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LÍNGUA PORTUGUESA
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17. VUNESP - Vest (UNESP)/UNESP/2021
Assunto: Conjunção
Para responder a questão, leia o trecho do romance 
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.
Sei que estou contando errado, pelos altos. Desemen-
do. Mas não é por disfarçar, não pense. De grave, na lei 
do comum, disse ao senhor quase tudo. Não crio receio. 
O senhor é homem de pensar o dos outros como sendo o 
seu, não é criatura de pôr denúncia. E meus feitos já revo-
garam, prescrição dita. Tenho meu respeito firmado. Ago-
ra, sou anta empoçada, ninguém me caça. Da vida pouco 
me resta — só o deo-gratias; e o troco. Bobeia. Na feira de 
São João Branco, um homem andava falando:
— “A pátria não pode nada com a velhice...” Discor-
do. A pátria é dos velhos, mais. Era um homem maluco, 
os dedos cheios de anéis velhos sem valor, as pedras reti-
radas — ele dizia: aqueles todos anéis davam até choque 
elétrico... Não. Eu estou contando assim, porque é o meu 
jeito de contar. Guerras e batalhas? Isso é como jogo de 
baralho, verte, reverte. Os revoltosos depois passaram por 
aqui, soldados de Prestes, vinham de Goiás, reclamavam 
posse de todos os animais de sela. Sei que deram fogo, 
na barra do Urucuia, em São Romão, aonde aportou um 
vapor do Governo, cheio de tropas da Bahia. Muitos anos 
adiante, um roceiro vai lavrar um pau, encontra balas cra-
vadas. O que vale, são outras coisas. A lembrança da vida 
da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu 
signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não 
misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo 
as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu 
real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje 
vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido 
desgovernado. Assim eu acho, assim é que eu conto. [...] 
Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente 
do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe.
(Grande sertão: veredas, 2015.)
Dupla negação: emprego conjugado de palavras nega-
tivas.
(Celso Pedro Luft. Abc da língua culta, 2010. Adaptado.)
Observa-se a ocorrência de dupla negação no trecho:
(A) “A lembrança da vida da gente se guarda em tre-
chos diversos, cada um com seu signo e sentimento, 
uns com os outros acho que nem não misturam.”
(B) “Mas não é por disfarçar, não pense.”
(C) “O senhor é homem de pensar o dos outros como 
sendo o seu, não é criatura de pôr denúncia.”
(D) “Agora, sou anta empoçada, ninguém me caça.”
(E) “De cada vivimento que eu real tive, de alegria 
forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era 
como se fosse diferente pessoa.”
18. VUNESP - ALeg (CM Potim)/CM Potim/2021
Assunto: Interjeição
(Mort Walker, “Recruta Zero”. https://cultura.estadao.
com.br/quadrinho, 20.06.2021)
No contexto em que estão empregadas, as frases “Ah 
é?” (1º quadrinho) e “Ué! Cadê ele?” (2º quadrinho) indi-
cam, correta e respectivamente, que
(A) o sargento está com dúvidas quanto a pegar o bolo 
do soldado; o soldado ficou triste com o sumiço do 
bolo.
(B) o sargento está desafiando o soldado a lhe entre-
gar o bolo; o soldado já esperava que o bolo sumisse.
(C) o sargento está disposto a confrontar o soldado e 
obter o bolo; o soldado está surpreso com o sumiço 
do bolo.
(D) o sargento está tentando intimidar o soldado para 
conseguir o bolo; o soldado acredita que o bolo não 
sumiu.
(E) o sargento está pensando em pedir o bolo ao solda-
do; o soldado fica irritado com o sumiço do seu bolo.
LÍNGUA PORTUGUESA
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19. VUNESP - Esc Pol (PC SP)/PC SP/2022
Assunto: Colocação pronominal
Dizer não com clareza é uma das primeiras habilidades 
adquiridas pelos seres humanos. No início da vida, muito 
antes de aprenderem a falar, os bebês já são capazes de 
deixar claro que estão descontentes com a temperatura da 
água do banho, ou que já saciaram a fome e não querem 
mais mamar. Nada disso, no entanto, impede que, quan-
do cresçam, muitas pessoas sejam incapazes de negar um 
pedido, não importa de onde venha. A maioria, pelo jeito: 
estudo conduzido pelo departamento de psicologia com-
portamental da prestigiada Universidade Cornell, nos Es-
tados Unidos, concluiu que as pessoas são mais afeitas a 
dizer sim do que não.
