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A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares, Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16 Na microcirculação ocorre a principal função do sistema circulatório: o transporte de nutrientes para os tecidos e a remoção dos produtos da excreção celular. As pequenas arteríolas controlam o fluxo sanguíneo para cada tecido, e as condições locais nos tecidos, por sua vez, controlam o diâmetro das arteríolas. Assim, cada tecido na maioria dos casos controla seu próprio fluxo sanguíneo, de acordo com suas próprias necessidades. As paredes dos capilares são extremamente delgadas, formadas por camada única de células endoteliais muito permeável. Desse modo, pode ocorrer intercâmbio rápido e fácil de água, nutrientes e excrementos celulares entre os tecidos e o sangue circulante. Estrutura da Microcirculação e do Sistema Capilar A microcirculação de cada órgão está organizada, de forma específica, para atender às suas necessidades. Artérias nutriente se ramificam antes que seus ramos fiquem pequenos para serem chamados de Arteríolas. As arteríolas são muito musculares, podendo alterar seu diâmetro. As metarteríolas (arteríolas terminais) não tem revestimento muscular continuo. As fibras muscular lisa forma o esfíncter pré-capilar que pode abrir e fechar a entrada do capilar. As vênulas maiores que as arteríolas e possui revestimento mais fraco. A pressão das vênulas nas vênulas é muito menor que nas arteríolas, assim as primeiras ainda podem se contrair de forma considerável apesar da fraca musculatura. As metartéríolas e os infíncteres pré-capilares estão em contato íntimo com 0s tecidos que irrigam. ESTRUTURA DA PAREDE CAPILAR A estrutura ultramicroscópica de células endoteliais típicas na parede capilar encontradas na maioria dos órgãos do corpo, especialmente nos músculos e no tecido conjuntivo. A parede é composta por camada unicelular endoteliais e é circundada por membrana basal fina no lado externo do capilar. “POROS” NA MEMBRANA CAPILAR A fenda intercelular, que é um fino canal curvado na parte inferior entre células endoteliais adjacentes, o líquido pode se difundir livremente na fenda. As fendas intercelulares se localizam somente nas margens das células endoteliais. Substâncias como moléculas de água, íons hidrossolúveis e pequenos solutos, podem se difundir facilmente entre o interior e o exterior dos capilares através das fendas intercelulares. Nas células endoteliais, existem muitas vesículas plasmalêmicas diminutas, também chamadas de cavéolas. Acredita-se que as cavéolas desempenham papel na endocitose e transcitose de macromoléculas através das células endoteliais. Essas vesículas podem se mover lentamente através da célula endotelial. Existem tipos especiais de “poros” nos capilares de certos órgãos. Esses poros possuem características especiais que se adaptam a necessidades peculiares desses órgãos. Algumas características: 1. No cérebro: junções oclusivas que só permitem a passagem de moléculas extremamente pequenas, tais como água, oxigênio e dióxido de Carbono para dentro ou para fora dos tecidos cerebrais. 2. No fígado: fendas são capilares abertos, de modo que quase todas as substâncias dissolvidas no plasma, incluindo proteínas plasmáticas, podem passar sangue para os tecidos hepáticos. 3. Nos glomérulos capilares renais, pequenas abertura chamadas fenestrações, atravessam pelo meio as células endoteliais, de modo que enormes quantidades de substâncias iônicas e moleculares muito pequenas podem ser filtradas pelos glomérulos sem ter de passar pelas fendas entre células endoteliais. Fluxo de Sangue nos Capilares - Vasomotilidade O sangue, em geral, não flui de modo contínuo pelos capilares. Ao contrário o fluxo é intermitente. A causa da intermitência é o fenômeno chamado de vasomotilidade, que consiste na contração intermitente das metarteríolas e dos esfíncteres pré-capilares. REGULAÇÃO DA VASOMOTILIDADE O fator mais importante para a terminação do grau de abertura e fechamento das metarteriolas e dos