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Unidade 1 Livro Didático Digital Rodrigo Souza da Costa Logística Empresarial Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ANDRÉA CÉSAR PEDROSA Projeto Gráfico MANUELA CÉSAR ARRUDA Autor RODRIGO SOUZA DA COSTA Desenvolvedor CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS RODRIGO SOUZA DA COSTA Sou o professor Rodrigo Souza da Costa e me sinto honrado por poder, de alguma forma, contribuir com sua formação. A área de gestão é um dos principais problemas (se não o principal) para o crescimento socioeconômico do país. Dessa forma, a importância de especializar-se fica cada vez mais evidente para quem busca uma posição de destaque no mercado. Nossa profissão é muito dinâmica. Mudanças nas formas de gestão nos coloca em constante uma busca constante por aprendizado e adaptação ao ambiente de competição das empresas. Quando me foi passada a tarefa de lhe acompanhar em parte desse aprendizado, procurei buscar subsídios em minha formação e atuação profissional que pudessem ser relevantes para o seu aprendizado. Entre os meus passos nessa formação destaco: • Sou graduado em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), realizei meu Mestrado em Administração pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Doutorado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). • Atuo desde 2007 no ensino na graduação e Pós-graduação em diversas instituições do Sul do Brasil. • Realizo pesquisas na área de Administração, sobretudo no que tange a Estratégia Empresarial e Internacionalização de Empresas, tendo publicado mais de 40 artigos em periódicos e eventos nacionais e internacionais. Ministro as seguintes disciplinas: Teoria das Organizações, Estratégias Empresariais, Diagnóstico Organizacional, Gestão de Recursos Empresariais, Gestão da Produção, Gestão da Cadeia de Suprimentos, dentre outras. Espero que possa contribuir significativamente nessa etapa de sua formação. Bons estudos! O AUTOR Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: ICONOGRÁFICOS INTRODUÇÃO: para o início do desen- volvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessida- de de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações es- critas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e inda- gações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma ativi- dade de autoaprendi- zagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Introdução à logística empresarial .......................................11 Abordagem Logística da Gestão de Suprimentos ....................11 Origens da Logística Empresarial ............................................14 A Evolução do Conceito de Logística ...................................18 A primeira fase: a fragmentação total ......................................19 A segunda fase: a integração de compras com a distribuição ....... 20 A terceira fase: a Logística Integrada .......................................21 A quarta fase: O Gerenciamento da Cadeia de Suprimento .....23 A quinta fase: O Gerenciamento da Cadeia de Suprimento e a Resposta Eficiente ao Consumidor ..........................................24 Logística e Vantagem Competitiva .......................................29 Vantagem Competitiva .............................................................31 Análise do Segmento de Atuação Empresarial ........................33 Posicionamento Estratégico ............................................36 A Logística no Brasil ..............................................................42 Logística Empresarial8 UNIDADE 01 Logística Empresarial 9 Olá, meu caro aluno! Tudo bem com você? A nossa disciplina tratará da Logística Empresarial, onde você verá sobre a importância desta área essencial para o aumento da competitividade de qualquer empresa, pois trata diretamente de um dos principais setores quando o tema é a eficiência de custos. Nesta unidade introdutória, o essencial é que você compreenda como se dá a relação da gestão de suprimentos com outra atividade essencial para o sucesso das empresas: a logística empresarial. A principal função da logística está relacionada à gestão estratégica de todos os processos relacionados à movimentação de materiais, desde a aquisição de insumos, passando pela movimentação e a armazenagem de todos os itens que a empresa possui, até os fluxos de informações que passam pela organização e todos os seus canais. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! INTRODUÇÃO Logística Empresarial10 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender os conceitos introdutórios logística empresarial; 2. Analisar os conceitos, definições e importância da cadeia de suprimentos; 3. Evidenciar os fatores que interferem no seu comportamento; 4. Aplicar seus principais elementos e processos. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! OBJETIVOS Logística Empresarial 11 Introdução à Logística Empresarial O grande objetivo nesta unidade é compreender a importância desta área essencial para o aumento da competitividade de qualquer empresa, pois trata diretamente de um dos principais setores quando o tema é a eficiência de custos. Além disso, é essencial que você compreenda como ocorre a relação da gestão de materiais com outra atividade essencial para o sucesso das empresas: a logística empresarial. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Abordagem Logística da Gestão de Suprimentos A principal função da logística está relacionada à gestão estratégica de todos os processos relacionados à movimentação de materiais, desde a aquisição de insumos, passando pela movimentação e a armazenagem de todos os itens que a empresa possui, até os fluxos de informações que passam pela organização e todos os seus canais. VOCÊ SABIA? A logística é uma das atividades mais importantes em períodos de guerra, isso porque era comum que os conflitos acontecessem em lugares distantes e era necessário possibilitar o deslocamento de tropas e suprimentos. Com isso, todo movimento deveria ser analisado, visando garantir rotas seguras e acessíveis ao transporte utilizado pelos soldados. Tanto a logística, quanto a gestão de materiais, desempenham um papel importantíssimo para maximização da lucratividade da empresa. E, para isso, a gestão dessas áreas deve buscar sempre o atendimento dos pedidos ao menor custo possível e máxima qualidade para o consumidor. Logística Empresarial12 Somente assim, a empresa poderá obter uma vantagem competitiva que seja sustentável e defensável no longo prazo. No entanto, nem sempre foi assim: a logística era encarada pelas empresas, sobretudo até os anos de 1950, como uma simples atividade de transporte. Porém, com a competitividade acirrada e a necessidade de gerar valor agregado para uma demanda cada vez mais exigente, a atividade logística e de gestão de estoques passou a servista como um elemento de competitividade para as empresas. Mas você deve estar se perguntando: por que isso ocorreu? Bom, primeiro tivemos fatores relacionados a mudança das atitudes dos consumidores. A partir dos anos de 1950, a nossa sociedade passou a migrar de áreas rurais para centros urbanos estabelecidos, fazendo com que a empresas de varejo tivessem que se adequar, disponibilizando uma maior quantidade de pontos de venda adicionais. ACESSE https://administradores.com.br/artigos/evolucao- logistica-no-brasil para obter uma visão geral sobre como a logística evoluiu no Brasil ao longo da história. Essa migração e, consequentemente, o aumento da demanda, fez com que a cadeia logística e a movimentação de estoques tivessem alcançassem maiores níveis de complexidade e, consequentemente, um aumento em seu custo de distribuição. Além disso, uma nova situação econômica no período pós Segunda Guerra Mundial, aumentou a importância de um processo logístico eficaz. Isso ocorreu devido aos gestores perceberam que apenas a promoção de vendas não atenderia aos anseios da demanda e