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ASSOCIAÇÃO TERESINENSE DE ENSINO S/C LTDA - ATE CENTRO UNIVERSITÁRIO SANTO AGOSTINHO –UNIFSA COORDENAÇÃO DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO ELANDIA TELES OZORIO PROPOSTA URBANÍSTICA E PAISAGÍSTICA: PARQUE FAROL DA EDUCAÇÃO EM COELHO NETO - MA TERESINA-PI 2023 ELANDIA TELES OZORIO PROPOSTA URBANÍSTICA E PAISAGÍSTICA: PARQUE FAROL DA EDUCAÇÃO EM COELHO NETO - MA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do título Bacharel em Arquitetura e Urbanismo, pelo Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA. Orientador: Prof. Dr. Amanda Cavalcante Moreira TERESINA-PI 2023 ELANDIA TELES OZORIO PROPOSTA URBANÍSTICA E PAISAGÍSTICA: PARQUE FAROL DA EDUCAÇÃO EM COELHO NETO - MA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do título Bacharel em Arquitetura e Urbanismo, pelo Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA. Orientador: Prof. Dr. Amanda Cavalcante Moreira BANCA EXAMINADORA Nome do(a) Orientador(a) Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA Nome do Professor(a) - Convidado(a) interno Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA Nome do(a) convidado(a) Arquiteto e Urbanista RESUMO Elemento obrigatório, constituído de uma sequência de frases concisas e objetivas, fornecendo uma visão rápida e clara do conteúdo do estudo. O texto deverá conter no máximo 500 palavras e ser antecedido pela referência do estudo. Também, não deve conter citações. O resumo deve ser redigido em parágrafo único, espaçamento simples e seguido das palavras representativas do conteúdo do estudo, isto é, palavras-chave, em número de três a cinco, separadas entre si por ponto e finalizadas também por ponto. Usar o verbo na terceira pessoa do singular, com linguagem impessoal (pronome SE), bem como fazer uso, preferencialmente, da voz ativa. Palavras-chave: Palavra 1. Palavra 2. Palavra 3. Palavra 4. Palavra 5. (separados entre si por ponto) ABSTRACT Elemento obrigatório em tese, dissertação, monografia e TCC. É a versão do resumo em português para o idioma de divulgação internacional. Deve ser antecedido pela referência do estudo. Deve aparecer em folha distinta do resumo em língua portuguesa e seguido das palavras representativas do conteúdo do estudo, isto é, das palavras-chave. Sugere-se a elaboração do resumo (Abstract) e das palavras-chave (Keywords) em inglês; para resumos em outras línguas, que não o inglês, consultar o departamento / curso de origem. Keywords: Keyword 1. Keyword 2. Keyword 3. Keyword 4. Keyword 5. (separados entre si por ponto) LISTA DE ILUSTRAÇÃO Figura 1: Regent’s Park .................................................................................................... 33 Figura 2: Hyde Park ......................................................................................................... 33 Figura 3:Vista aérea atual do Central Park ...................................................................... 35 Figura 4: Planta do Parc Montsouris em 1904. ................................................................ 36 Figura 5: Boulevard parisiense ......................................................................................... 37 Figura 6: Vista plataforma elevada .................................................................................. 51 Figura 7: Vista aérea da plataforma elevada .................................................................... 51 Figura 8: Plataforma e seus materiais............................................................................... 52 Figura 9: Paginação de pedras .......................................................................................... 53 Figura 10: Vista do parque à Catedral de São Basílio ...................................................... 54 Figura 11: Bosque e Catedral de São Basílio ao fundo .................................................... 54 Figura 12: Plano horizontal do parque divido em 4 zonas de paisa ................................. 54 Figura 13: Programa de zoneamento paisagístico do parque ........................................... 55 Figura 14: Paginação de piso e jardins com vista do distrito histórico no parque ........... 56 Figura 15: Anfiteatro com cúpula de vidro ...................................................................... 57 Figura 16: Mobiliários e paginação de piso do anfiteatro ................................................ 58 Figura 17: Cortes humanizados ........................................................................................ 59 Figura 18: Planta de implantação ..................................................................................... 60 Figura 19: Maquete física Parque Villa-Lobos ................................................................ 64 Figura 20: Anfiteatro ........................................................................................................ 65 Figura 21: Circuito das árvores ........................................................................................ 66 Figura 22: Passarela do Circuito das árvores ................................................................... 66 Figura 23: Orquidário Ruth Cardoso ................................................................................ 67 Figura 24: Centro de Educação Ambiental ...................................................................... 68 Figura 25: Praça circular em formato de pétalas .............................................................. 69 Figura 26: Espaço de convivência e leitura ...................................................................... 70 Figura 27: Ambiente de leitura piso superior ................................................................... 70 Figura 28: Percursos principais de concreto..................................................................... 70 Figura 29: Caminhos de bloco intertravado ..................................................................... 70 Figura 30: Vista área do Parque Villa Lobos ................................................................... 71 Figura 31: Praça e Terminal do Sagrado Coração de Jesus ............................................. 74 Figura 32: Residência IJA ................................................................................................ 75 Figura 33: Casarão restaurado .......................................................................................... 77 Figura 34: Vista aérea das ilhas pedagógicas ................................................................... 78 Figura 35: Mobiliários das ilhas pedagógicas .................................................................. 79 Figura 36: Apoio ao Ciclista e Casa do Ciclista respectivamente .................................... 80 Figura 37: Edificação Café ............................................................................................... 81 Figura 38: Ilha do amor com restauro do Coreto ............................................................. 82 Figura 39: Vista aérea diurna do Parque da Liberdade .................................................... 83 Figura 40: Planta Baixa Geral .......................................................................................... 84 Figura 41: Vista aérea do percurso das ilhas pedagógicas ............................................... 85 Figura 42: Corte AA e BB ................................................................................................ 86 Figura 43: Via interna de piso de concreto....................................................................... 87 Figura 44: Mobiliários de madeira e concreto.................................................................. 87 Figura 45: Mapa de Macrolização .................................................................................... 92 Figura 46: Mapa de Coelho Neto, Bairro e Terreno......................................................... 93 Figura 47: Localização do terreno no bairro, biblioteca e acessos ................................... 94 Figura 48: Mapa de usos e entorno .................................................................................. 95 Figura 49: Direção do vento em Coelho Neto-MA. ......................................................... 96 Figura 50: Mapa de insolação e ventos predominantes .................................................... 97 Figura 51: Dimensões do terreno ..................................................................................... 98 Figura 52: Topografia do Terreno .................................................................................... 99 Figura 53: Vista Avenida Antônio Guimarães ............................................................... 100 Figura 54: Muro delimitando o espaço ........................................................................... 100 Figura 55: Vista da Rua Airton Sena.............................................................................. 101 Figura 56: Acesso da Biblioteca Farol da Educação ...................................................... 102 Figura 57: Especificidades da ZMC1 ............................................................................. 105 Figura 58: ANEXO II - TABELA 3 TABELA DE AFASTAMENTOS....................... 105 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - XXXXXXXXXXXXXXXX………………………………… 00 LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÔNIMOS LISTA DE ABREVIATURAS x.X. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Xxx. Xxx. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XX XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX LISTA DE SIGLAS LISTA DE ACRÔNIMOS XXX XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXX XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXX XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX ASBEA CEAGESP Associação Brasileira do Escritórios de Arquitetura Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo DAEE IAB MIPIM SAMU SEEDUC Departamento de Águas e Energia Elétrica Instituto de Arquitetos do Brasil Le Marché International des Professionnels de L'immobilier Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Secretaria de Estado da Educação Maranhão SUMÁRIO RESUMO.......................................................................................................................... 14 ABSTRACT ..................................................................................................................... 15 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11 2 TEMA/TÍTULO ...................................................................................................... 14 3 JUSTIFICATIVA .................................................................................................... 15 4 OBJETIVOS ............................................................................................................ 17 4.1 OBJETIVO GERAL .............................................................................................. 17 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................ 17 5 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................. 19 5.1 CIDADE ................................................................................................................ 19 5.2 PLANEJAMENTO URBANO .............................................................................. 20 5.3 PAISAGISMO ...................................................................................................... 22 5.4 ESPAÇOS LIVRES URBANOS ........................................................................... 24 5.5 ÁREAS VERDES ................................................................................................. 25 5.6 PARQUES URBANOS ......................................................................................... 27 5.7 BIBLIOTECAS PÚBLICAS ................................................................................. 29 6 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS PARQUES URBANOS .................................. 31 6.1 NO MUNDO ............................................................................................................ 31 6.2 NO BRASIL ............................................................................................................. 38 6.3 NO NORDESTE ........................................................................................................ 44 7 ESTUDOS DE CASOS SEMELHANTES ............................................................ 49 7.1 NO MUNDO ............................................................................................................ 49 7.1.1 Parque Zaryadye ......................................................................................... 49 7.2 NO BRASIL ............................................................................................................. 61 7.2.1 Parque Villa-Lobos ..................................................................................... 61 7.3 REGIONAL .............................................................................................................. 73 7.3.1 Requalificação Urbano-Arquitetônica Do Parque Da Liberdade – Cidade Da Criança .............................................................................................................. 73 8 METODOLOGIA ................................................................................................... 88 9 DIAGNÓSTICO DO TERRENO .......................................................................... 90 9.1 JUSTIFICATIVA DE ESCOLHA DO TERRENO ............................................... 90 9.2 LOCALIZAÇÃO .................................................................................................. 91 9.3 DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE PROJETO ......................................................... 92 9.4 ACESSOS E USOS DO ENTORNO ..................................................................... 94 9.5 ASPECTOS CLIMÁTICOS .................................................................................. 95 9.6 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO TERRENO ................................................. 97 9.7 TOPOGRAFIA ...................................................................................................... 99 9.8 SITUAÇÃO ATUAL DO TERRENO................................................................. 100 9.9 PARÂMETROS LEGAIS ................................................................................... 102 9.9.1 Plano Diretor de São Luís – Lei n° 7.122 – 2023 .................................... 103 10 REFERÊNCIAS .................................................................................................... 106 11 1 INTRODUÇÃO O presente Trabalho de Conclusão de Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Santo Agostinho - UNIFSA, trata de uma proposta de requalificação do espaço público adjacente ao Farol da Educação, localizado na cidade de Coelho Neto – MA, propondo convertê-lo em um parque urbano com áreas destinadas a eventos literários e de socialização para a comunidade e público infanto-juvenil. Destaca-se como tipo de espaços públicos urbanos os espaços verdes públicos, que ressaltam a presença de vegetação, independente do porte, no meio urbano. Existem diversas escalas de intervenção dos espaços verdes urbanos públicos e Di Fidio (1990, p.189) destaca essas tipologias: “Praças; Parques Urbanos; Verde balneário e esportivo; Jardim botânico; Jardim zoológico; e Mostra (ou feira de jardins;cemitério; faixa de ligação entre áreas verdes; arborização urbana)”. Sendo assim, todas essas tipologias são importantes para a qualidade da vida urbana, com ênfase no social e contribuem proporcionando áreas destinadas para diversas atividades de lazer cultural e integração da população. Desta forma, a tipologia de espaços verdes escolhida para este trabalho é o parque urbano. Kliass (1993, p.19) conceitua os parques urbanos como “espaços públicos com dimensões significativas e predominância de elementos naturais, principalmente cobertura vegetal, destinados a recreação”. A função social dos parques urbanos é a capacidade de tornar- se um espaço agradável, atrativo e significativo para a população, possibilitando a realização de atividades culturais ou programas educativos, servindo para todas as faixas etárias e grupos sociais. Em paralelo ao exposto, o projeto tem como enfoque a cidade de Coelho Neto, localizada a 385 km de São Luís, capital do Estado do Maranhão. Segundo IBGE (2010), a história da cidade originou-se de um agrupamento de cearenses e piauienses em torno de uma feitoria, na margem do rio Paranaíba, denominada Curralinho. Esse conjunto de pessoas fugindo das secas, usaram o Parnaíba como via de acesso, logo, contribuíram no desbravamento da região, buscando na lavoura e extrativismo vegetal, meios de subsistência. Houve sucessivas mudanças de sede do município, somente em 1914, fixou-se no local atual, com a denominação de Curralinho. Contudo, em 1934 teve o topônimo alterado para Coelho Neto, homenagem ao escritor maranhense Coelho Neto. 12 Conforme a Secretaria De Obras E Infraestrutura (2020), a cidade contém 18 praças públicas distribuídas na malha urbana, caracterizadas pelo seu tipo e uso, sendo em sua maioria, categorizadas como praças esportivas, onde a área construída e os equipamentos ocupam quase a totalidade do espaço, não restando espaços que favoreçam um contato maior do indivíduo com a natureza. Percebe-se que são considerados apenas os aspectos sociais e econômicos no planejamento de espaços livres públicos no município, omitindo a percepção ambiental do meio urbano. As áreas verdes públicas, por outro lado, são espaços livres públicos destinados à vegetação e ao paisagismo, com o objetivo de oferecer uma gama maior de benefícios ambientais, recreativos e estéticos à comunidade. Inserida neste contexto, encontra-se a biblioteca Farol da Educação, a qual é uma alternativa para as bibliotecas escolares do Estado do Maranhão, principalmente nos municípios interioranos (MARANHÃO.SEEDUC, 1992). O objetivo principal desse projeto seria possibilitar o seu funcionamento como um centro para promoção de eventos educativos, visando incentivar a leitura envolvendo escolas da educação infantil, fundamental e médio, em áreas vizinhas, como também a comunidade do bairro ou município. Contudo, na cidade de Coelho Neto - MA esse objetivo não foi alcançado, uma vez que é utilizado apenas para fins de pesquisas escolares e fornecer material didático a professores e alunos. Para mais, a comunidade em geral não se sente atraída a frequentar, em virtude de não dispor de políticas públicas instigando o conhecimento dos recursos e acervos que a biblioteca consta além da ausência de infraestrutura para manutenção da biblioteca pública. A proposta de projeto paisagístico na requalificação do espaço público do Farol da Educação busca contribuir na difusão e democratização do acesso ao livro, servir à comunidade escolar e município onde está inserida, por meio da criação de um parque urbano. Pretende-se alcançar os objetivos propostos para o Farol de torná-lo um espaço para a realização de eventos literários e lazer, a fim de garantir seu uso e contribuir na formação de leitores no município. Para mais, mostra-se ainda a importância de espaços verdes públicos para conscientização e preservação ambiental, além de consolidar a interação entre as atividades humanas e o meio ambiente. Desta forma, o presente trabalho consistirá em duas partes distintas. A primeira será teórica e abrangerá a introdução, justificativa, objetivos, referencial teórico, estudos de casos semelhantes e metodologia, sobre o tema acerca do objeto de estudo apresentado. A segunda 13 parte incluirá as peças gráficas do projeto, juntamente com os memoriais descritivos e justificativos. 