esfíncteres pré-capilares é a concentração de oxigênio nos tecidos. Quando a intensidade do consumo de oxigênio pelos tecidos é tão grande que sua concentração de oxigênio cai abaixo da norma, os períodos de intermitentes de fluxo sanguíneo capilar ocorrem com maior frequência, e a duração de cada período aumenta, permitindo A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares, Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16 desse modo que o sangue capilar transporte maior quantidade de oxigênio para os tecidos. FUNÇÃOMÉDIA DO SISTEMA CAPILAR Existe intensidade média de fluxo sanguíneo em cada leito capilar tecidual, pressão capilar média nos capilares e transferência média de substâncias entre o sangue dos capilares e o liquido intersticial que os circunda. Trocas de água, nutrientes e outras substâncias entre o sangue e o líquido intersticia, DIFUSÃO ATRAVÉS DA MEMBRANA CAPILAR O meio mais importante da transferência de substâncias entre o plasma e o líquido intersticial é a difusão. A difusão resulta da movimentação térmica das moléculas de água e das substâncias dissolvidas no líquido. Substâncias lipossolúveis podem se difundir diretamente através das membranas celulares do endotélio capilar. Se a membrana for lipossolúvel, ela pode se difundir diretamente sem ter de atravessar os poros. Essas substâncias incluem o oxigênio e o dióxido de carbono. Muitas vezes maiories que as substâncias lipossolúveis, como íons maiores que glicose e sódio, só podem atravessar a membrana passando pelos poros. SUBSTÂNCIS HIDROSSOLUVEIS, NÃO LIPOSSOLÚVEIS, SE DIFUNDEM ATRAVÉS DE “POROS” INTERCELULARES NA MEMBRANA CAPILAR Muitas substancias embora solúveis em água e necessárias para os tecidos, não podem cruzar as membranas lipídicas das células endotelias, essas substâncias incluem as próprias moléculas de água, os íons de sódio, íons de cloreto e glicose. A velocidade com que substâncias se difundem, a intensidade da difusão da moléculas de água, através da membrana capilar, é cerca de 80 vezes maior que a do fluxo linear do próprio plasma ao longo do capilar. EFEITO DO TAMANHOMOLECULAR SOBRE A PASSAGE, ATRAVÉS DOS POROS A permeabilidade dos poros capilares para as diferentes substâncias varia de acordo com seus diâmetros moleculares. Os capilares, em vários tecidos, apresentam grandes diferenças de suas permeabilidades. No fígado por exemplo, essa permeabilidade é necessária para transferir enormes quantidades de nutrientes entre o sangue e as células do parênquima hepático, e, nos rins, para permitir a filtração de grandes quantidades de líquidos para a formação da urina. EFEITO DA DIFERENÇA DE CONCENTRAÇÃO SOBRE A INTENSIDADE EFETIVA DA DIFUSÃO ATRAVÉS DA MEMBRANA A intensidade “efetiva” da difusão de uma substância, através de qualquer membrana, é proporcional a sua diferença de concentração entre os dois lados da membrana. Isto é, quando maior a diferença entre as concentrações de qualquer substância entre os dois lados da membrana capilar, maior será o movimento total da substância em uma das direções. As intensidades da difusão através das membranas capilares da maioria das substâncias nutricionalmente importantes são tão grandes que mesmo pequenas diferenças de concentração são suficientes para provocar o transporte adequado entre o plasma e o líquido intersticial. Interstício e o líquido intersticial Cerca de um sexto do volume corporal total consiste em espaços entre as células que são, em seu conjunto, referidos como interstício. O liquido nesses espaços é o liquido intersticial. Esse espaço contém dois tipos principais de estruturas sólidas: 1. Feixes de fibras de colágeno e 2. Filamentos de proteoglicanos. Os primeiros estendem-se por longas distâncias pelo interstício. São extremamente fortes e assim fornecem a maior parte da força tensional dos tecidos. Os filamentosde proteoglicanos, são moléculas espiruladas ou retorcidas, extremamente finas, compostas por 98% de ácido hialurico e 2 % de proteínas. GEL NO INTERSTÍCIO O líquido no interstício é derivado da filtração e da difusão pelos