começaram a ter problemas para manter a produtividade e aumentar de competitividade. https://administradores.com.br/artigos/evolucao-logistica-no-brasil https://administradores.com.br/artigos/evolucao-logistica-no-brasil Logística Empresarial 13 IMPORTANTE Com o maior desenvolvimento tecnológico e a disseminação da internet, aumentaram ainda mais a complexidade das atividades logísticas, exigindo uma maior integração entre as áreas funcionais das empresas e uma visão sistêmica da organização e a sua relação com o mercado. Com o passar do tempo, com a evolução tecnológica e dos modos de gestão, tivemos um aumento considerável da variedade de produtos, fazendo com que a gestão eficaz dos estoques e da demanda buscasse constante melhoria nos níveis de serviços, aumentando a quantidade de elos dentro de um sistema logístico. Dessa forma, a função administrativa de materiais e logística passou a estar inter-relacionada com várias atividades. A relação com o processo de compra de insumos é a mais visível, com a necessidade de desenvolvimento de fornecedores parceiros e atividades de follow-up, bem como outras rotinas operacionais. Também temos a relação com a armazenagem de materiais, desde o recebimento e controle de qualidade desses itens, passando pela estocagem e análise de embalagens. Por fim, temos uma relação estreita com a movimentação de materiais, desde a gestão de equipamentos e movimentação até a saída do produto para o cliente. SAIBA MAIS Leia o artigo “Cinco décadas de logística empresarial e administração da cadeia de suprimentos no Brasil” do Professor Claude Machline da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0034-75902011000300003 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75902011000300003 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75902011000300003 Logística Empresarial14 Nesse sentido, temos que a atividade logística e de gestão de materiais da empresa são essenciais para as organizações. Além disso, ao atuarmos em uma economia globalizada, esses processos se tornam em fatores críticos de sucesso para qualquer tipo de negócio, pois são essas atividades que irão possibilitar o atendimento das demandas de nossos clientes. Mas o que isso quer dizer? Bom, quer dizer que será pelo estabelecimento de um processo logístico e de gestão de materiais eficaz que as empresas serão capazes de entregar seus bens e serviços da forma mais adequada, no tempo certo e, no local exato para atendimento de seus clientes. Além disso, devemos sempre ter em mente que todo esse processo deve alcançar o máximo nível de qualidade ao menor custo possível. SAIBA MAIS Leia o artigo “Avaliação da organização logística em empresas da cadeia de suprimento de alimentos: indústria e comércio” dos professores César Roberto Lavalle da Silva; Paulo Fernando Fleury, disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1415-65552000000100004 Origens da Logística Empresarial A logística é um conceito conhecido e empregado pelos militares desde tempos remotos. Retomando o exemplo da Segunda Guerra Mundial, a capacidade de suprir adequadamente os exércitos, sempre foi uma ferramenta essencial para definir a eficácia das atuações militares. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552000000100004 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552000000100004 Logística Empresarial 15 Fonte: Freepik Nas empresas a utilização das ferramentas logísticas e o reconhecimento do seu potencial em criar vantagens competitivas sobre os concorrentes é bem mais recente. O desconhecimento, o baixo nível de entendimento de seus princípios, a maior atenção com outras áreas funcionais consideradas mais importantes, e a falta de pessoal qualificado podem explicar esse fato. Desse modo, poderíamos entender que as definições são várias, mas todas têm um ponto em comum, que é a importância da sua aplicação de forma a integrar todos os componentes de um sistema logístico. IMPORTANTE A logística vai tratar de todo o processo de gerenciar estrategicamente toda a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados através da organização e seus canais de marketing, de modo a poder maximizar as lucratividades presente e futura através do atendimento de pedidos a baixo custo (CHRISTOPHER, 1997). Logística Empresarial16 Reforçando sua importância e missão, a logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final. Assim, o objetivo final da logística é tratar também dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável (BALLOU,1993). A necessidade de se manter competitivo no mercado, é essencial em qualquer organização. Assim, todas as organizações tentam se diferenciar de seus concorrentes para conquistar e manter clientes. Porém, com o aumento dos critérios de competição, essa fidelização de clientes está se tornando cada vez mais dificultosa, pois os modos de produção e o consumo estão atingindo patamares cada vez mais produção globalizados. Fonte: Freepik Logística Empresarial 17 Além disso, o ciclo de vida dos produtos está cada vez menor devido às mudanças frequentes no perfil de consumo devido às exigências dos consumidores. Por esses fatores, as organizações precisam ser mais criativas, ágeis e flexíveis, além de aumentar a sua qualidade e confiabilidade. Existem diversas teorias sobre como obter vantagem competitiva , uma delas é de que esta deva ser a mais duradoura possível e que seja muito perceptível pelo mercado para colocar a organização numa posição de supremacia diante de seus concorrentes. A convergência de todas estas abordagens repousa no fato em que o caminho para este fim exige que produzam a um custo menor, que se agregue mais valor, ou que se possa atender de maneira mais efetiva as necessidades de uma determinada parcela do mercado. Atualmente, os produtos estão se tornando cada vez mais semelhantes no ponto de vista dos clientes. A atualização de tecnologias, processos produtivos mais eficientes e eficazes e o acesso a fornecedores que garantam insumos de qualidade, são fatos que permitem que os fabricantes de um mesmo produto estejam em um mesmo nível. Com base nestes fatos, podemos afirmar que a diferenciação passa pela prestação de uma gama de serviços mais abrangente e de maior complexidade. Essa questão se torna um grande desafio, pois esta oferta deve vir acompanhada de uma lógica de reduçãoou, pelo menos, a manutenção dos preços ao consumidor final. Neste sentido, se não tivermos capacidade de cumprir esses quesitos, pode-se perder participação de mercado. SAIBA MAIS Leia o artigo “Segmentação logística: um estudo na relação entre fornecedores e varejistas no Brasil” dos professores Kleber Figueiredo; Ilana Kogan Goldsmid; Rebecca Arkader; Maria Fernanda Hijjar, disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1415-65552007000400002 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552007000400002 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552007000400002 Logística Empresarial18 A Evolução do Conceito de Logística Os últimos anos mostraram profundas mudanças na maneira como as organizações têm se adaptado às exigências do mercado. Os antigos paradigmas não são mais suficientes para garantir vantagens competitivas. O surgimento de novas e crescentes solicitações para a conquista da competitividade resulta na busca por novos patamares de qualidade e de produtividade. As empresas, antes acostumadas a serem um todo uno e bem delimitado, agora enfrentam uma realidade na qual são necessárias a integração e a construção de parcerias. Isto as têm obrigado a buscar novas áreas de competência que tragam vantagens em relação aos concorrentes. Dentre outras áreas, houve um redescobrimento da logística e de sua importância para a redução de custos e melhoria do nível de serviço aos clientes. Com o passar do tempo e com as empresas utilizando cada vez mais os processos logísticos em suas atividades, foi sendo alterada a forma como a logística é definida