14 2 TEMA/TÍTULO O presente trabalho apresenta duas vertentes como tema: o paisagismo e urbanismo aplicado a cidade de Coelho Neto – Maranhão, com título Parque Farol Da Educação Em Coelho Neto – MA. 15 3 JUSTIFICATIVA A criação de áreas verdes urbanas é uma prática de ação para a melhoria das condições ambientais do espaço urbano. Compreende-se que estas áreas se caracterizam por serem espaços livres que tem como elemento fundamental o predomínio de vegetação. Gomes (2005, p. 57) afirma que a vegetação oferece benefícios como redução de poluição do ar, conforto térmico, permeabilidade e umidade do solo, bem como, apresentam características de função social, já que disponibilizam a possibilidade de convívio social, realização de atividades físicas, recreação e pontos de encontro, contribuindo na criação de senso de pertencimento e coesão social, através de infraestrutura urbana, equipamentos adequados e seguros, sendo facilmente acessíveis à toda população. Dentre as áreas verdes destacam-se os parques urbanos, uma vez que para Lima (1994, p.15) a definição de parque urbano “é uma área verde, com função ecológica, estética e de lazer, entretanto, com uma extensão maior que as praças e jardins públicos”. Podem conter vários tipos de uso, como preservação ambiental e contemplação, desenvolvimento de atividades físicas e esportivas, e promoção de eventos culturais e educativos. Logo, os parques urbanos disponibilizam uma ampla gama de atividades, infraestrutura e eventos projetados com o intuito de oportunizar o acesso dos indivíduos à recreação, o lazer e a qualidade de vida nas áreas urbanas. Contudo, sua dimensão e localização em áreas de fácil acesso para as pessoas, está diretamente ligada às atividades encontradas no parque e seus frequentadores. Desta forma, o espaço público escolhido para o presente trabalho abrange o entorno do Farol da Educação, localizado no município de Coelho Neto - Maranhão. O terreno possui uma extensa dimensão, no qual não é explorada para as atividades descritas nos objetivos de criação da biblioteca pública, os quais são promover atividades de dinamização a fim de atingir vários segmentos da comunidade na prática da leitura. Nos dias de hoje, a biblioteca pública encontra-se fechada à comunidade, sendo utilizada apenas para pesquisas, a nível do ensino Fundamental e Médio por estudantes de escolas públicas e privadas mediante a autorização dos órgãos públicos do município, por meio dos professores das escolas. Percebe-se ainda, a falta de áreas de uso específico para crianças e adolescentes com a finalidade de incentivar a leitura e cultura associada às áreas verdes na cidade. Os espaços públicos livres como as praças e os parques, manifestam-se importantes para o desenvolvimento infantil ao possibilitarem melhoria nas habilidades físicas, cognitivas, sociais e psicológicas, 16 através da atividade do brincar (SOUZA & VIEIRA, 2004). Ou seja, além de estimular as habilidades sociais, essas áreas verdes melhoram na concentração e atenção das crianças, tornando-se fator fundamental no estímulo para a realização das atividades propostas no ambiente. Seguindo esses conceitos a proposta projetual apresentada para este trabalho é a requalificação paisagística no entorno do espaço público do Farol da Educação da cidade de Coelho Neto - Maranhão, com objetivo de convertê-la em um parque urbano. Pretende-segarantir o direito de acesso ao público, promovendo seu uso e participação dos indivíduos nas atividades culturais presentes no parque. Busca-se ainda, contribuir nos termos sociais, ambientais e de lazer, com o intuito de despertar o prazer pelos textos e acervos de obras literárias, por meio de espaços para realização de eventos socioeducativos, aliado a implementação de equipamentos, mobiliário urbano e biblioteca ao ar livre para o público infanto-juvenil e comunidade em geral. 17 4 OBJETIVOS 4.1 OBJETIVO GERAL Elaborar um projeto paisagístico e urbanístico de requalificação no entorno do espaço público do Farol da Educação de Coelho Neto - MA, propondo um parque urbano. 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ▪ Pesquisar sobre os conceitos de áreas verdes, espaços públicos, parques urbanos a fim de compreender a relevância dos mesmos para o município em estudo, bem como entender sobre a história da cidade e da biblioteca pública, objetivando propor um projeto interdisciplinar; ▪ Buscar estudos de casos semelhantes bem-sucedidos a nível internacional, nacional e regional, que sirvam de inspiração e consequentemente, contenham elementos arquitetônicos que aprimorem o projeto em estudo; ▪ Propor um programa de necessidades condizente com a proposta, projetando um anfiteatro para a realização de eventos educativos e culturais, circulações acessíveis, biblioteca ao ar livre, equipamentos e mobiliário urbano adequados; ▪ Fazer o diagnóstico do terreno proposto, a fim de entender questões relevantes como topografia, insolação e ventilação, com a finalidade de oferecer ferramentas e soluções adequados para garantir melhor desempenho na concepção do projeto. 18 19 5 REFERENCIAL TEÓRICO Para a elaboração do presente trabalho é necessária a compreensão de alguns conceitos e teorias objetivando direcionar e diminuir dúvidas recorrentes à execução do trabalho. Desta forma, foram apresentados dois temas; paisagismo e planejamento urbano, no qual se relacionam ao objeto de estudo e projeto proposto. Logo, visando garantir embasamento teórico foi desenvolvido as temáticas em torno de cidade, espaços livres, áreas verdes, parque urbano e bibliotecas. E depois evolução histórica dos parques urbanos no âmbito mundial, brasileiro e regional. 5.1 CIDADE A cidade desempenha um papel fundamental na formação e transformação da sociedade ao longo dos anos, sendo um ambiente onde pessoas de diferentes origens, culturas e ideias se encontram, interagem e colaboram entre si. Lefebvre (1970, p.147) considera que a cidade “projeta no terreno uma sociedade inteira, uma totalidade social, suas superestruturas e as relações sociais que constituem sua estrutura propriamente dita”. Fica evidente a relação da sociedade com a cidade por sua capacidade de estabelecer interações socias que se desenvolvem e são moldadas por meio de atividades econômicas, políticas e culturais. Em consonância, Harvey (1973 p.24) conceitua cidade como um sistema complexo e dinâmico no qual a forma espacial e o processo social interagem de maneira contínua. A configuração física da cidade influencia e molda o processo social, quando determina e organiza elementos como a infraestrutura, acessibilidade, os padrões de movimento, a distribuição de serviços e a segregação espacial na malha urbana, sendo primordial planejamento e gerenciamento espacial apropriado, a fim de conceber cidades socialmente integradas. As cidades quando gerenciadas de forma adequada, ofertando oportunidades para o desenvolvimento econômico e social, se tornam pontos focais para o progresso de uma sociedade (COHEN, 2006). O gerenciamento adequado nas cidades permite um crescimento ordenado e planejado, incluindo o estabelecimento de diretrizes para o uso do solo, infraestrutura, transporte, habitação e serviços públicos. Diante disso as cidades bem planejadas instigam o convívio e socialização das pessoas, através de atividades culturais, recreativas e de 20 lazer, promovendo qualidade de vida aos cidadãos e geração empregos que estimulam a economia local. As cidades são o habitat dos seres humanos e se destacam como centros de atividades culturais e comercias (ROGERS E HALL, 2001). A vida urbana na cidade deve proporcionar um ambiente de socialização, onde as pessoas se conectam e compartilham experiências, assim, o planejamento urbano de espaços públicos convidativos na cidade, levando em consideração a dimensão humana ao instigar o permanecer e o transitar nesses espaços, assegura o uso da população em áreas urbanas especificas. Com base nesses conceitos, é essencial considerar a sociedade como o centro dos projetos urbanos nas cidades, priorizando seus objetivos sociais e ambientais nos espaços públicos planejados. A proposta de requalificação do espaço público exposta neste trabalho, incita uma pratica fundamental para desenvolvimento urbano na cidade, visto que busca revitalizar uma área pouco explorado, com o propósito de estimular a convivência social no meio urbano. 5.2 PLANEJAMENTO URBANO O termo planejamento urbano refere-se ao processo de organização e desenvolvimento das áreas urbanas, com o objetivo de garantir a eficiência e qualidade de vida nas cidades. Lang (2005) complementa que planejamento urbano abrange a distribuição de usos do solo em relação às redes de transportes, tem a sociedade urbana como foco de estudo e busca a sustentabilidade das cidades como objetivo principal. Portanto, considera-se o planejamento urbano um processo consciente que envolve ações organizadas e direcionadas para atingir metas predeterminadas, com o intuito de resolver problemas atuais e antecipar problemas futuros nas cidades. O campo de estudo e prática do planejamento urbano surgiu no final do século XIX e início do século XX em resposta ao rápido crescimento das cidades e aos desafios associados a esse processo. À medida que as cidades se expandiam, surgiram questões relacionadas ao adensamento populacional, à falta de infraestrutura adequada, aos problemas de saúde pública e à necessidade de espaços de convivência e lazer. 21 Segundo Amorim Filho et al., (2001), a rápida aceleração do processo de urbanização global foi um dos elementos que impulsionaram a relevância do planejamento urbano regional no período subsequente à Segunda Guerra Mundial, especialmente a partir da década de 1950. Uma das principais razões para essa preocupação foi a destruição causada pela guerra em muitos países, o que tornou o planejamento urbano crucial para a reconstrução das cidades afetadas pelos conflitos. Além disso, a urbanização acelerada e a migração do rural aos centros urbanos durante esse período, também contribuíram para a importância do planejamento urbano. Durante a década de 1960, com a expansão do planejamento urbano regional, as metrópoles regionais se tornaram um dos temas centrais em muitas partes do mundo (AMORIM FILHO et al., 2001). As grandes concentrações urbanas se tornaram o foco principal das pesquisas e políticas de planejamento, refletindo a importância crescente atribuída a elas, já que são os novos centros de atividades econômicas, políticas, culturais e sociais, atraindo populações significativas e enfrentando desafios complexos, como infraestrutura, transporte, habitação, meio ambiente e governança. Azevedo (2015) alega que o termo planejamento urbano, a partir da década de 1970, passou a ser abordado por duas vertentes política distintas: o neoliberalismo e intelectuais marxistas, onde o neoliberalismo é uma corrente de pensamento que defende minimizar a intervenção estatal em aspectos econômicos, porém o estado era regulador do uso do solo, utilizando-se dos elementos e aspectos emblemáticos, racionalidade e função, tal qual o arquitetura e urbanismomodernistas. Esse aparato estatal é considerado ineficiente quando é permeável aos preceitos capitalistas, permitindo que uma pequena parcela da população detentora do capital influencie na formulação de políticas públicas. A problemática adquirida deixa em evidência a segregação espacial das classes sociais decorrente desse livre mercado e especulação imobiliária advinda do sistema (PIRES, 2016). Opondo a essa corrente, a vertente marxista objetiva no planejamento urbano criar condições para a sobrevivência do sistema a longo prazo, ainda que tenha a possibilidade de confrontar interesses capitalistas, criticando a concepção de cidade desenvolvida pelo pensamento modernista. Lefebvre (1991 p.135) apoiador à corrente, considera o direito à cidade: 22 O direito à cidade é a forma superior dos direitos, que engloba a liberdade, a individualização na socialização, o direito ao habitat e ao ato de habitar. Além disso, o direito à participação na criação da cidade (à atividade participante) e o direito à apropriação (diferente do direito à propriedade) também fazem parte do direito à cidade (LEFEBVRE, 1991 p.135). O autor argumenta que garantir o direito das pessoas à cidade não se resume apenas à provisão de necessidades básicas, como habitação e saneamento. É essencial também disponibilizar o acesso equitativo aos espaços urbanos, influenciando na construção de relações sociais no meio urbano, além de assegurar a participação da população no processo de planejamento das cidades. Sobre o planejamento urbano de cidades pequenas Villaça (2001) alega que, o modelo de segregação mais comum é a divisão entre centro e periferia, reproduzido igualmente em municípios de pequeno porte, em virtude do confinamento fundiário, da valorização e uso do solo urbano. O confinamento fundiário é a limitação física do espaço disponível para o desenvolvimento urbano, levando à concentração de atividades e infraestruturas nos centros. Como resultado, os preços do solo urbano no centro se tornam mais elevados em comparação com a periferia, dificultando o acesso à moradia e lazer para a população de menor renda. Em suma, um planejamento urbano adequado minimizaria à alocação desigual de espaços livres públicos recreativos no município estudado, no qual estão aglomerados, principalmente, no centro urbano, beneficiando apenas uma parte da população e excluindo regiões periféricas. Na proposta apresentada neste trabalho, o planejamento urbano visa abordar questões como a otimização do uso do espaço, a melhoria da conectividade e acessibilidade na malha urbana, através da requalificação de um espaço público pouco utilizado, buscando atender à demanda da população em relação à escassez de espaços livres públicos, proporcionando áreas de convívio adequadas e acessíveis. 5.3 PAISAGISMO O paisagismo é uma disciplina que se inspira nas artes, porém é considerado uma ciência, uma vez que investiga fenômenos naturais e realiza intervenções conscientes, analisando a concepção da paisagem e manipulando-a de acordo com uma determinada demanda. O paisagismo é uma área multidisciplinar que se baseia em diferentes campos do 23 conhecimento. Nas ciências agrárias, abrange o conhecimento das técnicas de cultivo de plantas e sua integração em ambientes externos. Na arquitetura, envolve o entendimento arquitetônico e as leis que regem os fenômenos paisagísticos. Nas artes, o paisagismo se beneficia da harmonia e da liberdade criativa, permitindo a expressão de sensibilidades e a criação sem restrições rígidas (FILHO et al., 2001). Dessa forma, o paisagismo combina conhecimentos técnicos, conceituais e criativos para criar ambientes externos harmoniosos e esteticamente agradáveis. Nas artes, o paisagismo encontra-se nos aspectos visuais, como a composição, a cor, a textura e a harmonia, através da liberdade de expressão artística, que permite ao paisagista criar espaços únicos e personalizados, objetivando criar paisagens visualmente atraentes. Em consonância, Lira Filho (2002 p.15) alega que, “o paisagismo insere-se nas Belas Artes e, como tal, possui suas técnicas e normas de execução, em busca da perfeição, da harmonia, da excelência”. O paisagismo é uma forma de arte que busca criar espaços funcionais e esteticamente agradáveis a fim de alcançar esses objetivos os profissionais utilizam técnicas e normas de execução para os projetos. Abbud (2008, p.15) complementa sobre o paisagismo como arte: O paisagismo se difere das demais artes plásticas pois é uma expressão artística em que integra os cinco sentidos do ser humano, propiciando uma vasta vivência sensorial completa atribuindo essas diversas experiências perceptivas ambiente. Destaca ainda, como fator relevante assegurar essas percepções sensoriais nos projetos paisagísticos propostos. Portanto, o paisagismo de acordo com os autores foi visto como arte por se assemelhar pela busca de criar espaços esteticamente harmoniosos, porém, ao integrar todos os sentidos do ser humano diferencia-se por proporcionar uma experiência mais completa garantindo maior qualidade nos projetos paisagísticos quando se obtêm o arranjo ideal desses sentidos em determinada paisagem. Paisagismo no Brasil é um termo amplo que abrange diversas escalas e abordagens para o estudo e intervenção na paisagem, podendo se referir a ações simples, como o plantio de um jardim, ou a projetos mais complexos de arquitetura paisagística, que envolvem a concepção de espaços verdes completos (MACEDO 2015). No contexto urbano, o projeto paisagístico é aplicado a um espaço livre em diferentes escalas como uma rua, pátio, jardim ou parque, e não 24 exige necessariamente a utilização de vegetação para sua concretização, mas sim pela massa construída e pelo suporte físico em suas diversas modelagens. Outra vertente que vale ressaltar, é sobre paisagismo urbano que objetiva organizar espaços urbanos, criando harmonia entre as construções e a natureza, levando em consideração critérios estéticos e elementos naturais, principalmente, a vegetação (BELLÉ 2013). Essa prática projeta e gerencia áreas verdes e espaços públicos nas cidades, além de possibilitar a integração harmoniosa da vegetação e construções humanas na paisagem urbana efetivando a criação de ambientes urbanos mais saudáveis e agradáveis para a população. Encontra-se o seguinte esclarecimento quando Lira (2001) descreve sobre o paisagismo direcionado ao recreativo, proporcionando atividades que atendam aos interesses da população, incluindo áreas esportivas, embelezamento da paisagem e benefícios ambientais. Neste presente trabalho, pretende-se propor um projeto paisagístico esteticamente agradável à paisagem urbana, de modo que incentive a convivência no espaço livre público, oferecendo atividades culturais variadas e experiências somáticas, com o intuito de estimular a prática da leitura ao restabelecer a conexão da natureza com o ser humano em ambientes urbanos. 5.4 ESPAÇOS LIVRES URBANOS O espaço livre urbano refere-se a qualquer área dentro da cidade não ocupada por edifícios ou construções, sendo projetada e planejada por arquitetos paisagistas. (MAGNOLI 1982). Apresentam-se como espaços abertos sem a presença de volume edificado no meio urbano, sendo públicos ou privados, apresentando vegetação ou pavimentados, englobando parques, praças, quintais residenciais, ruas, calçadas, áreas verdes entre outras. Lynch (1997) complementa quando afirma que, espaços abertos opõe-se a espaços fechados com edificações e esses últimos, causam isolamento e segregação humana, desfavorecendo a qualidade de vida e paisagem urbana para a sociedade. Dentro das áreas urbanas os espaços estão subdivididos em: espaços com construções habitacionais, institucionais e comerciais, espaços livres de construção, sendo as praças, parques e etc., e espaços de integração urbana,no qual são as redes rodoferroviária. (CAVALHEIRO & DEL PICHIA, 1992). De acordo com o autor, espaço livre é uma área urbana ao ar livre destinada à diversas atividades relacionadas ao descanso, passeio e práticas 25 de esporte, usualmente possibilita lazer e entretenimento durante o tempo livre a população, além de apresentar funções estéticas e de proteção ambiental. Magnoli (2006) afirma que os espaços livres não podem ser analisados como sendo áreas vazias, mais sim como um elemento dinâmico, classificados em sistemas e ocorrendo em áreas urbanas tal como, em áreas livres do processo de urbanização. Dessa forma, a análise dos espaços livres de uma cidade deve considerar sua organização em sistemas no desenho urbano, garantindo interconexão com os elementos da paisagem e os espaços. O Sistema de Espaços Livres (SEL) urbanos engloba todos os espaços livres existentes em um determinado contexto urbano que independem de suas funções, localização e dimensão, sendo públicos ou privados, conectados entre si por meio do sistema viário (QUEIROGA 2011). Esses espaços livres não precisam necessariamente estar conectados fisicamente, mas podem se relacionar de diversas formas, criando uma rede de áreas verdes, praças e outros locais com a presença de massas vegetais mais densa ou esparsas e até a sua ausência. Por esse motivo, os espaços livres urbanos estão diretamente relacionados com as áreas verdes, uma vez que são essenciais para a configuração da paisagem e da forma urbana, sendo exemplos de espaços que oferecem às pessoas oportunidades para fruição pública, lazer e descanso, promovendo assim a qualidade de vida nas cidades e contribuindo para a mitigação dos impactos ambientais e melhoria do clima urbano. 5.5 ÁREAS VERDES Percebe-se um debate e falta de consenso em relação ao termo áreas verdes, já que outras temáticas como espaços livres, arborização urbana, verde urbano são utilizados como sinônimos, erroneamente, para designar a vegetação urbana. Geiser (1975) descreve áreas verdes como áreas com a presença de vegetação, incluindo equipamentos urbanos, parques e sua tipologias variam entre parques, jardins, bosques, balneários e margens de rios e lagos. Cavalheiro e Del Picchia (1992) considera área verde como um espaço livre que desempenham função estética, ecológica e recreativa, além de ser um espaço de integração no meio urbano. Os autores diferem em detalhes sobre como se deve ou não apresentar a vegetação nesses espaços e seu porte. No entanto, possuem uma característica em comum sobre a importância e funções das áreas verdes no ambiente urbano sendo espaços livres urbanos. 26 Lima et al. (1994) afirma que espaços livres é o conceito mais abrangente, podendo ter vegetação ou não, que se contrapõe ao conceito de espaços construídos (habitacionais, institucionais e comerciais) nas áreas urbanas. Ele define área verde como espaço onde predomina-se a vegetação arbórea, e exemplifica suas tipologias em: ▪ Parque Urbano: são áreas verdes, maiores que praças e jardins públicos, destinados à recreação, lazer, convívio, contemplação da natureza e equilíbrio ecológico; ▪ Praça: classificada como área verde quando contém vegetação e não forem impermeabilizadas, sendo sua principal função proporcionar lazer; ▪ Arborização urbana: refere-se ao conjunto de árvores de porte arbóreo presentes em áreas urbanas, que incluem ruas, praças e parques. As árvores plantadas nas calçadas não são consideradas parte do sistema de áreas verdes (LIMA et al. 1994). Neste contexto, vale ressaltar que as árvores plantadas nas calçadas são consideradas como parte da arborização urbana, mas não são incluídas nos sistemas de áreas verdes. A vegetação que compõe essa arborização urbana pode ser de origem natural ou cultivada, e pode ser encontrada em espaços tanto públicos como privados. Com o objetivo de fornecer um conceito mais completo sobre áreas verdes e preencher a falta de consenso entre os estudiosos sobre a temática Cavalheiro (1999) declara: Área verdes como espaços livres contendo a vegetação como elemento fundamental, atendendo a três objetivos principais: ecológico, estético e de lazer. A vegetação deve ocupar 70% da área, possibilitando seu uso para atividades recreativas para a população. Não considera canteiros, jardins de ornamentação, rotatórias e arborização como áreas verdes e sim “verde de acompanhamento viário”, categorizadas como espaços de integração urbana (CAVALHEIRO, 1999, p.7). Ressalta-se que cobertura vegetal não se enquadra a categoria de áreas verdes, essa terminologia refere-se à cobertura que a vegetação proporciona ao solo. Logo esse percentual de 70% referente a cobertura vegetal é um requisito para ser considerada uma área verde, que foi corroborada por Nucci (2001) e Benini e Martin (2010) em seus trabalhos, pois representa condições ecológicas adequadas para as funções que possam ser exercidas nestas áreas. Benini e Martini (2010) caracteriza as áreas verdes públicas com um espaço livre de uso comum que apresente algum tipo de vegetação, podendo ser espontânea ou plantada, contribuindo em termos ambientais, além de ser utilizado com objetivos sociais, ecológicos 27 e/ou culturais. Avaliando o progresso da conceituação acerca da temática, para este trabalho será considerado o conceito de Benini e Martini (2010), por ser o mais atualizado e unânime no meio acadêmico brasileiro, reforçando a importância das áreas verde públicas no tecido urbano. 