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ESTUDO DIRIGIDO – MICROCIRCULAÇÃO 1. Uma unidade microcirculatória é constituida essencialmente de arteríolas, metarteríolas, capilares e vênulas. Diferencie, morfologicamente, estes vasos. O sangue proveniente da arteríola flui por uma série de meta-arteríolas, cujas estruturas são intermediárias entre a das arteríolas e a dos capilares. ● As arteríolas são altamente musculares e exercem papel fundamental no controle do fluxo sanguíneo para os tecidos. ● As meta-arteríolas não possuem uma cobertura contínua de musculatura lisa, contudo, fibras de músculo liso circundam o vaso em pontos intermitentes denominados esfincteres pré-capilares. A contração do músculo nesses esfincteres pode abrir e fechar a entrada para os capilares. ● As vênulas são maiores que as arteríolas e têm revestimento muscular muito mais fraco. Contudo, a pressão nas vênulas é muito menor que nas arteríolas, assim as primeiras ainda podem se contrair de forma considerável, apesar da fraca musculatura. ● Os capilares são bastante porosos. Neles, existem vários milhões de fendas – ou poros – entre as células que compõem suas paredes para cada cm2 de superfície capilar. Devido à alta permeabilidade capilar em relação à maioria dos solutos e também devido à ampla área de superfície, conforme o sangue flui pelos capilares, grandes quantidades de substâncias dissolvidas se difundem em ambas as direções através desses poros. Dessa forma, quase todas as substâncias dissolvidas no plasma, exceto as proteínas plasmáticas, são continuamente misturadas com o fluido intersticial. O arranjo da microcirculação não ocorre em todas as partes do corpo, todavia, arranjos similares servem aos mesmos propósitos. As meta-arteríolas e arteríolas, estão em contato íntimo com os tecidos que irrigam, e as condições locais (p. ex., alterações da concentração de nutrientes ou de produtos finais do metabolismo) podem afetar diretamente esses vasos no controle do fluxo sanguíneo local. 2. Quais os mecanismos de regulação do fluxo sanguíneo capilar? Em muitos tecidos, o fluxo sanguíneo capilar não é contínuo, fluindo ora sim, ora não, a intervalos de poucos segundos. A causa dessa intermitência é a contração das meta-arteríolas e dos esfincteres pré-capilares, que é influenciada principalmente pelo oxigênio e pelos produtos residuais do metabolismo tecidual. Com a redução da concentração de oxigênio em um tecido (p. ex., em decorrência do aumento da utilização de oxigênio), o fluxo sanguíneo se torna mais frequente e duradouro para permitir que o sangue leve quantidades maiores de oxigênio e outros nutrientes aos tecidos. O fator mais importante entre os já identificados para a determinação do grau de abertura e fechamento das metarteríolas e dos esfíncteres pré-capilares é a concentração de oxigênio nos tecidos. Quando a intensidade do consumo de oxigênio pelos tecidos é tão grande que sua concentração de oxigênio cai abaixo da normal, os períodos intermitentes de fluxo sanguíneo capilar ocorrem com maior frequência, e a duração de cada período aumenta, permitindo desse modo que o sangue capilar transporte maior quantidade de oxigênio (bem como de outros nutrientes) para os tecidos. 3. Os poros na membrana capilar apresentam características diferentes em alguns tecidos. Quais são esses tecidos e quais as respectivas características na membrana capilar? Há duas pequenas vias de passagem ligando o interior do capilar ao exterior. Uma delas é a fenda intercelular, que é o fino canal curvado na parte inferior da figura entre células endoteliais adjacentes. Cada fenda é interrompida periodicamente por curtas cadeias de proteínas aderidas que mantêm as células endoteliais unidas, mas entre essas cadeias o líquido pode se difundir livremente pela fenda. A fenda nas condições normais apresenta largura uniforme de cerca de 6 a 7 nanômetros (60 a 70 ângs- trons), o que é pouco menor que o diâmetro da molécula da proteína albumina. Os “poros” nos capilares de alguns órgãos apresentam características especiais que se adaptam às necessidades peculiares desses órgãos. Algumas dessas características são as seguintes: 1. No cérebro, as junções entre as células endoteliais capilares são, em sua maior parte, junções “oclusivas” (tight junctions) que só permitem a passagem de moléculas extremamente pequenas, tais como água, oxigênio e dióxido de carbono para dentro ou fora dos tecidos cerebrais. 