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<p>PDF SINTÉTICO</p><p>COMPREENSÃO E</p><p>INTERPRETAÇÃO DE</p><p>TEXTOS</p><p>Livro Eletrônico</p><p>Presidente: Gabriel Granjeiro</p><p>Vice-Presidente: Rodrigo Calado</p><p>Diretor Pedagógico: Erico Teixeira</p><p>Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi</p><p>Gerência de Produção de Conteúdo: Magno Coimbra</p><p>Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes</p><p>Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais</p><p>do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de</p><p>uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às</p><p>penalidades previstas civil e criminalmente.</p><p>CÓDIGO:</p><p>231129303641</p><p>BRUNO PILASTRE</p><p>Doutor em Linguística pela Universidade de Brasília. É autor de obras didáticas</p><p>de Língua Portuguesa (Gramática, Texto, Redação Oficial e Redação Discursiva).</p><p>Pela Editora Gran Cursos, publicou o “Guia Prático de Língua Portuguesa” e o “Guia</p><p>de Redação Discursiva para Concursos”. No Gran Cursos Online, atua na área de</p><p>desenvolvimento de materiais didáticos (educação e popularização de C&T/CNPq:</p><p>http://lattes.cnpq.br/1396654209681297).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>3 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>SUMÁRIO</p><p>Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4</p><p>PDF Sintético de Interpretação e Compreensão de Textos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6</p><p>1. Interpretação e Compreensão de Textos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6</p><p>1.1. Pressupostos e subentendidos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6</p><p>1.2. Vozes Discursivas e Tipos de Discurso | Intertextualidade . . . . . . . . . . . . . . . 7</p><p>1.3. Elementos da Comunicação e Funções da Linguagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7</p><p>1.4. Níveis de Linguagem | Variação Linguística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9</p><p>2. Tipologias e Gêneros Textuais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9</p><p>2.1. Os Gêneros Textuais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13</p><p>3. Coesão e Coerência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14</p><p>4. Semântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15</p><p>4.1. Denotação e Conotação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15</p><p>4.2. Sinonímia e Antonímia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16</p><p>4.3. Polissemia e Ambiguidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16</p><p>5. Figuras e Vícios de Linguagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16</p><p>6. Reescrita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19</p><p>Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22</p><p>Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54</p><p>Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55</p><p>Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99</p><p>Anexo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>4 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>APRESENTAÇÃOAPRESENTAÇÃO</p><p>Escrever um livro é algo desafiador. Porém, escrever para o público concurseiro torna</p><p>a tarefa ainda mais árdua.</p><p>Afinal, há candidatos com diferentes níveis de conhecimento, estudando para seleções</p><p>de áreas variadas.</p><p>No entanto, existe algo em comum entre aqueles que se preparam para um concurso</p><p>público: todos querem a aprovação o mais rápido possível e não têm tempo a perder!</p><p>Foi pensando nisso que esta obra nasceu.</p><p>Você tem em suas mãos um material sintético!</p><p>Isso porque ele não é extenso, para não desperdiçar o seu tempo, que é escasso. De</p><p>igual modo, não foge da batalha, trazendo tudo o que é preciso para fazer uma boa prova</p><p>e garantir a aprovação que tanto busca!</p><p>Também identificará alguns sinais visuais, para facilitar a assimilação do conteúdo. Por</p><p>exemplo, afirmações importantes aparecerão grifadas em azul. Já exceções, restrições ou</p><p>proibições surgirão em vermelho. Há ainda destaques em marca-texto. Além disso, abusei</p><p>de quadros esquemáticos para organizar melhor os conteúdos.</p><p>Tudo foi feito com muita objetividade, por alguém que foi concurseiro durante</p><p>muito tempo.</p><p>Para você me conhecer melhor, comecei a estudar para concursos ainda na adolescência,</p><p>e sempre senti falta de ler um material que fosse direto ao ponto, que me ensinasse de um</p><p>jeito mais fácil, mais didático.</p><p>Enfrentei concursos de nível médio e superior. Fiz desde provas simples, como recenseador</p><p>do IBGE, até as mais desafiadoras, sendo aprovado para defensor público, promotor de</p><p>justiça e juiz de direito.</p><p>Usei toda essa experiência, de 16 anos como concurseiro, e de outros tantos ensinando</p><p>centenas de milhares de alunos de todo o país para entregar um material que possa</p><p>efetivamente te atender.</p><p>A Coleção PDF Sintético era o material que faltava para a sua aprovação!</p><p>Professor Aragonê Fernandes</p><p>APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR</p><p>Professor Bruno Pilastre</p><p>Doutor em Linguística pela Universidade de Brasília. Professor Efetivo do Instituto</p><p>Federal de Goiás. No Gran, é autor de materiais didáticos de Gramática, Texto, Redação</p><p>Oficial e Redação Discursiva.</p><p>Olá! Sou o professor Bruno Pilastre, autor do PDF Sintético de Interpretação e</p><p>Compreensão de Textos. Meu objetivo, ao longo desta aula, é simples: ser sintético,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>5 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>relevante e preciso na abordagem do conteúdo de Texto em concursos públicos. Para atingir</p><p>esse objetivo, utilizarei os meus 15 anos de experiência na elaboração de obras didáticas</p><p>preparatórias para processos seletivos e toda a minha trajetória acadêmica (Graduação,</p><p>Mestrado e Doutorado). Espero atender todas as suas demandas.</p><p>É isso. Feita essa rápida apresentação, podemos iniciar os trabalhos!</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>de quantos municípios já contam com esse</p><p>ensino. “Não existe uma orientação geral com relação a isso. São iniciativas locais. Não tenho</p><p>como quantificar, mas não é algo absolutamente novo”, diz.</p><p>Ensinar a escolher</p><p>A educação financeira é pauta no Brasil antes mesmo da BNCC. Em 2010 foi instituída, por</p><p>exemplo, a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), com o objetivo de promover ações</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>31 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>de educação financeira no Brasil. Na página Vida e Dinheiro, da entidade, estão disponíveis livros</p><p>didáticos que podem ser baixados gratuitamente e outros materiais informativos para jovens</p><p>e para adultos.</p><p>As ações da Enef são coordenadas pela AEF-Brasil. Claudia explica que a AEF-Brasil foi convocada</p><p>pelo Ministério da Educação (MEC) para disponibilizar materiais e cursos para preparar os</p><p>professores e, com isso, viabilizar a implementação da educação financeira nas escolas.</p><p>As avaliações mostram que o Brasil ainda precisa avançar. No Programa Internacional de Avaliação</p><p>de Estudantes (Pisa) 2015, o Brasil ficou em último lugar em um ranking de 15 países em</p><p>competência financeira. O Pisa oferece 4 avaliações em competência financeira de forma optativa</p><p>aos países integrantes do programa. O resultado da última avaliação dessa competência, aplicada</p><p>em 2018, ainda não foi divulgado.</p><p>Os resultados disponíveis mostram que a maioria dos estudantes brasileiros obteve desempenho</p><p>abaixo do adequado e não conseguem, por exemplo, tomar decisões em contextos que são</p><p>relevantes para eles, reconhecer o valor de uma simples despesa ou interpretar documentos</p><p>financeiros cotidianos.</p><p>É CORRETO afirmar que esse texto pertence ao domínio discursivo:</p><p>a) Escolar.</p><p>b) Jornalístico.</p><p>c) Acadêmico.</p><p>d) Publicitário.</p><p>017. 017. (SELECON/ASSISTENTE/CRA-RR/2021)</p><p>Os desafios da conservação da água no Brasil</p><p>Um dos países com maior disponibilidade de recursos hídricos do mundo, o Brasil tem problemas</p><p>com seus indicadores de água. O acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto no</p><p>país é desigual. As áreas urbanas tendem a ter índices melhores, enquanto áreas irregulares e</p><p>afastadas são mais prejudicadas. Além de políticas públicas que assegurem o atendimento, que</p><p>é dificultado pela distribuição desequilibrada da água e da população no território brasileiro,</p><p>outro imbróglio é a conservação do próprio recurso, que enfrenta desafios.</p><p>Falta de saneamento</p><p>Um dos maiores vilões da qualidade da água no Brasil é a oferta de saneamento básico. Pouco</p><p>mais da metade da população brasileira, 52,4%, tinha coleta de esgoto em 2017, e apenas 46%</p><p>do esgoto total é tratado, de acordo com o Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento.</p><p>Dessa forma, um grande volume de esgoto não coletado ou não tratado é despejado em corpos</p><p>d’água, provocando problemas ambientais e de saúde. “Essa falta de infraestrutura de saneamento</p><p>básico tem um impacto brutal na qualidade das águas de todo o país”, diz o especialista Carlos.</p><p>Não só a carência de coleta e de tratamento de esgoto é problemática, mas também a poluição</p><p>causada por indústrias e pela agricultura, como o lançamento de agrotóxicos.</p><p>Desmatamento, em especial no Cerrado</p><p>O desmatamento de matas ciliares, que acontece em todas as bacias hidrográficas do Brasil,</p><p>altera a quantidade e a qualidade dos corpos hídricos. Essa vegetação protege o solo, ajuda na</p><p>infiltração da água da chuva e na alimentação do lençol freático e permite a recarga dos aquíferos.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>32 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Sua retirada aumenta o assoreamento, a perda do solo, a erosão e a taxa de evaporação da água.</p><p>Segundo José Francisco Gonçalves Júnior, professor do Departamento de Ecologia da Universidade</p><p>de Brasília (UnB), todos esses impactos reunidos podem levar a uma indisponibilidade natural</p><p>de recursos hídricos.</p><p>Em outra frente, o desmatamento do Cerrado, considerado a “caixa d’água do Brasil” por causa</p><p>de sua posição estratégica na formação de bacias hidrográficas, vem sendo devastado pela</p><p>expansão da fronteira agrícola. “Qualquer alteração no Cerrado pode levar a uma degradação</p><p>de inúmeras bacias hidrográficas de extrema relevância para obtenção de recursos hídricos</p><p>brasileiros”, afirma Gonçalves.</p><p>Para o professor, o uso do solo do bioma teve um efeito positivo na produtividade agrícola, mas a</p><p>falta de uma regulação mais firme tem levado a uma superexploração, com vários danos. “Perda</p><p>de território, de recarga de aquíferos, uma perda muito grande de nascentes e uma degradação</p><p>e diminuição da disponibilidade de água”, enumera.</p><p>(Disponível em https://www.dw.com/pt-br/os-desafios-daconserva%C3%ATH%C3%A30-da-</p><p>%C3%A1</p><p>A presença de falas de especialistas é uma das características que revela o pertencimento</p><p>do texto ao tipo:</p><p>a) jornalístico</p><p>b) filosófico</p><p>c) literário</p><p>d) jurídico</p><p>018. 018. (CEBRASPE/ANALISTA/PGE-PE/2019)</p><p>Texto CB2A1-I</p><p>1| Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,</p><p>o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso</p><p>ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam</p><p>4| época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção</p><p>das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do</p><p>pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na</p><p>7| Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre</p><p>os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no</p><p>século XIX, tudo isso representa saltos de época, que</p><p>10| desorientaram gerações inteiras.</p><p>Se observarmos bem, essas ondas longas da história,</p><p>como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.</p><p>13| Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura</p><p>pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um</p><p>século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,</p><p>16| lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>33 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada</p><p>pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma</p><p>19| sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários</p><p>dos meios de informação.</p><p>O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade</p><p>22| pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial</p><p>anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,</p><p>pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções</p><p>25| proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de</p><p>comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses</p><p>fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a</p><p>28| mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,</p><p>contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar</p><p>envolvidos em primeira pessoa.</p><p>31| Ninguém poderia ficar impassível diante de uma</p><p>mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais</p><p>difundida é a desorientação.</p><p>34| A nossa desorientação afeta as esferas econômica,</p><p>familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de</p><p>crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque</p><p>37| quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em</p><p>crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de</p><p>projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em</p><p>40| função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.</p><p>Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para entender o nosso tempo. Trad.</p><p>Silvana Cobucci e Federico Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações).</p><p>O texto caracteriza-se como dissertativo-argumentativo, devido, entre outros aspectos, à</p><p>presença de evidências e fatos históricos utilizados para validar a argumentação do autor.</p><p>019. 019. (INÉDITA/2023) A frase abaixo que mostra a presença do discurso indireto livre é:</p><p>a) Sentiu o cheiro bom dos preás que desciam do morro, mas o cheiro vinha fraco e havia</p><p>nele partículas de outros viventes. Parecia que o morro se tinha distanciado muito.</p><p>b) A cachorra Baleia assustou-se. Que faziam aqueles animais soltos de noite? A obrigação</p><p>dela era levantar-se, conduzi-los ao bebedouro.</p><p>c) Pouco a pouco a cólera diminuiu, e sinhá Vitória, embalando as crianças, enjoou-se da</p><p>cadela achacada, gargarejou muxoxos e nomes feios.</p><p>d) Nesse momento Fabiano andava no copiar, batendo castanholas com os dedos. Sinhá</p><p>Vitória encolheu o pescoço e tentou encostar os ombros às orelhas.</p><p>e) Defronte do carro de bois faltou-lhe a perna traseira. E, perdendo muito sangue, andou</p><p>como gente em dois pés, arrastando com dificuldade a parte posterior do corpo.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>34 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>020. 020. (INÉDITA/2023) Alguns narradores, como os de Machado de Assis, interrompem suas</p><p>narrativas para fazer comentários com os leitores; o trecho abaixo em que o narrador</p><p>comenta o processo de composição da narrativa é:</p><p>a) “Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e,</p><p>realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai</p><p>um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contracção</p><p>cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens</p><p>pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo</p><p>regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda,</p><p>andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...”</p><p>b) “Tinha dezessete anos; pungia-me um buçozinho que eu forcejava por trazer a bigode. Os</p><p>olhos, vivos e resolutos, eram a minha feição verdadeiramente máscula. Como ostentasse</p><p>certa arrogância, não se distinguia bem se era uma criança com fumos de homem, se um</p><p>homem com ares de menino.”</p><p>c) “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai,</p><p>logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia</p><p>as raias de um capricho juvenil.”</p><p>d) “A Casa Verde foi o nome dado ao asilo, por alusão à cor das janelas, que pela primeira</p><p>vez apareciam verdes em Itaguaí. Inaugurou-se com imensa pompa; de todas as vilas e</p><p>povoações próximas, e até remotas, e da própria cidade do Rio de Janeiro, correu gente</p><p>para assistir às cerimônias, que duraram sete dias.”</p><p>e) “Nisto, o cônego estremece. O rosto ilumina-se-lhe. A pena, cheia de comoção e respeito,</p><p>completa o substantivo com o adjetivo. Sílvia caminhará agora ao pé de Sílvio, no sermão</p><p>que o cônego vai pregar um dia destes, e irão juntinhos ao prelo, se ele coligir os seus</p><p>escritos, o que não se sabe.”</p><p>021. 021. (INÉDITA/2023) Todos os segmentos textuais abaixo são pertencentes à dinâmica do</p><p>discurso argumentativo; o segmento em que a argumentação constitui uma falácia é:</p><p>a) Restrições que apresentam impactos inegáveis, como afirma o presidente do Sindicato</p><p>Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho, Bob Machado: “com a pandemia, há um aumento</p><p>das desigualdades sociais”.</p><p>b) No fim, e mesmo considerando uma certa margem de erro dadas as diferenças de</p><p>metodologia, o saldo negativo de 191 mil vagas de 2020 ainda foi um resultado bem menos</p><p>catastrófico que o de 2015 (perda de 1,54 milhão de postos de trabalho) e 2016 (saldo</p><p>negativo de 1,32 milhão), quando o Brasil não teve pandemia nem lockdown.</p><p>c) Portanto, atitudes legislativas direcionadas à efetivação e reconhecimento de direitos,</p><p>como férias, 13º salário e FGTS, ainda confrontam a persistência de práticas de raiz</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>35 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>escravocrata. Recentes casos julgados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, como</p><p>o “Trabalhadores da Fazenda Brasil Verde vs. Brasil”, condenaram o Estado pela ausência</p><p>de proteção dos trabalhadores contra práticas de trabalho forçado.</p><p>d) Machado de Assis é o maior escritor brasileiro porque nenhum outro foi capaz de produzir</p><p>uma obra que atingisse a mesma magnitude da criação literária do Bruxo do Cosme Velho.</p><p>e) Em relação ao perfil social das pessoas resgatadas de escravidão contemporânea até</p><p>o momento em 2021, dados do Seguro-Desemprego do trabalhador resgatado mostram</p><p>que 89% são homens; 49% têm entre 18 e 39 anos; e 35% residem no Nordeste. Quanto</p><p>ao grau de instrução, 21% declararam só ter cursado até o 5º ano, 20% haviam estudado</p><p>do 6º ao 9º ano e outros 18% tinham ensino médio completo.</p><p>022. 022. (INÉDITA/2023) Das falácias argumentativas abaixo, aquela que exemplifica uma</p><p>simplificação exagerada é:</p><p>a) “Se se defende a restrição à venda de armas de fogo para se evitar assassinatos, devemos</p><p>também restringir a venda de motosserras. Basta lembrar o caso de Paraipaba, em que um</p><p>homem tentou assassinar com uma motosserra um desafeto”.</p><p>b) “As jornalistas Aline Valek e Clara Averbuck lançaram um blog chamado “Escritório</p><p>Feminista” na Carta Capital. Certamente vão falar mal dos homens, pois é isso o que toda</p><p>feminista faz”.</p><p>c) Os africanos gostavam de ser escravos. Como disse Daenerys Targaryen, de Game of</p><p>Thrones, “As pessoas aprendem a amar as correntes que as prendem”.</p><p>d) Se no Brasil os jovens da geração “nem-nem” passarem a trabalhar e a estudar, erradicaremos</p><p>a fome em nosso país!</p><p>e) “Quem lê jornais deve ser considerado um bom cidadão por seu alto nível de informação”.</p><p>023. 023. (INÉDITA/2023) O segmento abaixo que exemplifica o tipo de texto denominado</p><p>instrucional é:</p><p>a) Os pronomes de tratamento apresentam certas peculiaridades quanto às concordâncias</p><p>verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa</p><p>com quem se fala), levam a concordância para a terceira pessoa.</p><p>b) Há uma correlação bem documentada em todo o mundo entre a pobreza e as altas</p><p>taxas de natalidade. Em países pequenos e grandes, capitalistas e comunistas, católicos e</p><p>muçulmanos, ocidentais e orientais — em quase todos esses casos, o crescimento exponencial</p><p>da população diminui ou cessa quando desaparece a pobreza esmagadora. A isso se dá o</p><p>nome de transição demográfica.</p><p>c) Nos últimos tempos, vem se disseminando a tese da proposição de um suposto gênero</p><p>neutro na língua portuguesa. O tema é complexo, ainda mais quando se ignoram questões</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada,</p><p>por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://diplomatique.org.br/trabalho-escravo-contemporaneo-e-a-pandemia-de-covid-19/</p><p>36 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>caras para a ciência linguística, como a distinção entre gênero social e gênero gramatical,</p><p>a função da escrita enquanto sistema representacional que se relaciona com a fala e, mais</p><p>do que tudo isso, a dinamicidade em se tratando de línguas naturais.</p><p>d) Era uma vez um galo que acordava bem cedo todas as manhãs e dizia para a bicharada</p><p>do galinheiro:</p><p>- Vou cantar para fazer o sol nascer...</p><p>Ato contínuo, subia até o alto do telhado, estufava o peito, olhava para o nascente e</p><p>ordenava, definitivo:</p><p>- Có-có-ri-có-có... E ficava esperando.</p><p>e) Inspeção de segurança antes do uso: (i) a inspeção de segurança deve ser realizada antes</p><p>das atividades a serem exercidas por cada usuário. Para cada novo exercício, os dispositivos</p><p>e acessórios a serem utilizados devem ser conferidos quanto a sua segurança, limpeza</p><p>e adequação; (ii) certifique-se de que todos os componentes do equipamento estejam</p><p>devidamente fixados e posicionados antes de realizar os exercícios.</p><p>Caros membros da Secretaria de Redação e do Conselho Editorial da Folha,</p><p>Nós, jornalistas da Folha aqui subscritos, vimos por meio desta carta expressar nossa preocupação</p><p>com a publicação recorrente de conteúdos racistas nas páginas do jornal. Sabemos ser incomum</p><p>que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da chefia, mas, se o fazemos neste</p><p>momento, é por entender que o tema tenha repercussões importantes para funcionários e</p><p>leitores do jornal e no intuito de contribuir para uma Folha mais plural. O episódio a motivar</p><p>esta carta foi a publicação de artigo de opinião intitulado “Racismo de negros contra brancos</p><p>ganha força com identitarismo” (Ilustrada Ilustríssima, 16/1), em que Antonio Risério identifica</p><p>supostos excessos das lutas identitárias, que estariam levando a racismo reverso.</p><p>[...]</p><p>Reconhecemos o pluralismo que está na base dos princípios editoriais da Folha e a defesa que</p><p>nela se faz da liberdade de expressão. No entanto estes não se dissociam de outros valores</p><p>que o jornalismo deve defender, como a verdade e o respeito à dignidade humana. A Folha não</p><p>costuma publicar conteúdos que relativizam o Holocausto, nem dá voz a apologistas da ditadura,</p><p>terraplanistas e representantes do movimento antivacina.</p><p>Por que, então, a prática seria outra quando o tema é o racismo no Brasil? Se textos como</p><p>o de Antonio Risério atraem audiência no curto prazo, sua consequência seguinte é minar a</p><p>credibilidade, que é, e deve ser, o pilar máximo de um jornal como a Folha. Por esses motivos,</p><p>convidamos a uma reflexão e uma reavaliação sobre a forma como o racismo tem sido abordado</p><p>na Folha. Acreditamos que buscar audiência às expensas da população negra seja incompatível</p><p>com estar a serviço da democracia.</p><p>(Carta aberta de jornalistas da Folha à direção do jornal, 19 de janeiro de 2022)</p><p>024. 024. (INÉDITA/2023) O texto precedente pertence ao gênero carta argumentativa. Levando</p><p>em consideração o texto lido, assinale a característica menos adequada a esse gênero.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>37 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>a) Explicitação do destinatário da carta por meio do vocativo.</p><p>b) Adoção de expressões coloquiais e de linguagem figurada.</p><p>c) Estruturação textual coesa, clara e objetiva.</p><p>d) Apresentação de argumentação que sustenta o ponto de vista de quem subscreve a carta.</p><p>e) Emprego de formas verbais e pronominais em primeira pessoa.</p><p>025. 025. (INÉDITA/2023) O texto a seguir foi retirado de uma Carta do Leitor do jornal Folha de</p><p>S.Paulo, de 17 de fevereiro de 2022.</p><p>Chegar bem aos 100</p><p>Excelente o artigo de Karla Giacomin na coluna Como Chegar Bem aos 100 (“Desconstrução</p><p>de políticas de Estado precisa ser denunciada, Corrida, 17/2). Precisamos denunciar</p><p>essa desconstrução política, especialmente aquelas que contemplam as necessidades da</p><p>população idosa.</p><p>Marília Berzins (São Paulo, SP)</p><p>A marca que NÃO está presente nesse gênero textual é:</p><p>a) a presença da assinatura do emissor;</p><p>b) a utilização de linguagem próxima à do jornal;</p><p>c) o emissor busca posiciona-se em relação a determinada publicação ou acontecimento</p><p>recente;</p><p>d) o emprego de intertextualidade;</p><p>e) uma solicitação de resposta do jornal acerca do questionamento realizado.</p><p>COESÃO E COERÊNCIA</p><p>Você mora em um lugar competitivo? Essa é a pergunta feita pelo Ranking de competitividade</p><p>dos estados, que metrifica, em uma escala de 0 a 100, todos os cantos do Brasil, para classificar</p><p>as 27 unidades federativas com base em dez pilares diferentes: segurança pública, infraestrutura,</p><p>sustentabilidade social, solidez fiscal, educação, sustentabilidade ambiental, eficiência da</p><p>máquina pública, capital humano, potencial de mercado e inovação.</p><p>De acordo com os gráficos mostrados a seguir, dos mais de vinte estados, apenas cinco não</p><p>mudaram de posição ao longo do último ano (2022), com destaque para São Paulo e Santa</p><p>Catarina, que lideram, assim como Rio de Janeiro e Roraima, que subiram bastante.</p><p>[...]</p><p>Ao todo, são quase noventa critérios avaliados dentro dos pilares fundamentais, que incluem</p><p>desde infraestrutura até o capital humano de cada localidade, com pesos diferentes entre si.</p><p>Paulistas lideram o ranking há anos. No ano de 2022, porém, houve piora no quesito segurança</p><p>patrimonial, com aumento no número de furtos e roubos. Estados do Norte e do Nordeste são</p><p>os menos competitivos do país.</p><p>Trata-se de uma ferramenta de avaliação da administração pública, de diagnóstico e auxílio na</p><p>escolha das prioridades e de promoção de boas práticas organizacionais, que, além de ajudar</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>38 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>políticos a priorizarem ações com base em uma inteligência de dados bem robusta — ou seja,</p><p>como um sistema de incentivo para os líderes públicos —, pode ser um bom indicador da gestão</p><p>pública da região. São referências adotadas pelo ranking que apresentam novos parâmetros</p><p>para os estados brasileiros. Internet: (com adaptações).</p><p>Em relação aos aspectos gramaticais do texto precedente, julgue os seguintes itens.</p><p>026. 026. (CEBRASPE/ANALISTA/TJ-ES/2023) A forma pronominal “Essa”, em “Essa é a pergunta”</p><p>(início do primeiro parágrafo), estabelece coesão por substituição.</p><p>027. 027. (CEBRASPE/ANALISTA/TJ-ES/2023) No trecho “apenas cinco não mudaram de posição”</p><p>(segundo parágrafo), foi utilizada a estratégia de coesão por elipse.</p><p>028. 028. (IBFC/ANALISTA/DETRAN-DF/2022)</p><p>Eu deveria cantar.</p><p>Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas. Talvez então pudesse</p><p>acender uma vela, correr até a igreja da Consolação, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma</p><p>Glória ao Pai, tudo que eu lembrava, depois enfiar algum trocado, se tivesse, e nos últimos meses</p><p>nunca, na caixa de metal “Para as Almas do Purgatório”. Agradecer, pedir luz, como nos tempos</p><p>em que tinha fé.</p><p>Bons tempos aqueles, pensei. Acendi um cigarro. E não tomei nenhuma dessas atitudes, dramáticas</p><p>como se</p><p>em algum canto houvesse sempre uma câmera cinematográfica à minha espreita. Ou</p><p>Deus. Sem juiz nem plateia, sem close nem zoom, fiquei ali parado no começo da tarde escaldante</p><p>de fevereiro, olhando o telefone que acabara de desligar. Nem sequer fiz o sinal da cruz ou levantei</p><p>os olhos para o céu. O mínimo, suponho, que um sujeito tem a obrigação de fazer nesses casos,</p><p>mesmo sem nenhuma fé, como se reagisse a uma espécie de reflexo condicionado místico.</p><p>Acontecera um milagre. Um milagre à toa, mas básico para quem, como eu, não tinha pais ricos,</p><p>dinheiro aplicado, imóveis, nem herança e apenas tentava viver sozinho numa cidade infernal</p><p>como aquela que trepidava lá fora, além da janela ainda fechada do apartamento. Nada muito</p><p>sensacional, tipo recuperar de súbito a visão ou erguer-se da cadeira de rodas com o semblante</p><p>beatificado e a leveza de quem pisa sobre as águas. Embora a miopia ficasse cada vez mais aguda</p><p>e os joelhos tremessem com frequência, não sabia se fome crônica ou pura tristeza, meus olhos</p><p>e pernas ainda funcionavam razoavelmente. Outros órgãos, verdade, bem menos.</p><p>Toquei o pescoço. E o cérebro, por exemplo.</p><p>Já chega, disse para mim mesmo, parado nu no meio da penumbra gosmenta do meio-dia. Pense</p><p>nesse milagre, homem. Singelo, quase insignificante na sua simplicidade, o pequeno milagre</p><p>capaz de trazer alguma paz àquela série de solavancos sem rumo nem ritmo que eu, com certa</p><p>complacência e nenhuma originalidade, estava habituado a chamar de minha vida, tinha um</p><p>nome. Chamava-se – um emprego.</p><p>(ABREU, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga? São Paulo: Planeta De Agostini, 2003, p.11-12).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>39 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>O emprego do pronome demonstrativo presente em “dessas atitudes” é justificado pelo</p><p>seguinte papel coesivo:</p><p>a) proximidade espacial em relação ao interlocutor.</p><p>b) referência antecipada a elementos pouco específicos.</p><p>c) proximidade de tempo entre a enunciação e a referência.</p><p>d) referência a elementos já apresentados no texto.</p><p>029. 029. (INÉDITA/2023) Uma marca da textualidade é a coesão, a ligação formal entre termos.</p><p>Assinale a frase abaixo em que os termos destacados não estão ligados por coesão.</p><p>a) A malária é uma doença infecciosa causada por protozoários que são transmitidos pela</p><p>picada das fêmeas.</p><p>b) Em período chuvoso, quando a terra desliza, são carregadas com ela as casas construídas</p><p>nos morros.</p><p>c) Há uma famosa observação do primeiro-ministro Chou En-Lai, muito citada, que</p><p>traduz essa noção singular do que seja o tempo.</p><p>d) A paciência é uma virtude que é baseada no autocontrole emocional.</p><p>e) O que me parece mais relevante é discutir os fatores estruturais, que de certa forma</p><p>impelem nessas conjunturas à tensão inflacionária incidir dessa forma.</p><p>Eu deveria cantar.</p><p>Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas. Talvez então pudesse</p><p>acender uma vela, correr até a igreja da Consolação, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma</p><p>Glória ao Pai, tudo que eu lembrava, depois enfiar algum trocado, se tivesse, e nos últimos meses</p><p>nunca, na caixa de metal “Para as Almas do Purgatório”. Agradecer, pedir luz, como nos tempos</p><p>em que tinha fé.