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Unid 10- Jogos Teatrais

Texto introdutório sobre jogos teatrais e improvisação que apresenta definições e justificativas pedagógicas, benefícios para crianças/adolescentes, referências teóricas (Desgranges, Nuno de Matos Duarte, Japiassu, Courtney, Slade) e distinção entre jogo pessoal e projetado.

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Jogos Teatrais – introdução
O teatro vem sendo trabalhado, nas mais diversas instituições 
educacionais e culturais preferencialmente, a partir da prática com 
jogos de improvisação, e isso porque se compreende na 
investigação proposta por essas atividades o prazer de jogar se 
aproxima do prazer de aprender a fazer e a ver teatro, 
estimulando os participantes (de qualquer idade) a organizar um 
discurso cênico apurado, que explore a utilização dos diferentes 
elementos que constituem a linguagem teatral, bem como a 
empreender leituras próprias acerca das cenas criadas pelos demais 
integrantes do grupo (grifo do autor) (DESGRANGES, 2006, p. 87).
O teatro, por intermédio da prática de liberdade pode proporcionar 
a oportunidade de crianças e adolescentes de várias idades, de 
ampliar sua habilidade de criação. Esse processo criativo e 
construtivo permite a eles desenvolver suas potencialidades de 
vivência e convivência na sociedade atual, com participação ativa, 
integrados socialmente de modo mais humanizado, com mais 
conhecimento, conscientização e autonomia.
O teatro pode ser uma forma eficaz para liberar toda a energia 
criativa dos envolvidos, um grande caminho para auxiliá-los no seu 
desenvolvimento pessoal, intelectual e no seu dia a dia, valorizando 
o sujeito consciente que pertence e atua na sociedade.
A Arte age rápido, o Teatro conquista, envolve todos aqueles que 
estão próximos a ele. 
Essa rapidez pôde ser conferida continuamente. Daí a importância 
de projetos dentro da escola, principalmente dentro da escola 
pública. 
IMPROVISAÇÃO 
De acordo com Nuno de Matos Duarte em seu artigo “Arte e 
Improvisação: uma questão de identidade”, a improvisação desde 
sempre foi usada em arte – duas categorias básicas:
. Ferramenta de pesquisa para formar a obra de arte, o artista testa 
diferentes soluções;
. Pura, não só a ferramenta, mas a obra em si.
Obra de arte improvisada é aquela que se forma em tempo real 
ficando visível e/ou audível ela, ao constituir-se seu corpo, a 
expressão direta de todos os passos dados pelos artistas.
Ao entregar-se ao improviso, o artista parece extrair de si a sua 
idiossincrasia transformada em obra de arte/ associação de matéria 
que existe e tomou forma. Não é um vale tudo – a arte tem sempre 
presente uma ética que condiciona a estética. Improvisadores 
possuem um léxico teatral/repertório.
“O princípio do jogo teatral é o mesmo da improvisação teatral e 
do teatro improvisacional, isto é, a comunicação que emerge a 
partir da criatividade e espontaneidade das interações entre 
sujeitos mediados pela linguagem teatral, que se encontram 
engajados na solução cênica de um problema de atuação” 
(JAPIASSU, 1998, p. 3).
O JOGO
O jogo cênico traz aquele que realiza a ação e aquele que assiste.
Disponibilidade, presença e cumplicidade na 
dramaturgia/interpretação contemporânea.
Richard Courtney aponta que foi Caldwell Cook, em 1917, em 
Cambridge, que formulou “[...] a ideia básica de que atividade 
dramática era um método bastante efetivo de aprendizagem” 
(1980, p. 42) por meio do “Play Way”, um método em que um 
livro-texto (específico de uma disciplina do currículo) é a base para 
a história que as crianças vão representar e, assim, aprender o 
conteúdo abordado. Antes disso, apenas a encenação de uma peça 
acontecia na escola.
Courtney esclarece que, após o Play Way, “O estágio seguinte foi o 
conceito de que o jogo natural era educacionalmente importante 
em si mesmo. [...] Nos anos 20 e 30, escolas estiveram 
experimentando o jogo livre, particularmente com crianças de 5 a 7 
anos na Grã-Bretanha” (1980, p. 42).
Richard Courtney também acredita que atuamos na sociedade e 
que, atuando, convivemos com o nosso meio por intermédio do 
jogo:
“Fingir ser outra pessoa – atuar – é parte do processo de viver; 
podemos “fazer de conta”, fisicamente, quando somos pequenos, 
ou fazê-lo internamente quando somos adultos. Atuamos todos os 
dias: com nossos amigos, nossa família, com estranhos” 
(COURTNEY, 1980, p. 3).
