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RECURSOS TECNOLÓGICOS EM SERVIÇO SOCIAL AULA – 7 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL Prezado aluno, As tecnologias da informação e comunicação (TICs) têm impactado profundamente diversas áreas profissionais, incluindo o trabalho do assistente social. As TICs referem-se a um conjunto de ferramentas e recursos tecnológicos que permitem a comunicação, o processamento e a transmissão de informações de forma rápida e eficiente. No contexto do trabalho do assistente social, as TICs têm sido usadas para melhorar a qualidade e a eficácia dos serviços prestados, facilitando a coleta, o registro e a análise de dados sobre as condições de vida e de trabalho dos indivíduos e das comunidades atendidas. Além disso, as TICs também têm sido usadas para melhorar a comunicação entre os profissionais, bem como para promover a divulgação de informações e a realização de campanhas educativas e de conscientização. As TICs também têm impactado a forma como o trabalho do assistente social é organizado e gerenciado. A utilização de softwares de gestão de casos e de prontuários eletrônicos, por exemplo, permite que os profissionais possam acessar e atualizar informações importantes sobre os casos atendidos de forma rápida e segura, além de possibilitar a geração de relatórios e análises de dados. Bons estudos! 7. AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL De acordo com Melo (2007), derivada da TI, a TIC está presente nos ciclos de aperfeiçoamento das empresas, convergindo conhecimento, elaboração, retenção e uso das informações. Ainda, o monitoramento de dispositivos e processos relacionados, é integrado por meio do uso de informações e até mesmo da automação da comunicação de informações. Essa consonância tecnológica é um aspecto subjacente à descrição da TI, entendida como uma integração baseada em microeletrônica, computadores, ciência da informação e telecomunicações'.' Também, é possível gerenciar o desempenho e trabalhar com TIC, conectar dispositivos, sujeitos e tarefas dentro e fora da empresa, construir uma rede de comunicação e promover negócios. As tecnologias da informação e da comunicação representam os meios tecnológicos que, quando incorporados, possibilitam os processos de informação e comunicação e possibilitam o processamento da informação e da comunicação por meio de vários instrumentos (hardware) e veículos (software). Como tal, os computadores e as telecomunicações tornaram-se integrais e dependentes. Conforme Lojkine (1995), a inovação não se limita às possibilidades da microeletrônica ou do armazenamento e distribuição de informações organizadas por programações de computadores ou distribuídas através de mídias. A inovação está principalmente relacionada a criação, acesso e intervenção informações técnicas de natureza econômica, política e científica. Trata-se de um elo que contém informações sobre a regulação do sentido das informações operacionais, específicas e relacionadas ao nosso cotidiano. Como salienta Antunes (2020), hoje, o progresso veloz das TIC desempenha uma função importante nos vários meios de acúmulos gerados pelo capitalismo financeiro, apoiando diversas estratégias de gestão implementadas em vários campos econômicos. O crescimento das TIC também possibilita a chamada Indústria 4.0. Ele responde ao novo “salto tecnológico no mundo produtivo” expandindo processos automatizados e assistidos por robôs ao longo da cadeia de valor e “baseia” a logística empresarial sob comando informacional-digital. No entanto, não representa o fim da centralidade do trabalho e/ou da teoria do valor, entretanto, corresponde à expansão da mão de obra precária sob diversos modos. Ainda com consonância com o referido autor, nas instituições, o manejo da informação e da comunicação se tornou essencial para a produção, possibilitando a integração de áreas e processos através de sistemas conectados e com o apoio ativo dos trabalhadores. No entanto, esse processo também resulta na eliminação de parte da força de trabalho, seja por meio do desemprego ou da substituição por tecnologias automatizadas. Nesse sentido, surgem novas habilidades e competências, consideradas como fundamentais pelo setor empresarial para as novas particularidades e tarefas. Num contexto empresarial onde as TIC são cada vez mais utilizadas, duas mudanças importantes estão a ocorrer no trabalho dos assistentes sociais: redesenhar a utilização da informação e introduzir a racionalidade técnica baseada no binômio eficácia/eficiência. A primeira diz respeito ao escalonamento do uso da informação, que ocorre à medida que as redes corporativas e os sistemas informatizados se tornam mais dinâmicos. Através das informações geradas pelos serviços sociais são utilizadas pela gestão para definir os elementos de comando e validação da gestão do trabalho, integrados ao plano global do empreendimento. No entanto, isso não significa que os profissionais passarão a se envolver na definição de políticas e diretrizes para a gestão da força de trabalho, mantendo assim sua subordinação. Por exemplo, ao atender um colaborador, o assistente social opera uma série de etapas, registra as informações relacionadas ao pedido dele por meio de um sistema de rede, encaminha o pedido para análise de instâncias superiores e apresenta os