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1 INTRODUÇÃO EM URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Para organizar uma rede que atenda aos principais problemas de saúde dos usuários na área de urgência e emergência de forma resolutiva, é necessário considerar o perfil epidemiológico e demográfico brasileiro, no qual se evidencia, segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), uma alta morbimortalidade relacionada às violências e aos acidentes de trânsito entre jovens até os 40 anos e, acima desta faixa, uma alta morbimortalidade relacionada às doenças do aparelho circulatório, como o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular cerebral (AVC). Soma-se a isso o acentuado e rápido envelhecimento da população, com aumento significativo da expectativa de vida nas últimas décadas. Além do fator longevidade no País, deve ser considerada a acentuada queda da natalidade (número de nascidos vivos), o que revela uma objetiva diminuição do ritmo do crescimento populacional, se assemelhando a padrões europeus. Além da mortalidade precoce e das sequelas decorrentes dos acidentes de trânsito, de outras violências e das doenças cardiovasculares (DCV), deve-se considerar os sofrimentos enfrentados pelas pessoas acometidas por essas condições clínicas e suas famílias. Soma-se a isso o alto custo socioeconômico. Desse modo, a organização da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) no Sistema Único de Saúde (SUS), mais do que uma prioridade, é uma necessidade premente, de modo a intervir de forma organizada e efetiva sobre tais doenças e agravos. PROTOCOLO DE MANCHESTER O Sistema de Triagem de Manchester é uma metodologia científica que confere classificação de risco para os pacientes que buscam atendimento em uma unidade de pronto atendimento. Os fluxogramas estão agrupados de forma a identificar sinais, sintomas ou síndromes que habitualmente motivam a ida do paciente a um Pronto Atendimento. Cada cor de classificação determina um tempo máximo para o atendimento ao paciente, de forma a não comprometer a sua saúde. O paciente classificado como vermelho deve ser atendido de imediato, ou seja, tempo zero. As demais cores laranja, amarelo, verde e azul devem ser atendidas em tempo máximo de 10 minutos, 60 minutos, 120 minutos e 240 minutos respectivamente. A grande vantagem desta Triagem é separar os casos verdadeiramente urgentes dos não urgentes e garantir o atendimento prioritário dos casos mais graves A Triagem de Manchester teve origem na Inglaterra, na cidade de Manchester. No Brasil, foi utilizado pela primeira vez em 2008, no Estado de Minas Gerais, como estratégia para reduzir a superlotação nas portas dos pronto-socorros e hospitais. Hoje, ele é acreditado pelo Ministério da Saúde, Ordem dos Enfermeiros, Ordem dos Médicos e é entendido como uma evolução no atendimento aos quem recorrem a um Serviço de Urgência. UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO (UPA) A UPA sigla de Unidade de Pronto Atendimento é um serviço intermediário entre a atenção básica (ESF/UBS) e as unidades hospitalares. Trata-se de uma unidade de saúde que funciona em horário integral, inclusive nos fins de semana. É um novo modelo de atendimento, um novo conceito em saúde. A unidade está equipada para atender aos usuários em necessidades de pronto atendimento e qualquer situação de emergência. UPA tem consultórios de clínica médica, pediatria e odontologia, serviços de laboratório e raio- x. Também conta com leitos de observação para adultos e crianças, salas de medicação, nebulização, ortopedia e uma "sala de emergência", para estabilizar os pacientes mais graves até serem levados a um hospital. A UPA 24 horas também está preparada para realizar pequenas suturas. 2 COMPETÊNCIA DA UPA I - Urgência e emergência traumáticas e não traumáticas II - Realização de exames laboratoriais, eletrocardiográficos e radiológicos para diagnosticar situações de urgência e emergência; III - Distribuição de medicamentos para que o paciente realize o tratamento domiciliar em situações de urgência; IV - Apoio ao atendimento de unidades móveis do Corpo de Bombeiros como referência para pacientes com emergências, que possam lá ser resolvidas no local, ou apoio médico a unidades básicas ou intermediárias; V - Realização do transporte de enfermos que lá tenham recebido seu primeiro atendimento; VI - Estabilizar pacientes com emergências, removendo-os imediatamente após regulação para o hospital de referência. NÃO É COMPETÊNCIA DAS UPAS I - Consultas médicas de segmento ou ambulatoriais; II - Abrigo de indigentes e pessoas que não apresentam alguma urgência médica; III - Realização de exames eletivos; IV - Troca de curativos; V - Revisão de suturas e retirada de pontos; VI - Internação de pacientes; VII - Realização de procedimentos cirúrgicos; VIII - Distribuição de medicamentos de uso crônico. OBJETIVOS A UPA é uma estrutura que busca contribuir para a melhoria dos serviços de Saúde oferecidos à população. São objetivos da UPA: 1- Reduzir a procura pelas emergências hospitalares por pacientes com casos de urgência de baixa e média complexidade; 2- Garantir acesso da população o atendimento de urgência, inclusive com exames laboratoriais e radiológicos; 3- Fazer atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência de qualidade e resolutivo à população; 4- O primeiro atendimento rápido, estabilização e observação de pacientes por períodos de até 24 horas, de acordo com a classificação de risco, antes de sua remoção para o tratamento definitivo ou liberação para acompanhamento ambulatorial; 5- Apontar o direcionamento para os hospitais da rede, pela Central de Regulação de Vagas dos casos com necessidades de internação; 6- Encaminhar os enfermos que realmente necessitam de cuidados hospitalares; 7- Realizar o sistema de atendimento pré-hospitalar móvel servindo como referência de casos com menos complexidade que necessitem de observação ou de procedimentos cirúrgicos de urgência e emergência ambulatoriais. PRONTO SOCORRO FUNÇÃO DO PRONTO SOCORRO A real função do Pronto Socorro de um hospital, como o próprio nome diz, é atender pacientes que estejam em estado de Urgência ou Emergência. São pessoas que correm risco eminente de vida, 3 como acidentados, suspeita de infartos, derrames, apendicite, pneumonia, fraturas, entre outras complicações. Essa informação é o caminho correto para o bom atendimento, uma vez que a cada 10 pessoas que procuram o serviço, em média, seis não são casos de urgência. 1. ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE URGÊNCIA/EMERGÊNCIA São próprias de hospital de grande porte; Permanência de pacientes de 48h, Localização em pavimento amplo; Acesso sinalizado e ampla entrada; Espaço livre para circulação de ambulância; Acesso a exames laboratoriais e internações; Interligação com outros setores hospitalares; Isolada do restante do hospital e de fácil acesso ao CC, UTI e radiologia. 2. ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL Sala de recepção, sala de registros; Sala de primeiro atendimento; Sala de atendimento de emergência; Consultório médico; Sala de pequenas cirurgias; Sala para procedimentos contaminados; Sala de higienização; Sala de redução de fraturas e gesso; Sala para procedimentos e tratamento; Sala de observação sala de isolamento e sala para guarda de equipamentos; Sala de reanimação; Posto de enfermagem; Sala para macas e cadeira de rodas; Sala para copa e sala para material de limpeza e expurgo; Sala para chefia; Sala para material de consumo 24h; Pontos de O2, ar comprimido e vácuo; Piso resistente e anti - escorregadio, teto e paredes lisos e laváveis, gerador de energia e bebedouro. ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS DO ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA O atendimento de emergência constitui uma forma especial de atendimento médicoa área da lesão que pode originar. A retirada poderá destamponar (desbloquear) ferimentos que a presença do objeto evitava que sangrassem continuamente. A vítima deve ser imobilizada da melhor forma, para evitar movimentação durante o transporte, e o objeto será retirado em ambiente controlado para tratar as lesões que a vítima possa apresentar – ou seja, no centro cirúrgico, por equipe capacitada. TRAUMATISMO TRAUMATISMO TORÁCICO Os traumatismos torácicos são provocados, em sua maior frequência, por acidentes de trânsito e acidentes industriais. A gravidade dos traumatismos torácicos é diretamente proporcional aos tipos de lesões associadas, que podem levar á morte ou dificultar o diagnóstico preciso da lesão traumática e, consequentemente, o tratamento adequado para o caso. Um atendimento precipitado, ou conduzido sem a correção técnica adequada pode levar á morte, quando em vez disso, medidas terapêuticas com bases seguras seriam capazes de resguardar a vida e evitar complicações. O acidentado deverá ser sempre considerado em estado grave, mesmo que não apresente sinais clínicos aparentes. É prudente recomendar que se dedique á vítima de traumatismo torácico a máxima atenção possível, sob observação permanente e bem orientada. Nos traumatismos fechados de tórax, ou contusões torácicas, não há solução de continuidade da pele. Nos traumatismos abertos ou ferimentos torácicos, podem surgir complicações maiores. Eles são chamados de penetrantes quando atingem a pleura, o pericárdio ou o mediastino. De acordo com a localização do ferimento ele poderá ser chamado de torácico, cervico-torácico e tóraco-abdominal. A idade do acidentado ou a existência de processos patológicos cardio - pulmonares anteriores são, muitas vezes, responsáveis pelo agravamento dessas alterações. Podem ocorrer hipoxemia e hipercapnia que, dadas certas condições de choque, chegam a levar ao sofrimento do encéfalo e coração. É preciso ter cautela e agir com rapidez. O acidentado consciente ou inconsciente deve ser deitado sobre o lado ferido, na posição lateral de segurança. Aplica-se curativo de gaze ou 25 compressa de pano estéril, sem apertar, na intenção de vedar totalmente a abertura do ferimento para impedir a entrada de ar até a avaliação médica e possível RX. TRAUMATISMO ABDOMINAL Mais de 60% dos traumatismos abdominais são causados por acidentes automobilísticos, mas podem ocorrer em ambientes de trabalho devido a pancada de objetos pesados ou a quedas violentas amparadas pelo choque do abdome contra alguma superfície dura. Os traumatismos abdominais são classificados de abertos ou fechados. Os traumatismos fechados ou contusões caracterizam-se pela atuação do agente traumático sobre a parede abdominal, sem provocar solução de continuidade da pele. Estes traumatismos, no entanto, podem apresentar lesões viscerais graves. Os traumatismos abdominais com lesão visceral evoluem para a síndrome de perfuração, resultante de lesão da víscera oca; e para a síndrome hemorrágica quando provocam ruptura de víscera maciça ou de vaso sanguíneo. As vítimas de ferimentos abdominais correm sério risco de entrar em estado de choque, devendo ser encaminhadas para assistência qualificada com urgência, pois é considerada como emergência. Qualquer que seja a causa, o agente traumático atua por percussão ou pressão, resultando sempre na possibilidade de lesão visceral. O traumatismo aberto pode ocorrer de forma simples o suficiente para provocar uma evisceração. Não devemos, de forma alguma, tocar nas vísceras sem luva, nem tentar colocá-las de volta, para dentro da cavidade abdominal. A primeira coisa a ser feita. Manter o acidentado em decúbito dorsal. O ferimento deverá então ser coberto com compressa estéril sempre umedecido em solução salina (SF 0,9%) para não aderir ou ressecar o intestino. Não dar nada para o acidentado beber ou comer, ainda que se queixe de muita fome ou sede, necessitará de procedimento invasivo por sedação ou anestesia. TRAUMA CRANIOENCEFÁLICO O que caracteriza um TCE é qualquer agressão física que acarrete lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges, líquor ou encéfalo, em qualquer combinação. É a primeira causa de óbito emAcidentes por serpentes não peçonhentas são relativamente frequentes, porém não determinam acidentes graves, na maioria dos casos, e, por isso, são considerados de menor importância médica. No Brasil, são quatro os gêneros de serpentes de interesse médico: Bothrops (jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca), Crotalus (cascavel), Lachesis (surucucu, pico-de-jaca) e Micrurus (coral verdadeira). Bothrops e Micrurus são encontrados em todo o país, enquanto que Crotalus é mais frequentemente encontrado em campos, áreas abertas e secas. Lachesis habita somente as florestas da Amazônia e da Mata Atlântica. Acidente botrópico – Causado por serpentes do gênero Bothrops. Determina processo inflamatório no local da picada, com edema tenso, equimose, dor e adenomegalia regional, que progridem ao longo do membro acometido. Podem ocorrer bolhas com conteúdo seroso ou sero- hemorrágico e, eventualmente, necrose cutânea. Manifestações sistêmicas podem estar presentes 27 com alteração da coagulação sanguínea e sangramentos espontâneos (gengivorragia, equimoses e hematomas pós-trauma, hematúria). Com base no quadro clínico, pode ser classificado em: leve, moderado e grave. Acidente laquético – Causado por serpentes do gênero Lachesis. Apresenta quadro clínico semelhante ao botrópico, acrescido de manifestações decorrentes de estimulação vagal (náuseas, vômitos, diarreia, bradicardia, hipotensão e choque). Acidente crotálico – Causado por serpentes do gênero Crotalus. Não leva a alterações locais proeminentes, apenas edema discreto e parestesia; por outro lado, as manifestações sistêmicas são consequentes à paralisia neuromuscular (ptose palpebral, distúrbios de acomodação visual, de olfato e paladar, sialorreia, ptose mandibular), rabdomiólise (dores musculares generalizadas, urina escura) e incoagulabilidade sanguínea. Acidente elapídico – Causado por serpentes do gênero Micrurus. Leva a quadro neuroparalítico semelhante ao do acidente crotálico, sem outros sinais e sintomas concomitantes. Acidente por serpentes não-peçonhentas – Sem gravidade, porém frequente, podendo, em algumas circunstâncias, causar edema, dor e equimose na região da picada. Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, baseado nas manifestações apresentadas pelo paciente; o diagnóstico etiológico, quando há identificação do animal, é pouco frequente. Na ausência de alterações clínicas, o paciente deve ser mantido em observação por 6 a 12 horas seguintes ao acidente, após o que, mantendo-se o quadro inalterado, deve ser considerada a possibilidade de acidente por serpente não-peçonhenta ou acidente por serpente peçonhenta sem envenenamento. ESCORPIONISMO: O envenenamento ocorre pela inoculação de veneno pelo ferrão ou aguilhão, localizado na cauda de escorpiões. A estimulação de terminações nervosas sensitivas determina o aparecimento do quadro local, de instalação imediata e caracterizada por dor intensa, edema e eritema discretos, sudorese localizada em torno do ponto de picada e piloereção. A atividade sobre o sistema nervoso autônomo é responsável pelo quadro sistêmico, observado em crianças, nas quais, após intervalo de minutos até poucas horas (de 2 a 3), podem surgir manifestações sistêmicas como sudorese profusa, agitação psicomotora, tremores, náuseas, vômitos, sialorreia, hipertensão ou hipotensão arterial, arritmia cardíaca, insuficiência cardíaca congestiva, edema pulmonar agudo e choque. A presença dessas manifestações impõe a suspeita do diagnóstico de escorpionismo, mesmo na ausência de história de picada ou identificação do animal. Os escorpiões de importância médica para o Brasil pertencem ao gênero Tityus, com várias espécies descritas: Tityus serrulatus (escorpião-amarelo), com ampla distribuição desde o Paraná até o norte da Bahia, com alguns relatos para Sergipe e Alagoas, além da região central do país. Representa a espécie de maior interesse pela facilidade de proliferação, pois essa espécie só possui fêmeas e realiza reprodução por partenogênese, pela alta adaptação ao meio urbano e pelo grande potencial de gravidade do envenenamento; Tityus bahiensis (escorpião marrom), encontrado em todo o país, com exceção da região Norte; Tityus stigmurus, espécie mais comum no Nordeste; Tityus paraensis (escorpião-preto) e Tityus metuendus, encontrados na Amazônia. ARANEÍSMO: Envenenamento causado pela inoculação de toxinas através de ferrões localizados no aparelho inoculador (quelíceras) de aranhas peçonhentas. As aranhas peçonhentas de interesse médico no Brasil são representadas pelos gêneros Loxosceles (aranha-marrom), Phoneutria (armadeira) e Latrodectus (viúva-negra), que apresentam aspectos biológicos e distribuição geográfica bastante distintos. As manifestações clínicas são: Loxoscelismo – Causado pela picada de aranhas do gênero Loxosceles. Tem duas formas clínicas descritas: cutânea e cutâneo-visceral. A picada é pouco dolorosa e as manifestações locais têm início insidioso, com equimose, palidez, enduração, edema e eritema, bolhas e necrose. Frequentemente, cefaleia, náuseas, mal-estar, febre baixa e exantema generalizado estão 28 associados. Menos comum, a forma sistêmica (cutâneo-visceral) caracteriza-se pela presença de hemólise intravascular. Foneutrismo – O gênero Phoneutria é responsável por quadro bastante semelhante ao do escorpionismo, com dor local, acompanhada de edema e eritema discretos e sudorese na região da picada. Manifestações sistêmicas são descritas raramente, em crianças, que podem apresentar agitação psicomotora, náuseas, vômitos, sialorreia, hipertensão ou hipotensão, bradicardia, choque e edema agudo pulmonar, em consequência da atividade sobre o sistema nervoso autônomo. Latrodectismo – Secundário à picada de aranhas do gênero Latrodectus, manifesta-se com dor local e pápula eritematosa no local da picada, acompanhados de hiperreflexia, tremores e contrações musculares espasmódicas. Acidentes por outras aranhas – Podem provocar dor discreta e transitória no local da picada; quadros dermatológicos irritativos ou alérgicos podem ser causados por aranhas caranguejeiras, que liberam pêlos que se depositam sobre pele e mucosas. ACIDENTES POR LONOMIA E OUTRAS LAGARTAS (ERUCISMO): Acidente causado pelo contato de cerdas de lagartas com a pele (erucismo, de origem latina eruca = lagarta). O quadro de dermatite urticante, comum a todas as lagartas, é caracterizado por dor em queimação, eritema, edema, prurido e adenomegalia regional. Podem ocorrer formação de vesículas, bolhas e erosões. Síndrome hemorrágica, com coagulopatia de consumo e sangramentos sistêmicos (gengivorragia, equimoses, hematúria, epistaxe), é descrita no envenenamento por lagartas do gênero Lonomia, encontradas com maior frequência em seringueiras (Amapá e Ilha de Marajó) e árvores frutíferas (região Sul). As manifestações hemorrágicas são precedidas do quadro local e de sintomas inespecíficos, como cefaleia, náuseas, vômitos, dor abdominal. As complicações causadas pelas Lonomia são sangramentos maciços ou em órgão vital, insuficiência renal aguda; óbitos têm sido associados à hemorragia intracraniana e ao choque hipovolêmico. É importante que se façam alguns esclarecimentos sobre os animais peçonhentos e os venenosos. Peçonhentos são os que injetam toxinas nas suas vítimas por meio das presas ou ferrões. Venenosos são aqueles provocam envenenamento por ingestão ou contato, como as lagartas ou taturanas, os sapos e peixes, como o baiacu, por exemplo. Os animais peçonhentos e os venenosos utilizam substâncias que provocam efeitos fisiológicos danosos ao sistema nervoso mesmo que em pequenas quantidades, normalmente como ação de defesa. É bem possível que estes animais ao atacar o faça por estarem tão assustados quanto sua vítima e age desta forma por puro instinto. Nem toda mordida leva a sintomas de envenenamento. Naschamadas “mordidas de defesa”, o animal muitas vezes não secreta veneno no tecido. No entanto, você deve primeiro considerar cada mordida como um envenenamento com riscos de complicações. Para não economizar tempo, limite as medidas de primeiros socorros ao mínimo necessário. O mais rápido possível, acione o socorro médico ou leva a vítima o mais rápido possível para o hospital mais próximo Acalme a vítima. Saiba que se a vítima estiver agitada e movimentar-se muito, as contrações musculares fazem com que o veneno se espalhe mais rápido no corpo. Por exemplo, coloque um braço em uma tipoia ou eleve a perna quando ela for afetada. Atenção: Não use tipoia. Nunca corte, chupe ou aperte o local da mordida. Você não deve resfriá-los intensivamente ou esfregá-los com desinfetantes ou qualquer outra substância. Retire anéis, pulseiras e similares pois pode haver inchaço caso a mordida tenha sido nos membros superiores. 29 Se necessário, acalme a vítima com sedativos leves. Transporte a pessoa em repouso, deitada. Mantenha a vítima o mais imóvel possível com o membro afetado mais elevada que o restante do corpo e retire qualquer adereço ou acessório que possa impedir ou dificultar a circulação. Se possível, coloque compressas de água fria ou bolsa térmica. Isso ajudará no alívio da dor. Se ocorrerem sintomas como choque ou paralisia, coloque a parte superior do corpo da vítima no chão e coloque as pernas para cima. Se a assistência médica não estiver disponível de imediato, pode dar água à vítima. Certifique-se de que a cobra venenosa possa ser identificada para que a vítima possa receber um soro apropriado. Se necessário, tire uma foto para que você possa mostrá-la ao médico em caso de dúvida. JAMAIS: sugar a área da picada, fazer torniquete, corte ou perfuração ao redor do ferimento e também não aplicar nada sobre o mesmo para não agravar o estado geral da vítima. . CONVULSÂO É uma contração violenta, ou série de contrações dos músculos voluntários, com ou sem perda de consciência. São distúrbios que ocorrem no cérebro, provocando movimentos desordenados em geral. Sintomas 1. Inconsciência 2. Queda desamparada, onde a vítima é incapaz de fazer qualquer esforço para evitar danos físicos a si próprios; 3. Olhar vago, fixo e/ou revirar dos olhos; 4. Suor; 5. Midríase (pupila dilatada); 6. Lábios cianosados; 7. Salivação Excessiva (espumar pela boca); 8. Enrijecimento da mandíbula; 9. Morder a língua e/ou lábios; 10. Corpo rígido e contração do rosto; 11. Palidez intensa; 12. Movimentos involuntários e desordenados; 13. Fase tónica (flexão do tronco); 14. Fase clónica (quando a musculatura relaxa); 15. Cianose de lábios e de MMSS e MMII; 16. Relaxamento dos esfíncteres (perda de urina e/ou fezes); 17. Após a crise pode constatar sonolência, dificuldade para falar ou palavras sem nexo; Geralmente os movimentos incontroláveis duram de 2 a 4 minutos, tornando-se, então, menos violentos e o acidentado vai se recuperando gradativamente. Estes acessos podem variar na sua gravidade e duração. Depois da recuperação da convulsão há perda da memória, que se recupera mais tarde. Principais Causas 1. Febre muito alta, devido a processos inflamatórios e infecciosos, ou degenerativos; 2. Hipoglicemia; 30 3. Álcool; 4. Erro no metabolismo de aminoácidos; 5. Hipocalcemia; 6. Traumatismo na cabeça; 7. Hemorragia intracraniana; 8. Edema cerebral; 9. Tumores; 10. Intoxicações por gases, álcool, drogas alucinatórias, insulina, dentre outros agentes; 11. Determinados medicamentos (cardíacos, antibióticos e para emagrecimento); 12. Epilepsia ou outras doenças do Sistema Nervoso Centra; 13. Nos ambientes de trabalho de modo específico, podemos encontrar trabalhadores com convulsão quando expostos a agentes químicos de poder convulsígeno, tais como os inseticidas clorados e o Óxido de etileno. Conduta 1. Retirar da boca próteses dentárias móveis (pontes, dentaduras) e eventuais detritos; 2. Remover qualquer objeto com que a vítima possa se machucar e afastá-la de locais, objetos e ambientes potencialmente perigosos; 3. Não mantê-lo contido; 4. Não interferir nos movimentos convulsivos, mas assegurar-se que a vítima não está se machucando; 5. Afrouxar as roupas da vítima no pescoço e cintura; 6. Virar o rosto da vítima para o lado, evitando assim a asfixia por vômitos ou secreções. 7. Não colocar nenhum objeto rígido entre os dentes da vítima; 8. Tentar introduzir um pano limpo enrolado entre os dentes para evitar mordedura da língua; 9. Quando passar a convulsão, manter a vítima deitada até que ela tenha plena consciência e autocontrole; 10. Se a pessoa demonstrar vontade de dormir, deve-se ajudar a tornar isso possível; No caso de se propiciar meios para que a vítima durma, a melhor posição para mante - lá é deitada na "posição lateral de segurança" (PLS). Devemos fazer uma inspeção no estado geral da vítima, a fim de verificar se ela está ferida e/ou sangrando. Conforme o resultado desta inspeção, devemos proceder no sentido de tratar das consequências do ataque convulsivo, cuidando dos ferimentos e contusões. Permanecer junto da vítima, até que ela se recupere totalmente. Devemos conversar com a vítima, demonstrando atenção e cuidado com o caso, e informá-la onde está e com quem está para dar-lhe segurança e tranquilidade. É muito útil saber da vítima se ela é epiléptica. A internação deve ser feita com a maior rapidez, especialmente se a vítima tiver um segundo ataque; se as convulsões durarem mais que 5 minutos ou se a vítima for mulher grávida. DESMAIO (SÍNCOPE) É a perda súbita temporária, é um estado de semiconsciência ou inconsciência repentina, devido à diminuição de sangue, glicose e oxigênio no cérebro para manter suas funções plenamente ativas. Causam quedas da própria alura. 