Prévia do material em texto
APLICAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE QUALIDADE TOTAL COM BASE NO MÉTODO MASP DE ANÁLISE DE PROBLEMAS: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DE DISTRIBUIÇÃO DO AMAZONAS Polyana da Silva Santana (ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA ) santana.pss10@gmail.com Nicole Costa dos Anjos (ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA ) nicole.canjos@gmail.com Gabriel Luiz de Amorim Caporazzo (ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA ) glac.eng16@uea.edu.br Lucas Mota Monteiro (ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA ) lucasmota111@gmail.com FRANCISCO ASSIS BARROS DE OLIVEIRA (ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA ) assis.barros@hotmail.com Em meio a um ambiente empresarial altamente acirrado, as empresas modernas vêm buscando manter-se competitivas no mercado, visando para isso o equilíbrio entre preço e qualidade. Porém, uma vez que vários são os processos necessários para aa aplicação de u Palavras-chave: MASP; Qualidade Total; Gestão. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 2 1. Introdução Durante a década de 60, o Brasil foi fechado ao comércio mundial numa tentativa protecionista, fazendo com que as principais indústrias e empresas brasileiras pudessem dominar os mercados nos quais estavam inseridas. Sem concorrência externa, elas podiam oferecer o serviço ou produto que quisessem. Por serem as únicas ofertantes dos mesmos, as pessoas continuariam comprando independente de sua qualidade, a qual estava muito atrás das empresas internacionais. Nos anos 90, quando o mercado foi aberto novamente, essas indústrias e empresas que se acomodaram viram-se completamente defasadas. Empresas internacionais chegavam ao país oferecendo produtos com mais qualidade e por preços mais baixos que os locais. Em um mundo marcado pela alta velocidade dos acontecimentos e mudanças ocorridas na história da humanidade, a expansão da tecnologia da informação em suas últimas décadas aumentou ainda mais essa velocidade. Vivemos uma realidade que se modifica a todo instante, o que, para as empresas, se torna um grande desafio. O crescimento da competitividade e as constantes evoluções do mercado têm feito com que as organizações busquem cada vez mais técnicas que melhorem seus processos, produtos, minimizem seus custos e lhes confiram diferencial competitivo. Porém, muitas são as etapas necessárias para que este patamar seja alcançado, principalmente para empresas de médio e pequeno porte, indo desde a identificação dos seus problemas e desafios até a concretização de uma solução e conscientização organizacional. De acordo com SEBRAE (2004), fatores que podem levar as empresas a terem uma menor competitividade são: conhecimentos gerenciais, falta de clientes, dificuldade com fiscalização, etc. E, para transpor estas dificuldades, alguns fatores são essenciais, como a busca pela inovação via melhoria da qualidade e produtividade. A aplicação de ferramentas da Gestão da Qualidade Total é uma opção às empresas para orientação gerencial por meio da aplicação de técnicas de identificação das suas problemáticas e causas, a partir das quais se deve elaborar planos de ação para melhoria interna. A qualidade total de uma empresa se refere justamente à administração de técnicas que garantam o controle dos seus processos, produtos ou serviços, no que diz respeito a: redução de ocorrência de erros; melhoria da qualidade dos processos; melhoria da qualidade dos XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 3 produtos; trabalho em equipe; motivação do trabalhador; inovação nos processos; boa comunicação entre líderes e colaboradores; busca por soluções de problemas; incentivo ao desenvolvimento e capacitação profissional. O objetivo deste artigo é promover um estudo por meio da Gestão da Qualidade Total em uma empresa do ramo de distribuição em Manaus, usando as ferramentas da qualidade como subsídio para a análisee sugestão de planos de melhoria. O artigo está dividido da seguinte forma: na seção 2 é apresentado o referencial teórico no qual o estudo foi embasado, na seção 3 explana-se a metodologia utilizada para resolução do problema, os resultados são exibidos na seção 4 e, por último, são mostradas as considerações finais. Para fins de discrição, a empresa na qual o estudo foi aplicado será retratada como “Empresa x” e os produtos receberão o nome de “Bolacha 1”, “Bolacha 2”, “Bolacha 3” e “Bolacha 4”. 