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Como citar este material: 
ALMEIDA, Rafael Alves de; VIANNA, Rodrigo; CARNEIRO, Cristiane Dias. Mediação e 
arbitragem. Rio de Janeiro: FGV, 2023. 
 
Todos os direitos reservados. Textos, vídeos, sons, imagens, gráficos e demais componentes 
deste material são protegidos por direitos autorais e outros direitos de propriedade intelectual, de 
forma que é proibida a reprodução no todo ou em parte, sem a devida autorização. 
 
 
INTRODUÇÃO 
A apostila Mediação e arbitragem tem como objetivo levar o leitor 
a conhecer os métodos alternativos ao Poder Judiciário para solução de 
conflitos e resolução de disputas, a partir de uma perspectiva negocial e 
prática. Para tanto, analisaremos a realidade da negociação, os seus dilemas 
usuais e as múltiplas soluções concebidas pelas partes para enfrentá-los, 
além da terminologia técnica e dos conceitos utilizados pela legislação, pela 
doutrina e pela jurisprudência no processo de mediação e arbitragem. 
A perspectiva adotada nesta apostila tem impacto direto não só na 
organização do conteúdo mas também na sua metodologia. Com base na 
discussão de questões jurídicas decorrentes de casos concretos, 
apresentaremos as tratativas preliminares para negociação e mediação de 
conflitos, as peculiaridades da arbitragem, a relação entre as partes e o 
árbitro, os procedimentos obrigatórios e as alternativas possíveis ao fim 
dos processos. Dessa forma, acompanharemos as experiências e as 
dificuldades vividas pelos agentes descritos e examinaremos os diversos 
aspectos jurídicos envolvidos nessas duas formas alternativas, viáveis, 
eficientes e eficazes de resolução dos mais diversos tipos de conflito nas 
áreas profissional e pessoal: a mediação e a arbitragem. 
Sob esse foco, esta apostila foi estruturada em cinco módulos. 
No módulo I, conheceremos o instituto da mediação: o seu 
conceito, as suas principais características, as vantagens e desvantagens 
da sua utilização, os princípios que o regem e, principalmente, a figura 
do mediador. 
No módulo II, focaremos o conceito, as principais características, 
as formas e modalidades da arbitragem em um contexto que nos permita 
diferenciá-la da mediação e dos demais institutos alternativos de 
resolução de conflitos. 
No módulo III, estudaremos a figura do árbitro como peça 
fundamental na condução de qualquer arbitragem. 
No módulo IV, trataremos do procedimento arbitral, isto é, do 
caminho percorrido para o desenvolvimento da arbitragem. 
Por fim, no módulo V, abordaremos temas que são motivo de 
divergência entre a doutrina e a jurisprudência, como a arbitragem nos 
contratos de adesão e no Direito Trabalhista. 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
MÓDULO I – MEDIAÇÃO................................................................................................................... 9 
MEIOS ALTERNATIVOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS: POR QUE BUSCÁ-LOS? ...................... 9 
CONCEITO, CARACTERÍSTICAS E VANTAGENS DA MEDIAÇÃO ................................................... 10 
Conceito de mediação ............................................................................................................. 10 
Características e componentes do processo de mediação ................................................ 11 
Partes envolvidas ................................................................................................................ 11 
Mediador ............................................................................................................................. 11 
Vantagens da mediação .......................................................................................................... 12 
PRINCÍPIOS DA MEDIAÇÃO ............................................................................................................. 13 
Princípio da autonomia da vontade ...................................................................................... 13 
Princípio da busca do consenso ............................................................................................ 13 
Princípio da presença do terceiro interventor ..................................................................... 13 
Princípios da neutralidade e da imparcialidade .................................................................. 14 
Princípios da igualdade, informalidade e oralidade ........................................................... 14 
Princípio da confidencialidade ............................................................................................... 15 
Princípios da boa-fé, da decisão informada e da independência ..................................... 15 
BENEFÍCIOS DA MEDIAÇÃO ............................................................................................................ 15 
Celeridade e efetividade dos resultados .............................................................................. 15 
Atendimento dos interesses mútuos e redução do custo financeiro .............................. 16 
Sigilo, privacidade e fluidez na comunicação ....................................................................... 16 
Prevenção da formação e reincidência de conflitos ........................................................... 16 
PAPÉIS DO MEDIADOR .................................................................................................................... 16 
O que um mediador não deve fazer ..................................................................................... 17 
Condução das atividades ........................................................................................................ 18 
Formação do mediador........................................................................................................... 18 
PROCESSO DE MEDIAÇÃO............................................................................................................... 19 
Pré-mediação............................................................................................................................ 20 
Plano de mediação ............................................................................................................. 20 
Discurso de abertura ............................................................................................................... 21 
Pilares básicos do processo .............................................................................................. 21 
Relato das histórias ................................................................................................................. 21 
Construção, ampliação e negociação de alternativas ......................................................... 22 
Definição do problema ...................................................................................................... 22 
Opções e barganhas .......................................................................................................... 23 
Fechamento do processo de mediação ................................................................................ 23 
Cumprimento da decisão .................................................................................................. 23 
LEI DE MEDIAÇÃO............................................................................................................................. 24 
Modalidades de mediação...................................................................................................... 24 
Termo final de mediação ........................................................................................................ 25 
 
 
MÓDULO II – ASPECTOS GERAIS DA ARBITRAGEM ....................................................................... 27 
CONCEITO DE ARBITRAGEM ........................................................................................................... 27 
Lei de Arbitragem..................................................................................................................... 28 
Lei de Arbitragem noao Poder Judiciário, ela está disposta a romper as relações com a outra parte. 
Na arbitragem, ocorre justamente o oposto: uma das partes – ou ambas – propõe um processo 
arbitral para resolver aquele conflito específico e dar continuidade à relação prévia existente. 
 
Convenção de arbitragem 
Compromisso arbitral versus cláusula compromissória 
A Lei nº 9.307/96 (Artigo 3 e seguintes) não faz qualquer distinção entre compromisso 
arbitral e cláusula compromissória. 
Na teoria, compromisso arbitral e cláusula compromissória se diferenciam pelo momento da 
assinatura da opção pela arbitragem. O compromisso é assinado após o início da controvérsia em si. Já 
a cláusula compromissória é assinada antes do surgimento da controvérsia, enquanto as partes mantêm 
boa relação. Nesse caso, a controvérsia é resolvida por meio da arbitragem, se houver necessidade. 
 
Cláusulas de resolução de controvérsias 
Nos contratos conexos, as partes devem ter cuidado e muita atenção na hora de redigir 
cláusulas de resolução de controvérsias. A cláusula compromissória não pode ser estendida para 
outros contratos, mesmo que estejam relacionados. 
Quanto à especificação da cláusula compromissória, a Lei nº 9.307/96 não determinou se ela 
deveria ser cheia ou vazia, apenas determinou a sua previsão no contrato firmado entre as partes. 
Vejamos a diferença entre tais cláusulas: 
 
a) Cláusula cheia: 
Cláusula cheia é aquela que contém os elementos mínimos necessários para definição 
da arbitragem. 
Na cláusula cheia, o conteúdo para definição da instauração da arbitragem está completo com: 
 a instituição arbitral – se a arbitragem for institucional; 
 as regras aplicáveis; 
 o número de árbitros; 
 
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 a forma de escolha dos membros do tribunal ou indicação do único árbitro; 
 o idioma e 
 o local de arbitragem. 
 
b) Cláusula vazia: 
Cláusula vazia é aquela que prevê somente a solução da controvérsia por arbitragem, sem 
indicar os elementos necessários. Dessa forma, as partes devem, em comum acordo, indicar como 
será feita a arbitragem ou recorrer ao Judiciário para a definição. 
 
Modelos de cláusulas cheias 
Visando evitar futuros problemas, algumas instituições preparam uma cláusula modelo. A 
Câmara FGV de Mediação e Arbitragem da Fundação Getulio Vargas, por exemplo, propõe três 
modelos: um mais simples, e dois com redação mais elaborada. Vejamos: 
 
a) Modelo 1: 
“As questões decorrentes deste contrato serão dirimidas por arbitragem administrada pela 
Câmara FGV de Mediação e Arbitragem da Fundação Getulio Vargas realizada segundo o 
Regulamento dessa Câmara. O local da arbitragem será a cidade de...” 
 
b) Modelo 2: 
“Toda e qualquer controvérsia que possa surgir da interpretação ou da execução deste 
contrato será resolvida por um ou mais árbitros, de acordo com os termos do Regulamento da 
Câmara FGV de Mediação e Arbitragem da Fundação Getulio Vargas.” 
 
c) Modelo 3: 
“Todas as controvérsias decorrentes do presente contrato, de sua execução e liquidação, 
serão resolvidas, em definitivo, nos termos do Regulamento da Câmara FGV de Mediação e 
Arbitragem da Fundação Getulio Vargas, por um ou mais árbitros nomeados na conformidade 
do mesmo Regulamento.” 
 
É importante lembrarmos que as partes não são obrigadas a colocar as cláusulas cheias nos 
seus contratos e podem elaborar a cláusula que melhor lhes convier, indicando a instituição e as 
suas regras. 
É desnecessário prever, na cláusula compromissória, as regras já previstas no regulamento de 
arbitragem da instituição arbitral escolhida. No entanto, quando eleita uma instituição, é necessário 
observar o seu regulamento. Por conta disso, a eleição da Câmara deve ser feita com muita atenção. 
 
 
 37 
 
Panoramas nacional e internacional 
Panorama nacional 
Temos observado o aumento do uso de meios adequados de resolução de controvérsias no 
Brasil. A Lei de Arbitragem serviu para propagar o uso do instituto, e espera-se o mesmo com a Lei 
de Mediação. 
Nesse sentido, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu a Política Judiciária Nacional 
de Tratamento Adequado de Conflitos, no âmbito do Poder Judiciário, por meio da Resolução nº 
125/10. Além disso, o Código de Processo Civil previu o seguinte no seu artigo 3º: 
 
“Art. 3° Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. 
§ 1° É permitida a arbitragem, na forma da lei. 
§ 2° O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual 
dos conflitos. 
§ 3° A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de 
conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e 
membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial.” 
 
Esse ato normativo tem como objetivo traçar uma política pública permanente de tratamento 
adequado dos problemas jurídicos e dos conflitos de interesses em âmbito nacional. Tal tratamento 
não se restringiria apenas aos serviços jurisdicionais prestados, mas, igualmente, a outros 
mecanismos autocompositivos. 
 
Meta do Conselho Nacional de Justiça 
Atualmente, a utilização dos meios alternativos de composição de conflitos é vista, 
majoritariamente, como uma possibilidade viável para desafogar o Poder Judiciário. No entanto, essa 
não é a sua natureza. O objetivo principal da utilização dos meios alternativos de composição de 
conflitos é fornecer às partes, devido às suas peculiaridades, opções para a resolução dos seus conflitos. 
Nesse sentido, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) compreende como basilar o incentivo 
e aperfeiçoamento dos mecanismos consensuais de solução de litígios. Por essa razão, o CNJ tem 
como meta conduzir a sistematização e o aprimoramento das práticas já adotadas pelos tribunais 
brasileiros para uniformizar os serviços de conciliação, mediação e outros métodos consensuais. Tal 
sistematização focaliza a solução dos conflitos por meio alternativo à jurisdição tradicional e tem 
como alvo a estruturação de técnicas consistentes para serem adequadas às peculiaridades de cada 
caso concreto. 
 
38 
 
A adoção da política pública permanente, orientada pelo CNJ, evita disparidades de 
orientação e de práticas diante das especificidades regionais, permitindo o controle de qualidade na 
especialização de órgãos judiciais acerca dessa temática. 
 
Conima 
No Brasil, há várias instituições dedicadas à mediação e à arbitragem. Entre elas, podemos 
citar o Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem (Conima). 
O Conima é uma entidade cujo objetivo é congregar e representar as entidades de mediação 
e arbitragem. Para tanto, observa as normas técnicas e a ética, e dispõe de um Código de Ética para 
Mediadores e Árbitros, que serve de modelo para as instituições afiliadas e outras. Com isso, visa à 
excelência da sua atuação, ao desenvolvimento e à credibilidade dos meios alternativos de resolução 
de controvérsias. 
Cabe ao Conima estimular a criação de novas instituições de mediação e arbitragem, 
orientando-as nas mais diversas áreas e sempre observando a qualidade, indispensável ao 
desempenho das suas atividades. 
 
Panorama internacional 
Com mais de nove décadas de experiência na elaboração de regras para reger e facilitar a realização 
do comércio internacional, a International Chamber of Commerce (ICC) tem sido a organização líder no 
campo de resolução de conflitos sobre comércio internacional. As normas da ICC são então utilizadas 
na solução de conflitos que, inevitavelmente, surgem nas relações de negócios. 
O atual Regulamento ADR (2017, p. 02)3 representa a mais recente iniciativa da ICC nesse 
campo, qual seja: 
 
(...) introdução de um procedimento expedito que prevê uma arbitragem 
simplificada, com uma tabela de honorários reduzidos. Este procedimento 
é automaticamente aplicável aos casos em que o valor em disputa não 
exceda US$ 2 milhões, salvo se as partes optarem por excluir o mesmo. O 
procedimento expedito será aplicável apenas a convenções de arbitragem 
celebradasapós 1° de março de 2017. 
 
3 “O Regulamento de Arbitragem corresponde ao de 2012, tal como alterado em 2017. O Regulamento é aplicável a partir 
de 1° de março de 2017”. 
 
 
 
Neste módulo, estudaremos a figura do árbitro como peça fundamental na condução de 
qualquer arbitragem. 
 
Figura do árbitro 
A pessoa que decide a controvérsia em um processo de arbitragem é chamada de árbitro. 
O árbitro pode ser qualquer pessoa maior de idade, no domínio de suas faculdades mentais e 
que tenha a confiança das partes. Além disso, deve ser independente e imparcial, não podendo ter 
interesse no resultado da demanda nem estar vinculado a nenhuma das partes. 
No entanto, como a arbitragem tem a característica de ser um foro especializado para 
discussão de questões específicas e complexas, a utilização de julgadores especializados na matéria 
que é objeto da controvérsia permite uma melhor decisão. 
O sigilo na condução de procedimentos arbitrais protege o negócio e a continuidade das 
relações entre as partes. Entretanto, o sucesso da arbitragem depende do árbitro – ou dos árbitros, 
logo, diferentemente do mediador, o árbitro emite juízo de valor. Ele é o centro de todo o 
procedimento, e seu desempenho determina o resultado da solução da disputa. 
 
Qualificação do árbitro 
A renúncia das partes a um processo no Poder Judiciário e a impossibilidade de recorrer 
contra uma decisão arbitral – devido ao princípio da irrecorribilidade da sentença arbitral – 
aumentam a carga de responsabilidade da função do árbitro. Diante desse relevante papel, surgem 
questões relativas à qualificação do árbitro. 
MÓDULO III – ÁRBITRO 
 
40 
 
Para que se dê início a uma arbitragem, é necessário que as partes indiquem um ou mais 
árbitros, e não há restrições quanto à qualificação das pessoas que podem ser escolhidas para 
desempenhar tal função. De acordo com o Artigo 13 da Lei nº 9.307/96, qualquer pessoa capaz e 
que tenha a confiança das partes pode ser escolhida como árbitro. Em outras palavras, as partes 
podem escolher como árbitros homens, mulheres, advogados, engenheiros, economistas, médicos, 
ou seja, as pessoas que acharem mais adequadas ao caso em discussão. Podemos perceber, portanto, 
que mais importante do que a qualificação do árbitro é a posse da confiança das partes que lhe 
pretendem submeter certo litígio. Dessa forma, a função do árbitro só pode ser bem desenvolvida 
se o profissional tiver a plena confiança das partes. 
Depois de escolhido pelas partes em litígio, a função do árbitro é a de atuar como juiz de fato e 
de direito – individualmente ou em tribunal arbitral – na tomada de decisões para solucionar o conflito. 
 
