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A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares,
Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16
Na microcirculação ocorre a principal função do
sistema circulatório: o transporte de nutrientes
para os tecidos e a remoção dos produtos da
excreção celular. As pequenas arteríolas
controlam o fluxo sanguíneo para cada tecido, e as
condições locais nos tecidos, por sua vez,
controlam o diâmetro das arteríolas. Assim, cada
tecido na maioria dos casos controla seu próprio
fluxo sanguíneo, de acordo com suas próprias
necessidades.
As paredes dos capilares são extremamente
delgadas, formadas por camada única de células
endoteliais muito permeável. Desse modo, pode
ocorrer intercâmbio rápido e fácil de água,
nutrientes e excrementos celulares entre os
tecidos e o sangue circulante.
Estrutura da Microcirculação e do Sistema
Capilar
A microcirculação de cada órgão está organizada,
de forma específica, para atender às suas
necessidades. Artérias nutriente se ramificam
antes que seus ramos fiquem pequenos para
serem chamados de Arteríolas.
As arteríolas são muito musculares, podendo
alterar seu diâmetro. As metarteríolas (arteríolas
terminais) não tem revestimento muscular
continuo. As fibras muscular lisa forma o
esfíncter pré-capilar que pode abrir e fechar a
entrada do capilar.
As vênulas maiores que as arteríolas e possui
revestimento mais fraco. A pressão das vênulas
nas vênulas é muito menor que nas arteríolas,
assim as primeiras ainda podem se contrair de
forma considerável apesar da fraca musculatura.
As metartéríolas e os infíncteres pré-capilares
estão em contato íntimo com 0s tecidos que
irrigam.
ESTRUTURA DA PAREDE CAPILAR
A estrutura ultramicroscópica de células
endoteliais típicas na parede capilar encontradas
na maioria dos órgãos do corpo, especialmente
nos músculos e no tecido conjuntivo. A parede é
composta por camada unicelular endoteliais e é
circundada por membrana basal fina no lado
externo do capilar.
“POROS” NA MEMBRANA CAPILAR
A fenda intercelular, que é um fino canal curvado
na parte inferior entre células endoteliais
adjacentes, o líquido pode se difundir livremente
na fenda.
As fendas intercelulares se localizam somente nas
margens das células endoteliais. Substâncias
como moléculas de água, íons hidrossolúveis e
pequenos solutos, podem se difundir facilmente
entre o interior e o exterior dos capilares através
das fendas intercelulares.
Nas células endoteliais, existem muitas vesículas
plasmalêmicas diminutas, também chamadas de
cavéolas. Acredita-se que as cavéolas
desempenham papel na endocitose e transcitose
de macromoléculas através das células
endoteliais. Essas vesículas podem se mover
lentamente através da célula endotelial.
Existem tipos especiais de “poros” nos capilares
de certos órgãos. Esses poros possuem
características especiais que se adaptam a
necessidades peculiares desses órgãos.
Algumas características:
1. No cérebro: junções oclusivas que só permitem
a passagem de moléculas extremamente
pequenas, tais como água, oxigênio e dióxido de
Carbono para dentro ou para fora dos tecidos
cerebrais.
2. No fígado: fendas são capilares abertos, de
modo que quase todas as substâncias dissolvidas
no plasma, incluindo proteínas plasmáticas,
podem passar sangue para os tecidos hepáticos.
3. Nos glomérulos capilares renais, pequenas
abertura chamadas fenestrações, atravessam pelo
meio as células endoteliais, de modo que enormes
quantidades de substâncias iônicas e moleculares
muito pequenas podem ser filtradas pelos
glomérulos sem ter de passar pelas fendas entre
células endoteliais.
Fluxo de Sangue nos Capilares -
Vasomotilidade
O sangue, em geral, não flui de modo contínuo
pelos capilares. Ao contrário o fluxo é
intermitente. A causa da intermitência é o
fenômeno chamado de vasomotilidade, que
consiste na contração intermitente das
metarteríolas e dos esfíncteres pré-capilares.
REGULAÇÃO DA VASOMOTILIDADE
O fator mais importante para a terminação do
grau de abertura e fechamento das metarteriolas e
dos esfíncteres pré-capilares é a concentração de
oxigênio nos tecidos. Quando a intensidade do
consumo de oxigênio pelos tecidos é tão grande
que sua concentração de oxigênio cai abaixo da
norma, os períodos de intermitentes de fluxo
sanguíneo capilar ocorrem com maior frequência,
e a duração de cada período aumenta, permitindo
A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares,
Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16
desse modo que o sangue capilar transporte maior
quantidade de oxigênio para os tecidos.
