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Literatura de Expressão Portuguesa - Narrativa I Prof. Esp. Alex Donizeti do Rosário 1ª Edição Gestão da Educação a Distância Todos os direitos desta edição ficam reservados ao Unis - MG. É proibida a duplicação ou re- produção deste volume (ou parte do mesmo), sob qualquer meio, sem autorização expressa da instituição. Cidade Universitária - Bloco C Avenida Alzira Barra Gazzola, 650, Bairro Aeroporto. Varginha /MG ead.unis.edu.br 0800 283 5665 Autoria Currículo Lattes: Prof. Esp. Alex Donizeti do Rosário Mestrando em Gestão Pública e Sociedade, Especialista em Ensino da Língua Inglesa, Graduado em Administração e Licenciado em Letras com Habilitação em Espanhol e em Inglês. Atua como pro- fessor universitário do Unis-MG e como gerente de processos em empresa privada. http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4278091Y7 5 Unis EaD Cidade Universitária – Bloco C Avenida Alzira Barra Gazzola, 650, Bairro Aeroporto. Varginha /MG ead.unis.edu.br 0800 283 5665 ROSÁRIO, Alex Donizeti do. Literatura de Expressão Portu- guesa - Narrativa I. Varginha: GEaD-UNIS/MG, 2017. 85 p. 1. Literatura. 2. Conto. 3. Narrativa. 4. Crônica. 5. Romance. Primeiramente gostaria de lhe desejar minhas boas-vindas! Tê-lo(a) cursando nossa matéria Literatura de Expressão Portuguesa – Narrativa I é motivo de orgulho para nós, pois ela lhe colocará frente a conceitos e mestres da área que lhe serão fundamentais para o seu progresso profissional. Tão essencial quanto os conceitos é a prática daquilo que se apreende, por isso, adotaremos um enfoque funcional, ou seja, todos os exercícios e práticas estão contextualizados no segmento da área da literatura e do ensino dela. Esteja motivado(a) a buscar o conhecimento e se prepare para utilizar as ferramentas e te- orias que adquirir. Para condução da disciplina teremos como base o Guia de Estudos, as aulas e os livros da bibliográfica básica e complementar. A disciplina é estruturada em atividades e em aulas que orientarão você no andamento e na organização dos estudos. As aulas lhe auxiliarão a acompanhar o Guia de Estudos e a entender as propostas das ativi- dades. Pessoal, saiba que é muito legal fazer parte desta equipe e que todos somos inteligentes, cada qual com sua habilidade e competência específicas. É com este modo de pensar que me integro ao grupo e me coloco à disposição de todos. Nossa interação será essencial! Conte comigo! Abraço, Prof. Alex Donizeti do Rosário Ementa Orientações Palavras-chave Introdução ao estudo da narrativa na produção literária em Língua Portuguesa. Teo- rias que embasam o estudo da narrativa. Narrativas curtas: características e especifici- dades. Narrativas longas: a ascensão do romance. O estudo da narrativa e análise de obras devem ser feitos considerando as suas relações com as manifestações histórico- culturais caracterizadas pela periodização da literatura. Ver Plano de Estudos da disciplina, disponível no ambiente virtual. Literatura. Narrativa. Conto. Crônica. Romance. Unidade I 1. Introdução 12 1.1. A Narrativa 12 1.2. Tipos de Narração 13 1.2.1. Objetiva 13 1.2.2. Subjetiva 14 1.3. Elementos da Narrativa 14 1.3.1. Fato (O quê?) 14 1.3.2. Tempo (Quando?): 14 1.3.2.1. Cronológico 14 1.3.2.2. Psicológico 15 1.3.3. Espaço (Onde?) 15 1.3.3.1. Físico 15 1.3.3.2. Social 15 1.3.3.3. Psicológico 15 1.3.4. Personagens (Quem?) 15 1.3.4.1. Protagonista 15 1.3.4.2. Antagonista 16 1.3.4.3. Personagem Secundária 16 1.3.4.4. Personagem-tipo 16 1.3.4.5. Personagem Plana 16 1.3.4.6. Personagem Esférica 16 1.3.5. Enredo (Como e por quê?) 17 1.3.5.1. Apresentação 17 1.3.5.2. Complicação 17 1.3.5.3. Clímax 17 1.3.5.4. Desenlace (Desfecho) 17 1.3.5.5. Representação Gráfica do Enredo. 18 1.3.6. Narrador 18 1.3.6.1. Narrador-personagem (1ª pessoa) 18 1.3.6.2. Narrador-protagonista 18 1.3.6.3. Narrador-testemunha 18 1.3.6.4. Narrador Onisciente (3ª pessoa) 19 1.3.6.4.1. Onisciente Neutro 19 1.3.6.4.2. Onisciente Seletivo 19 1.3.6.5. Narrador Observador (3ª pessoa) 19 1.4. A Linguagem na Narrativa 20 1.4.1. Verossimilhança 20 1.4.2. Tempo Verbal 21 1.4.3. Linguagem 21 1.4.3.1. Denotativa 21 1.4.3.2. Conotativa 21 1.4.4. Conectivos 21 1.4.4.1. Coerência 21 1.4.4.2. Coesão 22 1.4.5. Formalidade 22 1.4.5.1. Padrão Formal Culto 22 1.4.5.2. Informal 22 1.5. Tipos de Discursos na Narrativa 23 1.5.1. Discurso Direto 23 1.5.2. Discurso Indireto 24 1.5.3. Discurso Indireto Livre 24 1.6. Tipo Textual 25 1.6. Principais Períodos Literários 26 Unidade II 2. Introdução 34 2.1. A Narrativa 34 2.2. Origem da Narrativa 35 2.3. Definição de Narrativa 35 2.4. Definição de Narrativa Literária 36 2.5. Forma do Texto Narrativo 36 2.6. Definição de Literatura 38 2.7. Alguns Gêneros da Narrativa 40 2.8. A Teoria da Narrativa 41 Unidade III 3. Introdução 46 3.1. O que é Narrativa Curta Ficcional 46 3.2. Principais Gêneros 47 3.3. Contistas e Cronistas Brasileiros 48 3.4. O Romance (Narrativa Longa) 49 3.5. Tipos de Romance 50 3.6. Movimento Literário Envolvendo o Romance 51 3.7. Estrutura Básica do Romance 52 3.8. Alguns Romances Importantes da Língua Portuguesa 53 Unidade IV 4. Introdução 56 4.1.1. O que é Crônica? 56 4.1.2. Origem da Crônica 56 4.1.3. A Crônica no Brasil 57 4.1.4. Diferenças entre Crônica e Notícia 57 4.1.5. Características da Crônica Narrativa 58 4.1.5. Elementos da Crônica 58 4.1.6. Dicas para Fazer uma Boa Crônica 59 4.1.7. Estrutura da Crônica 59 4.1.8. Exemplos de Crônica 60 4.1.9. Caracterização de uma Crônica (análise quanto aos elementos da narrativa) 62 4.1.10. Tipos de Crônicas 62 4.1.10.1. Crônica Lírica ou Poética 62 4.1.10.2. Crônica de Humor 63 4.1.10.3. Crônica-Ensaio 63 4.1.10.4. Crônica Descritiva 63 4.1.10.5. Crônica Narrativa 63 4.1.10.6. Crônica Dissertativa 64 4.1.10.7. Crônica Reflexiva 64 4.1.10.8. Crônica Metafísica 64 4.1.11. Importantes Cronistas Brasileiros (Lista Não Exaustiva) 64 Unidade V 5. Introdução 68 5.1.1. O que é Conto? 68 5.1.2. Origem do conto 68 5.1.3. O conto no Brasil 69 5.1.4. Diferenças entre conto e crônica 69 5.1.5. Características do conto 70 5.1.6. Dicas para se fazer um bom conto 71 5.1.7. Tipos de contos 71 5.1.7.1. Conto popular 71 5.1.7.2. Conto em prosa 71 5.1.7.3. Conto em verso 72 5.1.7.4. Conto em prosa poética 72 5.1.7.5. Conto fantástico 72 5.1.7.6. Conto fantástico 73 5.1.7.7. Conto de fada 73 5.1.7.8. Conto de mistério 74 5.1.7.9. Conto de aventura 74 5.1.7.10. Conto de terror 75 5.1.8. Importantes contistas brasileiros (lista não exaustiva) 75 5.1.9. Um conto fantástico 76 Referências Bibliográficas 80 Objetivos da Unidade I Introdução ao estudo da narrativa na produção literária em língua portuguesa Apreender a concepção da narrativa e seus elementos, den- tro do contexto histórico da produção literária em Língua Portu- guesa, com ênfase no gênero romance. 14 1. Introdução “Narrar é uma manifestação que acompanha o homem desde sua origem. As gravações em pedra nos tempos da caverna, por exemplo, são narrações. Os mitos - histórias das origens (de um povo, de objetos, de lugares) -, transmitidos pelos povos através das gerações, são narrativas; a Bíblia - livro que condensa história, filosofia e dogmas do povo cristão - compreende muitas narrativas: da origem do homem e da mulher, dos milagres de Jesus. Modernamente, poderíamos citar um sem-número de narrativas: novela de TV, filme de cinema, peça de teatro, notícia de jornal, gibi, desenho animado... Muitas são as possibilidades de narrar, oralmente ou por escrito, em prosa ou em verso, usando imagens ou não.” (GANCHO, 2006) 1.1. A Narrativa “Inumeráveis são as narrativas do mundo. Há, em primeiro lugar, uma variedade prodigiosa de gêneros, distribuídos entre substâncias diferentes, como se toda matéria fosse boa para que o ho- mem lhe confiasse suas narrativas: a narrativa pode ser sustentada pela linguagemisso acontece temos a crônica narrativa-descritiva” (SÉRGIO, 2011). 4.1.10.6. Crônica Dissertativa “Opinião explícita, com argumentos mais "sentimentalistas" do que "racionais" - em vez de "segundo o IBGE a mortalidade infantil aumenta no Brasil", seria "vejo mais uma vez esses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo". Exposto tanto na 1ª pessoa do singular quanto na do plural” (SÉRGIO, 2011). 4.1.10.7. Crônica Reflexiva “Reflexões filosóficas sobre vários assuntos. Apresenta uma reflexão de alcance mais geral a partir de um fato particular” (SÉRGIO, 2011). 4.1.10.8. Crônica Metafísica “Constitui-se de reflexos filosóficos sobre a vida humana” (SÉRGIO, 2011). 4.1.11. Importantes Cronistas Brasileiros (Lista Não Exaustiva) - Arnaldo Jabor - Carlos Drummond de Andrade - Carlos Heitor Cony - Cecília Meireles - Clarice Lispector - Fernando Sabino - João do Rio - Lima Barreto - Luis Fernando Veríssimo 67 - Machado de Assis - Manuel Bandeira - Nelson Rodrigues - Paulo Mendes de Campos - Rubem Braga - Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) - Vinícius de Moraes - Ziraldo, e outros. Análise de uma crônica quanto à narrativa Crônica: UM ENSINAMENTO HIGH-TECH 1)Narrativa concentrada, limitada ao essencial, com número reduzido de personagens, tempo e espaço bem definidos? R.: Sim, a narrativa é curta, envolve poucas personagens e se transcorre num único espaço. 2)Tem como ponto de partida fatos triviais e cotidianos, muitas vezes colhidos no noticiário jornalístico? R.: Sim, é um fato do cotidiano, infelizmente, recorrente na sociedade moderna. 3)O enredo da narrativa é configurado de modo a conduzir o leitor a uma reflexão sobre o assunto da crônica ou seus desdobramentos? R.: Sim, o fio condutor da narrativa leva o leitor a refletir sobre as atitudes das gerações high- tech. 4)Apresenta os elementos e a estrutura básica da narrativa: sequência de fatos, personagens, tempo e espaço, e se desenvolve em torno de um único conflito, na maioria das vezes de ordem do cotidiano? R.: Sim, o texto apresentado possui todos os elementos que caracterizam uma narrativa. 5)A Linguagem criativa e figurada, muitas vezes carregada de humor e ironia, e de acordo com 68 o padrão formal ou informal da língua? R.: É uma linguagem bastante acessível e direta, escrita com base na norma culta (formal). Apre- senta um certo tom de ironia em relação à personagem que recebe o ensinamento descrito pelo texto. 6)Predominam, normalmente, no discurso do narrador, verbos no pretérito perfeito e pretérito imperfeito do indicativo? R.: Sim, os verbos são flexionados, preponderantemente, nos pretéritos perfeito e imperfeito do indicativo. 7)Conclusão: O texto foca um lance do cotidiano: ceder o assento ou o lugar na fila às pessoas mais idosas. É um texto curto, leve, estruturado nos moldes da narrativa. Traz uma mensagem reflexiva. Enfim, é um momento do dia a dia que o escritor compartilha com o leitor. Objetivos da Unidade V Unidade V - Narrativas curtas: características e especificidades do Conto - Conhecer as características do gênero conto; - Aplicar os conhecimentos adquiridos sobre o conto na pro- dução textual. 