5.6 PARQUES URBANOS Os parques urbanos são espaços urbanos verdes que desempenham uma variedade de funções recreativas, educacionais e ambientais, e são adaptados para atender às necessidades e interesses dos moradores das cidades. Entende-se parque urbano como espaços livres com função recreativa de lazer, que apresentam independência espacial em relação à malha urbana, devendo proporcionar uma experiência mais individualizada ao visitante, tanto em termos de percepção espacial global quanto em relação aos elementos naturais que compõem o parque (CAMPOS; et al. 2011). Em concordância, Macedo e Sakata (2001), alegam que parque urbano é todo o espaço de uso público atribuído a recreação de massa, independentemente do seu tipo, devendo ter a capacidade de integrar metas de conservação e estrutura autossuficiente. Desta forma, a configuração do parque não depende da paisagem urbana, sendo projetado pra atender suas próprias funcionalidades, objetivando sua autonomia, conservação ambiental e autossuficiência de recursos como água energia e matéria prima. A função é uma atividade fundamental na concepção de qualquer estrutura espacial e sua relação com a forma é intrínseca, uma vez que as funções são incorporadas nas formas, que por sua vez são criadas para atender a uma ou várias funções específicas (BOVO, CONRADO, 2012). As funções moldam e adaptam as formas construídas, no caso dos parques sua estrutura morfológica varia de acordo com as funções que equivalem a ecológica, social e de lazer com o intuito de atender as necessidades e expectativas do público alvo. Segundo Silva (2009), os espaços públicos têm frequentemente o papel de locais onde a novidade e o inesperado proporcionam um ambiente social que permite aos indivíduos assumirem diferentes identidades, desempenharem papéis e escolherem enredos que desejam participar. Dessa forma, os parques urbanos são responsáveis por cumprir a função social, de possibilitar uma ampla variedade de atividades sociais e culturais, fornecendo um ambiente 28 seguro e acessível à todas as pessoas como também, oferecer um espaço onde as pessoas possam exercer sua liberdade individual e participação da vida pública. É perceptível que os parques urbanos desempenham uma variedade de funções e atividades na vida pública de cada indivíduo, e que essas atividades estão diretamente relacionadascom a dimensão e localização do parque no tecido urbano. Portanto, existe uma classificação adotada para os parques urbanos que leva em consideração as diferentes escalas e contextos urbanos. De acordo com, Mertes e Hall (1995, p. 94,) os tipos de parques são classificados em: ▪ Parque de vizinhança (bairro): São a unidade básica do sistema de parques. Os objetivos são atividades de lazer (passivo e ativo) cumprindo função social atendendo a diversas faixas etárias e em geral ocupam uma área limitada. ▪ Parque de comunidade: Sua meta é integrar diversas vizinhanças ou bairros. têm como objetivo suprir demandas não atendidas pelos parques de bairro, oferecendo uma ampla variedade de atividades de lazer e recreação durante o dia e a noite, para todas as faixas etárias. Tem fácil acesso para diferentes modos de transporte, disponibilizando estacionamento para veículos. ▪ Grandes Parques Urbanos: Atendem a demandas não atendidas pelos parques de vizinhança e de comunidade. Igualmente apresenta funções de lazer e social podendo incluir áreas de conservação da natureza ou da paisagem (MERTES E HALL 1995, p. 94). Embora as definições e classificação dos parques urbanos possam variar, é comum que todas estejam relacionadas aos equipamentos e serviços oferecidos e à população atendida. De acordo com o exposto as dimensões também ocorrem variação quanto ao porte e escala pretendida, mas geralmente são determinadas com base na localização, necessidades e demandas da população local. A criação e manutenção adequada de parques públicos se apresenta como uma estratégia fundamental para uma política de planejamento urbano eficaz e saúde pública (SZEREMETA; ZANNIN, 2013). A integração de um parque na malha urbana de uma cidade é uma estratégia eficaz para oportunizar a interação social e atividades culturais na comunidade local. O objetivo deste trabalho é contribuir na requalificação e uso do entorno do espaço público proposto, promovendo o uso da biblioteca existente, com o intuito de converter o local em um ambiente de convivência e estímulo à leitura para o público alvo. 29 5.7 BIBLIOTECAS PÚBLICAS A biblioteca pública é a principal provedora de serviços para a escola, a educação e a cultura em toda a sociedade, já que sua existência e papel social são fundamentais para a formação do cidadão (BARROS, 2002). Sendo assim, a biblioteca pública é um espaço democrático que oferece recursos e ferramentas para o desenvolvimento pessoal, educacional e profissional das pessoas, independentemente de sua origem ou situação financeira. No período colonial, a primeira biblioteca pública do Brasil surgiu graças às iniciativas de senhores de engenho, sendo gerida pela sociedade e mantida por seus sócios (SUAIDEN 2000). Após sua fundação, no entanto, a biblioteca não conseguiu se manter apenas com doações e passou a ser mantida pelo Estado, assim como as bibliotecas públicas atuais. A partir de doações e leis que incentivavam os editores a doar parte de suas publicações, as bibliotecas mantidas pelo governo desenvolveram-se na época. Neste contexto, Miranda (1978) destaca os principais objetivos que orientam a missão das bibliotecas públicas, sendo um desses objetivos a promoção do idioma nacional, oferecendo publicações em língua portuguesa para os usuários. Além disso, as bibliotecas públicas devem fornecer acesso a publicações oficiais e outros materiais para estudantes e apoiar campanhas de alfabetização, como servir como depositárias do acervo da inteligência e da história local, preservando assim a memória da comunidade em que estão inseridas. O manifesto da UNESCO (1994) afirma que, as bibliotecas públicas são um ponto central de acesso à informação em nível local, fornecendo aos seus usuários acesso imediato ao conhecimento e à informação de todos os tipos. A entidade incentiva as autoridades nacionais e locais a se engajarem ativamente e se comprometerem com o desenvolvimento das bibliotecas públicas para que elas possam cumprir seu papel devidamente. Apesar de todos esses incentivos, a falta de informação e a dificuldade de acesso as bibliotecas públicas geraram um grande impacto nas vidas pessoas. O acesso à informação é crucial para a formação de cidadãos conscientes, pois permite que as pessoas organizem sua visão de mundo e facilitem sua ordenação mental, como também, a informação possibilita a expressão de opiniões e posicionamentos, transformando assim informações em conhecimento. De acordo com Borges e Amaral (2015), a exclusão social no Brasil é um fenômeno que afeta diversos aspectos da vida, como renda, emprego, saúde e cidadania, e que começa a se manifestar na exclusão da informação, principal matéria-prima do conhecimento. 30 As bibliotecas públicas têm um papel essencial na redução da exclusão social causada pela falta de acesso à informação. No entanto, é importante que elas não ofereçam apenas um acesso genérico às informações, mas que sejam capazes de compreender as necessidades específicas dos seus usuários e desenvolver programas e projetos de incentivo à leitura que possam atender às suas demandas. A proposta de converter o espaço público no qual, está inserido a bibliotecas públicas, em um parque urbano pode contribuir para a promoção de atividades culturais e educacionais, além de incentivar a prática de atividades ao ar livre e a utilização do espaço público como um local de convívio e interação social. Dessa forma, a biblioteca se torna não só um local para aquisição de conhecimento, mas também um espaço para o lazer e a integração da comunidade, contribuindo para a construção de cidades mais humanas e sustentáveis, com uma relação mais equilibrada entre as pessoas e a natureza. 31 6 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS PARQUES URBANOS 6.1 No Mundo A origem dos parques remonta aos séculos XVII e XVIII, partindo de dois pontos norteadores essenciais: a urbanização acelerada e a industrialização em curso nos países, visto que, esses períodos históricos foram marcados por mudanças sociais, econômicas e demográficas significativas, que impulsionaram a necessidade de espaços públicos verdes e recreativos nas cidades em desenvolvimento. Scocuglia (2009) sobre a urbanização das cidades, alega que, os primeiros parques surgiram simultaneamente ao desenvolvimento das cidades no final do século XVII, como equipamentos públicos, a fim de, atender essas novas demandas socias. A Revolução Industrial, que se inicia na Europa no final do século XVII, foi um fator relevante que influenciou diretamente as variações espaciais, motivadas pelo êxodo rural e a expansão das cidades. Conforme as cidades cresciam a população demandava melhora nas infraestruturas dos aspectos urbanos como aumento do trânsito, barulho e segregação social, assim como, os espaços com fragmentos de natureza diminuía, sendo substituídos por habitações, atividades comerciais entre outros elementos urbanos considerados prioridades. Nesse contexto, surgiram preocupações com reformas sanitárias, que levaram à implementação de leis de saúde pública visando a melhoria da higiene e limpeza urbana. Sennett (2001) afirma sobre as reformas sanitárias que: A partir de 1740, os grandes centros europeus começaram a cuidar da limpeza urbana, com a consecução de drenagem de buracos e depressões alagadas e uso de materiais nas calçadas, como placas de granito, que evitassem fissuras, para não acumular excrementos humanos e de animais. Em 1750, o povo parisiense foi obrigado a lavar o estrume e o entulho em frente à residência. Houve a recuperação de locais inundados ou obstruídos em 1764. E, em 1780, foi proibido esvaziar os penicos nas ruas (SENNETT, 2001, p. 220). As leis sanitárias desempenharam um papel crucial no desenvolvimento das políticas urbanas na Inglaterra durante a era industrial, resultando em melhorias significativas nas habitaçõesurbanas. Além disso, o rápido crescimento das cidades e o ritmo acelerado da vida industrial levaram à escassez de tempo livre para socializar e descansar. Diante dessa realidade, 32 surgiu a necessidade iminente de espaços de lazer, resultando no surgimento dos parques urbanos como uma resposta efetiva a essa demanda. No final do século XVIII, na Inglaterra, os parques urbanos surgiram como uma solução para oferecer espaços verdes acessíveis, ar puro e oportunidades de lazer para a população urbana. Nesse contexto, a inclusão de espaços verdes públicos foi considerada durante a elaboração do planejamento urbano da cidade. De acordo com Howard (1996), o planejamento urbano inglês foi influenciado pela legislação higienista, os estudos regionais de Patrick Geddes e a implementação da ideia de Cidade-Jardim por Ebenezer Howard em Letchworth e Welwyn. O urbanista inglês Ebenezer Howard, almejava aprimorar as áreas degradadas dos bairros operários através da implantação de espaços arborizados em ruas, avenidas, praças, parques por toda a cidade, com o intuito de transformar essas áreas em ambientes agradáveis e acolhedores, oportunizando interação social e contato com a natureza. A Cidade-Jardim, teoria urbanística de Howard, foi um marco na transição do século XIX para o XX, na história da urbanização na Inglaterra, dado que, a ideia de integrar a natureza nos espaços urbanos foi adotada pelos planejadores do século XX, e repercutiu em todo o mundo (MELO et al, 2013). Durante o século XIX, os parques privativos que antes pertenciam à nobreza inglesa foram abertos ao público, dando origem a um conjunto de parques urbanos em Londres, essa iniciativa estabeleceu um padrão que influenciou a criação de muitos outros parques ao redor do mundo. Macedo (2015) alega que, o Regent's Park, projetado por Clarence Nash em 1812, é um exemplo notável de um espaço público que incorpora uma atmosfera cênica altamente pitoresca e pastoral, evocando imagens idílicas do campo ou de um distante Olimpo perdido. O parque foi concebido de forma a criar uma paisagem encantadora e serena, despertando uma sensação de estar imerso em uma paisagem idílica do campo, como se estivesse em um lugar de beleza paradisíaca ou até mesmo mítico. Além disso, redesenhou um canal de água para circundar a seção norte do parque, objetivando uma aparência, propositalmente, desorganizada e aleatória que caracteriza o estilo pitoresco dos jardins ingleses (SUMMERSON, 1978). O Regent's Park (Figura 01) é amplamente reconhecido por sua beleza natural e pelo paisagismo cuidadosamente planejado. O parque oferece uma ampla variedade de atividades recreativas para os visitantes, podendo desfrutar de passeios de barco no lago, caminhadas pelos seus amplos espaços, momentos de descontração em piqueniques ao ar livre, além de poderem explorar os diversos jardins temáticos que adornam o parque. 33 Fonte: HUANG, (2017). Disponível em: </ https://www.istockphoto.com/br/foto/paisagem-tranquila-o-regents- park-de-londres-gm873176306-243859994?phrase=regents+park/>. Acesso em: 26 de maio de 2023. Fonte: ARCHDAILY, (2018). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/899559/sao-paulo-londres- tel-aviv-comparando-a-cobertura-vegetal-de-10-metropoles-mundiais />. Acesso em: 26 de maio de 2023. Figura 1: Regent’s Park Figura 2: Hyde Park 34 Segundo Macedo (2015), essas características não se limitam apenas ao Regent's Park, mas também podem ser observadas em outros parques londrinos da mesma época, como Hyde Park (Figura 02) e St. James's Park. Esses parques compartilham a mesma atenção meticulosa aos detalhes paisagísticos e estéticos, proporcionando espaços de lazer e recreação para os habitantes e visitantes da cidade. Nas Américas no século XIX, os parques foram impulsionados pelo Movimento de Parques Americanos, sob a liderança do arquiteto paisagista Frederick Law Olmsted, onde o verde começa a ser integrado às cidades, inspirado nas práticas europeias como a arborização de ruas e a criação de áreas verdes circundantes. Segundo Kliass (1993), a construção dos parques urbanos nos Estados Unidos: Foi liderado por Frederick Law Olmsted, o Movimento de Parques Americanos desempenhou um papel fundamental no planejamento urbano das cidades americanas, incluindo os parques como parte integrante de sua estrutura urbana, usufruindo do potencial paisagístico desses espaços. As contribuições de Olmsted foram além da simples construção de parques, incorporando a criação de um sistema de áreas verdes interligadas por avenidas-parques, bem como a preservação de vales e margens de rios em cidades como Nova York, Chicago e Boston. Nesse contexto, os parques surgiram como resposta à necessidade de estabelecer espaços que contrastassem com as estruturas urbanas existentes, concluindo que os parques urbanos podem auxiliar na mitigação dos impactos da poluição, fornecendo benefícios ambientais e sociais para as cidades americanas e seus habitantes. O Central Park é uma realização de destaque criado pelo arquiteto Frederick Law Olmsted, levando em consideração, os conceitos de espaços verdes públicos na cidade de Nova York (Figura 01). Sobre a concepção do mesmo, Rose (2018) alega que foi idealizado por um grupo de empresários prósperos de Nova York, que advogaram pela criação da Comissão do Central Park, defendendo a ideia de um parque nas pastagens ao norte dos distritos mais densamente habitados da cidade. O objetivo deles era conceber um local onde pudessem, juntamente com suas famílias, desfrutar de caminhadas ou realizar passeios de carruagem, e onde as famílias da classe trabalhadora pudessem interagir sem a necessidade de frequentar o bar local. Neste caso, a fim de atender a demanda dos comerciantes e população em geral, foi proposto um “novo parque, 35 onde a Comissão do Central Park organizou o primeiro concurso nacional de projeto de paisagismo, que foi vencido por Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux” (ROSE p. 226, 2018). A construção do parque foi financiada por recursos públicos e sua inauguração oficial ocorreu em 1876. Nessa época, representou um destaque notável entre as melhorias urbanas implementadas, sendo uma paisagem natural projetada no coração da cidade mais densamente povoada dos Estados Unidos. Miller (2003), afirma que o parque, não é o mais antigo, extenso ou bonito espaço público ao ar livre dos Estados Unidos, porém é considerado o mais significativo do país, uma vez que foi o primeiro grande espaço livre planejado intencionalmente para o cidadão comum. Atualmente, o Central Park, além de ser um espaço verde aberto e seguro (Figura 03), proporciona uma ampla diversidade de opções saudáveis para o entretenimento da comunidade e visitantes de todas as faixas etárias. Entre elas estão, um teatro, campos de beisebol e basquete; um jardim zoológico, percurso para caminhadas e corridas; uma área designada para passear com os cachorros, entre outras opções recreativas. Fonte: FREEPIK, 2022. Disponível em: </ https://br.freepik.com/fotos-gratis/vista-aerea-do-central-park-em- manhattan-na-cidade-de-nova-york-cercado-por-arranha-ceus_19963738.htm />. Acesso em: 26 de maio de 2023. Figura 3:Vista aérea atual do Central Park 36 O século XIX foi caracterizado por profundas alterações econômicas, políticas e sociais que exerceram uma influência marcante nas ideias urbanísticas de muitas cidades europeias. Na França, durante as décadas de 1850 e 1860, houve um destaque para os parques urbanos, especialmente evidenciado pela reforma de Paris, liderada por Georges-Eugène Haussmann, que resultou na remodelação do centro da cidade. De acordo com Monte-Mór (2006): Haussmann exemplificou uma significativa intervenção estatal em um importante centro industrial que possuía uma densidade populacional desproporcional ao seutamanho. O plano consistiu na criação de amplos boulevards, áreas verdes e avenidas largas, integrando medidas de higienização, demolição de grandes construções em estado de deterioração e condições higiênicas precárias. Essa reestruturação ocorreu tanto por motivos estéticos quanto sanitários, e foi marcada pela criação de grandes parques como, o Monceau, Buttes-Chaumont e Montsouris. Diante desse quadro, o Parc Montsouris, (Figura 04), projetado pelo arquiteto Jean-Charles Alphand e Figura 4: Planta do Parc Montsouris em 1904. 37 inaugurado em 1869, possui um sistema viário bem estruturado, onde todos os caminhos, mesmo que sinuosos, levam a áreas de encontro e distribuição (MACEDO, 2015). Fonte: HERNU-BÉLAUD, 2014. Disponível em: </http://blog.apahau.org/gabrielle-heywang-le-parc- montsouris-un-parc-haussmannien-histoire-de-lart-n-73-2013/>. Acesso em: 26 de maio de 2023. O sistema viário do Parc Montsouris foi concebido com um traçado sinuoso, permitindo uma maior exploração dos gramados extensos. Esses caminhos sinuosos estão interligados a uma via principal que percorre todo o parque, servindo como ponto de convergência para todas as vias secundárias. Isso proporciona aos visitantes a oportunidade de percorrer diferentes trajetos e explorar as diversas áreas do parque antes de chegarem à via principal. Outro fator relevante foi a, construção de novos boulevards, (Figura 05) amplas ruas arborizadas, nos cruzamentos viários da cidade. Os recém-criados boulevards possibilitaram a livre circulação do tráfego pelo centro da cidade, permitindo um deslocamento direto e ininterrupto de um extremo ao outro - uma empreitada ambiciosa e praticamente inimaginável até então (BERMAN, 1987). Fonte: ADOBE STOCK, (2016). Disponível em: </ https://stock.adobe.com/br/images/lovely-panoramic-aerial- view-of-the-famous-avenue-des-champs-elysees-in-paris-on-a-nice-sunny-day-with-a-blue-sky-at-the-horizon-it- is-one-of-the-most-recognisable-avenues-in-the-world/288146651?prev_url=detail />. Acesso em: 26 de maio de 2023. Figura 5: Boulevard parisiense 38 Diante desse contexto, os desafios estruturais enfrentados pelas grandes cidades europeias e americanas, devido às condições de trabalho e habitabilidade precárias, emergiu a criação dos primeiros parques urbanos destinados aos moradores comuns. Nesse período, houve um fortalecimento da preocupação com a presença de vegetação, visto que a introdução desses espaços verdes foi uma resposta às necessidades de melhoria das condições de vida e ao desejo de proporcionar áreas de lazer e contato com a natureza aos habitantes urbanos. 