2. No fígado, ocorre o oposto. As fendas entre as células endoteliais capilares são muito abertas, de modo que quase todas as substâncias dissolvidas no plasma, incluindo proteínas plasmáticas, podem passar do sangue para os tecidos hepáticos. 3. Os poros, nas membranas capilares gastrintestinais, apresentam tamanhos intermediários entre os poros dos músculos e os do fígado. 4. Nos glomérulos capilares renais, muitas pequenas aberturas ovais, chamadas fenestrações, atravessam pelo meio as células endoteliais, de modo que enormes quantidades de substâncias iônicas e moleculares muito pequenas (e não as grandes moléculas das proteínas plasmáticas) podem ser filtradas pelos glomérulos sem ter de passar pelas fendas entre as células endoteliais. 4. A membrana capilar é de natureza lipídica. Portanto, favorece a difusão de substâncias lipossolúveis como gás carbônico, oxigênio e álcool. Como se difundem através dos capilares as substâncias hidrossolúveis como a água, a glicose e o cloreto de sódio? A medida que o sangue flui pelos capilares, inúmeras hidromoléculas e substâncias dissolvidas se difundem nos dois sentidos através da parede capilar, promovendo a mistura contínua de fluido intersticial e plasma. Substâncias lipossolúveis, como oxigênio e dióxido de carbono, podem se difundir diretamente através das membranas celulares sem ter que passar pelos poros. Já as substâncias hidrossolúveis, como a glicose e os eletrólitos, difundem-se apenas através dos poros intercelulares da membrana capilar. A taxa de difusão para a maioria dos solutos é tão alta que células localizadas a uma distância de até 50 μm em relação aos capilares recebem quantidades adequadas de nutrientes. Os principais fatores que afetam a taxa de difusão através dos capilares são: 1. O tamanho do poro no capilar. Na maioria dos capilares, o tamanho do poro mede 6-7 nm. Os poros de algumas membranas capilares, como as membranas dos capilares sinusoides hepáticos, são bem maiores e, assim, mais permeáveis às substâncias dissolvidas no plasma. 2. O tamanho molecular da substância que se difunde. A água e a maioria dos eletrólitos (p. ex., sódio e cloreto) apresentam um tamanho molecular menor do que o tamanho do poro. Isso possibilita a rápida difusão dessas moléculas através da parede capilar. Por outro lado, o tamanho das proteínas plasmáticas é discretamente maior do que a largura dos poros, o que restringe a difusão dessas moléculas. 3. A diferença de concentração da substância entre os dois lados da membrana. Quanto maior a diferença existente entre as concentrações de uma substância nos dois lados da membrana capilar, maior é a taxa de difusão em uma das direções através da membrana. A concentração de oxigênio no sangue normalmente é maior do que no fluido intersticial, permitindo que grandes quantidades de oxigênio se movam do sangue para dentro dos tecidos. Ao contrário, as concentrações de produtos residuais oriundos do metabolismo são maiores nos tecidos do que no sangue, possibilitando a movimentação dessas substâncias para o sangue, que as transporta para longe dos tecidos. 5. A filtração e a reabsorção capilar são fenômenos que dependem do jogo das pressões presentes dentro e fora dos capilares. Assim, contribuem as pressões de Starling. Quais são essas pressões e como se comportam estas pressões para promoverem a filtração ou a reabsorção capilar? A distribuição de fluidos por meio dos capilares é determinada por outro processo – o fluxo em massa ou ultrafiltração de plasma livre de proteínas. ● As paredes capilares são altamente permeáveis à água e à maioria dos solutos plasmáticos,com exceção das proteínas plasmáticas. Portanto, as diferenças de pressão hidrostática através da parede capilar empurram o plasma livre de proteínas (ultrafiltrado) através das paredes capilares para o interstício. ● Em contraste, a pressão osmótica gerada pelas proteínas plasmáticas (denominada de pressão coloidosmótica) tende a produzir uma movimentação do fluxo por osmose, a partir dos espaços intersticiais para o sangue. ● As pressões hidrostática e coloidosmótica do fluido intersticial também influenciam a filtração de fluidos através da parede capilar. 1. A pressão hidrostática capilar (PC) força o fluido para fora através da membrana capilar. 2. A pressão hidrostática do fluido intersticial (Pfi) força o fluido para dentro através da membrana capilar quando é positiva e para fora (interstício) quando é negativa. 