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Apg 09 – Valvulopatias e febre reumática 
 ESTRUTURA E FUNÇÃO DAS VALVAS 
- São estruturas formadas por tecido conjuntivo 
recoberto por endotélio que se e interpõem entre 
átrios e ventrículos bem como nas saídas das 
artérias aorta e artéria pulmonar
- Essas estruturas asseguram a direção do fluxo 
sanguíneo em um só sentindo, pois impedem o 
refluxo
- A abertura e o fechamento das valvas é governado
pelo gradiente de pressão ao longo das próprias 
valvas, e o primeiro som cardíaco pode ser 
escutado quando as valvas atrioventriculares se 
fecham
- As valvas atrioventriculares funcionam 
prevenindo o fluxo sanguíneo reverso dos 
ventrículos para os átrios (aurículas) durante a 
sístole cardíaca. Elas se prendem às paredes dos 
ventrículos através das cordas tendíneas, que por 
sua vez se prendem aos músculos papilares, de 
forma que as cúspides sejam mantidas tensas e não 
sofram inversão para o interior dos átrios 
(aurículas). Esse extenso ligamento das cordas 
tendíneas e dos músculos papilares é conhecido 
como aparato subvalvular:
1. Valva mitral: é uma valva atrioventricular 
localizada entre a aurícula do átrio esquerdo
e o ventrículo esquerdo que possui 2 
cúspides
2. Valva tricúspide: é uma valva 
atrioventricular localizada entre a aurícula 
do átrio direito e o ventrículo direito que 
possui 3 cúspides
- As valvas semilunares podem ser vistas na base 
de ambas as saídas arteriais principais, que são a 
artéria pulmonar, levando aos pulmões e a aorta, 
que se ramifica para os tecidos periféricos. Essas 
valvas permitem que o sangue dos ventrículos 
passe para os vasos e se fecham imediatamente em 
seguida, para prevenir qualquer fluxo reverso, o 
que causa a primeira parte do segundo som 
cardíaco:
1. Valva aórtica: é uma valva semilunar que 
separa o ventrículo esquerdo da artéria 
aorta e possui 3 cúspides
2. Valva pulmonar: é uma valva semilunar que
separa o ventrículo direito da artéria 
pulmonar e possui 3 cúspides
 VALVULOPATIAS 
- As valvulopatias podem ser causadas por diversos
fatores, como anomalias congênitas, traumatismo, 
lesão isquêmica, distúrbios degenerativos e 
inflamações
- As valvas mais comumente afetadas são a mitral e
a aórtica devida à elevada pressão do lado esquerdo
do coração
- Dois tipos de problemas podem ocorrer nas 
valvas: estreitamento do orifício (estenose), 
impedindo a abertura adequada da valva e 
distorção da valva que impede o seu fechamento 
adequado (regurgitação) 
• Estenose (deficit de abertura) : essa 
condição impossibilita a abertura normal da
valva e, consequentemente, aumenta o 
trabalho cardíaco, visto que o orifício para a
passagem do sangue está menor (sobrecarga
de pressão – aumento da pós-carga)
- A estenose, portanto, resulta em uma IC 
anterógrada (devido à obstrução do fluxo 
para frente) que causará uma má perfusão 
de órgãos e tecidos (estenose aórtica)
➢ Estenose aórtica: quando a valva aórtica
está nessa condição, a valva não 
consegue se abrir adequadamente e o 
sangue não consegue passar para o VE 
durante a diástole. Em casos de 
estenose aórtica, o VE sofre uma 
sobrecarga de pressão e o coração vai 
realizar um mecanismo compensatório 
de hipertrofia concêntrica do VE, 
➢ Estenose mitral: quando a valva mitral 
está nessa condição, a valva não 
consegue se abrir adequadamente o 
sangue não consegue passar pro AE 
durante a sístole. Em casos de estenose 
mitral, o AE sofre uma sobrecarga de 
pressão e o coração vai realizar um 
mecanismo compensatório de 
hipertrofia concêntrica do AE 
OBS: SEMPRE QUE TIVER UMA ESTENOSE 
VALVAR, O LOCAL DE SANGUE ANTERIOR 
SOFRERÁ UMA HIPERTROFIA 
CONCÊNTRICA. EX.: ESTENOSE MITRAL = 
HIPERTROFIA DO ÁTRIO ESQUERDO; 
ESTENOSE AÓRTICA = HIPERTROFIA DO 
VENTRÍCULO ESQUERDO”
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/pulmao
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/aorta-pt
 Apg 09 – Valvulopatias e febre reumática 
• Regurgitação (deficit de fechamento) : essa 
condição está associada à falha no 
fechamento da valva que impede o refluxo; 
essa falha, portanto, permite que o sangue 
volte para o local de onde deveria ter saído 
(sobrecarga de volume – aumento da pós-
carga)
- A regurgitação causa uma sobrecarga de 
volume (pré- carga) que faz o coração 
ativar o mecanismo de compensação de hipertrofia 
excêntrica. Dessa forma, a regurgitação pode 
causar um IC retrograda, visto que o sangue volta 
para onde ele saiu, causando perfusão pulmonar 
descompensada
➢ Regurgitação (insuficiência) da valva 
mitral: a valva mitral é fechada 
parcialmente e, então, o sangue 
consegue voltar para o AE durante a 
sístole. Nesse caso, haverá hipertrofia 
excêntrica do AE devido à sobrecarga 
de volume sanguíneo (regurgitação do 
sangue – fluxo retrogrado). Há também 
um menor volume de sangue ejetado 
para os outros sistemas, já que parte 
dele vai voltar pro AE
➢ Regurgitação (insuficiência) da valva 
aórtica: a valva aórtica é fechada 
parcialmente, o que permite a volta do 
sangue para o VE durante a diástole. 