e, consequentemente, ampliando o seu escopo e isto levou à evolução do seu conceito que deixou de ser puramente técnico e tratada em nível operacional e ganhava espaço em meio as atividades estratégicas das organizações. Fonte: Freepik Logística Empresarial 19 Uma visão também interessante é a da expansão de suas fronteiras, como colocado que num primeiro momento cada uma das funções da empresa realizava suas atividades de forma independente e desconexa. No entanto, com o passar do tempo, há o reconhecimento da necessidade da integração dessas funções, e por último são rompidas as fronteiras da empresa e todos os elos são integrados. Isso mostra uma evolução que aconteceu de dentro para fora e acabou por criar uma cadeia entre fornecedores e clientes. A logística passou por diversas fases no seu desenvolvimento até atingir o nível em que se encontra, onde tem por objetivo a integração dos componentes do sistema e é percebida como de importância estratégica. Para a compreensão do escopo e abrangência de suas atividades atuais, bem como dos momentos deste desenvolvimento, é importante explorarmos e revisarmos cada um deles. Primeira fase: A fragmentação total A primeira fase é marcada pela execução desconexa das atividades nas áreas funcionais. Ou seja, o setor de compras só se preocupava com a aquisição de materiais, o de Produção com o processo de transformação, o de Vendas em vender e o de Distribuição em entregar os produtos acabados ao mercado consumidor. Sem ter a percepção de que estas atividades são componentes de um único sistema, o que se buscava era o alcance e a maximização de resultados individuais e não os da empresa, acabando por prejudicar a competitividade e diminuindo a eficiência. Exemplo: A produção, na busca de otimizar custos unitários e melhorar a eficiência, trabalha com grandes lotes e não considera os impactos que isso causará no capital de giro, no aumento do estoque de produtos acabados e no acréscimo dos custos de estocagem. Ou seja, na busca de um objetivo individual, sem considerar as consequências em outras áreas, toda a empresa tem o seu desempenho prejudicado. Essa situação levou as empresas a reconhecer que um grau mínimo de integração entre estas atividades era necessário para melhorar os resultados e aumentar a competitividade. Logística Empresarial20 Uma vez que as informações se perdem, não há nenhum alinhamento de esforços, o que impossibilita um gerenciamento adequado e diminui a capacidade de se responder às flutuações de mercado, esta fragmentação não é aconselhável e pode causar uma série de inconvenientes. VOCÊ SABIA? Entre 1970 e 1975, o volume de carga transportado no Brasil, subiu de cerca de 125 para 200 bilhões de toneladas/ ano. Com essa evolução, as principais empresas do setor automobilístico que atuavam aqui, perceberam que havia espaço para expansão e evolução da análise logística integrada. Segunda fase: a integração de compras com a distribuição A segunda fase, é caracterizada por um aumento do nível de integração interno e pela criação de um conceito de gerenciamento em grandes blocos, o de materiais, o de produção e o de distribuição. Ou seja, através do agrupamento de atividades, são criadas grandes áreas por especialidade, mas não existe o gerenciamento do processo como um todo dentro da empresa. Esse é um arranjo que propicia ganho, melhora o desempenho e corrige algumas falhas do modelo anterior. Acontece uma otimização do sistema de transporte pela integração da administração de materiais e da distribuição. A experiência mostra que as atividades de suprimento e de distribuição tratadas de forma conjunta podem criar e explorar oportunidades de economias de escala que não são possíveis numa visão dissociada. Exemplo: O mesmo caminhão que leva produtos acabados pode ser utilizado, em certos casos, para trazer matérias-primas, diminuindo as despesas com fretes. Logística Empresarial 21 Essa situação é vantajosa para empresa e para a transportadora, pois uma diminui seus custos e a outra aumenta o índice de ocupação de sua frota, caracterizando uma situação ganha-ganha. O arranjo ainda não estabelece um conceito claramente estratégico ao gerenciamento logístico. Porém, ao aplicar o modelo as empresas percebem que se o processo logístico for gerenciado de maneira a integrar todas as atividades, tratado como um todo sistêmico, e não por áreas de especialidades, os ganhos podem ser ampliados e o nível de serviço aos clientes melhorado. Terceira fase: a Logística Integrada A terceira fase que é conhecida como Logística Integrada, quando se exige o estabelecimento e implementação de uma estrutura de planejamento de ponta a ponta. Ou seja, o processo é tratado de forma sistêmica e a empresa passa a ser vista como um todo. Torna-se evidente nesta integração, que somente é interessante a escolha de alternativas que maximizem e melhorem o resultado do todo. Processos fundamentais para a competitividade são englobados pela logística e esta passa a ser responsável pelo abastecimento de materiais, produção até a distribuição aos consumidores finais. A partir daí surge a necessidade da integração com os sistemas de informação. Na mesma proporção que as chances de melhoria aumentaram, a complexidade cresce e a troca que se faz necessária é a dos estoques pela informação. VOCÊ SABIA? Até a década de 70, o caminhão era considerado somente um veículo para transporte de cargas e não havia a preocupação com seu desempenho operacional. Apenas com a evolução da Logística Integrada foi que tivemos uma maior profissionalização do setor. Logística Empresarial22 A nova realidade é que impulsiona a melhoria e consolida a necessidade de uma integração que leve ao controle e coordenação de todas as atividades para que se possa agregar o maior valor e incorrer nos menores custos possíveis. A organização deve funcionar como um todo, realizando uma variedade de processos que consomem esforços de seus diferentes departamentos e o seu desempenho global será proporcional a sinergia das áreas funcionais da empresa. É necessário mudar de uma orientação funcional para uma orientação voltada ao cliente. É importante notar que deve haver excelêncianos processos e que os departamentos são, na verdade, os meios a serem utilizados. Portanto, devem ser abolidas as barreiras e os interesses individuais não são prioritários, mas sim as decisões que busquem otimizar o todo. Muitas empresas não conseguem realizar esta tarefa, pois os departamentos tornam-se feudos, cuja posse e o território são defendidos ardorosamente, com limites claramente demarcados pelos seus proprietários onde os estranhos não são bem-vindos. REFLITA Na empresa em que você atua, ocorre essa divisão e falta de comunicação entre os departamentos, dificultando a eficiência da atividade logística? Como resultado disso, temos a impossibilidade da integração que cria um abismo entre as áreas fazendo com que a empresa seja composta de uma série de ilhas que não se comunicam. O estabelecimento de um novo paradigma produtivo se dá quando as empresas ocidentais, que utilizavam o conceito de produção em massa, são expostas à competição com as japonesas e seu modelo de produção enxuta que se mostra mais adequado a um mercado que exige uma grande variedade de produtos e custos cada vez mais baixos. Isto força o abandono do modelo anterior e a migração para este novo contexto. Logística Empresarial 23 EXPLICANDO MELHOR O produtor em massa “cospe’ grande lotes de produtos padronizados de suas máquinas especializadas, dispendiosas, pouco flexíveis e operadas por funcionários especializados. Já o produtor enxuto, utiliza máquinas flexíveis e automatizadas, bem como, trabalhadores multifuncionais para produzir imensos volumes de variados produtos. Aquelas empresas que conseguiram realizar esta missão e obtiveram melhorar seus resultados, perceberam que seus esforços individuais teriam um limite, mas que os benefícios advindos da integração poderiam ser ampliados