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Página 1 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal NORTE LEGAL LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL ABRANGÊNCIA: ART. 1 AO 23 PROCESSO PENAL - NOTAS INTRODUTÓRIAS MODALIDADES DE SISTEMAS PROCESSUAIS Busca-se examinar 03 pontos: a) Interação entre o Juiz, o Promotor e a Defesa; b) Papel que o Juiz exerce na produção da prova; c) Exercício do direito de defesa do acusado. SISTEMA INQUISITORIAL Não há contraditório. Juiz com ampla iniciativa probatória (chamada gestão de provas), na investigação e no processo. Acusado é mero objeto do processo. Princípio da verdade real (superado): magistrado deve buscar verdade, podendo, para tanto, utilizar provas ilícitas (ex, tortura admitida). Confissão do réu é a rainha das provas. SISTEMA ACUSATÓRIO (ADOTADO EXPRESSAMENTE NO BRASIL, NO ART.3º-A DO CPP) Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Clara distinção entre as atividades de acusar e julgar. Iniciativa probatória exclusiva das partes e juiz como terceiro imparcial e passivo na coleta da prova. Vigora o Princípio Dispositivo, por isso em nenhuma fase o juiz pode produzir prova de ofício. Como exemplo do papel do juiz na produção de prova, temos o art. 212 do CPP (método de questionamento das testemunhas) conhecido como exame direto e cruzado. Antes de 2008, cabia ao juiz a formulação de perguntas. Atualmente, as perguntas são feitas diretamente pelas partes, cabendo ao magistrado a atuação residual. Art. 212, CPP. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. Acusado é sujeito de direitos. Vigora a publicidade e oralidade do julgamento. Presença de contraditório. Na fase investigatória, juiz só intervém se for provocado. Princípio da busca da verdade (ou verdade processual) - prova deve ser produzida com contraditório. Conforme seu art. 129, I, a CF adotou este sistema, outorgando ao MP a titularidade da ação penal pública. Página 2 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal SISTEMA MISTO OU FRANCÊS Processo tem 2 fases: 1a fase: Inquisitorial, com instrução escrita e secreta, sem acusação e, por isso, sem contraditório. 2a fase: Acusatório. Acusador apresenta acusação, réu se defende e Juiz julga, vigorando, em regra, a publicidade e a oralidade. Quando o CPP entrou em vigor, prevalecia que o sistema nele previsto era o misto. Porém, com o advento da CF, que prevê de maneira expressa a separação das funções de acusar e defender, adotou-se o Sistema Acusatório. PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS E PROCESSUAIS CONSTITUCIONAIS PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (DUDH) OU PRESUNÇÃO DE NÃO CULPABILIDADE (CF) Previsto na CF e na Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH). CADH CF Art. 8o, §2o: Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada a sua culpa. Art. 5o (...), LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Aqui, aplica-se o princípio pro homine, segundo o qual havendo tratamento diferenciado na legislação internacional e na interna, deve prevalecer o que for mais benéfico ao acusado. Nesse caso, será a CF. No dia 07/11/2019, o STF, ao julgar as ADCs 43, 44 e 54), afirmou que o cumprimento da pena somente pode ter início com o esgotamento de todos os recursos. Assim, é proibida a execução provisória da pena. Atenção: No que tange à execução provisória da pena no Tribunal do Júri, a 1a Turma do STF já vinha decidindo no sentido de que a condenação a uma pena igual ou superior a 15 anos de reclusão autorizava a execução provisória da pena. O Pacote Anticrime positivou esse entendimento no art. 492, I, do CPP, o que, segundo a doutrina, é um dispositivo de constitucionalidade questionada, uma vez que se admite a execução provisória de uma decisão de um juiz de 1º grau. Página 3 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE Para este princípio, ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Veda- se a autoincriminação. Previsto no CADH (art. 8o, 2, g) e na CF (art. 5o, LXIII). CADH CF Artigo 8o - Garantias judiciais 2. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas: g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada, entre os quais o depermanecer calado;e Art. 5o, LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; OBS1. Sabendo que o titular desse direito é o indivíduo suspeito/investigado/indiciado/acusado, A TESTEMUNHA PODERÁ SE VALER DELE? SIM, desde que, diante do caso concreto, o seu depoimento seja apto a produzir prova contra si mesmo. Por exemplo, se falar o que sabe, acabará confessando um crime. Todavia, na posição de pessoa que conhece fato sobre terceiro, a testemunha não poderá invocar o princípio. OBS2. ADVERTÊNCIA. Nos termos do art. 5o, LXIII da CF, o cidadão deve ser, obrigatoriamente, informado do seu direito ao silêncio, sob pena de nulidade. Perceba que a não observância de tal dever PODE acarretar a ilicitude das provas. Sobre o tema, temos um julgado recente (11/05/2021) do STJ: (...) 4. No que concerne à alegada nulidade do depoimento prestado perante a autoridade policial, em virtude da ausência de informação a respeito do direito de permanecer em silêncio, consigno que, no moderno processo penal, eventual alegação de nulidade deve vir acompanhada da efetiva demonstração do prejuízo, o que não foi sequer indicado no presente recurso. Nesse contexto, a simples alegação de que o recorrente não foi alertado do seu direito ao silêncio, em nada repercute sobre a higidez processual. (...) STJ. 5ª Turma. RHC 77.238/PR. 05 DESDOBRAMENTOS DO NEMO TENETUR SE DETEGERE Página 4 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal DIREITO AO SILÊNCIO Direito de não responder às perguntas formuladas pela autoridade, funcionando como espécie de manifestação passiva da defesa. DIREITO AO SILÊNCIO NO TRIBUNAL DO JÚRI E A VEDAÇÃO DA SUA UTILIZAÇÃO COMO ARGUMENTO DE AUTORIDADE O direito ao silêncio é válido em qualquer juízo e em qualquer procedimento. Portanto, pode ser exercido no tribunal do júri. O art. 478 do CPP diz o seguinte: Art. 478. Durante os debates as partes não poderão, sob pena de nulidade, fazer referências: I – à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado; II – ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento, em seu prejuízo. DIREITO DE MENTIR AlgunsPágina 29 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal CÓGIGO DE PROCESSO PENAL - DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941. TÍTULO II - DO INQUÉRITO POLICIAL Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função. #Jurisprudência Correlata ▪É indispensável a existência de prévia autorização judicial para a instauração de inquérito ou outro procedimento investigatório em face de autoridade com foro por prerrogativa de função em Tribunal de Justiça (Info 1040, STF). ▪É constitucional norma estadual que prevê a possibilidade da lavratura de termos circunstanciados pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros Militar. O art. 69 da Lei dos Juizados Especiais, ao dispor que “a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado” não se refere exclusivamente à polícia judiciária, englobando também as demais autoridades legalmente reconhecidas. O termo circunstanciado é o instrumento legal que se limita a constatar a ocorrência de crimes de menor potencial ofensivo, motivo pelo qual não configura atividade investigativa e, por via de consequência, não se revela como função privativa de polícia judiciária (Info 1046, STF, 03/2022). ▪É aplicável a teoria do juízo aparente para ratificar medidas cautelares no curso do inquérito policial quando autorizadas por juízo aparentemente competente (Info 733, STJ, 04/2022). Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: I - de ofício; II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. Parcela da doutrina entenda que a parte do inciso II que fala da requisição do magistrado não foi recepcionada, por violar o sistema acusatório. § 1o O requerimento a que se refere o no II conterá SEMPRE QUE POSSÍVEL: (Não é obrigatório) a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência. § 2o Do despacho QUE INDEFERIR O REQUERIMENTO DE ABERTURA DE INQUÉRITO caberá RECURSO para o CHEFE DE POLÍCIA. § 3o QUALQUER PESSOA DO POVO que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba AÇÃO PÚBLICA poderá, VERBALMENTE ou POR ESCRITO, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. § 4o O inquérito, nos crimes em que a AÇÃO PÚBLICA DEPENDER DE REPRESENTAÇÃO, NÃO PODERÁ SEM ELA SER INICIADO. § 5o Nos crimes de AÇÃO PRIVADA, a autoridade policial SOMENTE PODERÁ PROCEDER A INQUÉRITO a REQUERIMENTO DE QUEM TENHA QUALIDADE PARA INTENTÁ-LA. FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO IPL AÇÃO PENAL PRIVADA Delegado só pode instaurar o IPL a requerimento do ofendido ou do seu RL. De ofício, jamais. Não há necessidade de formalismo. Página 30 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO Delegado só pode instaurar IPL, se houver representação do ofendido ou requisição do Ministro da Justiça. Ex: Art. 171, §5o do CP (Estelionato. Há exceções). Não há necessidade de formalismo. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA Delegado pode instaurar IPL: ▪ De ofício (portaria); ▪ Auto de prisão em flagrante (APF); ▪ Por requisição do Juiz (ADPF 572 MC/DF/2019) ou MP; ▪ Por requerimento do ofendido ou RL; ▪ Notícia oferecida por qualquer do povo (“delatio criminis”). NOTITIA CRIMINIS CONCEITO: Conhecimento da autoridade, espontâneo ou provocado de um fato delituoso. COGNIÇÃO DIRETA|IMEDIATA ESPONTÂNEA (DE OFÍCIO) Delegado conhece fato em suas ATIVIDADES ROTINEIRAS. (Instaura IPL por Portaria). Ex: Jornal (matéria jornalística1), informação da PM. Atenção: STJ entendeu que é possível a deflagração de investigação criminal com base em matéria jornalística (2019). COGNIÇÃO INDIRETA|MEDIATA PROVOCADA Delegado conhece fato por meio de EXPEDIENTE ESCRITO por TERCEIROS. Ex: Requisição do MP, requerimento da vítima, notícia por qualquer do povo (por escrito). COGNIÇÃO COERCITIVA Delegado toma conhecimento do fato pela apresentação do preso em flagrante. DELATIO CRIMINIS ANÔNIMA OU INQUALIFICADA É a denúncia anônima. Por si só, não serve para instaurar IPL. Antes, Delegado deve verificar a procedência das infos. DELATIO CRIMINIS SIMPLES Qualquer do povo comunica o crime. Ex: BO. DELATIO CRIMINIS POSTULATÓRIA Representante nos crimes de ação penal pública condicionada à representação. # Jurisprudência Correlata ▪ É constitucional a Portaria GP 69/2019, por meio da qual o Presidente do STF determinou a instauração do Inquérito nº 4781, para apurar a existência de fake news denunciações caluniosas, ameaças e atos que podem configurar crimes contra a honra e atingir a honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e familiares. (Info 982, STF) ▪ Não há nulidade na ação penal instaurada a partir de elementos informativos colhidos em IPL que não deveria ter sido conduzido pela PF considerando que a situação não se enquadrava no art. 1º da Lei 10.446/2002. O fato de os crimes de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela PF não geram nulidade. Isso porque esse procedimento foi supervisionado pelo Juízo estadual (juízo Página 31 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal competente) e por membro do MPE (que tinha a atribuição para a causa). (Info 964, STF) ▪ Denúncias anônimas não podem embasar, por si sós, medidas invasivas como interceptações telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas por diligências investigativas posteriores. Se há notícia anônima de comércio de drogas ilícitas numa determinada casa, a polícia deve, antes de representar pela expedição de mandado de busca e apreensão, proceder a diligências para reunir outras evidências que confirmem, indiciariamente, a notícia. (Info 976, STF) Art. 6o LOGO que tiver CONHECIMENTO da prática da infração penal, a AUTORIDADE POLICIAL DEVERÁ: I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; #Jurisprudência Correlata TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE: Quando a acusação não produzir todas as provas possíveis e essenciais para a elucidação dos fatos, capazes de, em tese, levar à absolvição do réu ou confirmar a narrativa acusatória caso produzidas, a condenação será inviável, não podendo o magistrado condenar com fundamento nas provas remanescentes. (STJ, 5ª turma, julgado em 14/12/2021). IV - ouvir o ofendido; V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III doTítulo Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por 2 TESTEMUNHAS que Ihe tenham ouvido a leitura; VI - proceder a RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS e a ACAREAÇÕES; VII - determinar, se for caso, que se proceda a EXAME DE CORPO DE DELITO e a QUAISQUER OUTRAS PERÍCIAS; VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, SE POSSÍVEL, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; Promotores de Justiça e magistrados não podem ser identificados criminalmente. As respectivas leis orgânicas (LOMP e a LOMAN) proíbem o indiciamento deles. IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. X - colher INFORMAÇÕES SOBRE a EXISTÊNCIA DE FILHOS, respectivas IDADES e se possuem alguma DEFICIÊNCIA e o NOME e o CONTATO de eventual RESPONSÁVEL pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. Quando for o caso, o Delegado deverá (e não poderá) proceder ao reconhecimento de pessoas e coisas, fazer acareações, determinar a realização de exame de corpo de delito e outras perícias. Não se trata de mera possibilidade, mas de dever legal. Não precisa de autorização judicial para nenhumas dessas diligências. Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial PODERÁ proceder à REPRODUÇÃO SIMULADA DOS FATOS, desde que esta NÃO contrarie a MORALIDADE ou a ORDEM PÚBLICA. REPRODUÇÃO SIMULADA DOS FATOS (RECONSTITUIÇÃO DO CRIME) Prova TÍPICA (prevista no CPP), mas INOMINADA (não tem seu procedimento delineado no CPP). Acusado NÃO é obrigado a participar dela, pois não se pode exigir comportamento ativo. O investigado sequer pode ser obrigado a ir ao local da reprodução. (STF). Cuidado: Há quem entenda que ele está obrigado a pelo menos a ir ao local. Página 32 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Delegado NÃO precisa de autorização judicial. Requisito: não contrariar a moralidade ou ordem pública. #MNEMÔNICO: “ACUSADO/INVESTIGADO/SUSPEITO NÃO É OBRIGADO A COMPARECER NO ‘BARE’” (Não cabe condução coercitiva) B Bafômetro A Acareação R Reprodução simulada dos fatos E Exame datiloscópioco. Art. 8o Havendo prisão em flagrante, será observado o disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro. Art. 9o TODAS as peças do IPL serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. Art. 10. O IPL deverá terminar no prazo de 10 DIAS, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 DIAS, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO IPL RÉU PRESO 10 DIAS. Até o advento do Pacote Anticrime, esse prazo era improrrogável. O art. 3o-B, §2o do CPP (ainda com a eficácia suspensa) passou a prever que o prazo poderá ser prorrogado por 15 dias, uma única vez, pelo juiz das garantias. PRAZO É PENAL: dia do início é computado. Início do Prazo: ordem de prisão for executada (quer decorra de prisão em fragrante ou preventiva). RÉU SOLTO ▪ 30 DIAS, prorrogável. ▪ PRAZO É PROCESSUAL PENAL: dia do início não é computado. Início do Prazo: ▪ Expedição da portaria (na instauração de ofício). ▪ Recebimento dos docs pelo Delegado (na instauração por requisição). CUIDADO: Prazo da prisão (temporária, por exemplo) não se confunde com prazo para conclusão do IP. #INTERDISCIPLINARIEDADE #ASSIMFICAFÁCIL PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO IPL DIPLOMA PRESO SOLTO CPP 10 DIAS (+15*) 30 DIAS (+30) JF 15 DIAS (+15) 30 DIAS (+30) LEI 11.343/06 (DROGAS) 30 DIAS (+30) 90 DIAS (+90) LEI 1.521/51 (ECONOMIA POPULAR) 10 DIAS 10 DIAS PRISÃO TEMPORÁRIA em CRIMES HEDIONDOS 30 + 30 DIAS NÃO SE APLICA JUSTIÇA MILITAR 20 DIAS 40 DIAS (+ 20) *Eficácia suspensa. § 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao JUIZ COMPETENTE. § 2o No relatório poderá (e não deverá) a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas. Página 33 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal # Comentários ▪ Relatório não é uma peça obrigatória para oferecimento de denúncia. É uma peça essencialmente descritiva. Não é necessário que o Delegado faça juízo de valor (quem faz é o MP). O IPL é uma peça descritiva. Exceção: Na Lei de Drogas (Art. 52, I), o Delegado é obrigado a explicar as razões que o levaram a classificação do delito, quantidade e indícios que classifiquem o indiciado como usuário ou traficante. ▪ A autoridade policial sempre deverá indicar o tipo penal em que acha incurso o investigado. Isso se denomina juízo de subsunção precária. O juízo de subsunção próprio cabe ao MP, por ocasião da denúncia. ▪ Os autos do IPL devem ser encaminhados ao juízo competente, e não diretamente ao MP. § 3o Quando o fato for de DIFÍCIL ELUCIDAÇÃO, e o indiciado estiver SOLTO, a autoridade poderá requerer ao juiz a DEVOLUÇÃO DOS AUTOS, para ulteriores diligências, que serão realizadas no PRAZO MARCADO pelo juiz. Delegado não pode pedir a devolução dos autos se o indiciado estiver preso. Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do IPL. Art. 12. O Inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. (E não em todos os casos) #Jurisprudência Correlata A denúncia anônima acerca da ocorrência de tráfico de drogas acompanhada das diligências para a constatação da veracidade das informações prévias podem caracterizar as fundadas razões para o ingresso dos policiais na residência do investigado (Info 734, STJ, 04/2022). Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial: I - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos; II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo MP; III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias; IV - representar acerca da prisão preventiva. Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149- A, no § 3º do Art. 158 e 159 do Código Penal e no Art. 239 do ECA, o membro do MINISTÉRIO PÚBLICO ou o DELEGADO DE POLÍCIA poderá requisitar, de QUAISQUER ÓRGÃOS do PODER PÚBLICO ou de EMPRESAS DA INICIATIVA PRIVADA, DADOS E INFORMAÇÕES CADASTRAIS da VÍTIMA ou de SUSPEITOS. Esse dispositivo trata dos crimes de “PRIVAÇÃO DE LIBERDADE”. SÃO ELES: ▪ Sequestro e cárcere privado ▪ Condição análoga à de escravo ▪ Extorsão mediante Sequestro ▪ Sequestro relâmpago ▪ Tráfico de Pessoas ▪ Envio de criança ou adolescente para exterior Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24 HORAS, conterá: I - o nome da autoridade requisitante; II - o número do IPL; e III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação. Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao TRÁFICO DE PESSOAS, omembro do MINISTÉRIO PÚBLICO ou o DELEGADO DE POLÍCIA poderão REQUISITAR, mediante AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, às empresas prestadoras de serviço de Página 34 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a LOCALIZAÇÃO DA VÍTIMA OU DOS SUSPEITOS do delito em curso. § 1o Para os efeitos deste artigo, SINAL significa POSICIONAMENTO DA ESTAÇÃO DE COBERTURA, SETORIZAÇÃO E INTENSIDADE DE RADIOFREQUÊNCIA. § 2o Na hipótese de que trata o caput, o SINAL: I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza, que dependerá de autorização judicial, conforme disposto em lei; II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não superior a 30 DIAS, renovável por uma única vez, por igual período; III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a apresentação de ordem judicial. § 3o Na hipótese prevista neste artigo, o INQUÉRITO POLICIAL DEVERÁ SER INSTAURADO no prazo máximo de 72 HORAS, contado do registro da respectiva ocorrência policial. § 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 HORAS, a autoridade competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz. ENUNCIADO I DA I JORNADA DE DIREITO E PROCESSO PENAL (10 a 15 de agosto de 2020) Nos crimes submetidos à jurisdição brasileira, os provedores de conexão e de aplicações de internet que prestam serviços no Brasil devem fornecer o conteúdo de comunicações armazenadas em seu poder, não lhes sendo lícito, sob pena de sanções processuais, invocar legislação estrangeira para eximir-se do dever de cumprir a decisão judicial. Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. Art. 14-A. Nos casos em que servidores vinculados às instituições dispostas no Art. 144 da Constituição Federal figurarem como investigados em inquéritos policiais, inquéritos policiais militares e demais procedimentos extrajudiciais, cujo objeto for a investigação de fatos relacionados ao uso da força letal praticados no exercício profissional, de forma consumada ou tentada, incluindo as situações dispostas no art. 23 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), o indiciado poderá constituir defensor. (2019) § 1º Para os casos previstos no caput deste artigo, o investigado deverá ser citado da instauração do procedimento investigatório, podendo constituir defensor no prazo de até 48 HORAS a contar do recebimento da citação. § 2º Esgotado o prazo disposto no § 1º deste artigo com ausência de nomeação de defensor pelo investigado, a autoridade responsável pela investigação deverá intimar a instituição a que estava vinculado o investigado à época da ocorrência dos fatos, para que essa, no prazo de 48 HORAS, indique defensor para a representação do investigado. § 3º Havendo necessidade de indicação de defensor nos termos do § 2º deste artigo, a defesa caberá preferencialmente à Defensoria Pública, e, nos locais em que ela não estiver instalada, a União ou a Unidade da Federação correspondente à respectiva competência territorial do procedimento instaurado deverá disponibilizar profissional para acompanhamento e realização de todos os atos relacionados à defesa administrativa do investigado. § 4º A indicação do profissional a que se refere o § 3º deste artigo deverá ser precedida de manifestação de que não existe defensor público lotado na área territorial onde tramita o inquérito e com atribuição para nele atuar, hipótese em que poderá ser indicado profissional que não integre os quadros próprios da Administração. Página 35 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal § 5º Na hipótese de não atuação da Defensoria Pública, os custos com o patrocínio dos interesses dos investigados nos procedimentos de que trata este artigo correrão por conta do orçamento próprio da instituição a que este esteja vinculado à época da ocorrência dos fatos investigados. § 6º As disposições constantes deste artigo se aplicam aos servidores militares vinculados às instituições dispostas no art. 142 da Constituição Federal, desde que os fatos investigados digam respeito a missões para a Garantia da Lei e da Ordem. Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade policial. Dispositivo não recepcionado. Art. 16. O MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO PODERÁ requerer a DEVOLUÇÃO DO INQUÉRITO À AUTORIDADE POLICIAL, senão para NOVAS DILIGÊNCIAS, IMPRESCINDÍVEIS ao OFERECIMENTO DA DENÚNCIA. Requerimento pode ser feito diretamente ao Delta. Juiz não pode indeferir o pedido de diligências, porque não cabe ao juiz à análise desses elementos neste momento, aqui ele estaria realizando um ato tumultuário, pois interferindo no desenvolvimento da convicção do MP, titular da ação penal. Caso o juiz indefira o pedido de devolução dos autos à autoridade policial, caberá Correição Parcial. Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, SE de outras provas tiver notícia. MOTIVO DO ARQUIVAMENTO É POSSÍVEL DESARQUIVAR? Insuficiência de provas SIM (Súmula 524, STF) Ausência de pressuposto processual ou de condição da ação penal SIM Falta de justa causa para a ação penal (não há indícios de autoria ou prova da materialidade) SIM Atipicidade (fato não é crime) NÃO Existência manifesta de causa excludente de ilicitude STJ: NÃO (REsp 791471/RJ) STF: SIM (HC 125101/SP) Existência manifesta de causa excludente de culpabilidade NÃO (doutrina) Existência manifesta de causa extintiva da punibilidade NÃO (STJ HC 307.562/RS) (STF Pet 3943) Exceção: certidão de óbito falsa. Cuidado: Desarquivamento não é sinônimo de oferecimento de denúncia. Desarquivar é reabrir as investigações e, para tanto, basta a notícia de provas novas. Por outro lado, para o oferecimento da denúncia (início da ação penal), não bastará a notícia. Precisará efetivamente de prova nova (inovadora, capaz de produzir uma alteração no contexto probatório). * Tabela extraída do site dizerodireito.com.br Súmula 524, STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. Página 36 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito (ação penal privada) serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado. Crime é de AÇÃO PENAL PÚBLICA Crime é de AÇÃO PENALPRIVADA Autos são remetidos ao MP Autos ficam em cartório aguardando a iniciativa da vítima. Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade policial NÃO poderá mencionar QUAISQUER ANOTAÇÕES referentes a instauração de inquérito policial contra os requerentes. Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir. Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de 3 dias, será decretada por despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do órgão do MP, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no Art. 89, inciso III, do Estatuto da OAB. A doutrina majoritária entende que essa incomunicabilidade não foi recepcionada pela CF. Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, ordenar diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra circunscrição. Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inquérito ao juiz competente, a autoridade policial oficiará ao Instituto de Identificação e Estatística, ou repartição congênere, mencionando o juízo a que tiverem sido distribuídos, e os dados relativos à infração penal e à pessoa do indiciado. Página 1 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal NORTE LEGAL LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL ABRANGÊNCIA: ART. 24 AO 62 DA AÇÃO PENAL – NOTAS INTRODUTÓRIAS CONDIÇÕES GENÉRICAS DA AÇÃO PENAL (todas têm que ter) LEGITIMIDADE DAS PARTES (AD CAUSAM) ATIVA PASSIVA ▪ Ação Penal Pública: MP ▪ Ação Penal Privada: Ofendido (Pessoa Física ou Pessoa Jurídica) ou seu Representante Legal. ▪ Autor de crimes (maior de 18 anos). ▪ Pessoa Jurídica: apenas nos crimes ambientais. Obs. Não há mais a exigência de dupla imputação obrigatória. INTERESSE DE AGIR NECESSIDADE ADEQUAÇÃO UTILIDADE Presumida Não se discute no processo penal, pois o acusado se defende dos fatos. Relevante apenas nas ações penais não condenatórias. É o caso do Habeas Corpus, que não é adequado quando não houver risco à liberdade de locomoção, a exemplo do Art. 28 da Lei de Drogas (Consumo pessoal). Eficácia da atividade jurisdicional para satisfazer o interesse do autor. Obs. Prescrição em perspectiva é a antecipação do reconhecimento da prescrição punitiva. Os tribunais superiores não a reconhecem. POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO (FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL + PUNÍVEL) Página 2 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal JUSTA CAUSA CONCEITO NATUREZA JURÍDICA CONSEQUÊNCIA Lastro probatório mínimo para o ingresso da ação penal. (fumus comissi delicti) Prevalece que é a 4a condição da ação. Rejeição da denúncia Art. 395: Denúncia|queixa será́ rejeitada: I - manifestamente inepta; II - faltar pressuposto processual ou condição para exercício da ação penal; III - faltar justa causa para exercício da ação penal. # O que é JUSTA CAUSA DUPLICADA? Presente na ação penal nos crimes de LAVAGEM DE CAPITAIS. Decorre da premissa de que não basta demonstrar a presença de lastro probatório quanto à ocultação de bens, direitos ou valores, sendo indispensável que a denúncia também seja instruída com suporte probatório demonstrado que tais valores são provenientes, direta ou indiretamente, de infrações penais, Em outras palavras, como já dissemos, a justa causa é considerada uma das condições da ação penal, consistindo no suporte probatório mínimo para deflagrar o processo penal consistindo em prova de autoria e materialidade do fato. Em alguns casos, como é o caso da lavagem de dinheiro, a acusação deve apresentar indícios suficientes de que ocorreu crime antecedente. A isso se dá o nome de justa causa duplicada. CONDIÇÕES ESPECÍFICAS DA AÇÃO PENAL (CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE) Quanto à Natureza do delito Ex: Representação no crime de estelionato (Lei nº. 13.964/19). Cuidado: se a vítima for a Administração Pública (direta ou indireta), criança, adolescente, pessoa com deficiência mental, maior de 70 anos ou incapaz, a ação penal será púlica incondicionada. Quanto à Pessoa do acusado Ex: autorização da Câmara dos Deputados para o processo e julgamento do Presidente da República. Quanto ao Procedimento Crimes contra propriedade imaterial: exigem laudo pericial. Crimes da lei de drogas: exigem laudo de constatação. Página 3 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal DIFERENÇA ENTRE CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE e PROSSEGUIBILIDADE CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE CONDIÇÃO DE PROSSEGUIBILIDADE Condição tem que ser implementada para que o processo tenha INÍCIO. Ex: Representação num crime de estupro de 2016 (antes da lei que definiu que todos os crimes sexuais são de ação penal pública incondicionada). Sem ela, o MP não poderia denunciar o réu. Processo está EM ANDAMENTO, mas a lei impõe o implemento de uma condição para ele prosseguir. Ex: A Lei nº 9.099/95 passou a exigir a representação nos crimes de lesão corporal leve e culposa. Para os processos que estavam em tramite perante o Juizado, a representação funcionou como condição de prosseguibilidade. No entanto, nos processos que fossem começar a representação seria uma condição de procedibilidade. Temos ainda a CONDIÇÃO DE PUNIBILIDADE: Acontecimento futuro e incerto, localizado entre o preceito primário e secundário da norma penal incriminadora, condicionando a existência da pretensão punitiva do Estado. Ex1: Sentença que decreta a falência, concede a recuperação judicial ou extrajudicial é condição objetiva de punibilidade dos crimes falimentares. Ex2: Decisão final do procedimento administrativo nos crimes materiais contra a ordem tributária. AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA REGRA: AÇÃO PENAL PRIVADA. EXCEÇÕES: INJÚRIA REAL MEDIANTE VIOLÊNCIA OU VIAS DE FATO ▪ Injúria real mediante VIAS DE FATO: AP PRIVADA ▪ Injúria real mediante LESÃO CORPORAL GRAVE ou GRAVÍSSIMA: AP PÚBLICA INCONDICIONADA ▪ Injúria real mediante LESÃO CORPORAL LEVE: AP PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO. ▪ Injúria QUALIFICADA|INJÚRIA-PRECONCEITO: AP PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO. OBS: Crime de racismo (lei 7.716/89) é de ação penal pública incondicionada. Não atinge só a honra de uma pessoa, é uma oposição indistinta a toda uma raça, etnia, religião, procedência nacional. (STJ) Página 4 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal CRIME CONTRA A HONRA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA AP PÚBLICA CONDICIONADA À REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA. CRIME CONTRA A HONRA DE SERVIDOR PÚBLICO EM RAZÃO DESUAS FUNÇÕES ▪ 2 possibilidades: I - AP PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO; ou II - AP PRIVADA. A legitimidade é concorrente (ALTERNATIVA – denúncia ou queixa-crime). COMPETÊNCIA DOS CRIMES SEXUAIS A partir da vigência da Lei 13.718/2018, todos os crimes contra a liberdade sexual passaram a ser de AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA. São eles: ▪ Estupro; ▪ Violação sexual mediante fraude; ▪ Importunação sexual; ▪ Assédio sexual; ▪ Estupro de vulnerável; ▪ Corrupção de menores; ▪ Satisfação de lascívia mediante presença de COMA; ▪ Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de COMA ou vulnerável; ▪ Divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia. O Art. 225 do CP prevê a AP PÚBLICA INCONDICIONADA para os crimes previstos nos capítulos I e II (os listados acima). Como ficam os crimes previstos nos demais capítulos? Renato Brasileiro afirma que, apesar do silêncio do legislador, também são de AP PÚBLICA INCONDICIONADA. A regra para todo e qualquer crime é AP PÚBLICA INCONDICIONADA, sendo de AP PRIVADA ou de AP PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO apenas quando a lei assim prever, no silêncio da lei segue a regra geral. Página 5 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal CONFLITO DE ATRIBUIÇÃO ENTRE MEMBROS DO MP ▪ Só existe conflito de atribuições se divergência ficar restrita aos membros do MP. Se juízes encamparem as teses dos membros do MP, haverá um conflito de competência. ▪ Caso haja um conflito de atribuições entre membros do MP, quem irá decidir qual dos dois órgãos irá atuar? Depende. Podemos identificar situações diferentes: MPE do Estado X x MPE do Estado Y - PGJ do ESTADO X MPF x MPF – CCR, com recurso ao PGR MPU (ramo 1) x MPU (ramo 2) – PGR MPE x MPF –CNMP MPE do Estado 1 x MPE do Estado 2 - CNMP ESPÉCIES DE DENÚNCIA CRIPTOIMPUTAÇÃO Imputação contaminada por GRAVE DEFICIÊNCIA na NARRATIVA DO FATO delituoso. Espécie de denúncia criptografada, em códigos. DENÚNCIA GERAL Admite-se nos crimes de AUTORIA COLETIVA. O MP imputa a todos os acusados o mesmo fato delituoso, independentemente das funções exercidas por eles na empresa. Um fato só – não há inépcia, não viola o princípio da ampla defesa, o indivíduo como integrante da sociedade sabe de qual fato típico tem de se defender. DENÚNCIA GENÉRICA (NÃO ACEITA) Denuncia não individualiza a conduta do agente. Imputa fato a agente sem descrever a conduta ou o descreve diversos fatos aos agentes indistintamente, sem dizer como cada um contribuiu. Importância: nos crimes societários (de gabinete). É aquela que inclui diretor, gerente, preposto da Pessoa Jurídica na ação apenas por ele ostentar essa qualidade, mas não descreve qual conduta criminosa dessa pessoa. É INEPTA. DENÚNCIA SUBSTITUTIVA ▪ MP pode repudiar queixa subsidiária (AP PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA), e em face disso FICA OBRIGADO A OFERECER OUTRA, para substituir repudiada. ▪ MP pode repudiar queixa até recebimento da peça acusatória, (Olha Juiz, não fui inerte pelas razões x e y). Página 6 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA SUBJETIVA ou OBJETIVA na DENÚNCIA (NÃO SÃO ACEITAS) IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA SUBJETIVA (IAS) IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA OBJETIVA (IAO) Atribui crime a mais de 1 pessoa, mas apenas uma cometeu. (Juiz, ou foi Zé ou foi Chico) Atribui alternativamente os vários crimes a uma mesma pessoa. (Juiz, ou foi furto ou roubo) IAS SIMPLES IAS COMPLEXA IAO AMPLA IAO RESTRITA Dúvida sobre a autoria. Dúvida sobre a autoria e se houve crime. Incide sobre a ação principal. Ex: furto e receptação Incide sobre circunstância ou qualificadora. IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA ORIGINÁRIA ou OBJETIVA na DENÚNCIA IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA ORIGINÁRIA IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA OBJETIVA Na denúncia, os fatos são imputados ao agente de forma alternativa. Não se admite! Ocorre na mutatio libelli, quando o MP adita a denúncia. Ex: Na audiência de instrução e julgamento, surge a elementar “violência” – o que era furto passou a ser roubo. Admitida! ADITAMENTO DA DENÚNCIA ADITAMENTO PRÓPRIO ADITAMENTO IMPRÓPRIO ▪ Inclui novo fato investigado (REAL) ou novos indiciados (PESSOAL) na denúncia. ▪ ADITAMENTO PRÓPRIO REAL: diz respeito a fatos delituosos, incluídos, qualificadoras ou causas de aumento. ▪ ADITAMENTO PRÓPRIO REAL MATERIAL: acrescenta fato à denúncia, qualificando ou agravando o já imputado, com a adição de circunstância não contida na inicial, ou mesmo fato novo que importa imputação de outro ou de mais de um crime. ▪ADITAMENTO PRÓPRIO REAL LEGAL: acréscimo de dispositivo legal, penais ou processuais (substantivo ▪ Corrige falha na denúncia, esclarecimentos que não inovam o fato imputado, ou mesmo em retificação simples ou ratificação da denúncia. ▪ Não interrompe a prescrição. Ex: equivoco na qualificação do acusado, local exato do delito. Fundamenta-se no 569 do CPP que permite a correção de omissões da denúncia a todo tempo, antes de sentença final. Página 7 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal ou adjetivo), ALTERANDO, assim, a classificação ou o rito processual, mas sem inovar no fato narrado ▪ ADITAMENTO PRÓPRIO PESSOAL: inclusão de coautores e partícipes. OBS: Só o ADITAMENTO PRÓPRIO REAL interrompe a prescrição. ▪ O Princípio do IN DUBIO PRO SOCIETATE se aplica em 2 momentos processuais: I - RECEBIMENTO da DENÚNCIA II - Decisão de PRONÚNCIA Espaço para anotações: Página 8 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941) TÍTULO III - DA AÇÃO PENAL Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. # Comentários ▪ A requisição do Ministro da Justiça trata-se de uma condição de procedibilidade (em regra). ▪ A requisição do Ministro da Justiça não se sujeita a prazo decadencial. ▪ É cabível a retratação da requisição do Ministro da Justiça. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO É a regra, salvo quando a lei declara de modo diverso. Não depende de nenhuma condição específica. MP depende do implemento de uma condição, prevista em lei, para oferecer a denúncia, quais sejam, a representação do ofendido ou requisição do MJ. ▪ Ex: injúria racial, regra geral no estelionato (após o advento da Lei nº 13.964/2019) AÇÃO PENAL PÚBLICA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA ▪ CONCEITO: inércia de um órgão oficial. Diante disso, outro órgão oficial assume a titularidade da ação penal. ▪ HIPÓTESES (2) ➊ CRIMES ELEITORAIS (MPE age por delegação). MPE inerte? Procurador Regional Eleitoral pode oferecer denúncia subsidiária. ➋ INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DA COMPETÊNCIA (IDC). MPE tem atribuição, mas verificada a inércia do aparato estadual e,em se tratando de crimecom grave violação aos direitos humanos, a CF prevê que o STJ pode autorizar deslocamento da competência para a Justiça Federal, na qual atuará o MPF. PRINCÍPIOS DAS AÇÕES PENAIS PÚBLICAS OBRIGATORIEDADE MP tem que oferecer a denúncia (se presentes condições da ação e a justa causa, não havendo discricionariedade). Exceções: I - Transação Penal; II - Acordo de Leniência; III - Parcelamento do Crédito Tributário; IV - Colaboração premiada na Lei de Organizações Criminosas; V- Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). INDISPONIBILIDADE MP NÃO pode DESISTIR da AÇÃO PENAL proposta e NEM do RECURSO que interpôs, mas pode pedir absolvição do réu ou até mesmo recorrer em favor dele. Exceções: I - Suspensão Condicional do Processo; II - Transação penal (quando ocorre após o recebimento da denúncia). Página 9 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal DIVISIBILIDADE MP pode oferecer denúncia contra alguns suspeitos, sem prejuízo do aprofundamento das investigações em relação aos demais. NÃO precisa denunciar todo mundo, desde que fundamente. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES PENAIS AÇÃO PENAL EX OFÍCIO (PROCESSO JUDICIALIFORME) Ação penal é iniciada de ofício pelo juiz. Não foi recepcionada pela CF. AÇÃO PENAL DE 2o GRAU Ações penais manejadas diretamente nos Tribunais Superiores. AÇÃO PENAL POPULAR Qualquer do povo pode ajuizar. Existem 2 hipóteses: I - Habeas corpus II - Crime de responsabilidade (Lei nº 1.079/50) AÇÃO PENAL ADESIVA LITISCONSÓRCIO ATIVO (dupla legitimação) entre o MP (no crime de AP PÚBLICA) e o QUERELANTE (na AP PRIVADA). Nestes casos, o MP ingressa com a denúncia e o querelante interpõe a queixa- crime. Ex: em crimes praticados no contexto de violência doméstica, cabe ao MP oferecer denúncia em relação ao crime de ameaça e a vítima oferecer queixa-crime no caso de injúria. AÇÃO DE PREVENÇÃO PENAL Ação contra INIMPUTÁVEL. Denúncia não pede condenação, mas sim a aplicação de medida de segurança (absolvição imprópria). AÇÃO PENAL SECUNDÁRIA Circunstâncias do caso concreto fazem variar a modalidade de ação penal. Ex: crimes contra a honra. Regra: AP PRIVADA, que pode virar APPCR (vítima é o Presidente da República) ou até mesmo APPI (calúnia eleitoral). AÇÃO PENAL INDIRETA Ocorre quando o MP REASSUME o POLO ATIVO na AP PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA, se o querelante for negligente. #Jurisprudência Correlata Caso adaptado: o MP denunciou 19 pessoas por diversos crimes contra a administração pública, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Dentre as pessoas denunciadas estavam João e sua filha Carla. João seria o líder da organização criminosa e teria praticado, dentre outros delitos, peculato, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Carla também foi denunciada, mas apenas por lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, uma das empreiteiras beneficiadas com o esquema, teria reformado a casa de Carla. Em nenhum momento, contudo, é descrita qual teria sido a conduta praticada por Carla ou se ela realmente saberia da origem ilícita dos recursos. Para o STJ, a partir do exame da denúncia, não se consegue inferir que a conduta supostamente praticada pela denunciada efetivamente tenha contribuído para o êxito da empreitada criminosa. Contra ela é imputada a prática de ocultação de valores oriundos de suposta prática ilícita. Ocorre que, diferentemente dos demais acusados, não resta claro da denúncia que delito antecedente teria a acusada cometido. Conclusão: Inexistindo a demonstração do mínimo vínculo entre o acusado e o delito a ele imputado, impossibilitado está o exercício do contraditório e da ampla defesa (Info 730, STJ, 03/2022). Página 10 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal § 1o No caso de MORTE do ofendido ou quando declarado AUSENTE por decisão judicial, o direito de representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (CADI). # Jurisprudência correlata ▪ A companheira (hetero ou homoafetiva) também possui legitimidade para ajuizar a ação penal privada. (STJ, 2019) ▪ No rito especial da Lei nº 8.038/90, a rejeição da denúncia é balizada pelo art. 395 do CPP e a improcedência da acusação é pautada pelo disposto no art. 397 do CPP. (Info 657, STJ). § 2o SEJA QUAL FOR O CRIME, quando praticado em detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado e Município, a AÇÃO PENAL SERÁ PÚBLICA. Art. 25. A representação será IRRETRATÁVEL, DEPOIS DE OFERECIDA A DENÚNCIA. # Tudo que você precisa saber sobre a REPRESENTAÇÃO na AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA à REPRESENTAÇÃO É CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE e sem ela não há que se falar em APF, IPL ou PROCESSO. Excepcionalmente, será condição de prosseguibilidade (Ex: Art. 91 da Lei 9.099/95) É a manifestação do Ofendido ou RL (incapacidade ou ausência) de interesse na persecução penal do fato. ▪ NÃO requer . Há julgados dizendo que um simples Boletim de Ocorrência ou Exame de corpo de delito são suficientes. Ex: Fernanda, estuprada, dirigiu-se à Delegacia e fez o Exame de Corpo de Delito, mas não assinou a representação. Nesse caso, a realização de Exame de Corpo de Delito demonstra interesse na ação penal, razão pela qual o Delegado deve instaurar IPL, mesmo sem a assinatura de Fernanda. ▪ Sem a representação, só pode ocorrer as 2 primeiras fases da Prisão em Flagrante: 1) CAPTURA 2) CONDUÇÃO COERCITIVA (à presença da Autoridade Policial), mas o APF não pode ser lavrado. ▪ IPL iniciado sem ela? Cabe MS para trancamento. ▪ RETRATAÇÃO da REPRESENTAÇÃO: possível ATÉ O OFERECIMENTO da DENÚNCIA. ▪ EFICÁCIA OBJETIVA da REPRESENTAÇÃO: quando feita, é válida contra TODOS coautores e partícipes. Se a vítima representou quanto a um fato delituoso, o MP pode denunciar todo mundo. No entanto, feita quanto a um crime, não autoriza o MP a agir quanto a outros crimes que não foram objeto de representação. ▪ Direito de Representação pode ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao Juiz, ao órgão do MP, ou ao Delegado. ▪ Representação feita oralmente ou por escrito, sem assinatura devidamente autenticada do Ofendido ou RL ou procurador, será reduzida a termo, perante Juiz ou Delegado, presente o MP, quando a este houver sido dirigida. ▪ Representação, quando feita ao Juiz ou perante este reduzida a termo, será remetida à Delegado para que esta proceda a IPL. ▪ MP pode dispensar o IPL, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de 15 dias. ▪ MORTE do ofendido ou declarado AUSENTE? Direito de REPRESENTAÇÃO passa ao CADI. Espaço para anotações: Página 11 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal #INTERDISCIPLINARIEDADE #LEIMªDAPENHA RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO NO CPP RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO NA LEI 11.340/06 ATÉ OFERECIMENTO DA DENÚNCIA ATÉ RECEBIMENTO DA DENÚNCIA (EM AUDIÊNCIA ESPECÍFICA) - Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação peranteo juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do RECEBIMENTO da denúncia e ouvido o Ministério Público. Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será iniciada com o auto de prisão em flagrante ou por meio de portaria expedida pela autoridade judiciária ou policial. Esse dispositivo (Processo Judicialiforme) NÃO foi RECEPCIONADO pela CF/88. O MP é o titular da ação penal! Art. 129 da CF/88. São funções institucionais do Ministério Público: I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; [...] Art. 27. QUALQUER PESSOA DO POVO PODERÁ provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos em que caiba a AÇÃO PÚBLICA, fornecendo-lhe, POR ESCRITO, informações sobre o fato e a autoria e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Art. 28. Ordenado o ARQUIVAMENTO do inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a INSTÂNCIA DE REVISÃO MINISTERIAL para fins de HOMOLOGAÇÃO, na forma da lei. A instância ministerial tem 3 alternativas: a) Confirmar o arquivamento, homologando-o; b) Requisitar diligências; c) Designar outro Promotor para oferecer denúncia. Prevalece o entendimento de que o Promotor designado será, pelo menos em tese, obrigado a oferecer a denúncia, sem prejuízo de eventual pedido de absolvição. § 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 DIAS do recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica. § 2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial. REDAÇÃO DO ART. 28 ANTERIOR. (AINDA EM VIGOR) Art. 28: Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador- geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender” Espaço para anotações: Página 12 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal ART. 28 ANTERIOR NOVO ART. 28 Juiz possuía uma função anômala de fiscal do princípio da obrigatoriedade. Colocava a imparcialidade em cheque, tendo em vista que o magistrado que rejeitava o arquivamento, iria, caso fosse oferecida denúncia, julgar o feito. O controle do arquivamento caberá, exclusivamente, ao MP. Portanto, a decisão de arquivamento não está mais sujeita ao controle jurisdicional. O arquivamento é uma decisão complexa, tendo em vista que a decisão do Promotor Natural deverá ser homologada pela instância de revisão ministerial. MPE: PGJ MPF/MPDFT: CCR Considerando a alteração do PACOTE ANTICRIME (mesmo suspensa, pode ser cobrada a literalidade da lei), quem determina o arquivamento é o MP, mas o Delegado, ao concluir o IPL, deve encaminhá-lo para o Juiz. Cuidado: O Pacote Anticrime NÃO alterou a redação do art. 10, §1º do CPP: Art. 10. § 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e ENVIARÁ AUTOS AO JUIZ COMPETENTE. Espaço para anotações: A NOVA REDAÇÃO DO ART. 28 FOI SUSPENSO PELA ADI 6298 MC /DF A SUSPENSÃO ABRANGE: ▪ Artigos 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3ª-E, 3º-F, do CPP: trata da implantação do juiz das garantias e seus consectários; ▪ Art. 28, caput, CPP: trata da alteração do procedimento de arquivamento do inquérito policial; ▪ Art. 157, §5º, do CPP: trata da Implantação do juiz das garantias e seus consectários; alteração do juiz sentenciante que conheceu de prova declarada inadmissível; ▪ Artigo 310, §4°, do CPP: trata da liberação da prisão pela não realização da audiência de custodia no prazo de 24 horas. OBS: A suspensão foi baseada no exíguo prazo (30 dias) para a implementação da nova sistemática do arquivamento do IPL. # Jurisprudência correlata 1. O STF pode, de ofício, arquivar inquérito se verificar que, mesmo após terem sido feitas diligências de investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução do inquérito, não se tem indícios mínimos de autoria ou materialidade. A pendência de investigação, por prazo irrazoável, ofende o direito à razoável duração do processo e a dignidade da pessoa humana (Info 912, STF). Atenção: Esse informativo é anterior ao PACOTE ANTICRIME. 2. ARQUIVAMENTO DE INQUÉRITO ORIGINÁRIO NAS HIPÓTESES DE ATRIBUIÇÃO ORIGINÁRIA DO PGR/PGJ. NÃO SE APLICA O ART. 28 NOS CASOS DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO STF E DO STJ REGRA: quando o pedido de arquivamento de IPL partir do próprio PGR (ou de algum membro do MPF, por delegação), não caberá controle jurisdicional sobre esse ato, devendo ser prontamente atendido. O STF está obrigado a arquivar/homologar o arquivamento, não podendo analisar o seu mérito, Página 13 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal pois PGR|PGJ possuem discricionariedade para determinar o arquivamento, sendo decisão interna corporis, eis que, ainda que Tribunal não concorde, não há como aplicar o Art. 28 do CPP, já que decisão de arquivamento está sendo emanada pelo chefe maior do MP. EXCEÇÃO: Contudo, se arquivamento for apto a produzir coisa julgada formal e material deve ser levada à apreciação do Tribunal, pois apenas uma decisão jurisdicional pode estar revestida pelo manto da coisa julgada formal e material. Naqueles inquéritos de competência originária do PGR ou PGJ (submetido a Tribunais, uma vez que os agentes detêm foro por prerrogativa de função), quando a decisão de arquivamento gerar coisa julgada material, o Tribunal pode analisar o mérito do arquivamento, inclusive, rejeitando-o. STF entende que o pedido de arquivamento, em regra, deve ser acolhido sem que se questione ou se entre no mérito da avaliação deduzida pelo titular da ação penal. Contudo, há 2 hipóteses em que o tribunal poderá analisar o mérito das alegações trazidas pelo PGR ou PGJ, nos casos de sua competência originária, pois fazem coisa julgada material, quais sejam: • ATIPICIDADE DA CONDUTA • EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Nos demais casos, com o pedido de arquivamento do Procurador-Geral, este deve ser feito, não sendo, logicamente, possível a aplicação do Art. 28 do CPP. Atenção: Esse informativo é anterior ao PACOTE ANTICRIME. Espaço para anotações: ESPÉCIES DE ARQUIVAMENTO ARQUIVAMENTO ORIGINÁRIO No arquivamento que partir diretamente do PGR ou PGJ, Tribunal não pode se valer do art. 28 do CPP. Todavia, caberá, no âmbito federal, recurso administrativo à Câmara de Coordenação e Revisão. ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO OU TÁCITO (NÃO É ACEITO) MP oferece denúncia apenas contra 1 ou alguns dos crimes nele narrados (objetivo) ou dos acusados (subjetivo), deixando de oferecer, sem motivo justificado (sem manifestação),em face dos outros. AI objetivo: omissão se dá com relação às infrações praticadas; AI Subjetivo: omissão se dá com relação aos acusados. Exemplo: 2 indiciados no IPL, o promotor oferece denúncia contra apenas contra 1. Não denuncia, nem faz nada (pedido de diligência, por ex) em relação ao segundo. Neste caso, o juiz deveria dizer: “MP manifeste-se sobre acusado 2”, ou deveria aplicar o art. 28. Quando o juiz não faz nem um, nem outro, ocorre o arquivamento implícito do IPL. ARQUIVAMENTO INDIRETO MP não oferece a denúncia, pois entende que o juízo perante o qual oficia é incompetente. Promotor entende que o crime não é daquela competência e manifesta-se no sentido de deixar de oferecer a denúncia sob este fundamento, assim como declinar a competência. O juiz deve receber tal manifestação como se fosse um pedido de arquivamento, nos termos do art. 28. Página 14 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal # REFORÇO PARA NÃO ESQUECER ANTES DO PACOTE ANTICRIME DEPOIS DO PACOTE ANTICRIME MP fazia o requerimento de arquivamento ao juiz, que homologava ou não. MP ordena o arquivamento e remete os autos à instância de revisão ministerial para fins de homologação. Arquivamento era realizado no âmbito do Poder Judiciário. Arquivamento realizado no âmbito do próprio MP, sem participação do Poder Judiciário. OBS: STF suspendeu a eficácia da alteração do procedimento de arquivamento do IPL. FUNDAMENTOS PARA ARQUIVAMENTO ATIPICIDADE FORMAL OU MATERIAL FORMAL Conduta não se encaixa em nenhum tipo penal. MATERIA L Princípio da insignificânci a ou bagatela EXCLUDENTE DA ILICITUDE/CULPABILIDA DE (SALVO INIMPUTABILIDADE); No caso de inimputável, deve ser denunciado, porém com pedido de absolvição imprópria (medida de segurança). CAUSA EXTINTIVA DA PUNIBILIDADE Prescrição, óbito, etc.. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS INFORMATIVOS QUANTO À AUTORIA E MATERIALIDADE. Falta de justa causa para o oferecimento da denúncia. Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado CONFESSADO FORMAL e CIRCUNSTANCIALMENTE a prática de infração penal SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA e com PENA MÍNIMA INFERIOR a 4 ANOS, O MINISTÉRIO PÚBLICO PODERÁ propor ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes CONDIÇÕES AJUSTADAS CUMULATIVA E ALTERNATIVAMENTE: (2019) I - REPARAR O DANO OU RESTITUIR A COISA À VÍTIMA, exceto na impossibilidade de fazê-lo; II - RENUNCIAR VOLUNTARIAMENTE A BENS E DIREITOS indicados pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou proveito do crime; III - PRESTAR SERVIÇO À COMUNIDADE OU A ENTIDADES PÚBLICAS por período correspondente à PENA MÍNIMA COMINADA AO DELITO DIMINUÍDA de UM A DOIS TERÇOS, em local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do Art. 46 do Código Penal; IV - pagar PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA, a ser estipulada nos termos do Art. 45 do Código Penal, a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou V - cumprir, por PRAZO DETERMINADO, OUTRA CONDIÇÃO INDICADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada. CUIDADO: A violência ou grave ameaça, citada no art. 28-A, deve ser praticada na conduta. Portanto, em crimes culposos, ainda que resultem violência contra pessoa, será cabível o acordo. A vedação alcança a violência imprópria, que é a denominação que se dá a quem usa qualquer outro meio para impossibilitar a defesa da vítima do roubo. Exemplos: uso de sonífero, boa noite cinderela ou hipnose. § 1º Para AFERIÇÃO DA PENA MÍNIMA cominada ao delito a que se refere o caput deste artigo, serão Página 15 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal consideradas as CAUSAS DE AUMENTO e DIMINUIÇÃO aplicáveis ao caso concreto. § 2º O disposto no caput deste artigo NÃO SE APLICA nas SEGUINTES HIPÓTESES: I - se for cabível TRANSAÇÃO PENAL de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei; II - se o investigado for REINCIDENTE ou se houver elementos probatórios que indiquem CONDUTA CRIMINAL HABITUAL, REITERADA OU PROFISSIONAL, EXCETO se insignificantes as infrações penais pretéritas; ATENÇÃO: Não confunda criminoso habitual (referido acima) com crime habitual, em que uma conduta isolada não será suficiente para a caracterização de uma infração penal, a exemplo do exercício ilegal de profissão. Contradição na utilização da expressão “exceto se insignificantes as infrações penais pretéritas”: Como se sabe, o princípio da insignificância exclui a tipicidade material, portanto, não haveria como existir uma infração penal pretérita. Por isso, a melhor leitura da expressão “insignificância”, de acordo com Renato Brasileiro, é no sentido de infração de menor potencial ofensivo. III - ter sido o agente BENEFICIADO NOS 5 ANOS ANTERIORES AO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO, em ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL, TRANSAÇÃO PENAL ou SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO; e IV - nos crimes praticados no âmbito de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA OU FAMILIAR, OU praticados contra a MULHER por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor. ATENÇÃO: Crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, pouco importando o sexo da vítima, não admitem o ANPP. Crime contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, ainda que cometido fora do ambiente doméstico e familiar, também não. ANPP SÓ SE APLICA SE: (REQUISITOS POSITIVOS) I - Viabilidade da persecução penal. (NÃO É CASO DE ARQUIVAMENTO) II - Infração penal cometida SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA III- CONFISSÃO IV - Infração penal com PENA MÍNIMA INFERIOR A 4 ANOS ANPP NÃO SE APLICA SE: (REQUISITOS NEGATIVOS) I - Couber TRANSAÇÃO PENAL (Contravenções penais e crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos, cumulada, ou não, com multa) II - Investigado REINCIDENTE ou há elementos probatórios que indiquem conduta criminal HABITUAL, REITERADA ou PROFISSIONAL, EXCETO se INSIGNIFICANTES as IP`s pretéritas III - Agente BENEFICIADO nos 5 ANOS anteriores à infração com ANPP, TP ou SCP IV - Crimes com VDFCM, ou praticados contra mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor. § 3º O acordo de não persecução penal será FORMALIZADO POR ESCRITO e será firmado pelo membro do MINISTÉRIO PÚBLICO, pelo INVESTIGADO e por seu DEFENSOR. § 4º Para a HOMOLOGAÇÃO do acordo de não persecução penal, será realizada AUDIÊNCIA na qual o juiz deverá verificar a sua VOLUNTARIEDADE, por meio da oitiva do investigado na presença do seu defensor, e sua LEGALIDADE. § 5º Se o juiz considerar INADEQUADAS, INSUFICIENTES OU ABUSIVAS as condições dispostas Página 16 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal no acordo de não persecução penal, DEVOLVERÁ OS AUTOS AO MINISTÉRIO PÚBLICO para que seja reformulada a proposta de acordo, com concordância do investigado e seu defensor. § 6º Homologado judicialmenteo acordo de não persecução penal, o juiz DEVOLVERÁ OS AUTOS AO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA QUE INICIE SUA EXECUÇÃO perante o JUÍZO DE EXECUÇÃO PENAL. § 7º O juiz PODERÁ RECUSAR homologação à proposta que NÃO ATENDER AOS REQUISITOS LEGAIS OU QUANDO NÃO FOR REALIZADA A ADEQUAÇÃO a que se refere o § 5º deste artigo. § 8º Recusada a homologação, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para a análise da necessidade de complementação das investigações ou o oferecimento da denúncia. § 9º A VÍTIMA SERÁ INTIMADA DA HOMOLOGAÇÃO do acordo de não persecução penal e de seu descumprimento. VÍTIMA SERÁ INTIMADA da: HOMOLOGAÇÃO do ANPP e DESCUMPRIMENTO do ANPP . § 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o MINISTÉRIO PÚBLICO DEVERÁ COMUNICAR AO JUÍZO, para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de denúncia. § 11. O DESCUMPRIMENTO do acordo de não persecução penal pelo investigado TAMBÉM PODERÁ SER UTILIZADO pelo Ministério Público como JUSTIFICATIVA PARA O EVENTUAL NÃO OFERECIMENTO de SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO. § 12. A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III do § 2º deste artigo. § 13. Cumprido integralmente o acordo de não persecução penal, o juízo competente decretará a extinção de punibilidade. § 14. No caso de RECUSA, por parte do Ministério Público, em propor o acordo de não persecução penal, o INVESTIGADO PODERÁ REQUERER A REMESSA DOS AUTOS A ÓRGÃO SUPERIOR, na forma do Art. 28 deste Código. ENTENDA O PASSO A PASSO DA CELEBRAÇÃO DO ANPP 1. Após receber os autos do IPL, o Promotor vai verificar, primeiro, se não é caso de arquivamento (ex, se há indícios de autoria); 2. Não sendo caso de arquivamento, o Promotor vai dilgenciar para ter acesso à folha de antecedentes criminais do investigado, a fim de saber se ele foi beneficado nos últimos 5 anos anteriores ao cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo; 3. Não foi? O Promotor convidará/notificará o investigado para comparecer à Promotoria de Justiça, assistido por Advogado ou Defensor Público, para saber se ele tem interesse na celebração; 4. Nessa audiência extrajudicial (pode ser gravada por meio audiovisual), o Promotor vai dizer quais são as eventuais condições para a celebração do ANPP, indagando o investigado se confessa o delito; 5. ANPP assinado? Promotor encaminhará o termo do acordo para homologação do Juiz, com o pedido de designação de audiência, nos termos do § 4º; 6. Homologado, o Juiz devolve os autos para que o Promotor inicie sua execução perante o juízo de execução penal. Uma vez cumprido integralmente, o Promotor informará ao Juiz, requerendo o arquivamento do IPL. Se não foi cumprido, o Promotor atuante no feito deverá comunicar o juiz da execução, para fins de sua rescisão e devolução dos autos ao Juiz responsável pela homologação, para posterior oferecimento de denúncia. Espaço para anotações: # Jurisprudência correlata Página 17 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal O ANPP aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei no 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. No ponto em que institui o ANPP, a Lei no 13.964/2019, é considerada lei penal de natureza híbrida, admitindo conformação entre a retroatividade penal benéfica e o tempus regit actum. O ANPP se esgota na etapa pré-processual, sobretudo porque a consequência da sua recusa, sua não homologação ou seu descumprimento é inaugurar a fase de oferecimento e de recebimento da denúncia O recebimento da denúncia encerra a etapa pré- processual, devendo ser considerados válidos os atos praticados em conformidade com a lei então vigente. Assim, mostra-se impossível realizar o ANPP quando já recebida a denúncia em data anterior à entrada em vigor da Lei no 13.964/2019. (Info 683, STJ) Fonte: dizerodireito.com # Jurisprudência correlata (2021) O Poder Judiciário pode impor ao MP a obrigação de ofertar ANPP? NÃO!! Não cabe ao Poder Judiciário, que não detém atribuição para participar de negociações na seara investigatória, impor ao MP a celebração de acordos. (Info 1017, STF). Fonte: dizerodireito.com JORNADA DE DIREITO ELEITORAL: O ANPP não configura título condenatório e, portanto, não gera a inelegibilidade do art. 1º, alínea “e”, da LC 64/90. SOBRE O ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL NATUREZA JURÍDICA É um negócio jurídico de natureza extrajudicial, que consubstancia a política criminal do titular da ação penal pública, cuja homologação tem natureza meramente declaratória. MITIGAÇÃO AO PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DA AÇÃO PENAL Cuidado: O Enunciado 19 do CNPJ (O Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União) dispõe que “O ANPP é faculdade do MP que avaliará, inclusive em última análise (§ 14), se o instrumento é necessário e suficiente para a reprovação e prevenção do crime no caso concreto. Tal como já pacificado pelo STJ e STF no caso de transação penal e o sursis processual, também o ANPP deve ser encarado como poder-dever (discricionariedade regrada) do MP e não um direito público subjetivo do acusado. JUSTIÇA PENAL CONSENSUAL O ANPP está ligado à chamada Justiça Penal Consensual ou Negociada ou Pactual. ANPP APLICA-SE A FATOS OCORRIDOS ANTES DA LEI Nº 13.964/2019? Sim, desde que não recebida a denúncia. CONSEQUÊNCIA DO CUMPRIMENTO NO ANPP EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. PRESCRIÇÃO NÃO CORRE O art. 116, IV do CP prevê que não correrá a prescrição enquanto o ANPP estiver sendo cumprido. Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: [...] IV - enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal. RECURSO CONTRA DECISÃO QUE RECUSAR A RESE Página 18 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal HOMOLOGAÇÃO DA PROPOSTA DE ANPP É POSSÍVEL A CELEBRAÇÃO DE ANPP EM CRIMES HEDIONDOS OU EQUIPARADOS Não há mais vedação expressa (como fazia a Resolução nº 181/2017) de ANPP nos crimes hediondos ou equiparados; CABE ANPP NO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS? Sim!! Apenas no tráfico privilegiado (art. 33, §4º) – pois a pena mínima do caput (5 anos), a depender do percentual redutor (1/6 a 2/3) poderá ficar abaixo dos 4 anos. Todavia, o cabimento depende da análise, no caso concreto, das circunstâncias do fato, de maneira a verificar se estão presentes os requisitos subjetivos exigidos do ANPP. Enunciado nº 28 e 32 da I Jornada de Direito e Processo Penal – 14/08/2020 28 - Recomenda-se a realização de práticas restaurativas nos acordos de não persecução penal, observada a principiologia das Resoluções n. 225 do CNJ e 118/2014 do CNMP. 32 - A proposta de acordo de não persecução penal representa um poder-dever do Ministério Público, com exclusividade, desde que cumpridos os requisitos do art. 28-A do CPP, cuja recusa deve ser fundamentada, para propiciar o controle previsto no §14 do mesmo artigo. Art. 29. Será ADMITIDA AÇÃO PRIVADA nos crimes de AÇÃO PÚBLICA, SE ESTA NÃO FOR INTENTADA NO PRAZO LEGAL, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecerdenúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. AÇÃO PENAL PRIVADA INSTRUMENTO Queixa-crime LEGITIMADOS ▪ Ofendido ▪ Representante legal ▪ Sucessor processual (CADI), no caso de morte ou ausência do ofendido. STJ/2019: Companheira (hétero ou homoafetiva) também tem legitimidade. Ex.: Caso Marielle Franco) ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL PRIVADA APP PERSONALÍSSIMA ▪ Só OFENDIDO pode ajuizar (Não se transmite.) ▪ Morreu? Extinção da punibilidade. ▪ Ex: Indução em erro essencial (casamento) AP PRIVADA ▪ Admite a sucessão processual. ▪ Ex: crimes contra honra (regra). ▪ Na AP PRIVADA, não há nulidade em caso de não intervenção do MP. AP PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA (QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA) ▪ Está presente no Art. 29. ▪ ENTENDA: MP é o legitimado nesta AP. É ele quem é o dono dessa AP. Ele que manda. Ele só deu uma vacilada e perdeu o prazo para denunciar, o que permitiu que o querelante ajuíze essa queixa subsidiária. Porém, o MP permanece podendo fazer tudo. ▪ Ajuizamento da APPSP pode ocorrer após o decurso do prazo legal (5 dias para réu preso ou 15 para réu solto), sem que seja oferecida denúncia, ou promovido o Página 19 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal AP PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA (QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA) arquivamento, ou requisitadas diligências EXTERNAS ao MP. Exemplo: se o Promotor recebe o IPL e em 15 dias (acusado solto) não faz nada, a partir do 16o dia cabe ação penal privada. Se pedir arquivamento ou diligência não se trata de inércia, nem de ação subsidiária. CUIDADO: Diligências INTERNAS à instituição são IRRELEVANTES. O oferecimento de denúncia, o arquivamento ou requisição de diligências externas ao MP, posterior ao decurso do prazo legal para propositura da AP, não afastam o direito de queixa. Nem mesmo a ciência da vítima ou da família quanto a tais diligências afasta esse direito, por não representar concordância com a falta de iniciativa da APP. ATENÇÃO: Só é cabível, se o crime possuir um ofendido individualizado Por exemplo: em crimes de perigo (incolumidade pública posta em risco) não cabe essa ação subsidiária. Assim, no tráfico de drogas, ela não é cabível. Tem exceções (não precisa de um ‘ofendido individualizado’): 1a Exceção: Art. 80 do Código de Defesa do Consumidor; Art. 80. No processo penal atinente aos crimes previstos neste código, bem como a outros crimes e contravenções que envolvam relações de consumo, poderão intervir, como assistentes do Ministério Público, os legitimados indicados no art. 82, inciso III e IV, aos quais também é facultado propor ação penal subsidiária, se a denúncia não for oferecida no prazo legal. 2ª Exceção: Lei de Falência e Recuperação judicial (11.101/05) – Credor habilitado e administrador judicial podem oferecer a ação subsidiária. Art. 184, §único. Art. 184. Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada. Parágrafo único. Decorrido o prazo a que se refere o art. 187, § 1º, sem que o representante do Ministério Público ofereça denúncia, qualquer credor habilitado ou o administrador judicial poderá oferecer ação AP PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA (QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA) penal privada subsidiária da pública, observado o prazo decadencial de 6 meses. ▪ PAPEL DO MP: INTERVENIENTE ADESIVO OBRIGATÓRIO . É uma assistência litisconsorcial com o autor. MP é obrigado a intervir em todos os termos do processo, sob pena de nulidade, tendo amplos poderes. PODENDO: ➊ Repudiar a queixa, oferecendo denúncia substitutiva; ➋ Aditar a queixa, em seus aspectos formais ou materiais (inclusive, incluir coautores, afinal, MP é o legitimado nesta AP); ➌ Reassumir o POLO ATIVO da AP, se o querelante for negligente. É a chamada AÇÃO PENAL INDIRETA. ➍ intervir em todos os termos do processo; ➎ Fornecer elementos de prova; ➏ Interpor recurso. ▪ Passados esses 6 MESES , decai o direito de queixa subsidiária para o interessado, não para o MP. Ora, a AP é PÚBLICA. É a chamada DECADÊNCIA IMPRÓPRIA. Isso significa que o MP ainda pode denunciar. PRINCÍPIOS EXCLUSIVOS DAS AÇÕES PENAIS PRIVADAS PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE ou CONVENIÊNCIA ▪ Cabe ao ofendido deliberar se irá ou não exercer direito de queixa ou representação. ▪ Não exerceu? I – Decadência; II - Renúncia ao direito de queixa. Página 20 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE ▪ Direito de QUEIXA não foi exercido? Fala-se em disponibilidade. ▪ Querelante pode dispor da AP PRIVADA mediante: I - PERDÃO do ofendido (depende de aceitação); II -PEREMPÇÃO (desídia processual); III - DESISTÊNCIA (depende de concordância). PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE ▪ Processo de UM OBRIGA ao processo de TODOS. (Processa-se todos ou não se processa ninguém.) ▪ RENÚNCIA | PERDÃO concedidos a UM dos coautores estendem-se ao DEMAIS (no perdão, caso 1 dos coautores não aceite, processo continua correndo). ▪ Cabe ao MP fiscalizar a observância desse princípio, mas ele não pode aditar queixa para incluir coautores, pois não tem legitimidade ativa. Deve pedir a intimação do querelante para que adite a queixa, sob pena da renúncia concedida a 1 dos coautores se estender aos demais. CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE NA AÇÃO PENAL PRIVADA RENÚNCIA PERDÃO ATO UNILATERAL (não depende de aceitação) do ofendido ou RL , abrindo mão do direito de propor a AP PRIVADA. ATO BILATERAL (depende de aceitação) em que o querelante resolve não prosseguir com processo em andamento. Só ocorre ANTES do exercício da queixa Só ocorre APÓS o exercício do direito de queixa e ATÉ o TRÂNSITO EM JULGADO. Relação com o Princípio da OPORTUNIDADE e CONVENIÊNCIA. Relação com o Princípio da DISPONIBILIDADE. Não inclusão de eventual suspeito na queixa não configura, por si só́, renúncia tácita. Exige-se a demonstração de que omissão foi deliberada. Renúncia do RL do menor que houver completado 18 anos NÃO privará este do direito de queixa, NEM a renúncia do último excluirá o direito do 1o . CESPE: Perdão não aceito pelo querelado é uma EXCEÇÃO à indivisibilidade da AP Privada, que não produzirá efeitos ao querelado que o recusa, e, consequentemente, gerará a divisibilidade da AP privada. DECADÊNCIA PEREMPÇÃO ▪ Perda do direito de AP PRIVADA ou de representação na APPCR pelo seu não exercício nos 6 meses. ▪ Prazo começa a fluir, em regra, a partir do momento do conhecimento da autoria. ▪ Perda do direito de prosseguir, no exercício da AP PRIVADA ou AP PRIVADA PERSONALÍSSIMA, por DESÍDIA do querelante. ▪ Cabe na AP PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA? NÃO. Se querelante for desidioso, MP volta a assumir titularidade. Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a AÇÃO PRIVADA. Art. 31. No caso de MORTE do ofendido ou quando DECLARADO AUSENTE por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (CADI). Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a requerimentodoutrinadores entendem que o acusado possui o direito de mentir, por não existir o crime de perjúrio no ordenamento pátrio. E no caso de mentiras agressivas (incriminar terceiros inocentes)? Haverá responsabilização (calúnia, denunciação caluniosa). DIREITO DE NÃO PRATICAR QUALQUER COMPORTAMENTO ATIVO QUE POSSA INCRIMINÁ-LO Doutrina e jurisprudência têm adotado o entendimento de que não se pode exigir um comportamento ativo do acusado. Comportamento ativo: um “fazer” por parte do acusado. Exemplo: fornecimento de material escrito para exame grafotécnico e do exame de bafômetro. DIREITO DE NÃO PRODUZIR NENHUMA PROVA INCRIMINADORA INVASIVA Prova invasiva, que implica na penetração do organismo humano e na extração de uma parte dele. Exemplo: coleta de sangue, soprar bafômetro. OBS: Prova não invasiva, sem proteção do referido princípio, é aquela em que não há penetração no organismo humano. Admite-se a coleta, mas não deve ser retirada do corpo. Por exemplo, o fio de cabelo coletado de um pente, vale para a coleta de lixo descartado, de placenta descartada. OBS2: O STJ entende que o raio-x é prova não invasiva, de modo que pode ser realizado mesmo contra a vontade do indivíduo. (HC 149.146/SP) Nemo Tenutur e a prática de outros ilíticos: Página 5 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal 1) Agente adultera a cena do crime (Caso Nardoni)? Responsabilização por fraude processual. Não viola o princípio. 2) Agente, foragido, ao ser parado em uma blitz, apresenta identidade falsa? Responsabilização pelo crime de falsa identidade. Não viola o princípio. Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa. 3) Crime do art. 305 do CTB (afastar-se do local do acidente)? Não viola o referido princípio. Art. 305, CTB. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída: Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa. Dever legal de interrupção imediata do interrogatório quando o imputado optar pelo exercício do direito ao silêncio Com o advento da Nova Lei de Abuso de Autoridade, passou a ser crime de abuso de autoridade o prosseguimento de interrogatório, policial ou judicial, de imputado que decidiu exercer o seu direito ao direito. Art. 15. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem prossegue com o interrogatório: I - de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; Página 6 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO Respaldado constitucionalmente pelo art. 5o, LV da CF, impõe que às partes (acusação e defesa) devem ser dadas a possibilidade de influir no convencimento do magistrado, oportunizando-se a participação e manifestação sobre os atos que constituem a evolução pessoal. O contraditório abrange o direito de produzir prova, o direito de alegar, de se manifestar, de ser cientificado, dentre outros. LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; O princípio do contraditório é formado por dois elementos, quais sejam: direito à informação e direito à participação. Vejamos: DIREITO À INFORMAÇÃO DIREITO À PARTICIPAÇÃO Atos de comunicação: intimação, citação e notificação. Exemplo: Súmula nº 707, STF - Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo. Possibilidade de contrariar. ATENÇÃO: É entendimento majoritário de que não é exigível o direito ao contraditório no inquérito policial, já que se trata de procedimento administrativo de caráter informativo. Diferença entre o contraditório para a prova (real) e contraditório sobre a prova (diferido). CONTRADITÓRIO PARA A PROVA (REAL) CONTRADITÓRIO SOBRE A PROVA (DIFERIDO ou POSTERGADO). Partes atuam na própria formação do elemento de prova, sendo indispensável que sua produção se dê na presença do órgão julgador e das partes. Exemplo: prova testemunhal colhida em Juízo, em que não há qualquer razão cautelar a justificar a não intervenção das partes quando da sua produção, sendo obrigatória, pois, a observância do contraditório para a realização da prova. Contraditório ocorre apenas após a formação da prova, dando-se oportunidade ao acusado e a seu defensor de, no curso do processo, contestar a providência cautelar, ou de combater a prova pericial feita no curso do inquérito. Exemplo: interceptação telefônica Página 7 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA Deve ser assegurada a ampla possibilidade de defesa, lançando-se mão dos meios e recursos disponíveis a ela inerentes (art. 5o, LV da CF/88). LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Desdobramento do princípio do devido processo legal. Divide-se em: DEFESA TÉCNICA AUTODEFESA Também chamada de defesa processual. Pontos de destaque: 1) É realizada por profissional da advocacia (defensor constituído ou defensor nomeado ou defensor público), regularmente inscrito nos quadros da OAB. 2) É obrigatória, nos termos do art. 261 do CPP: Art. 261. Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor. Parágrafo único. A defesa técnica, quando realizada por defensor público ou dativo, será sempre exercida através de manifestação fundamentada OBS: Presença do advogado é obrigatório no processo criminal, mesmo no âmbito dos Juizados Especiais Criminais (em todos os momentos, seja na audiência preliminar (art. 72), na análise da proposta da transação penal (art. 76, §3o), no curso do procedimento comum sumaríssimo (art. 81), seja no momento da proposta de suspensão condicional do processo (art. 89, §1o).) 3) A falta de defesa técnica ou quando feita por profissional Também chamada de defesa material ou genérica. Pontos de destaque: 1) Autodefesa é aquela exercida pelo próprio acusado, em momentos cruciais do processo. Diferencia-se da defesa técnica porque, embora não possa ser desprezada pelo juiz, é renunciável, já que não há como se compelir o acusado a exercer seu direito ao interrogatório nem tampouco a acompanhar os atos da instrução processual. 2) Manifesta-se de várias formas: direito de audiência (interrogatório judicial), direito de presença (direito de acompanhar os atos da instrução, podendo ser por videoconferência) e capacidade postulatória autônoma. 3) Direito a postular pessoalmente Em alguns momentos específicos do processo penal, confere-se ao acusado capacidade postulatória autônoma, independentemente da presença de seu advogado, para realizar determinados atos processuais, tais como: a) Interpor recursos contra decisões proferidas por juízes de 1º grau; b) Provocar incidentes na execução penal; c) Revisão criminal;da parte que comprovar a sua pobreza, nomeará advogado para promover a ação penal. § 1o Considerar-se-á pobre a pessoa que não puder prover às despesas do processo, sem privar-se dos recursos indispensáveis ao próprio sustento ou da família. Página 21 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal § 2o Será prova suficiente de pobreza o ATESTADO DA AUTORIDADE POLICIAL em cuja circunscrição residir o ofendido. Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e não tiver representante legal, ou colidirem os interesses deste com os daquele, o direito de queixa PODERÁ SER EXERCIDO POR CURADOR ESPECIAL, nomeado, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, pelo juiz competente para o processo penal. Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 e maior de 18 anos, o direito de queixa poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal. Esse dispositivo não foi recepcionado pela CF. Art. 35 - (Revogado pela Lei nº 9.520, de 27.11.1997) Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa com direito de queixa, terá preferência o cônjuge, e, em seguida, o parente mais próximo na ordem de enumeração constante do art. 31, podendo, entretanto, qualquer delas prosseguir na ação, caso o querelante desista da instância ou a abandone. Art. 37. As FUNDAÇÕES, ASSOCIAÇÕES OU SOCIEDADES legalmente constituídas PODERÃO EXERCER A AÇÃO PENAL, devendo ser representadas por quem os respectivos contratos ou estatutos designarem ou, no silêncio destes, pelos seus diretores ou sócios-gerentes. Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, DECAIRÁ no direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de 6 MESES, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito de queixa ou representação, dentro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31. # Jurisprudência correlata (2021) O prazo de 30 dias do art. 529 do CPP não afasta a decadência pelo não exercício de direito de queixa em 6 meses (art. 38), contados da ciência da autoria do crime. Nos crimes contra a propriedade imaterial que deixam vestígios, depois que o ofendido tem ciência da autoria do delito, ele possui o prazo decadencial de 6 meses para a propositura da ação penal, nos termos do art. 38 do CPP. Se, antes desses 6 meses, o laudo pericial for concluído, o ofendido terá 30 dias para oferecer a queixa crime. Assim, em se tratando de crimes contra a propriedade imaterial que deixem vestígio, a ciência da autoria do fato delituoso dá ensejo ao início do prazo decadencial de 6 meses (art. 38 do CPP), sendo tal prazo reduzido para 30 dias (art. 38) se homologado laudo pericial nesse ínterim. (Info 692, STJ). Art. 39. O DIREITO DE REPRESENTAÇÃO poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial. APANHADO DE HIPÓTESES EM QUE É CABÍVEL A ATUAÇÃO DA VÍTIMA ATRAVÉS DE PROCURADOR COM PODERES ESPECIAIS: ▪ OFERECIMENTO DE QUEIXA-CRIME; Atenção: Se, na queixa, a procuração não tiver poderes especiais, é caso de nulidade absoluta. ▪ RENÚNCIA EXPRESSA AO DIREITO DE QUEIXA ▪ Aceitar PERDÃO DENTRO ou FORA do processo ▪ Exercer DIREITO DE REPRESENTAÇÃO na APPCR ▪ RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO ▪ RECUSAR JUIZ, por SUSPEIÇÃO. § 1o A representação feita oralmente ou por escrito, sem assinatura devidamente autenticada do ofendido, de seu representante legal ou procurador, será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade policial, presente o órgão do Ministério Público, quando a este houver sido dirigida. § 2o A representação conterá todas as informações que possam servir à apuração do fato e da autoria. Página 22 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal § 3o Oferecida ou reduzida a termo a representação, a autoridade policial procederá a inquérito, ou, não sendo competente, remetê-lo-á à autoridade que o for. § 4o A representação, quando feita ao juiz ou perante este reduzida a termo, será remetida à autoridade policial para que esta proceda a inquérito. § 5o O órgão do MINISTÉRIO PÚBLICO DISPENSARÁ O INQUÉRITO, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de 15 DIAS. Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de AÇÃO PÚBLICA, REMETERÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO as cópias e os documentos necessários ao oferecimento da denúncia. # Jurisprudência correlata É desnecessária a remessa de cópias dos autos ao MP, que, atuando como custos legis, já tenha acesso aos autos, pois, na oportunidade em que recebe os autos, pode tirar cópia dos documentos que quiser, sendo desnecessário remeter-se cópias e docs. (STF, 2019) Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas. # Jurisprudência correlata ▪ É possível o oferecimento de ação penal (denúncia) com base em provas colhidas no âmbito de inquérito civil conduzido por membro do MP. (Info 714, STF). ▪ É fundamental que haja o mínimo de individualização da conduta para permitir o recebimento da denúncia (STF, 2016). ▪ Se a denúncia se limita a descrever a posição hierárquica do denunciado na empresa, ela deverá ser considerada inepta (STF, 2016). Art. 42. O MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO PODERÁ DESISTIR DA AÇÃO PENAL. Art. 43. (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, DEVENDO constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a MENÇÃO DO FATO CRIMINOSO, SALVO quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente requeridas no juízo criminal. # Jurisprudência correlata ▪ Para o STJ (2009), “menção ao fato criminoso” significa que, na procuração, basta que seja mencionado o tipo penal ou o nomen iuris do crime, não precisando identificar a conduta. Para o STF (2012), “menção ao fato criminoso” significa que, na procuração, deve ser individualizado o evento delituoso, não bastando que apenas se mencione o nomen iuris do crime. ▪ Caso haja algum vício na procuração para a queixa-crime, esse vício deverá ser corrigido antes do fim do prazo decadencial de 6 meses, sob pena de decadência e extinção da punibilidade (Info 665, STF). ▪ O vício na representação processual do querelante é sanável, desde que dentro do prazo decadencial. (STJ, 2015) ▪ É desnecessário o reconhecimento de firma em procuração outorgando poderes especiais para a defesa de interesses em juízo. Precedentes. (STJ, 2009) Art. 45. A QUEIXA, ainda quando a ação penal for privativa do ofendido, PODERÁ SER ADITADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, a quem caberá intervir em todos os termos subseqüentes do processo. Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, estando o RÉU PRESO, será de 5 DIAS, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de15 DIAS, se o RÉU ESTIVER SOLTO ou afiançado. No último caso, se houver Página 23 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do MP receber novamente os autos. #INTERDISCIPLINARIEDADE #ASSIMFICAFÁCIL PRAZOS DA DENÚNCIA DIPLOMA PRESO SOLTO CPP 5 DIAS 15 DIAS LEI Nº 11.201/2005 (CRIMES FALIMENTARES) Regra Geral: CPP Exceção: estando réu solto ou afiançado, MP decide aguardar apresentação da exposição circunstanciada do Administrador Judicial, devendo, em seguida, oferecer denúncia em 15 DIAS. § 1o Quando o MINISTÉRIO PÚBLICO DISPENSAR O INQUÉRITO POLICIAL, o prazo para o oferecimento da denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as peças de informações ou a representação. § 2o O prazo para o ADITAMENTO DA QUEIXA será de 3 DIAS, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos, e, se este não se pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do processo. Art. 47. Se o Ministério Público julgar necessários maiores esclarecimentos e documentos complementares ou novos elementos de convicção, deverá requisitá-los, diretamente, de quaisquer autoridades ou funcionários que devam ou possam fornecê-los. Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério Público velará pela sua indivisibilidade. # Jurisprudência correlata Não oferecida a queixa-crime contra todos os supostos autores ou partícipes da prática delituosa, há afronta ao princípio da indivisibilidade da ação penal, a implicar renúncia tácita ao direito de querela, cuja eficácia extintiva da punibilidade estende-se a todos quantos alegadamente hajam intervindo no cometimento da infração penal. (Info 813, STJ) Art. 49. A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá. Art. 50. A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais. Parágrafo único. A renúncia do representante legal do menor que houver completado 18 anos não privará este do direito de queixa, nem a renúncia do último excluirá o direito do primeiro. Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar. Art. 52. Se o querelante for menor de 21 e maior de 18 anos, o direito de perdão poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal, mas o perdão concedido por um, havendo oposição do outro, não produzirá efeito. Dispositivo não recepcionado pela CF. Art. 53. Se o querelado for MENTALMENTE ENFERMO ou RETARDADO MENTAL e NÃO TIVER REPRESENTANTE LEGAL, ou COLIDIREM OS INTERESSES deste com os do querelado, a ACEITAÇÃO DO PERDÃO caberá ao CURADOR que o juiz Ihe nomear. Art. 54. Se o querelado for menor de 21 anos, observar- se-á, quanto à aceitação do perdão, o disposto no art. 52. Dispositivo não recepcionado pela CF. Art. 55. O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais. Página 24 de 24 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual expresso o disposto no art. 50. Art. 57. A renúncia tácita e o perdão tácito admitirão todos os meios de prova. Art. 58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado será intimado a dizer, dentro de 3 DIAS, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu silêncio importará aceitação. Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará extinta a punibilidade. Art. 59. A aceitação do perdão FORA do processo constará de declaração assinada pelo querelado, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais. Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á PEREMPTA a ação penal: I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 DIAS seguidos; II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 DIAS, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; IV - quando, sendo o querelante PESSOA JURÍDICA, esta se extinguir sem deixar sucessor. Art. 61. Em QUALQUER FASE DO PROCESSO, o juiz, se reconhecer EXTINTA A PUNIBILIDADE, deverá declará- lo DE OFÍCIO. Parágrafo único. No caso de requerimento do MP, do querelante ou do réu, o juiz mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária e, se o julgar conveniente, concederá o prazo de 5 DIAS para a prova, proferindo a decisão dentro de 5 DIAS ou reservando- se para apreciar a matéria na sentença final. Art. 62. No caso de MORTE do acusado, o juiz SOMENTE à vista da CERTIDÃO DE ÓBITO, e depois de OUVIDO o MP, declarará extinta a punibilidade. ENUNCIADO VI DA I JORNADA DE DIREITO E PROCESSO PENAL (10 a 15 de agosto de 2020) É possível aditar a denúncia para requerer a perda de bens cujo conhecimento se der após iniciada a ação penal, caso em que, recebido o aditamento, deverão ser ouvidos os interessados e propiciada a dilação probatória. Súmula 23, STJ: A participação de membro do MP na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia. Súmula 594, STF: Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal. Súmula 714, STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do MP, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções. Súmula 542, STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada. Página 1 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal NORTE LEGAL LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL ABRANGÊNCIA: ART. 63 AO 87 CÓDIGO DE PROCESSO PENAL TÍTULO IV – DA AÇÃO CIVIL AÇÃO DE EXECUÇÃO EX DELICTO (ART. 63) AÇÃO CIVIL EX DELICTO (ART. 64) PRESCREVE EM 3 ANOS. COMPETÊNCIA Juízo Cível Juízo Cível NATUREZA Execução Ação ordinária de conhecimento LEGITIMADOS ATIVOS ▪ Ofendido ▪ Representante Legal ▪ Herdeiros OBS: MP não tem, salvo se a vítima for pobre (Inconstitucionalidade Progressiva) ▪ Ofendido ▪ Representante Legal ▪ Herdeiros OBS: MP não tem, salvo se a vítima for pobre (Inconstitucionalidade Progressiva) LEGITIMADOS PASSIVOS ▪ Acusado e Sucessores (herança) Atenção: jamais sobre o responsável civil, pois, como não participou do processo criminal, não exerceu seu contraditório. ▪ Acusado e Sucessores (herança) ▪ Responsável civil Valor mínimo, sem prejuízo da VALOR liquidação para apuração do dano efetivamentesofrido. Apurado no cível. Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no JUÍZO CÍVEL, para o efeito da reparação do dano, o OFENDIDO, seu REPRESENTANTE LEGAL ou seus HERDEIROS. (AÇÃO DE EXECUÇÃO EX DELICTO) SISTEMAS ATINENTES À RELAÇÃO ENTRE A AÇÃO CIVIL EX DELICTO E O PROCESSO PENAL SISTEMA DA CONFUSÃO Mesma ação é utilizada para imposição da pena e ressarcimento do prejuízo causado pelo delito. SISTEMA DA SOLIDARIEDADE Cumulação obrigatória de ações distintas perante o juízo penal, uma de natureza penal, e outro cível, ambas no mesmo processo. SISTEMA DA LIVRE ESCOLHA Caso queira, ajuíza ação de reparação de dano no cível. Porém, juiz cível determina paralisação do processo até a superveniência do julgamento definitivo penal, evitando-se, assim, decisões contraditórias SISTEMA DA INDEPENDÊNCIA (PREVALECE) DUAS AÇÕES podem ser propostas de MANEIRA INDEPENDENTE, uma no JUÍZO CÍVEL, outra no JUÍZO PENAL Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo VALOR FIXADO nos termos do inciso iv do caput do Art. 387 deste Código sem prejuízo da LIQUIDAÇÃO para a apuração do dano efetivamente sofrido. Página 2 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal SOBRE O VALOR MÍNIMO A SER FIXADO PELO JUIZ ▪ Juiz pode fixar um valor liquido na própria sentença condenatória. ▪ Após o trânsito em julgado da sentença que especificou o valor líquido, pode ser feita a execução. ▪ Ressalta-se que o valor líquido não é definitivo. Caso o ofendido discorde dele, pode ajuizar ação autônoma para apurar o prejuízo efetivamente sofrido. ▪ Pedido tem que ser EXPRESSO. ▪ Dano pode ser MATERIAL ou MORAL (INDIVIDUAL ou COLETIVO). Nesse sentido, o Resp. 1.643.051 do STJ (Tema 983): (...) Nos casos de violência contra a mulher praticados no âmbito doméstico e familiar, é possível a fixação de valor mínimo indenizatório a título de dano moral, desde que haja pedido expresso da acusação ou da parte ofendida, ainda que não especificada a quantia, e independentemente de instrução probatória. ▪ Juiz pode deixar de fixar o valor mínimo se: ☛ Não houver prova do prejuízo; ☛ Fatos complexos e indenização demanda dilação probatória; ☛ Vítima já foi indenizada no cível. ▪ Valor mínimo não pode ser impugnado por HC. ▪ Não havendo na sentença condenatória transitada em julgado determinação expressa de reparação do dano ou de devolução do produto do ilícito, não pode o juízo das execuções inserir referida condição para fins de progressão de regime. (Info 709, STJ, 2021) # Jurisprudência Correlata A sentença ou acórdão penal condenatório, ao fixar o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração (art. 387, IV, do CPP) poderá condenar o réu ao pagamento de DANOS MORAIS COLETIVOS. Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível, contra o AUTOR DO CRIME e, se for caso, contra o RESPONSÁVEL CIVIL. (AÇÃO CIVIL EX DELICTO) Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz da ação civil poderá suspender o curso desta, até o julgamento definitivo daquela. Suspensão é de no máximo 1 ano e é facultativa. Art. 65. Faz COISA JULGADA no CÍVEL a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em ESTADO DE NECESSIDADE, em LEGÍTIMA DEFESA, em ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL ou no EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. (EXCLUDENTES DE ILICITUDE) Doutrinariamente, isso se chama EFICÁCIA PRECLUSIVA SUBORDINANTE. EFEITOS CIVIS DA ABSOLVIÇÃO PENAL Provada a inexistência do fato Faz coisa julgada no Cível. (decisão categórica) Provado que o réu não concorreu para a infração penal Faz coisa julgada no Cível. (decisão categórica) Não há prova da existência do fato Não fará coisa julgada no Cível. Não constituir o fato infração penal Não fará coisa julgada no Cível. Não existir prova do réu concorrido para infração penal Não fará Coisa Julgada no Cível (decisão com dúvida). Não existe prova suficiente para condenação Não fará Coisa Julgada no Cível (decisão com dúvida). Existirem circunstâncias que excluam crime ou isentem o réu de pena ou mesmo se houver Quadro abaixo Página 3 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal fundada dúvida sobre sua existência *Tabela retirada do site www.dizerodireito.com FARÁ COISA JULGADA NO CÍVEL NÃO FARÁ COISA JULGADA NO CÍVEL Provada a existência de causa excludente de ilicitude real, desde que o ofendido tenha dado causa à excludente. Provada a existência de causa excludente de ilicitude putativa e erro na execução Provada a existência de causa excludente de culpabilidade Fundada dúvida acerca da causa excludente da ilicitude ou da culpabilidade. *Tabela extraída dio site dizerodireito.com Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, CATEGORICAMENTE, reconhecida a INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. Art. 67. NÃO IMPEDIRÃO igualmente a PROPOSITURA DA AÇÃO CIVIL: I - o despacho de ARQUIVAMENTO do inquérito ou das peças de informação; II - a decisão que julgar EXTINTA A PUNIBILIDADE; III - a sentença absolutória que decidir que o FATO IMPUTADO NÃO CONSTITUI CRIME. (ATIPICIDADE) Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for POBRE, a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público. # Jurisprudência Correlata ▪ Vítima tem que ser POBRE e REQUERER. ▪ Esse dispositivo encontra-se em inconstitucionalidade progressiva (um dia será inconstitucional). Nas comarcas sem Defensoria, o MP pode pleitear reparação do dano em favor de vítima pobre. ▪ Antes do Juiz dizer que o MP não tem legitimidade para propor a ação civil ex delicto, é INDISPENSÁVEL QUE A DEFENSORIA SEJA INTIMADA PARA TOMAR CIÊNCIA DA DEMANDA e, se for o caso, assumir o polo ativo da ação. (STJ, 2018) Espaço para anotações: NOTAS INTRODUTÓRIAS - COMPETÊNCIA INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA INCOMPETÊNCIA RELATIVA Página 4 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Interesse público (regras previstas na CF). Interesse preponderante das partes (regras previstas na legislação infraconstitucional) Improrrogável ou imodificável. Desta forma, não pode ser alterada pela conexão e/ou pela continência. Prorrogável ou derrogável. Assim, a conexão e a continência poderão modificá-la. Inobservância produz nulidade absoluta. Inobservância produz nulidade relativa. Pode ser arguida a qualquer momento, inclusive após o trânsito em julgado de sentença condenatória ou absolutória imprópria. Portanto, não está sujeita a preclusão. Deve ser arguida em momento oportuno, sob pena de preclusão. Prejuízo é presumido. Prejuízo precisa ser comprovado. Pode ser declarada de ofício, enquanto não houver o esgotamento da jurisdição. Pode ser declarada de ofício. Obs: A Súmula 33 do STJ (a incompetência relativa podia ser declarada de ofício) não se aplica ao ProcessoPenal. Antes da Lei nº 11.719/2008, que alterou o CPP, a incompetência relativa podia ser declarada de ofício até o momento da sentença. Com a adoção do PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ (art. 399, §2º), essa incompetência relativa só pode ser declarada até o início da instrução processual. Porque se o juiz fizer a audiência, fizer a instrução, ele não poderá enviar para o outro, por conta do supracitado princípio, visto que o juiz que faz a instrução deve ser o mesmo que profere a sentença. Ratione materiae Ratione personae (Foro por prerrogativa de função) Ratione Loci Por distribuição Por prevenção (Súmula 706-STF) Conexão e continência. Consequências do reconhecimento da incompetência Art.567. A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente. Doutrina: O art. 567 do CPP refere-se apenas à incompetência relativa, uma vez que faz referência á anulação apenas dos atos decisórios. Tratando-se de incompetência absoluta, tanto os atos decisórios quanto os atos probatórios deverão ser anulados. Princípio da Identidade física do juiz colabora para esse entendimento. Página 5 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Jurisprudência: Entende que não há necessidade de anulação dos atos decisórios, desde que sejam ratificados pelo juízo competente. STF HC 83.006/SP – (...) tanto a denúncia quanto o seu recebimento, emanados de autoridades incompetentes, rationae materiae são ratificáveis no juízo competente. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL É considerada uma justiça comum, mas seu status é constitucional, já que as hipóteses estão previstas no art. 109 da CF. São elas: Art. 109, IV Crimes políticos, infrações em detrimento de bens, serviços ou interesse da união ou suas entidades autárquicas e empresas públicas; Obs1. Crimes políticos são os previstos na Lei 7.170/83 (Lei de Segurança Nacional). Além da previsão legal, deve haver motivação política. Obs2. Na lesão a bens, serviços ou interesses, temos o seguinte tripé: LESÃO BENS União Autarquia Federal Empresa Pública Federal SERVIÇOS União Autarquia Federal Empresa Pública Federal INTERESSES União Autarquia Federal Empresa Pública Federal Ex1: Indivíduo que furtou dinheiro do INSS (bens de uma autarquia federal); Ex2: Indivíduo que falsificou moeda (interesse da União, pois a competência pra emitir é sua) Muito cuidado com algumas hipóteses (despencam em provas): 1) Roubo contra casa lotérica: competência é da Justiça Estadual, pois se trata de uma pessoa jurídica de direito privado (permissionária de serviço público). Página 6 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal 2) Roubo contra agência dos correios: se o crime for praticado em detrimento de uma franquia dos Correios, a competência será da Justiça Estadual; se o crime for cometido contra o próprio ente da Administração Indireta Federal ou contra um carteiro, a competência será da Justiça Federal (STJ HC 39200). Em suma: Agência própria: JF Carteiro: JF Agência franqueada: JE 3) Crime contra a OAB: Justiça Federal. 4) Crime contra o Banco do Brasil: Justiça Estadual, pois o BB é uma Sociedade de Economia Mista. 5) Concessionárias e Permissionárias de Serviço Público: Justiça Estadual. 6) Crime de esbulho possessório de imóvel vinculado ao Programa Minha Casa Minha Vida: Justiça Federal. Tais imóveis são subsidiados pela União, a qual efetiva parte do pagamento do bem, com recursos orçamentários, no momento da assinatura do contrato com o agente financeiro. (Info 700, STJ, 2021) 7) Crime cometido contra (ou por)) funcionário público federal. Depende. Quando o crime tiver sido praticado em razão da função, a competência será da Justiça Federal. Súmula nº 147, STJ: Compete à justiça federal processar e julgar os crimes praticados CONTRA (E POR) funcionário público federal, quando relacionados com o exercício da função. Atenção:O STF (HC 157.012/MS) entende que a mera condição de servidor público federal não basta para atrair a competência da Justiça Federal, na medida em que o interesse da União há de sobressair das funções institucionais, não da pessoa do acusado. Por isso, num caso concreto envolvendo suposto crime de homicídio qualificado praticado por policial rodoviário federal, quando se encontrava em deslocamento no trajeto de sua residência para o local de trabalho, a competência é, a priori, da Justiça Estadual. Crimes previstos em tratado ou convenção internacional, desde que iniciada a execução no país o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro ou reciprocamente; Para que o crime seja de competência da JUSTIÇA FEDERAL é necessário a presença dos seguintes REQUISITOS CUMULATIVOS: 1) Crime previsto em tratado ou convenção internacional; 2) Internacionalidade territorial do resultado em relação à conduta delituosa. A relação de internacionalidade ocorre quando: 2.1) Iniciada a execução do crime no Brasil, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro; 2.2) Iniciada a execução do crime no estrangeiro, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no Brasil. Página 7 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Art. 109, V Art. 109, V Assim, não é suficiente que o crime esteja previsto em tratado ou convenção internacional para ser julgado pela Justiça Federal. Pode-se citar os seguintes exemplos de crimes que poderão ser submetidos a julgamento pela JF com fundamento no art. 109, V, da CF/88, desde que haja relação de internacionalidade, por serem previstos em tratados internacionais: a) Tráfico internacional de arma de fogo (art. 18 da Lei no 10.826/2003); b) Tráfico internacional de pessoas para fim de exploração sexual (art. 231 do CP); c) Envio ilegal de criança ou adolescente para o exterior (art. 239 do ECA). d) Tráfico transnacional de drogas (art. 70, da Lei no 11.343/2006). Aqui, temos algumas observações: O fato de a droga não ser produzida no Brasil não caracteriza, de imediato, tráfico internacional. É necessária a análise do caso concreto, pois o agente pode ter comprado a droga para revender em Salvador, o que caracteriza o tráfico doméstico. Obviamente, quem trouxe a droga do exterior irá responder pelo tráfico internacional. A apreensão de drogas em uma cidade na fronteira, a exemplo de Foz do Iguaçu, não caracteriza, de imediato, tráfico internacional. É necessária a análise do caso concreto. A aquisição de substância que não é considerada droga no país de origem, mas é considerada entorpecente no Brasil, não caracteriza tráfico internacional de drogas. A prisão na área de embarque internacional, já com a passagem para outro país, caracteriza tráfico internacional, pois a execução foi iniciada no país e o resultado deveria ocorrer em outro país. IMPORTAÇÃO DA DROGA VIA POSTAL (CORREIOS) JULGADO DO STJ (07/06/2021). MUDANÇA DE ENTENDIMENTO. A 3ª Seção do STJ flexibilizou o entendimento da Súmula nº 528 e estabeleceu que, em favor da facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do processo,no caso de remessa de drogas ao Brasil por via postal, com o conhecimento do destinatário por meio do endereço aposto da correspondência, a competência para processamento e julgamento deve ser fixada no juízo do local de destino. Súmula 528, STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. Argumentos do novo entendimento: 1) Bom senso. Em São Paulo desembarca a maioria das remessas importadas, via correios, do exterior. A existência de destinatário certo e devidamente identificado colocaria a Polícia Federal lotada no Estado de São Paulo para investigar indivíduo que residisse, v.g., em Porto Alegre, no Rio de Janeiro, em Boa Vista, em Cuiabá etc. Enfim, em qualquer lugar do Brasil para onde a encomenda estivesse endereçada. Isso dificultaria sobremaneira as investigações, quando não as inviabilizasse por completo; Página 8 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal 2) Decorre da regra que define a competência pelo lugar em que efetivamente se consuma a infração, circunstância esta essencial para a fixação da competência, nos termos do art. 70, do CPP. para que haja a remessa da droga ao Brasil é necessário que o importador entabule um negócio (evidentemente ilícito). Não é crível, ainda mais no âmbito do tráfico internacional, que alguém remeta drogas para o Brasil gratuitamente ou ofereça essa remessa como um presente sem ônus. É evidente que há um negócio espúrio preliminar à remessa do entorpecente. Assim, quando o importador acerta a remessa do entorpecente, efetua o pagamento do preço e se cerca dos cuidados para que receba o produto, o negócio se encontra aperfeiçoado, dependendo o seu êxito integral, tão somente, do efetivo recebimento da droga. Desse modo, a consumação da importação da droga ocorre no momento da entabulação do negócio jurídico. Logo, o local de apreensão da mercadoria em trânsito não se confunde com o local da consumação do delito, o qual já se encontrava perfeito e acabado desde a negociação. OBS. Ressalte-se que a 3ª Seção, no julgamento do CC 172.392, já havia flexibilizado a incidência da Súmula 151 nas hipóteses em que a mercadoria apreendida, objeto de contrabando e descaminho, estiver em trânsito e for conhecido o endereço da empresa à qual se destina. ATENÇÃO: A terceira Seção, na sessão ordinária de 23/02/2022, ao apreciar o Projeto de Súmula n. 1.258, determinou o CANCELAMENTO da súmula 528 do STJ. No caso de desclassificação de tráfico internacional para doméstico, STJ/STF entendem que não pode ser utilizado o 81 do CPP (perpetuação de jurisdição), porque este se refere a crimes CONEXOS, o que não ocorre no caso de desclassificação. Quando desclassifica, seria como se declarasse sua incompetência absoluta. Os autos devem ser remetidos à Justiça Estadual. E mais, mudança ratione matéria é absoluta. Mudança é imperativa. Art. 109, V- A Causas relativas a DIREITOS HUMANOS a que se refere o § 5o: § 5o Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o PGR, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o STJ, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. Art. 109 VI Crimes contra a ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Compreende apenas quando violados os direitos dos trabalhadores coletivamente considerados. Se a lesão for individualizada a competência será da Justiça Estadual. Para o STJ, os crimes dos arts. 197 a 207 do CP só serão de competência da Justiça Federal quando ficar demonstrado, no caso concreto, que o delito provocou lesão a: • Direito dos trabalhadores coletivamente considerados; ou • Organização geral do trabalho. Página 9 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Para o STF, compete à JUSTIÇA FEDERAL processar e julgar o crime de REDUÇÃO À CONDIÇÃO ANÁLOGA à de escravo (art. 149 do CP). O tipo previsto no art. 149 do CP caracteriza-se como crime contra a organização do trabalho, além de violar direitos humanos, portanto, atrai a competência da justiça federal (art. 109, VI, da CF/88). (Info 809, STF) E quando a lei dispuser, contra o SISTEMA FINANCEIRO e a ORDEM ECONÔMICO-FINANCEIRA Para que esses crimes sejam da competência federal, a lei deve assim dizer. Se a lei não dispôs, não há o que falar, nesses crimes, em competência da JF. Cuidado: Crimes contra a economia popular (Lei nº 1.521/51) Justiça Estadual. Lei nada fala. Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (Lei nº 7.492/86) Justiça Federal. Art. 26. Crimes da Lei nº 8.137/90 Contra aordem tributária Será definida pela natureza do tributo. Contra a ordem econômica Justiça Estadual Contra as relações de consumo Justiça Estadual Lavagem de Capitais (Lei nº 9.613/98) REGRA Justiça Estadual EXCEÇÕES (JUSTIÇA FEDERAL) 1) Quando praticados CONTRA o SISTEMA FINANCEIRO e a ORDEM ECONÔNICO-FINANCEIRA, ou em detrimento de bens, serviços ou INTERESSES da UNIÃO, ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas; 2) Quando a INFRAÇÃO PENAL ANTECEDENTE for de COMPETÊNCIA da JUSTIÇA FEDERAL. . Página 10 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Art. 109, IX Crimes cometidos a BORDO DE NAVIOS OU AERONAVES: NAVIO Navio é uma embarcação de grande porte. Para que o crime seja de competência da Justiça Federal, é necessário que o navio seja uma “embarcação de grande porte”. Delito cometido a bordo de um pequeno barco, lancha, veleiro: competência será da Justiça Estadual. OBS: Se o navio estiver atracado e não se encontrar em potencial situação de deslocamento, a competência será da Justiça Estadual. AERONAVE “Aeronave voando ou parada”: a competência será da JF. Não é necessário que a aeronave esteja em movimento para que a competência seja da JF. STJ: “Balão” não é considerado uma aeronave, por isso a competência será da Justiça Estadual. (CC 143.400/SP) Art. 109, XI Crimes relativos à disputa de DIREITOS INDÍGENAS; Em regra, crime praticado por e contra índio será julgado e processado pela Justiça Estadual. Súmula nº 140, STJ: Compete a justiça comum estadual processar e julgar crime em que o indígena figure como autor ou vítima. A competência será da Justiça Federal quando os direitos indígenas forem violados. Fundamento no art. 231 da CF: Art. 231, CF. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens OUTROS CRIMES Página 11 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE REGRA JUSTIÇA ESTADUAL 5 EXCEÇÕES QUE LEVAM PRA JUSTIÇA FEDERAL • Crime ambiental praticado no interior de bem da União. Exemplo: Pesca proibida (período) em marterritorial, que é bem da União; • Crime ambiental praticado no Rio Real (divisa de Sergipe e Bahia). É da JF, pois rio que faz divisa ou fronteira é bem da União; • Extração ilegal de recursos minerais (bens da União); • Cativeiro de animais da fauna exótica: Para o STJ, a competência é da JF (novidade), pois estaria atentando contra um serviço de fiscalização do IBAMA (autarquia federal). • Crimes ambientais relacionados com organismos geneticamente modificados (OGM`s). Ex: Cultivo de soja transgênica em desacordo com a legislação vigente. STJ CC 41301. . CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA Há três regras para determinar a competência nos crimes contra a fé pública: FALSIFICAÇÃO Competência é fixada de acordo com o órgão responsável pela emissão do documento. Ex: falsificação de CNH será julgada pela JE, uma vez que é emitida pelo DETRAN. Já a falsificação de CPF, será julgada e processada pela JF, uma vez que é emitido pela Receita Federal USO DE DOCUMENTO FALSO Competência é fixada com base na pessoa prejudicada pelo uso, pouco importando o órgão emissor do documento. Ex: João, em uma blitz do órgão municipal de trânsito, apresentou sua Carteira de Habilitação falsificada. O agente de trânsito, percebendo a falsificação, chamou um PM e João foi preso em flagrante por uso de documento falso (art. 304 do CP). Competência é da JE. CRIME DE FALSO COMO CRIME-MEIO Ocorre quando a falsificação é cometida para que outro crime seja praticado. Assim, quando a potencialidade lesiva do crime-meio se exaurir no crime-fim, a competência será determinada pelo crime- fim. . EXECUÇÃO PENAL A competência do juízo das execuções será determinada em virtude da natureza do presídio. Página 12 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Súmula no 192, STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução das penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos à administração estadual. CONTRAVENÇÕES PENAIS Quem processa e julga as contravenções praticadas contra a União, Autarquias, EP federal? Serão SEMPRE julgadas pela JUSTIÇA ESTADUAL, mesmo se conexas com crime de competência da federal ( Art. 109, IV da CF e Súmula 38 nº STJ): Art. 109, IV, CF - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidade autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; Súmula 38, STJ: Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades. Exceção: contravenção praticada por agente com foro por prerrogativa de função. A contravenção então poderá ser julgada na justiça federal. Ex.: Juiz federal→TRF. PEDOFILIA NA INTERNET Pode ou não ter a internacionalidade do resultado, é necessária a análise do caso concreto: 1) Envio de fotos por e-mail para uma cidade dentro do Brasil: Justiça Estadual. 2) Armazenamento de fotos em um site: Justiça Federal. OBS: Na hipótese de provedores internacionais, a competência territorial para julgar a pedofilia pela internet é do local de onde emanaram as imagens pedófilo-pornográficas. Crime de Violação de direito autoral e contra a lei de software decorrentes de compartilhamento de TV por assinatura, via satélite ou cabo, por meio de serviços de card sharing A competência será da Justiça Federal. (STJ, CC 150.629/SP, j. 22/02/2018) TÍTULO V - DA COMPETÊNCIA Art. 69. Determinará a competência jurisdicional: I - o lugar da infração: (Teoria do Resultado) Página 13 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal II - o domicílio ou residência do RÉU; III - a natureza da infração; IV - a distribuição; V - a conexão ou continência; VI - a prevenção; VII - a prerrogativa de função. #Jurisprudência Correlata O crime de estelionato praticado por meio saque de cheque fraudado compete ao Juízo do local da agência bancária da vítima (Info 728, STJ, 03/2022). CAPÍTULO I - DA COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se CONSUMAR a infração, ou, no caso de TENTATIVA, pelo lugar em que for praticado o ÚLTIMO ATO DE EXECUÇÃO. § 1o Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se CONSUMAR FORA DELE, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o ÚLTIMO ATO DE EXECUÇÃO. § 2o Quando o ÚLTIMO ATO DE EXECUÇÃO for praticado FORA DO TERRITÓRIO NACIONAL, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. CRIME PLURILOCAL CRIME À DISTÂNCIA Conduta e resultado em comarcas diferentes. Execução começa em um país e o resultado ocorre em outro. Dentro do Brasil. Envolve o Brasil e outro país. § 3o Quando INCERTO o limite territorial entre 2 ou mais jurisdições, ou quando INCERTA a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela PREVENÇÃO. # DICA de OURO Quando se falar em INCERTEZA é caso de PREVENÇÃO. § 4º Nos crimes previstos no art. 171 do Decreto- Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), quando praticados mediante depósito, mediante emissão de cheques sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado ou mediante transferência de valores, a competência será definida pelo local do domicílio da vítima, e, em caso de pluralidade de vítimas, a competência firmar-se-á pela prevenção. # Jurisprudência Correlata No crime de estelionato, não identificadas as hipóteses descritas no § 4º do art. 70 do CPP, a competência deve ser fixada no local onde o agente delituoso obteve, mediante fraude, em benefício próprio e de terceiros, os serviços custeados pela vítima (Info 736, STJ, 05/2022). Art. 71. Tratando-se de infração CONTINUADA ou PERMANENTE, praticada em território de 2 ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela PREVENÇÃO. # Comentários ▪ Os crimes cometidos no Brasil com resultado em outro país ou vice-versa são chamados de “crimes de espaço máximo” ou “crime à distância” Aqui, se aplica a Teoria do Ubiquidade (âmbito penal), ou seja, aplica-se a lei do país em que ocorreu a conduta ou resultado. Página 14 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal ▪ CRIMES FORMAIS: aquele em que resultado é mero exaurimento. Para fixar a competência nesses crimes, o que vale é o momento em que o crime se consumou e não o do resultado. Ex: a extorsão consuma-se no local em que vítima é constrangida, e não o do pagamento. Competência: local do constrangimento. ▪ CRIMES PLURILOCAIS DE HOMICÍDIO: Conduta ocorre em uma comarca e o resultado em outra. Ex: Tiros desferidos na cidade “x”, mas a vítima morre na cidade “y”. Pela regra geral, a competência seria da cidade “y” – local da consumação. No entanto, nesse caso, não se aplica ateoria do resultado, prevalecendo que o foro competente será o do local da conduta (Teoria da Atividade ou Teoria do Esboço do Resultado) ▪ INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO: Lei dos JECRIM adota a Teoria da Atividade. ▪ CONTRABANDO OU DESCAMINHO: a competência é sempre da Justiça Federal e será definida pelo local de apreensão dos bens. ▪ CRIME PRATICADOS NO ESTRANGEIRO: Como exemplo, João, funcionário do Banco do Brasil de Buenos Aires, praticou peculato apropriação. Antes de ir para Buenos Aires, João residia em Campinas, São Paulo. João está sujeito à lei brasileira e será julgado pela Justiça Estadual, pois o Banco do Brasil é uma Sociedade de Economia Mista. A competência é da Justiça de São Paulo - Capital do Estado da última residência de João. Senão vejamos o que diz o art. 7º do CP: Art. 7o - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I - Crimes: [...] b) contra patrimônio ou fé pública da União, Estado, Distrito Federal e Municípios, empresa pública, Sociedade de Economia Mista, Autarquia ou Fundação instituída pelo Poder Público. Súmula 522, STF: Salvo ocorrência de tráfico para o exterior, quando, então, a competência será da Justiça Federal, compete a justiça dos estados o processo e o julgamento dos crimes relativos a entorpecentes. # Jurisprudência Correlata (08/2021) Nos crimes de estelionato, quando praticados mediante depósito, por emissão de cheques sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado ou por meio da transferência de valores, a competência será definida pelo local do domicílio da vítima, em razão da superveniência de Lei n. 14.155/2021, ainda que os fatos tenham sido anteriores à nova lei. Vale ressaltar que, quanto ao delito de estelionato, a 3ª Seção do STJ havia pacificado o entendimento de que a consumação ocorre no lugar onde aconteceu o efetivo prejuízo à vítima. Atenção: Como a nova lei é norma processual, esta deve ser aplicada de imediato, ainda que os fatos tenham sido anteriores à nova lei, notadamente quando o processo ainda estiver em fase de inquérito policial, razão pela qual a competência no caso é do Juízo do domicílio da vítima. (Info 706, STJ). CAPÍTULO II - DA COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU Art. 72. NÃO SENDO CONHECIDO O LUGAR DA INFRAÇÃO, a competência regular-se-á pelo DOMICÍLIO ou RESIDÊNCIA do RÉU.(e não da vítima) § 1o Se o réu tiver MAIS DE UMA RESIDÊNCIA, a competência firmar-se-á pela PREVENÇÃO. § 2o Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que PRIMEIRO TOMAR CONHECIMENTO DO FATO. Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de DOMICÍLIO OU DA Página 15 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal RESIDÊNCIA DO RÉU, ainda quando conhecido o lugar da infração. Atenção: O art. 73 prevê a única hipótese de foro de eleição no processo penal. O domicílio da vítima NUNCA é levado em conta para definição da competência territorial. CAPÍTULO III - DA COMPETÊNCIA PELA NATUREZA DA INFRAÇÃO Art. 74. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização judiciária, SALVO a competência privativa do TRIBUNAL DO JÚRI. § 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou tentados. # São eles: ▪ Instigação ao suicídio ▪ Homicídio ▪ Aborto ▪ Infanticídio Lei Ordinária pode ampliar a competência constitucional do Júri, pois a Constituição Federal traz apenas uma competência mínima. Súmula vinculante 45, STF: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual. # Jurisprudência Correlata ▪ Compete à Justiça comum (Tribunal do Júri) o julgamento de homicídio praticado por militar contra outro quando ambos estejam fora do serviço ou da função no momento do crime. Caso concreto: Francisco era soldado da PM do Maranhão. Samuel era cabo da PM do Piauí. Certo dia, Francisco, estava de férias, em Teresina (PI). Samuel percebeu que Francisco estava armado e, mesmo estando de folga, abordou o soldado indagando sobre a arma. Iniciou-se uma discussão e Francisco atirou 3 vezes contra Samuel, que faleceu em razão dos disparos. A vítima e o réu - ambos PM’s à época dos fatos - estavam fora de serviço quando iniciaram a discussão. Logo, não se pode falar que houve crime militar, devendo, portanto, o réu ser julgado pela Justiça Comum estadual (Tribunal do Júri). (Info 667, STJ) ▪ A Justiça do DF é a competente para julgar o crime de falso testemunho praticado em processos sob sua jurisdição. O TJDFT faz parte do Poder Judiciário da União. Mesmo assim, se for praticado falso testemunho em processo que ali tramita, a competência será da Justiça do Distrito Federal (e não da Justiça Federal comum). (Info 681, STJ). ▪ Policial Rodoviário Federal, durante o trajeto de sua casa para o trabalho, envolveu-se em uma desavença no trânsito com o condutor de um veículo que dirigia sem respeitar a sinalização e em alta velocidade. O Policial efetuou disparos que resultaram na morte do condutor. A competência para julgar essa acusação de homicídio é da justiça estadual. A competência da Justiça Federal pressupõe a demonstração concreta das situações veiculadas no art. 109 da CF/88. A mera condição de servidor público não basta para atraí-la, na medida em que o interesse da União há de sobressair das funções institucionais, não da pessoa do agente. (Info 963, STF). ▪ A Polícia Federal, sob a supervisão do Ministério Público estadual e do Juízo de Direito, conduziu IPL destinado a apurar crimes de competência da Justiça Estadual. Entendeu-se que a PF não tinha atribuição para apurar tais delitos considerando que não se enquadravam nas hipóteses do art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei nº 10.446/2002. Em que pese isso, o STF entendeu que não havia nulidade na ação penal instaurada com base nos elementos informativos colhidos, vez que o fato de os crimes de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela PF não geram nulidade. Ora, tal procedimento investigatório, presidido por autoridade de PF, foi supervisionado pelo Juízo estadual (juízo competente) e por membro do MPE (que tinha a atribuição para a Página 16 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal causa). Logo, não é possível anular provas ou processos em tramitação com base no argumento de que a PF não teria atribuição para investigar os crimes apurados. (Info 964, STF) ▪ Compete à Justiça Federal julgar crime contra a vida em desfavor de policiais militares, consumado ou tentado, praticado no contexto de crime de roubo armado contra órgãos, autarquias ou empresas públicas da União. (Info 659, STF) # Jurisprudência Correlata (08/11/2021) Não compete à Justiça Federal processar e julgar o desvio de valores do auxílio emergencial pagos durante a pandemia da covid-19, por meio de violação do sistema de segurança de instituição privada, sem que haja fraude direcionada à instituição financeira federal. (Info 716, STJ) Entenda o caso: O núcleo da controvérsia consiste em definir o Juízo competente no âmbito de inquéritopolicial instaurado para investigar conduta de desvio de valores relativos ao auxílio emergencial pago durante a pandemia do Covid-19. No caso concreto não se identificou ofensa direta à Caixa Econômica Federal - CEF ou à União, uma vez que não houve qualquer notícia de que a beneficiária tenha empregado fraude. Em outras palavras, houve ingresso lícito no programa referente ao auxílio emergencial e transferência lícita da conta da Caixa Econômica Federal para a conta do Mercado Pago, ambas de titularidade da beneficiária do auxílio. ▪ O ajuizamento de duas ações penais referentes aos mesmos fatos, uma na Justiça Comum Estadual e outra na Justiça Eleitoral, viola a garantia contra a dupla incriminação. (Info 719, STJ, 29/11/2021) Entenda o julgado: No caso, os mesmos fatos que levaram ao oferecimento da denúncia discutida também foram apreciados em ação de improbidade administrativa e ação penal na Justiça Eleitoral, sendo que ambas culminaram com a absolvição. Frisa-se que a sentença absolutória por ato improbidade não vincula o resultado do presente feito, porquanto proferida na esfera do direito administrativo sancionador que é independente da instância penal, embora seja possível, em tese, considerar como elementos de persuasão os argumentos nela lançados. No entanto, quanto à absolvição perante a Justiça Eleitoral, a questão adquire peculiaridades que reclamam tratamento diferenciado. Isso porque a sentença, não recorrida pelo MPE, foi proferida no exercício de verdadeira jurisdição criminal, de modo que o prosseguimento da ação penal da qual se originou este HC encontra óbice no princípio da vedação à dupla incriminação, também conhecido como double jeopardy clause ou (mais comumente no direito brasileiro) postulado do ne bis in idem, ou ainda da proibição da dupla persecução penal. § 2o Se, iniciado o processo perante um juiz, houver desclassificação para infração da competência de outro, a este será remetido o processo, salvo se mais graduada for a jurisdição do primeiro, que, em tal caso, terá sua competência prorrogada. § 3o Se o juiz da pronúncia desclassificar a infração para outra atribuída à competência de juiz singular, observar-se-á o disposto no art. 410; mas, se a desclassificação for feita pelo próprio Tribunal do Júri, a seu presidente caberá proferir a sentença (art. 492, § 2o). Súmula 498, STF: Compete a justiça dos estados, em ambas as instâncias, o processo e o julgamento dos crimes contra a economia popular. # OLHA A DIFERENÇA #DESPENCA EM PROVA DESCLASSIFICAÇÃO PRÓPRIA Jurados consideram que o crime não é da competência do Tribunal do Júri, SEM ESPECIFICAR DE QUAL DELITO SE TRATA. Nesse caso, Juiz- Presidente assume total capacidade decisória para julgar, podendo, inclusive absolver o acusado. Jurados reconhecem sua incompetência para julgar o crime, ESPECIFICANDO QUAL Página 17 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal DESCLASSIFICAÇÃO IMPRÓPRIA TERIA SIDO CRIME PRATICADO. Nesse caso, Juiz- Presidente é obrigado a acatar a decisão dos jurados, condenando o acusado pelo delito por eles indicado. Ex: jurados desclassificam crime doloso (contra a vida) para um crime culposo (homicídio culposo). Essa desclassificação vincula o juiz, que não pode decidir de forma distinta. Súmula 42, STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento. Súmula 104, STJ: Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino. Súmula 140, STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o indígena figure como autor ou vítima. Súmula 107, STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não ocorrente lesão à autarquia federal. Súmula 546, STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando a qualificação do órgão expedidor. Súmula 147, STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra funcionário público federal, quando relacionados com o exercício da função. Súmula 200, STJ: O juízo federal competente para processar e julgar acusado de crime de uso de passaporte falso é o do lugar onde o delito se consumou. Súmula 165, STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar crime de falso testemunho cometido no processo trabalhista. Súmula 122, STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do Art. 78, II, "a", do Código de Processo Penal. Súmula 528, STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. (CANCELADA, 23/02/2022) # Jurisprudência Correlata ▪ Justiça do Trabalho não tem competência para processar e julgar ações penais. (Info 980, STF) ▪ O agente não pode responder à ação penal no Brasil se já foi processado criminalmente, pelos mesmos fatos, em um Estado estrangeiro. O art. 5º do CP afirma que a lei brasileira se aplica ao crime cometido no território nacional, mas ressalva aquilo que for previsto em “convenções, tratados e regras de direito internacional”. A Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP) proíbem de forma expressa a dupla persecução penal pelos mesmos fatos. (Info 959,STF) ▪Compete à Justiça Federal julgar os crimes dos arts. 241, 241-A e 241-B do ECA, se a conduta de disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou adolescente tiver sido praticada pela internet e for acessível transnacionalmente. (Info 990, STF). ▪ Em regra, compete à Justiça Estadual julgar HC preventivo destinado a permitir o cultivo e o porte de maconha para fins medicinais. (Info 673, STJ). ▪ Os crimes relacionados com pirâmide financeira envolvendo criptomoedas são, em princípio, de competência da Justiça Estadual. (Info 673, STJ). Página 18 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal ▪ A colaboração premiada, como meio de obtenção de prova, não constitui critério de determinação, de modificação ou de concentração da competência. Os elementos de informação trazidos pelo colaborador a respeito de crimes que não sejam conexos ao objeto da investigação primária devem receber o mesmo tratamento conferido à descoberta fortuita ou ao encontro fortuito de provas em outros meios de obtenção de prova, como a busca e apreensão e a interceptação telefônica. (Info 999, STF, 2020) CAPÍTULO IV - DA COMPETÊNCIA POR DISTRIBUIÇÃO Art. 75. A precedência da distribuição fixará a competência quando, na mesma circunscrição judiciária, houver mais de um juiz igualmente competente. Parágrafo único. A distribuição realizada para o efeito da concessão de FIANÇA ou da decretação de PRISÃO PREVENTIVA ou de QUALQUER DILIGÊNCIA ANTERIOR à denúncia ou queixa PREVENIRÁ A DA AÇÃO PENAL. CAPÍTULO V - DA COMPETÊNCIA POR CONEXÃOOU CONTINÊNCIA Art. 76. A competência será determinada pela CONEXÃO: I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. Espaço para anotações: COMPETÊNCIA PELA CONEXÃO ▪ 2 ou + infrações por várias pessoas reunidas, ao mesmo tempo (INTERSUBJETIVA POR SIMULTANEIDADE. Sem ajuste prévio.) Ex: saque a mercado. ▪ 2 ou + infrações por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar (INTERSUBJETIVA POR CONCURSO. Com ajuste prévio.) Ex: Quadrilha especializada em roubo de cargas). ▪ 2 ou + infrações por várias pessoas, umas contra outras (INTERSUBJETIVA POR RECIPROCIDADE. Ex: Briga de torcedores fora do estádio, caso de lesões corporais recíprocas) ▪ No mesmo caso, a infração penal é praticada para FACILITAR (OBJETIVA TELEOLÓGICA) ou OCULTAR outras, ou para conseguir IMPUNIDADE ou VANTAGEM em relação a qualquer delas (OBJETIVA CONSEQUENCIAL) Ex: Assalto do banco central. Um dos assaltantes mata o outro para ficar com todo o dinheiro. ▪ Prova de uma infração penal ou qualquer de suas elementares influir na prova de outra infração penal. (INSTRUMENTAL OU PROBATÓRIA. Ex.: Receptação e crime anterior; lavagem de capitais e crime antecedente.) Art. 77. A competência será determinada pela CONTINÊNCIA quando: I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração; Página 19 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1o, 53, segunda parte, e 54 do Código Penal. COMPETÊNCIA pela CONTINÊNCIA ▪ 2 ou + pessoas acusadas pela mesma infração (CUMULAÇÃO SUBJETIVA) Ex: Crime de homicídio praticado em coautoria. ▪ CONCURSO FORMAL (uma conduta, + de 1 crime); ▪ ABERRATIO ICTUS (Erro de execução. Ex: Mira numa e mata outra) e ▪ ABERRATIO CRIMINIS (Resultado diverso do pretendido. Ex: Mira na pessoa e acerta o carro.) (CUMULAÇÃO OJETIVA) Art. 78. Na determinação da competência por CONEXÃO ou CONTINÊNCIA, serão observadas as SEGUINTES REGRAS: I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, PREVALECERÁ a COMPETÊNCIA DO JÚRI; Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: a) PREPONDERARÁ A DO LUGAR DA INFRAÇÃO, à qual for cominada a PENA MAIS GRAVE; b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o MAIOR NÚMERO DE INFRAÇÕES, se as respectivas PENAS FOREM DE IGUAL GRAVIDADE; c) firmar-se-á a competência pela PREVENÇÃO, nos outros casos; III - NO CONCURSO DE jurisdições de diversas categorias, predominará a de MAIOR GRADUAÇÃO; IV - no concurso entre a JURISDIÇÃO COMUM E A ESPECIAL, prevalecerá ESTA. DECORE AS REGRAS de COMPETÊNCIA por CONEXÃO ou CONTINÊNCIA. VAMOS LÁ! Concurso entre: ➊ Competência do Júri e jurisdição comum? Júri prevalece. ➋ Jurisdições da MESMA CATEGORIA: ▪ Prepondera o lugar da infração com PENA MAIS GRAVE ☛ Qual o critério para definir a pena mais grave? ➊ Natureza da pena (reclusão é + grave que detenção) ➋ Mesma natureza? Maior pena máxima cominada ➌ Derradeiro critério? Maior pena mínima cominada Ex: Roubo em SP, receptação em Santos. Compete à SP, pois o crime de roubo é mais grave do que a receptação. ▪ Penas de igual gravidade: lugar do MAIOR NO DE INFRAÇÕES. Ex: 4 Roubos em Campinas e 3 roubos em Santos. Compete à Justiça de Campinas. ▪ Outros casos: PREVENÇÃO (quando nenhum dos critérios acima foi suficiente) ➌ Jurisdições de DIVERSAS CATEGORIAS: MAIOR GRADUAÇÃO. ➍ Concurso entre jurisdição comum e especial: ESPECIAL. Ex: crime comum e crime eleitoral. # Comentários ▪ Conexão entre crime eleitoral e crime comum (➍): Deve ser analisada de acordo com o crime comum. Crime comum estadual: Justiça Eleitoral atrai. Crime comum federal: separação obrigatória de processos (pois a CF prevê crimes de competência da Justiça Federal). Saliente-se que o STF (Info 989), em 2019, entendeu que a competência também será da Justiça Eleitoral. Página 20 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Crime doloso contra vida: a competência será do Júri, havendo a separação obrigatória de processos, pois a competência do Júri está prevista na CF. Isso ocorre, porque as regras de conexão|continência são previstas em lei ordinária, não podendo se sobrepor à competência prevista na CF. # Jurisprudência Correlata (2021) A Justiça Eleitoral é competente para processar e julgar crime comum conexo com crime eleitoral, ainda que haja o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva do delito eleitoral. Caso concreto: o ex-Governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, com colaboração de outros agentes políticos, teria desviado recursos públicos e utilizado esse dinheiro para financiar sua campanha de reeleição no ano de 1998. Vale ressaltar que esse dinheiro utilizado na campanha não teria sido contabilizado na prestação de contas, caracterizando aquilo que se chama, na linguagem popular, de “caixa dois”. Em tese, o agente teria praticado os seguintes crimes: a) corrupção passiva (art. 317 do CP); b) falsidade ideológica (art. 350 do Código Eleitoral); c) lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei nº 9.613/98). Dois crimes são de competência da Justiça estadual comum e um deles da Justiça Eleitoral. Como ficará a competência para julgar estes delitos? Serão julgados separadamente ou juntos? Qual será a Justiça competente? Justiça ELEITORAL. Competirá à Justiça Eleitoral julgar todos os delitos. Segundo entende o STF: Compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos (Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019). Ocorre que, no caso concreto, há uma peculiaridade: ainda durante o inquérito, ficou reconhecida a prescrição da pretensão punitiva em relação ao crime eleitoral. Logo, houve arquivamento do inquérito no que tange ao crime eleitoral. Diante disso, indaga-se: mesmo assim, a Justiça Eleitoral continuará sendo competente para julgar os demais delitos? SIM. Mesmo operada a prescrição quanto ao crime eleitoral, subsiste a competência da Justiça Eleitoral. Trata-se de aplicação lógica do disposto no art. 81 do CPP. STF. 2ª Turma. RHC 177243/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/6/2021 (Info 1024). # Jurisprudência Correlata Para análise da competência criminal da justiça eleitoral deve ser analisado conteúdo material do crime – se crime atentou contra exercício dos direitos políticos, contra processo eleitoral ou contra legitimidade da vontade popular. Assim, a destruição de título só será crime eleitoral se atentar contra processo eleitoral. Se for desvinculada a pleitos eleitorais e com intuito, apenas, de impedir identificação pessoal, não atrai competência da JE. Art. 79. A conexão e a continência importarão UNIDADE de processo e julgamento, SALVO: I - no concurso entre a jurisdiçãocomum e a militar; II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores. § 1o Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o caso previsto no art. 152. Art. 152. Se se verificar que a doença mental SOBREVEIO À INFRAÇÃO O PROCESSO CONTINUARÁ SUSPENSO até que o acusado se restabeleça, observado o § 2o do Art. 149 Nesse caso, o processo em relação ao corréu doente mental é desmembrado e ficará suspenso, até que ele se reestabeleça. § 2o A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido que não possa ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461. Art. 461. O julgamento NÃO será adiado se a testemunha deixar de comparecer, SALVO se uma das partes tiver requerido a sua intimação por mandado, na oportunidade de que trata o art. 422 deste Código, declarando não prescindir do depoimento e indicando a sua localização. Página 21 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Nesse caso, em relação aos réus cujas testemunhas estão presentes, a sessão de júri ocorrerá normalmente. Art. 80. Será FACULTATIVA a SEPARAÇÃO DOS PROCESSOS quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação. Quando a SEPARAÇÃO dos PROCESSOS é FACULTATIVA? ▪ Infrações em circunstâncias de TEMPO ou LUGAR DIFERENTES; ▪ EXCESSIVO NÚMERO de ACUSADOS e para não lhes prolongar a PRISÃO PROVISÓRIA; ▪ OUTRO MOTIVO RELEVANTE, Juiz reputar separação conveniente. #Jurisprudência Correlata A eventual incidência da causa de aumento descrita na parte final do § 4º do art. 1º da Lei de Lavagem de Dinheiro, na redação dada pela Lei n. 12.683/2012, não constitui empecilho para o juiz manter a separação dos feitos, nos termos do art. 80 do CPP (Info 735, STJ, 05/2022). Art. 81. Verificada a reunião dos processos por conexão ou continência, ainda que no processo da sua competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir sentença absolutória ou que desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua competência, continuará competente em relação aos demais processos. # Comentários ▪ Art. 81 traz a chamada PERPETUATIO JURISDICTIONIS. É dizer: o juiz prevalente, mesmo que venha a absolver o réu pelo delito que estabeleceu a prevalência, ou que desclassifique esta infração, continuará competente para julgar os demais delitos e/ou infratores que integram o processo, operando-se a perpetuação da jurisdição. A razão é óbvia: aproveitamento máximo da instrução ali realizada, já que a desclassificação, como regra, somente é feita na fase decisória, isto é, após a instrução da causa. Assim: 1) Após a reunião na Justiça Federal de crime federal e estadual, caso ocorra a absolvição do crime federal, a Justiça Federal continua competente para julgar o crime estadual conexo. 2) E no caso de desclassificação do crime federal, a Justiça Federal continua competente para julgar o crime estadual conexo. Súmula 235, STJ: A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado. Súmula 122, STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando o art. 78, II, "a", CPP (critério da pena mais grave). O que essa súmula quer dizer? Havendo crime federal, com menor pena cominada abstratamente, e crime estadual, com maior pena, ambos conexos, o critério utilizado para fixação não será o quantum apenatório, mas, sim, a força atrativa exercida pela JF. Ou seja, JF atrai mesmo que crime estadual seja muito mais grave. Ex: crime de moeda falsa praticado em continência com o crime de tráfico doméstico de drogas. JF julga. OCORRE A PERPETUATIO JURISDICTIONIS (Regra) NÃO OCORRE A PERPETUATIO Página 22 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal JURISDICTIONIS (Exceção) 1) Processos reunidos por conexão ou continência, ainda que no processo da sua competência própria venha Juiz ou Tribunal a proferir sentença absolutória ou que desclassifique a infração penal para outra que não é de sua competência, continua competente em relação aos demais processos. (Não devolve) Exemplo: Se a Justiça Federal, julgando um crime de descaminho conexo com uso de documento falso, absolve o réu do descaminho, continuará competente para julgar o crime conexo (uso de documento falso). 2) Absolvição na 2ª fase do Júri: jurados continuam “competentes” e julgam. 1) Desclassificação, absolvição sumária ou impronúncia na 1ª fase do Júri. O juiz remeterá a infração conexa (processo) ao Juiz competente. 2) Desclassificação na 2ª fase do Júri: Presidente do Tribunal do Júri (e não os jurados) julga a infração desclassificada e a infração conexa. Parágrafo único. Reconhecida inicialmente ao júri a competência por conexão ou continência, o juiz, se vier a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver o acusado, de maneira que exclua a competência do júri, remeterá o processo ao juízo competente. Art. 82. Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente DEVERÁ AVOCAR os processos que corram perante os outros juízes, SALVO se já estiverem com SENTENÇA DEFINITIVA. Neste caso, a unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação das penas. TEORIA DO JUÍZO APARENTE Possibilidade de se admitir uma prova inicialmente ilícita, se essa ilicitude está ligada exclusivamente à incompetência do juízo que a determinou, naqueles casos onde este, até então, acreditava ser o juízo natural para decidir sobre a realização e produção da mesma. O STF entende que, tanto na declaração de incompetência relativa, quanto na de incompetência absoluta, não há necessidade de anulação dos atos decisórios, desde que sejam ratificados pelo juízo competente (...) tanto a denúncia quanto o seu recebimento, emanados de autoridades incompetentes, rationae materiae são ratificáveis no juízo competente. CAPÍTULO VI - DA COMPETÊNCIA POR PREVENÇÃO Art. 83. Verificar-se-á a competência por PREVENÇÃO toda vez que, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de ALGUM ATO DO PROCESSO ou de MEDIDA A ESTE RELATIVA, AINDA QUE ANTERIOR ao OFERECIMENTO DA DENÚNCIA OU DA QUEIXA (arts. 70, § 3o, 71, 72, § 2o, e 78, II, c). Espaço para anotações: CAPÍTULO VII - DA COMPETÊNCIA PELA PRERROGATIVA DE FUNÇÃO Art. 84. A competência pela prerrogativa de função é do Supremo Tribunal Federal, do Página 23 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, relativamente às pessoas que devam responder perante eles por crimes comuns e de responsabilidade. § 1o A competênciad) HC. Página 8 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA irregular gera nulidade absoluta. Nesse sentido: Súmula nº 523, STF - No processo penal, a falta da defesa técnica constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. 4) Tem caráter irrenunciável. (Mesmo que o acusado não queira, juiz tem que nomear um defensor). 5) Direito de escolha do defensor: direito do próprio acusado. O juiz não pode se sobrepor à sua vontade. Isto é, quando o advogado constituído abandona o processo, não pode o juiz enviar os autos à Defensoria sem que dê ciência ao acusado para que escolha outro advogado de sua confiança. Apenas em caso de inércia, após a intimação pessoal, é que o juiz poderá remeter os autos à Defensoria. 6) Próprio acusado pode exercer sua defesa técnica? Sim, desde que seja profissional da advocacia habilitado. 7) Defesa técnica de 2 ou mais acusados e um único defensor é possível, desde que não ocorra colidência de teses pessoais. 8) No IPL, a defesa técnica é limitada. A doutrina aduz que a defesa técnica na fase pré- processual tem uma atuação essencialmente exógena, através do exercício do HC e do MS, que, em última análise, corporificam o exercício do direito de defesa fora do IPL. Dentro do IPL basicamente só existe a possibilidade de solicitar diligências, nos limites do art. 14 do CPP. Contudo, é errado dizer que não existe direito de defesa no IPL. Existir, existe, desde 1941, ainda que não 4) A Nova Lei de Abuso de Autoridade passou a criminalizar a conduta de privar que o indivíduo se sente ao lado de seu defensor e de com ele comunicar-se durante a audiência. Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado: Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem impede o preso, o réu solto ou o investigado de entrevistar-se pessoal e reservadamente com seu advogado ou defensor, por prazo razoável, antes de audiência judicial, e de sentar-se ao seu lado e com ele comunicar-se durante a audiência, salvo no curso de interrogatório ou no caso de audiência realizada por videoconferência. Página 9 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA tenha a eficácia que a Constituição exija. Ampla defesa no PAD: A Súmula Vinculante no 5 não se aplica ao PAD promovido para averiguar o cometimento de falta grave no curso da execução penal, tendo em vista estar em jogo a liberdade de ir e vir. É necessária a presença de defesa técnica. Súmula vinculante no 5: “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a constituição” Assim, quando o Juízo das Execuções decretar a regressão de regime sem que o condenado seja assistido por defensor durante PAD instaurado para apurar falta grave, há de se reconhecer a nulidade do feito, haja vista a violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Ampla defesa e execução penal: A ampla defesa deve ser assegurada no processo de execução penal, conforme entendimento sumulado do STJ. Súmula nº 533 do STJ: “Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado”. Cuidado: No caso de transferência de presos para presídios federais (Lei 11.671/2008), em regra, será necessário observar a ampla defesa. Contudo, em situações excepcionais, devidamente fundamentadas pelo magistrado, o contraditório poderá ser diferido. Súmula nº 639 do STJ: “ Não fere o contraditório e o devido processo decisão que, sem ouvida prévia da defesa, determine transferência ou permanência de custodiado em estabelecimento penitenciário federal. Julgado Novo (Info 720, STJ) – 26/11/2021: Se a defesa técnica teve pleno acesso aos autos da ação penal, anexos e mídias eletrônicas, a negativa de ingresso de notebook na unidade prisional para que o custodiado visualize as peças eletrônicas não configura violação do princípio da ampla defesa. Entenda o julgado: A garantia constitucional à ampla defesa, prevista no art. 5º, LV, da CF, envolve a defesa em sentido técnico (defesa técnica), realizada pelo advogado, e a defesa em sentido material (autodefesa), por meio de qualquer atividade defensiva desenvolvida pelo próprio acusado, em especial durante seu interrogatório. Contudo, no caso, a restrição ao ingresso de notebook na unidade prisional justificava-se pelo risco de ofensa à segregação prisional. Ademais, tal restrição não representava obstáculo à ampla defesa, pois as peças processuais relevantes ou de interesse poderiam ter sido impressas e levadas ao preso. Frise-se que, embora o custodiado tenha formação jurídica, sua defesa técnica está sendo patrocinada por advogados habilitados nos autos, os quais tiveram pleno acesso aos autos da ação penal, anexos e mídias eletrônicas. Portanto, assegurado à defesa técnica amplo acesso à integralidade dos elementos probatórios encartados nos autos, já estando o custodiado ciente das imputações descritas na denúncia, não há falar em nulidade processual. É o direito que o acusado possui de conhecer antecipadamente o juiz que irá julgar eventual crime praticado. Está ligado à imparcialidade. Página 10 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL Impede a criação casuística de tribunais após-fato, para apreciar determinado caso. Ou seja, o magistrado encarregado de colher a prova deve ser o mesmo que julgará, uma vez que teve contato direto com as partes e testemunhas. Previsão legal: art. 5o, XXXVII e LIII, ambos da CF. XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; Descontaminação do julgado: Encontra-se prevista no art. 157, §5o do CPP, incluído pelo Pacote Anticrime. Vejamos: Art. 157, § 5o O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá proferir a sentença ou acórdão. (Incluído pela Lei no 13.964, de 2019) (Eficácia Suspensa) Lei modificadora da competência e sua possível aplicação imediata aos processos em andamento. Segundo os Tribunais Superiores, lei que altera competência deve ser aplicada imediatamente, salvo se já houver sentença de mérito. Exemplos: 1) Crimes dolosos contra a vida praticados por militares, ainda que em serviço, contra civis. Todos os processos que estivessem em 1ª instância deviam ser remetidos ao Júri, salvo se já houver sentença de mérito, caso em que o processo deve permanecer na justiça de origem; 2) Tráfico internacional de drogas cometido em comarca em que não há vara federal. Pelo art. 27, da revogada Lei 6.368/76, a competência era da justiça estadual comum, quando no local não houvesse vara da JF. Contudo, a nova Lei de Drogas determinou que a competência será da JF, mesmo que não haja vara federal na cidade, os autos devem ser remetidos para a comarca mais próxima. Osespecial por prerrogativa de função, relativa a atos administrativos do agente, prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. #Jurisprudência Correlata A competência penal originária do STF para processar e julgar parlamentares93 alcança os congressistas federais no exercício de mandato em casa parlamentar diversa daquela em que consumada a hipotética conduta delitiva, desde que não haja solução de continuidade (Info 1049, STF, 04/2022). § 2o A ação de improbidade, de que trata a Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992, será proposta perante o tribunal competente para processar e julgar criminalmente o funcionário ou autoridade na hipótese de prerrogativa de foro em razão do exercício de função pública, observado o disposto no § 1o. (Vide ADIN nº 2797) Art. 85. Nos processos por CRIME CONTRA A HONRA, em que forem querelantes as pessoas que a Constituição sujeita à jurisdição do STF e dos Tribunais de Apelação, àquele ou a estes caberá o julgamento, quando oposta e admitida a EXCEÇÃO DA VERDADE. #DESPENCA EM PROVA #NÃO CONFUNDA Exceção da verdade do art. 85 Aqui é uma espécie de foro por prerrogativa do autor. Calúnia, pois foro por prerrogativa de função Exceção da verdade do art. 85 só vale para só vale para seara criminal. Obs. Na difamação e na Injúria não se imputa crime. Juízo de admissibilidade na exceção da verdade Juiz de 1º grau Art. 86. Ao Supremo Tribunal Federal competirá, privativamente, processar e julgar: I - os seus ministros, nos crimes comuns; II - os ministros de Estado, salvo nos crimes conexos com os do Presidente da República; III - o procurador-geral da República, os desembargadores dos Tribunais de Apelação, os ministros do Tribunal de Contas e os embaixadores e ministros diplomáticos, nos crimes comuns e de responsabilidade. Art. 87. Competirá, originariamente, aos Tribunais de Apelação o julgamento dos governadores ou interventores nos Estados ou Territórios, e prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários e chefes de Polícia, juízes de instância inferior e órgãos do Ministério Público. Súmula 451, STF: A competência especial por prerrogativa de função não se estende ao crime cometido após a cessação definitiva do exercício funcional. Súmula 704, STF: Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal a atração por continência ou conexão do processo do co-réu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados. Súmula 702, STF: A competência do Tribunal de Justiça para julgar Prefeitos restringe-se aos crimes de competência da Justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau. Página 24 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Súmula 208, STJ: Compete à justiça federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal. Súmula 209, STJ: Compete à justiça estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal. SITUAÇÃO ATRIBUIÇÃO PARA INVESTIGAR Crime praticado depois da diplomação (durante o exercício do cargo), mas delito não tem relação com funções desempenhadas. Ex: Homicídio culposo no trânsito. Polícia (Civil ou Federal) ou MP. Não há necessidade de autorização pelo juízo de 1ª instância (ex: quebra de sigilo) Crime praticado depois da diplomação (durante exercício do cargo) e delito está relacionado com funções desempenhadas. Ex: Corrupção passiva. Polícia Federal e Procuradoria Geral da República, com supervisão judicial do STF. Há necessidade de autorização do STF para o início das investigações. CRIMES COMETIDOS POR DEPUTADO FEDERAL OU SENADOR SITUAÇÃO COMPETÊNCIA Crime cometido ANTES DA DIPLOMAÇÃO como Deputado ou Senador. JUÍZO DE 1ª INSTÂNCIA Crime cometido depois da diplomação (durante exercício do cargo), mas o DELITO NÃO TEM RELAÇÃO COM AS FUNÇÕES DESEMPENHADAS. Ex. embriaguez ao volante. Crime cometido depois da diplomação (DURANTE EXERCÍCIO DO CARGO) E RELACIONADO COM AS FUNÇÕES DESEMPENHADAS. Ex. corrupção passiva. STF # Jurisprudência Correlata (2021) É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função, no Tribunal de Justiça, para o Delegado Geral da Polícia Civil. Extrapola a autonomia do estado previsão, em constituição estadual, que confere foro privilegiado a Delegado Geral da Polícia Civil. A autonomia dos estados para dispor sobre autoridades submetidas a foro privilegiado não é ilimitada, não pode ficar ao arbítrio político do constituinte estadual e deve seguir, por simetria, o modelo federal. (Info 1010, STF) Compete aos tribunais de justiça estaduais processar e julgar os delitos comuns, não relacionados com o cargo, em tese praticados por Promotores de Justiça. (Info 708, STJ) # Jurisprudência Correlata (2021) Compete aos tribunais de justiça estaduais processar e julgar os delitos comuns, não relacionados com o cargo, em tese praticados por Promotores de Justiça. (Info 708, STJ) O núcleo da controvérsia consistiu em definir se Promotores de Justiça, pelo suposto cometimento de crime comum, possuem foro por prerrogativa de função no respectivo TJ estadual, nos termos do art. 96, inciso III, da CF; ou se incide, na espécie, por aplicação do princípio da simetria, a interpretação Página 25 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal restritiva dada pelo Plenário do STF ao art. 102, inciso I, alíneas 'b' e 'c', da Carta Magna, no julgamento da QO na AP 937-RJ, segundo a qual o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes praticados no exercício e em razão da função pública exercida. É importante ressaltar que, de fato, o STF restringiu sua competência para julgar membros do Congresso Nacional somente nas hipóteses de crimes praticados no exercício e em razão da função pública exercida. Todavia, frise-se que referido precedente analisou apenas o foro por prerrogativa de função referente a cargos eletivos, haja vista que o caso concreto tratava de ação penal ajuizada em face de Deputado Federal. Sobre o tema, o STJ reconheceu sua competência para julgar Desembargadores acusados da prática de crimes com ou sem relação ao cargo, não identificando simetria com o precedente do STF. Naquela oportunidade firmou- se a compreensão de que se Desembargadores fossem julgados por Juízo de 1o Grau vinculado ao Tribunal ao qual ambos pertencem, criar-se-ia, em alguma medida, um embaraço ao Juiz de carreira responsável pelo julgamento do feito. Em resumo, apontou discrimen relativamente aos Magistrados para manter interpretação ampla quanto ao foro por prerrogativa de função, aplicável para crimes com ou sem relação com o cargo, com fundamento na necessidade de o julgador desempenhar suas atividade judicantes de forma imparcial. Nesse contexto, considerando que a prerrogativa de foro da Magistratura e MP encontra-se descrita no mesmo dispositivo constitucional (art. 96, inciso III, da CF), seria desarrazoado conferir-lhes tratamento diferenciado. Por outro lado, o STF, em 28/05/2021, nos autos do ARE 1.223.589/DF, afirmouque a questão ora em debate possui envergadura constitucional, reconhecendo a necessidade de analisar, com repercussão geral, a possibilidade ou não do STJ, a partir do artigo 105, inciso I, alínea a, da CF, processar e julgar Desembargador por crime comum, ainda que sem relação com o cargo. Destarte, o precedente estabelecido pelo STF no julgamento da QO na AP 937/RJ diz respeito apenas a cargos eletivos, ao passo que a prerrogativa de foro disciplinada no art. 96, III, CF, que abrange magistrados e membros do MP, será analisada pelo STF no ARE 1.223.589. Observe-se que o Pleno do STF proveu o agravo para determinar sequência ao recurso extraordinário, razão pela qual, em 08/06/2021 o processo foi reautuado para RE 1.331.044. Por derradeiro, a 5o Turma do STJ, no julgamento do AgRg no HC 647437/SP, em 25/5/2021, não identificou teratologia em situação de denúncia ofertada pelo titular da ação penal perante o TJSP, na qual se imputou a Promotora de Justiça a prática, em tese, de conduta delituosa não relacionada com o cargo. Naquela oportunidade o ilustre relator ponderou que "(...) não foi demonstrado de maneira patente e inquestionável que o precedente estabelecido pelo STF no julgamento da QO na AP 937/RJ, limitando o foro por prerrogativa de função às hipóteses de crimes praticados no exercício da função ou em razão dela, se aplicaria à paciente, posto que a Corte Suprema, na ocasião, não deliberou expressamente sobre o foro para processo e julgamento de magistrados e membros do MP, limitando-se a estabelecer tese em relação ao foro por prerrogativa de função de autoridades indicadas na CF que ocupam cargo eletivo." Diante disso, enquanto pendente manifestação do STF acerca do tema, deve ser mantida a jurisprudência até o momento aplicada que reconhece a competência dos Tribunais de Justiça Estaduais para julgamento de delitos comuns em tese praticados por Promotores de Justiça. # Jurisprudência Correlata (2021) Nulidade das Ações Penais contra Lula Antes de qualquer coisa, ressalte-se que o ex- Presidente Lula responde a quatro ações penais que se iniciaram na 13ª Vara Federal de Curitiba: • Caso “Triplex do Guarujá”; • Caso “Sítio de Atibaia”; • Caso “sede do Instituto Lula”; e • Caso “doações ao Instituto Lula”. Em duas delas, já havia sentença penal condenatória, mas sem trânsito em julgado. A defesa impetrou HC no STF alegando a incompetência da 13ª Vara porque os Página 26 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal fatos apurados não tinham qualquer relação com os crimes praticados contra a Petrobras (HC 193726). Julgando o HC, o plenário decidiu que: 1) O Ministro Relator poderia ter afetado esse julgamento ao Plenário? SIM. A afetação de feitos a julgamento pelo Plenário do STF é atribuição discricionária do relator. 2) O MPF estava atuando como custos legis no processo. Ele poderia ter recorrido? SIM. O MPF, quando atua perante o STF, por intermédio da PGR, mesmo na qualidade de “custos legis”, detém legitimidade para a interposição de agravo regimental contra decisões monocráticas proferidas pelos ministros relatores. 3) Foi correta a decisão que reconheceu a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgamento das ações penais envolvendo Lula? SIM. No âmbito da “Operação Lava Jato”, a competência da 13ª Vara Federal de Curitiba é restrita aos crimes praticados de forma direta em detrimento apenas da Petrobras S/A. Esse é o entendimento do STF desde o julgamento da questão de ordem no Inq 4130 QO, em 23/09/2015. Para o STF, no caso concreto, não ficou demonstrado que as condutas atribuídas ao ex- Presidente Lula tenham relação direta com os ilícitos praticados em detrimento da Petrobras S/A. 4) O STF admite, em tese, a teoria do juízo aparente para convalidar os atos decisórios praticados por juízo posteriormente declarado incompetente. Prevalece o seguinte: A superveniência de circunstâncias fáticas aptas a alterar a competência da autoridade judicial, até então desconhecidas, autoriza a preservação dos atos praticados por juíz aparentemente competente em razão do quadro fático subjacente no momento em que requerida a prestação jurisdicional. No entanto, no caso concreto, o STF afirmou que, tanto o MP como o juízo, desde o início do processo, já sabiam, com base nas outras decisões da Corte, que a 13ª Vara Federal não seria competente para julgar a causa. Isso porque a denúncia foi recebida em 14/09/2016 e, nessa época, já havia sido julgado o primeiro precedente que reduziu a competência daquele juízo (Inq 4.130 QO). Logo, a “teoria do juízo aparente” não se aplica à hipótese. 5) Não se aplica a regra do art. 64, § 4º, do CPC ao caso. Isso porque o CPP possui regra própria e específica no art. 567 do CPP, que estabelece a sanção de nulidade aos atos decisórios praticados por juízo incompetente.(Info 1014. STF). Retirado do dizerodireito.com # Compilado de juris sobre o FPF ▪ Marcos do Foro por Prerrogativa de Função (FPF): INICIAL: DIPLOMAÇÃO. FINAL: TÉRMINO DA INSTRUÇÃO (Publicação do despacho para apresentar alegações finais); Desse modo: Se o réu deixou cargo antes da Audiência de Instrução e Julgamento terminar: cessa a competência do STF. Se o réu deixou cargo depois do término da Audiência de Instrução e Julgamento terminar: STF permanece competente. Mas CUIDADO: João foi condenado em 1ª instância e apelou. Antes do julgamento de apelação, foi diplomado como Deputado Federal. João terá direito de ter a apelação julgada? Recurso será julgado pelo próprio STF, já que direito aplicado aos recursos é o vigente à época em que a decisão foi proferida. ▪ Acusados com FPF não possuem direito ao duplo grau de jurisdição, o que não significa dizer que não podem recorrer contra decisões dos tribunais. Contudo, tratam-se de recursos de direito apenas, sem reexame fático. ▪ Diferença entre a Regra da Contemporaneidade e da Atualidade. Regra da contemporaneidade: Foro por prerrogativa de função deve ser preservada caso a infração penal tenha sido cometida à época e em razão do exercício funcional. Atualmente, é a adotada! Regra da atualidade: agente só faz jus ao FPF enquanto estiver exercendo função. Cessada a função, cessa FPF. Essa regra gera alguns problemas. Página 27 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Em 2018, voltando a adotar a REGRA DA CONTEMPORANEIDADE, o STF estabeleceu que hipóteses de FPF devem ser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que tenham sido praticados durante exercício do cargo e em razão dele. ▪ O STJ não é competente para julgar crime praticado por Governador no exercício do mandato se o agente deixou o cargo e atualmente voltou a ser Governador por força de uma nova eleição. ▪ O STJ é o tribunal competente para julgamento nas hipóteses em que, não fosse o FPF, o desembargador acusado, mesmo que o crime cometido não esteja relacionado com suas funções, houvesse de responder à ação penal perante Juiz de 1º grau vinculado ao mesmo tribunal. Se fosse perante um juiz de 1º grau de outro estado, não haveria óbice. ▪ A iminente prescrição de crime praticado por Desembargador excepciona o entendimento consolidado na Ação penal 937 – que diz que o FPF é restrito a crimes cometidos ao tempo do exercício do cargo e que tenham relação com o cargo - e prorroga a competênciado stj. Trata-se de exceção para evitar a impunidade. ▪ Prerrogativa de foro de membro do MP é preservada quando possível participação deste em conduta criminosa é comunicada com celeridade ao PGJ. Caso concreto: Se uma pessoa sem foro por prerrogativa está sendo interceptada por decisão do juiz de 1ª instância e ela liga para uma autoridade com foro (ex: Promotor de Justiça), a gravação desta conversa não é ilícita. Isso porque se trata de encontro fortuito de provas (encontro fortuito de crimes), também chamado de serendipidade ou crime achado Se após essa ligação, o Delegado ainda demora três dias para comunicar o fato às autoridade competentes para apurar a conduta do Promotor, este tempo não é considerado excessivo tendo em vista a dinâmica que envolve as interceptações telefônicas. Inclusive, tais gravações, por serem lícitas, podem servir como fundamento para que o CNMP aplique sanção de aposentadoria compulsória a este Promotor. ▪ Se pessoa com FPF previsto na CF (ex, Prefeito é julgado pelo TJ) mata alguém dolosamente, considerando que os crimes dolosos contra a vida são de competência do tribunal do júri, qual o juízo competente? O Princípio da especialidade resolve. É dizer, o FPF prevalecerá sobre o tribunal do júri, exceto se a competência estiver prevista na Constituição Estadual, aí prevalece a do júri. Exemplos: Governador mata dolosamente uma pessoa: STJ julga. Promotor de Justiça Estadual que mata dosolamente uma pessoa: TJ julga. Delegado Geral de Polícia Civil que mata dosolamente uma pessoa: Júri julga. Deputado estadual que mata dosolamente uma pessoa: TJ julga. ▪ Concurso de agentes (uns com e outros sem FPF): reunião dos processos no STF é facultativa. Exceção: nos crimes dolosos contra a vida não será possível a reunião dos processos, uma vez que a conexão e a continência são regras infraconstitucionais de mudança de competência. ▪ Se durante as investigações de um fato delituoso surgirem indícios do envolvimento de uma autoridade com FPF, o prosseguimento das investigações e o indiciamento dependem de autorização do relator (será um ministro ou um desembargador). ▪ Depois de anos sendo investigado em inquérito que tramitava no STF, o Ministro Relator declinou a competência para apurar os crimes porque os fatos ocorreram antes de o investigado ser Deputado Federal; logo, aplica-se o entendimento firmado na AP 937. O fato de as investigações estarem perto do fim e de já terem demorado anos não servem como argumento jurídico válido para prorrogar a competência do STF. Apesar da efetiva evolução das investigações, sob a supervisão do STF, não houve oferecimento de denúncia contra o agravante nem encerramento da instrução processual penal. Logo, o marco temporal relativo à data de apresentação das razões finais não foi alcançado. (STF,2020) Página 28 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal AUTORIDADE FORO COMPETENTE Presidente e Vice- Presidente da República STF STF Ministros do STF PGR Ministros de Estado AGU Comandantes da Marinha Exército e Aeronáutica Ministros do STJ, STM, TST, TSE Ministros do TCU Chefes de missão diplomática de caráter permanente Governadores STJ Desembargadores dos TJ’s, TRF’s e TRT’s Membros do TRE Conselheiros dos Tribunais de Contas Membros do MPU que oficiem perante Tribunais Juízes federais, militares e do trabalho Membros do MPU que atuam na primeira instância TRF OU TRE Juízes de Direito TJ Promotores e Procuradores de Justiça Prefeitos TJ, TRF OU TRE COMPETÊNCIA PARA JULGAR PREFEITOS CRIMES COMUNS ESTADUAIS TJ CRIMES COMUNS FEDERAIS TRF CRIMES ELEITORAIS TRE CRIMES DOLOSOS CONTRA VIDA TRF ou TJ a depender do interesse, e não do júri. CRIMES DE RESPONSABILIDADE PRÓPRIOS: infrações político- administrativas. Sanção aplicada: perda do cargo (impeachment). Julgamento: Câmara Municipal. IMPRÓPRIOS: crimes comuns. Sanção aplicada: pena comum (ex, pena privativa de liberdade). Julgamento: TJ. OBS1. Os crimes do Art. 1o do DL 201/67 são comuns. OBS2. O fato de ter havido a extinção do mandato não Página 29 de 29 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal impede a deflagração da persecução penal. JUSTIÇA MILITAR DOS ESTADOS CRIMES CRIMES Crimes militares definidos em lei. Obs: CF faz ressalva quanto à competência do Júri, quando a vítima for civil. NOVA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR (LEI 13.491/2017). 