capilares. Contém praticamente os mesmos constituintes do plasma, exceto por concentrações menores de proteínas. O líquido intersticial fica retido principalmente em diminutos espaços entre os filamentos de proteoglicanos. Essa combinação de filamentos de proteoglicanos e líquido retido entre eles tem características de um gel, chamado de gel tecidual. Devido aos filamentos de proteoglicanos, o líquido tem dificuldade de fluir pelo gel tecidal. A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares, Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16 Ao contrário, ele essencialmente se difunde através do gel. Nas curtas distâncias entre os capilares e as células teciduais, essa difusão permite o rápido transporte pelo interstício, não apenas de moléculas de água, mas também de eletrólitos, nutrientes de baixo peso molecular, produtos de excreção celular, oxigênio, dióxido de carbono etc. Líquido livre no interstício O liquido no interstício nas condições normais esteja retido no gel tecidual, por vezes, também ocorrem pequenas correntes de líquido “livre” e pequenas vesículas de líquido livre, o que significa líquido sem moléculas de proteoglicanos, e que assim pode se mover livremente. Quando os tecidos desenvolvem edema, essas pequenas porções e correntes de líquido livre se expandem de modo muito acentuado, até que a metade ou mais do líquido do edema passe a ser livre, independente dos filamentos de proteoglicanos. A filtração do líquido pelos capilares é determinada pelas pressões osmóticas hidrostáticas e coloidais e também pelo coeficiente capilar A pressão hidrostática, nos capilares, tende a forçar o líquido e as substâncias nele dissolvidas através dos poros capilares para os espaços intersticiais. Por sua vez, a pressão osmótica, geradas pelas proteínas plasmáticas (pressão coloidomótica) tende a fazer com que o líquido se movimente por osmose dos espaços intersticiais para o sangue. Essa pressão osmótica, exercida pelas proteínas plasmáticas, impede normalmente a perda significativa de líquido do sangue para os espaços intersticiais. O sistema linfático, que traz de volta para a circulação pequenas quantidades de proteínas e de líquido em excesso que extravasam do sangue, para os espaços intersticiais. PRESSÃO OSMÓTICA HIDROSTÁTICA E COLOIDAIS DETERMINAM OMOVIMENTO DE LÍQUIDO ATRAVÉS DA MEMBRANA CAPILAR. Quatro forças determinam se líquido se moverá do sangue para o líquido intersticial ou sentido inverso. São as forças de estarling. 1. Pressão capilar – tende a forçar o líquido para fora através da membrana capilar 2. Pressão do líquido intersticial – tende a forçar o líquido para dentro através da membrana capilar quando o Pli for positiva e para fora, quando for negativa. 3. Pressão coloidosmótica plasmática capilar – tende a provocar a osmose de líquido para dentro, através da membrana capilar. 4. Pressão coloidosmótica do líquido insterticial – tende a provocar osmose do líquido para através da membrana capilar. A pressão efetiva de filtração (PEF), for positiva, ocorrerá filtração de líquido pelos capilares. Se for negativa, ocorrerá absorção de líquido. A PEF é ligeiramente positiva nas condições normais, resultando em filtração de líquido pelos capilares para o espaço intersticial na maioria dos órgãos. A intensidade de filtração do líquido no tecido também é determinada pelo número e pelo tamanho dos poros em cada capilar, bem como pelo número de capilares pelos quais o sangue flui. PRESSÃO HIDRSTÁTICA CAPILAR 1. Canulação direta por microscopia dos capilares. 25 mmHg 2. Medida fundamental indireta da pressão capilar. 