Logo Passei Direto
Buscar

Aula sobre paisagem urbana: define categorias (natural, cultural, modificada, organizada), lista elementos urbanos (traçado, áreas verdes, fachadas, mobiliário) e discute apropriação da natureza com referências históricas (jardins barroco e inglês) e projetos contemporâneos (Brasília, High Line).

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Projeto Urbano e 
Paisagismo : 
Intervenção Urbana
Aula2 
PAISAGEM URBANA
É uma extensão de espaço que se coloca 
ao olhar.
A paisagem é um tópico estudado e analisado pela 
Geografia, Arquitetura e Urbanismo, Sociologia, História, 
sendo constituído através das relações do homem 
com o meio.
Borges Filho, 2012 
INTRODUÇÃO
PAISAGEM
INTRODUÇÃO
PAISAGEM
São relações sociais estabelecidas em um 
determinado local, onde cada observador 
seleciona as imagens que achar mais 
relevantes portanto, diferentes pessoas 
enxergam diferentes paisagens.
Mont Sainte-Victoire
INTRODUÇÃO
PAISAGEM
Em princípio, temos duas categorias de paisagens:
➢ a natural: que sofreu pouca ou nenhuma
influência do homem; 
➢ a cultural: que sofreu muita influência do 
homem.
Falésias Praia do Gunga-AL Fernando de Noronha-PE
INTRODUÇÃO
PAISAGEM
➢paisagem modificada, que teve uma ação do
homem, coletiva ou individual, constante de modo
irreversível, exemplo destruição de uma floresta;
➢paisagem organizada, representa um resultado de
uma ação consciente, combinada e contínua sobre o
meio natural, exemplo construção de uma cidade.
Naviraí, MS
Naviraí, MS
antes depois
Aterro do Flamengo-RJ
PAISAGEM URBANA
“Paisagem Urbana é a roupagem com 
que as cidades se apresentam a seus 
habitantes e visitantes.”
“(...) Se revela nos elementos formais da cidade, 
espalhando-se nas superfícies constituídas das 
edificações a dos logradouros da cidade.”
SILVA, 1995
Elementos da paisagem urbana
1. O Traçado Urbano é o desenho geral da cidade, resultante da disposição de vias públicas e de
outros logradouros no plano geral da cidade. É composto de elementos como pontes, viadutos, arcos
etc.;
2. As Áreas Verdes dão o colorido e a plasticidade ao ambiente urbano, quer na arborização de vias
públicas, quer na configuração estética de praças;
3. As Fachadas Arquitetônicas são as faces externas das edificações, estando geralmente
relacionadas à história da cidade; e
4. O Mobiliário Urbano são os elementos complementares, ditos de escala “microarquitetônica”, que
integram o espaço urbano. São os monumentos, os anúncios, os elementos de infra-estrutura etc..
Traçado urbano
Áreas verdes
Fachadas
Mobiliário
Apropriação da natureza no urbano 
apresenta diversas formas, uma das mais 
propagadas é a que a natureza é vista 
como paisagem, como cenário ou então 
apenas um adorno a essa estrutura 
urbana, diferenciado por vezes como a 
natureza é supostamente apreendida no 
campo, onde parece possui um caráter muito 
mais de provedor de recursos naturais, 
destinados ao desenvolvimento das 
atividades inerentes a vida rural como a 
agricultura, a pecuária e afins.
A apropriação da natureza no Urbano
Essas relações entre natureza e urbano se caracterizaram 
em diferentes formas no decorrer da história:
➢ Jardim Italiano e Francês (renascimento e 
barroco)
➢ Jardim inglês
A apropriação da natureza no Urbano
JARDIM BARROCO
Mapa dos Jardins de Versailes
JARDIM BARROCO
Jardins de Versailes
JARDIM INGLÊS
Blenheim Palace Park , jardins, 1835
JARDIM INGLÊS
Ville Verte, Le Corbusier
Essa tendência 
perdurou até o começo 
do século XX, quando 
os projetistas urbanos
romperam com a 
tradição do 
paisagismo que 
tratava de recriar a 
natureza. 
A apropriação da natureza no Urbano
Superquadras, Brasília, Lúcio Costa
No urbanismo na contemporaneidade é fortalecida a visão que o tema
central dos paisagistas deveria ser firmado no sentido que uma paisagem
não pode nascer da invenção, mas das raízes culturais do lugar
(CARNEIRO, 1998).
Essa paisagem precisa de um significado que pertença à
essência cultural do passado, transmitindo de forma unitária
um conjunto de metáforas significativas e contemporâneas.
A apropriação da natureza no Urbano
O reconhecimento de um determinado espaço como 
próprio ao indivíduo, à família e ao grupo mais amplo, 
é informado pela memória coletiva herdada de 
gerações anteriores; os marcos ou pontos de apoio 
dessa memória são os próprios componentes da 
paisagem: rios, morros, montanha, árvores, etc., que 
persistem mesmo que transformados pela ação do 
homem (CARNEIRO, 1998:4). 