</p><p>Bons tempos aqueles, pensei. Acendi um cigarro. E não tomei nenhuma dessas atitudes, dramáticas</p><p>como se em algum canto houvesse sempre uma câmera cinematográfica à minha espreita. Ou</p><p>Deus. Sem juiz nem plateia, sem close nem zoom, fiquei ali parado no começo da tarde escaldante</p><p>de fevereiro, olhando o telefone que acabara de desligar. Nem sequer fiz o sinal da cruz ou levantei</p><p>os olhos para o céu. O mínimo, suponho, que um sujeito tem a obrigação de fazer nesses casos,</p><p>mesmo sem nenhuma fé, como se reagisse a uma espécie de reflexo condicionado místico.</p><p>Acontecera um milagre. Um milagre à toa, mas básico para quem, como eu, não tinha pais ricos,</p><p>dinheiro aplicado, imóveis, nem herança e apenas tentava viver sozinho numa cidade infernal</p><p>como aquela que trepidava lá fora, além da janela ainda fechada do apartamento. Nada muito</p><p>sensacional, tipo recuperar de súbito a visão ou erguer-se da cadeira de rodas com o semblante</p><p>beatificado e a leveza de quem pisa sobre as águas. Embora a miopia ficasse cada vez mais aguda</p><p>e os joelhos tremessem com frequência, não sabia se fome crônica ou pura tristeza, meus olhos</p><p>e pernas ainda funcionavam razoavelmente. Outros órgãos, verdade, bem menos.</p><p>Toquei o pescoço. E o cérebro, por exemplo.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>40 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Já chega, disse para mim mesmo, parado nu no meio da penumbra gosmenta do meio-dia. Pense</p><p>nesse milagre, homem. Singelo, quase insignificante na sua simplicidade, o pequeno milagre</p><p>capaz de trazer alguma paz àquela série de solavancos sem rumo nem ritmo que eu, com certa</p><p>complacência e nenhuma originalidade, estava habituado a chamar de minha vida, tinha um</p><p>nome. Chamava-se – um emprego.</p><p>(ABREU, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga? São Paulo: Planeta De Agostini, 2003, p.11-12).</p><p>030. 030. (INÉDITA/2023) O pronome “sua” (terceiro período do sexto parágrafo) retoma “homem”</p><p>(segundo período do sexto parágrafo).</p><p>SEMÂNTICA</p><p>031. 031. (CEBRASPE/ANALISTA/TJ-ES/2023)</p><p>Você mora em um lugar competitivo? Essa é a pergunta feita pelo Ranking de competitividade</p><p>dos estados, que metrifica, em uma escala de 0 a 100, todos os cantos do Brasil, para classificar</p><p>as 27 unidades federativas com base em dez pilares diferentes: segurança pública, infraestrutura,</p><p>sustentabilidade social, solidez fiscal, educação, sustentabilidade ambiental, eficiência da</p><p>máquina pública, capital humano, potencial de mercado e inovação.</p><p>De acordo com os gráficos mostrados a seguir, dos mais de vinte estados, apenas cinco não</p><p>mudaram de posição ao longo do último ano (2022), com destaque para São Paulo e Santa</p><p>Catarina, que lideram, assim como Rio de Janeiro e Roraima, que subiram bastante.</p><p>[...]</p><p>Ao todo, são quase noventa critérios avaliados dentro dos pilares fundamentais, que incluem</p><p>desde infraestrutura até o capital humano de cada localidade, com pesos diferentes entre si.</p><p>Paulistas lideram o ranking há anos. No ano de 2022, porém, houve piora no quesito segurança</p><p>patrimonial, com aumento no número de furtos e roubos. Estados do Norte e do Nordeste são</p><p>os menos competitivos do país.</p><p>Trata-se de uma ferramenta de avaliação da administração pública, de diagnóstico e auxílio na</p><p>escolha das prioridades e de promoção de boas práticas organizacionais, que, além de ajudar</p><p>políticos a priorizarem ações com base em uma inteligência de dados bem robusta — ou seja,</p><p>como um sistema de incentivo para os líderes públicos —, pode ser um bom indicador da gestão</p><p>pública da região. São referências adotadas pelo ranking que apresentam novos parâmetros</p><p>para os estados brasileiros. Internet: (com adaptações).</p><p>Em relação aos aspectos gramaticais do texto precedente, julgue o seguinte item.</p><p>No primeiro período do último parágrafo, a palavra “robusta” está empregada com o mesmo</p><p>sentido de arrojada.</p><p>032. 032. (CEBRASPE/ANALISTA/APEX BRASIL/2021)</p><p>Texto CB2A1-I</p><p>A rapidez da difusão do comércio eletrônico tem trazido novas oportunidades para o pequeno</p><p>negócio, o varejo e as micro e pequenas empresas (MPE), que se veem na contingência de mudança</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>about:blank</p><p>41 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>na gestão do comércio, visando um aumento de lucratividade e novas oportunidades, com uma</p><p>fatia maior do comércio eletrônico.</p><p>Com a utilização do sistema B2C, sistema de comércio eletrônico, várias vantagens podem ser</p><p>apresentadas, como a facilidade de estabelecer compras online 24 horas por dia, sete dias da</p><p>semana. Verifica-se, ainda, a otimização dos fatores da atividade empresarial, como quadro</p><p>pessoal, loja física e mobilidade urbana, a diminuição de tempo gasto com as operações e a</p><p>sustentabilidade com a teoria de utilização racional de papéis (em inglês, less paper).</p><p>Este guia é direcionado aos pequenos empresários, aos varejistas e a todo tipo de comerciante</p><p>que vise ampliar suas atividades pelo uso de novas tecnologias. Os produtos englobados por este</p><p>guia resumem-se em mercadorias, software, hardware e serviço. Os consumidores protegidos pela</p><p>norma conceituam-se como membro individual do público geral, que compra ou usa produtos</p><p>para fins pessoais ou finalidades domésticas.</p><p>Todavia, para que esse sistema de transações de comércio eletrônico seja eficaz, o comerciante</p><p>deve planejar, implantar e desenvolver o sistema de comércio eletrônico e mantê-lo atualizado</p><p>e transparente, de modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade desse tipo</p><p>de negociação online.</p><p>Para tanto, a capacidade, a adequação, a conformidade, a pluralidade e a diversidade na rede</p><p>devem gerar um maior suporte ao consumidor, em relação às suas reclamações e dúvidas na</p><p>transação eletrônica.</p><p>Utilize o passo a passo sugerido neste guia e seja bem-sucedido em seu comércio eletrônico!</p><p>ABNT/ SEBRAE. Guia de implementação ABNT NBR ISO 10008: gestão da qualidade –satisfação</p><p>do cliente – diretrizes para transações de comércio eletrônico de negócio a consumidor. Rio de</p><p>Janeiro: 2014, p. 31 (com adaptações).</p><p>No primeiro parágrafo do texto CB2A1-I, o vocábulo “contingência” está empregado com</p><p>o sentido de</p><p>a) obrigação.</p><p>b) circunstância.</p><p>c) iminência.</p><p>d) urgência.</p><p>033. 033. (FGV/AUDITOR/TCE-ES/2023) Todas as frases abaixo mostram verbos ligados à ação</p><p>de “ver”. A frase em que o verbo sublinhado NÃO está adequadamente empregado, por não</p><p>ter seu sentido adequado ao contexto, é:</p><p>a) O atirador mirou com cuidado o alvo pretendido;</p><p>b) O caçador vislumbrou o animal entre a folhagem;</p><p>c) No museu, pessoas observam desatentas os inúmeros quadros;</p><p>d) Ao entrarem na Capela Sistina, os turistas contemplam obrigatoriamente as pinturas</p><p>do teto;</p><p>e) O daltonismo não permitia que ele distinguisse o verde do vermelho.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>42 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>034. 034. (FGV/AUXILIAR/PREF. MUN. PAULÍNIA-SP/2021) Um jornal de Paulínia é chamado de</p><p>vespertino; isso significa que esse jornal</p><p>a) era distribuído somente em alguns bairros.</p><p>b) só era distribuído à tarde.</p><p>c) era publicado somente nos dias úteis.</p><p>d) tratava exclusivamente de eventos festivos.</p><p>e) era marcado por fazer críticas violentas.</p><p>035. 035. (INÉDITA/2023) Assinale a frase a seguir que está isenta de ambiguidade.</p><p>a) A nomeação do Ministro foi surpreendente.</p><p>b) O médico descartou os aparelhos velhos.</p><p>c) Pedro encontrou Maria andando pela orla da praia</p><p>d) A descrição de Saramago foi bem feita.</p><p>e) Os operadores não atendiam ninguém de roupa suja.</p><p>FIGURAS E VÍCIOS DE LINGUAGEM</p><p>036. 036. (FCC/TÉCNICO/TRT-18/2023)</p><p>Imagine uma pessoa afivelada a uma cama com eletrodos colados em suas têmporas. Ao se</p><p>girar um botão situado em local distante, a corrente elétrica nos eletrodos aumenta em grau</p><p>infinitesimal, de modo que o paciente não chegue a sentir. Um hambúrguer gratuito é então</p><p>ofertado a quem girar o botão. Ocorre, porém, que, quando milhares de pessoas fazem isso −</p><p>sem que cada uma saiba das ações das demais −, a descarga elétrica gerada é suficiente para</p><p>eletrocutar a vítima. Quem é responsável pelo quê? Algo tenebroso foi feito, mas de quem é a culpa?</p><p>O efeito isolado de cada giro do botão é, por definição, imperceptível − são todos “torturadores</p><p>inofensivos”. Mas o efeito conjunto é ofensivo ao extremo. Até que ponto a somatória de ínfimas</p><p>partículas de culpa se acumula numa gigantesca dívida moral coletiva? − O experimento mental</p><p>concebido pelo filósofo britânico Derek Parfit dá o que pensar. A mudança climática em curso</p><p>equivale a uma espécie de eletrocussão da biosfera. Quem a deseja? A quem interessa? O ardil da</p><p>desrazão vira do avesso a “mão invisível” da economia clássica. O aquecimento global é fruto da</p><p>alquimia perversa de incontáveis ações humanas, mas não resulta de nenhuma intenção humana.</p><p>E quem assume − ou deveria assumir − a culpa por ele? Os 7 bilhões de habitantes da Terra</p><p>pertencem a três grupos: o primeiro bilhão, no cobiçado topo da escala de consumo, responde</p><p>por 50% das emissões de gases-estufa; os 3 bilhões seguintes por 45%; e os 3 bilhões na base da</p><p>pirâmide (metade sem acesso a eletricidade) por 5%. Por seu modo de vida, situação geográfica</p><p>e vulnerabilidade material, este último grupo − o único inocente − é o mais tragicamente afetado</p><p>pelo “giro de botão” dos demais.</p><p>(GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>43 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Pode ser considerada paradoxal a seguinte expressão empregada no texto:</p><p>a) efeito isolado.</p><p>b) torturadores inofensivos.</p><p>c) ínfimas partículas.</p><p>d) intenção humana.</p><p>e) vulnerabilidade material.</p><p>037. 037. (IDECAN/DESENVOLVEDOR/SEFAZ-RR/2023)</p><p>Postei uma foto no meu perfil do Instagram em que apareço tomando a vacina contra a Covid-19.</p><p>Na legenda, de poucas palavras, deixei claro que era a terceira dose. Recebi muitas curtidas e alguns</p><p>comentários, entre eles o de uma moça que perguntou: “Martha, você já tomou a terceira dose?”</p><p>Dias antes, havia postado sobre o lançamento do meu novo livro no Rio, em fevereiro próximo, e</p><p>disse na legenda: “Não há outras cidades confirmadas. Quando houver, avisarei”. De novo, muitas</p><p>curtidas e alguns comentários, entre eles: “E Goiânia?” “Curitiba quando?”</p><p>Não sou louca de desconsiderar: é carinho, eu sei. Mas é também um sintoma. Houve um tempo</p><p>em que as pessoas liam livros, muitos deles extensos, divididos em dois ou três volumes. Depois</p><p>veio a era tecnológica e com ela a impaciência: leituras rápidas, cultura do aperitivo. E agora nem</p><p>isso: a criatura passa os olhos por duas linhas e não registra nada.</p><p>Ninguém mais quer perder tempo, é o argumento de defesa. Mas não me convenço. A falta de foco,</p><p>sim, é que nos faz perder tempo: somos obrigados a repetir as perguntas, repetir as respostas,</p><p>voltar aos mesmos assuntos duas, três, cinco vezes. Estamos nos comunicando miseravelmente,</p><p>trocando mensagens cifradas por WhatsApp, com preguiça de dar uma informação completa,</p><p>de prestar atenção nos detalhes, de facilitar o entendimento. Agimos como aquelas telefonistas</p><p>estressadas</p><p>que atendiam um cliente enquanto deixavam outros sete pendurados (na saudosa</p><p>época em que não falávamos com robôs).</p><p>Essa pressa toda pra quê mesmo? Dizem que é o tal do “Fear of Missing Out”, ou em bom português,</p><p>“medo de ficar por fora”. Em vez de a pessoa se dedicar uns minutinhos a concluir o que está</p><p>fazendo – uns minutinhos!! – ela some e já está em outra e depois outra e ainda outra interação,</p><p>que serão igualmente capengas. Isso é medo de ficar por fora? A pessoa já está em órbita e não</p><p>percebeu. Fica batendo de porta em porta e não entra em lugar nenhum.</p><p>Adentre, amigo. Puxe uma cadeira e sente. Converse. Pergunte pela família. Olhe nos olhos. Cinco</p><p>minutos de atenção não arrancarão pedaço. Fique o suficiente para demonstrar que se importa</p><p>com seu interlocutor. Cale-se e escute. Nutra esses preciosos cinco minutos, para que eles não</p><p>se dissolvam por inanição.</p><p>Ando bem tonta com a esquizofrenia cibernética, com o parcelamento de informações, com a</p><p>falta de cuidado e de concentração. Ninguém mais se esforça minimamente para estabelecer</p><p>uma conexão verdadeira. Agora virou moda dizer que fulano tá ON, sicrana tá ON. Balela. ON a</p><p>gente estava quando se importava. Agora estão todos OFF, desligados crônicos, vivendo a falsa</p><p>ilusão de uma vida plena. ON está aquele que consegue pausar.</p><p>Martha Medeiros. In: NSC Total. Acesso em:https://www.nsctotal.com.br/colunistas/martha-</p><p>medeiros/quem-esta-on, 14 out., 2022</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>44 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>“Ando bem tonta com a esquizofrenia cibernética, com o parcelamento de informações,</p><p>com a falta de cuidado e de concentração.” (linhas 22 e 23)</p><p>O uso repetido da preposição com é um recurso linguístico chamado de</p><p>a) catáfora.</p><p>b) dêitico.</p><p>c) elipse.</p><p>d) anáfora.</p><p>e) silepse.</p><p>038. 038. (CEBRASPE/INSTITUTO RIO BRANCO/DIPLOMATA) A sentença “Eu era a imagem do que</p><p>não era” expressa um paradoxo ou oximoro.</p><p>039. 039. (INÉDITA/2023)</p><p>André DahmerAndré Dahmer</p><p>A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item.</p><p>O humor da tirinha reside no fato de o personagem “Homem Literal” ser incapaz de interpretar</p><p>figurativamente a expressão “Vá ver se eu estou lá na esquina”.</p><p>040. 040. (INÉDITA/2023) Uma antítese é um tipo de linguagem figurada em que ocorre a presença</p><p>de duas palavras de sentido oposto; a frase abaixo em que NÃO ocorre a presença de uma</p><p>antítese ou de um paradoxo é:</p><p>a) “Onde nasci, morri. Onde morri, existo. E das peles que visto muitas há que não vi.” (Carlos</p><p>Drummond de Andrade);</p><p>b) “Ao olhar para o Universo, o homem é nada. Ao olhar para o Universo, o homem é tudo.”</p><p>(Marcelo Gleiser);</p><p>c) “Em tristes sombras morre a formosura; em contínuas tristezas a alegria.” (Gregório</p><p>de Matos);</p><p>d) “Oh, metade exilada de mim, leva os teus sinais, que a saudade dói como um barco que</p><p>aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais.” (Chico Buarque);</p><p>e) “Qualquer novo conhecimento provoca dissoluções e novas integrações.” (Hugo von</p><p>Hofmannsthal).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>45 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>041. 041. (INÉDITA/2023)</p><p>O papel social da literatura africana</p><p>Em 1987, Wole Soyinka tornou-se o primeiro negro a receber um Nobel de Literatura. Fazia apenas</p><p>27 anos que a Nigéria, seu país natal, se tornara independente. Pensar que um africano poderia</p><p>receber um prêmio de reconhecimento mundial por seu intelecto e sua obra é algo recente em</p><p>nossa história. Faz 34 anos do reconhecimento de Soyinka e 28 anos que uma mulher negra, Toni</p><p>Morrison, recebeu o Nobel de Literatura de 1993.</p><p>A realidade de pessoas não brancas e não Ocidentais receberem reconhecimento no Ocidente</p><p>é tão nova quanto a emergência dos Estados africanos contemporâneos e o fim das leis de</p><p>segregação nos Estados Unidos e África do Sul. Se autores do século XVI, como Shakespeare ou</p><p>Camões, podiam ser naturalmente considerados como parte do cânone da Literatura, os autores</p><p>não europeus, em especial as mulheres do Sul global, estavam fora desse mundo. Mas quem fez</p><p>o mundo do modo que ele é, excludente, segregado e racializado?</p><p>Nossa história foi e em muitos sentidos continua sendo mediada pelo Ocidente e essa mediação</p><p>fez e faz constantes escolhas intelectuais e políticas embasadas em fortes estruturas mentais</p><p>inventadas pelo próprio Ocidente. Duas marcantes ideias dessa estrutura mental para pensarmos</p><p>o papel social da literatura africana são o racismo e o eurocentrismo. São apenas duas delas,</p><p>mas deveras definidoras.</p><p>Seguindo o pensamento ocidental desde sua expansão globalizante no século XVI, damo-nos</p><p>conta de que sua visão de mundo é excludente. Ou seja, os africanos, suas culturas, suas línguas</p><p>e suas literaturas (orais e escritas) não merecem existir. Ao olhar do estrangeiro que possui um</p><p>cocuruto recheado de ideias eurocêntricas do que é errado e do que é certo, ao chegar em África</p><p>esse estrangeiro só enxerga coisas erradas, formas desviantes de todas expressões morais,</p><p>éticas, sociais e culturais de seu berço europeu. O mesmo ocorreu com os povos originários da</p><p>América, da Oceania e da Ásia.</p><p>Não falam como falam na Europa, não conhecem e não acreditam no mesmo deus, não vivem</p><p>como se vive na Europa. O continente que colonizou a maior parte do mundo tratou de classificar</p><p>o mundo por meio do que considerava ausências. Se não há o que existe na Europa, então não</p><p>existe nada. É então esse povo classificado pelo outro, considerado inferior e sem valor.</p><p>Mas em vez de entender o não europeu apenas como diferente e assim deixá-lo, o pensamento</p><p>centrado na Europa se propõe universal. Por isso, ao encontrar esse mundo diferente, o desejo</p><p>de quem se considera correto é de destruir ou alterar aquilo que se considera errado. E assim</p><p>foi que a missão colonizadora, carregada de uma visão de mundo estrangeira aos africanos,</p><p>penetrou em suas “terras selvagens”, entre seus “povos incivilizados” para direcioná-los da</p><p>“escuridão para a luz.”</p><p>A noite colonial foi longa e seus efeitos ainda existem. A literatura africana é um testemunho</p><p>disso. Foi nesse mundo que Wole Soyinka nasceu. Ele e outros de sua geração, como Chinua</p><p>Achebe, Ngũgĩ wa Thiong’o, Es’kia Mphahlele, Flora Nwapa, Buchi Emecheta, Ousmane Sembène,</p><p>Ana Paula Tavares, Uanhenga Xitu e Rebeka Njau. Essa geração, em diferentes locais da África,</p><p>viveu a noite colonial, viu os sóis das independências e descobriu a vida no crepúsculo de um</p><p>mundo que ainda existe entre a colônia e a pós-colônia.</p><p>(Le Monde Diplomatique Brasil. 4.10.2022)</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>46 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Utiliza-se a figura de linguagem conhecida como piada da internet conta que no seguinte</p><p>trecho:</p><p>a) [...] o pensamento centrado na Europa se propõe universal. (6º parágrafo)</p><p>b) Em 1987, Wole Soyinka tornou-se o primeiro negro a receber um Nobel de Literatura.</p><p>(1º parágrafo)</p><p>c) Ou seja, os africanos, suas culturas, suas línguas e</p><p>suas literaturas (orais e escritas) não</p><p>merecem existir. (4º parágrafo)</p><p>d) Pensar que um africano poderia receber um prêmio de reconhecimento mundial por seu</p><p>intelecto e sua obra é algo recente em nossa história. (1º parágrafo)</p><p>e) A noite colonial foi longa e seus efeitos ainda existem. (7º parágrafo)</p><p>042. 042. (INÉDITA/2023) A frase que exemplifica um caso de linguagem figurada é:</p><p>a) O dólar é uma moeda estável.</p><p>b) O Brasil está queimando.</p><p>c) A atriz acusa o diretor de assédio.</p><p>d) Os empresários apresentaram um manifesto ao governo.</p><p>e) O Ministro Celso de Mello antecipa aposentadoria e deixará STF em 13 de outubro.</p><p>043. 043. (FGV/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TJ-RO/2021)</p><p>Uma piada da internet conta que “Na minha cidade, havia um sujeito tão magro que,</p><p>para ter certeza de que havia entrado no Banco, ele devia passar duas vezes pela mesma</p><p>porta giratória”.</p><p>Essa piada se apoia em um caso de linguagem figurada denominado:</p><p>a) metáfora, porque mostra uma comparação;</p><p>b) hipérbole, porque contém um exagero;</p><p>c) eufemismo, porque traz a atenuação de uma ideia ruim;</p><p>d) gradação, porque se apoia numa sequência de termos;</p><p>e) ironia, porque afirma algo por meio do seu contrário.</p><p>044. 044. (FCC/DEFENSOR/DPE-RS/2018)</p><p>Tomando resolutamente a sério as narrativas dos “selvagens”, a análise estrutural nos ensina,</p><p>já há alguns anos, que tais narrativas são precisamente muito sérias e que nelas se articula um</p><p>sistema de interrogações que elevam o pensamento mítico ao plano do pensamento propriamente</p><p>dito. Sabendo a partir de agora, graças às Mitológicas, de Claude Lévi-Strauss, que os mitos</p><p>não falam para nada dizerem, eles adquirem a nossos olhos um novo prestígio; e, certamente,</p><p>investi-los assim de tal gravidade não é atribuir-lhes demasiada honra.</p><p>Talvez, entretanto, o interesse muito recente que suscitam os mitos corra o risco de nos levar a</p><p>tomá-los muito “a sério” desta vez e, por assim dizer, a avaliar mal sua dimensão de pensamento.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>47 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Se, em suma, deixássemos na sombra seus aspectos mais acentuados, veríamos difundir-se uma</p><p>espécie de mitomania esquecida de um traço todavia comum a muitos mitos, e não exclusivo</p><p>de sua gravidade: o seu humor.</p><p>Não menos sérios para os que narram (os índios, por exemplo) do que para os que os recolhem</p><p>ou leem, os mitos podem, entretanto, desenvolver uma intensa impressão de cômico; eles</p><p>desempenham às vezes a função explícita de divertir os ouvintes, de desencadear sua hilaridade.</p><p>Se estamos preocupados em preservar integralmente a verdade dos mitos, não devemos</p><p>subestimar o alcance real do riso que eles provocam e considerar que um mito pode ao mesmo</p><p>tempo falar de coisas solenes e fazer rir aqueles que o escutam.</p><p>A vida cotidiana dos “primitivos”, apesar de sua dureza, não se desenvolve sempre sob o signo do</p><p>esforço ou da inquietude; também eles sabem propiciar-se verdadeiros momentos de distensão,</p><p>e seu senso agudo do ridículo os faz várias vezes caçoar de seus próprios temores. Ora, não raro</p><p>essas culturas confiam a seus mitos a tarefa de distrair os homens, desdramatizando, de certa</p><p>forma, sua existência.</p><p>Essas narrativas, ora burlescas, ora libertinas, mas nem por isso desprovidas de alguma poesia, são</p><p>bem conhecidas de todos os membros da tribo, jovens e velhos; mas, quando eles têm vontade</p><p>de rir realmente, pedem a algum velho versado no saber tradicional para contá-las mais uma</p><p>vez. O efeito nunca se desmente: os sorrisos do início passam a cacarejos mal reprimidos, o riso</p><p>explode em francas gargalhadas que acabam transformando-se em uivos de alegria.</p><p>Considerando o contexto, está correto o que se afirma em:</p><p>a) “caçoar” (4º parágrafo) está empregado em sentido metafórico.</p><p>b) “primitivos” (4º parágrafo) e “selvagens” (1º parágrafo) são sinônimos.</p><p>c) “mitos” e “pensamento” (2º parágrafo) são antônimos.</p><p>d) “selvagens” (1º parágrafo) é hiperônimo de “homens”.</p><p>e) “primitivos” (4º parágrafo) está empregado de forma irônica.</p><p>045. 045. (IUDS/OFICIAL/CÂM. DE ESTÂNCIA DE SOCORRO/2022)</p><p>Pode-se dizer, em relação ao texto que:</p><p>a) o termo “doces” gera humor devido a relação de sinonímia.</p><p>b) não há polissemia, pois os termos têm significado único.</p><p>c) “doces tempos” é ambíguo e responsável por desencadear o efeito de humor.</p><p>d) o vocábulo “doces” é polissêmico porque ambas as ocorrências têm sentido denotativo.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>48 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>REESCRITA</p><p>046. 046. (CEBRASPE/PROFESSOR/SEE-PE/2023)</p><p>Com altos índices de evasão escolar, baixo engajamento e conteúdos pouco conectados à realidade</p><p>dos alunos, o ensino médio já era, antes da pandemia de covid-19, a etapa mais desafiadora da</p><p>educação básica. Com o fechamento das escolas e o distanciamento dos estudantes do convívio</p><p>educacional, os últimos anos escolares passaram a trazer ainda mais dificuldades a serem</p><p>enfrentadas — reforçadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet.</p><p>Nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia para a aprendizagem</p><p>dos alunos, mas há alguns estudos que ajudam a entender melhor o cenário. Uma pesquisa</p><p>realizada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de</p><p>Juiz de Fora (UFJF) apontou que houve piora em todas as séries avaliadas. Segundo a pesquisa</p><p>amostral, em matemática, o desempenho alcançado no 3º ano do ensino médio foi de 255,3</p><p>pontos na escala de proficiência, inferior aos 261,7 obtidos pelos estudantes ao final do 9º ano</p><p>do ensino fundamental no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2019. Em língua</p><p>portuguesa, os estudantes do 9º ano apresentaram uma queda de 12 pontos, e os do 3º ano do</p><p>ensino médio, de 11 pontos.</p><p>Após o retorno presencial, estados e municípios ainda têm muito trabalho para identificar os reais</p><p>prejuízos, dimensioná-los e encontrar caminhos e soluções para que professores e estudantes</p><p>possam retomar a aprendizagem.</p><p>Para Suelaine Carneiro, coordenadora de educação na Geledés, organização da sociedade civil</p><p>que se posiciona em defesa de mulheres e homens negros, “há um consenso de que não foi</p><p>possível atender todos os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número</p><p>de participação dos estudantes, somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a</p><p>resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os dados</p><p>também mostram dificuldades no que diz respeito à compreensão e à resolução das tarefas.”</p><p>De acordo com ela, a situação de alunos negros requer ainda mais atenção. “É preciso prestar</p><p>atenção nessa condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de</p><p>realizar um isolamento dentro de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos</p><p>suficientes”, contextualiza Suelaine.</p><p>Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão</p><p>econômica foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio.</p><p>“Temos alunos que estão trabalhando no horário de aula, dizendo que precisam ajudar a família,</p><p>e aos fins de semana assistem às atividades”, relata a professora Lucenir Ferreira, da Escola</p><p>Estadual Mário Davi Andreazza, em Boa Vista (RR). Lucenir conta que muitos</p><p>alunos chegam a falar</p><p>que não conseguem aprender nada e desabafam por sentir que a aprendizagem foi prejudicada,</p><p>principalmente os que estão em processo de preparação para o vestibular.</p><p>Apesar dos desafios, Suelaine acredita que os impactos não são irreversíveis, como outros</p><p>especialistas têm apontado. “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas,</p><p>compromisso público com a educação, de forma a desenvolver diferentes ações”, diz ela.</p><p>Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>49 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Em relação aos aspectos gramaticais do texto precedente, julgue o seguinte item.</p><p>Em “Para Suelaine Carneiro” (início do quarto parágrafo), a palavra “Para” poderia ser</p><p>substituída por Segundo, sem prejuízo dos sentidos e da correção gramatical do texto.</p><p>047. 047. (IADES/AUDITOR/VISA-DF/2023)</p><p>Operação Pronto Emprego</p><p>A Secretaria DF Legal deu início, em agosto de 2020, à Operação Pronto Emprego, com o objetivo</p><p>de combater as invasões de terra e obras irregulares, ainda em fase inicial de construção. A</p><p>operação busca dar resposta às denúncias dessa natureza dentro do prazo de até 72 horas,</p><p>a partir do conhecimento do fato. Dessa forma, procura reduzir os impactos social, político e</p><p>financeiro, inclusive para os infratores.</p><p>São removidas casas e barracos desabitados, cercamentos, bases para construção, muros, caixas</p><p>d’água irregulares, cisternas, poços, entre outras edificações ilegais.</p><p>NEUBERGER, Tereza. Disponível em: <https://jomaldebrasilia.com.br/brasilia/ Acesso em: 30</p><p>jan. 2023, com adaptações.</p><p>Com base nas regras de concordância prescritas pela norma-padrão e nas relações</p><p>morfossintáticas do texto. assinale a alternativa correta.</p><p>a) A redação Foi iniciado pela Secretaria DF Legal, em agosto de 2020, a Operação Pronto</p><p>Emprego poderia substituir o trecho “A Secretaria DF Legal deu início, em agosto de 2020,</p><p>à Operação Pronto Emprego”.</p><p>b) O trecho “ainda em fase inicial de construção” poderia ser substituído pela redação a</p><p>qual ainda se encontra em fase inicial de construção.</p><p>c) A autora deveria empregar o vocábulo bastante no plural, caso desejasse incluí-lo diante</p><p>do substantivo “denúncias”.</p><p>d) A construção “os impactos social, político e financeiro” não poderia ser substituída pela</p><p>redação o impacto social, o político e o financeiro.</p><p>e) A construção “São removidas” poderia ser substituída pela forma Remove-se.</p><p>048. 048. (IADES/ANALISTA DE COMUNICAÇÃO/CAU-MS/2021) Tendo como referência a</p><p>norma-padrão, as questões gramaticais e os sentidos que envolvem o texto, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>a) Em “Todo esse patrimônio é desconhecido do povo brasileiro, que tem referências sobre”</p><p>(linhas de 29 a 31), se houver a substituição de “povo brasileiro” por brasileiros, a nova</p><p>construção será “Todo esse patrimônio é desconhecido dos brasileiros, os quais têm</p><p>referências sobre”.</p><p>b) O verbo sublinhado na construção “tendo parte de suas edificações e de seu traçado</p><p>urbano tombada como patrimônio da União pelo Instituto do Patrimônio Histórico e</p><p>Artístico Nacional (Iphan) há 30 anos.” (linhas de 5 a 8), poderia ser substituído pela forma</p><p>verbal fazem.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>50 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>c) Em “é uma cidade que foi quase destruída com a Guerra do Paraguai” (linhas 4 e 5),</p><p>poder-se-ia substituir a construção em voz passiva por sua correspondente na voz ativa:</p><p>O Paraguai quase destruiu a cidade.</p><p>d) Considerando a colocação pronominal, se, no trecho “Fazendas rurais e sua arquitetura</p><p>tipicamente mineira fundem-se com o” (linhas 16 e 17), caso houvesse o acréscimo de não</p><p>depois da palavra “mineira”, a próclise seria facultativa.</p><p>e) No trecho “localizada às margens do Rio Paraguai” (linha 3), a expressão sublinhada</p><p>poderia ser substituída por a beira do.</p><p>Eu deveria cantar.</p><p>Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas. Talvez então pudesse</p><p>acender uma vela, correr até a igreja da Consolação, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma</p><p>Glória ao Pai, tudo que eu lembrava, depois enfiar algum trocado, se tivesse, e nos últimos meses</p><p>nunca, na caixa de metal “Para as Almas do Purgatório”. Agradecer, pedir luz, como nos tempos</p><p>em que tinha fé.