70 5. Introdução “Das narrativas curtas, a que mais se destaca é o conto, pois ele se presta, segundo Júlio Cortázar, ‘à tradução dos sentimentos profundos e das contradições que agitam nossa alma’, num tempo que o leitor pode vencer com um só fôlego. Para o escritor argentino citado, o romance e a novela vencem o leitor por pontos; o conto, por nocaute. Isso quer dizer que, na vida moderna – com seu ritmo alucinante –, o conto tende a ser um gênero mais consumido, pois concentra num número menor de páginas muita intensidade e tensão, prendendo o interesse do leitor sem esgotar o tempo de que dispõe, oferecendo-lhe uma ficção com enredo completo. (GOTLIB, 2006 apud LOURENÇO, 2007).” 5.1.1. O que é Conto? “O conto é uma obra de ficção, um texto ficcional. Cria um universo de seres e aconteci- mentos de ficção, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo. Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso. Os historiadores afirmam que os ancestrais do conto são o mito, a lenda, a parábola, o conto de fadas e mesmo a anedota (STRECKER, 2005).” “Um conto é uma narrativa curta. Não faz rodeios: vai direto ao assunto. No conto tudo importa: cada palavra é uma pista. Em uma descrição, informações valiosas; cada adjetivo é insubstituível; cada vírgula, cada ponto, cada espaço – tudo está cheio de significado [...]“ (FIORUSSI, 2003). 5.1.2. Origem do conto “No que se refere às origens, o mesmo remonta aos tempos antigos, representado pelas 71 narrativas orais dos antigos povos nas noites de luar, passando pelos gregos e romanos, lendas orien- tais, parábolas bíblicas, novelas medievais italianas, pelas fábulas francesas de Esopo e La Fontaine, chegando até os livros, como hoje conhecemos. Em meio a esta trajetória, revestiu-se de inúmeras classificações, resultando nas chamadas antologias, as quais reúnem os contos por nacionalidade: brasileiro, russo, francês e por categorias relacionadas ao gênero, denominando-se em contos maravilhosos, policiais, de amor, ficção cien- tífica, fantásticos, de terror, mistério, dentre outras classificações, tais como tradicional, moderno e contemporâneo (DUARTE, 2017)”. 5.1.3 O conto no Brasil “No Brasil, os precursores do gênero conto foram os autores românticos, responsáveis pe- los folhetins publicados a partir da terceira década do século XIX. Segundo Cristiane de Deus e Vânia Carla Schütt da Silva: Hernan Lima afirma que os primei- ros contos são de 1836, ’A Caixa e o Tinteiro’, de Justiniano José da Rocha, porém a crítica admite como o precursor do conto no Brasil, o autor ‘Joaquim Norberto de Souza e Silva’, que em 1841, publicou As Duas Órfãs. Alguns críticos, entretanto, dizem que esta obra tem apenas valor histórico e não literário, mas em 1852, o mesmo autor publica Romances e Novelas, contendo o conto já referido e outros inéditos.” (LOURENÇO, 2007) 5.1.4 Diferenças entre conto e crônica “A crônica é um texto curto (cerca de uma página) que conta um único caso, enfatizando mais a situação do que as personagens ou o ambiente. Diferencia-se do conto por ser mais curta e menos apegada às personagens, preocupando-se mais com a observação da situação e a moral que se pode tirar dela (MARQUES, 2017).” “A crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado como o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia. 72 O conto é a forma narrativa, em prosa, de menor extensão (no sentido estrito de tamanho), ainda que contenha os mesmos componentes do romance. Entre suas principais características, estão: a concisão, a precisão, a densidade, a unidade de efeito ou impressão total: o conto precisa causar um efeito singular no leitor; muita excitação e emotividade (GOULART, 2017).” 5.1.5 Características do conto - Trata-se de um gênero narrativo e ficcional; - A narrativa caminha sem desvios para um Desfecho, e, geralmente, é curta; - Envolve poucas personagens e todos se mobilizam em torno da ação; - De modo geral, o tempo em que a história transcorre é bem marcado; - Nos manuais didáticos, pelo critério da extensão do texto, os contos figuram entre as crônicas e as novelas.” (BRITO, 2010) CARACTERÍSTICAS DO CONTO Narrativa concentrada, limitada ao essencial,com número reduzido de personagens e espaço bem definido. Embora a narrativa seja breve, podem ser narradas estórias que se passam em longos lapsos. Aborda, de forma artística, principalmente conflitos de ordem psicológica, que derivam de uma incompatibilidade entre o mundo interior da personagem e a realidade circundante. Apresenta os elementos e a estrutura básica da narrativa: sequência de fatos, personagens, tempo e espaço, e se desenvolve em torno de um único conflito, muitas das vezes de ordem existencial. Pode ser narrada em 1ª ou 3ª pessoa. Linguagem criativa e figurada, muitas vezes carregada de lirismo, e de acordo com o padrão formal ou informal da língua. Predominam, normalmente, no discurso do narrador, verbos no pretérito perfeito e imperfeito do indicativo. Fonte: Coleção Estudos 6V, (v. 6), Língua Portuguesa, p. 21, 2015. 73 5.1.6 Dicas para se fazer um bom conto - Atraia a atenção do leitor; - Utilize estruturas curtas: frases, capítulos e parágrafos para que o leitor tenha agilidade na leitura; - Seja original e verossímil; - Tudo no conto importa, por isso, pense, cuidadosamente, em cada palavra, adjetivo, pontuação, enfim, planeje a estrutura textual de modo que tudo no texto contribua para o pleno entendi- mento do enredo; - Apresente um título que desperte o interesse do leitor, sem, no entanto, revelar o enredo da história. 5.1.7 Tipos de contos 5.1.7.1 Conto popular “Contos populares (ou folclóricos) são narrativas passadas de geração em geração. Elas não têm autor conhecido. Cada história é aumentada e modificada à medida que vai sendo repetida. A autoria é atribuída ao povo (folk, em inglês). Daí se origina a palavra folclore. Muitos contos popula- res são bastante antigos. Passando de boca em boca, não eram escritos. Mantinham-se vivos graças à memória dos contadores de histórias.” (CONTO POPULAR, 2017) 5.1.7.2 Conto em prosa “Conto em prosa é o texto no estilo natural, sem a sujeição à rima, ritmo, parágrafos, estru- tura métrica, aliterações ou número de sílabas. A principal diferença entre a poesia é a musicalidade. A prosa é o estilo mais utilizado na linguagem do cotidiano para expressar o pensamento racional porque a linguagem predominantemente está no discurso analítico, objetivo, real e pouco ambíguo. 74 É, em resumo, o texto corrido.” (PROSA, 2017) 5.1.7.3 Conto em verso Conto em verso é o texto estruturado em rima, ritmo, parágrafos, estrutura métrica, alitera- ções ou número de sílabas. Possui musicalidade. Pode-se valer de figuras de linguagem e da subjeti- vidade. 5.1.7.4 Conto em prosa poética “A principal característica da prosa poética está na dinâmica extensiva do texto, em geral, com imagens invocadas. Segue um processo semelhante ao encontrado no romance ou conto. A prosa poética recorre a figuras típicas da poesia, como a aliteração, a metáfora, a elipse, e a sonori- dade das frases.” (PROSA, 2017) 5.1.7.5 Conto fantástico “Os contos fantásticos ou contos de fantasia representam um gênero da literatura fantástica (realismo mágico ou maravilhoso) com origens no século XVII, contudo, vigorou nos países latino-a- mericanos a partir do século XX, como forma de denunciar a realidade opressiva vivido pelos anos de ditadura. No gênero fantástico, os textos são pautados numa realidade não lógica, ou seja, a narrativa se desenrola num mundo irreal ou universo onírico, marcado pelo absurdo, a inverossimilhança e situações e ações extraordinárias. Segundo o filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov: “Há um fenômeno estranho que se pode explicar de duas maneiras, por meio de causas de tipo natural e sobrenatural. A possibilidade de se hesitar entre os dois criou o efeito fantástico.” (CONTO FAN- TÁSTICO, 2015) 75 5.1.7.6 Conto fantástico Principais características: - Narrativa concisa a partir de temas livres fantásticos, os quais aliam o fantástico e o real ou a ficção à realidade, surgindo da oposição dentre dois planos: real e irreal; - Presença de alegorias e de personagens que podem ser: monstros, fantasmas, seres invisíveis, mágicos, mitológicos ou folclóricos, dentre outros; - Realidade ilógica distante da realidade humana, composta de elementos maravilhosos, inveros- símeis, imaginários, extraordinários, bem como a presença de magias e poderes sobrenaturais; - Enredo não linear ou ziguezagueante (mescla de presente, passado e futuro) com utilização de recursos como o flashback (voltar ao passado) e o tempo psicológico (tempo das emoções e das recordações vividas pelos personagens); - Provocam sensações de “estranhamento” no leitor, por meio da ruptura realidade-ficção. (CONTO FANTÁSTICO, 2015) 5.1.7.7 Conto de fada “Os contos de fadas têm natureza espiritual, ética e existencial. Sua origem está ligada à cultura celta e retratam a história de heróis e heroínas, em narrativas ligadas ao sobrenatural e visavam à realização interior do ser humano. Por que esses contos são assim chamados? Quais são as suas características? O vocábulo fada tem origem no termo latino fatum, cujo significado original é destino. Ela representa a possível realização de um sonho ou de ideais; é o que acontece, por exemplo, no conto italiano Pinocchio, em que o boneco de madeira tem a possibilidade de ver-se transformado em criança pela benevolência da Fada Azul. Tradicionalmente, às fadas costuma-se atribuir qualidades positivas e dons sobrenaturais, capazes de interferir na vida dos homens e ajudá-los em situações extremas; assim, acontece com Cinderela, que recebe ajuda da fada para ir ao baile do príncipe. Quando esses seres apre- 76 sentam características negativas, passam a ser chamadas de bruxas; aqui, podemos nos lembrar da madrasta de Branca de Neve, metamorfoseada em uma velha bruxa que lhe presenteou com a maçã envenenada.”(MOTTA, 2008) 5.1.7.8 Conto de mistério Os contos de mistério são aqueles em que o suspense é construído de forma a despertar no leitor apreensão e curiosidade em relação ao que está sendo narrado. Principais características: - Enigma: mistério a ser solucionado; - Suspense; - Personagens misteriosas; - Descrição com riqueza de detalhes; - Repertório Léxico (vocabulário condizente com a história); - O inesperado: a revelação final. 5.1.7.9 Conto de aventura “São narrativas muito populares e comumente difundidas por meio da tradição oral, repas- sadas de geração em geração ao longo dos anos. Sua principal característica é a figura do herói, uma personagem corajosa e esperta que parte em uma jornada em busca de algo e enfrenta diversos perigos e situações complicadas para concretizar seus feitos. Principais características: - Herói: uma personagem de sabedoria e coragem; - Perigo extremo e situações de grandes conflitos; - Foco narrativo: normalmente narrado em 1ª pessoa; - Organização e ritmo da narrativa: pausas estratégicas para gerar apreensão. - Linguagem: advérbios e outras marcas textuais, por exemplo, “repentinamente”, “rapidamente”, 77 etc.” (COLEÇÃO ESTUDOS, 2015) 5.1.7.10 Conto de terror Um conto de terror, como tal, é um relato literário ficcional que visa provocar sentimentos de medo no leitor. Nesse sentido, apresenta histórias vinculadas às temáticas mais atemorizantes para os seres humanos, como a morte, as doenças, os crimes, as catástrofes naturais, os espíritos e as bestas sobrenaturais. O conto de terror pode ter um fim moralizante, isto é, assustar o leitor para que este evite adotar certas condutas ou determinados atos. (CONCEITO DE CONTO DE TERROR, 2017) Características do conto de terror: - Personagens sobrenaturais; - Cenário: isolamento e abandono; - Escuridão: a noite e seus temores; - Linguagem: repertório léxico; - Ritmo (criação do suspense). (COLEÇÃO ESTUDOS,2015) 5.1.8 Importantes contistas brasileiros (lista não exaustiva) - Alcântara Machado - Aníbal Machado - Autran Dourado - Carlos Drummond de Andrade - Clarice Lispector - Dalton Trevisan 78 - Graciliano Ramos - Guimarães Rosa - João Antônio - José J. Veiga - Lima Barreto - Machado de Assis - Mário de Andrade - Osman Lins - Ribeiro Couto, entre outros. 