31 Principais Causas: 1. Hipoglicemia; 2. Hipotensão 3. Cansaço excessivo; 4. Fome; 5. Nervosismo intenso; 6. Emoções súbitas; 7. Susto; 8. Acidentes, principalmente os que envolvem perda sanguínea; 9. Dor intensa; 10. Prolongada permanência em pé; 11. Mudança súbita de posição (de deitado para em pé); 12. Ambientes fechados e quentes; 13. Disritmias cardíacas (bradicardia). Existem três categorias principais de causas: Neuromediadas ou reflexas - São as mais comuns e ocorrem quando os vasos sanguíneos se dilatam com redução da pressão arterial e a frequência cardíaca diminui de forma inadequada. Pode ter origem num evento desencadeante, como a exposição ao sangue, a dor, sentimentos fortes ou numa atividade específica, como, vomitar ou tossir; Coração e vasos sanguíneos - são as causas de cerca de 10% das síncopes e geralmente nos casos mais graves. Entre as causas cardiovasculares estão a arritmia cardíaca, problemas com as válvulas cardíacas, nomeadamente a estenose (aperto) da válvula aórtica ou com o miocárdio ou o bloqueio das artérias coronárias que irrigam o coração, uma embolia pulmonar ou uma dissecção da artéria aorta; Hipotensão ortostática - devem-se à súbita diminuição da pressão arterial quando a pessoa se levanta. Isto tem muitas vezes origem frequentemente em determinados medicamentos que a pessoa está a tomar, embora possa também estar relacionada com desidratação, hemorragia significativa ou alterações neurológicas. Sintomas: 1. Fraqueza; 2. Suor frio abundante; 3. Náusea; 4. Palidez intensa; 5. Pulso fraco; 6. Pressão arterial baixa; 7. Respiração lenta; 8. Extremidades frias; 9. Tontura; 10. Escurecimento da visão (vertigem); 11. Devido á perda da consciência, o acidentado cai. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_nervoso https://pt.wikipedia.org/wiki/Bradicardia https://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%B3mitohttps://pt.wikipedia.org/wiki/Tosse https://pt.wikipedia.org/wiki/Arritmia_card%C3%ADaca https://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%A1lvulas_card%C3%ADacas https://pt.wikipedia.org/wiki/Mioc%C3%A1rdio https://pt.wikipedia.org/wiki/Embolia_pulmonar https://pt.wikipedia.org/wiki/Embolia_pulmonar https://pt.wikipedia.org/wiki/Dissec%C3%A7%C3%A3o_da_aorta https://pt.wikipedia.org/wiki/Desidrata%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Hemorragia 32 Conduta 1. Manter o acidentado deitado, colocando sua cabeça e ombros em posição mais baixa em relação ao resto do corpo; 2. Afrouxar a sua roupa; 3. Manter o ambiente arejado; 4. Verificar os sinais vitais; 5. SpO2; 6. Oxigênioterapia; 7. Observar se ventila adequadamente, presença de trauma, 8. Glicemia capilar; 9. Realização de um eletrocardiograma; 10. Se houver vômito lateralizar lhe a cabeça, para evitar sufocamento; 11. Depois que o acidentado se recuperar, pode ser dado água, não se deve dar jamais bebida alcoólica. INTOXICAÇÕES EXÓGENAS Intoxicação exógena pode ser definida como a consequência clínica e/ou bioquímicas da exposição a substâncias químicas encontradas no ambiente ou isoladas como os pesticidas, os medicamentos, produtos químicos industriais ou de uso domiciliar resultando em efeitos tóxicos pelo mau uso ou pelo abuso. Os pacientes vítimas de intoxicações não são doentes propriamente ditos. Na maioria dos casos são pessoas saudáveis, que desenvolvem sintomas e sinais decorrentes do contato com essas substâncias e do efeito sistêmico delas. Casos graves estão associados geralmente ao uso de drogas ilícitas, abuso de álcool e, obviamente, tentativa de suicídio. As intoxicações representam cerca de 10% dos atendimentos nas Emergências. Nos adultos, os casos mais significativos são decorrentes de tentativas de suicídio. Nas crianças, são as intoxicações acidentais. No Brasil as principais causas de intoxicação em nosso meio são: os medicamentos, acidentes por animais peçonhentos e os produtos domissanitários. A fisiopatologia das intoxicações difere, dependendo do agente tóxico, podendo ter ações: 1. Colinérgicas (ex: fosforados - causam sialorreia, miose, vômitos, bradicardia e etc); 2. Hipnótico-sedativas (ex: benzodiazepínicos - causam letargia, visão turva, depressão respiratória e etc); 3. Narcóticas (ex: heroína - causam depressão respiratória, coma, miose, bradicardia e etc); 4. Simpaticomiméticas (ex: cocaína – causam ansiedade, vômitos, taquicardia, convulsões e etc.) dentre outras ações. Sinais e Sintomas Os sinais e sintomas de intoxicação variam de acordo com: 1. Substância tóxica; 2. Quantidade ingerida; 3. Condições físicas do indivíduo. Podendo apresentar algumas manifestações como: https://pt.wikipedia.org/wiki/Eletrocardiograma 33 1. Dificuldade em respirar e tosse; 2. Alteração na cor da língua e lábios; 3. Hálito com odor estranho no caso de ingestão ou inalação da substância tóxica; 4. Dor e sensação de queimação na garganta; 5. Sonolência; 6. Delírio; 7. Cãibras; 8. Astenia muscular; 9. Convulsões; 10. Parestesia; 11. Depressão respiratória; 12. Náuseas ou vômitos; 13. Diarreia; 14. Cefaléia intensa; 15. Olhos vermelhos e inchados; 16. Rigidez nas articulações; 17. Rigidez muscular; 18. Hipertermia. As crianças e os idosos são mais sensíveis as intoxicações. Principais Substâncias Substâncias intoxicantes: Podem ser classificadas como ambientais, como o ar, água, alimentos, plantas, animais peçonhentos ou venenosos. Substâncias isoladas: São os pesticidas, inseticidas, raticidas como Carbamato Aldicarb (chumbinho); Medicamentos (antidepressivos, barbitúricos, opioides, benzodiazepínicos e outros); Medicamentos depressores do SNC como os benzodiazepínicos são sedativos, hipnóticos e ansiolíticos. Potencializam o efeito no SNC e a ingestão aguda de altas doses pode levar a ataxia, fala empastada e sonolência. Dentro dos medicamentos depressores do SNC, ainda se tem os barbitúricos, que são anticonvulsivantes, na qual começa com ataxia, cefaleia e confusão mental e pode, dependendo da quantidade, evoluir para uma depressão respiratória e da contratilidade cardíaca que leva a óbito. Também há os antidepressivos onde as intoxicações inibem a receptação de noradrenalina e da serotonina, e que podem provocar letargia, agitação, ataxia e convulsões. Produtos químicos industriais ou de uso domiciliar como o hipoclorito de sódio (água sanitária), hidróxido de sódio (soda cáustica), por exemplo. Intoxicações por raticidas como os cumarínicos, que são os únicos raticidas comercializados, são inibidores da vitamina K. Inicialmente a intoxicação é assintomática, evoluindo para alterações na coagulação que predispõe o paciente a ter hemorragias. Diagnóstico O diagnóstico e o tratamento dependerão do agente causador e de uma série de outros fatores, por isso é de fundamental importância a obtenção da história clínica, onde se investiga a idade, o sexo, a substância causadora, quantidade e tempo de uso, via de exposição, etc. O exame físico deve ser detalhado e repetido sistematicamente, verificando-se além dos sinais vitais, características como: 1. Pele e mucosas (temperatura, coloração, odor, hidratação); 2. Hálito, boca (lesões corrosivas, odor, hidratação); 3. Olhos (conjuntiva, pupila, movimentos extraoculares); 4. Sistema Nervoso Central (nível de consciência, escala do coma, estado neuromuscular); 5. Sistema cardiocirculatório (frequência e ritmo cardíaco, pressão arterial, perfusão); 6. Sistema respiratório (frequência, movimentos respiratórios, ausculta). 34 Tratamento Algumas medidas gerais são aplicáveis a quase todos os casos de intoxicação como: 1. Indução à êmese não é muito aceitável nos dias atuais, pela possibilidade de causar danos a mucosa e tecidos; 2. Lavagem gástrica, sendo o método utilizado em todos os casos de ingestão tóxica, devem ser submetidos a sondagem nasogátrica, para controle de convulções e proteger vias aéreas, em adultos, a lavagem deve ser realizada com l50 a 200 ml de água ou solução salina, aquecidos a 38,0ºC devem ser repetidas até que se obtenha líquido claro; 3. Carvão ativado é medida posterior à lavagem gástrica, seu mecanismo de ação consiste na absorção de compostos, não somente os presentes na luz intestinal, mas, também aqueles já absorvidos, como no caso de bases fracas ou no caso de substâncias com circulação enteroepática; 4. Hemodiálise e hemoperfusão são alternativas de tratamento igualmente eficazes, mas que necessitam de internamento hospitalar, assim como Laxativos que o principal utilizado é o manitol, em solução a 20%, sendo a dose utilizada é de 100 a 200 ml, até de 8 em 8hs, nas primeiras 24 h; 5. Diurese Forçada e Alcalinização da Urina. HIPERGLICEMIA Quando a sua taxa de glicose no sangue está muito elevada ou persiste por um longo período de tempo, duas complicações emergenciais podem surgir: Cetoacidose: Quadro que se desenvolve por causa das cetonas (substância química produzida pelo corpo) em excesso que surgem em seu sangue ou urina, causadas pela falta de insulina suficiente no organismo quando a glicemia não está bem controlada para quebrar as moléculas de glicose e transformá-las em energia. A presença de cetonas na urina é um sinal de que o corpo está a utilizar gordura para ter energia em vez de usar a glicose. A cetoacidose pode gerar um coma diabético e se não tratada gera até mesmo a morte. Síndrome hiperosmolar hiperglicêmica: Essa condição é caracterizada pela presença da insulina no corpo, mas que não funciona da forma adequada, o que faz com que os níveis de glicose no sangue sejam superiores a 600 mg/dL. Dessa forma, a glicoseé eliminada através da urina, causando aumento na frequência da micção. Se não tratada imediatamente, a síndrome hiperosmolar hiperglicêmica pode gerar risco de vida e coma. Existem dois tipos de hiperglicemia: Hiperglicemia de jejum - Acontece quando sua taxa de açúcar no sangue está maior do que 130 mg/dL (miligramas por decilitros), medida padrão de um organismo que não recebe alimento e bebida durante um período de 8 horas. Hiperglicemia pós-refeição - Após duas horas da refeição, a sua taxa de açúcar no sangue deverá estar em, no máximo, 180 mg/dL. Caso ela esteja acima disso, uma hiperglicemia pode estar ocorrendo. É importante salientar que pessoas não - diabéticas possuem a taxa de glicose pós-refeição na faixa dos 140 mg/dL. A taxa normal é de até 110 mg/dL, portanto, ao passar disso, considere-se com hiperglicemia. Situações emergenciais que podem repentinamente elevar a taxa de glicose no sangue: 1. Estresse emocional; 2. Mudança de medicamento; 3. Dose errada ou insuficiente de insulina; 4. Mudança de dieta ou comer demasiadamente; https://consultaremedios.com.br/crsaude/o-que-e-estresse-causas-sintomas-tratamento-tipos-e-prevencao/problemas-de-saude/sua-saude 35 5. Alta ingestão de alimentos com açúcares ou que se transformam em açúcares simples; 6. Estar ferido ou se recuperando de uma cirurgia. Algumas condições médicas podem ser as responsáveis pelo quadro de hiperglicemia: 1. Pancreatite (inflamação do pâncreas); 2. Câncer do pâncreas; 3. Hipertireoidismo; 4. Tumores incomuns que secretam hormônios; 5. Diabetes gestacional; 6. Abuso de álcool; 7. Estresse severo no corpo, causado por ataque cardíaco, AVC, traumas ou doenças graves. A diabetes pode gerar complicações em longo prazo. Investigar a suspeita de diabetes nas situações de emergência que envolva: 8. Doença cardiovascular; 9. Neuropatia (dano no nervo); 10. Nefropatia (dano nos rins) ou insuficiência renal; 11. Retinopatia (dano nos vasos sanguíneos da retina); 12. Catarata; 13. Problema nos pés, causados por nervos danificados ou fluxo de sangue insuficiente, e que podem precisar de amputação quando mais graves; 14. Problemas ósseos e articulares; 15. Problemas de pele, como infecções bacterianas, fúngicas e feridas não cicatrizantes; 16. Candidíase, pelo fato do fungo responsável se alimentar da glicose