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PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 2 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ..............................................................................................4 1.INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, DIDÁTICAS E EDUCATIVAS PARA O ENSINO SUPERIOR ............................6 2. O ENSINO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EDUCATIVAS E DIDÁTICAS: considerações iniciais acerca da profissão.......................................................................................................12 3. O ENSINO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA......................................23 4. PRÁTICA EDUCATIVA E SOCIEDADE........................................................26 5. O TRABALHO DO PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR E A MERCANTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO.............................................................31 6. A PROFISSIONALIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE E O QUE É SER UM “BOM PROFESSOR” DENTRO DE UMA PERSPECTIVA SÓCIO- OCUPACIONAL.................................................................................................36 7. CRITÉRIOS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E COMO ENSINAR NO ENSINO SUPERIOR...................................................................................48 8. DIFICULDADES ENCONTRADAS NO ATO DE ENSINAR..........................54 9. A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR E NA SOLUÇÃO DAS DIFICULDADES NO ATO DE ENSINAR................................56 10. EDUCAÇÃO, INSTRUÇÃO E ENSINO.......................................................58 11. A APRENDIZAGEM.....................................................................................61 12. NÍVEIS DE APRENDIZAGEM.....................................................................64 12.1– CARACTERÍSTICA DA APRENDIZAGEM ACADÊMICA.......................65 13. A UNIDADE ENTRE O ENSINO E A APRENDIZAGEM.............................67 14. O PROCESSO DE ENSINO E O ESTUDO ATIVO.....................................74 14.1- CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE ENSINO...............................74 15. O PLANEJAMENTO E A IMPLEMENTAÇÃO DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: CONCEITOS, OBJETIVOS E O ENSINO.............................78 15.1- A IMPORTÂNCIA DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS...........................82 16. ESTRUTURA, COMPONENTES (ENSINO DE CONTEÚDO) E DINÂMICA DO PROCESSO DE ENSINO NA UNIVERSIDADE.........................................91 16.1- A ESTRUTURA DO TRABALHO DOCENTE...........................................92 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 3 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 16.2- OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO ENSINO E DOS MÉTODOS DE ENSINO.............................................................................................................98 17. PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, EDUCATIVAS E DIDÁTICAS PARA A INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR..............................................................105 18. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................114 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 4 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 APRESENTAÇÃO Caro (a) aluno(a), O Instituto INE apresenta este módulo, com o intuito contínuo de proporcionar-lhe um ensino de qualidade, com estratégias de acesso aos saberes que conduzem ao conhecimento, na área da Educação. Nesse sentido, todos os nossos projetos são, fortemente, comprometidos com o seu progresso educacional, na perspectiva do seu melhor desempenho, como aluno-profissional permissivo à busca do crescimento intelectual. Sendo assim, e, em busca desse conhecimento, homens e mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressam opiniões, constroem visões, diferenciadas, de mundo e produzem cultura, a partir e através de estudos e pesquisas, que essa instituição quer garantir a todos os seus alunos, a saber: o direito às informações necessárias para o exercício de suas variadas funções. Assim, expressamos nossa satisfação em apresentar o seu novo material de estudo, moderno, atual e, totalmente baseado nas mais renomadas autoridades da área, formulado pelo nosso setor pedagógico, que está sempre empenhado na facilitação de um construto melhor para os respaldos teóricos e práticos exigidos ao longo do curso. Contudo, para a obtenção do sucesso esperado por você, é necessário que seja dispensado um tempo específico para a leitura deste material, produzido com muita dedicação pelos Doutores e Mestres que compõem a equipe docente do Instituto INE. Leia com atenção os conteúdos aqui abordados, pois eles nortearão o princípio de suas ideias, que se iniciam com um intenso processo de reflexão, análise e síntese dos saberes. Este módulo está disponível apenas como base para estudos deste curso. Não obstante, o material aqui ofertado não tem sua comercialização permitida, em nenhum formato, sendo, os créditos de autoria dos conteúdos deste material, dados aos seus respectivos autores citados nas Referências. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 5 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Em sendo, desejamos sucesso nesta caminhada e esperamos, mais uma vez, alcançar o equilíbrio e contribuição profícua no processo de conhecimento de todos! Atenciosamente, Coordenação Pedagógica do Instituto INE INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 6 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 1.INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, DIDÁTICAS E EDUCATIVAS PARA O ENSINO SUPERIOR O que é ser professor? O que é ser professor do ensino superior? Como ensinar no ensino superior? Como tornar-se professor? Como fazer-se professor? Os constantes e importantes debates e estudos sobre a docência para o ensino superior, particularmente sua formação, sejam no âmbito nacional ou internacional, têm em comum a premissa de que não basta ter o domínio de conteúdo específico para saber ensiná-lo. Ser professor demanda ir muito além das características historicamente consolidadas por um ensino tecnicista e pela exclusiva transmissão de conhecimentos. É necessário que o professor tenha formação científica, pedagógica, prática, técnica e política, desenvolvendo assim, as competências profissionais de um educador. Fazer-se professor não se caracteriza um processo simples e imediato, mas complexo e longo. Para Lara, Mosquera e Ramos (2008), um professor não surge de repente, isto é, do dia para a noite. Para tornar-se um verdadeiro professor, é preciso um processo de formação profissional que lhe possibilite uma vasta liberdade de escolhas, atuação consciente e comprometimento social, fundamentado em valores que o levarão a desenvolver uma ação competente, crítica, transformadora e interativa. Para Apple (2006), ensinar refere-se a uma profissão em que professores estão continuamente descobrindo, incorporando e aplicando novas e mais eficientes habilidades e conhecimentos sobre o desenvolvimento e aprendizagem do aluno. Ensinar não significa apenas reproduzir conhecimento, representa um processo contínuo de construção e reconstrução do conhecimento. Para um professor ensinar um aluno, não basta apenas conhecer as teorias de aprendizagem, é preciso, como assinala Ribas (2007), entender os processos de aprendizagem, o que lhe possibilitará estabelecer um caminho para ensinar. Pode-se dizer que pensar em uma educação eficiente significa, em um primeiro momento, pensar no professorPARA O ENSINO SUPERIOR 38 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 socialmente referenciada, elementos, infelizmente, cada vez mais raros na realidade de nossas instituições de ensino superior. Essas circunstâncias desenham a real possibilidade de exercer o trabalho docente resguardando suas características próprias, as quais nos remetem ao seu perfil artesanal e ao respeito às condições de trabalho necessárias para realizá-lo nas instituições. A isso se associa o fortalecimento do papel social da instituição de ensino onde se realiza, a qual deve responder às necessidades da comunidade na qual está inserida e possibilitar uma formação profissional calcada na perspectiva crítica e de emancipação dos sujeitos. O cerceamento dessas circunstâncias desconstrói a essência do trabalho docente que parte da negação do imediato dado, propiciando perguntas sobre o que se apresenta, buscando desvendar a experiência vivida. A ele se associam necessariamente, descoberta, interpretação, criação e vínculo com o contexto sociocultural que o institui. Para realizá-lo, o princípio da autoridade deve ser rechaçado; a interdisciplinaridade deve ser perseguida, permanentemente, mesclando a história das ideias e também as práticas científicas nos diversos campos do conhecimento; e, por fim, exige a experiência coletiva de pensar e formular a reflexão. Isto porque, como já dissemos anteriormente, o trabalho docente é uma prática social que se faz no cotidiano dos sujeitos nela envolvidos e nesta prática social é que estes sujeitos se constituem como seres humanos, ao se apropriarem da experiência que se acumula de forma objetiva. Nesse sentido, ao atuarem com base em suas experiências anteriores ou em experiências aceitas e difundidas socialmente, os professores estão evidenciando outra característica do pensamento cotidiano denominada de ultrageneralização (HELLER, 1989), haja vista que, na heterogeneidade de seu trabalho o professor se encontra diante de situações complexas para as quais precisa encontrar respostas que podem ser criativas ou repetitivas dependendo de sua capacidade e habilidade de leitura da realidade e das possibilidades objetivas em que se realiza o trabalho. No entanto, quando a intervenção do professor é feita tendo em vista objetivos que se dirigem à busca de um resultado ideal, a atividade docente INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 39 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 pode ser denominada práxis (como já dissemos) uma vez que esta se caracteriza como uma atividade que pressupõe a idealização consciente por parte do sujeito que se propõe a interferir e a transformar a realidade. Isto porque, se “o que é ser um professor?” já é uma pergunta que gera alguma discussão, o que se dirá então da pergunta: o que é ser bom professor? Segundo Freire (2003, p. 96) “o bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento de seu pensamento”. A maioria de nós educadores, concordamos que ter uma boa relação (sendo afetuoso) com o aluno, respeitando seus interesses e experiências vividas e aprendendo com eles é o caminho para ser um bom professor. Alguns outros complementam, destacando o caráter de pesquisador do professor, que deve se atualizar constantemente, afirmando que para ser um bom professor, deve-se gostar do que se faz, que é o que Artur de Távolla prega: “De que adiantará um discurso sobre a alegria se o professor for um triste?” Sem gostar do que faz, um professor acaba tento dificuldades em se estimular e a seguir todo o resto das coisas que ele mesmo descreve ser características imprescindíveis do “bom professor”: o prazer é a centelha do aprendizado. Nesse aspecto, um outro fator importante segundo Cunha (2007) é que, a forma como o docente de hoje recebeu influências de seus professores e o interesse em poder contribuir com o conhecimento, leva o aluno a querer se espelhar no mestre e ser tal como. Esse aspecto é, em muitos casos, determinante para a formação do futuro “bom professor”. (p. 25). Observa-se que o professor, conforme descrito por Cunha (2007), tem sobre si, às vezes, a figura de exemplo a ser seguido, de ídolo; diante de tal responsabilidade, é interessante que o docente lembre sempre dessa sua peculiaridade durante as aulas. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 40 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Não obstante, muitos de nós professores, queremos fazer diferente quando não tivemos bons professores ou quando entendemos que a profissão e a profissionalização do nosso ofício deve acompanhar as mudanças tecnológicas e sociais que tem acontecido com uma velocidade nunca vista, na História da Humanidade. Nesse sentido, as discussões em torno da profissionalização apontam para a natureza complexa da profissão docente e para a necessidade de compreendê-la com suas características próprias, a partir da análise da atividade concreta dos professores em seus contextos de trabalho, no cotidiano escolar. Nesta perspectiva, a profissionalidade refere-se a um conjunto de capacidades e saberes desenvolvidos pelos trabalhadores no desempenho de funções, num determinado momento histórico (BREZEZINSKI, 2002). Saberes esses que evoluem e se ressignificam no exercício da profissão. Essas transformações ocorridas na vida dos professores é que levam à profissionalidade (D'ÁVILA; SONNEVILLE, 2008). Sendo assim, profissionalidade docente é, na expressão de Sacristán (1995, p. 65), "a afirmação do que é específico na ação docente, isto é, o conjunto de comportamentos, conhecimentos, destrezas, atitudes e valores que constituem a especificidade de ser professor". São os aspectos, os traços profissionais construídos em relação ao trabalho docente que caracterizam, ou que identificam, profissionalmente o professor. Quando se diz "que identificam", não significa necessariamente afirmar: "como são indicados" os professores. Ou seja, a profissionalidade que se quer, ou que se defende teoricamente, nem sempre é a identidade que se tem socialmente, como podemos em nossas observações nos locais de trabalho, bem como, em pesquisas realizadas por nós ou por outros pesquisadores. Diferentemente dos docentes de outros níveis de ensino, a função de professor de ensino superior se constituiu, historicamente, tendo como referência uma profissão exercida de forma paralela no mundo do trabalho. Desse modo, o recrutamento e a seleção de docentes para as universidades eram sustentadas pela lógica do “quem sabe fazer, sabe então ensinar”, ou seja, ensinando como foram ensinados, repassando sua experiência, os INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 41 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 docentes universitários garantiriam uma transmissão mais ou menos eficiente de saberes e uma socialização dos conhecimentos adquiridos, ao mesmo tempo em que reproduziriam o modelo por meio do qual foram formados (CUNHA e LEITE, 1996). Com o passar do tempo, entretanto, a docência universitária passou a exigir qualificações e competências que o modelo da experiência profissional ou do dom, dos modos tradicionais de inserção e de permanência nas universidades, não estava aparelhado para fornecer. Na atualidade, por exemplo, exige-se dos docentes universitários, além das qualificações de Mestre e Doutor, a manutenção de uma produção acadêmica regular que contemple o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Não obstante, as medidas de produtividade recaem mais acentuadamente sobre a produção científica (MACHADO e MAGALHÃES, 2002), valorizando-se a quantidade de publicações, fato que introduz um desequilíbrio na equação da indissociabilidade.Assim, tomadas as propriedades do modelo de profissão historicamente instituído – cujo processo de racionalização implicou, sobretudo a partir do século XIX, o estabelecimento de relações "objetivas" de trabalho –, a profissionalização do ofício de professor impõe, já em fins do século XX, como uma de suas primeiras exigências, a profunda alteração da própria natureza da relação pedagógica. Introduzindo-se a especialização como imagem para a formação, nada mais natural que buscar, para esse "novo tipo de professor", o "produto" objetivo que lhe corresponde – que, no caso, passa a ser a própria formação do aluno; daí para a transformação da figura do aluno – a quem, afinal, se dirige o "produto educacional" – como um "consumidor" é apenas um passo. Digamos que, numa linguagem derivada, o aluno passa a ser o "cliente". E quais as consequências da adoção da ideia de que ensinar é um serviço? O próprio António Nóvoa (2006, p. 11) lembra-nos de que "grande parte dos debates e das políticas educativas hoje tende a ver a universidade como um serviço que se presta às pessoas, famílias, menos como uma instituição". Entenda-se que a universidade deixa de ser encarada como instituição que compõe e alicerça o espaço público moderno para ser encarada INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 42 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 como uma prestadora de serviços. A partir daí, transfere-se a iniciativa de avaliação do processo educacional a uma clientela que será tão mais exigente quanto mais disposta for a pagar pelo serviço que compra. Nesse sentido, o ideal de profissionalismo para a atividade docente também se caracterizou por uma nova forma de exposição do "produto" da educação às regras capitalistas: entendida como um serviço a ser prestado, a atividade do professor foi pensada pela simples transposição das regras dos negócios mercantis para a formação humana. Mas, longe de conceder ao professor responsabilidade e autonomia, a educação como "prestação de serviço" trouxe implicitamente consigo a ideia de que o fim visado pode e deve ser definido em termos inteiramente objetivos, facilmente verificados por qualquer um que se situe no exterior da própria atividade: só o que importa é o resultado, o "produto". A questão é, porém, muito mais complexa. Castoriadis (2004) costuma relembrar a posição que Platão defende quando se trata dos objetos da poiesis, de uma "fabricação", em que somente o consumidor está em condições de julgar, posto que é apenas no consumo que o produto atinge sua finalidade. Mas até que ponto é possível aplicar esse raciocínio para todas as atividades humanas? No contexto antigo, o problema não aparece como o fato de que apenas uma classe privilegiada pode exigir pelo serviço de qualidade, mas refere-se antes à decisão de fazer da formação humana uma poiesis, uma fabricação de um produto objetivo e exterior àquele que o fabrica e àquele que o consome. Perde-se, assim, a concepção da formação humana como ação que, diferentemente da poiesis, não tem produto algum para ser exibido nem pode se autonomizar do seu "criador", mesmo porque, não acontecendo no isolamento, toda ação necessita da adesão dos outros para existir, o que impossibilita precisar quem foi o seu autor (ARENDT, 2000). Conforme definia Aristóteles, na atividade de fabricação, a matéria- prima transforma-se em um produto que realizará sua potência determinada: o ferro se deixa atualizar na forma de objetos, de acordo com a possibilidade constitutiva de o ferro ser tudo o que dele é possível fazer. No entanto, a ação do professor não se efetua sobre uma matéria que já contém em si todas as INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 43 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 suas possibilidades, mas em meio a um processo de autoformação que é também o da produção ininterrupta dessas potencialidades. O esvaziamento do sentido propriamente político da universidade é indispensável para que se possa, "racionalizando" sua tarefa, adaptar o ofício do professor às exigências do modelo de profissionalização moderno. É essa a perspectiva mais ampla, com a qual se pode examinar adequadamente o processo ao qual Nóvoa (2006) fazia referência: e é apenas uma escola esvaziada de seu sentido social mais forte que se dobra facilmente às injunções capitalistas, inclusive, àquela que propõe a necessidade de segmentação do mercado em perfis de consumidores diferenciados. Assim, longe de considerar a profissão como uma ocupação social, o processo de profissionalização admite uma nova maneira de apresentar o professor como especialista em educação – aquele que, instrumentalizado com saberes técnicos e sendo capaz de aplicá-los, poderia extrair de sua atividade resultados mais eficazes. Apoiado em uma base cognitiva específica e racional, o processo de profissionalização buscou adesão em um saber seguro que fosse capaz de fazer do discurso da ciência a base para as práticas de formação. Essas alterações somente ratificam o mito do especialista platônico e corroboram ainda mais com a intensificação da atividade docente, que se faz cada vez mais fragmentada. É claro que esse processo de fragmentação da atividade docente somente foi possível pelo reconhecimento da docência como uma profissão apoiada em um saber especializado e seguro, que submetido às regras gerais das profissões trouxe para a escola indesejáveis armadilhas. Um bom exemplo desse fato são as análises do modelo de profissão adotado para ressignificar a atividade do professor, que já sofre um processo de nítido desgaste, antes mesmo de se consolidar, em virtude das profundas alterações por que passa, de modo geral, o mundo do trabalho – e que, no caso da educação, configuram-se nas reformas políticas educacionais introduzidas no país a partir da década de 1990. Essas reformas, que datam, nos Estados Unidos e no Canadá, da década anterior, modificaram radicalmente o cenário educacional, levando a atividade docente a um movimento crescente de "flexibilização", "precarização", "desvalorização" e INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 44 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 "desqualificação" – o que se passou a nomear como "desprofissionalização" do magistério (OLIVEIRA, 2004, p. 1.129). A esse quadro de vulnerabilidade do mundo do trabalho corresponde o enfraquecimento das corporações profissionais anteriormente dedicadas a zelar pelos critérios que habilitavam um indivíduo para o exercício da profissão. No caso da docência, cujo processo de instituição da profissão não se completou inteiramente, como querem os autores, as alterações introduzidas pelas reformas educacionais, a partir da década de 1990, têm reflexos, tanto física quanto estruturalmente, no cotidiano da escola e são percebidos, segundo Dalila Andrade Oliveira (idem), por meio dos procedimentos normativos que determinam profundas alterações na carreira e na remuneração dos professores. Nesse processo, uma das estratégias mais correntes é a proliferação de cargos técnicos na escola, observada a partir dos anos de 1980. A substituição do docente por outros agentes – os ajudantes de educadores – é descrita, por exemplo, por Louis Le Vasseur e Maurice Tardif (2004) em três países: Canadá, França e Estados Unidos. Neles, a gestão da violência tem sido responsável pelo maior número de contratações de "profissionais", que ultrapassa até mesmo o número de profissionais de informática ou de apoio administrativo. Os técnicos auxiliam de diversas maneiras: ➢ na gestão do comportamento dos alunos, observando-os fora da sala de aula; ➢ na realização de atividades escolares, ajudando-os a encontrar as informações que precisam para as leituras eresolução de problemas matemáticos; ➢ e nas atividades consideradas rotineiras, como a divulgação das notas, distribuição do material em aula, produção de material pedagógico, acompanhamento de alunos com certas deficiências, supervisão dos alunos no recreio, no almoço etc. Liberados das tarefas agora a cargo dos ajudantes de educadores, os professores teriam mais tempo para se dedicarem especificamente às aulas. Nesse sentido, Isaia e Bolzan (2007) veem a profissão docente como uma atividade específica que envolve um repertório de conhecimentos, saberes INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 45 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 e fazeres voltados para o exercício docente, influenciada pela cultura acadêmica, em contextos sócio-culturais e institucionais, nos quais os professores estão inseridos. Segundo Cunha (1999) é nesse contexto que o termo profissionalidade tem sido recorrente nos discursos dos educadores contemporâneos, que apresentam diferentes adjetivos aos professores com o intuito de explicitar a concepção que se projeta para o seu trabalho, tentando fugir da lógica liberal- mercadológica que tem envolvido a profissionalização docente. Contreras (2002) refere-se à profissionalidade como qualidades da prática profissional dos educadores em função daquilo que requeira ofício educativo, bem como expressar valores e pretensões desejáveis buscando alcançar e desenvolver na profissão, a autonomia docente. Sendo assim, podemos concluir que a profissionalidade não está alicerçada somente em dominar conhecimentos, saberes e fazeres de determinado campo, mas envolve a sensibilidade do docente como pessoa e profissional, no que se refere a atitudes e valores, levando-se em conta os saberes da experiência docente e profissional. Para um dos principais estudiosos da área, Harold Wilensky (apud ABBOT, 1987, p. 16), só se pode qualificar como "profissão" uma atividade que logre superar fases por ele formalmente identificadas como passos necessários e indispensáveis para sua instituição: 1. a profissão como atividade integral e como necessidade social de aplicação de um conhecimento especializado; 2. a uniformização dos critérios e procedimentos de formação para o exercício profissional, oferecida por instituições especializadas e organizada em uma estruturação curricular própria; 3. a constituição de associações corporativas profissionais, em âmbito nacional ou local, encarregadas de acompanhar e controlar a formação e o exercício da profissão; 4. a regulamentação da profissão pelo Estado, que concede aos praticantes o monopólio da atividade, considerando ilegal a prática de INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 46 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 indivíduos que não possuem a devida autorização para prestar serviços especializados no mercado; 5. a adoção de um código de ética, que orienta o comportamento dos indivíduos no sentido de preservar a profissão da má prática. Essa perspectiva racionalizadora conduziu à renovação, na modernidade, do mito do especialista: detentor de um saber que o distingue dos demais e que ele controla e monopoliza, o especialista é o único que pode identificar as exigências de seu ofício e definir como, quando e por que cada um a ele deverá recorrer. Como é o único a poder avaliar a qualidade do trabalho realizado, ele só pode ser julgado inter pares. Permitindo a divisão da sociedade entre "especialistas" e os demais, essa concepção aplicou-se não somente às atividades manuais, mas à totalidade das funções sociais – influenciando, inclusive, a educação e a política. Responsável pela complexa hierarquização no interior do mundo do trabalho, a profissionalização torna-se, pois, condição sine qua non para a legitimação de qualquer ofício nos tempos modernos. É claro que esses aspectos tornariam a equalização das profissões um movimento bastante precário e voluntarista; mas a denegação da sua dimensão política não atende apenas a interesses metodológicos. Ela corresponde à intenção de submeter a sociedade a uma análise "objetiva", fixando para sua existência regras e leis invariáveis. Em face dessas determinações pensadas sob o modelo das leis naturais, toda atividade que por razões diversas não realize a trajetória previamente destacada deve ser classificada como uma semiprofissão. Ao defender para a docência a noção de "semiprofissão", Mariano Fernández Enguita (2011, p. 51) está se inscrevendo nessa mesma perspectiva racionalista, que persiste em afirmar o ideal da especialidade moderna e que, dessa forma, continua a contrapor o que seriam as "profissões legítimas" àquelas que, por jamais terem atingido esse estágio ou por o haverem perdido, deverão ser apelidadas de "semiprofissões". E, de fato, a tese central de Enguita é a de que a carreira do professor está atualmente dividida entre o movimento por sua profissionalização e as condições sociais INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 47 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 que indicam sua "proletarização" (entendida como ausência da "autonomia", estigmatização advinda da predominância feminina na carreira etc.). António Nóvoa (2012) também irá chamar a atenção para a ambiguidade na profissão docente, mas por razões diferentes: o autor refere-se aos professores "primários" como indivíduos que, oriundos de classes sociais desfavorecidas, adquiriram capital cultural superior ao dos outros de sua classe, mas não atingem remuneração suficiente para garantir-lhes um modo de vida típico da burguesia, por exemplo. Nem burguês, nem notável, nem camponês, nem intelectual, nem artesão, o professor primário tem enormes dificuldades para se inserir socialmente, [...] [pois estão] próximos dos médicos e advogados, em virtude das características de suas funções, e ao lado dos artesãos ou dos operários especializados, em razão de seu nível de renda... (NÓVOA, 2012, p. 126-127). Esse lugar que se pretendeu dar à atividade docente revela uma visão que busca um único conceito que pretende ser doador pleno de sentido para determinar as ocupações sociais. Ao tomar o conceito clássico de profissão, segundo o modelo da sociologia, Enguita faz somente destacar a distinção entre aquelas atividades que conquistaram o patamar das profissões daquelas que não conseguiram. Essa análise somente ratifica um processo de formalização da atividade profissional que busca classificar coisas diferentes pelo mesmo princípio. Ao considerar os critérios de profissionalização das profissões clássicas sem observar que se trata de significações sociais hegemônicas das quais se supõe acima do mundo empírico, tratando-o de modo corruptível, desgastado e ilusório, Enguita ignora que a história da profissão docente se fez por trajetórias diferenciadas em relação às profissões clássicas. Esse esforço somente ajusta o mundo empírico ao mundo teórico, sem imaginar o quanto a descrição teórica exige de sacrifício do mundo empírico por fazer deste a fonte INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 48 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 de explicação daquele. Sem desgarrar de um ideário ainda platônico, cuja realidade empírica é imperfeita em relação às ideias, tomar a docência como profissão segundo critérios das profissões clássicas foi uma aposta no conceito que serve de modelo, desde sempre e para sempre, para todas as atividades remuneradas que exigem um saber específico. O movimento de profissionalização buscou "proteger" a escola da atuação de não profissionais especializados para a função quando definiu critérios para o exercício da atividade de ensinar: processo seletivopara contratação de professores, base de formação comum, certificação de professores, processo de avaliação de professores. Gary Sykes (1987) afirma que o movimento de profissionalização foi um modo para melhor organizar o recrutamento, a preparação, a habilitação e a formação de professores, e assim promover melhor reestruturação da gestão da escola. O argumento busca descolar a imagem do modelo clássico de profissão e atribuí-la para o professor com um sentido mais democrático e participativo, que é definido pelo autor por meio da atribuição de um novo termo – "novo profissionalismo" – que busca conciliar os atributos de uma profissão, como formação específica e qualificada para o professorado, e a perspectiva de uma atividade com margem de participação, mesmo daqueles que não são profissionais da educação, como os pais, por exemplo. Entretanto, do ponto de vista da atividade de ensinar, nenhum desses critérios promoveram mudanças significativas para a escola. Por essa razão, Burbules e Densmore (2010) vão discordar, classificando o movimento de profissionalização como "político" e "ideológico". Entenda-se também que, segundo esses autores, o movimento de profissionalização acentuou um grau de corporativismo, voltando-se para a obtenção dos direitos e privilégios reivindicados por uma categoria profissional – e não, infelizmente, como o emprego das expressões levaria a pensar, que os professores busquem ressignificar o papel social que a escola desempenhou na história das nações modernas. Não se trata, para os autores, de negar o mérito e a justiça de reivindicações por melhores salários e status, por melhores condições de trabalho e oportunidades de carreira intelectual, mas de demonstrar que, tal INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 49 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 como historicamente veio sendo definido, o processo de profissionalização mantém um caráter puramente simbólico, servindo tão somente "para legitimar a diferença entre grupos de elites e outros grupos" (DENSMORE, 2010, p. 49). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 50 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 7.CRITÉRIOS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E COMO ENSINAR NO ENSINO SUPERIOR "Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino" (FREIRE, 2003). Com isso, Paulo Freire aborda uma condição para haver ensino e aprendizagem; algo que é almejado por professores. Segundo Freire (2003), "ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção" (p. 52). Nesse sentido, em seu livro “Pedagogia da autonomia”, o estudioso nos mostra as várias vertentes do ensinar, mostrando-nos que ensinar exige: pesquisa; respeito aos saberes dos educandos; criticidade; estética e ética; reflexão crítica sobre a prática; curiosidade; disponibilidade para o diálogo; saber escutar, entre outros. Assim, a prática educativa é o produto final a partir do qual os profissionais adquirem o conhecimento prático que eles poderão aperfeiçoar (GIMENO SACRISTAN, 1999, p. 73). Na perspectiva da escola enquanto instituição social, a prática pedagógica é uma prática social específica, de caráter histórico e cultural que vai além da prática docente, relacionando as atividades didáticas dentro da sala de aula, abrangendo os diferentes aspectos do projeto pedagógico da escola e as relações desta com a comunidade e a sociedade (SILVA; RAMOS, 2006). Já segundo Castro (2002), “o ensinar transforma-se em incentivar, instigar, provocar, talvez desafiar. Na verdade, ensinar algo é sempre desafiar o interlocutor a pensar sobre algo” (p. 19). Ao realizar essa tarefa, o professor proporciona reflexões sobre a prática pedagógica, pois, parte-se do pressuposto de que ao assumir a atitude problematizadora da prática, modifica-se e é modificado, gerando uma cultura objetiva da prática educativa (TOZETTO; GOMES, 2009). A essa altura, já podemos afirmar então que ensinar não é somente indicar um caminho, mas sim, aprender e instigar o aluno a descobrir. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 51 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Para Gimeno Sacristan (1999), é a ação do professor no espaço de sala de aula, ou seja, a prática pedagógica vai acontecer efetivamente quando o professor assumir a função de guia reflexivo, isto é, quando ele passa a iluminar as ações em sala de aula e a interferir significativamente na construção do conhecimento do aluno. Isto posto, temos que o ensino é, fundamentalmente, diálogo: o importante, para o professor, não é falar do ou sobre o aluno, mas com o aluno, um diálogo verdadeiro que implica a aptidão daquele para o relacionamento pessoal com este, que é outro. (TUNES; TACCA; BARTHOLO, 2005). Nesse aspecto, Masetto (2001) concebe a aula como "o espaço e o tempo no qual e durante o qual os sujeitos de um processo de aprendizagem (o professor e os alunos) se encontram para juntos realizarem uma série de ações" (p. 85). Mas, como os docentes bacharéis o fazem? Nesse momento e, para responder a esses questionamentos, acompanhamos o complexo cotidiano da sala de aula de vários professores com o objetivo de identificar os saberes que os professores mobilizam nesse espaço-tempo do processo de ensino-aprendizagem. Em sendo, as observações realizadas em sala de aula evidenciaram que, embora alguns dos professores não tenham demonstrado reação à presença do pesquisador, em um bom número de vezes houve o argumento de que as atividades junto aos alunos, naquela aula, consistiriam em exposição oral de conteúdo e resolução de exercícios. Não haveria, portanto, o que observar. Na verdade, realiza-se a observação do que o outro permite. As aulas das disciplinas observadas foram ministradas, em sua maioria, de forma expositiva, sendo alguns conceitos escritos no quadro; outras vezes, a aula consistiu em leitura exaustiva de alguns parágrafos considerados importantes pelos professores, ou ainda da leitura alternada pelos alunos de parágrafo por parágrafo do texto seguido de comentários do professor, sem margem para questionamentos por parte dos discentes. Nesse sentido, as aulas expositivas ocorriam com o objetivo de informar e representam formas econômicas e de controle da turma. Esse tipo de metodologia exige dos alunos alto nível de concentração durante todo o tempo das aulas. Há pouca interação entre professor e aluno. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 52 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Não defendemos aqui que a aula expositiva deveria ser abolida por estes ou outros professores. Ao contrário, nada substitui uma boa aula expositiva. Sendo assim, corroboramos com Masetto (2005, p. 96-97), que a seu entender, não se trata de abolir a aula expositiva, mas sim de usá-la como técnica, isto é, quando ela for adequada aos objetivos que temos. Isso quer dizer que ela cabe, por exemplo, no início de um assunto para motivar os alunos a estudá- lo ou para apresentar um panorama do tema que será estudado posteriormente, ou como síntese de um estudo feito individual ou coletivamente, ao final dos trabalhos. Sempre usando de 20 a 30 minutos da aula (não mais do que isso), pois é o tempo no qual conseguimos manter a atenção dos alunos (MASETTO, 2005, p. 96-97). Noutrossim, de acordo com Castro (2002), uma das peculiaridades do processo de ensinar é a intencionalidade, ou seja, “pretender ajudar alguém a aprender”. Com isso a ação de ensinar é uma intenção e indica que, na maioria das vezes, há um longo caminho entre o propósitoe a sua realização. E sendo assim, os procedimentos didáticos visam o encontro entre o ensinar e o aprender. Nesse sentido, os professores entrevistados trouxeram ideias semelhantes às especificadas acima para responder à pergunta “o que é ensinar?” como: “indicar o caminho”, “aprender e levar o aluno a descobrir”, “é um meio de alcançar um objetivo, aprender em si”, “aproveitar as experiências dos alunos para proporcionar mudanças” etc. Sobre este tema, Moraes (1997) afirma que o modelo de aula universitária, ainda predominante é o de: Dividir o conhecimento em assuntos, especialidades, subespecialidades, centrada no professor e na transmissão do conteúdo que, em nome da transmissão do conhecimento, continua vendo o indivíduo como uma INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 53 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 tabula rasa, produzindo seres subservientes, obedientes, castrados em sua capacidade criativa, destituídos de outras formas de expressão e solidariedade. E uma educação "domesticadora", "bancária", segundo Paulo Freire, que "deposita" no aluno informações, dados e fatos, onde o professor é quem detém o saber, a autoridade, que dirige o processo e um modelo a ser seguido. (MORAES, 1997, p. 58). Este ideário indica os pressupostos epistemológicos nos quais o ensino superior se assenta. Neste sentido, Cunha (1999) afirma que: A forte presença do paradigma da ciência moderna na sociedade ocidental acabou por cristalizar a forma tradicional de currículo, vendo-a como uma única possibilidade de organização. Esta, resume-se na lógica presente no nosso cotidiano acadêmico: dos fundamentos da ciência para sua aplicação; da teoria para prática; do básico para o profissionalizante (CUNHA, 1999, p. 01). Esta lógica de organização curricular que separa pensamento e ação é sustentada pela teoria de aprendizagem ambientalista/empirista que parte do pressuposto de que primeiro o sujeito deve adquirir conhecimentos para depois poder aplicá-los na prática e em situações específicas. Nesta concepção, a melhor forma de aprender é pela audição e registro das verdades científicas reconhecidas que, para serem adquiridas, precisam de exercícios de experimentação e memorização. A prática é entendida como comprovação da teoria, sendo que seu sucesso depende do grau de aproximação com o conhecimento já construído via conteúdos disciplinares. Há uma mera definição de conceitos por parte dos docentes, evidenciando a ausência de um planejamento de aula, o que obriga o docente a falar o tempo todo, levando o aluno ao cansaço e à desmotivação. O professor sente-se à vontade para elaborar aulas descontextualizadas, focando INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 54 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 programas de aprendizagens meramente burocráticas e conteudistas – apenas informações –, para executar a gestão da matéria e da classe por intermédio de aulas expositivas – aulas copiadas que só ensinam o aluno a copiar – e para avaliar de maneira mecânica e reprodutivista, o que evidencia uma autonomia exagerada dos professores (PUENTES; AQUINO, 2008). Claro que discordamos integralmente dessa postura e entendemos que existam outras assumidas por professores de excelência, que planejam suas aulas com esmero profissional e zelo, respeitando o seu aluno e sempre buscando aprimorar seus conhecimentos de Didática, no intuito de melhor ensinar. Sendo assim, Machado (2005) afirma que os professores comportamentalistas entendem a prática pedagógica como a atividade exclusivamente observável e que gere uma atividade concreta, cujos resultados possam ser registrados, comprovados. Os professores cognitivistas entendem a prática pedagógica como a atividade que desenvolva o raciocínio do educando e que o leve a resolver problemas. Já os professores humanistas validam todo o processo de ensino-aprendizagem, priorizando as relações humanas. Concordamos com Machado, quando ao se questionar qual fundamentação deveria ser prioridade para a prática pedagógica, a autora ensina que, se forem combinadas, todas têm espaço e importância, relembrando que é preciso saber de antemão se esse foco estaria na atividade do professor, do aluno ou da qualidade da atividade propriamente dita. Nesse sentido, concordamos que da prática pedagógica fazem parte conhecimento, professor e estudante, mas, entendemos que ela vai além, como vimos demonstrando nesse texto e com base na pesquisa que o antecedeu, ela é um processo social que envolve alguns princípios da dialética enumerados por Gadotti (2010). São eles: a “totalidade”, na qual o todo e as partes se relacionam; o “movimento”, que considera a dinamicidade dos processos; a “mudança qualitativa”, que possibilita observar os movimentos do micro para o macro, e vice-versa; e, a “contradição”, capaz de captar ao mesmo tempo unidade e luta de opostos. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 55 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Assim, neste processo, cabe ao professor diagnosticar o que o aluno já sabe sobre o tema; selecionar, organizar e elaborar o material educativo; verificar se os significados compartilhados correspondem aos aceitos no contexto da disciplina e; reapresentar os significados de uma nova maneira, caso o aluno não tenha ainda captado aqueles desejados. O aluno, por sua vez, tem a responsabilidade de captar e negociar os novos significados e aprender significativamente e, nesse sentido, Lemos (2011, p. 29) afirma que o significado de aprendizagem significativa aponta para o papel do professor e do aluno no processo de ensino e de aprendizagem. Ou seja, se a aprendizagem significativa de um determinado assunto, instrumentaliza o indivíduo para intervir com autonomia na sua realidade, é essencial que o professor esteja comprometido com a aprendizagem do aluno e este, por sua vez, com sua própria aprendizagem (...). Sendo assim, podemos afirmar que o bom ensino é aquele que, tendo sido organizado em função das especificidades do conhecimento que se deseja aprendido e do seu público alvo, garantiu o compartilhamento de significados captados (GOWIN, 1981 apud LEMOS, 2011) e favoreceu a ocorrência de aprendizagem significativa por parte do aluno e, sobre esse aspecto, vemos que a aprendizagem significativa favorece a construção de respostas para problemas nunca vivenciados e leva tanto à capacitação humana quanto ao compromisso e à responsabilidade, diferentemente do que demonstra Novak (2000) ao relatar que o conhecimento, quando produto de aprendizagem mecânica, não garante autonomia intelectual para a ação do indivíduo. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 56 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 8.DIFICULDADES ENCONTRADAS NO ATO DE ENSINAR Acerca das dificuldades encontradas no ato de ensinar, Castro (2002) afirma que ensinar é “uma realidade de natureza relacional”, que envolve diversas variáveis, muito embora dependa da intencionalidade que a conduz. Sendo assim, vários são os problemas relacionais entre esses dois processos: o ensinar e o aprender. Nesse sentido, diversas dificuldades foram relatadas pelos professores, ao serem questionados, sendo que, a maioria destaca o “desinteresse dos alunos” (foi o discurso mais relatado). Ou seja, o fracasso é atribuído ao aluno, e, poucas vezes, é visto como consequência de ações do próprio professor ou mesmo do método de ensino por ele utilizado. A maior parte dos fracassos é atribuída ao aluno na forma de: “não tem maturidade”, “sua inteligência é limitada”, “faltam-lhe as informações anteriores”, ao potencial de que dispõe comoaprendiz e os sucessos, ao professor ou ao método. (CASTRO, 2002, p. 20). Nesse sentido, é importante entender que os fracassos possuem muitas variáveis como: “condições cognitivas e afetivas do aluno; falhas na atuação docente; equívocos com relação aos recursos e métodos utilizados; falta de planejamento; falta de domínio do conteúdo; o contexto socioeconômico no qual se insere a universidade” (CASTRO, 2002, p. 20-21), e quando há um desequilíbrio entre estas variáveis, surgem as dificuldades. Daí a importância do estudo da Didática e da prática pedagógica. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 57 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Nesse sentido, Caetano (1997) afirma que, a prática compreende um campo de ambivalências e conflitos, no qual cada profissional se confronta consigo mesmo, com os alunos, com os colegas, com a comunidade escolar, com as normas institucionais (escolas e sistemas). Noutrossim, Caldeira e Zaidan (2010, p. 21) ressaltam que a Prática Pedagógica é entendida como uma prática social complexa, acontece em diferentes espaço/tempos da escola, no cotidiano de professores e alunos nela envolvidos e, de modo especial, na sala de aula, mediada pela interação professor-aluno-conhecimento. Nela estão imbricados, simultaneamente, elementos particulares e gerais, tais como: ao docente (sua experiência, sua corporeidade, sua formação, condições de trabalho e escolhas profissionais); aos demais profissionais da escola (suas experiências e formação e, também, suas ações segundo o posto profissional que ocupam); ao discente (sua idade, corporeidade e sua condição sociocultural); ao currículo; ao projeto político- pedagógico da escola; ao espaço escolar – suas condições materiais e organização; à comunidade em que a escola se insere e às condições locais. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 58 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 9.A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR E NA SOLUÇÃO DAS DIFICULDADES DO ATO DE ENSINAR Como já dissemos anteriormente, a Didática é um dos ramos da Pedagogia que estuda os processos de ensino-aprendizagem. Formar o educador seria então “proporcionar condições para que este se prepare filosófica, científica, técnica e afetivamente para o tipo de ação que vai exercer” INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 59 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 (LUCKESI, 1987, p. 28). Além da preparação cognitiva, é preciso ajudá-lo a pensar dialeticamente, de forma a que reflita permanentemente sobre sua práxis, proporcionando uma visão global da ação educativa a partir da relação com o outro (educador e educando). Nesse sentido, Libâneo (1994), afirma que a didática converte objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino, seleciona conteúdos e métodos em função desses objetivos e estabelece os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos. Sendo assim, a Didática aparece como uma ferramenta de auxílio na formação do educador, proporcionando uma troca de conteúdos cognitivos e morais com os alunos, sendo que hoje em dia os primeiros ocupam a maior parte da grade dos cursos de formação superior. Com a necessidade de se aprender tudo de forma rápida, privilegiou-se o “como fazer”, sendo que a aprendizagem da técnica passou a ser prioridade para o educador. Nesse sentido, salientamos a importância da prática pedagógica do professor no sentido da preparação docente para a vida em sociedade diante das diversas transformações sociais, econômicas, políticas e culturais, fazendo com que estas mudanças aceleradas que vivemos diariamente sejamos sempre levados a adquirir competências novas, pois é o meio em que vivemos e as relações que estabelecemos uns com os outros que criam a unidade básica de nossas ações e transformações. Com isso, a prática pedagógica deve ser dinâmica, a fim de preparar os alunos, agentes ativos e formativos, para ampla realidade social que os cerca (SOUSA; SOUZA, 2012). Noutrossim, entendemos que para além de didática, a prática pedagógica exige uma metodologia e, acerca desse tema, etimologicamente a palavra metodologia advém de methodos, que significa meta (objetivo, finalidade) e hodos (caminho, intermediação), isto é: caminho para se atingir um objetivo, somado ao termo logia que significa conhecimento, estudo. Ou seja: metodologia é o estudo dos métodos, dos caminhos a percorrer, tendo em vista o alcance de uma meta, objetivo ou finalidade (AURELIO, 2017). Sendo assim, de acordo com Carraher e outros (2012), metodologia do ensino seria o estudo das diferentes trajetórias traçadas/planejadas e INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 60 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 vivenciadas pelos educadores para orientar/direcionar o processo de ensino- aprendizagem em função de certos objetivos ou fins educativos/formativos (CARRAHER et al, 2012, p. 25). Em sendo, é fundamental que antes de se pensar o “como fazer” o educador tenha em mente o tipo de homem que o respectivo quer formar e que papel esse homem desempenhará para a transformação social, ou seja, pensar o “que fazer” e o “para que fazer”. Somente a partir daí dever-se-ia pensar no “como fazer”. 10.EDUCAÇÃO, INSTRUÇÃO E ENSINO É consenso entre os estudiosos que Educação é um conceito amplo referindo-se ao processo de desenvolvimento unilateral da personalidade, envolvendo a formação de qualidades humanas, físicas, morais, intelectuais, estéticas, tendo em vista a orientação da atividade humana na sua relação o meio social, num determinado contexto de relações sociais. No nosso caso, cuja especificidade é o Ensino Superior, entendemos que as pessoas aprendem o que necessitam, ou o que conseguem relacionar INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 61 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 com uma situação vivenciada, haja vista que, um novo conhecimento se produz em ligação com um conhecimento que já se tem. (CELSO ANTUNES, 2010). Em sendo, para que haja um trabalho pedagógico de qualidade, as necessidades imediatas devem ser temas trabalhados a priori. Esses temas devem servir como engate para um novo conhecimento que também é importante. Essa importância deve ser influenciada, fomentada pelo educador. Partindo dessas necessidades primárias, os educadores precisam desenvolver, estimular outras necessidades que os leve adquirindo consciência da necessidade do estudo em suas vidas. Mostrar o papel dos indivíduos dentro da construção de uma nova sociedade, na qual todos tenham o direito de ter o mínimo para viver. Nesse aspecto, a preocupação com o ensino-aprendizagem (e pesquisa) no Ensino Superior tem se tornado cada vez mais comum entre os acadêmicos e também entre aqueles que ocupam cargos de administração em escolas de ensino superior. Talvez tal movimento se faça num ritmo semelhante às críticas levantadas sobre a educação de uma forma geral, mas, mesmo assim, tem peculiaridades que merecem ser destacadas. As palavras, preocupações e recomendações de autores como Paulo Freire e Anísio Teixeira, representantes da escola pedagógica sociocultural, são algumas entre tantas vozes que se levantam para alertar sobre a precariedade e as dificuldades enfrentadas no processo de ensino- aprendizagem, independentemente da área. Segundo Amaral (1993), a "pedagogia do oprimido" de Paulo Freire situa-se entre as diferentes versões da pedagogia progressista que buscam a transformação de uma sociedadeexcludente e discriminatória em uma sociedade mais justa e igualitária. Nessa perspectiva, a relação professor-aluno-conhecimento se transforma radicalmente, quebrando o vínculo da dependência, porque o professor se coloca junto ao educando para possibilitar-lhe as condições de produção de seu próprio conhecimento, num trabalho coletivo de construção. No que tange ao processo de ensino-aprendizagem, Amaral (2004) destaca também a importância do aprender fazendo, do aprender a aprender, a importância do interesse, da experiência e da participação como base para a vida em uma democracia. Segundo a autora, as modernas pedagogias têm INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 62 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 apontado na direção da aprendizagem ativa, do trabalho coletivo, da participação, da pesquisa e da construção do conhecimento. Entretanto, para muitos, o processo de ensino para a formação de profissionais ainda envolve apenas a transmissão de conhecimentos e experiências profissionais de um professor para um aluno. De acordo com Behrens (1998), evidenciamos por toda a parte o uso de práticas pedagógicas autoritárias e conservadoras, a ausência de uma postura reflexiva sobre a ação docente e a dificuldade para sensibilizar e mobilizar professores para que se envolvam em projetos pedagógicos que promovam esse tipo de reflexão. Destacam-se, portanto, como desafios principais à profissionalização do professor a qualificação pedagógica e a sua aproximação a metodologias de ensino inovadoras e transformadoras. Assim, ao discutir os objetivos da educação, Castanho (1991) destaca a relação íntima e indissociável entre técnica e política no processo de ensino, remetendo ao fato de que, tradicionalmente, os livros de Didática têm tratado apenas da questão técnica e asséptica da docência, desprezando seu aspecto político. Masetto (1998) também aborda a importância de o professor considerar a dimensão política na educação, devendo promover entre seus alunos a reflexão crítica acerca do que se passa na sociedade, bem como da História da Ciência e do seu papel na transformação e evolução do mundo. Assim, o professor universitário deve ser consciente do seu papel como formador tanto de profissionais como de cidadãos, transmitindo para seus alunos a percepção de que, ao exercerem a profissão, estarão comprometidos com o seu tempo, sua civilização e sua comunidade. Em sendo, na medida em que a aprendizagem não depende exclusivamente de fatores externos, o processo educacional adquire grande complexidade. Como afirmam Sá e Moura (2008), aprender com o outro será sempre um autoaprendizado que nunca surge como um registro do que o outro diz, que nunca será o assimilar do que se escuta ou do que se lê. Será sempre o reelaborar interno e permanente de saberes; processo que será mais ou menos rico, na medida das perturbações desencadeadas pelo meio. Para esses autores, perturbar significa criar situações que possam desencadear nos alunos questionamento, reflexão, dúvida, reconcepção, assumindo desde INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 63 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 sempre que tais processos são dependentes do que cada um deles é capaz de realizar. O conhecer é processo individual e único que ocorre na relação com a ajuda do professor, num diálogo rico de instigações que levam, indubitavelmente à aprendizagem.. 11.A APRENDIZAGEM Entendemos que para um resultado significativo na aprendizagem, é necessário planejar o ensino e, nesse sentido, planejar significa estabelecer prioridades necessárias quando temos um propósito, já definido, a realizar, ou seja, é um processo que objetiva bem distribuir no tempo e no espaço os recursos disponíveis, dentro de uma sequência lógica de necessidades, a fim de possibilitar a elaboração de meios para alcançar o desígnio esperado que, no nosso caso é o sucesso na aprendizagem. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 64 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Para tanto, é consenso entre os estudiosos da educação que o Planejamento é fundamental para que se obtenham resultados positivos no ensino e na aprendizagem, posto que, planejamento é a seleção e identificação dos objetivos globais, de longo prazo, de uma organização, dos vários cursos de ações possíveis em termos de custo e efetividade ou benefícios relativos, de modo a facilitar aos executores a decisão dos cursos em ação a serem adotados para atingir os referidos objetivos. Nesse sentido, apesar de termos três modalidades básicas de planejamento: o plano da escola, o plano de ensino e o plano de aulas, vamos centrar nossos esforços no último, que é a forma predominante de organizar o processo de ensino, haja vista que, de acordo com Libâneo (1994), é na aula que o professor organiza ou cria situações docentes, isto é, as condições e meios necessários para que os alunos assimilem ativamente conhecimentos, habilidades e desenvolvem suas capacidades cognoscitivas (LIBÂNEO, 1994, p. 241). Em outras palavras, o planejamento didático parte do currículo para os programas, deste para os planos de curso, de curso para a unidade, e deste para o plano de aula. Ao elaborar seu planejamento didático, o professor deve enumerar os objetivos que tem em vista, selecionando-os conforme prioridade e viabilidade de execução. Esta primeira etapa permite ao docente prever os resultados que pretende alcançar, a saber, a aprendizagem dos alunos. Aprendizagem casual: Que é espontânea e a organizada – que tem por finalidade especificar aprender determinados conhecimentos, habilidades, normas de convivência social. E é mais frequente acontecer essa aprendizagem na escola – pois é tarefa específica do ensino. Aprendizagem escolar: Processo de assimilação de determinados conhecimentos e modos de ação física e mental, organizados e orientados no processo de ensino. Os resultados da aprendizagem se manifestam em modificações na atividade externa e interna do sujeito nas suas relações com o ambiente físico e social. Pode-se aprender então: conhecimento sistematizados, habilidades e hábitos intelectuais e sensório-motores, atitudes e valores. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 65 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A Aprendizagem efetiva: Acontece quando, pela influência do professor, são mobilizados as atividades físicas e mental próprias das crianças no estudo das matérias, chamado de processo de assimilação ativa que é um ato de conhecimento pelo qual assimilamos mentalmente os fatos, fenômenos e relações do mundo, de natureza e da sociedade. A aprendizagem é uma relação cognitiva entre o sujeito e os objetos de conhecimento. Na escola – a ação externa do professor é fundamental para a realização do processo de assimilação ativa: para isso, é preciso que o ensino e seus componentes tenham objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas. Os fatores internos e externos influenciam na aprendizagem, afinal, como já dissemos, ninguém nasce com todas as capacidades cognitivas prontas e acabadas. Elas vão-se desenvolvendo no decorrer da vida e, particularmente no decorrer do processo de ensino. Nesse sentido, Antunes (2010, p. 2001) relaciona algumas competências dos professores, que, por conseguinte, irão estimular o desenvolvimento de competências nos seus alunos: ✓ Organizar e dirigir situações de aprendizagem; ✓ Ser muito bom na seleção dos conteúdos a serem ensinados, elegendo- os de acordo com os objetivos da aprendizagem; ✓ Trabalhar a partir das representações dos alunos; ✓ Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculosda aprendizagem; ✓ Construir e planejar dispositivos e sequências didáticas e envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 66 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 12.NÍVEIS DE APRENDIZAGEM Com o advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), entre elas a Internet, a possibilidade da circulação da informação em tempo real teve um enorme avanço, ainda que a maioria da população brasileira não INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 67 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 tenha acesso a elas. Nesse sentido, temos a informatização de todos os terminais bancários, tornando necessárias novas formas de aprendizagem, haja vista que quase a totalidade das pessoas estão codificadas, seja via carteira de identidade, cartão de crédito, inúmeras senhas que vão sendo acopladas aos processos de identificação social, com fins mercadológicos e financeiros. Também, o fortalecimento das temáticas identitárias e aquelas relacionadas ao direito à diferença conquistaram espaço na sociedade, via articulação dos movimentos e organizações sociais, principalmente por conta do acesso à Internet e nela, por conta das redes sociais que facilitam o processo de agrupamento social. (SOUZA, 2005, p. 2). Tudo isso posto acima, exige um aprendizado diário e cognitivo, que é um nível de aprendizagem de determinados conhecimentos e operações mentais: apreensão consciente compreensão e generalização das propriedades e relações essenciais da realidade. Os indivíduos aprendem tanto no contato direto como através das palavras. Aqui as palavras têm grande importância e significado para a aprendizagem, formando a base dos conceitos. Sendo assim, podemos afirmar que a prática pedagógica do professor perpassa pela construção de sua identidade, respeitando as dimensões ético- políticas do processo ensino-aprendizagem, os valores que regem a intencionalidade educativa, uma escola democrática, a construção do currículo com participação docente intelectual, criativa, crítica, dinâmica e integradora. Nessa perspectiva, o professor precisa ser capaz de distinguir e julgar situações humanas, complexas, incertezas e singulares, reconstruindo as estruturas do pensamento em situações de aula. Nesse contexto, percebemos que elas se afastam das abordagens que identificam o ensino como uma ciência, uma técnica uma atividade profissional de fundamentos na racionalidade exclusivamente epistemológica. Portanto, os autores consultados e os textos analisados, até aqui, argumentam em favor de uma racionalidade concreta, que permite ser alimentada por saberes contingentes, mutáveis e cheios de lacunas oriundas da vivência, da experiência e da vida. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 68 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Sendo assim, as situações didáticas devem ser organizadas para o aluno perceber ativamente o objeto de estudo de forma direta ou indireta, haja vista que a transformação de percepção ativa para um nível mais elevado de compreensão implica a atividade mental. Os professores precisam, nesse momento, ampliar seu mundo de ação e de reflexão, ultrapassando os limites da sala de aula, transcendendo para um espaço de análise do sentido político, cultural e econômico, cujo contexto, a escola, se insere. A partir dessa tomada de consciência, surge a necessidade de aspiração à emancipação que se interpreta como a construção das conexões entre a realização da prática profissional e o contexto social amplo em transformação (SILVA; RAMOS, 2006). Esse processo permite que o aluno vai aprimorando as primeiras percepções passando pela análise e síntese, pela abstração, generalização e sistematização. O processo se completa com as atividades práticas. O processo mental não pode ser decomposto em partes ele é constituído do todo. Ele apenas diferenciados em alguns momentos. Nesse sentido a comunicação (linguagem) tem grande importância no desenvolvimento do pensamento, assimilada na experiência sócio-cultural dos alunos – para ampliar a capacidade de raciocinar. 12.1 - Característica da aprendizagem acadêmica A aprendizagem acadêmica é uma atividade planejada, intencional e dirigida, e não casual e espontânea, resultante da reflexão proporcionada pela percepção prático-sensorial e pelas ações mentais que caracterizam o pensamento. Ela sofre influência de fatores afetivos e sociais, internos e externos ao processo de ensino. Os conteúdos e as ações mentais dependem da organização lógica (sequência progressiva dos conceitos, ideias, habilidades, em níveis crescentes de complexidade) e psicológica (adequação ao nível de desenvolvimento físico e mental). Para tanto, há uma necessidade do tempo e trabalho do professor para a concretização da aprendizagem, bem como, o respeito aos tempos dos alunos e ao processo gradativo da aprendizagem. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 69 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 É necessário, também, que os alunos estejam motivados de forma intrínseca – objeto internos (satisfação) de necessidades orgânica ou sociais, curiosidades, a aspiração para o conhecimento) e de forma extrínseca – estimulada fora – exigências da academia, além da expectativa de benefícios sociais que o estudo pode fazer, estimulação da família, do professor ou demais colegas. Sendo assim, o trabalho docente é o que dá unidade ao biônio ensino- aprendizagem. Isto porque, o ensino é um processo que abrange a assimilação de conhecimento, mas inclui outras tarefas, sendo uma combinação adequada entre a condução do processo de ensino pelo professor e a simulação ativa como atividade autônoma independente do aluno, possuindo três funções inseparáveis: 1. Organizar os conteúdos para a sua transmissão; 2. Ajudar os alunos a conhecerem as suas possibilidades aprender, orientar suas dificuldades de forma autônomas e independentes; 3. Dirigir e controlar a atividade docente para os objetivos da aprendizagem. Em sentido amplo, o trabalho docente exerce a mediação entre o indivíduo e a sociedade. 13.A UNIDADE ENTRE O ENSINO E A APRENDIZAGEM INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 70 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 O ensino não é uma atividade mecânica, posto que, visa estimular, dirigir, incentivar e impulsionar o processo de aprendizagem dos alunos. Tem tarefa principal de assegurar a difusão e domínio dos conhecimentos sistematizados ligados pela humanidade. A unidade entre o ensino e a aprendizagem fica comprometida quando o ensino se caracteriza pela memorização; quando o professor concentra na sua pessoa a exposição da matéria e; quando não suscita o envolvimento ativo dos alunos. Ao contrário disso, deve-se estabelecer as exigências e as expectativas que os alunos possam cumprir e com isso mobilizarem suas energias. O estudo ativo e o ensino A aprendizagem é um processo de assimilação de conhecimento escolares por meio da atividade própria dos alunos. Essa atividade é o estudo dos conteúdos das matérias e dos modos de resolver as tarefas práticas que lhes correspondem. Os estudos representam o elemento determinante em torno do qual se realiza a atividade de estudo. O estudo é a atividade cognitiva do aluno por meio das tarefas concretas e práticas, cuja finalidade é a assimilação consciente de conhecimento, habilidades e hábitos sob a direção do professor. Dá-se o nome de estudo ativo quando tal processo é desenvolvido tendo a participaçãocrítica e ativa dos sujeitos nele envolvidos. Nesse sentido, é necessário reafirmar que todo estudo ativo é sempre precedido do trabalho do professor. Sendo assim, devemos dar atenção ao trabalho do professor e, nesse aspecto, buscamos o apoio de várias autoridades acerca das práticas pedagógicas, educativas e didáticas, para o ensino superior e, a partir dessas orientações buscadas, relacionaremos, de acordo com Vilarinho (1985, p. 52) as três modalidades básicas de métodos de ensino que podemos utilizar no ensino superior, juntas ou separadamente, de acordo com a necessidade do conteúdo e das idiossincrasias da turma onde será ministrada a aula. O primeiro modelo é composto dos métodos de ensino individualizado, onde a ênfase está na necessidade de se atender às diferenças individuais, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 71 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 observando, para tanto, o ritmo de trabalho; os interesses; as necessidades; as aptidões, entre outras, predominando o estudo e a pesquisa, deixando claro que o contato entre os alunos será acidental, mas pode ocorrer, mesmo não sendo esse o objetivo. O outro modelo é composto pelos métodos de ensino socializado, em que o objetivo principal é o trabalho de grupo, com vistas à interação social e mental proveniente dessa modalidade de tarefa. Nesse modelo, a maior preocupação é a integração do educando ao meio social e a troca de experiências significativas em níveis cognitivos e afetivos, permitindo uma troca intensa entre os educandos. E por fim, temos os métodos de ensino socioindividualizado, modelo em que se procura equilibrar os dois modelos anteriores, ou seja, o esforço individual e a participação e contribuição do grupo, objetivando a promoção da adaptação do ensino ao educando, bem como, o ajustamento deste ao meio social, ao grupo que compõe a turma, a universidade e a sociedade. Nesse sentido, a base de conhecimentos para o ensino engloba o conjunto de conhecimentos necessários ao professor (COCHRAN, KING e DERUITER, 2001; GROSSMAN, 2000). São exemplos de integrantes dessa base aqueles conhecimentos relativos aos alunos e suas características, ao conteúdo da matéria de ensino, às questões pedagógicas e ao contexto que circunda a aprendizagem, acrescidos de uma compreensão integrada e integradora desses: o conhecimento pedagógico do conteúdo (COCHRAN, KING e DERUITER, 2001; GROSSMAN, SHULMAN, 2007). As proposições de Shulman (2007) a respeito do conhecimento pedagógico do conteúdo estabeleceram uma nova etapa na investigação sobre a formação inicial e continuada de professores, abrindo caminho para que, ao longo dos anos subsequentes, vários autores (CHEN, 2004; GRAÇA, 2001; GRAÇA e JANUÁRIO, 2000; JENKINS e VEAL, 2002; RAMOS, GRAÇA e NASCIMENTO, 2007; SCHINCARIOL, 2002) aprofundassem os estudos relacionados ao processo de construção, desenvolvimento e utilização desse conhecimento em diferentes contextos de formação e de atuação docente no ensino superior. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 72 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Ao mesmo tempo, àquela definição inicial apresentada por Shulman (2007) foram sendo incorporados elementos que permitiram sua evolução e esclarecimento, sua ampliação e disseminação em diferentes áreas do conhecimento e sua adaptação e incorporação tanto à formação inicial dos estudantes-professores - futuros professores - quanto à formação continuada e à atuação docente dos professores (ABELL, 2008; KIND, 2009; PARK, JANG, CHEN e JUNG, 2010; SEGALL, 2004). Assim, apoiando-se nesses estudos e se reportando especificamente ao processo de formação de professores, o conhecimento pedagógico do conteúdo pode ser compreendido como aquele que o estudante-professor utiliza para, a partir dos seus objetivos, da realidade dos alunos e das características do contexto de ensino e aprendizagem, convocar, gerir e fazer interagir os conhecimentos da base de conhecimentos para o ensino, visando à adaptação, à transformação e à implementação do conhecimento do conteúdo a ser ensinado, de modo a torná-lo compreensível e ensinável aos alunos. Nesse sentido, o incentivo à aprendizagem que é o conjunto de estímulos que despertam nos alunos e sua motivação para aprender, deve ser ativado pelo professor, objetivando alcançar os objetivos do ensino: a aprendizagem. Para tanto, temos diversas estratégias de ensino que podem ser encontradas em suportes impressos ou online, que compõem inúmeros compêndios de didática, de metodologia do ensino e de técnicas de ensino, onde podemos encontrar variadas técnicas que devem ser conhecidas, analisadas e selecionadas pelo professor, buscando aquela que mais se adapta a cada conteúdo a ser trabalhado, que relacionamos e analisamos a seguir. O Estudo Dirigido, que direcionado pelo professor, estimula o método de estudo individualizado e o pensamento reflexivo, levando à autonomia intelectual, bem como, atende muito bem à recuperação de estudos perdidos ou não compreendidos. O Ensino por fichamentos, que possibilita a revisão e o enriquecimento de conteúdos estudados pelos alunos, no momento do fichamento do texto lido; INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 73 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A Instrução programada, que é muito utilizada em aulas onde se utiliza de slides em data shows, onde a apresentação das informações é feita em pequenas etapas e com uma sequência lógica, o que facilita a apreensão dos conceitos. Além disso, essa técnica ou estratégia de ensino fornece recompensa imediata e reforço no que já foi analisado, anteriormente, permitindo que o aluno caminhe no seu ritmo próprio. O Ensino por módulos ou partes, leva o estudante a buscar a responsabilidade no desempenho das tarefas propostas, propondo ao aluno os objetivos a serem atingidos, bem como, as variadas atividades para alcançar esses objetivos. A Discussão em pequenos grupos e Estudo de casos são estratégias que incentivam a troca de ideias e opiniões face a face, fornecendo conhecimento para a resolução de problemas e a busca de informações. A Discussão 66 ou Phillips 66 é uma estratégia que possibilita a revisão dos vários conteúdos ensinados, entre outros assuntos, oferecendo ferramentas para a tomada de decisões, estimulando a ação de aprendizagem e a troca de ideias, bem como o aprendizado da síntese e conclusão do conteúdo aprendido. O Painel é uma técnica para definir pontos de acordo e desacordo, onde pode-se relacionar e depois debater, buscar o consenso e ter atitudes diferentes (assuntos polêmicos). O Painel Integrado é uma técnica de troca de informações, onde a integração é total (das partes num todo), bem como, possibilita novas oportunidades de relacionamento entre os alunos componentes do grupo. O Grupo de cochicho é uma técnica que permite o máximo de participação individual e troca de informações, funcionando como meio de incentivação, facilitando a reflexão. A Discussão dirigida é uma estratégia em que se utiliza a solução conjunta de problemas, com a participação de todos. O Brainstorming (tempestade de ideias) é uma estratégia que utiliza a criatividade (Ideias originais), tendo participação total e livre. O Seminário é uma estratégia que permite um estudo aprofundado acerca de um tema, com coleta de informações e experiências, bem como INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 74 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 pesquisa e conhecimento global do tema, oferecendo a possibilidade de uma reflexão crítica por parte dos alunos. O Simpósio é uma estratégia que permite e utiliza a divisão de um assuntoem partes para estudo, onde ocorre a apresentação de ideias de modo fidedigno e o grupão faz a conferência do que foi apresentado. O GVGO ou Grupo na Berlinda é uma estratégia que utiliza da verbalização, buscando objetividade na discussão de ideias, bem como, desenvolvendo a capacidade de análise e síntese, por parte dos alunos participantes. A Entrevista é uma técnica em que se propõem a troca de informações, seguida da apresentação de fatos, opiniões e pronunciamentos importantes. O Diálogo é uma estratégia que incentiva a intercomunicação direta, a partir da exploração, em detalhe, de diferentes pontos de vista, o que enriquece o aprendizado. A Palestra é outra técnica que visa a exposição menos formal de ideias relevantes, através da sistematização do conteúdo, possibilitando a comunicação direta com o grupão. A Dramatização é uma estratégia que utiliza a representação de situações da vida real, o que possibilita um melhor rendimento e uma melhor compreensão dos elementos. O Método de Projetos busca a realização de algo concreto, incentivando a resolução de problemas sugeridos pelos alunos. É uma estratégia que exige trabalho em grupo, bem como, atividades individuais. O Método de problemas é uma estratégia que desenvolve o pensamento reflexivo e possibilita o desenvolvimento do pensamento científico. As Unidades didáticas possibilitam a compreensão do “todo” a ser estudado, incentivando o aluno a desenvolver a sua criatividade, bem como, permite a flexibilidade nas atividades e uma melhor organização do conteúdo aprendido. Já as Unidades de Experiências permitem a aplicação dos conceitos teóricos na prática, possibilitando ao aluno uma análise crítica e a reconstrução da experiência social. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 75 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A Pesquisa como atividade discente é uma estratégia que desenvolve o gosto pelo estudo científico, levando o aluno a distinguir a pesquisa pura da aplicada, utilizando-se de diversas técnicas de coleta de dados. Nela o aluno deverá utilizar o método científico. Contudo, nenhuma estratégia funciona se não houver motivação para o estudo, por parte do aluno, tampouco do professor para o ensino, haja vista que, a motivação é o conjunto das forças internas que impulsionam o nosso comportamento para objetivos e cuja direção é dada pela nossa inteligência. Contudo, a motivação está condicionada a forças externas ao nosso organismo: o ambiente social. Isto porque, a motivação influi na aprendizagem e a aprendizagem influi na motivação. Nesse sentido, a incentivação como condições de incitamento das forças cognitivas dos alunos dependem do conhecimento das características individuais e sócio-cultural dos alunos. Portanto, o professor deve conhecer as experiências sociais e culturais dos alunos, pois estas características vão determinar, inclusive sua percepção da escola, da matéria, e do seu modo de aprender. Assim, o domínio das bases teórico-científica e técnicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino permitem maior segurança profissional, de modo que o docente ganhe uma base para pensar sua prática e nesse sentido, aprimore sempre mais a qualidade do seu trabalho. Sendo assim, independentemente de sua estrutura, configuração, objetivos e momentos de inserção nos programas de formação de professores, todas essas técnicas, estratégias e práticas pedagógicas contêm elementos fundamentais que contribuem de forma permanente para a análise e reformulação da base de conhecimentos e a reestruturação do conhecimento pedagógico, do conteúdo dos estudantes-professores, como "a problematização, a intencionalidade para encontrar soluções, a experimentação metodológica [e] o enfrentamento de situações de ensino complexas". (PIMENTA, 2007, p.59). Nesse sentido, conforme explicam Graber (2005) e Wright (2009) em seus estudos, na medida em que o futuro professor experienciar cada uma das modalidades de prática pedagógica e, justamente em função da diversidade de INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 76 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 estímulos que as compõem, o conhecimento pedagógico do conteúdo será submetido a diferentes processos de avaliação, sob vários focos e que utilizarão critérios e níveis de exigência específicos. Essa avaliação analisará a sequência de procedimentos implementados pelo conhecimento pedagógico do conteúdo para cumprir as funções que lhe cabem na própria prática pedagógica, assim como seus reflexos no processo de formação docente dos estudantes-professores (MEIRIEU, 2002; NASCIMENTO ET AL., 2009; PERDIGÃO, 2002; WRIGHT, 2009). Um aspecto a destacar é que cada uma dessas modalidades de prática pedagógica dará conta de suas respectivas atribuições na formação dos estudantes-professores desde que esteja devidamente situada, fundamentada e justificada no programa de formação, de modo a garantir que esse processo se desenvolva de maneira gradativa, permanente e consistente. Contudo e, independentemente da forma como as práticas pedagógicas serão estruturadas, propostas e implementadas ao longo da formação do docente para o ensino superior, é fundamental que se leve em consideração as concepções dos estudantes-professores, dos professores- formadores e dos próprios programas de formação a seu respeito, já que cada uma dessas concepções tem potencial para determinar o sucesso ou o fracasso de tais estratégias no alcance de seus objetivos. 14.O PROCESSO DE ENSINO E O ESTUDO ATIVO 14.1- Característica do processo de ensino O processo de ensino deve buscar a compreensão e assimilação sólida das matérias e, para isso, é necessário ligar o conhecimento novo com o que já INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 77 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 se sabe, conforme nos ensina Celso Antunes (2012), bem como prover os pré- requisitos, se for o caso. Para tanto, a avaliação deve ser permanente de modo que as dificuldades sejam diagnosticadas aula após aula, permitindo assim, a assimilação do conteúdo pelo aluno. Nesse sentido, o trabalho docente deve ser uma referência como ponto de partida e chegada à prática social, isto é, à realidade social, política, econômica, cultural da qual tanto o professor como os alunos são integrantes e, nesse caso, não se pode negar o conhecimento como justificativa de que o aluno não irá conseguir. Assim, para que o aprendizado se consolide, temos o processo de ensino, também denominado sequência didática, que é o conjunto de atividades organizadas do professor para os alunos, objetivando alcançar determinados resultados (domínio de conhecimento e desenvolvimento das capacidades cognitivas) – tendo como ponto de partida o nível atual de conhecimento, experiência e de desenvolvimento mental dos alunos. Em sendo, o ensino faz interagir dois momentos indissociáveis: a transmissão e a assimilação ativa dos conhecimentos e habilidades. Na transmissão se faz necessário organizar os conteúdos e os tornar didaticamente assimiláveis, permitindo que os alunos se apropriem de forma ativa e autônoma dos conhecimentos e habilidades. O que se ensina é o conteúdo do saber escolar, ou seja, os conhecimentos sistematizados, selecionados das bases das ciências e dos modos de ação acumulados pela experiência social da humanidade e organizados para serem estudados na escola (ANTUNES, 2012, p. 80). Para que o ensino surta o efeito esperado, ou seja, a aprendizagem, temos as capacidades cognoscitivas que são energias mentais disponíveis nos indivíduos ativadas e desenvolvidas no processo de ensino em estreita relação com os conhecimentos. Do complexo de capacidadeseficiente, ou seja, naquele que é competente para ensinar. O que significa, então, ser competente para ensinar? São várias as vertentes teóricas em relação à competência do professor. Há INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 7 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 autores que enfatizam a competência técnica, outros valorizam mais a competência política, ou pessoal, no entanto, acredita-se, que todas são fundamentais para a realização de um trabalho de qualidade, ou seja, ao professor se faz necessário tanto a competência técnica quanto a política e a pessoal. Perrenoud (2002) apesar de dar maior ênfase à competência técnica, não deixa de valorizar a competência política. O autor apresenta 10 grandes dimensões de competências que devem ser desenvolvidas no professor pelas instituições de formação inicial e contínua, a saber: 1. organizar e dirigir situações de aprendizagem; 2. administrar e dirigir a progressão das aprendizagens; 3. conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação; 4. envolver alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho; 5. trabalhar em equipe; 6. participar da administração da escola; 7. informar e envolver os pais; 8. utilizar novas tecnologias; 9. enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão; 10. administrar sua própria formação contínua. Perrenoud (2002) afirma, ainda, que ser um bom professor não significa apenas a capacidade de transferir conhecimento, se faz necessário uma postura reflexiva, capacidade de observar, de regular, de inovar e de aprender com os outros. A crítica à racionalidade técnica, que orientou e serviu de referência para a educação e socialização dos profissionais em geral e dos professores em particular durante grande parte do século XX, gerou uma série de estudos e pesquisas que têm procurado superar a relação linear e mecânica entre o conhecimento técnico-científico e a prática na sala de aula. Isto porque, conforme Carminati (2006) afirma, “muitas vezes, por estarem submetidos a uma dinâmica de trabalho que não os permite refletir ou atribuir INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 8 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 significados às suas ações docentes, os professores são conduzidos por um tipo de racionalidade técnica, que infelizmente, para muitos, trabalhar dessa maneira é prova de honestidade moral e seriedade intelectual, mesmo que isto lhes custe a morte da arte de ensinar, do prazer de pensar, sentindo-se com a consciência tranquila e do dever cumprido” (CARMINATI, 2006, p. 78). Os limites e insuficiências dessa concepção levam à busca de novos instrumentos teóricos que fossem capazes de dar conta da complexidade dos fenômenos e ações que se desenvolvem durante as atividades práticas para a produção e a mobilização de saberes na e para a docência. Kuenzer (2008), que se encontra dentro de uma vertente de competência política, relata um novo perfil de professor que as instituições devem formar. Primeiro é importante que esse professor esteja preparado para compreender a nova realidade, buscando apoio nas distintas áreas do conhecimento, para produzir ciência pedagógica. É necessário ainda, que tenha competência para identificar os processos pedagógicos que ocorrem no nível das relações sociais mais amplas como nos movimentos sociais organizados, nas ONG's e não somente nos espaços educativos. Além disso, devem saber lidar com esses processos e com seus conteúdos próprios, quer nos seus espaços peculiares, quer construindo formas de articulação destes com a instituição educa serem capazes de dialogar com o governo em suas diferentes instâncias e com a sociedade civil, no processo de discussão e construção das políticas públicas, tanto para sua implementação, quanto no seu enfrentamento. Salienta-se também a capacidade de transformar a nova teoria pedagógica em prática pedagógica escolar, fazendo a articulação entre a escola e o mundo das relações sociais e produtivas por meio de procedimentos metodológicos apoiados em bases epistemológicas adequadas. E por fim que possa organizar e gerir o espaço escolar de forma democrática e organizar experiências pedagógicas escolares e não escolares tendo como meta uma educação com expressão do desejo coletivo de uma sociedade que se almeja. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 9 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Demo (2003), outro importante autor nesta vertente, lembra que o professor deve ser capaz de desenvolver na criança a capacidade de raciocínio, de posicionamento, tornando-o desafiador, provocador e instigador. Mas, para tanto, é importante o professor aprender a ler criticamente; obter redação própria e expressar-se com desenvoltura; dominar conhecimentos e informações estratégicas do processo de transformação da realidade atual; pesquisar, iniciando com pequenas pesquisas, passando para elaborações mais exigentes, que já expressam capacidade de síntese, de compreensão global, de posicionamento crítico criativo; aprimorar habilidade metodológica para manejar e produzir conhecimento. Isto porque, educar é muito difícil. A educação é um processo complexo e possui um conceito muito difícil de ser definido. Em Libâneo encontramos Rousseau que afirmar que, por ser, “a educação, um processo natural, ela se fundamenta no desenvolvimento interno do aluno” (LIBÂNEO, 2008, p.59). Ou seja, a pessoa participa do processo de educação desde que nasce, à medida que experimenta e interage com o mundo a sua volta. Já a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.394/1996 traz a ideia de que, “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. (BRASIL, 1996). A partir disso, vemos que a educação é desenvolvida por meio de experiências, necessidades e interesses construídos em vários contextos. Isso porque, a educação, considerada num panorama mais amplo, envolve todos os lugares e permeia todos os tipos de saberes. Nesse sentido, John Dewey (2005) afirma que “a educação é um processo social; não é a preparação para a vida, mas a própria vida”. Dessa forma, devido a subjetividade deste conceito, as pessoas têm definições diferentes para a educação. Assim sendo, “o que é educação?” é uma pergunta que possui diferentes respostas e interpretações. Sendo assim, um dos professores que entrevistamos, durante a pesquisa que antecedeu à construção desse módulo/disciplina, do Instituto IBE, definiu educação como sendo a “transmissão de conhecimentos e INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 10 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 experiências”, enquanto outros (três), afirmaram que é “um conjunto de ações e reflexões de modo a construir o ser, promovendo desenvolvimento intelectual, profissional e emocional”. A maioria portanto, consideram o caráter processual e de desenvolvimento que a educação proporciona, assim como Dewey sugeriu. Além das respostas acima especificadas, outro entrevistado entende que educação é “responsabilidade da família”. A essa altura podemos inferir a fundamental importância da família e da escola em atuarem em conjunto na educação dos nossos cidadãos, posto que, segundo Leite e Gomes (2009), “muitas famílias delegam à escola toda a educação dos filhos, desde o ensino das disciplinas específicas até a educação de valores, a formação do caráter, além da carência afetiva que muitas crianças trazem de casa, esperando que o professor supra essa necessidade. Por outro lado, algumas famíliascognoscitivas podemos destacar: a exercitação dos sentidos; a observação; a percepção; a vontade; a compreensão; a generalização; o raciocínio; a memória; a linguagem; a motivação etc. Segundo essa concepção, “a escola deve prover aos alunos conhecimento sistematizado que, contribuindo para o seu desenvolvimento INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 78 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 intelectual, sejam úteis para atividade permanente de estudo e para a prática” (VEIGA1, 2017, p. 81). Nesse sentido, Veiga afirma que no processo de ensino é necessária uma compreensão clara do processo de aprendizagem, ou seja, é preciso analisar e compreender o modo como as pessoas aprendem; quais as condições externas e internas que a influenciam; quais seriam os propósitos sociais e políticos pretendidos etc. em sendo, é um processo de transformação sucessivas, por construir, tanto no sentido histórico quanto no desenvolvimento da personalidade do aluno. Já a instrução refere-se à formação intelectual, formação e desenvolvimento das capacidades cognoscitivas mediante o domínio de certo nível de conhecimento sistematizado, enquanto o ensino corresponde às ações, aos meios e às condições para a realização da instrução. Contudo, apesar de haver uma unidade entre educação e instrução, devemos entender que são processos diferentes, haja vista que, pode-se instruir sem educar, bem como, educar sem instruir. O objetivo educativo, portanto, não é um resultado natural e colateral de ensino, devendo-se supor, por parte do educador, um propósito intencional e explícito de orientar a instrução e ensino para objetivos educativos. Não obstante, de acordo com Veiga (2017) o ensino é o principal meio e fator da educação, sendo o processo pedagógico aquele que orienta a educação para as suas finalidades específicas, e está determinada socialmente mediante a teoria e a metodologia da educação e da instrução. Nesse sentido, podemos afirmar que a Educação escolar constitui-se em um sistema de instrução e ensino com propósitos internacionais, através de práticas sistematizadas e um alto grau de organização, ligado intimamente às demais práticas sociais. Assim, pela educação escolar democratizam-se os conhecimentos, sendo na escola que os trabalhadores continuam tendo a oportunidade de prover escolarização formal aos seus filhos, adquirindo 1 Disponível em: . Acesso em: 15 fev. 2017. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 79 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 conhecimentos científicos e formando a capacidade de pensar criticamente os problemas posto pela realidade social. Noutrossim, conforme Antunes (2012) o processo educativo que se desenvolve na escola pela instrução e ensino consiste na simulação de conhecimento e experiências acumulados pelas frações anteriores no decurso do desenvolvimento histórico-social. Nesse processo, as condições sociais, políticas e econômicas existentes influenciam, decisivamente, o processo de ensino e aprendizagem. Por isso, a prática educativa requer uma direção de sentido para a formação humana dos indivíduos, bem como, processos que assegurem a atividade prática que lhes corresponde. Para tornar efetivo o processo educativo, é preciso dar-lhe uma orientação sobre as finalidades e meios de sua realização, conforme opções que se façam quanto ao tipo de homem que se deseja formar e ao tipo de sociedade a que se aspira. Esta tarefa pertence à pedagogia como teoria e prática do processo educativo, mas também aos demais professores que estejam atuando nesse processo. Para tanto, é necessário conhecer e atuar com a Didática, tema já tratado anteriormente, como um processo pedagógico intencional e organizado de preparação teórico-científica e técnica, do professor, para dirigir conjuntamente o processo de ensino. Esse processo exige uma formação do docente que abrange duas dimensões: a Teórico-científica incluindo a formação acadêmica específica nas disciplinas e a Técnico-prática visando a preparação profissional específica para a docência, incluindo a Didática composta das metodologias específicas para a docência. As disciplinas de formação técnico-prática não se reduzem ao mero domínio de técnicas e regras, mas implicam, também, os aspectos teóricos, ao mesmo tempo em que fornecem à teoria, os problemas e desafios da prática. Nesse sentido, existe a necessidade de uma contínua interpretação e análise entre a teoria e a prática, sendo a teoria vinculada aos problemas reais posto pela experiência prática orientada teoricamente. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 80 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 A didática passa então a ser mediadora da base teórico-científica da educação escolar e da prática docente. Descreve anexos, relações e ligações entre o ensino e a aprendizagem, o que exige o comprometimento e a seriedade profissional do docente, com base na ética e nos valores educacionais. A seriedade profissional do professor se manifesta quando compreende e seu papel de instrumentalizar os alunos para a conquista dos conhecimentos e sua aplicação na vida prática, incutindo-lhes a importância do estudo na superação das suas condições de vida, mostra-lhes a importância do conhecimento das lutas dos trabalhadores e, orienta-os, positivamente, para as tarefas de vida adulta. (VEIGA, 2017). Tais propósitos devem ser concretizados na prática, através de aulas bem planejadas. 15. O PLANEJAMENTO E A IMPLEMENTAÇÃO DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: CONCEITOS, OBJETIVOS E O ENSINO Sob a ótica de Turra et al (2005), o Planejamento é a especificação do planejamento curricular, devendo ser, basicamente, a partir da ação do INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 81 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 professor e compete a ele definir os objetivos a serem alcançados, desde seu programa de trabalho até eventuais e necessárias mudanças de rumo. Cabe ao professor, também, definir os objetivos a serem alcançados, o conteúdo da matéria, as estratégias de ensino e de avaliação e agir de forma a obter um retorno de seus alunos no sentido de redirecionar sua matéria. O Planejamento de Ensino não pode ser visto como uma atividade estanque, haja vista que, segundo Turra et al (2005), o professor que deseja realizar uma boa atuação docente sabe que deve participar, elaborar e organizar planos em diferentes níveis de complexidade para atender, em classe, seus alunos. Pelo envolvimento no processo ensino-aprendizagem, ele deve estimular a participação do aluno, a fim de que este possa, realmente, efetuar uma aprendizagem tão significativa quanto o permitam suas possibilidades e necessidades. O planejamento, neste caso, envolve a previsão de resultados desejáveis, assim como também os meios necessários para alcançá-los. A responsabilidade do mestre é imensa. Grande parte da eficácia de seu ensino depende da organicidade, coerência e flexibilidade de seu planejamento. (p. 31). As tendências contemporâneas, para considerar o planejamento do ensino como relevante, prendem-se a uma série de informações, passíveis de serem categorizadas em três grandes ordens de fatores (entre outros), todos três associados ao processo de ensino: - mudança no papel do homem no mundo: - mudança nos estilos de aprender; e, mudança nos estilos de ensinar. Entende-se por mudança no papel do homem no mundo a passagem de sua situação como criador e colecionadorde dados (repositório de informações) para interpretar os dados e ser responsável pela tomada de decisões a partir de dados e informações cada vez mais específicos e precisos. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 82 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 O ser humano deixou de manipular com informações bastante estáveis para ter que, rápida e efetivamente, lidar com informações flutuantes, e em tempo mais curto. As decisões humanas passaram de uma perspectiva provinciana para perspectivas nacionais e até mesmo internacionais, tendo deixado, além disso, de projetar ações para amanhã, em detrimento de projeções para décadas, período necessário a transformar a grandeza de nações, em sua arrancada para situação de superpotência. As principais mudanças nos estilos de aprender ocorreram pela mudança de formas de aprendizagem baseadas em leitura, para formas auditivas e visuais ou mesmo audiovisuais. Isto implica em uma total transformação de situação de não-autonomia do estudante para aprender, para uma situação de autonomia-responsabilidade total do aluno, para manejar seu próprio processo de aprendizagem. As mudanças nos estilos de ensinar implicam na passagem do conceito de professor-recurso (como fonte de informações) para a compreensão do professor-coordenador e/ou professor-facilitador da aprendizagem do aluno. O professor deixa de ser mero transmissor de informações para se tornar um criador de estruturas para organização de informações. Nesse sentido, buscamos reunir alguns critérios de pesquisa com o objetivo de investigar e instigar a reflexão a respeito dos possíveis encaminhamentos para o planejamento e a implementação das práticas pedagógicas pelos programas de formação inicial de docentes para o ensino superior, sem a pretensão de abarcar todas as modalidades de práticas pedagógicas ou de esgotar a discussão sobre o tema planejamento. A consideração de cada um desses critérios pode aumentar as chances tanto de se planejar e implementar diversas modalidades de práticas pedagógicas, com diferentes estruturas e níveis de exigência, quanto de se situar e justificar a presença de cada uma dessas modalidades de prática pedagógica. Isso quer dizer que, com base nas particularidades de cada instituição e nas especificidades e concepções de cada programa de formação e de suas respectivas unidades de ensino, as práticas pedagógicas podem se distribuir INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 83 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 horizontalmente por todo o processo educativo, a partir, por exemplo, da resposta a cada uma das cinco perguntas: 1. em que local?, já que a prática pedagógica pode ser realizada nas dependências da Instituição de Ensino Superior (IES) ou na comunidade, seja na escola, seja em locais públicos específicos para recreação e lazer; 2. quem ministra?, pois a prática pedagógica pode ser ministrada, por exemplo, por um grupo, por um trio ou por uma dupla de professores, bem como por um professor individualmente; 3. para quais alunos?, visto que a prática pedagógica pode ser ministrada para diversos níveis, de diversos cursos etc; 4. para quantos alunos?, considerando que a prática pedagógica pode ser ministrada apenas para um aluno, para alguns alunos ou para toda a turma de alunos; e 5. sob qual estrutura?, já que a prática pedagógica pode ser composta por uma única atividade, por uma sequência pedagógica ou por uma unidade didática completa. Os objetivos antecipam resultados e processos esperados do trabalho conjunto do professor e dos alunos, expressando conhecimentos, habilidades e hábitos (conteúdos) a serem assimilados de acordo com as exigências metodológicas (nível de preparo prévio dos alunos, peculiaridade das matérias de ensino e característica do processo de ensino e aprendizagem). Para tanto, o Planejamento de Ensino deve prever: ✓ objetivos específicos estabelecidos a partir dos objetivos educacionais; ✓ conhecimentos a serem aprendidos pelos alunos no sentido determinado pelos objetivos; ✓ procedimentos e recursos de ensino que estimulam, orientam e promovem as atividades de aprendizagem; ✓ procedimentos de avaliação que possibilitem a verificação, a qualificação e a apreciação qualitativa dos objetivos propostos, cumprindo pelo menos a função pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle no processo educacional. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 84 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 O resultado desse planejamento é o plano de ensino, um roteiro organizado das unidades didáticas para um ano, um semestre ou um bimestre. Esse plano deve conter: a ementa da disciplina; a justificativa da disciplina em relação ao objetivos gerais da escola e do curso; os objetivos gerais; os objetivos específicos; o conteúdo (com a divisão temática de cada unidade); o tempo provável (número de aulas do período de abrangência do plano); o desenvolvimento metodológico (métodos e técnicas pedagógicas específicas da disciplina); os recursos tecnológicos; as formas de avaliação e; referencial teórico (livros, documentos, sites etc). Desse plano de ensino acima resultará, ainda, o plano de aula, onde o professor vai especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores. Acerca dos conteúdos, esses formam a base objetiva da instrução – conhecimentos sistematizados e habilidades – referidos aos objetivos e viabilizados pelos métodos e transmissão e assimilação. Nesse sentido, de acordo com Garcia (2013), entende-se por ensino a ação deliberada e objetiva, planejada pelo professor, em função de procedimentos de comunicação específicos, como meio de prover interação com o aluno, tendo como veículo uma estratégia instrucional, visando facilitar a aprendizagem do estudante. Pensar em ensino é pensar em interação - entre professor e alunos. Conforme a natureza do processo de interação que se estabeleça em sala de aula é possível destacar três estereótipos ou estilos de ensinar, como a seguir: - professor autoridade - professor coordenador - professor facilitador Qualquer que seja o estilo de ensinar do professor, a meta que pretende atingir é a efetividade da aprendizagem do aluno. Nesse campo há algumas descobertas reveladas pelas pesquisas e para as quais não há possibilidade de contestação, pelo menos ao nível atual das investigações. Apoiar o ensino em alguma acepção de aprendizagem é útil, pois facilita a compatibilização dos eventos de processo de aprendizagem do aluno INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 85 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 (condições internas) com as situações propostas pelo professor (condições externas) para efetivação da aprendizagem. Assim destacam-se: ✓ Aprender é processo contínuo, individual, único e intransferível; ✓ Aprendizagem ocorre como resposta de individuo à estimulação decorrente de sua interação com o ambiente; ✓ A ideia de permanência do aprendido (armazenamento) implica em algum processo de organização de experiências ou estímulos; ✓ O ato de aprender envolve uma série de fases, ocorrentes internamente no indivíduo; ✓ O conhecimento dessas fases ajuda o professor a implementar eventos externos, capazes de influenciar ato de aprendizagem mais efetivo; ✓ Modelos de ensino são modos de prover e criar ambientes adequados à efetivação da aprendizagem; ✓ Instrução/ensino consiste no conjunto de eventos planejados para iniciar, ativar e manter aprendizagem no aluno; e, ✓ Qualquer que seja o modelo de ensino, implementado por estilo de ensinar, envolve três fases de desenvolvimento: preparação da instrução; entrega de instrução;e, avaliação de resultados. (GARCIA, 2012). Sendo assim, os modelos ou métodos são determinados pela relação objetivo-conteúdo e dão a forma pela qual se concretiza esta relação em condições didáticas específicas, cabendo a eles a dinamização das condições e modos de realização do ensino, influindo na reformulação ou modificação dos objetivos e conteúdos. 15.1- A importância dos objetivos educacionais Ao falarmos em objetivos de ensino ou educacionais lembramos sempre daqueles tempos do “ensino por objetivos” cuja época remonta aos anos de 1964 em que, ideologicamente, havia outras intenções na sua formulação, que seriam aquelas de controle e de policiamento, durante a INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 86 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Ditadura Militar. Postura que pretendia dicotomizar os que planejavam dos que executavam. Era a época do tecnicismo. Não importava o professor ou o aluno, mas o processo de ensino que havia de ser vencido por etapas determinadas e bem estabelecidas. Fazendo um retrospecto sobre os objetivos, considerados como elementos estruturantes do planejamento de ensino, constata-se que em todas as épocas eles estiveram sempre presentes ao processo de ensinar e de aprender. Percebe-se que dependendo da corrente teórica ideológica preponderante no momento de tempo/espaço eles tomam uma conotação diferenciada. Assumem, portanto uma concepção filosófica global da educação, a qual se torna necessária para que nos oriente e se estabeleçam critérios bem claros, com relação aos objetivos a serem adotados, pois eles delineiam o perfil do homem que se quer formar. São elas: tradicional, escolanovista, tecnicista e mais recente a crítica social dos conteúdos. Quando dominou a corrente tecnicista os objetivos assumiram muita ênfase no ensino, visto que o modelo social econômico brasileiro da época impunha posturas correspondentes ao behaviorismo adotado pelo modelo taylorista, cujas origens norte americanas (U.S.A) impregnavam o cientificismo administrativo na educação. A educação foi também tomada por esse espírito de formar mão de obra. A linguagem fabril transferiu-se para o sistema de ensino. Procurava-se reproduzir comportamentos na escola que nas fabricas e indústrias eram adotados como modelos de eficiência e eficácia. Os objetivos tornaram-se mais importantes que o aluno e o professor. Os tempos passaram e agora retomam os objetivos de ensino, não com a visão policialesca e compartimentalizada daquela época, mas, pelo contrário, com uma visão única integrada e interativa, unida aos conteúdos a serem construídos para que eles se tornem o ponto de convergência entre o político e o técnico, entre a teoria e a prática e entre o ensino e a pesquisa. Constata-se tanto no passado como hoje, que há uma necessidade de que na nossa vida cotidiana tenha um sentido claro do que se quer e se deseja alcançar para o futuro. O tempo urge. Nessa direção, estabelecer objetivos é uma condição para alcançarmos aquilo que se almeja. Eles servem como uma bússola orientadora dos nossos passos e caminhos para chegar onde se INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 87 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 pretende. Isto é obvio, e cada vez mais a vivência vai dizendo como é importante tê-los traçados. Eles estão presentes em nosso dia-a-dia. E em um processo educacional não podíamos fugir a regra. O professor assume muita importância na formulação dos objetivos como diz Martins (1999) ao afirmar que “o verdadeiro educador possui objetivos bem delineados que direcionam sua ação educativa a partir da dimensão político-social”. Já, Mollulo (2008), expressa que, o professor é de extrema importância, pois por trás de cada ação, se situa o arranjo ideológico do professor, e com isso, suas intervenções passam a ser carregadas de uma pessoalidade, que deve ser autocompreendida e direcionada para os objetivos que se deseja atingir no desenvolvimento de meninos e meninas dentro de sala de aula. (p. 65). Fica, portanto clara a importância do professor na formulação dos objetivos, pois é responsável pela condução, desenvolvimento e execução do processo de ensino e aprendizagem, lembrando que a prática educacional orienta, necessariamente para alcançar determinados objetivos, por meio de uma ação internacional sistemática. Os Objetivos educacionais são definidos e explícitos quando ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais de transformação da sociedade. Assim, como já dissemos, os objetivos de ensino tratam de aspectos vinculados ao ato de ensinar e ao ato de aprender. Portanto, ao elaborar este texto imagina-se o que seria necessário para um professor encontrar-se apto para elaborar seus objetivos de ensino. Sendo assim, os objetivos de ensino traduzem em termos comportamentais o que antecipadamente a escola ou o professor desejam que seja construído pelos alunos em termos de conhecimento, habilidades e atitudes. Eles também traduzem concretamente a concepção ideológica INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 88 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 pedagógica adotada, ou pelo sistema ou pela escola, implícita nessa concepção às dimensões sócio-política, técnica e humana a serem adotadas pelo docente em todo o seu construir didático. A concepção ideológica adotada implicará em comportamentos e procedimentos metodológicos específicos que serão construídos com embasamento teórico daquela corrente epistemológica empregada. Por exemplo: o sistema de ensino que adote o construtivismo preconizado por Vigotski será diferente daquele que adota o construtivismo de Jean Piaget. Ambas correntes teóricas são construtivistas, mas elas são diferentes no desenvolvimento do executar o processo de ensino- aprendizagem. O que faz a diferença são os pressupostos teóricos que embasam os procedimentos metodológicos que cada corrente teórica concebe na construção do conhecimento. Assim, de acordo com sua linha epistemológica ela manifesta-se nos comportamentos do professor e do aluno na construção do conhecimento, objeto de estudo. Fica claro que os objetivos expressam competências de domínios que devem resultar do aprendizado dos alunos. Os objetivos projetam os resultados esperados desse aprendizado e devem conter pelo menos três referências para sua formulação: 1. Os valores e ideias – proclamados na legislação da classe dominante; 2. Os conteúdos básicos das ciências – prática social da humanidade; 3. As necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela produção majoritária da população majoritária da sociedade. Essas três referências não podem ser tomadas isoladamente, pois estão interligadas e sujeitas a contradições. Tomemos como exemplo os conteúdos escolares que estão em contradição não somente com as possibilidades reais dos alunos, mas também com a assimilação, os valores e ideias proclamados na legislação escolar e na classe dominante. Portanto, para se formular objetivos de ensino é necessário, além daqueles fundamentos filosóficos e ideológicos, antes de tudo, levar em consideração os componentes intrínsecos ligados ao perfil do aluno a quem se INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 89 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 destinam os objetivos e o processo de ensino-aprendizagem. São eles: os fatores biológicos e psicológicos. Isto por que, o processo de aprendizagem é um processo mental. Ocorre em nível psicológico e em uma idade correspondente. Portanto, esses fatores são determinantes e condicionantes para se estabeleceros objetivos de ensino. Não os levando em consideração cometeremos muitos equívocos. Pode-se tratar uma criança como adulto e um adulto como criança. Assim, tendo conhecimento de que a aprendizagem ocorre em níveis diferentes e não de forma linear, faz-se necessário compreender que cada aluno tem seu ritmo próprio e suas peculiaridades individuais. Não é atoa que os estudiosos Jean Piaget (1970), Vigotski (1996), Rogers (1981), Luria (1987), entre outros, para pesquisarem o processo de aprendizagem levaram em conta a construção do pensamento. O