2. Referencialteórico 2.1. Método MASP Nobrat et al. (2002) afirma que a Metodologia de Análise e Solução de Problemas (MASP) é uma forma estruturada de analisar e solucionar problemas da rotina diária das organizações, também conhecida como QC Story, oriunda do movimento da Qualidade Total no Japão. Dessa forma,como metodologia científica, a MASP faz uso de diferentes ferramentas que permitem organizar os dados e fatos. 2.2. Brainstorming De acordo com Megna (2016)o Brainstorming é uma ferramenta em que um grupo de pessoas se reúne organizadamente para que cada participante, um a um, exponha seus pensamentos sobre o que pode ser considerado como fator de influência em um determinado problema. 2.3. Fluxograma Ainda Megna (2016)explica que fluxogramas são representações gráficas, através de símbolos que são reconhecidos facilmente, o que permite mostrar todos os passos de um processo, como as atividades se relacionam umas com as outras e traz uma excelente visão do processo. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 4 2.4. 5PQ’s O método dos 5 por quês é uma abordagem científica criada pelo sistema Toyota de Produção afim de se chegar à verdadeira causa raiz de um determinado problema, que geralmente está escondida através de sintomas óbvios (OHNO, 1997). O método consiste em perguntar o por quê de um problema sucessivas vezes, para se encontrar a sua causa raiz. 2.5. Diagrama de Ishikawa De acordo com Werkema (1995), o diagrama de Ishikawa é utilizado para avaliar a relação existente entre um resultado de um efeito e as causas do processo que por razões técnicas, possam afetar o resultado considerado. Utiliza-se comumente os fatores “mão de obra”, “meio ambiente”, “medida”, “máquina”, “matéria-prima” e “método”, o que faz com que a ferramenta também seja chamada de Diagrama 6M, porém pode-se adotar os fatores convenientes com o efeito. (TRIVELLATO, 2010) 2.6. Diagrama de Relações Os diversos fatores ou itens relevantes em uma situação ou problema complexo, indicando as relações lógicas entre os mesmos por meio de setas. Tem por objetivo facilitar o entendimento amplo, a identificação de fatores e a busca de soluções adequadas par um problema complexo. Toledo (2013) afirma que o Diagrama de Relações é uma ferramenta que procura explicitar a estrutura lógica das relações de causa e efeito, de um tema ou de um problema, pelo pensamento multidirecional. 2.7. Checklist Através de Werkema (1995) é apresentado que a Folha de Verificação é a ferramenta da qualidade utilizada para facilitar e organizar o processo de coleta e registro de dados, de forma a contribuir para otimizar a posterior análise dos dados obtidos. Uma folha de verificação bem elaborada é o ponto de partida de todo procedimento de transformação deopiniões em fatos e dados. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 5 2.8. Estratificação Segundo César (2011), a Estratificação consiste na divisão de um grupo em diversos subgrupos com base em fatores apropriados, os quais são conhecidos como fatores de estratificação. Os fatores equipamentos, insumos, pessoas, métodos medidas e condições ambientais são fatores naturais para a estratificação dos dados.(WERKEMA, 1995) 2.9. Diagrama de Pareto O Diagrama de Pareto está conceitualmente relacionado à lei de Pareto (um economista italiano), à qual Juran deu uma interpretação para área da qualidade, que ficou conhecida também como “regra 80- 20”. Segundo essa regra, 80% dos defeitos relacionam-se a 20% das causas potenciais. Esse diagrama é uma representação das frequências de ocorrência em ordem decrescente, que mostra quantos resultados foram gerados, por tipo de defeito. (BATALHA, 2008) 2.10. Diagrama de Matriz É representado pelo cruzamento entre dois conjuntos de fatores relacionados a objetivos diferentes. Tem por finalidade identificar o grau de relação entre dois ou mais grupos de fatores. Os fatores do primeiro conjunto são colocados nas linhas de Matriz e os fatores do segundo conjunto são colocados nas colunas da Matriz.Segundo Carvalho (2013), o Diagrama de Matriz é particularmente útil quando se torna necessário organizar grandes quantidades de dados, sempre tendo em vista a necessidade de identificar relações existentes entre eles. 2.11. Matriz GUT A Matriz GUT é uma técnica utilizada para definição das prioridades dadas às diversas alternativas de ação. Essa ferramenta utiliza a listagem dos fatos e atribui pesos aos que são considerados problemas, de forma a analisá-los no contexto de sua gravidade, urgência e tendência. A ferramenta leva em consideração: gravidade, urgência etendência (QUEIROZ, 2012) 2.12. 