Número de árbitros 
Na arbitragem, nada impede que seja apontado apenas um árbitro para solucionar o conflito. 
Caso seja nomeado mais de um, diz-se que foi formado um tribunal arbitral. Sendo assim, há uma 
ressalva feita pela lei exigindo que o número de árbitros seja ímpar, para evitar qualquer 
possibilidade de empate na solução da arbitragem. 
No caso de número par de árbitros, aqueles já selecionados estão autorizados a nomear mais um 
colega. Não havendo acordo entre eles quanto à sugestão de outro profissional, as partes podem recorrer 
ao Poder Judiciário, que deve indicar outro árbitro (Artigo 13, Parágrafo 2º, da Lei nº 9.307/96). 
É importante notarmos que, na arbitragem, as partes têm total liberdade para definir, de 
comum acordo, a forma como serão escolhidos os árbitros. Caso prefiram, também podem adotar 
para a escolha as regras de um órgão arbitral institucional ou de uma entidade especializada, como 
a Câmara FGV de Mediação e Arbitragem. No entanto, a clareza das regras que venham a reger a 
escolha e a nomeação dos árbitros é elemento essencial para o bom resultado da arbitragem, seja no 
caso de um único árbitro, seja no caso de formação de um tribunal arbitral. 
 
Composição trina 
A prática mostra que as arbitragens são decididas, majoritariamente, por árbitro único ou por 
um tribunal composto de três árbitros – composição trina. 
A escolha do árbitro único exige que as partes se disponham a contribuir para um acordo que 
atenda a ambas e empreguem os seus melhores esforços nesse sentido. Já no caso da composição 
trina, cada uma das partes tem a oportunidade de indicar um árbitro que pretenda ver integrando 
o tribunal arbitral. Nesse caso, cabe aos indicados a nomeação do terceiro árbitro. 
Não há dúvida de que a composição trina é mais propícia para acomodar os interesses das 
partes, pois, em um tribunal arbitral, é possível formar um corpo de árbitros que reúna pessoas com 
formações ou especializações diferentes, oferecendo às partes um órgão multidisciplinar para o 
julgamento de questões de maior complexidade. 
 
 41 
 
Arbitragem institucional versus arbitragem ad hoc 
Como vimos, depois de escolhido, o árbitro deve seguir as regras definidas pelas partes para 
a condução da arbitragem. Apesar da flexibilidade característica da nossa legislação em vigor, em 
certas ocasiões, a escolha de regras de uma instituição arbitral apresenta vantagens, pois, em geral, 
essas regras foram elaboradas, cuidadosamente, com base em experiências práticas e lições 
aprendidas. Em outras palavras, tais regras foram desenhadas de forma a assegurar o funcionamento 
correto do procedimento arbitral. 
Uma instituição arbitral, geralmente, dispõe de uma infraestrutura que coloca à disposição 
das partes e do árbitro – ou tribunal arbitral – o suporte necessário à boa condução da arbitragem. 
Facilitam-se, dessa forma, certos procedimentos, como o contato entre os envolvidos, o controle de 
prazos e a distribuição de documentos, além do registro de incidentes ao longo do processo. 
A escolha por uma arbitragem administrada por uma instituição especializada não significa 
uma rejeição ao procedimento administrado pelos próprios árbitros – arbitragem ad hoc. Muitas 
vezes, as características próprias da controvérsia determinam que se venha a optar por uma em lugar 
da outra, mas isso depende de uma análise caso a caso. 
Mesmo indicados, os árbitros devem ser independentes em relação às partes e neutros no que 
tange à disputa. Independência e neutralidade são requisitos éticos exigidos na arbitragem. O fato 
é que as partes se sentem mais confortáveis se tiverem a oportunidade de escolher e nomear aqueles 
profissionais que, pela sua competência e formação, mais se creditam para solucionar a controvérsia. 
 
Impedimento e suspeição da imparcialidade do árbitro 
Apesar da liberdade de escolha das partes, algumas pessoas não podem ser indicadas como 
árbitros. Trata-se dos chamados casos de impedimento e suspeição de imparcialidade do árbitro. 
Os conceitos de impedimento e suspeição se parecem, mas há uma diferença essencial que 
precisa ser observada. Segundo Moreira e Andreatta (1997, p. 202): 
 
“A diferença fundamental é que nestes, de suspeição, existem casos que 
estão voltados para situações de cunho subjetivo e perante os quais a 
consciência do árbitro terá função preponderante para sua presença ou não 
no processo.” 
 
Situações de impedimento e suspeição 
A Lei de Arbitragem, no seu Artigo 14, determina que as mesmas questões de impedimento 
e suspeição dos juízes (Código de Processo Civil, Artigo 144) se aplicam aos árbitros. 
 
42 
 
Vejamos as situações em que ocorre o impedimento ou a suspeição do árbitro: 
 
a) Impedimento: 
Podemos classificar como situações de impedimento casos em que o indicado a árbitro: 
 seja parte – o árbitro não pode ter direitos próprios que estejam envolvidos diretamente 
na decisão; 
 intervenha como mandatário de uma das partes, tenha oficiado como perito, funcionado 
como órgão do Ministério Público ou prestado depoimento como testemunha;4 
 conheça o objeto da arbitragem em primeiro grau de jurisdição, tendo-lhe proferido 
sentença ou decisão – esse impedimento aplica-se às situações em que o árbitro já tenha 
atuado examinando o objeto da arbitragem em faseanterior a do processo arbitral; 
 tenha, como advogado de uma das partes, cônjuge ou qualquer parente seu consanguíneo 
ou afim, em linha reta ou na linha colateral, até o segundo grau – será causa de impedimento 
à atuação se as partes tiverem como representantes cônjuges ou parentes de árbitros; 
 seja cônjuge, parente, consanguíneo ou afim de alguma das partes, em linha reta ou na 
colateral, até o terceiro grau ou 
 faça parte de órgão de direção ou de administração de pessoa jurídica que seja parte na 
arbitragem – nesse caso, seria o mesmo que julgar em causa própria. 
 
b) Suspeição da imparcialidade: 
Em situações de suspeição, a pessoa indicada à função de árbitro deve analisar se há um 
desconforto ético para o exercício das suas atividades. Há caracterização de suspeição da 
imparcialidade quando: 
 o árbitro for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes; 
 uma das partes for credora ou devedora do juiz, do seu cônjuge ou de parentes deste até o 
terceiro grau; 
 o árbitro for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de alguma das partes; 
 o árbitro receber dádivas antes ou depois de iniciada a arbitragem, aconselhar alguma das 
partes sobre a disputa em questão ou fornecer meios para atender às despesas do litígio ou 
 o árbitro estiver interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes. 
 
Da mesma maneira que um juiz de direito, o árbitro pode declarar-se suspeito para o 
julgamento da questão por motivo de foro íntimo. Em contrapartida, as pessoas indicadas como 
árbitros têm o dever de revelar, antes da aceitação da função, qualquer fato que denote dúvida 
justificada quanto à sua imparcialidade e independência. 
 
4 Esses casos de impedimento estão mais relacionados a compromissos arbitrais judiciais, nos casos em que processos 
que estavam tramitando na justiça estatal foram retirados para serem julgados pela justiça arbitral. 
 
 43 
 
Nulidade ou não homologação da sentença arbitral 
As questões de impedimento e suspeição são sérias, a ponto de ensejar a nulidade da sentença 
arbitral ou a sua não homologação, como no caso a seguir: 
 
Ofensa à ordem pública justifica não homologação de sentença estrangeira 
 
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça decidiu nesta quarta-
feira (19/4) que o Judiciário brasileiro deve apreciar, em pedido de 
homologação de sentença estrangeira, se houve violação do princípio de 
ordem pública no Brasil. Até aqui, o STJ adotava uma "postura cartorial, 
com mero chancelamento da sentença estrangeira", afirmou o advogado 
Leandro Augusto Ramozzi Chiarottino, do Chiarotino e Nicoletti 
Advogados, que representou a parte vencedora na contenda. 
 
[...] 
 
Seguindo o voto do ministro João Otávio de Noronha, o STJ entendeu 
que a fase de reconhecimento de sentença estrangeira no Brasil não é 
meramente cartorial, como propunha o relator, ministro Felix Fischer. A 
corte decidiu que, como há provas de que o escritório do presidente do 
trio arbitral recebeu US$ 6 milhões de empresas do mesmo grupo da 
espanhola, a arbitragem não poderia ser considerada idônea. 
 
Fonte: CANÁRIO, Pedro. Ofensa à ordem pública justifica não homologação de sentença estrangeira. Consultor jurídico, 
19 abr. 2017. Disponível em: http://www.conjur.com.br/2017-abr-19/stj-ve-corrupcao-arbitragem-estrangeira-nao-
homologa-sentenca. Acesso em: jun. 2023. 
 
Recusa de árbitro 
Caso alguma parte tenha interesse em recusar um dos árbitros, deve apresentar um documento 
dirigido ao árbitro ou ao presidente do tribunal arbitral. Nesse caso, a parte deve-se pronunciar na 
primeira oportunidade que tiver após a instauração da arbitragem (Artigo 20 da Lei nº 9.307/96). 
O documento a ser entregue é chamado de Exceção e deve conter as manifestações sobre a 
competência, a suspeição ou o impedimento do árbitro, apontando as razões da recusa e 
apresentando as provas pertinentes (Artigo 15 da Lei nº 9.307/96). 
Tendo aceito o árbitro após estar ciente da causa de impedimento ou suspeição do árbitro, a 
parte não pode pretender recusá-lo. A recusa, em tais casos, apenas pode-se dar por razão 
superveniente à nomeação. Já a recusa por fato anterior é admitida apenas quando a parte não tiver 
nomeado diretamente o árbitro ou quando o motivo para recusa só vier a ser conhecido futuramente 
(Artigo 14, Parágrafo 2º, da Lei nº 9.307/96). 
 
44 
 
Características e deveres do árbitro 
Características 
O Artigo 13, Parágrafo 6º, da Lei de Arbitragem diz, expressamente, que os árbitros devem 
desempenhar as suas funções com imparcialidade, independência, competência, diligência e 
discrição. A conduta do árbitro que violar as regras e os mandamentos legais pode levar ao resultado 
extremo e indesejado da nulidade da sentença arbitral. Dessa forma, a escolha de bom um árbitro 
implica a preocupação com os atributos do profissional a ser nomeado. 
A seguir, analisaremos, com mais detalhes, cada uma das características essenciais de bom 
um árbitro. 
 
Neutralidade ou imparcialidade 
A neutralidade ou imparcialidade é um princípio basilar do procedimento, e é diretriz para o 
comportamento e a conduta do árbitro durante todo o procedimento. O árbitro não deve, portanto, 
tomar partido de nenhuma das partes envolvidas na arbitragem. Em outras palavras, apesar de ter 
liberdade para apreciar as provas, os fatos e as circunstâncias apresentadas, o árbitro ou tribunal 
arbitral deve decidir sempre de forma isonômica – caso contrário, estará impedido de atuar. Além 
disso, não pode sofrer qualquer tipo de influência de quem quer que seja para dirigir o 
procedimento e proferir as suas decisões. 
 
Independência 
A independência trata dos impedimentos para a atuação e é elemento essencial para que uma 
pessoa aceite a sua indicação e nomeação para exercer as funções de árbitro. 
Esse princípio é tão relevante que a lei impõe ao árbitro a obrigação de se manifestar 
previamente à aceitação (Artigo 14, Parágrafo 1º, da Lei nº 9.307/96). Além disso, o árbitro está 
ainda obrigado a declarar a sua falta de independência caso isso venha a ocorrer no curso da 
arbitragem. A lei também outorga às partes o direito de impugnação. 
Os casos mais evidentes de falta de independência são a configuração de um impedimento 
ou de uma suspeição, prevista em lei, e as hipóteses de conflitos de interesse. 
 
Competência ou capacidade técnica 
É um equívoco imaginarmos que apenas advogados possam atuar como árbitros. Na 
realidade, um tribunal composto de profissionais de áreas diversas poderá ser extremamente útil 
para a solução da controvérsia. Na prática, há experiências muito importantes por conta da presença 
de profissionais não advogados em tribunais arbitrais. 
 
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No entanto, apesar de não existir necessidade de uma formação específica, para ser árbitro, é 
fundamental que se tenha domínio sobre a matéria em questão, ou seja, capacidade técnica. Dessa 
forma, caso seja indicado por uma das partes, mas sinta que lhe falta a integralidade do 
conhecimento necessário à apreciação da questão, o árbitro deve revelar a sua convicção. 
Já que se trata de uma avaliação de caráter subjetivo, as partes podem entender, por exemplo, que 
a experiência e a vivência profissional do árbitro é suficiente para suprir o que ele considera falho. 
Entretanto, a despeito do que as partes decidam, o dever de revelar se refere ao foro íntimo do árbitro 
e, por ser um dever, a revelação deve ser feita sem a preocupação com o resultado que ela possa gerar. 
 
Serenidade e diligência 
A serenidade e a diligência do árbitro são pontos importantes a serem destacados. 
Apesar de não pertencer aos quadros do Poder Judiciário e ser desprovido do poder estatal, de 
acordo com a Lei de Arbitragem, o árbitro é dotado de poderes similares aos do juiz de direito naquele 
processo arbitral (Artigo 14 da Lei nº 9.307/96). No entanto, exige-se dele a diligência na condução: 
 do procedimento; 
 dos prazos; 
 do princípio do contraditório; da ampla defesa; 
 da igualdade das partes e 
 das regras aplicáveis, em especial, nos limites da convenção de arbitragem. 
 
Vale lembrarmos que a não observância de tais regras pode levar à nulidade da sentença arbitral. 
 
Discrição 
Não há dúvidas de que a expressão “discrição”, contida no Parágrafo 6º do Artigo 13 da Lei 
nº 9.307/96 refere- se ao sigilo. Isso quer dizer que, mesmo que o procedimento arbitral não se 
caracterize como confidencial, o árbitro deve manter sigilo do caso e do julgamento – durante e 
após a conclusão da arbitragem. 
Além disso, o processo decisório é restrito aos árbitros, e não é permitido que as partes 
estejam presentes. 
 
 
 
46 
 
Deveres 
Ao serem condicionados aos mesmos deveres e responsabilidades dos juízes de direito (Artigo 
14 da Lei nº 9.307/96), os árbitros devem: 
 assegurar às partes igualdade de tratamento; 
 velar pela rápida solução do litígio; 
 prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da Justiça e 
 tentar, a qualquer tempo, conciliar as partes. 
 
Cabe aos árbitros e às partes avaliarem os impedimentos e desconfortos éticos em face das 
situações concretas que surgirem. Se, por exemplo, o árbitro entender que o volume das tarefas a 
ele imposto é incompatível com a sua disponibilidade de tempo, deve comunicar às partes para que 
avaliem a conveniência de mantê-lo ou não como árbitro. Dessa forma, ele terá cumprido o que, 
eticamente, espera-se de alguém indicado para atuar nessa posição. 
 
Honorários do árbitro 
Como vimos, logicamente, o árbitro ou tribunal arbitral é merecedor de uma compensação 
financeira pelas atividades exercidas na condução e decisão da controvérsia. No entanto, nas 
arbitragens ad hoc, não existe uma regra que determine qual das partes é responsável pelo pagamento 
das custas e dos honorários dos árbitros. Cabe a elas decidirem a respeito do assunto no momento 
apropriado, isto é, na redação da cláusula compromissória ou na assinatura do compromisso 
arbitral. As partes podem decidir, por exemplo, que todas as despesas decorrentes da arbitragem 
serão divididas entre elas ou que a parte perdedora pagará os honorários do tribunal arbitral. Em 
geral, a remuneração do árbitro é estabelecida como um percentual sobre o montante total 
envolvido na disputa. 
Já no caso de arbitragens institucionais, existem regras predefinidas pelas organizações 
especializadas. Tais regras dispõem sobre as normas e os procedimentos da arbitragem, as tabelas de 
custas, as taxas de administração e os preços dos honorários. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Neste módulo, trataremos do procedimento arbitral, isto é, do caminho percorrido para o 
desenvolvimento da arbitragem. 
 
Instauração da arbitragem 
Medidas cautelares 
De acordo com o Artigo 22, Parágrafo 2º da Lei de Arbitragem, os árbitros poderão solicitar 
ao Poder Judiciário originariamente competente para julgar a causa no curso do procedimento que 
promova diligências de forma coercitiva (carta arbitral – art. 237 do Código de Processo Civil). 
Nada impede, contudo, que o árbitro decrete a medida faltando a efetivação da coerção, o que só 
pode ser realizado pelo juiz. 
Ainda sobre o tema, a Lei nº 13.129/2015 acrescentou o Capítulo IV-A à Lei de Arbitragem. 
Vejamos: 
 
“CAPÍTULO IV-A 
 
DAS TUTELAS CAUTELARES E DE URGÊNCIA 
 
Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao 
Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. 
 
