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Questões resolvidas

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Pontuação
Ano: 2023 Banca: Avança SP
Instituição: Prefeitura de Americana - SP744
A pipoca
A culinária me fascina. De vez em 
quando eu até me até atrevo a cozinhar. 
Mas o fato é que sou mais competente 
com as palavras do que com as 
panelas. (...)
Sabedor das minhas limitações e 
competências, nunca escrevi como 
chefe. Escrevi como filósofo, poeta, 
psicanalista e teólogo — porque a 
culinária estimula todas essas funções 
do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades 
oníricas.
Provocam a minha capacidade de 
sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que 
chegaria um dia em que a pipoca iria 
me fazer sonhar. Pois foi precisamente 
isso que aconteceu. (...)
A pipoca é um milho mirrado, 
subdesenvolvido.
Fosse eu agricultor ignorante, e se no 
meio dos meus milhos graúdos 
aparecessem aquelas espigas nanicas, 
eu ficaria bravo e trataria de me livrar 
delas. Pois o fato é que, sob o ponto de 
vista de tamanho, os milhos da pipoca 
não podem competir com os milhos 
normais. Não sei como isso aconteceu, 
mas o fato é que houve alguém que 
teve a ideia de debulhar as espigas e 
colocá-las numa panela sobre o fogo, 
esperando que assim os grãos 
amolecessem e pudessem ser comidos. 
(...)
Repentinamente os grãos começaram a 
estourar, saltavam da panela com uma 
enorme barulheira. Mas o extraordinário 
era o que acontecia com eles: os grãos 
duros quebradentes se transformavam 
em flores brancas e macias que até as 
crianças podiam comer. O estouro das 
pipocas se transformou, então, de uma 
simples operação culinária, em uma 
festa, brincadeira, molecagem, para os 
risos de todos, especialmente as
crianças. É muito divertido ver o estouro 
das pipocas! (...)
É que a transformação do milho duro 
em pipoca macia é símbolo da grande 
transformação porque devem passar os 
homens para que eles venham a ser o 
que devem ser. O milho da pipoca não é 
o que deve ser. Ele deve ser aquilo que 
acontece depois do estouro. O milho da 
pipoca somos nós: duros, quebradentes, 
impróprios para comer, pelo poder do 
fogo podemos, repentinamente, nos 
transformar em outra coisa — voltar a 
ser crianças! Mas a transformação só 
acontece pelo poder do fogo.
Milho de pipoca que não passa pelo 
fogo continua a ser milho de pipoca, 
para sempre.
Assim acontece com a gente. As 
grandes transformações acontecem 
quando passamos pelo fogo. (...)
O fogo é quando a vida nos lança numa 
situação que nunca imaginamos. Dor. 
Pode ser fogo de fora: perder um amor, 
perder um filho, ficar doente, perder um 
emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de 
dentro. Pânico, medo, ansiedade, 
depressão — sofrimentos cujas causas 
ignoramos. (...)
Imagino que a pobre pipoca, fechada 
dentro da panela, lá dentro ficando 
cada vez mais quente, pense que sua 
hora chegou: vai morrer. (...) A pipoca 
não imagina aquilo de que ela é capaz. 
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, 
a grande transformação acontece: PUF!!
— e ela aparece como outra coisa, 
completamente diferente, que ela 
mesma nunca havia sonhado. É a 
lagarta rastejante e feia que surge do 
casulo como borboleta voante. (...)
Em Minas, todo mundo sabe o que é 
piruá. Falando sobre os piruás com os 
paulistas, descobri que eles ignoram o 
que seja. Alguns, inclusive, acharam que 
era gozação minha, que piruá é palavra 
inexistente. Cheguei a ser forçado a me 
valer do Aurélio para confirmar o meu 
conhecimento da língua. Piruá é o milho 
de pipoca que se recusa a estourar.
438
Licenciado para - Juliane A
lencar M
uniz - 16663236750 - P
rotegido por E
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Pontuação
Meu amigo William, extraordinário 
professor pesquisador da Unicamp, 
especializou-se em milhos, e desvendou
cientificamente o assombro do estouro 
da pipoca. Com certeza ele tem uma 
explicação científica para os piruás. 
Mas, no mundo da poesia, as 
explicações científicas não valem. (...)
Piruás são aquelas pessoas que, por 
mais que o fogo esquente, se recusam a 
mudar. Elas acham que não pode existir
coisa mais maravilhosa do que o jeito 
delas serem. (...) A sua presunção e o 
seu medo são a dura casca do milho 
que não estoura. O destino delas é triste. 
Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se 
transformar na flor branca macia. Não 
vão dar alegria para ninguém. 
Terminado o estouro alegre da pipoca, 
no fundo da panela ficam os piruás que 
não servem para nada. Seu destino é o 
lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são 
adultos que voltaram a ser crianças e 
que sabem que a vida é uma grande 
brincadeira...
ALVES, Rubem. A pipoca. In: . O 
amor que acende a lua. Campinas, SP: 
Papirus, 1999.
Assinale a alternativa que apresenta 
justificativa correta para o uso da 
vírgula no fragmento “Em Minas, todo 
mundo sabe o que é piruá.” (13º 
parágrafo):
A) Destaca um adjunto adverbial 
deslocado na oração.
B) Isola um aposto explicativo.
C) Separa um termo de uma 
enumeração.
D) Destaca um termo com valor
conclusivo.
E) Isola uma vocativo.
Ano: 2023 Banca: IBFC Instituição:
Prefeitura de Cuiabá - MT745
Vênus
(Caio Fernando Abreu)
Há seis anos, ele estava apaixonado 
por ela. Perdidamente. O problema – um 
dos problemas, porque havia outros, 
bem mais graves -, o problema inicial, 
pelo menos, é que era cedo demais. 
