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GINEAD AUDITORIA CONTÁBIL Unidade 4 - Planejamento de Auditoria SST Moreno, Fernanda Gualda; Pereira, Beatriz da Silva Unidade 4 - Planejamento de Auditoria / Fernanda Gualda Moreno; Beatriz da Silva Pereira Ano: 2020 nº de p.: 17 Copyright © 2020. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados. Unidade 4 - Planejamento de Auditoria 3 Objetivo específico • Identificar os procedimentos para o estabelecimento de metas e objetivos no processo de auditoria, determinando a melhor forma de atingi-las. Apresentando a Unidade Nesta unidade, você compreenderá os primeiros passos para a realização de uma auditoria: o planejamento. Esse processo, que consiste na avaliação da organização, é a base para todas as demais etapas. As informações obtidas nessa fase servirão para elaborar a documentação necessária que comprovará que o auditor executou todas as etapas, de acordo com as Normas de Auditoria. Também abordaremos os métodos aplicados no trabalho de auditoria, além de todas as etapas que envolvem a elaboração dos procedimentos de auditoria que possibilitarão o alcance dos resultados almejados. Vamos começar? Características do planejamento De acordo com Pinho (2009), o século XXI impõe uma profunda revisão sobre a execução das atividades de auditoria e das posturas dos auditores. Dessa forma, o planejamento é fundamental para a execução correta da auditoria. Ele é o pontapé inicial para a organização dos trabalhos de auditoria. Um bom planejamento auxilia o auditor a focar nas áreas mais importantes da auditoria, identificando e resolvendo problemas de forma preventiva, além de direcionar, da melhor forma, a equipe de trabalho. O planejamento deve considerar alguns fatores na execução dos trabalhos, como: • conhecimento das práticas contábeis, dos controles internos e das áreas importantes da empresa, avaliando o volume de transações e complexidade das atividades; • extensão dos procedimentos de auditoria que serão aplicados; • necessidade do trabalho de outros auditores; 4 • avaliar o conteúdo de relatórios e outras informações entregues à empresa; • obedecer a prazos estabelecidos por entidades reguladoras ou fiscalizado- ras. Figura 4.1: Realização do planejamento de auditoria Fonte: Plataforma Deduca (2018). Quando o planejamento da auditoria exigir a designação de equipe técnica especializada, ela deve ser orientada e supervisionada pelo auditor, que assumirá a responsabilidade pelos trabalhos executados. Isso deve ser previsto de modo que forneça segurança aos trabalhos. No planejamento, são definidos os princípios que nortearão os objetivos propostos para a auditoria, prezando sempre pela maneira mais eficaz de realizá- los (CREPALDI, 2009). O auditor deve planejar seu trabalho sempre direcionado pelas Normas Profissionais de Auditor Independente, obedecendo a prazos e compromissos assumidos por contrato com a empresa. O planejamento tem como premissa o nível adequado de conhecimento sobre a atividade da empresa, os fatores econômicos e a legislação que se aplica sobre suas operações. Dessa forma, o auditor obterá informações que o ajudarão na elaboração do planejamento, levando em consideração os riscos e os fatos relevantes que afetarão a execução do trabalho. Entre os principais objetivos do planejamento da auditoria, podemos mencionar: • obter conhecimento das atividades da empresa, a fim de identificar quais procedimentos são de significativa relevância e que podem afetar as de- monstrações contábeis; • propiciar que os serviços contratados de auditoria sejam entregues nos pra- zos e compromissos estabelecidos; 5 • assegurar que sejam quantificadas monetariamente as áreas mais impor- tantes da empresa e que esses valores estejam devidamente demonstrados em suas demonstrações contábeis; • identificar os problemas potenciais que possam afetar as atividades da em- presa; • identificar a legislação mais condizente com a empresa; • dimensionar a extensão do trabalho a ser feito e se ele está condizente com os termos da proposta de serviços para sua realização; • definir qual será a divisão das tarefas na equipe de trabalho, se houver; • quando houver equipe de profissionais envolvida, que seja facilitada a super- visão dos serviços executados; • possibilitar que a coordenação do trabalho possa ser feita por outros audi- tores; • buscar que os auditores internos também coordenem o trabalho; • identificar prazos de entrega de relatórios; • outros objetivos podem ser fixados, segundo a