</p><p>Bons tempos aqueles, pensei. Acendi um cigarro. E não tomei nenhuma dessas atitudes, dramáticas</p><p>como se em algum canto houvesse sempre uma câmera cinematográfica à minha espreita. Ou</p><p>Deus. Sem juiz nem plateia, sem close nem zoom, fiquei ali parado no começo da tarde escaldante</p><p>de fevereiro, olhando o telefone que acabara de desligar. Nem sequer fiz o sinal da cruz ou levantei</p><p>os olhos para o céu. O mínimo, suponho, que um sujeito tem a obrigação de fazer nesses casos,</p><p>mesmo sem nenhuma fé, como se reagisse a uma espécie de reflexo condicionado místico.</p><p>Acontecera um milagre. Um milagre à toa, mas básico para quem, como eu, não tinha pais ricos,</p><p>dinheiro aplicado, imóveis, nem herança e apenas tentava viver sozinho numa cidade infernal</p><p>como aquela que trepidava lá fora, além da janela ainda fechada do apartamento. Nada muito</p><p>sensacional, tipo recuperar de súbito a visão ou erguer-se da cadeira de rodas com o semblante</p><p>beatificado e a leveza de quem pisa sobre as águas. Embora a miopia ficasse cada vez mais aguda</p><p>e os joelhos tremessem com frequência, não sabia se fome crônica ou pura tristeza, meus olhos</p><p>e pernas ainda funcionavam razoavelmente. Outros órgãos, verdade, bem menos.</p><p>Toquei o pescoço. E o cérebro, por exemplo.</p><p>Já chega, disse para mim mesmo, parado nu no meio da penumbra gosmenta do meio-dia. Pense</p><p>nesse milagre, homem. Singelo, quase insignificante na sua simplicidade, o pequeno milagre</p><p>capaz de trazer alguma paz àquela série de solavancos sem rumo nem ritmo que eu, com certa</p><p>complacência e nenhuma originalidade, estava habituado a chamar de minha vida, tinha um</p><p>nome. Chamava-se – um emprego.</p><p>(ABREU, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga? São Paulo: Planeta De Agostini, 2003, p.11-12).</p><p>A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os próximos</p><p>itens.</p><p>049. 049. (INÉDITA/2023) A substituição do trecho “tipo recuperar de súbito a visão ou erguer-se</p><p>da cadeira de rodas com o semblante beatificado e a leveza de quem pisa sobre as águas”</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>51 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>(terceiro período do quarto parágrafo) por “como recuperar subitamente a visão ou erguer-</p><p>se da cadeira de rodas com o semblante bem-aventurado e a leveza de quem caminha sobre</p><p>as águas” manteria os sentidos e a coerência do texto.</p><p>050. 050. (INÉDITA/2023) No sexto período do terceiro parágrafo, a substituição de “Nem sequer”</p><p>por Nem ao menos prejudicaria a coerência e a correção gramatical do texto.</p><p>No livro O Visconde Partido ao Meio, de Italo Calvino, o jovem Medardo di Terralba se mete em</p><p>uma batalha pela cristandade, leva um balaço de canhão e sai cortado em duas metades:</p><p>o lado</p><p>esquerdo é benigno, o direito é insidioso. Se fosse possível dividir o padre Júlio Renato Lancellotti</p><p>em dois, a banda boa seria de uma simpatia comovente. O religioso tem fraqueza por doces</p><p>retrôs, como marzipã e marrom-glacé, especialmente o espanhol. Reserva os sábados para</p><p>regar plantas. Vive rodeado por uma coleção de imagens de seus santos preferidos, a maioria</p><p>deles com histórias de vida dificílimas. Gosta de citações. Em momentos graves das conversas,</p><p>encaixa uma da escritora existencialista Simone de Beauvoir: “O opressor não seria tão forte se</p><p>não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.” Em horas mais descontraídas, lembra da</p><p>frase atribuída ao bovino Homer, o pai na animação Os Simpsons: “Se a culpa é minha, eu coloco</p><p>em quem eu quiser.” Orgulha-se de nunca ter tirado férias e só ter ido ao exterior rapidamente</p><p>e a trabalho, em rasantes pela Itália, Colômbia, Nicarágua, Panamá e El Salvador. Parece muito</p><p>feliz com sua opção de não ter carro, roupas de marca, sapatos caros ou títulos imponentes</p><p>demais dentro da Igreja Católica. Transita, embevecido, entre pilhas de livros espalhadas pela</p><p>casa onde mora com três sobrinhos no bairro do Belém, na Zona Leste de São Paulo – só na sala,</p><p>são três, escoradas umas nas outras; no corredor, quatro, que sobem do chão até o teto como</p><p>cobras. Às vezes, fica pensando quem é que cuidará desse acervo quando morrer.</p><p>A metade atroz do padre partido ao meio seria casca-grossa. Ele tem iracúndias sagradas – e</p><p>não raro estoura alguma gritaria fenomenal na sacristia da Paróquia São Miguel Arcanjo, uma</p><p>pequena igreja, bem no limite entre os bairros do Belenzinho e da Mooca, que comanda há 36</p><p>anos. Personalista, tende a narrar os feitos de sua comunidade na primeira pessoa, o que às</p><p>vezes irrita e espana alguns colaboradores. Como, ao longo da vida, já visitou vários círculos</p><p>do Inferno de Dante, é desconfiado e solta frases que parecem delírios persecutórios como</p><p>“o próximo ataque, eu nunca sei de onde virá…”. Exige, sempre, soluções imediatas para o que</p><p>quer e arma circos homéricos quando não consegue – como sabem todos os últimos prefeitos</p><p>de São Paulo. E, por causa desse conjunto, pode provocar decepções nos que esperam virtude</p><p>total dos líderes espirituais, mais ou menos como aquele desapontamento planetário de 2019,</p><p>quando o papa Francisco, num arroubo de irritação extrema, tascou uma palmada nas mãos de</p><p>uma peregrina que o puxou pelo braço.</p><p>Na vida pública, o padre Júlio Lancellotti é há décadas realmente cortado ao meio, em duas fatias</p><p>irreconciliáveis. Por um lado, é beatificado em vida por seu destemido trabalho de assistência aos</p><p>excluídos dos excluídos: os sem-teto, a população carcerária, os menores infratores, as crianças</p><p>órfãs portadoras de HIV, os jovens LGBTQIA+ que são marginalizados. Por outro, é demonizado</p><p>como aproveitador da população carente, um “esquerdopadre” viciado em mídia. Lancellotti</p><p>reage suspendendo os ombros, num misto de indiferença e desânimo, sempre que fala desse</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>52 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>pêndulo frequente sobre sua cabeça. “Na verdade, eu acho é que muita gente me vê como um</p><p>enigma”, diz, ajeitando o longo crucifixo que usa no pescoço.</p><p>Mesmo dentro da Igreja Católica, o padre Júlio ocupa um lugar próprio, sujeito a rapapés e</p><p>pedradas. No Brasil, a instituição é formada por uma tropa de 268 bispos, 48 cardeais na ativa</p><p>e 19 428 padres distribuídos por 12,2 mil paróquias. Para se manter dentro dos preceitos, todos</p><p>precisam andar na linha hierárquica e fechar questão em temas fundamentais de fé e moral,</p><p>o que não é pouco. De resto, a Igreja é um cintilante regime democrático. Qualquer integrante</p><p>do clero tem o direito de ser um conservador, um moderado ou um progressista. Nesse aquário</p><p>colorido, a maioria esmagadora dos sacerdotes com influência que vai além de seus altares</p><p>integra a categoria dos cantores e/ou youtubers ligados à Renovação Carismática, corrente</p><p>de orientação conservadora. Dono de um magnetismo envolvente, o padre Marcelo Rossi é o</p><p>expoente dessa ala.</p><p>Aos 72 anos, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, o</p><p>padre Júlio Lancellotti é também um nome famoso, mas acomoda-se numa gaveta mais solitária.</p><p>Ele é, hoje, o padre mais político do Brasil.</p><p>(Angélica Santa Cruz. O Padre que morde. Revista Piauí, 18 de julho de 2021).</p><p>A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os próximos</p><p>itens.</p><p>051. 051. (INÉDITA/2023) Sem prejuízo da correção gramatical, a expressão “com histórias de</p><p>vida dificílimas” poderia ser substituída por “com histórias de vida dificílima”.</p><p>052. 052. (INÉDITA/2023) Em “Transita, embevecido, entre pilhas de livros espalhadas pela casa</p><p>onde mora com três sobrinhos no bairro do Belém”, o vocábulo “embevecido” poderia ser</p><p>substituído por “envaidecido”, sem prejuízo do sentido original do texto.</p><p>053. 053. (INÉDITA/2023) Estaria gramaticalmente correta a substituição de “há” por “existe”</p><p>em “que comanda há 36 anos” (2º parágrafo).</p><p>054. 054. (INÉDITA/2023) Em “pela casa onde mora com os sobrinhos”, o vocábulo “onde” poderia</p><p>ser substituído pela expressão “em que”, sem prejuízo da correção gramatical e do sentido</p><p>original do texto.</p><p>055. 055. (QUADRIX/PROFESSOR L. PORTUGUESA/SEDF/2018)</p><p>Pronomes</p><p>1 Antes de apresentar o Carlinhos para a turma, Carolina pediu:</p><p>— Me faz um favor?</p><p>— O quê?</p><p>4 — Você não vai ficar chateado?</p><p>— O que é?</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>53 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>— Não fala tão certo.</p><p>7 — Como assim?</p><p>— Você fala certo demais. Fica meio esquisito.</p><p>— Por quê?</p><p>10 — É que a turma repara. Sei lá, parece...</p><p>— Soberba?</p><p>— Olha aí, “soberba”. Se você falar “soberba”, ninguém vai saber o que é. Não fala “soberba”. Nem</p><p>“todavia”. Nem “outrossim”. E cuidado com os pronomes.</p><p>— Os pronomes? Não posso usá‐los corretamente?</p><p>16 — Está vendo? Usar eles. Usar eles!</p><p>O Carlinhos ficou tão chateado que, junto com a turma, não falou nem certo nem errado. Não</p><p>falou nada. Até comentaram:</p><p>— Ó, Carol, teu namorado é mudo?</p><p>Ele ia dizer “Não, é que, falando, sentir‐me‐ia vexado”, mas se conteve a tempo. Depois, quando</p><p>estavam sozinhos, a Carolina agradeceu, com aquela voz que ele gostava.</p><p>24 — Comigo você pode botar os pronomes onde quiser, Carlinhos.</p><p>Aquela voz de cobertura de caramelo.</p><p>Luis Fernando Verissimo. Contos de verão. In: O Estado de S. Paulo, Caderno 2, Cultura, p. D2,</p><p>jan./2000.</p><p>Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto, julgue os itens a seguir.</p><p>No trecho “— Você fala certo demais. Fica meio esquisito.” (linha 8), a inserção de ponto e</p><p>vírgula no lugar de ponto continuativo entre as duas orações, com a devida conversão de</p><p>letra maiúscula em minúscula, manteria a correção gramatical e a coesão textual.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>54 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>GABARITOGABARITO</p><p>INTERPRETAÇÃO</p><p>E COMPREENSÃO DE TEXTOS</p><p>1. b</p><p>2. e</p><p>3. a</p><p>4. c</p><p>5. e</p><p>6. d</p><p>7. C</p><p>8. C</p><p>9. C</p><p>10. E</p><p>TIPOLOGIAS E GÊNEROS TEXTUAIS .</p><p>11. e</p><p>12. e</p><p>13. e</p><p>14. d</p><p>15. d</p><p>16. b</p><p>17. a</p><p>18. C</p><p>19. b</p><p>20. a</p><p>21. d</p><p>22. d</p><p>23. e</p><p>24. b</p><p>25. e</p><p>COESÃO E COERÊNCIA</p><p>26. C</p><p>27. C</p><p>28. d</p><p>29. d</p><p>30. E</p><p>SEMÂNTICA</p><p>31. E</p><p>32. b</p><p>33. c</p><p>34. b</p><p>35. b</p><p>FIGURAS E VÍCIOS DE LINGUAGEM</p><p>36. b</p><p>37. d</p><p>38. C</p><p>39. C</p><p>40. d</p><p>41. e</p><p>42. b</p><p>43. b</p><p>44. e</p><p>45. c</p><p>REESCRITA</p><p>46. C</p><p>47. c</p><p>48. a</p><p>49. C</p><p>50. E</p><p>51. C</p><p>52. E</p><p>53. E</p><p>54. C</p><p>55. C</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>55 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO</p><p>INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DE TEXTOS</p><p>001. 001. (CONSULPLAN/ANALISTA/SEGER/2023) Relacione adequadamente os fatores às suas</p><p>respectivas características.</p><p>1. Aceitabilidade.</p><p>2. Intencionalidade.</p><p>3. Situacionalidade.</p><p>4. Informatividade.</p><p>5. Intertextualidade.</p><p>( ) � Está direcionada ao protagonista do ato comunicativo. Trata-se da disposição e do</p><p>empenho de se construir um discurso coerente, coeso e com grande capacidade de</p><p>satisfazer determinada audiência. Diz respeito às informações e conhecimentos</p><p>prévios que o autor tem para chegar a seu público.</p><p>( ) � É voltada para o contexto no qual a situação comunicativa está inserida. Ela se relaciona</p><p>à adequação ou não do contexto, pois ele pode influenciar no significado do texto que,</p><p>inserido em contextos distintos, pode produzir significados completamente diversos.</p><p>( ) � Consiste na influência e na relação que um texto exerce sobre outro. Esse processo</p><p>ocorre durante a produção de um texto, no qual o autor coloca, na estrutura de sua</p><p>produção, referências explícitas ou implícitas de outra obra.</p><p>( ) � Nesse fator, consideram-se as informações prévias e as informações novas obtidas</p><p>no texto. É preciso que haja equilíbrio entre ambas, pois um texto que possui apenas</p><p>informações prévias não traz novidade ao leitor. Já um texto somente com informações</p><p>novas pode dificultar a compreensão da leitura.</p><p>( ) � Esse fator está focando no leitor. O leitor precisa de algum conhecimento sobre o</p><p>assunto para poder analisar o texto e decidir se concorda com a intenção do autor. É</p><p>através de sua interpretação do texto que ele poderá reconhecer o que está implícito</p><p>ou explícito no texto.</p><p>A sequência está correta em</p><p>a) 1, 3,5, 4, 2.</p><p>b) 2, 3, 5, 4, 1.</p><p>c) 3, 1, 2, 5, 4.</p><p>d) 5, 1, 4, 2, 3.</p><p>e) 5, 2, 3, 4, 1.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>56 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>A sequência correta é esta (cada termo seguido de sua definição): (2) a intencionalidade está</p><p>direcionada ao protagonista do ato comunicativo. Trata-se da disposição e do empenho de se</p><p>construir um discurso coerente, coeso e com grande capacidade de satisfazer determinada</p><p>audiência. Diz respeito às informações e conhecimentos prévios que o autor tem para</p><p>chegar a seu público; (3) a situacionalidade é voltada para o contexto no qual a situação</p><p>comunicativa está inserida. Ela se relaciona à adequação ou não do contexto, pois ele pode</p><p>influenciar no significado do texto que, inserido em contextos distintos, pode produzir</p><p>significados completamente diversos; (5) a intertextualidade consiste na influência e na</p><p>relação que um texto exerce sobre outro. Esse processo ocorre durante a produção de</p><p>um texto, no qual o autor coloca, na estrutura de sua produção, referências explícitas ou</p><p>implícitas de outra obra; (4) no critério informatividade, consideram-se as informações</p><p>prévias e as informações novas obtidas no texto. É preciso que haja equilíbrio entre ambas,</p><p>pois um texto que possui apenas informações prévias não traz novidade ao leitor. Já um</p><p>texto somente com informações novas pode dificultar a compreensão da leitura (1) o</p><p>critério da aceitabilidade está focando no leitor. O leitor precisa de algum conhecimento</p><p>sobre o assunto para poder analisar o texto e decidir se concorda com a intenção do autor.</p><p>É através de sua interpretação do texto que ele poderá reconhecer o que está implícito ou</p><p>explícito no texto.</p><p>Letra b.</p><p>002. 002. (IBFC/ACAI/IBGE/2022)</p><p>ciclo vicioso</p><p>minha namorada sempre sonha que namora</p><p>seu namorado antigo minha ex-namorada</p><p>sempre sonha que me namora e eu, desconfiado,</p><p>tenho feito tudo para não sonhar...</p><p>(Cacaso, Poesia Completa, p.126)</p><p>O sentido do texto constrói-se por meio de sua organização interna. Desse modo, de acordo</p><p>com o poema, o esforço do enunciador por “não sonhar” deve-se ao fato de:</p><p>a) sentir muito ciúme de sua atual namorada.</p><p>b) desejar ocupar o sonho de sua ex-namorada.</p><p>c) não acreditar em sonhos de amores antigos.</p><p>d) querer que sua atual namorada sonhe com ele.</p><p>e) não querer sonhar com sua ex-namorada.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>57 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>O eu-lírico não quer sonhar com sua ex-namorada. Esse receio é depreensível pela cadeia</p><p>de eventos anteriores (quem sonha, sonha com a/o ex). O esforço para não sonhar não</p><p>decorre, então, dos fatos apontados em “a”, “b”, “c” ou “d”.</p><p>Letra e.</p><p>003. 003. (IDECAN/TÉCNICO/SEFAZ-RR/2023)</p><p>Relações de poder e decisão: conflitos entre médicos e administradores hospitalares</p><p>Os hospitais abrigam tensões de natureza grupal e profissional. Seu corpo diretivo e clínico é</p><p>constituído por médicos que usualmente têm dificuldade de aceitar normas disciplinares e</p><p>de ouvir recomendações, principalmente quando elas vêm dos administradores hospitalares.</p><p>Esta pesquisa tem como objetivo analisar como administradores hospitalares da cidade de</p><p>Belo Horizonte percebem as relações de poder entre sua categoria profissional e a dos médicos</p><p>proprietários de hospitais e suas consequências. Os discursos de nove administradores hospitalares,</p><p>com experiência mínima de quatro anos na gerência de hospitais, foram coletados e analisados</p><p>usando a metodologia qualitativa. A pesquisa identificou que o hospital é um local da disciplina</p><p>médica, no qual o médico controla o cotidiano dos demais profissionais, determinando o tipo de</p><p>comportamento esperado. Os empregados entrevistados se ressentem da falta de autonomia</p><p>na gestão e consideram que isso prejudica o andamento dos processos e a qualidade dos</p><p>serviços prestados. Queixam-se, principalmente, da falta de informações e da impossibilidade</p><p>de participarem das decisões estratégicas. Admitem que o relacionamento com os médicos</p><p>proprietários é permeado por conflitos, pois, muitas vezes, estes ignoram as questões colocadas</p><p>pelos administradores e insistem na diferença de classe como forma de fazer prevalecer suas</p><p>opiniões. A principal característica dos conflitos refere-se à percepção de superioridade do</p><p>profissional médico em relação aos demais.</p><p>RAM, Rev. Adm. Mackenzie 11 (6) • Disponível em: https://doi.org/10.1590/</p><p>S1678-69712010000600004</p><p>O tipo de linguagem predominante no Texto é</p><p>a) referencial</p><p>b) conativa</p><p>c) metalinguística</p><p>d) fática</p><p>e) poética</p><p>Predomina no texto a função referencial, pois o foco é o contexto (fatos do mundo). Não se</p><p>trata, portanto,</p><p>eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>6 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>PDF SINTÉTICO DE INTERPRETAÇÃO E PDF SINTÉTICO DE INTERPRETAÇÃO E</p><p>COMPREENSÃO DE TEXTOSCOMPREENSÃO DE TEXTOS</p><p>1 . INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DE TEXTOS1 . INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DE TEXTOS</p><p>Em concursos, há dois níveis principais de análise textual. No primeiro, denominado</p><p>compreensão, exige-se de você, candidato(a), a capacidade de identificar informações</p><p>explícitas no texto, bastando retornar a um determinado trecho para se assegurar de que a</p><p>afirmativa da questão está adequada ou não. No segundo nível de análise, o da interpretação,</p><p>exige-se a depreensão (por meio de uma série de procedimentos analíticos, sintetizados ao</p><p>longo desta aula) de conhecimentos extraídos a partir dos elementos presentes no texto</p><p>(e somente a partir do que o texto nos permite inferir).</p><p>Os conhecimentos exigidos nesse tipo de operação (o da interpretação) são muito</p><p>variados. Os mais fundamentais são estes:</p><p>(i) Um texto pode ser verbal ou não verbal. No caso de texto verbal, há duas</p><p>manifestações: a oralidade e a escrita. Na escrita, duas estruturas predominam:</p><p>a prosa (organizada em períodos e parágrafos) e o poema (organizado em versos e</p><p>estrofes). No texto não verbal, exigem-se conhecimentos sobre valores semânticos de</p><p>linguagem corporal, de cores (e suas combinações), de formas gráficas, de arquétipos</p><p>etc. Ao se unir texto verbal e não verbal, estamos diante de um texto misto (em</p><p>algumas linhas teóricas, texto multimodal).</p><p>(ii) Outro conhecimento exigido diz respeito aos critérios de textualidade (aceitabilidade,</p><p>intencionalidade, informatividade, situacionalidade e intertextualidade). Em provas,</p><p>as bancas avaliam cada um desses elementos de diferentes formas. No entanto,</p><p>ainda que as abordagens sejam diferentes, é possível identificar o tipo de questão</p><p>que prioriza a intencionalidade do autor, a intertextualidade estabelecida etc.</p><p>1 .1 . PRESSUPOSTOS E SUBENTENDIDOS1 .1 . PRESSUPOSTOS E SUBENTENDIDOS</p><p>A distinção (com detalhes) entre pressupostos e subentendidos, fundamentais para</p><p>uma interpretação adequada, é esta:</p><p>Subentendidos Pressupostos</p><p>Definição</p><p>É aquilo que se pensa ou se deduz,</p><p>mas que não foi dito ou escrito.</p><p>É algo (uma marca discursiva) capaz de fazer</p><p>supor a existência de uma informação.</p><p>Manifestação</p><p>Demanda análise (por inferências) do</p><p>contexto de ocorrência.</p><p>Há marcas discursivas, como:</p><p>- Pontuação;</p><p>- Formatação (gráfica);</p><p>- Vocabulário;</p><p>- Recursos morfológicos;</p><p>- Padrões sintáticos.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>7 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>1 .2 . VOZES DISCURSIVAS E TIPOS DE DISCURSO | INTERTEXTUALIDADE1 .2 . VOZES DISCURSIVAS E TIPOS DE DISCURSO | INTERTEXTUALIDADE</p><p>Um texto nunca é “puro”, no sentido de nunca haver um texto que seja isolado no mundo</p><p>discursivo. Explico melhor: todo texto é um intertexto. Quando lemos um artigo de opinião,</p><p>o autor dialoga com diferentes perspectivas, diferentes intelectuais que também debateram</p><p>aquele tema. Nesse debate, o autor também traz para o texto diferentes vozes, as quais</p><p>dão mais força aos argumentos. Em minha aula, por exemplo, utilizo diversos conceitos e</p><p>autores, formando um grande intertexto.</p><p>As principais formas de intertextualidade (ou de integração de diferentes vozes</p><p>discursivas) são a citação (explícita ou implícita), a paródia, a alusão, a paráfrase e a epígrafe.</p><p>Em provas de concurso, predomina a exigência de conhecimentos sobre as formas de</p><p>citação (em especial, pelo uso de aspas) e as de intertextualidade com pensamentos e</p><p>formulações bastante conhecidas, como “penso, logo existo”.</p><p>1 .3 . ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO E FUNÇÕES DA LINGUAGEM1 .3 . ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO E FUNÇÕES DA LINGUAGEM</p><p>O conteúdo sobre os elementos da comunicação e as funções da linguagem é</p><p>avaliado em concursos da seguinte forma (comandos de questões retirados de provas das</p><p>principais bancas):</p><p>Banca Enunciado da questão sobre Funções da Linguagem</p><p>CEBRASPE</p><p>A função da linguagem predominante nesse diálogo está centrada no próprio canal da</p><p>comunicação, estando os participantes praticando um ritual de contato, sem preocupação</p><p>com o conteúdo da mensagem que veiculam:</p><p>FCC Considerando-se a definição acima, ocorre metalinguagem no seguinte trecho:</p><p>FGV Na passagem acima, a sequência “rs” é uma manifestação da seguinte função da linguagem:</p><p>IDECAN O segmento sublinhado no período acima é exemplo da função da linguagem:</p><p>QUADRIX</p><p>No texto, o ponto de exclamação constitui marca de subjetividade do autor, o que evidencia</p><p>a presença da função emotiva da linguagem.</p><p>Os elementos da comunicação e as funções da linguagem estão sintetizados a seguir:</p><p>Mensagem</p><p>Função Poética</p><p>Código</p><p>Função Metalingística</p><p>Canal</p><p>Função Fática</p><p>Receptor</p><p>Função Apelativa</p><p>Contexto/Referente</p><p>Função Referencial</p><p>Emissor</p><p>Função Expressiva</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>8 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>O esquema acima deve ser lido desta maneira:</p><p>(i) o emissor transmite uma mensagem ao receptor;</p><p>(ii) essa mensagem tem como suporte o canal (o som de nossa voz ou o registro</p><p>escrito, por exemplo) e está codificado em nossa língua portuguesa;</p><p>(iii) essa mensagem está situada em um contexto situacional e faz referência ao</p><p>mundo biossocial do emissor e do receptor.</p><p>A depender da ênfase que se dê a cada um desses elementos, a função da linguagem</p><p>(ou seja, do uso da linguagem) será diferente (daí os termos “função referencial”, “função</p><p>expressiva” etc.).</p><p>Veja a definição e um exemplo de cada função:</p><p>Função Definição Exemplo</p><p>Referencial</p><p>(ou denotativa ou</p><p>informativa)</p><p>Centrada no contexto/referente, é</p><p>a mais “neutra” em relação ao modo</p><p>como as informações são transmitidas.</p><p>L inguisticamente, é marcada pela</p><p>impessoalidade. O objetivo é tratar de um</p><p>“outro”, de um terceiro.</p><p>Textos jornalísticos.</p><p>Discursos científicos.</p><p>Relatórios.</p><p>Apelativa</p><p>(ou conativa)</p><p>Centrada no receptor. Busca agir sobre quem</p><p>recebe a mensagem, de modo a modificar</p><p>algum comportamento (fazer, deixar de fazer;</p><p>convencer). Linguisticamente, é marcada pela</p><p>forma imperativa e por recursos expressivos</p><p>como exclamações (e entonações).</p><p>Anúncios publicitários.</p><p>Manuais.</p><p>Expressiva</p><p>(ou emotiva)</p><p>Centrada no emissor. É subjetiva e expressas</p><p>estados interiores (emoções ou sentimentos,</p><p>por exemplo). Linguisticamente, é marcada</p><p>pelo uso de primeira pessoa e por adjetivação.</p><p>Relato pessoal.</p><p>Poética</p><p>Centrada na mensagem. Explora recursos</p><p>linguísticos com fins expressivos e estéticos,</p><p>trabalhando sobre a forma.</p><p>Tipicamente, os textos poéticos</p><p>exploram recursos linguísticos</p><p>com fins expressivos. No entanto,</p><p>nos textos poéticos, também</p><p>podem predominar outras</p><p>funções, como a metalinguística,</p><p>a expressiva ou a apelativa.</p><p>Fática</p><p>Centrada no canal. É um recurso para manter</p><p>a comunicação ativa, sendo evidente quando</p><p>se busca consolidar o contato.</p><p>Certificar-se (“está me ouvindo?”;</p><p>“Alô!?”).</p><p>Metalinguística</p><p>Centrada no código (em nosso caso, na língua</p><p>portuguesa).</p><p>Uma aula de morfologia,</p><p>de função conativa (centrada no destinatário), metalinguística (centrada</p><p>no próprio código), fática (centrada no canal/contato) ou poética (centrada na mensagem).</p><p>Letra a.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>58 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>004. 004. (IADES/AUDITOR/SEPLAD-DF/2023)</p><p>As modificações viárias foram propostas para reduzir os engarrafamentos nas cidades,</p><p>especialmente nos eixos de circulação, apresentando soluções de transportes de massa,</p><p>confortáveis, seguros e incentivo aos deslocamentos ativos (ciclismo e caminhada) como alternativa</p><p>ao modal automotivo. Para isso, foi estabelecida uma rede de transporte público estruturante,</p><p>consolidando as principais rotas do Distrito Federal, com a implementação de corredores</p><p>segregados de ônibus (BRTs), ampliação da linha do metrô, expansão da malha cicloviária,</p><p>construção/melhoria das calçadas e construção de um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), ligando</p><p>aeroporto de Brasília, W3 sul e norte e Eixo Monumental, conectado com os setores Sudoeste/</p><p>Octogonal e com o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).</p><p>Disponível em: <https://www.codeplan.df.gov.br/wp content/uploads /2018/02/>. Acesso</p><p>em: 7 fev. 2023, com adaptações.</p><p>De acordo com o texto, uma rede de transporte público estruturante foi estabelecida para</p><p>a) atender às rotas mais relevantes do Distrito Federal e expandir as ciclovias e calçadas.</p><p>b) implementar corredores segregados de ônibus, ampliar a linha de metrô e aumentar o</p><p>número de calçadas para pedestres.</p><p>c) reduzir os engarrafamentos nas cidades com alternativas ao uso de carros particulares,</p><p>melhores condições dos transportes coletivos e estímulo aos deslocamentos ativos.</p><p>d) diminuir as distâncias entre o aeroporto de Brasília e as cidades administrativas.</p><p>e) construir BRTs e VLTs confortáveis para os moradores de Brasília.</p><p>A finalidade do estabelecimento de uma rede de transporte público estruturante é apresentada</p><p>no primeiro parágrafo. Na alternativa (C), apresenta-se a finalidade adequada (nesse sentido,</p><p>considero que seja possível estabelecer uma sinonímia entre “modal automotiva” e “carros</p><p>particulares”). Nas demais alternativas, há algum tipo de incorreção (principalmente a</p><p>extrapolação), pois no texto: (A) não se fala em “rotas mais relevantes”; (B) essa não é a</p><p>finalidade; (D) essa não é a finalidade; (E) não se fala em “BRTs e VLTs confortáveis”.</p><p>Letra c.</p><p>005. 005. (INSTITUTO AOCP/TÉCNICO/TRT 1ª REGIÃO/2018) Assinale a alternativa que apresenta</p><p>um uso coloquial da linguagem.</p><p>a) “[...] os idosos já não querem ser sábios, preferem estar robustos e musculosos [...]”.</p><p>b) “[...] um egoísmo raivosamente autorreferencial que, pelo caminho, veio alterar o famoso</p><p>equilíbrio latino de mens sana in corpore sano [...]”.</p><p>c) “[...] os idosos eram sábios, esse era seu valor, mas agora vemos sua claudicação [...]”.</p><p>d) “Seria saudável não perder de vista que o objetivo principal dessas sessões pagas não é</p><p>tanto salvar a si mesmo, mas manter estável a economia do espírito [...]”.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>59 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>e) “[...] o mindfulness era patrimônio dos monges, a ioga era praticada por quatro gatos</p><p>pingados e o espírito era cultivado lendo livros em gratificante solidão.”.</p><p>O uso coloquial é marcado por diversos fatores, como vocabulário (expressões), padrões</p><p>morfológicos e sintáticos. No caso das alternativas em análise, o uso da expressão gatos</p><p>pingados (significando “poucos indivíduos) é o marcador de coloquialidade.</p><p>Letra e.</p><p>006. 006. (FGV/PROFESSOR/SME-SP/2023)</p><p>Leia o fragmento a seguir.</p><p>Foi no Instituto de Letras da UFF, há alguns anos. Convidado, fez lá conferência um ex-Ministro de</p><p>Angola. O assunto já não me lembra... Em todo caso, o tema é de somenos. Terminada a fala, com</p><p>as palmas rituais, pôs-se o orador às ordens, para perguntas. À questão das línguas respondeu</p><p>que, desgraçadamente, a oficial era a do colonizador, acreditando ele que essa anômala situação</p><p>ainda duraria um século.</p><p>Assinale a opção que apresenta o tipo de preconceito linguístico a que esse fragmento</p><p>textual se refere.</p><p>a) O preconceito socioeconômico, ligado ao fato de membros das classes mais pobres,</p><p>pelo acesso limitado à educação e à cultura, geralmente, dominarem apenas as variedades</p><p>linguísticas mais informais e de menor prestígio.</p><p>b) O preconceito regional, ligado a um tipo de aversão ao sotaque ou aos regionalismos</p><p>típicos de áreas mais pobres.</p><p>c) O preconceito cultural, preso à aversão pela cultura de massa e às variedades linguísticas</p><p>por ela usadas.</p><p>d) O preconceito político, referente à imposição de uma língua a falantes de outras línguas.</p><p>e) O preconceito racial, ligado às manifestações culturais de outras raças, inclusive a língua,</p><p>considerando-as atrasadas.</p><p>O texto faz referência ao preconceito linguístico do tipo político. Na fala do ex-Ministro da</p><p>Angola (país lusófono, de colonização portuguesa), observamos a sobreposição da Língua</p><p>Portuguesa (língua do colonizador) sobre a língua do colonizado (como o quimbundo e o</p><p>umbundo). Não se trata, então, de preconceito socioeconômico, regional, cultural ou racial,</p><p>ainda que esses aspectos estejam indiretamente relacionados ao preconceito político.</p><p>Letra d.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>60 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Chamam‐se fonemas os sons elementares e distintivos que o ser humano produz quando, pela</p><p>voz, exprime seus pensamentos e emoções.</p><p>Desde logo, uma distinção se impõe: não se há de confundir fonema com letra. Fonema é uma</p><p>realidade acústica, realidade que nosso ouvido registra; enquanto letra é o sinal empregado para</p><p>representar na escrita o sistema sonoro de uma língua.