5.1.9 Um conto fantástico VOLTA AQUI... Alex D. Rosário Teria sido uma madrugada como outra qualquer na vida de Antero, não fosse o que se pas- sou com aquela pobre alma. Às três horas da madrugada retornava do trabalho, turno da noite. Gostava de caminhar e no seu trajeto para casa passava em frente ao único cemitério da cidade, não havia outra opção. Noite sem lua, muito escura, Antero notou que o portão do “Lar Eterno”, recinto sombrio e assustador, estava aberto e lá dentro se via uma pessoa magra, descabelada, trajando um vestido branco amarelado. Que coisa estranha, pensou, aproximando-se curiosamente da mulher para lhe oferecer ajuda. Eis que, ao se adentrar pelo portão, uma brisa fria e arrepiante gelou-lhe os ossos. Tremeu. Suas pernas bambearam, mas não recuou e disse à mulher: - Tudo bem?! Olha, não é bom ficar aí sozinha, principalmente à noite! A resposta que veio, seguida de um piar de coruja, não poderia ter sido mais aterrorizante. Cravan- do-lhe os olhos, a senhora lhe falou: 79 - Quando eu era viva não passava nem perto deste portão, mas agora, gargalhando sinistra- mente... agora, o medo passou. Naquele instante um ranger agudo denunciava que o portão se movia. Antero, desesperada- mente tentou escapar. Tarde demais, fechou-se antes que ele pudesse sair. Nisso, a velha começou a caminhar em direção ao moço e quanto mais ela se achegava mais ele gritava e arregalava os olhos de terror! De repente, no auge do pânico e do desespero, Antero, que nunca fora atleta, deu um salto, pulou o portão e, em disparada, correu... correu até entrar na primeira igreja aberta que encontrou pelo caminho. Ao longe, ainda se podia ouvir alguém dizer: - Volta aqui... Não se vá... Era quaresma. Sexta-feira, 13... Análise de um conto quanto à narrativa 1) Fato (o que): Situação sobrenatural. 2) Tempo (quando): Tempo cronológico – aconteceu numa madrugada quando a personagem retornava do trabalho. 3) Espaço (onde): Físico - a situação se desenrola em um cemitério. 4) Personagem (quem): - Protagonista: Antero, apresenta característica de personagem esférica. - Antagonista: mulher desconhecida vestida de branco. Tem característica de personagem “esférica”. 80 5) Enredo (como e porque): De madrugada, um transeunte na rua, uma mulher solitária no cemitério... 6) Apresentação: Teria sido uma madrugada como outra qualquer na vida de Antero, não fosse o que se passou com aquela pobre alma. Às três horas da madrugada retornava do trabalho, turno da noite. Gostava de caminhar e no seu trajeto para casa passava em frente ao único cemitério da cidade, não havia outra opção. Noite sem lua, muito escura, Antero notou que o portão do “Lar Eterno”, recinto sombrio e assustador, estava aberto e lá dentro se via uma pessoa magra, descabelada, trajando um vestido branco amarelado. Que coisa estranha, pensou, aproximan- do-se curiosamente da mulher para lhe oferecer ajuda. Eis que, ao se adentrar pelo portão, uma brisa fria e arrepiante gelou-lhe os ossos. Tremeu, suas pernas bambearam, mas não recuou e disse: - Tudo bem?! Olha, não é bom ficar aí sozinha, principalmente à noite! 7) Complicação: A resposta que veio, seguida de um piar de coruja, não poderia ter sido mais aterrori- zante. Cravando-lhe os olhos, a senhora lhe falou: - Quando eu era viva não passava nem perto deste portão, mas agora, gargalhando sinistramente... agora, o medo passou. 8) Clímax: Naquele instante um ranger agudo denunciava que o portão se movia. Antero, desespe- radamente tentou escapar. Tarde demais, fechou-se antes que ele pudesse sair. Nisso, a velha começou a caminhar em direção ao moço e quanto mais ela se achegava mais ele gritava e arregalava os olhos de terror! 9) Desenlace (desfecho): De repente, no auge do pânico e do desespero, Antero, que nunca fora atleta, deu um salto, pulou o portão e em disparada correu... correu até entrar na primeira igreja aberta que encontrou pelo caminho. Ao longe, ainda se podia ouvir alguém dizer: - Volta aqui! Não se vá! Era quaresma, sexta-feira,13... 81 10) Narrador onisciente (3ª pessoa): Onisciente seletivo: Narra os fatos sempre com a preocupação de relatar opiniões, pensamentos e impressões de uma ou mais personagens, influenciando assim o leitor a se posicionar a favor ou contra eles. 11) Tipo do Discurso: Preponderantemente indireto, narrado em 3ª pessoa, mas há momentos em que as personagens têm voz própria (1ª pessoa), característica do discurso indireto livre. 12) Verossimilhança: O texto apresenta um desencadeamento lógico, é coerente, coeso e faz sentido ao leitor, por esse motivo é dotado de um aspecto real, vero. 13) Tempo Verbal: Preponderantemente: - pretérito perfeito do indicativo: passou, notou, pensou, veio, etc. - pretérito imperfeito do indicativo: retornava, estava, gritava, era, podia, etc. 14) Linguagem: denotativa, com algumas situações conotativas, por exemplo: Cravando-lhe os olhos não quer dizer fincar os olhos, literalmente, mas olhar fixamente com os olhos arregalado... 15) Conectivo: Observa-se conectivos temporais (quando, agora), de surpresa (de repente), explica- ção (eis que), oposição (mas), relevância (principalmente), intensidade (mais) 16) Formalidade: Registro formal caracterizado pela aplicação da norma culta (gramática). 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Acesso em 30 nov. 2017.articulada, oral ou escrita, pela imagem, fixa ou móvel, pelo gesto ou pela mistura ordenada de todas estas substâncias; está presente no mito, na lenda, na fábula, no conto, na novela, na epopeia, na história, na tragédia, no drama, na comédia, na pantomima (gestos), na pintura (recorde-se da Santa úrsula de Carpac- cio), no vitral, no cinema, nas histórias em quadrinhos, no fait divers (fatos diversos), na conversação. Além disto, sob essas formas quase infinitas, a narrativa está presente em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as sociedades; a narrativa começa com a própria história da humanidade; não há em parte alguma povo algum sem narrativa; todas as classes, todos os grupos humanos têm suas narrativas, e frequentemente estas narrativas são apreciadas em comum por homens de cultura di- ferente, e mesmo oposta a narrativa ridiculariza a boa e a má literatura: internacional, trans-histórica, transcultural, a narrativa está aí, como a vida.” (BARTHES et al, 2009) “Podemos dizer que o ser humano é, por natureza, histórico. Precisamos deixar registrada a 15 história da existência humana: suas conquistas, suas descobertas, sua forma de viver o dia a dia, sua cultura. Fazemos questão de passar de geração a geração as nossas histórias. E como fazemos isso? Produzindo textos – orais e escritos – que vão retratar vivências, acontecimentos e formas de ver o mundo, construindo nossa cultura, conforme o tempo vai passando. Esses textos constituem relatos, narrações e textos narrativos.” (A Narração, 2006) Em termos literários, “as narrativas são textos de caráter ficcional que contam uma histó- ria de uma determinada maneira, ou seja, conforme certas práticas artísticas e que se oferecem à interpretação daqueles que as lerão de acordo com sua época. As narrativas literárias não têm o compromisso de refletir a realidade. Elas criam uma “realidade” através da organização dos fatos dentro do enredo, por meio de estratégias narrativas que garantem a coerência interna da obra e de acordo com as tendências literárias de cada época, chegando, muitas vezes, a provocar uma profunda renovação estética. “ (CONFORTIN;REALES, 2008) 1.2. Tipos de Narração Há dois tipos de narração, a objetiva e a subjetiva. Vejamos cada uma delas: 1.2.1. Objetiva Apenas informa os fatos, sem se deixar envolver emocionalmente com o que está noticiado. É de cunho impessoal e direto. Normalmente, em 3ª pessoa, mas pode ser em 1ª (ALVES, 2017). “Ocorreu um pequeno incêndio na noite de ontem, em um apartamento de propriedade do Sr. Marcos da Fonseca. No local habitavam o proprie- tário, sua esposa e seus dois filhos. Todos eles, na hora em que o fogo começou, tinham saído de casa e estavam jantando em um restaurante situado em frente ao edifício. A causa do incêndio foi um curto-circuito ocorrido no precário sistema elétrico do velho apartamento.” 16 1.2.2. Subjetiva Leva em conta as emoções, os sentimentos envolvidos na história. São ressaltados os efeitos psicológicos que os acontecimentos desencadeiam nos personagens (ALVES, 2017). “Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lam- beria as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes...” (Vidas Secas, Gra- ciliano Ramos) 1.3. Elementos da Narrativa 1.3.1. Fato (O quê?) Assunto sobre o qual a história se desenvolverá. 1.3.2. Tempo (Quando?): Época em que se passa a história. Duração da história. 1.3.2.1. Cronológico É marcado pelo ritmo do relógio, pelo movimento do sol (alternância dia-noite), pelo calen- dário, pelas estações do ano, etc. É o tempo objetivo. Ex.: “Seriam nove horas do dia. Um sol ardente de março esbate-se nas venezianas que vestem as sacadas de uma sala, nas laranjeiras.” (SÉRGIO, 2010) 17 1.3.2.2. Psicológico Não obedece à cronologia, segue o pensamento. Pode voltar no tempo, nas lembranças. Viajar entre o passado, presente e futuro (pode começar em 1980, ir para 2009, voltar para 1730), dá “voltas" no tempo, sem preocupação com o relógio ou com o calendário. Ex.: “Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso.” (SÉRGIO, 2010). 1.3.3. Espaço (Onde?) 1.3.3.1. Físico Lugar onde se desenrola a ação. Ex.: uma casa, fazenda, cidade. 1.3.3.2. Social Meio ambiente onde a ação decorre. Posiciona as personagens na época, no grupo social e nas condições em que se desenvolve o enredo. 1.3.3.3. Psicológico Refere-se ao interior das personagens. O espaço psicológico, pode ser o espaço nas memó- rias do personagem, nas lembranças de determinado período ou fato passado. 1.3.4. Personagens (Quem?) 1.3.4.1. Protagonista É a personagem principal em torno da qual se constrói toda a trama. O protagonista pode 18 ser caracterizado como herói ou anti-herói. 1.3.4.2. Antagonista É a personagem que cria o clima de tensão, opondo-se ao protagonista. 1.3.4.3. Personagem Secundária Personagens sem grande importância na narrativa. 