FUNÇÃOMÉDIA DO SISTEMA CAPILAR
Existe intensidade média de fluxo sanguíneo em
cada leito capilar tecidual, pressão capilar média
nos capilares e transferência média de substâncias
entre o sangue dos capilares e o liquido
intersticial que os circunda.
Trocas de água, nutrientes e outras
substâncias entre o sangue e o líquido
intersticia,
DIFUSÃO ATRAVÉS DA MEMBRANA
CAPILAR
O meio mais importante da transferência de
substâncias entre o plasma e o líquido intersticial
é a difusão. A difusão resulta da movimentação
térmica das moléculas de água e das substâncias
dissolvidas no líquido.
Substâncias lipossolúveis podem se difundir
diretamente através das membranas celulares do
endotélio capilar. Se a membrana for lipossolúvel,
ela pode se difundir diretamente sem ter de
atravessar os poros. Essas substâncias incluem o
oxigênio e o dióxido de carbono.
Muitas vezes maiories que as substâncias
lipossolúveis, como íons maiores que glicose e
sódio, só podem atravessar a membrana passando
pelos poros.
SUBSTÂNCIS HIDROSSOLUVEIS, NÃO
LIPOSSOLÚVEIS, SE DIFUNDEM ATRAVÉS DE
“POROS” INTERCELULARES NA MEMBRANA
CAPILAR
Muitas substancias embora solúveis em água e
necessárias para os tecidos, não podem cruzar as
membranas lipídicas das células endotelias, essas
substâncias incluem as próprias moléculas de
água, os íons de sódio, íons de cloreto e glicose.
A velocidade com que substâncias se difundem, a
intensidade da difusão da moléculas de água,
através da membrana capilar, é cerca de 80 vezes
maior que a do fluxo linear do próprio plasma ao
longo do capilar.
EFEITO DO TAMANHOMOLECULAR SOBRE
A PASSAGE, ATRAVÉS DOS POROS
A permeabilidade dos poros capilares para as
diferentes substâncias varia de acordo com seus
diâmetros moleculares.
Os capilares, em vários tecidos, apresentam
grandes diferenças de suas permeabilidades. No
fígado por exemplo, essa permeabilidade é
necessária para transferir enormes quantidades
de nutrientes entre o sangue e as células do
parênquima hepático, e, nos rins, para permitir a
filtração de grandes quantidades de líquidos para
a formação da urina.
EFEITO DA DIFERENÇA DE
CONCENTRAÇÃO SOBRE A INTENSIDADE
EFETIVA DA DIFUSÃO ATRAVÉS DA
MEMBRANA
A intensidade “efetiva” da difusão de uma
substância, através de qualquer membrana, é
proporcional a sua diferença de concentração
entre os dois lados da membrana. Isto é, quando
maior a diferença entre as concentrações de
qualquer substância entre os dois lados da
membrana capilar, maior será o movimento total
da substância em uma das direções.
As intensidades da difusão através das
membranas capilares da maioria das substâncias
nutricionalmente importantes são tão grandes
que mesmo pequenas diferenças de concentração
são suficientes para provocar o transporte
adequado entre o plasma e o líquido intersticial.
Interstício e o líquido intersticial
Cerca de um sexto do volume corporal total
consiste em espaços entre as células que são, em
seu conjunto, referidos como interstício. O liquido
nesses espaços é o liquido intersticial.
Esse espaço contém dois tipos principais de
estruturas sólidas: 1. Feixes de fibras de colágeno
e 2. Filamentos de proteoglicanos. Os primeiros
estendem-se por longas distâncias pelo
interstício. São extremamente fortes e assim
fornecem a maior parte da força tensional dos
tecidos. Os filamentosde proteoglicanos, são
moléculas espiruladas ou retorcidas,
extremamente finas, compostas por 98% de ácido
hialurico e 2 % de proteínas.
GEL NO INTERSTÍCIO
O líquido no interstício é derivado da filtração e
da difusão pelos capilares. Contém praticamente
os mesmos constituintes do plasma, exceto por
concentrações menores de proteínas. O líquido
intersticial fica retido principalmente em
diminutos espaços entre os filamentos de
proteoglicanos. Essa combinação de filamentos de
proteoglicanos e líquido retido entre eles tem
características de um gel, chamado de gel
tecidual.
