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https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal 
 
NORTE LEGAL 
LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
ABRANGÊNCIA: ART. 1 AO 23 
 
PROCESSO PENAL - NOTAS INTRODUTÓRIAS 
 
MODALIDADES DE SISTEMAS PROCESSUAIS 
Busca-se examinar 03 pontos: 
a) Interação entre o Juiz, o Promotor e a Defesa; 
b) Papel que o Juiz exerce na produção da prova; 
c) Exercício do direito de defesa do acusado. 
 
 
SISTEMA 
INQUISITORIAL 
Não há contraditório. 
Juiz com ampla iniciativa probatória (chamada gestão de provas), na investigação e no processo. 
Acusado é mero objeto do processo. 
Princípio da verdade real (superado): magistrado deve buscar verdade, podendo, para tanto, utilizar 
provas ilícitas (ex, tortura admitida). 
Confissão do réu é a rainha das provas. 
 
SISTEMA 
ACUSATÓRIO 
(ADOTADO 
EXPRESSAMENTE 
NO BRASIL, NO 
ART.3º-A DO CPP) 
Art. 3º-A. O processo 
penal terá estrutura 
acusatória, vedadas a 
iniciativa do juiz na fase 
de investigação e a 
substituição da atuação 
probatória do órgão de 
acusação. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
 
 
 Clara distinção entre as atividades de acusar e julgar. 
Iniciativa probatória exclusiva das partes e juiz como terceiro imparcial e passivo na 
coleta da prova. Vigora o Princípio Dispositivo, por isso em nenhuma fase o juiz pode 
produzir prova de ofício. 
Como exemplo do papel do juiz na produção de prova, temos o art. 212 do CPP (método de 
questionamento das testemunhas) conhecido como exame direto e cruzado. Antes de 
2008, cabia ao juiz a formulação de perguntas. Atualmente, as perguntas são feitas 
diretamente pelas partes, cabendo ao magistrado a atuação residual. 
Art. 212, CPP. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo 
o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na 
repetição de outra já respondida. 
Acusado é sujeito de direitos. 
Vigora a publicidade e oralidade do julgamento. 
Presença de contraditório. 
Na fase investigatória, juiz só intervém se for provocado. 
Princípio da busca da verdade (ou verdade processual) - prova deve ser produzida com 
contraditório. 
Conforme seu art. 129, I, a CF adotou este sistema, outorgando ao MP a titularidade da 
ação penal pública. 
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SISTEMA MISTO OU 
FRANCÊS 
Processo tem 2 fases: 
1a fase: Inquisitorial, com instrução escrita e secreta, sem acusação e, por isso, sem 
contraditório. 
2a fase: Acusatório. Acusador apresenta acusação, réu se defende e Juiz julga, vigorando, 
em regra, a publicidade e a oralidade. 
Quando o CPP entrou em vigor, prevalecia que o sistema nele previsto era o misto. Porém, 
com o advento da CF, que prevê de maneira expressa a separação das funções de acusar 
e defender, adotou-se o Sistema Acusatório. 
 
 
PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS E PROCESSUAIS CONSTITUCIONAIS 
 
 
 
 
 
 
PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO 
DE INOCÊNCIA (DUDH) OU 
PRESUNÇÃO DE NÃO 
CULPABILIDADE (CF) 
Previsto na CF e na Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH). 
CADH CF 
Art. 8o, §2o: Toda pessoa 
acusada de um delito tem 
direito a que se presuma sua 
inocência, enquanto não for 
legalmente comprovada a 
sua culpa. 
Art. 5o (...), LVII – ninguém será 
considerado culpado até o trânsito 
em julgado de sentença penal 
condenatória. 
Aqui, aplica-se o princípio pro homine, segundo o qual havendo tratamento 
diferenciado na legislação internacional e na interna, deve prevalecer o que for 
mais benéfico ao acusado. Nesse caso, será a CF. 
No dia 07/11/2019, o STF, ao julgar as ADCs 43, 44 e 54), afirmou que o 
cumprimento da pena somente pode ter início com o esgotamento de todos os 
recursos. Assim, é proibida a execução provisória da pena. 
Atenção: No que tange à execução provisória da pena no Tribunal do Júri, a 1a 
Turma do STF já vinha decidindo no sentido de que a condenação a uma pena 
igual ou superior a 15 anos de reclusão autorizava a execução provisória da pena. 
O Pacote Anticrime positivou esse entendimento no art. 492, I, do CPP, o que, 
segundo a doutrina, é um dispositivo de constitucionalidade questionada, uma 
vez que se admite a execução provisória de uma decisão de um juiz de 1º grau. 
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PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR 
SE DETEGERE 
Para este princípio, ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Veda- 
se a autoincriminação. 
Previsto no CADH (art. 8o, 2, g) e na CF (art. 5o, LXIII). 
CADH CF 
Artigo 8o - Garantias judiciais 
2. Toda pessoa acusada de um 
delito tem direito a que se 
presuma sua inocência, enquanto 
não for legalmente comprovada 
sua culpa. Durante o processo, 
toda pessoa tem direito, em plena 
igualdade, às seguintes garantias 
mínimas: 
g) direito de não ser obrigada a 
depor contra si mesma, nem a 
confessar-se culpada, entre os 
quais o depermanecer calado;e 
Art. 5o, LXIII - o preso será informado de 
seus direitos, entre os quais o de 
permanecer calado, sendo-lhe 
assegurada a assistência da família e de 
advogado; 
OBS1. Sabendo que o titular desse direito é o indivíduo 
suspeito/investigado/indiciado/acusado, A TESTEMUNHA PODERÁ SE 
VALER DELE? SIM, desde que, diante do caso concreto, o seu depoimento 
seja apto a produzir prova contra si mesmo. Por exemplo, se falar o que 
sabe, acabará confessando um crime. Todavia, na posição de pessoa que 
conhece fato sobre terceiro, a testemunha não poderá invocar o princípio. 
OBS2. ADVERTÊNCIA. Nos termos do art. 5o, LXIII da CF, o cidadão deve 
ser, obrigatoriamente, informado do seu direito ao silêncio, sob pena de 
nulidade. Perceba que a não observância de tal dever PODE acarretar a 
ilicitude das provas. Sobre o tema, temos um julgado recente (11/05/2021) 
do STJ: 
(...) 4. No que concerne à alegada nulidade do depoimento prestado perante a 
autoridade policial, em virtude da ausência de informação a respeito do direito de 
permanecer em silêncio, consigno que, no moderno processo penal, eventual 
alegação de nulidade deve vir acompanhada da efetiva demonstração do prejuízo, 
o que não foi sequer indicado no presente recurso. Nesse contexto, a simples 
alegação de que o recorrente não foi alertado do seu direito ao silêncio, em nada 
repercute sobre a higidez processual. (...) STJ. 5ª Turma. RHC 77.238/PR. 
 
 
05 DESDOBRAMENTOS DO NEMO TENETUR SE DETEGERE 
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DIREITO AO 
SILÊNCIO 
Direito de não responder às perguntas formuladas pela 
autoridade, funcionando como espécie de manifestação 
passiva da defesa. 
 
 
DIREITO AO 
SILÊNCIO NO 
TRIBUNAL DO JÚRI 
E A VEDAÇÃO DA 
SUA UTILIZAÇÃO 
COMO ARGUMENTO 
DE AUTORIDADE 
O direito ao silêncio é válido em qualquer juízo e em 
qualquer procedimento. Portanto, pode ser exercido no 
tribunal do júri. 
O art. 478 do CPP diz o seguinte: 
Art. 478. Durante os debates as partes não poderão, sob pena 
de nulidade, fazer referências: 
I – à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que 
julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso de 
algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou 
prejudiquem o acusado; 
II – ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório 
por falta de requerimento, em seu prejuízo. 
 
DIREITO DE 
MENTIR 
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CÓGIGO DE PROCESSO PENAL - DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941.
 
TÍTULO II - DO INQUÉRITO POLICIAL 
 
 Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas 
autoridades policiais no território de suas respectivas 
circunscrições e terá por fim a apuração das infrações 
penais e da sua autoria. 
 
Parágrafo único. A competência definida neste artigo 
não excluirá a de autoridades administrativas, a quem 
por lei seja cometida a mesma função. 
 
#Jurisprudência Correlata 
▪É indispensável a existência de prévia autorização 
judicial para a instauração de inquérito ou outro 
procedimento investigatório em face de autoridade 
com foro por prerrogativa de função em Tribunal de 
Justiça (Info 1040, STF). 
▪É constitucional norma estadual que prevê a 
possibilidade da lavratura de termos 
circunstanciados pela Polícia Militar e pelo Corpo de 
Bombeiros Militar. O art. 69 da Lei dos Juizados 
Especiais, ao dispor que “a autoridade policial que 
tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo 
circunstanciado” não se refere exclusivamente à 
polícia judiciária, englobando também as demais 
autoridades legalmente reconhecidas. O termo 
circunstanciado é o instrumento legal que se limita a 
constatar a ocorrência de crimes de menor potencial 
ofensivo, motivo pelo qual não configura atividade 
investigativa e, por via de consequência, não se 
revela como função privativa de polícia judiciária (Info 
1046, STF, 03/2022). 
▪É aplicável a teoria do juízo aparente para ratificar 
medidas cautelares no curso do inquérito policial 
quando autorizadas por juízo aparentemente 
competente (Info 733, STJ, 04/2022). 
 
Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial 
será iniciado: 
 
I - de ofício; 
 
II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do 
Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de 
quem tiver qualidade para representá-lo. 
 
Parcela da doutrina entenda que a parte do inciso II 
que fala da requisição do magistrado não foi 
recepcionada, por violar o sistema acusatório. 
 
§ 1o O requerimento a que se refere o no II conterá 
SEMPRE QUE POSSÍVEL: (Não é obrigatório) 
 
a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; 
 
b) a individualização do indiciado ou seus sinais 
característicos e as razões de convicção ou de 
presunção de ser ele o autor da infração, ou os 
motivos de impossibilidade de o fazer; 
 
 
 
c) a nomeação das testemunhas, com indicação de 
sua profissão e residência. 
 
§ 2o Do despacho QUE INDEFERIR O REQUERIMENTO DE 
ABERTURA DE INQUÉRITO caberá RECURSO para o 
CHEFE DE POLÍCIA. 
 
§ 3o QUALQUER PESSOA DO POVO que tiver 
conhecimento da existência de infração penal em que 
caiba AÇÃO PÚBLICA poderá, VERBALMENTE ou POR 
ESCRITO, comunicá-la à autoridade policial, e esta, 
verificada a procedência das informações, mandará 
instaurar inquérito. 
 
§ 4o O inquérito, nos crimes em que a AÇÃO PÚBLICA 
DEPENDER DE REPRESENTAÇÃO, NÃO PODERÁ SEM 
ELA SER INICIADO. 
 
§ 5o Nos crimes de AÇÃO PRIVADA, a autoridade policial 
SOMENTE PODERÁ PROCEDER A INQUÉRITO a 
REQUERIMENTO DE QUEM TENHA QUALIDADE PARA 
INTENTÁ-LA. 
 
FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO IPL 
 
AÇÃO PENAL 
PRIVADA 
Delegado só pode instaurar o 
IPL a requerimento do ofendido 
ou do seu RL. De ofício, jamais. 
Não há necessidade de 
formalismo. 
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AÇÃO PENAL 
PÚBLICA 
CONDICIONADA À 
REPRESENTAÇÃO 
Delegado só pode instaurar IPL, 
se houver representação do 
ofendido ou requisição do 
Ministro da Justiça. 
Ex: Art. 171, §5o do CP 
(Estelionato. Há exceções). 
Não há necessidade de 
formalismo. 
 
 
 
AÇÃO PENAL 
PÚBLICA 
INCONDICIONADA 
Delegado pode instaurar IPL: 
▪ De ofício (portaria); 
▪ Auto de prisão em flagrante 
(APF); 
▪ Por requisição do Juiz (ADPF 
572 MC/DF/2019) ou MP; 
▪ Por requerimento do ofendido 
ou RL; 
▪ Notícia oferecida por qualquer 
do povo (“delatio criminis”). 
 
NOTITIA CRIMINIS 
CONCEITO: Conhecimento da autoridade, espontâneo 
ou provocado de um fato delituoso. 
 
COGNIÇÃO 
DIRETA|IMEDIATA
ESPONTÂNEA 
(DE OFÍCIO) 
Delegado conhece fato em suas 
ATIVIDADES ROTINEIRAS. 
(Instaura IPL por Portaria). 
Ex: Jornal (matéria 
jornalística1), informação da PM. 
Atenção: STJ entendeu que é 
possível a deflagração de 
investigação criminal com base 
em matéria jornalística (2019). 
 
COGNIÇÃO 
INDIRETA|MEDIATA 
PROVOCADA 
Delegado conhece fato por 
meio de EXPEDIENTE ESCRITO 
por TERCEIROS. 
Ex: Requisição do MP, 
requerimento da vítima, notícia 
por qualquer do povo (por 
escrito). 
COGNIÇÃO 
COERCITIVA 
Delegado toma conhecimento 
do fato pela apresentação do 
preso em flagrante. 
 
DELATIO CRIMINIS 
ANÔNIMA OU 
INQUALIFICADA 
É a denúncia anônima. 
Por si só, não serve para 
instaurar IPL. Antes, Delegado 
deve verificar a procedência 
das infos. 
DELATIO CRIMINIS 
SIMPLES 
Qualquer do povo comunica o 
crime. Ex: BO. 
DELATIO CRIMINIS 
POSTULATÓRIA 
Representante nos crimes de 
ação penal pública 
condicionada à representação. 
 
 
# Jurisprudência Correlata 
▪ É constitucional a Portaria GP 69/2019, por meio da 
qual o Presidente do STF determinou a instauração 
do Inquérito nº 4781, para apurar a existência de fake 
news denunciações caluniosas, ameaças e atos que 
podem configurar crimes contra a honra e atingir a 
honorabilidade e a segurança do STF, de seus 
membros e familiares. (Info 982, STF) 
▪ Não há nulidade na ação penal instaurada a partir 
de elementos informativos colhidos em IPL que não 
deveria ter sido conduzido pela PF considerando que 
a situação não se enquadrava no art. 1º da Lei 
10.446/2002. O fato de os crimes de competência da 
Justiça Estadual terem sido investigados pela PF não 
geram nulidade. Isso porque esse procedimento foi 
supervisionado pelo Juízo estadual (juízo 
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competente) e por membro do MPE (que tinha a 
atribuição para a causa). (Info 964, STF) 
 
 
 ▪ Denúncias anônimas não podem embasar, por si 
sós, medidas invasivas como interceptações 
telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser 
complementadas por diligências investigativas 
posteriores. Se há notícia anônima de comércio de 
drogas ilícitas numa determinada casa, a polícia 
deve, antes de representar pela expedição de 
mandado de busca e apreensão, proceder a 
diligências para reunir outras evidências que 
confirmem, indiciariamente, a notícia. (Info 976, STF) 
 
 Art. 6o LOGO que tiver CONHECIMENTO da prática da 
infração penal, a AUTORIDADE POLICIAL DEVERÁ: 
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se 
alterem o estado e conservação das coisas, até a 
chegada dos peritos criminais; 
 
II - apreender os objetos que tiverem relação com o 
fato, após liberados pelos peritos criminais; 
 
III - colher todas as provas que servirem para o 
esclarecimento do fato e suas circunstâncias; 
 
#Jurisprudência Correlata 
TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE: Quando a 
acusação não produzir todas as provas possíveis e 
essenciais para a elucidação dos fatos, capazes de, 
em tese, levar à absolvição do réu ou confirmar a 
narrativa acusatória caso produzidas, a condenação 
será inviável, não podendo o magistrado condenar 
com fundamento nas provas remanescentes. (STJ, 5ª 
turma, julgado em 14/12/2021). 
 
IV - ouvir o ofendido; 
 
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for 
aplicável, do disposto no Capítulo III doTítulo Vll, deste 
Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por 2 
TESTEMUNHAS que Ihe tenham ouvido a leitura; 
 
VI - proceder a RECONHECIMENTO DE PESSOAS E 
COISAS e a ACAREAÇÕES; 
 
VII - determinar, se for caso, que se proceda a EXAME 
DE CORPO DE DELITO e a QUAISQUER OUTRAS 
PERÍCIAS; 
 
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo 
datiloscópico, SE POSSÍVEL, e fazer juntar aos autos 
sua folha de antecedentes; 
 
Promotores de Justiça e magistrados não podem ser 
identificados criminalmente. As respectivas leis 
orgânicas (LOMP e a LOMAN) proíbem o indiciamento 
deles. 
 
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto 
de vista individual, familiar e social, sua condição 
econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e 
depois do crime e durante ele, e quaisquer outros 
elementos que contribuírem para a apreciação do seu 
temperamento e caráter. 
 
X - colher INFORMAÇÕES SOBRE a EXISTÊNCIA DE 
FILHOS, respectivas IDADES e se possuem alguma 
DEFICIÊNCIA e o NOME e o CONTATO de eventual 
RESPONSÁVEL pelos cuidados dos filhos, indicado pela 
pessoa presa. 
 
Quando for o caso, o Delegado deverá (e não poderá) 
proceder ao reconhecimento de pessoas e coisas, 
fazer acareações, determinar a realização de exame 
de corpo de delito e outras perícias. Não se trata de 
mera possibilidade, mas de dever legal. Não precisa 
de autorização judicial para nenhumas dessas 
diligências. 
 
Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a 
infração sido praticada de determinado modo, a 
autoridade policial PODERÁ proceder à REPRODUÇÃO 
SIMULADA DOS FATOS, desde que esta NÃO contrarie a 
MORALIDADE ou a ORDEM PÚBLICA. 
 
REPRODUÇÃO SIMULADA DOS FATOS 
(RECONSTITUIÇÃO DO CRIME) 
Prova TÍPICA (prevista no CPP), mas INOMINADA (não 
tem seu procedimento delineado no CPP). 
Acusado NÃO é obrigado a participar dela, pois não 
se pode exigir comportamento ativo. O investigado 
sequer pode ser obrigado a ir ao local da reprodução. 
(STF). 
Cuidado: Há quem entenda que ele está obrigado a 
pelo menos a ir ao local. 
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Delegado NÃO precisa de autorização judicial. 
Requisito: não contrariar a moralidade ou ordem 
pública. 
 
#MNEMÔNICO: “ACUSADO/INVESTIGADO/SUSPEITO NÃO 
É OBRIGADO A COMPARECER NO ‘BARE’” (Não cabe 
condução coercitiva) 
B Bafômetro 
A Acareação 
R Reprodução simulada dos fatos 
E Exame datiloscópioco. 
 
Art. 8o Havendo prisão em flagrante, será observado o 
disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro. 
 
Art. 9o TODAS as peças do IPL serão, num só 
processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, 
neste caso, rubricadas pela autoridade. 
 
Art. 10. O IPL deverá terminar no prazo de 10 DIAS, se 
o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver 
preso preventivamente, contado o prazo, nesta 
hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de 
prisão, ou no prazo de 30 DIAS, quando estiver solto, 
mediante fiança ou sem ela. 
 
PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO IPL 
 
 
 
 
 
RÉU PRESO 
10 DIAS. Até o advento do Pacote 
Anticrime, esse prazo era 
improrrogável. O art. 3o-B, §2o do 
CPP (ainda com a eficácia 
suspensa) passou a prever que o 
prazo poderá ser prorrogado por 
15 dias, uma única vez, pelo juiz 
das garantias. 
 
PRAZO É PENAL: dia do início é 
computado. 
Início do Prazo: ordem de prisão 
for executada (quer decorra de 
prisão em fragrante ou 
preventiva). 
 
 
 
 
 
RÉU SOLTO 
▪ 30 DIAS, prorrogável. 
 
▪ PRAZO É PROCESSUAL PENAL: 
dia do início não é computado. 
 
Início do Prazo: 
▪ Expedição da portaria (na 
instauração de ofício). 
▪ Recebimento dos docs pelo 
Delegado (na instauração por 
requisição). 
 
CUIDADO: Prazo da prisão (temporária, por exemplo) 
não se confunde com prazo para conclusão do IP. 
 
 
#INTERDISCIPLINARIEDADE #ASSIMFICAFÁCIL 
PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO IPL 
DIPLOMA PRESO SOLTO 
CPP 10 DIAS (+15*) 30 DIAS (+30) 
JF 15 DIAS (+15) 30 DIAS (+30) 
LEI 11.343/06 
(DROGAS) 
30 DIAS (+30) 90 DIAS (+90) 
LEI 1.521/51 
(ECONOMIA 
POPULAR) 
10 DIAS 10 DIAS 
PRISÃO 
TEMPORÁRIA em 
CRIMES HEDIONDOS 
 
30 + 30 DIAS 
 
NÃO SE 
APLICA 
JUSTIÇA MILITAR 20 DIAS 40 DIAS (+ 20) 
*Eficácia suspensa. 
 
§ 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver 
sido apurado e enviará autos ao JUIZ COMPETENTE. 
 
§ 2o No relatório poderá (e não deverá) a autoridade 
indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, 
mencionando o lugar onde possam ser encontradas. 
 
 
 
 
 
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# Comentários 
 
▪ Relatório não é uma peça obrigatória para 
oferecimento de denúncia. É uma peça 
essencialmente descritiva. Não é necessário que o 
Delegado faça juízo de valor (quem faz é o MP). O IPL 
é uma peça descritiva. 
 
Exceção: Na Lei de Drogas (Art. 52, I), o Delegado é 
obrigado a explicar as razões que o levaram a 
classificação do delito, quantidade e indícios que 
classifiquem o indiciado como usuário ou traficante. 
 
 
▪ A autoridade policial sempre deverá indicar o tipo penal 
em que acha incurso o investigado. Isso se denomina juízo 
de subsunção precária. O juízo de subsunção próprio cabe 
ao MP, por ocasião da denúncia. 
 
▪ Os autos do IPL devem ser encaminhados ao juízo 
competente, e não diretamente ao MP. 
 
§ 3o Quando o fato for de DIFÍCIL ELUCIDAÇÃO, e o 
indiciado estiver SOLTO, a autoridade poderá requerer 
ao juiz a DEVOLUÇÃO DOS AUTOS, para ulteriores 
diligências, que serão realizadas no PRAZO MARCADO 
pelo juiz. 
 
Delegado não pode pedir a devolução dos autos se o 
indiciado estiver preso. 
 
Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos 
que interessarem à prova, acompanharão os autos do 
IPL. 
 
Art. 12. O Inquérito policial acompanhará a denúncia ou 
queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. (E 
não em todos os casos) 
 
#Jurisprudência Correlata 
A denúncia anônima acerca da ocorrência de tráfico 
de drogas acompanhada das diligências para a 
constatação da veracidade das informações prévias 
podem caracterizar as fundadas razões para o 
ingresso dos policiais na residência do investigado 
(Info 734, STJ, 04/2022). 
 
Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial: 
 
 I - fornecer às autoridades judiciárias as informações 
necessárias à instrução e julgamento dos processos; 
 
II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo 
MP; 
 
III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas 
autoridades judiciárias; 
 
IV - representar acerca da prisão preventiva. 
 
Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-
A, no § 3º do Art. 158 e 159 do Código Penal e no Art. 239 
do ECA, o membro do MINISTÉRIO PÚBLICO ou o 
DELEGADO DE POLÍCIA poderá requisitar, de 
QUAISQUER ÓRGÃOS do PODER PÚBLICO ou de 
EMPRESAS DA INICIATIVA PRIVADA, DADOS E 
INFORMAÇÕES CADASTRAIS da VÍTIMA ou de 
SUSPEITOS. 
 
Esse dispositivo trata dos crimes de “PRIVAÇÃO DE 
LIBERDADE”. SÃO ELES: 
▪ Sequestro e cárcere privado 
▪ Condição análoga à de escravo 
▪ Extorsão mediante Sequestro 
▪ Sequestro relâmpago 
▪ Tráfico de Pessoas 
▪ Envio de criança ou adolescente para exterior 
 
 
Parágrafo único. A requisição, que será atendida no 
prazo de 24 HORAS, conterá: 
 
I - o nome da autoridade requisitante; 
 
II - o número do IPL; e 
 
III - a identificação da unidade de polícia judiciária 
responsável pela investigação. 
 
Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão 
dos crimes relacionados ao TRÁFICO DE PESSOAS, omembro do MINISTÉRIO PÚBLICO ou o DELEGADO DE 
POLÍCIA poderão REQUISITAR, mediante AUTORIZAÇÃO 
JUDICIAL, às empresas prestadoras de serviço de 
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telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem 
imediatamente os meios técnicos adequados – como 
sinais, informações e outros – que permitam a 
LOCALIZAÇÃO DA VÍTIMA OU DOS SUSPEITOS do delito 
em curso. 
 
§ 1o Para os efeitos deste artigo, SINAL significa 
POSICIONAMENTO DA ESTAÇÃO DE COBERTURA, 
SETORIZAÇÃO E INTENSIDADE DE RADIOFREQUÊNCIA. 
 
§ 2o Na hipótese de que trata o caput, o SINAL: 
 
I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação 
de qualquer natureza, que dependerá de autorização 
judicial, conforme disposto em lei; 
 
II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia 
móvel celular por período não superior a 30 DIAS, 
renovável por uma única vez, por igual período; 
 
III - para períodos superiores àquele de que trata o 
inciso II, será necessária a apresentação de ordem 
judicial. 
 
§ 3o Na hipótese prevista neste artigo, o INQUÉRITO 
POLICIAL DEVERÁ SER INSTAURADO no prazo máximo 
de 72 HORAS, contado do registro da respectiva 
ocorrência policial. 
 
§ 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 
HORAS, a autoridade competente requisitará às 
empresas prestadoras de serviço de telecomunicações 
e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os 
meios técnicos adequados – como sinais, informações 
e outros – que permitam a localização da vítima ou dos 
suspeitos do delito em curso, com imediata 
comunicação ao juiz. 
ENUNCIADO I DA I JORNADA DE DIREITO E PROCESSO 
PENAL (10 a 15 de agosto de 2020) 
Nos crimes submetidos à jurisdição brasileira, os 
provedores de conexão e de aplicações de internet 
que prestam serviços no Brasil devem fornecer o 
conteúdo de comunicações armazenadas em seu 
poder, não lhes sendo lícito, sob pena de sanções 
processuais, invocar legislação estrangeira para 
eximir-se do dever de cumprir a decisão judicial. 
Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o 
indiciado poderão requerer qualquer diligência, que 
será realizada, ou não, a juízo da autoridade. 
 
 
Art. 14-A. Nos casos em que servidores vinculados às 
instituições dispostas no Art. 144 da Constituição 
Federal figurarem como investigados em inquéritos 
policiais, inquéritos policiais militares e demais 
procedimentos extrajudiciais, cujo objeto for a 
investigação de fatos relacionados ao uso da força letal 
praticados no exercício profissional, de forma 
consumada ou tentada, incluindo as situações dispostas 
no art. 23 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 
1940 (Código Penal), o indiciado poderá constituir 
defensor. (2019) 
 
§ 1º Para os casos previstos no caput deste artigo, o 
investigado deverá ser citado da instauração do 
procedimento investigatório, podendo constituir 
defensor no prazo de até 48 HORAS a contar do 
recebimento da citação. 
 
§ 2º Esgotado o prazo disposto no § 1º deste artigo com 
ausência de nomeação de defensor pelo investigado, a 
autoridade responsável pela investigação deverá 
intimar a instituição a que estava vinculado o 
investigado à época da ocorrência dos fatos, para que 
essa, no prazo de 48 HORAS, indique defensor para a 
representação do investigado. 
 
§ 3º Havendo necessidade de indicação de defensor nos 
termos do § 2º deste artigo, a defesa caberá 
preferencialmente à Defensoria Pública, e, nos locais 
em que ela não estiver instalada, a União ou a Unidade 
da Federação correspondente à respectiva competência 
territorial do procedimento instaurado deverá 
disponibilizar profissional para acompanhamento e 
realização de todos os atos relacionados à defesa 
administrativa do investigado. 
 
§ 4º A indicação do profissional a que se refere o § 3º 
deste artigo deverá ser precedida de manifestação de 
que não existe defensor público lotado na área 
territorial onde tramita o inquérito e com atribuição 
para nele atuar, hipótese em que poderá ser indicado 
profissional que não integre os quadros próprios da 
Administração. 
 
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§ 5º Na hipótese de não atuação da Defensoria Pública, 
os custos com o patrocínio dos interesses dos 
investigados nos procedimentos de que trata este artigo 
correrão por conta do orçamento próprio da instituição 
a que este esteja vinculado à época da ocorrência dos 
fatos investigados. 
 
§ 6º As disposições constantes deste artigo se aplicam 
aos servidores militares vinculados às instituições 
dispostas no art. 142 da Constituição Federal, desde que 
os fatos investigados digam respeito a missões para a 
Garantia da Lei e da Ordem. 
 
Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado 
curador pela autoridade policial. 
 
Dispositivo não recepcionado. 
 
Art. 16. O MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO PODERÁ 
requerer a DEVOLUÇÃO DO INQUÉRITO À AUTORIDADE 
POLICIAL, senão para NOVAS DILIGÊNCIAS, 
IMPRESCINDÍVEIS ao OFERECIMENTO DA DENÚNCIA. 
 
Requerimento pode ser feito diretamente ao Delta. 
 
 
Juiz não pode indeferir o pedido de diligências, 
porque não cabe ao juiz à análise desses elementos 
neste momento, aqui ele estaria realizando um ato 
tumultuário, pois interferindo no desenvolvimento da 
convicção do MP, titular da ação penal. Caso o juiz 
indefira o pedido de devolução dos autos à 
autoridade policial, caberá Correição Parcial. 
 
Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar 
arquivar autos de inquérito. 
 
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do 
inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base 
para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder 
a novas pesquisas, SE de outras provas tiver notícia. 
 
MOTIVO DO 
ARQUIVAMENTO 
É POSSÍVEL 
DESARQUIVAR? 
Insuficiência de provas SIM 
(Súmula 524, STF) 
Ausência de pressuposto 
processual ou de 
condição da ação penal 
SIM 
Falta de justa causa para 
a ação penal (não há 
indícios de autoria ou 
prova da materialidade) 
 
SIM 
Atipicidade (fato não é 
crime) 
NÃO 
Existência manifesta de 
causa excludente de 
ilicitude 
STJ: NÃO (REsp 
791471/RJ) 
STF: SIM (HC 125101/SP) 
Existência manifesta de 
causa excludente de 
culpabilidade 
NÃO (doutrina) 
Existência manifesta de 
causa extintiva da 
punibilidade 
NÃO 
(STJ HC 307.562/RS) 
(STF Pet 3943) Exceção: 
certidão de óbito falsa. 
Cuidado: Desarquivamento não é sinônimo de 
oferecimento de denúncia. Desarquivar é reabrir as 
investigações e, para tanto, basta a notícia de provas 
novas. Por outro lado, para o oferecimento da 
denúncia (início da ação penal), não bastará a notícia. 
Precisará efetivamente de prova nova (inovadora, 
capaz de produzir uma alteração no contexto 
probatório). 
 
* Tabela extraída do site dizerodireito.com.br 
 
 
Súmula 524, STF: Arquivado o inquérito policial, por 
despacho do juiz, a requerimento do Promotor de 
Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem 
novas provas. 
 
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Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os 
autos do inquérito (ação penal privada) serão remetidos 
ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do 
ofendido ou de seu representante legal, ou serão 
entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado. 
 
 
Crime é de AÇÃO PENAL 
PÚBLICA 
Crime é de AÇÃO PENALPRIVADA 
Autos são remetidos ao 
MP 
Autos ficam em cartório 
aguardando a iniciativa da 
vítima. 
 
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo 
necessário à elucidação do fato ou exigido pelo 
interesse da sociedade. 
 
Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe 
forem solicitados, a autoridade policial NÃO poderá 
mencionar QUAISQUER ANOTAÇÕES referentes a 
instauração de inquérito policial contra os requerentes. 
 
Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá 
sempre de despacho nos autos e somente será 
permitida quando o interesse da sociedade ou a 
conveniência da investigação o exigir. 
 
Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não 
excederá de 3 dias, será decretada por despacho 
fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade 
policial, ou do órgão do MP, respeitado, em qualquer 
hipótese, o disposto no Art. 89, inciso III, do Estatuto da 
OAB. 
 
A doutrina majoritária entende que essa 
incomunicabilidade não foi recepcionada pela CF. 
 
Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que 
houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade 
com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a 
que esteja procedendo, ordenar diligências em 
circunscrição de outra, independentemente de 
precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, 
até que compareça a autoridade competente, sobre 
qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra 
circunscrição. 
 
Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inquérito ao 
juiz competente, a autoridade policial oficiará ao 
Instituto de Identificação e Estatística, ou repartição 
congênere, mencionando o juízo a que tiverem sido 
distribuídos, e os dados relativos à infração penal e à 
pessoa do indiciado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NORTE LEGAL 
LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
ABRANGÊNCIA: ART. 24 AO 62 
 
DA AÇÃO PENAL – NOTAS INTRODUTÓRIAS 
 
 
CONDIÇÕES GENÉRICAS DA AÇÃO PENAL (todas têm que ter) 
LEGITIMIDADE DAS PARTES (AD CAUSAM) 
ATIVA PASSIVA 
▪ Ação Penal Pública: MP 
▪ Ação Penal Privada: Ofendido (Pessoa Física ou 
Pessoa Jurídica) ou seu Representante Legal. 
▪ Autor de crimes (maior de 18 anos). 
▪ Pessoa Jurídica: apenas nos crimes ambientais. 
Obs. Não há mais a exigência de dupla imputação 
obrigatória. 
INTERESSE DE AGIR 
NECESSIDADE ADEQUAÇÃO UTILIDADE 
 
 
 
Presumida 
Não se discute no processo penal, pois o 
acusado se defende dos fatos. 
Relevante apenas nas ações penais não 
condenatórias. É o caso do Habeas Corpus, que 
não é adequado quando não houver risco à 
liberdade de locomoção, a exemplo do Art. 28 da 
Lei de Drogas (Consumo pessoal). 
Eficácia da atividade 
jurisdicional para satisfazer o 
interesse do autor. 
Obs. Prescrição em 
perspectiva é a antecipação do 
reconhecimento da prescrição 
punitiva. Os tribunais 
superiores não a reconhecem. 
 
POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO 
(FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL + PUNÍVEL) 
 
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JUSTA CAUSA 
CONCEITO NATUREZA JURÍDICA CONSEQUÊNCIA 
Lastro probatório 
mínimo para o 
ingresso da ação penal. 
(fumus comissi delicti) 
Prevalece que é a 4a condição da ação. 
 
Rejeição da denúncia 
Art. 395: Denúncia|queixa será́ 
rejeitada: 
I - manifestamente inepta; 
II - faltar pressuposto 
processual ou condição para 
exercício da ação penal; 
III - faltar justa causa para 
exercício da ação penal. 
 
# O que é JUSTA CAUSA DUPLICADA? 
Presente na ação penal nos crimes de LAVAGEM DE CAPITAIS. Decorre da premissa de que não basta demonstrar a 
presença de lastro probatório quanto à ocultação de bens, direitos ou valores, sendo indispensável que a denúncia 
também seja instruída com suporte probatório demonstrado que tais valores são provenientes, direta ou indiretamente, 
de infrações penais, Em outras palavras, como já dissemos, a justa causa é considerada uma das condições da ação 
penal, consistindo no suporte probatório mínimo para deflagrar o processo penal consistindo em prova de autoria e 
materialidade do fato. Em alguns casos, como é o caso da lavagem de dinheiro, a acusação deve apresentar indícios 
suficientes de que ocorreu crime antecedente. A isso se dá o nome de justa causa duplicada. 
 
CONDIÇÕES ESPECÍFICAS DA AÇÃO PENAL 
(CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE) 
Quanto à Natureza 
do delito 
Ex: Representação no crime de estelionato (Lei nº. 13.964/19). Cuidado: se a vítima 
for a Administração Pública (direta ou indireta), criança, adolescente, pessoa com 
deficiência mental, maior de 70 anos ou incapaz, a ação penal será púlica 
incondicionada. 
Quanto à Pessoa do 
acusado 
Ex: autorização da Câmara dos Deputados para o processo e julgamento do 
Presidente da República. 
Quanto ao 
Procedimento 
Crimes contra propriedade imaterial: exigem laudo pericial. 
Crimes da lei de drogas: exigem laudo de constatação. 
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DIFERENÇA ENTRE CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE e PROSSEGUIBILIDADE 
CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE CONDIÇÃO DE PROSSEGUIBILIDADE 
Condição tem que ser implementada para que o 
processo tenha INÍCIO. 
 
Ex: Representação num crime de estupro de 2016 
(antes da lei que definiu que todos os crimes 
sexuais são de ação penal pública incondicionada). 
Sem ela, o MP não poderia denunciar o réu. 
Processo está EM ANDAMENTO, mas a lei impõe o 
implemento de uma condição para ele prosseguir. 
 
Ex: A Lei nº 9.099/95 passou a exigir a representação 
nos crimes de lesão corporal leve e culposa. Para os 
processos que estavam em tramite perante o 
Juizado, a representação funcionou como condição 
de prosseguibilidade. No entanto, nos processos que 
fossem começar a representação seria uma 
condição de procedibilidade. 
Temos ainda a CONDIÇÃO DE PUNIBILIDADE: Acontecimento futuro e incerto, localizado entre o preceito 
primário e secundário da norma penal incriminadora, condicionando a existência da pretensão punitiva do 
Estado. 
Ex1: Sentença que decreta a falência, concede a recuperação judicial ou extrajudicial é condição objetiva de 
punibilidade dos crimes falimentares. 
 
Ex2: Decisão final do procedimento administrativo nos crimes materiais contra a ordem tributária. 
 
AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA 
REGRA: AÇÃO PENAL PRIVADA. 
EXCEÇÕES: 
INJÚRIA REAL MEDIANTE 
VIOLÊNCIA OU VIAS DE FATO 
▪ Injúria real mediante VIAS DE FATO: AP PRIVADA 
▪ Injúria real mediante LESÃO CORPORAL GRAVE ou GRAVÍSSIMA: AP 
PÚBLICA INCONDICIONADA 
▪ Injúria real mediante LESÃO CORPORAL LEVE: AP PÚBLICA CONDICIONADA 
À REPRESENTAÇÃO. 
▪ Injúria QUALIFICADA|INJÚRIA-PRECONCEITO: AP PÚBLICA CONDICIONADA 
À REPRESENTAÇÃO. 
OBS: Crime de racismo (lei 7.716/89) é de ação penal pública incondicionada. 
Não atinge só a honra de uma pessoa, é uma oposição indistinta a toda uma 
raça, etnia, religião, procedência nacional. (STJ) 
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CRIME CONTRA A HONRA DO 
PRESIDENTE DA REPÚBLICA 
AP PÚBLICA CONDICIONADA À REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA. 
CRIME CONTRA A HONRA DE 
SERVIDOR PÚBLICO EM RAZÃO DESUAS FUNÇÕES 
▪ 2 possibilidades: 
 I - AP PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO; ou 
II - AP PRIVADA. 
A legitimidade é concorrente (ALTERNATIVA – denúncia ou queixa-crime). 
 
COMPETÊNCIA DOS CRIMES SEXUAIS 
A partir da vigência da Lei 13.718/2018, todos os crimes contra a liberdade sexual passaram a ser de AÇÃO 
PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA. São eles: 
▪ Estupro; 
▪ Violação sexual mediante fraude; 
▪ Importunação sexual; 
▪ Assédio sexual; 
▪ Estupro de vulnerável; 
▪ Corrupção de menores; 
▪ Satisfação de lascívia mediante presença de COMA; 
▪ Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de COMA ou vulnerável; 
▪ Divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia. 
O Art. 225 do CP prevê a AP PÚBLICA INCONDICIONADA para os crimes previstos nos capítulos I e II (os 
listados acima). Como ficam os crimes previstos nos demais capítulos? Renato Brasileiro afirma que, 
apesar do silêncio do legislador, também são de AP PÚBLICA INCONDICIONADA. A regra para todo e 
qualquer crime é AP PÚBLICA INCONDICIONADA, sendo de AP PRIVADA ou de AP PÚBLICA 
CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO apenas quando a lei assim prever, no silêncio da lei segue a regra 
geral. 
 
 
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 CONFLITO DE ATRIBUIÇÃO ENTRE MEMBROS DO MP 
▪ Só existe conflito de atribuições se divergência ficar restrita aos membros do MP. Se juízes encamparem 
as teses dos membros do MP, haverá um conflito de competência. 
▪ Caso haja um conflito de atribuições entre membros do MP, quem irá decidir qual dos dois órgãos irá 
atuar? Depende. Podemos identificar situações diferentes: 
MPE do Estado X x MPE do Estado Y - PGJ do ESTADO X 
MPF x MPF – CCR, com recurso ao PGR 
MPU (ramo 1) x MPU (ramo 2) – PGR 
MPE x MPF –CNMP 
MPE do Estado 1 x MPE do Estado 2 - CNMP 
 
ESPÉCIES DE DENÚNCIA 
CRIPTOIMPUTAÇÃO 
Imputação contaminada por GRAVE DEFICIÊNCIA na NARRATIVA DO FATO delituoso. 
Espécie de denúncia criptografada, em códigos. 
DENÚNCIA GERAL 
Admite-se nos crimes de AUTORIA COLETIVA. O MP imputa a todos os acusados o 
mesmo fato delituoso, independentemente das funções exercidas por eles na 
empresa. Um fato só – não há inépcia, não viola o princípio da ampla defesa, o 
indivíduo como integrante da sociedade sabe de qual fato típico tem de se defender. 
DENÚNCIA 
GENÉRICA (NÃO 
ACEITA) 
 
Denuncia não individualiza a conduta do agente. Imputa fato a agente sem descrever 
a conduta ou o descreve diversos fatos aos agentes indistintamente, sem dizer como 
cada um contribuiu. 
Importância: nos crimes societários (de gabinete). É aquela que inclui diretor, gerente, 
preposto da Pessoa Jurídica na ação apenas por ele ostentar essa qualidade, mas 
não descreve qual conduta criminosa dessa pessoa. É INEPTA. 
DENÚNCIA 
SUBSTITUTIVA 
▪ MP pode repudiar queixa subsidiária (AP PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA), e em 
face disso FICA OBRIGADO A OFERECER OUTRA, para substituir repudiada. 
▪ MP pode repudiar queixa até recebimento da peça acusatória, (Olha Juiz, não fui 
inerte pelas razões x e y). 
 
 
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IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA SUBJETIVA ou OBJETIVA na DENÚNCIA 
(NÃO SÃO ACEITAS) 
IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA SUBJETIVA (IAS) IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA OBJETIVA (IAO) 
Atribui crime a mais de 1 pessoa, mas apenas uma 
cometeu. (Juiz, ou foi Zé ou foi Chico) 
Atribui alternativamente os vários crimes a uma 
mesma pessoa. (Juiz, ou foi furto ou roubo) 
IAS SIMPLES IAS COMPLEXA IAO AMPLA IAO RESTRITA 
Dúvida sobre a 
autoria. 
Dúvida sobre a autoria e se 
houve crime. 
Incide sobre a ação 
principal. 
Ex: furto e receptação 
Incide sobre 
circunstância ou 
qualificadora. 
IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA ORIGINÁRIA ou OBJETIVA na DENÚNCIA 
IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA ORIGINÁRIA IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA OBJETIVA 
Na denúncia, os fatos são imputados ao agente de 
forma alternativa. Não se admite! 
Ocorre na mutatio libelli, quando o MP adita a 
denúncia. Ex: Na audiência de instrução e 
julgamento, surge a elementar “violência” – o que 
era furto passou a ser roubo. Admitida! 
ADITAMENTO DA DENÚNCIA 
ADITAMENTO PRÓPRIO ADITAMENTO IMPRÓPRIO 
▪ Inclui novo fato investigado (REAL) ou novos 
indiciados (PESSOAL) na denúncia. 
▪ ADITAMENTO PRÓPRIO REAL: diz respeito a fatos 
delituosos, incluídos, qualificadoras ou causas de 
aumento. 
▪ ADITAMENTO PRÓPRIO REAL MATERIAL: 
acrescenta fato à denúncia, qualificando ou 
agravando o já imputado, com a adição de 
circunstância não contida na inicial, ou mesmo fato 
novo que importa imputação de outro ou de mais de 
um crime. 
▪ADITAMENTO PRÓPRIO REAL LEGAL: acréscimo de 
dispositivo legal, penais ou processuais (substantivo 
▪ Corrige falha na denúncia, esclarecimentos que 
não inovam o fato imputado, ou mesmo em 
retificação simples ou ratificação da denúncia. 
▪ Não interrompe a prescrição. 
Ex: equivoco na qualificação do acusado, local exato 
do delito. Fundamenta-se no 569 do CPP que 
permite a correção de omissões da denúncia a todo 
tempo, antes de sentença final. 
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ou adjetivo), ALTERANDO, assim, a classificação ou o 
rito processual, mas sem inovar no fato narrado 
▪ ADITAMENTO PRÓPRIO PESSOAL: inclusão de 
coautores e partícipes. 
OBS: Só o ADITAMENTO PRÓPRIO REAL interrompe a 
prescrição. 
▪ O Princípio do IN DUBIO PRO SOCIETATE se aplica em 2 momentos processuais: 
I - RECEBIMENTO da DENÚNCIA 
II - Decisão de PRONÚNCIA 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941)
 
TÍTULO III - DA AÇÃO PENAL 
 
Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será 
promovida por denúncia do Ministério Público, mas 
dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do 
Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou 
de quem tiver qualidade para representá-lo. 
 
# Comentários 
 
▪ A requisição do Ministro da Justiça trata-se de uma 
condição de procedibilidade (em regra). 
 
▪ A requisição do Ministro da Justiça não se sujeita a 
prazo decadencial. 
 
▪ É cabível a retratação da requisição do Ministro da 
Justiça. 
 
AÇÃO PENAL PÚBLICA 
INCONDICIONADA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO 
É a regra, 
salvo quando a 
lei declara de 
modo diverso. 
Não depende 
de nenhuma 
condição 
específica. 
MP depende do implemento de uma 
condição, prevista em lei, para 
oferecer a denúncia, quais sejam, a 
representação do ofendido ou 
requisição do MJ. 
▪ Ex: injúria racial, regra geral no 
estelionato (após o advento da Lei nº 
13.964/2019) 
 
AÇÃO PENAL PÚBLICA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA 
▪ CONCEITO: inércia de um órgão oficial. Diante disso, 
outro órgão oficial assume a titularidade da ação penal. 
▪ HIPÓTESES (2) 
➊ CRIMES ELEITORAIS (MPE age por delegação). MPE 
inerte? Procurador Regional Eleitoral pode oferecer 
denúncia subsidiária. 
➋ INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DA COMPETÊNCIA 
(IDC). MPE tem atribuição, mas verificada a inércia do 
aparato estadual e,em se tratando de crimecom grave 
violação aos direitos humanos, a CF prevê que o STJ 
pode autorizar deslocamento da competência para a 
Justiça Federal, na qual atuará o MPF. 
 
PRINCÍPIOS DAS AÇÕES PENAIS PÚBLICAS 
 
 
 
 
 
OBRIGATORIEDADE 
MP tem que oferecer a 
denúncia (se presentes 
condições da ação e a justa 
causa, não havendo 
discricionariedade). 
Exceções: 
I - Transação Penal; 
II - Acordo de Leniência; 
III - Parcelamento do Crédito 
Tributário; 
IV - Colaboração premiada na 
Lei de Organizações 
Criminosas; 
V- Acordo de Não Persecução 
Penal (ANPP). 
 
 
 
 
INDISPONIBILIDADE 
MP NÃO pode DESISTIR da 
AÇÃO PENAL proposta e NEM 
do RECURSO que interpôs, 
mas pode pedir absolvição do 
réu ou até mesmo recorrer 
em favor dele. 
Exceções: 
I - Suspensão Condicional do 
Processo; 
II - Transação penal (quando 
ocorre após o recebimento da 
denúncia). 
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DIVISIBILIDADE 
MP pode oferecer denúncia 
contra alguns suspeitos, sem 
prejuízo do aprofundamento 
das investigações em relação 
aos demais. NÃO precisa 
denunciar todo mundo, desde 
que fundamente. 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES PENAIS 
AÇÃO PENAL EX 
OFÍCIO 
(PROCESSO 
JUDICIALIFORME) 
Ação penal é iniciada de ofício pelo 
juiz. Não foi recepcionada pela CF. 
AÇÃO PENAL DE 
2o GRAU 
Ações penais manejadas 
diretamente nos Tribunais 
Superiores. 
AÇÃO PENAL 
POPULAR 
Qualquer do povo pode ajuizar. 
Existem 2 hipóteses: 
I - Habeas corpus 
II - Crime de responsabilidade (Lei 
nº 1.079/50) 
AÇÃO PENAL 
ADESIVA 
LITISCONSÓRCIO ATIVO (dupla 
legitimação) entre o MP (no crime 
de AP PÚBLICA) e o QUERELANTE 
(na AP PRIVADA). Nestes casos, o 
MP ingressa com a denúncia e o 
querelante interpõe a queixa-
crime. 
Ex: em crimes praticados no 
contexto de violência doméstica, 
cabe ao MP oferecer denúncia em 
relação ao crime de ameaça e a 
vítima oferecer queixa-crime no 
caso de injúria. 
AÇÃO DE 
PREVENÇÃO 
PENAL 
Ação contra INIMPUTÁVEL. 
Denúncia não pede condenação, 
mas sim a aplicação de medida de 
segurança (absolvição imprópria). 
AÇÃO PENAL 
SECUNDÁRIA 
Circunstâncias do caso concreto 
fazem variar a modalidade de ação 
penal. 
 
Ex: crimes contra a honra. 
 
Regra: AP PRIVADA, que pode 
virar APPCR (vítima é o Presidente 
da República) ou até mesmo APPI 
(calúnia eleitoral). 
AÇÃO PENAL 
INDIRETA 
Ocorre quando o MP REASSUME o 
POLO ATIVO na AP PRIVADA 
SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA, se o 
querelante for negligente. 
 