armazenada na parede das células dos pacientes diabéticos, principalmente nas genitálias; 17. Problemas nos dentes e infecções na gengiva. Sintomas Hipotensão; Alteração de consciência; Respiração curta; Cefaléia intensa; Visão embaçada; Dor abdominal; Micção frequente; Sede excessiva; Fadiga; Hálito com mau cheiro de fruta; Rápida perda de peso (a falta de insulina faz o corpo gastar a gordura já estocada e não a dos açúcares ingeridos); Náuseas e vômitos; Boca seca; Cansaço; Choque e coma. A maioria dos pacientes com emergências hiperglicêmicas se apresenta com leucocitose proporcional à concentração sérica de cetonas. Podem apresentar desidratação severa. Pacientes com níveis de potássio no limite inferior da normalidade merecem monitorização cardíaca cuidadosa porque pode causar arritmia cardíaca. Conduta: 1. Manter vias aéreas permeáveis; 2. Atenção ao quadro neurológico; 3. Observar sinais vitais; 4. Cateterismo vesical com controle de diurese; 5. Acesso venoso profundo + PVC (punção venosa central); 6. SNG se houver vômitos; 7. Cateter de O2 contínuo se SPO2cujas decisões são estabelecidas num curto espaço de tempo, aqui os médicos não são escolhidos pelos pacientes, intervenções invasivas e de risco muitas vezes são mal informadas aos pacientes ou familiares, e a falta de ambiente próprio para a troca de informações confidenciais impede uma maior aproximação entre ambos. Além disso, a carência de recursos e/ou a superlotação da maioria dos hospitais brasileiros, acabam tornando impessoal a maioria dos atendimentos de emergência. Pacientes transformam-se em fichas de atendimento. RESPONSABILIDADES DO MÉDICO 4 Responsabilidade é algo que se liga a todos os domínios da vida social. Na medicina ocorre irresponsabilidade médica quando o médico não cumpre a obrigação que tem em relação ao paciente, causando-lhe dano. Negligência, imprudência e imperícia caracterizam o erro médico. É preciso evitá-lo ou reduzi-lo, pois o erro faz parte da falibilidade humana. 1. Negligência: constitui a omissão ou a não observância de determinados deveres por parte do médico. Por exemplos: exame superficial e desatento, retardo de intervenções cirúrgicas ou procedimentos vitais, prescrição de medicamentos com superdosagem, anestesias simultâneas, colocação indevida de aparelhos gessados, etc. 2. Imprudência: constitui a omissão de cautela, precipitação ou audácia do ato médico. Exemplos: utilização de técnica cirúrgica inadequada ou não reconhecida para a ciência, adoção de determinado procedimento cirúrgico sem o exame prévio adequado, prescrição médica por telefone etc. 3. Imperícia: constitui a inaptidão, ignorância, falta de destreza ou insuficiência de conhecimento técnico por parte do médico. Exemplos: secção de ureteres em cirurgia cesariana, introdução de alimentação no trato respiratório através de sonda mal posicionada sem o controle radiológico prévio, secção da artéria femural em cirurgia de varizes etc. CONSENTIMENTO INFORMADO Nas urgências e emergências não é frequente pela própria situação a obtenção de um documento de consentimento informado. Obter o consentimento do paciente é um dever do médico expresso no artigo 46 do CEM, que determina que seja vedado ao médico efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida. O documento de consentimento informado (ou esclarecido) tem sido muito mais utilizado como documento de defesa jurídica do que de garantia aos direitos dos pacientes. É recomendável que seja aplicado em situações como amputações, cirurgias de alto risco, mas não deve constituir um elemento de constrangimento para o paciente ou para a família. CONSENTIMENTO IMPLÍCITO Fica definido com mais evidência quando a vítima está inconsciente. Dentro do princípio legal a vítima terá dado, como resultado de sua incapacidade de se comunicar, o consentimento implícito para receber ajuda. Assim sendo, o profissional nunca deve deixar de atender uma vítima inconsciente. CONSENTIMENTO DE MENORES Menor é um indivíduo que não atingiu idade legal para assumir responsabilidade por seus atos. De acordo com a lei, menores – 18 anos, dependem de pais ou responsáveis para consentir o atendimento. No entanto, se o consentimento dos pais ou tutor legal não pode ser obtido, não hesite em atender. Não negue o atendimento a um menor simplesmente porque não conseguiu obter permissão dos responsáveis legais. Repasse a responsabilidade da autorização para os encarregados do hospital. Eles determinarão se o atendimento hospitalar poderá ser ou não adiado até que a permissão seja obtida. Lembre-se que o atendimento pré-hospitalar será sua responsabilidade. Ao seguir os protocolos você estará obtendo subsídio legal sob o ponto de vista de interpelações jurídicas. CONSENTIMENTO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO MENTAL Se a vitima aparenta estar fora da realidade, recusa o atendimento ou coloca em risco você e outras pessoas, as ingerências legais nesse caso podem ser complexas. Um adulto dentro de suas faculdades mentais poderá, legalmente, recusar ser atendido. Porém, mesmo para os médicos com treinamento especializado poderá ser complicado determinar se a vítima está ou não consciente de seus atos. Em geral, se uma pessoa aparenta ameaçar sua própria integridade física, ou a de outros, será necessária providência imediata para submete-la a cuidados médicos. Você e pessoal do Resgate devem conhecer 5 os mecanismos legais para lidar com vítimas que se recusam a receber atendimento e parecem não estar tomando atitudes racionais e razoáveis. RESPONSABILIDADES DO PACIENTE Fidelidade, confidencialidade e veracidade das informações prestadas são as principais responsabilidades do paciente. O paciente deve ser informado que o correto encaminhamento diagnóstico e terapêutico da situação clínica por ele apresentada depende da observação desses pressupostos. RESPONSABILIDADE CIVIL O Código Civil normatiza que aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito ou causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito, sendo obrigado a reparar o dano. Não gera responsabilidade civil o erro profissional que corresponde ao risco e não apresenta vínculos com a negligência, imperícia ou imprudência. A medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza. O médico deve exercê-la com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional. RESPONSABILIDADE ÉTICA O direito ao atendimento de emergência é igual ao direito à vida, à educação e ao trabalho. É uma obrigação do Estado, essa é a questão ética mais importante do atendimento de urgência. Além disso, também constitui responsabilidade ética, por parte do diretor técnico, assegurar o controle de qualidade profissional de todos os que atuam no setor de emergência. Compete-lhe promover o aprimoramento científico de toda equipe de atendimento, de tal modo que toda ação no setor de urgência deve ser fundamentada em rotinas próprias e protocolos assistenciais previamente aprovados e constantemente revisados, sem esquecer o raciocínio clínico e a autonomia do médico e que algo correto do ponto de vista técnico pode não ser do ponto de vista ético. PRIORIDADE DO ATENDIMENTO A ordem é que deverão ser atendidos prioritariamente os mais graves, mas todos devem ser atendidos. Pacientes mais angustiados ou com maior ansiedade podem também ter prioridade no atendimento. Com relação ao uso de equipamentos, como, por exemplo, respiradores artificiais, o Poder Judiciário tem manifestado que deve ser observada a rigorosa ordem cronológica da chegada do paciente no local do atendimento. Juridicamente não importa quem tem maiores chances de sobreviver. Não se retira aparelho de quem já o está utilizando, nem se substitui aparelho melhor por outro pior. Não se antecipa alta de UTI para paciente sem plenas condições, para liberar a outro necessitado. É o hospital, através do seu Diretor Técnico, que tem a responsabilidade de prover a existência de equipamentos imprescindíveis para a manutenção da vida de seus pacientes. DOCUMENTAÇÃO A documentação deve seguir as instruções da instituição e registro detalhado. A documentação é um instrumento importante porque não será capaz de memorizar detalhes de todos os atendimentos que prestou ao longo de um período determinado de tempo. A documentação também serve como registro legal no caso de processo judicial. A documentação deve ser clara, precisa e legível e deve incluir as seguintes informações: a) Condição da vítima quando encontrada; b) Descrição da vítima, da lesão ou da natureza do mal súbito; c) Sinais vitais iniciais e posteriores; d) Atendimento dado à vítima;e) Nome da instituição e da pessoa que assumiu a vítima; f) Quaisquer outros fatos notáveis; g) Qualquer possibilidade de exposição às doenças infecciosas; 6 h) Qualquer fato incomum relacionado ao caso. GREVE NOS SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA O Código de Ética Médica, no seu artigo 24, normatiza: “É direito de o médico” suspender suas atividades, individual ou coletivamente, quando a instituição pública ou privada para a qual trabalhe não oferecer condições mínimas para o exercício profissional ou não remunerar condignamente, ressalvadas as situações de URGÊNCIA e EMERGÊNCIA, devendo comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Medicina. É vedado, portanto, aos serviços de emergência a utilização da greve (suspensão das atividades). A Constituição Federal/88 reconhece expressamente a greve como direito fundamental, tanto para o trabalhador em geral, quanto para os servidores públicos civis. Entretanto, a Lei 7.783/89, art. 10 (II), considera serviço ou atividade essencial à assistência médica e hospitalar. O artigo 11 obriga a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. SUPERLOTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA A Constituição brasileira de 1988 estabelece o dever do Estado e o direito de todos à saúde. Nesse sentido o Poder Judiciário, tem interpretado questões como a superlotação em unidades de terapia intensiva pediátrica da rede pública como sendo responsabilidade do Estado à contratação de leitos na rede privada nessa situação. Também a questão da disponibilidade de medicamentos indispensáveis à sobrevivência do cidadão, quando este não puder prover o sustento próprio. Essa é a maneira como os países civilizados agem para que o sistema de saúde possa funcionar priorizando o atendimento de emergência. É fundamental que o médico, atuando num serviço de emergência superlotado, possa transferir aos órgãos competentes (direção técnica e gestores públicos) e não ao paciente a dificuldade da prestação do serviço. TESTEMUNHAS DE JEOVÁ É vedado ao médico efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e consentimento prévio do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida. A legislação penal em vigor admite como crime deixar de prestar assistência às pessoas com grave ou iminente risco de vida. Nesse caso o médico deve agir no cumprimento legal do dever. O médico deve lembrar, entretanto, que o sangue pode ser substituído por outros fluidos ou estimulantes da eritropoiese (processo de produção de eritrócitos, também denominados como hemácias ou células vermelhas do sangue), para a correção da anemia do paciente testemunha de Jeová, optando sempre pela forma de tratamento que não sacrifique os preceitos religiosos do paciente. Para o ordenamento jurídico brasileiro, cuja base é a Constituição Federal de 1988, a vida é um bem indisponível. No confronto entre dois bens, deve prevalecer o de maior valor; no caso, a vida. Segundo o Código de Ética Médica (artigo 8o): “O médico não pode, em qualquer circunstância ou sob qualquer pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, devendo evitar quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficácia e correção de seu trabalho”. ORDEM DE NÃO REANIMAÇÃO (ONR) A obstinação terapêutica através de medidas ou procedimentos que não mostram eficácia comprovada ou melhora das condições do paciente ou da qualidade de vida deve ser questionada. A adoção da ONR, entretanto, apresenta dificuldades de implantação nos serviços de emergência pela falta de interação necessária entre médico, paciente e família para adoção desse tipo de medida. O risco de o médico avaliar inadequadamente a situação, baseado em informações incompletas, e o conflito ético em relação ao paciente no que se refere às esperanças de tratamento tornam a adoção da ONR muito restrita na situação de emergência. Apesar disso, a ONR pode ser empregada