1.3.4.4. Personagem-tipo São personagens típicas, de contornos e características peculiares e, exatamente por isso, eternizam-se: quem se esqueceria de Sancho Pança, em D. Quixote? Comadres fofoqueiras, padres, nos romances, fazem parte deste rol de personagens. 1.3.4.5. Personagem Plana São personagens construídas em redor de uma única qualidade ou defeito. Por isso, não tem profundidade psicológica, e não alteram seu comportamento no decorrer da narrativa. 1.3.4.6. Personagem Esférica São personagens complexas; definidas por vários traços diferentes, cheias de contradições; apresentam comportamentos imprevisíveis, enigmáticos, que vão sendo definidos no decorrer da narrativa, evoluindo e, muitas vezes, surpreendendo o leitor. 19 1.3.5. Enredo (Como e por quê?) O enredo é a sequência (a trama) de acontecimentos da história, a rede de situações que as perso- nagens vivem, a trama das ações que elas fazem ou que elas sofrem. Divide-se em: 1.3.5.1. Apresentação É a parte do texto em que são apresentadas algumas personagens e expostas algumas circunstâncias da história, como o momento e o lugar em que a ação se desenvolverá. Cria-se um cenário e uma marcação de tempo para os personagens iniciarem suas ações. 1.3.5.2. Complicação É a parte do enredo em que as ações e os conflitos são desenvolvidos, conduzindo o enredo ao clímax. 1.3.5.3. Clímax É o ponto em que a ação atinge seu momento crítico, momento de maior tensão, tornando o desfecho inevitável. 1.3.5.4. Desenlace (Desfecho) É a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens. 20 1.3.5.5. Representação Gráfica do Enredo. Fonte: (O BÁSICO EM LETRAS, 2017). 1.3.6. Narrador 1.3.6.1. Narrador-personagem (1ª pessoa) Além de contar a história em primeira pessoa, faz parte dela, sendo por isso chamado de personagem. 1.3.6.2. Narrador-protagonista O narrador é a personagem principal da história. 1.3.6.3. Narrador-testemunha É uma das personagens que vive a história contada, mas não é a personagem principal. Clímax Exposição Desfecho Figura 1 - Pirâmide de Freytag 21 1.3.6.4. Narrador Onisciente (3ª pessoa) É aquele que sabe de tudo. 1.3.6.4.1. Onisciente Neutro Relata os fatos e descreve as personagens, mas não influencia o leitor com observações ou opiniões a respeito das personagens. Fala somente dos fatos indispensáveis para a boa compreensão da narrativa. 1.3.6.4.2. Onisciente Seletivo Narra os fatos sempre com a preocupação de relatar opiniões, pensamentos e impressões de uma ou mais personagens, influenciando assim o leitor a se posicionar a favorou contra eles. 1.3.6.5. Narrador Observador (3ª pessoa) É o que presencia a história, mas ao contrário do onisciente não tem a visão de tudo, mas apenas de um ângulo. Comporta-se como uma testemunha dos fatos relatados, mas não faz parte de nenhum deles, e a sua única atitude é a de reproduzir as ações que enxerga a partir do seu ângulo de visão. 22 Tabela 1: Quadro resumo dos elementos da narrativa. Fonte: elaborado pelo autor. 1.4. A Linguagem na Narrativa 1.4.1. Verossimilhança É a lógica interna do enredo que o torna verdadeiro para o leitor; é, pois, a essência do texto de ficção. Os fatos de uma história não precisam ser verdadeiros, no sentido de corresponderem exatamente a fatos ocorridos no universo exterior ao texto, mas devem ser verossímeis, isto quer dizer que mesmo sendo inventados, o leitor deve acreditar no que lê. Esta credibilidade advém da organização lógica dos fatos dentro do enredo. Cada fato da história tem uma motivação (causa), nunca é gratuito e sua ocorrência desencadeia inevitavelmente novos fatos (consequência). Em nível de análise de narrativas, a verossimilhança é verificável na relação causal do enredo, isto é, cada fato tem uma causa e desencadeia uma consequência. 23 1.4.2. Tempo Verbal Verbos no pretérito perfeito e imperfeito do indicativo. Relatam fatos concretizados (há narrativas no presente, mas são menos comuns). 1.4.3. Linguagem 1.4.3.1. Denotativa Se narram fatos reais, como o fazem as notícias. Têm função de apresentar fatos e aconteci- mentos, sendo fiéis à realidade. 1.4.3.2. Conotativa Se narram fatos ficcionais, como fazem romances, contos, etc.. Destinam-se à fruição estética e, portanto, abusam de recursos estilísticos. 1.4.4. Conectivos São elementos (preposição, conjunção, pronomes, advérbio) que permitem a ligação das orações estabelecendo a coesão. 1.4.4.1. Coerência A coerência é o elemento linguístico que fornece sentido e harmonia ao texto. O conjunto textual, formado por palavras, frases e orações, precisa transmitir uma ideia clara e factível ao leitor/ ouvinte. Assim, a coerência pode ser entendida como a unidade de sentido produzida pelo autor que fornece inteligibilidade ao receptor da mensagem (KOCH, 1999). 24 1.4.4.2. Coesão A coesão, para a linguística, é o conjunto de mecanismos internos do texto que estabelece a conexão de sentido entre suas partes (frases e orações). Com ela, as partes do texto tornam-se fluidas e lógicas, ganhando unidade (KOCH, 2003). Ou seja, o texto coeso faz sentido como um todo, integrando uma unidade lógica semanticamente. 1.4.5. Formalidade 1.4.5.1. Padrão Formal Culto Se narram fatos reais, como o fazem as notícias. Cumprem uma função social que exige esse registro de linguagem. 1.4.5.2. Informal Com a representação de diferentes vozes e, portanto, de diferentes registros (narrativas ficcionais). Tem caráter dialógico, ou seja, são marcados por várias vozes, cujas características variam de acordo com o perfil de quem fala (narrador, personagens). 25 Tabela 2: Quadro resumo da linguagem na narrativa. Fonte: elaborado pelo autor. 1.5. Tipos de Discursos na Narrativa 1.5.1. Discurso Direto É o registro integral da fala da personagem, do modo como ele a diz. Isso equivale a afirmar que o personagem fala diretamente, sem a interferência no narrador, que se limita a introduzi-la. Há duas maneiras de registrar o discurso direto: 1º) A mais convencional: a) Verbo de elocução (falar, dizer, perguntar, retrucar, etc.); b) Dois-pontos; c) Travessão na outra linha. 26 1.5.2. Discurso Indireto É o registro indireto da fala do personagem através do narrador, isto é, o narrador é o inter- mediário entre o instante da fala do personagem e o leitor, de modo que a linguagem do discurso indireto é a do narrador. [...] O outro objetou-lhe que por aqui só havia febres e mosquitos; o major contestou-lhe com estatísticas e até provou exuberantemente que o Ama- zonas tinha um dos melhores climas da terra. Era um clima caluniado pelos viciosos que de lá vinham doentes... (BARRETO in: GANCHO 1999, p.36) 1.5.3. Discurso Indireto Livre É um registro de fala ou de pensamento de personagem, que consiste num meio – termo entre o discurso direto e o indireto, porque apresenta expressões típicas da personagem mas tam- bém a mediação do narrador. Veja as diferenças entre o discurso direto, o indireto e o indireto livre no quadro abaixo: 27 Tabela 3: Quadro resumo dos tipos de discursos da narrativa. Fonte: elaborado pelo autor. 1.6. Tipo Textual “Os tipos textuais recebem o nome das sequências linguísticas predominantes. Um tipo textual é nomeado em razão das características de linguagem, e não de seu funcionamento ato de comunicação. É por meio da costura hábil dessas sequências que construímos a coesão textual. Podemos usar esta imagem: os gêneros são uma espécie de armadura comunicativa, e as tipologias o material com que preenchemos essa armadura. Classificar um texto como narrativo, descritivo, argumentativo ou injuntivo não é defini-lo como gênero, mas tão somente identificá-lo por suas características predominantes de linguagem.” (EJTRT6, 2017) 28 Tabela 4: Quadro resumo dos tipos textuais. 1.6. Principais Períodos Literários “Períodos literários descrevem as diversas escolas literárias, num determinado período histó- rico, seguindo certos estilos, movimentos e preocupações da época. O conceito de período sugere que as obras literárias podem ser agrupadas de acordo com o que elas compartilham umas com as outras, dentro de um determinado intervalo de tempo e que este agrupamento pode ser diferen- ciado de outros grupos.” (PORTAL SÃO FRANCISCO, 2017) 29 No Brasil, a partir do seu descobrimento, foram desenvolvidos os seguintes movimentos literários: Tabela 5: Quadro resumo dos movimentos literários ocorridos no Brasil. Fonte: elaborado pelo autor. Gráfico 1: Periodicidade de cada movimento literário ocorrido no Brasil. 30 Pessoal, nesta seção vamos colocar em prática todos os conceitos acer- ca da narrativa. Para tanto, faremos uma análise textual do conto “Volta Aqui...”. Volta Aqui... conto fantástico Teria sido uma madrugada como outra qualquer na vida de Antero, não fosse o que se passou com aquela pobre alma. Às três horas da madrugada retornava do trabalho, turno da noite. Gostava de caminhar e no seu trajeto para casa passava em frente ao único cemitério da cidade, não havia outra op- ção. Noite sem lua, muito escura, Antero notou que o portão do “Lar Eterno”, recinto som- brio e assustador, estava aberto e lá dentro se via uma pessoa magra, descabelada, trajando um vestido branco amarelado. Que coisa estranha, pensou, aproximando-se curiosamente da mulher para lhe oferecer ajuda. Eis que, ao se adentrar pelo portão, uma brisa fria e arrepiante gelou-lhe os ossos. Tre- meu. Suas pernas bambearam, mas não recuou e disse à mulher: - Tudo bem?! Olha, não é bom ficar aí sozinha, principalmente à noite! A resposta que veio, seguida de um piar de coruja, não poderia ter sido mais aterrorizante. Cravando-lhe os olhos, a senhora lhe falou: - Quando eu era viva não passava nem perto deste portão, mas agora, gargalhando sinistramente... agora, o medo passou. Naquele instante um ranger agudo denunciava que o portão se movia. Antero, deses- peradamente tentou escapar. Tarde demais, fechou-se antes que ele pudesse sair. Nisso, a velha começou a caminhar em direção ao moço e quanto mais ela se achegava mais ele gritava e 31 arregalava os olhos de terror! De repente, no auge do pânico e do desespero, Antero,que nunca fora atleta, deu um salto, pulou o portão e, em disparada, correu... correu até entrar na primeira igreja aberta que encontrou pelo caminho. Ao longe, ainda se podia ouvir alguém dizer: - Volta aqui... Não se vá... Era quaresma. Sexta-feira,13... Alex D. Rosário Análise textual do conto Volta aqui 1) Fato (o quê?): situação sobrenatural. 2) Tempo (quando?): tempo cronológico – aconteceu numa madrugada quando a personagem retornava do trabalho. 3) Espaço (onde?): Físico - a situação se desenrola em um cemitério. 4) Personagem (quem?): Protagonista: Antero apresenta característica de personagem esférica. Antagonista: mulher desconhecida vestida de branco. Tem característica de personagem “esfé- rica”. 