5W2H XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 6 A ferramenta 5W2H é um plano para o acompanhamento e implantação de ações de melhoria, ela é constituída de um relatório acompanhado pelas seguintes informações: Why (Por que foi definida esta solução?), What (Qual ação vai ser desenvolvida?), Who (Quem será o responsável pela sua implantação?), When (Quando a ação será realizada?), Where (Onde a ação será desenvolvida?), How (Como a ação vai ser implementada?) e HowMuch (Quanto será gasto?). (MEGNA, 2016) 2.13. Carta de controle As cartas de controle também podem ser definidas como ferramenta estatística de implementação do CEP, fornecendo informações sobre um dado processo, com base em pequenas amostras ou grupos periodicamente coletados. Cada grupo é a imagem do que o processo está fazendo ou produzindo naquele momento, porém, para que os gráficos de controle sejam eficazes, os operadores ou inspetores devem obter grupos de amostra do processo, medir ou inspecionar imediatamente esses itens e computar os valores desse grupo (HRADESKY, 1989) 3. Metodologia O método seguido foi o sugerido pelo modelo MASP (Método de Análise e Solução de Problemas) como ilustra a Figura 1. Figura1 - Método MASP Fonte: Noblat (2002) As ferramentas de qualidade aplicadas nas respectivas situações do MASP seguem ilustradas na Figura 2. Figura2 - Ferramentas de qualidade aplicadas XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 7 Fonte: Própria (2019) 4. Resultados 4.1. Identificação do problema: Para realizar o estudo de caso da Empresa x foram aplicadas as seguintes ferramentas: a. Fluxograma Foi descrito todo o processo de atividade da Empresa x conforme ilustra Figura 3: Figura 3 - Fluxograma da Empresa x Fonte: Empresa x (2019) XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 8 b. Brainstorming Seguindo, foi feito o levantamento de alguns dos problemas da empresa, estando os resultados obtidos ilustrados noQuadro1: Quadro 1 - Análise dasideias geradasno Brainstorming Fonte: Própria (2019) XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 9 Por meio de um estudo preliminar dos problemas da Empresa x, pôde-se concluir em suma que: os problemas estão relacionados com desperdícios na empresa que se configuram de um modo geral nos tópicos de produtos, estrutura e administrativo. 4.2. Ação paliativa: As ações de contenção para os problemas da empresa se dão por meio da conscientização dos vendedores e de toda a equipe de vendas e planejamento. E quando o produto está perto de vencimento a empresa realiza eventos de degustação eem caso de vencimento os produtos são devolvidos ao fornecedor. 4.3. Investigação das causas: a. 5PQ’S: A partir dos dois principais problemas identificados com o uso da ferramenta anterior, foi aplicado o método dos 5 Porquês afim de encontrar a causa raiz de cada um deles, como ilustra as Figuras 5 e 6. Figura 5 - Primeiro diagrama 5PQ's Fonte: Própria (2019) XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 10 Figura 6 - Segundo Diagrama 5PQ's Fonte: Própria (2019) Com isso, detectou-se que há falta de planejamento porque a empresa não possui recursos para investir em um sistema ERP mais completo e que ocorre um excesso de trocas porque os vendedores encontram-se desmotivados por não terem metas desafiadoras. b. Diagrama de Ishikawa: Seguindo na identificação das causas, foi proposta uma análise de causa e efeito por meio do Diagrama de Ishikawa, de modo a confirmar ou acrescentar aos resultados da ferramenta anterior. A base de problema para o modelo foram os desperdicíos da empresa, como ilustrado na Figura 7. Figura 7 – Diagrama de Ishikawa XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 11 Fonte: Própria (2019) O Diagrama de Ishikawa ilustra um quadro geral dos problemas da empresa em suas categorias, tendo destaque os fatores que já haviam sido identificados nas ferramentas anteriores, estando estes relacionados com a mão-de-obra, os métodos aplicadas, matéria- prima e máquinas utilizadas – estando destacado em vermelho itens. c. Diagrama de relações: O Diagrama de Relações foi feito com base na análise de Ishikawa e o Brainstorming, como está apresentado na Figura 8, de modo a relacionar os diversos fatores da empresa. Figura 8 - Diagrama de Relações da Empresa XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 12 Fonte: Própria (2019) Conforme as Entradas e Saídas, perceberam-se os nós de destaque, sendo eles: Trocas de Produtos; Falta de Planejamento; Metas pouco ambiciosas. Ouseja, novamente é possível confirmar os resultados das ferramentas anteriores, uma vez que a troca dos produtos vencidos é a maior causadora de custo e desperdicíos para a Empresa x. Pelos diagramas já expostos, é possui concluir que os fatores relacionados para problema tem origem na falta de planejamento da empresa que possui metas pouco ambiciosas refletindo na desmotivação de seus funcionários. d. Checklist: Para investigar se o problema se originava de vendedores, produtos ou setores específicos, foi construída uma folha de verificação para avaliar cada vendedor e qual o valor trocado em relação a cada produto, dentro do setor de sua responsabilidade. Os resultados foram registrados conforme segue na Figura 9. Figura 9 - Checklist de verificação XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 13 Fonte: Empresa x (2019) De acordo com o checklist, percebe-se que o vendedor com maior índice de trocas é Afonso, principalmente se levados em consideração os produtos Bolacha 1 e Bolacha 2. Para os empórios e supermercados o funcionário que mais se destacou foi o Fábio, porém sua atuação não se mostrou tão negativa quanto a do funcionário Afonso. e. Estratificação: Diante do resultado evidenciado na ferramenta anterior, optou-se pelo uso da Estratificação para separar os quadros produtos e os analisar em seus respectivos estratos, ou seja, o seu resultado de venda nas diferentes localidades de Manaus, sendo no total 28 bairros para a Farmácia 1 e 8 para a Farmácia 2, como segue exemplificado nas Figura 10 e 11. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 14 Figura 10 – Exemplo da estratificação nas unidades da Farmácia 1 Fonte: Empresa x (2019) Figura 11 – Exemplo da estratificação nas unidades da Farmácia 2 Fonte: Empresa x (2019) Com estas ferramentas concretizou-se que a principal causas que está relacionadas ao problema de desperdício de fato é o número elevado de trocas devido à falta de planejamento adequado por parte dos vendedores, tendo em destaque unidades das farmácias que se encontram na zona leste da cidade. 4.4. Priorização das causas: a. Matriz GUT Para priorização das causas, a primeira ferramenta utilizada foi a Matriz GUT, tendo seu resultado exposto na Figura 12. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 15 Figura 12 - Matriz GUT da Empresa Fonte: Empresa x (2019) De acordo com o Diagrama de GUT, os itens de maior preocupação estão nas farmácias com as marcas das Bolachas 2 e 3 atribuídas ao vendedor Afonso, comprovando o que foi identificado pela Estratificação. b. Diagrama de pareto: Tendo em vista a preocupação com as marcas Bolacha 2 e Bolacha 3, foi feito um estudo por meio do Diagrama de Pareto com foco nestes dois itens nas unidades da Farmácia 1, uma vez XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 16 que esta detém o maior volume de produtos e trocas. Os gráficos obtidos podem ser observados nas Figuras 13 e 14, nos quais as unidades aparecem na horizontal e o custo por trocas na vertical. Figura 13 – Diagrama de Pareto da Bolacha 2 na Farmácia 1 Fonte: Empresa x (2019) Figura 14 – Diagrama de Pareto da Bolacha 3 na Farmácia 1 Fonte: Empresa x (2019) De acordo com o Diagrama de Pareto, o maior índice de trocas – dos produtos Bolacha 1 e Bolacha 2 nas unidades da Farmácia 1 – vem de farmácias localizadas em bairros de menor XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 17 poder aquisitivo – São José e Altaz Mirim, por exemplo –, ou seja, fica comprovado a suposição feita a partir da Estratificação. c. Carta de controle: Analisando a situação específica a ser aplicada, optou-se pelo uso da carta de controle do tipo p (proporção) tendo em análise a proporção de trocas por loja das marcas Bolacha 2 e Bolacha 3. Os resultados seguem ilustrados nas Figuras 18 e 19. O foco do estudo foi a Farmácia 1, porém, optou-se por analisar também a Farmácia 2 para efeito de comparação. Figura 18 - Carta de controle de trocas na Farmácia 1 Fonte: Empresa x (2019) Figura 19 - Carta de controle de trocas na Farmácia 2 XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 18 Fonte: Empresa x (2019) Quando analisada somente a Farmácia 1 podemos observar que há bastante variação na proporção de troca, porém todos os dados ficam próximos a média. Já quando se é analisada em comparação a Farmácia 1 com a Farmácia 2 percebemos que em uma unidade – correspondendo está à unidade da Betânia – a proporção de trocas na unidade da primeira é altíssima em comparação com a segunda. No mesmo sentido, a Farmácia 2 em sua pouca quantidade de unidades tem um controle melhor que a Farmácia 1 se for colocada em comparação as unidades das mesmas localidades. 