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Roteiro de Estudos Módulo 1 2 INTRODUÇÃO A TERAPIA DE ESQUEMAS docx

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1
Módulo 1.2 - Introdução a Terapia de Esquemas
Prof.ª Me. Camila Alves de Amorim
Psicóloga e especialista em Análise do Comportamento
Formação em Terapia de Esquemas
(Wainer e pelo NYC Institute for Schema Therapy).
Doutoranda e mestre pela Universidade de São Paulo (USP)
Prof.ª Me. Isabella Wada e Pucci
Psicóloga e especialista em Neuropsicologia (USF e CRP)
e em Terapia Cognitivo comportamental (PUCPR)
Formação em Terapia de Esquemas
(Wainer e pelo NYC Institute for Schema Therapy).
Doutoranda e Mestre pela Universidade de São Paulo (USP)
INTRODUÇÃO
O conceito de apego, desenvolvido por John Bowlby e Mary Ainsworth
(1991), é fundamental para entender as dinâmicas emocionais que influenciam o
comportamento humano. Bowlby argumenta que a qualidade das relações
formadas na infância, especificamente com os cuidadores, molda as
expectativas e comportamentos nas relações futuras. O apego seguro, por
exemplo, está associado a um desenvolvimento emocional saudável, enquanto
estilos de apego inseguro podem resultar em dificuldades nas interações
sociais e na regulação emocional.
Esse entendimento é especialmente relevante no contexto da Terapia do
Esquema (TE), abordagem terapêutica desenvolvida por Jeffrey Young no final
da década de 1980. Essa abordagem terapêutica integra princípios da Terapia
Cognitivo- Comportamental (TCC) com ênfase nos esquemas emocionais que
se formam a partir das experiências de apego na primeira infância. A Terapia do
Esquema busca ressignificar esses padrões, proporcionando um espaço seguro
2
onde o paciente pode explorar suas emoções e experiências passadas. Técnicas
como a reestruturação cognitiva e técnicas vivenciais são utilizadas para ajudar
os indivíduos a confrontar de modo empático e modificar esses padrões
disfuncionais (Young et al., 2008).
Portanto, a combinação das teorias de Bowlby sobre apego e a
abordagem terapêutica de Young revela a importância das experiências na
infância para o desenvolvimento emocional e dos padrões de
relacionamento. O reconhecimento de como os estilos de apego influenciam a
vida adulta podem favorecer a construção de vínculos mais saudáveis e
satisfatórios ao longo da vida. Assim, a integração desses conceitos não apenas
enriquece a compreensão da psicologia humana, mas também oferece
ferramentas práticas para a transformação pessoal e emocional (Bowlby, 1990;
Young et al., 2008).
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM GERAL DO MÓDULO
● Reconhecer os principais conceitos da Teoria de Apego (TA) e como os
diferentes estilos de apego influenciam na formação de padrões
relacionais e comportamentais ao longo da vida.
● Compreender as características principais dos esquemas iniciais
desadaptativos (EIDs) e como eles se desenvolvem ao longo da vida.
● Identificar os principais objetivos e conceitos da Terapia de esquema (TE).
1. Bases da Teoria do Apego e Estilos de Apego
A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e ampliada por Mary
Ainsworth, explora como os vínculos emocionais formados na infância
influenciam o desenvolvimento emocional e os relacionamentos ao longo da
vida. O apego é a conexão emocional profunda que se desenvolve entre um
cuidador e uma criança nos primeiros anos de vida, servindo como base para a
formação de expectativas e padrões de pensamento e compreensão do mundo
no futuros (Ainsworth & Bowlby, 1991). Com base na análise de seus estudos,
Bowlby (1990) observou que tanto os bebês humanos quanto os de outros
3
mamíferos apresentam um comportamento comum: eles buscam evitar o
afastamento de seus cuidadores, pois a proximidade com a figura de apego é
fundamental para garantir sua proteção e sobrevivência.
