Prévia do material em texto
30 UNIDADE # 1.6. ASISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM PACIENTES COM AFECÇÕES RESPIRATÓRIAS AGUDAS. 1.6.1 Fisiologia do sistema respiratório 1,6.2 Ventilação. Definição, Mecanismo respiratório 1.6.3 Resistência das vias aéreas, adaptabilidade pulmonar 1.6.4 Pressões instrapulmonal e instrapulmonal 1.6.5 Volume corrente e minuto. Definição e importância 1.6.6 Volume inspiratório e expiratório, capacidade vital e capacidade residual 1.6.7 Espirometria, conceito 1.6.8 Espaço morto fisiológico 1.6.9 Percussão, conceito funções, relação ventilação perfusão 1.6.10 Conceito de curto-circuito pulmonar 1.6.11 Efunción, conceito .1.6.12 Unidade funcional respiratória .1.6.13. Mecanismo de intercâmbio gasoso, transportação, conceito. Transporte de oxigénio e CO2. Curva da dissociação da HB 1.6.14. Regulação. Conceito. 1.6.15. Mecanismos de regulação 1.6.16. Outros factores que intervêm na adequada respiração. 1.6.17. Diferença de oxigenação alvéolo capilar, conceito. Importância fórmula para determiná-la. 1.6.18. Valoração de enfermagem mediante a análise do quadro clínico. Etiologia, fisiopatologia, investigações clínicas, radiológicas, seus resultados, diagnósticos de enfermagem mais frequentes. 1.6.19. Intervenção de enfermagem na conduta terapêutica e cuidados de enfermagem. 31 1.6.20. Avaliação dos cuidados esperados a terapêutica e complicações mais frequentes. 1.6.21. Insuficiência respiratória aguda. Definição. 1.6.22. Avaliação de enfermagem mediante o quadro clínico, etiologia, investigações clínicas e seus resultados. 1.6.23. Intervenção de enfermagem na conduta terapêutica e cuidados de enfermagem. 1.6.24. Medidas para proteger e permeabilizar as vias aéreas. 1.6.25. Oxígenoterapia e humidificação via aérea, Conceito, Indicações, complicações, determinação da relação po2 y Fio2, cuidados de enfermagem. 1.6.26. Métodos de ventilação. 1.6.27. Comprovação da efectividade da ventilação. 1.6.28. Avaliação dos resultados esperados e a terapêutica e cuidados de enfermagem. A principal função do aparelho respiratório é o intercâmbio gasoso: ⚫ Proporcionar O2. ⚫ Eliminar CO2. COMPOSIÇÃO DO AR SECO ✓ Oxigénió..___________21% ✓ Nitrógénio___________78% ✓ Anhídrido carbónico _0,03% ✓ Argón e helio_______0,92% ✓ Vapor de água________0% http://es.wikipedia.org/wiki/Nitr%C3%B3geno_diat%C3%B3mico http://es.wikipedia.org/wiki/Anh%C3%ADdrido_carb%C3%B3nico http://es.wikipedia.org/wiki/Anh%C3%ADdrido_carb%C3%B3nico http://es.wikipedia.org/wiki/Arg%C3%B3n http://es.wikipedia.org/wiki/Helio http://es.wikipedia.org/wiki/Vapor_de_agua http://es.wikipedia.org/wiki/Vapor_de_agua http://es.wikipedia.org/wiki/Vapor_de_agua 32 VENTILAÇÃO Em fisiologia se chama ventilação pulmonar ao conjunto de processos que fazem fluir o ar entre a atmósfera e os alvéolos pulmonares a través dos actos alternantes da inspiração e à expiração. MECANISMOS RESPIRATÓRIOS Inspiração Produz-se quando o diafragma ao momento de contrair-se desloca-se para baixo, ampliando a caixa torácica, empurrando o conteúdo abdominal para baixo e adiante, de forma que a dimensão vertical do tórax aumenta. Esta acção é a principal força que produz a inalação. O incremento no volume torácico cria uma pressão negativa (depressão, pressão menor que a atmosférica) no tórax. Outros músculos: intercostais, externo, esternocleidomastoide Expiração: produz a relaxação dos músculos inspiratórios, embora que os pulmões e a caixa torácica são estruturas elásticas que tendem a voltar a sua posição de equilíbrio depois da expansão produzida durante a inspiração. A elasticidade torácica, combinada com a relaxação do diafragma, reduzem o volume do tórax, produzindo uma pressão positiva que tira o ar dos pulmões. Outros músculos: músculos abdominais , intercostais internos FISIOLOGÍA RESPIRATORIA Sucessos funcionais da respiração: 1. Ventilação pulmonar: fluxo de ar de entrada e saída, entre a atmosfera e os alvéolos. 2. Difusão do O2 e o CO2 entre os alvéolos e o sangue. 3. Transporte do O2 e o CO2 as células e desde essas aos pulmões. 4. Regulação da respiração. http://es.wikipedia.org/wiki/Fisiolog%C3%ADa http://es.wikipedia.org/wiki/Esternocleidomastoideo http://es.wikipedia.org/wiki/Abdomen http://es.wikipedia.org/wiki/Abdomen http://es.wikipedia.org/wiki/Abdomen 33 ADAPTABILIDADE PULMONAR É a medida da elasticidade dos pulmões e a parede torácica, isto significa que cada vez que a pressão alveolar aumenta em 1 cm de H2O, os pulmões se expandem 130 ml. VOLÚMES PULMONARES 1. VOLUME DE RESERVA INSPIRATÓRIA (VRI): volume de ar máximo que pode ser inspirado depois de uma inspiração normal. 2. VOLUME DE RESERVA EXPIRATORIA (VRE): volume de ar máximo que pode ser expirado em expiração forçada depois do final de uma expiração normal. 3. VOLUME CORRENTE (VT): volume de ar inspirado ou expirado em cada respiração normal, em média é de 500 ml. . CAPACIDADES PULMONARES 1. CAPACIDADE VITAL: volume de reserva inspiratório + volume corrente + volume de reserva expiratória, total de 4600 ml. 2. CAPACIDADE RESIDUAL FUNCIONAL: volume de reserva expiratório + volume residual. Quantidade de ar que fica nos pulmões depois de uma expiração normal, 2300 ml. Nota: Os volumes e capacidades pulmonares são entre 20 e 25 % menores na mulher que no homem e são maiores em pessoas altas e atletas. ESPAÇO MORTO: parte do ar respirado que nunca alcança zonas de intercâmbio gasoso e fica no nariz, faringe e traqueia, em média 150 ml. OUTROS ASPECTOS DO TRANSPORTE DO O2. Só 1% de O2 se transporta dissolvido no plasma. PaO2. Os 99% do O2 transportam-se unidos a Hb. SaO2. 34 O incremento do gasto cardíaco e a superior extração de O2 são mecanismos básicos da função respiratória. STATUS ASMÁTICO ASMA A asma bronquial é uma enfermidade inflamatória crónica de as vias aéreas, caracterizada por uma obstrução generalizada e variada das mesmas, devido a uma hiperactividade a múltiplos estímulos: físicos, químicos, imunológicos, mecânicos o qual condiciona uma séria dificuldade a passagem do ar. ESTADO DE MAL ASMÁTICO O estado de mal asmático se define como um episódio refratário a terapêutica tradicional com beta agonistas e teofilina. Quadro clínico 1. Dispneia e sibilantes Moderada: É aquele em que apresenta pausas frequentes a falar. Severa ou grave: Mudez (sem voz) ou só emissão de monossílabas. 