5) Enredo (como e por quê?): 32 De madrugada, um transeunte na rua, uma mulher solitária no cemitério... Apresentação: Teria sido uma madrugada como outra qualquer na vida de Antero, não fosse o que se passou com aquela pobre alma. Às três horas da madrugada retornava do trabalho, turno da noite. Gostava de caminhar e no seu trajeto para casa passava em frente ao único cemitério da cida- de, não havia outra opção. Noite sem lua, muito escura, Antero notou que o portão do “Lar Eterno”, recinto sombrio e assustador, estava aberto e lá dentro se via uma pessoa magra, des- cabelada, trajando um vestido branco amarelado. Que coisa estranha, pensou, aproximando-se curiosamente da mulher para lhe oferecer ajuda. Eis que, ao se adentrar pelo portão, uma brisa fria e arrepiante gelou-lhe os ossos. Tremeu, suas pernas bambearam, mas não recuou e disse: - Tudo bem?! Olha, não é bom ficar aí sozinha, principalmente à noite! Complicação: A resposta que veio, seguida de um piar de coruja, não poderia ter sido mais aterrorizante. Cravando-lhe os olhos, a senhora lhe falou: - Quando eu era viva não passava nem perto deste portão, mas agora, gargalhando sinistramente... agora, o medo passou. Clímax: Naquele instante um ranger agudo denunciava que o portão se movia. Antero, desespera- damente tentou escapar. Tarde demais, fechou-se antes que ele pudesse sair. Nisso, a velha começou a caminhar em direção ao moço e quanto mais ela se achegava mais ele gritava e arregalava os olhos de terror! Desenlace (desfecho): De repente, no auge do pânico e do desespero, Antero, que nunca fora atleta, deu um salto, pulou o portão e em disparada correu... correu até entrar na primeira igreja aberta que encon- 33 trou pelo caminho. Ao longe, ainda se podia ouvir alguém dizer: - Volta aqui! Não se vá! Era quaresma, sexta-feira,13... 6) Narrador: Narrador onisciente (3ª pessoa): Onisciente seletivo: Narra os fatos sempre com a preocupação de relatar opiniões, pensamentos e impressões de uma ou mais personagens, influenciando assim o leitor a se posicionar a favor ou contra eles. 7) Tipo do Discurso: Preponderantemente indireto, narrado em 3ª pessoa, mas há momentos em que as persona- gens têm voz própria (1ª pessoa), característica do discurso indireto livre. 8) Verossimilhança: o texto apresenta um desencadeamento lógico, é coerente, coeso e faz sentido para o leitor, por esse motivo é dotado de um aspecto real, vero. 9) Tempo verbal preponderante: pretérito perfeito do indicativo: passou, notou, pensou, veio, etc. pretérito imperfeito do indicativo: retornava, estava, gritava, era, podia, etc. 10) Linguagem: denotativa, com algumas situações conotativas, por exemplo: cravando-lhe os olhos não quer dizer fincar os olhos, literalmente, mas olhar fixamente com os olhos arregalado... 11) Conectivo: observa-se conectivos temporais (quando, agora), de surpresa (de repente), explicação (eis 34 que), oposição (mas), relevância (principalmente), intensidade (mais). 12) Formalidade: registro formal caracterizado pela aplicação da norma culta (gramática). Objetivos da Unidade II Unidade II - Teorias que embasam o estudo da narrativa Reconhecer e compreender teorias que embasam o estudo da narrativa. 36 2. Introdução “A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas que são os gêneros e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio. Os fatos que lhe deram às vezes origem perderam a realidade primitiva e adquiriram outra, graças à imaginação do artista. São agora fatos de outra natureza, diferentes dos fatos naturais objetivados pela ciência ou pela história ou pelo social (BOVO, 2008).” 2.1. A Narrativa “Narrar faz parte da vida dos homens, poderíamos dizer que é uma atividade fundamental da vida posto que, através da narração, é possível organizar as experiências e torná-las comunicáveis. Contar histórias é uma atividade praticada por todos. Por esse motivo, todos sabemos produzir discursos narrativos, tendo noção dos elementos que constituem um relato. Muitas pessoas, alguma vez, já praticaram algum tipo de narrativa escrita em cartas ou diários pessoais. A narrativa, então, não se concretiza apenas no plano literário, podendo estar presente na comunicação oral ou escrita de qualquer pessoa em qualquer época. Do mesmo modo, a narrativa encontra-se em diversas situ- ações comunicacionais tais como a imprensa ou os livros de história. No plano estético, a narrativa se dá em diversos modos expressivos tais como o cinema ou as histórias em quadrinhos, misturando suportes verbais e imagens. Desse modo, a narrativa literária é uma possibilidade dentro da diversi- dade de ocorrências em que podem se dar as narrativas.” (CONFORTIN; REALES, 2008) 37 2.2. Origem da Narrativa “Desde as rudimentares pinturas nas cavernas até os nossos dias, o ser humano tem en- contrado no gênero narrativo não só uma forma de demonstrar e interpretar suas relações com o mundo e com as pessoas que o cercam como também de ser compreendido e interpretado. A narração é um gênero onipresente em nossas vidas. Desde as histórias que ouvíamos à hora de dormir, passando pelos jornais, histórias em quadrinhos, textos de ficção, anedotas, publici- dade até às parábolas religiosas, a narração acompanha-nos por toda a vida. Narrar é uma habilidade inerente ao ser humano e para alguns estudiosos configura-se como o próprio fator de humanização de nossa espécie. Já nas primeiras manifestações da cultura escrita, o gênero narrativo fazia-se presente, como atestam os textos do Velho Testamento, o livro dos Vedas ou os textos atribuídos a Homero. De Aristóteles até hoje, especialistas das mais diversas áreas têm se dedicado à análise de textos narrati- vos com a intenção de compreendê-1os. Porém, podemos considerar que foi somente a partir dos trabalhos realizados por alguns pesquisadores soviéticos, conhecidos no Ocidente como Formalistas Russos, que o estudo sistemático da narrativa começou a se delinear e serviu como uma espécie de linha divisória entre formas distintas de se estudar a narrativa.” (MUNGIOLI, 2002) 2.3. Definição de Narrativa “A capacidade de narrar é um aspecto imanente dos seres humanos. Estamos frequente- mente narrando acontecimentos ou contando eventos de que participamos, assistimos ou sobre os quais ouvimos falar. Uma narrativa representa uma sequência de acontecimentos interligados, que são transmitidos em uma estória. As estórias sempre reúnem aqueles que as narram e aqueles que as ouvem, leem ou assistem. Quem narra, por sua vez, ‘escolhe o momento em que uma informação é dada e por meio de que canal isso é feito’ (PELLEGRINI, 2003, p. 64).” “Narrativa é o nome geral e genérico dado aos textos que apresentam uma história ou uma sequênciade eventos. [...] A narração é o modo como a narrativa se monta, é o discurso em 38 sua articulação. A leitura da narração é mais paradigmática (ou verticalizante) do que sintagmática e superficial (SANT’ANNA, 2012, p. 20).” 2.4. Definição de Narrativa Literária “As narrativas literárias são textos de caráter ficcional que contam uma história de uma de- terminada maneira, ou seja, de acordo com certas práticas artísticas, e que se oferecem à interpreta- ção daqueles que as lerão de acordo com sua época. As narrativas literárias não têm o compromisso de refletir a realidade. Elas criam uma “realidade” através da organização dos fatos dentro do enre- do, por meio de estratégias narrativas que garantem a coerência interna da obra e de acordo com as tendências literárias de cada época, chegando, muitas vezes, a provocar uma profunda renovação estética. Numa narrativa, é fundamental observar o que se conta e como se conta. Ou seja, para efeitos de análise, devemos distinguir dois planos fundamentais: o da história e o do discurso, planos, no entanto, organicamente articulados na narração. No plano da história, observaremos o que se conta; no plano do discurso, como se contam os fatos narrados.” (CONFORTIN; REALES, 2008) 2.5. Forma do Texto Narrativo Usualmente, a narrativa se dá em prosa, podendo também ocorrer na forma de prosa em poética. “Prosa é o texto no estilo natural, sem a sujeição à rima, ritmo, parágrafos, estrutura métrica, aliterações ou número de sílabas. A principal diferença entre a poesia é a musicalidade. É o estilo mais utilizado na linguagem do cotidiano para expressar o pensamento racional porque a linguagem predominantemente está no discurso analítico, objetivo, real e pouco ambíguo. É, em resumo, o texto corrido. O conto, a crônica, a novela e o romance são exemplos de texto em prosa. Em geral, a prosa apresenta análise, narração e linguagem discorrida de maneira contínua. Também são exemplos o 39 texto jornalístico e técnico. O termo prosa é usado para designar um texto em que o autor oferece ao leitor a ambien- tação da personagem e de um mundo dentro de um espaço físico e temporal. Pode ser dividida entre prosa literária e não literária. Há também a prosa poética, cuja principal característica está na dinâmica extensiva do texto, em geral, com imagens invocadas. Segue um processo semelhante ao encontrado no romance ou conto. A prosa poética recorre a figuras típicas da poesia, como a aliteração, a metáfora, a elipse, e a sonoridade das frases. A aplicação dos elementos, contudo, é subordinada ao alongamento do discurso narrativo, cuja tendência é o olhar lírico sobre a realidade (DIANA, 2017)”. Algumas diferenças entre verso e prosa: Fonte: Literatura – Elementos da Narrativa, 2012. 40 Fonte: Coleção Estudos 6V, Língua Portuguesa, p. 46, 2015. 2.6. Definição de Literatura “A literatura é a arte das palavras, aquela que por meio das figuras de linguagens exprime sensações, emoções, desejos. Os gêneros literários são classificados em: Lírico, Épico (Narrativo) e Dramático. A classificação dos gêneros literários foi proposta, na antiguidade clássica, pelo filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.). Para ele, o gênero lírico representa a ‘palavra cantada’, o gê- nero épico, a ‘palavra narrada’ e o gênero dramático, a ‘palavra representada’’. (Gêneros Literários, 2015) Gênero lírico “O Gênero lírico apresenta textos em versos por meio de uma linguagem poética, de ca- ráter sentimental com predominância da subjetividade do eu-lírico (primeira pessoa). Do latim, o 41 nome lírico, surgiu de “lira”, instrumento utilizado para acompanhar as poesias cantadas. Importante notar que o "eu-lírico" é distinto do autor, ou seja, o eu-lírico pode ser masculino ou feminino, inde- pendente de sua autoria. Alguns exemplos de textos líricos: - Soneto - Poesia - Ode - Haicai - Hino - Sátira” (Gêneros Literários, 02 jul. 2015) Gênero épico “O gênero épico representa a mais antiga das manifestações literárias e abarca as narrativas históricas literárias de grandes acontecimentos, com presença de temas terrenos, mitológicos e len- dários. Note que o termo “épico” vem da palavra “epopeia”, que do grego (“épos”) simboliza a nar- rativa em versos de fatos grandiosos centrados na figura de um herói ou de um povo. Atualmente, os estudiosos referem-se a esse gênero como “narrativo” em detrimento do termo “épico”. Alguns exemplos de textos épicos: - Epopeia - Romance - Novela - Conto - Crônica - Fábula” (Gêneros Literários, 02 jul. 2015) 42 Gênero dramático “O gênero dramático envolve a literatura teatral em prosa ou em verso, aquela para ser apresentada, encenada (do grego, a palavra “drama” significa ação). Por esse motivo, o diálogo é um recurso muito utilizado, de forma que a tríade essencial dos textos literários dramáticos são: o autor, o texto e o público. Assim, algumas modalidades dos textos dramáticos: - Tragédia - Comédia - Tragicomédia - Farsa - Elegia - Auto” (Gêneros Literários, 02 jul. 2015) 2.7. Alguns Gêneros da Narrativa As narrativas em prosa mais difundidas são o romance, a novela, o conto e a crônica (ainda que esta última não seja exclusivamente narrativa). Romance: é uma narrativa longa, que envolve um número considerável de personagens (em relação a novela e ao conto), maior número de conflitos, tempo e espaço mais dilatados. Novela: é um romance mais curto, isto é, tem um número menor de personagens, conflitos e espa- ços, ou os tem em igual número ao romance, com a diferença de que a ação no tempo é mais veloz na novela. Difere em muito da novela de TV, a qual tem uma série de casos (intrigas) paralelos e uma infinidade de momentos de clímax. Conto: é uma narrativa mais curta, que tem como característica central condensar conflito, tempo, espaço e reduzir o número de personagens. 