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EEB JOSÉ MARIA CARDOSO DA VEIGA RUA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO, 448 ENSEADA DE BRITO - PALHOÇA/SC – CEP 88138-000 FONE: (48) 36655729 INDUSTRIALIZAÇÃO, URBANIZAÇÃO E MOVIMENTO OPERÁRIO NA 1ª REPÚBLICA Durante a Primeira República no Brasil, a produção de café foi um motor de crescimento econômico, gerando lucros significativos. A partir da década de 1880, parte desses lucros foi investida em outras áreas, incluindo infraestruturas essenciais para a exportação do café, como ferrovias, portos, e energia elétrica. A economia cafeeira também impulsionou a expansão bancária e a industrialização, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, que se transformaram em centros industriais e urbanos. Com o crescimento industrial e comercial, houve um aumento significativo da migração para as cidades, tanto de trabalhadores rurais quanto de imigrantes, principalmente italianos, espanhois, alemães e portugueses. Entre 1887 e 1930, cerca de 3,8 milhões de imigrantes chegaram ao Brasil, inicialmente trabalhando no campo, mas muitos se deslocaram para as cidades em busca A urbanização, no entanto, ocorreu de forma desordenada e sem planejamento adequado, o que resultou em moradias precárias e problemas de higiene, especialmente no Rio de Janeiro. Para enfrentar esses desafios, o presidente Rodrigues Alves e o prefeito Pereira Passos promoveram uma reforma urbana na capital, demolindo prédios para abrir avenidas e reformar infraestruturas. Essas reformas, no entanto, levaram à expulsão das populações pobres das áreas centrais. Um processo semelhante ocorreu em São Paulo, onde a cidade se dividia entre bairros nobres e operários. Esse modelo de reurbanização foi replicado em outras capitais, empurrando os mais pobres para as periferias, onde os serviços públicos eram quase Nas primeiras décadas do período republicano no Brasil, a participação política dos cidadãos comuns era bastante restrita. A maioria, por ser analfabeta, não votava, poucos conseguiam fazer valer os seus direitos e o poder político se concentrava nas mãos de uma pequena elite. Dessa forma, a maior parte das manifestações de luta pela cidadania nesse período eram realizadas contra a arbitrariedade dos governantes ou dos grandes proprietários. As revoltas que conheceremos em seguida, ocorridas em 1904 e 1910 na cidade do Rio de Janeiro, podem ser consideradas símbolos dos protestos populares contra a opressão exercida pelos controladores do Estado. A Revolta da Vacina A política de remodelamento da capital federal se somava à realização de campanhas pela higienização da cidade e erradicação da febre amarela, da varíola e da peste bubônica. Incumbido dessa tarefa, em 1903, o médico sanitarista Oswaldo Cruz, diretor-geral de Saúde Pública, criou brigadas sanitárias para eliminar o mosquito transmissor da febre amarela. No ano seguinte, foi aprovada a lei que tornava obrigatória a vacinação contra a varíola. A população não foi orientada sobre essas decisões, e muitos não se conformaram com a obrigação de tomar uma vacina. Assim, explodiu uma rebelião popular na cidade do Rio de Janeiro, que ficou conhecida como Revolta da Vacina. Durante vários dias, a população enfrentou nas ruas as forças policiais e as tropas do exército e da marinha. Em 16 de novembro de 1904, a lei da vacinação obrigatória foi revogada, e o movimento refluiu até desaparecer completamente. A revolta deixou um saldo de trinta mortos e quase mil presos, dos quais 461 foram deportados para o estado do Acre. A Revolta da Chibata Em 23 de novembro de 1910, marinheiros dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo tomaram posse das suas embarcações e se amotinaram exigindo o fim dos castigos físicos que eram aplicados pelos oficiais na marinha brasileira. Nas Forças Armadas, principalmente na Marinha, os cargos oficiais eram ocupados por membros das camadas mais ricas da sociedade. Os marinheiros, por sua vez, vinham de famílias pobres, e muitos deles eram ex-escravizados ou descendentes de africanos escravizados. Para os oficiais, a