2. Fatiga muscular ou esgotamento físico: Incapacidade de expectorar. 3. Tosse não produtiva persistente ou expectoração muito espessa 4. Insónia maior de 24 horas 5. Ansiedade crescente. 6. Diminuição da consciência: Confusão, sonolência, coma. 7. Cianose. 8. Diminuição dos movimentos torácicos: silêncio auscultatório. 9. Enfisema subcutânea. 35 10. Tiragem. 11. Pulso paradójico crescente: consiste em que ao aumentar a pressão negativa dentro do tórax, o coração expele menos sangue e diminui a amplitude do pulso. 12. Hipotensão arterial. 13. Arritmia cardiorrespiratória: Taquicardia maior de 120 x min, taquipneia maior de 30 x min Etiologia 1. Extrínsecas: Inicia na infância com antecedentes familiares positivos para alergias e se associa com uma hipersensibilidade tipo 1 e outras manifestações alérgicas (IgE), induzidas por agentes alérgenos como o polem, lã, pô, etc., ou contaminação atmosférica. 2. Intrínsecas ou idiopáticas. Em geral começa em maiores de 35 anos e sem antecedentes pessoais nem familiares. Inicia por estímulos não imunológicos, sem elevar IgE, representados por micróbios, fungos, tosse, transtornos psíquicos e estré. 3. Mistas. Combinação com frequência de natureza bacteriana de factores intrínsecos e extrínsecos. Fisiopatologia ⚫ A obstrução da via aérea é provocada pela combinação de factores, entreeles: 1. O espasmo do músculo liso de vias aéreas. 2. Edema da mucosa. 3. Hipersecreção de mocos. 4. Infiltração celular nas paredes das vias aéreas. 5. Lesão e descamação do epitélio da via aérea. http://es.wikipedia.org/wiki/Hipersensibilidad http://es.wikipedia.org/wiki/Hipersensibilidad http://es.wikipedia.org/wiki/Hipersensibilidad http://es.wikipedia.org/wiki/Hipersensibilidad http://es.wikipedia.org/wiki/IgE http://es.wikipedia.org/wiki/Al%C3%A9rgeno http://es.wikipedia.org/wiki/Contaminaci%C3%B3n_atmosf%C3%A9rica http://es.wikipedia.org/wiki/Contaminaci%C3%B3n_atmosf%C3%A9rica http://es.wikipedia.org/wiki/Microbio http://es.wikipedia.org/wiki/Hongo http://es.wikipedia.org/wiki/Tos http://es.wikipedia.org/wiki/Trastorno_psicol%C3%B3gico http://es.wikipedia.org/wiki/Trastorno_psicol%C3%B3gico http://es.wikipedia.org/wiki/Trastorno_psicol%C3%B3gico http://es.wikipedia.org/wiki/Trastorno_psicol%C3%B3gico http://es.wikipedia.org/wiki/Estr%C3%A9s http://es.wikipedia.org/wiki/Bacteria 36 Investigações clínicas e de laboratório 1. O raio X de tórax : as imagens de captura de ar tendem até aos espaços intercostais o que horizontaliza as costelas na radiografia. Como tem edema, se pode apreciar um infiltrado rodeando as linhas pulmonares. 2. Função Pulmonar 3. Provas rutinárias 4. Metas do tratamento Emergente de Asma Aguda Grave Tratamento 1. Evitar desesperadamente o arresto (PCP) 2. Diminuir o broncoespasmo. 3. Aliviar o trabalho ventilatório 4. Tratar a causa desencadeante ou subjacente. 5. Evitar complicações. Medidas generais. Ingresso no UCI ou UCIN. Monitorização cardíaca. Catéter venoso central. Manter o paciente na posição de Fowler. Exames complementares de urgências. Preparar elementos necessários para a intubação endotraqueal. Garantir a permeabilidade da via aérea. Se for necessário, sonda vesical ou nasogástrica. No demorar para iniciar tratamento específico intensivo. http://es.wikipedia.org/wiki/Rayos_X http://es.wikipedia.org/wiki/T%C3%B3rax http://es.wikipedia.org/wiki/Edema 37 1. Oxigenação: Usar o dispositivo e o fluxo necessário para manter uma saturação superior a 92 %. Podem necessitar altos fluxos por máscara. 2. Beta 2- agonistas nebulizados: Salbutamol: 2,5 a 5 mg cada 15 ó 20 min. ⚫ Dar 3 em uma hora (máximo 7,5 a 15 mg) 3. Corticosteroides IV: Administrá-los precocemente (nos primeiros 30 minutos de acesso). ⚫ Metilprednisolona, 150 mg IV. ⚫ Hidrocortisona, 200 a 300 mg IV. 4. Anticolinergicos nebulizados: Ipratropium, 0,5 mg, em combinação com Salbutamol. 5. Aminofilina IV: Doses de carga de 4-5 mg/kg devem ser dados em 30 a 45 minutos e seguir-se de infusão a 0,5 a 0,7 mg/kg/h. 6. Sulfato de Magnesio IV: Útil em pacientes refratários a Beta agonistas e corticosteroides 3 g IV em 3 minutos (1 g/min). 7. Epinefrina parenteral: Previne a necessidade de VM. 0,01 mg/kg SC c/ 20 minutos (0,3 ml SC) por 3 doses. 8. VAM:se for necessário. Complicações do estado de mal asmático Respiratórias: Atelectasia, pneumotórax, pneumonia, derrame pleural, pneumomediastino. Cardiovasculares: Arritmias, infarto do miocárdio, tromboembolismo pulmonar, morte súbita. Digestivas: Ílio paralítico reflexo, sangramento digestivo alto. Renais: Insuficiência renal aguda. Hematológica: Coagulação intravascular disseminada. Nervoso: Convulsões e coma. 38 DIAGNÓSTICOS E CUIDADOS DE ENFERMAGEM. PAG 61 TOMO II ENFERMAGEM DE URGENCIA SÍNDROME DE INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA PULMONAR AGUDA A síndrome de insuficiência respiratória aguda (também chamado síndrome de distrés respiratório do adulto) é um tipo de insuficiência pulmonar provocado por diversos transtornos que causam a acumulação de líquidos nos pulmões (edema pulmonar Etiologia A síndrome de dificuldade respiratória aguda (SDRA) pode ser causado por qualquer inflamação ou lesão importante do pulmão. Entre algumas causas comuns se podem mencionar: 1. Inalação de vómitos aos pulmões (aspiração) 2. Inalação de químicos 3. Pneumonia 4. Shock séptico 5. Traumatismo Quadro clínico A clínica da IRA é inespecífica, embora a dispneia seja o sintoma principal, Febre, tosse e expetoração, dor torácico, hemoptise, sibilâncias, etc. Nos casos graves aparecem sintomas neurológicos secundários a hipoxia do Sistema Nervoso Central (SNC), tais como, diminuição do rendimento intelectual, alteração do nível de consciência e descoordenação motora. Investigações clínicas 1. Gasometria arterial 2. Radiografia do tórax http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/spanish/ency/article/000145.htm http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/spanish/ency/article/000668.htm http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/spanish/ency/article/000668.htm 39 3. Análises de laboratório: Deve-se realizar um conjunto completo de hemoquímica. 