pensamento manifestado através da palavra escrita ou falada é, portanto, a forma mais inteligente do homem expressar-se. Nós professores somos sabedores disto, daí porque temos em nossa formação o embasamento epistemológico de fundamentos biológicos da educação e psicologia da aprendizagem. Conhecimentos imprescindíveis a um professor de qualquer nível de ensino, não sendo diferente no e para o ensino superior. Sendo assim, a elaboração dos objetivos pressupõe, da parte do professor, uma avaliação crítica das referências que utiliza, balizadas pelas suas opções em face dos determinantes sócio-políticos da prática educativa. Deve também saber compatibilizar os objetivos com as necessidades, aspirações e expectativas da clientela escolar, bem como torná-los exequíveis face às condições sócio-culturais e de aprendizagem dos alunos. Pelas razões expostas faz-se necessário estabelecer critérios que se deve levar em consideração, quando da elaboração dos objetivos. São eles: ✓ qual a realidade contextual-social onde aqueles objetivos de ensino irão ser aplicados? ✓ qual a idade dos alunos para os quais os objetivos estão sendo formulados? ✓ qual o nível de escolaridade a que se destinam? Após analisar esses critérios, traça-se o perfil dos discentes para poder elaborar os objetivos em termos comportamentais que deverão ser alcançados INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 90 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 por aqueles conteúdos que foram construídos e trabalhados pelo professor em sala de aula. Vários estudiosos do assunto tratam os objetivos por diferentes óticas epistemes e vale a pena conhecer seus textos. São eles: Libanêo (2005), Nereci (1999), Martins (1998), Parreiras (2008), Castanho (1989), Alvarez (1965), Morandi (2002), Bordenave (2004), Piletti (2005), Turra (2000), Bloom (1963), Mager (1972), Teixeira (2008) entre outros. Esses objetivos restringem-se ao ensino a ser ministrado. Estão imbricados e conectados ao processo de avaliação que será construído para poder acompanhar o desempenho do aprendizado dos alunos, São eles que determinam, em última instância, se o que foi ensinado foi aprendido ou não. Nesse sentido diz Libâneo (2004) leciona que, os objetivos de ensino são importantes no desenvolvimento do trabalho docente, pois o fato de que a prática educativa é socialmente determinada, respondendo às exigências e expectativas dos grupos e classes sociais existentes na sociedade, cujos propósitos são antagônicos em relação ao tipo de homem a educar e às tarefas que este deve desempenhar nas diversas esferas da vida prática. Procuramos destacar especificamente que a prática educativa atua no desenvolvimento individual e social dos indivíduos, proporcionando-lhes os meios de apropriação dos conhecimentos e experiências acumuladas pelas gerações anteriores, como requisito para a elaboração de conhecimentos vinculados a interesses da população majoritária da sociedade. (p. 41). Portanto, para Libâneo (2004), o ato de ensinar e de aprender confunde-se com o projeto de vida do sujeito núcleo do processo de ensino e aprendizagem e que procura responder a demanda sócio-política, técnica e INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 91 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 humana da sociedade em que se encontra inserido, no que concordamos com seu pensamento. Assim, de acordo com Bloom (1963) os objetivos de ensino estão contidos em planos de curso, planos de unidades programáticas e planos de aula. Obedecem às categorias de diversas naturezas e classificações: quanto ao nível de abrangência os objetivos podem ser: gerais e específicos; quanto ao tempo os objetivos podem ser: mediato e imediato e; quanto à natureza dos conteúdos, os objetivos podem ser: cognitivos, afetivos e psicomotores. (BLOOM, 1963). Em outras palavras, os objetivos traduzem conhecimentos, habilidades e atitudes, que devem demonstrar aos educandos como resposta do aprendizado construído. Em sendo, no que tange especificamente ao planejamento de ensino, os objetivos são gerais e específicos: ➢ Objetivos Gerais: expressam propósitos mais amplos acerca do papel da escola e do ensino diante das exigências postas pela realidade social e diante do desenvolvimento da personalidade dos alunos. É o ponto de partida, as premissas gerais do processo pedagógico. Refletem as opções políticas e pedagógicas dos agentes em face das contradições sociais existente na sociedade que são explicadas em três níveis: ✓ Pelo sistema escolar – finalidade educativa determinada pela classe dominante; ✓ Pela escola – estabelece princípios e diretrizes de orientação escolar – com base plano pedagógico – didático representando o consenso do corpo docente; ✓ Pelo professor – concretiza o ensino da matéria – sua visão de educação de sociedade. ➢ Objetivos Específicos: determinam exigências e resultados esperados das atividades dos alunos referentes a conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções cuja aquisição e desenvolvimento ocorrem em processo de transmissão assimilação ativa das matérias de estudo. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 92 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Os objetivos gerais são também mediatos, por que só se consegue alcançá-los em longo prazo. O ensino tem caráter mais amplo e essa amplitude se dá pela natureza do conteúdo a dominar e o tempo necessário para o completo aprendizado. Sempre são formulados visando o que se espera que seja aprendido ao término de um conteúdo ou de uma unidade didática programática. Por exemplo: os objetivos referidos em um plano de curso de uma disciplina poderão ser formulados da seguinte maneira: compreender o ensino da história como conhecimento importante para o exercício da cidadania; ou poderia se dizer: conhecer a historia como conhecimento passado que facilita a compreensão do futuro; ou poderia expressar: estudar a história enfocando as diversas contradições ideológicas existentes em tal período e em tal lugar, etc. É preciso atentar que estes objetivos não serão conseguidos ao término de uma aula, mas sim de um curso que leva um ano ou meses. Eles indicam ações bem amplas e não mencionam quais as ações ou atividades em termos comportamentais, onde os alunos devem demonstrar ao professor que aprenderam os conteúdos que lhes foram ensinados. Dizer de conhecer, compreender, estudar etc. não quer dizer que se vai conseguir o que se quer de forma concreta, se o aluno conheceu ou aprendeu etc. Quem vai dizer isto são os objetivos específicos referentes aos conteúdos trabalhados. Esses objetivos específicos, também são chamados de objetivos em curto prazo por que permitem ao término de cada aula ou assunto identificar se foi alcançado o que foi estipulado para ser aprendido. É acompanhado passo a passo aquele objetivo formulado e assim conseguir o que o objetivo geral do curso prevê em sua visão holística e globalizante. Os objetivos do curso por sua vez são os resultantes alcançados em todas as aulas ministradas pelo professor durante aquele ano ou meses. Nesse sentido, entendemos que os objetivos específicos sãopróprios de uma aula, são também chamados de imediatos porque são muito pontuais em relação aos conteúdos trabalhados aula por aula. Estes devem envolver ações comportamentais, que demonstrem claramente que o aluno aprendeu o conhecimento que se pretendeu construir. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 93 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Por exemplos: o professor de matemática dá uma aula sobre fração e coloca para sua aula o seguinte objetivo: resolver corretamente os problemas de fração; o aluno tem que dar uma resposta a este objetivo. Saber resolver o problema de fração ou não, neste contexto, não existe brecha, trata-se de um critério: ou sabe resolver ou não sabe. Outro dá uma aula sobre o conceito de répteis e, ao término da aula ele objetiva: saber conceituar répteis. É nítido o tipo de resposta desejada: que o aluno demonstre que aprendeu ou não, a construir o conceito de répteis. Como podemos constatar até aqui, os objetivos encontram-se articulados e conectados com os processos de avaliação que serão empregados pelo professor com referência aos conteúdos ministrados, permitindo o acompanhamento do desempenho do aluno e orientando o professor com relação a sua própria avaliação. Constatamos também, que os objetivos indicam a ação e nesse sentido podemos afirmar que eles são mais precisos ou menos precisos em termos comportamentais. Quem dá essa precisão são os verbos que são utilizados. Vejamos: o que Martins (1998), Piletti (2005), Nereci (1999), entre outros, nos apontam como verbos que indicam as ações que os objetivos devem expressar: compreender, pensar, identificar, cobrir, saber, concluir, diferenciar, marcar, entender, gostar, escrever, pressionar, desenvolver, descobrir, resolver, apontar, aprender, determinar, enumerar, colocar, melhorar, sentir, comparar, andar, julgar, entender, contrastar, fazer, conhecer, perceber, justificar, dizer, adquirir, escolher, ler, sombrear, familiarizar-se, verbalizar, preencher, apreciar, concentrar, distinguir, remover, gerar, refletir, construir, desenhar, conscientizar-se, selecionar, enumerar, localizar, rotular, por, comparar. Contudo, esses objetivos não esgotam a riqueza da ação pedagógica escolar em relação a formação individual e social dos alunos em sua capacitação para a vida adulta na sociedade. Enfim, os objetivos específicos particularizam a compreensão das relações entre escolas e sociedade e especialmente do papel da matéria de ensino. Tem sempre um caráter pedagógico dos conteúdos e são preparados para serem ensinados e assimilados. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 94 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Assim, é necessário que haja vínculo entre os objetivos gerais e os objetivos específicos que devem seguir as seguintes recomendações: ➢ Especificar conhecimentos, habilidades, capacidades; ➢ Observar uma sequência lógica; ➢ Expressar os objetivos com clareza; ➢ Dosar o grau de dificuldades – expressar desafios, questões estimulantes viáveis, problemas; ➢ Formular objetivos como resultados a atingir, facilitando o processo de avaliação diagnóstica e de controle; ➢ Indicar resultados dos trabalhos dos alunos (o que devem compreender, saber, memorizar, fazer, etc… 16.ESTRUTURA, COMPONENTES (ENSINO E CONTEÚDO) E DINÂMICA DO PROCESSO DE ENSINO NA UNIVERSIDADE O processo didático se explicita pela ação recíproca de três componentes – os conteúdos, o ensino e a aprendizagem. Os Conteúdos compreendem as matérias formando a base para a concretização de objetivos. A Aprendizagem é a atividade do aluno de assimilação dos conhecimentos e habilidades. O Ensino é a atividade do professor de organização, seleção e explicação (definidos objetivos e métodos) visando à aprendizagem do aluno. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 95 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Sendo assim, segundo Libâneo (2004), a escola tem a função de transmitir os conhecimentos historicamente acumulados (conteúdos), democratizando o saber e desenvolvendo as forças intelectuais. Sendo o objetivo da escola e do professor formar pessoas inteligentes, aptas para desenvolver ao máximo possível suas capacidades mentais, seja nas tarefas escolares, seja na vida prática através do estudo das matérias de ensino. Nesse sentido, a dinâmica e a dificuldade do processo de ensino centra nas questões de como fazer com os que os alunos assimilem ativamente a aprendizagem. E aponta algumas contradições que podem ser superadas à medida que as condições para a atividade do aluno sejam realizadas: 1. os alunos precisam tomar consciência das suas dificuldades – avançar para vencer os desafios; 2. acessibilidade das tarefas cognoscitivas postas pelo professor; 3. correspondência entre exigência do ensino e as condições prévias dos alunos. Enfim, o professor precisa conhecer as dificuldades dos seus alunos, posto que, continua sendo o principal articulador do processo de ensino- aprendizagem dos alunos à medida que estabelece ligações entre as tarefas escolares e as condições prévias dos alunos para enfrentá-los. Assim, para garantir o processo das capacidades intelectuais dos educandos no processo de ensino, segundo Libâneo (2004), o professor deve planejar suas aulas, traçando os objetivos, controlando e avaliando o processo dos alunos. Para tanto, ele necessita de uma efetiva (sólida) formação acadêmica que deve assegurar-lhe o domínio dos conteúdos da matéria que ensina e dos métodos e técnicas didáticas que o possibilitem ligar tais conteúdos a aspectos da realidade e ao cotidiano da vida. 16.1- A estruturação do trabalho docente O trabalho docente concebido como uma unidade, é considerado em sua totalidade que não se reduz à soma das partes, mas sim em suas relações essenciais, em seus elementos articulados, responsáveis pela sua natureza, sua produção e seu desenvolvimento. A análise do trabalho docente, assim INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 96 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 compreendido, pressupõe o exame das relações entre as condições subjetivas - formação do professor - e as condições objetivas, entendidas como as condições efetivas de trabalho, englobando desde a organização da prática - participação no planejamento escolar, preparação de aula etc. - até a remuneração do professor. As condições subjetivas são próprias do trabalho humano, pois este constitui-se numa atividade consciente. O homem, ao planificar sua ação, age conscientemente, mantendo uma autonomia maior ou menor, dependendo do grau de objetivação do processo de trabalho em que está envolvido. Por exemplo, enquanto o processo de trabalho fabril é altamente objetivado, limitando a autonomia possível do operário na execução de suas tarefas, ao contrário, no caso do docente, seu processo de trabalho não se objetiva na mesma proporção, deixando uma margem de autonomia maior, pois a presença de professor e alunos permite uma avaliação e um planejamento contínuos do trabalho, orientando modificações, aprofundamentos e adequações do conteúdo e metodologias a partir da situação pedagógica concreta e imediata. Os vários autores (ENGUITA, 2001; APPLE, 2007; PUCCI, OLIVEIRA e SGUISSARDI, 2011) que discutem a tese da "proletarização" do trabalho do professor baseiam a argumentação na transferência direta do processo de trabalho fabril para o sistema educacional ou o processo de trabalho escolar. Embora estes teóricos concordem que haja diferenças entre, por exemplo, o processo de desqualificação do operário e do professor (no caso do docente, esse processo não ocorreria na mesmaintensidade), eles não chegam a discutir, com maior detalhamento, o ponto importante da lógica da racionalização do capital - a criação do valor, ou seja, a geração de mais-valia - , que é a base da modificação do processo de trabalho fabril. O sistema fabril vai objetivando-se na medida em que incorpora os conhecimentos científicos e técnicos, permitindo ao capital libertar-se dos entraves colocados pelo trabalho - força humana, destreza e experiência - para a aceleração da acumulação capitalista. Marx (1968) descreve esse processo, enfatizando que no trabalho fabril há a objetivação cada vez maior do INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 97 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 processo, deixando, em contrapartida, uma menor margem de autonomia ao trabalhador, visando garantir a produção de valor em escala ascendente. Na atividade de ensino, o processo de "racionalização" não tem como finalidade direta a criação de valor. Pode-se dizer que as transformações advindas desse processo na área do ensino não acarretaram, ainda, modificações significativas na natureza da atividade docente, mas sim a presença cada vez maior, na escola, de características do processo de trabalho fabril. A presença dessas características não levou a uma maior objetivação do processo de trabalho do professor, provocando perda ou eliminação da autonomia do docente. Não negamos as transformações ocorridas nas condições de trabalho do professorado e suas vinculações ao movimento das formas capitalistas de produção. Defendemos, no entanto, a particularidade do processo de trabalho escolar. Cabrera e Jiménez (1991, p. 200-201) argumentam sobre a especificidade e a diferenciação do processo de racionalização no ensino: Quando nos propomos analisar a situação do professorado sem as "viseiras" do olhar analogista dos teóricos da "proletarização", podemos constatar que apesar de haver-se fomentado a depreciação de suas condições de trabalho, este processo não tem sido tão devastador do controle e das qualificações do professorado como o tem sido no âmbito do trabalho diretamente produtivo. (...) A autonomia e a participação do professorado em funções conceituais, por outra parte, não se veem totalmente anuladas, porquanto são exigências que derivam da própria configuração do trabalho docente como um trabalho que se realiza com seres humanos (...), que se dá concretamente em salas de aula separadas onde o docente trabalha sozinho, e onde sua autoridade se apoia em critérios de legitimidade relativos à sua suposta "superioridade intelectual" com relação ao alunado. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 98 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Nesta situação, o professor mantém autonomia para escolher metodologias, fazer seleção de conteúdos e de atividades pedagógicas mais adequadas a seus alunos segundo o interesse ou suas necessidades e dificuldades. Essa autonomia, garantida pela própria particularidade do trabalho docente, indica que os professores podem dificultar as ações de especialistas, do Estado etc. com pretensão de controle de seu trabalho. O controle, portanto, é de difícil execução no âmbito da sala de aula, permanecendo a autonomia do professor neste espaço. O controle pode efetivar-se muito mais pela formação aligeirada do professor - por falta de conhecimentos mais profundos sobre conteúdos e metodologias, vê-se obrigado a reproduzir o conteúdo do livro didático - do que por outras vias. As ocorrências no espaço da sala de aula dependem, fundamentalmente, do professor, de suas condições subjetivas, isto é, de sua formação. Deve basear-se numa proposta de trabalho ativo e conjunto do professor e dos alunos, sob a direção do primeiro, tendo em vista uma aprendizagem significativa dos conteúdos, hábitos e habilidades pelos alunos, ou seja, O desenvolvimento de suas capacidades cognoscitivas. Assim, a estruturação do trabalho docente aponta cinco momentos da metodologia de ensino na aula: 1 – Orientação inicial dos objetivos de ensino e aprendizagem; 2 – Transmissão/assimilação da matéria nova; 3 – Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos, habilidades e hábitos; 4 – Aplicação de conhecimentos, habilidades e hábitos; 5 – Verificação e avaliação dos conhecimentos e habilidades. Em sendo, para compreender-se, de modo efetivo, o significado do trabalho docente, é preciso destacar a ação mediadora realizada por outro ou outros indivíduos no processo de apropriação dos resultados da prática social. O indivíduo se forma, apropriando-se dos resultados da história social e objetivando-se no interior dessa história, ou seja, sua formação se realiza através da relação entre objetivação e apropriação. Essa relação se efetiva INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 99 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 sempre no interior de relações concretas com outros indivíduos, que atuam como mediadores entre ele e o mundo humano, o mundo da atividade humana objetivada. A formação do indivíduo é, portanto, sempre um processo educativo, mesmo quando não há uma relação consciente (tanto de parte de quem se educa, quanto de parte de quem age como mediador) com o processo educativo que está se efetivando no interior de uma determinada prática social. (DUARTE, 1993, p. 47-48). Quando a apropriação se realiza na universidade, isto é, de forma institucionalizada, o professor desempenha a mediação necessária entre o aluno e o conhecimento. Tanto Leontiev (1978, p. 271-273), como Vygotsky (1991b, pp. 97-101) apontam essa ação mediadora dos homens no processo de apropriação e objetivação. Esse conceito de mediação dos outros indivíduos do grupo social entre o indivíduo que se forma e o mundo cultural, desenvolvido por Vygotsky e sua escola, é de suma importância para a compreensão do trabalho que se realiza na escola. A mediação realizada pelo professor entre o aluno e a cultura apresenta especificidades, ou seja, a educação formal é qualitativamente diferente por ter como finalidade específica propiciar a apropriação de instrumentos culturais básicos que permitam elaboração de entendimento da realidade social e promoção do desenvolvimento individual. Assim, a atividade pedagógica do professor é um conjunto de ações intencionais, conscientes, dirigidas para um fim específico. Nesse sentido, a finalidade do trabalho docente consiste em garantir aos alunos acesso ao que não é reiterativo na vida social. Dito de outra forma, o professor teria uma ação mediadora entre a formação do aluno na vida cotidiana onde ele se apropria, de forma espontânea, da linguagem, dos objetos, dos usos e dos costumes, e a formação do aluno nas esferas não cotidianas da vida social, dando possibilidade de acesso a objetivações como ciência, arte, moral etc. (DUARTE, 2003) e possibilitando, ao mesmo tempo, a postura crítica do aluno. A própria existência da universidade, segundo Saviani (2011), está voltada "para propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitam o acesso INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 100 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ao saber elaborado (ciência), bem como o próprio acesso aos rudimentos desse saber". (p. 23). Sendo assim, ao possibilitar o acesso às objetivações das esferas não cotidianas, a prática pedagógica estará contribuindo para a apropriação de sistemas de referência que permitem ampliar as oportunidades de o aluno objetivar-se em níveis superiores, não só satisfazendo necessidades já identificadas e postas pelo desenvolvimento efetivo da criança, como produzindo novas necessidades de outro tipo e considerando o desenvolvimento potencial, ouseja, as ações pedagógicas que estimulam e dirigem o processo de desenvolvimento da criança. "O único bom ensino é o que se adianta ao desenvolvimento" (VIGOTSKY, 1988, p. 114). Quanto às implicações acerca das crenças no trabalho pedagógico, queremos primeiro pensar em quem é o professor ao qual estamos nos referindo. Podemos pensar nele como um sujeito social, alguém que tem uma atividade consciente e que reflete continuamente sobre a sua prática, que pensa a educação como prática social (Saviani, 1995), que exerce uma atividade mediadora no seio da prática social como um todo. Nesse sentido, acreditamos que esse professor exista, mas apenas como possibilidade, pois não podemos afirmar que ele atue conscientemente em todas as suas formulações e ações e que ele não possua uma prática que não seja alienante. Nos últimos anos, os professores têm sido alvo de preocupação dos estudos educacionais. Nossa preocupação, neste momento, é a de pensar nele como um sujeito concreto, que atua dentro da escola de hoje, e não como aquele sujeito idealizado e pronto para a universidade em um futuro próximo. A escola que temos hoje não pode ser considerada uma universidade humanizante e desalienada. Os professores são sujeitos de um tipo de fazer e saber permeados de crenças, que são produzidas no cotidiano e não-cotidiano, crenças que podem ser reflexo de um processo de alienação e de preconceitos. Também são sujeitos portadores de crenças que norteiam sua prática, prática essa que muitas vezes promove o sucesso, mas, também o fracasso educacional. Não pretendemos colocá-los como os culpados pelo mau andamento do ensino. Existe todo um sistema de ensino que garante o sucesso ou o insucesso na INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 101 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 aprendizagem. Os professores são hoje sujeitos de uma ação que aprenderam ao longo da vida na sua história como alunos e dentro da própria academia quando de sua formação. Com isso, podemos pensar que o professor também tem momentos de reflexão. Ele não é um mero executor, não pode ser visto como objeto; ele é, sim, sujeito de um tipo de fazer e pensar. Entretanto, nem sempre conhecemos que tipo de pensar tem o professor, que tipo de fazer ele pratica, onde e como ele construiu esse pensar e fazer. Se a sua forma de pensar e fazer vem acompanhada de constante crítica aos resultados obtidos com sua prática, e crítica das consequências sociais do produto de sua atividade enquanto professor (para verificar se promove um processo de humanização dos indivíduos e da sociedade), então podemos entender que ele faz uma reflexão, pois ultrapassa a linha divisória entre as atividades cotidianas e as não-cotidianas. Desse modo, poderíamos dizer que a ação do professor promove uma prática social humanizante, com crenças positivas e voltadas para a construção de uma sociedade solidária que promove a humanização. O sentido que queremos dar aqui, para o termo crenças positivas, é o de um pensamento não alienado. Esse pensamento humanizador dos professores existe, mas de maneira fragmentada, pois eles não têm apenas crenças positivas, sendo portadores de crenças permeadas de preconceitos e de alienação, pois são sujeitos sociais dentro de uma sociedade que é alternadamente alienante e não alienante. Entendemos que os professores se movimentam ora numa esfera e ora noutra, e não têm consciência disso, e esse pode ser o problema. O não conhecimento desses movimentos e das consequências de sua ação constitui atividade genérica em-si que, muitas vezes, se não for modificada, traz implicações pedagógicas sérias, pois impede os indivíduos, professores e alunos de pensar as relações sociais construídas sob a dominação e a sociedade como produtos históricos e de aventar a possibilidade da existência da não dominação. Impede-os de acreditar na possibilidade de mudança, de transformação a partir de sua própria prática, daquilo que são capazes de produzir enquanto seres humanos e seres sociais. Compreendemos que o trabalho educativo pode agir dentro dessa realidade, realidade que é histórica, e por ser realidade histórica, é dinâmica e INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 102 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 não pronta, dada, acabada. A sociedade muito menos, se acha pronta e acabada. A sociedade é construída, e essa construção se deu e se dá na História da humanidade, assim como a dominação. Por serem históricas, podem ser mudadas, já que quem faz a História somos nós, os seres humanos. Só nós fazemos História e só nós podemos mudá-la. A sociedade, quando manipulada a serviço da dominação, não permite que a individualidade humana se desenvolva e nem que as comunidades se firmem. A passagem para uma sociedade sem a dominação pode se dar quando os indivíduos perceberem que conviver socialmente significa participar coletivamente e politicamente da estruturação da sociedade. Eles não são meros espectadores ou mercadorias, mas sujeitos da história e como tal precisam participar. A escola exerce aí um papel fundamental, pois pode lhes dar essa consciência. Tal processo vai depender dos tipos de crenças (do pensar e do fazer) que a universidade promove e como ela se movimenta dentro da sociedade. Se não se conhece o que determina as próprias ações, também se desconhece quais as implicações decorrentes delas, por isso é que o trabalho educativo tem um papel humanizador na educação e isso pode ser imprescindível para a possibilidade de transformar a sociedade humana. Se o professor desconhece esse caráter humanizador de seu trabalho, o seu fazer e pensar é fragmentado e produz uma prática também fragmentada. Sendo assim, não podemos pensar em uma prática pedagógica; precisamos pensar o que pretendemos ter como resultado, como produto final, onde queremos chegar com as opções pedagógicas que fazemos, que tipo de pessoa humana queremos formar, que sociedade pretendemos construir com nossa prática educativa. Cremos que essas questões podem levantar pistas para uma reflexão sobre o trabalho docente e suas implicações. 