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PRODUÇÃO DE MÍDIAS EAD UNIFACVEST 0 Produção de mídias Gabriela Felten da Maia Geandro Rocha Jessica de Cássia Rossi Nathane Chrystine Dovale Cunha Pablo Rodrigo Bes PRODUÇÃO DE MÍDIAS Edição revisada Grupo A Educação Porto Alegre 2019 EAD UNIFACVEST 1 Produção de mídias © 2019 – Grupo A Educação. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ _____________________________________________________ S581g Gabriela Felten da Maia. Et. Al. Produção de Mídias. - 1.ed., rev. – Porto Alegre, RS : Grupo A Brasil, 2019. 95p. : 28 cm Inclui bibliografia ISBN 858-13-387-3102-3 1. Produção de Mídias. I. Título. 17-3940. CDD: 371.257 CDU: 37.014.5 24.99.18 10.10.18 036693 _____________________________________________________ Capa: Núcleo de Produção EAD Unifacvest Imagem da capa: Copyright © 2010-2022 Freepik Company Imagem livre de Direito Autoral Centro Universitário Unifacvest © 2022 - Todos os direitos reservados. © Grupo A Educação. Todos os direitos reservados. Av.Jerônimo de Ornelas, 670 | Santana CEP 90040-340 | Porto Alegre/RS CNPJ: 87.133.666/0001-04 EAD UNIFACVEST 2 Produção de mídias Sumário APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA |03 UNIDADE I |04 UNIDADE II |21 UNIDADE III |42 UNIDADE IV|55 UNIDADE V |71 EAD UNIFACVEST 3 Produção de mídias Apresentação Olá! Ao analisarmos os fenômenos educacionais dos últimos tempos, é possível constatar uma tendência crescente do uso de tecnologias de informação e comunicação na educação, seja de forma parcial ou na sua totalidade, sem desconsiderar os processos pedagógicos nos quais esta prática se apoia. Os docentes que desejam se manter atualizados em relação a seus alunos têm um longo caminho pela frente, em um contexto no qual cada vez mais a prática da educação a distância vem se configurando como realidade. Dessa forma, é fundamental que o professor desenvolva novas competências que o habilite a compreender os conhecimentos e atitudes necessárias para uma participação ativa e competente neste contexto educacional, que está sendo fortemente influenciado pelas tecnologias, além de utilizá-las, identificando o que é preciso ser adquirido ou modificado em sua prática. Nesta Unidade de Aprendizagem, veremos os impactos das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e sua incorporação sobre a educação, a formação e o papel do professor para atuar na educação a distância. Boa leitura. Bons estudos! EAD UNIFACVEST 4 Produção de mídias UNIDADE I Educação a distância: o papel do professor Geandro Rocha APRESENTAÇÃO Olá! Ao analisarmos os fenômenos educacionais dos últimos tempos, é possível constatar uma tendência crescente do uso de tecnologias de informação e comunicação na educação, seja de forma parcial ou na sua totalidade, sem desconsiderar os processos pedagógicos nos quais esta prática se apoia. Os docentes que desejam se manter atualizados em relação a seus alunos têm um longo caminho pela frente, em um contexto no qual cada vez mais a prática da educação a distância vem se configurando como realidade. Dessa forma, é fundamental que o professor desenvolva novas competências que o habilite a compreender os conhecimentos e atitudes necessárias para uma participação ativa e competente neste contexto educacional, que está sendo fortemente influenciado pelas tecnologias, além de utilizá-las, identificando o que é preciso ser adquirido ou modificado em sua prática. Nesta Unidade de Aprendizagem, veremos os impactos das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e sua incorporação sobre a educação, a formação e o papel do professor para atuar na educação a distância. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: I. Explicar o contexto da educação a distância ou virtual. II. Reconhecer os impactos da TICs no processo de ensino-aprendizagem. III. Analisar a relação professor-aluno na aprendizagem virtual. EAD UNIFACVEST 5 Produção de mídias DESAFIO O letramento digital é percebido como um elemento essencial e indispensável para a inclusão social, como um direito do educando adulto e ainda como uma das funções sociais da escola. Por isso, é preciso incorporar o conceito de letramento à tecnologia digital, e isso significa que é necessário se apropriar de quando e para quê utilizar essa tecnologia, colocando significado nesse processo e alinhamento do conteúdo às questões práticas cotidianas do aluno. Buzato (2003) define Letramento Digital (LD) como sendo "o conjunto de conhecimentos que permite às pessoas participarem das práticas letradas mediadas por computadores e outros dispositivos eletrônicos no mundo contemporâneo". O letramento digital é mais que o conhecimento "técnico": uso de teclados, interfaces gráficas e programas de computador etc. Ele inclui ainda a habilidade para se construir sentido a partir de textos multimodais, isto é, textos que mesclam palavras, elementos pictóricos e sonoros numa mesma superfície. Inclui também a capacidade para localizar, filtrar e avaliar criticamente informações disponibilizadas eletronicamente. E ainda a familiaridade com as "normas" que regem a comunicação com outras pessoas através do computador. Tomando como base a ideia de Buzato em relação ao letramento digital, de que forma o professor pode auxiliar o aluno da EJA a vencer as barreiras e a ser protagonista na educação a distância? INFOGRÁFICO O aluno, na educação a distância, tem acesso, por esse meio, às vantagens da sociedade da informação, bem como a conteúdos trazidos pela qualidade, variedade e diversidade de linguagens que aparecem habitualmente nos ambientes baseados nas TICs, motivando esses alunos a aprenderem. Por isso, é importante que o professor assuma diferentes papéis. Veja no infográfico a seguir: EAD UNIFACVEST 6 Produção de mídias Introdução Qual é o impacto das novas tecnologias associadas à internet e aos ambientes digitais em nosso cotidiano? Como alteram as formas de ensinar e aprender na atualidade? Como o ensino a distância, modalidade de ensino centenária, foi transformado pelo uso dessas novas tecnologias? Essas indagações nos lembram de que o uso das tecnologias vai além do domínio da técnica de saber usar dispositivos eletrônicos conectados à internet. Podemos considerar que a nossa forma de ser, estar e aprender está em processo de mudança. A escola e o fazer docente também se veem confrontados com essa nova realidade e as possibilidades que as novas tecnologias oferecem para a aprendizagem seja presencial, seja a distância. Neste capítulo, você vai acompanhar o contexto atual do ensino a distância no Brasil, acompanhando seu desenvolvimento histórico e como a inserção de novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) alteraram essa modalidade de ensino ao longo do tempo. Vai conferir também como as TICs têm o potencial de modificar os modos de aprender e ensinar, deslocando a atuação do professor de transmissor de informações para mediador de aprendizagens, tanto no ensino presencial quanto no ensino a distância. Por fim, você vai estudar o papel do professor, fundamental para que os processos de ensino e aprendizagem ocorram na educação a distância, mesmo em situações de desigualdade, comop. 141-161, 2017. EAD UNIFACVEST 37 Produção de mídias DE LA PEÑA, N. et al. Immersive journalism: immersive virtual reality for the first person experience of news. Presence, Cambridge, v. 19, n. 4, ago. 2010. Disponível em: https:// www.mitpressjournals.org/doi/abs/10.1162/PRES_a_00005. Acesso em: 13 nov. 2020. DOMÍNGUEZ, E. Periodismo inmersivo: fundamentos para una forma periodística basada en la interfaz y en la acción. 2013. Tesis doctoral (Comunicación) – Universitat RamonLlull, Barcelona, 2013. EBOLA OUTBREAK 360°. [S. l.: s. n.], 24 jul. 2017. 1 vídeo (11 min e 38 s). Publicado pelo canal Frontline PBS. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=G93XJCVr8vk. Acesso em: 13 nov. 2020. HIDALGO, A. L.; BARRERO, M. A. Os caminhos da imersão na era do jornalismo transmidiático: do papel à realidade virtual. Parágrafo, Salamanca, v. 4, n. 2, p. 102-111, 2013. JOST, F. Seis lições sobre televisão. Porto Alegre: Sulina, 2004. JUNGLE, T. Rio de lama. [S. l.: s. n.], 34 abril 2016. 1 vídeo (9 min e 34 s). Publicado pelo canal Rio de Lama. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7zQZqqSkJq0. Acesso em: 13 nov. 2020. LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1998. THOMPSON, J. B. A mídia e modernidade: uma teoria social da mídia. 10. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2008. VAN DER HAAK, B.; PARKS, M.; CASTELLS, M. The future of journalism: networked journalism. International Journal of Communication, Los Angeles, v. 6, p. 2923-2938, 2012. XAVIER, C.; SILVA, L. O. Cibercorpo: interface e (in)formação. In: SOPCOM, 4., 2005, [S. l.]. Anais [...] [S. l.]: SOPCOM, 2005. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/ xavier-silva- cibercorpo-interface-in-formacao.pdf. Acesso em: 11 nov. 2020. FIQUE ATENTO Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. EAD UNIFACVEST 38 Produção de mídias EXERCÍCIOS 1) O processo de globalização permitiu avanços na área de comunicação, como o jornalismo imersivo, pois possibilitou o desenvolvimento de tecnologias capazes de transmitir mensagens por ondas eletromagnéticas. O resultado de três grandes fatores, no século XX, foram responsáveis pela transformação da comunicação. Quais são eles? A) O surgimento da realidade virtual; a capacitação de jornalistas para a criação de matérias on-line; e a maior utilização de métodos digitais no processamento, armazenamento e recuperação da informação. B) O repórter passa a utilizar o método imersivo durante a apuração; passou-se a utilizar satélites para a comunicação à longa distância; e o uso de um sistema de cabos que transmitia informações eletronicamente codificadas. C) A criação da Internet; o uso de métodos analógicos para o processamento, armazenamento e recuperação da informação; e o surgimento da realidade virtual. D) O crescimento do uso de microprocessadores; a convergência dos conteúdos analógicos para o digital; e o ensino do jornalismo digital nas universidades. E) O uso mais frequente e melhor do sistema de cabos; a utilização constante de satélites na comunicação à longa distância; e o aumento de métodos digitais.os 2) O jornalismo imersivo tem em sua proposta oferecer ao usuário a possibilidade de contato com experiências diretamente ligadas ao conteúdo da apuração jornalística. Assim, o jornalismo imersivo, com a utilização da realidade virtual, tem muita capacidade de proporcionar o que o bom jornalismo sempre buscou: ___________. Assinale a alternativa que apresente a resposta correta. A) substituir os veículos tradicionais. B) anseio pelo furo jornalístico. C) o entretenimento, visto que é sempre possível se divertir com a realidade virtual. D) a boa conexão com o público, pois ele estará conectado com o fato ocorrido na experiência. E) o sensacionalismo, utilizando e divulgando notícias que causem sensações e choquem o público. 3) A realidade virtual possibilita a criação de diversas experiências de imersão. Com a possibilidade de transportar os usuários a lugares virtuais com um certo grau de realismo, é possível aplicá-la a diversas utilizações, como no jornalismo. Na criação de experiências com realidade virtual (RV), há dois componentes principais que são necessários. Sendo assim, assinale a alternativa correta. A) Óculos estereoscópicos e jornalistas especializados em RV. B) Microcâmeras e computadores potentes. C) Uma equipe de multiprofissionais e quase nada de investimento financeiro. EAD UNIFACVEST 39 Produção de mídias D) Criação de um ambiente virtual e dispositivos para usar nesse ambiente. E) Cenas gravadas do mundo real e salas específicas para distribuição. 4) Indo muito além do entretenimento, a realidade virtual já é utilizada em diversos formatos jornalísticos. Com a possibilidade de oferecer aos usuários vivências em espaços virtuais que imitam a realidade e ainda imersão em temáticas sociais, o jornalismo imersivo é capaz de oferecer um formato atrativo ao público. A partir dos exemplos de aplicação de jornalismo imersivo apresentados na UA, assinale a alternativa que melhor explica as experiências com RV. A) Não tem como criar uma boa experiência de RV se não houver grandes aparatos tecnológicos. B) As imagens fazem diferença e devem ser priorizadas, por isso é indispensável o uso de boas câmeras. C) Faz-se necessário um critério jornalístico, no qual imagens e narrativas precisam estar equilibradas. D) Na realidade virtual, não há como trazer uma conscientização, pois ela só funciona para entretenimento. E) Produções com realidade virtual são fáceis e acessíveis. 5) Ainda que a imersão seja paradoxal na experiência em RV, é possível que diversos sentimentos inerentes à realidade virtual sejam sentidos pelos usuários. Assim, são oferecidas diversas experiências no jornalismo imersivo. Em uma delas, a reação do usuário é identificada como se ele tivesse, de fato, vivendo nela, mesmo que saiba que não é real. O nome dessa experiência é conhecido como: A) presença. B) RAIR. C) vivência do outro. D) realidade aumentada. E) webdocumentário. NA PRÁTICA Ainda que seja um formato que demanda um bom investimento financeiro, o jornalismo imersivo tem um grande potencial de ser radicalmente remodelado com as técnicas de realidade virtual. A tentativa de equilibrar as sensações e informações é um dos grandes desafios do jornalismo imersivo, afinal mesmo com todo aparato tecnológico, uma história bem contada é o ingrediente principal para fazer que as pessoas se interessem pelo trabalho apresentado. Neste Na Prática, você conhecerá um projeto de jornalismo imersivo que mescla boa execução com uma importante pauta: a fome. EAD UNIFACVEST 40 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 41 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 42 Produção de mídias CAPÍTULO III Subjetividade, imaginários e o impacto das tecnologias Gabriela Felten da Maia APRESENTAÇÃO A sociedade contemporânea é marcada pela revolução tecnológica, especialmente, pelo advento da informática, com o desenvolvimento de computadores e de tecnologias da informação os quais a tornaram uma sociedade informacional. Esse processo traz a possibilidade de novas formas de comunicação e mesmo de compartilhamento do conhecimento e altera as formas de relação social e da difusão da informação. Coloca-se, desse modo, a sociedadeem uma dimensão de interatividade tecno-social e novas formas de interação e subjetividades. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai refletir sobre a comunicação digital e seu desenvolvimento a partir das transformações tecnológicas nas últimas décadas do séc. XX, além de pensar sobre como esse desenvolvimento tecnológico altera a experiência de si, para, então, reconhecer a publicidade como uma tecnologia. Bons estudos Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: I. Descrever a história da comunicação virtual sob a influência das tecnologias contemporâneas. II. Analisar o impacto das tecnologias na produção de subjetividade. III. Reconhecer a publicidade como tecnologia do imaginário. EAD UNIFACVEST 43 Produção de mídias DESAFIO Com o surgimento das tecnologias digitais e a evolução das mídias sociais, os perfis comerciais passaram a ser utilizados como forma de divulgação do trabalho realizado por profissionais autônomos ou influenciadores digitais. O Instagram tem sido uma das plataformas utilizadas por pessoas que desejam divulgar conteúdo, produtos e serviços. Levando em consideração esse contexto, observe a situação a seguir: Diante da solicitação, você deve produzir uma identidade que possibilite atingir um nicho que se conecte com o conteúdo produzido. Levando isso em consideração, por que as redes sociais conectam este profissional on e off-line, operando como estratégias de produção identitária? INFOGRÁFICO Com o intuito de compreender como se desenvolve a comunicação, Thompson tem refletido sobre as formas de interação e sua transformação no contexto da comunicação de massa. Com o advento da tecnologia digital, o sociólogo avalia as mudanças que aconteceram com a interação a partir do uso de dispositivos que conectam as pessoas por meio da Internet. Neste Infográfico, conheça a estrutura da interação mediada on-line, conforme discutiu o sociólogo Thompson. EAD UNIFACVEST 44 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 45 Produção de mídias INTRODUÇÃO O aprimoramento da comunicação mediada por dispositivos tecnológicos conta com a internet como o espaço que propicia o seu desenvolvimento. A interação realizada na rede sociotécnica produz novas formas de sociabilidade e constitui outras formas da produção de si. A partir dos usos dados pelas pessoas em rede, torna-se um ciberespaço interativo, em que se tem as tecnologias digitais como terminais que possibilitam às pessoas conectar-se umas às outras e às informações que circulam e são compartilhadas. Esse espaço, então, torna-se um conjunto que permite a emergência de grupo, identidades e trocas múltiplas. Neste capítulo, você vai estudar a emergência das tecnologias digitais e as possibilidades que elas colocam para a comunicação em rede. A partir dessa transformação, surge um paradigma sociotécnico que coloca em relação máquinas e pessoas, produzindo sujeitos e formas de relação e, do mesmo modo, colocando a publicidade como uma tecnologia do imaginário. A história da comunicação on-line e as tecnologias digitais As tecnologias da informação têm produzido novas formas de sociabilidade, especialmente com a internet, conectando a sociedade em de reestruturação social que leva à formação do paradigma da tecnologia da informação, segundo Castells (1999), ocorre com a reestruturação do capitalismo, desde os anos 1980, em que o sistema econômico e tecnológico se adéqua a um capitalismo informacional — a sociedade que emerge nesse processo é também uma sociedade informacional. EAD UNIFACVEST 46 Produção de mídias A crise do capitalismo na década de 1970 levou a uma série de reformas no processo de produção com o objetivo de aprofundar a acumulação do capital. A tecnologia da informação, nesse contexto, tornou possível a ampliação desse processo e a formação de um capitalismo global. Por isso, o informacionalismo possibilita a constituição de uma nova etapa do capitalismo, o que caracteriza uma revolução tecnológica, um evento com igual importância à Revolução Industrial do século XVIII (CASTELLS, 1999). Essa sociedade emerge a partir da difusão da rede de computadores, que vem, conforme Máximo (2002), desde a década de 1940, desenvolvendo-se a partir das universidades inglesas e estadunidenses com máquinas chamadas mainframes. Com a necessidade de desenvolver máquinas que realizassem o compartilhamento das informações, computadores menores começaram a ser projetados. Esse processo ainda estava restrito ao setor industrial e militar devido às características do processamento dos dados. O avanço da microeletrônica foi importante para as transformações que levaram, na década de 1970, ao desenvolvimento do personal computer, acessível à população em geral. Desse modo, a informática foi se aproximando cada vez mais das tecnologias de comunicação de massa. Os computadores, segundo Máximo (2002, p. 22), não seriam mais pensados como “uma máquina de calcular altamente veloz, mas também como um instrumento capaz de processar, transmitir e compartilhar, com outros computadores, a informação”. Nesse contexto, os computadores são inseridos na perspectiva da comunicação. Máximo (2002) destaca que a circulação de informações via computadores levará ao processo de constituição de uma rede de computadores conectados, inicialmente, pelos Bulletin Board System, até o advento da internet. Esse sistema consistia em redes locais de acesso por meio da assinatura que possibilitava a conexão por meio da discagem para uma linha telefônica, em que os computadores operavam como servidores. Paralelamente, desenvolve-se, no setor militar, uma tecnologia de comunicação que possibilita a transmissão de informação a partir de uma rede conectada sem o controle centralizado e que interligasse diferentes pontos estratégicos. Assim, surge a ARPANET, rede de computadores conectados, um modelo inicial do que mais tarde será conhecida como internet. O desenvolvimento de protocolos que possibilitasse a conexão em rede e circulação dos dados levaria à expansão dessa rede, que extrapolará, então, o domínio militar e acadêmico (MÁXIMO, 2002). A internet, então, constitui-se como uma rede que articulou outras redes que já vinham sendo construídas a partir de diferentes protocolos de comunicação, como as intranets que emergiram nas empresas, nas universidades e no exército. A popularização do computador pessoal, a partir da década de 1980, gradativamente se tornou um terminal que possibilitaria a conexão e circulação da informação na rede (RAMOS, 2015). Essa expansão apresenta um novo fenômeno da comunicação, mediada por dispositivos eletrônicos com acesso à internet. Esses dispositivos se