6.2 No Brasil A urbanização no Brasil, passou por um processo inicial nos primeiros três séculos após o período de colonização, que teve início no século XVI. Nesse período, as cidades brasileiras ainda estavam em estágios iniciais de crescimento e organização urbana, com estruturas urbanas mais simples e menos desenvolvidas em comparação a períodos posteriores. Segundo Marx (1980), naquela época as capitais brasileiras, como Salvador, e as cidades mineiras que prosperaram durante o ciclo do ouro, como Ouro Preto, Mariana e Parati, apresentavam aglomerações urbanas modestas. A vegetação nas áreas urbanas era vista como um recurso útil para a subsistência e as necessidades domésticas do que como um elemento estético ou de integração paisagística nas cidades. Não havia uma preocupação central com a presença da natureza nos espaços urbanos, pois a vegetação dessas habitações consistia, principalmente, de árvores frutíferas, ervas aromáticas e plantas medicinais, que eram cultivadas em quintais e pátios, com foco nas atividades culinárias (MARX, 1980). Durante o século XVII, apenas a cidade de Recife apresentava um nível mais avançado de urbanização e organização urbana, advinda do seu papel importante de porto comercial e centro econômico na época. Macedo (1999) declara Recife como pioneiro a introduzir arborização nas ruas em seu núcleo urbano, além de ter sido cenário do primeiro parque público construído no Brasil: o Parque do Palácio de Friburgo, perdido logo após a saída dos holandeses de Pernambuco. Com o início do período Imperial em 1822 e a transferência da capital federal para o Rio de Janeiro, ocorreu uma concentração dos recursos do país na cidade, impulsionando seu 39 desenvolvimento urbano. Consequentemente, foram realizadas diversas reformas urbanas, que incluíram aterros, calçamentos, instalação de chafarizes com água e implementação de iluminação pública, entre outras melhorias, contribuíram para a modernização e embelezamento da cidade durante esse período. O Passeio Público, projetado por mestre Valentim da Fonseca e Silva, foi construído em 1783 por ordem do vice-rei Luís de Vasconcelos de Sousa. Em 1862, passou por uma reforma realizada por Glaziou, resultando na perda do seu traçado neoclássico geométrico, sendo substituído por um projeto moderno, com a introdução de água serpenteante e caminhos orgânicos interligados (MACEDO; SAKATA, 2001). Essa iniciativa representou um marco inicial na valorização e melhoria dos espaços públicos, bem como, processo introdutório de tratamento paisagístico de áreas públicas no Brasil. No entanto, é relevante salientar que, ao contrário da formação dos parques urbanos europeus e americanos, esse espaço público não era acessível ao público em geral, mas sim restrito às camadas privilegiadas da sociedade brasileira. No final do século XVIII, surgem os primeiros jardins públicos destinados ao lazer, situados em terrenos considerados inadequados para a construção de ruas ou edifícios. “Esses espaços públicos foram construídos segundo a linha projetual Eclética, seguindo as inspirações europeias do jardim clássico francês, com uma visão romântica, bucólica e idílica, traçado extremamente geométrico voltado ao lazer contemplativo e ao passear” (MELO 2013, p 38). Nessa época, os projetos de espaços públicos e privados no Brasil foram influenciados por padrões paisagísticos europeus, especialmente a influência francesa, seguindo a tendência eclética. Nessas circunstâncias, percebe-se essa influência nos projetos e no planejamento de espaços públicos, como a Praça da República em Belém. Macedo (1999) alega que, este local apresentava um desenho com traçado geométrico que direciona o olhar para um ponto central, além da presença de vastas áreas gramadas e conjuntos de árvores, proporcionando diversas opções de lazer para a população. No século XIX, destaca-se a existência dos jardins particulares nas residências da reduzida elite que viviam em habitações modernas, caracterizadas por pequenos palacetes construídos no meio de vastos jardins. As edificações desses palacetes, seguindo as tendências do Ecletismo, disseminaram-se por todo o território brasileiro, evidenciando a importância de seus proprietários, por meio da exposição dos luxuosos jardins privados, lagos, bosques e gramados de caráter romântico (MACEDO 1999). 40 Durante o século XIX e a primeira metade do século XX, o Brasil enfrentou um crescimento urbano desordenado, resultando na existência de vazios urbanos, frequentemente compostas por várzeas de rios, apropriados pela população mais pobre tanto para moradia como para lazer. Farah; Schlee; Tardin (2010) destacaram o Bosque Municipal, como o projeto de relevância no início do século XX: O Bosque Municipal, agora conhecido como Bosque Rodrigues Alves, é um dos remanescentes mais significativos da época em que foi criado. Sua origem remonta a 1883, quando foi estabelecido como uma forma de ocupar uma área livre nos limites da área urbana daquela época. Em 1993, o bosque passou por uma reforma abrangente e foi reinaugurado pelo intendente Antônio Lemos. O bosque ocupa uma área retangular de aproximadamente 152 mil metros quadrados, que hoje está completamentecercada pela cidade. No início do século XX, foi considerado o maior jardim da região, e até os dias atuais continua sendo um importante logradouro da cidade. Apesar das transformações e perdas ao longo de um século de existência, ele ainda preserva sua importância como uma reserva natural da vegetação amazônica. Nesse período, houve um reconhecimento crescente da importância da vegetação no espaço urbano como um fator essencial para a saúde e o bem-estar das pessoas. A consolidação da disciplina urbanística evidenciou cada vez mais a conscientização de áreas verdes nas cidades como parte integrante do planejamento urbano. De acordo com Macedo e Sakata (2001), se concretizou a importância das área verdes, a partir da segunda metade do século XX, devido à falta de espaços disponíveis para recreação, os equipamentos urbanos de lazer se tornaram uma demanda social. Em consonância, diversos jardins botânicos, parques de palácios e áreas adjacentes a propriedades rurais foram transformados em parques públicos, visando disponibilizar o valor de seus espaços, anteriormente reservados à elite, para o desfrute da população em geral. Durante o século XX, os projetos de parques seguiram a linha moderna, que emergiu principalmente a partir dos anos 1930, rompendo com a estética eclética predominante até então (MACEDO e SAKATA 2001). Essa nova abordagem trouxe consigo a proposta de ambientes funcionais e inovadores, com ênfase na integração das práticas esportivas e recreativas, utilizando da vegetação tropical nos parques, que poderia ser tanto nativa como exótica. MACEDO (2015, p. 63-64) afirma que, “Nos anos 1940, 1950 e 1960 esse movimento difundiu-se pelo país, institucionalizado pelo novo estado, sendo transformado em um dos produtos de sua modernidade e da identidade nacional”. Dessa forma, as origens da arquitetura urbana moderna no Brasil sucederam-se de três fatores importantes para a época: a 41 industrialização, à migração interna e à imigração, que impulsionaram o crescimento das cidades e influenciaram a adoção de abordagens arquitetônicas modernistas, com teor nacionalista. Durante a década de 1940, foram construídos diversos parques modernos no Brasil, com o intuito de proporcionar espaços de recreação e atividades esportivas, contendo quadras esportivas, playgrounds e pisos amplos. (SAKATA 2018). Os passeios nos parques daquela época ainda exibem um traçado sinuoso, influenciado pelo estilo inglês, que circunda entre gramados, bosques e lagos. Esses parques oferecem uma ampla variedade de atividades de lazer, mas sem perder a importância do lazer contemplativo. Na década de 1950, as possibilidades de lazer para a população brasileira eram limitadas devido à escassez de recursos econômicos, uma vez que a maioria das opções de entretenimento tinha um alto custo associado, pois nesse período, o país passava por uma instabilidade econômica e social. Nessa perspectiva, exemplifica-se a ruptura definitiva com a estrutura do antigo projeto romântico de paisagismo no Brasil, quando ocorreu as inaugurações do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, em 1954, e do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, em 1962. (MACEDO e SAKATA, 2001). Dessa forma, o Parque do Ibirapuera e o Parque do Flamengo, ambos projetados por Roberto Burle Marx, representam marcos importantes na história do planejamento e do design de parques urbanos no Brasil, introduzindo uma nova abordagem focada na modernidade, na funcionalidade e na integração harmoniosa entre natureza, arquitetura e atividades de lazer. Conforme Macedo e Sakata (2001), a partir do final dos anos 1960, houve um interesse político crescente na implantação e criação de áreas públicas verdes, em diferentes localidades das cidades brasileiras, não apenas bairros nobres. Nesse período, foi marcante a carência de espaços ao ar livre para o lazer da população urbana em geral. A urbanização progressiva levou à diminuição ou até mesmo eliminação das áreas vazias nas cidades, que anteriormente serviam como locais de práticas de lazer das camadas populares. Como projeto de destaque, a nova capital brasileira, Brasília, planejada nos anos 1950 e inaugurada em 1961, foi concebida pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa e é mundialmente reconhecida como uma cidade-parque, caracterizada por a integração de natureza e o cotidiano urbano. Desta forma, Brasília é o exemplo mais significativo da introdução do conceito de parque no contexto urbano brasileiro, tendo em vista que, “o Plano Piloto se caracteriza pela 42 paisagem horizontalizada, pela predominância de espaços livres e pela grande amplitude visual. Também, é dividido por quatro escalas: a residencial, a monumental, a gregária e a bucólica” (MUSEU VIRTUAL DE BRASÍLIA, s/d). Essa abordagem foi elaborada, com a ideia de integrar extensas áreas verdes ao redor dos edifícios e estruturas urbanas, permitindo que a natureza se tornasse um elemento fundamental na composição da cidade, proporcionando espaços de lazer, recreação e convívio social, objetivando criar laços comunitários para seus habitantes. A passagem dos anos 1970 para os 1980 marcou uma mudança significativa nas políticas públicas relacionadas à construção de parques urbanos, sendo redirecionados para os bairros populares (MACEDO, 2015). A disseminação desses espaços em bairros populares, que antes eram privilégios da elite, teve como objetivo principal promover uma maior valorização do espaço público urbano. Esse processo começou, em cidades que possuíam uma administração centralizada e uma clara motivação política para investir em transportes, infraestrutura e áreas livres que contribuíram para a criação e manutenção dos parques. Curitiba e São Paulo se destacaram por esses investimentos; a primeira, com o Parque Barigui (1972), e a segunda, pela criação do Parque Piqueri (1978). Macedo (2015) afirma que: Ambos os parques adotaram a estratégia de aproveitar terrenos estaduais contendo vegetação preservada, seja ela composta por florestas nativas, pomares ou jardins de antigas propriedades rurais. O Parque Piqueri foi estabelecido em uma área densamente arborizada de uma antiga propriedade rural pertencente à família Matarazzo. Já o Parque Barigui foi criado com o objetivo de preservar remanescentes de bosques de araucárias, árvores características da região da capital paraense. Essas práticas de aproveitamento e conservação tornaram-se amplamente adotadas e direcionaram a construção de uma grande quantidade de novos parques urbanos em todo o Brasil, resultando na criação de espaços semelhantes em todo o país. Além disso, confirma-se que nessa época houve uma transição em que os elementos decorativos foram substituídos por espaços e equipamentos esportivos nos parques. A partir dos anos 1980, tornaram-se evidentes no Brasil algumas transformações na maneira de conceber o espaço urbano. Os princípios modernistas rígidos começaram a ser questionados e o design do espaço livre passou a ser concebido com maior liberdade, com novas formas e revivalismos, essas características marcantes definiram a abordagem contemporânea na concepção dos parques urbanos naquele período (SAKATA, 2018). 43 As linhas projetuais do ecletismo e do modernismo não são completamente rejeitadas, uma vez que ainda se valorizam espaços de contemplação e elementos decorativos, como pérgulas, mirantes, pontes e pórticos. Conforme Macedo (2015), a liberdade de criação e composição está, novamente, vinculada ao espírito desejado para o lugar, seguindo em certa medida a linha de composição dos projetos urbanísticos e arquitetônicos do ecletismo. O projeto do Jardim Botânico de Curitiba, concebido em 1991, representa um marco significativo ao romper com essa tendência modernista. Sakata (2018, p. 53) descreve sobre o projeto do Jardim Botânico como, uma forma de ecletismo recente, quecombina a fusão de elementos históricos com a utilização de uma estufa em uma estrutura tubular de metal, e o par terre adornado com flores vibrantes. Ao redor dessa ambientação, encontram-se instalações esportivas contemporâneas e uma ampla área de floresta com trilhas, resultado do aumento do movimento conservacionista no final do século XX. O Jardim Botânico de Curitiba é um exemplo notável de como as influências arquitetônicas europeias se combinam com os princípios do funcionalismo e naturalismo da época, resultando em um espaço que reflete o pluralismo da contemporaneidade. No entanto, vai além da estética e reflete uma consciência crescente sobre a importância do conservacionismo, que emergiu como uma preocupação significativa após a Primeira Guerra Mundial e ganhou maior relevância no final do século XX, ao enfatizar a importância de envolver as pessoas na preservação das paisagens naturais. Nas décadas de 1980 e 1990, embora constata-se um aumento significativo nos espaços de lazer e áreas preservadas, as praças e parques não foram planejados e construídos como uma resposta direta às necessidades sociais. Os parques públicos na cidade contemporânea, estão inseridos em um contexto imobiliário, uma vez que esses espaços tendem a valorizar o solo e as construções próximas, sendo residenciais ou comerciais (SERPA, 2007). Outro fator relevante, é que nas áreas periféricas e arredores, tais regiões são solicitadas, pois o aproveitamento dessa necessidade se torna politicamente vantajoso, e sua edificação é frequente em tais localidades, especialmente durante o período eleitoral, agora desprovidas de anos de limitações, podendo representar sufrágios significativos para a reeleição, na inauguração e requalificação desses espaços abertos. A história dos parques urbanos no Brasil revela uma clara restrição desses espaços às elites ao longo de muitos anos, diferentemente da origem dos parques no contexto mundial. Além disso, outros fatores relevantes são as diferentes abordagens de projeto que se sucederam 44 ao longo dos anos, influenciadas tanto pela Europa quanto pelo contexto brasileiro e global. Esses projetos foram classificados inicialmente com tendências ecléticas, posteriormente como modernistas e, por fim, como contemporâneas, chegando até os dias atuais. 6.3 No Nordeste Nesta seção do trabalho, foram examinados os primeiros parques urbanos no contexto brasileiro, com ênfase em um projeto representativo de cada corrente arquitetônica brasileira, na região Nordeste. O Passeio Público, em Salvador (1810), foi selecionado como um exemplo do ecletismo, a Praça de Casa Forte, em Recife (1930), como representante do modernismo, e o Parque Costa Azul, em Salvador (1997), como uma ilustração do estilo contemporâneo. O surgimento dos primeiros parques urbanos na região nordeste, advém de jardins botânicos e passeios públicos do século XIX. Segundo Segawa (1994), a origem dos passeios públicos e jardins botânicos remonta a um interesse especial da coroa portuguesa nas potencialidades econômicas da natureza brasileira, manifestado em pelo menos cinco cidades na colônia: Belém, Olinda, Salvador, Vila Rica e São Paulo. Nesse contexto, a coroa portuguesa percebeu a importância de estabelecer espaços públicos e jardins botânicos como forma de promover a exploração e o estudo das riquezas naturais encontradas na colônia, concebendo esses espaços livres à exibição e cultivo de plantas, flores, árvores e outras espécies vegetais locais de interesse econômico, porém com a utilização de floricultura europeia. Em 1810, o Passeio Público de Salvador foi inaugurado pelo oitavo Conde dos Arcos, Dom Marcos de Noronha e Brito e, em 1815, iniciou-se a construção do Obelisco, para comemorar a chegada do Príncipe Regente Dom João, ao Brasil (SEGAWA 1994). A linha projetual adotada nesse passeio público, era o ecletismo, caracterizado por uma abordagem que combinava elementos de diferentes estilos e épocas, refletindo uma visão romântica, com o intuito de recriar nos espaços a imagem dos jardins dos palácios reais europeus. Segawa (1994) afirma que o Passeio Público, apresentava um espaçoso terraço, com uma aparência magnífica, completamente revestido por ladrilhos de mármore, cercado por balaustradas e possuindo 12 estátuas ornamentais, além de escadarias também construídas em mármore. O Passeio Público de Salvador destacava-se na época por ser um logradouro público http://www.salvador-turismo.com/conde-arcos/praca.htm 45 localizado em uma posição topográfica privilegiada, que proporcionava uma vista magnífica do mar, cascatas e lagos artificiais, além de contar com um horto botânico de laranjeiras, jambeiros, mangueiras, cerca de pitangueiras aparadas e palmeiras imperiais. Durante a década de 1920, surgiu o Modernismo, como uma nova abordagem no projeto de áreas verdes brasileiras, seguindo a tendência arquitetônica da época. Um marco significativo no movimento modernista brasileiro ocorreu em 1934 com a criação dos jardins da Praça de Casa Forte por Burle Marx, em Recife (MACEDO 1999). Com a Praça de Casa Forte, Burle Marx introduziu um novo conceito de continuidade da paisagem urbana recifense, apostando no emprego e valorização da flora autóctone, corpos d’água e a cultura local. Esse projeto pioneiro abriu caminho para o desenvolvimento de uma abordagem modernista no design de áreas verdes no Brasil, influenciando gerações futuras de paisagistas e contribuindo para a construção de uma identidade paisagística nacional. Os jardins do Recife idealizados por Burle Marx formam um conjunto de espaços livres distribuídos a partir do centro urbano e penetrando os subúrbios, perseguindo, quando possível, uma temática vegetal, ou uma estrutura. Diante desse contexto, O Jardim da Casa Forte foi desenvolvido a partir da reforma de uma praça preexistente, que possuía como ponto central um monumento em homenagem aos heróis da Restauração Pernambucana. No entanto, ao assumir o projeto, Burle Marx optou por remover o monumento, estabelecendo uma nova relação entre o jardim e o entorno, composto pelo casario e uma igreja em uma das extremidades (FARAH; SCHELEE; TARDIN, 2010). O Jardim Casa Forte, possui uma relação cuidadosa com o entorno sendo, um espaço público que integra elementos naturais e arquitetônicos, concebido em 1930, levando em consideração a topografia do local, a vegetação existente e a arquitetura circundante. Sobre o projeto da praça, Farah; Schelee; Tardin (2010, p. 55) afirma que: A praça ressurgiu como jardim d’agua inspiração na paisagem do Jardim Botânico de Dois Irmãos, que tinha a vitória-régia como motivo central. A diversidade da vegetação era o tema principal, contemplada em três jardins, cada um com um motivo vegetal distinto: o primeiro um jardim de plantas da mata atlântica, mostrando uma associação de plantas aquáticas dos rios e açudes da região; o segundo, de plantas da Amazônia, em cujo lago central seria instalada uma estátua do escultor Celso Antônio, representando uma índia a banhar-se – que não chegou a ser colocada; o terceiro, de plantas exóticas das regiões tropicais e de outros continentes (FARAH; SCHELEE; TARDIN, 2010, p.55). 