 
#Jurisprudência Correlata 
Caso adaptado: o MP denunciou 19 pessoas por 
diversos crimes contra a administração pública, 
organização criminosa e lavagem de dinheiro. Dentre 
as pessoas denunciadas estavam João e sua filha 
Carla. João seria o líder da organização criminosa e 
teria praticado, dentre outros delitos, peculato, 
corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Carla também 
foi denunciada, mas apenas por lavagem de dinheiro. 
Segundo a denúncia, uma das empreiteiras 
beneficiadas com o esquema, teria reformado a casa 
de Carla. Em nenhum momento, contudo, é descrita 
qual teria sido a conduta praticada por Carla ou se ela 
realmente saberia da origem ilícita dos recursos. 
Para o STJ, a partir do exame da denúncia, não se 
consegue inferir que a conduta supostamente 
praticada pela denunciada efetivamente tenha 
contribuído para o êxito da empreitada criminosa. 
Contra ela é imputada a prática de ocultação de 
valores oriundos de suposta prática ilícita. Ocorre 
que, diferentemente dos demais acusados, não resta 
claro da denúncia que delito antecedente teria a 
acusada cometido. 
Conclusão: Inexistindo a demonstração do mínimo 
vínculo entre o acusado e o delito a ele imputado, 
impossibilitado está o exercício do contraditório e da 
ampla defesa (Info 730, STJ, 03/2022). 
 
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§ 1o No caso de MORTE do ofendido ou quando declarado 
AUSENTE por decisão judicial, o direito de 
representação passará ao cônjuge, ascendente, 
descendente ou irmão (CADI). 
 
# Jurisprudência correlata 
 
 
▪ A companheira (hetero ou homoafetiva) também 
possui legitimidade para ajuizar a ação penal 
privada. (STJ, 2019) 
 
 
▪ No rito especial da Lei nº 8.038/90, a rejeição da 
denúncia é balizada pelo art. 395 do CPP e a 
improcedência da acusação é pautada pelo disposto 
no art. 397 do CPP. (Info 657, STJ). 
 
§ 2o SEJA QUAL FOR O CRIME, quando praticado em 
detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado 
e Município, a AÇÃO PENAL SERÁ PÚBLICA. 
 
Art. 25. A representação será IRRETRATÁVEL, 
DEPOIS DE OFERECIDA A DENÚNCIA. 
 
# Tudo que você precisa saber sobre a 
REPRESENTAÇÃO na AÇÃO PENAL PÚBLICA 
CONDICIONADA à REPRESENTAÇÃO 
É CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE e sem ela não há 
que se falar em APF, IPL ou PROCESSO. 
Excepcionalmente, será condição de 
prosseguibilidade (Ex: Art. 91 da Lei 9.099/95) 
É a manifestação do Ofendido ou RL (incapacidade ou 
ausência) de interesse na persecução penal do fato. 
▪ NÃO requer . Há julgados dizendo que 
um simples Boletim de Ocorrência ou Exame de 
corpo de delito são suficientes. 
Ex: Fernanda, estuprada, dirigiu-se à Delegacia e fez 
o Exame de Corpo de Delito, mas não assinou a 
representação. Nesse caso, a realização de Exame de 
Corpo de Delito demonstra interesse na ação 
penal, razão pela qual o Delegado deve instaurar IPL, 
mesmo sem a assinatura de Fernanda. 
▪ Sem a representação, só pode ocorrer as 2 
primeiras fases da Prisão em Flagrante: 
1) CAPTURA 
2) CONDUÇÃO COERCITIVA (à presença da Autoridade 
Policial), 
mas o APF não pode ser lavrado. 
▪ IPL iniciado sem ela? Cabe MS para trancamento. 
▪ RETRATAÇÃO da REPRESENTAÇÃO: possível ATÉ O 
OFERECIMENTO da DENÚNCIA. 
▪ EFICÁCIA OBJETIVA da REPRESENTAÇÃO: 
quando feita, é válida contra TODOS coautores e 
partícipes. Se a vítima representou quanto a um 
fato delituoso, o MP pode denunciar todo mundo. 
No entanto, feita quanto a um crime, não autoriza 
o MP a agir quanto a outros crimes que não 
foram objeto de representação. 
▪ Direito de Representação pode ser exercido, 
pessoalmente ou por procurador com poderes 
especiais, mediante declaração, escrita ou oral, 
feita ao Juiz, ao órgão do MP, ou ao Delegado. 
▪ Representação feita oralmente ou por escrito, 
sem assinatura devidamente autenticada do 
Ofendido ou RL ou procurador, será reduzida a 
termo, perante Juiz ou Delegado, presente o MP, 
quando a este houver sido dirigida. 
▪ Representação, quando feita ao Juiz ou 
perante este reduzida a termo, será remetida à 
Delegado para que esta proceda a IPL. 
▪ MP pode dispensar o IPL, se com a 
representação forem oferecidos elementos que 
o habilitem a promover a ação penal, e, neste 
caso, oferecerá a denúncia no prazo de 15 dias. 
▪ MORTE do ofendido ou declarado AUSENTE? 
Direito de REPRESENTAÇÃO passa ao CADI. 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
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#INTERDISCIPLINARIEDADE #LEIMªDAPENHA 
RETRATAÇÃO DA 
REPRESENTAÇÃO NO 
CPP 
RETRATAÇÃO DA 
REPRESENTAÇÃO NA LEI 
11.340/06 
ATÉ OFERECIMENTO 
DA DENÚNCIA 
ATÉ RECEBIMENTO DA 
DENÚNCIA 
(EM AUDIÊNCIA ESPECÍFICA) 
- 
Art. 16. Nas ações penais 
públicas condicionadas à 
representação da ofendida de 
que trata esta Lei, só será 
admitida a renúncia à 
representação peranteo juiz, em 
audiência especialmente 
designada com tal finalidade, 
antes do RECEBIMENTO da 
denúncia e ouvido o Ministério 
Público. 
 
Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será iniciada 
com o auto de prisão em flagrante ou por meio de 
portaria expedida pela autoridade judiciária ou policial. 
 
Esse dispositivo (Processo Judicialiforme) NÃO foi 
RECEPCIONADO pela CF/88. O MP é o titular da ação 
penal! 
 
Art. 129 da CF/88. São funções institucionais do 
Ministério Público: I - promover, privativamente, a 
ação penal pública, na forma da lei; [...] 
 
 
Art. 27. QUALQUER PESSOA DO POVO PODERÁ 
provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos em 
que caiba a AÇÃO PÚBLICA, fornecendo-lhe, POR 
ESCRITO, informações sobre o fato e a autoria e 
indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. 
 
 
Art. 28. Ordenado o ARQUIVAMENTO do inquérito 
policial ou de quaisquer elementos informativos da 
mesma natureza, o órgão do Ministério Público 
comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade 
policial e encaminhará os autos para a INSTÂNCIA DE 
REVISÃO MINISTERIAL para fins de HOMOLOGAÇÃO, na 
forma da lei. 
 
 
 
A instância ministerial tem 3 alternativas: 
 
a) Confirmar o arquivamento, homologando-o; 
b) Requisitar diligências; 
c) Designar outro Promotor para oferecer denúncia. 
 
Prevalece o entendimento de que o Promotor 
designado será, pelo menos em tese, obrigado a 
oferecer a denúncia, sem prejuízo de eventual 
pedido de absolvição. 
 
 
§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não 
concordar com o arquivamento do inquérito policial, 
poderá, no prazo de 30 DIAS do recebimento da 
comunicação, submeter a matéria à revisão da instância 
competente do órgão ministerial, conforme dispuser a 
respectiva lei orgânica. 
 
§ 2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em 
detrimento da União, Estados e Municípios, a revisão do 
arquivamento do inquérito policial poderá ser 
provocada pela chefia do órgão a quem couber a sua 
representação judicial. 
 
REDAÇÃO DO ART. 28 ANTERIOR. (AINDA EM 
VIGOR) 
 
Art. 28: Se o órgão do Ministério Público, ao invés de 
apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do 
inquérito policial ou de quaisquer peças de 
informação, o juiz, no caso de considerar 
improcedentes as razões invocadas, fará remessa 
do inquérito ou peças de informação ao procurador-
geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro 
órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou 
insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então 
estará o juiz obrigado a atender” 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ART. 28 ANTERIOR NOVO ART. 28 
Juiz possuía uma função 
anômala de fiscal do 
princípio da 
obrigatoriedade. 
Colocava a 
imparcialidade em 
cheque, tendo em vista 
que o magistrado que 
rejeitava o 
arquivamento, iria, caso 
fosse oferecida 
denúncia, julgar o feito. 
O controle do 
arquivamento caberá, 
exclusivamente, ao MP. 
Portanto, a decisão de 
arquivamento não está 
mais sujeita ao controle 
jurisdicional. 
O arquivamento é uma 
decisão complexa, tendo 
em vista que a decisão 
do Promotor Natural 
deverá ser homologada 
pela instância de revisão 
ministerial. 
MPE: PGJ 
MPF/MPDFT: CCR 
 
 
Considerando a alteração do PACOTE ANTICRIME 
(mesmo suspensa, pode ser cobrada a literalidade 
da lei), quem determina o arquivamento é o MP, mas 
o Delegado, ao concluir o IPL, deve encaminhá-lo 
para o Juiz. 
 
Cuidado: O Pacote Anticrime NÃO alterou a redação 
do art. 10, §1º do CPP: Art. 10. § 1o A autoridade fará 
minucioso relatório do que tiver sido apurado e 
ENVIARÁ AUTOS AO JUIZ COMPETENTE. 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A NOVA REDAÇÃO DO ART. 28 FOI SUSPENSO PELA 
ADI 6298 MC /DF 
A SUSPENSÃO ABRANGE: 
 
▪ Artigos 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3ª-E, 3º-F, do CPP: 
trata da implantação do juiz das garantias e seus 
consectários; 
 
▪ Art. 28, caput, CPP: trata da alteração do 
procedimento de arquivamento do inquérito policial; 
 
▪ Art. 157, §5º, do CPP: trata da Implantação do juiz 
das garantias e seus consectários; alteração do juiz 
sentenciante que conheceu de prova declarada 
inadmissível; 
 
▪ Artigo 310, §4°, do CPP: trata da liberação da prisão 
pela não realização da audiência de custodia no 
prazo de 24 horas. 
 
OBS: A suspensão foi baseada no exíguo prazo (30 
dias) para a implementação da nova sistemática do 
arquivamento do IPL. 
 
 
# Jurisprudência correlata 
1. O STF pode, de ofício, arquivar inquérito se verificar 
que, mesmo após terem sido feitas diligências de 
investigação e terem sido descumpridos os prazos 
para a instrução do inquérito, não se tem indícios 
mínimos de autoria ou materialidade. 
A pendência de investigação, por prazo irrazoável, 
ofende o direito à razoável duração do processo 
e a dignidade da pessoa humana (Info 912, STF). 
Atenção: Esse informativo é anterior ao PACOTE 
ANTICRIME. 
2. ARQUIVAMENTO DE INQUÉRITO ORIGINÁRIO NAS 
HIPÓTESES DE ATRIBUIÇÃO ORIGINÁRIA DO 
PGR/PGJ. NÃO SE APLICA O ART. 28 NOS CASOS DE 
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO STF E DO STJ 
REGRA: quando o pedido de arquivamento de IPL 
partir do próprio PGR (ou de algum membro do MPF, 
por delegação), não caberá controle jurisdicional 
sobre esse ato, devendo ser prontamente atendido. 
O STF está obrigado a arquivar/homologar o 
arquivamento, não podendo analisar o seu mérito, 
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pois PGR|PGJ possuem discricionariedade para 
determinar o arquivamento, sendo decisão interna 
corporis, eis que, ainda que Tribunal não concorde, 
não há como aplicar o Art. 28 do CPP, já que decisão 
de arquivamento está sendo emanada pelo chefe 
maior do MP. 
EXCEÇÃO: Contudo, se arquivamento for apto a 
produzir coisa julgada formal e material deve ser 
levada à apreciação do Tribunal, pois apenas uma 
decisão jurisdicional pode estar revestida pelo 
manto da coisa julgada formal e material. Naqueles 
inquéritos de competência originária do PGR ou PGJ 
(submetido a Tribunais, uma vez que os agentes 
detêm foro por prerrogativa de função), quando a 
decisão de arquivamento gerar coisa julgada 
material, o Tribunal pode analisar o mérito do 
arquivamento, inclusive, rejeitando-o. 
STF entende que o pedido de arquivamento, em 
regra, deve ser acolhido sem que se questione ou se 
entre no mérito da avaliação deduzida pelo titular da 
ação penal. Contudo, há 2 hipóteses em que o 
tribunal poderá analisar o mérito das alegações 
trazidas pelo PGR ou PGJ, nos casos de sua 
competência originária, pois fazem coisa julgada 
material, quais sejam: 
• ATIPICIDADE DA CONDUTA 
• EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE 
Nos demais casos, com o pedido de arquivamento do 
Procurador-Geral, este deve ser feito, não sendo, 
logicamente, possível a aplicação do Art. 28 do CPP. 
Atenção: Esse informativo é anterior ao PACOTE 
ANTICRIME. 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESPÉCIES DE ARQUIVAMENTO 
 
ARQUIVAMENTO 
ORIGINÁRIO 
No arquivamento que partir 
diretamente do PGR ou PGJ, 
Tribunal não pode se valer do art. 
28 do CPP. Todavia, caberá, no 
âmbito federal, recurso 
administrativo à Câmara de 
Coordenação e Revisão. 
 
 
 
 
 
 
 
ARQUIVAMENTO 
IMPLÍCITO OU 
TÁCITO 
(NÃO É ACEITO) 
MP oferece denúncia apenas 
contra 1 ou alguns dos crimes nele 
narrados (objetivo) ou dos 
acusados (subjetivo), deixando de 
oferecer, sem motivo justificado 
(sem manifestação),em face dos 
outros. 
 
AI objetivo: omissão se dá com 
relação às infrações praticadas; 
AI Subjetivo: omissão se dá com 
relação aos acusados. 
 
Exemplo: 2 indiciados no IPL, o 
promotor oferece denúncia contra 
apenas contra 1. Não denuncia, 
nem faz nada (pedido de 
diligência, por ex) em relação ao 
segundo. Neste caso, o juiz 
deveria dizer: “MP manifeste-se 
sobre acusado 2”, ou deveria 
aplicar o art. 28. Quando o juiz não 
faz nem um, nem outro, ocorre o 
arquivamento implícito do IPL. 
 
 
 
 
ARQUIVAMENTO 
INDIRETO 
MP não oferece a denúncia, pois 
entende que o juízo perante o qual 
oficia é incompetente. Promotor 
entende que o crime não é 
daquela competência e 
manifesta-se no sentido de deixar 
de oferecer a denúncia sob este 
fundamento, assim como declinar 
a competência. O juiz deve 
receber tal manifestação como se 
fosse um pedido de arquivamento, 
nos termos do art. 28. 
 
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# REFORÇO PARA NÃO ESQUECER 
ANTES DO PACOTE 
ANTICRIME 
DEPOIS DO PACOTE 
ANTICRIME 
MP fazia o requerimento 
de arquivamento ao juiz, 
que homologava ou não. 
MP ordena o arquivamento e 
remete os autos à instância 
de revisão ministerial para 
fins de homologação. 
 
Arquivamento era 
realizado no âmbito do 
Poder Judiciário. 
 
Arquivamento realizado no 
âmbito do próprio MP, sem 
participação do Poder 
Judiciário. 
 
OBS: STF suspendeu a 
eficácia da alteração do 
procedimento de 
arquivamento do IPL. 
 
 
FUNDAMENTOS PARA ARQUIVAMENTO 
 
ATIPICIDADE FORMAL 
OU MATERIAL 
 
FORMAL 
Conduta não 
se encaixa 
em nenhum 
tipo penal. 
 
MATERIA
L 
Princípio da 
insignificânci
a ou 
bagatela 
EXCLUDENTE DA 
ILICITUDE/CULPABILIDA
DE (SALVO 
INIMPUTABILIDADE); 
No caso de inimputável, 
deve ser denunciado, 
porém com pedido de 
absolvição imprópria 
(medida de segurança). 
CAUSA EXTINTIVA DA 
PUNIBILIDADE 
Prescrição, óbito, etc.. 
AUSÊNCIA DE 
ELEMENTOS 
INFORMATIVOS QUANTO 
À AUTORIA E 
MATERIALIDADE. 
Falta de justa causa para 
o oferecimento da 
denúncia. 
 
 
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo 
o investigado CONFESSADO FORMAL e 
CIRCUNSTANCIALMENTE a prática de infração penal SEM 
VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA e com PENA MÍNIMA 
INFERIOR a 4 ANOS, O MINISTÉRIO PÚBLICO PODERÁ propor 
ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL, desde que necessário 
e suficiente para reprovação e prevenção 
do crime, mediante as seguintes CONDIÇÕES AJUSTADAS 
CUMULATIVA E ALTERNATIVAMENTE: (2019) 
 
I - REPARAR O DANO OU RESTITUIR A COISA À VÍTIMA, 
exceto na impossibilidade de fazê-lo; 
 
II - RENUNCIAR VOLUNTARIAMENTE A BENS E DIREITOS 
indicados pelo Ministério Público como instrumentos, 
produto ou proveito do crime; 
 
III - PRESTAR SERVIÇO À COMUNIDADE OU A ENTIDADES 
PÚBLICAS por período correspondente à PENA MÍNIMA 
COMINADA AO DELITO DIMINUÍDA de UM A DOIS TERÇOS, em 
local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do 
Art. 46 do Código Penal; 
 
IV - pagar PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA, a ser 
estipulada nos termos do Art. 45 do Código 
Penal, a entidade pública ou de interesse social, a 
ser indicada pelo juízo da execução, que tenha, 
preferencialmente, como função proteger bens 
jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente 
lesados pelo delito; ou 
 
V - cumprir, por PRAZO DETERMINADO, OUTRA CONDIÇÃO 
INDICADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, desde que 
proporcional e compatível com a infração penal 
imputada. 
 
CUIDADO: A violência ou grave ameaça, citada no 
art. 28-A, deve ser praticada na conduta. Portanto, 
em crimes culposos, ainda que resultem violência 
contra pessoa, será cabível o acordo. 
 
A vedação alcança a violência imprópria, que é a 
denominação que se dá a quem usa qualquer outro 
meio para impossibilitar a defesa da vítima do roubo. 
Exemplos: uso de sonífero, boa noite cinderela ou 
hipnose. 
 
§ 1º Para AFERIÇÃO DA PENA MÍNIMA cominada ao 
delito a que se refere o caput deste artigo, serão 
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consideradas as CAUSAS DE AUMENTO e 
DIMINUIÇÃO aplicáveis ao caso concreto. 
 
§ 2º O disposto no caput deste artigo NÃO SE 
APLICA nas SEGUINTES HIPÓTESES: 
 
I - se for cabível TRANSAÇÃO PENAL de 
competência dos Juizados Especiais Criminais, 
nos termos da lei; 
 
II - se o investigado for REINCIDENTE ou se houver 
elementos probatórios que indiquem CONDUTA 
CRIMINAL HABITUAL, REITERADA OU 
PROFISSIONAL, EXCETO se insignificantes as 
infrações penais pretéritas; 
 
 
ATENÇÃO: Não confunda criminoso habitual 
(referido acima) com crime habitual, em que uma 
conduta isolada não será suficiente para a 
caracterização de uma infração penal, a exemplo do 
exercício ilegal de profissão. 
 
Contradição na utilização da expressão “exceto se 
insignificantes as infrações penais pretéritas”: Como 
se sabe, o princípio da insignificância exclui a 
tipicidade material, portanto, não haveria como 
existir uma infração penal pretérita. Por isso, a 
melhor leitura da expressão “insignificância”, de 
acordo com Renato Brasileiro, é no sentido de 
infração de menor potencial ofensivo. 
 
III - ter sido o agente BENEFICIADO NOS 5 ANOS 
ANTERIORES AO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO, em 
ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL, TRANSAÇÃO 
PENAL ou SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO; e 
 
IV - nos crimes praticados no âmbito de VIOLÊNCIA 
DOMÉSTICA OU FAMILIAR, OU praticados contra a 
MULHER por razões da condição de sexo feminino, em 
favor do agressor. 
 
 
 
ATENÇÃO: Crimes praticados no âmbito de violência 
doméstica ou familiar, pouco importando o sexo da 
vítima, não admitem o ANPP. Crime contra a mulher 
por razões da condição de sexo feminino, ainda que 
cometido fora do ambiente doméstico e familiar, 
também não. 
 
ANPP SÓ SE APLICA SE: 
(REQUISITOS POSITIVOS) 
I - Viabilidade da persecução penal. (NÃO É CASO DE 
ARQUIVAMENTO) 
II - Infração penal cometida SEM VIOLÊNCIA OU 
GRAVE AMEAÇA 
III- CONFISSÃO 
IV - Infração penal com PENA MÍNIMA INFERIOR A 4 
ANOS 
ANPP NÃO SE APLICA SE: 
(REQUISITOS NEGATIVOS) 
I - Couber TRANSAÇÃO PENAL 
(Contravenções penais e crimes a que a lei comine pena 
máxima não superior a 2 anos, cumulada, ou não, com 
multa) 
II - Investigado REINCIDENTE ou há elementos 
probatórios que indiquem conduta criminal 
HABITUAL, REITERADA ou PROFISSIONAL, EXCETO 
se INSIGNIFICANTES as IP`s pretéritas 
III - Agente BENEFICIADO nos 5 ANOS anteriores à 
infração com ANPP, TP ou SCP 
IV - Crimes com VDFCM, ou praticados contra mulher 
por razões da condição de sexo feminino, em favor do 
agressor. 
 
§ 3º O acordo de não persecução penal será 
FORMALIZADO POR ESCRITO e será firmado pelo 
membro do MINISTÉRIO PÚBLICO, pelo INVESTIGADO e 
por seu DEFENSOR. 
 
§ 4º Para a HOMOLOGAÇÃO do acordo de não 
persecução penal, será realizada AUDIÊNCIA na qual o 
juiz deverá verificar a sua VOLUNTARIEDADE, por meio 
da oitiva do investigado na presença do seu defensor, e 
sua LEGALIDADE. 
 
§ 5º Se o juiz considerar INADEQUADAS, 
INSUFICIENTES OU ABUSIVAS as condições dispostas 
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no acordo de não persecução penal, DEVOLVERÁ OS 
AUTOS AO MINISTÉRIO PÚBLICO para que seja 
reformulada a proposta de acordo, com concordância 
do investigado e seu defensor. 
 
§ 6º Homologado judicialmenteo acordo de não 
persecução penal, o juiz DEVOLVERÁ OS AUTOS AO 
MINISTÉRIO PÚBLICO PARA QUE INICIE SUA EXECUÇÃO 
perante o JUÍZO DE EXECUÇÃO PENAL. 
 
§ 7º O juiz PODERÁ RECUSAR homologação à proposta 
que NÃO ATENDER AOS REQUISITOS LEGAIS OU 
QUANDO NÃO FOR REALIZADA A ADEQUAÇÃO a que se 
refere o § 5º deste artigo. 
 
§ 8º Recusada a homologação, o juiz devolverá os autos 
ao Ministério Público para a análise da necessidade de 
complementação das investigações ou o oferecimento 
da denúncia. 
 
§ 9º A VÍTIMA SERÁ INTIMADA DA HOMOLOGAÇÃO do 
acordo de não persecução penal e de seu 
descumprimento. 
 
VÍTIMA SERÁ INTIMADA da: 
HOMOLOGAÇÃO do ANPP e 
DESCUMPRIMENTO do ANPP . 
 
§ 10. Descumpridas quaisquer das condições 
estipuladas no acordo de não persecução penal, o 
MINISTÉRIO PÚBLICO DEVERÁ COMUNICAR AO JUÍZO, 
para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de 
denúncia. 
 
§ 11. O DESCUMPRIMENTO do acordo de não persecução 
penal pelo investigado TAMBÉM PODERÁ SER 
UTILIZADO pelo Ministério Público como JUSTIFICATIVA 
PARA O EVENTUAL NÃO OFERECIMENTO de 
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO. 
 
§ 12. A celebração e o cumprimento do acordo de não 
persecução penal não constarão de certidão de 
antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no 
inciso III do § 2º deste artigo. 
 
§ 13. Cumprido integralmente o acordo de não 
persecução penal, o juízo competente decretará a 
extinção de punibilidade. 
 
§ 14. No caso de RECUSA, por parte do Ministério 
Público, em propor o acordo de não persecução penal, 
o INVESTIGADO PODERÁ REQUERER A REMESSA DOS 
AUTOS A ÓRGÃO SUPERIOR, na forma do Art. 28 deste 
Código. 
 
ENTENDA O PASSO A PASSO DA CELEBRAÇÃO DO 
ANPP 
1. Após receber os autos do IPL, o Promotor vai verificar, 
primeiro, se não é caso de arquivamento (ex, se há indícios 
de autoria); 
2. Não sendo caso de arquivamento, o Promotor vai 
dilgenciar para ter acesso à folha de antecedentes 
criminais do investigado, a fim de saber se ele foi 
beneficado nos últimos 5 anos anteriores ao cometimento 
da infração, em acordo de não persecução penal, transação 
penal ou suspensão condicional do processo; 
3. Não foi? O Promotor convidará/notificará o investigado 
para comparecer à Promotoria de Justiça, assistido por 
Advogado ou Defensor Público, para saber se ele tem 
interesse na celebração; 
4. Nessa audiência extrajudicial (pode ser gravada por meio 
audiovisual), o Promotor vai dizer quais são as eventuais 
condições para a celebração do ANPP, indagando o 
investigado se confessa o delito; 
5. ANPP assinado? Promotor encaminhará o termo do 
acordo para homologação do Juiz, com o pedido de 
designação de audiência, nos termos do § 4º; 
6. Homologado, o Juiz devolve os autos para que o 
Promotor inicie sua execução perante o juízo de execução 
penal. Uma vez cumprido integralmente, o Promotor 
informará ao Juiz, requerendo o arquivamento do IPL. Se 
não foi cumprido, o Promotor atuante no feito deverá 
comunicar o juiz da execução, para fins de sua rescisão e 
devolução dos autos ao Juiz responsável pela 
homologação, para posterior oferecimento de denúncia. 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
# Jurisprudência correlata 
 
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O ANPP aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei no 
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. 
 
No ponto em que institui o ANPP, a Lei no 13.964/2019, 
é considerada lei penal de natureza híbrida, 
admitindo conformação entre a retroatividade penal 
benéfica e o tempus regit actum. 
 
O ANPP se esgota na etapa pré-processual, 
sobretudo porque a consequência da sua recusa, sua 
não homologação ou seu descumprimento é 
inaugurar a fase de oferecimento e de recebimento 
da denúncia 
 
O recebimento da denúncia encerra a etapa pré-
processual, devendo ser considerados válidos os 
atos praticados em conformidade com a lei então 
vigente. 
 
Assim, mostra-se impossível realizar o ANPP 
quando já recebida a denúncia em data anterior à 
entrada em vigor da Lei no 13.964/2019. (Info 683, STJ) 
 
Fonte: dizerodireito.com 
 
# Jurisprudência correlata (2021) 
 
O Poder Judiciário pode impor ao MP a obrigação de 
ofertar ANPP? NÃO!! Não cabe ao Poder Judiciário, 
que não detém atribuição para participar de 
negociações na seara investigatória, impor ao MP a 
celebração de acordos. (Info 1017, STF). 
 
Fonte: dizerodireito.com 
 
JORNADA DE DIREITO ELEITORAL: O ANPP não 
configura título condenatório e, portanto, não gera a 
inelegibilidade do art. 1º, alínea “e”, da LC 64/90. 
 
 
 
 
 
SOBRE O ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL 
 
NATUREZA 
JURÍDICA 
É um negócio jurídico de 
natureza extrajudicial, que 
consubstancia a política 
criminal do titular da ação penal 
pública, cuja homologação tem 
natureza meramente 
declaratória. 
 
 
 
 
MITIGAÇÃO AO 
PRINCÍPIO DA 
OBRIGATORIEDADE 
DA AÇÃO PENAL 
Cuidado: O Enunciado 19 do CNPJ 
(O Conselho Nacional de 
Procuradores-Gerais do 
Ministério Público dos Estados e 
da União) dispõe que “O ANPP é 
faculdade do MP que avaliará, 
inclusive em última análise (§ 14), 
se o instrumento é necessário e 
suficiente para a reprovação e 
prevenção do crime no caso 
concreto. 
 
Tal como já pacificado pelo STJ e 
STF no caso de transação penal e 
o sursis processual, também o 
ANPP deve ser encarado como 
poder-dever (discricionariedade 
regrada) do MP e não um direito 
público subjetivo do acusado. 
JUSTIÇA PENAL 
CONSENSUAL 
O ANPP está ligado à chamada 
Justiça Penal Consensual ou 
Negociada ou Pactual. 
ANPP APLICA-SE A 
FATOS OCORRIDOS 
ANTES DA LEI Nº 
13.964/2019? 
 
Sim, desde que não recebida a 
denúncia. 
CONSEQUÊNCIA DO 
CUMPRIMENTO NO 
ANPP 
 
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. 
 
 
PRESCRIÇÃO NÃO 
CORRE 
 O art. 116, IV do CP prevê que não 
correrá a prescrição enquanto o 
ANPP estiver sendo cumprido. 
Art. 116 - Antes de passar em 
julgado a sentença final, a 
prescrição não corre: [...] 
IV - enquanto não cumprido ou 
não rescindido o acordo de não 
persecução penal. 
RECURSO CONTRA 
DECISÃO QUE 
RECUSAR A 
 
 
RESE 
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HOMOLOGAÇÃO DA 
PROPOSTA DE ANPP 
É POSSÍVEL A 
CELEBRAÇÃO DE 
ANPP EM CRIMES 
HEDIONDOS OU 
EQUIPARADOS 
Não há mais vedação 
expressa (como fazia a 
Resolução nº 181/2017) de 
ANPP nos crimes hediondos 
ou equiparados; 
 
 
CABE ANPP NO 
CRIME DE TRÁFICO 
DE DROGAS? 
Sim!! Apenas no tráfico 
privilegiado (art. 33, §4º) – 
pois a pena mínima do caput 
(5 anos), a depender do 
percentual redutor (1/6 a 2/3) 
poderá ficar abaixo dos 4 
anos. Todavia, o cabimento 
depende da análise, no caso 
concreto, das circunstâncias 
do fato, de maneira a verificar 
se estão presentes os 
requisitos subjetivos exigidos 
do ANPP. 
 
Enunciado nº 28 e 32 da I Jornada de Direito e 
Processo Penal – 14/08/2020 
28 - Recomenda-se a realização de práticas 
restaurativas nos acordos de não persecução penal, 
observada a principiologia das Resoluções n. 225 do 
CNJ e 118/2014 do CNMP. 
32 - A proposta de acordo de não persecução penal 
representa um poder-dever do Ministério Público, 
com exclusividade, desde que cumpridos os 
requisitos do art. 28-A do CPP, cuja recusa deve ser 
fundamentada, para propiciar o controle previsto no 
§14 do mesmo artigo. 
Art. 29. Será ADMITIDA AÇÃO PRIVADA nos crimes de 
AÇÃO PÚBLICA, SE ESTA NÃO FOR INTENTADA NO 
PRAZO LEGAL, cabendo ao Ministério Público aditar a 
queixa, repudiá-la e oferecerdenúncia substitutiva, 
intervir em todos os termos do processo, fornecer 
elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, 
no caso de negligência do querelante, retomar a ação 
como parte principal. 
 
AÇÃO PENAL PRIVADA 
INSTRUMENTO Queixa-crime 
 
 
 
LEGITIMADOS 
▪ Ofendido 
▪ Representante legal 
▪ Sucessor processual (CADI), no 
caso de morte ou ausência do 
ofendido. 
STJ/2019: Companheira (hétero ou 
homoafetiva) também tem 
legitimidade. Ex.: Caso Marielle 
Franco) 
 
ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL PRIVADA 
APP 
PERSONALÍSSIMA 
▪ Só OFENDIDO pode ajuizar (Não se 
transmite.) 
▪ Morreu? Extinção da punibilidade. 
▪ Ex: Indução em erro essencial 
(casamento) 
AP PRIVADA 
▪ Admite a sucessão processual. 
▪ Ex: crimes contra honra (regra). 
▪ Na AP PRIVADA, não há nulidade em 
caso de não intervenção do MP. 
 
 
AP PRIVADA 
SUBSIDIÁRIA DA 
PÚBLICA 
(QUEIXA-CRIME 
SUBSIDIÁRIA) 
 
 
 
 
▪ Está presente no Art. 29. 
▪ ENTENDA: MP é o legitimado nesta 
AP. É ele quem é o dono dessa AP. Ele 
que manda. Ele só deu uma vacilada e 
perdeu o prazo para denunciar, o que 
permitiu que o querelante ajuíze essa 
queixa subsidiária. Porém, o MP 
permanece podendo fazer tudo. 
▪ Ajuizamento da APPSP pode 
ocorrer após o decurso do prazo legal 
(5 dias para réu preso ou 15 para réu 
solto), sem que seja oferecida 
denúncia, ou promovido o 
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AP PRIVADA 
SUBSIDIÁRIA DA 
PÚBLICA 
(QUEIXA-CRIME 
SUBSIDIÁRIA) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
arquivamento, ou requisitadas 
diligências EXTERNAS ao MP. 
Exemplo: se o Promotor recebe o IPL 
e em 15 dias (acusado solto) não faz 
nada, a partir do 16o dia cabe ação 
penal privada. Se pedir arquivamento 
ou diligência não se trata de inércia, 
nem de ação subsidiária. 
CUIDADO: Diligências INTERNAS à 
instituição são IRRELEVANTES. O 
oferecimento de denúncia, o 
arquivamento ou requisição de 
diligências externas ao MP, posterior 
ao decurso do prazo legal para 
propositura da AP, não afastam o 
direito de queixa. Nem mesmo a 
ciência da vítima ou da família quanto 
a tais diligências afasta esse direito, 
por não representar concordância 
com a falta de iniciativa da APP. 
ATENÇÃO: Só é cabível, se o crime 
possuir um ofendido individualizado 
Por exemplo: em crimes de perigo 
(incolumidade pública posta em risco) 
não cabe essa ação subsidiária. 
Assim, no tráfico de drogas, ela não é 
cabível. Tem exceções (não precisa de 
um ‘ofendido individualizado’): 
1a Exceção: Art. 80 do Código de 
Defesa do Consumidor; 
Art. 80. No processo penal atinente aos 
crimes previstos neste código, bem como a 
outros crimes e contravenções que envolvam 
relações de consumo, poderão intervir, como 
assistentes do Ministério Público, os 
legitimados indicados no art. 82, inciso III e IV, 
aos quais também é facultado propor ação 
penal subsidiária, se a denúncia não for 
oferecida no prazo legal. 
2ª Exceção: Lei de Falência e 
Recuperação judicial (11.101/05) – 
Credor habilitado e administrador 
judicial podem oferecer a ação 
subsidiária. Art. 184, §único. 
Art. 184. Os crimes previstos nesta Lei são de 
ação penal pública incondicionada. 
Parágrafo único. Decorrido o prazo a que se 
refere o art. 187, § 1º, sem que o 
representante do Ministério Público ofereça 
denúncia, qualquer credor habilitado ou o 
administrador judicial poderá oferecer ação 
 
 
 
 
 
AP PRIVADA 
SUBSIDIÁRIA DA 
PÚBLICA 
(QUEIXA-CRIME 
SUBSIDIÁRIA) 
 
 
penal privada subsidiária da pública, 
observado o prazo decadencial de 6 meses. 
▪ PAPEL DO MP: INTERVENIENTE 
ADESIVO OBRIGATÓRIO . 
É uma assistência litisconsorcial com 
o autor. MP é obrigado a intervir em 
todos os termos do processo, sob 
pena de nulidade, tendo amplos 
poderes. PODENDO: 
➊ Repudiar a queixa, oferecendo 
denúncia substitutiva; 
➋ Aditar a queixa, em seus aspectos 
formais ou materiais (inclusive, 
incluir coautores, afinal, MP é o 
legitimado nesta AP); 
➌ Reassumir o POLO ATIVO da AP, se 
o querelante for negligente. É a 
chamada AÇÃO PENAL INDIRETA. 
➍ intervir em todos os termos do 
processo; 
➎ Fornecer elementos de prova; 
➏ Interpor recurso. 
▪ Passados esses 6 MESES , decai o 
direito de queixa subsidiária para o 
interessado, não para o MP. Ora, a AP 
é PÚBLICA. É a chamada 
DECADÊNCIA IMPRÓPRIA. Isso 
significa que o MP ainda pode 
denunciar. 
 
PRINCÍPIOS EXCLUSIVOS DAS AÇÕES PENAIS PRIVADAS 
PRINCÍPIO DA 
OPORTUNIDADE 
ou 
CONVENIÊNCIA 
▪ Cabe ao ofendido deliberar se irá ou 
não exercer direito de queixa ou 
representação. 
▪ Não exerceu? 
 I – Decadência; 
II - Renúncia ao direito de queixa. 
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PRINCÍPIO DA 
DISPONIBILIDADE 
▪ Direito de QUEIXA não foi exercido? 
Fala-se em disponibilidade. 
▪ Querelante pode dispor da AP 
PRIVADA mediante: 
I - PERDÃO do ofendido (depende de 
aceitação); 
II -PEREMPÇÃO (desídia processual); 
III - DESISTÊNCIA (depende de 
concordância). 
PRINCÍPIO DA 
INDIVISIBILIDADE 
▪ Processo de UM OBRIGA ao 
processo de TODOS. (Processa-se 
todos ou não se processa ninguém.) 
▪ RENÚNCIA | PERDÃO concedidos a 
UM dos coautores estendem-se ao 
DEMAIS (no perdão, caso 1 dos 
coautores não aceite, processo 
continua correndo). 
▪ Cabe ao MP fiscalizar a observância 
desse princípio, mas ele não pode 
aditar queixa para incluir coautores, 
pois não tem legitimidade ativa. Deve 
pedir a intimação do querelante para 
que adite a queixa, sob pena da 
renúncia concedida a 1 dos coautores 
se estender aos demais. 
 
CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE NA AÇÃO PENAL 
PRIVADA 
RENÚNCIA PERDÃO 
ATO UNILATERAL (não 
depende de aceitação) do 
ofendido ou RL , abrindo 
mão do direito de propor a 
AP PRIVADA. 
ATO BILATERAL (depende de 
aceitação) em que o 
querelante resolve não 
prosseguir com processo em 
andamento. 
Só ocorre ANTES do 
exercício da queixa 
Só ocorre APÓS o exercício 
do direito de queixa e ATÉ o 
TRÂNSITO EM JULGADO. 
Relação com o Princípio da 
OPORTUNIDADE e 
CONVENIÊNCIA. 
Relação com o Princípio da 
DISPONIBILIDADE. 
Não inclusão de eventual 
suspeito na queixa não 
configura, por si só́, 
renúncia tácita. Exige-se a 
demonstração de que 
omissão foi deliberada. 
Renúncia do RL do menor 
que houver completado 18 
anos NÃO privará este do 
direito de queixa, NEM a 
renúncia do último excluirá 
o direito do 1o . 
CESPE: Perdão não aceito 
pelo querelado é uma 
EXCEÇÃO à indivisibilidade 
da AP Privada, que não 
produzirá efeitos ao 
querelado que o recusa, e, 
consequentemente, gerará a 
divisibilidade da AP privada. 
DECADÊNCIA PEREMPÇÃO 
▪ Perda do direito de AP 
PRIVADA ou de 
representação na APPCR 
pelo seu não exercício nos 
6 meses. 
▪ Prazo começa a fluir, em 
regra, a partir do momento 
do conhecimento da 
autoria. 
▪ Perda do direito de 
prosseguir, no exercício da 
AP PRIVADA ou AP PRIVADA 
PERSONALÍSSIMA, por 
DESÍDIA do querelante. 
▪ Cabe na AP PRIVADA 
SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA? 
NÃO. Se querelante for 
desidioso, MP volta a 
assumir titularidade. 
 
Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para 
representá-lo caberá intentar a AÇÃO PRIVADA. 
 
Art. 31. No caso de MORTE do ofendido ou quando 
DECLARADO AUSENTE por decisão judicial, o direito de 
oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao 
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (CADI). 
 
Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a 
requerimentodoutrinadores entendem que o acusado possui 
o direito de mentir, por não existir o crime de perjúrio 
no ordenamento pátrio. 
E no caso de mentiras agressivas (incriminar terceiros 
inocentes)? Haverá responsabilização (calúnia, 
denunciação caluniosa). 
DIREITO DE NÃO 
PRATICAR 
QUALQUER 
COMPORTAMENTO 
ATIVO QUE POSSA 
INCRIMINÁ-LO 
Doutrina e jurisprudência têm adotado o entendimento 
de que não se pode exigir um comportamento ativo do 
acusado. 
Comportamento ativo: um “fazer” por parte do acusado. 
Exemplo: fornecimento de material escrito para exame 
grafotécnico e do exame de bafômetro. 
 
 
 
DIREITO DE NÃO 
PRODUZIR 
NENHUMA PROVA 
INCRIMINADORA 
INVASIVA 
Prova invasiva, que implica na penetração do 
organismo humano e na extração de uma parte dele. 
Exemplo: coleta de sangue, soprar bafômetro. 
OBS: Prova não invasiva, sem proteção do referido 
princípio, é aquela em que não há penetração no 
organismo humano. Admite-se a coleta, mas não deve 
ser retirada do corpo. Por exemplo, o fio de cabelo 
coletado de um pente, vale para a coleta de lixo 
descartado, de placenta descartada. 
OBS2: O STJ entende que o raio-x é prova não invasiva, 
de modo que pode ser realizado mesmo contra a 
vontade do indivíduo. (HC 149.146/SP) 
Nemo Tenutur e a prática de outros ilíticos: 
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1) Agente adultera a cena do crime (Caso Nardoni)? Responsabilização por 
fraude processual. Não viola o princípio. 
 
2) Agente, foragido, ao ser parado em uma blitz, apresenta identidade 
falsa? Responsabilização pelo crime de falsa identidade. Não viola o 
princípio. 
 
Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade 
policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa. 
 
3) Crime do art. 305 do CTB (afastar-se do local do acidente)? Não viola o 
referido princípio. 
 
Art. 305, CTB. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à 
responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída: Penas - detenção, de 
seis meses a um ano, ou multa. 
 
Dever legal de interrupção imediata do interrogatório quando o imputado optar 
pelo exercício do direito ao silêncio 
Com o advento da Nova Lei de Abuso de Autoridade, passou a ser crime de abuso 
de autoridade o prosseguimento de interrogatório, policial ou judicial, de 
imputado que decidiu exercer o seu direito ao direito. 
Art. 15. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem prossegue com o 
interrogatório: 
I - de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; 
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PRINCÍPIO DO 
CONTRADITÓRIO 
Respaldado constitucionalmente pelo art. 5o, LV da CF, impõe que às partes 
(acusação e defesa) devem ser dadas a possibilidade de influir no convencimento 
do magistrado, oportunizando-se a participação e manifestação sobre os atos 
que constituem a evolução pessoal. O contraditório abrange o direito de produzir 
prova, o direito de alegar, de se manifestar, de ser cientificado, dentre outros. 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são 
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
O princípio do contraditório é formado por dois elementos, quais sejam: direito à 
informação e direito à participação. Vejamos: 
DIREITO À INFORMAÇÃO DIREITO À PARTICIPAÇÃO 
Atos de comunicação: intimação, citação e 
notificação. 
Exemplo: 
Súmula nº 707, STF - Constitui nulidade a falta 
de intimação do denunciado para oferecer 
contrarrazões ao recurso interposto da 
rejeição da denúncia, não a suprindo a 
nomeação de defensor dativo. 
Possibilidade de 
contrariar. 
ATENÇÃO: É entendimento majoritário de que não é exigível o direito ao 
contraditório no inquérito policial, já que se trata de procedimento administrativo 
de caráter informativo. 
Diferença entre o contraditório para a prova (real) e contraditório sobre a prova 
(diferido). 
CONTRADITÓRIO PARA A 
PROVA (REAL) 
CONTRADITÓRIO SOBRE A PROVA 
(DIFERIDO ou POSTERGADO). 
Partes atuam na própria 
formação do elemento de prova, 
sendo indispensável que sua 
produção se dê na presença do 
órgão julgador e das partes. 
Exemplo: prova testemunhal 
colhida em Juízo, em que não há 
qualquer razão cautelar a 
justificar a não intervenção das 
partes quando da sua produção, 
sendo obrigatória, pois, a 
observância do contraditório 
para a realização da prova. 
Contraditório ocorre apenas após a 
formação da prova, dando-se 
oportunidade ao acusado e a seu 
defensor de, no curso do processo, 
contestar a providência cautelar, ou de 
combater a prova pericial feita no 
curso do inquérito. 
Exemplo: interceptação telefônica 
 
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PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Deve ser assegurada a ampla possibilidade de defesa, lançando-se mão dos 
meios e recursos disponíveis a ela inerentes (art. 5o, LV da CF/88). 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são 
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
Desdobramento do princípio do devido processo legal. 
Divide-se em: 
DEFESA TÉCNICA AUTODEFESA 
Também chamada de defesa 
processual. 
Pontos de destaque: 
1) É realizada por profissional da 
advocacia (defensor constituído 
ou defensor nomeado ou 
defensor público), regularmente 
inscrito nos quadros da OAB. 
2) É obrigatória, nos termos do 
art. 261 do CPP: 
Art. 261. Nenhum acusado, ainda que 
ausente ou foragido, será 
processado ou julgado sem 
defensor. 
Parágrafo único. A defesa técnica, 
quando realizada por defensor 
público ou dativo, será sempre 
exercida através de manifestação 
fundamentada 
OBS: Presença do advogado é 
obrigatório no processo 
criminal, mesmo no âmbito dos 
Juizados Especiais Criminais 
(em todos os momentos, seja na 
audiência preliminar (art. 72), na 
análise da proposta da 
transação penal (art. 76, §3o), no 
curso do procedimento comum 
sumaríssimo (art. 81), seja no 
momento da proposta de 
suspensão condicional do 
processo (art. 89, §1o).) 
 
3) A falta de defesa técnica ou 
quando feita por profissional 
Também chamada de defesa material 
ou genérica. 
Pontos de destaque: 
1) Autodefesa é aquela exercida pelo 
próprio acusado, em momentos 
cruciais do processo. Diferencia-se da 
defesa técnica porque, embora não 
possa ser desprezada pelo juiz, é 
renunciável, já que não há como se 
compelir o acusado a exercer seu 
direito ao interrogatório nem tampouco 
a acompanhar os atos da instrução 
processual. 
2) Manifesta-se de várias formas: 
direito de audiência (interrogatório 
judicial), direito de presença (direito de 
acompanhar os atos da instrução, 
podendo ser por videoconferência) e 
capacidade postulatória autônoma. 
3) Direito a postular pessoalmente 
Em alguns momentos específicos do 
processo penal, confere-se ao acusado 
capacidade postulatória autônoma, 
independentemente da presença de 
seu advogado, para realizar 
determinados atos processuais, tais 
como: 
a) Interpor recursos contra decisões 
proferidas por juízes de 1º grau; 
b) Provocar incidentes na execução 
penal; 
c) Revisão criminal;da parte que comprovar a sua pobreza, 
nomeará advogado para promover a ação penal. 
 
§ 1o Considerar-se-á pobre a pessoa que não puder 
prover às despesas do processo, sem privar-se dos 
recursos indispensáveis ao próprio sustento ou da 
família. 
 
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§ 2o Será prova suficiente de pobreza o ATESTADO DA 
AUTORIDADE POLICIAL em cuja circunscrição residir o 
ofendido. 
 
Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 anos, ou 
mentalmente enfermo, ou retardado mental, e não tiver 
representante legal, ou colidirem os interesses deste 
com os daquele, o direito de queixa PODERÁ SER 
EXERCIDO POR CURADOR ESPECIAL, nomeado, de 
ofício ou a requerimento do Ministério Público, pelo juiz 
competente para o processo penal. 
 
Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 e maior de 18 anos, 
o direito de queixa poderá ser exercido por ele ou por 
seu representante legal. 
 
Esse dispositivo não foi recepcionado pela CF. 
 
Art. 35 - (Revogado pela Lei nº 9.520, de 27.11.1997) 
 
Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa com direito de 
queixa, terá preferência o cônjuge, e, em seguida, o parente 
mais próximo na ordem de enumeração constante do art. 31, 
podendo, entretanto, qualquer delas prosseguir na ação, caso 
o querelante desista da instância ou a abandone. 
 
Art. 37. As FUNDAÇÕES, ASSOCIAÇÕES OU SOCIEDADES 
legalmente constituídas PODERÃO EXERCER A AÇÃO PENAL, 
devendo ser representadas por quem os respectivos 
contratos ou estatutos designarem ou, no silêncio destes, 
pelos seus diretores ou sócios-gerentes. 
 
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou 
seu representante legal, DECAIRÁ no direito de queixa 
ou de representação, se não o exercer dentro do prazo 
de 6 MESES, contado do dia em que vier a saber quem é 
o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que 
se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. 
 
Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito 
de queixa ou representação, dentro do mesmo prazo, 
nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31. 
 
# Jurisprudência correlata (2021) 
 
O prazo de 30 dias do art. 529 do CPP não afasta a 
decadência pelo não exercício de direito de queixa 
em 6 meses (art. 38), contados da ciência da autoria 
do crime. Nos crimes contra a propriedade imaterial 
que deixam vestígios, depois que o ofendido tem 
ciência da autoria do delito, ele possui o prazo 
decadencial de 6 meses para a propositura da ação 
penal, nos termos do art. 38 do CPP. Se, antes 
desses 6 meses, o laudo pericial for concluído, o 
ofendido terá 30 dias para oferecer a queixa crime. 
Assim, em se tratando de crimes contra a 
propriedade imaterial que deixem vestígio, a ciência 
da autoria do fato delituoso dá ensejo ao início do 
prazo decadencial de 6 meses (art. 38 do CPP), sendo 
tal prazo reduzido para 30 dias (art. 38) se 
homologado laudo pericial nesse ínterim. (Info 692, 
STJ). 
 
 
Art. 39. O DIREITO DE REPRESENTAÇÃO poderá ser 
exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes 
especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao 
juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade 
policial. 
 
APANHADO DE HIPÓTESES EM QUE É CABÍVEL A 
ATUAÇÃO DA VÍTIMA ATRAVÉS DE PROCURADOR 
COM PODERES ESPECIAIS: 
▪ OFERECIMENTO DE QUEIXA-CRIME; 
Atenção: Se, na queixa, a procuração não tiver 
poderes especiais, é caso de nulidade absoluta. 
▪ RENÚNCIA EXPRESSA AO DIREITO DE QUEIXA 
▪ Aceitar PERDÃO DENTRO ou FORA do processo 
▪ Exercer DIREITO DE REPRESENTAÇÃO na APPCR 
▪ RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO 
▪ RECUSAR JUIZ, por SUSPEIÇÃO. 
 
§ 1o A representação feita oralmente ou por escrito, sem 
assinatura devidamente autenticada do ofendido, de seu 
representante legal ou procurador, será reduzida a 
termo, perante o juiz ou autoridade policial, presente o 
órgão do Ministério Público, quando a este houver sido 
dirigida. 
 
