Figura 4. Parte do sistema de eletrocardiograma. Fonte: Evgeniy Kalinovskiy/Shutterstock.com. O cardiofrequencímetro possui vários modelos; entre eles, está o polar, que é amplamente conhecido como uma cinta com eletrodos que deve ser posicionada no tórax. A literatura aponta que seus dados são equivalentes Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 13 aos do eletrocardiograma quando aplicado em exercícios de baixa intensidade ou em repouso (KINGSLEY; LEWIS; MARSON, 2005). A literatura indica que o uso da variabilidade cardíaca se aplica à com- preensão de vários acometimentos, como doença coronariana, miocardiopatia, hipertensão arterial, infarto do miocárdio, morte súbita, doença pulmonar obstrutiva crônica e insuficiência renal e cardíaca. Assim, a redução da va- riabilidade está associada a um grande número de doenças, implicando a disfunção do sistema autonômico e a manutenção da saúde cardíaca (PUM- PRLA et al., 2002). A variabilidade é reduzida para desordens como miocardiopatia, ateros- clerose, hipertensão e IAM. Já os atletas tendem a possuir uma variabilidade maior em comparação aos indivíduos normais e sedentários, indicando os benefícios da atividade física regular. Além da variabilidade, os fatores rela- cionados ao domínio do tempo também são maiores em indivíduos treinados em comparação aos não treinados (ACHTEN; JEUKENDRUP, 2003). As alterações observadas na variabilidade também podem indicar a morbi- dade e a mortalidade de pacientes que realizaram cirurgia de revascularização do miocárdio (GODOY; TAKAKURA; CORREA, 2005). As alterações da variabilidade também podem indicar precocemente a taquicardia ventricular e predizer a taquicardia em paciente com cardioversores-desfibriladores implantáveis (MEYERFELDT et al., 2002). Além disso, os pacientes que sofreram IAM ou possuem a função ventricular esquerda deprimida podem ter seu prognóstico de mortalidade identificado por meio do estudo da variabilidade. Assim, a variabilidade da FC tem sido muito utilizada nas pesquisas cien- tíficas e na prática clínica como ferramenta de mensuração das funções do sistema nervoso autônomo. Essas funções estão relacionadas à manutenção da vida, ao índice de morbimortalidade e de qualidade de vida das popu- lações; quando equilibradas,elas demonstram o funcionamento adequado da homeostase. A facilidade de acesso e a quantidade de dados de que o sistema dispõe fazem com que a variabilidade seja uma técnica com bom custo–benefício e uma ótima ferramenta para a monitoração e a verificação do sistema nervoso autônomo; consequentemente, ela identifica as condições de saúde do indivíduo (VANDERLEI et al., 2009). Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios14 Testes de esforço submáximos e intervenções fisioterapêuticas nas disfunções cardiovasculares Os testes de esforço submáximos são muito utilizados para a avaliação fisioterapêutica cardiorrespiratória. A partir deles, podem ser avaliadas as condições cardiovasculares, respiratórias e metabólicas do paciente. Esses testes consideram uma intensidade de esforço suficiente para estressar essas variáveis, mas oferecem maior segurança ao paciente. Essa é uma faixa de esforço que normalmente também é atingida durante a intervenção fisioterapêutica, embora às vezes seja um pouco maior (PASCHOAL, 2010). É importante que o fisioterapeuta leve em conta as condições do paciente para a indicação do teste submáximo. São elas: grau de severidade das patologias, idade, capacidade cognitiva, estado nutricional, medicação e motivação. Ele ainda deve considerar os instrumentos disponíveis (PASCHOAL, 2010). Os protocolos utilizam a equação geral: FC = 220 – idade. Esse valor é considerado a capacidade máxima do indivíduo. Dessa capacidade, podem ser atingidos em torno de 75 a 80%. Para realizar o teste, é importante que o fisioterapeuta conheça todas as condições do paciente, os tipos de medica- mentos, outras disfunções que afetem o sistema e a presença de outros fatores, como o marca-passo. Pacientes tabagistas, por exemplo, tendem a apresentar capacidade respiratória reduzida durante a realização do teste (PASCHOAL, 2010; DETURK; CAHALIN, 2007). Os pacientes que possuem angina a determinada intensidade de esforço, por exemplo, devem ser avaliados cuidadosamente, de forma a manter a sua segurança, mesmo que o teste seja submáximo. Ao mesmo tempo, o teste serve de padrão para comparar a evolução do paciente ao longo do tempo, pois a tendência é que essa condição passe a demorar mais para surgir, ou que o paciente consiga atingir maior intensidade sem apresentar os sintomas. Os testes são abordados de forma a adequar-se às condições fisiológicas