MÓDULO IV – PROCEDIMENTO ARBITRAL 
 
48 
 
Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se a 
parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 
(trinta) dias, contado da data de efetivação da respectiva decisão. 
 
Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter, modificar ou 
revogar a medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário. 
 
Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida cautelar ou 
de urgência será requerida diretamente aos árbitros.” 
 
Como pudemos observar, o árbitro tem poderes para decidir sobre o mérito da causa. 
Consequentemente, tem poderes para decidir sobre medidas cautelares. 
No entanto, o árbitro não tem o poder de coerção, logo, se a parte não cumprir a medida 
voluntariamente, a outra deve recorrer ao Poder Judiciário. 
 
Requerimento 
Os procedimentos para instauração da arbitragem sempre são, praticamente, os mesmos, 
variando um pouco quanto à forma de realização do ato e aos prazos fixados. Contudo, cada Câmara 
de Arbitragem tem o seu regulamento próprio. 
 Para recorrer à arbitragem, a parte deve fazer um requerimento por escrito, contendo: 
 os nomes completos, a qualificação e os endereços das partes; 
 o objeto do litígio e, se desejar, uma sucinta exposição das razões que fundamentam a 
pretensão; 
 o valor atribuído pelo requerente ao litígio e 
 a indicação de árbitro, quando for o caso. 
 
Além disso, é necessário o recolhimento da taxa de abertura do procedimento arbitral. No 
processo judicial, trata-se da denominada “taxa judiciária”. Dessa forma, o requerimento também 
deve conter anexos os seguintes documentos: 
 comprovante de recolhimento da taxa de abertura; 
 contrato ou cláusula compromissória e 
 cópias do requerimento para as partes requeridas e uma cópia destinada à secretaria da câmara. 
 
Feito o pedido de instauração da arbitragem, o requerimento é analisado pela Secretaria da 
Câmara de Arbitragem escolhida pelas partes por cláusula compromissória ou compromisso 
arbitral. Em seguida, a Secretaria providencia a entrega de cópias do requerimento e do regulamento 
da Câmara a todas as partes requeridas. 
 
 49 
 
Em sequência, as partes são convidadas a manifestar, por escrito e expressamente, a sua 
concordância com a instituição do juízo arbitral. O prazo estipulado para a realização desse ato é 
estipulado pela Câmara no seu regulamento. 
A Lei nº 13.129/2015, alterando o Artigo 19 da Lei de Arbitragem, incluiu o Parágrafo 2º, 
reforçando a importância do momento da instauração da arbitragem. Vejamos: 
 
“§ 2° A instituição da arbitragem interrompe a prescrição, retroagindo à 
data do requerimento de sua instauração, ainda que extinta a arbitragem 
por ausência de jurisdição.” 
 
Indicação e nomeação dos árbitros 
Feito o requerimento, conforme for o caso, as partes requeridas indicam um ou mais árbitros. 
Conforme alguns regulamentos, contudo, as partes devem indicar um único árbitro. No entanto, a 
Lei nº 13.129/2015 alterou o Artigo 13 da Lei de Arbitragem, incluindo o Parágrafo 4º. Vejamos: 
 
“§ 4º As partes, de comum acordo, poderão afastar a aplicação de 
dispositivo do regulamento do órgão arbitral institucional ou entidade 
especializada que limite a escolha do árbitro único, coárbitro ou presidente 
do tribunal à respectiva lista de árbitros, autorizado o controle da escolha 
pelos órgãos competentes da instituição, sendo que, nos casos de impasse 
e arbitragem multiparte, deverá ser observado o que dispuser o 
regulamento aplicável.” 
 
Caso a parte requerida não manifeste consentimento em submeter-se à arbitragem ou se, havendo 
com ela concordado, deixar de firmar o compromisso arbitral, a parte requerente pode requerer: 
 na forma do disposto no Artigo 7º da Lei nº 9.307/96, a citação da outra parte para 
comparecer em juízo, a fim de se lavrar o termo de compromisso e 
 dentro do prazo estipulado no regulamento, contados os dias, via de regra, a partir da 
intimação que lhe fará a câmara, que esta promova o andamento da arbitragem, desde que 
a cláusula compromissória determine que a arbitragem seja administrada de acordo com 
o regulamento da câmara escolhida e assim previsto no mesmo. 
 
Já no caso da opção pelo prosseguimento da arbitragem, a parte requerente submete à Câmara 
a minuta de termo de compromisso, cujo conteúdo será aprovado por ela – respeitadas as disposições 
da cláusula compromissória e o disposto no regulamento. Se a parte requerentenão concordar com 
as alterações na minuta proposta pela Câmara, o processo de arbitragem pode ser extinto. 
Se a parte requerida concordar com a instauração da arbitragem, os árbitros são nomeados. As 
partes e os árbitros nomeados são então convocados para assinar o Termo de Compromisso Arbitral. 
 
50 
 
Promovida a arbitragem, a parte revel – ou seja, aquela que não se apresentou nem se 
manifestou no processo – é intimada de todos os atos procedimentais, podendo ingressar no 
processo a qualquer tempo, no estado em que este se encontrar. A revelia no procedimento arbitral 
não induz o efeito mencionado no Artigo 344 do Código de Processo Civil. 
 
Documentos requeridos 
Termo de Compromisso Arbitral 
No Termo de Compromisso Arbitral, devem constar: 
 nome, profissão, estado civil, domicílio das partes e endereços aos quais devam ser dirigidas 
as notificações; 
 nome, profissão e domicílio do(s) árbitro(s) e, se for o caso, a indicação do presidente do 
juízo arbitral; 
 matéria que será objeto da arbitragem; 
 local, ou locais, onde se desenvolverá a arbitragem e onde será proferida a sentença arbitral; 
 prazo dentro do qual deverá ser proferida a sentença arbitral; 
 valor do litígio; 
 declaração dos árbitros de que não são impedidos de atuar no caso em questão; 
 montante dos honorários dos árbitros e a forma de seu pagamento; 
 declaração da responsabilidade pelo pagamento das custas processuais, dos honorários e 
das despesas com a arbitragem, e 
 modificações no procedimento de arbitragem eventualmente acordadas pelas partes. 
É importante observarmos que, no seu regulamento, cada 
Câmara pode nomear os instrumentos de forma diferente. O 
Termo de Compromisso Arbitral é definido por algumas 
Câmaras, por exemplo, como Ata de Missão. 
Independentemente da sua nomeação, o que importa, nesse 
caso, é a previsão dos elementos essenciais no instrumento. 
O termo de compromisso arbitral pode conter, ainda, a autorização para que o árbitro ou os 
árbitros julguem por equidade, e a indicação da lei nacional e de outras normas aplicáveis à 
arbitragem – quando assim convencionarem as partes. 
Nesse estágio, as custas do procedimento arbitral, que não se confundem com a taxa de 
abertura do processo arbitral, também devem ser efetuadas. 
 
 51 
 
Razões e demais documentos 
Assinado o Termo de Compromisso Arbitral, o tribunal concede ao requerente da arbitragem 
prazo para apresentar razões, acompanhadas dos documentos que entender necessários. 
Assim como o requerimento, as razões e os documentos devem ser apresentados, em vias, ao 
requerido (ou requeridos), ao Tribunal Arbitral e à Secretaria da Câmara. 
Recebidas as razões do requerente, elas são encaminhadas ao requerido (ou requeridos), que 
tem prazo estipulado no regulamento para apresentar resposta e deve anexar a documentação 
necessária para indicar as provas que deseja produzir. 
Esgotado o prazo para a apresentação das razões pelas partes, o tribunal arbitral, se entender 
que não há necessidade da produção de provas e da realização de audiência, decide de plano a 
questão. Já se entender que é necessária a produção de provas, o tribunal arbitral determina o modo 
pelo qual devam ser produzidas e fixa prazo para a sua produção. 
Às partes é assegurado o direito de acompanhar a produção 
das provas, inclusive inquirindo testemunhas e, em caso de 
perícia, apresentando quesitos. 
Algumas Câmaras têm a previsão do procedimento expedito para questões mais simples. O 
rito é o mesmo, mas os prazos podem ser mais curtos por exemplo. A análise de rito deve ser feita 
para cada caso concreto e, por isso, é importante conhecer bem o regulamento da Câmara escolhida. 
 
Audiência 
Encerrada a fase probatória5, a data para a audiência deve ser designada. Nessa audiência, as 
partes podem apresentar alegações finais oralmente ou por escrito. 
Além disso, o tribunal arbitral pode solicitar que compareçam, também, pessoas cuja presença 
seja considerada necessária à formação do convencimento por parte dos julgadores. No entanto, a 
audiência é realizada mesmo que alguma das partes regularmente intimada não compareça. O não 
comparecimento de qualquer das partes à audiência também não impede que seja proferida a 
sentença arbitral. 
 
 
5 Fase de produção de provas pelas partes requeridas. 
 
52 
 
Sentença arbitral 
A sentença arbitral é proferida após a realização da audiência. O Artigo 23 da Lei nº 9.307/96 
estipula que o prazo para apresentação da sentença deve ser estipulado pelas partes. Caso não haja 
essa previsão, o prazo instituído deve ser de seis meses, contados da instituição da arbitragem ou 
substituição do árbitro. 
Quanto ao tema, a Lei nº 13.129/2015 incluiu os seguintes parágrafos no Artigo 23: 
 
“§ 1º Os árbitros poderão proferir sentenças parciais. 
 
§2º As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo 
para proferir a sentença final.” 
 
Votação e redação da sentença 
A sentença arbitral é deliberada por maioria de votos, e cabe a cada árbitro um voto. 
O árbitro que decidir por divergir da maioria deve fundamentar o voto vencido, que integrará 
a sentença. No entanto, não é possível a apresentação de embargos infringentes nem o reexame do 
mérito, conforme disposto no Artigo 30 da Lei nº 9.307/96. 
Depois de votada, a sentença arbitral é redigida pelo presidente do Tribunal Arbitral e, 
conforme disposto no Artigo 26 da Lei nº 9.307/ 96, deve conter, necessariamente: 
 o relatório, com o nome das partes e a indicação do objeto do litígio; 
 os fundamentos da decisão, com menção expressa, quando for o caso, de ter sido proferida 
por equidade; 
 o dispositivo em que foram resolvidas as questões submetidas pelas partes e 
 a data e o local em que foi assinada. 
 
Além disso, podem ser fixados o prazo para seu cumprimento e a responsabilidade pelo 
pagamento de custas e honorários. 
Em seguida, para a sua eficácia, a sentença arbitral é assinada. No caso da arbitragem, a 
assinatura da maioria dos árbitros é suficiente. 
 
Divulgação da sentença 
A sentença arbitral pode ser divulgada às partes em audiência especialmente convocada para 
esse fim. Para tanto, as partes devem ser notificadas, com antecedência, sobre a sua realização. 
A sentença também pode ser enviada às partes, conforme o regulamento da Câmara eleita. O 
original da sentença arbitral é, no entanto, arquivado na Secretaria da Câmara, sendo as partes 
autorizadas a obterem a sua certidão e a da documentação constante do respectivo processo. 
 
 53 
 
Meios de impugnação da sentença arbitral 
Recursos 
Não é admitido recurso para novo exame do mérito na arbitragem. O recurso admitido visa 
apenas corrigir erro material ou esclarecer alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença 
arbitral, sendo um pedido de esclarecimentos. 
Além disso, não cabe qualquer recurso da decisão acolhida ou rejeitada. Isso quer dizer que, 
apesar de sofrer controle do Poder Judiciário no que tange ao cumprimento dos seus requisitos 
formais, a sentença arbitral não pode ter o seu mérito examinado novamente pelo Poder Judiciário. 
Quanto à nulidade da sentença arbitral, o Artigo 32 da Lei de Arbitragem determina os casos 
em que a sentença será nula. Vejamos: 
 
“Art. 32. É nula a sentença arbitral se: 
 
I - for nula a convenção de arbitragem 
 
II - emanou de quem não podia ser árbitro; 
 
III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; 
 
IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; 
 
V - não decidir todo o litígio submetido à arbitragem; (Revogado pela Lei 
nº 13.129, de 2015) 
 
VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou 
corrupção passiva; 
 
VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, 
desta Lei; e 
 
VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, 
desta Lei.” 
 
 
 
54 
 
Para pleitear a nulidade da sentença arbitral, conforme o Artigo 33 daem que o duplo grau de jurisdição foi afastado. A Lei 
nº 9.469/1997, por exemplo, dispõe o seguinte: 
 
“Art. 1°-A. O Advogado-Geral da União poderá dispensar a inscrição de 
crédito, autorizar o não ajuizamento de ações e a não-interposição de 
recursos, assim como o requerimento de extinção das ações em curso ou 
de desistência dos respectivos recursos judiciais, para cobrança de créditos 
da União e das autarquias e fundações públicas federais, observados os 
critérios de custos de administração e cobrança.” 
 
A Lei nº 12.153/2009, que trata dos juizados especiais das varas de Fazenda Pública, também 
deixa claro não haverá reexame necessário nos casos sobre os quais versa (Artigo 11). 
Já a Lei nº 11.079/04, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria 
público-privada no âmbito da Administração Pública, admite, no Artigo 11, Inciso III, o uso de 
meios alternativos de solução de controvérsias, inclusive a arbitragem, para dirimir conflitos 
decorrentes ou relacionados ao contrato. No entanto, a arbitragem deve ser realizada no Brasil e em 
língua portuguesa. 
 
Arbitragem nos contratos de adesão 
Rotina de contratação 
A Lei nº 9.307/96, no Parágrafo 2º do seu Artigo 4º, determina que a cláusula 
compromissória inserida nos contratos de adesão só tem eficácia se o aderente tomar a iniciativa de 
instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua instituição. A concordância deve ser 
feita por escrito, em um documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou o visto exclusivo 
para essa cláusula. Essa exigência formal decorre da falta de poderes do aderente quanto a 
modificações caso não concorde com algum dispositivo. 
 
Tratamento especial 
O tratamento especial é uma exceção à regra de validade plena da cláusula compromissória. 
O legislador entendeu ser necessária a inclusão dessa exceção para proteger o hipossuficiente. No 
entanto, esse dispositivo é extremamente excepcional, pois o objetivo da Lei nº 9.307/96 é viabilizar 
a arbitragem, acabando com a ineficácia da cláusula compromissória sem a feitura posterior do 
compromisso arbitral. 
 
 
60 
 
A exceção deve ser aplicada aos contratos de adesão, pois, nesses contratos, o conteúdo é 
constituído, previamente, por uma das partes, eliminando a livre discussão que precede a formação 
dos contratos. Esse tipo de contrato é típico dos serviços concedidos, ou dos produtos 
monopolizados ou prestados por um grupo reduzido de prestadores, deixando a escolha dos 
consumidores limitada. 
O Superior Tribunal de Justiça entendeu que o contrato de franquia é um contrato de adesão 
(REsp 1602076) e a jurisprudência vem afastando a aplicação da arbitragem nas relações de 
consumo, com base no Código de Defesa do Consumidor (Resp. 1.169.841). 
 
Arbitragem e Direito Trabalhista 
Dissídios coletivos e individuais 
No Artigo 114 da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional nº 45/04, há 
previsão de utilização da arbitragem como meio alternativo de solução de controvérsias nos dissídios 
coletivos. No entanto, o dissídio individual foi omitido na redação do citado artigo, o que leva a 
polêmicas quanto à utilização da arbitragem nesse caso. 
Dessa forma, o uso da arbitragem em dissídios individuais dependerá da teoria seguida pelo 
julgador, que pode, por exemplo, entender que o empregado é a parte mais fraca da relação jurídica 
e que a Justiça do Trabalho foi criada com o objetivo de protegê-lo. Adotando essa teoria, é possível 
admitir o uso da arbitragem se ela foi instituída ou aceita pelo empregado. Há, inclusive, 
julgamentos recentes que versam sobre FGTS nesse sentido. Por outro lado, o julgador pode 
entender que os direitos trabalhistas são indisponíveis e, nesse caso, não será possível o uso da 
arbitragem ou de qualquer outro meio adequado de solução de controvérsias por falta de 
arbitrabilidade objetiva. 
 
Direitos absolutamente indisponíveis e relativamente indisponíveis 
Há direitos absolutamente indisponíveis e relativamente disponíveis. Os direitos 
relativamente disponíveis ou passíveis de avaliação poderiam ser objeto de arbitragem. Já os direitos 
absolutamente indisponíveis, não. 
Para alguns autores, a afirmativa de que os direitos trabalhistas são indisponíveis não está 
correta. O Artigo 9º da CLT declara que os atos tendentes a desvirtuar, fraudar ou impedir a 
aplicação das normas de proteção ao trabalho são nulos, mas não estabelece, de antemão, a 
indisponibilidade dos direitos do trabalhador. 
 