4. Outras provas complementares: Devem estar enfocadas ao diagnóstico etiológico da enfermidade de base (ECG, broncoscopia, gammagrafía,TAC torácica, etc.). Tratamento 1. Medidas gerais Garantir via aérea permeável Repouso Fowler Sinais vitais c/ 1 h Monitorização contínua Abordagem venosa Sonda vesical e medir diurese Se tiver vómitos, valorar levine para evitar bronco aspiração Realizar exames para clínicos 2. Medidas específicas Melhorar a oxigenação. Administração de oxigênio Oxigenação Ventilação 3. Fisioterapia respiratória Punho percussão Vibrador eléctrico Palmoteo Drenagem postural 40 Lograr tosse efectiva Aspiração endotraqueal 4. Drogas broncodilatadoras: a) Aminofilina (Ámp. 250 mg). Bolo inicial: 5- 6 mg/kg y continuar cada 6 h (no passar de 1,5 g/día), Infusão: 0,9 mg/kg/h b) Salbutamol (Ámp. 1 mL = 0,5 mg o 3 mL = 1,5 mg o 5 mL = 5 mg). Bolo inicial: 4 mcg/kg Infusión: 0,8-2 mcg/min c) Epinefrina (Ámp. 0,5 y 1 mg). Infusão: 0,01 - 0,02 mcg/kg/min. d) Sulfato de magnesio. Bolo inicial: 75 mg/kg a passarem 20 min. 5. Tratamento da causa desecadeiante. Antibióticos: Valorar seu uso se for infecção prévia. 6. Diuréticos: Se houver sinais de sobrecarga. DIAGNÓSTICO E CUIDADOS DE ENFERMAGEM. PAG 92 TOMO II ENFERMAGEM DE URGÊNCIA MÉTODOS DE CONTROL DA VÍA AÉREA 1. Mecânicos 2. Manuais 3. Trans traqueal ou cirúrgicos 41 MÉTODOS MANUAIS 1. Hiperextensão de cabeça e pescoço 2. Levantamento mandibular 3. Elevação do Menton METODOS MECANICOS ✓ Cânula nasofaríngea A via aérea mais tolerada em pacientes acordado. (semiconscientes). Pouco diâmetro. (limita a aspiração). São esquerdas e direitas e necessitam seleção de sua longitude (Se medem). Contraindicações - Forte resistência ao inseri-la. - Não tem utilidade em pacientes laringoctomizados - Rinorraquia (fractura base crâneo) CÁNULA OROFARÍNGEA - Indicada em pacientes inconscientes - A via aérea mais utilizada. - Necessita medição prévia - Cânulas rígidas e flexíveis Contraindicações - Presença de reflexo nauseoso - Não tem utilidade em pacientes laringoctomizados 42 CÁNULA DE GUEDELL CÁNULA DE BERCKMAN 1. É flexível 1. É rígida 2. Não permite aspirar 2. Permite aspirar por sua inclinação 3. Pode obstrui-se 3. Não pode obstrui-se por mordeduras 4. Mais confortável 4. Mais traumática INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL Via aérea mais segura. (a que mais isola) Aplicável a pacientes conscientes e inconscientes, traumatizados ou não. Complicações: Intubação desapercibida do esófago Inserção do tubo no brônquio direito. INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL Necessidade de treinamento. O equipamento. As precauções. As vantagens: Pode se dar oxigênio a 100 %. (FiO2=1) Proporciona via aérea directa a traqueia Elimina a necessidade deusar máscara e de manter fechada a face. Possibilidade de realizar hiperventilação quando se requere. 43 Indicações Paragem Cardiorrespiratório de qualquer causa Insuficiência respiratória aguda de qualquer causa Frequência respiratória > 30 ó 80 % O2 Catéter nasal, tenedor nasal ou óculos nasales… 24 a 44 % de O2 Recirculante… 60 a 80 % O2 Complicações Toxicidade. Hipercapnia (altas alterações de CO2) e secura e necroses das mucosas. 46 Resumo: Os órgãos respiratórios servem para o transporte do oxigênio ao sangue e por meio dele aos tecidos, assim como para a expulsão ao ar atmosférico o ácido carbónico. Nos mamíferos, os órgãos respiratórios se desenvolvem da parede ventral do intestino anterior, com o que guardam relação durante toda a vida. Isso explica o cruzamento das vias respiratórias e digestivas a altura da faringe, mantido no homem. ANATOMÍA, FISIOLOGÍA E PATOLOGÍA RESPIRATORIA Para chegar aos pulmões o ar atmosférico segue um largo conducto que se conhece com o nome de tracto respiratório ou vias aéreas; constituída por: VÍA RESPIRATÓRIA ALTA: 1. Fossas nasais. 2. Faringe. VÍA RESPIRATÓRIA BAIXA: 3. Laringe. 4. Traqueia. 5. Brônquios e suas ramificações. 6. Pulmões São a parte inicial do aparelho respiratório, na qual o ar inspirado antes de se pôr em contacto com o delicado tecido dos pulmões deve ser purificado das partículas de pô, aquecido e umidificado. 47 As paredes da cavidade junto com o septo e as 3 conchas, estão forradas por mucosa. A mucosa do nariz contém uma série de dispositivos para a elaboração do ar inspirado. PRIMEIRO: Está coberta de um epitélio vibrátil cujos cílios constituem um verdadeiro forro em que se sedimenta o pô e graças a vibração dos cílios em direcção as coanas, o pô sedimentados é expulsado ao exterior. SEGUNDO: A membrana contém glândulas mucosas, cuja secreção envolve as partículas de pô facilitando sua expulsão e humedecimento do ar. TERCEIRO: O tecido submucoso é muito rico em capilares venosos, os quais na concha inferior e no bordo inferior da concha média constituem plexos muito densos, cuja missão é o aquecimento e a regulação da coluna de ar que passa a través do nariz. Estes dispositivos descritos estão destinados a elaboração mecânica do ar, pelo que se denomina REGIÃO RESPIRATÓRIA. Na parte superior da cavidade nasal a nível da concha superior, existe um dispositivo para o controlo do ar inspirado, formando o órgão do olfato e por isso, esta parte interna do nariz se denomina REGIÃO OLFATÓRIA; nela se encontram as terminações nervosas periféricas do nervo olfatório, as células olfatórias que constituem o receptor do analisador olfatório. 3. Faringe É a parte do tubo digestivo e das vias respiratórias que forma o elo entre as cavidades nasais e bucais por um lado, e o esófago e a laringe por outro. Se estende desde a base do crâneo até o nível das VI - VII vértebras cervicais. 48 Está dividida em 3 partes: 1. Porção nasal ou rinofaringe. 2. Porção oral ou orofaringe. 