Harlow (1958) inseriu em seu laboratório alguns experimentos com
modelos animais, utilizando filhotes de macaco. O autor descreveu a
experiência de separação de filhotes de macaco com suas mães, resultando em
comportamentos impulsivos e dificuldades no desenvolvimento de habilidades
sociais no futuro. O principal experimento do autor consistia em apresentar a
filhotes de macaco, privados de sua mãe biológica, duas mães substitutas. Uma
delas era uma mãe confeccionada em pano, sendo macia e mais similar à
penugem de uma mãe biológica. A segunda mãe consistia em uma mãe de
arame, sem o revestimento em pano. Alguns filhotes recebiam alimentação da
mãe de pano e outros eram alimentados pela mãe de arame. No final do
experimento, todos os filhotes permaneciam mais tempo com a mãe de pano
(mesmo aqueles que eram alimentados pela mãe de arame).
Esse experimento contribuiu para o entendimento do apego como uma
necessidade primordial no início da vida. As necessidades fisiológicas (tais como
sono e alimentação) são relevantes para o desenvolvimento, mas parece que
apenas tais necessidades sendo atendidas não seja suficiente para um
desenvolvimento saudável do indivíduo.
4
Figura 1. Experimento de privação maternal realizado por Harlow (1958).
Outros autores continuaram os estudos sobre a teoria do apego, a fim de
compreender como a relação de apego e afeto entre os filhotes de animais e
suas mães poderia se assemelhar à relação de apego entre bebês humanos e
seus cuidadores principais. A fim de exemplificar quais são as reverberações de
impactos da relação de apego entre os seres humanos, Mary Ainsworth (1978)
também realizou experimentos nesse sentido.
A autora se debruçou sobre a compreensão do apego nos primeiros anos
de vida dos bebês. A partir de um experimento conhecido como "Situação
Estranha", foi possível mapear diversos comportamentos de mães e seus bebês.
Nesse experimento, inicialmente a criança e suas mães ficavam dentro de uma
sala com alguns brinquedos disponíveis, posteriormente as crianças eram
temporariamente separadas de seus cuidadores e, em alguns momentos,
apresentadas a pessoas estranhas (desconhecidas), o que permitiu observar
suas reações em diferentes situações. A pessoa estranha era a própria autora e
pesquisadora. Ainsworth observava a interação dos bebês com a mãe, com os
brinquedos e com a pesquisadora ao longo do experimento, até que em certo
momento, a mãe se retirou da sala - deixando os bebês a sós com a pessoa
desconhecida.
Nesse momento, diversas reações foram percebidas nos bebês. Enquanto
alguns bebês exploram o ambiente e os brinquedos deixados para trás; outros
bebês seguiam a mãe demonstrando angústia e protestando contra a
separação com exagero, ou até mesmo algumas crianças choravam frente à
ausência da mãe e, logo após, se entretinham com algum estímulo específico
na sala. As diferentes reações dos bebês forneceram pistas sobre a forma que
eles experimentam o desenvolvimento do apego. Uma vez que a figura de
apego sai da sala, os bebês alternaram entre se sentirem, por exemplo, corajosos
e curiosos em relação ao ambiente (após adequado protesto frente à
separação); protesto demasiado sobre a separação; e pouca oposição frente à
separação e interesse pelos objetos e pessoas na sala (Ainsworth, 1978).
5
Figura 2. Frame da gravação do experimento “A situação estranha”
A análise dos resultados deste estudo possibilitou a identificação de
diferentes estilos de apego, que se referem a padrões comportamentais
recorrentes que uma pessoa pode adotar em seus relacionamentos
interpessoais. Os principais estilos de apego são: seguro, ambivalente/ ansioso
e o evitativo. Posteriormente Ainsworth (1978) ampliou sua teoria, incluindo um
quarto tipo de apego, o apego desorganizado, presente principalmente em
crianças que foram vítimas de abusos ou então de negligência extrema. Os
diferentes estilos de Apego são:
● Apego Seguro: crianças com apego seguro confiam que seus cuidadores
estarão disponíveis e serão capazes de responder às suas necessidades
nos momentos de estresse. Elas se sentem confortáveis explorando o
ambiente e voltam para seus cuidadores em busca de segurança caso
haja algum incômodo. Nesse estilo de apego, as crianças não se sentem
amedrontadas de modo exacerbadofrente à separação, pois entendem
que o mundo é um lugar a ser explorado com curiosidade. No
experimento de Ainsworth (1978), observou-se que crianças com esse
estilo de apego conseguiam explorar o ambiente na presença da mãe.
6
Embora ficassem incomodadas com sua ausência, recebiam-na de forma
calorosa quando ela retornava. Além disso, buscavam o contato físico com
amãe para aliviar a angústia sentida durante a separação.