 61 
 
Se os direitos do trabalhador fossem indisponíveis, não seria 
possível celebrar acordos perante a Justiça do Trabalho nas 
reclamações trabalhistas. 
O dispositivo da Lei nº 13.129/2015 que autorizava o uso de arbitragem nas relações individuais 
de trabalho foi vetado. No entanto, a Lei 13.467/2017, que alterou a CLT, possibilitou expressamente 
o uso da arbitragem em alguns casos (Artigo 507-A). Os requisitos necessários são os seguintes: 
 a remuneração do empregado deve ser superior a duas vezes o limite máximo estabelecido 
para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social e 
 a convenção de arbitragem deve ser pactuada por iniciativa do empregado ou mediante a 
sua concordância expressa, seguindo o previsto na Lei de Arbitragem. 
 
Nos demais casos, a polêmica continua. No entanto, alguns autores, como Luciano Timm 
(2017)7, sustentam que a ausência de um dispositivo que verse, claramente, sobre o uso da 
arbitragem não é impeditivo para a sua proibição. Tais autores afirmam que a Constituição Federal 
também não contém um dispositivo que autorize a arbitragem em litígios cíveis e comerciais, e o 
princípio da legalidade não prevê que as proibições se presumam por omissão da lei. 
Nesse caso, os autores, como Selma Lemes (2004)8, aconselham a participação do sindicato 
para evitar o desequilíbrio das partes e apontam como objeto de arbitragem os direitos: 
 relativos a salários e à jornada de trabalho – Constituição Federal, Artigo 7, VI e XIII; 
 decorrentes de trabalho já extinto; 
 complementares às disposições convencionais e legais mínimas; 
 coletivos, decorrentes da aplicação, em tese, de leis ou convenções, e acordos coletivos; 
 decorrentes da aplicação do Artigo 7 da Lei de Greve (Lei nº 7.783/89) e 
 relativos a contrato em vigor, que se constituíram anteriormente à arbitragem. 
 
Arbitragem e Direito Societário 
Cláusula compromissória estatutária 
A Lei nº 10.303/01 trouxe algumas inovações nos direitos dos acionistas. Entre elas, a 
possibilidade de uma cláusula compromissória no estatuto social. 
 
7 TIMM, Luciano Benetti. Justiça trabalhista colocava óbices na arbitragem em contrato de trabalho. Consultor Jurídico. 
Disponível em: https://www.conjur.com.br/2017-out-31/luciano-timm-justica-trabalhista-colocava-obices-arbitragem. 
Acesso em: jun. 2023. 
8LEMES, Selma Ferreira. O uso da arbitragem nas relações trabalhistas. 2004. Disponível em: 
http://selmalemes.adv.br/artigos/artigo38.pdf. Acesso em: jun. 2023. 
 
62 
 
Para alguns autores, desde o advento da Lei nº 9.307/96, já era possível incluir cláusula 
compromissória nos estatutos, mas a inserção trazida pela Lei nº 10.303/01 demonstra aos 
acionistas a inclinação/indução do legislador para que se utilize a via amigável de solução de 
conflitos. A vantagem é a especialidade do árbitro e também da celeridade na resposta ao conflito. 
O Parágrafo 3º do Artigo 109 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações) versa sobre 
a possibilidade de o estatuto da sociedade prever que as divergências entre os acionistas e a 
companhia, ou entre os acionistas controladores e os acionistas minoritários, sejam solucionadas 
mediante arbitragem. Para a sua validade, essa cláusula compromissória deve ser explícita quanto às 
partes, às relações societárias entre elas e aos limites da competência arbitral. 
A cláusula compromissória estatutária deverá ser válida e 
eficaz, produzindo todos os efeitos de direito, pois a 
deliberaçãoespelha um consenso, um escopo comum. 
Para Martins (2017)9, o estatuto social não é um contrato de adesão e, por isso, não há 
necessidade de concordância expressa do acionista na cláusula compromissória. Em sentido contrário, 
há o entendimento de Carvalhosa (2002, p. 183): o autor defende a necessidade da assinatura do 
acionista na cláusula compromissória estatutária (Parágrafo 2º do Artigo 4º da Lei de Arbitragem). 
A Lei nº 13.129/2015 alterou a Lei nº 6.404/1976, incluindo o artigo 136-A na Seção III do 
Capítulo XI, acabando com a controvérsia existente: 
 
“Art. 136-A. A aprovação da inserção de convenção de arbitragem no 
estatuto social, observado o quórum do art. 136, obriga a todos os acionistas, 
assegurado ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia 
mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 45. 
 
§ 1º A convenção somente terá eficácia após o decurso do prazo de 30 
(trinta) dias, contado da publicação da ata da assembleia geral que a aprovou. 
 
§ 2º O direito de retirada previsto no caput não será aplicável: 
 
I - caso a inclusão da convenção de arbitragem no estatuto social represente 
condição para que os valores mobiliários de emissão da companhia sejam 
admitidos à negociação em segmento de listagem de bolsa de valores ou de 
mercado de balcão organizado que exija dispersão acionária mínima de 
25% (vinte e cinco por cento) das ações de cada espécie ou classe; 
 
9 MARTINS, Pedro Baptista. A arbitragem e a Solução de Conflitos Societários. 2017. Disponível em: 
http://batistamartins.com/a-arbitragem-e-a-solucao-de-conflitos-societarios-2/. Acesso em: jun. 2023. 
 
 63 
 
II - caso a inclusão da convenção de arbitragem seja efetuada no estatuto 
social de companhia aberta cujas ações sejam dotadas de liquidez e 
dispersão no mercado, nos termos das alíneas “a” e “b” do inciso II do 
art.137 desta Lei.” 
 
Bovespa 
A Bovespa, ao instituir o Novo Mercado, estabeleceu que as controvérsias surgidas no âmbito 
das sociedades integrantes dos segmentos especiais da Bovespa – Novo Mercado e Nível 2 de 
Governança Corporativa – deveriam ser dirimidas por arbitragem. Dessa forma, organizou a 
Câmara de Arbitragem do Mercado, cujo regulamento pode ser obtido no site da Bovespa. 
 
Setores de energia elétrica e petrolífero 
Mercado atacadista de energia elétrica 
Os Parágrafos de 3º a 5º do Artigo 2º da Lei n° 10.433/02, que autorizaram a criação do 
Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE), estabelecia a cláusula arbitral, obrigatoriamente, 
nos contratos. Nesse caso, a arbitragem deveria observar o sigilo quando não houvesse óbice legal, 
e o procedimento arbitral tinha curso na Câmara de Arbitragem da Fundação Getulio Vargas, que 
assegurava a confidencialidade da arbitragem no seu regulamento. 
Posteriormente, a Lei n° 10.433/02 foi revogada pela Lei n° 10.848/04, oriunda da Medida 
Provisória n° 144/03, que dispõe sobre a comercialização da energia elétrica. Os Parágrafos 5º e 6º 
do Artigo 4º da Lei n° 10.848/04 também preveem a arbitragem, mencionando, expressamente, 
que o procedimento será regido pela Lei n° 9.307/96. 
Não há dúvida de que a nova lei trata de arbitragem propriamente dita, e não de 
procedimento administrativo. No entanto, foram propostas duas ações diretas de 
inconstitucionalidade contra a Medida Provisória 144/03. Entre diversas questões, foi questionada 
a previsão da arbitragem mandatória no âmbito da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica 
(CCEE), o que violaria o Artigo 5º, XXXV, da Constituição da República Federativa do Brasil. 
Em sede liminar, o Ministro Gilmar Mendes indeferiu a pretensão do autor (das duas ações 
diretas de inconstitucionalidade contra a Medida Provisória 144/03), argumentando que o uso da 
arbitragem se efetivará em consonância com os termos da Lei n° 9.307 de 1996. Em comentário ao 
novo modelo instituído, o Ministro afirmou o seguinte: 
 
“[...] quando se tratar de disputa sobre direitos disponíveis, decorrentes dos 
contratos de concessão, constituindo o que a lei hoje denomina de direitos 
emergentes, dentre eles, a própria energia produzida e a ser comercializada 
 
64 
 
pelos concessionários, assim como o cumprimento das obrigações impostas 
às partes e decorrentes dos PPAs, não haveria necessidade de submissão do 
litígio a uma instância administrativa, considerando-se que da decisão 
administrativa cabe recurso para o Poder Judiciário, o que é extremamente 
desgastante e contraproducente.” 
 
Setor petrolífero 
O Inciso X do Artigo 43 da Lei do Petróleo dispõe o seguinte: 
 
“[...] o contrato de concessão [...] terá, dentre as cláusulas essenciais, as que 
estabeleçam regras sobre solução de controvérsias relacionadas com o contrato 
e sua execução, inclusive a conciliação e a arbitragem internacional.” 
 
No entanto, o termo “inclusive” pode gerar dúvidas com relação à coexistência das cláusulas 
de eleição de foro e de arbitragem no mesmo contrato. Vejamos a observação de Carmen Tiburcio 
e Suzana Medeiros (2005, p. 65-66) a respeito da coexistência das cláusulas de eleição de foro e de 
arbitragem no mesmo contrato de concessão: 
 
“As duas cláusulas são, a princípio, conflitantes, opostas, e a coexistência 
de ambas num mesmo contrato pode levar à invalidação de uma delas. 
Como a arbitragem representa exceção à jurisdição comum, estatal, a 
cláusula arbitral pode facilmente vir a ser desconsiderada em caso de 
conflito. A única possibilidade de convivência entre as duas cláusulas num 
mesmo contrato ocorre quando elas são regidas com extrema cautela, 
delimitando-se de forma precisa o escopo de cada uma. Por exemplo, 
pode-se determinar que nas hipóteses em que for necessária a intervenção 
do Poder Judiciário, em razão de a questão estar fora da competência dos 
árbitros, as partes desde já elegem um determinado foro como competente. 
Busca-se com esse mecanismo afastar qualquer insegurança ou indefinição 
quanto ao meio de solução de controvérsias.” 
 
As cláusulas compromissórias constantes dos contratos de concessão brasileiros preveem que 
o procedimento arbitral será desenvolvido na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, é determinada 
a adoção do idioma português. 
A lei aplicável ao mérito do litígio é a brasileira. Quanto à possibilidade de as partes alterarem 
a cláusula compromissória, deslocando a sede da arbitragem para o exterior, a ANP entende que 
não haveria violação à indisponibilidade do interesse público, pois o Artigo 43, X, da Lei do Petróleo 
autoriza a arbitragem internacional. 
 
 65 
 
BIBLIOGRAFIA 
ALMEIDA, T. Caixa de ferramentas em mediação: aportes práticos e teóricos. São Paulo: Dash, 
2014. 
Este livro é uma referência para o estudo da mediação, e a sua autora é uma das pioneiras na 
discussão do instituto da mediação no Brasil. A obra conta com várias referências 
bibliográficas (nacionais e internacionais) sobre técnicas e ferramentas da mediação. 
 
CARVALHOSA, M.; EIZIRIK, N. A nova Lei das S/A. São Paulo: Saraiva, 2002. 
O livro traz um estudo aprofundado sobre a Sociedade Anônima no Brasil. As edições atuais 
contemplam as modificações mais recentes. Os autores desta obra são considerados 
referências em Estudo Societário. 
 
CÂMARA DE COMÉRCIO INTERNACIONAL (ICC). Regulamento de arbitragem. 
Regulamento de mediação. França, Paris: dez. 2017. Disponível em: https://www.international-
arbitration-attorney.com/wp-content/uploads/2019/01/ICC-2017-Arbitration-portuguese-
version.pdf. Acesso em: jun. 2023. 
O regulamento da Câmara de Comércio Internacional (ICC) sobre mediação é um dos mais 
completos. Ele reflete o estudo constante que estudiosos da Câmara fazem para manter o 
regulamento atual e dinâmico. 
 
CARNEIRO, C.; DUZERT. Y.; ALMEIDA, R. Case study on economic benefits in the use of 
business mediation in Brazil. Beijing Law Review, 13, p. 1006-1029, 2022. Disponível em: 
https://www.scirp.org/journal/paperinformation.aspx?paperid=122242. Acesso em: jun. 2023. 
Este artigotraz exemplos concretos de empresas que adotaram mediação e outros métodos 
adequados de conflitos e obtiveram benefício econômico. 
 
CARNEIRO, C.; DUZERT. Y.; ALMEIDA, R. Culture of Alternative Dispute Resolution (ADR) 
in Brazil: an exploratory study of business mediation from the theory, laws and perception of 
lawyers. Beijing Law Review, 13, p. 365-400, 2022. Disponível em: 
https://www.scirp.org/journal/paperinformation.aspx?paperid=118203. Acesso em: jun. 2023. 
Este artigo aborda a relação dos advogados com os métodos adequados de conflitos no 
Brasil. 
 
DOLINGER, J.; TIBÚRCIO, C. Direito Internacional Privado: arbitragem comercial 
internacional. Rio de Janeiro: Renovar, 2019. 
 
66 
 
Apesar de o título mencionar o Direito Internacional Privado, o leitor tem acesso a um digno 
exemplar, em português, sobre pesquisa em arbitragem internacional, resultado do trabalho 
coordenado por dois professores especialistas, que abordam o assunto sobre arbitragem com 
bastante eficiência. 
 
GOLDBERG, S. B.; SANDER, F. E. A.; ROGERS, N. H.; COLE, S. R. Dispute resolution, 
negotiation, mediation, and other processes. 4. ed. New York: Aspen Publishers, 2003. 
Um dos livros mais utilizados para o estudo dos meios alternativos de composição de conflitos 
em cursos de mestrado no exterior, possui linguagem prática sobre os diversos institutos de 
solução alternativa de controvérsias. Inclui capítulos sobre mediação e arbitragem, e contém 
diversos exemplos de casos práticos. Ao final, nos anexos, há informações interessantes sobre 
publicações, sites correlatos e instituições envolvidas em assuntos dessa natureza. 
 
LIMA, C. V. de. A Lei de Arbitragem e o artigo 23, XV, da lei de Concessões. Revista de Direito 
Administrativo-209, jul./ set. 1997, p. 92. 
Este artigo traz uma análise aprofundada sobre arbitrabilidade objetiva para a Administração 
Pública, no âmbito de concessões. 
 
MACHADO FLHO, J. A. B. Arbitragem e processo – Homenagem ao Professor Carlos Alberto 
Carmona. São Paulo: Quartier Latin, 2022, v. 1. 
Livro recomendado para quem deseja obter noções sobre a arbitragem e o processo arbitral. 
 
MAGALHÃES, J. C. de. Os laudos arbitrais proferidos com base no Protocolo de Brasília para a 
Solução de Controvérsias. In Solução de Controvérsias no Mercosul. Brasília: Câmara dos 
Deputados, Coordenação de Publicação, 2003. 
Este artigo é recomendado para aqueles que desejam estudar sobre arbitragem no âmbito 
do Mercosul. 
 
PRADO, D. A. Mediação e tecnologia. 1.ed. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2023. 
Este livro aborda o uso da tecnologia na mediação como forma de viabilizar a realização 
deste método. Traz também a questão polêmica sobre a definição de Online Dispute 
Resolution. 
 
WEBER, A. C.; LEITE, F. C. de. Lei de Arbitragem Comentada – Lei nº 9.307/1996. São Paulo: 
Editora Revista dos Tribunais, 2023. 
Livro indicado para exame detalhado das noções e dos conceitos presentes em cada artigo da 
Lei de Arbitragem. 
 
 67 
 
TIBURCIO, Carmen. MEDEIROS, Suzana. Arbitragem na Indústria do Petróleo no Direito 
Brasileiro. Revista de Direito Administrativo, nº 241. Jul./Set. 2005. Rio de Janeiro. pp. 53-91 
Disponível em:. 
Acesso em: jan. 2018. 
Este artigo é recomendado para aqueles que desejam se aprofundar sobre a arbitragem no 
cenário da indústria do petróleo. 
 