por médicos, pacientes, familiares e instituições quando estiver normatizada previamente. A ONR deve ser restrita ao não início de manobras de ressuscitação cardiopulmonar quando não houver benefícios clínicos comprovados em 7 termos de sobrevida e qualidade de vida. De maneira prática, restringe-se à aplicação da massagem cardíaca externa, desfibrilação e ventilação assistida. Situações que podem ser avaliadas para a aplicação da ONR, desde que atenda aos desejos, valores e crenças do paciente e de seus familiares: 1. Câncer avançado sem possibilidades terapêuticas; 2. Doença pulmonar obstrutiva crônica avançada; 3. AIDS sem possibilidades terapêuticas; 4. Acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos extensos; 5. Estados vegetativos persistentes e doenças neurológicas degenerativas avançadas. Evidente que existem situações em que as tentativas de reanimação seriam de absoluta futilidade, como na decapitação, no trauma de crânio com grande perda de tecido cerebral ou na presença de rigor mortis. Contudo, a ONR não constitui normativa a ser seguida indiscriminadamente e não existe responsabilidade ética sobre a decisão tomada. OBRIGATORIEDADE DE SOCORRO Um cidadão comum poderá prestar auxílio simplesmente sinalizando o local e telefonando para o Resgate. No entanto, como Socorrista sua função possui o preceito de obrigatoriedade implícita de prestar socorro, e também, subentende que o atendimento seja prestado com qualidade profissional. Como Socorrista, será sua obrigação socorrer com proficiência e atualização. Ao receber um chamado, o profissional deverá imediatamente se dirigir para o local do incidente e fazer o atendimento adequado, mantendo-se dentro do limite de treinamento que você recebeu. Se você aplicar procedimentos errados ou se você negar socorro, sua instituição (ou ambos), assumirão solidariamente pela omissão de socorro, ou por negligência, ou incompetência, ou má fé. Na emergência, os profissionais de enfermagem lidam constantemente com questões éticas. Inúmeras situações nos remetem a uma profunda reflexão no qual devemos sempre nos apoiar no CEPE (Código de Ética Dos Profissionais da Enfermagem), além do nosso próprio censo de autocrítica. É certo que determinadas situações que enfrentamos, no nosso dia-a-dia não encontramos referência na ética, cabendo a nós agirmos conforme o nosso senso de justiça (bom senso). A equipe deve conhecer os princípios éticos legais dos atendimentos em emergências, para conduzir suas ações de forma juridicamente correta, evitando complicações e processos judiciais para si e para sua instituição. Leis e regulamentos variam de uma região para outra. ASSISTÊNCIA SISTEMATIZADA AO PACIENTE EM SITUAÇÃO DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Diariamente, muitas pessoas são atendidas em serviços de atenção às urgências. São homens, mulheres, crianças, jovens e idosos com os mais variados problemas de saúde e níveis de gravidade. Nesse cenário, é necessário que a equipe de enfermagem esteja capacitada para agir com segurança técnica, tendo-se conhecimento dos protocolos que norteiam o atendimento de urgência. Além do conhecimento, a atenção é um aspecto fundamental para quem trabalha nos serviços dessa natureza, pois uma situação de emergência pode se instalar de forma insidiosa. Por exemplo, nem sempre uma emergência “sangrante” que nos impacta porque é visível é mais grave do que o caso de uma pessoa quieta, aguarda pelo atendimento. Essa e muitas outras situações têm o fator tempo como determinante no prognóstico do cliente; quanto mais rápido e qualificado o atendimento, maiores serão as chances de sobrevida e de se prevenir sequelas. 8 Atualmente a assistência de enfermagem é baseada em conhecimento científico e não apenas em cuidados generalizados e subsidiados pelo pensamento médico como era há alguns séculos. Os enfermeiros e sua equipe estãobuscando destruir essa visão de submissão através da aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), desenvolvendo o planejamento da sua assistência, garantindo responsabilidades junto aos pacientes e norteando-se na tomada de decisões em diversas situações vivenciadas enquanto gerente da equipe de enfermagem. Além disso, na unidade de emergência é fundamental que a equipe toda saiba tomar decisões de forma rápida, promovendo um atendimento sincronizado, o que exige contínuo treinamento técnico-científico da prática. Os pacientes atendidos no pronto-socorro geralmente encontram-se bastante ansiosos e estressados devido à situação crítica de saúde e ao ambiente que culturalmente está associado a sentimentos de temor e morte, portanto, eles exigem uma maior atenção nos aspectos relacionados à interação e comunicação, necessitando que o profissional tenha empatia, sendo sensível ao sofrimento humano em relação a todo o contexto em que o paciente e sua família estão inseridos. ASSISTÊNCIA A DEMANDA E DIRECIONAMENTO AO ATENDIMENTO Quando uma pessoa sofre agravo agudo à saúde, deve ser acolhido em serviço do SUS mais próximo de sua ocorrência, seja numa Unidade de Saúde da Família, pronto atendimento ou pronto socorro. Caso haja necessidade de tratamento de maior complexidade, as centrais de regulação têm a responsabilidade de identificar, dentre os recursos disponíveis no território de abrangência, aquele que possa dar melhor resposta à demanda e redirecionar o atendimento. ALGUMAS ESPECIFICAÇÕES Emergência: 1. È uma situação que envolve um risco de morte imediato, ou seja, a pessoa pode morrer a qualquer momento e deve ser atendido o mais rápido possível. 2. Constatação médica de condições de agravo a saúde que impliquem sofrimento intenso ou risco iminente de morte, exigindo portanto, tratamento médico imediato. Urgência: 1. É uma situação que envolve risco de morte mediato, ou seja, a pessoa pode morrer, mas você tem um tempo maior para atendê-la. 2. Ocorrência imprevista de agravo a saúde com ou sem risco potencial a vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL ÀS URGÊNCIAS (SAMU) É o componente da rede de atenção às urgências e emergências que objetiva ordenar o fluxo assistencial e disponibilizar atendimento precoce e transporte adequado, rápido e resolutivo às vítimas acometidas por agravos à saúde de natureza clínica, cirúrgica, gineco-obstétrica, traumática e psiquiátrica mediante o envio de veículos tripulados por equipe capacitada, acessado pelo número “192” e acionado por uma Central de Regulação das Urgências, reduzindo a morbimortalidade. O SAMU é normatizado pela Portaria MS/GM nº 1.010, de 21 de maio de 2012. O SAMU mostra-se fundamental no atendimento rápido e no transporte de vítimas de: Intoxicação exógena; Queimaduras graves; Maus-tratos; Tentativas de suicídio; 9 Acidentes/traumas; Casos de afogamento; Choque elétrico; Acidentes com produtos perigosos; Crises hipertensivas; Problemas cardiorrespiratórios; Trabalhos de parto no qual haja risco de morte para a mãe e/ou o feto; Transferência inter - hospitalar (transferência entre unidades) de doentes com risco de morte. As unidades móveis para o atendimento de urgência podem ser: I – Unidade de suporte básico de vida terrestre (USB) – viatura tripulada por no mínimo 2 (dois) profissionais, sendo um condutor de veículo de urgência e um técnico de enfermagem; II – Unidade de suporte avançado de vida terrestre (USA) – viatura tripulada por no mínimo 3 (três) profissionais. AVALIAÇÃO DA VÍTIMA A avaliação da vítima é dividida entre primária e secundária. É por meio destas avaliações que identificamos as condições da vítima. Avaliação primária: A avaliação primária deve ser cuidadosa e respeitar uma ordem, como por exemplo: 1. Ver se a vítima está consciente, ou seja, se responde – chame-a, sem movimentá-la; 2. Se ela não responde, veja se ela respira (ver, ouvir e sentir os movimentos respiratórios) com cuidado para não desalinhar a coluna cervical; 3. Avaliar a circulação (pulso); 4. Avaliar se há sangramentos. Avaliação secundária: Somente após completar todos os passos da avaliação primária é que se parte para a avaliação secundária. Observe a vítima da cabeça aos pés, veja se há algo errado, por exemplo: • Confusão mental (a vítima não dá respostas adequadas às perguntas); • Queimaduras; • Fraturas; • Objetos encravados. AVALIAÇÃO DIRIGIDA A avaliação dirigida é realizada logo após o término da avaliação inicial e é dividida em três etapas distintas, são elas: 1. Entrevista com o paciente (nome, idade, etc), familiares ou testemunhas); 10 Entrevista: Etapa da avaliação onde o socorrista conversa com o paciente buscando obter informações dele próprio, de familiares ou de testemunhas, sobre o tipo de lesão ou enfermidade existente e outros dados relevantes. 2. Aferição dos sinais vitais; Sinais Vitais: Etapa da avaliação onde o socorrista realiza a aferição da respiração (movimentos torácicos e abdominais com entrada e saída de ar normalmente pelas narinas ou boca), pulso, pressão arterial e temperatura do paciente. 3. Exame físico (limitado a uma lesão ou problema ou completo da cabeça aos pés). Exame físico: O exame físico poderá ser limitado a uma lesão ou realizado de forma completa (da cabeça aos pés). Nesta etapa da avaliação, o socorrista realiza uma apalpação e uma inspeção visual, de forma ordenada e sistemática, buscando localizar no paciente, indicações de lesões ou problemas médicos, por exemplo, se há hemorragia (arterial ou venoso),estado das pupilas (dilatação e simetria), tórax, abdome e membros (lesão, dor ao respirar, dor a compressão, deformações, edema, ferimento a bala ou arma branca). MORTE NO LOCAL Se quando o profissional chegar ao local houver qualquer indicação que a vítima está viva, você deverá iniciar o atendimento adequado. No entanto se houver evidências de morte, deverá seguir as normas e leis vigentes na localidade e cumprir os protocolos da sua instituição. As evidências que indicam que uma pessoa está morta são: a) Decapitação – A cabeça está separada do corpo. b) Rigor mortis – Enrijecimento dos músculos que ocorre horas após a morte. c) Decomposição – Quando a morte já ocorreu há mais de um dia. d) Lividez cadavérica – Cor vermelha ou roxa do sangue que decanta em direção ao solo, no corpo de uma pessoa morta. Lividez ocorre várias horas após a morte. SALA DE ESTABILIZAÇÃO Define-se por Sala de Estabilização (SE) o equipamento de saúde que deverá atender às necessidades assistenciais de estabilização do paciente grave/crítico em municípios de grandes distâncias e/ou isolamento geográfico, bem como lugares de difícil acesso considerados como vazios assistenciais para a urgência e emergência. Deverá se organizar de forma articulada, regionalizada e em rede. A SE poderá estar alocada em serviços de saúde, públicos ou filantrópicos, em hospitais de pequeno porte (HPP) com no máximo 30 (trinta) leitos e fora da área de abrangência de UPA 24 horas, podendo também ser instalada em outras unidades, tipo unidade básica de saúde (UBS) e unidade mista, além de HPP, desde que garantidas às condições para o seu funcionamento integral por 24 horas em todos os dias da semana. Deverão ser observadas as seguintes diretrizes: • Funcionamento nas 24 (vinte e quatro) horas do dia e nos 7 (sete) dias da semana; • Equipe interdisciplinar compatível com suas atividades; • Funcionamento conforme protocolos clínicos, acolhimento, classificação de risco e procedimentos administrativos estabelecidos e/ou adotados pelo gestor responsável.11 QUADRO/PRÁTICAS DE ATENDIMENTO DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA NEUROSE HISTÉRICA A neurose histérica, ou crise de ansiedade é uma síndrome psiconeurotica caracterizada por estados de expectativa, apreensão, muita tensão e nervosismo. Pode vir associada fadiga com exacerbada, crises agudas de pânico e ansiedade, palpitações e, frequentemente, manifestações físicas de medo e pavor. No quadro de um ataque de histeria, a vítima, aparentemente normal, não consegue controlar satisfatoriamente algum tipo de conflito interno, esporádico ou instalado, entra repentinamente numa sequência de distúrbios psiconeuróticos e psicofisiológicos. Normalmente, o organismo usa como mecanismos de defesa, contra um conflito intrapsiquico muito incômodo, a transformação deste em outras manifestações menos desagradáveis. Quando a transformação não ocorre, pode sobrevir a neurose. Conflito não resolvido satisfatoriamente gera crise de ansiedade (histeria). A vítima se apresenta tensa, inquieta, apreensiva, frequentemente taquicárdica e com sudorese