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Enfermagem em central de material e esterilização Autora Caroline de Santana Barbosa Apresentação Caro(a) estudante, Seja bem-vindo. Neste conteúdo iremos abordar os assuntos de forma interativa e simplificada para que você tenha o máximo de absorção. Em nosso processo de aprendizado, veremos todo o conteúdo que envolve a central de material e esterilização (CME) e a atuação da enfermagem dentro desse setor tão importante. Devemos sempre lembrar que não existe o funcionamento de um hospital sem a CME e, da mesma forma, não existe CME sem o trabalho de enfermagem, porque todos os artigos hospitalares de todos os setores precisam passar pela CME. Nesse sentido, a enfermagem é responsável por todo o trabalho desenvolvido. Já ouviu falar sobre desinfecção e esterilização? Assim como o próprio nome do setor sugere, ele é responsável por entregar artigos hospitalares livres de contaminação, prestando uma assistência ao paciente de forma indireta. Mas como isso é feito? Todo e qualquer artigo hospitalar precisa ser esterilizado? Fazemos desinfecção e esterilização desses materiais? Ficou curioso? Então prepare o caderno e um lápis/caneta para as anotações, pois vamos dar início ao estudo do conhecimento técnico-científico da Enfermagem na central de material e esterilização. “Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade.” Walt Disney Videoaula - Introdução e conceitos do CME Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://player.vimeo.com/video/462957301] . A história das práticas da central de material e esterilização (CME) está diretamente ligada ao início das práticas cirúrgicas, visto a necessidade de instrumentais para realização delas. Por conseguinte, os níveis de infecção e as taxas de mortalidade relacionados a esses procedimentos eram altíssimos, o que resultava em maiores internações, elevados custos com procedimentos e diagnósticos, constituindo grande agravo à saúde pública (SANTO et al., 2019; COSTA; SOARES; COSTA, 2009). A utilização de instrumentais em procedimentos invasivos deve passar por processo rigoroso de limpeza e esterilização, além da avaliação quanto à deterioração, perda de função e integridade do material, como prática para diminuir o risco de infecção nesses tipos de procedimentos (MADEIRA et al., 2015; SANTO et al., 2019). Em meados do século XIX, com a evolução tecnológica e estudos, houve a descoberta de técnicas acerca da esterilização dos instrumentais e o surgimento das primeiras CMEs ainda sem grandes estruturas, funcionando junto com o centro cirúrgico em muitos casos, sendo centralizadas e específicas para esse setor. Com o passar dos anos, a tecnologia e a ciência se desenvolveram cada vez mais, e foi percebida a necessidade de criação de um setor adequado que viabilizasse a entrega de materiais livres de microrganismos (COSTA; SOARES; COSTA, 2009; PEREIRA et al., 2019) Conceitos e finalidades1.1 https://player.vimeo.com/video/462957301 Segundo a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n˚ 15/2012, a CME é definida como uma unidade operacional que presta apoio técnico às demais unidades assistenciais através do processamento de produtos para a saúde. O objetivo principal é fornecer produtos livres de contaminação, proporcionando um cuidado ao paciente de forma indireta, sendo considerada o “coração do hospital” pela necessidade e dependência de outras unidades desse setor (SANCHEZ et al., 2018; PEREIRA et al., 2019). Portanto, qualquer falha durante o processamento dos produtos irá resultar em complicações, tanto ao paciente como à instituição, como citamos anteriormente. Os profissionais que atuam nesse setor devem ser devidamente qualificados, para garantir as etapas de processamento dos produtos (MADEIRA et al., 2015). Deste modo, são indispensáveis as ações de uma equipe de enfermagem preparada e capacitada para, a partir disso, prevenir infecções e conservar, executar e avaliar o processamento dos materiais (PEREIRA et al., 2019). Segundo a Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) n˚ 424 de 2012, o enfermeiro é o profissional responsável pela central de material e esterilização ou por empresas processadoras de serviços para a saúde e tem como função: avaliar todas as etapas de processamento dos produtos, planejar, coordenar, supervisionar as atividades e ter conhecimento técnico-científico sobre as etapas, produtos utilizados para desinfecção e esterilização, entre outras funções. Figura 1 – Instrumentais cirúrgicos Fonte: nensuria/freepik.com. Como vimos, a CME é o setor hospitalar em que é executado o processamento dos produtos para saúde, que demandam atenção e cuidado para que todas as etapas sejam realizadas de maneira eficaz para garantir a morte microbiana. Refere-se a etapas complexas com fluxo de realização, em que a falha de uma delas pode comprometer todo o processo. São elas: limpeza, desinfecção, preparo, esterilização, armazenamento e distribuição (MARTINS; RIBEIRO, 2017). Classificação1.2 https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/01.jpg A RDC n˚ 15 de 2012, que regulamenta os requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para a saúde e dá outras providências, classifica as unidades de CME de acordo com o tipo de artigo a ser processado em dois tipos: CME classe I: realiza o processamento de todos os produtos para a saúde, considerados de composição e estruturação simples e que sejam passíveis de serem processados; e CME classe II: realiza o processamento de todos os produtos para a saúde, considerados de composição e estruturação simples e complexa que sejam passíveis de serem processados. O quadro 1 resume os tipos de CME de acordo com a RDC nº 15/2012. Quadro 1 – Classificações de CME CME classe I CME classe II Processamento de produtos simples, que não possuam estruturação e composição complexa. Processamento de produtos de composição simples e complexa passíveis de processamento. Fonte: elaborada pela autora com base na RDC nº 15/2012. A CME só é habilitada a processar produtos que sejam compatíveis com a sua capacidade técnica e classificação, devidamente regularizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de assistência à saúde. Vale acrescentar ainda que, segundo a RDC nº 307/2002, a CME só pode existir em locais que tenham serviços de emergência de alta complexidade e urgência, centro cirúrgico, hemodinâmica, centro obstétrico e/ou ambulatorial. Porém, temos também a CME simplificada, que exerce função de apoio técnico a procedimentos que não exijam um ambiente cirúrgico para sua realização. A estrutura física da CME acompanha as etapas do processamento a qual os artigos são destinados. Segundo a RDC nº 15/2012, a CME é constituída pelas seguintes áreas: recepção e limpeza; preparo e esterilização; desinfecção química (quando aplicável); monitoramento do processo de esterilização e armazenamento; e distribuição de materiais esterilizados, sendo essas áreas comuns a todos tipos de CMEs. Para se garantir a efetivação de cada etapa, deve haver barreiras físicas, com o intuito de diminuir a propagação de microrganismos. Desse modo, o fluxo deve ser simples, prático, contínuo e unidirecional, seguindo a direção da área suja para a área limpa e de modo que os setores não tenham contato entre si. Além disso, os profissionais não devem transitar pelas áreas. Por exemplo, o profissional que atua na área de limpeza não deve transitar pela área de Estrutura física e organizacional1.3 preparo e esterilização. O intuito é diminuir a disseminação de microrganismos, e isso inclui a transição de materiais, profissionais e adequação da estrutura física (SILVA, 2019). A figura 2 mostra como deve ser o fluxo da CME. Cada área possui funções e atividades diferentes, a saber: área de recepção e limpeza: considerada como área suja, destina-se à recepção e limpeza do material. Ao receber o material, a sua conferência e registro devempara saúde3.7 https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/13.jpg As autoclaves utilizam, como agente esterilizante, a água em formato de vapor. Dentre os diferentes modelos, fabricantes, tamanhos e ciclos, a principal diferença está na forma de retirada de ar da câmara, dividida em dois tipos: autoclaves gravitacionais e autoclaves de vácuo. As autoclaves gravitacionais retiram o ar por meio da gravidade, expelindo o ar junto com o vapor contido no seu interior, já as autoclaves de vácuo realizam a retirada de forma forçada por meio de bombas de vácuo para sucção do ar, o que por sua vez é mais rápido e eficiente (AMORIM et al., 2017). As etapas da autoclave são descritas no quadro 12. Quadro 12 – Fases do ciclo da autoclave Etapas Funcionamento Aquecimento Etapa inicial do processo, quando a água é pré-aquecida por resistências elétricas, chamas ou caldeira externa. Remoção do ar Quando o ar da câmara de esterilização é removido, criando assim uma condição ideal para que todos os artigos tenham a possibilidade de serem atingidos completamente pelo vapor produzido. Carga de vapor Aquecimento da água até a temperatura de esterilização (121 °C a 134 °C) e posteriormente introdução do vapor nas câmaras internas. Esterilização Etapa considerada a mais crucial do processo. Momento em que o material a ser esterilizado entra em contato com o vapor, sendo necessário o tempo para eliminação de toda forma de vida, em conjunto com o tempo de segurança. Exaustão Momento em que é expelido o vapor do sistema. Secagem Etapa final do processo de esterilização, consiste na retirada da unidade dos artigos estéreis por pressão negativa e temperatura elevada. Fonte: Amorim et al. (2017). A RDC nº 15/2012 proíbe o uso de autoclaves gravitacionais que tenham capacidade superior a 100 litros, portanto, autoclaves que possuam maior capacidade, devendo ser utilizadas autoclaves de vácuo. A esterilização mais utilizada nesses equipamentos é a de vapor saturado sob pressão, sendo indicada para instrumentais cirúrgicos, silicone, cerâmica, borracha e vidro (SOBECC, 2017). Algumas observações devem ser levadas em consideração para garantir a esterilização dos materiais: Quadro 13 – Especificações da autoclave O espaço interno só deve ser preenchido até 80% de sua capacidade, e os materiais não podem encostar nas paredes, o que permite melhor circulação do vapor na câmera e dentro dos pacotes. Obedecer à capacidade da autoclave, observando o peso e tamanho dos pacotes, pois ajuda na correta remoção do ar. A água utilizada para geração do vapor deve ser a mais pura possível, atendendo às especificações do fabricante. Seguir o tempo e temperatura recomendados. Os mais comuns: 121 ˚C por 15 minutos, 134 ˚C por 3,5 minutos e 134 ˚C por 18 minutos. Utilizar embalagens que sejam permeáveis a vapor, que permitam a entrada e saída do vapor. Fonte: elaborado pela autora com base na Sobecc (2017). Temos ainda uma outra opção, a chamada esterilização flash, ou ciclo de esterilização a vapor para uso imediato, sendo o ciclo que entrega o material em menor tempo possível (3 minutos a uma temperatura de 134 ˚C). Entretanto, não há a realização do ciclo completo da autoclave, a fase de secagem é retirada, portanto esse material não pode ser armazenado. Este ciclo foi criado para casos de urgência e emergência, como a queda de um instrumental durante o ato cirúrgico e quando não há a possibilidade de troca (SOBECC, 2017). A RDC nº 15/2012 expressa a proibição de sua utilização fora dessas situações. Método de esterilização físico-químico Dentre os métodos de esterilização físico-químicos utilizados no processamento de artigos hospitalares, temos: vapor a baixa temperatura por formaldeído (VBTF), plasma de peróxido de hidrogênio e óxido de etileno (SOBECC, 2017). Como vimos, o formaldeído é um produto químico que pode ser utilizado para desinfecção e esterilização. Em autoclaves, ele é utilizado em forma líquida (formalina a 37%) transformado em vapor e utilizado em baixa temperatura (60 ˚C), completando seu ciclo em aproximadamente 5 horas (BORINI, 2016). Seu ciclo de esterilização consiste em várias etapas, iniciando com a retirada do ar da câmara, seguida da indução de vapor para umedecer e aquecer a carga; posteriormente, são injetados o gás formaldeído juntamente com vapor de água a baixa temperatura e, ao final, o formaldeído é retirado da câmara, através de lavagens com ar e vapor de água. É compatível com as embalagens: papel grau cirúrgico, papel crepado, tecido não tecido, Tyvek e contêineres rígidos (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 136). O óxido de etileno é um gás inflamável, incolor e carcinogênico, usado para esterilização de produtos termossensíveis. Uma de suas principais vantagens é a alta capacidade de penetração nos artigos com lumens estreitos e longos, e é compatível com diversos materiais. É um agente alcalinizador, que causa a desnaturação dos microrganismos através de poderosas reações aos componentes celulares, impedindo o metabolismo celular e sua reprodução. Tem sido um método cada vez menos utilizado, por conta de seu alto nível de toxicidade, que afeta tanto os profissionais quanto os pacientes. Partículas do produto ficam suspensas no ar por longas horas, podendo causar câncer, alterações genéticas e doenças neurológicas e respiratórias nos profissionais que manipulam esses equipamentos. Estes só podem ser utilizados por empresas terceirizadas, segundo a Portaria nº 482/1999, e devem variar em temperaturas de 27 ˚C a 63 ˚C, umidade