forma de execução de cada trabalho, principalmente quando houver outras partes relacionadas. Você já pensou na importância do planejamento? Assista a este vídeo e reflita sobre o preço que se paga ao não se fazer um planejamento. Reflita A NBC TA 300 (R1) destaca que o planejamento é um processo contínuo que se inicia assim que termina a última auditoria (muitas vezes, até antes do término). Ele precisa considerar os seguintes aspectos (CFC, NBC TA 300 (R1) A2): a. os procedimentos analíticos a serem aplicados como procedimentos de ava- liação de risco; b. obtenção de entendimento global da estrutura jurídica e o ambiente regula- tório aplicável à entidade e como a entidade cumpre com os requerimentos dessa estrutura; c. a determinação da materialidade; d. o envolvimento de especialistas; https://www.youtube.com/watch?v=LOyX-vgdQGQ 6 e. a aplicação de outros procedimentos de avaliação de risco. Após a observância desses aspectos, é possível iniciar o planejamento, que se divide em duas grandes fases: estratégia global e plano de auditoria. A estratégia global é feita antes do início dos procedimentos, visando à definição do alcance, período e a direção da auditoria, para a orientação e desenvolvimento do plano de auditoria. Estratégia global Ao definir a estratégia global, o auditor deve: a. identificar as características do trabalho para que possa, posteriormente, de- finir o seu alcance; b. definir os objetivos do relatório do trabalho visando planejar o período em que será feita a auditoria, além de definir a natureza das comunicações re- queridas; c. determinar e considerar os fatores que, no julgamento do auditor, são signi- ficativos para orientar os esforços da equipe do trabalho; d. considerar os resultados das atividades preliminares do trabalho de audito- ria; e. determinar a natureza, a época e a extensão dos recursos que serão neces- sários para realização o trabalho. Segundo Melo e Santos (2017), a documentação da estratégia global da auditoria refere-se ao registro de decisões relevantes, que serão de suma importância para que o planejamento da auditoria seja realizado de forma adequada e para a comunicação de temas significativos à equipe de trabalho. Plano de Auditoria O plano de auditoria consiste em uma série de notas que abrange o objetivo geral e a maneira de conduzir os trabalhos. Na fase de planejamento, o auditor deve estabelecer o nível de relevância nos planos e na auditoria. Devem ser determinadas as unidades a serem auditadas para medir essa evidência. 7 O planejamento da auditoria consiste no trabalho que o auditor realiza para elaborar uma estratégia de trabalhos a serem executados, tais como: grau de conhecimento da atividade da empresa auditada; se a empresa tem ou não auditoria interna; quais os procedimentos a serem aplicados; quais relatórios entregues; qual a equipe técnica que fará parte dos trabalhos. Quadro 4.1: Informações do plano de auditoria Informação Descrição Natureza A natureza do plano de auditoria refere-se à finalidade e ao tipo de auditoria. Esse é um procedimento muito importante para a determinação dos riscos de auditoria. Época A época no plano de auditoria refere-se ao período em que a auditoria será feita, ou a data à qual a evidência da auditoria se aplica. Extensão do procedimento A extensão do procedimento refere-se à quantidade de informaçõesque será analisada na auditoria, por exemplo, o tamanho da amostragem ou ainda o número de observações de uma unidade de controle. Documentação do plano de auditoria A documentação do plano de auditoria refere-se ao registro da natureza, época e extensão planejadas para o procedimento de avaliação de risco e de procedimentos adicionais. Ela também serve para a revisão de registros de informações referentes ao planejamento de procedimentos de auditoria que serão aprovados antes de sua aplicação. Fonte: Adaptado de Melo e Santos (2017). Depois de conhecer as fases da auditoria, temos novo desafio: conhecer os fundamentos e as características que envolvem a primeira auditoria da empresa. Vamos lá? Vamos falar sobre a materialidade? Anteriormente, a definição da materialidade ficava a cargo do auditor, mas, com a promulgação da NBC TA 320, isso mudou. Ela trata da responsabilidade do auditor quanto à aplicação do conceito de materialidade no planejamento e na execução de auditoria de demonstrações contábeis. Para saber mais detalhes sobre esse assunto, acesse: . Saiba mais https://www.classecontabil.com.br/artigos/o-conceito-de-materialidade-para-a-auditoria