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PSICOLOGIA DO 
DESENVOLVIMENTO 
DA CRIANÇA E ADOLESCÊNCIA
DONALD WOODS WINNICOTT
Plymouth, 7 de abril de 1896 
 28 de janeiro de 1971
TEXTO:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plymouth_(Devon)
http://pt.wikipedia.org/wiki/7_de_abril
http://pt.wikipedia.org/wiki/1896
http://pt.wikipedia.org/wiki/28_de_janeiro
http://pt.wikipedia.org/wiki/1971
WINNICOTT, W. D.
� Durante a guerra Primeira Guerra Mundial, no período de 
1914 a 1918, foi auxiliar de enfermagem em Cambridge, 
quando estava no primeiro ano de Medicina e depois se 
alistou na marinha.
 
� Depois da guerra, prosseguiu seus estudos de Medicina em 
Londres, no St. Bartholomew’s Hospital.
 
� 1920 - obteve seu diploma em Medicina.
WINNICOTT, W. D.
� 1923 - ao ler um trabalho de Freud, decidiu fazer análise com James 
Strachey e iniciou sua formação psicanalítica.
 
� Nesse mesmo ano, Winnicott obteve dois cargos como consultor em 
Pediatria nos hospitais: Queen’s Hospital for Children e no Paddington 
Green Children’s Hospital, onde clinicou por cerca de quarenta anos.
 
� 1924 - abriu seu consultório na Harley Street, em Londres.
 
� Em meados dos anos trinta, tornou-se analista habilitado pela 
Sociedade Britânica de Psicanálise.
WINNICOTT, W. D.
� 1935 a 1940 - fez supervisão com Melanie Klein. Nesse mesmo período, 
recebeu em análise o filho de Melanie Klein, Erich.
 
� 1940 - iniciou uma segunda análise com Joan Rivière.
 
� Durante a Segunda Guerra (1939-45), tornou-se psiquiatra das Forças 
Armadas.
� De 1956 a 1959 e de 1965 a 1968, foi eleito presidente da Sociedade 
Britânica de Psicanálise.
 
