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www.projetoredacao.com.br 
TEXTO: 65 - Comum à questão: 151 
 
 
TEXTO 1 
 
QUINO. Que presente inapresentável. São Paulo: 
WMF Martins Fontes, 2010. p. 87. 
 
 
TEXTO 2 
 
1 Revista de maior circulação no mundo, a Time mostrou como ficaram 
tênues os limites entre a ciência e a ficção. 2 Em reportagem de capa, 
intitulada “Jovem para sempre”, não descarta nas entrelinhas a chance de 
que um dia, quem 3 sabe, se descubra não a cura das doenças, mas a cura 
da morte. 
 
4 Menos sutilmente, estimula a esperança de que talvez o ser humano possa 
chegar aos 300 anos. A revista 5 ancora o sonho em moscas e minhocas 
que, tratadas em laboratórios, passaram a viver muitas vezes mais. A 
suspeita 6 é de que, em algum lugar, seria possível desmontar um relógio 
que determina o aparecimento de rugas, seios caídos, 7 pernas flácidas, 
queda de cabelo. 
 
8 Ao tentar separar fantasias e bom senso, a reportagem estabelece como 
hipótese realista que, a partir das 9 descobertas médicas das próximas três 
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décadas, a expectativa de vida suba para 120 anos. Seria a continuação do 
impacto 10 provocado pelo inglês Alexander Fleming, que descobriu o 
primeiro antibiótico. 
 
11 Traduzindo: as crianças de hoje se lembrariam de seus pais – ou seja, nós 
– como pessoas que morreram jovens 12 porque não completaram 80 anos. 
Assim como achamos que nossos tataravós morriam cedo porque não 
completavam 13 60 anos de idade. 
 
14 Os novos mitos nutridos pela tecnologia reforçam o absurdo brasileiro. 
Dezenas de milhares de crianças que 15 não completam parcos 12 meses 
de vida morrem anualmente, porque simplesmente não têm comida ou 
bebem água 16 contaminada. 
DIMENSTEIN, Gilberto. Expectativa de vida. In: _____ . 
Aprendiz do futuro. São Paulo: Ática: 2004. (fragmento) 
 
Questão 151) 
 
No contexto em que foram empregados, os adjetivos “tênues” (Ref. 01) e 
“parcos” (Ref. 15) significam, respectivamente, 
 
a) “limitados” e “infelizes”. 
b) “finos” e “doentios”. 
c) “sutis” e “míseros”. 
d) “escassos” e “exíguos”. 
e) “insignificantes” e “comedidos”. 
 
TEXTO: 66 - Comum à questão: 152 
 
 
Claudius tirou do bolso um papel amarelado e amarrotado: atirou-o na mesa. 
Johann leu: 
 
Não me odeies, mulher, se no passado 
Nódoa sombria desbotou-me a vida: 
No vício ardente requeimando os lábios 
E de tudo descri com fronte erguida. 
 
A máscara de Don Juan queimou-me o rosto 
Na fria palidez do libertino: 
Desbotou-me esse olhar – e os lábios frios 
Ousam de maldizer do meu destino. 
Sim! longas noites no fervor do jogo 
Esperdicei febril e macilento: 
E votei o porvir ao Deus do acaso 
E o amor profanei no esquecimento! 
 
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Murchei no escárnio as coroas do poeta 
Na ironia da glória e dos amores: 
Aos vapores do vinho, à noite insano 
Debrucei-me do jogo nos fervores! 
 
A flor da mocidade profanei-a 
Entre as águas lodosas do passado 
No crânio a febre, a palidez nas faces 
Só cria no sepulcro sossegado! 
(Álvares de Azevedo. Noite na Taverna, 2001.) 
 
Questão 152) 
No contexto em que estão empregados, os termos nódoa, profanei e 
escárnio significam, respectivamente, 
 
a) mancha, ofendi e orgulho. 
b) desonra, maculei e zombaria. 
c) símbolo, protegi e sarcasmo. 
d) mácula, desdenhei e esquecimento. 
e) marca, afastei e desdém. 
 
TEXTO: 67 - Comum à questão: 153 
 
Considere um fragmento de Glória moribunda, do poeta romântico brasileiro 
Álvares de Azevedo (1831-1852). 
 
É uma visão medonha uma caveira? 
Não tremas de pavor, ergue-a do lodo. 
Foi a cabeça ardente de um poeta, 
Outrora à sombra dos cabelos loiros. 
Quando o reflexo do viver fogoso 
Ali dentro animava o pensamento, 
Esta fronte era bela. Aqui nas faces 
Formosa palidez cobria o rosto; 
Nessas órbitas — ocas, denegridas! — 
Como era puro seu olhar sombrio! 
 
Agora tudo é cinza. Resta apenas 
A caveira que a alma em si guardava, 
Como a concha no mar encerra a pérola, 
Como a caçoula a mirra incandescente. 
 
Tu outrora talvez desses-lhe um beijo; 
Por que repugnas levantá-la agora? 
Olha-a comigo! Que espaçosa fronte! 
Quanta vida ali dentro fermentava, 
Como a seiva nos ramos do arvoredo! 
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E a sede em fogo das ideias vivas 
Onde está? onde foi? Essa alma errante 
Que um dia no viver passou cantando, 
Como canta na treva um vagabundo, 
Perdeu-se acaso no sombrio vento, 
Como noturna lâmpada apagou-se? 
E a centelha da vida, o eletrismo 
Que as fibras tremulantes agitava 
Morreu para animar futuras vidas? 
 
Sorris? eu sou um louco. As utopias, 
Os sonhos da ciência nada valem. 
A vida é um escárnio sem sentido, 
Comédia infame que ensanguenta o lodo. 
Há talvez um segredo que ela esconde; 
Mas esse a morte o sabe e o não revela. 
Os túmulos são mudos como o vácuo. 
Desde a primeira dor sobre um cadáver, 
Quando a primeira mãe entre soluços 
Do filho morto os membros apertava 
Ao ofegante seio, o peito humano 
Caiu tremendo interrogando o túmulo... 
E a terra sepulcral não respondia. 
( Poesias completas, 1962.) 
 
Questão 153) 
E a centelha da vida, o eletrismo 
 
No contexto em que é empregado, o termo eletrismo, que não consta dos 
dicionários, significa: 
 
a) o fato de a morte ter sido por choque elétrico. 
b) o dinamismo presente em todos os tecidos do ser vivo. 
c) a característica de quem é versado nas belas-letras. 
d) o resultado do longo processo de letramento. 
e) a existência eletrizante dos poetas românticos. 
 
TEXTO: 68 - Comum à questão: 154 
 
 
OCORREU-ME compor umas certas regras para uso dos que frequentam 
bondes. O desenvolvimento que tem sido entre nós esse meio de 
locomoção, essencialmente democrático, exige que ele não seja deixado ao 
puro capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do que alguns 
extratos do meu trabalho; basta saber que tem nada menos de setenta 
artigos. Vão apenas alguns. 
 
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