tornam centrais nas formas de convívio e interação, e a comunicação pensada enquanto meramente transmissão, em forma linear de um ponto a outro, é ressignificada com a comunicação digital, de acordo com Máximo (2002). Nesse sentindo, a interação em contexto digital é modificada a partir das formas como os interlocutores agem no ciberespaço. EAD UNIFACVEST 47 Produção de mídias Para Ramos (2015, p. 61), a presença dos computadores pessoais representa dois momentos diferentes do desenvolvimento da rede: um primeiro momento, em que “[...] os PCs realizam a conexão das casas à rede e, a partir daí, a possibilidade de realizar na rede um sem número de ações de comunicação”, e um segundo, em que há “a chamada computação nas nuvens, em que os PCs tornam-se inteiramente terminais, intercambiáveis uns com outros”. Ramos (2015) destaca que a formação de uma rede de computadores se conecta de forma heterogênea e descontínua em relação à ideia de uma base geográfica que possibilitaria a construçãode um espaço social físico. A produção desse espaço social se dá na rede “cuja materialidade é a informação e seus modos transmissão” (RAMOS, 2015, p. 59), a partir de diferentes lugares físicos, conforme os dispositivos que possibilitam o seu acesso. A circulação de informações é ativamente produzida pelos agentes em relação com a máquina. Como informa o autor, as redes de comunicação se tornam mais poderosas e eficazes quanto mais se entrelaçam com redes de circulação de pessoas, objetos e poder (RAMOS, 2015). Nesse sentido, Máximo (2002, p. 10) analisa que: A interatividade digital proporciona, por sua vez, uma espécie de conversação entre o homem e a técnica através das interfaces, fazendo do meio eletrônico um espaço de colaboração sucessiva. A partir dos hipertextos, essa interatividade faz com que os atores sociais naveguem de informação a informação — sejam elas textuais, sonoras ou visuais — sem nenhum percurso determinado ou qualquer forma de linearidade. Trata-se de um paradigma sociotécnico (CASTELLS, 1999) que se expande a partir desse período em razão de uma interface entre tecnologia e linguagem digital que possibilita geração, armazenamento, recuperação, processamento e transmissão da informação. Os fatores que propiciaram esse desenvolvimento foram as descobertas tecnológicas da microeletrônica, a difusão da engenharia genética, o impulso tecnológico propiciado pelo setor militar na década de 1960 e o incentivo estatal e do setor privado no desenvolvimento tecnológico. As características desse paradigma são a informação como matéria-prima que sofre a ação da tecnologia, a penetração da tecnologia nas atividades humanas e a constituição de uma rede a partir das tecnologias de informação flexível e integrado. Castells (1999) advoga que esse paradigma altera a morfologia social porque modifica os fluxos da informação, da cultura e da produção. Essa dinâmica sociotécnica, segundo Lemos (1997), é uma invenção cultural porque produz um mundo, criando novas condições culturais, e articula as tecnologias digitais à socialidade contemporânea, trazendo um novo regime, chamado de tecnossocialidade, que forma a cibercultura. Trata-se de um processo que se constitui a partir das comunidades on-line, jogos eletrônicos, etc., até as formas de agregação em torno do esporte, de conteúdos jornalísticos, festas, eventos. Nessa mescla de humano e máquina, há uma passagem das sociedades industriais e pós-orgânicas, com nova lógica social e regime sensorial. A cibercultura, como aponta Lemos (1997), enriquece a diversidade cultural porque proporciona a emergência de culturas locais em contexto global em vez da propalada homogeneização, por meio do compartilhamento de arquivos, músicas, imagens, vídeos, etc., que produzem processos coletivos e outras formas de socialidade. EAD UNIFACVEST 48 Produção de mídias SAIBA MAIS Levy escreve a obra Cibercutura (1999) procurando refletir sobre o conjunto de técnicas, práticas e atividades que se desenvolvem a partir da constituição do ciberespaço pela rede sociotécnica. Embora seja uma obra da década de 1990, é bastante atual, considerando a presença da internet no cotidiano das pessoas. Por isso, ao refletir sobre o advento de outras formas de comunicação, o autor introduz importantes discussões sobre a constituição de novos espaços de sociabilidade e de trocas simbólicas a partir da internet. Tecnologias digitais e a produção de subjetividade A internet, aponta Hine (2004), é um artefato cultural. Enquanto tal, produz um espaço social, o ciberespaço, constituído de fronteiras simbólicas e padrões comunicacionais, que não pode ser colocado na oposição entre um mundo virtual contrário ao mundo real. Trata-se, como coloca Ramos (2015), de uma contínua produção de mundos e colonização a partir da produção de conexões e ordenação, cada vez mais difundida. Para Hine (2004), constitui um objeto construído discursivamente que aparece onde há meios de comunicação, mas que assume signifi cados diferentes a partir dos usos dados pelas pessoas. A internet, por tudo isto, pode ser vista como uma construção inteiramente social, formada tanto em sua história como em seu desenvolvimento, através de seu uso. As perspectivas de compreensão da internet e seus usos são resultado de um modelo que é 1) histórico, porque foi desenvolvido das ideias militares na Guerra Fria ou de um triunfo de valores humanistas em tais ideias; 2) cultural, enquanto disseminada por meios de comunicação, em diferentes contextos nacionais; 3) situacional, pois era nutrida por ambientes institucionais e domésticos nos quais a tecnologia adquiria um significado simbólico; e 4) metafórico, através de conceitos acessíveis para conceber a tecnologia. É a partir desse modelo que o objeto que conhecemos como a internet se transformou, embora, para todos, possa adquirir, de acordo com o local e o tempo, formas sutis ou radicalmente diferentes (HINE, 2004, p. 46, tradução nossa). Em razão desse aspecto, a subjetividade também se torna um dos elementos importantes para compreender a presença do ciberespaço na vida das pessoas. Hine (2015) considera, por isso, que a internet tem uma presença cotidiana e imperceptível em nossas vidas, oferecendo um meio para fazer muitas coisas. As mudanças realizadas pela internet na forma pela qual as pessoas se comunicam, realizam compras, com bancos de dados estatais e transações digitais, o acesso facilitado pelos smartphone e o surgimento do Wi-Fi, incorporam a internet na vida cotidiana das pessoas. A autora entende que a internet não é experimentada como um espaço (o ciberespaço) para onde se vai, mas tem uma presença mundana, estando incorporada em nossas vidas e EAD UNIFACVEST 49 Produção de mídias possibilitando que façamos coisas diferentes em diferentes configurações a partir de múltiplos dispositivos e aplicativos. A internet seria incorporada porque adquire significado nos contextos em que está inserida, isto é, socialmente situada e sujeita às ações dos indivíduos e a forma como utilizam e navegam, articulando contextos on e off-line de forma múltipla e indeterminada. Sua inserção cotidiana a torna uma extensão do eu, um modo de ser e agir no mundo, além de ser cotidiana pela presença no cotidiano em diferentes atividades. Para Ramos (2015, p. 61), a “[...] articulação de agências humanas e agências maquínicas nas redes sociotécnicas constituídas por computadores, tablets, smartphones, plataformas, aplicativos e indivíduos serve de moldura a processos de subjetivação”. As informações, destaca o autor, vinculam as pessoas por meio de dispositivos de comunicação que podem ser pensados como extensões de si mesmos, do mesmo modo que também vinculam as pessoas entre si, produzindo um espaço social e subjetividades. A produção da subjetividade, portanto, está amarrada à rede e à circulação da informação. Tudo isso tem efeito sobre as ações das pessoas, as práticas de consumo, as decisões políticas, os comportamentos e as escolhas pessoais, etc. A articulação das pessoas às máquinas por meio da tecnologia é discutida por Haraway (2009) a partir da ideia do ciborgue. Entende a autora que, no final do século XX, somos todos híbridos — teóricos e fabricados — de máquinas e organismos. As mudanças da ordem mundial, com a passagem de uma sociedade industrial e orgânica para um sistema informacional, provocam transformações fundamentais na estrutura do mundo e borram as fronteiras. Há o rompimento das fronteiras entre organismo e máquina e a noção da totalidade orgânica é desfeita em um mundo marcado de forma crescente pelo binômio ciência/ tecnologia, no qual as fronteiras entre humano e animal, organismo e máquina e entre físico e não físico se mostram fluídas. Os dualismos mente/ corpo e natureza/cultura que persistiram nacultura ocidental e constituíram a noção de indivíduo, desde o século XVIII, são desconstruídos com o advento das tecnologias. Desse modo, rompe-se a fronteira entre animal-humano (organismo) e máquina e se torna ambígua a diferença entre natural e artificial, entre mente e corpo, assim como entre muitas outras distinções que se costuma aplicar aos organismos e às máquinas. As tecnologias, afirma Haraway (2009), produzem questionamento sobre a ideia de totalidade corporal e do eu, isto é, de uma identidade e unidade do sujeito. Como afirma Ramos (2015, p. 64), “[...] a atual organização dessas redes sociotécnicas funciona como um elemento de produção de indivíduos”. A constituição dos sujeitos na rede, conforme Ramos (2015), começa com a sua identificação na rede através do login, dado que a comunicação em rede considera a existência de um usuário que constrói uma identidade virtual para poder participar dos diferentes espaços de sociabilidade na rede. Essa identificação técnica se transforma, então, em identificação simbólica, de tal modo que nem sempre a identidade virtual segue linearmente da identificação fora da rede. Para o autor, esse processo tem algumas implicações: A primeira implicação é que, uma vez que não é possível ligar diretamente as duas identidades, a interação social dentro da rede passa a ser feita com base naquilo que é visível na rede, nos atos e investimentos simbólicos que o agente faz e percebe na própria interação naquele segmento de EAD UNIFACVEST 50 Produção de mídias rede. Outra implicação, decorrente dessa, é que para existir na rede, o indivíduo terá de fazer um investimento identitário com os recursos disponíveis naquele segmento de rede. Terá de partir deles para construir um nome, uma imagem e uma reputação frente aos demais agentes (RAMOS, 2015, p. 65). Essa autonomia, para o autor, possibilita que haja a experimentação identitária e, portanto, uma desestabilização da ideia de unidade, fixidez e permanência da experiência de si. As plataformas de sociabilidade on-line, como os mundos virtuais, os fóruns de discussão, grupos de Facebook, WhatsApp, comunidades virtuais em geral, transformam o login em um artefato identitário a partir do nickname porque definem a forma como a pessoa se apresenta na rede para as demais pessoas. Esse processo pode oscilar entre a experimentação identitária e um realismo identitário, o que depende da plataforma que se está utilizado. Esse processo possibilita trânsitos entre on e off-line, considerando que estamos conectados cotidianamente na rede, partilhando conteúdos, experiências, afetos, desejos e gostos. É a partir desse trânsito que se estruturam as relações sociais entre os sujeitos na rede, uma forma criativa de construção do eu que leva em conta os diferentes espaços que são habitados e nos quais são partilhadas experiências. Imaginário e publicidade O imaginário, afi rma Silva (2019), constitui as relações sociais em uma sociedade de comunicação na contemporaneidade. A imagem é comunicação, forma laço social. Se a modernidade era marcada pelo racionalismo e pelo ideal de progresso, a pós-modernidade é constituída pela emoção, pelo desejo de compartilhamento, pelo tribalismo e pela identifi cação. Por isso, é um tempo da comunicação que reverbera o imaginário, os mitos e reatualiza a comunidade, as formas de se estar junto. Formado por imagens, emoções, desejos e trajetórias individuais, Silva (2019) aponta que o imaginário se relaciona com subjetividade, ideologia, cultura e representação, constituindo a existência dos seres humanos. A partir dessa dimensão, torna-se possível compreender como se estruturam as relações na sociedade, a formação da comunidade e da identificação entre as pessoas. Para Maffesoli (2001), as imagens têm um caráter mágico que possibilita a comunhão entre as pessoas, atuando na formação de um sentimento de coletividade e na comunicação. A sociedade contemporânea, então, é marcada pela profusão da imagem que forma a socialidade pós-moderna, de tal forma que a imagem atravessa a vida social. Essas imagens produzem uma religação que possibilita partilha, vínculos e identificação entre as pessoas, reforçando o laço social. Com isso, permite o espírito gregário e a formação de grupos com interesses comuns. O imaginário, portanto, passa a ser efeito do compartilhamento de um modo de vida, uma atmosfera, visão de mundo. Trata-se de uma vibração que liga as pessoas a uma comunidade, a um grupo ou nação, sendo tanto cultural quanto racional e afetiva (MAFFESOLI, 2001). Maffesoli (2001) entende que a imagem é sempre técnica e, portanto, artefato que se propaga a partir das diferentes tecnologias existentes em cada momento histórico. Entende, então, que a discussão sobre manipulação e homogeneização não cabe a essa perspectiva das tecnologias do imaginário, dado que há uma relação dos EAD UNIFACVEST 51 Produção de mídias indivíduos com as imagens produzidas e veiculadas. Essa visão não daria conta do vivido, da atmosfera que produz a identificação e o desejo. Nesse sentido: O criador, mesmo na publicidade, só é criador na medida em que consegue captar o que circula na sociedade. Ele precisa corresponder a uma atmosfera. O criador dá forma ao que existe nos espíritos, ao que está aí, ao que existe de maneira in for mal ou disforme. A publicidade e o cinema lidam, por exemplo, com arquétipos. Isso significa que o criador deve estar em sintonia com o vivido. O arquétipo só existe por que se enraíza na existência social. [...] Portanto, as tecnologias do imaginário bebem em fontes imaginárias para alimentar imaginários (MAFFESOLI, 2001, p. 81). O desenvolvimento tecnológico da comunicação e da informação proporciona outra forma de relação com o imaginário. Para Maffesoli (2001), o imaginário se alimenta de tecnologias enquanto propagador de imagens. Nesse contexto, a internet é uma forma diferencial de interatividade que se alimenta de imaginários porque há circulação de signos e, assim, como a televisão e a publicidade, engaja emocionalmente as pessoas, articulando afetos e técnica. Com isso, tem-se outra relação, não mais do vetor emissão-recepção, mas de interação, que aponta outras formas de relação com a produção de conteúdos e sua transmissão pelas mídias que nada tem de manipulação ou persuasão, mas de construção de imaginários. A midiatização da comunicação e, posteriormente, a era digital constituem o que Silva (2019) chama de tecnologia do imaginário, enquanto tecnologia que opera pela sedução, criando desejos que compõem a vida gregária. Por isso, são tecnologias que formam laços sociais e produzem o simbólico e visões de mundo. Essa tecnologia diz respeito a publicidade, cinema, rádio, televisão e a mídias que auxiliem na produção do simbólico. O desenvolvimento das tecnologias digitais é acompanhado pelo aumento do compartilhamento de imagens que impõem a necessidade de as pessoas realizarem um gerenciamento dos estímulos visuais recebidos. Conforme Pithan (2008), na contemporaneidade, vive-se um retorno à imagem e à efervescência do símbolo, em que a imagem passa a constituir o modo de ser e pensar. A linguagem visual, portanto, constrói sentidos e transmite uma energia que constituirá a comunicação virtual: “A valorização do icônico apresenta-se ainda, mais forte na atualidade, em uma sociedade que se tornou imagética, já que o próprio instinto humano privilegia a imagem, em muitos casos, como fonte de informação” (PITHAN, 2008, p. 60). O imaginário sofre efeito da comunicação visual, como diz a autora, porque as imagens são carregadas de sentindo pelas pessoas conforme os contextos vividos. Devido ao fato de que as práticas cotidianas são permeadas por atos simbólicos, a publicidade se torna uma importante tecnologia na sociedade contemporânea aorealizar o processo de articulação entre os aspectos simbólicos e as necessidades associadas aos produtos (PIEDRAS, 2007). A publicidade, compreende Maffesoli (2001), seria como um mito na pós- - modernidade, ao constituir narrativas do cotidiano, expressando o imaginário contemporâneo. Tem, então, destaca Piedras (2007), a função de comunhão que convoca as pessoas a participarem umas com as outras, a partir dos anúncios e da identificação que mobiliza o imaginário. O consumo seria uma das formas de comunhão, EAD UNIFACVEST 52 Produção de mídias mas não a única, pois, na sociedade informacional, são as trocas emocionais e os acontecimentos que importam. A publicidade, nesse contexto, opera como partilha do imaginário contemporâneo e das práticas sociais cotidianas. Articula comunicação, informação e imaginário, e a imagem produzida nesse contexto é um fragmento das relações humanas que são organizadas a partir da troca de informações entre os diferentes grupos, ou seja, a partilha de imagens e emoções possibilita que se organize o mundo. Conforme Piedras (2007, p. 73), a publicidade “[...] constitui-se de pequenas narrativas cotidianas, ou lições de uma realidade plural”, ligada ao imaginário e ao consumo. Assim, comunica-se com a cultura de uma determinada sociedade ou grupo social. REFERÊNCIAS CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra,1999. HARAWAY, D. Manifesto Ciborgue: Ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: TADEU, T. (Org.). Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. p. 33–118. HENRIQUE, F. S. A Pop Art e a arte publicitária: um encontro no mercado. 2016. 45 f. Monografia (Graduação em Comunicação Social) – Faculdades Integradas Hélio Afonso, Rio de Janeiro, 2016. HINE, C. Ethnography for the internet: embedded, embodied and everyday. London: Bloomsbury, 2015. HINE, C. Etnografía virtual. Barcelona: Editorial UOC, 2004. (Coleccíón Nuevas Tecnologías y Sociedad). LEITÃO, D. K.; GOMES, L. G. 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Imaginários e culturas midiáticas em Roy Lichtenstein: o impacto da pop art na comunicação visual. 2008. 219 f. Tese (Doutorado em Comunicação Social) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008. RAMOS, J. S. Subjetivação e poder no ciberespaço. Da experimentação à convergência identitária na era das redes sociais. Vivências: Revista de Antropologia, v. 1, n. 45, p. 57– 76, 2015. SILVA, J. M. Michel Maffesoli e a pós-modernidade como fenômeno de comunicação. Revista Mídia e Cotidiano, v. 13, n. 2, p. 6–18, 2019 FIQUE ATENTO Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. EXERCÍCIOS 1) Pode-se entender que o advento das tecnologias digitais e as novas formas de interatividade rompem fronteiras que constituíram a cultura ocidental moderna e fundaram a compreensão do indivíduo moderno. Indique a alternativa que traduz essa ruptura. A) Natureza e cultura. B) Humano e máquina. C) Razão e fé. D) Tecnológico e social. E) Cultura e sociedade. 2) A crise do capitalismo, na década de 70, levou a uma série de reformas no processo de produção, com o objetivo de aprofundar a acumulação do capital. Esse momento marca a terceira revolução industrial, a partir da robótica e da microeletrônica, formando um novo paradigma. Assinale a alternativa que indica o paradigma que emerge nesse período. A) Cartesiano. B) Pós-moderno. C) Sociotécnico. EAD UNIFACVEST 54 Produção de mídias D) Mecanicista. E) Digital. 3) O advento das tecnologias de informação e comunicação produzem novas formas de sociabilidade, especialmente, com a Internet conectando a sociedade em rede. As TICs, portanto, alteram a estrutura das relações sociais, da subjetividade e da comunicação. Considerando esse processo, assinale a alternativa que descreve, conforme coloca Castells, o tipo de sociedade que se vivencia na atualidade. A) Comunicacional. B) Digital. C) Analógica. D) Informacional. E) Espetáculo. 4) Hine (2004; 2015) afirma que a Internet constitui-se em um artefato cultural porque produz um espaço social a partir de fronteiras simbólicas e comunicacionais que não opõe virtual e real. Nesse sentido, para a autora, a Internet possui três características importantes. Quais seriam elas? A) Incorporada, digital e informacional. B) Incorporada, mundana, corporificada. C) Corporificada, cotidiana, digital. D) Cotidiana, em rede, onipresente. E) Sociotécnica, em rede, virtual. 