3. Porção laríngea ou laringofaringe. Porção nasal: Desde o ponto de vista funcional, é estrictamente respiratório; a diferença das outras porções suas paredes não se deprimem, já que são imóveis. A parede anterior está ocupada pelas coanas. Está coberta por uma membrana mucosa rica em estruturas linfáticas que serve de mecanismo de defesa contra a infecção. Porção oral: É a parte média da faringe. Tem função mista, já que nela se cruzam as vias respiratórias e digestivas. Tem a importância desde o ponto de vista respiratório já que pode ser obstruída pela língua ou secreções, provocando asfixia. Porção laringea: Segmento inferior da faringe, situada por detrás da laringe, estendendo-se desde a entrada a esta última até a entrada ao esófago. Excepto durante a deglutição, as paredes anterior e posterior deste segmento, estão aplicadas uma a outra, separando-se unicamente para a passagem dos alimentos. 4. Laringe: É um órgão ímpar, situado na região do pescoço a nível das IV, V y VI vértebras cervicais. Por detrás da laringe se encontra a faringe, com a que se comunica directamente a través do orifício de entrada na laringe, ADITO DE LA LARINGE, por debaixo continua com a terráquea. 49 Está constituída por um armazém de cartilagens articulados entre si e unidos por músculos e membranas. As principais cartilagens são 5: • Tiroide. • Epiglote. • Aritenoideos (2). A entrada da laringe se encontra um espaço limitado que recebe o nome de GLOTE. Cerrando a glote se encontra uma cartilagem em forma de lingueta que recebe o nome de EPIGLOTE e que evita a passagem de líquidos e alimentos ao aparato respiratório durante a deglutição e o vómito, se permanece aberto se produz a bronco aspiração. A laringe no seu interior apresenta um estreitamento, produzido por 4 pregas, duas a cada lado, denominando-se cordas vocais superiores e inferiores, encarregadas de fonação. 4.traquea: A prolongação da laringe que inicia a nível do bordo inferior da VI vértebra cervical e termina a nível do bordo superior da V vértebra toráxica, donde se bifurca, no mediastino, nos dois brônquios. Aproximadamente a metade da traqueia se encontra no pescoço embora que o resto seja intratoráxico. Consta de 16 a 20 anéis cartilaginosos incompletos (cartilagens traqueais) unidos entre si por um ligamento fibroso denominando-se ligamentos anulares.A parede membranosa posterior da traqueia é aplanada e contém fascículos de tecido muscular liso de direcção transversal e longitudinal que asseguram os movimentos activos da traqueia durante a respiração, tosse, etc. A mucosa está coberta por um epitélio vibrátil ou cílios (excepto nas pregas vocais e região da face posterior da epiglote) que se encontra em movimento constante para fazer ascender ou expulsar as secreções ou corpos estranhos que possam penetrar nas vias aéreas. 50 O movimento ciliar é capaz de mobilizar grandes quantidades de material, mas não pode realizá-lo sem uma coberta de mucos. Se a secreção de mucos é insuficiente pelo uso de atropina ou o paciente respira gases secos, o movimento ciliar se detém. Um Ph de 8.0 o suprime. 5.bronquios e suas ramificações: A nível da IV vértebra toráxica a traqueia se divide em brônquios principais, dereito e esquerdo. O lugar da divisão da traqueia em dois brônquios recebe o nome de bifurcação traqueal. A parte interna do lugar da bifurcação apresenta uma saliência semilunar penetrante na traqueia, a CARINA TRAQUEAL. Os brônquios se dirigem assimetricamente até os lados, o brônquio dereito é mais curto (3 cm), mas mais largo e se afasta da traqueia quase em ângulo obtuso, o brônquio esquerdo é mais largo (4 - 5 cm), mais estreito e mais horizontal. O que explica que os corpos estranhos, tubos endotraqueais e sondas de aspiração tendem a ubicar-se mais frequentemente no brônquio principal dereito. Nas crianças menores de 3 anos o ângulo que formam os dois brônquios principais na Carina, é igual em ambos os lados. O número de cartilagens do brônquio dereito é de 6 a 8 e o brônquio esquerdo de 9 a 12. As cartilagens se unem entre si mediante os ligamentos anulares traqueais. Ao chegar os brônquios aos pulmões, penetram neles pelo HILIO PULMONAR, acompanhado de vasos sanguíneos, linfáticos e nervos, iniciando sua ramificação. O brônquio dereito se divide em 3 ramos (superior, média e inferior), embora que o esquerdo se divide em 2 ramos (superior e inferior). No interior dos pulmões cada um destes ramos se divide em brônquios de menos calibre, dando lugar aos chamados BRONQUIOLOS, que se subdividem progressivamente em BRONQUIOLOS de 1ero, 2do e 3er ordem, finalizando no 51 bronquíolo terminal, bronquíolo respiratório, conducto alveolar, sacos alveolares e átrios. A medida da ramificação dos brônquios vai cambiando a estrutura de suas paredes. As primeiras 11 gerações têm cartilagens como suporte principal de sua parede, embora que as gerações seguintes careçam de elas. 6.pulmões: O pulmão é um órgão par, coberto pela pleura. O espaço que fica entre ambos os afastamentos pleurais, se denomina MEDIASTINO, ocupado por órgãos importantes como o coração, o timo e os grandes vasos. Por outra parte o DIAFRAGMA é um músculo que separa os pulmões dos órgãos abdominais. Cada pulmão tem forma de um semicono irregular com uma base dirigida para baixo e um ápice ou vértice redondo que por diante transborda em 3 - 4 cm ao nível da I costela ou em 2 - 3 cm ao nível da clavícula, alcançando por detrás o nível da VII vértebra cervical. No ápice dos pulmões se observa um pequeno surco (surco subclavicular), como resultado da pressão da artéria subclávia que passa por esse lugar. No pulmão se distinguem 3 faces: • Face diafragmática. • Face costal. • Face média (se encontra o hilio do pulmão a través do qual penetra os brônquios e a artéria pulmonar, assim como os nervos e saiem as duas veias pulmonares e os vasos linfáticos, constituindo no seu conjunto a raíz do pulmão). 