de 40 a 80% e tempo de exposição de 1 a 6 horas (SOBECC, 2017; SILVA, 2016). Embalagens compatíveis: papel grau cirúrgico, papel crepado, tecido não tecido, Tyvek e contêineres rígidos. O plasma é um estado da matéria composto por íons, elétrons e partículas neutras que criam uma espécie de nuvem. O peróxido de hidrogênio, por sua vez, apresenta propriedades bactericida, virucida, fungicida e esporicida em baixas temperaturas (45 a 55˚C) e concentrações. Os radicais livres gerados são capazes de reagir com quase todas as moléculas essenciais que os microrganismos necessitam para se reproduzir e sobreviver. Ao final do ciclo, as moléculas geradas formam água e oxigênio em concentrações baixas, o produto não fica suspenso no ar e consequentemente traz menos riscos ocupacionais e ambientais. O tempo de esterilização depende do material e modelo do equipamento, mas pode variar de 28 a 72 minutos. As embalagens compatíveis são: tecido não tecido, Tyvek e contêiner rígido (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 137-138). Quadro 14 – Tipos de embalagens para método de esterilização Embalagens Método de esterilização T. Algodão Vapor sob pressão. Papel grau cirúrgico Vapor sob pressão, óxido de etileno e VBTF. Papel crepado Vapor sob pressão, óxido de etileno e VBTF. Contêiner rígido Vapor sob pressão, óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogênio e VBTF. Embalagens Método de esterilização Tyvek Vapor sob pressão, óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogênio e VBTF. Não tecido Vapor sob pressão, óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogênio e VBTF. Caixas metálicas perfuradas Vapor sob pressão, óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogênio e VBTF. Fonte: elaborado pela autora com base na Sobecc (2017). A sala de armazenamento dos materiais deve ser de acesso restrito e circulação mínima de pessoas. É considerada área estéril da CME, e deve conter equipamento de transporte, cestos aramados, prateleiras que sejam de material adequado para limpeza úmida e uso de saneantes. Cabe ao responsável da CME estabelecer as regras para garantir o armazenamento adequado dos materiais, sem comprometer a integridade das embalagens (NUNES et al., 2019). Os materiais esterilizados devem permanecer em local limpo e seco, sem a luz solar direta, e sujeitos a mínima manipulação para não comprometer a embalagem. Cada unidade deve estabelecer o prazo máximode permanência dos produtos nas prateleiras, mantendo sempre o registro dos pacotes (SOBECC, 2017). A maneira como os materiais são armazenados é extremamente importante, pois assim se consegue manter a integridade e esterilidade do material. A perda da esterilidade está ligada a eventos e não ao tempo da armazenado na prateleira, portanto, a perda da integridade da embalagem, a ruptura da selagem e as variações de temperatura da sala podem comprometer a esterilização do material e, consequentemente, aumentar o risco de infecções relacionado à assistência à saúde (NUNES et al., 2019). O tempo de validade do material depende da embalagem e dos eventos adversos que podem ocorrer. Por isso, é mais vantajoso criar regras e técnicas para o armazenamento e transporte adequado do material, assim, as embalagens não serão danificadas e os artigos não serão contaminados. Cada unidade de saúde cria os prazos de validade de acordo com as normas institucionais, porém mais vale a forma de armazenamento do que a data de validade (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 240). Armazenamento, guarda e distribuição3.8 O transporte do material deve ser feito em recipientes fechados, e em condições que permitam a manutenção da integridade e identificação da embalagem. Devem resistir a rupturas e impactos, ser devidamente higienizados, e o profissional encarregado pelo transporte do material deve fazer o uso de equipamentos de proteção individual e realizar a higienização das mãos, visando à garantia da esterilidade do material (SOBECC, 2017). Práticas profissionais - Proceso de Esterilizacion Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://www.youtube.com/embed/wvI7hCskHvE] . Recapitulando Nesta seção vimos a importância do conhecimento técnico a respeito das classificações dos artigos hospitalares, afinal, é a partir dessa classificação que eles serão destinados aos processos seguintes. Os materiais passam pela desinfecção ou esterilização, de acordo com a classificação do material. A limpeza é imprescindível a todos os artigos. Sem limpeza não existe desinfecção ou esterilização que seja capaz de causar a morte microbiana, até porque, se houver presença de sujidade, os microrganismos presentes na superfície do material criam a película protetora, denominada biofilme, impedindo os agentes químicos de desempenhar seu papel e causar a completa morte microbiana. https://www.youtube.com/embed/wvI7hCskHvE A limpeza pode ser feita de forma manual e automatizada. Para limpeza manual, temos o auxílio de escovas com diferentes tamanhos e diâmetros, pistolas de jato de água, detergentes, que auxiliam na remoção de sujidade. Em contrapartida, possui maior risco ocupacional pela exposição do profissional ao material e a possibilidade de respingos, sendo necessária a utilização de EPIs. Para limpeza automatizada, temos lavadora ultrassônica, termodesinfectadora e lavadoras de descarga, que desempenham funções diferentes e são altamente eficientes até para desinfecção de nível intermediário. Sobre a desinfecção, temos a classificação quanto ao potencial de risco do produto: desinfecção de alto nível, nível intermediário e baixo nível. Estas podem ser feitas por métodos físicos e químicos. A maioria dos produtos químicos utilizados para desinfecção de alto nível também é capaz de realizar esterilização, dependendo da concentração e tempo de exposição ao produto. Cada um possui sua característica, vantagens e desvantagens, portanto deve-se estar atento à utilização e especificações de cada um e ao tipo de artigo a ser submetido. Por fim, vimos sobre os métodos de esterilização. São eles: físico, químicos e físico- químico. Os artigos a serem submetidos à esterilização são os artigos críticos, e segundo a RDC nº 15/2012 não podem passar por esterilização química por imersão, restando apenas os métodos físicos e físico-químicos. Como o próprio nome diz, os métodos físicos utilizam vapor de água a altas temperaturas como método de esterilização, e os físico-químicos fazem a combinação de temperatura com produtos químicos, só que para estes são usadas baixas temperaturas. Para qualquer um dos métodos, deve-se levar em consideração o tipo de embalagem, a sensibilidade do artigo ao calor e a capacidade do agente esterilizante de entrar e sair do produto. Exercícios de fixação Marque a alternativa que contemple as embalagens que podem ser utilizadas em esterilização por vapor sob pressão e plasma de peróxido de hidrogênio, respectivamente. Não tecido e Tyvek. Tecido de algodão e papel grau cirúrgico. Papel crepado e contêiner rígido. Tyvek e papel grau cirúrgico. LA limpeza dos artigos hospitalares deve ser feita com detergentes enzimáticos, pois auxilia na remoção de sujidade do material. Verdadeiro Falso O profissional que atua no expurgo deve estar utilizando máscara, roupa privativa, gorro e calçados apropriados. Verdadeiro Falso Para evitar a formação de biofilme na superfície dos materiais, deve ser feita a pré-limpeza nas unidades antes de serem enviadas à CME. Verdadeiro Falso É recomendado que o enxágue final de todos os artigos seja feito com água purificada. Verdadeiro Falso Os artigos semicríticos devem ser submetidos a desinfecção de alto nível. Verdadeiro Falso Os artigos críticos são aqueles que entram em contato com a mucosa íntegra do paciente. Verdadeiro Falso Cânula de Guedel, máscara de venturi e tubo para intubação, devem ser submetidos a desinfecção de alto nível. Verdadeiro Falso Os artigos não críticos entram em contato com a pele íntegra do paciente e devem ser submetidos a limpeza. Verdadeiro Falso Complete a afirmação: Os produtos desinfetantes mais utilizados para realizar a desinfecção de baixo nível são o e o .Selecione... Selecione... Complete a afirmação: Esterilização é o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana, como fungos, vírus, bactérias e esporos bacterianos, com a utilização de agentes físicos e químicos, por métodos químicos e . Porém, o método está proibido segundo a RDC n˚8/2009. Selecione... Selecione... Videoaula - Monitoramento e rastreabilidade dos produtos Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://player.vimeo.com/video/462956616] . O controle de material na CME envolve dois importantes aspectos: quantitativo e qualitativo. O quantitativo está relacionado à previsão e provisão dos materiais, já a qualidade diz respeito à segurança do material. No decorrer de cada Unidade, pudemos perceber que as atividades realizadas na CME são complexas e de extrema importância, requerem capacidade operacional e tecnológica para garantir a qualidade aos serviços prestados e segurança do paciente (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011). Essas atividades seguem uma sequência de etapas: Diante da necessidade de normas e especificações técnicas bem estabelecidas para a validação de todas as etapas realizadas na CME, a Anvisa (2012), dispõe, no art. 26 da RDC nº 15 que a Monitoramento e rastreabilidade dos produtos para saúde4.1 Figura 14 – Sequência de atividades da CME Fonte: elaborada pela autora com base na Sobecc (2017). CME deve dispor de um sistema de informação manual ou automatizado com registro do monitoramento e controle das etapas de limpeza e desinfecção ou esterilização constante nesta resolução, bem como da manutenção e monitoramento dos equipamentos. E os registros devem ser arquivados de forma a garantir a rastreabilidade por um prazo mínimo de cinco anos. https://player.vimeo.com/video/462956616 https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/14.png Mas o que significa rastreabilidade? A rastreabilidade é a competência para identificar e traçar o histórico do processamento dos produtos e do uso, através do registro de informações (ANVISA, 2012). Os avanços tecnológicos têm sido aliados para acompanhar a movimentação dos materiais, permitindo melhorcontrole da CME tanto no preparo dos materiais quanto no estoque e nas demandas das unidades (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 270) Como vimos, a rastreabilidade tem a capacidade de traçar o histórico do processamento e da utilização dos materiais, por meio de informações e dados previamente cadastrados. Assim, os principais pontos que garantem um bom rastreamento dos artigos são a confiabilidade e os dados adquiridos e processados na CME (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 271). A RDC n˚15/2012 determina que as etiquetas de rastreabilidade devem conter as seguintes definições: Quadro 15 – Especificações da Anvisa Nome ou modelo comercial. Identificação do fabricante ou importador. Código do produto ou do componente do sistema. Número de lote e número de registro na Anvisa. Fonte: elaborado pela autora com base na RDC nº 15/2012. Na identificação eletrônica, os instrumentos são controlados utilizando recursos como sistemas ópticos ou leitores magnéticos. Com esses recursos de identificação, os materiais podem ser acompanhados desde a aquisição pela empresa e durante as etapas de processamento. Para isso, computadores com sistemas de leitura devem ser instalados em pontos estratégicos, em diversas partes da CME, como expurgo, área de preparo, esterilização e inclusive nas prateleiras ou locais de armazenamento (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 272). Rastreabilidade e identificação dos materiais4.2 A codificação dos materiais pode ser feita utilizando métodos alfanuméricos, como o código de barras. Conforme a figura 15, nas hastes dos instrumentos, quando possível, e com sistema de gravação eletroquímico (FARIAS, 2019). A gravação com sistema eletroquímico é bastante usual, e não afeta a estabilidade do instrumento, porém tem como desvantagens o desgaste com o tempo da gravação e a danificação da superfície instrumental, propiciando a oxidação (FARIAS, 2019). Figura 15 – Tipos de códigos de barra Fonte: elaborada pela autora com base em Farias (2019). Caso queira saber mais sobre o tema, leia o artigo As diferenças entre os códigos DataMatrix e QR, disponível em: rbrastreabilidade.com.br [http://rbrastreabilidade.com.br/diferencas-entre- codigos-datamatrix-qr/] . As etapas envolvidas no processo de esterilização de materiais devem seguir normas que resguardem a qualidade do procedimento e garantam segurança aos artigos que serão usados na assistência direta ao cliente. Conforme a RDC n˚ 15/2012, o monitoramento da limpeza de produtos e equipamentos é obrigatório, seguindo a periodicidade definida em protocolo, pela CME ou empresa processadora. Mas o que significa limpeza? Como vimos, a limpeza é a remoção de sujidades inorgânicas e orgânicas, diminuindo a carga microbiana presente nos produtos para saúde. É realizada com o uso de detergentes, água, acessórios e produtos, por meio de ação mecânica (automatizada ou manual), atuando em superfícies externas e internas (lúmen), tornando o produto seguro para manuseio e preparado para esterilização ou desinfecção (ANVISA, 2012). Monitoramento dos processos de limpeza4.3 https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/15.png