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Orçamento Público 2 MÓDULO CORREALIZAÇÃO REALIZAÇÃO GESTÃO FISCAL INTERFEDERATIVA Expediente Copyright @ 2024 by Fundação Demócrito Rocha FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR) Presidente Luciana Dummar Diretor Administrativo-Financeiro André Avelino de Azevedo Gerente-Geral Marcos Tardin Gerente de Criação de Projetos Raymundo Netto Gerente de Audiovisual Chico Marinho Gerente Editorial Lia Leite Gerente de Marketing e Design Andrea Araujo Analistas de Projetos Aurelino Freitas e Fabrícia Góis Analista de Contas Narcez Bessa UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE (UANE) Gerente Educacional Prof. Dr. Deglaucy Jorge Teixeira Coordenadora Pedagógica Profa. Ms, Jôsy Braga Cavalcante Coordenadora de Cursos e Secretária Escolar Esp. Marisa Ferreira Desenvolvedora Front-End Isabela Marques GESTÃO FISCAL INTERFEDERATIVA Coordenadora Geral Valéria Xavier Analista de Operações Alexandra Carvalho Coordenador de Conteúdo Marcelo Lettieri Coordenador Editorial Raymundo Netto Revisora Daniele Andrade Projeto Gráfico e Editora de Design Andrea Araújo Designer Gráfico Mariana Araujo Ilustrador Carlus Campos Analista de Projetos Daniele Andrade Social Media Beatriz Araújo Este fascículo é parte integrante do projeto Ceará Mais Digital: Transformação Digital para Governança Interfederativa Eficaz, em decorrência do Contrato celebrado entre a Fundação Demócrito Rocha (FDR) e a Escola de Gestão Pública do Estado do Ceará. FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE 2 Sumário Sumário 3 Apresentação 4 1. Orçamento Público: conceito 5 2. Princípios Orçamentários 6 3. Classificação Orçamentária das Receitas e Despesas 7 4. Instrumentos de planejamento, execução e acompanhamento do Orçamento Público 9 5. Orçamento Participativo 14 Referências Bibliográficas 15 Perfil do Autor e do Ilustrador 16 GESTÃO FISCAL INTERFEDERATIVA 3 Neste módulo, apresentaremos o conceito de or- çamento público, uma introdução à classificação das receitas e despesas públicas, o ciclo orça- mentário e os instrumentos de planejamento, execução e acompanhamento do orçamento público brasileiro, com o intuito de fazer uma introdução ao estudo do or- çamento público, que será aprofundado nos módulos 3 e 4 de nosso curso. Ementa: Princípios orçamentários, metodologias de classificação das receitas e despesas públicas, o ciclo orçamentário e os instrumentos de planejamento, exe- cução e acompanhamento do orçamento público. Orça- mento participativo. Apresentação FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE 4 ORÇAMENTO PÚBLICO: CONCEITOORÇAMENTO PÚBLICO: CONCEITO Oorçamento público é um plano esta- belecido em lei que especifica as re- ceitas estimadas e os gastos previstos em um dado período, estabelecendo objeti- vos e programas. Em termos jurídicos, o orçamento públi- co “é o ato pelo qual o Poder Executivo pre- vê e o Poder Legislativo autoriza, por certo período de tempo, a execução das despe- sas destinadas ao funcionamento dos ser- viços públicos e outros fins adotados pela política econômica ou geral do país, assim como a arrecadação das receitas já criadas em lei” (BALEEIRO, 2008). Ou seja, em síntese, orçamento público é um conjunto de atos legais que exprime a alocação dos recursos públicos em ter- mos financeiros. Configura-se como um instrumento de planejamento que espelha as decisões políticas da sociedade, estabe- lecendo as ações prioritárias para o atendi- mento do interesse público (SIQUEIRA, 2014). 1 GESTÃO FISCAL INTERFEDERATIVA 5 PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS Anona edição do Manual de Conta- bilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP, 9ª ed., 2021)1 elenca os se- guintes princípios orçamentários: (1) Uni- dade ou Totalidade, (2) Universalidade, (3) Anualidade ou Periodicidade, (4) Exclusivi- dade, (5) Orçamento Bruto, (6) Legalidade, (7) Publicidade, (8) Transparência e (9) Não Vinculação das Receita de Impostos. Vejamos, a seguir e em detalhes, aqueles considerados mais importantes pelos estu- diosos do orçamento público no Brasil. 