se este conceito fosse estendido aos seus parceiros. Existia um limite para o que a Toyota poderia fazer sozinha, mas o trabalho em parceria com seus fornecedores e clientes, poderia proporcionar melhores resultados. Quarta fase: O Gerenciamento da Cadeia de Suprimento Essa constatação expandiu as fronteiras da empresa e levou a integração com fornecedores e clientes. Assim, marcou o início de uma nova fase que ficou conhecida como Gerenciamento da Cadeia de Suprimento ou Supply Chain Management. A definição, de forma simplista, é o gerenciamento de todas as atividades envolvidas na aquisição, produção e distribuição, através da completa integração de fornecedores, fabricantes e clientes, com o objetivo de agregar valor e reduzir custos para o consumidor final. VOCÊ SABIA? A partir da década de 70, tudo mudou: a malha rodoviária cresceu, os veículos ganharam tecnologia para tornar a logística mais eficiente e rentável. Logística Empresarial24 A comparação com uma corrente é interessante, pois esta seria tão forte quanto seu elo mais fraco e um golpe em um dos elos refletiria em todos os outros. Portanto, todos os elos devem ser fortes e estar bem unidos para garantir a força e a confiabilidade da cadeia. O Gerenciamento da Cadeia de Suprimento, que é marcado pela virtualização, representa a possibilidade de se alcançar um novo patamar de competitividade. Mas, ao mesmo tempo, oferece uma série de oportunidades e desafios e se tornam necessárias a integração e a construção de parceiras. Assim, a transparência e o total compartilhamento de informações são indispensáveis. Ou seja, sair de uma relação conflitante e evoluir para um perfeito entrosamento é um caminho árduo e que exige uma profunda mudança na estrutura organizacional. Como decorrência do aumento do seu escopo, abrangência e relevância, essa fase dá a logística um caráter estratégico o que acaba forçando as empresas a voltarem seus olhos para a importância de seu gerenciamento. Uma vez que os desafios e a complexidade estão maiores, são criadas áreas especializadas para esta atividade e a integração das atividades se mostra imperativa e não mais uma questão de escolha, mas sim uma necessidade para a sobrevivência no cenário globalizado. Quinta fase: O Gerenciamento da Cadeia de Suprimento e a Resposta Eficiente ao Consumidor Na busca pelo aumento da eficiência e melhor utilização dos recursos e, principalmente, reduzir a distância existente entre a produção e a demanda, possibilitando que o consumidor tenha seus bens e serviços quando e onde quiserem, a logística precisava evoluir e incorporar ao Gerenciamento da Cadeia de Suprimento novos conceitos para responder as demandas do mercado. O efeito acontece pela criação e incorporação do conceito de Resposta Eficiente ao Consumidor. Logística Empresarial 25 Fonte: Freepik O segmento de supermercados é colocado frente ao desafio de oferecer uma grande variedade de produtos de qualidade, com um alto nível de serviço, garantindo conveniência aos clientes e a um baixo custo. Para piorar, as margens estão cada vez menores e a concorrência de novos canais de distribuição, como as lojas de conveniência e outros varejos, aumenta consideravelmente. Para vencer o dilema estratégico de ofertar melhores produtos, menores preços, maior variedade e aumentar o nível de serviço e, ainda assim, continuar com uma operação lucrativa, é preciso obter maior giro dos produtos, menores estoques e reduzir a perda de produtos. Daí surge o conceito de Resposta Eficiente ao Consumidor ou Efficient Consumer Response, que consiste em responder mais rápida e eficientemente ao cliente. Logística Empresarial26 DEFINIÇÃO Resposta Eficiente ao Consumidor ou em inglês Efficient Consumer Response (ECR), se trata de uma estratégia utilizada, principalmente na indústria de supermercados, na qual distribuidores e fornecedores trabalham em conjunto para poderem gerar maior valor agregado ao consumidor final (LAVRATTI, 2002, p.1) Através da disponibilização, em tempo real, de informações sobre a demanda busca-se sincronizar as atividades de todos os elos de uma cadeia. Desse modo, é possível agregar maior valor, reduzir os custos e utilizar, de forma mais racional, todos os recursos. Portanto, consegue-se perceber mais cedo a demanda e sincronizar as ações de todos os elos, bem como, a velocidade e a quantidade de informações disponíveis permitem uma maior visibilidade dos fluxos e, assim, servem de suporte às decisões que são tomadas com maior possibilidade de acerto e propiciam um incremento no nível de serviço. Em suma, esta é a fase mais avançada da logística, a qual facilita a troca de estoques por informações e permite encurtar o fluxo logístico. O segmento de bens de consumo também utilizava disso, e ainda hoje muitas empresas empregam o conceito de empurrar os estoques. Ou seja, alocar estoques aos armazéns conforme a necessidade esperada dos mesmos. Este sistema obriga a começar o abastecimento pela previsão de vendas e faz com que, antecipadamente, sejam produzidas e movimentadas grandes quantidades de produtos. É possível ver isso se repetindo em cada um dos elos da cadeia, o que acaba por gerar ineficiência, por motivos já levantados, e os custos são aumentados. Como a previsão não garante certeza, é possível que aconteça, com certa frequência, episódios de desabastecimentos ou de super estocagem. Isto é, ora podem faltar produtos e ora pode sobrar produtos, uma vez que não se consegue sincronizar a produção e a demanda. Logística Empresarial 27 Fonte: Freepik Como os clientes vão optar pela cadeia mais eficiente e que consiga fornecer o melhor nível de serviço, a Resposta Eficiente ao Consumidor faz com que o ciclo seja gerenciado a partir das informações da demanda no ponto de venda e que os estoques sejam puxados. Apenas o estoque suficiente para atender a demanda daquele ponto é necessário de ser mantido. Assim, as quantidades mantidas podem ser menores no método de puxar os estoques do que no método de empurrar. O repassedas informações em tempo real, a todos os componentes da cadeia, possibilita que as atividades sejam realizadas com elevado grau de acerto, otimizando a utilização dos recursos, o que permite que a demanda seja atendida de modo mais eficiente, no momento exato e com um menor nível de inventário no sistema. Ao mesmo tempo, suaviza e racionaliza os esforços dos elos, aumentando a visibilidade e encurtando o fluxo logístico, cujo resultado final é o desejado aumento da eficiência. Em suma, a Resposta Eficiente ao Consumidor permite, com maior segurança, trocar os estoques pela informação. A utilização de modelos mais evoluídos de sistemas logísticos, sem dúvida, suporta o alcance dos objetivos de redução de estoques, aumento do valor agregado e melhoria da lucratividade que são indispensáveis para se manter competitivo. Existem algumas dificuldades a serem superadas para a sua implantação, mas lamenta-se que a maior parte das empresas brasileiras Logística Empresarial28 estejam em um dos estágios iniciais do desenvolvimento da logística e, ainda pior, que as principais barreiras a serem vencidas são culturais e no relacionamento conflituoso entre os elos do sistema. Talvez isso seja uma das explicações para a baixa competitividade brasileira perante os concorrentes de classe mundial, pois deixar de utilizar e obter as vantagens da logística integrada é uma atitude que demonstra a miopia e despreparo das empresas e de seus dirigentes. SAIBA MAIS Leia o artigo “Implantação do Efficient Consumer Response (ECR): um estudo multicaso com indústrias, atacadistas e varejistas” das professoras Flávia Angeli Ghisi e Andrea Lago da Silva, disponível em: http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552006000300007 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552006000300007 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552006000300007 Logística Empresarial 29 Logística e Vantagem Competitiva Não é