Devido aos filamentos de proteoglicanos, o
líquido tem dificuldade de fluir pelo gel tecidal.
A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares,
Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16
Ao contrário, ele essencialmente se difunde
através do gel.
Nas curtas distâncias entre os capilares e as
células teciduais, essa difusão permite o rápido
transporte pelo interstício, não apenas de
moléculas de água, mas também de eletrólitos,
nutrientes de baixo peso molecular, produtos de
excreção celular, oxigênio, dióxido de carbono etc.
Líquido livre no interstício
O liquido no interstício nas condições normais
esteja retido no gel tecidual, por vezes, também
ocorrem pequenas correntes de líquido “livre” e
pequenas vesículas de líquido livre, o que significa
líquido sem moléculas de proteoglicanos, e que
assim pode se mover livremente.
Quando os tecidos desenvolvem edema, essas
pequenas porções e correntes de líquido livre se
expandem de modo muito acentuado, até que a
metade ou mais do líquido do edema passe a ser
livre, independente dos filamentos de
proteoglicanos.
A filtração do líquido pelos capilares é
determinada pelas pressões osmóticas
hidrostáticas e coloidais e também pelo
coeficiente capilar
A pressão hidrostática, nos capilares, tende a
forçar o líquido e as substâncias nele dissolvidas
através dos poros capilares para os espaços
intersticiais. Por sua vez, a pressão osmótica,
geradas pelas proteínas plasmáticas (pressão
coloidomótica) tende a fazer com que o líquido se
movimente por osmose dos espaços intersticiais
para o sangue. Essa pressão osmótica, exercida
pelas proteínas plasmáticas, impede normalmente
a perda significativa de líquido do sangue para os
espaços intersticiais.
O sistema linfático, que traz de volta para a
circulação pequenas quantidades de proteínas e
de líquido em excesso que extravasam do sangue,
para os espaços intersticiais.
PRESSÃO OSMÓTICA HIDROSTÁTICA E
COLOIDAIS DETERMINAM OMOVIMENTO DE
LÍQUIDO ATRAVÉS DA MEMBRANA CAPILAR.
Quatro forças determinam se líquido se moverá
do sangue para o líquido intersticial ou sentido
inverso. São as forças de estarling.
1. Pressão capilar – tende a forçar o líquido para
fora através da membrana capilar
2. Pressão do líquido intersticial – tende a forçar
o líquido para dentro através da membrana
capilar quando o Pli for positiva e para fora,
quando for negativa.
3. Pressão coloidosmótica plasmática capilar –
tende a provocar a osmose de líquido para dentro,
através da membrana capilar.
4. Pressão coloidosmótica do líquido insterticial –
tende a provocar osmose do líquido para através
da membrana capilar.
A pressão efetiva de filtração (PEF), for positiva,
ocorrerá filtração de líquido pelos capilares. Se for
negativa, ocorrerá absorção de líquido.
A PEF é ligeiramente positiva nas condições
normais, resultando em filtração de líquido pelos
capilares para o espaço intersticial na maioria dos
órgãos. A intensidade de filtração do líquido no
tecido também é determinada pelo número e pelo
tamanho dos poros em cada capilar, bem como
pelo número de capilares pelos quais o sangue
flui.
PRESSÃO HIDRSTÁTICA CAPILAR
1. Canulação direta por microscopia dos capilares.
25 mmHg
2. Medida fundamental indireta da pressão
capilar. 17 mmHg
MÉTODO DE MICROPIPETA PARA A
MEDIDA DE PRESSÃO CAPILAR
Capilares glomerulares dos rins, a pressão medida
pelo método de micropipeta é muito maior,
aproximadamente, 60 mmHg. Os capilares
peritubulares dos rins, em contraste, têm pressão
hidrostática com média de aproximadamente 13
mmHg. Assim, as pressões hidrostáticas dos
capilares em diferentes tecidos são altamente
variáveis, dependendo do tecido e da condição
fisiológica.
MÉTODO ISOGRAVIMÉTRICO PARA A
MEDIDA INDIRETA DA PRESSÃO CAPILAR
“FUNCIONAL”.