5) A identificação na rede é importante para que a interação social aconteça. Esse processo pode tanto marcar um realismo identitário, que corresponde ao eu fora do ciberespaço, quanto uma desestabilização dessa unidade, com a experimentação de personas. Essa identificação se inicia a partir de que artefato? A) Senha. B) Nome. C) Pseudônimo. D) Nome social. E) Login. EAD UNIFACVEST 55 Produção de mídias CAPÍTULO IV Gestão de conteúdo em plataformas sociais Jessica de Cássia Rossi APRESENTAÇÃO Nos últimos tempos, têm crescido as oportunidades de comunicação via mídias sociais para as empresas e o seu público de interesse. Cada vez mais elas têm conseguido obter boas relações com os seguidores e ainda projetado uma reputação digital satisfatória. As potencialidades das redes sociais digitais são inúmeras. Plataformas como Instagram, Facebook e Twitter promovem experiências digitais muito relevantes para as organizações. No entanto, esse processo deve ocorrer de forma estratégica e visando a objetivos que auxiliem em um posicionamento positivo das empresas. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as diversas redes sociais existentes onde as organizações podem atuar, compreendendo os aspectos e as vantagens de uso de cada uma. Também vai avaliar como essas plataformas podem contribuir na construção da imagem on-line das marcas. Bons estudos Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: I. Identificar as principais plataformas para a presença digital de uma empresa II. Reconhecer características importantes em cada uma dessas plataformas. III. Descrever o papel dessas plataformas no desenvolvimento da imagem digital da empresa EAD UNIFACVEST 56 Produção de mídias DESAFIO Na contemporaneidade,é possível encontrar uma série de opções de mídia sociais para as empresas se relacionarem digitalmente com o seu público. Esses veículos têm proporcionado interações mais dinâmicas e engajadas com a audiência das marcas, permitindo um diálogo mais equilibrado e respeitoso entre as organizações e o público estratégico. Para utilizá-las, é preciso compreender os seus mecanismos, as suas ferramentas e os seus aspectos, a fim de avaliar se é uma rede relevante para a comunicação corporativa. Textos, imagens, infográficos, vídeos e gifs são alguns exemplos de materiais que podem ser utilizados nessas plataformas para atrair o interesse do público e entregar conteúdo de valor. Tal escolha depende muito do processo de planejamento e gestão das redes sociais digitais de cada organização. Escolher a temática, os materiais e como isso vai ser divulgado são algumas decisões que precisam ser tomadas nesse momento. EAD UNIFACVEST 57 Produção de mídias Frente ao exposto, como você poderia auxiliar a empresa de recursos humanos no desenvolvimento do perfil e da presença digital no LinkedIn, além de elaborar pelo menos três tipos de conteúdo para serem publicados no perfil dessa organização? INFOGRÁFICO O mercado digital oferece inúmeras possibilidades de comunicação pelas mídias sociais, e a cada momento surgem novas redes que duram o tempo de um modismo ou que permanecem ao longo do tempo. Nesse ponto, para evitar desgaste na interação com o seu público, é relevante que as marcas acompanhem o que realmente é necessário estar presente nas plataformas digitais. Tendo isso em vista, confira, neste Infográfico, algumas potencialidades e a importância das redes sociais digitais mais populares. EAD UNIFACVEST 58 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 59 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 60 Produção de mídias Introdução As plataformas digitais permitem interações mais assertivas e próximas do público de uma empresa. Há diversas possibilidades que podem ser exploradas nesse sentido, mas é importante compreender as características e potencialidades de cada mídia social. Entre as mais utilizadas e conhecidas estão o Instagram, o Facebook, o Twitter, o LinkedIn e o YouTube, com diferentes conteúdos e objetivos que podem ser explorados. O Instagram, por exemplo, é uma mídia digital mais voltada para conteúdos visuais, sobretudo imagens e vídeos curtos; já o LinkedIn é uma mídia voltada para interações profissionais em que os indivíduos têm a oportunidade de procurar empregos e estabelecer networking. Neste capítulo, você vai conhecer as principais redes sociais digitais que podem ser exploradas pelas empresas, identificar os aspectos mais relevantes e as EAD UNIFACVEST 61 Produção de mídias potencialidades de cada uma delas e, ainda, refletir sobre o papel delas na construção da reputação on-line das organizações. Principais plataformas digitais para a presença corporativa As redes sociais digitais têm sido utilizadas pelas pessoas cada vez mais em seu dia a dia para compartilharem informações e interagirem com outros indivíduos. Desse modo, é relevante que as empresas acompanhem essas dinâmicas relacionais para compreender o seu público e se relacionar de forma mais próxima com ele. Instagram O instagram é uma das redes sociais digitais mais usadas pelo público para conectar pessoas ou para se conectar a empresas. Em 2020, foi considerada a 5ª maior mídia social do mundo, com 1 bilhão de usuários ativos (G1, 2020). É uma plataforma que disponibiliza principalmente conteúdo visual, como fotos e vídeos de curta duração; nela é possível interagir com as postagens de outros usuários e aplicar efeitos. Permite, também, seguir outros indivíduos para acompanhar suas atividades e publicações e, ainda, visualizar o número de seguidores no perfil da pessoa que é seguida (AGUIAR, 2018). A trajetória do Instagram iniciou-se em 2010, fundada pelos engenheiros de software Kevin Systrom (norte-americano) e Mike Krieger (brasileiro). Ao final do ano de 2010, a rede já contava com 1 milhão de usuários; em 2011, eram 10 milhões. Em 2012, a plataforma deu um salto quantitativo ao lançar seu aplicativo na versão Android e foi vendida por 1 bilhão de dólares para o Facebook (AGUIAR, 2018). Facebook Outra mídia social bastante expressiva na atualidade é o Facebook, uma das mais acessadas ainda hoje, com grande influência na cultura, na política e na opinião pública (AGUIAR, 2016). No final de 2020, a marca tinha aproximadamente 2,8 bilhões de pessoas ativas na plataforma e, no último semestre do mesmo ano, uma receita de 28 bilhões de dólares (VITÓRIO, 2021). O Facebook foi criado em 2003 por estudantes da Universidade de Harvard (Mark Zuckerberg, Chris Hughes, Dustin Moskovitz e o brasileiro Eduardo Saverin) e foi chamado de Facemash. O objetivo da plataforma era identificar as meninas mais atraentes da instituição por meio de fotos levantadas do sistema de segurança e, por isso, foi rapidamente fechado pela instituição. Os idealizadores enfrentaram diversas acusações como violação de segurança e privacidade. Algum tempo depois, programaram o código de uma rede virtual para criar laços de amizades virtuais entre os universitários, com o nome de “thefacebook”. Já em 2005, a rede passou a ser chamada de Facebook por sugestão do conselheiro, Sean Parker, e, em 2006, foi liberada para o ensino secundário e trabalhadores de empresa em geral. Mais tarde, qualquer indivíduo com mais de 13 anos passou a acessar o Facebook, apenas com informações como nome e sobrenome, e-mail, data de nascimento e gênero. Em 2011, a rede social digital se tornou a maior plataforma do mundo e EAD UNIFACVEST 62 Produção de mídias alcançou o número de 350 milhões de usuários. Mais tarde, os usuários passaram a utilizar a mídia como ferramenta de trabalho e meio de divulgação de empresas e marcas (AGUIAR, 2016). Twitter O Twitter, por sua vez, é uma mídia social de mensagens curtas compartilhadas entre o público, também considerado um microblogging. Em 2020, a empresa alcançou cerca de 186 milhões de usuários, mas teve queda no faturamento no mesmo ano por conta da pandemia da Covid-19. A plataforma permite que os usuários publiquem tweets com textos curtos inúmeras vezes e sigam outras pessoas, acompanhando na própria timelime os tweets de outras pessoas. Trata-se de uma ferramenta dinâmica, em que é possível acompanhar o perfil de pessoas anônimas e famosas. Além disso, é considerada uma mídia revolucionária em termos de conteúdo em relação aos veículos tradicionais. A plataforma indica quais foram os assuntos mais comentados durante um dia, conhecidos como trending topics, e serve como canal de interação entre marcas e clientes. A rede social digital começou em 2006 com os americanos Jack Dorsey, Evan Willians e Biz Stone, possibilitando a conversação e o compartilhamento de conteúdos textuais, imagens e vídeos. A plataforma está disponível em 35 idiomas, sendo o serviço acessado pelo aplicativo móvel e pelo site da empresa. No Brasil, o Twitter tornou-se popular a partir de 2008, mas ganhou versão em português só em 2009. LinkedIn A rede social corporativa LinkedIn é voltada para conexões entre profissionais no cenário digital; entre as suas possibilidades estão: oportunidades de emprego, busca por outros profissionais e organizações e estabelecimento de contatos com outros profissionais (networking). A plataforma conta com 756 milhões de usuários, e o Brasil é o 4º país com mais usuários ativos — 43 milhões (SILVA, 2020). Para as empresas, o LinkedIn auxilia na abordagem de negócios, valores e cultura corporativas, na divulgação de conteúdoseducativos para profissionais, no recrutamento de talentos e parcerias com outras empresas. A visão da rede é a de gerar conexões entre profissionais de vários lugares para que se tornem mais bem sucedidos e produtivos. A plataforma surgiu em 2003 pelos fundadores Reid Hoffman, Allen Blue, Jean-Luc Vaillant, cujo objetivo foi criar uma rede profissional digital. Inicialmente, a plataforma teve 350 contatos e, após um ano, mais de 1 milhão de usuários, atraindo muitos usuários e investidores. No Brasil, a marca chegou em 2011; em 2016 foi adquirida pela Microsoft por mais de 26 bilhões de dólares. YouTube Por fim, o YouTube é a maior rede social digital para compartilhamento de vídeos, tendo mais de 2,2 bilhões de usuários em 2020. Ela foi criada por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim (ex-funcionários da PayPal) em fevereiro de 2005 e foi EAD UNIFACVEST 63 Produção de mídias comprada pela Google em 2006 por 1,65 bilhão de dólares. Tem sido usada como subsidiária do Google e é um dos maiores buscadores da internet. O YouTube possibilita criar séries para o público, produzir vídeos, publicar entrevistas, expor produtos e comentar os conteúdos de outros usuários. O compartilhamento de vídeos tem potencial de alcance significativo, apesar de a produção ser mais trabalhosa. No Brasil, em 2020, 105 milhões de pessoas acessavam a plataforma mensalmente (CAPOBIANCO, 2020). Cada mídia social apresentada tem diferentes características e objetivos, mas que podem ser exploradas da melhor forma pelas empresas. É necessário entender cada uma delas e o público presente nessas plataformas para definir as estratégias para conquistar bom engajamento. Características das plataformas digitais Para explorar as mídias sociais, as organizações precisam planejar e gerenciar as redes sociais digitais para atingir o público-alvo e seus objetivos estratégicos. Ao conhecerem os aspectos e as potencialidades de cada rede social digital, as empresas podem aproveitar as melhores oportunidades das plataformas digitais. O Instagram, por exemplo, disponibiliza o compartilhamento de fotos e vídeos, transmissões ao vivo e o uso de filtros nos conteúdos. É possível visualizar, curtir, comentar e compartilhar as publicações entre pessoas e empresas, mas não é mais divulgado o número de curtidas paras os seguidores, exceto para o dono do perfil. Essa medida foi uma forma de evitar pressão social e o bullying, mas foi vista com preocupação, [...] visto que muitas pessoas usam o desempenho de seus posts como ferramenta de trabalho. Apesar de os likes não terem sido extintos, o fim de sua versão visível ao público geral reduziu o nível de engajamento de alguns usuários (TECMUNDO, 2019, documento on-line). Um recurso recorrentemente utilizado são as menções a hashtags, as quais funcionam como mecanismo de pesquisa de postagens. Para as empresas, as hashtags auxiliam na segmentação de público, quando elas têm um perfil empresarial. Uma das características da plataforma é adotar estratégias de outras concorrentes, como quando passou a realizar compartilhamento de fotos e vídeos por 24 horas por meio da ferramenta story, como já fazia o Snapchat, e a divulgação de vídeos curtos por meio do reels, imitando o TikTok. SAIBA MAIS O TikTok é uma rede social digital que tem feito bastante sucesso na atualidade e permite a edição e o compartilhamento de vídeos curtos entre os usuários. O público adolescente e jovem é um dos que mais tenho utilizado a mídia, sendo um espaço com muita potencialidade para as empresas e marcas explorarem. EAD UNIFACVEST 64 Produção de mídias Para saber mais sobre essa nova plataforma, procure em um buscador de pesquisa na internet mais informações sobre o TikTok, seu público, suas características e os potenciais para as empresas. A versão para empresas do Instagram permite a criação de um perfil digital, semelhante a uma fanpage, em que os seguidores podem entrar em contato diretamente com elas, facilitando a interação entre organizações e públicos estratégicos distinguindo as contas corporativas das contas pessoais. Além disso, a plataforma permite realizar métricas diversificadas para avaliar o desempenho do seu perfil, como impressões, alcance, visualizações de perfil, acessos ao site, seguidores e principais publicações. O Facebook, por sua vez, permite o compartilhamento de textos, imagens, vídeos curtos, etc. em que há, ainda, um público muito expressivo. Embora tenha sido, em alguns casos, substituído por outras plataformas sociais, abrange uma audiência muito significativa e tem se adaptado frente às novas demandas e novas ações que surgiram ao longo dos últimos anos. Nela é possível criar uma conta pessoal ou fanpage para se comunicar com outras pessoas a partir de mensagens instantâneas, compartilhamentos de postagens e curtidas nas publicações. É um dos sites mais utilizados na internet para conectar pessoas e realizar pesquisa de informações e funciona como “[...] espécie de centralizador de contatos [...]” (AGUIAR, 2016, documento on-line). Algumas ferramentas disponíveis para empresas no Facebook são as seguintes (BERNAL, 2020). „ • Facebook Creators: é um instrumento para a criação de conteúdo de vídeo, informações mais específicas sobre a audiência e o desempenho e para gestão dos vídeos publicados na plataforma. „ • Facebook Creator Studio: está voltada para o gerenciamento, divulgação, monitoramento e monetização de vídeos no Facebook. Ela permite, ainda, gerenciar diversas páginas e contas do Instagram, otimizando o trabalho do profissional de mídia social. „ • Facebook Mobile Studio: auxilia na criação de anúncios para a plataforma com apenas o celular e disponibiliza diversos tutoriais para a criação de anúncios com fotos e vídeos. Os recursos apresentados certamente potencializam o uso do Facebook pelas empresas, a fim de que consigam resultados mais eficientes e eficazes em sua atuação digital. O Twitter também é uma rede social digital bastante dinâmica para divulgar opiniões, notícias e momentos com rapidez. Nela se produzem textos curtos de até 280 caracteres sobre qualquer tema e pode-se inserir vídeos, imagens, gifts, etc. Para tanto, a empresa “[...] precisa manter a frequência de informações e o timing que a rede social EAD UNIFACVEST 65 Produção de mídias demanda, senão seus posts simplesmente vão desaparecer no meio da avalanche de Tweets [...]” (MLABS, 2021, documento on-line). Para as empresas, é relevante estar presente no Twitter para se atualizar sobre o que está acontecendo, promover a empresa gratuitamente, conquistar novos públicos, iniciar interações ou movimentos e experimentar novos estilos de comunicação com a marca (TWITTER, 2021). As empresas podem utilizar a versão Twitter for Bussiness, que tem recursos que aumentam as chances de um conteúdo ser visto e compartilhado. Nela também é possível ter acesso aos dados das interações por meio do Twitter Analytics e promover campanhas da marca por meio do Twitter Ads; ambas ferramentas podem ajudar no aumento da presença digital das marcas. O LinkedIn é uma mídia social em que os usuários estão buscando parcerias, negócios e conexões comerciais, por isso, é uma plataforma muito interessante para as marcas, especialmente para os segmentos de negócios business to business (B2B), mas também pode ser usada para abordar o segmento business to consumer (B2C) (MLABS, 2020). Para que a marca tenha um desempenho satisfatório no LinkedIn, é importante que ela conheça os principais recursos e tenha clareza do seu uso na sua estratégia digital. O LinkedIn é considerado uma rede em que é possível obter os leads (dados de um contato que pode gerar oportunidade de negócio) mais qualificados. Isso ocorre porque seu objetivo é a promoçãode vagas de empregos, bem como a divulgação das trajetórias pessoais e profissionais. Vale considerar também que seu público é extremamente segmentado, pois o foco da plataforma é voltado para relações comerciais, vendas e negociações (MLABS, 2020). Por fim, é necessário citar também os aspectos e as potencialidades do YouTube para as organizações. O site tem como missão “[...] dar a todos uma voz e revelar o mundo [...]” (YOUTUBE, 2021, documento on-line, tradução nossa). Algumas organizações têm usado o YouTube para divulgar suas marcas e conteúdos informativos. A plataforma conta com a versão YouTube para negócios, na qual, por meio de conteúdos audiovisuais, é possível divulgar e promover anúncios da marca. Diferentemente de outras plataformas, a marca não permite o uso de outros formatos de conteúdo. Desse modo, é relevante que a empresa tenha profissionais e equipamentos especializados para a produção dos seus conteúdos audiovisuais no YouTube. Alguns cuidados recomendados para as empresas que queiram atuar no YouTube são listados a seguir. „ • Banner e trailer: recomenda-se desenvolver a identidade visual do canal por meio de um banner ou uma foto de capa. Ademais, sugere-se elaborar um trailer com play automático quando um usuário acessa o canal. „ • Criação de vídeos: os vídeos da marca devem seguir um mesmo padrão a fim de não destoar da sua comunicação. O ideal é evitar formatos de vídeo que estejam na moda e não correspondam ao formato de comunicação da empresa. „ • Ideia de vídeos: há alguns formatos de vídeo que a empresa pode utilizar para a produção de conteúdo em seu canal no YouTube, que são: informativos, vlog, séries, etc. O ideal, no entanto, é que se escolha o tipo de formato condizente ao negócio da empresa. Um exemplo é produzir EAD UNIFACVEST 66 Produção de mídias imagens que mostrem o produto sendo utilizado por alguém ou que apresente as opiniões dos clientes a respeito. As opções mostram algumas características e potencialidades que as redes sociais digitais oferecem para as organizações na comunicação com os seus públicos estratégicos. Recomenda-se que a organização compreenda cada uma delas e descubra em quais seus interlocutores estão presentes para escolher aquelas que possam gerar maior e melhor proximidade. O papel das plataformas para a reputação digital das empresas As mídias sociais potencializam a comunicação entre empresas e seus públicos de interesse de modo mais dinâmico e próximo entre ambos. Trata-se de um modelo de comunicação dialógico em que as partes interagem entre si de forma igualitária. Desse modo, as organizações precisam ouvir as demandas e os posicionamentos dos seus seguidores para negociar com os seus interesses e objetivos, tornando o processo interativo mais justo (BUENO, 2015). Nessa construção, quanto mais as organizações entendem as demandas dos seus públicos estratégicos e os seus temas de interesse, traduzindo- -os para a sua comunicação digital, certamente as chances de obter bom engajamento nas redes sociais digitais são maiores. À medida que isso se concretiza, a organização consegue estar mais próxima dos seus públicos e, ainda, construir uma boa imagem nesses espaços. A reputação digital das empresas é resultado de uma série de variáveis, como seus discursos, suas ações, a coerência entre o que diz e o que faz, a confiança que ela passa para o público, a transparência, a abertura para o diálogo e a ética na sua atuação. Quanto mais esses aspectos são levados em conta e são praticados nas mídias sociais, maiores serão as chances para a construção de uma imagem corporativa favorável perante os públicos estratégicos (BUENO, 2015). Desse modo, recomenda-se que as marcas procurem planejar e gerenciar sua comunicação nas plataformas digitais, conforme os seus objetivos, o perfil dos seus interlocutores e as suas demandas. Certamente, quando essas variáveis se correlacionam entre si, os resultados tendem a ser satisfatórios e permitem que as empresas possam identificar erros e imprevistos com mais rapidez e saber como agir perante eles. Nesse processo, é relevante também escolher as mídias sociais que sejam mais adequadas para os propósitos da empresa. Isso quer dizer que não é adequado, por exemplo, ter um perfil digital no Twitter se o público- -alvo não estiver presente nela e se não há necessidade de atualização de informações e tendências para o negócio em questão. Do mesmo modo, não é uma mídia para se explorar materiais como vídeos, uma vez que o foco dessa plataforma são textos curtos, sendo ferramentas como YouTube ou, talvez, o Instagram mais adequadas para tal. Conhecer cada uma das redes sociais digitais existentes e que são mais utilizadas na atualidade é um trabalho muito importante para a gestão dos conteúdos digitais. Sem compreender a dinâmica, as ferramentas e as potencialidades que cada uma delas têm, há uma significativa probabilidade de insucesso. A comunicação digital não é unidirecional, mas bidirecional, em que a lógica é que ambas as partes possam interagir entre si. Quando organizações publicam conteúdos de seu interesse e não estão EAD UNIFACVEST 67 Produção de mídias dispostas a ouvir o que os públicos estratégicos têm a dizer, podem passar a imagem de prepotência e falta de consideração com seguidores (BUENO, 2015). As reflexões sobre a comunicação em mídias sociais levam a compreender os movimentos digitais que as marcas precisam considerar a fim de evitar problemas e crises de imagem. Embora essas ferramentas on-line possibilitem muitos aspectos positivos na comunicação da marca, também podem ser muito prejudiciais para sua reputação pública. Quando o ambiente digital não é entendido, planejado, gerenciado e monitorado de forma estratégica, a probabilidade de obter-se problemas é alta. Portanto, considerar as mídias sociais existentes, suas características, suas potencialidades e os seus desafios é um caminho que auxilia na construção de boas práticas digitais para as organizações. A presença das empresas nessas plataformas é sempre um critério a ser considerado, mas que não pode ser feito de forma aleatória e amadora. Não basta estar presente; é necessário atuar e interagir com sua audiência de modo a entregar conteúdos que sejam relevantes para ela, assim, a comunicação poderá ser muito mais eficaz para os negócios. REFERÊNCIAS AGUIAR, A. Facebook: tudo sobre a rede social mais usada do mundo! 