Peter Slade, em 1954, a partir de um trabalho que já desenvolvia há 
vinte anos, defende que o “jogo dramático infantil” poderia ter seu 
lugar no currículo escolar como uma “disciplina” independente, e 
não como uma atividade, um método em função de outras matérias 
(COURTNEY, 1980, p. 46).
Peter Slade - inglês nascido em Hampshire em 7 de novembro de 
1912, morreu em 28 de Junho de 2004 - foi um escritor e 
dramaterapeuta, um dos pioneiros no estudo de teatro para 
crianças.
Slade, distingue entre duas formas de jogo, ambas dramática: jogo 
pessoal e projetado. No jogo pessoal, todo o indivíduo integra-se no 
movimento e na caracterização, há uma tendência para o ruído e o 
esforço físico e a criança está atuando no sentido real – 
desenvolvendo-se no que se refere a correr e jogos de bola, luta e 
dança, natação e representação. No jogo projetado, a mente é mais 
usada que o corpo, e a criança “projeta” uma situação dramática 
imaginária, exterior aos objetos, com grande concentração; é uma 
tendência que concerne à quietude e à imobilidade – 
desenvolvendo-se para a arte e execução da música, ler e escrever, 
observação e paciência (COURTNEY, 46).
A sistematização de jogos teatrais no 
ensino do teatro foi elaborada 
pioneiramente pela americana Viola Spolin 
nos Estados Unidos da América, a partir de 
1940. Spolin nasceu em 1906 em Chicago 
e é considerada como a avó 
norte-americana do teatro 
improvisacional. 
Viola Spolin
7 de novembro 1906 
22 de novembro 1994
Foi ela a responsável pelo termo 
theatre game – jogo teatral:
[...] um sistema visando o aprendizado da atuação teatral, criado 
para todos os que desejam expressar-se através do teatro. [...] Este 
sistema de atuação, calcado em jogos de improvisação, tem o 
intuito de estimular o participante a construir um conhecimento 
próprio acerca da linguagem teatral, através de um método em que 
o indivíduo, junto com o grupo, aprende a partir da experimentação 
cênica e da análise critica do que foi realizado. Os participantes do 
processo, assim, elaboram coletivamente conceitos acerca das suas 
atuações e da sua compreensão da linguagem teatral 
(DESGRANGES, 2006, p. 109, 110).
O jogo teatral é uma ferramenta que estimula a expressão 
criativa por meio da autodescoberta e da experiência pessoal; 
funciona como uma chave para abrir a capacidade da 
auto-expressão criativa. Neste jogo, desafios são lançados aos 
jogadores, por meio da problematização, que devem lidar com 
suas dificuldades. Ou seja, o jogador é desafiado a resolver um 
problema dado, de forma cênica, mediante a construção física de 
uma ficção (SPOLIN, 1979).
Três essências do Jogo Teatral: 
• Foco 
• Instrução 
•Avaliação 
A concentração (foco), o trabalho com objetos imaginários, a busca da 
presença cênica, e a exploração da diferença entre o mostrar (vivenciar) e 
o contar (narrar), sempre com ênfase na importância da ação para a 
constituição do processo de conhecimento e existência da personagem, 
são outros componentes da ação dramática que também fundamentam o 
método das ações físicas. Um método que tem como objetivo desenvolver 
o que os atores e atrizes devem realizar nas situações propostas pelo 
autor, justamente, em improvisações (idem, 2010).
Ao desenvolver os jogos teatrais, estar sempre muito atento(o) 
às instruções sobre eles, pois é preciso mediá-las com clareza e, 
ao mesmo tempo, com a criatividade e espontaneidade como 
centro desse processo.
Esses jogos, devem adaptados ao universo dos alunos e alunas, 
após um levantamento do repertório deles.
O jogo é uma forma natural de grupo que propicia o 
envolvimento e a liberdade pessoal necessários para a 
experiência. Os jogos desenvolvem as técnicas e habilidades 
pessoais necessárias para o jogo em si, através do próprio ato de 
jogar. As habilidades são desenvolvidas no próprio momento em 
que a pessoa está jogando, divertindo-seao máximo e 
recebendo toda a estimulação que o jogo tem para oferecer – é 
este o exato momento em que ela está verdadeiramente aberta 
para recebê-las (SPOLIN, 1979, p.4).
