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Ansiolíticos e Benzodiazepínicos Ansiedade A ansiedade, do latim anxietatis, significa ânsia ou aflição. É uma emoção semelhante ao medo; um estado emocional apreensivo, resultante da suspeita ou previsão de um perigo. É uma resposta adaptativa que nos ajuda a lidar com situações novas desafiadoras. • Ansiedade realista - perigos reais. • Ansiedade patológica – perigos imaginários. O tratamento medicamentoso da ansiedade patológica iniciou no século XIX com a introdução dos sais de bromo. • Os brometos tinham efeito sedativo e também atuavam na insônia e epilepsia moderado com diversos efeitos colaterais. • Muita tendência a efeitos colaterais: sonolência, irritação gastrointestinal e, em casos de uso prolongado, ocorria o bromismo, intoxicação por bromo que pode desencadear confusão mental e outros sintomas. • Século XX: surgem os barbitúricos para alívio da neurose. • medicamentos que atuam como depressivos do SNC; • utilizados para sedação leve ou até mesmo anestesia; • modulação das atividades do GABA. O GABA é o neurotransmissor inibitório do SNC, contribuindo para a regulação da excitabilidade neuronal, promovendo calma e relaxamento. Nos transtornos de ansiedade, os níveis de GABA se mostram baixos. Os níveis de glutamato, no entanto, se mostram elevados, resultando numa hiperexcitação neuronal, ou seja, aumentando a atividade elétrica dos neurônios. As estruturas neurais implicadas na ansiedade pertencem ao Sistema Límbico. Interpretação e rotulação dos estímulos ameaçadores, reinterpretados, mostram redução da ativação da amígdala por neuroimageamento funcional. A ansiedade e o medo inibem outros sistemas motivacionais, diminuindo o apetite, a libido e a dor. Além da motivação, no plano cognitivo a ansiedade manifesta-se por pensamentos e sensações de que algo ruim vai acontecer, estado este denominado preocupação. • Interfere na capacidade de concentração e no desempenho de tarefas intelectuais. • O nível de vigilância está aumentado, dificultando a conciliação do sono. Além das manifestações psicológicas, as fisiológicas ocorrem por ser ativado o sistema simpático com aumento da frequência cardíaca, tremores, sudorese, falta de ar. Há hiperativação do parassimpático com hipersecreção gástrica, aumento da micção e urgência para defecação. São transtornos de ansiedade, segundo o DSM-V: • Transtorno de ansiedade de separação; • Mutismo seletivo; • Fobia específica; • Fobia social; • Transtorno de pânico; • Agorafobia; • Transtorno de ansiedade generalizada; • Transtorno de ansiedade induzida por substância/medicamento; • Transtorno de ansiedade devido a outra condição médica; • Transtorno Obsessivo Compulsivo. Ansiolíticos e BDZs Os medicamentos atualmente utilizados para o tratamento dos Transtornos de Ansiedade pertencem à classe dos dos benzodiazepínicos e não-benzodiazepínicos, que também são usados para tratar transtorno de humor. Ansiolítico – termo da década de 70 em diante, que significa “o que decompõe a ansiedade”, medicamento usado para tratar a ansiedade patológica – ansiolítico benzodiazepínico, não-benzodiazepínico e antihistamínicos. São medicamentos que atuam com efeito ansiolítico, calmante, hipnótico, sedativo, aniconvulsivante (exceto não-BDZ); amnésia anterógrada. • o principal mecanismo de ação é a potencizaliação da neurotransmissão de GABA, contribuindo para relaxamento do organismo mentalmente e fisicamente; • BDZ: alprazolam, bromazepam, clonazepam (rivotril), diazepam e lorazepam. • não-BDZ: zolpidem, zaleplona, zopiclona. *além dos antidepressivos e antipsicóticos Hipnóticos - fármacos que causam sonolência e facilitam o início e manutenção do sono. São tanto BDZs quanto não-BDZs. • os não-BDZs apresentam farmacodinâmica similar à dos BDZs, e composição química diferente. Tanto os ansiolíticos quanto os BDZs atuam de modo depressivo no SNC. ANTICONVULSIVANTES Os primeiros registros de ataques convulsivos têm registro de 2000 anos a.C. Convulsão – evento paroxístico (que ocorre em crises, agudo) devido a descargas anormais, excessivas e hipersincrônicas – vários neurônios ao mesmo tempo sofrem uma despolarização/atividade da membrana. Epilepsia – convulsões recorrentes devido a causas crônicas. As crises convulsivas podem ser parciais ou generalizadas. Geralmente as crises parciais costumam estar mais associadas a lesões ou anomalias, enquanto as crises generalizadas costumam ser resultantes de fatores genéticos, metabólicos e lesões que afetam várias partes do cérebro. Transtorno do Sono O sono é um estado de inconsciência em que o indivíduo pode ser acordado, diferentemente de alguns desmaios e convulsões, por exemplo. A falta de sono prejudica a saúde por contribuir para alteração do sistema imunológico, memória e aprendizagem. O sono passa