2016. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/facebook/. Acesso em: 2 set. 2021. AGUIAR, A. Instagram: saiba tudo sobre esta rede social! 2018. Disponível em: https:// rockcontent.com/br/blog/instagram/. Acesso em: 2 set. 2021. BERNAL, W. 6 ferramentas do Facebook para usar no marketing digital. 2020. Disponível: https://resultadosdigitais.com.br/blog/ferramentas-do-facebook/. Acesso em: 2 set. 2021. BUENO, W. C. Estratégias de comunicação para as mídias sociais. In: BUENO, W. C. (org.). Estratégias de comunicação nas mídias sociais. Barueri: Manole, 2015. p. 123–144 CAPOBIANCO, M. A cada mês, 105 milhões de brasileiros navegam pelo YouTube. Veja Rio, Rio de Janeiro, 5 nov. 2020. Disponível em: https://vejario.abril.com.br/cidade/105- - milhoes-brasileiros-mes-youtube/. Acesso em: 2 set. 2021. G1. Instagram faz 10 anos como uma das maiores redes sociais do mundo e de olho no TikTok, para não envelhecer. 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/ tecnologia/noticia/2020/10/06/instagram-faz-10-anos-como-uma-das-maiores-redes- - sociais-do-mundo-e-de-olho-no-tiktok-para-nao-envelhecer.ghtml. Acesso em: 2 set. 2021. MLABS. LinkedIn para empresas: conheça os principais recursos para fazer marketing no LinkedIn. 2020. Disponível em: https://www.mlabs.com.br/blog/linkedin-para- -empresas/. Acesso em: 2 set. 2021. EADUNIFACVEST 68 Produção de mídias MLABS. Saiba como usar e ter melhor performance no Twitter para empresas. 2021. Disponível: https://www.mlabs.com.br/blog/twitter-para-empresas/. Acesso em: 2 set. 2021. SILVA, B. A era LinkedIn. Isto É Dinheiro, [São Paulo], n. 1172, 22 maio 2020. Disponível em: https://www.istoedinheiro.com.br/a-era-linkedin/. Acesso em: 2 set. 2021. TECMUNDO. Instagram. [2019]. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/instagram. Acesso em: 2 set. 2021. TWITTER. Por que usar o Twitter para empresas? [2021]. Disponível em: https://business. twitter.com/pt/basics/intro-twitter-for-business.html. Acesso em: 2 set. 2021. VITÓRIO, T. Facebook fica mais perto de 3 bilhões de usuários ativos e receita cresce em 2020. Exame, [São Paulo], 27 jan. 2021. Disponível em: https://exame.com/tecnologia/ facebook-fica-mais-perto-de-3-bilhoes-de-usuarios-ativos-e-receita-cresce-em-2020/. Acesso em: 2 set. 2021. YOUTUBE. Ever wonder how YouTube works? [2021]. Disponível em: https://www.youtube. com/intl/pt-BR/about/. Acesso em: 2 set. 2021. FIQUE ATENTO Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. EXERCÍCIO 1) Desde o início da internet, diversas redes sociais digitais surgiram e foram utilizadas pelos usuários, sendo algumas delas mais populares do que outras a ponto de influenciar a opinião pública, a cultura e a política. Qual mídia digital teve esse impacto na sociedade? A) Facebook. B) LinkedIn. C) Twitter. D) Instagram. E) YouTube. EAD UNIFACVEST 69 Produção de mídias 2) O compartilhamento de alguns conteúdos nas mídias digitais precisa ser adequado às funções de cada plataforma. Nesse aspecto, uma empresa que deseja compartilhar mais informações sobre seus produtos nas mídias sociais deve publicar esses conteúdos a partir de qual formato e em qual ferramenta? A) Textos curtos no Twitter. B) Imagens no Instagram. C) Vídeos curtos no Instagram. D) Textos e imagens no LinkedIn. E) Vídeos no YouTube 3) Uma possibilidade do Instagram que pode ser utilizada pelas marcas é a publicação de conteúdo temporário, que some depois de um tempo. Sobre esse tipo de publicação, avalie as afirmativas a seguir. I. Usar a ferramenta reels. II. Publicar o conteúdo no story. III. Compartilhar o material no seu feed. Entre as afirmativas qual(is) deve(m) ser utilizada(s)? A) I, apenas. B) II, apenas. C) III, apenas. D) I e II. E) II e III. 4) Para gerenciar o conteúdo de diversos perfis no Facebook, as empresas contam com algumas ferramentas da própria plataforma que otimizam a gestão dos conteúdos. Tendo isso em vista, considere as afirmativas a seguir. I. Facebook Mobile Studio II. Facebook Creators III. Facebook Creator Studio Qual(is) dessa(s) ferramenta(s) pode(m) ser utilizada(s) para esse fim? A) I, apenas. B) II, apenas. C) III, apenas. D) I e II. E) II e III. 5) As mídias sociais possibilitam uma comunicação mais dinâmica e próxima dos públicos de interesse das marcas atualidade. Um dos aspectos que precisam ser levados em conta para a construção de uma boa imagem digital é: A) coerência entre o que diz e o que faz. B) falta de disposição para o diálogo. C) atitudes antiéticas e inverdades. D) comunicação impositiva e opaca. EAD UNIFACVEST 70 Produção de mídias E) ferramentas de gestão de vídeos. PRÁTICA Atuar nas redes sociais digitais requer cuidado e sensibilidade com os seguidores em relação ao contexto de comunicação em que as organizações se encontram. É necessário rever posturas e temas que em determinadas datas ou situações mexem com os valores e as percepções das pessoas para evitar conflitos e ruídos de comunicação. Confira, Na Prática a seguir, um exemplo de adaptação de conteúdo em uma rede social digital por marcas de luxo durante a pandemia de covid-19. EAD UNIFACVEST 71 Produção de mídias CAPÍTULO V Bibliotecas escolares na era digital Pablo Rodrigo Bes APRESENTAÇÃO A sociedade contemporânea passou por reconfigurações diversas a partir da década de 1990, principalmente a partir da globalização e das tecnologias digitais de informação e comunicação, que começam a fazer parte da cultura das pessoas. Nesse conjunto de mudanças, há um entendimento novo sobre o planeta, uma busca pela homogeneização cultural e uma ênfase na aprendizagem ao longo de toda a vida. Essa aprendizagem se associa diretamente com as novas possibilidades que as tecnologias de informação e comunicação (TICs) introduzem. Cabe à escola, aos professores e às bibliotecas escolares realizar essa transição, aproximando a realidade dos estudantes, em sua grande maioria nativos digitais, da rotina e da didática em utilização. Assim, no interior de uma sociedade da informação, do conhecimento e da aprendizagem, a biblioteca escolar digital é uma ferramenta poderosa para que a aprendizagem inovadora e significativa que se persegue no paradigma educacional emergente possa se estabelecer. Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá sobre as mudanças ocorridas no contexto escolar a partir da sociedade da informação, poderá perceber como as bibliotecas escolares se ajustam, tornando-se digitais, fornecendo suporte e apoio para que professores e alunos tenham êxito no processo de ensino-aprendizagem no qual participam. Bons estudos Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: I. Descrever as bibliotecas escolares digitais a partir do novo conceito de informação da sociedade contemporânea. II. Relacionar os avanços das tecnologias da informação e comunicação com as bibliotecas digitais escolares. III. Reconhecer as bibliotecas escolares digitais como ferramentas de um processo de ensinoaprendizagem inovador. EAD UNIFACVEST 72 Produção de mídias DESAFIO Professores, equipe gestora da escola, bibliotecários e bibliotecas precisam se ajustar às mudanças tecnológicas que passaram a fazer parte da vida das pessoas a partir da cibercultura contemporânea. Afinal, a sociedade pode aprender muito a partir das informações e dos conhecimentos veiculados, acessados e produzidos na Web, o que pode ser impulsionado a partir de uma ação efetiva da equipe diretiva da escola em promover essa transição da biblioteca para a era digital. EAD UNIFACVEST 73 Produção de mídias Argumente com essa bibliotecária como o papel da biblioteca precisa ser revisto para se ajustar à contemporaneidade, propondo alternativas para essa situação: INFOGRÁFICO Assim como as tecnologias de informação e comunicação digitais (TICs) reconfiguraram a vida das pessoas a partir da popularização da Internet no Brasil, que ocorreu a partir da última década do século XX, elas também possibilitaram que as bibliotecas escolares avançassem rumo a uma nova fase, tornando-se muito mais próximas ao universo cultural dos estudantes. No Infográfico a seguir, você conhecerá algumas das contribuições práticas das TICs para a emergência da biblioteca escolar digital contemporânea. EAD UNIFACVEST 74 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 75 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 76 Produção de mídias INTRODUÇÃO A sociedade se reconfigurou desdea década de 1990, passando a ser conhecida como “sociedade da informação”. Além de ser marcada pela globalização e por reconfigurações econômicas, políticas e culturais, a sociedade da informação é caracterizada pela emergência de novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), que fornecem acesso a uma gama de informações nunca antes disponível aos homens. A escola tem sido desafiada a se encaixar nesse contexto, procurando, na lógica do aprender a aprender, relacionar a cultura das crianças e jovens nativos digitais com os mecanismos didáticos existentes. A biblioteca escolar digital desponta como importante parceira nessa busca, auxiliando os docentes a fazerem com que os estudantes aprendam de forma significativa e inovadora. Neste capítulo, você vai estudar as bibliotecas escolares digitais, verificando como elas se relacionam com as mudanças na sociedade da informação, do conhecimento e da aprendizagem. Como você vai verificar, as bibliotecas digitais são uma ferramenta imprescindível para que a aprendizagem significativa ocorra. Bibliotecas escolares digitais contemporâneas A sociedade atual sofre os efeitos de uma reconfiguração radical das formas como as pessoas vivem, se relacionam, acessam as informações e aprendem. Essa reconfiguração ganhou impulso a partir da década de 1990, com fenômeno da globalização, incentivado ainda mais pela emergência e pela popularização das TICs. Nesse novo mundo, denominado “ciberespaço”, as noções de tempo e espaço se comprimem. Afinal, hoje você pode se comunicar, aprender, acessar um acervo digital de uma biblioteca ou falar com alguém em qualquer lugar do mundo, em tempo real, sem precisar sair da frente do seu computador ou smartphone, não é mesmo? É importante, nesse primeiro momento, que você entenda a sociedade contemporânea a partir dos conceitos de ciberespaço, cibercultura e cultura da convergência. Isso é necessário para que você possa verificar como a escola e seus múltiplos espaços de apoio precisam se reinventar para que a aprendizagem dos estudantes ocorra acompanhando essas tendências. O ciberespaço é representado pela World Wide Web (WWW) e todas as suas possibilidades. Lévy (1999, p. 17) define o ciberespaço da seguinte maneira: O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. EAD UNIFACVEST 77 Produção de mídias Você provavelmente utiliza o ciberespaço em seu cotidiano, seja ao conferir suas mensagens, ao acessar as redes sociais digitais, ao enviar e-mails ou ao ouvir músicas, assistir a filmes e séries, etc. O conceito de cibercultura vem desse uso constante e habitual. Em suma, a cibercultura é “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem junto com o crescimento do ciberespaço” (LÉVY, 1999, p. 17). A partir dessa ideia de cibercultura, aumentam as possibilidades pedagógicas, e é possível definir a sociedade atual como uma sociedade de aprendizagem, que se constitui após a fase da sociedade da informação (década de 1990), passando pela sociedade do conhecimento. Nesta, se buscou ter um olhar mais crítico e propor um tratamento para as informações, visando a convertê-las em conhecimento. Na sociedade aprendente contemporânea, “mudanças significativas são oportunizadas pelas tecnologias e mídias digitais, transformadas na atualidade em potencializadores de aprendizagens” (SILVA; VALENTE, 2016, p. 70). Isso é visto no chamado “ensino híbrido”, que procura mesclar atividades presenciais de sala de aula com atividades on-line, originando os experimentos digitais diversos presentes nos inúmeros modelos e possibilidades de aprendizagem ativa existentes hoje. Para isso, porém, as escolas (e os estudantes) precisam possuir os recursos tecnológicos necessários, pois deve haver suporte tecnológico e rede de internet disponível para que as TICs sejam operadas. É nesse novo cenário da cibercultura que as escolas também procuram reconfigurar seus espaços, buscando atender às novas demandas e adaptando seus ambientes aos novos hábitos e interesses dos estudantes. Assim, a biblioteca escolar como espaço para onde o aluno se desloca a fim de retirar um livro impresso no horário estabelecido para a sua turma já não é mais suficiente. Embora as bibliotecas escolares ainda possuam seus espaços físicos estruturados, com acervo de livros impressos, elas foram redesenhadas, incorporando estações de trabalho com computadores ligados à internet. Com isso, os alunos podem acessar acervos digitais, nos quais e-books passam a substituir obras tradicionais. Tais acervos possibilitam que os estudantes realizem suas leituras e pesquisas onde estiverem, a partir de aplicativos instalados em seus aparelhos celulares, tablets e notebooks. Furtado (2010, p. 105) reconhece que “a biblioteca digital representa uma evolução do resultado da utilização do computador e da internet nos serviços da biblioteca e pode ser conceituada como uma coleção organizada de informação, em formato digital, acessível pela rede mundial de computadores”. Dessa forma, a biblioteca escolar digital apoia também a ideia do mobile learning, ou seja, da aprendizagem via dispositivo móvel do usuário. Ao analisar as características da biblioteca digital, Cunha (2009, p. 258) salienta que ela “é também conhecida como biblioteca eletrônica (termo preferido dos britânicos), biblioteca virtual (quando utiliza os recursos da realidade virtual), biblioteca sem paredes e biblioteca conectada a uma rede”. Independentemente da denominação, essas bibliotecas digitais costumam apresentar as seguintes características (CUNHA, 2009): „ • acesso remoto pelo usuário, por meio de um computador conectado a uma rede; „ • utilização simultânea do mesmo documento por duas ou mais pessoas; „ EAD UNIFACVEST 78 Produção de mídias • inclusão de produtos e serviços de uma biblioteca ou centro de informação; • existência de coleções de documentos correntes, por meio das quais se pode acessar não somente a referência bibliográfica, mas também o texto completo; „ • provisão de acesso em linha a outras fontes externas de informação (bibliotecas, museus, bancos de dados, instituições públicas e privadas); „ utilização de maneira que a biblioteca local não necessite ser proprietária do documento solicitado pelo usuário; „ • utilização de diversos suportes de registro da informação, tais como texto, som, imagem e números; „ • existência de unidade de gerenciamento do conhecimento. Como você pode perceber a partir dessas características, as bibliotecas digitais contribuem positivamente para que os estudantes consolidem sua aprendizagem a partir do acesso facilitado a vários recursos de mídia digital. Elas também possibilitam que as instituições de ensino ampliem seu acervo disponível a partir da contratação de acervos digitais terceirizados, bem como do acesso a bancos de dados oficiais de instituições públicas e privadas. Além disso, as bibliotecas digitais costumam oferecer espaços para os estudantes experienciarem outros formatos da informação digital que hoje fazem parte de suas vidas, como salas preparadas para acessar vídeos, sons e imagens. Ao se referir aos benefícios da reconfiguração das bibliotecas por meio da digitalização, Furtado (2010, p. 106) destaca [...] a possibilidade de acesso remoto à informação. Biblioteca sem muro, superando os limites físicos, geográficos e temporais. Esse aspecto tem influência direta no novo modelo de educação da Sociedade da Informação,no caso de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na modalidade a distância. O contexto do EAD na atualidade O Ministério da Educação (MEC) do Brasil define que o ensino a distância (EAD) é “[…] a modalidade educacional na qual alunos e professores estão separados, física ou temporalmente e, por isso, faz-se necessária a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação” (BRASIL, c2018, documento on- -line). Lendo essa definição, EAD UNIFACVEST 7 Produção de mídias podemos ficar com a impressão de que o EAD é uma modalidade de ensino recente e que apenas se tornou possível devido ao desenvolvimento das TICs. No entanto, a história mostra que o EAD é uma modalidade educativa centenária em nosso país. Alves (2011) afirma que, já em 1904, o Jornal do Brasil registrava em sua página de classificados um anúncio que oferecia a profissionalização a distância para datilógrafo. Em 1923, Edgard Roquette Pinto iniciou a oferta de cursos de português, francês, silvicultura, literatura francesa, esperanto, radiotelegrafia e telefonia por meio de transmissões de rádio feitas pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, criada por ele e Henrique Morize. A ideia deles avançou e, em 1934, a Secretaria Municipal de Educação do Distrito Federal (naquela época, a cidade do Rio de Janeiro era a capital do Brasil) lançou, em parceria com Roquette Pinto a Rádio Escola Municipal. Nesse projeto, “[…] os estudantes tinham acesso prévio a folhetos e esquemas de aulas, e também era utilizada correspondência para contato com estudantes” (ALVES, 2011, p. 88). Nascia, então, a primeira iniciativa governamental voltada para o EAD. Em 1939 e em 1941, surgiram, respectivamente, o Instituto Monitor e o Instituto Universal Brasileiro, que ofereciam sistematicamente cursos profissionalizantes por meio de cursos abertos a distância. Até a década de 1970, muitas iniciativas de EAD foram lançadas, utilizando basicamente como tecnologia o envio de material por correspondência e transmissões radiofônicas. Somente em 1974 “[…] surge o Instituto Padre Reus e na TV Ceará começam os cursos das antigas 5ª à 8ª séries (atuais 6º ao 9º ano do ensino fundamental), com material televisivo, impresso e monitores” (ALVES, 2011, p. 88). Iniciava-se o uso da televisão como tecnologia para o EAD. É interessante notar que, até esse período, o EAD no Brasil estava voltado para o ensino profissionalizante ou para a educação básica. Foi a Universidade de Brasília que, em 1979, lançou a primeira iniciativa de EAD para o ensino superior criando cursos veiculados por jornais e revistas. Em 1989, essa iniciativa se tornou o Centro de Educação Aberta, Continuada, a Distância (CEAD), com o lançamento do programa Brasil EAD. Em 1992, a mesma universidade criou a Universidade Aberta de Brasília, que se tornou um marco no EAD brasileiro. Em 1995, foi criado o Centro Nacional de Educação a Distância, com o Programa TV Escola, da Secretaria de Educação a Distância (SEED) do MEC. A criação da SEED sinaliza que o Brasil passou a incluir em suas políticas educacionais esforços para democratizar