46 Burle Marx tinha uma abordagem inovadora, usando formas geométricas abstratas, elementos de água, cores vibrantes e uma variedade de espécies vegetais, incluindo espécies tropicais e nativas da região. Ao criar o Jardim Casa Forte, buscou estabelecer uma nova relação entre o espaço público e a natureza, enfatizando a importância da vegetação nativa brasileira e integrando-a de forma única ao contexto urbano, valorizando a identidade cultural do lugar. As décadas de 80 e 90 foram períodos de transição marcados por mudanças tanto nas linhas conceituais quanto nas linguagens projetuais empregadas, apresentando um repertório amplo e diversificado deabordagens. Segundo Farah; Schelee; Tardin (2010) observou-se um aumento na escala dos espaços livres elaborados, juntamente com uma ampliação significativa dos tipos de intervenções e programas funcionais, surgindo diversos projetos paisagísticos que se destacaram, como os parques urbanos com enfoque ecológico e/ou social, os parques aquáticos, as praças públicas e semipúblicas, além dos espaços livres associados à requalificação urbana e à orla de corpos d'água. Diante dessa realidade, na cidade de Salvador, foi inaugurado em 1997 o Parque Costa Azul, projetado por José Tabacow, surgindo como uma área recreativa com linhas formais que apresentam ainda, forte influência do modernismo. O Parque Costa Azul está situado na proximidade da desembocadura do rio Camaragibe, entre os bairros de Pituba e Armação, tendo sido concebido com o objetivo de revitalizar uma parte da orla marítima de Salvador. Sobre o proejto do Parque Costa Azul, Farah; Schelee; Tardin (2010, p.140) descrevem que: O programa funcional priorizou o lazer ativo, setorizado em três áreas: setor esportivo, com ciclovias, pistas de cooper e área ginástica, localizado ao longo das margens do rio. O setor recreativo, que inclui restaurantes, parques infantis e anfiteatro; e o setor destinado a eventos, como feiras e shows, localizado nas ruas de acesso. A solução projetual utilizada articulou a geometrização à organicidade e tirou partido da sinuosidade do traçado do rio Camaragibe que, no entanto, foi contido com um talude revestido em concreto, que o conduz até a praia (FARAH; SCHELEE; TARDIN, 2010, p.140). Assim, as intenções do projeto foram centradas na priorização da adaptabilidade ao ambiente costeiro e na utilização da vegetação característica das restingas presentes na região, embora não tenham se limitado apenas a esses critérios. Este projeto se destaca pela combinação de uma linguagem formalista derivada do modernismo, ao utilizar princípios geométricos e funcionalidade do traçado, com uma abordagem organicista, ao integrar a natureza, levando em consideração a sinuosidade do rio, além de incorporar a vegetação nativa. 47 Esses três projetos destacados no Nordeste brasileiro ilustram diferentes abordagens e estilos arquitetônicos na criação de espaços livres públicos ao longo do tempo. O ecletismo, o modernismo e a contemporaneidade refletem as características históricas, culturais e estéticas de cada época, proporcionando espaços públicos diversificados e condizentes com a demanda social predominante de cada período. O Maranhão passou por um processo lento de urbanização ao longo de sua história, em comparação com outras regiões do Brasil. A capital, São Luís, por exemplo, foi fundada em 1612, mas a expansão urbana ocorreu de forma mais significativa apenas a partir do século XIX. Durante o período de colonização nos séculos XVII e XVIII, a baixa densidade da população no estado do Maranhão restringiu significativamente a centralização de atividades em poucos locais dentro de seu vasto território (CABRAL, 1992). Isso significa que a população era relativamente escassa e dispersa em diferentes áreas. Essa baixa densidade populacional teve impactos significativos na concentração de atividades econômicas e sociais, causando uma limitação na criação de grandes centros urbanos ou na concentração de atividades em pontos específicos. Com a política desenvolvimentista dos governos militares (1964), o Maranhão foi inserido, pela primeira vez em sua história, no sistema produtivo nacional, ainda que perifericamente (BARBOSA, 2013). A política desenvolvimentista adotada pelos governos militares tinha como objetivo impulsionar o crescimento econômico do país, buscando a modernização e a industrialização. Minério de ferro e soja em grãos constituem dois dos mais emblemáticos componentes do padrão de desenvolvimento que se instala no estado, com impactos, ainda sem controle, sobre o campo e as cidades (BURNETT, 2015). Nesse contexto, o Maranhão foi considerado uma região com potencial de desenvolvimento, especialmente devido aos seus recursos naturais, como o petróleo e o minério de ferro. Diante desse quadro, dois fatores podem ter contribuído para a ausência de parques urbanos antigos no Maranhão, sendo esses, o histórico de urbanização relativamente recente, uma vez que a atenção inicial pode ter sido direcionada à própria consolidação urbana e ao estabelecimento de infraestruturas básica, como também, as prioridades e investimentos direcionados a outras demandas, específicas de cada região. No município selecionado para este trabalho, não há a presença de parques urbanos integrados à sua malha urbana. Em vez disso, existem espaços livres públicos, como as praças, 48 localizadas nas áreas centrais, sendo alvo de atenção e recursos para revitalização, manutenção e promoção de atividades de lazer, porém as praças periféricas tendem a ser negligenciadas nesses aspectos, recebendo menos investimentos e menos esforços de revitalização. Dessa forma, a proposta de implementação de um parque urbano no município tem como objetivo central atender às demandas da população local, explorando os benefícios socias, educativos e ambientais que ele pode proporcionar. A requalificação do espaço subutilizado da biblioteca Farol da Educação em um parque proporcionará um ambiente agradável e multifuncional, agregando valor ao espaço público e promovendo uma melhor qualidade de vida para a comunidade. 49 7 ESTUDOS DE CASOS SEMELHANTES Os estudos de casos são estratégias de pesquisa amplamente utilizadas e altamente relevantes no ambiente acadêmico. Ao realizar os estudos de casos relevantes, pode-se examinar as interações entre os edifícios e seu entorno, avaliar os impactos sociais e ambientais das intervenções arquitetônicas e compreender melhor as necessidades dos usuários finais. Ademais, os estudos de casos desempenham um papel fundamental ao fornecer orientação, inspiração e validação às propostas, contribuindo nas decisões de projeto, oferecendo segurança e credibilidade nas soluções. Diante disso, nessa análise, serão estudados três projetos: um de alcance mundial, outro no contexto brasileiro e um terceiro de abrangência regional. O objetivo principal foi de conduzir uma análise comparativa dos projetos mencionados, com o intuito de identificar referências de intervenções e seus respectivos impactos no entorno. Somado a isso, foi analisado o uso de equipamentos urbanos inseridos nos projetos, avaliar a funcionalidade, os diferentes usos proporcionados e a linguagem de traçado adotada em cada caso. Portanto, os projetos apresentados são todos exemplos de parques urbanos que estabelecem uma interação significativa com a paisagem urbana e os edifícios circundantes. Além de serem considerados infraestruturas verdes, esses parques desempenham múltiplas funções, abrangendo áreas recreativas, sociais e educacionais. 7.1 No Mundo 7.1.1 Parque Zaryadye O Parque Zaryadye está localizado em Moscou, Rússia, e foi projetado pelos arquitetos Diller Scofidio + Renfro. De acordo com a descrição no site DS+R (2020), o escritório de arquitetura foi fundado em 1981 e possui uma ampla prática que engloba os campos da arquitetura, design urbano, arte de instalação, performance multimídia, mídia digital e impressa. O estúdio tem sua sede em Nova York, composto por uma equipe de mais de 100 profissionais 50 de especialidades variadas, liderados por quatro sócios: Elizabeth Diller, Ricardo Scofidio, Charles Renfro e Benjamin Gilmartin (DS+R, 2020). A DS+R, através de sua abordagem multidisciplinar e perspectiva inovadora, questiona as normas tradicionais da arquitetura e do design, explorando a sinergia entre essas disciplinas, a fim de desempenhar um papel fundamental na renovação urbana e no aprimoramento das instituições culturais.Logo, se destaca em projetos urbanos de larga escala, cujo objetivo é moldar o tecido urbano e aprimorar a qualidade de vida nas cidades. Exemplos marcantes dessa concepção, incluem a adaptação da antiga infraestrutura ferroviária industrial em Nova York para criar o High Line, um parque público linear elevado de grande sucesso, e o projeto do Parque Zaryadye em Moscou, que transformou uma área adjacente à icônica Catedral de São Basílio em um espaço público vibrante e inovador. Em 2019, o Parque Zaryadye foi agraciado com o prêmio MIPIM na categoria Especial do Júri. Segundo o site Museu do Amanhã (2017), o MIPIM é uma renomada feira de imóveis e investimentos reconhecida internacionalmente, sendo a categoria de prêmio especial concedida a projetos que se destacam por sua originalidade, inovação e contribuição significativa para a indústria imobiliária. O Parque Zaryadye está situado em uma localização privilegiada, nas proximidades de marcos históricos para a cidade e seus habitantes, como a Catedral de São Basílio, a Praça Vermelha e o Kremlin. Este parque ocupa um terreno que carrega consigo uma rica carga histórica, tanto pelo passado coletivo da Rússia quanto pelas aspirações em constante evolução do país (ARCHDAILY, 2018). O terreno do atual Parque Zaryadye, possui-o diferentes usos através da história, revelando a evolução do lugar ao longo do tempo. Segundo Archdaily (2018), esse local foi habitado por um enclave judaico no século XIX e no fim de 1940 abrigou as fundações de um arranha-céu estalinista que foi cancelado. Posteriormente, o Hotel Rossiya foi construído em 1967, tornando-se o maior hotel da Europa até sua demolição em 2007. Durante seis anos, essa porção central de Moscou, que ocupava um quarto do centro da cidade, permaneceu fechada enquanto os planos estavam sendo desenvolvidos para transformá- la em um centro comercial projetado por Norman Foster (ARCHDAILY, 2018). Essa sucessão de usos reflete as mudanças sociais, arquitetônicas e culturais pelas quais Moscou passou no decorrer dos anos. 51 No entanto, os planos iniciais foram revisados pelas autoridades e uma nova abordagem para transformar a área em um parque público foi adotada. Conforme Archdaily (2018), a Cidade de Moscou e o Arquiteto Chefe Sergey Kuznetsov, organizaram um concurso em que noventa submissões, representando 27 países diferentes, apresentaram seus projetos para o local. O projeto selecionado da DS+R (Diller Scofidio + Renfro), em colaboração com Mary Margaret Jones, da Hargreaves Associates, urbanistas da Citymakers e diversos consultores, apresentou uma proposta que buscava preservar o patrimônio russo e moscovita (ARCHDAILY, 2018). A proposta, para além de harmonizar o patrimônio histórico, também combina de maneira eficaz recursos de alta tecnologia e princípios da sustentabilidade. Sengundo Archdaily (2018), o Parque Zaryadye foi inaugurado em 2017, após um processo de desenvolvimento que durou cinco anos, localizado em uma área de 102.000 metros quadrados. O parque se destaca por seus elementos distintivos, sendo a plataforma elevada (Figura 06) um dos destaques mais notáveis, (Figura 07) oferecendo perspectivas únicas, permitindo que as pessoas apreciem a cidade de uma maneira totalmente nova. Figura 7: Vista aérea da plataforma elevada Figura 6: Vista plataforma elevada 52 Fonte: BAAN (2018). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/888249/parque-zaryadye-diller- scofidio-plus-renfro/>. Acesso em: 10 de jun. de 2023. A plataforma elevada do parque é feita principalmente de vidro e aço (Figura 08). O uso do vidro permite que os visitantes apreciem as paisagens circundantes sem obstáculos visuais, proporcionando uma experiência imersiva e panorâmica. O aço é utilizado como estrutura de suporte, garantindo a estabilidade e a segurança da plataforma elevada. Esses materiais foram selecionados por sua durabilidade, resistência e capacidade de oferecer vistas desobstruídas da cidade. Fonte: BAAN (2018). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/888249/parque-zaryadye-diller- scofidio-plus-renfro/>. Acesso em: 10 de jun. de 2023. Como o primeiro parque totalmente novo a ser construído em Moscou nos últimos setenta anos, o Parque Zaryadye oferece um espaço público que desafia categorizações tradicionais, podendo ser simultaneamente um parque/praça urbana, um equipamento cultural e recreativo, visto que introduz uma nova oferta que complementa os espaços de parques historicamente formais e simétricos de Moscou. O conceito principal da proposta do Parque Zaryadye é o Urbanismo Selvagem, uma abordagem que evidencia a conexão entre o natural e o artificial, onde plantas e pessoas tem igual importância (ARCHDAILY, 2018). Para alcançar esse objetivo de criar um ambiente Figura 8: Plataforma e seus materiais 53 fluido e orgânico, que permitisse aos visitantes moverem-se livremente pelo parque, foi empregado a pavimentação de pedras (Figura 09) da famosa Praça Vermelha para o interior do parque. Conforme Archdaily (2018), a extensão do bosque do Parque Zaryadye até a Catedral de São Basílio (Figura 10) foi realizada, criando assim uma paisagem híbrida onde o natural e o construído coexistindo. Essa ampliação do bosque foi uma escolha estratégica que visa fundir a natureza com o patrimônio histórico (Figura 11) de Moscou, permitindo que a vegetação se estenda até os arredores da catedral, criando uma transição suave entre o ambiente natural e o ambiente construído. Figura 9: Paginação de pedras 54 Fonte: BAAN (2018). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/888249/parque-zaryadye-diller- scofidio-pls-renfro/>. Acesso em: 10 de jun. de 2023. Fonte: GONZALEZ (2018). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/888249/parque-zaryadye-diller- scofidio-plus-renfro/>. Acesso em: 10 de jun. de 2023. Além disso, a proposta do Parque Zaryadye apresenta uma variedade paisagística cuidadosamente planejada, que busca refletir a diversidade natural da Rússia. Inspirando-se nas características geográficas do país, o parque incorpora elementos que representam as estepes, as florestas, os pântanos e a tundra (Figura 12), criando uma experiência sensorialmente rica para os visitantes. Fonte: AV, 2021. Acesso em: https://arquitecturaviva.com/works/parque-zaryadye-moscu-4. Adaptado pelo autor 2023. Figura 11: Bosque e Catedral de São Basílio ao fundo Figura 10: Vista do parque à Catedral de São Basílio Figura 12: Plano horizontal do parque divido em 4 zonas de paisa 55 Essas diferentes paisagens são projetadas de forma a se sobrepor em diferentes áreas do parque, formando "nós", que se estendem do Nordeste para o Sudoeste do parque, abrigando microclimas artificiais sustentáveis e utilizáveis ao longo do ano (ARCHDAILY, 2018). Esses microclimas criam zonas distintas (Figura 13) dentro do Parque Zaryadye, cada uma com características climáticas e vegetação específicas, garantindo o acesso das pessoas ao parque durante todas as estações do ano. Essa abordagem no design paisagístico do Parque Zaryadye cria uma experiência única visto que foi projetado para uma cidade com climas extremos. No entanto, os visitantes podem se envolver com a diversidade natural da Rússia, explorando e apreciando os diferentes ambientes em um único local, assegurando a oportunidade de vivenciar a beleza e a variedade climática e da natureza russa dentro do contexto urbano de Moscou. Fonte: AV, 2021. Acesso em: https://arquitecturaviva.com/works/parque-zaryadye-moscu-4. Adaptado pelo autor 2023. Segundo Archdaily (2018) o parque combina os elementos característicos do distrito histórico de Kitay-Gorod, o pavimento de paralelepípedos da Praça Vermelha e os jardins exuberantes do Kremlin para criar um novo espaço urbano e verde (Figura 14). Através de um sistema personalizadode pavimentação de pedra, esses elementos são entrelaçados e fundidos, Figura 13: Programa de zoneamento paisagístico do parque 56 resultando em uma mistura harmoniosa em vez de uma barreira física, o que incentiva os visitantes a caminhar livremente pelo parque. Um elemento distintivo e contemporâneo do Parque Zaryadye é o anfiteatro, que se destaca por sua aparência semi-fechada, assemelhando-se a uma casca de vidro (ARCHDAILY, 2018). Essa estrutura arquitetônica única proporciona um espaço coberto (Figura15) onde os visitantes podem se reunir e apreciar a vista panorâmica do parque e da paisagem circundante enquanto estão abrigados. Nesse espaço, bancos foram projetados uma combinação de madeira e concreto, complementados por uma pavimentação de pedra (Figura 16). Esses elementos foram escolhidos com o objetivo de oferecer conforto, durabilidade e uma harmonia estética, seguindo a mesma linha de design e conceito do projeto como um todo, garantindo uma experiência coesa e agradável para os visitantes. Fonte: GONZALEZ (2018). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/888249/parque-zaryadye-diller- scofidio-plus-renfro/>. Acesso em: 10 de jun. de 2023. Figura 14: Paginação de piso e jardins com vista do distrito histórico no parque 57 Fonte: BAAN (2018). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/888249/parque-zaryadye-diller- scofidio-pls-renfro/>. Acesso em: 10 de jun. de 2023 Figura 15: Anfiteatro com cúpula de vidro 58 Fonte: GONZALEZ (2018). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/888249/parque-zaryadye- diller-scofidio-plus-renfro/>. Acesso em: 10 de jun. de 2023. Segundo Archdaily (2018) o parque apresenta uma série de pavilhões culturais subterrâneos com telhados verdes, que abrigam uma variedade de instalações e espaços, incluindo o Centro de Mídia, o Centro Natural e a Caverna de Gelo, além de um restaurante e um mercado, proporcionando uma ampla gama de experiências para os visitantes. Essa estratégia integrada e sustentável faz com que o parque seja um verdadeiro museu ao ar livre, onde os visitantes podem aprender e explorar em meio à natureza. Ao projetar o parque, foram cuidadosamente consideradas as elevações do terreno, os declives e os pontos de interesse natural, incorporando-os aos elementos arquitetônicos e paisagísticos. Os cortes (Figura 17) revelam como as construções foram planejadas para se integrar ao terreno existente, estabelecendo uma conexão harmoniosa entre a arquitetura e a topografia. A planta de implantação (Figura 18) em projetos urbanísticos como o Parque Zaryadye, representa graficamente a disposição e localização de todas as estruturas, elementos Figura 16: Mobiliários e paginação de piso do anfiteatro 59 paisagísticos, vias de acesso, áreas de lazer, instalações e os pontos de interesse, como os pavilhões, jardins, mirantes e outros elementos destacados do projeto. Fonte: AV, 2021. Acesso em: https://arquitecturaviva.com/works/parque-zaryadye-moscu-4. Adaptado pelo autor 2023. Figura 17: Cortes humanizados 60 Fonte: ARCHDAILY (2018). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/888249/parque-zaryadye- diller-scofidio-plus-renfro/>. Acesso em: 10 de jun. de 2023. Um dos principais motivos para a escolha do projeto do Parque Zaryadye reside no seu significado histórico. O parque foi projetado para preservar e destacar elementos históricos e culturais da região em que está localizado, valorizando a história e a herança cultural da área, proporcionando aos visitantes uma conexão com o passado. Além disso, o projeto do parque enfatiza o aspecto paisagístico, utilizando a seleção de espécies vegetais nativas, a criação de espaços verdes e a preservação das características geográficas naturais. Essas escolhas contribuem para a conservação e valorização da biodiversidade local, integrando harmoniosamente o parque ao ambiente natural circundante. No aspecto social, o projeto do Parque Zaryadye desempenha um papel fundamental em proporcionar um espaço público acessível e inclusivo para a comunidade. Com áreas de recreação, lazer e atividades culturais, o parque promove a interação social, o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida dos moradores locais. Portanto, ao elaborar a proposta de Figura 18: Planta de implantação 61 requalificação do espaço público, serão adotadas diretrizes similares, priorizando a estética e distribuição equilibrada das atividades, a conexão com elementos históricos e a promoção cultural. 7.2 No Brasil 7.2.1 Parque Villa-Lobos O projeto original do Parque Villa Lobos (1994), foi elaborado pelo arquiteto Decio Tozzi, em São Paulo. Tozzi, nascido em São Paulo – SP, ingressou em 1956 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU/Mackenzie), formando-se em 1960. Participou de um concurso, durante seus estudos, para a Casa do Paraplégico uma iniciativa de caridade liderada por Gregori Warchavchik e outros (ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, 2023). Decio Tozzi fundou o estúdio Decio Tozzi Arquitetura e Urbanismo em 1962, e seu trabalho foi amplamente reconhecido através de diversos prêmios, recebendo o Prêmio Rino Levi do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e o Prêmio Roberto Santos Aflalo da ASBEA. Além disso, suas obras foram premiadas em todas as Bienais Internacionais de São Paulo, nas Bienais Internacionais de Buenos Aires e Veneza, além de ter sido laureado na Premiação Internacional de Arquitetura Sacra em Pavia (ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, 2023). Esses reconhecimentos demonstram a qualidade e o impacto do trabalho de Decio Tozzi no cenário arquitetônico nacional e internacional. Sua vasta atuação incluiu projetos de residências unifamiliares, edifícios residenciais, edifícios de escritórios, espaços comerciais, instalações industriais, edifícios institucionais e culturais, bem como projetos de urbanização. Decio Tozzi, assim como Vilanova Artigas, estava inserido nas vertentes da Escola Paulista de arquitetura. Essa corrente compartilhava a convicção de que os arquitetos têm o papel de contribuir para a transformação social do país. Além disso, eles acreditavam na importância de investir em uma construção civil moderna por meio da racionalização do desenho, mecanização do canteiro de obras e utilização do concreto armado como sistema construtivo preferencial (ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, 2023). 