4.5. Plano de ação a. 5W2H Com o objetivo de traçar um plano de redução de trocas de produtos, utilizou-se a ferramenta 5W2H, contendo duas ações principais: redefinição de metas e incentivo à pesquisa pré- prospecção. Figura 20–Plano de ação para controle dos desperdícios XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 19 Fonte: Própria (2019) 4.6. Execução Um mês após a apresentação dos resultados do trabalho, os gestores da Empresa x se reuniram com os gestores das Farmácias para aplicar a redefinição das novas metas, tendo definido o seguinte: Realizar o remanejamento dos produtos entre as Farmácias, de modo a seguir as demandas de cada estrato e minimizar os desperdícios. Tendo conhecimento do público alvo de cada produto e os bairros nos quais estes produtos teriam mais giro de estoque, tomou-se a seguinte medida: Os produtos com mais histórico de trocas devem ser remanejados para farmácias localizadas em bairros de classe alta, enquanto que destas lojas devem ser tirados produtos com menor giro que podem apresentar bom histórico nas outras. Ficou definido ainda, durante as reuniões da gerência, o calendário de treinamento em prospecção para os vendedores. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 20 4.7. Verificação A responsabilidade da verificação ficou por conta de um dos membros do trabalho, uma vez que este possuía relacionamento próximo com a empresa. A avaliação de um novo estudo, semelhante a este trabalho, ficou planejada para o final do primeiro semestre de 2019. 5. Considerações Finais Muitos são os desafios para os empreendedores, principalmente diante do cenário atual de constantes mudanças. A fim de se manter competitiva, uma organização deve praticar preços em consonânciacom a qualidade requerida pelo consumidor e compatíveis com o mercado. Neste cenário, ter uma cultura de gestão da qualidade e conscientização a respeito das ferramentas de apoio confere um diferencial significativo ao gestor do negócio, uma vez que os fluxos e processos podem ser encaminhados de forma coordenada e enxuta. Por meio da aplicação do método MASP em uma empresa local foi possível evidenciar justamente tal dificuldade quanto ao gerenciamento da qualidade. Numerosas eram as não conformidades da empresa e igualmente diversos eram os métodos de estudo, porém, por meio da metodologia, foi possível estruturar suas fases de modo a alinhar as ferramentas adequadas a cada uma delas. De igual forma, foi verificável a integração entre estas, de modo que a mesma causa raiz foi identificada em diferentes aplicações, assim, confirmando o resultado obtido. Com o desenvolver do trabalho e aplicação dos métodos, chegou-se à conclusão de que dois fatores principais estão relacionados aos desperdícios da empresa: a falta de planejamento e metas desafiadoras convergiam para um ambiente de colaboradores desmotivados; e a falta de preparo e treinamento acarretavam na inserção de produtos em nichos de mercado que não os demandavam. Diante do exposto, foi possível conscientizar os gestores da empresa e, em apoio, traçar um plano de ação que envolvesse toda a cadeia. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 21 Por fim, o uso de técnicas da Gestão da Qualidade Total permitiu detectar as causas do desperdício crítico na empresa e propor soluções que minimizem seus custos. Para análises futuras, fica a recomendação da aplicação das mesmas ferramentas para dados atualizados de modo a permitir a comparação. 6. Referência Bibliográfica − BATALHA, M. O. et al. Introdução a engenharia de produção. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. − BRITO, A. K. A. B., Aplicação das ferramentas de qualidade nos serviços prestados por um supermercado da cidade de Mossoró/RN. Campina Grande: UFCC, 2018. − CARVALHO, M.; PALADINI, E. Gestão da qualidade: teoria e casos. Elsevier Brasil, 2013. − HRADESKY, J. L. Aperfeiçoamento da Qualidade e da Produtividade. Guia prático para implementação do controle estatístico de processo - CEP. São Paulo: McGraw- Hill, 1989. − MEGNA, D. S. L, et al. Aplicação das ferramentas da qualidade em processo logístico de uma empresa do ramo petrolífero. Paraíba: ENEGEP, 2016. − NOBRAT, et al. Análise e Melhoria de Processos Metodologia MASP. Brasília: ENAPE, 2015. − OHNO, T. O sistema Toyota de produção além da produção em larga escala. Porto Alegre: Bookman, 1997. − QUEIROZ, J. V. et al. Franchising e especialização de serviços como estratégia de crescimento e manutenção: uma análise através da Matriz SWOT e GUT na DDEx–Direct to Door Express. Revista GEPROS, n. 1, p. 49, 2012. − TOLEDO, J. C. de et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, p. 48- 62, 2013. − TRIVELATTO, A. A. Aplicação das sete ferramentas básicas da qualidade no ciclo PDCA para melhoria contínua: estudo de caso numa empresa de autopeças. São Carlos: Universidade de São Paulo, 2010. − WERKEMA, M. C. C. As ferramentas da qualidade no gerenciamento de processos. Belo Horizonte: editora de Desenvolvimento Gerencial, 1995. XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO “Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações” Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019. 22