2.1. Unidade ou Totalidade O princípio da Unidade estabelece que o orçamento deve ser uno, ou seja, cada ente governamental deve elaborar um único or- çamento. Este princípio é mencionado no caput do art. 2º da Lei nº 4.320, de 1964, e visa evitar múltiplos orçamentos dentro da mesma pessoa política. 2.2. Universalidade Segundo este princípio, o orçamento de cada ente federado deverá conter todas as receitas e as despesas de todos os Poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações insti- tuídas e mantidas pelo poder público. Este princípio é mencionado no caput do art. 2º da Lei nº 4.320, de 1964, recepcionado e normatizado pelo § 5º do art. 165 da CF. 2.3. Anualidade ou Periodicidade Este princípio determina que o exercício financeiro é o período ao qual se referem a previsão das receitas e a fixação das despe- sas registradas na Lei Orçamentária. Segun- do o art. 34 da Lei nº 4.320, de 1964, o exercí- cio financeiro coincidirá com o ano civil (1º de janeiro a 31 de dezembro). 2.4. Exclusividade O princípio da exclusividade, previsto no § 8º do art. 165 da CF, estabelece que o Or- çamento não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa. 2.5. Orçamento Bruto O princípio do orçamento bruto, previs- to no art. 6º da Lei nº 4.320/1964, preconiza o registro das receitas e despesas pelo valor total e bruto, vedadas quaisquer deduções. 2.6. Não Vinculação da Receita de Impostos Estabelecido pelo inciso IV do art. 167 da CF, este princípio veda a vinculação da receita de impostos a órgão, fundo ou des- pesa, salvo exceções estabelecidas pela própria CF. 2 VOCÊ SABIA? Exceções na Própria CF/88: 1. A repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159; 2. A destinação de recursos para as ações e serviços públi- cos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, 212 e 37, XXII; e 3. A prestação de garantias às operações de crédito por an- tecipação de receita, previstas no art. 165. 1 MCASP, 9ª Ed. 2021, pp. 35-37, Disponível em: https://sisweb.tesouro.gov.br/apex/f?p=2501:9::::9:P9_ID_PU- BLICACAO:41943 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE 6 Highlight CLASSIFICAÇÃO ORÇAMENTÁRIA DAS RECEITAS E DESPESAS 3 Compõem a receita pública, como fontes de financiamento do Estado, as receitas tributárias, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de ser- viços, as provenientes da realização de re- cursos financeiros oriundos de constituição de dívidas ou da conversão, em espécie, de bens e direitos e os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado. Segundo o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, “a despesa or- çamentária pública é o conjunto de dispên- dios realizados pelos entes públicos para o funcionamento e manutenção dos serviços públicos prestados à sociedade”. Os dispên- dios, assim como os ingressos, são tipifica- dos em orçamentários e extraorçamen- tários, segundo o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, 9ª Edição (p. 77). Para melhor compreensão da natureza das receitas e despesas no orçamento pú- blico, é importante conhecer os critérios de classificação destas nas contas públicas. Os principais tipos de classificação visam facili- tar e padronizar as informações constantes do orçamento público. Na estrutura atual do orçamento pú- blico, as programações orçamentárias das despesas estão organizadas em programas de trabalho, que contêm informações qua- litativas e quantitativas. A programação orçamentária quantitativa tem duas dimen- sões: a física e a financeira, conforme o Manual Técnico de Orçamento da SOF 2025. SAIBA MAIS Segundo o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP, 9ªED.), “em sentido amplo, os ingressos de recursos financeirosnos cofres do Estado denominam-se receitas públicas, registradas como receitas orçamen- tárias, quando representam disponibilidades de recursos financeiros para o erário, ou ingressos extraorçamentá- rios, quando representam apenas entradas compensa- tórias. Em sentido estrito, chamam-se públicas apenas as receitas orçamentárias. (MCASP, 9ª Ed. 2021, p. 38). 5 Despesa orçamentária é toda transação que de- pende de autorização legislativa, na forma de consignação de dotação orçamentária, para ser efetivada. 