disciplina só podia ser mantida com a mesma violência praticada antes nas grandes fazendas. Liderada pelo marinheiro João Cândido, filho de um ex-escravizado e que ficou então conhecido como Almirante Negro, a revolta contra os castigos se iniciou no encouraçado Minas Gerais e se espalhou por outros navios de guerra. Inicialmente, o então presidente Hermes da Fonseca cedeu às exigências dos marinheiros, prometendo anistiar os amotinados. Porém, após a rendição, o governo prendeu e expulsou vários marinheiros da corporação. A organização dos movimentos negros no pós-abolição A fase que se iniciou após a abolição da escravidão e a consolidação do regime republicano foi bastante difícil para a população pobre e principalmente para os negros. O projeto opular e democrático que havia sido pensado por ativistas negros na luta pelo fim do sistema escravista foi sufocado pelas elites conservadoras, que visavam à manutenção do modelo social desigual e excludente. Os grupos abolicionistas mais comprometidos com as questões que envolviam a cidadania da população negra propunham mudanças radicais, como reforma agrária, reforma eleitoral, acesso à educação, atendimento médico, emprego e salários dignos, entre outros direitos que permitiriam a inserção igualitária dos ex-escravizados na sociedade. No entanto, houve a preservação dos interesses das elites, sem mudanças que ameaçassem a propriedade ou o poder político e econômico desses grupos. Para fazer frente às práticas racistas e à desigualdade social, foram criadas em diversas regiões do país associações que reuniam pessoas negras e onde eram realizadas diversas atividades e discussões. Esses núcleos contribuíram com a organização e a difusão de ideias de pensadores negros que buscavam alternativas para a melhoria das condições de vida dessa parcela da população. Nesse período, houve ainda a fundação de diversos jornais independentes que compunham a chamada imprensa negra e que tiveram papel importante no desenvolvimento das lutas por democracia, igualdade econômica e social e participação da população afro-brasileira na vida política do país. A imprensa negra contribuiu ainda no processo de consolidação dos movimentos negros contemporâneos e na construção de identidades das comunidades afrodescendentes, que influenciaram a sociedade brasileira com projetos críticos ao modelo de dominação vigente. Trabalhadores e trabalhadoras se organizam A expansão urbana e do setor industrial resultou no crescimento do operariado no país. Em 1880, o Brasil possuía 54 mil trabalhadores nas indústrias. Em 1920, esse número havia ultrapassado a marca de 200 mil operários. As condições de trabalho dos operários na nascente indústria brasileira eram péssimas. A jornada de trabalho variava entre 14 e 16 horas diárias, não havia cobertura médica nem indenização por acidente dos trabalhadores nas fábricas. Além disso, não havia direito a férias remuneradas, salário mínimo, licença-maternidade e nenhuma proibição ao trabalho infantil. Os melhores salários eram pagos aos trabalhadores mais qualificados. No setor metalúrgico, por exemplo, fundidores, caldeireiros e mecânicos eram mais bem pagos. As mulheres e as crianças, por sua vez, trabalhavam principalmente no setor têxtil. Em 1920, a participação das mulheres nas indústrias de tecidos chegava a 58% do total de empregados no setor. Grande parte dos operários das indústrias brasileiras era imigrante, com predomínio de italianos, espanhóis e portugueses. Foi por intermédio desses estrangeiros que as ideias socialistas, comunistas e anarquistas se difundiram no ambiente fabril. Nas primeiras duas décadas do século XX, a influência anarquista foi predominante no meio operário brasileiro. Uma de suas principais correntes era o anarcossindicalismo, que propunha o engajamento dos militantes nos sindicatos. A organização sindical era vista como um instrumento de luta por melhores condições de trabalho e como forma de atingir o objetivo maior: destruir o regime capitalista pormeio de uma revolução social. A greve geral de 1917 Os métodos de luta dos anarquistas eram o boicote, a