62 O uso do concreto armado se tornou uma marca distintiva nas obras de Decio Tozzi, alinhando-se com o desejo de explorar novos caminhos para a arquitetura, que vinha sendo formulado desde os anos 1950. Essa abordagem também ecoou nas ideias expressas por NIEMEYER (1987), que buscava a simplificação da forma plástica em seus projetos, idealizando um equilíbrio entre os aspectos funcionais, construtivos e estéticos. O objetivo de Niemeyer, era criar edifícios que não se expressassem por meio de elementos secundários, mas sim pela própria estrutura, devidamente integrada à concepção plástica original. Em consonância, em seus projetos Tozzi aproveitou as características técnicas e plásticas do concreto armado, utilizando-o de forma criativa, explorando suas possibilidades, além de incorporar uma abordagem seriada em seus desenhos, inspirada pela lógica industrial (ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, 2023). Os projetos do arquiteto que apresentam essa marcante presença do estilo industrial são a Escola Técnica de Comércio, a Escola do Jardim Ipê em São Bernardo do Campo – SP; e as residências Carlos Pereira Paschoal em Sorocaba – SP; Romeu Del Negro – SP; e Eduardo Álvaro Vieira em Sorocaba. Nessas obras fica evidente a conexão com a produção contemporânea nas obras de Tozzi, que se destacam pelo uso habilidoso da luz sobre os planos e volumes de concreto. A história do Parque Villa-Lobos difere-se em relação a outros parques.Antes de 1989, a área onde está situado era bastante contrastante em relação aos arredores da região de Alto de Pinheiros, em São Paulo (SEMIL, 2019). Em sua porção mais ocidental, existia um depósito de lixo pertencente à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CEAGESP), onde aproximadamente oitenta famílias coletavam alimentos e embalagens Conforme a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística - SEMIL, (2019) na parte oriental, adjacente ao atual Shopping Villa-Lobos, era utilizado como local para o despejo de material removido do Rio Pinheiros. Já na porção central do parque, o antigo proprietário permitia o depósito de entulho proveniente da construção civil. Essas atividades transformaram a área em um local de descarte e degradação ambiental, distante da ideia de um parque. Naquela época, o terreno, onde o Parque Villa-Lobos foi construído estava em um nível cerca de dez metros mais alto em relação à várzea devido à quantidade de lixo presente na área. Remover todo esse lixo exigiria um investimento financeiro significativo, o que encareceria consideravelmente o projeto de construção do parque, tornando-o inviável. https://semil.sp.gov.br/ 63 Porém, a partir da década de 1970, o bairro começou a vivenciar a valorização econômica dos seus terrenos, já que a cidade experimentou um aumento significativo em sua área urbana, juntamente com a expansão da rede viária e o aumento do uso de automóveis. Esses fatores tiveram um impacto positivo no bairro Boaçava, tornando-o uma localização altamente acessível para áreas importantes da cidade, por sua proximidade com instituições de renome, como a Universidade de São Paulo, o CEAGESP e o Centro de São Paulo (SEMIL, 2019). Diante deste contexto, o centenário de nascimento de Heitor Villa-Lobos em 1987, marca o início dos primeiros estudos para estabelecer um parque temático contemporâneo na área. Conforme São Paulo, (2019), os Decretos Estaduais 28.335 e 28.336/88, foram emitidos com o objetivo de destinar uma área de 732 mil m² para a criação de um parque de lazer, cultura e esporte. Esses decretos representaram um marco importante no desenvolvimento do plano para o parque temático contemporâneo, fornecendo a base legal necessária para sua criação e estabelecendo a área em que seria implantado. Além disso, os moradores do bairro Boaçava, situado nas proximidades da área destinada ao Parque, formaram um movimento com o intuito de reivindicar a transformação daquele espaço (SEMIL, 2019). Eles buscavam uma solução para os problemas gerados pelos usos existentes na época, logo, a proposta de estabelecer um parque temático contemporâneo foi amplamente acolhida pela comunidade local. O parque temático contemporâneo está localizado na zona oeste da cidade de São Paulo, bairro de Boaçava, situado em frente à Cidade Universitária, entre a Praça 133 Panamericana e o Ceagesp. Os bairros vizinhos incluem Alto de Pinheiros e City Lapa, que são bairros de classe alta, bem como Jaguaré, Lapa e Vila Leopoldina, que são bairros de classe média baixa, com área total do parque é de 717.000m², dos quais 350.000 m² são espaços abertos (MACEDO, 2002). Em 1987, o então vereador Walter Feldman apresentou a proposta (Figura 19) de criação do parque, sendo o projeto elaborado por Décio Tozzi (LARUCCIA; PONTUSCHKA, 2004). Tozzi tinha como objetivo principal a criação de uma cidade da música, contando com diversos elementos e instalações temáticas. Entre as áreas previstas no projeto, destacavam-se um viveiro para pássaros, uma ilha musical, um passeio chamado Uirapuru, auditórios, um Teatro de Ópera e um Centro de Convivência Musical (PLANO DIRETOR DE SÃO PAULO, 2021). 64 A partir de 1989, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) iniciou um processo abrangente de revitalização e transformação do local, sendo necessária a realocação das famílias que viviam no local, a fim de liberar a área para as obras, bem como, uma grande quantidade de entulho, totalizando 500 mil m³ e incluindo peças com mais de 1 metro de diâmetro, foram retiradas do local (SEMIL, 2019). Fonte: TOZZI (2018). Disponível em: </ https://www.deciotozzi.com/copia-santos/>. Acesso em: 08 de jun. de 2023. Sua implantação foi inicialmente atribuída à Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude. No entanto, em 2004, houve uma transferência de responsabilidade para a Secretaria de Meio Ambiente, marcando uma nova fase e configuração do parque. Com a transferência para a Secretaria de Meio Ambiente, houve uma reavaliação e uma valorização das áreas verdes dentro do parque, resultando em uma ampliação significativa de 300 mil m² nas áreas verdes do parque. De acordo com Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística - SEMIL, (2019) uma área central do parque, em 2005 com aproximadamente 100 mil m², foi inaugurada e aberta ao público, marcando a disponibilização de uma parte significativa do parque para o desfrute da população, já em 2006, mais 200 mil m² de área foram abertos ao público. Essa expansão incluiu a ampliação da ciclovia, a formação de novos bosques e gramados, a criação de pistas de caminhada e a instalação de uma rede de sanitários. Além Figura 19: Maquete física Parque Villa-Lobos https://semil.sp.gov.br/ 65 disso, foram garantido aprimoramento das infraestruturas existentes, com o objetivo de oferecer mais opções de lazer e recreação para todos que frequentam o parque. O Parque Villa-Lobos conta com um anfiteatro (Figura 20), um espaço especialmente projetado por Décio Tozzi, para apresentações e eventos culturais ao ar livre. O anfiteatro do parque é um espaço versátil e multifuncional, projetado com uma viga em balanço de 24 metros de comprimento, utilizando o concreto protendido. Essa estrutura proporciona uma infraestrutura robusta e segura para a realização de diversos tipos de espetáculos e manifestações artísticas. Fonte: TOZZI (2018). Disponível em: </ https://www.deciotozzi.com/copia-santos />. Acesso em: 08 de jun. de 2023. Ao longo dos anos, o Parque Villa-Lobos recebeu a contribuição de vários arquitetos que desenvolveram projetos dentro do seu espaço. Em 2009, uma novidade foi implantada no Parque Villa-Lobos, representando uma iniciativa nos parques da cidade de São Paulo, trata-se do Circuito das Árvores (Figura 21) e (Figura 22), um projeto dos arquitetos Michel Gorski, Diogo de Freitas (Mineral Arquitetos) e Maria Cecília Barbieri Gorski (SEMIL, 2019). Figura 20: Anfiteatro 66 Fonte: BARBIERI + GORSKI, (2021). Disponível em: </https://www.barbierigorski.com.br/Circuito-das- Arvores-Parque-Villa-Lobos-SP/>. Acesso em: 08 de jun. de 2023. O Circuito das Árvores é uma Passarela de madeira que se eleva em rampa acessível e segura, conduzindo os usuários a um passeio junto aos pássaros e as copas das árvores (BARBIERI; GORSKI, 2021). Ao longo do percurso, os visitantes têm a oportunidade de aprender sobre a diversidade da flora local, através da contemplação e painéis explicativos, além de admirar espécies nativas e propostas na concepção do projeto. No ano seguinte, foi realizado o lançamento do Orquidário Ruth Cardoso (Figura 23), um projeto arquitetônico concebido pelo arquiteto Décio Tozzi, que buscou inspiração em uma oca de culturas africanas, indígenas e pré-colombiana. Segundo Archdaily, (2019) essa construção foi dedicada à memória da antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), reconhecida por seu profundo estudo e dedicação às diferentes tribos e etnias. Logo, Tozzi utilizando-se da tecnologia atual do aço e de materiais transparentes como vidro e plástico, concebe o projeto inspirado no desenho de uma OCA DIÁFANA - uma estrutura permeada pela luz (ARCHDAILY, 2019). Essa abordagem arquitetônica busca reinterpretar e incorporar as formas arquitetônicas presentes em diversas comunidades africanase tribos indígenas brasileiras, que tradicionalmente utilizam aberturas zenitais em suas construções para controlar a entrada de luz natural e permitir uma ventilação constante. Essa solução arquitetônica é estratégica, pois garante uma circulação adequada de ar no orquidário, proporcionando as condições ideais para o crescimento saudável das orquídeas. Além disso, a abertura controlada das aberturas no arco mestre permite uma entrada balanceada de luz natural, contribuindo para o desenvolvimento das plantas e criando uma atmosfera agradável para os visitantes (ARCHDAILY, 2019). Figura 22: Passarela do Circuito das árvores Figura 21: Circuito das árvores 67 Figura 23: Orquidário Ruth Cardoso Fonte: CANTON, (2010). Disponível em: </ https://www.archdaily.com.br/br/01-22499/orquidario-professora- ruth-cardoso-decio-tozzi/>. Acesso em: 08 de jun. de 2023 Outro projeto de destaque no Parque Villa-Lobos é o Centro de Educação Ambiental (Figura 24), um pavilhão construído em concreto, aço e vidro. Projetado por Decio Tozzi, o pavilhão foi inaugurado em 2013 com a intenção de se tornar um centro de referência em educação ambiental. No entanto, essa função original não foi plenamente estabelecida e, posteriormente, em 2015, o espaço foi destinado à Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) (HAUS, 2018). No projeto do pavilhão Tozzi deu prioridade ao uso do concreto aparente, mesclando Brutalismo e Modernismo. Haus, (2018) descreve sobre a estrutura que apresenta pórticos interligados a uma grelha na fachada, criando uma composição visualmente interessante, destacando também, varandas abertas que se voltam para os espelhos d'água que cercam a construção. Internamente, o projeto incorpora grandes vãos, com pé direito duplo, que proporcionam espaços amplos e arejados. Além disso, as generosas aberturas são protegidas por esquadrias com vidros transparentes, o que contribui para a entrada abundante de luz natural e a criação de ambientes bem iluminados. https://www.archdaily.com.br/br/photographer/ricardo-canton?ad_name=project-specs&ad_medium=single 68 A edificação do Centro de Educação Ambiental foi readequada ao conceito contemporâneo das Bibliotecas Parques, que é adotado em diversos países ao redor do mundo. Essa readequação permitiu que o espaço abrigasse as instalações desse importante equipamento público cultural, cujo projeto de interiores para a Biblioteca Parque Villa-Lobos foi realizado pelo arquiteto Marcelo Aflalo (HAUS, 2018). Fonte: SÃO PAULO, (2009). Disponível em: </https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/noticias/2009/07/novos-projetos-vao-encantar-os- visitantes-do-parque-villa-lobos//>. Acesso em: 08 de jun. de 2023 No projeto concebido por Marcelo Aflalo, uma das características marcantes é a praça circular (Figura 25) localizada no térreo da Biblioteca Parque Villa-Lobos. Conforme Haus, (2018), essa praça é composta por uma estrutura única, onde se destacam as "pétalas" semitransparentes, que desempenham o papel de filtrar a luz solar direta. Essa solução arquitetônica cria um ambiente agradável e harmonioso, ao mesmo tempo em que protege os usuários da intensidade excessiva da luz. Logo abaixo da estrutura das "pétalas", encontra-se uma oca de madeira que serve como mobiliário em grande escala, projetado com um piso de tatame, almofadas e pufes, proporcionando um ambiente confortável e convidativo (HAUS, 2018). Essa área é utilizada para atividades de narração lúdica e contação de histórias, proporcionando um espaço interativo e envolvente para crianças e adultos explorarem a magia da literatura. Além disso, um painel de grande formato é colocado nesse ambiente, resumindo Figura 24: Centro de Educação Ambiental 69 a história da Terra e destaca os impactos da ação humana sobre o meio ambiente. Essa representação visual convida os visitantes a refletir sobre a importância da sustentabilidade e da preservação ambiental, promovendo a conscientização e a educação ambiental. Fonte: KON, (2018). Disponível em: </https://www.nelsonkon.com.br/biblioteca-parque-villa-lobos/>. Acesso em: 08 de jun. de 2023. O primeiro piso da Biblioteca Parque Villa-Lobos foi projetado para abrigar uma variedade de espaços e atividades. Nele, encontram-se salas de criatividade, onde são realizados workshops relacionados a som e imagem, bem como, espaços de convivência e contemplação (Figura 26), proporcionando aos visitantes um ambiente tranquilo e acolhedor para relaxar, refletir e apreciar a vista panorâmica de todo o parque. O ambiente de leitura (Figura 27) é destinado a pesquisa e ao aprendizado de forma mais tranquila e concentrada. Esses espaços proporcionam um ambiente propício para leitura, estudo individual ou em grupo, pesquisa acadêmica e outras atividades intelectuais, equipados com mesas, cadeiras confortáveis, iluminação adequada e acesso a recursos adicionais, como livros e periódicos. Figura 25: Praça circular em formato de pétalas 70 Fonte: KON, (2018). Disponível em: </https://www.nelsonkon.com.br/biblioteca-parque-villa-lobos/>. Acesso em: 08 de jun. de 2023. O Parque Villa-Lobos foi construído e projetado utilizando uma variedade de materiais, que foram selecionados para atender aos requisitos funcionais e estéticos do espaço. Os caminhos do Parque Villa-Lobos são predominantemente construídos com concreto (Figura 28), que é um material durável e resistente, adequado para suportar o tráfego intenso de pedestres e ciclistas. Além do concreto, também é comum encontrar trechos de caminhos pavimentados com piso intertravado (Figura 29), especialmente nas proximidades de jardins e áreas de lazer. Essa opção de pavimentação é popular por sua capacidade de absorção de água e flexibilidade, permitindo a permeabilidade do solo e evitando o acúmulo de poças durante chuvas. Fonte: ÁREAS VERDES DAS CIDADES, (2021). Disponível em: </https://www.areasverdesdascidades.com.br/2012/03/parque-villa-lobos.html/>. Acesso em: 09 de jun. de 2023. Figura 28: Percursos principais de concreto Figura 29: Caminhos de bloco intertravado Figura 27: Ambiente de leitura piso superior Figura 26: Espaço de convivência e leitura 71 A escolha da madeira como material para mobiliários urbanos leva em consideração suas características estéticas e funcionais, pois sua aparência natural, textura e tonalidade proporcionam uma sensação de conforto e harmonia com a natureza ao redor. Além disso, a madeira é considerada um material renovável e sustentável quando proveniente de fontes responsáveis. Diante desse quadro, o projeto foi elencado para este trabalho, pois desempenha um papel importante na promoção da biodiversidade urbana. Com uma extensa área verde (Figura 30), o parque abriga uma grande diversidade de espécies vegetais e animais, proporcionando um habitat saudável para a flora e fauna nativas, contribuindo para a preservação da biodiversidade local, além de ter proporcionado um novo uso para uma área degradada. Fonte: KON, (2018). Disponível em: </https://www.nelsonkon.com.br/biblioteca-parque-villa-lobos/>. Acesso em: 08 de jun. de 2023. Outro ponto relevante a proposta deste trabalho, é que o Parque Villa-Lobos, aborda conceito das Bibliotecas Parques, exemplificando de maneira significativa o papel fundamental que esses equipamentos públicos desempenham na sociedade. Ao integrar uma biblioteca em um ambiente natural e recreativo, o parque oferece uma combinação única de lazer, cultura e Figura 30: Vista área do Parque Villa Lobos 72 educação, oferecendo aos visitantes uma experiência, que combina natureza, recreação e aprendizado, promovendo o desenvolvimento pessoal e coletivo da população. 73 7.3 Regional 7.3.1 Requalificação Urbano-Arquitetônica Do Parque Da Liberdade – Cidade Da Criança O arquiteto responsável por este projetoé Yuri Nobre, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), possuindo uma pós- graduação/especialização em Arquitetura e Projeto Sustentável pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). O profissional, fundou a Yuri Nobre Arquitetura & Urbanismo, um escritório/ateliê especializada em Arquitetura e Urbanismo, com sede em Fortaleza, no Ceará (NOBRE, 2023). O escritório atua nas mais diversas escalas de projetos de arquitetura, urbanismo e interiores em todo o território nacional e exterior, com experiência premiada nas áreas de coordenação e desenvolvimento de projetos. Nesta esfera, desempenhou um papel importante como membro titular do Conselho da Cidade de Fortaleza, contribuindo para o planejamento e desenvolvimento urbano da cidade, promovendo melhorias na qualidade de vida da comunidade e na sustentabilidade do ambiente construído. Dispondo da sua sólida formação acadêmica e vasta experiência profissional, o escritório, tem se destacado no campo da arquitetura e urbanismo, somando mais de 1.000.000m² projetados. Destacando-se, especialmente nas áreas de sustentabilidade e requalificação urbana, baseando-se na vivência adquirida por meio de variadas viagens, explorando novas práticas e tendências no mundo, com um foco particular na América do Sul (NOBRE, 2023). À vista disso, a Yuri Nobre Arquitetura & Urbanismo tem como diferencial a busca pela proximidade cultural e socioeconômica da América do Sul com a realidade brasileira, lhe permitindo identificar bons exemplos e tendências mais próximas, estabelecendo uma conexão e criando uma identidade sul-americana como um elemento essencial em sua abordagem inovadora. Com enfoque em urbanismo, a Yuri Nobre Arquitetura & Urbanismo conquistou um importante marco em sua trajetória ao vencer o Concurso Nacional de Projetos para Revitalização do Parque das Crianças e Praça Coração de Jesus, localizados no Centro de Fortaleza, no ano de 2018. Principal objetivo desses projetos foi de equilibrar a preservação do https://www.sinonimos.com.br/a-vista-disso/ 74 patrimônio histórico e arquitetônico com a introdução de intervenções contemporâneas que melhoram a qualidade de vida e a experiência dos usuários (NOBRE, 2023). Com essa intervenção abrangente, a empresa visou revitalizar esses importantes espaços públicos, tornando-os mais atrativos para os moradores e visitantes. A requalificação da Praça e Terminal do Sagrado Coração de Jesus (Figura 31), juntamente com o Parque da Liberdade - Cidade da Criança, representa um esforço significativo para valorizar o patrimônio histórico e promover o uso harmonioso e sustentável do espaço urbano central de Fortaleza. Fonte: NOBRE (2019). Disponível em: </https://www.yurinobre.arq.br/pu-pdc/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. Nos projetos arquitetônicos residenciais e de ambientação, a primeira obra construída do escritório foi a Residência IJA (Figura 32), em 2016. O projeto possui ambientes que priorizam a ventilação e a iluminação natural, além de contar com um eficaz sistema de proteção de fachadas, os brises de madeira cuidadosamente calculados, desempenhando um papel tanto funcional quanto estético na fachada do projeto (NOBRE, 2023). Assim, as esquadrias foram projetadas de forma personalizada para essa residência, buscando otimizar a iluminação natural e a conexão com o ambiente externo, incluindo o jardim. Em seu estudo, Nobre (2023) destaca que as cores escolhidas para o projeto foram cuidadosamente selecionadas para refletir uma abordagem que combina rusticidade e Figura 31: Praça e Terminal do Sagrado Coração de Jesus 75 modernidade. Essa escolha estratégica visa conferir uma identidade única à arquitetura, onde elementos tradicionais se mesclam de forma harmoniosa com elementos contemporâneos. Fonte: NOBRE (2019). Disponível em: </https://www.yurinobre.arq.br/pa-ia1/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. O projeto de Requalificação Urbano-Arquitetônica Do Parque Da Liberdade – Cidade Da Criança em Fortaleza - CE, com área de intervenção de 37.560,82m² e área construída de 26.877 m², foi concebido pelo escritório Yuri Nobre Arquitetura & Urbanismo. A requalificação do parque foi iniciada em junho de 2020 e, após 18 meses, foi reinaugurada em dezembro de 