17 mmHg MÉTODO DE MICROPIPETA PARA A MEDIDA DE PRESSÃO CAPILAR Capilares glomerulares dos rins, a pressão medida pelo método de micropipeta é muito maior, aproximadamente, 60 mmHg. Os capilares peritubulares dos rins, em contraste, têm pressão hidrostática com média de aproximadamente 13 mmHg. Assim, as pressões hidrostáticas dos capilares em diferentes tecidos são altamente variáveis, dependendo do tecido e da condição fisiológica. MÉTODO ISOGRAVIMÉTRICO PARA A MEDIDA INDIRETA DA PRESSÃO CAPILAR “FUNCIONAL”. O sangue é perfundido pelos vasos sanguíneos da parede do intestino. Quando a pressão arterial é reduzida, a diminuição resultante da pressão capilar permite que a pressão osmótica das proteínas do plasma provoque a absorção de líquido para fora da parede intestinal, reduzindo o peso do intestino. Isso provoca a movimentação imediata do braço da balança. Para impedir essa diminuição do peso, a pressão venosa é aumentada o suficiente para superar o efeito da diminuição na pressão arterial. Em outras palavras, a pressão capilar é mantida constante A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares, Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16 enquanto, ao mesmo tempo, a pressão arterial é diminuída e a pressão venosa é aumentada. O método isogravimétrico, que determina a pressão capilar que balança exatamente todas as forças que tendem a mover o líquido para dentro ou para fora dos capilares. A filtração do líquido capilar não é exatamente balanceada com o de reabsorção, na mior parte dos tecidos. O líquido que é filtrado em excesso ao que é reabsorvido é carregado pelos vasos linfáticos na maior parte dos tecidos. PRESSÃO HIDROSTÁTICA DO LÍQUIDO ISTERSTICIAL. Os métodos mais utilizados são a canulação direta dos tecidos por micropipeta, a medida da pressão por meio da cápsulas perfuradas implantadas, e medida da pressão por meio de pavios de algodão inseridos no tecido. PRESSÕES DO LÍQUIDO INTERSTICIAL EM TECIDOS CIRCUNDADOS POR ESTRUTURAS RÍGIDAS. Na caixa craniana ao redor do encéfalo, a forte capsula fibrosa ao redor do rim, as bainhas fibrosas ao redor dos músculos e a esclera em torno do olho. Na maioria desses tecidos, as pressões do líquido intersticial são positivas. Entretanto, essas pressões são ainda assim quase sempre menores que as exercidas sobre o exterior dos tecidos pelas estruturas que os contêm. O BOMBEAMENTO PELO SISTEMA LINFÁTICO É A CAUSA BÁSICA DA PRESSÃO NEGATIVA DO LÍQUIDO INTERSTICIAL. O sistema linfática é “lixeiro” que remove (scavenger) que remove o excesso de líquido, proteínas, detritos orgânicos e outros materiais dos espaços teciduais. Normalmente, quando o líquido penetra nos capilares linfáticos terminais, as paredes dos vasos linfáticos terminais, as paredes dos vasos linfáticos se contraem, de forma automática, por alguns segundos e bombeiam o líquido para a circulação sanguínea. Isso cria uma ligeira pressão negativa, medida nos líquidos dos espaços intersticiais. PRESSÃO COLOIDOSMÓTICA DO PLASMA É causada pelas proteínas plasmáticas. Somente as moléculas ou íons que não são capazes de passar pelos poros da membrana semipermeável exercem pressão osmótica. O termo pressão coloidosmótica deriva do fato de que uma solução de proteínas se assemelha à solução coloidal, apesar de ser na verdade solução molecular verdadeira. VALORES NORMAIS NA PRESSÃO COLOIDOSMÓTICA DO PLASMA No humano, o normal, é 28 mmHg 19 mm se deve pelo efeito Donnan – isto é pressão osmótica adicional causada pelo sódio, potássio e outros cátions mantidos no plasma pelo proteína. PRESSÃO COLOIDOSMÓTICA DO LÍQUIDO INTERSTICIAL Nem todos os poros são iguais, de modo que pequena quantidade de proteínas plasmáticas extravassa por eles para os espaços intersticiais e por transcitose em pequenas vesículas. A quantidade total de proteínas, nos 12 litros do líquido intersticial corporal total, é ligeiramente maior que a quantidade de proteína no próprio plasma. TROCAS DE LÍQUIDO ATRAVÉS DA MEMBRANA CAPILAR O líquido é ‘filtrado’para fora dos capilares, nas extremidades arteriais, mas nas extremidades venosas o líquido é reabsorvido de volta para os capilares. Assim, pequena quantidade de líquido na realidade “flui” pelos tecidos das extremidades arteriais para as extremidades venosas dos capilares. ANÁLISE DAS FORÇAS QUE PROVOCAM A FILTRAÇÃO NA EXTREMIDADE ARTERIAL CAPILAR. A soma das forças na extremidade arterial do capilar resulta em pressão efetiva de filtração de 13 mmHg, tendo a mover o líquido para fora dos polos capilares. Essa