das doenças cardíacas e a formalizar a integração entre as avaliações e as intervenções fisioterapêuticas que podem ser designadas para cada caso (PASCHOAL, 2010). Os testes de caminhada são comuns em pacientes com doenças cardíacas, em especial os pacientes que possuem insuficiência cardíaca. O teste de Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 15 caminhada de 6 minutos fornece informações sobre o estado de função, tolerância ao exercício, consumo de oxigênio e sobrevida dos pacientes com insuficiência na bomba cardíaca. Ele é um tipo de exercício submáximo que pode se aproximar da quantidade considerada máxima para pacientes com insuficiência da bomba cardíaca. As informações obtidas no teste podem ser traduzidas em consumo de oxigênio e sobrevida dos pacientes mais graves à espera de um transplante de coração. Assim, a literatura aponta que os pacientes incapazes de caminhar por 300 metros durante o teste podem ter uma sobrevida menor. Há equações que podem predizer o consumo de oxigênio, no entanto elas apresentam um erro padrão de 2 a 3mL/kg/min. Já a equação que utiliza a distância percorrida indica a predição de insuficiência cardíaca dos pacientes (DETURK; CAHALIN, 2007). A seguir, veja as fórmulas propostas por Enright e Sherrill (1998) para o cálculo do resultado desse teste. � Homens: (7,57 × altura em cm) – (1,76 × peso em kg) – (5,02 × idade) – 309 metros � Mulheres: (2,11 × altura em cm) – (2,29 × peso em kg) – (5,78 × idade) + 667 metros O teste de caminhada é um teste importante por apresentar correlação moderada com outras medidas de estado de saúde geral e qualidade de vida. Assim, o instrumento é validado para a mensuração das condições físicas do paciente com insuficiência cardíaca e outras patologias dessa ordem (DETURK; CAHALIN, 2007). O teste de Cooper também é um tipo de teste de caminhada e propõe que o avaliado realize a caminhada durante 12 minutos para a avaliação da sua capacidade cardiorrespiratória. Esse foi um teste proposto inicialmente para pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc), mas não foi possível que todos o realizassem, pois não tinham condições respiratórias de se manterem caminhando durante o tempo proposto. Assim, passou a ser proposto o teste de caminhada de 6 minutos, já descrito (PASCHOAL, 2010). O teste de Paschoal é uma adaptação do teste de caminhada realizado em cicloergômetros sem o freio mecânico. Dessa forma, o teste é realizado apenas com a própria resistência do paciente para movimentar as pernas ou os braços (no caso do cicloergômetro de braço). A literatura aponta a similaridade de esforço cardiovascular entre o teste de Paschoal e o teste de caminhada de 6 minutos para pacientes com Dpoc. Assim, pode-se perceber que talvez, Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios16 para esses pacientes, seja mais viável aplicar um teste mais facilitado e que possua a mesma validade a nível cardiovascular (PASCHOAL, 2010). No teste de Paschoal, também pode ser calculada a velocidade; é calculada a distância percorrida dividida pelo tempo. Outra opção é que o próprio ci- cloergômetro faça o cálculo automaticamente. Assim, os testes de caminhada e com cicloergômetros não são controlados pela FC, e sim pela distância e/ ou desconforto do paciente ao realizar o teste (NEGRÃO; BARRETTO, 2010). Os testes que controlam pela FC são também chamados de “FC dependen- tes”. O mais conhecido nessa categoria é o protocolo de Astrand e Ryhming. O protocolo de Astrand e Ryhming consiste no uso de um cicloergômetro para a mensuração do volume de oxigênio e FC a fim de predizer o volume de oxigênio máximo consumido. Esse é um teste em que se controla a cadência das pedaladas em torno de 50 rotações por minutos; calcula-se qual seria a FC submáxima a ser atingida durante o teste. Os parâmetros são anotados a cada 3 ou 5 minutos, e o teste é finalizado quando o paciente atinge aquela frequência preestabelecida, por meio da fórmula 200 – idade (NEGRÃO; BAR- RETTO, 2010). A reabilitação cardiovascular é baseada nas condições do paciente ava- liadas e reavaliadas por meio dos testes submáximos de aptidão cardiorres- piratória. Essas condições iniciais, somadas aos relatos iniciais, preenchidos na anamnese, são imprescindíveis para a conduta e a escolha do tratamento fisioterapêutico. Assim, o processo de reabilitação pode utilizar diversos tipos de técnicas, mas no geral as técnicas estão voltadas ao desenvolvimento do condicionamento cardiorrespiratório. Podem ser criados protocolos baseados em ergometria, esteira, natação, etc. A função do fisioterapeuta é controlar essas atividades de forma sistemática, além de observar