5 Dispêndio extraorçamentário é aquele que não consta na lei orçamentária anual, compreendendo deter- minadas saídas de numerários decorrentes de depósitos, pagamentos de restos a pagar, resgate de operações de crédito por antecipação de receita e recursos transitórios. 5 A programação qualitativa é composta dos seguin- tes blocos de informação: classificação por esfera, clas- sificação institucional, classificação funcional, estrutura programática e principais informações do Programa e da Ação. 5 A dimensão física define a quantidade de bens e serviços a serem entregues. 5 A dimensão financeira estima o montante necessá- rio para o desenvolvimento da ação orçamentária de acor- do com alguns classificadores. CLASSIFICAÇÃO ORÇAMENTÁRIA GESTÃO FISCAL INTERFEDERATIVA 7 Apresentaremos, aqui, uma introdução às duas classificações mais comuns: por categoria econômica, para as receitas; e a funcional, para as despesas1. No próximo módulo 3, aprofundaremos o tema. 3.1. Classificação das Receitas por Categoria Econômica2 A classificação por categoria econômica das receitas públicas está prevista no artigo 11 da Lei nº 4.320/1964, que as subdividem em receitas correntes e de capital. São receitas correntes as tributárias (impostos, taxas, contribuições de melho- ria), de contribuições, patrimonial, agrope- cuária, industrial, de serviços e outras e, ain- da, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito pú- blico ou privado, quando destinadas a aten- der despesas classificadas como correntes (transferências correntes) As receitas de capital são aquelas pro- venientes de operações de crédito, alienação de bens, amortização de empréstimos, trans- ferências de capital e outras receitas classifi- cadas como de capital. 3.2. Classificação Funcional das Despesas3 A base legal da classificação funcional das despesas é a Portaria do Ministério de Orçamento e Gestão nº 42, de 14 de abril de 1999, atualizada pela Portaria SOF/ME nº 2.520, de 21 de março de 2022. saúde, defesa, que guarda relação com os respectivos Ministérios. A subfunção representa um nível de agregação imediatamente inferior à função e deve evidenciar a natureza da atuação gover- namental. Eis alguns exemplos: as subfun- ções Ensino Fundamental, Médio e Superior (da função Educação); e Planejamento e Orçamento, Administração Financeira e Con- trole Interno (da função Administração). A classificação funcional é representada por cinco dígitos, sendo os dois primeiros re- lativos às funções e os três últimos às subfun- ções. Ou seja, a classificação funcional prevê duas categorias: a função e a subfunção. A função corresponde ao maior nível de agregação das diversas áreas de despe- sa que competem à Administração Pública. Reflete a competência institucional do ór- gão, como, por exemplo, cultura, educação, 1 Estas e outras modalidades de classificação podem ser consultadas no Manual Técnico de Orçamento da SOF 2025. 2 Conforme o Manual Técnico de Orçamento da SOF 2025. 3 Conforme o Manual Técnico de Orçamento da SOF 2025. FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE 8 Highlight INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E ACOMPANHAMENTO DO ORÇAMENTO PÚBLICO (1) a Lei do Plano Plurianual (PPA), (2) a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e (3) a Lei Orçamentária Anual (LOA). A Lei do Plano Plurianual (PPA) O PPA é o instrumento de planejamento de médio prazo, que estabelece, de forma regio- nalizada, as diretrizes, os objetivos e as metas da Administração Pública para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as re- lativas aos programas de duração continuada. Os instrumentos legais de planejamento, execução e acompanhamento do orça- mento público estão previstos na Cons- tituição Federal de 1988 e em vários diplomas infraconstitucionais, sendo a Lei Nº 4.320, de 17 de março de 1964 (conhecida como Lei das Finanças Públicas) e a Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabi- lidade Fiscal), os principais deles. 