52 O pulmão direito é mais largo que o esquerdo, mias um pouco mais curto o pulmão esquerdo, na porção inferior do bordo anterior, apresenta a incisura cardíaca. Os pulmões se compõem de lóbulos; o direito tem 3 (superior, médio e inferior) e o esquerdo tem 2 (superior e inferior). Cada lóbulo pulmonar recebe um dos ramos bronquiais que se dividem em segmentos, os que por sua vez estão constituídos por infinidade de LOBULILLOS PULMONARES. A cada lóbulo pulmonar vai para um bronquíolo, que se divide em vários ramos e depois de múltiplas ramificações, termina em cavidades chamadas ALVEOLOS PULMONARES. Os alvéolos constituem a unidade terminal da via aérea e sua função fundamental é o intercâmbio gasoso. Tem forma redonda e seu diâmetro varia em profundidade da respiração. Os alvéolos se comunicam entre si por intermédio de aberturas de 10 a 15 micras de diâmetro na parede alveolar que recebe o nome de POROS DE KOHN e que tem como função permitir uma boa distribuição dos gases entre os alvéolos, assim como prevenir seu colapso por oclusão da vía aérea pulmonar. Existem outras comunicações tubulares entre os bronquíolos distais e os alvéolos vizinhos ao que são os CANAIS DE LAMBERT. Seu papel na ventilação colateral é importante tanto na saúde como na enfermidade. 53 Existem diferentes características anatómicas que devem ser recordadas: • O vértice pulmonar direito se encontra mais alto que o esquerdo, ao encontrar- se o fígado debaixo do pulmão direito. • No lado direito a artéria subclávia se encontra por diante do vértice, embora que na esquerdo sua porção esteja mais medial. • O pulmão direito é mais curto e largo que o esquerdo. • O parênquima pulmonar carece de enervação sensitiva, pelo que muitos processos pulmonares resultam silentes. Pleura: Representa uma túnica serosa, brilhante lisa. Como toda serosa, possui 2 membranas, uma que se adere intimamente ao pulmão (pleura visceral) e outra que reveste o interior da cavidade toráxica (pleura parietal). Entre ambas se forma uma fissura (a cavidade pleural), ocupada por uma pequena quantidade de líquido pleural que actúa como lubrificante e permite o deslizamento de ambas as folhas pleurais. A pleura visceral carece de inervação sensitiva embora que a parietal se possui inervação sensitiva, isto faz com que os processos que afectam a pleura parietal seja extremadamente dolorosa. A pleura parietal se divide em 3: pleura costal, pleura diafragmática e mediastínica. Fisiologia pulmonar A função principal do Aparelho Respiratório é a de contribuir o organismo o suficiente oxigênio necessário para o metabolismo celular, assim como eliminar o dióxido de carbono produzido como consequência desse mesmo metabolismo. O Aparelho Respiratório põe a disposição da circulação pulmonar o oxigênio procedente da atmosfera, e é o Aparelho Circulatório que se encarrega de seu transporte (a maior parte unida a hemoglobina e uma pequena parte dissolvido no plasma) a todos os 54 tecidos donde o cede, recolhendo o dióxido de carbono para transportá-lo aos pulmões donde estes se encarregam de sua expulsão ao exterior. • O processo da respiração pode dividir-se em quatro etapas mecânicas principais: 1. VENTILAÇÃO PULMONAR: significa entrada e saída de ar entre a atmosfera e os alvéolos pulmonares. 2. PERFUSÃO PULMONAR: permite a difusão do oxigênio e dióxido de carbono entre alvéolos e sangue. 3. TRANSPORTE: de oxigênio e dióxido de carbono no sangue e líquidos corporais as células e vice-versa, deve realizar-se com um gasto mínimo de energia. REGULAÇÃO DA VENTILAÇÃO VENTILAÇÃO PULMONAR. Ventilação pulmonar: é a quantidade de ar que entra ou sai do pulmão cada minuto. Se conhecemos a quantidade de ar que entra nos pulmões em cada respiração (a isto se denomina Volume Corrente) e o multiplicamos pela frequência respiratória, teremos o volume / minuto. Volume minuto = Volume corrente x Frequência respiratória PRESSÕES NORMAIS DE OXIGÉNIO NO AR ATMOSFÉRICO A pressão se mede em várias unidades como: cm de água, kilopascales, mmHg. Se se toma como referência o cm de água, isto significa: A pressão que exerce a água num cilindroque tem 1 cm de alto sobre uma superfície de 1 cm quadrado = 1 cm de H2O. A equivalência em kilopascales (kpa) ou mmHg es: • 1 cm de H2O = 0.1 Kpa. • 1 cm de H2O = 0.73 mmHg. 55 A pressão atmosférica, também denominada pressão barométrica (PB), oscila ao redor de 760 mmHg a nível do mar. O ar atmosférico se compõe de uma mistura de gases, os mais importantes, o Oxigênio e o Nitrogênio. Se somarmos as pressões parciais de todos os gases que formam o ar, obteremos a pressão barométrica, quer dizer: PB = PO2 + PN2 + P outros gases Se conhecemos a concentração de um gás no ar atmosférico, podemos conhecer facilmente a pressão em que se encontra o tal gás no ar. Como exemplo vamos supor que a concentração de Oxigênio é de 21%. A fracção de O2 (FO2) = 21% = 21/100 = 0,21 (por cada unidade de ar, 0,21 parte corresponde a O2) PORTANTO: PO2 = PB x FO2 PO2 = 760 mmHg x 0,21 = 159,6 mmHg Se o resto do ar fosse Nitrogênio (N2), a fracção deste gás representaria o 79%. Assim teríamos: PN2 = PB x FN2 PN2 = 760 mmHg x 0,79 = 600,4 mmHg Se tivermos em conta que o ar atmosférico está formado quantitativamente por Oxigênio e Nitrogênio (o resto se encontra em proporções tão pequenas que o despreciamos), obteríamos. PO2 + PN2 = PB 159,6 mmHg + 600,4 mmHg. = 760 mmHg Conforme nos elevamos do nível do mar (por exemplo a subida a uma montanha), a pressão barométrica vai diminuindo, e consequentemente a pressão dos diferentes gases que conformam o ar, entre eles o O2. Recordemos que o O2 passa dos alvéolos aos capilares pulmonares, e que o CO2 se traslada em sentido oposto simplesmente mediante o fenómeno físico da difusão. O gás se dirige desde a região donde se encontra mais concentrado a outra de concentração mais baixa. Quando a pressão do O2 nos alvéolos desce até certo valor, o sangue não poderá enriquecer-se o bastante de O2 como para satisfazer as necessidades do organismo, e com ele a demanda de O2 do cérebro não estará suficientemente coberta, 56 com o que aparece ao chamado " Mal de montanha ", com estados nauseosos, cefalalgia e ideias delirantes. Aos 11.000 metros de altura a pressão do ar é tão baixa que ainda se se respirasse oxigênio puro, não se pode obter a suficiente pressão de oxigênio e, portanto, diminuiria o aporte do mesmo aos capilares de forma tal que seria insuficiente para as demandas de organismo. É por esta causa que os aviões que se elevam sobre os 11.000 metros, vão fornecidos de dispositivos que impulsionar o ar ao interior da cabina de forma que se alcance uma pressão equivalente a do nível do mar, ou seja 760 mmHg e é por esta mesma causa que os enfermos respiratórios não devem viver em lugares montanhosos, donde está diminuída a pressão atmosférica. O ar entra