os sinais visuais e vitais do paciente. É importante ressaltar que alguns pacientes iniciam a intervenção ainda hospitalizados. Nesses casos, devido a instabilidades sistêmicas e à im- possibilidade de movimentos em maiores amplitudes, os pacientes podem fazer mudanças de decúbitos e movimentos básicos, de acordo com as suas limitações físicas e cardiovasculares. No âmbito hospitalar, é comum que os pacientes tenham acometimento respiratório concomitantemente. Assim, o fisioterapeuta pode adotar em suas condutas os exercícios respiratórios simples e, nos casos em que for necessário, os exercícios desobstrutivos, as manobras de mobilização de secreção, a expansão pulmonar, etc. Os pacientes liberados para a clínica normalmente já passaram da fase mais crítica e possuem alguma ou nenhuma restrição quanto aos testes submáximos e máximos. É importante que o fisioterapeuta realizeos testes Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 17 autonômicos para verificar as condições desse sistema sobre o cardiorres- piratório. Nesse sentido, a partir do momento em que o paciente possui a condição mínima para realizar os testes submáximos, ele começa a realizar também as intervenções baseadas no condicionamento, que podem ocorrer na esteira ou no cicloergômetro. Aqueles pacientes que não precisam ser monitorados tão frequentemente, isto é, que estão em estágios finais ou de manutenção, podem realizar caminhadas ao ar livre, de acordo com suas necessidades físicas. As atividades motoras também são muito indicadas para os pacientes, visto que as condições do seu aparelho musculoesquelético podem estar reduzidas. Nesse sentido, o fisioterapeuta pode empregar desde movimentos livres simples até movimentos mais elaborados e com carga resistida. É importante ressaltar que se deve conhecer o nível de força muscular, de alongamento e de mobilidade dos pacientes, de forma que as atividades propostas se adequem à sua realidade. Os exercícios resistidos são empregados em fases mais tardias, em que os pacientes já se encontram tanto mais condicionados cardiovascularmente quanto mais fortes. Como você viu anteriormente, o pilar relacionado à aptidão cardiorres- piratória é composto por: sistema muscular, sistema respiratório e sistema cardiovascular. Nesse sentido, foram abordadas intervenções para melhorar e recuperar as funções cardiovasculares e musculares. Assim, as funções cardiorrespiratórias podem ser trabalhadas juntas, nos treinos ergométri- cos e à parte, como nos casos em que o paciente possui alguma patologia respiratória de base, como a asma ou o Dpoc. Nesses casos, o fisioterapeuta pode adequar sua intervenção com base em exercícios respiratórios simples e que contemplem as necessidades individuais do paciente. A avaliação dos resultados dos exames é importante para que o fisiotera- peuta mantenha o controle e, a partir disso, trace os objetivos e as condutas a serem seguidas durante as sessões. A qualidade de vida dos pacientes pode ser acessada a partir de diversos questionários, como os de estado geral de saúde (questionário de qualidade de vida após IAM, questionário de qualidade de vida após IAM de MacNew e questionário de qualidade de vida índice- -cardíaco versão III). Já os questionários específicos fornecem informações importantes sobre as doenças em específico. É o caso do questionário de Minnesota, do questionário específico para o tipo de angina e do questionário para angina de Seattle (DETURK; CAHALIN, 2007). Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios18 A qualidade de vida dos pacientes cardíacos pode influenciar o prog- nóstico do tratamento, visto que essa condição está diretamente relacionada com as características psicológicas do paciente, com o seu nível de aceitação do tratamento e com o seu nível de colaboração frente às condutas do fisioterapeuta. Assim, é importante que o fisioterapeuta conheça as condi- ções subjetivas do paciente, para compreender seu contexto e suas condições clínicas. Para saber mais sobre esse assunto, confira o artigo “A percepção da doença cardíaca e da comunicação do diagnóstico”, de Viviane Altenhofen e Elisa Kern de Castro, que trata da autopercepção do paciente com relação à doença. Esse artigo está disponível on-line; para encontrá-lo, utilize o seu site de buscas preferido. Análise e diferenciação dos resultados nos testes de esforço A partir dos resultados obtidos com os testes de esforço, o fisioterapeuta consegue identificar a origem do distúrbio ou a provável causa do desconforto relatado pelo paciente. É importante lembrar que o resultado do teste está ligado à integração entre os sistemas cardiovascular, pulmonar e