� 1971 - morreu em Londres, em 25 de janeiro.
WINNICOTT, W. D.
WINNICOTT, W. D.
“Enfoque pessoal da contribuição kleiniana”. Cap. 16 
(pág. 156-162) 
“O ambiente e os processos de maturação”. Porto Alegre: 
Artmed, 1983.
WINNICOTT, W. D.
� Como pediatra, na década de 20, utilizava sua experiência para 
conseguir que as mães das crianças lhe contassem sobre os 
filhos e sobre a história precoce dos seus distúrbios.
� Inúmeras histórias clínicas demonstravam que crianças que se 
tornavam doentes, sejam neuróticos, psicóticos, 
psicossomáticos ou antissociais, revelavam dificuldades no seu 
desenvolvimento emocional na infância, mesmo como bebês. 
� Investigou especialmente casos de crianças com pesadelos.
� Foi quando seu analista Stranchey o recomendou travar 
conhecimento com Melanie Klein.
WINNICOTT, W. D.
� Foi ver e ouvir Melanie Klein, que falava muito a respeito das 
ansiedades da criança durante o primeiro ano de vida. Fez 
supervisão de seus primeiros casos com Klein.
� Winnicott considera que aprendeu Psicanálise com ela.
� Para Klein, a análise da criança era exatamente como a análise 
de adultos.
� Klein tinha um modo de tornar a realidade psíquica interna 
muito real. Para ela um brinquedo era uma projeção da 
realidade psíquica da criança.
WINNICOTT, W. D.
� Winnicott considerou que havia uma conexão íntima entre os 
mecanismos mentais de introjeção e a função de comer. 
Também a projeção tinha uma relação com as funções 
corporais que eram excretoras (saliva, suor, fezes, urina, gritar, 
dar pontapés, entre outros).
� Desta forma, Winnicott considerou que o material de uma 
análise ou tinha a ver com as relações objetais da criança, ou 
com os mecanismos de introjeção e projeção. 
� Relações objetais – significando relações com objetos internos 
e externos.
WINNICOTT, W. D.
� Como consequência da ansiedade persecutória, a criança sofria dor ou 
se sentia ameaçada de dentro, ou ficava doente. 
� Pelo mecanismo da projeção, sentia-se ameaçada de fora, 
desenvolvendo fobias ou apresentando fantasias ameaçadoras, tanto 
dormindo como acordada, ou se tornava desconfiada.
� Dessa forma, se abriu um mundo analítico muito rico para Winnicott, 
confirmado pelo material dos seus casos clínicos e suas teorias.
� A abordagem de Melanie Klein permitiu que Winnicott trabalhasse com 
os conflitos, as ansiedades infantis e as defesas primitivas, presentes 
tanto em pacientes adultos como em crianças.
WINNICOTT, W. D.
� Winnicott considera o conceito de posição depressiva como a 
contribuição mais importante de Klein, comparável ao de 
Freud sobre o conceito de Complexo de Édipo
� Klein deixou claro para Winnicott a importância da Posição 
Depressiva, ou seja, que a capacidade para se preocupar e de 
sentir culpa, fazem parte do desenvolvimento emocional, bem 
como as ideias de restituição e reparação (do objeto de amor).
� Chegar a esta posição é uma conquista e implica em alto grau 
de integração pessoal e aceitação da responsabilidade por 
toda a destrutividade que está ligada a viver, à vida instintiva e 
à raiva e frustração.
WINNICOTT, W. D.
� Winnicott considera que Klein examinou, apenas 
superficialmente, a influência do ambiente, nunca 
reconhecendo realmente que há um período no qual 
não é possível descrever um lactente sem descrever a 
mãe.
� Começa, então, a ressaltar a influência do ambiente.
WINNICOTT, W. D.
“Provisão para a criança na saúde e na crise”. 
(1962) (Cap. 5 – pág. 62 - 69)
WINNICOTT, D.W. “O ambiente e os processos de 
maturação”. Porto Alegre: Artmed, 1983.
WINNICOTT, W. D.
� Nesse texto, Winnicott se refere ao desenvolvimento 
emocional da criança e ao estabelecimento das bases de uma 
vida de saúde mental.
� Segundo ele, prover para a criança é uma questão de prover o 
ambiente que facilite a saúde mental e o desenvolvimento 
emocional.
� Portanto, o desenvolvimento emocional ocorre na criança se 
se proveem condições suficientemente boas, vindo o impulso 
para o desenvolvimento de dentro da própria criança.
WINNICOTT, W. D.
� Quando as forças no sentido da vida, da integração da 
personalidade e da independência são fortes e as condições 
são suficientemente boas, a criança progride.
� Quando as condições não são suficientemente boas, essas 
forças ficam contidas dentro da criança e de uma forma ou de 
outra, tendem a destruí-la.
� Winnicott tem uma visão dinâmica do desenvolvimento 
infantil, e observa isso se converter (em condições normais) 
nos impulsos familiar e social.
WINNICOTT, W. D.
� De acordo com esse ponto de vista winnicottiano, se saúde é 
maturidade, então imaturidade de qualquer espécie é saúde 
deficiente, sendo uma ameaça ao indivíduo e uma perda para a 
sociedade. Para se prover esta saude deficiente:1) ter tolerância para 
com a imaturidade;2) terapia; 3) profilaxia
� As necessidades da criança vão mudando à medida que esta muda da 
dependência para a independência. 
� É possível considerar vários graus de dependência, que vão desde a 
dependência extrema (que pode ocasionar uma dependência 
patológica predisposição a distúrbios afetivos) até a independência 
(capacidade da criança de cuidar de si mesma). 
WINNICOTT, W. D.
Graus de dependência
A) dependência absoluta , onde o amor é expresso pelo holding físico, as 
condições precisam ser suficientemente boas se não o lactante não pode 
iniciar seu desenvolvimento inato.
Falha ambiental: deficiência mental não orgânica, esquizofrenia da 
infância, predisposição à doença mental, hospitalizável mais tarde
B) dependência relativa, se bem cuidado, amadurece: falhas promovem 
traumas.
