Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO, COERÊNCIA E COESÃO 
2 
 
 
COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL .................................................................. 5 
Como criar coerência textual? ............................................................................. 5 
Aspectos essenciais na coerência textual: ......................................................... 5 
Aspectos a evitar na coerência textual: ............. Erro! Indicador não definido. 
Coesão ................................................................................................................. 6 
Coesão Sequencial .............................................................................................. 6 
Recorrência de tempos verbais ......................................................................................6 
A Coesão Gramatical ........................................................................................... 8 
O Texto ...........................................................................................................................8 
A Textura ........................................................................................................................8 
Coesão lexical .................................................................................................... 10 
Recursos coesivos lexicais: ............................................................................... 12 
Definindo a Coesão ........................................................................................... 12 
Coesão Referencial ........................................................................................... 13 
Pro-forma pronominal ........................................................................................ 13 
Pro-forma adverbial ........................................................................................... 14 
Pro-forma quantitativa ....................................................................................... 14 
Coesão por elipse .............................................................................................. 15 
elipse: pro-forma substituída por zero............................................................... 15 
Reiteração ........................................................................................................... 16 
3 
 
 
Nomes Genéricos ................................................................................................. 16 
Repetição do mesmo item lexical .......................................................................... 16 
Coesão por substituição........................................................................................ 16 
Outros recursos que contribuem para a coesão textual .......................................... 17 
Coerência ............................................................................................................ 17 
Outros dois conceitos importantes para a construção da coerência textual são a 
continuidade temática e a progressão semântica. .................................................. 18 
A importância da coesão e coerência .................................................................... 19 
Seis dicas para melhorar a coesão e coerência ..................................................... 19 
Use sinônimos ................................................................................................................ 19 
Coloque conjunções coordenativas ....................................................................... 20 
Produção Textual ................................................................................................. 21 
Como Produzir um Bom Texto? ............................................................................ 23 
Crie a Estrutura do Texto ...................................................................................... 23 
Tema e Título ....................................................................................................... 23 
Apresentação ....................................................................................................... 24 
Desenvolvimento .................................................................................................. 24 
Conclusão ............................................................................................................ 24 
Dicas para Produzir um Bom Texto ....................................................................... 25 
Referências .......................................................................................................... 26
4 
 
 
COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL 
 
 
Coerência e coesão são duas ferramentas essenciais e inseparáveis na construção 
textual. Graças à coerência e à coesão, é possível transformar sequências de palavras num 
todo organizado, ou seja, num texto. 
 
 
Coerência estabelece a lógica interna de um texto e cria uma linha de pensamento. 
Coesão cria uma sequência harmoniosa entre os diversos momentos do texto. 
 
 
 
Como criar coerência textual? 
Para cumprir o seu propósito de transmissão de mensagens, um texto deve apresentar 
certas características que facilitem a apreensão do sentido pelo leitor, seguindo uma linha de 
pensamento que possa ser seguida e compreendida. 
 
Aspectos essenciais na coerência textual: 
• Escrita com clareza, simplicidade, objetividade e concisão; 
• Estruturação de uma ideia principal e de ideias secundárias; 
• Criação de uma linha de raciocínio e pensamento lógico; 
• Entrelaçamento de ideias e harmonia entre fatos; 
• Transmissão de informação relevante com ênfases nas partes mais importantes; 
 
• Apresentação de informação suficiente sobre o assunto; 
• Demonstração de um domínio total do assunto; Construção de um todo 
significativo. 
 
• Utilização desnecessária de palavras; 
• Repetição de palavras; 
5 
 
 
• Redundância de ideias; 
• Contradição de fatos; 
• Existência de fatos isolados; 
• Utilização de frases muito extensas; 
• Uso de frases feitas, clichês, jargões, estrangeirismos; 
• Uso de outros elementos que empobreçam o discurso. 
 
 
 
Coesão 
Do verbo coerir, ou seja, unir, ligar, a coesão do texto está pautada na utilização 
correta dos conectivos. 
Muito importante lembrar que um texto não é um emaranhado de frases e, por 
este motivo, a coesão é uma característica fundamental para tornar o texto coesivo. 
Ela é a conexão harmoniosa entre as partes do texto, do parágrafo e da frase. 
 
Coesão Sequencial 
Na coesão sequencial é estabelecida uma coesão por conjunção, sendo 
utilizados conectivos e expressões que dão continuidade aos assuntos, 
estabelecendo uma sequência e relação com aquilo que já foi afirmado, como por 
conseguinte, embora, logo, com o fim de, caso,... 
• Perante aquela situação, foi fácil tomar uma decisão. 
• Isto posto, continuaremos realizando nosso trabalho. 
 