Propor problemas que façam sentido para os alunos e alunas; assim 
eles elaboram respostas para estes problemas, por meio do uso de 
elementos fundamentais da estrutura dramática: “quem?”, 
“onde?”, “o quê?” (personagem, espaço e ação) e, posteriormente, 
também “como?”, “por quê?”, “quando?”
Resoluções cênicas próprias e criativas, não definitivas, problemas 
para resolver problemas.
Apresentar essas encenações entre si, ou seja, os jogadores são 
divididos em palco e público, com os dois grupos assumindo os dois 
papéis em momentos diferentes.
A reflexão e análise crítica do que é apresentado sempre devem 
acontecer após os jogos e constituem uma proposta de 
avaliação, também a partir do foco que orienta o olhar dos 
jogadores no palco ou público, elimina julgamentos de valor ou 
gosto pessoal e possibilita muito prazer aos participantes, que se 
sentem pertencer ao espaço, com voz e vez, trabalhando tanto o 
olhar teatral como a autonomia.
Como aplicar um jogo teatral:
•Aquecimento
• Jogo teatral
• Fechamento 
Aquecimento
Antes de começar a aplicação de jogos teatrais ou de qualquer 
atividade teatral é importante que se prepare o corpo, voz e mente 
dos participantes para isso.
Chamamos de ficar em situação de jogo, no qual o participante está 
pronto para receber qualquer instrução para a realização dos jogos 
teatrais.
Para isso o aquecimento é muito importante e existem várias 
formas de fazê-lo. 
Respiração e alongamento.
O primeiro cuidado que se deve tomar para que a voz adquira a 
qualidade desejada é respirar corretamente. É necessário observar o 
gesto respiratório que compreende dois tempos: inspiração e a 
expiração, na inspiração o tórax se dilata e o ar penetra nos pulmões e 
é levado para o diafragma e na expiração o ar é expelido por um 
movimento inverso.
Se estiver sentado mantenha os pés bem apoiados no chão, os ombros 
abertos e para trás (costas na cadeira de forma alinhada) e mantenha a 
cabeça erguida e a boca levemente aberta.
Além da respiração o corpo também precisa estar pronto para os 
jogos, então alguns alongamentos são interessantes para esse 
preparo.
Esse aquecimento é importante não só para os jogos teatrais, mas 
para os professores prepararem o corpo e a voz para entrarem em 
sala de aula.
O professor trabalha muito com a fala, sempre está em movimento, 
então é fundamental que faça sempre um aquecimento antes de 
cada dia de trabalho, assim seu corpo inteiro, voz e membros, 
estarão preparados para a aula.
Jogo teatral
Existem diversos tipos de jogos teatrais. 
Temos jogos que trabalham o gesto, jogos que trabalham a fala, jogos 
que trabalham a concentração, a coletividade, entre muitas outras 
coisas.
O jogo teatral não funciona somente para o teatro, mas para a nossa 
vida inteira, como professores podemos usar alguns jogos teatrais para 
trabalhar aquilo que precisa ser desenvolvido em nós mesmos e nos 
nossos alunos. 
Com o jogo exercitamos muitas funções que por vezes não nos 
lembramos como são importantes e que com os jogos percebemos que 
precisamos trabalhar.
Como por exemplo a fala, é muito importante trabalharmos nossa voz 
e as diferentes maneiras de nos comunicarmos.
A fala é nosso principal meio de comunicação, então ser sempre bem 
claro e objetivo é importante para que essa comunicação seja feita 
com êxito. 
Diversos jogos teatrais trabalham formas de usar a fala, existem jogos 
que nos auxiliam a tirar vícios de linguagens, à falar de forma mais 
dinâmica e assim melhorar nosso diálogo.
Fechamento
Por fim depois de feito um aquecimento e aplicado o jogo teatral é 
muito importante fazer um fechamento da aula, uma conclusão com os 
alunos sobre tudo o que foi feito.
O fechamento contribui também para reestabelecer a calma com os 
alunos e com nós mesmos, com nossos corpos e mentes.
Muitas vezes nas aulas ficamos agitados, com o fechamento voltamos 
para uma certa calma e assim compreendemos como foram as 
atividades e como elas contribuíram para nosso aprendizado.
Exemplo de jogos teatrais
Segue aqui alguns exemplos de jogos teatrais a 
serem aplicados com os alunos, cada um deles 
tem um foco em específico e que contribui não 
só para o aluno, mas também para a 
desenvoltura do professor.
Esses jogos são da autora Viola Spolin e foram 
retirados do seu livro Fichário de Viola Spolin.