de hoje que o ambiente das empresas é algo complexo e com níveis de competição elevados. É devido a essa competitividade que cada vez mais as empresas buscam por fatores que possam diferenciá-las e estabelecer suas vantagens competitivas. Para alcançar seus objetivos, muitas delas adotam uma estratégia em comum: a opção busca pela excelência em logística que propicie o gerenciamento dos fluxos de materiais e das informações. Pires (2011) coloca que a globalização, a mudança no comportamento dos consumidores, a redução do ciclo de vida dos produtos e o enfraquecimento das marcas exigem que as organizações adquiram e desenvolvam novas competências para conquistar e manter clientes. Ampliam-se as dimensões da competitividade, a qual deixa de ser regional para ser global. A concorrência passa a acontecer entre cadeias produtivas e não mais entre empresas isoladas. Empresas estão se adaptando ao modelo de produção enxuta que requer a excelência em logística como forma de gestão da cadeia produtiva, para que se consiga a coordenação e o alinhamento estratégico dos componentes da cadeia. O foco é o cliente e a inovação é constante. Nesse contexto, para Ballou (2012), as vantagens e diferenciais competitivos são cada vez mais efêmeros e a velocidade e flexibilidade deixam de ser apenas um discurso e tornam-se obrigatórias. Chopra e Meindl (2011) colocam que a pergunta que muitos se fazem é: quais as razões para a logística mostrar-se como uma escolha lógica e oportuna para fazer frente a essas exigências? Mas o que deve ser analisado na logística empresarial? O primeiro fator está relacionado à evolução de seu conceito. Ao incorporar e utilizar preceitos de marketing, qualidade, finanças e planejamento, a logística tornou-se uma disciplina multifuncional e, assim, aumentou sua contribuição para a eficiência e a eficácia da gestão. Logística Empresarial30 Fonte: Freepik Além disso, devemos observar o aumento de seu escopo, pois com o tempo, a logística passou a se preocupar com um número cada vez maior de atividades e deixou de ser vista como operacional para tornar-se estratégica. Assim, deve ser considerada em decisões importantes e receber a atenção dos mais altos escalões da empresa. Temos também a ampliação de sua abrangência. Inicialmente foi tratada de forma funcional, passou a integrar as diversas funções internas da empresa e, hoje, funciona como elo entre clientes e fornecedores possibilitando o gerenciamento de toda a cadeia. Vale ressaltar que a logística possui um enfoque sistêmico e uma orientação para processos, os quais permitem uma visão global da empresa e da cadeia produtiva como um todo. Deste modo, de forma integradora, essa questão propicia que todos os interesses e pontos relevantes sejam analisados na tomada de decisão, permitindo que se atinja um ótimo sistêmico. Por fim, devemos observar que a logística se preocupa com a gestão de fluxos. O primeiro é o dos materiais, o qual se inicia no fornecedor e termina na entrega ao consumidor final. O segundo é o das informações, que tem um sentido inverso ao do anterior. Então, pela sincronização e racionalização destes fluxos procura- se, simultaneamente, a redução de estoques, que são consumidores de recursos, e o aumento da disponibilidade dos produtos. Essa sinergia favorece também o fluxo financeiro da empresa. Logística Empresarial 31 Fonte: Freepik O sistema de produção enxuta baseia sua competitividade na eficiência sistêmica. Ou seja, a integração da empresa com seus fornecedores e distribuidores, para responder ao cliente com a velocidade e o acerto necessários, dá-se através da coordenação atividades de toda a cadeia. Assim, a capacidade de coordenar estes esforços é essencial para a empresa que quiser ser competitiva. A globalização alongou os canais de suprimento e distribuição das empresas transnacionais, as plantas produtivas, espalhadas pelo mundo são focadas e visam a excelência produtiva. Isso significa que os custos de produção tendem a cair e os custos logísticos a aumentar. Portanto, tudo indica que a logística é uma competência indispensável para as empresas que desejem ser competitivas. A logística, junto com a produção enxuta, impôs um redesenho e um novo modo de funcionamento no sistema produtivo. Esta realidade é mais integrada e cooperativa, porém mais exigente e exclui os inaptos. Para fazer parte do jogo é preciso ser competente e inovador, mas tem que jogar em time e não mais individualmente. Vantagem Competitiva Logística Empresarial32 É aqui que podemos verificar como se dá a atividade logística para a obtenção de vantagem competitiva. O objetivo do processo logístico é o de disponibilizar o produto certo, na quantidade certa, no local certo, na hora certa e com o preço adequado. Desse modo, fica claro que toda empresa deve atingir níveis elevados de eficiência e eficácia no processo logístico. Para haver redução de custos é necessária uma reestruturação de todo fluxo de materiais que deverá ser feita em sincronia com o fluxo de informações. Dessa forma, acaba ocorrendo a redução dos inventários, o melhor aproveitamento dos ativos da empresa, a redução de desperdícios e a melhoria dos sistemas de transporte e armazenagem. Nesse sentido, possibilita-se que as incertezas se tornem informações que permitirão otimizar os recursos utilizados nas atividades empresariais, sem comprometer a qualidade no atendimento ao cliente. Com relação à agregação de valor, esta poderá ser alcançada ao oferecer entregas com maior confiabilidade e frequência, bem como com maior variedade de produtos e melhoria dos serviços de pós-venda. Se trabalhado de forma correta, esses fatores podem se tornar em diferencial de mercado e, assim, os clientes estariam dispostos a pagar um valor mais alto por melhores serviços que representem benefícios. Numa visão expandida e integradora,ao adotar o conceito de Supply Chain Management, que é a integração de todos os componentes e a coordenação de todas as atividades que uma cadeia de abastecimento realiza para atender ao cliente final, a organização pode se tornar muito mais ágil e flexível que os concorrentes. O projeto e o desenvolvimento conjunto de produtos permitem que uma cadeia lance novos produtos com maior velocidade, os quais poderão possuir melhores funcionalidades e serem produzidos a custos totais mais baixos. Conceitos mais modernos de aquisição como o outsourcing, follow sourcing e o global sourcing passam a ser utilizados e há uma mudança na forma como as empresas se relacionam em uma cadeia produtiva que passa a ser cooperativo na busca de aumento do desempenho de todos os integrantes. Logística Empresarial 33 Surgem novas formas de arranjos produtivos e a utilização da proximidade física dos fornecedores, são estratégias para reduzir custos e melhorar a sincronia do sistema produtivo. As montadoras de automóveis, recentemente instaladas no país, e suas modernas plantas produtivas são exemplos dessa tendência. Devemos observar alguns pontos importantes para que se possa implantar corretamente um sistema logístico, atingindo os objetivos planejados: • Todo o planejamento deve ter o foco do cliente, ou seja, tudo deve estar voltado para atender as necessidades dos clientes; • Treinamento e capacitação de pessoal envolvido; • Definição do nível de serviço que será oferecido; • Segmentação dos serviços, de acordo a exigência dos clientes; • Desenvolvimento e utilização de tecnologia de informação para integração das operações; • Aprimoramento dos métodos de previsão de demanda e comportamento do consumidor; • Definição de indicadores de desempenho para permitir um melhor controle dos objetivos propostos. DEFINIÇÃO A Logística poderá ser o caminho para a diferenciação de uma empresa aos olhos de seus clientes, para a redução dos custos e para agregação de valor, o que irá ser refletido num aumento da lucratividade (BALLOU, 2012). Ou seja, uma empresa mais lucrativa e com menores custos estará, sem