excessiva. Existe uma sensação de mal-estar muito intensa, mas o acidentado quase nuncasabe a que atribuí-la. Sentindo-se ansioso, a vítima tende a respirar rapidamente, o que leva a uma alcalose com sensação de tontura; esta sensação realimenta a crise de ansiedade, aumentando ainda mais a hiperventilação. A pessoa que for prestar os primeiros socorros pode reconhecer uma crise histérica ao notar na vítima as seguintes características: 1. Pestanejar intenso; 2. Hipersensibilidade emocional; 3. Autopreservação exacerbada; 4. Respiração acelerada; 5. Crise de choro ou de riso; 6. Gritos estridentes; 7. Olhar observador; 8. Membros em garra. Todos os sintomas de neurose histérica podem ser modificados por sugestão. O ataque histérico é um desequilíbrio da vontade, ou uma ausência de vontade. A calma e a persuasão são fundamentais como primeiros socorros. Durante a crise, a vítima de neurose histérica não perde a consciência, mantém o olhar atento, especialmente observador da reação das pessoas à sua volta. A vítima também se autopreserva para não ser presa, agarrada, cair ou se machucar. Deve-se agir com tranquilidade, demonstrando não dar muita importância ao estado aparente do acidentado. Afastá-la da presença de outras pessoas, conversando amigavelmente. Afrouxar-lhe as roupas e fazer com que se sente ou deite, demonstrando solidariedade e segurança. Não se deve discutir com a vítima de histeria. Pode-se deixá-la chorar à vontade, se for o caso, ficando sempre por perto em sinal de apoio e compreensão. Não se deve dar medicamentos, especialmente calmantes e tranquilizantes, mesmo que o acidentado peça. Pode ser oferecida água, ou água com açúcar para ser bebida devagar e com calma. Com estes cuidados, a vítima histérica geralmente volta ao seu estado normal, se acalma e se contém. Todavia, se o descontrole emocional persistir, não desaparecer totalmente ou retornar na forma de uma segunda crise, deve-se procurar auxílio especializado. PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR) Cessação abrupta das funções cardíaca, respiratória e cerebral. São sinais clínicos da PCR: Inconsciência; Ausência de pulso; 12 Ausência de movimentos ventilatórios (apneia) ou respiração agônica (gasping - respiração profunda). O profissional de saúde deve reconhecer a PCR: Avalie a responsividade: Chame o paciente de preferência pelo nome; Avalie a respiração e pulso simultaneamente por 10 segundos; Em caso de detecção de ausência de responsividade, respiração (ou gasping) e pulso, solicite a outro profissional, de forma clara e objetiva, que: 1. Acione a equipe médica; 2. Traga o carro de emergência; 3. Traga o desfibrilador/DEA. Geralmente, a instituição possui um protocolo para o acionamento da equipe médica ou time de resposta rápida, um sistema de alerta imediato, por exemplo, após os comandos, iniciar imediatamente a Sequência de Atendimento C – A – B: C: Compressões torácicas de alta qualidade; A: Vias aéreas – abrir vias aéreas; B: Boa ventilação – garantir via aérea avançada. Compressões torácicas de alta qualidade Após o acionamento do serviço médico, deve - se iniciar as compressões torácicas e ventilação em todos os pacientes adultos com PCR, seja por causa cardíaca ou não cardíaca: Com as mãos sobre a metade inferior do esterno, sem flexionar os cotovelos; Frequência: 100 a 120 compressões/ minuto; Profundidade: mínima de 2 polegadas (5 cm) e máximo 2,4 polegadas (6 cm); Permitir retorno total do tórax após cada compressão. Não apoiar-se sobre o tórax entre as compressões; Minimizar as interrupções nas compressões. Não interromper as compressões por mais de 10 segundos; Colocar a prancha rígida embaixo do tórax do paciente, assim que disponível⁽⁴⁾. Relação ventilação-compressão adequada 1. Sem via aérea avançada: Realizar abertura de vias aéreas; Ventilação numa relação: 30:2, ou seja, 30 compressões: 2 ventilações (até a garantia de uma via aérea avançada); 2. Com via aérea avançada: Compressões contínuas a uma frequência 100 a 120/ minuto e 1 ventilação a cada 6 segundos (10 respirações por minuto). Rápida desfibrilação Assim que chegar o Desfibrilador Externo Automático (DEAs/DAEs) verificar o ritmo. Em caso de ritmo chocável ( Ex: Fibrilação Ventricular - Ritmo cardíaco com risco de vida que resulta em batimentos cardíacos acelerados inadequados ou Taquicardia Ventricular sem Pulso - sucessão rápida de batimentos ectópicos ventriculares): Aplique 1 choque; Reinicie a RCP por 2 minutos até o DEA avisar sobre a verificação do ritmo; Continue até que o Suporte Avançado de Vida assuma ou a vítima se movimente. Em caso de ritmo não chocável: Reinicie a RCP por 2 minutos, até ser avisado pelo DEA para verificação do ritmo; Continue até que o pessoal do SAV assuma ou até que a vítima se movimente. O DEA pode ser utilizado pelo Enfermeiro ou pela equipe de enfermagem sob supervisão, na presença ou ausência do profissional médico, conforme previsto no protocolo de Suporte Básico de 13 Vida, é um procedimento privativo do profissional médico “[…] não é atribuição do enfermeiro o uso do desfibrilador manual dentro do ambiente intra-hospitalar […]”. É essencial que a equipe de enfermagem esteja atualizada e capacitada para a execução, uma vez que um bom atendimento pode determinar a sobrevivência do paciente. Suporte avançado de vida O SAV engloba recursos adicionais como monitorização cardíaca, administração de fármacos, desfibriladores, equipamentos especiais para ventilação, marcapasso e cuidados após o retorno a circulação espontânea. Enquanto o médico assume a responsabilidade quanto ao desfibrilador, estabelecimento de uma via aérea avançada e orientações sobre os medicamentos a serem administrados (dose e frequência), a equipe de enfermagem necessita prestar assistência de forma organizada: Enfermeiro: controle do carro de emergência (preparo das medicações) e do tempo (intervalo entre as medicações e manobras de ressuscitação cardiopulmonar); Técnico de enfermagem responsável pelo paciente: à beira leito, administrando as medicações solicitadas pelo médico; Técnico de enfermagem auxiliar (dupla): assistência ao médico na execução da compressão torácica e suporte para demais atividades que se fizerem necessárias; O fisioterapeuta realiza os cuidados com a via aérea e ventilação (AMBU/ventilador mecânico), conforme orientação médica. Medicamentos mais utilizadas na PCR Epinefrina (Adrenalina) aumenta a atividade cardíaca, melhora a atividade muscular e eleva a capacidade de reação do corpo vasopressor para ressuscitação, pode ser utilizada logo após o início da PCR; Lidocaína e Amiodarona –ambas são indicadas para evitar recorrência da fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso; Difosfato de Adenosina – A adenosina é recomendada como segura e potencialmente eficaz para o tratamento e o diagnóstico inicial da taquicardia. É um antiarrítmico cardíaco utilizado para tratar taquicardia - batimentos cardíacos irregulares. A adenosina não pode ser comprada nas farmácias convencionais, só podendo ser administrada por profissionais de saúde em hospitais. Beta bloqueadores – indicada para tratamento pós-PCR, pois está relacionado com maior probabilidade de sobrevivência. No entanto, devem ser avaliados caso a caso. Alguns pacientes que já eram cardiopatas e faziam uso de Beta-bloqueadores antes, pode ser indicado manter a prescrição para melhor prognóstico. São antiarrítmicos, anti-hipertensores e agem na protecção cardíaca após enfarte do miocárdio. É importante salientar que as drogas vasoativas são de suma importância para o sucesso na RCP, mas, para que o paciente não tenha uma nova PCR, é preciso reverter a causa da PCR com medicamentos específicos. Por exemplo, hipocalemia, com reposição de potássio. Por isso, faz-se necessário que a equipe conheça a evolução clínica de cada paciente para que consiga atuar com segurança, aumentando a chance de sobrevida do paciente. Cuidados pós-PCR Principais objetivos iniciais e subsequentes dos cuidados pós-PCR: Otimizar a função cardiopulmonar e a perfusão de órgãos vitais; Transportar/transferir para um hospital apropriado ou UTI com completo sistema de tratamento pós-PCR; Identificar e tratar SCA (síndromes coronarianas agudas) e outras causas reversíveis; Controlar a temperatura para otimizar a recuperação neurológica; 14 Prever, tratar e prevenir a disfunção múltipla de órgãos. Isto inclui evitar ventilação excessiva e hiperóxia (excesso de oxigênio). Angiografia: deve ser realizada em caráter de emergência para todos os pacientes, para os quais haja suspeita de lesão cardiovascular. Controle direcionado de temperatura: Todos os pacientes adultos comatosos (sem resposta sensata a comandos verbais) – induzidos ou não – devem ser submetidos ao Controle Direcionado de Temperatura (CDT) pós parada, tendo como meta manter a temperatura entre 32 e 36ºC, durante no mínimo 24 horas, para diminuir o risco de danos neurológicos. Após uma PCR o paciente tem uma limitação de oxigênio em órgãos nobres, com a diminuição da temperatura, diminui o metabolismo e o consumo de oxigênio, possibilitando um melhor desfecho neurológico. Continuação do controle de temperatura além de 24 horas: É aconselhável evitar a febre em pacientes comatosos após o CDT, para evitar danos neurológicos. Doação de órgãos Todos os pacientes ressuscitados de uma PCR, mas que evoluem para morte ou morte cerebral devem ser avaliados como potencial doador de órgãos, especificamente de rim ou fígado, em ambientes onde haja programa de rápida obtenção de órgãos. OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS (ASFIXIA) A causa mais comum de emergências respiratórias é a obstrução do trato respiratório superior – um corpo estranho bloqueando o nariz, cavidade nasal, seios paranasais, faringe e laringe. A língua é a maior responsável por esse tipo de obstrução em vítimas inconscientes. O trato respiratório superior – traqueia, brônquios e pulmão, pode também ser bloqueadas por alimentos, pequenos objetos ou líquidos, incluindo saliva, muco, sangue ou vômito. A obstrução das via aéreas inferiores pode ser causada por corpos estranhos ou por bronco espasmo. A obstrução pode ser parcial ou completa. Se for somente parcial, a vítima conseguirá tossir e poderá haver um ruído semelhante a um ronco quando ela respira. Se a troca de ar for razoavelmente boa, incentivar a vítima a tossir e expelir o corpo estranho. Monitorar cuidadosamente a vítima, observando os seguintes sinais de redução da passagem de ar: ⦁ Tosse fraca e improdutiva; ⦁ Chiado alto durante a inalação; ⦁ Dificuldade durante a respiração; ⦁ Agarrar a garganta com as mãos; ⦁ Leve cianose. Os sinais de obstrução completa das vias aéreas são: ⦁ Incapacidade de falar, gemer, tossir ou gritar; ⦁ Ausência de sons respiratórios; ⦁ Uso intenso dos músculos necessários para a respiração (narinas dilatadas, pescoço e músculos faciais contraídos); ⦁ Inquietação, ansiedade e confusão progressivas; ⦁ Ausência de resposta. Atendimento de emergência para vítimas conscientes 1. Cada vez que abrir a via aérea procurar o objeto; 2. O médico irá removê-lo com a colaboração do paciente, o auxilio de uma pinça e um laringoscópio (se for um corpo estranho deglutido); 3. Se estiver visível o fará logo na emergência, caso não seja possível pode-se recorrer à endoscopia e até algum procedimento cirúrgico se for o caso. 15 4. RX 5. Se a vítima tornar-se não responsiva, iniciar os passos de RCP abrir a via aérea e procurar o objeto - usar um DEA. Se a vítima estiver inconsciente ou perder a consciência 1. Segurar firme qualquer material estranho e removê-lo – se possível. Tomar o máximo de cuidado para não empurrar o material para o fundo da garganta. 2. Iniciar as manobras de RCP com 30 compressões torácicas e 2 ventilações. 3. Cada vez que abrirmos a via aérea, procurar o objeto e removê-lo, se estiver visível e for possível. 4. Após completar as sequências de compressões abdominais, remova qualquer resíduo presente na faringe. 5. Retire qualquer material estranho da garganta, percorrendo a parede da faringe até chegar à boca. 6. Assim que as vias aéreas estiverem desobstruídas, continue a respiração de salvamento. 7. Se a obstrução persistir, repita as manobras das vias aéreas. 