● Apego Ambivalente/Ansioso: crianças com apego ambivalente ou
ansioso podem sentir que seus cuidadores não estão consistentemente
disponíveis, e isso ocorre devido a situações repetidas em que a criança
demonstrou as suas necessidades mas os cuidadores cuidadores não
foram suficientes ao suprir-las As crianças podem demonstrar
comportamentos de clamor e necessidade excessiva de proximidade, já
que a resposta dos cuidadores tende a ser inconsistente. No experimento
da "Situação Estranha" (Ainsworth, 1978), crianças com esse tipo de apego
mostraram pouca exploração do ambiente na presença da mãe e
demonstraram grande angústia com sua ausência. Quando a mãe
retornava, as crianças apresentavam comportamento ambivalente,
permanecendo próximas, mas resistindo ao contato. Ainsworth sugeriu
que essa dinâmica possivelmente refletia um atendimento inconsistente
por parte dos cuidadores, alternando entre momentos de apoio e de
falta de resposta, o que gerava instabilidade no vínculo.
● Apego Evitativo: crianças com apego evitativo tendem a minimizar a
necessidade de proximidade com seus cuidadores, mostrando
autossuficiência e evitando a intimidade emocional, muitas vezes em
resposta a cuidadores que são insensíveis ou rejeitantes. Esses são
comportamentos típicos de crianças que suportaram estresse
demasiado no início da vida, e aprenderam que não importa o quanto
demandem, o ambiente não será sensível a elas. No experimento da
"Situação Estranha" (Ainsworth, 1978), crianças com esse estilo de apego
brincavam de maneira tranquila e tinham pouca interação com seus
cuidadores. Elas exibiam baixa aflição ao serem separadas da mãe e não
demonstravam desconforto na presença de estranhos, chegando a
ignorar a mãe quando esta tentava obter sua atenção.
7
● Apego Desorganizado: crianças com apego desorganizado podem exibir
comportamentos confusos ou contraditórios em relação aos cuidadores,
muitas vezes devido a experiências de cuidado imprevisível ou
traumático. É típico de vivências de abuso físico, sexual ou negligência
extrema no início da vida. A criança tende a se comportar de modo
ansioso e impulsivo, uma vez que não sabe se o cuidador será carinhoso
ou abusivo - ou mesmo se ele irá proteger a criança de um possível
abusador (Ainsworth & Bowlby, 1991). No experimento da "Situação
Estranha" (Ainsworth, 1978), crianças com esse tipo de apego
apresentavam comportamentos confusos ao lidar com a separação da
figura de apego, demonstrando impulsividade e expressões de bravura
ou confusão. Elas exibiam uma combinação de padrões de apego
evitativo e ambivalente, indecisas sobre se deviam se aproximar ou evitar
os cuidadores. Segundo Cortina e Marrone (2003), esse estilo de apego
além de estar frequentemente relacionado a experiências de abuso e
maus-tratos, podem posteriormente resultar no desenvolvimento de
transtornos mentais.
A formação do apego é influenciada por uma variedade de fatores sendo
eles nos âmbitos individuais, relacionais e contextuais (Bronfenbrenner, 1996)
e podem influenciar como os indivíduos percebem e se relacionam com os
outros ao longo da vida, uma vez que essa forma de se relacionar tendem a ser
internalizadas e generalizadas em situações futuras semelhantes (Ainsworth
et al., 1978). O Apego seguro está geralmente associado a relacionamentos
saudáveis e habilidades interpessoais robustas, enquanto apego
ambivalente/ansioso, evitativo ou desorganizado pode levar a desafios
emocionais e relacionais (Ainsworth & Bowlby, 1991). Na vida adulta, há uma
tendência a buscar relacionamentos que reflitam o vínculo inicial com as
figuras de apego da infância, o que fortalece esses modelos internalizados
(Sperling & Berman, 1994).
8
2. Terapia do Esquema: O que são e quais são os esquemas?
Na Terapia de Esquema (TE), os esquemas são padrões duradouros e
generalizados de pensamento que se desenvolvem durante a infância e a
adolescência e que influenciam como interpretamos e respondemos às
experiências ao longo da vida. Eles são formados a partir das nossas interações
iniciais com os cuidadores e moldam nossa visão de nós mesmos, dos outros e
do mundo (Young et al., 2008).