http://rbrastreabilidade.com.br/diferencas-entre-codigos-datamatrix-qr/ A verificação da eficácia da limpeza deve ser realizada por meio de controle químico, físico e pela inspeção visual. Toda a equipe de CME deve ser treinada e habilitada para detectar resíduos de sujidade e corrigir falhas o quanto antes, e em qualquer momento, encaminhando o material sujo ao início da etapa de limpeza (SOBECC, 2017). A inspeção visual é obrigatória em todos os materiais, começa no enxague e continua nas etapas de secagem. Na secagem e preparo, uma bancada desinfectada com álcool 70% e forrada com tecido de cor clara deve ser usada para facilitar o trabalho visual. Também se faz necessário o uso de lupas intensificadoras de imagens, com aumento de no mínimo 8 vezes. Para os materiais complexos, é selecionada uma amostragem, e usado o estereoscópio – instrumento óptico que permite a visualização tridimensional e ampliada de objetos com aumento de até 80 vezes; já os instrumentos com lumens são verificados com um aparelho que amplia a imagem, chamado de baroscópio (SOBECC, 2017). Contudo, apenas a inspeção visual, mesmo com auxílio dos instrumentais que intensificam a visualização, não é suficiente para garantir parâmetros de excelência a produtos da saúde. Essa afirmação se justifica pela presença de resíduos que são pouco pigmentados. Por isso, são importantes os testes químicos que identificam resíduos de proteínas, hemoglobinas e adenosina trifosfato (ATP) (SOBECC, 2017). Figura 16 – Resíduos em instrumento cirúrgico Fonte: undefined undefined/iStock.com. Além de todos os cuidados mencionados, a CME deve estabelecer um protocolo que monitore os processos e os equipamentos usados na limpeza, inclusive as lavadoras automatizadas, utilizando testes antecipadamente selecionados e com uma determinada periodicidade, pois podem se tornar ineficientes, caso falte assistência técnica adequada. Além disso, diante de resultados não satisfatórios de eficácia, as condutas devem ser previamente estabelecidas, para conhecimento da equipe de enfermagem (SOBECC, 2017). https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/16.jpg Figura 17 – Inspeção visual de instrumentos cirúrgicos Fonte: lortie/iStock.com. Na desinfecção dos artigos, são usados processos físicos ou químicos. Durante cada método, existem dados que são importantes e devem ser registrados, como (SOBECC, 2017): método físico: equipamento, composição da carga, horários de início e fim do ciclo, temperatura atingida e nome do profissional executor; método químico automatizado: equipamento, desinfetante utilizado, tempo de uso da solução, composição da carga, teste do monitoramento realizado, horário do início e do fim do ciclo e nome do profissional executor; e método químico manual: desinfetante utilizado, tempo de uso da solução, itens desinfectados, tempo de imersão, teste de monitoramento da concentração realizado e nome do profissional executor. Esses dados devem ser registrados e arquivados por, no mínimo, 5 anos, conforme recomendações da RDC n˚15/2012, para garantir a rastreabilidade e para efeitos de inspeção sanitária. Em algumas situações, ocorre a reutilização da solução desinfetante, entretanto, recomenda-se utilizar testes conforme orientações do fabricante, para monitorar a efetividade do produto. Esses testes devem ser feitos antes da diluição da solução ou antes da polimerização do produto (como no caso do glutaraldeído) e no mínimo, uma vez ao dia, podendo, a depender da necessidade, ser realizada com mais frequência (SOBECC, 2017). Outro ponto importante no monitoramento do processo de desinfecção é a aplicação correta dos testes, a observação dos prazos de validade e das orientações do fabricante. A não observação desses critérios pode levar a falsos resultados e comprometer a eficácia da etapa de desinfecção (SOBECC, 2017). Monitoramento dos processos de desinfecção4.4 Controle do processo de esterilização4.5 https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/17.jpg Como vimos, a esterilização é o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana, como fungos, vírus, bactérias e esporos bacterianos, com a utilização de agentes físicos e químicos, podendo ser realizada por métodos físicos, químicos e físico-químicos. Diante disso, quando há sobrevivência de microrganismos após a esterilização, podemos afirmar que existiram erros humanos e mecânicos (FARIAS, 2019). Conforme a Sobecc (2017), a validade do equipamento esterilizador, a natureza do produto a ser esterilizado, o acondicionamento, a embalagem correta para o tipo de esterilização e o carregamento e descarregamento adequado são passos importantes e fundamentais para garantir o controle da esterilização, além de o produto estar rigorosamente limpo. Outro fator importante, quegarante a esterilização dos artigos médico-hospitalares depois do processo, é o transporte e armazenamento apropriados, a fim de que se mantenha a integridade dos sistemas de barreira estéril e as selagens dos materiais (SOBECC, 2017). Segundo a RDC n˚15/2012, devem ser realizadas: qualificação de instalação, de operação e de desempenho, para os equipamentos utilizados na esterilização de produtos para saúde. Essas qualificações devem ser realizadas com periodicidade mínima anual. A Sobecc (2017) define as qualificações como o conjunto de atos realizados para avaliar e documentar quaisquer instalações, sistema ou equipamento que estejam funcionando corretamente e trazendo os resultados prometidos. Independentemente do método de esterilização, todo e qualquer equipamento deverá ser aprovado pela Anvisa e validado pela empresa no momento da instalação. Outros cuidados também são importantes. Por exemplo, os esterilizadores devem ser submetidos a manutenções preventivas, periódicas e/ou de reparos, que são realizados pelo fabricante ou pela engenharia da própria empresa hospitalar. O controle rotineiro das cargas e dos esterilizadores é de grande importância para a garantir a qualidade do processamento. Esse controle é feito por: métodos químicos, físicos e biológicos (SOBECC, 2017). Métodos químicos Os testes químicos são capazes de identificar erros no ciclo de esterilização. Dentre os tipos existentes, uns são capazes de avaliar a temperatura atingida pelo equipamento sem associar ao tempo de exposição do material; outros respondem ao resultado de todos os parâmetros do ciclo da autoclave, como: tempo, qualidade do vapor e o sistema de vácuo (SOBECC, 2017). Métodos de monitorização da esterilização4.6 Os testes químicos, também chamados de indicadores químicos, são classificados em seis tipos, conforme a sua aplicação e indicação de uso do que se pretende avaliar. Falaremos sobre os tipos a seguir. Tipo I ×Estes indicadores como, por exemplo, a fita de autoclave, são feitos com substâncias químicas termossensíveis que, ao entrarem em contato com o calor, normalmente acima de 121º C, mudam de cor. Esses testes são colocados na superfície das embalagens que serão esterilizadas, e somente registram se o material foi processado ou não processado, exemplificados na figura 18 (RIGHETTI; VIEIRA, 2012). Figura 18 – Indicador químico tipo I Material vedado com fita termossensível antes (A) e depois da esterilização (B). Fonte: Roussenq (2017). Tipo II ×Os indicadores do tipo II são usados em equipamentos específicos como, por exemplo, a autoclave a vapor com sistema de vácuo. São autoclaves que realizam a retirada do ar de forma forçada por meio de bombas de vácuo para sucção do ar, conforme vimos anteriormente. Esse teste é realizado uma vez ao dia, antes da primeira carga ser processada e com a autoclave vazia. Também é necessário aquecer a autoclave e remover líquidos condensados nas tubulações, e para isso um ciclo curto é efetuado. O teste Bowie- Dick, classificado como tipo II, serve para verificar erros na remoção do ar nas autoclaves na fase de acondicionamento, falha na vedação das portas e presença de fissuras nas tubulações (SOBECC, 2017). Tipo III ×Este tipo de indicador é raramente utilizado em processos de esterilização, pois monitora um único parâmetro como, por exemplo, se a temperatura exigida foi alcançada (SOBECC, 2017). https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/18.jpg Figura 19 – Indicador químico tipo III Fonte: Vosnes (2018) e sterilizationproducts.com [http://www.sterilizationproducts.com/product/chemical-process-indicators] Tipo IV ×São considerados indicadores de múltiplos parâmetros, pois são designados para reagir com dois ou mais parâmetros críticos do ciclo de esterilização como, por exemplo, tempo e temperatura (SOBECC, 2017). São utilizados no interior dos pacotes, permitindo assim verificar a permeabilidade da embalagem (VOSNES, 2018). Figura 20 – Indicador químico classe IV Fonte: Vosnes (2018) e sterilizationproducts.com [http://www.sterilizationproducts.com/wp- content/uploads/2015/11/Technical-Inst.-Steam-Chemical-Indicator-Class- Type-4-TST4S-250.pdf]crescimento dos microrganismos é diretamente testado (SOBECC, 2017). Após a esterilização, o frasco contido dentro da ampola onde fica o papel-filtro com esporos é quebrado, liberando-os para o meio de cultura, sendo então colocados na incubadora para avaliação do crescimento dos esporos. Se o frasco permanecer na mesma coloração, a esterilização foi eficaz, pois não houve o aumento do número de esporos. Por outro lado, caso o frasco altere sua cor, a esterilização não foi eficaz, pois houve o crescimento dos esporos, como exemplificado na figura 23 (ROUSSENQ, 2017). A RDC nº 15/2012 determina que os indicadores biológicos devem ser utilizados para o monitoramento da esterilização diariamente em pacotes testes antes do ciclo de esterilização, definidos de acordo com a rotina do setor, de preferência nos pontos mais críticos do processo. Nos produtos implantáveis devem ser adicionados indicadores biológicos em cada carga, e a carga só é autorizada após a verificação desses indicadores. Figura 23 – Indicador biológico Fonte: Roussenq (2017). Métodos físicos A Sobecc (20017) descreve que o controle físico é a monitoração dos parâmetros do tempo de esterilização, da temperatura e da pressão, que em geral são apontados por impressoras instaladas junto ao esterilizador. Já de acordo com a RDC n˚15/2012, o “monitoramento do processo de esterilização com indicadores físicos deve ser registrado a cada ciclo de esterilização”. https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/23.jpg Práticas profissionais - Central de materiais esterilizados \ Bastidores de um hospital acreditado Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://www.youtube.com/embed/XJNTtjP-Kto] . Recapitulando Nesta última Unidade percebemos a importância de traçarmos o histórico do processamento e da utilização dos materiais. Isso se dá por meio de informações e dados previamente cadastrados. A codificação dos materiais pode ser feita utilizando métodos alfanuméricos, como o código de barras. Vimos que monitorar o caminho dos materiais garante o controle das etapas de limpeza, desinfecção ou esterilização, bem como a manutenção e o monitoramento dos equipamentos usados em cada fase. Lembrando que esses históricos devem ser arquivados e mantidos por cinco anos, no mínimo, em arquivos. Também estudamos como é feito o monitoramento do processo de cada etapa. Na limpeza, para verificação da sua eficácia, deve-se realizar meios de controle químico, físico e pela inspeção visual. E toda a equipe de CME deve ser treinada e habilitada para detectar resíduos de sujidade e corrigir falhas o quanto antes, em qualquer momento. https://www.youtube.com/embed/XJNTtjP-Kto Dentre os pontos abordados durante o monitoramento do processo de desinfecção, temos a correta aplicação dos testes e a observação dos prazos de validade e orientações do fabricante, pois a não observação desses critérios pode levar a falsos resultados e comprometer a eficácia da etapa de desinfecção. Por fim, o monitoramento do processo de esterilização se dá por várias etapas, das quais podemos citar: qualificação operacional no momento da instalação dos equipamentos; controle rotineiro dos equipamentos por meio dos físicos, químicos e biológicos; e checagem das funções dos equipamentos após consertos, reformas e grandes mudanças no tipo de carga e/ou embalagens. Exercícios de fixação Qual o método ou tipo utilizado para verificação da esterilização indicado para testar a bomba de vácuo das autoclaves que possuem esse sistema? Indicador químico tipo I. Indicador biológico. Indicador químico tipo VI. Teste de Bowie-Dick. Considerações finais Estamos finalizando nossa rota de aprendizado. Esperamos que o estudo tenha sido proveitoso e que você tenha aprendido sobre a importância da CME e da atuação da equipe de enfermagem dentro desse ambiente tão rico e que influencia diretamente o controle de infecções e a dinâmica dos setores. A CME é o setor que rege os demais setores. As unidades necessitam do trabalho desenvolvido na CME para dar assistência ao paciente, assegurando o uso de materiais livres de qualquer contaminação, reduzindo assim o risco de infecção. Por isso, o conhecimento do enfermeiro, profissional que gerencia esse setor, é fundamental para a desenvoltura, a organização e o funcionamento. Foi uma honra participar dessa caminhada de estudos ao seu lado. Deixo aqui a você o meu desejo de sucesso profissional. Grande abraço! Exercícios de fixação - respostas Para minimizar a disseminação de microrganismos na CME e