resultados. Há autonomia limitada na atuação profissional, pois dependem das decisões do diretor superintendente/conselheiro, mesmo quando da apresentação de pareceres especializados. O uso da informação apresenta-se vinculado a uma estruturação hierárquica que aparta os tomadores de decisão dos responsáveis pelo trabalho subjacente, aumentando a longitude entre elaboração e a realização dos processos de trabalho. A utilização desta nova informação obriga a reorganizar e racionalizar os trabalhos internos, modificando fundamentalmente o serviço dos assistentes sociais. Neste sentido, um recurso técnico representa um elemento que melhora o trabalho em três principais características: agilizando o trabalho, sistematização e tratamento de dados e uso de redes e internet. Por um lado, tal processo facilita uma melhor racionalidade, padronização e/ou rotinização do trabalho ao retirar a atividade profissional do conteúdo implícito e enriquecer o conteúdo. Mota (2008), explica que à medida que cresce a quantidade de informações transmitidas por sistemas informatizados e canais de comunicação online, os profissionais não precisarão mais lidar com materiais impressos. Por exemplo, agora basta digitar o número da matrícula do funcionário em um terminal para ter acesso ao cadastro. Ainda, toda a comunicação agora ocorre por meio de mensagens de e-mail, ou intranets, e há uma conexão mais profunda com os símbolos e signos presentes nas telas dos computadores, aumentando a capacidade de abstração e cognição. Em suma, é crescente a utilização e gestão de sistemas de comunicação e intranets que proporcionam rapidez no registo de eventos e iniciativas que interferem o dia a dia dos colaboradores, e no aconselhamento de gestores e supervisores nas decisões. Para Dourado (1998), um sistema de RH integrado implica a informatização do trabalho dos assistentes sociais e a adaptação aos equipamentos informacionais e digitais, criando conexões entre tecnologia e informação. Isso significa que os processos de trabalho são realizados na execução de serviços por meio do processamento eletrônico de informações, e não por meio de insumos básicos previamente utilizados em processos previamente definidos envolvendo múltiplas pessoas. Para agilizar o trabalho, é importante que as empresas tenham procedimentos suportados emTIC sofisticadas e fáceis de utilizar, não só para recolher e armazenar dados, mas sobretudo integrá-los nos processos de tomada de decisão. Consequentemente, há uma tendência de integrar e disseminar informações que antes existiam no campo do serviço social em sistemas, desafiando assim o sigilo profissional e o monopólio da informação. Por exemplo, aos serviços sociais, é normal manter registros de apoio limitados ao próprio setor onde os profissionais registram o desenvolvimento. Com a consolidação das informações do RH, há uma tendência de integrar essas informações aos sistemas e absorver o histórico de suporte em um fluxo de alimentação contínuo que pode ser acessado por outros profissionais e gestores. Destaca-se, também, o aumento ao acesso à informação por parte dos colaboradores. Se um funcionário costumava acessar seu gerente ou o assistente social para ter conhecimento sobre os princípios de RH, agora pode fazê-lo inserindo uma senha em seu computador. Assim, a difusão de informação através das TIC representa, por um lado, uma perda de espaço profissional na transmissão de informação e, por outro, pode ser benéfica para os trabalhadores, que se tornam menos dependentes dos seus superiores para ter acesso a tais informações. Segundo Lojkine (1995), apesar da propagação das informações nas redes, o poder ainda é centralizado nas corporações, já que as informações estratégicas continuam restritas e sob controle. A descentralização se dá nas informações operacionais, nas quais os colaboradores têm autonomia para decidir sobre o melhor uso em prol de sua performance, da equipe e da empresa. No entanto, a democratização das informações trazidas pelas TICs pode colidir com as restrições da direção estratégica, que tem interesse em manter a sua visão global da política empresarial, sobretudo no que diz respeito aos recursos humanos (LOJKINE, 1995, p. 169). A restrição ao acesso às informações é evidente na monitoração do ambiente organizacional, que pode contar com a participação de assistentes sociais em alguns casos. Essa monitoração é realizada por meio pesquisas online realizadas por meio de ferramentas eletrônicas para agilizar o recolhimento, tabular e divulgar os resultados. No entanto, os colaboradores que cooperam à pesquisa não têm acesso direto aos dados coletados, somente os responsáveis pela monitoração têm permissão para acessar os resultados e, ainda assim, sua ação é limitada pelo sistema de tabulação, por meio dos chamados filtros de confidencialidade. A segunda mudança, relacionadas às introduções da racionabilidade técnica baseada no binário efetividade/eficiência, ocorre com a expansão das TIC e da inovação organizacional, promovendo a racionalização da atuação do serviço social. Os profissionais devem desenvolver a habilidade de abstração lógica para decifrar, planejar e administrar seu trabalho Assim, é viável lidar com as mudanças contínuas e rápidas que se apresentam e colaboram para uma busca constante por melhorias, seguindo suas