Falha ambiental: predisposição a distúrbios afetivos, tendência anti-social.
WINNICOTT, W. D.
Graus de dependência
C) Mesclas Dependência-Independência: a criança está fazendo 
experimentações de independência mas precisa que lhe seja 
possível reexperimentar dependência.
Falha ambiental: dependência patológica
D) Independência-Dependência: igual ao anterior, mas com 
predomínio da independência.
Falha ambiental: arrogância, surtos de violência
WINNICOTT, W. D.
Graus de dependência
E) Independência: indica o ambiente internalizado, capacidade da criança 
de cuidar de si mesma.
Falha ambiental: não necessariamente prejudicial
F) Sentido Social: O indivíduo pode se identificar com adultos e com o 
grupo social, ou com a sociedade,sem perda demasiada do impulso 
pessoal ou originalidade ou sem perda demasiada dos impulsos agressivos 
e destrutivos que encontraram, presumivelmente, expressão satisfatória 
em formas deslocadas. 
Falha ambiental: falta parcial da responsabilidade do indivíduo como pai ou 
mãe ou como figura paterna na sociedade.
WINNICOTT, W. D.
Segundo Winnicott existe também um sentido social nas 
identificações da criança (o indivíduo pode se identificar com 
adultos, com o grupo social ou com a sociedade).
 O autor considera necessária a exposição da teoria do 
desenvolvimento emocional, referindo-se aos seus estágios 
essenciais:
1) Desenvolvimento em termos da vida instintiva (id), em termos 
das relações objetais.
2) Desenvolvimento em termos de estrutura da personalidade 
(ego), base dos impulsos instintivos.
WINNICOTT, W. D.
Winnicott considera que as mães se tornam cada vez mais 
identificadas com o bebê e por causa dessa identificação, elas 
mais ou menos sabem do que ele necessita (ser segurado no colo, 
mudado de lado, deitado e levantado, ser acariciado, 
alimentado).
Tudo isso facilita os estágios iniciais das tendências integrativas do 
lactente e o começo da estruturação do ego. 
Portanto, pode-se dizer que a mãe torna o fraco ego do bebê em 
um ego forte, porque está lá, reforçando tudo ao seu redor.
WINNICOTT, W. D.
� A separação da criança de um a dois anos da mãe, acima da 
capacidade de manter viva a lembrança da mãe, pode 
produzir um estado que mais tarde se assemelha a uma 
tendência anti-social. 
WINNICOTT, W. D.
Desenvolvimento emocional primitivo (1945)
Cap. 12 p 269 – 285
WINNICOTT, D.W. “Da Pediatria à Psicanálise”. Rio de Janeiro: Livraria 
Francisco Alves Editora, 1993.
WINNICOTT, W. D.
� Winnicott vai citar como relevante não apenas as fantasias conscientes 
e inconscientes que enriquecem e complicam as relações de um 
paciente com os outros, mas a fantasia que o paciente tem de sua 
própria organização interna.
� Analista deve ser capaz de fazer coincidir em si o amor e o ódio: ódio 
pode ser manifestado frente às frustrações causadas por férias, finais de 
sessão, final da análise. Amor, frente às boas interpretações que são 
símbolos de alimentação e cuidados.
� Bebê de cinco meses adquire habilidade de levar objeto à boca : 
compreensão de que possui um interior e que as coisas vem de fora.
� Quando joga o objeto: noção de que pode livrar-se dele quando já 
conseguiu citar dele o que queria.
.
WINNICOTT, W. D.
� O corolário disto: admite que sua mãe também tem um interior que 
pode ser bom ou mau. Começa a preocupar-se com ela.
� Quando um ser humano sente que é uma pessoa que se relaciona com 
outras, já percorreu um longo caminho no seu desenvolvimento 
emocional.
.
WINNICOTT, W. D.
Processos iniciais do desenvolvimento 
Primitivamente existem três processos que ocorrem com o bebê:
1. integração,
2. personalização,
3. realização (apreciação de propriedades da realidade (tempo, 
espaço, entre outros)
.
WINNICOTT, W. D.
Integração
� Winnicott postula uma não-integração primária. O estado de 
não-integração em sua forma primitiva, dá uma base para a 
desintegração .
� O atraso ou falha na integração primária predispõe à desintegração 
quando ocorre a regressão ou quando fracassa algum tipo de defesa.
� O bebê precisa de alguém que lhe “junte os pedaços” para que possa vir 
a se auto integrar e conquistar confiança. É isso que o faz sentir-se 
conhecido, reconhecido. Esta experiência pode se dar frente ao 
analista, que em análise funciona como alguém que “junte os pedaços” 
propiciando a integração.
.
WINNICOTT, W. D.
Personalização
� Tão importante quanto à integração é o desenvolvimento da 
capacidade de sentir-se dentro do próprio corpo.
� Isto dá-se pelo sentimento de contato físico, de sentir-se 
cuidado, construindo assim, o que Winnicott chamou de 
personalização satisfatória.
� É uma função da mãe que se exerce através do “handling” que 
é experimentada como a vida dentro de um corpo, permitindo 
a união entre a vida psíquica e o corpo.
WINNICOTT, W. D.
Donald Winnicott (1945/1982) descreve os conceitos de holding, handling e 
apresentação de mundo como elementos fundamentais de uma maternagem 
suficientemente boa, que favorece a constituição do self do bebê. O holding refere-se à 
sustentação física e psicológica proporcionada pela mãe, tanto em seus braços quanto 
em sua subjetividade, o que contribui para a formação do bebê como uma unidade 
integrada. O handling, por sua vez, diz respeito ao manuseio corporal da criança 
durante atividades como troca de fraldas e banho, facilitando a personalização ou a 
localização do self no próprio corpo. A apresentação de mundo envolve a introdução 
gradual do bebê ao ambiente externo, permitindo que ele crie e o mundo a partir de 
suas pequenas doses, o que promove a experiência do self em um tempo e espaço 
compartilhados.
 