 
Recorrência de tempos verbais 
Weinrich (21) divide os tempos verbais em dois grandes grupos, de acordo com 
o uso nas situações comunicativas1: os do mundo comentado e os do mundo narrado. 
 
 
 
 
1 Weinrich denomina situações comunicativas: o pedido de uma informação e a própria informação; um monólogo; o relato de uma 
6 
 
 
O primeiro grupo compreende os tempos verbais utilizados em diálogos, 
comentários. O falante, ao utilizar os tempos deste grupo, está comprometido com o 
enunciado. O tempo verbal principal é o presente. 
O segundo grupo comporta os tempos que são usados em narrações, relatos. 
O perfeito e o imperfeito são os tempos principais. O uso destes tempos expressa o 
não comprometimento do falante com o enunciado. 
 
O presente é o tempo zero do mundo comentado e o pretérito perfeito e o 
imperfeito são os tempos zero do mundo narrado. "Os demais tempos de cada grupo 
são, por sua vez, tempos de prospecção ou de retrospecção em relaçãoao tempo 
zero. Designam a perspectiva comunicativa relativamente ao ponto zero dos grupos 
temporais correspondentes." (Koch, 12, p. 40). 
 
Para Weinrich, não há aspecto verbal propriamente dito. Ele diferencia o 
pretérito perfeito do imperfeito fundamentando-se na noção de relevo narrativo: o 
primeiro (perfeito) é o tempo do l s plano, que é usado para narrar ações; o segundo 
(imperfeito) é o do 2º plano, que é empregado como pano de fundo. O imperfeito é 
também muito usado para introduzir ou concluir a narração. 
 
Nos contos infantis é comum a introdução com o imperfeito expresso na 
fórmula "era uma vez". Confirma Weinrich: 
 
"El mundo de los cuentos infantiles es el mundo narrado por 
excelência. En ningún relato somos tan distanciados de la situación cotidiana 
cono en el cuento infantil. En el cuento infantil todo es distinto dei mundo 
cotidiano; por ello, el cuento infantil traza con más firmeza que cualquier otro 
relato la frontera entre el mundo narrado y el mundo cotidiano." (p. 81). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
história; a descrição de um objeto ou de uma cena; a leitura e a escrita de uma carta; um comentário; uma conferência científica; um diálogo 
dramático etc. (p62) 
7 
 
 
A Coesão Gramatical 
O Texto 
Antes de se aprofundar no estudo da coesão, é necessário deixar claros alguns 
conceitos que é a definição de o que seja texto. Geralmente as pessoas vinculam o 
conceito de texto à extensão de uma expressão lingüística. Assim, um slogan em um 
out-door, por exemplo, poderia não ser classificado como texto. Mas neste estudo não 
será esse o referencial para se definir texto. Aqui, como em Halliday & Hasan (1976), 
será considerada texto qualquer expressão lingüística, escrita ou falada, 
independente de seu tamanho, que forme um todo, um conjunto com sentido. 
Qualquer falante sabe se uma passagem de sua língua tem sentido ou não. Na 
verdade, existem traços que são característicos de um texto. Ainda que não os saiba 
explicitar, um falante ou leitor também intuitivamente sabe disso. “Textura” é um 
desses traços. 
 
A Textura 
O conceito de textura é bastante apropriado para se definir o que seja um texto. 
 
“A text has texture, and this is what distinguishes it from something that 
is not a text. It derives this texture from the fact that it functions as a 
unity with respect to this environment.”2 
Halliday & Hasan (1976: 2) 
 
 
Textura é um conceito-chave na teoria de Halliday & Hasan, visto que os 
autores expõem justamente os recursos de que a língua dispõe para criá-la. Se uma 
pessoa descreve uma passagem qualquer da língua como sendo um texto é porque 
considera que haja ali uma unidade, partes que se conjugam e mantêm uma ligação 
com um tema qualquer. É a isso que se chama aqui de textura. 
 
 
 
 
 
 
2 “Um texto tem de ter textura. E é isso que o distingue de um seqüência desconexa de períodos. Essa textura deriva do fato de que 
o texto funciona como uma unidade temática”. 
8 
 
 
A teoria da textura nada mais é do que uma resposta à questão de qual seria 
o traço distintivo entre um texto e um amontoado de palavras sem sentido. Estudar as 
formas de se constituir a coesão seria, portanto, investigar os recursos que a língua 
tem para criar essa textura. 
 
“If a passage of English containing more than one sentence is 
perceivel as a text, there will be certain linguistic features present in that 
passage wich can be identified as contribuing to its total unity and giving it 
texture.”3 
Halliday & Hasan (1976: 2) 
 
 
Para exemplificar o que se defende aqui, observe-se a seguinte passagem, 
retirada de uma receita culinária: 
(1:1) Depene e limpe um frango. Divida-o em duas metades. 
 