https://www.classecontabil.com.br/artigos/o-conceito-de-materialidade-para-a-auditoria https://www.classecontabil.com.br/artigos/o-conceito-de-materialidade-para-a-auditoria 8 Planejamento da primeira auditoria A primeira auditoria em uma empresa sempre requer alguns cuidados especiais, principalmente nas seguintes situações: • a entidade nunca passou por auditoria; • a entidade não foi auditada em período anterior; • a organização não foi auditada em período anterior e, mesmo assim, as de- monstrações contábeis irão servir de base para comparação. Nessa circunstância, o auditor independente deve incluir no planejamento da auditoria: análise dos saldos de abertura, procedimentos contábeis adotados pela empresa, padronização dos procedimentos contábeis, identificação de eventos relevantes no exercício anterior e revisão dos papéis de trabalho anteriormente feitos. Na Resolução CFC nº 1.035/2005, o planejamento de auditoria independente deve contemplar diversas situações que permitam ao auditor obter evidências ou provas para fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis auditadas. Em uma primeira auditoria, é recomendado que o auditor obtenha evidências suficientes, sejam do exercício atual ou do anterior, quando elas influenciam nas demonstrações contábeis do exercício atual. No Quadro 4.2, podemos ver as informações que devem ser observadas: Quadro 4.2: Informações relevantes para o planejamento da primeira auditoria Informação Descrição Saldos de abertura O auditor deve examinar e confrontar todos os saldos e registros contábeis das contas que componham o balanço patrimonial e verificar a sua consistência. Procedimentos contábeis adotados O auditor deve observar os princípios de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade adotados pela empresa. No exercício anterior, há a necessidade de comparação, principalmente quanto aos procedimentos contábeis adotados. Para se certificar dos procedimentos contábeis adotados no exercício anterior, cabe ao auditor proceder a um exame sumário daqueles adotados pela entidade, inclusive pelo que constam nas respectivas demonstrações contábeis. Se o exercício anterior foi examinado por outro auditor independente, devem ser analisados o parecer dos auditores e o conteúdo das demonstrações contábeis, inclusive as notas explicativas, como fonte de informação para uma avaliação, pela auditoria, do exercício a ser auditado. 9 Uniformidade dos processos contábeis A comparação das demonstrações contábeis de dois exercícios depende dos procedimentos contábeis adotados. Quando o planejamento da auditoria é feito, os procedimentos contábeis adotados no exercício são comparados com os adotados no exercício anterior. Caso os procedimentos contábeis adotados não atendam aos princípios de contabilidade e às Normas Brasileiras de Contabilidade aceitos, o auditor deve debater isso com a administração da empresa. Eventos relevantes subsequentes ao exercício anterior Quando em uma primeira auditoria forem constatadas situações relevantes, elas devem ser discutidas com a administração da empresa e, se as demonstrações contábeis foram examinadas por outros auditores independentes, deve ser motivo de debate com estes auditores, para se inteirar dos fatos e das situações. Revisão dos papéis de trabalho Na primeira auditoria, o auditor deve avaliar a necessidade de revisão dos papéis de trabalho, a qual o auditor independente deve verificar a sua necessidade e a dos relatórios elaborados por outro auditor. Fonte: Elaborado pelos autores (2018). No próximo tópico, conheceremos as diferentes modalidades de auditoria. Está preparado? Modalidades de auditoria Outro tópico relevante na realização de uma auditoria é determinar qual será o método adotado. Os métodos aplicados no trabalho de auditoria podem ser de dois tipos: o de retrospecção e o de análise, pelo trabalho técnico a ser feito. O trabalho de retrospecção é uma técnica de auditoria em que se verificam fatos passados, que já ocorreram na empresa. Já a técnica de análise verifica conduta de trabalho na técnica de auditoria utilizada. Geralmente, as execuções dos trabalhos envolvem: levantamento das rotinas administrativas, financeiras e contábeis; planejamento do trabalho de auditoria; levantamento das provas documentais; relatório final de auditoria; e, por fim, certificados. Em cada uma dessas fases, a técnica de auditoria possibilita processos de execução que serão devidamente estudados no desenvolver do presente trabalho, 10 constituindo matéria