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No vasto espaço americano, duas regiões devem ser particularmente consideradas, pois foi nessas áreas que surgiram os Estados mais densamente povoados e politicamente hierarquizados a serem encontrados pelos espanhóis que chegaram ao continente: o Estado mexica e o Estado inca.
 A Mesoamérica (lar dos mexicas) e região andina (onde viveram os incas) são denominações atualmente usadas por historiadores e antropólogos para designar tais áreas, também conhecidas como zonas nucleares da América. Ao longo de vários séculos, esses espaços concentraram as maiores densidades demográficas do continente americano, tornando-se, portanto, grandes núcleos de populações que viveram nos diferentes Estados que floresceram e desapareceram ao longo de vários séculos de história.
 Durante e após a conquista espanhola, as populações nativas da América enfrentaram uma brutal queda demográfica. Vários fatores concorreram para as altas taxas de mortalidade indígena: os deslocamentos forçados, a fome, a desestruturação social, religiosa e cultural e a violência dos conquistadores são elementos que explicam a grande queda demográfica entre os nativos. Mas a conquista trouxe também doenças até então desconhecidas pelos nativos americanos (sarampo, gripes e doenças respiratórias, entre outras), que não resistiram diante da invasão de germes para os quais não possuíam defesas.
 A propagação das epidemias transmitidas pelos europeus foi, sem dúvida, a principal causa da intensa mortalidade indígena ao longo do primeiro século da conquista. Toda e qualquer reflexão a respeito da construção da sociedade colonial nas Américas deve levar em conta que o mundo dos nativos estava enfraquecido não apenas pelas derrotas militares diante da invasão dos europeus.
 De fato, tais sociedades precisaram se adaptar à conquista em meio a muitas mudanças e violências, particularmente dramáticas, por ocorrerem em meio ao caos das doenças e da intensa mortalidade nativa.
Os religiosos europeus que empreenderam o processo de evangelização na América hispânica estavam movidos pelo espírito da Contrarreforma católica e pelos ideais triunfalistas próprios do século XVI. Assim, imaginavam que os índios formavam uma parte escondida da cristandade, prontos a serem doutrinados na fé cristã e a abandonarem suas crenças anteriores, consideradas falsas e demoníacas pelos missionários.
 Esse processo de evangelização, também conhecido como conquista espiritual, afetou não apenas a vida religiosa, mas pretendeu também modificar completamente aspectos da sociedade, do governo e das culturas indígenas como um todo. A igreja missionária nas Américas estava subordinada ao poder do Estado espanhol, por meio de um regime conhecido como padroado. Desta forma, as ações dessas duas instâncias se confundiam na prática, uma vez que os religiosos agiam de acordo com as determinações do Estado, ao mesmo tempo que influenciavam estas mesmas determinações.
Conquista, ocupação e exploração do território colonial 
O processo referente à conquista e colonização da América abarca um conjunto de fatores característicos de uma época em ebulição, ressurgida de uma crise econômica e demográfica (século XIV) e disposta a ampliar seus horizontes. No geral, o uso da violência caracterizou a conquista. 
Os mecanismos de dominação utilizados pelos europeus foram fundamentais para a sobreposição dos valores sociais e políticos de uma sociedade estrangeira, estranha aos costumes locais e indisposta a aceitar resistências. Por outro lado, os índios da Nova Espanha não deixaram de reagir sempre, inventando adaptações e combinações e constantemente redefinindo os meios e a execução da dominação colonial.
Em sentido geral, o processo de conquista, ocupação e exploração do território americano pelos Estados europeus entre os séculos XV e XVI se dá como desdobramento de uma ampla empreitada comercial nos anos iniciais do século XV, onde reinos, como Portugal, começavam a despontar no comércio marítimo, na tentativa de superar os efeitos provenientes da crise produtiva, financeira e demográfica do século XIV. A conquista do novo mundo se deu a partir do uso de alguns mecanismos específicos, que, como vimos, contribuíram para a cristianização (cruz), para a eliminação (guerra) e para o controle social (fome) dos povos ameríndios. 
As relações de trabalho, assentadas em vínculos compulsórios, provenientes muitas vezes das próprias estruturas locais, permitiram o avanço das ações exploratórias no mundo colonial. Seja pelo repartimento, seja pela escravidão africana, a exploração do território americano se deu a partir da mineração e da formação de grandes extensões produtivas (haciendas nos domínios espanhóis, plantations nos domínios portugueses), voltadas para o comércio de exportação e para o acúmulo de recursos (capitais) nos centros políticos europeus.
 Entretanto, o comércio colonial apresentava características dinâmicas e específicas, muitas vezes desvinculadas da ideia mercantilista do exclusivo metropolitano. Tal ideia não impediu o desenvolvimento de um próspero comércio ilícito entre os domínios coloniais e entre eles e outras potências comerciais da época (Inglaterra, Holanda). Apesar de estarem sob a tutela do regime do exclusivo metropolitano, o comércio ilícito no mundo colonial permitiu a formação de uma economia local autossuficiente, não dependente totalmente da intervenção metropolitana.

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