43 Crônica: por se tratar de um texto híbrido, nem sempre apresenta uma narrativa completa. As ca- racterísticas distintivas da crônica são: texto curto, leve, que geralmente aborda temas do cotidiano.” (GANCHO, 2006) 2.8. A Teoria da Narrativa “A teoria da narrativa começou a ganhar um corpo próprio com as pesquisas de V. I. Propp em 1923. Propp selecionou entre 200 contos russos uma série de funções narrativas que se repe- tiam em todos os contos. Sempre havia um herói (e um anti-herói), uma missão a cumprir, e uma recompensa. Nesta missão o herói passava por transformações, e as relações entre as personagens dessa ação, que se dá no tempo, eram disjuntivas ou conjuntivas, de forma que davam corpo à narrativa. Esse esquema se aperfeiçoou, e o que eram apenas relações entre personagens passaram a ser manipulações entre eles. Greimas teorizou primeiramente a narrativa como uma trama em que alguém (a personagem principal) deseja alcançar algo (um objeto de valor), e no caminho de sua jornada é ajudado por algo/alguém (ajudante). Seguindo o estudo de Propp, Greimas esclarece ainda que esse herói principal é atrapalhado por algo/alguém (oponente); dois outros elementos estão em cena: o destinateur – quem ou o quê empurrou o herói em direção ao seu objetivo – e o receptor – quem ou o que recebe o objeto de valor, uma vez que este é conquistado pelo herói. Há também o coadjuvante, que auxilia o herói na conquista de seu objetivo. E o enlance final. Mais tarde, Greimas levou a narrativa ao nível da semiótica, onde existem mais dois níveis, onde podemos estudar outros textos não temporais, mas com conteúdos narrativos, como a pintu- ra e a fotografia, por meio de elementos semi-simbólicos contidos nesses textos. Segundo Benedito Nunes, para processar a narrativa, as suas variações temporais não po- dem ser apreendidas quandoapenas visamos o discurso independentemente da história, ou apenas a história, independentemente do discurso. O tempo da narrativa só seria mensurável sobre esses dois planos, em função dos quais varia. Ele deriva, portanto, da relação entre o tempo de narrar e o tempo narrado. O tempo, nesse caso, apesar de ser a condição da narrativa, não pode ser narrado, sendo apenas preenchido com 44 os acontecimentos que seguem uma sequência. O processo narrativo, portanto, é relação de um tempo por outro, e por isso a narrativa é, antes de tudo, um sistema de transformações temporais. Nos dois níveis de análise, dentro da teoria da narrativa, na História, onde há uma preocu- pação com os procedimentos internos da narrativa, podemos encontrar uma série de tópicos como argumento, enredo, protagonista, antagonista, personagens, manipulação, contratos, percurso do sujeito, foco, diálogos, as funções de Propp, e a própria história, a diegese. E no nível do Discurso, poderíamos agrupar alguns elementos como a sequência, cena, ritmo, coerência, programa narrativo, sequência narrativa, inventário das funções de Propp, flashback, pausa, elipse, velocidade, isocronia, anacronia, e a maneira de processar o próprio tempo na narrativa do ponto de vista da duração.” (LEAL, 2011) Revisão da unidade 1 – Como é a narrativa no plano estético? (seção 2.1) Resposta: “No plano estético, a narrativa se dá em diversos modos ex- pressivos tais como o cinema ou as histórias em quadrinhos, misturando suportes verbais e imagens. Desse modo, a narrativa literária é uma pos- sibilidade dentro da diversidade de ocorrências em que podem se dar as narrativas.” (CONFORTIN; REALES, 2008) 2 - Qual é a origem da Narrativa? (seção 2.2) Resposta: “Desde as rudimentares pinturas nas cavernas até os nossos dias, o ser humano tem encontrado no gênero narrativo não só uma forma de demonstrar e interpretar suas relações com o mundo e com as pessoas que o cercam como também de ser compreendido e inter- pretado. A narração é um gênero onipresente em nossas vidas. Desde as histórias que ouvíamos à hora de dormir, passando pelos jornais, histórias em quadrinhos, textos de ficção, anedotas, publicidade até às parábolas religiosas, a narração acompanha-nos por toda a vida. Narrar é uma habilidade inerente ao ser humano e para alguns estudiosos configura-se como o próprio fator de humanização de nossa espécie.” (MUNGIOLI, 2002) 45 3 – O que é uma narrativa? (seção 2.3) Resposta: “Narrativa é o nome geral e genérico dado aos textos que apresentam uma história ou uma sequência de eventos. [...] A narração é o modo como a narrativa se monta, é o discurso em sua articulação. A leitura da narração é mais paradigmática (ou verticalizante) do que sintagmática e superficial (SANT’ANNA, 2012, p. 20).” 4 – O que é uma narrativa literária? (seção 2.4) Resposta: “As narrativas literárias são textos de caráter ficcional que contam uma história de uma determinada maneira, ou seja, de acordo com certas práticas artísticas, e que se oferecem à interpretação daqueles que as lerão de acordo com sua época. As narrativas literárias não têm o compromisso de refletir a realidade. Elas criam uma ‘realidade’ através da organização dos fatos dentro do enredo, por meio de estratégias narrativas que garantem a coerência interna da obra e de acordo com as tendências literárias de cada época, chegando, muitas vezes, a provocar uma profunda renovação estética.” 5 – O que é o texto em prosa? (seção 2.5) Resposta.: “Prosa é o texto no estilo natural, sem a sujeição à rima, ritmo, parágrafos, estrutura métrica, aliterações ou número de sílabas. A principal diferença entre a poesia é a musicalidade. É o estilo mais utilizado na linguagem do cotidiano para expressar o pensamento racional porque a linguagem predominantemente está no discurso analítico, objetivo, real e pouco ambíguo. É, em resumo, o texto corrido. 6 – O que é literatura? (seção 2.6) Resposta: “A literatura é a arte das palavras, aquela que por meio das figuras de linguagens expri- me sensações, emoções, desejos. Os gêneros literários são classificados em: Lírico, Épico (Narra- tivo) e Dramático. A classificação dos gêneros literários foi proposta, na antiguidade clássica, pelo 46 filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.). Para ele, o gênero lírico representa a ‘palavra cantada’, o gênero épico, a ‘palavra narrada’ e o gênero dramático, a ‘palavra representada’”. (Gêneros Literários, 2015) 7 – Quais são os gêneros narrativos mais difundidos? (seção 2.7) Resposta: As narrativas em prosa mais difundidas são o romance, a novela, o conto e a crônica (ainda que esta última não seja exclusivamente narrativa). 8 – Como Greimas, incialmente, teorizou a narrativa? (seção 2.8) Resposta: Greimas teorizou primeiramente a narrativa como uma trama em que alguém (a personagem principal) deseja alcançar algo (um objeto de valor), e no caminho de sua jornada é ajudado por algo/alguém (ajudante). Seguindo o estudo de Propp, Greimas esclarece ainda que esse herói principal é atrapalhado por algo/alguém (oponente); dois outros elementos estão em cena: o destinateur – quem ou o quê empurrou o herói em direção ao seu objetivo – e o receptor – quem ou o que recebe o objeto de valor, uma vez que este é conquistado pelo herói. Há também o coadjuvante, que auxilia o herói na conquista de seu objetivo. E o enlance final. Objetivos da Unidade III Unidade III - Narra- tivas curtas e longas: características e especificidades - Reconhecer as características que determinam uma narrati- va curta; - Apreender a concepção da narrativa longa e seus elementos com ênfase no gênero romance. 48 3. Introdução Nesta unidade estudaremos as narrativas curta e longa. A narrativa curta serve bem ao leitor que prefere estórias rápidas com poucos conflitos e escassez de personagens. Já a longa, oferece narrativas extensas que podem envolver vários núcleos conflituosos e diversas personagens. Nesse sentido, ao final do estudo da unidade, teremos a possibilidade de compreender as especificidades de cada narrativa (curta e longa) e de reconhecer os gêneros que as compõem. 3.1. O que é Narrativa Curta Ficcional Como a própria denominação já anuncia, a narrativa curta ficcional é um gênero breve. Os enredos das narrativas curtas comumente são simples, se passam em um espaço único, em um li- mitado período de tempo e apresentam poucas personagens. Apresenta as seguintes características gerais mais comuns: - poucas personagens; - poucas ações; - tempo e espaço bem reduzidos; - linguagem de acordo com o perfil do narrador e das personagens; - enredo com estrutura: introdução, complicação, clímax e desfecho; - narrativa linear; - linguagem objetiva, direta; - uso de metáforas, figuras de linguagem; 49 3.2. Principais Gêneros Dentre as narrativas curtas dão-se destaque ao conto, à crônica e à fábula. Vejamos cada uma delas. Conto: “Das narrativas curtas, a que mais se destaca é o conto, pois ele se presta, segundo Júlio Cor- tázar, ‘à tradução dos sentimentos profundos e das contradições que agitam nossa alma’, num tempo que o leitor pode vencer com um só fôlego. Para o escritor argentino citado acima, o romance e a novela vencem o leitor por pontos; o conto, por nocaute. Isso quer dizer que, na vida moderna – com seu ritmo alucinante –, o conto tende a ser um gênero mais consumido, pois concentra num número menor de páginas muita intensidade e tensão, prendendo o interesse do leitor sem esgotar o tempo de que dispõe, oferecendo-lhe uma ficção com enredo completo. O conto é a base da novela e do romance, mas, diferente dessas duas, apresenta uma nar- rativa objetiva, concisa, que não tem a pretensãode se desdobrar, possuindo um só conflito. Em geral, o tempo é cronológico, o espaço físico é limitado, fechando-se em determinados lugares, pois sendo o conto um texto mais curto, a cronologia dos fatos e o número limitado de ambientes contribuem para a objetividade da história. Os personagens seguem a mesma linha, a da objetividade. Eles são, geralmente, estáveis, apresentando apenas uma faceta de seu caráter, aquela que interessa para o desenvolvimento nar- rativo. A linguagem é mais direta, centrada no desenvolvimento rápido dos fatos, o que não a impe- de de ser profunda. Entretanto, devemos sempre ter em mente que esses elementos não são regras pré-determinadas. (LOURENÇO, 2007).” Crônica: “Narrativa que focaliza um flagrante do cotidiano. Apresenta grande variedade de estruturas e perspectivas podendo assumir uma dimensão lírica, irônica ou filosófica. Etimologicamente, a palavra crônica remete ao termo grego Kronos (tempo). Segundo o 50 dicionário Morais, a crônica é a história escrita conforme a ordem do tempo; de modo que os fatos narrados se referem diretamente a este. Assim, podemos entender o tempo como o elemento organizador do gênero. Diferentemente da história, os fatos não são estudados para se estabelecer entre estes causas e consequências, mas simplesmente para narrá-los. Outro importante elemento nestas de- finições sobre a crônica: a memória. Na crônica, o tempo é o centro da narração dos fatos, mas estes não são narrados tal como aconteceram, mas tal como os recorda o cronista. Esse é um “hábil artesão da experiência” e, ao transformar fatos em matéria narrada, ressignifica os acontecimentos de acordo com as impressões que obteve destes (LOURENÇO, 2007).” Fábula: A fábula como gênero literário tem a preocupação de instruir moralmente a partir de uma estrutura alegórica (expressão de pensamento de forma figurada). Geralmente representando os fatos e as situações de instrução a partir da personificação de animais ou objetos em situações excepcionais, a fábula se utiliza da alegoria para representar si- tuações específicas da vida coletiva humana, em que é narrado um embate de opiniões, um desafio de posições sobre um tema ou um objeto de conquista, ou ainda, na própria relação intrínseca da característica própria a cada animal ou objeto e sua analogia ao tema de ensinamento moral (CON- FORTIN; REALES, 2008). 