ou objeto da pesquisa e da orientação profissional. Segundo Crepaldi (2009, p. 31), “[...] a norma é exercer a verificação sobre fatos passados e em todas as verificações usar a decomposição de todos os elementos do fato, isto é, sua análise”. Quanto às modalidades, a auditoria divide-se em grandes grupos, como a auditoria de demonstrações contábeis e a auditoria operacional ou de gestão, além de outros métodos. Todos os métodos serão destacados a seguir. Auditoria de Demonstrações Financeiras Para entender o conceito de auditoria de demonstrações financeiras, é necessário, primeiro, entender sua função. As demonstrações contábeis/financeiras devem observar alguns requisitos, entre eles: • informar aos usuários sobre os critérios adotados; • apresentar parecer de terceiros (alheios à empresa) sobre a confiabilidade das demonstrações contábeis. Para informar aos usuários, são obedecidas as regras conhecidas como princípios e normas de contabilidade. Quanto à apresentação do relatório de auditoria a terceiros, alheios à empresa, o auditor pode emitir parecer técnico sobre sua finalidade. Figura 4.2: Na auditoria de demonstração financeiras, o auditor deve apresentar um relatório resul- tante de sua análise Fonte: Plataforma Deduca (2018). 11 O auditor deve conhecer bem o sistema contábil e os controles internos aplicados pela empresa, isso é necessário para determinar os procedimentos de auditoria a serem feitos, como: conhecimento do sistema de contabilidade; confiabilidade das informações do sistema contábil; e a confiabilidade dos controles internos. Agora, vamos conhecer a auditoria operacional ou de gestão? Auditoria operacional ou de gestão A auditoria conhecida como auditoria operacional tem como propósito a análise dos objetivos da organização, com a finalidade de medir a eficiência da gestão operacional. Geralmente, sua técnica é a medição dos métodos, com a finalidade de avaliar se os recursos da entidade estão sendo usados de forma eficiente e se os objetivos operacionais estipulados estão sendo alcançados. Em resumo, a auditoria operacional é um processo de avaliaçãode desempenho que visa à participação da auditoria em todos os processos da empresa e a avaliação de indicadores para estabelecer padrões de excelência. As auditorias operacionais podem ser: Quadro 4.3: Tipos de auditoria operacional ou de gestão Tipo Descrição Revisão limitada Quando o auditor examina as transações da empresa de modo global ou analítico, porém sem ter a necessidade de aplicar as normas de auditoria. Para esse tipo de trabalho, o auditor emite um relatório longo, ressaltando que os serviços não foram executados segundo as normas, comentando como se compõem os saldos das contas, sem entrar no mérito de examinar ou não, segundo a sua conveniência, os respectivos comprovantes hábeis e também sem a obrigatoriedade de observação dos inventários físicos. De caixa De uso especifico para determinar a extensão de fraudes. Parciais Dividindo-se em: auditoria em determinados setores, como exame das contas a receber; faturamento e cobrança; eficiência do setor de crédito; confirmações etc.; auditoria para a determinação de responsabilidades contingentes, processos em andamento, cálculos de juros, correção e outras obrigações; e auditoria de estoques e custos de produção. Outros tipos De fusão ou incorporação de empresas, de avaliação dos negócios para fins de aquisição, de ativos fixos, de investimentos etc. Fonte: Elaborado pelos autores (2018). 12 Outras modalidades de auditoria Além das modalidades de auditoria já citadas, vamos apresentar outros modelos que estão de acordo com a atividade desenvolvida pela auditoria nas organizações. Vamos lá? Quadro 4.4: Outras modalidades de auditoria Tipo Descrição Auditoria de natureza interna Executada pelo auditor funcionário da empresa, cujo objetivo principal é melhorar as operações da empresa e, consequentemente, a sua atividade. Auditoria tributária Objetiva o exame e a avaliação de planejamento tributário quanto ao pagamento e à recuperação de impostos. Auditoria de sistemas Objetiva aperfeiçoar o uso de recursos de processamento de dados e diminuir os riscos envolvidos nos processos de geração de informações. Objetiva, também, o exame e a avaliação das estruturas lógica, de controle e segurança de sistemas. Auditoria de compliance Objetiva verificar o cumprimento das normas e procedimentos estabelecidos pela empresa. Auditoria ambiental Objetiva revisar as normas da empresa em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente. Auditoria