A TE contempla os aspectos discutidos na TCC clássica no manejo de
pacientes refratários e caracterológicos. Porém, acrescenta uma série de
questões relevantes, tanto em termos de funcionamento da personalidade
quanto em termos de processos inconscientes de manutenção e
hereditariedade da estrutura de identidade do indivíduo. A estrutura da
personalidade dentro da perspectiva da terapia dos esquemas é compreendida
a partir de influências do temperamento (base genética herdada) e também
tendências comportamentais, afetivas, cognitivas e motivacionais que
sofrem efeitos do ambiente a partir das interações com o meio (Young et al.,
2008).
O temperamento é compreendido como base que irá determinar as
tendências de funcionamento do indivíduo, sendo este um determinante
biológico da personalidade. O temperamento também irá influenciar a
quantidade ideal de necessidades emocionais básicas do sujeito em cada um
dos 5 domínios descritos na TE. Por isso, a depender do temperamento, uma
pessoa poderia requerer mais necessidades emocionais de apego no início de
sua vida do que um irmão com temperamento diferente, por exemplo (Young
et al., 2008).
9
Figura 3. Influências sobre as necessidades básicas e EIDs desenvolvidos
Na tabela abaixo, é possível encontrar os cinco domínios postulados pela
TE, tendo cada domínio uma tarefa desenvolvimental diferente (relacionadas às
necessidades emocionais básicas). É importante ressaltar que, uma vez que a
necessidade emocional relacionada ao domínio não tenha sido atendida de
forma satisfatória, Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs) relacionados
podem vir a se desenvolver no decorrer da trajetória do sujeito. Ao todo foram
postulados 18 esquemas, sendo cada um deles relacionado a sua respectiva
necessidade emocional (ou tarefa evolutiva) e seu domínio esquemático:
Domínio esquemático Tarefa evolutiva EIDs associados
1º domínio :
Desconexão e Rejeição
Conexão e
pertencimento
Abandono, privação
emocional,
defectividade,
desconfiança e abuso,
isolamento social
10
2º domínio: Autonomia
e desempenho
prejudicados
Senso de autonomia e
desempenho
adequados
Fracasso,
vulnerabilidade,
dependência e
emaranhamento
3º domínio: Limites
prejudicados
Limites realistas Autocontrole e auto
disciplina insuficientes e
grandiosidade
4º domínio:
Direcionamento
excessivo para o outro
Validação emocional e
respeito aos seus
desejos e aspirações
Subjugação, auto
sacrifício e busca de
aprovação
5º domínio:
Supervigilância e
Inibição
Espontaneidade e Lazer Inibição emocional,
padrões inflexíveis,
negativismo e Postura
punitiva
Tabela 1. Domínios esquemáticos, tarefas evolutivas e EIDs associados
Os 18 Tipos de Esquemas Iniciais Desadaptativos são possuem diferentes
cognições relacionadas, porém, todos eles trazem conteúdos relacionados à
percepção negativa de si, dos outros/do mundo ou do futuro. Abaixo serão
melhor descritos os EIDs e quais são os domínios dos quais fazem parte.
No Domínio de Desconexão e rejeição, o esquema de
Abandono/instabilidade consiste na percepção de que as outras pessoas são
instáveis e indignas de confiança. A pessoa tende a sentir e pensar que pessoas
importantes para ela irão a abandonar a qualquer momento, e não estarão
presentes em momento de ligação emocional e necessidade de suporte. O
esquema de Desconfiança/abuso consiste na expectativa de que outraspessoas são malvadas e podem causar danos, humilhações e prejuízo. Erros
cometidos por outras pessoas tendem a ser percebidos como cruéis e
intencionais. O esquema de Privação emocional consiste na expectativa de que
o desejo de ter um grau satisfatório de apoio emocional não será satisfeito pelos
outros, por isso, não se deve esperar por cuidados, empatia ou proteção de
outras pessoas. O esquema de Defectividade/vergonha consiste no sentimento
de que a pessoa é falha, mau, indesejada ou inadequada, e que não merece o
11
amor de outras pessoas importantes. O esquema de Isolamento
social/alienação se caracteriza pela sensação de que se está isolado do resto
mundo, sendo diferente de outras pessoas e não pertencendo a nenhum grupo
social (Young et al., 2008).
