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Categorias e Conceitos da 
Geografia 
 
 
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 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL 
 UNIDADE I 
 UNIDADE II 
 UNIDADE III 
 UNIDADE IV 
 CONCLUSÃO GERAL 
 
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APRESENTAÇÃO DO MATERIAL 
 
Olá, seja muito bem-vindo à disciplina "Categorias e conceitos da Geografia"! 
Querido aluno, é com grande prazer e consideração que o introduzo aos temas 
e tópicos que compõem este curso. Se você se interessou pelos conhecimentos 
apresentados e explorados aqui, este material será o início de uma jornada significativa 
que compartilharemos juntos daqui em diante. Desde já, é importante destacar que o 
desenvolvimento do conhecimento em Geografia ocorre através de uma construção 
coletiva, por meio de relações conjuntas e recíprocas, nunca individuais ou unilaterais. 
Assim, por meio do compartilhamento e da troca de saberes geográficos, divididos em 
quatro unidades, exploraremos alguns dos princípios históricos, teóricos, metodológicos 
e epistemológicos que fundamentam a Geografia como disciplina científica. 
Na primeira unidade, exploraremos a disciplina de Geografia ao longo da História, com 
ênfase em seu desenvolvimento por meio das correntes do pensamento geográfico, 
suas tendências globais e brasileiras, bem como seus conceitos e categorias analíticas 
principais. 
Na segunda unidade, abordaremos questões relacionadas à interação humana com o 
meio ambiente e às relações estabelecidas entre sociedade e natureza, incluindo o 
impacto da sociedade sobre o meio ambiente e vice-versa, além de algumas técnicas 
sustentáveis desenvolvidas para mitigar esse impacto. 
Em seguida, na terceira unidade, discutiremos as divisões da Geografia entre Geografia 
Humana e Geografia Física, as relações entre Geografia e interdisciplinaridade, os 
princípios da Geografia Crítica como uma corrente teórica nos estudos geográficos e os 
diversos ramos da Geografia, como Geomorfologia, Climatologia, Geografia Social e 
Geopolítica, entre outros. 
Por fim, na quarta unidade, concluiremos o conteúdo deste curso com estudos sobre a 
leitura do espaço geográfico por meio das categorias geográficas de lugar e paisagem, 
o conceito de território e espaço geográfico de forma mais detalhada, e a representação 
do espaço geográfico, especialmente através do ensino de Geografia nas escolas. 
Aproveito para convidá-lo a percorrer esta jornada de conhecimento comigo, a fim de 
multiplicá-lo através dos diversos temas tratados em nosso material. Esperamos que 
esta disciplina possa contribuir para o seu crescimento pessoal, profissional e 
acadêmico. 
Muito obrigado pela sua companhia e bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE I 
CONCEITOS DA GEOGRAFIA 
 
INTRODUÇÃO 
Prezada(o) Aluna(o), 
É com imensa satisfação e apreço que dou as boas-vindas à disciplina 
"Categorias e Conceitos da Geografia". Este convite para compartilhar conhecimentos 
sobre as bases teóricas do pensamento geográfico é feito com grande entusiasmo. 
Este material foi elaborado com o propósito de proporcionar uma introdução ao vasto 
campo das discussões relacionadas à Geografia como ciência. Destina-se a estudantes 
e pesquisadores interessados em compreender o processo histórico de formação da 
ciência geográfica, cujo objetivo é analisar epistemologicamente o espaço em que 
vivemos, suas características naturais, mudanças territoriais e interações humanas. 
Ao longo de sua trajetória escolar, é provável que você tenha estudado Geografia e se 
familiarizado com diversos conceitos específicos dessa disciplina, como território, 
espaço, lugar e região. Este material, seja em formato impresso ou digital, visa 
aprofundar esses conhecimentos adquiridos durante seu percurso educacional no 
Ensino Básico, oferecendo uma visão mais abrangente sobre a formação do 
pensamento geográfico e sua consolidação como uma ciência humanística. 
A Unidade 1, intitulada "Conceitos da Geografia", está organizada em quatro tópicos 
estruturados para proporcionar um estudo sistemático sobre a Geografia ao longo da 
História, as diferentes correntes do pensamento geográfico, as tendências globais e 
brasileiras dessa disciplina, bem como os conceitos fundamentais para a compreensão 
do espaço geográfico. 
Esperamos sinceramente que esta unidade contribua para o seu aprendizado, 
incentivando o desenvolvimento do pensamento crítico e aprimorando suas habilidades 
cognitivas e investigativas no campo da Geografia. 
Desejamos a você bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A GEORAFIA ATRAVÉS DOS TEMPOS 
Ao explorarmos a Geografia como uma disciplina fundamental para 
compreendermos o espaço que habitamos, suas características naturais, 
transformações territoriais e interações humanas, é necessário, em primeiro lugar, 
compreender a origem da palavra ao longo da história. O termo "Geografia" deriva da 
junção dos radicais gregos "geo", que significa terra, e "grafia", que se refere à 
descrição, representando assim o estudo da superfície terrestre. 
Originada no cenário do pensamento filosófico da Grécia Antiga, a base científica da 
Geografia é reconhecida como uma das mais antigas da civilização grega, sendo 
classificada como filosofia ou história natural. Nesse contexto histórico, os estudos 
geográficos visavam compreender a posição da Terra no universo, sua extensão e 
superfície por meio de cálculos matemáticos e mapas. 
As raízes dos estudos geográficos remontam à criação da geografia geral e matemática. 
A utilização do termo "Geografia" foi motivada pela necessidade de descrever aspectos 
do cotidiano na sociedade grega, como relatos de viagens, descrições de lugares, 
registros literários, dados estatísticos e cosmológicos. Pesquisas históricas e evidências 
arqueológicas indicam que o mapa é uma das formas mais antigas de comunicação 
gráfica da humanidade. 
Na Grécia antiga, havia um esforço intelectual para compreender o cosmos, 
considerado uma totalidade organizada racionalmente, regida pela razão e 
caracterizada por uma ordem e harmonia, onde coexistem múltiplas realidades e 
eventos. 
Embora as bases científicas da Geografia tenham sido estabelecidas na Era Clássica, 
não havia uma unidade de análise metodológica até o final do século XVIII, impedindo 
a sistematização do conhecimento geográfico como ciência. Com o fim da Idade Média 
e o surgimento do pensamento moderno, influenciado pelo Iluminismo, capitalismo e 
positivismo, o método científico foi estabelecido como essencial para legitimar a ciência, 
rompendo com as explicações tradicionais baseadas em religião, lendas e poesia. 
Assim, o conhecimento científico passou a ser baseado em uma abordagem racional, 
marcando uma nova era na história da humanidade, onde o pensamento moderno 
buscou compreender a realidade por meio da razão e da observação empírica. 
No século XIX, a ciência geográfica começou a dar os primeiros passos em direção à 
sistematização de um método, principalmente através dos estudos dos intelectuais 
alemães Carl Ritter (1779 - 1859} e Alexander Von Humboldt (1759 - 1859}. Ambos se 
dedicaram a investigar as interações entre o ser humano e a natureza, sendo 
considerados os precursores da geografia enquanto ciência. 
Carl Ritter e Alexander Von Humboldt foram fundamentais na organização das bases da 
Geografia Moderna. Embora não tenham sido os primeiros a estudar a Geografia na era 
Moderna, foram os pioneiros ao propor uma abordagem científica que visava 
compreender as leis que regem a relação entre a natureza e a sociedade. 
A contribuição desses autores para a sistematização da geografia e sua consolidação 
como ciência foi marcada pela diferenciação de seus métodos de análise. Humboldt era 
um naturalista empirista, que viajava pelo mundo observando e coletando dados, 
enquanto Ritter baseava seus estudos em uma revisão bibliográfica, buscando 
estabelecer uma conexão entre o homem e a natureza.marco importante desse movimento foi a obra "Geografia Ativa" (1966), de Pierre 
George, Yves Lacoste, Bernard Kayser e Raymond Guglielmo. Neste trabalho, os 
autores representaram o impulso cientifico de renovação crítica ao propor uma análise 
regional que abordasse as contradições do modo de produção capitalista. Eles 
inauguraram uma abordagem geográfica que denunciava as realidades espaciais 
injustas e contraditórias, criticando severamente a abordagem descritiva e enumerativa 
da Geografia. Argumentavam pela necessidade de informações objetivas que 
pudessem subsidiar a tomada de decisões, adotando uma postura ativa e dinâmica, em 
contraste com uma visão meramente contemplativa. 
Pierre George, posteriormente, expandiu o uso de conceitos marxistas nos debates 
geográficos, promovendo uma síntese entre o materialismo histórico dialético e o 
método regional. Ele aprofundou seus estudos sobre as relações de produção e 
trabalho, bem como sobre o papel do capitalismo e das forças produtivas nas relações 
entre sociedade e natureza. 
Em 1976, Yves Lacoste intensificou essas discussões ao fundar a revista "Hérodote", 
dedicada a debater e democratizar as novas tendências da ciência geográfica. Através 
dela, Lacoste abordou uma variedade de temas geográficos, incluindo questões 
ideológicas, paisagísticas, urbanas e relacionadas ao imperialismo colonial. Ele também 
reavaliou o conceito de geopolítica, argumentando que tanto a Geografia quanto outras 
ciências foram utilizadas para justificar expansões territoriais, e defendeu que a 
geopolítica poderia ser empregada na busca pela libertação nacional e interna. 
Paralelamente a esses desenvolvimentos, a Geografia Crítica ganhou terreno com o 
engajamento dos geógrafos norte-americanos no final dos anos 1960, em meio às lutas 
e movimentos que resultaram em mudanças sociais, como os protestos contra a Guerra 
do Vietnã, a resistência ao colonialismo, as manifestações pela igualdade racial e pelos 
direitos civis. Esses eventos políticos envolveram os geógrafos, que levaram seus 
conhecimentos cientificos para apoiar as causas sociais. 
Trabalhos de geógrafos, principalmente dos Estados Unidos e Canadá, focados em 
questões sociais, começaram a circular e ganharam relevância. Segundo Blaut (1979), 
citado por Cobarrubias (2006), o ano de 1969 marca o surgimento dessa corrente, 
 
 
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especialmente durante um encontro da Associação Americana de Geografia, que reuniu 
diversos movimentos locais, incluindo a Detroit Geographical Expedition (DGE) e o 
grupo responsável pela revista Antipode. 
A revista Antipode, criada em 1969, foi um veículo importante para as discussões sobre 
a abordagem geográfica crítica. Inicialmente concebida como uma plataforma para 
divulgar trabalhos alternativos à Geografia tradicional, ela se tornou uma voz crítica tanto 
da Geografia convencional quanto da teorética, preocupada em investigar e resolver 
problemas locais e regionais. A revista atraiu muitos jovens geógrafos, desiludidos com 
a abordagem quantitativa, e à medida que evoluía, levantava questões sobre método e 
ideologia na Geografia. 
Em 1974, a revista começou a explorar o campo do marxismo e a incentivar 
contribuições de países do Terceiro Mundo. Esse movimento ampliou os objetivos e 
perspectivas da revista, atraindo leitores além dos Estados Unidos e América do Norte. 
Essa necessidade teórica por linhas alternativas de pesquisa também começou a se 
consolidar na América do Sul, especialmente no Uruguai e na Argentina. Lá, a Geografia 
Crítica se baseava em um compromisso intelectual com a sociedade e no tratamento 
das contradições do desenvolvimento latino-americano. Essa corrente enfatizava a 
importância de uma estrutura teórica latino-americana para compreender e intervir no 
território e espaço geográfico, utilizando conceitos do marxismo. 
Milton Santos, um dos principais representantes da Geografia Crítica no Brasil, defendia 
a necessidade de uma estrutura teórica latino-americana para analisar e denunciar as 
desigualdades sociais compartilhadas pelos países do Terceiro Mundo, destacando as 
diferenças em relação ao mundo ocidental desenvolvido. 
Devido à limitação dos espaços para a difusão de ideias, a corrente crítica se organizou 
por meio de encontros, como o Primeiro Encontro Latino-Americano da Nova Geografia, 
realizado em 1973 no Uruguai, que reuniu centenas de participantes. O segundo 
encontro, na Argentina em fevereiro de 1974, atraiu mais do que o dobro de participantes 
do anterior, porém, sob um cenário político marcado por censura. 
Nesse segundo encontro, foram convidados Pierre George como referência europeia e 
Milton Santos como referência latino-americana. Ambos eram vistos como propulsores 
de ideias comprometidas com a realidade social, juntamente com uma numerosa 
delegação uruguaia e geógrafos argentinos destacados, como Elena Chiozza, Carlos 
Reboratti e Ricardo Capitanelli. Os temas discutidos abordaram o papel do geógrafo 
como profissional e outras questões relevantes da realidade, refletindo a preocupação 
dos participantes em moldar uma Geografia mais comprometida. 
No Brasil, a Geografia foi influenciada pelas diversas interpretações geográficas dos 
anos 1970, tanto da Europa quanto das Américas. A censura e as políticas de 
desenvolvimento do regime militar favoreceram a introdução da corrente crítica no país 
no final da década de 1970. Apesar da repressão, a corrente crítica representou uma 
ruptura epistemológica e política, inspirando os geógrafos brasileiros a buscar novas 
direções cientificas para a disciplina. 
A contribuição de Milton Santos foi fundamental para a estruturação epistemológica da 
Geografia brasileira e mundial. Após o golpe militar de 1964, Santos foi exilado por 13 
anos e durante esse período, sua visão de sociedade, do papel do geógrafo e da 
Geografia do Terceiro Mundo foram reformuladas. Seus livros desse período se 
 
 
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tornaram clássicos e ele também foi membro ativo da União Socialista de Geógrafos 
(USG) e do comitê de redação da revista Hérodote. 
Após retornar do exílio, Santos publicou "Por uma Geografia Nova: da crítica à geografia 
a uma geografia crítica" (1978), uma das primeiras propostas de renovação da 
Geografia brasileira, criticando a Geografia tradicional e a crise do pensamento 
geográfico. 
A Geografia Crítica renovou o pensamento geográfico ao reconhecer o papel da divisão 
social e territorial do trabalho e politizar o debate sobre espaço, território e ambiente. 
Ela permitiu a exposição de lógicas, processos e agentes, aproximando-se em alguns 
casos da Geografia física ao discutir problemas ambientais de forma crítica. 
Assim, a corrente crítica trouxe contribuições essenciais à ciência geográfica, refletindo 
uma leitura crítica dos processos de formação do espaço geográfico em um momento 
de profundas mudanças históricas e contestações sociais. 
 