próprias otimizações, O objetivo é eliminar o desperdício, a contradição e a inadequação, reduzir o desperdício de tempo e introduzir esquemas para medir o desempenho dos assistentes sociais. Os serviços sociais são considerados suportes para apoiarem as atividades da empresa e atender principalmente seus funcionários. Para atender aos padrões de 'excelência', é preciso que o profissional identifique seus propósitos, sua função dentro da empresa e suas principais habilidades. Ele também, precisa identificar pontos terminais da empresa: entradas, saídas, clientes, fornecedores, eventos e nessa perspectiva sistemática é possível analisar suas eficiências e eficácias. As eficiências consideram o uso ideal de recursos, produtividade, qualidade e tempo com base no número de erros, iterações e retrabalho. As eficácias levam em consideração o quão bem um serviço atende os clientes e alcança a satisfação dele. Soma-se a isso a adaptabilidade e flexibilidade para lidar com as mudanças nas expectativas dos clientes e a rapidez com que são dadas soluções para os problemas que surgirem. Barros; Costa; Gonzaga (2015), apontam que as escalas utilizadas para avaliar o desempenho dos serviços permitem avaliar as necessidades técnicas e comportamentais da equipe de trabalho e de cada profissional. Essas ações são tratadas pela TIC. Exemplos incluem registro de reclamações, uso de pesquisas sobre serviços prestados, planejamento de sistemas por meio da medição de dados quantitativos, como tempos de espera, atendimento e resposta, e recursos que geram estatísticas e análises, inclusive, relatórios para gestão. Para isso, utiliza-se tecnologias específicas que podem analisar seletivamente as informações dos clientes e transformá-las em condições e indicativos de desempenho. Ainda de acordo com os autores, a referida análise do clima organizacional é realizada através de instrumentos eletrônicas que podem sintetizar dados identificar deficiências gerenciais nas relações de trabalho que geraram o comprometimento dos trabalhadores com seus objetivos. Com base nas respostas dos funcionários, reconhecidos os pontos fracos em cada área, é desenvolvido um plano de ação. Esses planos são simplesmente arquivados. Desta forma, os planos de ações ficam disponíveis em formato eletrônico para qualquer pessoa na intranet e estão disponíveis para consulta, acompanhamento e cobrança para implementação. Os meios para avaliarem o desempenho estão, assim, alinhados com as tecnologias e organizações, mais ligados a objetivos individuais e/ou de grupo e integrados no planeamento estratégico das empresas. Com a introdução do trabalho em equipa, devem ser estabelecidos mecanismos de orientação da atividade e otimização do desempenho. As metas apresentam tais mecanismos, e os demonstradores de desempenho associados transformam qualidade e produtividade, e seu controle é exercido por dispositivos digitais de informação. As metas profissionais são estabelecidas com base nos propósitos gerenciais e visam contribuir para o sucesso da equipe ou da gerência, em um esforço conjunto com outros departamentos. O cumprimento dessas metas é monitorado por meio de um sistema integrado de RH, que avalia o desempenho e concede recompensas como aumento salarial, promoções, prêmios e participação nos lucros, quando aplicável. Relatórios são gerados pelo sistema para acompanhar o progresso, levando em conta as metas, prazos e etapas definidas. Adicionalmente, cada departamento possui indicadores de desempenho que são avaliados por sistemas informatizados, e possíveis ganhos para os funcionários são vinculados aos resultados alcançados, desde que as políticas de gestão permitam. A utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) em conjunto com a nova racionalidade administrativa possibilita que as empresas tenham um controle mais efetivo sobre seus funcionários, usando mecanismos tanto coercitivos quanto persuasivos. A coerção ocorre através da pressão sobre o desempenho do trabalho, já que o não cumprimento das expectativas pode prejudicar a carreira do profissional e, em casos extremos, levar à demissão. Por outro lado, a persuasão é aplicada por meio de estratégias de reconhecimento e recompensa, valorizando o desempenho, as competências e o comprometimento com os objetivos estabelecidas. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ANTUNES, R. Trabalho intermitente e uberização do trabalho no limiar da Indústria 4.0. In: ______. (Org). Uberização, trabalho digital e indústria 4.0 São Paulo: Boitempo, 2020. BARROS, A. R. N.; COSTA N. N.; GONZAGA, A. J. F. O assistente social e a ambiência organizacional. In: DOHER, I. (Org.) Oserviço social em empresas para além da crítica: espaços de enfrentamento e atuação profissional. Rio de Janeiro: E-Papers, 2015. DOURADO, E. O. Reestruturação nos bancos e a ação do Serviço Social. In: MOTA, A. E. (Org.). A nova fábrica de consensos. São Paulo: Cortez, 1998. LOJKINE, J. A revolução informacional. São Paulo: Cortez, 1995. MELO, A. I. S. C. Trabalho e saúde: um estudo entre trabalhadores de serviços de tecnologias da informação. 2007. Tese (Doutorado em Saúde Pública) - Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro: ENSP/Fiocruz, 2007. MOTA, A. E. O feitiço da ajuda: as determinações do serviço social na empresa. 5. ed. ampl. São Paulo: Cortez, 2008.