No Domínio de Autonomia e desempenho prejudicados, o esquema de
Dependência/incompetência se relaciona com a ideia de que se é incapaz de
dar conta das responsabilidades da vida sem suporte e orientação de um
terceiro. O esquema de vulnerabilidade ao dano ou à doença consiste no
medo e desespero frente à possibilidade de que uma catástrofe iminente irá
acontecer e não há nada que se possa fazer para impedir. O esquema de
Emaranhamento/ self subdesenvolvido é caracterizado pelo envolvimento
emocional e intimidade em demasia com uma ou mais pessoas consideradas
próximas ou importantes, sendo considerada difícil a vida social típica sem a
presença dessas pessoas. Por fim, o esquema de Fracasso consiste na ideia de
que a pessoa fracassou, fracassa e fracassará inevitavelmente, acreditando que
conquistas não serão atingidas emmomento nenhum (Young et al., 2008).
O Domínio de Limites prejudicados é composto pelo esquema de
Arrogo/Grandiosidade e Autocontrole/autodisciplina insuficientes. O
primeiro esquema faz menção à ideia de que a pessoa é superior aos outros, é
passível de receber privilégios e vantagens que outras pessoas não merecem e
que regras não se aplicam a si, mas sim às demais pessoas do mundo. No
segundo esquema, a dificuldade ou recusa em usar do autocontrole e tolerância
à frustração é típica, sendo um desafio se limitar em termos de expressão de
impulsos e vontade (Young et al., 2008).
No Domínio de Direcionamento para o outro, o esquema de
Subjugação se caracteriza pela submissão demasiada ao controle e vontade
dos outros, via de regra para não sofrer retaliação. O esquema de Auto-sacrifício
consiste no foco excessivo no bem estar e satisfação das necessidades de outras
pessoas, sendo estas uma prioridade em detrimento do bem estar do próprio
sujeito. No esquema de Busca de aprovação/busca de reconhecimento, o
sujeito possui ênfase excessiva na obtenção de validação e aprovação de outras
12
pessoas, colocando em xeque o próprio desejo e suas próprias ambições para
receber o reconhecimento de terceiros (Young et al., 2008).
Por fim, o Domínio de Supervigilância e Inibição consiste no esquema
de Negativismo/pessimismo, sendo caracterizado pelo foco demasiado em
aspectos negativos, tais como sofrimento, morte, imprevistos, perdas e
decepções. O esquema de inibição emocional se caracteriza pela inibição
excessiva de ação, sentimentos e comunicação de modo espontâneo, via de
regra para evitar julgamento alheio e desaprovação vinda de outras pessoas. No
esquema de Padrões inflexíveis / postura punitiva exagerada, a pessoa possui
a crença de que se deve fazer um grande esforço para conquistar um padrão
internalizado de sucesso, sendo estes tipicamente associados com um alto
desempenho, muitas vezes para evitar críticas. O último esquema deste
domínio seria o de Postura punitiva, consistindo na ideia de que as pessoas
devem ser punidas e castigadas com severidade e dureza quando cometem
erros, mesmo que seja por estarem aprendendo. Essa rigidez se aplica a outras
pessoas mas também ao próprio sujeito (Young et al., 2008).
3. Os principais objetivos da Terapia do Esquema e algumas técnicas
O principal objetivo de Jeffrey Young com a proposta da Terapia de
Esquemas foi amplificar os resultados obtidos com a Terapia
Cognitivo-Comportamental tradicional. Enquanto a TCC parece ter resultados
com pacientes do Eixo I, a TE parece auxiliar pacientes mais cronificados e
caracterológicos, típicos do Eixo II. A TE busca ajudar os indivíduos a
desenvolver uma visão mais equilibrada e saudável de si mesmos e das suas
relações, tendo uma vida mais leve (Young, 2015).
Em termos de objetivos específicos, um atendimento em TE visa
trabalhar para diminuir a força e latência de esquemas disfuncionais, a fim
de fortalecer padrões mais adaptativos e realistas de enxergar aos outros e ao
mundo, a si mesmos e ao futuro. É discutido com o paciente que não é possível
“apagar a memória” ou excluir experiências vividas, principalmente aquelas que
13
são mais desagradáveis e por vezes traumáticas - por motivos evolutivos, o ser
humano tem maior tendência a armazenar memórias afetivas desagradáveis.
