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Jogos Teatrais – introdução O teatro vem sendo trabalhado, nas mais diversas instituições educacionais e culturais preferencialmente, a partir da prática com jogos de improvisação, e isso porque se compreende na investigação proposta por essas atividades o prazer de jogar se aproxima do prazer de aprender a fazer e a ver teatro, estimulando os participantes (de qualquer idade) a organizar um discurso cênico apurado, que explore a utilização dos diferentes elementos que constituem a linguagem teatral, bem como a empreender leituras próprias acerca das cenas criadas pelos demais integrantes do grupo (grifo do autor) (DESGRANGES, 2006, p. 87). O teatro, por intermédio da prática de liberdade pode proporcionar a oportunidade de crianças e adolescentes de várias idades, de ampliar sua habilidade de criação. Esse processo criativo e construtivo permite a eles desenvolver suas potencialidades de vivência e convivência na sociedade atual, com participação ativa, integrados socialmente de modo mais humanizado, com mais conhecimento, conscientização e autonomia. O teatro pode ser uma forma eficaz para liberar toda a energia criativa dos envolvidos, um grande caminho para auxiliá-los no seu desenvolvimento pessoal, intelectual e no seu dia a dia, valorizando o sujeito consciente que pertence e atua na sociedade. A Arte age rápido, o Teatro conquista, envolve todos aqueles que estão próximos a ele. Essa rapidez pôde ser conferida continuamente. Daí a importância de projetos dentro da escola, principalmente dentro da escola pública. IMPROVISAÇÃO De acordo com Nuno de Matos Duarte em seu artigo “Arte e Improvisação: uma questão de identidade”, a improvisação desde sempre foi usada em arte – duas categorias básicas: . Ferramenta de pesquisa para formar a obra de arte, o artista testa diferentes soluções; . Pura, não só a ferramenta, mas a obra em si. Obra de arte improvisada é aquela que se forma em tempo real ficando visível e/ou audível ela, ao constituir-se seu corpo, a expressão direta de todos os passos dados pelos artistas. Ao entregar-se ao improviso, o artista parece extrair de si a sua idiossincrasia transformada em obra de arte/ associação de matéria que existe e tomou forma. Não é um vale tudo – a arte tem sempre presente uma ética que condiciona a estética. Improvisadores possuem um léxico teatral/repertório. “O princípio do jogo teatral é o mesmo da improvisação teatral e do teatro improvisacional, isto é, a comunicação que emerge a partir da criatividade e espontaneidade das interações entre sujeitos mediados pela linguagem teatral, que se encontram engajados na solução cênica de um problema de atuação” (JAPIASSU, 1998, p. 3). O JOGO O jogo cênico traz aquele que realiza a ação e aquele que assiste. Disponibilidade, presença e cumplicidade na dramaturgia/interpretação contemporânea. Richard Courtney aponta que foi Caldwell Cook, em 1917, em Cambridge, que formulou “[...] a ideia básica de que atividade dramática era um método bastante efetivo de aprendizagem” (1980, p. 42) por meio do “Play Way”, um método em que um livro-texto (específico de uma disciplina do currículo) é a base para a história que as crianças vão representar e, assim, aprender o conteúdo abordado. Antes disso, apenas a encenação de uma peça acontecia na escola. Courtney esclarece que, após o Play Way, “O estágio seguinte foi o conceito de que o jogo natural era educacionalmente importante em si mesmo. [...] Nos anos 20 e 30, escolas estiveram experimentando o jogo livre, particularmente com crianças de 5 a 7 anos na Grã-Bretanha” (1980, p. 42). Richard Courtney também acredita que atuamos na sociedade e que, atuando, convivemos com o nosso meio por intermédio do jogo: “Fingir ser outra pessoa – atuar – é parte do processo de viver; podemos “fazer de conta”, fisicamente, quando somos pequenos, ou fazê-lo internamente quando somos adultos. Atuamos todos os dias: com nossos amigos, nossa família, com estranhos” (COURTNEY, 1980, p. 3). Peter Slade, em 1954, a partir de um trabalho que já desenvolvia há vinte