RAMOS DA GEOGRAFIA 
Como discutido ao longo desta unidade, a principal divisão na ciência geográfica 
é entre Geografia Física e Geografia Humana. Neste último tópico, vamos explorar os 
diferentes ramos desses campos de estudo. 
Começaremos examinando as diversas áreas de interesse e os objetos de estudo da 
Geografia Física, que incluem o relevo, a vegetação, o clima, os rios e outros elementos 
naturais. Em contrapartida, na Geografia Humana, o foco está na interação humana com 
o ambiente, abordando aspectos como a demografia, a urbanização, as atividades 
econômicas e a cultura. 
É importante ressaltar que essa divisão dualista não deve ser interpretada como uma 
separação rígida entre os ramos da Geografia. Pelo contrário, ao integrar aspectos 
físicos e sociais e adotar uma abordagem sintética, a Geografia permite uma análise 
mais abrangente dos fenômenos, enriquecendo os processos de investigação 
geográfica. 
Portanto, ao invés de sobrepor uma divisão à outra, devemos reconhecer asafinidades 
e convergências analíticas, teóricas e metodológicas entre os ramos da Geografia. Isso 
amplia as possibilidades de estudo e contribui para uma compreensão mais completa e 
holística dos fenômenos geográficos. 
 
Alguns Ramos da Geografia Física Geomorfologia: 
Investiga a origem e a evolução das formas e estruturas do relevo terrestre, 
analisando fatores como as rochas, o clima e processos geológicos, visando 
compreender como a superfície da Terra é moldada. 
Além disso, busca entender os processos atuais de formação do relevo para elucidar 
problemas ambientais e oferecer orientações para o planejamento urbano e a mitigação 
de impactos ambientais. 
 
 
 
 
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Climatologia: 
Estuda os diferentes tipos de clima, suas distribuições geográficas e variações ao longo 
do tempo, incluindo chuvas, ventos, temperatura e fenômenos climáticos extremos, 
como granizo e neve. 
Também investiga os impactos de eventos climáticos, como tempestades e enchentes, 
no meio físico e socioeconômico, muitas vezes relacionados a atividades humanas, 
como o descarte inadequado de lixo. 
 
Pedologia: 
Analisa o solo em seus aspectos morfológicos, formação e classificação, buscando 
mapear os diferentes tipos de solo em uma região. Considera-se desafiadora devido à 
sua relação complexa com fatores como clima, topografia e organismos. 
O solo desempenha um papel vital na sustentação de ecossistemas e na produção de 
alimentos, sendo essencial para a agricultura. Portanto, estuda-se sua fertilidade, 
acidez, teor de matéria orgânica e resistência à erosão, entre outros aspectos. 
 
Biogeografia: 
Analisa a distribuição geográfica de seres vivos ao longo do tempo e em diferentes 
contextos históricos, buscando compreender padrões de organização e ocupação 
espacial de fauna e flora. 
Investiga também as interações entre fatores geográficos e ecológicos que influenciam 
a distribuição e adaptação dos seres vivos, contribuindo para o entendimento dos 
ecossistemas. 
 
Hidrografia: 
Estuda os fenômenos relacionados aos recursos hídricos da Terra, como rios, bacias 
hidrográficas, oceanos e lagos, investigando suas origens e padrões de distribuição 
geográfica. Ao analisar a circulação e ordenação espacial da água, bem como o balanço 
hídrico de uma região, contribui para o entendimento dos processos hidrológicos e a 
gestão sustentável dos recursos hídricos. 
 
Cartografia: 
Envolve o estudo e a elaboração de representações gráficas da superfície terrestre, 
produzindo mapas que são fundamentais para a compreensão do espaço geográfico. 
Esses mapas são essenciais para o ensino de Geografia, auxiliando na compreensão 
do cotidiano e na visualização das diferentes regiões do planeta Terra. 
 
 
 
 
 
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Alguns Ramos da Geografia Humana 
De acordo com os estudos realizados nesta unidade, compreendemos que a 
Geografia é uma Ciência Humana, uma vez que seu foco de investigação é o espaço 
geográfico moldado pela ação humana, resultante da interação entre a sociedade e a 
natureza. Portanto, abordagens integradoras que consideram tanto os aspectos físicos 
quanto os humanos do espaço geográfico são fundamentais para os estudos e o 
desenvolvimento do pensamento geográfico. 
 
Geografia da População: 
Esta vertente concentra-se na análise do crescimento, composição, migração e 
distribuição da população humana em relação às características geográficas e aos 
contextos históricos. Explora como e em que condições as pessoas se tornam 
população ao longo do tempo e dos diferentes períodos históricos. 
Além dos aspectos biológicos, são consideradas a organização cultural, política, 
econômica e territorial da sociedade, que impactam fatores como o emprego, a 
migração, o crescimento populacional e a distribuição da população. A compreensão 
desses fenômenos, suas causas e consequências, envolve a análise da dinâmica 
populacional, especialmente através da espacialização da organização populacional. 
 
Geografia Social: 
Este ramo investiga os fenômenos sociais dos grupos humanos e suas interações no 
espaço geográfico. Com forte conexão com a sociologia e outras teorias sociais, busca 
compreender como os fenômenos sociais se relacionam com as características e 
elementos espaciais. 
Seus estudos abrangem a origem dos povos, religião, conflitos, indicadores de 
desenvolvimento humano e social, relações internacionais, dinâmicas do mercado de 
trabalho e governança territorial. 
 
Geografia Econômica: 
Foca nos modos de produção, utilização e distribuição de recursos, considerando a 
organização espacial das atividades econômicas e do trabalho. Analisa os padrões de 
ordenamento e localização das atividades econômicas dentro da sociedade. 
A paisagem, o lugar e o território geográfico exercem uma influência direta sobre as 
atividades econômicas e as demandas de mercado de uma determinada região ou país. 
Por essa razão, a Geografia Econômica concentra-se em estudar a localização de 
indústrias e empresas, as rotas comerciais e de transporte, o mapeamento das 
atividades comerciais locais, nacionais e internacionais (tanto no atacado quanto no 
varejo) e as variações de valor de mercado que estão intimamente ligadas ao espaço 
geográfico, como é o caso do mercado imobiliário. 
 
Geopolítica: 
 
 
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A Geopolítica dedica-se a estudar e analisar a organização e distribuição espacial dos 
fenômenos políticos, oferecendo interpretações históricas de eventos e episódios 
contemporâneos em consonância com o desenvolvimento político das nações e suas 
características sociais e geográficas. 
O conceito de Geopolítica abrange todas as questões relacionadas às rivalidades de 
poder ou influência nos territórios e nas populações que ali habitam. Essas rivalidades 
podem ocorrer entre diversos atores políticos, não apenas entre Estados, mas também 
entre movimentos políticos ou grupos armados, com diferentes níveis de 
clandestinidade. A análise geopolítica permite compreender as causas de conflitos, tanto 
dentro de um país como entre Estados, e também considerar as possíveis repercussões 
desses conflitos em países distantes e, por vezes, em outras partes do mundo. 
Dessa forma, um dos principais focos de pesquisa da Geopolítica é entender e explicar 
os conflitos internacionais, as questões políticas relacionadas à globalização e a 
utilização dos recursos naturais e energéticos em escala global. 
 
Considerações 
Durante esta unidade, exploramos o desenvolvimento da ciência geográfica ao 
longo de diferentes períodos históricos, observando suas modificações e 
transformações sob a influência de cada contexto. Na era moderna, a Geografia emergiu 
como a ciência dedicada a compreender o espaço onde ocorrem as atividades humanas 
e as interações sociais, destacando-se por sua capacidade de proporcionar uma 
interpretação global e sintética da realidade, mediando entre as ciências sociais e 
naturais. 
Ao abordar a divisão entre Geografia Humana e Geografia Física, percebemos como 
essa distinção temática e metodológica facilita a operacionalização e dinamização da 
ciência geográfica na investigação de seus objetos de estudo. No entanto, ressaltamos 
a importância da interrelação teórica e epistemológica entre ambas, evitando 
hierarquizações e possibilitando análises mais abrangentes da realidade. 
Exploramos também a interdisciplinaridade na construção do conhecimento geográfico, 
que se torna essencial devido aos desafios apresentados pelo espaço geográfico como 
objeto de estudo. Essa abordagem permite uma integração com outras disciplinas, 
enriquecendo a compreensão dos diversos aspectos de um mesmo objeto de pesquisa. 
Adicionalmente, investigamos a formação da abordagem crítica da Geografia, 
especialmente relevante no Brasil, destacando sua contribuição essencial para a 
produção teórica contemporânea. Essa corrente crítica oferece análises profundamente 
críticas dos processosdesiguais de formação do espaço geográfico, refletindo o 
contexto de contestações e mudanças históricas em que surgiu. 
Por fim, examinamos a principal divisão da ciência geográfica entre Geografia Física e 
Geografia Humana, explorando suas diferentes ramificações operacionais e elementos 
de estudo. Isso nos permitiu compreender as preocupações específicas de cada ramo, 
desde os aspectos naturais até as interações humanas com o ambiente. 
Esperamos que os conteúdos abordados nesta unidade tenham contribuído para o seu 
desenvolvimento na compreensão dessa disciplina e incentivado uma visão mais ampla 
e integrada do espaço geográfico e suas complexidades. 
 
 
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UNIDADE IV 
CATEGORIAS GEOGRÁFICAS 
 
Prezada(o) Aluna(o), 
É com grande prazer que lhe dou as boas-vindas à disciplina "Categorias e 
Conceitos da Geografia". Este material foi cuidadosamente elaborado para introduzi-
la(o) ao fascinante mundo das bases teóricas do pensamento geográfico. 
Nosso objetivo é explorar a ciência geográfica em sua essência, convidando estudantes 
e pesquisadores interessados a mergulharem nas discussões sobre a constituição 
histórica dessa disciplina. Buscamos compreender epistemologicamente o espaço em 
que vivemos, suas características naturais, transformações territoriais e interações 
humanas. 
Ao longo de sua trajetória educacional, você certamente teve contato com conceitos 
geográficos como território, espaço, lugar e região. Este material tem como propósito 
aprofundar esses conhecimentos adquiridos durante o Ensino Básico, oferecendo uma 
visão mais ampla sobre a formação do pensamento geográfico e sua consolidação como 
uma ciência humanística. 
A Unidade 4, intitulada "Categorias Geográficas", está organizada em quatro tópicos que 
constituem um plano de estudo estruturado. Você terá a oportunidade de explorar as 
principais categorias e conceitos da Geografia, compreender de maneira mais 
específica e aprofundada os conceitos de território e espaço geográfico, e, por fim, 
analisar a representação do espaço geográfico. 
Esperamos que esta unidade seja enriquecedora para sua aprendizagem, incentivando 
o desenvolvimento do pensamento crítico e aprimorando suas habilidades cognitivas e 
investigativas no campo da Geografia. 
Desejamos a você excelentes estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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LEITURA DO ESPAÇO GEOGRÁFICO ATRAVÉS DAS CATEGORIAS 
Compreender a complexidade do mundo em que vivemos é um desafio que 
envolve diversas áreas do conhecimento científico. Nesse contexto, surge a pergunta: 
como a Geografia contribui para a compreensão da realidade que nos cerca? 
Ao longo desta disciplina, destacamos a importância de reconhecer que a Geografia 
tem a responsabilidade fundamental de investigar o espaço geográfico como uma 
categoria ampla, capaz de refletir a realidade existente e servir como objeto principal de 
estudo científico. 
Partindo desse pressuposto, entendemos que o conhecimento geográfico se concentra 
na análise do ambiente como resultado da ação humana, que molda o lugar, a paisagem 
e o território. 
Essas categorias mencionadas precisam ser exploradas em suas interações, 
complexidades e diferenças, que são intrínsecas às características e dinâmicas do 
espaço geográfico. Este, além de ser o foco central da Geografia, é constantemente 
construído, desconstruído e reconstruído ao longo da história dessa ciência, como 
abordamos nas unidades anteriores. 
Neste tópico, nos dedicaremos a examinar a leitura do espaço geográfico por meio das 
categorias de lugar e paisagem. Em seguida, nos próximos tópicos, ampliaremos essa 
discussão ao explorar mais especificamente o conceito de território e espaço geográfico. 
 