</p><p>Na atividade linguística, o importante para os falantes é o fonema, e não a série de movimentos</p><p>articulatórios que o determina. Assim sendo, enquanto a análise fonética se preocupa tão somente</p><p>com a articulação, a fonêmica atenta apenas para o fonema que, reunindo um feixe de traços</p><p>que o distingue de outro fonema, permite a comunicação linguística.</p><p>Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa. 37.a ed. rev. E ampl. Rio de Janeiro: Lucerna,</p><p>2002, p. 57 (com adaptações).</p><p>007. 007. (QUADRIX/PROFESSOR L. PORTUGUESA/SEDF/2018) Comparando‐se a forma padrão</p><p>“registrar” com a grafia não padrão “registrá”, verifica‐se que não há alteração da posição</p><p>da sílaba tônica da palavra, que permanece oxítona, estando a acentuação gráfica de</p><p>“registrá” de acordo com o que prescreve a regra.</p><p>Toda a afirmativa está correta. Note a forma flexionada com pronome enclítico “registrá-</p><p>la”, a qual é acentuada por ser uma oxítona (o que demonstra ser verdadeira a análise</p><p>proposta pelo item).</p><p>Certo.</p><p>008. 008. (QUADRIX/PROFESSOR L. PORTUGUESA/SEDF/2018) Predomina no texto a função</p><p>metalinguística, visto que o foco da mensagem é o próprio código linguístico.</p><p>Quando uma linguagem fala sobre si mesma, temos metalinguagem. É exatamente isso o</p><p>que observamos no texto: o</p><p>autor fala sobre a língua utilizando a língua (escrita). Outros</p><p>exemplos de metalinguagem: uma tirinha que fala sobre o ato de fazer tirinhas; uma pintura</p><p>que fale sobre o ato de fazer uma pintura; um filme que fale sobre o ato de fazer um filme;</p><p>uma fotografia que fale sobre o ato de fotografar.</p><p>Certo.</p><p>Texto CB1A1</p><p>Cresce, no mundo todo, o número de pessoas que demandam serviços de cuidado. De acordo</p><p>com o último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), esse universo deverá</p><p>ser de 2,3 bilhões de pessoas em 2030 — há cinco anos, eram 2,1 bilhões. O envelhecimento</p><p>da população e as novas configurações familiares, com mulheres mais presentes no mercado</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>61 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>de trabalho e menos disponíveis para assumir encargos com parentes sem autonomia, têm</p><p>levado os países a repensar seus sistemas de atenção a populações vulneráveis. Partindo desse</p><p>panorama, as sociólogas Nadya Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP), e Helena Hirata,</p><p>do Centro de Pesquisas Sociológicas e Políticas de Paris, na França, identificaram, em estudo,</p><p>o surgimento, nos últimos vinte anos, de arranjos que visam amparar indivíduos com distintos</p><p>níveis de dependência, como crianças, idosos e pessoas com deficiência. Enquanto, em algumas</p><p>nações, o papel do Estado é preponderante, em outras, a atuação de instituições privadas se</p><p>sobressai. Na América Latina, o protagonismo das famílias representa o aspecto mais marcante.</p><p>Conforme definição da OIT, o trabalho de cuidado, que pode ou não ser remunerado, envolve dois</p><p>tipos de atividades: as diretas, como alimentar um bebê ou cuidar de um doente, e as indiretas,</p><p>como cozinhar ou limpar. “É um trabalho que tem uma forte dimensão emocional, se desenvolve</p><p>na intimidade e, com frequência, envolve a manipulação do corpo do outro”, diz Guimarães. Ela</p><p>relata que o conceito de cuidado surgiu como categoria relevante para as ciências sociais há cerca</p><p>de trinta anos e, desde então, tem sido crescente a sua presença em linhas de investigação em</p><p>áreas como economia, antropologia, psicologia e filosofia política. “Com isso, a discussão sobre</p><p>essa concepção ganhou corpo. Os estudos iniciais do cuidado limitavam-se à ideia de que ele</p><p>era uma necessidade nas situações de dependência, mas tal entendimento se ampliou. Hoje,</p><p>ele é visto como um trabalho fundamental para assegurar o bem-estar de todos, na medida em</p><p>que qualquer pessoa pode se fragilizar e se tornar dependente em algum momento da vida”,</p><p>explica a socióloga. Os avanços da pesquisa levaram à constatação de que a oferta de cuidados é</p><p>distribuída de forma desigual na sociedade, recaindo, de forma mais intensa, sobre as mulheres.</p><p>Ao refletir sobre esse desequilíbrio, a socióloga Heidi Gottfried, da Universidade Estadual Wayne,</p><p>nos Estados Unidos da América, explica que persiste, nas sociedades, a noção arraigada de que</p><p>o trabalho de cuidado seria uma manifestação de amor e, por essa razão, deveria ser prestado</p><p>gratuitamente. Conforme Gottfried, a ideia decorre, entre outros aspectos, de construção</p><p>cultural a respeito da maternidade e de que cuidar seria um talento feminino.</p><p>Por outro lado, Guimarães lembra que, a partir de 1970, as mulheres aumentaram sua participação</p><p>no mercado de trabalho brasileiro. Em cinco décadas, a presença feminina saltou de 18% para</p><p>50%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “Consideradas provedoras</p><p>naturais dos serviços de cuidado, as mulheres passaram a trabalhar mais intensamente fora de</p><p>casa. Esse fato, aliado ao envelhecimento da população, gerou o que tem sido analisado como</p><p>uma crise no provimento de cuidados que, em países do hemisfério norte, tem se resolvido com</p><p>uma mercantilização desses serviços, além de uma maior atuação do Estado, por meio da criação</p><p>de instituições públicas de acolhimento, expansão de políticas de financiamento, formação e</p><p>regulação do trabalho de cuidadores”, conta a socióloga.</p><p>Na América Latina, entretanto, o fornecimento de cuidados é tradicionalmente feito pelas</p><p>famílias, nas quais mulheres desempenham gratuitamente papel central como cuidadoras de</p><p>crianças, idosos e pessoas com deficiência. Para a minoria que pode pagar, o mercado oferece</p><p>serviços de cuidado</p><p>que compensam a escassa presença do Estado.</p><p>Christina Queiroz. Revista Pesquisa FAPESP. Ed. 299, jan./ 2021. Internet: <https://revistapesquisa.</p><p>fapesp.br/economia-do-cuidado> (com adaptações).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>62 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Em relação a aspectos estruturais do texto CB1A1 e às informações por ele veiculadas,</p><p>julgue os itens subsequentes.</p><p>009. 009. (CEBRASPE/TÉCNICO/INSS/2022) Os serviços de cuidados fornecidos na América Latina</p><p>diferenciam-se dos providos em países do hemisfério norte.</p><p>Ao longo do texto, observamos fatos que denotam a distinção entre os serviços de cuidados</p><p>fornecidos por outros países (em especial, do hemisfério norte) e por países da América Latina.</p><p>Certo.</p><p>010. 010. (CEBRASPE/TÉCNICO/INSS/2022) A profissionalização do trabalho de cuidados nos</p><p>últimos anos remodelou a essência do conceito de cuidado.</p><p>O que remodelou a essência do conceito de cuidado está descrito no terceiro período do</p><p>primeiro parágrafo. Nele, não se encontra a profissionalização de cuidados como fator</p><p>gerador de mudança na essência do conceito de cuidado.</p><p>Errado.</p><p>TIPOLOGIAS E GÊNEROS TEXTUAIS .</p><p>011. 011. (FGV/ANALISTA/AL-RO/2018) A afirmativa abaixo que é inadequada em relação às</p><p>narrativas é:</p><p>a) toda narrativa implica mudanças de situações ou estados.</p><p>b) as narrativas implicam uma causalidade na intriga.</p><p>c) todas as narrativas mostram personagens humanos ou humanizados.</p><p>d) uma narrativa mostra sempre uma integração de ações.</p><p>e) os relatos narrativos implicam sempre um narrador personagem.</p><p>Em narrativas, NÃO há obrigatoriedade de o narrador ser personagem. Como sabemos, há</p><p>o narrador em terceira pessoa (observador ou onisciente).</p><p>Letra e.</p><p>012. 012. (CEBRASPE/ASSISTENTE/SEFAZ-RS/2019)</p><p>Texto 1A2-II</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>about:blank</p><p>63 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Neide nunca tinha pensado naquilo até que, mexendo um cremezinho de laranja na cozinha, a</p><p>nutricionista do programa das dez da manhã falou:</p><p>— Ninguém é obrigado a parecer velho.</p><p>Tirando a canseira provocada por aquele horror de exames que o médico tinha pedido, Neide</p><p>considerou que, aos sessenta e quatro anos, até que não parecia velha. Mexeu o creme com mais</p><p>vigor. A dermatologista deu aparte:</p><p>— Alguns estudos afirmam que a velhice começa aos trinta e seis anos de idade.</p><p>Aos trinta e seis anos, ela já era casada havia doze anos com João Carlos, já era mãe dos gêmeos,</p><p>já sustentava a casa e tinha até contratado um auxiliar só para atender as freguesas que batiam</p><p>palmas no portão. Aos trinta e seis anos, João Carlos já havia sido despedido da firma e já indicava</p><p>que ia se tornar um deprimido</p><p>de marca e um desempregado crônico. O fogão de seis bocas e a</p><p>campainha com barulho de sino vieram depois, e seus préstimos de doceira eram anunciados em</p><p>uma tabuleta de madeira. A apresentadora, que já nem era tão mocinha, considerou que tudo</p><p>dependia do estado de espírito da pessoa e das escolhas feitas durante a vida:</p><p>— Às vezes, é preciso dizer não.</p><p>Neide pensou que falar era fácil e que mais a vida mandava do que ela escolhia. Na tevê, a palavra</p><p>era do geriatra, um homem robusto, de tez bronzeada e cabelos fartos e grisalhos.</p><p>— As pessoas podem continuar sexualmente ativas até a morte. Literalmente, o amor não</p><p>tem idade.</p><p>Neide sentiu uma tontura, e, de repente, a colher de pau caiu ao chão com barulho. Foi bem na</p><p>hora em que João Carlos entrou na cozinha: estava com sede. Varreu com os olhos a figura diante</p><p>de si: o pijama azul de listras estava tão acabado que nem dava para pano de chão, e a barriga</p><p>do marido esgarçava as casas dos dois últimos botões. A tontura deu uma pequena trégua, o</p><p>suficiente para que ela se desgostasse à visão do descaimento.</p><p>Cíntia Moscovich. Aos sessenta e quatro. In: Essa coisa brilhante que é a chuva. Rio de Janeiro:</p><p>Record, 2012 (com adaptações).</p><p>Assinale a opção que reproduz trecho do texto 1A2-II em que predomina a tipologia descrição.</p><p>a) “Ninguém é obrigado a parecer velho” (l. 4)</p><p>b) “Neide considerou que, aos sessenta e quatro anos, até que não parecia velha. Mexeu o</p><p>creme com mais vigor” (l. 6 a 8)</p><p>c) “Alguns estudos afirmam que a velhice começa aos trinta e seis anos de idade” (l. 9 e 10)</p><p>d) “Foi bem na hora em que João Carlos entrou na cozinha: estava com sede” (l. 31 e 32)</p><p>e) “a barriga do marido esgarçava as casas dos dois últimos botões” (l. 35 e 36)</p><p>A descrição é uma “fotografia” por escrito. Nela, o autor busca compor verbalmente imagens,</p><p>as quais são formadas na mente do leitor. Apenas em (E) isso ocorre: é possível imaginar</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>64 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>como a barriga do homem abria/rompia/desfiava as casas dos dois últimos botões (da</p><p>roupa). Nas demais alternativas, temos o predomínio de outros elementos, como a narração.</p><p>Letra e.</p><p>013. 013. (FGV/ANALISTA/MP-RJ/2019) Observe o seguinte texto descritivo a seguir.</p><p>“A casa estava situada em centro de terreno; era bastante grande, com duas salas, quatro quartos,</p><p>dois banheiros e um pequeno quintal. O piso de todos os cômodos era de cerâmica cinzenta e</p><p>cada um deles possuía uma iluminação diferente”.</p><p>Nesse caso, a estratégia discursiva parte:</p><p>a) de longe para perto;</p><p>b) de cima para baixo;</p><p>c) das partes para o todo;</p><p>d) de baixo para cima;</p><p>e) do todo para as partes.</p><p>A estratégia discursiva parte do todo (casa em um terreno), segue para os cômodos e</p><p>finaliza na descrição de elementos do cômodo, como cerâmica e iluminação. Então temos</p><p>a estratégia indicada na alternativa (e): a descrição parte do todo para as partes.</p><p>Nesse tipo de questão, a banca demanda do candidato a capacidade de sintetizar uma</p><p>noção presente em um trecho de texto. Essa síntese, no caso da questão em análise, é do</p><p>tipo essência da estratégia discursiva no âmbito da descrição.</p><p>Letra e.</p><p>014. 014. (FGV/PROFESSOR/SME-SP/2023)</p><p>Como ensinar a ler</p><p>Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás,</p><p>enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e</p><p>árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que</p><p>ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos</p><p>jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.</p><p>Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e</p><p>pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que</p><p>fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse</p><p>o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as</p><p>cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza</p><p>tem de vir antes.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>65 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas.</p><p>Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da</p><p>fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o</p><p>segredo que transforma letras e sílabas em estórias.</p><p>É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um</p><p>mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a</p><p>ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um</p><p>grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os</p><p>perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos</p><p>dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.</p><p>Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos</p><p>seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.</p><p>ALVES, Rubem, Ostra feliz não faz pérola. Ed. Planeta do Brasil Ltda. São Paulo. 2021.</p><p>O texto precedente, considerando-se sua organização discursiva, deve ser incluído entre</p><p>os textos</p><p>a) descritivos.</p><p>b) narrativos.</p><p>c) dissertativos expositivos.</p><p>d) dissertativos argumentativos.</p><p>e) injuntivos.</p><p>Há, no texto, uma clara defesa de um ponto de vista. Nessa defesa, o autor argumenta no</p><p>sentido de convencer o leitor de que a forma de educar uma criança (ensinar a ler, a fazer</p><p>jardinagem, a apreciar música) defendida por ele é a correta. Por essa razão, o texto é</p><p>corretamente classificado como argumentativo. Não se trata de descrição (apresentação</p><p>de propriedades/características de objeto, ser ou espaço), narração (apresentação de</p><p>eventos praticados/sofridos por personagens em determinado tempo e espaço), injunção</p><p>(comandos/orientações/instruções dirigidas a um interlocutor) ou exposição (apresentação</p><p>de fenômenos, fatos e conceitos sobre o mundo).</p><p>Letra d.</p><p>015. 015. (FGV/TÉCNICO/PGM/2023) Abaixo aparecem cinco slogans publicitários; o slogan que</p><p>apela a uma estratégia diferente da dos demais casos, é:</p><p>a) Um pouco de Veja e muito de limpeza;</p><p>b) São os pequenos detalhes que fazem as grandes marcas;</p><p>c) Após a escuridão vem a claridade com Eveready;</p><p>d) Não faça economia: compre um BMW;</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>66 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>e) Príncipe veste hoje o homem de amanhã.</p><p>Na alternativa (D), não observamos os mesmos pares contrastivos em (A), (B), (C) e (E):</p><p>pouco-muito, pequenos-grandes, escuridão-claridade, hoje-amanhã.</p><p>Letra d.</p><p>016. 016. (IBGP/MUNICIPIO DE ITABIRA/ENGENHEIRO</p><p>CIVIL/2020)</p><p>Educação financeira chega ao ensino infantil e fundamental em 2020</p><p>Oferta está prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)</p><p>Antonia, auxiliar de escritório, todos os dias compra uma balinha ou um chocolate, no ponto de</p><p>ônibus, na volta do trabalho, que custa R$ 0,50. “Eu não dava importância para aquele gasto.</p><p>Imagina, R$ 0,50 não é nada! Mas eu nunca consegui economizar um centavo”. Fazendo as contas,</p><p>esses centavos viram R$ 11 em um mês e R$ 132 em um ano.</p><p>São situações como essa, retirada de livro didático disponível online, que ensinam estudantes</p><p>de escolas em várias partes do país a terem consciência dos próprios gastos e a ajudar a família</p><p>a lidar com as finanças. A chamada educação financeira, cuja oferta hoje depende da estrutura</p><p>de cada rede de ensino passa a ser direito de todos os brasileiros, previsto na chamada Base</p><p>Nacional Comum Curricular (BNCC).</p><p>“É uma grande oportunidade, uma grande conquista para a comunidade escolar do país”, diz a</p><p>superintendente da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil), Claudia Forte. “A</p><p>educação financeira busca a modificação do comportamento das pessoas, desde pequeninas,</p><p>quando ensina a escovar os dentes e fechar a torneira para poupar água e economizar. Isso é</p><p>preceito de educação financeira”.</p><p>A BNCC é um documento que prevê o mínimo que deve ser ensinado nas escolas, desde a educação</p><p>infantil até o ensino médio. Educação financeira deve, pela BNCC, ser abordada de forma</p><p>transversal pelas escolas, ou seja, nas várias aulas e projetos. Parecer do Conselho Nacional de</p><p>Educação (CNE), homologado pelo Ministério da Educação (MEC), prevê que as redes de ensino</p><p>adequem os currículos da educação infantil e fundamental, incluindo esta e outras competências</p><p>no ensino, até 2020.</p><p>A educação financeira nas escolas traz resultados, de acordo com a AEF-Brasil. Pesquisa feita</p><p>em parceria com Serasa Consumidor e Serasa Experian, este ano, mostra que um a cada três</p><p>estudantes afirmou ter aprendido a importância de poupar dinheiro depois de participar de</p><p>projetos de educação financeira. Outros 24% passaram a conversar com os pais sobre educação</p><p>financeira e 21% aprenderam mais sobre como usar melhor o dinheiro.</p><p>Desafios</p><p>Levar a educação financeira para todas as escolas envolve, no entanto, uma série de desafios,</p><p>que vão desde a formação de professores, a oferta de material didático adequado e mesmo a</p><p>garantia de tempo para que os professores se dediquem ao preparo das aulas.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>67 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>De acordo com o presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz</p><p>Miguel Garcia, os municípios, que são os responsáveis pela maior parte das matrículas públicas</p><p>no ensino infantil e fundamental, focarão, em 2020, na formação dos docentes, para que eles</p><p>possam levar para as salas de aula não apenas educação financeira, mas outras competências</p><p>previstas na BNCC.</p><p>“Tivemos um grande foco na construção dos currículos e, agora, neste ano, [em 2020], entramos</p><p>no processo de formação. Educação financeira, inclusão, educação socioemocional, todos esses</p><p>elementos vão chegar de fato na sala de aula a partir da discussão que fizermos agora”, diz.</p><p>Segundo ele, a implementação será concomitante à formação, já em 2020.</p><p>De acordo com Garcia, não há um levantamento de quantos municípios já contam com esse</p><p>ensino. “Não existe uma orientação geral com relação a isso. São iniciativas locais. Não tenho</p><p>como quantificar, mas não é algo absolutamente novo”, diz.</p><p>Ensinar a escolher</p><p>A educação financeira é pauta no Brasil antes mesmo da BNCC. Em 2010 foi instituída, por</p><p>exemplo, a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), com o objetivo de promover ações</p><p>de educação financeira no Brasil. Na página Vida e Dinheiro, da entidade, estão disponíveis livros</p><p>didáticos que podem ser baixados gratuitamente e outros materiais informativos para jovens</p><p>e para adultos.</p><p>As ações da Enef são coordenadas pela AEF-Brasil. Claudia explica que a AEF-Brasil foi convocada</p><p>pelo Ministério da Educação (MEC) para disponibilizar materiais e cursos para preparar os</p><p>professores e, com isso, viabilizar a implementação da educação financeira nas escolas.</p><p>As avaliações mostram que o Brasil ainda precisa avançar. No Programa Internacional de Avaliação</p><p>de Estudantes (Pisa) 2015, o Brasil ficou em último lugar em um ranking de 15 países em</p><p>competência financeira. O Pisa oferece 4 avaliações em competência financeira de forma optativa</p><p>aos países integrantes do programa. O resultado da última avaliação dessa competência, aplicada</p><p>em 2018, ainda não foi divulgado.</p><p>Os resultados disponíveis mostram que a maioria dos estudantes brasileiros obteve desempenho</p><p>abaixo do adequado e não conseguem, por exemplo, tomar decisões em contextos que são</p><p>relevantes para eles, reconhecer o valor de uma simples despesa ou interpretar documentos</p><p>financeiros cotidianos.</p><p>É CORRETO afirmar que esse texto pertence ao domínio discursivo:</p><p>a) Escolar.</p><p>b) Jornalístico.</p><p>c) Acadêmico.</p><p>d) Publicitário.</p><p>A questão exige conhecimentos sobre o conteúdo de Tipologias e Gêneros Textuais. O texto</p><p>é claramente uma notícia, e por isso ele se enquadra no domínio discursivo jornalístico.</p><p>Não se trata de uma obra didática (domínio discursivo escolar), um texto acadêmico (como</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>68 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>um artigo científico) ou publicitário (uma propaganda, por exemplo). Por isso, temos a</p><p>alternativa (B) como correta.</p><p>Letra b.</p><p>017. 017. (SELECON/ASSISTENTE/CRA-RR/2021)</p><p>Os desafios da conservação da água no Brasil</p><p>Um dos países com maior disponibilidade de recursos hídricos do mundo, o Brasil tem problemas</p><p>com seus indicadores de água. O acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto no</p><p>país é desigual. As áreas urbanas tendem a ter índices melhores, enquanto áreas irregulares e</p><p>afastadas são mais prejudicadas. Além de políticas públicas que assegurem o atendimento, que</p><p>é dificultado pela distribuição desequilibrada da água e da população no território brasileiro,</p><p>outro imbróglio é a conservação do próprio recurso, que enfrenta desafios.</p><p>Falta de saneamento</p><p>Um dos maiores vilões da qualidade da água no Brasil é a oferta de saneamento básico. Pouco</p><p>mais da metade da população brasileira, 52,4%, tinha coleta de esgoto em 2017, e apenas 46%</p><p>do esgoto total é tratado, de acordo com o Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento.</p><p>Dessa forma, um grande volume de esgoto não coletado ou não tratado é despejado em corpos</p><p>d’água, provocando problemas ambientais e de saúde. “Essa falta de infraestrutura de saneamento</p><p>básico tem um impacto brutal na qualidade das águas de todo o país”, diz o especialista Carlos.</p><p>Não só a carência de coleta e de tratamento de esgoto é problemática, mas também a poluição</p><p>causada por indústrias e pela agricultura, como o lançamento de agrotóxicos.</p><p>Desmatamento, em especial no Cerrado</p><p>O desmatamento de matas ciliares, que acontece em todas as bacias hidrográficas do Brasil,</p><p>altera a quantidade e a qualidade dos corpos hídricos. Essa vegetação protege o solo, ajuda na</p><p>infiltração da água da chuva e na alimentação do lençol freático e permite a recarga dos aquíferos.</p><p>Sua retirada</p><p>aumenta o assoreamento, a perda do solo, a erosão e a taxa de evaporação da água.</p><p>Segundo José Francisco Gonçalves Júnior, professor do Departamento de Ecologia da Universidade</p><p>de Brasília (UnB), todos esses impactos reunidos podem levar a uma indisponibilidade natural</p><p>de recursos hídricos.</p><p>Em outra frente, o desmatamento do Cerrado, considerado a “caixa d’água do Brasil” por causa</p><p>de sua posição estratégica na formação de bacias hidrográficas, vem sendo devastado pela</p><p>expansão da fronteira agrícola. “Qualquer alteração no Cerrado pode levar a uma degradação</p><p>de inúmeras bacias hidrográficas de extrema relevância para obtenção de recursos hídricos</p><p>brasileiros”, afirma Gonçalves.</p><p>Para o professor, o uso do solo do bioma teve um efeito positivo na produtividade agrícola, mas a</p><p>falta de uma regulação mais firme tem levado a uma superexploração, com vários danos. “Perda</p><p>de território, de recarga de aquíferos, uma perda muito grande de nascentes e uma degradação</p><p>e diminuição da disponibilidade de água”, enumera.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>69 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>(Disponível em https://www.dw.com/pt-br/os-desafios-daconserva%C3%ATH%C3%A30-da-</p><p>%C3%A1</p><p>A presença de falas de especialistas é uma das características que revela o pertencimento</p><p>do texto ao tipo:</p><p>a) jornalístico</p><p>b) filosófico</p><p>c) literário</p><p>d) jurídico</p><p>O texto jornalístico (especialmente as reportagens) é caracterizado pela presença de falas</p><p>de especialistas. A presença de falas de especialistas também ocorre em textos jurídicos</p><p>e filosóficos, mas não é uma característica inerente ao gênero.</p><p>Letra a.</p><p>018. 018. (CEBRASPE/ANALISTA/PGE-PE/2019)</p><p>Texto CB2A1-I</p><p>1| Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,</p><p>o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso</p><p>ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam</p><p>4| época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção</p><p>das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do</p><p>pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na</p><p>7| Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre</p><p>os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no</p><p>século XIX, tudo isso representa saltos de época, que</p><p>10| desorientaram gerações inteiras.</p><p>Se observarmos bem, essas ondas longas da história,</p><p>como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.</p><p>13| Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura</p><p>pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um</p><p>século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,</p><p>16| lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a</p><p>rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada</p><p>pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma</p><p>19| sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários</p><p>dos meios de informação.</p><p>O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade</p><p>22| pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>70 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,</p><p>pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções</p><p>25| proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de</p><p>comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses</p><p>fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a</p><p>28| mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,</p><p>contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar</p><p>envolvidos em primeira pessoa.</p><p>31| Ninguém poderia ficar impassível diante de uma</p><p>mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais</p><p>difundida é a desorientação.</p><p>34| A nossa desorientação afeta as esferas econômica,</p><p>familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de</p><p>crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque</p><p>37| quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em</p><p>crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de</p><p>projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em</p><p>40| função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.</p><p>Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para entender o nosso tempo. Trad.</p><p>Silvana Cobucci e Federico Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações).</p><p>O texto caracteriza-se como dissertativo-argumentativo, devido, entre outros aspectos, à</p><p>presença de evidências e fatos históricos utilizados para validar a argumentação do autor.</p><p>Dentre os fatos históricos que trazem ao texto uma feição de dissertativo-argumentativo,</p><p>temos “a ultrapassagem da agricultura pela indústria” (linhas 13 e 14) e “invenção das</p><p>técnicas para controlar o fogo” (linhas 4 e 5). O uso desses fatos históricos tem por finalidade</p><p>o convencimento do leitor acerca de um ponto de vista.</p><p>Certo.</p><p>019. 019. (INÉDITA/2023) A frase abaixo que mostra a presença do discurso indireto livre é:</p><p>a) Sentiu o cheiro bom dos preás que desciam do morro, mas o cheiro vinha fraco e havia</p><p>nele partículas de outros viventes. Parecia que o morro se tinha distanciado muito.</p><p>b) A cachorra Baleia assustou-se. Que faziam aqueles animais soltos de noite? A obrigação</p><p>dela era levantar-se, conduzi-los ao bebedouro.</p><p>c) Pouco a pouco a cólera diminuiu, e sinhá Vitória, embalando as crianças, enjoou-se da</p><p>cadela achacada, gargarejou muxoxos e nomes feios.</p><p>d) Nesse momento Fabiano andava no copiar, batendo castanholas com os dedos. Sinhá</p><p>Vitória encolheu o pescoço e tentou encostar os ombros às orelhas.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>71 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>e) Defronte do carro de bois faltou-lhe a perna traseira. E, perdendo muito sangue, andou</p><p>como gente em dois pés, arrastando com dificuldade a parte posterior do corpo.</p><p>O discurso indireto livre é marcado pela mescla entre o discurso do narrador e o do personagem.</p><p>Ocorre tipicamente quando não se pode definir com clareza se o enunciado foi produzido</p><p>pelo narrador ou pelo personagem. Em (B), isso ocorre na interrogativa “Que faziam aqueles</p><p>animais soltos de noite?”, pois não sabemos se esse questionamento foi feito pelo narrador</p><p>ou pelo personagem (no caso, a cachorra Baleia). Nas demais alternativas, não há discurso</p><p>indireto livre: há apenas a narração de eventos em terceira pessoa.</p><p>Letra b.</p><p>020. 020. (INÉDITA/2023) Alguns narradores, como os de Machado de Assis, interrompem suas</p><p>narrativas para fazer comentários com os leitores; o trecho abaixo em que o narrador</p><p>comenta o processo de composição da narrativa é:</p><p>a) “Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e,</p><p>realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai</p><p>um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contracção</p><p>cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens</p><p>pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo</p><p>regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda,</p><p>andam</p><p>e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...”</p><p>b) “Tinha dezessete anos; pungia-me um buçozinho que eu forcejava por trazer a bigode. Os</p><p>olhos, vivos e resolutos, eram a minha feição verdadeiramente máscula. Como ostentasse</p><p>certa arrogância, não se distinguia bem se era uma criança com fumos de homem, se um</p><p>homem com ares de menino.”</p><p>c) “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai,</p><p>logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia</p><p>as raias de um capricho juvenil.”</p><p>d) “A Casa Verde foi o nome dado ao asilo, por alusão à cor das janelas, que pela primeira</p><p>vez apareciam verdes em Itaguaí. Inaugurou-se com imensa pompa; de todas as vilas e</p><p>povoações próximas, e até remotas, e da própria cidade do Rio de Janeiro, correu gente</p><p>para assistir às cerimônias, que duraram sete dias.”</p><p>e) “Nisto, o cônego estremece. O rosto ilumina-se-lhe. A pena, cheia de comoção e respeito,</p><p>completa o substantivo com o adjetivo. Sílvia caminhará agora ao pé de Sílvio, no sermão</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>72 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>que o cônego vai pregar um dia destes, e irão juntinhos ao prelo, se ele coligir os seus</p><p>escritos, o que não se sabe.”