4 Os instrumentos de planejamento estão previstos, principalmente, na Seção II - DOS ORÇAMENTOS, do CAPÍTULO II - DAS FINAN- ÇAS PÚBLICAS, do TÍTULO VI - Da Tributação e do Orçamento da CF/1988; os de execução, na Lei nº 4.320/64 e na Lei de Responsabili- dade Fiscal; e os de acompanhamento/fisca- lização, na Seção IX - DA FISCALIZAÇÃO CON- TÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA, do Capítulo I – Do Poder Legislativo, do TÍTULO IV - DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES. Todas as leis orçamentárias são de ini- ciativa do Poder Executivo, que as envia, sob a forma de proposta, para apreciação e aprovação do Poder Legislativo. Cabe ao Chefe do Poder Executivo sancioná-las e executá-las. Compete ao Poder Legislativo acompanhar e fiscalizar sua execução. Vamos introduzir o tema aqui, que será aprofundado no Módulo 4. 4.1. Sistema Orçamentário Bra- sileiro1 O art. 165 da Constituição Federal de 1988 estabelece o sistema orçamentário brasileiro em três leis ordinárias, que são os instrumentos de planejamento do Orça- mento Público: PARA REFLETIR Está em debate no Congresso Na- cional um projeto de nova Lei das Fi- nanças Públicas que pretende trazer mais transparência e organização às contas públicas. O texto, se aprovado, substituirá a Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. O prin- cipal argumento entre parlamentares e especialistas é que o texto em vigência está desatualizado e possui muitos pro- blemas que o tornam complexo. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 295/16 já foi aprovado pelos senadores e aguarda instalação de uma comissão es- pecial na Câmara para ser analisado. 1 O presente capítulo foi baseado no Manual Técnico de Orçamento da SOF 2025. PARA IR MAIS ALÉM... Toda a legislação orçamentária federal atualizada pode ser consultada no site do Senado, no seguinte endereço: https://www12.senado.leg.br/orca- mento/legislacao-orcamentaria. Para o caso do estado do Ceará, as LOA podem ser consultadas no endereço: https://www.seplag.ce.gov.br/planeja- mento/menu-lei-orcamentaria-anual As LDO no link: https://www.seplag. ce.gov.br/planejamento/menu-lei-de- -diretrizes-orcamentarias/ e os PPA no link: https://www.seplag. ce.gov.br/planejamento/menu-plano- -plurianual/ 9 No âmbito federal, o projeto de lei do Plano Plurianual é elaborado pelo Poder Executivo e encaminhado ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano do mandato do presidente da Repúbli- ca, para ser discutido e votado até dezem- bro do mesmo ano. Depois de aprovado, o PPA é válido para os quatro anos seguintes, vigendo até o final do primeiro ano do man- dato do próximo presidente. A principal finalidade do PPA é estabele- cer objetivos e metas que façam com que o Poder Executivo dê continuidade aos seus projetos e programas e sua importância é reforçada no próprio texto constitucional. Além da função de planejamento, o PPA também pode ser utilizado como instru- mento de controle, pois a sociedade pode participar tanto da elaboração, quanto do acompanhamento das metas e objetivos definidos para o exercício financeiro. É im- prescindível a participação da sociedade nesta fase, quando poderá averiguar, por exemplo, se o governo está cumprindo o que foi prometido nas eleições. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) A LDO é o instrumento norteador da ela- boração da LOA na medida em que dispõe, para cada exercício financeiro, sobre: (1)as prioridades e metas da Administração Pública; (2) a estrutura, as diretrizes para elaboração e execução e a organização dos orçamentos e suas alterações; (3) a dí- vida pública; (4) as despesas com pessoal e encargos sociais; (5) a política de aplica- ção dos recursos das agências financeiras oficiais de fomento; (6) as alterações na le- gislação tributária; e (7) a fiscalização pelo Poder Legislativo sobre as obras e os servi- ços com indícios de irregularidades graves, conforme o Manual Técnico de Orçamento da SOF 2020 (p. 128). A LDO não pode conter dispositivos que contrariem o PPA. Em caso de conflito, pre- valece o disposto no PPA, por ser este hie- rarquicamente superior à LDO, embora am- bas sejam leis ordinárias. O projeto da LDO é elaborado pelo Poder Executivo e deve ser encaminhado ao Poder Legislativo até o dia 15 de abril de cada ano. O projeto da LDO deve ser apreciado pelo Poder Legislativo até 30 de junho de cada exercício. Depois de