e melhorar a qualidade da educação brasileira, considerando o EAD como um dos meios para atingir esse objetivo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996) fez o EAD oficial no Brasil, com a definição das bases legais para essa modalidade de educação. O art. 80 da LDB 9.394/1996 menciona o seguinte a respeito do EAD (BRASIL, 1996, documento on-line): O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. §1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. §2ºA União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. §3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. §4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, EAD UNIFACVEST 8 Produção de mídias que incluirá: I – custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam explorados mediante autorização, concessão ou permissão do poder público; II – concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; III – reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. O texto desse artigo da LDB atribui o desenvolvimento de iniciativas voltadas para o EAD ao poder público: governos municipais, estaduais e federal. Também demonstra que o uso das TICs são parte fundamental do processo. Para compreendermos a questão, é preciso entender melhor o que está envolvido nas TICs. De acordo com Anjos e Silva (2018, p. 18), as TICs podem ser compreendidas como: […] um conjunto de sistemas, processos, procedimentos e instrumentos que tem por objetivo a transformação — criação, armazenamento e difusão da informação e da comunicação, por diversos meios, para satisfazer as necessidades informativas dos indivíduos e da sociedade. Na década de 1990, a televisão e o rádio eram as TICs que tinham uma inserção maior na sociedade e, portanto, as mais utilizadas no EAD. Os computadores e a internet ainda estavam em um processo de popularização incipiente; seu uso era restrito a uma parcela da sociedade. Talvez por essa razão, apesar de a LDB 9.394/1996 estabelecer as bases legais para o funcionamento do EAD no Brasil em 1996, somente em 2005 o Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005, apresentou regulamentação para o art. 80 da LDB referente ao EAD. Esse decreto apresenta critérios para realização da EAD, indicando nível de ensino em que pode ser implementada (educação básica/ EJA, cursos profissionalizantes, ensino superior e cursos de pós-graduação), bem como indicações para a aplicação de avaliações e realização de cursos por meio de programas de pós-graduação a distância (BRASIL, 2005). Castells (2005) apresenta a evolução das TICs no século XX, apontando que, após a invenção da internet, a sociedade entrou em um estágio caracterizado pelo aumento assombroso da capacidade de transmissão com a tecnologia de comunicação em banda larga, sendo possível transmitir, além de dados, voz e imagem, o que revolucionou as telecomunicações. Essa evolução tecnológica alterou de modo significativo as condições para o EAD, uma vez que os recursos digitais associados à internet passaram a ser amplamente utilizados. Podemos afirmar que a enorme ampliação no acesso à internet e dos recursos a ela relacionados definiu um campo promissor na ampliação do EAD pela internet. Isso se deu por dois motivos principais: a popularização de smartphones e demais tecnologias de rede, que permite maior acessibilidade, mobilidade e flexibilidade; e a conversão de diferentes mídias (semioses: imagem, vídeo, áudio) no ambiente digital, que proporciona mais possibilidades de acesso à informação. É por essa ampliação da possibilidade de interação entre professores e alunos do EAD por meio de recursos digitais associados à internet que assistimos a uma ampla expansão do acesso ao EAD. Dados do Censo da Educação Superior (BRASIL, 2019) divulgados pelo MEC referentes a 2019 apontam que o número de alunos que ingressa no ensino superior na modalidade EAD superou o número de alunos que ingressa no ensino superior na modalidade presencial (50, 7% contra 49,3%). Em sintonia com essa EAD UNIFACVEST 9 Produção de mídias ampliação do EAD no Brasil, o decreto nº 9.057, de 25 maio depois sendo o indivíduo condutor de sua aprendizagem, ele pode contar agora com acesso permanente aos materiais da biblioteca, suprimindo o fator empréstimo, aquisição de cópias, horário de funcionamento etc. De fato, se você comparar a biblioteca digital com a biblioteca escolar que ainda não opera de forma digital, vai perceber rapidamente o quanto, em termos práticos, esta última obstaculiza o acesso à informação pelos estudantes, que devem utilizá-la em dias e horários específicos, limitando-se à retirada de certo número de obras e à sua respectiva devolução. Isso sem falar da necessidade de existirem muitas cópias dos livros mais indicados pelos professores, não é mesmo? Com as bibliotecas digitais, esses problemas são atenuados e, muitas vezes, até mesmo desaparecem. Na próxima seção, você vai verificar como as bibliotecas escolares estão se adaptando e se reconfigurando com base nas TICs e nas novas formas de aprender que elas possibilitam. EAD UNIFACVEST 79 Produção de mídias O avanço das TICs e as bibliotecas escolares As bibliotecas têm uma importância fundamental na história da sociedade, uma vez que representam o conhecimento acumulado a partir das produções culturais. Furtado (2010, p. 105) comenta que “a biblioteca aparece como uma das instituições mais antigas da humanidade e analisando a sua história percebemos que durante muitos séculos ela foi vista como uma instituição ‘sagrada’, com a função de guarda e preservação da memória intelectual da sociedade”. Essa noção esteve sempre associada ao livro impresso, que faz com que o conhecimento acumulado pelo homem, ao desenvolver o seu intelecto na literatura clássica e nas obras científicas, seja condensado por meio da tipografia. Nesse contexto, “a ideia de um repositório que se desdobre ao infinito registrando e organizando todo o conhecimento humano parece ser um sonho obsessivamente renovado ao longo do tempo” (SAYÃO, 2008, p. 4). Esse sonho, com o advento das TICs em seus suportes diversos, se ampliou consideravelmente, modificando a forma como as bibliotecas escolares são representadas na mente de seus usuários e exigindo a sua reestruturação. As bibliotecas, assim como as demais instituições sociais e a própria vida social, foram se reconfigurando, ajustando-se aos contextos de cada época e, principalmente, aos suportes tecnológicos que fazem com que o homem modifique sua forma de lidar com os saberes produzidos. Sayão (2008) analisa como as bibliotecas foram evoluindo paralelamente ao avanço das pesquisas e estudos das áreas da computação e da recuperação da informação, movimento realizado desde a década de 1950, porém somente impulsionado a partir da década de 1990. Veja o que o autor afirma: A emergência e o desenvolvimento das bibliotecas digitais nos primeiros estágios foram impulsionados por duas forças principais: em primeiro lugar, o rápido desenvolvimento das tecnologias de informação, especialmente a multimídia e as redes de computadores, que ofereciam formas mais eficientes e, às vezes, inovadoras de processar, gerenciar e apresentar a informação; em segundo, as pessoas, principalmente, os acadêmicos, que desejavam compartilhar com maior eficiência informações importantes, tais como material bibliográfico, base de dados científicos e resultados de pesquisa (SAYÃO, 2008, p. 11). Assim, destacam-se dois aspectos fundamentais no avanço das bibliotecas até o seu formato digital: as TICs e o comportamento das pessoas. As TICs se proliferaram e continuam avançando e produzindo inovações associadas com a velocidade de sua cultura da interface (JOHNSON, 2001). Essa cultura da interface remete ao modo como as tecnologias digitais modificam o design de seus produtos visando a proporcionar uma experiência mais envolvente ao usuário, o que ocorre em ritmo acelerado. Johnson (2001, p. 8) destaca que “o livro reinou como o meio de comunicação de massa preferido por vários séculos; os jornais tiveram cerca de 200 anos para inovar; até o cinema deu as cartas durante 30 anos antes de ser rapidamente sucedido pelo rádio, depois pela televisão, depois pelo computador pessoal”. Essas mudanças ocorreram ao longo do tempo, subjetivando as gerações que as vivenciaram. Como efeito da velocidade de inovações e da própria cibercultura, que vai sendo impulsionada, o comportamento das pessoas também se modifica. Isso se reflete em novos estilos de vida e relacionamento, associados à profusão de informações EAD UNIFACVEST 80 Produção de mídias disponíveis e à busca pelo conhecimento, o que afeta particularmente os estudantes contemporâneos. Afinal, “a geração de alunos que as escolas recebem atualmente está cada vez mais envolvida pelos avanços tecnológicos” (CASTRO, 2014, p. 37). Cabe, neste momento, considerar as gerações que hoje coabitam e fazem uso das bibliotecas: as crianças e jovens que já nasceram na época da cibercultura, normalmente denominados “nativos digitais”; os indivíduos que se apropriaram dessas tecnologias já na vida adulta, chamados de “imigrantes digitais”; e ainda os colonizadores digitais. Para compreender melhor, observe o Quadro 1, a seguir. Como você pode observar no Quadro 1, cada uma das gerações possui uma maneira própria de lidar com a tecnologia, com a informação e com os seus múltiplos suportes. No contexto dos colonizadores digitais, destacam-se os pioneiros das empresas que produzem tecnologias nessa área, como Bill Gates, Steve Jobs, entre outros entusiastas das TICs. Entre os imigrantes digitais, incluem-se todos aqueles nascidos antes da década de 1990, na qual houve a universalização e a popularização da web. Logo, muitos dos adultos e idosos da sociedade atual são imigrantes digitais. Embora eles possam desenvolver plenamente as suas habilidades para o uso das TICs e sejam também subjetivados por elas, vivenciaram outras experiências em um mundo em que essas tecnologias digitais ainda não existiam. Por fim, os nativos digitais são aqueles já nascidos em uma sociedade configurada pelo uso constante das mídias digitais; telas e redes fazem parte de suas vidas desde as primeiras experiências infantis. EAD UNIFACVEST 81 Produção de mídias FIQUE ATENTO Saber discernir e lidar com a informação digital é uma competência informacional. Logo, como todas as demais competências, é o resultado da aplicação de conhecimentos e do desenvolvimento de habilidades específicas. Nesse caso, a ideia de que os imigrantes digitais são limitados quanto aos usos das TICs é um mito: assim como os nativos digitais, os imigrantes podem ampliar suas competências, tornando-se plenamente qualificados no uso das TICs, basta que busquem aperfeiçoamento. EAD UNIFACVEST 82 Produção de mídias Hoje, os estudantes que frequentam a escola, sobretudo a educação básica, se localizam na categoria geracional daqueles que já nasceram no mundo da cibercultura. Desse modo, cabe à biblioteca escolar digital “oferecer instrumentos e orientações que falem a linguagem dos alunos, nativos digitais, acostumados ao meio virtual, a hipertextos e recursos tecnológicos” (LANZI; FERNEDA; VIDOTTI, 2013, p. 54). Essa é uma das maneiras de fazer com que a escola se aproxime da vida dos estudantes, tornando- se mais interessante a partir do momento em que se conecta com a realidade cotidiana dos alunos. Além disso, as autoras defendem o seguinte: A biblioteca escolar pode estimular e ensinar o uso de recursos tecnológicos que auxiliem na sua formação humana, como início do processo de constituição de futuros profissionais responsáveis e atuantes na sociedade na qual estão inseridos. Para isso, podem ser desenvolvidos projetos como rodas de discussão, fóruns e a utilização de crítica e política na internet (LANZI; FERNEDA; VIDOTTI, 2013, p. 65). Dessa forma,as bibliotecas escolares digitais contemporâneas também podem se encarregar de desenvolver essa percepção crítica acerca do ciberespaço, no qual os estudantes nativos digitais costumam passar muitas horas de seus dias. As bibliotecas podem promover discussões sobre as potencialidades e limitações do ciberespaço, propondo aprendizagens críticas quanto ao uso e à interpretação de imagens, símbolos e hipertextos nas experiências de imersão digital que as plataformas oferecem. A essa aprendizagem crítica, Campello (2009) denominou “letramento informacional”. Ao referir-se à importância do letramento informacional na contemporaneidade, dado o caráter central dessa competência atualmente, Gasque (2012, p. 46) esclarece que ele: [...] é um processo de aprendizagem que favorece o aprender a aprender, visto que engloba conceitos, procedimentos e atitudes que permitem ao indivíduo identificar a necessidade de informação e delimitá-la, buscar e selecionar informação em vários canais e fontes de informação, bem como estruturar e comunicar a informação, considerando os seus aspectos éticos, econômicos e sociais. Assim, os estudantes nativos digitais, sobretudo aqueles que se encontram na educação infantil ou no ciclo de alfabetização, nos anos iniciais do ensino fundamental, devem começar a compreender que o tempo que dispendem como usuários das redes digitais também pode ser canalizado para que novas aprendizagens se solidifiquem, e não somente para obter experiências sensoriais que envolvem prazer momentâneo e distração. O professor, aliado à biblioteca escolar e ao bibliotecário, deve oferecer suporte, de forma criativa e inovadora, para que os estudantes nativos digitais entendam que o ciberespaço pode complementar o que eles estudam nas disciplinas que compõem o currículo escolar. Veja o que Sibilia (2012, p. 204) comenta ao analisar o quanto a escola se desencaixa do perfil dos estudantes nativos digitais: Os jovens abraçam essas novidades e se envolvem nelas de forma mais visceral, embora não se trate de uma exclusividade dessas gerações. No entanto, surge aqui um choque digno de nota: são justamente essas EAD UNIFACVEST 83 Produção de mídias crianças e esses adolescentes, que nasceram ou cresceram no novo meio ambiente, os que devem se submeter diariamente ao contato mais ou menos violento com os envelhecidos rigores escolares. São eles que alimentam as enferrujadas engrenagens daquela instituição de confinamento fundada há alguns séculos e que, mais ou menos fiel a suas tradições, continua operando com o instrumental analógico do giz e do quadro-negro, dos regulamentos e dos boletins, dos horários fixos e das carteiras enfileiradas, da prova escrita e da lição oral. Há diversas alternativas para que a escola possa ajustar-se aos novos tempos tecnológicos e midiáticos. Você vai ver, a seguir, como as bibliotecas escolares digitais podem auxiliar professores e bibliotecários a fazer com que o processo de ensino e aprendizagem ocorra de forma significativa e inovadora para os estudantes. As bibliotecas escolares digitais e a aprendizagem inovadora Você viu anteriormente o quanto as TICs, impulsionadas na década de 1990, simultaneamente às reconfigurações econômicas, políticas e culturais derivadas da globalização, modificaram a forma como as pessoas vivem, se relacionam, se comunicam e aprendem na sociedade contemporânea. Desse modo, a própria escola precisou ajustar-se em busca de um novo paradigma que pudesse fazer frente à sociedade da informação, na qual se busca cada vez mais a aprendizagem contínua ao longo de toda a vida, o que é encarado como uma tendência. A educação ao longo de toda a vida, também conhecida pela expressão em inglês longlife learning, popularizou-se a partir do relatório elaborado pela Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI a pedido da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Tal relatório foi organizado por Jaques Delors, em 1996, com o título original “Learning: the treasure within”. Essa obra foi traduzida para o português com o título “Educação: um tesouro a descobrir” e reforça o conceito de uma sociedade de aprendizagem ou educativa, que se propõe a partir do século XXI para o mundo todo. Em tal sociedade, o maior tesouro está justamente nos processos educativos. Veja o que o relatório afirma: [O conceito de aprendizagem ao longo da vida] Aproxima-se de um outro conceito proposto com frequência: o da sociedade educativa, onde tudo pode ser ocasião para aprender e desenvolver os próprios talentos. Nesta nova perspectiva a educação permanente é concebida como indo muito mais além do que já se pratica, especialmente nos países desenvolvidos: atualização, reciclagem e conversão e promoção profissionais dos adultos. Deve ampliar a todos as possibilidades de educação, com vários objetivos, quer se trate de oferecer uma segunda ou uma terceira oportunidade, de dar resposta à sede de conhecimento, de beleza ou de superação de si mesmo, ou ainda, ao desejo de aperfeiçoar e ampliar as formações estritamente ligadas às exigências da vida profissional, incluindo as formações práticas. Em suma, a “educação ao longo de toda a vida” deve aproveitar todas as oportunidades oferecidas pela sociedade (DELORS et al., 1998, p. 117) EAD UNIFACVEST 84 Produção de mídias Assim, os sistemas educacionais precisam se redesenhar e se reinventar para abranger essas novas exigências do mundo contemporâneo. A ideia é fazer com que os estudantes aprendam a partir da mobilização de suas habilidades cognitivas e emocionais e com o uso das tecnologias existentes, o que impacta diretamente a biblioteca, sua estrutura e as formas como ela se relaciona com a informação e com seus usuários. O paradigma educacional emergente se constitui por um novo arranjo de ideias potentes que foram modificando o entendimento do processo educacional e das práticas componentes da própria didática. Nesse contexto, é importante você explorar alguns dos elementos que se fundem para entender como as bibliotecas escolares digitais se encaixam no novo contexto educacional. A seguir, veja alguns traços desse paradigma educacional inovador emergente (BEHRENS, 2011; MORAES, 2011): „ • abordagem sistêmica; „ • abordagem progressista; „ • ensino com pesquisa; „ • interação; „ • construtivismo; „ • hibridez; „ • tecnologia; „ • globalização. O pensamento sistêmico surge na área da biologia, sobretudo a partir das pesquisas do biólogo austríaco Ludwig Von Bertalanffy (1901–1972), opondo-se diretamente às ideias cartesianas que até então eram dominantes nos paradigmas educacionais. Como o conceito de sistema considera fundamentais a interdependência, a relação e o contexto entre as partes para o resultado obtido na ciência, ele aponta o erro das teorias propostas por Descartes e Newton. Essas teorias entendiam que a ciência deveria ter como método de trabalho a cisão entre partes, ou seja, a segmentação dos saberes a serem analisados, para assim produzir suas “verdades”. Behrens (2011) comenta ainda que, embora as ideias progressistas não tenham adquirido o que alguns de seus pensadores almejavam, como a superação do modelo econômico capitalista e do sistema político liberal pelo socialismo, muitas de suas ideias a respeito da educação acabaram criando as condições de possibilidade do paradigma educacional emergente na atualidade. Algumas dessas ideias progressistas são: utilizar metodologias ativas com o aluno no centro do processo de ensino e aprendizagem; encarar a aprendizagem e a socialização como fatores mais importantes do que o ensino; entender que a criança carrega saberes do convívio social e cultural; trazer a realidade social para o contexto das aulas; perseguir uma formação plena para o convívio sociale para o trabalho; entender a criança como ser em potencial, que pode alcançar um patamar maior por meio da mediação do professor e dos colegas. Ao lado dessas ideias progressistas da educação e do pensamento sistêmico, também se pode demarcar que a pesquisa se faz muito presente no paradigma educacional emergente. A pesquisa é a chave para os processos que buscam promover o pensamento autônomo voltado para o aprender. Como o mundo atual é caracterizado pela alta velocidade das mudanças e pela profusão de dados e EAD UNIFACVEST 85 Produção de mídias informações, sobretudo no âmbito das TICs, como você viu anteriormente, o uso da pesquisa se faz essencial. Veja o que Behrens e Mader (2015, p. 27477) comentam: [...] o principal reflexo do acesso à informação decorrente do contexto da sociedade da informação, apresenta-se a abordagem do ensino com pesquisa. Nesse caso, o ambiente da escola deve ser inovador, a fim de instigar o aluno a inovar, respeitando as individualidades. Parcerias com empresas podem auxiliar a tornar o ambiente equipado em termos de inovações tecnológicas, indispensáveis para o desenvolvimento de um aluno com perfil de investigador, ativo e produtivo, que elabora projetos e assume postura de sujeito no processo pedagógico. Assim, a escola deve buscar prover os meios para que os estudantes façam bom uso das possibilidades tecnológicas que a sociedade da informação proporciona. A ideia é que a aprendizagem se torne mais produtiva, eficiente e interessante, aliando-se ao universo cultural das crianças e adolescentes. É nessa ideia que se insere, em caráter especial, a biblioteca escolar digital contemporânea, capaz de apoiar os professores em suas ideias construtivistas, permitindo a interação entre os estudantes em seus espaços físicos e plataformas virtuais. Dessa forma, o caráter híbrido da aprendizagem inovadora — que é representado pela associação de experiências presenciais e virtuais propiciada pelos professores aos seus estudantes, em momentos on-line e off-line — também tem na biblioteca digital sua possibilidade de realização. Roca (2012, p. 54), ao analisar a biblioteca escolar contemporânea e suas reconfigurações na sociedade digital, pontua: A cultura escrita sobrevive na cultura digital, mas é preciso questionar onde ela está situada e de que forma se tem acesso a ela. O aspecto-chave é a possibilidade de coexistência dos diferentes meios ou suportes para a cultura escrita e a necessidade de relacioná-la, de maneira diferenciada, com outras formas e linguagens que sejam úteis para a representação e a comunicação de conteúdos [...]