</p><p>Em “b”, “c”, “d” e “e”, os excertos narrativos estão centrados nos personagens e nos eventos</p><p>internos à narrativa. Em “a”, o narrador dirige-se ao leitor (e fala sobre o processo de</p><p>composição da narrativa), como podemos confirmar pela leitura deste trecho: “porque o</p><p>maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar”.</p><p>É a chamada referência exofórica.</p><p>Letra a.</p><p>021. 021. (INÉDITA/2023) Todos os segmentos textuais abaixo são pertencentes à dinâmica do</p><p>discurso argumentativo; o segmento em que a argumentação constitui uma falácia é:</p><p>a) Restrições que apresentam impactos inegáveis, como afirma o presidente do Sindicato</p><p>Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho, Bob Machado: “com a pandemia, há um aumento</p><p>das desigualdades sociais”.</p><p>b) No fim, e mesmo considerando uma certa margem de erro dadas as diferenças de</p><p>metodologia, o saldo negativo de 191 mil vagas de 2020 ainda foi um resultado bem menos</p><p>catastrófico que o de 2015 (perda de 1,54 milhão de postos de trabalho) e 2016 (saldo</p><p>negativo de 1,32 milhão), quando o Brasil não teve pandemia nem lockdown.</p><p>c) Portanto, atitudes legislativas direcionadas à efetivação e reconhecimento de direitos,</p><p>como férias, 13º salário e FGTS, ainda confrontam a persistência de práticas de raiz</p><p>escravocrata. Recentes casos julgados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, como</p><p>o “Trabalhadores da Fazenda Brasil Verde vs. Brasil”, condenaram o Estado pela ausência</p><p>de proteção dos trabalhadores contra práticas de trabalho forçado.</p><p>d) Machado de Assis é o maior escritor brasileiro porque nenhum outro foi capaz de produzir</p><p>uma obra que atingisse a mesma magnitude da criação literária do Bruxo do Cosme Velho.</p><p>e) Em relação ao perfil social das pessoas resgatadas de escravidão contemporânea até</p><p>o momento em 2021, dados do Seguro-Desemprego do trabalhador resgatado mostram</p><p>que 89% são homens; 49% têm entre 18 e 39 anos; e 35% residem no Nordeste. Quanto</p><p>ao grau de instrução, 21% declararam só ter cursado até o 5º ano, 20% haviam estudado</p><p>do 6º ao 9º ano e outros 18% tinham ensino médio completo.</p><p>Há uma falácia em “d”: a petição de princípio (ou círculo vicioso), em que o autor apresenta</p><p>a própria declaração como prova dela (Machado é o maior escritor brasileiro porque ele é o</p><p>maior escritor brasileiro). Nas demais alternativas, as estratégias argumentativas não são</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://diplomatique.org.br/trabalho-escravo-contemporaneo-e-a-pandemia-de-covid-19/</p><p>73 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>falácias: “a” citação de autoridade; “b” apresentação de dados e cotejamento; “c” adoção</p><p>de método dedutivo (do geral para o particular); “e” apresentação de dados (estatísticos).</p><p>Letra d.</p><p>022. 022. (INÉDITA/2023) Das falácias argumentativas abaixo, aquela que exemplifica uma</p><p>simplificação exagerada é:</p><p>a) “Se se defende a restrição à venda de armas de fogo para se evitar assassinatos, devemos</p><p>também restringir a venda de motosserras. Basta lembrar o caso de Paraipaba, em que um</p><p>homem tentou assassinar com uma motosserra um desafeto”.</p><p>b) “As jornalistas Aline Valek e Clara Averbuck lançaram um blog chamado “Escritório</p><p>Feminista” na Carta Capital. Certamente vão falar mal dos homens, pois é isso o que toda</p><p>feminista faz”.</p><p>c) Os africanos gostavam de ser escravos. Como disse Daenerys Targaryen, de Game of</p><p>Thrones, “As pessoas aprendem a amar as correntes que as prendem”.</p><p>d) Se no Brasil os jovens da geração “nem-nem” passarem a trabalhar e a estudar, erradicaremos</p><p>a fome em nosso país!</p><p>e) “Quem lê jornais deve ser considerado um bom cidadão por seu alto nível de informação”.</p><p>Há simplificação exagerada em “d”: primeiramente, a erradicação da fome em nosso país</p><p>não ocorrerá se no Brasil os jovens da geração “nem-nem” passarem a trabalhar e a estudar,</p><p>pois há muitos outros fatores envolvidos (como distribuição de renda, abertura de vagas</p><p>no mercado de trabalho etc.). Em segundo lugar, a solução é simplista: como se pode</p><p>empregar, de uma hora para outra, todos os jovens da geração “nem-nem”? Em “a”, “b”, “c”</p><p>e “e”, as falácias são estas, respectivamente: falsa analogia; generalização excessiva; apelo</p><p>à autoridade irrelevante; generalização excessiva.</p><p>Letra d.</p><p>023. 023. (INÉDITA/2023) O segmento abaixo que exemplifica o tipo de texto denominado</p><p>instrucional é:</p><p>a) Os pronomes de tratamento apresentam certas peculiaridades quanto às concordâncias</p><p>verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa</p><p>com quem se fala), levam a concordância para a terceira pessoa.</p><p>b) Há uma correlação bem documentada em todo o mundo entre a pobreza e as altas</p><p>taxas de natalidade. Em países pequenos e grandes, capitalistas e comunistas, católicos e</p><p>muçulmanos, ocidentais e orientais — em quase todos esses casos, o crescimento exponencial</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>74 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>da população diminui ou cessa quando desaparece a pobreza esmagadora. A isso se dá o</p><p>nome de transição demográfica.</p><p>c) Nos últimos tempos, vem se disseminando a tese da proposição de um suposto gênero</p><p>neutro na língua portuguesa. O tema é complexo, ainda mais quando se ignoram questões</p><p>caras para a ciência linguística, como a distinção entre gênero social e gênero gramatical,</p><p>a função da escrita enquanto sistema representacional que se relaciona com a fala e, mais</p><p>do que tudo isso, a dinamicidade em se tratando de línguas naturais.</p><p>d) Era uma vez um galo que acordava bem cedo todas as manhãs e dizia para a bicharada</p><p>do galinheiro:</p><p>- Vou cantar para fazer o sol nascer...</p><p>Ato contínuo, subia até o alto do telhado, estufava o peito, olhava</p><p>para o nascente e</p><p>ordenava, definitivo:</p><p>- Có-có-ri-có-có... E ficava esperando.</p><p>e) Inspeção de segurança antes do uso: (i) a inspeção de segurança deve ser realizada antes</p><p>das atividades a serem exercidas por cada usuário. Para cada novo exercício, os dispositivos</p><p>e acessórios a serem utilizados devem ser conferidos quanto a sua segurança, limpeza</p><p>e adequação; (ii) certifique-se de que todos os componentes do equipamento estejam</p><p>devidamente fixados e posicionados antes de realizar os exercícios.</p><p>O texto instrucional (ou injuntivo) é caracterizado pelo predomínio da função conativa, na</p><p>qual se busca influenciar/dirigir o comportamento do interlocutor. Isso ocorre apenas em</p><p>“e”, pois o texto realiza instruções em relação a como deve ocorrer a inspeção de segurança.</p><p>Em “a”, temos um texto expositivo/metalinguístico; em “b”, um texto expositivo; em “c”, o</p><p>texto é argumentativo; em “d”, por fim, temos um texto narrativo.</p><p>Letra e.</p><p>Caros membros da Secretaria de Redação e do Conselho Editorial da Folha,</p><p>Nós, jornalistas da Folha aqui subscritos, vimos por meio desta carta expressar nossa preocupação</p><p>com a publicação recorrente de conteúdos racistas nas páginas do jornal. Sabemos ser incomum</p><p>que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da chefia, mas, se o fazemos neste</p><p>momento, é por entender que o tema tenha repercussões importantes para funcionários e</p><p>leitores do jornal e no intuito de contribuir para uma Folha mais plural. O episódio a motivar</p><p>esta carta foi a publicação de artigo de opinião intitulado “Racismo de negros contra brancos</p><p>ganha força com identitarismo” (Ilustrada Ilustríssima, 16/1), em que Antonio Risério identifica</p><p>supostos excessos das lutas identitárias, que estariam levando a racismo reverso.</p><p>[...]</p><p>Reconhecemos o pluralismo que está na base dos princípios editoriais da Folha e a defesa que</p><p>nela se faz da liberdade de expressão. No entanto estes não se dissociam de outros valores</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>75 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>que o jornalismo deve defender, como a verdade e o respeito à dignidade humana. A Folha não</p><p>costuma publicar conteúdos que relativizam o Holocausto, nem dá voz a apologistas da ditadura,</p><p>terraplanistas e representantes do movimento antivacina.</p><p>Por que, então, a prática seria outra quando o tema é o racismo no Brasil? Se textos como</p><p>o de Antonio Risério atraem audiência no curto prazo, sua consequência seguinte é minar a</p><p>credibilidade, que é, e deve ser, o pilar máximo de um jornal como a Folha. Por esses motivos,</p><p>convidamos a uma reflexão e uma reavaliação sobre a forma como o racismo tem sido abordado</p><p>na Folha. Acreditamos que buscar audiência às expensas da população negra seja incompatível</p><p>com estar a serviço da democracia.</p><p>(Carta aberta de jornalistas da Folha à direção do jornal, 19 de janeiro de 2022)</p><p>024. 024. (INÉDITA/2023) O texto precedente pertence ao gênero carta argumentativa. Levando</p><p>em consideração o texto lido, assinale a característica menos adequada a esse gênero.</p><p>a) Explicitação do destinatário da carta por meio do vocativo.</p><p>b) Adoção de expressões coloquiais e de linguagem figurada.</p><p>c) Estruturação textual coesa, clara e objetiva.</p><p>d) Apresentação de argumentação que sustenta o ponto de vista de quem subscreve a carta.</p><p>e) Emprego de formas verbais e pronominais em primeira pessoa.</p><p>Uma carta argumentativa possui tipicamente as seguintes características (expressas em</p><p>“a”, “c”, “d” e “e”): explicitação do destinatário da carta por meio do vocativo; estruturação</p><p>textual coesa, clara e objetiva; apresentação de argumentação que sustenta o ponto de</p><p>vista de quem subscreve a carta; e emprego de formas verbais e pronominais em primeira</p><p>pessoa (do singular ou do plural). Em “b”, lemos uma característica que não é típica em</p><p>cartas argumentativas: a adoção de expressões coloquiais e de linguagem figurada.</p><p>Letra b.</p><p>025. 025. (INÉDITA/2023) O texto a seguir foi retirado de uma Carta do Leitor do jornal Folha de</p><p>S.Paulo, de 17 de fevereiro de 2022.</p><p>Chegar bem aos 100</p><p>Excelente o artigo de Karla Giacomin na coluna Como Chegar Bem aos 100 (“Desconstrução</p><p>de políticas de Estado precisa ser denunciada, Corrida, 17/2). Precisamos denunciar</p><p>essa desconstrução política, especialmente aquelas que contemplam as necessidades da</p><p>população idosa.</p><p>Marília Berzins (São Paulo, SP)</p><p>A marca que NÃO está presente nesse gênero textual é:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>76 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>a) a presença da assinatura do emissor;</p><p>b) a utilização de linguagem próxima à do jornal;</p><p>c) o emissor busca posiciona-se em relação a determinada publicação ou acontecimento</p><p>recente;</p><p>d) o emprego de intertextualidade;</p><p>e) uma solicitação de resposta do jornal acerca do questionamento realizado.</p><p>As marcas linguístico-discursivas em “a”, “b”, “c” e “d” estão presentes no gênero textual</p><p>carta do leitor em análise (seja no gênero, seja no exemplo analisado). Em “e”, temos uma</p><p>marca não recorrente do gênero carta do leitor e inexistente no exemplo analisado: não há</p><p>solicitação de resposta do jornal acerca do questionamento realizado.</p><p>Letra e.</p><p>COESÃO E COERÊNCIA</p><p>Você mora em um lugar competitivo? Essa é a pergunta feita pelo Ranking de competitividade</p><p>dos estados, que metrifica, em uma escala de 0 a 100, todos os cantos do Brasil, para classificar</p><p>as 27 unidades federativas com base em dez pilares diferentes: segurança pública, infraestrutura,</p><p>sustentabilidade social, solidez fiscal, educação, sustentabilidade ambiental, eficiência da</p><p>máquina pública, capital humano, potencial de mercado e inovação.</p><p>De acordo com os gráficos mostrados a seguir, dos mais de vinte estados, apenas cinco não</p><p>mudaram de posição ao longo do último ano (2022), com destaque para São Paulo e Santa</p><p>Catarina, que lideram, assim como Rio de Janeiro e Roraima, que subiram bastante.</p><p>[...]</p><p>Ao todo, são quase noventa critérios avaliados dentro dos pilares fundamentais, que incluem</p><p>desde infraestrutura até o capital humano de cada localidade, com pesos diferentes entre si.</p><p>Paulistas lideram o ranking há anos. No ano de 2022, porém, houve piora no quesito segurança</p><p>patrimonial, com aumento no número de furtos e roubos. Estados do Norte e do Nordeste são</p><p>os menos competitivos do país.</p><p>Trata-se de uma ferramenta de avaliação da administração pública, de diagnóstico e auxílio na</p><p>escolha das prioridades e de promoção de boas práticas organizacionais, que, além de ajudar</p><p>políticos a priorizarem ações com base em uma inteligência de dados bem robusta — ou seja,</p><p>como um sistema de incentivo para os líderes públicos —, pode ser um bom indicador da gestão</p><p>pública da região. São referências adotadas pelo ranking que apresentam novos parâmetros</p><p>para os estados brasileiros. Internet: (com adaptações).</p><p>Em relação aos aspectos gramaticais do texto precedente, julgue os seguintes itens.</p><p>026. 026. (CEBRASPE/ANALISTA/TJ-ES/2023) A forma pronominal “Essa”, em “Essa é a pergunta”</p><p>(início do primeiro parágrafo), estabelece coesão por substituição.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização</p><p>civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>77 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>A coesão por substituição ocorre quando um vocábulo (principalmente pronomes) substituem</p><p>outro termo (e, como isso, realizam a retomada). É exatamente o que ocorre em “Essa é a</p><p>pergunta”, em que o pronome “Essa” substitui toda a oração interrogativa “Você mora em</p><p>um lugar competitivo?”.</p><p>Certo.</p><p>027. 027. (CEBRASPE/ANALISTA/TJ-ES/2023) No trecho “apenas cinco não mudaram de posição”</p><p>(segundo parágrafo), foi utilizada a estratégia de coesão por elipse.</p><p>A elipse ocorre quando se pode depreender a existência de um termo suprimido. Isso ocorre</p><p>no trecho em análise, pois é possível depreender a forma “estados” está subentendida em</p><p>“apenas cinco [estados] não mudaram de posição”.</p><p>Certo.</p><p>028. 028. (IBFC/ANALISTA/DETRAN-DF/2022)</p><p>Eu deveria cantar.</p><p>Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas. Talvez então pudesse</p><p>acender uma vela, correr até a igreja da Consolação, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma</p><p>Glória ao Pai, tudo que eu lembrava, depois enfiar algum trocado, se tivesse, e nos últimos meses</p><p>nunca, na caixa de metal “Para as Almas do Purgatório”. Agradecer, pedir luz, como nos tempos</p><p>em que tinha fé.</p><p>Bons tempos aqueles, pensei. Acendi um cigarro. E não tomei nenhuma dessas atitudes, dramáticas</p><p>como se em algum canto houvesse sempre uma câmera cinematográfica à minha espreita. Ou</p><p>Deus. Sem juiz nem plateia, sem close nem zoom, fiquei ali parado no começo da tarde escaldante</p><p>de fevereiro, olhando o telefone que acabara de desligar. Nem sequer fiz o sinal da cruz ou levantei</p><p>os olhos para o céu. O mínimo, suponho, que um sujeito tem a obrigação de fazer nesses casos,</p><p>mesmo sem nenhuma fé, como se reagisse a uma espécie de reflexo condicionado místico.</p><p>Acontecera um milagre. Um milagre à toa, mas básico para quem, como eu, não tinha pais ricos,</p><p>dinheiro aplicado, imóveis, nem herança e apenas tentava viver sozinho numa cidade infernal</p><p>como aquela que trepidava lá fora, além da janela ainda fechada do apartamento. Nada muito</p><p>sensacional, tipo recuperar de súbito a visão ou erguer-se da cadeira de rodas com o semblante</p><p>beatificado e a leveza de quem pisa sobre as águas. Embora a miopia ficasse cada vez mais aguda</p><p>e os joelhos tremessem com frequência, não sabia se fome crônica ou pura tristeza, meus olhos</p><p>e pernas ainda funcionavam razoavelmente. Outros órgãos, verdade, bem menos.</p><p>Toquei o pescoço. E o cérebro, por exemplo.</p><p>Já chega, disse para mim mesmo, parado nu no meio da penumbra gosmenta do meio-dia. Pense</p><p>nesse milagre, homem. Singelo, quase insignificante na sua simplicidade, o pequeno milagre</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>78 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>capaz de trazer alguma paz àquela série de solavancos sem rumo nem ritmo que eu, com certa</p><p>complacência e nenhuma originalidade, estava habituado a chamar de minha vida, tinha um</p><p>nome. Chamava-se – um emprego.</p><p>(ABREU, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga? São Paulo: Planeta De Agostini, 2003, p.11-12).</p><p>O emprego do pronome demonstrativo presente em “dessas atitudes” é justificado pelo</p><p>seguinte papel coesivo:</p><p>a) proximidade espacial em relação ao interlocutor.</p><p>b) referência antecipada a elementos pouco específicos.</p><p>c) proximidade de tempo entre a enunciação e a referência.</p><p>d) referência a elementos já apresentados no texto.</p><p>O pronome “essas”, presente em “dessas atitudes”, é um anafórico: retoma elementos já</p><p>apresentados no texto. Não se trata de referência espacial ou temporal. Também não se</p><p>trata de um termo catafórico (que antecipa algo a ser dito).</p><p>Letra d.</p><p>029. 029. (INÉDITA/2023) Uma marca da textualidade é a coesão, a ligação formal entre termos.</p><p>Assinale a frase abaixo em que os termos destacados não estão ligados por coesão.</p><p>a) A malária é uma doença infecciosa causada por protozoários que são transmitidos pela</p><p>picada das fêmeas.</p><p>b) Em período chuvoso, quando a terra desliza, são carregadas com ela as casas construídas</p><p>nos morros.</p><p>c) Há uma famosa observação do primeiro-ministro Chou En-Lai, muito citada, que</p><p>traduz essa noção singular do que seja o tempo.</p><p>d) A paciência é uma virtude que é baseada no autocontrole emocional.</p><p>e) O que me parece mais relevante é discutir os fatores estruturais, que de certa forma</p><p>impelem nessas conjunturas à tensão inflacionária incidir dessa forma.</p><p>Em (A), (B), (C) e (E), os termos destacados formam pares coesivos (são anáforas: o segundo</p><p>termo do par retoma o primeiro): protozoários<que; a terra<ela; uma famosa observação</p><p>do primeiro-ministro Chou En-Lai<que; os fatores estruturais<que. Em (D), diferentemente,</p><p>a coesão não ocorre entre o segundo termo do par (“que”) e o primeiro (“A paciência”). Na</p><p>verdade, a referência ocorre entre o pronome relativo “que” e “uma virtude”.</p><p>Letra d.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>79 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Eu deveria cantar.</p><p>Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas. Talvez então pudesse</p><p>acender uma vela, correr até a igreja da Consolação, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma</p><p>Glória ao Pai, tudo que eu lembrava, depois enfiar algum trocado, se tivesse, e nos últimos meses</p><p>nunca, na caixa de metal “Para as Almas do Purgatório”. Agradecer, pedir luz, como nos tempos</p><p>em que tinha fé.</p><p>Bons tempos aqueles, pensei. Acendi um cigarro. E não tomei nenhuma dessas atitudes, dramáticas</p><p>como se em algum canto houvesse sempre uma câmera cinematográfica à minha espreita. Ou</p><p>Deus. Sem juiz nem plateia, sem close nem zoom, fiquei ali parado no começo da tarde escaldante</p><p>de fevereiro, olhando o telefone que acabara de desligar. Nem sequer fiz o sinal da cruz ou levantei</p><p>os olhos para o céu. O mínimo, suponho, que um sujeito tem a obrigação de fazer nesses casos,</p><p>mesmo sem nenhuma fé, como se reagisse a uma espécie de reflexo condicionado místico.</p><p>Acontecera um milagre. Um milagre à toa, mas básico para quem, como eu, não tinha pais ricos,</p><p>dinheiro aplicado, imóveis, nem herança e apenas tentava viver sozinho numa cidade infernal</p><p>como aquela que trepidava lá fora, além da janela ainda fechada do apartamento. Nada muito</p><p>sensacional, tipo recuperar de súbito a visão ou erguer-se da cadeira de rodas com o semblante</p><p>beatificado e a leveza de quem pisa sobre as águas. Embora a miopia ficasse cada vez mais aguda</p><p>e os joelhos tremessem com frequência, não sabia se fome crônica ou pura tristeza, meus olhos</p><p>e pernas ainda funcionavam razoavelmente. Outros órgãos, verdade, bem menos.</p><p>Toquei o pescoço. E o cérebro, por exemplo.</p><p>Já chega, disse para mim mesmo, parado nu no meio da penumbra gosmenta do meio-dia. Pense</p><p>nesse milagre, homem. Singelo, quase insignificante na sua simplicidade, o pequeno milagre</p><p>capaz de trazer alguma paz àquela série de solavancos sem rumo nem ritmo que eu, com certa</p><p>complacência e nenhuma originalidade, estava habituado a chamar de minha vida, tinha um</p><p>nome. Chamava-se – um emprego.</p><p>(ABREU, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga? São Paulo: Planeta De Agostini, 2003, p.11-12).</p><p>030. 030. (INÉDITA/2023) O pronome “sua” (terceiro período do sexto parágrafo) retoma “homem”</p><p>(segundo período do sexto parágrafo).</p><p>Observando</p><p>a cadeia coesiva do texto, confirmamos que o pronome “sua” retoma, na verdade,</p><p>“(n)esse milagre” (segundo período do sexto parágrafo). Como o referente apontado pelo</p><p>item é incorreto, a afirmativa está errada.</p><p>Errado.</p><p>SEMÂNTICA</p><p>031. 031. (CEBRASPE/ANALISTA/TJ-ES/2023)</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>80 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Você mora em um lugar competitivo? Essa é a pergunta feita pelo Ranking de competitividade</p><p>dos estados, que metrifica, em uma escala de 0 a 100, todos os cantos do Brasil, para classificar</p><p>as 27 unidades federativas com base em dez pilares diferentes: segurança pública, infraestrutura,</p><p>sustentabilidade social, solidez fiscal, educação, sustentabilidade ambiental, eficiência da</p><p>máquina pública, capital humano, potencial de mercado e inovação.</p><p>De acordo com os gráficos mostrados a seguir, dos mais de vinte estados, apenas cinco não</p><p>mudaram de posição ao longo do último ano (2022), com destaque para São Paulo e Santa</p><p>Catarina, que lideram, assim como Rio de Janeiro e Roraima, que subiram bastante.</p><p>[...]</p><p>Ao todo, são quase noventa critérios avaliados dentro dos pilares fundamentais, que incluem</p><p>desde infraestrutura até o capital humano de cada localidade, com pesos diferentes entre si.</p><p>Paulistas lideram o ranking há anos. No ano de 2022, porém, houve piora no quesito segurança</p><p>patrimonial, com aumento no número de furtos e roubos. Estados do Norte e do Nordeste são</p><p>os menos competitivos do país.</p><p>Trata-se de uma ferramenta de avaliação da administração pública, de diagnóstico e auxílio na</p><p>escolha das prioridades e de promoção de boas práticas organizacionais, que, além de ajudar</p><p>políticos a priorizarem ações com base em uma inteligência de dados bem robusta — ou seja,</p><p>como um sistema de incentivo para os líderes públicos —, pode ser um bom indicador da gestão</p><p>pública da região. São referências adotadas pelo ranking que apresentam novos parâmetros</p><p>para os estados brasileiros. Internet: (com adaptações).</p><p>Em relação aos aspectos gramaticais do texto precedente, julgue o seguinte item.</p><p>No primeiro período do último parágrafo, a palavra “robusta” está empregada com o mesmo</p><p>sentido de arrojada.</p><p>Os vocábulos “robusta” e “arrojada” não são sinônimos. Por isso, não são intercambiáveis</p><p>(um não pode substituir o outro no contexto em análise). A diferença de significado é esta:</p><p>“robusto” significa algo de constituição física muito forte, vigoroso; “arrojado” denota que</p><p>aquilo que apresenta características inovadoras, progressistas; ousado.</p><p>Errado.</p><p>032. 032. (CEBRASPE/ANALISTA/APEX BRASIL/2021)</p><p>Texto CB2A1-I</p><p>A rapidez da difusão do comércio eletrônico tem trazido novas oportunidades para o pequeno</p><p>negócio, o varejo e as micro e pequenas empresas (MPE), que se veem na contingência de mudança</p><p>na gestão do comércio, visando um aumento de lucratividade e novas oportunidades, com uma</p><p>fatia maior do comércio eletrônico.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>about:blank</p><p>81 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Com a utilização do sistema B2C, sistema de comércio eletrônico, várias vantagens podem ser</p><p>apresentadas, como a facilidade de estabelecer compras online 24 horas por dia, sete dias da</p><p>semana. Verifica-se, ainda, a otimização dos fatores da atividade empresarial, como quadro</p><p>pessoal, loja física e mobilidade urbana, a diminuição de tempo gasto com as operações e a</p><p>sustentabilidade com a teoria de utilização racional de papéis (em inglês, less paper).</p><p>Este guia é direcionado aos pequenos empresários, aos varejistas e a todo tipo de comerciante</p><p>que vise ampliar suas atividades pelo uso de novas tecnologias. Os produtos englobados por este</p><p>guia resumem-se em mercadorias, software, hardware e serviço. Os consumidores protegidos pela</p><p>norma conceituam-se como membro individual do público geral, que compra ou usa produtos</p><p>para fins pessoais ou finalidades domésticas.</p><p>Todavia, para que esse sistema de transações de comércio eletrônico seja eficaz, o comerciante</p><p>deve planejar, implantar e desenvolver o sistema de comércio eletrônico e mantê-lo atualizado</p><p>e transparente, de modo a auxiliar os consumidores na efetivação da credibilidade desse tipo</p><p>de negociação online.</p><p>Para tanto, a capacidade, a adequação, a conformidade, a pluralidade e a diversidade na rede</p><p>devem gerar um maior suporte ao consumidor, em relação às suas reclamações e dúvidas na</p><p>transação eletrônica.</p><p>Utilize o passo a passo sugerido neste guia e seja bem-sucedido em seu comércio eletrônico!</p><p>ABNT/ SEBRAE. Guia de implementação ABNT NBR ISO 10008: gestão da qualidade –satisfação</p><p>do cliente – diretrizes para transações de comércio eletrônico de negócio a consumidor. Rio de</p><p>Janeiro: 2014, p. 31 (com adaptações).</p><p>No primeiro parágrafo do texto CB2A1-I, o vocábulo “contingência” está empregado com</p><p>o sentido de</p><p>a) obrigação.</p><p>b) circunstância.</p><p>c) iminência.</p><p>d) urgência.</p><p>O contexto é este: “A rapidez da difusão do comércio eletrônico tem trazido novas</p><p>oportunidades para o pequeno negócio, o varejo e as micro e pequenas empresas (MPE),</p><p>que se veem na contingência de mudança na gestão do comércio, visando um aumento de</p><p>lucratividade e novas oportunidades, com uma fatia maior do comércio eletrônico.” Aqui,</p><p>o sentido é de “eventualidade”, “caráter do que é circunstancial” (segundo o dicionário</p><p>Houaiss, 2009). Nesse sentido, o substituto adequado é “circunstância”, em (B): “A rapidez da</p><p>difusão do comércio eletrônico tem trazido novas oportunidades para o pequeno negócio,</p><p>o varejo e as micro e pequenas empresas (MPE), que se veem na circunstância de mudança</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>82 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>na gestão do comércio, visando um aumento de lucratividade e novas oportunidades, com</p><p>uma fatia maior do comércio eletrônico.”</p><p>Letra b.</p><p>033. 033. (FGV/AUDITOR/TCE-ES/2023) Todas as frases abaixo mostram verbos ligados à ação</p><p>de “ver”. A frase em que o verbo sublinhado NÃO está adequadamente empregado, por não</p><p>ter seu sentido adequado ao contexto, é:</p><p>a) O atirador mirou com cuidado o alvo pretendido;</p><p>b) O caçador vislumbrou o animal entre a folhagem;</p><p>c) No museu, pessoas observam desatentas os inúmeros quadros;</p><p>d) Ao entrarem na Capela Sistina, os turistas contemplam obrigatoriamente as pinturas</p><p>do teto;</p><p>e) O daltonismo não permitia que ele distinguisse o verde do vermelho.</p><p>Os significados de “mirar” (fixar os olhos em), “vislumbrar” (enxergar parcial, indistinta ou</p><p>fracamente; entrever), “contemplar” (fixar o olhar em (alguém, algo ou si mesmo), com</p><p>encantamento, com admiração) e “distinguir” (perceber a diferença entre (coisas) ou ser</p><p>diferente de (algo)) estão adequados para o contexto de ocorrência. No caso de “observar”,</p><p>em (C), o problema está no emprego do vocábulo “desatentas”, já que o ato de observar</p><p>pressupõe a ideia de ver com atenção.</p><p>Letra c.</p><p>034. 034. (FGV/AUXILIAR/PREF. MUN. PAULÍNIA-SP/2021) Um jornal de Paulínia é chamado de</p><p>vespertino; isso significa que esse</p><p>jornal</p><p>a) era distribuído somente em alguns bairros.</p><p>b) só era distribuído à tarde.</p><p>c) era publicado somente nos dias úteis.</p><p>d) tratava exclusivamente de eventos festivos.</p><p>e) era marcado por fazer críticas violentas.</p><p>O termo “vespertino” designa o turno do dia em que algo ocorre: à tarde. Assim, se o jornal</p><p>é chamado de “vespertino”, isso significa que ele era distribuído/publicado neste turno (isto</p><p>é, à tarde). Por isso, temos a alternativa (B) como adequada. Nas demais alternativas, as</p><p>noções apresentadas não são compatíveis com a semântica do termo “vespertino”: local</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>83 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>de distribuição, dia da semana em que o jornal era publicado; tipo de evento abordado pelo</p><p>jornal; e tipo de crítica realizada pelo jornal.</p><p>Letra b.</p><p>035. 035. (INÉDITA/2023) Assinale a frase a seguir que está isenta de ambiguidade.</p><p>a) A nomeação do Ministro foi surpreendente.</p><p>b) O médico descartou os aparelhos velhos.</p><p>c) Pedro encontrou Maria andando pela orla da praia</p><p>d) A descrição de Saramago foi bem feita.</p><p>e) Os operadores não atendiam ninguém de roupa suja.</p><p>Em (B), não há ambiguidade: os sentidos veiculados pela frase são um só: alguém (o médico)</p><p>fez algo (descartou os aparelhos que eram velhos). Em (A), (C), (D) e (E), há mais de um</p><p>sentido para cada frase: (A) Ministro foi nomeado ou nomeou; (C) Pedro estava andando</p><p>quando encontrou a Maria/Maria estava andando quando foi encontrada; (D) Saramago</p><p>descreveu bem ou foi bem descrito (por outra pessoa); (E) os operadores não atendiam</p><p>de roupa suja; ninguém era atendido se (o público a ser atendido) estivesse de roupa suja.</p><p>Letra b.</p><p>FIGURAS E VÍCIOS DE LINGUAGEM</p><p>036. 036. (FCC/TÉCNICO/TRT-18/2023)</p><p>Imagine uma pessoa afivelada a uma cama com eletrodos colados em suas têmporas. Ao se</p><p>girar um botão situado em local distante, a corrente elétrica nos eletrodos aumenta em grau</p><p>infinitesimal, de modo que o paciente não chegue a sentir. Um hambúrguer gratuito é então</p><p>ofertado a quem girar o botão. Ocorre, porém, que, quando milhares de pessoas fazem isso −</p><p>sem que cada uma saiba das ações das demais −, a descarga elétrica gerada é suficiente para</p><p>eletrocutar a vítima. Quem é responsável pelo quê? Algo tenebroso foi feito, mas de quem é a culpa?</p><p>O efeito isolado de cada giro do botão é, por definição, imperceptível − são todos “torturadores</p><p>inofensivos”. Mas o efeito conjunto é ofensivo ao extremo. Até que ponto a somatória de ínfimas</p><p>partículas de culpa se acumula numa gigantesca dívida moral coletiva? − O experimento mental</p><p>concebido pelo filósofo britânico Derek Parfit dá o que pensar. A mudança climática em curso</p><p>equivale a uma espécie de eletrocussão da biosfera. Quem a deseja? A quem interessa? O ardil da</p><p>desrazão vira do avesso a “mão invisível” da economia clássica. O aquecimento global é fruto da</p><p>alquimia perversa de incontáveis ações humanas, mas não resulta de nenhuma intenção humana.