Nesse caso, haverá uma hipertrofia 
excêntrica do VE devido a sobrecarga 
de volume (regurgitação do sangue – 
fluxo retrogrado)
OBS: “SEMPRE QUE TIVER UMA 
INSUFICIÊNCIA VALVAR, O LOCAL DE 
SANGUE SOFRERÁ UMA HIPERTROFIA 
EXCÊNTRICA. EXEMPLO: INSUFICIÊNCIA 
MITRAL = HIPERTROFIA DO VENTRÍCULO 
ESQUERDO;
 FEBRE REUMÁTICA 
- A febre reumática é uma doença inflamatória 
aguda multissistêmica que ocorre após um 
episódio de faringoamigdalite bacteriana 
provocada por Streptococcus beta-hemolítico do 
grupo A, tratada inadequadamente. Pode atingir as 
articulações, o coração e o cérebro, deixando 
sequelas cardíacas graves, com consequências por 
toda a vida e podendo levar à morte. Estuda-se que 
pode haver uma predisposição genética para o 
desenvolvimento da febre reumática 
- O sistema imunológico produz anticorpos contra 
estruturas do Streptococsus que podem causar uma 
reação cruzada em estruturas fisiológicas 
semelhantes quimica e estruturalmente aos 
componentes patogênicos (mimetismo molecular)
- Os anticorpos contra a proteína M do 
Streptococsus, por exemplo, ativa essa reação 
cruzada com autoantígenos do coração. Além 
disso, os linfócitos T CD4+ também reagem com 
proteínas presentes no coração e produzem 
citocinas que ativam os macrófagos, levando à 
lesão do tecido cardíaco
OBS: a febre reumática raramente surge após 
infecções por estreptococos em outros locais, com 
a pele; geralmente, é necessária uma 
faringoamigdalite para o desenvolvimento da febre 
reumática
- Se a faringoamigdalite for tratada até 5 dias do 
início dos sintomas. Caso não haja tratamento e 
haja uma predisposição genética, inicia-se uma 
fase assintomática que dura 4 semanas em que o 
organismo aumenta a produção de autoanticorpos. 
Posteriormente, os sintomas da febre reumática 
aparecem, podendo levar à morte ou causar 
sequelas
- Nesse contexto, a febre reumática pode causar 
uma cardiopatia reumática crônica, onde ocorre 
uma doença valvar fibrótica deformante (estenose 
mitral)
ASPECTOS CLÍNICOS : um paciente com febre 
reumática apresenta artrite que se caracteriza por 
dor intensa, que dificulta o caminhar, e por inchaço
e calor discretos. Além disso, a cardite na 
membrana que reveste o coração, no músculo e no 
tecido que recobre as válvulas que é detectado no 
exame físico devido à presença de sopro na 
ausculta cardíaca, além do aumento da FC 
(arritmia) e de relatos de cansaço. A terceira 
manifestação é a coréia que se caracteriza por 
fraqueza nos braços e pernas, por sensibilidade 
emocional (a criança se torna mais irritada e 
chorona) e por movimentos dos braços e pernas 
 Apg 09 – Valvulopatias e febre reumática 
que pioram quando a criança fica tensa e 
desaparecem durante o sono. É importante saber 
que esta manifestação da febre reumática pode vir 
isolada (sem a artritee/ou cardite) e meses após o 
quadro da infecção de garganta.
