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kalah, o que pode levar à perda do jogo por colocarem menos sementes no seu kalah.
A distribuição das sementes, já indica um forte apelo à cooperação entre as crianças, pois,
se estas não semearem nas covas do adversário, este não terá sementes e o jogo
terminará. É necessário que o professor intervenha muitas vezes para modificar um pouco
essa atitude da criança. Essa intervenção pode ser feita a partir de questionamentos à
criança sobre seus procedimentos e os resultados obtidos, propondo comparações,
reflexões e conclusões sobre as situações em que semearam nas casas do adversário e as
que evitaram, perguntando o que poderiam fazer para colocar mais sementes em seu
próprio kalah.
Outra dificuldade encontrada pelas crianças neste jogo se relaciona ao fato de que as se-
mentes colocadas por elas no campo do adversário passam a ser movimentadas por este,
contrariando as expectativas desenvolvidas pelas dinâmicas de outros jogos conhecidos.
Compreender que as sementes colocadas no outro lado do tabuleiro devem ser movimen-
tadas pelo adversário implica a superação da idéia de posse. As sementes deixam, na ver-
dade, de pertencer a este ou aquele jogador, uma vez que sua localização indica apenas
quem pode manipulá-las em determinado momento, situação que pode ser invertida no mo-
mento seguinte.
Em relação à questão “Qual a pior casa a ser escolhida para iniciar a distribuição das se-
mentes?”, o professor deve criar situações que levem a criança perceber que a casa ao
lado do seu kalah é a pior, pois iniciando por ela, o jogador oferece uma jogada dupla para
seu adversário. Vejo no desenho abaixo (figura 4).
Figura 4 - Iniciando a partida
Se você prestar atenção, perceberá que a casa indicada pela seta (figura 4) possui, agora,
quatro sementes. Isso possibilita ao Jogador A iniciar por ela e na distribuição das semen-
tes, parar no seu kalah (figura 5), tendo direito a uma nova jogada.
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Figura 5 - Ganhando nova jogada
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Ganhando uma nova jogada
A regra que dá o direito a jogar novamente quando a última semente cai no próprio kalah,
quando é fornecida à criança, faz com que esta se restrinja a tirar proveito desta regra das
condições ocorridas ao acaso, nem sempre tomando consciência desta possibilidade por
meio de antecipações de jogadas. Após algumas jogadas e a intervenção do professor as
crianças vão ficando mais atentas, aproveitando melhor essa regra, procurando estabelecer
uma ordem de escolhas, de forma a repetir a jogada o maior número de vezes. Assim, am-
pliam as possibilidades de antecipação e planejamento, construindo estratégias que envol-
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vem um número crescente de jogadas.
Analisando jogadas
Outras vezes, quando mais de uma casa tem o número suficiente de sementes para a últi-
ma atingir o kalah, não sabem escolher por onde começar. Assim, por exemplo, se a última
casa antes do kalah possui uma semente e a penúltima, duas (figura 6), pode ocorrer de
iniciarem por esta e, depois de garantir mais uma jogada, surpreender-se com as duas se-
mentes existentes na última casa, impedindo que a semeadura termine no próprio kalah.
Figura 6 - Exemplo
de jogada errada
A intervenção....
Neste caso, o professor deverá intervir, questionando o jogador B sobre qual seria a me-
lhor casa a ser escolhida. O jogador deverá perceber que deveria ter iniciado pela casa
que possuía uma única semente, o que lhe daria uma nova jogada. Aí sim deveria escolher
a casa que possuía duas sementes, para novamente ganhar outra jogada.
A regra relacionada à captura das sementes do adversário, para ser aproveitada, exige an-
tecipação de situações e planejamento, pois quando a última semente cai em uma casa va-
zia, do lado do próprio jogador, este pode capturar todas as sementes do outro participante,
no espaço diretamente oposto ao seu, colocando-as no seu kalah. Acompanhe nas figuras
abaixo (figuras 7a, 7b, 7c).