aprovado, o projeto é sancionado pelo Chefe do Poder Executivo. A Lei Orçamentária Anual (LOA) A LOA tem vigência anual, a sua função é estimar a receita orçamentária e fixar a despesa pública para o respectivo exercício financeiro e deve compreender três orça- mentos (CF/88: art. 167, § 1º): 5 Orçamento fiscal; 5 Orçamento de investimento das estatais; 5 Orçamento da seguridade social. O Poder Executivo deve encaminhar o projeto de LOA ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. A Lei nº 4.320/1964, em seu art. 22, define o conteú- do e a forma da proposta orçamentária em complemento ao dispositivo constitucional que rege a matéria (CF, § 5° do art. 165), de- terminando que ela deve conter: (1) a Men- sagem do Chefe do Poder Executivo, (2) o Projeto de Lei do Orçamento, (3) as Tabelas Explicativas e (4) a Especificação dos pro- gramas especiais de trabalho. SE LIGA Acompanha o PLOA do gover- no Federal uma mensagem do presidente da República, que deve conter uma análise da con- juntura econômica e um resumo da política econômica do país, um resumo das políticas setoriais do governo e uma avaliação das necessidades de financiamento do Governo Central relativas aos Orçamentos Fiscal e da Segurida- de Social. Devem acompanhar, ainda, o projeto de lei orçamentária o demonstrativo regionali- zado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia (art. 165, § 6º, e LRF, art. 5º, inc. II.), o Demonstrativo da compatibili- dade da programação dos orçamentos com os objetivos e as metas constantes do docu- mento de que trata o § 1º do art. 4º (Anexo de Metas Fiscais, nos termos da LRF, art. 5º, inc. I). O processo orçamentário – explicitado, aqui, principalmente para o Governo Federal SAIBA MAIS 5 O Orçamento Fiscal é o referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indi- reta, inclusive fundações insti- tuídas e mantidas pelo Poder Público. 5 O Orçamento de Inves- timento das Estatais é o orça- mento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital so- cial com direito a voto. 5 Orçamento da Seguridade Social é o orçamento de todas as entidades e órgãos a ela vincula- dos, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE 10 Highlight Highlight Fig. 1. Sistema Orçamentário Brasileiro PPA Plano Plurianual 2021-2024 LDO 2021 LOA 2021 LDO 2023 LOA 2023 LDO 2022 LOA 2022 LDO 2024 LOA 2024 PLANEJAR ORIENTAR EXECUTAR – é o mesmo para os estados, o Distrito Fede- ral e os municípios, que devem, obrigatoria- mente, respeitar as mesmas regras e prazos. A Figura 1, a seguir, sintetiza o Sistema Orçamentário no Brasil. A Figura 2 nos apresenta os prazos constitucionais. Fig. 2. Prazos Constitucionais (PPA, LDO e LOA) 2024 2025 2026 15/ABR Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias enviado ao Congresso Nacional Projeto de Lei do Plano Plurianual e Projeto de Lei Orçamentária Anual enviada ao Congresso Nacional Lei de Diretrizes Orçamentárias votada no Congresso Nacional Lei do Plano Plurianual e Lei Orçamentária Anual votadas no Congresso Nacional 31/AGO 30/JUN 15/DEZ GESTÃO FISCAL INTERFEDERATIVA 11 Fig. 3. Ciclo orçamentário Elaboração do projeto de Lei orçamentária anual - LOA Execução orçamentária e financeira Discussão, votação e aprovação da lei orçamentária Controle e avaliação da execução orçamentária e financeira Execução orçamentária e financeira Controle e avaliação da execução orçamentária e financeira 4.2. Ciclo Orçamentário O ciclo orçamentário se dá por meio de uma sequência de fases ou etapas que deve ser cumprida como parte do proces- so orçamentário, obedecendo a seguinte ordem: (1) elaboração, (2) apreciação le- gislativa, execução e acompanhamento, (3) controle e avaliação, quando o ciclo se fecha e se reinicia. A Figura 3, a seguir, sintetiza este ciclo: Vamos, então, analisar cada uma des- sas fases2. PRIMEIRA FASE: Elaboração do Orçamento A primeira fase pela qual passa o orça- mento público é a de elaboração do proje- to de lei orçamentária. Essa fase tem início com a definição da proposta parcial de orçamento de cada uni- dade gestora. Depois, cada setor orçamen- tário de cada órgão de cada um dos Pode- res encaminha as propostas setoriais para o órgão central do