2021, objetivando, revitalizar um espaço que havia sido esquecido, deteriorado, vandalizado e negligenciado em termos de manutenção adequada (VIANA, 2021). A história do Parque da Liberdade remonta a 1890, quando recebeu o nome em alusão à abolição da escravatura no estado do Ceará. O engenheiro Romualdo de Carvalho Bastos e seu auxiliar Isac Correia do Amaral foram responsáveis por transformar a área da Lagoa do Garrote em um espaço urbanizado. No entanto, sua inauguração oficial ocorreu em 1902, durante a gestão do intendente Guilherme Rocha, após a conclusão do muro que circunda a área e das primeiras construções (NOBRE, 2017). Figura 32: Residência IJA 76 Nobre (2017) afirma que, em 1922, em comemoração ao centenário da Independência do Brasil, o Parque da Liberdade teve seu nome alterado para Parque da Independência. No entanto, em um desenvolvimento posterior, o espaço foi transformado e recebeu o nome de Cidade da Criança em 1938 e essa mudança ocorreu devido à instalação da Escola Alba Frota, que se concentra na educação infantil, dentro do parque. Em 1948, durante a gestão do prefeito Acrísio Moreira da Rocha, uma lei foi promulgada restaurando o nome original do parque, que voltou a ser chamado de Parque da Liberdade. Segundo Nobre (2017), em 1991, o Parque da Liberdade recebeu o tombamento municipal pela Lei 6.837/1991, que instituiu normas de proteção, preservação e conservação do parque. Logo, o tombamento municipal foi uma medida legal, com intuito de garantir a salvaguarda desse patrimônio, assegurando sua importância histórica e cultural para o município. Diante do exposto, o principal propósito neste projeto foi estabelecer um ambiente público dinâmico e convidativo para estabelecer um parque urbano contemporâneo com um caráter histórico, com especial ênfase na dimensão comunitária e na história da Cidade das Crianças e sua ligação com a Praça do Sagrado Coração de Jesus. O local abriga edifícios históricos, que remontam à primeira metade do século passado, os quais eram utilizados pela Secretaria responsável como locais administrativos para atividades burocráticas. A técnica de retrofit foi aplicada para o restauro e a reforma arquitetônica desses elementos patrimoniais, visando preservar o valor histórico do patrimônio e criar uma ambiência propícia para novos usos e ocupações (NOBRE, 2017). Embora a Praça do Sagrado Coração de Jesus não seja tombada, sua localização próxima a um parque tombado exigia um tratamento cuidadoso. Além disso, a praça servia como um importante ponto de embarque e desembarque para as pessoas, mas a infraestrutura disponível era precária e improvisada, sendo essencial proporcionar conforto aos usuários por meio de melhorias significativas, com o objetivo de assegurar o acesso da população ao parque. Nobre (2023) alega que a proposta visava comunicar os dois espaços em um complexo urbano, capaz de potencializar o existente e, ao mesmo tempo, preservar a memória do passado, estendendo a conexão da praça com o parque, e de ambos com a própria cidade. Levando em conta que os espaços públicos estão situados no Centro Histórico de Fortaleza, o complexo tem um alcance significativo, uma vez que um projeto para o terminal rodoviário da Praça do 77 Sagrado Coração de Jesus foi considerado durante o planejamento, garantindo mobilidade e o acesso ao parque. No contexto das intervenções patrimoniais, foi realizado um levantamento minucioso de cada elemento patrimonial existente, acompanhado de uma classificação baseada em seu grau de deterioração (NOBRE, 2023). O objetivoprincipal era garantir intervenções de restauro apropriadas, que variavam desde o mimetismo, reproduzindo fielmente os elementos originais, até a anastilose, que envolve a reconstrução de partes faltantes. Após a restauração, os edifícios históricos receberam novos usos estratégicos, incluindo restaurantes, cafés e espaços administrativos. O Casarão (Figura 33) passou por uma cuidadosa restauração e agora abriga a função de restaurante, com o objetivo de preservar sua arquitetura original e dar nova vida ao edifício. Fonte: PETROVSKY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/requalificacao-urbano- arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. No projeto de paisagismo do Parque da Liberdade Cidade da Criança, foram adotadas estratégias ecossistêmicas que visavam integrar a arquitetura da paisagem ao ambiente natural. Segundo Nobre (2023) uma dessas estratégias incluiu a introdução de plantas aquáticas fito Figura 33: Casarão restaurado 78 remediadoras, que desempenham um papel fundamental na limpeza natural da água, sendo capazes até mesmo de metabolizar alguns metais pesados. Essa abordagem resultou na criação de um ciclo de vida natural na lagoa, que antes apresentava uma fauna quase inexistente, contribuindo para o equilíbrio ecológico do parque. O projeto do percurso do parque foi desenvolvido com base na Teoria das Inteligências Múltiplas (1983), seguindo uma abordagem setorizada em sete ilhas pedagógicas interligadas (Figura 34). Cada ilha representa uma forma de inteligência, incluindo inteligência musical, lógica, espacial, interpessoal, linguística, intrapessoal e motora (ARCHDAILY, 2022). Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/requalificacao-urbano- arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. A teoria das inteligências múltiplas foi proposta uma alternativa à visão tradicional de inteligência, que considerava a inteligência como uma capacidade única e geral. A teoria de Gardner postula que existem diferentes tipos de inteligências, independentes umas das outras, e que cada indivíduo possui uma combinação única dessas inteligências. De acordo com Gardner (1994), existem inicialmente sete tipos de inteligências: ▪ Inteligência Linguística: habilidade relacionada à linguagem, como a capacidade de usar palavras efetivamente, tanto na escrita quanto na fala. Figura 34: Vista aérea das ilhas pedagógicas 79 ▪ Inteligência Lógico-Matemática: habilidade relacionada ao raciocínio lógico, resolução de problemas e compreensão de conceitos matemáticos. ▪ Inteligência Espacial: habilidade relacionada à percepção visual e espacial, como a capacidade de criar imagens mentais, visualizar objetos e navegar em espaços. ▪ Inteligência Musical: habilidade relacionada à apreciação, compreensão e produção musical, incluindo a sensibilidade ao ritmo, melodia e harmonia. ▪ Inteligência Corporal-Cinestésica: habilidade relacionada ao controle do corpo e coordenação motora, como a capacidade de utilizar o corpo de forma habilidosa em atividades físicas. ▪ Inteligência Interpessoal: habilidade relacionada à compreensão e interação com outras pessoas, incluindo empatia, habilidades sociais e capacidade de compreender as emoções dos outros. ▪ Inteligência Intrapessoal: habilidade relacionada ao autoconhecimento, autorreflexão e compreensão das próprias emoções, motivações e metas. De acordo com a teoria das inteligências múltiplas, todas as pessoas possuem uma combinação única dessas inteligências, e cada uma delas pode ser desenvolvida e aprimorada de forma independente. Com base nessa teoria, foram incorporados mobiliários (Figura 35) dispostos nas sete ilhas pedagógicas no parque, proporcionando atividades cognitivas e estímulos sensoriais direcionados a cada ilha correspondente a uma inteligência específica. Fonte: ARCHDAILY, 2022. Acesso em: https://www.archdaily.com.br/br/983032/requalificacao-urbano- arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and- urbanismo?ad_source=myad_bookmarks&ad_medium=bookmark-open. Adaptado pelo autor 2023. Figura 35: Mobiliários das ilhas pedagógicas 80 Essa abordagem educacional é construtivista e baseada no interacionismo do é o psicólogo Jean Piaget, principal teórico desta vertente educacional. Sendo assim, o caminho do parque foi projetado de forma a promover o aprendizado por meio da interação entre os visitantes e os elementos arquitetônicos (ARCHDAILY, 2022). Cada elemento foi planejado para atender às necessidades cognitivas relacionadas aos temas específicos, ao mesmo tempo em que preserva a coerência e a sensibilidade em relação à memória visual do espaço tombado. Uma das novas adições ao Parque da Liberdade é a instalação do programa Casa do Ciclista (Figura 36), um projeto piloto desenvolvido para apoiar os ciclistas urbanos que frequentam o parque. Com um design contemporâneo, a estrutura é construída com materiais desmontáveis e facilmente distinguíveis dos elementos históricos presentes, respeitando a estética e preservação do ambiente, ao lado a edificação histórica foi adaptada para servir como um espaço dedicado a oferecer suporte e comodidades aos ciclistas. Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/80equalificação- urbano-arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. Com uma infraestrutura especializada, como um amplo bicicletário e vestiários, esse espaço é dedicado a tornar a experiência ciclística ainda mais conveniente e agradável para os Figura 36: Apoio ao Ciclista e Casa do Ciclista respectivamente 81 visitantes do parque. Logo, com sua arquitetura moderna e funcional, o local oferece uma área segura e protegida para estacionar bicicletas, permitindo que os ciclistas desfrutem das diversas atrações do parque sem se preocupar com a segurança de seus veículos. No contexto do programa de necessidades, as edificações restauradas foram meticulosamente adaptadas para assegurar a acessibilidade universal e acomodar novos usos, como exemplo, uma casa histórica foi adaptada para uma Edificação Café. (Figura 37). As restaurações foram planejadas de forma a garantir a conservação das estruturas originais, valorizando sua importância histórica, ao mesmo tempo em que proporcionavam uma renovação visual e funcional. Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/requalificação-urbano- arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023 Estátuas, balaústres, vasos, bancos com e sem encosto dispostos ao longo do parque foram igualmente restaurados. Assim, a restauração desses elementos ao longo do parque contribui para a valorização do patrimônio histórico, ao mesmo tempo em que agregou Figura 37: Edificação Café 82 funcionalidade e comodidade ao local, criou uma experiência enriquecedora para os visitantes e a comunidade em geral. Além disso, um dos destaques do Parque da Liberdade é a Ilha do Amor (Figura 38), situada na Lagoa do Garrote. Essa ilha recebeu uma atenção especial durante o processo de revitalização, com o objetivo de reavivar seu encanto romântico. O coreto, um elemento central da ilha, foi cuidadosamente restaurado, trazendo de volta sua originalidade, ressaltando sua importância como um símbolo icônico da ilha do amor, mantendo sua atmosfera romântica e preservando sua conexão com a história do parque. No paisagismo da ilha do amor foram selecionadas espécies de plantas que se integram harmoniosamente aoambiente local, realçando sua beleza natural. O projeto de paisagismo buscou preservar a vegetação existente, como árvores e arbustos, e complementá-la com espécies adequadas para a área. Essa abordagem contribui para a preservação da biodiversidade, oferecendo um habitat propício para aves, insetos e outros animais. Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/82equalificação- urbano-arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. Figura 38: Ilha do amor com restauro do Coreto http://www.archdaily/ 83 O Parque da Liberdade é um espaço verde (Figura 39) de grande importância para a paisagem urbana de Fortaleza. Além de contribuir para a preservação ambiental, ele oferece opções de lazer, promove a integração social, embeleza a cidade e estimula a educação ambiental. A beleza natural do Parque da Liberdade também tem um impacto significativo na estética da cidade, com a presença de áreas verdes e paisagens naturais, criando um contraste agradável com a paisagem urbana, proporcionando um equilíbrio visual e embelezando a cidade como um todo. Ademais, o Parque da Liberdade é um exemplo de sustentabilidade urbana ao adotar práticas que visam a preservação ambiental, a gestão consciente dos recursos naturais e a promoção da educação ambiental. Essa abordagem sustentável contribui para a preservação do meio ambiente, a conscientização da comunidade e o bem-estar dos visitantes, tornando o parque um espaço exemplar para a promoção de um estilo de vida mais sustentável. Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/83equalificação- urbano-arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. Figura 39: Vista aérea diurna do Parque da Liberdade 84 Na planta baixa geral (Figura 40) são representados os diversos elementos e características presentes no parque. Os limites e acessos são localizados nas esquinas de encontro com os quarteirões adjacentes. A planta baixa também mostra a arborização existente no parque, a localização do lago, das ilhas pedagógicas estrategicamente posicionadas, do mobiliário urbano, além de novas estátuas e os edifícios históricos restaurados. Outro ponto de grande relevância é a conexão direta com o Terminal da Praça do Sagrado Coração de Jesus, que possibilita a mobilidade adequada de pedestres e assegura o acesso facilitado a uma ampla parcela da população, incentivando o uso de transporte público e reduzindo a dependência de veículos particulares. Essa conexão estratégica entre o parque e o terminal de transporte público não só beneficia os moradores locais, mas também tem um impacto significativo no turismo da região. Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/requalificacao-urbano- arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. Figura 40: Planta Baixa Geral 85 Além disso, os caminhos e trilhas existentes no parque indicam sua direção e conectividade entre as diferentes áreas. É possível identificar que o percurso das ilhas pedagógicas (Figura 41), se conectam com todo o parque, permitindo que os visitantes explorem de maneira integrada e sistemática de todas as áreas do parque, aproveitando as experiências proporcionadas ao longo do caminho. Nos cortes arquitetônicos do projeto (Figura 42), pode-se observar a presença dos passeios internos e externos, planejados para proporcionar caminhos acessíveis para os visitantes percorrerem o parque. Além disso, é perceptível nos cortes a presença de faixas de circuito pedagógico, estrategicamente posicionadas no parque e precedendo a ilha pedagógica. Elas foram projetadas com o propósito de fornecer informações educativas aos visitantes, por meio de elementos como placas informativas, sinalizações e elementos interativos. Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/requalificacao-urbano- arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. Figura 41: Vista aérea do percurso das ilhas pedagógicas 86 Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/requalificacao-urbano- arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023. Nas vias internas (Figura 43), a paginação do piso foi projetada de forma a criar uma experiência estética e funcional. Utiliza-se uma técnica conhecida como "fulget", que consiste em uma fita orgânica, relacionando as áreas gramadas e placas de concreto drenante em tons de cinza e verde. Os mobiliários urbanos (Figura 44) presentes no Parque da Liberdade são projetados utilizando materiais como madeira e concreto, proporcionando uma estética harmoniosa e durável. Figura 42: Corte AA e BB 87 Ao longo do percurso, os visitantes encontram um paisagismo contemplativo que utiliza a técnica de biomassa como parte da forração vegetal. Essa técnica envolve o reaproveitamento de resíduos vegetais, como podas e remanejo, que são utilizados como parte do paisagismo. Essa abordagem sustentável e ecológica busca criar uma sinergia entre o paisagismo e as intervenções patrimoniais presentes no parque, que têm como objetivo valorizar o ambiente tombado e preservar sua história. Fonte: ARCHDAILY (2022). Disponível em: </https://www.archdaily.com.br/br/983032/requalificacao-urbano- arquitetonica-do-parque-da-liberdade-nil-cidade-da-crianca-yuri-nobre-arquitetura-and-urbanismo/>. Acesso em: 04 de jun. de 2023 A escolha do projeto de requalificação do Parque da Liberdade em Fortaleza, foi motivada por resgatar a identidade cultural e arquitetônica do local. Ademais, o parque foi projetado para oferecer, jardins, áreas de convivência e contemplação, objetivando proporcionar locais para atividades recreativas, eventos comunitários e feiras culturais. Sua abordagem educativa, visa proporcionar um espaço de aprendizado e desenvolvimento para a comunidade, através do mobiliário e materiais utilizados. A combinação de infraestrutura de qualidade, promoção da cultura local e estímulo à interação social, o parque torna-se um local de referência, onde as pessoas participam ativamente na construção de uma sociedade mais consciente e sustentável, preceitos pretendidos para proposta presente neste trabalho. Figura 43: Via interna de piso de concreto. Figura 44: Mobiliários de madeira e concreto 88 8 METODOLOGIA A metodologia visa descrever os procedimentos e técnicas de forma detalhada, utilizados pelo pesquisador para a realização do estudo em questão, a fim de garantir a compreensão de como o estudo foi conduzido e avaliar a validade dos resultados obtidos. Considerando pressuposto para a elaboração do presente trabalho, foi utilizada a pesquisa qualitativa, onde seu objeto de estudo é a relação dinâmica da subjetividade do sujeito e o mundo real, se baseando na interpretação dos fenômenos e seus significados no processo de pesquisa (SILVA & MENEZES, 2005). Quanto aos meios da pesquisa, foi necessária à realização de revisão em fontes bibliográficas e pesquisas de campo. Segundo Macedo (1995, p.13), a pesquisa bibliográfica é a seleção de documentos, livros, artigos de revistas e teses que se relacionam com o objeto de pesquisa, a fim de revisar a literatura já existente sobre o determinado tema. Desta forma, foram explorados conceitos e debates em torno do tema central aqui proposto, com intuito de avaliar diferentes pontos de vista com embasamento teórico relevantes à proposta, dando suporte para a definição dos objetivose dos métodos para o projeto paisagístico proposto, possibilitando identificar as melhores práticas e soluções para a situação específica do local. A pesquisa de campo desenvolvida neste trabalho, envolve a coleta de dados no local onde ocorre o fenômeno do estudo, oportunizando a realização de levantamentos topográficos e fotográficos. Logo, o estudo topográfico do terreno é primordial para projetos paisagísticos, visto que, é necessário considerar a topografia natural do terreno, para garantir a escolha de espécies vegetais adequadas, proporcionar definições de níveis para diferentes usos e a organização do espaço integrando a biblioteca na paisagem urbana. Outro fator relevante é o registro fotográfico, no qual, auxilia na identificação e visualização da presença de vegetação, elementos construídos e aspectos climáticos, tais como a incidência de luz solar e sombras, garantindo melhor compreensão das possibilidades projetuais durante a pesquisa. Para o início do projeto arquitetônico do parque urbano foi desenvolvido o programa de necessidades do local e o fluxograma. Essas etapas foram primordiais para garantir que o estudo preliminar fosse eficiente e abrangesse todas as demandas e funções que o parque deveria atender. Após a conclusão do estudo preliminar, prosseguiu-se com a elaboração da proposta de projeto arquitetônico e urbanístico do parque urbano, no qual, foram utilizados os softwares AutoCAD, Revit e SketchUp, ferramentas essenciais para visualização da proposta de 89 requalificação do espaço público, almejando atingir um alto nível de qualidade de detalhamento para o parque urbano. 90 9 DIAGNÓSTICO DO TERRENO O diagnóstico do terreno é essencial no processo de concepção e planejamento de qualquer intervenção ou projeto, incluindo a criação de um parque urbano. Ele fornece informações relevantes sobre as características físicas, ambientais e sociais do local, permitindo uma tomada de decisão embasada e direcionada, garantindo a eficiência, a sustentabilidade e a adequação às necessidades da comunidade. Neste tópico, apresentamos informações sobre o terreno selecionado para a concepção do Parque Urbano do Farol da Educação, situado na cidade de Coelho Neto, localizada no estado do Maranhão. Essa área específica foi escolhida como local ideal para a criação desse parque urbano, por conter a Biblioteca Farol da Educação, tendo em vista que, a combinação desses dois espaços. pode criar um ambiente enriquecedor que promove a educação, a cultura, o lazer e a interação social. Além disso, é fundamental considerar os aspectos legais e normativos relacionados à intervenção estudada. Isso engloba a análise das restrições de zoneamento e dos regulamentos de construção aplicáveis, com o propósito de garantir que a implantação esteja em plena conformidade com as diretrizes locais, assegurando que todas as etapas do projeto sejam realizadas de acordo com a legislação vigente. Portanto, o objetivo principal deste estudo é apresentar uma justificativa sólida para a seleção do terreno proposto como local para a implementação do Parque Urbano do Farol da Educação em Coelho Neto. Além disso, busca-se descrever detalhadamente as características do terreno em si, bem como as do seu entorno, com o intuito de fornecer uma visão abrangente do ambiente em que o parque será inserido. 