dúvida, em uma posição de superioridade em relação aos seus concorrentes. Análise do Segmento de Atuação Empresarial As empresas sempre se preocuparam em serem competitivas, pois esta é uma condição essencial, não só para a sobrevivência, mas Logística Empresarial34 para a expansão de um negócio bem-sucedido. Ser competitivo é uma característica que permite enfrentar, com maior chance de sucesso os desafios impostos pelas possíveis mudanças paradigmáticas e inovações que os concorrentes promovem no mercado e indústria em que uma empresa atua. Mas o que é competitividade? DEFINIÇÃO “Competitividade pode ser entendida como a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado (FERRAZ; KUPFER; HAGUENAUER, 1997, p.3).” Isso não é novidade, o que ganha destaque é a intensificação do processo concorrencial que aconteceu, sobremaneira, a partir do início dos anos 80 do século passado. Um conjunto de eventos teve o papel de estopim para a aceleração, intensificação e a mudança nas formas de concorrência, o que pode ser entendido como a deflagração de uma guerra competitiva. Este processo criou um novo cenário, para o qual as empresas não estavam preparadas. Inovações constantes, busca de vantagens competitivas, rapidez e maior acerto na implantação de estratégias e no processo decisório, aquisição e desenvolvimento de novas competências e, acima de tudo, a necessidade de ser ágil e flexível na gestão da mudança passaram a ser requisitos obrigatórios para as organizações. Porter (1986) preencheu o hiato existente entre o planejamento estratégico, atividade realizada pelo alto escalão da companhia, e a sua transformação em atitudes práticas para os demais níveis da hierarquia. O autor contribui ao estabelecer o conceito de estratégia como o elo do planejamento e da operação. A escolha da estratégia adequada seria resultado de uma análise da maneira como a concorrência opera, das oportunidades e ameaças que seriam percebidas e das competências que a empresa possui para explorar e sustentar uma posição que poderia levar ä liderança no mercado. Logística Empresarial 35 A inovação estava na criação de um modelo para explicar a concorrência na indústria, através da análise de cinco forças, e da redução das possíveis escolhas a um pequeno grupo chamado de estratégias genéricas. O modelo de cinco forças propõe uma análise rigorosa da concorrência no mercado como fonte potencial de ameaças e oportunidades. As forças são as que seguem: • Entrantes Potenciais: são as empresas que podem entrar na indústria, o acesso dependo da superação das barreiras à entrada, se forem elevadas garantem uma posição mais cômoda e se forem baixas incentivam a competição. • Concorrentes: pode variar da coexistência pacífica, até com alianças, à uma guerra competitiva. O contexto irá depender da percepção do comportamento das outras quatro forças. • Fornecedores: existe uma relação conflitante, na qual o fornecedor quer o maior preço pelos seus produtos. A balança penderá para o lado que tiver mais força nesta queda de braço. • Clientes: demandam preços decrescentes e qualidade crescente. A quantidade comprada, a organização e a quantidade de informações são os trunfos dos clientes. • Substitutos: a possibilidade de os produtos da indústria serem trocados pelos de outras indústrias é o ponto a ser analisado. A existência de substitutos acirra a concorrência e favorece os clientes. O modelo é demonstrado através da figura abaixo: Logística Empresarial36 Figura 1. O Modelo de Análise Estrutural da Indústria Fonte: Porter (1986) O entendimento da concorrência permite que a empresa entenda o papel e a importância de cada uma destas forças. Aquelas que tiveram predominância indicam as estratégias a serem adotadas para que a empresa consolide a sua posição competitiva na indústria. Este cenário pode ser alterado, o que exige constante acompanhamento do ambiente externo. A empresa que entender e explorar as oportunidades detectadas nesta análise terá maior chance de sucesso. Posicionamento Estratégico O principal ponto quando estamos falando de logística como fonte de vantagem competitiva é como se dá a posição relativa dentro de sua indústria (ou segmento). A definição da posição estratégica da empresa vai gerar sua rentabilidade, abaixo ou acima da média vista no segmento de atuação (URDAN, 2013). Assim, todo o desempenho da empresa que se apresenta acima da média, pode ser chamado de vantagem competitiva sustentável. Sabemos que uma empresa pode apresentar vários pontos fortes e fracos quando comparados com os concorrentes. No entanto, temos Logística Empresarial 37 Figura 2. Estratégias Genéricas Fonte: Porter (1986) apenas duas formas básicas de obtenção de vantagem competitiva: ou ela ocorrerá pelo baixo custo ou pela diferenciação. Essas duas estratégias têm como origem a estrutura mais elementar do segmento de mercado. Essas duas formas de obtenção da vantagem competitiva, quando são ajustados de acordo com a abrangência das atividades da empresa, levam às obtê-los, levam à três estratégias genéricas: • liderança em custo • diferenciação • enfoque, sendo que o enfoque tem duas variantes: enfoque no custo e enfoque na diferenciação (PORTER, 1986). Partindo dessa premissa, temos que as estratégias de liderança em custo e diferenciação vão buscar o atingimento da vantagem competitiva dentro de um espectro mais amplo dos mercados. Já quando partimos para o enfoque, vamos buscar uma vantagem de custo ou uma diferenciação com um foco mais estreito, ou seja, em um segmento de mercado mais específico, conformevocê pode observar na figura a seguir: Logística Empresarial38 Quando analisamos a liderança em custo, talvez seja a mais clara entre as estratégias aqui colocadas. O posicionamento aqui é relativamente simples: a empresa buscará ser o fornecedor do produto ou serviço com o menor custo em seu segmento. DEFINIÇÃO Liderança em Custo, o produtor visa possuir o mais baixo custo na indústria. Com essa posição, a vantagem reside na possibilidade de se auferir maiores lucros ou de operar a um nível de preço mais baixo e continuar sendo lucrativo. DEFINIÇÃO Economia de escala se trata da organização do processo produtivo de forma que seja possível a máxima utilização dos recursos envolvidos no processo, buscando como resultado baixos custos de produção e o incremento de bens e serviços. Assim, a abrangência de atuação da empresa precisa atingir diversos segmentos, para poder gerar economia de escala para manter a sua vantagem de custo. No entanto, tenho que ressaltar algumas questões essenciais em relação à essa estratégia. Primeiro que, alcançar e sustentar a liderança em custo, a empresa será um competidor acima da média de seu segmento. Mas, sustentabilidade desta posição será possível apenas se a empresa conseguir direcionar os preços médios do segmento. Ao ter preços próximos ou menores que seus concorrentes, essa vai trazer uma rentabilidade maior. Porém, mesmo atuando desta forma, não podemos nos esquecer das bases essenciais relacionadas à diferenciação. Isso porque se o nosso produto ou serviço não estiver nos mesmos níveis de comparação com o concorrente, no que se refere aos atributos físicos, seremos Logística Empresarial 39 DEFINIÇÃO Diferenciação busca diferenciar o produto ou serviço para que seja único, com o objetivo de fidelizar o cliente. A diferenciação pode excluir a viabilidade de se obter grande parcela de mercado, com o intuito de manter a exclusividade. obrigados a reduzir os preços abaixo do que aceitável para defendermos a nossa posição. Já em relação à estratégia de diferenciação, a empresa buscará se posicionar de forma a ser única em seu segmento, levando em consideração as dimensões do produto/serviço que valorizadas pelos clientes. Dessa forma, vamos selecionar um ou mais destes atributos, que o mercado considera importante, e vamos buscar nos posicionar de forma exclusiva para satisfazer as necessidades de nossos clientes. As