</p><p>E quem assume − ou deveria assumir − a culpa por ele? Os 7 bilhões de habitantes da Terra</p><p>pertencem a três grupos: o primeiro bilhão, no cobiçado topo da escala de consumo, responde</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>84 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>por 50% das emissões de gases-estufa; os 3 bilhões seguintes por 45%; e os 3 bilhões na base da</p><p>pirâmide (metade sem acesso a eletricidade) por 5%. Por seu modo de vida, situação geográfica</p><p>e vulnerabilidade material, este último grupo − o único inocente − é o mais tragicamente afetado</p><p>pelo “giro de botão” dos demais.</p><p>(GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)</p><p>Pode ser considerada paradoxal a seguinte expressão empregada no texto:</p><p>a) efeito isolado.</p><p>b) torturadores inofensivos.</p><p>c) ínfimas partículas.</p><p>d) intenção humana.</p><p>e) vulnerabilidade material.</p><p>Segundo o dicionário Houaiss (2009), um paradoxo é uma contradição (isto é, uma oposição</p><p>entre noções, as quais tipicamente são incompatíveis quando em contraste). Isso ocorre</p><p>em (B), já que a figura de um torturador não pode ser considerada como inofensiva. Nas</p><p>outras alternativas, não se observam paradoxos.</p><p>Letra b.</p><p>037. 037. (IDECAN/DESENVOLVEDOR/SEFAZ-RR/2023)</p><p>Postei uma foto no meu perfil do Instagram em que apareço tomando a vacina contra a Covid-19.</p><p>Na legenda, de poucas palavras, deixei claro que era a terceira dose. Recebi muitas curtidas e alguns</p><p>comentários, entre eles o de uma moça que perguntou: “Martha, você já tomou a terceira dose?”</p><p>Dias antes, havia postado sobre o lançamento do meu novo livro no Rio, em fevereiro próximo, e</p><p>disse na legenda: “Não há outras cidades confirmadas. Quando houver, avisarei”. De novo, muitas</p><p>curtidas e alguns comentários, entre eles: “E Goiânia?” “Curitiba quando?”</p><p>Não sou louca de desconsiderar: é carinho, eu sei. Mas é também um sintoma. Houve um tempo</p><p>em que as pessoas liam livros, muitos deles extensos, divididos em dois ou três volumes. Depois</p><p>veio a era tecnológica e com ela a impaciência: leituras rápidas, cultura do aperitivo. E agora nem</p><p>isso: a criatura passa os olhos por duas linhas e não registra nada.</p><p>Ninguém mais quer perder tempo, é o argumento de defesa. Mas não me convenço. A falta de foco,</p><p>sim, é que nos faz perder tempo: somos obrigados a repetir as perguntas, repetir as respostas,</p><p>voltar aos mesmos assuntos duas, três, cinco vezes. Estamos nos comunicando miseravelmente,</p><p>trocando mensagens cifradas por WhatsApp, com preguiça de dar uma informação completa,</p><p>de prestar atenção nos detalhes, de facilitar o entendimento. Agimos como aquelas telefonistas</p><p>estressadas que atendiam um cliente enquanto deixavam outros sete pendurados (na saudosa</p><p>época em que não falávamos com robôs).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>85 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Essa pressa toda pra quê mesmo? Dizem que é o tal do “Fear of Missing Out”, ou em bom português,</p><p>“medo de ficar por fora”. Em vez de a pessoa se dedicar uns minutinhos a concluir o que está</p><p>fazendo – uns minutinhos!! – ela some e já está em outra e depois outra e ainda outra interação,</p><p>que serão igualmente capengas. Isso é medo de ficar por fora? A pessoa já está em órbita e não</p><p>percebeu. Fica batendo de porta em porta e não entra em lugar nenhum.</p><p>Adentre, amigo. Puxe uma cadeira e sente. Converse. Pergunte pela família. Olhe nos olhos. Cinco</p><p>minutos de atenção não arrancarão pedaço. Fique o suficiente para demonstrar que se importa</p><p>com seu interlocutor. Cale-se e escute. Nutra esses preciosos cinco minutos, para que eles não</p><p>se dissolvam por inanição.</p><p>Ando bem tonta com a esquizofrenia cibernética, com o parcelamento de informações, com a</p><p>falta de cuidado e de concentração. Ninguém mais se esforça minimamente para estabelecer</p><p>uma conexão verdadeira. Agora virou moda dizer que fulano tá ON, sicrana tá ON. Balela. ON a</p><p>gente estava quando se importava. Agora estão todos OFF, desligados crônicos, vivendo a falsa</p><p>ilusão de uma vida plena. ON está aquele que</p><p>de sintaxe, de fonologia. Os</p><p>dicionários. Essa nossa aula,</p><p>que, por meio do código, busca</p><p>explicar esse mesmo código.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>9 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>1 .4 . NÍVEIS DE LINGUAGEM | VARIAÇÃO LINGUÍSTICA1 .4 . NÍVEIS DE LINGUAGEM | VARIAÇÃO LINGUÍSTICA</p><p>Seguindo o nosso projeto de sintetizar os conteúdos, apresento a seguir os níveis de</p><p>linguagem e os tipos de variação linguística mais cobrados em concursos públicos.</p><p>Níveis de linguagem (níveis de registro)</p><p>Culto</p><p>Faz-se uso da língua-padrão, aquela que possui prestígio social e segue</p><p>as normas da gramática tradicional.</p><p>É o nível de linguagem usado em situações formais e os falantes possuem</p><p>alto nível de escolarização.</p><p>Comum</p><p>Está situado entre os níveis culto e coloquial.</p><p>É o registro empregado por falantes com escolarização básica e pelos</p><p>meios de comunicação de massa.</p><p>Coloquial (popular)</p><p>Não possui prestígio social e é utilizado em situações informais de</p><p>comunicação.</p><p>Não “segue” as normas da gramática tradicional e faz uso de vocabulário</p><p>dito restrito (menos específico ou variado).</p><p>Na sequência, a classificação das principais variações linguísticas (utilizo as definições</p><p>de Camacho (2001)):</p><p>Tipos de variação linguística</p><p>Variação histórica</p><p>(Diacrônica)</p><p>Acontece ao longo de um determinado período de tempo e pode ser</p><p>identificada ao se comparar dois estados de uma língua. O processo de</p><p>mudança é gradual.</p><p>Variação geográfica</p><p>(Diatópica)</p><p>Trata das diferentes formas de pronúncia, vocabulário e estrutura</p><p>sintática entre regiões. Dentro de uma comunidade mais ampla, formam-</p><p>se comunidades linguísticas menores em torno de centros polarizadores</p><p>da cultura, política e economia, que acabam por definir os padrões</p><p>linguísticos utilizados na região de sua influência.</p><p>Variação social</p><p>(Diastrática)</p><p>Agrupa alguns fatores de diversidade: o nível socioeconômico,</p><p>determinado pelo meio social onde vive um indivíduo; o grau de educação;</p><p>a idade e o sexo.</p><p>Variação estilística/social</p><p>(Diafásica)</p><p>Considera um mesmo indivíduo em diferentes circunstâncias de</p><p>comunicação: se está em um ambiente familiar, profissional, o grau de</p><p>intimidade, o tipo de assunto tratado e quem são os receptores.</p><p>2 . TIPOLOGIAS E GÊNEROS TEXTUAIS2 . TIPOLOGIAS E GÊNEROS TEXTUAIS</p><p>Questões sobre as tipologias estão SEMPRE presentes em provas de concurso,</p><p>especialmente nas bancas FGV e CEBRASPE (e nas bancas VUNESP, FCC, QUADRIX, IBFC e</p><p>IDECAN). Considerando os últimos 5 anos, foram aplicadas nada menos que 1247 questões</p><p>sobre tipologias e gêneros textuais. É um conteúdo muito relevante. Em especial, a banca</p><p>FGV tem tirado o sono de muitos candidatos ao explorar em detalhes as características das</p><p>tipologias. Para as outras bancas, dominar as noções fundamentais tem sido suficiente.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>10 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Para a síntese das tipologias e dos principais gêneros cobrados em concurso, utilizarei</p><p>tabelas e mapas mentais. Iniciemos com o quadro sinóptico:</p><p>TIPOLOGIA CARACTERÍSTICAS CENTRAIS FORMAS LINGUÍSTICAS TÍPICAS</p><p>Narrativa</p><p>Na narração, há seres que participam de</p><p>eventos em determinado tempo e espaço.</p><p>Os participantes desses eventos são os</p><p>personagens, os quais podem ser reais</p><p>ou fictícios. O evento (uma espécie de</p><p>ação) é denotado por verbos nocionais e</p><p>de movimento, como cantar, correr, beijar,</p><p>nadar, ouvir etc. O tempo da narrativa é</p><p>tipicamente o passado, mas pode ser o</p><p>presente (a narração de um jogo de futebol)</p><p>ou o futuro (obras proféticas, por exemplo).</p><p>Em uma narrativa, o espaço pode ser físico</p><p>(uma cidade, uma casa, uma escola) ou</p><p>psicológico (mente do personagem ou do</p><p>narrador).</p><p>Verbos que denotam evento (com</p><p>agente e paciente).</p><p>Formas adjuntas que denotam</p><p>tempo e espaço.</p><p>Substantivos e pronomes pessoais</p><p>para identificação e retomada de</p><p>personagens.</p><p>Descritiva</p><p>Em uma descrição, apresentamos uma</p><p>série de característica de determinado</p><p>ser/objeto/espaço, formando na mente do</p><p>leitor/ouvinte a imagem do que está sendo</p><p>descrito.</p><p>Na descrição, essa apresentação de</p><p>características é verbal (oral ou escrita).</p><p>A descrição pode ser objetiva ou subjetiva.</p><p>A descrição pode ser global ou específica.</p><p>Em termos de dinâmica, pode partir do</p><p>geral para chegar ao particular ou partir</p><p>do particular para chegar ao global.</p><p>Predicações nominais.</p><p>Adjetivação (ou subordinadas</p><p>adjetivas).</p><p>Forma verbal predominante:</p><p>presente e aspecto imperfeito</p><p>(para o pretérito).</p><p>Dissertativa-Expositiva</p><p>(Expositiva)</p><p>No tipo textual dissertativo expositivo, o</p><p>autor do texto expõe/apresenta ideias, fatos</p><p>e fenômenos. Por ser de caráter expositivo,</p><p>não se busca convencer o leitor em relação</p><p>ao ponto de vista - pressupõe-se, assim, que</p><p>a dissertação expositiva apenas apresenta</p><p>a ideia, o fato ou o fenômeno.</p><p>Estruturas de impessoalização.</p><p>Verbos no presente e no passado</p><p>(retomando eventos factuais).</p><p>D i s s e r t a t i v a -</p><p>Argumentativa</p><p>(Argumentativa)</p><p>No tipo textual dissertação argumentativa,</p><p>diferentemente da dissertação expositiva,</p><p>procura-se formar a opinião do leitor ou</p><p>ouvinte, objetivando convencê-lo de que</p><p>a razão (o discernimento, o bom senso, o</p><p>juízo) está com o enunciador, de que quem</p><p>enuncia é que está de posse da verdade.</p><p>Para isso, utilizam-se argumentos.</p><p>Estruturas de impessoalização.</p><p>Verbos no presente e no passado</p><p>(retomando eventos factuais).</p><p>Há modalizadores discursivos</p><p>que denotam a perspectiva do</p><p>enunciador (adjetivos, estruturas</p><p>sintáticas, voz verbal etc.).</p><p>Injuntiva</p><p>A propriedade básica do tipo textual</p><p>injuntivo é: ensinar/orientar/instruir o leitor/</p><p>ouvinte/espectador a realizar uma tarefa.</p><p>Verbos no infinitivo.</p><p>Verbos no modo imperativo.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>11 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Para cada tipologia, há certos pormenores, que, por vezes, são abordados pelas bancas,</p><p>como na estrutura narrativa: tipo de narrador, tipo de personagem, tipos de discurso etc.</p><p>Para relembrarmos cada característica, adoto os mapas mentais a seguir (que retomam</p><p>algumas informações apresentadas no quadro anterior):</p><p>Tipologia textual – Tipologia textual – narração</p><p>Tipologia textual – Tipologia textual – descrição</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>12 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Tipologia textual – Tipologia textual – exposição ee argumentação</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>13 de 102gran.com.br</p><p>consegue pausar.</p><p>Martha Medeiros. In: NSC Total. Acesso em:https://www.nsctotal.com.br/colunistas/martha-</p><p>medeiros/quem-esta-on, 14 out., 2022</p><p>“Ando bem tonta com a esquizofrenia cibernética, com o parcelamento de informações,</p><p>com a falta de cuidado e de concentração.” (linhas 22 e 23)</p><p>O uso repetido da preposição com é um recurso linguístico chamado de</p><p>a) catáfora.</p><p>b) dêitico.</p><p>c) elipse.</p><p>d) anáfora.</p><p>e) silepse.</p><p>ATENÇÃO! O conceito de “anáfora” envolve dois significados. Segundo o dicionário Houaiss</p><p>(2009), uma anáfora pode ser a “repetição de uma palavra ou grupo de palavras no início de</p><p>duas ou mais frases sucessivas, para enfatizar o termo repetido” ou um “processo pelo qual</p><p>um termo gramatical retoma a referência de um sintagma anteriormente”. A questão da banca</p><p>examina o primeiro significado: a repetição do termo “com” configura uma anáfora. Não se</p><p>trata, então, de catáfora (antecipação de uma expressão), dêitico (referente ao momento</p><p>da enunciação), elipse (supressão de um termo que pode ser facilmente subentendido) ou</p><p>silepse (concordância lógica).</p><p>Letra d.</p><p>038. 038. (CEBRASPE/INSTITUTO RIO BRANCO/DIPLOMATA) A sentença “Eu era a imagem do que</p><p>não era” expressa um paradoxo ou oximoro.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>86 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Comentário: estamos diante de um paradoxo, de expressões que denotam sentidos (ideias)</p><p>contraditórias, opostas: ser x não ser. Observe, em especial, que a banca não faz distinção</p><p>entre os termos “paradoxo” e “oximoro”.</p><p>Certo.</p><p>039. 039. (INÉDITA/2023)</p><p>André DahmerAndré Dahmer</p><p>A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o próximo item.</p><p>O humor da tirinha reside no fato de o personagem “Homem Literal” ser incapaz de interpretar</p><p>figurativamente a expressão “Vá ver se eu estou lá na esquina”.</p><p>Por “incapaz de interpretar figurativamente”, devemos entender: interpretar apenas</p><p>literalmente (por isso ele é o “Homem Literal”!). Por meio da leitura da linguagem não</p><p>verbal, observamos o Homem Literal de fato indo a algum lugar (a esquina), o que confirma</p><p>a interpretação literal da expressão.</p><p>Certo.</p><p>040. 040. (INÉDITA/2023) Uma antítese é um tipo de linguagem figurada em que ocorre a presença</p><p>de duas palavras de sentido oposto; a frase abaixo em que NÃO ocorre a presença de uma</p><p>antítese ou de um paradoxo é:</p><p>a) “Onde nasci, morri. Onde morri, existo. E das peles que visto muitas há que não vi.” (Carlos</p><p>Drummond de Andrade);</p><p>b) “Ao olhar para o Universo, o homem é nada. Ao olhar para o Universo, o homem é tudo.”</p><p>(Marcelo Gleiser);</p><p>c) “Em tristes sombras morre a formosura; em contínuas tristezas a alegria.” (Gregório</p><p>de Matos);</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>87 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>d) “Oh, metade exilada de mim, leva os teus sinais, que a saudade dói como um barco que</p><p>aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais.” (Chico Buarque);</p><p>e) “Qualquer novo conhecimento provoca dissoluções e novas integrações.” (Hugo von</p><p>Hofmannsthal).</p><p>Em “d”, temos o predomínio de uma figura denominada comparação (além de haver</p><p>personificação), não de antítese ou paradoxo. Nas demais alternativas, observam-se as</p><p>seguintes antíteses: “a” nascer/morrer; morrer/existir; “b” nada/tudo; “c” tristeza/alegria;</p><p>e “e” dissolução/integração.</p><p>Letra d.</p><p>041. 041. (INÉDITA/2023)</p><p>O papel social da literatura africana</p><p>Em 1987, Wole Soyinka tornou-se o primeiro negro a receber um Nobel de Literatura. Fazia apenas</p><p>27 anos que a Nigéria, seu país natal, se tornara independente. Pensar que um africano poderia</p><p>receber um prêmio de reconhecimento mundial por seu intelecto e sua obra é algo recente em</p><p>nossa história. Faz 34 anos do reconhecimento de Soyinka e 28 anos que uma mulher negra, Toni</p><p>Morrison, recebeu o Nobel de Literatura de 1993.</p><p>A realidade de pessoas não brancas e não Ocidentais receberem reconhecimento no Ocidente</p><p>é tão nova quanto a emergência dos Estados africanos contemporâneos e o fim das leis de</p><p>segregação nos Estados Unidos e África do Sul. Se autores do século XVI, como Shakespeare ou</p><p>Camões, podiam ser naturalmente considerados como parte do cânone da Literatura, os autores</p><p>não europeus, em especial as mulheres do Sul global, estavam fora desse mundo. Mas quem fez</p><p>o mundo do modo que ele é, excludente, segregado e racializado?</p><p>Nossa história foi e em muitos sentidos continua sendo mediada pelo Ocidente e essa mediação</p><p>fez e faz constantes escolhas intelectuais e políticas embasadas em fortes estruturas mentais</p><p>inventadas pelo próprio Ocidente. Duas marcantes ideias dessa estrutura mental para pensarmos</p><p>o papel social da literatura africana são o racismo e o eurocentrismo. São apenas duas delas,</p><p>mas deveras definidoras.</p><p>Seguindo o pensamento ocidental desde sua expansão globalizante no século XVI, damo-nos</p><p>conta de que sua visão de mundo é excludente. Ou seja, os africanos, suas culturas, suas línguas</p><p>e suas literaturas (orais e escritas) não merecem existir. Ao olhar do estrangeiro que possui um</p><p>cocuruto recheado de ideias eurocêntricas do que é errado e do que é certo, ao chegar em África</p><p>esse estrangeiro só enxerga coisas erradas, formas desviantes de todas expressões morais,</p><p>éticas, sociais e culturais de seu berço europeu. O mesmo ocorreu com os povos originários da</p><p>América, da Oceania e da Ásia.</p><p>Não falam como falam na Europa, não conhecem e não acreditam no mesmo deus, não vivem</p><p>como se vive na Europa. O continente que colonizou a maior parte do mundo tratou de classificar</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>88 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>o mundo por meio do que considerava ausências. Se não há o que existe na Europa, então não</p><p>existe nada. É então esse povo classificado pelo outro, considerado inferior e sem valor.</p><p>Mas em vez de entender o não europeu apenas como diferente e assim deixá-lo, o pensamento</p><p>centrado na Europa se propõe universal. Por isso, ao encontrar esse mundo diferente, o desejo</p><p>de quem se considera correto é de destruir ou alterar aquilo que se considera errado. E assim</p><p>foi que a missão colonizadora, carregada de uma visão de mundo estrangeira aos africanos,</p><p>penetrou em suas “terras selvagens”, entre seus “povos incivilizados” para direcioná-los da</p><p>“escuridão para a luz.”</p><p>A noite colonial foi longa e seus efeitos ainda existem. A literatura africana é um testemunho</p><p>disso. Foi nesse mundo que Wole Soyinka nasceu. Ele e outros de sua geração, como Chinua</p><p>Achebe, Ngũgĩ wa Thiong’o, Es’kia Mphahlele, Flora Nwapa, Buchi Emecheta, Ousmane Sembène,</p><p>Ana Paula Tavares, Uanhenga Xitu e Rebeka Njau. Essa geração, em diferentes locais da África,</p><p>viveu a noite colonial, viu os sóis das independências e descobriu a vida no crepúsculo de um</p><p>mundo que ainda existe entre a colônia e a pós-colônia.</p><p>(Le Monde Diplomatique Brasil. 4.10.2022)</p><p>Utiliza-se a figura de linguagem conhecida como piada da internet conta que no seguinte</p><p>trecho:</p><p>a) [...] o pensamento centrado</p><p>na Europa se propõe universal. (6º parágrafo)</p><p>b) Em 1987, Wole Soyinka tornou-se o primeiro negro a receber um Nobel de Literatura.</p><p>(1º parágrafo)</p><p>c) Ou seja, os africanos, suas culturas, suas línguas e suas literaturas (orais e escritas) não</p><p>merecem existir. (4º parágrafo)</p><p>d) Pensar que um africano poderia receber um prêmio de reconhecimento mundial por seu</p><p>intelecto e sua obra é algo recente em nossa história. (1º parágrafo)</p><p>e) A noite colonial foi longa e seus efeitos ainda existem. (7º parágrafo)</p><p>A metáfora é a “designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa</p><p>outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança” (Houaiss,</p><p>2009). Em (E), o termo “noite” não significa especificamente o “tempo que transcorre</p><p>entre o ocaso e o nascer do sol”. Na verdade, designa um período de ignorância, de</p><p>desesperança, de obscurantismo (isto é, o que representou o período colonial para a África).</p><p>Nas demais alternativas ((A), (B), (C) e (D)), os termos estão sendo empregados em sentido</p><p>predominantemente denotativo.</p><p>Letra e.</p><p>042. 042. (INÉDITA/2023) A frase que exemplifica um caso de linguagem figurada é:</p><p>a) O dólar é uma moeda estável.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>89 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>b) O Brasil está queimando.</p><p>c) A atriz acusa o diretor de assédio.</p><p>d) Os empresários apresentaram um manifesto ao governo.</p><p>e) O Ministro Celso de Mello antecipa aposentadoria e deixará STF em 13 de outubro.</p><p>A linguagem figurada está presente em (b), já que a expressão “O Brasil está queimando” não</p><p>significa “toda a extensão territorial da República Federativa do Brasil está sendo tomada</p><p>pelo fogo”. Pela expressão, quer-se dizer que os focos de queimadas estão se ampliando</p><p>por muitas áreas (e, para destacar que as áreas são extensas e que e os focos são muitos,</p><p>há uma espécie de exagero na afirmação, de ampliação do espaço em que as queimadas</p><p>estão presentes).</p><p>Nas demais alternativas, não há linguagem figurada, mas literal (o que se afirma em (a),</p><p>(c), (d) e (e) traduz exatamente o que se vê em realidade).</p><p>Letra b.</p><p>043. 043. (FGV/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TJ-RO/2021)</p><p>Uma piada da internet conta que “Na minha cidade, havia um sujeito tão magro que,</p><p>para ter certeza de que havia entrado no Banco, ele devia passar duas vezes pela mesma</p><p>porta giratória”.</p><p>Essa piada se apoia em um caso de linguagem figurada denominado:</p><p>a) metáfora, porque mostra uma comparação;</p><p>b) hipérbole, porque contém um exagero;</p><p>c) eufemismo, porque traz a atenuação de uma ideia ruim;</p><p>d) gradação, porque se apoia numa sequência de termos;</p><p>e) ironia, porque afirma algo por meio do seu contrário.</p><p>Estamos diante de uma linguagem figurada denominada hipérbole: há um exagero em</p><p>relação a quão magro é o sujeito.</p><p>Letra b.</p><p>044. 044. (FCC/DEFENSOR/DPE-RS/2018)</p><p>Tomando resolutamente a sério as narrativas dos “selvagens”, a análise estrutural nos ensina,</p><p>já há alguns anos, que tais narrativas são precisamente muito sérias e que nelas se articula um</p><p>sistema de interrogações que elevam o pensamento mítico ao plano do pensamento propriamente</p><p>dito. Sabendo a partir de agora, graças às Mitológicas, de Claude Lévi-Strauss, que os mitos</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>90 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>não falam para nada dizerem, eles adquirem a nossos olhos um novo prestígio; e, certamente,</p><p>investi-los assim de tal gravidade não é atribuir-lhes demasiada honra.</p><p>Talvez, entretanto, o interesse muito recente que suscitam os mitos corra o risco de nos levar a</p><p>tomá-los muito “a sério” desta vez e, por assim dizer, a avaliar mal sua dimensão de pensamento.</p><p>Se, em suma, deixássemos na sombra seus aspectos mais acentuados, veríamos difundir-se uma</p><p>espécie de mitomania esquecida de um traço todavia comum a muitos mitos, e não exclusivo</p><p>de sua gravidade: o seu humor.</p><p>Não menos sérios para os que narram (os índios, por exemplo) do que para os que os recolhem</p><p>ou leem, os mitos podem, entretanto, desenvolver uma intensa impressão de cômico; eles</p><p>desempenham às vezes a função explícita de divertir os ouvintes, de desencadear sua hilaridade.</p><p>Se estamos preocupados em preservar integralmente a verdade dos mitos, não devemos</p><p>subestimar o alcance real do riso que eles provocam e considerar que um mito pode ao mesmo</p><p>tempo falar de coisas solenes e fazer rir aqueles que o escutam.</p><p>A vida cotidiana dos “primitivos”, apesar de sua dureza, não se desenvolve sempre sob o signo do</p><p>esforço ou da inquietude; também eles sabem propiciar-se verdadeiros momentos de distensão,</p><p>e seu senso agudo do ridículo os faz várias vezes caçoar de seus próprios temores. Ora, não raro</p><p>essas culturas confiam a seus mitos a tarefa de distrair os homens, desdramatizando, de certa</p><p>forma, sua existência.</p><p>Essas narrativas, ora burlescas, ora libertinas, mas nem por isso desprovidas de alguma poesia, são</p><p>bem conhecidas de todos os membros da tribo, jovens e velhos; mas, quando eles têm vontade</p><p>de rir realmente, pedem a algum velho versado no saber tradicional para contá-las mais uma</p><p>vez. O efeito nunca se desmente: os sorrisos do início passam a cacarejos mal reprimidos, o riso</p><p>explode em francas gargalhadas que acabam transformando-se em uivos de alegria.</p><p>Considerando o contexto, está correto o que se afirma em:</p><p>a) “caçoar” (4º parágrafo) está empregado em sentido metafórico.</p><p>b) “primitivos” (4º parágrafo) e “selvagens” (1º parágrafo) são sinônimos.</p><p>c) “mitos” e “pensamento” (2º parágrafo) são antônimos.</p><p>d) “selvagens” (1º parágrafo) é hiperônimo de “homens”.</p><p>e) “primitivos” (4º parágrafo) está empregado de forma irônica.</p><p>Uma forma de identificar que a palavra “primitivos” está sendo empregada com ironia é</p><p>a presença de aspas. O mesmo ocorre, por exemplo, no primeiro parágrafo (“selvagens”).</p><p>A alternativa (A) está incorreta porque a palavra “caçoar” não está sendo empregada no</p><p>sentido metafórico (na verdade, emprega-se no sentido denotativo, literal). Em (B), os</p><p>termos destacados não são intercambiáveis (como seria em uma sinonímia), pois denotam</p><p>sentidos distintos. A alternativa (C) está errada porque os termos em destaque não são</p><p>antônimos (o mito é uma espécie de pensamento). Por fim, na alternativa (D), a semântica</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>91 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>de “selvagem” não recobre o grupo semântico denotado por “homens”, por isso não pode</p><p>ser hiperônimo.</p><p>Letra e.</p><p>045. 045. (IUDS/OFICIAL/CÂM. DE ESTÂNCIA DE SOCORRO/2022)</p><p>Pode-se dizer, em relação ao texto que:</p><p>a) o termo “doces” gera humor devido a relação de sinonímia.</p><p>b) não há polissemia, pois os termos têm significado único.</p><p>c) “doces tempos” é ambíguo e responsável por desencadear o efeito de humor.</p><p>d) o vocábulo “doces” é polissêmico porque ambas as ocorrências têm sentido denotativo.</p><p>A ambiguidade está presente no termo “doce”, o qual é polissêmico: pode caracterizar</p><p>situações/acontecimentos tranquilos, felizes ou pode caracterizar algo (um</p><p>alimento)</p><p>preparado com açúcar ou outra substância adoçante. Esse termo não é polissêmico porque</p><p>ambas as ocorrências têm sentido denotativo (na verdade, o primeiro sentido é figurado).</p><p>No quadrinho em questão, o termo não estabelece relação de sinonímia (com outro termo).</p><p>Letra c.</p><p>REESCRITA</p><p>046. 046. (CEBRASPE/PROFESSOR/SEE-PE/2023)</p><p>Com altos índices de evasão escolar, baixo engajamento e conteúdos pouco conectados à realidade</p><p>dos alunos, o ensino médio já era, antes da pandemia de covid-19, a etapa mais desafiadora da</p><p>educação básica. Com o fechamento das escolas e o distanciamento dos estudantes do convívio</p><p>educacional, os últimos anos escolares passaram a trazer ainda mais dificuldades a serem</p><p>enfrentadas — reforçadas pelas desigualdades raciais, socioeconômicas e de acesso à Internet.</p><p>Nenhuma avaliação diagnóstica precisou os prejuízos totais da pandemia para a aprendizagem</p><p>dos alunos, mas há alguns estudos que ajudam a entender melhor o cenário. Uma pesquisa</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>92 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>realizada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de</p><p>Juiz de Fora (UFJF) apontou que houve piora em todas as séries avaliadas. Segundo a pesquisa</p><p>amostral, em matemática, o desempenho alcançado no 3º ano do ensino médio foi de 255,3</p><p>pontos na escala de proficiência, inferior aos 261,7 obtidos pelos estudantes ao final do 9º ano</p><p>do ensino fundamental no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2019. Em língua</p><p>portuguesa, os estudantes do 9º ano apresentaram uma queda de 12 pontos, e os do 3º ano do</p><p>ensino médio, de 11 pontos.</p><p>Após o retorno presencial, estados e municípios ainda têm muito trabalho para identificar os reais</p><p>prejuízos, dimensioná-los e encontrar caminhos e soluções para que professores e estudantes</p><p>possam retomar a aprendizagem.</p><p>Para Suelaine Carneiro, coordenadora de educação na Geledés, organização da sociedade civil</p><p>que se posiciona em defesa de mulheres e homens negros, “há um consenso de que não foi</p><p>possível atender todos os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número</p><p>de participação dos estudantes, somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a</p><p>resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os dados</p><p>também mostram dificuldades no que diz respeito à compreensão e à resolução das tarefas.”</p><p>De acordo com ela, a situação de alunos negros requer ainda mais atenção. “É preciso prestar</p><p>atenção nessa condição: a pessoa já estava vulnerável socialmente, sem a possibilidade de</p><p>realizar um isolamento dentro de casa, pois vive em uma casa pequena ou onde não há cômodos</p><p>suficientes”, contextualiza Suelaine.</p><p>Agravada pela pandemia, que engrossou o número de trabalhadores desempregados, a questão</p><p>econômica foi um dos grandes fatores que impactou a vida dos estudantes do ensino médio.</p><p>“Temos alunos que estão trabalhando no horário de aula, dizendo que precisam ajudar a família,</p><p>e aos fins de semana assistem às atividades”, relata a professora Lucenir Ferreira, da Escola</p><p>Estadual Mário Davi Andreazza, em Boa Vista (RR). Lucenir conta que muitos alunos chegam a falar</p><p>que não conseguem aprender nada e desabafam por sentir que a aprendizagem foi prejudicada,</p><p>principalmente os que estão em processo de preparação para o vestibular.</p><p>Apesar dos desafios, Suelaine acredita que os impactos não são irreversíveis, como outros</p><p>especialistas têm apontado. “Você pode recuperar dois anos se houver políticas públicas,</p><p>compromisso público com a educação, de forma a desenvolver diferentes ações”, diz ela.</p><p>Internet: <novaescola.org.br> (com adaptações).</p><p>Em relação aos aspectos gramaticais do texto precedente, julgue o seguinte item.</p><p>Em “Para Suelaine Carneiro” (início do quarto parágrafo), a palavra “Para” poderia ser</p><p>substituída por Segundo, sem prejuízo dos sentidos e da correção gramatical do texto.</p><p>As duas formas – “para” e “segundo” – são conectivos que denotam conformidade. Por essa</p><p>razão, são intercambiáveis (um termo pode substituir o outro no contexto de ocorrência</p><p>em análise).</p><p>Certo.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>93 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>047. 047. (IADES/AUDITOR/VISA-DF/2023)</p><p>Operação Pronto Emprego</p><p>A Secretaria DF Legal deu início, em agosto de 2020, à Operação Pronto Emprego, com o objetivo</p><p>de combater as invasões de terra e obras irregulares, ainda em fase inicial de construção. A</p><p>operação busca dar resposta às denúncias dessa natureza dentro do prazo de até 72 horas,</p><p>a partir do conhecimento do fato. Dessa forma, procura reduzir os impactos social, político e</p><p>financeiro, inclusive para os infratores.</p><p>São removidas casas e barracos desabitados, cercamentos, bases para construção, muros, caixas</p><p>d’água irregulares, cisternas, poços, entre outras edificações ilegais.</p><p>NEUBERGER, Tereza. Disponível em: <https://jomaldebrasilia.com.br/brasilia/ Acesso em: 30</p><p>jan. 2023, com adaptações.