sistema de orçamento e gestão, para nova consolidação. Uma vez feita a consolidação (com os devidos ajustes e cortes orçamentários), surge o projeto de lei orçamentária (PLOA). Esse projeto deverá ser submetido ao Chefe do Poder Executivo, que fará o seu encaminhamento ao Poder Legislativo, por meio de mensagem. SEGUNDA FASE: Apreciação Legislativa Depois de consolidado pelo Poder Execu- tivo, o PLOA deve ser remetido ao Parlamen- to. Naquela Casa, ele será apreciado por uma Comissão Mista Permanente de Orçamento. Essa comissão tem a função de examinar e emitir parecer sobre o projeto, bem como acompanhar e fiscalizar o orçamento. O PLOA, assim como as emendas pro- postas ao projeto após parecer da comissão de orçamento, será apreciado pelo plenário das Casas do Poder Legislativo. Com a apro- vação pelo plenário, o projeto será devolvi- do ao Chefe do Poder Executivo, que pode- rá sancioná-lo ou propor vetos. Havendo a sanção, o projeto deverá ser encaminhado para publicação. 2 Conforme análise empreendida em Siqueira (2014), atualizada nos termos do MTO 2025. FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE 12 PARA IR ALÉM... Conhecer quais os recursos que o governo dispõe e como é feita a alocação deles no orçamento é essencial para o exercício da cida- dania. No entanto, devido a sua linguagem técnica e o volume de informações que contempla, a Lei Orçamentária pode apresentar uma leitura difícil e árida à maioria dos cidadãos. Para tornar o assun- to mais acessível, todos os anos o Ministério do Planejamento e Or- çamento elabora o Orçamento Cidadão. O documento faz uma in- trodução simples e clara aos prin- cipais temas e números do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA). O Orçamento Cidadão pode ser acessado no seguinte link: https://www.gov.br/planeja- mento/pt-br/assuntos/orcamento/ orcamento-cidadao. No site do Senado Federal você encontra estudos orçamentários elaborados pela equipe da Consul- toria de Orçamentos, Fiscalização e Controle. Estão disponíveis para consulta textos da série Orçamen- to em Discussão, notas técnicas, estudos, informativos e outras pu- blicações. Acesse o material a partir do se- guinte link: https://www12.senado.leg.br/ orcamento/estudos-orcamentarios TERCEIRA FASE: Execução e Acompanhamento Executar o orçamento é realizar as des- pesas nele previstas. A Lei nº 4.320/64 definiu três estágios para a execução das despesas orçamentárias:(1) Empenho, (2) Liquidação e (3) Pagamento. Analisaremos detalhadamente cada um desses estágios no Módulo 4. QUARTA FASE: Controle e Avaliação Na quarta fase do ciclo orçamentário, ocorre o acompanhamento, o controle e a avaliação da execução orçamentária. Há dois tipos de controle: o interno, quando realizado pelo próprio Poder que está executando o orçamento; ou externo, quan- do realizado pelo Poder Legislativo, auxiliado tecnicamente pelo Tribunal de Contas. Analisaremos esses tipos de controle, além do controle social, no Módulo 4. GESTÃO FISCAL INTERFEDERATIVA 13 ORÇAMENTO PARTICIPATIVO OOrçamento Participativo (OP) é um mecanismo governamental de demo- cracia participativa que permite aos cidadãos intervirem diretamente sobre a gestão financeira, orçamentária e contábil das entidades públicas (COSTA, 2010). Nele, a população decide as prioridades de inves- timentos em obras e serviços a serem reali- zados a cada ano com os recursos do orça- mento municipal. Além disso, ele estimula o exercício da cidadania, o compromisso da população com o bem público e a corres- ponsabilização entre governo e sociedade sobre a gestão da cidade. Para Mendes (2004, apud COSTA, 2010), “o período compreendido entre 1989 e 1996 foi a fase mais importante para o desenvol- vimento do OP no Brasil, não apenas como política de governo do Partido dos Traba- lhadores, mas também de outros partidos, entre eles, PMDB, PSDB, PSB, PDT e PFL. É nessa fase que se iniciaram as experiên- cias mais conhecidas, como a de Porto Ale- gre (RS), Piracicaba (SP), Santo André (SP), Ipatinga (MG), Betim (MG), São Paulo (SP), Santos (SP) e Jabuticabal (SP). A partir de então, o OP no Brasil passou a se propagar para outros municípios, chegando a atingir 194 cidades