formas para atingimento de critérios de diferenciação são específicas para cada segmento de mercado. Ela pode ter como base o próprio produto ou o canal de distribuição ao cliente. No entanto, a grande questão aqui é que a empresa escolha aqueles atributos em que ela pode se diferenciar e que possui competência para sustentar essa vantagem, de forma diferente de seus concorrentes. Fonte: Elaborado pelo Autor (2019) Figura 3. Exemplo de Posicionamento Estratégico Genérico Logística Empresarial40 Por fim, temos a estratégia genérica de enfoque, que é muito distinta de todas as outras, pois aqui estamos baseando o posicionamento na escolha de um segmento competitivo mais específico do mercado. Essa estratégia apresenta duas variações: enfoque no custo total e enfoque na diferenciação. DEFINIÇÃO Enfoque seria a escolha de um nicho de mercado, um grupo de clientes, uma linha de produtos, ou um mercado geográfico, no qual a empresa focaria seus esforços e competências para melhor atender as necessidades dos clientes e prestar um atendimento superior aos concorrentes. Ao estabelecer uma estratégia com enfoque no custo, a empresa buscará uma vantagem de custo em segmento específico, enquanto no enfoque pela diferenciação buscará se diferenciar dentro deste segmento. Essas variações estratégicas do enfoque têm suas bases nas diferenças entre segmentos específicos (alvo do enfoque) e o mercado como um todo. Os segmentos, de forma geral, apresentam compradores com necessidades diferentes, distintos de outros segmentos mercado. Ao estabelecermos o enfoque de custo, vamos buscar agir sobre as diferenças no comportamento dos consumidores de um segmento, em relação. Já o enfoque de diferenciação busca explorar aquelas necessidades peculiares dos consumidores em alguns segmentos. Ao optar pelo enfoque, podemos obter vantagem competitiva, ao nos dedicarmos somente aos segmentos específicos. Temos que ficar atentos quando vamos definir o posicionamento estratégico da empresa para não cairmos no “meio-termo” (PORTER, 1986). Isto é, uma empresa que busca atender os requisitos de cada uma das estratégias genéricas, mas não alcança nenhuma delas e perde mercado e qualquer possibilidade de obter vantagem competitiva. Logística Empresarial 41 Isso acontece, pois as empresas de meio-termo vão ter desvantagens competitivas em custo, uma vez que seu produto não é o de menor custo no mercado, em diferenciação, por não ter excelência em critérios essenciais para o consumidor e de enfoque, não tendo também posição para competir em qualquer segmento. Vale ressaltar que a definição da estratégia genérica, por si só, não levará a empresa a ter desempenho acima da média. Para que essa vantagem aconteça efetivamente, ela deve ser sustentável frente aos concorrentes e resistir às mudanças de comportamento da concorrência ou do mercado. Logística Empresarial42 A Logística no Brasil Fonte: Freepik A maior parte das organizações brasileiras foi favorecida pelo fechamento do país ao mercado externo e pela proteção contra a concorrência estrangeira. Estes fatores criaram um mercado cativo e pouco competitivo, onde o lucro era fácil e a competição pequena. Por outro lado, exceto poucas exceções, levou ao anacronismo com as evoluções acontecidas em outros países na área da gestão empresarial e das técnicas de produção. Isso ficou evidente na abertura de mercado, ocorrida na década de 90, que nos expôs a competidores qualificados e acabou com o sonho de ganho fácil com pouco esforço. É necessário analisar os motivos que levaram ao descaso com a logística. O primeiro deles já foi citado, com o mercado fechado as empresas não tinham preocupação com a concorrência. Como tudo que era fabricado seria vendido, a disputa era apenas pela região a ser atendida ou por um melhor preço de venda, mas existia a certeza de que os estoques não encalhariam. Havia um regime de escassez, no qual a oferta é menor que a procura, o que permitia a cobrança de preços elevados que garantiam enormes margens de lucro e encobriam a ineficiência na produção. A economia explica que quando a oferta de um bem é pequena, o consumidor estará disposto a um gasto maior para a aquisição do bem de que precisa. Logística Empresarial 43 Portanto, mesmo com desperdícios e perdas, todos os custos podiam ser repassados ao consumidor final e sobres estes, ainda, podia- se determinar a margem desejada pelo fabricante. E para coroar este ambiente, não se pode esquecer do processo inflacionário. A inflação galopante, que chegou a beirar a taxa de 100% ao mês, permitia que os estoques fossem automaticamente valorizados a cada mudança de tabela imposta pelo fabricante. O comércio era enormemente beneficiado, pois se reabastecia a preços velhos e vendia a preços novos e como dispunha de longos prazos para pagamento podia buscar rendimentos adicionais na ciranda financeira. Este mecanismo possibilitava que, mesmo que se fosse ineficiente no gerenciamento do negócio, a empresa continuasse operando ao ser beneficiada pelos retornos das aplicações financeiras e pelo repasse do reajuste preços dos produtos ao consumidor final. O consumidor, sem poder de escolha, contribuía com este sistema ao comprar e estocar grandes quantidades dos bens que necessitava como forma de se proteger da inflação e da escassez. Naquela época, era comum que todas as casas tivessem um local para estocar as compras do mês, o famoso pedido,que eram realizadas logo após o recebimento do salário dos que sustentavam a família. A moeda desvalorizava a cada dia e, assim, as pessoas corriam para as lojas para adquirir os bens antes que seu poder de compra fosse reduzido pelo aumento dos preços. O mecanismo, anteriormente descrito, criou quase que um paraíso e muitos pensaram que este seria um conto de fadas sem fim. A escala de produção era pequena, pouco esforço, os preços e os lucros muitos altos, retorno fácil, e a inflação garantia a valorização dos estoques que eram investimento com retorno garantido. Não existia concorrência e cada um tinha a sua fatia de mercado, exceto para o cliente, parecia que não havia motivos para preocupação. Neste cenário, inovação e melhoria nos produtos e processos não era uma preocupação central. Nossa indústria automotiva era um bom exemplo disso. Os automóveis então ofertados, na sua maioria, eram modelos que já haviam deixado de ser fabricados há muito tempo nos países desenvolvidos. Logística Empresarial44 Muitas plantas aqui instaladas apresentavam índices de produtividade baixos e número de funcionários alto. Adotava-se a produção em massa e a integração com fornecedores inexistia. Este modelo, como já citado, ruiu na década de 90. O plano Real de estabilização da economia obteve sucesso e conseguiu frear a escalada inflacionária. Isso pôs fim ao costumeiro reajuste dos preços e como a demanda e o crédito foram arrojados, pelo aumento das taxas de juros, muitos preços tiveram que ser reduzidos. A especulação com estoques diminuiu, enquanto muitos varejistas contavam com quantidades suficientes para a venda de seis meses em seus armazéns. Uma verdade foi restabelecida, estoques não valorizam e representam despesas para a sua manutenção. Finalmente, as empresas precisaram aprender a gerenciar economicamente os estoques. Com recursos mais escassos e caros, tinham que melhorar o giro dos seus estoques e adequá-los a demanda real para poderem enxugar as quantidades e ao, mesmo tempo, não perder vendas pela falta dos itens desejados pelos clientes. Neste momento, percebeu-se que deveria existir uma maior integração com os fornecedores. Aquilo que se chama parceria e que até então não passava de uma palavra e algo que na prática quase não existia. Com a abertura de mercado, propiciada fortemente pela diminuição das absurdas alíquotas do ‘Imposto de Importação’, os produtores estrangeiros rapidamente desembarcaram aqui oferecendo uma vasta gama de novos produtos, os quais muitas vezes eram mais baratos e melhores