. A questão principal — no que se refere à biblioteca escolar — consiste em reconhecer que, na atualidade, não podemos realizar uma promoção da leitura com as mesmas ferramentas e estratégias que usamos anteriormente. Dessa forma, cabe à biblioteca escolar digital apoiar os estudantes na ressignificação das práticas de leitura e escrita, agora mediadas pelas tecnologias digitais. Como comenta Antunes (2002, p. 47), “a escola precisa ser o ambiente onde o professor age como mentor da criança ao orientá-lo em ‘abrir’ toda a sua destreza e amplidão de movimentos”. Considere, por exemplo, os nativos digitais, com toda a sua habilidade em manusear as TICs; caberia ao docente, também se apropriando dessas competências, conduzi-los e direcioná-los para que pudessem tirar o melhor proveito das tecnologias para o seu aprendizado, evitando o que Sibilia (2012) definiu como o efeito dispersivo que comumente ocorre quando se navega na web. Esse efeito dispersivo pode ocorrer até mesmo em uma atividade de pesquisa, uma vez que os estudantes se deparam com os hipertextos e hyperlinks típicos do ciberespaço. EAD UNIFACVEST 86 Produção de mídias SAIBA MAIS Uma das características da comunicação digital é a hipertextualidade, que ocorre quando a um texto são agregados novos elementos explicativos que o complementam, permitindo que o leitor se aprofunde em vários aspectos abordados ou referidos. No ciberespaço, os hipertextos costumam surgir a partir dos hyperlinks existentes nos conteúdos, que, ao serem clicados, dão outro direcionamento ao usuário. Assim, da mesma forma que podem contribuir para ampliar os conhecimentos sobre algo, esses links também facilitam a dispersão dos usuários que os utilizam. Como você deve ter se dado conta, muitas vezes a escola parece não ter se apropriado como deveria das mudanças e reconfigurações da sociedade relativas às TICs. Embora políticas públicas tenham proposto, a partir do final do século XX, adaptar as escolas com laboratórios de informática, visando à inclusão digital, ainda existe resistência e pouco suporte para o uso da internet pelos professores. Esse fato se soma aos choques culturais geracionais, uma vez que grande parte dos professores ainda é imigrante digital. Nesse contexto, a biblioteca escolar digital pode ser o elo de ligação entre essas gerações, possibilitando a comunicação por meio da tecnologia que disponibiliza, do preparo do bibliotecário e das orientações e parcerias que desenvolve com os docentes. Assim, ela pode contribuir diretamente para que a aprendizagem ocorra alinhada à cibercultura, estimulando o aprender a aprender. Além disso, ao utilizar determinadas técnicas, os professores podem valer- -se das TICs para estimular o desenvolvimento das capacidades cognitivas, emocionais e sociais dos alunos, favorecendo a interação e a aprendizagem. Antunes (2002) lista alguns dos recursos que podem ser utilizados, que inclusive deveriam constar do suporte existente nas bibliotecas escolares digitais. Veja quais são eles: Chat — uma sala de aula permanentemente aberta para professores e alunos trocarem desafios, proporem soluções; fórum — espaços abertos, criados para a discussão de temas diversos, propostos pelo professor em diferentes disciplinas; mural — construção de um verdadeiro jornal vivo, interativo, rico em desafios e temas de interesse dos alunos; planilhas — novas formas de ilustração de trabalho em textos e hipertextos e busca de uma linguagem lógico-matemática e espacial para temas antes trabalhados apenas através da linguagem linguística; correio eletrônico — ampliação dos limites de comunicação entre alunos de diferentes ambientes e níveis de aprendizagem; links, bibliotecas virtuais — organização e direcionamento de assuntos pertinentes e selecionados em outros sites; download e upload — busca e pesquisa de conteúdos específicos (ANTUNES, 2002, p. 107–108). Você ainda pode acrescentar a essa lista os podcasts, hoje tão em evidência, além da utilização de inúmeros outros aplicativos que podem ser associados a EAD UNIFACVEST 87 Produção de mídias metodologias ativas para tornar as aprendizagens mais significativas e próximas da realidade dos estudantes, desafiando-os e, assim, despertando seu interesse e seu engajamento. Ao longo deste capítulo, você viu que as bibliotecas escolares digitais hoje representam a atualização da escola ante as novas possibilidades de aprender que a web trouxe. Tais possibilidades, porém, precisam ser direcionadas pelos professores, uma vez que é muito fácil que ocorra uma grande dispersão dos alunos ao se depararem com a hipertextualidade que as interfaces digitais lhes apresentam. Assim, professores e bibliotecários, juntos, podem servir de fato como mentores, orientando os estudantes a tirar o máximo proveito das conexões digitais e dos inúmeros recursos da web para aprender algo que seja significativo para suas vidas e sua formação plena. REFERÊNCIAS ANTUNES, C. Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002. 172 p. BEHRENS, M. A. O paradigma emergente e a prática pedagógica. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2011. 120 p. BEHRENS,M. A.; MADER, M. P. M. Os Paradigmas Educacionais na Prática Pedagógica. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 12., 2015, Curitiba. Anais [...]. Curitiba: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2012. p. 27470–27478. Disponível em: https://educere. bruc.com.br/arquivo/pdf2015/18644_11491.pdf. Acesso em: 6 ago. 2020. CAMPELLO, B. S. Letramento informacional: função educativa do bibliotecário na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. 79 p. (Biblioteca escolar). CASTRO, J. F. S. Nativos digitais na biblioteca escolar: programas de letramento informacional para o ensino médio. Orientador: Alberto Calil Junior. 2014. 116 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Biblioteconomia, linha de pesquisa Biblioteconomia, Cultura e Sociedade) – Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014. Disponível em: http://www.repositorio-bc.unirio. br:8080/xmlui/handle/unirio/11789. Acesso em: 6 ago. 2020. CUNHA, M. B. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 257–268, set./dez. 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0100-19651999000300003&lng=pt&nrm=iso&t lng=pt. Acesso em: 6 ago. 2020. DELORS, J. et al. Educação – um tesouro a descobrir: relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI 2. ed. São Paulo: Cortez; EAD UNIFACVEST 88 Produção de mídias Brasília: Unesco, 1998. 288 p. 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No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. EXERCÍCIOS 1) A emergência e o desenvolvimento das bibliotecas digitais nos primeiros estágios foram impulsionados por duas forças principais: em primeiro lugar, o rápido desenvolvimento das tecnologias de informação, especialmente a multimídia e as redes de computadores, que ofereciam formas mais eficientes e, às vezes, inovadoras de processar, gerenciar e apresentar a informação; em segundo, as pessoas, principalmente os acadêmicos, que desejavam compartilhar com maior eficiência informações importantes, tais como material bibliográfico, base de dados científicos e resultados de pesquisa (SAYÃO, 2008, p. 11). A partir da citação da autora e de seus estudos, é possível afirmar que: EAD UNIFACVEST 90 Produção de mídias A) As tecnologias digitais de informação e comunicação inovaram as formas de processar, armazenar e dispor as informações, prejudicando a aprendizagem nas bibliotecas. B) Tanto o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação digitais quanto o interesse dos estudantes impulsionaram a reconfiguração das bibliotecas digitais. C) Com as tecnologias digitais de informação e comunicação, o hábito da leitura e o próprio livro impresso estão sendo descartados, suscitando o fechamento das bibliotecas. D) As questões digitais que passaram a compor a vida das pessoas após a década de 1990 ficaram fora do contexto escolar, pois tratam-se de aspectos culturais dos nativos digitais. E) Os estudantes das escolas acabaram perdendo o interesse pelas bibliotecas que disponibilizam as tecnologias digitais de informação e comunicação em seu ambiente de convivência. 2) Atualmente coexistem dentro da sociedade três grupos diferentes de pessoas no que tange às tecnologias digitais de informação e comunicação. Analise as três denominações a seguir e relacione a primeira e a segunda colunas de forma a estabelecer a relação correta entre elas: I. Colonizadores digitais II. Imigrantes digitais III. Nativos digitais ( ) Nascidas já no contexto das tecnologias digitais de informação e comunicação após a década de 1990. ( )Cresceram em um universo analógico, acompanhando e contribuindo para a inovação tecnológica. ( ) Aprenderam ao longo da vida, na juventude ou vida adulta, a utilizar as tecnologias que passam a existir. ( ) Passam grande parte de suas vidas conectados na Web, sem diferenciar contextos on-line de off-line. ( ) Estes não têm memórias de um mundo sem o uso da Internet e seus artefatos digitais. A) III – I – II – III – III. B) I – II – III – III – I. C) II – III – I – II – III. D) I – I – II – III – II. E) II – II – III – I – I. EAD UNIFACVEST 91 Produção de mídias 3) A biblioteca escolar digital se associa com o paradigma educacional emergente a partir de alguns pontos importantes, como: abordagem sistêmica, abordagem progressista, ensino com pesquisa, hibridismo e uso das tecnologias. Sobre esses fatores, analise as afirmativas e marque as que são verdadeiras (V) e falsas (F): ( ) A abordagem sistêmica se refere à capacidade de entender como os diversossetores da escola contribuem para que o processo de ensino-aprendizagem se efetive. ( ) As contribuições das teorias progressistas colocam o estudante como protagonista e reforçam as ideias de envolver as suas realidades cotidianas no contexto escolar. ( ) Promover a pesquisa é parte fundamental do paradigma educacional emergente, no qual as TICs podem contribuir decisivamente também a partir da biblioteca. ( ) O hibridismo se refere à possibilidade de utilização de aulas presenciais e a distância pelos professores, o que prejudica o desenvolvimento dos estudantes. ( ) A utilização de tecnologias digitais de informação e comunicação pelas escolas tem sido discutida seguindo a tendência de seu abandono pela baixa contribuição que efetua. A) F – F – F – V – V. B) V – F – V – F – V. C) V – V – V – F – F. D) V – V – F – F – F. E) F – V – V – V – V 4) As bibliotecas escolares digitais procuram acompanhar as tendências e possibilidades tecnológicas que reconfiguraram a vida cotidiana nas últimas três décadas. Sobre essas mudanças, analise as asserções a seguir e marque a alternativa que apresenta uma correta relação entre elas: I. As bibliotecas escolares digitais expandiram o significado associado ao livro e à biblioteca existente anteriormente ao surgimento das tecnologias de informação e comunicação digitais (TICs). PORQUE II. Deixaram de se restringir ao depósito de obras impressas em seu acervo, possibilitando novos formatos midiáticos e acessos realizados de forma remota, seja em seu espaço físico ou mesmo a distância, possibilitando que a pesquisa ocorra de forma permanente aos seus usuários. A) As asserções I e II são proposições falsas e sem complementação. B) A asserção I é uma proposição falsa e a asserção II é uma proposição verdadeira. C) A asserção I é uma proposição verdadeira e a asserção II é uma proposição falsa. D) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II é uma justificativa correta da asserção I. EAD UNIFACVEST 92 Produção de mídias E) A asserção I e II são proposições verdadeiras, mas a asserção II não é uma justificativa da asserção I. 5) A professora Joana deu uma atividade de pesquisa em grupo para os seus alunos do 4º ano do Ensino Fundamental realizarem ao longo da semana. Nessa proposta, eles poderiam utilizar o acesso que dispunham da biblioteca virtual da escola para pesquisar sobre o seu gênero literário preferido, associando textos, imagens e sons caso quisessem. Após a realização dessa pesquisa, deveriam apresentar para a turma os seus resultados construídos. Com a atitude da professora, é possível afirmar que ela: A) Procura se isentar de seus compromissos como docente se valendo de uma postura pouco comprometida com os resultados de seu trabalho. B) Atua de forma dissociada do ambiente cultural de seus alunos, o que pode trazer prejuízos e desinteresse à sua aprendizagem futura. C) Adota uma postura pedagógica tradicional ao impor aos alunos o que devem fazer, restringindo o protagonismo e a liberdade dos alunos. D) Está adotando procedimentos equivocados, pois as atividades com os alunos deveriam ser feitas em sala de aula exclusivamente. E) Entende que a biblioteca escolar digital é um excelente recurso para ampliar as possibilidades de aprendizagem híbrida de seus alunos. NA PRÁTICA As bibliotecas escolares precisaram se atualizar, ajustando-se às novas tendências que envolvem as tecnologias digitais e o suporte, nos quais hoje se pode obter acesso às informações e ao conhecimento. Assim, para colocar em prática o paradigma educacional emergente, as escolas precisam adequar as suas bibliotecas à era digital. Na Prática, você acompanhará os passos que a bibliotecária Andreia tomou para adequar a biblioteca da sua escola ao contexto contemporâneo da sociedade da informação. EAD UNIFACVEST 93 Produção de mídias GABARITO DOS EXERCÍCIOS UNIDADE I: Questão Resposta 01. B 02. A 03. E 04. C 05. E UNIDADE II: Questão Resposta 01. E 02. D 03. D 04. C 05. B UNIDADE III: Questão Resposta 01. A 02. C 03. D 04. B 05. E UNIDADE IV: Questão Resposta 01. A 02. E 03. B 04. C 05. A UNIDADE V: Questão Resposta 01. B 02. A 03. C 04. D 05. E EAD UNIFACVEST 94 Produção de mídias Capa: Núcleo de Produção EAD Unifacvest Imagem da capa: Copyright © 2010-2022 Freepik Company | Imagem livre de Direito Autoral Centro Universitário Unifacvest © 2022 - Todos os direitos reservados.2017, apresentou uma nova regulamentação para o EAD. De acordo com o texto desse decreto, as instituições de ensino superior podem ampliar a oferta de cursos de graduação e pós-graduação a distância, pois passou a ser permitido que elas façam o credenciamento de cursos na modalidade EAD sem que seja necessário o credenciamento prévio do curso na modalidade presencial (BRASIL, 2017). A nova legislação também regulamenta a oferta de cursos a distância para o ensino médio e para a educação profissional técnica de nível médio, devendo essas modalidades atender ao novo ensino médio (BRASIL, 2017). Seguindo a tendência do ensino híbrido, abordagem pedagógica que mescla um momento presencial com um momento on-line, a Resolução nº 3 do Conselho Nacional de Educação (CNE), de 21 de novembro de 2018, atualiza as Diretrizes Nacionais para o Ensino Médio, aprovando a oferta de até 20% da carga horário na modalidade EAD para o ensino médio diurno, até 30% no ensino médio noturno e até 80% da educação de EJA (BRASIL, 2018b). Também em 2018, em 28 de dezembro, a portaria nº 1.428 estabelece que os cursos de graduação presenciais podem ofertar até 40% de suas aulas no modelo EAD, ampliando o limite que havia sido estabelecido no ano de 2017, que era de 20% (BRASIL, 2018a). Esse novo marco regulatório possibilitou uma ampliação da oferta do EAD no Brasil. Como podemos observar, o EAD é uma modalidade de ensino praticada no Brasil há mais de cem anos, apesar de ter sido mencionada em um texto oficial do governo apenas em 1996. Durante um longo período, o EAD foi considerado uma modalidade educacional voltada para a educação básica e para o ensino de cursos profissionalizantes. Com o surgimento da internet e de sua subsequente expansão, novas TICs associadas a ela e ao ambiente digital ampliaram as possibilidades de interação a distância, provocando uma expansão do EAD. Além disso, a legislação brasileira passou a regulamentar o EAD e, na atualidade, há uma expansão nessa modalidade de ensino, sobretudo no ensino superior, e o horizonte aponta para uma maior utilização dela na educação básica, sobretudo no ensino médio e em cursos de formação técnica. Contudo, é preciso considerar que essa expansão na modalidade EAD está atrelada ao desenvolvimento das TICs. TICs na educação Como vimos, o EAD no Brasil tem uma história centenária. As primeiras experiências brasileiras de EAD utilizavam como tecnologia de informação e de mediação da comunicação com os alunos a mídia impressa e o ensino por correspondência. Depois, passaram a ser utilizadas outras ferramentas, como rádio, televisão, fitas cassete e conferências por telefone (TORRES; FIALHO, 2008). Com a influência de tecnologias digitais interativas disponíveis com a internet, o EAD passou por uma grande revolução, acompanhando as mudanças que as TICs têm provocado nos processos de ensino e aprendizagem, não apenas no EAD, mas também na educação presencial, com o surgimento da abordagem pedagógica denominada ensino híbrido. Confira no Quadro 1 a classificação das iniciativas de EAD no Brasil de acordo com a utilização de determinadas TICs. EAD UNIFACVEST 10 Produção de mídias A primeira geração que utilizava o papel e o material impresso como TIC não previa um processo de relação entre o aluno e o professor. Utilizando de uma instrução programada, as iniciativas em EAD pressupunham o processo de autoaprendizagem: o aluno aprende de modo autônomo, sem a mediação direta do professor, e, por isso, as ações adotadas propunham o processo de ensino e aprendizagem sem desenvolver nenhuma interação com o professor ou com outros alunos. Na segunda geração, apesar dos avanços tecnológicos relacionados às TICs, as propostas educativas permaneciam sem permitir uma interação entre professor e aluno, não havendo a mediação pedagógica proporcionada pelo docente. Somente na terceira geração, com o uso de dispositivos eletrônicos conectados à internet, é que se torna possível a interação entre professores e alunos. Essa comunicação pode ocorrer de modo síncrono (ao mesmo tempo, on-line), por meio de bate-papos ou videoconferências, e de modo assíncrono, por meio fóruns e e-mail. Além disso, o uso das TICs associadas ao ambiente digital proporciona a criação de espaços colaborativos onde o aluno não interage apenas com os professores, mas também com outros alunos (COSTA, 2016). O Quadro 1 nos permite perceber de modo direto o impacto que o uso das TICs pode promover no processo de ensino e aprendizagem. Apesar de a tabela fazer referência apenas ao EAD, o impacto das TICs se aplica a toda modalidade de ensino, seja ela a distância, presencial ou híbrida. Isso se dá devido ao seguinte fator: quanto mais a TIC possibilitar a interação entre os usuários, maior será a transformação provocada por ela nos processos de ensino e aprendizagem. O uso de material impresso, que chegava em casa pelo correio, ou o uso de material audiovisual, como programas de rádio, televisão ou gravações exibidas em videocassete, permitiam apenas a interação do aluno com o material didático ao qual ele tinha acesso. É evidente que, no caso de material audiovisual, é possível reunir um grupo de alunos para assistir a aula. EAD UNIFACVEST 11 Produção de mídias Contudo, a mediação do professor ainda se fazia ausente para incentivar e conduzir as interações entre os estudantes e entre os estudantes e o objeto do conhecimento analisado. Apenas com o desenvolvimento tecnológico que permitiu a popularização de TICs associadas à internet e ao ambiente digital é que a interação do aluno de EAD deixou de ser apenas com o material didático, passando a acontecer também com o professor e outros alunos, em tempo real, apesar da distância geográfica entre eles. A chave de transformação que as TICS proporcionam ao processo de ensino e aprendizagem está relacionada diretamente ao poder de proporcionar interações entre as pessoas. Quanto maior o caráter de interação de uma TIC, maior será seu potencial transformador na aprendizagem. Costa (2016, p. 33) faz a seguinte afirmação em relação ao potencial que as TICs associadas à