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MD006 - CONSTITUCIONALISMO ATIVIDADE PRÁTICA PRÁTICA 1 CONTEÚDO DA CONSTITUIÇÃO: SUAS PARTES 1. Analise a estrutura completa da Constituição de seu país (Preâmbulo, Artigos, Disposições Finais) e, principalmente, os Títulos temáticos nos quais está dividida. Uma Análise Estrutural e Temática da Constituição Federal de 1988 A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é um marco de renovação democrática e de compromisso com os valores fundamentais de justiça, liberdade e solidariedade. Conhecida como "Constituição Cidadã", reflete o anseio de um país que buscava se reconstruir após anos de regime autoritário. Dividida em Preâmbulo, Corpo Normativo e Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), a Carta é uma das mais detalhadas do mundo, contemplando princípios fundamentais, organização estatal, direitos sociais e instrumentos de proteção à ordem democrática. 1. O Preâmbulo: A Declaração de Intenções O Preâmbulo da Constituição não possui força normativa, mas traduz a essência da Carta. Ele expressa o compromisso do povo brasileiro com a construção de uma sociedade justa, livre e solidária, fundada na harmonia entre valores como a soberania, a cidadania e a dignidade humana. Esse texto inicial funciona como uma bússola interpretativa, orientando a aplicação das normas constitucionais de forma coerente com os ideais democráticos. 2. Título I – Princípios Fundamentais Nos artigos 1º a 4º, a Constituição define os fundamentos do Estado brasileiro. A República Federativa do Brasil é uma democracia fundamentada em pilares como a cidadania, o pluralismo político e a dignidade da pessoa humana. Além disso, estabelece objetivos como a erradicação da pobreza e a promoção do bem-estar, enquanto reafirma sua postura de integração internacional baseada na autodeterminação e na defesa dos direitos humanos. 3. Título II – Direitos e Garantias Fundamentais Este é o núcleo central da Constituição, abrangendo os artigos 5º a 17. Aqui estão consagrados os direitos individuais, coletivos, sociais e políticos, que estruturam a convivência democrática. O artigo 5º é emblemático, assegurando direitos como a liberdade de expressão, a igualdade perante a lei e a inviolabilidade da vida, da liberdade e da propriedade. Complementarmente, são tratados os direitos à saúde, educação e previdência, que integram a concepção de dignidade humana. 4. Título III – Organização do Estado Com os artigos 18 a 43, este Título define a estrutura federativa do Brasil. A União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal possuem autonomia garantida, mas devem atuar em cooperação. Esse modelo federativo é um reflexo da diversidade brasileira, que exige equilíbrio entre a unidade nacional e a valorização das peculiaridades regionais. Há também normas detalhadas sobre repartição de competências e cooperação administrativa entre os entes federativos. 5. Título IV – Organização dos Poderes Nos artigos 44 a 135, a Constituição estabelece a divisão funcional do poder em Legislativo, Executivo e Judiciário, assegurando sua independência e harmonia. O Legislativo, além de legislar, exerce função fiscalizadora; o Executivo implementa políticas públicas; e o Judiciário garante a aplicação das normas constitucionais e a proteção dos direitos. O Título IV ainda introduz o controle de constitucionalidade e regula a atuação do Supremo Tribunal Federal, que desempenha um papel de destaque na preservação da ordem constitucional. 6. Título V – Defesa do Estado e das Instituições Democráticas Nos artigos 136 a 144, a Constituição aborda os mecanismos de proteção ao Estado Democrático de Direito. Normas sobre estado de defesa e estado de sítio visam enfrentar situações excepcionais, sempre respeitando limites constitucionais. Também são detalhadas as competências das Forças Armadas e dos órgãos de segurança pública, que devem atuar sob a égide do respeito aos direitos fundamentais e da manutenção da ordem pública. 7. Título VI – Tributação e Orçamento Do artigo 145 ao 169, a Constituição disciplina o sistema tributário nacional e as normas orçamentárias. Este Título é essencial para garantir a autonomia financeira dos entes federativos e assegurar a justiça fiscal. São apresentados princípios como a capacidade contributiva, além de regras sobre repartição de receitas e limites ao endividamento público, que visam a preservação do equilíbrio financeiro e da responsabilidade na gestão pública. 