High Line park
A apropriação da natureza no Urbano
High Line park
A apropriação da natureza no Urbano
Parque Rio Cheonggyecheon
Parque Rio Cheonggyecheon
A apropriação da natureza no Urbano
A paisagem pode ser interpretada como a combinação 
dinâmica de elementos naturais e antrópicos, inter-
relacionados e interdependentes, que em determinado 
tempo, espaço e momento social formam um conjunto 
único e indissociável, em equilíbrio ou não, produzindo 
sensações estéticas como um ecossistema. 
(HARDT, 2000).
PAISAGEM URBANA
A intervenção nas paisagens urbanas deve levar em 
consideração a evolução da sociedade e suas 
transformações básicas, pois as cidades são dotadas do 
peso e da permanência das paisagens, onde o atual 
convive com a decadência; o futuro, com a antiguidade; 
onde os vestígios e as lembranças estão presentes.
(PEIXOTO, 1996, p. 12).
PAISAGEM URBANA
Egito Grécia
Roma Cidade Medieval
➢ No contexto da paisagem urbana contemporânea, é muito
importante a compreensão entre a experiência paisagística
atual com o conhecimento do passado.
➢ A história da paisagem urbana oferece novos horizontes, e não
somente modelos. Ela pode promover a prática , a
imaginação e a criação e, consequentemente, a evolução e
a transformação.
PAISAGEM URBANA
➢ A paisagem urbana é a expressão dos valores materiais e
culturais de uma determinada época e o espaço de ação do
poder.
➢ O modo como ela é projetada e construída reflete uma cultura
que é o resultado da observação que se tem do ambiente e
também da experiência individual ou coletiva.
PAISAGEM URBANA
INTERVENÇÃO EM ÁREA URBANA
O planejamento das cidades requer a tomada de decisões baseadas em muitos 
pontos de vista diferentes: sociais, ambientais, econômicos, políticos, 
administrativos, jurídicos, etc.
As consequências da urbanização sobre o território estão
relacionadas principalmente:
▪ á qualidadedo ar, alterando sua umidade, temperatura e 
movimento e dispersão de poluentes;
▪ ao desequilíbrio do ciclo da água, pela diminuição das áreas 
livres para infiltração, exploração de grandes volumes de águas 
subterrâneas e à contaminação do solo.
Impactos do processo de urbanização
Impactos do processo de urbanização
É necessária a revisão dos padrões tradicionais de 
planejamento e o estabelecimento de 
um processo integrado de gestão urbana e ambiental, 
visando ao desenvolvimento sustentável, devendo ser 
considerada a estreita relação entre políticas e programas 
nacionais, regionais e municipais
O Planejamento urbano e a questão ambiental
(PELLIZZARO; HARDT, 2006)
Foco: Serviços Ecossistêmicos
Os benefícios que as pessoas obtém a partir dos 
ecossistemas
(LIMA, 2004)
Avaliação 
ecossistêmica do milênio
O Planejamento urbano e a questão ambiental
A ecogênese é a reconstituição de ecossistemas parcialmente 
ou totalmente degradados, valendo-se de uma re-interpretação 
do ecossistema.
A ecogênese prima pela reconstrução de paisagens que já 
sofreram profundas modificações em sua estrutura, valendo-se 
de elementos vegetais autóctones, provenientes de todos os 
estratos, recompondo suas associações originais.
INTERVENÇÃO EM ÁREA URBANA
Ecogênese
A palavra ecogênese, proveniente da botânica, é um 
neologismo, isto é, um nome novo para uma antiga 
ideia. 
Esse termo tem sido, com frequência, associado ao 
nome de Fernando Chacel, pois é ele quem mais 
utilizou a palavra ecogênese em seu discurso 
projetual. 
O termo foi cunhado por 
Luiz Emygdio de Mello Filho (1913-2002), e surgiu 
com base em pesquisas desenvolvidas em parceria 
com biólogos e botânicos do Museu Nacional, no Rio 
de Janeiro da década de 1940. 
Parque de EducaçãoAmbiental Professor Mello Barreto, 
paisagismo de Fernando Chacel
INTERVENÇÃO EM ÁREA URBANA
Ecogênese
Fernando Chacel, 
arquiteto paisagista 
carioca que desenvolveu
trabalhos de paisagismo 
com base na 
metodologia da 
ecogênese, em várias 
partes do país.
INTERVENÇÃO EM ÁREA URBANA
Ecogênese
Área de transição paisagística com tratamento de parque,
caminhos de areia conduzindo à praça do "core"
urbanizado. No Parque da Gleba "E", atual Península, na
Barra da Tijuca
Parque da Gleba E
▪ O Parque da Gleba E foi o primeiro trabalho com este conceito.
▪ Foi feito por Fernando Chacel e Luiz Emygdio, numa parceria público-privada com a 
construtora Carvalho Hosken. 