anos, defende que o “jogo dramático infantil” poderia ter seu lugar no currículo escolar como uma “disciplina” independente, e não como uma atividade, um método em função de outras matérias (COURTNEY, 1980, p. 46). Peter Slade - inglês nascido em Hampshire em 7 de novembro de 1912, morreu em 28 de Junho de 2004 - foi um escritor e dramaterapeuta, um dos pioneiros no estudo de teatro para crianças. Slade, distingue entre duas formas de jogo, ambas dramática: jogo pessoal e projetado. No jogo pessoal, todo o indivíduo integra-se no movimento e na caracterização, há uma tendência para o ruído e o esforço físico e a criança está atuando no sentido real – desenvolvendo-se no que se refere a correr e jogos de bola, luta e dança, natação e representação. No jogo projetado, a mente é mais usada que o corpo, e a criança “projeta” uma situação dramática imaginária, exterior aos objetos, com grande concentração; é uma tendência que concerne à quietude e à imobilidade – desenvolvendo-se para a arte e execução da música, ler e escrever, observação e paciência (COURTNEY, 46). A sistematização de jogos teatrais no ensino do teatro foi elaborada pioneiramente pela americana Viola Spolin nos Estados Unidos da América, a partir de 1940. Spolin nasceu em 1906 em Chicago e é considerada como a avó norte-americana do teatro improvisacional. Viola Spolin 7 de novembro 1906 22 de novembro 1994 Foi ela a responsável pelo termo theatre game – jogo teatral: [...] um sistema visando o aprendizado da atuação teatral, criado para todos os que desejam expressar-se através do teatro. [...] Este sistema de atuação, calcado em jogos de improvisação, tem o intuito de estimular o participante a construir um conhecimento próprio acerca da linguagem teatral, através de um método em que o indivíduo, junto com o grupo, aprende a partir da experimentação cênica e da análise critica do que foi realizado. Os participantes do processo, assim, elaboram coletivamente conceitos acerca das suas atuações e da sua compreensão da linguagem teatral (DESGRANGES, 2006, p. 109, 110). O jogo teatral é uma ferramenta que estimula a expressão criativa por meio da autodescoberta e da experiência pessoal; funciona como uma chave para abrir a capacidade da auto-expressão criativa. Neste jogo, desafios são lançados aos jogadores, por meio da problematização, que devem lidar com suas dificuldades. Ou seja, o jogador é desafiado a resolver um problema dado, de forma cênica, mediante a construção física de uma ficção (SPOLIN, 1979). Três essências do Jogo Teatral: • Foco • Instrução •Avaliação A concentração (foco), o trabalho com objetos imaginários, a busca da presença cênica, e a exploração da diferença entre o mostrar (vivenciar) e o contar (narrar), sempre com ênfase na importância da ação para a constituição do processo de conhecimento e existência da personagem, são outros componentes da ação dramática que também fundamentam o método das ações físicas. Um método que tem como objetivo desenvolver o que os atores e atrizes devem realizar nas situações propostas pelo autor, justamente, em improvisações (idem, 2010). Ao desenvolver os jogos teatrais, estar sempre muito atento(o) às instruções sobre eles, pois é preciso mediá-las com clareza e, ao mesmo tempo, com a criatividade e espontaneidade como centro desse processo. Esses jogos, devem adaptados ao universo dos alunos e alunas, após um levantamento do repertório deles. O jogo é uma forma natural de grupo que propicia o envolvimento e a liberdade pessoal necessários para a experiência. Os jogos desenvolvem as técnicas e habilidades pessoais necessárias para o jogo em si, através do próprio ato de jogar. As habilidades são desenvolvidas no próprio momento em que a pessoa está jogando, divertindo-seao máximo e recebendo toda a estimulação que o jogo tem para oferecer – é este o exato momento em que ela está verdadeiramente aberta para recebê-las (SPOLIN, 1979, p.4). Propor problemas que façam sentido para os alunos e alunas; assim eles elaboram respostas para estes problemas, por meio do uso de elementos fundamentais da estrutura