3. A pressão coloidosmótica plasmática (πp) promove a osmose de fluidos para dentro, através da membrana capilar. 4. A pressão coloidosmótica do fluido intersticial (πfi) tende a promover a osmose de fluidos para fora através da membrana capilar. A taxa efetiva de filtração para fora dos capilares é determinada pelo equilíbrio dessas forças, bem como pelo coeficiente de filtração capilar (Kf), do seguinte modo: Filtração = Kf × (PC – Pfi –πp + πfi) 6. Explique por que a pressão do fluido intersticial em alguns tecidos é negativa ou subatmosférica? Medidas da pressão hidrostática do fluido intersticial forneceram um valor médio aproximado de −3 mmHg em tecidos subcutâneos frouxos. Uma das razões para essa pressão negativa é o sistema de bombeamento linfático (discutido posteriormente). Quando o fluido entra nos capilares linfáticos, qualquer movimento tecidual o impulsiona adiante no sistema linfático e eventualmente de volta para a circulação. Desse modo, o fluido livre que se acumula no tecido é bombeado para longe, em consequência da movimentação tecidual. Essa ação de bombeamento dos capilares linfáticos parece contribuir para a pressão negativa discretamente intermitente observada nos tecidos em repouso. ESTUDO DIRIGIDO – SISTEMA LINFÁTICO 1. Qual a importância do sistema linfático? Qual o destino final da drenagem linfática? ● Em essência, todos os vasos linfáticos da parte inferior do corpo escoam-se por fim para o dueto torácicoque, por sua vez, se escoa para o sistema venoso de sangue, na junção da veia jugular interna esquerdacom a veia subclávia esquerda ● A linfa do lado esquerdo da cabeça, do braço esquerdo e de partes da região torácica também penetra o dueto torácico antes de se escoar nas veias. ● A linfa do lado direito da cabeça e pescoço, braço direito e partes do hemitórax direito segue pelo dueto linfático direito(muito menor que o dueto torácico), que se escoa no sistema venoso de sangue, na junção da veia subclávia com a veia jugular interna direita. 2. Descreva a estrutura e funcionamento dos capilares linfáticos. ● células endoteliais do capilar linfático presas por filamentos de ancoragem ao tecido conjuntivo que o circunda. Nas junções entre as células endoteliais adjacentes, a borda de uma célula se sobrepõe à borda da célula seguinte, de modo que a borda sobreposta fica livre para se dobrar para dentro, formando assim uma válvula minúscula que se abre para o interior do capilar linfático. ● O líquido intersticial, junto com as partículas suspensas, pode pressionar e abrir a válvula, fluindo diretamente para o capilar linfático. Entretanto, esse líquido tem dificuldade para deixar o capilar uma vez que tenha entrado porque qualquer refluxo fecha a válvula. ● Assim, os linfáticos têm válvulas nas extremidades dos capilares linfáticos terminais, bem como válvulas ao longo de seus vasos mais grossos até o ponto em que se escoam para a circulação sanguínea 3. Qual a composição da linfa? ● A linfa é derivada do líquido intersticial que flui para os linfáticos. Por isso, logo após entrar nos linfáticos terminais, ela apresenta praticamente a mesma composição que o líquido intersticial. ● A concentração de proteína no líquido intersticial da maioria dos tecidos é de, em média, cerca de 2 g/dL, e a da linfa que flui desses tecidos é próxima a esse valor. No fígado, a linfa formada no fígado apresenta concentração elevada de proteína de 6 g/dL, e a linfa formada nos intestinos tem concentração de proteína de 3 a 4 g/dL. ● Como cerca de dois terços de toda a linfa são, em condições normais, derivados do fígado e dos intestinos, a linfa do dueto torácico, que é a mistura da linfa de todas as partes do corpo, tem em geral concentração de proteínas de 3 a 5 g/dL 4. Quais os fatores fisiológicos que aumentam o fluxo de linfa? Ele pode ser infinto? Explique. O fluxo linfático normal é muito pequeno, com pressões do líquido intersticial abaixo do valor normal de -6 mmHg. Então, à medida que a pressão aumenta para 0 mmHg (pressão atmosférica), o fluxo aumenta por mais de 20 vezes. Por conseguinte, qualquer fator que aumente a pressão do líquido intersticial também aumenta o fluxo linfático se os vasos linfáticos estiverem funcionando normalmente. Esses fatores incluem: ● Pressão hidrostática capilar elevada ● Pressão coloidosmótica diminuída do plasma ● Pressão coloidosmótica