internet têm em modificar os processos de ensino e aprendizagem: […] podemos pensar também na possibilidade de construção interativa de conhecimentos, onde, coletivamente, o saber dos sujeitos interage com os saberes de outros sujeitos, concretizando a formação do conhecimento em rede. Nada poderia ser mais exemplar do que a EAD materializando o conceito da construção coletiva do conhecimento através do uso das novas tecnologias de informação e comunicação, em especial através da internet. O papel mediador do professor vai possibilitar, em determinados momentos, a permanência ou ausência dos sujeitos em constante interatividade: nos diálogos dos fóruns e chats, no desenvolvimento de atividades e na integração entre os sujeitos da aprendizagem. Essa construção interativa de conhecimentos que pode ser proporcionada pelas TICs associadas à internet e ao ambiente digital está em consonância com os princípios da teoria sociointeracionista de aprendizagem. Essa teoria foi desenvolvida pelo russo Lev Vygotsky e pressupõe que o conhecimento é construído do social para o individual. Contudo, como nos explica Barros e Carvalho (2011), os indivíduos não têm acesso direto ao conhecimento: esse acesso é mediado pelo outro e pelo meio em que ele está inserido, considerando-se aí os diferentes objetos culturais existentes em sua cultura. Assim, o indivíduo sozinho não constrói conhecimento, porque a sua relação com o mundo não ocorre de forma direta, mas fundamentalmente mediada. Outro conceito importante desenvolvido por Vygostsky (1994) e que nos permite compreender a construção de conhecimento é o das zonas de desenvolvimento. Para o autor, a zona de desenvolvimento realcorresponde às aprendizagens já internalizadas pelo indivíduo. A zona de desenvolvimento potencial corresponde ao conhecimento que pode ser alcançado pelo indivíduo e que atualmente ele só consegue demonstrar por meio da mediação (da ajuda) que pode ser feita por outro indivíduo (como um colega ou um professor) ou por meio de um objeto cultural (como um livro, uma ferramenta ou um aparelho eletrônico). A zona de desenvolvimento proximal corresponde à diferença entre os conhecimentos já internalizados pelo indivíduo e os conhecimentos que ele pode alcançar no futuro, mas que atualmente só consegue demonstrar por causa da ajuda, da mediação do outro ou do meio. Fica evidente, então, a centralidade da mediação na construção do conhecimento, pois ela vai indicar quais são os processos educativos que estão sendo desenvolvidos pelo indivíduo e que podem se tornar aprendizagens internalizadas. Resumindo, a aprendizagem internalizada EAD UNIFACVEST 12 Produção de mídias (desenvolvimento real) foi antes uma aprendizagem proximal, pois só era realizada mediante um processo de mediação. Porém, o fato de ela estar em processo é um indicativo de seu potencial de ser uma aprendizagem real. Considerando a centralidade da mediação para a consolidação de aprendizagens internalizadas, as TICs associadas à internet e aos ambientes digitais facilitam a mediação. Isso porque são ferramentas ricas em possibilidades interativas e colaborativas, favorecendo a interação do aluno com seus pares e com os professores, facilitando a mediação do outro. Esse processo interativo resulta na construção de aprendizagens significativas nos alunos. Buzato (2007) menciona que as TICs associadas à internet e ao ambiente digital produzem uma rede de práticas sociais, denominadas letramento digital. O letramento digital que está associado ao uso das TICs não se refere ao domínio de uma técnica. Não é apenas saber usar um navegador de internet ou usar um aplicativo de videoconferência. Refere-se, segundo Frade (2005, p. 340), ao “[…] conjunto de competências necessárias para que um indivíduo entenda e use a informação de maneira crítica e estratégica” para atingir seus objetivos. É evidente que, para aproveitarem essas tecnologias, os usuários precisam saber utilizá-las. No entanto, ainda mais importante do que saber usar, no sentido de dominar uma técnica, é saber utilizar as TICs em processos interativos e colaborativos de aprendizagem. A tecnologia por si só não modifica o processo de ensino e aprendizagem. O uso que se faz de suas potencialidades é que tem esse poder. A ampliação do uso das TICs associadas à internet e ao ambiente digital possibilitaram novas práticas educativas no contexto presencial e do EAD. Sobretudo no EAD, essas novas TICs, como menciona Litwin (2001), conseguem apresentar uma solução para um dos principais problemas do EAD: a falta de interatividade. Contudo, a autora reconhece que apenas a presença da tecnologia não é capaz de promover a interação. É necessário que as propostas desenvolvidas para o seu uso fomentem a solidariedade e a participação colaborativa dos alunos nos ambientes virtuais de aprendizagem. Papel do professor no EAD Castells (2005) associa a revolução das tecnologias de processamento de informação e comunicação a um novo paradigma de sociedade, denominado sociedade da informação. Tornou-se possível com o desenvolvimento tecnológico em eletrônica, que ocasionou o desenvolvimento de dispositivos e sistemas em rede (internet), permitindo a ampliação da capacidade humana em processar, armazenar e difundir informações. Sáez (1999) afirma que a revolução tecnológica envolvida na sociedade da informação impacta a sociedade em suas relações de produção, poder e cultura. Anjos e Silva (2018, p. 16) ilustram o impacto causado pelas TICs da seguinte forma: Nos dias de hoje, (I) declarações polêmicas realizadas pelos nossos governantes impactam diretamente em bolsas de valores e no valor do dólar; (II) Notícias falsas (fake news) prejudicam ou beneficiam candidatos em processos eleitorais; (III) Pessoas se conhecem por meio das redes EAD UNIFACVEST 13 Produção de mídias sociais e grande parte do conhecimento produzido está acessível por meio da grande rede mundial de computadores. Na sociedade da informação, a produção cultural, de conhecimento, e as formas de se relacionar estão interligadas às TICs, uma vez que elas se encontram presentes em praticamente todas as relações sociais. Para Castells (2005), a sociedade da informação é caracterizada, como o próprio nome já diz, pela centralidade do papel da informação, que passa a ser parte integrante de toda a atividade humana. Por isso, os efeitos das TICs têm alta penetrabilidade na sociedade, predominando a lógica de rede, de intersecção entre vários campos sociais. Soma-se a isso a alta flexibilidade dessas tecnologias: o rádio, a televisão, o som e a imagem passam a coexistir em um mesmo aparato eletrônico, multiplicando suas potencialidades de conexão e interação. No entanto, como Werthein (2000) nos alerta, os paradigmas da sociedade da informação trazem em seu bojo o espectro do aprofundamento das desigualdades sociais. Isso se dá devido ao acesso diferenciado aos recursos tecnológicos relacionados às TICs associadas a internet e ao ambiente digital. O mapa da Figura 1 exemplifica essa questão ao demonstrar o percentual de acesso da população mundial à internet no ano de 2018. Em países industrializados, um percentual considerável da população (entre 80 e 90%) tem acesso à internet e, portanto, às tecnologias digitais. Já na África, cerca de 75% da população, o que corresponde a quase um bilhão de pessoas, não têm acesso à internet e se encontram excluídas da sociedade da informação. Essa potencialidade do uso da informação somada à desigualdade modificam o processo de ensino e aprendizagem. Kenski (2003) reconhece que, com o advento da internet, a lógica e a estrutura do conhecimento se alteram, o que traz novas demandas EAD UNIFACVEST 14 Produção de mídias para o fazer docente. Considerando o sociointera cionismo, a ação do professor deve ser voltada à zona de desenvolvimento proximal dos seus alunos. Dizemos isso porque, na zona de desenvolvimento proximal, há o indicativo das aprendizagens que estão sendo desenvolvidas pelos alunos e que têm potencial de se tornarem aprendizagens internalizadas, que ele consegue aplicar sem mediação. Assim, cabe ao professor atuar como um problematizador, aquele que instiga o aluno a avançar, que aguça a sua curiosidade, provocando processos mentais que o levem ao desenvolvimento de suas funções psicológicas superiores (consciência, intenção, planejamento), o que resulta na internalização das aprendizagens (BARROS; CARVALHO, 2011). O professor, antes detentor do saber, que transmitia informações para os alunos, atua agora como parceiro, mediador, um orientador da ação dos alunos diante das possibilidades que as TICs oferecem. O professor e a metodologia de ensino assumem um novo papel. Belloni (2001) afirma que o professor passa a assumir o papel de tutor não só no EAD, mas também no presencial. Como transmissor de informações, não atende mais às demandas que a sociedade da informação fez emergir, uma vez que seu aspecto central é o fluxo constante de informações, que podem ser obtidas sem a mediação do professor. O professor precisa ter competências de gestão de equipes e do processo de aprendizagem, dominando também as TICs. A atuação do professor é voltada para a mediação, para a mobilização dos alunos, no sentido da construção de significados para os objetos de conhecimento abordados na escola. Atuando como motivador, o professor incentiva a troca de experiências, o registro das descobertas e o compartilhamento de suas impressões, proporcionando aos estudantesa vivência ativa das dinâmicas sociais em que estão inseridos. FIQUE ATENTO Ao atuar como tutor, o professor assume a função de mediador do processo educativo, guiando os alunos na construção de conhecimentos e desafiando-os, levantando problematizações, motivando-os para que interajam com outros alunos discutindo, refletindo, pesquisando e construindo aprendizagens significativas. É importante que nos questionemos como atuar como mediador em contextos de desigualdade social. O avanço da tecnologia relacionada às TICs possibilitou uma revolução nos processos de ensino e aprendizagem no EAD, como vimos, que eram focados na mediação do aluno com o material didático apenas e que passaram a permitir a interação do aluno com o professor e com seus pares. Porém, como mencionado por Marçal (2000), um dos princípios do EAD continua sendo a ênfase na autoaprendizagem. A autoaprendizagem considera que o aluno do EAD tenha capacidade de “[…] ser sujeito de seu próprio processo de aprendizagem” (MARÇAL, 2000, p. 270). Assim, a autoaprendizagem pressupõe autonomia por parte do aluno, o que implica no desenvolvimento de sujeitos capazes de definir recursos pedagógicos para sua própria aprendizagem e em interações com outros que participem da construção do conhecimento (SATHER, 2008). O processo de ensino e aprendizagem no EAD, portanto, esbarra na dificuldade de alguns alunos usarem as TICs, especialmente EAD UNIFACVEST 15 Produção de mídias dos mais velhos, o que pode limitar seu processo de aprendizagem. Isso se torna especialmente sensível em relação aos alunos da EJA. De acordo com os Referenciais Curriculares da Educação Básica, quem demanda acesso à EJA são “[…] sujeitos sociais e culturais marginalizados nas esferas socioeconômicas e educacionais, privados do acesso à cultura letrada e aos bens culturais e sociais, comprometendo uma participação mais ativa no mundo do trabalho, da política e da cultural” (SOARES, 2002, p. 47). Além disso, a legislação brasileira referente ao EAD preconiza o acesso dessa modalidade de ensino a iniciativas de EAD. Portanto, é necessário considerar como a interação entre professor e aluno acontece nesse contexto de desigualdade de acesso às TICs, pois elas precisam ser voltadas à mediação, ao professor como tutor no desenvolvimento do letramento digital concomitante aos processos de ensino e aprendizagem dos conteúdos curriculares propostos. Os professores precisam confirmar que os alunos dominam as tecnologias digitais, incentivando-os a utilizá-las como ferramentas de sua aprendizagem. As TICs devem ser usadas de forma crítica, possibilitando aos alunos o acesso às novas formas de aprender/ensinar instrumentalizadas pelas novas tecnologias. Além disso, os alunos do EJA em EAD desenvolvem suas potencialidades de modo colaborativo. O professor, em seu papel como mediador e problematizador, procura aproximar esses alunos da tecnologia e dos objetos de conhecimento, não partindo do pressuposto de que serão autodidatas, plenos dos processos de autoaprendizagem. Ao contrário, deve incentivá- los de forma que consigam superar as dificuldades. Como podemos perceber neste capítulo, o EAD tem passado por mudanças causadas pela difusão das TICs associadas à internet e aos ambientes digitais. Essas novas tecnologias permitem que a interatividade e a colaboração sejam utilizadas de modo exponencial no EAD. Em uma perspectiva sociointeracionista de construção de aprendizagens, o uso dessas tecnologias possibilita que o professor favoreça a construção de aprendizagens significativas no aluno por meio de sua ação problematizadora, mediadora. Contudo, os princípios envolvidos nessa modalidade de ensino centenária continuam os mesmos: possibilitar aprendizagens de modo não presencial, favorecendo o desenvolvimento de indivíduos impossibilitados pela distância ou outros fatores de utilizarem a modalidade presencial de ensino. Essa realidade se torna ainda mais evidente na EJA, composta por adultos e adolescentes que não tiveram a possibilidade de construir seu processo educativo na idade esperada e que, portanto, precisam fazer isso em uma outra etapa de sua vida. O EAD associado às TICs tem o potencial de desenvolver nesses alunos o letramento digital, enriquecendo seu percurso educativo e a apropriação que eles fazem dos conhecimentos da sociedade da informação. Dessa forma, esses indivíduos são capazes de atuar de modo consciente no meio em que vivem, transformando a sua realidade pessoal por uma atuação consciente e intencional. EAD UNIFACVEST 16 Produção de mídias REFERÊNCIAS ALVES, L. Educação a distância: conceitos e história no Brasil e no mundo. RBAAD, v. 10, p. 83-92, 2011. Disponível em: http://seer.abed.net.br/index.php/RBAAD/article/ view/235. Acesso em: 23 jun. 2021. ANJOS, A. M.; SILVA, G. E. G. Tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDIC) na educação. 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Comparando o texto às situações nas quais as tecnologias são inseridas no nosso dia a dia, principalmente, para as pessoas analfabetas ou analfabetas digitais, pode-se concluir que: I. A principal influência das tecnologias é sobre as variáveis psicológicas do aprendiz. II. O surgimento das TICs retrata uma nova forma de organização da sociedade, identificada como Sociedade da Informação (SI). III. O acesso às tecnologias aliena as pessoas, principalmente aquelas não alfabetizadas. IV. A nova sociedade se sustenta, principalmente, no desenvolvimento das TICs. V. A internet constitui-se como um novo espaço para a ação social. Está CORRETO o que se afirma em: A) I, II e III B) II, IV e V C) III e V D) I, II e IV E) II e IV 2) A nova sociedade digital está sustentada nas tecnologias de informação e está sendo integrada, de forma progressiva, no processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, vem-se estudando, com atenção, a influência dessa integração ao perfil do professor. Em relação à integração das TICs no processo de ensino-aprendizagem, exige-se que o professorado aprenda a dominar e a valorizar o seguinte aspecto: A) uma nova cultura da aprendizagem EAD UNIFACVEST 19 Produção de mídias B) o uso irrestrito das tecnologias em sala de aula. C) os softwares de programação. D) a mudança de hábito dos consumidores E) o conhecimento da tecnologia digital. 3) O uso das TICs vem mudando significativamente o contexto social e também o de aprendizagem. As tecnologias da informação influenciaram mudanças no papel do professor, que passa a assumir, dentre outras, a função de: A) transmissor de informação e tutor. B) transmissor de conhecimentos sistematizados. C) protagonista central das trocas entre seus alunos. D) guardião do currículo e gestor de recursos disponíveis. E) tutor e consultor no esclarecimento de dúvidas dos alunos. 4) Em relação à concepção do processo de ensino e aprendizagem virtual centrada na construção do conhecimento, analise as duas afirmativas abaixo: (1) O professor fornece e facilita ao aluno os instrumentos de acesso ao meio de construção de conhecimentos, favorecendo, assim, sua imersão em um contexto favorável para o aprendizado. PORQUE (2) O professor assume um papel de assessor ou consultor, com um perfil de intervenção baixo ou muito baixo no processo de desenvolvimento da atividade, de forma a garantir o acesso, o envolvimento do aluno e a continuidade desse envolvimento no processo de aprendizagem. Marque a opção CORRETA: A) A primeira assertiva é verdadeira e a segunda é falsa. B) A primeira assertiva é falsa e a segunda é verdadeira. C) As duas assertivas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. D) As duas assertivas são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. E) As duas assertivas são falsas. 5) Na aprendizagem virtual, assim como na presencial, o protagonista deve ser o aluno. O professor deve ter o papel de estimular os fatores essenciais à aprendizagem eficaz. Nessa perspectiva, o docente, como tutor ou orientador, atua principalmente em: A) promover o uso das ferramentas de consulta e assessoria. B) garantir o acesso e o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem. C) elaborar propostas de conteúdos de aprendizagem. D) projetar processos de assessoria e consulta. E) acompanhar o processo de aprendizagem do aluno. EAD UNIFACVEST 20 Produção de mídias NA PRÁTICA Veja agora uma reflexão sobre a inserção das tecnologias na educação. CAPÍTULO II EAD UNIFACVEST 21 Produção de mídias JORNALISMO E A REALIDADE VIRTUAL Nathane Chrystine Dovale Cunha APRESENTAÇÃO O jornalismo tem uma grande capacidade de influenciar o mundo e a sociedade, devido à sua capacidade de informar e criar opiniões. Por mediar variados assuntos que são de interesse popular com variados formatos, tem-se uma grande responsabilidade de criar conexão com o público. Na busca por se adaptar aos novos avanços tecnológicos e não perder essa ligação com a sua audiência, o jornalismo está sempre buscando reformular seus métodos. Entre os desenvolvimentos tecnológicos e disseminação de sistemas de realidade virtual, o conteúdo imersivo é um grande componente de inovação para o jornalismo imersivo. Diferente do formato já tradicional, em que informações são apresentadas ao público em formatos como notícias e reportagens, o jornalismo imersivo traz um formato completamente diferente: ele possibilita a experiência sensorial da realidade. O formato, que utiliza realidade virtual, busca transformar histórias, que geralmente são fornecidas em texto ou material audiovisual, em possibilidades de presença e imersão. Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá o que é jornalismo imersivo e como ele se encaixa na necessidade cíclica da reinvenção do jornalismo, estudando como a realidade virtual pode ser reconhecida como uma estratégia jornalística.Ao final, conhecerá como o jornalismo mundial e brasileiro tem utilizado as técnicas de imersão em suas narrações. Bons estudos Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: I. Definir o jornalismo imersivo. II. Reconhecer a realidade virtual como estratégia de narrativa jornalística. III. Exemplificar usos da realidade virtual no jornalismo. EAD UNIFACVEST 22 Produção de mídias DESAFIO Tecnologias inovadoras como a realidade virtual não surgiram dentro do jornalismo, mas foram incorporadas a ele. O uso da realidade virtual (RV) no jornalismo imersivo é uma grande possibilidade de transportar o usuário para uma realidade que, na maioria das vezes, não é a dele. Por isso, em qualquer tentativa de inovação, a habilidade jornalística de saber apurar e envolver o espectador precisa ser levada em conta. Um bom exemplo de realidade virtual no jornalismo são projetos que utilizam vídeos em 360º em narrativas jornalísticas. Antes de qualquer projeto de jornalismo imersivo, faz-se necessária uma reunião com o grupo de editores e profissionais que desenvolvem as experiências com RV. Um projeto de RV precisa ser muito esmiuçado, principalmente com pesquisas, para saber se não há projetos semelhantes no mercado. Acompanhe a seguinte situação: EAD UNIFACVEST 23 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 24 Produção de mídias INFOGRÁFICO O jornalismo imersivo possibilita aos seus usuários experiências com histórias que, tradicionalmente, seriam contadas em texto, vídeo ou áudio. No caminho das inovações tecnológicas, o jornalismo encontra uma forma de possibilitar ao seu público um novo encantamento e uma forma de se sentir dentro da história que será contada. No Infográfico a seguir, você verá as principais ideias sobre o jornalismo imersivo em um formato de lead jornalístico. EAD UNIFACVEST 25 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 26 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 27 Produção de mídias EAD UNIFACVEST 28 Produção de mídias INTRODUÇÃO O jornalismo imersivo traz como proposta uma nova forma de produzir, apurar e divulgar notícias. Toda vez que os seus métodos são atualizados, adaptando- -se a formatos inovadores, é possível perceber que ele também atende a uma das crises mais cíclicas do jornalismo: a crise da reinvenção. Isso acontece porque o jornalismo alcança um público que cada vez mais tem uma relação diferente com a informação como porque ele precisa se adaptar às mudanças do capitalismo, que, igualmente, transformam o modo de consumo de notícias. Neste capítulo, você conhecerá o jornalismo imersivo, como ele surge e por que ele é importante. Além disso, verá como a possibilidade de contar histórias por meio de uma realidade aumentada configura um novo formato de narrativa jornalística como estratégia para o maior consumo de notícias. Por fim, você encontrará alguns exemplos em que a imersão digital foi utilizada no jornalismo, em formatos como reportagens, perfis e em alguns serviços ao leitor De onde surgiu o jornalismo imersivo? Embora as funções básicas de apuração de uma reportagem (p. ex., pesquisa em campo, entrevistas com personagens e fontes, imersão em ambientes) funcionem como métodos para uma descrição fidedigna ou próxima da realidade ali mostrada, há um outro lado da imersão que traz para o público uma experiência diferenciada. A possibilidade de proporcionar experiências ao público, tirando-o de uma espécie de passividade de somente receber a informação, teve uma grande influência da globalização da comunicação, que impulsionou o desenvolvimento de tecnologias capazes de transmitir mensagens por ondas eletromagnéticas. Essa transformação ocorreu devido a três desenvolvimentos, intrinsicamente interligados, do século XX: (1) o uso mais frequente e melhor aplicado do sistema de cabos, que fornecia uma capacidade maior de transmissão de informações eletronicamente codificadas; (2) o constante uso de satélites para a comunicação a longa distância; e (3) o crescente uso de métodos digitais para o processamento, o armazenamento e a recuperação da informação. EAD UNIFACVEST 29 Produção de mídias Segundo Thompson (2008), houve um aumento da capacidade de armazenar e transmitir informações por meio de digitalização, em conjunto com o desenvolvimento de tecnologias eletrônicas relacionadas, como microprocessadores, por exemplo. Dessa forma, foi possível criar uma “base para a convergência das tecnologias de informação e comunicação, permitindo que a informação seja convertida facilmente para diferentes meios de comunicação” (THOMPSON, 2008, p. 145). As tecnologias digitais resultaram em mudanças estruturais no jornalismo, que ocorrem desde a popularização da internet, na década de 1990, pois os conteúdos reproduzidos em jornais impressos, emissoras de rádio e TV passaram a se estender para as páginas on-line (COSTA, 2019). A partir de então, passou-se a ter uma nova lógica de produção e consumo de notícias, que se desenvolveu até este momento. Para Lévy (1998, p. 22), não há uma separação entre o ser humano e seu material, por isso “as tecnologias são produtos de uma sociedade e de uma cultura”. Compreende-se, assim, que a técnica e a tecnologia se apresentam como um espinho para o relacionamento entre o sujeito e o meio. Afinal, conforme surge a necessidade de produção de conhecimento para se desenvolver objetos técnicos e artificiais, surge também uma necessidade de objetos e processos que permitam mediações da relação de produção de conhecimento (XAVIER; SILVA, 2005). Desse modo, é importante destacar que a inovação tecnológica não é a única responsável pelo jornalismo imersivo, embora seja a principal forma utilizada, pois “uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas” (LÉVY, 1998, p. 25). O jornalismo imersivo é definido por Nonny de la Peña (2010), jornalista amplamente creditada por criar o termo jornalismo imersivo e considerada a madrinha da realidade virtual, como uma produção de notícias que possibilita experiências em primeira pessoa dos acontecimentos descritos em narrativas jornalísticas. Para Domínguez (2013), o jornalismo imersivo é expresso por meio de tecnologias e equipamentos de realidade virtual e imersão, que possibilitam a experimentação visual e sensorial do ambiente criado. A autora aponta, ainda, que há um terreno fértil para a pesquisa em jornalismo imersivo, principalmente na pesquisa de desenvolvimento de tecnologias que eliminem sensorialmente a fronteira física. O jornalismo imersivo pode ser dividido em dois momentos: (1) quando o repórter utiliza métodos imersivos na apuração; e (2) quando os conteúdos são pensados para que o público seja inserido em uma experiência imersiva. Segundo Hidalgo e Barrero (2016), o jornalista exercita o jornalismo imersivo no ato da investigação, quando este adentra em um ambiente, situação ou comunidade e, logo após, utiliza as suas observações para escrever uma matéria. Portanto, “[…] essa modalidade de jornalismo se propõe a compreender através da experimentação e, consequentemente, o redator narrará os acontecimentos com alto grau de ética e subjetividade” (HIDALGO; BARRERO, 2016, p. 104). Devido ao modelo de negócio de mídia, a crise no jornalismo está sempre exigindo que sejam repensadas as formas de envolver o público com as notícias, atendendo-o de uma maneira satisfatória (COSTA; BRASIL, 2017). Segundo Costa e Brasil (2017), a principal diferença entre o jornalismo tradicional e o jornalismo imersivo é que o imersivo possibilita umacesso maior às tecnologias digitais e aos espaços virtuais. Dessa forma, é possibilitada ao usuário uma aproximação do que está sendo contado. EAD UNIFACVEST 30 Produção de mídias Há uma grande influência do digital no jornalismo, pois ocorre uma mescla da informação com o entretenimento, fruto não apenas das novas tecnologias e da forma que elas têm sido importantes na sociedade, mas também devido à convergência empresarial dos meios de comunicação (CEBRIÁN, 2009). A ideia de Cebrián da mistura da informação com o entretenimento pode ser somada à ideia de De la Peña (2010), que diz que a realidade virtual pode ser uma nova forma de informar com mais empatia, pois somente essa realidade pode ofertar uma experiência em primeira pessoa dos acontecimentos noticiados. Conteúdo com novas possibilidades A pesquisa de De la Peña (2010) destaca uma inquietação e uma indiferença, por parte do público, às notícias que relatam sofrimento. Para a autora, o jornalismo imersivo tem a capacidade de entregar um envolvimento emocional com a circunstância apresentada na notícia, ainda que seja virtual. Um critério que deve ser levado em consideração no jornalismo imersivo é adaptar as experiências virtuais a formatos realistas. Assim, o jornalismo imersivo possibilita uma nova maneira, totalmente diferente das já utilizadas, de consumir uma notícia, sendo possível que os usuários se sintam no local do acontecimento (DE LA PEÑA, 2010). Segundo De la Peña (2010), quando o jornalista escreve uma matéria e traz imagens, sejam elas fotos ou vídeos, ou, ainda, quando há uma transmissão ao vivo, é possível proporcionar ao público uma conexão com o fato ocorrido, e o objetivo de um bom jornalismo sempre foi criar a conexão da notícia com o seu público. FIQUE ATENTO É importante destacar que o jornalismo imersivo possibilita experiências a partir de informações trazidas em matérias e notícias, porém a narrativa ocorre por meio da participação do público e com a forma como ele se envolve nas ações propostas. Realidade virtual como narrativa jornalística Por meio da apuração e da explicação dos acontecimentos, o principal objetivo da narrativa jornalística é narrar os fatos, possibilitando esclarecer que há realidades e circunstâncias diversas em que a história se desdobra. Diversas experimentações narrativas foram proporcionadas ao jornalismo devido à web. “Os webdocumentários, newsgames, infografias interativas e a grande reportagem multimídia são apenas alguns dos exemplares da evolução dos produtos noticiosos” (COSTA; BRASIL, 2017, p. 142). Com essas possibilidades, surgiram, então, outros formatos para se noticiar, como a utilização da realidade virtual, aplicada no jornalismo imersivo. EAD UNIFACVEST 31 Produção de mídias Segundo Jost (2004), na busca pela entrega da verdade em produtos midiáticos e jornalísticos, existem três diferentes promessas de realidade das mídias. Veja a seguir. 1. Testemunho: muito mais do que imagem, aqui, o relato dado ao repórter se dá como uma promessa de realidade. 2. Restituição: produções ao vivo costumam entregar uma realidade, pois ocorrem no momento exato do evento. 3. Reconstituição: como o repórter geralmente chega após o ocorrido, os telejornais precisam reconstruir a cena, explicando, assim, como os fatos se encadearam. Uma das principais diferenças entre uma reportagem tradicional e uma reportagem em realidade virtual é que na tradicional o repórter descreve os personagens por meio de um relato, utilizando argumentos de quem esteve com as fontes no ambiente (COSTA, 2019). Já na realidade virtual, a câmera proporciona ao espectador a possibilidade de ser a própria testemunha, olhando para onde quiser (COSTA, 2019). Dessa forma, conclui-se que é mais fácil aproximar o espectador da realidade com um jornalismo imersivo. Um dos grandes ingredientes da narrativa imersiva é a realidade virtual, que consiste na possibilidade híbrida de tecnologia com vida real. Embora não se saiba ao certo quando a realidade virtual foi inventada, um momento marcante para as pesquisas imersivas foi a criação dos óculos estereoscópicos, pelo britânico Charles Wheatstone, em 1838. Os óculos de Wheatstone possuíam dois espelhos com uma pequena angulação na lente em frente aos olhos. Ao colocar duas fotografias iguais, o efeito criado dava uma ilusão de volume e imersão, pois duas imagens, uma para cada olho, quando colocadas lado a lado, ficavam sobrepostas. Assim surgia a impressão de tridimensionalidade, que aumentava a experiência de realidade. A descoberta foi realizada com fotografias, mas logo passou-se a utilizar vídeos também. Para Aronson-Rath et al. (2015), embora as câmeras de 360° existam há muito tempo, a nova geração de sistemas também é estereoscópica, pois adiciona maior percepção de profundidade. A partir do momento em que a dimensão é adicionada junto à resolução espacial e temporal dos monitores atuais de fones de ouvido de realidade virtual, é possível que haja uma aproximação dos usuários, possibilitando que eles sintam a presença ou a sensação de estar no local apresentado. Os autores apontam que, para criar uma experiência de realidade virtual, dois componentes principais são importantes: (1) captura de vídeo, gravando uma cena do mundo real ou criando um ambiente com imagens geradas por computador (CGI), para produzir um mundo virtual; (2) uso de um dispositivo com o qual os usuários possam mergulhar nesse ambiente virtual (salas específicas ou monitores tipo head-mounted). Se, antes, a tecnologia de realidade virtual estava restrita a áreas de computação e projeção de games, agora, o jornalismo pode contar com a possibilidade de produzir notícias não apenas para serem vistas, mas para serem vividas (COSTA, 2019). Desse modo, percebe-se que a utilização de realidade virtual no jornalismo se configura como uma nova narrativa, pois a sua técnica e apresentação tem alterado o formato de produção do jornalismo. A modernização das câmeras, que agora possibilitam, além de fotografia e filmagem, cenas em 360°, e a evolução dos headsets (i.e., dispositivo de visualização das imagens estereoscópicas) foram grandes incentivadoras do jornalismo imersivo (COSTA, EAD UNIFACVEST 32 Produção de mídias 2019). Além disso, as miniaturas de câmeras permitem uma nova forma de se fazer jornalismo de ponto de vista, pois relatam e constroem a história a partir da posição de uma pessoa específica dentro de uma situação da vida real. Assim, a possibilidade de contar histórias em 360° e com câmeras 3D proporciona uma maior sensação de imersão física e pontos de vista espaciais anteriormente indisponíveis na narrativa visual (VAN DER HAAK; PARKS; CASTELLS, 2012). Um estudo realizado com o objetivo de explorar o potencial da realidade virtual no jornalismo reuniu acadêmicos de jornalismo (Tow Center), especialistas em realidade virtual (Secret Location) e alguns documentaristas líderes mundiais (Frontline). Os estudos de caso realizados possibilitaram diversas descobertas (ARONSON-RATH et al., 2015), como as listadas a seguir. 1. A realidade virtual representa uma nova forma de narrativa, para a qual as normas técnicas e estilísticas estão em sua infância. 2. A realidade virtual desafia as principais questões jornalísticas que evoluem a partir do debate da quarta parede, como “quem é o jornalista?” e “o que o jornalista representa?”. 3. A combinação dos limites de tecnologia, estrutura narrativa e intenção jornalística determinarão como será a experiência do usuário de realidade virtual. 4. A produção de jornalismo imersivo custa caro, não é sinérgica, é pesada e evolui rapidamente. 5. Faz-se necessária uma ampla gama de habilidades profissionais especializadas para a realização dos projetos. 6. Quanto ao desenvolvimentodo meio, a produção de uma peça de mídia de realidade virtual requer uma fusão completa entre os processos editoriais e de produção. 7. Por mais que a interatividade e a navegação do usuário em um ambiente de realidade virtual sejam muito úteis para a produção jornalística, também são muito complicadas. Imersão e presença Quando uma pessoa entra em contato com experiências na realidade virtual, geralmente são despertados sentidos e emoções, além de memórias reais, dependendo da pauta abordada. Para Aronson-Rath et al. (2015), os jornalistas que forem utilizar técnicas de realidade virtual em suas produções precisam atentar para a imersão e a presença. Segundo os autores, tanto a imersão quanto a presença são sentimentos de vivenciar o outro, e, em graus diferentes, ambos buscam descrever a sensação de que se está em uma realidade alternativa com a utilização de um sistema virtual. Os conceitos de imersão e presença são apresentados a seguir (ARONSON- - RATH et al., 2015). „ • Imersão: é como se alguém tivesse deixado o mundo físico e, imediatamente, adentrasse em um ambiente virtual. Em geral, a imersão é realizada por meio de um fone de ouvido ou em espaços específicos para a experiência. Como o conceito de imersão é utilizado além da literatura de realidade virtual e é bastante utilizado em projetos de jornalismo que envolvem 2D interativo e jogos, a interpretação vai desde cenários oferecidos aos usuários até a experiência completa de realidade virtual. „ EAD UNIFACVEST 33 Produção de mídias • Presença: é o “estar lá”. Segundo os autores, o valor central da realidade virtual para o jornalismo está nessa possibilidade de presença, pois ela “pode gerar uma conexão emocional com uma história e um lugar”. Para De la Peña (2010), a reação do usuário é identificada quando este responde a uma experiência imersiva como se estivesse, de fato, passando por ela, ainda que saiba que não é real. Essa experiência é conhecida como resposta como se fosse real (RAIR). Estar atento a RAIR é de extrema importância para o jornalista, pois, ainda que não haja uma tecnologia de última geração no experimento, os usuários podem responder de maneiras muito reais (ARONSON-RATH et al., 2015). Nesse prisma, a educação física tem ganhado novos contornos, em prol de práticas docentes em sintonia com novas formas de compreensão dos significados dos conteúdos e novos procedimentos metodológicos no ensino fundamental. Sobre isso, a Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/96 (OGLIARI; SILVA, 2018, p. 219) destaca: No Ensino Fundamental — anos iniciais e finais, conforme a LDBEN n.º 9.394/96, os estudantes deverão desenvolver a capacidade de aprender por meio do pleno domínio da leitura, da escrita, do cálculo, da compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, das tecnologias, das artes, dos valores em que se fundamenta a sociedade e resolver problemas, tornando-se, assim, autônomos e protagonistas de sua aprendizagem Em decorrência das contribuições da BNCC (BRASIL, 2018), há três elementos fundamentais comuns às práticas corporais: 1. movimento corporal como elemento essencial; 2. organização interna de maior ou menor grau, pautada por uma lógica específica; 3. produto cultural vinculado ao lazer, ao entretenimento e/ou ao cuidado com o corpo e a saúde. SAIBA MAIS O formato do jornalismo em realidade virtual não pode renunciar a uma boa narrativa. Em geral, quando um elemento técnico surge, a tendência é se concentrar em dominar a tecnologia, mas a história bem-contada não pode ser deixada de lado. Jornalismo imersivo mundial e brasileiro O jornalismo imersivo tem experienciado diversas produções de conteúdo, como a grande reportagem multimídia, o fotojornalismo e o webdocumentário. No Brasil, a EAD UNIFACVEST 34 Produção de mídias primeira série investigativa em realidade virtual foi realizada pela Agência Pública, que permitiu a navegação pelas águas da Baía de Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro, com uma câmera de 360° e trouxe questões sociais e ambientais que atingem a baía para o cerne das investigações (Figura 1). Isso possibilitou ao espectador um mergulho na temática que prejudica o ecossistema do lugar. A série rendeu três episódios, que são protagonizados por pescadores que precisam das águas para o seu sustento. Entre as dificuldades encontradas pela equipe de reportagem, são relatados diversos problemas técnicos, como o fato de a câmera não ser adaptada ao clima da cidade, precisando constantemente ser desligada durante as filmagens. Houve, ainda, invenções não planejadas, como a de um capacete feito de elásticos para fixar a câmera na cabeça e possibilitar ao espectador entrar na ação durante uma das expedições pela baía. Isso prova que a produção de jornalismo imersivo não é uma das mais fáceis e acessíveis de se fazer; contudo, ainda assim, pode render importantes resultados. No formato de webdocumentário, outra produção brasileira de grande destaque que utilizou a realidade virtual foi o Rio de Lama: A Maior Tragédia Ambiental do Brasil (Figura 2), lançado em 2016, dirigido por Tadeu Jungle, com produção de Marcos Nisti e Rawlinson Peter Terrabuio, em parceria com as produtoras Academia de Filmes e Maria Fumaça e com a startup Beenoculus. O Rio de Lama busca trazer o espectador para o cenário de destruição ambiental ocorrido em Mariana, em Minas Gerais. Segundo Costa (2019), não foi utilizado nenhum material complementar em Rio de Lama, o que o torna uma produção individual. Além disso, um dos principais motivos para que o diretor tenha escolhido a realidade virtual foi que ele acreditou que seria a melhor forma de conscientizar o público sobre os impactos ambientais da tragédia (COSTA, 2017). EAD UNIFACVEST 35 Produção de mídias Em 2014, a África Ocidental sofreu um grande surto de ebola. Com o objetivo de mostrar como a doença surgiu, se espalhou e foi combatida e como ficaram as comunidades afetadas pelo surto, o cineasta Don Edge, da Frontline, produziu uma cobertura intitulada Ebola Outbreak 360°, em que alguns capítulos foram filmados em realidade virtual e outros possuem cenas em 2D, para ajudar na montagem da narrativa (Figura 3). O documentário se inicia em Guiné, em uma árvore cheia de morcegos, pois acreditava-se que a pandemia pode ter se iniciado lá. Depois, o observador é levado à Serra Leoa, e um mapa interativo permite traçar o movimento do vírus pela região. O filme traz o relato de pessoas que testemunharam a epidemia, possibilitando ao espectador um contato maior com a história. EAD UNIFACVEST 36 Produção de mídias Por meio desses exemplos, percebe-se há critérios jornalísticos nessas produções, pois, em um projeto de realidade virtual, é preciso que imagens e narrativas estejam equilibradas. Segundo Aronson-Rath et al. (2015), embora a realidade virtual possua algumas décadas de história, somente atualmente a área ganhou uma grande oportunidade de pesquisa, pois possui uma nova relevância para o jornalismo, visto que amplia enigmas da comunicação e traz a necessidade urgente da indústria de continuar inovando. REFERÊNCIAS ARONSON-RATH, R. et al. Virtual Reality Journalism. Tow Center for Digital Journalism, Columbia Journalism School. [S. l.], 2015. Disponível em: https://towcenter.gitbooks. io/virtual-reality-journalism/content/. Acesso em: 13 nov. 2020. CEBRIÁN, J. L. O pianista no bordel: jornalismo, democracia e as novas tecnologias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. COSTA, L. Jornalismo imersivo de realidade virtual: aspectos teóricos e técnicos para um modelo narrativo. Covilhã: LabCom.IFP, 2019. COSTA, L.; BRASIL, A. Realidade virtual: inovação técnica e narrativa no jornalismo imersivo. Contemporanea, Salvador, v. 15, n. 1,