sabotagem e, sobretudo, a greve, vista como estratégia fundamental na conquista de direitos. Em julho de 1917, uma greve geral paralisou por três dias a cidade de São Paulo. Atividades industriais, comerciais, dos setores de serviços e de transportes foram interrompidas. A fim de agrupar as várias categorias em greve e intermediar as negociações com empresários e o governo, anarquistas, apoiados por socialistas, formaram o Comitê de Defesa Proletária. Dentre os militantes que se destacaram na coordenação do movimento, cabe ressaltar a presença de mulheres anarquistas do Centro Feminino de Jovens Idealistas, em especial de Rosa Musitano e Maria Angelina Soares, que era secretária da Liga Operária da Mooca. Com a ajuda de uma Comissão de Imprensa, um acordo foi assinado entre grevistas, empresários e representantes do governo. Entre as conquistas dos trabalhadores, constavam aumento de 20% sobre os salários, o direito de associação dos operários e a não demissão de grevistas. Depois de cessada a greve, contudo, o acordo não foi cumprido por grande parte dos industriais, e nos meses seguintes líderes anarquistas foram presos e deportados. O Modernismo O período entre o final do século XIX e início do século XX foi caracterizado por uma grande efervescência cultural na Europa. A ideia de que se vivia em época nova, marcada pelos avanços tecnológicos, despertava debates e novas propostas artísticas. Alguns artistas brasileiros entraram em contato com essas discussões. Suas reflexões e produções artísticas fizeram nascer o movimento conhecido como Modernismo, que representou uma verdadeira revolução estética. O movimento deve ser compreendido no contexto em que surgiu. A nova elite brasileira que ascendeu com a riqueza gerada pelo café e pelas indústrias desejava conquistar também a hegemonia no campo das ideias e da cultura. Opondo-se à antiga elite do país, que valorizava exclusivamente a cultura europeia tradicional, a nova elite passou a estimular os artistas modernistas. A Semana de 1922 O movimento modernista atingiu o seu ápice com a Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. A Semana de 1922, como ficou conhecida, reuniu intelectuais e artistas, como Anita Malfatti, Emiliano Di Cavalcanti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Victor Brecheret e Heitor Villa-Lobos. A Semana de 1922 foi programada para comemorar o primeiro centenário da independência do Brasil. Porém, a intenção dos artistas era proclamar a segunda independência, dessa vez cultural e moderna. Eles propunham a ruptura das manifestações artísticas brasileiras com o tradicionalismo e com a visão colonialista, por meio da apropriação de diversas influências culturais e da valorização da cultura popular. ATIVIDADE 1. Como o crescimento da economia cafeeira influenciou a industrialização e a urbanização no Brasil durante a Primeira República? 2. Quais foram os principais desafios enfrentados pela urbanização desordenada nas cidades brasileiras, especialmente no Rio de Janeiro? 3. Explique como a reforma urbana promovida por Rodrigues Alves e Pereira Passos afetou a população pobre no Rio de Janeiro. 4. Quais foram as principais causas da Revolta da Vacina de 1904 e quais foram as consequências desse movimento? 5. Descreva os motivos que levaram à Revolta da Chibata de 1910 e a importância do marinheiro João Cândido nesse contexto. 6. Como os movimentos negros do pós-abolição contribuíram para o enfrentamento da desigualdade social e racial no Brasil republicano? 7. Quais eram as condições de trabalho dos operários nas indústrias brasileiras nas primeiras décadas do século XX e como elas influenciaram o surgimento de movimentos sindicais? 8. Explique a importância da greve geral de 1917 em São Paulo para a luta por direitos trabalhistas no Brasil 9. Como as ideias socialistas, comunistas e anarquistas influenciaram a organização dos trabalhadores e o movimento operário no Brasil nas primeiras décadas do século XX? 10. Qual foi o impacto do Modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922 no cenário cultural brasileiro durante a Primeira República?