Categoria de Lugar 
Para compreender o lugar como uma categoria de análise do espaço geográfico, é 
importante reconhecer sua presença constante nos estudos geográficos, sofrendo 
diversas modificações ao longo do tempo e adaptando-se a diferentes contextos 
históricos. 
Por muito tempo, a Geografia tratou o lugar como uma expressão pontual do espaço 
geográfico, baseando-se principalmente em sua localização absoluta. No entanto, essa 
concepção foi ampliada, e hoje discute-se o lugar sob duas perspectivas: lugar como 
experiência e lugar como singularidade. 
O lugar como experiência é caracterizado pelo reconhecimento e valorização das 
relações afetivas estabelecidas por indivíduos e grupos sociais com o ambiente ao seu 
redor. Nesse sentido, o lugar é construído a partir das vivências individuais e coletivas, 
bem como dos laços afetivos desenvolvidos ao longo do tempo. 
Já o lugar como singularidade é marcado por características históricas, culturais e 
globais, refletindo tanto seu processo de formação e transformação quanto influências 
externas. Dessa forma, o conceito de lugar está intimamente ligado à experiência 
cotidiana, manifestando-se na vida diária das pessoas. 
Assim, podemos distinguir o lugar do espaço geográfico, entendendo que o lugar 
representa algo particular, com significados compartilhados e vínculos emocionais, 
enquanto o espaço é mais abrangente e externo, onde os lugares estão inseridos. 
Segundo Relph {1979), o lugar vai além da localização geográfica, envolvendo 
experiências, interações e a necessidade de pertencimento e segurança. 
 
 
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Ao considerarmos os espaços onde estabelecemos laços sociais e afetivos, o lugar 
adquire referências específicas e valores que moldam nossa percepção e construção 
do espaço geográfico. Pensar o lugar, como destaca Ana Fani Alessandri Carlos {1996), 
implica refletir sobre sua história única, influenciada por sua cultura, tradição, língua e 
hábitos, ao mesmo tempo em que é influenciado pelos processos globais em constante 
evolução. 
Dessa forma, o conceito de lugar na Geografia nos leva a considerar a vivência do 
espaço, onde as necessidades individuais e as interações sociais se entrelaçam, 
formando as histórias de vida compartilhadas pelas comunidades e instituições. 
 
Categoria de Paisagem 
Assim como o conceito de lugar, a categoria de paisagem também desempenha um 
papel fundamental nos estudos geográficos, sofrendo inúmeras transformações ao 
longo do tempo e adquirindo novos significados conforme o desenvolvimento da ciência 
geográfica. 
Anteriormente, a compreensão da paisagem baseava-se principalmente na observação 
dos elementos visíveis do espaço. No entanto, atualmente, o conceito de paisagem é 
ampliado para incluir as relações e conexões entre elementos naturais, tecnológicos, 
socioeconômicos e culturais. 
Considerada como um produto histórico e social, a paisagem reflete as sociedades que 
a habitam e as transformações pelas quais passam ao longo do tempo, integrando 
aspectos do passado, presente e futuro em sua configuração. 
Conforme apontado por Giometti, Pitton e Ortigoza {2012), a definição de paisagem 
proposta pelo geógrafo Paul Vidal de La Blache é aquilo que é visível ao olho. No 
entanto, a paisagem não é estática, mas sim dinâmica, sujeita a constantes mudanças 
e conflitos socioambientais. 
As paisagens podem ser classificadas em naturais e culturais {ou antrópicas), 
dependendo do grau de intervenção humana. As paisagens naturais são aquelas com 
pouca ou nenhuma interferência humana, enquanto as paisagens culturais são 
moldadas pelas atividades humanas. 
A diversidade de formas e funções presentes na paisagem reflete a complexidade da 
vida em sociedade, sendo sempre heterogênea e influenciada pela cultura dos 
indivíduos que a habitam e a percebem. 
É importante destacar que a relação entre paisagem e território é próxima, pois a 
paisagem pode ser compreendida como uma unidade visível do território. Dessa forma, 
as paisagens estão contidas dentro dos limites político-administrativos do território, 
como cidades, estados e países. 
Portanto, a compreensão da paisagem como um produto cultural resultante da interaçãoentre o meio ambiente e a atividade humana é essencial para entendermos as questões 
ambientais contemporâneas e as diversas formas de intervenção do homem na 
paisagem. 
 
 
 
 
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Conceito de Território 
Prezada{o) aluna{o), como mencionado anteriormente, a categoria de território 
está intimamente ligada à paisagem e possui uma importância fundamental para os 
estudos geográficos. Neste tópico, vamos explorar as características que definem o 
território e sua relevância para a pesquisa em Geografia. 
O conceito de território está profundamente relacionado às conexões entre fatores 
econômicos, políticos e sociais que influenciam a gestão do espaço. Em essência, o 
território é uma área delimitada que reflete o poder e o controle exercido sobre ela. É 
uma parte essencial do espaço geográfico, onde as diferentes realidades ambientais e 
populacionais se destacam. 
O território é uma fonte de recursos e seu entendimento está intrinsecamente ligado à 
sociedade e às suas relações de produção. Ele é moldado pela indústria, agricultura, 
mineração e pelo comércio de mercadorias, entre outras atividades humanas que 
modificam e exploram a natureza. 
Ao longo da história do pensamento geográfico, o território recebeu diferentes 
abordagens, desde uma simples parcela de espaço demarcada pela posse até um 
elemento essencial para o exercício de dominação política. Ele também desempenha 
um papel central nos estudos de geopolítica, onde é entendido como uma área 
controlada por um Estado Nacional. 
É importante destacar que o território não é apenas uma configuração política de um 
Estado- Nação, mas sim um espaço construído pela formação social. Ele reflete os 
interesses sociais, políticos, econômicos, culturais, religiosos e geográficos de uma 
comunidade, e pode ser transformado ao longo do tempo de acordo com as mudanças 
nessas dinâmicas sociais. 
Uma contribuição importante para a compreensão do território é fornecida pelo geógrafo 
Eliseu Sposito, que destaca a importância das redes de informação na percepção e na 
configuração do território. Com o desenvolvimento tecnológico, as fronteiras territoriais 
se tornam menos rígidas, e o tamanho e a configuração dos territórios podem mudar 
com base no domínio tecnológico de um grupo ou nação. 
Ao analisar o território, é essencial considerar sua dinâmica social e política, pois ele é 
um dos fundamentos geopolíticos que sustentam as relações humanas. Ele também é 
uma manifestação da ação política, mas não deve ser reduzido apenas a essa 
dimensão, pois suas características sociais são igualmente importantes. 
Em resumo, o território nos permite entender as relações sociais ao longo da história e 
a dinâmica do espaço em constante evolução. Alguns exemplos de territórios incluem 
estados, países, regiões, cidades, bairros, áreas de conflito e zonas de atividades ilegais 
como o narcotráfico. 
Por meio da compreensão do território, podemos entender melhor as dinâmicas sociais, 
políticas e econômicas que moldam o mundo ao nosso redor, fornecendo insights 
valiosos para os estudos geográficos. 
 
ESPAÇO GEOGRÁFICO 
Durante os tópicos anteriores, exploramos conceitos geográficos cruciais, como 
lugar, paisagem e território, fundamentais tanto para nossos estudos quanto para o 
 
 
39 
desenvolvimento cientifico da Geografia. Agora, vamos nos aprofundar na categoria 
central dessa disciplina: o espaço geográfico, objeto primordial de investigação na 
Geografia. 
Conforme observado pelo renomado geógrafo brasileiro Milton Santos (1996), o espaço 
é composto por um conjunto indissociável, solidário e, ao mesmo tempo, contraditório, 
de sistemas de objetos e sistemas de ações. Esses elementos não podem ser 
considerados de forma isolada, mas sim como um todo que fornece o contexto único no 
qual se desenrola a história humana. 
Segundo Santos, a natureza representa o ponto de partida, fornecendo a matéria-prima 
que é transformada em objetos pela intervenção humana, utilizando-se da técnica. Essa 
técnica é definida como a principal forma de interação entre o ser humano e o meio 
ambiente, consistindo em um conjunto de meios instrumentais e sociais através dos 
quais o homem realiza suas atividades, produzindo e, ao mesmo tempo, criando o 
espaço. 
Dessa forma, para a Geografia, o espaço geográfico compreende a parte da superfície 
terrestre onde ocorrem as interações entre o ser humano e o ambiente natural. Essas 
interações são dinamizadas pelas ações e práticas humanas, que, por sua vez, são 
influenciadas pela natureza, estabelecendo uma relação circular de influências mútuas. 
No entanto, como salienta Milton Santos (1996), apesar da reciprocidade, as relações 
entre sociedade e natureza são frequentemente marcadas por assimetrias extremas, 
desigualdades e violências. Ele destaca que, inicialmente, tudo era considerado apenas 
"coisas", enquanto hoje em dia tudo tende a ser transformado em "objetos", uma vez 
que até mesmo os elementos naturais, inicialmente dádivas da natureza, são utilizados 
pelo homem com base em um conjunto de intenções sociais, passando a ser 
considerados objetos. Essas reflexões de Milton Santos nos permitem compreender a 
complexa relação entre sociedade e natureza no processo de construção do espaço 
geográfico, ressaltando a importância de considerar as interações humanas e 
ambientais na análise geográfica. 
Assim, o espaço geográfico emerge como resultado da influência humana sobre o 
ambiente, mediado por objetos que podem ser de origem natural ou artificial. Estes 
objetos, como aponta Milton Santos, moldam a configuração espacial, refletindo o 
arranjo do território de acordo com elementos sociais. Esses elementos podem incluir 
plantações, canais, estradas, portos, redes de comunicação, edifícios residenciais, 
comerciais e industriais, entre outros. Ao longo da história, o arranjo desses objetos no 
território varia, formando o que é denominado meio técnico, baseado na produção que 
evolui em função dessas mudanças. 
Nesse contexto, o estudo do espaço geográfico permite compreender nossa 
organização social presente, moldada por transformações históricas ocorridas ao longo 
dos séculos, permitindo a existência e a continuidade da humanidade. À medida que o 
ser humano interfere na natureza de um local específico, ele cria e promove o espaço 
geográfico. 
Portanto, podemos afirmar que o espaço geográfico, como objeto de estudo, vai além 
da dinâmica ísica do espaço. O grande desafio é compreender a inter-relação entre 
sociedade e natureza. Essa categoria deve ser analisada, transformada, criada e 
produzida pela sociedade, à medida que o ser humano se apropria da natureza, que por 
sua vez é permanentemente (re)elaborada pelo seu fazer. 
 
 
40 
Assim, o espaço geográfico pode ser entendido como um conjunto prático de atividades 
que envolvem fatores socioeconômicos, políticos, culturais, históricos e naturais. A ideia 
de articulação entre natureza e sociedade está implícita no conceito de espaço 
geográfico. Para alcançar essa articulação, a Geografia precisa trabalhar com os 
elementos naturais, entendendo suas interações, e também examinar como a 
sociedade administra e interfere nos sistemas naturais, o que requer uma compreensão 
da estrutura social e das relações socioeconômicas vigentes. 
Com efeito, o estudo da ciência geográfica e suas diversas categorias nos capacita a 
desenvolver uma consciência específica que nos permite compreender as ações e 
intervenções humanas como agentes transformadores do meio ambiente, com 
capacidade de modificar continuamente o espaço geográfico. Ao analisarmos as 
interações entre sociedade e natureza, podemos compreender melhor como as 
atividades humanas moldam o ambiente ao nosso redor, influenciando a configuração 
e dinâmica do espaço geográfico. 
Diante do exposto até o momento, é importante ressaltar que a compreensão da 
realidade por meioda abordagem geográfica, estruturada com base em diversas 
categorias analíticas, deve ser reconhecida como um processo continuo de elaboração. 
Esse processo envolve não apenas a observação e descrição dos fenômenos 
geográficos, mas também a interpretação de como esses fenômenos são vivenciados e 
percebidos pelas diferentes sociedades e culturas. 
Assim, o conhecimento geográfico se revela como uma fonte complexa e inesgotável 
de entendimento da realidade em que estamos inseridos. Por meio da Geografia, somos 
capazes de explorar as relações entre os diversos elementos do espaço geográfico, 
compreendendo não apenas suas características físicas, mas também as dimensões 
sociais, econômicas, culturais e históricas que moldam a paisagem e influenciam as 
interações humanas. Essa perspectiva ampla e integrada nos permite enxergar o mundo 
de forma mais abrangente e contextualizada, contribuindo para uma compreensão mais 
profunda e significativa do nosso lugar no planeta. 
 
REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO 
A compreensão do espaço geográfico é uma tarefa complexa, tanto do ponto de 
vista conceitual quanto analítico, e torna-se ainda mais desafiadora quando 
consideramos como esse conceito é assimilado pelos alunos do Ensino Básico por meio 
das aulas de Geografia. 
Portanto, explorar diferentes formas de representar o espaço geográfico é fundamental 
para os estudantes de licenciatura em Geografia, ou seja, para os futuros professores 
da disciplina, pois isso contribui para o desenvolvimento do pensamento geográfico e 
para a compreensão da realidade pelos alunos. 
No ambiente escolar, é essencial que a aprendizagem espacial leve em conta a 
organização do espaço pela sociedade, o que requer o uso de representações formais 
desse espaço. Ao introduzir o conceito de espaço geográfico em sala de aula, os 
professores podem começar analisando o espaço mais próximo dos alunos, mas 
sempre relacionando-o a contextos geográficos e históricos mais distantes. Isso permite 
que os alunos extraiam elementos espaciais e temporais das explicações e reflitam 
sobre os processos de construção das 
 
 
41 
categorias geográficas. Dessa forma, o uso de analogias e comparações que abordem 
a proximidade e a distância espacial é uma estratégia eficaz para representar o espaço 
geográfico aos alunos. 
Uma das formas mais comuns de representar o espaço geográfico é através de mapas, 
amplamente utilizados por escolas, instituições de ensino e pela mídia. Os mapas têm 
a função de organizar símbolos e informações que ajudam a utilizar recursos externos 
à memória, oferecendo uma poderosa capacidade de síntese e representação das 
noções espaciais. 
É importante ressaltar que a simples localização ou mapeamento dos elementos 
observados não conclui uma análise geográfica; pelo contrário, marca apenas o início 
desse processo. A verdadeira análise geográfica ocorre quando o aluno relaciona o 
processo de produção do espaço com a representação espacial apresentada no mapa. 
Compreender o mapa já representa um avanço qualitativo na capacidade do aluno de 
pensar o espaço. 
No entanto, esse desenvolvimento do pensamento geográfico depende da participação 
ativa dos alunos no processo de ensino e aprendizagem. Assim, a construção do 
conhecimento em Geografia deve ser uma via de mão dupla: os alunos participam 
ativamente dessa construção, enquanto os professores compartilham o conhecimento 
através de métodos que incentivam a construção conjunta do saber. 
Segundo a psicogênese mencionada pelas autoras, o desenvolvimento da noção 
espacial segue etapas próprias do desenvolvimento cognitivo da criança ou do jovem. 
A primeira etapa é o espaço vivido, que representa o espaço físico experienciado 
através do movimento e deslocamento, muitas vezes vivenciado pelo corpo da pessoa. 
A importância de atividades rítmicas e psicomotoras é destacada para que a criança 
explore as dimensões e relações espaciais com o próprio corpo. 
A segunda etapa é o espaço percebido, no qual a criança começa a identificar espaços, 
distâncias e trajetos, desenvolvendo esquemas mentais através de observações 
contínuas e sistemáticas, sem a necessidade de experimentar fisicamente cada 
elemento. 
Por fim, o espaço concebido é caracterizado pela capacidade cognitiva de estabelecer 
relações espaciais entre elementos apenas através de sua representação, ou seja, pela 
habilidade de compreender e analisar áreas ou regiões representadas em mapas, 
mesmo sem ter estado fisicamente nelas. 
A partir dessas noções de espaço, torna-se evidente que o professor tem a 
responsabilidade de ampliar os conceitos adquiridos sobre o espaço, levando os alunos 
a localizarem elementos em espaços cada vez mais distantes e desconhecidos. Essa 
compreensão dos espaços pode ser facilitada através de representações gráficas, como 
mapas, que envolvem uma linguagem própria - a cartografia - que os alunos devem 
começar a dominar. Portanto, cabe ao professor introduzir essa linguagem e, por meio 
de métodos pedagógicos, ajudar os alunos a compreender cada vez melhor a estrutura 
e extensão do espaço em sua concepção e representação. 
Para desenvolver formas de representação do espaço geográfico, é necessário refletir 
sobre o fato de que cada categoria da Geografia possui múltiplas interpretações e pode 
receber diferentes elementos, o que torna suas definições flexíveis e sujeitas a 
mudanças ao longo do tempo. Isso revela que os conceitos da Geografia, incluindo o 
espaço geográfico, têm diferentes significados ao longo da história e das mudanças 
 
 
42 
teóricas e epistemológicas da disciplina. Portanto, as representações do espaço 
geográfico no ensino de Geografia nas escolas também variam de acordo com os 
contextos históricos e teóricos. 
Segundo Almeida e Passiny {2009}, uma educação que promova o domínio cognitivo e 
a representação do espaço de forma plena é tão importante quanto a aprendizagem de 
habilidades como escrita e raciocínio matemático. 
O desenvolvimento da noção de espaço e sua representação não depende apenas das 
tarefas dadas em sala de aula. O professor pode indiretamente estimular o 
estabelecimento de vários tipos de relações espaciais entre os objetos em diferentes 
momentos do processo educacional. 
Por fim, destacamos que é por meio de atividades cotidianas e reflexões sobre o espaço 
em que estão inseridos que os indivíduos podem construir e desenvolver uma 
compreensão cognitiva abstrata sobre a concepção do espaço e sua organização. Isso 
permite que eles pensem de forma geográfica sobre o espaço, bem como sobre outras 
categorias e conceitos da Geografia. Portanto, a compreensão das categorias 
geográficas por meio de representações pode aprimorar o pensamento geográfico e, 
por conseguinte, impulsionar as investigações e pesquisas em Geografia. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Durante o desenvolvimento desta unidade, nosso objetivo foi aprofundar nosso 
entendimento sobre a leitura do espaço geográfico por meio das categorias e conceitos 
fundamentais da Geografia, especialmente considerando sua aplicação no ensino 
escolar para crianças e jovens. 
No primeiro tópico, exploramos diferentes maneiras de interpretar o espaço geográfico, 
concentrando-nos nas categorias de lugar e paisagem. Essas categorias foram 
analisadas em suas interconexões e distinções, destacando-se sua importância para 
compreender a complexidade e dinâmica do espaço geográfico, que é constantemente 
moldado e remodelado ao longo da história da Geografia. 
Nos tópicos seguintes, direcionamos nossa atenção para uma análise mais aprofundada 
do conceito de território e espaço geográfico, respectivamente. No que diz respeito ao 
território, buscamos elucidar suas características e sua relevância para as pesquisas 
geográficas, ressaltando as inter-relações entre fatores econômicos, políticos e sociais 
que influenciam sua delimitação e gestão. 
Quantoao espaço geográfico, focamos em conceituá-lo e contextualizá-lo, 
compreendendo-o como a área da superfície terrestre onde ocorrem as interações entre 
seres humanos e o ambiente natural, impulsionadas pela ação humana e pela natureza, 
em uma relação circular de influências mútuas. 
Por fim, no último tópico, discutimos a importância das representações do espaço 
geográfico para a compreensão e apropriação espacial de crianças e jovens. 
Destacamos que essas representações são fundamentais para o desenvolvimento do 
pensamento geográfico e aprendizado dos alunos, sendo essenciais para professores 
em formação na disciplina de Geografia. 
 
 
43 
Dessa forma, concluímos nossa jornada por diversos aspectos e debates relacionados 
às categorias e conceitos essenciais para a ciência geográfica e seu pensamento. 
Esperamos que estas reflexões auxiliem em seus estudos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
CONCLUSÃO GERAL 
Prezada(o) Aluna(o), 
Neste material dedicado ao estudo da disciplina "Categorias e Conceitos da Geografia", 
nosso objetivo foi apresentar os fundamentos históricos e epistemológicos da Geografia 
como ciência, as correntes atuais da Geografia mundial e brasileira, diversas 
abordagens teórico-metodológicas dos estudos geográficos e conceitos analíticos 
cruciais para as investigações nesse campo. 
Exploramos a evolução da disciplina ao longo da história, as correntes de pensamento 
geográfico, as tendências globais e nacionais da Geografia, além dos conceitos 
essenciais para compreender o espaço geográfico, as interações entre sociedade e 
ambiente, e algumas práticas sustentáveis. 
Abordamos a divisão entre Geografia Humana e Física, a interdisciplinaridade, os 
princípios da Geografia Crítica e os diversos ramos da disciplina, como a Geomorfologia, 
Climatologia, Geografia Social e Geopolítica. 
Exploramos a leitura do espaço geográfico por meio das categorias de lugar e paisagem, 
o conceito de território e espaço geográfico, e a importância da representação do espaço 
nas escolas. 
Esperamos que este material e as discussões proporcionadas contribuam para sua 
aprendizagem, estimulando seu pensamento crítico e aprimorando suas habilidades 
cognitivas e investigativas em Geografia. Acreditamos que você estará mais bem 
preparado para continuar seus estudos e refletir sobre a vida no planeta Terra, uma 
conexão direta com nossa própria existência. 
Até a próxima oportunidade! 
 
 
 
 
 
 
 
457 
Ambos os autores estavam imersos em um contexto de profundas transformações na 
Alemanha e no mundo ocidental. A ciência dessa época estava fundamentada em uma 
visão mecanicista do universo, influenciada pelo positivismo iluminista, que buscava 
explicar os fenômenos por meio de relações de causa e efeito, traduzidas em equações 
matemáticas. 
Ritter, inspirado pelas mudanças políticas, sociais e culturais pós-Revolução Francesa, 
procurou sistematizar o conhecimento geográfico, buscando entender a interação entre 
o homem e a natureza e encontrar um significado para a existência humana. Ele 
acreditava que a ciência racional era uma forma de reconectar a humanidade à natureza 
e, consequentemente, a Deus. 
É importante reconhecer que, apesar do declínio da Idade Média e da transição para a 
Modernidade, as mudanças históricas não ocorreram instantaneamente. A influência da 
religião, como instituição moldadora de comportamentos e pensamentos humanos, 
continuou a exercer um papel significativo nas práticas sociais modernas. Essa 
influência religiosa também foi evidente nos estudos de geografia de Carl Ritter. 
Para Ritter, os desafios impostos pela natureza têm um impacto significativo no caráter 
e na identidade de um povo, assim como o ser humano é capaz de modificar o ambiente 
natural. Essa relação conflituosa molda as características distintivas de cada região, 
onde a natureza e as pessoas são portadoras de uma história intrínseca. Ritter 
acreditava que compreendendo essa história, os geógrafos seriam capazes de entender 
melhor a complexa relação entre o ser humano e o ambiente natural. 
Ritter desenvolveu um método que buscava relacionar as particularidades de cada 
região com uma compreensão mais ampla e universal dos fenômenos na superície 
terrestre. Suas contribuições epistemológicas são reconhecidas como fundamentais 
para o desenvolvimento da Geografia Humana como uma disciplina científica. 
Apesar de ter vivido em uma época em que a ciência era vista de forma mais holística, 
Ritter estava interessado em usar a Geografia como uma forma de superar a 
fragmentação causada pelo avanço da razão em sua época. 
Por outro lado, Alexander von Humboldt adotou uma abordagem diferente, baseada no 
empirismo e na intuição. Durante suas expedições, Humboldt observou como as 
características da flora e fauna de uma região estavam intimamente ligadas às 
condições climáticas, à latitude e ao relevo local. Ele desenvolveu o conceito de "meio 
ambiente geográfico", sendo reconhecido como um dos precursores da Geografia 
Física. 
Embora as abordagens de Ritter e Humboldt possam parecer antiquadas hoje em dia, 
compreendê-las é essencial para revisarmos nosso passado e encontrarmos insights 
que possam nos ajudar a enfrentar os desafios contemporâneos. Ao longo deste tópico, 
buscamos destacar os primeiros passos na sistematização da ciência geográfica como 
uma ferramenta crucial para compreender a relação entre a humanidade e a natureza, 
cujo desenvolvimento teórico e metodológico continua a ser relevante para lidar com os 
problemas ambientais de hoje. 
 
 
 
 
 
8 
AS CORRENTES DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO 
No tópico anterior, exploramos como as contribuições de Carl Ritter e Alexandre 
Von Humboldt abriram caminho para discussões teóricas sobre o pensamento 
geográfico, embasadas em extensivas pesquisas e observações em diversos lugares 
da Terra. Destacamos a importância da sistematização do conhecimento geográfico, 
essencial para sua consolidação como uma ciência distinta, dotada de métodos 
próprios. 
Neste tópico, daremos continuidade aos estudos sobre a Geografia como ciência e 
campo de pesquisa, focando nas correntes teóricas que moldaram e fundamentaram o 
pensamento geográfico ao longo do tempo. Compreender essas correntes é 
fundamental para entender as bases epistemológicas da Geografia, uma vez que elas 
surgiram após sua legitimação como ciência sistematizada. 
Os primeiros princípios teóricos que delinearam as análises geográficas, ainda 
presentes nos estudos contemporâneos, foram estabelecidos nos processos de 
sistematização metodológica mencionados anteriormente. Isso inclui o conhecimento 
da superfície terrestre, técnicas cartográficas e teorias como o evolucionismo racial. 
Esses princípios foram fundamentais para a consolidação da ciência geográfica e deram 
origem a correntes teóricas que orientam a pesquisa e análise geográfica. Podemos 
identificar duas grandes correntes: a Tradicional, que se concentra na relação entre 
humanidade e natureza sem abordar questões sociais, considerando a Geografia como 
uma ciência descritiva e observacional, e a Moderna, que questiona o positivismo e o 
tradicionalismo, abraçando uma abordagem mais social e humanística da Geografia. 
 
Geografia Tradicional 
A Geografia Tradicional se fundamenta em três escolas distintas, cada uma com 
suas ideias e abordagens específicas: o Determinismo, o Possibilismo e o 
Regionalismo. 
 
Determinismo Geográfico 
O Determinismo Geográfico, teoria formulada no século XIX pelo geógrafo 
alemão Friedrich Ratzel, argumenta que as condições naturais têm uma influência 
determinante sobre os seres humanos. De acordo com essa escola, o ambiente natural 
exerce uma forte influência sobre as sociedades humanas, moldando suas 
características e comportamentos. Friedrich Ratzel enfatizava que os seres humanos 
organizam o espaço de acordo com as exigências do meio ambiente, visando garantir 
a sua sobrevivência e prosperidade. 
Essa teoria estava intimamente ligada ao contexto histórico da unificação alemã no 
século XIX. Durante esse período, o expansionismo do Império Alemão, liderado pelo 
primeiro-ministro Otto Von Bismarck, encontrou justificativa nas ideias do determinismo 
geográfico de Ratzel. 
Segundo essa perspectiva, certas raças, como a alemã, estariam naturalmente 
destinadas a se desenvolver mais do que outras, e a conquista de novos territórios seria 
necessária para garantir recursos adicionais para o progresso da sociedade. 
 
