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Contexto e Ação Trabalho e sociedade (53)

Atividade de leitura e questões sobre "O direito à cidade" (trecho de David Harvey): solicita explicar a relação entre produção da cidade e modo de vida e comparar a cidade como mercadoria; traz perfil de Henri Lefebvre, sugestão do filme Parasita e discussão sobre desigualdade de classes e propriedade no capitalismo.

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Navio Paz

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1. Leia, a seguir, o trecho de um texto do geógrafo inglês David Harvey. Depois, 
responda às questões.
O direito à cidade
[...] Quero explorar aqui outro tipo de direito humano: o direito à cidade.
Será que o espantoso ritmo e a escala da urbanização nos últimos 100 anos 
contribuíram para o bem-estar humano? A cidade, nas palavras do sociólogo e 
urbanista Robert Park, é a tentativa mais bem-sucedida do homem de refazer o 
mundo em que vive mais de acordo com os desejos do seu coração. Mas, se a cidade 
é o mundo que o homem criou, é também o mundo onde ele está condenado a viver 
daqui por diante [...].
Saber que tipo de cidade queremos é uma questão que não pode ser dissociada 
de saber que tipo de vínculos sociais, relacionamentos com a natureza, estilos de 
vida, tecnologias e valores estéticos nós desejamos. O direito à cidade é muito 
mais que a liberdade individual de ter acesso aos recursos urbanos: é um direito 
de mudar a nós mesmos, mudando a cidade. Além disso, é um direito coletivo e 
não individual, já que essa transformação depende do exercício de um poder co-
letivo para remodelar os processos de urbanização. A liberdade de fazer e refazer 
as nossas cidades, e a nós mesmos é, a meu ver, um dos nossos direitos humanos 
mais preciosos e ao mesmo tempo mais negligenciados.
Desde seus primórdios, as cidades surgiram nos lugares onde existe produção 
excedente, aquela que vai além das necessidades de subsistência de uma popu-
lação. A urbanização, portanto, sempre foi um fenômeno de classe, uma vez que 
o controle sobre o uso dessa sobreprodução sempre ficou tipicamente na mão de 
poucos [...]. Sob o capitalismo, emergiu uma conexão íntima entre o desenvolvi-
mento do sistema e a urbanização.
HARVEY, David. O direito à cidade. Piauí, n. 82, jul. 2103. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/
materia/o-direito-a-cidade/. Acesso em: 21 jul. 2020. 
a) Considere o texto acima e, com base no que foi exposto, explique a relação 
entre a produção da cidade e o modo de vida.
b) Em que sentido seria possível comparar a cidade a um mero produto, a uma 
mercadoria consumível?
Professor, no Manual você encontra 
orientações sobre esta atividade.Explorando
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Retrato de Henri Lefebvre 
em sua casa, na França. 
Fotografia de 1979.
Henri Lefebvre (1901- 
-1991) filósofo e sociólo-
go francês. Estudioso das 
questões sobre o espaço 
urbano e da relação entre 
as formas de produção 
industrial e a sua influên-
cia sobre a organização 
da cidade. Tem como um 
dos seus mais célebres li-
vros: O direito à cidade, 
de 1968.
Pe
rfil
Cartaz do 
filme Parasita.
Dica
O filme sul-coreano Parasita, ganhador do Oscar de 2019, conta a história 
de duas famílias bastante distintas, uma muito rica (os Park) e outra pobre 
(os Kim), que se entrecruzam quando Ki-woo tona-se o tutor da filha da 
família Park. Em meio aos luxos da família abastada, ele planeja meios de 
infiltrar toda a sua família na mansão. A questão que se coloca, afinal, é: 
quem seria parasita de quem?
Parasita. Direção de Bong Joon-ho. Coreia do Sul: Pandora, 2019 (131 min). 
Classificação indicativa: 16 anos.
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TEMA 4 
Aprofundando a desigualdade
Os professores de Geografia, de Sociologia e de História são indicados, 
prioritariamente, para o trabalho deste segmento. 
Fotografia de comunidade no 
bairro Jardim Panorama, em São 
Paulo (SP), em 2020. Ao fundo, 
prédios comerciais e residenciais 
de alto padrão. A desigualdade 
de classes é bastante evidenciada 
nas paisagens urbanas.
Vimos ao longo deste capítulo que as sociedades são compostas de classes so-
ciais e que a estrutura social de uma sociedade se reproduz com base nas relações 
que essas classes sociais estabelecem entre si.
Vimos também que nas sociedades contemporâneas essas relações se configu-
ram com base em distintos interesses, que na maioria das vezes são opostos. Assim, 
o conflito entre interesses contraditórios fundamenta a própria reprodução da es-
trutura social e dá sentido ao modo como nos organizamos socialmente.
Depreende-se disso que a lógica interna de organização social baseada nessa 
relação de classe é histórica e tem características específicas. Uma delas é que as 
classes sociais no capitalismo se organizam em torno da propriedade privada. Em 
uma troca supostamente entre iguais, os possuidores de propriedade compram a 
força de trabalho daqueles que nada mais possuem além dela.
Supostamente vivemos em uma sociedade em que todos são considerados livres 
juridicamente, mas ainda assim, outros fatores, como o econômico, influenciam nossa 
liberdade jurídica. Apesar de sermos iguais perante a lei, não acessamos da mesma for-
ma a riqueza social produzida. Ou seja, as condições de habitação e de saneamento 
básico, o acesso à saúde de qualidade, ao lazer e à educação são usufruídos de manei-
ra desigual, o que, segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), duplica 
a desigualdade já dada de início, quando nascemos em famílias menos favorecidas.
Com isso, desde o início já partimos de uma desigualdade estrutural que divide 
a sociedade em várias classes sociais, mas, de maneira mais geral, em duas grandes 
classes. No entanto, essa desigualdade estrutural é reforçada e reproduzida por ou-
tras, que em certa medida requalificam essas desigualdades. Resumindo, o fato de 
não ter renda suficiente para realizar estudos adequados para o ingresso em uma 
boa universidade pode reforçar a condição de classe. Não ter acesso adequado à 
educação acaba por aprofundar a desigualdade social. Ou ainda, não ter acesso a 
bons livros, peças de teatro e bons filmes, faz com que minha cultura geral e tam-
bém, em alguns casos, específica, limite a minha acessibilidade a certos empregos e 
profissões com melhor remuneração.
Classe média
É comum ouvir a expressão 
“classe média” e entender 
que se trata de uma classe 
que teria uma média de 
renda situada entre a das 
classes capitalistas e a dos 
trabalhadores manuais. No 
entanto, é preciso aprofun-
dar essa análise superficial. 
A classe média tem como 
um dos seus elementos 
definidores o fato de que 
ela compartilha da ideia 
de que é o mérito que de-
termina a ascensão social, 
isto é, as hierarquias sociais 
no trabalho seriam fruto 
do esforço pessoal. Para 
o cientista polítio Décio 
Saes, a ideologia da meri-
tocracia seria o elemento 
específico e delimitador da 
classe média.
Conceito
BOURDIEU, Pierre; 
PASSERON, Jean-Claude. 
A reprodução: elementos 
para uma teoria do sistema 
de ensino. São Paulo: Vozes, 
2014.
SAES, Décio Azevedo 
Marques de. Classe média 
e escola capitalista. São 
Paulo: Crítica Marxista, 2005. 
Disponível em: https://
www.ifch.unicamp.br/
criticamarxista/arquivos_
biblioteca/artigo122artigo5.
pdf. Acesso em: 26 ago. 
2020. 
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