pressão de filtração de 13mmHg faz com que, em média, cerca de 1/200 do plasma no sangue que flui seja filtrado para fora das extremidades arteriais dos capilares para os espaços intersticiais cada vez que o sangue passa pelos capilares. ANÁLISE DE REABSORÇÃO NA EXTREMIDADE VENOSA DO CAPILAR A baixa pressão sanguínea na extremidade venosa do capilar altera o balanço das forças em favor da absorção. A força faz com que o líquido se mova para dentro do capilar, de 28 mmHg, é maior que a que se opõe a reabsorção, de 21 mmHg. A pressão de reabsorção é consideravelmente menor que a A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares, Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16 pressão de filtração nas extremidade arterial, mas os capilares venosos são mais numerosos e mais permeáveis que os arteriais, de modo que é necessário menor pressão de reabsorção para provocar o movimento do líquido para dentro do capilar. EQUILÍBRIO DE STARLING PARA A TROCA CAPILAR Sob condições normais, existe estado próximo ao equilíbrio na maioria dos capilares. Isto é, quando a quantidade de líquido filtrado filtrado para fora, nas extremidades arteriais dos capilares, é quase exatamente igual ao líquido que retorna que retorna à circulação por absorção. O ligeiro desequilíbrio existente é responsável pelo líquido que finalmente retorna para a circulação pelos linfáticos. Excesso de filtração é chamado de filtração efetiva que consiste no líquido que deve retornar para a circulação pelos linfáticos. EFEITOS DA FALHA DE BALANCEAMENTO ANORMAL DAS FORÇAS NA MEMBRANA CAPILAR Se a pressão capilar média aumentar acima de 17mmHg, a força efetiva que tende a produzir filtração de líquido para os espaços teciduais aumentada. Para impedir o excesso de fluxo sanguíneo nesses espaços, seria necessário fluxo de líquido 68 vezes maior que o normal para o sistema linfático. O líquido tenderia a se acumular nos espaços intersticiais resultando em edema. Por sua vez, se a pressão capilar cair a valor muito baixo, ocorrerá reabsorção efetiva do líquido pelos capilares em vez de filtração, e o volume sanguíneo aumentará à custa do volume do liquido intersticial. Sistema linfático O sistema linfático representa a via acessória por meio da qual o líquido pode fluir dos espaços intersticiais para o sangue. Ele transporta para fora dos espaços teciduais proteínas e grandes partículas que não podem ser removidas por absorção direta pelos capilares sanguíneos. CAPILARES LINFÁTICOS TERMINAIS E SUA PERMEABILIDADE A maior parte do líquido filtrado flui por entre as células sendo finalmente reabsorvida de volta pelas extremidades venosas dos capilares sanguíneos, cerca de um décimo do líquido segue para os capilares linfáticos, em vez de fazê-lo pelos capilares venosos. O líquido que retorna é extremamente importante por conter substâncias de alto peso molecular, tais como proteínas que não podem ser absorvidas dos tecidos por qualquer outra via. O líquido intersticial, junto com as partículas suspensas, pode pressionar e abrir válvulas, fluindo diretamente para o capilar linfático. Assim, os linfáticos têm válvulas nas extremidades dos capilares linfáticos terminais, bem como válvulas ao longo de seus vasos mais grossos até o ponto em que se escoam para a circulação sanguínea. FORMAÇÃO DA LINFA. A linfa é derivada do líquido intersticial que flui para os linfáticos. Por isso, logo após entrar nos linfáticos terminais, ela apresenta praticamente a mesma composição que o líquido intersticial. Como cerca de dois terços de toda a linfa são, em condições normais, derivados do fígado e do intestino, a linfa do ducto torácico, que é uma mistura das linfas de todas as partes do corpo, tem em geral concentração de 3 a 5 g/dL. O sistema linfático é também uma das principais vias de absorção de nutrientes vindos do trato gastrointestinal em especial para a absorção de praticamente todos os lipídios dos alimentos. EFEITO DA PRESSÃO DO LÍQUIDO INTERSTICIAL SOBRE O FLUXO LINFÁTICO Qualquer fator que aumente a pressão do líquido intersticial