 
68 
 
PROFESSORES-AUTORES 
Rafael Alves de Almeida é doutor em Políticas Públicas, 
Estratégias e Desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ, 
LL.M em International Business Law pela London School of Economics 
and Political Science (LSE), mestre em Regulação e Concorrência pela 
Universidade Candido Mendes (Ucam), formado pela Escola da 
Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), bacharel em Direito 
pela UFRJ e em Economia pela Ucam. É membro do Conselho Diretor 
do Mediare – Diálogos e Processos Decisórios e do Corpo Permanente de Mediadores e Árbitros 
da Câmara FGV de Mediação e Arbitragem. Além disso, é membro da International Society for 
Ecological Economics, da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica e das Comissões de 
Mediação e de Relações Internacionais da OAB-RJ, e é presidente honorário da LSE Brazilian 
Alumni Association. É autor do livro Governança colaborativa em políticas públicas (2015). 
 
Rodrigo Vianna é advogado e bacharel em Direito pela PUC-Rio 
e concluiu o LL.M em Alternative Dispute Resolution pela Kingston 
University London. É consultor da FGV Projetos e membro do 
Conselho Editorial da FGV Direito Rio, membro do The Young 
International Arbitration Group (YIAG), da The London Court of 
International Arbitration (LCIA) e da Young Chamber Britcham, além 
de membro efetivo da Comissão de Mediação da OAB-RJ. 
 
Cristiane Dias Carneiro é doutora em Administração 
Empresarial pela Rennes School of Business, mestre em Direito e 
Economia pela Universidade Gama Filho, especialista em Direito 
Empresarial pela Universidade Candido Mendes e especialista em 
Direito do Estado e da Regulação pela Fundação Getulio Vargas. 
Advogada no Rio de Janeiro. Autora de artigos sobre arbitragem e 
mediação. Palestrante e professora dos cursos de MBA e Pós-Graduação 
da FGV. Mediadora certificada pelo Instituto de Certificação de Mediadores Lusófonos (ICFML).tempo ............................................................................................. 29 
PRINCÍPIOS DA ARBITRAGEM ......................................................................................................... 29 
Princípio da autonomia da vontade ...................................................................................... 29 
Limitações do princípio da autonomia da vontade ....................................................... 30 
Princípio da boa-fé ................................................................................................................... 30 
Princípio do contraditório ....................................................................................................... 31 
Princípio da ampla defesa ...................................................................................................... 31 
Princípio da igualdade das partes ......................................................................................... 31 
Princípio da imparcialidade .................................................................................................... 31 
Princípio do livre convencimento .......................................................................................... 32 
Princípio da irrecorribilidade da sentença arbitral ............................................................. 32 
Princípio da kompetenz-kompetenz ..................................................................................... 32 
Princípio da autonomia da cláusula compromissória ........................................................ 33 
ARBITRABILIDADE SUBJETIVA E OBJETIVA ..................................................................................... 33 
Convenção arbitral................................................................................................................... 33 
VANTAGENS DA ARBITRAGEM ........................................................................................................ 34 
Economicidade ......................................................................................................................... 34 
Preservação do relacionamento contratual ......................................................................... 35 
CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM ....................................................................................................... 35 
Compromisso arbitral versus cláusula compromissória .................................................... 35 
Cláusulas de resolução de controvérsias ............................................................................. 35 
Modelos de cláusulas cheias ............................................................................................. 36 
PANORAMAS NACIONAL E INTERNACIONAL ................................................................................ 37 
Panorama nacional .................................................................................................................. 37 
Meta do Conselho Nacional de Justiça ............................................................................ 37 
Conima ................................................................................................................................. 38 
Panorama internacional ......................................................................................................... 38 
MÓDULO III – ÁRBITRO .................................................................................................................. 39 
FIGURA DO ÁRBITRO ....................................................................................................................... 39 
Qualificação do árbitro............................................................................................................ 39 
Número de árbitros ................................................................................................................. 40 
Composição trina................................................................................................................ 40 
Arbitragem institucional versus arbitragem ad hoc............................................................ 41 
IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO DA IMPARCIALIDADE DO ÁRBITRO ............................................. 41 
SITUAÇÕES DE IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO ............................................................................... 41 
Nulidade ou não homologação da sentença arbitral ......................................................... 43 
Recusa de árbitro ..................................................................................................................... 43 
 
 
CARACTERÍSTICAS E DEVERES DO ÁRBITRO ................................................................................. 44 
Características .......................................................................................................................... 44 
Neutralidade ou imparcialidade ....................................................................................... 44 
Independência .................................................................................................................... 44 
Competência ou capacidade técnica ............................................................................... 44 
Serenidade e diligência ...................................................................................................... 45 
Discrição............................................................................................................................... 45 
Deveres...................................................................................................................................... 46 
HONORÁRIOS DO ÁRBITRO ............................................................................................................ 46 
MÓDULO IV – PROCEDIMENTO ARBITRAL .................................................................................... 47 
INSTAURAÇÃO DA ARBITRAGEM .................................................................................................... 47 
Medidas cautelares .................................................................................................................. 47 
Requerimento........................................................................................................................... 48 
Indicação e nomeação dos árbitros ...................................................................................... 49 
Documentos requeridos ......................................................................................................... 50 
Termo de Compromisso Arbitral ...................................................................................... 50 
Razões e demais documentos .......................................................................................... 51 
Audiência ................................................................................................................................... 51 
SENTENÇA ARBITRAL ....................................................................................................................... 52 
Votação e redação da sentença ............................................................................................. 52 
Divulgação da sentença .......................................................................................................... 52 
MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DA SENTENÇA ARBITRAL .................................................................... 53 
Recursos .................................................................................................................................... 53 
Execução da sentença arbitral ............................................................................................... 54 
SENTENÇA ARBITRAL ESTRANGEIRA.............................................................................................. 54 
MÓDULO V – QUESTÕES CONTROVERSAS.................................................................................... 57 
ARBITRAGEM ENVOLVENDO O ESTADO ....................................................................................... 57 
Princípios a serem seguidos pelo Estado ............................................................................. 57 
Princípio da legalidade ....................................................................................................... 57 
Princípio da indisponibilidade do interesse público ...................................................... 58 
Atos de império versus atos de gestão ................................................................................. 58 
Irrecorribilidade das sentenças arbitrais .............................................................................. 58 
ARBITRAGEM NOS CONTRATOS DE ADESÃO ............................................................................... 59 
Rotina de contratação ............................................................................................................. 59 
Tratamento especial ................................................................................................................ 59 
ARBITRAGEM E DIREITO TRABALHISTA ......................................................................................... 60 
Dissídios coletivos e individuais ............................................................................................. 60 
Direitos absolutamente indisponíveis e relativamente indisponíveis ........................ 60 
ARBITRAGEM E DIREITO SOCIETÁRIO ............................................................................................ 61 
 
 
Cláusula compromissória estatutária ................................................................................... 61 
Bovespa................................................................................................................................ 63 
SETORES DE ENERGIA ELÉTRICA E PETROLÍFERO ........................................................................ 63 
Mercado atacadista de energia elétrica ................................................................................ 63 
Setor petrolífero ....................................................................................................................... 64 
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................ 65 
PROFESSORES-AUTORES ................................................................................................................ 68 
 
 
 
 
 
Neste módulo, conheceremos o instituto da mediação: o seu conceito, as suas principais 
características, as vantagens e desvantagens da sua utilização, os princípios que o regem e, 
principalmente, a figura do mediador. 
 
Meios alternativos de resolução de conflitos: por que 
buscá-los? 
Entre os advogados, há um crescente interesse pela utilização de formas alternativas ao litígio 
ordinário tradicional. Essa busca pelos chamados meios alternativos ou adequados de resolução de 
conflitos – também conhecidos como alternatives dispute resolutions (ADRs) – acontece, 
principalmente, em virtude da descrença e da morosidade do Poder Judiciário na resolução dos 
diversos litígios que lá aportam. 
O objetivo das ADRs é resolver as disputas envolvendo o 
direito patrimonial disponível dos clientes não só de maneira 
mais rápida, eficiente e econômica, mas também com menos 
riscos e melhores resultados. 
Nesse novo contexto de solução de conflitos, é facultado às partes escolherem o método a ser 
adotado e o procedimento a ser utilizado livremente. A diferença entre tais composições pode ser 
examinada e enfrentada de forma diversa da que seria caso o conflito fosse direcionado ao Poder 
Judiciário, e o litígio judicial passa a ser o último recurso a ser pensado como alternativa. 
MÓDULO I – MEDIAÇÃO 
 
10 
 
Em qualquer composição, há um processo intrínseco de negociação, de troca bilateral de 
informações entre duas ou mais pessoas com interesses comuns ou diversos. Trata-se de um processo 
de comunicação e troca de informações para se atingir um objetivo final ideal: a satisfação 
consensual de interesses de ambas as partes, o denominador comum. Em outras palavras, negociar 
significa não só barganhar com a outra parte mas também, e antes de tudo, trocar informações, 
comunicar-se. Daí a importância de saber expor pontos de vista, comunicar-se e ouvir. 
A negociação é, portanto, o início de qualquer caminho que leve ao acordo entre as partes 
envolvidas em um conflito. A escolha do meio alternativo mais adequado à solução da controvérsia 
em questão, além de não arbitrária, deve observar alguns princípios, por exemplo, o princípio da 
autonomia da vontade, o princípio do livre acesso à Justiça e o princípio da razoabilidade, nas suas 
vertentes adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito. 
 
Conceito, características e vantagens da mediação 
Conceito de mediação 
Quando duas ou mais pessoas são incapazes de resolver determinadas diferenças por meio de 
uma discussão civilizada ou mesmo por meio de negociações, o próximo passo lógico a ser adotado 
é procurar uma terceira pessoa. Essa terceira pessoa, neutra em relação a ambas as partes, terá a 
função de assistir os envolvidos no debate e facilitar a comunicação para que se chegue a uma 
possível solução, ou seja, será um mediador. A mediação é, portanto, um meio alternativo de 
autocomposição de conflitos em que ocorre a participação de um terceiro desinteressado no 
processo de solução de contendas. 
Vejamos o que diz o Parágrafo único do Artigo 1º da Lei nº 13.140/2015: 
 
“Parágrafo único. Considera-se mediação a atividade técnica exercida por 
terceiro imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou aceito pelas 
partes, as auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções 
consensuais para a controvérsia.” 
 
Como podemos observar, trata-se, fundamentalmente, de um processo de negociação assistida. 
A principal diferença entre negociação e mediação é a 
presença de um mediador, cuja neutralidade é essencial para 
o sucesso do processo como um todo. 
 
 
 11 
 
Características e componentes do processo de mediação 
Como vimos, a mediação consiste em uma técnica mediante a qual as partes envolvidas no 
conflito buscam chegar a um acordo contando com a ajuda de um mediador – terceiro imparcial 
que não tem poder de decisão – durante o processo. Esse processo é: 
 privado; 
 voluntário; 
 confidencial; 
 flexível; 
 informal; 
 participativo; 
 não vinculante e 
 não competitivo. 
 
A flexibilidade, uma das características da mediação, está presente na escolha do 
procedimento e das regras que regerão o processo, os quais devem, necessariamente, ser aceitos pelas 
partes envolvidas. 
A participação também é essencial nesse processo, que tem o mediador como o seu principal 
aliado. O mediador é quem deve facilitar a comunicação, buscando estabelecer um diálogo 
cooperativo e respeitoso entre as partes, levando-as a confrontar a realidade das suas posições e 
percepções rígidas. 
 
Partes envolvidas 
Assistidas por um terceiro neutro ao processo, as partes tentam, sistematicamente, isolar 
pontos de acordo e desacordo, explorar soluções alternativas e considerar compromissos, com o 
objetivo de chegar, de forma consensual, a um acordo sobre as questões relativas ao seu conflito. 
Qualquer acordo deve ser obtido pelas próprias partes envolvidas voluntariamente. Dessa 
forma, as partes se sentem mais satisfeitas e compromissadas para respeitar e cumprir o que foi 
acordado. O mediador não impõe, portanto, a sua decisão nem emite juízo de valor. 
 
Mediador 
Um mediador tem poder de tomada de decisões limitado e não oficial. Dessa forma, não 
pode, unilateralmente, mandar ou obrigar as partes a resolverem as suas diferenças, impondo a sua 
decisão, nem pode emitirjuízo de valor. É exatamente isso que distingue o mediador do juiz de 
Direito, que, de forma genérica, é investido do poder jurisdicional de aplicar a lei ao caso concreto, 
dirimindo o conflito entre as partes ao impor uma decisão a elas. 
 
 
12 
 
Nesse contexto, as tarefas do mediador são as seguintes: 
 encorajar a troca de informações; 
 ajudar as partes a examinarem os seus interesses e as suas necessidades; 
 ajudar a negociar; 
 auxiliar na compreensão dos pontos de vista de cada parte envolvida; 
 fazer com que as partes se ouçam e 
 ajudar a definir um esquema de relacionamento que venha a ser mutuamente satisfatório 
e que possa corresponder aos padrões de justiça almejados por ambas as partes. 
 
Existem dois aspectos essenciais que devem ser sempre levados em consideração na mediação: 
a aceitabilidade e a participação. Vejamos: 
 
a) Aceitabilidade: 
As partes em disputa devem concordar quanto à existência de uma terceira pessoa que fará 
parte da problemática da discussão. 
 
b) Participação: 
As partes envolvidas não são obrigadas a seguir todas as instruções e ponderações do 
mediador. Basta, somente, que estejam dispostas a aceitar a sua participação. Essa participação não 
constitui, necessariamente, fator único de sucesso para a resolução de qualquer conflito. 
A presença de uma terceira pessoa é um fator considerável, mas não é nenhuma garantia de 
que a contenda será resolvida, pois a decisão final depende única e exclusivamente das partes. Desse 
modo, a participação do mediador pode, simplesmente, facilitar o processo de solução do conflito, 
pois, ao contrário do juiz de Direito, ele trabalha direcionado a mediar as partes, seus interesses. 
Os mediadores não estão investidos de poder jurisdicional tal 
qual os juízes de Direito, e o processo de mediação nem 
sempre resulta em um acordo. Entretanto, é importante 
ressaltarmos que a mediação, quando exitosa, terá como 
resultado um título executivo extrajudicial. 
Vantagens da mediação 
A essência da mediação é a liberdade dada às partes para que, juntas, cheguem a uma solução 
consensual quanto à disputa entre elas (autonomia de vontade). 
Além de lidar com questões fundamentais, a mediação auxilia no estabelecimento e 
fortalecimento de relacionamentos de confiança e respeito entre as partes. Para tanto, favorece uma 
atmosfera apoiada na solidariedade, na participação, no comprometimento e na chamada cultura 
do diálogo. Em determinadas situações, a mediação pode até mesmo encerrar relacionamentos, de 
forma a minimizar os custos e os danos psicológicos que daí possam advir. 
 
 13 
 
A qualidade central da mediação consiste na sua capacidade de reorientar as partes. Essa 
reorientação não se dá pela imposição de regras ou leis, mas pela ajuda dada às partes no sentido de 
levá-las a ter uma nova percepção do relacionamento, introduzindo maior confiança mútua para 
que o conflito se resolva da melhor maneira. Dessa forma, ambas as partes se sentem satisfeitas e 
comprometidas com o resultado. 
 
Princípios da mediação 
A Lei de Mediação e o Código de Processo Civil destacam alguns princípios da mediação. A 
seguir, veremos tais princípios com mais detalhes. 
 
Princípio da autonomia da vontade 
O princípio fundamental da mediação é o da autonomia da vontade. A autonomia da vontade 
confere às partes a faculdade de se socorrerem de meios alternativos para solução da controvérsia, 
versando sobre o direito patrimonial disponível ou, no caso da mediação, de direito disponível ou 
indisponível, mas transigível. 
Por meio desse princípio, as partes podem praticar um ato jurídico, determinando-lhe o 
conteúdo, a forma e os efeitos. Além disso, possuem liberdade para decidir se permanecem ou não 
na mediação. Tal liberdade sofre, no entanto, algumas limitações, relacionadas aos preceitos de 
ordem pública e dos bons costumes, e às imposições legais. 
 
Princípio da busca do consenso 
Diferentemente do que ocorre nas demandas judiciais, não há o espírito de “ganhador versus 
perdedor” na mediação. As partes trabalham juntas para não somente conter o crescimento do número 
de questões em disputa como também para encontrar uma solução consensual para o conflito. 
Em outras palavras, de acordo com o princípio do consenso, buscamos resolver o impasse 
sem competição. 
 
Princípio da presença do terceiro interventor 
Segundo o princípio da presença do terceiro interventor, o mediador – terceiro desinteressado 
no conflito –, por meio de técnicas específicas, assiste a negociação entre as partes conflitantes para 
facilitar a sua comunicação e permitir que cheguem a um acordo. 
 