O sangue é perfundido pelos vasos sanguíneos da
parede do intestino. Quando a pressão arterial é
reduzida, a diminuição resultante da pressão
capilar permite que a pressão osmótica das
proteínas do plasma provoque a absorção de
líquido para fora da parede intestinal, reduzindo o
peso do intestino. Isso provoca a movimentação
imediata do braço da balança. Para impedir essa
diminuição do peso, a pressão venosa é
aumentada o suficiente para superar o efeito da
diminuição na pressão arterial. Em outras
palavras, a pressão capilar é mantida constante
A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares,
Líquido Intersticial e Fluxo de Linda – Guyton, Cáp. 16
enquanto, ao mesmo tempo, a pressão arterial é
diminuída e a pressão venosa é aumentada.
O método isogravimétrico, que determina a
pressão capilar que balança exatamente todas as
forças que tendem a mover o líquido para dentro
ou para fora dos capilares. A filtração do líquido
capilar não é exatamente balanceada com o de
reabsorção, na mior parte dos tecidos. O líquido
que é filtrado em excesso ao que é reabsorvido é
carregado pelos vasos linfáticos na maior parte
dos tecidos.
PRESSÃO HIDROSTÁTICA DO LÍQUIDO
ISTERSTICIAL.
Os métodos mais utilizados são a canulação direta
dos tecidos por micropipeta, a medida da pressão
por meio da cápsulas perfuradas implantadas, e
medida da pressão por meio de pavios de algodão
inseridos no tecido.
PRESSÕES DO LÍQUIDO INTERSTICIAL EM
TECIDOS CIRCUNDADOS POR ESTRUTURAS
RÍGIDAS.
Na caixa craniana ao redor do encéfalo, a forte
capsula fibrosa ao redor do rim, as bainhas
fibrosas ao redor dos músculos e a esclera em
torno do olho. Na maioria desses tecidos, as
pressões do líquido intersticial são positivas.
Entretanto, essas pressões são ainda assim quase
sempre menores que as exercidas sobre o exterior
dos tecidos pelas estruturas que os contêm.
O BOMBEAMENTO PELO SISTEMA
LINFÁTICO É A CAUSA BÁSICA DA PRESSÃO
NEGATIVA DO LÍQUIDO INTERSTICIAL.
O sistema linfática é “lixeiro” que remove
(scavenger) que remove o excesso de líquido,
proteínas, detritos orgânicos e outros materiais
dos espaços teciduais. Normalmente, quando o
líquido penetra nos capilares linfáticos terminais,
as paredes dos vasos linfáticos terminais, as
paredes dos vasos linfáticos se contraem, de
forma automática, por alguns segundos e
bombeiam o líquido para a circulação sanguínea.
Isso cria uma ligeira pressão negativa, medida nos
líquidos dos espaços intersticiais.
PRESSÃO COLOIDOSMÓTICA DO PLASMA
É causada pelas proteínas plasmáticas. Somente
as moléculas ou íons que não são capazes de
passar pelos poros da membrana semipermeável
exercem pressão osmótica. O termo pressão
coloidosmótica deriva do fato de que uma solução
de proteínas se assemelha à solução coloidal,
apesar de ser na verdade solução molecular
verdadeira.
VALORES NORMAIS NA PRESSÃO
COLOIDOSMÓTICA DO PLASMA
No humano, o normal, é 28 mmHg 19 mm se deve
pelo efeito Donnan – isto é pressão osmótica
adicional causada pelo sódio, potássio e outros
cátions mantidos no plasma pelo proteína.
PRESSÃO COLOIDOSMÓTICA DO LÍQUIDO
INTERSTICIAL
Nem todos os poros são iguais, de modo que
pequena quantidade de proteínas plasmáticas
extravassa por eles para os espaços intersticiais e
por transcitose em pequenas vesículas.
A quantidade total de proteínas, nos 12 litros do
líquido intersticial corporal total, é ligeiramente
maior que a quantidade de proteína no próprio
plasma.
TROCAS DE LÍQUIDO ATRAVÉS DA
MEMBRANA CAPILAR
O líquido é ‘filtrado’para fora dos capilares, nas
extremidades arteriais, mas nas extremidades
venosas o líquido é reabsorvido de volta para os
capilares. Assim, pequena quantidade de líquido
na realidade “flui” pelos tecidos das extremidades
arteriais para as extremidades venosas dos
capilares.
ANÁLISE DAS FORÇAS QUE PROVOCAM A
FILTRAÇÃO NA EXTREMIDADE ARTERIAL
CAPILAR.
A soma das forças na extremidade arterial do
capilar resulta em pressão efetiva de filtração de
13 mmHg, tendo a mover o líquido para fora dos
polos capilares.