 
9 
Ratzel também introduziu o conceito de "espaço vital", que representava um equilíbrio 
entre a população de uma sociedade e os recursos disponíveis. Esse conceito justificava 
o expansionismo territorial como uma necessidade para o desenvolvimento e a 
segurança de uma nação. A teoria de Ratzel serviu como uma justificativa ideológica 
para o imperialismo alemão da época, legitimando a busca por novos territórios e 
recursos através de formas violentas de conquista. 
Essas ideias demonstram a estreita relação entre as formulações de Ratzel, o contexto 
histórico e o projeto imperial alemão. Sua visão do Estado como protetor e sua defesa 
do expansionismo refletiam os interesses do Estado prussiano militarizado da época. 
Os seguidores da escola determinista expandiram as ideias de Ratzel, argumentando 
que o ambiente molda o desenvolvimento humano e que ambientes mais hostis exigem 
um maior nível de organização social para garantir a sobrevivência. Por exemplo, o 
inverno foi utilizado para justificar o suposto desenvolvimento das sociedades europeias 
em comparação com as sociedades tropicais africanas e americanas, consideradas, 
segundo essa perspectiva, como mais indolentes e atrasadas. 
Essa ideia falaciosa foi usada para legitimar práticas como a colonização, a escravidão 
e o expansionismo neocolonial na África e na Ásia entre o final do século XIX e o início 
do século XX. Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, cientistas e políticos 
nazistas da Alemanha utilizaram esses pensamentos para justificar atrocidades como o 
Holocausto e o extermínio de populações consideradas racialmente inferiores, como 
judeus, negros, ciganos e pessoas com deficiência. 
O Possibilismo Geográfico, por sua vez, teve origem na França com Paul Vidal De La 
Blache. Ele argumentava que, embora a natureza exerça influência sobre o homem, 
este tem a capacidadede modificar e melhorar o ambiente. Vidal De La Blache enfocava 
a interação homem-natureza e concebia o homem como um agente dinâmico que opera 
sobre o meio, adaptando-o às suas necessidades. 
A Geografia possibilista de Vidal De La Blache tinha como foco a população e os 
agrupamentos sociais, em vez de abordar a sociedade como um todo. Isso resultou em 
uma abordagem mais técnica, que discutia as realizações humanas em termos de 
técnicas e instrumentos de trabalho, sem considerar as relações sociais subjacentes. 
Em suma, o Possibilismo Geográfico considera a natureza como fonte de possibilidades, 
enquanto o homem é visto como o principal agente geográfico que atua e modifica o 
ambiente de acordo com suas necessidades e interesses. 
O Regionalismo Geográfico, uma corrente do pensamento geográfico tradicional, tem 
suas bases no diálogo entre Paul Vidal De La Blache, principal teórico da escola 
possibilista, e Richard Hartshorne, um geógrafo norte-americano que destacou o espaço 
e os lugares como aspectos fundamentais da Geografia. 
O método adotado por essa corrente envolvia a comparação de diferentes regiões com 
base em critérios de semelhança e diferença, com ênfase na coleta de informações 
descritivas sobre lugares específicos. Para Hartshorne, os espaços eram divididos em 
áreas determinadas por elementos homogêneos, o que resultava na divisão dessas 
áreas em regiões distintas. 
Hartshorne argumentava que os fenômenos variavam de lugar para lugar, assim como 
suas inter-relações, e que cada área era caracterizada pela integração de fenômenos 
inter-relacionados. Portanto, a análise geográfica deveria buscar integrar o maior 
 
 
10 
número possível de fenômenos inter-relacionados, com o objetivo de compreender a 
dinâmica de cada localidade. 
Seguindo essa abordagem, o pesquisador analisaria um único lugar, considerando uma 
variedade de elementos que contribuem para o conhecimento significativo dessa área. 
Esse método envolvia a observação e a relação entre diferentes fenômenos, como 
clima, produção agrícola, topografia, estrutura fundiária e relações de trabalho, entre 
outros. A integração desses conjuntos de fenômenos permitia uma compreensão mais 
completa da região em questão. 
As propostas do Regionalismo Geográfico possibilitaram uma variedade de estudos 
geográficos, permitindo análises locais que integravam uma diversidade de temas 
relacionados. Isso incluiu uma abordagem mais detalhada de temas específicos, como 
geografia dos recursos naturais e geografia dos transportes, que relacionavam e 
integravam uma ampla gama de fenômenos dentro de uma região determinada. 
Embora apresentasse limitações, como uma visão generalista e naturalista, o 
pensamento geográfico tradicional contribuiu para a consolidação de conceitos 
fundamentais da Geografia moderna, como ambiente, território, região e habitat. Seu 
legado inclui um vasto conjunto de informações e dados sobre uma variedade de 
fenômenos, que foram essenciais para o desenvolvimento posterior da disciplina 
geográfica e para a formulação de críticas e correntes divergentes. Assim, apesar de 
suas limitações, o pensamento geográfico tradicional desempenhou um papel crucial na 
evolução da Geografia como ciência. 
 
Geografia Pragmática (Nova Geografia, Geografia Teorética ou Quantitativa) 
A corrente da Geografia Pragmática surgiu na década de 1950, em meio ao 
contexto pós-Segunda Guerra Mundial e à expansão do sistema capitalista. Ela emergiu 
da necessidade de obter dados precisos apoiados em conceitos teóricos, utilizando 
análises estatisticas, matemáticas e exatas da realidade. Essa abordagem foi 
fundamental para subsidiar decisões de governos e empresas, consolidando-se como 
uma ferramenta poderosa para o planejamento estatal. 
Seu objetivo principal era a renovação metodológica, buscando novas técnicas e 
linguagem para lidar com as demandas do planejamento. Sua denominação como 
pragmática reflete essa abordagem utilitária, visando criar uma tecnologia geográfica 
voltada para resolver problemas práticos. 
As principais características dessa corrente incluem a ênfase na experiência empírica e 
a busca por uma linguagem comum entre todas as ciências. A Geografia Pragmática 
rejeita o dualismo entre ciências naturais e sociais, defendendo uma aplicação mais 
precisa da metodologia quantitativa e o uso de técnicas das ciências exatas. 
Consequentemente, os resultados das pesquisas devem ser apresentados de forma 
lógica e precisa, utilizando a linguagem matemática. Isso ampliou o uso da tecnologia 
na intervenção na realidade, tornando-se uma ferramenta de dominação para os 
interesses do Estado e do capitalismo. 
No entanto, essa abordagem também foi criticada por mascarar as contradições sociais 
e legitimar a ação do capital sobre o espaço terrestre. Ela é vista como um instrumento 
da dominação burguesa e uma arma ideológica que defende os interesses do 
 
 
11 
capitalismo monopolista, disfarçando as ações do Estado como medidas técnicas 
neutras e cientificamente recomendadas. 
Embora tenha predominado nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha durante as décadas 
de 1960 e 1970, a Geografia Pragmática começou a enfrentar críticas a partir dos anos 
1960. Uma das principais críticas é sua incapacidade de considerar as particularidades 
dos fenômenos, reduzindo-os a explicações estritamente exatas. 
Conclui-se que o método matemático por si só não é suficiente para explicar as 
complexidades das relações entre a ação humana e o espaço geográfico, pois não 
consegue capturar as especificidades dessas relações ao compreender o meio de forma 
homogênea e quantificada em números. 
 
Geografia Crítica 
A Geografia Crítica surgiu na França por volta de 1970 e se expandiu globalmente, 
ganhando força como um movimento de renovação da Geografia na década de 80. Uma 
das primeiras referências a essa corrente foi a obra "A Geografia serve, antes de mais 
nada, para fazer a guerra", de Yves Lacoste, que questionava a suposta neutralidade 
da Geografia Pragmática e defendia maior engajamento e criticidade diante das 
questões sociais, econômicas, políticas e culturais. 
Essa abordagem propõe uma leitura honesta e coerente dos problemas e interesses 
relacionados ao poder e aos embates históricos por território. Ela defende a redução 
das assimetrias sociais, econômicas e regionais, além de promover uma mudança 
significativa no ensino de Geografia, estimulando o pensamento crítico e interpretações 
contextualizadas historicamente, evitando reducionismos, generalizações e 
preconceitos. 
O termo "crítica" refere-se principalmente à postura diante da realidade estabelecida, 
defendendo uma transformação social e considerando o conhecimento científico como 
uma ferramenta para essa mudança. Os adeptos dessa corrente propõem uma 
Geografia militante, engajada na luta por uma sociedade mais justa e livre. 
Yves Lacoste argumenta que o Estado tem uma visão estruturada do espaço, exercendo 
poder sobre todos os lugares e utilizando a Geografia como uma ferramenta de 
dominação. Ele defende a construção de uma visão integrada do espaço e da 
sociedade, socializando o conhecimento geográfico para promover uma organização 
social mais justa e sustentável. 
No Brasil, Milton Santos foi um dos principais expoentes da Geografia Crítica, 
defendendo que toda atividade humana modifica a superficie terrestre. Ele destacou que 
a organização do espaço é determinada pela tecnologia, cultura e organização social 
da sociedade, especialmente no contexto capitalista, onde a organização espacial é 
influenciada pelo ritmo de acumulação. 
O pensamento crítico na Geografia envolveu uma aproximação com os movimentos 
sociais, buscando ampliar os direitos civis e humanos, incluindo acesso à educação de 
qualidade, moradia, terra e o combate à pobreza e à violência ambiental, como o 
desmatamento e a poluição. 
 
 
 
 
12AS TENDÊNCIAS DA GEOGRAFIA MUNDIAL E BRASILEIRA 
Prezado(a) Aluno(a), 
Nos tópicos anteriores, exploramos os paradigmas que moldaram a evolução do 
pensamento geográfico e os métodos que fundamentaram cientificamente a Geografia 
ao longo dos séculos. É fundamental contextualizar o processo de desenvolvimento do 
pensamento geográfico para analisar e compreender os pressupostos da Geografia 
como ciência e sua interação com outras áreas do conhecimento ao longo da história. 
Neste momento, nosso objetivo é dar continuidade aos estudos sobre a Geografia como 
uma ciência de referência, focando nas tendências observadas tanto na Geografia 
mundial quanto na brasileira. Reconhecemos que o desenvolvimento do pensamento 
geográfico ao longo da história, desde a Grécia Antiga, proporcionou o surgimento de 
diferentes correntes teóricas que são essenciais para entendermos a Geografia como 
disciplina nos dias atuais. Assim, a análise histórica se torna relevante para orientar 
nossos objetivos de estudo, permitindo-nos articular passado e presente para 
projetarmos direções futuras para a Geografia. 
Atualmente, há um consenso na comunidade científica de que a Geografia é uma 
ciência interativa e sistêmica. Essa interatividade se manifesta na relação com diversos 
elementos presentes nos fenômenos estudados, caracterizando-se pela 
multidisciplinaridade e pelo diálogo com outras áreas do conhecimento, como a História. 
Quanto à sistematicidade, refere- se às premissas teóricas que definem o objeto de 
pesquisa, combinando métodos necessários para sua formulação e identificando 
conexões complexas no mundo globalizado. 
Nos últimos anos, a Geografia afastou-se da mera descrição de fenômenos e da 
repetição de informações triviais, como a localização das capitais e a população de 
determinados lugares. Em vez disso, fortaleceu-se por meio de novas metodologias de 
análise, priorizando uma investigação sistemática dos processos demográficos, 
econômicos, urbanos e sociais, em consonância com as necessidades da atual ordem 
mundial. 
Os estudos geográficos atuais, sejam físicos, populacionais, econômicos ou 
geopolíticos, são abordados por metodologias científicas que produzem conceitos e 
interpretações a partir de análises das causas das realidades geográficas. É essencial 
estabelecer a relação causa-efeito considerando a razão geográfica da realidade em 
diferentes escalas, regionais e macrorregionais. A territorialidade e as interações 
sistêmicas com os ambientes naturais, os processos demográficos e as mudanças 
geopolíticas nas transições territoriais constituem a base da ruptura epistêmica ocorrida 
na Geografia recente. 
Uma das grandes inovações na Geografia contemporânea é a utilização de tecnologias 
avançadas, como o geoprocessamento e imagens de satélite, que facilitam a análise e 
identificação dos fenômenos que modificam a superfície terrestre. Essas ferramentas 
têm sido amplamente aproveitadas por geógrafos em seus estudos e pesquisas. 
Outra tendência importante nos estudos geográficos refere-se às migrações em escala 
global, que evidenciam dinâmicas sociais de grande impacto na geopolítica dos espaços 
afetados. 
Compreender essa complexa temática exige o uso de diversas categorias analíticas, 
pois interfere ativamente na vida social, na economia, na cultura e nas relações 
territoriais. 
 
 
13 
As migrações humanas não são um fenômeno novo, tendo ocorrido ao longo da história 
da humanidade. No entanto, ganharam novos significados e dimensões com a 
globalização. É crucial analisar os motivos que levam as pessoas a migrar de seus locais 
de origem, sem preconceitos ou simplificações, considerando as múltiplas 
interconexões em uma sociedade globalizada. 
No contexto brasileiro, as tendências da Geografia estão relacionadas às preocupações 
sobre nossa realidade histórica e social, abordando questões como estrutura fundiária, 
agronegócio, pobreza, desigualdade, segurança política, meio ambiente, indústria 
extrativa, biodiversidade, diversidade étnica e de gênero, entre outras. Essas temáticas 
estão ligadas à posição do Brasil no cenário global, influenciando novas linhas e 
tendências na pesquisa geográfica. 
Em suma, as tendências da Geografia atual refletem as demandas da sociedade 
contemporânea, caracterizando-se por uma diversidade de correntes teóricas, 
interdisciplinaridade, enfoque nas relações entre sociedade e ambiente, e adaptação 
aos desafios impostos pela urbanização, globalização e avanços tecnológicos. 
 
CONCEITOS FUNDAMENTAIS NA COMPREENSÃO DO ESPAÇO 
Neste tópico, nosso objetivo é explorar conceitos fundamentais para a 
compreensão do espaço geográfico. É importante ressaltar que o conceito de espaço é 
uma das categorias analíticas mais relevantes para a Geografia, servindo como base 
para inúmeras produções cientificas de diversos autores que se dedicaram a estudar o 
espaço geográfico como uma categoria abrangente e essencial para a ciência 
geográfica. 
Iniciaremos nossa análise com base na obra "A natureza do espaço" (1996) do geógrafo 
brasileiro Milton Santos, que propõe uma definição abrangente do espaço como "um 
conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e 
sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual 
a história se dá" (p. 63). 
Para Santos, a natureza fornece a matéria-prima que, por meio da ação humana, é 
transformada em objetos através da técnica, sendo esta a principal forma de relação 
entre o homem e a natureza, e a maneira pela qual o homem produz e cria o espaço. 
Assim, para a Geografia, o espaço geográfico pode ser entendido como a porção da 
superície terrestre onde ocorrem interações entre seres humanos e o ambiente natural. 
Essas interações impulsionam e moldam o espaço geográfico, numa relação recíproca 
de influências entre a ação humana e a natureza. 
Milton Santos nos alerta para o fato de que essa relação, embora recíproca, muitas 
vezes ocorre de forma assimétrica, gerando desigualdades. Ele argumenta que, 
inicialmente, tudo era simplesmente "coisas", mas hoje, tudo tende a ser considerado 
"objeto", já que mesmo as coisas naturais se tornam objetos quando utilizadas pelos 
seres humanos com determinadas intenções sociais. 
O estudo do espaço geográfico nos permite compreender a organização social presente, 
resultado de transformações históricas ao longo dos séculos. À medida que o ser 
humano interfere na natureza de um local, ele gera e promove o espaço geográfico, que 
se torna uma categoria essencial para a Geografia. 
 
 
14 
Além do conceito de espaço geográfico, destacamos outras categorias conceituais e 
analíticas importantes: região, lugar e território. 
A região é uma categoria que busca identificar características comuns entre diferentes 
áreas espaciais. Elementos específicos de uma região podem caracterizar todas as 
localidades que a integram, estabelecendo critérios de qualidades e traços 
compartilhados. 
Por sua vez, o conceito de lugar refere-se a uma área da superficie terrestre à qual são 
atribuídas especificidades e significados particulares. Cada lugar é único e possui 
significados diferentes para cada indivíduo que o habita, interferindo e vivenciando 
experiências específicas. 
O território é definido como espaços delimitados, geralmente por fronteiras, e motivados 
por interesses sociais, políticos, econômicos, culturais, religiosos e geográficos. Essas 
demarcações podem ser tanto naturais quanto sociais, sendo influenciadas pela ação 
humana e pelas relações de poder. 
Esses conceitos fundamentais nos permitem compreender a complexidade do espaço 
geográfico e suas diversas manifestações. A Geografia, como ciência social, apresenta 
uma identidade particular em seu arcabouço teórico, integrando elementos das ciências 
naturais e exatas. As diferentes correntes do pensamento geográfico representam 
conceitose categorias que emergiram em contextos sócio-históricos específicos, 
contribuindo para a compreensão das relações entre natureza e sociedade. 
Espero que essas reflexões tenham contribuído para sua compreensão dos conceitos 
fundamentais na Geografia. 
 
Considerações 
Durante o tópico 1, exploramos como diferentes abordagens e levantamentos 
sistemáticos sobre várias regiões da Terra contribuíram para o desenvolvimento do 
pensamento geográfico. Observamos também a importância de organizar esse 
conhecimento de forma sistemática, tornando a Geografia uma disciplina específica com 
seus próprios métodos. Essa organização do saber geográfico nos ajuda a compreender 
melhor a interação entre a humanidade e a natureza, que pode ter tanto efeitos positivos 
quanto negativos. 
No tópico 2, continuamos nossa análise sobre a Geografia como uma disciplina 
científica, explorando as diferentes correntes teóricas que a moldaram ao longo do 
tempo. Destacamos principalmente o papel do pensamento crítico na Geografia, que se 
aproximou dos movimentos sociais em busca de justiça social, acesso à educação, 
moradia digna e preservação do meio ambiente. 
No tópico 3, refletimos sobre a importância da história da Geografia para 
compreendermos suas tendências atuais, tanto em escala global quanto local. 
Reconhecemos que o desenvolvimento histórico do pensamento geográfico nos 
proporcionou uma compreensão mais ampla da disciplina. A história nos ajuda a 
conectar o passado com o presente e a visualizar possíveis direções futuras para a 
Geografia. 
Por fim, no tópico 4, exploramos os conceitos fundamentais para a compreensão do 
espaço geográfico. Reconhecemos a importância desses conceitos como ferramentas 
 
 
15 
analíticas essenciais para os estudos geográficos. Entendemos que as diferentes 
correntes de pensamento geográfico representam abordagens complementares, cada 
uma surgindo em um contexto histórico e geográfico específico. 
Espero que esta síntese seja útil para sua jornada na disciplina de Geografia. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
UNIDADE II 
NATUREZA E RELAÇÃO HUMANA 
 
Prezada(o) Aluna(o), 
É com grande prazer que dou as boas-vindas à disciplina "Categorias e 
Conceitos da Geografia". Este material foi elaborado com o intuito de proporcionar uma 
introdução ao vasto campo das discussões sobre o pensamento geográfico, destinado 
a estudantes e pesquisadores interessados em compreender a formação e 
consolidação da ciência geográfica. 
Durante sua trajetória escolar, é provável que você já tenha tido contato com conceitos 
fundamentais da Geografia, como território, espaço, lugar e região. Este material tem 
como objetivo aprofundar esses conhecimentos, oferecendo uma análise mais 
detalhada sobre a evolução do pensamento geográfico e sua inserção no campo das 
ciências humanas. 
A Unidade 2, intitulada "Natureza e Relação Humana", está dividida em quatro tópicos, 
os quais abordam a interação entre a ação humana e a natureza, os impactos da 
sociedade sobre o meio ambiente, as influências da natureza sobre a sociedade e a 
importância das práticas sustentáveis. 
Esperamos que esta unidade seja enriquecedora para sua aprendizagem, contribuindo 
para o desenvolvimento do pensamento crítico e aprimoramento das habilidades 
investigativas em Geografia. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
A INTERAÇÃO HUMANA COM A NATUREZA 
O ser humano, conhecido cientificamente como Homo sapiens, assim como 
outras espécies animais, interage com o meio ambiente visando atender às suas 
necessidades básicas de sobrevivência, como abrigo, alimento e proteção para si e seus 
grupos. No entanto, como a única espécie animal dotada de um cérebro altamente 
desenvolvido, que o capacita a raciocinar, refletir sobre suas ações e desenvolver ideias, 
o ser humano tem a capacidade única de influenciar significativamente a natureza por 
meio de suas ações conscientes e planejadas. 
No estágio inicial da história humana, a interferência na natureza era mínima, já que os 
grupos humanos primitivos subsistiam principalmente da coleta, caça e pesca. Porém, 
à medida que o tempo avançava, o homem começou a desenvolver técnicas mais 
elaboradas para garantir sua sobrevivência. Um marco importante nesse processo foi a 
transição para o período Neolítico, cerca de 12 mil anos atrás, quando o ser humano 
passou a domesticar animais, cultivar a terra e utilizar ferramentas mais avançadas, 
como instrumentos de pedra polida. Essa mudança possibilitou um estilo de vida mais 
sedentário e contribuiu para o surgimento da agricultura e da pecuária. 
As novas práticas agrícolas e de criação de animais não apenas melhoraram as 
condições de vida dos primeiros seres humanos, mas também impulsionaram o 
crescimento populacional. Com o estabelecimento de comunidades agrícolas, o homem 
deixou de ser nômade e passou a se fixar em áreas específicas, exercendo maior 
controle sobre o ambiente natural. 
Essa presença humana na Terra trouxe consigo uma série de transformações no meio 
ambiente, como o desmatamento para a expansão agrícola, a alteração de relevo para 
construção de assentamentos humanos e a modificação de paisagens naturais para fins 
urbanos. 
Atualmente, a relação entre o homem e a natureza continua a evoluir, exigindo um maior 
entendimento dos processos naturais e dos recursos disponíveis. Muitas vezes, o ser 
humano adota uma postura de domínio sobre a natureza, enxergando-a como uma fonte 
inesgotável de recursos a serem explorados. Essa perspectiva, no entanto, tem sido 
questionada à medida que compreendemos melhor a finitude dos recursos naturais e 
os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente. 
Nesse contexto, os recursos naturais desempenham um papel crucial na vida humana, 
sendo classificados em renováveis e não renováveis. Enquanto os recursos não 
renováveis, como petróleo e minerais, se esgotam após a exploração, os recursos 
renováveis, como água, ar e solo, podem ser regenerados naturalmente ao longo do 
tempo. 
Em suma, a relação entre o homem e a natureza está intrinsecamente ligada ao trabalho 
humano, que consiste na transformação dos recursos naturais em produtos que 
atendem às necessidades humanas. Essa interação complexa continua a moldar o 
mundo em que vivemos, destacando a importância de uma abordagem consciente e 
sustentável em relação ao meio ambiente. 
 
As transformações técnicas e científicas 
Entendemos por técnica o conjunto de métodos empregados para realizar determinadas 
atividades por meio de ferramentas e instrumentos. Assim, as ações humanas na 
 
 
18 
natureza, e as alterações resultantes, são realizadas por meio de instrumentos criados 
com esse propósito. 
De acordo com Milton Santos {1996}, a técnica representa a principal forma de interação 
entre o ser humano e o ambiente, sendo definida como "um conjunto de meios 
instrumentais e sociais pelos quais o ser humano conduz sua vida, produzindo e, ao 
mesmo tempo, criando espaço" (p. 29). 
Ao desenvolver novas técnicas, o ser humano cria instrumentos que visam aumentar a 
eficiência de seu trabalho, muitas vezes em resposta a necessidades surgidas no 
ambiente. No entanto, tais inovações frequentemente trazem consigo novos desafios, 
exigindo soluções que impulsionam o desenvolvimento de novas técnicas. Por exemplo, 
a invenção do pneu logo após a criação do automóvel, em 1887, surgiu da necessidade 
de uma roda adaptável a esse novo meio de transporte. 
Com o tempo, os instrumentos de trabalho tornam-se mais complexos, não se limitando 
apenas a utensílios manuais, mas incluindo técnicas de engenharia utilizadas em 
grandes empreendimentos que modificam significativamente o ambiente natural, como 
a construção de represas para gerar energia hidrelétrica. 
O avanço das técnicas e das inovaçõesinstrumentais amplia a capacidade humana de 
intervir na natureza, refletindo-se em mudanças significativas no meio ambiente. Esse 
processo intensificou-se com o advento do modo de produção capitalista nos séculos 
XV e XVI. 
Anteriormente, as relações econômicas eram principalmente de subsistência, com a 
produção artesanal voltada para o consumo direto, sem objetivar o lucro. No entanto, 
com a ascensão do capitalismo, houve uma divisão mais complexa do trabalho, com 
cada trabalhador especializado em uma etapa do processo produtivo. 
A Revolução Industrial do século XIX acelerou ainda mais esse processo, mecanizando 
o trabalho e permitindo a produção em larga escala. Esse aumento na produtividade 
implicou em uma maior demanda por recursos naturais, levando a uma exploração cada 
vez mais intensa do meio ambiente. Como resultado, os recursos naturais passaram a 
ser vistos como fonte inesgotável de matéria-prima para a produção de mercadorias, 
alimentando um ciclo de consumo e exploração. 
No entanto, é importante reconhecer que essa visão utilitarista da natureza, que enfatiza 
o controle humano sobre o meio ambiente, é uma construção cultural, particularmente 
associada à visão ocidental e moderna. Outras culturas, como as dos povos indígenas, 
têm uma relação diferente com a natureza, considerando-a sagrada e integrada à vida 
em comunidade. 
Para os povos originários, a natureza não é apenas uma fonte de recursos, mas parte 
essencial de sua identidade e existência. Portanto, o trabalho não é apenas uma 
atividade utilitária, mas um processo de manutenção da vida em harmonia com o 
ambiente. Essa perspectiva nos convida a repensar nossa relação com a natureza e 
buscar formas mais sustentáveis de interação e desenvolvimento. 
 
Impacto da Sociedade sobre a Natureza 
Ao longo desta disciplina, especialmente nesta unidade, temos enfatizado que o meio 
ambiente é tanto um elemento natural quanto social, resultante da interação entre 
 
 
19 
sociedade e natureza. Essa inter-relação é o cerne dos estudos geográficos, permitindo 
uma compreensão abrangente do meio ambiente. 
Segundo Milton Santos (1978), o conceito de espaço desempenha um papel central na 
Geografia, sendo entendido como um conjunto de relações sociais que se manifestam 
ao longo do tempo. Essas interações entre sociedade e espaço são cruciais para 
interpretar as diversas formas de organização espacial. 
Nesse sentido, a comunidade científica geográfica defende a indissociabilidade entre 
natureza e sociedade. A estrutura socioespacial, resultante dessa relação, é 
continuamente moldada e reconstruída pela ação humana, refletindo as práticas e 
intervenções dos indivíduos e grupos sociais. 
No contexto atual, dominado pelo sistema econômico capitalista neoliberal, as práticas 
sociais muitas vezes priorizam o consumo e o lucro em detrimento da preservação 
ambiental. Isso resulta em impactos adversos para o meio ambiente, muitas vezes 
irreversíveis e prejudiciais às comunidades que dependem diretamente da natureza, 
como os povos indígenas. 
Dentre os principais processos causados pela exploração e esgotamento dos recursos 
naturais no Brasil, destacam-se a mineração e o desflorestamento. Ambos têm 
consequências significativas para o meio ambiente e para a sociedade, representando 
desafios urgentes que exigem ações de preservação e sustentabilidade. 
A mineração, uma atividade socioeconômica com uma longa história que remonta à 
Antiguidade, desempenha um papel fundamental na constituição das sociedades 
modernas e na produção de uma variedade de bens e materiais essenciais para o nosso 
cotidiano. No entanto, o uso descontrolado dos recursos minerais tem gerado impactos 
ambientais significativos, afetando tanto o meio ambiente quanto a qualidade de vida da 
população. 
Os impactos ambientais da mineração são vastos e ocorrem em todas as etapas do 
processo, desde o planejamento até a desativação das atividades extrativistas. Algumas 
das principais consequências incluem: 
1. **Desmatamento:** A mineração, especialmente a céu aberto, leva ao desmatamento 
de extensas áreas de floresta para dar lugar às operações de extração mineral. 
2. **Alteração da paisagem:** Além do desmatamento, a escavação de minas e a 
remoção de solo fértil resultam em uma alteração irreversível da paisagem natural. 
3. **Contaminação e compactação do solo:** A perda de fertilidade do solo, muitas 
vezes causada pela presença de substâncias tóxicas nos rejeitos minerais, compromete 
a capacidade do solo de sustentar a vida vegetal e animal. 
4. **Contaminação do ar:** Explosões e emissões de partículas poluentes durante as 
operações de mineração contribuem para a deterioração da qualidade do ar e impactam 
negativamente a biodiversidade local. 
5. **Contaminação dos recursos hídricos:** O uso excessivo de água na extração e 
beneficiamento do minério, juntamente com o mau gerenciamento de rejeitos, resulta 
na contaminação de rios, lagos e aquíferos, afetando a fauna e a flora aquáticas e 
comprometendo o abastecimento de água potável. 
 