no pulmão durante a inspiração, e isto é possível porque se cria dentro de os alvéolos uma pressão inferior a pressão barométrica, e o ar como gás que é, se desloca das zonas de maior pressão até as zonas de menor pressão. Durante a expiração, o ar sai do pulmão porque se cria neste caso uma pressão superior a atmosférica graças a elasticidade pulmonar. De todo o ar que entra nos pulmões em cada respiração, só uma parte chega aos alvéolos. Se consideramos um Volume Corrente (Vc) de 500 cc numa pessoa sã, aproximadamente 350 ml chegarão aos alvéolos e 150 ml ficarão ocupando as vias aéreas. O ar que chega aos alvéolos denomina-se VENTILAÇÃO ALVEOLAR, e é o que realmente toma parte no intercâmbio gasoso entre os capilares e os alvéolos. O ar que fica nas vias aéreas, denomina-se VENTILAÇÃO DO ESPAÇO MORTO, nome que vem por não tomar parte no intercâmbio gasoso. A ventilação alveolar também se denomina ventilação eficaz. O espaço morto se divide em: 1. ESPAÇO MORTO ANATOMICO: Se estende desde as fossas nasais, passando pela boca, até o bronquíolo terminal. O volume deste espaço é de 150 ml (VD). 2. ESPAÇO MORTO FISIOLOGICO: É igual a anatómico no sujeito normal. Só em condições patológicas (enfisema, etc.), é distinto a anatómico e compreende os alvéolos que estão hiper insuflados e o ar dos alvéolos estão ventilados, mas não perfundidos. 3. ESPAÇO MORTO MECÂNICO: É aquele espaço que se agrega ao anatómico produto das conexões dos equipamentos de ventilação artificial ou de anestesia. 57 Espaço morto pode aumentar com a idade por perda de elasticidade a igual que durante o exercício e diminuir quando o indivíduo adopta o decúbito. Aplicando a fórmula que já conhecemos, com uma PB = 760 mmHg, y una FO2 (Fracção de oxigênio) de 20,9 %, teremos uma PO2 atmosférica de 152 mmHg. No entanto quando o ar penetra nas vias aéreas, se satura de vapor de água que se desprende constantemente das mucosas das vias aéreas. A uma temperatura corporal de 37ºC, este vapor de água é um novo gás que tem uma pressão constante de 47 mmHg. Como a pressão dentro das vias aéreas uma vez que cessa o momento inspiratório é igual a pressão barométrica, a adição deste novo gás faz descer proporcionalmente as pressões parciais dos outros gases (oxigênio e nitrogênio). A fórmula para achar a pressão do oxigênio nas vias aéreas será a seguinte: • PIO2 = (PB – P vapor de água) x FIO2 • PIO2 = (760 mmHg – 47 mmHg) x 0,20.9 • PIO2 = 149 mmHg • PIO2 = Pressão inspirada de O2 • FIO2 = Fracção inspirada de O2 MECÁNICA DA VENTILAÇÃO PULMONAR Na respiração normal, tranquila, a contracção dos músculos respiratórios só ocorre durante a inspiração (processo activo) e a expiração é um processo completamente passivo, causado pelo retrocesso elástico dos pulmões e das estruturas da caixa toráxica. Em consequência, os músculos respiratórios normalmente só trabalham para causar a inspiração e não a expiração. Os pulmões podem dilatar-se e contrair-se por: 1. Por movimento para arriba e abaixo do diafragma, alargando ou acurtando a cavidade torácica. 2. Por elevação e depressão das costelas, aumentando e diminuindo o diâmetro A - P da mesma cavidade. 58 Músculos inspiratórios mais importantes: • Diafragma • Intercostais externos • Esternocleidomastoidéo Músculos expiratórios más importantes: • Abdominais • Intercostais internos TENDÊNCIA DOS PULMÕES AO REBOTE E PRESSÃO INTRA-PLEURAL: Os pulmões têm tendência elástica contínua a estar em colapso e, portanto, a afastar- se da parede toráxica, isto está produzido por 2 factores: 1. Numerosas fibras elásticas que se esticam ao encher-se os pulmões e, portanto, tentam encurtá-los. 2. A tensão superficial do líquido que reveste os alvéolos também produz uma tendência elástica contínua destes para estar em colapso (é a mais importante). Este efeito é produzido pela atracção intermolecular entre as moléculas de superfície do líquido alveolar; isto é, cada molécula tira da seguinte continuamente tratando de produzir o colapso do pulmão. A tendência total ao colapso dos pulmões pode medir-se pelo grau de pressão negativa nos espaços Inter pleurais necessários para evitar o colapso pulmonar (pressão intra pleural), que normalmente é de - 4 mmHg. SUBSTÂNCIA TENSOACTIVA (SURFACTANTE) Tem células secretoras de agente tensoactivo que secretam a mistura de lipoproteínas chamada assim (pneumocitos Granulosos de tipo II), que são partes componentes do epitélio alveolar, quando não existe esta substância, a expansão pulmonar é extremadamente difícil, dando lugar a atelectasias e ao Síndrome da Membrana Hialina ou Síndrome de Dificuldade Respiratória no Recém-nascido, fundamentalmente se são prematuros. Isto evidencia a importância do surfactante. 59 Também é importante destacar o papel do surfactante para prevenir a acumulação de líquido nos alvéolos. A tensão superficial do líquido nos alvéolos não só tende a colapsá-los, não também a levar olíquido da parede alveolar para seu interior. Quando tem quantidades adequadas de tensoactivo os alvéolos se mantêm secos. ADAPTABILIDADE PULMONAR (COMPLIANCE). É a facilidade com que os pulmões se deixam insuflar em relação a pressão de inflação. Isto significa que cada vez que a pressão alveolar aumenta em 1 cm de H2O, os pulmões se expandem 130 ml. FACTORES QUE CAUSAM DISTENSIBILIDADE ANORMAL: • Estados que produzem destruição ou câmbios fibróticos ou edematosos de tecido pulmonar ou que bloqueia os alvéolos. • Anormalidades que reduzem a expansibilidade da caixa toráxica (xifose, escoliose intensa) e outros processos limitantes (pleurite fibrótica ou músculos paralizados e fibróticos, etc.). VOLÚMES PULMONARES: Para facilitar a descrição dos acontecimentos durante a ventilação pulmonar, o ar nos pulmões se tem subdividido em diversos pontos do esquema em 4 volumes diferentes e 4 capacidades diferentes: A. VOLUME CORRENTE (Vt) UO VOLUME TIDAL: é o volume de ar inspirado ou expirado durante cada ciclo respiratório, seu valor normal oscila entre 500 - 600 ml em jovens adultos em médio. Seu cálculo se logra multiplicando um valor em mililitros que oscila entre 5 - 8 por Kg. de peso. B. VOLUME DE RESERVA INSPIRATÓRIA (VRI): volume de ar máximo que pode ser inspirado depois de uma inspiração normal. C. VOLUME DE RESERVA EXPIRATÓRIA (VRE): volume de ar máximo que pode ser expirado em espiração forçada depois do final de uma espiração normal. D. VOLUME RESIDUAL (VR): volume de ar que permanece no pulmão depois de uma expiração máxima. 60 CAPACIDADES PULMONARES: A. CAPACIDADE VITAL (CV): equivale a VRI + VT + VRE. B. CAPACIDADE INSPIRATÓRIA (CI): equivale a VT + VRI. Esta é a quantidade de ar que uma pessoa pode respirar começando no nível de espiração normal e distendendo seus pulmões a máxima capacidade. C. CAPACIDADE FUNCIONAL RESIDUAL (CFR): equivale a VRE + VR. É a quantidade de ar que permanece nos pulmões ao final de uma expiração normal. D. CAPACIDADE PULMONAR TOTAL (CPT): é o volume máximo a que podem ampliar os pulmões com o maior esforço inspiratório possível, é igual a CV + VR. PERFUSÃO PULMONAR OU IRRIGAÇÃO SANGUÍNEA PULMONAR. Denomina se assim a irrigação sanguínea pulmonar. A circulação pulmonar inicia no VENTRÍCULO DEREITO, donde nasce a Artéria Pulmonar. Esta artéria se divide em dois ramos pulmonares, cada um de eles se dirige para um pulmão. Estes ramos pulmonares vão se dividendo por sua vez em ramos menores para formar finalmente o leito capilar que rodeia os alvéolos, sendo este no seu começo arterial e logo venoso. Do leito venoso parte a circulação venosa que termina nas quatro veias pulmonares, as quais desembocam na Aurícula esquerda. Continuando, veremos a pressão em que se encontram o O2 e o CO2 no sangue nos distintos compartimentos: SISTEMA VENOSO: (Po2: 40 mmHg, Pco2: 45 mmHg) Quando este sangue se põe em contacto com o alvéolo, como nestas pressões de oxigênio são mais elevadas (PAO2 =109 mmHg) o O2 passa desde o espaço alveolar ao capilar tentando igualar as pressões. Simultaneamente ocorre o contrário com o CO2, sendo a pressão maior no sangue venoso, tende a passar ao alvéolo para compensar as pressões. 61 CAPILAR VENOSO ALVEOLAR: (Po2: 109 mmHg, Pco2: 40 mmHg). Como queira que o Aparato Respiratório não esteja totalmente " perfeito ", existe territórios em que determinado número de capilares não se põe em contacto com os alvéolos, e isto faz com que o sangue passe directamente com as mesmas pressões com as que chegou ao pulmão até ao ventrículo esquerdo, aqui se misturará todo sangue, aquele que tem podido ser bem oxigenado e aquele outro que por múltiplas razões não se tem enriquecido adequadamente de O2. Então, na gasometria que realizamos a qualquer artéria sistémica, o PO2 é inferior a considerada a saída do sangue do território capilar pulmonar, por ser a média das pressões de todos os capilares pulmonares, o que conforma as pressões arteriais sistémicas. Portanto, podemos considerar uma gasometria arterial normal aquela que cumpre com as seguintes pressões e Ph: • Ph ............... entre ......... 7,35 y 7,45 • PO2 .............. entre ......... 85 y 100 mmHg. • PCO2 ............. entre ......... 35 y 45 mmHg. É importante assinalar que ao contrário da circulação sistémica, as pressões existentes na circulação pulmonar são mais baixas, pelo que também é considerada como um CIRCUITO DE BAIXAS PRESSÕES, já que o ventrículo direito não necessita elevar suas pressões para enviar ao sangue mais além dos hilios pulmonares. Quando a pressão arterial pulmonar sistólica excede de 30 mmHg e a pressão média da artéria pulmonar é superior a 15 mmHg, estamos em presença de um estado de HIPERTENSÃO PULMONAR. Estas medições se fazem mediante o cateterismo, em ausência deste, o único indicador é o reconhecimento clínico. DISTRIBUIÇÃO DA VENTILAÇÃO PULMONAR: A ventilação alveolar também sofre irregularidades na sua distribuição nas distintas zonas do pulmão devido a acção da gravidade, pelo que o maior peso do órgão recai sobre suas porções basais, condicionando uma diminuição da pressão negativa intrapleural a esse nível, o que provoca o feito que em repouso, os alvéolos da zona basal do pulmão estejam reduzidos de tamanho. 62 Não obstante, durante a inspiração, estes recebem maior ventilação devido as características especiais da dinâmica respiratória, mas de todas as formas as diferenças são mais evidentes em relação a perfusão. DISTRIBUIÇÃO DA PERFUSÃO PULMONAR: Como em condições normais o ventrículo direito só necessita baixas pressões para expulsar um grande volume de sangue a curta distância, a distribuição da mesma não é uniforme e essa irregularidade está relacionada com a posição do sujeito, o volume minuto do ventrículo direito e a resistência que podem oferecer os vasos em determinadas áreas do pulmão. Os factores hidrostáticos jogam um papel importante e assim, quando o indivíduo está em posição erecta, as pressões nos vértices pulmonares serão menores, quer dizer, que a perfusão aqui está diminuída; no entanto, nas zonas médias ( a nível dos hilios pulmonares) o sangue chega aos capilares com a mesma pressão que tem a artéria pulmonar, embora que nas bases ocorre um fenómeno inverso as zonas apicais, pós as pressões da artéria pulmonar, se vê potencializada pela acção da gravidade e seus efeitos se somam, quer dizer, que a perfusão na parte baixa do pulmão está aumentada. RELAÇÃO VENTILAÇÃO - PERFUSÃO NORMAL (VA/Q): Já temos visto a forma como chega o ar aos pulmões com o fim de que os alvéolos estejam bem ventilados, mas não basta com isto, é necessário que o parênquima pulmonar disfrute de uma boa perfusão para lograr uma boa oxigenação dos tecidos. Assim pós é necessário que os alvéolos bem ventilados disponham de uma boa perfusão, e os alvéolos bem perfundidos disponham de uma boa ventilação. A isto se denomina relação ventilação-perfusão normal. Se não existir diferença entre ventilação alveolar (VA) e perfusão (Q), quer dizer, se todos os alvéolos forem equitativamente ventilados e perfundidos, o intercâmbio de gases seria igual a 1, mas as alterações que se assinalaram modificarão este resultado. Se tivermos em conta que no indivíduo em posição erecta os alvéolos apicais se encontram a uns 10 cm por cima do hilio pulmonar, saberemos que neles a pressão média (PM) da sangue será 10 cm de H2O menor que a PM da artéria pulmonar, pós será a pressão consumida na sua subida vertical para o vértice pulmonar, quer dizer, 63 que se a nível da artéria pulmonar a PM é de 20 cm de H2O (aproximadamente 15 mmHg), a nível de capilar apical a PM será de 10 cm de H2O, no entanto, embora a irrigação sanguíneanesta zona é menor, estes alvéolos são precisamente de maior tamanho (mais ventilados que perfundidos), o que condiciona que uma parte do ar alveolar não entre em contacto com o capilar pulmonar, criando-se um incremento do espaço morto fisiológico, aqui a VA/Q será >1. A nível da zona média do pulmão, a situação é diferente, donde se logra um equilíbrio perfeito de VA/Q pôs nela o intercâmbio gasoso é normal (os alvéolos são também ventilados como perfundidos) e a relação VA/Q =1. E a nível dos segmentos basais, por haver um maior aporte de sangue e por efeito de gravidade, as pressões sanguíneas aumentam em uns 10 cm de H2O por cima da pressão média da artéria pulmonar, quer dizer que em estes segmentos a perfusão é maior e as pressões do sangue a nível capilar poderá alcançar uns 30 cm de H2O e embora os alvéolos sejam mais ventilados que no resto do pulmão, não são ventiladas em correspondência com o aumento da perfusão (são menos ventilados que perfundidos), portanto a relação VA/Q seráneuronas: 67 1. GRUPO RESPIRATÓRIO DORSAL: Localizado na porção dorsal do bulbo, que produz principalmente a inspiração (função fundamental). 2. GRUPO RESPIRATÓRIO VENTRAL: Localizado na porção rectolateral do bulbo, que pode produzir expiração ou inspiração segundo as neuronas do grupo que estimulem. 3. CENTRO NEUMOTAXICO: Localizado em ubicação dorsal na parte superior de protuberância, que ajuda a regular tanto a frequência como o padrão da respiração. Nos pulmões existem receptores que percebe a distensão e a compressão; alguns se têm localizados na pleura visceral, outros nos brônquios, bronquíolos e incluso nos alvéolos. Quando os pulmões se distendem os receptores transmitem impulsos até os nervos vagos e desde estes até ao centro respiratório, donde inibem a respiração. Este reflexo se denomina reflexo de HERING - BREUER e incrementa a frequência respiratória a causa da redução do período da inspiração, como ocorre com os sinais do centro pneumotáxico. No entanto, este reflexo não pode activar-se provavelmente até que o volume se torne maior de 1.5 litros aproximadamente. Assim pós, parece ser melhor um mecanismo protector para prevenir o enchimento pulmonar excessivo em vez de um ingrediente importante da regulação normal da ventilação. REGULAÇÃO QUÍMICA: O objetivo final da respiração é conservar as concentrações adequadas de oxigênio, dióxido de carbono e hidrogênio nos líquidos do organismo. O excesso de CO2 ou de iões hidrogênio afecta a respiração principalmente por um efecto excitatório directo no centro respiratório em sí, QUIMIORRECEPTOR CENTRAL, que determina uma maior intensidade dos sinais inspiratórios e expiratórios aos músculos da respiração. O aumento resultante da ventilação aumenta a eliminação do CO2 desde o sangue, isto elimina também iões hidrogênio, porque a diminuição do CO2 diminui também o ácido carbónico sanguíneo. O O2 não parece ter efeito direito importante no centro respiratório do cérebro para controlar a respiração. 68 OS QUIMIORRECEPTORES PERIFÉRICOS se encontram localizados nos corpos carotídeo e aórtico, que por sua vez transmitem sinais neuronais apropriadas ao centro respiratório para controlar a respiração. CAUSAS DE DEPRESSÃO DO CENTRO RESPIRATÓRIO: 1. Enfermidades cerebrovasculares. 2. Edema cerebral agudo. 3. Anestesia ou narcóticos. CIANOSE CENTRAL E CIANOSE PERIFÉRICA: É importante, diferenciar claramente os conceptos de cianose central e cianose periférica, porque diferentes são também as importantes decisões terapêuticas, especialmente nos enfermos baixo VM. Cianose (do grego Kyanos = Azul) é a coloração azul da mucosa e a pele, como consequência de um aumento da hemoglobina reduzida (não se encontra combinada com o O2) por cima do valor absoluto de 5 gr por 100 ml, ou o que é o mesmo, quando a quantidade de hemoglobina que transporta oxigênio tem diminuído consideravelmente. No caso da chamada CIANOSE CENTRAL, a diminuição do oxigênio que transporta a hemoglobina, se deve a enfermidade pulmonar ou anomalias congénitas cardíacas (shunt anatómico etc.), as extremidades podem estar quentes e têm bom pulso. O caso de CIANOSE PERIFÉRICA, a hemoglobina se satura normalmente no pulmão, mas a corrente circulatória na periferia é muito lenta ou escassa, e pode ser secundária a fenómenos locais como vasoconstricção por frio, oclusão arterial ou venosa, diminuição do gasto cardíaco, shock, etc. As extremidades podem estar frias e o pulso imperceptível ou filiforme. Tanto uma como outra se observa melhor nas zonas distais do corpo (pés, mãos, lábios, pavilhões auriculares etc.), seu significado é totalmente distinto e sua confusão um grave erro. HIPOVENTILAÇÃO E HIPERVENTILAÇÃO: Estes são conceitos que devem ficar claros. São conceitos gasométricos e não clínicos. A hipoventilação equivale a uma ventilação pulmonar pobre, de forma tal que não se 69 pode eliminar o suficiente CO2, o qual implica a uma acumulação do mesmo e se traduz numa gasometría arterial donde a PCO2 está por cima de 45 mmHg. Falamos de hiperventilação quando a ventilação pulmonar é excessiva, de maneira que se eliminam enormes quantidades de CO2, traduzido gasométricamente numa diminucção da PCO2 arterial por debaixo de 35 mmHg. Portanto só falaremos de hiperventilação ou hipoventilação quando obtenhamos os resultados da PCO2 mediante uma gasometria arterial, ou a PET CO2 (Pressão Expiratória Total do CO2), que mediante o cenógrafo, podemos obter de forma incruenta em pacientes sometidos a VM. A taquipneia e a bradipneia são sintomas clínicos que com frequência se associação a hipoventilação e hiperventilação, mas não sempre é assim. PATOLOGÍAS RESPIRATORIAS As patologias mais frequentes em pediatria, é devido fundamentalmente a: 1. Patologia por imaturidade pulmonar: Síndrome de distres respiratório do recém- nascido ou Membrana hialina. 2. Infecções das vias aéreas, tanto baixas como altas 3. Processos inflamatórios das vias aéreas, tanto baixas como altas 4. Síndrome de distres respiratório do adulto 70