garantir o oferecimento de materiais livres de contaminação, as áreas físicas devem conter barreiras e não se comunicar. Assim, o fluxo das atividades dentro da CME é: complexo. bidimensional. unidirecional. organizado de acordo com sua finalidade. Fazem parte da equipe que compõe o CME: enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem e auxiliar administrativo. Verdadeiro Falso As atividades desenvolvidas na CME são muitas, visto que são divididas de acordo com a área correspondente. Verdadeiro Falso Aos técnicos e auxiliares de enfermagem, compete a análise das etapas de processamento. Verdadeiro Falso Ao enfermeiro compete a definição de prazo para recebimento do material, gerência e coordenação das atividades. Verdadeiro Falso Marque a alternativa que contemple as embalagens que podem ser utilizadas em esterilização por vapor sob pressão e plasma de peróxido de hidrogênio, respectivamente. Não tecido e Tyvek. Tecido de algodão e papel grau cirúrgico. Papel crepado e contêiner rígido. Tyvek e papel grau cirúrgico. LA limpeza dos artigos hospitalares deve ser feita com detergentes enzimáticos, pois auxilia na remoção de sujidade do material. Verdadeiro Falso O profissional que atua no expurgo deve estar utilizando máscara, roupa privativa, gorro e calçados apropriados. Verdadeiro Falso Para evitar a formação de biofilme na superfície dos materiais, deve ser feita a pré-limpeza nas unidades antes de serem enviadas à CME. Verdadeiro Falso É recomendado que o enxágue final de todos os artigos seja feito com água purificada. Verdadeiro Falso Os artigos semicríticos devem ser submetidos a desinfecção de alto nível. Verdadeiro Falso Os artigos críticos são aqueles que entram em contato com a mucosa íntegra do paciente. Verdadeiro Falso Cânula de Guedel, máscara de venturi e tubo para intubação, devem ser submetidos a desinfecção de alto nível. Verdadeiro Falso Os artigos não críticos entram em contato com a pele íntegra do paciente e devem ser submetidos a limpeza. Verdadeiro Falso Complete a afirmação: Os produtos desinfetantes mais utilizados para realizar a desinfecção de baixo nível são o e o .álcool 70% hipoclorito de sódio 1% Complete a afirmação: Esterilização é o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana, como fungos, vírus, bactérias e esporos bacterianos, com a utilização de agentes físicos e químicos, por métodos químicos e . Porém, o método está proibido segundo a RDC n˚8/2009. físico-químicos químico manual Qual o método ou tipo utilizado para verificação da esterilização indicado para testar a bomba de vácuo das autoclaves que possuem esse sistema? Indicador químico tipo I. Indicador biológico. Indicador químico tipo VI. Teste de Bowie-Dick. Autoria Autora Graduada em Enfermagem pela Uniceplac – Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos (2010). Especialista em Docência no Ensino Superior (2016), em Paciente Crítico: Urgência e Emergência e UTI (2019), cursando especialização em Saúde Pública com ênfase em saúde da família, pela Faculdade Anhanguera de Ciências e Tecnologias – Faciteb. Atua como professora no curso de Enfermagem da Faciteb, nas áreas de saúde da mulher, saúde da criança, urgência e emergência, centro cirúrgico e centro de material e esterilização, tópicos especiais em enfermagem e saúde pública. Atuacomo preceptora de estágio supervisionado, no curso de técnico de Enfermagem da LS Educacional – Taguatinga, DF. Lattes: lattes.cnpq.br [http://lattes.cnpq.br/8278197317837971] . Caroline de Santana Barbosa http://lattes.cnpq.br/8278197317837971 Glossário Realizam a retirada de forma forçada por meio de bombas de vácuo para sucção do ar. Fonte: Amorim et al. (2017). Retiram o ar por meio da gravidade, expelindo o ar junto com o vapor contido no seu interior. Fonte: Amorim et al. (2017). Remoção de sujidades por meio de inúmeras bolhas produzidas. Fonte: Frutuoso (2018). É definida como um processo físico ou químico que elimina a maioria dos microrganismos patogênicos de forma vegetativa existentes em superfícies. Fonte: Nascimento (2018). É o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana, como fungos, vírus, bactérias e esporos bacterianos, com a utilização de métodos físicos, químicos e físico-químicos. Fonte: Neckel, Rocha e Gomes (2017). É definida como o processo de remoção de sujidades orgânicas e inorgânicas. Fonte: Anvisa (2012). São substâncias que diminuem a tensão superficial ou influenciam a superfície de contato entre dois líquidos. Fonte: Oliveira e Mati (2017). Autoclaves de vácuo Autoclaves gravitacionais Cavitação Desinfecção Esterilização Limpeza Tensoativos Bibliografia CARVALHO, R. Enfermagem em centro de material, biossegurança e bioética. 1. ed. Barueri: Manole, 2015. CHEEVER, K. H. 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Além disso, deve contar com suporte de lixo específico para cada descarte, soluções para auxiliar na remoção de sujidade, enfatizando que o enxágue final dos produtos utilizados, nos casos de cirurgias oftalmológicas, procedimentos de implantes ortopédicos, cirurgias neurológicas e cardíacas, deve ser realizado com água purificada (ANVISA, 2012; BERNARDI; COSTA, 2017); área de preparo e esterilização: área considerada limpa, onde os produtos são preparados e/ou embalados para passar por esterilização ou desinfecção. Mas, antes, devem passar por criteriosa inspeção visual, para verificação da presença de matéria orgânica. Logo após, são separados quanto ao tipo de artigo e então preparados para a esterilização ou desinfecção. As embalagens utilizadas para esterilização devem ser regularizadas junto a Anvisa, compatíveis com o processo de esterilização e corretamente identificadas (ANVISA, 2012); área de desinfecção química: se este for um processamento desenvolvido na CME, deve haver uma sala separada e condições para realização, como: encanamento com água; que atenda aos padrões de potabilidade; segurança no uso e manipulação dos saneantes; e indicadores de efetividade dos produtos químicos (ANVISA, 2012); área de monitoramento do processo de esterilização: o monitoramento do processo de esterilização deve acontecer em cada ciclo de esterilização e registrado para assegurar a eficácia da esterilização. É realizado através dos indicadores químicos, físicos e biológicos que fazem a verificação da esterilização (ANVISA, 2012); e área de armazenamento e distribuição de materiais: os produtos esterilizados devem ser armazenados de forma a manter a integridade da embalagem, em local limpo e seco, sob a proteção da luz solar direta e organizados de forma que tenha a manipulação mínima dos pacotes. O responsável pela CME deve estabelecer as regras de organização e armazenamento, a fim de assegurar a integridade das embalagens (ANVISA, 2012). Figura 2 – Fluxo das atividades da CME Fonte: elaborado pela autora com base em Silva (2019). A figura 3 exemplifica a estrutura física da CME de acordo com as áreas citadas, mostrando as barreiras físicas existentes. https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/02.png Figura 3 – Planta baixa da CME existente Fonte: elaborada pela autora (2020), com base em Bucione (2019). Além das áreas designadas dentro da CME, que correspondem às fases de processamento dos materiais, a CME deve contar com o apoio de ambientes como: vestiários com sanitários e chuveiros para área suja e área limpa, depósito de material de limpeza, área administrativa, área de manutenção dos equipamentos de esterilização e área destinada ao descanso dos funcionários (SOBECC, 2017). Para mais detalhes sobre o planejamento e estrutura da CME, acesse a RDC 307/2002 que dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Acesse: bvsms.saude.gov.br [https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/rdc0050_21_02_2002.html] . https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/03.png https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/rdc0050_21_02_2002.html Videoaula - Gerenciamento de resíduos no ambiente hospitalar Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://player.vimeo.com/video/462957683] . A preocupação com os resíduos sólidos é de grande relevância, pois se trata de uma problemática mundial. E isso se deve ao avanço tecnológico e, consequentemente, ao aumento do consumo e da produção em grande escala. Logo, a quantidade de resíduos tem aumentado em todos os setores da economia, inclusive no setor saúde. A sua destinação final e adequada disposição é uma questão que envolve o poder público (SILVA et al., 2018). Diante disso, no Brasil, as questões quanto aos resíduos começaram a ser tratadas após a promulgação da Constituição Federal de 1988, com o disposto no art. 225: Gerenciamento dos resíduos em saúde1.4 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. A Anvisa regulamenta e orienta a elaboração do Programa de Gerenciamento de Resíduos de Saúde (PGRSS), por meio da Resolução nº 222 de 2018, em que cada instituição geradora de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) deve elaborar um plano “quanto à geração, à segregação, ao acondicionamento, à identificação, à coleta, ao armazenamento, ao transporte, ao tratamento e à disposição final ambientalmente adequada” dos resíduos produzidos. https://player.vimeo.com/video/462957683 Figura 4 – Gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde Fonte: elaborada pela autora com base na RDC n˚ 222/2018. A NBR 12.807 da ABNT (1993) define RSS como aqueles resultantes das atividades exercidas por estabelecimentos prestadores de serviços de saúde. Segregação A segregação é importante pois permite cumprir de forma eficiente o manuseio dos resíduos. Segregar consiste em separar ou selecionar os resíduos de forma apropriada, e classificá-los conforme a legislação vigente. Essa etapa deve ser feita na fonte que gerou os resíduos, portanto, a equipe de pessoal deve ser preparada para tal função (ANVISA, 2018). De acordo com a Resolução nº 358 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA, 2005), os resíduos da área de saúde são agrupados da seguinte forma: GRUPO A: “Resíduos com a possível presença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção.” GRUPO B: “Resíduos que contenham substâncias químicas, que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade.” GRUPO C: “Todo material resultante de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista.” GRUPO D: “Resíduos que não apresentem risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares.” GRUPO E: “Resíduos perfurocortantes ou escarificantes.” https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/04.png Identificação Segundo a RDC nº 222 de 2018, a identificação dos resíduos de serviços de saúde permite reconhecer os riscos presentes nos resíduos armazenados. Deve ser feita de forma clara e legível, em tamanho proporcional aos sacos coletores e seus ambientes de acondicionamento, conforme cada grupo de resíduo, sem esquecer da identificação com símbolos conforme anexo da resolução. Quadro 2 – Identificação dos resíduos de serviço de saúde GRUPO A É identificado, no mínimo, pelo símbolo de risco biológico, com rótulo de fundo branco, desenho e contornos pretos, acrescido da expressão RESÍDUO INFECTANTE. GRUPO B É identificado por meio de símbolo e frase de risco associado à periculosidade do resíduo químico. GRUPO C É representado pelo símbolo internacional de presença de radiação ionizante (trifólio de cor magenta ou púrpura) em rótulo de fundo amarelo, acrescido da expressão MATERIAL RADIOATIVO, REJEITO RADIOATIVO ou RADIOATIVO. GRUPO D Deve ser identificado conforme definido pelo órgão de limpeza urbana. GRUPO E É identificado pelo símbolo de risco biológico, com rótulo de fundo branco, desenho e contorno preto, acrescido da inscrição de RESÍDUO PERFUROCORTANTE ou PERFUROCORTANTE.Fonte: elaborado pela autora com base na RDC nº 222 de 2018. Acondicionamento O acondicionamento do resíduo deve ser feito no momento da sua geração, em recipientes que impossibilitem rupturas e/ou vazamentos (COSTA; BATISTA, 2016) Coleta e transporte interno A coleta e o transporte interno dos RSS consistem em levar os resíduos dos pontos onde são gerados ao local destinado ao armazenamento temporário ou externo. É nessa etapa que os materiais são transportados em carros de coletas ou equipamentos apropriados. Processo que é visível aos usuários e/ou ao público em geral, nas áreas comuns (ANVISA, 2018). A Anvisa traz algumas recomendações quanto a essa etapa. A coleta deve atender a um roteiro previamente definido com horários que, sempre que possível, não sejam os mesmos da distribuição de alimentos, roupas, medicamentos e inclusive de grande fluxo de pessoas ou atividades, como períodos de visitas (ANVISA, 2018). Armazenamento O armazenamento interno é feito para atender às instituições que geram volumes pequenos de resíduos dos grupos B e C. Esses resíduos podem ficar armazenados em local específico dentro da própria área de trabalho, até que tenha um volume significativo que justifique os custos com a coleta e tratamento, respeitando todas as condições desses materiais, como os níveis de dispensa para os rejeitos radioativos, estabelecidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (ANVISA, 2018). De acordo com o art. 22 da RDC nº 222 de 2018, tanto no armazenamento temporário quanto no externo de RSS, é obrigatório manter os sacos acondicionados dentro de coletores com a tampa fechada. Nunca devem estar no chão, ou sobre paletes, esteiras ou qualquer