8. Título VII – Ordem Econômica e Financeira Os artigos 170 a 192 tratam da estrutura econômica brasileira, sustentada na livre iniciativa e no valor social do trabalho. Este Título busca conciliar o desenvolvimento econômico com a justiça social, estabelecendo limites à exploração econômica e garantindo proteção ao meio ambiente. Normas sobre o sistema financeiro, a propriedade privada e a função social da propriedade reforçam o compromisso constitucional com o equilíbrio entre interesses privados e coletivos. 9. Título VIII – Ordem Social Com os artigos 193 a 232, a Constituição reforça seu caráter inclusivo e humanitário ao abordar temas como saúde, educação, cultura, meio ambiente e direitos dos povos indígenas. Este Título reflete uma visão ampliada de direitos fundamentais, incorporando dimensões coletivas e difusas. A saúde é definida como direito de todos e dever do Estado, enquanto a educação é tratada como instrumento de cidadania e transformação social. 10. Título IX – Disposições Gerais Os artigos 233 a 250 encerram o corpo normativo da Constituição com regras diversas, que complementam os temas tratados nos Títulos anteriores. São previsões que asseguram a integração do texto constitucional, contemplando detalhes sobre gestão administrativa e procedimentos normativos específicos. 11. Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) O ADCT foi inserido para assegurar a transição do regime autoritário para a nova ordem democrática. Normas transitórias garantiram a continuidade administrativa e permitiram adaptações graduais em temas como a revisão de tributos e a reestruturação da previdência social. O ADCT foi crucial para dar segurança jurídica ao processo de transformação institucional e política. 12. Direitos Fundamentais: O Centro de Gravidade O destaque da Constituição de 1988 está na ampla proteção aos direitos fundamentais. A Carta não apenas reconhece direitos individuais e políticos, mas também avança ao integrar os direitos sociais, econômicos e culturais, promovendo uma visão interdependente desses direitos. Esse enfoque reflete a opção por um Estado ativo, comprometido com a redução das desigualdades e a dignidade de todos. 13. Interpretação e Atualização A interpretação da Constituição requer um olhar sistemático e atualizado. O Supremo Tribunal Federal desempenha um papel central nesse processo, adaptando os princípios constitucionais às transformações sociais, econômicas e tecnológicas. Casos envolvendo direitos digitais, proteção ambiental e equidade de gênero exemplificam a capacidade de evolução da Carta. 14. Conclusão: Uma Constituição Viva A Constituição de 1988 é mais do que um conjunto de normas; é um símbolo do renascimento democrático brasileiro. Sua abrangência e detalhamento buscam atender à complexidade de uma sociedade plural, ao mesmo tempo em que reafirmam o compromisso com a justiça social e a dignidade humana. É uma Constituição viva, que dialoga com o presente e projeta um futuro mais inclusivo e solidário. 2. Aplicando o que aprendeu nesta seção do programa de estudos, indique se cada um desses Títulos temáticos seria integrado à parte orgânica ou dogmática da sua Constituição. A Constituição Federal de 1988, fruto de um contexto de reconstrução democrática no Brasil, é estruturada para atender tanto à limitação do poder estatal quanto à garantia de direitos fundamentais,princípios centrais do Constitucionalismo. Essa divisão entre parte dogmática e orgânica não é formalmente explicitada no texto, mas está implícita na maneira como seus dispositivos são organizados. A distinção reflete dois aspectos essenciais do Estado Democrático de Direito: a definição de valores e direitos fundamentais e a regulação da estrutura e do funcionamento do Estado. O Preâmbulo da Constituição, embora sem força normativa, estabelece os princípios que guiam todo o texto. Ele dialoga diretamente com a parte dogmática, pois expressa os valores fundantes da República, como a dignidade humana, a justiça social e a busca por uma sociedade livre e solidária. Esses ideais permeiam a interpretação das