muscular. Assim, pode-se diferenciar doenças cardíacas de pulmonares, cardiovas- culares de cardíacas, cardíacas de musculares, pulmonares de musculares, cardiovasculares de musculares e pulmonares de cardiovasculares (DETURK; CAHALIN, 2007). As doenças cardíacas e pulmonares são mais fáceis de serem distinguidas. Isso pode ser realizado a partir da medida de FC durante o esforço. Sabe-se que a FC possui relação com o consumo de oxigênio; o paciente com problemas cardíacos apresenta maior FC ao realizar menores cargas do que os portado- res de doenças respiratórias. Isso pode ser explicado pela equação de Fick: VO2 = FC × volume sistólico × diferença arteriovenosa de oxigênio. Os pacientes com doenças cardíacas apresentam menor volume sistólico na prática do exercício, o que é ocasionado por isquemia ou infarto, e tendem a elevar a FC para manter o débito cardíaco e manter o desempenho durante o teste. O pulso também tende a ser menor nos pacientes cardíacos, visto que ele é uma medida indireta do volume sistólico e também uma forma de acompanhar essa redução por conta de doenças cardíacas (DETURK; CAHALIN, 2007). Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 19 A diferenciação entre doenças cardiovasculares e cardíacas é mais difícil, visto que uma acompanha a outra. Alguns sintomas podem ajudar a identi- ficar determinadas doenças e diferenciá-las. Sinais e sintomas de doenças cardiovasculares podem ser encontrados, como: baixo desempenho no teste de esforço, alteração da musculatura da panturrilha, FC baixa e resposta da frequência curta, além de menor PA nas extremidades inferiores após os exercícios. A pressão das extremidades pode ser mensurada nos tornozelos, por meio da baixa relação entre tornozelo e braquial, do maior tempo de enchimento venoso e do teste de rubor positivo (DETURK; CAHALIN, 2007). As diferenças entre as doenças cardíacas e musculares são o baixo de- sempenho nos exercícios, a fadiga muscular, a baixa FC e a resposta curta ou baixa da frequência. Nas doenças musculares, são mais comuns os valores para frequência cardíaca de pico, o consumo de oxigênio e a menor resistência dos músculos. Além disso, os padrões respiratórios tendem a estar trabalhando em uma frequência maior e de forma anormal. Já as doenças cardíacas são diferenciadas por apresentar maior FC e consumo de oxigênio, além de maior resistência e força dos músculos (DETURK; CAHALIN, 2007). A diferença entre doenças pulmonares e musculares também é mais sutil, visto que os sinais e sintomas são os mesmos ou parecidos. As diferenças podem ser baseadas na dessaturação arterial, que ocorre normalmente nas doenças pulmonares. Mas a própria biomecânica respiratória, quando se encontra anormal, gera baixo desempenho nos testes, frequência respiratória mais rápida e baixo nível de consumo de oxigênio. Dessa forma, a diferenciação seria possibilitada somente por critérios de saturação de oxigênio, que indica as doenças pulmonares (DETURK; CAHALIN, 2007). A diferenciação entre as doenças cardiovasculares e as musculares também é difícil, visto que as doenças cardiovasculares podem levar ao comprome- timento muscular. Assim, o baixo desempenho nos testes pode ser comum aos dois tipos de doenças; a FC e a frequência respiratória baixas também podem ser observadas em ambas. Já o aumento da PA está relacionado com a doença cardiovascular. Ambas podem apresentam obstrução da musculatura da panturrilha, menor PA inferior, demora no enchimento venoso e teste de rubor positivo (DETURK; CAHALIN, 2007). Por fim, a diferenciação entre doenças pulmonares e cardiovasculares é feita por meio da relação de sintomas que são mais associados às doenças cardiovasculares, como: resposta hipertensiva, obstrução intermitente dos músculos das panturrilhas, menor PA nos tornozelos, menos índice tornozelo- -braquial, maior demora no enchimento venoso e teste de rubor positivo. Já para as doenças pulmonares, é mais comum: dessaturação arterial, bio- Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios20 mecânica da respiração anormal e taxas respiratórias altas. É importante você lembrar que os sinais de baixo rendimento ao esforço e o baixo nívelde consumo de oxigênio são comuns nos dois tipos de doenças (DETURK; CAHALIN, 2007). Referências ABELLAN, V. K. et al. Gait speed at usual pace as a predictor of adverse outcomes in community-dwelling older people an International Academy on Nutrition and Aging (IANA) Task Force. Journal of Nutrition, Health, and Aging, v. 13, n. 10, 2009. 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No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Exames e testes funcionais cardiorrespiratórios 23