SINAIS E SINTOMAS
1) POLIARTRITE
Geralmente uma das primeiras manifestações da 
FR. Uma artrite migratória que se move de
uma articulação para outra,
2) CARDITE
• “PRINCIPAL MANIFESTAÇÃO DA FR”
Acomete uma das três camadas do coração ou as 
estruturas valvares que produz efeitos
permanentes e incapacitantes, sendo a principal 
valva acometida a valva mitral e
aórtica. As principais características da cardite 
valvar são:
• Avermelhamento
• Edemaciadas
Essas alterações inflamatórias irão progredir e 
formaram um tecido cicatricial fibroso que irá 
causar deformidades nas cúspides e o encurtamento
das cordas tedíneas
3) NÓDULOS SUBCUTÂNEOS
Geralmente aparecem associados a cardite, duros 
indolores e moveis.
4) LESÕES DO ERITEMA MARGINADO
Aparecem logo no início da FR e tendem a ocorrer 
junto com os nódulos subcutâneos
5) COREIA DE SYDENHAM
Principal manifestação do SNC da FR, acomete 
principalmente meninas que antecedem os 20
anos. Criança possui problemas comportamentais, 
e impaciente, chora com facilidade, anda de
forma desajeitada.
- A principal manifestação é a cardite, geralmente 
os sintomas normalmente começam 2-3 semanas 
após a infecção estreptocócica
A FR pode ser caracterizada como uma doença.
• Aguda
• Recorrente
• Crônica
AGUDA
É uma sequela referente a uma infecção da
faringe. Após a faringite inicial, um período de 
duas a três semanas ocorre antes de aparecerem os
primeiros sinais ou sintomas
Ou seja, a Infecção estreptocócica inicial que está 
associada ao envolvimento desses elementos 
infecciosos no tecido conjuntivo do coração. Fase 
característica ao corpúsculo ou nódulos de Ashoff, 
que nada mais é que uma região de tecido 
necrosado circundada por células do sistema 
imunológico. Ou seja, é um acumulo, ao redor das 
áreas de alterações do colágeno, de macrófagos, 
células gigantes, linfócitos e fibroblastos 
hipercromático. O coração de uma pessoa com 
doença cardíaca reumática, observa-se hipertrofia 
ou dilatação das câmaras, pequenas vegetações de 
verrugas em rosa-acinzentado próximo
RECORRENTE
Recorrente em problemas de valvas cardíacas, 
como por exemplo em valva mitral
CRÔNICA
Caracterizada principalmente pela calcificação 
desses nódulos de Aschoff que agora são cicatrizes 
fibrosas. Aparece com cerca de 10 anos após o 
ataque inicial. Geralmente pessoas com FR 
possuem um
quadro clinico de infecções de garganta frequente, 
dor de cabeça, febre, dor abdominal, náuseas, 
vômitos, linfonodos edemaciados ou outros 
sintomas e sinais de infecção estreptocócica. Nessa
fase predomina as sequelas do comprometimento 
pelos surtos de inflamação. Folhetos valvares 
irregulares, encurtados, calcificados , fusão de 
comissuras “boca de peixe
 Apg 09 – Valvulopatias e febre reumática 
- A alteração na valva cardíaca, pode levar o 
paciente a uma hipertrofia cardíaca e, 
posteriormente, a uma insuficiência cardíaca. 
Insuficiência cardíaca (IC) e cardiomegalia são 
manifestações de miocardite, decorrentes de grave 
incompetência valvar
- O diagnóstico da febre reumática é feito por meio
do critério de Jones que são divididos em maiores 
(artrite, cardite, Coreia de Sydenham, nódulos 
subcutâneos e eritema marginado) e menores 
(febre, artralgia, elevação dos reagentes de fase 
aguda e intervalo PR prolongado). O diagnóstico 
só é possível quando houver a presença de:
I. dois sinais maiores 
II. um sinal maior e dois menores
TRATAMENTO : O primeiro passo logo que se suspeita 
desta doença é tratar a infecção de garganta mesmo
que ela tenha acontecido 2 ou 3 semanas atrás e 
isto deve ser feito com a penicilina benzatina. O 
segundo passo é tratar a artrite com anti-
inflamatório não hormonal como o ácido acetil 
salicílico (AAS). Para o tratamento do 
comprometimento do coração se utiliza corticóides 
Embora estas etapas sejam muito importantes no 
tratamento da criança com Febre Reumática a 
medida que poderá fazer a diferença na evolução 
do paciente é o que chamamos de profilaxia 
secundária, ou seja, a administração da penicilina 
benzatina nas doses acima referidas a cada 3 
semanas (21 dias) para evitar que a criança tenha 
novos surtos da doença.

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