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CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA
GRADUAÇÃO DE PSICOLOGIA
Ágatha Paula Bourguignon
Camille Sampaio da Silva
Carlos Uriel dos Santos
Douglas Felipe do Carmo Severo
Hana de Araujo Bastos
Julia de Freitas Coutinho
Maria Eduarda Carneiro Duarte
Michele Chagas de Paula da Silva
Miriam Siqueira da Silva
Tatiane da Silva Azevedo
Vitória da Cruz dos Santos
Avaliação Formadora III
Rio de Janeiro
2024
Ágatha Paula Bourguignon
Camille Sampaio da Silva
Carlos Uriel dos Santos
Douglas Felipe do Carmo Severo
Hana de Araujo Bastos
Julia de Freitas Coutinho
Maria Eduarda Carneiro Duarte
Michele Chagas de Paula da Silva
Miriam Siqueira da Silva
Tatiane da Silva Azevedo
Vitória da Cruz dos Santos
Avaliação Formadora III
Trabalho da avaliação formadora III
apresentado como requisito para aprovação
da 3ª competência do módulo de Processos
Clínicos, apresentado ao Centro
Universitário Augusto Motta.
Orientadora: Juliana Corcos.
Rio de Janeiro
2024
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 4
2. CONCEITOS……………………………………………………………………...4
2.1 Liberdade e Responsabilidade……………………………………………….
………………………………………….…………………………………….………....4
2.2 Ser e
Nada………..…..……………………………………………………………………….4
2.3 Angústia e Má-Fé……………………………………………………………..5
2.4 Existência precede a essência……………………………………………….5
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS…………………………………………………….6
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS………………………………………….. 7
1. INTRODUÇÃO
Jean-Paul Sartre (1905-1980) foi um filósofo francês, dramaturgo, crítico
literário e ativista político. Ele é mais conhecido como o principal representante
do existencialismo, uma corrente filosófica que explora a liberdade humana, a
angústia e a responsabilidade individual. Sartre viveu em um período marcado
por grandes convulsões sociais e políticas, incluindo as duas guerras mundiais,
o nazismo, o stalinismo e a Guerra Fria. Ele desenvolveu suas ideias em um
ambiente de questionamento profundo sobre a condição humana,
especialmente após a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial.
O existencialismo sartriano nasceu em um contexto de pessimismo e
desilusão com as ideologias totalitárias e as estruturas de poder, ao mesmo
tempo que enfatizava o papel do indivíduo em criar sentido para sua vida, em
um mundo aparentemente indiferente ou até mesmo absurdo.
As contribuições filosóficas de Sartre giram em torno de questões
existenciais fundamentais, como liberdade, responsabilidade e a natureza da
existência humana.
2. CONCEITOS:
2.1 Liberdade e Responsabilidade
Sartre acreditava que o ser humano é radicalmente livre. Não há uma
essência pré-determinada ou natureza humana que guie as ações de uma
pessoa. Somos condenados à liberdade, no sentido de que, ao contrário dos
objetos ou animais, estamos continuamente em um processo de nos criarmos
através de nossas escolhas. Como consequência, cada pessoa é inteiramente
responsável por suas ações e pelo significado que atribui à sua vida.
2.2 Ser e Nada
Em sua obra "O Ser e o Nada" (1943), Sartre distingue entre o "ser-em-si"
(o ser dos objetos, fixo e sem consciência) e o "ser-para-si" (o ser dos
humanos, que é dinâmico, consciente e livre). A consciência é definida como a
capacidade de negar, de distanciar-se de si mesma e de refletir sobre o próprio
ser.
2.3 Angústia e Má-fé
A liberdade absoluta traz consigo a angústia, pois somos confrontados com
a responsabilidade de nossas escolhas. Para escapar dessa angústia, muitas
vezes nos enganamos, vivendo de má-fé, ou seja, agindo como se não
fôssemos livres e nos sujeitando a papéis sociais ou crenças predeterminadas
para evitar o peso da liberdade.
2.4 Existência precede a essência
Uma das máximas mais conhecidas de Sartre, ela rejeita a ideia de que as
pessoas têm uma natureza fixa ou propósito predeterminado. Para Sartre,
nascemos sem uma essência e, através de nossas ações, construímos quem
somos. O ser humano é um projeto inacabado, sempre em processo de se
tornar.
As ideias de Sartre influenciaram diretamente a psicologia humanista, uma
abordagem psicológica que emergiu na metade do século XX como uma
reação ao behaviorismo e à psicanálise. A psicologia humanista enfatiza a
experiência subjetiva do indivíduo e a importância de crescimento pessoal e
autorrealização. Entre as conexões principais estão:
a) Liberdade e Autorrealização
A visão sartriana de liberdade ressoa com o conceito de autorrealização
proposto por Carl Rogers e Abraham Maslow, dois dos principais expoentes da
psicologia humanista. Assim como Sartre via o ser humano como radicalmente
livre, os psicólogos humanistas viam o indivíduo como possuindo um potencial
inato para crescimento e desenvolvimento pessoal, sendo capaz de moldar seu
próprio destino.
b) Responsabilidade Individual
Tanto Sartre quanto a psicologia humanista colocam uma forte ênfase na
responsabilidade pessoal. Para os existencialistas, a liberdade implica
responsabilidade, enquanto para os humanistas, o bem-estar psicológico
depende da capacidade do indivíduo de se aceitar, assumir suas escolhas e
trabalhar ativamente para realizar seu potencial.
c) Experiência Subjetiva
A importância que Sartre deu à consciência e à experiência subjetiva se
alinha com a visão humanista de que a compreensão do indivíduo deve se
basear em sua própria experiência vivida, em vez de em interpretações
externas (como as de Freud na psicanálise, por exemplo).
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A filosofia de Jean-Paul Sartre sobre a liberdade, a responsabilidade e a
construção contínua de si mesmo traz à tona temas centrais para a
compreensão do comportamento humano e da subjetividade. No
existencialismo sartriano, somos "condenados à liberdade", um conceito que
sublinha o peso da responsabilidade individual nas decisões e na busca por
sentido em um mundo desprovido de uma essência pré-definida. Esse
pensamento impactou diretamente a psicologia humanista, que, ao valorizar a
experiência subjetiva e o potencial de crescimento pessoal, alinha-se com a
ideia sartriana de que cada indivíduo molda seu próprio caminho e significado.
Na prática psicológica, o reconhecimento da subjetividade e da
autonomia do indivíduo, juntamente com a importância da autorrealização,
contribui para uma abordagem terapêutica que respeita a singularidade do ser
humano. Para o psicólogo, entender o indivíduo sob essa ótica é essencial
para promover um processo de autodescoberta e desenvolvimento genuíno,
onde o cliente é visto como agente ativo de sua vida, capaz de encontrar e
definir seu próprio propósito. Sartre, ao colocar a liberdade e a
responsabilidade como centrais na condição humana, não apenas enriquece o
campo da filosofia, mas também oferece ferramentas valiosas para a
psicologia, reforçando o valor de uma prática focada no potencial e na
singularidade do ser humano.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARRETTO, Vicente. Sartre: A filosofia da liberdade. São Paulo. Editora
Brasiliense, 2000.
BOCK, Ana M. Bahia et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de
psicologia. 15. ed. São Paulo. Saraiva, 2021.
FARAH, M. F. S. Jean-Paul Sartre e a Psicologia Humanista. In: Revista de
Psicologia e Filosofia Existencial. vol. 14, n. 2, 2010.
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: Ensaio de ontologia fenomenológica. 4.
ed. Petrópolis. Vozes, 2017.

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