2 ALTERAÇÕES NO CPM: I - Art. 9o, II – autoriza a JM a julgar crimes previstos na legislação penal; Art. 9o Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: II – os crimes previstos neste código e os previstos na legislação penal, quando praticados: a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou assemelhado; b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil; d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar; Rol exemplificativo de possíveis crimes militares previstos na CRIMES legislação penal (CP e Legislação Especial): • Lei de Abuso de Autoridade (413.869/2019); • ECA (8.069/90); • Lei de Licitações (8.666/93); • Lei de Tortura (9.455/97); • Código de Trânsito (9.503/97); • Crimes Ambientais (9.605/98); • Estatuto do Desarmamento (10.826/03). II - Art. 9o, §§ 1o e 2o - prevê a competência da Justiça Militar da União para julgar crimes dolosos contra vida, ainda que praticados contra civil. PESSOAS Militares dos Estados (Policiais Militares, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Estadual). Obs: a condição deve ser aferida no momento do delito. COMPETÊNCIA CÍVEL Tem competência Cível para julgar as ações judiciais contra atos disciplinares militares. Exemplo: PM pratica uma transgressão militar. Ele será punido. Se o PM quiser questionar essa punição, quem vai apreciá-lo é a Justiça Militar Estadual. MINISTÉRIO PÚBLICO MP Estadual (Promotor da Justiça Militar) Súmula nº 53, STJ: Compete a justiça comum estadual processar e julgar CIVIL acusado de prática de crime contra instituições militares estaduais. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal NORTE LEGAL LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL ABRANGÊNCIA: ART. 88 AO 144-A CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941) CAPÍTULO VIII - DISPOSIÇÕES ESPECIAIS Art. 88. No processo por crimes praticados FORA do TERRITÓRIO BRASILEIRO, será competente o juízo da CAPITAL DO ESTADO onde houver POR ÚLTIMO RESIDIDO O ACUSADO. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República. Art. 89.Os crimes cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de embarcações nacionais, em alto-mar, serão processados e julgados pela justiça do PRIMEIRO PORTO BRASILEIRO EM QUE TOCAR A EMBARCAÇÃO, após o crime, ou, quando se afastar do País, pela do ÚLTIMO EM QUE HOUVER TOCADO. Art. 90. Os crimes praticados a bordo de aeronave nacional, dentro do espaço aéreo correspondente ao território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de aeronave estrangeira, dentro do espaço aéreo correspondente ao território nacional, serão processados e julgados pela justiça da comarca em CUJO TERRITÓRIO SE VERIFICAR O POUSO APÓS O CRIME, ou pela da COMARCA DE ONDE HOUVER PARTIDO A AERONAVE. # Jurisprudencia correlata Compete à Justiça Estadual julgar crime cometido a bordo de balão de ar quente tripulados. (STJ, 2019) Art. 91. Quando INCERTA e não se determinar de acordo com as normas estabelecidas nos arts. 89 e 90, a competência se firmará pela PREVENÇÃO. Jurisprudência em Teses Ed. 72 - Competência Criminal 1) Compete ao STJ o julgamento de revisão criminal quando a questão objeto do pedido revisional tiver sido examinada anteriormente por esta Corte. 2) A mera previsão do crime em tratado ou convenção internacional não atrai a competência da Justiça Federal, com base no art. 109, inciso V, da CF/88, sendo imprescindível que a conduta tenha ao menos potencialidade para ultrapassar os limites territoriais. 3) O fato de o delito ser praticado pela internet não atrai, automaticamente, a competência da Justiça Federal, sendo necessário demonstrar a internacionalidade da conduta ou de seus resultados. 4) Não há conflito de competência entre Tribunal de Justiça e Turma Recursal de Juizado Especial Criminal de um mesmo Estado, já que a Turma Recursal não possui qualidade de Tribunal e a este é subordinada administrativamente. 5) É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção, que deve ser alegada em momento oportuno, sob pena de preclusão. 6) A competência é determinada pelo lugar em que se consumou a infração (art. 70 do CPP), sendo possível a sua modificação na hipótese em que outro local seja o melhor para a formação da verdade real. 7) Compete ao TRF ou ao TJ decidir os conflitos de competência entre juizado especial e juízo comum da mesma seção judiciária ou do mesmo Estado. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal 8) Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, a, do CPP. (Súmula n. 122/STJ) 9) Inexistindo conexão probatória, não é da Justiça Federal a competência para processar e julgar crimes de competência da Justiça Estadual, ainda que os delitos tenham sido descobertos em um mesmo contexto fático. 10) No concurso de infrações de menor potencial ofensivo, afasta-se a competência dos Juizados Especiais quando a soma das penas ultrapassar 2 anos. 11) Compete à Justiça Federal processar e julgar crimes relativos ao desvio de verbas públicas repassadas pela União aos municípios e sujeitas à prestação de contas perante órgão federal. 12) Compete à Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal. (Súmula no. 209/STJ) 13) As atribuições da Polícia Federal não se confundem com as regras de competência constitucionalmente estabelecidas para a Justiça Federal (arts. 108, 109 e 144, §1°, da CF/88), sendo possível que uma investigação conduzida pela Polícia Federal seja processada perante a Justiça Estadual. 14) Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o índio figure como autor ou vítima, desde que não haja ofensa a direitos e a cultura indígenas, o que atrai a competência da Justiça Federal. 15) Compete a Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra funcionário público federal, quando relacionados com o exercício da função. (Súmula no 147/STJ) 16) Há conflito de competência, e não de atribuição, sempre que a autoridade judiciária se pronuncia a respeito da controvérsia, acolhendo expressamente as manifestações do Ministério Público. 17) Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução das penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos a Administração Estadual. (Súmula no 192/STJ) 18) A mudança de domicílio pelo condenado que cumpre pena restritiva de direitos ou que seja beneficiário de livramento condicional não tem o condão de modificar a competência da execução penal, que permanece com o juízo da condenação, sendo deprecada ao juízo onde fixa nova residência somente a supervisão e o acompanhamento do cumprimento da medida imposta. 19) A ofensa indireta, genérica ou reflexa praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União, de suas entidades autárquicas ou empresas públicas ederais não atrai a competência da Justiça Federal (art. 109, IV, da CF/88). TÍTULO VI - DAS QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES CAPÍTULO I - DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS # SOBRE AS QUESTÕES PREJUDICIAIS CONCEITO: questões que, embora não constituam o objeto da ação principal, devem ser examinadas antes dessa, uma vez que sua decisão pode influenciar no julgamento do mérito. NÃO SE CONFUNDEM COM QUESTÕES PREJUDICIAIS – matérias nitidamente processuais, que, uma vez reconhecidas, impedem, em regra, a análise do mérito. (não influenciam) QUANTO AO SISTEMA DE SOLUÇÕES DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS, O CPP ADOTA O SISTEMA ECLÉTICO (OU MISTO) QP heterogêneas relativas ao estado civil das pessoas: sistema da prejudicialidade obrigatória. Demais questões heterogêneas: sistema da prejudicialidade facultativa. Exemplo: questão ligada ao patrimônio – juiz decidirá se ele mesmo resolve a questão ou se remete ao juízo cível. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Exemplo: Para condenar alguém por receptação é necessário demonstrar que ele sabia ser a coisa produto de crime (questão prejudicial). O juiz jamais poderá condenar alguém por receptação sem antes reconhecer que a coisa era produto de crime. Obs: A suspensão do curso da ação penal, na prejudicial obrigatória ou facultativa, será decretada pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes. CLASSIFICAÇÃO DAS PREJUDICIAIS QUANTO À NATUREZA HOMOGÊNEA (IMPERFEITA) HETEROGÊNEA (PERFEITA) Prejudicial pertence ao mesmo ramo do Direito. É uma questão de direito penal. Ex1: Receptação e crime anterior. Ex2: Lavagem de capitais e crime antecedente. Resolução: conexão. Prejudicial pertence a ramo do Direito distinto. Ex: casamento na bigamia. Podem ser apreciadas por um juízo extrapenal. QUANTO AOS EFEITOS OBRIGATÓRIAS FACULTATIVAS Sempre suspende o processo até o trânsito em julgado. Juízo penal não pode resolver a questão, não tendo discricionariedade sobre isso. Referem-se às questões de ESTADO DE PESSOAS De acordo com sua conveniência, juiz pode ou não suspender o processo criminal, a fim de esperar a solução da questão prejudicial pelo juízo extrapenal. Se ele não suspende, irá decidir a questão prejudicial na sentença, de forma incidental. Não será formada coisa julgada, ou seja, caso o (paternidade, casamento, idade, etc) Ex: no delito de bigamia, quando se questiona a validade do casamento na esfera cível. Trata-se de uma questão prejudicial séria, devendo ser o processo obrigatoriamente suspenso, pois, por óbvio, não se pode condenar alguém por bigamia, caso o juízo cível anule umdos casamento. sujeito seja condenado e a sentença extrapenal decida de forma diversa, poderá se valer da revisão criminal. É a aplicação do princípio da suficiência da ação penal. QUANTO À CONSEQUÊNCIA TOTAL PARCIAL Elimina a TIPICIDADE do fato. Atinge QUALIFICADORA ou CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL. QUANTO À COMPETÊNCIA DEVOLUTIVA NÃO DEVOLUTIVA Resolvida na esfera EXTRAPENAL. Resolvida pelo próprio juízo criminal. São exatamente as homogêneas. QUESTÃO PREJUDICIAL QUESTÃO PRELIMINAR Questões que devem ser avaliadas pelo juiz com valoração penal ou extrapenal e devem ser decididas antes do mérito da ação principal. Fato processual ou de mérito que impede que o juiz aprecie o fato principal ou uma questão principal. Ligadas ao direito material (elementares da infração penal). Ligadas ao direito processual. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Gozam de autonomia. Sempre vinculadas ao processo criminal específico. Decidida por um juízo penal ou extrapenal. Sempre decididas por um juízo penal. Retirada do Código de Processo Penal comentado - Renato Brasileiro de Lima - Juspodivm; Art. 92. Se a decisão sobre a existência da infração depender da solução de controvérsia, que o juiz repute séria e fundada, sobre o ESTADO CIVIL DAS PESSOAS, o CURSO DA AÇÃO PENAL FICARÁ SUSPENSO até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado, sem prejuízo, entretanto, da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente. São as questões prejudiciais obrigatórias ou questões heterogêneas ligadas ao estado civil das pessoas. Suspendem obrigatoriamente o curso da ação penal. Parágrafo único. Se for o crime de AÇÃO PÚBLICA, o MINISTÉRIO PÚBLICO, QUANDO NECESSÁRIO, PROMOVERÁ A AÇÃO CIVIL ou PROSSEGUIRÁ NA QUE TIVER SIDO INICIADA, com a CITAÇÃO dos interessados. Se crime de ação penal privada, cabe somente ao querelante ingressar ou prosseguir com a ação cível. Art. 93. Se o reconhecimento da existência da infração penal depender de decisão SOBRE QUESTÃO DIVERSA DA PREVISTA NO ARTIGO ANTERIOR, da competência do juízo cível, e se neste houver sido proposta ação para resolvê-la, o JUIZ CRIMINAL PODERÁ, DESDE QUE essa questão seja de DIFÍCIL SOLUÇÃO e não verse sobre direito cuja prova a LEI CIVIL LIMITE, SUSPENDER O CURSO DO PROCESSO, após a inquirição das testemunhas e realização das outras provas de natureza urgente. São as questões prejudiciais facultativas ou questões heterogêneas não ligadas ao estado civil das pessoas. Não suspendem obrigatoriamente o curso da ação penal. O juiz tanto pode devolver a questão quanto pode decidi-la incidentalmente, no momento da sentença. § 1o O juiz marcará o prazo da suspensão, que PODERÁ SER RAZOAVELMENTE PRORROGADO, se a demora não for imputável à parte. Expirado o prazo, sem que o juiz cível tenha proferido decisão, o juiz criminal fará prosseguir o processo, retomando sua competência para resolver, de fato e de direito, toda a matéria da acusação ou da defesa. § 2o Do despacho que denegar a suspensão NÃO caberá recurso. Recurso da decisão que DENEGA SUSPENSÃO IRRECORRÍVEL Recurso da decisão que CONCEDE SUSPENSÃO Recurso em Sentido Estrito (RESE) § 3o Suspenso o processo, e tratando-se de crime DE AÇÃO PÚBLICA, incumbirá ao MINISTÉRIO PÚBLICO INTERVIR IMEDIATAMENTE NA CAUSA CÍVEL, para o fim de promover-lhe o rápido andamento. Art. 94. A suspensão do curso da ação penal, nos casos dos artigos anteriores, será decretada pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes. CAPÍTULO II - DAS EXCEÇÕES Exceções são matéria de defesa em que são alegadas determinadas questões processuais. Comumente, são apontadas a ausência de pressupostos processuais ou de condições da ação, a fim de procrastinar a análise do mérito ou impedir o julgamento da demanda. Art. 95. Poderão ser opostas as EXCEÇÕES de: I - SUSPEIÇÃO; II - INCOMPETÊNCIA de juízo; III - LITISPENDÊNCIA; IV - ILEGITIMIDADE DE PARTE; V - COISA JULGADA. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal # Comentários Exceções serão processadas em autos apartados e, em regra, não suspendem o processo, SALVO: I - Juiz se declara SUSPEITO (de ofício); II - Relator pode suspender, quando ambas as partes entendem que o Juiz é suspeito. Regra: contra todos os julgamentos de exceções cabe RESE, pois são julgadas por juiz de 1º grau. Exceção: Exceção de suspeição de juiz, que é julgada pelo Tribunal, ou seja, se já é apreciada pelo tribunal, não vai caber RESE. EXCEÇÕES PEREMPTÓRIAS EXCEÇÕES DILATÓRIAS Produzem a EXTINÇÃO DO PROCESSO. São elas: ▪ Exceção de Litispendência; ▪ Exceção de Coisa Julgada; ▪ Exceção de Ilegitimidade de Parte (ad causam). Exemplo: MP oferece denúncia por calúnia. É peremptória, pois extingue o processo, sem que seja obrigatória a propositura de nova demanda (o que daria um caráter apenas dilatório à exceção). Buscam a PROCRASTINAÇÃO DO PROCESSO. São elas: ▪ Exceção de suspeição, impedimento, incompatibilidade; ▪ Exceção de incompetência; ▪ Exceção de Ilegitimidade de Parte (ad processum). Exemplo: Falso representante legal apresentando representação pela vítima. É dilatória, pois pode o vício ser sanado, dando prosseguimento ao processo. #NÃOCONFUNDA #DESPENCAEMPROVA IMPEDIMENTO SUSPEIÇÃO INCOMPATIBILIDADE Circunstância objetiva, relacionada a fatos internos do processo, capaz de prejudicar a imparcialidad e do juiz. Presente uma delas, há presunção absoluta de parcialidade do juiz. Rol do art. 252. Circunstânci as subjetivas, relacionadas a fatos externos capazes de prejudicar imparcialida de do Juiz (presunção relativa). Rol do art. 254. Todas as razões que afetam a imparcialidade do Juiz e que não estão incluídas entre as causas de impedimento e suspeição. # Jurisprudência correlata A pendência de julgamento de litígio no exterior não impede, por si só, o processamento da ação penal no Brasil, não configurando bis in idem. (Info 656, STF) Art. 96. A argüição de SUSPEIÇÃO PRECEDERÁ A QUALQUER OUTRA, SALVO quando fundada em MOTIVO SUPERVENIENTE. Art. 97. O juiz que espontaneamente afirmar suspeição deverá fazê-lo por escrito, declarando o motivo legal, e remeterá imediatamente o processo ao seu substituto, intimadas as partes. Art. 98. Quando qualquer das partes pretender RECUSAR O JUIZ, deverá fazê-lo em petição assinada por ELA PRÓPRIA ou por PROCURADOR COM PODERES ESPECIAIS, aduzindo as suas razões acompanhadas de prova documental ou do rol de testemunhas. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal ATENÇÃO: A procuração com poderes especiais é necessária, inclusive, para defensores públicos , que, conforme LC 80/94, não necessitam de procuração para a prática de atos judiciais. Contudo, quando a própria lei exige poderes especiais na procuração, o defensor público precisa dela. Art. 99. Se reconhecer a suspeição, o juiz sustará a marcha do processo, mandará juntar aos autos a petição do recusante com os documentos que a instruam, e por despacho se declarará suspeito, ordenando a remessa dos autos ao substituto. Art. 100. Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição, dará sua resposta dentro em 3 DIAS, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, e, em seguida, determinará sejam os autos da exceção remetidos, dentro em 24 HORAS, ao juiz ou tribunal a quem competir o julgamento. § 1o Reconhecida, preliminarmente, a relevância da argüição, o juiz ou tribunal, com citaçãodas partes, marcará dia e hora para a inquirição das testemunhas, seguindo-se o julgamento, independentemente de mais alegações. § 2o Se a suspeição for de manifesta improcedência, o juiz ou relator a rejeitará liminarmente. Art. 101. Julgada PROCEDENTE A SUSPEIÇÃO, ficarão NULOS os atos do processo principal, pagando o juiz as custas, no caso de erro inescusável; rejeitada, evidenciando-se a malícia do excipiente, a este será imposta a multa de duzentos mil-réis a dois contos de réis. Art. 102. Quando a parte contrária reconhecer a procedência da argüição, poderá ser sustado, a seu requerimento, o processo principal, até que se julgue o incidente da suspeição. Art. 103. No Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Apelação, o juiz que se julgar suspeito deverá declará-lo nos autos e, se for revisor, passar o feito ao seu substituto na ordem da precedência, ou, se for relator, apresentar os autos em mesa para nova distribuição. § 1o Se não for relator nem revisor, o juiz que houver de dar-se por suspeito, deverá fazê-lo verbalmente, na sessão de julgamento, registrando-se na ata a declaração. #Jurisprudência Correlata Expressões ofensivas, desrespeitosas e pejorativas proferidas pelo magistrado na sessão de julgamento contra a honra do jurisdicionado que está sendo julgado, podem configurar causa de nulidade absoluta, haja vista que ofendem a garantia constitucional da imparcialidade, que deve, como componente do devido processo legal, ser observada em todo e qualquer julgamento em um sistema acusatório (Info 734, STJ, 04/2022). § 2o Se o presidente do tribunal se der por suspeito, competirá ao seu substituto designar dia para o julgamento e presidi-lo. § 3o Observar-se-á, quanto à argüição de suspeição pela parte, o disposto nos arts. 98 a 101, no que Ihe for aplicável, atendido, se o juiz a reconhecer, o que estabelece este artigo. § 4o A suspeição, não sendo reconhecida, será julgada pelo tribunal pleno, funcionando como relator o presidente. § 5o Se o recusado for o presidente do tribunal, o relator será o vice-presidente. Art. 104. Se for argüida a SUSPEIÇÃO do órgão do MINISTÉRIO PÚBLICO, o juiz, DEPOIS DE OUVI-LO, decidirá, sem recurso, PODENDO antes admitir a PRODUÇÃO DE PROVAS no prazo de 3 DIAS. Art. 105. As partes poderão também argüir de suspeitos os peritos, os intérpretes e os serventuários ou funcionários de justiça, decidindo o juiz de plano e sem recurso, à vista da matéria alegada e prova imediata. Art. 106. A SUSPEIÇÃO dos JURADOS deverá ser argüida ORALMENTE, decidindo de plano do presidente do Tribunal do Júri, que a rejeitará se, negada pelo recusado, não for imediatamente comprovada, o que tudo constará da ata. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Art. 107. NÃO SE PODERÁ OPOR SUSPEIÇÃO ÀS AUTORIDADES POLICIAIS nos atos do inquérito, mas DEVERÃO ELAS DECLARAR-SE SUSPEITAS, quando ocorrer motivo legal. Perceba que as partes não podem alegar a suspeição da Autoridade Policial, no entanto, ela deve se declarar suspeita (de ofício), caso haja algum motivo legal. # Jurisprudência Correlata (08/2021) A ausência de afirmação da autoridade policial de sua própria suspeição não eiva de nulidade o processo judicial por si só, sendo necessária a demonstração do prejuízo suportado pelo réu. Fundamentação: Tal previsão é bastante criticada em sede doutrinária, mormente pela contradição que encerra: se a autoridade deverá pronunciar sua suspeição, soa paradoxal, em certa medida, impedir que a parte investigada a aponte no IPL. De todo modo, tendo em vista a dicção legal - que permanece válida e vigente, inexistindo declaração de sua não recepção pelo STF -, seu teor segue aplicável. Uma solução possível para a parte que se julgue prejudicada é buscar, na esfera administrativa, o afastamento da autoridade suspeita. Assim, o descumprimento do art. 107 do CPP - quando a autoridade policial deixa de afirmar sua própria suspeição - não eiva de nulidade o processo judicial por si só, sendo necessária a demonstração do prejuízo suportado pela parte ré. Vale ressaltar que, segundo a tradicional compreensão doutrinária e pretoriana hoje predominante, o inquérito é uma peça de informação, destinada a auxiliar a construção da opinio delicti do órgão acusador. Por conseguinte, possíveis irregularidades nele ocorridas não afetam a ação penal. Lembre-se que, ressalvadas as provas irrepetíveis, cautelares e antecipadas, nos termos do art. 155 do CPP, não há propriamente produção de provas na fase inquisitorial, mas apenas colheita de elementos informativos para subsidiar a convicção do Ministério Público quanto ao oferecimento (ou não) da denúncia. Também por isso, o inquérito é uma peça facultativa, como se depreende do art. 39, § 5º, do CPP. Com efeito todos os elementos colhidos no inquérito, quando integram a acusação e são considerados pela sentença, submetem-se ao contraditório no processo judicial, e é este o locus adequado para rebatê-los. Também as provas irrepetíveis, cautelares e antecipadas passam pelo crivo do contraditório, ainda que de forma diferida, cabendo à defesa o ônus de apontar possíveis vícios processuais e apresentar suas impugnações fáticas. Por isso, como resta preservada a ampla possibilidade de debate dos elementos de prova em juízo, é correto manter incólume o processo mesmo diante de alguma irregularidade cometida na fase inquisitorial (desde que, é claro, não tenham sido descumpridas regras de licitude da atividade probatória). (Info 704, STJ). # Jurisprudência Correlata (09/2021) A quinta turma do STJ decidiu que a suspeição de delegado que atuou na investigação não basta para anular ação penal. A prova de suspeição de autoridade policial que atuou no inquérito, sem a demonstração de prejuízo para o réu, não é motivo para anular o processo judicial. Com base nesse entendimento, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, negou provimento ao recurso especial interposto por um homem que ajuizou revisão criminal após descobrir que um delegado envolvido na investigação contra ele é filho de um suspeito, o qual não foi indiciado nem investigado. Relator do recurso, o ministro Ribeiro Dantas afirmou que possíveis irregularidades no inquérito não afetam a ação penal. "Não há propriamente produção de provas na fase inquisitorial, mas apenas colheita de elementos informativos para subsidiar a convicção do Ministério Público quanto ao oferecimento (ou não) da denúncia. Também por isso, o inquérito é uma peça facultativa", observou. *** O número deste processo não foi divulgado em razão de segredo judicial. Art. 108. A exceção de INCOMPETÊNCIA do juízo poderá ser oposta, VERBALMENTE ou por ESCRITO, no prazo de defesa. § 1o Se, ouvido o Ministério Público, for aceita a declinatória, o feito será remetido ao juízo competente, onde, ratificados os atos anteriores, o processo prosseguirá. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal § 2o Recusada a incompetência, o juiz continuará no feito, fazendo tomar por termo a declinatória, se formulada verbalmente. Art. 109. Se em qualquer fase do processo o juiz reconhecer motivo que o torne incompetente, declará- lo-á nos autos, haja ou não alegação da parte, prosseguindo-se na forma do artigo anterior. Art. 110. Nas exceções de litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada, será observado, no que Ihes for aplicável, o disposto sobre a exceção de incompetência do juízo. § 1o Se a parte houver de opor mais de uma dessas exceções, deverá fazê-lo numa só petição ou articulado. § 2o A exceção de coisa julgada somente poderá ser oposta em relação ao fato principal,que tiver sido objeto da sentença. Art. 111. As exceções serão processadas em AUTOS APARTADOS e NÃO SUSPENDERÃO, EM REGRA, o ANDAMENTO DA AÇÃO PENAL. #REVISE A EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO Objetivam afastar o juiz do processo PRIORIDADE Precederá a qualquer outra, salvo se fundada em motivo superveniente. JUIZ PODE DECLARAR DE OFÍCIO Juiz que espontaneamente se julgar suspeito, deve fazê-lo por escrito, declarando o motivo legal, e remeterá imediatamente processo ao substituto, intimadas as partes. LEGITIMIDADE E MODO Qualquer das partes pode recusar o juiz, por petição assinada por ela própria ou por procurador com poderes especiais, aduzindo razões com prova documental ou do rol de testemunhas. JUIZ RECONHECEU SUSPEIÇÃO Sustará a marcha do processo (suspende processo). Por despacho, se declara suspeito e remete os autos ao substituto. JUIZ NÃO RECONHECEU SUSPEIÇÃO Autua em apartado a petição e dará sua resposta em 3 dias, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, e, em seguida, determinará sejam os autos da exceção remetidos, dentro em 24 horas, ao juiz ou tribunal a quem competir o julgamento. ▪ Reconhecida, preliminarmente, a relevância da arguição, Juiz|Tribunal, com citação das partes, marcará dia e hora para inquirição das testemunhas, seguindo-se o julgamento, independ. de mais alegações. ▪ Suspeição manifestamente improcedente? Juiz ou relator a rejeitará liminarmente. SUSPEIÇÃO JULGADA PROCEDENTE São nulos os atos do processo principal, pagando o juiz as custas, no caso de erro inescusável; rejeitada, evidenciando-se a malícia do excipiente, a este será imposta a multa. PARTE CONTRÁRIA RECONHECEU PROCEDÊNCIA Processo principal pode ser suspenso, a seu requerimento, até julgamento da suspeição. SUSPEIÇÃO NO STF E NO TJ Juiz que se julgar suspeito deve declará-lo nos autos. Se for revisor: passa o feito ao seu substituto na ordem da precedência, Se for relator: apresentar os autos em mesa para nova distribuição. Se não for relator nem revisor? Deve declarar- se suspeito verbalmente, na sessão de julgamento. ▪ PR do tribunal se dá por suspeito? Substituto designar dia para julgamento e presidi-lo. ▪ Suspeição, não sendo reconhecida, será julgada pelo tribunal pleno, funcionando PR como relator. ▪ Recusado é PR do tribunal? Relator será VICE- PR. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal SUSPEIÇÃO DO MP Juiz, depois de ouvi-lo, decidirá, sem recurso, podendo antes admitir a produção de provas no prazo de 3 dias. Súmula 234, STJ: A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia. SUSPEIÇÃO DOS JURADOS Deve ser arguida oralmente, decidindo de plano o Presidente do Tribunal do Júri, que a rejeitará se, negada pelo recusado, não for imediatamente comprovada. SUSPEIÇÃO DOS PERITOS, INTÉRPRETES E SERVENT. OU FUNC. DE JUSTIÇA Possível. Decidindo o juiz de plano e sem recurso, à vista da matéria alegada e prova imediata. SUSPEIÇÃO DOS DELTAS Não se pode opor suspeição à Autoridade Policial nos atos do IPL, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal. # MORAL DA HISTÓRIA Pode ser OPOSTA A SUSPEIÇÃO DE TODO MUNDO, MENOS DO DELEGADO. #REVISE A EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA MODO Verbalmente ou por escrito, no prazo de defesa. Não necessita de petição específica, podendo ser realizada nos próprios autos ou até oralmente. DECLINATÓRIA ACEITA (MP é OUVIDO) Se ouvido o MP, for aceita a declinatória, feito será remetido ao juízo competente, onde, ratificados os atos anteriores, processo prossegue. DECLINATÓRIA RECUSADA Juiz continuará no feito, fazendo tomar por termo a declinatória, se formulada verbalmente. Obs. Não há recurso previsto em lei contra essa decisão. Só HC. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO E EM QUALQUER FASE DO PROCESSO Se em qualquer fase do processo o juiz reconhecer motivo que o torne incompetente, declará-lo-á nos autos, haja ou não alegação da parte. Incompetência absoluta: pode ser arguida até mesmo depois do TJ de sentença condenatória ou absolutória imprópria. Incompetência relativa: há controvérsia acerca do reconhecimento de ofício pelo juiz. #SELIGANADIFERENÇA #NÃOCONFUNDA LITISPENDÊNCIA Mesmo acusado responde a 2 ou mais processos distintos, pelo mesmo fato, independentemente da classificação típica que lhe seja atribuída. (bis in idem) No processo penal, exige só que acusado seja o mesmo, não se exigindo que parte autora seja a mesma. STJ/2019: A pendência de julgamento de litígio no exterior não impede, por si só, o processamento da ação penal no Brasil, não configurando bis in idem. ILEGITIMIDADE DE PARTE Ilegitimidade ad causam e ilegitimidade ad processum. Declarada de ofício ou a requerimento. “Ad causam” (condição da ação): Ilegitimidade para estar em 1 dos polos da demanda. Ex: MP denunciando em ação penal privada. Natureza peremptória: Se procedente, gera nulidade da ação desde início. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal ILEGITIMIDADE DE PARTE “Ad processum” (pressuposto processual de validade): Ilegitimidade para estar em juízo. Ex: Menor de 18 anos oferecendo queixa. Natureza dilatória: Se procedente, impõe necessidade de ratificação do ato para sanar vícios. COISA JULGADA Imutabilidade do conteúdo de uma decisão judicial, tanto dentro (CJ Formal) quanto fora do processo em que foi proferida (CJ Material). Exceção de CJ SOMENTE pode ser oposta em relação ao FATO PRINCIPAL, que foi objeto da sentença. CAPÍTULO III - DAS INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS Art. 112. O juiz, o órgão do Ministério Público, os serventuários ou funcionários de justiça e os peritos ou intérpretes abster-se-ão de servir no processo, quando houver incompatibilidade ou impedimento legal, que declararão nos autos. Se não se der a abstenção, a incompatibilidade ou impedimento poderá ser argüido pelas partes, seguindo-se o processo estabelecido para a exceção de suspeição. CAPÍTULO IV - DO CONFLITO DE JURISDIÇÃO Art. 113. As questões atinentes à competência resolver- se-ão não só pela exceção própria, como também pelo conflito positivo ou negativo de jurisdição. Art. 114. HAVERÁ CONFLITO DE JURISDIÇÃO: I - quando 2 ou mais autoridades judiciárias se considerarem COMPETENTES (CONFLITO POSITIVO), ou INCOMPETENTES (CONFLITO NEGATIVO), para conhecer do mesmo fato criminoso; II - quando entre elas surgir CONTROVÉRSIA sobre UNIDADE DE JUÍZO, JUNÇÃO ou SEPARAÇÃO DE PROCESSOS. Art. 115. O conflito poderá ser suscitado: I - pela PARTE INTERESSADA; II - pelos órgãos do MINISTÉRIO PÚBLICO junto a qualquer dos juízos em dissídio; III - por QUALQUER dos JUÍZES ou TRIBUNAIS em causa. Art. 116. Os juízes e tribunais, sob a forma de representação, e a parte interessada, sob a de requerimento, darão parte escrita e circunstanciada do conflito, perante o tribunal competente, expondo os fundamentos e juntando os documentos comprobatórios. § 1o Quando NEGATIVO o conflito, os juízes e tribunais poderão SUSCITÁ-LO NOS PRÓPRIOS AUTOS do processo. § 2o Distribuído o feito, se o CONFLITO FOR POSITIVO, o relator PODERÁ DETERMINAR IMEDIATAMENTE QUE SE SUSPENDA O ANDAMENTO DO PROCESSO. § 3o Expedida ou não a ordem de suspensão, o relator requisitará informações às autoridades em conflito, remetendo-lhes cópia do requerimento ou representação. § 4o As informações serão prestadas no prazo marcado pelo relator. § 5o Recebidas as informações,e depois de ouvido o procurador-geral, o conflito será decidido na primeira sessão, salvo se a instrução do feito depender de diligência. § 6o Proferida a decisão, as cópias necessárias serão remetidas, para a sua execução, às autoridades contra as quais tiver sido levantado o conflito ou que o houverem suscitado. Art. 117. O STF, mediante AVOCATÓRIA, RESTABELECERÁ A SUA JURISDIÇÃO, sempre que exercida por qualquer dos juízes ou tribunais inferiores. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal CAPÍTULO V - DA RESTITUIÇÃO DAS COISAS APREENDIDAS Art. 118. ANTES DE TRANSITAR EM JULGADO a sentença final, as COISAS APREENDIDAS NÃO PODERÃO SER RESTITUÍDAS ENQUANTO INTERESSAREM AO PROCESSO. Art. 119. As coisas a que se referem os arts. 74 e 100 do Código Penal NÃO PODERÃO SER RESTITUÍDAS, mesmo depois de transitar em julgado a sentença final, SALVO se pertencerem ao LESADO ou a TERCEIRO DE BOA-FÉ. Art. 120. A restituição, quando cabível, poderá ser ORDENADA PELA AUTORIDADE POLICIAL ou JUIZ, mediante termo nos autos, DESDE QUE NÃO EXISTA DÚVIDA quanto ao direito do reclamante. § 1o Se DUVIDOSO ESSE DIREITO, o pedido de restituição AUTUAR-SE-Á EM APARTADO, assinando-se ao requerente o prazo de 5 DIAS para a prova. Em tal caso, só o juiz criminal poderá decidir o incidente. § 2o O incidente autuar-se-á também em apartado e só a autoridade judicial o resolverá, se as coisas forem apreendidas em poder de terceiro de boa- fé, que será intimado para alegar e provar o seu direito, em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, tendo um e outro 2 dias para arrazoar. § 3o Sobre o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO SERÁ SEMPRE OUVIDO O MINISTÉRIO PÚBLICO. § 4o Em caso de DÚVIDA SOBRE QUEM SEJA O VERDADEIRO DONO, o juiz remeterá as partes para o juízo cível, ordenando o depósito das coisas em mãos de depositário ou do próprio terceiro que as detinha, se for pessoa idônea. DIREITO À RESTITUIÇÃO DUVIDOSO DÚVIDA SOBRE VERDADEIRO DONO JUIZ CRIMINAL DECIDE. JUÍZO CÍVEL DECIDE. § 5o Tratando-se de coisas facilmente deterioráveis, serão avaliadas e levadas a leilão público, depositando- se o dinheiro apurado, ou entregues ao terceiro que as detinha, se este for pessoa idônea e assinar termo de responsabilidade. Art. 121. No caso de apreensão de coisa adquirida com os proventos da infração, aplica-se o disposto no art. 133 e seu parágrafo. Art. 122. Sem prejuízo do disposto no Art. 120, as coisas apreendidas serão alienadas nos termos do disposto no Art. 133 deste Código. (Lei nº 13.964, de 2019) Parágrafo único. (Revogado). (Lei nº 13.964, de 2019) Art. 123. Fora dos casos previstos nos artigos anteriores, se dentro no prazo de 90 DIAS, a contar da data em que transitar em julgado a sentença final, condenatória ou absolutória, os objetos apreendidos não forem reclamados ou não pertencerem ao réu, serão vendidos em leilão, depositando-se o saldo à disposição do juízo de ausentes. Art. 124. Os instrumentos do crime, cuja perda em favor da União for decretada, e as coisas confiscadas, de acordo com o disposto no art. 100 do Código Penal, serão inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se houver interesse na sua conservação. Art. 124-A. Na hipótese de decretação de perdimento de obras de arte ou de outros bens de relevante valor cultural ou artístico, se o crime não tiver vítima determinada, poderá haver destinação dos bens a MUSEUS PÚBLICOS. (2019). #REVISE A RESTITUIÇÃO DAS COISAS APREENDIDAS RESTITUIÇÃO Antes do TJ, coisas apreendidas não podem ser restituídas enquanto interessarem ao processo. NÃO PODEM SER RESTITUIDAS Coisas a que se referem os arts. 74 e 100 do CP não podem ser restituídas, mesmo depois de transitar em julgado a sentença final, salvo se pertencerem ao lesado ou a 3o de boa-fé. QUEM PODE ORDENAR RESTITUIÇÃO Delegado ou JUIZ, mediante termo nos autos, desde que não exista dúvida quanto ao direito do reclamante. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal DIREITO DUVIDOSO (Só juiz criminal pode decidir) Pedido autuado em apartado, e requerente tem 5 dias para prova. Aqui, só juiz criminal pode decidir incidente. Delegado não. COISAS APREENDIDAS EM PODER DE 3O DE BOA-FÉ. Pedido autuado em apartado. Será intimado para provar o seu direito, em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, tendo um e outro 2 dias para arrazoar. Só Juiz pode decidir. DÚVIDA SOBRE VERDADEIRO DONO (Dúvida: necessidade de dilação probatória) Juiz remete partes para o JUÍZO CÍVEL, ordenando depósito em mão de depositário ou do próprio 3o que as detinha, se idôneo. NÃO CONFUNDIR DIREITO DUVIDOSO COM VERDADEIRO DONO. OITIVA DO MP Sobre pedido de restituição, MP será SEMPRE ouvido. COISAS FACILMENTE DETERIORÁVEIS Avaliadas e leilão público, depositando dinheiro apurado,ou entregues ao 3o que as detinha, se idôneo e assinar termo de responsabilidade APREENSÃO DE COISA ADQUIRIDA C/ PROVENTOS DA INFRAÇÃO Avaliadas e leilão público FORA DOS CASOS ACIMA 90 dias do TJ da sentença, condenatória ou absolutória e objetos apreendidos não foram reclamados ou não pertencerem ao réu? Leilão, depositando saldo à disposição do juízo de ausentes. INSTRUMENTOS DO CRIME, CUJA PERDA EM FAVOR DA UNIÃO FOR DECRETADA E COISAS CONFISCADAS Inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se houver interesse na sua conservação. PERDIMENTO DE OBRAS DE ARTE OU DE OUTROS BENS DE RELEVANTE VALOR CULTURAL OU ARTÍSTICO Se o crime não tiver vítima determinada, poderá haver destinação dos bens a museus públicos. CAPÍTULO VI - DAS MEDIDAS ASSECURATÓRIAS MEDIDAS ASSECURATÓRIAS CONCEITO São medidas cautelares de natureza patrimonial (reais) que visam preservar o patrimônio do acusado para que possa suportar efeitos da condenação. EFEITOS DA CONDENAÇÃO (ART. 91 E 91-A DO CP) Art. 91: São efeitos da condenação: I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; II - a PERDA em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: (CONFISCO) a) dos INSTRUMENTOS DO CRIME, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; b) do PRODUTO DO CRIME (PRODUTO DIRETO, ex, dinheiro obtido com venda de droga) ou de QUALQUER BEM OU VALOR que constitua PROVEITO auferido pelo agente com a prática do fato criminoso (PRODUTO INDIRETO, ex, casa comprada com o dinheiro da venda da droga). § 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. § 2º Na hipótese do § 1o, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal EFEITOS DA CONDENAÇÃO (ART. 91 E 91-A DO CP) acusado para posterior decretação de perda. Art. 91-A (Incluído pelo Pacote Anticrime). Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6 ANOS DE RECLUSÃO, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. (A doutrina tem chama de “CONFISCO ALARGADO”) § 1º Para efeito da perda prevista no caput deste artigo, entende-se por patrimônio do condenado todos os bens: I - de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício direto ouindireto, na data da infração penal ou recebidos posteriormente; e II - transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir do início da atividade criminal. § 2º O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio. § 3º A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. § 4º Na sentença condenatória, o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e especificar os bens cuja perda for decretada. § 5º Os instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações criminosas e milícias deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo da Justiça onde tramita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem pública, nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. PRINCÍPIO DA JURISDICIONALI- DADE Deferimento só através de autorização judicial. PRESSUPOSTOS Como são medidas cautelares, estão sujeitas aos pressupostos do art. 282 quais sejam: I - Fumus comissi delicti: plausibilidade do direito de punir, evidenciada pela prova da existência do crime e pelos indícios de autoria. II - Periculum libertatis: perigo que a demora pode produzir quanto aos bens do indivíduo. OBJETIVOS I - Assegurar confisco como efeito da condenação; II - Garantir futura indenização ou reparação do dano vítima da infração penal. III - Pagamento das despesas processuais ou das penas pecuniárias ao Estado. MUITO PRESENTE NOS SEGUINTES CRIMES Crimes de lavagem de capitais, Crimes contra sistema financeiro nacional. Art. 125. Caberá o SEQÜESTRO dos BENS IMÓVEIS, ADQUIRIDOS pelo indiciado com os PROVENTOS DA INFRAÇÃO, AINDA QUE JÁ TENHAM SIDO TRANSFERIDOS A TERCEIRO. SEQUESTRO CONCEITO Medida cautelar de indisponibilidade de bens em que o exercício do contraditório poderá ser postergado para evitar a dissipação do patrimônio https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal CARACTERÍSTICAS Confisco de bens e reparação do dano causado pelo delito. NÃO CONFUNDA COM A BUSCA E APREENSÃO SEQUESTRO Recai sobre produto indireto (resultado da transformação do produto direto). Ex: casa ou lancha comprado com dinheiro das drogas. BUSCA E APREENSÃO Recai sobre o produto direto do delito (ex.: dinheiro das drogas). BEM DE FAMÍLIA ADQUIRIDO COM PRODUTO DO DELITO Não está sujeito às restrições legais. Pode ser objeto de sequestro e hipoteca legal. APLICA-SE A BENS IMÓVEIS E MÓVEIS É mais comum o sequestro em bens móveis (a exemplo de uma lancha), mas é perfeitamente possível ocorrer em bens imóveis. MOMENTO ADEQUADO (ART. 127) Durante a investigação criminal ou durante o processo penal. EMBARGOS DO ACUSADO (ART. 130, I) Só é cabível um único fundamento: ausência de referibilidade, que consiste na demonstração de que aquele bem que está sendo apreendido não foi adquirido com os proventos da infração. EMBARGOS DE TERCEIRO ESTRANHO À INFRAÇÃO PENAL (ART. 129) Terceiro é uma pessoa completamente estranha a infração penal, que não tem relação com o acusado. Exemplo: acusado possui o apartamento no 102 no Edifício X, sequestra-se o apartamento no 101 de João, que não possuía nenhuma relação com o delito e nem com o acusado. Diante disso, João poderá embargar, seguindo o art. 129 do CPP (o regramento será dado pelos arts.674, 675 do CPC). EMBARGOS DE TERCEIRO QUE COMPROU DE BOA-FÉ O BEM DO ACUSADO (ART. 130, II) Trata-se de pessoa que não é totalmente estranha à infração penal, uma vez que adquiriu o bem de boa- fé do acusado. Destaca-se que a aquisição do bem deverá ter sido onerosa, não se admite por meio de doação. #SELIGANADIFERENÇA #DESPENCAEMPROVA SEQUESTRO ESPECIALIZAÇÃO E REGISTRO DE HIPOTECA LEGAL Em qualquer fase (inquérito ou processo). Apenas durante o processo. Bens móveis ou imóveis. Bens Imóveis. Pode ser decretado de ofício (apenas na fase processual). Não pode ser decretado de ofício. Há o confisco de bens. Não possui finalidade de confisco. Recai sobre o patrimônio ilícito, podendo, em determinados casos (bens no exterior, bens não encontrados), recair sobre o lícito também. Recai apenas sobre o patrimônio lícito. Art. 126. Para a decretação do seqüestro, bastará a existência de INDÍCIOS VEEMENTES DA PROVENIÊNCIA ILÍCITA DOS BENS. Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o seqüestro, em QUALQUER FASE DO PROCESSO ou ainda ANTES DE OFERECIDA A DENÚNCIA OU QUEIXA. Pela letra da lei, observe que o Juiz, de ofício pode ordenar o sequestro, mesmo antes de oferecida a denúncia ou queixa. agora a hipoteca legal, em regra, só pode ser requerida pelo ofendido. MP só quando o ofendido for pobre e o requerer. Resta saber se esse entendimento continua valendo após o advento da Lei do Pacote Anticrime. Acreditamos que o nosso sistema acusatório não permite mais essa atuação judicial proativa no processo penal. Porém, é importante memorizar a redação do art. 127 para fins de prova. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Art. 128. Realizado o seqüestro, o juiz ordenará a sua inscrição no Registro de Imóveis. Art. 129. O seqüestro autuar-se-á em APARTADO e admitirá EMBARGOS DE TERCEIRO. Art. 130. O seqüestro PODERÁ AINDA SER EMBARGADO: I - pelo ACUSADO, sob o fundamento de não terem os bens sido adquiridos com os proventos da infração; II - pelo TERCEIRO, a quem houverem os bens sido transferidos a título oneroso, sob o fundamento de tê- los adquirido de boa-fé. Parágrafo único. Não poderá ser pronunciada decisão nesses embargos antes de passar em julgado a sentença condenatória. Exigência de TJ da sentença condenatória, não se aplica ao 3º inteiramente estranho ao fato criminoso. Perceba que acusado só pode fundamentar seus embargos na alegação de que os bens sequestrados não foram adquiridos com os proventos do crime. É dizer: não cabe aqui entrar no mérito da sua autoria ou materialidade, mas apenas comprovar que os bens sequestrados foram adquiridos com valores lícitos. Exemplo: Trabalhou para comprar. Dinheiro de herança. Art. 131. O seqüestro será LEVANTADO: I - se a AÇÃO PENAL NÃO for INTENTADA no prazo de 60 DIAS, contado da data em que ficar concluída a diligência; II - se o TERCEIRO, a quem tiverem sido transferidos os bens, PRESTAR CAUÇÃO que assegure a aplicação do disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código Penal; III - se for julgada EXTINTA A PUNIBILIDADE ou ABSOLVIDO O RÉU, por SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. Art. 132. Proceder-se-á ao seqüestro dos BENS MÓVEIS se, verificadas as condições previstas no art. 126, não for cabível a medida regulada no Capítulo Xl do Título Vll deste Livro. Art. 133. Transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento do interessado ou do Ministério Público, determinará a avaliação e a venda dos bens em leilão público cujo perdimento tenha sido decretado. (2019) § 1º Do dinheiro apurado, será recolhido aos cofres públicos o que não couber ao lesado ou a terceiro de boa-fé. § 2º O valor apurado deverá ser recolhido ao Fundo Penitenciário Nacional, exceto se houver previsão diversa em lei especial. Art. 133-A. O juiz PODERÁ AUTORIZAR, constatado o INTERESSE PÚBLICO, a UTILIZAÇÃO DE BEM SEQUESTRADO, APREENDIDO OU SUJEITO A QUALQUER MEDIDA ASSECURATÓRIA PELOSÓRGÃOS DE SEGURANÇA PÚBLICA previstos no art. 144 da Constituição Federal, do SISTEMA PRISIONAL, do SISTEMA SOCIOEDUCATIVO, da FORÇA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA e do INSTITUTO GERAL DE PERÍCIA, para o desempenho de suas atividades. (2019) § 1º O ÓRGÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA PARTICIPANTE DAS AÇÕES de investigação ou repressão da infração penal que ensejou a constrição do bem terá PRIORIDADE na sua utilização. § 2º Fora das hipóteses anteriores, demonstrado o interesse público, o juiz PODERÁ autorizar o uso do bem pelos DEMAIS ÓRGÃOS PÚBLICOS. § 3º Se o bem a que se refere o caput deste artigo for VEÍCULO, EMBARCAÇÃO OU AERONAVE, o juiz ordenará à autoridade de trânsito ou ao órgão de registro e controle a expedição de CERTIFICADO PROVISÓRIO DE REGISTRO E LICENCIAMENTO em favor do órgão público beneficiário, o qual estará ISENTO DO PAGAMENTO de multas, encargos e tributos anteriores à disponibilização do bem para a sua utilização, que deverão ser cobrados de seu responsável. § 4º TRANSITADA EM JULGADO A SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA COM A DECRETAÇÃO DE PERDIMENTO DOS BENS, ressalvado o direito do lesado ou terceiro de boa-fé, o juiz poderá determinar a TRANSFERÊNCIA DEFINITIVA DA PROPRIEDADE ao órgão público beneficiário ao qual foi custodiado o bem. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Art. 134. A HIPOTECA LEGAL sobre os imóveis do indiciado poderá ser requerida pelo OFENDIDO em QUALQUER FASE DO PROCESSO, desde que haja CERTEZA DA INFRAÇÃO e INDÍCIOS SUFICIENTES DA AUTORIA. HIPOTECA LEGAL CONCEITO Direito real de garantia sobre o imóvel para assegurar obrigação de cunho patrimonial, sem que a ocorra transferência do bem gravado para credor, assegurando que acusado tenha patrimônio para indenizar dano causado pela infração penal e e garantir o pagamento das custas processuais. CARÁTER SUBSIDIÁRIO Pelo fato de recair sobre bens imóveis obtidos licitamente pelo acusado. JUIZ NÃO PODE DECRETAR DE OFÍCIO Só a requerimento do ofendido. Art. 135. Pedida a especialização mediante requerimento, em que a parte estimará o valor da responsabilidade civil, e designará e estimará o imóvel ou imóveis que terão de ficar especialmente hipotecados, o juiz mandará logo proceder ao arbitramento do valor da responsabilidade e à avaliação do imóvel ou imóveis. § 1o A petição será instruída com as provas ou indicação das provas em que se fundar a estimação da responsabilidade, com a relação dos imóveis que o responsável possuir, se outros tiver, além dos indicados no requerimento, e com os documentos comprobatórios do domínio. § 2o O arbitramento do valor da responsabilidade e a avaliação dos imóveis designados far-se-ão por perito nomeado pelo juiz, onde não houver avaliador judicial, sendo-lhe facultada a consulta dos autos do processo respectivo. Perceba que é o Avaliador Judicial quem deve fazer esses laudos. Apenas se não tiver o AJ é que o juiz nomeará um perito. Note a dificuldade que é o deferimento de um pedido de Hipoteca Legal. § 3o O juiz, OUVIDAS AS PARTES no prazo de 2 DIAS, que correrá em cartório, poderá CORRIGIR O ARBITRAMENTO DO VALOR DA RESPONSABILIDADE, se Ihe parecer EXCESSIVO ou DEFICIENTE. § 4o O juiz autorizará SOMENTE a inscrição da hipoteca do imóvel ou imóveis NECESSÁRIOS À GARANTIA da responsabilidade. § 5o O VALOR DA RESPONSABILIDADE SERÁ LIQUIDADO DEFINITIVAMENTE APÓS A CONDENAÇÃO, podendo ser requerido novo arbitramento se qualquer das partes NÃO se conformar com o arbitramento anterior à sentença condenatória. § 6o Se o RÉU OFERECER CAUÇÃO SUFICIENTE, em dinheiro ou em títulos de dívida pública, pelo valor de sua cotação em Bolsa, o JUIZ PODERÁ DEIXAR DE MANDAR PROCEDER À INSCRIÇÃO DA HIPOTECA LEGAL. Art. 136. O ARRESTO DO IMÓVEL poderá ser decretado de INÍCIO, revogando-se, porém, se no prazo de 15 DIAS não for promovido o processo de inscrição da hipoteca legal. (ARRESTO PRÉVIO) Arresto: Espécie de medida precautelar ao registro de HL. Como o requerimento da HL demanda rico lastro probatório (dizer o valor indenizatório devido e apresentar as certidões imobiliárias), o tempo passar a ser fator decisivo. Como forma de trazer maiores garantias ao ofendido, evita-se que os bens lícitos sejam alienados. Admite-se arresto imediato de bens imóveis, ganhando o requerente 15 dias para pedir a HL. ▪ ARRESTO SUBSIDIÁRIO de BENS MÓVEIS não pode recair sobre bem móvel da família que guarnece a casa. # Jurisprudência correlata É possível o arresto prévio de bens de acusados por suposta prática de crime único de corrupção passiva em concurso de agentes. Não é necessário que fique demonstrado que réu está praticando atos concretos de desfazimento de bens. Porém, é imperiosa a demonstração da plausibilidade do direito e do perigo na demora. (STF, 2019) https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Art. 137. Se o responsável NÃO POSSUIR BENS IMÓVEIS OU OS POSSUIR DE VALOR INSUFICIENTE, PODERÃO ser arrestados BENS MÓVEIS suscetíveis de penhora, nos termos em que é FACULTADA A HIPOTECA LEGAL dos imóveis. (ARRESTO SUBSIDIÁRIO DE BENS MÓVEIS) § 1o Se esses bens forem coisas fungíveis e facilmente deterioráveis, proceder-se-á na forma do § 5o do Art. 120. § 2o Das rendas dos bens móveis poderão ser fornecidos recursos arbitrados pelo juiz, para a manutenção do indiciado e de sua família. Art. 138. O processo de especialização da HIPOTECA e do ARRESTO correrão em AUTO APARTADO. Art. 139. O depósito e a administração dos bens arrestados ficarão sujeitos ao regime do processo civil. Art. 140. As garantias do ressarcimento do dano alcançarão também as despesas processuais e as penas pecuniárias, tendo preferência sobre estas a reparação do dano ao ofendido. Art. 141. O ARRESTO SERÁ LEVANTADO OU CANCELADA A HIPOTECA, se, por sentença irrecorrível, o RÉU FOR ABSOLVIDO ou julgada EXTINTA A PUNIBILIDADE. Art. 142. Caberá ao Ministério Público promover as medidas estabelecidas nos arts. 134 e 137, se houver interesse da Fazenda Pública, ou se o ofendido for pobre e o requerer. Por força da CF, passou a ser vedado ao MP a representação judicial da Fazenda Pública. Logo, a 1ª parte do disposto acima não foi recepcionada pela CF. Art. 143. Passando em julgado a sentença condenatória, serão os autos de hipoteca ou arresto remetidos ao juiz do cível (art. 63). Art. 144. Os interessados ou, nos casos do art. 142, o Ministério Público poderão requerer no juízo cível, contra o responsável civil, as medidas previstas nos arts. 134, 136 e 137. Art. 144-A. O juiz determinará a ALIENAÇÃO ANTECIPADA para PRESERVAÇÃO DO VALOR DOS BENS sempre que estiverem sujeitos a QUALQUER GRAU DE DETERIORAÇÃO OU DEPRECIAÇÃO, ou quando houver DIFICULDADE PARA SUA MANUTENÇÃO. Trata-se de venda antecipada de bens, direitos ou valores que foram apreendidos ou que foram objeto de medida cautelar de natureza patrimonial, que deve ser levada a efeito quando houver dificuldade para a custódia do bem ou quando houver risco de perda de seu valor. ATENÇÃO: o uso de bens apreendidos ou objeto de assecuratórias é autorizado pelo art. 61 da Lei de Drogas. O CPP não trata do assunto. § 1o O leilão far-se-á preferencialmente por meio eletrônico. § 2o Os bens deverão ser vendidos pelo valor fixado na avaliação judicial ou por valor maior. Não alcançado o valor estipulado pela administração judicial, será realizado novo leilão, em até 10 DIAS contados da realização do primeiro, podendo os bens ser alienados por valor NÃO INFERIOR A 80% do estipulado na AVALIAÇÃO JUDICIAL. § 3o O produto da alienação ficará depositado em conta vinculada ao juízo até a decisão finalprocessos em andamento foram remetidos à JF. Convocação de Juízes de 1o grau para substituir Desembargadores. É possível, desde que se utilize critérios objetivos para a escolha. Julgamento por turma ou câmara composta por maioria de desembargadores convocados. É possível, possuindo o juiz convocado as mesmas competências de um desembargador. Especialização para julgamento de crimes de lavagem de capitais. Atualmente, é comum a especialização de varas, a exemplo do que ocorre nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, no tráfico de drogas, nos crimes de trânsito e de lavagem de capitais. Segundo o entendimento dominante, a especialização de varas NÃO viola a CF, tendo em vista que se trata de desdobramento do poder de auto-organização do Poder Judiciário. Página 11 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE A publicidade dos atos processuais é a regra, o sigilo pode ser admissível quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem, sem prejuízo do interesse público à informação (artigos 5o, LX e 93, IX da CF/88) ou se dá publicidade do ato puder ocorrer escândalo, inconveniente grave ou perturbação da ordem (artigo 792, §1o do CPP). Em relação ao inquérito policial, por se tratar de fase pré-processual, é regido pelo princípio da sigilação. Contudo, assegura-se ao advogado a consulta aos autos correspondentes (súmula vinculante 14 do STF). Diferença entre publicidade ampla (plena) e publicidade restrita (segredo de justiça) PUBLICIDADE AMPLA (PLENA) PUBLICIDADE RESTRITA (SEGREDO DE JUSTIÇA) É a regra no processo. O processo é aberto, ou seja, TODOS podem ter acesso, sejam partes, advogados ou o público em geral. Extraem-se três direitos da publicidade ampla: • Direito de acompanhar os atos processuais; • Direito de narração dos atos processuais; • Direito de consulta dos autos. Há casos em que se faz necessária a proteção da intimidade ou que envolvem questões de interesse social, por isso, a própria CF autoriza a restrição da publicidade. Admite-se restrição ao público em geral, a exemplo dos processos de crimes sexuais, nos termos do art. 234-B do CP. Além disso, a restrição pode ser dirigida às partes. Por exemplo, quando o acusado é retirado da sala de audiência. DERIVAÇÕES DO PRINCÍPIO DO FAVOR REI (Predominância do direito de liberdade do acusado quando em confronto com o direito de punir do estado) ▪ Interpretação a favor do réu, quando lei não for clara. ▪ Ônus da prova para a acusação. ▪ Liberdade Provisória. ▪ Recursos exclusivos da defesa (Revisão Criminal e Embargos Infringentes). ▪ Proibição de Reformatio in Pejus. Página 12 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal JUSTIÇA RETRIBUTIVA JUSTIÇA RESTAURATIVA Crime é contra a sociedade. Crime contra sociedade, vítima e próprio autor. Predomínio da Prisão Privativa de Liberdade. Marco no BR: Lei dos Juizados Criminais. Responsabilidade individual do agente Responsabilidade Social do agente Penas cruéis Foco na reparação do dano Foco no infrator Asssistência à vítima Processo formais e rígidos Processo informal e flexível Espaço para anotações: Página 13 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941) LIVRO I - DO PROCESSO EM GERAL TÍTULO I - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro (Princípio da Territorialidade), por este Código, RESSALVADOS: I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; AUTORIDADES QUE NÃO PODEM SER PRESAS NEM JULGADAS NO BRASIL (IMUNIDADE DIPLOMÁTICA) Chefes de governo estrangeiro ou de Estado estrangeiro, suas famílias e membros das comitivas, embaixadores e suas famílias, funcionários estrangeiros do corpo diplomático e suas famílias, assim como funcionários de organizações internacionais em serviço (ONU, OEA etc.) gozam de imunidade diplomática, que consiste na prerrogativa de responder no seu país de origem pelo delito praticado no Brasil. Cuidado: O Cônsul só goza de imunidade em crimes funcionais. Ao apreciar HC referente a crime de pedofilia praticado por Cônsul, o STF posicionou-se pela inexistência de obstáculo à prisão preventiva, pois os fatos imputados não guardavam pertinência com o desempenho das funções consulares. II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do STF, nos CRIMES DE RESPONSABILIDADE (CF, arts. 50, § 2o; 52, I, parágrafo único; 85; 86, § 1o, II; e 102, I, b) CRIMES DE RESPONSABILIDADE EM SENTIDO AMPLO CRIMES DE RESPONSABILIDADE EM SENTIDO ESTRITO ▪ Qualidade de funcionário público funciona como elementar do crime. ▪ Crimes praticados por FP contra Administração Pública (Arts. 312 a 326 do CP). ▪ São Crimes Comuns. ▪ Só podem ser praticados por determinados agentes políticos. ▪ Não tem natureza jurídica de crime, mas sim de Infração Político- Administrativa, passível de sanções político- administrativas. AMPLO: PPL, PRD... ESTRITO: IMPEACHMENT III - os processos da competência da Justiça Militar; IV - os processos da competência do tribunal especial; inciso IV não é mais válido. V - os processos por crimes de imprensa. Inciso V não foi recepcionado. Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. Página 14 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal LEI PENAL NO ESPAÇO DIREITO PENAL PROCESSO PENAL Princípios: ▪ Territorialidade; ▪ Extraterritorialidade, que pode ser incondicionada ou condicionada. Princípio da Territorialidade (Lex Fori). ▪ Motivo óbvio: atividade jurisdicional é ato de soberania, não podendo ser exercida além das fronteiras. ▪ Exceção: submissão ao Tribunal Penal Internacional. Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á DESDE LOGO, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. LEI PROCESSUAL NO TEMPO Trata-se do Princípio da APLICAÇÃO IMEDIATA (DESDE LOGO) ou sistema de ISOLAMENTO DOS ATOS PROCESSUAIS No processo penal, não vigora o princípio da retroatividade benéfica ou irretroatividade, como no direito penal. Lei Processual Penal (benéfica ou maléfica) é aplicada de pronto, exceto se norma for HÍBRIDA ou HETEROTÓPICA (prevalece o aspecto penal). ▪ Esse artigo (DESDE LOGO) é aplicado a depender da espécie de norma processual. NÃO CONFUNDA!!! NORMA GENUINAMENTE PROCESSUAL NORMA PROCESSUAL MISTA ou HÍBRIDA NORMAS PROCESSUAIS HETEROTÓPICAS Cuida de procedimentos, atos, técnicas do processo. DUPLA NATUREZA – uma parte penal e outra parte processual. NATUREZAdo processo, procedendo-se à sua conversão em renda para a União, Estado ou Distrito Federal, no caso de condenação, ou, no caso de absolvição, à sua devolução ao acusado. § 4o Quando a indisponibilidade recair sobre dinheiro, inclusive moeda estrangeira, títulos, valores mobiliários ou cheques emitidos como ordem de pagamento, o juízo determinará a conversão do numerário apreendido em moeda nacional corrente e o depósito das correspondentes quantias em conta judicial. § 5o No caso da alienação de veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal autoridade de trânsito ou ao equivalente órgão de registro e controle a expedição de certificado de registro e licenciamento em favor do arrematante, ficando este livre do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de execução fiscal em relação ao antigo proprietário. § 6o O valor dos títulos da dívida pública, das ações das sociedades e dos títulos de crédito negociáveis em bolsa será o da cotação oficial do dia, provada por certidão ou publicação no órgão oficial. § 7o (VETADO). (Lei nº 12.694, de 2012) # PARA FIXAÇÃO BUSCA E APREENSÃO Busca o próprio produto da infração penal, e não o bem comprado com ele. Ex: Arma usada para matar. SEQUESTRO Apreender imóveis e móveis (proventos do crime) que foram adquiridos com o dinheiro do crime. Ex: Apartamento comprado com o dinheiro oriundo do tráfico de drogas. ARRESTO Incide sobre o patrimônio lícito do agente para garantir uma indenização futura à vítima. Só poderão ser arrestados os bens penhoráveis e se o acusado não tiver bem imóveis ou se estes forem insuficientes. Depois será submetido à Hipoteca Legal. HIPOTECA LEGAL Valor arrecadado será destinado à vítima e o que sobrar será do Poder Público. Realizada por meio de uma inscrição do registro público para que não seja vendido|transferido a terceiros de boa-fé. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal NORTE LEGAL LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PRO ABRANGÊNCIA: ART. 145 AO 184 CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941) CAPÍTULO VII - DO INCIDENTE DE FALSIDADE Art. 145. Argüida, POR ESCRITO, a falsidade de documento constante dos autos, o juiz observará o seguinte processo: I - mandará autuar em APARTADO a impugnação, e em seguida OUVIRÁ A PARTE CONTRÁRIA, que, no prazo de 48 HORAS, oferecerá resposta; II - assinará o prazo de 3 DIAS, sucessivamente, a cada uma das partes, para PROVA DE SUAS ALEGAÇÕES; III - conclusos os autos, poderá ordenar as diligências que entender necessárias; IV - se reconhecida a falsidade por DECISÃO IRRECORRÍVEL, mandará DESENTRANHAR O DOCUMENTO E REMETÊ-LO, com os autos do processo incidente, ao MINISTÉRIO PÚBLICO. # Jurisprudência Correlata Não é nula a decisão que indefere pedido de incidente de falsidade referente à prova juntada há mais de 10 anos, contra a qual a defesa se insurge somente após a prolação da sentença penal condenatória, vez que a pretensão está preclusa. (Info 615, STJ). Art. 146. A argüição de falsidade, feita por PROCURADOR, EXIGE PODERES ESPECIAIS. Art. 147. O juiz poderá, DE OFÍCIO, proceder à VERIFICAÇÃO DA FALSIDADE. Art. 148. QUALQUER QUE SEJA A DECISÃO, NÃO FARÁ COISA JULGADA EM PREJUÍZO DE ULTERIOR PROCESSO PENAL OU CIVIL. CAPÍTULO VIII - DA INSANIDADE MENTAL DO ACUSADO Art. 149. Quando houver DÚVIDA sobre a INTEGRIDADE MENTAL DO ACUSADO, o juiz ordenará, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, descendente, irmão ou cônjuge do acusado, seja este SUBMETIDO A EXAME MÉDICO-LEGAL. § 1o O EXAME PODERÁ SER ORDENADO AINDA NA FASE DO INQUÉRITO, MEDIANTE REPRESENTAÇÃO DA AUTORIDADE POLICIAL ao juiz competente. § 2o O juiz nomeará CURADOR ao acusado, quando determinar o exame, FICANDO SUSPENSO O PROCESSO, SE JÁ INICIADA A AÇÃO PENAL, SALVO quanto às DILIGÊNCIAS QUE POSSAM SER PREJUDICADAS pelo adiamento. # Jurisprudência Correlata ▪ O incidente de insanidade mental é prova pericial constituída em favor da defesa. Logo, não é possível determiná-lo compulsoriamente na hipótese em que a defesa se oponha à sua realização. (Info 838, STF) ▪ O reconhecimento da inimputabilidade ou semi- imputabilidade do réu depende da prévia instauração de incidente de insanidade mental e do respectivo exame médico-legal nele previsto. O art. 149 do CPP, ao exigir que o acusado seja submetido a exame médico-legal, não contempla hipótese de prova legal ou tarifada. Apesar disso, o reconhecimento da inimputabilidade ou semi-imputabilidade do réu depende da prévia instauração de incidente de https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal insanidade mental e do respectivo exame médico- legal nele previsto. Vale ressaltar, por fim, que o magistrado poderá discordar das conclusões do laudo, desde que o faça por meio de decisão devidamente fundamentada. (Info 675, STJ, 2020) Art. 150. Para o efeito do exame, o acusado, se estiver preso, será internado em manicômio judiciário, onde houver, ou, se estiver solto, e o requererem os peritos, em estabelecimento adequado que o juiz designar. § 1o O exame NÃO DURARÁ mais de 45 DIAS, SALVO se os PERITOS demonstrarem a necessidade de MAIOR PRAZO. § 2o Se não houver prejuízo para a marcha do processo, o juiz poderá autorizar sejam os autos entregues aos peritos, para facilitar o exame. Art. 151. Se os peritos concluírem que o acusado era, ao TEMPO DA INFRAÇÃO, irresponsável nos termos do art. 22 do Código Penal, o PROCESSO PROSSEGUIRÁ, com a PRESENÇA DO CURADOR. Art. 152. Se se verificar que a doença mental SOBREVEIO À INFRAÇÃO O PROCESSO CONTINUARÁ SUSPENSO ATÉ QUE O ACUSADO SE RESTABELEÇA, observado o § 2o do Art. 149. § 1o O juiz poderá, nesse caso, ordenar a internação do acusado em manicômio judiciário ou em outro estabelecimento adequado. § 2o O processo retomará o seu curso, desde que se restabeleça o acusado, ficando-lhe assegurada a faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem prestado depoimento sem a sua presença. Espaço para anotações: # Momento da constatação de Doença mental AO TEMPO DA INFRAÇÃO PENAL Processo continua com a presença de curador. DEPOIS DA INFRAÇÃO PENAL Processo continua suspenso até que o acusado se restabeleça. Art. 153. O incidente da insanidade mental processar-se-á em AUTO APARTADO, que só DEPOIS DA APRESENTAÇÃO DO LAUDO, será APENSO AO PROCESSO PRINCIPAL. Art. 154. Se a insanidade mental sobrevier no curso da execução da pena, observar-se-á o disposto no art. 682. # Jurisprudência Correlata Se o recurso é exclusivo da defesa e esta apelou para provar a inexistência de fato típico ou antijurídico, ou então para reduzir a pena, não pode o Tribunal, de ofício, instaurar incidente de insanidade mental do condenado, considerando que isso configuraria reformatio in pejus, até mesmo porque o condenado já havia cumprido parte da pena. (STF, 2012) # QUADRO SINÓPTICO PARA REVISÃO DE VÉSPERA SOBRE O INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL FINALIDADE Tirar dúvidasobre a integridade mental do acusado, seja ela ao tempo do crime ou ao momento atual - enquanto tramita IPL ou processo. Ao tempo do crime: Curador Especial e processo segue. Sobreveio à infração penal: processo suspendo até acusado se restabelecer. Prescrição nunca suspende. Atenção: Apesar da suspensão do processo perdurar até o restabelecimento do acusado, a lei SILENCIA em relação à https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal FINALIDADE prescrição. É um exemplo do que se chama de CRISE DE INSTÂNCIA – o processo fica SUSPENSO, mas nada acontece com a prescrição. Assim, caso o acusado não recupere sua higidez mental e transcorra a prescrição com base na pena máxima em abstrato, o juiz não pode se furtar em declarar a extinção da punibilidade! DÚVIDA SOBRE INTEGRIDADE MENTAL DO ACUSADO Juiz ordenará exame médico- legal. Juiz não pode obrigar acusado a fazer exame. Exame de insanidade mental além de servir como elemento probatório, é também meio de defesa, logo, o réu não pode ser obrigado a se submeter a ele. Cuidado: Autoridade policial não pode determinar o exame de ofício. Só pode representar (pedir). Ato jurisdicional. LEGITIMADOS De ofício ou a requerimento do MP, Defensor, Curador, CADI. Exame Médico Legal pode ser ordenado no IPL, por representação do Delegado. DURAÇÃO DO EXAME 45 dias, salvo se peritos demonstrarem necessidade de maior prazo. CURADOR Juiz nomeará curador ao acusado, quando determinar o exame, ficando suspenso o processo, se já iniciada a ação penal, salvo diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento. LOCAL DA INTERNAÇÃO Acusado preso: manicômio judiciário. Acusado solto e peritos requererem: estabelecimento adequado. ENTREGA DOS AUTOS AO PERITO Se não houver prejuízo para marcha do processo, juiz pode autorizar a entrega dos autos aos peritos, para facilitar exame. PERITOS CONCLUIRAM QUE ACUSADO ERA, AO TEMPO DA INFRAÇÃO, IRRESPONSÁVEL (DOENÇA ANTEVEIO) Processo prossegue, com a presença do curador (Art. 22 do CP) SE VERIFICAR QUE A DOENÇA MENTAL SOBREVEIO À INFRAÇÃO Processo continua suspenso até que acusado se restabeleça, Observado o § 2o do Art. 149. ▪ Juiz pode, nesse caso, ordenar internação do acusado em manicômio judiciário ou em estabelecimento adequado. ▪ Processo retomará seu curso, desde que se restabeleça o acusado, ficando-lhe assegurada a faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem prestado depoimento sem a sua presença. AUTUAÇÃO Auto apartado. Só depois da apresentação do laudo, será apenso ao processo principal. Espaço para anotações: NOTAS INTRODUTÓRIAS - PROVAS https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal CONCEITO MOMENTO EXEMPLO CONSEQUÊNCIAS PROVA ILÍCITA (Art. 5o, LVI, CF) Viola regra de direito material. Produzida antes do processo. Confissão mediante tortura. Desentranhamento do processo. (Art. 157, §3o do CPP) PROVA ILEGÍTIMA Viola regra de direito processual. Produzida no curso do processo. Exame cadavérico feito por apenas um perito não oficial. (deveriam ser 2) Declaração de nulidade (absoluta ou relativa). OBS: Peças processuais que fazem referência à prova declarada ilícita não devem ser desentranhadas do processo (Ex: denúncia, pronúncia, etc.), pois são peças e não provas. PRINCÍPIOS DAS PROVAS CONTRADITÓRIO Prova produzida por uma das partes admite contraprova. COMUNHÃO DE PROVA Uma vez produzida a prova, ela pertencerá a todos os sujeitos processuais, mesmo que tenha sido levada por apenas uma das partes. ORALIDADE Regra: provas são produzidas oralmente. Subprincípios: I - Concentração (coleta de provas em uma única audiência); II - Imediatidade (contato do juiz com a prova). NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO Acusado não é obrigado a produzir provas contra si mesmo. PROVA CONCEITO EXEMPLO https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal NOMINADA Prevista em lei, com (típica) ou sem (atípica) procedimento previsto em lei. Exame de Corpo de Delito. INOMINADA Não é prevista em lei, mas é lícita e moralmente legítima. Reconhecimento fotográfico por e-mail, gravações, filmagens, fotografias. TÍPICA Possui seu procedimento previsto em lei. Reconhecimento de pessoas (Art. 226 do CPP). Reconhecimento de pessoas é uma prova nominada (prevista em lei) e típica (procedimento previsto em lei). ATÍPICA Não possui seu procedimento previsto em lei. Reconstituição do crime. Reconstituição do crime é uma prova nominada (prevista em lei) e atípica (procedimento não previsto em lei). DIRETA Permite conhecer fato por meio de um único raciocínio. Testemunha ocular do homicídio. Não precisa deduzir nada. INDIRETA Mais raciocínios para se chegar a uma conclusão. Álibi. PROVA CONCEITO EXEMPLO CONSEQUÊNCIA ANÔMALA Utilizada para fins diversos dos que lhes são próprios, com característica de outra prova típica. Existe o meio de prova, mas se utiliza outra. Oficial de Justiça colhe depoimento da testemunha na certidão. Não pode. Juiz é que tem que colher em audiência de instrução e julgamento. Passível de nulidade absoluta ou relativa, a depender do caso concreto. IRRITUAL Prova típica produzida sem obediência ao modelo legal previsto em lei. Reconhecimento em juízo que não segue o procedimento do Art. 226 do CPP. Passível de nulidade absoluta ou relativa, a depender do caso concreto. CONCEITO EXEMPLO https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Sistema da Certeza Judicial ou ÍNTIMA CONVICÇÃO Juiz é livre para decidir, sem necessidade de motivar, podendo valer-se do que não está nos autos. Esse sistema é válido apenas para os JURADOS. Sistema da Certeza Legislativa ou PROVA TARIFADA Lei preestabelece o valor de cada prova. No Brasil, esse sistema só é válido em duas situações: 1. Exame de corpo de delito, nos crimes que deixam vestígios (Art. 158, CPP) e 2. Prova quanto ao estado de pessoas (Art. 155, CPP) Sistema do Livre Convencimento Motivado ou da PERSUASÃO RACIONAL Existe liberdade judicial para se decidir, desde que motivando. Juiz não pode embasar sentença exclusivamente em elementos de prova colhidos na fase investigatória. Julgado de 04/05/2021: Não se admite condenação baseada exclusivamente em declarações informais prestadas a policiais no momento da prisão em flagrante. (Info 1.016. STF). ADOTADO no CPP. OBS. Segundo o magistério de Renato Brasileiro, o processo penal não é regido pelo Princípio da Verdade Material ou Real, mas sim pelo Princípio da Busca da Verdade. FONTES DE PROVA MEIOS DE PROVA MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVA Derivam do fato delituoso em si, sendo introduzidas no processo através dos meios de prova. É o instrumento através do qual as fontes de prova são introduzidas no processo.É uma atividade endoprocessual, ou seja, é produzido no interior do processo com a participação do juiz e das partes, garantindo, assim, o contraditório e a ampla defesa. Procedimento extrajudicial que possui como objetivo localizar fontes de prova. Em regra, é realizado na fase investigatória. Divide-se em: Ordinários: Pode ser utilizado para qualquer delito (busca domiciliar). Extraordinários (técnicas especiais de investigação): utilizado para crimes mais graves. Caracterizam-se pela surpresa e pela dissimulação (Lei nº 12.850/13). Ex: um homicídio na rua terá como fonte de prova as imagens de câmeras de monitoramento, possíveis testemunhas, arma do crime. Ex: prova testemunhal da pessoa que presenciou o crime. Ex: Busca domiciliar é colocado como um meio de prova, porém é um meio de obtenção de prova, no caso de obter êxito, por exemplo, em achar uma arma de fogo, a apreensão desta arma, será um meio de prova. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal TEORIAS RELATIVAS A PROVAS ILÍCITAS TEORIA DA PROVA ILÍCITA POR DERIVAÇÃO Também é chamada de teoria americana da árvore dos frutos envenenados. Exemplo: confissão de homicídio mediante tortura. Várias teorias surgiram para impor limitações à teoria da prova ilícita por derivação, pois ela não pode ser aplicada de forma ilimitada. Vejamos: TEORIA DA FONTE INDEPENDENTE A Teoria da Fonte Independente já era adotada pelo STF, vindo a ser inserida no Art. 157, §1o, CPP. Se os elementos de informação forem adquiridos de fonte autônoma, que não guarde relação de dependência, nem decorra de prova ilícita, tais dados probatórios são admissíveis. TEORIA DA DESCOBERTA INEVITÁVEL Se demonstrado que a prova derivada da ilícita seria produzida de qualquer modo, independentemente da prova ilícita originária, tal prova deve ser considerada válida. STJ adota. TEORIA DA LIMITAÇÃO DA MANCHA PURGADA OU DA TINTA DILUÍDA Ato posterior, totalmente independente, afasta ilicitude originária, em virtude do decurso do tempo entre prova primária e secundária ou por conta de circunstâncias supervenientes na cadeia probatória ou da vontade de um dos envolvidos em colaborar com a persecução criminal. Não há julgados adotando essa teoria no Brasil. TEORIA DO ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS,OU DA SERENDIPIDADE OU CRIME ACHADO Se, durante a relização de determinada diligência probatória, for acidentalmente descoberta outra prova, em regra, ela será aproveitada, desde que não exista desvio de finalidade na diligência. Utilizada nos casos em que, no cumprimento de uma diligência relativa a um delito, a autoridade policial casualmente encontra provas pertinentes à outra infração penal, que não estavam na linha de desdobramento normal da investigação. Muito presente no cumprimento de mandados de busca e apreensão e nas interceptações telefônicas. Atenção: Sobre a busca e apreensão em escritório de advocacia, pela lei, o mandado deve ser específico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB, sendo vedada a utilização de documentos e objetos pertencentes a clientes do advogado investigado, salvo se tais clientes também estiverem sendo investigados como partícipes ou coautores do advogado. Aqui, não se aplica a teoria do encontro fortuito quanto a documentos não referentes ao investigado, pois estariam protegidos pelo sigilo, não fazendo parte do objeto da diligência. Exemplo: Imagine que “A” é advogado. O escritório de “A” foi objeto de uma busca e apreensão, porque “A” era suspeito de ter praticado o crime “X”. Durante a busca e apreensão foram apreendidos documentos relacionados com “B” (cliente de “A”) que não era investigado pelo crime “X”. Por conta desses documentos apreendidos, “B” foi denunciado pelo crime “Y”. “B” impetrou HC no STJ afirmando que a apreensão dos documentos foi ilegal. STJ acolheu a tese de defesa. No curso da medida, surgirem indícios da prática de outro crime https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal TEORIA DO ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS,OU DA SERENDIPIDADE OU CRIME ACHADO SERENDIPIDADE OBJETIVA (achado) que não estava sendo investigado. SERENDIPIDADE SUBJETIVA No curso da medida, surgirem indícios do envolvimento criminoso de outra pessoa que inicialmente não estava sendo investigada. Ex: durante a interceptação telefônica instaurada para investigar João, descobre-se que um de seus comparsas é Pedro. SERENDIPIDADE DE 1° GRAU Novos fatos são conexos com os que deram início à investigação é admitida como meio de prova. SERENDIPIDADE DE 2° GRAU Novos fatos não guardam qualquer relação com o primeiro. Não é admitida como meio de prova, somente como notitia criminis. TEORIA DA DOUTRINA DA VISÃO ABERTA É legítima a apreensão de elementos probatórios quando, a despeito de não se tratar da finalidade prevista no mandado de busca e apreensão, o objeto da apreensão é encontrado à plena vista do agente policial. Espaço para anotações: TÍTULO VII – DA PROVA CAPÍTULO I – DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 155. O juiz formará sua convicção pela LIVRE APRECIAÇÃO DA PROVA PRODUZIDA EM CONTRADITÓRIO JUDICIAL, NÃO podendo fundamentar https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal sua DECISÃO EXCLUSIVAMENTE nos elementos informativos colhidos na investigação, RESSALVADAS as PROVAS CAUTELARES, NÃO REPETÍVEIS e ANTECIPADAS. (Chamados de “ELEMENTOS MIGRATÓRIOS”) Livre Convencimento Motivado ou Persuasão Racional. #SELIGANADIFERENÇA #DESPENCA EM PROVA CONCEITO AUTORIDADE JUDICIAL EXEMPLO PROVAS CAUTELARES Risco de desaparecimento do objeto da prova, em razão do decurso do tempo. Urgência. Podem ser produzidas na fase investigativa e na fase judicial. Depende de autorização judicial (em regra). Interceptação telefônica. PROVAS NÃO REPETÍVEIS Uma vez produzida, não tem como ser repetida, vez que a fonte probatória desaparece. Podem ser produzidas na fase investigativa e na fase judicial. Sem autorização judicial (em regra). Contraditório é diferido. Exame de corpo de delito com ulterior desapareci- mento dos vestígios. É o caso do Exame residuográ- fico (pólvora na mão). PROVAS ANTECIPADAS Produzidas com contraditório real em momento processual distinto daquele legalmente previsto, ou até mesmo antes do início do processo, em virtude de situações de urgência e relevância. Depende de autorização judicial. (contraditório real – para a prova) Produzidas na presença do juiz a qualquer tempo. Testemunha chave está no hospital morrendo (Art. 225, CPP). Ex: Testemunho em in ren memorium. Depoimento sem dano previsto para: 1. Crianças menores de 7 anos e 2. Vítimas de violência sexual. # Jurisprudência Correlata Prova antecipada testemunhal pode ser justificada como medida necessária pela gravidade do crime praticado e possibilidade concreta de perecimento, pois as testemunhas podem se esquecer de detalhes importantesdos fatos em decorrência do decurso do tempo. ▪ Oitiva das testemunhas policiais é considerada como prova urgente? STJ: SIM. Em razão das muitas ocorrências, os policiais acabam se perdendo em sua memória. STF: possui julgado em sentido contrário, afirmando que é incabível a produção antecipada de prova testemunhal fundamentada na simples possibilidade de esquecimento dos fatos, sendo necessária a demonstração do risco de perecimento da prova a ser produzida (art. 225 do CPP). Não servindo como justificativa a alegação de que as testemunhas são policiais responsáveis pela prisão, cuja própria atividade contribui, por si só, para o esquecimento das circunstâncias que cercam a apuração da suposta autoria de cada infração penal. (Info 806, STF). # Jurisprudência Correlata (11/2021) As qualificadoras de homicídio fundadas exclusivamente em depoimento indireto (Hearsay Testimony), violam o art. 155 do CPP, que deve ser aplicado aos veredictos condenatórios do Tribunal do Júri. Entenda o julgado: Consoante o entendimento atual da Quinta e Sexta Turmas deste STJ, o art. 155 do CPP não se aplica aos vereditos do tribunal do júri. Isso porque, tendo em vista o sistema de convicção íntima que rege seus julgamentos, seria inviável aferir quais provas motivaram a condenação. Tal compreensão, todavia, encontra-se em contradição com novas orientações jurisprudenciais consolidadas neste colegiado no ano de 2021. No HC 560.552/RS, a Quinta Turma decidiu que o art. 155 do CPP incide também sobre a pronúncia. Destarte, recusar a incidência do referido dispositivo aos vereditos condenatórios equivaleria, na prática, a exigir um standard probatório mais rígido para a admissão da acusação do que aquele aplicável a uma condenação definitiva. Não há produção de prova, mas somente coleta de elementos informativos, durante o inquérito policial. Prova é aquela produzida no processo judicial, sob o crivo do contraditório, e assim capaz de oferecer maior segurança na reconstrução histórica dos fatos. Consoante o entendimento firmado no julgamento do AREsp https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal 1.803.562/CE, embora os jurados não precisem motivar suas decisões, os Tribunais locais - quando confrontados com apelações defensivas - precisam fazê-lo, indicando se existem provas capazes de demonstrar cada elemento essencial do crime. Se o Tribunal não identificar nenhuma prova judicializada sobre determinado elemento essencial do crime, mas somente indícios oriundos do inquérito policial, há duas situações possíveis: ou o aresto é omisso, por deixar de analisar uma prova relevante, ou tal prova realmente não existe, o que viola o art. 155 do CPP. (Info 719, 11/2021) Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. Como exemplos de provas quanto ao estado de pessoas, temos: certidão de casamento, certidão de óbito, certidão de nascimento. Cabe RESE contra a decisão que indefere a produção de provas antecipadas. Jurisprudência em teses Ed. 105 - Provas no processo penal 1. As provas inicialmente produzidas na esfera inquisitorial e reexaminadas na instrução criminal, com observância do contraditório e da ampla defesa, não violam o art. 155 do CPP visto que eventuais irregularidades ocorridas no inquérito policial não contaminam a ação penal dele decorrente. 