aumentada do líquido intersticial ● Permeabilidade aumentada dos capilares Todos esses fatores fazem com que o balanceamento das trocas de líquido na membrana capilar sanguínea favoreça o movimento de líquido para o interstício, dessa 5. Explique o funcionamento intrínseco das bombas linfáticas. Quais os fatores externos que estimulam o bombeamento linfático? ● Bombeamento Causado pela Compressão Intermitente Externa dos Linfático: Além do bombeamento causado pela contração intermitente intrínseca das paredes dos vasos linfáticos, qualquer fator externo que comprima o vaso linfático também de modo intermitente pode provocar o bombeamento. Em ordem de importância, esses fatores são: - Contração dos músculos esqueléticos circundantes - Movimento de partes do corpo - Pulsações de artérias adjacentes aos linfáticos - Compressão dos tecidos por objetos externos ao corpo A bomba linfática fica muito ativa durante o exercício, frequentemente aumentando o fluxo linfático por 10 a 30 vezes. Ao contrário, durante períodos de repouso, o fluxo linfático é extremamente lento, quase nulo. O capilar linfático terminal também é capaz de bombear linfa, além do bombeamento realizado pelos vasos linfáticos maiores dois fatores principais determinativos do fluxo linfático são 1) a pressão do líquido intersticial e 2) a atividade da bomba linfática. Portanto, de modo geral a intensidade do fluxo linfático é determinada pelo produto da pressão do líquido intersticial pela atividade da bomba linfática. 6. O que é edema e quais suas principais causas. ● O edema refere-se à presença de excesso de líquido nos tecidos do corpo. Na maioria das vezes, o edema ocorre no compartimento de líquido extracelular, mas também pode envolver o líquido intracelular ● Três condições são especialmente propensas a causar edema intracelular: (1) hiponatremia, como mostrado antes; (2) depressão dos sistemas metabólicos dos tecidos; e (3) falta de nutrição adequada para as células. ● existem duas causas para o edema extracelular: (1) vazamento anormal de líquido plasmático para os espaços intersticiais através dos capilares, e (2) falha do sistema linfático de retornar líquido do interstício para o sangue, muitas vezes chamada de linfedema. A causa clinicamente mais comum para o acúmulo de líquido no espaço intersticial é a filtração excessiva do líquido capilar. Quando as pressões capilares e venosas ficam muito altas, e a saída de líquido dos capilares provoca edemas. Esse edema, por sua vez, impede a difusão adequada de nutrientes dos capilares para as células musculares e cutâneas; assim, os músculos ficam doloridos e fracos, e a pele frequentemente se torna gangrenosa e ulcerada. ● líquido tende a se acumular nos espaços intersticiais Causas ● .Aumento da pressão capilar A.Retenção excessivade sal e água pelos rins 1.Insuficiência aguda ou crônica dos rins 2.Excesso de mineralocorticoide B.Pressão venosa alta e constrição venosa 1.Insuficiência cardíaca 2. Obstrução venosa 3. Bombeamento venoso insuficiente (a)Paralisia nos músculos (b)Imobilização de partes do corpo (c) Insuficiência das válvulas venosas C.Redução da resistência arteriolar 1.Aquecimento excessivo do corpo 2. Insuficiência do sistema nervoso simpático 3. Fármacos vasodilatadores II.Redução das proteínas plasmáticas A.Perda de proteína pela urina (síndrome nefrótica) B.Perda de proteína de áreas desnudadas da pele 1.Queimaduras 2.Ferimento C.Insuficiência da síntese proteica 1.Doença hepática (p. ex., cirrose) 2.Desnutrição proteica ou calórica grave III.Aumento da permeabilidade capilar A. Reações imunes que causem liberação de histamina ou outros produtos imunes B. Toxinas C.Infecções bacterianas D. Deficiência de vitaminas, especialmente de vitamina C E.Isquemia prolongada F.Queimaduras IV.Bloqueio do retorno linfático A. Câncer B. Infecções (p. ex., nematódeo da filária) C. Cirurgia D. Ausência congênita ou anormalidades dos vasos linfáticos 7. Quais os fatores que normalmente impedem a formação do edema? três fatores de segurança que evitam acúmulo excessivo de líquido nos espaços intersti- ciais: (1) baixa complacência do interstício, quando a pressão intersticial for negativa, (2) a capacidade do fluxo linfático de aumentar por 10 a 50 vezes o normal (3) a diluição das proteínas do líquido intersticial, quando a filtração capilar aumenta, o que causa redução da pressão coloidosmótica do líquido intersticial.