3.3. Contistas e Cronistas Brasileiros Tabela 8: Contistas e cronistas brasileiros, uma lista não exaustiva. 51 Fonte: elaborado pelo autor. 3.4. O Romance (Narrativa Longa) Deriva da palavra “romanço”, que passou a rotular obras de cunho popular e folclórico. E, como estas eram de caráter predominantemente imaginativo e fantasista, o termo servia para caracterizar essas narrativas, tanto em prosa, como em versos. Daí o caráter ficcional do romance. O termo romance começou a ser aplicado e tomou a forma que hoje conhecemos em meados do século XVIII, junto com o Romantismo. Herdeiro da Epopeia, o Romance é um gênero da literatura que pertence ao tipo narrativo, assim como a Novela e o Conto. O Romance é uma história que se conta, em geral, por meio de uma sequência de eventos que envolvem personagens em um cenário específico. Segundo Massaud Moisés (A Criação Literária), o objetivo essencial do Romance é o de reconstruir, recriar a realidade. Não a fotografa, mas recria. O autor reconstrói a seu modo, um mundo seu, uma vida sua, recriados com meios próprios e intransferíveis, conforme uma visão particular, única, original (SÉRGIO, 2009). 52 A obra que é considerada o primeiro romance por alguns estudiosos é Dom Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes, escrita em 1600 (MOTTA, 2017). No Brasil, o primeiro romance foi o “Filho do Pescador” escrito por Teixeira e Sousa em 1843”, mas pelo fato da estória ser muito confusa, “A Moreninha” de Manuel de Macedo, 1844, é considerado o primeiro romance brasileiro. Tabela 9: Organização do romance. Fonte: elaborado pelo autor. 3.5. Tipos de Romance A classificação do romance pode ser um pouco controversa porque depende do ponto de vista do leitor, no entanto, essa discussão ficará para outro momento. Assim, os tipos mais comuns e suas caracterizações são os apresentados a seguir: Romance Urbano: nele a vida social das grandes cidades era retratada, e o motivo das tramas eram, principalmente, as comuns intrigas amorosas, as traições, os ambientes urbanos e outras situações comuns da vida das pessoas que vivem neles. 53 Romance Regionalista: Aborda questões sociais a respeito de determinadas regiões do Brasil, desta- cando características de cada região. Linguajar típico da região muitas vezes é utilizado no Romance e as personagens são pessoas que vivem longe das cidades. Romance Indianista: Ocorrido principalmente no Romantismo, traz à tona a vida e os costumes indígenas. Algumas vezes, no Romantismo, trazem uma idealização do índio que vira um herói con- vivendo com o homem branco. Romance Histórico: como o próprio nome diz, é um Romance que destaca a vida e os costumes de certa época e lugar da história. Faz uma mescla entre fatos realmente ocorridos e fatos fictícios. Romance Policial: é um tipo de narrativa que exibe uma investigação fictícia de um fato misterioso (enigma) ou de um crime; e a posterior revelação do criminoso ou do mistério. Romance Psicológico: prefere perscrutar e analisar os motivos íntimos das decisões e indecisões humanas. Romance de Aventura: O século XIX foi um período de descobrimentos técnicos, científicos e geográficos. Vem daí que, no final do século XIX, surge o romance de aventuras, com o objetivo de contar aventuras de cunho fictício. No romance de aventuras não há preocupação com a ve- rossimilhança, o que lhe permite o exagero em ações inesperadas. O desenlace também não é tão importante. Romance Gótico: surgiu como uma reação ao racionalismo iluminista e, ao mesmo tempo, ao aristocratismo. Foi cultivado, sobretudo na Inglaterra e caracterizou-se pelo vivo interesse na Idade Média: a beleza da arquitetura gótica, as sociedades secretas, a Inquisição e os monges. Geralmente, é ambientado em cenário lúgubre e desolado: conventos, castelos assombrados, cemitérios. Aborda toda série de horrores, mistérios terrificantes, torturas etc. (SÉRGIO, 2007) 3.6. Movimento Literário Envolvendo o Romance O romance pode se atrelar a diversos movimentos literários que lhe atribuem características específicas de um momento. Nesse sentido, relaciona-se a seguir alguns tipos de romance associado a diversos movimentos. 54 Romance Romântico: Nesse tipo de Romance se destacavam os ideais cavalheirescos, a idealização da mulher e o heroísmo, dignidade e amor à pátria nas personagens masculinas. As narrativas traziam uma constante luta entre o bem e o mal, sempre com a vitória do bem. Narravam sempre histórias de amor, em que era certo o conhecido Final Feliz. Romance Realista: Tem características temáticas influenciadas pelo cientificismo da época. É carrega- do de críticas sociais e traz à tona defeitos dos homens que até então não eram revelados, como o materialismo, a traição, além de defeitos de caráter e personalidade explicados pelo determinismo. Personagens tipo são muito cultivadas nessas obras, ainda com o objetivo de criticar a sociedade. A linguagem é correta e a narrativa é lenta, com pausas para minuciosas descrições. Romance Naturalista: em muitos casos não se separa das narrativas realistas. Tem basicamente as mesmas características e foram produzidos no mesmo período. A diferença básica entre as duas tendências é que enquanto os Romances Realistas trazem personagens com características comuns à natureza humana, o Romance Naturalista tendeaos aspectos patológicos, dando margem a carac- terísticas animalescas. A análise social é feita a partir de personagens marginalizadas. Romance Modernista: Caracteriza-se pelo seu caráter revolucionário e pelo protesto a qualquer tipo de convenção social. Como o movimento modernista teve várias tendências, às vezes até individuais, não se pode destacar muitas características em comum entre as obras. Traziam consigo forte crítica social e novas abordagens e visões do mundo. 3.7. Estrutura Básica do Romance Fonte: (O BÁSICO EM LETRAS, 2017). Clímax Exposição Desfecho Figura 1 - Pirâmide de Freytag 55 3.8. Alguns Romances Importantes da Língua Portuguesa Romances representativos do universo da Língua Portuguesa: - Amor de Perdição: Camilo Castelo-Branco; - Aparição: Vergílio Ferreira; - Dom Casmurro: Machado Assis; - O Delfim: José Cardoso Pires; - Esteiros: Soeiro Pereira Gomes; - Memorial do Convento: José Saramago; - Os Maias: Eça de Queiroz; - A Sibila: Agustina Bessa-Luís; - Sinais de Fogo: Jorge de Sena; - Terra Sonâmbula: Mia Couto. Romances representativos do universo brasileiro: - Grande Sertão: Veredas: Guimarães Rosa; - Dom Casmurro: Machado de Assis; - Memórias Póstumas de Brás Cubas: Machado de Assis; - Macunaíma: Mário de Andrade; - Triste Fim de Policarpo Quaresma: Lima Barreto; - Quincas Borba: Machado de Assis; - Memórias de um Sargento de Milícias: Manuel Antônio de Almeida; - Vidas Secas: Graciliano Ramos; - São Bernardo: Graciliano Ramos; - Memórias Sentimentais de João Miramar: Oswald de Andrade (FOLHA DE S. PAULO, 1999). 56 1 – Como são os enredos das narrativas ficcionais? (seção 3.1) Resposta: Os enredos das narrativas curtas comumente são simples, se passam em um espaço único, em um limitado período de tempo e apre- sentam poucas personagens. 2 - Quais são os três principais gêneros da narrativa curta? (seção 3.2) Resposta: Conto, crônica e fábula. 4 – Qual é a origem da palavra “romance”? (seção 3.3) Resposta: Deriva da palavra “romanço”, que passou a rotular obras de cunho popular e folcló- rico. 5– Qual é o objetivo essencial do romance? (seção 3.5) Segundo Massaud Moisés (A Criação Literária), o objetivo essencial do Romance é o de recons- truir, recriar a realidade. Não a fotografa, mas recria. O autor reconstrói, a seu modo, um mundo seu, uma vida sua, recriados com meios próprios e intransferíveis, conforme uma visão particular, única, original (SÉRGIO, 2009). 6– Cite os tipos de romance estudados nesta unidade. (seção 3.6) Resposta: Romance Urbano, Romance Regionalista, Romance Indianista, Romance Histórico, Romance Policial, Romance Psicológico, Romance de Aventura, Romance Gótico. 7 – Quais são os movimentos literários vinculados ao romance? (seção 3.7) Resposta: Romance Romântico, Romance Realista, Romance Naturalista, Romance Modernista. Objetivos da Unidade IV Unidade IV - Narrativas curtas: características e especificidades da Crônica - Conhecer as características do gênero crônica; - Aplicar os conhecimentos adquiridos sobre a crônica na produção textual. 58 4. Introdução Das narrativas curtas, a crônica é a mais flexível e trata das questões cotidianas sob a ótica do escritor. Ela prende o leitor pela leitura fácil, rápida e, quase sempre, atual. Nessa perspectiva, nas seções a seguir estudaremos a crônica com mais detalhes de tal modo que possamos, ao final da unidade, compreender bem as características desse gênero. 4.1.1. O que é Crônica? “A crônica é um gênero de texto flexível que pode usar a ‘máscara’ de outros gêneros, como o conto, a dissertação, a memória, o ensaio ou a poesia, sem se confundir com nenhum deles. É leve, despretensiosa como uma conversa entre velhos amigos, e tem a capacidade de, por vezes, nos fazer enxergar coisas belas e grandiosas em pequenos detalhes do cotidiano que costumam passar despercebidos. A crônica ocupa o espaço do entretenimento, da reflexão mais leve. É colocada como uma pausa para o leitor, fatigado de textos mais densos. Nas revistas, por exemplo, em geral é estampada na última página. Ao escrever, os cronistas buscam emocionar e envolver seus leitores, convidando-os a refle- tir, de modo sutil, sobre situações do cotidiano, vistas por meio de olhares irônicos, sérios ou poé- ticos, mas sempre agudos e atentos. Ela retrata os acontecimentos da vida em tom despretensioso, ora poético, ora filosófico, muitas vezes divertido (LAGINESTRA; PEREIRA, 2010).” 