outro tipo de suporte. Coleta e transporte externo Diferentemente da coleta interna, a externa consiste na remoção dos RSS do abrigo de resíduos (armazenamento externo da unidade) até o local de tratamento ou disposição final. Seguindo regulamentações do órgão de limpeza urbana, as técnicas usadas devem garantir a integridade dos trabalhadores, da população e do meio ambiente. Acatando as normas e diretrizes da Comissão Nacional de Energia Nuclear e observando normativas locais, pode ser realizado o transporte externo dos RSS do Grupo C (radioativos) (ANVISA, 2018). Destinação Os RSS que não apresentam riscos biológicos, químicos ou radiológicos são aqueles que se assemelham aos rejeitos domiciliares, e devem ser encaminhados para disposição final ambientalmente adequada. Contudo, também podem ser encaminhados para reutilização, compostagem, recuperação, reciclagem, aproveitamento energético ou logística reversa, atendendo ao preconizado na Lei nº 12.305/2010. Alguns RSS devem passar por tratamento antes da disposição final, ou seja, deve-se aplicar método, técnica ou processo que transforme as características dos riscos inerentes aos resíduos, diminuindo ou eliminando o risco de contaminação, acidentes ocupacionais ou de dano ao meio ambiente (COSTA; BATISTA, 2016). Recapitulando Como vimos, a CME é o setor responsável pelo processamento de artigos hospitalares, devendo fornecer materiais livres de qualquer contaminação, prestando assistência indireta ao paciente. É considerada o “coração do hospital”, sendo o principal setor responsável pela diminuição do risco de infecção. A estrutura física da CME é dividida em cinco partes, que acompanham as etapas de processamento dos artigos. São elas: área de recepção e limpeza; área de preparo e esterilização; área de desinfecção química; área de monitoramento dos processos de esterilização; e área de guarda e distribuição dos materiais. Para garantir a redução da transmissão de microrganismos, as áreas devem ser separadas por barreiras físicas e o fluxo deve ser unidirecional. Isso significa dizer que as áreas não devem possuir comunicação entre si e os profissionais não devem transitar entre as áreas. Diante da preocupação dos riscos que os lixos hospitalares podem trazer, cabe a cada instituição elaborar um plano de gerenciamento de resíduos, com objetivo de minimizar e/ou eliminar os impactos ambientais, sanitários, econômicos e sociais provocados pelos RSS. Essas etapas devem ser cumpridas no plano de gerenciamento: geração, separação, acondicionamento, identificação, coleta, armazenamento, transporte, tratamento e disposição final. Também vimos que nas etapas de segregação e identificação, os resíduos são separados e identificados de acordo com o seu risco biológico, químico, nuclear etc. Temos como exemplos de materiais classificados no grupo A (riscos biológicos) os kits de linhas arteriais e endovenosas, dialisadores, bolsas transfusionais de sangue ou hemocomponentes, peças anatômicas e placentas. No grupo B (riscos químicos) estão drogas que podem ser mutagênicas, quimioterápicos, medicamentos vencidos e reagentes de laboratórios, entre outros. Já no grupo C (risco nuclear) temos os resíduos contaminados por radionuclídeos radioativos, oriundos de laboratórios de análises clínicas, serviços de medicina nuclear e radioterapia. Os materiais que se equivalem ao lixo doméstico ou sólido urbanos se classificam no grupo D. Por fim, os classificados no grupo E são os perfurocortantes ou escarificantes, como lâminas de barbear, bisturi, ampolas de vidro, agulhas e escalpes. Por fim, podemos perceber que, diante das medidas adotadas para o gerenciamento de resíduos, na CME não seria diferente, afinal muitos dejetos acompanham os artigos que são encaminhados para lá e devem seguir as regras e cuidados desde a geração até o destino final dos resíduos. Exercícios de fixação Para minimizar a disseminação de microrganismos na CME e garantir o oferecimento de materiais livres de contaminação, as áreas físicas devem conter barreiras e não se comunicar. Assim, o fluxo das atividades dentro da CME é: complexo. bidimensional. unidirecional. organizado de acordo com sua finalidade. Videoaula - Aspectos organizacionais no CME Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://player.vimeo.com/video/462958269] . A preocupação com os recursos humanos, no processamento de materiais, se deu quando o preparo dos artigos e a esterilização passaram a ser centralizados na CME. Há algumas décadas, os materiais eram processados e esterilizados nos próprios setores onde eram utilizados, e por isso não existia uma preocupação com pessoal habilitado (SOBECC, 2017). Recursos humanos na CME2.1 https://player.vimeo.com/video/462958269 Como vimos na Unidade 1, a CME é definida, de acordo com a RDC nº 15/2012, como um setor operacional, centralizado, que presta apoio técnico a outras unidades assistenciais por meio do processamento de artigos. Portanto, podemos afirmar que a central de material e esterilização demanda funcionários habilitados e capacitados para satisfazer as necessidades tecnológicas e processuais (BUGS et al., 2017). Diante desse contexto, podemos dizer que a CME acompanhou e acompanha a evolução tecnológica, pois, a cada dia, temos procedimentos mais delicados e sofisticados e, por isso, o processamento de produtos para a saúde se tornou uma atividade complexa, pelos mais variados tipos de produtos, maquinários e equipamentos. Consequentemente, profissionais qualificados são necessários (SOBECC, 2017). Devido à complexidade das etapas do processamento dos materiais, em que cada vez mais é exigido conhecimento técnico-científico para a sua realização, a CME conta com um profissional de nível superior para realizar a supervisão e a coordenação das atividades desenvolvidas, as quais devem estar de acordo com a competência profissional de cada trabalhador (SILVA, 2019). A RDC nº 15/2012 enfatiza que todas as atividades desenvolvidas por profissionais devem estar descritas e regulamentadas pelos conselhos de classe, e esses profissionais devem receber capacitação específica e periódica de temas relacionados à área, como por exemplo: conceitos básicos de microbiologia;transporte dos produtos contaminados; processo de limpeza; desinfecção; esterilização; e embalagens, entre outros, para se manterem atualizados quanto às normas e regulamentações no que se refere ao processamento de produtos para a saúde. O quadro de profissionais que atuam na CME é composto por enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e auxiliares administrativos, e suas funções serão descritas a seguir (SOBECC, 2017). Figura 5 – A importância do profissional de enfermagem Fonte lortie/iStock.com. https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/05.jpg As atividades realizadas dentro da CME se estruturam de acordo com as diferentes áreas, em que cada profissional exercerá atividades correspondentes com a área. Segundo a Sobecc (2017), temos mais de 100 atividades desenvolvidas dentro da CME. A seguir listamos algumas de acordo com cada área: Área de recepção e limpeza: receber, conferir e anotar a quantidade e o tipo de material recebido; verificar o estado de conservação do material; separar e desinfetar os materiais; realizar limpeza do material; e encaminhar os materiais para a área de preparo. Área de preparo: verificar as condições de limpeza do material; selecionar e separar os materiais de acordo com o tipo de esterilização a ser submetido; preparar, empacotar e/ou acondicionar os materiais e roupas a serem esterilizados; e encaminhar os materiais para esterilização devidamente identificados. Atividades da CME2.2 Área de esterilização: realizar o carregamento das autoclaves com o material adequado para cada tipo de esterilização; selecionar o ciclo da autoclave; acompanhar e documentar os parâmetros de funcionamento da autoclave; retirar a carga da autoclave, verificando os indicadores de qualidade de esterilização; e realizar leitura e registro dos indicadores. Figura 6 – Autoclave Fonte: StasWalenga/iStock.com. Área de armazenamento e distribuição dos materiais: verificação dos indicadores para liberação e armazenamento dos pacotes; https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/06.jpg inspeção dos pacotes; encaminhamento dos pacotes com comprometimento da embalagem para o reprocessamento; guarda e verificação dos prazos de validade dos materiais; e distribuição e registro dos materiais para as unidades de saúde. Figura 7 – Resumo das atividades da CME Fonte: elaborada pela autora com base na Sobecc (2017). O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), na Resolução nº 424/2012, regulamenta obrigações dos profissionais de enfermagem em CME e em empresas processadoras de produtos para saúde. Cabe ao enfermeiro da CME coordenação, planejamento, execução, avaliação e supervisão para etapas do processamento de produtos de saúde, que incluem: desinfecção; esterilização; limpeza; embalagem; e armazenamento de artigos médico-hospitalares, bem como o fluxo de recebimento e entrega de materiais. Compete aos enfermeiros, coordenadores da CME, participar do dimensionamento de pessoal e atuação dos demais membros da equipe para o local de trabalho; também é de responsabilidade do enfermeiro, conforme o Cofen, a participação na elaboração e divulgação do POP (protocolo operacional padrão), usado nas etapas do processamento dos artigos de saúde (COFEN, 2012). O enfermeiro responsável pela equipe de enfermagem é o profissional que tem competências técnicas para assumir as responsabilidades da CME, uma vez que exerce todas as atividades de enfermagem, incluindo o cargo de liderança da equipe e da unidade de serviço. Isso se justifica pela sua formação acadêmica, na graduação como na especialização, onde adquire conhecimentos sobre o processamento de artigos hospitalares e da saúde (SOBECC, 2017). Quadro 3 – Atribuições do enfermeiro da CME Coordenar as atividades realizadas dentro da CME. Avaliar as etapas de processamento. Atribuições do enfermeiro2.3 https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/07.png Definir os prazos de recebimentos dos materiais que necessitem de processamento. Participar do processo de capacitação, educação continuada e avaliação do desempenho da equipe que atua na CME. Contribuir com ações de programa de prevenção e controle de infecção e eventos adversos dos serviços de saúde. Propor indicadores de qualidade para controle das etapas de processamento. Orientar as unidades usuárias dos produtos para saúde que necessitam de processamento quanto ao transporte e armazenagem. Participar do dimensionamento de pessoal e definição da qualificação dos profissionais para atuarem na CME. Fonte: elaborado pela autora com base na RDC nº 15/2012. Sobre a importância do conhecimento do enfermeiro na CME, leia o artigo Conhecimento do enfermeiro sobre o processo de trabalho na Central de Material de Esterilização. Disponível em: doi.org [https://doi.org/10.25248/reas.e403.2019] . São integrantes da equipe de enfermagem os técnicos e os auxiliares de enfermagem. Exercem atividades de nível médio e, de acordo com o Cofen, devem exercer atividades previstas nos POPs, sob orientação e supervisão do Enfermeiro (COFEN, 2012). Segundo a Sobecc (2017), competem ao técnico e ao auxiliar de enfermagem as seguintes atribuições: receber e conferir os produtos; realizar limpeza, preparo, esterilização, guarda e distribuição dos materiais; receber e preparar as roupas limpas; preparar as caixas de instrumental cirúrgico; realizar cuidados com endoscópios; preparar e esterilizar os produtos; e efetuar leitura de indicadores de monitoramento dos processos de esterilização, entre outros. Atribuições do técnico e auxiliar de enfermagem2.4 https://doi.org/10.25248/reas.e403.2019 Cada profissional tem sua função e valor diante do processamento dos produtos, afinal, se essas atividades não forem desenvolvidas da maneira correta, acabam comprometendo as etapas e os materiais podem não ser devidamente processados, e consequentemente aumentam o risco de infecção (SOBECC, 2017). Figura 8 – Recebimento e conferência de equipamentos Fonte: LSOphoto/iStock.com. O auxiliar administrativo é aquele que presta assistência às funções administrativas de uma empresa ou setor. Na CME esse profissional exerce funções como: digitar escalas de serviços; férias, comunicados e protocolos de rotinas; digitar e organizar lista de caixas cirúrgicas; e efetuar pedidos de produtos de consumo (SOBECC, 2017). Atribuições do auxiliar administrativo2.5 Para garantir a adequabilidade das etapas de processamento, são necessários investimentos em recursos físicos, materiais e equipamentos sofisticados que acompanhem o avanço tecnológico no ramo das cirurgias e dos serviços de saúde, e esse investimento está diretamente ligado ao êxito dos procedimentos cirúrgicos livres de contaminação, garantindo a qualidade e a segurança dos serviços prestados e distribuídos às unidades que necessitam da utilização desses materiais (BORGHETI; VIEGAS; CAREGNATO, 2016). Além de ter o conhecimento sobre as etapas de processamento, da estrutura física da unidade e a gestão do setor, o responsável técnico deve ter o conhecimento sobre todos os equipamentos utilizados e sempre garantir o seu bom funcionamento. Por sua vez, a gestão e provisão de recursos materiais deve sempre atentar para a relação de custo-benefício, sem que haja desperdício de material e recursos (MADEIRA et al., 2015). Equipamentos e insumos2.6 https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/08.jpg A gestão de recursos materiais compreende todas as etapas de processamento, isto é, desde os detergentes utilizados para a limpeza até os invólucros utilizados na esterilização dos materiais, garantindo que os materiais estejam prontos para o uso em qualquer unidade de saúde, sempre respeitando a relação de custo-benefício (SOBECC, 2017). Segundo a RDC nº 15/2012, deve ser realizada a qualificação de instalação, operação e desempenhos dos equipamentos utilizados na limpeza automatizada e na esterilização de produtos, ou seja, a verificação do fabricante e/oufornecedor que o equipamento foi entregue e instalado na maneira correta, e que está dentro dos parâmetros de instalação e funcionamento. Deve ser realizada a verificação no mínimo uma vez ao ano. Sempre que houver comprometimento na carga de esterilização, a qualificação de desempenho deverá ser refeita. Os principais equipamentos utilizados nas etapas de processamentos dos materiais são: no processo de limpeza: secadoras, lavadoras ultrassônicas e termodesinfectadoras; no processo de esterilização: autoclave de óxido de etileno, autoclave de vapor saturado, autoclave de plasma de peróxido de hidrogênio; na selagem dos invólucros: seladoras; e para leitura dos processos de esterilização: incubadoras para indicadores biológicos (ANVISA, 2012). Os equipamentos mencionados serão mais bem descritos, quanto à sua utilização e funcionalidade, na Unidade a seguir, em que iremos descrever as fases de processamentos dos artigos. Figura 9 – Sala com equipamentos de esterilização Fonte: Marcduf/iStock.com. Para garantir a segurança no trabalho dos profissionais que atuam na CME, faz-se necessária a utilização dos equipamentos individuais de proteção (EPIs). São indispensáveis e devem ser Segurança dos profissionais2.7 https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/09.jpg utilizados de acordo com a sala/área de processamento, ou seja, com o risco inerente a cada atividade (ANVISA, 2012). O quadro 4 denota os EPIs de acordo com a área. Quadro 4 – equipamentos de proteção individual de acordo com a área EPI Sala/área Óculos de proteção Máscara Luvas Avental impermeável com manga longa Protetor auricular Calçado fechado Recepção X X X X Impermeável Antiderrapante Limpeza X X Borracha, cano longo X X Impermeável Antiderrapante Preparo, acondicionamento e inspeção X X Se necessário X Desinfeção Química X X Borracha, cano longo X Impermeável Antiderrapante Fonte: RDC nº 15/2012 (ANVISA, 2012). Para detalhes sobre as atribuições da equipe da CME e dos equipamentos utilizados, acesse a RDC nº 15/2012 e as práticas recomendadas da Sobecc (2017). Recapitulando Nesta seção, conseguimos compreender os aspectos que regem a CME, os profissionais atuantes e atribuições de cada um e os equipamentos utilizados. O enfermeiro é o profissional responsável pela gestão e supervisão. Cabe a ele saber todas as etapas de processamento, os produtos utilizados, realizar a leitura de indicadores para verificação da qualidade das etapas, prover recursos humanos e materiais necessários, garantir a implementação das normas de processamento dos produtos, avaliar as etapas, coordenar as atividades e participar de processos de capacitação e provisão de materiais, entre outras. Aos técnicos e auxiliares de enfermagem que também compõem a equipe, cabe executar as atividades, garantir a efetividade das etapas e participar das etapas de processamento e de verificação destas. Os auxiliares administrativos ainda realizam atividades como efetuar pedidos de produtos, digitar comunicados, escalas de serviços etc. Quando se trata de equipamentos utilizados dentro do setor, temos vários, que vão desde a limpeza até o processo de esterilização do material. Esses equipamentos devem ser verificados e avaliados quanto à sua funcionalidade, pelo menos uma vez ao ano, ou sempre que sua função estiver comprometida ou duvidosa. A gestão dos recursos materiais deve sempre respeitar o princípio de custo-benefício para evitar desperdícios, mão de obra e recursos, mas garantindo a quantidade e qualidade adequada dos materiais a serem utilizados pelas unidades consumidoras. Exercícios de fixação Fazem parte da equipe que compõe o CME: enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem e auxiliar administrativo. Verdadeiro Falso As atividades desenvolvidas na CME são muitas, visto que são divididas de acordo com a área correspondente. Verdadeiro Falso Aos técnicos e auxiliares de enfermagem, compete a análise das etapas de processamento. Verdadeiro Falso Ao enfermeiro compete a definição de prazo para recebimento do material, gerência e coordenação das atividades. Verdadeiro Falso Videoaula - Gerenciamento dos artigos hospitalares Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://player.vimeo.com/video/462958745] . Segundo a RDC nº 15/2012, limpeza é definida como o processo de remoção de sujidades orgânicas e inorgânicas, e também como a redução da carga microbiana existente dos produtos para saúde. Com o uso de detergentes, água, acessórios e produtos de limpeza, o processo de limpeza é realizado por meio da ação mecânica (automatizada ou manual) em superfícies internas e externas dos objetos, conferindo segurança para manuseio e preparo da esterilização ou desinfecção. Todos os artigos, independentemente de sua classificação, devem passar por essa etapa. A permanência de sujidade na superfície dos instrumentais compromete o restante do processo, pois a presença de qualquer carga microbiana torna ineficaz até mesmo a esterilização, de forma que os agentes esterilizantes não conseguem penetrar no material, podendo inclusive causar corrosão, diminuindo inclusive a vida útil dos instrumentos (SILVA; SILVA, 2018). A presença de sujidade favorece a formação de biofilme, termo que faz referência a uma camada polimérica, composta por polissacarídeos e material extracelular de bactérias, componentes sanguíneos vindos do hospedeiro, que por sua vez facilitam a adesão das bactérias e dificultam a penetração de agentes químicos. O tempo de formação de biofilme varia de acordo com as bactérias presentes, mas quando há a presença de sujidade, mesmo que por curto período, já existe a possibilidade de formação de biofilme (OLIVEIRA et al., 2018). Limpeza dos produtos3.1 https://player.vimeo.com/video/462958745 Segundo a Sobecc (2017), a presença de matéria orgânica no material torna as etapas subsequentes ineficientes, do contrário, uma limpeza eficiente diminui em até 99,99% a quantidade de microrganismos. Sendo a área de recepção e limpeza também denominada expurgo, responsável pela lavagem e descontaminação dos artigos, a infraestrutura deve favorecer a total remoção de sujidade, além de seguir as normas regulamentadoras. Portanto, esta área deve possuir pias próprias com cubas fundas, para que não haja respingos no trabalhador, torneiras com água fria e quente adaptadas para facilitar a limpeza e remoção de sujidade, e ainda possibilitar a limpeza de artigos cujo lúmen (cavidade interna dos produtos) seja estreito (COSTA, 2014). A qualidade da água utilizada para a limpeza dos produtos é um fator importante a ser levado em consideração, visto que a água considerada potável para consumo humano é aquela que não oferece riscos à saúde, entretanto, possui alguns contaminantes, que podem provocar corrosão do material, como: terra, ferrugem, metais pesados, sais dissolvidos, microrganismos, gases atmosféricos, entre outros, e por isso não podem ser utilizados para lavagem e esterilização de artigos hospitalares (SOBECC, 2017). Figura 10 – Formação de biofilme na superfície Fonte: elaborada pela autora com base em Silva (2015). A RDC nº 15/2012 ainda enfatiza que a água utilizada deve atender aos padrões definidos em legislação específica, e deixa claro que o enxágue final de artigos utilizados em cirurgias de implantes ortopédicos, oftalmológicos, cirurgias cardíacas e neurológicas deve ser realizado com água purificada, devendo haver uma torneira apropriada para tal. O detergente utilizado deve possuir algumas especificações que favoreçam a remoção de sujidade, como ter baixa formação de espuma e ser biodegradável, não abrasivo, atóxico na diluição e de fácil enxágue. Através da ação de tensoativos presentes no detergente, há a diminuição da tensão da água com o material, o que favorece a remoção de resíduos (OLIVEIRA; MATI, 2017). https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/10.pngAtualmente, é recomendada a utilização de detergentes que possuam a ação enzimática, que segundo a RDC nº 15/2012 são produtos que contêm, em sua formulação, além da ação de tensoativos, enzimas hidrolíticas de proteases, capazes de remover a sujidade e impedir a formação de biofilme na superfície do material, porém não garantem a remoção de biofilme. Ao contrário dos detergentes comuns, a presença de enzimas possui a capacidade de remover resíduos específicos, além de acelerar e otimizar o processo de limpeza. Por isso, no mercado estão disponíveis detergentes com multienzimas, que ampliam a ação do produto e tornam a limpeza eficaz (OLVEIRA; MATI, 2017). Um detalhe importante, que vale a pena ressaltar, é que os detergentes enzimáticos não matam ou destroem os microrganismos presentes no artigo, pelo contrário, por conterem enzimas compostas por proteínas, podem ser utilizados como fonte de energia para reprodução de microrganismos. Por isso, o tempo de imersão deve ser rigoroso e respeitar as orientações do fabricante, e a correta remoção do produto (SOBECC, 2017). Os detergentes alcalinos também são bastante indicados e utilizados para a limpeza dos produtos. São apropriados para a limpeza de instrumentais de aço inoxidável e proporcionam adequada remoção de gorduras e demais resíduos, desintegrando-os mais facilmente do que o detergente enzimático. Quando o tratamento de água não é o recomendado para o enxágue, este detergente é o mais indicado, por ser de fácil remoção e também conseguir promover a remoção de sujidades (OLIVEIRA; MATI, 2017). Quadro 5 – Vantagens e desvantagens da utilização de detergentes Solução Vantagens Desvantagens Detergente enzimático Facilita a retirada de sujidade. Possui pH neutro, não corrosivo, é atóxico e permite enxágue simples. Possui enzimas capazes de decompor a matéria orgânica presente no material. A efetividade da limpeza depende do tempo de exposição, temperatura e concentração do produto. Se não realizar o enxágue de forma adequada, a presença de resíduos do produto pode provocar eventos adversos ao paciente. Solução Vantagens Desvantagens Detergente alcalino Consegue remover a sujidade do material com segurança. É adequado para limpeza automática. Previne que minerais presentes na água fiquem impregnados no material. Materiais incompatíveis: ácidos, agentes oxidantes, agente redutores de cloro e alumínio. Fonte: elaborado pela autora com base na Sobecc (2017). Os produtos, antes de serem enviados para a CME, devem passar por uma pré-limpeza na unidade de serviço, conforme o POP definido junto pela empresa processadora e o serviço de saúde contratante (ANVISA, 2012). A pré-limpeza é definida como a remoção de sujidade visível presente nos produtos, podendo ser utilizados apenas água e sabão, e deve ser realizada após cada procedimento. Quando não realizada, favorece a formação de biofilme e possível dano ao material (RIBEIRO, 2016). A limpeza pode ser manual ou automatizada. A manual é realizada por profissionais e deve ser realizada com acessórios que não causem abrasão no material e não soltem partículas. As escovas e as pistolas são as mais utilizadas para limpeza, possuem diversos tamanhos e comprimentos que auxiliam na remoção de sujidade de dentro do lúmen do material, e os diferentes bicos conseguem alcançar toda a extensão do material (SILVA; SILVA, 2018). Segundo a RDC nº 15/2012, as pistolas de água por pressão devem ser utilizadas principalmente para limpeza interna de instrumentais com lúmen e ar comprimido medicinal, gás inerente ou ar filtrado para secagem do material. Quadro 6 – Recomendações para o uso da limpeza manual e automatizada Limpeza manual Limpeza automatizada Deve ser utilizada somente para artigos delicados que não possam ser processados por métodos automatizados. Observar a qualidade da água antes da instalação nos equipamentos. Utilizar EPIs adequados: luva de borracha de cano longo, avental impermeável, bota, gorro, máscara e óculos de proteção. Analisar o detergente adequado e as orientações do fabricante do equpamento. Limpeza manual Limpeza automatizada Utilizar escovas não abrasivas, de vários tamanhos diâmetros/comprimentos. Materiais de inox não devem ser lavados junto com instrumentais que dificultam o contato do detergente com o instrumental. Esfregar os artigos sob a água para evitar respingos e aerossóis. Não deve haver tapetes de silicone no fundo dos cestos no momento da lavagem. Realizar enxágue abundante até remover toda a sujidade e o detergente. O último enxágue deve ser feito com água purificada, e os materiais devem ser enxaguados de forma abundante para a correta remoção da sujidade. Fonte: elaborado pela autora com base na Sobecc (2017). A limpeza automatizada é feita por meio de equipamentos que operam em diferentes condições, como a temperatura e o tempo utilizado. A utilização das máquinas reduz o risco de acidentes, a exposição dos trabalhadores aos