também aumenta o fluxo linfático se os vasos linfáticos estiverem funcionando normalmente. Esses fatores incluem: ● Pressão hidrostática capilar elevada ● Pressão coloidosmótica diminuída do plasma ● Pressão coloidosmótica aumentada do líquido intersticial ● Permeabilidade aumentada nos capilares Todos esses fatores fazem com que o balanceamento das trocas de líquido na membrana capilar sanguínea favoreça o movimento de líquido para o interstício, dessa forma aumentando ao mesmo tempo o volume e a pressão do líquido intersticial e o fluxo linfático. O aumento da pressão tecidual não somente aumenta a entrada de líquido para os capilares linfáticos, mas comprime também as superfícies externas dos grandes linfáticos, impedindo o fluxo da linfa. A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares, Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16 A BOMBA LINFÁTICA AUMENTA O FLUXO DA LINFA Todos os canais linfáticos têm válvulas. Quando o linfático coletor ou vaso linfático maior é estirado pelo líquido, o músculo liso na parede desse vaso se contrai automaticamente. Além disso, cada segmento do vaso linfático entre válvulas sucessivas funciona como uma bomba automática isolada, ou seja, mesmo o pequeno enchimento de um segmento provoca sua concentração, e o líquido é bombeado pela válvula para o segmento linfático seguinte. Isso enche o segmento subsequente, e após alguns segundos ocorre ao longo de todo o vaso linfático, até que o líquido finalmente se escoe na circulação sanguínea. BOMBEAMENTO CAUSADO PELA COMPRESSÃO INTERMITENTE EXTERNA DOS LINFÁTICOS. Qualquer fator externo que comprima o vaso linfático também de modo intermitente pode provocar o bombeamento. Esses fatores são: ● Contração dos músculos esqueléticos circundantes ● Movimento das partes do corpo ● Pulsações das artérias adjacentes aos linfáticos ● Compressão dos tecidos por objetos externos do corpo. A bomba linfática durante o exercício, fica muito ativada, aumentando o fluxo por 10 a 30 vezes. Durante períodos de repouso, o fluxo é lento, quase nulo. BOMBA CAPILAE LINFÁTICA O capilar linfático terminal também é capaz de bombear linfa, além do bombeamento realizado pelos vasos linfáticos maiores. Então, quando o tecido é comprimido, a pressão no interior do capilar aumenta e faz qie as bordas sobrepostas das células endoteliais se fechem como válvuas. As células endoteliais do capilar linfático também contêm alguns filamentos contráteis de actomiosina. Por isso, é provável que pelo menos parte do bombeamento resulte da contração das células endoteliais dos capilares linfáticos, além da concentração dos linfáticos musculares maiores. RESUMO DOS FATORES QUE DETERMINAM O FLUXO LINFÁTICO 1. A pressão do líquido intersticial 2. A atividade da bomba linfática O PAPEL DO SISTEMA LINFÁTICO NO CONTROLE DA CONCENTRAÇÃO DE PROTEÍNAS, DO VOLUME E DA PRESSÃO DOLÍQUIDO INTERSTICIAL. O sistema linfático funciona como “mecanismo de transbordamento” para o devolver à circulação o excesso de proteína e de líquido nos espaços teciduais. Desempenha papel também no controle 1 da concentração das proteínas, 2 do volume e 3 da pressão do líquido intersticial. Somente quantidade muito pequena, se ocorrer, da proteína extravasar, retorna à circulação pelas extremidadesvenosas dos capilares sanguíneos. Por isso, essa proteína tende a se acumular no líquido intersticial, o que aumenta a pressão coloidosmótica dos líquidos intersticiais. A elevção do líquido intersticial provoca grande aumento da intensidade do fluxo linfático. Isso por sua vez elimina o líquido intersticial e a proteína em excesso que se acumularam nos espaços. SIGNIFICADO DA PRESSÃO NEGATIVA DO LÍQUIDO INTERSTICIAL COMO FORMA DE MANTER OS TECIDOS UNIDOS Em muitas partes do corpo, as fibras de tecido conjuntivo são muito fracas ou até ausente. Os tecidos são mantidos unidos pela pressão negativa do líquido intersticial, que é na verdade um vácuo parcial. Quando os tecidos perdem sua pressão negativa, ocorre acúmulo de líquido nos espaços, resultando em uma condição chamada edema.