Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

INTERNATO ROTATÓRIO 
TRABALHO DOS CEDIDOS 
 
 
 
TEMAS: DIABETES GESTACIONAL 
ROTAÇÃO: GINECOLOGIA E OBSTETRICIA 
INTERNA: JAQUELINE CAVALCANTE BEZERRA PESSIGATTI 
 
 
 
 
 
BRASILEIA – ACRE 
26/01/2025
 
INTRODUÇÃO 
Por definição, o DMG é definido pela presença de hiperglicemia (aumento dos níveis 
de açúcar no sangue) detectada pela primeira vez durante a gravidez, porém com 
níveis glicêmicos que não alcançam os critérios para o diagnóstico de diabetes 
mellitus (DM). De acordo com esse conceito, casos de diabetes tipo 1 ou tipo 2 
previamente detectados antes da gestação não são enquadrados como diabetes 
gestacional. 
No decorrer da gravidez, é natural que ocorram adaptações no organismo da mulher, 
propiciando um ambiente favorável para o desenvolvimento do bebê, principalmente 
alterações hormonais. A própria placenta é um órgão que libera hormônios e 
substâncias que podem afetar a ação da insulina, a responsável pela captação e 
utilização da glicose pelo corpo. 
Nesse contexto, é bastante comum a presença de resistência periférica à ação da 
insulina na gestação e, consequentemente, aumento da glicemia, especialmente no 
último trimestre. Para compensar esse estado metabólico, o pâncreas responde 
produzindo mais insulina na tentativa de equilibrar os níveis glicêmicos. 
Entretanto, em algumas mulheres, esse processo não ocorre da forma adequada. Ou 
seja, mesmo com o pâncreas produzindo mais insulina, não consegue restabelecer 
os níveis de glicose, devido ao aumento da sua resistência, desencadeando o 
desenvolvimento de diabetes gestacional. 
 
 
 
O QUE CAUSA O DIABETES GESTACIONAL? 
O DMG é uma condição multifatorial, na qual diferentes causas e fatores podem estar 
envolvidos na sua etiologia. Assim, algumas condições preexistentes tendem a 
aumentar o risco para o desenvolvimento do DMG, tais como: 
• ter exames de sangue com glicose alterada em algum momento antes da 
gravidez; 
• parentesco de primeiro grau com pessoas diabéticas; 
• obesidade ou ganho de peso excessivo ao longo da gestação; 
• histórico de perda gestacional ou malformação fetal; 
• mulheres com histórico de síndrome metabólica, síndrome dos ovários 
policísticos, hipertensão arterial, pré-eclâmpsia ou uso de corticoide; 
• gestação múltipla; 
• gravidez anterior com feto nascido com mais de 4 quilos. 
Outro fator que pode aumentar os riscos de DMG está relacionado com a alimentação 
e a demanda nutricional da futura mãe, sobretudo a partir do sétimo mês de gestação. 
Esse período é marcado por um aumento significativo nas necessidades alimentares 
da gestante para garantir o desenvolvimento saudável do bebê. 
No entanto, é também nessa fase que a ação da insulina pode enfrentar desafios, em 
razão da resistência desenvolvida. Por isso, é fundamental um ajuste nutricional da 
gestante para que não haja desbalanço energético, ganho de peso e, 
consequentemente, maior risco para o DMG. 
 