artigos e o manuseio de material contaminado, e possui melhor vantagem no processo de limpeza dos materiais (SOBECC, 2017). Os equipamentos utilizados, segundo a Sobecc (2017), são: lavadoras ultrassônicas, lavadora termodesinfectadora e lavadora de descarga. Lavadoras ultrassônicas: equipamento de método efetivo, utilizado para complementar a limpeza manual de artigos de formação complexa e lúmen menor que 5 milímetros (ANVISA, 2012). A remoção de sujidade se dá por meio de quatro princípios: água quente, detergente enzimático, cavitação e ultrassom. Esses princípios otimizam o processo de limpeza, e através da cavitação ocorre a remoção de sujidades por meio de inúmeras bolhas produzidas e ondas sonoras que implodem na superfície do material, promovendo a remoção de sujidade. Esse equipamento não tem por finalidade a destruição de microrganismos, apenas a remoção de sujidade (FRUTUOSO, 2018). Lavadora termodesinfectadora: equipamento que une jatos de água com detergentes para facilitar a remoção de sujidade. A lavagem acontece em etapas, iniciando a pré-lavagem com água fria, que evita a impregnação de matéria orgânica. Na lavagem, são utilizados água quente em temperatura expressa pelo fabricante e detergente, que é aplicado sobre pressão por meio de braços rotativos. O enxágue final é feito com água que atende aos critérios de potabilidade, e é concluído com a secagem do material. A temperatura utilizada nesses equipamentos faz com que haja a morte microbiana (SOBECC, 2017). Lavadora de descarga: equipamento destinado à limpeza e descontaminação de artigos, em substituição aos produtos químicos. O equipamento deve ser utilizado com cautela pela dificuldade de avaliação do processo de limpeza. A temperatura e o tempo dependem da modalidade do artigo (SOBECC, 2017). Videoaula - Classificação e desinfecção dos artigos hospitalares Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://player.vimeo.com/video/462959335] . Alguns critérios são levados em consideração quando se fala no processamento de artigos hospitalares. Como vimos, o processamento desses materiais é extremamente importante no controle de infecção e, devido ao avanço tecnológico na área cirúrgica, são necessárias adaptações da CME para fornecer materiais livre de contaminação. Por isso, os artigos hospitalares são classificados de acordo com o risco potencial de transmissão de infecção, segundo Spaulding (SOBECC, 2017): artigos críticos: são produtos utilizados em procedimentos invasivos com a inserção na pele e mucosas adjacentes, tecidos subepiteliais, sistema vascular, incluindo todos os produtos que estiveram diretamente ligados a esses sistemas, sendo obrigatória a sua esterilização (ANVISA, 2012). artigos semicríticos: são produtos que entram em contato com mucosa íntegra colonizada e pele não íntegra. Devem ser submetidos a desinfecção de alto nível. São exemplos de tais artigos: endoscópios, espéculos vaginais, circuito respiratório etc.(SOBECC, 2017; ANVISA, 2012). Artigos não críticos: produtos que entram em contato com a pele íntegra e aqueles que não têm contato direto ao paciente. Devem ser submetidos a no mínimo limpeza e/ou desinfecção de baixo nível. São exemplos de tais artigos: termômetros axilares, sensor de oxímetro, comadres, papagaios, manguitos do esfigmomanômetro etc. (ANVISA, 2012; SOBECC, 2017). A partir dessa classificação, é feita a escolha do processo a que deve ser submetido cada artigo. O quadro 7 demonstra, de forma mais simples, a classificação dos artigos e exemplos destes. Quadro 7 – Classificação dos artigos hospitalares Classificação dos artigos hospitalares3.2 https://player.vimeo.com/video/462959335 Artigos não críticos Entram em contato com a pele íntegra do paciente. Ex.: estetoscópio, termômetro, comadres etc. Artigos semicríticos Entram em contato com a pele não íntegra ou mucosa íntegra. Ex.: endoscópio, espéculos vaginais, circuito respiratório etc. Artigos críticos Entram em contato com a mucosa não íntegra, tecidos estéreis e fluidos corporais. Ex.: instrumentais cirúrgicos. Fonte: elaborado pela autora com base na RDC nº 15/2012 e na Sobecc (2017). A desinfecção é definida como um processo físico ou químico, que elimina a maioria dos microrganismos patogênicos de forma vegetativa existentes em superfícies (NASCIMENTO, 2018). Como vimos, para obter êxito no processo de desinfecção, deve haver limpeza prévia para remoção de sujidade, pois a presença de carga microbiana afeta a eliminação de microrganismos no processo de desinfecção. Deve contar também com uma equipe treinada para manipulação dos produtos químicos, visando à segurança do profissional, atender às especificações do produto e o tempo de exposição do material, para garantir a eliminação de microrganismos (SOBECC, 2017). Desinfecção de produtos para saúde3.3 O processo de desinfecção é classificado de acordo com o potencial de ação do produto e o risco de infecção envolvido no seu uso. De acordo com a Sobecc (2017), é classificado da seguinte forma: desinfecção de alto nível: processo físico ou químico que elimina a maioria dos microrganismos, incluindo as micobactérias e os fungos, exceto um número elevado de esporos bacterianos, sendo destinado à desinfecção de artigos semicríticos (ZEFERINO et al., 2019); desinfecção de nível intermediário: processo físico ou químico que elimina microrganismos patogênicos de forma vegetativa, micobactérias, a maioria dos vírus, fungos e o bacilo da tuberculose (ANVISA, 2012; SOBECC, 2017); e desinfecção de baixo nível: processo que elimina a maioria das bactérias vegetativas, alguns vírus e fungos (SOBECC, 2017). Após os artigos passarem pela limpeza e realizada a remoção de toda a sujidade, o material está seguro para a manipulação e preparo. Esses artigos são separados e preparados para serem passados por desinfecção ou esterilização, a depender da classificação do artigo, que veremos a seguir (BORGHETI; VIEGAS; CAREGNATO, 2016). O quadro 8 mostra o processamento dos materiais de acordo com a classificação de artigos e de desinfecção. Quadro 8 – Processamento de artigos de acordo com sua classificação Artigos críticos. Artigos semicríticos. Artigos não críticos. Esterilização. Desinfecção de alto nível. Limpeza ou desinfecção de baixo nível. Fonte: elaborado pela autora com base na Sobecc (2017) e RDC nº 15 (ANVISA, 2012). O art. 12 da RDC nº 15/2012 diz que os artigos semicríticos devem passar por no mínimo desinfecção de alto nível após a limpeza, porém ressalta em seguida que os artigos semicríticos utilizados na assistência ventilatória, anestesia e inaloterapia devem passar por no mínimo desinfecção de nível intermediário com produtos saneantes, ou por processo físico de termodesinfecção, e não podem ser submetidos à desinfecção química com a utilização de produtos à base de aldeídos. A desinfecção física deve ser a primeira escolha dentre os outros métodos de desinfecção, ou seja, utilização de calor. Os equipamentos utilizados permitem a desinfecção de materiais em baixa temperatura, não causando danos ao material e ao profissional pela manipulação desses equipamentos. São utilizados os seguintes equipamentos: lavadoras termodesinfetadoras, lavadoras de descarga e pasteurizadoras (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 170- 171). Como vimos anteriormente, a termodesinfectadora também é utilizada para limpeza automatizada, e tem como grande vantagem a eficácia do alto nível de limpeza dos materiais. Em seu ciclo, também é capaz de realizar desinfecção térmica (considerada de nível intermediário), através da utilização de água quente (temperatura 70-93 ˚C) e inclui a secagem do material. Aceita diversos tipos de materiais, incluindo os de assistência ventilatória e anestesia. Para estes, é importante verificar se são resistentes à temperatura de 70 ˚C. Possui ciclos de limpeza e desinfecção diferentes, permitindo seu uso sem danificar o material (TAVARES, 2017; GRAZIANO, SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 172-173). Como modelo de termodesinfectadora, temos a lavadora de descarga, porém são indicadas para o processamento de artigos não críticos, que fazem desinfecção de baixo nível. Esses artigos podem ser colocados sem manuseio prévio, pois em seu processamento inicial a água contendo Desinfecção física3.4 a sujidade do material é despejada diretamente na rede de esgoto, não comprometendo as etapas seguintes. Esses equipamentos são indicados apenas nas unidades assistenciais e não na CME (SOBECC, 2017). As pasteurizadoras realizam desinfecção de alto nível através da imersão do material em água quente e conseguem manter a temperatura da água pelo tempo do ciclo determinado. São utilizados cestos vazados para colocação de retirada do material, o que minimiza o risco de queimaduras, porém não incluem secagem e o material necessita de limpeza prévia para garantir a desinfecção (GRAZIANO, SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 174). Os endoscópios, considerados artigos semicríticos, denotam grande preocupação quanto ao processamento, pois sua estrutura interna e externa entra em contato com grande quantidade de microrganismos presentes no trato gastrointestinal, tornando necessária descontaminação adequada, para evitar contaminação cruzada e proteger os profissionais que manipulam esse material. Quando processados da forma correta, a frequência de infecção após uma endoscopia é de 1 em 1,8 milhões de procedimentos realizados (MATI et al., 2019). Artigos que requerem especificações quanto ao seu processamento necessitam de cuidados especiais. Saiba mais em: scielo.br [https://www.scielo.br/pdf/rlae/v27/pt_0104-1169-rlae-27- e3211.pdf] . Alguns aspectos devem ser considerados ao optar pela desinfecção química. Veja o quadro a seguir. Quadro 9 – Aspectos para a escolha da desinfecção química Aspectos Classificação dos artigos Forma de utilização do produto (cuidados com manipulação e diluição) Termossensibilidade do produto (desinfecção química é indicada apenas para produtos sensíveis a altas temperaturas) Resistência à imersão do produto Observar as restrições impostas pelo fabricante (capacidade de causar corrosão ou danos) Fonte: elaborado pela autora com base na Sobecc (2017). Desinfecção química3.5 https://www.scielo.br/pdf/rlae/v27/pt_0104-1169-rlae-27-e3211.pdf A Portaria n˚ 15/1988, revogada parcialmente pela RDC n˚14/2007, regulamenta os requisitos para produtos saneantes, com finalidade antimicrobiana de artigos hospitalares. Define que os desinfetantes são produtos capazes de eliminar todos os microrganismos patogênicos, mas não esporulados em objetos e superfícies inanimadas. Os desinfetantes autorizados por tal portaria aprovados para o uso são: aldeídos; fenóticos; quaternário de amônio; compostos inorgânicos liberadores de cloro ativo; compostos orgânicos liberadores de cloro ativo; álcoois e glicóis; e biguanidas. Para que o produto seja eficaz para desinfecção, deve atender a alguns requisitos,além de possuir amplo espectro de ação microbiana, e não irritar pele ou mucosas. Entre esses requisitos estão: não danificar o artigo exposto ou causar corrosão em qualquer equipamento; possuir baixa toxicidade e não apresentar odor desagradável; e tolerar variações de pH e manter sua ação mesmo quando diluído. Essas características devem ser observadas e os profissionais devem dominar tais conhecimentos para garantir a desinfecção de artigos (FRUTUOSO, 2018). Diante disso, veja os desinfetantes mais utilizados de acordo com a sua classificação: Desinfetantes de baixo nível: quaternário de amônia. Possui ação bactericida, fazendo a inativação de enzimas, desnaturação das proteínas celulares e consequente ruptura das membranas celulares (BARBOSA et al., 2018). Esse produto pode causar irritação e sensibilidade dérmica aos trabalhadores que manipulam, sendo necessária a utilização de EPIs (ANVISA, 2020); Desinfetantes de nível intermediário: os mais utilizados são o álcool 70% e hipoclorito de sódio 1%. O álcool possui ação bactericida, virucida, fungicida e tuberculicida (age contra o bacilo da tuberculose), porém não age contra os esporos. É de fácil aplicação e ação imediata, capaz de causar a desnaturação de proteínas componentes da parede celular de microrganismos, sendo indicado para superfícies (EBSERH, 2017). Possui baixo custo e é de fácil acesso, baixa toxicidade e efeito rápido, aproximadamente 30 segundos, porém evapora rapidamente, o que contraindica a sua utilização para procedimentos de longa duração e é altamente inflamável, requerendo cuidado quanto à sua aplicação (BERNARDI; COSTA, 2017); O hipoclorito de sódio necessita da concentração e tempo de exposição corretos, portanto, a concentração recomendada para atingir a desinfecção de nível intermediário é de 1%, devendo ficar imergido durante 30 minutos. Os artigos de assistência ventilatória, respiratória e anestesia podem ser desinfetados com esse produto, porém de concentração 0,02% a 0,5% e imersão por 60 minutos, devendo ambos sempre serem diluídos em água, conforme orientação do fabricante. Possui baixo custo e fácil acesso, sendo cada vez mais utilizado no âmbito hospitalar (ANTUNES; MENDES; ALVEZ, 2017). Desinfecção de alto nível: alguns desses desinfetantes também são utilizados para esterilização química, o que determina o uso é o tempo de imersão e concentração do produto. Os mais utilizados são: ácido peracético, peróxido de hidrogênio, ortoftaldeído, formaldeído e glutaraldeído (FRUTOSO, 2018). O ácido