Contudo, é possível diminuir a intensidade de tais memórias, bem como
diminuir a frequência com que estas lembranças são ativadas - é o que se
chama na TE de “cura esquemática”.
A fim de atingir estes objetivos, o terapeuta pode utilizar de técnicas
terapêuticas para promover experiências emocionais que desafiem e
modifiquem a valência de esquemas mais antigos e desadaptativos. Estas
técnicas são conhecidas como “técnicas vivenciais”, sendo categorizadas
principalmente pelo alto nível de envolvimento do paciente e do terapeuta, uma
vez que se propõem a trabalhar desta maneira. As técnicas vivências objetivam
trazer à memória do paciente as situações de maior desconforto, a fim de que a
emoção sentida na lembrança possa ser ativada novamente e, uma vez que
estiver à tona, seja possível ser cuidada e reparentalizada.
A prática de reparentalização, por exemplo, é utilizada para fornecer aos
pacientes experiências emocionais corretivas a partir do estabelecimento pelo
terapeuta de uma atitude simbólica da "figura parental saudável". Isso significa
dizer que o terapeuta assume atitudes de validação, apoio e carinho de modo a
oferecer aos pacientes necessidades emocionais de cuidado que não foram
supridas de forma adequada durante a infância.
Ao entender melhor a sua condição e quais foram os motivos pelos quais
a pessoa chegou a esse funcionamento, os pacientes se sentem mais
empoderados e capazes de tomar decisões informadas sobre sua própria vida.
Nesse momento, a TE utiliza o conceito de “fortalecimento do adulto
saudável”. A psicoeducação visa promover a autonomia do paciente,
encorajando-o a se tornar um agente ativo em seu processo de
desenvolvimento (objetivo a longo prazo da TCC e da Terapia de Esquemas)
(Beck, 2013). A psicoeducação pode ser aplicada para contextos diversos, além
de sessões de psicoterapia individual. Em contextos de educação, ademais em
grupos, a psicoeducação tem se mostrado como aliada importante para atingir
objetivos diferentes. Não existe trabalho com a TE sem antes, por exemplo,
14
realizar psicoeducação sobre os diferentes tipos de esquemas e modos com o
paciente.
A psicoeducação, segundo Judith Beck (2013), é uma técnica de
psicoterapia que combina princípios da terapia cognitivo-comportamental
(TCC) com a educação do paciente sobre suas condições psicológicas. O
objetivo é fornecer informações claras e acessíveis para que os indivíduos
compreendam melhor seus problemas emocionais e comportamentais,
aplicando o conceito à sua própria vida e realidade.
A psicoeducação pode ajudar os pacientes a entenderem a natureza de
seus transtornos, como funcionam os sintomas e quais são os fatores que
contribuem para sua manutenção. Além de fornecer informações, essa técnica
cognitiva ensina habilidades práticas para lidar com emoções e situações
desafiadoras a partir da compreensão do paciente de como uma condição
acontece em sua vida. Os pacientes aprendem a identificar pensamentos
automáticos disfuncionais e a substituí-los por alternativasmais saudáveis
(pensamentos alternativos) (Beck, 2013).
É possível também ensinar habilidades de enfrentamento e estratégias
de resolução de problemas para lidar melhor com os desafios e melhorar o
bem-estar emocional dos pacientes. Esse aspecto é possível pois a TE é uma
terapia derivada da TCC - ou seja, também se propõe a ser educativa. Através do
processo colaborativo, é possível fortalecer estratégias de enfrentamento mais
saudáveis, negociando com os modos de enfrentamento que provocam alívio a
curto prazo, mas trazem prejuízos e perpetuação dos esquemas a longo prazo
(Young, 2015).
Em síntese, a TE utiliza uma variedade de técnicas, incluindo técnicas
típicas da terapia cognitivo-comportamental (tais como questionamento
socrático e role-play), técnicas de imagem e intervenções baseadas na relação
terapêutica. O tratamento busca modificar esquemas disfuncionais, melhorar a
regulação emocional e promover padrões de relacionamento mais saudáveis,
uma vez que as necessidades básicas não atendidas são identificadas e o
15
terapeuta pode se dedicar a fornecer ao paciente aquilo que faltou durante seus
primeiros anos de vida (Young, 2015).