</p><p>Com base nas regras de concordância prescritas pela norma-padrão e nas relações</p><p>morfossintáticas do texto. assinale a alternativa correta.</p><p>a) A redação Foi iniciado pela Secretaria DF Legal, em agosto de 2020, a Operação Pronto</p><p>Emprego poderia substituir o trecho “A Secretaria DF Legal deu início, em agosto de 2020,</p><p>à Operação Pronto Emprego”.</p><p>b) O trecho “ainda em fase inicial de construção” poderia ser substituído pela redação a</p><p>qual ainda se encontra em fase inicial de construção.</p><p>c) A autora deveria empregar o vocábulo bastante no plural, caso desejasse incluí-lo diante</p><p>do substantivo “denúncias”.</p><p>d) A construção “os impactos social, político e financeiro” não poderia ser substituída pela</p><p>redação o impacto social, o político e o financeiro.</p><p>e) A construção “São removidas” poderia ser substituída pela forma Remove-se.</p><p>Ainda que a redação fique estranha, é correto registrar “às bastantes denúncias” (equivalente</p><p>a “às muitas denúncias”), pois o termo é adjetivo. Nas demais alternativas, os registros</p><p>corretos seriam estes: (A) foi iniciada a Operação (concorda com o termo feminino); (B) as</p><p>quais ainda se encontram (retoma “as invasões e obras”); (D) a substituição é possível (note o</p><p>determinante antes do 2º adjetivo); (E) Removem-se (concorda na terceira pessoa do plural).</p><p>Letra c.</p><p>048. 048. (IADES/ANALISTA DE COMUNICAÇÃO/CAU-MS/2021) Tendo como referência a</p><p>norma-padrão, as questões gramaticais e os sentidos que envolvem o texto, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>a) Em “Todo esse patrimônio é desconhecido do povo brasileiro, que tem referências sobre”</p><p>(linhas de 29 a 31), se houver a substituição de “povo brasileiro” por brasileiros, a nova</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>94 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>construção será “Todo esse patrimônio é desconhecido dos brasileiros, os quais têm</p><p>referências sobre”.</p><p>b) O verbo sublinhado na construção “tendo parte de suas edificações e de seu traçado</p><p>urbano tombada como patrimônio</p><p>da União pelo Instituto do Patrimônio Histórico e</p><p>Artístico Nacional (Iphan) há 30 anos.” (linhas de 5 a 8), poderia ser substituído pela forma</p><p>verbal fazem.</p><p>c) Em “é uma cidade que foi quase destruída com a Guerra do Paraguai” (linhas 4 e 5),</p><p>poder-se-ia substituir a construção em voz passiva por sua correspondente na voz ativa:</p><p>O Paraguai quase destruiu a cidade.</p><p>d) Considerando a colocação pronominal, se, no trecho “Fazendas rurais e sua arquitetura</p><p>tipicamente mineira fundem-se com o” (linhas 16 e 17), caso houvesse o acréscimo de não</p><p>depois da palavra “mineira”, a próclise seria facultativa.</p><p>e) No trecho “localizada às margens do Rio Paraguai” (linha 3), a expressão sublinhada</p><p>poderia ser substituída por a beira do.</p><p>A substituição proposta em (A) está adequada: o pronome relativo passa a “os quais” e o</p><p>verbo “têm” deve ser registrado com circunflexo (porque o sujeito será de terceira pessoa</p><p>do plural). Nas demais alternativas, as incorreções são estas: (B) no sentido de tempo</p><p>decorrido, o verbo “fazer” deve permanecer invariável (terceira pessoa do singular: faz 30</p><p>anos); (C) a construção proposta não é a versão ativa da passiva correspondente (a versão</p><p>ativa seria algo como “alguém/algo quase destruiu que [= uma cidade]”; (D) com a presença</p><p>da palavra “não”, a próclise é obrigatória; (E) a substituição não registra a crase obrigatória</p><p>em “à beira do”.</p><p>Letra a.</p><p>Eu deveria cantar.</p><p>Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas. Talvez então pudesse</p><p>acender uma vela, correr até a igreja da Consolação, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e uma</p><p>Glória ao Pai, tudo que eu lembrava, depois enfiar algum trocado, se tivesse, e nos últimos meses</p><p>nunca, na caixa de metal “Para as Almas do Purgatório”. Agradecer, pedir luz, como nos tempos</p><p>em que tinha fé.</p><p>Bons tempos aqueles, pensei. Acendi um cigarro. E não tomei nenhuma dessas atitudes, dramáticas</p><p>como se em algum canto houvesse sempre uma câmera cinematográfica à minha espreita. Ou</p><p>Deus. Sem juiz nem plateia, sem close nem zoom, fiquei ali parado no começo da tarde escaldante</p><p>de fevereiro, olhando o telefone que acabara de desligar. Nem sequer fiz o sinal da cruz ou levantei</p><p>os olhos para o céu. O mínimo, suponho, que um sujeito tem a obrigação de fazer nesses casos,</p><p>mesmo sem nenhuma fé, como se reagisse a uma espécie de reflexo condicionado místico.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>95 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Acontecera um milagre. Um milagre à toa, mas básico para quem, como eu, não tinha pais ricos,</p><p>dinheiro aplicado, imóveis, nem herança e apenas tentava viver sozinho numa cidade infernal</p><p>como aquela que trepidava lá fora, além da janela ainda fechada do apartamento. Nada muito</p><p>sensacional, tipo recuperar de súbito a visão ou erguer-se da cadeira de rodas com o semblante</p><p>beatificado e a leveza de quem pisa sobre as águas. Embora a miopia ficasse cada vez mais aguda</p><p>e os joelhos tremessem com frequência, não sabia se fome crônica ou pura tristeza, meus olhos</p><p>e pernas ainda funcionavam razoavelmente. Outros órgãos, verdade, bem menos.</p><p>Toquei o pescoço. E o cérebro, por exemplo.</p><p>Já chega, disse para mim mesmo, parado nu no meio da penumbra gosmenta do meio-dia. Pense</p><p>nesse milagre, homem. Singelo, quase insignificante na sua simplicidade, o pequeno milagre</p><p>capaz de trazer alguma paz àquela série de solavancos sem rumo nem ritmo que eu, com certa</p><p>complacência e nenhuma originalidade, estava habituado a chamar de minha vida, tinha um</p><p>nome. Chamava-se – um emprego.</p><p>(ABREU, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga? São Paulo: Planeta De Agostini, 2003, p.11-12).</p><p>A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os próximos</p><p>itens.</p><p>049. 049. (INÉDITA/2023) A substituição do trecho “tipo recuperar de súbito a visão ou erguer-se</p><p>da cadeira de rodas com o semblante beatificado e a leveza de quem pisa sobre as águas”</p><p>(terceiro período do quarto parágrafo) por “como recuperar subitamente a visão ou erguer-</p><p>se da cadeira de rodas com o semblante bem-aventurado e a leveza de quem caminha sobre</p><p>as águas” manteria os sentidos e a coerência do texto.</p><p>Todas as substituições estão adequadas, pois mantêm os sentidos originais e a coerência</p><p>do texto: “tipo” e “como”; “de súbito” e “subitamente”; “beatificado” e “bem-aventurado”;</p><p>e “pisa sobre” e “caminha sobre”.</p><p>Certo.</p><p>050. 050. (INÉDITA/2023) No sexto período do terceiro parágrafo, a substituição de “Nem sequer”</p><p>por Nem ao menos prejudicaria a coerência e a correção gramatical do texto.</p><p>A substituição, na verdade, é adequada e não prejudicaria a coerência e a correção gramatical</p><p>do texto. As duas formas expressam negação, introduzindo algo não realizado.</p><p>Errado.</p><p>No livro O Visconde Partido ao Meio, de Italo Calvino, o jovem Medardo di Terralba se mete em</p><p>uma batalha pela cristandade, leva um balaço de canhão e sai cortado em duas metades: o lado</p><p>esquerdo é benigno, o direito é insidioso. Se fosse possível dividir o padre Júlio Renato Lancellotti</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>96 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>em dois, a banda boa seria de uma simpatia comovente. O religioso tem fraqueza por doces</p><p>retrôs, como marzipã e marrom-glacé, especialmente o espanhol. Reserva os sábados para</p><p>regar plantas. Vive rodeado por uma coleção de imagens de seus santos preferidos, a maioria</p><p>deles com histórias de vida dificílimas. Gosta de citações. Em momentos graves das conversas,</p><p>encaixa uma da escritora existencialista Simone de Beauvoir: “O opressor não seria tão forte se</p><p>não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.” Em horas mais descontraídas, lembra da</p><p>frase atribuída ao bovino Homer, o pai na animação Os Simpsons: “Se a culpa é minha, eu coloco</p><p>em quem eu quiser.” Orgulha-se de nunca ter tirado férias e só ter ido ao exterior rapidamente</p><p>e a trabalho, em rasantes pela Itália, Colômbia, Nicarágua, Panamá e El Salvador. Parece muito</p><p>feliz com sua opção de não ter carro, roupas de marca, sapatos caros ou títulos imponentes</p><p>demais dentro da Igreja Católica. Transita, embevecido, entre pilhas de livros espalhadas pela</p><p>casa onde mora com três sobrinhos no bairro do Belém, na Zona Leste de São Paulo – só na sala,</p><p>são três, escoradas umas nas outras; no corredor, quatro, que sobem do chão até o teto como</p><p>cobras. Às vezes, fica pensando quem é que cuidará desse acervo quando morrer.</p><p>A metade atroz do padre partido ao meio seria casca-grossa. Ele tem iracúndias sagradas – e</p><p>não raro estoura alguma gritaria fenomenal na sacristia da Paróquia São Miguel Arcanjo, uma</p><p>pequena igreja, bem no limite entre os bairros do Belenzinho e da Mooca, que comanda há 36</p><p>anos. Personalista, tende a narrar os feitos de sua comunidade na primeira pessoa, o que às</p><p>vezes irrita e espana alguns colaboradores. Como, ao longo da vida, já visitou vários círculos</p><p>do Inferno de Dante, é desconfiado e solta frases que parecem delírios persecutórios como</p><p>“o próximo ataque, eu nunca sei de onde virá…”. Exige, sempre, soluções imediatas para o que</p><p>quer e arma circos homéricos quando não consegue – como sabem todos os últimos prefeitos</p><p>de São Paulo. E, por causa desse conjunto, pode provocar decepções nos que esperam virtude</p><p>total dos líderes espirituais, mais ou menos como aquele</p><p>desapontamento planetário de 2019,</p><p>quando o papa Francisco, num arroubo de irritação extrema, tascou uma palmada nas mãos de</p><p>uma peregrina que o puxou pelo braço.</p><p>Na vida pública, o padre Júlio Lancellotti é há décadas realmente cortado ao meio, em duas fatias</p><p>irreconciliáveis. Por um lado, é beatificado em vida por seu destemido trabalho de assistência aos</p><p>excluídos dos excluídos: os sem-teto, a população carcerária, os menores infratores, as crianças</p><p>órfãs portadoras de HIV, os jovens LGBTQIA+ que são marginalizados. Por outro, é demonizado</p><p>como aproveitador da população carente, um “esquerdopadre” viciado em mídia. Lancellotti</p><p>reage suspendendo os ombros, num misto de indiferença e desânimo, sempre que fala desse</p><p>pêndulo frequente sobre sua cabeça. “Na verdade, eu acho é que muita gente me vê como um</p><p>enigma”, diz, ajeitando o longo crucifixo que usa no pescoço.</p><p>Mesmo dentro da Igreja Católica, o padre Júlio ocupa um lugar próprio, sujeito a rapapés e</p><p>pedradas. No Brasil, a instituição é formada por uma tropa de 268 bispos, 48 cardeais na ativa</p><p>e 19 428 padres distribuídos por 12,2 mil paróquias. Para se manter dentro dos preceitos, todos</p><p>precisam andar na linha hierárquica e fechar questão em temas fundamentais de fé e moral,</p><p>o que não é pouco. De resto, a Igreja é um cintilante regime democrático. Qualquer integrante</p><p>do clero tem o direito de ser um conservador, um moderado ou um progressista. Nesse aquário</p><p>colorido, a maioria esmagadora dos sacerdotes com influência que vai além de seus altares</p><p>integra a categoria dos cantores e/ou youtubers ligados à Renovação Carismática, corrente</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>97 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>de orientação conservadora. Dono de um magnetismo envolvente, o padre Marcelo Rossi é o</p><p>expoente dessa ala.</p><p>Aos 72 anos, vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, o</p><p>padre Júlio Lancellotti é também um nome famoso, mas acomoda-se numa gaveta mais solitária.</p><p>Ele é, hoje, o padre mais político do Brasil.</p><p>(Angélica Santa Cruz. O Padre que morde. Revista Piauí, 18 de julho de 2021).</p><p>A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os próximos</p><p>itens.</p><p>051. 051. (INÉDITA/2023) Sem prejuízo da correção gramatical, a expressão “com histórias de</p><p>vida dificílimas” poderia ser substituída por “com histórias de vida dificílima”.</p><p>Em “com histórias de vida dificílimas”, a concordância do termo “dificílima” ocorre com</p><p>“histórias de vida” (as “histórias de vida” é que são dificílimas). Em “com histórias de vida</p><p>dificílima”, por sua vez, a “vida” é que é dificílima. A concordância, portanto, está adequada.</p><p>Se há ou não mudança de sentido, isso não importa, pois o item expressa com clareza: “Sem</p><p>prejuízo da correção gramatical”.</p><p>Certo.</p><p>052. 052. (INÉDITA/2023) Em “Transita, embevecido, entre pilhas de livros espalhadas pela casa</p><p>onde mora com três sobrinhos no bairro do Belém”, o vocábulo “embevecido” poderia ser</p><p>substituído por “envaidecido”, sem prejuízo do sentido original do texto.</p><p>O termo “envaidecido” não é sinônimo de “embevecido”, por isso a substituição gera prejuízo</p><p>do sentido original do texto. “Embevecido” significa “extasiado”, “encantado”.</p><p>Errado.</p><p>053. 053. (INÉDITA/2023) Estaria gramaticalmente correta a substituição de “há” por “existe”</p><p>em “que comanda há 36 anos” (2º parágrafo).</p><p>A substituição de “haver” por “existir” só é possível quando o verbo “haver” denota existência.</p><p>Quando “haver” denota tempo decorrido, essa substituição não é gramaticalmente correta.</p><p>Errado.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>98 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>054. 054. (INÉDITA/2023) Em “pela casa onde mora com os sobrinhos”, o vocábulo “onde” poderia</p><p>ser substituído pela expressão “em que”, sem prejuízo da correção gramatical e do sentido</p><p>original do texto.</p><p>As duas expressões (“onde” e “em que”) denotam localização. Além disso, a neutralidade de</p><p>“que” permite a vinculação à expressão “casa”. Afirmativa correta, portanto.</p><p>Certo.</p><p>055. 055. (QUADRIX/PROFESSOR L. PORTUGUESA/SEDF/2018)</p><p>Pronomes</p><p>1 Antes de apresentar o Carlinhos para a turma, Carolina pediu:</p><p>— Me faz um favor?</p><p>— O quê?</p><p>4 — Você não vai ficar chateado?</p><p>— O que é?</p><p>— Não fala tão certo.</p><p>7 — Como assim?</p><p>— Você fala certo demais. Fica meio esquisito.</p><p>— Por quê?</p><p>10 — É que a turma repara. Sei lá, parece...</p><p>— Soberba?</p><p>— Olha aí, “soberba”. Se você falar “soberba”, ninguém vai saber o que é. Não fala “soberba”. Nem</p><p>“todavia”. Nem “outrossim”. E cuidado com os pronomes.</p><p>— Os pronomes? Não posso usá‐los corretamente?</p><p>16 — Está vendo? Usar eles. Usar eles!</p><p>O Carlinhos ficou tão chateado que, junto com a turma, não falou nem certo nem errado. Não</p><p>falou nada. Até comentaram:</p><p>— Ó, Carol, teu namorado é mudo?</p><p>Ele ia dizer “Não, é que, falando, sentir‐me‐ia vexado”, mas se conteve a tempo. Depois, quando</p><p>estavam sozinhos, a Carolina agradeceu, com aquela voz que ele gostava.</p><p>24 — Comigo você pode botar os pronomes onde quiser, Carlinhos.</p><p>Aquela voz de cobertura de caramelo.</p><p>Luis Fernando Verissimo. Contos de verão. In: O Estado de S. Paulo, Caderno 2, Cultura, p. D2,</p><p>jan./2000.</p><p>Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto, julgue os itens a seguir.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>99 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>No trecho “— Você fala certo demais. Fica meio esquisito.” (linha 8), a inserção de ponto e</p><p>vírgula no lugar de ponto continuativo entre as duas orações, com a devida conversão de</p><p>letra maiúscula em minúscula, manteria a correção gramatical e a coesão textual.</p><p>A reescrita proposta ficaria assim: “Você fala certo demais; fica meio esquisito.” Como se</p><p>vê, as relações coesivas são mantidas com a substituição do ponto final por ponto e vírgula,</p><p>dado que as orações são semanticamente próximas (interagem mais fortemente, tendo em</p><p>vista a primeira afirmativa ser retomada na elipse do verbo “fica”, na segunda afirmativa).</p><p>Certo.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>100 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>REFERÊNCIASREFERÊNCIAS</p><p>ADLER & DOREN. Como ler um livro. 1990.</p><p>AZEREDO, J. Gramática Houaiss da língua portuguesa. 2008.</p><p>BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República. 2018.</p><p>CAMACHO, R. Sociolinguística. 2001.</p><p>GARCIA, O. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever aprendendo a pensar.</p><p>2013.</p><p>HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. 2009.</p><p>JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 2014.</p><p>KOCH, I. Introdução à linguística textual. 2013.</p><p>KOCH, I. O texto e a construção dos sentidos. 2008.</p><p>MARCUSCHI, L. Produção textual, análise de gêneros e compreensão.</p><p>2012.</p><p>MEDEIROS, J. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 2017.</p><p>PEIRCE, C. Semiótica. 2016</p><p>PEREIRA & NEVES. Ler/Falar/Escrever. Práticas discursivas no ensino médio: uma</p><p>proposta teórico-metodológica. 2012.</p><p>PLATÃO & FIORIN. Para entender o texto: leitura e redação. 2007.</p><p>PRETO, D. Sociolinguística: os níveis de fala. 2000.</p><p>WALTON, D. Lógica informal. 2012.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>101 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>ANEXOANEXO</p><p>SIGLAS E ABREVIATURAS</p><p>e.g. – exempli gratia (forma latina de “por exemplo”).</p><p>etc. – et cetera (forma latina de “e outras coisas”).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>Abra</p><p>caminhos</p><p>crie</p><p>futuros</p><p>gran.com.br</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>Sumário</p><p>Apresentação</p><p>PDF Sintético de Interpretação e Compreensão de Textos</p><p>1. Interpretação e Compreensão de Textos</p><p>1.1. Pressupostos e subentendidos</p><p>1.2. Vozes Discursivas e Tipos de Discurso | Intertextualidade</p><p>1.3. Elementos da Comunicação e Funções da Linguagem</p><p>1.4. Níveis de Linguagem | Variação Linguística</p><p>2. Tipologias e Gêneros Textuais</p><p>2.1. Os Gêneros Textuais</p><p>3. Coesão e Coerência</p><p>4. Semântica</p><p>4.1. Denotação e Conotação</p><p>4.2. Sinonímia e Antonímia</p><p>4.3. Polissemia e Ambiguidade</p><p>5. Figuras e Vícios de Linguagem</p><p>6. Reescrita</p><p>Questões de Concurso</p><p>Gabarito</p><p>Gabarito Comentado</p><p>Referências</p><p>Anexo</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Tipologia textual -Tipologia textual - injunção</p><p>2 .1 . OS GÊNEROS TEXTUAIS2 .1 . OS GÊNEROS TEXTUAIS</p><p>Os principais gêneros textuais possuem as seguintes características:</p><p>Gênero textual Característica(s)</p><p>Editorial Argumenta-se em favor de uma tese, a qual se encaminha para uma proposta de</p><p>intervenção. O ponto de vista apresentado é o do veículo de comunicação ( jornal,</p><p>canal de TV, rádio etc.), da empresa jornalística ou do redator-chefe.</p><p>Artigo de opinião Busca-se convencer o leitor em relação a uma determinada ideia. O autor do artigo</p><p>de opinião não representa o ponto de vista do veículo que publica o texto, mas sim do</p><p>próprio articulista. Esse também é um gênero pertencente ao tipo textual dissertativo-</p><p>argumentativo. É frequente o uso da primeira pessoa do singular e de modalizadores</p><p>do discurso, marcando um posicionamento individual de quem escreve.</p><p>Notícia Relata-se concisamente e objetivamente os fatos da realidade, destacando-se as</p><p>seguintes informações: o que, quem, quando, onde, como e por quê.</p><p>Reportagem É um texto jornalístico que trata de fatos de interesse público. A abordagem desses</p><p>fatos é mais aprofundada (e didática) em relação à abordagem observada no gênero</p><p>notícia.</p><p>Crônica É um texto literário breve, com trama quase sempre pouco definida e motivos geralmente</p><p>extraídos do cotidiano imediato. É um texto de natureza tipicamente narrativa.</p><p>Conto É uma narrativa breve e concisa. No conto, há um só conflito, uma única ação (com</p><p>espaço geralmente limitado a um ambiente). Além disso, há unidade de tempo e</p><p>número restrito de personagens. O conflito é quase sempre resolvido após o clímax.</p><p>Divinatório Possui valor “preditivo” e busca estabelecer o futuro (seja do interlocutor, seja de</p><p>terceiros). Exemplo: horóscopo.</p><p>Publ ic itár io e</p><p>propagandístico</p><p>Nos textos publicitários e propagandísticos, o emissor busca evidenciar a função</p><p>conativa, atuando sobre o comportamento do destinatário. As formas linguísticas mais</p><p>comuns são o imperativo (modo verbal), além de se adotarem outras estratégias de</p><p>convencimento. Os suportes mais comuns são a mídia impressa, os canais de televisão</p><p>e as redes sociais.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>14 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>3 . COESÃO E COERÊNCIA3 . COESÃO E COERÊNCIA</p><p>A noção de coerência é vinculada à ideia de harmonia. Um texto coerente é um texto</p><p>harmônico; e para haver harmonia, é necessário que as partes se integrem num todo coeso.</p><p>Opa, já temos uma vinculação entre coerência e coesão.</p><p>Há dois tipos centrais de coesão: a sequencial e a referencial. Na coesão sequencial,</p><p>os termos se conectam numa sequência lógica e articulada. Para isso, utilizam-se as</p><p>preposições e as conjunções, além de outras estruturas articuladoras (como certas formas</p><p>adverbiais, e.g. primeiramente). Como estamos trabalhando em formato de síntese, faço</p><p>remissão ao PDF Sintético de Gramática para a revisão das preposições e das conjunções</p><p>(coordenativas e subordinativas).</p><p>Na coesão referencial, três referências são relevantes: textual, espacial e temporal.</p><p>Na coesão referencial espacial e temporal, os referentes são os elementos da enunciação</p><p>(atores do discurso, contexto da enunciação e momento da enunciação).</p><p>Coesão referencial</p><p>Textual Espacial Temporal</p><p>Anáfora (retoma)</p><p>Perto do enunciador Presente</p><p>Catáfora (antecipa)</p><p>Perto do interlocutor Passado</p><p>Longe do enunciador e do interlocutor Futuro</p><p>As formas linguísticas típicas da coesão referencial são os pronomes e os verbos. Os</p><p>pronomes retomam ou antecipam formas substantivas (sintagmas nominais) ou estruturas</p><p>mais complexas (oracionais ou até paragrafais). Os verbos manifestam as propriedades</p><p>gramaticais de tempo e de número-pessoa (as quais são capazes de referenciar). Outras</p><p>estratégias de coesão referencial são utilizadas (e cobradas em concursos), como retomada</p><p>por elipse (apagamento fonológico/gráfico de uma forma linguística subentendida),</p><p>por sinonímia, por perífrase etc.</p><p>Professor, esse conteúdo é muito cobrado em provas de concurso?Professor, esse conteúdo é muito cobrado em provas de concurso?</p><p>Eu sempre falo para os meus alunos que as bancas cobram com muita frequência o</p><p>conteúdo de coesão (sequencial e referencial). Nos últimos cinco anos, foram aplicadas</p><p>4.708 questões sobre esse tema. Isso nos mostra o quão importante é esse conhecimento</p><p>para a sua preparação.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>15 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>4 . SEMÂNTICA4 . SEMÂNTICA</p><p>O conteúdo de semântica é o mais complexo de se ensinar. Eis o porquê: não é possível</p><p>apresentar a você, candidato em preparação para uma prova, os significados de todos os</p><p>vocábulos em português. A única forma de se ampliar esse conhecimento é por meio</p><p>de muita leitura (e eu sei que você tem lido muito – e isso é ótimo) e por meio de uma</p><p>técnica bastante eficaz: depreender os sentidos do vocábulo pelo contexto. Vamos à</p><p>segunda técnica.</p><p>Imagine uma mulher conversando com uma amiga após um encontro ruim: “Nossa,</p><p>não gostei do Pedro. Ele estava muito sorumbático no encontro. Eu esperava alguém mais</p><p>animado, mais alegre”. A palavra desconhecida é “sorumbático”. Você consegue depreender</p><p>o significado desse adjetivo? Pelo contexto, certamente é o contrário de animado, de</p><p>alegre. Logo, seria algo como “triste”, “sombrio”. Pronto, chegamos ao significado correto</p><p>da palavra em análise!</p><p>Em termos técnicos, a semântica estuda o modo como um significante se une a um</p><p>significado, formando um signo linguístico. Em concursos, os seguintes conceitos são</p><p>fundamentais: denotação e conotação; sinonímia e antonímia e polissemia e ambiguidade.</p><p>As bancas são muito prolíficas (uia, que palavra mais chique, professor!) na cobrança de</p><p>conhecimentos de semântica. Somente nos últimos 5 anos (consulta na Plataforma Gran</p><p>Questões), foram aplicadas 1275 questões sobre esse conteúdo.</p><p>4 .1 . DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO4 .1 . DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO</p><p>A denotação é a relação significativa objetiva entre o significante e o significado. A</p><p>denotação é o elemento estável da significação da palavra, elemento não subjetivo (isto é,</p><p>descreve as coisas do mundo tal qual elas são). Pode ser analisado fora do discurso (contexto).</p><p>A conotação, por sua vez, é o conjunto de alterações ou ampliações que se agregam</p><p>ao sentido denotativo de um signo. Essas alterações e ampliações ocorrem por associações</p><p>linguísticas de diversos tipos (estilísticas, fonéticas, semânticas) ou por identificação com</p><p>algum dos atributos de coisas, pessoas e seres da natureza.</p><p>Como ilustração, observe a palavra “cachorro”. Em sentido denotativo, esse signo</p><p>denomina um “mamífero carnívoro da família dos canídeos”. Em sentido conotativo, essa</p><p>palavra qualifica (ou denomina) um indivíduo indigno ou mau-caráter.</p><p>As noções de denotação e conotação são próximas às noções de sentido literal (conforme</p><p>ao próprio e genuíno significado das palavras, por oposição ao seu sentido figurado; exato,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>16 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>rigoroso) e sentido figurado (que se caracteriza por uso abundante e sistemático das</p><p>figuras de palavra (tropos), como a metáfora, a metonímia e a sinédoque).</p><p>4 .2 . SINONÍMIA E ANTONÍMIA4 .2 . SINONÍMIA E ANTONÍMIA</p><p>Para os conceitos de sinonímia e antonímia, basta lembrar do seguinte par:</p><p>SINÔMIMO IGUAL</p><p>ANTÔNIMO CONTRÁRIO</p><p>Temos, então, o seguinte: a sinonímia é a relação que se estabelece entre duas palavras</p><p>ou mais que apresentam significados iguais ou semelhantes; a antonímia é a relação que se</p><p>estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados diferentes, contrários.</p><p>4 .3 . POLISSEMIA E AMBIGUIDADE4 .3 . POLISSEMIA E AMBIGUIDADE</p><p>Para os fenômenos semânticos de polissemia e ambiguidade, vale o seguinte esquema:</p><p>POLISSEMIA</p><p>MAIS DE 1 SIGNIFICADO</p><p>AMBIGUIDADE</p><p>Ou seja, na polissemia e na ambiguidade, a expressão linguística possui mais de um</p><p>significado (mais de uma interpretação possível). A ambiguidade só será resolvida pelo</p><p>contexto (isto é, só se sabe o significado “real” de uma frase quando conhecemos o contexto</p><p>em que o enunciado ocorreu).</p><p>Em uma prova recente da banca FGV (2023), uma frase foi apresentada em uma das</p><p>alternativas: “Antes de sair, meu pai quis aconselhar-me.” Você consegue identificar</p><p>a ambiguidade? Quem saiu? Quem falou a frase (o “eu” discursivo”) ou o pai? Apenas o</p><p>contexto responde essas perguntas.</p><p>A mesma situação ocorre na polissemia/homonímia, em que uma palavra possui mais</p><p>de um significado (por exemplo, em “ele ficou no banco o dia todo”, em que não sabemos</p><p>se o banco é um móvel (um assento) ou um estabelecimento (financeiro)).</p><p>5 . FIGURAS E VÍCIOS DE LINGUAGEM5 . FIGURAS E VÍCIOS DE LINGUAGEM</p><p>Na Plataforma Gran Questões (filtros: Língua Portuguesa, últimos 4 anos, todas as</p><p>bancas), há 918 questões sobre Figuras de Linguagem e 156 questões sobre Vícios de</p><p>Linguagem. Os enunciados tipicamente apresentam estas formulações:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>17 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Banca Enunciado da questão sobre Figuras e Vícios de Linguagem</p><p>CEBRASPE</p><p>A personificação, figura de linguagem em que características humanas são</p><p>atribuídas a algo inanimado ou abstrato, evidencia-se nas passagens da</p><p>penúltima estrofe.</p><p>No trecho “embaça-se um homem a si mesmo”, do texto, nota-se uso expressivo</p><p>de pleonasmo, que, no caso em questão, configura-se pela</p><p>FGV</p><p>Essa frase refere-se a uma figura de linguagem denominada eufemismo, em</p><p>que se apresenta uma coisa ruim por meio de expressões mais brandas.</p><p>Assinale a opção que indica o problema de construção dessa frase.</p><p>VUNESP</p><p>Verifica-se um aparente paradoxo entre os termos que compõem a expressão</p><p>A comunicação nas organizações quando bem executada contribui no</p><p>envolvimento da equipe, na confiança dos clientes e do mercado, ou seja, no</p><p>alcance dos resultados pretendidos. Contudo, quando há erros, os problemas</p><p>são inevitáveis. Veja a charge a seguir e responda: qual é o tipo de erro cometido</p><p>nesse tipo de comunicação?</p><p>QUADRIX</p><p>É correto afirmar que a expressão “resistir à tentação” constitui um exemplo</p><p>da figura de linguagem conhecida como metáfora.</p><p>Ocorre, na passagem, um vício grave de linguagem chamado, popularmente, de</p><p>“gerundismo”, caracterizado pelo uso desnecessário da forma nominal gerúndio.</p><p>As características e os exemplos de cada figura de linguagem e de cada vício de linguagem</p><p>estão apresentados nos quadros a seguir. Utilizo as definições do Dicionário Houaiss (2009).</p><p>Começamos pelas figuras de linguagem:</p><p>FIGURAS DE LINGUAGEM</p><p>Figura Definição Exemplo</p><p>Antítese Figura pela qual se opõem, numa mesma frase, duas</p><p>palavras ou dois pensamentos de sentido contrário.</p><p>“Com luz no olhar e trevas no</p><p>peito.”</p><p>“A mão que afaga é a mesma</p><p>que apedreja.”</p><p>Oximoro (paradoxo) Figura em que se combinam palavras de sentido</p><p>oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas</p><p>que, no contexto, reforçam a expressão.</p><p>“Claro enigma.”</p><p>Antonomásia</p><p>(ou perífrase)</p><p>Variedade de metonímia que consiste em substituir</p><p>um nome de objeto, entidade, pessoa etc. por outra</p><p>denominação, que pode ser um nome comum (ou</p><p>uma perífrase), um gentílico, um adjetivo etc., que</p><p>seja sugestivo, explicativo, laudatório, eufêmico,</p><p>irônico ou pejorativo e que caracterize uma</p><p>qualidade universal ou conhecida do possuidor.</p><p>Aleijadinho por Antônio</p><p>Francisco Lisboa.</p><p>O Salvador por Jesus Cristo.</p><p>Anáfora Repetição de uma palavra ou grupo de palavras</p><p>no início de duas ou mais frases sucessivas, para</p><p>enfatizar o termo repetido</p><p>Este amor que tudo nos toma,</p><p>este amor que tudo nos dá,</p><p>este amor que Deus nos</p><p>inspira, e que um dia nos há</p><p>de salvar.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>18 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>FIGURAS DE LINGUAGEM</p><p>Catacrese Metáfora já absorvida no uso comum da língua, de</p><p>emprego tão corrente que não é mais tomada como</p><p>tal, e que serve para suprir a falta de uma palavra</p><p>específica que designe determinada coisa.</p><p>Braços de poltrona.</p><p>Dentes do serrote.</p><p>Nariz do avião.</p><p>Pescoço de garrafa.