§ 2o A representação conterá todas as informações que 
possam servir à apuração do fato e da autoria. 
 
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§ 3o Oferecida ou reduzida a termo a representação, a 
autoridade policial procederá a inquérito, ou, não sendo 
competente, remetê-lo-á à autoridade que o for. 
 
§ 4o A representação, quando feita ao juiz ou perante 
este reduzida a termo, será remetida à autoridade 
policial para que esta proceda a inquérito. 
 
§ 5o O órgão do MINISTÉRIO PÚBLICO DISPENSARÁ O 
INQUÉRITO, se com a representação forem oferecidos 
elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, 
neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de 15 DIAS. 
 
Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que 
conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a 
existência de crime de AÇÃO PÚBLICA, REMETERÃO AO 
MINISTÉRIO PÚBLICO as cópias e os documentos 
necessários ao oferecimento da denúncia. 
 
# Jurisprudência correlata 
 
É desnecessária a remessa de cópias dos autos ao 
MP, que, atuando como custos legis, já tenha acesso 
aos autos, pois, na oportunidade em que recebe os 
autos, pode tirar cópia dos documentos que quiser, 
sendo desnecessário remeter-se cópias e docs. 
(STF, 2019) 
 
Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato 
criminoso, com todas as suas circunstâncias, a 
qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais 
se possa identificá-lo, a classificação do crime e, 
quando necessário, o rol das testemunhas. 
 
# Jurisprudência correlata 
 
▪ É possível o oferecimento de ação penal (denúncia) 
com base em provas colhidas no âmbito de inquérito 
civil conduzido por membro do MP. (Info 714, STF). 
 
▪ É fundamental que haja o mínimo de 
individualização da conduta para permitir o 
recebimento da denúncia (STF, 2016). 
 
▪ Se a denúncia se limita a descrever a posição 
hierárquica do denunciado na empresa, ela deverá 
ser considerada inepta (STF, 2016). 
 
Art. 42. O MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO PODERÁ 
DESISTIR DA AÇÃO PENAL. 
 
Art. 43. (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008). 
 
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com 
poderes especiais, DEVENDO constar do instrumento do 
mandato o nome do querelante e a MENÇÃO DO FATO 
CRIMINOSO, SALVO quando tais esclarecimentos 
dependerem de diligências que devem ser previamente 
requeridas no juízo criminal. 
 
# Jurisprudência correlata 
 
▪ Para o STJ (2009), “menção ao fato criminoso” 
significa que, na procuração, basta que seja 
mencionado o tipo penal ou o nomen iuris do crime, 
não precisando identificar a conduta. Para o STF 
(2012), “menção ao fato criminoso” significa que, na 
procuração, deve ser individualizado o evento 
delituoso, não bastando que apenas se mencione o 
nomen iuris do crime. 
 
▪ Caso haja algum vício na procuração para a 
queixa-crime, esse vício deverá ser corrigido antes 
do fim do prazo decadencial de 6 meses, sob pena de 
decadência e extinção da punibilidade (Info 665, STF). 
 
▪ O vício na representação processual do querelante 
é sanável, desde que dentro do prazo decadencial. 
(STJ, 2015) 
 
▪ É desnecessário o reconhecimento de firma em 
procuração outorgando poderes especiais para a 
defesa de interesses em juízo. Precedentes. (STJ, 
2009) 
 
Art. 45. A QUEIXA, ainda quando a ação penal for 
privativa do ofendido, PODERÁ SER ADITADA PELO 
MINISTÉRIO PÚBLICO, a quem caberá intervir em todos 
os termos subseqüentes do processo. 
 
Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, 
estando o RÉU PRESO, será de 5 DIAS, contado da data 
em que o órgão do Ministério Público receber os autos 
do inquérito policial, e de15 DIAS, se o RÉU ESTIVER 
SOLTO ou afiançado. No último caso, se houver 
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devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), 
contar-se-á o prazo da data em que o órgão do MP 
receber novamente os autos. 
 
#INTERDISCIPLINARIEDADE #ASSIMFICAFÁCIL 
PRAZOS DA DENÚNCIA 
DIPLOMA PRESO SOLTO 
CPP 5 DIAS 15 DIAS 
 
 
LEI Nº 11.201/2005 
(CRIMES 
FALIMENTARES) 
Regra Geral: CPP 
 
Exceção: estando réu solto ou 
afiançado, MP decide aguardar 
apresentação da exposição 
circunstanciada do 
Administrador Judicial, 
devendo, em seguida, oferecer 
denúncia em 15 DIAS. 
 
§ 1o Quando o MINISTÉRIO PÚBLICO DISPENSAR O 
INQUÉRITO POLICIAL, o prazo para o oferecimento da 
denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as 
peças de informações ou a representação. 
 
§ 2o O prazo para o ADITAMENTO DA QUEIXA será de 3 
DIAS, contado da data em que o órgão do Ministério 
Público receber os autos, e, se este não se pronunciar 
dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que 
aditar, prosseguindo-se nos demais termos do 
processo. 
 
Art. 47. Se o Ministério Público julgar necessários 
maiores esclarecimentos e documentos 
complementares ou novos elementos de convicção, 
deverá requisitá-los, diretamente, de quaisquer 
autoridades ou funcionários que devam ou possam 
fornecê-los. 
 
Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do 
crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério 
Público velará pela sua indivisibilidade. 
 
# Jurisprudência correlata 
 
Não oferecida a queixa-crime contra todos os 
supostos autores ou partícipes da prática delituosa, 
há afronta ao princípio da indivisibilidade da ação 
penal, a implicar renúncia tácita ao direito de 
querela, cuja eficácia extintiva da punibilidade 
estende-se a todos quantos alegadamente hajam 
intervindo no cometimento da infração penal. (Info 
813, STJ) 
 
Art. 49. A renúncia ao exercício do direito de queixa, 
em relação a um dos autores do crime, a todos se 
estenderá. 
 
Art. 50. A renúncia expressa constará de declaração 
assinada pelo ofendido, por seu representante legal ou 
procurador com poderes especiais. 
 
Parágrafo único. A renúncia do representante legal do 
menor que houver completado 18 anos não privará este 
do direito de queixa, nem a renúncia do último excluirá 
o direito do primeiro. 
 
Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados 
aproveitará a todos, sem que produza, todavia, efeito em 
relação ao que o recusar. 
 
Art. 52. Se o querelante for menor de 21 e maior de 18 
anos, o direito de perdão poderá ser exercido por ele ou 
por seu representante legal, mas o perdão concedido 
por um, havendo oposição do outro, não produzirá 
efeito. 
 
Dispositivo não recepcionado pela CF. 
 
Art. 53. Se o querelado for MENTALMENTE ENFERMO 
ou RETARDADO MENTAL e NÃO TIVER REPRESENTANTE 
LEGAL, ou COLIDIREM OS INTERESSES deste com os do 
querelado, a ACEITAÇÃO DO PERDÃO caberá ao 
CURADOR que o juiz Ihe nomear. 
 
Art. 54. Se o querelado for menor de 21 anos, observar-
se-á, quanto à aceitação do perdão, o disposto no art. 
52. 
 
 
Dispositivo não recepcionado pela CF. 
 
Art. 55. O perdão poderá ser aceito por procurador 
com poderes especiais. 
 
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Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual 
expresso o disposto no art. 50. 
 
Art. 57. A renúncia tácita e o perdão tácito admitirão 
todos os meios de prova. 
 
Art. 58. Concedido o perdão, mediante declaração 
expressa nos autos, o querelado será intimado a dizer, 
dentro de 3 DIAS, se o aceita, devendo, ao mesmo 
tempo, ser cientificado de que o seu silêncio importará 
aceitação. 
 
Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará extinta a 
punibilidade. 
 
Art. 59. A aceitação do perdão FORA do processo 
constará de declaração assinada pelo querelado, por 
seu representante legal ou procurador com poderes 
especiais. 
 
Art. 60. Nos casos em que somente se procede 
mediante queixa, considerar-se-á PEREMPTA a ação 
penal: 
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de 
promover o andamento do processo durante 30 DIAS 
seguidos; 
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo 
sua incapacidade, não comparecer em juízo, para 
prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 DIAS, 
qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, 
ressalvado o disposto no art. 36; 
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem 
motivo justificado, a qualquer ato do processo a que 
deva estar presente, ou deixar de formular o pedido 
de condenação nas alegações finais; 
IV - quando, sendo o querelante PESSOA JURÍDICA, 
esta se extinguir sem deixar sucessor. 
 
Art. 61. Em QUALQUER FASE DO PROCESSO, o juiz, se 
reconhecer EXTINTA A PUNIBILIDADE, deverá declará-
lo DE OFÍCIO. 
 
Parágrafo único. No caso de requerimento do MP, do 
querelante ou do réu, o juiz mandará autuá-lo em 
apartado, ouvirá a parte contrária e, se o julgar 
conveniente, concederá o prazo de 5 DIAS para a prova, 
proferindo a decisão dentro de 5 DIAS ou reservando-
se para apreciar a matéria na sentença final. 
 
Art. 62. No caso de MORTE do acusado, o juiz 
SOMENTE à vista da CERTIDÃO DE ÓBITO, e depois de 
OUVIDO o MP, declarará extinta a punibilidade. 
ENUNCIADO VI DA I JORNADA DE DIREITO E 
PROCESSO PENAL (10 a 15 de agosto de 2020) 
É possível aditar a denúncia para requerer a perda de 
bens cujo conhecimento se der após iniciada a ação 
penal, caso em que, recebido o aditamento, deverão 
ser ouvidos os interessados e propiciada a dilação 
probatória. 
 
Súmula 23, STJ: A participação de membro do MP na 
fase investigatória criminal não acarreta o seu 
impedimento ou suspeição para o oferecimento da 
denúncia. 
 
Súmula 594, STF: Os direitos de queixa e de 
representação podem ser exercidos, 
independentemente, pelo ofendido ou por seu 
representante legal. 
 
Súmula 714, STF: É concorrente a legitimidade do 
ofendido, mediante queixa, e do MP, condicionada à 
representação do ofendido, para a ação penal por 
crime contra a honra de servidor público em razão 
do exercício de suas funções. 
 
Súmula 542, STJ: A ação penal relativa ao crime de 
lesão corporal resultante de violência doméstica 
contra a mulher é pública incondicionada. 
 
 
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NORTE LEGAL 
LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
ABRANGÊNCIA: ART. 63 AO 87 
 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
 
TÍTULO IV – DA AÇÃO CIVIL 
 
 AÇÃO DE 
EXECUÇÃO EX 
DELICTO (ART. 63) 
AÇÃO CIVIL EX 
DELICTO (ART. 64) 
PRESCREVE EM 3 
ANOS. 
COMPETÊNCIA Juízo Cível Juízo Cível 
NATUREZA Execução Ação ordinária de 
conhecimento 
 
 
LEGITIMADOS 
ATIVOS 
 
▪ Ofendido 
▪ Representante 
Legal 
▪ Herdeiros 
 
OBS: MP não tem, 
salvo se a vítima for 
pobre 
(Inconstitucionalidade 
Progressiva) 
▪ Ofendido 
▪ Representante 
Legal 
▪ Herdeiros 
 
OBS: MP não tem, 
salvo se a vítima for 
pobre 
(Inconstitucionalidade 
Progressiva) 
 
 
LEGITIMADOS 
PASSIVOS 
 
▪ Acusado e 
Sucessores 
(herança) 
 
Atenção: jamais 
sobre o responsável 
civil, pois, como não 
participou do 
processo criminal, 
não exerceu seu 
contraditório. 
▪ Acusado e 
Sucessores 
(herança) 
▪ Responsável civil 
 Valor mínimo, sem 
prejuízo da 
 
VALOR liquidação para 
apuração do dano 
efetivamentesofrido. 
Apurado no cível. 
Art. 63. Transitada em julgado a sentença 
condenatória, poderão promover-lhe a execução, no 
JUÍZO CÍVEL, para o efeito da reparação do dano, o 
OFENDIDO, seu REPRESENTANTE LEGAL ou seus 
HERDEIROS. (AÇÃO DE EXECUÇÃO EX DELICTO) 
 
SISTEMAS ATINENTES À RELAÇÃO ENTRE A AÇÃO CIVIL 
EX DELICTO E O PROCESSO PENAL 
SISTEMA DA 
CONFUSÃO 
Mesma ação é utilizada para imposição 
da pena e ressarcimento do prejuízo 
causado pelo delito. 
SISTEMA DA 
SOLIDARIEDADE 
Cumulação obrigatória de ações 
distintas perante o juízo penal, uma de 
natureza penal, e outro cível, ambas no 
mesmo processo. 
 
SISTEMA DA LIVRE 
ESCOLHA 
 
Caso queira, ajuíza ação de reparação 
de dano no cível. Porém, juiz cível 
determina paralisação do processo até 
a superveniência do julgamento 
definitivo penal, evitando-se, assim, 
decisões contraditórias 
SISTEMA DA 
INDEPENDÊNCIA 
(PREVALECE) 
DUAS AÇÕES podem ser propostas de 
MANEIRA INDEPENDENTE, uma no 
JUÍZO CÍVEL, outra no JUÍZO PENAL 
 
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença 
condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo 
VALOR FIXADO nos termos do inciso iv do caput do 
Art. 387 deste Código sem prejuízo da LIQUIDAÇÃO 
para a apuração do dano efetivamente sofrido. 
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SOBRE O VALOR MÍNIMO A SER FIXADO PELO JUIZ 
▪ Juiz pode fixar um valor liquido na própria 
sentença condenatória. 
▪ Após o trânsito em julgado da sentença que 
especificou o valor líquido, pode ser feita a 
execução. 
▪ Ressalta-se que o valor líquido não é definitivo. 
Caso o ofendido discorde dele, pode ajuizar ação 
autônoma para apurar o prejuízo efetivamente 
sofrido. 
▪ Pedido tem que ser EXPRESSO. 
▪ Dano pode ser MATERIAL ou MORAL (INDIVIDUAL 
ou COLETIVO). 
Nesse sentido, o Resp. 1.643.051 do STJ (Tema 983): 
(...) Nos casos de violência contra a mulher 
praticados no âmbito doméstico e familiar, é 
possível a fixação de valor mínimo indenizatório a 
título de dano moral, desde que haja pedido 
expresso da acusação ou da parte ofendida, ainda 
que não especificada a quantia, e 
independentemente de instrução probatória. 
▪ Juiz pode deixar de fixar o valor mínimo se: 
☛ Não houver prova do prejuízo; 
☛ Fatos complexos e indenização demanda dilação 
probatória; 
☛ Vítima já foi indenizada no cível. 
▪ Valor mínimo não pode ser impugnado por HC. 
▪ Não havendo na sentença condenatória transitada 
em julgado determinação expressa de reparação 
do dano ou de devolução do produto do ilícito, não 
pode o juízo das execuções inserir referida 
condição para fins de progressão de regime. (Info 
709, STJ, 2021) 
# Jurisprudência Correlata 
 
A sentença ou acórdão penal condenatório, ao fixar 
o valor mínimo para reparação dos danos 
causados pela infração (art. 387, IV, do CPP) poderá 
condenar o réu ao pagamento de DANOS MORAIS 
COLETIVOS. 
 
Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, 
a ação para ressarcimento do dano poderá ser 
proposta no juízo cível, contra o AUTOR DO CRIME e, 
se for caso, contra o RESPONSÁVEL CIVIL. (AÇÃO 
CIVIL EX DELICTO) 
 
Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz da ação 
civil poderá suspender o curso desta, até o julgamento 
definitivo daquela. 
 
Suspensão é de no máximo 1 ano e é facultativa. 
 
Art. 65. Faz COISA JULGADA no CÍVEL a sentença 
penal que reconhecer ter sido o ato praticado em 
ESTADO DE NECESSIDADE, em LEGÍTIMA DEFESA, em 
ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL ou no 
EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. (EXCLUDENTES DE 
ILICITUDE) 
 
Doutrinariamente, isso se chama EFICÁCIA 
PRECLUSIVA SUBORDINANTE. 
 
EFEITOS CIVIS DA ABSOLVIÇÃO PENAL 
Provada a inexistência 
do fato 
Faz coisa julgada no Cível. 
(decisão categórica) 
Provado que o réu não 
concorreu para a 
infração penal 
Faz coisa julgada no Cível. 
(decisão categórica) 
Não há prova da 
existência do fato 
Não fará coisa julgada no 
Cível. 
Não constituir o fato 
infração penal 
Não fará coisa julgada no 
Cível. 
Não existir prova do réu 
concorrido para infração 
penal 
Não fará Coisa Julgada no 
Cível (decisão com dúvida). 
Não existe prova 
suficiente para 
condenação 
Não fará Coisa Julgada no 
Cível (decisão com dúvida). 
Existirem circunstâncias 
que excluam crime ou 
isentem o réu de pena ou 
mesmo se houver 
 
 
Quadro abaixo 
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fundada dúvida sobre 
sua existência 
*Tabela retirada do site www.dizerodireito.com 
 
 
FARÁ COISA JULGADA 
NO CÍVEL 
NÃO FARÁ COISA 
JULGADA NO CÍVEL 
Provada a existência de 
causa excludente de 
ilicitude real, desde que 
o ofendido tenha dado 
causa à excludente. 
Provada a existência de 
causa excludente de 
ilicitude putativa e erro 
na execução 
Provada a existência de 
causa excludente de 
culpabilidade 
Fundada dúvida acerca 
da causa excludente da 
ilicitude ou da 
culpabilidade. 
 
*Tabela extraída dio site 
dizerodireito.com 
 
 Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no 
juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando 
não tiver sido, CATEGORICAMENTE, reconhecida a 
INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. 
 
Art. 67. NÃO IMPEDIRÃO igualmente a PROPOSITURA 
DA AÇÃO CIVIL: 
 
I - o despacho de ARQUIVAMENTO do inquérito ou das 
peças de informação; 
 
II - a decisão que julgar EXTINTA A PUNIBILIDADE; 
III - a sentença absolutória que decidir que o FATO 
IMPUTADO NÃO CONSTITUI CRIME. (ATIPICIDADE) 
Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano 
for POBRE, a execução da sentença condenatória (art. 
63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu 
requerimento, pelo Ministério Público. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
▪ Vítima tem que ser POBRE e REQUERER. 
 
▪ Esse dispositivo encontra-se em 
inconstitucionalidade progressiva (um dia 
será inconstitucional). Nas comarcas sem 
Defensoria, o MP pode pleitear reparação do 
dano em favor de vítima pobre. 
 
▪ Antes do Juiz dizer que o MP não tem 
legitimidade para propor a ação civil ex delicto, 
é INDISPENSÁVEL QUE A DEFENSORIA SEJA 
INTIMADA PARA TOMAR CIÊNCIA DA DEMANDA e, 
se for o caso, assumir o polo ativo da ação. (STJ, 
2018) 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOTAS INTRODUTÓRIAS - COMPETÊNCIA 
 
 
INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA INCOMPETÊNCIA RELATIVA 
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Interesse público (regras previstas na CF). Interesse preponderante das partes (regras previstas 
na legislação infraconstitucional) 
Improrrogável ou imodificável. Desta forma, não pode 
ser alterada pela conexão e/ou pela continência. 
Prorrogável ou derrogável. Assim, a conexão e a 
continência poderão modificá-la. 
Inobservância produz nulidade absoluta. Inobservância produz nulidade relativa. 
Pode ser arguida a qualquer momento, inclusive após o 
trânsito em julgado de sentença condenatória ou 
absolutória imprópria. Portanto, não está sujeita a 
preclusão. 
 
Deve ser arguida em momento oportuno, sob pena de 
preclusão. 
Prejuízo é presumido. Prejuízo precisa ser comprovado. 
 
 
 
 
 
Pode ser declarada de ofício, enquanto não houver o 
esgotamento da jurisdição. 
Pode ser declarada de ofício. 
Obs: A Súmula 33 do STJ (a incompetência relativa 
podia ser declarada de ofício) não se aplica ao 
ProcessoPenal. 
Antes da Lei nº 11.719/2008, que alterou o CPP, a 
incompetência relativa podia ser declarada de ofício até 
o momento da sentença. 
 
Com a adoção do PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO 
JUIZ (art. 399, §2º), essa incompetência relativa só pode 
ser declarada até o início da instrução processual. 
Porque se o juiz fizer a audiência, fizer a instrução, ele 
não poderá enviar para o outro, por conta do 
supracitado princípio, visto que o juiz que faz a 
instrução deve ser o mesmo que profere a sentença. 
 
Ratione materiae 
Ratione personae (Foro por prerrogativa de função) 
Ratione Loci 
Por distribuição 
Por prevenção (Súmula 706-STF) 
Conexão e continência. 
Consequências do reconhecimento da incompetência 
 
Art.567. A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a 
nulidade, ser remetido ao juiz competente. 
 
Doutrina: O art. 567 do CPP refere-se apenas à incompetência relativa, uma vez que faz referência á anulação 
apenas dos atos decisórios. Tratando-se de incompetência absoluta, tanto os atos decisórios quanto os atos 
probatórios deverão ser anulados. Princípio da Identidade física do juiz colabora para esse entendimento. 
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Jurisprudência: Entende que não há necessidade de anulação dos atos decisórios, desde que sejam ratificados 
pelo juízo competente. 
STF HC 83.006/SP – (...) tanto a denúncia quanto o seu recebimento, emanados de autoridades incompetentes, 
rationae materiae são ratificáveis no juízo competente. 
 
 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL 
É considerada uma justiça comum, mas seu status é constitucional, já que as hipóteses estão previstas no art. 109 
da CF. São elas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 109, IV 
Crimes políticos, infrações em detrimento de bens, serviços ou interesse da união ou suas 
entidades autárquicas e empresas públicas; 
 
Obs1. Crimes políticos são os previstos na Lei 7.170/83 (Lei de Segurança Nacional). Além da 
previsão legal, deve haver motivação política. 
 
Obs2. Na lesão a bens, serviços ou interesses, temos o seguinte tripé: 
 
LESÃO 
 
BENS 
União 
Autarquia Federal 
Empresa Pública Federal 
 
SERVIÇOS 
União 
Autarquia Federal 
Empresa Pública Federal 
 
INTERESSES 
União 
Autarquia Federal 
Empresa Pública Federal 
 
Ex1: Indivíduo que furtou dinheiro do INSS (bens de uma autarquia federal); 
Ex2: Indivíduo que falsificou moeda (interesse da União, pois a competência pra emitir é sua) 
 
Muito cuidado com algumas hipóteses (despencam em provas): 
 
1) Roubo contra casa lotérica: competência é da Justiça Estadual, pois se trata de uma pessoa 
jurídica de direito privado (permissionária de serviço público). 
 
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2) Roubo contra agência dos correios: se o crime for praticado em detrimento de uma franquia 
dos Correios, a competência será da Justiça Estadual; se o crime for cometido contra o 
próprio ente da Administração Indireta Federal ou contra um carteiro, a competência será 
da Justiça Federal (STJ HC 39200). Em suma: 
Agência própria: JF 
Carteiro: JF 
Agência franqueada: JE 
 
3) Crime contra a OAB: Justiça Federal. 
 
4) Crime contra o Banco do Brasil: Justiça Estadual, pois o BB é uma Sociedade de Economia 
Mista. 
 
5) Concessionárias e Permissionárias de Serviço Público: Justiça Estadual. 
 
6) Crime de esbulho possessório de imóvel vinculado ao Programa Minha Casa Minha Vida: 
Justiça Federal. Tais imóveis são subsidiados pela União, a qual efetiva parte do pagamento 
do bem, com recursos orçamentários, no momento da assinatura do contrato com o agente 
financeiro. (Info 700, STJ, 2021) 
 
7) Crime cometido contra (ou por)) funcionário público federal. Depende. Quando o crime tiver 
sido praticado em razão da função, a competência será da Justiça Federal. 
 
Súmula nº 147, STJ: Compete à justiça federal processar e julgar os crimes praticados 
CONTRA (E POR) funcionário público federal, quando relacionados com o exercício da função. 
 
Atenção:O STF (HC 157.012/MS) entende que a mera condição de servidor público federal não 
basta para atrair a competência da Justiça Federal, na medida em que o interesse da União 
há de sobressair das funções institucionais, não da pessoa do acusado. Por isso, num caso 
concreto envolvendo suposto crime de homicídio qualificado praticado por policial rodoviário 
federal, quando se encontrava em deslocamento no trajeto de sua residência para o local de 
trabalho, a competência é, a priori, da Justiça Estadual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crimes previstos em tratado ou convenção internacional, desde que iniciada a execução no país o 
resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro ou reciprocamente; 
 
Para que o crime seja de competência da JUSTIÇA FEDERAL é necessário a presença dos seguintes 
REQUISITOS CUMULATIVOS: 
 
1) Crime previsto em tratado ou convenção internacional; 
2) Internacionalidade territorial do resultado em relação à conduta delituosa. A relação de 
internacionalidade ocorre quando: 
2.1) Iniciada a execução do crime no Brasil, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no 
estrangeiro; 
2.2) Iniciada a execução do crime no estrangeiro, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido 
no Brasil. 
 
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Art. 109, V 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 109, V 
Assim, não é suficiente que o crime esteja previsto em tratado ou convenção internacional para ser 
julgado pela Justiça Federal. Pode-se citar os seguintes exemplos de crimes que poderão ser 
submetidos a julgamento pela JF com fundamento no art. 109, V, da CF/88, desde que haja relação de 
internacionalidade, por serem previstos em tratados internacionais: 
a) Tráfico internacional de arma de fogo (art. 18 da Lei no 10.826/2003); 
b) Tráfico internacional de pessoas para fim de exploração sexual (art. 231 do CP); 
c) Envio ilegal de criança ou adolescente para o exterior (art. 239 do ECA). 
d) Tráfico transnacional de drogas (art. 70, da Lei no 11.343/2006). Aqui, temos algumas observações: 
 
O fato de a droga não ser produzida no Brasil não caracteriza, de imediato, tráfico 
internacional. É necessária a análise do caso concreto, pois o agente pode ter 
comprado a droga para revender em Salvador, o que caracteriza o tráfico doméstico. 
Obviamente, quem trouxe a droga do exterior irá responder pelo tráfico internacional. 
A apreensão de drogas em uma cidade na fronteira, a exemplo de Foz do Iguaçu, não 
caracteriza, de imediato, tráfico internacional. É necessária a análise do caso concreto. 
A aquisição de substância que não é considerada droga no país de origem, mas é 
considerada entorpecente no Brasil, não caracteriza tráfico internacional de drogas. 
A prisão na área de embarque internacional, já com a passagem para outro país, 
caracteriza tráfico internacional, pois a execução foi iniciada no país e o resultado 
deveria ocorrer em outro país. 
IMPORTAÇÃO DA DROGA VIA POSTAL (CORREIOS) 
JULGADO DO STJ (07/06/2021). MUDANÇA DE ENTENDIMENTO. A 3ª Seção do STJ 
flexibilizou o entendimento da Súmula nº 528 e estabeleceu que, em favor da facilitação 
da fase investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do processo,no caso 
de remessa de drogas ao Brasil por via postal, com o conhecimento do destinatário por 
meio do endereço aposto da correspondência, a competência para processamento e 
julgamento deve ser fixada no juízo do local de destino. 
 
Súmula 528, STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida 
do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. 
 
Argumentos do novo entendimento: 
 
1) Bom senso. Em São Paulo desembarca a maioria das remessas importadas, 
via correios, do exterior. A existência de destinatário certo e devidamente 
identificado colocaria a Polícia Federal lotada no Estado de São Paulo para 
investigar indivíduo que residisse, v.g., em Porto Alegre, no Rio de Janeiro, em 
Boa Vista, em Cuiabá etc. Enfim, em qualquer lugar do Brasil para onde a 
encomenda estivesse endereçada. Isso dificultaria sobremaneira as 
investigações, quando não as inviabilizasse por completo; 
 
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2) Decorre da regra que define a competência pelo lugar em que efetivamente se 
consuma a infração, circunstância esta essencial para a fixação da 
competência, nos termos do art. 70, do CPP. para que haja a remessa da droga 
ao Brasil é necessário que o importador entabule um negócio (evidentemente 
ilícito). Não é crível, ainda mais no âmbito do tráfico internacional, que alguém 
remeta drogas para o Brasil gratuitamente ou ofereça essa remessa como um 
presente sem ônus. É evidente que há um negócio espúrio preliminar à 
remessa do entorpecente. Assim, quando o importador acerta a remessa do 
entorpecente, efetua o pagamento do preço e se cerca dos cuidados para que 
receba o produto, o negócio se encontra aperfeiçoado, dependendo o seu êxito 
integral, tão somente, do efetivo recebimento da droga. Desse modo, a 
consumação da importação da droga ocorre no momento da entabulação do 
negócio jurídico. Logo, o local de apreensão da mercadoria em trânsito não se 
confunde com o local da consumação do delito, o qual já se encontrava perfeito 
e acabado desde a negociação. 
 
OBS. Ressalte-se que a 3ª Seção, no julgamento do CC 172.392, já havia flexibilizado a 
incidência da Súmula 151 nas hipóteses em que a mercadoria apreendida, objeto de 
contrabando e descaminho, estiver em trânsito e for conhecido o endereço da empresa 
à qual se destina. 
 
ATENÇÃO: A terceira Seção, na sessão ordinária de 23/02/2022, ao apreciar o Projeto 
de Súmula n. 1.258, determinou o CANCELAMENTO da súmula 528 do STJ. 
No caso de desclassificação de tráfico internacional para doméstico, STJ/STF 
entendem que não pode ser utilizado o 81 do CPP (perpetuação de jurisdição), porque 
este se refere a crimes CONEXOS, o que não ocorre no caso de desclassificação. 
Quando desclassifica, seria como se declarasse sua incompetência absoluta. Os autos 
devem ser remetidos à Justiça Estadual. E mais, mudança ratione matéria é absoluta. 
Mudança é imperativa. 
 
 
 
Art. 109, V-
A 
Causas relativas a DIREITOS HUMANOS a que se refere o § 5o: 
 
§ 5o Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o PGR, com a finalidade de assegurar 
o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos 
quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o STJ, em qualquer fase do inquérito ou 
processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. 
 
Art. 109 VI 
 
Crimes contra a ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 
Compreende apenas quando violados os direitos dos trabalhadores coletivamente considerados. 
Se a lesão for individualizada a competência será da Justiça Estadual. 
 
Para o STJ, os crimes dos arts. 197 a 207 do CP só serão de competência da Justiça Federal quando 
ficar demonstrado, no caso concreto, que o delito provocou lesão a: 
• Direito dos trabalhadores coletivamente considerados; ou 
• Organização geral do trabalho. 
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Para o STF, compete à JUSTIÇA FEDERAL processar e julgar o crime de REDUÇÃO À CONDIÇÃO 
ANÁLOGA à de escravo (art. 149 do CP). O tipo previsto no art. 149 do CP caracteriza-se como crime 
contra a organização do trabalho, além de violar direitos humanos, portanto, atrai a competência da 
justiça federal (art. 109, VI, da CF/88). (Info 809, STF) 
 
E quando a lei dispuser, contra o SISTEMA FINANCEIRO e a ORDEM ECONÔMICO-FINANCEIRA 
 
Para que esses crimes sejam da competência federal, a lei deve assim dizer. Se a lei não dispôs, não 
há o que falar, nesses crimes, em competência da JF. Cuidado: 
 
Crimes contra a 
economia popular 
(Lei nº 1.521/51) 
 
Justiça Estadual. Lei nada fala. 
Crimes contra o Sistema 
Financeiro Nacional 
(Lei nº 7.492/86) 
 
 
Justiça Federal. Art. 26. 
 
Crimes da 
Lei nº 8.137/90 
Contra aordem 
tributária 
Será definida pela natureza do tributo. 
Contra a ordem 
econômica 
Justiça Estadual 
Contra as relações de 
consumo 
Justiça Estadual 
 
 
Lavagem de Capitais 
(Lei nº 9.613/98) 
REGRA Justiça Estadual 
 
 
 
EXCEÇÕES 
(JUSTIÇA 
FEDERAL) 
1) Quando praticados CONTRA o SISTEMA 
FINANCEIRO e a ORDEM ECONÔNICO-FINANCEIRA, 
ou em detrimento de bens, serviços ou INTERESSES 
da UNIÃO, ou de suas entidades autárquicas ou 
empresas públicas; 
2) Quando a INFRAÇÃO PENAL ANTECEDENTE for de 
COMPETÊNCIA da JUSTIÇA FEDERAL. 
. 
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Art. 109, IX 
Crimes cometidos a BORDO DE NAVIOS OU AERONAVES: 
 
 
 
 
NAVIO 
Navio é uma embarcação de grande porte. Para que o crime seja de 
competência da Justiça Federal, é necessário que o navio seja uma 
“embarcação de grande porte”. 
Delito cometido a bordo de um pequeno barco, lancha, veleiro: competência será 
da Justiça Estadual. 
 
OBS: Se o navio estiver atracado e não se encontrar em potencial situação de 
deslocamento, a competência será da Justiça Estadual. 
 
 
AERONAVE 
“Aeronave voando ou parada”: a competência será da JF. Não é necessário que 
a aeronave esteja em movimento para que a competência seja da JF. 
 
STJ: “Balão” não é considerado uma aeronave, por isso a competência será da 
Justiça Estadual. (CC 143.400/SP) 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 109, XI 
Crimes relativos à disputa de DIREITOS INDÍGENAS; 
Em regra, crime praticado por e contra índio será julgado e processado pela Justiça Estadual. 
Súmula nº 140, STJ: Compete a justiça comum estadual processar e julgar crime em 
que o indígena figure como autor ou vítima. 
 
A competência será da Justiça Federal quando os direitos indígenas forem violados. Fundamento no 
art. 231 da CF: 
Art. 231, CF. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, 
crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente 
ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus 
bens 
 
OUTROS CRIMES 
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CRIMES CONTRA 
O MEIO AMBIENTE 
 
REGRA JUSTIÇA ESTADUAL 
 
 
 
5 EXCEÇÕES 
QUE LEVAM 
PRA JUSTIÇA 
FEDERAL 
• Crime ambiental praticado no interior de bem da União. Exemplo: 
Pesca proibida (período) em marterritorial, que é bem da União; 
 
• Crime ambiental praticado no Rio Real (divisa de Sergipe e Bahia). 
É da JF, pois rio que faz divisa ou fronteira é bem da União; 
 
• Extração ilegal de recursos minerais (bens da União); 
 
• Cativeiro de animais da fauna exótica: Para o STJ, a competência é 
da JF (novidade), pois estaria atentando contra um serviço de 
fiscalização do IBAMA (autarquia federal). 
 
• Crimes ambientais relacionados com organismos geneticamente 
modificados (OGM`s). Ex: Cultivo de soja transgênica em desacordo 
com a legislação vigente. STJ CC 41301. 
. 
 
 
 
 
 
 
 
CRIMES CONTRA 
A FÉ PÚBLICA 
Há três regras para determinar a competência nos crimes contra a fé pública: 
 
 
 
FALSIFICAÇÃO 
Competência é fixada de acordo com o órgão responsável pela 
emissão do documento. 
Ex: falsificação de CNH será julgada pela JE, uma vez que é emitida 
pelo DETRAN. Já a falsificação de CPF, será julgada e processada pela 
JF, uma vez que é emitido pela Receita Federal 
 
 
USO DE 
DOCUMENTO 
FALSO 
 
Competência é fixada com base na pessoa prejudicada pelo uso, 
pouco importando o órgão emissor do documento. 
Ex: João, em uma blitz do órgão municipal de trânsito, apresentou sua 
Carteira de Habilitação falsificada. O agente de trânsito, percebendo 
a falsificação, chamou um PM e João foi preso em flagrante por uso 
de documento falso (art. 304 do CP). Competência é da JE. 
 
CRIME DE 
FALSO COMO 
CRIME-MEIO 
Ocorre quando a falsificação é cometida para que outro crime seja 
praticado. Assim, quando a potencialidade lesiva do crime-meio se 
exaurir no crime-fim, a competência será determinada pelo crime-
fim. 
. 
 
EXECUÇÃO 
PENAL 
A competência do juízo das execuções será determinada em virtude da natureza do presídio. 
 
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Súmula no 192, STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução das penas 
impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a 
estabelecimentos sujeitos à administração estadual. 
 
 
 
 
 
CONTRAVENÇÕES 
PENAIS 
Quem processa e julga as contravenções praticadas contra a União, Autarquias, EP federal? 
Serão SEMPRE julgadas pela JUSTIÇA ESTADUAL, mesmo se conexas com crime de 
competência da federal ( Art. 109, IV da CF e Súmula 38 nº STJ): 
 
Art. 109, IV, CF - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, 
serviços ou interesse da União ou de suas entidade autárquicas ou empresas públicas, 
excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça 
Eleitoral; 
 
Súmula 38, STJ: Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o 
processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou 
interesse da União ou de suas entidades. 
 
Exceção: contravenção praticada por agente com foro por prerrogativa de função. A 
contravenção então poderá ser julgada na justiça federal. Ex.: Juiz federal→TRF. 
 
 
PEDOFILIA NA 
INTERNET 
Pode ou não ter a internacionalidade do resultado, é necessária a análise do caso concreto: 
 
1) Envio de fotos por e-mail para uma cidade dentro do Brasil: Justiça Estadual. 
2) Armazenamento de fotos em um site: Justiça Federal. 
 
OBS: Na hipótese de provedores internacionais, a competência territorial para julgar a pedofilia 
pela internet é do local de onde emanaram as imagens pedófilo-pornográficas. 
Crime de Violação 
de direito autoral 
e contra a lei de 
software 
decorrentes de 
compartilhamento 
de TV por 
assinatura, via 
satélite ou cabo, 
por meio de 
serviços de card 
sharing 
 
 
 
 
A competência será da Justiça Federal. (STJ, CC 150.629/SP, j. 22/02/2018) 
 
TÍTULO V - DA COMPETÊNCIA 
 
 
Art. 69. Determinará a competência 
jurisdicional: 
I - o lugar da infração: (Teoria do Resultado) 
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II - o domicílio ou residência do RÉU; 
III - a natureza da infração; 
IV - a distribuição; 
V - a conexão ou continência; 
VI - a prevenção; 
VII - a prerrogativa de função. 
 
#Jurisprudência Correlata 
O crime de estelionato praticado por meio 
saque de cheque fraudado compete ao Juízo 
do local da agência bancária da vítima (Info 
728, STJ, 03/2022). 
 
CAPÍTULO I - DA COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA 
INFRAÇÃO 
 
 Art. 70. A competência será, de regra, 
determinada pelo lugar em que se CONSUMAR a 
infração, ou, no caso de TENTATIVA, pelo lugar em 
que for praticado o ÚLTIMO ATO DE EXECUÇÃO. 
 
§ 1o Se, iniciada a execução no território nacional, 
a infração se CONSUMAR FORA DELE, a 
competência será determinada pelo lugar em que 
tiver sido praticado, no Brasil, o ÚLTIMO ATO DE 
EXECUÇÃO. 
 
§ 2o Quando o ÚLTIMO ATO DE EXECUÇÃO for 
praticado FORA DO TERRITÓRIO NACIONAL, será 
competente o juiz do lugar em que o crime, 
embora parcialmente, tenha produzido ou devia 
produzir seu resultado. 
CRIME PLURILOCAL CRIME À DISTÂNCIA 
Conduta e resultado em 
comarcas diferentes. 
Execução começa em 
um país e o resultado 
ocorre em outro. 
Dentro do Brasil. Envolve o Brasil e outro 
país. 
 
§ 3o Quando INCERTO o limite territorial entre 2 
ou mais jurisdições, ou quando INCERTA a 
jurisdição por ter sido a infração consumada ou 
tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, 
a competência firmar-se-á pela PREVENÇÃO. 
 
# DICA de OURO 
 
Quando se falar em INCERTEZA é caso de 
PREVENÇÃO. 
 
§ 4º Nos crimes previstos no art. 171 do Decreto-
Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código 
Penal), quando praticados mediante depósito, 
mediante emissão de cheques sem suficiente 
provisão de fundos em poder do sacado ou com o 
pagamento frustrado ou mediante transferência 
de valores, a competência será definida pelo local 
do domicílio da vítima, e, em caso de pluralidade 
de vítimas, a competência firmar-se-á pela 
prevenção. 
 
# Jurisprudência Correlata 
No crime de estelionato, não identificadas as 
hipóteses descritas no § 4º do art. 70 do CPP, a 
competência deve ser fixada no local onde o agente 
delituoso obteve, mediante fraude, em benefício 
próprio e de terceiros, os serviços custeados pela 
vítima (Info 736, STJ, 05/2022). 
 
Art. 71. Tratando-se de infração CONTINUADA ou 
PERMANENTE, praticada em território de 2 ou mais 
jurisdições, a competência firmar-se-á pela 
PREVENÇÃO. 
# Comentários 
 
▪ Os crimes cometidos no Brasil com 
resultado em outro país ou vice-versa são 
chamados de “crimes de espaço máximo” ou 
“crime à distância” Aqui, se aplica a Teoria do 
Ubiquidade (âmbito penal), ou seja, aplica-se a 
lei do país em que ocorreu a conduta ou 
resultado. 
 
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▪ CRIMES FORMAIS: aquele em que resultado 
é mero exaurimento. Para fixar a competência 
nesses crimes, o que vale é o momento em 
que o crime se consumou e não o do resultado. 
 
Ex: a extorsão consuma-se no local em que 
vítima é constrangida, e não o do pagamento. 
Competência: local do constrangimento. 
 
▪ CRIMES PLURILOCAIS DE HOMICÍDIO: 
Conduta ocorre em uma comarca e o 
resultado em outra. 
 
Ex: Tiros desferidos na cidade “x”, mas a vítima 
morre na cidade “y”. Pela regra geral, a 
competência seria da cidade “y” – local da 
consumação. No entanto, nesse caso, não se 
aplica ateoria do resultado, prevalecendo que 
o foro competente será o do local da conduta 
(Teoria da Atividade ou Teoria do Esboço do 
Resultado) 
 
▪ INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO: Lei 
dos JECRIM adota a Teoria da Atividade. 
 
 
▪ CONTRABANDO OU DESCAMINHO: a 
competência é sempre da Justiça Federal e 
será definida pelo local de apreensão dos 
bens. 
 
▪ CRIME PRATICADOS NO ESTRANGEIRO: Como 
exemplo, João, funcionário do Banco do Brasil de Buenos 
Aires, praticou peculato apropriação. Antes de ir para 
Buenos Aires, João residia em Campinas, São Paulo. 
João está sujeito à lei brasileira e será julgado pela 
Justiça Estadual, pois o Banco do Brasil é uma Sociedade 
de Economia Mista. A competência é da Justiça de São 
Paulo - Capital do Estado da última residência de João. 
Senão vejamos o que diz o art. 7º do CP: 
 
Art. 7o - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora 
cometidos no estrangeiro: 
I - Crimes: [...] 
b) contra patrimônio ou fé pública da União, Estado, 
Distrito Federal e Municípios, empresa pública, 
Sociedade de Economia Mista, Autarquia ou 
Fundação instituída pelo Poder Público. 
 
 
Súmula 522, STF: Salvo ocorrência de tráfico para o 
exterior, quando, então, a competência será da Justiça 
Federal, compete a justiça dos estados o processo e o 
julgamento dos crimes relativos a entorpecentes. 
 
# Jurisprudência Correlata (08/2021) 
 
Nos crimes de estelionato, quando praticados 
mediante depósito, por emissão de cheques sem 
suficiente provisão de fundos em poder do sacado 
ou com o pagamento frustrado ou por meio da 
transferência de valores, a competência será 
definida pelo local do domicílio da vítima, em razão 
da superveniência de Lei n. 14.155/2021, ainda que 
os fatos tenham sido anteriores à nova lei. 
 
Vale ressaltar que, quanto ao delito de estelionato, 
a 3ª Seção do STJ havia pacificado o entendimento 
de que a consumação ocorre no lugar onde 
aconteceu o efetivo prejuízo à vítima. 
 
Atenção: Como a nova lei é norma processual, esta 
deve ser aplicada de imediato, ainda que os fatos 
tenham sido anteriores à nova lei, notadamente 
quando o processo ainda estiver em fase de 
inquérito policial, razão pela qual a competência no 
caso é do Juízo do domicílio da vítima. (Info 706, 
STJ). 
CAPÍTULO II - DA COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO 
OU RESIDÊNCIA DO RÉU 
 
Art. 72. NÃO SENDO CONHECIDO O LUGAR DA 
INFRAÇÃO, a competência regular-se-á pelo 
DOMICÍLIO ou RESIDÊNCIA do RÉU.(e não da vítima) 
 
§ 1o Se o réu tiver MAIS DE UMA RESIDÊNCIA, a 
competência firmar-se-á pela PREVENÇÃO. 
 
§ 2o Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado 
o seu paradeiro, será competente o juiz que PRIMEIRO 
TOMAR CONHECIMENTO DO FATO. 
 
Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o 
querelante poderá preferir o foro de DOMICÍLIO OU DA 
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RESIDÊNCIA DO RÉU, ainda quando conhecido o lugar 
da infração. 
 
Atenção: O art. 73 prevê a única hipótese de foro de 
eleição no processo penal. 
 
O domicílio da vítima NUNCA é levado em conta 
para definição da competência territorial. 
 
CAPÍTULO III - DA COMPETÊNCIA PELA 
NATUREZA DA INFRAÇÃO 
 
Art. 74. A competência pela natureza da infração 
será regulada pelas leis de organização judiciária, 
SALVO a competência privativa do TRIBUNAL DO JÚRI. 
 
§ 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos 
crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122, parágrafo 
único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, 
consumados ou tentados. 
 
# São eles: 
▪ Instigação ao suicídio 
▪ Homicídio 
▪ Aborto 
▪ Infanticídio 
 
Lei Ordinária pode ampliar a competência 
constitucional do Júri, pois a Constituição Federal 
traz apenas uma competência mínima. 
 
Súmula vinculante 45, STF: A competência 
constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre 
o foro por prerrogativa de função estabelecido 
exclusivamente pela Constituição estadual. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
▪ Compete à Justiça comum (Tribunal do Júri) o 
julgamento de homicídio praticado por militar 
contra outro quando ambos estejam fora do 
serviço ou da função no momento do crime. 
 
Caso concreto: Francisco era soldado da PM do 
Maranhão. Samuel era cabo da PM do Piauí. Certo dia, 
Francisco, estava de férias, em Teresina (PI). Samuel 
percebeu que Francisco estava armado e, mesmo 
estando de folga, abordou o soldado indagando sobre a 
arma. Iniciou-se uma discussão e Francisco atirou 3 
vezes contra Samuel, que faleceu em razão dos 
disparos. A vítima e o réu - ambos PM’s à época dos fatos 
- estavam fora de serviço quando iniciaram a discussão. 
Logo, não se pode falar que houve crime militar, 
devendo, portanto, o réu ser julgado pela Justiça Comum 
estadual (Tribunal do Júri). (Info 667, STJ) 
 
▪ A Justiça do DF é a competente para julgar o 
crime de falso testemunho praticado em processos 
sob sua jurisdição. O TJDFT faz parte do Poder 
Judiciário da União. Mesmo assim, se for praticado 
falso testemunho em processo que ali tramita, a 
competência será da Justiça do Distrito Federal (e 
não da Justiça Federal comum). (Info 681, STJ). 
 
▪ Policial Rodoviário Federal, durante o trajeto de 
sua casa para o trabalho, envolveu-se em uma 
desavença no trânsito com o condutor de um 
veículo que dirigia sem respeitar a sinalização e 
em alta velocidade. O Policial efetuou disparos que 
resultaram na morte do condutor. A competência 
para julgar essa acusação de homicídio é da justiça 
estadual. A competência da Justiça Federal 
pressupõe a demonstração concreta das situações 
veiculadas no art. 109 da CF/88. A mera condição 
de servidor público não basta para atraí-la, na 
medida em que o interesse da União há de 
sobressair das funções institucionais, não da 
pessoa do agente. (Info 963, STF). 
 
▪ A Polícia Federal, sob a supervisão do Ministério 
Público estadual e do Juízo de Direito, conduziu IPL 
destinado a apurar crimes de competência da 
Justiça Estadual. Entendeu-se que a PF não tinha 
atribuição para apurar tais delitos considerando 
que não se enquadravam nas hipóteses do art. 144, 
§ 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei nº 10.446/2002. Em 
que pese isso, o STF entendeu que não havia 
nulidade na ação penal instaurada com base nos 
elementos informativos colhidos, vez que o fato de 
os crimes de competência da Justiça Estadual 
terem sido investigados pela PF não geram 
nulidade. Ora, tal procedimento investigatório, 
presidido por autoridade de PF, foi supervisionado 
pelo Juízo estadual (juízo competente) e por 
membro do MPE (que tinha a atribuição para a 
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causa). Logo, não é possível anular provas ou 
processos em tramitação com base no argumento 
de que a PF não teria atribuição para investigar os 
crimes apurados. (Info 964, STF) 
 
▪ Compete à Justiça Federal julgar crime contra a 
vida em desfavor de policiais militares, consumado 
ou tentado, praticado no contexto de crime de 
roubo armado contra órgãos, autarquias ou 
empresas públicas da União. (Info 659, STF) 
 
# Jurisprudência Correlata (08/11/2021) 
Não compete à Justiça Federal processar e julgar o 
desvio de valores do auxílio emergencial pagos 
durante a pandemia da covid-19, por meio de 
violação do sistema de segurança de instituição 
privada, sem que haja fraude direcionada à 
instituição financeira federal. (Info 716, STJ) 
Entenda o caso: O núcleo da controvérsia consiste 
em definir o Juízo competente no âmbito de 
inquéritopolicial instaurado para investigar conduta 
de desvio de valores relativos ao auxílio 
emergencial pago durante a pandemia do Covid-19. 
No caso concreto não se identificou ofensa direta à 
Caixa Econômica Federal - CEF ou à União, uma vez 
que não houve qualquer notícia de que a beneficiária 
tenha empregado fraude. Em outras palavras, 
houve ingresso lícito no programa referente ao 
auxílio emergencial e transferência lícita da conta 
da Caixa Econômica Federal para a conta do 
Mercado Pago, ambas de titularidade da beneficiária 
do auxílio. 
▪ O ajuizamento de duas ações penais referentes 
aos mesmos fatos, uma na Justiça Comum Estadual 
e outra na Justiça Eleitoral, viola a garantia contra 
a dupla incriminação. (Info 719, STJ, 29/11/2021) 
Entenda o julgado: No caso, os mesmos fatos que 
levaram ao oferecimento da denúncia discutida 
também foram apreciados em ação de improbidade 
administrativa e ação penal na Justiça Eleitoral, 
sendo que ambas culminaram com a absolvição. 
Frisa-se que a sentença absolutória por ato 
improbidade não vincula o resultado do presente 
feito, porquanto proferida na esfera do direito 
administrativo sancionador que é independente da 
instância penal, embora seja possível, em tese, 
considerar como elementos de persuasão os 
argumentos nela lançados. No entanto, quanto à 
absolvição perante a Justiça Eleitoral, a questão 
adquire peculiaridades que reclamam tratamento 
diferenciado. Isso porque a sentença, não recorrida 
pelo MPE, foi proferida no exercício de verdadeira 
jurisdição criminal, de modo que o prosseguimento 
da ação penal da qual se originou este HC encontra 
óbice no princípio da vedação à dupla incriminação, 
também conhecido como double jeopardy clause ou 
(mais comumente no direito brasileiro) postulado 
do ne bis in idem, ou ainda da proibição da dupla 
persecução penal. 
 