na saúde A auditoria hospitalar geralmente é aplicada nas áreas de saúde. Auditoria especial Objetiva examinar fatos e/ou situações fora dos objetivos da empresa. Geralmente, inicia-se a partir da ocorrência de fatos relevantes, de natureza incomum ou extraordinária, e a pedido dos administradores, sócios, acionistas, entre outros. Auditoria de logística Objetiva a verificação das principais atividades que compõem o negócio na logística da organização, Auditoria de Riscos Decorrente dos riscos a que a empresa pode estar sujeita ou de fatos importantes que podem criar situações presentes ou futuras para a empresa, que impeçam o alcance de seus objetivos. Fonte: Elaborado pelos autores (2018). 13 No próximo tópico, veremos como funciona a elaboração dos procedimentos de auditoria. Vamos lá? Elaboração dos procedimentos de auditoria Os procedimentos de auditoria referem-se a um conjunto de verificação que objetiva a coleta de informações necessárias para auxiliar o auditor a emitir uma opinião sobre as demonstrações contábeis como um todo. Essa avaliação observará a adequação aos Princípios Fundamentais da Contabilidade, Normas Brasileiras de Contabilidade e demais legislações pertinentes. Nos procedimentos de auditoria, o auditor precisa considerar o nível de relevância e a confiabilidade das informações que serão recolhidas na organização, como fonte de evidência dos fatos. Essas informações precisam ser suficientes para o alcance dos objetivos propostos. Não existe uma quantidade mínima considerada ideal, a quantidade selecionada de evidências fica a critério do auditor, que terá como desafio a avaliação dos riscos e distorções presentes nesses dados. A NBC TA 500 (R1), no item A10, cita dois tipos de métodos: procedimentos de avaliação de riscos e procedimentos adicionais de auditoria (CFC, 2016a). Procedimentos de avaliação de risco Os procedimentos de avaliação de risco consistem em um instrumento utilizado para a identificação e avaliação de riscos de distorção que possam refletir nas demonstrações contábeis. Eles incluem: a. indagações à administração, às pessoas apropriadas da auditoria interna (se houver essa função) e a outros na entidade que, no julgamento do auditor, possam ter informações com possibilidade de auxiliar na identificação de riscos de distorção relevante causados por fraude ou erro; b. procedimentos analíticos que visam identificar informações sobre a orga- nização de que o auditor não tinha conhecimento, mas que podem auxiliar na avaliação de risco de distorções que fornecerão uma base para o pla- nejamento e implementação de respostas para esses riscos. São exemplos: 14 informações financeiras ou não financeiras, a relação entre vendas e a área total do espaço de vendas ou volume dos produtos vendidos; c. inspeção e observação de relatórios, documentos e operações visando esti- pular se eles estão de acordo com o que era previsto. Procedimentos adicionais Quanto aos procedimentos adicionais, podemos subdividi-los em: a. testes de controles, se forem solicitados pelas normas de auditoria ou quan- do for opção do auditor; b. procedimentos de substantivos. De acordo com a NBC TA 330, no item 7, no planejamento de procedimentos adicionais o auditor deve (CFC, 2016b): (a) considerar as razões para a avaliação atribuída ao risco de distorção relevante no nível de afirmações para cada classe de transações, saldo de contas e divulgações, incluindo: (i) a probabilidade de distorção relevante devido às características particulares da classe de transações, saldo de contas ou divulgação relevantes (isto é, o risco inerente); (ii) se a avaliação de risco leva em consideração os controles relevantes (isto é, o risco de controle), exigindo assim que o auditor obtenha evidência de auditoria para determinar se os controles estão operando eficazmente (isto é, o auditor pretende confiar na efetividade operacional dos controles para determinar a natureza, época e extensão dos procedimentos substantivos). Vamos, agora, conhecer os testes de controle e os procedimentos substantivos. Teste de controle O teste de controle consiste em um procedimento utilizado para avaliar a efetividade operacional dos controles, para a prevenção e correção de distorções que possam influenciar, significativamente, as informações analisadas. Ao planejar a execução dos testes de controle, de acordo com a NBC TA 330, o auditor deve: 15 a. Executar outros procedimentos de auditoria junto com indagação visando obter evidência de