</p><p>Comparação Paralelo feito entre dois termos de um enunciado</p><p>com sentidos diferentes.</p><p>Dirige como um louco.</p><p>Disfemismo Emprego de palavra ou expressão depreciativa,</p><p>ridícula, sarcástica ou chula, em lugar de outra</p><p>palavra ou expressão neutra.</p><p>Ficar puto por ficar com raiva.</p><p>Eufemismo Palavra, locução ou acepção mais agradável, de que</p><p>se lança mão para suavizar ou minimizar o peso</p><p>conotador de outra palavra, locução ou acepção</p><p>menos agradável.</p><p>Ele bateu as botas (morreu).</p><p>Hipérbole Ênfase expressiva resultante do exagero da</p><p>significação linguística.</p><p>Morrer de medo.</p><p>Estourar de rir.</p><p>Metáfora Designação de um objeto ou qualidade mediante</p><p>uma palavra que designa outro objeto ou qualidade</p><p>que tem com o primeiro uma relação de semelhança.</p><p>Ele tem uma vontade de ferro.</p><p>Metonímia Figura de retórica que consiste no uso de uma</p><p>palavra fora do seu contexto semântico normal,</p><p>por ter uma significação que tenha relação objetiva,</p><p>de contiguidade, material ou conceitual, com o</p><p>conteúdo ou o referente ocasionalmente pensado.</p><p>Adora Portinari por a obra de</p><p>Portinari.</p><p>Personificação</p><p>(ou prosopopeia)</p><p>Figura pela qual o orador ou escritor empresta</p><p>sentimentos humanos e palavras a seres inanimados,</p><p>a animais, a mortos ou a ausentes.</p><p>“Ah, cidade maliciosa de olhos</p><p>de ressaca”</p><p>Sinestesia Cruzamento de sensações; associação de palavras</p><p>ou expressões em que ocorre combinação de</p><p>sensações diferentes numa só impressão.</p><p>O cheiro áspero de terra.</p><p>E seguimos com os principais vícios de linguagem:</p><p>VÍCIOS DE LINGUAGEM</p><p>Vício Definição Exemplo</p><p>Ambiguidade</p><p>(ou anfibologia)</p><p>Propriedade que apresentam diversas unidades</p><p>linguísticas (morfemas, palavras, locuções,</p><p>frases) de significar coisas diferentes, de admitir</p><p>mais de uma leitura.</p><p>O rapaz bateu na velha com a bengala.</p><p>Barbarismo</p><p>Uso de formas vocabulares contrárias à</p><p>norma culta da língua, seja do ponto de vista</p><p>ortoépico (pronúncia), ortográfico, gramatical</p><p>ou semântico.</p><p>Peneu no lugar de pneu;</p><p>Rúbrica no de rubrica;</p><p>“Menas palavras” por “menos</p><p>palavras”.</p><p>Cacofonia</p><p>Repetição de sons (fonemas ou sílabas)</p><p>considerada desagradável ao ouvido.</p><p>A última atividade será uma diligência</p><p>no Pará para ouvir as populações</p><p>afetadas.</p><p>Pleonasmo Redundância de termos no âmbito das palavras. Ele via tudo com seus próprios olhos.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>19 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>VÍCIOS DE LINGUAGEM</p><p>Queísmo</p><p>Omissão da preposição de antes da conjunção</p><p>integrante que, onde, pela regência do verbo na</p><p>norma culta da língua, ela é necessária.</p><p>Gostaríamos [de] que ele fosse nosso</p><p>paraninfo.</p><p>Sínquise</p><p>Tipo de hipérbato no qual a transposição de</p><p>ordem das palavras de uma oração ou período</p><p>resulta em dificuldade para o entendimento</p><p>da construção.</p><p>Em “pesada caiu o pobre melancolia”</p><p>por “o pobre caiu em pesada</p><p>melancolia”.</p><p>Solecismo</p><p>Intromissão, na norma culta de uma língua, de</p><p>construções sintáticas alheias a essa língua,</p><p>geralmente por parte de pessoas que não</p><p>dominam inteiramente suas regras.</p><p>Os chamados erros de concordância,</p><p>de regência, de colocação, a</p><p>má construção de um período</p><p>composto etc.</p><p>6 . REESCRITA6 . REESCRITA</p><p>As questões de reescrita são as queridinhas das bancas. Na Plataforma Gran Questões</p><p>(filtros: Língua Portuguesa, últimos 4 anos, todas as bancas), há 2750 questões sobre esse</p><p>conhecimento em Língua Portuguesa. São muitas!</p><p>Os enunciados tipicamente apresentam estas formulações:</p><p>Banca Enunciado da questão sobre Reescrita</p><p>CEBRASPE</p><p>Assinale a opção em que a proposta de reescrita do último período do texto</p><p>preserva os seus sentidos e a correção gramatical.</p><p>FCC</p><p>A frase acima ganha nova redação, na qual se mantêm seu sentido básico e a</p><p>correção gramatical, na seguinte versão:</p><p>FGV</p><p>A reescritura da passagem do texto na qual NÃO se verifica nenhum desvio em</p><p>relação à norma padrão do português é:</p><p>IDECAN</p><p>Assinale a alternativa em que a alteração do segmento sublinhado no período</p><p>acima tenha provocado forte alteração de sentido.</p><p>VUNESP</p><p>Assinale a alternativa que reescreve o trecho destacado na passagem – O que</p><p>não parece certo é apontar e discriminar, para excluir aqueles que não estão</p><p>inseridos no grupo do bem. – de acordo com a norma-padrão.</p><p>QUADRIX</p><p>Estariam mantidas as relações sintáticas e de sentido do texto, bem como a sua</p><p>clareza, caso o trecho “que nos permitem ver da imensidão do cosmo ao diminuto</p><p>mundo subatômico” fosse reescrito da seguinte forma: Que permitem-nos ver</p><p>da imensidão do cosmo ao diminuto mundo subatômico.</p><p>Sempre digo em minhas aulas que as questões sobre reescrita são do tipo “guarda-</p><p>chuva”, pois são capazes de abarcar muitos tópicos, em especial os relacionados à</p><p>norma-padrão. Com isso, uma questão sobre o processo de reescrita pode propor uma nova</p><p>redação de um trecho alterando vocábulos, modificando a ordem das palavras, alterando a</p><p>voz (ativa<>passiva) etc. Nessas alterações, muitos conhecimentos são exigidos (e você</p><p>deve ativá-los a partir de um olhar analítico bem refinado). Em muitas questões (talvez na</p><p>maioria delas), exige-se também a manutenção (ou não) dos sentidos originais (quando os</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>20 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>sentidos são mantidos, estamos diante de uma paráfrase). Está claro, então, o porquê de</p><p>as bancas lançarem mão de questões sobre reescrita, não é?</p><p>Como o nosso projeto é sintetizar as informações sobre os conteúdos, REVISANDO os</p><p>conhecimentos exigidos, farei uso de mapas mentais para retomar os principais tipos</p><p>de reescrita exigidos em provas de concurso. Lembro da importância de articular esse</p><p>conhecimento com o conteúdo de gramática, tudo bem? Tudo funciona de forma integrada.</p><p>Vamos aos mapas!</p><p>Mapa Mental - Mapa Mental - Reescrita (norma-padrão) 1</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>21 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Mapa Mental - Mapa Mental - Reescrita (norma-padrão) 2</p><p>Mapa Mental - Mapa Mental - Reescrita e Paráfrase</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>22 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO</p><p>INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DE TEXTOS</p><p>001. 001. (CONSULPLAN/ANALISTA/SEGER/2023) Relacione adequadamente os fatores às suas</p><p>respectivas características.</p><p>1. Aceitabilidade.</p><p>2. Intencionalidade.</p><p>3. Situacionalidade.</p><p>4. Informatividade.</p><p>5. Intertextualidade.</p><p>( ) � Está direcionada ao protagonista do ato comunicativo. Trata-se da disposição e do</p><p>empenho de se construir um discurso coerente, coeso e com grande capacidade de</p><p>satisfazer determinada audiência. Diz respeito às informações e conhecimentos</p><p>prévios que o autor tem para chegar a seu público.</p><p>( ) � É voltada para o contexto no qual a situação comunicativa está inserida. Ela se relaciona</p><p>à adequação ou não do contexto, pois ele pode influenciar no significado do texto que,</p><p>inserido em contextos distintos, pode produzir significados completamente diversos.</p><p>( ) � Consiste na influência e na relação que um texto exerce sobre outro. Esse processo</p><p>ocorre durante a produção de um texto, no qual o autor coloca, na estrutura de sua</p><p>produção, referências explícitas ou implícitas de outra obra.</p><p>( ) � Nesse fator, consideram-se as informações prévias e as informações novas obtidas</p><p>no texto. É preciso que haja equilíbrio entre ambas, pois um texto que possui apenas</p><p>informações prévias não traz novidade ao leitor. Já um texto somente com informações</p><p>novas pode dificultar a compreensão da leitura.</p><p>( ) � Esse fator está focando no leitor. O leitor precisa de algum conhecimento sobre o</p><p>assunto para poder analisar o texto e decidir se concorda com a intenção do autor. É</p><p>através de sua interpretação do texto que ele poderá reconhecer o que está implícito</p><p>ou explícito no texto.</p><p>A sequência está correta em</p><p>a) 1, 3,5, 4, 2.</p><p>b) 2, 3, 5, 4, 1.</p><p>c) 3, 1, 2, 5, 4.</p><p>d) 5, 1, 4, 2, 3.</p><p>e) 5, 2, 3, 4, 1.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>23 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>002. 002. (IBFC/ACAI/IBGE/2022)</p><p>ciclo vicioso</p><p>minha namorada sempre sonha que namora</p><p>seu namorado antigo minha ex-namorada</p><p>sempre sonha que me namora e eu, desconfiado,</p><p>tenho feito tudo para não sonhar...</p><p>(Cacaso, Poesia Completa, p.126)</p><p>O sentido do texto constrói-se por meio de sua organização interna. Desse modo, de acordo</p><p>com o poema, o esforço do enunciador por “não sonhar” deve-se ao fato de:</p><p>a) sentir muito ciúme de sua atual namorada.</p><p>b) desejar ocupar o sonho de sua ex-namorada.</p><p>c) não acreditar em sonhos de amores antigos.</p><p>d) querer que sua atual namorada sonhe com ele.</p><p>e) não querer sonhar com</p><p>sua ex-namorada.</p><p>003. 003. (IDECAN/TÉCNICO/SEFAZ-RR/2023)</p><p>Relações de poder e decisão: conflitos entre médicos e administradores hospitalares</p><p>Os hospitais abrigam tensões de natureza grupal e profissional. Seu corpo diretivo e clínico é</p><p>constituído por médicos que usualmente têm dificuldade de aceitar normas disciplinares e</p><p>de ouvir recomendações, principalmente quando elas vêm dos administradores hospitalares.</p><p>Esta pesquisa tem como objetivo analisar como administradores hospitalares da cidade de</p><p>Belo Horizonte percebem as relações de poder entre sua categoria profissional e a dos médicos</p><p>proprietários de hospitais e suas consequências. Os discursos de nove administradores hospitalares,</p><p>com experiência mínima de quatro anos na gerência de hospitais, foram coletados e analisados</p><p>usando a metodologia qualitativa. A pesquisa identificou que o hospital é um local da disciplina</p><p>médica, no qual o médico controla o cotidiano dos demais profissionais, determinando o tipo de</p><p>comportamento esperado. Os empregados entrevistados se ressentem da falta de autonomia</p><p>na gestão e consideram que isso prejudica o andamento dos processos e a qualidade dos</p><p>serviços prestados. Queixam-se, principalmente, da falta de informações e da impossibilidade</p><p>de participarem das decisões estratégicas. Admitem que o relacionamento com os médicos</p><p>proprietários é permeado por conflitos, pois, muitas vezes, estes ignoram as questões colocadas</p><p>pelos administradores e insistem na diferença de classe como forma de fazer prevalecer suas</p><p>opiniões. A principal característica dos conflitos refere-se à percepção de superioridade do</p><p>profissional médico em relação aos demais.</p><p>RAM, Rev. Adm. Mackenzie 11 (6) • Disponível em: https://doi.org/10.1590/</p><p>S1678-69712010000600004</p><p>O tipo de linguagem predominante no Texto é</p><p>a) referencial</p><p>b) conativa</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>24 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>c) metalinguística</p><p>d) fática</p><p>e) poética</p><p>004. 004. (IADES/AUDITOR/SEPLAD-DF/2023)</p><p>As modificações viárias foram propostas para reduzir os engarrafamentos nas cidades,</p><p>especialmente nos eixos de circulação, apresentando soluções de transportes de massa,</p><p>confortáveis, seguros e incentivo aos deslocamentos ativos (ciclismo e caminhada) como alternativa</p><p>ao modal automotivo. Para isso, foi estabelecida uma rede de transporte público estruturante,</p><p>consolidando as principais rotas do Distrito Federal, com a implementação de corredores</p><p>segregados de ônibus (BRTs), ampliação da linha do metrô, expansão da malha cicloviária,</p><p>construção/melhoria das calçadas e construção de um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), ligando</p><p>aeroporto de Brasília, W3 sul e norte e Eixo Monumental, conectado com os setores Sudoeste/</p><p>Octogonal e com o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).</p><p>Disponível em: <https://www.codeplan.df.gov.br/wp content/uploads /2018/02/>. Acesso</p><p>em: 7 fev. 2023, com adaptações.</p><p>De acordo com o texto, uma rede de transporte público estruturante foi estabelecida para</p><p>a) atender às rotas mais relevantes do Distrito Federal e expandir as ciclovias e calçadas.</p><p>b) implementar corredores segregados de ônibus, ampliar a linha de metrô e aumentar o</p><p>número de calçadas para pedestres.</p><p>c) reduzir os engarrafamentos nas cidades com alternativas ao uso de carros particulares,</p><p>melhores condições dos transportes coletivos e estímulo aos deslocamentos ativos.</p><p>d) diminuir as distâncias entre o aeroporto de Brasília e as cidades administrativas.</p><p>e) construir BRTs e VLTs confortáveis para os moradores de Brasília.</p><p>005. 005. (INSTITUTO AOCP/TÉCNICO/TRT 1ª REGIÃO/2018) Assinale a alternativa que apresenta</p><p>um uso coloquial da linguagem.</p><p>a) “[...] os idosos já não querem ser sábios, preferem estar robustos e musculosos [...]”.</p><p>b) “[...] um egoísmo raivosamente autorreferencial que, pelo caminho, veio alterar o famoso</p><p>equilíbrio latino de mens sana in corpore sano [...]”.</p><p>c) “[...] os idosos eram sábios, esse era seu valor, mas agora vemos sua claudicação [...]”.</p><p>d) “Seria saudável não perder de vista que o objetivo principal dessas sessões pagas não é</p><p>tanto salvar a si mesmo, mas manter estável a economia do espírito [...]”.</p><p>e) “[...] o mindfulness era patrimônio dos monges, a ioga era praticada por quatro gatos</p><p>pingados e o espírito era cultivado lendo livros em gratificante solidão.”.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>25 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>006. 006. (FGV/PROFESSOR/SME-SP/2023)</p><p>Leia o fragmento a seguir.</p><p>Foi no Instituto de Letras da UFF, há alguns anos. Convidado, fez lá conferência um ex-Ministro de</p><p>Angola. O assunto já não me lembra... Em todo caso, o tema é de somenos. Terminada a fala, com</p><p>as palmas rituais, pôs-se o orador às ordens, para perguntas. À questão das línguas respondeu</p><p>que, desgraçadamente, a oficial era a do colonizador, acreditando ele que essa anômala situação</p><p>ainda duraria um século.</p><p>Assinale a opção que apresenta o tipo de preconceito linguístico a que esse fragmento</p><p>textual se refere.</p><p>a) O preconceito socioeconômico, ligado ao fato de membros das classes mais pobres,</p><p>pelo acesso limitado à educação e à cultura, geralmente, dominarem apenas as variedades</p><p>linguísticas mais informais e de menor prestígio.</p><p>b) O preconceito regional, ligado a um tipo de aversão ao sotaque ou aos regionalismos</p><p>típicos de áreas mais pobres.</p><p>c) O preconceito cultural, preso à aversão pela cultura de massa e às variedades linguísticas</p><p>por ela usadas.</p><p>d) O preconceito político, referente à imposição de uma língua a falantes de outras línguas.</p><p>e) O preconceito racial, ligado às manifestações culturais de outras raças, inclusive a língua,</p><p>considerando-as atrasadas.</p><p>Chamam‐se fonemas os sons elementares e distintivos que o ser humano produz quando, pela</p><p>voz, exprime seus pensamentos e emoções.</p><p>Desde logo, uma distinção se impõe: não se há de confundir fonema com letra. Fonema é uma</p><p>realidade acústica, realidade que nosso ouvido registra; enquanto letra é o sinal empregado para</p><p>representar na escrita o sistema sonoro de uma língua.</p><p>Na atividade linguística, o importante para os falantes é o fonema, e não a série de movimentos</p><p>articulatórios que o determina. Assim sendo, enquanto a análise fonética se preocupa tão somente</p><p>com a articulação, a fonêmica atenta apenas para o fonema que, reunindo um feixe de traços</p><p>que o distingue de outro fonema, permite a comunicação linguística.</p><p>Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa. 37.a ed. rev. E ampl. Rio de Janeiro: Lucerna,</p><p>2002, p. 57 (com adaptações).</p><p>007. 007. (QUADRIX/PROFESSOR L. PORTUGUESA/SEDF/2018) Comparando‐se a forma padrão</p><p>“registrar” com a grafia não padrão “registrá”, verifica‐se que não há alteração da posição</p><p>da sílaba tônica da palavra, que permanece oxítona, estando a acentuação gráfica de</p><p>“registrá” de acordo com o que prescreve a regra.</p><p>008. 008. (QUADRIX/PROFESSOR L. PORTUGUESA/SEDF/2018) Predomina no texto a função</p><p>metalinguística, visto que o foco da mensagem é o próprio código linguístico.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>26 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Texto CB1A1</p><p>Cresce, no mundo todo, o número de pessoas que demandam serviços de cuidado. De acordo</p><p>com o último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), esse universo deverá</p><p>ser de 2,3 bilhões de pessoas em 2030 — há cinco anos, eram 2,1 bilhões. O envelhecimento</p><p>da população e as novas configurações familiares, com mulheres mais presentes no mercado</p><p>de trabalho e menos disponíveis para assumir encargos com parentes sem autonomia, têm</p><p>levado os países a repensar seus sistemas de atenção a populações vulneráveis. Partindo desse</p><p>panorama, as sociólogas Nadya Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP), e Helena Hirata,</p><p>do Centro de Pesquisas Sociológicas e Políticas de Paris, na França, identificaram, em estudo,</p><p>o surgimento, nos últimos vinte anos, de arranjos que visam amparar indivíduos com distintos</p><p>níveis de dependência, como crianças, idosos e pessoas com deficiência. Enquanto, em algumas</p><p>nações, o papel do Estado é preponderante, em outras, a atuação de instituições privadas se</p><p>sobressai. Na América Latina, o protagonismo das famílias representa o aspecto mais marcante.</p><p>Conforme definição da OIT, o trabalho de cuidado, que pode ou não ser remunerado, envolve dois</p><p>tipos de atividades: as diretas, como alimentar um bebê ou cuidar de um doente, e as indiretas,</p><p>como cozinhar ou limpar. “É um trabalho que tem uma forte dimensão emocional, se desenvolve</p><p>na intimidade e, com frequência, envolve a manipulação do corpo do outro”, diz Guimarães. Ela</p><p>relata que o conceito de cuidado surgiu como categoria relevante para as ciências sociais há cerca</p><p>de trinta anos e, desde então, tem sido crescente a sua presença em linhas de investigação em</p><p>áreas como economia, antropologia, psicologia e filosofia política. “Com isso, a discussão sobre</p><p>essa concepção ganhou corpo. Os estudos iniciais do cuidado limitavam-se à ideia de que ele</p><p>era uma necessidade nas situações de dependência, mas tal entendimento se ampliou. Hoje,</p><p>ele é visto como um trabalho fundamental para assegurar o bem-estar de todos, na medida em</p><p>que qualquer pessoa pode se fragilizar e se tornar dependente em algum momento da vida”,</p><p>explica a socióloga. Os avanços da pesquisa levaram à constatação de que a oferta de cuidados é</p><p>distribuída de forma desigual na sociedade, recaindo, de forma mais intensa, sobre as mulheres.</p><p>Ao refletir sobre esse desequilíbrio, a socióloga Heidi Gottfried, da Universidade Estadual Wayne,</p><p>nos Estados Unidos da América, explica que persiste, nas sociedades, a noção arraigada de que</p><p>o trabalho de cuidado seria uma manifestação de amor e, por essa razão, deveria ser prestado</p><p>gratuitamente. Conforme Gottfried, a ideia decorre, entre outros aspectos, de construção</p><p>cultural a respeito da maternidade e de que cuidar seria um talento feminino.</p><p>Por outro lado, Guimarães lembra que, a partir de 1970, as mulheres aumentaram sua participação</p><p>no mercado de trabalho brasileiro. Em cinco décadas, a presença feminina saltou de 18% para</p><p>50%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “Consideradas provedoras</p><p>naturais dos serviços de cuidado, as mulheres passaram a trabalhar mais intensamente fora de</p><p>casa. Esse fato, aliado ao envelhecimento da população, gerou o que tem sido analisado como</p><p>uma crise no provimento de cuidados que, em países do hemisfério norte, tem se resolvido com</p><p>uma mercantilização desses serviços, além de uma maior atuação do Estado, por meio da criação</p><p>de instituições públicas de acolhimento, expansão de políticas de financiamento, formação e</p><p>regulação do trabalho de cuidadores”, conta a socióloga.</p><p>Na América Latina, entretanto, o fornecimento de cuidados é tradicionalmente feito pelas</p><p>famílias, nas quais mulheres desempenham gratuitamente papel central como cuidadoras de</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>27 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>crianças, idosos e pessoas com deficiência. Para a minoria que pode pagar, o mercado oferece</p><p>serviços de cuidado</p><p>que compensam a escassa presença do Estado.</p><p>Christina Queiroz. Revista Pesquisa FAPESP. Ed. 299, jan./ 2021. Internet: <https://revistapesquisa.</p><p>fapesp.br/economia-do-cuidado> (com adaptações).</p><p>Em relação a aspectos estruturais do texto CB1A1 e às informações por ele veiculadas,</p><p>julgue os itens subsequentes.</p><p>009. 009. (CEBRASPE/TÉCNICO/INSS/2022) Os serviços de cuidados fornecidos na América Latina</p><p>diferenciam-se dos providos em países do hemisfério norte.</p><p>010. 010. (CEBRASPE/TÉCNICO/INSS/2022) A profissionalização do trabalho de cuidados nos</p><p>últimos anos remodelou a essência do conceito de cuidado.</p><p>TIPOLOGIAS E GÊNEROS TEXTUAIS .</p><p>011. 011. (FGV/ANALISTA/AL-RO/2018) A afirmativa abaixo que é inadequada em relação às</p><p>narrativas é:</p><p>a) toda narrativa implica mudanças de situações ou estados.</p><p>b) as narrativas implicam uma causalidade na intriga.</p><p>c) todas as narrativas mostram personagens humanos ou humanizados.</p><p>d) uma narrativa mostra sempre uma integração de ações.</p><p>e) os relatos narrativos implicam sempre um narrador personagem.</p><p>012. 012. (CEBRASPE/ASSISTENTE/SEFAZ-RS/2019)</p><p>Texto 1A2-II</p><p>Neide nunca tinha pensado naquilo até que, mexendo um cremezinho de laranja na cozinha, a</p><p>nutricionista do programa das dez da manhã falou:</p><p>— Ninguém é obrigado a parecer velho.</p><p>Tirando a canseira provocada por aquele horror de exames que o médico tinha pedido, Neide</p><p>considerou que, aos sessenta e quatro anos, até que não parecia velha. Mexeu o creme com mais</p><p>vigor. A dermatologista deu aparte:</p><p>— Alguns estudos afirmam que a velhice começa aos trinta e seis anos de idade.</p><p>Aos trinta e seis anos, ela já era casada havia doze anos com João Carlos, já era mãe dos gêmeos,</p><p>já sustentava a casa e tinha até contratado um auxiliar só para atender as freguesas que batiam</p><p>palmas no portão. Aos trinta e seis anos, João Carlos já havia sido despedido da firma e já indicava</p><p>que ia se tornar um deprimido de marca e um desempregado crônico. O fogão de seis bocas e a</p><p>campainha com barulho de sino vieram depois, e seus préstimos de doceira eram anunciados em</p><p>uma tabuleta de madeira. A apresentadora, que já nem era tão mocinha, considerou que tudo</p><p>dependia do estado de espírito da pessoa e das escolhas feitas durante a vida:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>about:blank</p><p>28 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>— Às vezes, é preciso dizer não.</p><p>Neide pensou que falar era fácil e que mais a vida mandava do que ela escolhia. Na tevê, a palavra</p><p>era do geriatra, um homem robusto, de tez bronzeada e cabelos fartos e grisalhos.</p><p>— As pessoas podem continuar sexualmente ativas até a morte. Literalmente, o amor não</p><p>tem idade.</p><p>Neide sentiu uma tontura, e, de repente, a colher de pau caiu ao chão com barulho. Foi bem na</p><p>hora em que João Carlos entrou na cozinha: estava com sede. Varreu com os olhos a figura diante</p><p>de si: o pijama azul de listras estava tão acabado que nem dava para pano de chão, e a barriga</p><p>do marido esgarçava as casas dos dois últimos botões. A tontura deu uma pequena trégua, o</p><p>suficiente para que ela se desgostasse à visão do descaimento.</p><p>Cíntia Moscovich. Aos sessenta e quatro. In: Essa coisa brilhante que é a chuva. Rio de Janeiro:</p><p>Record, 2012 (com adaptações).</p><p>Assinale a opção que reproduz trecho do texto 1A2-II em que predomina a tipologia descrição.</p><p>a) “Ninguém é obrigado a parecer velho” (l. 4)</p><p>b) “Neide considerou que, aos sessenta e quatro anos, até que não parecia velha. Mexeu o</p><p>creme com mais vigor” (l. 6 a 8)</p><p>c) “Alguns estudos afirmam que a velhice começa aos trinta e seis anos de idade” (l. 9 e 10)</p><p>d) “Foi bem na hora em que João Carlos entrou na cozinha: estava com sede” (l. 31 e 32)</p><p>e) “a barriga do marido esgarçava as casas dos dois últimos botões” (l. 35 e 36)</p><p>013. 013. (FGV/ANALISTA/MP-RJ/2019) Observe o seguinte texto descritivo a seguir.</p><p>“A casa estava situada em centro de terreno; era bastante grande, com duas salas, quatro quartos,</p><p>dois banheiros e um pequeno quintal. O piso de todos os cômodos era de cerâmica cinzenta e</p><p>cada um deles possuía uma iluminação diferente”.</p><p>Nesse caso, a estratégia discursiva parte:</p><p>a) de longe para perto;</p><p>b) de cima para baixo;</p><p>c) das partes para o todo;</p><p>d) de baixo para cima;</p><p>e) do todo para as partes.</p><p>014. 014. (FGV/PROFESSOR/SME-SP/2023)</p><p>Como ensinar a ler</p><p>Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás,</p><p>enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e</p><p>árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que</p><p>ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos</p><p>jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>29 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e</p><p>pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que</p><p>fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse</p><p>o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as</p><p>cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza</p><p>tem de vir antes.</p><p>Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas.</p><p>Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da</p><p>fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o</p><p>segredo que transforma letras e sílabas em estórias.</p><p>É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um</p><p>mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a</p><p>ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um</p><p>grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os</p><p>perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos</p><p>dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.</p><p>Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos</p><p>seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.</p><p>ALVES, Rubem, Ostra feliz não faz pérola. Ed. Planeta do Brasil Ltda. São Paulo. 2021.</p><p>O texto precedente, considerando-se sua organização discursiva, deve ser incluído entre</p><p>os textos</p><p>a) descritivos.</p><p>b) narrativos.</p><p>c) dissertativos expositivos.</p><p>d) dissertativos argumentativos.</p><p>e) injuntivos.</p><p>015. 015. (FGV/TÉCNICO/PGM/2023) Abaixo aparecem cinco slogans publicitários; o slogan que</p><p>apela a uma estratégia diferente da dos demais casos, é:</p><p>a) Um pouco de Veja e muito de limpeza;</p><p>b) São os pequenos detalhes que fazem as grandes marcas;</p><p>c) Após a escuridão vem a claridade com Eveready;</p><p>d) Não faça economia: compre um BMW;</p><p>e) Príncipe veste hoje o homem de amanhã.</p><p>016. 016. (IBGP/MUNICIPIO DE ITABIRA/ENGENHEIRO CIVIL/2020)</p><p>Educação financeira chega ao ensino infantil e fundamental em 2020</p><p>Oferta está prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)</p><p>Antonia, auxiliar de escritório, todos os dias compra uma balinha ou um chocolate, no ponto de</p><p>ônibus, na volta do trabalho, que custa R$ 0,50. “Eu não dava importância para aquele gasto.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HELEN DIENIFAN FREIRE MOREIRA - 73489824172, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>https://www.gran.com.br</p><p>30 de 102gran.com.br</p><p>PDF SINTÉTICO</p><p>Compreensão e Interpretação de Textos</p><p>Bruno Pilastre</p><p>Imagina, R$ 0,50 não é nada! Mas eu nunca consegui economizar um centavo”. Fazendo as contas,</p><p>esses centavos viram R$ 11 em um mês e R$ 132 em um ano.</p><p>São situações como essa, retirada de livro didático disponível online, que ensinam estudantes</p><p>de escolas em várias partes do país a terem consciência dos próprios gastos e a ajudar a família</p><p>a lidar com as finanças. A chamada educação financeira, cuja oferta hoje depende da estrutura</p><p>de cada rede de ensino passa a ser direito de todos os brasileiros, previsto na chamada Base</p><p>Nacional Comum Curricular (BNCC).</p><p>“É uma grande oportunidade, uma grande conquista para a comunidade escolar do país”, diz a</p><p>superintendente da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil), Claudia Forte. “A</p><p>educação financeira busca a modificação do comportamento das pessoas, desde pequeninas,</p><p>quando ensina a escovar os dentes e fechar a torneira para poupar água e economizar. Isso é</p><p>preceito de educação financeira”.</p><p>A BNCC é um documento que prevê o mínimo que deve ser ensinado nas escolas, desde a educação</p><p>infantil até o ensino médio. Educação financeira deve, pela BNCC, ser abordada de forma</p><p>transversal pelas escolas, ou seja, nas várias aulas e projetos. Parecer do Conselho Nacional de</p><p>Educação (CNE), homologado pelo Ministério da Educação (MEC), prevê que as redes de ensino</p><p>adequem os currículos da educação infantil e fundamental, incluindo esta e outras competências</p><p>no ensino, até 2020.</p><p>A educação financeira nas escolas traz resultados, de acordo com a AEF-Brasil. Pesquisa feita</p><p>em parceria com Serasa Consumidor e Serasa Experian, este ano, mostra que um a cada três</p><p>estudantes afirmou ter aprendido a importância de poupar dinheiro depois de participar de</p><p>projetos de educação financeira. Outros 24% passaram a conversar com os pais sobre educação</p><p>financeira e 21% aprenderam mais sobre como usar melhor o dinheiro.</p><p>Desafios</p><p>Levar a educação financeira para todas as escolas envolve, no entanto, uma série de desafios,</p><p>que vão desde a formação de professores, a oferta de material didático adequado e mesmo a</p><p>garantia de tempo para que os professores se dediquem ao preparo das aulas.</p><p>De acordo com o presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz</p><p>Miguel Garcia, os municípios, que são os responsáveis pela maior parte das matrículas públicas</p><p>no ensino infantil e fundamental, focarão, em 2020, na formação dos docentes, para que eles</p><p>possam levar para as salas de aula não apenas educação financeira, mas outras competências</p><p>previstas na BNCC.</p><p>“Tivemos um grande foco na construção dos currículos e, agora, neste ano, [em 2020], entramos</p><p>no processo de formação. Educação financeira, inclusão, educação socioemocional, todos esses</p><p>elementos vão chegar de fato na sala de aula a partir da discussão que fizermos agora”, diz.</p><p>Segundo ele, a implementação será concomitante à formação, já em 2020.</p><p>De acordo com Garcia, não há um levantamento</p>