§ 2o Se, iniciado o processo perante um juiz, houver 
desclassificação para infração da competência de 
outro, a este será remetido o processo, salvo se mais 
graduada for a jurisdição do primeiro, que, em tal caso, 
terá sua competência prorrogada. 
 
§ 3o Se o juiz da pronúncia desclassificar a infração 
para outra atribuída à competência de juiz singular, 
observar-se-á o disposto no art. 410; mas, se a 
desclassificação for feita pelo próprio Tribunal do Júri, 
a seu presidente caberá proferir a sentença (art. 492, 
§ 2o). 
 
Súmula 498, STF: Compete a justiça dos estados, 
em ambas as instâncias, o processo e o julgamento 
dos crimes contra a economia popular. 
 
 
# OLHA A DIFERENÇA #DESPENCA EM PROVA 
 
 
DESCLASSIFICAÇÃO 
PRÓPRIA 
Jurados consideram que o 
crime não é da competência do 
Tribunal do Júri, SEM 
ESPECIFICAR DE QUAL DELITO 
SE TRATA. Nesse caso, Juiz-
Presidente assume total 
capacidade decisória para 
julgar, podendo, inclusive 
absolver o acusado. 
 
 
Jurados reconhecem sua 
incompetência para julgar o 
crime, ESPECIFICANDO QUAL 
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DESCLASSIFICAÇÃO 
IMPRÓPRIA 
TERIA SIDO CRIME 
PRATICADO. Nesse caso, Juiz-
Presidente é obrigado a acatar 
a decisão dos jurados, 
condenando o acusado pelo 
delito por eles indicado. 
Ex: jurados desclassificam 
crime doloso (contra a vida) 
para um crime culposo 
(homicídio culposo). Essa 
desclassificação vincula o juiz, 
que não pode decidir de forma 
distinta. 
 
 
Súmula 42, STJ: Compete à Justiça Comum 
Estadual processar e julgar as causas cíveis em 
que é parte sociedade de economia mista e os 
crimes praticados em seu detrimento. 
 
Súmula 104, STJ: Compete à Justiça Estadual o 
processo e julgamento dos crimes de falsificação e 
uso de documento falso relativo a estabelecimento 
particular de ensino. 
 
Súmula 140, STJ: Compete à Justiça Comum 
Estadual processar e julgar crime em que o 
indígena figure como autor ou vítima. 
 
Súmula 107, STJ: Compete à Justiça Comum 
Estadual processar e julgar crime de estelionato 
praticado mediante falsificação das guias de 
recolhimento das contribuições previdenciárias, 
quando não ocorrente lesão à autarquia federal. 
 
Súmula 546, STJ: A competência para processar e 
julgar o crime de uso de documento falso é firmada 
em razão da entidade ou órgão ao qual foi 
apresentado o documento público, não importando 
a qualificação do órgão expedidor. 
 
Súmula 147, STJ: Compete à Justiça Federal 
processar e julgar os crimes praticados contra 
funcionário público federal, quando relacionados 
com o exercício da função. 
 
Súmula 200, STJ: O juízo federal competente para 
processar e julgar acusado de crime de uso de 
passaporte falso é o do lugar onde o delito se 
consumou. 
 
Súmula 165, STJ: Compete à Justiça Federal 
processar e julgar crime de falso testemunho 
cometido no processo trabalhista. 
 
Súmula 122, STJ: Compete à Justiça Federal o 
processo e julgamento unificado dos crimes 
conexos de competência federal e estadual, não se 
aplicando a regra do Art. 78, II, "a", do Código de 
Processo Penal. 
 
Súmula 528, STJ: Compete ao juiz federal do local da 
apreensão da droga remetida do exterior pela via postal 
processar e julgar o crime de tráfico internacional. 
(CANCELADA, 23/02/2022) 
 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
▪ Justiça do Trabalho não tem competência para 
processar e julgar ações penais. (Info 980, STF) 
 
▪ O agente não pode responder à ação penal no Brasil se 
já foi processado criminalmente, pelos mesmos fatos, 
em um Estado estrangeiro. O art. 5º do CP afirma que a 
lei brasileira se aplica ao crime cometido no território 
nacional, mas ressalva aquilo que for previsto em 
“convenções, tratados e regras de direito internacional”. 
A Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) e 
o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP) 
proíbem de forma expressa a dupla persecução penal 
pelos mesmos fatos. (Info 959,STF) 
 
▪Compete à Justiça Federal julgar os crimes dos 
arts. 241, 241-A e 241-B do ECA, se a conduta de 
disponibilizar ou adquirir material pornográfico 
envolvendo criança ou adolescente tiver sido 
praticada pela internet e for acessível 
transnacionalmente. (Info 990, STF). 
 
▪ Em regra, compete à Justiça Estadual julgar HC 
preventivo destinado a permitir o cultivo e o porte 
de maconha para fins medicinais. (Info 673, STJ). 
 
▪ Os crimes relacionados com pirâmide financeira 
envolvendo criptomoedas são, em princípio, de 
competência da Justiça Estadual. (Info 673, STJ). 
 
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▪ A colaboração premiada, como meio de obtenção de 
prova, não constitui critério de determinação, de 
modificação ou de concentração da competência. Os 
elementos de informação trazidos pelo colaborador a 
respeito de crimes que não sejam conexos ao objeto da 
investigação primária devem receber o mesmo 
tratamento conferido à descoberta fortuita ou ao 
encontro fortuito de provas em outros meios de 
obtenção de prova, como a busca e apreensão e a 
interceptação telefônica. (Info 999, STF, 2020) 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO IV - DA COMPETÊNCIA POR 
DISTRIBUIÇÃO 
 
 Art. 75. A precedência da distribuição fixará a 
competência quando, na mesma circunscrição 
judiciária, houver mais de um juiz igualmente 
competente. 
 
Parágrafo único. A distribuição realizada para o efeito 
da concessão de FIANÇA ou da decretação de PRISÃO 
PREVENTIVA ou de QUALQUER DILIGÊNCIA ANTERIOR 
à denúncia ou queixa PREVENIRÁ A DA AÇÃO PENAL. 
 
CAPÍTULO V - DA COMPETÊNCIA POR CONEXÃOOU CONTINÊNCIA 
 
 Art. 76. A competência será determinada pela 
CONEXÃO: 
 
I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem 
sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas 
reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora 
diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, 
umas contra as outras; 
 
II - se, no mesmo caso, houverem sido umas 
praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para 
conseguir impunidade ou vantagem em relação a 
qualquer delas; 
 
III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de 
suas circunstâncias elementares influir na prova de 
outra infração. 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPETÊNCIA PELA CONEXÃO 
▪ 2 ou + infrações por várias pessoas reunidas, ao 
mesmo tempo (INTERSUBJETIVA POR 
SIMULTANEIDADE. Sem ajuste prévio.) Ex: saque a 
mercado. 
▪ 2 ou + infrações por várias pessoas em concurso, 
embora diverso o tempo e o lugar (INTERSUBJETIVA 
POR CONCURSO. Com ajuste prévio.) Ex: Quadrilha 
especializada em roubo de cargas). 
▪ 2 ou + infrações por várias pessoas, umas contra 
outras (INTERSUBJETIVA POR RECIPROCIDADE. Ex: 
Briga de torcedores fora do estádio, caso de lesões 
corporais recíprocas) 
▪ No mesmo caso, a infração penal é praticada para 
FACILITAR (OBJETIVA TELEOLÓGICA) ou OCULTAR 
outras, ou para conseguir IMPUNIDADE ou 
VANTAGEM em relação a qualquer delas (OBJETIVA 
CONSEQUENCIAL) 
Ex: Assalto do banco central. Um dos assaltantes 
mata o outro para ficar com todo o dinheiro. 
▪ Prova de uma infração penal ou qualquer de suas 
elementares influir na prova de outra infração 
penal. (INSTRUMENTAL OU PROBATÓRIA. Ex.: 
Receptação e crime anterior; lavagem de capitais e 
crime antecedente.) 
 
 Art. 77. A competência será determinada pela 
CONTINÊNCIA quando: 
 
I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma 
infração; 
 
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II - no caso de infração cometida nas condições 
previstas nos arts. 51, § 1o, 53, segunda parte, e 54 do 
Código Penal. 
 
COMPETÊNCIA pela CONTINÊNCIA 
▪ 2 ou + pessoas acusadas pela mesma infração 
(CUMULAÇÃO SUBJETIVA) 
Ex: Crime de homicídio praticado em coautoria. 
▪ CONCURSO FORMAL (uma conduta, + de 1 crime); 
▪ ABERRATIO ICTUS (Erro de execução. Ex: Mira 
numa e mata outra) e 
▪ ABERRATIO CRIMINIS (Resultado diverso do 
pretendido. Ex: Mira na pessoa e acerta o carro.) 
(CUMULAÇÃO OJETIVA) 
 
 Art. 78. Na determinação da competência por 
CONEXÃO ou CONTINÊNCIA, serão observadas as 
SEGUINTES REGRAS: 
 
I - no concurso entre a competência do júri e a de 
outro órgão da jurisdição comum, PREVALECERÁ a 
COMPETÊNCIA DO JÚRI; 
 
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: 
 
a) PREPONDERARÁ A DO LUGAR DA INFRAÇÃO, à qual 
for cominada a PENA MAIS GRAVE; 
 
b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o 
MAIOR NÚMERO DE INFRAÇÕES, se as respectivas 
PENAS FOREM DE IGUAL GRAVIDADE; 
 
c) firmar-se-á a competência pela PREVENÇÃO, nos 
outros casos; 
 
III - NO CONCURSO DE jurisdições de diversas 
categorias, predominará a de MAIOR GRADUAÇÃO; 
 
IV - no concurso entre a JURISDIÇÃO COMUM E A 
ESPECIAL, prevalecerá ESTA. 
 
DECORE AS REGRAS de COMPETÊNCIA por 
CONEXÃO ou CONTINÊNCIA. 
VAMOS LÁ! 
Concurso entre: 
➊ Competência do Júri e jurisdição comum? 
Júri prevalece. 
➋ Jurisdições da MESMA CATEGORIA: 
 
▪ Prepondera o lugar da infração com PENA MAIS 
GRAVE 
☛ Qual o critério para definir a pena mais grave? 
➊ Natureza da pena (reclusão é + grave que 
detenção) 
➋ Mesma natureza? Maior pena máxima cominada 
➌ Derradeiro critério? Maior pena mínima cominada 
 
Ex: Roubo em SP, receptação em Santos. Compete à 
SP, pois o crime de roubo é mais grave do que a 
receptação. 
 
▪ Penas de igual gravidade: lugar do MAIOR NO DE 
INFRAÇÕES. 
 
Ex: 4 Roubos em Campinas e 3 roubos em Santos. 
Compete à Justiça de Campinas. 
 
▪ Outros casos: PREVENÇÃO (quando nenhum dos 
critérios acima foi suficiente) 
➌ Jurisdições de DIVERSAS CATEGORIAS: MAIOR 
GRADUAÇÃO. 
➍ Concurso entre jurisdição comum e especial: 
ESPECIAL. 
Ex: crime comum e crime eleitoral. 
 
# Comentários 
 
▪ Conexão entre crime eleitoral e crime comum (➍): Deve 
ser analisada de acordo com o crime comum. 
 
Crime comum estadual: Justiça Eleitoral atrai. 
 
Crime comum federal: separação obrigatória de processos 
(pois a CF prevê crimes de competência da Justiça Federal). 
Saliente-se que o STF (Info 989), em 2019, entendeu que a 
competência também será da Justiça Eleitoral. 
 
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Crime doloso contra vida: a competência será do Júri, 
havendo a separação obrigatória de processos, pois a 
competência do Júri está prevista na CF. Isso ocorre, 
porque as regras de conexão|continência são previstas 
em lei ordinária, não podendo se sobrepor à competência 
prevista na CF. 
# Jurisprudência Correlata (2021) 
 
A Justiça Eleitoral é competente para processar e julgar 
crime comum conexo com crime eleitoral, ainda que haja 
o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva do 
delito eleitoral. 
 
Caso concreto: o ex-Governador de Minas Gerais, Eduardo 
Azeredo, com colaboração de outros agentes políticos, 
teria desviado recursos públicos e utilizado esse dinheiro 
para financiar sua campanha de reeleição no ano de 1998. 
Vale ressaltar que esse dinheiro utilizado na campanha 
não teria sido contabilizado na prestação de contas, 
caracterizando aquilo que se chama, na linguagem 
popular, de “caixa dois”. 
Em tese, o agente teria praticado os seguintes crimes: a) 
corrupção passiva (art. 317 do CP); 
b) falsidade ideológica (art. 350 do Código Eleitoral); c) 
lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei nº 9.613/98). 
 
Dois crimes são de competência da Justiça estadual 
comum e um deles da Justiça Eleitoral. 
 
Como ficará a competência para julgar estes delitos? 
Serão julgados separadamente ou juntos? 
Qual será a Justiça competente? Justiça ELEITORAL. 
 
Competirá à Justiça Eleitoral julgar todos os delitos. 
 
Segundo entende o STF: Compete à Justiça Eleitoral 
julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhes 
forem conexos (Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. 
Marco Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019). 
 
Ocorre que, no caso concreto, há uma peculiaridade: 
ainda durante o inquérito, ficou reconhecida a 
prescrição da pretensão punitiva em relação ao 
crime eleitoral. Logo, houve arquivamento do 
inquérito no que tange ao crime eleitoral. Diante 
disso, indaga-se: mesmo assim, a Justiça Eleitoral 
continuará sendo competente para julgar os demais 
delitos? SIM. Mesmo operada a prescrição quanto ao 
crime eleitoral, subsiste a competência da Justiça 
Eleitoral. Trata-se de aplicação lógica do disposto no 
art. 81 do CPP. STF. 2ª Turma. RHC 177243/MG, 
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/6/2021 
(Info 1024). 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
Para análise da competência criminal da justiça 
eleitoral deve ser analisado conteúdo material do 
crime – se crime atentou contra exercício dos 
direitos políticos, contra processo eleitoral ou contra 
legitimidade da vontade popular. Assim, a 
destruição de título só será crime eleitoral se 
atentar contra processo eleitoral. Se for 
desvinculada a pleitos eleitorais e com intuito, 
apenas, de impedir identificação pessoal, não atrai 
competência da JE. 
 
Art. 79. A conexão e a continência importarão 
UNIDADE de processo e julgamento, SALVO: 
 
I - no concurso entre a jurisdiçãocomum e a militar; 
 
II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo 
de menores. 
 
§ 1o Cessará, em qualquer caso, a unidade do 
processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o 
caso previsto no art. 152. 
 
Art. 152. Se se verificar que a doença mental 
SOBREVEIO À INFRAÇÃO O PROCESSO CONTINUARÁ 
SUSPENSO até que o acusado se restabeleça, observado 
o § 2o do Art. 149 
 
Nesse caso, o processo em relação ao corréu 
doente mental é desmembrado e ficará suspenso, 
até que ele se reestabeleça. 
 
§ 2o A unidade do processo não importará a do 
julgamento, se houver co-réu foragido que não possa 
ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461. 
 
Art. 461. O julgamento NÃO será adiado se a testemunha 
deixar de comparecer, SALVO se uma das partes tiver 
requerido a sua intimação por mandado, na oportunidade 
de que trata o art. 422 deste Código, declarando não 
prescindir do depoimento e indicando a sua localização. 
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Nesse caso, em relação aos réus cujas 
testemunhas estão presentes, a sessão de júri 
ocorrerá normalmente. 
 
Art. 80. Será FACULTATIVA a SEPARAÇÃO DOS 
PROCESSOS quando as infrações tiverem sido 
praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar 
diferentes, ou, quando pelo excessivo número de 
acusados e para não Ihes prolongar a prisão 
provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz 
reputar conveniente a separação. 
 
 
Quando a SEPARAÇÃO dos PROCESSOS é 
FACULTATIVA? 
▪ Infrações em circunstâncias de TEMPO ou LUGAR 
DIFERENTES; 
▪ EXCESSIVO NÚMERO de ACUSADOS e para não 
lhes prolongar a PRISÃO PROVISÓRIA; 
▪ OUTRO MOTIVO RELEVANTE, Juiz reputar 
separação conveniente. 
 
 
#Jurisprudência Correlata 
A eventual incidência da causa de aumento descrita 
na parte final do § 4º do art. 1º da Lei de Lavagem de 
Dinheiro, na redação dada pela Lei n. 12.683/2012, 
não constitui empecilho para o juiz manter a 
separação dos feitos, nos termos do art. 80 do CPP 
(Info 735, STJ, 05/2022). 
 
 
Art. 81. Verificada a reunião dos processos por 
conexão ou continência, ainda que no processo 
da sua competência própria venha o juiz ou 
tribunal a proferir sentença absolutória ou que 
desclassifique a infração para outra que não se 
inclua na sua competência, continuará 
competente em relação aos demais processos. 
 
# Comentários 
 
▪ Art. 81 traz a chamada PERPETUATIO 
JURISDICTIONIS. É dizer: o juiz prevalente, mesmo 
que venha a absolver o réu pelo delito que 
estabeleceu a prevalência, ou que desclassifique 
esta infração, continuará competente para julgar 
os demais delitos e/ou infratores que integram o 
processo, operando-se a perpetuação da 
jurisdição. A razão é óbvia: aproveitamento 
máximo da instrução ali realizada, já que a 
desclassificação, como regra, somente é feita na 
fase decisória, isto é, após a instrução da causa. 
Assim: 
 
1) Após a reunião na Justiça Federal de crime 
federal e estadual, caso ocorra a absolvição do 
crime federal, a Justiça Federal continua 
competente para julgar o crime estadual conexo. 
 
2) E no caso de desclassificação do crime federal, 
a Justiça Federal continua competente para julgar 
o crime estadual conexo. 
 
 
Súmula 235, STJ: A conexão não determina a 
reunião dos processos, se um deles já foi julgado. 
 
Súmula 122, STJ: Compete à Justiça Federal o 
processo e julgamento unificado dos crimes 
conexos de competência federal e estadual, não se 
aplicando o art. 78, II, "a", CPP (critério da pena 
mais grave). 
 
O que essa súmula quer dizer? Havendo crime 
federal, com menor pena cominada abstratamente, 
e crime estadual, com maior pena, ambos conexos, 
o critério utilizado para fixação não será o quantum 
apenatório, mas, sim, a força atrativa exercida pela 
JF. Ou seja, JF atrai mesmo que crime estadual 
seja muito mais grave. 
 
Ex: crime de moeda falsa praticado em continência 
com o crime de tráfico doméstico de drogas. JF 
julga. 
OCORRE A 
PERPETUATIO 
JURISDICTIONIS (Regra) 
NÃO OCORRE A 
PERPETUATIO 
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JURISDICTIONIS 
(Exceção) 
1) Processos reunidos 
por conexão ou 
continência, ainda que 
no processo da sua 
competência própria 
venha Juiz ou Tribunal 
a proferir sentença 
absolutória ou que 
desclassifique a 
infração penal para 
outra que não é de sua 
competência, continua 
competente em relação 
aos demais processos. 
(Não devolve) 
Exemplo: Se a Justiça 
Federal, julgando um 
crime de descaminho 
conexo com uso de 
documento falso, 
absolve o réu do 
descaminho, continuará 
competente para julgar 
o crime conexo (uso de 
documento falso). 
2) Absolvição na 2ª fase 
do Júri: jurados 
continuam 
“competentes” e julgam. 
1) Desclassificação, 
absolvição sumária ou 
impronúncia na 1ª fase do 
Júri. O juiz remeterá a 
infração conexa 
(processo) ao Juiz 
competente. 
2) Desclassificação na 2ª 
fase do Júri: Presidente 
do Tribunal do Júri (e 
não os jurados) julga a 
infração desclassificada e 
a infração conexa. 
 
 
Parágrafo único. Reconhecida inicialmente ao júri 
a competência por conexão ou continência, o juiz, 
se vier a desclassificar a infração ou 
impronunciar ou absolver o acusado, de maneira 
que exclua a competência do júri, remeterá o 
processo ao juízo competente. 
 
Art. 82. Se, não obstante a conexão ou continência, 
forem instaurados processos diferentes, a autoridade 
de jurisdição prevalente DEVERÁ AVOCAR os 
processos que corram perante os outros juízes, 
SALVO se já estiverem com SENTENÇA DEFINITIVA. 
Neste caso, a unidade dos processos só se dará, 
ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação 
das penas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEORIA DO 
JUÍZO 
APARENTE 
Possibilidade de se admitir uma prova 
inicialmente ilícita, se essa ilicitude 
está ligada exclusivamente à 
incompetência do juízo que a 
determinou, naqueles casos onde 
este, até então, acreditava ser o juízo 
natural para decidir sobre a realização 
e produção da mesma. 
 
O STF entende que, tanto na 
declaração de incompetência relativa, 
quanto na de incompetência absoluta, 
não há necessidade de anulação dos 
atos decisórios, desde que sejam 
ratificados pelo juízo competente (...) 
tanto a denúncia quanto o seu 
recebimento, emanados de 
autoridades incompetentes, rationae 
materiae são ratificáveis no juízo 
competente. 
 
CAPÍTULO VI - DA COMPETÊNCIA POR 
PREVENÇÃO 
 
Art. 83. Verificar-se-á a competência por 
PREVENÇÃO toda vez que, concorrendo dois ou mais 
juízes igualmente competentes ou com jurisdição 
cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na 
prática de ALGUM ATO DO PROCESSO ou de MEDIDA 
A ESTE RELATIVA, AINDA QUE ANTERIOR ao 
OFERECIMENTO DA DENÚNCIA OU DA QUEIXA (arts. 
70, § 3o, 71, 72, § 2o, e 78, II, c). 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO VII - DA COMPETÊNCIA PELA 
PRERROGATIVA DE FUNÇÃO 
 
Art. 84. A competência pela prerrogativa de 
função é do Supremo Tribunal Federal, do 
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Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais 
Regionais Federais e Tribunais de Justiça dos 
Estados e do Distrito Federal, relativamente às 
pessoas que devam responder perante eles por 
crimes comuns e de responsabilidade. 
 
§ 1o A competênciad) HC. 
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PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
irregular gera nulidade 
absoluta. Nesse sentido: 
Súmula nº 523, STF - No processo 
penal, a falta da defesa técnica 
constitui nulidade absoluta, mas a 
sua deficiência só o anulará se 
houver prova de prejuízo para o réu. 
4) Tem caráter irrenunciável. 
(Mesmo que o acusado não 
queira, juiz tem que nomear um 
defensor). 
5) Direito de escolha do 
defensor: direito do próprio 
acusado. O juiz não pode se 
sobrepor à sua vontade. Isto é, 
quando o advogado constituído 
abandona o processo, não pode 
o juiz enviar os autos à 
Defensoria sem que dê ciência 
ao acusado para que escolha 
outro advogado de sua 
confiança. Apenas em caso de 
inércia, após a intimação 
pessoal, é que o juiz poderá 
remeter os autos à Defensoria. 
6) Próprio acusado pode exercer 
sua defesa técnica? Sim, desde 
que seja profissional da 
advocacia habilitado. 
7) Defesa técnica de 2 ou mais 
acusados e um único defensor é 
possível, desde que não ocorra 
colidência de teses pessoais. 
8) No IPL, a defesa técnica é 
limitada. A doutrina aduz que a 
defesa técnica na fase pré- 
processual tem uma atuação 
essencialmente exógena, 
através do exercício do HC e do 
MS, que, em última análise, 
corporificam o exercício do 
direito de defesa fora do IPL. 
Dentro do IPL basicamente só 
existe a possibilidade de 
solicitar diligências, nos limites 
do art. 14 do CPP. Contudo, é 
errado dizer que não existe 
direito de defesa no IPL. Existir, 
existe, desde 1941, ainda que não 
4) A Nova Lei de Abuso de Autoridade 
passou a criminalizar a conduta de 
privar que o indivíduo se sente ao lado 
de seu defensor e de com ele 
comunicar-se durante a audiência. 
Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista 
pessoal e reservada do preso com seu advogado: 
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem 
impede o preso, o réu solto ou o investigado de 
entrevistar-se pessoal e reservadamente com 
seu advogado ou defensor, por prazo razoável, 
antes de audiência judicial, e de sentar-se ao seu 
lado e com ele comunicar-se durante a 
audiência, salvo no curso de interrogatório ou no 
caso de audiência realizada por 
videoconferência. 
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PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA 
tenha a eficácia que a 
Constituição exija. 
Ampla defesa no PAD: A Súmula Vinculante no 5 não se aplica ao PAD promovido 
para averiguar o cometimento de falta grave no curso da execução penal, tendo 
em vista estar em jogo a liberdade de ir e vir. É necessária a presença de defesa 
técnica. 
Súmula vinculante no 5: “A falta de defesa técnica por advogado no processo 
administrativo disciplinar não ofende a constituição” 
Assim, quando o Juízo das Execuções decretar a regressão de regime sem que 
o condenado seja assistido por defensor durante PAD instaurado para apurar 
falta grave, há de se reconhecer a nulidade do feito, haja vista a violação aos 
princípios do contraditório e da ampla defesa. 
Ampla defesa e execução penal: A ampla defesa deve ser assegurada no 
processo de execução penal, conforme entendimento sumulado do STJ. 
Súmula nº 533 do STJ: “Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito 
da execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo 
diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por 
advogado constituído ou defensor público nomeado”. 
Cuidado: No caso de transferência de presos para presídios federais (Lei 11.671/2008), em 
regra, será necessário observar a ampla defesa. Contudo, em situações excepcionais, 
devidamente fundamentadas pelo magistrado, o contraditório poderá ser diferido. 
Súmula nº 639 do STJ: “ Não fere o contraditório e o devido processo decisão que, sem 
ouvida prévia da defesa, determine transferência ou permanência de custodiado em 
estabelecimento penitenciário federal. 
Julgado Novo (Info 720, STJ) – 26/11/2021: Se a defesa técnica teve pleno acesso aos autos 
da ação penal, anexos e mídias eletrônicas, a negativa de ingresso de notebook na unidade 
prisional para que o custodiado visualize as peças eletrônicas não configura violação do 
princípio da ampla defesa. 
Entenda o julgado: A garantia constitucional à ampla defesa, prevista no art. 5º, 
LV, da CF, envolve a defesa em sentido técnico (defesa técnica), realizada pelo 
advogado, e a defesa em sentido material (autodefesa), por meio de qualquer 
atividade defensiva desenvolvida pelo próprio acusado, em especial durante seu 
interrogatório. Contudo, no caso, a restrição ao ingresso de notebook na unidade 
prisional justificava-se pelo risco de ofensa à segregação prisional. 
Ademais, tal restrição não representava obstáculo à ampla defesa, pois as peças 
processuais relevantes ou de interesse poderiam ter sido impressas e levadas ao preso. 
Frise-se que, embora o custodiado tenha formação jurídica, sua defesa técnica está sendo 
patrocinada por advogados habilitados nos autos, os quais tiveram pleno acesso aos 
autos da ação penal, anexos e mídias eletrônicas. Portanto, assegurado à defesa técnica 
amplo acesso à integralidade dos elementos probatórios encartados nos autos, já 
estando o custodiado ciente das imputações descritas na denúncia, não há falar em 
nulidade processual. 
 
 
É o direito que o acusado possui de conhecer antecipadamente o juiz que irá 
julgar eventual crime praticado. Está ligado à imparcialidade. 
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PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL 
Impede a criação casuística de tribunais após-fato, para apreciar determinado 
caso. Ou seja, o magistrado encarregado de colher a prova deve ser o mesmo 
que julgará, uma vez que teve contato direto com as partes e testemunhas. 
Previsão legal: art. 5o, XXXVII e LIII, ambos da CF. 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; 
Descontaminação do julgado: Encontra-se prevista no art. 157, §5o do CPP, 
incluído pelo Pacote Anticrime. Vejamos: 
Art. 157, § 5o O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá 
proferir a sentença ou acórdão. (Incluído pela Lei no 13.964, de 2019) (Eficácia Suspensa) 
 
Lei modificadora da competência e sua possível aplicação imediata aos 
processos em andamento. Segundo os Tribunais Superiores, lei que altera 
competência deve ser aplicada imediatamente, salvo se já houver sentença de 
mérito. Exemplos: 
1) Crimes dolosos contra a vida praticados por militares, ainda que em 
serviço, contra civis. Todos os processos que estivessem em 1ª instância 
deviam ser remetidos ao Júri, salvo se já houver sentença de mérito, 
caso em que o processo deve permanecer na justiça de origem; 
 
2) Tráfico internacional de drogas cometido em comarca em que não há 
vara federal. Pelo art. 27, da revogada Lei 6.368/76, a competência era 
da justiça estadual comum, quando no local não houvesse vara da JF. 
Contudo, a nova Lei de Drogas determinou que a competência será da 
JF, mesmo que não haja vara federal na cidade, os autos devem ser 
remetidos para a comarca mais próxima. Osespecial por prerrogativa de 
função, relativa a atos administrativos do agente, 
prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial 
sejam iniciados após a cessação do exercício da 
função pública. 
 
#Jurisprudência Correlata 
A competência penal originária do STF para 
processar e julgar parlamentares93 alcança os 
congressistas federais no exercício de 
mandato em casa parlamentar diversa daquela 
em que consumada a hipotética conduta 
delitiva, desde que não haja solução de 
continuidade (Info 1049, STF, 04/2022). 
 
§ 2o A ação de improbidade, de que trata a Lei 
no 8.429, de 2 de junho de 1992, será proposta 
perante o tribunal competente para processar e 
julgar criminalmente o funcionário ou autoridade 
na hipótese de prerrogativa de foro em razão do 
exercício de função pública, observado o disposto 
no § 1o. (Vide ADIN nº 2797) 
 
Art. 85. Nos processos por CRIME CONTRA A 
HONRA, em que forem querelantes as pessoas que a 
Constituição sujeita à jurisdição do STF e dos Tribunais 
de Apelação, àquele ou a estes caberá o julgamento, 
quando oposta e admitida a EXCEÇÃO DA VERDADE. 
 
 
#DESPENCA EM PROVA #NÃO CONFUNDA 
Exceção da verdade 
do art. 85 
Aqui é uma espécie de 
foro por prerrogativa 
do autor. 
 Calúnia, pois foro por 
prerrogativa de função 
Exceção da verdade 
do art. 85 só vale 
para 
só vale para seara 
criminal. 
Obs. Na difamação e na 
Injúria não se imputa 
crime. 
Juízo de 
admissibilidade na 
exceção da verdade 
 
Juiz de 1º grau 
 
Art. 86. Ao Supremo Tribunal Federal competirá, 
privativamente, processar e julgar: 
 
I - os seus ministros, nos crimes comuns; 
 
II - os ministros de Estado, salvo nos crimes conexos 
com os do Presidente da República; 
 
III - o procurador-geral da República, os 
desembargadores dos Tribunais de Apelação, os 
ministros do Tribunal de Contas e os embaixadores e 
ministros diplomáticos, nos crimes comuns e de 
responsabilidade. 
 
Art. 87. Competirá, originariamente, aos Tribunais de 
Apelação o julgamento dos governadores ou 
interventores nos Estados ou Territórios, e prefeito do 
Distrito Federal, seus respectivos secretários e 
chefes de Polícia, juízes de instância inferior e órgãos 
do Ministério Público. 
 
Súmula 451, STF: A competência especial por 
prerrogativa de função não se estende ao crime 
cometido após a cessação definitiva do exercício 
funcional. 
 
Súmula 704, STF: Não viola as garantias do juiz 
natural, da ampla defesa e do devido processo 
legal a atração por continência ou conexão do 
processo do co-réu ao foro por prerrogativa de 
função de um dos denunciados. 
 
Súmula 702, STF: A competência do Tribunal de 
Justiça para julgar Prefeitos restringe-se aos 
crimes de competência da Justiça comum 
estadual; nos demais casos, a competência 
originária caberá ao respectivo tribunal de 
segundo grau. 
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Súmula 208, STJ: Compete à justiça federal 
processar e julgar prefeito municipal por desvio de 
verba sujeita a prestação de contas perante órgão 
federal. 
 
Súmula 209, STJ: Compete à justiça estadual 
processar e julgar prefeito por desvio de verba 
transferida e incorporada ao patrimônio municipal. 
 
 
SITUAÇÃO ATRIBUIÇÃO PARA 
INVESTIGAR 
Crime praticado depois 
da diplomação (durante 
o exercício do cargo), 
mas delito não tem 
relação com funções 
desempenhadas. 
 
Ex: Homicídio culposo no 
trânsito. 
 
Polícia (Civil ou Federal) 
ou MP. Não há 
necessidade de 
autorização pelo juízo de 
1ª instância (ex: quebra 
de sigilo) 
Crime praticado depois 
da diplomação (durante 
exercício do cargo) e 
delito está relacionado 
com funções 
desempenhadas. 
 
Ex: Corrupção passiva. 
Polícia Federal e 
Procuradoria Geral da 
República, com 
supervisão judicial do 
STF. Há necessidade de 
autorização do STF para 
o início das 
investigações. 
 
 
 
CRIMES COMETIDOS POR DEPUTADO FEDERAL OU 
SENADOR 
SITUAÇÃO COMPETÊNCIA 
Crime cometido ANTES DA 
DIPLOMAÇÃO como Deputado 
ou Senador. 
 
 
 
JUÍZO DE 1ª 
INSTÂNCIA 
Crime cometido depois da 
diplomação (durante exercício 
do cargo), mas o DELITO NÃO 
TEM RELAÇÃO COM AS 
FUNÇÕES DESEMPENHADAS. 
Ex. embriaguez ao volante. 
Crime cometido depois da 
diplomação (DURANTE 
EXERCÍCIO DO CARGO) E 
RELACIONADO COM AS 
FUNÇÕES DESEMPENHADAS. 
Ex. corrupção passiva. 
 
 
STF 
 
# Jurisprudência Correlata (2021) 
 
É inconstitucional dispositivo da Constituição 
Estadual que confere foro por prerrogativa de 
função, no Tribunal de Justiça, para o Delegado 
Geral da Polícia Civil. Extrapola a autonomia do 
estado previsão, em constituição estadual, que 
confere foro privilegiado a Delegado Geral da 
Polícia Civil. A autonomia dos estados para dispor 
sobre autoridades submetidas a foro privilegiado 
não é ilimitada, não pode ficar ao arbítrio político 
do constituinte estadual e deve seguir, por 
simetria, o modelo federal. (Info 1010, STF) 
 
Compete aos tribunais de justiça estaduais 
processar e julgar os delitos comuns, não 
relacionados com o cargo, em tese praticados por 
Promotores de Justiça. (Info 708, STJ) 
 
 
 
 
 
# Jurisprudência Correlata (2021) 
 
Compete aos tribunais de justiça estaduais 
processar e julgar os delitos comuns, não 
relacionados com o cargo, em tese praticados por 
Promotores de Justiça. (Info 708, STJ) 
 
O núcleo da controvérsia consistiu em definir se 
Promotores de Justiça, pelo suposto cometimento 
de crime comum, possuem foro por prerrogativa 
de função no respectivo TJ estadual, nos termos do 
art. 96, inciso III, da CF; ou se incide, na espécie, por 
aplicação do princípio da simetria, a interpretação 
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restritiva dada pelo Plenário do STF ao art. 102, 
inciso I, alíneas 'b' e 'c', da Carta Magna, no 
julgamento da QO na AP 937-RJ, segundo a qual o 
foro por prerrogativa de função se aplica apenas 
aos crimes praticados no exercício e em razão da 
função pública exercida. 
 
É importante ressaltar que, de fato, o STF 
restringiu sua competência para julgar membros 
do Congresso Nacional somente nas hipóteses de 
crimes praticados no exercício e em razão da 
função pública exercida. Todavia, frise-se que 
referido precedente analisou apenas o foro por 
prerrogativa de função referente a cargos eletivos, 
haja vista que o caso concreto tratava de ação 
penal ajuizada em face de Deputado Federal. 
 
Sobre o tema, o STJ reconheceu sua competência para 
julgar Desembargadores acusados da prática de crimes 
com ou sem relação ao cargo, não identificando simetria 
com o precedente do STF. Naquela oportunidade firmou-
se a compreensão de que se Desembargadores fossem 
julgados por Juízo de 1o Grau vinculado ao Tribunal ao 
qual ambos pertencem, criar-se-ia, em alguma medida, 
um embaraço ao Juiz de carreira responsável pelo 
julgamento do feito. Em resumo, apontou discrimen 
relativamente aos Magistrados para manter 
interpretação ampla quanto ao foro por prerrogativa de 
função, aplicável para crimes com ou sem relação com o 
cargo, com fundamento na necessidade de o julgador 
desempenhar suas atividade judicantes de forma 
imparcial. 
 
Nesse contexto, considerando que a prerrogativa 
de foro da Magistratura e MP encontra-se descrita 
no mesmo dispositivo constitucional (art. 96, inciso 
III, da CF), seria desarrazoado conferir-lhes 
tratamento diferenciado. 
 
Por outro lado, o STF, em 28/05/2021, nos autos do 
ARE 1.223.589/DF, afirmouque a questão ora em 
debate possui envergadura constitucional, 
reconhecendo a necessidade de analisar, com 
repercussão geral, a possibilidade ou não do STJ, a 
partir do artigo 105, inciso I, alínea a, da CF, 
processar e julgar Desembargador por crime 
comum, ainda que sem relação com o cargo. 
Destarte, o precedente estabelecido pelo STF no 
julgamento da QO na AP 937/RJ diz respeito apenas 
a cargos eletivos, ao passo que a prerrogativa de 
foro disciplinada no art. 96, III, CF, que abrange 
magistrados e membros do MP, será analisada 
pelo STF no ARE 1.223.589. Observe-se que o Pleno 
do STF proveu o agravo para determinar sequência 
ao recurso extraordinário, razão pela qual, em 
08/06/2021 o processo foi reautuado para RE 
1.331.044. 
 
Por derradeiro, a 5o Turma do STJ, no julgamento 
do AgRg no HC 647437/SP, em 25/5/2021, não 
identificou teratologia em situação de denúncia 
ofertada pelo titular da ação penal perante o TJSP, 
na qual se imputou a Promotora de Justiça a 
prática, em tese, de conduta delituosa não 
relacionada com o cargo. Naquela oportunidade o 
ilustre relator ponderou que "(...) não foi 
demonstrado de maneira patente e inquestionável 
que o precedente estabelecido pelo STF no 
julgamento da QO na AP 937/RJ, limitando o foro 
por prerrogativa de função às hipóteses de crimes 
praticados no exercício da função ou em razão 
dela, se aplicaria à paciente, posto que a Corte 
Suprema, na ocasião, não deliberou 
expressamente sobre o foro para processo e 
julgamento de magistrados e membros do MP, 
limitando-se a estabelecer tese em relação ao foro 
por prerrogativa de função de autoridades 
indicadas na CF que ocupam cargo eletivo." 
Diante disso, enquanto pendente manifestação do STF 
acerca do tema, deve ser mantida a jurisprudência até o 
momento aplicada que reconhece a competência dos 
Tribunais de Justiça Estaduais para julgamento de delitos 
comuns em tese praticados por Promotores de Justiça. 
 
# Jurisprudência Correlata (2021) 
Nulidade das Ações Penais contra Lula 
 
Antes de qualquer coisa, ressalte-se que o ex-
Presidente Lula responde a quatro ações penais que se 
iniciaram na 13ª Vara Federal de Curitiba: 
 
• Caso “Triplex do Guarujá”; 
• Caso “Sítio de Atibaia”; 
• Caso “sede do Instituto Lula”; e 
• Caso “doações ao Instituto Lula”. 
 
Em duas delas, já havia sentença penal condenatória, 
mas sem trânsito em julgado. A defesa impetrou HC no 
STF alegando a incompetência da 13ª Vara porque os 
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fatos apurados não tinham qualquer relação com os 
crimes praticados contra a Petrobras (HC 193726). 
Julgando o HC, o plenário decidiu que: 
 
1) O Ministro Relator poderia ter afetado esse julgamento 
ao Plenário? SIM. A afetação de feitos a julgamento pelo 
Plenário do STF é atribuição discricionária do relator. 
 
2) O MPF estava atuando como custos legis no processo. 
Ele poderia ter recorrido? SIM. O MPF, quando atua 
perante o STF, por intermédio da PGR, mesmo na 
qualidade de “custos legis”, detém legitimidade para a 
interposição de agravo regimental contra decisões 
monocráticas proferidas pelos ministros relatores. 
 
3) Foi correta a decisão que reconheceu a incompetência 
da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgamento das 
ações penais envolvendo Lula? SIM. No âmbito da 
“Operação Lava Jato”, a competência da 13ª Vara Federal 
de Curitiba é restrita aos crimes praticados de forma 
direta em detrimento apenas da Petrobras S/A. 
Esse é o entendimento do STF desde o julgamento 
da questão de ordem no Inq 4130 QO, em 
23/09/2015. Para o STF, no caso concreto, não ficou 
demonstrado que as condutas atribuídas ao ex-
Presidente Lula tenham relação direta com os 
ilícitos praticados em detrimento da Petrobras S/A. 
 
4) O STF admite, em tese, a teoria do juízo aparente 
para convalidar os atos decisórios praticados por 
juízo posteriormente declarado incompetente. 
Prevalece o seguinte: A superveniência de 
circunstâncias fáticas aptas a alterar a 
competência da autoridade judicial, até então 
desconhecidas, autoriza a preservação dos atos 
praticados por juíz aparentemente competente em 
razão do quadro fático subjacente no momento em 
que requerida a prestação jurisdicional. 
No entanto, no caso concreto, o STF afirmou que, 
tanto o MP como o juízo, desde o início do processo, 
já sabiam, com base nas outras decisões da Corte, 
que a 13ª Vara Federal não seria competente para 
julgar a causa. Isso porque a denúncia foi recebida 
em 14/09/2016 e, nessa época, já havia sido julgado 
o primeiro precedente que reduziu a competência 
daquele juízo (Inq 4.130 QO). Logo, a “teoria do juízo 
aparente” não se aplica à hipótese. 
 
5) Não se aplica a regra do art. 64, § 4º, do CPC ao 
caso. Isso porque o CPP possui regra própria e 
específica no art. 567 do CPP, que estabelece a 
sanção de nulidade aos atos decisórios praticados 
por juízo incompetente.(Info 1014. STF). 
 
Retirado do dizerodireito.com 
 
 
# Compilado de juris sobre o FPF 
▪ Marcos do Foro por Prerrogativa de Função (FPF): 
 
INICIAL: DIPLOMAÇÃO. 
FINAL: TÉRMINO DA INSTRUÇÃO (Publicação do 
despacho para apresentar alegações finais); 
 
Desse modo: 
 
Se o réu deixou cargo antes da Audiência de Instrução 
e Julgamento terminar: cessa a competência do STF. 
Se o réu deixou cargo depois do término da Audiência 
de Instrução e Julgamento terminar: STF permanece 
competente. 
 
Mas CUIDADO: João foi condenado em 1ª instância e 
apelou. Antes do julgamento de apelação, foi 
diplomado como Deputado Federal. João terá direito 
de ter a apelação julgada? Recurso será julgado pelo 
próprio STF, já que direito aplicado aos recursos é o 
vigente à época em que a decisão foi proferida. 
 
▪ Acusados com FPF não possuem direito ao duplo 
grau de jurisdição, o que não significa dizer que não 
podem recorrer contra decisões dos tribunais. 
Contudo, tratam-se de recursos de direito apenas, 
sem reexame fático. 
 
▪ Diferença entre a Regra da Contemporaneidade e da 
Atualidade. 
 
Regra da contemporaneidade: Foro por prerrogativa 
de função deve ser preservada caso a infração penal 
tenha sido cometida à época e em razão do exercício 
funcional. Atualmente, é a adotada! 
 
Regra da atualidade: agente só faz jus ao FPF 
enquanto estiver exercendo função. Cessada a função, 
cessa FPF. Essa regra gera alguns problemas. 
 
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Em 2018, voltando a adotar a REGRA DA 
CONTEMPORANEIDADE, o STF estabeleceu que 
hipóteses de FPF devem ser interpretadas 
restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que 
tenham sido praticados durante exercício do cargo e 
em razão dele. 
 
▪ O STJ não é competente para julgar crime praticado 
por Governador no exercício do mandato se o agente 
deixou o cargo e atualmente voltou a ser Governador 
por força de uma nova eleição. 
 
▪ O STJ é o tribunal competente para julgamento nas 
hipóteses em que, não fosse o FPF, o desembargador 
acusado, mesmo que o crime cometido não esteja 
relacionado com suas funções, houvesse de 
responder à ação penal perante Juiz de 1º grau 
vinculado ao mesmo tribunal. Se fosse perante um juiz 
de 1º grau de outro estado, não haveria óbice. 
 
▪ A iminente prescrição de crime praticado por 
Desembargador excepciona o entendimento 
consolidado na Ação penal 937 – que diz que o FPF é 
restrito a crimes cometidos ao tempo do exercício do 
cargo e que tenham relação com o cargo - e prorroga 
a competênciado stj. Trata-se de exceção para evitar 
a impunidade. 
 
▪ Prerrogativa de foro de membro do MP é preservada 
quando possível participação deste em conduta 
criminosa é comunicada com celeridade ao PGJ. 
 
Caso concreto: Se uma pessoa sem foro por 
prerrogativa está sendo interceptada por decisão do 
juiz de 1ª instância e ela liga para uma autoridade com 
foro (ex: Promotor de Justiça), a gravação desta 
conversa não é ilícita. Isso porque se trata de encontro 
fortuito de provas (encontro fortuito de crimes), 
também chamado de serendipidade ou crime achado 
Se após essa ligação, o Delegado ainda demora três 
dias para comunicar o fato às autoridade competentes 
para apurar a conduta do Promotor, este tempo não é 
considerado excessivo tendo em vista a dinâmica que 
envolve as interceptações telefônicas. Inclusive, tais 
gravações, por serem lícitas, podem servir como 
fundamento para que o CNMP aplique sanção de 
aposentadoria compulsória a este Promotor. 
 
▪ Se pessoa com FPF previsto na CF (ex, Prefeito é 
julgado pelo TJ) mata alguém dolosamente, 
considerando que os crimes dolosos contra a vida são 
de competência do tribunal do júri, qual o juízo 
competente? O Princípio da especialidade resolve. É 
dizer, o FPF prevalecerá sobre o tribunal do júri, 
exceto se a competência estiver prevista na 
Constituição Estadual, aí prevalece a do júri. 
 
Exemplos: 
Governador mata dolosamente uma pessoa: STJ julga. 
Promotor de Justiça Estadual que mata dosolamente 
uma pessoa: TJ julga. 
Delegado Geral de Polícia Civil que mata dosolamente 
uma pessoa: Júri julga. 
Deputado estadual que mata dosolamente uma 
pessoa: TJ julga. 
 
▪ Concurso de agentes (uns com e outros sem FPF): 
reunião dos processos no STF é facultativa. 
 
Exceção: nos crimes dolosos contra a vida não será 
possível a reunião dos processos, uma vez que a 
conexão e a continência são regras 
infraconstitucionais de mudança de competência. 
 
▪ Se durante as investigações de um fato delituoso 
surgirem indícios do envolvimento de uma autoridade 
com FPF, o prosseguimento das investigações e o 
indiciamento dependem de autorização do relator 
(será um ministro ou um desembargador). 
 
▪ Depois de anos sendo investigado em inquérito que 
tramitava no STF, o Ministro Relator declinou a 
competência para apurar os crimes porque os fatos 
ocorreram antes de o investigado ser Deputado 
Federal; logo, aplica-se o entendimento firmado na AP 
937. O fato de as investigações estarem perto do fim e 
de já terem demorado anos não servem como 
argumento jurídico válido para prorrogar a 
competência do STF. Apesar da efetiva evolução das 
investigações, sob a supervisão do STF, não houve 
oferecimento de denúncia contra o agravante nem 
encerramento da instrução processual penal. Logo, o 
marco temporal relativo à data de apresentação das 
razões finais não foi alcançado. (STF,2020) 
 
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AUTORIDADE FORO COMPETENTE 
Presidente e Vice-
Presidente da República 
 
 
 
STF 
 
 
 
 
 
 
STF 
Ministros do STF 
PGR 
Ministros de Estado 
AGU 
Comandantes da 
Marinha 
Exército e Aeronáutica 
Ministros do STJ, STM, 
TST, TSE 
Ministros do TCU 
Chefes de missão 
diplomática de caráter 
permanente 
Governadores 
 
 
 
STJ 
Desembargadores dos 
TJ’s, TRF’s e TRT’s 
Membros do TRE 
Conselheiros dos 
Tribunais de Contas 
Membros do MPU que 
oficiem perante 
Tribunais 
Juízes federais, 
militares e do trabalho 
 
Membros do MPU que 
atuam na primeira 
instância 
 
TRF OU TRE 
Juízes de Direito 
TJ 
Promotores e 
Procuradores de Justiça 
Prefeitos TJ, TRF OU TRE 
 
COMPETÊNCIA PARA JULGAR PREFEITOS 
CRIMES COMUNS 
ESTADUAIS 
TJ 
CRIMES COMUNS 
FEDERAIS 
TRF 
CRIMES ELEITORAIS TRE 
CRIMES DOLOSOS 
CONTRA VIDA 
TRF ou TJ a depender do 
interesse, e não do júri. 
 
 
 
CRIMES DE 
RESPONSABILIDADE 
PRÓPRIOS: infrações político-
administrativas. 
Sanção aplicada: perda do 
cargo (impeachment). 
Julgamento: Câmara 
Municipal. 
IMPRÓPRIOS: crimes comuns. 
Sanção aplicada: pena comum 
(ex, pena privativa de 
liberdade). Julgamento: TJ. 
OBS1. Os crimes do Art. 1o do 
DL 201/67 são comuns. 
OBS2. O fato de ter havido a 
extinção do mandato não 
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impede a deflagração da 
persecução penal. 
 
JUSTIÇA MILITAR DOS ESTADOS 
 
 
CRIMES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRIMES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crimes militares definidos em lei. 
Obs: CF faz ressalva quanto à 
competência do Júri, quando a 
vítima for civil. 
 
NOVA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA 
MILITAR (LEI 13.491/2017). 2 
ALTERAÇÕES NO CPM: 
I - Art. 9o, II – autoriza a JM a julgar 
crimes previstos na legislação 
penal; 
Art. 9o Consideram-se crimes 
militares, em tempo de paz: 
 II – os crimes previstos neste código 
e os previstos na legislação penal, 
quando praticados: 
a) por militar em situação de atividade 
ou assemelhado, contra militar na 
mesma situação ou assemelhado; 
b) por militar em situação de atividade 
ou assemelhado, em lugar sujeito à 
administração militar, contra militar 
da reserva, ou reformado, ou 
assemelhado, ou civil; 
c) por militar em serviço ou atuando 
em razão da função, em comissão de 
natureza militar, ou em formatura, 
ainda que fora do lugar sujeito à 
administração militar contra militar 
da reserva, ou reformado, ou civil; 
d) por militar durante o período de 
manobras ou exercício, contra militar 
da reserva, ou reformado, ou 
assemelhado, ou civil; 
e) por militar em situação de 
atividade, ou assemelhado, contra o 
patrimônio sob a administração 
militar, ou a ordem administrativa 
militar; 
 
Rol exemplificativo de possíveis 
crimes militares previstos na 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRIMES 
legislação penal (CP e Legislação 
Especial): 
• Lei de Abuso de Autoridade 
(413.869/2019); 
• ECA (8.069/90); 
• Lei de Licitações (8.666/93); 
• Lei de Tortura (9.455/97); 
• Código de Trânsito (9.503/97); 
• Crimes Ambientais (9.605/98); 
• Estatuto do Desarmamento 
(10.826/03). 
II - Art. 9o, §§ 1o e 2o - prevê a 
competência da Justiça Militar da 
União para julgar crimes dolosos 
contra vida, ainda que praticados 
contra civil. 
 
 
PESSOAS 
Militares dos Estados (Policiais 
Militares, Corpo de Bombeiros, 
Polícia Rodoviária Estadual). 
Obs: a condição deve ser aferida 
no momento do delito. 
 
 
COMPETÊNCIA 
CÍVEL 
Tem competência Cível para julgar 
as ações judiciais contra atos 
disciplinares militares. 
 
Exemplo: PM pratica uma 
transgressão militar. Ele será 
punido. Se o PM quiser questionar 
essa punição, quem vai apreciá-lo 
é a Justiça Militar Estadual. 
MINISTÉRIO 
PÚBLICO 
MP Estadual (Promotor da Justiça 
Militar) 
Súmula nº 53, STJ: Compete a justiça comum 
estadual processar e julgar CIVIL acusado de 
prática de crime contra instituições militares 
estaduais. 
 
 
 
 
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NORTE LEGAL 
LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
ABRANGÊNCIA: ART. 88 AO 144-A 
 
 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941) 
 
CAPÍTULO VIII - DISPOSIÇÕES ESPECIAIS 
 
 
Art. 88. No processo por crimes praticados FORA do 
TERRITÓRIO BRASILEIRO, será competente o juízo da 
CAPITAL DO ESTADO onde houver POR ÚLTIMO 
RESIDIDO O ACUSADO. Se este nunca tiver residido no 
Brasil, será competente o juízo da Capital da República. 
 
Art. 89.Os crimes cometidos em qualquer embarcação 
nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos 
fronteiriços, bem como a bordo de embarcações 
nacionais, em alto-mar, serão processados e julgados 
pela justiça do PRIMEIRO PORTO BRASILEIRO EM QUE 
TOCAR A EMBARCAÇÃO, após o crime, ou, quando se 
afastar do País, pela do ÚLTIMO EM QUE HOUVER 
TOCADO. 
 
Art. 90. Os crimes praticados a bordo de aeronave 
nacional, dentro do espaço aéreo correspondente ao 
território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de 
aeronave estrangeira, dentro do espaço aéreo 
correspondente ao território nacional, serão 
processados e julgados pela justiça da comarca em 
CUJO TERRITÓRIO SE VERIFICAR O POUSO APÓS O 
CRIME, ou pela da COMARCA DE ONDE HOUVER 
PARTIDO A AERONAVE. 
 
# Jurisprudencia correlata 
 
Compete à Justiça Estadual julgar crime cometido a 
bordo de balão de ar quente tripulados. (STJ, 2019) 
 
 
Art. 91. Quando INCERTA e não se determinar de acordo 
com as normas estabelecidas nos arts. 89 e 90, a 
competência se firmará pela PREVENÇÃO. 
 
 
 
Jurisprudência em Teses 
Ed. 72 - Competência Criminal 
 
1) Compete ao STJ o julgamento de revisão criminal 
quando a questão objeto do pedido revisional tiver 
sido examinada anteriormente por esta Corte. 
 
2) A mera previsão do crime em tratado ou 
convenção internacional não atrai a competência da 
Justiça Federal, com base no art. 109, inciso V, da 
CF/88, sendo imprescindível que a conduta tenha ao 
menos potencialidade para ultrapassar os limites 
territoriais. 
 
3) O fato de o delito ser praticado pela internet não 
atrai, automaticamente, a competência da Justiça 
Federal, sendo necessário demonstrar a 
internacionalidade da conduta ou de seus 
resultados. 
 
4) Não há conflito de competência entre Tribunal de 
Justiça e Turma Recursal de Juizado Especial 
Criminal de um mesmo Estado, já que a Turma 
Recursal não possui qualidade de Tribunal e a este é 
subordinada administrativamente. 
 
5) É relativa a nulidade decorrente da inobservância 
da competência penal por prevenção, que deve ser 
alegada em momento oportuno, sob pena de 
preclusão. 
 
6) A competência é determinada pelo lugar em que 
se consumou a infração (art. 70 do CPP), sendo 
possível a sua modificação na hipótese em que outro 
local seja o melhor para a formação da verdade real. 
 
7) Compete ao TRF ou ao TJ decidir os conflitos de 
competência entre juizado especial e juízo comum 
da mesma seção judiciária ou do mesmo Estado. 
 
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8) Compete à Justiça Federal o processo e 
julgamento unificado dos crimes conexos de 
competência federal e estadual, não se aplicando a 
regra do art. 78, II, a, do CPP. (Súmula n. 122/STJ) 
 
9) Inexistindo conexão probatória, não é da Justiça 
Federal a competência para processar e julgar 
crimes de competência da Justiça Estadual, ainda 
que os delitos tenham sido descobertos em um 
mesmo contexto fático. 
 
10) No concurso de infrações de menor potencial 
ofensivo, afasta-se a competência dos Juizados 
Especiais quando a soma das penas ultrapassar 2 
anos. 
 
11) Compete à Justiça Federal processar e julgar 
crimes relativos ao desvio de verbas públicas 
repassadas pela União aos municípios e sujeitas à 
prestação de contas perante órgão federal. 
 
12) Compete à Justiça Estadual processar e julgar 
prefeito por desvio de verba transferida e 
incorporada ao patrimônio municipal. (Súmula no. 
209/STJ) 
 
13) As atribuições da Polícia Federal não se 
confundem com as regras de competência 
constitucionalmente estabelecidas para a Justiça 
Federal (arts. 108, 109 e 144, §1°, da CF/88), sendo 
possível que uma investigação conduzida pela 
Polícia Federal seja processada perante a Justiça 
Estadual. 
 
14) Compete a Justiça Comum Estadual processar e 
julgar crime em que o índio figure como autor ou 
vítima, desde que não haja ofensa a direitos e a 
cultura indígenas, o que atrai a competência da 
Justiça Federal. 
 
15) Compete a Justiça Federal processar e julgar os 
crimes praticados contra funcionário público federal, 
quando relacionados com o exercício da função. 
(Súmula no 147/STJ) 
 
16) Há conflito de competência, e não de atribuição, 
sempre que a autoridade judiciária se pronuncia a 
respeito da controvérsia, acolhendo expressamente 
as manifestações do Ministério Público. 
 
17) Compete ao Juízo das Execuções Penais do 
Estado a execução das penas impostas a 
sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou 
Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos 
sujeitos a Administração Estadual. (Súmula no 
192/STJ) 
 
18) A mudança de domicílio pelo condenado que 
cumpre pena restritiva de direitos ou que seja 
beneficiário de livramento condicional não tem o 
condão de modificar a competência da execução 
penal, que permanece com o juízo da condenação, 
sendo deprecada ao juízo onde fixa nova residência 
somente a supervisão e o acompanhamento do 
cumprimento da medida imposta. 
 
19) A ofensa indireta, genérica ou reflexa praticada 
em detrimento de bens, serviços ou interesse da 
União, de suas entidades autárquicas ou empresas 
públicas ederais não atrai a competência da Justiça 
Federal (art. 109, IV, da CF/88). 
 
TÍTULO VI - DAS QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES 
 
CAPÍTULO I - DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS 
 
# SOBRE AS QUESTÕES PREJUDICIAIS 
CONCEITO: questões que, embora não constituam o objeto da 
ação principal, devem ser examinadas antes dessa, uma vez 
que sua decisão pode influenciar no julgamento do mérito. 
NÃO SE CONFUNDEM COM QUESTÕES PREJUDICIAIS – 
matérias nitidamente processuais, que, uma vez 
reconhecidas, impedem, em regra, a análise do mérito. (não 
influenciam) 
QUANTO AO SISTEMA DE SOLUÇÕES DAS QUESTÕES 
PREJUDICIAIS, O CPP ADOTA O SISTEMA ECLÉTICO (OU 
MISTO) 
QP heterogêneas relativas ao estado civil das pessoas: 
sistema da prejudicialidade obrigatória. 
Demais questões heterogêneas: sistema da prejudicialidade 
facultativa. Exemplo: questão ligada ao patrimônio – juiz 
decidirá se ele mesmo resolve a questão ou se remete ao 
juízo cível. 
 
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Exemplo: Para condenar alguém por receptação é 
necessário demonstrar que ele sabia ser a coisa produto de 
crime (questão prejudicial). O juiz jamais poderá condenar 
alguém por receptação sem antes reconhecer que a coisa 
era produto de crime. 
Obs: A suspensão do curso da ação penal, na prejudicial 
obrigatória ou facultativa, será decretada pelo juiz, de ofício 
ou a requerimento das partes. 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS PREJUDICIAIS 
QUANTO À NATUREZA 
HOMOGÊNEA (IMPERFEITA) HETEROGÊNEA (PERFEITA) 
Prejudicial pertence ao 
mesmo ramo do Direito. 
É uma questão de direito 
penal. 
Ex1: Receptação e crime 
anterior. 
Ex2: Lavagem de capitais e 
crime antecedente. 
Resolução: conexão. 
Prejudicial pertence a ramo 
do Direito distinto. 
Ex: casamento na bigamia. 
 
Podem ser apreciadas por um 
juízo extrapenal. 
QUANTO AOS EFEITOS 
OBRIGATÓRIAS FACULTATIVAS 
Sempre suspende o 
processo até o trânsito em 
julgado. 
 
Juízo penal não pode 
resolver a questão, não 
tendo discricionariedade 
sobre isso. 
Referem-se às questões de 
ESTADO DE PESSOAS 
De acordo com sua 
conveniência, juiz pode ou não 
suspender o processo 
criminal, a fim de esperar a 
solução da questão prejudicial 
pelo juízo extrapenal. 
 
Se ele não suspende, irá 
decidir a questão prejudicial 
na sentença, de forma 
incidental. Não será formada 
coisa julgada, ou seja, caso o 
(paternidade, casamento, 
idade, etc) 
 
Ex: no delito de bigamia, 
quando se questiona a 
validade do casamento na 
esfera cível. Trata-se de 
uma questão prejudicial 
séria, devendo ser o 
processo obrigatoriamente 
suspenso, pois, por óbvio, 
não se pode condenar 
alguém por bigamia, caso o 
juízo cível anule umdos 
casamento. 
sujeito seja condenado e a 
sentença extrapenal decida de 
forma diversa, poderá se valer 
da revisão criminal. 
 
É a aplicação do princípio da 
suficiência da ação penal. 
 
QUANTO À CONSEQUÊNCIA 
TOTAL PARCIAL 
Elimina a TIPICIDADE do 
fato. 
Atinge QUALIFICADORA ou 
CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL. 
QUANTO À COMPETÊNCIA 
DEVOLUTIVA NÃO DEVOLUTIVA 
Resolvida na esfera 
EXTRAPENAL. 
Resolvida pelo próprio juízo 
criminal. 
São exatamente as 
homogêneas. 
 
QUESTÃO PREJUDICIAL QUESTÃO PRELIMINAR 
Questões que devem ser 
avaliadas pelo juiz com 
valoração penal ou 
extrapenal e devem ser 
decididas antes do mérito 
da ação principal. 
Fato processual ou de 
mérito que impede que o 
juiz aprecie o fato principal 
ou uma questão principal. 
Ligadas ao direito material 
(elementares da infração 
penal). 
Ligadas ao direito 
processual. 
 
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Gozam de autonomia. 
 
Sempre vinculadas ao 
processo criminal 
específico. 
Decidida por um juízo 
penal ou extrapenal. 
Sempre decididas por um 
juízo penal. 
Retirada do Código de Processo Penal comentado - 
Renato Brasileiro de Lima - Juspodivm; 
 
Art. 92. Se a decisão sobre a existência da infração 
depender da solução de controvérsia, que o juiz repute 
séria e fundada, sobre o ESTADO CIVIL DAS PESSOAS, o 
CURSO DA AÇÃO PENAL FICARÁ SUSPENSO até que no juízo 
cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada 
em julgado, sem prejuízo, entretanto, da inquirição das 
testemunhas e de outras provas de natureza urgente. 
 
São as questões prejudiciais obrigatórias ou questões 
heterogêneas ligadas ao estado civil das pessoas. 
Suspendem obrigatoriamente o curso da ação penal. 
 
Parágrafo único. Se for o crime de AÇÃO PÚBLICA, o 
MINISTÉRIO PÚBLICO, QUANDO NECESSÁRIO, 
PROMOVERÁ A AÇÃO CIVIL ou PROSSEGUIRÁ NA QUE 
TIVER SIDO INICIADA, com a CITAÇÃO dos interessados. 
 
Se crime de ação penal privada, cabe somente ao 
querelante ingressar ou prosseguir com a ação cível. 
 
Art. 93. Se o reconhecimento da existência da 
infração penal depender de decisão SOBRE QUESTÃO 
DIVERSA DA PREVISTA NO ARTIGO ANTERIOR, da 
competência do juízo cível, e se neste houver sido 
proposta ação para resolvê-la, o JUIZ CRIMINAL 
PODERÁ, DESDE QUE essa questão seja de DIFÍCIL 
SOLUÇÃO e não verse sobre direito cuja prova a LEI 
CIVIL LIMITE, SUSPENDER O CURSO DO PROCESSO, 
após a inquirição das testemunhas e realização das 
outras provas de natureza urgente. 
 
São as questões prejudiciais facultativas ou 
questões heterogêneas não ligadas ao estado civil 
das pessoas. Não suspendem obrigatoriamente o 
curso da ação penal. O juiz tanto pode devolver a 
questão quanto pode decidi-la incidentalmente, no 
momento da sentença. 
§ 1o O juiz marcará o prazo da suspensão, que PODERÁ 
SER RAZOAVELMENTE PRORROGADO, se a demora não 
for imputável à parte. Expirado o prazo, sem que o juiz 
cível tenha proferido decisão, o juiz criminal fará 
prosseguir o processo, retomando sua competência 
para resolver, de fato e de direito, toda a matéria da 
acusação ou da defesa. 
 
§ 2o Do despacho que denegar a suspensão NÃO 
caberá recurso. 
 
Recurso da decisão que 
DENEGA SUSPENSÃO 
IRRECORRÍVEL 
Recurso da decisão que 
CONCEDE SUSPENSÃO 
Recurso em Sentido 
Estrito (RESE) 
 
§ 3o Suspenso o processo, e tratando-se de crime DE 
AÇÃO PÚBLICA, incumbirá ao MINISTÉRIO PÚBLICO 
INTERVIR IMEDIATAMENTE NA CAUSA CÍVEL, para o fim 
de promover-lhe o rápido andamento. 
 
 
Art. 94. A suspensão do curso da ação penal, nos casos 
dos artigos anteriores, será decretada pelo juiz, de 
ofício ou a requerimento das partes. 
 
CAPÍTULO II - DAS EXCEÇÕES 
 
Exceções são matéria de defesa em que são 
alegadas determinadas questões processuais. 
Comumente, são apontadas a ausência de 
pressupostos processuais ou de condições da ação, 
a fim de procrastinar a análise do mérito ou impedir 
o julgamento da demanda. 
 
 
Art. 95. Poderão ser opostas as EXCEÇÕES de: 
I - SUSPEIÇÃO; 
II - INCOMPETÊNCIA de juízo; 
III - LITISPENDÊNCIA; 
IV - ILEGITIMIDADE DE PARTE; 
V - COISA JULGADA. 
 
 
 
 
 
 
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# Comentários 
 
 
Exceções serão processadas em autos apartados e, 
em regra, não suspendem o processo, SALVO: 
 
I - Juiz se declara SUSPEITO (de ofício); 
 
II - Relator pode suspender, quando ambas as partes 
entendem que o Juiz é suspeito. 
 
 
Regra: contra todos os julgamentos de exceções 
cabe RESE, pois são julgadas por juiz de 1º grau. 
 
Exceção: Exceção de suspeição de juiz, que é julgada 
pelo Tribunal, ou seja, se já é apreciada pelo tribunal, 
não vai caber RESE. 
 
EXCEÇÕES 
PEREMPTÓRIAS 
EXCEÇÕES DILATÓRIAS 
Produzem a EXTINÇÃO DO 
PROCESSO. São elas: 
 
▪ Exceção de Litispendência; 
 
▪ Exceção de Coisa Julgada; 
 
▪ Exceção de Ilegitimidade de 
Parte (ad causam). 
 
Exemplo: MP oferece 
denúncia por calúnia. É 
peremptória, pois extingue o 
processo, sem que seja 
obrigatória a propositura de 
nova demanda (o que daria 
um caráter apenas dilatório à 
exceção). 
Buscam a 
PROCRASTINAÇÃO DO 
PROCESSO. São elas: 
 
▪ Exceção de suspeição, 
impedimento, 
incompatibilidade; 
 
▪ Exceção de 
incompetência; 
 
▪ Exceção de 
Ilegitimidade de Parte 
(ad processum). 
 
Exemplo: Falso 
representante legal 
apresentando 
representação pela 
vítima. É dilatória, pois 
pode o vício ser sanado, 
dando prosseguimento 
ao processo. 
 
 
 
 
#NÃOCONFUNDA #DESPENCAEMPROVA 
IMPEDIMENTO SUSPEIÇÃO INCOMPATIBILIDADE 
Circunstância 
objetiva, 
relacionada a 
fatos internos 
do processo, 
capaz de 
prejudicar a 
imparcialidad
e do juiz. 
Presente uma 
delas, há 
presunção 
absoluta de 
parcialidade 
do juiz. 
Rol do art. 
252. 
Circunstânci
as 
subjetivas, 
relacionadas 
a fatos 
externos 
capazes de 
prejudicar 
imparcialida
de do Juiz 
(presunção 
relativa). 
 
Rol do art. 
254. 
Todas as razões 
que afetam a 
imparcialidade do 
Juiz e que não 
estão incluídas 
entre as causas de 
impedimento e 
suspeição. 
 
 
# Jurisprudência correlata 
 
A pendência de julgamento de litígio no exterior não 
impede, por si só, o processamento da ação penal no 
Brasil, não configurando bis in idem. (Info 656, STF) 
 
Art. 96. A argüição de SUSPEIÇÃO PRECEDERÁ A 
QUALQUER OUTRA, SALVO quando fundada em MOTIVO 
SUPERVENIENTE. 
 
Art. 97. O juiz que espontaneamente afirmar suspeição 
deverá fazê-lo por escrito, declarando o motivo legal, e 
remeterá imediatamente o processo ao seu substituto, 
intimadas as partes. 
 
Art. 98. Quando qualquer das partes pretender 
RECUSAR O JUIZ, deverá fazê-lo em petição assinada 
por ELA PRÓPRIA ou por PROCURADOR COM PODERES 
ESPECIAIS, aduzindo as suas razões acompanhadas de 
prova documental ou do rol de testemunhas. 
 
 
 
 
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ATENÇÃO: A procuração com poderes especiais é 
necessária, inclusive, para defensores públicos , 
que, conforme LC 80/94, não necessitam de 
procuração para a prática de atos judiciais. Contudo, 
quando a própria lei exige poderes especiais na 
procuração, o defensor público precisa dela. 
 
Art. 99. Se reconhecer a suspeição, o juiz sustará a 
marcha do processo, mandará juntar aos autos a 
petição do recusante com os documentos que a 
instruam, e por despacho se declarará suspeito, 
ordenando a remessa dos autos ao substituto. 
 
Art. 100. Não aceitando a suspeição, o juiz mandará 
autuar em apartado a petição, dará sua resposta dentro 
em 3 DIAS, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, 
e, em seguida, determinará sejam os autos da exceção 
remetidos, dentro em 24 HORAS, ao juiz ou tribunal a 
quem competir o julgamento. 
 
§ 1o Reconhecida, preliminarmente, a relevância da 
argüição, o juiz ou tribunal, com citaçãodas partes, 
marcará dia e hora para a inquirição das testemunhas, 
seguindo-se o julgamento, independentemente de mais 
alegações. 
 
§ 2o Se a suspeição for de manifesta improcedência, 
o juiz ou relator a rejeitará liminarmente. 
 
Art. 101. Julgada PROCEDENTE A SUSPEIÇÃO, ficarão 
NULOS os atos do processo principal, pagando o juiz as 
custas, no caso de erro inescusável; rejeitada, 
evidenciando-se a malícia do excipiente, a este será 
imposta a multa de duzentos mil-réis a dois contos de 
réis. 
 
Art. 102. Quando a parte contrária reconhecer a 
procedência da argüição, poderá ser sustado, a seu 
requerimento, o processo principal, até que se julgue o 
incidente da suspeição. 
 
Art. 103. No Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais 
de Apelação, o juiz que se julgar suspeito deverá 
declará-lo nos autos e, se for revisor, passar o feito ao 
seu substituto na ordem da precedência, ou, se for 
relator, apresentar os autos em mesa para nova 
distribuição. 
 
§ 1o Se não for relator nem revisor, o juiz que houver de 
dar-se por suspeito, deverá fazê-lo verbalmente, na 
sessão de julgamento, registrando-se na ata a 
declaração. 
 
#Jurisprudência Correlata 
Expressões ofensivas, desrespeitosas e pejorativas 
proferidas pelo magistrado na sessão de julgamento 
contra a honra do jurisdicionado que está sendo 
julgado, podem configurar causa de nulidade 
absoluta, haja vista que ofendem a garantia 
constitucional da imparcialidade, que deve, como 
componente do devido processo legal, ser observada 
em todo e qualquer julgamento em um sistema 
acusatório (Info 734, STJ, 04/2022). 
 
§ 2o Se o presidente do tribunal se der por suspeito, 
competirá ao seu substituto designar dia para o 
julgamento e presidi-lo. 
 
§ 3o Observar-se-á, quanto à argüição de suspeição 
pela parte, o disposto nos arts. 98 a 101, no que Ihe for 
aplicável, atendido, se o juiz a reconhecer, o que 
estabelece este artigo. 
 
§ 4o A suspeição, não sendo reconhecida, será julgada 
pelo tribunal pleno, funcionando como relator o 
presidente. 
 
§ 5o Se o recusado for o presidente do tribunal, o relator 
será o vice-presidente. 
 
Art. 104. Se for argüida a SUSPEIÇÃO do órgão do 
MINISTÉRIO PÚBLICO, o juiz, DEPOIS DE OUVI-LO, 
decidirá, sem recurso, PODENDO antes admitir a 
PRODUÇÃO DE PROVAS no prazo de 3 DIAS. 
 
Art. 105. As partes poderão também argüir de suspeitos 
os peritos, os intérpretes e os serventuários ou 
funcionários de justiça, decidindo o juiz de plano e sem 
recurso, à vista da matéria alegada e prova imediata. 
 
Art. 106. A SUSPEIÇÃO dos JURADOS deverá ser argüida 
ORALMENTE, decidindo de plano do presidente do Tribunal do 
Júri, que a rejeitará se, negada pelo recusado, não for 
imediatamente comprovada, o que tudo constará da ata. 
 
 
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Art. 107. NÃO SE PODERÁ OPOR SUSPEIÇÃO ÀS 
AUTORIDADES POLICIAIS nos atos do inquérito, mas 
DEVERÃO ELAS DECLARAR-SE SUSPEITAS, quando ocorrer 
motivo legal. 
 
Perceba que as partes não podem alegar a suspeição da 
Autoridade Policial, no entanto, ela deve se declarar 
suspeita (de ofício), caso haja algum motivo legal. 
 
# Jurisprudência Correlata (08/2021) 
 
A ausência de afirmação da autoridade policial de 
sua própria suspeição não eiva de nulidade o 
processo judicial por si só, sendo necessária a 
demonstração do prejuízo suportado pelo réu. 
 
Fundamentação: Tal previsão é bastante criticada em 
sede doutrinária, mormente pela contradição que 
encerra: se a autoridade deverá pronunciar sua 
suspeição, soa paradoxal, em certa medida, impedir 
que a parte investigada a aponte no IPL. De todo 
modo, tendo em vista a dicção legal - que permanece 
válida e vigente, inexistindo declaração de sua não 
recepção pelo STF -, seu teor segue aplicável. Uma 
solução possível para a parte que se julgue 
prejudicada é buscar, na esfera administrativa, o 
afastamento da autoridade suspeita. Assim, o 
descumprimento do art. 107 do CPP - quando a 
autoridade policial deixa de afirmar sua própria 
suspeição - não eiva de nulidade o processo judicial 
por si só, sendo necessária a demonstração do 
prejuízo suportado pela parte ré. Vale ressaltar que, 
segundo a tradicional compreensão doutrinária e 
pretoriana hoje predominante, o inquérito é uma 
peça de informação, destinada a auxiliar a 
construção da opinio delicti do órgão acusador. Por 
conseguinte, possíveis irregularidades nele 
ocorridas não afetam a ação penal. Lembre-se que, 
ressalvadas as provas irrepetíveis, cautelares e 
antecipadas, nos termos do art. 155 do CPP, não há 
propriamente produção de provas na fase 
inquisitorial, mas apenas colheita de elementos 
informativos para subsidiar a convicção do 
Ministério Público quanto ao oferecimento (ou não) 
da denúncia. Também por isso, o inquérito é uma 
peça facultativa, como se depreende do art. 39, § 5º, 
do CPP. Com efeito todos os elementos colhidos no 
inquérito, quando integram a acusação e são 
considerados pela sentença, submetem-se ao 
contraditório no processo judicial, e é este o locus 
adequado para rebatê-los. Também as provas irrepetíveis, 
cautelares e antecipadas passam pelo crivo do 
contraditório, ainda que de forma diferida, cabendo à 
defesa o ônus de apontar possíveis vícios processuais e 
apresentar suas impugnações fáticas. Por isso, como 
resta preservada a ampla possibilidade de debate dos 
elementos de prova em juízo, é correto manter incólume o 
processo mesmo diante de alguma irregularidade 
cometida na fase inquisitorial (desde que, é claro, não 
tenham sido descumpridas regras de licitude da atividade 
probatória). (Info 704, STJ). 
 
# Jurisprudência Correlata (09/2021) 
 
A quinta turma do STJ decidiu que a suspeição de delegado 
que atuou na investigação não basta para anular ação 
penal. 
 
A prova de suspeição de autoridade policial que atuou no 
inquérito, sem a demonstração de prejuízo para o réu, não 
é motivo para anular o processo judicial. 
 
Com base nesse entendimento, a Quinta Turma do 
Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, negou 
provimento ao recurso especial interposto por um homem 
que ajuizou revisão criminal após descobrir que um 
delegado envolvido na investigação contra ele é filho de 
um suspeito, o qual não foi indiciado nem investigado. 
 
Relator do recurso, o ministro Ribeiro Dantas afirmou que 
possíveis irregularidades no inquérito não afetam a ação 
penal. "Não há propriamente produção de provas na 
fase inquisitorial, mas apenas colheita de elementos 
informativos para subsidiar a convicção do 
Ministério Público quanto ao oferecimento (ou não) 
da denúncia. Também por isso, o inquérito é uma 
peça facultativa", observou. 
 
*** O número deste processo não foi divulgado em 
razão de segredo judicial. 
Art. 108. A exceção de INCOMPETÊNCIA do juízo poderá 
ser oposta, VERBALMENTE ou por ESCRITO, no prazo de 
defesa. 
 
§ 1o Se, ouvido o Ministério Público, for aceita a 
declinatória, o feito será remetido ao juízo competente, 
onde, ratificados os atos anteriores, o processo 
prosseguirá. 
 
 
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§ 2o Recusada a incompetência, o juiz continuará no 
feito, fazendo tomar por termo a declinatória, se 
formulada verbalmente. 
 
Art. 109. Se em qualquer fase do processo o juiz 
reconhecer motivo que o torne incompetente, declará-
lo-á nos autos, haja ou não alegação da parte, 
prosseguindo-se na forma do artigo anterior. 
 
Art. 110. Nas exceções de litispendência, ilegitimidade 
de parte e coisa julgada, será observado, no que Ihes for 
aplicável, o disposto sobre a exceção de incompetência 
do juízo. 
 
 § 1o Se a parte houver de opor mais de uma dessas 
exceções, deverá fazê-lo numa só petição ou articulado. 
 
§ 2o A exceção de coisa julgada somente poderá ser 
oposta em relação ao fato principal,que tiver sido objeto 
da sentença. 
 
Art. 111. As exceções serão processadas em AUTOS 
APARTADOS e NÃO SUSPENDERÃO, EM REGRA, o 
ANDAMENTO DA AÇÃO PENAL. 
 
#REVISE A EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO 
Objetivam afastar o juiz do processo 
PRIORIDADE 
Precederá a qualquer outra, salvo se fundada em 
motivo superveniente. 
 
JUIZ PODE 
DECLARAR 
DE OFÍCIO 
Juiz que espontaneamente se julgar suspeito, 
deve fazê-lo por escrito, declarando o motivo 
legal, e remeterá imediatamente processo ao 
substituto, intimadas as partes. 
LEGITIMIDADE 
E MODO 
Qualquer das partes pode recusar o juiz, por 
petição assinada por ela própria ou por 
procurador com poderes especiais, aduzindo 
razões com prova documental ou do rol de 
testemunhas. 
 
JUIZ 
RECONHECEU 
SUSPEIÇÃO 
Sustará a marcha do processo (suspende 
processo). Por despacho, se declara suspeito e 
remete os autos ao substituto. 
 
JUIZ NÃO 
RECONHECEU 
SUSPEIÇÃO 
Autua em apartado a petição e dará sua resposta 
em 3 dias, podendo instruí-la e oferecer 
testemunhas, e, em seguida, determinará sejam 
os autos da exceção remetidos, dentro em 24 
horas, ao juiz ou tribunal a quem competir o 
julgamento. 
 
▪ Reconhecida, preliminarmente, a relevância da 
arguição, Juiz|Tribunal, com citação das partes, 
marcará dia e hora para inquirição das 
testemunhas, seguindo-se o julgamento, 
independ. de mais alegações. 
 
▪ Suspeição manifestamente improcedente? Juiz 
ou relator a rejeitará liminarmente. 
 
SUSPEIÇÃO 
JULGADA 
PROCEDENTE 
São nulos os atos do processo principal, 
pagando o juiz as custas, no caso de erro 
inescusável; rejeitada, evidenciando-se a malícia 
do excipiente, a este será imposta a multa. 
PARTE 
CONTRÁRIA 
RECONHECEU 
PROCEDÊNCIA 
Processo principal pode ser suspenso, a seu 
requerimento, até julgamento da suspeição. 
SUSPEIÇÃO 
NO STF E NO 
TJ 
Juiz que se julgar suspeito deve declará-lo nos 
autos. 
Se for revisor: passa o feito ao seu substituto na 
ordem da precedência, 
Se for relator: apresentar os autos em mesa 
para nova distribuição. 
Se não for relator nem revisor? Deve declarar-
se suspeito verbalmente, na sessão de 
julgamento. 
▪ PR do tribunal se dá por suspeito? Substituto 
designar dia para julgamento e presidi-lo. 
▪ Suspeição, não sendo reconhecida, será 
julgada pelo tribunal pleno, funcionando PR 
como relator. 
▪ Recusado é PR do tribunal? Relator será VICE-
PR. 
 
 
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SUSPEIÇÃO DO 
MP 
Juiz, depois de ouvi-lo, decidirá, sem 
recurso, podendo antes admitir a 
produção de provas no prazo de 3 
dias. 
Súmula 234, STJ: A participação de 
membro do Ministério Público na 
fase investigatória criminal não 
acarreta o seu impedimento ou 
suspeição para o oferecimento da 
denúncia. 
SUSPEIÇÃO DOS 
JURADOS 
Deve ser arguida oralmente, 
decidindo de plano o Presidente do 
Tribunal do Júri, que a rejeitará se, 
negada pelo recusado, não for 
imediatamente comprovada. 
SUSPEIÇÃO DOS 
PERITOS, 
INTÉRPRETES E 
SERVENT. OU 
FUNC. DE 
JUSTIÇA 
 
Possível. Decidindo o juiz de plano e 
sem recurso, à vista da matéria 
alegada e prova imediata. 
 
SUSPEIÇÃO DOS 
DELTAS 
Não se pode opor suspeição à 
Autoridade Policial nos atos do IPL, 
mas deverão elas declarar-se 
suspeitas, quando ocorrer motivo 
legal. 
# MORAL DA HISTÓRIA 
Pode ser OPOSTA A SUSPEIÇÃO DE TODO MUNDO, MENOS DO 
DELEGADO. 
 
#REVISE A EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA 
 
MODO 
Verbalmente ou por escrito, no 
prazo de defesa. 
Não necessita de petição 
específica, podendo ser realizada 
nos próprios autos ou até 
oralmente. 
DECLINATÓRIA 
ACEITA 
(MP é OUVIDO) 
Se ouvido o MP, for aceita a 
declinatória, feito será remetido ao 
juízo competente, onde, ratificados 
os atos anteriores, processo 
prossegue. 
 
DECLINATÓRIA 
RECUSADA 
Juiz continuará no feito, fazendo 
tomar por termo a declinatória, se 
formulada verbalmente. 
Obs. Não há recurso previsto em lei 
contra essa decisão. Só HC. 
 
 
RECONHECIMENTO 
DE OFÍCIO E EM 
QUALQUER FASE 
DO PROCESSO 
Se em qualquer fase do processo o 
juiz reconhecer motivo que o torne 
incompetente, declará-lo-á nos 
autos, haja ou não alegação da 
parte. 
Incompetência absoluta: pode ser 
arguida até mesmo depois do TJ de 
sentença condenatória ou 
absolutória imprópria. 
Incompetência relativa: há 
controvérsia acerca do 
reconhecimento de ofício pelo juiz. 
 
#SELIGANADIFERENÇA #NÃOCONFUNDA 
 
 
 
LITISPENDÊNCIA 
Mesmo acusado responde a 2 ou mais 
processos distintos, pelo mesmo fato, 
independentemente da classificação 
típica que lhe seja atribuída. (bis in 
idem) 
No processo penal, exige só que 
acusado seja o mesmo, não se exigindo 
que parte autora seja a mesma. 
STJ/2019: A pendência de julgamento 
de litígio no exterior não impede, por si 
só, o processamento da ação penal no 
Brasil, não configurando bis in idem. 
 
 
 
ILEGITIMIDADE 
DE PARTE 
 
 
 
 
 
Ilegitimidade ad causam e 
ilegitimidade ad processum. 
Declarada de ofício ou a requerimento. 
“Ad causam” (condição da ação): 
Ilegitimidade para estar em 1 dos polos 
da demanda. 
Ex: MP denunciando em ação penal 
privada. 
Natureza peremptória: Se procedente, 
gera nulidade da ação desde início. 
 
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ILEGITIMIDADE 
DE PARTE 
“Ad processum” (pressuposto 
processual de validade): 
Ilegitimidade para estar em juízo. 
Ex: Menor de 18 anos oferecendo 
queixa. 
Natureza dilatória: Se procedente, 
impõe necessidade de ratificação do 
ato para sanar vícios. 
 
 
COISA 
JULGADA 
Imutabilidade do conteúdo de uma 
decisão judicial, tanto dentro (CJ 
Formal) quanto fora do processo em 
que foi proferida (CJ Material). 
Exceção de CJ SOMENTE pode ser 
oposta em relação ao FATO 
PRINCIPAL, que foi objeto da sentença. 
 
CAPÍTULO III - DAS INCOMPATIBILIDADES E 
IMPEDIMENTOS 
 
Art. 112. O juiz, o órgão do Ministério Público, os 
serventuários ou funcionários de justiça e os peritos ou 
intérpretes abster-se-ão de servir no processo, quando 
houver incompatibilidade ou impedimento legal, que 
declararão nos autos. Se não se der a abstenção, a 
incompatibilidade ou impedimento poderá ser argüido 
pelas partes, seguindo-se o processo estabelecido para 
a exceção de suspeição. 
 
CAPÍTULO IV - DO CONFLITO DE JURISDIÇÃO 
 
Art. 113. As questões atinentes à competência resolver-
se-ão não só pela exceção própria, como também pelo 
conflito positivo ou negativo de jurisdição. 
 
Art. 114. HAVERÁ CONFLITO DE JURISDIÇÃO: 
 
I - quando 2 ou mais autoridades judiciárias se considerarem 
COMPETENTES (CONFLITO POSITIVO), ou INCOMPETENTES 
(CONFLITO NEGATIVO), para conhecer do mesmo fato 
criminoso; 
 
II - quando entre elas surgir CONTROVÉRSIA sobre UNIDADE 
DE JUÍZO, JUNÇÃO ou SEPARAÇÃO DE PROCESSOS. 
 
 
 
 
Art. 115. O conflito poderá ser suscitado: 
 
I - pela PARTE INTERESSADA; 
 
II - pelos órgãos do MINISTÉRIO PÚBLICO junto a 
qualquer dos juízos em dissídio; 
 
III - por QUALQUER dos JUÍZES ou TRIBUNAIS em 
causa. 
 
Art. 116. Os juízes e tribunais, sob a forma de 
representação, e a parte interessada, sob a de 
requerimento, darão parte escrita e circunstanciada do 
conflito, perante o tribunal competente, expondo os 
fundamentos e juntando os documentos 
comprobatórios. 
 
§ 1o Quando NEGATIVO o conflito, os juízes e tribunais 
poderão SUSCITÁ-LO NOS PRÓPRIOS AUTOS do 
processo. 
 
§ 2o Distribuído o feito, se o CONFLITO FOR POSITIVO, o 
relator PODERÁ DETERMINAR IMEDIATAMENTE QUE SE 
SUSPENDA O ANDAMENTO DO PROCESSO. 
 
§ 3o Expedida ou não a ordem de suspensão, o 
relator requisitará informações às autoridades em 
conflito, remetendo-lhes cópia do requerimento ou 
representação. 
 
§ 4o As informações serão prestadas no prazo 
marcado pelo relator. 
 
§ 5o Recebidas as informações,e depois de ouvido 
o procurador-geral, o conflito será decidido na 
primeira sessão, salvo se a instrução do feito 
depender de diligência. 
 
§ 6o Proferida a decisão, as cópias necessárias 
serão remetidas, para a sua execução, às 
autoridades contra as quais tiver sido levantado o 
conflito ou que o houverem suscitado. 
 
Art. 117. O STF, mediante AVOCATÓRIA, 
RESTABELECERÁ A SUA JURISDIÇÃO, sempre que 
exercida por qualquer dos juízes ou tribunais inferiores. 
 
 
 
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CAPÍTULO V - DA RESTITUIÇÃO DAS COISAS 
APREENDIDAS 
 
Art. 118. ANTES DE TRANSITAR EM JULGADO a sentença 
final, as COISAS APREENDIDAS NÃO PODERÃO SER 
RESTITUÍDAS ENQUANTO INTERESSAREM AO PROCESSO. 
 
Art. 119. As coisas a que se referem os arts. 74 e 100 do 
Código Penal NÃO PODERÃO SER RESTITUÍDAS, mesmo 
depois de transitar em julgado a sentença final, SALVO 
se pertencerem ao LESADO ou a TERCEIRO DE BOA-FÉ. 
 
Art. 120. A restituição, quando cabível, poderá ser 
ORDENADA PELA AUTORIDADE POLICIAL ou JUIZ, mediante 
termo nos autos, DESDE QUE NÃO EXISTA DÚVIDA 
quanto ao direito do reclamante. 
 
§ 1o Se DUVIDOSO ESSE DIREITO, o pedido de restituição 
AUTUAR-SE-Á EM APARTADO, assinando-se ao 
requerente o prazo de 5 DIAS para a prova. Em tal caso, 
só o juiz criminal poderá decidir o incidente. 
 
§ 2o O incidente autuar-se-á também em apartado 
e só a autoridade judicial o resolverá, se as coisas 
forem apreendidas em poder de terceiro de boa-
fé, que será intimado para alegar e provar o seu 
direito, em prazo igual e sucessivo ao do 
reclamante, tendo um e outro 2 dias para arrazoar. 
 
§ 3o Sobre o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO SERÁ SEMPRE 
OUVIDO O MINISTÉRIO PÚBLICO. 
 
§ 4o Em caso de DÚVIDA SOBRE QUEM SEJA O 
VERDADEIRO DONO, o juiz remeterá as partes para o 
juízo cível, ordenando o depósito das coisas em mãos 
de depositário ou do próprio terceiro que as detinha, se 
for pessoa idônea. 
 
DIREITO À RESTITUIÇÃO 
DUVIDOSO 
DÚVIDA SOBRE 
VERDADEIRO DONO 
JUIZ CRIMINAL DECIDE. JUÍZO CÍVEL DECIDE. 
 
§ 5o Tratando-se de coisas facilmente deterioráveis, 
serão avaliadas e levadas a leilão público, depositando-
se o dinheiro apurado, ou entregues ao terceiro que as 
detinha, se este for pessoa idônea e assinar termo de 
responsabilidade. 
 
Art. 121. No caso de apreensão de coisa adquirida 
com os proventos da infração, aplica-se o disposto 
no art. 133 e seu parágrafo. 
 
Art. 122. Sem prejuízo do disposto no Art. 120, as 
coisas apreendidas serão alienadas nos termos do 
disposto no Art. 133 deste Código. (Lei nº 13.964, de 
2019) 
Parágrafo único. (Revogado). (Lei nº 13.964, de 2019) 
Art. 123. Fora dos casos previstos nos artigos 
anteriores, se dentro no prazo de 90 DIAS, a contar da 
data em que transitar em julgado a sentença final, 
condenatória ou absolutória, os objetos apreendidos 
não forem reclamados ou não pertencerem ao réu, 
serão vendidos em leilão, depositando-se o saldo à 
disposição do juízo de ausentes. 
 
Art. 124. Os instrumentos do crime, cuja perda em favor 
da União for decretada, e as coisas confiscadas, de 
acordo com o disposto no art. 100 do Código Penal, 
serão inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se 
houver interesse na sua conservação. 
 
Art. 124-A. Na hipótese de decretação de 
perdimento de obras de arte ou de outros bens de 
relevante valor cultural ou artístico, se o crime não 
tiver vítima determinada, poderá haver destinação dos 
bens a MUSEUS PÚBLICOS. (2019). 
 
#REVISE A RESTITUIÇÃO DAS COISAS APREENDIDAS 
RESTITUIÇÃO 
Antes do TJ, coisas apreendidas não 
podem ser restituídas enquanto 
interessarem ao processo. 
NÃO PODEM 
SER 
RESTITUIDAS 
Coisas a que se referem os arts. 74 e 100 
do CP não podem ser restituídas, mesmo 
depois de transitar em julgado a sentença 
final, salvo se pertencerem ao lesado ou a 
3o de boa-fé. 
QUEM PODE 
ORDENAR 
RESTITUIÇÃO 
Delegado ou JUIZ, mediante termo nos 
autos, desde que não exista dúvida quanto 
ao direito do reclamante. 
 
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DIREITO 
DUVIDOSO 
(Só juiz criminal 
pode decidir) 
Pedido autuado em apartado, e requerente 
tem 5 dias para prova. Aqui, só juiz criminal 
pode decidir incidente. Delegado não. 
COISAS 
APREENDIDAS 
EM PODER DE 
3O DE BOA-FÉ. 
Pedido autuado em apartado. Será 
intimado para provar o seu direito, em 
prazo igual e sucessivo ao do reclamante, 
tendo um e outro 2 dias para arrazoar. Só 
Juiz pode decidir. 
DÚVIDA SOBRE 
VERDADEIRO 
DONO 
(Dúvida: 
necessidade de 
dilação 
probatória) 
Juiz remete partes para o JUÍZO 
CÍVEL, ordenando depósito em mão de 
depositário ou do próprio 3o que as 
detinha, se idôneo. 
 
NÃO CONFUNDIR DIREITO DUVIDOSO COM 
VERDADEIRO DONO. 
OITIVA DO MP 
Sobre pedido de restituição, MP será 
SEMPRE ouvido. 
COISAS 
FACILMENTE 
DETERIORÁVEIS 
 
Avaliadas e leilão público, depositando 
dinheiro apurado,ou entregues ao 3o 
que as detinha, se idôneo e assinar 
termo de responsabilidade 
APREENSÃO DE 
COISA 
ADQUIRIDA C/ 
PROVENTOS DA 
INFRAÇÃO 
 
Avaliadas e leilão público 
FORA DOS 
CASOS ACIMA 
90 dias do TJ da sentença, 
condenatória ou absolutória e objetos 
apreendidos não foram reclamados ou 
não pertencerem ao réu? Leilão, 
depositando saldo à disposição do 
juízo de ausentes. 
INSTRUMENTOS 
DO CRIME, CUJA 
PERDA EM 
FAVOR DA 
UNIÃO FOR 
DECRETADA E 
COISAS 
CONFISCADAS 
 
 
 
 
 
Inutilizados ou recolhidos a museu 
criminal, se houver interesse na sua 
conservação. 
PERDIMENTO 
DE OBRAS DE 
ARTE OU DE 
OUTROS BENS 
DE RELEVANTE 
VALOR 
CULTURAL OU 
ARTÍSTICO 
 
Se o crime não tiver vítima 
determinada, poderá haver destinação 
dos bens a museus públicos. 
 
CAPÍTULO VI - DAS MEDIDAS ASSECURATÓRIAS 
 
MEDIDAS ASSECURATÓRIAS 
CONCEITO 
São medidas cautelares de natureza 
patrimonial (reais) que visam 
preservar o patrimônio do acusado 
para que possa suportar efeitos da 
condenação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EFEITOS DA 
CONDENAÇÃO 
(ART. 91 E 91-A 
DO CP) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 91: São efeitos da condenação: 
I - tornar certa a obrigação de indenizar 
o dano causado pelo crime; 
II - a PERDA em favor da União, 
ressalvado o direito do lesado ou de 
terceiro de boa-fé: (CONFISCO) 
a) dos INSTRUMENTOS DO CRIME, 
desde que consistam em coisas cujo 
fabrico, alienação, uso, porte ou 
detenção constitua fato ilícito; 
b) do PRODUTO DO CRIME (PRODUTO 
DIRETO, ex, dinheiro obtido com venda 
de droga) ou de QUALQUER BEM OU 
VALOR que constitua PROVEITO 
auferido pelo agente com a prática do 
fato criminoso (PRODUTO INDIRETO, ex, 
casa comprada com o dinheiro da 
venda da droga). 
§ 1º Poderá ser decretada a perda de 
bens ou valores equivalentes ao 
produto ou proveito do crime quando 
estes não forem encontrados ou 
quando se localizarem no exterior. 
§ 2º Na hipótese do § 1o, as medidas 
assecuratórias previstas na legislação 
processual poderão abranger bens ou 
valores equivalentes do investigado ou 
 
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EFEITOS DA 
CONDENAÇÃO 
(ART. 91 E 91-A 
DO CP) 
acusado para posterior decretação de 
perda. 
Art. 91-A (Incluído pelo Pacote 
Anticrime). Na hipótese de condenação 
por infrações às quais a lei comine 
pena máxima superior a 6 ANOS DE 
RECLUSÃO, poderá ser decretada a 
perda, como produto ou proveito do 
crime, dos bens correspondentes à 
diferença entre o valor do patrimônio 
do condenado e aquele que seja 
compatível com o seu rendimento lícito. 
(A doutrina tem chama de “CONFISCO 
ALARGADO”) 
§ 1º Para efeito da perda prevista no 
caput deste artigo, entende-se por 
patrimônio do condenado todos os 
bens: 
I - de sua titularidade, ou em relação 
aos quais ele tenha o domínio e o 
benefício direto ouindireto, na data da 
infração penal ou recebidos 
posteriormente; e 
II - transferidos a terceiros a título 
gratuito ou mediante contraprestação 
irrisória, a partir do início da atividade 
criminal. 
§ 2º O condenado poderá demonstrar a 
inexistência da incompatibilidade ou a 
procedência lícita do patrimônio. 
§ 3º A perda prevista neste artigo 
deverá ser requerida expressamente 
pelo Ministério Público, por ocasião do 
oferecimento da denúncia, com 
indicação da diferença apurada. 
§ 4º Na sentença condenatória, o juiz 
deve declarar o valor da diferença 
apurada e especificar os bens cuja 
perda for decretada. 
§ 5º Os instrumentos utilizados para a 
prática de crimes por organizações 
criminosas e milícias deverão ser 
declarados perdidos em favor da União 
ou do Estado, dependendo da Justiça 
onde tramita a ação penal, ainda que 
não ponham em perigo a segurança das 
pessoas, a moral ou a ordem pública, 
nem ofereçam sério risco de ser 
utilizados para o cometimento de novos 
crimes. 
PRINCÍPIO DA 
JURISDICIONALI-
DADE 
Deferimento só através de autorização 
judicial. 
PRESSUPOSTOS 
Como são medidas cautelares, estão 
sujeitas aos pressupostos do art. 282 
quais sejam: 
I - Fumus comissi delicti: plausibilidade 
do direito de punir, evidenciada pela 
prova da existência do crime e pelos 
indícios de autoria. 
II - Periculum libertatis: perigo que a 
demora pode produzir quanto aos bens 
do indivíduo. 
OBJETIVOS 
I - Assegurar confisco como efeito da 
condenação; 
II - Garantir futura indenização ou 
reparação do dano vítima da infração 
penal. 
III - Pagamento das despesas 
processuais ou das penas pecuniárias 
ao Estado. 
MUITO 
PRESENTE NOS 
SEGUINTES 
CRIMES 
Crimes de lavagem de capitais, 
Crimes contra sistema financeiro 
nacional. 
 