auditoria sobre a efetividade operacional dos controles, incluindo: (i) o modo como os controles vêm sendo empregados ao longo do período. (ii) a solidez como os controles foram aplicados. (iii) quem e como foram aplicados os controles. b. Determinar se os controles que são avaliados dependem de outros controles (controles indiretos) e, caso a resposta seja positiva, se é preciso conseguir uma evidência de auditoria que suporte a operação eficiente desses contro- les indiretos. Esse tipo de controle pode ser verificado em retrospecto, quando o auditor investiga informações que fazem parte do passado, como, por exemplo, a conferência de assinaturas. Além disso, eles podem ser constatados em flagrante, quando o auditor identifica que os procedimentos não estão sendo seguidos de forma correta no momento em que a situação ocorre. As evidências resultantes desses testes envolvem a realização de questionamentos, exame de documentos, relatórios etc.Em relação ao período em que essa análise ocorre, não existe um tempo estipulado, a definição de quando fazer os testes de controle é opção do auditor. Há ainda outro ponto a ser levado em conta: nos casos de desvios em controles que seriam utilizados pelo auditor, é preciso determinar as potenciais consequências dessas falhas e se os testes de controle utilizados são confiáveis, ou se são necessários testes adicionais ou a determinação dos riscos envolvidos (MELO; SANTOS, 2017). Procedimentos substantivos Os procedimentos substantivos podem ser definidos como procedimentos de planejamento de auditoria, utilizados para detectar distorções relevantes no nível de afirmações. Eles incluem: a. testes de detalhes (de classes de transações, de saldos de contas e de divul- gações); b. procedimentos analíticos substantivos. 16 Os testes de detalhes consistem na verificação da veracidade dos fatos contábeis, com base em evidências colhidas no decorrer do exercício. Eles se dividem em: • Inspeção: consiste na contagem física e também no exame de documentos, internos e externos, físicos e eletrônicos. Essa inspeção será a base para de- terminar se os registros da contabilidade são reais, além disso, esse método deve ser utilizado em conjunto com outras metodologias; • Observação: consiste na constatação visual da forma como os empregados trabalham; • Confirmação com terceiros (também chamada de circularização e investi- gação): nesse método, realiza-se a confirmação com terceiros em relação a informações referentes aos bens, contas a pagar, obrigações, direitos a rece- ber, valores em caixa etc.; • Recálculo: consiste na conferência das operações, valores, números etc.; • Reexecução: consiste na execução de procedimentos de forma independen- te; • Indagações: nessa metodologia, são realizados entrevistas e questionários, que visam revelar erros e problemas nos itens examinados. Já os procedimentos analíticos consistem em análises e comparações por meio de índices. Nesse método, busca-se analisar, de forma crítica, as demonstrações contábeis, a fim de identificar tendências ou situações anormais. Esses testes, normalmente, são realizados ao final da auditoria. Alguns exemplos são: a comparação de informações de exercícios distintos, a comparação entre o orçado e o realizado e a comparação entre os resultados da empresa auditada com outras empresas do mesmo setor. Você acredita que os métodos citados são suficientes? Você consegue pensar em mais alguma forma de analisar as informações da empresa? Reflita 17 Referências CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. NBC TA 330 (R1). Altera a NBC TA 330 que dispõe sobre a resposta do auditor aos riscos avaliados. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil de 5 set. 2016a. ______. NBC TA 500 (R1). Altera a NBC TA 500 que dispõe sobre a evidência de auditoria. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil de 5 set. 2016b. CREPALDI, S. A. Auditoria contábil: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2009. MELO, M. M. de; SANTOS, I. R. dos. Auditoria contábil: atualizada pelas Normas Internacionais de Auditoria emitida pela IFAC com adoção no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Maria Augusta Delgado, 2017. MUITO DESGASTE sem planejamento. Produção de Graham Moloy. Direção: Rob Silvestri. ARC PRODUCTIONS LTD., 2009. Disponível em: . Acesso em: 25 jan. 2018. PINHO, Ruth Carvalho de Santana. Fundamentos de auditoria. São Paulo: Atlas, 2009. https://www.youtube.com/watch?v=LOyX-vgdQGQ https://www.youtube.com/watch?v=LOyX-vgdQGQ