14 
 
Princípios da neutralidade e da imparcialidade 
A neutralidade e a imparcialidade são fundamentais na mediação, uma vez que são as próprias 
partes que chegam a um denominador comum. O papel do mediador consiste apenas em ajudá-las 
a trilhar o caminho. 
A imparcialidade pode ser entendida como ausência de favoritismo, preferência ou 
preconceito com relação a uma das partes. Além disso, corresponde à ausência de ações ou 
aparências que possam interferir no desenvolvimento das suas atividades e na condução do processo. 
Quanto à neutralidade, o mediador deve ser neutro e, se por algum motivo, achar que a sua 
atitude está sendo parcial, deve-se retirar do processo para evitar qualquer prejuízo a uma ou 
ambas as partes. 
O mediador também não pode dar ou receber nenhum presente das partes. Deve, ainda, 
abster-se de pedir favor, empréstimo, ou qualquer outro item ou valor de uma ou ambas as partes, 
do advogado ou de qualquer outra pessoa envolvida no processo de mediação. 
A coerção, ou influência total ou parcial de uma das partes pelo mediador é inadmissível. A 
parte deve tomar as suas decisões por livre e espontânea vontade. Para isso, o mediador deve 
informar todos os fatos materiais ou circunstanciais relativos ao processo no curso da sua condução. 
A própria posição da cadeira do mediador e a distância entre 
ele e as partes servem como indicativo da sua postura neutra. 
A Lei de Mediação determina que as hipóteses legais de impedimento e suspeição do juiz 
também se aplicam ao mediador. E mais: o mediador, pelo prazo de um ano, contado do término 
da última audiência em que atuou, fica impedido de assessorar, representar ou patrocinar qualquer 
das partes. Além disso, o mediador não pode atuar como árbitro nem testemunhar em processos 
judiciais ou arbitrais pertinentes a conflito em que tenha atuado como mediador. 
 
Princípios da igualdade, informalidade e oralidade 
De acordo com o princípio da igualdade, as partes devem ser tratadas de forma igualitária. Se 
uma das partes for beneficiada ou prejudicada pelo mediador, a mediação não será válida. 
Quanto à informalidade, as partes acordam com o mediador todos os itens relativos ao 
andamento do processo, como fixação das sessões, local, etc. A linguagem é bem informal, o Código 
de Processo Civil não é usado, nem os termos e expressões do processo judicial. 
Em sintonia com o princípio da informalidade, a oralidade é, também, um dos princípios da 
mediação. Isso quer dizer que a mediação ocorre na forma oral, que não há apresentação de peças 
processuais e que, durante as sessões, o debatido não fica registrado. Somente o acordo entre as 
partes é posto a termo para que tenha força de título executivo extrajudicial. 
 
 15 
 
Princípio da confidencialidade 
O princípio da confidencialidade relaciona-se diretamente com o respeito à garantia de que 
as informações trocadas, independentemente da sua natureza, não serão repassadas a terceiros 
alheios à mediação. Há, no entanto, casos em que, por determinação prévia das partes, alguns 
aspectos do processo podem ser revelados. 
As partes devem ser instruídas sobre o fato de as informações apresentadas durante a mediação 
serem consideradas confidenciais. Ao mediador – e à sua equipe, se houver – é terminantemente 
proibida a divulgação de qualquer fato ou informação doprocesso. 
Resumindo, o mediador está proibido de divulgar qualquer informação ou resultado sem o 
consentimento das partes, exceto nos casos exigidos por lei. 
 
Princípios da boa-fé, da decisão informada e da independência 
Segundo o princípio da boa-fé, as partes devem agir com lealdade e confiança recíprocas, 
trabalhar de forma cooperativa e respeitosa, devendo honrar com os compromissos assumidos. 
Já segundo o princípio da decisão informada, as partes precisam ter conhecimento da sua 
participação na mediação e dos seus direitos e deveres. 
Por fim, de acordo com o princípio da independência, o mediador não pode receber 
influência ou pressão no desempenho das suas funções. 
 
Benefícios da mediação 
Celeridade e efetividade dos resultados 
Há vários benefícios que justificam a escolha do processo de mediação, e a celeridade é um deles. 
O processo judicial está adstrito a várias formalidades legais, como a publicação dos atos, o 
que acarreta a demora no andamento processual. Na mediação, essa formalidade excessiva não 
existe, o que facilita a movimentação do processo e a obtenção célere do resultado. O direito de se 
expressar é conferido às partes, mas sem burocracia. 
Outra importante diferença entre o processo judicial e a mediação é a falta de interposição 
de recursos judiciais. Como, na mediação, as próprias partes participam do processo e da elaboração 
do acordo, não há motivos para a interposição do recurso a uma segunda instância. Além disso, 
como não há competição, as partes não se sentem perdedoras, pois contribuem para a consecução 
do resultado positivo: a celebração do acordo que resolve a controvérsia. Com isso, a probabilidade 
do cumprimento integral e espontâneo do acordado é maior. 
 
 
 
16 
 
Atendimento dos interesses mútuos e redução do custo financeiro 
Em virtude do sistema de colaboração e cooperação adotado na mediação, buscamos, com a 
celebração do acordo, a satisfação do maior número possível de interesses das partes. Como são as 
próprias partes que celebram o acordo, são elas, diretamente, que priorizam esses interesses. 
Quanto aos custos, além dos honorários do mediador, as partes devem arcar com os custos 
excepcionais, como aqueles relativos à gravação e à transcrição das reuniões. No termo assinado 
entre as partes e o mediador, são fixados o valor e a forma de pagamento dos seus honorários e a 
quantia que, eventualmente, uma parte tenha de pagar à outra, se esse for o caso. É comum 
encontrarmos instituições que adotem uma tabela de honorários e de custas, mas ao mediador é 
vedado solicitar honorários exorbitantes sem prévia justificativa. 
Geralmente, não é necessário pagar custas processuais para o início do processo de mediação. 
 
Sigilo, privacidade e fluidez na comunicação 
Como vimos, a confidencialidade é um dos princípios da mediação, e qualquer informação 
sobre a contenda só pode ser divulgada se houver autorização das partes envolvidas. 
Além disso, na mediação, as partes têm a oportunidade de se manifestar, não havendo 
interferência de um terceiro interessado, como um advogado. A comunicação flui porque há o 
contato direto entre as partes, e isso aumenta as chances de surgimento de um acordo. 
 
Prevenção da formação e reincidência de conflitos 
Se a mediação for bem-sucedida, elimina o conflito atual e colabora para evitar novos 
conflitos. Essa prevenção decorre do espírito envolvido na mediação: o da cooperação. Em outras 
palavras, a intenção das partes não é travar disputas judiciais grandiosas, mas resolver o conflito da 
forma mais amigável possível, mantendo o bom relacionamento futuro. 
 
Papéis do mediador 
Com o intuito de ajudar as partes na resolução das suas disputas, o mediador pode 
desempenhar diversos papéis. Vejamos: 
 
a) Facilitador da comunicação: 
Inicia ou facilita a melhor comunicação quando as partes já estão conversando. 
 
b) Legitimador: 
Ajuda todas as partes a reconhecerem o direito das outras de estarem envolvidas nas negociações. 
 
 
 17 
 
c) Facilitador do processo: 
Propõe um procedimento e, em geral, preside a sessão de mediação formalmente, facilitando 
a comunicação entre as partes. 
 
d) Ampliador de recursos: 
Proporciona assistência às partes e as vincula a especialistas e a recursos externos – como 
advogados, especialistas técnicos, pessoas responsáveis pela tomada de decisão ou bens adicionais à 
negociação – que as podem capacitar para aumentarem as opções aceitáveis de acordo. 
 
e) Explorador do problema: 
Permite que as pessoas em disputa examinem o problema a partir de várias perspectivas, ajuda 
nas definições das questões e dos interesses básicos, e procura opções mutuamente satisfatórias. 
 
f) Agente de realidade: 
Ajuda na elaboração de um acordo razoável e viável, além de questionar e desafiar as partes 
que têm objetivos radicais e não realistas. 
 
g) Líder: 
Toma a iniciativa de prosseguir as negociações por meio de sugestões processuais ou 
fundamentais. 
 
O que um mediador não deve fazer 
O mediador não deve emitir juízo de valor, apenas auxiliar, encorajar as partes para que estas 
cheguem a um denominador comum. Dependendo do tipo de mediação, o mediador está 
autorizado a fazer sugestões, apontar os pontos positivos e negativos, mas isso não se confunde com 
juízo de valor, pois são as próprias partes que resolvem o conflito. 
Além disso, o mediador está proibido de dissimular fatos materiais ou circunstâncias do caso 
no curso da mediação. O mediador que age dessa forma está desrespeitando o equilíbrio do 
processo, o qual deve promover, de modo a encorajar as partes a conduzirem as deliberações da 
mediação de forma não competidora e a promover o respeito mútuo entre elas, assegurando-lhes 
voz e legitimidade no processo. 
 
 
 
18 
 
Condução das atividades 
Cada processo de mediação demanda uma agenda específica – às vezes, com características 
em comum – e é único, exigindo a atenção e a dedicação do mediador para a sua conclusão. 
Geralmente, as reuniões ocorrem no local de trabalho do mediador. No entanto, por questões 
práticas ou físicas, podem ocorrer, também, em alguma instituição ou em outro local determinado 
por todos os envolvidos. 
Antes de iniciar a mediação, o mediador deve esclarecer o valor e a forma de pagamento dos 
seus honorários, e os prováveis custos com o processo. Via de regra, os honorários são fixados por 
hora-base, mas o mediador e as partes podem acordar de outra forma. De qualquer forma, o 
mediador deve ser norteado pelos altos padrões de honra e integridade que se aplicam a todas as 
outras fases do trabalho de mediação. 
Iniciada a mediação, o mediador deve informar às partes qualquer interesse ou 
relacionamento que possa afetar a imparcialidade, aparentar parcialidade ou quebrar a 
independência. Deve, ainda, revelar qualquer informação sobre a sua conduta profissional e pessoal 
que possa gerar desconforto às partes. Esses procedimentos são necessários porque as partes precisam 
ter elementos para avaliar e decidir sobre a escolha e a continuidade do mediador. Tendo sido 
aceito, o mediador firma o compromisso com as partes de conduzir a mediação de acordo com os 
termos convencionados. 
 
Formação do mediador 
O mediador deve ser sempre um advogado ou pode ter qualquer outra formação profissional, 
dependendo da necessidade do caso concreto? Essa é uma questão controversa, que ainda gera certo 
debate tanto no mundo acadêmico quanto no profissional. 
Para ser mediador extrajudicial, não há requisitos específicos; basta ser pessoa capaz, que 
tenha a confiança das partes e seja capacitada para fazer mediação. Já para ser mediador judicial, a 
Lei de Mediação traz algumas exigências. São elas: 
 ser pessoa capaz; 
 ser graduado há pelo menos dois anos em curso de Ensino Superior de instituição 
reconhecida pelo Ministério da Educação e 
 ter obtido capacitação em escola ou instituição de formação de mediadores, reconhecida 
pela Escola Nacional de Formaçãoe Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) ou pelos 
tribunais, observados os requisitos mínimos estabelecidos pelo Conselho Nacional de 
Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça. 
 
Atualmente, não há como afirmarmos que mediadores devam ser, necessariamente, 
advogados. Alguns estudiosos acreditam até que os advogados, por mais neutros que possam ser, 
sempre tenderiam a ficar ao lado de uma das partes em conflito, o que os impossibilitaria de 
 
 19 
 
trabalhar como mediadores. Por outro lado, devido ao seu conhecimento específico e à sua 
experiência em negociação, o advogado pode contribuir para que as partes enxerguem outras 
perspectivas além daquelas a que chegariam sem auxílio algum. 
Dessa forma, a formação profissional do mediador depende do modelo de mediação a ser 
utilizado. Por um lado, os advogados são os mediadores ideais para realizar uma mediação-acordo. 
Por outro lado, os sociólogos são os mais indicados a atuar na mediação terapêutica. Já na mediação 
facilitativa, qualquer profissional pode atuar – até mesmo, quem não possui formação profissional, 
mas apresenta habilidade para exercer a função. 
 
Processo de mediação 
A mediação é um processo flexível, que depende de quem ou de que órgão a realiza, bem 
como dos anseios das partes envolvidas. 
Há inúmeras maneiras de se estruturar e conduzir o procedimento específico de condutas a 
serem adotadas durante o processo. No entanto, embora não exista uma estruturação formal rígida, 
é natural supor que as sessões de mediação possuam uma organização mínima, que inclui as etapas 
apresentadas no quadro a seguir. 
 
Quadro 1 – Etapas da mediação 
 
etapas da mediação 
pré-mediação 
A obtenção de informações do processo, a avaliação da 
situação e a eleição do mediador ocorrem. 
discurso de abertura 
Os procedimentos, o acordo de participação e o termo de 
independência são estabelecidos. 
relato das histórias 
As partes e o mediador são ouvidos, e técnicas de 
comunicação são utilizadas. 
construção, ampliação e 
negociação de alternativas 
A agenda e as opções são elaboradas, e as técnicas de 
negociação são utilizadas. 
fechamento do processo de 
mediação 
A redação das conclusões finais é realizada e encaminhada 
às partes ou para homologação. 
 
A seguir, trataremos de cada uma dessas etapas com mais detalhes. 
 
20 
 
Pré-mediação 
Antes de iniciar a mediação, é necessário que o mediador faça uma introdução sobre todo o 
processo, e a pré-mediação é uma das formas de realizar essa introdução. 
A pré-mediação ocorre quando as partes necessitam entender que o conflito será resolvido de 
forma colaborativa, ou seja, que o caráter adversarial deve ser eliminado para que a mediação 
funcione de forma positiva. Além disso, a pré-mediação também é utilizada para que as partes 
apresentem, sucintamente, os motivos que as levaram ao processo de mediação. 
Antes disso, no entanto, alguns pontos importantes devem ser explicados às partes. Vejamos: 
 o mediador não é um juiz – ele está disponível para auxiliar no processo de comunicação 
entre as partes, na tentativa de chegarem a uma solução; 
 o mediador pode realizar encontros privados, confidenciais e em separado com ambas as 
partes e 
 toda comunicação e informação é confidencial – em caso de um acordo, o mediador 
auxiliará na redação do termo. 
 
Plano de mediação 
O mediador deve obter os dados do processo para elaborar um plano de mediação. Para 
melhor detalhamento do plano de mediação, é necessário: 
 verificar o que as partes sabem sobre os procedimentos de negociação; 
 checar se as abordagens já foram usadas ou se têm probabilidade de serem; 
 conferir o tempo disponível para o planejamento e 
 verificar a quantidade de controle sobre o processo de negociação que as partes delegaram 
ao mediador. 
 
Para coletar esses dados, o mediador pode realizar reuniões privadas com as partes antes das 
sessões conjuntas. Recomenda-se que as partes sejam chamadas para participar da elaboração do 
plano, pois isso reforça o seu comprometimento. 
A prevenção de potenciais problemas é fundamental para o planejamento da mediação. Dessa 
forma, no momento da elaboração do plano, o mediador deve tentar identificar as áreas 
potencialmente problemáticas, ou seja, aquelas que possam causar impasse. 
 
 
 21 
 
Discurso de abertura 
Antes de iniciar qualquer intervenção, o mediador deve assinar o Termo de Declaração de 
Independência, no qual declara que não possui nenhum interesse no conflito1, e ter um plano de 
mediação para negociações conjuntas. Em seguida, inicia-se o discurso de abertura. 
 
Pilares básicos do processo 
Nesse momento, o mediador deve explicar os pilares básicos do processo. São eles: 
 a necessidade de respeitar a outra parte quando esta estiver falando; 
 a necessidade de anotar no papel qualquer questão ou fato considerado relevante ao 
processo e entregá-lo às partes, com o objetivo de tratar do assunto posteriormente; 
 a questão da confidencialidade, dos honorários do mediador e a forma do seu pagamento; 
 a duração das sessões; 
 a revisão e 
 o encerramento do processo. 
 
O mediador deve garantir, também, que as partes não tenham com ele tido qualquer 
problema ou conflito de interesse, ou relacionamento anterior – pessoal ou profissional – que possa 
interferir na condução da mediação. Além disso, deve estabelecer expectativas realistas em relação 
ao processo e ao compromisso das partes durante a mediação. 
 