RESUMO
● A Terapia do Esquema (TE), que combina princípios da terapia
cognitivo-comportamental com a análise de esquemas emocionais
formados na infância.
● O conceito de apego, desenvolvido por John Bowlby e Mary Ainsworth,
destaca a importância das primeiras relações infantis com cuidadores na
formação de comportamentos e expectativas em relações futuras. Os
principais estilos de apego são: apego seguro, apego ambivalente/ansioso,
apego evitativo e apego desorganizado.
● Os esquemas são padrões duradouros e generalizados de pensamento
que se desenvolvem durante a infância e a adolescência e que
influenciam como interpretamos e respondemos às experiências ao longo
da vida. Eles são formados a partir das nossas interações iniciais com os
cuidadores e moldam nossa visão de nós mesmos, dos outros e do
mundo (Young et al., 2008).
● Os esquemas são formados a partir de necessidades emocionais que não
foram suficientemente atendidas durante a infância e adolescência. Ao
todo foram identificados 18 esquemas, sendo cada um deles relacionado a
sua respectiva necessidade emocional (ou tarefa evolutiva) e seu domínio
esquemático.
● A psicoeducação, segundo Judith Beck (2013), é uma técnica de
psicoterapia que combina princípios da terapia
cognitivo-comportamental (TCC) com a educação do paciente sobre suas
condições psicológicas. O objetivo é fornecer informações claras e
acessíveis para que os indivíduos compreendam melhor seus problemas
16
emocionais e comportamentais, aplicando o conceito à sua própria vida e
realidade.
MATERIAL COMPLEMENTAR
Sugestões de Vídeos:
● Teoria do Apego: https://www.youtube.com/watch?v=NcTjW6-jyVE
● Você sabe o que é, e qual a origem da Terapia do esquema?:
https://www.youtube.com/watch?v=kZqpbBjpSlI&list=PLn22fzyzzmWi_kdk
DXSSre-t-R-__445L
● Playlist Conheça os 5 domínios esquemáticos:
https://youtube.com/playlist?list=PLn22fzyzzmWh_8Y9KQX8RuCp7iB2t2gZ
U&si=m7nhP5i_nDvUEfvH
Sugestões de Leituras:
● Teoria do Apego:
https://artmed.com.br/artigos/teoria-do-apego-a-influencia-dos-primeiros-
vinculos-no-desenvolvimento-humano
● Conheça os 18 tipos de esquema:
https://isabellawada.com.br/conheca-os-18-esquemas-iniciais-desadaptati
vos-eids/
● Souza, A. J. M., Freire, A. I., de Souza, F. B. M., & De Araujo, E. G. (2020).
Revisitando a hipótese de Bowlby: teoria do apego, maturação
neuroendócrina e predisposição para psicopatologias. Research, Society
and Development, 9(11), e3579119895-e3579119895.
● Bowlby, J. (1988). A secure base: Parent-child attachment and healthy
human development. New York: Basic Books.
REFERÊNCIAS
Ainsworth, M. D. S., & Bowlby J. (1991). Na ethological approach to personality
development. American Psychologist, 46, 331-341.
https://www.youtube.com/watch?v=NcTjW6-jyVE
https://www.youtube.com/watch?v=kZqpbBjpSlI&list=PLn22fzyzzmWi_kdkDXSSre-t-R-__445L
https://www.youtube.com/watch?v=kZqpbBjpSlI&list=PLn22fzyzzmWi_kdkDXSSre-t-R-__445L
https://youtube.com/playlist?list=PLn22fzyzzmWh_8Y9KQX8RuCp7iB2t2gZU&si=m7nhP5i_nDvUEfvH
https://youtube.com/playlist?list=PLn22fzyzzmWh_8Y9KQX8RuCp7iB2t2gZU&si=m7nhP5i_nDvUEfvH
https://artmed.com.br/artigos/teoria-do-apego-a-influencia-dos-primeiros-vinculos-no-desenvolvimento-humano
https://artmed.com.br/artigos/teoria-do-apego-a-influencia-dos-primeiros-vinculos-no-desenvolvimento-humano
https://isabellawada.com.br/conheca-os-18-esquemas-iniciais-desadaptativos-eids/
https://isabellawada.com.br/conheca-os-18-esquemas-iniciais-desadaptativos-eids/
17
Ainsworth, M. D. S. (1968). Object relations, dependency, and attachment: A
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