peracético possui ação rápida e eficaz mesmo em baixas concentrações (0,2%), atuando como bactericida, fungicida, virucida e esporicida, atóxico e não mutagênico, podendo ser utilizado tanto para desinfecção de alto nível quanto para esterilização. A solução composta por ácido peracético e peróxido de hidrogênio causa desnaturação de proteínas e ruptura da membrana celular dos microrganismos. A concentração depende da fórmula e fabricante, mas, em geral, para desinfecção de alto nível são indicados 10 minutos de imersão e 1 hora para esterilização. Apesar do alto custo, não apresenta riscos na manipulação, além da ação rápida e eficaz, porém é corrosivo ao cobre, aço comum e ferro (MOURA et al., 2016; GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 127). O glutaraldeído é um dialdeído mais utilizado para desinfecção de alto nível e esterilização química por imersão. Potente contra todos os tipos de microrganismos, necessitando de 30 minutos de imersão a uma concentração de 2% para realizar desinfecção de alto nível e para esterilização 8 a 10 horas. Líquido oleoso e incolor, é capaz de penetrar nos resíduos de sangue e outros fluídos, e não é corrosivo a materiais como borracha ou plástico. Apresenta toxicidade para pacientes e profissionais que o manipulam, liberando vapor tóxico que fica suspenso no ar durante um tempo determinado, a depender do tempo de imersão, o que pode causar lesões ou irritações na pele e olhos, e por isso requer maiores cuidados para sua manipulação. Apesar disso, não é um produto carcinogênico (SOUZA, 2016; MANDREDINI; NASCIMENTO FILHO; SCHNEIDER, 2020). O formaldeído é o mais simples dos produtos à base de aldeído, sendo desinfetante e esterilizante. Realiza desinfecção de alto nível em 30 minutos, é altamente solúvel em água e age impedindo a síntese de proteínas e ácidos nucleicos microbianos, impedindo sua replicação. Essa solução pode deixar resíduos no material se não forem enxaguados abundantemente, e ainda possui alto teor de toxicidade para os pacientes e profissionais. A Anvisa só autoriza o uso se for em ambiente devidamente fiscalizado e controlado pela vigilância sanitária, e em equipamentos que sejam registrados no Ministério da Saúde e respeitem copiosamente as recomendações do fabricante quanto à segurança e à eficácia da esterilização (BORINI, 2016). O ortoftaldeído apresenta excelente ação contra os microrganismos, incluído as micobactérias, sendo superior ao glutaraldeído, porém não tem ação contra os esporulados, o que contraindica seu uso para esterilização de materiais. Tem aspecto límpido de coloração azul-clara, apresenta menor grau de toxicidade quando comparado aos outros produtos à base de aldeídos e, mesmo assim, o fabricante recomenda a utilização de equipamentos de proteção individual para a manipulação. Para alcance da desinfecção de alto nível, leva em média 5 a 12 minutos dependendo da temperatura utilizada, variando entre 20 a 25 ˚C. Apresenta como desvantagem o aparecimento de manchas acinzentadas na superfície do material, que surgem a partir da reação das proteínas vindas da sujidade residual (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 186). Considerado desinfetante e esterilizante, o peróxido de hidrogênio age pela produção de radicais livres, rompendo a permeabilidade da membrana celular e promovendo a desnaturação das proteínas (VOLKART; SPAGIARI; BIZANI, 2017). Utilizado em concentrações de 3 a 6%, consegue realizar a desinfecção de alto nível, e em concentração de 7% elimina todos os microrganismos, fazendo a esterilização em torno de 6 horas de exposição. Para eliminação das micobactérias, 20 minutos são suficientes; para fungos e vírus, 5 minutos, 3 minutos para bactérias. É utilizado principalmente para processamento de capilares e linhas de hemodiálise, não é considerado tóxico e não causa danos ao material (SOBECC, 2017). Quadro 10 – Tipos de desinfetantes utilizados de acordo com sua classificação Desinfecção Desinfetante Desinfecção de baixo nível Quaternário de amônia Desinfecção de nível intermediário Hipoclorito de sódio e álcool 70% Desinfecção de alto nível Ácido peracético, formaldeído, glutaraldeído, ortoftaldeído e peróxido de hidrogênio. Fonte: elaborado pela autora. Após a desinfecção, o manuseio deve ser feito de maneira limpa. Para secagem, podem ser utilizadas as secadoras de produtos para saúde, pistola de ar comprimido ou material absorvente (não tecido ou têxtil), desde que esteja limpo e não libere fiapos no material. A espera da secagem no material por ação gravitacional deve ser evitada, pois além do longo tempo de espera, favorece a recontaminação do material. Depois de secos, os materiais devem ser embalados. Os invólucros mais utilizados são sacos plásticos atóxicos selados e recipientes plásticos com tampa; para isso precisam estar limpos e desinfetados. Cada unidade deve definir o prazo de validade e as indicações de guarda do material (SOBECC, 2017). Videoaula - Métodos de esterilização e embalagens utilizadas Escaneie a imagem ao lado com um app QR code para assistir o vídeo ou clique aqui [https://player.vimeo.com/video/462959888] . Os materiais que passam pela fase de preparo são os artigos críticos, que necessitam do processo de esterilização. Essa etapa visa ao condicionamento e utilização de embalagens que consigam manter a esterilidade do material no período do armazenamento e transporte até a sua utilização. Por isso, após a limpeza, é realizada a inspeção do material,para verificação do processo, conferindo também falhas ou defeitos no material que possam impedir sua utilização. A presença de matéria orgânica no material impede a ação do agente esterilizante, aumentando também o risco de infecção ao paciente (SOBECC, 2017). Como parte do preparo dos materiais para esterilização, são utilizadas embalagens correspondentes ao método de esterilização e compatíveis com o material. A principal característica que a embalagem deve possuir é a manutenção da esterilidade do material até sua utilização. Para isso, precisa apresentar vida útil adequada e facilitar o transporte e armazenamento, sem risco de contaminar ou comprometer a embalagem e produto (SOBECC, 2017). O quadro 11 apresenta as demais características observadas nas embalagens para serem adequadas aos processos de esterilização. Quadro 11 – Características das embalagens Permitir a entrada de ar e do agente esterilizante. Não possuir elementos que possam afetar o material, como corantes. Preparo dos produtos3.6 https://player.vimeo.com/video/462959888 Ser capaz de manter a dobra sem riscos de aberturas (memória da embalagem). Ser resistente e impedir rasgos ou rupturas que possam danificar o material. Ser totalmente segura e capaz de selagem em uma única vez. Possuir tamanho adequado ao material condicionado. Ser de fácil manuseio para a utilização adequada. Possuir ótimo custo-benefício. Possuir data de validade da embalagem e as orientações do fabricante. Fonte: elaborado pela autora com base na Sobecc (2017). Cada embalagem possui características que devem ser levadas em consideração no momento da escolha quanto ao método de esterilização a ser submetido. As embalagens utilizadas são: tecido de algodão: é a embalagem mais antiga e utilizada no Brasil. É segura, eficaz barreira microbiana, ótima manutenção da embalagem e de alta resistência. Por ser reutilizável, deve possuir controle rigoroso de utilização, pois o aparecimento de rasgos, perfurações e desgaste do tecido comprometem a função de barreira, não sendo permitidos remendos, e caso exista desgaste do tecido, a embalagem deve ser descartada. Porém, quando utilizada segundo as normas, a composição da dupla camada apresenta alta resistência e excelente barreira microbiana (SOBECC, 2017). A RDC nº 15/2012 reforça a proibição da embalagem caso esteja rasgada, remendada ou apresentando desgaste do tecido, mas sendo de escolha da CME a sua utilização. Deve manter o registro de utilização e manutenção, e possuir uma estratégia para fácil aquisição e substituição quando necessário; papel grau cirúrgico: embalagem transparente, resistente, de baixo custo, excelente barreira microbiana, descartável, possui diversos tamanhos, tem indicador químico incluído (verifica o processo de esterilização) e é necessário selagem térmica. É compatível com quase todos os processos de esterilização, mas é indicada apenas para materiais leves e pequenos, sendo também uma desvantagem pois não comporta perfurocortantes e materiais pesados (VEIGA, 2017); tecido não tecido (SMS – spunbond/meltblown/spunbond): embalagem flexível, porosa, de fácil manipulação, possui uma manta de fibras com boa resistência mecânica (spunbond), barreira microbiana eficaz (meltblown), impede a entrada de líquidos, adapta-se facilmente ao material e é encontrado na maioria dos fornecedores. Como desvantagem, apresenta dificuldades na manutenção da integridade da embalagem e não é tão resistente a rasgos e abrasão (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 102); papel crepado: embalagem descartável, biodegradável, flexível e de fácil manipulação. Possui opções de 100% de celulose e outras com fibras sintéticas, aumentando a resistência e impedindo a entrada de líquidos. Para materiais pesados, recomenda-se a embalagem dupla em técnica demonstrada na figura 11, para facilitar o transporte seguro. Por outro lado, impede relativamente a entrada de líquidos, não permite a visualização do conteúdo e não é tão resistente a rasgos e abrasão (SOBECC, 2017); Tyvek: embalagem transparente, descartável, composta por 100% de fibras de polietileno, resistente a perfurações e tração, necessita de selagem térmica, não libera partículas tóxicas e é facilmente encontrada em vários tamanhos e formatos (OLIVEIRA, 2016). Como desvantagem, essa embalagem é termossensível, não sendo compatível com altas temperaturas (SOBECC, 2017); contêiner rígido: pode ser feito de alumínio, aço inox ou plástico. Embalagem permanente que comporta os artigos e mantém a esterilidade até seu uso. Possui perfurações na tampa que permitem a entrada do agente esterilizante e a saída de ar recobertas de filtros descartáveis ou reutilizáveis (alguns modelos possuem válvulas reutilizáveis). Dispensa a utilização de uma embalagem secundária, bastante resistente, oferece segurança para transportar e manusear, é compatível com todos os métodos de esterilização, mantém a esterilização por longo prazo e é reutilizável. Em contrapartida, apresenta alto custo, adequação de espaço físico para armazenagem e possíveis problemas na secagem do material (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 104; SOBECC, 2017). A RDC nº 15/2012 ressalta que é proibida a utilização de caixas metálicas que não possuam perfurações para esterilização dos materiais; e caixas metálicas: esse tipo de embalagem era apenas utilizado em método de esterilização seco: estufa, porém a RDC nº 15/2012 proibiu o uso dessa embalagem. Porém, pode ser utilizada em todos os métodos de esterilização; são de alumínio com material inoxidável, precisam ter perfurações ao longo de sua extensão e de uma embalagem secundária para revestir a caixa, e esta precisa permitir a entrada do vapor (SCHMITT et al., 2015; SOBECC, 2009). Tais caixas são citadas especificamente apenas pela SOBECC (2009). A RDC nº 15/2012 proíbe a utilização de “embalagens de papel kraft, papel toalha, papel manilha, papel jornal e lâminas de alumínio, assim como as embalagens tipo envelope de plástico transparente” para esterilização de materiais. Figura 11 – Técnica de envelope Fonte: Sobecc (2017). Figura 12 – Técnica do tipo pacote Fonte: Sobecc (2017). https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/11.png https://objetos.institutophorte.com.br/PDF_generator/img/12.png A selagem deve seguir as orientações do fabricante, conferindo a temperatura ideal para selagem, não queimando ou deixando frestas. Não deve ser fechada com fita adesiva, pelo risco de abertura no transporte ou armazenamento. O importante é que todo material que necessite de selagem deve permitir uma fácil abertura asséptica do pacote ao seu manuseio (GRAZIANO; SILVA; PSALTIKIDIS, 2011, p. 104). As embalagens devem ser devidamente identificadas segundo as recomendações da Anvisa, de maneira legível, que possibilite sua verificação durante a esterilização, transporte, armazenamento, distribuição, até o momento do uso (ANVISA, 2012). Figura 13 – Embalagem em papel grau cirúrgico Fonte: OKrasyuk/istock.com. Esterilização é o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana, como fungos, vírus, bactérias e esporos bacterianos, com a utilização de métodos físicos, químicos e físico- químicos. O método físico utiliza calor, podendo ser seco ou úmido. A utilização de calor úmido é feita através de autoclaves que realizam a morte microbiana por meio de altas temperaturas, pressão, umidade e tempo (NECKEL; ROCHA; GOMES, 2017). A RDC nº 15/2012 proíbe a utilização de estufas como forma de calor seco para esterilização de artigos, sendo, portanto, utilizada apenas a forma de calor úmido nos ambientes hospitalares. Em 2009, a Anvisa proibiu, por meio da RDC n˚8/2009, a esterilização química manual, realizada pela imersão do material no produto, por conta do risco de falhas dos agentes esterilizantes em decorrência do mau uso. Por fim, temos apenas os métodos físicos e físico-químicos devidamente autorizados para esterilização dos artigos. Método de esterilização físico Esterilização de produtos