16.2 - Os princípios básicos do ensino e dos métodos de ensino Definidos como aspectos gerais do processo de ensino que expressam os fundamentos teóricos de organização do trabalho docente. Devemos levar em conta: INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 103 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ✓ A natureza da prática educativa em determinada sociedade; ✓ As características do processo de conhecimento; ✓ As peculiaridades metodológicas das matérias e suas manifestações concretas na prática docente; ✓ As relações entre ensino e desenvolvimento dos alunos; ✓ As peculiaridades psicológicas de aprendizagem e desenvolvimento conforme idades. Dentro da concepção de processo de ensino defendida por Libâneo (2004), o critério de classificação dos métodos de ensino resulta da relação existente entre ensino e aprendizagem, concretizada pelas atividades do professor e alunos no processo de ensino. De acordo com esse critério o eixo do processo é a relação cognoscitiva entre o aluno e a matéria. Nesse sentido, os métodos de ensino consistem na medição escolar tendo em vista ativar as forças mentais dos alunos para assimilação da matéria. Os métodos são classificados segundo aspectos externos (conteúdos) do processo de ensino e neles são elencadas funções didáticas e procedimentos lógicos e psicológicos de assimilação de conhecimento, segundo os aspectos internos (condições mentais e físicas dos alunos para o processo de assimilação de novos conhecimentos) do mesmo processo. 1 – Método de exposição pelo professor. Neste método, conhecimento, habilidades etarefas são apresentadas, explicadas ou demonstradas pelo professor. A atividade dos alunos é receptiva, mas deve-se ter o cuidado em mobilizar a participação ativa dos alunos no processo. ➢ Exposição Verbal: ocorre em circunstância em que não é possível prover a relação direta do aluno com o material de estudo. Sua função principal é explicar de modo sistematizado quando o assunto é desconhecido ou quando as ideias que os alunos trazem são insuficientes ou imprecisas; INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 104 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ➢ Demonstração: é uma forma de representar fenômenos e processos que ocorrem na realidade; ➢ Ilustração: é uma forma de apresentação gráfica de fatos e fenômenos da realidade, por meio de gráficos, mapas, esquemas, gravuras, etc… a partir dos quais o professor enriquece a explicação da matéria; ➢ Explicação: ocorre quando o professor realiza uma atividade objetiva servindo de ponte entre o conhecimento existente e o novo. Ex. Apresentar o método de modo correto de se usar o dicionário. Fazer uma leitura destacando a pontuação do texto. 2 – Método de trabalho independente. O método de trabalho independente dos alunos consiste de tarefas, dirigidas e orientadas pelo professor, para que os alunos as resolvam de modo relativamente independente e criador. O trabalho independente pressupõe determinados conhecimentos; compreensão da tarefa e do seu objetivo e; o domínio do método de solução, de modo que os alunos possam aplicar conhecimentos e habilidades sem a orientação direta do professor. O aspecto mais importante do trabalho independente é a atividade mental dos alunos, qualquer que seja a modalidade de tarefa planejada pelo professor para o estudo individual. O trabalho independente pode ser adotado em qualquer que seja a modalidade de tarefa planejada pelo professor para o estudo individual. ▪ Na tarefa preparatória: que serve para verificar as condições prévias dos alunos, o professor deve levantar problemas que depois serão aprofundados, despertando o interesse pelo assunto, provocando uma atitude interrogativa do aluno, etc; ▪ Nas tarefas de assimilação do conteúdo: que são exercícios de aprofundamento e aplicação dos temas já tratados, os resultados desta tarefa podem não ser perfeitos ou corretos, mas mesmo os erros cometidos e as soluções incorretas servem para preparar os alunos para revisar conhecimentos e assimilar a solução correta; ▪ Nas tarefas de elaboração pessoal: que são exercícios nos quais os alunos produzem respostas surgidas de seu próprio pensamento; INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 105 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ▪ O estudo dirigido: cumpre-se basicamente por meio de duas funções: Primeira função: é a realização de exercícios e tarefas de reprodução de conhecimentos e habilidades, seguindo-se à exposição verbal, demonstração, ilustração ou exemplificação, que são formas didáticas do método expositivo. A combinação da exposição do professor com exercícios é um recurso necessário para uma boa consolidação dos conhecimentos. “Consolidação de conhecimento” A segunda função: é a proposição de questões que os alunos possam resolver criativamente, de modo que assimilem o processo de busca de solução de problemas. Esse tipo de estudo dirigido consiste de uma tarefa cuja solução e cujo resultado são desconhecidos para o aluno, mas dispondo de conhecimentos e habilidades já assimilados, ele pode buscar a sua solução. As questões ou problemas devem, pois ser compatíveis com as capacidades dos alunos “aplicação dos conhecimentos novos.” ▪ O procedimento de INVESTIGAÇÃO E SOLUÇÃO DE PROBLEMAS contém os seguintes elementos: colocação do problema, coleta de dados e informações para torna-lo bem caracterizado, identificação de possíveis soluções e escolha de soluções viáveis em face das condições existentes (conhecimento e tecnologia disponíveis, possibilidades concretas de atuação sobre o problema). O uso desta técnica visa não apenas a aplicação de conhecimentos a situações novas no âmbito da matéria, mas também a situação da vida prática. Favorece o desenvolvimento das capacidades criadoras e incentiva a atitude de participação dos alunos na problemática que afeta a vida coletiva e estimula o comportamento crítico perante os fatos da realidade social. Qualquer que seja a forma do estudo dirigido devem ser observados alguns requisitos: ✓ ter claro os objetivos e os resultados esperados; ✓ corresponder aos conteúdos da matéria; ✓ observar o tempo disponível; INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 106 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ✓ ter os meios de trabalho à mão (livros, mapas, ilustrações, dicionários, Atlas, etc.); ✓ utilizar os resultados obtidos no trabalho de cada aluno para a classe toda. Outras formas de trabalho independente são as chamadas fichas didáticas, a pesquisa escolar e a instrução programada. As fichas didáticas programadas englobam fichas de anotações, de exercícios e de correção. 3 – Método de elaboração conjunta (professor x aluno) A elaboração conjunta é uma forma de interação ativa entre o professor e os alunos visando a obtenção de novos conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções já adquirida. O caráter pedagógico-didático da elaboração conjunta está no fato de que tem como referência um tema de estudo determinado, supondo-se que os alunos estejam aptos a conversar sobre ele. A forma mais típica do método de elaboração conjunta é a conversão didática. A conversão didática atinge os seus objetivos quando os temas da matéria se tornam atividade de pensamento dos alunos e meios de desenvolvimentos das suas capacidades mentais. A conversão tem um grande valor didático, pois desenvolve, nos alunos, as habilidades de expressar opiniões fundamentadas e valorizar a sua própria experiência; de discutir argumentar e refutar opiniões dos outros; de aprender a escutar, contar fatos, interpretar etc. Além, evidentemente, de proporcionar a aquisição de novos conhecimentos. A forma mais usual de organizar a conversão didática é a pergunta, que pode ser feita pela condução direta do professor ou não (trabalho em grupo). Nesse sentido, a pergunta deve ser preparada cuidadosamente para que seja compreendida pelo aluno; deve ser iniciada por um pronome interrogativo correto (o quê, quando, quanto, porquê etc.) e; deve estimular INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 107 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 uma resposta pensada e não simplesmente sim ou não ou uma palavra isolada. 4 – Método de trabalho em grupo. O método de trabalho em grupos ou aprendizagem em grupo consiste basicamente em distribuir temas de estudo, iguais ou diferentes, para grupos fixos ou variados, composto de 3 a 5 alunos. O trabalho em grupo tem sempre um caráter transitório, ou seja, deve ser empregado eventualmente, conjugado com outros métodos de exposição e de trabalho independente. Dificilmente será bem-sucedido se não tiver uma ligação orgânica entre a fase de preparação e organização dos conteúdos e a comunicação dos resulta dos para a classe toda. A finalidade principal do trabalho em grupo é obter a cooperação dos alunos entre si na realização de uma tarefa. Para que cada membro do grupo possa contribuir na aprendizagem comum, é necessário que todos estejam familiarizados com o tema em estudo. Por essa razão exige-se que a atividade grupal seja precedida de uma exposição, conversação introdutória ou trabalho individual. 5 – Atividades Especiais. São aquelas que complementam os métodos de ensino e concorrem paraa assimilação ativa dos conteúdos. São, por exemplo: o estudo do meio; o jornal escolar; a assembleia de alunos; o museu escolar; o teatro; a biblioteca escolar etc. O estudo do meio, mais do que uma técnica didática, é um componente de processo de ensino pelo qual a matéria de ensino é estudada no seu relacionamento com os fatos sociais a ela conexos. Não se restringe, assim, a visitas, passeios e/ou excursões etc. Nesse sentido, segundo o professor Newton César Balzan (2011), o estudo do meio é um instrumento metodológico que leva o aluno a tomar contato com o complexo vivo, com o conjunto significativo que é o próprio meio físico e social. É uma atividade não apenas física, mas principalmente mental, de elaboração, que apela para conhecimentos e habilidade já adquiridos e os INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 108 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 enriquece, de modo que o aluno volte à universidade modificado, mais rico em conhecimentos e experiências. Há uma sequência de fases para realização de estudo do meio, a saber: ✓ O Planejamento: preparação dos alunos para o trabalho de campo através de leituras prévias, estabelecimento de pontos a serem observados etc; ✓ A Execução: coleta de dados e observação do material; ✓ A Exploração dos resultados e avaliação: tratamento dos dados coletados do processo. Assim são designados todos os meios e recursos materiais utilizados pelo professor pelos alunos para organização e condução metódica do processo de ensino e aprendizagem. Para tanto, são designados todos os meios e recursos materiais utilizados pelo professor e pelos alunos para a organização e a condução metódica do processo de ensino e aprendizagem. Nesse aspecto, os professores precisam dominar, com segurança, esses meios auxiliares de ensino, conhecendo-os e aprendendo a utilizá-los. 17.PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, EDUCATIVAS E DIDÁTICAS PARA A INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR A presença de pessoas com necessidades educacionais especiais no ensino superior é um novo desafio. O processo de construção de um espaço inclusivo na educação, qualquer que seja seu o nível, não se dá por meio de uma padronização; ao contrário, é necessário que a inclusão se faça a partir da experiência e do reconhecimento das diferenças. A participação de pessoas com deficiência em sala de aula pode ser uma contribuição para todos os INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 109 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 alunos, ao promover a reflexão sobre as práticas educacionais a partir das questões suscitadas no cotidiano da sala de aula, o que leva à flexibilização e à reinvenção das mesmas (AINSCOW, PORTER, WANG, 1997; SEKKEL, 2003, 2005). A questão da certificação para o exercício profissional se coloca como central para a tomada de decisão com relação à elegibilidade do alunado dos cursos. Pode um aluno cego se tornar um cirurgião? Talvez não, mas isso não o impede de ser médico. E um aluno com déficit cognitivo, quais os limites para o seu exercício profissional? A elegibilidade através do mérito, num vestibular competitivo, elimina essa questão, já que o aluno com déficit cognitivo não terá condições de ultrapassar essa barreira. Mas quando se coloca o objetivo de democratização do acesso ao ensino superior e a ampliação do número de vagas, tais fatos fazem com que a competição não seja mais um impedimento e que essas questões tenham que ser pensadas com cuidado e respeito por todos os envolvidos. Conforme os níveis de escolarização se elevam, as discussões e as práticas educacionais voltadas à inclusão se tornam escassas, e, quando ocorrem, o tema da educação inclusiva volta-se para a questão da inclusão social das camadas mais pobres da população ou para as ações afirmativas, como as cotas para estudantes negros ou afro-descendentes (SILVA, 2006; MOEHLECKE, 2004). Somem de cena os estudantes com deficiência e outras necessidades educacionais especiais. Pobres e negros são alvos do preconceito em nossa sociedade, e, desse ponto de vista, tais ações são bem- vindas, pois podem contribuir efetivamente para a mudança social no sentido da construção de uma sociedade menos discriminatória. É importante, no entanto, não deixar de dar visibilidade aos outros alvos de preconceito e exclusão no nosso país. O preconceito é um assunto imprescindível de ser considerado ao abordar o tema da educação inclusiva. As políticas, informações e orientações não são suficientes para a mudança de atitude dos educadores e dos alunos frente às minorias, seus alvos potenciais. O preconceito é uma defesa que impede a experiência e se interpõe no relacionamento, além de produzir uma falsa generalização que rejeita argumentos vindos do contato com a realidade INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 110 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 externa (ADORNO, HORKHEIMER, 1985; CROCHÍK, 1997). Se entendermos o preconceito como manifestação individual cuja origem é social, podemos antever sua presença nas relações em sala de aula. Isso torna necessário um trabalho de conscientização dessas determinações presentes nas relações e de reflexão sobre as possíveis ações para sua superação. Tal trabalho deve ser iniciado na formação do professor, o que reforça a necessidade de formação pedagógica do docente do ensino superior que contemple a reflexão sobre as atitudes frente às diferenças. Essa reflexão revela-se tão importante quanto o domínio de conteúdos específicos das áreas de conhecimento, pois ambos os fatores podem ser decisivos para a efetividade das ações educativas. Ainda é escassa a produção de pesquisas bem como a implantação de políticas para a inclusão de pessoas com deficiência no ensino superior. Em 2006, a Secretaria de Educação Superior, do Ministério da Educação, recebeu 17 milhões em investimentos voltados à inclusão de índios, negros e pessoas com necessidades educacionais especiais. É interessante notar, todavia que, desse total, apenas 1,5 milhão - menos de 10% dos investimentos - foram destinados a programas de acesso e permanência no ensino superior das pessoas com tais necessidades (BRASIL, 2006). Algumas iniciativas isoladas buscam subsidiar a ação dos professores e incentivar a permanência dos alunos com necessidades educacionais especiais nos cursos superiores. Por exemplo, em 2005, o Programa USP Legal divulgou a Orientação aos docentes sobre alunos com deficiência, com o objetivo de subsidiar as ações dos professores e da comunidade universitária com relação às necessidades dos alunos com deficiências físicas e sensoriais. Tais programas se revelam necessários para fornecer subsídios e legitimar novas práticas educacionais. Não se trata de integrar ou adaptar as pessoas com deficiência ao status quo. Ao contrário, são os objetivos do ensino superior, bem como seus modos de avaliação e currículo, que necessitam de uma reformulação frente a esse novo desafio. Assim como nos demais níveis de ensino, trata-se de assumir o debate proposto a partir da inclusão, para repensar modelos e objetivos educacionais também no ensino superior e encarar as questões da flexibilização do currículo, da necessidade ou não do INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 111 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 especialista, da aplicação das provas especiais como forma alternativa de avaliação, enfim, as questões que se impõem já há mais de uma década na educação brasileira. Como mencionado anteriormente, os alunos marginalmente incluídos tornam-se dados estatísticos de ingresso, mas permanecem desprovidos de atenção mesmo diante de sucessivas retenções nas disciplinas.O ingresso de alunos com necessidades educacionais especiais nos cursos superiores muitas vezes não se dá de modo explícito. As dificuldades podem se revelar para a classe e para os professores paulatinamente. Há casos em que o próprio aluno desconhece sua condição ou não tem consciência das suas dificuldades, como o de uma aluna que se descobriu portadora de dislexia a partir dos conteúdos estudados nas aulas de neurociências. Algumas necessidades educacionais especiais podem passar despercebidas pelo professor nos trabalhos em pequenos grupos, principalmente nas produções de texto coletivas, e pode mesmo ocorrer que, apenas na avaliação final, o professor se depare com as dificuldades específicas daquele aluno. Entram em cena aqui as especificidades das disciplinas e dos métodos utilizados pelos diferentes professores. Frequentemente, os alunos são os primeiros a perceber as dificuldades do companheiro de sala. Numa determinada ocasião, uma aluna com deficiência intelectual passou a ser rejeitada pelos colegas pelo estranhamento que seu comportamento provocava. Posteriormente, ficou explicitado, pelos alunos, o temor de serem prejudicados nos trabalhos coletivos pelo baixo rendimento da colega. O receio de que a presença de alunos com deficiência possa diminuir o rendimento escolar da turma é muito presente no imaginário de pais e professores na educação básica, e percebe-se, pelo exemplo citado, a tendência a que se reproduza na educação superior. Tal questão nos remete novamente ao preconceito e à necessidade da formação de professores capazes de lidar com tais diferenças para impedir que o medo domine as relações. Amaral (1995) chama a atenção para o medo da "contaminação" pelo convívio, que denomina "contágio osmótico", que leva a uma leitura tendenciosa da deficiência. É importante entender a presença do medo INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 112 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 subjacente a essa manifestação, porque de nada vai adiantar contrapor uma argumentação racional na tentativa de deixar evidente a suposição infundada, pois o medo originado pelo sentimento de ameaça criaria a necessidade de buscar outras racionalizações. É o medo que tem que vir à consciência, e esse é um desafio que dificilmente poderá ser realizado de forma isolada. Sekkel (2003) aponta a necessidade de um ambiente inclusivo fundado no compromisso com os valores humanos e articulado coletivamente, em que o professor possa expor os seus receios, limites e necessidades. O professor precisa ser incluído, pois, sem essa possibilidade, ele permanecerá isolado na escola, e lançará mão de atitudes defensivas para se proteger de ameaças, reais e imaginárias. A publicação Educação Inclusiva: experiências educacionais inclusivas (BRASIL, 2007) apresenta outra possibilidade para a necessidade de compartilhamento de experiências, criando oportunidades de troca a partir das diferentes realidades presentes no território nacional. A educação inclusiva pressupõe a participação coletiva na decisão das questões da sala de aula e da instituição escolar bem como a necessária flexibilidade na utilização dos recursos institucionais, humanos e materiais. A possibilidade de o professor poder contar com o apoio dos colegas e de outros profissionais, de repensar a estratégia de aula, de rever o plano de ensino e de contar com a participação dos alunos e sua contribuição na resolução das questões específicas que se apresentarem é de importância fundamental numa proposta educacional voltada para a inclusão. Mesmo considerando a especificidade das disciplinas, pode-se partir do pressuposto que todos os professores necessitam de um apoio institucional para realizar tais flexibilizações e mudanças, e, nesse sentido, é fundamental que os objetivos ligados a cada curso nas IES estejam claros a todos aqueles que participam do seu desenvolvimento. É com base nesses objetivos que a elegibilidade dos alunos para os cursos pode ser definida. Numa experiência recente, a presença de uma aluna com deficiência intelectual num curso superior gerou discordâncias entre os professores, que, equivocadamente, tomaram a seu cargo a decisão sobre a pertinência da permanência ou não da aluna no curso. Deveriam ser adotados conteúdos e critérios de avaliação diferenciados para tal aluna? Qual aspecto INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 113 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 deveria ser preponderante na avaliação: a aquisição de conhecimentos técnicos específicos para uma futura atuação profissional ou o desenvolvimento humano? Tal discussão não deve recair sobre os ombros do professor, mas deve ser tomada pela instituição, de forma participativa. Sua ocorrência evidencia o perverso mecanismo do ensino superior brasileiro, que tem o explícito interesse em aumentar o ingresso de clientes em seus bancos escolares, mas não se atém em discutir, com o corpo docente, os objetivos e limites de suas atribuições. Se atentarmos para o histórico das universidades e seus desdobramentos em nosso país, perceberemos que seu ensino, tradicionalmente, é voltado para as elites econômicas e intelectuais, o que marca o espaço acadêmico como um lugar destinado aos privilegiados. A expansão do ensino, dentro dessa perspectiva, deve ser vista com atenção, a fim de que o discurso da democratização do acesso não se transforme apenas em mais uma bandeira das políticas públicas que, travestida de novidade, termina por manter, na prática, a elitização de modo ainda mais perverso através inclusão marginal anteriormente apontada. A correção política do discurso em favor das minorias, aliada à lógica neoliberal presente no ensino superior brasileiro, não necessariamente trabalha em favor do sucesso escolar de todos aqueles que ingressam numa faculdade. (VIEGAS, ANGELUCCI, 2006). Ao ampliar o número de alunos matriculados, muitas vezes, o que temos é também a ampliação do fracasso escolar, através de sucessivas retenções ou do abandono do curso superior. A omissão institucional com relação à explicitação de objetivos e elegibilidade do seu alunado leva a que os limites não definidos se tornem questões concretas na sala de aula. É por esse motivo que o professor - equivocadamente, como já foi enfatizado - é levado a tratar o aluno com necessidades educacionais especiais no âmbito da relação individualizada, o que coloca ambos numa situação fragilizada, sem amparo para a tomada de decisões. É importante considerar que, se o ingresso de tal aluno foi legitimado pelo exame vestibular ou processo seletivo, ele tem o direito de encontrar condições de permanência e conclusão do curso que levem em consideração as suas dificuldades. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 114 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Além das questões mais visíveis presentes na avaliação, temos também as dificuldades dos professores, quando estes têm, em sua classe, um aluno com deficiência. Nos outros níveis de ensino, temos pesquisas que apontam o fato de que a atitude do professor é de suma importância para a permanência no processo escolar e para a integração do aluno com deficiência com os demais alunos (LEÓN, 1994; ORTEGA, 1995, e MITTLER, 2003). Nem sempre, no entanto, o professor tem uma predisposição favorável ao trabalho com alunos deficientes. Alguns professores assumem uma postura protetora e paternalista diante dos alunos com necessidades educacionais especiais; outros podem se aproximar e conhecer melhor suas limitações, enquanto outros ainda as ignoram. Quanto ao paternalismo, Amaral (1995) destaca que o preconceito nem sempre ocorre através de uma valorização negativa de seu alvo. A superproteçãosentem-se desautorizadas pelo professor, que toma para si tarefas que são da competência da família”, mas, além disso, existem aqueles professores que consideram a educação apenas responsabilidade da família. No entanto, pode-se afirmar que a família e a escola “são pontos de apoio e sustentação ao ser humano; são marcos de referência existencial e que, quanto melhor for a parceria entre ambas, mais positivos e significativos serão os resultados na formação do sujeito” (DI SANTO, 2009). Não obstante, estamos falando do ensino superior. Quanto à Didática, Nerice (2013) resume o conceito e o objetivo da Didática, ao considerá-la como o estudo dos recursos técnicos que têm em mira dirigir a aprendizagem do educando, tendo em vista levá-lo a atingir um estado de maturidade que lhe permita encontrar-se com a realidade e, na mesma, poder atuar de maneira consciente, eficiente e responsável. Já Libaneo (2010) pormenoriza os elementos do processo de ensino e introduz a corrente de “professor mediador” e “facilitador. Nesse sentido, Libaneo define Didática como uma disciplina que estuda o processo de ensino no qual os objetivos, os conteúdos, os métodos e as formas de organização da aula combinam entre si, de modo a criar as condições e metodologias garantidoras de uma aprendizagem significativa por parte dos educandos. Sendo assim, ela ajuda o professor na direção e orientação das tarefas do INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 11 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ensino e da aprendizagem, fornecendo-lhe mais segurança profissional e tornando-o um mediador. Noutrossim, os dois autores citados são consonantes ao definir o objetivo principal da disciplina de Didática que é o de “garantir aos alunos uma aprendizagem significativa”. É nesse sentido que construímos esse material, objetivando levar aos alunos do Instituto IBE, um módulo/disciplina que ofereça formação de excelência e qualidade para os que pretendem ou já ministram aulas no Ensino Superior. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 12 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 2.O ENSINO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EDUCATIVAS E DIDÁTICAS: CONSIDERAÇÕES INICIAIS ACERCA DA PROFISSÃO Devemos ter em mente que nós professores exercemos um papel insubstituível no processo da transformação social. A nossa formação identitária abrange o profissional, pois a docência vai mais além do que somente dar aulas, constituiu fundamentalmente a nossa atuação profissional na prática social. Já reparou como as palavras “profissão” e “professor” se parecem? Sim, elas nasceram da mesma raiz etimológica, tendo derivado do latim professum, que por sua vez vem do verbo profitēri: “declarar perante um magistrado, fazer uma declaração, manifestar-se; declarar em alto e bom som, afirmar, assegurar, prometer, protestar, obrigar-se, confessar, mostrar, dar a conhecer, ensinar, ser professor” (HOUAISS, 2017), o que faz todo o sentido: ser professor é a primeira das profissões. Todas as outras especialidades e habilidades técnicas só podem existir quando há professores ensinando-as aos seus discípulos. Nesse sentido, a nossa formação não se baseia apenas na racionalidade técnica, como apenas executores de decisões alheias, mas, cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir, produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar. Em sendo, o professor do século XXI, deve ser um profissional da educação que elabora com criatividade conhecimentos teóricos e críticos sobre a realidade. Nessa era da tecnologia, os professores devem ser encarados e considerados como parceiros/autores na transformação da qualidade social da escola, compreendendo os contextos históricos, sociais, culturais e organizacionais que fazem parte e interferem na sua atividade docente. Cabe então aos professores do século XXI a tarefa de apontar caminhos institucionais (coletivamente) para enfrentamento das novas demandas do mundo contemporâneo, com competência do conhecimento, com profissionalismo ético e consciência política. Só assim, estaremos aptos a oferecer oportunidades educacionais aos nossos alunos para construir e INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 13 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 reconstruir saberes à luz do pensamento reflexivo e crítico entre as transformações sociais e a formação humana, usando para isso a compreensão e a proposição do real. Para tanto, buscamos na História da profissionalização do magistério, bases para a introdução desse estudo que pretende analisar a docência, sua formação, sua profissionalização. Assim, no sentido genérico em que se passou a empregar o termo "profissão", desde a modernidade, para designar o exercício regular de atividades às quais correspondem um treinamento e remuneração específicos, pode-se dizer que a Antiguidade conheceu, sobretudo as profissões de guerra, que sustentavam política e economicamente as grandes potências da época, e também as profissões que, em evidente anacronismo, definiríamos como "burocráticas", isto é, necessárias à manutenção da complexa organização que regia muitos dos impérios orientais (escribas, artesãos de diferentes artes, funcionários). Podem-se ainda incluir nessa lista as ocupações especificamente ligadas às práticas religiosas – que, frequentemente integradas na estrutura de poder, poderiam ser igualmente identificadas por uma formação e remuneração especiais. Nesse sentido, a função de ensinar é muito anterior ao processo de criação das primeiras instituições educadoras da História. Antes mesmo que a escrita fosse desenvolvida, a oralidade, em conjunto com outros processos comunicacionais, tiveram a importante função de repassar aquilo que era considerado importante. Instigado pela simples imitação ou pelo relato oral, o homem conseguiu produzir e difundir as mais variadas maneiras de se relacionar com o mundo que o cerca. Mas não é dessa maneira que as referências mais antigas à figura do professor aparecem na Antiguidade grega. Com Homero, aprendemos que a Quirão, "sapientíssimo centauro", os pais entregavam seus filhos para que fossem educados de acordo com os princípios da educação cavalheiresca; e que Fênix, a quem foi confiada a educação de Aquiles, não se cansava de dizer com orgulho: "fui eu quem fez de ti o que tu és" (MARROU, 1975, p. 24). Seria, pois, precipitado aceitar sem qualquer hesitação o vínculo fastidiosamente estabelecido entre o pedagogo, escravo encarregado de INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 14 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 acompanhar as crianças de baixa idade à escola e de lhes "tomar a lição", e os profissionais da formação humana: que interesse haveria em associar a formação humana a um cuidado até hoje exercido no seio da família, na esfera privada? E, de fato, para além dessas figuras mitológicas exemplares, por volta do século V a.C., a educação grega consagrava o pedótriba, ou instrutor físico – profissional encarregado de treinar crianças nas atividades esportivas, assumiu em geral um papel preponderante nas poleis gregas, especialmente em Esparta –; o citarista, mestre que se ocupava da educação musical, e os gramáticos, responsáveis pelo ensino da língua e da cultura, principalmente por meio da poesia e da epopeia (idem, p. 73). A necessidade de se colocar pessoas específicas para o ensinamento de certas habilidades já aconteceu no Antigo Egito, quando a função de escriba era preservada pela constituição de escolas reais que preparavam o indivíduo para dominar essa técnica. No Ocidente, asé um bom exemplo de que podemos agir de forma a proteger e até valorizar positivamente o esforço de alguém com deficiência, mas tal proteção revela a nossa certeza na incapacidade daquela pessoa em realizar as ações propostas, o que nos leva a fazer pelo outro antes que ele possa experimentar suas possibilidades. Ainda caminhando com Amaral (op. cit.), devemos ter a clareza de que é impossível ficar indiferente diante da deficiência. Segundo a autora, as emoções se intensificam diante desse tipo de contato, sobrepondo-se ao entendimento racional da situação. O ataque e a fuga seriam reações emocionais que funcionam como opostos da mesma moeda: o medo, que impede o contato com a pessoa. Nesse sentido, tanto o comportamento do professor que ignora os alunos com necessidades educacionais especiais quanto o daquele que se coloca contra a permanência deles em sala de aula (a fuga e o ataque) podem resultar do sentimento de ameaça que não encontra continente na instituição. Para que a educação inclusiva possa avançar, é de fundamental importância que a atitude de todos os que participam do processo educacional possa encontrar espaço de acolhimento e transformação. A abertura à experiência, como propõe Adorno (1995), é essencial nesse processo, e ela só é possível se o medo subjacente às nossas atitudes puder se tornar consciente. É nesse sentido que o autor identifica a educação para a emancipação com a educação INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 115 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 para a experiência, numa sociedade em que a frieza nas relações humanas se tornou universal. Para bem ensinarmos precisamos, como professores, ter preliminarmente uma noção clara e exata do que seja realmente 'aprender' e 'ensinar', [grifos do autor] pois que existe uma relação direta e necessária, não apenas teórica, mas também prática. Entre esses dois conceitos básicos da Didática. (MATTOS, 1964, p. 65). O estudo defende, então, que é a interação desses dois conceitos - aprender e ensinar - que vão dar singularidade ao discurso da Didática Geral no momento histórico investigado. Assim, o discurso da didática no Brasil dos anos de 1930 se constituiu nessa contradição intrínseca entre ensino e aprendizagem. Isto é, o discurso da disciplina acadêmica Didática Geral teve a possibilidade de emergir, se fez possível, no momento histórico em que o foco desvia da instrução e da inerente centralidade na figura do docente, do "protagonismo professoral" (CASTANHO; CASTANHO, 2008) característico da denominada educação tradicional, em que a escola se constituía em "um aparelho formal e rígido, sem diferenciação regional, inteiramente desintegrado em relação ao meio social" (O MANIFESTO DOS PIONEIROS, 1932, p. 196), para focar no indivíduo, aquele que aprende: o aluno. Assim, a partir do enunciado sobre aprendizagem do aluno, constrói-se discursivamente o entendimento de que cabe ao professor a responsabilidade pelo desenvolvimento do indivíduo que aprende. Embora o docente não seja mais o protagonista do processo de instrução, "o magistério é uma profissão de altas e complexas responsabilidades para com o indivíduo e para com a sociedade [...] visto ser o professor o principal responsável pela formação da inteligência e personalidade de seus alunos". (Mattos, 1964, p. 27). No entanto, como explicitado no texto do Manifesto, [...] no magistério, o espírito novo, o gosto da crítica e do debate e a consciência da necessidade de um aperfeiçoamento constante, ainda não se podia considerar inteiramente aberto o caminho às grandes reformas educacionais. [...] A maioria dos espíritos, tanto http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602015000100229&lng=pt&nrm=iso#B4 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602015000100229&lng=pt&nrm=iso#B17 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602015000100229&lng=pt&nrm=iso#B17 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602015000100229&lng=pt&nrm=iso#B13 INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 116 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 da velha como da nova geração ainda se arrastam, porém, sem convicções, através de um labirinto de ideias vagas. (O MANIFESTO DOS PIONEIROS, 1932, p. 190). Ressalta-se, então, que, face à importância da educação para o projeto de sociabilidade republicana e, mais especialmente o processo de escolarização, o Manifesto põe em circulação, também, a ideia de que os professores necessitam de profissionalização. Afinal, a maior parte dos professores era: [...] recrutada em todas as carreiras, sem qualquer preparação profissional, como os professores do ensino secundário e os do ensino superior (engenharia, medicina, direito, etc.), entre os profissionais dessas carreiras, que receberam, uns e outros, do secundário a sua educação geral. O magistério primário, preparado em escolas especiais (escolas normais), de caráter mais propedêutico, e, às vezes misto, com seus cursos geral e de especialização profissional, não recebe, por via de regra, nesses estabelecimentos, de nível secundário, nem uma sólida preparação pedagógica, nem a educação geral em que ela deve basear-se. A preparação dos professores, como se vê, é tratada entre nós, de maneira diferente, quando não é inteiramente descuidada, como se a função educacional, de todas as funções públicas a mais importante, fosse a única para cujo exercício não houvesse necessidade de qualquer preparação profissional. (O MANIFESTO DOS PIONEIROS, 1932, p. 200). Para tanto, o professor precisa ser reflexivo, ou seja, aquele que pensa no que faz, que é comprometido com a profissão e se sente autônomo, capaz de tomar decisões e ter opiniões. Ele é, sobretudo, uma pessoa que atende aos contextos em que trabalha, os interpreta e adapta a própria atuação a eles INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 117 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 e os contextos educacionais são extremamente complexos e não há um igual ao outro, podemos ser obrigado a, numa mesma escola e até numa mesma turma, utilizar práticas diferentes de acordo com o grupo. Portanto, se o professor não tiver capacidade de analisar, vai se tornar um tecnocrata. Como diz Magalhães (2008), os bons profissionais lançam mão de uma série de estratégias não planejadas, cheias de criatividade, para resolver problemas no dia a dia, então, nós temos aí uma associação complexa entre ciência, técnica e arte. Segundo a autora acima, é o que Donald Schön defendeu: quem age em situações instáveis e indeterminadas, como é o caso de quem leciona, tem de ter muita flexibilidade e um saber fazer inteligente, uma mistura disso tudo, pois a experiência conta muito, mas tem de ser amadurecida. E sob esta perspectiva, surge nas últimas décadas uma tendência denominada genericamente de formação de professores reflexivos, fazendo um profundo exame da situação atual da docência e indicando, bem como praticando, novos caminhos, não mais separando de forma drástica a formação inicial da continuada, tendo como referencial a prática docente, ou seja, é colocar hoje em prática uma lição que sabemos de cor e Schön identifica nos bons profissionais uma brilhante combinação de ciência, técnica e arte. É esta dinâmica que possibilita o professor agir em contextos instáveis como o da sala de aula. O processo é essencialmente metacognitivo, onde o professor dialoga com a realidade que lhe fala, em reflexão permanente. E é essa a nossa pretensão com esse curso de formação de docentes para o ensino superior e, para encerrar, sugerimos a leitura das referências bibliográficas ou de parte delas, para cimentar a sua formaçãoacadêmica e profissional. 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INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 131 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521instituições de ensino variavam bastante de acordo com os valores que predominavam em certa cultura. Mas foram as escolas sofísticas, das quais podemos dizer que instituíram uma reflexão sistemática sobre a formação humana, que forneceram matéria para que Platão forjasse a mais remota imagem que se tem de um "profissional da educação", no sentido mais moderno do termo: indivíduos que afirmavam dominar a especialidade da formação de bons cidadãos, os sofistas "carregam seu saber de cidade em cidade", dispostos, para desgosto de Platão, a "vendê-lo no atacado ou no varejo" (PLATÃO, 2007, p. 256). Para o filósofo, a exigência de retribuição financeira, muito comum entre os sofistas, não se coadunava com uma prática que resistia a se apresentar como técnica, a se medir pelos resultados e, mais ainda, a se fazer remunerar. Tal como Sócrates, figura emblemática de mestre que vai ser contraposta a esses "profissionais", os sofistas visavam a uma formação política, de caráter eminentemente intelectual e ética, e não diretamente ao treinamento para guerra. Eles ensinavam a arte da discussão e da retórica, objetivando preparar os discípulos para as exigências da vida pública – o que, na democracia grega, implicava necessariamente a destreza no manejo do patrimônio cultural e da arte de debater. As divergências estabeleciam-se na INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 15 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 definição das áreas de conhecimento que deveriam ser privilegiadas, havendo os que defendessem o ideal da polimatia – de um saber que incluísse de forma mais ou menos abrangente todas as especialidades. Examinando com certo recuo a prática sofista, podemos constatar que, no que concerne à sua época, a crítica platônica peca, no mínimo, pela indevida generalização – entretanto, foi assim que ela atravessou os séculos, ecoando a cada vez que, por diferentes razões ideológicas, se pretendeu idealizar a figura do mestre. E, observando as tendências que dominam a prática educacional na atualidade, como não reconhecer os riscos a que está sujeita uma sociedade em que os formadores assumem correntemente a "condição de homens de negócio, para os quais o ensino é uma profissão cujo êxito comercial atesta o valor intrínseco e a eficácia social"? (MARROU, 1975, p. 222). Entre os espartanos, a educação começava aos sete anos de idade e se preocupava com o aprimoramento das habilidades físicas do indivíduo. A dura rotina de treinos físicos era mantida com o objetivo de fazer com que os homens estivessem prontos para a guerra e as mulheres aptas para gerar crianças saudáveis. Além disso, cada criança era mantida por um tutor que desempenhava a função por vínculo de amizade e sem ganhar nada em troca. Em Atenas, o serviço era feito mediante uma cobrança e cada tipo de conhecimento era delegado a um tipo de tutor ou professor. Preocupados com o equilíbrio entre corpo e mente, a educação ateniense contou com três tipos básicos de profissionais do ensino: os páidotribés, que cuidavam do desenvolvimento intelectual; os grammatistés, responsáveis pelo repasse da escrita e da leitura; e os kitharistés, que cuidavam do aprimoramento físico. Contudo, é importante frisar que já a tradição grega estabelecia uma forte distinção entre aqueles que exercem um ofício e os que dispõem de sua scholè, que dedicam todo seu tempo à vida da pólis: [...] os gregos acreditavam que os verdadeiros representantes da Paideia eram, não "aqueles que fazem profissão das coisas mudas" (escultores, pintores, arquitetos), mas os poetas, os músicos, os oradores INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 16 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 (entenda-se aí: os homens de Estado), tanto quanto os filósofos. Eles sentiram, com efeito, que o legislador estava, de certa forma, mais próximo do poeta do que do escultor, pois os dois, poeta e legislador, assumiam uma missão educativa. Só o legislador podia pretender o título de escultor, pois só ele modelava o homem vivo. (JAEGER, 1995, p. 18). Podemos argumentar que o testemunho de Jaeger não é em nada imparcial, mas descreve a tentativa (talvez uma das últimas) de revalorizar o humanismo clássico – que, em sua interpretação, é forjado por esses mesmos valores aristocráticos de que Platão se fez porta-voz. E, sem dúvida, Platão admitia a existência de um saber superior, perante o qual o saber especializado, a technè, só pode aparecer como menor. No entanto, é ainda ele que apresenta a técnica dos artesãos como verdadeira, por oposição à "falsa técnica" formativa dos sofistas: é que, ao que parece, às "coisas mudas" pode de fato corresponder uma "técnica" verdadeira, enquanto para a formação humana somente a filosofia parece a seus olhos Na Roma Antiga, o papel de educar foi desempenhado pelos retores, que – assim como os sofistas gregos – circulavam pelas cidades ensinando o que sabiam em troca de alguma compensação financeira. Além disso, podemos citar a presença dos lud magister, que desempenhavam a função de alfabetizar as crianças que não tinham uma condição material mais abastada. Contudo, quando Hípias se gabava, em Olímpia, de ter fabricado com suas próprias mãos tudo que carregava, essa capacidade técnica não fazia dele um artesão. Ele repete o velho ideal da autossuficiência. Polivalência não é, contudo, tecnicidade. Para Platão – ele o repete ao longo da República –, é mesmo o contrário que se dá. (VIDAL-NAQUET, 1990, p. 106). Seria o filósofo, portanto, o primeiro profissional da formação humana? A posição dos democratas com quem Sócrates se enfrenta é clara: "qualquer ateniense distinto, qualquer kalos kagathos é capaz de ensinar [a virtude cívica], de acordo com o que ele próprio recebeu em seu tempo" (idem, p. 112). É claro que, antidemocrata por excelência, Platão recusa essa ideia. Mas, por INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 17 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 um aspecto, pelo menos, há uma confluência de posições: o verdadeiro cidadão faz-se necessariamente polivalente, e sua especialidade única é a política. O projeto filosófico de governo dos homens que nasce com Platão associou a tarefa do político, do indivíduo habilitado a governar a cidade, à figura do epistemon – do especialista, único possuidor de um saber e um saber fazer verdadeiros, e assim único capaz de organizar a sociedade segundo aquele que seria seu princípio natural de funcionamento (CASTORIADIS, 2004, p. 64). A autoridade do especialista vem do monopólio da verdadeira ciência, infalível e segura, e define-se como uma técnica: como uma arte, ela também infalível e segura, de conduzir os assuntos humanos. A figura do epistemon visava, ao que parece, resolver um impasse a que Platão haveria chegado ao buscar a boa lei para reger a sociedade. Diante da rica diversidade e da complexidade das questões humanas, as leis, que devem necessariamente buscar a universalidade, serão excessivas ou carentes: não há, simplesmente, como passar da forma universal a cada caso particular, não há como garantir a justa aplicação do princípio ideal a cada situação específica. A arte do epistemon é, pois, definida não somente como a capacidade de conhecer a verdade sobre a sociedade e sobre o humano, mas também de julgar a melhor forma de adequação dessa verdade a cada caso específico. Nesse caso, ironiza Castoriadis (idem), o epistemon deveria estar "à cabeceira", ao lado de cada indivíduo, ele deveria estar em toda parte, a todo momento. A aporia não se soluciona, porque o elemento humano resiste às tentativas de formalização que são, na História da humanidade, denominadas ciência, legislação, controle técnico. No período medieval,o mundo do conhecimento passou a ter um nítido controle das instituições religiosas cristãs. Inicialmente, o conhecimento ali presente ficava somente restrito aos próprios membros e aspirantes da Igreja. Na Baixa Idade Média, tal situação mudou com a constituição das primeiras universidades. Até o século XIX, nenhum curso era elaborado com o objetivo de se formar professores. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 18 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Isto porque, sob a influência do cristianismo, a imagem do professor muitas vezes foi confundida, como já tantas vezes mencionado, com a do sacerdote. Isso vai inaugurar um novo tipo de representação, sobretudo por considerar a arte de formar homens a melhor mostra da ação divina sobre a terra. Até a Reforma – e, na França, principalmente até a Revolução Francesa, quando se instituíram os chamados professores leigos –, a Igreja monopolizou os saberes científicos e filosóficos da tradição grega e romana, identificando a função de formador com o sacerdócio. A partir da Revolução Francesa, a atividade educacional deixou o controle absoluto da Igreja para se submeter à ação centralizadora dos Estados nacionais, redescobrindo a natureza eminentemente política da tarefa educacional: formar os futuros cidadãos. Empregada como arma para a construção nacional, a educação mantém a aura de prestígio que a tradição lhe reservava, mantendo a imagem de um ofício que implicava forçosamente uma sublime vocação, uma dedicação total e sem limites. Mas esse monopólio educativo do Estado foi responsável pela redefinição do sentido e do estatuto da profissão docente. Segundo Nóvoa (2006, p. 121), à prática da educação moderna correspondeu a elaboração de um conjunto de critérios profissionais que acabou por definir um saber e um saber fazer próprios à docência, explorados pela pedagogia e pelas chamadas "ciências da educação". Durante muito tempo acreditou-se que a gênese da profissão docente tinha coincidido com a emergência dos sistemas de ensino de Estado. Não é nada disso, pois no século XVIII havia já uma série de grupos que faziam do ensino sua ocupação principal, exercendo-a muitas vezes em tempo integral [...]. [Mas] A intervenção estatal vai provocar uma homogeneização, assim como uma unificação e uma hierarquização à escala nacional, de todos estes grupos [professores leigos e religiosos]: no início, o que constitui estes docentes em corpo profissional é o controle do Estado, e não uma concepção corporativa de ofício. Observe-se que, em seu raciocínio, António Nóvoa desconsidera todas as práticas que, da Antiguidade até o período moderno, se instituíram socialmente como atividades especializadas, às quais em muitos casos os INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 19 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 indivíduos se dedicavam de forma exclusiva. Além dos sofistas e dos retores da Antiguidade, deixa de ser mencionada, por exemplo, a intensa prática diretamente relacionada às novas exigências educacionais introduzidas pelo movimento reformista ou pelo estabelecimento das primeiras universidades. Quanto aos autores que se dedicam à chamada sociologia das profissões, eles costumam associar a profissionalização da educação à autonomia demonstrada pela classe de professores no estabelecimento dos critérios, regras e procedimentos para seu ofício. Por isso, recusam-se a reconhecer, tal como o faz Nóvoa, no movimento que dá nascimento aos Estados nacionais modernos, a origem da nova face do -métier da educação. Pretendem, assim, que o estatuto socioprofissional tardiamente alcançado pela educação básica se defina por critérios de crescente tecnicidade, que deveriam culminar, a exemplo de outras profissões, na fixação de organismos de classe, de "conselhos corporativos", disciplinadores da atuação dos seus "afiliados" e responsáveis pela concessão de licenças e permissões para ensinar. Assim como na política, a formação humana resiste à padronização, à fragmentação, à tecnificação a que é submetida. Ao definir a educação e a política como as mais difíceis atividades dadas aos humanos, Immanuel Kant (2006, p. 26) alertava para o fato de que a elas não correspondem leis gerais a serem aplicadas de forma universal; incorporando, em seguida, a psicanálise, Freud (1975) foi além, definindo essas atividades como impossíveis. Não há, para a formação dos humanos, conhecimento seguro: é preciso avançar lentamente, pondera Kant (2006), na base da experimentação e da aquisição histórica. Educar é uma atividade impossível, porque, a rigor, ninguém educa a autonomia: no máximo, autoeduca-se. Como, pois, estabelecer uma regularidade e instituir leis para a formação? Segundo o artigo “A Profissionalização Docente”, de Mariza da Gama Leite de Oliveira, tanto em Portugal como no Brasil, o magistério se constitui em profissão graças à intervenção e ao enquadramento do Estado, que substituiu a Igreja como entidade de tutela do ensino. Nóvoa (1992) faz algumas considerações a esse respeito com relação ao ensino em Portugal, porém, acredita-se que no Brasil Colônia muitos fatos ocorreram em concomitância com a Metrópole. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 20 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 De 1500 a 1759 imperou no Brasil a educação jesuítica, que tinha como objetivo principal a catequese. O conteúdo cultural transportado de Portugal para a Colônia brasileira era destinado a uma minoria dos donos de terras e senhores de engenho, excluindo-se desse público as mulheres e os filhos primogênitos, os quais deveriam assumir a direção dos negócios da família. Até então, a educação era humanista, destinada a dar cultura geral básica, sem preocupação de qualificar para o trabalho. A educação se manteve fechada e irredutível ao espírito crítico e de análise, à pesquisa e à experimentação. De cunho literário e humanista, a educação servia apenas para dar brilho à inteligência dos desocupados sociais. “O ensino, assim, foi conservado à margem, sem utilidade prática visível para uma economia fundada na agricultura rudimentar e no trabalho escravo” (ROMANELLI, 1997, p. 34). A educação dos jesuítas também formava sacerdotes; e os que não queriam seguir a carreira sacerdotal, os letrados, seguiam seus estudos a nível superior na Universidade de Coimbra. A classe dirigente aos poucos foi tomando consciência do poder dessa educação na formação de seus representantes políticos junto ao poder público, e assim a educação passou a ter utilidade. A obra de catequese, que em princípio constituía o objetivo principal da presença da Companhia de Jesus no Brasil, acabou gradativamente cedendo lugar em importância à educação da elite, impregnada de uma cultura intelectual transplantada, alienada e alienante. Observa-se que desde essa época já se evidencia a separação entre os produtores e os transmissores do saber, sendo destinado aos primeiros educadores realizar um bom trabalho técnico e pedagógico. Em 1759 os jesuítas foram expulsos de Portugal e de seus domínios, pois surgiu um descontentamento geral devido ao fanatismo religioso, que promovia o atraso cultural; também contribuíram para isso a decadência econômica do Reino Unido e a expansão das ideias anticlericais do Marquês de Pombal. De 1759 a 1772 foram inúmeras as dificuldades para a criação de um novo sistema educacional, pois os educadores, de formação religiosa, não foram substituídos de imediato. Assim, transcorreram 13 anos depois da expulsão dos jesuítas para a nova estruturação. Leigos começaram a ser introduzidos no ensino e o Estado assumiu pela primeira vez os encargos da INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICASPARA O ENSINO SUPERIOR 21 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 educação. A assunção do ensino pelo Estado provoca à imagem do professor o que Nóvoa coloca em relação a Portugal: “Ao longo do século XIX consolida-se uma imagem do professor, que cruza as referências ao magistério docente, ao apostolado e ao sacerdócio, com a humildade e a obediência devidas aos funcionários públicos, tudo isto envolto numa auréola algo mística de valorização das qualidades de relação e de compreensão da pessoa humana. Simultaneamente, a profissão docente impregna-se de uma espécie de entre-dois, que tem estigmatizado a história contemporânea dos professores: não devem saber de mais, nem de menos; não se devem misturar com o povo, nem com a burguesia; não devem ser pobres, nem ricos; não são (bem) funcionários públicos, nem profissionais liberais”. (NÓVOA. 