 
Art. 125. Caberá o SEQÜESTRO dos BENS IMÓVEIS, 
ADQUIRIDOS pelo indiciado com os PROVENTOS DA 
INFRAÇÃO, AINDA QUE JÁ TENHAM SIDO 
TRANSFERIDOS A TERCEIRO. 
 
SEQUESTRO 
CONCEITO 
Medida cautelar de 
indisponibilidade de bens em que 
o exercício do contraditório 
poderá ser postergado para evitar 
a dissipação do patrimônio 
 
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CARACTERÍSTICAS 
Confisco de bens e reparação do 
dano causado pelo delito. 
NÃO CONFUNDA 
COM A BUSCA E 
APREENSÃO 
 
 
SEQUESTRO 
Recai sobre produto 
indireto (resultado da 
transformação do 
produto direto). Ex: 
casa ou lancha 
comprado com 
dinheiro das drogas. 
BUSCA E 
APREENSÃO 
Recai sobre o produto 
direto do delito (ex.: 
dinheiro das drogas). 
BEM DE FAMÍLIA 
ADQUIRIDO COM 
PRODUTO DO 
DELITO 
Não está sujeito às restrições legais. 
Pode ser objeto de sequestro e 
hipoteca legal. 
APLICA-SE A 
BENS IMÓVEIS E 
MÓVEIS 
É mais comum o sequestro em bens 
móveis (a exemplo de uma lancha), 
mas é perfeitamente possível 
ocorrer em bens imóveis. 
MOMENTO 
ADEQUADO (ART. 
127) 
Durante a investigação criminal ou 
durante o processo penal. 
EMBARGOS DO 
ACUSADO 
(ART. 130, I) 
 
Só é cabível um único fundamento: 
ausência de referibilidade, que 
consiste na demonstração de que 
aquele bem que está sendo 
apreendido não foi adquirido com os 
proventos da infração. 
EMBARGOS DE 
TERCEIRO 
ESTRANHO À 
INFRAÇÃO PENAL 
(ART. 129) 
Terceiro é uma pessoa 
completamente estranha a infração 
penal, que não tem relação com o 
acusado. 
Exemplo: acusado possui o 
apartamento no 102 no Edifício X, 
sequestra-se o apartamento no 101 
de João, que não possuía nenhuma 
relação com o delito e nem com o 
acusado. Diante disso, João poderá 
embargar, seguindo o art. 129 do CPP 
(o regramento será dado pelos 
arts.674, 675 do CPC). 
EMBARGOS DE 
TERCEIRO QUE 
COMPROU DE 
BOA-FÉ O BEM DO 
ACUSADO 
(ART. 130, II) 
Trata-se de pessoa que não é 
totalmente estranha à infração penal, 
uma vez que adquiriu o bem de boa-
fé do acusado. 
Destaca-se que a aquisição do bem 
deverá ter sido onerosa, não se 
admite por meio de doação. 
 
#SELIGANADIFERENÇA #DESPENCAEMPROVA 
SEQUESTRO ESPECIALIZAÇÃO E REGISTRO DE 
HIPOTECA LEGAL 
Em qualquer fase 
(inquérito ou processo). 
Apenas durante o processo. 
Bens móveis ou imóveis. Bens Imóveis. 
Pode ser decretado de 
ofício (apenas na fase 
processual). 
Não pode ser decretado de ofício. 
Há o confisco de bens. Não possui finalidade de confisco. 
Recai sobre o 
patrimônio ilícito, 
podendo, em 
determinados casos 
(bens no exterior, bens 
não encontrados), recair 
sobre o lícito também. 
 
Recai apenas sobre o patrimônio 
lícito. 
 
Art. 126. Para a decretação do seqüestro, bastará a 
existência de INDÍCIOS VEEMENTES DA PROVENIÊNCIA ILÍCITA 
DOS BENS. 
 
Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério 
Público ou do ofendido, ou mediante representação da 
autoridade policial, poderá ordenar o seqüestro, em 
QUALQUER FASE DO PROCESSO ou ainda ANTES DE OFERECIDA A 
DENÚNCIA OU QUEIXA. 
 
Pela letra da lei, observe que o Juiz, de ofício pode ordenar 
o sequestro, mesmo antes de oferecida a denúncia ou 
queixa. agora a hipoteca legal, em regra, só pode ser 
requerida pelo ofendido. MP só quando o ofendido for 
pobre e o requerer. Resta saber se esse entendimento 
continua valendo após o advento da Lei do Pacote 
Anticrime. Acreditamos que o nosso sistema acusatório 
não permite mais essa atuação judicial proativa no 
processo penal. Porém, é importante memorizar a redação 
do art. 127 para fins de prova. 
 
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Art. 128. Realizado o seqüestro, o juiz ordenará a sua 
inscrição no Registro de Imóveis. 
 
Art. 129. O seqüestro autuar-se-á em APARTADO e 
admitirá EMBARGOS DE TERCEIRO. 
 
Art. 130. O seqüestro PODERÁ AINDA SER EMBARGADO: 
 
I - pelo ACUSADO, sob o fundamento de não terem os 
bens sido adquiridos com os proventos da infração; 
 
II - pelo TERCEIRO, a quem houverem os bens sido 
transferidos a título oneroso, sob o fundamento de tê-
los adquirido de boa-fé. 
 
Parágrafo único. Não poderá ser pronunciada decisão 
nesses embargos antes de passar em julgado a 
sentença condenatória. 
 
Exigência de TJ da sentença condenatória, não 
se aplica ao 3º inteiramente estranho ao fato 
criminoso. 
 
Perceba que acusado só pode fundamentar 
seus embargos na alegação de que os bens 
sequestrados não foram adquiridos com os 
proventos do crime. É dizer: não cabe aqui 
entrar no mérito da sua autoria ou 
materialidade, mas apenas comprovar que os 
bens sequestrados foram adquiridos com 
valores lícitos. Exemplo: Trabalhou para 
comprar. Dinheiro de herança. 
 
Art. 131. O seqüestro será LEVANTADO: 
 
I - se a AÇÃO PENAL NÃO for INTENTADA no prazo 
de 60 DIAS, contado da data em que ficar concluída 
a diligência; 
 
II - se o TERCEIRO, a quem tiverem sido 
transferidos os bens, PRESTAR CAUÇÃO que 
assegure a aplicação do disposto no art. 74, II, b, 
segunda parte, do Código Penal; 
 
III - se for julgada EXTINTA A PUNIBILIDADE ou 
ABSOLVIDO O RÉU, por SENTENÇA TRANSITADA 
EM JULGADO. 
 
Art. 132. Proceder-se-á ao seqüestro dos BENS 
MÓVEIS se, verificadas as condições previstas 
no art. 126, não for cabível a medida regulada 
no Capítulo Xl do Título Vll deste Livro. 
 
Art. 133. Transitada em julgado a sentença 
condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento do 
interessado ou do Ministério Público, determinará a 
avaliação e a venda dos bens em leilão público cujo 
perdimento tenha sido decretado. (2019) 
 
§ 1º Do dinheiro apurado, será recolhido aos cofres 
públicos o que não couber ao lesado ou a terceiro de 
boa-fé. 
 
§ 2º O valor apurado deverá ser recolhido ao Fundo 
Penitenciário Nacional, exceto se houver previsão 
diversa em lei especial. 
 
Art. 133-A. O juiz PODERÁ AUTORIZAR, constatado o 
INTERESSE PÚBLICO, a UTILIZAÇÃO DE BEM 
SEQUESTRADO, APREENDIDO OU SUJEITO A 
QUALQUER MEDIDA ASSECURATÓRIA PELOSÓRGÃOS 
DE SEGURANÇA PÚBLICA previstos no art. 144 da 
Constituição Federal, do SISTEMA PRISIONAL, do 
SISTEMA SOCIOEDUCATIVO, da FORÇA NACIONAL DE 
SEGURANÇA PÚBLICA e do INSTITUTO GERAL DE 
PERÍCIA, para o desempenho de suas atividades. (2019) 
 
§ 1º O ÓRGÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA PARTICIPANTE 
DAS AÇÕES de investigação ou repressão da infração penal que 
ensejou a constrição do bem terá PRIORIDADE na sua utilização. 
 
§ 2º Fora das hipóteses anteriores, demonstrado o interesse público, 
o juiz PODERÁ autorizar o uso do bem pelos DEMAIS ÓRGÃOS 
PÚBLICOS. 
 
§ 3º Se o bem a que se refere o caput deste artigo for VEÍCULO, 
EMBARCAÇÃO OU AERONAVE, o juiz ordenará à autoridade de trânsito 
ou ao órgão de registro e controle a expedição de CERTIFICADO 
PROVISÓRIO DE REGISTRO E LICENCIAMENTO em favor do órgão 
público beneficiário, o qual estará ISENTO DO PAGAMENTO de multas, 
encargos e tributos anteriores à disponibilização do bem para a sua 
utilização, que deverão ser cobrados de seu responsável. 
 
§ 4º TRANSITADA EM JULGADO A SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA 
COM A DECRETAÇÃO DE PERDIMENTO DOS BENS, ressalvado o direito 
do lesado ou terceiro de boa-fé, o juiz poderá determinar a 
TRANSFERÊNCIA DEFINITIVA DA PROPRIEDADE ao órgão público 
beneficiário ao qual foi custodiado o bem. 
 
 
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Art. 134. A HIPOTECA LEGAL sobre os imóveis do indiciado poderá 
ser requerida pelo OFENDIDO em QUALQUER FASE DO PROCESSO, 
desde que haja CERTEZA DA INFRAÇÃO e INDÍCIOS SUFICIENTES DA 
AUTORIA. 
 
HIPOTECA LEGAL 
CONCEITO 
Direito real de garantia sobre o imóvel 
para assegurar obrigação de cunho 
patrimonial, sem que a ocorra 
transferência do bem gravado para credor, 
assegurando que acusado tenha 
patrimônio para indenizar dano causado 
pela infração penal e e garantir o 
pagamento das custas processuais. 
CARÁTER 
SUBSIDIÁRIO 
Pelo fato de recair sobre bens imóveis 
obtidos licitamente pelo acusado. 
JUIZ NÃO PODE 
DECRETAR DE OFÍCIO 
Só a requerimento do ofendido. 
 
Art. 135. Pedida a especialização mediante 
requerimento, em que a parte estimará o valor da 
responsabilidade civil, e designará e estimará o imóvel 
ou imóveis que terão de ficar especialmente 
hipotecados, o juiz mandará logo proceder ao 
arbitramento do valor da responsabilidade e à avaliação 
do imóvel ou imóveis. 
§ 1o A petição será instruída com as provas ou indicação 
das provas em que se fundar a estimação da 
responsabilidade, com a relação dos imóveis que o 
responsável possuir, se outros tiver, além dos indicados 
no requerimento, e com os documentos comprobatórios 
do domínio. 
 
§ 2o O arbitramento do valor da responsabilidade e a 
avaliação dos imóveis designados far-se-ão por perito 
nomeado pelo juiz, onde não houver avaliador judicial, 
sendo-lhe facultada a consulta dos autos do processo 
respectivo. 
 
 
Perceba que é o Avaliador Judicial quem deve fazer 
esses laudos. Apenas se não tiver o AJ é que o juiz 
nomeará um perito. 
 
 
Note a dificuldade que é o deferimento de um pedido 
de Hipoteca Legal. 
 
§ 3o O juiz, OUVIDAS AS PARTES no prazo de 2 DIAS, que 
correrá em cartório, poderá CORRIGIR O 
ARBITRAMENTO DO VALOR DA RESPONSABILIDADE, se 
Ihe parecer EXCESSIVO ou DEFICIENTE. 
 
§ 4o O juiz autorizará SOMENTE a inscrição da hipoteca 
do imóvel ou imóveis NECESSÁRIOS À GARANTIA da 
responsabilidade. 
 
§ 5o O VALOR DA RESPONSABILIDADE SERÁ 
LIQUIDADO DEFINITIVAMENTE APÓS A CONDENAÇÃO, 
podendo ser requerido novo arbitramento se qualquer 
das partes NÃO se conformar com o arbitramento 
anterior à sentença condenatória. 
 
§ 6o Se o RÉU OFERECER CAUÇÃO SUFICIENTE, em 
dinheiro ou em títulos de dívida pública, pelo valor de 
sua cotação em Bolsa, o JUIZ PODERÁ DEIXAR DE 
MANDAR PROCEDER À INSCRIÇÃO DA HIPOTECA 
LEGAL. 
 
Art. 136. O ARRESTO DO IMÓVEL poderá ser decretado 
de INÍCIO, revogando-se, porém, se no prazo de 15 DIAS 
não for promovido o processo de inscrição da hipoteca 
legal. (ARRESTO PRÉVIO) 
 
Arresto: Espécie de medida precautelar ao registro 
de HL. Como o requerimento da HL demanda rico 
lastro probatório (dizer o valor indenizatório devido 
e apresentar as certidões imobiliárias), o tempo 
passar a ser fator decisivo. Como forma de trazer 
maiores garantias ao ofendido, evita-se que os bens 
lícitos sejam alienados. Admite-se arresto imediato 
de bens imóveis, ganhando o requerente 15 dias para 
pedir a HL. 
 
▪ ARRESTO SUBSIDIÁRIO de BENS MÓVEIS não pode 
recair sobre bem móvel da família que guarnece a 
casa. 
 
 
# Jurisprudência correlata 
 
É possível o arresto prévio de bens de acusados por 
suposta prática de crime único de corrupção passiva 
em concurso de agentes. Não é necessário que fique 
demonstrado que réu está praticando atos concretos 
de desfazimento de bens. Porém, é imperiosa a 
demonstração da plausibilidade do direito e do 
perigo na demora. (STF, 2019) 
 
 
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Art. 137. Se o responsável NÃO POSSUIR BENS 
IMÓVEIS OU OS POSSUIR DE VALOR INSUFICIENTE, 
PODERÃO ser arrestados BENS MÓVEIS suscetíveis de 
penhora, nos termos em que é FACULTADA A HIPOTECA 
LEGAL dos imóveis. (ARRESTO SUBSIDIÁRIO DE BENS 
MÓVEIS) 
 
§ 1o Se esses bens forem coisas fungíveis e facilmente 
deterioráveis, proceder-se-á na forma do § 5o do 
Art. 120. 
 
§ 2o Das rendas dos bens móveis poderão ser 
fornecidos recursos arbitrados pelo juiz, para a 
manutenção do indiciado e de sua família. 
 
Art. 138. O processo de especialização da HIPOTECA e 
do ARRESTO correrão em AUTO APARTADO. 
 
Art. 139. O depósito e a administração dos bens 
arrestados ficarão sujeitos ao regime do processo civil. 
 
Art. 140. As garantias do ressarcimento do dano 
alcançarão também as despesas processuais e as 
penas pecuniárias, tendo preferência sobre estas a 
reparação do dano ao ofendido. 
 
Art. 141. O ARRESTO SERÁ LEVANTADO OU 
CANCELADA A HIPOTECA, se, por sentença irrecorrível, 
o RÉU FOR ABSOLVIDO ou julgada EXTINTA A 
PUNIBILIDADE. 
 
Art. 142. Caberá ao Ministério Público promover as 
medidas estabelecidas nos arts. 134 e 137, se houver 
interesse da Fazenda Pública, ou se o ofendido for pobre 
e o requerer. 
 
Por força da CF, passou a ser vedado ao MP a 
representação judicial da Fazenda Pública. Logo, a 1ª 
parte do disposto acima não foi recepcionada pela 
CF. 
 
Art. 143. Passando em julgado a sentença condenatória, 
serão os autos de hipoteca ou arresto remetidos ao juiz 
do cível (art. 63). 
 
Art. 144. Os interessados ou, nos casos do art. 142, o 
Ministério Público poderão requerer no juízo cível, 
contra o responsável civil, as medidas previstas 
nos arts. 134, 136 e 137. 
 
Art. 144-A. O juiz determinará a ALIENAÇÃO 
ANTECIPADA para PRESERVAÇÃO DO VALOR DOS 
BENS sempre que estiverem sujeitos a QUALQUER 
GRAU DE DETERIORAÇÃO OU DEPRECIAÇÃO, ou quando 
houver DIFICULDADE PARA SUA MANUTENÇÃO. 
 
Trata-se de venda antecipada de bens, direitos ou 
valores que foram apreendidos ou que foram objeto 
de medida cautelar de natureza patrimonial, que 
deve ser levada a efeito quando houver dificuldade 
para a custódia do bem ou quando houver risco de 
perda de seu valor. 
 
ATENÇÃO: o uso de bens apreendidos ou objeto de 
assecuratórias é autorizado pelo art. 61 da Lei de 
Drogas. O CPP não trata do assunto. 
 
§ 1o O leilão far-se-á preferencialmente por meio 
eletrônico. 
 
§ 2o Os bens deverão ser vendidos pelo valor fixado 
na avaliação judicial ou por valor maior. Não 
alcançado o valor estipulado pela administração 
judicial, será realizado novo leilão, em até 10 DIAS 
contados da realização do primeiro, podendo os 
bens ser alienados por valor NÃO INFERIOR A 80% 
do estipulado na AVALIAÇÃO JUDICIAL. 
 
§ 3o O produto da alienação ficará depositado em 
conta vinculada ao juízo até a decisão finalprocessos em andamento 
foram remetidos à JF. 
Convocação de Juízes de 1o grau para substituir Desembargadores. É possível, 
desde que se utilize critérios objetivos para a escolha. 
Julgamento por turma ou câmara composta por maioria de desembargadores 
convocados. É possível, possuindo o juiz convocado as mesmas competências 
de um desembargador. 
Especialização para julgamento de crimes de lavagem de capitais. Atualmente, 
é comum a especialização de varas, a exemplo do que ocorre nos casos de 
violência doméstica e familiar contra a mulher, no tráfico de drogas, nos crimes 
de trânsito e de lavagem de capitais. 
Segundo o entendimento dominante, a especialização de varas NÃO viola a CF, 
tendo em vista que se trata de desdobramento do poder de auto-organização do 
Poder Judiciário. 
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PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE 
A publicidade dos atos processuais é a regra, o sigilo pode ser admissível quando 
a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem, sem prejuízo do 
interesse público à informação (artigos 5o, LX e 93, IX da CF/88) ou se dá 
publicidade do ato puder ocorrer escândalo, inconveniente grave ou perturbação 
da ordem (artigo 792, §1o do CPP). 
Em relação ao inquérito policial, por se tratar de fase pré-processual, é regido 
pelo princípio da sigilação. Contudo, assegura-se ao advogado a consulta aos 
autos correspondentes (súmula vinculante 14 do STF). 
Diferença entre publicidade ampla (plena) e publicidade restrita (segredo de 
justiça) 
PUBLICIDADE AMPLA (PLENA) PUBLICIDADE RESTRITA (SEGREDO 
DE JUSTIÇA) 
É a regra no processo. 
O processo é aberto, ou seja, 
TODOS podem ter acesso, sejam 
partes, advogados ou o público 
em geral. 
Extraem-se três direitos da 
publicidade ampla: 
• Direito de acompanhar os atos 
processuais; 
• Direito de narração dos atos 
processuais; 
• Direito de consulta dos autos. 
Há casos em que se faz necessária a 
proteção da intimidade ou que 
envolvem questões de interesse social, 
por isso, a própria CF autoriza a 
restrição da publicidade. 
Admite-se restrição ao público em 
geral, a exemplo dos processos de 
crimes sexuais, nos termos do art. 
234-B do CP. 
Além disso, a restrição pode ser 
dirigida às partes. Por exemplo, 
quando o acusado é retirado da sala de 
audiência. 
 
 
DERIVAÇÕES DO PRINCÍPIO DO FAVOR REI 
(Predominância do direito de liberdade do acusado quando em confronto com o 
direito de punir do estado) 
▪ Interpretação a favor do réu, quando lei não for clara. 
▪ Ônus da prova para a acusação. 
▪ Liberdade Provisória. 
▪ Recursos exclusivos da defesa (Revisão Criminal e Embargos Infringentes). 
▪ Proibição de Reformatio in Pejus. 
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JUSTIÇA RETRIBUTIVA JUSTIÇA RESTAURATIVA 
Crime é contra a sociedade. Crime contra sociedade, vítima e 
próprio autor. 
Predomínio da Prisão Privativa de 
Liberdade. 
Marco no BR: Lei dos Juizados 
Criminais. 
Responsabilidade individual do agente Responsabilidade Social do agente 
Penas cruéis Foco na reparação do dano 
Foco no infrator Asssistência à vítima 
Processo formais e rígidos Processo informal e flexível 
 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941)
LIVRO I - DO PROCESSO EM GERAL 
 
TÍTULO I - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
 
 Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o 
território brasileiro (Princípio da Territorialidade), por 
este Código, RESSALVADOS: 
 
I - os tratados, as convenções e regras de direito 
internacional; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIDADES 
QUE NÃO PODEM 
SER PRESAS 
NEM JULGADAS 
NO BRASIL 
(IMUNIDADE 
DIPLOMÁTICA) 
Chefes de governo 
estrangeiro ou de Estado 
estrangeiro, suas famílias e 
membros das comitivas, 
embaixadores e suas famílias, 
funcionários estrangeiros do 
corpo diplomático e suas 
famílias, assim como 
funcionários de organizações 
internacionais em serviço 
(ONU, OEA etc.) gozam de 
imunidade diplomática, que 
consiste na prerrogativa de 
responder no seu país de 
origem pelo delito praticado 
no Brasil. 
 
Cuidado: O Cônsul só goza de 
imunidade em crimes 
funcionais. Ao apreciar HC 
referente a crime de pedofilia 
praticado por Cônsul, o STF 
posicionou-se pela 
inexistência de obstáculo à 
prisão preventiva, pois os 
fatos imputados não 
guardavam pertinência com o 
desempenho das funções 
consulares. 
 
 
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da 
República, dos ministros de Estado, nos crimes 
conexos com os do Presidente da República, e dos 
ministros do STF, nos CRIMES DE 
RESPONSABILIDADE (CF, arts. 50, § 2o; 52, I, parágrafo 
único; 85; 86, § 1o, II; e 102, I, b) 
 
CRIMES DE 
RESPONSABILIDADE 
EM SENTIDO AMPLO 
CRIMES DE 
RESPONSABILIDADE 
EM SENTIDO ESTRITO 
▪ Qualidade de 
funcionário público 
funciona como 
elementar do crime. 
 
▪ Crimes praticados 
por FP contra 
Administração Pública 
(Arts. 312 a 326 do CP). 
 
▪ São Crimes Comuns. 
▪ Só podem ser 
praticados por 
determinados agentes 
políticos. 
 
▪ Não tem natureza 
jurídica de crime, mas 
sim de Infração 
Político-
Administrativa, 
passível de sanções 
político-
administrativas. 
AMPLO: PPL, PRD... ESTRITO: 
IMPEACHMENT 
 
III - os processos da competência da Justiça Militar; 
 
IV - os processos da competência do tribunal especial; 
 
inciso IV não é mais válido. 
 
V - os processos por crimes de imprensa. 
 
Inciso V não foi recepcionado. 
 
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código 
aos processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis 
especiais que os regulam não dispuserem de modo 
diverso. 
 
 
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LEI PENAL NO ESPAÇO 
DIREITO PENAL PROCESSO PENAL 
Princípios: 
▪ Territorialidade; 
▪ Extraterritorialidade, 
que pode ser 
incondicionada ou 
condicionada. 
Princípio da 
Territorialidade (Lex 
Fori). 
 
▪ Motivo óbvio: 
atividade jurisdicional é 
ato de soberania, não 
podendo ser exercida 
além das fronteiras. 
 
▪ Exceção: submissão 
ao Tribunal Penal 
Internacional. 
 
 Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á DESDE 
LOGO, sem prejuízo da validade dos atos realizados 
sob a vigência da lei anterior. 
 
LEI PROCESSUAL NO TEMPO 
Trata-se do Princípio da APLICAÇÃO IMEDIATA 
(DESDE LOGO) ou sistema de ISOLAMENTO DOS 
ATOS PROCESSUAIS 
No processo penal, não vigora o princípio da 
retroatividade benéfica ou irretroatividade, como 
no direito penal. 
Lei Processual Penal (benéfica ou maléfica) é 
aplicada de pronto, exceto se norma for HÍBRIDA ou 
HETEROTÓPICA (prevalece o aspecto penal). 
▪ Esse artigo (DESDE LOGO) é aplicado a depender 
da espécie de norma processual. NÃO 
CONFUNDA!!! 
NORMA 
GENUINAMENTE 
PROCESSUAL 
NORMA 
PROCESSUAL 
MISTA ou 
HÍBRIDA 
NORMAS 
PROCESSUAIS 
HETEROTÓPICAS 
Cuida de 
procedimentos, 
atos, técnicas 
do processo. 
 
DUPLA 
NATUREZA – 
uma parte 
penal e outra 
parte 
processual. 
NATUREZAdo 
processo, procedendo-se à sua conversão em 
renda para a União, Estado ou Distrito Federal, no 
caso de condenação, ou, no caso de absolvição, à 
sua devolução ao acusado. 
 
§ 4o Quando a indisponibilidade recair sobre 
dinheiro, inclusive moeda estrangeira, títulos, 
valores mobiliários ou cheques emitidos como 
ordem de pagamento, o juízo determinará a 
conversão do numerário apreendido em moeda 
nacional corrente e o depósito das 
correspondentes quantias em conta judicial. 
 
§ 5o No caso da alienação de veículos, 
embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à 
 
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autoridade de trânsito ou ao equivalente órgão de 
registro e controle a expedição de certificado de 
registro e licenciamento em favor do arrematante, 
ficando este livre do pagamento de multas, 
encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de 
execução fiscal em relação ao antigo proprietário. 
 
§ 6o O valor dos títulos da dívida pública, das ações 
das sociedades e dos títulos de crédito negociáveis 
em bolsa será o da cotação oficial do dia, provada 
por certidão ou publicação no órgão oficial. 
 
§ 7o (VETADO). (Lei nº 12.694, de 2012) 
 
# PARA FIXAÇÃO 
 
BUSCA E 
APREENSÃO 
 
Busca o próprio produto da infração 
penal, e não o bem comprado com 
ele. 
Ex: Arma usada para matar. 
 
SEQUESTRO 
Apreender imóveis e móveis 
(proventos do crime) que foram 
adquiridos com o dinheiro do crime. 
Ex: Apartamento comprado com o 
dinheiro oriundo do tráfico de 
drogas. 
 
 
ARRESTO 
Incide sobre o patrimônio lícito do 
agente para garantir uma 
indenização futura à vítima. Só 
poderão ser arrestados os bens 
penhoráveis e se o acusado não 
tiver bem imóveis ou se estes forem 
insuficientes. Depois será 
submetido à Hipoteca Legal. 
 
HIPOTECA 
LEGAL 
Valor arrecadado será destinado à 
vítima e o que sobrar será do Poder 
Público. Realizada por meio de uma 
inscrição do registro público para 
que não seja vendido|transferido a 
terceiros de boa-fé. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NORTE LEGAL 
LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PRO 
ABRANGÊNCIA: ART. 145 AO 184 
 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941) 
 
 
CAPÍTULO VII - DO INCIDENTE DE FALSIDADE 
 
Art. 145. Argüida, POR ESCRITO, a falsidade de 
documento constante dos autos, o juiz observará o 
seguinte processo: 
 
I - mandará autuar em APARTADO a impugnação, e em 
seguida OUVIRÁ A PARTE CONTRÁRIA, que, no prazo de 
48 HORAS, oferecerá resposta; 
 
II - assinará o prazo de 3 DIAS, sucessivamente, a cada 
uma das partes, para PROVA DE SUAS ALEGAÇÕES; 
 
III - conclusos os autos, poderá ordenar as diligências 
que entender necessárias; 
 
IV - se reconhecida a falsidade por DECISÃO 
IRRECORRÍVEL, mandará DESENTRANHAR O 
DOCUMENTO E REMETÊ-LO, com os autos do processo 
incidente, ao MINISTÉRIO PÚBLICO. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
Não é nula a decisão que indefere pedido de incidente 
de falsidade referente à prova juntada há mais de 10 
anos, contra a qual a defesa se insurge somente após 
a prolação da sentença penal condenatória, vez que 
a pretensão está preclusa. (Info 615, STJ). 
 
Art. 146. A argüição de falsidade, feita por 
PROCURADOR, EXIGE PODERES ESPECIAIS. 
 
Art. 147. O juiz poderá, DE OFÍCIO, proceder à 
VERIFICAÇÃO DA FALSIDADE. 
 
Art. 148. QUALQUER QUE SEJA A DECISÃO, NÃO 
FARÁ COISA JULGADA EM PREJUÍZO DE ULTERIOR 
PROCESSO PENAL OU CIVIL. 
 
CAPÍTULO VIII - DA INSANIDADE MENTAL DO 
ACUSADO 
 
Art. 149. Quando houver DÚVIDA sobre a 
INTEGRIDADE MENTAL DO ACUSADO, o juiz ordenará, 
de ofício ou a requerimento do Ministério Público, do 
defensor, do curador, do ascendente, descendente, 
irmão ou cônjuge do acusado, seja este SUBMETIDO A 
EXAME MÉDICO-LEGAL. 
 
§ 1o O EXAME PODERÁ SER ORDENADO AINDA NA FASE 
DO INQUÉRITO, MEDIANTE REPRESENTAÇÃO DA 
AUTORIDADE POLICIAL ao juiz competente. 
 
§ 2o O juiz nomeará CURADOR ao acusado, quando 
determinar o exame, FICANDO SUSPENSO O 
PROCESSO, SE JÁ INICIADA A AÇÃO PENAL, SALVO 
quanto às DILIGÊNCIAS QUE POSSAM SER 
PREJUDICADAS pelo adiamento. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
▪ O incidente de insanidade mental é prova pericial 
constituída em favor da defesa. Logo, não é possível 
determiná-lo compulsoriamente na hipótese em que 
a defesa se oponha à sua realização. (Info 838, STF) 
 
▪ O reconhecimento da inimputabilidade ou semi-
imputabilidade do réu depende da prévia instauração 
de incidente de insanidade mental e do respectivo 
exame médico-legal nele previsto. O art. 149 do CPP, 
ao exigir que o acusado seja submetido a exame 
médico-legal, não contempla hipótese de prova legal 
ou tarifada. Apesar disso, o reconhecimento da 
inimputabilidade ou semi-imputabilidade do réu 
depende da prévia instauração de incidente de 
 
 
 
 
 
 
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insanidade mental e do respectivo exame médico-
legal nele previsto. Vale ressaltar, por fim, que o 
magistrado poderá discordar das conclusões do 
laudo, desde que o faça por meio de decisão 
devidamente fundamentada. (Info 675, STJ, 2020) 
 
Art. 150. Para o efeito do exame, o acusado, se estiver 
preso, será internado em manicômio judiciário, onde 
houver, ou, se estiver solto, e o requererem os peritos, 
em estabelecimento adequado que o juiz designar. 
 
§ 1o O exame NÃO DURARÁ mais de 45 DIAS, SALVO se 
os PERITOS demonstrarem a necessidade de MAIOR 
PRAZO. 
 
§ 2o Se não houver prejuízo para a marcha do processo, 
o juiz poderá autorizar sejam os autos entregues aos 
peritos, para facilitar o exame. 
 
Art. 151. Se os peritos concluírem que o acusado era, 
ao TEMPO DA INFRAÇÃO, irresponsável nos termos 
do art. 22 do Código Penal, o PROCESSO PROSSEGUIRÁ, 
com a PRESENÇA DO CURADOR. 
 
Art. 152. Se se verificar que a doença mental 
SOBREVEIO À INFRAÇÃO O PROCESSO CONTINUARÁ 
SUSPENSO ATÉ QUE O ACUSADO SE RESTABELEÇA, 
observado o § 2o do Art. 149. 
 
§ 1o O juiz poderá, nesse caso, ordenar a internação do 
acusado em manicômio judiciário ou em outro 
estabelecimento adequado. 
 
§ 2o O processo retomará o seu curso, desde que se 
restabeleça o acusado, ficando-lhe assegurada a 
faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem 
prestado depoimento sem a sua presença. 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
# Momento da constatação de Doença mental 
AO TEMPO DA 
INFRAÇÃO 
PENAL 
Processo continua com a 
presença de curador. 
 
DEPOIS DA 
INFRAÇÃO 
PENAL 
Processo continua suspenso até 
que o acusado se restabeleça. 
 
 
Art. 153. O incidente da insanidade mental 
processar-se-á em AUTO APARTADO, que só DEPOIS 
DA APRESENTAÇÃO DO LAUDO, será APENSO AO 
PROCESSO PRINCIPAL. 
 
Art. 154. Se a insanidade mental sobrevier no curso da 
execução da pena, observar-se-á o disposto no art. 682. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
Se o recurso é exclusivo da defesa e esta apelou para 
provar a inexistência de fato típico ou antijurídico, ou 
então para reduzir a pena, não pode o Tribunal, de 
ofício, instaurar incidente de insanidade mental do 
condenado, considerando que isso configuraria 
reformatio in pejus, até mesmo porque o condenado 
já havia cumprido parte da pena. (STF, 2012) 
 
# QUADRO SINÓPTICO PARA REVISÃO DE VÉSPERA 
SOBRE O 
INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL 
 
 
 
 
 
 
FINALIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tirar dúvidasobre a integridade 
mental do acusado, seja ela ao 
tempo do crime ou ao momento 
atual - enquanto tramita IPL ou 
processo. 
 
Ao tempo do crime: Curador 
Especial e processo segue. 
 
Sobreveio à infração penal: 
processo suspendo até acusado 
se restabelecer. Prescrição 
nunca suspende. 
 
Atenção: Apesar da suspensão do 
processo perdurar até o 
restabelecimento do acusado, a 
lei SILENCIA em relação à 
 
 
 
 
 
 
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FINALIDADE 
prescrição. É um exemplo do que 
se chama de CRISE DE 
INSTÂNCIA – o processo fica 
SUSPENSO, mas nada acontece 
com a prescrição. Assim, caso o 
acusado não recupere sua 
higidez mental e transcorra a 
prescrição com base na pena 
máxima em abstrato, o juiz não 
pode se furtar em declarar a 
extinção da punibilidade! 
 
 
 
 
 
DÚVIDA SOBRE 
INTEGRIDADE 
MENTAL DO 
ACUSADO 
Juiz ordenará exame médico-
legal. 
 
Juiz não pode obrigar acusado a 
fazer exame. Exame de 
insanidade mental além de servir 
como elemento probatório, é 
também meio de defesa, logo, o 
réu não pode ser obrigado a se 
submeter a ele. 
 
Cuidado: Autoridade policial não 
pode determinar o exame de 
ofício. Só pode representar 
(pedir). Ato jurisdicional. 
 
 
 
 
LEGITIMADOS 
De ofício ou a requerimento do 
MP, Defensor, Curador, CADI. 
 
Exame Médico Legal pode ser 
ordenado no IPL, por 
representação do Delegado. 
 
DURAÇÃO DO 
EXAME 
 
45 dias, salvo se peritos 
demonstrarem necessidade de 
maior prazo. 
 
 
CURADOR 
Juiz nomeará curador ao 
acusado, quando determinar o 
exame, ficando suspenso o 
processo, se já iniciada a ação 
penal, salvo diligências que 
possam ser prejudicadas pelo 
adiamento. 
 
 
LOCAL DA 
INTERNAÇÃO 
Acusado preso: manicômio 
judiciário. 
 
Acusado solto e peritos 
requererem: estabelecimento 
adequado. 
 
ENTREGA DOS 
AUTOS AO 
PERITO 
 
Se não houver prejuízo para 
marcha do processo, juiz pode 
autorizar a entrega dos autos aos 
peritos, para facilitar exame. 
PERITOS 
CONCLUIRAM QUE 
ACUSADO ERA, AO 
TEMPO DA 
INFRAÇÃO, 
IRRESPONSÁVEL 
(DOENÇA 
ANTEVEIO) 
 
 
Processo prossegue, com a 
presença do curador (Art. 22 do 
CP) 
 
 
 
 
 
SE VERIFICAR 
QUE A DOENÇA 
MENTAL 
SOBREVEIO À 
INFRAÇÃO 
Processo continua suspenso até 
que acusado se restabeleça, 
Observado o § 2o do Art. 149. 
 
▪ Juiz pode, nesse caso, ordenar 
internação do acusado em 
manicômio judiciário ou em 
estabelecimento adequado. 
 
▪ Processo retomará seu curso, 
desde que se restabeleça o 
acusado, ficando-lhe assegurada 
a faculdade de reinquirir as 
testemunhas que houverem 
prestado depoimento sem a sua 
presença. 
 
AUTUAÇÃO 
 
Auto apartado. Só depois da 
apresentação do laudo, será 
apenso ao processo principal. 
 
 
 
 Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOTAS INTRODUTÓRIAS - PROVAS 
 
 
 
 
 
 
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 CONCEITO MOMENTO EXEMPLO CONSEQUÊNCIAS 
 
PROVA ILÍCITA 
(Art. 5o, LVI, CF) 
 
Viola regra de 
direito material. 
 
Produzida antes do 
processo. 
 
Confissão mediante 
tortura. 
 
Desentranhamento do 
processo. 
(Art. 157, §3o do CPP) 
 
PROVA 
ILEGÍTIMA 
 
 
Viola regra de 
direito processual. 
 
Produzida no 
curso do processo. 
 
Exame cadavérico feito 
por apenas um perito 
não oficial. (deveriam 
ser 2) 
 
Declaração de 
nulidade (absoluta ou 
relativa). 
OBS: Peças processuais que fazem referência à prova declarada ilícita não devem ser desentranhadas do 
processo (Ex: denúncia, pronúncia, etc.), pois são peças e não provas. 
 
 
 
PRINCÍPIOS DAS PROVAS 
 
CONTRADITÓRIO Prova produzida por uma das partes admite contraprova. 
COMUNHÃO DE 
PROVA 
Uma vez produzida a prova, ela pertencerá a todos os sujeitos processuais, mesmo que tenha 
sido levada por apenas uma das partes. 
 
ORALIDADE 
Regra: provas são produzidas oralmente. 
 
Subprincípios: 
I - Concentração (coleta de provas em uma única audiência); 
II - Imediatidade (contato do juiz com a prova). 
NÃO 
AUTOINCRIMINAÇÃO 
Acusado não é obrigado a produzir provas contra si mesmo. 
 
 
 
 
 
 
 
PROVA 
 
CONCEITO 
 
EXEMPLO 
 
 
 
 
 
 
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NOMINADA 
Prevista em lei, com (típica) ou sem 
(atípica) procedimento previsto em lei. 
Exame de Corpo de Delito. 
INOMINADA Não é prevista em lei, mas é lícita e 
moralmente legítima. 
Reconhecimento fotográfico por e-mail, 
gravações, filmagens, fotografias. 
 
 
TÍPICA 
 
Possui seu procedimento previsto em lei. 
Reconhecimento de pessoas (Art. 226 do 
CPP). 
Reconhecimento de pessoas é uma prova 
nominada (prevista em lei) e típica 
(procedimento previsto em lei). 
 
ATÍPICA 
 
Não possui seu procedimento previsto em 
lei. 
Reconstituição do crime. 
Reconstituição do crime é uma prova 
nominada (prevista em lei) e atípica 
(procedimento não previsto em lei). 
DIRETA Permite conhecer fato por meio de um 
único raciocínio. 
Testemunha ocular do homicídio. Não 
precisa deduzir nada. 
INDIRETA Mais raciocínios para se chegar a uma 
conclusão. 
Álibi. 
 
PROVA CONCEITO EXEMPLO CONSEQUÊNCIA 
 
 
ANÔMALA 
Utilizada para fins diversos 
dos que lhes são próprios, 
com característica de outra 
prova típica. 
Existe o meio de prova, mas 
se utiliza outra. 
Oficial de Justiça colhe 
depoimento da testemunha na 
certidão. Não pode. Juiz é que 
tem que colher em audiência 
de instrução e julgamento. 
Passível de nulidade 
absoluta ou relativa, a 
depender do caso concreto. 
 
 
IRRITUAL 
Prova típica produzida sem 
obediência ao modelo legal 
previsto em lei. 
Reconhecimento em juízo que 
não segue o procedimento do 
Art. 226 do CPP. 
Passível de nulidade 
absoluta ou relativa, a 
depender do caso concreto. 
 
 CONCEITO EXEMPLO 
 
 
 
 
 
 
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Sistema da Certeza 
Judicial ou ÍNTIMA 
CONVICÇÃO 
Juiz é livre para decidir, sem necessidade de 
motivar, podendo valer-se do que não está 
nos autos. 
Esse sistema é válido apenas para os JURADOS. 
 
Sistema da Certeza 
Legislativa ou 
PROVA TARIFADA 
 
Lei preestabelece o valor de cada prova. 
No Brasil, esse sistema só é válido em duas situações: 
1. Exame de corpo de delito, nos crimes que 
deixam vestígios (Art. 158, CPP) e 
2. Prova quanto ao estado de pessoas (Art. 155, 
CPP) 
 
 
Sistema do Livre 
Convencimento 
Motivado ou da 
PERSUASÃO 
RACIONAL 
Existe liberdade judicial para se decidir, desde 
que motivando. Juiz não pode embasar 
sentença exclusivamente em elementos de 
prova colhidos na fase investigatória. 
Julgado de 04/05/2021: Não se admite 
condenação baseada exclusivamente em 
declarações informais prestadas a policiais no 
momento da prisão em flagrante. (Info 1.016. 
STF). 
 
 
 
ADOTADO no CPP. 
OBS. Segundo o magistério de Renato Brasileiro, o processo penal não é regido pelo Princípio da Verdade Material 
ou Real, mas sim pelo Princípio da Busca da Verdade. 
 
FONTES DE PROVA MEIOS DE PROVA MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVA 
Derivam do fato delituoso em si, 
sendo introduzidas no processo 
através dos meios de prova. 
É o instrumento através do qual as 
fontes de prova são introduzidas no 
processo.É uma atividade endoprocessual, ou 
seja, é produzido no interior do 
processo com a participação do juiz 
e das partes, garantindo, assim, o 
contraditório e a ampla defesa. 
Procedimento extrajudicial que possui como objetivo 
localizar fontes de prova. 
Em regra, é realizado na fase investigatória. Divide-se 
em: 
Ordinários: Pode ser utilizado para qualquer delito 
(busca domiciliar). 
Extraordinários (técnicas especiais de investigação): 
utilizado para crimes mais graves. Caracterizam-se 
pela surpresa e pela dissimulação (Lei nº 12.850/13). 
Ex: um homicídio na rua terá 
como fonte de prova as 
imagens de câmeras de 
monitoramento, possíveis 
testemunhas, arma do crime. 
Ex: prova testemunhal da 
pessoa que presenciou o crime. 
Ex: Busca domiciliar é colocado como um meio 
de prova, porém é um meio de obtenção de 
prova, no caso de obter êxito, por exemplo, em 
achar uma arma de fogo, a apreensão desta 
arma, será um meio de prova. 
 
 
 
 
 
 
 
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TEORIAS RELATIVAS A PROVAS ILÍCITAS 
 
 
TEORIA DA 
PROVA ILÍCITA 
POR DERIVAÇÃO 
 
Também é chamada de teoria americana da árvore dos frutos envenenados. Exemplo: confissão 
de homicídio mediante tortura. 
Várias teorias surgiram para impor limitações à teoria da prova ilícita por derivação, pois ela não 
pode ser aplicada de forma ilimitada. Vejamos: 
 
 
TEORIA DA 
FONTE 
INDEPENDENTE 
A Teoria da Fonte Independente já era adotada pelo STF, vindo a ser inserida no Art. 157, §1o, CPP. 
 
Se os elementos de informação forem adquiridos de fonte autônoma, que não guarde relação de 
dependência, nem decorra de prova ilícita, tais dados probatórios são admissíveis. 
TEORIA DA 
DESCOBERTA 
INEVITÁVEL 
Se demonstrado que a prova derivada da ilícita seria produzida de qualquer modo, 
independentemente da prova ilícita originária, tal prova deve ser considerada válida. STJ adota. 
TEORIA DA 
LIMITAÇÃO DA 
MANCHA 
PURGADA OU 
DA TINTA 
DILUÍDA 
Ato posterior, totalmente independente, afasta ilicitude originária, em virtude do decurso do tempo 
entre prova primária e secundária ou por conta de circunstâncias supervenientes na cadeia 
probatória ou da vontade de um dos envolvidos em colaborar com a persecução criminal. 
 
Não há julgados adotando essa teoria no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEORIA DO 
ENCONTRO 
FORTUITO DE 
PROVAS,OU DA 
SERENDIPIDADE 
OU CRIME 
ACHADO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se, durante a relização de determinada diligência probatória, for acidentalmente descoberta outra 
prova, em regra, ela será aproveitada, desde que não exista desvio de finalidade na diligência. 
 
Utilizada nos casos em que, no cumprimento de uma diligência relativa a um delito, a autoridade 
policial casualmente encontra provas pertinentes à outra infração penal, que não estavam na 
linha de desdobramento normal da investigação. 
 
Muito presente no cumprimento de mandados de busca e apreensão e nas interceptações 
telefônicas. 
Atenção: Sobre a busca e apreensão em escritório de advocacia, pela lei, o mandado deve ser 
específico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB, sendo vedada 
a utilização de documentos e objetos pertencentes a clientes do advogado investigado, salvo se 
tais clientes também estiverem sendo investigados como partícipes ou coautores do advogado. 
Aqui, não se aplica a teoria do encontro fortuito quanto a documentos não referentes ao 
investigado, pois estariam protegidos pelo sigilo, não fazendo parte do objeto da diligência. 
Exemplo: Imagine que “A” é advogado. O escritório de “A” foi objeto de uma busca e apreensão, 
porque “A” era suspeito de ter praticado o crime “X”. Durante a busca e apreensão foram 
apreendidos documentos relacionados com “B” (cliente de “A”) que não era investigado pelo crime 
“X”. Por conta desses documentos apreendidos, “B” foi denunciado pelo crime “Y”. “B” impetrou HC 
no STJ afirmando que a apreensão dos documentos foi ilegal. STJ acolheu a tese de defesa. 
 
 No curso da medida, surgirem 
indícios da prática de outro crime 
 
 
 
 
 
 
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TEORIA DO 
ENCONTRO 
FORTUITO DE 
PROVAS,OU DA 
SERENDIPIDADE 
OU CRIME 
ACHADO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SERENDIPIDADE 
OBJETIVA 
(achado) que não estava sendo 
investigado. 
 
 
SERENDIPIDADE 
SUBJETIVA 
No curso da medida, surgirem 
indícios do envolvimento criminoso 
de outra pessoa que inicialmente 
não estava sendo investigada. Ex: 
durante a interceptação telefônica 
instaurada para investigar João, 
descobre-se que um de seus 
comparsas é Pedro. 
SERENDIPIDADE DE 
1° GRAU 
Novos fatos são conexos com os que 
deram início à investigação é 
admitida como meio de prova. 
 
SERENDIPIDADE DE 
2° GRAU 
Novos fatos não guardam qualquer 
relação com o primeiro. Não é 
admitida como meio de prova, 
somente como notitia criminis. 
TEORIA DA 
DOUTRINA DA 
VISÃO ABERTA 
É legítima a apreensão de elementos probatórios quando, a despeito de não se tratar da finalidade 
prevista no mandado de busca e apreensão, o objeto da apreensão é encontrado à plena vista do 
agente policial. 
 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TÍTULO VII – DA PROVA 
 
CAPÍTULO I – DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela LIVRE 
APRECIAÇÃO DA PROVA PRODUZIDA EM 
CONTRADITÓRIO JUDICIAL, NÃO podendo fundamentar 
 
 
 
 
 
 
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sua DECISÃO EXCLUSIVAMENTE nos elementos 
informativos colhidos na investigação, RESSALVADAS 
as PROVAS CAUTELARES, NÃO REPETÍVEIS e 
ANTECIPADAS. (Chamados de “ELEMENTOS 
MIGRATÓRIOS”) 
 
Livre Convencimento Motivado ou Persuasão 
Racional. 
 
#SELIGANADIFERENÇA #DESPENCA EM PROVA 
 CONCEITO AUTORIDADE 
JUDICIAL 
EXEMPLO 
 
 
 
PROVAS 
CAUTELARES 
Risco de 
desaparecimento 
do objeto da 
prova, em razão 
do decurso do 
tempo. Urgência. 
Podem ser 
produzidas na 
fase investigativa 
e na fase judicial. 
 
 
Depende de 
autorização 
judicial (em 
regra). 
 
 
 
Interceptação 
telefônica. 
 
 
 
 
PROVAS NÃO 
REPETÍVEIS 
Uma vez 
produzida, não 
tem como ser 
repetida, vez que 
a fonte probatória 
desaparece. 
 
Podem ser 
produzidas na 
fase investigativa 
e na fase judicial. 
 
 
 
Sem 
autorização 
judicial (em 
regra). 
Contraditório 
é diferido. 
Exame de 
corpo de 
delito com 
ulterior 
desapareci-
mento dos 
vestígios. 
É o caso do 
Exame 
residuográ-
fico (pólvora 
na mão). 
 
 
 
 
PROVAS 
ANTECIPADAS 
Produzidas com 
contraditório real 
em momento 
processual 
distinto daquele 
legalmente 
previsto, ou até 
mesmo antes do 
início do 
processo, em 
virtude de 
situações de 
urgência e 
relevância. 
Depende de 
autorização 
judicial. 
(contraditório 
real – para a 
prova) 
 
Produzidas 
na presença 
do juiz a 
qualquer 
tempo. 
Testemunha 
chave está 
no hospital 
morrendo 
(Art. 225, 
CPP). Ex: 
Testemunho 
em in ren 
memorium. 
 
Depoimento 
sem dano 
previsto 
para: 
1. Crianças 
menores de 
7 anos e 
2. Vítimas de 
violência 
sexual. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
Prova antecipada testemunhal pode ser justificada como medida 
necessária pela gravidade do crime praticado e possibilidade 
concreta de perecimento, pois as testemunhas podem se 
esquecer de detalhes importantesdos fatos em decorrência do 
decurso do tempo. 
 
▪ Oitiva das testemunhas policiais é considerada como prova 
urgente? 
 
STJ: SIM. Em razão das muitas ocorrências, os policiais acabam 
se perdendo em sua memória. 
 
STF: possui julgado em sentido contrário, afirmando que é 
incabível a produção antecipada de prova testemunhal 
fundamentada na simples possibilidade de esquecimento dos 
fatos, sendo necessária a demonstração do risco de perecimento 
da prova a ser produzida (art. 225 do CPP). Não servindo 
como justificativa a alegação de que as testemunhas são 
policiais responsáveis pela prisão, cuja própria atividade 
contribui, por si só, para o esquecimento das 
circunstâncias que cercam a apuração da suposta autoria 
de cada infração penal. (Info 806, STF). 
 
# Jurisprudência Correlata (11/2021) 
 
As qualificadoras de homicídio fundadas exclusivamente 
em depoimento indireto (Hearsay Testimony), violam o art. 
155 do CPP, que deve ser aplicado aos veredictos 
condenatórios do Tribunal do Júri. 
 
Entenda o julgado: Consoante o entendimento atual da 
Quinta e Sexta Turmas deste STJ, o art. 155 do CPP não se 
aplica aos vereditos do tribunal do júri. Isso porque, tendo 
em vista o sistema de convicção íntima que rege seus 
julgamentos, seria inviável aferir quais provas motivaram 
a condenação. Tal compreensão, todavia, encontra-se em 
contradição com novas orientações jurisprudenciais 
consolidadas neste colegiado no ano de 2021. No HC 
560.552/RS, a Quinta Turma decidiu que o art. 155 do CPP 
incide também sobre a pronúncia. Destarte, recusar a incidência 
do referido dispositivo aos vereditos condenatórios equivaleria, na 
prática, a exigir um standard probatório mais rígido para a 
admissão da acusação do que aquele aplicável a uma condenação 
definitiva. 
 
Não há produção de prova, mas somente coleta de 
elementos informativos, durante o inquérito policial. Prova 
é aquela produzida no processo judicial, sob o crivo do 
contraditório, e assim capaz de oferecer maior segurança 
na reconstrução histórica dos fatos. Consoante o 
entendimento firmado no julgamento do AREsp 
 
 
 
 
 
 
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1.803.562/CE, embora os jurados não precisem motivar 
suas decisões, os Tribunais locais - quando confrontados 
com apelações defensivas - precisam fazê-lo, indicando se 
existem provas capazes de demonstrar cada elemento 
essencial do crime. 
 
 Se o Tribunal não identificar nenhuma prova 
judicializada sobre determinado elemento essencial 
do crime, mas somente indícios oriundos do inquérito 
policial, há duas situações possíveis: ou o aresto é 
omisso, por deixar de analisar uma prova relevante, 
ou tal prova realmente não existe, o que viola o art. 
155 do CPP. (Info 719, 11/2021) 
 
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das 
pessoas serão observadas as restrições estabelecidas 
na lei civil. 
 
Como exemplos de provas quanto ao estado de 
pessoas, temos: certidão de casamento, certidão de 
óbito, certidão de nascimento. 
 
Cabe RESE contra a decisão que indefere a produção 
de provas antecipadas. 
 
Jurisprudência em teses 
Ed. 105 - Provas no processo penal 
 
1. As provas inicialmente produzidas na esfera 
inquisitorial e reexaminadas na instrução criminal, 
com observância do contraditório e da ampla defesa, 
não violam o art. 155 do CPP visto que eventuais 
irregularidades ocorridas no inquérito policial não 
contaminam a ação penal dele decorrente. 
 
2. Perícias e documentos produzidos na fase 
inquisitorial são revestidos de eficácia probatória sem 
a necessidade de serem repetidos no curso da ação 
penal por se sujeitarem ao contraditório diferido. 
 
3. A decisão que determina a produção antecipada de 
provas com base no art. 366 do CPP deve ser 
concretamente fundamentada, não a justificando 
unicamente o mero decurso do tempo. (Súmula n. 
455/STJ) 
 
Esse Tese sofreu uma mitigação, no sentido de que a 
fundamentação da decisão que determina a produção 
antecipada de provas pode limitar-se a destacar a 
probabilidade de que, não havendo outros meios de 
prova disponíveis, as testemunhas, pela natureza de 
sua atuação profissional, marcada pelo contato diário 
com os fatos criminosos que apresentam 
semelhanças em sua dinâmica, devem ser ouvidas 
com a possível urgência (STJ, 2020) 
 
4. A propositura da ação penal exige tão somente a 
presença de indícios mínimos de materialidade e de 
autoria, de modo que a certeza deverá ser 
comprovada durante a instrução probatória, 
prevalecendo o princípio do in dubio pro societate na 
fase de oferecimento da denúncia. 
 
5. A incidência da qualificadora rompimento de 
obstáculo, prevista no art. 155, § 4o, I, do Código Penal, 
está condicionada à comprovação por laudo pericial, 
salvo em caso de desaparecimento dos vestígios, 
quando a prova testemunhal, a confissão do acusado 
ou o exame indireto poderão lhe suprir a falta. 
 
6. É válido e revestido de eficácia probatória o 
testemunho prestado por policiais envolvidos em ação 
investigativa ou responsáveis por prisão em flagrante, 
quando estiver em harmonia com as demais provas 
dos autos e for colhido sob o crivo do contraditório e 
da ampla defesa. 
 
7. O reconhecimento fotográfico do réu, quando 
ratificado em juízo, sob a garantia do contraditório e 
ampla defesa, pode servir como meio idôneo de prova 
para fundamentar a condenação. 
 
SE LIGA: O reconhecimento do suspeito de um crime 
por mera exibição de fotografias há de ser visto como 
etapa antecedente a eventual reconhecimento pessoal 
e, portanto, não pode servir como prova em ação 
penal, ainda que confirmado em juízo. 
 
8. A folha de antecedentes criminais é documento 
hábil e suficiente a comprovar os maus antecedentes 
e a reincidência, não sendo necessária a apresentação 
de certidão cartorária. 
 
10. O registro audiovisual de depoimentos colhidos no 
âmbito do processo penal dispensa sua degravação ou 
transcrição, em prol dos princípios da razoável 
 
 
 
 
 
 
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duração do processo e da celeridade processual, 
salvo comprovada demonstração de necessidade. 
 
 
 
Jurisprudência em teses 
Ed. 111 - Provas no processo penal 
 
1. É possível o arrolamento de testemunhas pelo 
assistente de acusação (art. 271 do CPP), desde que 
respeitado o limite de 5 pessoas previsto no art. 422 
do CPP. 
 
2. O réu não tem direito subjetivo de acompanhar, por 
sistema de videoconferência, audiência de inquirição 
de testemunhas realizada, presencialmente, perante o 
Juízo natural da causa, por ausência de previsão legal, 
regulamentar e principiológica. 
 
3. Em delitos sexuais, comumente praticados às 
ocultas, a palavra da vítima possui especial 
relevância, desde que esteja em consonância com as 
demais provas acostadas aos autos. 
 
4. Nos delitos praticados em ambiente doméstico e 
familiar, geralmente praticados à clandestinidade, 
sem a presença de testemunhas, a palavra da vítima 
possui especial relevância, notadamente quando 
corroborada por outros elementos probatórios 
acostados aos autos. 
 
5. É possível a antecipação da colheita da prova 
testemunhal, com base no art. 366 do CPP, nas 
hipóteses em que as testemunhas são policiais, tendo 
em vista a relevante probabilidade de esvaziamento 
da prova pela natureza da atuação profissional, 
marcada pelo contato diário com fatos criminosos. 
OBS: Como já dissemos, o STF tem entendimento 
contrário. 
 
6. Não há cerceamento de defesa quando a decisão que 
indefere oitiva de testemunhas residentesem outro país for 
devidamente fundamentada. 
 
7. É ilícita a prova colhida mediante acesso aos dados 
armazenados no aparelho celular, relativos a mensagens de 
texto, SMS, conversas por meio de aplicativos (WhatsApp), e 
obtida diretamente pela polícia, sem prévia autorização 
judicial. 
 
8. É desnecessária a realização de perícia para a 
identificação de voz captada nas interceptações telefônicas, 
salvo quando houver dúvida plausível que justifique a 
medida. 
 
9. É necessária a realização do exame de corpo de delito 
para comprovação da materialidade do crime quando a 
conduta deixar vestígios, entretanto, o laudo pericial será 
substituído por outros elementos de prova na hipótese em 
que as evidências tenham desaparecido ou que o lugar se 
tenha tornado impróprio ou, ainda, quando as circunstâncias 
do crime não permitirem a análise técnica. 
 
10. O laudo toxicológico definitivo é imprescindível para a 
configuração do crime de tráfico ilícito de entorpecentes, 
sob pena de se ter por incerta a materialidade do delito e, 
por conseguinte, ensejar a absolvição do acusado. 
 
11. É possível, em situações excepcionais, a comprovação da 
materialidade do crime de tráfico de drogas pelo laudo de 
constatação provisório, desde que esteja dotado de certeza 
idêntica à do laudo definitivo e que tenha sido elaborado por 
perito oficial, em procedimento e com conclusões 
equivalentes. 
 
12. É prescindível a apreensão e a perícia de arma de fogo 
para a caracterização de causa de aumento de pena prevista 
no art. 157, § 2o-A, I, do CP, quando evidenciado o seu 
emprego por outros meios de prova. 
 
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a 
fizer, sendo, porém, FACULTADO AO JUIZ DE OFÍCIO: 
 
I – ordenar, MESMO ANTES DE INICIADA A AÇÃO 
PENAL, a PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS 
CONSIDERADAS URGENTES E RELEVANTES, 
observando a necessidade, adequação e 
proporcionalidade da medida; 
 
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de 
proferir sentença, a REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS para 
dirimir dúvida sobre ponto relevante. 
 
ÔNUS DA PROVA 
 
▪ O Brasil adotou a TEORIA DA RATIO COGNOSCENI ou da 
INDICIARIDADE: se o fato é típico, presume-se ilícito, 
cabendo à defesa provar excludentes alegadas. 
 
Cabe à ACUSAÇÃO provar: 
- Autoria 
- Materialidade 
 
 
 
 
 
 
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- Causas de aumento de pena 
- Dolo ou Culpa 
 
Cabe à DEFESA provar: 
- Excludentes de ilicitude 
- Excludentes de culpabidade 
- Excludentes de punibilidade 
- Elementos de mitigação da pena. 
 
▪ A Teoria dos Elementos Negativos do Tipo (não adotada) 
defende o tipo total do injusto, isto é, tipicidade e ilicitude 
devem ser analisadas em conjunto, de modo que o ônus da 
prova de provar a tipicidade e a licitude seria da acusação. 
 
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser 
desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim 
entendidas as obtidas em violação a normas 
constitucionais ou legais. 
 
CF: Art. 5º (...) LVI - são inadmissíveis, no processo, 
as provas obtidas por meios ilícitos; 
 
 
§ 1o São também INADMISSÍVEIS as PROVAS 
DERIVADAS DAS ILÍCITAS, SALVO quando não 
evidenciado o NEXO DE CAUSALIDADE entre umas e 
outras, ou quando as DERIVADAS puderem ser obtidas 
por uma FONTE INDEPENDENTE das primeiras. 
 
 
É o que se chama de Teoria da Árvore dos frutos 
Envenenados. 
 
A doutrina majoritária admite a utilização de provas 
ilícitas, quando esta for a única forma de se obter a 
absolvição do réu. 
 
 
 
§ 2o Considera-se FONTE INDEPENDENTE aquela que 
POR SI SÓ, seguindo os trâmites típicos e de praxe, 
próprios da investigação ou instrução criminal, SERIA 
CAPAZ DE CONDUZIR AO FATO OBJETO DA PROVA. 
 
§ 3o Preclusa a decisão de desentranhamento da prova 
declarada inadmissível, esta será inutilizada por 
decisão judicial, FACULTADO ÀS PARTES 
ACOMPANHAR O INCIDENTE. 
 
§ 4o (VETADO) 
 
§ 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada 
inadmissível NÃO PODERÁ proferir a sentença ou 
acórdão. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
▪ São ilegais as provas obtidas por policial militar 
que, designado para coletar dados nas ruas como 
agente de inteligência, passa a atuar, sem 
autorização judicial, como agente infiltrado em grupo 
criminoso. (Info 932, STF) 
 
▪ Sem o consentimento do réu ou prévia autorização 
judicial, é ilícita a prova, colhida de forma coercitiva 
pela polícia, de conversa travada pelo investigado 
com terceira pessoa em telefone celular, por meio do 
recurso "viva-voz", que conduziu ao flagrante do 
crime de tráfico ilícito de entorpecentes. (Info 603, 
STJ) 
 
▪ É ilícita a prova obtida mediante conduta da 
autoridade policial que atende, sem autorização, o 
telefone móvel do acusado e se passa pela pessoa 
sob investigação. Não tendo a autoridade policial 
permissão do titular da linha telefônica, ou mesmo 
da Justiça, para ler mensagens nem para atender ao 
telefone móvel da pessoa sob investigação e travar 
conversa por meio do aparelho com qualquer 
interlocutor que seja se passando por seu dono, a 
prova obtida dessa maneira arbitrária é ilícita. (STJ, 
2019) 
 
 
 
▪ Sem prévia autorização judicial, são nulas as 
provas obtidas pela polícia por meio da extração de 
dados e de conversas registradas no Whatsapp 
presentes no celular do suposto autor de fato 
delituoso, ainda que o aparelho tenha sido 
apreendido no momento da prisão em flagrante. (Info 
593, STJ) 
 
 
 
 
 
 
 
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▪ É nula a decisão judicial que autoriza o 
espelhamento do Whatsapp via código QR para 
acesso no Whatsapp Web. (Info 640, STJ) 
 
▪ Não há ilegalidade na perícia de aparelho de 
telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização 
judicial, na hipótese em que seu proprietário - a 
vítima - foi morto, tendo o referido telefone sido 
entregue à autoridade policial por sua esposa. (Info 
617, STJ) 
 
▪ É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima 
realizada com base unicamente em denúncia 
anônima. (Info 659, STJ) 
 
▪ A realização de perícia antropológica constitui-se 
em importante instrumento no caso de indígena 
acusado de crime de homicídio a fim de assistir as 
partes nos debates em plenário. (Info 659, STJ). 
 
▪ A determinação judicial para identificação dos 
usuários que operaram em determinada área 
geográfica, suficientemente fundamentada, não 
ofende a proteção à privacidade e à intimidade. (Info 
678, STJ) 
 
▪ Se a prisão foi ilegal (Juiz relaxou), as provas 
obtidas em decorrência (derivadas) dela são ilegais. 
Eventual vício no momento da prisão em flagrante só 
tem o condão de repercutir na legalidade da medida 
restritiva, não gerando nulidade do processo penal 
subsequente, nem tampouco servindo como óbice à 
formação da opinio delicti, ressalvada, logicamente, 
a hipótese de provas obtidas por meios ilícitos por 
ocasião da referida prisão. (Cespe) 
 
▪ É lícito o compartilhamento de dados bancários 
feito por órgão de investigação do país estrangeiro 
para a polícia brasileira, mesmo que, no Estado de 
origem, essas informações não tenham sido obtidas 
com autorização judicial, já que isso não é exigido 
naquele país. Respeitadas as garantias processuais 
do investigado, não há prejuízo na cooperação direta 
entre as agências investigativas, sem a participação 
das autoridades centrais. A ilicitude da prova ou do 
meio de sua obtenção somente poderia ser 
pronunciada se o réu demonstrasse alguma violação 
de suas garantias ou das específicas regras de 
produção probatória.(Info 695, STJ, 2021) 
 
▪ É ilegal a quebra do sigilo telefônico mediante a 
habilitação de chip da autoridade policial em 
substituição ao do investigado titular da linha. A Lei 
nº 9.296/96 não autoriza a suspensão do serviço 
telefônico ou do fluxo da comunicação telemática 
mantida pelo usuário, tampouco a substituição do 
investigado e titular da linha por agente indicado pela 
autoridade policial. (Info 696, STJ, 2021). 
 
▪Não há ilicitude das provas por violação ao sigilo de 
dados bancários, em razão do compartilhamento de 
dados de movimentações financeiras da própria 
instituição bancária ao Ministério Público (Info 731, 
STJ, 03/2022). 
 
ENTENDIMENTOS sobre CELULAR x PROVA 
Acesso a dados de 
celular apreendido em 
busca e apreensão 
Prova Lícita 
Acesso a dados de 
celular da vítima falecida 
Prova Lícita 
Acesso a dados de 
celular apreendido em 
prisão em flagrante 
Necessita de 
autorização judicial 
Acesso a dados de 
celular apreendido e feito 
emparelhamento com 
WhatsApp web 
Prova ilícita, ainda que 
tenha autorização 
judicial. 
Fazer o suspeito atender 
no viva-voz 
Prova Ilícita 
 
§ 4o (Vetado) 
 
§ 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova 
declarada inadmissível não poderá proferir a sentença 
ou acórdão. 
 
O STF suspendeu a eficácia da implantação do art. 
157, § 5o na ADIN nº 6.298. 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO II - DO EXAME DE CORPO DE DELITO, DA 
CADEIA DE CUSTÓDIA E DAS PERÍCIAS EM GERAL 
 
Art. 158. Quando a INFRAÇÃO DEIXAR VESTÍGIOS, será 
INDISPENSÁVEL o EXAME DE CORPO DE DELITO, direto 
ou indireto, NÃO PODENDO SUPRI-LO A CONFISSÃO do 
acusado. 
 
#DESPENCA EM PROVA #NÃO CONFUNDA 
 
 
DELITOS NÃO 
TRANSEUNTES 
São os que deixam vestígios. 
Não transeunte significa 
permanente. 
Eles deixam vestígios materiais. 
Precisa-se de perícia. 
Exemplo: lesão corporal, furto com 
arrombamento. 
 
DELITOS 
TRANSEUNTES 
Não deixam vestígios. 
Transeunte significa passageiro. 
Passa, não deixa marcas. 
SUPRIMENTO DO EXAME DE CORPO DE DELITO 
Confissão do acusado 
(Art. 158) 
Não pode suprir a falta do 
exame de corpo de delito. 
Prova testemunhal 
(Art. 167) 
Pode suprir a falta do 
exame de corpo de delito. 
CESPE-2018-STJ: Sendo possível a realização de exame 
para investigar crimes que deixam vestígios, não proceder 
a esse exame é motivo de nulidade do processo, ainda que 
provas documentais e testemunhais confirmem a autoria e 
a materialidade do crime. (CERTA) 
 
 
Parágrafo único. Dar-se-á PRIORIDADE à realização do 
EXAME DE CORPO DE DELITO quando se tratar de crime 
que envolva: 
 
I - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA 
MULHER; 
 
II - violência contra CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO OU 
PESSOA COM DEFICIÊNCIA. 
 
Art. 158-A. Considera-se CADEIA DE CUSTÓDIA o 
conjunto de todos os procedimentos utilizados para 
manter e documentar a história cronológica do vestígio 
coletado em locais ou em vítimas de crimes, para 
rastrear sua posse e manuseio a partir de seu 
reconhecimento até o descarte. 
 
Segundo o STJ, a cadeia de custódia da prova consiste 
no caminho que deve ser percorrido pela prova até a 
sua análise pelo juiz, sendo certo que qualquer 
interferência indevida durante esse trâmite 
processual pode resultar na sua imprestabilidade. 
 
Em relação a consequência pela quebra da cadeia de 
custódia, o STJ já entendeu que se trata de causa de 
ilicitude da prova (HC 160.662), bem como uma causa 
de nulidade (Resp. 1.795.341). 
 
§ 1º O INÍCIO da CADEIA DE CUSTÓDIA dá-se com a 
PRESERVAÇÃO DO LOCAL de crime ou com 
PROCEDIMENTOS POLICIAIS OU PERICIAIS nos quais 
seja detectada a existência de vestígio. 
 
§ 2º O agente público que reconhecer um elemento 
como de potencial interesse para a produção da prova 
pericial fica responsável por sua preservação. 
 
§ 3º VESTÍGIO é todo objeto ou material bruto, visível ou 
latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à 
infração penal. 
 
Espaço para anotações: 
 
 
 
 
 
# Jurisprudência Correlata (11/2021) 
 
As irregularidades constantes da cadeia de custódia 
devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os 
elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se 
a prova é confiável. 
 
 
 
 
 
 
 
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Entenda o julgado: A controvérsia que se estabelece 
diz respeito às consequências para o processo penal 
da quebra da cadeia de custódia da prova. 
 
O art. 158-A diz o que se considera “cadeia de 
custódia”. 
 
É imperioso salientar que a autenticação de uma 
prova é um dos métodos que assegura ser o item 
apresentado aquilo que se afirma ele ser, 
denominado pela doutrina de princípio da 
mesmidade. 
 
Com vistas a salvaguardar o potencial epistêmico do 
processo penal, o Pacote Anticrime disciplinou - de 
maneira, aliás, extremamente minuciosa - uma série 
de providências que concretizam o desenvolvimento 
técnico-jurídico da cadeia de custódia. 
 
De forma bastante sintética, pode-se afirmar que o 
art. 158-B detalha as diversas etapas de 
rastreamento do vestígio. 
 
O art. 158-C, por sua vez, estabelece o perito oficial 
como sujeito preferencial a realizar a coleta dos 
vestígios, bem como o lugar para onde devem ser 
encaminhados (central de custódia). 
 
 
Já o art. 158-D disciplina como os vestígios devem 
ser acondicionados, com a previsão de que todos os 
recipientes devem ser selados com lacres, com 
numeração individualizada, "de forma a garantir a 
inviolabilidade e a idoneidade do vestígio". 
 
Uma das mais relevantes controvérsias que essa alteração 
legislativa suscita diz respeito às consequências jurídicas, 
para o processo penal, da quebra da cadeia de custódia da 
prova (break on the chain of custody) ou do 
descumprimento formal de uma das exigências feitas pelo 
legislador no capítulo intitulado "Do exame de corpo de 
delito, da cadeia de custódia e das perícias em geral": essa 
quebra acarreta a inadmissibilidade da prova e deve ela (e 
as dela decorrentes) ser excluída do processo? Seria caso 
de nulidade da prova? Em caso afirmativo, deve a defesa 
comprovar efetivo prejuízo, para que a nulidade seja 
reconhecida (à luz da máxima pas de nulitté sans grief)? 
Ou deve o juiz aferir se a prova é confiável de acordo com 
todos os elementos existentes nos autos, a fim de 
identificar se eles são capazes de demonstrar a sua 
autenticidade e a sua integridade? 
 
Se é certo que, por um lado, o legislador trouxe, nos 
arts. 158-A a 158-F do CPP, determinações 
extremamente detalhadas de como se deve 
preservar a cadeia de custódia da prova, também é 
certo que, por outro, quedou-se silente em relação 
aos critérios objetivos para definir quando ocorre a 
quebra da cadeia de custódia e quais as 
consequências jurídicas, para o processo penal, 
dessa quebra ou do descumprimento de um desses 
dispositivos legais. 
 
Respeitando aqueles que defendem a tese de que a 
violação da cadeia de custódia implica, de plano e por 
si só, a inadmissibilidade ou a nulidade da prova, de 
modo a atrair as regras de exclusão da prova ilícita, 
parece ser mais adequada aquela posição que 
sustenta que as irregularidades constantes da 
cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo 
magistrado com todos os elementos produzidos na 
instrução, a fim de aferir se a prova é confiável. 
Assim, à míngua de outras provas capazes de dar 
sustentação à acusação, deve a pretensão ser 
julgada improcedente, por insuficiência probatória, e 
o réu ser absolvido. (Info 720, STJ, 10/2021) 
 
 
Art. 158-B. A CADEIA DECUSTÓDIA compreende o 
rastreamento do vestígio nas SEGUINTES ETAPAS: 
(2019) 
 
I - RECONHECIMENTO: ato de distinguir um elemento 
como de potencial interesse para a produção da prova 
pericial; 
 
II - ISOLAMENTO: ato de evitar que se altere o estado 
das coisas, devendo isolar e preservar o ambiente 
imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de 
crime; 
 
III - FIXAÇÃO: descrição detalhada do vestígio conforme 
se encontra no local de crime ou no corpo de delito, e a 
sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada 
por fotografias, filmagens ou croqui, sendo 
indispensável a sua descrição no laudo pericial 
produzido pelo perito responsável pelo atendimento; 
 
 
 
 
 
 
 
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IV - COLETA: ato de recolher o vestígio que será 
submetido à análise pericial, respeitando suas 
características e natureza; 
 
V - ACONDICIONAMENTO: procedimento por meio do 
qual cada vestígio coletado é embalado de forma 
individualizada, de acordo com suas características 
físicas, químicas e biológicas, para posterior análise, 
com anotação da data, hora e nome de quem realizou a 
coleta e o acondicionamento; 
 
VI - TRANSPORTE: ato de transferir o vestígio de um 
local para o outro, utilizando as condições adequadas 
(embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de 
modo a garantir a manutenção de suas características 
originais, bem como o controle de sua posse; 
 
VII - RECEBIMENTO: ato formal de transferência da 
posse do vestígio, que deve ser documentado com, no 
mínimo, informações referentes ao número de 
procedimento e unidade de polícia judiciária 
relacionada, local de origem, nome de quem 
transportou o vestígio, código de rastreamento, 
natureza do exame, tipo do vestígio, protocolo, 
assinatura e identificação de quem o recebeu; 
 
VIII - PROCESSAMENTO: exame pericial em si, 
manipulação do vestígio de acordo com a metodologia 
adequada às suas características biológicas, físicas e 
químicas, a fim de se obter o resultado desejado, que 
deverá ser formalizado em laudo produzido por perito; 
 
IX - ARMAZENAMENTO: procedimento referente à 
guarda, em condições adequadas, do material a ser 
processado, guardado para realização de contraperícia, 
descartado ou transportado, com vinculação ao número 
do laudo correspondente; 
 
X - DESCARTE: procedimento referente à liberação do 
vestígio, respeitando a legislação vigente e, quando 
pertinente, mediante autorização judicial. 
 
Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada 
PREFERENCIALMENTE por PERITO OFICIAL, que dará o 
encaminhamento necessário para a central de custódia, 
mesmo quando for necessária a realização de exames 
complementares. (2019) 
 
§ 1º Todos vestígios coletados no decurso do inquérito 
ou processo DEVEM ser tratados como descrito nesta 
Lei, ficando órgão central de perícia oficial de natureza 
criminal responsável por detalhar a forma do seu 
cumprimento. 
 
§ 2º É proibida a entrada em locais isolados bem como 
a remoção de quaisquer vestígios de locais de crime 
antes da liberação por parte do perito responsável, 
sendo tipificada como fraude processual a sua 
realização. 
 
Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do 
vestígio será determinado pela natureza do material. 
(2019) 
 
§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com 
lacres, com numeração individualizada, de forma a 
garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio 
durante o transporte. 
 
§ 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, 
preservar suas características, impedir contaminação e 
vazamento, ter grau de resistência adequado e espaço 
para registro de informações sobre seu conteúdo. 
 
§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que 
vai proceder à análise e, motivadamente, por pessoa 
autorizada. 
 
§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer 
constar na ficha de acompanhamento de vestígio o 
nome e a matrícula do responsável, a data, o local, a 
finalidade, bem como as informações referentes ao 
novo lacre utilizado. 
 
§ 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no 
interior do novo recipiente. 
 
Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão 
ter uma central de custódia destinada à guarda e 
controle dos vestígios, e sua gestão deve ser vinculada 
diretamente ao órgão central de perícia oficial de 
natureza criminal. (2019) 
 
§ 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços 
de protocolo, com local para conferência, recepção, 
devolução de materiais e documentos, possibilitando a 
seleção, a classificação e a distribuição de materiais, 
 
 
 
 
 
 
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devendo ser um espaço seguro e apresentar condições 
ambientais que não interfiram nas características do 
vestígio. (2019) 
 
§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de 
vestígio deverão ser protocoladas, consignando-se 
informações sobre a ocorrência no inquérito que a eles 
se relacionam. 
 
§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio 
armazenado deverão ser identificadas e deverão ser 
registradas a data e a hora do acesso. 
 
§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, 
todas as ações deverão ser registradas, consignando-
se a identificação do responsável pela tramitação, a 
destinação, a data e horário da ação. 
 
Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material 
deverá ser devolvido à central de custódia, devendo 
nela permanecer. 
 
 Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua 
espaço ou condições de armazenar determinado 
material, deverá a autoridade policial ou judiciária 
determinar as condições de depósito do referido 
material em local diverso, mediante requerimento do 
diretor do órgão central de perícia oficial de natureza 
criminal. 
 
Art. 159. O EXAME DE CORPO DE DELITO e OUTRAS 
PERÍCIAS serão realizados por PERITO OFICIAL, 
portador de diploma de CURSO SUPERIOR. 
 
§ 1o Na FALTA DE PERITO OFICIAL, o exame será 
realizado por 2 PESSOAS IDÔNEAS, portadoras de 
diploma de CURSO SUPERIOR PREFERENCIALMENTE 
NA ÁREA ESPECÍFICA, dentre as que tiverem 
HABILITAÇÃO TÉCNICA relacionada com a NATUREZA 
DO EXAME. 
 
#INTERDISCIPLINARIEDADE 
LEI DE DROGAS 
LEI DE DROGAS CPP 
1 perito oficial 
ou 
1 perito oficial 
ou 
1 pessoa idônea 2 pessoas idôneas 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
A perícia realizada por perito papiloscopista não pode ser 
considerada prova ilícita nem deve ser excluída do 
processo. (Info 953, STF) 
 
§ 2O OS PERITOS NÃO OFICIAIS PRESTARÃO O COMPROMISSO de 
bem e fielmente desempenhar o encargo. (OS OFICIAIS NÃO 
PRESTAM) 
 
§ 3o Serão facultadas ao Ministério Público, ao 
assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao 
acusado a formulação de quesitos e indicação de 
assistente técnico. 
 
O Pacote Anticrime passou a prever que o juiz das 
garantias poderá deferir a admissão do assistente técnico 
(art. 3o- B – eficácia ainda suspensa). Como o juiz das 
garantias atua apenas na fase investigatória, pode-se 
afirmar que, implicitamente, o legislador passou a admitir 
a atuação do assistente na fase de inquérito. 
 
§ 4o O ASSISTENTE TÉCNICO ATUARÁ A PARTIR DE SUA 
ADMISSÃO PELO JUIZ e APÓS A CONCLUSÃO DOS 
EXAMES E ELABORAÇÃO DO LAUDO pelos peritos 
oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão. 
 
§ 5o Durante o curso do processo judicial, é PERMITIDO 
ÀS PARTES, quanto à perícia: 
 
I – requerer a OITIVA DOS PERITOS para esclarecerem 
a prova ou para responderem a quesitos, desde que o 
mandado de intimação e os quesitosou questões a 
serem esclarecidas sejam encaminhados com 
ANTECEDÊNCIA MÍNIMA de 10 DIAS, podendo 
apresentar as respostas em laudo complementar; 
 
II – INDICAR ASSISTENTES TÉCNICOS que poderão apresentar 
pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos 
em audiência. 
 
§ 6o Havendo requerimento das partes, o material 
probatório que serviu de base à perícia será 
disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que 
manterá sempre sua guarda, e na presença de perito 
oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for 
impossível a sua conservação. 
 
 
 
 
 
 
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§ 7o Tratando-se de PERÍCIA COMPLEXA que abranja 
mais de 1 área de conhecimento especializado, poder-
se-á designar a ATUAÇÃO DE MAIS DE 1 PERITO 
OFICIAL, e a parte indicar mais de 1 assistente técnico. 
 
Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde 
descreverão minuciosamente o que examinarem, e 
responderão aos quesitos formulados. 
 
PARÁGRAFO ÚNICO. O LAUDO pericial será elaborado 
no PRAZO MÁXIMO de 10 DIAS, podendo este prazo ser 
PRORROGADO, EM CASOS EXCEPCIONAIS, a 
requerimento dos peritos. 
 
Art. 161. O exame de corpo de delito poderá ser feito em 
QUALQUER DIA E A QUALQUER HORA. 
 
Art. 162. A AUTÓPSIA SERÁ FEITA PELO MENOS 6 
HORAS DEPOIS DO ÓBITO, salvo se os peritos, pela 
evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser 
feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. 
 
Parágrafo único. Nos casos de MORTE VIOLENTA, 
BASTARÁ O SIMPLES EXAME EXTERNO DO CADÁVER, 
quando não houver infração penal que apurar, ou 
quando as lesões externas permitirem precisar a causa 
da morte e não houver necessidade de exame interno 
para a verificação de alguma circunstância relevante. 
 
Art. 163. Em caso de exumação para exame cadavérico, 
a autoridade providenciará para que, em dia e hora 
previamente marcados, se realize a diligência, da qual 
se lavrará auto circunstanciado. 
 
Parágrafo único. O administrador de cemitério público 
ou particular indicará o lugar da sepultura, sob pena de 
desobediência. No caso de recusa ou de falta de quem 
indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em 
lugar não destinado a inumações, a autoridade 
procederá às pesquisas necessárias, o que tudo 
constará do auto. 
 
Art. 164. Os cadáveres serão SEMPRE fotografados na 
posição em que forem encontrados, bem como, na 
medida do possível, todas as lesões externas e 
vestígios deixados no local do crime. 
 
 
Art. 165. Para representar as lesões encontradas 
no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão 
ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas 
ou desenhos, devidamente rubricados. 
 
 
 
Art. 166. Havendo dúvida sobre a identidade do 
cadáver exumado, proceder-se-á ao 
reconhecimento pelo Instituto de Identificação e 
Estatística ou repartição congênere ou pela 
inquirição de testemunhas, lavrando-se auto de 
reconhecimento e de identidade, no qual se 
descreverá o cadáver, com todos os sinais e 
indicações. 
 
Parágrafo único. Em qualquer caso, serão arrecadados 
e autenticados todos os objetos encontrados, que 
possam ser úteis para a identificação do cadáver. 
 
Art. 167. NÃO SENDO POSSÍVEL O EXAME DE CORPO 
DE DELITO, por haverem DESAPARECIDO OS 
VESTÍGIOS, a PROVA TESTEMUNHAL PODERÁ SUPRIR-
LHE A FALTA. 
 
Art. 168. Em caso de LESÕES CORPORAIS, se o 1º EXAME 
PERICIAL TIVER SIDO INCOMPLETO, proceder-se-á a 
EXAME COMPLEMENTAR por determinação da 
AUTORIDADE POLICIAL ou JUDICIÁRIA, de ofício, ou a 
requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do 
acusado, ou de seu defensor. 
 
§ 1o No exame complementar, os peritos terão presente 
o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a 
deficiência ou retificá-lo. 
 
§ 2o Se o exame tiver por fim precisar a classificação do 
delito no art. 129, § 1o, I, do Código Penal, deverá ser feito 
logo que decorra o prazo de 30 DIAS, contado da data 
do crime. 
 
§ 3o A FALTA DE EXAME COMPLEMENTAR PODERÁ SER 
SUPRIDA PELA PROVA TESTEMUNHAL. 
 
 
 
 
 
 
 
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# Comentários 
 
▪ É necessária a realização do exame de corpo de 
delito para comprovação da materialidade do crime 
quando a conduta deixar vestígios, entretanto, o 
laudo pericial será substituído por outros elementos 
de prova na hipótese em que as evidências tenham 
desaparecido ou que o lugar se tenha tornado 
impróprio ou, ainda, quando as circunstâncias do 
crime não permitirem a análise técnica. 
 
▪ Perícia é desnecessária: 
I- Crimes Sexuais (palavra da vítima possui especial 
relevância) 
II- Arma de Fogo no roubo (como causa de aumento) 
III- Furto qualificado mediante escalada, se houver 
outras provas. 
 
▪ Perícia é necessária: Furto mediante rompimento 
de obstáculo, pois é infração que deixa vestígio, salvo 
em caso de desaparecimento dos vestígios, quando a 
prova testemunhal, a confissão do acusado ou o 
exame indireto poderão lhe suprir a falta. (STJ, 2019) 
 
▪ Laudo Pericial, em regra, não é condição de 
procedibilidade, podendo o MP oferecer denúncia 
sem ele. Só é condição de procedibilidade em 2 
casos: 
 
I - Lei de Drogas (Laudo preliminar de constatação, 
e não o laudo definitivo) 
II - Crimes contra propriedade imaterial. Se crime 
deixou vestígio, queixa ou denúncia não será 
recebida se não for instruída com exame pericial dos 
objetos que constituam corpo de delito. 
 
No final das contas, lembre-se: a perícia não é 
absolutamente obrigatória em nenhum caso. Ora, se 
o crime não deixou nenhum vestígio, mas se tem 
outras provas (testemunha, própria confissão, etc) 
suficientes para um decreto condenatório, ela pode 
sim ser dispensada. 
 
 
 
 
Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver 
sido praticada a infração, a autoridade providenciará 
imediatamente para que não se altere o estado das 
coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir 
seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas 
elucidativos. 
Sobre o EXAME DE CORPO DE DELITO 
 
O que significa a 
expressão 
“corpo de 
delito”? 
Não necessariamente significa o 
corpo de uma pessoa, mas sim 
vestígios deixados pelo crime, 
ou seja, diz respeito à 
materialidade da infração penal. 
O ECD é um exemplo de Sistema 
Tarifário de provas. 
Infração penal 
deixou 
vestígios? 
ECD é indispensável e confissão 
não pode suprir. 
Vestígios da 
infração penal 
desapareceram? 
ECD é dispensável e prova 
testemunhal pode suprir. Prova 
documental também pode 
suprir. 
 
Quem pode 
determinar a 
realização do 
ECD 
1) Juiz 
2) MP 
3) Autoridade Policial 
 
Obs. O incidente de insanidade 
mental é de competência 
exclusiva do Juiz. 
 
 
 
Classificação 
ECD 
direto 
Feito sobre o 
próprio corpo de 
delito. 
Ex: cadáver 
 
 
ECD 
indireto 
Advém do 
raciocínio lógico de 
dedução ou 
indução, em regra, 
em razão do fato 
narrado pela 
testemunha. 
 
 
 
 
 
 
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Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, as 
alterações do estado das coisas e discutirão, no 
relatório, as conseqüências dessas alterações na 
dinâmica dos fatos. 
 
Art. 170. Nas perícias de laboratório, os peritos 
guardarão material suficiente para a eventualidade de 
nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos serão 
ilustrados com provas fotográficas, ou 
microfotográficas, desenhosou esquemas. 
 
Art. 171. Nos crimes cometidos com DESTRUIÇÃO OU 
ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO a subtração da coisa, ou 
por MEIO DE ESCALADA, os peritos, ALÉM DE 
DESCREVER OS VESTÍGIOS, INDICARÃO COM QUE 
INSTRUMENTOS, POR QUE MEIOS E EM QUE ÉPOCA 
PRESUMEM TER SIDO O FATO PRATICADO. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
▪ Quanto à escalada, o STJ entende que a incidência 
da qualificadora do Art. 155, § 4º, inciso II, do CP exige 
exame pericial, somente admitindo-se prova indireta 
quando justificada a impossibilidade de realização do 
laudo direto, o que não restou explicitado nos autos. 
(STJ, 2019) 
 
 
Art. 172. Proceder-se-á, quando necessário, à avaliação 
de coisas destruídas, deterioradas ou que constituam 
produto do crime. 
 
Parágrafo único. Se impossível a avaliação direta, os 
peritos procederão à avaliação por meio dos elementos 
existentes nos autos e dos que resultarem de 
diligências. 
 
 
 
 
Art. 173. No caso de incêndio, os peritos verificarão a 
causa e o lugar em que houver começado, o perigo que 
dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio 
alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais 
circunstâncias que interessarem à elucidação do fato. 
 
Art. 174. No exame para o reconhecimento de escritos, 
por comparação de letra, observar-se-á o seguinte: 
I - a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o 
escrito será intimada para o ato, se for encontrada; 
 
II - para a comparação, poderão servir quaisquer 
documentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverem 
sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou 
sobre cuja autenticidade não houver dúvida; 
 
III - a autoridade, quando necessário, requisitará, para 
o exame, os documentos que existirem em arquivos ou 
estabelecimentos públicos, ou nestes realizará a 
diligência, se daí não puderem ser retirados; 
 
IV - quando não houver escritos para a comparação ou 
forem insuficientes os exibidos, a autoridade mandará 
que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. Se estiver 
ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta última 
diligência poderá ser feita por precatória, em que se 
consignarão as palavras que a pessoa será intimada a 
escrever. 
 
Art. 175. Serão sujeitos a exame os instrumentos 
empregados para a prática da infração, a fim de se Ihes 
verificar a natureza e a eficiência. 
 
Art. 176. A autoridade e as partes poderão formular 
quesitos até o ato da diligência. 
 
Art. 177. No EXAME POR PRECATÓRIA, A NOMEAÇÃO 
DOS PERITOS FAR-SE-Á NO JUÍZO DEPRECADO. 
Havendo, porém, no caso de AÇÃO PRIVADA, acordo das 
partes, essa NOMEAÇÃO PODERÁ SER FEITA PELO JUIZ 
DEPRECANTE. 
 
Parágrafo único. Os quesitos do juiz e das partes serão 
transcritos na precatória. 
 
Art. 178. No caso do art. 159, o exame será requisitado 
pela autoridade ao diretor da repartição, juntando-se ao 
processo o laudo assinado pelos peritos. 
 
 
Art. 179. No caso do § 1o do Art. 159, o escrivão lavrará o 
auto respectivo, que será assinado pelos peritos e, se 
presente ao exame, também pela autoridade. 
 
 
 
 
 
 
 
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Parágrafo único. No caso do art. 160, parágrafo único, o 
laudo, que poderá ser datilografado, será subscrito e 
rubricado em suas folhas por todos os peritos. 
 
Art. 180. Se houver divergência entre os peritos, serão 
consignadas no auto do exame as declarações e 
respostas de um e de outro, ou cada um redigirá 
separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará um 
terceiro; se este divergir de ambos, a autoridade poderá 
mandar proceder a novo exame por outros peritos. 
 
Art. 181. No caso de inobservância de formalidades, ou 
no caso de omissões, Obscuridades ou contradições, a 
autoridade judiciária mandará suprir a formalidade, 
complementar ou esclarecer o laudo. 
 
Parágrafo único. A autoridade poderá também ordenar 
que se proceda a novo exame, por outros peritos, se 
julgar conveniente. 
 
Art. 182. O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo 
aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte. 
 
Art. 183. Nos crimes em que não couber ação pública, 
observar-se-á o disposto no art. 19. 
 
Art. 184. SALVO O CASO DE EXAME DE CORPO DE 
DELITO, o JUIZ OU A AUTORIDADE POLICIAL NEGARÁ A 
PERÍCIA REQUERIDA PELAS PARTES, quando não for 
necessária ao esclarecimento da verdade. 
 
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NORTE LEGAL 
LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
ABRANGÊNCIA: ART. 185 AO 281 
 
 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941)..................... 2 
CAPÍTULO III - DO INTERROGATÓRIO DO ACUSADO ......................................................................... 2 
CAPÍTULO IV - DA CONFISSÃO ........................................................................................................... 5 
CAPÍTULO V - DO OFENDIDO ............................................................................................................. 6 
CAPÍTULO VI - DAS TESTEMUNHAS ................................................................................................... 7 
CAPÍTULO VIII - DA ACAREAÇÃO ..................................................................................................... 15 
CAPÍTULO IX - DOS DOCUMENTOS ................................................................................................. 16 
CAPÍTULO X - DOS INDÍCIOS ............................................................................................................ 17 
CAPÍTULO XI - DA BUSCA E DA APREENSÃO .................................................................................... 17 
TÍTULO VIII - DO JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DO ACUSADO E DEFENSOR, DOS ASSISTENTES E 
AUXILIARES DA JUSTIÇA ......................................................................................................................................... 23 
CAPÍTULO I - DO JUIZ ....................................................................................................................... 23 
CAPÍTULO II - DO MINISTÉRIO PÚBLICO .......................................................................................... 25 
CAPÍTULO III - DO ACUSADO E SEU DEFENSOR ............................................................................... 25 
CAPÍTULO V - DOS FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA.............................................................................. 29 
CAPÍTULO VI - DOS PERITOS E INTÉRPRETES................................................................................... 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941) 
 
 
CAPÍTULO III - DO INTERROGATÓRIO DO ACUSADO 
 
 
INTERROGATÓRIO 
 
É PROVA 
NOMINADA 
TÍPICA 
 
NOMINADA 
Está prevista no 
ordenamento 
jurídico. 
 
TÍPICA 
Tem seu 
procedimento 
previsto em lei. 
 
NATUREZA 
JURÍDICA 
MEIO DE DEFESA 
(Acusado possui direito de audiência - 
desdobramento da ampla defesa – 
direito à autodefesa e direito ao 
silêncio.) 
E AS LEIS 
ESPECIAIS QUE 
POSICIONAM O 
INTERROGATÓRIO 
COMO O 1º ATO 
DA INSTRUÇÃO? 
(Lei de Drogas, Código 
Penal Militar, Lei nº 
8.038/90 e Lei de 
Licitações) 
 
 
Sistemática do Art. 400 do CPP 
DEVE SER ADOTADA PARA TODOS 
OS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS, 
ainda que tenha norma penal 
expressa. (STF) 
SÃO CAUSAS DE 
NULIDADE 
RELATIVA 
(prejuízo tem que 
ser compovado) 
▪ Falta de entrevista reservadaentre o réu e seu Defensor; 
▪ Falta de advertência sobre o 
direito ao silêncio. 
 
SÃO CAUSAS DE 
NULIDADE 
ABSOLUTA 
(prejuízo 
presumido) 
▪ Entrevista realizada pelo 
Delegado com investigado, 
durante a busca e apreensão 
em sua residência, sem que 
tenha sido assegurado ao 
investigado o direito à prévia 
consulta a seu advogado; 
▪ Ausência do advogado do réu 
delatado no interrogatório do 
corréu delator. 
 
Art. 185. O acusado que comparecer perante a 
autoridade judiciária, no curso do processo penal, será 
qualificado e interrogado na presença de seu 
defensor, constituído ou nomeado. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
É nula a “entrevista” realizada pela autoridade 
policial com o investigado, durante a busca e 
apreensão em sua residência, sem que tenha sido 
assegurado ao investigado o direito à prévia 
consulta a seu advogado e sem que ele tenha sido 
comunicado sobre seu direito ao silêncio e de não 
produzir provas contra si mesmo. Trata-se de um 
“INTERROGATÓRIO TRAVESTIDO DE ENTREVISTA”, 
havendo violação do direito ao silêncio e à não 
autoincriminação. (Info 944, STF) 
 
§ 1o O interrogatório do réu preso será realizado, em 
sala própria, no estabelecimento em que estiver 
recolhido, desde que estejam garantidas a segurança 
do juiz, do membro do Ministério Público e dos 
auxiliares bem como a presença do defensor e a 
publicidade do ato. 
 
§ 2o EXCEPCIONALMENTE, o juiz, por decisão 
fundamentada, de ofício ou a requerimento das partes, 
poderá realizar o INTERROGATÓRIO DO RÉU PRESO 
por SISTEMA DE VIDEOCONFERÊNCIA OU OUTRO 
RECURSO TECNOLÓGICO DE TRANSMISSÃO DE SONS 
E IMAGENS EM TEMPO REAL, desde que a medida seja 
necessária para atender a uma das seguintes 
finalidades: 
 
I - PREVENIR RISCO À SEGURANÇA PÚBLICA, quando 
exista fundada suspeita de que o preso integre 
organização criminosa ou de que, por outra razão, 
possa fugir durante o deslocamento; 
 
II - VIABILIZAR A PARTICIPAÇÃO DO RÉU NO 
REFERIDO ATO PROCESSUAL, quando haja 
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RELEVANTE DIFICULDADE para seu comparecimento 
em juízo, por enfermidade ou outra circunstância 
pessoal; 
 
III - IMPEDIR A INFLUÊNCIA DO RÉU NO ÂNIMO DE 
TESTEMUNHA OU DA VÍTIMA, desde que não seja 
possível colher o depoimento destas por 
videoconferência, nos termos do art. 217 deste 
Código; 
 
Art. 217. Se o juiz verificar que a PRESENÇA DO RÉU PODERÁ 
CAUSAR HUMILHAÇÃO, TEMOR, OU SÉRIO CONSTRANGIMENTO À 
TESTEMUNHA OU AO OFENDIDO, de modo que prejudique a verdade 
do depoimento, fará a INQUIRIÇÃO POR VIDEOCONFERÊNCIA e, 
somente na impossibilidade dessa forma, determinará a retirada do 
réu, prosseguindo na inquirição, com a presença do seu defensor. 
 
Perceba que, de acordo com o inciso III, primeiro 
vai se tentar colher o depoimento da testemunha 
ou vítima por videoconferência. Apenas se isso não 
for possível é que o interrogatório do réu será 
realizado por videoconferência. 
 
IV - responder à GRAVÍSSIMA QUESTÃO DE ORDEM 
PÚBLICA. (E NÃO GRAVE) 
 
§ 3o Da decisão que determinar a realização de 
interrogatório por videoconferência, as partes 
serão intimadas com 10 DIAS de antecedência. 
 
§ 4o Antes do interrogatório por videoconferência, o 
PRESO PODERÁ ACOMPANHAR, PELO MESMO 
SISTEMA TECNOLÓGICO, A REALIZAÇÃO DE TODOS OS 
ATOS da audiência única de instrução e julgamento de 
que tratam os arts. 400, 411 e 531 deste Código. 
 
§ 5o Em QUALQUER MODALIDADE DE 
INTERROGATÓRIO, o JUIZ GARANTIRÁ AO RÉU O 
DIREITO DE ENTREVISTA PRÉVIA E RESERVADA COM 
O SEU DEFENSOR; se realizado por 
videoconferência, fica também garantido o 
acesso a canais telefônicos reservados para 
comunicação entre o defensor que esteja no 
presídio e o advogado presente na sala de 
audiência do Fórum, e entre este e o preso. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
▪ A falta de se oportunizar entrevista reservada 
entre o réu e seu Defensor é causa de nulidade 
relativa, devendo ser provado o prejuízo. (STF) 
 
▪ O réu não tem direito subjetivo de acompanhar, 
por sistema de videoconferência, a audiência de 
inquirição de testemunhas realizada, 
presencialmente, perante o Juízo natural da causa, 
por ausência de previsão legal, regulamentar e 
principiológica. (STJ) 
 
§ 6o A sala reservada no estabelecimento prisional 
para a realização de atos processuais por sistema de 
videoconferência será fiscalizada pelos corregedores 
e pelo juiz de cada causa, como também pelo 
Ministério Público e pela Ordem dos Advogados do 
Brasil. 
 
§ 7o Será requisitada a apresentação do réu preso em 
juízo nas hipóteses em que o interrogatório não se 
realizar na forma prevista nos §§ 1o e 2o deste artigo. 
 
§ 8o Aplica-se o disposto nos §§ 2o, 3o, 4o e 5o deste 
artigo, no que couber, à realização de outros atos 
processuais que dependam da participação de pessoa 
que esteja presa, como acareação, reconhecimento de 
pessoas e coisas, e inquirição de testemunha ou 
tomada de declarações do ofendido. 
 