 
20 
6. **Redução da biodiversidade:** O desmatamento, a poluição e a contaminação dos 
recursos hídricos levam à perda de habitats naturais e à extinção de espécies vegetais 
e animais. 
7. **Esgotamento dos recursos minerais:** A atividade extrativista desenfreada pode 
levar ao esgotamento total dos minerais explorados, tornando impossível sua reposição 
e afetando o meio ambiente de forma irreversível. 
Os desastres causados pelo rompimento de barragens de rejeitos, como os ocorridos 
em Mariana {2015} e Brumadinho {2019}, são exemplos alarmantes dos impactos 
devastadores da mineração sobre o meio ambiente e as comunidades locais. Esses 
eventos resultaram em perdas humanas, danos ambientais irreparáveis e um profundo 
impacto socioeconômico nas regiões afetadas, destacando a urgência de uma 
abordagem mais responsável e sustentável para a atividade mineradora. 
O desflorestamento, também conhecido como desmatamento, é uma das principais 
preocupações ambientais da atualidade, representando uma ameaça significativa à 
biodiversidade e ao equilíbrio dos ecossistemas. Ao longo da história, o desmatamento 
foi impulsionado por uma variedade de motivos, desde a necessidade de recursos para 
subsistência até a exploração comercial e a urbanização descontrolada. 
No contexto da Revolução Industrial, o desflorestamento intensificou-se 
consideravelmente devido à demanda crescente por recursos naturais para alimentar 
as indústrias emergentes e suportar o rápido crescimento urbano. Esse padrão de 
consumo desenfreado de recursos naturais continuou e se expandiu para países em 
desenvolvimento, muitas vezes colonizados por nações industrializadas, que 
exploravam suas florestas em busca de lucro e desenvolvimento econômico. 
No caso do Brasil, país rico em biodiversidade e recursos naturais, o desflorestamento 
tem sido uma questão persistente, especialmente na Amazônia, na Mata Atlântica e no 
Cerrado. As principais causas do desmatamento incluem a expansão da agricultura, 
pecuária em larga escala, construção de infraestrutura, como estradas, exploração 
madeireira, urbanização e atividades ilegais, como queimadas criminosas e invasões de 
áreas protegidas. 
Em 2018, o Brasil foi apontado como o país que mais desmatou florestas primárias no 
mundo, o que representa uma perda irreparável de habitats naturais e uma ameaça à 
diversidade biológica. As consequências do desflorestamento são graves e incluem a 
perda de biodiversidade, o comprometimento dos serviços ecossistêmicos, como a 
regulação do clima e dos recursos hídricos, além do impacto negativo sobre 
comunidades locais e povos indígenas que dependem das florestas para sua 
subsistência e cultura. 
Diante desse cenário, a conservação e o manejo sustentável das florestas tornam-se 
fundamentais para mitigar os efeitos do desmatamentoe garantir a preservação dos 
ecossistemas naturais para as gerações futuras. Isso requer um esforço conjunto de 
governos, organizações não governamentais, comunidades locais e setor privado para 
implementar políticas eficazes de proteção ambiental, promover práticas agrícolas 
sustentáveis e incentivar o uso responsável dos recursos naturais. 
A preservação e o manejo sustentável dos biomas brasileiros, como a Amazônia, a Mata 
Atlântica e o Cerrado, são fundamentais para a conservação da biodiversidade, a 
manutenção dos serviços ecossistêmicos e o bem-estar das comunidades que 
dependem desses ecossistemas. 
 
 
21 
A Amazônia, com sua vasta extensão e riqueza biológica, desempenha um papel crucial 
na regulação do clima global e na manutenção dos ciclos hidrológicos. No entanto, o 
desmatamento e as práticas de uso insustentável dos recursos naturais ameaçam sua 
integridade ecológica. Políticas públicas inadequadas e ações humanas irresponsáveis 
têm contribuído para o aumento do desmatamento na região, o que representa uma 
ameaça não apenas para a biodiversidade local, mas também para o clima global. 
A Mata Atlântica, por sua vez, é um dos biomas mais ameaçados do Brasil, com apenas 
uma pequena fração de sua cobertura original remanescente. Sua importância para a 
conservação da biodiversidade e a prestação de serviços ecossistêmicos essenciais, 
como o abastecimento de água e a regulação do clima, destaca a urgência de medidas 
eficazes de proteção e restauração. 
Quanto ao Cerrado, embora seja o segundo maior bioma brasileiro, também enfrenta 
sérios desafios de conservação devido à expansão da agricultura e da pecuária. O 
desflorestamento e as queimadas frequentes têm contribuído para a perda de habitats 
naturais e a fragmentação do ecossistema, colocando em risco sua biodiversidade única 
e os serviços ambientais que ele proporciona. 
Diante desse cenário, é fundamental promover políticas de conservação e 
desenvolvimento sustentável que levem em consideração a proteção dos biomas, a 
inclusão social e o respeito aos conhecimentos tradicionais das comunidades locais. O 
engajamento de diversos setores da sociedade, incluindo governos, organizações não 
governamentais, setor privado e população em geral, é essencial para enfrentar os 
desafios relacionados à preservação da biodiversidade e à mitigação das mudanças 
climáticas. 
 
IMPACTO DA SOCIEDADE SOBRE A NATUREZA 
Ao examinarmos os efeitos da interação entre sociedade e natureza abordados 
anteriormente, fica evidente que as ações humanas podem resultar em danos 
consideráveis ao meio ambiente, inclusive com consequências irreversíveis, como a 
exaustão de recursos não renováveis e a extinção de espécies cruciais para o equilíbrio 
do clima. Neste contexto, é importante também considerar a relação inversa: os 
impactos da natureza sobre a sociedade. 
É fundamental compreender que estamos intrinsecamente ligados à natureza e sujeitos 
às suas forças e dinâmicas. Como disse Ailton Krenak (2020), nós somos parte da 
natureza, e qualquer noção contrária a essa realidade é equivocada e reducionista. 
Portanto, quando exploramos e degradamos os recursos naturais, estamos 
prejudicando não apenas o ambiente ao nosso redor, mas também comprometendo 
nossa própria existência. 
A natureza possui seus próprios ciclos e processos, que podem ser afetados pelas 
atividades humanas. Se negligenciarmos suas necessidades em prol de nossos 
interesses imediatos, enfrentaremos as consequências, que incluem a poluição do ar, 
da água e do solo, o desmatamento, a extinção de espécies, as mudanças climáticas e 
a destruição de habitats, entre outros desdobramentos prejudiciais. 
Durante este estudo, examinaremos alguns desses desdobramentos, muitas vezes 
desastrosos para as comunidades humanas, causados por nossas práticas 
inadequadas em relação aos recursos naturais. Esses eventos, combinados com as 
 
 
22 
próprias forças da natureza, podem ter impactos significativos sobre a sociedade como 
um todo. 
Embora o Brasil não enfrente desastres naturais catastróficos como terremotos ou 
vulcões em grande escala, isso não significa que estejamos livres de impactos naturais 
significativos. A má ocupação do espaço urbano, aliada à falta de planejamento e 
infraestrutura adequados, torna as populações vulneráveis a eventos como enchentes 
e deslizamentos de terra, especialmente em áreas de assentamentos informais e 
encostas íngremes. 
A urbanização acelerada e a concentração populacional em áreas de risco ampliam os 
problemas sociais e econômicos, exacerbando a pobreza e a falta de acesso a serviços 
básicos. A falta de habitação adequada e a deficiência na infraestrutura urbana tornam 
as comunidades mais suscetíveis aos impactos negativos dos eventos naturais, 
aumentando o risco de perdas materiais e humanas. 
Portanto, é crucial adotar políticas e práticas que promovam o desenvolvimento 
sustentável, a gestão adequada dos recursos naturais e a redução do impacto dos 
desastres naturais sobre as comunidades humanas. Isso requer um esforço conjunto de 
governos, organizações da sociedade civil e indivíduos para garantir a resiliência e a 
sustentabilidade das nossas sociedades diante dos desafios impostos pela natureza. 
Os impactos da natureza sobre a sociedade se manifestam de diversas formas, muitas 
delas agravadas pelas ações humanas. Um exemplo claro disso são as enchentes, que 
ocorrem com maior frequência em áreas urbanas devido ao assoreamento dos rios, 
erosão causada por desmatamentos e impermeabilização do solo por infraestruturas 
urbanas. Esses eventos catastróficos podem resultar em inundações de residências e 
vias públicas, além de causar afogamentos e disseminar doenças como a leptospirose 
e hepatite A. 
As enchentes também contribuem para a escassez de água potável, especialmente em 
áreas urbanas densamente povoadas, onde a absorção de água pelo solo é limitada 
devido à falta de áreas verdes e ao aumento das superícies impermeáveis. Esta 
escassez não apenas afeta diretamente a saúde e o bem-estar das pessoas, mas 
também pode aumentar os conflitos internacionais por recursos hídricos, como 
observado em disputas históricas entre países pelo controle de rios importantes. 
É fundamental refletir sobre a relação entre a sociedade e o meio ambiente, como 
destacado por Ailton Krenak {2020}. Devemos questionar até que ponto as ações 
humanas estão contribuindo para a exploração, destruição e degradação do meio 
ambiente e dos recursos naturais disponíveis. Essa reflexão é essencial para garantir 
nossa própria sobrevivência e promover um futuro sustentável para as gerações futuras. 
 
TÉCNICAS SUSTENTÁVEIS 
Durante esta unidade, exploramos as diversas formas como a interação entre 
humanidade, natureza e sociedade molda o ambiente em que vivemos. Ao longo dos 
séculos, técnicas foram desenvolvidas para transformar a natureza em benefício 
humano, mas o crescimento industrial e a exploração desenfreada dos recursos naturais 
geraram desequilíbrios ambientais preocupantes. Desde os anos 70, a questão 
ambiental ganhou destaque em conferências internacionais, resultando no conceito de 
desenvolvimento sustentável, que busca suprir as necessidades humanas sem 
comprometer o futuro do meio ambiente e das próximas gerações. 
 
 
23 
A Conferência de Estocolmo, em 1972, foi um marco nesse processo, levantando 
preocupações sobre a poluição industrial e estabelecendo princípios para a preservação 
ambiental. Esses princípios reconhecem a interdependência entre o homem e o meio 
ambiente e destacam a importância de proteger e melhorar o ambiente humano para o 
bem-estar das pessoas e o desenvolvimento econômico global. 
Essas ideias foram fundamentais para o surgimento de técnicas sustentáveis, 
impulsionadas por conferências subsequentes, como a Eco-92 no Rio de Janeiro, que 
deu origem à Agenda 21. Esse documento enfatizaa necessidade de ações conjuntas 
para o desenvolvimento sustentável, a preservação ambiental e a inclusão social. 
Posteriormente, em 2002, a Cúpula da Terra em Johanesburgo reiterou essas 
demandas, fortalecendo o compromisso global com a sustentabilidade. 
As técnicas sustentáveis não devem ser vistas apenas como práticas ambientais 
isoladas, mas como parte integrante da cultura e da sociedade. A diversidade cultural 
pode desempenhar um papel crucial na promoção dessas práticas, influenciando 
políticas públicas, planejamento urbano e desenvolvimento de comunidades 
sustentáveis. Portanto, é essencial reconhecer e valorizar os diferentes modos de vida 
como recursos importantes para a construção de um futuro mais sustentável. 
O conceito de sustentabilidade está intrinsecamente ligado a um conjunto de técnicas e 
estratégias projetadas para mitigar os impactos negativos das atividades humanas nos 
ecossistemas. Essas técnicas devem atender a certos critérios: 
- Economicamente viáveis: Elas devem promover o crescimento econômico sem 
prejudicar o meio ambiente. Isso inclui priorizar a reciclagem de materiais para reduzir 
o uso de matérias-primas virgens, diminuir a emissão de gases poluentes resultantes 
da produção industrial excessiva e reduzir o acúmulo de resíduos não biodegradáveis, 
como plástico, isopor e borracha. Além disso, devem incentivar o uso de energias 
renováveis e limpas, como energia eólica, solar e biocombustíveis, que têm impactos 
ambientais reduzidos. 
- Ecologicamente corretas: Essas técnicas devem buscar um equilíbrio entre a 
extração de recursos naturais e sua reposição, evitando o desperdício e a exaustão dos 
recursos. Devem também evitar o uso de substâncias prejudiciais à vida humana e à 
saúde ambiental, como elementos tóxicos presentes em resíduos radioativos de usinas 
nucleares. 
- Socialmente justas: As práticas sustentáveis devem incluir iniciativas 
educativas que promovam a responsabilidade e a conscientização ambiental, bem como 
a solidariedade. Devem destacar que as ações individuais podem afetar toda a 
comunidade e todos os seres vivos. 
- Culturalmente diversas: É importante que essas técnicas valorizem as diversas 
culturas e diferenças locais, garantindo que os beneficios sejam acessíveis a todos, sem 
discriminação com base em raça, gênero, classe, região ou religião. 
Com base nesses princípios, a comunidade científica internacional tem trabalhado em 
conjunto para desenvolver práticas e técnicas que, embora ainda não sejam 
amplamente adotadas globalmente, têm o potencial de reduzir significativamente os 
impactos adversos das atividades humanas na biodiversidade e na humanidade. Essas 
práticas representam um caminho promissor para o desenvolvimento sustentável, 
baseado no respeito ao meio ambiente. 
 