por 4 estágios: • introdutório - entre o estado de vigília e o estado de sono (5-15min); • sono leve - a frequência cardíaca e atividade cerebral diminuem; a pessoa é facilmente acordada (15min); • sono profundo - fase non-REM, em que o indivíduo se recupera das atividades do dia (90min); • fase REM - atividade cerebral mais intensa; sonhos. REM: Rapid Eye Movement", ou "Movimento Ocular Rápido". O ciclo de sono (NREM seguido por REM) se repete várias vezes durante a noite, com cada ciclo durando cerca de 90 minutos. Os principais transtornos do sono são: • insônia; • hipersonia; • narcolepsia; • síndrome das pernas inquietas; • apneia do sono; • sonambulismo; • mioclonia noturna; • terror noturno; • transtorno do sono induzido por substâncias; • pesadelos recorrentes O tratamento psicofarmacológico envolve hipnóticos e sedativos, tanto BDZ quanto não-BDZ. PS: os não-BDZ não têm propriedades anticonvulsivantes. Epilepsia Condição neurológica caracterizada por episódios recorrentes de crises epilépticas, que são causadas por descargas elétricas anormais no cérebro, denominadas paroxismos. > crises focais > crises generalizadas Principais neurotransmissores envolvidos: • Glutamato: neurotransmissor excitatório; níveis elevados podem levar a uma hiperexcitabilidade neuronal, contribuindo para o desencadeamento de crises. • GABA (ácido gama-aminobutírico): neurotransmissor inibitório; diminuição da atividade do GABA, ou resistência aos seus efeitos, pode resultar em um aumento da atividade elétrica. • Serotonina: excitabilidade neuronal e regulação do humor; alterações nos níveis de serotonina podem influenciar a frequência e a gravidade das crises • Dopamina: controle motor; o desequilíbrio pode impactar a ocorrência de crises, embora o papel exato ainda esteja sendo estudado. Hiperexcitabilidade Neuronal: neste caso os neurônios tornam-se hiperexcitáveis, levando a descargas elétricas excessivas. Isso pode ser causado por um aumento no glutamato ou uma diminuição na atividade do GABA. Desregulação dos Circuitos Neurais: neste caso faz com que áreas do cérebro se tornem mais suscetíveis a crises. As crises epiléticas podem ser focais ou generalizadas. Nas crises focais, uma parte do cérebro é afetada; nas crises generalizadas, todo o cérebro é afetado. CRISES FOCAIS Simples: há sintomas como movimentos involuntários, alterações sensoriais ou emocionais, como formigamento ou déjà vu, mas com a consciência preservada. Com comprometimento da consciência: a consciência é afetada, e a pessoa pode não lembrar do que aconteceu durante a crise. Podem ocorrer automatismos, como movimentos repetitivos (ex: mastigar ou esfregar as mãos). CRISES GENERALIZADAS Tônico-clônicas: começam com uma fase tônica (rigidez muscular) seguida por uma fase clônica (contrações musculares rítmicas); perda de consciência e confusão pós crise; passando de 5 minutos, orienta-se entrar em contato com ajuda médica. Ausência: caracterizadas por breves episódios de desconexão, muitas vezes acompanhados de movimentos sutis, como piscadas, e a pessoa parece estar "no mundo da lua". Geralmente sem confusão após a crise e dura segundos. Mioclônicas: movimentosinvoluntários, geralmente rápidos, que podem parecer como espasmos ou sacudidelas. Esses movimentos podem afetar um braço, uma perna ou todo o corpo. Não há perda de consciência. Crises tônicas: rigidez muscular; podem ocorrer durante o sono ou ao acordar. Crises clônicas: movimentos rítmicos de contração e relaxamento dos músculos Impactos cognitivos Déficits de Memória: Dificuldades em reter informações ou recordar eventos. Problemas de Atenção: Dificuldade em manter o foco em tarefas ou atividades. Alterações nas Funções Executivas: Dificuldades em planejar, organizar e tomar decisões. Linguagem: Dificuldades de expressão ou compreensão, especialmente em casos de crises focais que afetam áreas relacionadas à linguagem. Impactos Emocionais e Comportamentais Ansiedade: Medo de ter crises pode levar a transtornos de ansiedade. Depressão: A carga emocional de viver com epilepsia pode contribuir para episódios depressivos. Alterações de Comportamento: Mudanças no temperamento ou na personalidade, podendo incluir irritabilidade ou apatia. Impactos Funcionais Impacto na Vida Diária: Limitações em atividades como dirigir, praticar esportes ou participar de eventos sociais. Dificuldades Acadêmicas ou Profissionais: Os déficits cognitivos podemafetar o desempenho escolar ou no trabalho. Alterações Sensoriais Sensibilidade auditiva: o lobo temporal, quando ativado de forma anormal, pode resultar em experiências auditivas incomuns. Sensibilidade visual: lobo occipital, que quanto ativo de modo anormal pode levar a sensibilidade e até mesmo alucinações visuais. image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png