§ 9o Na hipótese do § 8o deste artigo, fica garantido o 
acompanhamento do ato processual pelo acusado e 
seu defensor. 
 
§ 10. Do interrogatório DEVERÁ CONSTAR A 
INFORMAÇÃO SOBRE A EXISTÊNCIA DE FILHOS, 
RESPECTIVAS IDADES E SE POSSUEM ALGUMA 
DEFICIÊNCIA E O NOME E O CONTATO DE EVENTUAL 
RESPONSÁVEL PELOS CUIDADOS DOS FILHOS, 
indicado pela pessoa presa. 
 
Art. 186. Depois de devidamente qualificado e 
cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado 
será informado pelo juiz, antes de iniciar o 
interrogatório, do seu direito de permanecer calado e 
de não responder perguntas que lhe forem 
formuladas. 
 
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Parágrafo único. O SILÊNCIO, que NÃO IMPORTARÁ EM 
CONFISSÃO, NÃO PODERÁ SER INTERPRETADO EM 
PREJUÍZO DA DEFESA. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
A falta de advertência sobre o direito ao silêncio não 
conduz à anulação automática do interrogatório ou 
depoimento, devendo ser comprovado o 
constrangimento ilegal. É causa de nulidade 
relativa. 
 
#MNEMÔNICO: “ACUSADO/INVESTIGADO/SUSPEITO NÃO 
É OBRIGADO A COMPARECER NO ‘BARE’” (Não cabe 
condução coercitiva) 
B Bafômetro 
A Acareação 
R Reprodução simulada dos fatos 
E Exame Grafotécnico 
 
Art. 187. O INTERROGATÓRIO será CONSTITUÍDO DE 
2 PARTES: sobre a PESSOA DO ACUSADO e sobre OS 
FATOS. 
 
§ 1o Na PRIMEIRA PARTE o interrogando será 
perguntado sobre a residência, meios de vida ou 
profissão, oportunidades sociais, lugar onde exerce a 
sua atividade, vida pregressa, notadamente se foi 
preso ou processado alguma vez e, em caso 
afirmativo, qual o juízo do processo, se houve 
suspensão condicional ou condenação, qual a pena 
imposta, se a cumpriu e outros dados familiares e 
sociais. 
 
§ 2o Na SEGUNDA PARTE será perguntado sobre: 
 
I - ser verdadeira a acusação que lhe é feita; 
 
II - não sendo verdadeira a acusação, se tem algum 
motivo particular a que atribuí-la, se conhece a 
pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a 
prática do crime, e quais sejam, e se com elas esteve 
antes da prática da infração ou depois dela; 
 
III - onde estava ao tempo em que foi cometida a 
infração e se teve notícia desta; 
 
IV - as provas já apuradas; 
 
V - se conhece as vítimas e testemunhas já inquiridas 
ou por inquirir, e desde quando, e se tem o que alegar 
contra elas; 
 
VI - se conhece o instrumento com que foi praticada a 
infração, ou qualquer objeto que com esta se relacione 
e tenha sido apreendido; 
 
VII - todos os demais fatos e pormenores que 
conduzam à elucidação dos antecedentes e 
circunstâncias da infração;ÚNICA (penal 
ou 
processual), e 
não dupla. 
Tópico vem de 
Aplicada 
imediatamente. 
 
Lei nova não 
retroage nem 
mesmo para 
beneficiar o 
réu. 
 
Exemplo: 
extinção do 
processo por 
novo júri 
trazido pela Lei 
11.689/2008. 
 
Admite a 
retroatividade, 
se benéfica ao 
réu. 
 
Exemplo: art. 
366 do CPP 
que foi 
alterado pela 
Lei 9.271/96, 
não tendo 
aplicação 
retroativa. 
 
Art. 366 Se o 
acusado, 
citado por 
edital, não 
comparecer, 
nem constituir 
advogado, 
ficarão 
suspensos o 
processo e o 
curso do 
prazo 
prescricional, 
podendo o juiz 
determinar a 
produção 
antecipada 
das provas 
consideradas 
urgentes e, se 
for o caso, 
decretar 
prisão 
preventiva, 
nos termos do 
disposto no 
art. 312. 
(Norma 
processual 
híbrida, não 
pode 
retroagir) 
“lugar”. Hétero 
de “trocado”. 
 
É quando a 
“norma está 
no diploma 
errado”. 
Normas 
penais no CPP, 
ou normas 
processuais 
no CP. 
 
Admite-se a 
retroatividade 
se benéfica ao 
réu. 
 
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NÃO CONFUNDA OS INSTITUTOS 
 
 
VIGÊNCIA 
Para que uma lei processual penal entre em 
vigor, basta que seja aprovada pelo Congresso 
Nacional, sancionada pelo Presidente da 
República, publicada no Diário Oficial. Superado 
eventual período de vacatio legis, inicia-se sua 
vigência 
 
VALIDADE 
Compatibilidade com a CF e com as Convenções 
Internacionais sobre Direitos Humanos. 
 
 ENUNCIADO I DA I JORNADA DE DIREITO E PROCESSO PENAL 
(10 a 15 de agosto de 2020) 
A norma puramente processual tem eficácia a partir da 
data de sua vigência, conservando-se os efeitos dos atos 
já praticados. Entende-se por norma puramente 
processual aquela que regulamente procedimento sem 
interferir na pretensão punitiva do Estado. A norma 
procedimental que modifica a pretensão punitiva do 
Estado deve ser considerada norma de direito 
material, que pode retroagir se for mais benéfica ao 
acusado. 
Art. 3o A lei processual penal ADMITIRÁ 
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA e APLICAÇÃO 
ANALÓGICA, bem como o suplemento dos PRINCÍPIOS 
GERAIS DE DIREITO. 
 
LEI PROCESSUAL PENAL ADMITE 
 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO 
EXTENSIVA 
Intérprete amplia o conteúdo da 
lei. 
 
Ex1: Suspeição do Juiz se aplica 
aos Jurados. 
 
Ex2: Hipóteses de RESE. 
 
Entenda: a norma existe. Só 
que o Legislador disse menos 
do que deveria e deixou de 
contemplar situações 
semelhantes. 
 
 
 
Autointegração da lei para 
suprir lacunas. Não é método 
de interpretação. 
 
 
 
 
 
APLICAÇÃO 
ANALÓGICA 
(ANALOGIA) 
 
Possível, pois não são normas 
incriminadoras. 
 
No processo penal, admite-se a 
analogia tanto in malam 
partem, quanto in nonnam 
partem. 
 
Ex1: Aplicação ao processo pela 
das normas relativas à 
Produção antecipada de Provas 
do CPC. 
 
Ex2: Aplicação do art. 397 do 
CPC: "É lícito às partes, em 
qualquer tempo, juntar aos 
autos documentos novos, 
quando destinados a fazer 
prova de fatos ocorridos depois 
dos articulados ou para 
contrapô-los aos que foram 
produzidos nos autos" 
 
Entenda: a norma não existe. 
Legislador esqueceu de 
regulamentar. É o caso da 
aplicação subsidiária do CPC. 
 
Cuidado: A analogia (método de 
integração) não se confunde 
com a interpretação analógica 
(método de interpretação), 
consiste em uma forma 
casuística seguida de uma 
forma genérica, tendo em vista 
que não é possível prever todas 
as hipóteses, a exemplo da 
expressão “outro motivo torpe” 
no art. 121, §2o, I do CP. 
SUPLEMENTO 
dos PRINCÍPIOS 
GERAIS DE 
DIREITO 
Premissas éticas (Liberdade, 
igualdade) que fundamentam o 
sistema. 
 
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Diferentemente do que vimos acima no processo 
penal, no direito penal predomina que não se admite 
interpretação extensiva em prejuízo do réu. 
E, ainda, no direito penal, é possível o emprego da 
analogia desde que seja in bonnan partem (em favor 
do réu). O princípio da legalidade proíbe a analogia 
in mallan partem (contra o réu). 
Já no que tange à interpretação analógica, tanto o 
direito processual penal, quanto o direito penal, 
admitem. 
Art. 3º-A. O processo penal terá ESTRUTURA 
ACUSATÓRIA, vedadas a iniciativa do juiz na fase de 
investigação e a substituição da atuação probatória do 
órgão de acusação. 
# AGORAESTÁPREVISTO 
Perceba que, com o advento da Lei Anticrime, 
adotou-se expressamente o sistema acusatório. 
Remete-se o leitor para a tabela situada nas “notas 
introdutórias” que trata sobre as “modalidades de 
sistemas processuais”. 
Art. 3º-B. O JUIZ DAS GARANTIAS é responsável pelo 
CONTROLE DA LEGALIDADE DA INVESTIGAÇÃO 
CRIMINAL e pela SALVAGUARDA DOS DIREITOS 
INDIVIDUAIS cuja franquia tenha sido reservada à 
autorização prévia do Poder Judiciário, COMPETINDO-
LHE ESPECIALMENTE (ROL EXEMPLIFICATIVO): 
(Dispositivo acrescentado com a Lei 13.964/2019) 
 
I - receber a comunicação imediata da prisão, nos 
termos do inciso LXII do caput do Art. 5º da CF; 
 
II - receber o auto da prisão em flagrante para o 
controle da legalidade da prisão, observado o disposto 
no Art. 310 deste Código; 
 
 
III - zelar pela observância dos direitos do preso, 
podendo determinar que este seja conduzido à sua 
presença, a QUALQUER TEMPO; 
 
IV - ser informado sobre a instauração de QUALQUER 
INVESTIGAÇÃO CRIMINAL; 
 
Não está restrito apenas ao IPL. Qualquer início de 
investigação, a exemplo de uma portaria e do 
procedimento investigatório presidido pelo MP, 
deve ser informada ao juiz das garantias, que irá 
verificar sua legalidade. 
 
V - decidir sobre o requerimento de prisão provisória 
ou outra medida cautelar, observado o disposto no § 
1º deste artigo; 
 
VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida 
cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las, 
assegurado, no PRIMEIRO CASO, o exercício do 
contraditório em audiência pública e oral, na forma do 
disposto neste Código ou em legislação especial 
pertinente; 
Depreende-se da leitura desse dispositivo que a 
obrigatoriedade de contraditório, com audiência 
pública e oral, está presente apenas no caso de 
prorrogação da prisão provisória ou outra medida 
cautelar. Assim, no caso de substituição ou 
revogação, não há necessidade de audiência. 
VII - decidir sobre o requerimento de produção 
antecipada de provas consideradas urgentes e não 
repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla 
defesa em audiência pública e oral; 
 
ATENÇÃO: Embora esteja com sua eficácia 
suspensa, o inciso VII deve ser interpretado 
restritivamente, aplicando-se apenas à prova 
antecipada, uma vez que as provas irrepetíveis não 
dependem de autorização judicial. 
 
VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, 
estando o investigado preso, em vista das razões 
apresentadas pela autoridade policial e observado o 
disposto no § 2º deste artigo; 
 
 
 
IX - determinar o trancamento do inquérito policial 
quando não houver fundamento razoável para sua 
instauração ou prosseguimento; 
 
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X - requisitar documentos, laudos e informações ao 
delegado de polícia sobre o andamento da 
investigação; 
 
XI - decidir sobre os requerimentos de: 
 
a) interceptação telefônica, do fluxo de 
comunicações em sistemas de informática e 
telemáticaVIII - se tem algo mais a alegar em sua defesa. 
 
Interrogatório tem 2 partes: 
1a PESSOA do acusado 
2a FATOS. 
 
Art. 188. Após proceder ao interrogatório, o juiz 
indagará das partes se restou algum fato para ser 
esclarecido, formulando as perguntas 
correspondentes se o entender pertinente e relevante. 
 
#Jurisprudência Correlata 
É ilegal o encerramento do interrogatório do 
paciente que se nega a responder aos 
questionamentos do juiz instrutor antes de 
oportunizar as indagações pela defesa (Info 732, 
STJ, 04/2022). 
 
Art. 189. Se o interrogando negar a acusação, no todo 
ou em parte, poderá prestar esclarecimentos e indicar 
provas. 
 
Art. 190. Se confessar a autoria, será perguntado sobre 
os motivos e circunstâncias do fato e se outras 
pessoas concorreram para a infração, e quais sejam. 
 
Art. 191. Havendo mais de 1 acusado, serão 
interrogados separadamente. 
 
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Art. 192. O interrogatório do mudo, do surdo ou do 
surdo-mudo será feito pela forma seguinte: 
 
I - ao surdo serão apresentadas por escrito as 
perguntas, que ele responderá oralmente; 
 
II - ao mudo as perguntas serão feitas oralmente, 
respondendo-as por escrito; 
 
III - ao surdo-mudo as perguntas serão formuladas 
por escrito e do mesmo modo dará as respostas. 
 
Parágrafo único. Caso o interrogando não saiba ler ou 
escrever, intervirá no ato, como intérprete e sob 
compromisso, pessoa habilitada a entendê-lo. 
 
Art. 193. Quando o interrogando não falar a língua 
nacional, o interrogatório será feito por meio de 
intérprete. 
 
Art. 194. (Revogado) 
 
Art. 195. Se o interrogado não souber escrever, não 
puder ou não quiser assinar, tal fato será consignado 
no termo. 
 
#ASSIM FICA FÁCIL DECORAR 
INTERROGATÓRIOS ESPECIAIS 
▪ SURDO: perguntas por escrito e respostas 
oralmente. 
▪ MUDO: perguntas oralmente e respostas por 
escrito. 
▪ SURDO-MUDO: perguntas e respostas por escrito. 
▪ Não fala língua nacional (português): 
interrogatório com intérprete. 
▪ Não sabe LER ou ESCREVER: Pessoa habilitada a 
entendê-lo intervirá, como intérprete e sob 
compromisso. 
▪ Não sabe ESCREVER, não puder ou não quiser 
ASSINAR: Fato consignado no termo. 
 
Art. 196. A TODO TEMPO o juiz poderá proceder a NOVO 
INTERROGATÓRIO de OFÍCIO ou a PEDIDO 
FUNDAMENTADO de qualquer das partes. 
 
CAPÍTULO IV - DA CONFISSÃO 
 
CONFISSÃO 
NATUREZA JURÍDICA MEIO DE PROVA 
CLASSIFICAÇÃO 
 
 
 
 
 
DIVISÍVEL 
OU 
RETRATÁVEL 
 
RETRATÁVEL 
Réu pode desdizer o 
que confessou, no 
todo ou em parte. 
 
 
 
 
DIVISÍVEL 
Réu pode confessar 
um delito e negar 
outros. Juiz, ao 
valorar confissão, 
pode aceitá-la ou 
rejeitá-la no todo ou 
em parte, 
notadamente na 
confissão qualificada. 
Se confissão for prova 
única, é indivisível, 
devendo ser aceita ou 
rejeitada 
integralmente. (STF) 
 
 
 
JUDICIAL OU 
EXTRAJUDICIAL 
 
 
JUDICIAL 
Feita em juízo. 
Judicial Própria: feita 
perante Juiz 
competente; 
Judicial Imprópria: 
feita perante Juiz 
incompetente (Juízo 
Deprecado). 
 
EXTRAJUDICIAL 
Feita fora do processo 
e sem observância do 
contraditório e da 
ampla defesa. 
 SIMPLES Réu apenas confessa 
uma prática delituosa. 
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SIMPLES, 
COMPLEXA 
OU 
QUALIFICADA 
 
COMPLEXA 
Réu reconhece a 
prática de diversos 
atos delituosos. 
 
 
QUALIFICADA 
Réu reconhece a 
prática do ilícito, mas o 
faz invocando causa 
excludente de ilicitude 
ou de culpabilidade. 
Ex: réu confessa 
homicídio, mas alega 
legítima defesa. 
 
 
CONFISSÃO 
FICTA 
Não existe no processo penal. Revelia 
no processo penal não produz 
confissão ficta (efeito material) e tem 
como único efeito prático a 
desnecessidade de intimação do 
acusado para a prática dos atos 
processuais, salvo a sentença 
condenatória, da qual deve ser 
cientificado. 
Súmula 545, STJ: Quando a confissão for utilizada 
para a formação do convencimento do julgador, o réu 
fará jus à atenuante prevista no Art. 65, III, d, do 
Código Penal. 
Enunciado nº 2 da I Jornada de Direito e Processo 
Penal – 14/08/2020 
A inexistência de confissão do investigado antes da 
formação da opinio delicti do Ministério Público não 
pode ser interpretada como desinteresse em 
entabular eventual acordo de não persecução penal. 
# NUNCAMAISERRE 
Não importa qual seja a modalidade de confissão, se 
o juiz utilizá-la para formar seu convencimento, o réu 
terá direito ao reconhecimento da agravante 
genérica. 
 
 
Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos 
critérios adotados para os outros elementos de prova, 
e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la 
com as demais provas do processo, verificando se 
entre ela e estas existe compatibilidade ou 
concordância. 
 
Art. 198. O silêncio do acusado NÃO importará 
CONFISSÃO, mas poderá constituir elemento para a 
formação do convencimento do juiz. 
 
# Comentários 
 
▪ Parte final do artigo não foi recepcionada pela CF. 
 
▪ Juiz que se utilizar do silêncio do acusado para 
formar seu próprio convencimento incorrerá em 
ofensa ao princípio processual penal da não 
autoincriminação, ainda que a opção do acusado por 
abster-se de falar não constitua confissão. 
 
▪ Cuidado: Não confundir o teor desse dispositivo 
com o que consta no parágrafo único do art. 186. 
 
Art. 199. A confissão, quando feita fora do 
interrogatório, será tomada por termo nos autos, 
observado o disposto no art. 195. 
 
Art. 200. A CONFISSÃO será DIVISÍVEL e 
RETRATÁVEL, sem prejuízo do livre convencimento do 
juiz, fundado no exame das provas em conjunto. 
 
CAPÍTULO V - DO OFENDIDO 
 
Art. 201. SEMPRE que possível, o ofendido será 
qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da 
infração, quem seja ou presuma ser o seu autor, as provas 
que possa indicar, tomando-se por termo as suas 
declarações. 
 
O ofendido não possui compromisso de dizer a verdade e 
não responde por falso testemunho, mas não pode 
invocar o direito ao silêncio, salvo se sua manifestação 
puder lhe incriminar (ne nemo tenetur se detegere). 
 
§ 1o Se, intimado para esse fim, deixar de comparecer 
sem motivo justo, o OFENDIDO PODERÁ SER CONDUZIDO 
À PRESENÇA DA AUTORIDADE. 
 
§ 2o O ofendido será comunicado dos atos processuais 
relativos ao ingresso e à saída do acusado da prisão, 
à designação de data para audiência e à sentença e 
respectivos acórdãos que a mantenham ou 
modifiquem. 
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§ 3o As comunicações ao ofendido deverão ser feitas 
no endereço por ele indicado, admitindo-se, por opção 
do ofendido, o uso de meio eletrônico. 
 
§ 4o Antes do início da audiência e durante a sua 
realização, será reservado espaço separado para o 
ofendido. 
 
§ 5o Se o juiz entender necessário, poderá encaminhar 
o ofendido para atendimento multidisciplinar, 
especialmente nas áreas psicossocial, de assistência 
jurídica e de saúde, a expensas do ofensor ou do 
Estado. 
 
§ 6o O juiz tomará as providências necessárias à 
preservação da intimidade, vida privada, honra e 
imagem do ofendido, podendo, inclusive, determinar o 
segredo de justiça em relação aos dados, depoimentos 
e outras informações constantes dos autos a seu 
respeito para evitar sua exposição aos meios de 
comunicação. 
 
CAPÍTULO VI - DAS TESTEMUNHAS 
 
Art. 202. TODA PESSOA PODERÁ SER 
TESTEMUNHA. 
 
 
DEVERESou de outras formas de comunicação; 
 
#Jurisprudência Correlata 
São lícitas as sucessivas renovações de 
interceptação telefônica, desde que, verificados os 
requisitos do art. 2º da Lei nº 9.296/96 e 
demonstrada a necessidade da medida diante de 
elementos concretos e a complexidade da 
investigação, a decisão judicial inicial e as 
prorrogações sejam devidamente motivadas, com 
justificativa legítima, ainda que sucinta, a embasar 
a continuidade das investigações. 
São ilegais as motivações padronizadas ou 
reproduções de modelos genéricos sem relação 
com o caso concreto (Info 1047, STF, 05/2021). 
 
b) afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de 
dados e telefônico; 
 
c) busca e apreensão domiciliar; 
 
d) acesso a informações sigilosas; 
 
e) outros meios de obtenção da prova que 
restrinjam direitos fundamentais do investigado; 
 
XII – JULGAR o HC impetrado ANTES do 
OFERECIMENTO DA DENÚNCIA; 
 
XIII - determinar a instauração de incidente de 
insanidade mental; 
 
XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou 
queixa, nos termos do Art. 399 deste Código; 
 
Houve uma impropriedade na redação, o 
recebimento da denúncia deveria ser nos termos 
do art. 396 do CPP. 
 
XV - assegurar prontamente, quando se fizer 
necessário, o direito outorgado ao investigado e ao 
seu defensor de acesso a todos os elementos 
informativos e provas produzidos no âmbito da 
investigação criminal, SALVO no que concerne, 
estritamente, às diligências em andamento; 
 
XVI - deferir pedido de admissão de assistente técnico 
para acompanhar a produção da perícia; 
 
XVII - decidir sobre a homologação de acordo de não 
persecução penal ou os de colaboração premiada, 
quando formalizados durante a investigação; 
 
#Jurisprudência Correlata 
Caso adaptado: a Procuradoria da República no 
Paraná, com base na colaboração premiada 
celebrada por Bruno, instaurou Procedimento 
Investigatório Criminal (PIC) com o fim de investigar 
o possível cometimento de crimes de corrupção, de 
lavagem de capitais e de fraude à licitação 
relacionados a contratos celebrados entre a 
Petrobras. 
Maurício, um dos investigados no Procedimento 
aberto, impetrou habeas corpus alegando que os 
fatos tratados neste PIC são idênticos aos que 
foram investigados no Inquérito 4.978, que tramitou 
no STF em razão do suposto envolvimento de 
Deputados Federais. 
A defesa de Maurício argumentou que Min. Edson 
Fachin, relator do Inquérito 4.978 no STF, após a 
realização de diversos atos de investigação, teria 
determinado o arquivamento do inquérito com 
relação a todos os investigados, entre os quais o 
próprio Maurício, por não estar demonstrada a 
materialidade das infrações penais. 
Logo, para a defesa, seria ilegal a instauração do 
procedimento de investigação pelo Ministério 
Público. 
Além disso, a defesa argumentou que o PIC foi 
instaurado com base nas declarações prestadas 
pelo colaborador no STF, sendo esse documento 
sigiloso. 
O STJ concordou com a defesa. É ilegal a utilização, 
por parte do Ministério Público, de peça sigilosa 
obtida em procedimento em curso no Supremo 
Tribunal Federal para abertura de procedimento 
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investigatório criminal autônomo com objetivo de 
apuração dos mesmos fatos já investigados 
naquela Corte (Info 726, STJ 02/2022), . 
 
XVIII - outras matérias inerentes às atribuições 
definidas no caput deste artigo. 
 
1º O preso em flagrante ou por força de mandado de 
prisão provisória será encaminhado à presença do juiz 
de garantias no prazo de 24 HORAS, momento em que 
se realizará audiência com a presença do Ministério 
Público e da Defensoria Pública ou de advogado 
constituído, vedado o emprego de videoconferência. 
 
 
# Jurisprudência Correlata 
A audiência de custódia, no caso de mandado de 
prisão preventiva cumprido fora do âmbito 
territorial da jurisdição do Juízo que a determinou, 
deve ser efetivada por meio da condução do preso 
à autoridade judicial competente na localidade em 
que ocorreu a prisão. Não se admite, por ausência 
de previsão legal, a sua realização por meio de 
videoconferência, ainda que pelo Juízo que 
decretou a custódia cautelar. (Info 663, STJ, 2019). 
OBS1: após esse julgado, o CNJ aprovou resolução 
proibindo a realização de audiência de custódia por 
videoconferência. Segundo o Min. Dias Toffoli, 
“audiência de custódia por videoconferência não é 
audiência de custódia e não se equiparará ao 
padrão de apresentação imediata de um preso a 
um juiz, em momento consecutivo a sua prisão, 
estandarte, por sinal, bem definido por esse 
próprio CNJ quando fez aplicar em todo o país as 
disposições do Pacto de São José da Costa Rica.” 
OBS2: considerando a pandemia mundial (Covid-
19), o CNJ aprovou a Resolução 357/2020, 
permitindo a audiência de custódia por 
videoconferência quando não for possível a 
realização, em 24 horas, de forma presencial. Além 
disso, também prevê a possibilidade de o MP 
propor acordo de não persecução penal (ANPP) 
nas hipóteses previstas no artigo 28-A do CPP. 
OBS3: no dia 28/06/2021, o Min. Nunes Marques 
concedeu parcialmente liminar na ADI 6841 
(liminar essa que foi referendada por maioria do 
STF, no dia 1-7-2021), suspendendo os efeitos da 
expressão "vedado o emprego de 
videoconferência", prevista no art. 3-B, § 1º, do CPP, 
inserido pelo Pacote Anticrime, de modo a permitir 
a realização das audiências de custódia por 
videoconferência, enquanto perdurar a pandemia 
de Covid-19, conforme art. 19, da Resolução n. 
329/2020, CNJ, na redação que lhe foi dada pela 
Resolução n. 357/2020, CNJ, na forma do art. 10, § 
3°, Lei n. 9.868/99, bem como no art. 21, V, do RISTF. 
OBS4: Recentemente, no dia 10/11/2021, o STJ (Info 
714) entendeu que não se mostra razoável, para a 
realização da audiência de custódia, determinar o 
retorno de investigado à localidade em que ocorreu 
a prisão quando este já tenha sido transferido para 
a comarca em que se realizou a busca e apreensão. 
Para aprofundamento nesse julgado, remetemos o 
leitor ao art. 310 do presente projeto. 
 
§ 2º Se o investigado estiver PRESO, o juiz das 
garantias poderá, mediante representação da 
autoridade policial e ouvido o Ministério Público, 
PRORROGAR, uma ÚNICA VEZ, a DURAÇÃO DO 
INQUÉRITO por ATÉ 15 DIAS, após o que, se ainda 
assim a investigação não for concluída, a prisão será 
imediatamente relaxada. 
 
Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange 
todas as infrações penais, EXCETO as de MENOR 
POTENCIAL OFENSIVO, e cessa com o recebimento da 
denúncia ou queixa na forma do Art. 399 deste Código. 
 
ABRANGÊNCIA DA 
COMPETÊNCIA DO 
JG 
Todas as infrações penais, 
EXCETO as IMPO. 
 
CESSAÇÃO DA 
COMPETÊNCIA DO 
JG 
Com o RECEBIMENTO DA 
DENÚNCIA/QUEIXA. 
Após, até mesmo eventuais 
questões pendentes serão 
decididas pelo juiz da 
instrução e julgamento. 
 
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§ 1º RECEBIDA a DENÚNCIA ou QUEIXA, as QUESTÕES 
PENDENTES serão decididas pelo JUIZ DA INSTRUÇÃO 
E JULGAMENTO. 
 
JUIZ DAS 
GARANTIAS 
Atua a partir da instauração de 
investigação criminal até o 
recebimento da peça 
acusatória. 
JUIZ DA 
INSTRUÇÃO E 
JULGAMENTO 
Atua a partir do recebimento da 
peça acusatória. 
 
 
SOBRE O JUIZ DAS GARANTIAS 
 
NATUREZA 
JURÍDICA 
Nova espécie de 
competência funcional 
(distribuída de acordo com a 
função ou com a matéria 
apreciada pelo órgão) por 
fase do processo. 
 
 
FUNDAMENTOImparcialidade do 
magistrado, princípio 
supremo do processo, 
segundo o qual o juiz não 
pode ter interesse (direito ou 
indireto) no resultado do 
processo. 
AFINAL, COM O 
ADVENTO DO 
PACOTE ANTICRIME, 
O QUE O JUIZ 
PODERÁ FAZER DE 
OFÍCIO NA FASE 
INVESTIGATÓRIA? 
 
 
NADA! Só pode agir 
mediante provocação. 
 
Atenção: NÃO existe a figura do MP das garantias, 
tendo em vista que o MP é parte, podendo atuar em 
todas as fases. 
 
§ 2º As decisões proferidas pelo juiz das garantias não 
vinculam o juiz da instrução e julgamento, que, após o 
recebimento da denúncia ou queixa, deverá 
reexaminar a necessidade das medidas cautelares em 
curso, no prazo máximo de 10 DIAS. 
Perceba que esse reexame das medidas cautelares 
em curso determinadas pelo JG ocorrerá pelo JIJ, 
de ofício, independentemente de qualquer 
provocação da acusação ou defesa. 
§ 3º Os autos que compõem as matérias de 
competência do juiz das garantias ficarão acautelados 
na secretaria desse juízo, à disposição do Ministério 
Público e da defesa, e NÃO SERÃO APENSADOS aos 
autos do processo enviados ao juiz da instrução e 
julgamento, ressalvados os documentos relativos às 
provas irrepetíveis, medidas de obtenção de provas ou 
de antecipação de provas, que deverão ser remetidos 
para apensamento EM APARTADO. 
ATENÇÃO: No sistema anterior à Lei 13.964/2019, o 
IPL era apensado ao processo, fazendo com que o 
juiz tivesse contato. Com a inclusão do §3o do art. 
3o-C, prevalece que não houve nenhuma alteração. 
O IPL continuará integrando o processo judicial, 
nos termos do art. 12 e art. 155 do CPP. Sustentam 
que deve ser feita uma interpretação restritiva do 
§3o do art. 3o-C, CPP, pois a lei prevê que os “autos” 
citados no dispositivo não abrangem os autos do 
inquérito policial, pois não tramitam perante o juiz 
das garantias. 
§ 4º Fica assegurado às partes o AMPLO ACESSO AOS 
AUTOS ACAUTELADOS na secretaria do juízo das garantias. 
 
Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, PRATICAR 
QUALQUER ATO incluído nas competência 
dos arts. 4º e 5º deste Código FICARÁ IMPEDIDO DE 
FUNCIONAR NO PROCESSO. 
 
 
 
Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar 
apenas um juiz, os tribunais criarão um sistema de 
rodízio de magistrados, a fim de atender às 
disposições deste Capítulo. 
 
Art. 3º-E. O juiz das garantias será designado 
conforme as normas de organização judiciária da 
União, dos Estados e do Distrito Federal, observando 
critérios objetivos a serem periodicamente divulgados 
pelo respectivo tribunal. 
 
Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o 
cumprimento das regras para o tratamento dos 
presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer 
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autoridade com órgãos da imprensa para explorar a 
imagem da pessoa submetida à prisão, sob pena de 
responsabilidade civil, administrativa e penal. 
 
Parágrafo único. Por meio de regulamento, as 
autoridades deverão disciplinar, em 180 DIAS, o 
modo pelo qual as informações sobre a 
realização da prisão e a identidade do preso 
serão, de modo padronizado e respeitada a 
programação normativa aludida no caput deste 
artigo, transmitidas à imprensa, assegurados a 
efetividade da persecução penal, o direito à 
informação e a dignidade da pessoa submetida à 
prisão. 
 
# Jurisprudência Correlata 
 
 
O ministro Luiz Fux, vice-presidente do STF, 
suspendeu a implementação do juiz das garantias até 
que a decisão seja referendada no Plenário da Corte. 
A decisão também abarcou três pontos: 
 
1) Suspendeu a obrigatoriedade de apresentar o preso 
a audiências de custódia em até 24 horas; 
 
2) Suspendeu a aplicação do artigo 28 do CPP 
(arquivamento do IPL); 
 
3) Estabeleceu regras para o arquivamento de IPL`s. 
 
 
Com a norma, o MP deveria comunicar a vítima, o 
investigado e a polícia no caso de arquivamento do 
inquérito, além de encaminhar os "autos para a 
instância de revisão ministerial para fins de 
homologação, na forma da lei". Para Fux, a medida 
desconsiderou os impactos financeiros no âmbito do 
MP em todo o país. 
 
No último ponto, o ministro entendeu que também 
deve ser suspensa a regra que definiu que o juiz do 
caso não pode proferir a sentença se declarar uma 
das provas inadmissíveis. Segundo o ministro, a 
norma é "extremamente vaga" e pode "gerar inúmeras 
dúvidas" sobre sua aplicação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 INQUÉRITO POLICIAL – NOTAS INTRODUTÓRIAS 
 
 
 
CONCEITO 
 
Procedimento administrativo inquisitorial e preparatório, presidido por um 
Delegado de Polícia, visando identificar fontes de prova e colher elementos de 
informação para apuração da Infração penal (materialidade) e sua autoria, a fim 
de fornecer elementos de informação para o titular da ação penal ingressar em 
juízo. 
NATUREZA JURÍDICA Procedimento de NATUREZA ADMINISTRATIVA (não é processo) 
FINALIDADE 1. Colher ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO (e não provas) 
 
2. Identificar FONTES DE PROVA 
VALOR PROBATÓRIO RELATIVO 
POLÍCIA JUDICIÁRIA 
 
FUNÇÕES 
PREPARATÓRIA: fornece elementos de informação para que o titular da ação 
penal possa ingressar em juízo, além de acautelar meios de prova que poderiam 
desaparecer com o decurso do tempo. 
PRESERVADORA: a existência prévia de um IPL inibe a instauração de um 
processo penal infundado, temerário, resguardando a liberdade do inocente e 
evitando custos desnecessários para o Estado. 
 
CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL 
 
PROCEDIMENTO 
DISCRICIONÁRIO 
Liberdade de atuação dentro dos limites da lei. 
Não há rigor procedimental. 
CPP enumera as diligências (Art. 6º), mas sem ordem certa. Será feito de acordo 
com o caso concreto. 
PROCEDIMENTO 
DISPENSÁVEL 
Existem outros procedimentos investigatórios. 
Exs: PIC, CPI. 
PROCEDIMENTO 
PREPARATÓRIO 
Fornecer elementos de informação para o titular da ação penal ingressar em juízo. 
É o objetivo final do IPL, consagrando a justa causa, nos termos do art. 395, III do 
CPP. 
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PROCEDIMENTO 
INDISPONÍVEL 
Instaurado o IPL, Delegado não pode arquivar. Só o Juiz pode, a pedido do MP 
(Arquivamento pelo MP está temporariamente suspenso). 
 
PROCEDIMENTO ESCRITO 
Todas as peças do IPL serão, num só processado, reduzidas a escrito ou 
datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. 
OBS: Pode-se usar um sistema audiovisual, nos termos no art. 405, 1o, CPP e da 
Lei nº 11.719/08. No entanto, o investigado precisa ter ciência que está sendo 
gravado. 
PROCEDIMENTO 
SIGILOSO 
Em regra, é sigiloso. Ressalva ao Advogado abaixo. 
 
 
 
 
 
PROCEDIMENTO 
INQUISITÓRIO 
Traz a ideia de que não é obrigatória a observância do contraditório e nem da 
ampla defesa. Contraditório é diferido. 
O Estatuto da OAB (art. 7, XXI) prevê nulidade absoluta para os casos em que o 
interrogatório ou depoimento é feito sem a presença do advogado. Para Renato 
Brasileiro, não se trata de nulidade (sanção aplicada a atos processuais 
defeituosos), mas sim de ilegalidade. 
 O STF entende que essa previsão não impõe ao Delegado um dever de 
intimar previamente o advogado constituído para os atos de investigação. 
Embora constitua prerrogativado advogado apresentar razões e quesitos 
no curso de investigação criminal, daí não se pode extrair direito subjetivo 
de que se intime a defesa previamente e com a necessária antecedência 
quanto ao calendário de inquirições a ser definido pelo Delegado. Ademais, 
ainda que o direito não tenha sido observado, para o reconhecimento da 
suposta “nulidade” é necessário comprovar o prejuízo. 
 
 Todavia, uma vez presente o advogado, esse possui o direito de 
acompanhar o seu cliente. 
 
 O fato de o advogado ter acompanhado o depoimento de testemunha no 
IPL não transforma o elemento de informação em prova. Prova é aquilo 
produzido em contraditório judicial. 
PROCEDIMENTO 
TEMPORÁRIO 
PRESO: 10 dias para conclusão, podendo ser prorrogado por mais 15 dias, nos 
termos do art. 3o-B, §2o do CPP (eficácia suspensa). 
SOLTO: 30 dias, podendo ser sucessivamente prorrogado por 30 dias. 
PROCEDIMENTO OFICIAL Só o Delegado pode instaurar. 
PROCEDIMENTO 
OFICIOSO 
Tomou conhecimento do fato? Delegado é obrigado a agir de ofício. 
 
 
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TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O ACESSO DO ADVOGADO AOS AUTOS DO IPL. 
COTEJANDO A SÚMULA VINCULANTE Nº 14 COM O ART. 7º, XIV DO ESTATUTO DA OAB, À LUZ DO 
ENTENDIMENTO DO STF 
Súmula Vinculante no 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos 
de prova (informação) que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com 
competência de polícia judiciária (atribuições investigatórias – Autoridade Policial, MP), digam respeito ao 
exercício do direito de defesa. 
Art. 7o, XIV do Estatuto da OAB - Art. 7º São direitos do advogado: [...] examinar, em qualquer instituição 
responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de 
qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar 
apontamentos, em meio físico ou digital; 
▪ Advogado pode examinar autos em qualquer instituição responsável por conduzir investigações (Autoridade 
Policial ou MP). 
▪ Acesso contempla apenas as informações já documentadas (a exemplo de um termo de depoimento de 
testemunha já ouvida), mas não as diligências em andamento (a exemplo de uma escuta telefônica, que, caso ele 
tivesse acesso, perderia a eficácia). 
▪ Advogado NÃO precisa de PROCURAÇÃO para ter acesso ao IPL, salvo os casos de segredo de justiça (a 
exemplo dos crimes sexuais). 
▪ Mesmo que investigação criminal tramite em segredo de justiça, investigado pode ter acesso amplo aos autos, 
inclusive a eventual relatório de inteligência financeira do COAF, sendo permitido, contudo, que se negue o 
acesso a peças que digam respeito a dados de terceiros protegidos pelo segredo de justiça. Essa restrição 
parcial NÃO VIOLA a SV 14, pois é excessivo o acesso de um dos investigados a informações, de caráter privado 
de diversas pessoas, que não dizem respeito ao direito de defesa dele. (Info 964, STF). 
▪ O MP pode escolher quais elementos obtidos na busca e apreensão serão utilizados pela acusação; no entanto, 
o material restante deve permanecer à livre consulta do acusado, para o exercício de suas faculdades 
defensivas. Realizada a busca e apreensão, apesar de o relatório sobre o resultado da diligência ficar adstrito 
aos elementos relacionados com os fatos sob apuração, deve ser assegurado à defesa acesso à integra dos 
dados obtidos no cumprimento do mandado judicial. É a aplicação do Princípio da comunhão da prova. Essa é a 
ratio essendi da SV 14. O MP juntou aos autos apenas aquilo que entendeu necessário para a imputação 
ministerial. Logo, é evidente que o acusado tem o direito de saber se, no restante do material apreendido, existe 
mais algum elemento que interesse à sua defesa. O órgão responsável pela acusação não pode ter a prerrogativa 
de escolher o material que irá ser disponibilizado ao réu, como se a ele pertencesse a prova. Na verdade, as 
fontes e o resultado da prova são de interesse comum de ambas as partes e do juiz. (Info 692, STJ. 2021) 
▪ Terceiros que tenham sido mencionados pelos colaboradores podem obter acesso integral aos termos dos 
colaboradores para viabilizar, de forma plena e adequada, sua defesa, invocando a SV 14? SIM, desde que estejam 
presentes os requisitos positivo e negativo. 
a) REQUISITO POSITIVO: o acesso deve abranger somente documentos em que o requerente é de fato mencionado 
como tendo praticado crime (o ato de colaboração deve apontar a responsabilidade criminal do requerente); e 
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b) REQUISITO NEGATIVO: o ato de colaboração não se deve referir a diligência em andamento (devem ser 
excluídos os atos investigativos e diligências que ainda se encontram em andamento e não foram 
consubstanciados e relatados no inquérito ou na ação penal em tramitação). (Info 978, STF). 
▪ Na delação premiada, o delatado possui o direito de ter acesso às declarações prestadas pelos colaboradores 
que o incriminem, desde que já documentadas e que não se refiram à diligência em andamento que possa ser 
prejudicada. (Info 965, STF) 
▪ Não há violação da SV 14 (direito do defensor de ter amplo acesso aos elementos de prova já documentados) 
se os elementos de prova estão disponíveis nos autos para partes (áudios interceptados foram juntados ao IPL 
e sempre estiveram disponíveis para as partes, inclusive na forma digitalizada). 
▪ Advogado NÃO precisa de AUTORIZAÇÃO JUDICIAL para acesso ao IP. 
Exceção: Na Lei de Organizações Criminosas, o juiz pode decretar o sigilo da investigação, só permitindo o acesso 
com sua prévia autorização. 
 
CONSEQUÊNCIAS DA NEGATIVA DE ACESSO AO ADVOGADO 
▪ RECLAMAÇÃO (Violação da Súmula Vinculante 14) 
▪ MANDADO DE SEGURANÇA 
▪ HABEAS CORPUS (preso ou solto) 
▪ Configuração do crime de ABUSO DE AUTORIDADE pela Autoridade policial. (Art. 32 da Lei 13.869/2019) 
 
SOBRE A AUTORIDADE POLICIAL 
▪ Alguns doutrinadores sustentam que o §4o, do art. 2o, da Lei 12.830/2013 (Lei da investigação criminal conduzida 
pelo delegado de polícia) consagra o princípio do delegado natural: 
§ 4º O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado (chamar 
para si) ou redistribuído (manda para outro delegado) por superior hierárquico, mediante despacho 
fundamentado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos 
em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação. 
▪ O delegado de polícia não é dotado de inamovibilidade (garantia do Juiz, Promotor, Defensor), podendo, 
portanto, ser removido com a devida fundamentação. (§5o do art. 2o, da Lei 12.830/2013) 
§ 5º A remoção do delegado de polícia dar-se-á somente por ato fundamentado. 
 
 
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DELEGADO TEM (OU NÃO) ATRIBUIÇÃO PARA INVESTIGAR? 
CRIME MILITAR 
DE 
COMPETÊNCIA 
DA JUSTIÇA 
MILITAR DA 
UNIÃO 
 
NÃO. É o que ocorre dentro das forças armadas e do exército brasileiro. A investigação se 
dá por meio do chamado IPM (inquérito policial militar). 
CRIME MILITAR 
ESTADUAL 
NÃO. É o que ocorre dentro do quartel da PM, por exemplo. Quem vai investigá-lo é a própria 
polícia militar/corpo de bombeiros, o comandante vai designar um encarregado. 
CRIME 
ELEITORAL 
A atribuição é, em tese,da polícia federal. Todavia, o TSE entende que as investigações 
poderão ser feitas pela polícia civil, quando não houver delegacia da PF na cidade. 
CRIME FEDERAL NÃO. Polícia Federal investiga. 
 
CRIME COMUM 
SIM, salvo se o crime for dotado de repercussão interestadual ou internacional e houver 
previsão legal, situação em que a investigação será feita pela PF. 
Cuidado: As atribuições da PF são mais amplas que a competência criminal da Justiça 
Federal. 
 
MAIS SOBRE O INQUÉRITO POLICIAL 
O princípio da RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO SE APLICA ao IPL. Mesmo sendo impróprio (réu solto), o 
prazo não pode ser prorrogado ad eternum. 
OBS: A Nova Lei de Abuso de Autoridade criminalizou a conduta de estender injustificadamente a investigação 
(art. 31). 
Vícios do IPL são ENDOPROCEDIMENTAL (Endo de DENTRO do PROCEDIMENTO. Não contaminam a ação penal). 
Não se pode opor suspeição à Delta, mas ele DEVE se declarar suspeito (de ofício), se ocorrer motivo legal. 
Elementos de informação, isoladamente considerados, não podem fundamentar uma sentença. Mas, não devem 
ser desprezados durante fase judicial, podendo se somar à prova produzida em juízo para auxiliar na formação 
da convicção do Juiz. 
Trancamento do IPL: Medida de natureza excepcional, que será determinada pelo juiz das garantias (art. 3o-B, 
IX do CPP - ainda com eficácia suspensa) somente sendo possível quando: 
1) Não houver qualquer dúvida sobre a atipicidade (formal/material) da conduta. 
2) Presença de causa extintiva da punibilidade. 
3) Ausência de justa causa. 
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4) Ausência de manifestação da vontade da vítima nos crimes de ação privada ou pública condicionada. 
 
Meio adequado para o trancamento do IPL: 
1) HC: há risco à liberdade de locomoção; 
 
2) MS: nos casos de pessoa jurídica, em que não há risco à liberdade de locomoção. 
 
 
INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR PROCESSO JUDICIAL 
VÍCIOS NULIDADES 
Eventuais ilegalidades ocorridas no IPL não contaminam processo 
penal subsequente, SALVO em se tratando de prova ilícita. 
Exemplo: uma prisão em flagrante que não é comunicada ao juiz, 
enseja o relaxamento, tendo em vista que se trata de ilegalidade. 
Contudo, não irá contaminar o processo penal. 
 
 
POLÍCIA OSTENSIVA (ADMINISTRATIVA) POLÍCIA JUDICIÁRIA 
CARÁTER PREVENTIVO CARÁTER REPRESSIVO 
Relacionada à segurança, visando impedir a prática de 
atos lesivos à sociedade. 
Visa auxiliar a Justiça. Por isso, o STF chama de 
“polícia judiciária”, seja em auxílio ao Poder Judiciário 
fazendo cumprir suas ordens ou investigando e 
apurando infrações penais. 
É realizada pela Polícia Militar. 
Obs. Há casos em que a PM exerce função de polícia 
judiciária. Cita-se, como exemplo, os casos de crime 
militar. 
É exercida pela Polícia Civil e pela Polícia Federal. 
 
INFRAÇÕES DE MENOR 
POTENCIAL OFENSIVO 
(JECRIM) 
CRIMES 
TCO IPL 
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ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO PROVAS 
 
 
Colhidos na fase investigativa. 
Em regra, produzido na fase judicial. 
 
Há possibilidade de produção de provas na 
investigação, nos casos de provas cautelares, não 
repetíveis e antecipadas que poderão, ainda que 
produzidas na fase investigatória, serem utilizadas 
exclusivamente para a formação do convencimento do 
juiz. 
Não é obrigatória a observância do contraditório e 
ampla defesa, nem mesmo diante das mudanças 
produzidas pela Lei 13.245/2016. 
Conforme já foi dito, para o STF, o delegado de polícia 
não tem a obrigação de intimar o advogado para 
participar das inquirições. 
 
É obrigatória a observância do contraditório e da ampla 
defesa. 
O juiz deve intervir apenas quando necessário, e desde 
que seja provocado neste sentido. O juiz não é dotado 
de iniciativa acusatória, deve ficar distante, cabendo ao 
MP e à polícia a investigação. 
A prova deve ser produzida na presença do juiz, física 
ou remota (vídeoconferência). 
Durante o curso do processo, o juiz não é mais dotado 
de iniciativa probatória, nos termos do art. 3o-A do CPP 
(eficácia suspensa ainda). 
Finalidade: úteis na decretação das medidas 
cautelares e auxiliar na formação da opinio delicti. 
OBS. Os elementos informativos, isoladamente 
considerados, não podem fundamentar uma sentença. 
Porém, tais elementos não devem ser desprezados 
durante a fase judicial, podendo se somar à prova 
produzida em juízo para auxiliar na formação da 
convicção do magistrado. 
Finalidade: auxiliar na formação da convicção do juiz. 
 
TUDO SOBRE O INDICIAMENTO 
CONCEITO Atribuir a alguém provável autoria e participação em determinada infração penal, 
saindo de um juízo de possibilidade para um de probabilidade. A grosso modo, é apontar 
para uma pessoa como provável autora ou partícipe do delito. 
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PREVISÃO LEGAL 
 
ART. 2O, §6º DA LEI Nº 12.830/2013: O indiciamento, privativo do delegado de polícia, 
dar-se-á por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato, que deverá 
indicar a autoria, materialidade e suas circunstâncias. 
REQUISITOS Prova da materialidade e 
Indícios de autoria (Delegado não precisa ter certeza, e sim indícios) 
MODALIDADES DIRETO Realizado na presença do investigado. É a regra. 
INDIRETO Realizado na ausência do investigado. Ex: Foragido. 
MOMENTO Desde a lavratura do auto da prisão em flagrante (APF) até o relatório final do IPL. 
ATO VINCULADO Presentes os elementos informativos apontando na direção do investigado, não resta 
ao Delegado outra opção senão seu indiciamento. 
EXCLUSIVIDADE NA 
INVESTIGAÇÃO 
Ato exclusivo da fase investigatória. Iniciada a ação penal, não mais é possível indiciar. 
 
PRIVATIVIDADE 
Ato privativo do Delegado de Polícia. 
Obs: não é possível que o juiz, o MP ou uma CPI requisitem ao delegado de polícia o 
indiciamento de alguém. O que se pode requisitar é a instauração de um IPL. 
NO TCO Não cabe indiciamento no Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). 
 
DESINDICIAMENTO 
É a cassação de anterior indiciamento. Admitido pela jurisprudência, quando ausente 
qualquer elemento de informação quanto ao envolvimento do agente no crime, ou se 
feito em momento extemporâneo (ex: após o recebimento da denúncia). Nesses casos, 
é cabível a impetração de HC a fim de sanar o contrangimento ilegal. 
Obs. Pelo princípio da simetria, entende-se que o Delegado também pode desincidiar 
(se retratar). 
 
 
LEGITIMIDADE PASSIVA 
Regra: qualquer pessoa pode ser indiciada. 
1a Exceção: Membros do MP (Lei Orgânica do MP) 
2a Exceção: Magistrados (Autos remetidos ao PR do TJ) 
3a Exceção: Autoridades com Foro por Prerrogativa de Função não podem ser 
indiciadas sem prévia autorização do ministro-relator ou desembargador relator, 
dependendo do caso concreto. (STF) 
INCONSTITUCIONALIDADE 
DO ARTIGO 17-D DA LEI DE 
LAVAGEM DE DINHEIRO 
Em 20/11/2020, o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 17-D da Lei de LD (Lei 
9.613/1998) que determina o afastamento de servidores públicos de suas funções em 
caso de indiciamento por crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos 
e valores. (ADI 4911) 
EFEITOS ENDOPROCESSUAIS Base para o oferecimento da denúncia. 
EXTRAPROCESSUAIS Traz o estigma social, sobretudo pela publicidade do ato dado 
pela mídia.

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