▪ Localiza-se numa península lagunar na Barra da Tijuca que encontrava-se em processo de 
desertificação. 
A proposta foi criar faixas, cada qual com seu programa: manguezal, restinga e parque. 
➢ O mangue, natural da área, localiza-se na faixa entre a terra e a água, e segura a 
maré e a terra, e serve como elemento de recuperação para a fauna da lagoa. 
➢ A restinga é o elemento de transição do mangue para os parques, funcionando tanto 
para a contemplação como para proteção ao mangue.
INTERVENÇÃO EM ÁREA URBANA
Fotografia aérea de parte da região metropolitana da cidade do Rio de
Janeiro.
Planta de 1938, da antiga Fazenda da 
Restinga (atual Barra da Tijuca). Em
destaque, a área da Gleba E, Parque
Mello Barreto.
Parque da Gleba E
➢ Na realidade, não existe uma linha divisória separando os ecossistemas,
estes são alguns dos aspectos paisagísticos que compõem o mosaico
do ecossistema vegetal atlântico.
➢O manguezal, típico de zonas tropicais, ocorre em regiões abrigadas
como baías, lagoas e estuários, estando sujeitos à ação de fluxo e
refluxo das marés.
➢Ambientes de transição entre o meio aquático e o terrestre, este
ecossistema é uma dos mais produtivos da Terra; ali se encontram
representantes de todos os níveis da cadeia alimentar.
Parque da Gleba E
• Parque da Gleba E, 
na Barra da Tijuca, 
datado de 1985. 
Este foi o primeiro 
projeto de Chacel a 
incorporar o 
conceito de
ecogênese.
Vista aérea da Gleba E antes do início do processo de ecogênese. O 
ecossistema encontrava-se destruído, restando apenas poucos trechos 
isolados de manguezal às margens da Lagoa da Tijuca.
Parque da Gleba E
Parque da Gleba E, na Barra da Tijuca, 1985. 
Parque da Gleba E, na Barra da Tijuca, na atualidade
Parque da Gleba E, na Barra da Tijuca, 1985. 
Referências
CABRAL, Luiz Otavio. A paisagem enquanto fenômeno vivido. Geosul, Florianópolis, v.t5, 
0.30, p 34-45, jul./dez. 2000
CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo César da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato. (org.s). 
Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 15-47; 77-116.
BORGES FILHO, Ozíris. Espaço e literatura: introdução à topoanálise.
SILVA, José Afonso da. Direito urbanístico brasileiro. São Paulo: Malheiros Editores 
Ltda., 1995.
GROSTEIN, M. D. Metrópole e expansão urbana: a persistência de processos
“insustentáveis”. São Paulo em Perspectiva, jan./mar. 2001, vol.15, no.1, p.13-19.
PELLIZZARO,P. C.; HARDT, L. P. A. Efetividade do Planejamento Urbano e Regional:
a Cidade Planejada e a Cidade Real. Anais...III Encontro da ANPPAS, Brasília – DF,
23 a 26 de maio de 2006.
https://uffpaisagismo.wordpress.com/2015/09/12/ecogenese/
	Slide 1: Projeto Urbano e Paisagismo : Intervenção Urbana
	Slide 2: INTRODUÇÃO
	Slide 3: INTRODUÇÃO
	Slide 4
	Slide 5: INTRODUÇÃO
	Slide 6
	Slide 7: INTRODUÇÃO
	Slide 8
	Slide 9
	Slide 10
	Slide 11
	Slide 12: PAISAGEM URBANA
	Slide 13
	Slide 14
	Slide 15
	Slide 16
	Slide 17
	Slide 18
	Slide 19
	Slide 20
	Slide 21
	Slide 22
	Slide 23
	Slide 24
	Slide 25
	Slide 26
	Slide 27
	Slide 28
	Slide 29
	Slide 30
	Slide 31
	Slide 32
	Slide 33
	Slide 34: No contexto da paisagem urbana contemporânea, é muito importante a compreensão entre a experiência paisagística atual com o conhecimento do passado.
	Slide 35
	Slide 36: INTERVENÇÃO EM ÁREA URBANA
	Slide 37
	Slide 38
	Slide 39
	Slide 40
	Slide 41
	Slide 42
	Slide 43
	Slide 44: Fernando Chacel, arquiteto paisagista carioca que desenvolveu trabalhos de paisagismo com base na metodologia da ecogênese, em várias partes do país.
	Slide 45
	Slide 46
	Slide 47: Na realidade, não existe uma linha divisória separando os ecossistemas, estes são alguns dos aspectos paisagísticos que compõem o mosaico do ecossistema vegetal atlântico.
	Slide 48: Parque da Gleba E, na Barra da Tijuca, datado de 1985. Este foi o primeiro projeto de Chacel a incorporar o conceito de ecogênese.
	Slide 49
	Slide 50
	Slide 51
	Slide 52