Quando se tem vinte ou trinta anos, seis 
anos de paixão pode ser muito (ou 
pouco, vai saber) tempo. Mas acontece 
que ele só tinha doze anos. Ela, um a 
mais. Estavam ambos naquela faixa 
intermediária em que ficou cedo demais 
para algumas coisas, e demasiado 
tarde para a maioria das outras.
Ela chamava-se Beatriz. Ele chamava- 
se – não vem ao caso. Mas não era 
Dante, ainda não. Anos mais tarde, 
tentaria lembrar-se de Como Tudo 
Começou. E não conseguia. Não 
conseguiria, claramente. Voltavam 
sempre cenas confusas na memória. 
Misturavam-se, sem cronologia, sem 
que ele conseguisse determinar o que 
teria vindo antes ou depois daquele
momento em que, tão perdidamente, 
apaixonou-se por Beatriz.
Voltavam principalmente duas cenas.
A primeira, num aniversário, não saberia 
dizer de quem. Dessas festas de verão, 
janelas da casa todas abertas, deixando 
entrar uma luz bem clara que depois 
empalideceria aos poucos, tingindo o 
céu de vermelho, porque entardecia. Ele 
lembrava de um copo de guaraná, da 
saia de veludo da mãe – sempre ficava 
enroscado na mãe, nas festas, espiando 
de longe os outros, os da idade dele. 
Lembrava do copo de guaraná, da saia 
de veludo (seria verde musgo?) e do 
balão de gás que segurava. Então a 
mãe perguntou, de repente, qual a 
menina da festa que ele achava mais 
bonita. Sem precisar pensar, respondeu:
- Beatriz.
A mãe riu, jogou para trás os cabelos – 
uns cabelos dourados, que nem o 
guaraná e a luz de verão – e disse 
assim:
- Credo, aquele estrelete?
Anos mais tarde, não encontraria no 
dicionário o significado da palavra 
estrelete. Mas naquele momento, ali 
com o balão em uma das mãos, o 
guaraná na outra, cotovelos fincados no 
veludo (seria azulmarinho?) da saia da 
mãe, pensou primeiro em estrela. Talvez 
por causa do movimento dos cabelos
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Pontuação
da mãe, quando tudo brilhou, ele 
pensou em estrela. Uma pequena 
estrela. Uma estrela magrinha, meio 
nervosa. Beatriz tinha um pescoço longo 
de bailarina que a fazia mais alta que as 
outras meninas, e um jeito lindo de 
brilhar quando movia as costas muito 
retas, olhando adulta em volta.
Estrelete estrelete estrelete estrelete – 
repetiu e repetiu até que a palavra
perdesse o sentido e, reduzida a faíscas, 
saísse voando junto com o balão que ele
soltou, escondido atrás do taquareiro. 
Bem na hora que o sol sumia e uma
primeira estrela apareceu. Estrela-
d’Alva, Vésper, Vênus, diziam. Diziam 
muitas coisas que eleainda não 
entendia.
A presença da vírgula na passagem 
“Mas acontece que ele só tinha doze 
anos. Ela, um a mais.” (1º§) justifica-se:
A) pela possibilidade de separar sujeito 
e predicado.
B) por indicar a omissão de um termo 
citado antes.
C) por apontar um sentido de 
continuidade sintática.
D) pelo isolamento de um termo de 
valor adverbial.
Preencha corretamente as lacunas do 
texto, considerando-se o que afirmam 
Cereja e Chochar (2013, p. 314) sobre a 
pontuação.
“Um texto escrito adquire sentidos 
diferentes quando pontuado de formas 
diferentes. O uso da pontuação depende 
da intenção do locutor do discurso. Os 
sinais de pontuação estão diretamente 
relacionados ao , ao
 e às intenções”. 
Assim, no período “Saber dirigir é muito 
mais do que seguir as instruções 
básicas (soltar freio de mão etc.)...”, o 
uso dos parênteses tem caráter
 . Já em 
“Reconhecer um rosto, jogar xadrez, 
falar uma língua estrangeira são outros 
exemplos de coisas que sabemos 
fazer...”, as vírgulas foram empregadas 
para separar frases
.
A sequência que preenche 
corretamente as lacunas do texto é
A) contexto / locutor / restritivo / 
adjetivas explicativas
B) texto / interlocutor / explicativo / 
adjetivas explicativas
C) texto / receptor / conclusivo / 
subordinadas substantivas
D) contexto / interlocutor / restritivo / 
justapostas assindéticas
E) contexto / interlocutor / explicativo /
justapostas assindéticas
Ano: 2023 Banca: FCM Instituição: FCM
- 2023 - IFB746
As vírgulas presentes no termo “Andrew 
Bailey” no fragmento “Na última terça- 
feira (11), o presidente do Banco da 
Inglaterra (o banco central britânico), 
Andrew Bailey, (...)” (5º parágrafo) foram 
empregadas para:
A) Separar uma citação.
B) Destacar um vocativo.
C) Isolar um aposto.
D) Destacar um termo enumerativo.
E) Separar um adjunto adverbial 
deslocado.
 no: 2023 anca: Avança SP
Ins i uição: Prefeitura de Americana - SP747
Ano: 2023 Banca: MS CONCURSOS
Instituição: Prefeitura de Patrocínio - MG748
Assinale a oração que está pontuada 
incorretamente.
A) Os pais esperavam, animados, a 
apresentação do filho na plateia.
B) Os pais, esperavam, animados, na 
plateia, a apresentação do filho.
C) Os pais esperavam, animados, na 
plateia, a apresentação do filho.
D) Animados, os pais esperavam, na 
plateia, a apresentação do filho.
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