2012, p. 16). Pode-se dizer que a imagem que se tem hoje do professor está estigmatizada pela relação da Igreja com a educação, interferindo no processo de profissionalização da categoria. Confirma Nóvoa que algumas pessoas têm do ensino a visão de uma atividade que se realiza com naturalidade, isto é, sem necessidade de qualquer formação específica (2012, p. 21). Tal visão é consequência de uma História recente, pois em algumas regiões do país ainda há professores leigos, ou sem formação específica, devido à carência de profissionais; e os mesmos ainda têm a permissão do Estado e são por ele recrutados. Isso logicamente não ocorre com outras profissões como a de engenheiro e médico, por exemplo; pelo contrário, há programas governamentais oferecendo salários bastante atrativos para médicos que se candidatarem a trabalhar no interior do Brasil. O mesmo não ocorre na Educação. Em meio a essa rede de interesses está o professor. Nesse quadro é extremamente difícil enxergar a profissão docente com autonomia e poder. A profissão docente tem passado por um processo de proletarização, ao longo da INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 22 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 história da educação brasileira, visto que a expansão escolar recrutou uma massa de profissionais sem as necessárias habilitações acadêmicas e pedagógicas. Desta forma, antagonicamente assiste-se à degradação do estatuto, dos rendimentos e do poder/autonomia da profissão. A tendência à diminuição da autonomia profissional do professor é reforçada pelas políticas públicas que tendem a separar os atores que planejam dos que executam; isto é, quem elabora os currículos e programas e quem os concretiza pedagogicamente. Tal fato vem desde a educação jesuítica ao transplantar uma cultura intelectual “alienada e alienante”. Junto a isso, mais recentemente, a qualidade do trabalho docente cede lugar à quantidade, devido à intensificação de tarefas administrativas que lhe são cobradas, perdendo-se assim competências coletivas importantes (APPLE e JUNGER apud NÓVOA, 2012, p. 24). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 23 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 3.O ENSINO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA Apesar da precarização da profissão, ser professor é, sem dúvidas, uma profissão muito gratificante, haja vista que, sem ela não existiriam as outras profissões. Assim, sob a perspectiva da importância fundamental do professor, temos diversas vertentes educacionais e dentro da vertente do ensino e da aprendizagem significativa, temos a vertente da competência política, de Paulo Freire (1996) em que o autor afirma que ensinar exige rigorosidade metódica; pesquisa; respeito aos saberes dos educandos; criticidade, estética e ética; corporificação das palavras pelo exemplo; risco e aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; reflexão crítica sobre a prática, reconhecimento e a assunção da identidade cultural, entre outros. Contudo, Freire (1996) não deixa de frisar que a prática educativa requer afetividade. Nesse sentido, o professor deve então, como afirma Codo e Gazzotti (1999), ser capaz de estabelecer uma relação afetiva com seu aluno, pois, na atividade de ensinar o afeto torna-se indispensável, o que permitirá a efetividade do trabalho. Isto porque, na visão desses autores, quando não se estabelece a relação afetiva, ou melhor, o vínculo afetivo entre o professor e os alunos, torna-se “ilusório” pensar que o sucesso do educador será completo, ou seja, a aprendizagem do aluno não será significativa, ocorrendo lacunas no processo ensino-aprendizagem. Não obstante, com relação às qualidades que formam um bom professor sob a ótica de Freire (1998), são: ✓ a humildade pedagógica (para aprender sempre); ✓ a amorosidade; ✓ a tolerância; ✓ a capacidade de decisão; ✓ a segurança; ✓ a tensão entre a paciência e a impaciência e; ✓ a parcimônia verbal. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 24 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Nesse sentido, Arends (2005) complementa afirmando que, aos futuros professores, serão exigidos conhecimentos de Pedagogia, que vão além de conhecimentos relativos aos conteúdos específicos, como também serão responsáveis por recursos e práticas educativas que sejam eficazes. Acredita o autor que, ao professor do século XXI, é exigida a capacidade em vários domínios como, por exemplo: escolar, pedagógico, social e cultural, como também que sejam reflexíveis e capazes de resolver problemas. Já Vasconcellos (1998, p. 7) assinala que “ser dador de aula, tomador de conta de aluno é fácil, mas ser professor, no sentido radical, não é fácil não”. Fazer-se, tornar-se, ser professor é deveras difícil, custoso, trabalhoso e demorado, principalmente quando se pensa no sucesso do aluno e, nesse sentido, o Instituto IBE busca oferecer formação de qualidade a seus alunos, futuros professores do Ensino Superior. Isto porque, não basta apenas se dizer professor. É preciso ser capaz de ensinar e, mais ainda, fazer com que o aluno aprenda. Para tanto, como pudemos verificar na literatura buscada, pesquisada e consultada, o professor precisa dominar muitas e diferentes competências para o “fazer-se” professor. Nesse aspecto, a competência do professor deve constituir-se em aspecto relevante da educação, pois é cada vez mais evidente a importância da excelência na prática profissional do professor, para o sucesso da aprendizagem do aluno e, consequentemente, o sucesso do professor. Não bastam apenas mais escolas, mais vagas, melhor estrutura física. É preciso um professor que seja capaz de ensinar os alunos e transformá-los em cidadãos críticos e criativos. Para tanto, o professor deve conhecer profundamente a ciência que trata do modo de ensinar, ou seja, a Didática, um dos ramos de estudo da Pedagogia, que conforme, Libâneo (1994) “é uma ciência que estuda os objetivos, os conteúdos, os meios e as condições do processo de ensino tendo em vista finalidades educacionais, que são sempre sociais” (LIBÂNEO, 1994, p. 16), sendo um processo de ensino que não é restrito à sala de aula. Nesse sentido, evidencia-se o papel da Didática ao tratar: ➢ da percepção e compreensão reflexiva e critica das situações didáticas no seu contexto histórico e social; INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 25 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 ➢ da compreensão crítica do processo de ensino (competência para transmissão e assimilação dos conhecimentos); ➢ da compreensão da unidade: objetivos-conteúdos-métodos tarefas importantes de planejamento, direção do processo de ensino e aprendizagem e avaliação; ➢ do domínio dos métodos, procedimentos e formas dedireção, organização e controle de ensino. O professor deve conhecer e apropriar-se, também, dos conhecimentos da Pedagogia que é, de acordo com Libâneo, a ciência que investiga a teoria e a prática da educação nos seus vínculos com a prática social global (LIBÂNEO, 1994, p. 16). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 26 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 4.PRÁTICA EDUCATIVA E SOCIEDADE Historicamente, a profissão de professor, segundo Imbernón (2004), caracterizava-se pelo predomínio do conhecimento das disciplinas à imagem e à semelhança de outras profissões. O autor segue afirmando que saber era possuir um conhecimento formal; portanto, quem obtivesse essas atribuições, também possuía a capacidade de ensinar. Nesta perspectiva, a competência política e pedagógica assume uma dimensão minoritária para a atividade docente, conforme apontado por Azambuja e Foster (2006). Nesse sentido, é possível inferir que este traço histórico da emergência da profissão docente tem comprometido a prática de ensino universitária, uma vez que nela se cristalizou a valorização da ação de ensinar como transmissão de conhecimentos. Nas últimas décadas, o corpo docente universitário se constitui, em grande parte, por profissionais renomados, com sucesso em suas atividades profissionais, tendo como base a profissão paralela que exercem ou exerciam no mundo do trabalho, acreditando que quem sabe, automaticamente, sabe ensinar. Estes profissionais, ao chegarem à universidade, trazem consigo inúmeras experiências do que é ser professor. Experiências estas adquiridas como alunos durante sua vida escolar, que lhe permitirão construir modelos que utilizarão por toda a sua carreira docente (PIMENTA; ANATASIOU, 2002). Contudo, para Masetto (2002), a universidade e os professores universitários começam a se conscientizar de que a docência, como o exercício de qualquer profissão, exige capacitação própria e específica, não se restringindo a um diploma de bacharel, mestre ou doutor, ou ainda, ao exercício de uma profissão. Exige tudo isto, além de outras competências próprias obtidas através do estudo da Didática e da Pedagogia, caracterizadas como ciências da educação. O dicionário Larousse (2017) conceitua a ciência da educação como: “conjunto dos métodos utilizados para educar; prática educativa em um INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 27 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 domínio determinado; método de ensino; aptidão para bem ensinar” (LAROUSSE, Dicionário da língua Portuguesa, 2017). Portanto, de acordo com Sabalza, ensinar é uma tarefa complexa na medida em que exige um conhecimento consistente acerca da disciplina ou das suas atividades; acerca da maneira como os estudantes aprendem; acerca do modo como serão conduzidos os recursos de ensino, a fim de que se ajustem melhor às condições em que será realizado o trabalho etc. (ZABALZA, 2014). Assim, se a Didática estuda o processo de ensino com suas finalidades educacionais e que estes são sempre sociais, a prática educativa deverá considerar o conhecimento acumulado pela sociedade, como processo formativo que ocorre como necessária à atividade humana. Nesse sentido, a prática educativa é fenômeno social e universal necessário à existência de todas as sociedades. Assim, a educação então pode ser considerada como prática educativa e no sentido amplo “compreende os processos formativos que ocorrem no meio social, nos quais estão envolvidos de modo necessário e inevitável pelo simples fato de existirem socialmente” (LIBÂNEO, 2008, p. 17). Nesse sentido, temos a Educação não-intencional como aquela referente às influências do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos; e a Educação intencional – (não formal e formal) como aquela referente às influências em que há intenções e objetivos conscientemente, como é o caso da educação escolar e extra-escolar. Essas formas que assume a prática educativa, intencionais ou não, formais ou não, escolares ou extras, se interpenetram. O processo educativo, onde quer que se dê, é sempre contextualizado social e politicamente; há uma subordinação à sociedade que lhe faz exigências, determina objetivos e lhe provê condições e meios de ação, sendo socialmente determinada. Sendo assim, o que significa a expressão “a educação é socialmente determinada?” A prática educativa e especialmente os objetivos e conteúdos do ensino e o trabalho docente, estão determinados por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas. Isto quer dizer que a organização da sociedade, a existência de classes sociais, o papel da educação estão implicados nas INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 28 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 formas como as relações sociais vão assumindo pela ação prática concreta dos homens e mulheres. Por isso o vínculo entre sociedade e educação. Em sendo, conhecer bem a própria disciplina é uma condição fundamental, mas não é o suficiente para ser um professor de excelência. A capacidade intelectual do docente e a forma como abordará os conteúdos são muitos distintas da maneira como o especialista o faz. Esta é uma forma de aproximar-se dos conteúdos ou das atividades profissionais pensando em estratégias para fazer com que os alunos aprendam. É nesse cenário de incertezas que os docentes universitários são movidos por uma racionalidade instrumental alimentada pela experiência herdada de seus antigos mestres. Entretanto, diversos estudos procuram mapear as racionalidades que movem esses profissionais em situação de trabalho, conforme atestam e afirmam diversos autores relacionados nas referências. Assim, seguindo o caminho reflexivo-crítico, trilhado pelos autores relacionados, procuramos desenvolver uma análise dos saberes docentes mobilizados no âmbito do trabalho dos professores universitários, como profissionais reflexivos, tendo como referencial a prática docente. Nesse sentido, e segundo Luckesi (2007, p. 26), professor é “todo ser humano envolvido em sua prática histórica transformadora”, pois nós exercemos o papel de professores nas relações cotidianas, permanentemente transformando e sendo transformados no contato com o próximo. O professor, intencionalmente, procura criar condições para o desenvolvimento moral e cognitivo do indivíduo e da sociedade. Com isso, Luckesi identifica o professor como: O profissional que se dedica à atividade de, intencionalmente, criar condições de desenvolvimento de condutas desejáveis, seja do ponto de vista do indivíduo seja do ponto de vista do grupamento humano. (LUCKESI, 2007, p. 26). Portanto um professor pode ser sujeito ou objeto da História. Sendo o professor como objeto aquele que possui postura passiva e não interfere no INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 29 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 processo. Já o professor como sujeito possui postura ativa e constrói conscientemente (junto com outros) o projeto histórico de desenvolvimento do povo. Aqui devemos ressaltar que o docente é a figura responsabilizada pelo ensino na sala de aula, mas seu real papel diferencia-se conforme o entendimento de cada um e de cada grupo de estudiosos sobre o tema e suas diferentes tendências pedagógicas. Em sendo, na Tendência Pedagógica Tradicional, vê-se uma proposta de educação que é caracterizada como transmissão de conhecimentos e restrita à ação da escola. Nesse sentido, segundo Libâneo (2008) é muito comum as escolas atribuírem ao ensino a mera transmissão de conhecimentos, onde o aluno torna-se passivo e os conhecimentos são decoradossem questionamentos. Já na Tendência Pedagógica Renovada, ligada ao movimento da Escola Nova, “o centro da atividade escolar é o aluno, e o professor é visto como facilitador no processo de busca de conhecimento que deve partir do aluno” (OLIVEIRA, 2009). Nesse aspecto, segundo Libâneo (2008, p. 66), os adeptos a essa última tendência costumam dizer que “o professor não ensina; antes, ajuda o aluno a aprender”, enfatizando assim a ideia de professor facilitador. Quanto ao que se refere à Tendência Progressista, crítico social dos conteúdos, o aluno possui o papel de participador e o professor como mediador entre o saber e o aluno. Nesse sentido, de acordo com Libâneo (2008, p. 70), “o ensino consiste na mediação de objetivos-conteúdos-métodos que assegure o encontro formativo entre os alunos e as disciplinas escolares”. Vários dos entrevistados consideram-se mediadores e facilitadores entre o conhecimento e o aluno, seguindo uma tendência mais progressista e crítico-social com traços de Escola Nova. Um deles, porém, considera-se um transmissor de conhecimento, revelando tendências tradicionalistas. Assim, tivemos essencialmente dois discursos, referentes ao questionamento do que é ser professor: “professor é um transmissor de conhecimento”; e “professor é um mediador e facilitador entre o conhecimento e o aluno”. No primeiro caso, vemos uma condição mais imposta e autoritária – tradicional; no segundo, INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 30 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 vemos que há uma flexibilidade maior na relação aluno-professor, uma 'mão- dupla', revelando traços progressivistas e escolanovistas. Nesse aspecto, o trabalho docente é uma prática social que se faz no cotidiano dos sujeitos, nela envolvidos e, nesta prática social é que estes sujeitos se constituem como seres humanos, ao se apropriarem da experiência que se acumula de forma objetiva. Isto porque, ao atuarem com base em suas experiências anteriores ou em experiências aceitas e difundidas socialmente, estão evidenciando outra característica do pensamento cotidiano denominada de ultrageneralização (HELLER, 1989). Assim, na heterogeneidade de seu trabalho o professor se encontra diante de situações complexas para as quais precisa encontrar respostas que podem ser criativas ou repetitivas, dependendo de sua capacidade e habilidade de leitura da realidade e das possibilidades objetivas em que se realiza o trabalho. No entanto, quando a intervenção do professor é feita tendo em vista objetivos que se dirigem à busca de um resultado ideal, a atividade docente pode ser denominada práxis, uma vez que esta se caracteriza como uma atividade que pressupõe a idealização consciente por parte do sujeito que se propõe a interferir e a transformar a realidade. Em sendo, o trabalho docente concebido como práxis, apresenta também uma dimensão criadora e, portanto se faz necessário explicitar melhor como esta criação ocorre, enquanto atividade humana. Nessa perspectiva, Therrien (2006, p. 72) explica que, [...] o trabalho docente é entendido enquanto práxis transformadora de um sujeito (professor) em interação situada com outro sujeito (aluno), onde a produção de saberes e de significados caracteriza e direciona o processo de comunicação, dialogicidade e entendimento entre ambos na direção de uma emancipação fundada no ser social. Nessa concepção, o trabalho docente é visto como um processo educativo de instrução e de formação humana, através da mediação e da interação entre INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 31 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 professor e alunos, a partir dos conteúdos do ensino, em direção à construção de uma sociabilidade verdadeiramente humana onde sujeitos constroem sua identidade no seio de uma coletividade (THERRIEN, 2006, p. 72). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 32 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 5.O TRABALHO DO PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR E A MERCANTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO O trabalho docente está vinculado à organização das relações de produção e reprodução da vida. Atualmente, está determinado pelas novas formas de organização e gestão do trabalho, cuja centralidade está na extração da maior produtividade do trabalhador e na racionalização do processo de trabalho. Nesse cenário, velhos conceitos e práticas que alteram a organização do trabalho docente são reeditados. Os professores do ensino superior têm cada vez mais restrições para desenvolver atividades integrantes de um projeto de produção do conhecimento - com ramificações para o ensino, a pesquisa e a extensão - que contribuam para produzir elaborações, como produções escritas, debates, novas descobertas científicas e novas formas de solucionar as questões postas por movimentos sociais e pela comunidade, na qual a instituição de ensino superior está inserida. As definições das atividades passam a ser orientadas a partir das exigências do reordenamento da educação como mercadoria e não como direito social universal, o que impõe novas prioridades, que se distanciam do projeto de educação, cuja referência é ser um direito social, resultando na alteração do perfil dos cursos. Isto se agrava numa situação de crise do capital, em que o achatamento salarial é brutal e a ameaça do desemprego um fato. O trabalho do professor alterou-se ao mesclar-se com esta dura realidade. Nesse sentido, a lógica mercantil passa a determinar a política educacional, na medida em que essa se torna um importante lugar para a expansão do capitalismo, para operar inversões na busca do lucro por meio da produção de conhecimento e da formação de força de trabalho especializada, a partir de critérios do mercado. Sendo assim, procura-se transformar o trabalho docente em trabalho produtivo, que transforma o simples dinheiro em capital, por intermédio da mais-valia. Tudo isso no contexto da Reforma do Estado proposta pelo Banco Mundial, em curso há três décadas no país, tendo se intensificado nos últimos 15 anos. Uma reforma que prevê a retirada do Estado do setor produtivo, mas amplia a intervenção estatal na formulação de políticas INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 33 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 e ações - as educacionais são apenas um exemplo - que atendam à lógica do capital. A "modernização" do Estado brasileiro foi baseada na superação da lógica burocrática para a gerencial, assentada nos critérios de eficácia e produtividade próprias do modelo empresarial na educação superior. Essa modernização evidencia-se na área da educação pelas diferentes modalidades de instituições de ensino, variando seu papel na educação e seu modelo de financiamento, além de instituir mecanismo que tornam boa parte das instituições privadas em empresas, garantindo espaço de rentabilidade do capital. Por outro lado, institui nas públicas o modelo de organização gerencial por contrato de gestão que nas universidades federais atendeu pelo nome de ReUni (LIMA, 2011, p. 7-17). Nesse aspecto, as alterações no trabalho docente são, ao mesmo tempo, indutoras e resultados da trajetória de transformação da área da educação em espaço rentável para o capital, adequando-o à lógica produtiva do sistema. Assim, se voltarmos às análises já clássicas sobre a organização do trabalho, podemos afirmar que, com isso, separa-se o produto final de sua idealização, subdivide-se a especialidade do trabalho docente e barateiam-se os custos. Além disso, torna-se possível contratar a força de trabalho por diferentes formas, ainda que tenha as exigênciasda qualificação formal como critério avaliativo. Assim, uma otimização do trabalho é assegurada e a competição interna é acirrada, estimulando os docentes a produzir mais, além de flexibilizar a prestação do serviço de educação. A ideologia do capital sobre o trabalho. Isto porque, em sentido amplo, Ideologia é um “Conjunto de ideias, concepções ou opiniões sobre algum ponto sujeito a discussão. Enquanto teoria, no sentido de organização sistemática dos conhecimentos destinados a orientar a ação efetiva. Ex.: Ideologia de uma escola – orienta a prática pedagógica: religiosa – dá regras de conduta aos fiéis: partidos políticos – estabelece determinada concepção de poder e fornece diretrizes de ação aos filiados” (ARANHA, 2010, p. 36). INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 34 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Em um sentido restrito, vários autores como: Cone, Durkheim, Weber, Manheim conceituam ideologia, mas Max é quem enriquece a explicação do conceito “Diante da tentativa humana de explicar a realidade e dar regras de ação, é preciso considerar também as formas de conhecimento ilusório que levam ao mascaramento dos conflitos sociais” (ARANHA, 2010, p. 37). Assim, Ideologia para Max “adquire um sentido negativo, como instrumento de dominação” Tem influência marcante nos jogos de poder e na manutenção dos privilégios que plasmam a maneira de pensar e de agir dos indivíduos na sociedade como todo e na educação em particular, posto que, o sistema educativo, incluindo as escolas, as igrejas, as agências de formação profissional, os meios de comunicação de massa etc., é um meio privilegiado para o repasse da ideologia dominante, como podemos constatar a todo momento. Diante destas ideias e opiniões percebe-se que a prática educativa deve ser vista como parte integrante da dinâmica das relações sociais, das formas de organização social, tendo suas finalidades e processos determinados por interesse antagônicos das classes sociais. Sendo assim, o trabalho docente torna-se a manifestação da prática educativa, estando presentes interesses de toda ordem (sociais, políticos, econômicos, culturais etc.) que precisam ser compreendidos pelos professores. O reconhecimento do papel político do trabalho doente implica, assim, a luta pela modificação das relações de poder. Portanto, não existe neutralidade na prática educativa. Nesse sentido, as relações sociais podem ser transformadas pelos próprios indivíduos que a integram, Não é estática, imutável, estabelecida para sempre. É histórica e é um processo que se constitui em ações humanas na vida social. Então, a prática educativa, a vida cotidiana, as relações professor- aluno, os objetivos da educação, o trabalho docente, nossa percepção do aluno, estão carregados de significados que se constituem na dinâmica das relações entre classes, etnias, grupos religiosos, homens e mulheres, jovens e adultos. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 35 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 Sendo assim, o campo de atuação do professor é muito amplo, abrangendo o profissional, o político e o escolar, devendo assegurar, ao aluno, um sólido domínio do conhecimento e habilidades; o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais e; de pensamento independente, crítico e criativo. Tudo isso visando a formação de cidadãos ativos, críticos e capazes de participarem nas lutas pela transformação social. Nesse momento, podemos afirmar que o ensino também é determinado socialmente. Portanto deve criar condições metodológicas e organizativas para o processo de transmissão e assimilação de conhecimentos e desenvolvimentos da capacidade intelectuais e processos mentais dos alunos, tendo em vista o conhecimento crítico dos problemas sociais. Assim, a atividade docente, como uma prática social complexa, combina atitudes, expectativas, visões de mundo, habilidades e conhecimentos condicionados pelas diferentes histórias de vida dos professores, sendo altamente influenciada pela cultura das instituições onde se realiza, posto que, como prática complexa, abarca dilemas sobre os quais nos vemos incitados a lançar um olhar como pesquisadores e estudiosos. Um desses dilemas diz respeito ao conhecimento profissional, bem como a sua formação, haja vista que, a prática docente é um lócus de formação e produção de saberes. Isto posto, vimos que os vários setores da atividade humana passaram por significativas mudanças que se caracterizam em novas configurações da ordem econômica e política, relacionadas ao conhecimento, às vinculações pessoais, às comunicações, entre outras, que trazem consequências muito diretas para a educação superior. Tais mudanças afetam de maneira particular a formação de professores, área que se situa não só no âmbito do conhecimento, mas também da ética, em que estão em jogo entendimentos, convicções e atitudes que compõem o processo de preparação de jovens para o mercado de trabalho em todas as suas vertentes. Essa avalanche de mudanças, ao mesmo tempo em que se aproxima, distancia, torna similar, diferencia e reconfigura características, disposições de nações, instituições e profissões. Nesse contexto, o trabalho docente assume diversas faces em diversos aspectos. Os aspectos mais visíveis do trabalho docente estão associados ao INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 36 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 conceito de profissionalidade docente, que são requisitos essenciais da profissão do professor, objeto do nosso presente estudo com essa disciplina. INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO SUPERIOR 37 WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521 6.A PROFISSIONALIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE E O QUE É SER UM “BOM PROFESSOR” DENTRO DE UMA PERSPECTIVA SOCIO- OCUPACIONAL O quadro atual do ensino superior no país reescreve as condições sócio-ocupacionais do trabalho docente. Pensar nessas condições nos remete a um conjunto de circunstâncias das quais dependem a realização do trabalho docente. De um modo geral envolve necessariamente, no âmbito das Instituições de Ensino Superior, condições materiais para o exercício da atividade profissional, que inclui: ✓ infraestrutura e equipamentos; ✓ autonomia como princípio de organização desse trabalho que deve ser conferida frente a religiões, governos e partidos; ✓ democracia como base para desenvolvê-lo em sua central característica, que é produzir e fomentar o pensar crítico, com pluralismo, direito ao contraditório e ao exercício da troca de conhecimentos; ✓ estabilidade e direitos trabalhistas assegurados com carreira estruturada, para desenvolver sua relação profissional com dedicação e segurança sem ser demitido ou ter sua aposentadoria usurpada; ✓ bons salários e política salarial definida para dar sustento para si e para sua família e ter como se capacitar no desenvolvimento de seu trabalho; ✓ garantia de direitos paritários e isonômicos entre os que realizam essa atividade e os que já a realizaram; ✓ estabelecimento de relação entre exercício direto da atividade de ensino, pesquisa e extensão com o tempo necessário para pensar e exercer o nosso trabalho, o que envolve relação professor-aluno, tempo de estudo, de produzir novo conhecimento; ✓ socialização do conhecimento, assim como pensar junto com a comunidade, usuários e, em especial, em conjunto com os movimentos sociais, as diretrizes da educação que queremos. Esses, acima, são alguns dos pontos essenciais para se pensar uma educação superior comprometida com a formação profissional de qualidade e INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS