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Unidade 3 Livro didático digital Márcia Valéria Marconi Administração Financeira e Orçamentária Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ANDRÉA CÉSAR PEDROSA Projeto Gráfi co MANUELA CÉSAR ARRUDA Autor MÁRCIA VALÉRIA MARCONI Desenvolvedor CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS Olá. Meu nome é Márcia Valéria Marconi. Sou formada em Ciências Contábeis, com uma experiência técnico-profissional nas áreas de contabilidade, controladoria, custos, recursos humanos e educação, sendo mais de 20 anos. Passei por empresas como a Esso Brasileira de Petróleo Ltda., Sadia S.A., Econet Editora Ltda, Grupo Uninter, Universidade Positivo e FAEC. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! Autor MÁRCIA VALÉRIA MARCONI INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimen- to de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser prioriza- das para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográfi cas e links para aprofun- damento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refl etido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma ativi- dade de autoapren- dizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; Iconográfi cos Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo pro- jeto gráfi co de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: SUMÁRIO Introdução..................................................................................................10 Competências...........................................................................................11 Compreendendo como funciona a estrutura de capital..........12 O papel da estrutura de capital adequada...................................................12 Atributos da estrutura de capital........................................................13 Aplicando as técnicas de implantação do planejamento financeiro....................................................................................................14 Margem de Contribuição...........................................................................................18 Ponto de Equilíbrio..........................................................................................................21 Tomada de Decisão.....................................................................................22 Identificando e solucionando problemas relacionados ao planejamento financeiro dos ativos..................................................24 Operações de curto prazo e conta pagas....................................................27 Planejamento Financeiro........................................................................28 Realizar análise das necessidade de projeção de demonstração financeira...................................................................................................32 Juros atribuídos ao pagamento ao longo do tempo............................32 Analisando e interpretando o balanço patrimonial...............................35 Bibliografia................................................................................................42 Administração Financeira e Orçamentária 9 UNIDADE 03 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA Administração Financeira e Orçamentária10 Você sabe qual é a principal responsabilidade da administração Financeira? Nessa disciplina você aprenderá a diferença entre a contabilidade e a gestão financeira, e a importância dos demonstrativos financeiros no âmbito corporativo. Além disso, será capaz de analisar e interpretar as demonstrações financeiras, o processo de planejamento financeiro, as principais fontes de recursos de curto prazo, bem como, analisar a situação financeira de uma empresa através da análise de seus demonstrativos. Com isso, também, realizará operações financeiras com base no conhecimento sobre orçamento. Desse modo, ao final da disciplina você estará preparado para refletir e tomar decisões nas organizações a partir de uma visão sistêmica e que traga resultados equilibrados e positivos para a organização. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! INTRODUÇÃO Administração Financeira e Orçamentária 11 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender como funciona a estrutura de capital apropriada 2. Aplicar as técnicas de implantação de planejamento financeiro 3. Identificar e solucionar problemas relacionados ao planejamento financeiro de ativos 4. Executar a análise da necessidade de projeção das demonstrações financeiras Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! COMPETÊNCIAS Administração Financeira e Orçamentária12 DEFINIÇÃO: A teoria da estrutura de capital trata de que se devem comparar os proveitos e custos inerentes a utilização de capitais alheios (de terceiros), tendo como objetivo a maximização do valor da empresa (Gomes, 2012). Compreendendo como funciona a estrutura de capital Ao término deste capítulo você irá aprender sobre a estrutura de capital. Verá que as fi nanças são extremamente importantes para a gestão efi ciente das empresas, visando a estrutura de capital adequada, através dos atributos da estrutura de capital. Além de conhecer sobre o planejamento fi nanceiro do ativo e ainda veremos sobre análise das necessidades de projeção das demonstrações fi nanceiras como ferramenta de gestão. Então vamos lá. Avante! O papel da estrutura de capital adequada Brealey e Myers (1992) defi nem a estrutura de capital como a carteira de títulos composta pelas enumeras combinações de diferentes títulos que a empresa pode emitir. Administração Financeira e Orçamentária 13 Figura 1 – Análise do valor da empresa Fonte Freepik Segundo Myers (1984), através da sua teoria revela que empresas só obtém menos endividamento quando consegue ter mais lucro. Atributos da estrutura de capital Conforme Titman e Wessels (1988) elenca os atributos/fatores determinantes da estrutura de capital das empresas nos diferentes mercados, como: Estrutura dos ativos da empresa (colaterais); Usufruto de outros benefícios fi scais que não os gerados pelo endividamento; Expectativa de crescimento da empresa; Grau de singularidade da empresa; Tamanho da empresa; Volatilidade de seus resultados operacionais; e Lucratividade. Administração Financeira e Orçamentária14 Figura 2 – Análise da lucratividade da empresa Fonte Freepik Se as empresas se fi nanciassem através de lucros retidos e endividamento e emissão de ações, seriam mais lucrativas e menos endividadas (Meyer, 1984). Aplicando as técnicas de implantação da estrutura de capital VOCÊ SABIA?: A estrutura patrimonial de uma entidade também pode ser conceituada como um conjunto de capitais. Do lado do ativo estão o capital circulante e o capital não circulante, isto é, de curto prazo ou de longo prazo, ou permanente. Nocapital circulante, pode-se identifi car uma parcela que já se encontra disponível, denominado capital disponível. No capital não circulante, pode-se identifi car uma parcela de capital que tem característica de permanência na entidade, auxiliando-a na geração de benefícios econômicos futuros, chamada capital fi xo ou permanente. Administração Financeira e Orçamentária 15 Do lado do passivo, tem-se o capital de terceiros, que também pode ser caracterizado como circulante e não circulante. O Patrimônio Líquido equivale ao capital próprio da entidade, formado pelo capital nominal e os resultados acumulados (lucros ou prejuízos). O capital nominal é formado pelo capital investido pelos sócios e proprietários, conhecido como capital social da entidade. A partir do ativo, por meio da soma do capital circulante com o capital não circulante, tem-se o capital à disposição da entidade. Esse valor também pode ser obtido somando-se o capital de terceiros e o capital próprio. Grafi camente, é possível visualizar a estrutura de capitais adaptando a apresentação do balanço patrimonial da entidade: ATIVO CAPITAL À DISPOSIÇÃO DA ENTIDADE PASSIVO Considere novamente o Balanço Patrimonial da indústria metalúrgica, criando a visualização do patrimônio da empresa como um conjunto de capitais. Nesse caso: O capital de curto prazo da empresa equivale a R$ 275.000,00, formado pelas disponibilidades, estoques e valores a receber de clientes. Administração Financeira e Orçamentária16 Do capital circulante, o capital disponível equivale a R$ 61.000,00, formado por recursos em caixa e depósitos em conta corrente. O capital de longo prazo ou permanente equivale a R$ 450.000,00, formado pelos itens permanentes como terrenos, barracão, máquinas e equipamentos e equipamentos de informática. O capital de terceiros é representado por capitais de curto prazo e equivale a R$ 268.000,00. Seu capital próprio equivale a R$ 457.000,00, formado pelo capital nominal (R$ 100.000,00) e resultados acumulados (R$ 357.000,00). O total do capital à disposição da empresa é de R$ 725.000,00 no período. Veja como fica a representação do patrimônio do exemplo, considerando a estrutura de capitais que o formam. Tabela: Patrimônio A análise da estrutura patrimonial da empresa também permite identificar a situação financeira da entidade por meio da comparação dos ativos e passivos circulantes. Dessa comparação surge o valor do Capital Circulante Líquido (CCL) ou Capital de Giro Líquido (CGL), que é o resultado da diferença entre ativos circulantes e passivos circulantes. Capital circulante líquido = Ativo circulante – Passivo circulante A interpretação do CCL permite identificar se a situação financeira é de Administração Financeira e Orçamentária 17 liquidez ou de falta de liquidez. Quando o CCL é positivo (CCL > 0) tem- se uma situação de liquidez; caso contrário, de falta de liquidez (CCLos custos mediante as várias fases do ciclo de vida: desenho, desenvolvimento, manufatura, marketing, distribuição, manutenção, serviço de pós-venda e descarte. Enfi m, é necessário entender os custos do produto desde sua concepção até sua “morte”. Administração Financeira e Orçamentária 21 EXPLICANDO MELHOR: Então, podemos dizer que a cada etapa pela qual o produto passa, seja ela o benefi ciamento da matéria-prima ou a sua embalagem, o produto está sempre acumulando custos, e essas informações precisam ser precisas para serem repassadas aos gestores. Diante disso, temos que a Margem de Contribuição é o valor restante de cada produto após a dedução de seus custos variáveis, ou seja, é o preço de venda menos a despesa e o custo variável para esse produto ser produzido/vendido. Sobre a Margem de Contribuição, Megliorini (2012, p.137) destaca: [...] a margem de contribuição é o montante que resta do preço de venda de um produto depois da dedução de seus custos e despesas variáveis. Representa a parcela excedente dos custos e das despesas gerados pelos produtos. Caso o preço de venda de um produto seja inferior a seus custos e despesas variáveis, temos uma situação de margem de contribuição negativa, que deve ser revista ou, por condições comerciais, suportada, ou, mesmo por razões estratégicas, a empresa poderá manter produtos com essa situação. A empresa só começa a ter lucro quando a margem de contribuição dos produtos vendidos supera os custos e despesas fi xos do exercício. Assim, essa margem pode ser entendida como a contribuição dos produtos à cobertura dos custos e despesas fi xos e ao lucro. Portanto, a margem de contribuição pode ser compreendida como o valor que sobra após a retirada dos custos e das despesas variáveis, em conjunto com a margem de contribuição. Pode-se dizer até que o chamado ponto de equilíbrio é mais importante que ela, visto que as receitas, os custos e as despesas fi xas e variáveis se igualam. Ponto de equilíbrio O ponto de equilíbrio ocorre quando as receitas geradas pelas vendas da empresa se equivalem às despesas e aos custos da empresa, Administração Financeira e Orçamentária22 ou seja, ocorre quando a empresa não possui prejuízo. Para Ching (2006, p. 55), o ponto de equilíbrio é a situação na qual o somatório dos custos da empresa é igual à sua receita, ou seja, é o ponto de lucro zero. Aqui, não consideramos as despesas financeiras como parte dos custos da empresa, só levamos em conta as despesas operacionais. Despesas financeiras são consequência do empréstimo que a empresa toma quando começa a ter prejuízo, a enfrentar falta de caixa para suas operações, e se vê obrigada a cobrir essa falta. É importante que as empresas saibam qual é o valor mínimo das vendas para cobrir seus custos – seu ponto de equilíbrio – e, a partir daí, quanto obtém de lucro a cada valor incremental de receita. Vejamos a fórmula para o cálculo do ponto de equilíbrio, segundo Megliorini (2012, p. 149): PE= PV unitário (-) Custos e despesas variáveis unitários Custos e despesas fixos Tomada de decisão A contabilidade de custos sempre foi um instrumento para resolver problemas de mensuração monetária de estoque e resultado e, sendo assim, não teve uma evolução. No entanto, com a entrada das Leis das Sociedades Anônimas, houve algumas modificações. Vejamos a definição de Ching (2006, p. 52) a respeito: Com o advento das Leis das Sociedades Anônimas, a contabilidade de custos teve de ser formalmente integrada à contabilidade geral da empresa, registrando as contas de “custo de mercadorias vendidas” no demonstrativo de resultados e as de estoques (matéria-prima, produtos em processo e produtos acabados) no Balanço Patrimonial. Administração Financeira e Orçamentária 23 NOTA: Após esse acontecimento, tudo começou a mudar. A contabilidade de custos não está sendo somente considerada na contabilidade geral, mas também na contabilidade gerencial. Isso ocorre porque mudou todo o panorama competitivo e as empresas, tanto industriais como de serviço, necessitam de informações gerenciais mais precisas. Assim, “[...] é preciso passar a encarar a contabilidade de custos como uma forma efi ciente de auxílio no desempenho da nova missão, que é gerencial” (CHING, 2006, p. 52). Figura 4: Ponto de Equilíbrio Fonte Freepik Sobre o profi ssional da contabilidade que atua na contabilidade gerencial, ele geralmente possui uma visão orientada para o negócio da empresa. Horngren, Datar e Foster (2004, p. 2) nos fornecem uma visão estratégia, ou seja, na implementação da estratégia o profi ssional contábil deve estar envolvido para colaborar na orientação do negócio. Podemos concluir que, para entender o papel do contador gerencial, devemos, em primeiro lugar, compreender, com mais detalhes, as tarefas dos administradores. Administração Financeira e Orçamentária24 Identifi cando e solucionando problemas planejamento fi nanceiros de passivos A contabilidade gera informações armazenadas em vários setores da empresa e também produz suas próprias informações, resultando dos processos e realização das informações de diferentes departamentos. Desta forma, se torna possível dizer que a contabilidade como um grande e rico sistema de informações para se atender aos interesses da organização, do governo e de diversos outros envolvidos no contexto patrimonial e fi nanceiro. Como sistema de informação encontra-se um conjunto de recursos voltado para a geração de informações, de forma que a organização consiga cumprir seus objetivos (PADOVEZE, 2010). Os recursos utilizados pela contabilidade umas técnicas são: Tabela 2: Recursos técnicos Administração Financeira e Orçamentária 25 O uso de sistemas integrados e especializados são elementos importantes para que a contabilidade de uma organização alcance esses resultados. As instituições fi nanceiras são outra classe de usuários das informações contábeis das empresas. Para elas, a contabilidade da empresa vai determinar a capacidade de pagar seus empréstimos ou fi nanciamentos e os correspondentes custos fi nanceiros no vencimento contratado. Em situação semelhante às instituições fi nanceiras estão os diversos credores da entidade, como fornecedores de matérias-primas, imobilizados, serviços, entre outros. Porém, o horizonte de tempo que eles consideram para a análise das condições fi nanceiras e patrimoniais da entidade é mais curto. Os clientes, por sua vez, também têm interesse em informações contábeis que demonstrem a continuidade operacional da entidade, especialmente quando possuem relacionamento em longo prazo com os produtos por ela fornecidos, ou, ainda, quando dependem dela como fornecedor importante. VOCÊ SABIA?: As esferas governamentais estão interessadas na destinação dos recursos gerados pela empresa com a fi nalidade de regulamentar as atividades das entidades, estabelecer políticas tributárias e produzir bases estatísticas do desempenho econômico e social do país. As entidades interferem no meio social de diversas formas e, por isso, a sociedade em geral também é uma possível usuária da informação contábil. Por intermédio da contabilidade das entidades, a sociedade poderá avaliar a contribuição que ela traz à economia local, empregando pessoas e utilizando fornecedores locais. Além disso, podem identifi car a evolução do desempenho da organização, seus projetos sociais e ambientais. Resumo dos principais usuários da informação contábeis exemplifi ca o tipo de informação da empresa que o usuário tem interesse: Administração Financeira e Orçamentária26 Tabela 3: informações contábeis A estrutura patrimonial de uma entidade também pode ser conceituada como um conjunto de capitais. EXPLICANDO MELHOR: Do lado do ativo estão o capital circulante e o capital não circulante, isto é, de curto prazo ou de longo prazo,ou permanente. No capital circulante, pode-se identifi car uma parcela que já se encontra disponível, denominado capital disponível. No capital não circulante, pode-se identifi car uma parcela de capital que tem característica de permanência na entidade, auxiliando-a na geração de benefícios econômicos futuros, chamada capital fi xo ou permanente. Do lado do passivo, tem-se o capital de terceiros, que também pode ser caracterizado como circulante e não circulante. O Patrimônio Líquido equivale ao capital próprio da entidade, formado pelo capital nominal e os resultados acumulados (lucros ou prejuízos). O capital nominal é formado pelo capital investido pelos sócios e proprietários, conhecido como capital social da entidade. A partir do ativo, por meio da soma do capital circulante com o capital não circulante, tem-se o capital à disposição da entidade. Esse valor também pode ser obtido somando-se o capital de terceiros e o capital próprio. Administração Financeira e Orçamentária 27 Grafi camente, é possível visualizar a estrutura de capitais adaptando a apresentação do balanço patrimonial da entidade em relação ao empréstimo de capital de terceiros: Figura 5: Capital de Terceiros Fonte Freepik Operações de curto prazo e Contas pagas As operações de curto prazo e contas a pagar devem ser controladas de perto. Controlar é, essencialmente, acompanhar a execução de atividades da maneira mais rápida possível, e comparar o desempenho efetivo com o planejado, isto é, o que tenha sido originalmente considerado desejável, satisfatório ou viável para as empresas e suas subunidades. Evidentemente, a função de controle não se esgota no acompanhamento puro e simples, como também envolve a geração de informações para a tomada de decisões de avaliação e eventual correção do desempenho alcançado, proporcionalmente ao seu afastamento em relação ao tido como desejável ou satisfatório. (SANVICENTE e SANTOS, 1995, p.22). Administração Financeira e Orçamentária28 SAIBA MAIS: De acordo ainda com os autores Sanvicente e Santos (1995) controlar é acompanhar a evolução das atividades e checar diariamente a atuação efetiva com o que foi planejado. Os autores ainda comentam que controle orçamentário é um procedimento que visa acompanhar, avaliar e analisar o planejamento fi nanceiro em seus diversos passos, analisando se há diferença entre valores orçados e valores realizados. Já Padoveze (2005, p. 23) “o controle é um processo contínuo e recorrente que avalia o grau de aderência entre os planos e sua execução, compreende a análise dos desvios ocorridos, procurando identifi car suas causas e direcionando ações corretivas”. Planejamento Financeiro Os benefícios são privilegiados as organizações a partir das informações necessárias ao alcance dos usuários internos, pois permitirá o melhor desempenho das atribuições. Dessa forma, a produção das informações contábeis internas deve estar orientada ao alcance dos objetivos estratégicos e metas planejadas para a organização. Por outro lado, a informação prestada aos usuários externos é necessária para a proteção dos investidores interessados ou vinculados às organizações. Para eles, o ordenamento societário e jurídico impõe informações mínimas, periodicidades de apresentação e outras obrigações de acessoria. Contudo, são informações que geram benefícios indiretos a organização na relação com o mercado e os invesdores, valorizando a imagem e a captação de novos negócios e oportunidades, para a empresa frente aos investidores. Administração Financeira e Orçamentária 29 Figura 6: Planejamento Financeiro Fonte Freepik Para esse investimento é necessário um planejamento fi nanceiro, que: [...] consiste na elaboração de suborçamentos das atividades que infl uenciam o fl uxo de caixa, possibilitando informações antecipadas quanto a disponibilidade e necessidade de recursos fi nanceiros, facilitando o gerenciamento de caixa e conversão dos orçamentos econômicos em regime de caixa (OLIVEIRA, 2005, p. 131). Segundo Oliveira (2019) os suborçamentos que compõem o planejamento fi nanceiro são: orçamento de contas a pagar: conversão de despesas constantes para regime de caixa; orçamento de contas a receber: conversão de receitas constantes em regime de caixa; orçamento de aplicações fi nanceiras: planejamento de caixa, com a antecipação de informações sobre sobras de caixa; orçamento de empréstimo: planejamento das necessidades de caixa, com a antecipação de informações sobre faltas de caixa; orçamento de caixa: fl uxo de caixa com entradas e saídas, obtidas das contas a pagar, receber, aplicações e empréstimos. Administração Financeira e Orçamentária30 Para tanto, verifi camos que a: “a administração fi nanceira é um campo de estudo teórico e prático que objetiva, essencialmente, assegurar um melhor e mais efi ciente processo empresarial de captação e alocação de recursos de capital. Nesse contexto, a administração fi nanceira envolve-se tanto com a problemática de escassez de recursos, quanto com a realidade operacional e prática da gestão fi nanceira das empresas, assumindo uma defi nição de maior amplitude (ASSAF NETO, 2010, p. 8). EXPLICANDO MELHOR: Nesse contexto, observamos que a administração fi nanceira objetiva encontrar o equilíbrio entre a “rentabilidade” (maximização dos retornos dos proprietários da empresa) e a “liquidez” (que se refere à capacidade de a empresa honrar seus compromissos nos prazos contratados) (MENDES, 2010, p. 18). Já Matarazzo (2007, p. 175) diz que “os índices mostram qual a rentabilidade dos capitais investidos, isto é, quanto renderam os investimentos e, portanto, qual o grau de êxito econômico da empresa.” Para que esse equilíbrio aconteça as ferramentas de planejamento que as organizações podem utilizar são: Tabela 3: Ferramentas de planejamento Administração Financeira e Orçamentária 31 Plano estratégico: se traduz na elaboração de um plano que estabelece os valores da organização e os principais reconhecimentos que ela deseja em relação a valores e visão de futuro. Plano tático: é um orçamento empresarial que contempla as principais diretrizes para períodos de curto e médio prazo. Quando o orçamento empresarial é elaborado em organizações que já possuem um plano estratégico, deverá ocorrer a vinculação das duas ferramentas, de forma que o plano estratégico seja o norteador de diretrizes, objetivos e metas orçamentárias para toda a organização. Desse modo, o processo de verifi cação da execução orçamentária vai contribuir também para a verifi cação da execução do plano estratégico. O Plano operacional: é o nível mais próximo da execução das atividades organizacionais. Nele se estabelecem as ações de curto prazo de recursos necessários, os prazos e as condições para a execução da empresa. Pode ser representado por instrumentos como planos de fabricação, programações de compras, cronogramas de projetos, etc. Planos operacionais são elaborados e executados à luz das defi nições do orçamento empresarial. EXPLICANDO MELHOR: Todos os planos (estratégico, tático e operacional) estão vinculados ao orçamento empresarial e, juntos, alimentam o sistema de informações da organização, que é o principal veículo de medição e comunicação dos resultados alcançados. Visto que o orçamento empresarial possibilita prever os gastos baseados nos períodos anteriores e o planejamento fi nanceiro é o plano de negócios da empresa para os investimentos ou a incorporação. Portanto, o planejamento fi nanceiro é uma ferramenta que possibilita o alcance dos objetivos estratégicos das organizações, ao mesmo tempo que concebe harmonia e integração ao plano estratégico. Isso porque, na ausência da defi nição de objetivos estratégicos, o planejamento fi nanceiro tende a ser apenas um orientador de gastos e de resultados de curto prazo. Administração Financeirae Orçamentária32 Tabela 4 :Aquisição A análise de índices ajuda a revelar a condição global de uma empresa. Auxiliam analistas e investidores a determinar se a empresa está sujeita ao risco. Realizar análise das necessidades de projeção das demonstrações contábeis Há uma relação direta de integração do desempenho operacional com os itens que compõem o patrimônio da entidade. A partir dessa integração é possível analisar a situação fi nanceira e patrimonial. Juros atribuídos ao pagamento ao longo do tempo Unindo as principais demonstrações da contabilidade, o Balanço Patrimonial e a Demonstração dos Resultados, é possível compreender melhor essa integração. Veja as principais integrações no quadro a seguir: Administração Financeira e Orçamentária 33 Tabela 5: Integração do desempenho ao patrimônio Fonte: Controle de datas para o desembolso alinhado ao faturamento, adaptada pelo autor. Há uma relação direta de integração do desempenho operacional com os itens que compõem o patrimônio da entidade. A partir dessa integração é possível analisar a situação fi nanceira e patrimonial. Unindo as principais demonstrações da contabilidade, o Balanço Patrimonial e a Demonstração dos Resultados, é possível compreender melhor essa integração. Veja as principais integrações no quadro a seguir: Tabela 6: Integração desempenho organizacional x patrimônio Administração Financeira e Orçamentária34 O desempenho operacional, por intermédio do lucro líquido do período, também será reconhecido no Patrimônio Líquido da entidade, contrabalanceando com as integrações dos ativos e passivos. Figura 7: Integração do desempenho ao patrimônio Fonte Freepik Retomando o exemplo da indústria metalúrgica e considerando a integração do seu desempenho operacional ao seu patrimônio, obtêm- se as seguintes relações: Tabela 7: Desempenho operacional do patrimônio Administração Financeira e Orçamentária 35 EXPLICANDO MELHOR: Algumas informações são obtidas simplesmente pela leitura dos demonstrativos e outras somente após aplicar a técnica contábil de análise de balanços. Essa técnica consiste em uma ferramenta de grande valor nas tomadas de decisões, especialmente por possibilitar o conhecimento da situação econômica e fi nanceira da organização (MARION; OSNI, 2011). Percebe-se, então, que ao mensurar o desempenho operacional da entidade e apontar os itens que o compõem faz-se necessário identifi car a relação destes com os ativos e passivos que constituem o patrimônio da entidade. Todos os itens patrimoniais emergem a partir do patrimônio da entidade, e ao mesmo tempo que são infl uenciados por ele também infl uenciam a sua composição. Analisando e interpretando o balanço patrimonial O balanço patrimonial é a principal demonstração gerada pela contabilidade e tem sua obrigatoriedade prevista na legislação brasileira (Lei n. 6.404/1976, art.176, I). Nesse demonstrativo constam informações fi nanceiras e econômicas da organização em determinado período. Veja um exemplo de apresentação do balanço patrimonial. Administração Financeira e Orçamentária36 Tabela 8: Balanço patrimonial Fonte: Feita pelo autor Para realizar a análise do balanço patrimonial – e também dos demais demonstrativos – é necessário seguir alguns procedimentos que permitirão maior compreensão das informações contábeis registradas: 1.º Passo Leitura prévia do demonstrativo Permite identifi car as informações disponíveis sem a necessidade de aplicação de alguma técnica. Basta apenas ler o demonstrativo. Informações como o período a que se referem, a moeda em que os valores são apresentados e os itens patrimoniais da organização no período são identifi cados na leitura prévia. 2.º Passo Análise da estrutura do demonstrativo, ou análise vertical Permitirá identifi car a relevância dos itens patrimoniais por período, assim como compreender as estruturas de aplicação e fi nanciamento do capital. Administração Financeira e Orçamentária 37 3.º Passo Análise da evolução das contas patrimoniais ou análise horizontal Demonstra como os itens patrimoniais evoluíram de um período para o outro. A análise não explica as causas da evolução, mas pode indicar os principais itens patrimoniais que contribuíram para a realidade patrimonial, financeira e de desempenho da organização. 4.º Passo Análise de indicadores Revelará informações ocultas nas demonstrações, como liquidez, endividamento, rentabilidade, prazos médios, entre outras informações. 5.º Passo Análise comparativa com padrões de mercado Caso a organização tenha disponível o demonstrativo de empresas similares no ramo de atuação, pode-se também aplicar a análise comparativa entre elas. Para a análise ser útil, é necessário tomar alguns cuidados, como: Assegurar que os demonstrativos utilizem o mesmo período de referência; Assegurar que os demonstrativos registrem os valores na mesma moeda; Identificar se há similaridades nos itens patrimoniais demonstrados pelas empresas. Tomados esses cuidados, a análise comparativa poderá ajudar muito a organização a equiparar-se com outras empresas do mercado. Nesse caso, não se buscará explicações para este ou aquele comportamento, mas apenas se confirmará como está a realidade patrimonial, financeira e de desempenho da organização. Por exemplo, a empresa A, similar às empresas B e C, alcançou uma taxa de lucratividade de 10% no período, enquanto que as empresas B e C alcançaram, respectivamente, 25% e 30%. Todas as três possuem contextos empresariais muito semelhantes, como porte, número de clientes, processos, parque fabril, produtos, entre outros. A análise comparativa da taxa de lucratividade da empresa A, por mais que tenha sido comemorada pelos proprietários e dirigentes, pode ser considerada Administração Financeira e Orçamentária38 como um desempenho medíocre para o mercado, indicando que a empresa não soube aproveitar o bom momento econômico. 6.º Passo Relatório de análise de balanço Sempre será elaborado concomitantemente ao desenvolvimento dos passos anteriores, e será nele que as informações signifi cativas serão descritas. Aqui se faz uso da boa comunicação escrita, aliada a recursos que auxiliam na compreensão das informações, como quadros, tabelas e gráfi cos. Juntamente com os demonstrativos contábeis elaborados pelas organizações, é um relatório da administração, que é um exemplo prático de análise de balanço, no qual constam informações que podem auxiliar na elaboração de conclusões sobre a realidade patrimonial, fi nanceira e de desempenho da organização. Esses passos também podem ser entendidos como camadas da informação, de forma que em cada camada se descobrem várias informações e se formam diversos questionamentos que serão respondidos por meio da análise. Ao chegar ao último passo, ou camada, toda a informação se torna nítida e evidente, podendo-se concluir sobre a realidade patrimonial, fi nanceira e de desempenho da organização nos períodos. Figura 8 – Análise de Indicadores Fonte Freepik Administração Financeira e Orçamentária 39 Leitura prévia Informações facilmente obtidas com a leitura da demonstração do resultado: Os períodos retratados na demonstração. A unidade monetária aplicada aos valores apresentados. O faturamento ou receitas de vendas auferidas em cada período. A composição dos custos da operação em cada período. A composição das despesas de operação em cada período. O resultado econômico alcançado ao final de cada período. As contas de resultado que possuem notas explicativas que detalham melhor a composição do seu montante. Também é possível cruzar informações com outros demonstrativos, principalmente o balanço patrimonial, para identificar informações ou inferir sobre comportamentos e causas. Analisando e interpretando a demonstração dos resultados A demonstração dos resultados daorganização é o segundo principal relatório contábil e também faz parte do rol de demonstrativos exigidos pela Lei n. 6.404/1976 (art.176, III). Esse demonstrativo apresenta as receitas auferidas no período deduzidos todos os esforços operacionais para sua geração, destacando os vários estágios de formação dos lucros da organização para os usuários internos e externos. Dentre os esforços, estão os tributos sobre a venda e lucros, custos de mercadoria, produto ou serviços vendidos e despesas com vendas, administrativas e financeiras. Os mesmos procedimentos de análise do balanço patrimonial são aplicáveis à demonstração dos resultados, inclusive os mesmos passos são necessários para identificar as informações contábeis visíveis e ocultas. Acompanhe um exemplo de apresentação da demonstração dos resultados: Administração Financeira e Orçamentária40 Tabela 9: DRE – Demonstração do Resultado do Exercício Leitura prévia Informações facilmente obtidas com a leitura da demonstração do resultado: Os períodos retratados na demonstração. A unidade monetária aplicada aos valores apresentados. O faturamento ou receitas de vendas auferidas em cada período. A composição dos custos da operação em cada período. A composição das despesas de operação em cada período. O resultado econômico alcançado ao fi nal de cada período. As contas de resultado que possuem notas explicativas que detalham melhor a composição do seu montante. Também é possível cruzar informações com outros demonstrativos, principalmente o balanço patrimonial, para identifi car informações ou inferir sobre comportamentos e causas. Administração Financeira e Orçamentária 41 Para concluir, para se conseguir realizar a análise do DRE Planejado x Realizado, a empresa precisa ter realizado seu planejamento orçamentário. Caso sua empresa ainda não tenha um planejamento orçamentário, deve realiza-lo. Para complementar seu aprendizado, não deixe de realizar as atividades que acompanham esta aula. Até a próxima! Por isso, o administrador precisa conhecer como planejar a estrutura de capital e analisar o planejamento fi nanceiro e para ter um negócio adequado. Para poder estar alinhado ao mercado e ser um diferencial frente aos concorrentes analisar suas demonstrações fi nanceiras para verifi car se está sendo relevante para o mercado. Caro estudante, você chegou ao fi m desta aula, parabéns! Nela, você aprendeu sobre análise sobre orçamento de investimentos e de estrutura de capital. REFLITA: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a estrutura de capital apropriada é essencial para um bom planejamento fi nanceiro e análise das demonstrações fi nanceiras. Administração Financeira e Orçamentária42 BIBLIOGRAFIA BLATT, A. Análise de Balanços: estrutura e avaliação das demonstrações financeiras e contábeis. São Paulo: Makron Books, 2000. BREALEY, R., & MYERS, S. (1992). Princípios de Finanças Empresariais. 3ª Edição. McGrawHill de Portugal. CHING, H. Y. Contabilidade Gerencial: novas práticas contábeis para a gestão de negócios. São Paulo: Pearson, 2006. D.O.U. Diário Oficial da União Conselho Federal de Contabilidade. Resolução CFC nº 1.282/10. Resolução nº 750/93. Disponível em: . 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