WINNICOTT, W. D.
Para Winnicott, a adaptação suficientemente boa da mãe às necessidades do bebê 
permite que a criança viva a ilusão de onipotência, ou seja, o objeto é apresentado no 
momento em que surge a necessidade, de maneira mais sintônica possível com ela. 
Dessa forma, o bebê tem a ilusão de criar o objeto a partir de si mesmo e, 
criativamente, constrói o mundo ao seu redor, integrando aspecto de seu próprio self.
“sintônica” refere-se à maneira como a mãe responde às necessidades do bebê 
de forma harmoniosa e em sintonia com essas necessidades. Ou seja, a mãe 
apresenta o objeto ou atende à necessidade do bebê exatamente no momento 
certo e da forma mais adequada possível, criando uma sensação de 
continuidade e conexão entre a necessidade do bebê e a resposta da mãe. Isso 
permite que o bebê sinta que ele próprio está criando ou controlando o ambiente 
ao seu redor, contribuindo para a construção de seu self.
WINNICOTT, W. D.
Dissociação 
 A dissociação ocorre quando há um problema na não-integração.
 
Winnicott acredita que o bebê não tem consciência, quando ele 
está em estado de satisfação, que é o mesmo bebê que berrava 
por fome, muito menos que a mesma mãe que não dá o leite, é 
aquela que o acalma.
� A vida de vigília de um bebê pode ser descrita como uma 
dissociação do estado de sono. 
� A dissociação funciona como um mecanismo de defesa.
WINNICOTT, W. D.
Adaptação à realidade ( a relação primária do bebê com a 
realidade externa)
Considerando-se o par mãe bebê, suponhamos um bebê que tenha 
ímpetos pulsionais e ideias predatórias e uma mãe que produz o leite e a 
ideia de ser atacada pelo bebê com fome, lhe é agradável.
� Só se estabelecerá uma relação se mãe e criança viverem uma 
experiência juntos.
� A mãe deve ser tolerante e compreensiva pois é ela quem produz uma 
situação que pode resultar no primeiro laço feito pelo bebê com um 
objeto externo ao se self. 
WINNICOTT, W. D.
Crueldade primitiva (estádio da pré-ocupação)
� Mesmo quando o bebê está se tornando integrado, ainda há 
um longo caminho para que o bebê esteja completo como uma 
pessoa total com uma mãe total.
� Winnicott postula uma relação de objeto cruel, o mais antigo 
tipo de relacionamento entre um bebê e sua mãe.
� A ausência de compaixão só pode ser suportada pela mãe e o 
bebê sabe disso, por este motivo que tem prazer na relação 
impiedosa com a mãe, a fere e maltrata.
WINNICOTT, W. D.
Crueldade primitiva (estádio da pré-ocupação)
� A criança normal experimenta uma relação cruel com a mãe e necessita 
da mãe porque só dela pode esperar tolerância.
� Sem esta possibilidade de brincar cruelmente só resta à criança ocultar 
este self cruel, deixando-o vir à tona apenas em um estado de 
dissociação.
� Quando alcança o estádio de preocupação, dá-se conta dos efeitos que 
seus impulsos provocam.
� A desintegração significa o abandono aos impulsos incontroláveis, 
porque dissociados, que agem por conta própria e que podem 
igualmente serem dirigidos contra si mesmo.
WINNICOTT, W. D.
Retaliaçãoprimitiva
� Há ainda uma relação objetal mais primitiva, na qual o objeto age de 
maneira retaliativa e que é anterior a uma verdadeira relação com a 
realidade externa. Nesse caso o objeto é parte do self, assim como a 
pulsão que o evoca.
� Na introversão de origem muito precoce o bebê vive num ambiente que 
é ele mesmo, ou seja, vive de maneira muito precária psiquicamente, 
onde não há crescimento porque não conta com o enriquecimento que 
a realidade externa pode propiciar. 
WINNICOTT, W. D.
Retaliação primitiva
� O uso de chupeta ou o ato de chupar o dedo pode significar uma defesa 
contra a insegurança e as ansiedades primitiva. O bebê volta-se para o 
próprio self face a uma frustração do amor pelo objeto externo. Estes 
hábitos perduram em personalidades esquizóides ou tornarem-se 
compulsões.
Grata
!

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