normas e reafirmam o compromisso com os direitos fundamentais e com os objetivos da Constituição. Os princípios fundamentais, previstos no Título I, também integram a parte dogmática. São dispositivos que definem os fundamentos do Estado brasileiro, como a soberania, a cidadania e o pluralismo político, além de estabelecerem os objetivos da República, como a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais. Esses valores não apenas estruturam o ordenamento jurídico, mas também orientam as políticas públicas, refletindo a essência do Constitucionalismo ao limitar o poder estatal em favor da proteção da dignidade humana. O Título II, que trata dos direitos e garantias fundamentais, é o núcleo mais expressivo da parte dogmática. Ele consagra direitos individuais, coletivos e sociais, como a liberdade de expressão, a igualdade perante a lei e o direito à saúde e à educação. Essa dimensão demonstra como a Constituição de 1988 internaliza o Constitucionalismo contemporâneo, que amplia o conceito de direitos fundamentais para incluir direitos sociais e econômicos como indispensáveis à concretização da dignidade humana. Por outro lado, a parte orgânica da Constituição regula a estrutura e o funcionamento do Estado, com destaque para os Títulos III e IV. No Título III, que aborda a organização do Estado, estão as normas que definem a autonomia dos entes federativos e a repartição de competências. Esse modelo federativo busca equilibrar a unidade nacional com a diversidade regional, promovendo cooperação entre União, Estados, Municípios e o Distrito Federal. Já no Título IV, dedicado à organização dos Poderes, a separação entre Legislativo, Executivo e Judiciário é detalhada, estabelecendo as competências de cada poder e reafirmando o princípio do equilíbrio e da harmonia entre eles, fundamental para evitar abusos de poder. A parte orgânica também se evidencia no Título V, que trata da defesa do Estado e das instituições democráticas. Aqui são regulados instrumentos excepcionais, como o estado de defesa e o estado de sítio, além das competências das Forças Armadas e das forças de segurança pública. Esses dispositivos refletem a preocupação em proteger a ordem democrática sem desrespeitar os direitos fundamentais, evidenciando o compromisso do Constitucionalismo com o equilíbrio entre segurança e liberdade. Embora os Títulos VII e VIII tratem de temas mais amplos, como a ordem econômica e a ordem social, eles dialogam diretamente com a parte dogmática. Princípios como a valorização do trabalho, a função social da propriedade e a proteção ao meio ambiente demonstram o compromisso da Constituição com a promoção do bem-estar coletivo e a justiça social. Esses dispositivos evidenciam a visão de um Estado que equilibra crescimento econômico e inclusão social, características centrais do Constitucionalismo contemporâneo. As disposições gerais e transitórias, embora complementares, são essenciais para a compreensão da transição democrática e do funcionamento das normas constitucionais. Enquanto as disposições gerais estão ligadas à parte orgânica, o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) assume um papel híbrido. Ele garante a continuidade administrativa e assegura a implementação gradual dos valores e direitos previstos na parte dogmática, permitindo a consolidação da nova ordem constitucional. A Constituição de 1988, portanto, apresenta uma divisão funcional que reflete a essência do Constitucionalismo: limitar o poder estatal e proteger os direitos fundamentais. A parte dogmática, ao estabelecer valores e direitos, atua como o coração da Carta, enquanto a parte orgânica organiza o Estado para que esses direitos sejam efetivamente concretizados. Essa estrutura não apenas assegura a estabilidade institucional, mas também projeta um modelo de sociedade inclusiva e democrática, tornando a Constituição de 1988 um marco vivo na história do Brasil. Referencias Bibliograficas: Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: janeiro de 2025. BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 2022. SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 39. ed. São Paulo: Malheiros, 2022. BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo: os conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2020.