 
QUAIS OS SINTOMAS DO DIABETES GESTACIONAL? 
Geralmente, o DMG é assintomático. Quando existem sintomas, são percebidos 
aumento de apetite, ganho de peso (na gestante ou no bebê), boca seca, náuseas, 
maior vontade de urinar, visão turva, muita sede e infecções urinárias frequentes. 
As complicações associadas à doença são diversas e abrangem diferentes aspectos 
da gestação, podendo levar ao aumento excessivo na produção de líquido amniótico 
(polidrâmnio), possibilidade de trabalho de parto prematuro, aumento da incidência de 
parto cesariano, infecções do trato urinário e hemorragia pós-parto. 
Para a mãe, o DMG pode desencadear outras condições crônicas se não tratado 
corretamente, incluindo diabetes tipo 2, obesidade e doença cardiovascular. Para o 
feto, há maior risco de malformações congênitas, crescimento fetal desproporcional, 
possibilidade de hipoxemia e até mesmo óbito fetal. Após o parto, complicações 
neonatais podem surgir, como hipoglicemia, hipocalcemia e hiperbilirrubinemia em 
recém-nascidos de mães com quadros de DMG não controlados. 
Diante desse panorama, realizar o rastreamento e diagnóstico precoce do DMG é 
determinante para evitar complicações futuras. A implementação de um tratamento 
efetivo reduz as morbimortalidades materna, fetal e neonatal, garantindo um 
acompanhamento cuidadoso ao longo de toda a gestação. 
 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO? 
O histórico clínico da paciente e a presença de fatores de risco podem levar o médico 
a considerar a possibilidade da condição, embora exames sejam necessários para 
confirmar o diagnóstico. Em caso de suspeita clínica ou alterações glicêmicas em 
exames de rotina, o médico pode recomendar testes mais assertivos para detecção 
do diabetes gestacional. Entre eles, estão: 
Glicemia de jejum: mede os níveis de glicose no sangue após um período de jejum 
noturno e é recomendado para todas as gestantes; 
Teste de tolerância à glicose: mede a glicose no sangue em dois momentos, após o 
mínimo de 8 horas de jejum e após 2 horas da ingestão de um líquido com quantidade 
conhecida de glicose. É um exame indicado para todas as gestantes entre a vigésima 
quarta e a vigésima oitava semana, servindo para avaliar como o corpo responde a 
uma alta carga glicêmica; 
Hemoglobina glicada: oferece uma visão do controle glicêmico ao longo de um período 
mais estendido, sendo um indicador relevante para o diagnóstico do diabetes 
gestacional. 
Caso o diagnóstico de DMG seja confirmado, o médico poderá requisitar exames 
suplementares para avaliar o estado de saúde do bebê, como exames de imagem e 
análise do batimento cardíaco fetal. É recomendável também consultar o seu médico 
para testes glicêmicos, entre seis e doze semanas após o parto. Posteriormente, deve 
ser feito a cada ano, para assegurar que os níveis estejam dentro da faixa de 
normalidade. 
 
QUAL O TRATAMENTO PARA O DIABETES GESTACIONAL? 
 
A primeira linha de tratamento para o diabetes gestacional envolve a prática de 
atividade física e a adoção de uma dieta equilibrada. Essas medidas, sempre 
realizadas sob orientação médica e acompanhamento de um profissional de educação 
física, são fundamentais para controlar os níveis de glicose sanguínea. 
A realização de atividade física regular, quando adequada às condições da gestante, 
contribui para o controle do peso e melhora a sensibilidade à insulina. A dieta 
balanceada, focada em escolhas saudáveis e controle de carboidratos, também é uma 
excelente forma de manter a glicemia sob controle. 
Em alguns casos, o tratamento do diabetes gestacional requer intervenções 
adicionais. O uso de medicamentos pode ser necessário para garantir o controle 
adequado da glicose. Contudo, vale lembrar que abordagens medicamentosas devem 
ocorrer exclusivamente sob supervisão e indicação médica. 
O DMG, em geral, se resolve com o término da gravidez, mas a atenção à saúde deve 
persistir por toda a vida. Isso se deve ao fato de que mulheres com quadro de DMG 
apresentam mais de 50% de probabilidade de manifestar diabetes tipo 2 futuramente. 
PREVENÇÃO DO DIABETES GESTACIONAL 
 
Para a prevenção, as recomendações englobam a escolha por uma alimentação 
saudável, pautada por uma dieta equilibrada composta por frutas, vegetais e grãos 
(de preferência os integrais), com a devida atenção ao controle de açúcares e 
carboidratos. 
Manter-se ativa é essencial, participando de atividades físicas adequadas à condição 
gestacional. O monitoramento do ganho de peso ao longo da gestação auxilia no bom 
funcionamento do organismo e evita quadros de DMG, além de outras possíveis 
complicações. 
Por fim, a realização de consultas médicas periódicas é muito importante para 
acompanhar de perto a saúde da gestante e do bebê. Ao incorporar essas medidas 
preventivas, é possível reduzir o risco de desenvolver o DMG. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS: 
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Diabetes 
Gestacional. RevistaFemina, Volume 47, Número 11, 2019. Disponível em: 
https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/FEMINAZ11ZV3.pdf. Acesso em: 
07/12/2023. 
Sociedade Brasileira de Diabetes. Diabetes gestacional exige cuidados. Disponível 
em: https://diabetes.org.br/diabetes-gestacional-exige-cuidados/. Acesso em: 
07/12/2023. 
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Guia do Episódio de 
Cuidado Diabetes Mellitus Gestacional (DMG). Disponível em: 
https://medicalsuite.einstein.br/pratica-medica/Pathways/Diabetes-Gestacional.pdf. 
Acesso em: 07/12/2023.Centers for Disease Control and Prevention. Gestational 
Diabetes. Disponível em:https://www.cdc.gov/diabetes/basics/gestational.html. 
Acesso em: 07/12/2023.

Mais conteúdos dessa disciplina