Essa pressão de filtração de 13mmHg faz com
que, em média, cerca de 1/200 do plasma no
sangue que flui seja filtrado para fora das
extremidades arteriais dos capilares para os
espaços intersticiais cada vez que o sangue passa
pelos capilares.
ANÁLISE DE REABSORÇÃO NA
EXTREMIDADE VENOSA DO CAPILAR
A baixa pressão sanguínea na extremidade venosa
do capilar altera o balanço das forças em favor da
absorção.
A força faz com que o líquido se mova para dentro
do capilar, de 28 mmHg, é maior que a que se
opõe a reabsorção, de 21 mmHg. A pressão de
reabsorção é consideravelmente menor que a
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pressão de filtração nas extremidade arterial, mas
os capilares venosos são mais numerosos e mais
permeáveis que os arteriais, de modo que é
necessário menor pressão de reabsorção para
provocar o movimento do líquido para dentro do
capilar.
EQUILÍBRIO DE STARLING PARA A TROCA
CAPILAR
Sob condições normais, existe estado próximo ao
equilíbrio na maioria dos capilares. Isto é, quando
a quantidade de líquido filtrado filtrado para fora,
nas extremidades arteriais dos capilares, é quase
exatamente igual ao líquido que retorna que
retorna à circulação por absorção. O ligeiro
desequilíbrio existente é responsável pelo líquido
que finalmente retorna para a circulação pelos
linfáticos. Excesso de filtração é chamado de
filtração efetiva que consiste no líquido que deve
retornar para a circulação pelos linfáticos.
EFEITOS DA FALHA DE BALANCEAMENTO
ANORMAL DAS FORÇAS NA MEMBRANA
CAPILAR
Se a pressão capilar média aumentar acima de
17mmHg, a força efetiva que tende a produzir
filtração de líquido para os espaços teciduais
aumentada. Para impedir o excesso de fluxo
sanguíneo nesses espaços, seria necessário fluxo
de líquido 68 vezes maior que o normal para o
sistema linfático. O líquido tenderia a se acumular
nos espaços intersticiais resultando em edema.
Por sua vez, se a pressão capilar cair a valor muito
baixo, ocorrerá reabsorção efetiva do líquido
pelos capilares em vez de filtração, e o volume
sanguíneo aumentará à custa do volume do
liquido intersticial.
Sistema linfático
O sistema linfático representa a via acessória por
meio da qual o líquido pode fluir dos espaços
intersticiais para o sangue. Ele transporta para
fora dos espaços teciduais proteínas e grandes
partículas que não podem ser removidas por
absorção direta pelos capilares sanguíneos.
CAPILARES LINFÁTICOS TERMINAIS E SUA
PERMEABILIDADE
A maior parte do líquido filtrado flui por entre as
células sendo finalmente reabsorvida de volta
pelas extremidades venosas dos capilares
sanguíneos, cerca de um décimo do líquido segue
para os capilares linfáticos, em vez de fazê-lo
pelos capilares venosos.
O líquido que retorna é extremamente importante
por conter substâncias de alto peso molecular,
tais como proteínas que não podem ser
absorvidas dos tecidos por qualquer outra via. O
líquido intersticial, junto com as partículas
suspensas, pode pressionar e abrir válvulas,
fluindo diretamente para o capilar linfático.
Assim, os linfáticos têm válvulas nas
extremidades dos capilares linfáticos terminais,
bem como válvulas ao longo de seus vasos mais
grossos até o ponto em que se escoam para a
circulação sanguínea.
FORMAÇÃO DA LINFA.
A linfa é derivada do líquido intersticial que flui
para os linfáticos. Por isso, logo após entrar nos
linfáticos terminais, ela apresenta praticamente a
mesma composição que o líquido intersticial.
Como cerca de dois terços de toda a linfa são, em
condições normais, derivados do fígado e do
intestino, a linfa do ducto torácico, que é uma
mistura das linfas de todas as partes do corpo,
tem em geral concentração de 3 a 5 g/dL.
O sistema linfático é também uma das principais
vias de absorção de nutrientes vindos do trato
gastrointestinal em especial para a absorção de
praticamente todos os lipídios dos alimentos.
EFEITO DA PRESSÃO DO LÍQUIDO
INTERSTICIAL SOBRE O FLUXO LINFÁTICO
Qualquer fator que aumente a pressão do líquido
intersticial também aumenta o fluxo linfático se
os vasos linfáticos estiverem funcionando
normalmente.