 
 
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Considerações 
Nesta unidade, exploramos a relação intrínseca entre a sociedade e a natureza, 
reconhecendo sua interdependência. No primeiro tópico, analisamos a interferência 
humana na natureza ao longo da história, destacando o período da Revolução Industrial 
como um marco de intensificação da exploração dos recursos naturais devido ao avanço 
do capitalismo e da industrialização. 
Nos tópicos subsequentes, examinamos os impactos da sociedade sobre a natureza e 
vice-versa, ressaltando a impossibilidade de separar ambas. Observamos os danos 
causados pela atividade humana, como o esgotamento de recursos naturais e a perda 
de biodiversidade, bem como os efeitos da natureza sobre a sociedade, como 
deslizamentos de terra, enchentes e escassez de água potável. 
Por fim, discutimos a importância da adoção de técnicas sustentáveis para a 
preservação ambiental, destacando conferências e acordos internacionais que 
promoveram o conceito de desenvolvimento sustentável. Concluímos que compreender 
e agir em prol da natureza é essencial para garantir nossa própria sobrevivência. Até a 
próxima jornada de estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE III 
GEOGRAFIA COMO CIÊNCIA 
 
Prezado{a) estudante, 
É um prazer recebê-lo{a) na disciplina "Categorias e Conceitos da Geografia". 
Este material foi elaborado com o objetivo de apresentar as bases teóricas do 
pensamento geográfico e promover discussões sobre a Geografia como ciência. 
Destinado a estudantes e pesquisadores interessados em compreender a formação 
histórica da ciência geográfica, nosso objetivo é explorar o espaço em que vivemos, 
suas características naturais, as mudanças territoriais e as interações humanas que o 
moldam. 
Durante sua jornada educacional, você já teve contato com conceitos fundamentais da 
Geografia, como território, espaço, lugar e região. Este material visa aprofundar esses 
conhecimentos adquiridos ao longo do Ensino Básico, oferecendo uma compreensão 
mais ampla do pensamento geográfico e sua relevância dentro das Humanidades. 
A Unidade 3, intitulada "Geografia como ciência", está dividida em quatro tópicos que 
abordam as diferentes áreas da Geografia, suas relações com outras disciplinas, os 
princípios da Geografia Crítica e os diversos ramos geográficos. 
Esperamos que esta unidade contribua para o seu aprendizado, estimulando seu 
pensamento crítico e promovendo o desenvolvimento de suas habilidades investigativas 
em Geografia. 
Desejamos a você uma excelente jornada de estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
Prezada(o) aluna(o), 
Nas unidades anteriores, exploramos o desenvolvimento da ciência geográfica 
ao longo dos séculos, destacando suas transformações sob a influência de diferentes 
períodos históricos. Na era moderna, a Geografia se estabeleceu como a disciplina 
voltada para compreender o espaço onde as atividades humanas ocorrem e as 
interações sociais se desenvolvem. 
Ao longo dos séculos, a humanidade tem utilizado a natureza de várias maneiras para 
garantir sua sobrevivência, estabelecendo assim um diálogo integrado entre natureza e 
sociedade, concebido por alguns estudiosos como uma "acumulação desigual de 
tempos". 
A capacidade da ciência geográfica de proporcionar uma interpretação abrangente da 
realidade, mediando entre as ciências sociais e naturais, é evidente na divisão entre 
Geografia Humana e Geografia Física. Essa divisão temática e metodológica permite 
que a Geografia investigue e analise seus objetos de estudo de forma dinâmica. 
Até o século XIX, a Geografia buscava sua identidade como disciplina, pois o 
conhecimento geográfico estava integrado a um corpo único de conhecimento. A 
influência do positivismo levou à fragmentação do diálogo entre as diferentes áreas do 
conhecimento, resultando em uma divisão entre ciências humanas, exatas e da Terra. 
A corrente possibilista destacou as análises humanas e sociais em detrimento das 
análises físicas, aprofundando a divisão entre Geografia Física e Geografia Humana. 
No início do século XX, os geógrafos começaram a estudar o meio físico por meio de 
especializações, contribuindo para o desenvolvimento da disciplina. A obra de De 
Martonne foi pioneira ao estabelecer os primeiros ramos da Geografia Física: 
Geomorfologia, Biogeografia e Climatologia, influenciados pela Geologia, Biologia e 
Meteorologia. 
Após a Segunda Guerra Mundial, o neopositivismo marcou o início de um movimento 
de renovação na Geografia, afastando-se dos métodos tradicionais de pesquisa. O 
surgimento de modelos matemáticos e quantitativos, juntamente com a Teoria dos 
Sistemas, refletiu uma mudança metodológica na disciplina, apesar de persistirem 
questões relacionadas à dominação e desigualdades sociais. 
Com o surgimento da Nova Geografia, os geógrafos físicos passaram a adotar a teoria 
dos sistemas e modelos quantitativos, enfatizando a distinção metodológica entre 
Geografia Física e Humana, o que confere um caráter cientifico à disciplina. Isso 
resultou em uma certa desconsideraçãodas contribuições dos geógrafos humanos, 
consideradas por vezes como meras especulações sem embasamento cientifico. 
No entanto, nos anos 60, diante das crescentes desigualdades sociais e espaciais 
causadas pelo avanço do capitalismo e da globalização, surgiu a corrente da Geografia 
Crítica, influenciada pelo pensamento marxista. Os geógrafos críticos passaram a 
denunciar e criticar a exploração e as desigualdades sociais, questionando o papel dos 
geógrafos físicos, que, segundo eles, estariam servindo aos interesses do capitalismo 
sem considerar suas consequências sociais. 
 
 
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A visão ocidental que separa o homem da natureza complicou ainda mais a metodologia 
da Geografia Moderna, dificultando a superação da dicotomia entre Geografia Humana 
e Física. 
A partir dos anos 70, a comunidade científica se reuniu na Conferência de Estocolmo 
para discutir os problemas ambientais resultantes da exploração desenfreada dos 
recursos naturais pelo capitalismo. Isso levou os geógrafos físicos a reconhecerem a 
necessidade de interpretar o modo de produção capitalista para entender seus impactos 
ambientais. 
É possível enxergar um movimento em direção a uma abordagem mais integradora e 
multidisciplinar da Geografia no século XXI, à medida que a sociedade demanda 
respostas para questões urgentes. Nesse sentido, é importante superar a divisão entre 
Geografia Humana e Física e construir uma Geografia Global, capaz de integrar o 
estudo da sociedade e da natureza de forma holística. 
A valorização de uma visão global reflete a preocupação contemporânea com uma 
compreensão complexa da realidade, que não se limita ao meio científico. A Geografia 
desfragmentada se apresenta como uma ferramenta importante para compreender a 
interação entre meio ambiente e sociedade. 
A divisão entre Geografia Física e Humana pode ajudar a delimitar metodologicamente 
os objetos de estudo, mas é fundamental reconhecer a interconexão teórica e 
epistemológica entre ambas para análises mais abrangentes e completas da realidade. 
 
GEOGRAFIA E INTERDISCIPLINARIDADE 
Cara(o} aluna(o}, a partir do conteúdo abordado anteriormente sobre as divisões 
da Geografia, ou seja, a distinção entre Geografia Física e Humana e, 
consequentemente, as subdivisões dentro dessas duas áreas centrais, podemos 
perceber que o conhecimento geográfico, construído de maneira fragmentada, 
possibilitou uma interdisciplinaridade teórico- metodológica devido aos desafios 
encontrados em seu objeto de estudo principal, o espaço geográfico. 
Para adquirir os conhecimentos naturais e sociais relacionados ao espaço geográfico, 
é necessário que a comunidade científica em Geografia promova debates e diálogos 
com outras disciplinas, pertencentes às áreas das Ciências Humanas, Exatas e 
Naturais. 
A Geografia, como campo do conhecimento, tem como preocupação central a 
compreensão das relações dinâmicas entre sociedade e natureza. Isso a diferencia das 
demais ciências, que, devido às particularidades de seus objetos de estudo, foram 
organizadas de forma disciplinar. 
Devido à necessidade de compreender tanto a natureza quanto a sociedade e de 
enxergar o espaço geográfico como a expressão na superfície terrestre das diversas 
formas de organização social, a Geografia sempre foi considerada uma ciência de 
síntese e, internamente, pode ser vista como interdisciplinar. 
No entanto, essa interdisciplinaridade inerente à Geografia nem sempre foi amplamente 
aceita. Com a prevalência da racionalidade nos métodos e teorias científicas na era da 
Modernidade, houve uma tendência crescente à separação e fragmentação do 
 
 
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conhecimento, resultando na divisão entre as Ciências Naturais/Exatas e as Ciências 
Sociais/Humanas. 
Nesse período histórico, a Geografia enfrentou desafios decorrentes do pensamento 
positivista predominante, que enfatizava a separação entre as disciplinas. Isso dificultou 
a definição de métodos próprios e prejudicou sua consideração como ciência legítima, 
devido às interações complexas entre sociedade e natureza. 
A busca pela individualização das ciências, imposta pela Modernidade, levou os 
geógrafos a defender a Geografia como uma disciplina autônoma, com métodos 
distintos. No entanto, essa tentativa de singularidade acabou por empobrecê-la. 
O movimento de renovação da Geografia nos anos 1970, especialmente em diversos 
países, promoveu uma revisão epistemológica da Geografia Humana, destacando o 
espaço geográfico como categoria central. Isso impulsionou a valorização de estudos 
interdisciplinares. 
A interdisciplinaridade na Geografia é vista como uma abordagem que permite uma 
compreensão mais ampla e integrada dos fenômenos. Ela não deve ser entendida como 
uma sobreposição de disciplinas, mas sim como uma convergência de perspectivas 
para compreender um problema ou questão. 
A proximidade entre a Geografia e outras disciplinas é evidente, permitindo uma análise 
conjunta de questões complexas. A interdisciplinaridade não se limita à Geografia; todas 
as ciências se beneficiam dela, enriquecendo as interpretações sobre a realidade. 
A interdisciplinaridade é uma prática coletiva que busca compreender problemas 
complexos por meio da colaboração entre diferentes áreas do conhecimento. Ao romper 
com as fronteiras disciplinares, ela permite investigar questões mais abrangentes e 
estruturadas. 
Portanto, a interdisciplinaridade na Geografia possibilita uma integração com outras 
áreas do conhecimento, enriquecendo as análises e interpretações sobre o espaço 
geográfico e seus componentes. 
 
GEOGRAFIA CRÍTICA 
Nos tópicos anteriores exploramos as divisões na Geografia, destacando a 
dicotomia entre Geografia Humana e Geografia Física, além dos conhecimentos 
interdisciplinares presentes na construção do conhecimento geográfico. Agora, vamos 
analisar a formação da abordagem crítica na Geografia, um movimento teórico e 
metodológico que ganhou destaque no Brasil e influenciou significativamente a 
produção teórica contemporânea. 
A abordagem crítica representa uma ruptura com a Geografia tradicional e a Geografia 
teorético-quantitativa. Seu embasamento epistemológico está no materialismo histórico 
dialético, proposto por Karl Marx. Essa abordagem visa refletir sobre as constantes 
transformações na organização espacial, especialmente impulsionadas pela 
urbanização, industrialização e avanço do capitalismo, questões que não encontravam 
respostas adequadas em outras correntes do pensamento geográfico, como o 
regionalismo, o possibilismo e o determinismo. 
Muitos autores da Geografia Crítica adotam uma postura engajada com as 
transformações sociais, utilizando o conhecimento como uma ferramenta para promover 
 
 
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uma sociedade mais justa e libertadora. Essa abordagem possui um forte conteúdo 
político e militante, avaliando as contradições inerentes ao sistema capitalista de 
produção. 
O movimento da Geografia Crítica reflete o embate ideológico contemporâneo da luta 
de classes na sociedade. Os geógrafos críticos, em suas diversas orientações, 
defendem a perspectiva popular e buscam uma transformação social. Assim, eles 
almejam uma Geografia que promova um espaço mais justo, organizado de acordo com 
os interesses humanos, e não apenas os interesses do capital. 
A partir de agora, vamos examinar as diferentes correntes e os principais pensadores 
que contribuíram para o desenvolvimento da teoria crítica nos debates da Geografia 
global e, mais especificamente, da Geografia brasileira. 
Na França, durante as décadas de 1930 e 1940, observamos um movimento 
significativo em favor da abordagem crítica na Geografia, liderado pela ala progressista 
da geografia regional francesa. Essa corrente gradualmente começou a incorporar a 
análise da produção do espaço aos processos sociais e econômicos, dando início a 
discussões mais politicamente engajadas nos estudos geográficos do país. 
Um

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