Relato das histórias 
Esta etapa consiste em aproximar as partes e criar um ambiente em que ambas se sintam 
confortáveis para começar a falar sobre o conflito. Cada parte expõe então o problema sob a sua 
ótica. Nesse momento, o mediador busca obter informações relevantes sobre os objetivos e as 
percepções de cada parte com relação ao conflito. Alguns dessas informações são essenciais, como: 
 a motivação das partes para utilizar a mediação; 
 os fatos que antecederam o conflito; 
 a forma de comunicação adotada por cada parte e 
 o estado emocional de cada parte. 
 
Em seguida, o mediador explica os objetivos da mediação e guia a comunicação entre as 
partes, de forma que ambas possam trocar informações e pontos de vista sobre os fatos, apresentar 
o histórico do conflito, as suas opiniões e emoções. 
 
1 Aplicam-se ao mediador as hipóteses de impedimento e suspeição previstas no Código de Processo Civil. 
 
22 
 
Nesse estágio, o mediador deve dar a oportunidade para que sentimentos e emoções sejam 
expressados. Para tanto, abre o processo pedindo às partes que definam como elas veem o problema. 
Nesse momento, o mediador pode utilizar frases como: 
 “Deve ser difícil abrir-se depois de todos os problemas, mas, por favor, tente-nos passar o 
seu ponto de vista.”; 
 “Obrigado por dividir conosco esses importantes pontos a serem considerados na sua 
opinião.” 
 
Às partes é permitido então emoldurar as questões e prover o mediador com as informações 
necessárias sobre os fatos básicos, as emoções e a própria relação entre elas. 
Depois disso, o mediador deve perguntar se as partes têm algo a acrescentar e, caso a resposta 
seja negativa, realizar um resumo de tudo o que foi explicitado. Caso haja alguma incorreção, é 
solicitado às partes que intervenham. 
No momento de realização do resumo, o mediador deve-se utilizar das palavras das partes, 
demonstrando, dessa forma, pontos de convergência entre elas. Essa também é uma técnica para se 
criar uma base sólida para a comunicação. 
Por fim, ocorre a troca de informações entre as partes. Nesse momento, as expectativas, as 
posições e os pontos de vista são discutidos. Nesse estágio, o mediador: 
 utiliza-se de questões abertas e de silêncio; 
 pode facilitar a discussão enquanto mantém o controle e 
 provê reconhecimento e encorajamento por meio de interpretações e resumos. 
 
Construção, ampliação e negociação de alternativas 
Definição do problema 
Nesta etapa, são identificados o problema,os interesses das partes e os objetivos comuns. Para 
tanto, o mediador pode realizar reuniões em particular com cada parte. No entanto, o único objetivo 
dessas reuniões privadas deve ser o de coletar informações para que o processo de mediação tenha 
êxito. Em hipótese alguma, o mediador pode usar esse momento para tentar influenciar as partes. 
Além disso, a definição do problema deve ser mútua, logo o mediador não pode permitir que 
uma das partes o defina unilateralmente. 
 
 
 
 23 
 
Opções e barganhas 
Depois de definido o problema, geram-se as opções e efetuam-se as barganhas. Em outras 
palavras, o mediador deve conduzir as partes a explorarem todas as possíveis opções para se 
resolver a disputa. 
Idealmente, sugestões concretas devem vir das próprias partes, apesar de, algumas vezes, o 
mediador precisar utilizar técnicas para encorajá-las a chegarem a opções criativas que levem a 
solucionar o conflito. 
É importante salientarmos que os acordos advindos da mediação devem ser obtidos 
voluntariamente, mas possuem força de título executivo extrajudicial. Desse modo, o mediador não 
pode impor as suas percepções, os seus valores ou julgamentos sobre as partes. 
 
Fechamento do processo de mediação 
Nesta etapa, o acordo é redigido em conjunto, e o mediador deve certificar-se de que ambas 
as partes entenderam os termos ali dispostos. 
Via de regra, nesse momento, o mediador opta pelos procedimentos de negociação baseados 
nos interesses das partes, pois a probabilidade de satisfazê-los é maior. Por conta disso, caso o 
mediador se depare com partes cuja intenção seja a de se envolver em barganhas baseadas em 
posição, ele deve desenvolver um plano de mediação para deslocar, rapidamente, a intenção das 
partes para a negociação baseada em interesses. 
 
Cumprimento da decisão 
O mediador não tem competência para obrigar uma parte a cumprir a proposta por ela 
mesma realizada, pois não possui poder de coerção. Dessa forma, para que a mediação seja bem-
sucedida, as partes, por livre liberalidade, devem cumprir a decisão que tomaram com base nos seus 
próprios conceitos, nas suas aspirações e nos seus aspectos morais. 
O princípio da boa-fé é essencial nessa fase da mediação. 
O poder de coerção somente é conferido ao Poder Judiciário. Desse modo, se uma parte não 
cumprir o acordo firmado, a outra parte, como possui um título executivo extrajudicial, deve 
executar o título. 
 
 
24 
 
Lei de Mediação 
Modalidades de mediação 
Em junho de 2015, foi publicada a Lei nº 13.140, que “dispõe sobre a mediação entre 
particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no 
âmbito da administração pública.” Tal lei aborda as seguintes modalidades de mediação: 
 
a) extrajudicial ou judicial, conforme a qualidade dos mediadores: 
Quanto à qualidade dos mediadores, a lei determina o seguinte: 
 
Mediador judicial 
“Art.11. Poderá atuar como mediador judicial a pessoa, graduada há pelo 
menos dois anos em curso de ensino superior de instituição reconhecida 
pelo Ministério da Educação e que tenha obtido capacitação em escola ou 
instituição de formação de mediadores, reconhecida pela Escola Nacional 
de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados – ENFAM ou pelos 
tribunais, observados os requisitos mínimos estabelecidos pelo Conselho 
Nacional de Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça.” 
 
Mediador extrajudicial 
“Art. 9º. Poderá funcionar como mediador extrajudicial qualquer pessoa 
capaz que tenha a confiança das partes e seja capacitada para fazer 
mediação, independentemente de integrar qualquer tipo de conselho, 
entidade de classe ou associação, ou nele inscrever-se.” 
 
 
b) Prévia ou incidental, em relação ao momento da sua instauração: 
A mediação prévia pode ser judicial ou extrajudicial. Na mediação extrajudicial, as partes 
decidirão se a mediação será com um mediador independente ou com um mediador ligado a uma 
instituição especializada em mediação. Já na mediação judicial, os mediadores não estarão sujeitos 
à prévia aceitação das partes. 
 
 
 25 
 
A mediação incidental, conforme o Artigo 6° da Lei nº 13.140/2015, ocorre quando há 
processo arbitral ou judicial em curso. Vejamos o Artigo 6° na íntegra: 
 
“Art. 6° Ainda que haja processo arbitral ou judicial em curso, as partes 
poderão submeter-se à mediação, hipótese em que requererão ao juiz ou 
árbitro a suspensão do processo por prazo suficiente para a solução 
consensual do litígio.” 
 
Caso o acordo não seja alcançado, deve-se dar continuidade ao processo. 
 
Termo final de mediação 
O mediador ou comediador não deve sugerir ou recomendar sobre o mérito ou a respeito dos 
termos da resolução de conflito, dar assessoramento, inclusive legal, ou aconselhamento, bem como 
realizar qualquer forma explícita ou implícita de coerção para a obtenção de acordo. Dessa forma, 
o mediador deve finalizar o procedimento de mediação caso o acordo seja celebrado ou não. 
Vejamos o que nos diz o Artigo 20 da Lei nº 13.140/2015: 
 
“Art. 20. O procedimento de mediação será encerrado com a lavratura do 
seu termo final, quando for celebrado acordo ou quando não se justificarem 
novos esforços para a obtenção de consenso, seja por declaração do mediador 
nesse sentido ou por manifestação de qualquer das partes. 
 
Parágrafo único. O termo final de mediação, na hipótese de celebração de 
acordo, constitui título executivo extrajudicial e, quando homologado 
judicialmente, título executivo judicial.” 
 
Como pudemos observar, o acordo resultante da mediação é denominado “termo final de 
mediação” e deve ser subscrito pelo mediador (judicial ou extrajudicial), pelas partes e pelos advogados. 
Apesar de constituir título executivo extrajudicial, o termo de mediação obtido na mediação 
prévia ou incidental poderá, a pedido de qualquer um dos interessados, ser homologado pelo juiz. 
Nesse caso, terá eficácia de título executivo judicial. 
 
 
 
 
 
 
Neste módulo, focaremos o conceito, as principais características, as formas e modalidades 
da arbitragem em um contexto que nos permita diferenciá-la da mediação e dos demais institutos 
alternativos de resolução de conflitos. 
 
Conceito de arbitragem 
A arbitragem é um meio heterocompositivo de solução de controvérsias. Por meio dela, um 
terceiro, denominado árbitro, resolve o conflito versando, exclusivamente, sobre direito patrimonial 
disponível – Artigo 1º da Lei de Arbitragem. O árbitro pode ser a figura única de um árbitro ou 
um tribunal composto, geralmente, de três árbitros, mas sempre em número ímpar. 
Na arbitragem, as partes buscam a resolução da controvérsia por meio de uma decisão 
imposta pelo árbitro, e não mais por elas próprias, como ocorre na mediação e na conciliação. 
 
“Originalmente, estabeleciam-se diversos pontos de distinção entre a 
mediação e a conciliação, sugerindo-se que: i) a mediação visaria à 
‘resolução do conflito’ enquanto a conciliação buscaria apenas o acordo; 
ii) a mediação visaria à restauração da relação social subjacente ao caso 
enquanto a conciliação buscaria o fim do litígio; iii) a mediação partiria de 
uma abordagem de estímulo (ou facilitação) do entendimento enquanto a 
conciliação permitiria a sugestão de uma proposta de acordo pelo 
conciliador; iv) a mediação seria, em regra, mais demorada e envolveria 
diversas sessões enquanto a conciliação seria um processo mais breve com 
apenas uma sessão; v) a mediação seria voltada às pessoas e teria o cunho 
MÓDULO II – ASPECTOS GERAIS DA 
ARBITRAGEM 
 
28 
 
preponderantemente subjetivo enquanto a conciliação seria voltada aos 
fatos e direitos e com enfoque essencialmente objetivo; vi) a mediação seria 
confidencial enquanto a conciliação seria eminentemente pública; vii) a 
mediação seria prospectiva, com enfoque no futuro e em soluções, 
enquanto a conciliação seria com enfoque retrospectivo e voltado à culpa; 
viii) a mediação seria um processo em que os interessados encontram suaspróprias soluções enquanto a conciliação seria um processo voltado a 
esclarecer aos litigantes pontos (fatos, direitos ou interesses) ainda não 
compreendidos por esses; ix) a mediação seria um processo com lastro 
multidisciplinar, envolvendo as mais distintas áreas como psicologia, 
administração, direito, matemática, comunicação, entre outros, enquanto 
a conciliação seria unidisciplinar (ou monodisciplinar) com base no 
direito.”2 
 
Na arbitragem, portanto, o terceiro tem mais autonomia, isto é, pode intervir mais. 
Além disso, a decisão proferida pelo(s) árbitro(s) é obrigatória e inapelável. Só é possível interpor 
recurso visando a esclarecimentos ou à correção de erro material – Artigo 30 da Lei de Arbitragem. 
Podemos dizer que, atualmente, a arbitragem é o meio 
alternativo mais utilizado pelos litigantes, principalmente no 
cenário empresarial. 
Lei de Arbitragem 
No Brasil, a Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 – alterada pela Lei nº 13.129/2015 – 
dispõe sobre a arbitragem. Tal lei trouxe mais força para o instituto da arbitragem e levou à 
declaração da sua constitucionalidade em 2001. 
Foram três as principais modificações trazidas pela Lei nº 9.307/96 ao instituto da 
arbitragem. Vejamos: 
 força obrigatória e vinculante para a cláusula compromissória; 
 equiparação da sentença arbitral à sentença judicial e 
 supressão da necessidade de dupla homologação e citação por carta rogatória da parte 
domiciliada no Brasil. 
 
O objetivo principal da Lei nº 13.129/2015 foi pacificar algumas polêmicas, por isso tal lei 
não trouxe modificações para o instituto como fez a Lei nº 9.307/1996. 
 
2 BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Azevedo, André Gomma de (Org.). Manual de Mediação Judicial. 6. ed. 
Brasília/DF: CNJ, 2016. p. 21 e 22. 
 
 29 
 
Lei de Arbitragem no tempo 
Seria possível retroagir a eficácia da Lei de Arbitragem no 
tempo, a ponto de alcançar situações anteriores à referida lei? 
A questão passa pela análise dos dispositivos legais – seriam 
eles de direito material ou de direito processual? 
O STJ, ao julgar o REsp 238.174/SP, decidiu por maioria que a Lei nº 9.307/96 – sejam 
considerados os dispositivos de direito material ou os de direito processual – não poderia retroagir 
para atingir os efeitos do negócio jurídico perfeito. Isso significa que, segundo o STJ, a Lei nº 
9.307/96 não poderia ser aplicada aos contratos assinados antes da sua vigência. 
No entanto, o Supremo Tribunal mudou o seu posicionamento no REsp 712.566/RJ, 
entendendo que a Lei de Arbitragem seria essencialmente processual, logo a sua aplicação seria 
imediata, podendo ser realizada nos contratos anteriores à sua vigência. 
Em agosto de 2012, o STJ publicou então a Súmula 485. Vejamos: 
 
“A Lei de Arbitragem aplica-se aos contratos que contenham cláusula 
arbitral, ainda que celebrados antes da sua edição.” 
 
Desse modo, atualmente, entende-se que a aplicação imediata da Lei nº 9.307/96 possibilita 
o cumprimento do princípio da boa-fé e do pacta sunt servanda (contratos devem ser cumpridos). 
Princípios da arbitragem 
A Lei nº 9.307/96 instituiu os princípios regedores da arbitragem, que servem para traçar 
condutas a serem observadas em qualquer operação jurídica envolvendo esse meio alternativo de 
solução de controvérsias. 
A seguir, veremos cada um desses princípios detalhadamente. 
 
Princípio da autonomia da vontade 
O princípio da autonomia da vontade foi estabelecido logo no Artigo 1º da Lei nº 9.307/96 
e permite que as partes utilizem a arbitragem para solução da controvérsia versando sobre direito 
patrimonial disponível. Consequentemente, as partes renunciam ao direito constitucional de irem 
ao Judiciário. 
Além disso, o princípio permite que as partes: 
 manifestem a opção de substituir a jurisdição estatal pela arbitral; 
 escolham o idioma a ser utilizado; 
 
30 
 
 escolham o número de árbitros – o árbitro pode ser qualquer pessoa capaz e que tenha a 
confiança das partes; 
 apontem se a arbitragem será de direito ou por equidade (Artigo 2º); 
 escolham o direito aplicável e 
 definam se a arbitragem será: 
 institucional – regras já definidas por uma instituição ou 
 ad hoc – regras determinadas pelas partes no conflito. 
 
Caso as partes não escolham o idioma a ser utilizado, prevalecerá o da sede do tribunal 
arbitral. Além disso, se houver necessidade de executar ato no Brasil, os documentos devem ser 
traduzidos para o português por um tradutor juramentado. 
 
Limitações do princípio da autonomia da vontade 
O princípio da autonomia da vontade, assim como na mediação, sofre algumas limitações. Entre 
essas limitações estão os preceitos de ordem pública e dos bons costumes, além das imposições legais. 
Um exemplo de imposição legal pode ser visto no Artigo 10 Lei nº 9.307/96, que trata da 
elaboração do compromisso arbitral. Vejamos: 
 
“Art. 10. Constará, obrigatoriamente, do compromisso arbitral: 
I - o nome, profissão, estado civil e domicílio das partes; 
II - o nome, profissão e domicílio do árbitro, ou dos árbitros, ou, se for o caso, 
a identificação da entidade à qual as partes delegaram a indicação de árbitros; 
III - a matéria que será objeto da arbitragem; e 
IV - o lugar em que será proferida a sentença arbitral.” 
Princípio da boa-fé 
O princípio da boa-fé determina que as partes, na relação obrigacional, ajam com lealdade, 
correção e confiança recíprocas. Dessa forma, visa impedir que a parte de má-fé não honre com o 
pactuado e impeça a instauração do procedimento arbitral. 
Tal princípio foi, inclusive, um dos basilares para a outorga, pelo legislador, do caráter 
obrigatório e vinculante à convenção de arbitragem. A jurisprudência internacional já não permite 
que um Estado alegue disposições restritivas do seu próprio direito para fugir aos efeitos de uma 
convenção de arbitragem livremente pactuada. Além disso, não se admite que uma parte deixe de 
honrar o compromisso após a sua assinatura ou que atue no processo com má-fé. Apoiando essa 
posição, os árbitros da International Chamber of Commerce (ICC) propuseram dois fundamentos: a 
ordem pública internacional e a boa-fé. 
 