que os existentes no mercado nacional. Isso acabou com a escassez e forçou, mais uma vez, a baixa dos preços. O consumidor descobriu o valor do seu dinheiro, começou a exigir qualidade e variedade e, principalmente, percebeu que o preço deve ser determinado pelo mercado e não pelo fabricante. Ao notar as vantagens oferecidas pelos produtos importados, forçou a indústria nacional a se modernizar para conseguir ser competitiva na oferta de produtos mais funcionais e mais baratos. Talvez o maior benefício tenha sido o de mostrar que nossos produtos e processos estavam defasados, pois os novos concorrentes Logística Empresarial 45 ofereciam melhor qualidade, tinham que transportar seus produtos por longas distâncias e contavam com estoques relativamente pequenos e, mesmo assim, atendiam as necessidades do mercado e conseguiam lucro vendendo a preços menores. As empresas sobreviventes foram àquelas capazes de enfrentar os sacrifícios do enxugamento das pesadas e ineficientes estruturas e, da busca pelo aumento da qualidade e produtividade. Para melhorar a performance empresarial houve a modernização dos sistemas produtivos e a aquisição de novas competências para a obtenção de agilidade e flexibilidade para responder às demandas de um mercado mais exigente e competitivo. A logística empresarial e a sua importância para a capacidade de competir de uma empresa parecem ter sido descobertas no Brasil neste período. O conjunto de fatores, anteriormente expostos, fez com que a preocupação com a logística fosse esquecida e, até mesmo favoreceu, a utilização de princípios contrários aos seus pressupostos. Por exemplo, a grande especulação com mercadorias incentivava a posse de uma elevada quantidade de materiais em estoques. Nesse momento, se faz necessário analisar a realidade do Brasil, e o que se apresenta, de modo geral, é preocupante. Não se sabe exatamente o montante de nossos custos logísticos que são estimados, no mínimo, como o dobro da média dos países desenvolvidos, que gastam nesta área 8 a 10% do seu PIB anual. Esses fatores impedem que sejamos competitivos e mostram o tamanho da nossa ineficiência nesta área tão fundamental. Cabe uma ressalva, muito desse custo é devido ao desperdício, a inadequação dos equipamentos e a ineficiência da operação e à falta de investimentos em logística e, portanto, não seria justo classifica-lo como custo logístico. O agronegócio, setor importante, que muito vem crescendo e que muito sofre com problemas logísticos, pode exemplificar esta realidade. Ao analisar o ciclo do plantio ao embarque no navio para exportação dos grãos é possível perceber desperdícios absurdos. O problema começa pela falta de locais para estocagem da colheita. No transporte perde-se uma grande quantidade de material no caminho. Na safra, existe a falta de caminhões, aumentando o preço do frete. Logística Empresarial46 Muitas estradas são ruins e dificultam o escoamento e ao chegar no porto, como não existe programação de descarga adequada e nem espaço para armazenagem, forma-se uma longa fila de espera e os caminhões ficam muito tempo parados. A logística é pouco difundida e aplicada pelas empresas nacionais, pesquisas mostram que a maioria delas está defasada e pratica os estágios iniciais do conceito de logística. Um fator ainda pior que agrava toda a situação, é constatar que muitos executivos e empresários desconhecem o que é realmente a logística e ao executar algumas de suas atividades pensam estar praticando-a na sua plenitude. Outra preocupação é a de que a logística seja vista como um modismo passageiro e sem importância ou como algo que só deve ser importante para as grandes corporações. A utilização de ferramentas avançadas, como o Supply Chain Management e o ECR (Resposta Eficiente ao Consumidor) ainda é pequena e está restrita a alguns segmentos, como o grande varejo e a indústria automotiva, que se tornaram ilhas de excelência. Cabe lembrar que aqueles que não tenham aptidão em logística poderão ser excluídos, por não estarem aptos a atender às exigências das cadeias mais exigentes que estão preocupadas em atender bem ao cliente de forma eficiente eficaz. É importante atentar para tal fato e aprender a fazer logística para melhorar o desempenho das operações. Nossa infraestrutura não é favorável, sendo necessários pesados investimentos neste setor. O Governo já fez um esforço para mapear os gargalos logísticos e o valor dos investimentos necessários. O problema é que o poder público alega não ter verbas e a iniciativa privada, muitas vezes, não está disposta a aplicar seus recursos nesta área. Esse problema foi resolvido pela troca do modal rodoviário pelo fluvial. Tanto esse caso como outros exemplos provam que investimento em infraestrutura logística trás retorno e beneficia o país. Logística Empresarial 47 Fonte: Freepik A matriz de transporte é fortemente dominada pelo transporte rodoviário, que responde por dois terços do movimento de carga no país. Este modal é o segundo mais caro, perde apenas aéreo. Além disso, existem vários outros problemas crônicos, como exemplo podemos citar: frota velha, estradas ruins, baixa produtividade e a insistência em utilizá-lo para grandes distâncias, onde outros modais são naturalmente mais eficientes. Em suma,apesar dos investimentos já realizados e das melhorias obtidas, o transporte ainda é um gargalo logístico sério para nosso país. Não existem indicadores de desempenho setoriais e muitas empresas não conhecem os seus custos logísticos. Se não sabemos como estamos fazendo, como saberemos o que precisa ser melhorado? Esta é uma importante pergunta para a qual a resposta é difícil. A avaliação do desempenho logístico e o seu alinhamento com o plano estratégico das empresas são raros. Portanto, muitas vezes, a logística é vista como uma atividade meramente operacional que não agrega valor e a qual só gera custos e não é importante. Outro ponto importante é o de que a exigência dos consumidores por uma maior variedade de produtos e pela inovação constante dos mesmos forçou o abandono do modelo de produção em massa, baseado na economia de escala, e a adoção do modelo de produção Logística Empresarial48 enxuta como meio de diminuir os custos e atender melhor aos desejos e necessidades do cliente. Esse fato significou um repensar completo do processo produtivo, com a adoção de uma manufatura flexível e de uma mão de obra qualificada e multifuncional. As mudanças alcançaram o ambiente externo as fábricas, pois o modelo de produção enxuta exige a excelência em logística para que se possa adotar os conceitos do Just in Time e o estabelecimento de parcerias para eliminação dos estoques e permitir que se funcione de acordo com a demanda. Esse panorama mostra desafios e oportunidades. Os desafios estão na necessidade de rápida solução dos problemas que impedem o desenvolvimento e o aumento da eficiência da logística. As oportunidades, neste cenário adverso, mostram um enorme espaço para melhorias. Aqueles que fizerem essas melhorias primeiro estarão se distanciando fortemente de seus concorrentes e se habilitando para a conquista de novos mercados. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a competitividade depende de diversos fatores, mas a excelência em logística tem se destacado como fonte de vantagens competitivas para permitir que uma empresa ou uma cadeia melhore seu desempenho e esteja apta a manter conquistar novas fatias e obter um desempenho financeiro acima da média dos concorrentes. Logística Empresarial 49 BIBLIOGRAFIA BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamento e operação. São Paulo: Prentice Hall, 2003. CHRISTOPHER, M., Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo: Pioneira, 1997. PORTER, M. E. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro: Elsevier, 1986. RITZMAN, L. P.; KRAJEWSKI, L. J. Administração da Produção e Operações. São Paulo: Prentice Hall, 2004. Rodrigo Souza da Costa Logística Empresarial