Ao longo de quinze anos, a pesquisadora Vanessa 
Bohns realizou experimentos sociais com cerca de 15000 
pessoas, seguindo um mesmo roteiro: sua equipe abor-
dava estranhos na rua e pedia que fizessem alguma coisa 
inesperada.
A dificuldade de negar ajuda ou pedido tem raízes na 
pré- -história, quando se percebeu que as chances de so-
brevivência eram maiores se as pessoas se organizassem 
em bandos e colaborassem umas com as outras do que 
se vagassem sozinhas por ambientes inóspitos e cheios de 
perigo. “Agindo em conjunto, a humanidade se mostrou 
capaz de obter ganhos para sua sobrevivência. Por isso, se 
uma pessoa lhe pede um favor, a reação natural é colabo-
rar com ela”, explica Ariovaldo Silva Júnior, neurocientista 
da UFMG. Nos tempos modernos, esse condicionamento 
virou, em algumas pessoas, motivo de enorme angústia, 
sintoma de um distúrbio conhecido como ansiedade de 
insinuação. O problema se manifesta cada vez que o in-
divíduo se vê, de alguma forma, forçado a fazer algo que 
não quer, apenas para não se sentir rejeitado pelos pares. 
Albert Einstein, um dos mais brilhantes angustiados, es-
creveu: “Toda vez que diz sim querendo dizer não, morre 
um pedaço de você”.
(Matheus Deccache e Ricardo Ferraz, Palavrinha difícil. 
Veja, 23.02.2022. Adaptado)
A substituição do trecho destacado na passagem do 
primeiro parágrafo – … sua equipe abordava estranhos na 
rua e pedia que fizessem alguma coisa inesperada. – está 
de acordo com a norma-padrão de emprego e colocação 
dos pronomes em:
(A) recomendava eles fazer
(B) exigia-os fazer
(C) lhes solicitava fazer
(D) os ordenava fazer
(E) lhes convidava a fazer
20. VUNESP - Ana Prev (IPSM SJC)/IPSM SJC/Adminis-
trador/2022
Assunto: Colocação pronominal
Leia o texto para responder à questão.
Os saltos da natureza
“Natura non facit saltus” (a natureza não dá pulos). A 
frase é do filósofo alemão Leibniz, mas quem a populari-
zou foi Charles Darwin, que a repete seis vezes em “A Ori-
gem das Espécies”. Não é para menos. A lição fundamental 
do darwinismo é que a evolução ocorre através de peque-
nas modificações que se acumulam na profundidade do 
tempo geológico. Todavia, quando se discute o lugar do 
homem no mundo biológico, esquecemos esse princípio e 
embarcamos em narrativas que nos colocam no ápice da 
criação.
Esse suposto excepcionalismo humano fica escancara-
do na questão da consciência. Por muito tempo a descre-
vemos como atributo exclusivamente humano. Melhores 
e mais recentes pesquisas, entretanto, vão revelando que 
não é bem assim. Ainda que bichos não se mostrem capa-
zes de perguntar pelo sentido da vida, há indícios de que 
boa parte do reino animal apresenta algum grau de cons-
ciência.
O livro “Super Fly” (supermosca), de Jonathan Balcom-
be, estende esse esforço aos Diptera, ordem que inclui 
moscas, mosquitos, mutucas e borrachudos. O autor des-
creve vários experimentos sugestivos de que até as mo-
destas moscas de fruta são capazes de comportamentos 
flexíveis e com intencionalidade – marcas da consciência. 
Parentes delas, três tipos de formiga passariam até no tes-
te de se reconhecer no espelho, categoria em que está a 
elite intelectual da bicharada, representada por humanos, 
chimpanzés, golfinhos e mais poucas espécies.
As repercussões desses achados para a ética não são 
desprezíveis. Fica mais difícil encontrar limites naturais 
para definir quais animais devem ser objeto de nossa con-
sideração moral e quais não precisam. Qualquer decisão aí 
soará caprichosamente arbitrária.
Os Diptera saem em desvantagem. Eles não desper-
tam muita solidariedade humana. Não sem motivos. Me-
tade de todos os diagnósticos clínicos de doenças feitos no 
mundo tem insetos como agente causador, a maior parte 
mosquitos.
(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br. 
09.07.2022. Adaptado)

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