4.1.2. Origem da Crônica “A palavra “crônica”, em sua origem, está associada ao vocábulo “khrónos” (grego) ou “chronos” (latim), que significa “tempo”. Para os antigos romanos a palavra “chronica” designava o 59 gênero que fazia o registro de acontecimentos históricos, verídicos, na ordem em que aconteciam, sem pretender se aprofundar neles ou interpretá-los. Com esse sentido ela foi usada nos países europeus. (LAGINESTRA; PEREIRA, 2010).” 4.1.3. A Crônica no Brasil “A crônica contemporânea brasileira, também voltada para o registro jornalístico do cotidia- no, surgiu por volta do século XIX, com a expansão dos jornais no país. Nessa época, importantes escritores, como José de Alencar e Machado de Assis, começam a usar as crônicas para registrar de modo ora mais literário, ora mais jornalístico, os fatos corriqueiros de seu tempo. É interessante observar que as primeiras crônicas brasileiras são dirigidas às mulheres e publicadas como folhetins, em geral na parte inferior da página de um jornal. As crônicas brasileiras são bastante diferentes daquelas que circulam em jornais de outros países. Lá são relatos objetivos e sintéticos, comentários sobre pequenos acontecimentos, e não costumam expressar sentimentos pessoais do autor. Os cronistas brasileiros exprimem vivências e sentimentos próprios do universo cultural do país. (LAGINESTRA; PEREIRA, 2010).” 4.1.4. Diferenças entre Crônica e Notícia “Por mais que a crônica seja utilizada em revistas e jornais, ela se diferencia da notícia, pois não pretende informar alguém, mas passar alguma experiência ou contar uma história. O foco nar- rativo desse tipo de texto é, invariavelmente, em primeira pessoa, já que o autor está contando sua experiência. A estrutura da crônica é muito parecida com a do conto, possuindo um começo, meio e o fim. O cronista, ao contrário do jornalista, dá um toque pessoal aos fatos que está descrevendo, ele narra os acontecimentos da maneira que quer incluindo detalhes fictícios, fantasiosos ou críticos. Uma crônica normalmente é curta e não se estende em capítulos.” (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013) 60 4.1.5. Características da Crônica Narrativa Fonte: Coleção Estudos 6V, (v. 6), Língua Portuguesa, p. 21, 2015. 4.1.5. Elementos da Crônica - título sugestivo; - cenário curioso; - foco narrativo, ou seja, o autor escolhe o ponto de vista que vai adotar: escreve na primeira pessoa (eu vi, eu fiz, eu senti) e se transforma em parte da narrativa – é o autor-personagem; ou fica de fora e escreve na terceira pessoa (ele fez, eles sentiram) – é o autor-observador; - uma ou várias personagens, inventadas ou não – o autor pode ser uma delas; - enredo, isto é, narra um momento, um acontecimento, um episódio banal do dia a dia, e a partir daí passa uma ideia, provoca uma emoção; - tom, que pode ser poético, humorístico, irônico ou reflexivo; 61 - linguagem coloquial (uma “conversa” com o leitor); - desfecho.” (LAGINESTRA; PEREIRA, 2010) 4.1.6. Dicas para Fazer uma Boa Crônica - escolha um fato que chame a atenção, através de jornais ou revistas, pois é muito importante que o tema escolhido desperte a atenção do próprio autor; - você precisa ler sobre este tema, e ter opiniões sobre ele, e colocá-las no seu texto, pois esta é a principal característicade uma crônica; - quando começar a escrever, é importante que sempre deixe bem clara a sua opinião, relacio- nando o tema com você, como o que você pensa sobre o assunto. Coloque-se na situação sobre a qual está falando, e o que sente diante disso; - faça observações sobre o ponto de vista de outras pessoas, e se caso for o caso aponte uma solução; - estude bastante gramática, concordância e ortografia, um texto tem de ser claro e objetivo; - separe um tempo, se organize; - depois de terminar o texto, leia, faça correções do mesmo e altere o que for necessário (Como fazer uma boa crônica, 2013). 4.1.7. Estrutura da Crônica Fonte: (O BÁSICO EM LETRAS, 2017). Clímax Exposição Desfecho Figura 1 - Pirâmide de Freytag 62 4.1.8. Exemplos de Crônica REACOSTUMAR-SE COM A GENTILEZA E COM A EDUCAÇÃO Alex D. Rosário Segunda-feira, horário do almoço, por volta do meio-dia, uma correria danada. Acabara de sair do banco e caminhava em direção ao meu carro, estacionado a uns quinhentos metros de mim. Para chegar aonde queria precisava atravessar uma rua movimentada. Parei em frente à faixa de pedestre mais próxima e aguardei a via ficar livre para cruzá-la. Surpreendentemente, não precisei esperar muito tempo. Apesar de o tráfego estar intenso, os motoristas pararam, imagine, nem havia semáforo para controlar o trânsito e os motoristas pararam para os transeuntes atravessarem a via! Isso foi surreal! Fiquei perplexo com aquele gesto dos motoristas, senti uma mistura de insegurança e até mesmo de vergonha. Pensei em não me arriscar. A desconfiança estava no ar. Via-me como uma presa sendo observada pelos caçadores (os carros). Por via das dúvidas, preocupado com a possi- bilidade de os motoristas arrancarem antes que eu chegasse ao passeio, decidi correr em vez de, simplesmente, caminhar pela faixa de pedestre. Mais tarde, refletindo sobre essa situação, questionei-me: como pode uma gentileza gerar descon- fiança? Coisas da vida... No mundo atual, high-tech, as pessoas, facilmente, desacostumaram-se em receber uma gentileza, um gesto de educação. A desconfiança entre as pessoas é tão grande que uma simples ação de parar o veículo para alguém atravessar a rua passa a gerar suspeita, torna-se uma exceção à regra. Bem que essas “modas” de gentileza e de educação poderiam pegar e acredito, de verdade, que as pessoas se habituariam, rapidamente, com essas práticas, afinal, acostumar-se com o que é bom é fácil. 63 UM ENSINAMENTO HIGH-TECH Alex D. Rosário Domingo à noite, minha família e eu assistíamos a uma missa e um fato muito interessante chamou minha atenção: uma corrente de gentilezas que resultou em um ensinamento à juventude high-tech que me pareceu altamente eficaz. Em pé permanecíamos, minha família e eu. Sentado, um pouco mais a nossa frente, havia um jovem, aparentando quatorze anos, navegando em seu celular, infelizmente, algo comum na atuali- dade, todavia, anormal a quem se propõe a ouvir. O fato é que chegou uma senhora, aparentando seus setenta anos, bem vividos, e, por não haver lugar disponível para se assentar, ficou ao lado do jovem high-tech, citado há pouco. Entretido com o seu celular, e não com a celebração, o jovem sequer se levantou para ceder seu lugar à senhora que se punha ao seu lado. Várias pessoas já estavam prestes a fazê-lo quando uma mulher se antecipou e ofereceu àquela senhora seu assento. Um tanto quanto sem graça o jovem high-tech levantou-se e cedeu seu lugar à mulher que ficara em pé. Em uma sequência de cessões, uma jovem senhora, em torno de sessenta anos, tomou uma decisão que valeu por todas as lições: levantou-se e ofereceu seu assento ao jovem high-tech. Com aquele gesto inesperado a senhora, no auge da sua sabedoria, desconsertou, completamente, o rapaz, o qual me pareceu receber um “aprendizado” exemplar. Por mais que o jovem high-tech relutasse em aceitar a “gentileza”, a jovem senhora insistia que ele o fizesse e, vencido pela situação, o moço sen- tou-se. Instantaneamente, outra pessoa convidou a jovem senhora para ocupar um lugar no banco. A lição surtira efeito, o jovem high-tech, rapidamente, ergueu-se e, dessa vez, educadamente, passou seu lugar à pessoa que cedera seu lugar à jovem senhora. Foi uma sucessão inusitada de atitudes exemplares que se tivessem sido ensinadas através de palavras não teriam atingido o resultado que teve: quatro pessoas mobilizadas para mostrar, não só a um jovem high-tech, mas a toda a assembleia, que a educação e o respeito aos mais idosos são valores que transcendem o tempo e são as mais high-tech práticas no convívio social. 64 4.1.9. Caracterização de uma Crônica (análise quanto aos elementos da narrativa) - Título: UM ENSINAMENTO HIGH-TECH - Escritor: Alex D. Rosário. - Personagem principal: jovem senhora aparentando sessenta anos. - Personagem secundária: senhora septuagenária, jovem high-tech, pessoa que se levantou para ceder o lugar à jovem senhora. - Tempo (Cronológico ou Psicológico): Tempo cronológico, domingo à noite. - Espaço (Real ou Imaginário): Espaço real, uma igreja. - Enredo: a boa educação em ceder um assento aos mais idosos. - Complicação: uma senhora aparentando setenta anos chega à igreja e um jovem, desatento não cede o lugar à senhora. - Clímax: uma senhora de sessenta anos se levanta, num gesto de sabedoria, cede seu lugar ao jovem que já estava em pé colocando-o em uma situação constrangedora o que lhe ensinou uma lição de civilidade. - Desenlace: o jovem parece compreender a lição de civilidade e cede seu lugar a uma pessoa que se levantará para a senhora de sessenta anos se assentar. - Tipo da Narração (1ª pessoa, 3ª pessoa): Narrado, preponderantemente, em 3ª pessoa. - Tipo do Narrador: Onisciente. 4.1.10. Tipos de Crônicas 4.1.10.1. Crônica Lírica ou Poética “Em uma linguagem poética e metafórica o autor extravasa sua alma lírica diante de episó- dios sentimentais, nostálgicos ou de simples beleza da vida urbana, significativos para ele. Como em Brinquedos Incendiados, de Cecília Meireles. Por vezes, esse tipo de crônica é construído em forma de versos poéticos. Contudo, tem-se observado que a crônica lírica ou poética, está, cada vez mais, 65 em desuso; devido, provavelmente, à violência e a degradação da vida nas grandes cidades brasilei- ras” (SÉRGIO, 2011). 4.1.10.2. Crônica de Humor “Apresenta uma visão irônica ou cômica dos fatos em forma de um comentário, ou de um relato curto. Como em Sessão de Hipnotismo, de Fernando Sabino. É uma crônica muito próxima do conto. Procura basicamente o riso, com certo registro irônico dos costumes” (SÉRGIO, 2011). 4.1.10.3. Crônica-Ensaio “Apesar de ser escrita em linguagem literária; ter um espírito humorístico e valer-se, inclusive, da ficção; este tipo de crônica apresenta uma visão abertamente crítica da realidade cultural e ideo- lógica de sua época, servindo para mostrar o que autor quer ou não quer de seu país. Aproxima-se do ensaio, do qual guarda o aspecto argumentativo. Paulo Francis e Arnaldo Jabor são dois grandes representantes desse tipo de crônica. Como exemplo, cito: Reality Show, de Marcelo Coelho” (SÉR- GIO, 2011). 4.1.10.4. Crônica Descritiva “Ocorre quando uma crônica explora a caracterização de seres animados e inanimados, num espaço vivo, como numa pintura” (SÉRGIO, 2011). 4.1.10.5. Crônica Narrativa “Tem por base uma história - às vezes, constituída só de diálogos - que pode ser narrada tanto na 1ª quanto na 3ª pessoa do singular. Por essas características, a crônica narrativa se aproxima do conto; por vezes até confundida com ele. É uma crônica comprometida com fatos do cotidiano, isto é, fatos banais, comuns. Não raro, a crônica narrativa explora a caracterização de seres. Quando 66