 
 31 
 
Princípio do contraditório 
O princípio do contraditório está previsto no Artigo 5º, LV, da Constituição Federal. Apesar 
de a Constituição fazer referência somente ao processo judicial ou administrativo no seu texto, tal 
princípio deve ser aplicado no procedimento arbitral também. 
O princípio do contraditório visa permitir que as partes tomem conhecimento da existência 
da ação e de todos os atos do processo, e dar a possibilidade de as partes responderem aos atos da 
outra parte, em especial, o requerido. Com isso, objetiva diminuir a desigualdade entre as partes na 
medida em que é dada a oportunidade de manifestação. 
Se a sentença arbitral estrangeira violar o princípio do contraditório, não poderá ser 
homologada no Brasil, conforme Artigo 38, III, da Lei nº 9.307/96. 
 
Princípio da ampla defesa 
O princípio da ampla defesa está previsto no Artigo 5º, LV, da Constituição Federal, e 
consiste na possibilidade, assegurada às partes, de ter à disposição todos os meios legalmente 
utilizáveis para provar o seu direito. 
Em virtude do princípio da autonomia de vontade, as partes podem alterar prazos e outros 
procedimentos. Todavia, devemos sempre observar o princípio da ampla defesa: de forma alguma, 
uma parte pode ser prejudicada. É nula, por exemplo, uma disposição vedando a produção de 
provas relevantes. 
 
Princípio da igualdade das partes 
O princípio da igualdade das partes encontra-se no Artigo 5º, caput, da Constituição Federal 
e no Artigo 21, Parágrafo 2º, da Lei nº 9.307/96. A sua função é assegurar que ambas as partes 
terão igualdade de oportunidades. 
Dessa forma, não é admissível que sejam atribuídas prerrogativas a uma das partes, 
conferindo-lhe benefícios, de modo a alterar o equilíbrio entre elas. 
 
Princípio da imparcialidade 
O princípio da imparcialidade estáexpressamente previsto no Artigo 13, Parágrafo 6º, da Lei 
nº 9.307/96 e determina que o terceiro – no caso, o árbitro – deve proceder com imparcialidade, 
independência, competência, diligência e discrição. Se o árbitro agir de outra forma, a sentença 
arbitral será nula (Artigo 32, VIII, da Lei de Arbitragem). 
Conforme a Regra 10.070 do Capítulo 44.1011 dos Estatutos da Flórida, a imparcialidade 
deve ser entendida como ausência de favoritismo ou preconceito com relação a palavras, ações ou 
aparências. Desse modo, a imparcialidade implica um compromisso de ajuda a todas as partes, em 
oposição a uma parte individualmente. 
 
32 
 
Princípio do livre convencimento 
O princípio do livre convencimento está expressamente previsto no Artigo 21, Parágrafo 2º, 
da Lei nº 9.307/96. Tal princípio exprime a liberdade atribuída ao árbitro para apreciar as provas 
com inteligência, bom senso, ponderação e prudência antes de proferir a sua decisão. Dessa forma, 
permite que o árbitro forme a sua livre convicção na hora do julgamento. 
O julgamento do árbitro deve ser sempre racional e fundamentado, mesmo que se trate de 
julgamento por equidade. Não é admissível que o árbitro, por exemplo, considere verdadeiros os 
fatos não provados e vice-versa. 
 
Princípio da irrecorribilidade da sentença arbitral 
Visando à celeridade da solução do conflito, não é aceitável que recursos sejam propostos – 
ao próprio árbitro, ao tribunal arbitral ou ao Poder Judiciário – para solicitar uma segunda análise 
do mérito da questão (Artigo 18, da Lei nº 9.307/96). 
Antes do advento da Lei nº 9.307/96, o recurso era facultado às partes. O Artigo 30 permitiu 
o questionamento da sentença arbitral em dois casos: 
 se ocorrer erro material ou 
 se houver alguma obscuridade, dúvida, contradição ou omissão na sentença. 
 
Nesses casos, o árbitro ou o tribunal arbitral deve, no prazo de 10 dias, aditar a sentença 
arbitral e notificar as partes. 
Só é permitido que se recorra ao Poder Judiciário nos casos de nulidade da sentença arbitral 
(Artigo 32), mas não para novo exame do mérito por insatisfação da parte vencida. 
 
Princípio da kompetenz-kompetenz 
O princípio da kompetenz-kompetenz (competência) foi instituído pelo Parágrafo 1º do Artigo 
8º da Lei nº 9.307/96. Esse princípio determina que o próprio árbitro – ou tribunal arbitral – é o 
competente para definir sobre a sua própria competência de apreciar a controvérsia em questão e 
proferir a sentença arbitral. 
Se, após a análise pertinente, o árbitro ou o tribunal se julgar competente, o processo arbitral 
tem prosseguimento. Se, por outro lado, o árbitro ou o tribunal se julgar incompetente, e não for 
possível a substituição – de acordo com o disposto no Artigo 16 da Lei de Arbitragem –, o processo 
deve ser remetido ao Judiciário. 
 
 
 
 33 
 
Princípio da autonomia da cláusula compromissória 
O Artigo 8º da Lei nº 9.307/96 instituiu o princípio da autonomia da cláusula compromissória. 
Segundo esse princípio, se o contrato em que estiver inserida a cláusula compromissória for declarado 
nulo, a nulidade não atingirá a cláusula. Em outras palavras, a cláusula compromissória tem plena 
validade, e o juízo arbitral deve ser instituído para solucionar a controvérsia. 
Esse princípio visa assegurar a efetiva instauração do juízo arbitral e impedir a parte de má-fé 
de não cumprir com a obrigação pactuada. 
 
Arbitrabilidade subjetiva e objetiva 
A arbitrabilidade pode ser entendida como a possibilidade de um litígio ser o objeto de 
uma arbitragem. 
Dependendo do elemento do estudo, a arbitrabilidade pode ser qualificada como subjetiva 
ou objetiva. Vejamos: 
 
a) Arbitrabilidade subjetiva: 
A arbitrabilidade subjetiva refere-se à possibilidade de uma pessoa física ou jurídica celebrar 
uma convenção de arbitragem. Diz respeito, portanto, ao sujeito da arbitragem. 
 
b) Arbitrabilidade objetiva: 
A arbitrabilidade objetiva concerne ao objeto do litígio, às controvérsias que podem ser 
submetidas à arbitragem. 
 
Convenção arbitral 
O Artigo 1º da Lei nº 9.307/96 determina que as pessoas capazes de contratar (arbitrabilidade 
subjetiva) podem dirimir os seus litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (arbitrabilidade 
objetiva) por meio da arbitragem. 
A Lei nº 9.307/96 não expressa, claramente, quem pode participar de uma arbitragem, apenas 
autoriza as pessoas capazes de contratar. No entanto, com relação ao particular, seja ele pessoa física 
ou jurídica, não há mais controvérsias após a declaração de constitucionalidade da Lei nº 9.307/96. 
Além disso, no campo público, a Lei nº 13.129/2015 incluiu no artigo 1º da Lei nº 9.307/96, 
autorização para a Administração Pública Direta e Indireta participar. 
O Artigo 852 do Código Civil de 2002 reforça a descrição do objeto da arbitragem previsto 
na mencionada Lei nº 9.307/96, vedando temas sobre direito pessoal de família e outras convenções 
que não tenham caráter estritamente patrimonial. 
Segundo Cláudio Vianna de Lima (1997, p. 92): 
 
34 
 
“[...] são patrimoniais os direitos relativos a bens que podem ser 
apreciados economicamente, quantificados em moeda. Disponíveis são 
os direitos que se referem a bens apropriáveis, alienáveis, que se 
encontram no comércio jurídico.” 
 
Como pudemos observar, questões decorrentes de direitos indisponíveis não podem ser 
objeto da arbitragem, como o divórcio e a guarda de filhos por exemplo. 
Dificilmente, um particular, em um contrato, terá um direito patrimonial não disponível. 
Todavia, se tiver, mesmo que no contrato conste a cláusula compromissória, essa questão não 
poderá ser submetida à arbitragem por falta de arbitrabilidade objetiva. 
 
Vantagens da arbitragem 
Entre as inúmeras vantagens do uso da arbitragem como meio para solução dos conflitos, 
podemos citar a economicidade e a preservação do relacionamento contratual na pendência e após 
a disputa. Veremos ambas a seguir. 
 
Economicidade 
Assim como na mediação, comparativamente ao custo de um processo judicial, o custo de 
um processo arbitral pode ser bem baixo. 
Na arbitragem, além dos honorários do árbitro, as partes devem arcar com os custos 
excepcionais, como a gravação e a transcrição das reuniões. Cada instituição pode adotar uma tabela 
de honorários e custas, que varia dependendo do número de árbitros escolhidos pelas partes. No 
entanto, como a expectativa é a de que o processo termine rapidamente, não há a perpetuação do 
pagamento de custas. 
Além da economia financeira, com o uso da arbitragem, as partes também economizam 
tempo. Conforme o Artigo 23 da Lei de Arbitragem, a sentença deve ser proferida em até seis meses 
contados da instituição da arbitragem. Esse prazo pode ser prorrogado pelas partes e pelo árbitro – 
ou tribunal arbitral. Nesse caso, assim como na mediação, não há formalidade excessiva na 
arbitragem. É necessário apenas que os seus princípios sejam atendidos, principalmente o do 
contraditório e o da ampla defesa. 
Outro motivo da celeridade é a impossibilidade de recursos. Conforme o Artigo 30 da Lei de 
Arbitragem, só é possível à parte solicitar correção de erro material da sentença e esclarecimentos 
sobre alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral. Não há possibilidade de 
reexame do mérito, seja pelo próprio tribunal ou pelo Poder Judiciário. 
 
 
 35 
 
Preservação do relacionamento contratual 
Tendo em vista que a solução do conflito é decidida por um terceiro eleito diretamente pelas 
partes, elas tendem a confiar mais no procedimento e a aceitar a decisão. Isso acontece porque as 
partes elegeram uma pessoa – ou um grupo de pessoas – com profundo conhecimento sobre a 
matéria. Dessa forma, o conflito acaba de forma rápida e é resolvido pelos especialistas eleitos. 
O uso de um dos meios adequados de solução amigável de controvérsias permite que as partes 
mantenham o bom relacionamento, independentemente daquele conflito. Na maioria das vezes 
que uma parte recorretraz exemplos concretos de empresas que adotaram mediação e outros métodos 
adequados de conflitos e obtiveram benefício econômico. 
 
CARNEIRO, C.; DUZERT. Y.; ALMEIDA, R. Culture of Alternative Dispute Resolution (ADR) 
in Brazil: an exploratory study of business mediation from the theory, laws and perception of 
lawyers. Beijing Law Review, 13, p. 365-400, 2022. Disponível em: 
https://www.scirp.org/journal/paperinformation.aspx?paperid=118203. Acesso em: jun. 2023. 
Este artigo aborda a relação dos advogados com os métodos adequados de conflitos no 
Brasil. 
 
DOLINGER, J.; TIBÚRCIO, C. Direito Internacional Privado: arbitragem comercial 
internacional. Rio de Janeiro: Renovar, 2019. 
 
66 
 
Apesar de o título mencionar o Direito Internacional Privado, o leitor tem acesso a um digno 
exemplar, em português, sobre pesquisa em arbitragem internacional, resultado do trabalho 
coordenado por dois professores especialistas, que abordam o assunto sobre arbitragem com 
bastante eficiência. 
 
GOLDBERG, S. B.; SANDER, F. E. A.; ROGERS, N. H.; COLE, S. R. Dispute resolution, 
negotiation, mediation, and other processes. 4. ed. New York: Aspen Publishers, 2003. 
Um dos livros mais utilizados para o estudo dos meios alternativos de composição de conflitos 
em cursos de mestrado no exterior, possui linguagem prática sobre os diversos institutos de 
solução alternativa de controvérsias. Inclui capítulos sobre mediação e arbitragem, e contém 
diversos exemplos de casos práticos. Ao final, nos anexos, há informações interessantes sobre 
publicações, sites correlatos e instituições envolvidas em assuntos dessa natureza. 
 
LIMA, C. V. de. A Lei de Arbitragem e o artigo 23, XV, da lei de Concessões. Revista de Direito 
Administrativo-209, jul./ set. 1997, p. 92. 
Este artigo traz uma análise aprofundada sobre arbitrabilidade objetiva para a Administração 
Pública, no âmbito de concessões. 
 
MACHADO FLHO, J. A. B. Arbitragem e processo – Homenagem ao Professor Carlos Alberto 
Carmona. São Paulo: Quartier Latin, 2022, v. 1. 
Livro recomendado para quem deseja obter noções sobre a arbitragem e o processo arbitral. 
 
MAGALHÃES, J. C. de. Os laudos arbitrais proferidos com base no Protocolo de Brasília para a 
Solução de Controvérsias. In Solução de Controvérsias no Mercosul. Brasília: Câmara dos 
Deputados, Coordenação de Publicação, 2003. 
Este artigo é recomendado para aqueles que desejam estudar sobre arbitragem no âmbito 
do Mercosul. 
 
PRADO, D. A. Mediação e tecnologia. 1.ed. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2023. 
Este livro aborda o uso da tecnologia na mediação como forma de viabilizar a realização 
deste método. Traz também a questão polêmica sobre a definição de Online Dispute 
Resolution. 
 
WEBER, A. C.; LEITE, F. C. de. Lei de Arbitragem Comentada – Lei nº 9.307/1996. São Paulo: 
Editora Revista dos Tribunais, 2023. 
Livro indicado para exame detalhado das noções e dos conceitos presentes em cada artigo da 
Lei de Arbitragem. 
 
 67 
 
TIBURCIO, Carmen. MEDEIROS, Suzana. Arbitragem na Indústria do Petróleo no Direito 
Brasileiro. Revista de Direito Administrativo, nº 241. Jul./Set. 2005. Rio de Janeiro. pp. 53-91 
Disponível em:< http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rda/article/viewFile/43328/44669 >. 
Acesso em: jan. 2018. 
Este artigo é recomendado para aqueles que desejam se aprofundar sobre a arbitragem no 
cenário da indústria do petróleo. 
 
 
68 
 
PROFESSORES-AUTORES 
Rafael Alves de Almeida é doutor em Políticas Públicas, 
Estratégias e Desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ, 
LL.M em International Business Law pela London School of Economics 
and Political Science (LSE), mestre em Regulação e Concorrência pela 
Universidade Candido Mendes (Ucam), formado pela Escola da 
Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), bacharel em Direito 
pela UFRJ e em Economia pela Ucam. É membro do Conselho Diretor 
do Mediare – Diálogos e Processos Decisórios e do Corpo Permanente de Mediadores e Árbitros 
da Câmara FGV de Mediação e Arbitragem. Além disso, é membro da International Society for 
Ecological Economics, da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica e das Comissões de 
Mediação e de Relações Internacionais da OAB-RJ, e é presidente honorário da LSE Brazilian 
Alumni Association. É autor do livro Governança colaborativa em políticas públicas (2015). 
 
Rodrigo Vianna é advogado e bacharel em Direito pela PUC-Rio 
e concluiu o LL.M em Alternative Dispute Resolution pela Kingston 
University London. É consultor da FGV Projetos e membro do 
Conselho Editorial da FGV Direito Rio, membro do The Young 
International Arbitration Group (YIAG), da The London Court of 
International Arbitration (LCIA) e da Young Chamber Britcham, além 
de membro efetivo da Comissão de Mediação da OAB-RJ. 
 
Cristiane Dias Carneiro é doutora em Administração 
Empresarial pela Rennes School of Business, mestre em Direito e 
Economia pela Universidade Gama Filho, especialista em Direito 
Empresarial pela Universidade Candido Mendes e especialista em 
Direito do Estado e da Regulação pela Fundação Getulio Vargas. 
Advogada no Rio de Janeiro. Autora de artigos sobre arbitragem e 
mediação. Palestrante e professora dos cursos de MBA e Pós-Graduação 
da FGV. Mediadora certificada pelo Instituto de Certificação de Mediadores Lusófonos (ICFML).

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