Está claro que o, na segunda oração, refere-se a frango, da primeira oração. 
Essa função ANAFÓRICA - de se refererir a algo que vem antes - dá coesão às duas 
orações. Assim, as duas orações juntas podem constituir um texto. Nesse caso, a 
textura advém da relação de coesão existente entre o e frango. Ambas as expressões 
- o e frango - referem-se à mesma coisa . Os dois itens são COREFERENCIAIS. É 
provável que a sensação de que “há algo de errado” com o texto a seguir advenha do 
fato de que haja um termo que teria a função de fazer a referência, de pressupor 
algum item já citado, mas não se consiga enxergar no próprio texto o elemento original 
a que se ligue anaforicamente: 
 
(1:2) “(...) Estás desempregado? Seus negócios não andam bem? Se 
você é um descrente, e nunca encontrou alguém capaz de resolver seus 
problemas, consulte a DONA TÂNIA que o resolverá no menor espaço de 
tempo possível.” (anúncio de vidente, coletado em Belo Horizonte) 
 
 
 
 
 
 
3 Se uma passagem em uma língua como o inglês (ou o português), contendo mais de um período simples, é entendida como sendo 
um texto é porque há ali certos traços lingüísticos que contribuem para a sua unidade total e que lhe dão a textura.” 
9 
 
 
No exemplo acima, o, de “...o resolverá no menor espaço de tempo possível”, 
talvez devesse ter a função anafórica de se referir a seus problemas, ou seja, talvez 
fosse essa a intenção do autor do texto, mas isso não é possível devido à diferença 
de número entre o referente e o item referido - seus problemas é plural e o, singular . 
Também é pouco provável que o autor do texto tenha desejado, com o anafórico o, 
referir-se a você. Sob esse aspecto - o da referência - a textura foi prejudicada e, por 
conseguinte, a relação coesiva também. O que ocorre é que existe um elemento 
potencialmente anafórico - o - mas não existe - ou não é possível afiançar qual seja 
com base na estrutura do texto - um referente para ele. É claro, no entanto, que o 
leitor do texto em questão é capaz de recuperar a informação. Isso porque identidade 
de referente não é a única relação de significado que contribui para a textura. 
Tampouco o uso de pronome é a única forma de se expressar identidade de referente. 
O exemplo 1:1 poderia ser reescrito da seguinte forma: 
 
(1:3) Depene e limpe um frango. Divida o frango em duas metades. 
 
 
 
 
Coesão lexical 
A coesão lexical se subdivide em dois tipos: reiteração e colocação. A 
reiteração diz respeito a casos de coesão lexical em que se percebe uma intenção 
do autor em fazer remissão a um elemento já citado no texto. Isso pode ser feito 
através da repetição do mesmo item, através de sinônimos, de metonímias, de 
hiperônimos e hipônimos, de nominalizações, de antonomásias ou de palavras de 
sentido geral, como coisa ou evento. 
A coesão por colocação, por sua vez, diz respeito à associação de palavras 
que se pode fazer dentro de um texto e que tem força coesiva ainda que não haja 
uma intenção de se fazer uma remissão 
 
É o que ocorre quando se usa em um texto as palavras menino e brinquedo, 
por exemplo. Há uma associação entre esses dois itens lexicais, por isso, diz-se que 
10 
 
 
são colocacionalmente coesivos, ou seja, tendem a co-ocorrer, a se colocar juntos, 
no mesmo texto. 
 
A partir desses conceitos gerais, este estudo analisa cada caso. A 
coesão lexical é apresentada neste trabalho como uma forma eficiente de 
elaboração da rede coesiva. Ela é contraposta à coesão gramatical porque 
serve a estratégias textuais que vão além do objetivo de reiterar um elemento 
no texto. Isso por dois motivos básicos: 
1: Os itens lexicais usados para se processar a coesão podem ser 
veículo também de modalizações, ou seja, através de um item lexical, além de 
efetuar a coesão, o autor também pode agir sobre o leitor, com a intenção de 
impressioná-lo; 
 
2: a coesão lexical é também um mecanismo de entrada no texto de 
informações novas. Quando reitera um elemento do texto através de uma 
característica sua que ainda não havia aparecido no texto, por exemplo, o 
autor está também aumentando o grau de informatividade de seu texto. 
 