8. Usar um DEA. 9. Após duas ventilações sucessivas bem-sucedidas, verifique o pulso. Pontos anatômicos para a palpação de pulso: Métodos pré-hospitalares A manobra de HEIMLICH é o único método pré-hospitalar de desobstrução das vias aéreas superiores por corpo estranho, utilizado em primeiros socorros. Como proceder: 1. Ficar atrás da vítima em pé ou sentada e envolver os braços ao redor de sua cintura manter os cotovelos afastados das costelas da vítima. Colocar o polegar de uma das mãos na linha média do abdome, ligeiramente acima da cicatriz umbilical e bem abaixo do processo xifoide (a ponta do esterno), mantendo o polegar posicionado, formando um punho. Segurar o punho com a outra mão (polegares em direção à vítima). 2. Com um impulso rápido para dentro e para cima, pressionar o punho contra o abdome da vítima. 3. Dar impulsos, separados e distintos, e depois reavaliar a vítima até que o objeto seja eliminado ou a vítima consiga respirar e emitir sons ou a vítima tornar-se não responsiva. 4. Se a vítima tornar-se não responsiva, ligar para 192 e; Iniciar os passos de RCP e cada vez que abrir a via aérea, procurar o objeto (removê-lo, se estiver visível e for possível). 16 Se a vítima for um bebê Não usar as compressões abdominais em bebês, pois há um risco significativo e lesão dos órgãos dessa região. Ao invés disso, fazer uma combinação de golpes as costas e compressões torácicas. Nunca colocar o dedo na garganta de um bebê consciente para retirar corpos estranhos. Se o bebê estiver inconsciente, fazer a remoção cuidadosa apenas se conseguir enxergar o objeto. Executar o procedimento a seguir somente se a obstrução for causada por um corpo estranho. Se for causada por inchaço decorrente de infecção ou doença, o bebê deve ser imediatamente levado para um centro médico. Fazer o mesmo com bebês conscientes que apresentam dificuldade respiratória. Se o bebê estiver ou ficar inconsciente, utilizar a hiperextensão da cabeça para desobstruir a via aérea. Iniciar os passos de RCP. A cada vez que abrir a via aérea, procurar o objeto (removê-lo, se estivervisível e for possível). Após 5 ciclos de RCP, ligar para 192. Reiniciar a RCP até que o lactente comece a se mexer ou até que os profissionais de saúde do serviço de emergência assumam o caso. 17 . Anúncios HEMORRAGIAS É tido como hemorragia todo derramamento de sangue do organismo humano para fora dos vasos sanguíneos. O sangue tem funções nutritivas, excretoras e imunológicas essenciais ao nosso organismo, o que leva a concluir que a perda de tal elemento em nosso corpo é extremamente prejudicial e, dependendo da quantidade e do caso, mortal. Uma hemorragia com muita perda de sangue não devidamente tratada pode levar a vítima a um estado de choque e, posteriormente, a óbito. Já em casos de hemorragias de menor proporção, pode trazer um quadro de anemia (falta de nutrientes, e baixa quantidade de glóbulos vermelhos no sangue). Hemorragia externa: É o tipo de sangramento exterior ao corpo, ou seja, que é facilmente visível. Pode ocorrer em camadas superficiais da pele por corte ou perfurações, ou mesmo atingindo áreas mais profundas através de aberturas ou orifícios gerados por traumas. Hemorragia interna: A hemorragia interna se dá nas camadas mais profundas do organismo com músculos ou mesmo órgão internos. Ela pode ser oculta ou exteriorizar-se através de algum hematoma (mancha arroxeada) na região da hemorragia. A hemorragia interna costuma ser mais grave pelo fato de na maioria dos casos ser “invisível”, o que dificulta sabermos a dimensão e a extensão das lesões. Classificação quanto ao tipo de vaso sanguíneo rompido. Podem ser: Hemorragia Arterial: é quando uma artéria é rompida ou cortada e o sangramento ocorre em jatos intermitentes, na mesma pulsação das palpitações cardíacas. O sangue nesse tipo de hemorragia apresenta uma coloração vermelha clara e brilhante. Costuma ser mais grave por ter uma perda mais rápida de sangue. Hemorragia Venosa: É o sangramento que se dá em decorrência do rompimento ou corte de uma veia, e tem uma coloração vermelha escura, típica de um sangue rico em gás carbônico, tem um fluxo contínuo e mais lento que o da hemorragia arterial. http://falta-de-apetite.info/anemia 18 Hemorragia Capilar: É um sangramento lento e com menos volume de sangue, que ocorre nos vasos capilares (encontrados na extremidade interna da pele) e é observado em arranhões e pequenos cortes superficiais. Volemia Volemia é um termo médico utilizado para definir a quantidade de sangue circulante no corpo. Assemelha-se a hipoperfusão, termo utilizado quando há baixa irrigação sanguínea em determinada região do corpo, sendo seu emprego mais comum quando relacionada ao miocárdio. Em um humano adulto ela é de aproximadamente 75 ml/kg logo um homem de 60 kg possui cerca de 4,5 litros de sangue. Quando essa quantidade decresce (geralmente por causa de uma hemorragia, desidratação ou problemas renais) se dá o nome de hipovolemia, e caso fique abaixo de 50% do original causa choque volêmico. É chamada de hipervolemia quando, pelo contrário, ela é excessiva por conta de absorção de líquidos em excesso (geralmente por desequilíbrio hidroeletrolítico ou por medicamentos ou intencionalmente em certos procedimentos cirúrgicos). Reposição volêmica se refere às técnicas utilizadas para repor o sangue perdido no caso de uma hipovolemia (como transfusão de sangue). Hemorragia Interna Suspeitar de hemorragia interna se o acidentado estiver envolvido em: Acidente violento, sem lesão externa aparente; Queda de altura; Contusão contra volante ou objetos rígidos; Queda de objetos pesados sobre o corpo. Mesmo que, a princípio, o acidentado não reclame de nada e tente dispensar socorro. É importante observar os seguintes sintomas: Pulso fraco e rápido; Pele fria; Sudorese; Palidez e mucosas hipocoradas; Sede acentuada; Vertigens; Náuseas; Hematêmese; Calafrios; Estado de choque; Alterações mentais e agitação; Abdome em tábua; Dispneia; Desmaio. O que fazer em casos de hemorragia 1. É necessário manter e transmitir a calma diante da situação, passando à vítima confiança; 2. Deite a pessoa em posição horizontal, pois facilita a circulação sanguínea entre o coração e o cérebro; 3. Aplique sobre o corte, perfuração ou ferimento, uma compressa com gaze, ou qualquer pano cirúrgico estéril (calçar luvas a fim de evitar possíveis contaminações), fazendo uma pressão firme sobre o local com uma ou com as duas mãos, ou mesmo com um dedo (ligadura), dependendo do tamanho e do local do ferimento; 4. Manter acesso venoso em veia calibrosa (até duas vias se necessário); 5. Se o pano ou gaze ficar encharcado com sangue, este não deve ser trocado, mas mantido no lugar colocando outro por cima, para não interromper o processo de coagulação do sangue que está sendo contido; 6. Continuar a compressão até que a hemorragia estanque (no mínimo 10 min.); https://www.dicionarioinformal.com.br/diferenca-entre/hipoperfus%C3%A3o/volemia/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Hemorragia https://pt.wikipedia.org/wiki/Desidrata%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipovolemia https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Choque_vol%C3%AAmico&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Choque_vol%C3%AAmico&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipervolemia https://pt.wikipedia.org/wiki/Desequil%C3%ADbrio_hidroeletrol%C3%ADtico https://pt.wikipedia.org/wiki/Transfus%C3%A3o_de_sangue 19 7. Em seguida, faça uma ligadura compressiva (que é um curativo bem preso e com certa pressão sobre a região afetada) no local da hemorragia. 8. O medico irá avaliar o paciente para averiguar a necessidade de qualquer procedimento invasivo; 9. Durante todo esse processo, deve-se manter a vítima calma e acordada, não dar nada para comer ou para beber ( pode havendo a necessidade de cirurgia) e mantê-la aquecida. 10. No caso de hemorragias nos membros com muita abundância de sangue, a qual não se pôde conter após ter aplicado as técnicas acima mencionadas, pode ser que seja necessário o uso de um torniquete, que consiste em colocar um pano ou um esfigmomanômetro logo acima do ferimento, de maneira a interromper quase que integralmente a circulação sanguínea naquele local para estancar a hemorragia (interromper temporariamente o fluxo da artéria). Visto que é uma técnica muito arriscada, o torniquete é recomendável somente em última hipótese. Nos casos de hemorragias muito constantes deve-se transportar a vítima imediatamente a uma unidade de saúde mais próxima. 11. Em hemorragias nasais (sangramentos no nariz), deve-se elevar a cabeça da vítima com o tronco inclinado para frente, para que ela não acabe engolindo sangue ou aspirando; 12. Comprimir a(s) narina(s) que sangra(m) com os dedos; 13. Aplicar gelo ou compressas frias; 14. Não assoar; 15. Caso o sangramento não cesse, deve-se colocar um tampão, de algodão ou gaze de maneira a preencher bem a cavidade nasal. Ficar atento: 1. Hemoptise - É a perda de sangue que vem dos pulmões, através das vias respiratórias. O sangue flui pela boca, precedido de tosse, em pequena ou grande quantidade, de cor vermelho vivo e espumoso. 2. Estomatorragia - É o sangramento proveniente da cavidade oral/bucal. 3. Melena e Enterorragia - É a perda de sangue escuro, brilhante, fétido e com aspecto de petróleo, pelo orifício anal, geralmente provocada por hemorragia no aparelho digestivo alto (melena) ou no aparelho digestivo baixo (enterorragia - sangue vivo). 4. Metrorragia - É a perda anormal de sangue pela vagina, de causas variadas como abortamento, tumores, violência sexual, tumor, hemorragia pós – parto e distúrbio menstrual. 5. Otorragia - É o sangue que sai pelo conduto auditivo externo. Pode ser causada por ferimento no ouvido externo, contusão por corpo estranho e trauma. 6. Hematúria- É a perda de sangue juntamente com a urina. INSOLAÇÃO É causada pela ação direta e prolongada dos raios de sol sobre o indivíduo. É uma emergência médica caracterizada pela perda súbita de consciência e falência dos mecanismos reguladores da temperatura do organismo. Este tipo de incidente afeta geralmente as pessoas que trabalham com exposição excessiva a ambientes muito quentes ou que sofrem exposição demorada e direta aos raios solares. Pode ocorrer também sem a perda da consciência e afetar pessoas susceptíveis, mesmo que não estejam expostas a condições de calor excessivo. Nos casos muito graves de insolação pode haver lesões generalizadas nos tecidos do organismo, principalmente nos tecidos nervosos; morbidade e morte podem ocorrer como resultado de destruição das funções renais, hepáticas, cardiovascular e cerebral. 20 Sintomas Surgem lentamente: 1. Cefaléia; 2. Vertigens; 3. Náusea; 4. Pele quente e seca; 5. Pulso rápido; 6. Temperatura elevada 7. Confusão mental Surgem bruscamente: 1. Respiração rápida e difícil; 2. Palidez; 3. Desmaio; 4. Temperatura elevada; 5. Cianose de extremidades; 6. Eventualmente pode ocorrer coma. O objetivo inicial é baixar a temperatura corporal, lenta e gradativamente. Remover o máximo de peças de roupa do acidentado. Se estiver consciente, dever ser mantido em repouso e cabeça elevada. Pode-se oferecer bastante água fria ou gelada. Podem ser aplicadas compressas de água fria na testa, pescoço, axilas e virilhas. Tão logo seja possível, o acidentado deverá ser imerso em banho frio ou envolto em panos ou roupas encharcadas. Atenção especial aos sinais vitais. Se ocorrer parada respiratória, deve-se proceder respiração artificial, associada a massagem cardíaca externa, caso necessário. QUEIMADURAS As queimaduras são feridas traumáticas causadas, na maioria das vezes, por agentes térmicos, químicos, elétricos ou radioativos. Esses fatores atuam nos tecidos de revestimento do corpo humano, determinando destruição parcial ou total da pele e seus anexos, podendo atingir camadas mais profundas, como tecido celular subcutâneo (abaixo da pele), músculos, tendões e ossos. As queimaduras são classificadas de acordo com a sua profundidade e tamanho, sendo geralmente mensuradas pelo percentual da superfície corporal acometida. Tipos: Queimaduras térmicas: são provocadas por fontes de calor como o fogo, líquidos ferventes, vapores, objetos quentes, queimadura de sol, exposição ao frio intenso Queimaduras químicas: são provocadas por substâncias químicas em contato com a pele ou mesmo através das roupas Queimaduras por eletricidade: são provocadas por descargas elétricas. Além disso, as queimaduras também podem ser divididas de acordo com a profundidade da lesão causada: Queimadura de 1º grau: também são chamadas de queimadura superficial, são aquelas que envolvem apenas a epiderme, a camada mais superficial da pele. Os sintomas são intensa dor e vermelhidão