dramática: “quem?”, “onde?”, “o quê?” (personagem, espaço e ação) e, posteriormente, também “como?”, “por quê?”, “quando?” Resoluções cênicas próprias e criativas, não definitivas, problemas para resolver problemas. Apresentar essas encenações entre si, ou seja, os jogadores são divididos em palco e público, com os dois grupos assumindo os dois papéis em momentos diferentes. A reflexão e análise crítica do que é apresentado sempre devem acontecer após os jogos e constituem uma proposta de avaliação, também a partir do foco que orienta o olhar dos jogadores no palco ou público, elimina julgamentos de valor ou gosto pessoal e possibilita muito prazer aos participantes, que se sentem pertencer ao espaço, com voz e vez, trabalhando tanto o olhar teatral como a autonomia. Como aplicar um jogo teatral: •Aquecimento • Jogo teatral • Fechamento Aquecimento Antes de começar a aplicação de jogos teatrais ou de qualquer atividade teatral é importante que se prepare o corpo, voz e mente dos participantes para isso. Chamamos de ficar em situação de jogo, no qual o participante está pronto para receber qualquer instrução para a realização dos jogos teatrais. Para isso o aquecimento é muito importante e existem várias formas de fazê-lo. Respiração e alongamento. O primeiro cuidado que se deve tomar para que a voz adquira a qualidade desejada é respirar corretamente. É necessário observar o gesto respiratório que compreende dois tempos: inspiração e a expiração, na inspiração o tórax se dilata e o ar penetra nos pulmões e é levado para o diafragma e na expiração o ar é expelido por um movimento inverso. Se estiver sentado mantenha os pés bem apoiados no chão, os ombros abertos e para trás (costas na cadeira de forma alinhada) e mantenha a cabeça erguida e a boca levemente aberta. Além da respiração o corpo também precisa estar pronto para os jogos, então alguns alongamentos são interessantes para esse preparo. Esse aquecimento é importante não só para os jogos teatrais, mas para os professores prepararem o corpo e a voz para entrarem em sala de aula. O professor trabalha muito com a fala, sempre está em movimento, então é fundamental que faça sempre um aquecimento antes de cada dia de trabalho, assim seu corpo inteiro, voz e membros, estarão preparados para a aula. Jogo teatral Existem diversos tipos de jogos teatrais. Temos jogos que trabalham o gesto, jogos que trabalham a fala, jogos que trabalham a concentração, a coletividade, entre muitas outras coisas. O jogo teatral não funciona somente para o teatro, mas para a nossa vida inteira, como professores podemos usar alguns jogos teatrais para trabalhar aquilo que precisa ser desenvolvido em nós mesmos e nos nossos alunos. Com o jogo exercitamos muitas funções que por vezes não nos lembramos como são importantes e que com os jogos percebemos que precisamos trabalhar. Como por exemplo a fala, é muito importante trabalharmos nossa voz e as diferentes maneiras de nos comunicarmos. A fala é nosso principal meio de comunicação, então ser sempre bem claro e objetivo é importante para que essa comunicação seja feita com êxito. Diversos jogos teatrais trabalham formas de usar a fala, existem jogos que nos auxiliam a tirar vícios de linguagens, à falar de forma mais dinâmica e assim melhorar nosso diálogo. Fechamento Por fim depois de feito um aquecimento e aplicado o jogo teatral é muito importante fazer um fechamento da aula, uma conclusão com os alunos sobre tudo o que foi feito. O fechamento contribui também para reestabelecer a calma com os alunos e com nós mesmos, com nossos corpos e mentes. Muitas vezes nas aulas ficamos agitados, com o fechamento voltamos para uma certa calma e assim compreendemos como foram as atividades e como elas contribuíram para nosso aprendizado. Exemplo de jogos teatrais Segue aqui alguns exemplos de jogos teatrais a serem aplicados com os alunos, cada um deles tem um foco em específico e que contribui não só para o aluno, mas também para a desenvoltura do professor. Esses jogos são da autora Viola Spolin e foram retirados do seu livro Fichário de Viola Spolin.