Fig. 7a Fig. 7b
Fig. 7c
Figura 7 - Capturando sementes do adversário
O jogador B, atento à regra da captura das sementes do adversário, retirou as sete se-
mentes que estavam próximas ao seu kalah (casa 5, figura 7a); distribuiu-as e terminou
colocando a última semente na primeira casa do seu próprio lado (indicada pela seta na
figura 7b). Isso lhe deu o direito de capturar as três sementes que estavam na casa à
frente desta e levá-las para seu kalah.
Como as outras regras, a dificuldade inicial é grande. As crianças não conseguem plane-
jar, isto é, escolher o lugar de onde retirar as sementes para a última cair na casa vazia.
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De início só aproveitam as circunstâncias ocorridas ao acaso e só aos poucos começam a
antecipar e a planejar. Acostumados a agir impulsivamente, demoram a sentir a
necessidade de refletir antes de qualquer ação. É justamente nisso que consiste uma das
vantagens desse jogo: provocar a necessidade de pensar para agir, ou melhor, de analisar a
distribuição das sementes no tabuleiro para escolher a melhor possibilidade de ação.
Considerando essas situações, evidencia-se a dificuldade para coordenar as diferentes va-
riáveis do jogo, seja para obter um número maior de jogadas, seja para capturar as semen-
tes do adversário e, assim, acumular pontos no seu kalah. 
Esta dificuldade também é destacada na ocasião da resolução de problemas, a qual enten-
demos como uma situação desafiadora que não apresenta uma solução imediata e única;
uma situação que necessita de conhecimentos diversos - matemáticos ou não - e o estabe-
lecimento, por parte do aluno, de relações entre eles, além de reflexões e investigações,
constituindo-se em um movimento de criação de processos próprios de resolução, podendo
nesse movimento, ampliar seus conhecimentos e criar novos conceitos. Muitas vezes,
numa resolução de problemas, a criança não consegue identificar, interpretar, analisar, rela-
cionar variáveis, coordenar diversas informações e até mesmo tomar uma decisão para a
efetiva solução da situação.
Despreocupadas com o que ocorre do outro lado do tabuleiro e não procurando antecipar o
que pode acontecer, inicialmente as crianças são constantemente surpreendidas pelas es-
tratégias do adversário. Com o tempo, acabam sentindo a necessidade de observar os indí-
cios do jogo e as estratégias dos adversários para poderem melhor planejar as próprias
ações. Uma casa vazia do outro lado do tabuleiro passa a representar perigo e o sujeito re-
tira as sementes da casa que se encontra diretamente oposta àquela ou preenche com suas
sementes as casas vazias do adversário. Assim, acabam concluindo que não é vantagem
deixar as casas do adversário com poucas sementes, o que poderia, também, indicar a pro-
ximidade do término da partida. Assim, se o seu prolongamento for interessante, a criança
pode distribuir as sementes das casas mais à sua direita no tabuleiro, de modo a preencher
as primeiras casas do adversário. Embora antecipando algumas soluções, nem todas as cri-
anças chegam a determinar onde cairiam as últimas sementes ou a planejar o aumento da
quantidade de sementes em uma casa, antes de esvaziá-la. Por exemplo, quando falta uma
semente em uma casa para a última semente cair no kalah, é difícil distribuírem as semen-
tes de uma outra casa situada à esquerda para, na sua próxima vez, realizar a jogada pla-
nejada com o número acrescido de
sementes. Esse planejamento exige grande
flexibilidade de pensamento para considerar
várias possibilidades ao mesmo tempo e
seqüenciar as ações necessárias.
Como todo jogo de estratégia, o Kalah pro-
picia o levantamento e a análise das possi-
bilidades de uma determinada situação e o
planejamento de seqüências de ações. Esse
planejamento é constantemente ampliado,
de acordo com o desenvolvimento das pos-
sibilidades dos participantes tomarem cons-
ciência das jogadas feitas e de seus resulta-
dos, lembrando as situações e estratégias de partidas anteriores para comparar com a situ-
ação e as possibilidades atuais.Lembramos que o planejamento de ações também é impor-
tante na resolução de problemas, pois se a situação não for convenientemente analisada, o
problema pode não ser solucionado.
Figura 8 - Adultos também se
envolvem no jogo Kalah
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