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1 MD003 - TEORIA DO DIREITO ATIVIDADE PRÁTICA CASO PRÁTICO José e Pablo são residentes de uma cidade da república, eles decidem ir caçar, para o efeito, eles viajam para uma montanha vizinha desta cidade, porque nesta montanha há selva e animais para caçar. À noite são capturados por moradores de uma aldeia localizada perto da montanha, acusando-os de serem os agressores das agressões ocorridas nos últimos dias desta semana na aldeia. De acordo com os costumes ancestrais, os líderes dos aldeões decidem que José e Paulo devem ser punidos por serem os ladrões, e como punição são chicoteados em público no parque do vilarejo, perante os quais devem pedir perdão pelos roubos. José e Pablo cumprem as punições impostas naquela vila, de acordo com a alfândega, então José e Pablo são acusados de agressão e entregues aos policiais, que os prendem e os levam perante um juiz. Na audiência perante o juiz José e Pablo, assistidos por um advogado de defesa, provam que têm licença para caçar, estão registrados na federação de caça e pesca, José é um empresário com atividades na cidade onde mora, Pablo é arquiteto e dedica-se a fazer estudos de impacto ambiental para uma empresa privada. Devido à falta de provas que resultariam em indícios de terem cometido os crimes pelos quais são acusados, o juiz decidiu libertá-los. Considere o seguinte: • O artigo seguinte é encontrado na Constituição política: Detenção legal. Nenhuma pessoa pode ser presa ou detida exceto com base em um crime ou contravenção e de acordo com um mandado emitido de acordo com a lei por uma autoridade judicial competente. As exceções são feitas em casos de flagrante delito ou contravenção. Os detentos serão levados à autoridade judicial competente dentro de um prazo não superior a seis horas e não estarão sujeitos a nenhuma outra autoridade. • O Código penal contém o seguinte artigo: Direito consuetudinário. As decisões sobre punição serão respeitadas de acordo com os costumes das comunidades 2 Resolva o seguinte: 1. Mencione a classificação dos conflitos de leis de diferentes fontes e indique qual deles é predominante em cada antinomia. 2. Expressar como resolver o conflito entre os artigos da Constituição e o Código penal mencionado acima, bem como em relação à resolução do juiz. 3. Mencionar e descrever a classificação da interpretação jurídica por resultado, indicando qual se aplica ao caso. 4. Como sujeitos que fazem interpretação jurídica, indicar que tipo de interpretação jurídica é feita pelo jurista e pelo juiz e descrevê-los. 5. Mencionar o critério ou critérios de interpretação jurídica utilizados no caso RESPOSTAS 1. Quando há um conflito entre regras legais devido a diferentes fontes, o seguinte deve ser levado em consideração: a) Em um conflito entre regras de uma lei e um contrato, prevalece a regra legal. b) Em um conflito entre regras legais em uma lei e em um julgamento, prevalece a regra legal. c) Em um conflito entre regras legais ou costumeiras, prevalece a regra legal. Quando há um problema entre regras legais da mesma fonte, ele é resolvido levando em conta se as regras legais são de hierarquia igual ou diferente e a antiguidade das regras de acordo: a) Se as regras legais forem da mesma hierarquia, a regra mais recente prevalece sobre a mais antiga. b) Se as regras legais são da mesma hierarquia e data, prevalece aquela que está mais de acordo com o espírito da lei e a equidade natural. c) Se as regras legais são de hierarquia diferente, prevalece a superior. 2. O conflito entre os artigos da Constituição e o Código Penal do caso em tela, vai prevalecer sempre a Constituição por essa ser hierarquicamente superior que o Código Penal que trata-se de uma lei. Quanto a sentença do juiz, nota-se claramente que esta foi elaborada baseando-se na hierarquia maior da Constituição, onde consta que Nenhuma pessoa pode ser presa ou detida exceto com base em um crime ou contravenção e de acordo com um mandado emitido de acordo com a lei por uma autoridade judicial competente. As exceções são feitas em casos de flagrante delito ou contravenção. Os detentos serão levados à autoridade judicial competente dentro de um prazo não superior a seis horas e não estarão sujeitos a nenhuma outra autoridade. 3. Quando a interpretação é submetida a uma análise lógica, o resultado jurídico é que ela compõe o discurso do intérprete e este discurso é composto de dois tipos de declarações: declarações interpretativas e declarações argumentativas. Uma declaração interpretativa é aquela que faz com um certo texto normativo seja compreendido em um certo sentido. As declarações argumentativas são aquelas que fornecem argumentos para apoiar a declaração interpretativa e serve para justificar o significado dado ao texto e a o seu resultado. No caso em tela o magistrado usou a interpretação do resultado através de declaração interpretativa. 4. A Hermenêutica Jurídica é uma disciplina onde se pode encontrar o direito sendo aplicado. E essa aplicação é a aplicação de uma norma feita no passado com uma ação juridicamente relevante feita no presente. O juiz põe a Hermenêutica em prática a partir do momento em que interpreta um texto e se sabe legitimado para a complementação do direito de acordo com o sentido original do texto legal. Quando um juiz emite uma sentença, exige-se que ele apresente as razões que o levaram a decidir daquela maneira, mesmo que ela não derive do texto legal, mesmo que seja uma razão diferente da razão da lei. O juiz, ao decidir, deve se colocar no lugar do legislador, como se estivesse aplicando o imperativo categórico kantiano à norma, como se estivesse estatuindo um comportamento universal para toda a sociedade. É fundamental que se separe o momento de justificação do momento de aplicação da norma. Esses momentos apresentam procedimentos éticos diferentes. A justificação da norma está relacionada ao plano da validade, enquanto que a aplicação da norma está relacionada ao plano da efetividade, sendo que a coerência da justificação da norma deve ser reelaborada no momento de sua aplicação; isso se deve porque, no mundo jurídico, a declaração legal é o ponto de partida para que ocorra a realização de um direito. Essa declaração pode, contudo, impossibilitar a coerência normativa, pois, no ato de se decidir quais serão os direitos de uma pessoa, os julgamentos éticos são feitos dentro de um curto período de tempo e com um conhecimento limitado sobre as questões morais. Assim, o que foi colocado como uma norma válida para todas as pessoas, o foi limitado pelo tempo e pelo conhecimento, o que gerará mais problemas, pois, no momento de aplicação da norma, outras variáveis surgirão para modificar o resultado final. A equidade encontra-se no direito como um dos fatores que guiam um jurista à justiça e o ajudam a superar as lacunas existentes nas leis (Betioli, 2011, p. 298), sendo mal entendida no direito contemporâneo devido a várias outras concepções e termos que permeiam o mundo jurídico. 5. No caso em tela, foi utilizado a Teoria da Vontade Objetiva do Direito, essa interpretação é considerada como textual-interna, tendo em vista que busca explicar a norma através do sentido intrínseco do texto. Segundo Carlos Maximiliano o processo lógico “consiste em procurar descobrir o sentido e o alcance de expressões do Direito sem o auxílio de nenhum elemento exterior, com aplicar ao dispositivo em apreço um conjunto de regras tradicionais e precisas, tomadas de empréstimo à Lógica legal. Pretende do simples estudo das normas em si, ou em conjunto, por meio do raciocínio dedutivo, obter a interpretação correta”.