Após reunir teorias sobre a coesão lexical - notadamente a coesão 
 
colocacional-este trabalho analisa alguns textos produzidos por estudantes. A análise 
se presta a verificar a incidência nos textos de elementos de coesão lexical. Verifica- 
se se o aluno lança mão de elementos lexicais para processar a coesão bem como 
se, nos textos analisados, a coesão lexical e em especial a colocação, é planejada e 
empregada como uma estratégia textual. 
Na coesão lexical são utilizados recursos coesivos que permitem a 
manutenção do tema sem repetições vocabulares. 
• Um dos cientistas estava próximo de mais uma descoberta. Os restantes 
investigadores aguardavam as conclusões. 
• A savana estava repleta de leões e leoas. Esses magníficos mamíferos 
selvagens. 
11 
 
 
• Ainda estou cozinhando o arroz. Quando acabar de o fazer, poderemos 
almoçar. 
 
Recursos coesivos lexicais: 
• Sinonímia: utilização de sinônimos, como convencer e persuadir. 
• Hiponímia e hiperonímia: uso de substantivos específicos e genéricos, como 
leão e mamífero. 
• Repetição: emprego de palavras repetidas com intuito de destacar ou reforçar 
uma ideia, como enormes vontades, enormes esforços, enormes desilusões. 
Nominalização: utilização de substantivos, verbos e adjetivos relacionados, 
como felicidade, feliz e felicitar. 
• Substitutos universais: uso termos que substituem outros, como pronomes, 
numerais e mesmo alguns verbos, como o verbo fazer. 
 
 
 
Definindo a Coesão 
 
Segundo Halliday & Hasan (1976), o conceito de coesão é semântico. 
Refere-se a relações de significado que existem dentro de um texto e que o 
definem como tal, dando-lhe textura. Vai haver a coesão quando, em um texto, 
a interpretação de algum elemento é dependente da de outro; um pressupõe 
o outro, na razão de que um não pode ser compreendido sem que se recorra 
ao outro. Quando isso acontece, então há a coesão e os dois elementos 
envolvidos estão integrados dentro do texto. 
O potencial para que a coesão se processe, no entanto, está nos 
recursos de referenciação, elipse, substituição e no léxico. A realização de 
construções coesivas em um dado instante, no texto, não depende, no entanto, 
meramente da escolha de um desses recursos. É necessário que exista um 
outro elemento que satisfaça a pressuposição sugerida pelo emprego de um 
desses recursos. Observe-se novamente o exemplo: 
12 
 
 
(1:3) Depene e limpe um frango. Divida o frango em duas metades. 
 
 
A palavra frango, do exemplo, não é, por si, coesiva. A relação de coesão 
ocorre se um elemento é reativado através de itens anafóricos, como o pronome 
o, no caso do exemplo 1:1 (Depene e limpe um frango. Divida-o em duas 
metades.), ou se é reiterada. Pode-se ainda estabelecer uma relação coesiva 
com o item frango,no exemplo, se uma outra palavra relacionada a ele, como 
“ave”, por exemplo,ocorre. O pronome anafórico, no entanto, não teria um valor 
coesivo, sem o seu precedente. Quando se se depara com o pronome pessoal 
Ele, por exemplo, em um texto, espera-se que haja dentro ou fora do texto um 
elemento a ser-lhe vinculado. 
 
Coesão Referencial 
Pro-forma pronominal 
Para manutenção da referência de um item, as crianças substituem por 
pronomes, especialmente os do caso reto (3ª- pessoa). Este recurso é muito utilizado 
pelas crianças para evitar a repetição do mesmo item: 
 
(1) "Era uma vez um rei muito guloso e só ele que comia ele não 
dava pra 
ninguém. 
 
Nos exemplos (2), (3) e (4), apenas os artigos indefinidos foram substituídos 
por pro-formas demonstrativas, aparecendo em seguida a repetição do item lexical: 
(2) "Aurora tinha um vestido todo estrelado. Esse vestido era todo 
babado." 
13 
 
 
(3) "Era uma vez uma princesa que vivia num palácio muito bonito. 
Ela gostava de viver naquele palácio. (...) Um dia ela viu um príncipe muito 
bonito. Ela começou a gostar dele. Ela ficou apaixonada por aquele príncipe.'' 
 
(4) "Era uma vez um rei. Que tinha uma filha. Essa filha era uma 
princesa que se chamava-se Claudete. Um dia um príncipe quis casar com ela. 
Mas o pai não aceitou. Esse príncipe viu um dia uma pastora. 
 
No exemplo seguinte, temos a pro-forma com função de pro-sentença: 
 
(5) "Então Laura percebeu que quem era bonita não era ela, era o 
vestido então ela ficou zangada com isto e foi para casa muito triste." 
 
O pronome demonstrativo "isto" substitui anaforicamente a sentença: 
"quem era bonita não era ela, era o vestido." 
 
Pro-forma adverbial 
(6) "(...) Laura pôs o vestido novo e se pintou arrumou o cabelo 
e foi para a festa. Chegando lá (...)" 
 
(7) "Quando Laura abriu sua gaveta seu vestido estava lá." 
 
Nos dois exemplos, o "lá" é uma pro-forma adverbial com função de 
prosintagma: "a festa"; "sua gaveta". 
 
Pro-forma quantitativa 
(8) "Era uma vez um príncipe. Era uma vez uma princesa muito bonita. 
Os dois moravam numa fazenda (...)" 
 
O numeral rtdois" é uma pro-forma quantitativa com função de pro-sintagma: 
"um príncipe" e "uma princesa" 
14 
 
 
Coesão por elipse 
Na coesão por elipse é feita a omissão de elementos anteriormente 
mencionados, desde que facilmente identificáveis. 
• Minha mãe está na feira. Foi comprar frutas e verduras. 
• Mariana e Paula são melhores amigas. Querem viajar juntas. 
 
 
 
elipse: pro-forma substituída por zero 
Quando a substituição por pronomes ou item lexical torna-se redundante, 
ocorrem as elipses, que muitas vezes contribuem para tornar o texto ambíguo, como 
em (9): 
 
(9) "Era uma vez um rei muito alegre ele não gostava que ficava noite 
ele não sabia que o era um dragão negro ele mandou um príncipe matar o 
dragão negro." 
 
Segundo Koch (11, p. 4): "Bastante comum é também, em português, a 
substituição por zero — elipse —, mesmo em se tratando de componentes que 
exercem a função sintática de sujeito." 
 
Essa ocorrência, porém, não é comum na linguagem infantil. A criança, 
constantemente, expressa o sujeito em suas construções lingüísticas: 
 
(10) "Era uma vez uma princesa muito bonita. Ela gostava muito do 
príncipe. O rei era muito bom para ela e ela gostava muito do rei (...)" 
 
(11) "Laura tinha um vestido bonito ele era vermelho e meio amarelo, 
(...) O vestido tinha três cores: (...) 
15 
 
 
Reiteração 
 
Nomes Genéricos 
No exemplo (12), temos a reiteração de "vestido" pelo vocábulo "coisa" 
(nome genérico) 
(12) "Laura gostou muito do seu vestido. O vestido era todo estrelado 
(...) ela [Laura] chamou os caçadores para procurar o seu vestido e eles viram 
uma coisa colorida e estrelada (...)" 
 
Repetição do mesmo item lexical 
A repetição de estruturas, recurso utilizado com muita freqüência, demonstra o 
esforço da criança para desfazer ambigüidades: 
 
(13) "Laura é uma mocinha muito bonita. Laura fica muito bonita com 
este vestido. Laura gosta muito do vestido dela." 
 
(14) "Laura gostou muito do seu vestido. O vestido era todo estrelado 
e cheio de borboletas que dava inveja do vestido de Laura (...)" 
 
É interessante observar ainda que nos exemplos (IS) e (16) o mesmo item 
lexical é repetido através da substituição por pro-forma pronominal: 
 
(15) "O vestido1 ele1 era todo rendado dos lados." 
 
(16) "Ela [a princesa] estava adormecida porque uma bruxa malvada 
ela tinha lançado um feitiço sobre a princesa (...)" 
 
Coesão por substituição 
Na coesão por substituição são também utilizadas palavras que retomam 
termos já referidos, havendo, contudo, uma nova definição desse termo, sem que haja 
correspondência total ao primeiro termo. 
16 
 
 
 
• Meu pai pediu bolo de chocolate, eu pedi um de limão. 
• Para a festa, ela comprou um vestido novo. Eu vou comprar também. 
 
 
 
Outros recursos que contribuem para a coesão textual 
Além do acima exposto, é essencial que haja: 
 
• Correta ordenação das palavras no período; 
• Correto uso de desinências nominais (marcas de gênero e número); 
• Correto uso de desinências verbais (flexão em número, pessoa, modo e tempo); 
Corretautilização de preposições e conjunções. 
 
 
 
Coerência 
Coerência: é a relação lógica entre as ideias de um texto, fazendo 
com que umas complementem as outras e não se contradigam. Com isso, forma um 
"todo" significativo, que é o texto. 
Quando falamos em coerência textual, falamos acerca da significação do 
texto, e não mais dos elementos estruturais que o compõem. Um texto pode estar 
perfeitamente coeso, porém incoerente. É o caso do exemplo abaixo: 
"As ruas estão molhadas porque não choveu" 
Há elementos coesivos no texto acima, como a conjunção, a sequência lógica 
dos verbos, enfim, do ponto de vista da COESÃO, o texto não tem nenhum problema. 
Contudo, ao ler o que diz o texto, percebemos facilmente que há uma incoerência, 
pois se as ruas estão molhadas, é porque alguém molhou ou a chuva, ou algum outro 
evento. Não ter chovido não é o motivo de as ruas estarem molhadas. O texto está 
incoerente. 
17 
 
 
Podemos entender melhor a coerência compreendendo os seus três princípios 
básicos: 
 
 
Princípio da Não Contradição: em um texto não se pode ter situações ou 
ideias que se contradizem entre si, ou seja, que quebram a lógica. 
Princípio da Não Tautologia: Tautologia é um vício de linguagem que consiste 
n a repetição de alguma ideia, utilizando palavras diferentes. Um texto coerente 
precisa transmitir alguma informação, mas quando há repetição excessiva de palavras 
ou termos, o texto corre o risco de não conseguir transmitir a informação. Caso ele 
não construa uma informação ou mensagem completa, então ele será incoerente. 
 
 
Princípio da Relevância: Fragmentos de textos que falam de assuntos 
diferentes, e que não se relacionam entre si, acabam tornando o texto incoerente, 
mesmo que suas partes contenham certa coerência individual. Sendo assim, a 
representação de ideias ou fatos não relacionados entre si, fere o princípio da 
relevância, e trazem incoerência ao texto. 
 
 
 
Outros dois conceitos importantes para a construção da 
coerência textual são a continuidade temática e a progressão 
semântica. 
Há quebra de continuidade temática quando não se faz a correlação entre umas e 
outras partes do texto (quebrando também a coesão). A sensação é que se mudou o assunto 
(tema) sem avisar ao leitor. 
Já a quebra da progressão semântica acontece quando não há a introdução de novas 
informações para dar sequência a um todo significativo (que é o texto). A sensação do leitor 
é que o texto é demasiadamente prolixo, e que não chega ao ponto que interessa ao objetivo 
final da mensagem. 
https://www.infoescola.com/filosofia/principio-da-nao-contradicao/
https://www.infoescola.com/filosofia/principio-da-nao-contradicao/
18 
 
 
Em resumo, podemos dizer que a Coesão trata da conexão harmoniosa entre as partes 
do texto, do parágrafo, da frase. Ela permite a ligação entre as palavras e frases, fazendo com 
que um dê sequência lógica ao outro. A Coerência, por sua vez, é a relação lógica entre as 
ideias, fazendo com que umas complementem as outras, não se contradigam e formem um 
todo significativo que é o texto. 
 
 
 
A importância da coesão e coerência 
 
 
• Facilita a compreensão e interpretação do texto; 
• Favorece o bom encadeamento das ideias, permitindo que o leitor 
identifique a essência do texto, independentemente de qual tipo ela seja 
(dissertativo, narrativo etc.); 
• Permite que o texto seja rico nos recursos oferecidos pela Língua 
Portuguesa, melhorando bastante a qualidade da escrita; 
• Torna o texto mais leve e fácil de ler, incentivando os leitores e deixando 
claro o raciocínio utilizado. 
Seis dicas para melhorar a coesão e coerência 
Use sinônimos 
O uso de sinônimos evita que o texto fique repetitivo e cansativo, fazendo com 
que o leitor consiga compreendê-lo com maior facilidade. Apenas para relembrar, um 
sinônimo é uma palavra escrita de forma diferente, mas que possui o mesmo 
significado. 
Exemplos: 
No entanto = porém; 
Carro = automóvel; 
Casa = residência; Lição 
= ensinamento; 
19 
 
 
Adversidade = problema. 
 
Coloque conjunções coordenativas 
As conjunções coordenativas são fundamentais para a compreensão do texto, 
exercendo um papel fundamental para a coesão e coerência. 
Exemplos de cada tipo de conjunção: 
Aditivas: mas também, nem, e, mas ainda; 
Adversativas: entretanto, contudo, não obstante, mas, porém, no entanto, 
todavia; 
Alternativas: ora… ora, já… já, ou… ou, quer… quer; 
Conclusivas: portanto, por isso, assim, então, por conseguinte, logo, então, 
pois (depois do verbo); 
Explicativas: que, porque, porquanto, pois (antes do verbo). 
Releia o parágrafo 
Uma forma de analisar a coerência e coesão de um texto é sempre ler o 
parágrafo assim que terminar de escrevê-lo, analisando a interligação dele com o 
conteúdo anterior. Essa leitura também ajuda na construção dos próximos parágrafos 
e favorece uma excelente conclusão. 
Evite palavras complicadas 
O uso de palavras muito complicadas dificulta a compreensão do leitor e, 
quando essas palavras são colocadas fora de contexto, comprometem totalmente o 
encadeamento das ideias. Por isso, o ideal é utilizar palavras que sejam de fácil 
compreensão, utilizando termos técnicos ou estritamente acadêmicos desde que eles 
sejam cabíveis. 
Por exemplo, o vocabulário específico de um curso de Direito deve ser adotado 
no ambiente acadêmico e profissional dessa área. 
Coloque-se no lugar do leitor 
20 
 
 
Colocar-se no lugar do leitor é uma excelente maneira de melhorar a coesão e 
coerência, fazendo com que você identifique como melhorar o conteúdo e tornar mais 
fácil o entendimento. Uma dica aqui é ler o texto em voz alta e pensar no perfil de 
leitor a quem este texto é indicado. 
Leia mais 
Ler é a estratégia número um para quem precisa (e deseja) escrever textos de 
qualidade. À medida que aumentamos a frequência da leitura, também nos 
familiarizamos com as estruturas utilizadas pelos autores e, na hora de fazermos 
nossos textos, a qualidade melhora naturalmente (e sem tanto esforço). 
Com essas informações e seguindo essas dicas, a coesão e coerência dos 
seus textos terão excelentes resultados. 
 
 
 
 
 
 
 
Coesão e coerência - nuances que realçam a beleza do texto 
 
 
 
 
 
Produção Textual 
A produção de textos é o ato de expor por meio de palavras as ideias, sendo 
uma ação deveras importante. 
21 
 
 
Saber produzir um texto pode ser um pré-requisito para conseguir um 
emprego, uma vaga na faculdade, dentre outros. Pessoas que escrevem bons textos 
conseguem se expressar melhor. A leitura, intimamente ligada à escrita, é um ato 
essencial para se produzir um bom texto. Enquanto lemos estamos ampliamos nosso 
vocabulário e, consequentemente, nosso universo interpretativo. Ou seja, com o ato 
da leitura estamos aumentando nossa capacidade de entender melhor tudo que nos 
rodeia. Assim, é muito importante saber escrever bons textos, e, sobretudo, ter o 
hábito da leitura. 
 
 
 
 
 
 
Antes de qualquer coisa, para produzir um bom texto é muito importante 
conhecer os diversos tipos de textos existentes, para que seja coerente com a 
proposta. 
22 
 
 
Como Produzir um Bom Texto? 
Observe que não existe uma “fórmula mágica” para produzir um bom 
texto, no entanto, há estratégias interessantes para melhorar sua produção. 
Cada indivíduo tem um estilo de escrita, no entanto, o que importa não é 
necessariamente o estilo e sim, a coesão e a coerência apresentadas no texto. 
De tal modo, a coerência é uma característica textual que está relacionada 
com o contexto. 
Ou seja, ela significa a relação lógica entre as ideias expressas, de forma que 
não haja contradição no texto. 
A coesão, por sua vez, está relacionada com a regras gramaticais e os usos 
corretos dos conectivos (conjunções, preposições, advérbios e pronomes). 
Em suma, para que um texto seja considerado bom, o importante é conhecer 
o tipo e ogênero do texto. Além disso, não fugir do tema pedido e, sobretudo, cumprir 
as regras gramaticais essenciais para sua compreensão. 
Para tanto, pesquisar sobre o tema antes de escrever o texto é muito 
importante para dar consistência e mais propriedade à argumentação textual 
agregando maior valor ao texto. 
Vale lembrar-se das novas regras gramaticais da língua portuguesa, 
apresentadas pelo “Novo Acordo Ortográfico”. 
 
Crie a Estrutura do Texto 
Segue abaixo algumas etapas básicas para a produção de texto: 
 
Tema e Título 
Observe que o tema da redação é diferente do título. Assim, o tema representa 
o assunto a ser abordado, enquanto o título é o nome dado ao texto. 
23 
 
 
Na maioria dos casos, o título é muito importante, sendo que algumas pessoas 
preferem começar por ele. Outras escrevem o texto primeiro e a palavra ou expressão 
que o define é escolhida posteriormente. 
Apresentação 
A apresentação do texto (também chamada de tese) é de suma importância, 
pois são nos primeiros parágrafos que o leitor vai ficar interessado em ler o restante 
do texto. 
Portanto, é o momento em que você irá instigar o leitor, sendo essencial 
pontuar as principais informações que serão desenvolvidas no decorrer do texto. 
Claro que nem toda a informação deve estar presente na apresentação, que 
deverá ser breve. Porém, os principais dados e elementos que serão abordados 
devem surgir nesse momento do texto. 
 
Desenvolvimento 
Após definir a apresentação, o segundo momento da produção do 
texto é o desenvolvimento (também chamado de anti-tese). 
Como o próprio nome indica, nessa etapa é fundamental o 
desenvolvimento das ideias. Aqui o escritor irá argumentar e oferecer os dados e/ou 
as informações obtidas na pesquisa e fazer uma reflexão sobre o tema abordado. 
Assim, fica claro que quanto melhor a sua argumentação, melhor será o texto. 
 
Conclusão 
Muitas pessoas não se preocupam com essa parte fundamental do texto, ou 
seja, o momento da conclusão (também chamado de nova tese). Finalizar o texto é 
tão importante quanto começá-lo. 
Assim, não adianta fazer uma boa introdução e desenvolvimento, e deixar o 
texto sem conclusão. Após a argumentação faz se necessário que o escritor chegue 
24 
 
 
numa conclusão e opine (no caso dos textos dissertativos), apresentando assim um 
novo caminho. 
Note que, quanto mais criativa for à conclusão, mais interessante ficará 
o texto. 
 
Dicas para Produzir um Bom Texto 
Segue abaixo, algumas dicas para melhorar sua produção de textos: 
• Mantenha o hábito da leitura e da escrita; 
• Tenha o conhecimento das novas regras gramaticais; 
• Preste atenção à grafia, pontuação, parágrafos e concordâncias; 
• Seja criativo e espontâneo; 
• Não utilize palavras de baixo calão, palavrões; 
• Se distancie da linguagem coloquial, informal; 
• Tenha opinião e faça críticas próprias; 
• Atenção à relação lógica das ideias (coerência); 
• Não se afaste do tema e do tipo de texto proposto; 
• Faça um rascunho para evitar rasuras; 
• Se necessário, leia o texto em voz alta; 
• Cuidado com as repetições de palavras e ideias; 
• Não utilize palavras ou expressões que não conheça; 
• Se necessário, recorra ao dicionário; Seja claro e conciso. 
25 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
 
 
COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL EM COMPOSIÇÕES INFANTIS* C. M. 
GHIRALDELO** Alfa, São Paulo 33:9-21,1989. 
 
Disponível em https://www.mundovestibular.com.br/estudos/portugues/coesaoe- 
coerencia-Textual, ACESSADO em 09 de fevereiro de 2020,às 
12h44minutos; 
 
 
HALLIDAY, M. A. K. & HASAN, Ruqaiya. Language, context and text: aspects of 
language in a social-semiotic perspective. Oxford, Oxford University Press, 1989: 
70-96. 
 
 
HALLIDAY, M. A. K. & McINTOSH, Angus & STREVENS, Peter. The linguistic 
Sciences and Language Teaching. London, William Clowes and Sons, 1964. 
 
 
A COESÃO LEXICAL 138 LUIZ CARLOS GONÇALVES HALLIDAY, M. A. K. & 
HALLIDAY, M. A. K.. An introduction to functional grammar. London, Edward 
Arnold, 1985: 13-35. 
 
 
HALLIDAY, M. A. K.. System and function in language. Londres, Oxford University 
Press, 1976. 
https://www.mundovestibular.com.br/estudos/portugues/coesao-e-coerencia-Textual%2C%20ACESSADO
https://www.mundovestibular.com.br/estudos/portugues/coesao-e-coerencia-Textual%2C%20ACESSADO
https://www.mundovestibular.com.br/estudos/portugues/coesao-e-coerencia-Textual%2C%20ACESSADO
https://www.mundovestibular.com.br/estudos/portugues/coesao-e-coerencia-Textual%2C%20ACESSADO
26 
 
 
 
HASAN, Ruqaiya. Coherence and cohesive harmony. Version of a talk given at the 
IRA Annual Convention, 1980 
 
 
HASAN, Ruqaiya. Cohesion in English. Londres, Longman, 1976. HALLIDAY, M. 
A. K.. Language as social semiotics. London, Edward Arnold, 1978: 36-58. 
 
 
KOCH,I.G.V.-Principais Mecanismos de coesão Textual em 
Português.1988.(mimeo); 
KOCH,I.G.V-Os Tempos Verbais ao discurso .In .Argumentação e Linguagem 
,São Paulo ,Cortez,1984,p.36-48; 
 
 
Luiz Carlos Gonçalves luizcarlosdiv@globo.com www.blogdoluizcarlos.com A 
COESÃO LEXICAL Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação 
em Letras: Estudos Lingüísticos, da Faculdade de Letras da Universidade 
Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre 
em Letras: Lingüística. Belo Horizonte Faculdade de Letras da UFMG 2000; 
WEINRICH,H.-Estrutura y función de los tiempos em el languague.Versión 
espñola de Frederico Latorre,Madrid,Gredos,1984. 
mailto:luizcarlosdiv@globo.com
http://www.blogdoluizcarlos.com/

Mais conteúdos dessa disciplina