9.1 JUSTIFICATIVA DE ESCOLHA DO TERRENO A escolha do terreno para a proposta do Parque Urbano do Farol da Educação em Coelho Neto foi motivada, principalmente, pela constatação de que o espaço atualmente está subutilizado no âmbito social. Foi observado que o terreno localizado em uma das principais avenidas da cidade, o espaço público, não é utilizado de forma significativa pela comunidade. 91 Ao analisar a situação desse espaço público subutilizado, torna-se evidente a necessidade de revitalização e renovação, a fim de despertar o interesse e a participação da comunidade local. Foi proposto para este trabalho um parque urbano, a fim de reverter a falta de engajamento das pessoas, visando torná-lo em ambiente integrado à vida da cidade. Dentro do contexto, a biblioteca pública Farol da Educação desempenha um papel fundamental para a escolha do espaço público. Um dos principais objetivos da proposta é promover o uso ativo da biblioteca, transformando o espaço público em um ambiente, relevante e acolhedor para toda a comunidade, onde as pessoas possam se envolver com a leitura, o conhecimento e as atividades culturais. 9.2 LOCALIZAÇÃO A proposta do Parque Urbano do Farol da Educação será implementada no município de Coelho Neto, localizado no estado do Maranhão. Coelho Neto está situado a uma distância aproximada de 385 km da capital do estado, São Luís (Figura 45). Segundo o IBGE (2021), a cidade possui uma área territorial de 977,079km², e população estimada de 49.804 pessoas. 92 Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Brasil/@-13.1890213,- 66.038337,4.26z/data=!4m6!3m5!1s0x9c59c7ebcc28cf:0x295a1506f2293e63!8m2!3d-14.235004!4d- 51.92528!16zL20vMDE1ZnI?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. 9.3 DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE PROJETO O terreno selecionado para a proposta está localizado logo na entrada de Coelho Neto, no sentido leste-oeste da rodovia MA-034, no bairro Marly Sarney. Essa localização estratégica proporciona fácil acesso aos visitantes que chegam à cidade e possibilita que o parque seja um ponto de referência para turismo. Figura 45: Mapa de Macrolização 93 O bairro Marly Sarney é adjacente aos bairros Quiabos e Olhad'aguinha, estabelecendo uma proximidade geográfica na malha urbana viária do município. A proposta visa atender não apenas o próprio bairro Marly Sarney, mas também os bairros vizinhos, uma vez que, ao adentrar a área urbana da cidade, a rodovia MA-034, passa a ser denominada Avenida Antônio Guimarães, percorrendo todo perímetro urbano da cidade (Figura 46). Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Brasil/@-13.1890213,- 66.038337,4.26z/data=!4m6!3m5!1s0x9c59c7ebcc28cf:0x295a1506f2293e63!8m2!3d-14.235004!4d- 51.92528!16zL20vMDE1ZnI?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. Além de ser adjacente aos bairros Quiabos e Olhad'aguinha, o bairro Marly Sarney também se interliga opostamente ao bairro Parque Amazonas, logo a proposta também se adequaria ao contribuir o acesso aos moradores do bairro (Figura 47). Essa interconexão viária de acessos com os bairros citados amplia a abrangência da proposta do Parque Urbano do Farol da Educação. No caso dos moradores do Bairro Marly Sarney, eles têm duas opções de acesso. A primeira é pela Rua Airton Sena, que oferece um acesso direto ao bairro, proporcionando uma maneira rápida de chegar à região. A segunda opção é pela Rua da Ecologia, que também conecta os moradores à avenida, facilitando o deslocamento até o parque. Figura 46: Mapa de Coelho Neto, Bairro e Terreno 94 9.4 ACESSOS E USOS DO ENTORNO A principal rota de acesso da proposta visa interligar a proposta do o parque com o Bairro Parque Amazonas pela presença de uma escola nessa região. A presença de escolas municipais nos bairros Parque Amazonas e Marly Sarney impulsiona a importância de proporcionar oportunidades significativas para a comunidade escolar, garantindo um espaço que estimule a leitura, apoia as atividades acadêmicas, promovendo a cultura e fortalecendo a colaboração entre a escola e a biblioteca. Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Coelho+Neto,+MA,+65620- 000/@-4.2548643,- 43.0343931,14z/data=!3m1!4b1!4m6!3m5!1s0x78da6012d6e2ced:0x2555c64cea67a4a5!8m2!3d-4.2596751!4d- 43.0182166!16s%2Fg%2F11bxfwt6t7!5m1!1e1?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. Ao analisar o entorno imediato do terreno, percebe-se que a região apresenta um caráter de uso misto. Issosignifica que existem diversos tipos de atividades distintas ocorrendo na área, incluindo igrejas, serviços, escolas, equipamentos públicos, comércios e outros estabelecimentos. Embora a região apresente uma diversidade de atividades, é notável que a maioria dos espaços seja destinada a habitações, indicando que a região é predominantemente residencial (Figura 48). Figura 47: Localização do terreno no bairro, biblioteca e acessos 95 Com base na análise do entorno imediato do terreno, não foi encontrada a presença de áreas verdes significativas ou uma quantidade expressiva de equipamentos de lazer para a população local. Logo, com a proposta busca-se preservar o uso do espaço público como área verde recreativa, tendo em vista que em áreas residenciais, esses espaços podem proporcionar áreas de convívio, descanso, lazer em família e contato com a natureza, contribuindo para a saúde física e mental, o bem-estar e a coesão social da comunidade. Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Coelho+Neto,+MA,+65620- 000/@-4.2548643,- 43.0343931,14z/data=!3m1!4b1!4m6!3m5!1s0x78da6012d6e2ced:0x2555c64cea67a4a5!8m2!3d-4.2596751!4d- 43.0182166!16s%2Fg%2F11bxfwt6t7!5m1!1e1?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. 9.5 ASPECTOS CLIMÁTICOS A insolação e a ventilação são aspectos fundamentais a serem considerados nos projetos urbanos, devido aos impactos significativos que têm no conforto térmico, eficiência energética, sustentabilidade, saúde e qualidade do ar. Unir todos esses fatores, possibilita a criação de ambientes urbanos mais saudáveis, sustentáveis e agradáveis para as pessoas viverem e interagirem. Figura 48: Mapa de usos e entorno 96 De acordo com Weather Spark, (2023) o vento mais frequente no município vem do leste durante aproximadamente 8,8 meses, compreendendo o período de 8 de abril a 3 de janeiro. A porcentagem máxima desse vento é registrada em 1º de janeiro, atingindo 49%. Em segundo lugar, o vento mais frequente provém do norte durante cerca de 3,2 meses, ocorrendo entre 3 de janeiro e 8 de abril. A porcentagem máxima desse vento é registrada em 13 de março, alcançando 53% (Figura 49). Fonte: WEATHER SPARK, (2023). Acesso em: https://pt.weatherspark.com/y/30640/Clima- caracter%C3%ADstico-em-Coelho-Neto-Brasil-durante-o-ano#Figures-WindDirection. Diante desse quadro, é fundamental que a proposta do parque urbano leve em consideração a importância da ventilação natural (Figura 50) e evite obstáculos que possam prejudicar a livre circulação do ar. A disposição e orientação do layout do parque devem ser cuidadosamente planejadas, de modo a permitir que o ar flua livremente pelos espaços, evitando bloqueios ou barreiras que possam obstruir a ventilação. A escolha dos materiais para a insolação de um parque urbano é um aspecto relevante a se mensurar, para garantir o conforto dos visitantes e maximizar o uso do espaço, onde as pessoas possam desfrutar das áreas verdes e atividades ao ar livre, mesmo em condições climáticas adversas. Figura 49: Direção do vento em Coelho Neto-MA. https://pt.weatherspark.com/y/30640/Clima-caracter%C3%ADstico-em-Coelho-Neto-Brasil-durante-o-ano#Figures-WindDirection https://pt.weatherspark.com/y/30640/Clima-caracter%C3%ADstico-em-Coelho-Neto-Brasil-durante-o-ano#Figures-WindDirection 97 Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Farol+da+cidade/@- 4.264118,-43.0216231,19z/data=!4m6!3m5!1s0x78dafa4001a79a1:0x36af894521cf5e7d!8m2!3d-4.2641676!4d- 43.0214636!16s%2Fg%2F11fv7ff758?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. 9.6 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO TERRENO O espaço público está localizado na esquina da Avenida Antônio Guimarães com a Rua Airton Senna do Silva, no bairro Marly Sarney. No mesmo quarteirão, em relação ao terreno, encontram-se duas importantes instalações: o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o Terminal Rodoviário (Figura 51). A sinergia entre o espaço público, o SAMU e o Terminal Rodoviário estabelecem uma interconexão entre essas instalações importantes, proporcionando uma atmosfera de segurança, conveniência e acessibilidade para os frequentadores do parque e para a comunidade em geral. O terreno do parque urbano apresenta uma forma irregular, caracterizada pela variação nos comprimentos dos lados e pela presença de um canto arredondado, contendo um perímetro total de 144,6 metros e uma área de 1.244,93 metros quadrados. A Biblioteca Farol da Educação, por sua vez, possui um perímetro de 47,22 metros e uma área de 139,4 metros quadrados. Subtraindo à alocação da Biblioteca Farol da Educação, resta uma área de Figura 50: Mapa de insolação e ventos predominantes 98 aproximadamente 1.105,53 metros quadrados disponível no terreno para a proposta apresentada. Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Farol+da+cidade/@- 4.264118,-43.0216231,19z/data=!4m6!3m5!1s0x78dafa4001a79a1:0x36af894521cf5e7d!8m2!3d-4.2641676!4d- 43.0214636!16s%2Fg%2F11fv7ff758?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. O maior lado do terreno tem uma extensão de 47,12 metros e está colado a outra edificação. O segundo maior lado, com 43,33 metros de comprimento, está voltado para a Rua Airton Sena da Silva. O terceiro lado, que faz frente para a Avenida Antônio Guimarães, tem uma medida de 25,12 metros. Por fim, o quarto lado, localizado na rua Sem Denominação, atrás da Biblioteca Farol da Educação, possui 25,14 metros de comprimento. Sobre a Biblioteca Farol da Educação, a apresenta-se (Figura 51) a planta de locação, compreendendo a área que ela ocupa. Assim sua planta em formato retangular possui 11,55 metros nos lados maiores, fachada frontal medindo uma largura de 9,78 metros, enquanto a fachada dos fundos mede 9,69 metros. Essa configuração única confere a proposta do parque uma aparência distintiva e oferece oportunidades criativas para o planejamento e design do espaço. Por sua localização em uma área de esquina, torna-se possível otimizar o uso do terreno, criando áreas de recreação, trilhas e jardins em uma configuração que aproveite ao máximo o espaço disponível, visando Figura 51: Dimensões do terreno 99 incentivar as interações sociais, e criar um senso de pertencimento e identidade para os moradores da área. 9.7 TOPOGRAFIA O terreno selecionado possui uma topografia com uma inclinação considerável, não sendo, portanto, uma área plana. Na face voltada para a Avenida Antônio Guimarães é possível observar uma elevação menor em relação ao restante da área (Figura 52). À medida que se avança em relação à Avenida, o terreno começa a se elevar gradualmente, culminando no ponto mais alto na direção oposta, em direção à Rua Sem Denominação. Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Farol+da+cidade/@- 4.264118,-43.0216231,19z/data=!4m6!3m5!1s0x78dafa4001a79a1:0x36af894521cf5e7d!8m2!3d-4.2641676!4d- 43.0214636!16s%2Fg%2F11fv7ff758?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. A topografia caracteriza-se como elemento fundamental para um projeto de Parque Urbano, auxiliando na determinação do layout, das características e da funcionalidade do parque. Ao adaptar o projeto à topografia, é possível tirar proveito desses elementos naturais, incorporando-os ao design do parque, preservando a identidade do local, e criando uma conexão mais harmoniosa entre o parque e seu entorno, pois é essencial garantir que o parque seja acessível e que as diferentes áreas se integrem de forma suave e funcional, apesar das variações topográficas. Figura 52: Topografia do Terreno 100 9.8 SITUAÇÃO ATUAL DO TERRENO Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Farol+da+cidade/@-4.264118,- 43.0216231,19z/data=!4m6!3m5!1s0x78dafa4001a79a1:0x36af894521cf5e7d!8m2!3d-4.2641676!4d-43.0214636!16s%2Fg%2F11fv7ff758?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Farol+da+cidade/@-4.264118,- 43.0216231,19z/data=!4m6!3m5!1s0x78dafa4001a79a1:0x36af894521cf5e7d!8m2!3d-4.2641676!4d- 43.0214636!16s%2Fg%2F11fv7ff758?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. Figura 53: Vista Avenida Antônio Guimarães Figura 54: Muro delimitando o espaço 101 A área que engloba a biblioteca é cercada por uma mureta (Figura 53), não impactando a vista do edifício, porém proporciona uma delimitação física ao redor desse espaço. Por outro lado, em relação a biblioteca na parte de trás, foi construído um muro para separar essa área do restante do terreno (Figura 54). Uma porção do muro externo do terreno desabou devido à ausência de manutenção dos órgãos públicos responsáveis, deixando uma abertura visível voltada para a Rua Airton Sena (Figura 55). Dentro dessa delimitação, é possível observar o crescimento descontrolado de vegetação e acúmulo de resíduos, intensificando significativamente a sensação de insegurança entre os moradores da região que precisam passar nas proximidades. Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Farol+da+cidade/@- 4.264118,-43.0216231,19z/data=!4m6!3m5!1s0x78dafa4001a79a1:0x36af894521cf5e7d!8m2!3d-4.2641676!4d- 43.0214636!16s%2Fg%2F11fv7ff758?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. A Biblioteca Farol da Educação possui acesso pelo embarque e desembarque de veículos do Terminal Rodoviário (Figura 56). A entrada principal da biblioteca está localizada em uma área próxima ao terminal rodoviário, permitindo que os usuários tenham acesso ao local por meio do fluxo de veículos que chegam e saem do terminal. Essa proximidade pode ter sido planejada considerando a facilidade de acesso para alunos provenientes de diferentes localidades, especialmente durante excursões escolares à biblioteca. Figura 55: Vista da Rua Airton Sena 102 Fonte: GOOGLE MAPS, 2023. Acesso em: https://www.google.com/maps/place/Farol+da+cidade/@- 4.264118,-43.0216231,19z/data=!4m6!3m5!1s0x78dafa4001a79a1:0x36af894521cf5e7d!8m2!3d-4.2641676!4d- 43.0214636!16s%2Fg%2F11fv7ff758?entry=ttu. Adaptado pelo autor 2023. 9.9 PARÂMETROS LEGAIS Neste tópico será abordado, revisão das normas e legislações aplicáveis, a fim de garantir a viabilidade da proposta do Parque Urbano Farol da Educação em Coelho Neto-MA. Em suma, essa revisão é fundamental para que os projetos urbanísticos sejam desenvolvidos em conformidade com as exigências legais, promovendo a segurança, a qualidade do ambiente urbano, a sustentabilidade e a conformidade com as necessidades da comunidade. O município em estudo possui uma legislação municipal conhecida como Lei Nº 288, que foi sancionada pela Câmara Municipal em 20 de junho de 1991. Essa lei estabelece o Código de Obras do Município, o qual aborda uma série de disposições e regulamentações relacionadas à construção. Dentre as disposições presentes nessa legislação municipal, encontram-se normas relacionadas aos parâmetros de construção, como dimensionamento de Figura 56: Acesso da Biblioteca Farol da Educação 103 vãos, especificações para usos residenciais e não residenciais, institucionais, instalações elétricas e hidrossanitários, entre outros aspectos técnicos. No entanto, é importante ressaltar que, embora a Lei Nº 288, mencionada no município, esteja em vigor, sua abrangência normativa não engloba todas as informações necessárias para embasar a concepção da proposta urbanística do presente trabalho. Diretrizes fundamentais, como parâmetros de uso e ocupação do solo, ordenamento territorial, recuos mínimos e taxa de permeabilidade, não foram especificamente contempladas nessa legislação. É de suma importância destacar a relevância de embasar a concepção urbanística de um projeto, a fim de assegurar a conformidade legal e a adequação do empreendimento ao contexto urbano. Dentro desse contexto, no município de São Luís, foram identificadas diretrizes e regulamentações específicas que se aplicam ao desenvolvimento urbano na região. A análise das diretrizes e regulamentações municipais de São Luís, foi fundamental para estabelecer uma base sólida na concepção do projeto urbanístico proposto neste trabalho, que tem como objetivo a criação de um Parque Urbano, que atenda às necessidades da população local, respeitando o contexto urbano e contribuindo para o desenvolvimento equilibrado e ordenado da cidade. 9.9.1 Plano Diretor de São Luís – Lei n° 7.122 – 2023 O Plano Diretor é um instrumento legal de planejamento urbano previsto na Constituição Federal, que tem como objetivo orientar o crescimento e desenvolvimento de um município. O Plano Diretor de São Luís foi recentemente atualizado visando compreender melhor a organização e desenvolvimento da cidade, estabelecendo as diretrizes e normas que norteiam o crescimento urbano de forma sustentável (FREITAS, 2023). No âmbito deste trabalho, busca-se viabilizar a aplicação da legislação da capital do estado, São Luís, a fim de estabelecer diretrizes projetuais que não estão contempladas na Lei que se aplica a Coelho Neto. Embora haja uma distância de aproximadamente 385 km entre as cidades, entende-se que São Luís, por ser o município mais próximo e possuir uma legislação abrangente, oferece as diretrizes necessárias para o desenvolvimento da proposta em questão. O Plano Diretor do município de São Luís estabelece o Macrozoneamento, que divide o território em duas categorias principais: Macrozoneamento Ambiental e Macrozoneamento 104 Urbano. O Macrozoneamento Ambiental tem como objetivo preservar e promover a proteção dos recursos naturais e áreas de interesse ambiental, assim o Macrozoneamento Urbano diz respeito às áreas destinadas à ocupação urbana e ao desenvolvimento das atividades humanas (SÃO LUÍS 2023). A análise inicial revelou que o terreno selecionado para a proposta está localizado dentro do contexto urbano da cidade, o que indica a relevância de direcionar a análise para o Macrozoneamento Urbano. No contexto urbano de São Luís, as macrozonas estabelecidas são as seguintes: Macrozona de Requalificação Urbana; Macrozona Consolidada; Macrozona em Consolidação - 1; Macrozona em Consolidação – 2 e Macrozona de Qualificação (SÃO LUÍS 2023). Para a proposta encontra-se similaridade com a Macrozona de Requalificação Urbana, composta por áreas que passaram pelo processo de consolidação, mas atualmente enfrentam esvaziamento populacional. Essas áreas necessitam de investimentos que recuperem seus usos e promovam as atividades de comércio, serviços, preservar os imóveis de valor cultural e reorganizar a infraestrutura (SÃO LUÍS 2023). Com base nas características descritas, pode-se inferir que a Macrozona de Requalificação Urbana em São Luís é semelhante à região na qual o espaço público escolhido para o projeto está inserido. Ambas compartilham a necessidade de revitalização e investimentos para recuperar usos, promover atividades comerciais e de serviços, além de preservar imóveis de valor cultural. O zoneamento urbano de São Luís segue as delimitações estabelecidas pelo Macrozoneamento Urbano definido pelo Plano Diretor. Esta Minuta de Anteprojeto de Lei estabelece normas para o zoneamento, parcelamento, uso e ocupação do solo no município de São Luís. De acordo com a legislação vigente, destaca-se a Zona Mista Comercial 1 (ZMC1) de São Luís (Figura 57). A escolha dessa zona se deve ao fato de apresentar usos mistos de suas características de ocupação, desenvolvimento, índices socioeconômicos e espaciais, assemelhando-se à região afetada pela proposta. A Lei Nº 3253, datada de 29 de dezembro de 1992, estabeleceu diretrizes relativas aos afastamentos mínimos a seremobservados em edifícios com base no número de pavimentos (Figura 58). Essas disposições visam garantir a segurança, ventilação e iluminação adequadas, bem como a harmonia urbanística das áreas onde os edifícios são construídos. 105 Fonte: SÃO LUÍS, 2015. Acesso em: https://www.saoluis.ma.gov.br/projeto/20/revisao-e-atualizacao-da- legislacao-urbanistica. Figura 58: ANEXO II - TABELA 3 TABELA DE AFASTAMENTOS Fonte: SÃO LUÍS, 1992. Acesso em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=376539. Para a proposta de concepção do parque urbano, é fundamental seguir os pontos relevantes estabelecidos pela legislação para as Zonas Mistas Comerciais 1. Dentre esses pontos, destacam-se o recuo frontal mínimo de 8 metros em vias de primeira categoria e taxa mínima de permeabilidade de 20% e recuos mínimos de 1,5 na lateral principal, secundária e fundo. Para a concepção do projeto do parque urbano, serão aplicados os parâmetros mínimos definidos pela legislação, a fim de garantir um resultado adequado e responsável em termos de uso e ocupação do solo. Figura 57: Especificidades da ZMC1 https://www.saoluis.ma.gov.br/projeto/20/revisao-e-atualizacao-da-legislacao-urbanistica https://www.saoluis.ma.gov.br/projeto/20/revisao-e-atualizacao-da-legislacao-urbanistica https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=376539 106 10 REFERÊNCIAS ABBUD, Benedito. Criando paisagens: guia de trabalho em arquitetura paisagística. Senac, 2018. ADOBE STOCK. Lovely panoramic aerial view of the famous Avenue des Champs- Élysées in Paris (...). 2016. 5 figura. 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