em 2004”. No Nordeste, as primeiras experiências de OP surgiram nas cidades de Icapuí (CE), Teresina (PI) e Recife (PE), as duas primei- ras já a partir de 1989, e a última a partir de 1993. No Ceará, a experiência do Orçamen- to Participativo como instrumento de de- 5 mocracia participativa se espalhou por vá- rios municípios ao longo da década de 1990 e da primeira década deste século, como no caso de Sobral, a partir de 1997, e de Forta- leza, a partir de 2005, considerados os dois exemplos mais exitosos, apesar de alguns descompassos1. No entanto, os orçamentos participativos têm sido deixados de lado pelos municípios cearenses. Um retrocesso, infelizmente. 1 Veja, nesse sentido, os trabalhos de ROCHA (2009) e de ARAO (2012). FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE 14 Highlight ARAO, M. R. M. de S. Orçamento participati- vo em Fortaleza: práticas e percepções. Dis- sertação (Mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Centro de Humanidades, Curso de Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade, Fortaleza, 2012. 128f. BALEEIRO, A. Uma introdução à ciência das finanças. Rio de Janeiro: Forense, 2008. COSTA, D. M. D. Vinte Anos de Orçamento Par- ticipativo: análise das experiências em muni- cípios brasileiros. Cadernos gestão pública e cidadania / v. 15, n. 56. São Paulo: 2010. MENDES, M. J. Sistema Orçamentário Bra- sileiro: planejamento, equilíbrio fiscal e qua- lidade do gasto público. Texto para Discussão nº 39. Consultoria Legislativa do Senado Fede- ral. Brasília, 2008. ROCHA, A. A. Orçamento participativo em Sobral/Ceará (1997 A 2004): trajetória histó- rica e percursos avaliativos. Dissertação (Mes- trado). Programa de Pós-Graduação em Ava- liação de Políticas Públicas, da Universidade Federal do Ceará. 2009. 135p. SIQUEIRA, M. L. Educação fiscal e cidadania (ensino superior). Fortaleza: Edições Demócri- to Rocha, 2014. 152 p. (Coleção “Educação Fis- cal e Cidadania”). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS cal e Cidadania”). GESTÃO FISCAL INTERFEDERATIVA 15 ILUSTRADOR Carlus Campos É artista gráfico, pintor e gravador, começou a carreira em 1987 como ilustrador no jornal O POVO. Na construção do seu trabalho, aborda várias técnicas como: xilogravura, pintura, in- fogravura, aquarelas e desenho. Ilustrou revistas nacionais im- portantes como a Caros Amigos e a Bravo. Dentro da produção gráfica ganhou prêmios em salões de Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. AUTOR Marcelo Lettieri Siqueira É auditor-fiscal da Receita Federal e professor colaborador e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC). Graduado em Engenharia Mecânica-Aeronáutica pelo Instituto Tecnológi- co de Aeronáutica (ITA/1994), com mestrado (2002) e doutorado (2004) em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é também professor convidado do FGV/Management da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atua academicamente nas áreas de política e administração tributárias, evasão fiscal, educação fiscal, crescimento econômico, pobreza e desigualdade de ren- da. É diretor do Instituto Justiça Fiscal e já coordenou projetos e produziu conteúdo para diversos cursos da Fundação Demócrito Rocha (FDR). É artista gráfico, pintor e gravador, começou a carreira em 1987 como ilustrador no jornal O POVO. Na construção do seu trabalho, aborda várias técnicas como: xilogravura, pintura, in- fogravura, aquarelas e desenho. Ilustrou revistas nacionais im- É auditor-fiscal da Receita Federal e professor colaborador e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC). Graduado em Engenharia Mecânica-Aeronáutica pelo Instituto Tecnológi- co de Aeronáutica (ITA/1994), com mestrado (2002) e doutorado (2004) em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco Management da Management da Management Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atua academicamente nas áreas de política e administração tributárias, evasão fiscal, educação fiscal, crescimento econômico, pobreza e desigualdade de ren- da. É diretor do Instituto Justiça Fiscal e já coordenou projetos e produziu conteúdo para diversos cursos da Fundação Demócrito REALIZAÇÃOAPOIO CORREALIZAÇÃO