Esses fatores incluem:
● Pressão hidrostática capilar elevada
● Pressão coloidosmótica diminuída do
plasma
● Pressão coloidosmótica aumentada do
líquido intersticial
● Permeabilidade aumentada nos capilares
Todos esses fatores fazem com que o
balanceamento das trocas de líquido na
membrana capilar sanguínea favoreça o
movimento de líquido para o interstício, dessa
forma aumentando ao mesmo tempo o volume e a
pressão do líquido intersticial e o fluxo linfático.
O aumento da pressão tecidual não somente
aumenta a entrada de líquido para os capilares
linfáticos, mas comprime também as superfícies
externas dos grandes linfáticos, impedindo o fluxo
da linfa.
A microcirculação e o Sistema Linfático: Trocas Capilares,
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A BOMBA LINFÁTICA AUMENTA O FLUXO
DA LINFA
Todos os canais linfáticos têm válvulas.
Quando o linfático coletor ou vaso linfático maior
é estirado pelo líquido, o músculo liso na parede
desse vaso se contrai automaticamente. Além
disso, cada segmento do vaso linfático entre
válvulas sucessivas funciona como uma bomba
automática isolada, ou seja, mesmo o pequeno
enchimento de um segmento provoca sua
concentração, e o líquido é bombeado pela válvula
para o segmento linfático seguinte. Isso enche o
segmento subsequente, e após alguns segundos
ocorre ao longo de todo o vaso linfático, até que o
líquido finalmente se escoe na circulação
sanguínea.
BOMBEAMENTO CAUSADO PELA
COMPRESSÃO INTERMITENTE EXTERNA DOS
LINFÁTICOS.
Qualquer fator externo que comprima o vaso
linfático também de modo intermitente pode
provocar o bombeamento. Esses fatores são:
● Contração dos músculos esqueléticos
circundantes
● Movimento das partes do corpo
● Pulsações das artérias adjacentes aos
linfáticos
● Compressão dos tecidos por objetos
externos do corpo.
A bomba linfática durante o exercício, fica muito
ativada, aumentando o fluxo por 10 a 30 vezes.
Durante períodos de repouso, o fluxo é lento,
quase nulo.
BOMBA CAPILAE LINFÁTICA
O capilar linfático terminal também é capaz de
bombear linfa, além do bombeamento realizado
pelos vasos linfáticos maiores. Então, quando o
tecido é comprimido, a pressão no interior do
capilar aumenta e faz qie as bordas sobrepostas
das células endoteliais se fechem como válvuas.
As células endoteliais do capilar linfático também
contêm alguns filamentos contráteis de
actomiosina. Por isso, é provável que pelo menos
parte do bombeamento resulte da contração das
células endoteliais dos capilares linfáticos, além
da concentração dos linfáticos musculares
maiores.
RESUMO DOS FATORES QUE DETERMINAM
O FLUXO LINFÁTICO
1. A pressão do líquido intersticial
2. A atividade da bomba linfática
O PAPEL DO SISTEMA LINFÁTICO NO
CONTROLE DA CONCENTRAÇÃO DE
PROTEÍNAS, DO VOLUME E DA PRESSÃO
DOLÍQUIDO INTERSTICIAL.
O sistema linfático funciona como “mecanismo de
transbordamento” para o devolver à circulação o
excesso de proteína e de líquido nos espaços
teciduais. Desempenha papel também no controle
1 da concentração das proteínas, 2 do volume e 3
da pressão do líquido intersticial.
Somente quantidade muito pequena, se ocorrer,
da proteína extravasar, retorna à circulação pelas
extremidadesvenosas dos capilares sanguíneos.
Por isso, essa proteína tende a se acumular no
líquido intersticial, o que aumenta a pressão
coloidosmótica dos líquidos intersticiais.
A elevção do líquido intersticial provoca grande
aumento da intensidade do fluxo linfático. Isso
por sua vez elimina o líquido intersticial e a
proteína em excesso que se acumularam nos
espaços.
SIGNIFICADO DA PRESSÃO NEGATIVA DO
LÍQUIDO INTERSTICIAL COMO FORMA DE
MANTER OS TECIDOS UNIDOS
Em muitas partes do corpo, as fibras de tecido
conjuntivo são muito fracas ou até ausente.
Os tecidos são mantidos unidos pela pressão
negativa do líquido intersticial, que é na verdade
um vácuo parcial. Quando os tecidos perdem sua
pressão negativa, ocorre acúmulo de líquido nos
espaços, resultando em uma condição chamada
edema.

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