local, mas com palidez na pele quando se toca. A lesão da queimadura de 1º grau é seca e não produz bolhas. Geralmente melhoram no intervalo de 3 a 6 dias, podendo descamar e não deixam sequelas. Um exemplo clássico é a queimadura de sol. Queimadura de 2º grau: A queimadura de 2º grau superficial é aquela que envolve a epiderme e a porção mais superficial da derme. Os sintomas são os mesmos da queimadura de 1º grau, incluindo ainda o aparecimento de bolhas e uma aparência úmida da lesão. A cura é mais demorada, podendo levar até 3 semanas e não costuma deixar cicatriz. As queimaduras de 2º grau profundas são aquelas que acometem toda a derme, sendo semelhantes às queimaduras de 3º grau. Como há risco de destruição das terminações nervosas da pele, este tipo de queimadura é considerada bem mais grave e também é mais dolorosa que o primeiro grau. 21 Queimadura de 3º grau: são profundas que acometem toda a derme e atinge tecidos subcutâneos, com destruição total de nervos, folículos pilosos, glândulas sudoríparas e capilares sanguíneos, podendo inclusive atingir músculos e estruturas ósseas. São lesões esbranquiçadas/acinzentadas, secas, indolores e deformantes que não curam sem apoio cirúrgico, necessitando de enxertos de pele (ou seja, a retirada de pele saudável de outra região do corpo ou através de doação). Quanto à extensão: A extensão de uma queimadura é representada em percentagem da área corporal queimada. Leves (ou "pequeno queimado"): atingem menos de 10% da superfície corporal; Médias (ou "médio queimado"): atingem de 10% a 20% da superfície corporal; Graves (ou "grande queimado"): atingem mais de 20% da área corporal; Duas regras podem ser utilizadas para "medir" a extensão da queimadura: Regra dos nove: é atribuído, a cada segmento corporal, o valor nove (ou múltiplo dele): cabeça - 9% tronco frente - 18% tronco costas - 18% membros superiores - 9% cada membros inferiores - 18% cada genitais - 1% As queimaduras de mãos, pés, face, períneo, pescoço e olhos, quaisquer que sejam a profundidade e a extensão, necessitam de tratamento hospitalar. A gravidade da queimadura será determinada pela profundidade, extensão e a área afetada Em caso de acidente envolvendo queimaduras, o primeiro cuidado deve ser interromper o agente causador da queimadura, ou seja, cortar esse contato da pele com a causa. Para casos de queimaduras leves, é indicado lavar o local atingido com água corrente em temperatura ambiente, de preferência por tempo suficiente até que a área queimada seja resfriada. O que não fazer após sofrer uma queimadura? Ao sofrer uma queimadura é preciso tomar alguns cuidados e evitar: Tocar a queimadura com as mãos Furar as bolhas Tentar descolar tecidos grudados na pele queimada Retirar corpos estranhos ou graxa do local queimado Colocar manteiga, pó de café, creme dental ou qualquer outra substância que não seja água sobre Para tratar queimaduras leves é possível seguir as seguintes dicas: Resfrie a queimadura: Deixe correr água fria sobre a queimadura por 10 a 15 minutos ou até que a dor diminua. Ou aplique uma toalha limpa umedecida com água da torneira fria. Não use gelo. Colocar gelo diretamente sobre uma queimadura pode causar mais danos ao tecido Remova anéis ou outros itens apertados da área queimada: Tente fazer isso de forma rápida e gentil, antes que a área aumente Não mexa em bolhas: Se as bolhas se romperem, limpe suavemente a área com sabão neutro e água, aplique uma pomada antibiótica e cubra-a com um curativo de gaze antiaderente Aplique hidratante ou loção ou gel de aloe vera: Isso pode acalmar a área e prevenir a secura à medida que a ferida cicatriza 22 Considere tomar a injeção contra tétano: Certifique-se de que o seu reforço contra o tétano está atualizado. Os médicos recomendam que as pessoas tomem uma vacina contra o tétano pelo menos a cada 10 anos. CHOQUE ELÉTRICO São abalos musculares causados pela passagem de corrente elétrica pelo corpo humano. As alterações provocadas no organismo humano pela corrente elétrica dependem principalmente de sua intensidade, isto é da amperagem. A patologia das alterações provocadas pode ser esquematizada em três tipos de fenômenos: eletroquímico, térmico e fisiopatológico. Esses efeitos variam, porém, conforme a sua frequência, a intensidade medida em amperes, a tensão medida em volts, a duração da sua passagem pelo corpo, o seu percurso através do mesmo e das condições em que se encontrava a vítima. Como a maior parte da resistência elétrica se encontra no ponto em que a pele entra em contato com o condutor, as queimaduras elétricas geralmente afetam a pele e os tecidos subjacentes. Se a corrente for intensa, determinará a morte pela paralisia do centro nervoso central (bulbo)que regem os movimentos respiratórios e cardíacos. Em outros casos, a morte se dá por fibrilação cardíaca (ventricular). Em condições habituais correntes de 100 a 150 Volts já são perigosas e acima de 500 Volts são mortais. A intensidade da corrente é o fator mais importante a ser considerado nos acidentes com eletricidade. Corrente altas determinam espasmos musculares, podendo levar à morte se atuar por alguns minutos, por paralisia da musculatura respiratória. Cada segundo de contato com a eletricidade diminui a possibilidade de sobrevivência da vítima. Sintomas: 1. Mal estar geral 2. Sensação de angústia 3. Náusea 4. Câimbras musculares de extremidades 5. Parestesias (dormência, formigamento) 6. Ardência ou insensibilidade da pele 7. Escotomas cintilantes (visão de pontos luminosos/mancha escura) 8. Cefaléia 9. Vertigem 10. Arritmias Cardíacas 11. Dispnéia 12. Parada cardíaca e respiratória 13. Queimaduras 14. Traumatismo (de crânio, ruptura de órgãos internos, etc.) 15. Óbito. Em caso de parada cardio - respiratória iniciar imediatamente as manobras de ressuscitação. Depois de obtida a ressuscitação cardio - respiratória, deve ser feito um exame geral da vítima para localizar possíveis hemorragias, fraturas e queimaduras nesta ordem ou lesões que possam ter ocorrido no caso de queda durante o acidente. FERIMENTOS Os cortes ou rasgos (lacerações) em tecidos, as escoriações (abrasões) e as feridas por perfuração podem ser causados por mordidas ou por outros mecanismos. Em geral, ferimentos que não são causados por mordidas e limpos são rapidamente curados, sem apresentar qualquer problema. No entanto, algumas feridas podem causar perda abundante de sangue. Em algumas feridas, as estruturas profundas, como nervos, tendões ou vasos sanguíneos, também são lesionadas. As outras feridas podem infeccionar. Um pedaço de material estranho (como 23 um estilhaço, vidro ou fragmento de roupa) também pode permanecer dentro de uma ferida, causando problemas posteriores como uma infecção. Cortes superficiais na maior parte da pele raramente sangram em abundância e, com frequência, o sangramento para de forma espontânea. Os cortes nas mãos e no couro cabeludo, como os cortes nas artérias e nas veias maiores, sangram geralmente com intensidade. Quando um ferimento fica contaminado com sujeira e bactérias, é possível ocorrer uma infecção. Embora qualquer ferimento possa ficar infectado, é mais provável que a infecção ocorra especialmente nas escoriações profundas, permitindo a entrada de sujeira na pele e nas feridas por perfuração (particularmente os resultantes de mordidas de animais ou mordidas humanas), introduzindo os contaminantes nas camadas profundas da pele. Além disso, as feridas que contêm materiais estranhos infeccionam com frequência. Quanto mais tempo o ferimento permanecer infectado, maior será a probabilidade de surgir uma infecção. Os ferimentos podem ser dolorosos no princípio, mas a dor costuma diminuir depois do primeiro dia. Se um corte afetar um nervo ou um tendão, a pessoa não pode mover por completo essa parte do corpo. Algumas lesões nervosas causam fraqueza ou paralisia, perda de sensação ou dormência. Geralmente, se o material estranho continuar dentro de um ferimento por punção, a parte da lesão próxima do material apresenta dor ao toque. A dor que se agrava um dia ou mais após a lesão pode ser o primeiro sinal de uma infecção. Depois, o ferimento infectado apresenta vermelhidão e edema, podendo libertar pus. Também pode surgir febre. É necessário recorrer a uma assistência médica nas seguintes circunstâncias: Se o corte tiver mais de 3/4 cm de comprimento, estiver situado na face, tiver um aspecto profundo ou com as extremidades separadas Se o sangramento não for estancado após poucos minutos ou depois de se ter aplicado a pressão Se houver sintomas de lesão no nervo ou tendão, como perda de sensação, perda de movimento ou dormência Se uma escoriação for profunda ou se for difícil remover a sujeira e as partículas Se o ferimento for penetrante e, especialmente, se um objeto estranho provavelmente estiver alojado no local Se a pessoa não foi vacinada contra o tétano nos últimos 5 anos FERIMENTO POR ARMA BRANCA E FERIMENTO POR ARMA DE FOGO O ferimento por arma de fogo, também conhecido como trauma balístico, é uma forma de trauma físico ocasionado por projéteis disparados por armas de fogo. Os ferimentos por armas de fogo podem, pois, ser intencionais ou não intencionais. Quando a bala atravessa os tecidos, inicialmente esmagando-os e depois dilacerando-os, o espaço deixado forma uma cavidade. Balas de alta velocidade criam uma onda de pressão que força os tecidos para longe, criando uma cavidade temporária ou cavidade secundária. Os danos ocasionados por projéteis disparados por armas de fogo dependem da potência da arma, das características da bala, da sua velocidade, do ponto de entrada no corpo e das estruturas atingidas por ele. O efeito prejudicial imediato de uma bala é tipicamente uma hemorragia grave e com ela o risco potencial de choque hipovolêmico. Isso é tanto mais verdadeiro quando o projétil rompe algum vaso sanguíneo de grande calibre. Efeitos devastadores e às vezes letais podem ocorrer quando uma bala atinge um órgão vital, como o coração, os pulmões ou o fígado, ou danifica um componente do sistema nervoso central, como a medula espinhal ou o cérebro. Causas comuns de morte após ferimento por arma de fogo incluem hemorragia, hipóxia causada por pneumotórax, lesão catastrófica no coração e vasos sanguíneos maiores e danos no cérebro ou em outras partes do sistema nervoso central. Ferimentos por arma de fogo, quando não são fatais, frequentemente deixam sequelas severas e duradouras e, por vezes, incapacitantes. https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1324873/hemorragia+grave.htm https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1103539/informacoes+necessarias+sobre+o+choque+hipovolemico.htm https://www.abc.med.br/p/346209/pneumotorax+voce+sabe+o+que+e+e+como+ele+acontece.htm 24 O manejo pode variar conforme o caso, desde observação e tratamento de feridas locais até intervenção cirúrgica urgente. As atenções iniciais para uma ferida por arma de fogo são as mesmas que para qualquer outro caso de traumatismo agudo. Para assegurar que as funções vitais estejam intactas, deve-se avaliar e proteger as vias aéreas e a coluna cervical, manter ventilação e oxigenação adequadas, avaliar e controlar o sangramento para manter a perfusão orgânica, realizar exame neurológico básico, expor todo o corpo e procurar por outras lesões, pontos de entrada e pontos de saída e manter a temperatura corporal. O conhecimento do tipo de arma, número de disparos, direção e distância do tiro, perda de sangue e avaliação dos sinais vitais podem ser úteis para direcionar o gerenciamento. Pessoas com sinais graves de lesão vascular também requerem intervenção cirúrgica imediata, no entanto, nem todas as pessoas feridas por tiros no peito exigem cirurgia. Para pessoas sem sinais graves de lesão vascular, deve-se comparar a pressão arterial no membro lesionado à do membro não lesionado, a fim de avaliar melhor a possível lesão vascular. Se os sinais clínicos forem sugestivos de lesão vascular, a pessoa pode ser submetida à cirurgia. Além do manejo vascular, as pessoas devem ser avaliadas quanto a lesões nos ossos, tecidos moles e nervos. FERIMENTO POR ARMA BRANCA (FAB) O nome arma branca se refere a qualquer objeto que possa ser utilizado para atacar ou se defender de alguém ou alguma coisa, mas que, a princípio, não tem essa finalidade. Dessa forma, os ferimentos podem ser originados por facas, estiletes, espetos, garrafas quebradas, entre outros. Ao penetrar dentro da vítima, o instrumento forma um cone de lesão, ampliando