2. Perícias e documentos produzidos na fase inquisitorial são revestidos de eficácia probatória sem a necessidade de serem repetidos no curso da ação penal por se sujeitarem ao contraditório diferido. 3. A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no art. 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo. (Súmula n. 455/STJ) Esse Tese sofreu uma mitigação, no sentido de que a fundamentação da decisão que determina a produção antecipada de provas pode limitar-se a destacar a probabilidade de que, não havendo outros meios de prova disponíveis, as testemunhas, pela natureza de sua atuação profissional, marcada pelo contato diário com os fatos criminosos que apresentam semelhanças em sua dinâmica, devem ser ouvidas com a possível urgência (STJ, 2020) 4. A propositura da ação penal exige tão somente a presença de indícios mínimos de materialidade e de autoria, de modo que a certeza deverá ser comprovada durante a instrução probatória, prevalecendo o princípio do in dubio pro societate na fase de oferecimento da denúncia. 5. A incidência da qualificadora rompimento de obstáculo, prevista no art. 155, § 4o, I, do Código Penal, está condicionada à comprovação por laudo pericial, salvo em caso de desaparecimento dos vestígios, quando a prova testemunhal, a confissão do acusado ou o exame indireto poderão lhe suprir a falta. 6. É válido e revestido de eficácia probatória o testemunho prestado por policiais envolvidos em ação investigativa ou responsáveis por prisão em flagrante, quando estiver em harmonia com as demais provas dos autos e for colhido sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. 7. O reconhecimento fotográfico do réu, quando ratificado em juízo, sob a garantia do contraditório e ampla defesa, pode servir como meio idôneo de prova para fundamentar a condenação. SE LIGA: O reconhecimento do suspeito de um crime por mera exibição de fotografias há de ser visto como etapa antecedente a eventual reconhecimento pessoal e, portanto, não pode servir como prova em ação penal, ainda que confirmado em juízo. 8. A folha de antecedentes criminais é documento hábil e suficiente a comprovar os maus antecedentes e a reincidência, não sendo necessária a apresentação de certidão cartorária. 10. O registro audiovisual de depoimentos colhidos no âmbito do processo penal dispensa sua degravação ou transcrição, em prol dos princípios da razoável https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal duração do processo e da celeridade processual, salvo comprovada demonstração de necessidade. Jurisprudência em teses Ed. 111 - Provas no processo penal 1. É possível o arrolamento de testemunhas pelo assistente de acusação (art. 271 do CPP), desde que respeitado o limite de 5 pessoas previsto no art. 422 do CPP. 2. O réu não tem direito subjetivo de acompanhar, por sistema de videoconferência, audiência de inquirição de testemunhas realizada, presencialmente, perante o Juízo natural da causa, por ausência de previsão legal, regulamentar e principiológica. 3. Em delitos sexuais, comumente praticados às ocultas, a palavra da vítima possui especial relevância, desde que esteja em consonância com as demais provas acostadas aos autos. 4. Nos delitos praticados em ambiente doméstico e familiar, geralmente praticados à clandestinidade, sem a presença de testemunhas, a palavra da vítima possui especial relevância, notadamente quando corroborada por outros elementos probatórios acostados aos autos. 5. É possível a antecipação da colheita da prova testemunhal, com base no art. 366 do CPP, nas hipóteses em que as testemunhas são policiais, tendo em vista a relevante probabilidade de esvaziamento da prova pela natureza da atuação profissional, marcada pelo contato diário com fatos criminosos. OBS: Como já dissemos, o STF tem entendimento contrário. 6. Não há cerceamento de defesa quando a decisão que indefere oitiva de testemunhas residentesem outro país for devidamente fundamentada. 7. É ilícita a prova colhida mediante acesso aos dados armazenados no aparelho celular, relativos a mensagens de texto, SMS, conversas por meio de aplicativos (WhatsApp), e obtida diretamente pela polícia, sem prévia autorização judicial. 8. É desnecessária a realização de perícia para a identificação de voz captada nas interceptações telefônicas, salvo quando houver dúvida plausível que justifique a medida. 9. É necessária a realização do exame de corpo de delito para comprovação da materialidade do crime quando a conduta deixar vestígios, entretanto, o laudo pericial será substituído por outros elementos de prova na hipótese em que as evidências tenham desaparecido ou que o lugar se tenha tornado impróprio ou, ainda, quando as circunstâncias do crime não permitirem a análise técnica. 10. O laudo toxicológico definitivo é imprescindível para a configuração do crime de tráfico ilícito de entorpecentes, sob pena de se ter por incerta a materialidade do delito e, por conseguinte, ensejar a absolvição do acusado. 11. É possível, em situações excepcionais, a comprovação da materialidade do crime de tráfico de drogas pelo laudo de constatação provisório, desde que esteja dotado de certeza idêntica à do laudo definitivo e que tenha sido elaborado por perito oficial, em procedimento e com conclusões equivalentes. 12. É prescindível a apreensão e a perícia de arma de fogo para a caracterização de causa de aumento de pena prevista no art. 157, § 2o-A, I, do CP, quando evidenciado o seu emprego por outros meios de prova. Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, FACULTADO AO JUIZ DE OFÍCIO: I – ordenar, MESMO ANTES DE INICIADA A AÇÃO PENAL, a PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS CONSIDERADAS URGENTES E RELEVANTES, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS para dirimir dúvida sobre ponto relevante. ÔNUS DA PROVA ▪ O Brasil adotou a TEORIA DA RATIO COGNOSCENI ou da INDICIARIDADE: se o fato é típico, presume-se ilícito, cabendo à defesa provar excludentes alegadas. Cabe à ACUSAÇÃO provar: - Autoria - Materialidade https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal - Causas de aumento de pena - Dolo ou Culpa Cabe à DEFESA provar: - Excludentes de ilicitude - Excludentes de culpabidade - Excludentes de punibilidade - Elementos de mitigação da pena. ▪ A Teoria dos Elementos Negativos do Tipo (não adotada) defende o tipo total do injusto, isto é, tipicidade e ilicitude devem ser analisadas em conjunto, de modo que o ônus da prova de provar a tipicidade e a licitude seria da acusação. Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. CF: Art. 5º (...) LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; § 1o São também INADMISSÍVEIS as PROVAS DERIVADAS DAS ILÍCITAS, SALVO quando não evidenciado o NEXO DE CAUSALIDADE entre umas e outras, ou quando as DERIVADAS puderem ser obtidas por uma FONTE INDEPENDENTE das primeiras. É o que se chama de Teoria da Árvore dos frutos Envenenados. A doutrina majoritária admite a utilização de provas ilícitas, quando esta for a única forma de se obter a absolvição do réu. § 2o Considera-se FONTE INDEPENDENTE aquela que POR SI SÓ, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, SERIA CAPAZ DE CONDUZIR AO FATO OBJETO DA PROVA. § 3o Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, FACULTADO ÀS PARTES ACOMPANHAR O INCIDENTE. § 4o (VETADO) § 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível NÃO PODERÁ proferir a sentença ou acórdão. # Jurisprudência Correlata ▪ São ilegais as provas obtidas por policial militar que, designado para coletar dados nas ruas como agente de inteligência, passa a atuar, sem autorização judicial, como agente infiltrado em grupo criminoso. (Info 932, STF) ▪ Sem o consentimento do réu ou prévia autorização judicial, é ilícita a prova, colhida de forma coercitiva pela polícia, de conversa travada pelo investigado com terceira pessoa em telefone celular, por meio do recurso "viva-voz", que conduziu ao flagrante do crime de tráfico ilícito de entorpecentes. (Info 603, STJ) ▪ É ilícita a prova obtida mediante conduta da autoridade policial que atende, sem autorização, o telefone móvel do acusado e se passa pela pessoa sob investigação. Não tendo a autoridade policial permissão do titular da linha telefônica, ou mesmo da Justiça, para ler mensagens nem para atender ao telefone móvel da pessoa sob investigação e travar conversa por meio do aparelho com qualquer interlocutor que seja se passando por seu dono, a prova obtida dessa maneira arbitrária é ilícita. (STJ, 2019) ▪ Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de dados e de conversas registradas no Whatsapp presentes no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. (Info 593, STJ) https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal ▪ É nula a decisão judicial que autoriza o espelhamento do Whatsapp via código QR para acesso no Whatsapp Web. (Info 640, STJ) ▪ Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização judicial, na hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade policial por sua esposa. (Info 617, STJ) ▪ É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada com base unicamente em denúncia anônima. (Info 659, STJ) ▪ A realização de perícia antropológica constitui-se em importante instrumento no caso de indígena acusado de crime de homicídio a fim de assistir as partes nos debates em plenário. (Info 659, STJ). ▪ A determinação judicial para identificação dos usuários que operaram em determinada área geográfica, suficientemente fundamentada, não ofende a proteção à privacidade e à intimidade. (Info 678, STJ) ▪ Se a prisão foi ilegal (Juiz relaxou), as provas obtidas em decorrência (derivadas) dela são ilegais. Eventual vício no momento da prisão em flagrante só tem o condão de repercutir na legalidade da medida restritiva, não gerando nulidade do processo penal subsequente, nem tampouco servindo como óbice à formação da opinio delicti, ressalvada, logicamente, a hipótese de provas obtidas por meios ilícitos por ocasião da referida prisão. (Cespe) ▪ É lícito o compartilhamento de dados bancários feito por órgão de investigação do país estrangeiro para a polícia brasileira, mesmo que, no Estado de origem, essas informações não tenham sido obtidas com autorização judicial, já que isso não é exigido naquele país. Respeitadas as garantias processuais do investigado, não há prejuízo na cooperação direta entre as agências investigativas, sem a participação das autoridades centrais. A ilicitude da prova ou do meio de sua obtenção somente poderia ser pronunciada se o réu demonstrasse alguma violação de suas garantias ou das específicas regras de produção probatória.(Info 695, STJ, 2021) ▪ É ilegal a quebra do sigilo telefônico mediante a habilitação de chip da autoridade policial em substituição ao do investigado titular da linha. A Lei nº 9.296/96 não autoriza a suspensão do serviço telefônico ou do fluxo da comunicação telemática mantida pelo usuário, tampouco a substituição do investigado e titular da linha por agente indicado pela autoridade policial. (Info 696, STJ, 2021). ▪Não há ilicitude das provas por violação ao sigilo de dados bancários, em razão do compartilhamento de dados de movimentações financeiras da própria instituição bancária ao Ministério Público (Info 731, STJ, 03/2022). ENTENDIMENTOS sobre CELULAR x PROVA Acesso a dados de celular apreendido em busca e apreensão Prova Lícita Acesso a dados de celular da vítima falecida Prova Lícita Acesso a dados de celular apreendido em prisão em flagrante Necessita de autorização judicial Acesso a dados de celular apreendido e feito emparelhamento com WhatsApp web Prova ilícita, ainda que tenha autorização judicial. Fazer o suspeito atender no viva-voz Prova Ilícita § 4o (Vetado) § 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá proferir a sentença ou acórdão. O STF suspendeu a eficácia da implantação do art. 157, § 5o na ADIN nº 6.298. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal CAPÍTULO II - DO EXAME DE CORPO DE DELITO, DA CADEIA DE CUSTÓDIA E DAS PERÍCIAS EM GERAL Art. 158. Quando a INFRAÇÃO DEIXAR VESTÍGIOS, será INDISPENSÁVEL o EXAME DE CORPO DE DELITO, direto ou indireto, NÃO PODENDO SUPRI-LO A CONFISSÃO do acusado. #DESPENCA EM PROVA #NÃO CONFUNDA DELITOS NÃO TRANSEUNTES São os que deixam vestígios. Não transeunte significa permanente. Eles deixam vestígios materiais. Precisa-se de perícia. Exemplo: lesão corporal, furto com arrombamento. DELITOS TRANSEUNTES Não deixam vestígios. Transeunte significa passageiro. Passa, não deixa marcas. SUPRIMENTO DO EXAME DE CORPO DE DELITO Confissão do acusado (Art. 158) Não pode suprir a falta do exame de corpo de delito. Prova testemunhal (Art. 167) Pode suprir a falta do exame de corpo de delito. CESPE-2018-STJ: Sendo possível a realização de exame para investigar crimes que deixam vestígios, não proceder a esse exame é motivo de nulidade do processo, ainda que provas documentais e testemunhais confirmem a autoria e a materialidade do crime. (CERTA) Parágrafo único. Dar-se-á PRIORIDADE à realização do EXAME DE CORPO DE DELITO quando se tratar de crime que envolva: I - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA MULHER; II - violência contra CRIANÇA, ADOLESCENTE, IDOSO OU PESSOA COM DEFICIÊNCIA. Art. 158-A. Considera-se CADEIA DE CUSTÓDIA o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte. Segundo o STJ, a cadeia de custódia da prova consiste no caminho que deve ser percorrido pela prova até a sua análise pelo juiz, sendo certo que qualquer interferência indevida durante esse trâmite processual pode resultar na sua imprestabilidade. Em relação a consequência pela quebra da cadeia de custódia, o STJ já entendeu que se trata de causa de ilicitude da prova (HC 160.662), bem como uma causa de nulidade (Resp. 1.795.341). § 1º O INÍCIO da CADEIA DE CUSTÓDIA dá-se com a PRESERVAÇÃO DO LOCAL de crime ou com PROCEDIMENTOS POLICIAIS OU PERICIAIS nos quais seja detectada a existência de vestígio. § 2º O agente público que reconhecer um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial fica responsável por sua preservação. § 3º VESTÍGIO é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal. Espaço para anotações: # Jurisprudência Correlata (11/2021) As irregularidades constantes da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a prova é confiável. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Entenda o julgado: A controvérsia que se estabelece diz respeito às consequências para o processo penal da quebra da cadeia de custódia da prova. O art. 158-A diz o que se considera “cadeia de custódia”. É imperioso salientar que a autenticação de uma prova é um dos métodos que assegura ser o item apresentado aquilo que se afirma ele ser, denominado pela doutrina de princípio da mesmidade. Com vistas a salvaguardar o potencial epistêmico do processo penal, o Pacote Anticrime disciplinou - de maneira, aliás, extremamente minuciosa - uma série de providências que concretizam o desenvolvimento técnico-jurídico da cadeia de custódia. De forma bastante sintética, pode-se afirmar que o art. 158-B detalha as diversas etapas de rastreamento do vestígio. O art. 158-C, por sua vez, estabelece o perito oficial como sujeito preferencial a realizar a coleta dos vestígios, bem como o lugar para onde devem ser encaminhados (central de custódia). Já o art. 158-D disciplina como os vestígios devem ser acondicionados, com a previsão de que todos os recipientes devem ser selados com lacres, com numeração individualizada, "de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio". Uma das mais relevantes controvérsias que essa alteração legislativa suscita diz respeito às consequências jurídicas, para o processo penal, da quebra da cadeia de custódia da prova (break on the chain of custody) ou do descumprimento formal de uma das exigências feitas pelo legislador no capítulo intitulado "Do exame de corpo de delito, da cadeia de custódia e das perícias em geral": essa quebra acarreta a inadmissibilidade da prova e deve ela (e as dela decorrentes) ser excluída do processo? Seria caso de nulidade da prova? Em caso afirmativo, deve a defesa comprovar efetivo prejuízo, para que a nulidade seja reconhecida (à luz da máxima pas de nulitté sans grief)? Ou deve o juiz aferir se a prova é confiável de acordo com todos os elementos existentes nos autos, a fim de identificar se eles são capazes de demonstrar a sua autenticidade e a sua integridade? Se é certo que, por um lado, o legislador trouxe, nos arts. 158-A a 158-F do CPP, determinações extremamente detalhadas de como se deve preservar a cadeia de custódia da prova, também é certo que, por outro, quedou-se silente em relação aos critérios objetivos para definir quando ocorre a quebra da cadeia de custódia e quais as consequências jurídicas, para o processo penal, dessa quebra ou do descumprimento de um desses dispositivos legais. Respeitando aqueles que defendem a tese de que a violação da cadeia de custódia implica, de plano e por si só, a inadmissibilidade ou a nulidade da prova, de modo a atrair as regras de exclusão da prova ilícita, parece ser mais adequada aquela posição que sustenta que as irregularidades constantes da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a prova é confiável. Assim, à míngua de outras provas capazes de dar sustentação à acusação, deve a pretensão ser julgada improcedente, por insuficiência probatória, e o réu ser absolvido. (Info 720, STJ, 10/2021) Art. 158-B. A CADEIA DECUSTÓDIA compreende o rastreamento do vestígio nas SEGUINTES ETAPAS: (2019) I - RECONHECIMENTO: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial; II - ISOLAMENTO: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de crime; III - FIXAÇÃO: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime ou no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento; https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal IV - COLETA: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial, respeitando suas características e natureza; V - ACONDICIONAMENTO: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é embalado de forma individualizada, de acordo com suas características físicas, químicas e biológicas, para posterior análise, com anotação da data, hora e nome de quem realizou a coleta e o acondicionamento; VI - TRANSPORTE: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as condições adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo a garantir a manutenção de suas características originais, bem como o controle de sua posse; VII - RECEBIMENTO: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de procedimento e unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de quem transportou o vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do vestígio, protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu; VIII - PROCESSAMENTO: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com a metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fim de se obter o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido por perito; IX - ARMAZENAMENTO: procedimento referente à guarda, em condições adequadas, do material a ser processado, guardado para realização de contraperícia, descartado ou transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente; X - DESCARTE: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a legislação vigente e, quando pertinente, mediante autorização judicial. Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada PREFERENCIALMENTE por PERITO OFICIAL, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, mesmo quando for necessária a realização de exames complementares. (2019) § 1º Todos vestígios coletados no decurso do inquérito ou processo DEVEM ser tratados como descrito nesta Lei, ficando órgão central de perícia oficial de natureza criminal responsável por detalhar a forma do seu cumprimento. § 2º É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito responsável, sendo tipificada como fraude processual a sua realização. Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do vestígio será determinado pela natureza do material. (2019) § 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio durante o transporte. § 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, preservar suas características, impedir contaminação e vazamento, ter grau de resistência adequado e espaço para registro de informações sobre seu conteúdo. § 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que vai proceder à análise e, motivadamente, por pessoa autorizada. § 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer constar na ficha de acompanhamento de vestígio o nome e a matrícula do responsável, a data, o local, a finalidade, bem como as informações referentes ao novo lacre utilizado. § 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no interior do novo recipiente. Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma central de custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve ser vinculada diretamente ao órgão central de perícia oficial de natureza criminal. (2019) § 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços de protocolo, com local para conferência, recepção, devolução de materiais e documentos, possibilitando a seleção, a classificação e a distribuição de materiais, https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal devendo ser um espaço seguro e apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do vestígio. (2019) § 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão ser protocoladas, consignando-se informações sobre a ocorrência no inquérito que a eles se relacionam. § 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado deverão ser identificadas e deverão ser registradas a data e a hora do acesso. § 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as ações deverão ser registradas, consignando- se a identificação do responsável pela tramitação, a destinação, a data e horário da ação. Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à central de custódia, devendo nela permanecer. Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou condições de armazenar determinado material, deverá a autoridade policial ou judiciária determinar as condições de depósito do referido material em local diverso, mediante requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial de natureza criminal. Art. 159. O EXAME DE CORPO DE DELITO e OUTRAS PERÍCIAS serão realizados por PERITO OFICIAL, portador de diploma de CURSO SUPERIOR. § 1o Na FALTA DE PERITO OFICIAL, o exame será realizado por 2 PESSOAS IDÔNEAS, portadoras de diploma de CURSO SUPERIOR PREFERENCIALMENTE NA ÁREA ESPECÍFICA, dentre as que tiverem HABILITAÇÃO TÉCNICA relacionada com a NATUREZA DO EXAME. #INTERDISCIPLINARIEDADE LEI DE DROGAS LEI DE DROGAS CPP 1 perito oficial ou 1 perito oficial ou 1 pessoa idônea 2 pessoas idôneas # Jurisprudência Correlata A perícia realizada por perito papiloscopista não pode ser considerada prova ilícita nem deve ser excluída do processo. (Info 953, STF) § 2O OS PERITOS NÃO OFICIAIS PRESTARÃO O COMPROMISSO de bem e fielmente desempenhar o encargo. (OS OFICIAIS NÃO PRESTAM) § 3o Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico. O Pacote Anticrime passou a prever que o juiz das garantias poderá deferir a admissão do assistente técnico (art. 3o- B – eficácia ainda suspensa). Como o juiz das garantias atua apenas na fase investigatória, pode-se afirmar que, implicitamente, o legislador passou a admitir a atuação do assistente na fase de inquérito. § 4o O ASSISTENTE TÉCNICO ATUARÁ A PARTIR DE SUA ADMISSÃO PELO JUIZ e APÓS A CONCLUSÃO DOS EXAMES E ELABORAÇÃO DO LAUDO pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão. § 5o Durante o curso do processo judicial, é PERMITIDO ÀS PARTES, quanto à perícia: I – requerer a OITIVA DOS PERITOS para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitosou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com ANTECEDÊNCIA MÍNIMA de 10 DIAS, podendo apresentar as respostas em laudo complementar; II – INDICAR ASSISTENTES TÉCNICOS que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência. § 6o Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal § 7o Tratando-se de PERÍCIA COMPLEXA que abranja mais de 1 área de conhecimento especializado, poder- se-á designar a ATUAÇÃO DE MAIS DE 1 PERITO OFICIAL, e a parte indicar mais de 1 assistente técnico. Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados. PARÁGRAFO ÚNICO. O LAUDO pericial será elaborado no PRAZO MÁXIMO de 10 DIAS, podendo este prazo ser PRORROGADO, EM CASOS EXCEPCIONAIS, a requerimento dos peritos. Art. 161. O exame de corpo de delito poderá ser feito em QUALQUER DIA E A QUALQUER HORA. Art. 162. A AUTÓPSIA SERÁ FEITA PELO MENOS 6 HORAS DEPOIS DO ÓBITO, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. Parágrafo único. Nos casos de MORTE VIOLENTA, BASTARÁ O SIMPLES EXAME EXTERNO DO CADÁVER, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante. Art. 163. Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado. Parágrafo único. O administrador de cemitério público ou particular indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em lugar não destinado a inumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, o que tudo constará do auto. Art. 164. Os cadáveres serão SEMPRE fotografados na posição em que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. Art. 165. Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados. Art. 166. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado, proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituto de Identificação e Estatística ou repartição congênere ou pela inquirição de testemunhas, lavrando-se auto de reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos os sinais e indicações. Parágrafo único. Em qualquer caso, serão arrecadados e autenticados todos os objetos encontrados, que possam ser úteis para a identificação do cadáver. Art. 167. NÃO SENDO POSSÍVEL O EXAME DE CORPO DE DELITO, por haverem DESAPARECIDO OS VESTÍGIOS, a PROVA TESTEMUNHAL PODERÁ SUPRIR- LHE A FALTA. Art. 168. Em caso de LESÕES CORPORAIS, se o 1º EXAME PERICIAL TIVER SIDO INCOMPLETO, proceder-se-á a EXAME COMPLEMENTAR por determinação da AUTORIDADE POLICIAL ou JUDICIÁRIA, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor. § 1o No exame complementar, os peritos terão presente o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a deficiência ou retificá-lo. § 2o Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. 129, § 1o, I, do Código Penal, deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 DIAS, contado da data do crime. § 3o A FALTA DE EXAME COMPLEMENTAR PODERÁ SER SUPRIDA PELA PROVA TESTEMUNHAL. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal # Comentários ▪ É necessária a realização do exame de corpo de delito para comprovação da materialidade do crime quando a conduta deixar vestígios, entretanto, o laudo pericial será substituído por outros elementos de prova na hipótese em que as evidências tenham desaparecido ou que o lugar se tenha tornado impróprio ou, ainda, quando as circunstâncias do crime não permitirem a análise técnica. ▪ Perícia é desnecessária: I- Crimes Sexuais (palavra da vítima possui especial relevância) II- Arma de Fogo no roubo (como causa de aumento) III- Furto qualificado mediante escalada, se houver outras provas. ▪ Perícia é necessária: Furto mediante rompimento de obstáculo, pois é infração que deixa vestígio, salvo em caso de desaparecimento dos vestígios, quando a prova testemunhal, a confissão do acusado ou o exame indireto poderão lhe suprir a falta. (STJ, 2019) ▪ Laudo Pericial, em regra, não é condição de procedibilidade, podendo o MP oferecer denúncia sem ele. Só é condição de procedibilidade em 2 casos: I - Lei de Drogas (Laudo preliminar de constatação, e não o laudo definitivo) II - Crimes contra propriedade imaterial. Se crime deixou vestígio, queixa ou denúncia não será recebida se não for instruída com exame pericial dos objetos que constituam corpo de delito. No final das contas, lembre-se: a perícia não é absolutamente obrigatória em nenhum caso. Ora, se o crime não deixou nenhum vestígio, mas se tem outras provas (testemunha, própria confissão, etc) suficientes para um decreto condenatório, ela pode sim ser dispensada. Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. Sobre o EXAME DE CORPO DE DELITO O que significa a expressão “corpo de delito”? Não necessariamente significa o corpo de uma pessoa, mas sim vestígios deixados pelo crime, ou seja, diz respeito à materialidade da infração penal. O ECD é um exemplo de Sistema Tarifário de provas. Infração penal deixou vestígios? ECD é indispensável e confissão não pode suprir. Vestígios da infração penal desapareceram? ECD é dispensável e prova testemunhal pode suprir. Prova documental também pode suprir. Quem pode determinar a realização do ECD 1) Juiz 2) MP 3) Autoridade Policial Obs. O incidente de insanidade mental é de competência exclusiva do Juiz. Classificação ECD direto Feito sobre o próprio corpo de delito. Ex: cadáver ECD indireto Advém do raciocínio lógico de dedução ou indução, em regra, em razão do fato narrado pela testemunha. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos. Art. 170. Nas perícias de laboratório, os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos serão ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas, desenhosou esquemas. Art. 171. Nos crimes cometidos com DESTRUIÇÃO OU ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO a subtração da coisa, ou por MEIO DE ESCALADA, os peritos, ALÉM DE DESCREVER OS VESTÍGIOS, INDICARÃO COM QUE INSTRUMENTOS, POR QUE MEIOS E EM QUE ÉPOCA PRESUMEM TER SIDO O FATO PRATICADO. # Jurisprudência Correlata ▪ Quanto à escalada, o STJ entende que a incidência da qualificadora do Art. 155, § 4º, inciso II, do CP exige exame pericial, somente admitindo-se prova indireta quando justificada a impossibilidade de realização do laudo direto, o que não restou explicitado nos autos. (STJ, 2019) Art. 172. Proceder-se-á, quando necessário, à avaliação de coisas destruídas, deterioradas ou que constituam produto do crime. Parágrafo único. Se impossível a avaliação direta, os peritos procederão à avaliação por meio dos elementos existentes nos autos e dos que resultarem de diligências. Art. 173. No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato. Art. 174. No exame para o reconhecimento de escritos, por comparação de letra, observar-se-á o seguinte: I - a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será intimada para o ato, se for encontrada; II - para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida; III - a autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos, ou nestes realizará a diligência, se daí não puderem ser retirados; IV - quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos, a autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta última diligência poderá ser feita por precatória, em que se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever. Art. 175. Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração, a fim de se Ihes verificar a natureza e a eficiência. Art. 176. A autoridade e as partes poderão formular quesitos até o ato da diligência. Art. 177. No EXAME POR PRECATÓRIA, A NOMEAÇÃO DOS PERITOS FAR-SE-Á NO JUÍZO DEPRECADO. Havendo, porém, no caso de AÇÃO PRIVADA, acordo das partes, essa NOMEAÇÃO PODERÁ SER FEITA PELO JUIZ DEPRECANTE. Parágrafo único. Os quesitos do juiz e das partes serão transcritos na precatória. Art. 178. No caso do art. 159, o exame será requisitado pela autoridade ao diretor da repartição, juntando-se ao processo o laudo assinado pelos peritos. Art. 179. No caso do § 1o do Art. 159, o escrivão lavrará o auto respectivo, que será assinado pelos peritos e, se presente ao exame, também pela autoridade. https://www.plataformacejurnorte.com.br/norte-legal Parágrafo único. No caso do art. 160, parágrafo único, o laudo, que poderá ser datilografado, será subscrito e rubricado em suas folhas por todos os peritos. Art. 180. Se houver divergência entre os peritos, serão consignadas no auto do exame as declarações e respostas de um e de outro, ou cada um redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará um terceiro; se este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros peritos. Art. 181. No caso de inobservância de formalidades, ou no caso de omissões, Obscuridades ou contradições, a autoridade judiciária mandará suprir a formalidade, complementar ou esclarecer o laudo. Parágrafo único. A autoridade poderá também ordenar que se proceda a novo exame, por outros peritos, se julgar conveniente. Art. 182. O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte. Art. 183. Nos crimes em que não couber ação pública, observar-se-á o disposto no art. 19. Art. 184. SALVO O CASO DE EXAME DE CORPO DE DELITO, o JUIZ OU A AUTORIDADE POLICIAL NEGARÁ A PERÍCIA REQUERIDA PELAS PARTES, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade. Página 1 de 29 NORTE LEGAL LEGISLAÇÃO: CÓDIGO DE PROCESSO PENAL ABRANGÊNCIA: ART. 185 AO 281 CÓDIGO DE PROCESSO PENAL CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941)..................... 2 CAPÍTULO III - DO INTERROGATÓRIO DO ACUSADO ......................................................................... 2 CAPÍTULO IV - DA CONFISSÃO ........................................................................................................... 5 CAPÍTULO V - DO OFENDIDO ............................................................................................................. 6 CAPÍTULO VI - DAS TESTEMUNHAS ................................................................................................... 7 CAPÍTULO VIII - DA ACAREAÇÃO ..................................................................................................... 15 CAPÍTULO IX - DOS DOCUMENTOS ................................................................................................. 16 CAPÍTULO X - DOS INDÍCIOS ............................................................................................................ 17 CAPÍTULO XI - DA BUSCA E DA APREENSÃO .................................................................................... 17 TÍTULO VIII - DO JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DO ACUSADO E DEFENSOR, DOS ASSISTENTES E AUXILIARES DA JUSTIÇA ......................................................................................................................................... 23 CAPÍTULO I - DO JUIZ ....................................................................................................................... 23 CAPÍTULO II - DO MINISTÉRIO PÚBLICO .......................................................................................... 25 CAPÍTULO III - DO ACUSADO E SEU DEFENSOR ............................................................................... 25 CAPÍTULO V - DOS FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA.............................................................................. 29 CAPÍTULO VI - DOS PERITOS E INTÉRPRETES................................................................................... 29 Página 2 de 29 CÓDIGO DE PROCESSO PENAL (DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941) CAPÍTULO III - DO INTERROGATÓRIO DO ACUSADO INTERROGATÓRIO É PROVA NOMINADA TÍPICA NOMINADA Está prevista no ordenamento jurídico. TÍPICA Tem seu procedimento previsto em lei. NATUREZA JURÍDICA MEIO DE DEFESA (Acusado possui direito de audiência - desdobramento da ampla defesa – direito à autodefesa e direito ao silêncio.) E AS LEIS ESPECIAIS QUE POSICIONAM O INTERROGATÓRIO COMO O 1º ATO DA INSTRUÇÃO? (Lei de Drogas, Código Penal Militar, Lei nº 8.038/90 e Lei de Licitações) Sistemática do Art. 400 do CPP DEVE SER ADOTADA PARA TODOS OS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS, ainda que tenha norma penal expressa. (STF) SÃO CAUSAS DE NULIDADE RELATIVA (prejuízo tem que ser compovado) ▪ Falta de entrevista reservadaentre o réu e seu Defensor; ▪ Falta de advertência sobre o direito ao silêncio. SÃO CAUSAS DE NULIDADE ABSOLUTA (prejuízo presumido) ▪ Entrevista realizada pelo Delegado com investigado, durante a busca e apreensão em sua residência, sem que tenha sido assegurado ao investigado o direito à prévia consulta a seu advogado; ▪ Ausência do advogado do réu delatado no interrogatório do corréu delator. Art. 185. O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no curso do processo penal, será qualificado e interrogado na presença de seu defensor, constituído ou nomeado. # Jurisprudência Correlata É nula a “entrevista” realizada pela autoridade policial com o investigado, durante a busca e apreensão em sua residência, sem que tenha sido assegurado ao investigado o direito à prévia consulta a seu advogado e sem que ele tenha sido comunicado sobre seu direito ao silêncio e de não produzir provas contra si mesmo. Trata-se de um “INTERROGATÓRIO TRAVESTIDO DE ENTREVISTA”, havendo violação do direito ao silêncio e à não autoincriminação. (Info 944, STF) § 1o O interrogatório do réu preso será realizado, em sala própria, no estabelecimento em que estiver recolhido, desde que estejam garantidas a segurança do juiz, do membro do Ministério Público e dos auxiliares bem como a presença do defensor e a publicidade do ato. § 2o EXCEPCIONALMENTE, o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a requerimento das partes, poderá realizar o INTERROGATÓRIO DO RÉU PRESO por SISTEMA DE VIDEOCONFERÊNCIA OU OUTRO RECURSO TECNOLÓGICO DE TRANSMISSÃO DE SONS E IMAGENS EM TEMPO REAL, desde que a medida seja necessária para atender a uma das seguintes finalidades: I - PREVENIR RISCO À SEGURANÇA PÚBLICA, quando exista fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante o deslocamento; II - VIABILIZAR A PARTICIPAÇÃO DO RÉU NO REFERIDO ATO PROCESSUAL, quando haja Página 3 de 29 RELEVANTE DIFICULDADE para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra circunstância pessoal; III - IMPEDIR A INFLUÊNCIA DO RÉU NO ÂNIMO DE TESTEMUNHA OU DA VÍTIMA, desde que não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência, nos termos do art. 217 deste Código; Art. 217. Se o juiz verificar que a PRESENÇA DO RÉU PODERÁ CAUSAR HUMILHAÇÃO, TEMOR, OU SÉRIO CONSTRANGIMENTO À TESTEMUNHA OU AO OFENDIDO, de modo que prejudique a verdade do depoimento, fará a INQUIRIÇÃO POR VIDEOCONFERÊNCIA e, somente na impossibilidade dessa forma, determinará a retirada do réu, prosseguindo na inquirição, com a presença do seu defensor. Perceba que, de acordo com o inciso III, primeiro vai se tentar colher o depoimento da testemunha ou vítima por videoconferência. Apenas se isso não for possível é que o interrogatório do réu será realizado por videoconferência. IV - responder à GRAVÍSSIMA QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. (E NÃO GRAVE) § 3o Da decisão que determinar a realização de interrogatório por videoconferência, as partes serão intimadas com 10 DIAS de antecedência. § 4o Antes do interrogatório por videoconferência, o PRESO PODERÁ ACOMPANHAR, PELO MESMO SISTEMA TECNOLÓGICO, A REALIZAÇÃO DE TODOS OS ATOS da audiência única de instrução e julgamento de que tratam os arts. 400, 411 e 531 deste Código. § 5o Em QUALQUER MODALIDADE DE INTERROGATÓRIO, o JUIZ GARANTIRÁ AO RÉU O DIREITO DE ENTREVISTA PRÉVIA E RESERVADA COM O SEU DEFENSOR; se realizado por videoconferência, fica também garantido o acesso a canais telefônicos reservados para comunicação entre o defensor que esteja no presídio e o advogado presente na sala de audiência do Fórum, e entre este e o preso. # Jurisprudência Correlata ▪ A falta de se oportunizar entrevista reservada entre o réu e seu Defensor é causa de nulidade relativa, devendo ser provado o prejuízo. (STF) ▪ O réu não tem direito subjetivo de acompanhar, por sistema de videoconferência, a audiência de inquirição de testemunhas realizada, presencialmente, perante o Juízo natural da causa, por ausência de previsão legal, regulamentar e principiológica. (STJ) § 6o A sala reservada no estabelecimento prisional para a realização de atos processuais por sistema de videoconferência será fiscalizada pelos corregedores e pelo juiz de cada causa, como também pelo Ministério Público e pela Ordem dos Advogados do Brasil. § 7o Será requisitada a apresentação do réu preso em juízo nas hipóteses em que o interrogatório não se realizar na forma prevista nos §§ 1o e 2o deste artigo. § 8o Aplica-se o disposto nos §§ 2o, 3o, 4o e 5o deste artigo, no que couber, à realização de outros atos processuais que dependam da participação de pessoa que esteja presa, como acareação, reconhecimento de pessoas e coisas, e inquirição de testemunha ou tomada de declarações do ofendido. § 9o Na hipótese do § 8o deste artigo, fica garantido o acompanhamento do ato processual pelo acusado e seu defensor. § 10. Do interrogatório DEVERÁ CONSTAR A INFORMAÇÃO SOBRE A EXISTÊNCIA DE FILHOS, RESPECTIVAS IDADES E SE POSSUEM ALGUMA DEFICIÊNCIA E O NOME E O CONTATO DE EVENTUAL RESPONSÁVEL PELOS CUIDADOS DOS FILHOS, indicado pela pessoa presa. Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas. Página 4 de 29 Parágrafo único. O SILÊNCIO, que NÃO IMPORTARÁ EM CONFISSÃO, NÃO PODERÁ SER INTERPRETADO EM PREJUÍZO DA DEFESA. # Jurisprudência Correlata A falta de advertência sobre o direito ao silêncio não conduz à anulação automática do interrogatório ou depoimento, devendo ser comprovado o constrangimento ilegal. É causa de nulidade relativa. #MNEMÔNICO: “ACUSADO/INVESTIGADO/SUSPEITO NÃO É OBRIGADO A COMPARECER NO ‘BARE’” (Não cabe condução coercitiva) B Bafômetro A Acareação R Reprodução simulada dos fatos E Exame Grafotécnico Art. 187. O INTERROGATÓRIO será CONSTITUÍDO DE 2 PARTES: sobre a PESSOA DO ACUSADO e sobre OS FATOS. § 1o Na PRIMEIRA PARTE o interrogando será perguntado sobre a residência, meios de vida ou profissão, oportunidades sociais, lugar onde exerce a sua atividade, vida pregressa, notadamente se foi preso ou processado alguma vez e, em caso afirmativo, qual o juízo do processo, se houve suspensão condicional ou condenação, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros dados familiares e sociais. § 2o Na SEGUNDA PARTE será perguntado sobre: I - ser verdadeira a acusação que lhe é feita; II - não sendo verdadeira a acusação, se tem algum motivo particular a que atribuí-la, se conhece a pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a prática do crime, e quais sejam, e se com elas esteve antes da prática da infração ou depois dela; III - onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve notícia desta; IV - as provas já apuradas; V - se conhece as vítimas e testemunhas já inquiridas ou por inquirir, e desde quando, e se tem o que alegar contra elas; VI - se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou qualquer objeto que com esta se relacione e tenha sido apreendido; VII - todos os demais fatos e pormenores que conduzam à elucidação dos antecedentes e circunstâncias da infração;ÚNICA (penal ou processual), e não dupla. Tópico vem de Aplicada imediatamente. Lei nova não retroage nem mesmo para beneficiar o réu. Exemplo: extinção do processo por novo júri trazido pela Lei 11.689/2008. Admite a retroatividade, se benéfica ao réu. Exemplo: art. 366 do CPP que foi alterado pela Lei 9.271/96, não tendo aplicação retroativa. Art. 366 Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. (Norma processual híbrida, não pode retroagir) “lugar”. Hétero de “trocado”. É quando a “norma está no diploma errado”. Normas penais no CPP, ou normas processuais no CP. Admite-se a retroatividade se benéfica ao réu. Página 15 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal NÃO CONFUNDA OS INSTITUTOS VIGÊNCIA Para que uma lei processual penal entre em vigor, basta que seja aprovada pelo Congresso Nacional, sancionada pelo Presidente da República, publicada no Diário Oficial. Superado eventual período de vacatio legis, inicia-se sua vigência VALIDADE Compatibilidade com a CF e com as Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos. ENUNCIADO I DA I JORNADA DE DIREITO E PROCESSO PENAL (10 a 15 de agosto de 2020) A norma puramente processual tem eficácia a partir da data de sua vigência, conservando-se os efeitos dos atos já praticados. Entende-se por norma puramente processual aquela que regulamente procedimento sem interferir na pretensão punitiva do Estado. A norma procedimental que modifica a pretensão punitiva do Estado deve ser considerada norma de direito material, que pode retroagir se for mais benéfica ao acusado. Art. 3o A lei processual penal ADMITIRÁ INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA e APLICAÇÃO ANALÓGICA, bem como o suplemento dos PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO. LEI PROCESSUAL PENAL ADMITE INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA Intérprete amplia o conteúdo da lei. Ex1: Suspeição do Juiz se aplica aos Jurados. Ex2: Hipóteses de RESE. Entenda: a norma existe. Só que o Legislador disse menos do que deveria e deixou de contemplar situações semelhantes. Autointegração da lei para suprir lacunas. Não é método de interpretação. APLICAÇÃO ANALÓGICA (ANALOGIA) Possível, pois não são normas incriminadoras. No processo penal, admite-se a analogia tanto in malam partem, quanto in nonnam partem. Ex1: Aplicação ao processo pela das normas relativas à Produção antecipada de Provas do CPC. Ex2: Aplicação do art. 397 do CPC: "É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos" Entenda: a norma não existe. Legislador esqueceu de regulamentar. É o caso da aplicação subsidiária do CPC. Cuidado: A analogia (método de integração) não se confunde com a interpretação analógica (método de interpretação), consiste em uma forma casuística seguida de uma forma genérica, tendo em vista que não é possível prever todas as hipóteses, a exemplo da expressão “outro motivo torpe” no art. 121, §2o, I do CP. SUPLEMENTO dos PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO Premissas éticas (Liberdade, igualdade) que fundamentam o sistema. Página 16 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal Diferentemente do que vimos acima no processo penal, no direito penal predomina que não se admite interpretação extensiva em prejuízo do réu. E, ainda, no direito penal, é possível o emprego da analogia desde que seja in bonnan partem (em favor do réu). O princípio da legalidade proíbe a analogia in mallan partem (contra o réu). Já no que tange à interpretação analógica, tanto o direito processual penal, quanto o direito penal, admitem. Art. 3º-A. O processo penal terá ESTRUTURA ACUSATÓRIA, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. # AGORAESTÁPREVISTO Perceba que, com o advento da Lei Anticrime, adotou-se expressamente o sistema acusatório. Remete-se o leitor para a tabela situada nas “notas introdutórias” que trata sobre as “modalidades de sistemas processuais”. Art. 3º-B. O JUIZ DAS GARANTIAS é responsável pelo CONTROLE DA LEGALIDADE DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL e pela SALVAGUARDA DOS DIREITOS INDIVIDUAIS cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, COMPETINDO- LHE ESPECIALMENTE (ROL EXEMPLIFICATIVO): (Dispositivo acrescentado com a Lei 13.964/2019) I - receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do Art. 5º da CF; II - receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão, observado o disposto no Art. 310 deste Código; III - zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este seja conduzido à sua presença, a QUALQUER TEMPO; IV - ser informado sobre a instauração de QUALQUER INVESTIGAÇÃO CRIMINAL; Não está restrito apenas ao IPL. Qualquer início de investigação, a exemplo de uma portaria e do procedimento investigatório presidido pelo MP, deve ser informada ao juiz das garantias, que irá verificar sua legalidade. V - decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar, observado o disposto no § 1º deste artigo; VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las, assegurado, no PRIMEIRO CASO, o exercício do contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código ou em legislação especial pertinente; Depreende-se da leitura desse dispositivo que a obrigatoriedade de contraditório, com audiência pública e oral, está presente apenas no caso de prorrogação da prisão provisória ou outra medida cautelar. Assim, no caso de substituição ou revogação, não há necessidade de audiência. VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa em audiência pública e oral; ATENÇÃO: Embora esteja com sua eficácia suspensa, o inciso VII deve ser interpretado restritivamente, aplicando-se apenas à prova antecipada, uma vez que as provas irrepetíveis não dependem de autorização judicial. VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o disposto no § 2º deste artigo; IX - determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento; Página 17 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal X - requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia sobre o andamento da investigação; XI - decidir sobre os requerimentos de: a) interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemáticaVIII - se tem algo mais a alegar em sua defesa. Interrogatório tem 2 partes: 1a PESSOA do acusado 2a FATOS. Art. 188. Após proceder ao interrogatório, o juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido, formulando as perguntas correspondentes se o entender pertinente e relevante. #Jurisprudência Correlata É ilegal o encerramento do interrogatório do paciente que se nega a responder aos questionamentos do juiz instrutor antes de oportunizar as indagações pela defesa (Info 732, STJ, 04/2022). Art. 189. Se o interrogando negar a acusação, no todo ou em parte, poderá prestar esclarecimentos e indicar provas. Art. 190. Se confessar a autoria, será perguntado sobre os motivos e circunstâncias do fato e se outras pessoas concorreram para a infração, e quais sejam. Art. 191. Havendo mais de 1 acusado, serão interrogados separadamente. Página 5 de 29 Art. 192. O interrogatório do mudo, do surdo ou do surdo-mudo será feito pela forma seguinte: I - ao surdo serão apresentadas por escrito as perguntas, que ele responderá oralmente; II - ao mudo as perguntas serão feitas oralmente, respondendo-as por escrito; III - ao surdo-mudo as perguntas serão formuladas por escrito e do mesmo modo dará as respostas. Parágrafo único. Caso o interrogando não saiba ler ou escrever, intervirá no ato, como intérprete e sob compromisso, pessoa habilitada a entendê-lo. Art. 193. Quando o interrogando não falar a língua nacional, o interrogatório será feito por meio de intérprete. Art. 194. (Revogado) Art. 195. Se o interrogado não souber escrever, não puder ou não quiser assinar, tal fato será consignado no termo. #ASSIM FICA FÁCIL DECORAR INTERROGATÓRIOS ESPECIAIS ▪ SURDO: perguntas por escrito e respostas oralmente. ▪ MUDO: perguntas oralmente e respostas por escrito. ▪ SURDO-MUDO: perguntas e respostas por escrito. ▪ Não fala língua nacional (português): interrogatório com intérprete. ▪ Não sabe LER ou ESCREVER: Pessoa habilitada a entendê-lo intervirá, como intérprete e sob compromisso. ▪ Não sabe ESCREVER, não puder ou não quiser ASSINAR: Fato consignado no termo. Art. 196. A TODO TEMPO o juiz poderá proceder a NOVO INTERROGATÓRIO de OFÍCIO ou a PEDIDO FUNDAMENTADO de qualquer das partes. CAPÍTULO IV - DA CONFISSÃO CONFISSÃO NATUREZA JURÍDICA MEIO DE PROVA CLASSIFICAÇÃO DIVISÍVEL OU RETRATÁVEL RETRATÁVEL Réu pode desdizer o que confessou, no todo ou em parte. DIVISÍVEL Réu pode confessar um delito e negar outros. Juiz, ao valorar confissão, pode aceitá-la ou rejeitá-la no todo ou em parte, notadamente na confissão qualificada. Se confissão for prova única, é indivisível, devendo ser aceita ou rejeitada integralmente. (STF) JUDICIAL OU EXTRAJUDICIAL JUDICIAL Feita em juízo. Judicial Própria: feita perante Juiz competente; Judicial Imprópria: feita perante Juiz incompetente (Juízo Deprecado). EXTRAJUDICIAL Feita fora do processo e sem observância do contraditório e da ampla defesa. SIMPLES Réu apenas confessa uma prática delituosa. Página 6 de 29 SIMPLES, COMPLEXA OU QUALIFICADA COMPLEXA Réu reconhece a prática de diversos atos delituosos. QUALIFICADA Réu reconhece a prática do ilícito, mas o faz invocando causa excludente de ilicitude ou de culpabilidade. Ex: réu confessa homicídio, mas alega legítima defesa. CONFISSÃO FICTA Não existe no processo penal. Revelia no processo penal não produz confissão ficta (efeito material) e tem como único efeito prático a desnecessidade de intimação do acusado para a prática dos atos processuais, salvo a sentença condenatória, da qual deve ser cientificado. Súmula 545, STJ: Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu fará jus à atenuante prevista no Art. 65, III, d, do Código Penal. Enunciado nº 2 da I Jornada de Direito e Processo Penal – 14/08/2020 A inexistência de confissão do investigado antes da formação da opinio delicti do Ministério Público não pode ser interpretada como desinteresse em entabular eventual acordo de não persecução penal. # NUNCAMAISERRE Não importa qual seja a modalidade de confissão, se o juiz utilizá-la para formar seu convencimento, o réu terá direito ao reconhecimento da agravante genérica. Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concordância. Art. 198. O silêncio do acusado NÃO importará CONFISSÃO, mas poderá constituir elemento para a formação do convencimento do juiz. # Comentários ▪ Parte final do artigo não foi recepcionada pela CF. ▪ Juiz que se utilizar do silêncio do acusado para formar seu próprio convencimento incorrerá em ofensa ao princípio processual penal da não autoincriminação, ainda que a opção do acusado por abster-se de falar não constitua confissão. ▪ Cuidado: Não confundir o teor desse dispositivo com o que consta no parágrafo único do art. 186. Art. 199. A confissão, quando feita fora do interrogatório, será tomada por termo nos autos, observado o disposto no art. 195. Art. 200. A CONFISSÃO será DIVISÍVEL e RETRATÁVEL, sem prejuízo do livre convencimento do juiz, fundado no exame das provas em conjunto. CAPÍTULO V - DO OFENDIDO Art. 201. SEMPRE que possível, o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da infração, quem seja ou presuma ser o seu autor, as provas que possa indicar, tomando-se por termo as suas declarações. O ofendido não possui compromisso de dizer a verdade e não responde por falso testemunho, mas não pode invocar o direito ao silêncio, salvo se sua manifestação puder lhe incriminar (ne nemo tenetur se detegere). § 1o Se, intimado para esse fim, deixar de comparecer sem motivo justo, o OFENDIDO PODERÁ SER CONDUZIDO À PRESENÇA DA AUTORIDADE. § 2o O ofendido será comunicado dos atos processuais relativos ao ingresso e à saída do acusado da prisão, à designação de data para audiência e à sentença e respectivos acórdãos que a mantenham ou modifiquem. Página 7 de 29 § 3o As comunicações ao ofendido deverão ser feitas no endereço por ele indicado, admitindo-se, por opção do ofendido, o uso de meio eletrônico. § 4o Antes do início da audiência e durante a sua realização, será reservado espaço separado para o ofendido. § 5o Se o juiz entender necessário, poderá encaminhar o ofendido para atendimento multidisciplinar, especialmente nas áreas psicossocial, de assistência jurídica e de saúde, a expensas do ofensor ou do Estado. § 6o O juiz tomará as providências necessárias à preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem do ofendido, podendo, inclusive, determinar o segredo de justiça em relação aos dados, depoimentos e outras informações constantes dos autos a seu respeito para evitar sua exposição aos meios de comunicação. CAPÍTULO VI - DAS TESTEMUNHAS Art. 202. TODA PESSOA PODERÁ SER TESTEMUNHA. DEVERESou de outras formas de comunicação; #Jurisprudência Correlata São lícitas as sucessivas renovações de interceptação telefônica, desde que, verificados os requisitos do art. 2º da Lei nº 9.296/96 e demonstrada a necessidade da medida diante de elementos concretos e a complexidade da investigação, a decisão judicial inicial e as prorrogações sejam devidamente motivadas, com justificativa legítima, ainda que sucinta, a embasar a continuidade das investigações. São ilegais as motivações padronizadas ou reproduções de modelos genéricos sem relação com o caso concreto (Info 1047, STF, 05/2021). b) afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico; c) busca e apreensão domiciliar; d) acesso a informações sigilosas; e) outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais do investigado; XII – JULGAR o HC impetrado ANTES do OFERECIMENTO DA DENÚNCIA; XIII - determinar a instauração de incidente de insanidade mental; XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do Art. 399 deste Código; Houve uma impropriedade na redação, o recebimento da denúncia deveria ser nos termos do art. 396 do CPP. XV - assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao investigado e ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e provas produzidos no âmbito da investigação criminal, SALVO no que concerne, estritamente, às diligências em andamento; XVI - deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a produção da perícia; XVII - decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal ou os de colaboração premiada, quando formalizados durante a investigação; #Jurisprudência Correlata Caso adaptado: a Procuradoria da República no Paraná, com base na colaboração premiada celebrada por Bruno, instaurou Procedimento Investigatório Criminal (PIC) com o fim de investigar o possível cometimento de crimes de corrupção, de lavagem de capitais e de fraude à licitação relacionados a contratos celebrados entre a Petrobras. Maurício, um dos investigados no Procedimento aberto, impetrou habeas corpus alegando que os fatos tratados neste PIC são idênticos aos que foram investigados no Inquérito 4.978, que tramitou no STF em razão do suposto envolvimento de Deputados Federais. A defesa de Maurício argumentou que Min. Edson Fachin, relator do Inquérito 4.978 no STF, após a realização de diversos atos de investigação, teria determinado o arquivamento do inquérito com relação a todos os investigados, entre os quais o próprio Maurício, por não estar demonstrada a materialidade das infrações penais. Logo, para a defesa, seria ilegal a instauração do procedimento de investigação pelo Ministério Público. Além disso, a defesa argumentou que o PIC foi instaurado com base nas declarações prestadas pelo colaborador no STF, sendo esse documento sigiloso. O STJ concordou com a defesa. É ilegal a utilização, por parte do Ministério Público, de peça sigilosa obtida em procedimento em curso no Supremo Tribunal Federal para abertura de procedimento Página 18 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal investigatório criminal autônomo com objetivo de apuração dos mesmos fatos já investigados naquela Corte (Info 726, STJ 02/2022), . XVIII - outras matérias inerentes às atribuições definidas no caput deste artigo. 1º O preso em flagrante ou por força de mandado de prisão provisória será encaminhado à presença do juiz de garantias no prazo de 24 HORAS, momento em que se realizará audiência com a presença do Ministério Público e da Defensoria Pública ou de advogado constituído, vedado o emprego de videoconferência. # Jurisprudência Correlata A audiência de custódia, no caso de mandado de prisão preventiva cumprido fora do âmbito territorial da jurisdição do Juízo que a determinou, deve ser efetivada por meio da condução do preso à autoridade judicial competente na localidade em que ocorreu a prisão. Não se admite, por ausência de previsão legal, a sua realização por meio de videoconferência, ainda que pelo Juízo que decretou a custódia cautelar. (Info 663, STJ, 2019). OBS1: após esse julgado, o CNJ aprovou resolução proibindo a realização de audiência de custódia por videoconferência. Segundo o Min. Dias Toffoli, “audiência de custódia por videoconferência não é audiência de custódia e não se equiparará ao padrão de apresentação imediata de um preso a um juiz, em momento consecutivo a sua prisão, estandarte, por sinal, bem definido por esse próprio CNJ quando fez aplicar em todo o país as disposições do Pacto de São José da Costa Rica.” OBS2: considerando a pandemia mundial (Covid- 19), o CNJ aprovou a Resolução 357/2020, permitindo a audiência de custódia por videoconferência quando não for possível a realização, em 24 horas, de forma presencial. Além disso, também prevê a possibilidade de o MP propor acordo de não persecução penal (ANPP) nas hipóteses previstas no artigo 28-A do CPP. OBS3: no dia 28/06/2021, o Min. Nunes Marques concedeu parcialmente liminar na ADI 6841 (liminar essa que foi referendada por maioria do STF, no dia 1-7-2021), suspendendo os efeitos da expressão "vedado o emprego de videoconferência", prevista no art. 3-B, § 1º, do CPP, inserido pelo Pacote Anticrime, de modo a permitir a realização das audiências de custódia por videoconferência, enquanto perdurar a pandemia de Covid-19, conforme art. 19, da Resolução n. 329/2020, CNJ, na redação que lhe foi dada pela Resolução n. 357/2020, CNJ, na forma do art. 10, § 3°, Lei n. 9.868/99, bem como no art. 21, V, do RISTF. OBS4: Recentemente, no dia 10/11/2021, o STJ (Info 714) entendeu que não se mostra razoável, para a realização da audiência de custódia, determinar o retorno de investigado à localidade em que ocorreu a prisão quando este já tenha sido transferido para a comarca em que se realizou a busca e apreensão. Para aprofundamento nesse julgado, remetemos o leitor ao art. 310 do presente projeto. § 2º Se o investigado estiver PRESO, o juiz das garantias poderá, mediante representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Público, PRORROGAR, uma ÚNICA VEZ, a DURAÇÃO DO INQUÉRITO por ATÉ 15 DIAS, após o que, se ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada. Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais, EXCETO as de MENOR POTENCIAL OFENSIVO, e cessa com o recebimento da denúncia ou queixa na forma do Art. 399 deste Código. ABRANGÊNCIA DA COMPETÊNCIA DO JG Todas as infrações penais, EXCETO as IMPO. CESSAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO JG Com o RECEBIMENTO DA DENÚNCIA/QUEIXA. Após, até mesmo eventuais questões pendentes serão decididas pelo juiz da instrução e julgamento. Página 19 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal § 1º RECEBIDA a DENÚNCIA ou QUEIXA, as QUESTÕES PENDENTES serão decididas pelo JUIZ DA INSTRUÇÃO E JULGAMENTO. JUIZ DAS GARANTIAS Atua a partir da instauração de investigação criminal até o recebimento da peça acusatória. JUIZ DA INSTRUÇÃO E JULGAMENTO Atua a partir do recebimento da peça acusatória. SOBRE O JUIZ DAS GARANTIAS NATUREZA JURÍDICA Nova espécie de competência funcional (distribuída de acordo com a função ou com a matéria apreciada pelo órgão) por fase do processo. FUNDAMENTOImparcialidade do magistrado, princípio supremo do processo, segundo o qual o juiz não pode ter interesse (direito ou indireto) no resultado do processo. AFINAL, COM O ADVENTO DO PACOTE ANTICRIME, O QUE O JUIZ PODERÁ FAZER DE OFÍCIO NA FASE INVESTIGATÓRIA? NADA! Só pode agir mediante provocação. Atenção: NÃO existe a figura do MP das garantias, tendo em vista que o MP é parte, podendo atuar em todas as fases. § 2º As decisões proferidas pelo juiz das garantias não vinculam o juiz da instrução e julgamento, que, após o recebimento da denúncia ou queixa, deverá reexaminar a necessidade das medidas cautelares em curso, no prazo máximo de 10 DIAS. Perceba que esse reexame das medidas cautelares em curso determinadas pelo JG ocorrerá pelo JIJ, de ofício, independentemente de qualquer provocação da acusação ou defesa. § 3º Os autos que compõem as matérias de competência do juiz das garantias ficarão acautelados na secretaria desse juízo, à disposição do Ministério Público e da defesa, e NÃO SERÃO APENSADOS aos autos do processo enviados ao juiz da instrução e julgamento, ressalvados os documentos relativos às provas irrepetíveis, medidas de obtenção de provas ou de antecipação de provas, que deverão ser remetidos para apensamento EM APARTADO. ATENÇÃO: No sistema anterior à Lei 13.964/2019, o IPL era apensado ao processo, fazendo com que o juiz tivesse contato. Com a inclusão do §3o do art. 3o-C, prevalece que não houve nenhuma alteração. O IPL continuará integrando o processo judicial, nos termos do art. 12 e art. 155 do CPP. Sustentam que deve ser feita uma interpretação restritiva do §3o do art. 3o-C, CPP, pois a lei prevê que os “autos” citados no dispositivo não abrangem os autos do inquérito policial, pois não tramitam perante o juiz das garantias. § 4º Fica assegurado às partes o AMPLO ACESSO AOS AUTOS ACAUTELADOS na secretaria do juízo das garantias. Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, PRATICAR QUALQUER ATO incluído nas competência dos arts. 4º e 5º deste Código FICARÁ IMPEDIDO DE FUNCIONAR NO PROCESSO. Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais criarão um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições deste Capítulo. Art. 3º-E. O juiz das garantias será designado conforme as normas de organização judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal, observando critérios objetivos a serem periodicamente divulgados pelo respectivo tribunal. Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das regras para o tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer Página 20 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal autoridade com órgãos da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão, sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal. Parágrafo único. Por meio de regulamento, as autoridades deverão disciplinar, em 180 DIAS, o modo pelo qual as informações sobre a realização da prisão e a identidade do preso serão, de modo padronizado e respeitada a programação normativa aludida no caput deste artigo, transmitidas à imprensa, assegurados a efetividade da persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão. # Jurisprudência Correlata O ministro Luiz Fux, vice-presidente do STF, suspendeu a implementação do juiz das garantias até que a decisão seja referendada no Plenário da Corte. A decisão também abarcou três pontos: 1) Suspendeu a obrigatoriedade de apresentar o preso a audiências de custódia em até 24 horas; 2) Suspendeu a aplicação do artigo 28 do CPP (arquivamento do IPL); 3) Estabeleceu regras para o arquivamento de IPL`s. Com a norma, o MP deveria comunicar a vítima, o investigado e a polícia no caso de arquivamento do inquérito, além de encaminhar os "autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei". Para Fux, a medida desconsiderou os impactos financeiros no âmbito do MP em todo o país. No último ponto, o ministro entendeu que também deve ser suspensa a regra que definiu que o juiz do caso não pode proferir a sentença se declarar uma das provas inadmissíveis. Segundo o ministro, a norma é "extremamente vaga" e pode "gerar inúmeras dúvidas" sobre sua aplicação. Página 21 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal INQUÉRITO POLICIAL – NOTAS INTRODUTÓRIAS CONCEITO Procedimento administrativo inquisitorial e preparatório, presidido por um Delegado de Polícia, visando identificar fontes de prova e colher elementos de informação para apuração da Infração penal (materialidade) e sua autoria, a fim de fornecer elementos de informação para o titular da ação penal ingressar em juízo. NATUREZA JURÍDICA Procedimento de NATUREZA ADMINISTRATIVA (não é processo) FINALIDADE 1. Colher ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO (e não provas) 2. Identificar FONTES DE PROVA VALOR PROBATÓRIO RELATIVO POLÍCIA JUDICIÁRIA FUNÇÕES PREPARATÓRIA: fornece elementos de informação para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo, além de acautelar meios de prova que poderiam desaparecer com o decurso do tempo. PRESERVADORA: a existência prévia de um IPL inibe a instauração de um processo penal infundado, temerário, resguardando a liberdade do inocente e evitando custos desnecessários para o Estado. CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL PROCEDIMENTO DISCRICIONÁRIO Liberdade de atuação dentro dos limites da lei. Não há rigor procedimental. CPP enumera as diligências (Art. 6º), mas sem ordem certa. Será feito de acordo com o caso concreto. PROCEDIMENTO DISPENSÁVEL Existem outros procedimentos investigatórios. Exs: PIC, CPI. PROCEDIMENTO PREPARATÓRIO Fornecer elementos de informação para o titular da ação penal ingressar em juízo. É o objetivo final do IPL, consagrando a justa causa, nos termos do art. 395, III do CPP. Página 22 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PROCEDIMENTO INDISPONÍVEL Instaurado o IPL, Delegado não pode arquivar. Só o Juiz pode, a pedido do MP (Arquivamento pelo MP está temporariamente suspenso). PROCEDIMENTO ESCRITO Todas as peças do IPL serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. OBS: Pode-se usar um sistema audiovisual, nos termos no art. 405, 1o, CPP e da Lei nº 11.719/08. No entanto, o investigado precisa ter ciência que está sendo gravado. PROCEDIMENTO SIGILOSO Em regra, é sigiloso. Ressalva ao Advogado abaixo. PROCEDIMENTO INQUISITÓRIO Traz a ideia de que não é obrigatória a observância do contraditório e nem da ampla defesa. Contraditório é diferido. O Estatuto da OAB (art. 7, XXI) prevê nulidade absoluta para os casos em que o interrogatório ou depoimento é feito sem a presença do advogado. Para Renato Brasileiro, não se trata de nulidade (sanção aplicada a atos processuais defeituosos), mas sim de ilegalidade. O STF entende que essa previsão não impõe ao Delegado um dever de intimar previamente o advogado constituído para os atos de investigação. Embora constitua prerrogativado advogado apresentar razões e quesitos no curso de investigação criminal, daí não se pode extrair direito subjetivo de que se intime a defesa previamente e com a necessária antecedência quanto ao calendário de inquirições a ser definido pelo Delegado. Ademais, ainda que o direito não tenha sido observado, para o reconhecimento da suposta “nulidade” é necessário comprovar o prejuízo. Todavia, uma vez presente o advogado, esse possui o direito de acompanhar o seu cliente. O fato de o advogado ter acompanhado o depoimento de testemunha no IPL não transforma o elemento de informação em prova. Prova é aquilo produzido em contraditório judicial. PROCEDIMENTO TEMPORÁRIO PRESO: 10 dias para conclusão, podendo ser prorrogado por mais 15 dias, nos termos do art. 3o-B, §2o do CPP (eficácia suspensa). SOLTO: 30 dias, podendo ser sucessivamente prorrogado por 30 dias. PROCEDIMENTO OFICIAL Só o Delegado pode instaurar. PROCEDIMENTO OFICIOSO Tomou conhecimento do fato? Delegado é obrigado a agir de ofício. Página 23 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O ACESSO DO ADVOGADO AOS AUTOS DO IPL. COTEJANDO A SÚMULA VINCULANTE Nº 14 COM O ART. 7º, XIV DO ESTATUTO DA OAB, À LUZ DO ENTENDIMENTO DO STF Súmula Vinculante no 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova (informação) que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária (atribuições investigatórias – Autoridade Policial, MP), digam respeito ao exercício do direito de defesa. Art. 7o, XIV do Estatuto da OAB - Art. 7º São direitos do advogado: [...] examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital; ▪ Advogado pode examinar autos em qualquer instituição responsável por conduzir investigações (Autoridade Policial ou MP). ▪ Acesso contempla apenas as informações já documentadas (a exemplo de um termo de depoimento de testemunha já ouvida), mas não as diligências em andamento (a exemplo de uma escuta telefônica, que, caso ele tivesse acesso, perderia a eficácia). ▪ Advogado NÃO precisa de PROCURAÇÃO para ter acesso ao IPL, salvo os casos de segredo de justiça (a exemplo dos crimes sexuais). ▪ Mesmo que investigação criminal tramite em segredo de justiça, investigado pode ter acesso amplo aos autos, inclusive a eventual relatório de inteligência financeira do COAF, sendo permitido, contudo, que se negue o acesso a peças que digam respeito a dados de terceiros protegidos pelo segredo de justiça. Essa restrição parcial NÃO VIOLA a SV 14, pois é excessivo o acesso de um dos investigados a informações, de caráter privado de diversas pessoas, que não dizem respeito ao direito de defesa dele. (Info 964, STF). ▪ O MP pode escolher quais elementos obtidos na busca e apreensão serão utilizados pela acusação; no entanto, o material restante deve permanecer à livre consulta do acusado, para o exercício de suas faculdades defensivas. Realizada a busca e apreensão, apesar de o relatório sobre o resultado da diligência ficar adstrito aos elementos relacionados com os fatos sob apuração, deve ser assegurado à defesa acesso à integra dos dados obtidos no cumprimento do mandado judicial. É a aplicação do Princípio da comunhão da prova. Essa é a ratio essendi da SV 14. O MP juntou aos autos apenas aquilo que entendeu necessário para a imputação ministerial. Logo, é evidente que o acusado tem o direito de saber se, no restante do material apreendido, existe mais algum elemento que interesse à sua defesa. O órgão responsável pela acusação não pode ter a prerrogativa de escolher o material que irá ser disponibilizado ao réu, como se a ele pertencesse a prova. Na verdade, as fontes e o resultado da prova são de interesse comum de ambas as partes e do juiz. (Info 692, STJ. 2021) ▪ Terceiros que tenham sido mencionados pelos colaboradores podem obter acesso integral aos termos dos colaboradores para viabilizar, de forma plena e adequada, sua defesa, invocando a SV 14? SIM, desde que estejam presentes os requisitos positivo e negativo. a) REQUISITO POSITIVO: o acesso deve abranger somente documentos em que o requerente é de fato mencionado como tendo praticado crime (o ato de colaboração deve apontar a responsabilidade criminal do requerente); e Página 24 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal b) REQUISITO NEGATIVO: o ato de colaboração não se deve referir a diligência em andamento (devem ser excluídos os atos investigativos e diligências que ainda se encontram em andamento e não foram consubstanciados e relatados no inquérito ou na ação penal em tramitação). (Info 978, STF). ▪ Na delação premiada, o delatado possui o direito de ter acesso às declarações prestadas pelos colaboradores que o incriminem, desde que já documentadas e que não se refiram à diligência em andamento que possa ser prejudicada. (Info 965, STF) ▪ Não há violação da SV 14 (direito do defensor de ter amplo acesso aos elementos de prova já documentados) se os elementos de prova estão disponíveis nos autos para partes (áudios interceptados foram juntados ao IPL e sempre estiveram disponíveis para as partes, inclusive na forma digitalizada). ▪ Advogado NÃO precisa de AUTORIZAÇÃO JUDICIAL para acesso ao IP. Exceção: Na Lei de Organizações Criminosas, o juiz pode decretar o sigilo da investigação, só permitindo o acesso com sua prévia autorização. CONSEQUÊNCIAS DA NEGATIVA DE ACESSO AO ADVOGADO ▪ RECLAMAÇÃO (Violação da Súmula Vinculante 14) ▪ MANDADO DE SEGURANÇA ▪ HABEAS CORPUS (preso ou solto) ▪ Configuração do crime de ABUSO DE AUTORIDADE pela Autoridade policial. (Art. 32 da Lei 13.869/2019) SOBRE A AUTORIDADE POLICIAL ▪ Alguns doutrinadores sustentam que o §4o, do art. 2o, da Lei 12.830/2013 (Lei da investigação criminal conduzida pelo delegado de polícia) consagra o princípio do delegado natural: § 4º O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado (chamar para si) ou redistribuído (manda para outro delegado) por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação. ▪ O delegado de polícia não é dotado de inamovibilidade (garantia do Juiz, Promotor, Defensor), podendo, portanto, ser removido com a devida fundamentação. (§5o do art. 2o, da Lei 12.830/2013) § 5º A remoção do delegado de polícia dar-se-á somente por ato fundamentado. Página 25 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal DELEGADO TEM (OU NÃO) ATRIBUIÇÃO PARA INVESTIGAR? CRIME MILITAR DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO NÃO. É o que ocorre dentro das forças armadas e do exército brasileiro. A investigação se dá por meio do chamado IPM (inquérito policial militar). CRIME MILITAR ESTADUAL NÃO. É o que ocorre dentro do quartel da PM, por exemplo. Quem vai investigá-lo é a própria polícia militar/corpo de bombeiros, o comandante vai designar um encarregado. CRIME ELEITORAL A atribuição é, em tese,da polícia federal. Todavia, o TSE entende que as investigações poderão ser feitas pela polícia civil, quando não houver delegacia da PF na cidade. CRIME FEDERAL NÃO. Polícia Federal investiga. CRIME COMUM SIM, salvo se o crime for dotado de repercussão interestadual ou internacional e houver previsão legal, situação em que a investigação será feita pela PF. Cuidado: As atribuições da PF são mais amplas que a competência criminal da Justiça Federal. MAIS SOBRE O INQUÉRITO POLICIAL O princípio da RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO SE APLICA ao IPL. Mesmo sendo impróprio (réu solto), o prazo não pode ser prorrogado ad eternum. OBS: A Nova Lei de Abuso de Autoridade criminalizou a conduta de estender injustificadamente a investigação (art. 31). Vícios do IPL são ENDOPROCEDIMENTAL (Endo de DENTRO do PROCEDIMENTO. Não contaminam a ação penal). Não se pode opor suspeição à Delta, mas ele DEVE se declarar suspeito (de ofício), se ocorrer motivo legal. Elementos de informação, isoladamente considerados, não podem fundamentar uma sentença. Mas, não devem ser desprezados durante fase judicial, podendo se somar à prova produzida em juízo para auxiliar na formação da convicção do Juiz. Trancamento do IPL: Medida de natureza excepcional, que será determinada pelo juiz das garantias (art. 3o-B, IX do CPP - ainda com eficácia suspensa) somente sendo possível quando: 1) Não houver qualquer dúvida sobre a atipicidade (formal/material) da conduta. 2) Presença de causa extintiva da punibilidade. 3) Ausência de justa causa. Página 26 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal 4) Ausência de manifestação da vontade da vítima nos crimes de ação privada ou pública condicionada. Meio adequado para o trancamento do IPL: 1) HC: há risco à liberdade de locomoção; 2) MS: nos casos de pessoa jurídica, em que não há risco à liberdade de locomoção. INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR PROCESSO JUDICIAL VÍCIOS NULIDADES Eventuais ilegalidades ocorridas no IPL não contaminam processo penal subsequente, SALVO em se tratando de prova ilícita. Exemplo: uma prisão em flagrante que não é comunicada ao juiz, enseja o relaxamento, tendo em vista que se trata de ilegalidade. Contudo, não irá contaminar o processo penal. POLÍCIA OSTENSIVA (ADMINISTRATIVA) POLÍCIA JUDICIÁRIA CARÁTER PREVENTIVO CARÁTER REPRESSIVO Relacionada à segurança, visando impedir a prática de atos lesivos à sociedade. Visa auxiliar a Justiça. Por isso, o STF chama de “polícia judiciária”, seja em auxílio ao Poder Judiciário fazendo cumprir suas ordens ou investigando e apurando infrações penais. É realizada pela Polícia Militar. Obs. Há casos em que a PM exerce função de polícia judiciária. Cita-se, como exemplo, os casos de crime militar. É exercida pela Polícia Civil e pela Polícia Federal. INFRAÇÕES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO (JECRIM) CRIMES TCO IPL Página 27 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO PROVAS Colhidos na fase investigativa. Em regra, produzido na fase judicial. Há possibilidade de produção de provas na investigação, nos casos de provas cautelares, não repetíveis e antecipadas que poderão, ainda que produzidas na fase investigatória, serem utilizadas exclusivamente para a formação do convencimento do juiz. Não é obrigatória a observância do contraditório e ampla defesa, nem mesmo diante das mudanças produzidas pela Lei 13.245/2016. Conforme já foi dito, para o STF, o delegado de polícia não tem a obrigação de intimar o advogado para participar das inquirições. É obrigatória a observância do contraditório e da ampla defesa. O juiz deve intervir apenas quando necessário, e desde que seja provocado neste sentido. O juiz não é dotado de iniciativa acusatória, deve ficar distante, cabendo ao MP e à polícia a investigação. A prova deve ser produzida na presença do juiz, física ou remota (vídeoconferência). Durante o curso do processo, o juiz não é mais dotado de iniciativa probatória, nos termos do art. 3o-A do CPP (eficácia suspensa ainda). Finalidade: úteis na decretação das medidas cautelares e auxiliar na formação da opinio delicti. OBS. Os elementos informativos, isoladamente considerados, não podem fundamentar uma sentença. Porém, tais elementos não devem ser desprezados durante a fase judicial, podendo se somar à prova produzida em juízo para auxiliar na formação da convicção do magistrado. Finalidade: auxiliar na formação da convicção do juiz. TUDO SOBRE O INDICIAMENTO CONCEITO Atribuir a alguém provável autoria e participação em determinada infração penal, saindo de um juízo de possibilidade para um de probabilidade. A grosso modo, é apontar para uma pessoa como provável autora ou partícipe do delito. Página 28 de 36 https://www.plataformacejurnorte.com.br/cursos/norte-legal PREVISÃO LEGAL ART. 2O, §6º DA LEI Nº 12.830/2013: O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas circunstâncias. REQUISITOS Prova da materialidade e Indícios de autoria (Delegado não precisa ter certeza, e sim indícios) MODALIDADES DIRETO Realizado na presença do investigado. É a regra. INDIRETO Realizado na ausência do investigado. Ex: Foragido. MOMENTO Desde a lavratura do auto da prisão em flagrante (APF) até o relatório final do IPL. ATO VINCULADO Presentes os elementos informativos apontando na direção do investigado, não resta ao Delegado outra opção senão seu indiciamento. EXCLUSIVIDADE NA INVESTIGAÇÃO Ato exclusivo da fase investigatória. Iniciada a ação penal, não mais é possível indiciar. PRIVATIVIDADE Ato privativo do Delegado de Polícia. Obs: não é possível que o juiz, o MP ou uma CPI requisitem ao delegado de polícia o indiciamento de alguém. O que se pode requisitar é a instauração de um IPL. NO TCO Não cabe indiciamento no Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). DESINDICIAMENTO É a cassação de anterior indiciamento. Admitido pela jurisprudência, quando ausente qualquer elemento de informação quanto ao envolvimento do agente no crime, ou se feito em momento extemporâneo (ex: após o recebimento da denúncia). Nesses casos, é cabível a impetração de HC a fim de sanar o contrangimento ilegal. Obs. Pelo princípio da simetria, entende-se que o Delegado também pode desincidiar (se retratar). LEGITIMIDADE PASSIVA Regra: qualquer pessoa pode ser indiciada. 1a Exceção: Membros do MP (Lei Orgânica do MP) 2a Exceção: Magistrados (Autos remetidos ao PR do TJ) 3a Exceção: Autoridades com Foro por Prerrogativa de Função não podem ser indiciadas sem prévia autorização do ministro-relator ou desembargador relator, dependendo do caso concreto. (STF) INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 17-D DA LEI DE LAVAGEM DE DINHEIRO Em 20/11/2020, o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 17-D da Lei de LD (Lei 9.613/1998) que determina o afastamento de servidores públicos de suas funções em caso de indiciamento por crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores. (ADI 4911) EFEITOS ENDOPROCESSUAIS Base para o oferecimento da denúncia. EXTRAPROCESSUAIS Traz o estigma social, sobretudo pela publicidade do ato dado pela mídia.